Still

Sinopse: Os dois cresceram e estudaram juntos por um tempo, mas nunca foram amigos. Sempre se gostaram, mas nunca tiveram a chance de se declarar.
Ele foi atrás de seu sonho e acabou na maior boyband dos últimos tempos. Ela permaneceu em Mullingar, estudou e se formou para seguir seu sonho de tornar-se professora.
Em uma das raras férias que tivera naqueles primeiros quatro anos de banda, Niall Horan voltou a Mullingar para passar as festas de fim de ano com a família e reencontrou Eileen O’Brien, descobrindo que ainda sentia-se da mesma forma que antes de ser famoso, quando eram apenas dois adolescentes na pequena cidade de Mullingar.
Ele, vencendo suas inseguranças, a convidou para sair um dia enquanto estivesse ali. Ela, vencendo seu medo, aceitou. Uma noite e mais nada. Ele voltou para a One Direction, para o que seria a última turnê da banda, e ela foi para Dublin trabalhar com o que amava.
Os dois nunca tiveram a chance de se declarar, mas a foto de uma criança tirada sem autorização foi o estopim para ligá-los novamente e fazer com que os sentimentos antigos voltassem à superfície.
Fandom: Niall Horan
Gênero: Romance, drama.
Classificação: 18 anos
Restrição: Fanfic escrita com o cantor Niall Horan fixo. Classificação 18 anos, pois contém cenas que retratam crises de ansiedade, pânico e utilização de drogas lícitas e ilícitas
Beta: Regina George

Capítulos:

Prólogo

‘Cause if I’m being honest I ain’t over you yet, it’s all I’m asking. Is it too much to ask?


Saitama, Japão, segunda-feira, 02 de março de 2015

Niall estava sentado em seu camarim, sozinho, e encarando o nada, pensando na vida e pouco feliz com tudo. Amava cantar, amava ser parte da One Direction, mas odiava passar tão pouco tempo em casa, como foi no fim do ano, a última vez em que esteve em Mullingar e, provavelmente, só voltaria para a Irlanda no fim do ano, quando a turnê acabasse.
O tempo em Mullingar foi pouco, menos de um mês, tinha passado bons dias com amigos e a família, mesmo que quisesse ter passado mais dias em casa, além dos feriados de fim de ano, afinal, talvez assim, até tivesse conseguido conversar direito com ela e pudessem ter tentado alguma coisa.
E a lembrança só fez com que ele sentisse ainda mais vontade de voltar pra casa naqueles dias que separavam a viagem de Saitama para Singapura. Os dois não tinham nem mesmo trocado números de telefone, tinha sido apenas dois encontros (não consideraria os dias em que foi até o trabalho dela para tentar convencê-la a sair como um tipo de encontro) e mais nada.
Niall nunca quis tanto que uma pessoa tivesse dado o número de telefone para ele como queria que ela tivesse feito. Tudo bem, ele não tinha pedido, mas ofereceu passar o próprio e ela disse que “não vamos conversar muito, fusos diferentes e essas coisas… foi bom te ver, Niall” e só.

– Por que você está com essa cara de enterro, Nialler? – Liam apareceu, sentando-se ao lado do amigo, que soltou um suspiro derrotado.
– Estou pensando.
– E seus pensamentos, por acaso, tem nome?
– Nome, endereço, imagem… e um telefone que eu não tenho. – o rapaz suspirou.
– Ela? – Liam perguntou e Niall assentiu. – Aconteceu algo?
– Lembra que te contei que saímos quando eu estive em Mullingar? – perguntou e o amigo assentiu. – Então, tô só pensando nisso mesmo. Sobre querer ir em casa para vê-la, ir perguntar se podemos fazer isso dar certo.
– Nenhum dos seus amigos conseguiu o telefone pra você?
– Ela não mora em Mullingar mais, parece que mudou pra Dublin no começo do ano, logo depois que eu voltei pra cá.
– Redes sociais?
– Ela nunca me aceitou no Instagram, Liam. – Niall suspirou.
– Você já parou pra pensar que talvez ela tenha… medo? – perguntou e Niall o olhou sem entender. – Sim, medo. Você sabe como é a vida, a nossa vida… tudo toma proporções muito maiores do que realmente tem, algumas pessoas acham que ainda podem controlar nossos relacionamentos e vidas…
– É, pode ser. – Niall suspirou. – Mas eu queria muito poder falar com ela.
– Ela não aceita mensagem no Instagram? Tipo, de pessoas que não a seguem? – Liam perguntou e Niall deu de ombros.
– Queria falar pessoalmente, porque por mensagem não sei se consigo dar o tom que preciso e lá ela pode simplesmente apagar e ignorar e…
– Vamos dar um jeito nisso, Nialler.
– Pena que nesses dias até o show de Singapura eu não posso viajar pra lá, só pra… – Niall suspirou, deixando a frase morrer.
– Sem chances dessa vez. – Liam falou, apertando o ombro do amigo numa forma de consolo. – Mas, no fim do ano…
– Payno, tanta coisa pode acontecer daqui até o fim dessa turnê… – Niall respondeu num tom derrotado.
– Por enquanto, a única coisa que precisa acontecer é o show de hoje. – Liam falou, voltando a apertar o ombro do amigo. – Vamos pensar em algo depois, alguma coisa pra chamar a atenção dela para vocês dois conversarem e você abrir seu coração.
– Isso é uma coisa com a qual eu não conto, Liam, mas obrigado. – Niall deu um sorriso pequeno ao falar, triste demais para sorrir verdadeiramente.
– Nossa, que clima de velório é esse? – Louis apareceu na porta, colocando apenas a cabeça para dentro do camarim. – Aconteceu alguma coisa?
– Não, tudo bem Tommo. – Niall respirou fundo e tentou tranquilizar o amigo.
– Você não sabe mentir, Nialler. Precisam de um tempo? Podemos enrolar um pouco, pedir pra estenderem o show de abertura um pouquinho…
– Está tudo bem. De verdade. Eu só fiquei pensando em casa um pouco…
– Ah… – Louis deu um sorriso compreensivo para Niall.
Sabia muito bem o que aquilo queria dizer.
– Aconteceu alguma coisa? – foi a vez de Harry perguntar, na porta do camarim, mas sem aparecer.
– Niall apenas precisa de um tempo antes do show. – Louis respondeu.
– E por que estamos todos aqui se ele precisa de um tempo? – Harry perguntou, num tom óbvio, arrancando uma risada dos outros três.
– Eu estou bem, nós vamos subir e fazer um show ótimo, como todos os outros que fizemos até agora. – Niall garantiu, mesmo que nenhum dos amigos levasse a sério.
– Ela não sabe o que está perdendo, Nialler. – Liam garantiu, dando um beijo no rosto do rapaz e ficou de pé. – Dez minutos.
– Dez minutos. – assegurou, sorrindo agradecido e logo estava sozinho em seu camarim novamente, observando o local vazio enquanto ouvia ao longe a apresentação da banda 5 Seconds of Summer no show de abertura.

Em Dublin, naquele mesmo momento, lá estava .
Sentada sobre a tampa do vaso e observando a pia. Não era possível que aquilo fosse verdade. Não era possível que tivesse engravidado. Sempre tão cuidadosa, não tinha transado sem camisinha com ninguém, mas lá estavam os três testes com o resultado positivo sobre a pia. E só havia uma única pessoa que poderia ser o pai daquela criança: Niall Horan, que, no momento, estava se preparando para entrar no palco para o quarto show em Saitama, o décimo terceiro da On The Road Again Tour.

Capítulo 01 – Explique-se, Niall!

I’m not saying that you’re lying, but you’re leaving out the truth…


Dublin, Irlanda, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Ethan, todo embrulhado em agasalhos, brincava com um boneco de dinossauro enquanto empurrava o carrinho pelas ruas de Dublin, com algumas sacolas de supermercado penduradas, tentando chegar em casa antes que a chuva voltasse a cair e ela ficasse ilhada com o filho no meio do temporal. Precisava do verão o mais rápido possível, não aguentava mais o nariz sempre escorrendo e a constante preocupação com a temperatura corporal de Ethan.
O menino, em seu carrinho, estava vestido com várias camadas de agasalhos, totalmente alheio às preocupações da mãe sobre o frio em Dublin e a imensa vontade de que o verão chegasse para que pudessem aproveitar os dias quentes sem tantas roupas e preocupações com doenças respiratórias ou quantidade de cobertores a noite, Ethan só queria brincar com seu dinossauro de brinquedo que carregava para todos os lados e nunca abandonava. Seu brinquedo favorito desde sempre. Mas, as luvas que envolviam suas pequenas mãozinhas e as protegiam do frio, acabaram o traindo em um movimento e o dinossauro escorregou, caindo no chão e os passos apressados de quase fizeram com que Ethan perdesse seu pequeno “Didi” pra sempre, não fosse uma pessoa na rua que viu o objeto caindo.

– Ei, moça! – ouviu uma voz e, depois, um toque leve em seu ombro. – Acho que isso é seu.
– Meu? – perguntou, virando-se para a garota que estava tão agasalhada quanto ela e tinha o brinquedo de Ethan em mãos.
– Didi. – Ethan choramingou e a jovem, deveria ter uns dezesseis anos, pensou, foi até a parte da frente do carrinho e se abaixou, ficando de frente para o menino e lhe estendendo o brinquedo.
– Meu Deus do céu. Ele é a cara do Niall! – a jovem riu em choque e sentiu a pressão baixar, além da vontade de correr com o filho e sumir da vista daquela mulher eternamente, mas, ao invés disso, agiu de uma forma tão descontraída e natural que quase se convenceu que o menino não era mesmo a cara do pai.
– Não tenho tanta sorte assim. – riu. – Do Niall, o Ethan só tem a mesma nacionalidade.
– Nossa, mas ele parece muito com o Niall. – a moça riu ao falar. – Você deve ouvir bastante sobre isso.
– Na verdade, você foi a primeira. – deu uma risadinha nasalada antes de retomar a fala. – Normalmente falam que ele se parece com o pai dele.
Bom, não era mentira.
Falavam “ele só pode parecer com o pai, , porque não tem nada seu nessa criança além do sobrenome”, o que era a verdade.
Mas ninguém (principalmente uma desconhecida na rua) precisava saber que o pai de Ethan era Niall Horan.
– Parabéns pelo belo filho e belo marido então. – a moça brincou, dando um sorriso ao falar e riu junto.
– Obrigada. – respondeu. – E obrigada por pegar o Didi, não sei o que eu faria se ele perdesse esse dinossauro.
– Sem problemas. – a garota sorriu, não demorando a ficar de pé e retomar seu caminho, deixando que e Ethan seguissem até a própria casa.

Ele, alheio ao mundo novamente agora que tinha seu “Didi” de volta.
Ela, alheia ao fato de que a garota tinha tirado uma foto de Ethan e estava mandando, naquele momento, para um grupo de amigas no WhatsApp e falando sobre como aquela criança parecia o Niall e, depois, procurando uma foto similar de Niall naquela idade para postar em comparação.
Pouco depois de chegarem à pequena casa, Ethan e estavam confortavelmente aquecidos, graças unicamente ao aquecedor, o menino estava na sala brincando com alguns brinquedos e terminava de guardar as compras. Precisava passar algumas roupas e marcar uma consulta para Ethan na pediatra ainda naquele dia e não podia esquecer disso de forma alguma.
“Meu Deus do céu. Ele é a cara do Niall.”, ecoava em sua mente e tentava ignorar, mas não tinha como.
Ethan realmente é a cara do pai. E, não bastasse isso, ainda tinha nascido no mesmo dia, adiantando o próprio parto que deveria acontecer três ou quatro dias depois. não tinha ódio de Niall ou nada do tipo, pelo contrário. Tinha passado a maior parte de sua vida gostando dele, enquanto ainda eram apenas alunos da mesma escola e por dois anos na mesma sala, depois quando ele se tornou um astro pop mundialmente conhecido e amado. E ainda durante aqueles anos depois disso. Até hoje.
tinha surtado na época em que descobriu a gravidez, o que é consideravelmente normal dado o contexto: Tinha se mudado para Dublin há pouco mais de dois meses, estava em um emprego novo e vivendo o sonho de se sustentar sozinha (mesmo que não fosse rica e nem tivesse tantos luxos) e trabalhando com aquilo que amava. Estava grávida de um cara famoso por quem tinha sido apaixonada durante toda a vida e com quem tinha ficado apenas uma vez. E, o cara famoso, era integrante da maior boyband dos últimos tempos. Era mesmo de se surtar.
Depois do surto inicial, lembrou-se vagamente de um comentário sobre uma camisinha furada, mas não tinha dado muita atenção, porque, pelas suas contas, não estava no período fértil e não teriam problemas com aquilo em questão de gravidez (que foi a única coisa que passou pela cabeça dos dois no momento), mas, também, queria sair o mais rápido possível daquele quarto e deixar Niall Horan para trás. Eles não poderiam ser nada, então queria apenas se proteger e evitar que seu coração acabasse ainda mais partido.
Na época, ela pensou em aborto, mas não fez. Sempre tinha sonhado em ser mãe e se o universo tinha decidido que aquele era o momento, então era o momento. Os pais também surtaram um pouco quando ela disse que tinha engravidado de um cara qualquer que conheceu em Dublin, mas ele tinha ido embora e ela nunca mais o veria, mas foram compreensivos e solícitos, além de serem excelentes avós, apaixonados pelo menino e nunca deixaram que lhe faltasse nada.
O pai não sabia da existência da criança, claro.
Primeiro, não sabia como contar, porque não o aceitaria em suas redes sociais (e ele tinha sido bem insistente durante anos quando ela recusou e nunca mais tirou uma solicitação que ele tinha deixado bem antes de terem transado) e não tinha seu telefone para mandar uma mensagem ou ligar avisando que ele tinha um filho. Segundo, não queria ter que lidar com a mídia que ele atraía, não queria paparazzis cercando sua casa ou tirando fotos dela por Dublin enquanto ela estivesse simplesmente andando com o filho pra qualquer que fosse a coisa que precisasse fazer. Terceiro, não queria lidar com as “fãs” (e usava as aspas para se referir ao tipo que se dizia fã, mas apenas quer controlar a vida do ídolo, criar teorias e fazer inferno na vida alheia) e com toda a maldade que costumavam destilar.
Então, desde 13 de setembro de 2015, quando Ethan nasceu em Dublin, eram apenas os dois. Foram dias difíceis sozinha com ele, cólicas, fases de salto, gripes, dores de dente, febres… mas tinham passado por tudo e sobrevivido. Ethan era a melhor coisa que poderia querer em sua vida, nem se tivesse sido feito sob encomenda ele seria tão perfeito quanto era. Mesmo que ele fosse muito parecido com o pai e acabasse tornando basicamente impossível a missão de esquecer Niall Horan (não que ela tentasse de verdade, em todo caso), de deixar de lado aquele sentimento que nunca tinha acabado, apenas adormecido um pouquinho.
Achava engraçado que tivesse sido apaixonada por aquele garoto cor-de-rosa, de dentes levemente tortos e de cabelos compridos e tingidos de loiro, mas ele era uma gracinha se a pessoa olhasse bem e que agora era um homem muito bonito e com a imagem bastante diferente da que tinha quando era um adolescente em Mullingar, antes da fama.
gostava da risada e do jeito como Niall sempre tinha sido espontâneo com os amigos na época da escola. Niall e nunca tinham chegado a ser amigos, conversaram algumas vezes quando foram da mesma sala, mas nada além disso. Ele passou nas audições do “The X-Factor” alguns anos depois, antes de terminar os estudos, virou um super astro da música e mal colocou os pés em Mullingar durante todo o tempo que a One Direction existiu, primeiro com cinco membros e, depois, com os quatro membros que tinham declarado o hiato da banda, mas que logo voltariam.
quis contar para Niall sobre a gravidez, quis mesmo, mas não podia simplesmente aparecer e falar “oi, tive um filho seu”, porque tudo relacionado a vida de um dos integrantes da One Direction criava uma proporção maior do que tinha e tudo, absolutamente tudo, desencadeava reações (e, por vezes, mais ruins do que boas). A última coisa que queria era perturbar a paz do crescimento de Ethan deixando que o mundo soubesse de sua existência.
Niall estava bem em sua vida, sabia, ele tinha gravado um álbum que era um sucesso, estava prestes a começar uma turnê, além de todo sucesso que a One Direction tinha feito e ainda fazia. ainda é fã da banda e de todos eles enquanto artistas solos, até mesmo de Niall, eram ótimos em conjunto e ela viveu a febre do auge ao hiato da banda, depois indo para as carreiras solo de cada um deles e sabendo todas as músicas que já tinham sido lançadas e ansiando pelas novas que ela torcia que saíssem logo. Até iria ao show de Harry em Dublin, em abril, tinha comprado os ingressos com , mas ainda estava decidindo-se se iria e levaria Ethan ou se contrataria uma babá no dia.

– Mamãe. – ouviu o menino chamar, virando-se na direção da porta e vendo o pequeno entrar na cozinha. – Fome.
– Mamãe vai fazer um lanche, bebê. Pode voltar pra sala, já levo pra gente comer e assistir algum desenho, o que acha? – falou e o menino sorriu, franzindo os olhinhos.
– Sim! – comemorou, voltando para a sala e deixando a mãe sozinha na cozinha, acompanhada da voz de Adele, na rádio.

🇮🇪💚🇮🇪
Los Angeles, California, EUA, quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Niall

Niall estava em casa assistindo a um jogo de golfe, depois de uma reunião que lhe consumiu a manhã inteira para resolver alguns detalhes antes do começo da turnê de seu primeiro álbum solo, Flicker, que começaria dali alguns dias – e a gravação de algumas músicas do álbum com a RTÉ Orchestra, em Dublin.
A turnê começaria pela Europa, primeiro na Irlanda, depois o resto do continente, um pouco de Oceania, Ásia, Américas e fim. Oitenta e dois shows. Um número pequeno se comparasse com a época de One Direction, mas era o princípio da carreira solo, um passo de cada vez. Não podia querer abraçar o mundo com braços e pernas, mesmo sabendo que teria retorno, não valia a pena todo o sofrimento que passaria antes de terminar.
Então, enquanto não precisava viajar para compromissos ou para a turnê, continuaria tranquilamente deitado em seu sofá, acompanhado de uma boa cerveja (não a dos Estados Unidos, ou aquilo que os norte-americanos costumavam chamar de cerveja, mas pra ele parecia mais água com sal e bicarbonato) e seu jogo. Poderia postar alguma coisa no Instagram, mas era melhor apenas ficar assistindo ao jogo e deixar a internet pra depois.
Ou era o que ele pensava.
O celular soou com uma notificação de mensagem no WhatsApp e o nome de Liam era o mais recente, tinha enviado uma foto e Niall teria que desbloquear o aparelho para visualizá-la. Rapidamente desviou os olhos da tela da televisão para abrir o aplicativo de mensagens e baixou a foto que o amigo tinha enviado.
Era o print de um tweet de algum fã no Twitter e um “Niall Horan, explique-se!” e abaixo disso duas fotos: uma de quando ele tinha uns três anos, e ao lado… também parecia com ele, mas a resolução estava muito boa para ser algo de 1996, o modelo de carrinho e as roupas não pareciam antigas. Então, aquele outro bebê não era ele, mas se parecia muito com ele.

É, Niall Horan, explique-se!

Não faço ideia do que isso possa ser, Payno.
Provavelmente alguma edição, você sabe como nossas fãs são boas nisso

Eu estou um pouco assustado com a semelhança, Nialler
Certeza que você não andou fazendo bebês por aí durante esse tempo?

Absoluta!
Esse filho não é meu
Talvez seja eu do passado vindo pro futuro na tentativa de salvar o Universo

Você é idiota hahahaha

Você deu like nisso?

Claro.
Vi pela TL e resolvi dar like pra salvar, achei que não conseguiria te mandar hoje, mas consegui e agora aguardo a explicação razoável hahaha

Payno, aposto que nossos nomes estão nos Trending Topics por causa desse like

Nialler, as pessoas têm mais o que fazer…
Sei que você está vendo alguma coisa de golfe, então volte a assistir e nós conversamos depois
Até porque eu tenho mais o que fazer também

Foi a última mensagem de Liam e Niall, sem conter a curiosidade, abriu o Twitter. E tinha acertado. “O Liam curtiu” e “EXPLIQUE-SE NIALL!” estavam nos trending topics e ele deu uma risada alta ao ver aquilo. Era realmente impressionante como qualquer coisinha que eles fizessem criava toda aquela repercussão. Um like em um tweet aleatório tinha feito todo aquele estardalhaço
Resolveu ignorar, provavelmente aquilo era uma das boas edições que as fãs faziam, não perderia seu sono – ou pior, seu jogo! – com aquilo. Era muito mais importante tomar sua cerveja e assistir televisão em paz e tranquilidade. E, em todo caso, não tinha o que explicar. A chance de existir um filho seu pelo mundo era tão grande quanto a da One Direction voltar com os cinco integrantes iniciais.


Nota da Autora: Oioi!
Cá estou eu com outra fanfic (eu perdi totalmente o controle da minha vida) e, POR UM MILAGRE, dessa vez não é uma fanfic de futebol. Porém, essa daqui está sendo escrita com bastante drama e sofrimento, mesmo que isso garanta minha passagem só de ida pro inferno, porque ninguém bom faz o anjinho Nini sofrer e sai impune.
Ela podia ser interativa, mas acho que ela combina em tudo com o Niall e por isso ele é fixo. Espero que vocês gostem, porque eu tenho gostado de escrever (e me odiado por fazer o Nini sofrer assim) e quando esse plot surgiu na minha cabeça, só consegui pensar no Niall e em como se encaixaria perfeitamente.
Aqui tem o grupo do Facebook e aqui o do WhatsApp. E fica a dica pra fazer parte dos grupos, porque eu aviso as coisas lá sempre.
Vocês também podem me seguir no Twitter (mas aqui eu só surto por esportes, bandas e xingo determinados presidentes não disse quais, e reclamo da vida).

Capítulo 02 – A palavra “solicitado” estava lá há cinco anos (talvez mais)


Why is loving you not fair? You’re everywhere…


Dublin, Irlanda, quinta-feira, 08 de março de 2018



quase teve um troço quando começaram a repassar uma foto de Ethan pela internet o comparando com Niall.
Aquela garota que encontrou o Didi tinha tirado uma foto totalmente sem autorização de uma criança e colocado na internet sem pensar nem um pouco nas consequências de seus atos. E, pra piorar, Liam ainda tinha dado like em um dos tweets que falavam sobre a comparação das fotos de Niall e de Ethan. “Explique-se Niall” tinha ficado nos assuntos mais comentados um dia inteiro e por várias vezes aquelas fotos estiveram em sua timeline do Twitter, em seu feed do Instagram.
Ainda bem que Niall não tinha aparecido para falar nada a respeito.
Quer dizer, mais ou menos “ainda bem”.
A ausência dele fora devidamente notada e, adicionada a isso, o sumiço das fotos da criança (solicitada por , que apenas queria proteger a imagem do filho de toda aquela bagunça que tinha sido criada) fez uma onda inflamar entre algumas pessoas na internet, cheias de opiniões e de teorias. Culpavam a gestão de marketing por tirar tudo do ar com algum propósito nefasto, um monte de conversa fiada sobre a criança (que também tinha sido teorizado diversas vezes sobre a veracidade da existência de uma) e a mãe… poucas as pessoas que se dispunham a dizer que podia ser apenas uma coincidência muito grande, mas se fosse um filho, deveria haver respeito, porque Niall era sempre muito, muito discreto em sua vida pessoal e era por coisas desse tipo, para evitar aquele tipo de reação inflamada, que ele ficava quieto e raramente postava alguma coisa sobre si mesmo e sua vida pessoal.
estava pensando duas vezes mais antes de sair de casa com Ethan, agora tudo lhe parecia suspeito e, mudando o pensamento de alguns dias, tinha começado a amar o frio que fazia em Dublin, pois assim podia esconder bastante de Ethan com toucas, cachecóis, luvas e blusas de frio quando precisavam sair de casa. Mesmo que aqueles olhinhos azuis tão iguais aos do pai ficassem visíveis, esconder o resto do rosto do menino já ajudava a não ter mais pessoas o fotografando sem autorização e postando na internet.
A ideia de que alguém pudesse suspeitar que Niall Horan tinha um filho e que ele pudesse começar a procurar por essa criança para descobrir se tinha mesmo um herdeiro por ai, fazia com que se sentisse bastante preocupada, pois se isso acontecesse, ela estaria perdida! Não gostava nem de pensar na ideia de que poderia perder Ethan ou de que fizessem da vida do menino um inferno por uma foto e uma manchete sensacionalista. Seu filho era o que tinha de mais precioso na vida e perder aquela criança era a última coisa que ela queria.

– Mamãe. – Ethan chamou e levantou os olhos do livro que tinha no colo e o olhou diretamente. – Pode bincar lá fora?
– Está fazendo muito frio, amorzinho. – falou e ele franziu o nariz, descontente.
– Mas mamãe… – resmungou, indo até o sofá para sentar-se no colo da mãe, colocando as mãozinhas nas bochechas dela e a olhando com a maior carinha pedinte do mundo. queria permitir, mas estava mesmo muito frio pra saírem de casa. – Só um pouquinho.
– Amorzinho, está muito, muito frio. – falou, fazendo um carinho no rostinho de Ethan e ele resmungou, aninhando-se no colo da mãe.
A temperatura não estava boa o suficiente para saírem de casa para brincar no parque, ainda que ele estivesse todo envolto em blusas de frio, toucas e luvas. Naquele momento fazia seis graus e estava ventando muito, deixando o clima ainda mais frio e a iminência de chuva só piorava a sensação térmica. Era melhor ficarem quietos em casa, seguros e quentinhos e evitar uma doença que viria, com certeza, se ficassem expostos ao clima daquele jeito.
– Mamãe, faz chocolate? – Ethan pediu, dando um sorriso que convenceria a matar alguém se ele pedisse daquele jeitinho.
– Chocolate e biscoitos. O que acha? E brincamos um pouquinho de…
– Futebol! – Ethan comemorou animado e ela assentiu, colocando-o no sofá e levantou-se para ir até a cozinha.
Enquanto estava na cozinha, ligou o rádio para acompanhar os preparativos do chocolate quente, bem cremoso e quentinho, como Ethan adorava, e biscoitos que, por sorte, tinha feito no dia anterior e não teria o trabalho de fazê-los naquele momento. Ainda bem.

– O cantor Niall Horan chega na Irlanda no dia 10 de março para sua primeira turnê como artista solo. O primeiro show, em Killarney, será no dia 10. Dia 12, o cantor vem para seu primeiro show solo em Dublin, mas tem outra data aqui pra cidade, no dia 29 desse mês. E nós vamos sortear um par de ingressos para o segundo show…

Niall Horan em Dublin.
Já tinha acontecido antes, durante a época em que a One Direction existia e eles faziam shows pelo mundo, ela tinha ido a quase todos os shows da One Direction na Irlanda. Na última passagem da banda pela capital irlandesa, Ethan tinha um pouco mais de um mês, foi o único que ela perdeu.
E era óbvio que Niall cantaria ali em Dublin bem no começo de sua primeira turnê solo (sem contar a mini tour que ele fez no ano anterior, claro), a capital de seu país. Qual a chance de não existir pelo menos um show dele ali? Zero!
Além disso, Niall também já tinha ido para Mullingar algumas vezes quando esteve por lá, sozinha ou com Ethan, mas tê-lo por perto, naquele momento em que conspiravam sobre um possível filho dele na Irlanda, era terrível e deixava seus nervos à flor da pele. Teria que se policiar para não sair de casa com Ethan tão descoberto, não queria correr riscos de outra pessoa aparecer para tirar fotos do menino e colocar na internet, incitando Niall a procurar por aquela criança.
Slow Hands tocava no rádio e ela cantava junto enquanto mantinha a atenção no chocolate que esquentava no fogão. Gostava da voz de Niall, mesmo que tivesse odiado a audição dele no The X-Factor (ele também tinha, então tudo bem) com uma música que ele escolheu muito mal na época. E, em todo caso, não tentava evitar as músicas ou o nome dele, primeiro por ser impossível, segundo por ser fã dele, da One Direction e por achar que Niall merecia tudo que vinha conquistando desde aquela época. E, em todo caso, gostava dele e não perderia a chance de ouvir a voz suave e tão bonita quando ela lhe era ofertada daquela forma.
Queria ir ao show, mas não correria o risco de ir e ser vista pela garota que tirou a foto e que aquilo se tornasse ainda mais intenso do que já estava. Apenas a foto de Ethan poderia passar, poderia ser considerada uma boa edição de imagem dali um tempo quando nada mais acontecesse, mas se ela aparecesse num show dele tudo estava perdido. Niall com certeza a reconheceria e aí sim ela teria problemas em se esconder e esconder o filho. Também havia o fato de não haver mais ingressos à venda, então ela não poderia ir ao show nem que não se importasse com os motivos anteriores.
Quando o chocolate quente ficou pronto, seguiu para a sala e encontrou Ethan deitado no sofá, enrolado na coberta que ela tinha sobre si há alguns minutos e o garoto sorriu em deleite ao ver a aproximação da mãe com uma bandeja com os chocolates quentes e biscoitos.

– Coma com cuidado, meu amor. – pediu e Ethan assentiu, pegando um biscoito e começando a comer.
– Mamãe, vamo vê a vovó?
– Você quer ligar pra ela? – perguntou e Ethan assentiu animado. – Comemos e ligamos, tudo bem?
– Simmm! – comemorou, voltando a morder o biscoito.

Eles comeram os biscoitos e tomaram o chocolate quente, na tentativa de esquentarem um pouco mais os próprios corpos, afinal, Dublin estava chuvosa e fria como costumava ficar naquela época do ano e era tedioso para as crianças permanecer em casa, mas, naquele momento, a única coisa que fazia era agradecer ao clima por estar tão horrível e impedir um passeio com Ethan.
Não queria nem pensar no que poderia acontecer se o encontrassem de novo.
Não estava preparada pra nada disso.

🇮🇪💚🇮🇪
Londres, Inglaterra, sexta-feira, 09 de março de 2018

Niall

Niall estava sentado no sofá de sua casa, esperando a mensagem que confirmaria que Jeromy tinha chegado para buscá-lo para dar início à sua primeira turnê sozinho, no primeiro show que faria em Killarney, no sul da Irlanda, no dia seguinte. Estava ansioso, mas de um jeito bom, motivado diria.
Amava turnês e ter a sua própria seria ótimo, mesmo que fosse sentir muita falta dos outros integrantes da One Direction consigo, só tinha feito turnês com eles, não conseguia deixar de pensar em como seria estranho estar em um palco sem os outros, mesmo que já tivesse feito a mini tour do álbum no ano anterior, mas também não conseguia deixar de pensar em como poderia ser ótimo fazer uma turnê inteira sozinho. A experiência deveria ser incrível.
Mas, no momento, estava ocupado vendo quantas fotos comparando o Niall bebê em diversas fotos (algumas que ele nem mesmo lembrava da existência) com o outro bebê, naquela mesma foto de antes, de touca, luvinhas, agasalho e um dinossauro de brinquedo em mãos.
As fotos sumiram por alguns dias, o que gerou uma bagunça imensa com teorias sobre a gestão de marketing ter feito tudo sumir, um bebê que era escondido… teorias e mais teorias e Niall não fazia a menor ideia do que poderiam ser e nem de onde tinham saído aquelas ideias todas, também sabia que não existia nenhuma ação da Modest para apagar nada da internet ou de esconder um filho, ele teria ficado sabendo caso isso acontecesse, teriam feito questão de que ele soubesse o que estava acontecendo.
Principalmente por terem perguntado várias vezes se ele não tinha mesmo um filho, se ele tinha total certeza de que não tinha engravidado ninguém nos últimos anos. Então, para ele, tudo era apenas um mistério que envolvia o sumiço das fotos da criança e, agora, seu reaparecimento.
Vagando pelo Twitter, viu mais comentários sobre o bebê e sobre ele, porém, um tweet em específico chamou sua atenção o suficiente para que ele abrisse para ler e prestar atenção nas fotos que estavam anexadas. Dizia que uma pessoa tinha dito que conhecia o bebê e a mãe dele, que era uma mulher em Dublin e que elas trabalhavam juntas. Também tinha pedido para que parassem de divulgar a foto, porque era desrespeitoso demais espalhar a foto de uma criança sem a autorização.
Ele tinha que concordar com isso.
Por mais parecido que o menino fosse com Niall, ele era uma criança, ninguém podia sair usando a foto de um bebê assim, espalhar a foto pela internet apenas para fazer uma comparação e criar teorias infundadas e que nem pareciam razoavelmente aceitáveis. Não é verdade que há um número de pessoas que são realmente parecidas pelo mundo? Aquele dali devia ser um de seus dopplegangers perdidos, um pouco atrasado no tempo, e só. Não tinha a menor chance de ter um filho, Niall sempre era bastante cuidadoso quando o assunto era sexo.
Continuou pela internet, respondeu alguns tweets de fãs aleatoriamente, depois foi ao Instagram curtiu fotos de amigos e comentou alguns posts sem nenhum objetivo além de passar o tempo. Mas, enquanto olhava no “explorar” do aplicativo, encontrou novamente a foto da criança com o dinossauro de brinquedo e uma sua ao lado, além de um print da conversa com a tal pessoa que tinha falado trabalhar com a mãe daquele menininho.
“Hora de partir!”, dizia a mensagem que ele recebeu no exato momento em que iria ler a mensagem da tal pessoa que conhecia o menininho e Niall travou a tela do celular apenas para colocá-lo em seu bolso e encarar rapidamente a bagagem que tinha consigo na sala, parecia estar levando o suficiente, mas, se não fosse, daria um jeito.

– Ouvi dizer que você esteve ativo na internet há alguns minutos. – Jeromy falou quando Niall entrou no carro, após colocar as malas no bagageiro do carro.
– Estava muito sem o que fazer enquanto esperava por você. – Niall deu um sorriso ao falar.
– Animado?
– Muito. – Niall sorriu verdadeiramente. – Mesmo que seja estranho estar no palco sem os outros pra fazer uma turnê. Acho que será ótimo, que serão shows incríveis.
– Com certeza, lad. Você vai se sair super bem e as vendas de ingressos até agora provam isso.
– Estou feliz por começar em casa. – Niall sorriu ao falar.

O restante do caminho até o aeroporto foi entre conversas curtas sobre jogos de golfe (que naquele tempo péssimo não estavam acontecendo), música e trivialidades. O voo foi bem tranquilo e depois de uma hora e vinte minutos, estava em solo irlandês, em Killarney, pronto para reiniciar sua vida na estrada por causa da música.
Quando, finalmente, estava em seu quarto do hotel, Niall deitou-se na cama e voltou ao que fazia antes no Instagram, abriu o perfil das fãs que falavam sobre o bebê parecido e que tinham a conversa com a mulher que conhece a mãe do bebê. E lá foi ele procurar por tudo de novo.
A conta que tinha postado não retirou o usuário da mulher completamente, Niall que era péssimo em discernir letras apenas pela parte inferior, tinha conseguido visualizar perfeitamente quais formavam o usuário e foi procurar para ver o que encontraria no perfil dessa pessoa. Nem mesmo sabia o motivo de estar procurando, não tinha motivos para se preocupar ou para acreditar que tinha um filho, mas a curiosidade (e a falta do que fazer) o movia naquele momento.
A conta era pública – pelo menos isso – e havia bastante coisa. A tal mulher era professora em uma escola infantil de Dublin, pelo que dizia em sua descrição. Havia fotos de trabalhos de alunos, fotos de paisagens, fotos de comida, selfies, fotos com o namorado, fotos com animais, fotos em família e fotos com amigos. Niall tinha tempo, então resolveu navegar pelo perfil da desconhecida, talvez encontrasse uma outra foto daquele garotinho que estranhamente parecia mesmo muito com ele.
A maioria das fotos era sobre as crianças da escola, mesmo que sem mostrá-las, ela fotografava os trabalhos manuais, pinturas, escritas e coisas que filhos fazem e deixam pais e professores orgulhosos, mesmo que fossem apenas rabiscos coloridos e sem nenhum propósito.
E, então, depois de descer todo o feed de fotos da mulher e começar da primeira postagem dela – feita em 2013 – Niall parou para prestar atenção mesmo em uma foto que fora postada há alguns meses, antes do Natal, e parecia ser uma das últimas que não possuía algo relacionado a crianças, plantas ou pratos de comida.
A legenda da foto dizia que era uma confraternização antes do recesso de fim de ano, havia apenas a dona do perfil e uma outra mulher, que parecia ter a mesma idade que ela. As duas se abraçavam pelos ombros, sorriam para a câmera e havia uma criança no colo da outra, que também sorria para a foto de um jeito fofo.
Niall conhecia aquele rosto, aquele sorriso. Ele tinha certeza absoluta que ainda era apaixonado pela dona dele, nem se lembrava mais de uma época em que não tivesse sido, mesmo depois de tanto tempo. E a criança no colo dela… mesmo de olhos fechados, nariz franzido e o sorriso para a foto, não deixavam dúvidas de que o bebê com o dinossauro de brinquedo era real, não uma edição, e que parecia mesmo com Niall.
A marcação da foto não deixava dúvidas de que a outra mulher era mesmo quem ele pensava e abriu o perfil. A palavra “solicitado” estava lá há cinco anos (talvez mais) e nunca seria retirada se dependesse dele.
E nem dela, Niall sabia, pois nunca aceitaria aquela solicitação.

Capítulo 03 – A pessoa com a maior quantidade de dopplegangers do mundo

‘Cause when the morning comes, I know you won’t be there, every time I turn around, you disappear…
Dublin, Irlanda, sexta-feira, 30 de março de 2018

Niall

Quando o último show em Dublin foi finalizado, uma noite incrível e que ele guardaria em sua memória e coração eternamente, Niall estava decidido sobre o que faria no dia seguinte: iria até a escola em que trabalha e procuraria por ela.
Precisava saber se aquela criança era deles, precisava saber se aquela semelhança era real e entender tudo mais que rondava aquele assunto. Niall precisava vê-la depois de tanto tempo e saber se, de perto, ainda se sentia da mesma forma estúpida com borboletas no estômago e aquele nervosismo de sempre que sentia quando se viam, e, depois, quando ele tomou coragem de chamá-la para sair.
Mesmo que, no fundo, esperava que nenhuma das duas respostas fosse sim.
Não queria que fosse seu filho, porque significaria que perdeu quase três anos da vida dele e isso o magoaria profundamente. Os amigos que tinham filhos e o irmão relatavam coisas incríveis sobre os primeiros anos da criança, sobre as primeiras vezes e como era fantástico de se presenciar. Mas, principalmente, torcia para que seu coração não acelerasse tanto quando a visse, que não existisse mais borboletas em seu estômago ou coisas do tipo.
Niall queria que fosse apenas um enorme mal entendido, que aquela criança tivesse um pai que não seja ele e que já não lhe causasse nenhum efeito. O que ele duvidava muito, porque seu coração nunca tinha parado de bater de um jeito diferente e seu estômago esfriar quando a simples menção de seu nome acontecia.
Contudo, também esperava (e tinha total noção de que maior parte de si esperava nisso) que as respostas fossem sim. Queria um filho com , seria algo que os ligaria eternamente, mesmo distantes, mesmo sem envolvimento. Na verdade, queria uma criança pra chamar de sua. A simples ideia de poder ser pai lhe causava a sensação mais gostosa que já tinha sentido desde que passou nas audições do The X-Factor.
Queria, também, continuar sentindo algo por ela. Aquilo faria sentido, pelo menos entenderia os motivos de não conseguir sentir nada parecido por nenhuma das namoradas que tivera durante aqueles anos, porque nenhuma vez tinha sentido o que sentia por desde a época da escola, quando ela usava óculos fundo de garrafa, tinha uma franja estranha e usava aparelho, e ele era aquele garoto cor-de-rosa de cabelo grande, descolorido, dentes tortos e um pouquinho desajeitado
Foi difícil pegar no sono, ainda elétrico do show, mas também ansioso pelo dia seguinte e sobre como faria aquilo sem ser realmente percebido, Niall passou boa parte da noite desperto, rolando de um lado para o outro na cama antes de conseguir encontrar uma posição confortável o suficiente e que lhe fizesse apagar.
Quando descobriu que aquela mulher na foto era , ele passou horas encarando o celular sem reação. Queria ter mandado uma mensagem, mas imaginou seria ignorado e aquilo só pioraria a situação do seu coração, então os dezenove dias que separaram o primeiro show na Irlanda para o último, foram regados de muita ansiedade para conseguir pensar no que poderia fazer a respeito, continuava sendo marcado em diversas fotos de comparação entre o bebê e ele, pessoas tinham até levado cartazes para os shows perguntando sobre o bebê.
O pessoal do marketing estava um pouco preocupado, mesmo que Niall tivesse mentido com a cara mais lavada possível, dizendo que era impossível ter um filho, que aquilo era montagem e só, nunca deixando claro que talvez ele tivesse mesmo um filho. E acreditaram, claro, Niall não era o tipo que dava esse tipo de trabalho para que o marketing cuidasse e resolvesse.
Passava das onze e meia quando Niall acordou, ainda tinha tempo para comer alguma coisa e sair, conferira o site da escola para descobrir quando as aulas acabavam e, pelo que tinha visto, a turma de saía às 13:40. Não foi preciso fazer muita pesquisa para encontrar o nome e o endereço da escola, em todo caso, já que a amiga de tinha deixado aparecer o começo do nome em uma das fotos, mas Niall nem mesmo conseguiu olhar nada outra vez, porque no dia seguinte ao que ele descobriu , o perfil da amiga estava trancado. E, com as informações que tinha, Niall encontrou a escola pelo Google e planejou sua ida.
Pediu o almoço no quarto, com um pouco de pressa (e essa era a parte boa de ser famoso), comeu pouco, apenas para calar o estômago, mas não estava mesmo com fome e sentia que poderia vomitar a qualquer momento tamanho nervosismo do possível encontro de dali alguns minutos. Arrumou-se para sair do quarto e resolver tudo isso e, depois de mandar uma mensagem para Jeromy dizendo que iria encontrar alguns amigos e ligaria se precisasse de algo, Niall pediu um Uber e partiu para o endereço da escola.
Já tinha agradecido aos céus milhares de vezes por estar, agora, com os cabelos na cor natural, isso o deixaria quase irreconhecível aos olhos da maioria, então roupas pouco condizentes com o que ele vinha usando (agasalhos, touca e luvas porque estava realmente muito frio) e sem andar com a cabeça erguida, conseguiu chegar até a porta da escola, entrando até que estivesse no conforto da secretaria.

– Oi, bom dia. – cumprimentou a secretária, que sorriu educada, mas não pareceu reconhecê-lo.
– Bom dia, o senhor precisa de algo?
– Preciso. Posso, por favor, falar com a professora ?
– Hm… a professora está em aula agora, mas deve acabar em meia hora, quarenta minutos, mais ou menos.
– Posso esperar aqui? Lá fora está frio e está chovendo.
– Sinta-se à vontade, senhor.
– A professora vai passar por aqui antes de ir embora?
– Ela não costuma passar aqui todos os dias antes de ir pra casa, então não posso garantir que venha hoje, mas quando estiver quase no horário do final da aula, eu informo e o senhor poderá encontrá-la na saída.
– Obrigado. – Niall respondeu, indo sentar-se o mais escondido possível, pegou uma revista sem escolher algo específico e abaixou seus olhos para ler qualquer coisa que estivesse escrito, precisava fazer o tempo passar.
Passou vinte e sete minutos entre matérias sobre educação infantil, a importância da alfabetização escolar e como incentivar e estimular seu filho a aprender o que a escola ensinava. A recepcionista informou que a aula estava prestes a acabar e Niall ainda demorou dois minutos para se levantar da cadeira, respirou fundo tentando conter o nervosismo, e saiu da sala.
As pernas pareciam pesar uma tonelada cada, cada passo parecia demorar um minuto inteiro e ele sentia o cansaço de quem correra uma maratona, mas apenas um minuto tinha se passado entre a saída da secretaria até que estivesse do lado de fora da escola, escondido da chuva pesada que caía, algumas pessoas começaram a chegar para buscar os filhos, o burburinho das crianças começou a ficar mais alto dentro da escola e ele apenas esperou.
Niall apertava as próprias mãos e estava nervoso demais para aquele reencontro. A escola estava esvaziando, muitos pais tinham chegado para buscar os filhos e agora mal podia ouvir um som vindo de dentro da escola, alguns passos, conversas longe… será que tinha deixado que saísse e não tinha percebido? Não. Não era possível, estava atento a cada criança que saía e a cada mãe que chegava e saía. Ele não tinha deixado que tivesse escapado de sua visão, porque ele não a havia visto.
Estava ficando cansado de ficar em pé esperando, já tinha trocado o peso de uma perna para outra por várias vezes, apertou as mãos, sacudiu os pés… estava mexendo no celular agora, quase desistindo de esperar e indo embora quando ouviu passos se aproximando e foi tirado de seu próprio mundo quando ouviu alguém falar consigo.

– Oi, o senhor estava me procurando? A Cel… – as palavras morreram na boca de quando ele ergueu a cabeça e a olhou diretamente nos olhos.
Ali ele soube que a resposta para uma das perguntas da manhã era sim.
Sim, ele permanecia apaixonado por ela da mesma forma que sempre fora.

🇮🇪💚🇮🇪

Encontrar aquele par de olhos azuis em sua frente era a última coisa que ela esperava naquela sexta-feira. Esperava encontrar os olhos idênticos àqueles dali alguns minutos quando buscasse Ethan, entrar no carro e ir para Mullingar para passar o fim de semana, mas os olhos de Niall Horan diretamente? Não. Esses ela esperava não ver pessoalmente nunca mais desde aquela última vez em Mullingar, em 2014, mas lá estava ele, parado de frente para , todo agasalhado e uma versão maior de Ethan.
Nunca imaginaria que ele tiraria um dia de folga em Dublin depois de seu show na noite anterior, não com aquele clima horrível. Não no meio de uma turnê que provavelmente o consumiria em entrevistas de rádio e televisão.
Não passava por sua cabeça, principalmente, que ele soubesse o local em que ela trabalha, que iria até lá e ficaria esperando por ela. queria fugir, mas não conseguia nem mesmo tirar os olhos dos dele. Sentia o estômago contrair-se e esfriar, seu coração batia acelerado e as mãos estavam suando. Por que, por tudo que é mais sagrado, ela ainda sentia aquilo?
Tinha começado a gostar dele, quando eram dois pré-adolescentes, então, por que diabos aquelas borboletas malditas não tinham morrido de solidão e de tédio? Estavam vivas, mais vivas do que nunca estiveram antes, pensou, porque ali, diante daqueles belos olhos azuis e de Niall Horan em pessoa, elas não se aquietavam e pareciam prestes a fazer explodir para saírem de seu estômago e irem infestar o ar. E Niall tampouco parecia preparado para desviar os olhos dos dela, se mover ou falar algo.
Os minutos que passaram em silêncio foram poucos, mas pareceram horas inteiras. sentia-se estúpida por ser e estar tão rendida por aquele homem à sua frente a quem não via pessoalmente há anos. Não conseguia nem mesmo terminar de falar o que tinha começado, apenas observava cada um dos detalhes daquela pessoa que ela conhecia bem de ver fotos e vídeos na internet, daquele garoto com quem tinha crescido e tinha se tornado um homem famoso, bem sucedido e bonito.
O gorro era idêntico a um que Ethan tinha, ela percebeu, escondiam os cabelos que agora estavam em sua cor natural, castanhos, os olhos azuis com aquele toque de amarelo e verde tinham sido perfeitamente reproduzidos em Ethan e ela os via todos os dias. Estava mais forte do que quando saiu de Mullingar ou quando se viram pela última vez, agora tinha uma barba por fazer no rosto de pele branca, bem menos cor-de-rosa do que costumava ser. Leves linhas de expressão na testa que apareciam se ele franzisse o rosto, o nariz continuava bonito e tinha a pontinha vermelha por causa da exposição ao frio.

– Ah, você ainda está aqui. – ouviram uma voz feminina e os dois saíram da bolha em que estavam, virando na direção da mulher que estava parada à porta e tinha um guarda-chuva e uma bolsa em mãos. – Achei que você
– Ahn… Ah, obrigada Celine. – sorriu para a secretária, pegando o guarda-chuva e a bolsa que lhe era oferecido. – Mas ainda preciso buscar uma coisa lá dentro.
– Você está ocupada! Me perdoe. Não quis interromper. – Celine falou, abanando as mãos e se afastando antes que um deles pudesse responder alguma coisa.
– Oi. – Niall foi o primeiro a falar e deu um sorriso fraco.
– Oi. – respondeu, incerta. – O que faz aqui?
– Fiz um show ontem, estou de f…
– Eu sei, sei que fez um show aqui em Dublin ontem. – respondeu, interrompendo Niall. – Quero saber o que faz aqui, especificamente.
– Vim te ver, . – respondeu, sincero. – E conversar.
– Me ver e conversar. – repetiu, como se isso fizesse com que as palavras fizessem sentido em sua cabeça.
– Podemos tomar um café? Você tem tempo?
– Eu n…
– Só porque não acho que seja muito confortável ficar conversando aqui, em pé, perto da chuva, com esses raios e trovões… tem uma cafeteria na esquina da rua, podemos ir lá.
– Eu não acho que tenhamos tanta coisa pra conversar e que nos faça precisar sentar para tomar um café, Niall.
– Você está ocupada? – perguntou e ela suspirou, negando com um aceno. – Se preferir, podemos conversar na sua sala de aula.
– A sala já está fechada. – suspirou, pensando na enorme possibilidade de aparecer com Ethan e as coisas saírem do controle, então acabou apenas assentindo. – Vou só avisar minha amiga que volta comigo que ela volta sozinha hoje e já volto.
– Tudo bem, eu espero aqui. – falou e ela virou, saindo o mais rápido que conseguiu da presença de Niall sem parecer uma desesperada.
caminhava lentamente pelo corredor, tentando adiar o máximo aquele momento de tamanha proximidade com Niall. Precisava pedir para que cuidasse de Ethan por mais do que aqueles quarenta minutos depois da aula, não colocaria aquela criança perto de Niall de jeito nenhum, não mesmo.

. – colocou a cabeça pra dentro da sala de aula da amiga e a encontrou sentada com Ethan, brincando.
– A mamãe chegou. – a professora falou, mas o menino já tinha levantado correndo e ido abraçar as pernas da mãe.
– Preciso te pedir um favor. – resmungou e a amiga a olhou.
– Devo me preocupar?
– Não. – negou, balançando a cabeça em negativa. – Preciso resolver uma coisa e não posso levar o Ethan comigo, será que você pode levá-lo lá pra casa e ficar com ele até eu chegar?
– Claro. – a mulher respondeu.
– Amorzinho, a mamãe precisa resolver um problema, mas você vai ficar com a tia lá na em casa…
– Vamos tomar um chocolate quente bem gostoso, comer uns biscoitos e brincar muito.
– Mamãe, vai sair?
– Vou, amor. – abaixou-se até ficar da altura do filho. – Mas é rapidinho, logo a mamãe vai pra casa e você me mostra tudo que aprendeu com a tia hoje. O que acha?
– Tá bom. Você compa bolo?
– Claro. – respondeu e Ethan sorriu animado, assentindo e ela depositou um beijo na pontinha de seu nariz. – A mamãe precisa ir, se cuidem e comportem-se. E se precisar de algo, me ligue e eu vou pra casa.
– Sempre. – respondeu, sorrindo.

deu um beijo demorado na bochecha do filho, que voltou até onde esperava por ele e logo saiu da sala, foi ao banheiro numa tentativa de adiar ainda mais aquele momento e depois de alguns minutos, seguiu até o exterior da escola. Niall permanecia no mesmo lugar, encolhido dentro de seus agasalhos e esperando por ela, que queria apenas fugir, mas se fizesse isso, daria margem para que ele desconfiasse.

– Podemos? – perguntou ao se aproximar e Niall assentiu, despertando do que quer que fosse que o mantinha distraído.
– Claro.
– Toma, um guarda-chuva emprestado. – falou, estendendo outro guarda-chuva que tinha pego nos “achados e perdidos” da sala de antes de sair.
Um guarda-chuva das princesas.
Era a única coisa que tinha por lá, mas Niall não se importou com estampas ou tamanho, apenas abriu o guarda-chuva infantil e os dois seguiram em silêncio pelos poucos metros que os separavam da cafeteria e pouco depois estavam no conforto do estabelecimento, longe da chuva, dos raios e trovões e do frio.
Escolheram a primeira mesa vazia que encontraram e que fosse mais distante, teriam privacidade o suficiente para conversar e para que pudesse mentir e omitir fatos em paz, sem deixar transparecer que estava escondendo alguma coisa.
– Quer um café?
– Não, obrigada.
– E então… o que tem feito?
– Você sabe a resposta, Niall. – soltou uma risadinha nasalada ao falar. – Afinal, teve o trabalho de pesquisar sobre minha vida para me encontrar. E eu estou curiosa para saber como conseguiu isso.
– A internet é um lugar mágico, , só é preciso saber usá-la para o bem.
– Percebi.
– Uma amiga sua, basicamente. -alguma-coisa, no Instagram.
– Você conhece a ? – perguntou, tentando manter o tom de voz baixo e inalterado.
– Não. Eu vi algo no Instagram, algo relacionado a você e ac…
– Algo relacionado a mim? – perguntou, interrompendo a fala de Niall, sem entender e ele assentiu. – Como assim?
– Não sei como você é com redes sociais, talvez use pouco, já que minha solicitação está aguardando resposta há anos no Instagram, mas há algumas semanas apareceu uma foto de uma criança que estava sendo comparada a mim, Liam me mandou e eu achei que podia ser alguma edição, existe gente realmente talentosa e que faz isso, porque a criança realmente parecia muito comigo quando tinha aquela idade. Essa foto sumiu por um tempo, o que causou muitas reações na internet, mas depois voltou a circular e no Instagram tem muitos posts com a foto dessa criança e o print de uma conversa com essa tal , ela disse que te conhecia, que aquele bebê existe, mas não é meu filho e as pessoas não têm o direito de repassar a foto dele na internet sem a autorização dos pais e essas coisas. Eu fui procurar pelo Instagram dela, vi uma foto de vocês duas e essa criança, procurei pelo endereço no Google e aqui estou eu. – Niall despejou as palavras em e ela o olhou surpresa.

estava surtando e seus divertidamente estavam pulando da torre e desistindo de existir, abandonando-a à sua própria sorte para lidar com aquela situação inteira.
Muitas informações e nenhuma delas era fácil, simples ou digestíveis.
Como assim tinha falado sobre ela e Ethan na internet e não tinha comentado nada a respeito disso? Ela nem mesmo sabe quem é o pai do menino (mesmo que esteja basicamente escrito na cara de Ethan, porque observando Niall de perto, aquela criança não parece mesmo ter um pingo de parentesco com ) e acreditava fielmente que ele era fruto de uma noite de bebedeira com um desconhecido.
Como assim ela tinha falado sobre aquilo, sobre aquela foto que tinha certeza absoluta que tinha sido varrida da internet depois de tantas denúncias que ela tinha feito?

– Eu não sabia disso. – respondeu numa meia mentira tão bem contada, que quase se convenceu de que não tinha surtado por horas quando viu aquelas montagens pela internet usando uma foto de seu filho que ela vinha tentando esconder tão bem.
Niall estava com o celular em mãos e nem mesmo teve tempo de perguntar o que ele faria, logo a montagem de fotos que estava rodando a internet há semanas e que não o deixavam mais em paz estava na tela e bem em frente aos olhos dela, naquela comparação que a fizera surtar e chorar de desespero quando viu pela primeira vez e nos primeiros dias depois disso.
Ethan no carrinho. Niall quando criança em várias fotos daquela idade.
Pareciam a mesma pessoa, mas com qualidade diferente na resolução das fotos.
– Você conhece essa criança?
– Sim, eu conheço. É meu filho. E não sei por qual motivo estão circulando uma foto dele na internet! Eu nem tenho essa foto dele!
– Meio óbvio, não acha? – deu uma risadinha ao falar.
– Não, eu não acho. – respondeu, olhando para Niall e ele arqueou uma das sobrancelhas.
, essa criança…
– Tem um pai e esse pai não é você. – respondeu séria. – Sinto muito, Niall, se você saiu do conforto de seu hotel na chuva pra isso, mas o meu filho não tem nada a ver com você.
, essa criança é a minha cara. Você está querendo dizer que esse menino nasceu parecido comigo assim sem ter nenhum parentesco?
– Ele parece com o pai dele.
Não era mentira, afinal.
– E o pai dele, por acaso, sou eu?
– Eu já disse que não.
– O pai dele se parece comigo assim?
– Não, ele é mais bonito. – respondeu, tentando encerrar o assunto, mas Niall deu uma risada quase baixa.
– E vocês estão juntos?
– Isso não é bem da sua conta. – respondeu e Niall assentiu, soltando uma risada nasalada. – E, em todo caso, não sei os motivos que te levaram a supor algo do tipo. Não há a menor chance do meu filho ser seu.
– Bom, nós transamos.
– É, mas usamos camisinha. – deu de ombros, torcendo para que ele não se lembrasse do “acho que a camisinha furou” dito há quase quatro anos, mas que não os tinha preocupado devidamente no momento. – E, em todo caso, eu não faço sexo só com você.
– Quantos anos ele tem?
– Faz três esse ano.
– Quando?
– Em setembro. – respondeu e Niall tentou fazer as contas de quanto tempo aquilo dava desde que tinham se visto pela última vez. – Não queime seus neurônios, Niall, não vale a pena. Ele é filho de outra pessoa.
– Você tem que admitir que ele parece bastante comigo quando era pequeno.
– Você está sendo influenciado pela quantidade de posts que te marcaram, está com a visão viciada. – respondeu num tom calmo, sóbrio e pouco afetado, mas, por dentro, estava prestes a entrar em colapso. – Ele não é seu filho e nem se parece com você desse jeito que estão comparando. Se você for considerar toda pessoa com olhos azuis e cabelos castanhos parecida com você, então, provavelmente, você será a pessoa com a maior quantidade de dopplegangers do mundo. Ou parente de muita gente.
– E eu posso conhecê-lo? O seu filho?
– O que você quer com ele?
– Apenas conhecer. – Niall deu de ombros. – E qual o nome dele?
– Ethan.
– Bonito nome.
– Obrigada. – respondeu. – Era só isso?
– Mais ou menos… Eu queria saber se você pode me dar seu telefone, vamos conversar, marcar alguma coisa e…
– Niall, não. – falou séria, recordando-se das palavras que tinha usado daquela última vez, ditas sem querer que fossem realmente ditas, mas de uma forma que ela precisava falar. – Não vamos conversar muito, fusos diferentes e essas coisas… foi bom te ver, Niall.

– É sério. A gente sabe que não funciona assim. Bom te ver, espero que sua turnê seja um sucesso. – falou, ficando de pé. – E preciso desse guarda-chuva de volta. Não é meu e não posso te deixar levar.
– Tudo bem. – respondeu num resmungo, enquanto observava a mulher pegar o guarda-chuva e sair de perto dele.

saiu do local o mais rápido que conseguiu, sem coragem de abrir o guarda-chuva para se proteger da chuva fria que caía. O caminho até em casa era curto, mas mesmo assim ela chegaria molhada, só que não ligava o suficiente, afinal, precisava de algo pra disfarçar as lágrimas que já tinha começado a derramar e sem se importar com o bolo que tinha prometido para Ethan.

Capítulo 04 – Niall, você tem um filho?

Don’t you tell me that it’s too late now, cause I’m pacing, I keep breaking. Is there a way to make it up somehow?

Dublin, Irlanda, quinta-feira, 05 de abril de 2018

Desde que tinha saído daquela cafeteria, há quase uma semana, não tinha parado de pensar sobre o encontro com Niall, sobre a chance de ele ter desconfiado que Ethan fosse seu filho e que acabasse aparecendo de novo para encurralá-la e levar o filho embora pra sempre e ela nunca mais pudesse vê-lo. Mesmo que soubesse perfeitamente que Niall não faria isso, que ele não tiraria Ethan dela nem em um milhão de anos se não existisse um motivo absurdamente forte pra isso. Só que, ainda que seu cérebro tivesse o bom senso de saber isso, tinha chorado tantas vezes naqueles dias por causa dessa possibilidade criada pela sua ansiedade, que quase achava impossível ainda ter água no corpo para chorar, mas, surpreendentemente, tinha.
Niall não tinha reaparecido na porta da escola ou em qualquer outro lugar, o que era ótimo, mas estava incomodada e suspeitando que algo ruim aconteceria em breve. Ela podia sentir aquilo quase que em seus ossos. Talvez fosse apenas a ansiedade (muito provavelmente era, tinha quase certeza disso), então tinha que convencer sua cabeça de que estava tudo bem e nada de errado aconteceria. Que a vida voltaria ao normal em breve.
Quando o dia de aulas acabou, não havia nenhum pai esperando na porta da sala. E quando saiu para observar o corredor, Celine, a secretária da escola, foi avisá-la de que havia um tumulto do lado de fora que a diretora estava tentando dispersar.

– Como assim tumulto? – perguntou sem entender e a secretária deu de ombros. – Fique de olho neles, vou lá na porta olhar.
– Eles vão se comportar?
– Eles nem vão perceber. – respondeu, afastando-se da secretária e seguiu pelo enorme corredor até a porta de entrada do prédio.
Havia mesmo um tumulto do lado de fora. Vários fotógrafos e… repórteres? O que diabos tinha acontecido? Será que tinham confundido o local? Quando girou nos calcanhares para voltar, encontrou a diretora, Aubrey, caminhando na direção da porta, estava vermelha feito um pimentão, bufando nervosa, a veia na testa estava começando a ficar evidente e pulsante e era quase possível ver uma fumaça saindo de seu nariz, tamanha raiva que a mulher sentia.

– Abby, o que aconteceu? – perguntou e a diretora suspirou, derrotada e nervosa, quando parou na frente da mais nova.
– Alguém sem o que fazer postou uma foto do Niall Horan aqui na escola na semana passada na internet. – ela falou, abanando a mão. – E falou que ele estava conversando com uma mulher, parece que mencionaram uma criança também, eu não entendi bem essa parte, vou lá fora mandar todos eles saírem ou chamarei a polícia.
– Vou entreter as minhas crianças. – falou, recebendo um aceno de cabeça da diretora, que saiu andando e ela apenas voltou para a sala, sentindo vontade de sumir.
Como assim uma foto de Niall ali conversando com uma mulher? Será que sabiam que era ela? Será que já tinham descoberto seu nome? As coisas precisavam ser tão complicadas assim? Maldita hora em que Didi tinha caído e uma adolescente o tinha visto e resgatado do chão. Agradeceu a Celine com um sorriso e entrou na sala, deixando que as crianças brincassem um pouco mais e foi até sua bolsa, pegar o celular e descobrir o que tinha acontecido.
E, ao abrir o Twitter, percebeu que não havia apenas uma foto, mas quase um book inteiro de Niall na porta da escola com ela, depois no café com ela, e a garota que resgatou Didi tinha confirmado que aquela era a mãe da criança do carrinho. Outras mil teorias estavam sendo feitas: Niall estava lá para saber da criança que ele não tinha conhecimento? Niall estava lá para brigar sobre a criança que nunca deveria ter sido exposta?
queria sair dali naquele momento, mas não podia. Seu rosto estava muito claro e perceptível nas fotos, dava pra ver bem quem era que estava acompanhando Niall naquele dia, então se colocasse o rosto pra fora das portas da escola enquanto aqueles paparazzi estivessem ali, seria reconhecida de pronto e aí sim seria um inferno.
Ethan estava na sala de , todas as crianças presas na escola e sem poder ir pra casa. Como faria para tirá-lo dali sem que fosse visto e acossado por todas aquelas pessoas? Era impossível! Poderia tentar sair pelos fundos, mas provavelmente havia paparazzi lá também. Sentia o cérebro fritar, precisava dar um jeito de tirar o filho daquele lugar de forma segura e sem ser notada. Mas, como?

. – ouviu seu nome e olhou para a porta, onde Aubrey a esperava e parecia já ter total ciência de que ela era a mulher nas fotos.
Levantou-se e foi até lá, olhando a mulher diretamente nos olhos e sem vacilar. Não poderia – e nem iria – mentir, então era melhor fazer isso de forma direta.
– Abby, aconteceu algo?
– Era você nas fotos. – não foi uma pergunta, e assentiu. – Os pais vão entrar pra buscar as crianças, como sempre, vão se identificar na porta, buscar os filhos e sair. Lá fora está muito tumultuado e nem a ameaça de chamar a polícia adiantou.
– Imagino.
– Já mandei levar Ethan para a sua casa, eles foram pelos fundos e no Uber que pedi, só que há fotógrafos lá também. Ela me mandou uma mensagem dizendo que saiu com ele sem ser percebido, porque ele dormiu e escondeu o rosto no pescoço dela, só que você não vai conseguir sair sem ser vista.
– Eles vão me seguir até em casa. – murmurou e Aubrey assentiu. – Como eu vou fazer pra sair daqui?
– Vou chamar a polícia pra ajudar, te dar uma das chaves, liberar todas as crianças, as professoras e funcionárias vão sair e eu serei a última, vou trancar tudo e você vai ficar até eles acharem que você saiu sem ser vista ou quando a polícia dispersar o tumulto. Quando as coisas amenizarem, você vai embora.
– Eles vão ficar aqui até me verem sair. – resmungou. – Eles estão aqui só por isso. Eu vou sair por lá, eu saio primeiro e eles vão atrás de mim e deixam a escola livre.
, você não vai conseguir se livrar deles.
– Peço um Uber e saio pelos fundos, até que se atentem, eu já estarei em casa, segura e vocês poderão sair em paz.
– Você tem certeza?
Não, não tinha, mas precisava fazer aquilo se quisesse sair dali ainda naquele dia, além de evitar que os pais ficassem mais bravos do que já deveriam estar. Assentiu, recebendo um olhar levemente preocupado da diretora, que também assentiu e indicou que pegasse a bolsa e pedisse o Uber para ir embora então.
Despediu-se das crianças e avisou que Abby ficaria com elas até a hora de ir e pediu o Uber, que não demorou a chegar. Resolveu não pensar e apenas abriu a porta da frente, se queria tirar todos eles dali, teria que ser daquele jeito. Muitos flashes, perguntas sendo gritadas sobre Niall, a criança e quem era ela. se enfiou no Uber, desesperada, e o motorista não demorou a arrancar e sair da porta da escola.
– Você está bem? – perguntou e ela assentiu.
– Sim. Vá o mais rápido que conseguir.
– Você é famosa?
– Não. – respondeu séria. – Estão me confundindo com outra pessoa.
O homem apenas assentiu, acelerando o carro o máximo que conseguiu. observava pelas janelas para ver se eram seguidos e, claro, estavam sendo acompanhados por um carro e provavelmente alguns outros também estivessem atrás deles para saber o destino que aquele Uber tomaria. E, naquele momento, arrependeu-se de ter colocado sua própria casa como destino. Poderia ter pedido um Uber para outro lugar, uma delegacia de polícia, por exemplo, mas agora era tarde demais.
Assim que chegou, pulou do carro com uma agilidade que nem sabia ter, mas isso não impediu as fotos dos paparazzi que também acabavam de estacionar e gritavam perguntas e coisas que ela não estava entendendo bem e outras que ela entendia bem até demais.
Demorou a conseguir abrir a porta e isso deu tempo para que mais fotógrafos chegassem e ela foi fotografada e ouviu muito barulho. Quando, finalmente conseguiu entrar em casa, começou a tremer desesperada, escorregando até que sentasse no chão e pudesse chorar em paz.
Não era possível que isso estivesse mesmo acontecendo com ela. Tinha vivido sem chamar a atenção de ninguém quando o assunto era a aparência de Ethan (mesmo que fosse difícil que algumas pessoas acreditarem que ele e Niall não tinham nenhum laço familiar) e agora estava sendo perseguida por causa de uma foto tirada sem autorização.
– Mamãe? – ouviu a voz de Ethan e, alarmada, secou os olhos, tentando fingir que não estava aos prantos, e sorriu para o filho, que se aproximava. – Tá cholando?
– Está tudo bem amor, a mamãe só está cansada. – respondeu, sorrindo, e foi abraçá-lo, aninhando o menino em seus braços quase como se pudesse sumir naquele abraço e levá-lo consigo.
Ouviu os passos de e ergueu o olhar até encontrá-la, parada, com uma expressão que misturava culpa e preocupação, mas nenhuma das duas falou nada. ficou de pé, tinha Ethan nos braços e ele, agora, estava contando sobre seu dia, fingia ouvir e reagir com a mesma alegria que ele tinha ao relatar as coisas. O que ela estava ouvindo mesmo eram as vozes do lado de fora que gritavam pelo nome de Niall e qual a relação dela com o cantor.

🇮🇪💚🇮🇪
Niall

Niall estava cansado, tinha passado o dia todo ajustando arranjos de músicas para começar as gravações do álbum. Queria deitar e descansar as costas que clamavam por algumas boas horinhas em um bom colchão, uma boa Guinness gelada e um jogo de golfe ou de futebol, o que estivesse passando.
Mas, ainda precisava fazer algumas últimas coisas antes de ir para o hotel em que ficaria na capital irlandesa durante aqueles dias. Será que teria um tempinho para visitar os pais em Mullingar? Em breve estaria na estrada de novo e só no fim do ano teria bastante tempo disponível para fazer visitas aos pais e amigos em sua cidade natal.

– Waking up to kiss you and nobody’s there, the smell of your perfume still stuck in the air, it’s hard. Yesterday I thought I saw your shadow running round, it’s funny how things never change in this old town, so far from the stars… – cantou, tocando o violão, de olhos fechados.

Aquela música tinha dona, tinha escrito pouco depois de ir embora de Mullingar daquela vez no fim de 2014, tinha até pensado em mostrar aos companheiros de banda, mas o ano de 2015 foi intenso e, em todo caso, era uma música pessoal demais e ele preferia que fosse sua, cantada apenas por sua voz, significava muito falar a respeito daquilo. Então, tinha aperfeiçoado e lançado em seu primeiro álbum solo. Aquela música tinha sido escrita para (assim como algumas outras lançadas e não lançadas) e sempre que cantava, lembrava daquela vez.
Queria tanto que tivessem sido maduros o suficiente para falar sobre os sentimentos que ele tinha (e que já tinha ouvido dizer que ela também tinha), e, quem sabe… não podia ficar lamentando aquilo pra sempre, mas, desde a semana anterior, a única coisa que fazia era ficar pensando em como era estranho que ainda se sentisse tão atraído e apaixonado.
tinha envelhecido bem, tinha os olhos um pouco cansados, mas isso podia ser apenas por ter acordado cedo naquele dia, mas estava tão linda quanto sempre tinha sido aos olhos de Niall, mesmo na época da franja estranha e dos óculos fundo de garrafa. Não teve coragem de segui-la na chuva, nem de tentar falar com ela no Instagram. E se arrependia amargamente disso.

– Precisamos conversar. – ouviu a voz de Greta, a assessora de marketing, falou, entrando na sala em que Niall estava sentado, ainda distraído com seu violão, e ela estava muito mais séria do que o habitual.
– O que aconteceu?
– Vou perguntar de novo algo que perguntei há umas semanas e agora eu quero uma resposta sincera. Niall, você tem um filho?
– Não, eu não tenho um filho. – respondeu, franzindo a testa em confusão. – Por quê?
– O que você estava fazendo na porta de uma escola infantil na sexta-feira passada?
– Fui ver uma amiga da época da escola. Por quê? – repetiu a pergunta.
– Tem um verdadeiro inferno, acontecendo nesse exato momento em Dublin, Niall. O seu nome é Trending Topics no mundo, há fotos de sexta-feira passada, há fotos daquela criança que compararam com você rodando a internet de novo, há uma pessoa dizendo que aquela mulher com quem você foi fotografado na semana passada é a mãe da criança do carrinho… e, pra variar, seguiram a mulher, soltaram o endereço dela na internet e estão na porta da casa há horas!
– Como é que é? – perguntou assustado. – Como assim?
– Já descobriram até o nome dela, , professora do jardim de infância. Vocês se conhecem de Mullingar? Desde quando? V… – ela foi interrompida por Niall ficando de pé o mais rápido que conseguiu, deixando o violão de lado e saindo do estúdio.

Se estavam cercando a casa de , as coisas sairiam do controle em breve e ele não queria que aquilo acontecesse nem com seu pior inimigo, imagina com a mulher por quem ainda sente alguma coisa. Niall saiu do estúdio já sabia o que fazer para dispersar os paparazzi e conseguir conversar com em paz.
E, enquanto chamava o segurança com um aceno, ele procurava no Twitter pelos dados do endereço em que cercavam a casa de e ligou para a polícia.

Capítulo 05 – Niall Horan tem um filho

Just close your eyes and see, I’ll be by your side any time you’re needing me…


Dublin, Irlanda, quinta-feira, 05 de abril de 2018

Niall

Enquanto esperava que a polícia retirasse os paparazzi da porta da casa de para descer do carro e ir até lá, Niall entrou em contato com a tal pelas mensagens do Instagram, disse que tinha chamado a polícia para retirar os fotógrafos da porta da casa de e que estava a caminho, pediu para que ela confirmasse o endereço e não contasse para que ele estava indo até lá.
Quando recebeu o aval de dizendo que a rua estava livre, o motorista deixou Niall à porta do endereço indicado e ele, depois de olhar para os lados e tendo praticamente certeza de que ninguém mais estava tirando fotos, bateu na porta, que foi rapidamente aberta por .

– Oi. – Niall cumprimentou sem jeito depois que ela fechou a porta. – Eu sou o Niall.
– Eu sei. – deu uma risadinha nasalada. – Eu sou a .
está bem?
– Bem mal. – respondeu. – Vem, vou te levar até ela.
– Você vai embora? – perguntou enquanto seguia pelo pequeno corredor com a mulher, que negou com um aceno.
– Você não vai ficar pra passar a noite e nós dois sabemos que eles estarão de volta, tanto aqui quanto na escola. não está em condições de lidar com nada disso e duvido que estará pela manhã. – falou, parando à porta de um dos quartos. – Eu estarei na sala, caso precisem de mim.

Dito isso, a mulher voltou pelo caminho que fizeram e Niall bateu à porta com cuidado, incerto se deveria mesmo ter feito aquilo, ao não ouvir resposta, abriu a porta devagar e encontrou deitada na cama, abraçada a um travesseiro e chorando descontroladamente, o corpo tremia pelo choro – mas não apenas por isso, Niall tinha total ciência – e ela parecia estar sufocando enquanto tentava respirar.
Niall conhecia bem uma crise de ansiedade quando via uma.
Fechou a porta atrás de si e venceu a pequena distância que separava a cama da porta e foi até , que se sentou rapidamente na cama, tinha uma feição que misturava a surpresa por vê-lo e alívio por ele estar ali, mas ainda em crise. Niall não falou, apenas a abraçou e se permitiu ser abraçado com força enquanto a mulher chorava, soluçava e tremia por toda a situação que tinha tomado seu dia e tornado tudo bagunçado, de um jeito que ela nunca tinha vivido.
Niall entendia bem como era horrível lidar com aquele assédio midiático, porque as pessoas esqueciam que a parte pública de suas vidas é apenas a arte que produzem e não suas vidas pessoais. Ele mesmo tinha surtado diversas vezes nos primeiros anos e ainda ficava bastante irritado e por vezes ansioso quando acontecia em momentos totalmente inoportunos.

– Vamos respirar juntos, bem devagar, isso vai te ajudar a se acalmar um pouquinho, . Tudo bem? Prometo que vai ajudar um pouquinho. – Niall falou baixo, fazendo um carinho nas costas da mulher, que não respondeu e apenas soltou um soluço, ainda chorando descontrolada.
As respirações profundas, coordenadas e lentas tinham sido aprendidas por Niall há um bom tempo, quando ele mesmo tinha começado a sofrer com transtorno de ansiedade e seu terapeuta tinha ensinado aquela técnica, realmente ajudava em momentos de crise quando outras coisas não podiam ser feitas para resolver imediatamente.
Depois de um bom tempo respirando daquele jeito, conseguiram cadenciar o ritmo das respirações e ele já não sentia o coração dela bater tão forte contra seu próprio peito fazendo parecer que era capaz de atravessar os dois corpos e sair correndo pra longe. A respiração de se acalmou junto com a dele e o tremor do corpo dela diminuiu até quase acabar, era ótimo que a respiração conjunta tivesse ajudado a controlar um pouco a ansiedade de , mas Niall sabia que as coisas não seriam fáceis daquele momento em diante. Sabia muito bem o que os esperava assim que aquele abraço se desfizesse.
provavelmente sentia o mesmo, não tinha desfeito o abraço apertado que davam e ainda mantinha o rosto escondido na curva do pescoço de Niall, agarrada à blusa que ele usava, quase com medo de que se o soltasse daquele abraço, Niall sumiria e as coisas ficariam piores e a sufocariam. Ele não sumiria. Ele queria nunca ter ido embora da vida dela, pra começo de conversa.

– Acho que precisamos conversar. – Niall falou baixo, mas sem desfazer o abraço, ainda acariciando as costas de , que permanecia aninhada em seu abraço de um jeito agradável e confortável para os dois.
– Não.
… – Niall falou, agora soltando o abraço e a segurou pelos ombros de um jeito carinhoso e gentil, os olhos foram de encontro aos dela e a olhavam de um jeito terno.
– Niall, eu não tenho condições emocionais de conversar sobre qualquer coisa com você hoje.
– Comigo também foi assim. Quer dizer, foi pior. E eu surtei quando eles começaram a me seguir feito loucos, tirar fotos e gritar perguntas e coisas sobre minha vida quando eu era apenas um adolescente recém saído de uma cidade pequena e que, de repente, virou um sucesso mundial. Você me conhece desde que éramos crianças, eu nunca fui de ficar expondo coisas da minha vida, então eu não lidei bem. A primeira vez que uma horda de paparazzi me cercou, eu surtei e foi um episódio bem feio, eu quis desistir e nunca mais fazer parte de banda nenhuma, mas não podia desistir do meu sonho por causa de um monte de gente que só quer vender a desgraça alheia. – falou, olhando-a nos olhos. – Eu mentiria se dissesse que me acostumei, não acostumei, ainda tenho vontade de largar tudo e sumir quando me seguem pra ficar tirando fotos minhas indo a um bar, por exemplo. É uma merda que pessoas fiquem tirando fotos sem permissão, gritando coisas invasivas e querendo criar notícias pra fazer inferno na vida alheia, eu tento ignorar o máximo que posso, com o tempo você meio que se acostuma com algumas dessas coisas.
– Não tenho motivos pra me acostumar com isso.
– Depende. – Niall deu uma risadinha.
– Cadê a ?
– Na sala. – Niall respondeu, recebendo um aceno de cabeça de , que passou as mãos pelo rosto para tentar afastar os rastros de lágrimas e parecer recuperada. – Ethan veio pra cá?
– Veio, ele veio com a antes de mim.
, existe algum fundamento no que estão dizendo? Ethan é meu filho?
– Niall…
– Eu não vou tomar a criança de você, , mas eu tenho direito de saber se existe alguma possibilidade de essa criança ser minha, ainda que seja tão pequena e remota que você não tenha total certeza. – falou sincero, tinha o tom de voz baixo e parecia tão frágil que poderia se desfazer em mil pedaços ali bem em frente aos olhos dela. – Se aquela foto for real e não existir nenhuma manipulação, então não existe outra resposta além de sim.
– Preciso ir ao banheiro. – falou, ficando de pé tão rápido, que Niall nem teve tempo de reagir e pedir para que ela não fugisse dele mais uma vez.

Tão logo falou, estava de pé e saindo do quarto, sem pestanejar e sem dar tempo de ele falar algo ou tentar impedi-la. Niall quis segui-la e ver se ela ia mesmo para o banheiro, se não fugiria, mas não o fez. Provavelmente não fugiria, não sairia da própria casa e o deixaria lá e, em todo caso, ainda estava preocupada com os paparazzi que poderiam estar de volta. Então, Niall ficou sentado na cama esperando por ela, mas quem apareceu primeiro foi a criança.
Ethan.
Era óbvio que o menino era seu filho, aquela criança era exatamente idêntica a ele quando tinha aquela idade. Ou até mesmo naquele momento. Não era parecido como Theo, Ethan era idêntico!
O pequeno tinha as mesmas bochechas cheinhas que davam o aspecto de fofura, o formato redondinho do rosto, o nariz tão pequenininho que dava vontade de morder, o tom castanho do cabelo e a forma como estava cortado, a franjinha na testa, as mãozinhas gordinhas com dedinhos fofinhos que dava vontade de apertar, os olhos azuis idênticos aos seus próprios, até o tamanho da criança parecia o mesmo dele naquela época! Chegava a ser assustador, o menino parecia não ter nada da mãe, Niall não tinha enxergado nenhum rastro de naquela criança. Nada.

– Oi, Ethan. – falou e o menino o olhou assustado, arregalando os olhos de um jeito que Niall considerou fofo. – A mamãe foi ao banheiro, mas já deve estar voltando.
– E você? – o menino perguntou, desconfiado e ainda um pouco assustado com a presença de um desconhecido, mas Niall sentiu que podia derreter ao ouvir aquela voz infantil tão fininha e suave.
– Eu sou Niall, um amigo da mamãe. Você não me viu chegar? A tia abriu a porta pra mim há uns minutos.
– Ethan! – a voz de saiu desafinada, numa repreensão que Niall nem entendia o motivo de existir. – O que você está fazendo aqui?
– Fome, mamãe. – Ethan falou, voltando a olhar para Niall. – E ele?
– É um amigo da mamãe, amorzinho. Fale com a tia , a mamãe está ocupada.
– Ah não! – o menino protestou. – Mamãe, pufavô, você.
– Tudo bem, vamos lá pra cozinha comer. – falou, dando um sorriso afetuoso para o pequeno.
– Tá cholando? – Ethan perguntou e negou com um aceno.
– A mamãe estava dormindo, amorzinho.
– Ele te acodô? – o menino perguntou, olhando para Niall e depois para a mãe.
– Não, ele chegou depois que a mamãe acordou. – respondeu. – Vem, vamos jantar.

saiu com Ethan antes que Niall falasse algo ou conseguisse reagir, mas ele estava sem condições de reagir a algo depois de ter visto Ethan pessoalmente, não apenas pela foto que estava circulando pela internet.
E aquela foto não era manipulada. Era muito real.
Cada pedacinho do rosto daquela criança estava gravado em sua mente e era impossível que não fosse seu filho, Ethan era uma cópia inteira de Niall e não eram os olhos viciados, que tinha alegado. Era semelhança total e absoluta! Desde os cabelos até a ponta dos pés, Niall podia apostar e nem precisava ver o garoto descalço pra isso. Até o jeito de falar, manhoso e carinhoso, era como a mãe de Niall o descrevia quando era uma criança de quase três anos. Era impossível que aquele menino fosse filho de outra pessoa.
E perceber isso fez com que Niall ficasse triste, bravo e decepcionado. Tinha perdido quase três anos de vida de seu filho (sem contar o tempo de gravidez), perdeu a chance de acompanhar o desenvolvimento dele durante a gravidez de , perdeu ultrassons, o nascimento e cada uma das descobertas do menino até então. Perdeu os dentes que nasceram, consultas médicas, chances de aninhar a criança no colo quando ela chorasse, perdeu a chance de ter seu filho desde o começo. Perdeu a chance de dar a Ethan um pai desde o princípio.
Ainda que ser pai nunca tenha sido o maior sonho de sua vida, Niall sempre soube que se um dia acontecesse, ele queria participar da vida da criança e ser presente, ativo, ensinar e aprender. E tinha perdido três anos daquilo. Sentiu seu coração apertar e uma vontade de chorar tão grande que não soube como e nem de onde tirou forças para não o fazer naquele momento. Tinha um filho e que passou três anos sem saber disso.
E teria passado outros mil se a foto de Ethan não tivesse começado a circular pela internet e todo aquele pandemônio não tivesse sido feito por causa da imensa (e assustadora) semelhança entre os dois.
Naquele momento, Niall odiava . Não de verdade, no fundo ele sabia que não a odiava, mas odiava aquela atitude, odiava a mentira e as omissões. Odiava que ela tivesse criado uma criança deles e sem ele. Odiava que ela tivesse tirado dele o direito de ser pai. Odiava que ela tivesse tirado de Ethan o direito de ter um pai.
Tudo que Niall mais queria (e ele jamais imaginou que sentiria isso) era ter sido pai. Ter sido um pai presente e atuante, ter passado dias com o filho, mesmo sabendo que na época da One Direction seria impossível estar tão presente, mas queria, pelo menos, ter sabido que teria um filho.
Um filho.
Niall Horan tem um filho.
Um filho.
E agora, como sua vida seria? Morava em Los Angeles na maior parte do tempo, passava algum tempo em Londres, mas ficava muito tempo nos Estados Unidos, por vezes mais do que na Europa. E, naquele momento, estava em turnê pelo mundo inteiro por quase um ano antes de parar e poder ficar em casa por mais do que uma semana!
Precisava ligar para Louis, tinha que descobrir como ele fazia aquilo de ser pai sem estar presente o tempo todo com a criança, porque estava viajando pelo mundo, precisava aprender pra ontem! Greg também podia ajudar nisso de ser pai, ele era um pai incrível para Theo, então ajudaria muito. E pro próprio pai, não podia se esquecer de Bobby de jeito nenhum.
Niall tinha total consciência de que não poderia levar Ethan consigo em sua turnê, não conseguiria cuidar do filho enquanto estivesse pulando de país em país, de entrevista em entrevista, então precisava aprender como fazer isso à distância. E, em todo caso, não deixaria que isso acontecesse nem que Niall tivesse total condição de cuidar de Ethan sozinho. Mas Niall também não queria tirar Ethan de sem ter um motivo absurdamente plausível.
Não queria nem mesmo pensar nela, porque isso fazia com que ele voltasse a sentir raiva de toda aquela bagunça que deveria ter sido evitada e que, claro, era culpa dela. Se tivesse contado, se ela tivesse se dignado a aceitar Niall no Instagram e mandar uma mensagem dizendo que estava grávida, ele teria dado um jeito de fazer dar certo sem que o mundo precisasse ficar maluco atrás da notícia.
Quando deu por si, estava parado à porta da cozinha, visualizando ajudando Ethan a comer e conversando com ele, numa bolha onde só existiam os dois, sorrindo e conversando como deveriam fazer todos os dias desde o começo, era apenas espectadora, observando aquele momento familiar do qual Niall tinha sido novamente excluído, mesmo estando sob o mesmo teto que eles.
foi a primeira a perceber a presença de Niall, desviou os olhos de e de Ethan e o olhou num misto de curiosidade, culpa e preocupação. Ele observava tudo tão ressentido que ela quase teve vontade de abraçá-lo e dizer que estava tudo bem, que ficaria tudo bem. demorou um pouco mais a perceber e só se virou quando Ethan parou de comer para olhar para a porta e observava Niall com interesse.

– Nós temos que conversar. – Niall falou e suspirou, mas não respondeu. – , nós temos que conversar.
– Niall, agora não.
– Se não for agora, quando? Daqui três anos quando sair uma nova foto na internet que foi tirada sem autorização? – Niall perguntou num tom ressentido e voltou a suspirar. – Sério, nós temos que conversar, mesmo que tudo já esteja muito claro.
– Amorzinho, – falou para Ethan, que observava os dois. – a mamãe precisa conversar com o Niall, ele tem que ir pra casa e veio aqui só pra isso, a tia vai te ajudar a terminar de comer e te colocar na cama, tudo bem?
– Mamãe, quelo dômi com você. – o menino falou num tom pedinte.
– Tudo bem, mas se a mamãe ainda estiver falando com o Niall quando chegar a sua hora de dormir, você dorme com a tia , tudo bem? – falou e ele assentiu, contrariado.
ficou de pé, saindo da cozinha e passou por Niall, voltando para o quarto. Ele a seguiu de perto, fechando a porta atrás de si e a observou sentar na cama e o encarar de um jeito quase impassível. E isso o machucava tanto…
Como ela podia estar daquele jeito, tão fria e calma diante daquela situação tão injusta? Ele tinha perdido os três primeiros anos da vida do filho e ali estava a mãe, a responsável por aquilo, fria como um iceberg e o olhando como se ele não tivesse nenhum direito de questionar nada.
– Por quê? – foi a única coisa que Niall conseguiu externalizar.
Sentia que se falasse mais alguma coisa, acabaria se despedaçando ali mesmo, chorando e se desfazendo em pedacinhos. Estava magoado e sentia tanta tristeza por ter sido descartado como se não fosse necessário na vida de Ethan, como se ele nunca tivesse significado nada para ela. Niall sentia seu coração bater de um jeito dolorido, apertado.
não respondeu de imediato, parecia pensar sobre o que aquele “por quê?” se referia e como o responderia. Niall sentia as pernas fracas e encostou-se na porta, precisava de um apoio, algo sólido, porque sentia que poderia desmoronar a qualquer momento.
– Niall, por f…
– Não, , sem desculpas. Eu quero saber o motivo que te fez esconder tudo e depois mentir na minha cara dizendo que eu não tinha um filho.
– Eu nã…
– Você vai olhar nos meus olhos e me falar que ele não é meu filho depois do que eu vi hoje? – Niall a interrompeu, falando sério. – Você vai mesmo fazer isso?
– O que você queria que eu fizesse, Niall? Que te mandasse uma mensagem no Instagram falando: “oi, a camisinha estava mesmo furada, eu estou grávida!”? Você estava do outro lado do mundo quando eu descobri isso, Niall! O que você faria? Deixaria a turnê? Porque uns dias depois que eu descobri, o Zayn saiu da banda, sua vida virou uma bagunça quando isso aconteceu e seria mesmo ótimo que essa notícia caísse no seu colo assim, não é?! Você não estaria totalmente presente até Ethan já ter uns três meses e nós sabemos disso, então não venha com esse papo de que faria algo, porque não faria!
– Eu nunca disse que faria algo mirabolante, . – Niall falou num tom sério, mas seco e ressentido. – Eu tinha direito de saber, mesmo que eu tivesse que passar cinco anos em turnê sem voltar pra casa! Você tinha que ter contado, ele é meu filho e não só seu! Se aquela foto não tivesse viralizado, você teria escondido isso pra sempre?
– Talvez.
– Você… – Niall começou a dizer, mas deixou o resto das palavras morrerem, apenas abaixou a cabeça e evitou olhar para .
– Niall, coloque-se no meu lugar. Eu estava assustada por estar morando em Dublin há pouco mais de dois meses e descobri que estava grávida de um cara famoso com quem eu transei uma única vez! Imagina descobrir isso enquanto o famoso está em turnê, a maior parte das mulheres do mundo tinham atração por ele e as mais intensas poderiam fazer da minha vida um inferno. Imagine! Pense por um segundo em tudo que aconteceu dentro da sua banda, ou do que dizem ter acontecido, e de como eu poderia ter feito algo que acabaria com a sua carreira no momento em que eu te contasse que teríamos um filho! Assim que soubessem, eu seria massacrada e fariam da minha vida um inferno pior do que esse que está acontecendo agora.
– Não precisaríamos deixar nada público.
– E como aconteceria? Porque você era seguido por fotógrafos em todo canto, como acha que veria o Ethan sem que te seguissem e fotografassem sua chegada, minha chegada, a presença de Ethan e tudo mais? Niall, foi o melhor pra nós dois e eu acho que você deveria deixar as coisas do mesmo jeito que estavam.
– Você não pode mesmo estar dizendo isso.
– Dizendo o quê? Pra você fingir que nunca nos conheceu? Se for, sim, eu disse exatamente isso.
– Não, eu não vou fazer isso. Eu tenho tanto direito de ser pai dele quanto você tem de ser mãe, . Não existe a menor possibilidade de eu fingir que Ethan não existe e que ele não é meu filho. E eu sei que você sabe que não está me pedindo algo razoável.
– Estávamos muito bem até uma fã tirar uma foto totalmente sem autorização e postar na internet! Você estaria em turnê agora e não aqui em casa, eu não teria sido perseguida por um monte de paparazzi e nem teria o endereço da minha casa rodando pela internet nesse momento! Eu estaria em paz com meu filho, colocando-o na cama depois de escovar os dentes e fim de papo. Estaríamos muito bem como estávamos antes.
– Ele é meu filho também, . – Niall falou num tom sentido, quase chorando. – E eu quero ser o pai dele. Não é um pedido. Eu tenho tanto direito a isso quanto você.
– Estamos bem assim, obrigada. Agora, se você puder sair da minha casa…
– Ainda bem que isso não está acontecendo com você, , porque meu coração está partido e eu simplesmente não entendo o que te fiz pra que você tente me proibir e me impedir de ser um pai presente, carinhoso e atencioso pro nosso filho. – Niall suspirou ao falar, num tom magoado e dolorido. – Eu fico me perguntando se valeu a pena eu ter vencido todos os meus medos e inseguranças pra te chamar pra sair naquele dia. E começo a acreditar que não.

Niall não deu chance de responder, apenas saiu da casa e atravessou a rua para entrar no carro onde o motorista ainda o esperava pacientemente.
Ele não percebeu, mas ainda havia fotógrafos na rua. E enquanto Niall enxugava as lágrimas que caíam, fotos eram tiradas.

Nota da Autora: Oioi!
Eu sou uma pessoa horrível por fazer um capítulo desses? Sou. Eu sei!!!!!! Eu não mereço perdão por fazer uma coisa dessas com meu bebê irlandês, principalmente colocando a pra falar com ele assim.
PORÉM, espero que vocês entendam o lado dela nessa história, mesmo que pareça ridículo e irracional. E espero que vocês não deixem os detalhes passarem, porque cada uma dessas conversas que eles têm serão usadas posteriormente e vão só crescendo a imensa bola de neve que tem que rolar…
Espero que tenham gostado, não esqueçam de comentar me dizendo o que acharam e o que mais esperam pra próxima atualização (que não será tão triste).
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Vocês também podem me seguir no Twitter (mas aqui eu só surto por esportes, bandas, mando o Niall beber água e nunca mais cortar o cabelo e xingo determinados presidentes não disse quais, e reclamo da vida).