Still

Sinopse: Os dois cresceram e estudaram juntos por um tempo, mas nunca foram amigos. Sempre se gostaram, mas nunca tiveram a chance de se declarar.
Ele foi atrás de seu sonho e acabou na maior boyband dos últimos tempos. Ela permaneceu em Mullingar, estudou e se formou para seguir seu sonho de tornar-se professora.
Em uma das raras férias que tivera naqueles primeiros quatro anos de banda, Niall Horan voltou a Mullingar para passar as festas de fim de ano com a família e reencontrou Eileen O’Brien, descobrindo que ainda sentia-se da mesma forma que antes de ser famoso, quando eram apenas dois adolescentes na pequena cidade de Mullingar.
Ele, vencendo suas inseguranças, a convidou para sair um dia enquanto estivesse ali. Ela, vencendo seu medo, aceitou. Uma noite e mais nada. Ele voltou para a One Direction, para o que seria a última turnê da banda, e ela foi para Dublin trabalhar com o que amava.
Os dois nunca tiveram a chance de se declarar, mas a foto de uma criança tirada sem autorização foi o estopim para ligá-los novamente e fazer com que os sentimentos antigos voltassem à superfície.
Fandom: Niall Horan
Gênero: Romance, drama.
Classificação: 18 anos
Restrição: Fanfic escrita com o cantor Niall Horan fixo. Classificação 18 anos, pois contém cenas que retratam crises de ansiedade, pânico e utilização de drogas lícitas e ilícitas
Beta: Regina George

Prólogo

‘Cause if I’m being honest I ain’t over you yet, it’s all I’m asking. Is it too much to ask?


Saitama, Japão, segunda-feira, 02 de março de 2015

Niall estava sentado em seu camarim, sozinho, e encarando o nada, pensando na vida e pouco feliz com tudo. Amava cantar, amava ser parte da One Direction, mas odiava passar tão pouco tempo em casa, como foi no fim do ano, a última vez em que esteve em Mullingar e, provavelmente, só voltaria para a Irlanda no fim do ano, quando a turnê acabasse.
O tempo em Mullingar foi pouco, menos de um mês, tinha passado bons dias com amigos e a família, mesmo que quisesse ter passado mais dias em casa, além dos feriados de fim de ano, afinal, talvez assim, até tivesse conseguido conversar direito com ela e pudessem ter tentado alguma coisa.
E a lembrança só fez com que ele sentisse ainda mais vontade de voltar pra casa naqueles dias que separavam a viagem de Saitama para Singapura. Os dois não tinham nem mesmo trocado números de telefone, tinha sido apenas dois encontros (não consideraria os dias em que foi até o trabalho dela para tentar convencê-la a sair como um tipo de encontro) e mais nada.
Niall nunca quis tanto que uma pessoa tivesse dado o número de telefone para ele como queria que ela tivesse feito. Tudo bem, ele não tinha pedido, mas ofereceu passar o próprio e ela disse que “não vamos conversar muito, fusos diferentes e essas coisas… foi bom te ver, Niall” e só.

– Por que você está com essa cara de enterro, Nialler? – Liam apareceu, sentando-se ao lado do amigo, que soltou um suspiro derrotado.
– Estou pensando.
– E seus pensamentos, por acaso, tem nome?
– Nome, endereço, imagem… e um telefone que eu não tenho. – o rapaz suspirou.
– Ela? – Liam perguntou e Niall assentiu. – Aconteceu algo?
– Lembra que te contei que saímos quando eu estive em Mullingar? – perguntou e o amigo assentiu. – Então, tô só pensando nisso mesmo. Sobre querer ir em casa para vê-la, ir perguntar se podemos fazer isso dar certo.
– Nenhum dos seus amigos conseguiu o telefone pra você?
– Ela não mora em Mullingar mais, parece que mudou pra Dublin no começo do ano, logo depois que eu voltei pra cá.
– Redes sociais?
– Ela nunca me aceitou no Instagram, Liam. – Niall suspirou.
– Você já parou pra pensar que talvez ela tenha… medo? – perguntou e Niall o olhou sem entender. – Sim, medo. Você sabe como é a vida, a nossa vida… tudo toma proporções muito maiores do que realmente tem, algumas pessoas acham que ainda podem controlar nossos relacionamentos e vidas…
– É, pode ser. – Niall suspirou. – Mas eu queria muito poder falar com ela.
– Ela não aceita mensagem no Instagram? Tipo, de pessoas que não a seguem? – Liam perguntou e Niall deu de ombros.
– Queria falar pessoalmente, porque por mensagem não sei se consigo dar o tom que preciso e lá ela pode simplesmente apagar e ignorar e…
– Vamos dar um jeito nisso, Nialler.
– Pena que nesses dias até o show de Singapura eu não posso viajar pra lá, só pra… – Niall suspirou, deixando a frase morrer.
– Sem chances dessa vez. – Liam falou, apertando o ombro do amigo numa forma de consolo. – Mas, no fim do ano…
– Payno, tanta coisa pode acontecer daqui até o fim dessa turnê… – Niall respondeu num tom derrotado.
– Por enquanto, a única coisa que precisa acontecer é o show de hoje. – Liam falou, voltando a apertar o ombro do amigo. – Vamos pensar em algo depois, alguma coisa pra chamar a atenção dela para vocês dois conversarem e você abrir seu coração.
– Isso é uma coisa com a qual eu não conto, Liam, mas obrigado. – Niall deu um sorriso pequeno ao falar, triste demais para sorrir verdadeiramente.
– Nossa, que clima de velório é esse? – Louis apareceu na porta, colocando apenas a cabeça para dentro do camarim. – Aconteceu alguma coisa?
– Não, tudo bem Tommo. – Niall respirou fundo e tentou tranquilizar o amigo.
– Você não sabe mentir, Nialler. Precisam de um tempo? Podemos enrolar um pouco, pedir pra estenderem o show de abertura um pouquinho…
– Está tudo bem. De verdade. Eu só fiquei pensando em casa um pouco…
– Ah… – Louis deu um sorriso compreensivo para Niall.
Sabia muito bem o que aquilo queria dizer.
– Aconteceu alguma coisa? – foi a vez de Harry perguntar, na porta do camarim, mas sem aparecer.
– Niall apenas precisa de um tempo antes do show. – Louis respondeu.
– E por que estamos todos aqui se ele precisa de um tempo? – Harry perguntou, num tom óbvio, arrancando uma risada dos outros três.
– Eu estou bem, nós vamos subir e fazer um show ótimo, como todos os outros que fizemos até agora. – Niall garantiu, mesmo que nenhum dos amigos levasse a sério.
– Ela não sabe o que está perdendo, Nialler. – Liam garantiu, dando um beijo no rosto do rapaz e ficou de pé. – Dez minutos.
– Dez minutos. – assegurou, sorrindo agradecido e logo estava sozinho em seu camarim novamente, observando o local vazio enquanto ouvia ao longe a apresentação da banda 5 Seconds of Summer no show de abertura.

Em Dublin, naquele mesmo momento, lá estava .
Sentada sobre a tampa do vaso e observando a pia. Não era possível que aquilo fosse verdade. Não era possível que tivesse engravidado. Sempre tão cuidadosa, não tinha transado sem camisinha com ninguém, mas lá estavam os três testes com o resultado positivo sobre a pia. E só havia uma única pessoa que poderia ser o pai daquela criança: Niall Horan, que, no momento, estava se preparando para entrar no palco para o quarto show em Saitama, o décimo terceiro da On The Road Again Tour.

Capítulo 01 – Explique-se, Niall!

I’m not saying that you’re lying, but you’re leaving out the truth…


Dublin, Irlanda, quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Ethan, todo embrulhado em agasalhos, brincava com um boneco de dinossauro enquanto empurrava o carrinho pelas ruas de Dublin, com algumas sacolas de supermercado penduradas, tentando chegar em casa antes que a chuva voltasse a cair e ela ficasse ilhada com o filho no meio do temporal. Precisava do verão o mais rápido possível, não aguentava mais o nariz sempre escorrendo e a constante preocupação com a temperatura corporal de Ethan.
O menino, em seu carrinho, estava vestido com várias camadas de agasalhos, totalmente alheio às preocupações da mãe sobre o frio em Dublin e a imensa vontade de que o verão chegasse para que pudessem aproveitar os dias quentes sem tantas roupas e preocupações com doenças respiratórias ou quantidade de cobertores a noite, Ethan só queria brincar com seu dinossauro de brinquedo que carregava para todos os lados e nunca abandonava. Seu brinquedo favorito desde sempre. Mas, as luvas que envolviam suas pequenas mãozinhas e as protegiam do frio, acabaram o traindo em um movimento e o dinossauro escorregou, caindo no chão e os passos apressados de quase fizeram com que Ethan perdesse seu pequeno “Didi” pra sempre, não fosse uma pessoa na rua que viu o objeto caindo.

– Ei, moça! – ouviu uma voz e, depois, um toque leve em seu ombro. – Acho que isso é seu.
– Meu? – perguntou, virando-se para a garota que estava tão agasalhada quanto ela e tinha o brinquedo de Ethan em mãos.
– Didi. – Ethan choramingou e a jovem, deveria ter uns dezesseis anos, pensou, foi até a parte da frente do carrinho e se abaixou, ficando de frente para o menino e lhe estendendo o brinquedo.
– Meu Deus do céu. Ele é a cara do Niall! – a jovem riu em choque e sentiu a pressão baixar, além da vontade de correr com o filho e sumir da vista daquela mulher eternamente, mas, ao invés disso, agiu de uma forma tão descontraída e natural que quase se convenceu que o menino não era mesmo a cara do pai.
– Não tenho tanta sorte assim. – riu. – Do Niall, o Ethan só tem a mesma nacionalidade.
– Nossa, mas ele parece muito com o Niall. – a moça riu ao falar. – Você deve ouvir bastante sobre isso.
– Na verdade, você foi a primeira. – deu uma risadinha nasalada antes de retomar a fala. – Normalmente falam que ele se parece com o pai dele.
Bom, não era mentira.
Falavam “ele só pode parecer com o pai, , porque não tem nada seu nessa criança além do sobrenome”, o que era a verdade.
Mas ninguém (principalmente uma desconhecida na rua) precisava saber que o pai de Ethan era Niall Horan.
– Parabéns pelo belo filho e belo marido então. – a moça brincou, dando um sorriso ao falar e riu junto.
– Obrigada. – respondeu. – E obrigada por pegar o Didi, não sei o que eu faria se ele perdesse esse dinossauro.
– Sem problemas. – a garota sorriu, não demorando a ficar de pé e retomar seu caminho, deixando que e Ethan seguissem até a própria casa.

Ele, alheio ao mundo novamente agora que tinha seu “Didi” de volta.
Ela, alheia ao fato de que a garota tinha tirado uma foto de Ethan e estava mandando, naquele momento, para um grupo de amigas no WhatsApp e falando sobre como aquela criança parecia o Niall e, depois, procurando uma foto similar de Niall naquela idade para postar em comparação.
Pouco depois de chegarem à pequena casa, Ethan e estavam confortavelmente aquecidos, graças unicamente ao aquecedor, o menino estava na sala brincando com alguns brinquedos e terminava de guardar as compras. Precisava passar algumas roupas e marcar uma consulta para Ethan na pediatra ainda naquele dia e não podia esquecer disso de forma alguma.
“Meu Deus do céu. Ele é a cara do Niall.”, ecoava em sua mente e tentava ignorar, mas não tinha como.
Ethan realmente é a cara do pai. E, não bastasse isso, ainda tinha nascido no mesmo dia, adiantando o próprio parto que deveria acontecer três ou quatro dias depois. não tinha ódio de Niall ou nada do tipo, pelo contrário. Tinha passado a maior parte de sua vida gostando dele, enquanto ainda eram apenas alunos da mesma escola e por dois anos na mesma sala, depois quando ele se tornou um astro pop mundialmente conhecido e amado. E ainda durante aqueles anos depois disso. Até hoje.
tinha surtado na época em que descobriu a gravidez, o que é consideravelmente normal dado o contexto: Tinha se mudado para Dublin há pouco mais de dois meses, estava em um emprego novo e vivendo o sonho de se sustentar sozinha (mesmo que não fosse rica e nem tivesse tantos luxos) e trabalhando com aquilo que amava. Estava grávida de um cara famoso por quem tinha sido apaixonada durante toda a vida e com quem tinha ficado apenas uma vez. E, o cara famoso, era integrante da maior boyband dos últimos tempos. Era mesmo de se surtar.
Depois do surto inicial, lembrou-se vagamente de um comentário sobre uma camisinha furada, mas não tinha dado muita atenção, porque, pelas suas contas, não estava no período fértil e não teriam problemas com aquilo em questão de gravidez (que foi a única coisa que passou pela cabeça dos dois no momento), mas, também, queria sair o mais rápido possível daquele quarto e deixar Niall Horan para trás. Eles não poderiam ser nada, então queria apenas se proteger e evitar que seu coração acabasse ainda mais partido.
Na época, ela pensou em aborto, mas não fez. Sempre tinha sonhado em ser mãe e se o universo tinha decidido que aquele era o momento, então era o momento. Os pais também surtaram um pouco quando ela disse que tinha engravidado de um cara qualquer que conheceu em Dublin, mas ele tinha ido embora e ela nunca mais o veria, mas foram compreensivos e solícitos, além de serem excelentes avós, apaixonados pelo menino e nunca deixaram que lhe faltasse nada.
O pai não sabia da existência da criança, claro.
Primeiro, não sabia como contar, porque não o aceitaria em suas redes sociais (e ele tinha sido bem insistente durante anos quando ela recusou e nunca mais tirou uma solicitação que ele tinha deixado bem antes de terem transado) e não tinha seu telefone para mandar uma mensagem ou ligar avisando que ele tinha um filho. Segundo, não queria ter que lidar com a mídia que ele atraía, não queria paparazzis cercando sua casa ou tirando fotos dela por Dublin enquanto ela estivesse simplesmente andando com o filho pra qualquer que fosse a coisa que precisasse fazer. Terceiro, não queria lidar com as “fãs” (e usava as aspas para se referir ao tipo que se dizia fã, mas apenas quer controlar a vida do ídolo, criar teorias e fazer inferno na vida alheia) e com toda a maldade que costumavam destilar.
Então, desde 13 de setembro de 2015, quando Ethan nasceu em Dublin, eram apenas os dois. Foram dias difíceis sozinha com ele, cólicas, fases de salto, gripes, dores de dente, febres… mas tinham passado por tudo e sobrevivido. Ethan era a melhor coisa que poderia querer em sua vida, nem se tivesse sido feito sob encomenda ele seria tão perfeito quanto era. Mesmo que ele fosse muito parecido com o pai e acabasse tornando basicamente impossível a missão de esquecer Niall Horan (não que ela tentasse de verdade, em todo caso), de deixar de lado aquele sentimento que nunca tinha acabado, apenas adormecido um pouquinho.
Achava engraçado que tivesse sido apaixonada por aquele garoto cor-de-rosa, de dentes levemente tortos e de cabelos compridos e tingidos de loiro, mas ele era uma gracinha se a pessoa olhasse bem e que agora era um homem muito bonito e com a imagem bastante diferente da que tinha quando era um adolescente em Mullingar, antes da fama.
gostava da risada e do jeito como Niall sempre tinha sido espontâneo com os amigos na época da escola. Niall e nunca tinham chegado a ser amigos, conversaram algumas vezes quando foram da mesma sala, mas nada além disso. Ele passou nas audições do “The X-Factor” alguns anos depois, antes de terminar os estudos, virou um super astro da música e mal colocou os pés em Mullingar durante todo o tempo que a One Direction existiu, primeiro com cinco membros e, depois, com os quatro membros que tinham declarado o hiato da banda, mas que logo voltariam.
quis contar para Niall sobre a gravidez, quis mesmo, mas não podia simplesmente aparecer e falar “oi, tive um filho seu”, porque tudo relacionado a vida de um dos integrantes da One Direction criava uma proporção maior do que tinha e tudo, absolutamente tudo, desencadeava reações (e, por vezes, mais ruins do que boas). A última coisa que queria era perturbar a paz do crescimento de Ethan deixando que o mundo soubesse de sua existência.
Niall estava bem em sua vida, sabia, ele tinha gravado um álbum que era um sucesso, estava prestes a começar uma turnê, além de todo sucesso que a One Direction tinha feito e ainda fazia. ainda é fã da banda e de todos eles enquanto artistas solos, até mesmo de Niall, eram ótimos em conjunto e ela viveu a febre do auge ao hiato da banda, depois indo para as carreiras solo de cada um deles e sabendo todas as músicas que já tinham sido lançadas e ansiando pelas novas que ela torcia que saíssem logo. Até iria ao show de Harry em Dublin, em abril, tinha comprado os ingressos com , mas ainda estava decidindo-se se iria e levaria Ethan ou se contrataria uma babá no dia.

– Mamãe. – ouviu o menino chamar, virando-se na direção da porta e vendo o pequeno entrar na cozinha. – Fome.
– Mamãe vai fazer um lanche, bebê. Pode voltar pra sala, já levo pra gente comer e assistir algum desenho, o que acha? – falou e o menino sorriu, franzindo os olhinhos.
– Sim! – comemorou, voltando para a sala e deixando a mãe sozinha na cozinha, acompanhada da voz de Adele, na rádio.

🇮🇪💚🇮🇪
Los Angeles, California, EUA, quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Niall

Niall estava em casa assistindo a um jogo de golfe, depois de uma reunião que lhe consumiu a manhã inteira para resolver alguns detalhes antes do começo da turnê de seu primeiro álbum solo, Flicker, que começaria dali alguns dias – e a gravação de algumas músicas do álbum com a RTÉ Orchestra, em Dublin.
A turnê começaria pela Europa, primeiro na Irlanda, depois o resto do continente, um pouco de Oceania, Ásia, Américas e fim. Oitenta e dois shows. Um número pequeno se comparasse com a época de One Direction, mas era o princípio da carreira solo, um passo de cada vez. Não podia querer abraçar o mundo com braços e pernas, mesmo sabendo que teria retorno, não valia a pena todo o sofrimento que passaria antes de terminar.
Então, enquanto não precisava viajar para compromissos ou para a turnê, continuaria tranquilamente deitado em seu sofá, acompanhado de uma boa cerveja (não a dos Estados Unidos, ou aquilo que os norte-americanos costumavam chamar de cerveja, mas pra ele parecia mais água com sal e bicarbonato) e seu jogo. Poderia postar alguma coisa no Instagram, mas era melhor apenas ficar assistindo ao jogo e deixar a internet pra depois.
Ou era o que ele pensava.
O celular soou com uma notificação de mensagem no WhatsApp e o nome de Liam era o mais recente, tinha enviado uma foto e Niall teria que desbloquear o aparelho para visualizá-la. Rapidamente desviou os olhos da tela da televisão para abrir o aplicativo de mensagens e baixou a foto que o amigo tinha enviado.
Era o print de um tweet de algum fã no Twitter e um “Niall Horan, explique-se!” e abaixo disso duas fotos: uma de quando ele tinha uns três anos, e ao lado… também parecia com ele, mas a resolução estava muito boa para ser algo de 1996, o modelo de carrinho e as roupas não pareciam antigas. Então, aquele outro bebê não era ele, mas se parecia muito com ele.

É, Niall Horan, explique-se!

Não faço ideia do que isso possa ser, Payno.
Provavelmente alguma edição, você sabe como nossas fãs são boas nisso

Eu estou um pouco assustado com a semelhança, Nialler
Certeza que você não andou fazendo bebês por aí durante esse tempo?

Absoluta!
Esse filho não é meu
Talvez seja eu do passado vindo pro futuro na tentativa de salvar o Universo

Você é idiota hahahaha

Você deu like nisso?

Claro.
Vi pela TL e resolvi dar like pra salvar, achei que não conseguiria te mandar hoje, mas consegui e agora aguardo a explicação razoável hahaha

Payno, aposto que nossos nomes estão nos Trending Topics por causa desse like

Nialler, as pessoas têm mais o que fazer…
Sei que você está vendo alguma coisa de golfe, então volte a assistir e nós conversamos depois
Até porque eu tenho mais o que fazer também

Foi a última mensagem de Liam e Niall, sem conter a curiosidade, abriu o Twitter. E tinha acertado. “O Liam curtiu” e “EXPLIQUE-SE NIALL!” estavam nos trending topics e ele deu uma risada alta ao ver aquilo. Era realmente impressionante como qualquer coisinha que eles fizessem criava toda aquela repercussão. Um like em um tweet aleatório tinha feito todo aquele estardalhaço
Resolveu ignorar, provavelmente aquilo era uma das boas edições que as fãs faziam, não perderia seu sono – ou pior, seu jogo! – com aquilo. Era muito mais importante tomar sua cerveja e assistir televisão em paz e tranquilidade. E, em todo caso, não tinha o que explicar. A chance de existir um filho seu pelo mundo era tão grande quanto a da One Direction voltar com os cinco integrantes iniciais.


Nota da Autora: Oioi!
Cá estou eu com outra fanfic (eu perdi totalmente o controle da minha vida) e, POR UM MILAGRE, dessa vez não é uma fanfic de futebol. Porém, essa daqui está sendo escrita com bastante drama e sofrimento, mesmo que isso garanta minha passagem só de ida pro inferno, porque ninguém bom faz o anjinho Nini sofrer e sai impune.
Ela podia ser interativa, mas acho que ela combina em tudo com o Niall e por isso ele é fixo. Espero que vocês gostem, porque eu tenho gostado de escrever (e me odiado por fazer o Nini sofrer assim) e quando esse plot surgiu na minha cabeça, só consegui pensar no Niall e em como se encaixaria perfeitamente.
Aqui tem o grupo do Facebook e aqui o do WhatsApp. E fica a dica pra fazer parte dos grupos, porque eu aviso as coisas lá sempre.
Vocês também podem me seguir no Twitter (mas aqui eu só surto por esportes, bandas e xingo determinados presidentes não disse quais, e reclamo da vida).

Capítulo 02 – A palavra “solicitado” estava lá há cinco anos (talvez mais)


Why is loving you not fair? You’re everywhere…


Dublin, Irlanda, quinta-feira, 08 de março de 2018



quase teve um troço quando começaram a repassar uma foto de Ethan pela internet o comparando com Niall.
Aquela garota que encontrou o Didi tinha tirado uma foto totalmente sem autorização de uma criança e colocado na internet sem pensar nem um pouco nas consequências de seus atos. E, pra piorar, Liam ainda tinha dado like em um dos tweets que falavam sobre a comparação das fotos de Niall e de Ethan. “Explique-se Niall” tinha ficado nos assuntos mais comentados um dia inteiro e por várias vezes aquelas fotos estiveram em sua timeline do Twitter, em seu feed do Instagram.
Ainda bem que Niall não tinha aparecido para falar nada a respeito.
Quer dizer, mais ou menos “ainda bem”.
A ausência dele fora devidamente notada e, adicionada a isso, o sumiço das fotos da criança (solicitada por , que apenas queria proteger a imagem do filho de toda aquela bagunça que tinha sido criada) fez uma onda inflamar entre algumas pessoas na internet, cheias de opiniões e de teorias. Culpavam a gestão de marketing por tirar tudo do ar com algum propósito nefasto, um monte de conversa fiada sobre a criança (que também tinha sido teorizado diversas vezes sobre a veracidade da existência de uma) e a mãe… poucas as pessoas que se dispunham a dizer que podia ser apenas uma coincidência muito grande, mas se fosse um filho, deveria haver respeito, porque Niall era sempre muito, muito discreto em sua vida pessoal e era por coisas desse tipo, para evitar aquele tipo de reação inflamada, que ele ficava quieto e raramente postava alguma coisa sobre si mesmo e sua vida pessoal.
estava pensando duas vezes mais antes de sair de casa com Ethan, agora tudo lhe parecia suspeito e, mudando o pensamento de alguns dias, tinha começado a amar o frio que fazia em Dublin, pois assim podia esconder bastante de Ethan com toucas, cachecóis, luvas e blusas de frio quando precisavam sair de casa. Mesmo que aqueles olhinhos azuis tão iguais aos do pai ficassem visíveis, esconder o resto do rosto do menino já ajudava a não ter mais pessoas o fotografando sem autorização e postando na internet.
A ideia de que alguém pudesse suspeitar que Niall Horan tinha um filho e que ele pudesse começar a procurar por essa criança para descobrir se tinha mesmo um herdeiro por ai, fazia com que se sentisse bastante preocupada, pois se isso acontecesse, ela estaria perdida! Não gostava nem de pensar na ideia de que poderia perder Ethan ou de que fizessem da vida do menino um inferno por uma foto e uma manchete sensacionalista. Seu filho era o que tinha de mais precioso na vida e perder aquela criança era a última coisa que ela queria.

– Mamãe. – Ethan chamou e levantou os olhos do livro que tinha no colo e o olhou diretamente. – Pode bincar lá fora?
– Está fazendo muito frio, amorzinho. – falou e ele franziu o nariz, descontente.
– Mas mamãe… – resmungou, indo até o sofá para sentar-se no colo da mãe, colocando as mãozinhas nas bochechas dela e a olhando com a maior carinha pedinte do mundo. queria permitir, mas estava mesmo muito frio pra saírem de casa. – Só um pouquinho.
– Amorzinho, está muito, muito frio. – falou, fazendo um carinho no rostinho de Ethan e ele resmungou, aninhando-se no colo da mãe.
A temperatura não estava boa o suficiente para saírem de casa para brincar no parque, ainda que ele estivesse todo envolto em blusas de frio, toucas e luvas. Naquele momento fazia seis graus e estava ventando muito, deixando o clima ainda mais frio e a iminência de chuva só piorava a sensação térmica. Era melhor ficarem quietos em casa, seguros e quentinhos e evitar uma doença que viria, com certeza, se ficassem expostos ao clima daquele jeito.
– Mamãe, faz chocolate? – Ethan pediu, dando um sorriso que convenceria a matar alguém se ele pedisse daquele jeitinho.
– Chocolate e biscoitos. O que acha? E brincamos um pouquinho de…
– Futebol! – Ethan comemorou animado e ela assentiu, colocando-o no sofá e levantou-se para ir até a cozinha.
Enquanto estava na cozinha, ligou o rádio para acompanhar os preparativos do chocolate quente, bem cremoso e quentinho, como Ethan adorava, e biscoitos que, por sorte, tinha feito no dia anterior e não teria o trabalho de fazê-los naquele momento. Ainda bem.

– O cantor Niall Horan chega na Irlanda no dia 10 de março para sua primeira turnê como artista solo. O primeiro show, em Killarney, será no dia 10. Dia 12, o cantor vem para seu primeiro show solo em Dublin, mas tem outra data aqui pra cidade, no dia 29 desse mês. E nós vamos sortear um par de ingressos para o segundo show…

Niall Horan em Dublin.
Já tinha acontecido antes, durante a época em que a One Direction existia e eles faziam shows pelo mundo, ela tinha ido a quase todos os shows da One Direction na Irlanda. Na última passagem da banda pela capital irlandesa, Ethan tinha um pouco mais de um mês, foi o único que ela perdeu.
E era óbvio que Niall cantaria ali em Dublin bem no começo de sua primeira turnê solo (sem contar a mini tour que ele fez no ano anterior, claro), a capital de seu país. Qual a chance de não existir pelo menos um show dele ali? Zero!
Além disso, Niall também já tinha ido para Mullingar algumas vezes quando esteve por lá, sozinha ou com Ethan, mas tê-lo por perto, naquele momento em que conspiravam sobre um possível filho dele na Irlanda, era terrível e deixava seus nervos à flor da pele. Teria que se policiar para não sair de casa com Ethan tão descoberto, não queria correr riscos de outra pessoa aparecer para tirar fotos do menino e colocar na internet, incitando Niall a procurar por aquela criança.
Slow Hands tocava no rádio e ela cantava junto enquanto mantinha a atenção no chocolate que esquentava no fogão. Gostava da voz de Niall, mesmo que tivesse odiado a audição dele no The X-Factor (ele também tinha, então tudo bem) com uma música que ele escolheu muito mal na época. E, em todo caso, não tentava evitar as músicas ou o nome dele, primeiro por ser impossível, segundo por ser fã dele, da One Direction e por achar que Niall merecia tudo que vinha conquistando desde aquela época. E, em todo caso, gostava dele e não perderia a chance de ouvir a voz suave e tão bonita quando ela lhe era ofertada daquela forma.
Queria ir ao show, mas não correria o risco de ir e ser vista pela garota que tirou a foto e que aquilo se tornasse ainda mais intenso do que já estava. Apenas a foto de Ethan poderia passar, poderia ser considerada uma boa edição de imagem dali um tempo quando nada mais acontecesse, mas se ela aparecesse num show dele tudo estava perdido. Niall com certeza a reconheceria e aí sim ela teria problemas em se esconder e esconder o filho. Também havia o fato de não haver mais ingressos à venda, então ela não poderia ir ao show nem que não se importasse com os motivos anteriores.
Quando o chocolate quente ficou pronto, seguiu para a sala e encontrou Ethan deitado no sofá, enrolado na coberta que ela tinha sobre si há alguns minutos e o garoto sorriu em deleite ao ver a aproximação da mãe com uma bandeja com os chocolates quentes e biscoitos.

– Coma com cuidado, meu amor. – pediu e Ethan assentiu, pegando um biscoito e começando a comer.
– Mamãe, vamo vê a vovó?
– Você quer ligar pra ela? – perguntou e Ethan assentiu animado. – Comemos e ligamos, tudo bem?
– Simmm! – comemorou, voltando a morder o biscoito.

Eles comeram os biscoitos e tomaram o chocolate quente, na tentativa de esquentarem um pouco mais os próprios corpos, afinal, Dublin estava chuvosa e fria como costumava ficar naquela época do ano e era tedioso para as crianças permanecer em casa, mas, naquele momento, a única coisa que fazia era agradecer ao clima por estar tão horrível e impedir um passeio com Ethan.
Não queria nem pensar no que poderia acontecer se o encontrassem de novo.
Não estava preparada pra nada disso.

🇮🇪💚🇮🇪
Londres, Inglaterra, sexta-feira, 09 de março de 2018

Niall

Niall estava sentado no sofá de sua casa, esperando a mensagem que confirmaria que Jeromy tinha chegado para buscá-lo para dar início à sua primeira turnê sozinho, no primeiro show que faria em Killarney, no sul da Irlanda, no dia seguinte. Estava ansioso, mas de um jeito bom, motivado diria.
Amava turnês e ter a sua própria seria ótimo, mesmo que fosse sentir muita falta dos outros integrantes da One Direction consigo, só tinha feito turnês com eles, não conseguia deixar de pensar em como seria estranho estar em um palco sem os outros, mesmo que já tivesse feito a mini tour do álbum no ano anterior, mas também não conseguia deixar de pensar em como poderia ser ótimo fazer uma turnê inteira sozinho. A experiência deveria ser incrível.
Mas, no momento, estava ocupado vendo quantas fotos comparando o Niall bebê em diversas fotos (algumas que ele nem mesmo lembrava da existência) com o outro bebê, naquela mesma foto de antes, de touca, luvinhas, agasalho e um dinossauro de brinquedo em mãos.
As fotos sumiram por alguns dias, o que gerou uma bagunça imensa com teorias sobre a gestão de marketing ter feito tudo sumir, um bebê que era escondido… teorias e mais teorias e Niall não fazia a menor ideia do que poderiam ser e nem de onde tinham saído aquelas ideias todas, também sabia que não existia nenhuma ação da Modest para apagar nada da internet ou de esconder um filho, ele teria ficado sabendo caso isso acontecesse, teriam feito questão de que ele soubesse o que estava acontecendo.
Principalmente por terem perguntado várias vezes se ele não tinha mesmo um filho, se ele tinha total certeza de que não tinha engravidado ninguém nos últimos anos. Então, para ele, tudo era apenas um mistério que envolvia o sumiço das fotos da criança e, agora, seu reaparecimento.
Vagando pelo Twitter, viu mais comentários sobre o bebê e sobre ele, porém, um tweet em específico chamou sua atenção o suficiente para que ele abrisse para ler e prestar atenção nas fotos que estavam anexadas. Dizia que uma pessoa tinha dito que conhecia o bebê e a mãe dele, que era uma mulher em Dublin e que elas trabalhavam juntas. Também tinha pedido para que parassem de divulgar a foto, porque era desrespeitoso demais espalhar a foto de uma criança sem a autorização.
Ele tinha que concordar com isso.
Por mais parecido que o menino fosse com Niall, ele era uma criança, ninguém podia sair usando a foto de um bebê assim, espalhar a foto pela internet apenas para fazer uma comparação e criar teorias infundadas e que nem pareciam razoavelmente aceitáveis. Não é verdade que há um número de pessoas que são realmente parecidas pelo mundo? Aquele dali devia ser um de seus dopplegangers perdidos, um pouco atrasado no tempo, e só. Não tinha a menor chance de ter um filho, Niall sempre era bastante cuidadoso quando o assunto era sexo.
Continuou pela internet, respondeu alguns tweets de fãs aleatoriamente, depois foi ao Instagram curtiu fotos de amigos e comentou alguns posts sem nenhum objetivo além de passar o tempo. Mas, enquanto olhava no “explorar” do aplicativo, encontrou novamente a foto da criança com o dinossauro de brinquedo e uma sua ao lado, além de um print da conversa com a tal pessoa que tinha falado trabalhar com a mãe daquele menininho.
“Hora de partir!”, dizia a mensagem que ele recebeu no exato momento em que iria ler a mensagem da tal pessoa que conhecia o menininho e Niall travou a tela do celular apenas para colocá-lo em seu bolso e encarar rapidamente a bagagem que tinha consigo na sala, parecia estar levando o suficiente, mas, se não fosse, daria um jeito.

– Ouvi dizer que você esteve ativo na internet há alguns minutos. – Jeromy falou quando Niall entrou no carro, após colocar as malas no bagageiro do carro.
– Estava muito sem o que fazer enquanto esperava por você. – Niall deu um sorriso ao falar.
– Animado?
– Muito. – Niall sorriu verdadeiramente. – Mesmo que seja estranho estar no palco sem os outros pra fazer uma turnê. Acho que será ótimo, que serão shows incríveis.
– Com certeza, lad. Você vai se sair super bem e as vendas de ingressos até agora provam isso.
– Estou feliz por começar em casa. – Niall sorriu ao falar.

O restante do caminho até o aeroporto foi entre conversas curtas sobre jogos de golfe (que naquele tempo péssimo não estavam acontecendo), música e trivialidades. O voo foi bem tranquilo e depois de uma hora e vinte minutos, estava em solo irlandês, em Killarney, pronto para reiniciar sua vida na estrada por causa da música.
Quando, finalmente, estava em seu quarto do hotel, Niall deitou-se na cama e voltou ao que fazia antes no Instagram, abriu o perfil das fãs que falavam sobre o bebê parecido e que tinham a conversa com a mulher que conhece a mãe do bebê. E lá foi ele procurar por tudo de novo.
A conta que tinha postado não retirou o usuário da mulher completamente, Niall que era péssimo em discernir letras apenas pela parte inferior, tinha conseguido visualizar perfeitamente quais formavam o usuário e foi procurar para ver o que encontraria no perfil dessa pessoa. Nem mesmo sabia o motivo de estar procurando, não tinha motivos para se preocupar ou para acreditar que tinha um filho, mas a curiosidade (e a falta do que fazer) o movia naquele momento.
A conta era pública – pelo menos isso – e havia bastante coisa. A tal mulher era professora em uma escola infantil de Dublin, pelo que dizia em sua descrição. Havia fotos de trabalhos de alunos, fotos de paisagens, fotos de comida, selfies, fotos com o namorado, fotos com animais, fotos em família e fotos com amigos. Niall tinha tempo, então resolveu navegar pelo perfil da desconhecida, talvez encontrasse uma outra foto daquele garotinho que estranhamente parecia mesmo muito com ele.
A maioria das fotos era sobre as crianças da escola, mesmo que sem mostrá-las, ela fotografava os trabalhos manuais, pinturas, escritas e coisas que filhos fazem e deixam pais e professores orgulhosos, mesmo que fossem apenas rabiscos coloridos e sem nenhum propósito.
E, então, depois de descer todo o feed de fotos da mulher e começar da primeira postagem dela – feita em 2013 – Niall parou para prestar atenção mesmo em uma foto que fora postada há alguns meses, antes do Natal, e parecia ser uma das últimas que não possuía algo relacionado a crianças, plantas ou pratos de comida.
A legenda da foto dizia que era uma confraternização antes do recesso de fim de ano, havia apenas a dona do perfil e uma outra mulher, que parecia ter a mesma idade que ela. As duas se abraçavam pelos ombros, sorriam para a câmera e havia uma criança no colo da outra, que também sorria para a foto de um jeito fofo.
Niall conhecia aquele rosto, aquele sorriso. Ele tinha certeza absoluta que ainda era apaixonado pela dona dele, nem se lembrava mais de uma época em que não tivesse sido, mesmo depois de tanto tempo. E a criança no colo dela… mesmo de olhos fechados, nariz franzido e o sorriso para a foto, não deixavam dúvidas de que o bebê com o dinossauro de brinquedo era real, não uma edição, e que parecia mesmo com Niall.
A marcação da foto não deixava dúvidas de que a outra mulher era mesmo quem ele pensava e abriu o perfil. A palavra “solicitado” estava lá há cinco anos (talvez mais) e nunca seria retirada se dependesse dele.
E nem dela, Niall sabia, pois nunca aceitaria aquela solicitação.

Capítulo 03 – A pessoa com a maior quantidade de dopplegangers do mundo

‘Cause when the morning comes, I know you won’t be there, every time I turn around, you disappear…
Dublin, Irlanda, sexta-feira, 30 de março de 2018

Niall

Quando o último show em Dublin foi finalizado, uma noite incrível e que ele guardaria em sua memória e coração eternamente, Niall estava decidido sobre o que faria no dia seguinte: iria até a escola em que trabalha e procuraria por ela.
Precisava saber se aquela criança era deles, precisava saber se aquela semelhança era real e entender tudo mais que rondava aquele assunto. Niall precisava vê-la depois de tanto tempo e saber se, de perto, ainda se sentia da mesma forma estúpida com borboletas no estômago e aquele nervosismo de sempre que sentia quando se viam, e, depois, quando ele tomou coragem de chamá-la para sair.
Mesmo que, no fundo, esperava que nenhuma das duas respostas fosse sim.
Não queria que fosse seu filho, porque significaria que perdeu quase três anos da vida dele e isso o magoaria profundamente. Os amigos que tinham filhos e o irmão relatavam coisas incríveis sobre os primeiros anos da criança, sobre as primeiras vezes e como era fantástico de se presenciar. Mas, principalmente, torcia para que seu coração não acelerasse tanto quando a visse, que não existisse mais borboletas em seu estômago ou coisas do tipo.
Niall queria que fosse apenas um enorme mal entendido, que aquela criança tivesse um pai que não seja ele e que já não lhe causasse nenhum efeito. O que ele duvidava muito, porque seu coração nunca tinha parado de bater de um jeito diferente e seu estômago esfriar quando a simples menção de seu nome acontecia.
Contudo, também esperava (e tinha total noção de que maior parte de si esperava nisso) que as respostas fossem sim. Queria um filho com , seria algo que os ligaria eternamente, mesmo distantes, mesmo sem envolvimento. Na verdade, queria uma criança pra chamar de sua. A simples ideia de poder ser pai lhe causava a sensação mais gostosa que já tinha sentido desde que passou nas audições do The X-Factor.
Queria, também, continuar sentindo algo por ela. Aquilo faria sentido, pelo menos entenderia os motivos de não conseguir sentir nada parecido por nenhuma das namoradas que tivera durante aqueles anos, porque nenhuma vez tinha sentido o que sentia por desde a época da escola, quando ela usava óculos fundo de garrafa, tinha uma franja estranha e usava aparelho, e ele era aquele garoto cor-de-rosa de cabelo grande, descolorido, dentes tortos e um pouquinho desajeitado
Foi difícil pegar no sono, ainda elétrico do show, mas também ansioso pelo dia seguinte e sobre como faria aquilo sem ser realmente percebido, Niall passou boa parte da noite desperto, rolando de um lado para o outro na cama antes de conseguir encontrar uma posição confortável o suficiente e que lhe fizesse apagar.
Quando descobriu que aquela mulher na foto era , ele passou horas encarando o celular sem reação. Queria ter mandado uma mensagem, mas imaginou seria ignorado e aquilo só pioraria a situação do seu coração, então os dezenove dias que separaram o primeiro show na Irlanda para o último, foram regados de muita ansiedade para conseguir pensar no que poderia fazer a respeito, continuava sendo marcado em diversas fotos de comparação entre o bebê e ele, pessoas tinham até levado cartazes para os shows perguntando sobre o bebê.
O pessoal do marketing estava um pouco preocupado, mesmo que Niall tivesse mentido com a cara mais lavada possível, dizendo que era impossível ter um filho, que aquilo era montagem e só, nunca deixando claro que talvez ele tivesse mesmo um filho. E acreditaram, claro, Niall não era o tipo que dava esse tipo de trabalho para que o marketing cuidasse e resolvesse.
Passava das onze e meia quando Niall acordou, ainda tinha tempo para comer alguma coisa e sair, conferira o site da escola para descobrir quando as aulas acabavam e, pelo que tinha visto, a turma de saía às 13:40. Não foi preciso fazer muita pesquisa para encontrar o nome e o endereço da escola, em todo caso, já que a amiga de tinha deixado aparecer o começo do nome em uma das fotos, mas Niall nem mesmo conseguiu olhar nada outra vez, porque no dia seguinte ao que ele descobriu , o perfil da amiga estava trancado. E, com as informações que tinha, Niall encontrou a escola pelo Google e planejou sua ida.
Pediu o almoço no quarto, com um pouco de pressa (e essa era a parte boa de ser famoso), comeu pouco, apenas para calar o estômago, mas não estava mesmo com fome e sentia que poderia vomitar a qualquer momento tamanho nervosismo do possível encontro de dali alguns minutos. Arrumou-se para sair do quarto e resolver tudo isso e, depois de mandar uma mensagem para Jeromy dizendo que iria encontrar alguns amigos e ligaria se precisasse de algo, Niall pediu um Uber e partiu para o endereço da escola.
Já tinha agradecido aos céus milhares de vezes por estar, agora, com os cabelos na cor natural, isso o deixaria quase irreconhecível aos olhos da maioria, então roupas pouco condizentes com o que ele vinha usando (agasalhos, touca e luvas porque estava realmente muito frio) e sem andar com a cabeça erguida, conseguiu chegar até a porta da escola, entrando até que estivesse no conforto da secretaria.

– Oi, bom dia. – cumprimentou a secretária, que sorriu educada, mas não pareceu reconhecê-lo.
– Bom dia, o senhor precisa de algo?
– Preciso. Posso, por favor, falar com a professora ?
– Hm… a professora está em aula agora, mas deve acabar em meia hora, quarenta minutos, mais ou menos.
– Posso esperar aqui? Lá fora está frio e está chovendo.
– Sinta-se à vontade, senhor.
– A professora vai passar por aqui antes de ir embora?
– Ela não costuma passar aqui todos os dias antes de ir pra casa, então não posso garantir que venha hoje, mas quando estiver quase no horário do final da aula, eu informo e o senhor poderá encontrá-la na saída.
– Obrigado. – Niall respondeu, indo sentar-se o mais escondido possível, pegou uma revista sem escolher algo específico e abaixou seus olhos para ler qualquer coisa que estivesse escrito, precisava fazer o tempo passar.
Passou vinte e sete minutos entre matérias sobre educação infantil, a importância da alfabetização escolar e como incentivar e estimular seu filho a aprender o que a escola ensinava. A recepcionista informou que a aula estava prestes a acabar e Niall ainda demorou dois minutos para se levantar da cadeira, respirou fundo tentando conter o nervosismo, e saiu da sala.
As pernas pareciam pesar uma tonelada cada, cada passo parecia demorar um minuto inteiro e ele sentia o cansaço de quem correra uma maratona, mas apenas um minuto tinha se passado entre a saída da secretaria até que estivesse do lado de fora da escola, escondido da chuva pesada que caía, algumas pessoas começaram a chegar para buscar os filhos, o burburinho das crianças começou a ficar mais alto dentro da escola e ele apenas esperou.
Niall apertava as próprias mãos e estava nervoso demais para aquele reencontro. A escola estava esvaziando, muitos pais tinham chegado para buscar os filhos e agora mal podia ouvir um som vindo de dentro da escola, alguns passos, conversas longe… será que tinha deixado que saísse e não tinha percebido? Não. Não era possível, estava atento a cada criança que saía e a cada mãe que chegava e saía. Ele não tinha deixado que tivesse escapado de sua visão, porque ele não a havia visto.
Estava ficando cansado de ficar em pé esperando, já tinha trocado o peso de uma perna para outra por várias vezes, apertou as mãos, sacudiu os pés… estava mexendo no celular agora, quase desistindo de esperar e indo embora quando ouviu passos se aproximando e foi tirado de seu próprio mundo quando ouviu alguém falar consigo.

– Oi, o senhor estava me procurando? A Cel… – as palavras morreram na boca de quando ele ergueu a cabeça e a olhou diretamente nos olhos.
Ali ele soube que a resposta para uma das perguntas da manhã era sim.
Sim, ele permanecia apaixonado por ela da mesma forma que sempre fora.

🇮🇪💚🇮🇪

Encontrar aquele par de olhos azuis em sua frente era a última coisa que ela esperava naquela sexta-feira. Esperava encontrar os olhos idênticos àqueles dali alguns minutos quando buscasse Ethan, entrar no carro e ir para Mullingar para passar o fim de semana, mas os olhos de Niall Horan diretamente? Não. Esses ela esperava não ver pessoalmente nunca mais desde aquela última vez em Mullingar, em 2014, mas lá estava ele, parado de frente para , todo agasalhado e uma versão maior de Ethan.
Nunca imaginaria que ele tiraria um dia de folga em Dublin depois de seu show na noite anterior, não com aquele clima horrível. Não no meio de uma turnê que provavelmente o consumiria em entrevistas de rádio e televisão.
Não passava por sua cabeça, principalmente, que ele soubesse o local em que ela trabalha, que iria até lá e ficaria esperando por ela. queria fugir, mas não conseguia nem mesmo tirar os olhos dos dele. Sentia o estômago contrair-se e esfriar, seu coração batia acelerado e as mãos estavam suando. Por que, por tudo que é mais sagrado, ela ainda sentia aquilo?
Tinha começado a gostar dele, quando eram dois pré-adolescentes, então, por que diabos aquelas borboletas malditas não tinham morrido de solidão e de tédio? Estavam vivas, mais vivas do que nunca estiveram antes, pensou, porque ali, diante daqueles belos olhos azuis e de Niall Horan em pessoa, elas não se aquietavam e pareciam prestes a fazer explodir para saírem de seu estômago e irem infestar o ar. E Niall tampouco parecia preparado para desviar os olhos dos dela, se mover ou falar algo.
Os minutos que passaram em silêncio foram poucos, mas pareceram horas inteiras. sentia-se estúpida por ser e estar tão rendida por aquele homem à sua frente a quem não via pessoalmente há anos. Não conseguia nem mesmo terminar de falar o que tinha começado, apenas observava cada um dos detalhes daquela pessoa que ela conhecia bem de ver fotos e vídeos na internet, daquele garoto com quem tinha crescido e tinha se tornado um homem famoso, bem sucedido e bonito.
O gorro era idêntico a um que Ethan tinha, ela percebeu, escondiam os cabelos que agora estavam em sua cor natural, castanhos, os olhos azuis com aquele toque de amarelo e verde tinham sido perfeitamente reproduzidos em Ethan e ela os via todos os dias. Estava mais forte do que quando saiu de Mullingar ou quando se viram pela última vez, agora tinha uma barba por fazer no rosto de pele branca, bem menos cor-de-rosa do que costumava ser. Leves linhas de expressão na testa que apareciam se ele franzisse o rosto, o nariz continuava bonito e tinha a pontinha vermelha por causa da exposição ao frio.

– Ah, você ainda está aqui. – ouviram uma voz feminina e os dois saíram da bolha em que estavam, virando na direção da mulher que estava parada à porta e tinha um guarda-chuva e uma bolsa em mãos. – Achei que você
– Ahn… Ah, obrigada Celine. – sorriu para a secretária, pegando o guarda-chuva e a bolsa que lhe era oferecido. – Mas ainda preciso buscar uma coisa lá dentro.
– Você está ocupada! Me perdoe. Não quis interromper. – Celine falou, abanando as mãos e se afastando antes que um deles pudesse responder alguma coisa.
– Oi. – Niall foi o primeiro a falar e deu um sorriso fraco.
– Oi. – respondeu, incerta. – O que faz aqui?
– Fiz um show ontem, estou de f…
– Eu sei, sei que fez um show aqui em Dublin ontem. – respondeu, interrompendo Niall. – Quero saber o que faz aqui, especificamente.
– Vim te ver, . – respondeu, sincero. – E conversar.
– Me ver e conversar. – repetiu, como se isso fizesse com que as palavras fizessem sentido em sua cabeça.
– Podemos tomar um café? Você tem tempo?
– Eu n…
– Só porque não acho que seja muito confortável ficar conversando aqui, em pé, perto da chuva, com esses raios e trovões… tem uma cafeteria na esquina da rua, podemos ir lá.
– Eu não acho que tenhamos tanta coisa pra conversar e que nos faça precisar sentar para tomar um café, Niall.
– Você está ocupada? – perguntou e ela suspirou, negando com um aceno. – Se preferir, podemos conversar na sua sala de aula.
– A sala já está fechada. – suspirou, pensando na enorme possibilidade de aparecer com Ethan e as coisas saírem do controle, então acabou apenas assentindo. – Vou só avisar minha amiga que volta comigo que ela volta sozinha hoje e já volto.
– Tudo bem, eu espero aqui. – falou e ela virou, saindo o mais rápido que conseguiu da presença de Niall sem parecer uma desesperada.
caminhava lentamente pelo corredor, tentando adiar o máximo aquele momento de tamanha proximidade com Niall. Precisava pedir para que cuidasse de Ethan por mais do que aqueles quarenta minutos depois da aula, não colocaria aquela criança perto de Niall de jeito nenhum, não mesmo.

. – colocou a cabeça pra dentro da sala de aula da amiga e a encontrou sentada com Ethan, brincando.
– A mamãe chegou. – a professora falou, mas o menino já tinha levantado correndo e ido abraçar as pernas da mãe.
– Preciso te pedir um favor. – resmungou e a amiga a olhou.
– Devo me preocupar?
– Não. – negou, balançando a cabeça em negativa. – Preciso resolver uma coisa e não posso levar o Ethan comigo, será que você pode levá-lo lá pra casa e ficar com ele até eu chegar?
– Claro. – a mulher respondeu.
– Amorzinho, a mamãe precisa resolver um problema, mas você vai ficar com a tia lá na em casa…
– Vamos tomar um chocolate quente bem gostoso, comer uns biscoitos e brincar muito.
– Mamãe, vai sair?
– Vou, amor. – abaixou-se até ficar da altura do filho. – Mas é rapidinho, logo a mamãe vai pra casa e você me mostra tudo que aprendeu com a tia hoje. O que acha?
– Tá bom. Você compa bolo?
– Claro. – respondeu e Ethan sorriu animado, assentindo e ela depositou um beijo na pontinha de seu nariz. – A mamãe precisa ir, se cuidem e comportem-se. E se precisar de algo, me ligue e eu vou pra casa.
– Sempre. – respondeu, sorrindo.

deu um beijo demorado na bochecha do filho, que voltou até onde esperava por ele e logo saiu da sala, foi ao banheiro numa tentativa de adiar ainda mais aquele momento e depois de alguns minutos, seguiu até o exterior da escola. Niall permanecia no mesmo lugar, encolhido dentro de seus agasalhos e esperando por ela, que queria apenas fugir, mas se fizesse isso, daria margem para que ele desconfiasse.

– Podemos? – perguntou ao se aproximar e Niall assentiu, despertando do que quer que fosse que o mantinha distraído.
– Claro.
– Toma, um guarda-chuva emprestado. – falou, estendendo outro guarda-chuva que tinha pego nos “achados e perdidos” da sala de antes de sair.
Um guarda-chuva das princesas.
Era a única coisa que tinha por lá, mas Niall não se importou com estampas ou tamanho, apenas abriu o guarda-chuva infantil e os dois seguiram em silêncio pelos poucos metros que os separavam da cafeteria e pouco depois estavam no conforto do estabelecimento, longe da chuva, dos raios e trovões e do frio.
Escolheram a primeira mesa vazia que encontraram e que fosse mais distante, teriam privacidade o suficiente para conversar e para que pudesse mentir e omitir fatos em paz, sem deixar transparecer que estava escondendo alguma coisa.
– Quer um café?
– Não, obrigada.
– E então… o que tem feito?
– Você sabe a resposta, Niall. – soltou uma risadinha nasalada ao falar. – Afinal, teve o trabalho de pesquisar sobre minha vida para me encontrar. E eu estou curiosa para saber como conseguiu isso.
– A internet é um lugar mágico, , só é preciso saber usá-la para o bem.
– Percebi.
– Uma amiga sua, basicamente. -alguma-coisa, no Instagram.
– Você conhece a ? – perguntou, tentando manter o tom de voz baixo e inalterado.
– Não. Eu vi algo no Instagram, algo relacionado a você e ac…
– Algo relacionado a mim? – perguntou, interrompendo a fala de Niall, sem entender e ele assentiu. – Como assim?
– Não sei como você é com redes sociais, talvez use pouco, já que minha solicitação está aguardando resposta há anos no Instagram, mas há algumas semanas apareceu uma foto de uma criança que estava sendo comparada a mim, Liam me mandou e eu achei que podia ser alguma edição, existe gente realmente talentosa e que faz isso, porque a criança realmente parecia muito comigo quando tinha aquela idade. Essa foto sumiu por um tempo, o que causou muitas reações na internet, mas depois voltou a circular e no Instagram tem muitos posts com a foto dessa criança e o print de uma conversa com essa tal , ela disse que te conhecia, que aquele bebê existe, mas não é meu filho e as pessoas não têm o direito de repassar a foto dele na internet sem a autorização dos pais e essas coisas. Eu fui procurar pelo Instagram dela, vi uma foto de vocês duas e essa criança, procurei pelo endereço no Google e aqui estou eu. – Niall despejou as palavras em e ela o olhou surpresa.

estava surtando e seus divertidamente estavam pulando da torre e desistindo de existir, abandonando-a à sua própria sorte para lidar com aquela situação inteira.
Muitas informações e nenhuma delas era fácil, simples ou digestíveis.
Como assim tinha falado sobre ela e Ethan na internet e não tinha comentado nada a respeito disso? Ela nem mesmo sabe quem é o pai do menino (mesmo que esteja basicamente escrito na cara de Ethan, porque observando Niall de perto, aquela criança não parece mesmo ter um pingo de parentesco com ) e acreditava fielmente que ele era fruto de uma noite de bebedeira com um desconhecido.
Como assim ela tinha falado sobre aquilo, sobre aquela foto que tinha certeza absoluta que tinha sido varrida da internet depois de tantas denúncias que ela tinha feito?

– Eu não sabia disso. – respondeu numa meia mentira tão bem contada, que quase se convenceu de que não tinha surtado por horas quando viu aquelas montagens pela internet usando uma foto de seu filho que ela vinha tentando esconder tão bem.
Niall estava com o celular em mãos e nem mesmo teve tempo de perguntar o que ele faria, logo a montagem de fotos que estava rodando a internet há semanas e que não o deixavam mais em paz estava na tela e bem em frente aos olhos dela, naquela comparação que a fizera surtar e chorar de desespero quando viu pela primeira vez e nos primeiros dias depois disso.
Ethan no carrinho. Niall quando criança em várias fotos daquela idade.
Pareciam a mesma pessoa, mas com qualidade diferente na resolução das fotos.
– Você conhece essa criança?
– Sim, eu conheço. É meu filho. E não sei por qual motivo estão circulando uma foto dele na internet! Eu nem tenho essa foto dele!
– Meio óbvio, não acha? – deu uma risadinha ao falar.
– Não, eu não acho. – respondeu, olhando para Niall e ele arqueou uma das sobrancelhas.
, essa criança…
– Tem um pai e esse pai não é você. – respondeu séria. – Sinto muito, Niall, se você saiu do conforto de seu hotel na chuva pra isso, mas o meu filho não tem nada a ver com você.
, essa criança é a minha cara. Você está querendo dizer que esse menino nasceu parecido comigo assim sem ter nenhum parentesco?
– Ele parece com o pai dele.
Não era mentira, afinal.
– E o pai dele, por acaso, sou eu?
– Eu já disse que não.
– O pai dele se parece comigo assim?
– Não, ele é mais bonito. – respondeu, tentando encerrar o assunto, mas Niall deu uma risada quase baixa.
– E vocês estão juntos?
– Isso não é bem da sua conta. – respondeu e Niall assentiu, soltando uma risada nasalada. – E, em todo caso, não sei os motivos que te levaram a supor algo do tipo. Não há a menor chance do meu filho ser seu.
– Bom, nós transamos.
– É, mas usamos camisinha. – deu de ombros, torcendo para que ele não se lembrasse do “acho que a camisinha furou” dito há quase quatro anos, mas que não os tinha preocupado devidamente no momento. – E, em todo caso, eu não faço sexo só com você.
– Quantos anos ele tem?
– Faz três esse ano.
– Quando?
– Em setembro. – respondeu e Niall tentou fazer as contas de quanto tempo aquilo dava desde que tinham se visto pela última vez. – Não queime seus neurônios, Niall, não vale a pena. Ele é filho de outra pessoa.
– Você tem que admitir que ele parece bastante comigo quando era pequeno.
– Você está sendo influenciado pela quantidade de posts que te marcaram, está com a visão viciada. – respondeu num tom calmo, sóbrio e pouco afetado, mas, por dentro, estava prestes a entrar em colapso. – Ele não é seu filho e nem se parece com você desse jeito que estão comparando. Se você for considerar toda pessoa com olhos azuis e cabelos castanhos parecida com você, então, provavelmente, você será a pessoa com a maior quantidade de dopplegangers do mundo. Ou parente de muita gente.
– E eu posso conhecê-lo? O seu filho?
– O que você quer com ele?
– Apenas conhecer. – Niall deu de ombros. – E qual o nome dele?
– Ethan.
– Bonito nome.
– Obrigada. – respondeu. – Era só isso?
– Mais ou menos… Eu queria saber se você pode me dar seu telefone, vamos conversar, marcar alguma coisa e…
– Niall, não. – falou séria, recordando-se das palavras que tinha usado daquela última vez, ditas sem querer que fossem realmente ditas, mas de uma forma que ela precisava falar. – Não vamos conversar muito, fusos diferentes e essas coisas… foi bom te ver, Niall.

– É sério. A gente sabe que não funciona assim. Bom te ver, espero que sua turnê seja um sucesso. – falou, ficando de pé. – E preciso desse guarda-chuva de volta. Não é meu e não posso te deixar levar.
– Tudo bem. – respondeu num resmungo, enquanto observava a mulher pegar o guarda-chuva e sair de perto dele.

saiu do local o mais rápido que conseguiu, sem coragem de abrir o guarda-chuva para se proteger da chuva fria que caía. O caminho até em casa era curto, mas mesmo assim ela chegaria molhada, só que não ligava o suficiente, afinal, precisava de algo pra disfarçar as lágrimas que já tinha começado a derramar e sem se importar com o bolo que tinha prometido para Ethan.

Capítulo 04 – Niall, você tem um filho?

Don’t you tell me that it’s too late now, cause I’m pacing, I keep breaking. Is there a way to make it up somehow?
Dublin, Irlanda, quinta-feira, 05 de abril de 2018

Desde que tinha saído daquela cafeteria, há quase uma semana, não tinha parado de pensar sobre o encontro com Niall, sobre a chance de ele ter desconfiado que Ethan fosse seu filho e que acabasse aparecendo de novo para encurralá-la e levar o filho embora pra sempre e ela nunca mais pudesse vê-lo. Mesmo que soubesse perfeitamente que Niall não faria isso, que ele não tiraria Ethan dela nem em um milhão de anos se não existisse um motivo absurdamente forte pra isso. Só que, ainda que seu cérebro tivesse o bom senso de saber isso, tinha chorado tantas vezes naqueles dias por causa dessa possibilidade criada pela sua ansiedade, que quase achava impossível ainda ter água no corpo para chorar, mas, surpreendentemente, tinha.
Niall não tinha reaparecido na porta da escola ou em qualquer outro lugar, o que era ótimo, mas estava incomodada e suspeitando que algo ruim aconteceria em breve. Ela podia sentir aquilo quase que em seus ossos. Talvez fosse apenas a ansiedade (muito provavelmente era, tinha quase certeza disso), então tinha que convencer sua cabeça de que estava tudo bem e nada de errado aconteceria. Que a vida voltaria ao normal em breve.
Quando o dia de aulas acabou, não havia nenhum pai esperando na porta da sala. E quando saiu para observar o corredor, Celine, a secretária da escola, foi avisá-la de que havia um tumulto do lado de fora que a diretora estava tentando dispersar.

– Como assim tumulto? – perguntou sem entender e a secretária deu de ombros. – Fique de olho neles, vou lá na porta olhar.
– Eles vão se comportar?
– Eles nem vão perceber. – respondeu, afastando-se da secretária e seguiu pelo enorme corredor até a porta de entrada do prédio.
Havia mesmo um tumulto do lado de fora. Vários fotógrafos e… repórteres? O que diabos tinha acontecido? Será que tinham confundido o local? Quando girou nos calcanhares para voltar, encontrou a diretora, Aubrey, caminhando na direção da porta, estava vermelha feito um pimentão, bufando nervosa, a veia na testa estava começando a ficar evidente e pulsante e era quase possível ver uma fumaça saindo de seu nariz, tamanha raiva que a mulher sentia.

– Abby, o que aconteceu? – perguntou e a diretora suspirou, derrotada e nervosa, quando parou na frente da mais nova.
– Alguém sem o que fazer postou uma foto do Niall Horan aqui na escola na semana passada na internet. – ela falou, abanando a mão. – E falou que ele estava conversando com uma mulher, parece que mencionaram uma criança também, eu não entendi bem essa parte, vou lá fora mandar todos eles saírem ou chamarei a polícia.
– Vou entreter as minhas crianças. – falou, recebendo um aceno de cabeça da diretora, que saiu andando e ela apenas voltou para a sala, sentindo vontade de sumir.
Como assim uma foto de Niall ali conversando com uma mulher? Será que sabiam que era ela? Será que já tinham descoberto seu nome? As coisas precisavam ser tão complicadas assim? Maldita hora em que Didi tinha caído e uma adolescente o tinha visto e resgatado do chão. Agradeceu a Celine com um sorriso e entrou na sala, deixando que as crianças brincassem um pouco mais e foi até sua bolsa, pegar o celular e descobrir o que tinha acontecido.
E, ao abrir o Twitter, percebeu que não havia apenas uma foto, mas quase um book inteiro de Niall na porta da escola com ela, depois no café com ela, e a garota que resgatou Didi tinha confirmado que aquela era a mãe da criança do carrinho. Outras mil teorias estavam sendo feitas: Niall estava lá para saber da criança que ele não tinha conhecimento? Niall estava lá para brigar sobre a criança que nunca deveria ter sido exposta?
queria sair dali naquele momento, mas não podia. Seu rosto estava muito claro e perceptível nas fotos, dava pra ver bem quem era que estava acompanhando Niall naquele dia, então se colocasse o rosto pra fora das portas da escola enquanto aqueles paparazzi estivessem ali, seria reconhecida de pronto e aí sim seria um inferno.
Ethan estava na sala de , todas as crianças presas na escola e sem poder ir pra casa. Como faria para tirá-lo dali sem que fosse visto e acossado por todas aquelas pessoas? Era impossível! Poderia tentar sair pelos fundos, mas provavelmente havia paparazzi lá também. Sentia o cérebro fritar, precisava dar um jeito de tirar o filho daquele lugar de forma segura e sem ser notada. Mas, como?

. – ouviu seu nome e olhou para a porta, onde Aubrey a esperava e parecia já ter total ciência de que ela era a mulher nas fotos.
Levantou-se e foi até lá, olhando a mulher diretamente nos olhos e sem vacilar. Não poderia – e nem iria – mentir, então era melhor fazer isso de forma direta.
– Abby, aconteceu algo?
– Era você nas fotos. – não foi uma pergunta, e assentiu. – Os pais vão entrar pra buscar as crianças, como sempre, vão se identificar na porta, buscar os filhos e sair. Lá fora está muito tumultuado e nem a ameaça de chamar a polícia adiantou.
– Imagino.
– Já mandei levar Ethan para a sua casa, eles foram pelos fundos e no Uber que pedi, só que há fotógrafos lá também. Ela me mandou uma mensagem dizendo que saiu com ele sem ser percebido, porque ele dormiu e escondeu o rosto no pescoço dela, só que você não vai conseguir sair sem ser vista.
– Eles vão me seguir até em casa. – murmurou e Aubrey assentiu. – Como eu vou fazer pra sair daqui?
– Vou chamar a polícia pra ajudar, te dar uma das chaves, liberar todas as crianças, as professoras e funcionárias vão sair e eu serei a última, vou trancar tudo e você vai ficar até eles acharem que você saiu sem ser vista ou quando a polícia dispersar o tumulto. Quando as coisas amenizarem, você vai embora.
– Eles vão ficar aqui até me verem sair. – resmungou. – Eles estão aqui só por isso. Eu vou sair por lá, eu saio primeiro e eles vão atrás de mim e deixam a escola livre.
, você não vai conseguir se livrar deles.
– Peço um Uber e saio pelos fundos, até que se atentem, eu já estarei em casa, segura e vocês poderão sair em paz.
– Você tem certeza?
Não, não tinha, mas precisava fazer aquilo se quisesse sair dali ainda naquele dia, além de evitar que os pais ficassem mais bravos do que já deveriam estar. Assentiu, recebendo um olhar levemente preocupado da diretora, que também assentiu e indicou que pegasse a bolsa e pedisse o Uber para ir embora então.
Despediu-se das crianças e avisou que Abby ficaria com elas até a hora de ir e pediu o Uber, que não demorou a chegar. Resolveu não pensar e apenas abriu a porta da frente, se queria tirar todos eles dali, teria que ser daquele jeito. Muitos flashes, perguntas sendo gritadas sobre Niall, a criança e quem era ela. se enfiou no Uber, desesperada, e o motorista não demorou a arrancar e sair da porta da escola.
– Você está bem? – perguntou e ela assentiu.
– Sim. Vá o mais rápido que conseguir.
– Você é famosa?
– Não. – respondeu séria. – Estão me confundindo com outra pessoa.
O homem apenas assentiu, acelerando o carro o máximo que conseguiu. observava pelas janelas para ver se eram seguidos e, claro, estavam sendo acompanhados por um carro e provavelmente alguns outros também estivessem atrás deles para saber o destino que aquele Uber tomaria. E, naquele momento, arrependeu-se de ter colocado sua própria casa como destino. Poderia ter pedido um Uber para outro lugar, uma delegacia de polícia, por exemplo, mas agora era tarde demais.
Assim que chegou, pulou do carro com uma agilidade que nem sabia ter, mas isso não impediu as fotos dos paparazzi que também acabavam de estacionar e gritavam perguntas e coisas que ela não estava entendendo bem e outras que ela entendia bem até demais.
Demorou a conseguir abrir a porta e isso deu tempo para que mais fotógrafos chegassem e ela foi fotografada e ouviu muito barulho. Quando, finalmente conseguiu entrar em casa, começou a tremer desesperada, escorregando até que sentasse no chão e pudesse chorar em paz.
Não era possível que isso estivesse mesmo acontecendo com ela. Tinha vivido sem chamar a atenção de ninguém quando o assunto era a aparência de Ethan (mesmo que fosse difícil que algumas pessoas acreditarem que ele e Niall não tinham nenhum laço familiar) e agora estava sendo perseguida por causa de uma foto tirada sem autorização.
– Mamãe? – ouviu a voz de Ethan e, alarmada, secou os olhos, tentando fingir que não estava aos prantos, e sorriu para o filho, que se aproximava. – Tá cholando?
– Está tudo bem amor, a mamãe só está cansada. – respondeu, sorrindo, e foi abraçá-lo, aninhando o menino em seus braços quase como se pudesse sumir naquele abraço e levá-lo consigo.
Ouviu os passos de e ergueu o olhar até encontrá-la, parada, com uma expressão que misturava culpa e preocupação, mas nenhuma das duas falou nada. ficou de pé, tinha Ethan nos braços e ele, agora, estava contando sobre seu dia, fingia ouvir e reagir com a mesma alegria que ele tinha ao relatar as coisas. O que ela estava ouvindo mesmo eram as vozes do lado de fora que gritavam pelo nome de Niall e qual a relação dela com o cantor.

🇮🇪💚🇮🇪
Niall

Niall estava cansado, tinha passado o dia todo ajustando arranjos de músicas para começar as gravações do álbum. Queria deitar e descansar as costas que clamavam por algumas boas horinhas em um bom colchão, uma boa Guinness gelada e um jogo de golfe ou de futebol, o que estivesse passando.
Mas, ainda precisava fazer algumas últimas coisas antes de ir para o hotel em que ficaria na capital irlandesa durante aqueles dias. Será que teria um tempinho para visitar os pais em Mullingar? Em breve estaria na estrada de novo e só no fim do ano teria bastante tempo disponível para fazer visitas aos pais e amigos em sua cidade natal.

– Waking up to kiss you and nobody’s there, the smell of your perfume still stuck in the air, it’s hard. Yesterday I thought I saw your shadow running round, it’s funny how things never change in this old town, so far from the stars… – cantou, tocando o violão, de olhos fechados.

Aquela música tinha dona, tinha escrito pouco depois de ir embora de Mullingar daquela vez no fim de 2014, tinha até pensado em mostrar aos companheiros de banda, mas o ano de 2015 foi intenso e, em todo caso, era uma música pessoal demais e ele preferia que fosse sua, cantada apenas por sua voz, significava muito falar a respeito daquilo. Então, tinha aperfeiçoado e lançado em seu primeiro álbum solo. Aquela música tinha sido escrita para (assim como algumas outras lançadas e não lançadas) e sempre que cantava, lembrava daquela vez.
Queria tanto que tivessem sido maduros o suficiente para falar sobre os sentimentos que ele tinha (e que já tinha ouvido dizer que ela também tinha), e, quem sabe… não podia ficar lamentando aquilo pra sempre, mas, desde a semana anterior, a única coisa que fazia era ficar pensando em como era estranho que ainda se sentisse tão atraído e apaixonado.
tinha envelhecido bem, tinha os olhos um pouco cansados, mas isso podia ser apenas por ter acordado cedo naquele dia, mas estava tão linda quanto sempre tinha sido aos olhos de Niall, mesmo na época da franja estranha e dos óculos fundo de garrafa. Não teve coragem de segui-la na chuva, nem de tentar falar com ela no Instagram. E se arrependia amargamente disso.

– Precisamos conversar. – ouviu a voz de Greta, a assessora de marketing, falou, entrando na sala em que Niall estava sentado, ainda distraído com seu violão, e ela estava muito mais séria do que o habitual.
– O que aconteceu?
– Vou perguntar de novo algo que perguntei há umas semanas e agora eu quero uma resposta sincera. Niall, você tem um filho?
– Não, eu não tenho um filho. – respondeu, franzindo a testa em confusão. – Por quê?
– O que você estava fazendo na porta de uma escola infantil na sexta-feira passada?
– Fui ver uma amiga da época da escola. Por quê? – repetiu a pergunta.
– Tem um verdadeiro inferno, acontecendo nesse exato momento em Dublin, Niall. O seu nome é Trending Topics no mundo, há fotos de sexta-feira passada, há fotos daquela criança que compararam com você rodando a internet de novo, há uma pessoa dizendo que aquela mulher com quem você foi fotografado na semana passada é a mãe da criança do carrinho… e, pra variar, seguiram a mulher, soltaram o endereço dela na internet e estão na porta da casa há horas!
– Como é que é? – perguntou assustado. – Como assim?
– Já descobriram até o nome dela, , professora do jardim de infância. Vocês se conhecem de Mullingar? Desde quando? V… – ela foi interrompida por Niall ficando de pé o mais rápido que conseguiu, deixando o violão de lado e saindo do estúdio.

Se estavam cercando a casa de , as coisas sairiam do controle em breve e ele não queria que aquilo acontecesse nem com seu pior inimigo, imagina com a mulher por quem ainda sente alguma coisa. Niall saiu do estúdio já sabia o que fazer para dispersar os paparazzi e conseguir conversar com em paz.
E, enquanto chamava o segurança com um aceno, ele procurava no Twitter pelos dados do endereço em que cercavam a casa de e ligou para a polícia.

Capítulo 05 – Niall Horan tem um filho

Just close your eyes and see, I’ll be by your side any time you’re needing me…


Dublin, Irlanda, quinta-feira, 05 de abril de 2018

Niall

Enquanto esperava que a polícia retirasse os paparazzi da porta da casa de para descer do carro e ir até lá, Niall entrou em contato com a tal pelas mensagens do Instagram, disse que tinha chamado a polícia para retirar os fotógrafos da porta da casa de e que estava a caminho, pediu para que ela confirmasse o endereço e não contasse para que ele estava indo até lá.
Quando recebeu o aval de dizendo que a rua estava livre, o motorista deixou Niall à porta do endereço indicado e ele, depois de olhar para os lados e tendo praticamente certeza de que ninguém mais estava tirando fotos, bateu na porta, que foi rapidamente aberta por .

– Oi. – Niall cumprimentou sem jeito depois que ela fechou a porta. – Eu sou o Niall.
– Eu sei. – deu uma risadinha nasalada. – Eu sou a .
está bem?
– Bem mal. – respondeu. – Vem, vou te levar até ela.
– Você vai embora? – perguntou enquanto seguia pelo pequeno corredor com a mulher, que negou com um aceno.
– Você não vai ficar pra passar a noite e nós dois sabemos que eles estarão de volta, tanto aqui quanto na escola. não está em condições de lidar com nada disso e duvido que estará pela manhã. – falou, parando à porta de um dos quartos. – Eu estarei na sala, caso precisem de mim.

Dito isso, a mulher voltou pelo caminho que fizeram e Niall bateu à porta com cuidado, incerto se deveria mesmo ter feito aquilo, ao não ouvir resposta, abriu a porta devagar e encontrou deitada na cama, abraçada a um travesseiro e chorando descontroladamente, o corpo tremia pelo choro – mas não apenas por isso, Niall tinha total ciência – e ela parecia estar sufocando enquanto tentava respirar.
Niall conhecia bem uma crise de ansiedade quando via uma.
Fechou a porta atrás de si e venceu a pequena distância que separava a cama da porta e foi até , que se sentou rapidamente na cama, tinha uma feição que misturava a surpresa por vê-lo e alívio por ele estar ali, mas ainda em crise. Niall não falou, apenas a abraçou e se permitiu ser abraçado com força enquanto a mulher chorava, soluçava e tremia por toda a situação que tinha tomado seu dia e tornado tudo bagunçado, de um jeito que ela nunca tinha vivido.
Niall entendia bem como era horrível lidar com aquele assédio midiático, porque as pessoas esqueciam que a parte pública de suas vidas é apenas a arte que produzem e não suas vidas pessoais. Ele mesmo tinha surtado diversas vezes nos primeiros anos e ainda ficava bastante irritado e por vezes ansioso quando acontecia em momentos totalmente inoportunos.

– Vamos respirar juntos, bem devagar, isso vai te ajudar a se acalmar um pouquinho, . Tudo bem? Prometo que vai ajudar um pouquinho. – Niall falou baixo, fazendo um carinho nas costas da mulher, que não respondeu e apenas soltou um soluço, ainda chorando descontrolada.
As respirações profundas, coordenadas e lentas tinham sido aprendidas por Niall há um bom tempo, quando ele mesmo tinha começado a sofrer com transtorno de ansiedade e seu terapeuta tinha ensinado aquela técnica, realmente ajudava em momentos de crise quando outras coisas não podiam ser feitas para resolver imediatamente.
Depois de um bom tempo respirando daquele jeito, conseguiram cadenciar o ritmo das respirações e ele já não sentia o coração dela bater tão forte contra seu próprio peito fazendo parecer que era capaz de atravessar os dois corpos e sair correndo pra longe. A respiração de se acalmou junto com a dele e o tremor do corpo dela diminuiu até quase acabar, era ótimo que a respiração conjunta tivesse ajudado a controlar um pouco a ansiedade de , mas Niall sabia que as coisas não seriam fáceis daquele momento em diante. Sabia muito bem o que os esperava assim que aquele abraço se desfizesse.
provavelmente sentia o mesmo, não tinha desfeito o abraço apertado que davam e ainda mantinha o rosto escondido na curva do pescoço de Niall, agarrada à blusa que ele usava, quase com medo de que se o soltasse daquele abraço, Niall sumiria e as coisas ficariam piores e a sufocariam. Ele não sumiria. Ele queria nunca ter ido embora da vida dela, pra começo de conversa.

– Acho que precisamos conversar. – Niall falou baixo, mas sem desfazer o abraço, ainda acariciando as costas de , que permanecia aninhada em seu abraço de um jeito agradável e confortável para os dois.
– Não.
… – Niall falou, agora soltando o abraço e a segurou pelos ombros de um jeito carinhoso e gentil, os olhos foram de encontro aos dela e a olhavam de um jeito terno.
– Niall, eu não tenho condições emocionais de conversar sobre qualquer coisa com você hoje.
– Comigo também foi assim. Quer dizer, foi pior. E eu surtei quando eles começaram a me seguir feito loucos, tirar fotos e gritar perguntas e coisas sobre minha vida quando eu era apenas um adolescente recém saído de uma cidade pequena e que, de repente, virou um sucesso mundial. Você me conhece desde que éramos crianças, eu nunca fui de ficar expondo coisas da minha vida, então eu não lidei bem. A primeira vez que uma horda de paparazzi me cercou, eu surtei e foi um episódio bem feio, eu quis desistir e nunca mais fazer parte de banda nenhuma, mas não podia desistir do meu sonho por causa de um monte de gente que só quer vender a desgraça alheia. – falou, olhando-a nos olhos. – Eu mentiria se dissesse que me acostumei, não acostumei, ainda tenho vontade de largar tudo e sumir quando me seguem pra ficar tirando fotos minhas indo a um bar, por exemplo. É uma merda que pessoas fiquem tirando fotos sem permissão, gritando coisas invasivas e querendo criar notícias pra fazer inferno na vida alheia, eu tento ignorar o máximo que posso, com o tempo você meio que se acostuma com algumas dessas coisas.
– Não tenho motivos pra me acostumar com isso.
– Depende. – Niall deu uma risadinha.
– Cadê a ?
– Na sala. – Niall respondeu, recebendo um aceno de cabeça de , que passou as mãos pelo rosto para tentar afastar os rastros de lágrimas e parecer recuperada. – Ethan veio pra cá?
– Veio, ele veio com a antes de mim.
, existe algum fundamento no que estão dizendo? Ethan é meu filho?
– Niall…
– Eu não vou tomar a criança de você, , mas eu tenho direito de saber se existe alguma possibilidade de essa criança ser minha, ainda que seja tão pequena e remota que você não tenha total certeza. – falou sincero, tinha o tom de voz baixo e parecia tão frágil que poderia se desfazer em mil pedaços ali bem em frente aos olhos dela. – Se aquela foto for real e não existir nenhuma manipulação, então não existe outra resposta além de sim.
– Preciso ir ao banheiro. – falou, ficando de pé tão rápido, que Niall nem teve tempo de reagir e pedir para que ela não fugisse dele mais uma vez.

Tão logo falou, estava de pé e saindo do quarto, sem pestanejar e sem dar tempo de ele falar algo ou tentar impedi-la. Niall quis segui-la e ver se ela ia mesmo para o banheiro, se não fugiria, mas não o fez. Provavelmente não fugiria, não sairia da própria casa e o deixaria lá e, em todo caso, ainda estava preocupada com os paparazzi que poderiam estar de volta. Então, Niall ficou sentado na cama esperando por ela, mas quem apareceu primeiro foi a criança.
Ethan.
Era óbvio que o menino era seu filho, aquela criança era exatamente idêntica a ele quando tinha aquela idade. Ou até mesmo naquele momento. Não era parecido como Theo, Ethan era idêntico!
O pequeno tinha as mesmas bochechas cheinhas que davam o aspecto de fofura, o formato redondinho do rosto, o nariz tão pequenininho que dava vontade de morder, o tom castanho do cabelo e a forma como estava cortado, a franjinha na testa, as mãozinhas gordinhas com dedinhos fofinhos que dava vontade de apertar, os olhos azuis idênticos aos seus próprios, até o tamanho da criança parecia o mesmo dele naquela época! Chegava a ser assustador, o menino parecia não ter nada da mãe, Niall não tinha enxergado nenhum rastro de naquela criança. Nada.

– Oi, Ethan. – falou e o menino o olhou assustado, arregalando os olhos de um jeito que Niall considerou fofo. – A mamãe foi ao banheiro, mas já deve estar voltando.
– E você? – o menino perguntou, desconfiado e ainda um pouco assustado com a presença de um desconhecido, mas Niall sentiu que podia derreter ao ouvir aquela voz infantil tão fininha e suave.
– Eu sou Niall, um amigo da mamãe. Você não me viu chegar? A tia abriu a porta pra mim há uns minutos.
– Ethan! – a voz de saiu desafinada, numa repreensão que Niall nem entendia o motivo de existir. – O que você está fazendo aqui?
– Fome, mamãe. – Ethan falou, voltando a olhar para Niall. – E ele?
– É um amigo da mamãe, amorzinho. Fale com a tia , a mamãe está ocupada.
– Ah não! – o menino protestou. – Mamãe, pufavô, você.
– Tudo bem, vamos lá pra cozinha comer. – falou, dando um sorriso afetuoso para o pequeno.
– Tá cholando? – Ethan perguntou e negou com um aceno.
– A mamãe estava dormindo, amorzinho.
– Ele te acodô? – o menino perguntou, olhando para Niall e depois para a mãe.
– Não, ele chegou depois que a mamãe acordou. – respondeu. – Vem, vamos jantar.

saiu com Ethan antes que Niall falasse algo ou conseguisse reagir, mas ele estava sem condições de reagir a algo depois de ter visto Ethan pessoalmente, não apenas pela foto que estava circulando pela internet.
E aquela foto não era manipulada. Era muito real.
Cada pedacinho do rosto daquela criança estava gravado em sua mente e era impossível que não fosse seu filho, Ethan era uma cópia inteira de Niall e não eram os olhos viciados, que tinha alegado. Era semelhança total e absoluta! Desde os cabelos até a ponta dos pés, Niall podia apostar e nem precisava ver o garoto descalço pra isso. Até o jeito de falar, manhoso e carinhoso, era como a mãe de Niall o descrevia quando era uma criança de quase três anos. Era impossível que aquele menino fosse filho de outra pessoa.
E perceber isso fez com que Niall ficasse triste, bravo e decepcionado. Tinha perdido quase três anos de vida de seu filho (sem contar o tempo de gravidez), perdeu a chance de acompanhar o desenvolvimento dele durante a gravidez de , perdeu ultrassons, o nascimento e cada uma das descobertas do menino até então. Perdeu os dentes que nasceram, consultas médicas, chances de aninhar a criança no colo quando ela chorasse, perdeu a chance de ter seu filho desde o começo. Perdeu a chance de dar a Ethan um pai desde o princípio.
Ainda que ser pai nunca tenha sido o maior sonho de sua vida, Niall sempre soube que se um dia acontecesse, ele queria participar da vida da criança e ser presente, ativo, ensinar e aprender. E tinha perdido três anos daquilo. Sentiu seu coração apertar e uma vontade de chorar tão grande que não soube como e nem de onde tirou forças para não o fazer naquele momento. Tinha um filho e que passou três anos sem saber disso.
E teria passado outros mil se a foto de Ethan não tivesse começado a circular pela internet e todo aquele pandemônio não tivesse sido feito por causa da imensa (e assustadora) semelhança entre os dois.
Naquele momento, Niall odiava . Não de verdade, no fundo ele sabia que não a odiava, mas odiava aquela atitude, odiava a mentira e as omissões. Odiava que ela tivesse criado uma criança deles e sem ele. Odiava que ela tivesse tirado dele o direito de ser pai. Odiava que ela tivesse tirado de Ethan o direito de ter um pai.
Tudo que Niall mais queria (e ele jamais imaginou que sentiria isso) era ter sido pai. Ter sido um pai presente e atuante, ter passado dias com o filho, mesmo sabendo que na época da One Direction seria impossível estar tão presente, mas queria, pelo menos, ter sabido que teria um filho.
Um filho.
Niall Horan tem um filho.
Um filho.
E agora, como sua vida seria? Morava em Los Angeles na maior parte do tempo, passava algum tempo em Londres, mas ficava muito tempo nos Estados Unidos, por vezes mais do que na Europa. E, naquele momento, estava em turnê pelo mundo inteiro por quase um ano antes de parar e poder ficar em casa por mais do que uma semana!
Precisava ligar para Louis, tinha que descobrir como ele fazia aquilo de ser pai sem estar presente o tempo todo com a criança, porque estava viajando pelo mundo, precisava aprender pra ontem! Greg também podia ajudar nisso de ser pai, ele era um pai incrível para Theo, então ajudaria muito. E pro próprio pai, não podia se esquecer de Bobby de jeito nenhum.
Niall tinha total consciência de que não poderia levar Ethan consigo em sua turnê, não conseguiria cuidar do filho enquanto estivesse pulando de país em país, de entrevista em entrevista, então precisava aprender como fazer isso à distância. E, em todo caso, não deixaria que isso acontecesse nem que Niall tivesse total condição de cuidar de Ethan sozinho. Mas Niall também não queria tirar Ethan de sem ter um motivo absurdamente plausível.
Não queria nem mesmo pensar nela, porque isso fazia com que ele voltasse a sentir raiva de toda aquela bagunça que deveria ter sido evitada e que, claro, era culpa dela. Se tivesse contado, se ela tivesse se dignado a aceitar Niall no Instagram e mandar uma mensagem dizendo que estava grávida, ele teria dado um jeito de fazer dar certo sem que o mundo precisasse ficar maluco atrás da notícia.
Quando deu por si, estava parado à porta da cozinha, visualizando ajudando Ethan a comer e conversando com ele, numa bolha onde só existiam os dois, sorrindo e conversando como deveriam fazer todos os dias desde o começo, era apenas espectadora, observando aquele momento familiar do qual Niall tinha sido novamente excluído, mesmo estando sob o mesmo teto que eles.
foi a primeira a perceber a presença de Niall, desviou os olhos de e de Ethan e o olhou num misto de curiosidade, culpa e preocupação. Ele observava tudo tão ressentido que ela quase teve vontade de abraçá-lo e dizer que estava tudo bem, que ficaria tudo bem. demorou um pouco mais a perceber e só se virou quando Ethan parou de comer para olhar para a porta e observava Niall com interesse.

– Nós temos que conversar. – Niall falou e suspirou, mas não respondeu. – , nós temos que conversar.
– Niall, agora não.
– Se não for agora, quando? Daqui três anos quando sair uma nova foto na internet que foi tirada sem autorização? – Niall perguntou num tom ressentido e voltou a suspirar. – Sério, nós temos que conversar, mesmo que tudo já esteja muito claro.
– Amorzinho, – falou para Ethan, que observava os dois. – a mamãe precisa conversar com o Niall, ele tem que ir pra casa e veio aqui só pra isso, a tia vai te ajudar a terminar de comer e te colocar na cama, tudo bem?
– Mamãe, quelo dômi com você. – o menino falou num tom pedinte.
– Tudo bem, mas se a mamãe ainda estiver falando com o Niall quando chegar a sua hora de dormir, você dorme com a tia , tudo bem? – falou e ele assentiu, contrariado.
ficou de pé, saindo da cozinha e passou por Niall, voltando para o quarto. Ele a seguiu de perto, fechando a porta atrás de si e a observou sentar na cama e o encarar de um jeito quase impassível. E isso o machucava tanto…
Como ela podia estar daquele jeito, tão fria e calma diante daquela situação tão injusta? Ele tinha perdido os três primeiros anos da vida do filho e ali estava a mãe, a responsável por aquilo, fria como um iceberg e o olhando como se ele não tivesse nenhum direito de questionar nada.
– Por quê? – foi a única coisa que Niall conseguiu externalizar.
Sentia que se falasse mais alguma coisa, acabaria se despedaçando ali mesmo, chorando e se desfazendo em pedacinhos. Estava magoado e sentia tanta tristeza por ter sido descartado como se não fosse necessário na vida de Ethan, como se ele nunca tivesse significado nada para ela. Niall sentia seu coração bater de um jeito dolorido, apertado.
não respondeu de imediato, parecia pensar sobre o que aquele “por quê?” se referia e como o responderia. Niall sentia as pernas fracas e encostou-se na porta, precisava de um apoio, algo sólido, porque sentia que poderia desmoronar a qualquer momento.
– Niall, por f…
– Não, , sem desculpas. Eu quero saber o motivo que te fez esconder tudo e depois mentir na minha cara dizendo que eu não tinha um filho.
– Eu nã…
– Você vai olhar nos meus olhos e me falar que ele não é meu filho depois do que eu vi hoje? – Niall a interrompeu, falando sério. – Você vai mesmo fazer isso?
– O que você queria que eu fizesse, Niall? Que te mandasse uma mensagem no Instagram falando: “oi, a camisinha estava mesmo furada, eu estou grávida!”? Você estava do outro lado do mundo quando eu descobri isso, Niall! O que você faria? Deixaria a turnê? Porque uns dias depois que eu descobri, o Zayn saiu da banda, sua vida virou uma bagunça quando isso aconteceu e seria mesmo ótimo que essa notícia caísse no seu colo assim, não é?! Você não estaria totalmente presente até Ethan já ter uns três meses e nós sabemos disso, então não venha com esse papo de que faria algo, porque não faria!
– Eu nunca disse que faria algo mirabolante, . – Niall falou num tom sério, mas seco e ressentido. – Eu tinha direito de saber, mesmo que eu tivesse que passar cinco anos em turnê sem voltar pra casa! Você tinha que ter contado, ele é meu filho e não só seu! Se aquela foto não tivesse viralizado, você teria escondido isso pra sempre?
– Talvez.
– Você… – Niall começou a dizer, mas deixou o resto das palavras morrerem, apenas abaixou a cabeça e evitou olhar para .
– Niall, coloque-se no meu lugar. Eu estava assustada por estar morando em Dublin há pouco mais de dois meses e descobri que estava grávida de um cara famoso com quem eu transei uma única vez! Imagina descobrir isso enquanto o famoso está em turnê, a maior parte das mulheres do mundo tinham atração por ele e as mais intensas poderiam fazer da minha vida um inferno. Imagine! Pense por um segundo em tudo que aconteceu dentro da sua banda, ou do que dizem ter acontecido, e de como eu poderia ter feito algo que acabaria com a sua carreira no momento em que eu te contasse que teríamos um filho! Assim que soubessem, eu seria massacrada e fariam da minha vida um inferno pior do que esse que está acontecendo agora.
– Não precisaríamos deixar nada público.
– E como aconteceria? Porque você era seguido por fotógrafos em todo canto, como acha que veria o Ethan sem que te seguissem e fotografassem sua chegada, minha chegada, a presença de Ethan e tudo mais? Niall, foi o melhor pra nós dois e eu acho que você deveria deixar as coisas do mesmo jeito que estavam.
– Você não pode mesmo estar dizendo isso.
– Dizendo o quê? Pra você fingir que nunca nos conheceu? Se for, sim, eu disse exatamente isso.
– Não, eu não vou fazer isso. Eu tenho tanto direito de ser pai dele quanto você tem de ser mãe, . Não existe a menor possibilidade de eu fingir que Ethan não existe e que ele não é meu filho. E eu sei que você sabe que não está me pedindo algo razoável.
– Estávamos muito bem até uma fã tirar uma foto totalmente sem autorização e postar na internet! Você estaria em turnê agora e não aqui em casa, eu não teria sido perseguida por um monte de paparazzi e nem teria o endereço da minha casa rodando pela internet nesse momento! Eu estaria em paz com meu filho, colocando-o na cama depois de escovar os dentes e fim de papo. Estaríamos muito bem como estávamos antes.
– Ele é meu filho também, . – Niall falou num tom sentido, quase chorando. – E eu quero ser o pai dele. Não é um pedido. Eu tenho tanto direito a isso quanto você.
– Estamos bem assim, obrigada. Agora, se você puder sair da minha casa…
– Ainda bem que isso não está acontecendo com você, , porque meu coração está partido e eu simplesmente não entendo o que te fiz pra que você tente me proibir e me impedir de ser um pai presente, carinhoso e atencioso pro nosso filho. – Niall suspirou ao falar, num tom magoado e dolorido. – Eu fico me perguntando se valeu a pena eu ter vencido todos os meus medos e inseguranças pra te chamar pra sair naquele dia. E começo a acreditar que não.

Niall não deu chance de responder, apenas saiu da casa e atravessou a rua para entrar no carro onde o motorista ainda o esperava pacientemente.
Ele não percebeu, mas ainda havia fotógrafos na rua. E enquanto Niall enxugava as lágrimas que caíam, fotos eram tiradas.

Capítulo 06 – Ele puxou até os seus dedos gordos!

Once in a lifetime, it’s just right, we made no mistakes…
Coliseu dos Recreios, Lisboa, Portugal, sábado, 12 de maio de 2018

Niall

– Como assim você tem um filho, Niall? – foi o que Julia Michaels falou quando ele contou.
– Você precisa mesmo dessa resposta? – Niall perguntou rindo.
– Eu não sei qual a parte mais louca nessa história, se é o fato de você ter um filho com a mulher por quem é apaixonado desde a adolescência ou por ela ter escondido isso de você por três anos como se não fosse uma informação absurdamente importante.
– A parte dela com toda certeza.
– E como você está com essa informação?
– Feliz por saber que tenho um filho, algo que eu nem imaginava que aconteceria algum dia, mas triste por ter perdido tanto tempo, puto, com raiva e magoado com ela por não ter me contado antes.
– Uma merda você descobrir isso estando em turnê.
– Tenho uns dias de folga até o próximo show, vou pra Dublin vê-lo.
– Você acha que ela pode tentar te impedir? – Julia perguntou e Niall fez uma expressão de quem não sabia.
– Eu torço pra que não e realmente acho que não vai acontecer.
– E como ele é?
– Julia, ele é a minha cara!
– O castigo da vida dela por ter te escondido a informação é ter que olhar na cara da sua miniatura todos os dias.
– Um ótimo castigo, porque é uma vista muito boa, vamos ser sinceros. – Niall brincou, fazendo Julia rir.
– Você viaja hoje ou vai amanhã de manhã?
– Amanhã.
– E naqueles dias todos da gravação do Flicker, você não teve vontade de voltar lá?
– Tive, mas os paparazzi permanecem na porta da casa dela e na escola. Vi várias fotos e preferi não tornar a vida dela um inferno ainda maior. Teve foto minha chegando e saindo da casa dela naquele dia em que eu estive lá e eu nem vi paparazzi por lá. Além disso, eu também estava muito puto, acabaríamos brigando e não seria nem um pouco bom ou saudável.
– Esses paparazzi se escondem bem demais, eu fico impressionada.
– Por isso eu preferi evitar durante aqueles dias, mas agora eu vou tentar vê-lo.
– Como você vai fazer essa criança entender que é seu filho?
– Não sei, Louis e Liam não puderam me ajudar com esse ponto, Bear e Freddie sempre souberam quem são os pais.
– E eles surtaram?
– Menos do que eu achei que surtariam. – Niall soltou uma risadinha nasalada ao falar e Julia deu uma risada baixa. – Liam meio que já sabia, foi ele quem me mandou as fotos que comparavam o Ethan comigo. Dos meninos, o Harry foi o que mais surtou quando eu falei.
– Sério?
– Aham. Ele mandou um áudio, quer ouvir? – Niall perguntou dando uma risadinha, pegando o celular para colocar o áudio do amigo para tocar.
– ESPERA AI, COMO ASSIM UM FILHO, NIALL? COMO ASSIM O NIALL TEM UM FILHO DE QUASE TRÊS ANOS? O NIALL TEM UM FILHO E ESCONDEU ISSO DA GENTE POR TRÊS ANOS? E VOCÊS ESTÃO CALMOS E NÃO ESTÃO SE SENTINDO TRAÍDOS POR NÃO SABER QUE ELE TEM UM FILHO E ESCONDEU O GAROTO E NÃO NOS CONTOU? EU ESTOU ME SENTINDO TRAÍDO!
– Ele não escondeu nada de ninguém, a mãe da criança escondeu.
– a voz de Louis foi ouvida em outro áudio, num tom preguiçoso. – Niall tem um filho de três anos, mas ele só ficou sabendo essa semana que é pai.
– Em que mundo você vive, Harold? A foto da criança está circulando a internet há meses! Você teve a cara de pau de reclamar num show que uma criança de cinco anos não tinha um celular, mas você parece não ter também. – foi a vez de um áudio de Liam soar.
Eu não tenho tempo pra fofoquinhas de internet, Liam Payne! Eu estava ocupado! E como assim ela escondeu uma gravidez? Como ela escondeu a barriga? MEU DEUS! NIALL, VOCÊ É PIOR QUE EU PRA MENTIR!
– E depois disso, eu demorei meia hora pra fazer o Harry entender que eu não escondi nada de ninguém e o Liam zoou o Louis sobre o “Niall the church boy more like”, falou que eu fui o precursor das crianças da banda, mesmo que sem saber. – Niall falou rindo, enquanto Julia ainda ria do surto de Harry e dos outros dois áudios.
– O Freddie nasceu depois dele?
– Sim, em 2016. O Bear nasceu ano passado. E como Louis e Liam sempre souberam que seriam pais e os filhos sempre os viram e sempre souberam quem eles são, os dois não podem me ajudar nesse ponto de como fazer uma criança de quase três anos entender que tem um pai.
– Isso terá que ser resolvido entre você e a antes, vocês terão que resolver as coisas sobre você ser introduzido ao convívio com essa criança e como ele vai saber que tem um pai. – Julia falou e Niall assentiu. – Você tem a foto dele? Eu não vi. Pareço o Harry, tenho um celular e não o uso.
– Você está olhando pra versão grande daquela criança.
– Coitadinho, tão pequeno e tão feio. – implicou, fazendo Niall lhe mostrar o dedo do meio e rir.
– Esse é Ethan. – Niall falou, mostrando a foto no visor do celular.
– Caralho! Ele é idêntico a você mesmo! Eu achei que era tipo uma coisa apenas parecida, algumas coisas que lembrassem muito, mas ele parece ser só seu filho. Ele puxou até os seus dedos gordos!
– Ei!
– Você tem dedos gordos mesmo, mas eu estava falando das mãozinhas de criança nessa foto sua que estão comparando com a dele. Vocês são idênticos!
– E ela ainda tentou negar!
– Ela agiu da forma errada, eu sei e não estou do lado dela nessa, mas você tem que entender que ela tem total razão quando fala sobre como teria sido um inferno se ela tivesse contado sobre o Ethan antes e se isso chegasse ao conhecimento público naquela época, porque chegaria e você sabe disso. E também sabe que teria sido um inferno e que, provavelmente, vocês nem se falassem mais. Sei que você ainda gosta dela, Nialler, não deixe que o ressentimento momentâneo, e correto, te cegue e atrapalhe alguma coisa entre vocês.
– Jules, se você tivesse visto a forma fria e indiferente como ela me olhou…
– Pura fachada, aposto. Ninguém resiste a esses belos olhos azuis – Julia falou, tentando amenizar o clima que começava a ficar pesado e Niall suspirou. – Sério, Nialler, vocês precisam conversar e fazer funcionar, mesmo que não exista um relacionamento amoroso entre vocês, mas assim como ela tem direito de ser mãe, você tem direito de ser o pai que o Ethan precisa e que você quer ser. Ela teve tempo de pensar com a cabeça mais fria, provavelmente já percebeu que foi idiota, então tentem conversar, colocar as cartas na mesa e resolver tudo com calma e bastante maturidade. Talvez, naquela época, você não tivesse a maturidade que tem hoje pra aceitar a paternidade.
– É a , Jules, eu aceitaria ser pai até das bonecas dela quando éramos dois adolescentes feios em Mullingar. – Niall falou num tom sincero, mas Julia não conseguiu reprimir a gargalhada ao ouvir.
– Desculpa. Foi engraçado, mas foi fofo. – falou. – Só que nunca se sabe, Nialler, talvez vocês não teriam lidado bem com a informação há três anos como estão lidando agora, principalmente você. Você mudou muito de três anos pra cá, aposto que ela também, então pode ser que naquela época vocês não lidassem tão bem sobre isso tudo juntos. Ela lidou da forma que achou melhor na época, não fez certo, eu sei, mas podia ter sido muito pior. Provavelmente ela tenha pensado melhor e entendido que fez merda ao esconder isso de você.
– Nunca achei que fosse sentir isso, sabe? Essa vontade de ser pai, mas quando o Liam me mandou a foto falando a respeito, eu comecei a cogitar a ideia e pensar que poderia ser legal ter um filho, só que eu perdi tanta coisa, tantas memórias que eu poderia ter com ele…
– Então crie novas, porque ele vai lembrar muito mais da vida a partir de agora do que antes. Sei que você consegue fazer isso e que se e você tiverem maturidade, farão um ótimo trabalho com esse menino.
– Assim espero. – Niall suspirou.
– Então, Horan, comece seu aquecimento vocal e pare de jogar conversa fora. Você tem um show pra fazer. E eu preciso me arrumar. – Julia Michaels falou, levantando-se da poltrona em que estava sentada e deu os poucos passos que a separavam de Niall para dar um tapinha na testa do amigo, que soltou um palavrão, mas sorriu.
Precisava mesmo começar o aquecimento vocal para o show que faria dali alguns minutos. Treze dias o separavam do último show na Europa, que aconteceria em Swansea, teria uma folga rápida antes desse show e iria até Dublin tentar falar com , começar a conviver com Ethan e fazer o menino entender que ele é seu pai e tinha chegado para ficar.
O show foi incrível, como todos os shows daquela turnê vinham sendo, e quando acabou, Niall estava muito grato por estar vivendo aquilo, por ter conseguido fazer dar certo e por ter muitas pessoas o apoiando. Muito mais do que ele achava que teria.
Mas, durante todo o show e durante a volta para o hotel, a conversa que tivera com Liam em Saitama, há mais de três anos, ecoava em sua mente, porque Julia (e ) tinha dito quase a mesma coisa e Niall nunca tinha parado para pensar que, talvez, ela realmente tivesse medo de toda a repercussão e de como as coisas seriam se ela contasse algo e por isso nunca falou.
Assim que estava no quarto, Niall tirou o telefone do bolso e enviou uma mensagem que ele nem mesmo sabia se seria vista, mas que precisava enviar.

“Vou para Dublin dia 14, quero ver Ethan e acho que deveríamos conversar com mais calma e maturidade, diga onde e qual o horário e eu estarei lá.”

Niall não esperava resposta, principalmente pelo horário, mas além de ser respondido com um “Aqui em casa, o horário nós combinamos depois”, ainda teve a sorte de ter a solicitação de amizade, deixada lá há anos, aceita.

🇮🇪💚🇮🇪
Dublin, Irlanda, quarta-feira, 16 de maio de 2018

Nos dois dias anteriores, Niall tentou ir até a casa dela, mas não deu certo. não tivera paz em momento algum desde o mês anterior, sua rua estava cheia de paparazzi o tempo todo, a porta da escola tinha paparazzi e mesmo que a polícia aparecesse e dispersasse o tumulto, horas depois eles estavam todos de volta.
E ela estava suspensa do trabalho desde o fatídico dia do tumulto na porta da escola e por tempo indeterminado, o que poderia significar que, talvez, ela não pudesse voltar no ano seguinte para lecionar. E essa probabilidade a enlouquecia. Queria viajar para Mullingar, mas como faria isso? Como conseguiria sair de casa sem ser seguida por fotógrafos que poderiam até causar um acidente apenas para tirarem fotos de Ethan?
Mas, naquela quarta-feira de clima razoavelmente agradável, os dois se encontrariam. Quer dizer, Niall passaria os próximos seis dias ali, era o combinado. Queria criar laços com o menino e isso poderia ajudar; ainda que não fizesse a menor ideia de como isso aconteceria, aceitou a ideia, afinal, ele tinha o direito de ser o pai que queria ser e que o filho precisava e merecia.
Ethan estava entediado, queria sair para jogar futebol no parque perto de casa, mas teve que se contentar com os sofás afastados para que tivesse mais espaço para jogar na sala, não considerava seguro sair, mesmo que naquele dia o tumulto de fotógrafos tivesse diminuído.
Quando o celular soou em alerta de mensagem, já estava perto da porta e confirmou que abriria assim que ele saísse do carro. Niall atravessou rápido, entrando na casa de numa rapidez que quase não poderia ser capturada por lentes de paparazzi.
Quase.

– Oi. – Niall falou quando trancou a porta e virou-se em sua direção.
– Oi.
– Como foram esses dias?
– Um completo caos. – suspirou. – Ele quer sair pra jogar bola, mas com esse inferno é impossível. E você? Tudo bem? Como foram esses dias?
– Eu estou bem e comigo também foi um pouco caótico, mas bem menos do que com vocês. Onde ele está?
– Jogando futebol na sala. – apontou e Niall deu uma risada nasalada. – Vamos até lá, eu acho que podemos deixar a conversa pra depois.
, como… faremos isso? – Niall perguntou sério e suspirou.
– Não faço a menor ideia.
– Então precisamos conversar primeiro.
– Vamos sentar na sala, vocês podem… brincar?
– Ele sabe?
– Não conversei com ele sobre isso. Você pode ser apenas um amigo por enquanto, tudo bem? Porque acho que será meio confuso pra ele se jogarmos as informações todas de uma vez, ele só tem dois anos e são muitas coisas pra processar. E nós dois precisamos conversar pra resolver como faremos isso.
– Tudo bem. – suspirou. – Eu…
– Vem, vamos lá. Ethan é uma criança legal, você vai gostar dele.
– Eu já gosto. – Niall falou num tom baixo enquanto caminhavam pelo pequeno corredor e chegaram à sala onde Ethan estava brincando com a bola e chutando-a na parede.
– Amorzinho. – chamou e o menino se virou em sua direção, olhando curioso para Niall. – Olha quem veio brincar com você.
– Aqui?
– É amor. – falou, aproximando-se do menino. – Esse é o Niall, você se lembra dele?
– Oi Ethan. – Niall falou, sorrindo para o menino e ele continuava olhando curioso.
– Oi. – o menino respondeu, mas ainda desconfiado. – Sabe jogá?
– Sei sim. – falou e Ethan olhou desconfiado, chutando a bola para Niall.

Os dois se esqueceram completamente da presença de , que ficou um bom tempo observando a brincadeira, sentada no canto da sala enquanto os observava. As gargalhadas de Ethan eram música para o ouvido da mulher, que sentia um pinguinho de alegria pela primeira vez desde que todo aquele pandemônio tinha começado.
Ethan estava se divertindo de verdade com Niall, rindo enquanto corriam da forma como podiam com a bola pela sala, Niall driblando e comemorando animado quando conseguia e, claramente, deixando o menino pegar a bola e fazer gols. Depois de mais de duas horas observando do sofá aquela brincadeira, ocupou-se de fazer algo para que eles comessem quando cansassem, o que provavelmente não demoraria a acontecer.
Fez alguns sanduíches e suco e quando voltou para a sala, Ethan estava às gargalhadas enquanto tentava pegar a bola de Niall, segurando a barra da blusa dele para tentar pará-lo, e Niall olhava com a expressão mais infantil e feliz que ele poderia ter e fazer.

– Ei, vocês dois, venham comer. – falou e Ethan parou de correr imediatamente, olhando para a mãe quase esfomeado.
As bochechas vermelhas e um sorriso tão satisfeito que quase fez a mulher chorar. Niall estava quase do mesmo jeito, ambos suados e sorridentes, sentaram-se no chão da sala e começaram a comer.
– Isso tá gostoso. – Niall falou, terminando de mastigar um pedaço do sanduíche e recebendo um aceno de concordância de Ethan. – E você, Ethan, torce pra qual time?
– Chelsea. O vovô toce po Chelsea. – o menino respondeu animado.
– Como assim você não torce pro Derby County? – Niall perguntou num tom ofendido, olhando para logo em seguida.
– Não sou fã de esportes, eu até sugeri que ele torcesse pro Derby County, por sua causa, mas meu pai foi bem mais persuasivo e comprou duas camisas do Chelsea pra ele usar, então ele se vendeu facilmente. – deu de ombros.
– Darei um jeito nisso. – Niall deu um sorrisinho confiante.
– Duvido muito. – soltou uma risadinha nasalada.
– E você já foi a algum jogo do Chelsea? – Niall perguntou, recebendo um aceno negativo de Ethan, mas antes que pudesse prometer levá-lo a um, o olhou como se pedisse para que não o fizesse.
– Você já?
– Algumas vezes. – Niall deu de ombros. – Mas faz muuuito tempo desde a última vez…
– O que você quer jantar hoje, amorzinho? – perguntou e Ethan sorriu com a simples menção a comida.
Se a semelhança física não entregasse de quem é filho, a do estômago entregava sem nenhuma dúvida.
Fishiships! – falou num tom tão animado que quase sentiu o coração partir por precisar negar.
– Comemos isso anteontem, filho. Precisamos comer legumes.
– Ensopadinho da vovó. – o menino falou e ela assentiu.
– Ensopadinho da vovó? – Niall perguntou curioso.
– Irish Stew. – deu de ombros ao falar e ele assentiu. – Minha mãe sempre faz pra ele, acho que desde… sempre. E ele ama. Você come?
– É claro que eu como. – riu nasalado.
– Niall, vem. Tenho binquedo. – Ethan falou, ficando de pé num pulo e sorrindo animado para o novo companheiro de brincadeiras do dia.
Niall não demorou a ficar de pé e seguir com Ethan pelo corredor até o quarto do menino, voltando a deixar sozinha com seus pensamentos tão bagunçados sobre tudo aquilo que sua vida tinha se tornado.

Capítulo 07 – Eu ainda estou na One Direction

I try to forgive you, but I struggle ‘cause I don’t know how…
Dublin, Irlanda, quarta-feira, 16 de maio de 2018

– Acho que agora nós vamos conseguir conversar. – Niall falou quando, finalmente, estavam apenas os dois sentados na sala.
Ethan tinha aproveitado bastante a companhia de Niall durante o dia todo para brincar de várias coisas e quase não quis ir dormir, só aceitou quando Niall garantiu que estaria lá de manhã para que pudessem continuar brincando.
– Claro. – falou quando sentou ao lado dele no sofá. – E então, cansado?
– Cansado, mas muito animado e um pouco… elétrico?! Acho que isso nem faz sentido.
– Sei como é. – soltou uma risadinha pelo nariz.
– Então…
– Niall, eu sei que eu errei com você ao não contar. Sei que errei com Ethan também, porque ele merecia saber do pai desde o começo, mas eu tive muito medo. Muito. Eu imagino que você deve achar maluquice que eu justifique esse erro assim, mas eu estou falando sério. Você estava na maior boyband dos últimos tempos, tudo na sua vida, por menor que seja, repercute demais, para o bem e para o mal. Eu quis te contar várias vezes durante esses anos, Niall, mas eu tive medo de enfrentar as pessoas que fariam dessa notícia e das nossas vidas um inferno. Eu tive muito medo das pessoas que se dizem fãs, mas que só iam querer criar confusão e falar coisas horríveis sobre a gravidez e sobre o Ethan, o que falariam sobre mim… eu tive medo de como os empresários receberiam essa notícia, como a sua imagem ficaria, como a banda lidaria com isso… Eu tive medo de como você lidaria e de como seria contar. Todo esse tempo eu fiquei pensando nisso, em qual seria a sua reação e como as coisas poderiam ser.
– Medo da minha reação?
– Sim, porque eu não fazia ideia de como você podia levar essa informação, sabe? De como seria a recepção. E eu morro de medo de acabar prejudicando sua carreira e de como seria isso no contexto da One Direction. Uns dias depois que eu descobri que estava grávida, Zayn saiu da banda, sua vida virou uma loucura e eu não queria te dar mais uma preocupação no meio de tudo aquilo. E seria uma merda, porque você não acompanharia nada de perto, a turnê acabou quando Ethan já tinha nascido e você perderia até o nascimento dele. E eu te peço desculpas por isso, por ter mentido e omitido, mas eu ainda tenho muito medo, apenas uma especulação criou todo esse inferno, eu estou suspensa do trabalho por tempo indeterminado e presa em casa com o Ethan, porque as pessoas não sabem cuidar das próprias vidas. Sei que eu errei, sei que não posso voltar no tempo e consertar tudo, mas posso tentar mudar daqui pra frente, no que eu puder fazer. – falou e Niall a olhava com atenção, ouvindo e compreendendo cada palavra que era dita e assentiu ao final.
Ela suspirou e ele também.
Muitas palavras, ele precisava de tempo para assimilar tudo e conseguir responder.
– Eu acho que entendo seu medo, mas não muda o fato de que poderia ter me falado antes que eu descobrisse quando o Liam viu a foto no Twitter e me mandou. As coisas teriam sido menos infernais se você tivesse me avisado quando descobriu ou quando acabou a turnê, teríamos conversado antes que uma imagem sem autorização saísse na internet e começassem essa perseguição. Eu teria vindo pra cá, teria procurado você e nós teríamos dado um jeito, poderíamos não mostrar o Ethan, que nem o Liam e a Cheryl fazem com o Bear e preservaríamos a imagem dele, como é o que queremos, mas agora… Acho que teria sido muito melhor pra todo mundo, ninguém faria esse circo, todo mundo teria noção de que eu tenho um filho e seria um pouco menos pior. Eu perdi três anos, . São três anos desde que você descobriu que estava grávida até o dia em que eu descobri que tinha um filho. Você tem toda razão de ter medo, as coisas tomam proporções muito maiores do que deveriam na minha vida, mas eu estaria com você, do seu lado, e passaríamos por esse tipo de coisa juntos, mesmo que não fosse como um casal, mas como os pais do Ethan. Eu não pude participar de nada da vida dele até agora. Perdi consultas médicas, ultrassons, não ouvi o coração dele bater pela primeira vez, não o vi nascer, não acordei a noite pra ficar com ele, não troquei fraldas, não levei ao médico, não dei mamadeira, não brinquei, não vi os dentes nascerem, não o vi aprender a engatinhar e depois a andar, não ouvi as primeiras palavras, não o vi começar a comer… nada. Eu simplesmente perdi várias coisas, várias descobertas importantes e que me marcariam eternamente. Sei que você teve medo, mas queria que tivesse pensado um pouco mais em mim, no Niall pai e não no Niall artista. E nele. E em você. Porque não deve ter sido nem um pouco fácil passar por tudo isso sozinha, longe de casa e em outra cidade.
– Não foi mesmo.
– Eu sei que eu estaria longe a maior parte do tempo, mas eu poderia ter feito algo a respeito disso e ter presenciado coisas importantes da vida do meu filho durante a gravidez e depois, eu teria feito de tudo que pudesse. Eu jamais me omitiria e se tivesse que deixar tudo pra trás para cuidar do Ethan e de você, eu teria deixado.
– E eu me culparia eternamente por isso.
, nada nesse mundo está acima do meu filho. E é uma coisa muito louca dizer isso, porque até o começo do ano, eu nem pensava em ter um filho e agora estou aqui, de peito aberto, dizendo pra você que se eu precisar largar tudo pelo Ethan, eu vou.
– A única coisa que eu espero é que um dia você me perdoe por ter feito isso, sei que não posso voltar no tempo e consertar tudo isso pra te dar a chance de viver as fases passadas do Ethan, mas não vou me opor que vocês construam novas memórias, que ele tenha um pai e você tenha um filho. Acho que se eu tivesse engravidado hoje, eu teria contado. Mesmo que você ainda estivesse na One Direction.
– Eu ainda estou na One Direction.
– Não iluda meu coração dessa forma. – falou séria, fazendo Niall olhar um pouco surpreso para ela. – O que foi? Eu sou fã da banda.
– Sério?
– Absolutamente. Fui em quase todos os shows aqui em Dublin e fui em um em Londres também, sem contar que fui pra Cardiff só pra ver o show da “On The Road Again”, porque sabia que não teria condições de ir ao show de Dublin, porque Ethan já teria nascido e eu estaria de resguardo, então não me enfiaria na multidão por vocês, mesmo que eu quisesse muito e sempre tenha amado a banda.
– Você esteve nos shows? – perguntou quase perplexo.
– Estive. Fui ao show da “Up All Night”, em 2012. Depois fui nos dois aqui da “Take Me Home”, em 2013. Na “Where We Are”, eu fui em um aqui e outro em Londres, em 2014, porque ganhei de presente. E em 2015 eu fui pra Cardiff ver o show, porque quando vocês viessem pra cá, eu não teria como ir.
– Meu Deus, você é directioner mesmo! – Niall deu uma risada totalmente surpreso. – Eu não sabia.
– Eu sou e muito.
– Quando Ethan nasceu?
– 13 de setembro de 2015. – falou e Niall teve que reprimir uma gargalhada para não acordar o filho. – Eu sei, eu omiti a informação e ele veio pra me fazer lembrar de você desde o dia em que nasceu em absolutamente tudo.
– Julia disse exatamente isso. – Niall deu uma risadinha.
– Pelo menos ele tem o pé bonito.
– Não parece o seu então.
– E nem o seu. – devolveu e ele deu uma risadinha.
– Julia falou algo parecido sobre maturidade quando estávamos em Lisboa, que naquela época a maturidade que tínhamos era outra e poderíamos ter lidado muito mal com tudo e teríamos arruinado qualquer chance de sermos bons pais e de nos darmos relativamente bem para cuidar e criar o Ethan.
– Com toda certeza. Eu surtei, mesmo que eu já não fosse uma adolescente, acho que você teria surtado também. Se fosse hoje, ainda que a One Direction não estivesse em hiato, que vocês estivessem em turnê e essas coisas, eu teria contado.
– Você não pensou em não ter o filho?
– Essa ideia passou pela minha cabeça quando eu descobri, eu fiquei desesperada, mas sempre quis ser mãe, então resolvi que se o Universo tinha acreditado que eu podia lidar com aquela gravidez, eu poderia ser mãe e criar meu filho.
– Você podia ter me contado.
– Podia. E eu me arrependo mais ainda de não ter feito isso depois desse inferno que começaram a fazer. Mas, com certeza, você teria surtado também.
– Não duvido.
– Mas, em todo caso, meus pais me ajudaram bastante.
– Os meus vão surtar. – Niall deu uma risada nasalada ao falar.
– Eu gravei tudo do Ethan. Desde o começo da gravidez. Tirei fotos, fiz vídeos… não pra você especificamente, eu acho, ainda que diversas vezes tenha passado pela minha cabeça que eu estava gravando pra te mostrar quando eu te contasse… enfim, também gravei pra assistir pra que quando ele for um adolescente chato, eu olhe tudo e chore de saudades do meu bebê. – deu uma risadinha. – Posso te emprestar, você não vai viver no momento, mas pode viver o momento.
– Claro.
– Eu estou te pedindo perdão de coração, Niall. Se eu tivesse pesado de verdade as consequências da omissão, não apenas o meu lado da balança, eu teria falado na época. E se eu soubesse que teríamos esse inferno todo, eu teria ido pro Japão a nado pra poder te contar! Agora eu estou ilhada em casa, perdi o show do Harry por causa dessa confusão e só Deus sabe quando vai ter outro show dele aqui.
– Você ia ao show do Harry?
– Sim.
– Ia sozinha?
– Com a e o Ethan.
– Então Harry era o seu favorito? – Niall perguntou num tom que misturava a curiosidade e um pouco de ofensa.
– Todos vocês eram meus favoritos. – deu de ombros, mas Niall não acreditou quando ouviu, porque por mais que os fãs amassem os cinco, sempre tinha alguém de quem gostavam um pouquinho só a mais. – Liam e Louis ainda não vieram fazer show aqui, Zayn provavelmente nunca mais fará um show na vida, infelizmente, então eu tenho que ir ao que tenho ao meu alcance.
– E você foi em algum dos meus?
– Eu até queria, mas não consegui comprar os ingressos.
– Essa seria uma das vantagens de ter meu número antes. – Niall deu uma risada ao falar.
– Eu deveria ter pensado nisso. – respondeu, dando um sorriso.
– Deveria.
– Avise ao Harry que ele precisa se virar e voltar a fazer um show em Dublin esse ano.
– Não vai acontecer, provavelmente, mas se ele vier pela Europa de novo, vou pedir pra ele te conseguir um ingresso.
– Três.
– Ethan não pode ir a um show de outra pessoa antes de ir a um show meu.
– Ele já foi, eu sinto muito.
– Foi? Quando? Quem?
– Dois shows do Sam Smith. O primeiro em Manchester, logo no começo da gravidez e o outro em Laois uns dias antes de nascer.
– Você ficou doida?
– Estamos falando de Sam Smith!
– Quantos dias antes do Ethan nascer?
– Acho que nem dez. – deu de ombros. – Eu estava enorme, mas foi um show lindo e o Ethan amou.
– O primeiro show foi muito antes disso?
– Eu estava com uns… três meses, ou um pouco menos. E o show foi lindo, não me arrependo de ter ido.
– O primeiro foi quando você descobriu?
– Uns dias depois, eu estava me sentindo muito mal e fiz o teste e descobri a gravidez, surtei feito louca, mas eu já tinha comprado meu ingresso.
– Ele foi a algum show depois de nascido? – Niall perguntou.
– Ainda não, íamos ao do Harry, mas nossos planos foram interrompidos.
– Então o primeiro tem que ser o do pai dele. Principalmente se for um show de integrantes da One Direction. – falou, fazendo dar uma risada em concordância.
– Meu coração de directioner é fraco, Horan, vá com calma.
– Escuta, Ethan gosta de jogar bola, não gosta?
– Me diga você. – soltou uma risadinha nasalada.
– O que você acha de comprar uma casa maior? Não uma mansão, mas uma casa com um quintal grande o suficiente para ele jogar futebol quando quiser, quando você não puder ir ao parque com ele pra isso. Não precisa ser longe, apenas pra ele não precisar jogar dentro de casa.
– Niall, eu sou professora do jardim de infância, eu não tenho a menor condição de comprar uma casa.
– Eu não disse pra você comprar, estou falando de mim. – Niall respondeu como se fosse óbvio que tinha falado sobre si mesmo. – Os paparazzi não vão deixar vocês em paz por um tempo, então seria legal ter esse espaço.
– Não precisa disso.
, não estou te dando esmola e nem querendo nada do tipo. É pelo conforto dele, pra ele poder brincar em paz.
– Não existe nada disso por aqui, Niall. – respondeu e Niall deu de ombros.
– Você tem carro, acho que algo ali em Baldoyle é bem fácil de achar e é acessível pra vocês irem pra escola.
– Baldoyle? – perguntou, perplexa. – Você está falando sério?
– São uns vinte minutos de carro, . E eles têm casas bem legais lá, além de várias opções de entretenimento.
– Você já andou conferindo isso?
– Talvez.
– Niall…
– É uma localização muito boa, , as casas são grandes, existe espaço pra ele brincar sem sair de casa, tem parques perto, fica na costa… várias opções de lazer pra ele.
– Você pediu pra alguém ir até lá pra conhecer e te mandar imagens e preços… estou certa?
– Você é boa.
– Podemos ver isso antes de você ir embora, mas se for algo muito caro ou muito grande, você está proibido de tocar nesse assunto.
– Quer ver as fotos?
– Quero.

🇮🇪💚🇮🇪
Baldoyle, Dublin, Irlanda, terça-feira, 22 de maio de 2018

Niall

Depois da visita que tinham feito à casa da Red Arches Rd, na quinta-feira, a mudança acabou sendo decidida quase na hora em que Ethan, animado, começou a correr pelo quintal da casa dizendo que poderia jogar futebol e brincar lá, enumerando uma atividade para cada canto do quintal e da casa. Niall disse que compraria aquela casa nem que fosse para o menino morar sozinho, quisesse ou não, mas ela estava convencida de que deveriam mesmo morar lá.
Para a mudança, que fizeram no sábado (afinal, o nome Niall Horan abre portas e fecha negócios com muita rapidez), precisaram da ajuda de e de conseguir um jeito de tirar os paparazzi de cena, ou seja, novamente pediram para a polícia fechar a rua para que eles conseguissem sair sem serem vistos ou seguidos, além de Niall ter dado as caras do outro lado da cidade pra ser perseguido por tempo suficiente pra despistá-los e tirá-los do caminho da mudança.
Foi necessário que e usassem seus carros, além de alugar um caminhão de mudanças para retirar os móveis que eram de da casa enquanto esperariam pelos outros que tiveram que ser comprados para a nova casa.
Depois de distrair os fotógrafos, Niall se juntou às duas na nova casa e a parte mais demorada (e difícil) foi montar a cama de Ethan e ajeitar as coisas que estavam com eles, as outras chegariam durante a semana, mas tudo o que estava ao alcance dos três foi feito e bem feito.
Niall estava orgulhoso daquele trabalho que ele nem se lembrava se um dia já tinha feito, provavelmente nunca tivesse montado um móvel antes na vida, mas tinha conseguido montar a cama de Ethan muito bem, mandou até uma foto para se gabar com Liam e dizer que os dias não sabendo montar barracas de camping tinham acabado, que agora ele era um homem que sabia edificar coisas. Era quase noite quando foi embora naquele sábado, garantindo terminar de arrumar as coisas na antiga casa e, se sobrasse algo, ela levaria para .
No domingo, Niall e Ethan passaram um tempo brincando, assistiram à final da FA Cup entre Chelsea x Manchester United e comemoraram animados o título do time londrino, ainda que Niall tenha insistido que Ethan deveria torcer para o Derby County e que logo eles assistiriam a um jogo do time para que o menino visse que era um excelente time – o melhor para se torcer, tinha dito Niall – e o pequeno concordou.
Os dois voltaram a passear e brincar no quintal depois do jogo, enquanto observava a animação do filho em ter um companheiro para jogar futebol de forma decente (porque Ethan já tinha dito diversas vezes o quanto era ruim) e, depois, quando um pula-pula (que Niall jurou que não tinha sido comprador por ele, mas não acreditou nem por meio segundo) chegou e foi montado, e os dois passaram boa parte dos dias revezando passeios no parque próximo, futebol no quintal e no novo pula-pula.
Niall nunca esteve tão agradecido por seu cabelo estar da cor natural, o que dificultava muito que o reconhecessem e, aliado a um boné, óculos escuros e “roupas normais de ficar em casa” (segundo ), foi um sucesso passar despercebido por todas as pessoas que os viram juntos no parque, porque ele parecia apenas mais um pai qualquer brincando com o filho.
Mas Niall precisava voltar para a turnê, que recomeçaria em Swansea dali três dias e por ter outros compromissos (entrevistas em rádios e televisão), teria que partir antes do que queria. Então, naquele momento, os três estavam na cozinha, terminando de jantar, antes que o empresário passasse de carro com o motorista para buscá-lo e ele tivesse que partir.
Aqueles dias tinham sido incríveis, mas Niall sabia perfeitamente que a paternidade não era apenas momentos de brincadeiras e gargalhadas com os filhos. Tinha se divertido muito com Ethan e aprendido um pouco com sobre como ser pai, ainda que precisasse saber de muitas coisas mais, porém, no momento, tinha que ir pra turnê e teria que deixar o filho (e a mulher por quem ainda é apaixonado) por meses antes de poder regressar para passar um bom tempo com os dois.

– Vai embola? – Ethan perguntou, observando Niall com bastante atenção.
– Vou sim. Tenho que voltar ao trabalho.
– É longe?
– Bastante. Eu vou viajar pra alguns lugares bem longe durante uns meses, então só vamos conversar por telefone, tudo bem pra você? – Niall perguntou e o menino deu de ombros, mas balançou a cabeça de forma positiva.
– Fiz um lanche pra você levar. – falou e Niall olhou surpreso. – Sei que daqui até Swansea é rápido, mas nunca se sabe quanto tempo de chá de aeroporto você pode tomar.
– Eu aceito, obrigado. – Niall sorriu, mas antes que pudesse falar outra coisa, o celular vibrou sobre a mesa, acendendo a tela e mostrou a notificação de Jeromy avisando que estavam na porta. – Jerry chegou.
– Você pegou tudo que era seu? – perguntou e Niall assentiu. – Então vou empacotar o lanche e você se despeça do seu novo amigo.
– Ethan, o pap… eu preciso ir agora. – falou e o menino o olhou triste, afinal, perderia um excelente companheiro de brincadeiras. – Mas conversaremos todos os dias por vídeo até eu voltar, tudo bem?
– Vai sozinho? Sem mamãe e papai? – Ethan perguntou e ele assentiu. – Pela.
– O quê? – Niall perguntou confuso, mas Ethan logo saiu da cozinha, sumindo pela casa e os dois adultos se olharam sem entender bem. – Você liga ou eu ligo?
– Você liga, mas lembre-se do fuso horário. Estamos de férias, então durante o dia você pode ligar a qualquer horário, até nove da noite, que é a hora em que ele vai pra cama.
– Limite de tempo?
– O quanto ele quiser falar. – riu. – E ele fala muito, você sabe disso.
– Ótimo. – Niall sorriu e logo Ethan estava entrando na cozinha com Didi e um boneco Woody.
– Trouxe o Didi e o Woody pra dar tchau, amor? – perguntou e o menino negou.
– Leva.
– Levar? – Niall perguntou surpreso.
– Aham. Ai num fica sozinho lá. – Ethan respondeu, estendendo os bonecos para Niall.
– Amorzinho… – foi até o menino, abaixando-se para ficar de sua altura. – O Niall não volta tão cedo pra cá. Ele vai viajar pra beeeeeem longe e só volta no final do ano, então se você emprestar o Didi e o Woody pra ele, os dois só voltarão pra casa daqui um tempão e você não vai poder brincar e nem dormir com eles. Pense bem nisso.
– Tá. – Ethan deu de ombros, voltando a estender os brinquedos para Niall. – Eu te empesto tá? Depois você devove quando não ficá sozinho.
– Obrigado, Ethan. – Niall sorriu, pegando os bonecos. – Posso te dar um abraço?
– Sim! – o menino sorriu, sendo abraçado por Niall, que precisou respirar fundo para conter as lágrimas de felicidade pelo gesto do menino, mas também de tristeza por precisar partir tão rápido.
– Agora eu preciso mesmo ir. Eu te ligo amanhã. – falou, soltando-se do abraço, e Ethan assentiu. – Cuide da sua mãe.
– Aham. Cuida o Didi e do Udi. – pediu e Niall assentiu.
– Seu lanche. – falou, indo até a bancada da cozinha para pegar o saco de papel em que tinha colocado um sanduíche para Niall.
– Cuide-se, . E se precisarem de algo, me liga. Eu v…
– Niall, fique tranquilo, se precisarmos de algo, eu te ligo. – o interrompeu, dando um sorriso. – Vá antes que o Jeromy entre aqui e te leve pelas orelhas. Cuide-se e bom trabalho.
– Obrigado. – Niall sorriu.
– Vem Ethan, vamos até a porta com o Niall.

Os três saíram da cozinha e seguiram até a sala, onde uma grande mala estava esperando pelo dono para partirem, o que não demorou a acontecer. Jeromy esperava do lado de fora de um carro e estava com o celular em mãos. Niall acenou em despedida para e Ethan, sendo copiado por Jeromy, mas de forma mais comedida, e depois de colocar a mala no carro, entrou para tomar seu lugar, saindo da vizinhança sem demorar muito.

– Achei que precisaria buscar você lá dentro. – Jeromy implicou. – O que é isso? Voltou a ser criança?
– Ethan me emprestou. Ele disse que é pra eu não me sentir sozinho durante a turnê, então ele me emprestou os dois brinquedos favoritos dele. – Niall falou sorrindo.

Capítulo 08 – Vovó, eu tem um papai!

And I don’t care it’s obvious, I just can’t get enough of you…
– Mamãe, o Niall é o meu papai? – Ethan perguntou no momento em que fechou a porta depois de observarem o carro em que Niall ia embora, partir.
O tom era inocente, sem acusações, apenas a curiosidade infantil que nem sabia existir e nem o motivo disso.
– Quem te falou isso?
– A moça no ‘paque. Ela falou com ele.
– Bom, amorzinho… sim, o Niall é seu papai. Ele trabalha viajando pra cantar pras pessoas e não conseguiu vir te ver antes, mas agora ele veio e virá mais vezes. Só que você não precisa chamá-lo de papai ainda se não quiser, tudo bem? – perguntou e ele assentiu. – Enquanto você não se sentir confortável pra chamá-lo assim, pode continuar chamando de Niall.
– Eu tem papai! – o menino falou dando um sorriso satisfeito, mostrando o sorriso idêntico ao do pai.
– Tem, mas precisamos deixar isso em segredo por enquanto. – falou e Ethan a olhou sem entender. – Tem que ser segredo, porque se outras pessoas souberem, vai ficar cheio daquelas pessoas na rua de novo e nós vamos ficar trancados em casa.
– Ah não! – ele reclamou. – Tancado não!
– Pois é, temos que manter segredo. – falou e Ethan assentiu.

Baldoyle, Dublin, Irlanda, terça-feira, 29 de maio de 2018

A simples lembrança daquele momento, faz com que queira chorar. Tinha passado aqueles dias implorando aos céus para que Ethan não chamasse Niall de pai pelo telefone. Seria absurdamente frustrante para Niall ter isso acontecendo tão distante do filho, sem poder abraçá-lo para dizer que era sim seu pai e o amava.
Durante aqueles sete dias desde a ida de Niall até aquele momento, ele tinha realmente ligado todos os dias, obedecendo fusos e sem comprometer o sono de Ethan, que estava super animado ao conversar com Niall, ouvir os relatos sobre os lugares em que ele esteve durante toda a vida como cantor e tudo mais. Ethan estava encantado e tinha adorado saber que o pai é cantor, que toca vários instrumentos e viaja para fazer shows para as pessoas. Ethan assistiu vídeos, tinha achado incrível, até fez Niall cantar pra ele durante uma das chamadas.
Mas, por mais que Niall fizesse parecer que as coisas estavam todas muito boas e que existia apenas paz na bolha em que estava tentando fazê-los viver, tinha visto a parte que ele não mencionava: as entrevistas em que falaram do suposto filho e da suposta mãe dessa criança, mas ele não rendia o assunto e estava sempre olhando para o lado quando isso acontecia, como se esperasse alguma orientação do que falar.
Niall não falou sobre o filho e nem sobre , mas isso não impedia os entrevistadores, os comentários na internet e nem os portais de fofoca de falarem a respeito deles. Naquele momento, estavam todos procurando por e Ethan, afinal, tinham percebido que ela já não morava mais naquele endereço e que tinha sumido do trabalho bem antes das férias escolares começarem.
E, por isso, estavam indo passar uns dias em Mullingar, em paz e longe daquele inferno que Dublin tinha se tornado. Tinha combinado com para que ela passasse por ali para ver como estava a casa enquanto ela e Ethan iam curtir alguns dias de descanso. Sabia que tinha que contar a verdade para os pais, que Ethan tinha um pai conhecido (e muito!) e que eles o conheciam desde bem antes de ser famoso, mas não sabia se estava totalmente preparada pra isso.

– Niall liga? – Ethan perguntou quando estavam sentados na cozinha para o almoço que comeriam antes de sair para Mullingar, e conferiu o relógio na parede.
– Acho que ele ainda está no avião, amorzinho. A viagem é bem demorada.
– Ah. – o menino soltou um resmungo ao falar.
– É um dia inteirinho de viagem, amor, ele não deve ter chegado ainda. Ele disse que avisaria. – o consolou e Ethan soltou um suspiro sentido. – Vamos comer e você fica com o celular enquanto vamos pra Mullingar, se ele ligar, você atende e vocês conversam. O que acha?
– TÁ! – ele falou animado.
O almoço foi rápido e logo estavam dentro do carro, a caminho de Mullingar. O rádio estava ligado e, por pedido de Ethan, ao som de uma playlist que incluísse músicas do pai para que ele escutasse. Estavam perto de Kinnegad, pouco mais de quinze minutos até estarem em Mullingar, quando o celular começou a tocar nas mãos de Ethan, que não demorou nada a deslizar o dedinho pela tela para atender à chamada.
– Não está em casa? – foi a primeira coisa que Niall falou, com uma voz cansada depois de tantas horas de voo.
tinha certeza que ele mal tinha chegado onde quer que fosse que deveria chegar e pegou o celular para ligar para o filho.
Mulligá! – Ethan falou animado. – vovó e o vovô.
– Então você vai ver seus avós? – perguntou e Ethan assentiu. – Eu acabei de chegar na Nova Zelândia.
– O quê? – Ethan perguntou, fazendo Niall rir.
– Um país longe. Fiquei um dia inteirinho viajando de avião, acredita? – perguntou e o menino assentiu.
– Mamãe falou.
– E cadê ela?
– Dirigindo! – falou do banco do motorista, mas não apareceu na tela. – Como foi a viagem?
– Tranquila. Você vai…lá?
– Não. Só nos meus pais… você quer que eu vá?
– Prefiro estar junto quando isso acontecer. – soltou uma risadinha ao falar.
– E o Didi e o Udi?
– Estão bem, disseram que estão sentindo sua falta, mas estão muito cansados e foram dormir um pouquinho. Vocês estão chegando?
– Daqui uns vinte minutos. – respondeu.
Ethan e Niall conversaram por mais alguns minutos, até estacionar na porta da casa dos pais e Niall se despedir de Ethan dizendo que precisava ir dormir e descansar um pouco. O menino não entendeu bem e disse que ainda tinha sol e ele não podia ir dormir, mas aceitou quando Niall disse que ligaria no dia seguinte e eles conversariam bastante.
Desceram do carro, pegou as malas e assim que bateram na porta e a mãe abriu, Ethan abraçou suas pernas totalmente animado.
– Vovó, vovó, eu tem um papai! – foi a primeira coisa que o menino falou.

🇮🇪💚🇮🇪
Brisbane, Austrália, sábado, 02 de junho de 2018

Niall

Niall estava deitado na cama do hotel, tinha acabado de chegar à Austrália para os três shows que faria no país: primeiro em Brisbane, depois Sidney e, por fim, Melbourne. Estava animado, tinha boas lembranças dos shows na época de One Direction ali. A recepção de seus shows tinha sido grande na Oceania e ele estava animado com a quantidade de fãs que estavam apoiando sua carreira solo.
Mas, no momento, estava deitado e passando pelas fotos que tinha tirado com Ethan durante aqueles dias em Dublin. Eram muitas, muitas fotos mesmo.
Sua favorita, que já tinha virado papel de parede do celular e nem tinha sido tirada por ele, mas por era a que ele estava deitado em uma rede que colocaram no quintal (porque Niall teve a brilhante ideia de comprar uma e argumentou que o local pedia por uma rede para descansar num fim de dia, depois de uma reunião com a família e os amigos no quintal da casa), Ethan deitado em cima dele, os dois sem camisa, Ethan dormindo e ele também de olhos fechados, uma mão sobre o menino e os dois pareciam dormir em paz, uma paz que Niall nem imaginava que poderia existir.
Tinha amado passar aqueles dias com Ethan, conhecendo uma nova realidade, uma que nem imaginava que queria (ou iria) viver, que saberia como viver. Agora, estava do outro lado do mundo, nove horas de fuso horário e sentindo falta da risada de Ethan e do jeito fofo como ele falava “mamãe” e “Niall”. Queria muito ter ouvido o menino dizer “papai”, mas preferia que isso demorasse um pouco mais, principalmente agora que estava longe. E, em todo caso, nem imaginava que ele pensasse que Niall podia ser seu pai.
Ligou para , que não demorou a atender a ligação, mas, diferente das outras vezes, apenas ela apareceu diante da câmera. Estava com os cabelos presos num rabo de cavalo um pouco frouxo, óculos de grau e ainda parecia estar de pijamas. Conferindo o relógio, Niall percebeu que já passava das onze da manhã na Irlanda.

– Não me olhe assim, Horan, é sábado. Eu tenho direito de estar de pijama às onze e vinte e dois da manhã no sábado. falou, fazendo Niall rir.
– Tudo bem, vou deixar essa passar dessa vez. – respondeu. – Cadê o Ethan?
– Saiu com minha mãe. Eles foram passear um pouco e comprar o almoço, devem chegar daqui uns quarenta minutos ou mais.
– Ah… eu devia ter mandado uma mensagem antes.
– Eu te ligo quando eles chegarem, pode ser?
– Claro. Ah, … vocês querem vir? Sei que ainda tem um tempão de férias e se vocês quiserem vir pros shows da Ásia, consigo as passagens e os ingressos.
– Niall, sem chance por enquanto. Ethan não tem um passaporte. E, mesmo que você não fale dessas entrevistas e das coisas que falam na internet, eu vejo tudo e sei o que andam comentando sobre Ethan e sobre mim, eu prefiro evitar dar mais assunto pra essas pessoas que continuam buscando imagens e fofocas pra fazer sobre sua vida. Estão criando um monte de teorias na internet, você com certeza já deve ter visto, sobre os motivos desse filho nunca ter aparecido, sobre mim, sobre você… e, por mais que Ethan tenha dito que sente sua falta, prefiro evitar ao máximo essa exposição, porque sei que nunca vão nos respeitar nesse ponto, sobre não mostrá-lo.
– É um saco. – Niall respondeu frustrado. – Não sei o que é pior, se é não mostrar e deixar o tempo passar para acalmá-los, ou mostrar e fazer isso para tentar acalmar.
– Em nenhum dos dois cenários haverá calma e sossego, Niall. Infelizmente.
– Por mais que eu sempre tenha sido discreto e bastante profissional, nunca deixaram de me seguir e de fazer perguntas desrespeitosas.
– Continue sem responder sobre esse assunto, por favor. Acho que tenho alguma chance de voltar para a escola, então quando essa história esfriar, eles vão me esquecer e eu terei sossego para voltar à vida que eu tinha antes.
– Eu não existia na sua vida de antes.
– Você entendeu o que eu quis dizer. rolou os olhos e Niall assentiu.
Entendia, mas não entendia. No fundo, sabia que a intensão dela era, justamente, que ele não estivesse em sua vida, que voltassem a ser apenas e Ethan, sem um pai famoso que tornou a vida deles aquele tormento.
– É, você tem razão.
– Você não vai perder nada da vida do Ethan, eu prometo, Niall. Não de agora em diante. Eu só quero que ele tenha essa privacidade, algo que você não tem mais e que eu parei de ter, já que existem fotos minhas por todo canto e já divulgaram até meu diploma da faculdade na internet.
– Vou fazer uns tweets.
– Não faça isso, quanto mais incitar, pior fica. As pessoas já escolheram lados, mesmo sem saber qual o certo ou o errado. E eu não quero que te importunem, você está na sua primeira turnê solo, que está sendo bem comentada e recebida por fãs e crítica, seu álbum é um sucesso e eu não quero que as pessoas sejam cruéis com você ou que isso te atrapalhe de alguma forma.
– Ele é meu filho, .
– Justamente por isso, Niall. Não quero que usem seu filho pra te machucar, não quero que usem você pra tentar machucar seu filho. Por mais que eu queira muito levar Ethan até você, nesse momento, não vai acontecer.
– Eu entendo, mesmo sem querer entender. – resmungou, suspirando.
– É o Niall? – ouviu a voz de Ethan e desviou o olhar da tela, assentindo.
– Ele é todo seu, amorzinho. – falou com o menino, mas Niall desejou que ela tivesse falado daquele jeito tão carinhoso com ele.

Capítulo 09 – Mas você tá longe, Nini…

Words will be just words, ‘till you bring them to life…

Pasay, Filipinas, sexta-feira, 08 de junho de 2018

Niall

– So kiss me where I lay down, my hands pressed to your cheeks… A long way from the playground, I have loved you since we were thirteen… – Niall estava cantarolando, deitado na cama do quarto, mas foi interrompido por uma batida na porta. – Entra.
– Ei, lad, tudo bem? – Jeromy perguntou, entrando no quarto de Niall e fechando a porta atrás de si.
– Tudo e você?
– Tudo certo. Você devia estar dormindo.
– Eu sei, mas estou pensando um pouco sobre Ethan. Estou sentindo falta dele.
– Os dois não vêm mesmo? – perguntou e Niall negou com um aceno de cabeça.
– Sei que ela tem razão, mas ao mesmo tempo… – suspirou. – Ao mesmo tempo eu não quero que as coisas sejam assim, que eu tenha que ficar desviando do assunto e me fingindo de desentendido. Quero que saibam que eu tenho um filho e fim.
– Mas você sabe que não vai existir esse fim, não sabe? – Jeromy perguntou e Niall assentiu. – Sabe que eles vão criar um inferno querendo saber quem escondeu a criança, se foi você, se foi ela, se foi a Modest…
– Eu acho que nem vão pensar em mim. – Niall soltou uma risadinha triste. – Nunca será minha culpa, então vão falar que foi ela, fazer da vida dela um inferno ainda maior. Não acho nem que vão falar da Modest.
– Já falam.
– É, então só eu não serei alvo. – Niall riu, sentido. – Eu acho muito maluco que eu tenha criado esse sentimento por ele tão rápido, sabe? Como se sempre tivesse existido.
– Talvez tenha existido, mas você só não tinha descoberto ainda.
– Meio que ficou difícil pensar na minha vida antes dele, sabe? Eu sei que eu não sabia da existência dele até alguns meses e que eu perdi muita coisa da existência dele, mas lembrar das coisas antes faz parecer que eu sabia, só não podia conviver com ele. E isso é estranho pra caramba pensar, por exemplo, quando eu estava em Los Angeles escrevendo o Flicker, que eu não estava com ele por não saber que ele existia, porque minha cabeça meio que está me convencendo de que eu sabia que ele existia, mas não podia estar perto.
– Talvez o desejo de ser pai até existisse antes, Niall, você só não sabia identificar o que era. – Jeromy falou e Niall assentiu, pensando. – E, além disso, estamos falando de um filho com uma pessoa por quem você é apaixonado desde que tinha treze anos.
– Como você sabe disso?
– Você estava cantando isso agora mesmo. – Jeromy deu uma risada. – E eu reparei pela forma que você estava olhando pra ela naquele dia, sem contar que eu sabia da existência da faz tempo.
– Eu acho a coisa mais estranha ainda ser apaixonado por ela desse jeito, do mesmo jeito. Mesmo depois de ter ficado com outras, de ter namorado outras de quem eu realmente gostei e tive ótimos momentos juntos, namoros que pensei que dariam certo, mas não deram. Eu já devia ter superado isso, porque se for parar pra pensar, eu passei quase metade da minha vida gostando dela do que sem gostar.
– Gostar de alguém é isso mesmo, Niall, você sabe. E, em todo caso, ela também gosta de você.
– Isso é coisa da sua cabeça.
– Cara, eu vi o jeito que ela te olhou naquele dia. Não foi o jeito de uma fã olhar, foi o de uma pessoa que sente algo.
– Não vou me iludir, não sei se quero esse tipo de vibe triste na vida por me decepcionar por criar expectativas numa coisa que pode nem ser real. E nem escrever músicas tristes sobre corações partidos.
– Tudo bem, mas eu estou falando sério. Eu sei o que eu vi.
– Estava escuro.
– Justamente. – Jeromy riu. – Os olhos dela brilhavam no escuro. E, em todo caso, já presenciei uma conversa de vocês por vídeo e vi a forma como vocês se olham.
– O que você quer comigo, Jerry? – Niall perguntou, dando uma risada ao mudar de assunto e o empresário riu junto.
– Que você descanse. E pra te avisar que vamos jantar juntos num restaurante que a Greta viu umas boas avaliações e acha que pode ser legal.
– Tudo bem, mas precisamos prestar atenção na hora, prometi ligar para o Ethan.
– Qual a diferença de fuso?
– Estamos sete horas na frente.
– Então ligue quando voltarmos, lá ainda será cedo. – Jeromy deu de ombros.
– Ele dorme cedo, então pra não atrapalhar, tenho que ligar até umas seis e meia lá, isso vai ser… uma da manhã aqui, mais ou menos.
– Nós estaremos de volta antes disso, Niall. Agora, vá dormir. – Jeromy recomendou e Niall assentiu, dando uma risadinha.
– Some daqui então. – implicou e o empresário saiu, deixando-o novamente sozinho.

Niall estava realmente cansado depois da viagem entre Melbourne e Pasay, quinze horas dentro de um avião e ele estava tenso, precisava de uma boa massagem nas costas e nos pés, mas preferiria dormir por um tempo, aquela cama era confortável o suficiente para que ele dormisse bem e conseguisse descansar, sem piorar o estado de seus músculos.
E Niall dormiu, sem muita demora, por mais tempo do que achava ser possível, mas além de ter aprendido a lidar com mudanças constantes de fuso horário e viver no constante jet lag, tinha aprendido a dormir aproveitando cada segundo que tivesse disponível, nunca sabia quando precisaria passar horas e mais horas acordado, de pé, andando de um lado para o outro. Todo segundo de sono era mais do que bem-vindo e aceito.
E o jantar foi muito bom, um restaurante de comidas locais bem agradável e Niall, junto com o empresário, a agente, os assessores e a banda, conseguiram jantar, conversar e se distrair um pouco, já que o dia seguinte seria ocupado: Niall tinha uma entrevista para uma rádio local, precisavam passar som, meet & greet e o show. Viajaria logo depois do show para Queenstown, em Singapura.
Ao saírem do restaurante, pouco depois das onze e meia da noite, Niall atendeu algumas fãs, tirou fotos e conversou brevemente, evitando o assunto “é verdade que você tem um filho?” antes de entrar no carro e torcer para que o motorista, Kevin, dirigisse rápido até o hotel para que ele pudesse ligar logo para o filho.

– Amanhã você precisa acordar cedo, Niall, por favor, não durma muito tarde. – Greta falou quando chegaram ao andar em que estavam hospedados.
– Não garanto, vou ligar pro meu filho agora. – Niall falou e a mulher rolou os olhos, mas deu um sorriso ao ouvir a frase.
– Faça o possível para dormir antes de amanhecer, Horan.
– Não vou garantir nada.
– Você não vai ter tempo de dormir durante o dia, Niall. A entrevista é às nove e meia, não vamos sair de lá antes das onze, você sabe que terá que atender fãs, almoço, passar som, meet e depois o show. Você não terá tempo, então faça o favor de dormir pelo menos umas seis horas.
– Farei o possível. – respondeu. – Talvez ele nem queira falar comigo hoje e eu vá dormir cedo.
– Sei que é desumano falar isso, mas pelo bem do seu sono e da sua disposição amanhã, espero que ele não queira nem olhar na sua cara. – Greta falou fingindo um tom de súplica, fazendo Niall gargalhar ao ouvir. – Boa noite, Niall.
– Boa noite Greta. – falou, abrindo a porta do quarto e entrando.

Niall tirou os sapatos e as meias, deixando do lado da cama e ligou o ar condicionado, estava quente demais e ele precisaria de um banho antes de ligar para Ethan, então enviou uma mensagem para informando que em dez minutos ligaria, precisava de um banho para se refrescar já que estava suando como se tivesse corrido uma maratona no Saara.
O banho foi até rápido e o fato de o ar condicionado ter ficado ligado (e a natureza que o perdoasse), tinha refrescado bastante o ambiente, então quando ligou para Ethan, estava se sentindo bem melhor.

– Niall! – ouviu a voz de Ethan assim que a imagem dele apareceu e o menino sorria animado.
– Oi Ethan, tudo bem?
– Sim! – sorriu. – Tá onde?
– Nas Filipinas. Um lugar bem longe daí de Mullingar… tenho show amanhã.
– Ah… você vem aqui em Mulligá cantá?
– Não… eu não vou fazer mais shows na Irlanda esse ano, boyo.
– Queria ver um. – Ethan soltou num resmungo e Niall sorriu.
– Podemos pensar nisso, vou conversar com a sua mãe e a gente vê como podemos fazer.
– Mas você tá longe, Nini… – o menino falou sentido e Niall deu um sorriso.
Aquele “Nini” tinha começado há uns dois dias e Niall tinha ficado realmente feliz por ouvir, porque era um apelido bastante carinhoso (e evitava que a palavra “papai” fosse dita enquanto ele está longe demais do filho) e Theo, seu sobrinho, o chama assim algumas vezes, além de já ter visto diversos fãs usando esse apelido para falar com ele na internet. Era bonitinho ouvir aquela criança de quase três anos falando com ele daquele jeito e ele sentia vontade de apertá-lo.
– Eu sei, Ethan, mas podemos ver como faremos, se sua mãe quiser, claro. – Niall sorriu e o menino assentiu. – E cadê ela?
– Banho. – deu de ombros. – Qué falá com ela?
– Não agora, depois. Agora quero que você me conte o que você fez em Mullingar hoje.

E Ethan começou a falar, contando de forma embolada e com palavras incompletas e pronunciadas erradas, sobre como tinha sido seu dia jogando futebol com o avô e algumas crianças no parque, depois os dois tinham tomado sorvete e tinha levado Ethan para cortar o cabelo (o que Niall tinha reparado assim que o menino atendeu a chamada, mas preferiu esperar o relato e valeu a pena, principalmente quando ele passou a mãozinha livre do celular pelos fios mais curtos agora), ele tinha ganhado um pirulito e depois, no lanche, tinham comido bolo de chocolate que a avó fez. E jantaram torta de frango, que ele comeu muito, porque estava “gotoso dimais”.
Ethan perguntou o que Niall tinha feito, ouviu o breve relato sobre as horas de viagem e sobre ter ido jantar em um restaurante da culinária local e comeu almôndegas de galinha, além de provar um prato local chamado “adobo filipino”, mas tinha achado muito forte. Estava começando a ter sono, mas não perderia a chance de conversar com o filho, que ainda estava muito animado sobre o futebol que tinha jogado durante o dia, porque ele era o Chelsea e tinha feito um milhão de gols no avô.
Niall estava tentando persuadir o garoto a gostar do Derby County e disse que enviaria uma camisa do time pra ele, mas o menino gostava mesmo do Chelsea. Tudo bem, ele podia lidar com isso, mas assim que tivesse um tempinho, se dedicaria a fazer Ethan simpatizar pelo Derby County o suficiente para ser convertido a torcedor e eles poderiam ir a um jogo juntos quando tudo acalmasse.
Afinal, é o sonho de todo pai que seu filho torça para o mesmo time que ele. Niall não admitira em voz alta, mas já tinha pesquisado algumas imagens de pais com filhos em estádios e estava aguardando a chance de poder ir com o seu próprio em um jogo de seu amado Derby County.
apareceu na frente da câmera muito tempo depois, queria colocar Ethan para dormir e a despedida foi demorada e lamurienta, porque nenhum dos dois queria desligar.

– Ei, , podemos conversar? – Niall perguntou quando pegou o celular de Ethan para que ele fosse escovar os dentes e dormir.
– Claro, você pode esperar um pouquinho só? – perguntou e Niall assentiu.
Não houve demora depois dela ter levado o filho para escovar os dentes e para a cama, pouco depois Ethan estava apagado. saiu do quarto, andando por quase toda a casa e foi se sentar do lado de fora, Niall percebeu. Parecia estar um clima agradável, diferente do calor infernal que estava em Pasay, mas, em todo caso, ele estava em um quarto com ar condicionado e isso já era suficiente pra não derreter e para ficar numa temperatura agradável para uma boa noite de sono.
– Aconteceu algo? – perguntou num tom preocupado quando estava sentada do lado de fora de casa, numa cadeira que parecia de balanço.
– Nada sério. – Niall deu de ombros. – Eu estava pensando… você não quer mesmo vir em algum show?
– Onde você está?
– Filipinas. Tenho show aqui amanhã, depois tenho Singapura, dois no Japão e vou passar uns dias aí, não muitos, tenho umas coisas pra fazer em Londres antes de voltar pra turnê.
– E pra onde você vai depois?
– América do Sul. O que acha?
– O que eu acho do quê? – perguntou confusa.
– Vocês podem ir aos da América do Sul comigo. E, se você quiser, o Harry está terminando a turnê, acaba mês que vem nos Estados Unidos, pelo que ele disse, então vocês podem viajar e passar o resto das férias comigo e ir ao show do Harry…
– Niall, isso não vai dar certo.
– Não tem como dar errado, . Ninguém vai ficar sabendo, vocês podem ver os shows do backstage, escondidos, e ninguém vai saber que vocês estarão lá.
– Niall, eu não vou colocar o Ethan em trocentos aviões e trocar de fuso várias vezes, viajar pra vários lugares sem poder sair com ele do hotel pra passear e conhecer as coisas nesses países em que você estará, porque sua agenda está apertada com os compromissos pra promover o álbum e a turnê e você vai pular de país em país sem conhecer ou visitar nada.
– , não é bem assim… eu vou passar dez dias na América Latina, são quatro países e cinco shows, dá tempo de curtir uma praia no Brasil, se o tempo estiver bom.
– Não vai acontecer, Niall.
– Poxa , ele me falou hoje que queria ver um show meu.
– Niall, você sabe que é impossível que eu vá nesses shows com ele e não seja vista num aeroporto ou no local do show. E, em todo caso, se fôssemos, você não conseguiria sair ou se divertir com ele, porque terão fotógrafos e fãs andando atrás de você o tempo todo. Não vale a pena mexer com o relógio biológico dele e vocês mal terem tempo de convívio de verdade.
– …
– Niall, nós já tivemos essa conversa, você sabe que eu tenho razão nesse ponto.
– Você está exagerando. – Niall suspirou. – Não teremos problemas assim.
– Niall, você não terá problemas. Ethan e eu, sim. Nós dois seremos seguidos, atormentados e coisas horríveis serão ditas sobre nós, eu serei atacada por ser a mãe do seu filho, dirão coisas sobre mim e sobre ele, farão comparações sobre nós, inventarão coisas que não são reais e nossa paz e sossego acabarão. Você está em turnê, sua primeira turnê solo e as vendas de ingressos foram incríveis, os números estão ótimos e você merece atenção pela sua música e não por especulações que as pessoas querem fazer sobre sua vida privada.
– Eles não encontraram vocês, então pararam de procurar.
– Melhor deixar assim, Niall, se eles esqueceram, não vamos dar motivos para que eles se lembrem.
– Poxa , não custa nada. E, em todo caso, estarei na Irlanda daqui alguns dias, eles vão voltar ao nosso encalço.
– Já basta isso. Não precisamos de mais desse tipo de coisa, nem você e nem nós dois aqui.
– Eu acho que seria incrível que ele fosse, pelo menos, aos shows da América Latina. Lá dá pra pegar uma praia, podemos nos divertir um pouquinho juntos, eu gostaria muito de participar desse tipo de coisa agora que sei que meu filho existe, já perdi muita coisa da vida dele e continuar perdendo tudo me machuca muito.
– Não é minha culpa que as pessoas não tenham bom senso e queiram fazer da sua vida privada um circo.
– É sua culpa não ter me contado antes e ter deixado que as coisas saíssem do controle do jeito como foi, mesmo que você não tenha permitido a foto.
– Você nunca vai me perdoar de verdade por isso. – foi uma afirmação, não uma pergunta, feita num tom totalmente sentido.
– Assim como você nunca vai aceitar, de verdade, que eu quero ser pai do Ethan e que eu tenho esse direito. – Niall respondeu no mesmo tom e abriu a boca para argumentar, mas ele continuou falando. – Você não precisa desmentir, nós dois sabemos que se você pudesse voltar no tempo e mudar algo, sem ser aquela noite, você mudaria o dia dessa foto e eu jamais ficaria sabendo que tenho um filho.
– Eu quis te contar, Niall, mas eu não sabia como fazer isso. Eu já te falei.
– Será que quis mesmo, ? Porque me parece que você não quis, não de verdade. Que talvez tenha pensado, mas não fez e estava muito bem até que invadiram o espaço e espalharam a foto. Se não tivesse sido isso, você nunca teria contado e eu nunca saberia que tenho um filho, nem mesmo teria falado com você algum dia de novo, porque você fez bem o trabalho de me evitar e de me afastar.
– Eu quis sim, quis de verdade e muitas vezes eu cogitei pedir seu número a algum dos seus amigos aqui em Mullingar, cheguei a escrever e apagar mensagens no Instagram pra você, mas eu não sabia como contar, nem imaginava que você ainda lembrasse daquilo, de mim… eu fiquei com medo de tudo que aconteceria, mas ao invés de ser preparada para tudo, as coisas aconteceram de uma vez só.
– Você deveria ter enviado, porque só eu sei o quanto esperei por uma mensagem sua.
– Justamente, Niall, só você sabe! Eu não fazia ideia de que você esperava por isso! E poderia ter mandado algo também, porque eu receberia a mensagem.
– E responderia?
– Talvez.
– Você sabe que é mentira. – Niall soltou uma risada nasalada. – Mas, tudo bem, agora sei que tenho um filho. Infelizmente em um momento que não posso conviver com ele da forma como gostaria, mas pelo menos sei que ele existe.
– Eu sei que errei, eu não nego isso e já te pedi desculpas e pedirei eternamente se isso for te fazer bem, Niall, mas você precisa entender que tudo isso é novo pra mim, essas perseguições de fotógrafos, essa atenção demasiada a sua vida privada, os comentários sobre mim e sobre Ethan… eu não estou acostumada com isso, não sei como preparar meu filho pra isso, não quero que você seja atrapalhado, você merece muito mais do que isso, merece que sua turnê seja incrível, que venha um novo álbum, várias conquistas… você não precisa desse tipo de mídia ruim.
– Já estou tendo, . Em toda entrevista eles querem saber dessa história, me perguntam do Ethan e eu tenho que me fazer de idiota e fingir que não tenho uma porção de fotos dele no meu celular que eu fico vendo todo dia, porque estou sentindo muita falta dele, e que ele não é meu filho. Eu tô cansado de não poder falar que sim, tenho um filho, que ele é mesmo a minha cara e que eu sou feliz pra caralho por causa disso! Isso cansa, sabe? Eu sei que você também está cansada de fugir de paparazzi e que foi uma merda como as coisas aconteceram, mas pensa no meu lado de pai, esquece o lado de artista, o lado de mídia. Pensa em mim, no Niall pai do Ethan. Pensa em como eu fico vendo que meu filho tem quase três anos e eu perdi tudo até agora. Tudo. Pensa que eu o vi pouquíssimo pessoalmente e que nós conversamos por FaceTime e só. Pensa só como é uma merda ser eu, o pai, nessa situação, sem poder ser um pai fisicamente presente, sem poder criar um laço presencial com ele, sendo obrigado a me fazer de idiota e fingir que não sei do que estão falando quando mencionam meu filho. Imagine só como é. Porra, eu sou o pai dele! Eu queria poder aproveitar as férias, ir à praia com ele, levar a um jogo de futebol, à escola, levá-lo a um show meu, ensinar a tocar violão e piano…
– Niall…
– Eu não quero mais conversar, , eu vou desligar. Aqui já é tarde e eu preciso acordar cedo. – falou e não esperou que ela respondesse, encerrou a chamada e deixou o celular de lado, virando-se na cama.

Niall passou a noite quase toda acordado, não conseguia achar um jeito para deitar que não lhe fizesse sentir dor de estômago, aquele maldito refluxo ácido que o incomodava desde sempre, mas também não achava um jeito de dormir que seu coração ficasse calmo, que sua mente desligasse por um bom tempo para que ele dormisse e descansasse. Não conseguia parar de pensar em como o artista Niall era sua paixão, mas também trazia um peso terrível para sua vida pessoal, por mais reservado que ele tentasse ser durante todos aqueles anos.
A entrevista pela manhã, como esperado, abordou o assunto “esse é seu filho?”, mas Niall não negou ou desviou do assunto, apenas falou “é muito parecido mesmo, não é? Parece que eu nasci de novo…” e aquilo foi o suficiente para inflamar os ânimos nas redes sociais e da gestão de marketing e imagem (que teve pequenas síncopes ao ver a repercussão), mas ele não estava nem aí naquele momento para qualquer coisa. Queria terminar aquela parte da turnê e ir pra Irlanda. Queria ver o filho e passar alguns dias com ele sendo o Niall pai, aquele que ele nem sabia que existia, mas que já tinha se tornado uma grande parte de si.
Passou som, fez o meet & greet com os fãs e foi para o show, estava animado para aquela noite de show, mas ainda triste com o conteúdo da conversa com na madrugada daquele dia. Tinha soltado várias coisas que sentia no momento daquela chamada, mas não estava aliviado e sabia que tinha muito o que falar sobre aquele assunto com , ainda estava triste por tudo.
E isso ficou claro – e foi devidamente notado pelos fãs – quando cantou algumas músicas, o olhar que parecia perdido, os olhos sendo fechados mais do que o habitual durante algumas músicas e a forma estranha que brilhavam tristes ao cantar, tinham denunciado que algo não estava certo. Niall não chorou, mesmo que em um determinado momento tenham ficado levemente marejados, estava triste e a emoção passou para as músicas.
Depois lidaria com as consequências, diria que ficou emocionado com o projeto das lanternas que os fãs tinham feito e que deram um efeito legal em “This Town”, além de terem cantado bastante e isso o tinha deixado emocionado. Simples. Podia mentir desse jeito e fazer parecer que estava emocionado pela recepção da tour.
Sabia que as coisas não ficariam tão boas na internet se tivessem vídeos de boa qualidade que mostrassem seu rosto, que mostrassem aquela tristeza, mas ele não se importava tanto quanto o resto. Faltavam apenas três shows para que ele pudesse ir para a Irlanda e isso era a única coisa com a qual ele se importava no momento.

– Niall, aconteceu alguma coisa? – Greta perguntou num tom legitimamente preocupado quando o show acabou e ele negou com um aceno.
– Prefiro não falar disso, foi só…
– Tudo bem, só queria saber se você está bem.
– Eu vou ficar. Eu acho. – Niall sorriu sem mostrar os dentes e sem estar mesmo feliz.
– Vai ficar tudo bem. – a mulher falou e Niall assentiu, sendo deixado sozinho.
Esperava que ficasse bem mesmo, mas sabia que, provavelmente isso não aconteceria.
Nota da Autora: Oioi!
Voltei logo na semana em que foi anunciada a aplicação de emergência da vacina contra a COVID, tenho todo o prazer de falar FELIZ ANO NOVO!!!!
Dois capítulos bonitinhos e com um leve sofrimento, mas vai melhorar antes de piorar de novo. Eu prometo.
Aqui tem o grupo do Facebook e aqui o do WhatsApp. E fica a dica pra fazer parte dos grupos, porque eu aviso as coisas lá sempre, inclusive lá já avisei a respeito desse hiato e do motivo pelo qual ele vai acontecer.
Vocês também podem me seguir no Twitter (mas aqui eu só surto por esportes, bandas e xingo determinados presidentes não disse quais, e reclamo da vida).

Capítulo 10 – Depende do ponto de vista

I just want a safe place to hide us away don’t let the tide come and take me…
Brittas Bay, Wicklow, Irlanda, segunda-feira, 11 de junho de 2018

“O @NiallOfficial estava com uma feição muito abatida no show em Pasay ontem. Será que aconteceu alguma coisa?”
“Vocês viram os vídeos dele cantando This Town e Flicker? Eu achei que ele ia cair no choro, eu vou mandar matar quem machucou meu amorzinho desse jeito!”
“Todo mundo sabe que o @NiallOfficial estava triste por culpa da tal da … o que será que essa vagabunda aprontou com ele?”
“Eu nunca fiquei tão triste ouvindo TMTA igual fiquei vendo os vídeos do show de Pasay e nunca mais vou me recuperar”
“Umas fãs viram o Niall saindo de um restaurante na noite antes do show e ele parecia ótimo, mas no show… o que será que aconteceu com ele em menos de 24h pra ficar tão mal?”
“Aposto que a carinha de tristeza dele deve ter algo com a tal mãe do filho dele… quer dizer, do suposto filho, já que ele nunca confirma nada e essa história é cheia de buracos e ninguém sabia de nada até outro dia mesmo…”
“Niall estava triste… eu me vejo na obrigação moral de matar quem fez isso”
“Aposto que a culpa do @NiallOfficial estar triste daquele jeito cantando aquelas músicas é da
devia morrer e sumir da vida do Niall, depois que essa história saiu, ele está todo tristinho. Ódio. Ódio. Ódio.”
“Esse filho deve ser golpe, eu aposto. Se não for de marketing, deve ser da barriga.”
“Acho que esse filho é mentira, ninguém fazia ideia e ele nunca dava sinais de que tinha um filho… do nada o Niall aparece pai de um menino grande?! Otário assumindo filho dos outros!”
“Pode parecer horrível dizer isso, mas eu odeio essa criança. Niall era muito mais feliz e estava muito melhor sem esse inferno todo de filho”
“Motivos pelos quais DEVEMOS desconfiar da paternidade do Niall e como está usando a imagem dele para se promover, a thread:”
“Já passou da hora do Niall largar a Modest e ir procurar outra equipe, essa é PODRE e agora ele tá assumindo uma criança que não é dele…”

Aqueles eram os tweets mais respeitosos que tinha lido nas últimas vinte e quatro horas. Os outros… ah, os outros… eram infinitamente piores! tinha sido ameaçada (mas não mencionada, afinal nada em sua conta do Twitter dava indícios de quem era ela) e falaram coisas péssimas sobre ela e sobre Ethan. Existiam tweets bons, pessoas pedindo que a privacidade de Niall, de e do filho fossem respeitadas, afinal, se Niall não tinha falado à época da gravidez e nem até aquele momento, era pelo motivo de sempre: ele é uma pessoa extremamente reservada e odeia expor coisas de sua vida pessoal.
tinha se odiado tanto depois daquela ligação, chorou por horas a fio naquela noite e até mandou uma mensagem dizendo que queria conversar com ele, mas Niall não respondeu e, quando ligou no dia seguinte, a ligação foi encerrada na hora em que Ethan foi dormir, não falou uma palavra com , mas ela viu como ele estava triste.
Assistiu aos vídeos do show em Pasay e Niall realmente não parecia feliz. Quando cantou Too Much to Ask, Flicker e This Town, parecia abatido, ainda que depois tenha conversado e interagido com a plateia, era visível a diferença entre aquele show e os anteriores.
E se odiou ainda mais por isso.
Entendia o lado de Niall, claro que entendia, mas tinha medo de que as coisas ficassem ainda piores para ela e para Ethan, não queria que o menino acabasse machucado, física ou emocionalmente. teria adorado levá-lo para o show de Niall, queria que Ethan visse de perto o trabalho do pai, que ele tanto tinha gostado de ouvir cantar pelo FaceTime. Queria que Niall andasse com ele em qualquer lugar, que fossem passear e todas as coisas que Ethan fazia com ela, mas tinha medo das reações da mídia e daquelas pessoas que a ameaçavam na internet.
Pelo menos não estavam mais sendo seguidos e podiam curtir alguns dias em paz na praia antes de voltar para Dublin. Tinha pensado em continuar em Mullingar depois desses dias na praia, mas além de precisarem voltar para casa, algumas pessoas já tinham começado a comentar a respeito de Ethan e de sua semelhança com “um dos garotinhos que cresceu ali há alguns anos” e tudo que não queria era a presença de fotógrafos na cidade para perturbar.
olhou para o relógio e calculou mentalmente quantas horas seriam em Singapura. Quatro da tarde, se suas contas estivessem corretas. Será que ele já tinha chegado? Será que estava acordado? Queria conversar com Niall e precisava fazer isso enquanto tinha coragem. Então deixando o medo de lado, procurou por ele e ligou.
Atende. Por favor, atende. Eu sei que você está me odiando, mas atende. Por favor., pensava, ansiosa, e quando a imagem de Niall apareceu na tela, ela deu um sorriso aliviado e encantado com a imagem do rapaz. Ele estava sem camisa, os cabelos estavam bagunçados e a feição parecia um pouco sonolenta, mas não parecia ter sido acordado.

– Te acordei?
Não. – Niall respondeu sério. – Estou vendo golfe. Aconteceu algo?
– Queria conversar com você.
– Acho que já conversamos o suficiente, .
– Niall, por favor. – pediu e ele suspirou, olhando diretamente para a câmera.
Os olhos azuis estavam fixos na imagem da tela e sentiu que podia ficar olhando para ele o dia inteiro, eternamente, perdida naqueles lindos olhos que Ethan tinha reproduzido perfeitamente.
– O que você quer conversar?
– Eu entendo seu ponto, Niall, eu juro por tudo que é mais sagrado nessa vida que eu entendo, compreendo totalmente que você quer passar um tempo com seu filho e que seja uma merda não poder fazer isso. Eu sou muito feliz de saber que o pai do meu filho se importa o suficiente em ser presente e tratá-lo como filho e com todo carinho e amor que ele merece, principalmente por existirem tantos homens nesse mundo que se esquivam dessa função. Sei que você fica chateado de ter que se esquivar de perguntas a respeito do assunto, eu ficaria também. E eu entendo demais que você queira que ele vá a um dos seus shows, que presencie e veja de perto o seu trabalho. Não parece, talvez você nem acredite, mas eu entendo totalmente todas essas coisas.
– É, não parece mesmo.
– Mas eu entendo, Niall, de verdade. E eu sinto muito e sentirei pra sempre por ter feito você perder tanta coisa da vida do Ethan, por não ter contado antes e por não ir com ele ao seu encontro nesse momento. E entenderei se você me odiar eternamente, você tem motivos pra isso, mas eu queria que você me entendesse também, se pensar um pouquinho só, você vai entender o meu lado.
– Que é…
– Eu não sei lidar com tudo isso, de verdade. As pessoas em Mullingar também já estão desconfiadas, claro, não deve demorar pra aparecer paparazzi e mais fotos de Ethan tiradas sem autorização pela internet. Eu sei que nada disso é sua culpa, que você sempre foi reservado e as pessoas não têm nada melhor pra fazer do que cuidar da sua vida de um jeito obsessivo, mas as coisas que têm sido ditas… eu li coisas horríveis sobre Ethan e sobre mim, já ameaçaram me esfolar viva e outras coisas ainda piores, já disseram coisas horríveis sobre mim e sobre o nosso filho. Não quero que ele receba esse tipo de energia diretamente, tem pessoas direcionando ódio a uma criança por não serem capazes de entender que você não é propriedade delas. Li coisas boas, pessoas que foram extremamente respeitosas, mas há pessoas tão mal intencionadas… não ache que eu não quero que o Ethan vá ver um show seu, que ele te veja sendo o artista incrível que você é, porque eu quero que ele veja e sinta muito mais orgulho do pai, mas eu tenho medo do inferno que farão. Ethan é só uma criança e estão querendo colocar a segurança dele em risco, estão falando dele de um jeito maldoso e agressivo. É isso que eu quero afastar dele.
– Niall suspirou e a olhou com mais ternura do que antes. – Eu entendo. Só que meu lado racional entender que sua preocupação é legítima e válida, é muito diferente do meu emocional entender que é apenas isso o que você está fazendo. Eu sinto que você quer me afastar e me excluir da vida dele o tempo todo, que quer tirar de mim a chance de ser pai e de conviver com Ethan. Sinto o tempo todo que você acha que eu não sou bom o suficiente e por isso você me manteve afastado todos esses anos, por isso você não quer que ele fique perto de mim.
– Será que algum dia você vai acreditar, com seu coração, que eu quis te contar diversas vezes, mas não sabia como?
– Não sei.
– Eu quis. Eu quis mesmo, Niall, mas eu tive tanto medo… se eu soubesse que tudo aconteceria desse jeito absurdo e invasivo, eu teria dado um jeito de contar e nós teríamos pensado em tudo antes, com calma e cuidado.
– Eu quero que as pessoas saibam que eu tenho um filho. Não vou mostrar rosto dele, concordo com você sobre a privacidade, mesmo que já tenham visto uma foto dele, mas eu quero que essas perguntas parem. Eu sei que vão falar disso pra sempre, que talvez no começo falem mil vezes mais, mas eu acho que isso aquietará um pouco os ânimos.
– As pessoas já devem ter entendido a mensagem depois que o Jeromy postou aquele stories em que você estava dormindo no avião com um Woody e um dinossauro. – deu uma risada nasalada, fazendo Niall sorrir, mas sem mostrar os dentes. – Você é o pai dele, Niall, mas se você quer falar, você tem esse direito.
– Queria soltar um comunicado, mas eu também não quero as pessoas se intrometendo, não devo satisfação pra ninguém sobre isso.
– Ou sobre qualquer coisa da sua vida pessoal. Mas a falta de negativa em uma entrevista essa semana já disse muita coisa.
– Você ouviu?
– Ouvi no Twitter.
– Estão mandando menções pra você? – perguntou e ela negou.
– Não tenho identificação nenhuma lá e nem terei. – deu de ombros, torcendo para que ele não perguntasse qual era o perfil.
não queria falar que era uma conta de fã, com muita coisa sobre a One Direction unida e separada, sobre outros famosos de quem ela é fã e que não deixam transparecer que ela é, na verdade, uma mulher de 25 anos, mãe do filho de um dos integrantes da One Direction.
– Algo me diz que não devo perguntar sobre seu perfil. – Niall sorriu de forma travessa.
– E diz corretamente.
– Tudo bem, não vou perguntar nada sobre isso. – sorriu. – Se voltarem a falar de Ethan nas entrevistas, eu vou responder e fazer com que entendam que minha vida particular que não diz respeito a ninguém.
– Só não diga o nome dele. Já sabem o meu, isso basta.
– Nome, endereço, formação… – Niall deu uma risadinha triste. – Mas se sabem seu nome e todas essas coisas, em breve vão encontrar a certidão de nascimento dele.
– Se é que já não encontraram. – suspirou.
– Desculpa por ter reagido daquele jeito.
– Você não tem que se desculpar por ter reagido como um pai reagiria a essa situação, Niall, não deve ser fácil passar por isso e eu entendo que você esteja frustrado com tudo que está acontecendo e da forma como está acontecendo, sua reação foi totalmente normal.
– Mas eu podia ter ouvido você naquele dia.
– Não adiantaria nada conversar naquele dia, você estava triste, o que foi devidamente notado no show.
– Fiquei emocionado com o projeto das fãs. – Niall mentiu e o olhou sem acreditar naquilo.
– Claro… – deu uma risadinha nasalada. – Vou sair com Ethan agora, vamos pra praia, quando chegarmos eu te envio uma mensagem, se for um horário decente.
– Praia em plena segunda-feira? Que vida mansa…
– Estamos de férias, você é quem está trabalhando.
– E a escola?
– Ainda não conversei com Abby, mas espero que me aceitem de volta. E aceitem o Ethan também.
– Ela vai aceitar, mas se não aceitar, conseguiremos outra pra vocês dois.
– Niall… se te perguntarem o motivo de você nunca ter falado sobre o Ethan, o que você vai falar?
– Que a intenção era deixar que ele crescesse em paz, longe de holofotes e com uma infância preservada de toda a mídia e dessa perseguição, porque ele não é famoso, eu sou, e ele é apenas uma criança. E por isso ninguém fora do círculo familiar e de amigos mais próximos sabiam da existência do meu filho. Por isso eu não coloquei o nome na certidão de nascimento, porque já teria caído no conhecimento público e tudo que eu quero pra vocês dois é uma vida sossegada sem todo esse inferno.
– Uau, você pensou em tudo.
– É algo que eu sempre pensei caso um dia eu tivesse um filho, na verdade. E é assim que eu quero que as coisas sejam, mesmo sabendo que não serão mais, e porque era assim que as coisas eram antes daquela foto começar a circular. Imagino que esse tenha sido o motivo do seu medo em contar, toda essa perseguição e loucura. Ethan é uma criança e não merece esse tipo de tormento, mas apenas de espaço pra crescer bem, saudável e feliz, sem precisar se preocupar com nada além de ser criança.
– Obrigada por isso.
– Vá pra praia, o dia parece estar ótimo e vocês precisam se divertir. Me avise quando puder falar, eu ligo e nós conversamos mais.
– Desculpe por ter sido omissa antes, não conseguirei reparar esse dano, mas acho que de agora em diante as coisas podem, e serão, diferentes.
– Torço por isso. – Niall sorriu e não conseguiu evitar sorrir junto.
A ligação foi encerrada e respirou aliviada. Pelo menos ele parecia não a odiar tanto mais.

🇮🇪💚🇮🇪
Baldoyle, Dublin, Irlanda, domingo, 17 de junho de 2018

Niall

A viagem de Tóquio para Dublin tinha sido grande e cansativa, Niall estava exausto e preferiu ir para um hotel antes de ir para a casa de , mesmo sentindo muita falta do filho, estava cansado e dolorido da viagem, não teria forças para conversar e brincar com o menino.
Mas, logo cedo no domingo ele estava no carro a caminho de Baldoyle para passar os dias de folga com Ethan. Tinha trazido alguns presentes para o menino e para , pequenas lembranças que os dois poderiam guardar. Niall mal entrou na casa e Ethan saiu correndo para abraçá-lo, dizendo que tinha sentido falta de Niall e o arrastou para que brincassem no quintal de casa durante o dia inteiro.
Jantaram juntos, riram e Ethan estava encantado com as histórias e vídeos que tinha visto dos shows de Niall, sorria para a imagem do cantor no celular e não desgrudou dele para quase nada naquele dia. Até a hora em que foi colocá-lo para dormir.

– Ele quer dormir com você. – resmungou quando voltou para a sala e Niall deu um sorriso satisfeito.
– Eu já volto. – Niall sorriu de forma provocativa e quis xingar um palavrão, mas apenas o observou sair da sala.
Niall seguiu rapidamente pelo corredor até o quarto de Ethan e, ao chegar lá, encontrou o menino de pijama, sentado no chão brincando com uma boneca da Elsa e um Buzz Lightyear.
– Hora de dormir, rapazinho. – Niall falou e Ethan o olhou um tanto insatisfeito, mas não o suficiente para reclamar e pedir para ficar acordado.
– Você canta?
– Pra você dormir? – Niall perguntou surpreso e ele assentiu. – Canto sim, vem deitar e eu canto pra você. O que você quer ouvir?
– Uma música. – Ethan respondeu como se fosse óbvio, fazendo Niall gargalhar alto enquanto observava o menino deixar os brinquedos de lado e se levantar.
– Mas alguma música em específico?
– O que é pecefísco?
– Específico. – Niall corrigiu. – Se você sabe qual música quer ouvir ou se pode ser qualquer uma.
– Não sei. – Ethan falou, erguendo os ombros e fazendo um beicinho que quase fez Niall derreter.
– Vou cantar uma da banda que eu faço parte…
Wandíretio? – Ethan perguntou, dando um sorriso fofo, e Niall assentiu.
– Vou cantar uma música nossa que chama “I Wanna Write You a Song”. Você quer que eu cante usando o violão? – Niall perguntou e Ethan negou. – Já foi ao banheiro?
– Pode ir de novo?
– Pode sim. – Niall falou e Ethan saiu da cama sem demora, saindo do quarto e sumindo por alguns minutos antes de retornar para o local em que estava deitado antes.
Niall ajeitou Ethan na cama e deitou ao lado do menino, sorrindo quando ele o olhou de um jeito carinhoso, com os olhos idênticos aos seus, tão doces e inocentes que davam a Niall uma calma que ele nem imaginava ser possível ser transmitida por um olhar infantil.
– Canta, Nini. – Ethan pediu, passando uma das mãozinhas pelo rosto de Niall, aconchegando-se mais a ele, e Niall sorriu ao ouvir a forma com que aquele apelido soava pessoalmente na voz infantil de Ethan.
– Não podemos dormir muito tarde, amanhã vamos pra Mullingar pra você conhecer seus avós.
– Eu sei quem é eles.
– Você tem outra vovó e outro vovô, Ethan. São os meus pais e vocês ainda não se conhecem.
– Tá bom. – Ethan respondeu e o olhou. – Canta?
I wanna write you a song, one that’s beautiful as you are sweet. With just a hint of pain for the feeling that I get when you are gone, I wanna write you a song… – Niall começou e Ethan deu um sorriso satisfeito ao ouvir. – I wanna lend you my coat, one that’s as soft as your cheek, so when the world is cold you’ll have a hiding place you can go, I wanna lend you my coat…
– Mas você fica com fío, Nini. – Ethan interrompeu, falando num tom preocupado e Niall deu uma risada baixa, totalmente rendida pelo menino.
– Eu te daria meu casaco mesmo assim, Ethan.
Obigado. – Ethan agradeceu, dando um beijo no rosto de Niall, que não conseguiu conter o sorriso.
– Everything I need I get from you and giving back is all I wanna do. I wanna build you a boat, one that’s strong as you are free, so any time you think that your heart is gonna sink, you know it won’t. I wanna build you a boat…Everything I need I get from you and giving back is all I wanna do. Everything I need I get from you and giving back is all I wanna do. I wanna write you a song, one to make your heart remember me, so any time I’m gone, you can listen to my voice and sing along. I wanna write you a song, I wanna write you a song…

Niall cantou, com o corpo de Ethan perto do seu, fazendo carinho nas costas do menino, que dormiu antes que ele chegasse ao refrão pela segunda vez, totalmente aconchegado ao seu lado, com uma expressão serena que Niall podia sentir a paz que ele sentia naquele sono recém iniciado.
Não queria sair dali, tinha Ethan em seus braços e sentia que se mexesse um músculo que fosse, acordaria o filho e acabaria passando a madrugada com uma criança totalmente elétrica, como o menino tinha ficado o dia inteiro. Então passou quase quinze minutos deitado ao lado de Ethan como se fosse a única coisa possível de se fazer no mundo, murmurando algumas melodias bem baixo, e só se levantou quando começou a ter sono, não podia dividir a cama com Ethan, não estava disposto a dormir mal posicionado. Principalmente por saber da viagem para Mullingar no dia seguinte e de tudo que aquela ida até sua cidade natal para apresentar Ethan para sua família renderia.
Niall colocou um urso de pelúcia nos braços de Ethan, deu um beijo na testa do menino depois de verificar se ele estava bem coberto e saiu do quarto sem fazer barulho, deixando a porta entreaberta, caminhando de volta para a sala e encontrou sentada vendo televisão.

– Gostei da escolha musical pra niná-lo. – falou sem desviar os olhos da televisão assim que Niall sentou ao seu lado no sofá.
– Combinava com o momento.
– É minha segunda música favorita do “Made in the AM”.
– E qual é a primeira?
– Olívia.
– É uma boa música. Mas eu cantei muito alto?
– Não. Eu ouvi você gargalhando e achei que teria que ir colocar os dois pra dormir eu mesma e fui até lá, mas logo você deu um jeito de colocar Ethan na cama e eu acabei ficando pra ouvir um pouquinho.
– Não precisa ser tímida, eu canto pra você dormir também. – Niall brincou, esperando uma resposta atravessada e ácida, mas recebeu um sorriso de .
– Flicker. – falou e Niall assentiu.
– E qual a sua música favorita do álbum?
– Tem um empate técnico entre This Town e Flicker, mas eu gosto do álbum inteiro e nunca pulo nenhuma música.
– This Town e Flicker. – Niall repetiu.
Será que ela sabia que aquelas músicas carregavam os sentimentos dele por ela?
– Slow Hands me lembra algumas coisas…
– Só essa música te lembra algo?
– Há algo em outras músicas que devessem me lembrar algo?
– Depende do ponto de vista.
– Então vou dar um jeito de ouvir pelo ponto de vista de outra pessoa…
– Talvez pelo ponto de vista do cara que canta as músicas. – Niall deu um sorriso pequeno ao confessar.
– Quer assistir alguma coisa específica?
– Não, eu nem gosto muito dessas coisas de séries e filmes…
– Ninguém deve estar jogando golfe ou futebol uma hora dessas, então vamos ficar com os filmes e séries.
– O que é isso que você tá assistindo?
– Peaky Blinders. – respondeu e Niall olhou para a tela da televisão.
– E sobre o que é isso?
– Gângsters, apostas, armas, cigarros… – falou, fazendo Niall gargalhar alto demais e tampar a boca com as duas mãos, como se pudesse reter o som que já tinha saído.
– Vamos ver outra coisa. Um filme.
– Tem algum em mente?
– Qual o seu filme favorito?
– Acho que… Casablanca. Mas esse não tem em lugar nenhum pra assistir, só procurando na internet e eu estou com preguiça.
– Qual o seu filme favorito no catálogo da Netflix? Ou da Amazon? Ou qualquer outra plataforma que você lembrar.
– Você faz perguntas difíceis. Acho que… Como Eu Era Antes de Você é um comfy movie pra mim.
– Então você gosta de romances?
– Gosto. Mas eu também gosto de filmes de outros gêneros.
– Alguma comédia? Fala o primeiro filme que passar pela sua cabeça.
– Gente Grande. – respondeu, fazendo uma careta que parecia sugerir que ela talvez preferisse outra, mas aquela tinha sido a primeira a surgir em sua mente.
– Vou fazer a pipoca e assistiremos esse.
– A casa vai ficar cheirando pipoca! E vai acordar o Ethan, então sem pipoca.
– Você é chata. – Niall resmungou. – O que vamos comer então?
– Podemos só assistir ao filme sem comer nada.
– Isso não existe.
– Tudo bem, Niall. Tudo bem. Mas abra a janela da cozinha e deixe a porta do microondas aberta quando terminar pra poder ventilar e o cheiro sair.
– Como você é mãe de uma criança de quase três anos se você não consegue sustentar o seu não pra mim? – Niall perguntou debochado.
– Porque se ele acordar, quem vai passar a noite acordado é você. – piscou e Niall sorriu. – Eu quero de manteiga.
– Folgada.
– Vai logo! – enxotou Niall da sala.
Ele não demorou muito na cozinha, já tinha descoberto onde as coisas ficavam guardadas e colocou a primeira pipoca no microondas. Podiam tomar uma cerveja, não podiam? Ele esperava que sim.
Alguns minutos depois, lá estava ele na sala, com as pipocas e duas garrafas de cerveja.
– Não deveríamos beber. Temos que acordar cedo amanhã.
– Uma cerveja não faz mal. – Niall deu de ombros.
– Posso dar play?
– Já deveria ter feito isso.
E ela fez.
Passaram quase duas horas assistindo ao filme, entre risadas que precisaram ser comedidas e um ou outro comentário. Mas ainda era cedo para dormir, ou era o que ambos pensaram quando o filme acabou, ainda que precisassem levantar muito antes do que pretendiam no dia seguinte para irem até Mullingar.
Niall observava com cuidado e atenção, quase como se ela pudesse sumir se ele fizesse um movimento. Ela o olhava quase da mesma forma.
– Acho que vou dormir.
– Cedo assim? – Niall perguntou e deu de ombros.
– Ele vai acordar cedo. E, você sabe, Mullingar…
– Não quer ficar mais um pouco? Podemos conversar…
– Você é chato, Niall. – implicou. – Conversar sobre o que?
– Sobre o que você quiser.
– Quando você volta pra turnê?
– Na semana que vem, mas eu fico na Irlanda até quarta-feira, tenho que ir em Londres antes de voltar.
– Entendi.
– Não vamos juntos mesmo?
– Ainda não.
– Ainda. – Niall repetiu, quase num tom de súplica, e assentiu.
– Em breve. – falou e Niall sorriu, assentindo. – Você acha que amanhã será muito ruim?
– Eu conversei com meus pais sobre a história que é a verdade e a que será informada caso alguém pergunte. Eles entenderam, apesar de ficarem chateados por terem perdido tanto tempo, mas se você conseguiu lidar comigo, lidar com meus pais será duas vezes mais fácil.
– Me sinto péssima toda vez que penso em como fui imatura e idiota por não contar.
– Águas passadas não movem moinhos, . Aconteceu e não há nada que possamos fazer a respeito, temos que pensar de agora em diante.
– Espero que eles me desculpem mais fácil do que você.
– Quem sabe. – Niall deu um sorriso pequeno. – Mas, então… Você não vai me contar quem era seu favorito mesmo?
– Deixa de ser chato e inconveniente, Niall. – falou rindo. – Já te falei que todos vocês eram meus favoritos.
– Se você não quer falar, então era eu.
– Seria seu sonho, mas não era você.
– AHÁ! Então tem um favorito!
– Sim. O Paul.
– Você é ridícula. – Niall deu uma risada. – Eu ainda vou descobrir quem era.
– E o que você vai fazer com essa informação?
– Nada. – riu baixo. – Só quero saber mesmo.
– Qual era o seu favorito? – perguntou e quando Niall abriu a boca para responder, ela o interrompeu: – Sem ser você.
– O Paul. – Niall repetiu, fazendo gargalhar. – Você vai acordar o Ethan!
– E você se vire pra cuidar dele. – deu de ombros, mas sorria. – Por enquanto eu vou subir e ir dormir, você deveria fazer o mesmo.
– Ainda está cedo e, em todo caso, estou te devendo uma versão de Flicker pra dormir.
– Hoje não. Outro dia.
– Tudo bem, mas fico feliz de saber que eu era seu favorito.
– Não era você. – respondeu e ele a olhou de forma analítica.
Ela não parecia mentir.
– Zayn? Harry? Louis? Liam?
– Considerando que eles são todos da banda, sim. E você que lute pra descobrir quem era.
! Isso não se faz!
– Você que começou, Niall. Agora se vire. – piscou, ficando de pé. – E lave tudo, aproveite esse tempo pra descobrir quem era meu favorito. E ainda é.
Niall observou ficar de pé e sair da sala, caminhando despreocupada rumo às escadas e ele deu um sorriso quase que imediatamente. Ela ainda era divertida, isso não tinha mudado, mas ele precisava mesmo dar um jeito naquela bagunça e ir dormir, o dia seguinte traria uma viagem e uma apresentação para a família, então foi para a cozinha tentando raciocinar quem poderia ser o favorito de .
E querendo que, no fundo, fosse ele.

Capítulo 11 – O bom gosto é de família

In this house of broken hearts, we made our love out of stacks of cards. And yes we tried, to hold on tight, ‘cause we knew our love was hard to find…
Rio de Janeiro, Brasil, sábado, 07 de julho de 2018

Niall

Depois da visita aos pais em Mullingar, que correu muito mais tranquila do que ele achou que seria, Niall voltou para suas atividades antes de retomar a turnê, na América Latina: gravou um programa de televisão, participou de um programa de rádio e uma reunião com a gravadora para alinhar algumas coisas sobre o novo álbum que começaria a ser escrito e planejado assim que a turnê acabasse.
Ethan tinha se encantando pelos avós paternos rapidamente, já os chamava de vovó e vovô, conheceu o tio e o primo também, aproveitou o dia em Mullingar e a volta pra casa foi feita quase que contra a vontade do menino, que já tinha feito mil convites para que os Horan fossem visitá-lo em sua casa logo.
Ainda não havia chamado Niall de pai, mas as coisas aconteceriam no tempo certo. E, em todo caso, além de preferir não ser chamado de pai enquanto estava longe do filho, Niall amava ouvir aquele “Nini” ser dito por Ethan com aquela voz infantil fofa e que derretia seu coração.
Niall tinha causado um leve (para não dizer completo e gigantesco) surto quando postou um stories de seu braço todo rabiscado com as canetinhas coloridas de Ethan, que tinha achado interessante colorir a pele de Niall durante uma brincadeira. Ele nem ia postar, ia só guardar a foto que tirou, mas depois de ler algumas coisas pela internet que o deixaram um pouco desgostoso, postou e ainda adicionou um “a única forma de ter desenhos na minha pele é essa”.
Os fãs tinham surtado (para o bem e para o mal), a gestão tinha surtado pelo post que gerou toda aquela comoção na internet e quase tivera uma síncope ao ver que ele tinha postado a foto, principalmente depois do que tinha lido sobre ela e Ethan (e que ele também acabou lendo, porque foi procurar e foi isso o que motivou a postagem, em todo caso).
Quando postou a foto, Niall estava em Londres e as atenções de paparazzi voltaram-se para ele, acreditaram que ele estava com o filho e a captura das imagens valeria bastante dinheiro, ainda que existissem leis e mais leis contra a exposição infantil, mas a perseguição em Londres não durou muito, Niall precisou embarcar de volta para sua vida profissional, os paparazzi perceberam que ele estava sozinho e voltaram a se concentrar em procurar por e Ethan em Dublin.
Depois disso (e de, novamente, ler coisas horríveis na internet), Niall ainda fez um post sobre Ethan que quase fez ter um ataque cardíaco pela surpresa de ele ter falado de algo da vida pessoal em redes sociais sem que fosse sobre golfe ou uma cerveja ou outra com os amigos. O post era um bilhete escrito à mão, que Niall fotografou e postou no Instagram, falava sobre o filho e contando a versão que tinha escolhido apresentar para o mundo:

“Olá amáveis pessoas,
Eu me sinto pressionado a falar a respeito de algo que nem gosto, mas infelizmente a situação saiu do controle e parece que se eu não o fizer, as coisas nunca mais voltarão ao normal. E sei que mesmo fazendo, elas também não voltarão.
Sim, eu tenho um filho de dois anos e dez meses e ele é a coisa mais importante da minha vida desde que descobrimos a gravidez, no começo de 2015.
Ao contrário do que alguns andam dizendo, meu filho não é um golpe de marketing ou do baú. Eu sempre soube da existência dele, mas escolhemos não colocar o meu sobrenome naquele momento e nem dar uma declaração a respeito para preservar a privacidade dele e da .
Eu nunca fui de falar da minha vida pessoal e achei que poderia continuar assim até ele ter idade suficiente para decidir se quer ou não aparecer.
Mas eu me enganei.
Esse é o motivo pelo qual ele nunca foi mencionado. e eu escolhemos não mostrar nosso filho (mesmo que uma foto tenha sido tirada e divulgada totalmente sem autorização) e nem falar sobre, afinal, ele é uma criança e tem direito a uma infância saudável em paz, sem ser privado de passear, brincar fora de casa ou até mesmo ir para a escola, por pessoas que querem vender sua imagem ou despejar ódio em uma criança que SEMPRE foi muito amada pelos pais.
Eu sou a pessoa pública, não o meu filho, não a mãe dele. E a parte pública da minha vida é a minha música e não as coisas pessoais, como, por exemplo, meu filho e meu relacionamento com a .
Por favor, se vocês virem fotos ou dados dele ou da pela internet, não propaguem, não salvem, denunciem quem está divulgando. Ele é uma criança e ela não é famosa.
Respeitem a privacidade do meu filho e .
Amor,
Niall.”

Aquilo tinha rendido bastante e Niall já tinha lido diversos absurdos sobre seu comportamento, teorias que não faziam o menor sentido e mentiras sendo disseminadas. Leu defesas dos fãs que diziam que ele estava certo e se sentiam mal por ele se sentir pressionado, leu o que parecia ser a garota que divulgou a foto pedir perdão e todas as respostas, que iam da solidariedade ao ódio. Enviou uma mensagem para a garota dizendo que ela tinha agido errado, mas que estava tudo bem, que ela deveria ignorar os comentários ruins e seguir sua vida.
As perguntas nos programas em que participava agora diziam respeito ao seu filho na maior parte do tempo. Sua declaração não tinha acalmado revistas e veículos de fofoca, pelo contrário, mas ele sabia que isso aconteceria. Voltaram a procurar por e Niall nem sabia como ela estava conseguindo se manter escondida. Ele estava cansado daquilo.
Tinha que ligar para Ethan, o horário na América era atrasado em relação a Irlanda e ele precisava ligar logo, ou acabaria falando muito pouco com ele (e com ). Então, depois de um banho rápido, pegou o celular e ligou, sendo atendido rapidamente e logo o rosto de Ethan estava aparecendo.

– Nini! – Ethan comemorou ao vê-lo.
– Tudo bem com você, Ethan?
– Aham. E você?
– Eu também estou bem. Sabe onde estou? – perguntou e o menino negou com um aceno de cabeça. – No Brasil.
– Muito longe?
– Bastante.
– Meu pai quer te matar, Niall Horan. – Niall ouviu a voz de , mas ela não apareceu.
– Por quê?
– Por causa do Derby County! riu, aproximando-se e aparecendo ao lado de Ethan.
– Como assim?
– Parece que esse mocinho resolveu que torce pro Derby County agora e só as vezes ele torce pro Chelsea. Foi o que ele falou pro meu pai.
– O bom gosto é de família. – Niall piscou.
– Eu também vou mandar te matar! Ele só quer usar essas camisas agora, eu tenho que lavar esses uniformes TODOS OS DIAS!
– Ethan sabe das coisas. – Niall deu uma risada ao ver a expressão de . – Vou mandar outras, ele terá mais opções e você não precisa surrar a mesma blusa todo dia.
– Onde você está?
– Rio.
– O show é hoje?
– Amanhã.
– Então você deveria estar descansando.
– Posso dormir depois, agora vou conversar com o Ethan e depois com você.
– Aconteceu algo? perguntou preocupada e Niall negou.
– Só conversar, não aconteceu nada.
– Certeza?
– Claro.
– Ethan, então você e seu pai conversem à vontade. Eu vou terminar de guardar a roupa que lavei. falou, devolvendo o celular para Ethan.
Seu pai.
Ela nunca tinha falado daquele jeito.
Niall sorria tão largamente que sentiu as bochechas doerem.
– Nini, quando vem?
– Ainda demora um pouquinho, filho.
– Ah… – o menino resmungou.
– E o que você fez hoje? – a pergunta de Niall fez o rosto de Ethan se iluminar e ele começou a falar sobre o dia.

Niall já tinha aprendido algumas das “palavras” que Ethan falava e entendia basicamente tudo que o filho contava agora. E tinha aprendido que ele amava contar sobre seu dia, sobre o que tinha feito, visto e aprendido. E Niall amava ouvir. Ethan parecia ter crescido e estava aprendendo a falar de forma mais clara, o que apertava um pouco o coração de Niall, que mal tinha conhecido o filho e ele já não era mais tão bebê assim.
Ouviu os relatos sobre ter brincado no parque e feito alguns amiguinhos perto de casa, alguns momentos no pula-pula (contando que tinha pulado tão alto que ele chegou até no sol) e que tinha ligado pro vovô Bob pra perguntar se ele queria almoçar ali no dia seguinte. Ele não poderia, mas logo marcaria o almoço.
Niall falou sobre a cidade em que estava e Ethan pareceu muito interessado em ouvir sobre a praia e como o local era bonito, agradável e ele tinha muitos fãs indo aos shows, o menino já tinha visto alguns vídeos e tinha adorado, fingia cantar junto e era muito engraçado (e fofo).
Queria muito que eles fossem em algum dos shows, mas sabia que estava certa ao não viajar para os shows com Ethan. Era novidade demais e não dariam paz para nenhum deles aproveitar os momentos juntos. Não queria acabar com a paz do filho e de . Não mais do que já estava sendo. Depois de uma despedida demorada, que envolveu Niall cantando para que Ethan fosse dormir, o celular estava com e ela estava na sala.

– Aconteceu algo? perguntou preocupada.
– Não. Por quê?
– Porque você disse que queria falar comigo… achei que alguma coisa tinha acontecido.
– Só queria conversar. – Niall deu de ombros, mas tinha um sorriso no rosto. – E como você está?
– Bem. E você?
– Também estou bem. Ainda me adaptando ao fuso, como sempre. Vocês estão em Dublin?
– Estamos sim.
– Achei que ficariam mais em Mullingar.
– Vamos no fim de semana que vem. Seu pai nos chamou pra almoçar e Ethan está muito empolgado.
– Fico feliz que ele tenha gostado dos meus pais.
– E do Theo. Ethan fala dele o dia todo!
– Ele me ligou mais cedo, disse que gostou muito do primo também.
– Ethan quer se mudar pra Mullingar. riu. – Disse que todos moram lá, então deveríamos morar também.
– Teoricamente ele tem um ponto.
– Minha vida está aqui, Niall.
– Você vai voltar a trabalhar lá na escola?
– Parece que sim, tenho que ir lá na semana que vem, depois que voltar de Mullingar.
– E como estão as coisas aí?
– Acho que ninguém da vizinhança se ligou na semelhança entre vocês. E nem que você já esteve aqui. Mas provavelmente alguma foto minha deve começar a rodar a internet e logo vão falar de mim.
– Queria que não fizessem isso.
– Você vem pra cá antes de ir pros Estados Unidos?
– Acho que não… eu viajo pra lá daqui uns dias e tudo lá será bem corrido.
– São muitos shows?
– São. E tenho entrevistas e uma reunião pra planejar algumas coisas do próximo álbum.
– Você já está planejando um novo álbum? perguntou surpresa.
– Faz tempo.
– Mais um ano sem One Direction… fingiu um tom triste, mas sorria.
– Já avisei que essa banda só volta quando eu souber quem era seu favorito.
– Nunca mais ouviremos falar de One Direction. – falou, fazendo Niall gargalhar.
– Você tem certeza que não era eu?
– Absoluta.
– Dê uma dica.
– Com toda certeza ele é britânico.
– Mais velho ou mais novo que eu?
– Era apenas uma dica, perdeu a chance de usar isso aí antes.
– Você é ridícula.

Antes que pudesse continuar a falar, a porta do quarto foi aberta por Greta e ele a olhou curioso.

– Entrevista. – ela falou num tom baixo e ele assentiu. – Vinte minutos, tá? A Meg vem passar um pó nessa sua cara de cansado e ajeitar o cabelo pra parecer menos bagunçado.
– Já vou desligar e me arrumar. – respondeu e a mulher assentiu, fechando a porta.
– Que horas são aí?
– Cinco e quarenta da tarde.
– Então vá se arrumar, conversamos depois.
– Boa noite, . Até amanhã.
– Até amanhã, Niall. sorriu antes de acenar em despedida e desligar a chamada.
Niall não demorou a ficar de pé e sair da cama para se arrumar.
Podia estar cansado, mas ter conversado com Ethan e ainda ter ouvido se referir a ele como pai de Ethan foi o suficiente para recuperar suas forças e energia.

Capítulo 12 – Sinto o cheiro da sua chantagem daqui de Dublin

Say what you’re feeling and say it now cause I got the feeling you’re walking out. And time is irrelevant when I’ve not been seeing ya…

Dublin, Irlanda, terça-feira, 24 de julho de 2018

– Oi, desculpa te importunar, mas você é ? – uma garota que devia ter uns dezessete anos (ou até menos) falou, parando ao lado de no corredor do supermercado.
– Eu te conheço?
– N-não. Eu… é que eu sou muito fã do Niall, da One Direction toda, e eu só queria te pedir desculpas pelo que andam falando na internet sobre você e sobre seu filho, que inclusive é muito lindinho. Não somos todas idiotas daquele jeito, eu juro.
– Eu também sou fã da One Direction, já li coisas piores. Sei que os fãs não são todos assim.
– Eu só queria te falar isso mesmo, desculpa o inconveniente. Espero que as pessoas deixem vocês três em paz, porque o filho de vocês é uma criança e além de não merecer o hate que algumas pessoas estão distribuindo, merece privacidade. E você também. Sinto muito que o mundo tenha descoberto sobre e tornado isso a nova obsessão. – a garota falou num tom sincero e sorriu agradecida.
– Obrigada por isso. – agradeceu a garota assentiu, sorrindo de volta e acenou em despedida antes de voltar a fazer seu caminho no corredor do supermercado.

retornou para sua lista de compras, ainda tinha que passar na lavanderia antes de ir pra casa. Tivera uma reunião com Abby para definir se ela continuaria sendo professora na escola e, depois de uma conversa séria sobre como as coisas precisariam ser dali em diante, porque os paparazzi voltariam para a porta da escola quando as aulas recomeçassem e isso teria que ser resolvido e evitado, pelo bem das crianças e dela.
Seria seguro para Ethan? Bom, ela esperava que sim. Ele precisava ter sua privacidade respeitada. suspeitava ter visto alguém tirando uma foto deles no outro dia, no parque, mas não viu nada na internet sobre, então ou o recado de Niall tinha surtido efeito e assim que começaram a divulgar, as pessoas denunciaram e a foto sumiu, ou era coisa da cabeça de .
Estava quase terminando de pegar tudo que estava na lista quando ouviu uma conversa que falava sobre ela. Eram duas garotas, elas a olhavam e cochichavam (não tão baixo) e tentou ignorar no começo, fingir que não tinha visto aquele gesto tão indiscreto e mal educado das duas, mas a conversa ficou um pouco mais alta e incisiva.

– É ela, eu tenho certeza absoluta. Deve estar torrando o dinheiro do Niall. – ouviu uma delas falar.
– Nem bonita ela é.
– Niall já teve um gosto melhor pra mulher. – a primeira deu uma risadinha debochada ao falar aquilo. – Hailey, Selena, Goulding… caiu muito no quesito beleza.
– Aposto que o filho é golpe de marketing. E da barriga.
– Duvido que seja filho dele, deve estar fazendo a mesma coisa que Liam e Louis, assumindo filho de outro ou fingindo ser pai…
– Oi, tudo bem? – interrompeu a conversa das duas, sorrindo educada. – Eu nem vou perder tempo me defendendo, da minha imagem vocês podem pensar o que bem entenderem, mas não falem do meu filho e nem da paternidade do pai dele. Niall sempre foi um pai incrível e o nosso filho não é uma jogada de marketing e nem golpe pra que eu ganhe dinheiro. E vocês não podem falar da vida do Louis e do Liam assim sem saber a verdade. Se vocês realmente são fãs, respeitem seus ídolos. E as crianças, porque elas não têm nada a ver com isso.

não esperou pela resposta, apenas empurrou o carrinho na direção do último corredor antes de ir para o caixa. Torcia para que as duas não a procurassem e nem fossem replicar o que ela tinha dito. E não foram, mas com certeza falariam na internet sobre isso e criariam a versão delas dos fatos dizendo que é quem tinha ido atacá-las a troca de nada.
Terminou as compras, foi para a lavanderia e dirigiu pra casa sem demora. Não queria arriscar ser vista ou seguida, depois daquela ida ao supermercado, percebeu que ainda estava no olho do furacão e que isso não mudaria tão cedo.

– Você demorou. – a mãe falou quando entrou carregando as sacolas de compra em casa.
– A reunião foi longa. – respondeu. – Ethan deu trabalho?
– Seu pai deve estar com dor nas pernas de tanto pular com ele naquele pula-pula. – a mulher riu. – E como foi a reunião?
– Foi boa. Volto a trabalhar quando as aulas voltarem, mas se os paparazzi voltarem a aparecer pra criar tumulto, serei demitida, porque coloca em risco as outras crianças, outros pais e até mesmo Ethan e eu.
– Por que você nunca me contou que era ele o pai?
– Eu tinha vinte e um anos e estava desesperada, mãe. Pensei em nem deixar a gravidez ir até o final e a ideia de Ethan ser filho de quem era, principalmente por tudo que eu sentia, me deixava desesperada. E eu resolvi não contar pra ele naquela época, mesmo querendo muito, então foi mais fácil inventar alguém que não existia pra justificar a ausência do pai.
– E por que você não contou pra ele?
– Medo. Tive medo de toda a repercussão e agora estou lidando com esse inferno que poderia ter sido evitado se tivéssemos pensado juntos em tudo. – suspirou, começando a tirar as compras das sacolas do supermercado.
– E vocês estão bem?
– Ele liga todos os dias pra falar com o Ethan, acabamos conversando bastante, mas nada do que dois pais não conversariam. – deu de ombros numa mentira deslavada.
Os dois vinham conversando sobre muito mais do que apenas Ethan e seu bem estar. Conversavam como nunca tinham conversado antes, quando moravam em Mullingar e tinham basicamente crescido juntos. Niall continuava bastante engraçado e divertido, mesmo que só tivesse visto sê-lo assim com os amigos, longe dela, sabia que ele era muito espontâneo e engraçado.
ficava ansiosa pelas ligações de Niall, porque gostava de ouvir a conversa dele com Ethan e como o mais velho já tinha aprendido a entender as coisas que o menor falava, rápido e gesticulando demais. Mas, também ficava ansiosa pela hora em que ela poderia falar com ele, que conversariam sobre Ethan e sobre outras coisas.
Limpou as embalagens antes de guardar o que tinha comprado nos armários e geladeira, saindo para o exterior da casa, onde Ethan estava na rede com o avô e estava muito distraído para notar a presença da mãe.

– O Nini gota. – o menino falou e começou a prestar atenção na conversa.
– Então você resolveu largar o Chelsea mesmo?
– Um poquinho.
– Pelo menos não é por outro time de Londres, pai. E o pai dele torce pro Chelsea também, então não é um abandono completo… – se pronunciou e os dois olharam em sua direção.
– Mas ele podia torcer só pro Chelsea. – o mais velho resmungou. – Niall chegou roubando meu companheiro.
– Vá torcer pro Derby County e sejam todos companheiros. – sugeriu, vendo o pai fazer uma careta.
– Eu não quero sofrimento maior do que o de torcer pro Chelsea. – o homem falou, fazendo rir.
– Mamãe, que hora o Nini liga?
– Não sei amor, ele deve ligar mais tarde antes de você ir dormir.
– Falta muito? – perguntou e ela assentiu.
– Um pouquinho… posso ver se ele está desocupado agora e ligar, o que acha?
– EBA! – Ethan comemorou, falando alto e o avô tomou um susto.
– Já volto, vou olhar no celular. – falou, voltando para o interior da casa.
Enviou uma mensagem para Niall perguntando se ele estava livre, porque Ethan queria falar com ele e, enquanto aguardava pela resposta, abriu o Twitter.
E não deveria ter feito isso.
” estava nos trends e havia fotos dela no supermercado, incluindo imagens da câmera de segurança. E, como ela tinha imaginado, as duas garotas estavam falando absurdos a respeito dela, falando que ela tinha sido grosseira com elas do nada e a troco de nada, que as atacou e coisas que não passavam nem perto da verdade. A outra garota, a primeira que a abordou, disse que era estranho, porque tinha conversado com minutos antes e ela tinha sido muito educada e simpática.
Não podia se pronunciar para se defender, descobririam quem ela é, então apenas leu vários ataques a ela sem que houvesse nenhuma razão. Mas, pelo menos, não estavam falando de Ethan e isso já era ótimo, contanto que não o colocassem no meio de todo aquele pandemônio, ela poderia passar por aquela chuva de ódio gratuito, desmedido e desnecessário que estava recebendo.
“Estou indo pra duas entrevistas, devo ser liberado até umas duas da tarde aqui (sete da noite ai), mas vou ligar. Diga que mandei um beijo e que estou sentindo falta dele também”
deu um sorriso ao ver a mensagem pela barra de notificação e deixou o celular de lado. Era melhor deixar o Twitter de lado e focar em outras coisas até a hora em que Niall ligasse para Ethan mais tarde.

🇮🇪💚🇮🇪


Dublin, Irlanda, terça-feira, 07 de agosto de 2020

– Oito horas de diferença? – perguntou surpresa e Niall assentiu. – Seu relógio biológico deve estar horrível.
– Eu passei tanto tempo fazendo isso que quase considero normal. – deu de ombros ao falar. – Você está bem mesmo?
– Estou sim, só um pouco cansada, porque precisei ir ao centro de Dublin hoje.
– Sem problemas?
– Sem problemas. Depois daquele inferno na internet naquele dia, eu fui deixada em paz, porque parece que sou insuportável e as pessoas não chegam perto de mim. – sorriu e Niall não evitou a gargalhada que se seguiu. – Você tem show hoje?
– Mais tarde.
– Que horas aqui?
– Espera… – Niall contou nos dedos. – Seis da manhã.
– Deixou a escola cedo demais? – implicou e Niall rolou os olhos.
– Você hoje vai me dar uma dica pra eu descobrir quem era seu favorito?
– Não. – riu. – Não sei o motivo dessa obsessão em saber isso, Niall.
– Sou curioso.
– E assim continuará. – deu de ombros. – Mas se você fosse meu favorito, com certeza teria parado de ser em junho.
– Por quê? – Niall perguntou sem entender.
– Porque você cantou com a Taylor e não me convidou pra ir ver!
– Ah, então quer dizer que ao show da Taylor você iria? – perguntou ofendido, fazendo rir mais alto do que gostaria e tampar a boca.
– Estamos falando de Taylor Swift, Niall. Taylor Swift.
– Eu te odeio.
– Odeia nada. – riu. – Mas é a Taylor, eu amo Taylor Swift!
– Eu já entendi. – Niall resmungou. – Meu convite pros shows está de pé…
– Vou pensar sobre isso, até levei o Ethan pra tirar passaporte esses dias.
– Sério?
– Sério. – sorriu. – Quero que ele veja você cantando nos shows ao vivo.
, você tá falando sério? – Niall perguntou surpreso e ela assentiu.
– Você tem uns dias de pausa? – perguntou e ele assentiu.
– Tenho dez dias entre o show de amanhã aqui e o próximo, em San Diego.
– Não podemos ficar muitos dias, as aulas dele começam em breve e as minhas também, então não posso dizer com certeza, mas vou organizar tudo e te falo. – respondeu e Niall deu um sorriso amplo.
– Eu poderia chorar agora.
– Eu chorei porque você foi ao show da Taylor e não me levou.
– Na próxima vez eu levo. Eu prometo. – Niall sorriu.
– Shawn Mendes, os outros meninos da One Direction, Ed Sheeran…
– Você está me usando, ? – Niall perguntou num tom ofendido e deu uma risada.
– Não confirmarei e nem negarei.
– Quando vocês vierem, talvez a Taylor esteja por aqui e você pode ir ao show dela…
– Sinto o cheiro da sua chantagem daqui de Dublin, Horan. – falou, estreitando os olhos, e Niall riu.
– Uma troca justa, .
– E ainda quer ser meu favorito depois disso.
– Eu acho que seu favorito era o Zayn. – Niall falou e o olhou sem entender. – É meu palpite. Estou certo?
– Fique com seu palpite se você acredita nele. É o que eu faço.
– Então não é ele. – Niall sorriu e deu de ombros.
– Talvez seja, talvez não seja… Vai depender de você acreditar nisso ou não. – ela respondeu. – E pare com essa loucura de querer saber quem era meu favorito, já falei que era o Paul.
– Ridícula.
– Horan, são duas da manhã, preciso dormir.
– Já?
– Sim. Estamos conversando há horas! Eu não aguento mais ouvir sua voz e tenho certeza que se você continuar falando sem parar, não terá voz pro show e as pessoas vão mandar te matar.
– Você é muito chata. – Niall rolou os olhos. – Mas vá dormir, amanhã a gente se fala.
– Bom show.
– Boa noite, . – Niall falou e depois de um aceno de despedida, a ligação foi encerrada e colocou o celular no bolso antes de subir para ir para o próprio quarto dormir.

Passava das quatro da manhã quando aconteceu.
Foi o toque da mãozinha fria e suada de Ethan em seu rosto que acordou . Ele estava pálido, parecia com dificuldades de respirar e os olhos estavam marejados, ele estava todo suado e assim que ela colocou a mão em sua testa, constatou a febre alta. A respiração estava ruidosa e ele soltava um resmungo de dor a cada vez que inspirava. Quando Ethan tossiu e pareceu que se partiria em mil pedaços, ficou de pé sem demora, vestiu a primeira roupa que encontrou por cima do pijama e o pegou no colo.
Tentaria a bombinha de asma enquanto o trocava para ir ao hospital. Ele não estava bem e ela não pagaria pra ver o que poderia acontecer com ele. Assim que o vestiu, saiu o mais depressa que conseguiu enquanto o ouvia choramingar com a dor que estava sentindo enquanto não conseguia respirar direito.
Ao chegar no hospital, logo Ethan estava sendo levado para o consultório médico e para os exames que constataram um quadro agudo de pneumonia.
Pneumonia.
Pneumonia aguda.
Uma criança com asma e com pneumonia.

Capítulo 13 – Compre a primeira passagem para Dublin ou me arrume um jatinho

All I can do is say that these arms are made for holding you…

Greek Theatre, Los Angeles, California, EUA, quarta-feira, 08 de agosto de 2018

Niall

O celular de estava desligado há horas. Ele tinha tentado contato mais cedo naquele dia, mas não conseguiu e ela simplesmente não ligava o aparelho. Será que alguma coisa tinha acontecido? Procurou no Twitter e não viu absolutamente nada novo com o nome de e nem com o seu. E isso era ainda mais preocupante.
Estava perto da hora do show quando conseguiu falar com , os olhos estavam vermelhos e inchados e ela não parecia estar em casa. Não parecia mesmo.

, aconteceu alguma coisa?
– Desculpa pela demora e por perder suas ligações, eu saí sem o carregador do celular e a bateria acabou de madrugada. – ela falou, dando um sorriso pequeno. – Agora está tudo sob controle, mas Ethan está internado.
– COMO É?
– Calma. – ela falou num tom que tentava acalmá-lo, mas que, claramente, não funcionaria. – Ele passou mal durante a madrugada, como ele tem asma, não quis esperar pra ver se pioraria e vim o mais rápido que consegui. Ele está com pneumonia aguda, a médica preferiu que ele fique internado uns dias pra observar de perto, porque ele ficou bem fraquinho, mas agora ele está estável e se recuperando.
– Eu chego amanhã. Viajo depois do show e vou direto.
– Tudo bem. Mas pode fazer o show tranquilamente, eu prometo que está tudo bem.
– Posso falar com ele?
– Claro. Mas isso não vai te atrasar?
– Eu não estou nem aí. – Niall deu de ombros.
– Filho, o papai quer falar com você. falou e Ethan deu um sorriso fraco quando tirou a máscara respiratória que ele usava, estava meio sonolento e era bem cedo em Dublin, então ele provavelmente tinha acabado de acordar.
– Nini. – Ethan falou, dando um sorrisinho.
– Oi meu amor… eu não posso demorar muito, tenho que ir pro show, só queria te dizer que vou te ver, acho que chego amanhã, tá? Como você está? Tá doendo?
Só um poco. – resmungou. – Mamãe, sono.
– Daqui a pouco a tia vem te ver e dar o café e o remédio, amor. – ouviu falar.
– Chego o mais rápido que eu puder, . – Niall falou e ela assentiu. – Tchau campeão, te vejo logo.
– Tchau Nini. – Ethan falou num tom fraco e Niall desligou antes que falasse mais alguma coisa.
Ele tinha que fazer um show e não podia se atrasar mais, mas, além disso, precisava encontrar Jeromy e pedir pra que ele comprasse a primeira passagem para Dublin. Saiu do camarim com certa pressa e encontrou o homem perto de Greta e de algumas pessoas da produção.
– Parece que viu um fantasma, lad. – Jeromy falou e Niall o chamou com um aceno.
– Compre a primeira passagem pra Dublin ou me arrume um jatinho, eu preciso viajar assim que o show acabar.
– O que aconteceu?
– Ethan está internado. Pneumonia aguda e ele é asmático, então a médica pediu pra internar.
– Pneumonia? Você n…
– Não fale isso que eu acho que você vai falar. – Niall interrompeu. – É o meu filho e eu vou pra Dublin nem que seja nadando.
– Vou cobrar um favor e você sai assim que o show acabar. – Jeromy falou sério. – E já vou começar a pensar em como não fazer a Greta surtar por causa dos cancelamentos de entrevistas e programas de TV.
– Com o Corden, o Kimmel e o Fallon eu falo quando chegar em Dublin. As rádios eu deixo por sua conta. – Niall falou e Jeromy assentiu. – Agora vou fazer esse show e torcer pra acabar logo.

E durante as quase duas horas de show, Niall se apresentou para os fãs presentes, cantou e conversou com todos como se não estivesse se corroendo de nervosismo para viajar e ir ao encontro de seu filho. Quando o show acabou, Niall apenas se trocou e seguiu com Jeromy o mais rápido que conseguiu para o aeroporto. Viajaria com as roupas do corpo e depois daria um jeito de conseguir algumas para usar em Dublin.
Pelas doze horas de voo de Los Angeles até Dublin, Niall não conseguiu pregar os olhos, mesmo que soubesse que Ethan estava bem e estável (se não estivesse, nem poderia ter ficado no quarto com ele), não conseguia relaxar. Seu filho estava no hospital e ele não podia ficar nada além de nervoso e impaciente.
Quando desceu do avião, às oito da noite, Niall saiu tão rápido que nem pode ser percebido pelas pessoas que estavam no local. Estava cansado, precisava dormir por umas vinte horas se quisesse mesmo descansar, mas sabia que isso não aconteceria
No hospital, depois de passar os dados na recepção, foi autorizado a subir e encontrou assistindo televisão no quarto de Ethan, que estava dormindo e parecia tão frágil que Niall quis chorar ao vê-lo daquele jeito.

– Oi. – falou e virou em sua direção, dando um sorriso. – Como estão as coisas?
– Bem, ele está tranquilo. Tosse bastante e reclamou algumas vezes de dor nas costas e teve febre, mas isso é normal da pneumonia. Ele até comeu bem, então isso me deixa mais tranquila. – respondeu e ficou de pé, indo até Niall para abraçá-lo. – Ele vai ficar bem logo, Niall, respira.
Niall queria se aconchegar àquele abraço mais do que qualquer coisa em sua vida, queria que ela o abraçasse assim por mais algumas boas horas, porque os braços de o envolvendo fazia parecer que tudo ficaria mesmo bem, que estava tudo bem. Queria ficar naquele abraço que fazia seu coração bater de um jeito confortável e se sentindo feliz.
Mas não podia.
– Por que você está cheirosa? – Niall perguntou sem entender e deu uma risada baixa.
– Pedi pra ficar com ele por algumas horas e fui em casa. – respondeu, soltando o abraço e o guiou para sentar na cadeira. – E você?
– Vim direto do show.
– Trouxe roupas?
– Não.
– Niall?
– Eu não ia ao hotel, deixei o checkout por conta da equipe e vim o mais rápido que consegui.
– Vá lá pra casa tomar um banho, comer e dormir. Amanhã você volta.
– Eu n…
– Niall, eu vou ficar aqui hoje, você vai dormir e descansar. E comer. E dar um jeito de conseguir uma roupa, você não pode ficar usando só essa daí até o dia em que precisar ir embora.
– Como eu vou fazer isso?
– Quem trouxe você?
– Jerry. – deu de ombros.
– Pede pra ele comprar alguma coisa.
– Mas já é de noite.
– Vá lá pra casa, lave essa roupa na máquina e amanhã ela estará seca pra você voltar. E dá tempo de pedir ao Jerry pra comprar alguma coisa.
– Será que Ethan acorda agora?
– Já tomou o remédio e só acordará amanhã.
– Vou chegar o mais cedo possível.
– Se você colocar celular para despertar e chegar cedo, eu vou te bater. Descanse. – falou séria. – Porque você vai dormir aqui amanhã, então descanse o suficiente pra passar uma noite no hospital.
– Quer que traga algo amanhã?
– Acho que não, mas se eu lembrar eu mando uma mensagem.
– Vou pedir um Uber e ir. Jerry já deve estar em um hotel ou alguma coisa assim.
– Não precisa, vai no meu carro e leva as chaves. – pegou as chaves dentro da bolsa e entregou. – Lavar essa roupa, banho, comer, dormir. Não se preocupe em chegar cedo, eu ficarei bem.
– Nossos pais sabem?
– Eu liguei pra todos eles logo que peguei o carregador, mas os tranquilizei e disse que está tudo bem.
– Ninguém me falou nada.
– Foi um pouco antes de falar com você, minutos antes.
– Você tem certeza que ele está bem? – perguntou angustiado, olhando na direção da cama onde Ethan dormia.
– Ele está melhorando. – falou e Niall assentiu. – Agora vá descansar, você está acabado. E mande uma mensagem pro Jeromy pedindo roupas.
– Tudo bem. – resmungou.
– Tchau Niall. – falou, fazendo-o rir.

Niall deu um sorriso cansado, ficando de pé e olhou demoradamente para o filho. Ethan tinha uma máscara de oxigênio no rosto, alguns fios que o ligavam a aparelhos e dormia quase tranquilamente. Era possível ouvir os gemidos baixinhos pelo esforço da respiração e a dor que ele provavelmente estava sentindo.
Não demorou a descer até a garagem, procurando pelo carro de para ir embora, prometeu voltar logo, mesmo que tivesse total certeza de que dormiria muitas horas assim que tivesse a chance de se deitar em uma cama e descansar de verdade.
E foi o que aconteceu.
Abraçado ao ursinho de pelúcia favorito de Ethan, ele dormiu.

🇮🇪💚🇮🇪
Children’s Health Ireland (CHI), Crumlin, Dublin, Irlanda, sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Já haviam fotos de Niall chegando em Dublin e indo ao hospital. A polícia já tinha tirado os paparazzi da porta do hospital e as visitas ao quarto de Ethan eram apenas das pessoas que estavam na lista que e ele tinham feito. Mas, no momento, estavam os três no quarto de Ethan, Niall sentado perto da cama e mais no canto mexendo no celular enquanto o menino ouvia o pai falar, parecendo até mais animado naquele dia.

– Mamãe, fome.
– O jantar deve chegar daqui a pouco.
– Nini, você vai ficá? – Ethan perguntou e Niall assentiu, fazendo o menino sorrir. – Eba!
– Hm… então quando é o Nini você fica todo animado e quando sou eu você não comemora? – perguntou, fazendo o menino sorrir arteiro e Niall arqueou as sobrancelhas ao olhá-la. – Que foi?
– Nini?
– Não posso te chamar assim?
– Não, é exclusividade do meu filho. – Niall implicou.
– O fandom inteiro te chama assim, você sabe.
– Isso inclui você?
– Não. – negou com um aceno e um tom de descaso. – Eu te chamo de Leprechaun oxigenado.
– Eu nem descoloro o cabelo mais.
– E daí? Pra mim você sempre será o Leprechaum oxigenado. – deu uma risadinha e Niall rolou os olhos.
– Mamãe, que dia vô embola?
– Em breve, amor.
– E você? – Ethan perguntou, fazendo Niall gargalhar.
– Daqui a pouco.
– Não querendo ser chato…
– Mas já sendo. – interrompeu, fazendo Niall rir baixo.
– Você precisa ir descansar.
– Eu quero esperar o jantar dele.
– Confie em mim, ele vai se alimentar bem. E eu vou colocá-lo pra dormir na hora.
– Tudo bem, você é o pai, então lide com a responsabilidade hoje. Mas se precisar de mais alguma coisa, me liga e eu dou um jeito de vir. – falou e Niall assentiu. – Amorzinho, a mamãe vai pra casa e você fica com seu pai. Durma bem e qualquer coisa que precisar, peça pra ele me ligar e eu venho correndo.
– Tá. – Ethan garantiu e mandou um beijo de longe, não podiam se encostar, já que a transmissão da doença se dava por propagação das gotículas e se ela fosse beijá-lo e ser beijada, acabaria podendo se contaminar.
– Fiquem bem. – falou, direcionando-se para Niall, e ele assentiu.
– Deixa comigo. – piscou.

pegou a bolsa para sair do quarto sem demora, estava mesmo cansada, precisava de um banho e de boas horas de descanso. Esperava que a entrada do hospital estivesse tranquila e que ninguém a seguisse, só queria ir pra casa tomar um banho e dormir.
Antes que conseguisse entrar no carro que estava estacionado na rua naquele dia, o celular vibrou em notificação, e era uma foto de Niall. Uma selfie dele com Ethan, a distância, e os dois sorriam pra foto. Era como se Niall tivesse voltado no tempo para tirar uma foto com ele mesmo e não pode deixar sorrir.
Sorriso devidamente capturado pelos paparazzi. E, com um bom zoom, poderiam ver que era um sorriso dado para uma foto de Niall.

Capítulo 14 – Panapaná


I wanna write you a song, one to make your heart remember me, so any time I’m gone, you can listen to my voice and sing along…

Children’s Health Ireland (CHI), Crumlin, Dublin, Irlanda, sábado, 11 de agosto de 2018

Niall

“Meu Deus, como é FORÇADA! Fez pose pros paparazzi pegarem o sorriso e o bobo do Niall ainda cai nessa…”
“Ele já namorou mulheres lindas, agora vai pra essa que além de feia só quer a fama dele… alguém salve o Niall dele mesmo!”
“Ela posando para a foto e fingindo que não sabia que seria fotografada…”
“Vou começar o bolão sobre quanto tempo ela demorará pra aparecer com essa criança fazendo pose na rua pra fotógrafo…”
“A cara de felicidade por ter acertado na loteria com mais um bobo que vai assumir um filho que não é dele”
é só mais uma que deu a sorte grande de encontrar um bobo apaixonado pra sustentá-la”
“BREAKING NEWS: Niall é o mais novo enganado com uma paternidade que surgiu do nada.”
“E eu achava que ele era o mais inteligente da banda… outro que caiu no golpe…”

Niall olhava para todos aqueles tweets horríveis que por vezes o mencionavam diretamente e outros que apenas citavam seu nome. Ou o de . Não era possível que as pessoas que não o conhecem pensassem mesmo aquilo. E, pior, não era possível que tanta gente concordasse com aquelas coisas absurdas e mentirosas e saísse propagando como se fossem verdades absolutas.

“Meu pai sempre me disse uma coisa que eu guardei pra vida: quem fala o que quer, escuta o que não quer 😉 bom fim de semana, saiam da internet e curtam um pouco a vida”

Escreveu e deixou o celular de lado, observando Ethan entretido com a televisão. Niall queria muito tomar um banho e dormir por muitas horas em uma cama decente, não naquela poltrona em que suas costas doíam e ele não achava uma posição agradável nem para se sentar direito.

– Trouxe um presente. – ouviu a voz de e ergueu os olhos para a porta, onde ela chegava com uma sacola com a logo do restaurante Nando’s.
– Mamãe! – Ethan sorriu, virando-se na direção da porta.
– Você me conhece bem.
– Como passaram a noite e o dia? – perguntou, entrando no quarto e fechando a porta atrás de si.
Niall sentiu as pontas dos dedos formigarem com a aproximação dela e o estômago se agitou, mas não de fome. Era incompreensível como ela ainda tinha tanta influência sobre ele daquela forma, sem precisar fazer nada, apenas chegar para ficar com o filho.
– Niall? – chamou e ele piscou algumas vezes antes de voltar a prestar atenção. Ela estava com a sacola de papel estendida em sua direção e ele pegou.
– Ah, desculpa. Eu tô com sono e ficando meio lerdo, mas ele passou muito bem, dormiu a noite inteira e eu até consegui cochilar um pouco, o dia foi bem tranquilo também. E você, descansou?
– Muito. – sorriu. – A médica passou?
– Passou, disse que ele está evoluindo bem, a medicação continua e talvez ele tenha alta em até quarenta e oito horas. Ou seja, segunda-feira devemos ir pra casa.
– Quer ir descansar?
– Ele não ficará muito feliz se eu for embora tão cedo assim.
– Convencido.
– Eu estou faminto.
– Conte a novidade. – riu.
– E como você sabia o que eu ia querer?
– Você já falou diversas vezes que comeria até as paredes do Nando’s, Niall. É impossível que eu tenha errado. – deu uma risadinha, sentando-se na outra poltrona.
– É, você tem um ponto. – Niall sorriu, ao retirar a embalagem de dentro da sacola de papel e encontrar Winger Platter, deu um sorriso tão grande quanto sua fome naquele momento.
– Trouxe pra dividirmos.
– Niall não divide comida.
– Tudo bem, Joey Tribbiani. – implicou.
– Que isso? – Ethan perguntou para Niall, que mostrou ao menino e ele deu um sorriso.
– Quer?
– Sim!
– Niall…
– O coitadinho tá comendo comida de hospital, . – Niall levantou-se, indo sentar perto de Ethan e lhe deu uma colherada da comida, que o menino mastigou com calma e engoliu devagar, a garganta ainda doía.
– Se eu for xingada por isso, amanhã eu vou arrancar suas tripas. – ameaçou e ele deu de ombros, continuando a dar comida ao filho.
– Lá fora está caótico?
– Está tudo bem tranquilo, acho que perderam a graça. – deu de ombros. – Ah, suas roupas chegaram. Eu lavei e elas estão sequinhas e dobradas te esperando.
– Jerry deixou lá?
– Sim. – assentiu. – Ele fez uma mala sua que veio de Los Angeles, mas comprou algumas coisas também, lavei tudo e deixei no quarto pra você.
– Você é a melhor.
– Eu sei. – riu. – Amorzinho, deixa seu pai jantar. O seu chega daqui a pouco.
Seu pai.
Niall sentia o gosto daquelas palavras, mais saborosas do que a comida que tinha em mãos, e quase podia flutuar ao escutar falar assim tão naturalmente que Niall era o pai de Ethan. Tudo bem, Ethan ainda não tinha falado, mas sentia o carinho quando ele o chamava de Nini, sentia quando ele reagia ao “seu pai” com sorrisos e aquela ternura no olhar.
– Mas tá gotoso, mamãe. – Ethan reclamou.
– Eu sei, amorzinho, mas é do Nini… deixa ele comer e vamos esperar o seu jantar.
– Tá. – Ethan resmungou e fez bico, fazendo Niall dar uma risada e levantar da cama, indo pra poltrona em que estava antes.
Niall não demorou muito a ir pra casa, esperou apenas que o jantar de Ethan chegasse (o que aconteceu antes que ele terminasse o próprio), despediu-se dos dois e foi pra casa de . Estava exausto e ainda tinha uma entrevista de rádio dali algumas horas e faria remotamente.
Precisava de um banho, trocar de roupa, dar a entrevista e depois cairia no sono mais profundo que conseguisse.

🇮🇪💚🇮🇪
Baldoyle, Dublin, Irlanda, terça-feira, 14 de agosto de 2018

Niall

Ethan tinha voltado do hospital no domingo de tarde, ainda estava tomando remédio, mas estava se recuperando bem. e Niall estavam sob aviso de que se ele voltasse a passar mal, qualquer coisinha que sentisse, deveriam levá-lo ao hospital com urgência, mas, até então, ele estava muito bem.
Naquele momento, ele estava sentado no sofá e observava Niall com o violão, de pé no meio da sala fazendo um show particular. Já tinha cantado algumas músicas próprias, outras que o menino escolhia e Baby Shark (essa pelo menos cinco vezes!). Ethan estava sorrindo animado, batendo palminhas e falando palavras aleatórias das músicas de Niall, que sorria para o menino e observava sua animação.
, na cozinha, perdia o show, mas conseguia ouvir perfeitamente a voz de Niall e as risadas de Ethan, totalmente animado. Niall precisaria ir embora de manhã, não estava nem um pouco preparado para deixar o filho e . Queria poder levá-los, mas as aulas retornariam em breve e ele tinha acabado de sair do hospital.

– Ei, vocês dois – chamou, entrando na sala. – venham jantar.
– O que você fez? – Niall perguntou interessado e Ethan a olhou da mesma forma.
A semelhança era realmente perturbadora, Niall tinha que admitir.
– Macarrão com queijo, conforme os senhores pediram. – respondeu e os dois comemoraram animados.
Niall deixou o violão de pé sobre o sofá e foi para a cozinha, acompanhado de Ethan, que estava bem animado pelo macarrão com queijo que tinha pedido para , usando dos cílios compridos e sorriso fofo para convencê-la, mas Niall não julgava, ele teria pulado de uma ponte se Ethan pedisse dando aquele olhar fofo.
O jantar foi tranquilo, Niall ajudou o filho a comer e conversou um pouco com ele, deram algumas risadas e acabaram brincando um pouco depois do jantar, lavando as louças sujas enquanto observava como os dois se davam tão bem, riam e sorriam um para o outro o tempo todo. Quando acabaram de lavar tudo, seguiram para a sala, o show foi retomado e Ethan sorria animado.
Passava das nove e meia quando Niall subiu com Ethan para escovar os dentes, colocar um pijama e dormir. E, claro, Niall teria que cantar. Era o combinado, então depois de tudo ajeitado, os dois deitados na cama para que Ethan pudesse dormir, o menino o olhou de um jeito carinhoso e sorriu, aguardando pelo que viria a seguir.

– Qual música? – Niall perguntou e Ethan sorriu.
– Lalovolovovolivia? – Ethan pediu e Niall olhou sem entender.
– Quê?
– Da Uandireti que a mamãe gota. – respondeu.
– Olivia. –Niall falou rindo.
– Isso!
– Gostei do nome, lalovolovovolivia, vou sugerir pra trocarmos. – Niall falou rindo.
– Canta lalovolovovolivia, papai. – Ethan pediu e Niall o encarou, chocado com o que tinha acabado de escutar.
Papai.
Era a primeira vez que aquela palavra surgia da boca de Ethan. Ele não chamava Niall de pai nem com , por mais que ela viesse se referindo a Niall daquela forma há um tempo. Ethan sempre o chamava de Nini, naquele tom carinhoso que derretia os corações dos pais, já que a voz infantil dava ainda mais doçura ao apelido, mas nunca papai. Ele já quase tinha se conformado que seria apenas Nini para sempre.
Papai.
Niall estava atônito, com os olhos arregalados, mirando Ethan que parecia totalmente alheio a toda situação que tinha causado ao falar aquilo. Ele observava Niall esperando que a música começasse a ser cantada, mas Niall estava quase chorando de emoção.
– O q-que você f-falou?
Pá cantá lalovolovovolivia. – o menino repetiu.
– Tá, mas do que você me chamou?
– Pa…pai? – perguntou em dúvida, se tinha feito o certo.
Niall o abraçou e Ethan soltou uma risadinha ao sentir os braços de Niall o envolvendo naquele abraço gostoso e ele se aconchegou ali. Niall queria chorar, queria mesmo. Aquele era, sem dúvidas, o dia mais feliz que já tinha vivenciado até então. Papai. Ele tinha sido chamado de papai.
– Você me chamou de papai… – Niall murmurou, afagando as costas do menino e Ethan se afastou um pouco para olhá-lo diretamente nos olhos.
– Você é papai meu, não é? – perguntou e Niall assentiu, sorrindo.
– Sou sim.
– Então canta, papai… – pediu, olhando Niall tão profundamente que o mais velho quase perdeu as forças.
E Niall cantou com Ethan em seu colo, daquele jeito torto, fazendo carinho nas costas do menino para que ele dormisse. A respiração ainda chiava e Niall talvez devesse se preocupar com a possibilidade de pegar a pneumonia, mas, no momento, estava ocupado sentindo o gosto doce daquele chamamento.
Papai.
Ele era o papai. Não só o Nini. Agora ele era o papai.
Demorou mais um tempo para descer as escadas, pouco satisfeito em ter que soltar-se do abraço de Ethan, mas o fez. Precisava contar para que tinha sido chamado de papai e não apenas uma vez.
– Achei que tivesse dormido junto com ele. – falou, sem olhar para Niall quando ouviu os passos dele na sala.
– Ele falou. Ele me chamou de papai. – Niall falou e se virou em sua direção, dando um sorriso enorme e ficou de pé.
– Niall! Que incrível! Meu Deus! Ainda bem! – falou legitimamente animada e o abraçou apertado, sendo abraçada de volta da mesma forma.
Quando ergueu um pouco o rosto, já para desfazer o abraço, acabou muito próxima do de Niall, que a observava com cuidado, decorando cada pedacinho daquele rosto que não ficava tão perto do seu há anos. Sentia a respiração dela perto da sua, batendo em sua pele e fazendo cada pedaço de si formigar e aquele panapaná em seu estômago parecia prestes a voar pela sala.
Os olhos dos dois se cruzaram rapidamente antes que voltassem a olhar para os lábios um do outro pelo milésimo de segundo que precedeu a aproximação de Niall, que beijou quase com medo de que fosse um sonho, um daqueles realistas demais e que quando a pessoa acorda, acaba ficando até triste por ter sido apenas sonho.
Mas era a realidade.
E ela correspondeu ao beijo.
Niall tinha beijado naquela única vez há anos, mas nunca tinha sido capaz de esquecer da suavidade com que ela o beijara, da textura da boca e nem de como a mão dela parecia ter sido feita especialmente para ser colocada no rosto dele enquanto se beijavam. Nunca tinha esquecido a sensação de tê-la em seus braços e de sentir todo aquele furdunço dentro de si, o coração batendo acelerado, as borboletas causando um reboliço e a ponta dos dedos e do nariz formigando.
Queria ter fôlego para beijá-la para sempre, queria que o tempo parasse para que pudesse ficar ali, beijando-a sem ter que ir embora para o outro lado do oceano por mais um mês. Foi ele quem separou os lábios dos dela, mas não por muito tempo. Foram apenas alguns segundos, de olhos fechados, respirando antes de voltar a beijá-la e de ser beijado.
Aquele, sem dúvidas era o melhor dia da vida de Niall até então. Uma pena que precisava acabar.

Panapaná: coletivo de borboletas

Capítulo 15 – Nós estamos bem

You still make me nervous when you walk in the room, them butterflies they come alive when I’m next to you, over and over the only truth, everything comes back to you…

Chula Vista, San Diego, California, EUA, quinta-feira, 16 de agosto de 2020

Niall

– Você esteve em Dublin na semana passada, num hospital… está tudo bem? – o âncora do programa de rádio do qual Niall estava participando perguntou e ele assentiu.
– Meu filho esteve internado por uns dias, mas quando vim pra terminar a tour, ele já estava em casa e bem. – Niall respondeu, já sabendo que não conseguiria fugir de explicar o motivo, então apenas respondeu sem muitos detalhes.
– Você escondeu muito bem esse garoto, Niall. – o homem falou rindo, fazendo Niall rir junto.
– Não tão bem, porque o encontraram muito antes do que pretendíamos.
– E você e a mãe dele… – o homem falou, deixando a frase morrer naquela pergunta implícita.

Ele e a mãe de Ethan?
Bom, os dois tinham passado algumas horas se beijando naquela noite, depois Niall a beijou antes de precisar sair (ouvindo um “eca” vindo de Ethan, que foi o que fez os dois se separarem e Niall finalmente sair da casa), mas o que ele responderia àquela pergunta?
Não estavam juntos. Ou estavam? Não. Definitivamente não estavam. Mas não queria estar com outra pessoa que não fosse , em todo caso. Niall só conseguia pensar em como foi delicioso beijar e ser correspondido, ser beijado de volta e não ter sido afastado. Tinha sentido o perfume dela durante a noite toda, dividiram a mesma cama (mesmo que sem fazer nada além de trocar alguns beijos) e aqueles momentos silenciosos foram cheios de um sentimento gostoso que Niall não sabia como explicar, mesmo que soubesse muito bem nomear.
Queria que aquele mês passasse rápido, começara uma contagem regressiva, queria seus dias de folga em Dublin ao lado de Ethan e , apenas os três. Como uma família. A família que Niall nem imaginava que teria, mas que se tivesse escolhido, não teria escolhido tão bem. Aquele “faça uma boa viagem e quando chegar me avise” que tinha dito antes de Niall sair, estava em sua mente e a forma carinhosa com que tinha sido pronunciada antes de se beijarem pela última vez.
Sempre que mencionavam , direta ou indiretamente, ele sentia as borboletas no estômago, os dedos das mãos e a pontinha do nariz formigarem, as palavras pareciam sumir e ele tinha certeza absoluta que sorria feito um idiota e seus olhos brilhavam.
E, pela cara que o âncora do programa fez, essa certeza era real. Ele devia estar feito um adolescente bobo e apaixonado relembrando os dias com em Dublin, dos beijos dados e recebidos, das palavras e das conversas.

– Nós estamos bem. – Niall respondeu, fazendo o homem rir.
– Pela cara que você está fazendo, eu tenho certeza absoluta de que estão mesmo muito bem.
– E vocês poderão ver essa mesma cara no show de amanhã, no Mattress Firm Amphitheatre, às dez. Ainda há ingressos e vocês podem entrar no site e comprar. – Niall desconversou, fazendo o homem voltar a rir.

A entrevista que já tinha durado quase vinte minutos, durou outros vinte e logo Niall estava liberado para atender alguns fãs e contar as horas para ligar para Ethan.
E para .
Eles não tinham conversado ainda, será que ficariam estranhos e haveria um climão e que eles acabassem nunca mais conversando do mesmo jeito, apenas se tratariam feito pais do Ethan e só? Isso o preocupava. Esperava que não acontecesse, que conseguissem conversar normalmente, que aqueles beijos não tivessem afetado nada.

– Você e a estão juntos? – ouviu Jeromy perguntar quando estavam a caminho de um hospital.
Jeromy e Greta tinham achado por bem que Niall fizesse alguns exames para saber se ele tinha pego pneumonia ou algo do tipo, depois de passar vários dias no hospital com o filho.
– Não.
– Mas aconteceu alguma coisa. – não era uma pergunta, mas Niall assentiu e o amigo sorriu. – Conte mais.
– Foram só alguns beijos. – Niall respondeu e Jeromy olhou surpreso.
– Todos os dias?
– Só no último dia, depois que Ethan me chamou de papai.
– Ele falou? – Jeromy perguntou animado e Niall assentiu, sorrindo.
– Ele pediu pra eu cantar Olivia quando fui colocá-lo pra dormir e falou. Eu achei que fosse morrer do coração quando escutei.
– Cara, fico feliz que essas duas coisas tenham acontecido. – sorriu. – Mas vocês conversaram?
– Não deu tempo. – Niall soltou uma risadinha nasalada.
– E você acha que vocês podem ficar estranhos?
– Tenho medo disso, mas espero que a gente fique bem. Estávamos nos dando super bem antes.
– E o Ethan, como está?
– Recuperando-se. – Niall respondeu e Jerry assentiu. – Ele ficou bem ruinzinho no começo, mas recebeu alta na segunda, vai continuar o remédio mais uns dias, amanhã ele tem que ir ao médico fazer novos exames.
– Estou ansioso para conhecê-los.
– Antes de Ethan adoecer, queria vir, mas agora fica difícil, ele ainda está tratando tudo e as aulas vão começar, então acho que não vai acontecer.
– Que pena, lad. – Jeromy falou num tom compreensivo. – Agora vamos fazer esses exames, você tem que ligar pra sua pra sua cria.

Os exames foram rápidos, principalmente por ser em quem eram, e Niall estava bem, nada de contaminação, mas se sentisse algo estranho, que se assemelhasse aos sintomas, deveria procurar um hospital. Ele tinha tomado cuidado, claro que em alguns momentos tinha deixado isso de lado, como no dia em que dividiu comida com Ethan, mas estava tudo bem e ele sabia disso.
Quando chegou ao hotel, estava cansado. O corpo ainda estava acostumado ao fuso horário de Dublin, sem contar que os dias dormindo em hospital tinham deixado seu corpo levemente mais dolorido que o normal. Pelo horário, tinha pouco tempo de chamada com Ethan, então não demorou a ligar.

– Você demorou hoje. – foi quem atendeu.
Niall sentiu o frio no estômago, além da conhecida cosquinha na ponta do nariz quando a viu sorrir daquele jeito ao falar.
– Ele já dormiu?
– Nunca que ele dormiria sem falar com você. riu. – Aconteceu algo?
– Só tive que ir ao hospital pra fazer uns exames e ver se eu não peguei pneumonia, o que é óbvio que não peguei, mas me fizeram ir até lá mesmo assim.
– Vou deixar você conversar com ele, inclusive, desde que você foi embora, ele não para de te chamar de papai.
– Meu coração é fraco, , não jogue essas informações assim. – Niall sorriu, fazendo sorrir junto. – Ei, estamos bem?
– Claro. – sorriu. – Agora, você conversa com essa criança que está quase tomando o celular da minha mão e depois nós conversamos.
– Papai!
– Ethan falou, pegando o celular e sorrindo.
– Oi filho.
– Tá de dia? – perguntou e Niall assentiu, estava sentado perto da janela e a claridade do dia entrava no local.
– É beeeeem longe daí, então aqui ainda é de dia.
– De dia?
– Aham. Ainda nem almocei, acredita?
– Não pode, Nini! – ele falou assustado. – Mamãe! Mamãe!
– O que foi? – Niall ouviu a voz de ao longe.
– Papai num almoçô! – falou num tom ultrajado e riu.
– Amor, lá ainda é cedo e não está na hora de almoçar.

Niall demorou um bom tempo para convencer o menino de que almoçaria logo, porque ainda era cedo onde estava, e depois ouviu os relatos do dia e sobre a conversa de Ethan com Bobby e Theo, combinaram uma ida para Mullingar e o primo viria visitá-lo em Dublin também, então ele estava bastante animado e contando os dias para isso.
Convencer Ethan a dormir foi difícil também, o menino argumentou diversas vezes que se ainda estava de dia onde o pai estava, não era hora de dormir e ele ainda teria tempo de conversar, mas mal foi colocado na cama e dormiu, deixando os pais livres para conversar um pouco. Niall precisava descansar, ele sabia, mas não queria trocar aquele momento com por sono.

– Você precisa descansar. falou, sentada no sofá da sala e Niall deu de ombros.
– Ainda tenho um tempo, estou com a tarde livre e posso dormir bastante.
– Eu nem te agradeci por t…
– Se você for me agradecer por ter ido ficar com Ethan no hospital, pode parar. – Niall a interrompeu, mas a fala era calma e suave. – Não te fiz um favor, fiz apenas a minha obrigação, .
– Tudo bem. – sorriu. – E então, onde está?
– San Diego.
– O show é amanhã? – perguntou e ele assentiu. – Niall, vá dormir, você está caindo de sono!
, você tem certeza de que nós estamos bem? Mesmo depois d…
– Niall, absoluta. Foi uma decisão consciente que nós dois tomamos. Você me beijou porque era o que queria fazer, eu te beijei pelo mesmo motivo.
– Mas isso não nos atrapalha em nada… ou muda algo?
– Nós estamos bem, Niall. Foi o que você disse hoje, não foi? deu um sorriso de lado e ele sorriu de volta, assentindo.
– Foi justamente o que eu disse.
– E é justamente o que estamos. Estamos bem.
– Quando começam as aulas?
– No dia três de setembro. Quando a turnê acaba?
– No fim de setembro, não sei com certeza se é dia vinte e três ou vinte e oito, mas é algo do tipo.
– E quais são os planos pra depois?
– Passar uns dias com vocês e depois vir pra cá, meu novo álbum será criado em breve.
– Você está muito apressado. Deixe a era Flicker durar um pouco mais.
, quem era seu favorito? – Niall perguntou, fazendo rolar os olhos.
– Niall, cuida da sua vida.
– Estou cuidando. Essa informação é muito valiosa e eu não posso morrer sem saber.
– Você não está morrendo.
– Nunca se sabe.
– Credo. Vira essa boca pra lá.
– Queria virá-la pra você.
– É, eu também. respondeu e Niall sorriu. – Mas não vou te contar quem era. Se você tinha um palpite, fique com ele e seja leal ao que você acredita.
– E você faz isso?
– Sim. Se é algo no qual eu acredito, eu me mantenho fiel.
– Tudo bem… meu palpite permanece no Zayn.
– Isso, seja fiel ao que você acredita.
– Mas… eu acredito na verdade? – perguntou rindo e não conseguiu conter a risada.
– Você é insuportável. Ethan puxou essa insistência de você.
– Ah, claro, disse a pouco insistente e que não é nem um pouquinho teimosa e chata.
– Bem menos que você.
– Nem você acredita nisso, .
– É culpa do meu signo.
– Não venha com essas desculpinhas baratas. – riu. – E ele pelo menos não puxou sua falta de coordenação motora.
– Niall, com todo respeito, vá se foder. falou rindo. – E vá dormir, eu ainda tenho que tomar banho e ajeitar as coisas aqui, porque o seu filho fez uma bagunça danada.
– Ah, agora ele é meu filho…
– Claro. Puxou isso de você, com certeza, porque eu sou organizada.
– Ele é uma criança, sabe…
– E você é um pai cansado. Vá dormir, conversamos depois, com mais tempo.
– Tudo bem. Boa noite, .
– Bom resto de dia, Niall. Durma e descanse bem.
– Obrigado. – respondeu, recebendo um aceno de em despedida e a chamada de vídeo foi encerrada.
Estavam bem. E sendo honestos
E se era mesmo pra ser honesto, Niall ainda era apaixonado por .

🇮🇪💚🇮🇪
Baldoyle, Dublin, Irlanda, segunda-feira, 03 de setembro de 2018

Depois do primeiro dia de aula, que foi feito em total paz (ao contrário do que ela imaginava que seria), estava deitada no sofá de casa e Ethan estava no chão, colorindo um papel totalmente distraído enquanto a mãe estava rolando a timeline do Twitter, quando encontrou alguns vídeos de Niall no show do dia anterior, em Allentown, na Pensilvânia.
O primeiro era de “Drag Me Down”, num cover muito animado da música e ele estava tão bonito… não usava nenhuma roupa muito chique ou atraente, apenas uma calça jeans meio surrada, camisa branca e só. Nada de excepcional em seu traje, mas ele estava tão bonito que quase babou. Literalmente. A alegria dele em cantar aquela música era contagiante e ela não conteve o sorriso.
Logo em seguida, ele começou “Slow Hands” e sorriu, gostava daquela música, principalmente porque lembrava-se muito bem de algumas das coisas narradas e, ver a alegria dele cantando e “dançando” pelo palco era adorável. Principalmente quando, perto do fim da música, chamou uma menininha ao palco. Ela tinha flores em mãos, era pequena, provavelmente uns seis ou sete anos, e os dois dançaram o refrão final animados, ela cantou algumas palavras e Niall sorria abertamente, muito feliz com uma criança perto de si enquanto performava.
Ao final da música, pediu aplausos para a menina, Jade, e a pegou no colo sem nenhuma dificuldade e depois se abaixou para pegar as flores no chão, com uma facilidade que fez parecer que ele estava totalmente acostumado a ficar se abaixando para pegar algo no chão enquanto carregava a pessoinha nos braços, sem caretas, sem se desequilibrar, abaixou-se tão rápido que nem mesmo parece que tinha o joelho tão ruim.
Os comentários a respeito eram até interessantes, percebeu, falavam sobre a felicidade de Niall com crianças e falando sobre como era necessário um vídeo dele dançando com o próprio filho. Tinham esquecido a entrevista em que ele deu a entender que existia algo entre ele e a mãe do filho. agradecia, porque não aguentava mais os comentários a respeito e ter aquele pequeno momento de paz tinha sido ótimo.

“Slow Hands é a música menos indicada do álbum pra dançar com uma criança, mas vocês perceberam o sorriso dele? Eu queria morar naquele sorriso.”
“Niall todo feliz com a menininha dançando com ele. Eu PRECISO DE VÍDEOS SEUS DANÇANDO COM SEU FILHO, NIALL JAMES HORAN!”
“Imagina ser filho do Niall e poder dançar Slow Hands com ele e ele ficar todo felizinho assim?”
“Niall, providencie um vídeo dançando Slow Hands com seu filho. Eu preciso disso pra viver”
“Ela estava com um cartaz perguntando se eles podiam dançar Slow Hands juntos… será que se eu levar um pro show de NY, ele me deixa subir no palco? Eu tenho 20 anos, mas…”
“Muito fofo ele dançando com a menina e tal, mas vocês perceberam a facilidade com que ele a pegou no colo e depois se abaixou pra pegar uma coisa no chão? Como se tivesse anos de prática… ah é, ELE TEM!”
“Niall tão acostumado a carregar uma criança e ficar catando coisa do chão que fez isso ontem sem nem perceber. O nosso bebê cresceu.”
“Domestic Niall”, acompanhado do gif dele com a menina no colo e abaixando-se.

Os dois, Niall e , conversavam todos os dias e ela sentia que aquele sentimento adormecido estava mais do que desperto agora; ouvir a voz dele todos os dias era a parte favorita de , que ansiava pelo momento em que passaria algum tempo falando com Niall, observando-o, ainda que pela tela do celular, conversando e ouvindo qualquer coisa que ele dissesse.
Ainda era apaixonada por ele, se fosse ser honesta consigo mesma, sentia as mesmas borboletas no estômago e a vontade de sorrir feito boba quando ele era mencionado ou quando o via, sentia que podia flutuar. E tinha algo… alguma coisa nele que a encantava muito e a fazia sorrir involuntariamente.
Saiu do Twitter e foi ao Instagram, precisava enviar uma mensagem e resolver uma coisa o mais rápido possível. Jeromy Denvers era a pessoa que podia ajudá-la naquele momento.

Nota da Autora: Oioi!
Uma atualização enorme com capítulos fofinhos pra poder compensar. Espero que vocês estejam gostando 😊
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Vocês também podem me seguir no Twitter (mas aqui eu só surto por esportes, bandas e xingo determinados presidentes não disse quais, e reclamo da vida).