The Spaniards’ Girl

The Spaniards’ Girl

Sinopse: “Há um simbolismo tradicional que inclui a ideia de que os olhos são a janela para a alma, a crença de que os olhos de Deus perscrutam a alma dos fiéis. Há o conceito do terceiro olho espiritual na testa. E também a consideração do olho como uma passagem para a consciência para obter maior conhecimento.

Antes mesmo de reconhecê-lo, ela conheceu seus olhos de um verde tão cristalino quanto sua alma, os quais mostravam de modo claro e limpo o quanto a queriam.”
Fandom: Harry Styles
Gênero: Romance
Classificação: 18
Restrição: Harry Styles fixo; cenas de sexo explícitas.
Beta: Donna Sheridan

 

Capítulo Único

Era uma quinta feira cinzenta quando a garota se aproximava do ponto em que deveria descer do ônibus para pegar seu turno do dia no The Spaniards Inn. Apesar de ter vivido sua vida toda na fria Londres, a garota sempre se imaginou mudando para um lugar quente e ensolarado, daqueles que as pessoas vão à praia todos os dias do ano e podem sair de casa com nada além de uma camiseta e um shorts descolado. O que não era sua possibilidade naquele momento, com uma meia calça grossa em baixo da saia do uniforme, uma blusa de frio gola alta por cima da camisa branca social e um sobretudo tão grande que a fazia parecer miúda, mesmo com seus um metro e setenta de altura. Lamentava pensar que teria que tirar tantas camadas de roupa para trabalhar, mas tudo o que ela queria era chegar logo dentro do estabelecimento para que o aquecedor a ajudasse a parar de tremer.
Assim que pisou na calçada, lançou um olhar para o céu e amaldiçoou o fato do seu guarda-chuvas ter quebrado na tempestade da semana anterior, porque aquele claramente era um dia que haveria chuva novamente. Atravessou a rua em direção ao pub e empurrou a porta, encontrando a colega prostrada na entrada a esperando.
– Sam! Por que está parada aqui na porta? Eu não estou atrasada, estou? – Perguntou enquanto puxava hesitante, devido ao frio, um pedaço da manga do sobretudo para olhar as horas no relógio.
– Boa tarde, ! – Samantha respondeu com um sorriso que murchou assim que continuou a falar. – Eu só estou morrendo de vontade de ir embora, o turno do dia é muito chato durante a semana, vazio, estou cansada de ficar limpando as mesmas bancadas. – Riu alegremente.
– Por falar nisso, obrigada por ter trocado hoje comigo, eu precisava mesmo ir ao centro resolver algumas coisas. Te devo uma!
– Você não me deve nada, sua boba. Sempre que precisar pode me pedir, mas que seja num dia que aqui normalmente seja mais animado, por favor, para que eu não morra de tédio.
– Você é muito exagerada, Sam. – As garotas riram. – Mas devo admitir que o turno do dia é sempre tranquilo, exceto nos fins de semana e feriados.
– Eu não sou exagerada, eu sou intensa. É diferente. – Samantha rebateu, decidida como sempre.
– Tudo bem, eu vou trabalhar então. – E a garota concordou encerrando o assunto, complacente como sempre, era difícil que a tirassem do sério.
Assim que se despediram, Samantha foi para o estacionamento ao lado pegar seu velho carro recém comprado e ir para casa, enquanto a garota que era conhecida como ia para os fundos guardar suas coisas em seu armário.
Não era fácil para chegar até o trabalho, o pub ficava num bairro residencial e isso significava poucos meios de condução até lá, no caso dela, só um ônibus passava naquela avenida e a deixava no ponto de ônibus do outro lado da rua, mas para pegar esse ônibus, ela ainda tinha um trajeto de cinquenta minutos dentro do metrô.
A garota colocou o avental após se livrar do sobretudo quentinho e da outra blusa que vestia e caminhou para a cozinha para começar os atendimentos.
– Boa tarde, Gerald! – Ela cumprimentou o chef do lugar. – Estou indo para a minha área, tem algum pedido que quer que eu leve? – Ela perguntou com sua doçura de sempre.
– Boa tarde, menina . – Ele respondeu com seu jeito paternal, que tratava todos os outros funcionários como seus filhos, e ele nem era tão velho assim, tinha em média seus cinquenta anos, alguns funcionários eram quase da sua idade. – Sim, por favor, leve essa entrada na mesa de número quatorze.
O chef agradeceu e voltou-se para o fogão para fazer o próximo prato, não se deu ao trabalho de ouvir o que a garota iria lhe responder. Esta última equilibrou o prato com a destreza de uma mão e caminhou em direção a mesa indicada, que ficava na área aberta, aos fundos do pub, aproveitou para abrir as lonas gigantes que cobriam a área aberta em dias de chuva.
Não demorou muito para que a previsão da garota se concretizasse e ela pudesse ver a água desabar feroz em Hampstead.
Tudo decorria como sempre naquele dia, era uma funcionária muito querida, principalmente pelos frequentadores assíduos do pub, com sua voz melodiosamente calma e baixa, expressões doces e um sorriso sincero, ela conquistava desde crianças até as senhoras deselegantes e espalhafatosas que não falhavam tomar o chá das cinco.
Ninguém ali sabia quem ela era de verdade. Nem mesmo o gerente tinha conhecimento da sua identidade. E ela achava melhor assim.
Apesar do clima típico e os clientes de sempre, algo naquele dia estava destinado a sair do curso. E começou com o pior cliente que já tinha atendido na vida.
Era fim de tarde, mas já havia escurecido, o tempo contribuiu para isso, quando um homem na casa dos trinta e muito bem vestido, pediu uma mesa perto do bar. Suas roupas eram de causar estranhamento, uma vez que a maioria das pessoas que frequentavam o pub naquele horário eram pessoas que moravam na região, e o homem, elegante e sério, parecia vir de outro lugar. A garota não saberia dizer.
Apesar das suas divagações, a garota atendeu o estranho com a mesma recepção que atende todos os outros clientes, a mesma simpatia que a faz ser tão querida, nem o primeiro contato meio ríspido do homem foi capaz de impedir que ela continuasse a servi-lo com a perfeição que ela fazia o próprio trabalho.
Mas ela não esperava que ele fosse gritar e derrubar o prato sobre a mesa em um acesso de arrogância e raiva quando alegou que aquele não havia sido o prato que ele pediu.
– Eu pedi o melhor prato da casa, isso aqui é uma lavagem. – O estranho exclamou, cada palavra atingindo um decibel a mais que a anterior.
– Mas, senhor, esse é o prato mais pedido da semana. – A garota falava com a voz baixa, a expressão suave não demonstrava nenhum sentimento, ainda que não desviasse os olhos do homem nem por um momento.
Fazia parte da sua função recomendar seus pratos favoritos se assim o cliente pedisse. Então ela não hesitou em indicar uma sopa que caia tão bem com o dia chuvoso. Só não esperava que o homem só buscasse por alguma brecha para descontar seus problemas em alguém.
Depois de gritar por mais alguns minutos e envolver o gerente em uma cena ridícula na frente dos outros clientes e funcionários, o homem saiu sem pagar lançando maldições e promessas vazias de que jamais indicaria o lugar para ninguém.
engoliu o choro e não deixou nada transparecer, como um bom profissional deve ser. Ficou com medo de levar uma advertência, porque dizem que o cliente tem sempre razão. Mas, em particular, o gerente que também é um grande fã da garota, chamou-a em sua sala e disse que ela não deveria se preocupar, com palavras de incentivo para mostrar o quanto estava satisfeito com o que ela vinha oferecendo para toda a equipe.
A verdade é que aquele homem só cruzou o caminho de para entristecer seu espírito e avisar que aquele seria um longo dia.

##

O pub encerrara as atividades pontualmente, como todos os dias, no entanto, houve uma demanda consideravelmente alta na parte da noite, a quantidade de coisas para arrumar após o fechamento do lugar foi capaz de assustar a garota, que estava sempre acostumada a ir embora durante o dia, quando ainda estava aberto e não havia como arrumar nada.
A chuva ainda caia com a mesma intensidade do lado de fora do lugar, eram mais de onze e meia da noite quando a garota respirou fundo antes de atravessar a rua correndo até estar protegida no ponto de ônibus.
O ponto de ônibus pequeno não foi capaz de conter a água que descia a sul movida pelo vento, indo direto contra a garota encolhida no banco, as costas já estavam encostadas no fundo da estrutura do ponto. Ela não tinha onde se esconder.
Estava muito frio naquela noite, a garota tremia tanto que não podia conter o ato de bater queixo, nem mesmo seu grosso sobretudo preto e um cachecol de linho que usava para cobrir a cabeça estavam impedindo que suas pernas, do joelho para baixo, ficassem encharcadas e parcialmente molhassem o resto do corpo. Ela não sentia mais os dedos dos pés, estavam gelados.
estava começando a pensar com absoluta certeza que seu ônibus não passaria mais naquele dia, ela cogitava chamar um uber, mas era um dinheiro que ela não poderia gastar, a viagem era longa e não sairia barata e a ideia de ter que pedir ajuda ao pai não era uma ideia bem vinda. Apesar de tudo, ela queria provar para ele e, no fundo para si mesma, que ela conseguiria.
Vencida pelo frio e cansaço, a garota buscou o celular escondido no fundo da bolsa, protegendo seus pertences com o próprio corpo, ela desbloqueou o aparelho e buscou o aplicativo, sentia tanto frio nas mãos agora que havia as tirado de dentro dos bolsos do casaco, que digitava vagarosamente, em parte para controlar a tremedeira e em parte porque, assim como os dedos dos pés, sentia os das mãos congelando.
Não havia uma alma viva na rua naquele momento, foi grande a surpresa que a garota sentiu ao ver faróis denunciando, segundos antes, que um carro passaria em alta velocidade espirrando toda a água da poça que havia em frente ao ponto de ônibus, bem no resto da sua roupa que ainda estava seca.
A garota não pode conter um grito de susto, tanto pela movimentação repentina do lugar, quanto pelo choque térmico na metade das costas que teriam ficado secas se ela não tivesse se virado para proteger o celular e a bolsa.
Pela segunda vez no dia engoliu a vontade imensa de chorar, seu dia tinha começado tão bem, o que aconteceu para tudo desandar? Por que tudo tinha que dar errado? Por que não podia simplesmente parar de chover? Que droga!
Não se deu conta exatamente quando foi que aquelas luzes vermelhas surgiram na estrada novamente, antes que o mesmo carro que havia passado dez segundos atrás, voltasse de ré e parasse bem em frente onde ela estava, o vidro do seu lado se abaixou, no banco do passageiro havia uma mulher e um homem de touca e moletom pretos surgiu logo depois no lado do motorista.
– Olá, você está bem? – A mulher perguntou.
O ponto de ônibus era do lado esquerdo. enxergava bem, ela conseguia identificar a mulher, pois estava mais próxima, mas o fato de o motorista estar do outro lado, na direita, associado a chuva, fazia com que ela se sentisse cega, tudo parecia mais distante do que realmente estava.
– Sim. – Respondeu automaticamente. – Mas você me molhou. – Falou com a voz trêmula, mesmo consciente de que não era a mulher quem dirigia.
– Tá vendo, idiota? Eu te falei que você tinha molhado a menina. – A mulher disse, e segurou o riso.
– O quê? – O barulho da chuva estava muito alto, ele não havia escutado sua resposta. – Olha, eu não te vi encolhida aí no canto, está escuro e suas roupas te camuflaram. Me desculpa. Eu te molhei? Só te vi quando você se mexeu e a luz do seu celular refletiu no meu vidro. – O homem gritou do outro lado.

– Sim. – Foi tudo o que ela conseguiu gritar de volta.
A mulher se virou para o homem e eles começaram a conversar e gesticular, como se discutissem algo, não conseguiu escutar a conversa que durou pouco mais de um minuto.
O homem se virou para o banco de trás do seu carro e ficou alguns segundos parecendo procurar algo antes de abrir a porta e descer com um guarda-chuvas e caminhar em passos largos até o ponto do ônibus. O carro continuou ligado no meio da rua, o som do motor, assim como os demais barulhos naquela noite, também era abafado pela chuva, o pisca-alerta ligado podia ser visto refletido no asfalto molhado.
– Nossa! Você está toda molhada. – Foi o que o estranho disse ao se aproximar o bastante para conseguir ver o estado da garota. – Me perdoa! Merda, eu te molhei toda. – Ele falava com tom de voz cheio de culpa.
– Tu-tudo bem. Eu já estava meio molhada mesmo. – Foi o que a garota respondeu. Sempre complacente, até mesmo numa situação dessas.
– Não, não está tudo bem! Você vai ficar doente e foi culpa minha, eu passei em cima da poça d’água. – Com a mão que não segurava o guarda-chuva, o homem passava na testa, como se tivesse acabado de cometer um grave erro e estivesse preocupado com as consequências. – Olha, eu moro naquela casa ali do lado. – O rapaz apontou para o casarão ao lado de cima do The Spaniards. – Vamos lá, você pode trocar essas roupas molhadas e esperar a chuva passar.
negou com cabeça imediatamente. Onde já se viu, ela nunca viu essas pessoas na vida, não iria entrar na casa de um estranho, além do mais, ela sempre pensou que a casa fosse vazia, em todo aquele tempo trabalhando ali, nunca vira ninguém entrando ou saindo. Ela até mesmo argumentou que molharia todo o banco do carro dele, mas ele contra-argumentou dizendo que o banco era de couro e, mesmo assim, não teria problema se molhasse.
O homem insistiu tanto que a garota não pôde dizer não. Mesmo com medo, ela ainda estava com frio e molhada, por isso ela foi persuadida e se permitiu ser guiada até o banco de trás e assistir o homem fechar a porta para ela antes de voltar para a direção e dirigir o carro… até o portão que ele havia indicado.
A primeira coisa que notou quando entrou na casa – mansão, melhor dizendo – não, não foi um item da casa em si, mas com a boa iluminação do lugar, ela pode notar que aquele homem tinha olhos lindos.
A mulher se separou deles e foi em outra direção, enquanto o homem a guiou até as escadas. Sem dizer uma só palavra, ela o acompanhou tentando não desviar o olhar do chão, não queria ser inconveniente já que era meio difícil não reparar em toda a casa. No segundo andar, pararam em um quarto com decoração neutra, que a garota supôs ser de hóspedes.
– Tem um banheiro ali. – Ele apontou para dentro do quarto. – E lá também tem toalhas. – olhou para o local e depois para o homem, como se quisesse perguntar como ele esperava que ela vestisse as mesmas roupas molhadas.
O barulho de passos da mulher que vinha pelo corredor, fez com que a garota olhasse novamente para o chão. Havia uma muda de roupas nas mãos dela, que as entregou para .
– Essas roupas são minhas, você pode usá-las. Se quiser posso colocar as suas na secadora.
– Obrigada. – respondeu fazendo uma discreta análise da mulher, que agora carregava a touca nas mãos.

podia ver seus cabelos escuros e olhos tão lindos quanto os do homem, que ainda permanecia com o rosto misterioso, com o capuz do moletom cobrindo a touca que, por sua vez, cobria toda a sua cabeça.
A garota olhou novamente para o casal antes de dar as costas e caminhar em direção ao banheiro. Lá, debaixo do chuveiro, ela deixou que as lágrimas que estava segurando durante todo o dia se confundissem com a água. Ela sentia certa frustração pelo dia, misturada com a humilhação de estar tomando banho na casa de um casal de desconhecidos, o sentimento era devastador.
Não demorou muito no banho, não queria ter que lidar com mais essa vergonha, quando viu que já estava aquecida o suficiente, tirou uma calcinha limpa que sempre carregava na bolsa e vestiu junto com as roupas da mulher, saiu carregando as próprias roupas molhadas dentro de uma sacola que encontrou no banheiro. Não encontrou ninguém, então chamou.
– Oi? Tem alguém aqui? – Ninguém respondeu.
Ela desceu as escadas e conseguiu escutar o som de risadas, foi o que a guiou até uma enorme sala de estar. Ela pigarreou baixinho para ser notada.
– Ahm… Eu coloquei minhas roupas nessa sacola, espero que não se importem. – A garota começou a frase olhando para frente e terminou encarando o piso de madeira. Era uma situação tão desagradável!
– Não, me deixa colocar para secar para você. – A mulher se levantou e pegou a sacola das mãos de antes que ela conseguisse responder. – Senta aí no sofá, eu já volto.
A mulher saiu do cômodo e deixou em pé ainda meio sem jeito. O homem se encontrava sentado de lado no sofá, apenas parte de seu rosto era visto dessa posição, ele vestia apenas uma camisa simples agora, o aquecedor ligado deixava o clima aconchegante.
– Pode se sentar aqui. – O homem pronunciou voltando a se virar para frente, a televisão estava ligada.
Hesitante, a garota caminhou em passos curtos até o sofá e se sentou cuidadosamente na outra ponta, estava com tanta vergonha que sentia as bochechas queimando, olhava para as mãos no joelho. Ela não era do tipo que ficava envergonhada, mas era também muito orgulhosa para conseguir lidar com aquilo sem se sentir constrangida.
O homem, percebendo o desconforto da garota, resolveu quebrar o silêncio.
– Me desculpa mais uma vez por ter te molhado, eu nem te perguntei o seu nome, eu sou o Harry. – Ele disse deslizando para o lado da garota o suficiente para que ela pudesse alcançar a mão que ele estendeu.
Tudo o que ela queria era ir embora dali, não queria conversar ou fazer amizades. Então, ainda hesitante, virou-se pegando na mão do homem e, antes de respondê-lo, quando o encarou novamente, de frente, tomou um susto. Ficou olhando para seu rosto um tanto quanto paralisada, depois começou a rir nervosamente, antes de soltar a maior besteira da noite.
– Você é Harry Styles. – E riu um pouco mais alto, ainda atônita. Ela não conseguia se controlar.
– Sim. – O cantor riu concordando com um aceno de cabeça, nem um pouco intimidado.
– Quero dizer… é… desculpa. Eu não tinha te reconhecido. – Ela ficou mais vermelha ainda, não que achasse que isso fosse possível.
– E você é? – Ele gargalhou divertido, a garota ainda apertava sua mão.
Ela cogitou se deveria dizer seu nome, ela nunca dizia seu nome. Optou por dizer o de sempre.
– As pessoas me chamam de .
– Então é um prazer, . – Ele respondeu chacoalhando de leve as mãos da garota.
Nesse momento, a mulher voltou para a sala. Harry soltou a mão de para apontar para ela.
– E essa é a minha irmã, Gemma. – A mulher, que agora havia descoberto o nome, sorriu para ela. E eles também não eram um casal.
Não sabia porque tinha sentido alívio com essa nova informação. A ideia de conhecer alguém famoso não parecia tão interessante, mas uma pessoa com olhos tão bonitos, talvez pudesse lhe render boas memórias.
– Daqui a pouco suas roupas se secam. – Ela era muito doce, a garota pensou.
– Isso explica muita coisa. – A garota falou mais para si mesma, mas não deixou de ser ouvida.
– Como é? – Gemma perguntou.
– Vocês se parecem. Tipo, muito! – Enfatizou.
– Ah, por favor, não me compare com esse destrambelhado. – Foi o que a irmã respondeu, não conseguiu segurar a risada.
– Heeeeeeey. – O irmão protestou em tom de ofendido.
– Harry, você não tem comida nessa casa? Eu fui até a cozinha e não tem nada lá.
A garota havia reparado que o sotaque de Gemma se assemelhava ao dela, enquanto Harry tinha o sotaque bem menos carregado, mas ainda assim era britânico.
– Você pode comprar algo para comermos? – Harry perguntou usando seu melhor olhar de cachorro pidão.
– Só se você deixar eu ir no carro que eu quiser. – Gemma retrucou.
– Ah não, você não vai tirar meus carros da garagem para molhá-los, não. Usa o Range que já pegou chuva.
– Então vai você buscar comida. – A irmã falou e cruzou os braços, estava decidida a não ceder dessa vez.
Harry desviou o olhar da irmã e passou a olhar para a garota sentada a sua frente, uma ideia passou pela sua cabeça.
– Tudo bem, chata. Vai logo, estou com fome.
– O que você quer comer?
– Qualquer coisa. – Ele respondeu, mas voltou atrás na resposta. – Espera! , o que você quer comer? – Perguntou à garota que até então apenas observava a cena.
– Uh? Eu? – Respondeu surpresa. – E-eu não vou ficar, preciso ir embora.
– Está chovendo muito lá fora, não precisa se preocupar, você pode ficar aqui e ir embora quando a chuva passar. – Foi Gemma quem respondeu.
– Onde você mora? – Harry perguntou.
– Longe. – A garota riu sem graça, jamais diria onde. – Demoro uma hora e meia para chegar aqui.
– Então está decidido, você fica. – Gemma falou. – Eu vou buscar uma pizza que tem na avenida principal, em quinze minutos estou de volta, você deve estar com fome.
Harry assentiu e a garota não esboçou nenhuma reação. Estava intrigada com tamanha gentileza.
Quando Gemma saiu, deixando os outros dois sozinhos, um silêncio pairou no ambiente, a garota achava que era um silêncio constrangedor, talvez por não saber como agir diante daquela situação, a irmã estava intermediando as conversas e agora que ela se fora, voltava a pensar que há menos de uma hora ela estava molhada no ponto de ônibus e agora estava na moradia de um desconhecido que só havia visto pela televisão.
Styles, por outro lado, fingia que prestava atenção no que passava na televisão, enquanto olhava disfarçadamente para a garota e tentava segurar um risinho de quem estava se divertindo com a situação. Já havia se esquecido completamente de que ele era o causador de tudo aquilo.
Agora Harry podia enxergá-la melhor, sem o cabelo molhado sobre o rosto e o sobretudo que praticamente a escondia dentro quando o vestia. Começou uma análise sem perceber. Ela tinha os cabelos castanhos na mesma tonalidade dos seus, que recebiam alguns reflexos de loiro quando expostos diretamente à luz, cortados na altura dos seios. Os olhos… eram bem comuns, o rapaz constatou. Eram proporcionais ao rosto da garota, duas órbitas pretas. O nariz era médio, um pouco menos delicado do que o resto dos seus traços, mas tinha um piercing de pedrinha quase imperceptível e ele achou que combinou com ela.
A garota cutucava os esmaltes recém feitos das unhas, balançava os pés, ainda não havia percebido que o outro estava encarando-a.
Mas dizem que sempre percebemos quando alguém nos encara por muito tempo, por algum motivo automático, a garota levantou a cabeça abruptamente e levou o olhar para Harry, pegando-o no flagra. Mas isso não o alarmou.
Ele sorriu, calmamente. O que a fez sorrir também.
E Harry pode analisar o último item do rosto da garota. A boca.
Ela tinha lábios perfeitamente desenhados, que quando se curvaram, o surpreenderam, pois fizeram os olhos da garota se acenderem em um brilho que, definitivamente, não poderia ser classificado como comum e o sorriso com dentes alinhados formariam o conjunto perfeito.
Ele sabia que essa era, provavelmente, a coisa mais clichê que já havia pensado. Mas ele não se importava em ser um clichê.
Styles decidiu que a garota era, definitivamente, muito bonita. Tinha ficado interessado.
Eles continuaram se encarando, e ela, dessa vez, não desviou o olhar. A garota não era do tipo que se intimidava fácil, sempre preferia observar antes de agir, isso era um fato, mas ela nunca deixava de encarar nada. Tinha um jeito cauteloso que adquiriu depois de tanto tempo lidando diariamente com estranhos. E Harry imediatamente captou a confiança em seu olhar e interpretou como um ar de mistério que achou intrigante.
Styles, percebendo que ela não desviaria o olhar como das outras vezes, resolveu que era hora de agir, aquilo poderia não dar em nada, mas a situação toda parecia muito favorável para que ele reprimisse algum interesse.
– Você não é muito de falar, é?
A garota foi pega totalmente de surpresa por essa pergunta, ela nem mesmo premeditou que uma pergunta viria. Ela abriu e fechou a boca algumas vezes pensando no que falar. Nesse momento, o telefone de Harry que estava sobre a mesa de centro apitou, indicando que uma mensagem havia chegado.
Ele olhou para o telefone imediatamente, por impulso, quebrando o contato visual com a garota. Não podia enxergar quem era daquela distância, então deslocou o corpo e apanhou o celular. Era Gemma, dizia que a pizzaria já estava fechada e que iria rodar para ver se encontrava algum lugar. “Ótimo”, ele pensou. Respondeu a mensagem com um “ok” e em seguida digitou um pedido para a irmã.
A garota continuava encarando-o, seguiu os movimentos de Harry que voltara com o celular para a mesa de centro antes de olhar para ela de novo. Ela ficou curiosa sobre quem havia mandado a mensagem, mas é claro que sequer abriu a boca. Harry não olhou a resposta da irmã. Resolveu quebrar o silêncio de novo.
– Você quer beber alguma coisa? – Voltou a olhá-la que apenas negou com a cabeça. – Tudo bem. – Ele disse e se levantou, caminhando para fora do cômodo.
pôde escutar barulhos de vidro por alguns minutos e logo Styles estava de volta, trazia consigo uma garrafa de vinho recém aberta e duas taças. Colocou-as na mesa, apanhou o controle trocando o canal de TV por uma tela com playlist de músicas.
Ela agora acompanhava todos os movimentos dele. O rapaz colocou vinho nas duas taças e entregou uma delas para , que alternou o olhar entre ele e a taça algumas vezes antes de decidir pegá-la.
Era só ela que achava que tinha uma certa tensão no ar, depois que tinham sido pegos se encarando?
– Obrigada. – Ela sorriu de lábios fechados.
– Frases monossilábicas são tudo o que você diz? – Harry alfinetou, queria vê-la sorrindo de novo.
– Não? – Ela respondeu em um tom de pergunta com certa ironia.
Ele entortou o lábio num sorriso fechado e pendeu a cabeça para a esquerda, continuou encarando-a. Ela não estava com expressões de desgosto, então não parecia que ela não queria conversar. Ficou assim por um tempo, até que a gargalhada da garota o surpreendeu.
– Você está com a maior cara de cachorro abandonado. – Ela completou a frase e levou a taça aos lábios, bebericando o vinho.
Ele se surpreendeu mais ainda, não sabia se foi por ela ter falado espontaneamente ou pelo vinho, que ele tinha quase certeza que ela não beberia.
– Desculpa, eu achei que ainda estivesse brava porque te molhei e por isso não queria conversar. – Harry puxou o lábio com a mão e pensou que isso era sexy e por isso sorriu com o pensamento.
– Não, em nenhum momento fiquei brava. Eu só me senti… deslocada. Mas agora estou melhor. – A garota foi sincera. – Você e sua irmã me trataram muito bem. Isso ajudou. Obrigada!
– Era o mínimo, depois de ter te molhado. – Harry deu de ombros.
– Sim, mas as pessoas não costumam fazer nem o mínimo. – Ela deixou um leve tom amargurado sair junto com as palavras quando se lembrou do estranho mais cedo no pub.
Conforme observava e se habituava ao ambiente desconhecido, mais confortável em lidar com a situação a garota se sentia. Também se permitiu analisar melhor o homem a sua frente. Ela obviamente conhecia Harry Styles e a banda de onde ele tinha vindo, sabia que agora ele era um artista solo e conhecia algumas de suas músicas, tinha até uma ou duas adicionadas em sua playlist. Ela achava que fosse quase impossível haver um britânico que não o conhecesse. E mesmo se isso fosse possível, sua irmã do meio, que era uma devota fã, não a deixaria tão desinformada.
Ele era incontestavelmente bonito e muito simpático. Tinha modos muito gentis e um jeito magnético. se perguntava se todas as pessoas que ficavam perto dele se sentiam assim, extremamente atraídas à sua presença, como se não fosse possível não prestar atenção no que quer que fosse que ele estivesse fazendo. Havia traços de graciosidade na forma que o rapaz se portava, quase feminizado, mas que ainda assim exalava confiança e sensualidade, um contraste que achou interessante, porque fugia totalmente do padrão macho-alfa que a sociedade feminina estava acostumada a encontrar.
As roupas, mesmo simples, pareciam caras e contrastavam com seus pés calçados apenas com meias brancas. As unhas pintadas, umas de verde menta e outras de rosa chiclete, não pareciam seguir um padrão, para ela, eram um mix desordenado. O cabelo estava bagunçado, parte preso por uma piranha no topo da cabeça. A boca era naturalmente rosada, e ficava mais avermelhada pela frequência com que ele passava a língua nos lábios. Não havia sequer uma espinha em seu rosto e exceto por alguns finos pelos faciais, a pele de Harry era lisa como a de um bebê.
Então a garota chegou aos olhos, que foram a primeira coisa notada quando conseguiu o ver claramente. Ele poderia ser definido como um homem belo, mas havia algo nos seus olhos de um verde tão claro que pareciam cristal, e no seu olhar profundamente marcado que até mesmo se estivesse distraído poderiam captar a atenção de quem os olhava, que completava o pacote de magnetismo, deixando em dúvida se a sensualidade era todo o conjunto, ou se os olhos roubavam o título por si só.
O rapaz não estava distraído naquele momento. Harry encarava a garota e havia percebido que ela estava o analisando. Outro sorriso torto surgiu em seus lábios, sorriu da mesma forma de quando ele é quem fora pego observando demais.
A cena se repetiu. A garota sorriu de volta.
O vinho da taça de ambos já estava acabando, Harry buscou a garrafa e encheu a sua própria taça primeiro, antes de estender o braço para encher a dela, que também esticou o braço, aceitando. Não disseram nada.
Ela definitivamente não era de falar muito, Harry decidiu.
A campainha soou alto do cômodo em que estavam. Harry pediu licença antes de se retirar em direção à porta de entrada que não podia ser vista da sala. A garota imaginou que seria Gemma, até ver Harry retornar com uma caixa de pizza nas mãos. Sozinho.
– Onde está a sua irmã? – não se conteve e a pergunta saiu de sua boca antes que ela percebesse.
– Ela rodou até próximo da casa do namorado procurando algum lugar aberto, ficou com preguiça de voltar, então pediu que entregassem essa pizza para nós.
– Entendi. – Foi tudo o que a garota respondeu, mesmo tendo achado a explicação muito esquisita.
– É pizza de marguerita, espero que goste, eu meio que não como carne. – Styles informou.
– “Meio que não como carne”. – falou num tom de escárnio. – Essa é nova! Achei que as pessoas ou comiam ou não comiam.
Ele riu, não se intimidando com o deboche atenuado.
– Eu como peixe. Por isso. – A garota assentiu em concordância.
Com medo que ficassem calados novamente, Harry puxou assunto outra vez.
– Então… – Pegou um pedaço de pizza. – O que estava fazendo no ponto de ônibus tão tarde?
– Eu tinha acabado de sair do trabalho e estava indo para casa. – Ela se limitou a dizer.
– Onde você trabalha? – O cantor achou estranho, não havia muitos lugares para se trabalhar naquele bairro… A não ser que ela fosse uma babá, ou doméstica.
– No The Spaniards. – Ela respondeu simplesmente.
– Oh! – Harry havia se esquecido do pub ao lado de sua casa. – Mas é claro, você estava logo em frente, eu devia ter imaginado. Eu nunca fui lá, você acredita? E eu tenho essa casa há quase dez anos.
Apesar de nunca ter ido ao estabelecimento, Harry conhecia muito bem a sua história. Era um pub que fora fundado por dois irmãos da alta sociedade espanhola em meados do século XVI, quando ambos estavam velhos, o filho de um deles assumiu os negócios e os rumores são que ele deixava ladrões se esconderem no pub e usarem o espaço para vigiar a estrada. Mesmo séculos depois, a família que carrega como sobrenome “Spaniard”, ainda é muito conhecida na área e por entusiastas no assunto. A família tinha passado por diversas gerações, agora provavelmente tinham mais ingleses do que espanhóis, de fato.
– Acredito. – A garota riu e Harry achou a risada dela muito graciosa, assim como a fala. – Acho que eu já teria ouvido alguns dos funcionários comentarem sobre você se tivesse ido lá.
– Bom, eu vou lá algum dia desses para conhecer. Agora que me mudei de vez para Londres eu terei mais tempo.
– Como assim? Você não disse que tem essa casa há anos? Mas não morava aqui? – A garota perguntou confusa e Styles riu.
– É complicado. Viajo muito a trabalho, sabe?
– É uma pena… – , antes de prosseguir, deu uma boa olhada por todo o cômodo. – Porque essa casa é realmente incrível.
– Agora eu vou incluir “ir ao pub ao lado da minha casa” como um item para fazer o mais rápido possível, porque aí eu te vejo de novo. – Ele falou.
A garota foi pega de surpresa com essa revelação, até mesmo Styles foi pego de surpresa com o que disse, ele não pensou para falar e se percebeu prendendo a respiração com medo de ter se precipitado, talvez ainda não fosse o momento oportuno para um flerte. foi até a caixa de pizza pegar um pedaço também, apenas para ganhar tempo e pensar melhor no que responder.
– Eu nunca fui no seu show, sabia? Tem algum marcado? Talvez eu vá te ver também. – Ela lançou uma piscadela.
Isso definitivamente foi um flerte, Harry constatou. Então ele pôde soltar o ar que estava segurando e entrar no jogo da garota. Aliás, entrar no próprio jogo, porque ele quem tinha começado tudo aquilo.
Harry olhou bem dentro dos olhos da garota enquanto passou a língua nos lábios de modo automático e abriu um sorriso. Serviu a ambos outra rodada de vinho antes de responder. A garrafa já estava na metade e ele nem havia percebido.
– As datas da turnê sairão em breve. – O cantor devolveu a piscadela, esperando que ela pegasse a dica.
Harry pensou por um momento em como continuar aquela conversa da maneira mais natural que fosse possível, ele não conhecia ninguém diferente há tanto tempo, que as vezes pensava nem saber mais como conhecer alguém. Todas as pessoas com quem se relacionara nos últimos meses eram todos do seu meio, não era como se ele precisasse se preocupar em conhecer coisa básicas, era tudo simples e pré-arranjado.
A garota tinha feições muito delicadas e as vezes até meio infantilizadas, ele não sabia ao certo. Precisava ter certeza que não estava lidando com ninguém menor de idade.
– Quantos anos você tem? – A garota se ajeitou no sofá de modo a ficar mais confortável antes de responder.
– Vinte e três.
O cantor tomou outro momento para pensar. Ela passaria por adolescente fácil, se fosse sua intenção. Agora que não parecia mais intimidada, ela tinha certa segurança e firmeza ao se portar, não parecia ser uma garota inexperiente e ingênua. Harry pensava que ela era uma pessoa difícil de se analisar. Ela tinha essa serenidade no tom de voz, que era também muito sólido. Como se ela pudesse convencer alguém de alguma opinião sem que precisasse se alterar.
era elegante.
– E você? – Ela voltou a dizer.
– Eu tenho vinte e cinco. – Respondeu ainda envolto em seus pensamentos.
Styles não esperava que a pergunta fosse ser devolvida. Mas o que não sabia era que na mente da garota, o suspense foi apenas para analisar as reações dele. Na cabeça de , o seu jogo preferido já estava acontecendo. Falava tudo com sua calma cotidiana e voz tranquila, enquanto prestava atenção a cada detalhe que o corpo de Harry dizia. Ela era boa em leitura corporal, um presente que veio quando passou a observar mais.
– E a sua irmã? – A garota perguntou novamente.
– Ela tem vinte e nove. – Ele deu de ombros.
– Achei que ela fosse mais nova que você. – Pensou por um breve momento. – Talvez por ela ser baixa, ou você que é muito alto? – Brincou, para descontrair. – Ela é muito linda e gentil. Pena que ela não voltou para que eu pudesse agradecer melhor. Onde você disse que ela foi mesmo? Ela mora com o namorado?
– Gemma é incrível mesmo, tenho muita sorte de a ter como irmã. – Harry sorriu. – Não, ela só foi para a casa dele mesmo. Acho que na verdade ela só não queria ficar aqui hoje, nós discutimos mais cedo. – Ele abaixou o olhar pela primeira vez.
– Sinto muito pela discussão. O que aconteceu? – respondeu prestativa. Harry ficou calado por um momento, o que fez perceber uma coisa. – Me desculpe a indelicadeza, você não precisa me contar, é claro. – Ela sorriu sem graça.
– Não, tudo bem! Nós brigamos por algo bobo, coisa de irmãos mesmo. Você tem irmãos?
– Tenho duas irmãs, mais novas. – respondeu. – Elas são tudo na minha vida. – A garota suspirou por um momento ao lembrar da família.
Harry não deixou de notar isso. Depois de tantos anos sendo alvo do abutre que era o meio midiático, ele também tinha aprendido uma coisa ou outra sobre observar o ambiente e as pessoas.
– Elas moram com você?
– Não, elas moram com meus pais. Sinto saudades todos os dias. – quase revirou os olhos, estava falando demais. Quanto de vinho eles já tinham bebido? Se sentia infinitamente mais solta do que estava ao chegar. Definitivamente aquilo tudo não era confiança inata.
– E onde seus pais moram?
– Em Manchester. – Harry arregalou os olhos.
– Sério? Eu… ahn… Eu também moro lá… ahn, digo, eu cresci lá perto, em Cheshire. Minha mãe mora lá ainda. Minha irmã se mudou pra Londres há bem menos tempo do que eu, então ela ainda visita a minha mãe com frequência.
– E você não visita sua mãe com frequência? – A garota quis saber.
– Sim, mas não tanto quanto a minha irmã. Mas ligo para minha mãe todos os dias.
A garota achou estranho a falta da menção de um pai, mas resolveu não perguntar.
– E por que você mora aqui, tão longe dos seus pais? – Foi a vez de Harry se mostrar curioso.
– Sou nascida e criada em Londres, meus pais já moravam aqui há anos, na verdade. Mas meu avô morreu no ano passado e eles quiseram voltar para Manchester para cuidar da minha avó, ela estava muito sozinha. Eu preferi ficar. Manchester sempre foi meu destino nas férias, por muitos anos. Mas nunca me vi morando lá, ou deixando Londres. Pelo menos não para mudar apenas de cidade. – Ela sorriu.
– Sinto muito pelo seu avô. – Disse sincero. – E você mora aqui… sozinha? – Perguntou sugestivamente logo em seguida. sorriu ladino antes de dar a resposta certa.
– Sim… Eu tinha um namorado que as vezes parecia que só eu namorava com ele. Eu até quis, por um tempo, que ele morasse comigo. Mas mudei de ideia.
– Nossa… – Harry expressou sem saber bem o que dizer. – Isso parece bem chato.
Harry nunca havia namorado com uma pessoa que não queria assumir que namorava com ele, nem mesmo antes de ser famoso. E depois da fama, era sempre ele quem não queria usar a palavra “namorada/o” sempre que falava sobre alguém com que estava se relacionando. Ele não conseguiria imaginar pelo que a garota havia passado.
– E você? – puxou Styles de volta de seus devaneios.
– Eu o quê? – Ele perguntou meio confuso.
– Tem namorada?
– Não. – Respondeu de uma vez, sem hesitar.
Harry não sabe se demonstrou estar muito surpreso após essa pergunta tão direta, porque a garota apenas sorriu diante dele. Aquela era uma pergunta que ele não costumava ouvir nem mesmo em entrevistas, já que era sempre a primeira pergunta que proibia de o perguntarem, não precisava nem mesmo pedir a Jeffrey, seu empresário, que informasse quem fosse entrevistá-lo sobre essa proibição, principalmente se ele estivesse de fato, namorando.
Tão pouco ouvia tal pergunta, que menos ainda costumava dar uma resposta. Até mesmo quando os entrevistadores conseguiam driblar as regras e formular a pergunta de forma sugestiva, o cantor saia fora dizendo alguma coisa superficial e vaga, como sempre.
Era verdade que ele não tinha uma namorada naquele momento. Mas foi pego tão de surpresa pela pergunta, que talvez tenha soado desesperado na resposta. Pensou em algo para contornar o assunto.
– Você sempre sai tão tarde do trabalho?
– Na verdade, não. Troquei de turno hoje com uma amiga.
– E faz muito tempo que você trabalha lá?
– Desde que meus pais se mudaram para Manchester.
– E você gosta?
– Ah, é legal. – deu de ombros. Ela definitivamente não gostava de falar sobre aquilo, era por isso que nunca falava seu nome de verdade.
Harry ficou sem saber o que dizer e parou para pensar por um momento, se inclinando para pegar a garrafa e tomou um susto quando viu que já estava vazia.
– Vou buscar mais vinho. – Anunciou como se esperasse que a garota fosse responder, mas se retirou da sala antes que ela pudesse abrir a boca.
podia escutar Harry em algum outro lugar da casa, não muito longe, cantarolando a música que tocava num volume agradável na sala.
Na cozinha, o cantor pensava que estava sendo difícil estabelecer um diálogo, começava a pensar que talvez a garota não estivesse com as mesmas intenções que ele. Ou talvez estivesse só jogando, não levando nada a sério. Ela estava o deixando tenso.
Styles voltou trazendo uma garrafa do mesmo vinho tinto que estavam tomando e mais dois outros diferentes, um rosê e um branco.
– Quer experimentar outro? – Ele perguntou.
– Misturar tipos diferentes não deixa a pessoa mais bêbada?
– Isso é misturar tipos diferentes de bebidas, como cerveja e whisky, acho que vinho, não.
– De onde você tirou isso?
– Não sei. – Deu uma risada. Mas mal se mexeu.
Harry Styles estava intrigado. Quanto mais mistério a garota fazia, mais ele se sentia atraído, interessado.
– Eu não gosto de vinho branco. – A garota respondeu sincera.
– Então quer dizer que a senhorita entende de vinhos? – Perguntou sarcástico. – Eu prefiro o que estávamos tomando, então.
– O suficiente para viver. – Ela lançou uma piscadela.
era uma boa entendedora de vinhos, graças ao seu pai, que havia lhe ensinado tudo o que sabia. Mas ela não gostava de se gabar. Ela nem mesmo gostava de dar tantos detalhes pessoais sobre sua vida. Explicar sobre como entendia de vinhos, entraria em outros assuntos que ela queria falar menos ainda. Uma garrafa de vinho era álcool demais para que ela conseguisse ficar totalmente calada, só que por incrível que pareça, ela não estava assim mais tão preocupada em revelar sua identidade. Não que ela faria isso, é claro.
– Eu preciso ir ao banheiro. – sentenciou. – Onde eu posso ir?
Harry apontou para a mesma direção em que saiu nas duas vezes antes de começar a falar.
– Vai por ali e vire à esquerda, é a terceira porta no corredor.
A garota assentiu antes de se levantar.
– Com licença. – Disse educada.
Quando ela estava quase saindo do cômodo, Harry virou a cabeça para trás quase que inconscientemente para vê-la. Uma rápida passada de olho pelos cabelos balançando pouco abaixo dos ombros, os braços coordenados com os passos, e a bunda, é claro. Ele jamais admitiria em voz alta que teria se virado para checar a garota de costas.
Harry aproveitou a ausência da garota para acrescentar mais músicas na playlist que estava tocando. Ele tinha medo de que se ela resolvesse voltar a ficar calada, não tivesse um assunto, então planejava falar da música que estivesse tocando. O cantor não sabia se já poderia culpar o vinho, mas estava se sentindo um pouco agitado por dentro, quente, ansioso para o que aconteceria a seguir. A garota estava jogando com ele e ele queria muito saber quem ia ganhar. Esperava que os dois.
seguiu os comandos do anfitrião e encontrou o banheiro facilmente. O tempo em que ela ficou na rua somado a quantidade de vinho que beberam, trouxe uma vontade perturbante de fazer xixi. Tomou um tempo para se olhar no espelho, aproximando e afastando o rosto da pia, a cabeça estava levemente pesada. Quão ruim era ficar bêbada na casa de um desconhecido atraente? Quanto mais pensava nisso olhando seu reflexo, mais ficava claro o quanto ela queria ter aqueles olhos hipnotizantes perfurando sua pele, sentir o toque das suas mãos, que provavelmente estavam quentes e fariam um choque térmico pelo metal frio dos anéis, que ele tinha três na mão direita e quatro na esquerda. E quanto ela queria também tocar sua pele, explorar as tatuagens e conferir se o cabelo encaracolado era tão macio quanto aparentava ser.
Aquela excitação toda só poderia ser do vinho. Será que ela já estava vendo coisas? A chuva ainda era torrencial, e o barulho da água batendo no vidro da janela era quase terapêutico. molhou o rosto e pescoço antes de olhar seu reflexo embaçado no espelho pela última vez.
Atordoada pela proporção que seus pensamentos tomaram, voltou cambaleando pelo corredor, decidida a fazer algo quanto aquilo. Ela o queria. Para quem não a conhecesse, parecia que ela tinha se transformado em uma pessoa totalmente diferente: a doce, gentil e carismática certamente estava assustada com o quanto Harry a atraiu fisicamente. Ela gostava de jogar esse jogo de sedução, de fazer com que se sentissem interessados por ela… Naquele momento ela sentia como se estivesse perdendo. O jogo tinha virado. Era ela quem estava inegavelmente atraída. Era como se tivesse caído na própria armadilha.
Harry observou se sentar e pegar sua taça novamente, estava hipnotizado. O que estava acontecendo com ele?
– Ainda está chovendo muito lá fora. – A garota foi a primeira a falar dessa vez, Harry ainda conseguiu ficar surpreso por isso, mesmo depois das horas que tinham se passado.
– Nada de novo para Londres.
– É verdade! – Ela sorriu. – Eu queria muito morar em um lugar ensolarado.
– Tipo na Califórnia? – Ele perguntou.
– Ou no Rio de Janeiro.
– No Brasil?
– É. Você já foi lá?
– Na Califórnia ou no Brasil? – Ele perguntou num tom divertido.
Era claro que a garota estava falando do segundo lugar. Havia esse mito de que qualquer artista internacional bem sucedido tem ou já teve pelo menos uma casa em Los Angeles ou Malibu. Ela sabia que se, como artista, você tivesse chegado até lá, então você tinha alcançado o sucesso. E ela sabia que isso era algo que Harry alcançara há anos.
De qualquer forma ela sorriu também.
– Nos dois?
– Nos últimos anos eu morei entre aqui e Los Angeles. – Ela nem ficou surpresa ao ouvi-lo dizer isso. Mito, checado. – E já fui ao Rio algumas vezes. Lá é bem quente, mais do que em LA.
Era isso? Agora falariam do clima? se perguntava.
Uma música tinha terminado naquele momento, e nos segundos de silêncio em que precediam o início de outra, Harry pensava se era uma boa hora para falar sobre o assunto guardado, figurativamente, na manga.
Mas não era “música” um assunto tão deplorável quanto “clima”?
– Eu AMO essa música! – Foi quem exclamou alto, colocando a taça, mais uma vez vazia, na mesa de centro e se levantando do sofá.
Styles continuou sentado de pernas cruzadas extremamente perplexo com aquela conexão. Quase não conseguia acreditar que fora ela quem usou o tópico música e sem nem mesmo saber de que era o seu truque guardado.
Quem era aquela pessoa antes quieta e observadora que agora murmurava junto à voz de Joni Mitchell nos primeiros acordes de A Case Of You?
De fato, o rapaz não sabia nada sobre a garota e nem mesmo suas impressões sobre ela pareciam estar corretas. De uma coisa ele tinha certeza: ela era intensa. Porém não parecia ser do tipo impulsiva, jamais esperaria aquela reação. Talvez fosse por causa das duas garrafas de vinho que tomaram juntos. Ele mesmo não conseguiu permanecer pensando nisso por muito tempo, o vinho também já estava fazendo efeito em si e seu pensamento já estava mais lento.
– Essa música estava na sua playslist ou caiu no aleatório? – Ela perguntou.
– Eu também amo essa música – Foi a forma que ele respondeu.
– Ótimo, então levanta, vamos cantar. – Ela estendeu a mão e ele pegou, dando outro gole no vinho, antes de largar a própria taça ao lado da dela.
Nesse momento a música já havia começado, ela não se importou e começou a cantar de onde estava.
With your face sketched on it twice. – sorriu para Harry e gesticulou com a cabeça esperando que ele cantasse a parte que demandava uma melhor afinação.
Oh you’re in my blood like holy wine. – Harry fechou os olhos para cantar. O sorriso embriagado não saia de seus lábios. – You taste so bitter and so sweet. Oh I could drink a case of you darling. And I would still be on my feet. Oh I would still be on my feet.
Ambos estavam parados um de frente para o outro no meio do tapete da sala, então Harry começou a balançar o corpo no ritmo da música e não demorou muito para que o acompanhasse. Começaram a cantar juntos. A garota cantando um pouco mais baixo que o cantor.
Mesmo levemente alterado, Harry cantava perfeitamente, e ainda que estivesse com a percepção lenta, não deixou de notar que a garota era inesperadamente afinada. Caramba! Ela cantava muito bem, na verdade.
Mais ou menos no meio da música, Harry estendeu a mão para , e quando ela aceitou a mão dele, ele a puxou contra si para dançarem juntos e ele então começou a cantar bem mais baixo com o rosto próximo ao dela.
A garota ficou dividida entre cantar também ou escutar somente a voz dele junto a música. Ela também ria um pouco quando Harry perdia totalmente o ritmo dos passos, porque ele era totalmente descoordenado. Não que isso o retraísse, sua confiança parecia inabalável. Harry realmente estava aproveitando o momento e para ele não tinha importância que ele não era o melhor dançarino do mundo.
tinha muito mais habilidade, então estava praticamente comandando a dança, Harry as vezes olhava para baixo para ter certeza onde estava pisando e sorria ao conseguir imitar o que a garota fazia. Quando a música acabou, Harry já a rodava em piruetas.
Ainda rindo no clima recém descontraído que havia se instalado entre eles, ainda continuaram se balançando por alguns segundos quando a música seguinte começou.
– Que obsessão é essa por Joni Mitchell? – A garota perguntou assim que identificou que era outra música da mesma cantora.
– Eu poderia te perguntar o mesmo. Já que você também conhece essa música.
Ela não respondeu, começando a cantar Califórnia assim como os alto-falantes do som. Harry tomou-a nos braços novamente, cantando junto.
– Eu nunca saí da Europa. – comentou, mais como uma revelação de segredo. – Ai! – Ela gritou se soltando.
Harry havia pisado em seu pé.
– Desculpe. Eu sou horrível nisso.
– Eu percebi. Mas ainda assim você leva jeito. – Ela sorriu e o abraçou de novo, dessa vez pelo pescoço. Oficialmente o álcool havia derrubado quaisquer inibições que ainda poderiam existir entre eles naquele momento.
Harry voltou a cantarolar primeiro. Não sabia bem como, mas sincronizaram suas vozes razoavelmente. Ela tinha muito talento, a voz dela saia praticamente aveludada, doce, assim como quando ela falava. encostou a cabeça no ombro de Harry e fechou os olhos. Eles se balançavam lentamente, cantavam alguns versos, mas permaneciam mais tempo calados, apenas apreciando a música.
O final da música chegava e levantou a cabeça, encostando testa com testa em Harry. Cantaram o último verso juntos e de ainda olhos fechados. Harry foi o primeiro a abrir os olhos e afastar a cabeça. A cena que viu foi da garota ainda de olhos fechados e sorrindo largo, ainda abraçados, se balançavam levemente, mesmo que a música tivesse acabado e havia aqueles segundos de silêncio que antecediam o início de outra.
A garota abriu os olhos, visualizando Harry a encarando da forma que fizeram a noite toda.
– Eu posso te beijar?
– Pode. – Ela respondeu imediatamente.
Harry retirou uma das mãos que havia pousado no quadril da garota e levou até o seu rosto. Ainda se olhavam nos olhos quando Harry desviou o olhar para a boca que tanto lhe chamou atenção. Assim como até então, ainda agiam sem pressa, todos os movimentos demonstrando extrema calma.
Ele acariciou de leve a bochecha de e com o dedão tocou seus lábios, desenhando-os. Mas foi quem terminou com a distância, puxando o pescoço de Harry delicadamente em sua direção, colando seus lábios imediatamente.
O beijo já foi iniciado de modo intenso, ainda que calmo, e foi ganhando mais urgência conforme nenhum dos dois parecia querer parar. Harry colocava muito de si naquele ato, ao mesmo tempo em que tentava controlar o corpo, mantendo suas mãos no rosto e cabelos da garota, que, por sua vez, o puxava cada vez para mais perto com uma das mãos em sua cintura e a outra em sua nuca.
Romperam o beijo de língua de modo brusco passando a dar selinhos, não sentiam necessidade para desacelerar: as respirações, os movimentos, os toques – ainda contidos –, os arrepios, os corações. Enquanto Harry ainda segurava o rosto de e lhe dava uma sequência de selinhos nos lábios, a garota espalmou suas mãos na barriga do cantor, colocando pressão ali para o emburrar para trás, em direção ao sofá que antes estavam sentados. Harry imediatamente entendeu a intenção da garota e começou a dar passos para trás, caindo no sofá de maneira abrupta, quebrando o contato dos seus lábios nos de .
Ofegante, respirando pela boca e já sentindo uma ereção, Harry olhou para a garota em pé a sua frente, que no mesmo segundo em que o derrubou sentado no sofá, se ajoelhou com cada uma das pernas ao seu redor, sentando-se em seu colo, tomou seu rosto com as mãos, puxando-o para outro beijo ávido quando Harry envolveu-a pela cintura com os dois braços.
Enquanto as línguas de ambos não pareciam decidir se dançavam ou lutavam, passou a intensificar as coisas, rebolando no colo de Harry em ritmo totalmente oposto ao do beijo, devagar, sutil, porém pressionando o máximo possível seu quadril ao dele, ela sentiu perfeitamente quando o pênis dele latejou.
Aquela brincadeira de conversarem e agirem com calma já não tinha mais graça. Não havia mais tolerância para formularem tanta racionalidade. Por isso, separou suas bocas mais uma vez para puxar a barra da camisa que Harry vestia, este instintivamente levantou os braços para cima e assim que a garota soltou a peça no chão, fez o mesmo com a dela, expondo seus seios, provavelmente o sutiã estava na secadora, não que eles se importassem com isso naquele momento.
Como reflexo involuntário, Harry levou a mão direita ao seio do mesmo lado, enquanto traçava beijos pelo pescoço e colo da garota. Esta, automaticamente jogou a cabeça para trás, deixando as áreas que Harry tocava mais expostas. Aos poucos, Harry desceu a boca até o seio esquerdo, primeiramente passando a língua na aréola da forma mais sensual que conseguiu, provocando um suspiro audível de aprovação em , que apenas o incentivou a continuar, mordiscou o bico, chupou e beijou, tudo isso olhando esporadicamente para o rosto da garota, para confirmar que ele estava indo bem. Pelo jeito suplicante que ela voltava a cabeça para olhá-lo quando pausava, mesmo que por segundos, ficava claro que ela estava satisfeita com a forma que ele conduzia as coisas.
Depois de gastar o mesmo tempo dando atenção ao outro seio, já estava impaciente e desceu do colo de Harry. Se ajoelhou no chão para tirar a calça dele, surpreso, apenas levantou o quadril do sofá e deixou que a garota levasse para o chão sua calça de moletom e a cueca, juntas. Olhou para o membro rígido dele e sorriu ladino. O cantor descobriu que era uma pessoa mais expressiva do que ele pensava até então, demonstrando sua aprovação e contentamento com olhares e sorrisos extremamente maliciosos.
Com bastante destreza, a garota segurou o membro e passou o dedão na glande molhada e depois levou-o a boca, lambendo o líquido sem quebrar o contato visual com Harry, que praticamente arfou ao ver essa cena. Ambos estavam muito excitados. A cada resposta de Harry, sorria mais indecente. Isso também estava deixando Harry louco. Depois dessa provocação, ele segurou os cabelos da garota, puxando-os de modo dominante, deixou-se ser guiada para baixo e voltou a sorrir sacana antes de segurar a base do pênis de Harry e dessa vez, passar a língua na glande. Involuntariamente Harry fechou os olhos, aquela visão, para , era completamente atrativa.
Depois, lambeu toda a extensão de Harry, enquanto ainda olhava sua expressão, que agora exprimia um vinco entre as sobrancelhas e tinha os lábios sutilmente entreabertos, ao considerar que estava molhado o suficiente, enfiou tudo na boca, dessa vez sentindo a pulsação ao mesmo tempo em que ouvia um gemido rouco de aprovação. Fez movimentos de masturbação com a boca enquanto uma das mãos segurava firme na base e a outra massageava os testículos. Essa combinação, somada a expressão concentrada que adquiriu ao fazê-lo, fez com que Harry pusesse mais força no aperto nos cabelos da garota, que já sentia a cabeça com um leve ardido que oscilava entre dor e prazer.
Harry tentava agora manter um contato visual, ainda que fosse praticamente impossível não fechar os olhos pelo prazer que a garota o proporcionava. começou a masturbá-lo com a mão, decidida a fazê-lo ter um orgasmo, passou a chupar a glande e alternar passadas de língua enquanto direcionava os olhares mais sujos em sua direção, garantindo que o trabalho explorasse cada parte do sexo de Harry. sentia sua própria intimidade pulsar e liberar mais lubrificação conforme percebia-o perder o controle.
– Se você continuar assim, eu vou gozar. – Harry tinha um tom de voz quase implorativo, a voz era apenas um fio sussurrado em rouquidão.
– Então goza pra mim, Harry. Na minha boca. – A resposta da garota fez com que ele não conseguisse segurar mais.
Compenetrado, sentiu os espasmos do seu membro ejaculando não muito tempo depois. A mão nos cabelos da garota foi afrouxando gradativamente e ele precisou de alguns minutos para que a respiração se normalizasse, ao passo em que encarava a garota limpar a glande molhada e passar a língua nos próprios lábios. Harry sentia que ela queria acabar com ele. Suspirou fundo, extasiado.
– Minha vez. – Harry anunciou quando sentiu que as pernas já estavam firmes o bastante para que ele pudesse se levantar, levantando a garota e sentando-a onde antes ele estava.
O toque de Harry queimava como óleo quente escorrendo pelo corpo de , ao mesmo tempo suave e cálido, tirou a calça que a garota vestia, semelhante à sua e jogou sem se preocupar onde ia parar. A calcinha que ela usava era de algodão simples numa tonalidade clara e já formava um círculo molhado bem no centro.
Harry lambeu os próprios lábios ao visualizar essa cena, já afastando as coxas da garota, apertando com precisão os dedos na parte interna, ansiando provar seu gosto. Sentiu até o pau latejar, mesmo que não estivesse completamente duro novamente. Sentiu as mãos da garota na sua nuca, incentivado, afastou a calcinha encharcada e umedeceu os lábios mais uma vez ao olhar a intimidade totalmente exposta. Se aproximou e instintivamente abriu mais as pernas, arrastando o corpo junto para mais a beira do sofá, passou a língua e imediatamente ouviu o grunhido de aprovação da garota, sentiu-se latejando novamente.
O jeito que Harry segurava as coxas de com as mãos, sem se importar com o quanto fincava os dedos na pele, ao mesmo tempo em que fazia movimentos lentos, calmos e longos no clitóris de fazia com que ela envergasse o corpo o tanto quanto fosse possível para trás. Com verdadeira devoção, Harry chupava e lambia toda a extensão da intimidade dela, as vezes lançando olhares para confirmar a aprovação da garota, mesmo que não fosse necessário, porque ela gemia em uma voz esganada que estava deixando Harry cada vez mais excitado.
Harry puxou pela bunda sem delicadeza alguma em sua direção, sem perceber, ela apoiou as pernas nos ombros dele, com os gemidos cada vez mais abafados e balbucios de palavras indecifráveis, Harry passou a pressionar a língua com mais precisão, enquanto introduziu dois dedos nela.
– Não para. – Ela pediu com um tom de voz arrastado. Harry sentiu os pelos da nuca se arrepiarem e o membro ficando duro de uma maneira quase dolorosa.
Aplicou mais pressão na língua e mais força nos dedos, atingiu o orgasmo e Harry se deliciou chupando até a última gota. Beijou com carinho a virilha e a parte interna das coxas dela, antes de se levantar do chão e sentar ao seu lado.
tinha os cabelos grudados no rosto e respirava pesadamente.
– Tudo bem? – Harry quis checar.
– Sim. – Ela respondeu com demora.
– Posso te levar para o quarto? – Pediu gentil.
– Pode. – Ela sorriu de lado.
Harry já estava de pé e a pegou no colo sem muitas dificuldades, segurou em seu pescoço e deu um leve beijo em seus lábios enquanto caminhava e subia as escadas em direção ao quarto. A subida pelas escadas foi um pouco mais lenta, pois Harry não queria tropeçar, as escadas eram largas o suficiente para que ele conseguisse enxergar um pouco onde estava pisando. Não havia nada de romântico naquela cena, ambos só tinham urgência em continuar o que tinham começado.
Antes que a garota pudesse perceber, Harry havia a deitado em uma cama em um quarto do dobro do tamanho que ela havia tomado banho, ela imediatamente reconheceu como o quarto dele, pois os casacos usados naquele dia estavam no pé da cama. Ele se deitou em seguida ao seu lado e se beijaram, dessa vez com muito mais familiaridade. Não precisou de muito para que , ainda sensível pelo orgasmo, se excitasse novamente e Harry, bem, ele já estava pronto para outra há algum tempo.
Partiram o beijo e Harry esticou o braço até a gaveta do criado-mudo, retirando uma camisinha de lá, a qual pegou de suas mãos e se ajoelhou na cama, puxando Harry para que ele se deitasse reto na cama. Agilmente, a garota abriu o pacote e desenrolou o preservativo no membro rígido. Apoiando as mãos no ombro dele, ela abaixou seu corpo, deslizando para dentro dele. Harry deu um aperto firme nos quadris de e cerrou os dentes. Pensou: “porra, ela é muito gostosa.”
Vagarosamente, começou a cavalgar, Harry observava cada movimento atentamente e involuntariamente levou uma das mãos ao pescoço da garota, segurando-o sem proferir força, pelo menos até perceber que aquilo havia a incentivado a ir mais rápido. Gradativamente os movimentos se tornaram precisos e firmes, Harry arfava ao ponto de desencostar as costas da cama e ter o pescoço torcido para trás. Quando mais urgentes eram os movimentos de , mais firme ele a apertava, já podia ver a pele da garota ficar branca na cintura, onde seus dedos apertavam com mais força.
A mão de Harry que estava no pescoço de , desceu até seu clitóris e ele começou a masturbá-la com o dedão. A outra mão a segurava pela cintura, a mantendo equilibrada. Com a masturbação, os movimentos de foram perdendo o ritmo, ela ainda cavalgava, mas não conseguia se concentrar em manter-se do mesmo jeito, não com Harry esfregando o dedo nela daquela forma. Sentindo-se estremecer, ela gemeu, quase gritando em desespero.
– Tá gostoso? – Harry perguntou safado e acenou positivamente com a cabeça, incapaz de falar e continuar rebolando porque Harry havia colocado mais pressão na massagem em seu clitóris.
– Por favor, por favor. – Ela pediu clemente. – Não para. – Ela segurou nos ombros de Harry e mexia o corpo com a ajuda de seus próprios braços apoiados.
já não conseguia manter os olhos abertos e nem refrear os gemidos quando sentiu o ventre contrair em mais um orgasmo. Harry olhava a tudo atento e continuou esfregando o dedo no clitóris de por mais alguns segundos enquanto ela tremia nos seus braços. Ela estava totalmente entregue a ele. E alguma coisa naquele momento de pura vulnerabilidade dela, deixou Harry se sentindo de algum modo, sortudo.
Involuntariamente, parou de rebolar e desfaleceu em cima de Harry, afundando o rosto na curva de seu pescoço. Harry dobrou as pernas e levantou o quadril, segurando pela cintura, continuou a penetrá-la. Mesmo com o coração acelerado e a respiração descompassada, ela imediatamente gemeu baixinho no ouvido dele, colocando os dois braços ao redor de seu rosto, passou a alternar entre puxar e fazer carinho nos cabelos dele.
Harry não estocou por muito tempo antes de atingir o próprio orgasmo com os gemidos de bem no seu ouvido, que fizeram com que ele perdesse o controle mais rápido do que ele imaginava. Exausto, ele deixou que as pernas deslizassem pela cama, voltando a posição inicial. ainda sentia os espasmos do membro de Harry dentro de si. Ambos grudados de suor e sensíveis pelo prazer, ficaram dessa forma por algum tempo, enquanto os batimentos cardíacos voltavam ao normal e a respiração se regularizava.
Harry, como sempre, foi o primeiro a falar.
– Isso foi… uau. Acho que estou sem forças nas pernas até agora. – Admitiu, sem inibições ou medos.
– Foi ótimo. – confirmou rindo, ao sair com cuidado de cima de Harry e se deitar ao seu lado na cama.
Harry se levantou, não muito confiante de que as pernas aguentariam o peso de seu próprio corpo e andou cambaleante até o banheiro, onde jogou fora a camisinha antes de voltar e se deitar ao lado de novamente.
pediu para ir ao banheiro e Harry gentilmente indicou a mesma porta que ele havia entrado. Também voltou no minuto seguinte e se deitou ao lado dele.
– Eu estou exausto. Se importa se dormirmos agora?
“Dormir?” pensou.
– Achei que íamos iniciar outra rodada. – Ela respondeu com um bico formando nos lábios, brincando.
– Preciso de pelo menos duas horas de sono. – Ele respondeu divertido.
A verdade é que ela também estava exausta e não fazia ideia de que horas da madrugada eram. Mesmo sem aceitar bem a ideia, acabou dormindo ali, com Harry, abraçando-o em uma conchinha.

Quando Harry abriu os olhos no dia seguinte, demorou alguns segundos para se lembrar do que tinha acontecido e seu primeiro instinto foi olhar para o lado, na parte da cama que ele havia dividido com aquela garota.
Quando viu o local vazio, desceu e encontrou as roupas espalhadas pela sala, exatamente como deixaram no dia anterior, sentiu certo alívio. Foi até a cozinha, não encontrou ninguém. Chamou-a, mas ninguém respondeu. O alívio sumiu. Foi até a lavanderia, não havia mais roupas lá.
Então soube que a garota havia partido.

##

Harry ficou pensativo por um momento e, mesmo assim, tomou uma atitude impulsiva. Se a garota havia ido embora sem dizer nada, era um sinal de que ela não estava interessada em manter contato. No entanto, o cantor não se importou com os claros avisos e terminou indo atrás dela, no pub. Talvez só estivesse atrasada e não quis acordá-lo. Era por volta do horário de almoço, ele não fazia ideia se ainda era o turno que ela trabalhava, só que quanto mais demorasse, menos chances teria de confrontá-la, pois se lembrou que o turno da noite não era normalmente o dela.
Ao pisar no lugar, percebeu imediatamente o alvoroço causado por sua presença, mesmo que todos tentassem ser discretos. Sentou-se numa mesa vazia mais afastada na parte interna e fingiu olhar o cardápio. Um homem chegou para atendê-lo.
– Boa tarde, senhor. Eu sou Gerald. O chef responsável nesse turno. Em que posso ajudá-lo?
É claro, por que mesmo Harry pensou que seria atendido por uma das garçonetes normais? Isso nunca acontecia. Cumprimentou o chef com um aperto de mão educado e pediu um dos brunches do menu. De qualquer forma estava mesmo com fome. Após anotar o pedido e garantir que chegaria logo, Gerald se retirou e Harry entrou em um modo automático de olhar para a porta e sentir o estômago revirar em expectativa para cada pessoa que a atravessava.
Depois de ver pelo menos três rapazes e duas moças com as mesmas roupas servindo mesas, supôs que não estava no quadro de funcionários naquele momento.
Como prometido, Gerald voltou rapidamente trazendo o pedido. Na verdade, Harry não fazia ideia de quantos minutos haviam se passado, se o pedido tivesse demorado, ele não saberia.
– Há mais alguma coisa que o senhor deseja pedir? – Gerald perguntou cordial.
– Na verdade… – Harry ponderou se deveria perguntar. Devagar como sempre, começou a formular palavra por palavra até dizer o que queria. – Vocês, uh, têm uma funcionária chamada ?
? – Gerald olhou em confusão e Harry imediatamente cogitou a possibilidade de que ela tivesse mentido. – A menina . Nossa melhor funcionária. – O chef sorriu, o olhar de confusão foi somente por não entender como a celebridade ali estava procurando-a.
– Eu, ahn, queria saber se ela… se ela está trabalhando hoje? – Harry perguntou incerto.
Gerald sorriu novamente e colocou uma das mãos no ombro do rapaz.
– Vejo que não é só por aqui que a menina deixa seu charme. – Harry sorriu sem graça. – Ela está de folga hoje. Mas se quer saber, com certeza ela estará aqui amanhã. Esse horário é um pouco cheio, os atendentes não param nem um minuto. Sempre recomendamos aos clientes virem conhecer o nosso café da manhã, abrimos às nove. – Gerald piscou e Harry pegou a dica.
– Muito obrigado.
– Não há de que. Se desejar mais alguma coisa, é só chamar. – Harry assentiu. – Com licença.
E assim, ele ficou sozinho com um turbilhão de pensamentos.
Styles passou o resto do dia assim, meio aéreo, não sabia o porquê tinha ficado tão incomodado com tudo o que havia acontecido. Parte de si gritava que era seu ego ferido por ter sido largado por uma desconhecida depois de uma noite de sexo incrível.
Quando ele ainda estava na banda, costumava colocar garotas aleatoriamente dentro do hotel, podia ser uma fã que ele havia conhecido numa das festas que tivessem ido, essas não eram muitas, porque eles quase não iam a festas. Podiam ser garotas que ele simplesmente tinha iniciado uma conversa sobre qualquer assunto banal na fila de alguma loja, que ele oferecia uma carona e gradativamente o assunto terminava com ele chamando-as para irem ao hotel com ele. E tinham também as garotas que participavam das festas que eles faziam nos hotéis, em determinado momento, ele resolvia se retirar para o seu quarto e, não sabia exatamente como, mas nunca estava sozinho.
Todas essas garotas sempre eram dispensadas no mesmo dia, no máximo no dia seguinte, com a desculpa de que ele precisava sair para cumprir a agenda de trabalho. Na maioria das vezes essa era a verdade. O que nunca acontecia, nunca tinha acontecido, era a garota ir embora antes que ele pedisse, ou que ela pelo menos avisasse que estava indo quando via que ele estava se arrumando, uma maneira discreta para que elas percebessem que ele queria que fossem embora.
Claro que muitas dessas coisas mudaram quando ele virou um artista solo, seria hipócrita se dissesse que não ofereceu nenhuma carona que terminou no seu quarto de hotel dentro dos quase um ano e meio que ficou em turnê, mas esta já havia acabado há certo tempo e ele não se relacionava com ninguém desconhecido há quase tanto tempo quanto.
Acordou no dia seguinte e após mais um pouco de reflexão, decidiu que o certo, dessa vez, era não ir atrás dela.
Ali, deu como encerrado aquilo que viveram.

Meses depois
– Por favor, big sis! Você tinha prometido que ia comigo. – A mais velha das duas irmãs de implorava.
Como ela justificaria para a irmã de dezesseis anos que não a levaria mais no show do seu artista preferido porque tinha dormido com ele e fugido na manhã seguinte? Uma promessa estúpida feita quando mal sabia quem ele era. Agora que tinha o conhecido, e conhecido daquela forma, as coisas mudavam totalmente.
– Izabel, você já pode ir sozinha. Não precisa que eu vá junto.
– Mas e a Elena? – A irmã perguntou se referindo a caçula, de treze anos. – Ela não pode entrar sem alguém maior de dezoito anos!
– Eu não acho que a Elena faça tanta questão de ver Harry Styles como você, não é, baby? – A garota direcionou a pergunta para a mais nova das três.
– É claro que ela faz! – Izabel respondeu pela irmã. – Papai comprou os ingressos faz meses. E eu falo sobre esse show desde antes de saber se teria show! Você não pode fazer isso com a gente!
– Fora que ele vai ficar furioso se desperdiçarmos o dinheiro dele. – Foi Elena quem se pronunciou dessa vez. – Papai reclamou a semana seguinte toda de ter comprado ingressos desse valor.
– Não é como se fosse fazer falta. – deu de ombros.
– São três VIPs, sis! – Izabel choramingou novamente. – Você tem ideia de quantas pessoas morreriam para ter UM ingresso desses para o show na cidade natal dele?
– Ele não nasceu em Manchester. – revirou os olhos.
– Eu sei! Mas é o show no lugar mais próximo que ele pode chamar de casa e, além do mais, ele não… – Izabel parou de falar. – Espera! Como você sabe que ele não é daqui?
Aquela pergunta pegou de surpresa. Como ela falaria para a irmã que sabia disso porque ele mesmo tinha lhe falado?
– Porque… Porque eu, eu sei usar o Google, Izabel, é por isso.
– E desde quando você pesquisa coisas sobre Harry Styles?
– Isso não importa! A questão é que eu vim para Manchester para descansar, você sabe que depois dessas férias tudo vai mudar. Quando eu voltar para Londres tudo vai ser diferente!
– É o seu futuro, minha filha. De vocês três. – O pai das garotas chegara, ouvindo apenas a última frase da conversa. – Você sabe que eu não consigo ficar indo para Londres com tanta frequência. Sempre soubemos que esse dia chegaria.
Pai e filha haviam tido aquela conversa várias vezes, a primeira anos atrás. No começo não aceitava muito bem a ideia de ser a primeira da geração a cuidar dos negócios da família, até que a irmã do meio tivesse idade suficiente para a ajudar, ela teria que fazer aquilo sozinha. A ideia de não conseguir a deixava louca.
– Eu sei, pai! Mas você sabe que eu ainda não sei se vou conseguir. É muita responsabilidade.
– Você trabalhou no último ano para isso, querida. Já se formou na faculdade, você está pronta! Sabe que sim. E eu soube que todo mundo em Londres te adora. Então se dê um pouco mais de crédito, por favor.
– E além do mais, são só alguns anos. Eu prometo te ajudar o mais rápido possível. – Izabel completou. – Mas você tem que ir no show comigo!
– Isso é chantagem! – reclamou, mas já estava sorrindo. As palavras do pai conseguiram acalmar um pouco os anseios de seu coração.

Por fim, foi persuadida a levar as irmãs ao bendito show. Os ingressos davam acesso a arena num horário diferenciado e, por culpa da irmã do meio, elas foram umas das primeiras pessoas na fila, podendo escolher a primeira fileira na plateia. impôs as regras e deixou Izabel responsável por cuidar de Elena no lugar em que escolheram, bem em frente onde Harry ficaria.
De forma alguma ficaria naquela posição, sabia que quando o portão principal fosse liberado o lugar viraria um caos de empurra-empurra, então resolveu que ficaria no extremo canto da área, na direita, em que tinha uma passagem para trás do palco e para as arquibancadas – que estava barrada por seguranças – e poderia se refugiar perto deles, caso se sentisse muito sufocada.
? É você? – Escutou uma voz feminina chamando-a quando faltavam menos de dez minutos para a abertura dos portões.
Se virou na direção da voz, dando de cara com Gemma, irmã de Harry. “Ah, não. Que droga!”, reclamou baixinho antes que a mulher chegasse perto o bastante.
– Oi, Gemma! – Deu um sorriso que pediu aos deuses que não fosse perceptivelmente forçado, ela queria estar feliz por ter a encontrado, afinal, meio que gostava dela. Só não queria que o reencontro tivesse sido ali, no show do irmão dela, que estava prestes a subir no palco.
– O que você está fazendo aqui? – Gemma perguntou empolgada dando-lhe um abraço acalorado.
– Minhas irmãs. – Apontou para onde tinha deixado as caçulas minutos antes, que agora estavam distraídas conversando entre si. – Elas são obcecadas pelo Harry.
– Harry vai ficar super feliz de saber que você está aqui. – Gemma exclamou.
Merda! Merda! Merda! Será que ela sabia o que tinha acontecido? Era exatamente por isso que não queria ir nesse show, era isso que queria evitar, não queria ver Harry.
– Eu não tenho tanta certeza disso. – Sorriu sem graça. Sentia muita vergonha de imaginar como Harry tinha compartilhado a história com a irmã, se tivesse feito isso, com certeza ela sabia que havia ido embora covardemente. E ainda por cima esquecido a calcinha, que ficou na sala junto com as roupas que Gemma a emprestou. Ela sentia vontade de morrer ao lembrar disso.
sabia que Harry havia ido procurá-la no pub, foi a primeira coisa que Gerald contou empolgado quando ela fora trabalhar no dia seguinte a visita. Ela trabalhou tensa o turno todo naquele dia, imaginando que o cantor pudesse surgir pela porta a qualquer momento. Quando ele não apareceu, ela não sabia bem o que supor.
– Você pode ficar um pouco quando o show acabar? Harry está terminando de se arrumar agora, mas eu tenho certeza que ele vai querer te ver no camarim depois. – Gemma pediu gentilmente, educada demais para comentar qualquer coisa que soubesse. Mas sabia que não poderia deixar ir embora, conhecia o irmão bem demais. Fossem quais fossem as circunstâncias que a garota estava ali, talvez Harry ainda tivesse uma chance de entender tudo.
– Eu-eu não sei, vai acabar tarde e eu preciso levar minhas irmãs embora. – tentou se justificar, mas sem muita firmeza na voz.
– Ah, que isso, ! Suas irmãs não gostam do Harry? Tenho certeza que elas vão adorar conhecê-lo. Eu vou pedir para alguém do staff te trazer os crachás daqui a pouco, tudo bem? Eu fico um pouco mais escondida porque se os fãs me veem, eu não consigo assistir ao show. Minha mãe também não gosta muito de ficar aqui na frente, é muito barulho para ela. – Riu leve justificando antes de sumir por trás do palco.
Agora tudo que conseguia fazer era torcer para que Harry não tivesse contado para a mãe sobre isso também. Ela suava só de imaginar a mãe dele perguntando depois quem era ela e Harry dizendo que era “aquela”, ou algo do tipo. Esperava que nem a visse, para ser totalmente sincera.

Apesar de tudo, o show foi incrível, Harry Styles tinha uma energia no palco que não era para qualquer artista. Como Gemma havia prometido, logo depois de conversarem, uma mulher com uma camisa preta do merch do cantor lhe entregou três crachás com passes para o backstage. Ela queria muito enfiá-los na bolsa e fugir dali o mais rápido possível. Mas como seria possível fazer isso com as irmãs? Ela conseguiria ser egoísta a esse ponto? Privá-las de realizar um sonho somente para não ter que encarar a consequência dos seus atos?
Não é que estivesse arrependida do que fizera, mas o que ele pensaria ao vê-la ali depois de ter ido embora sorrateiramente depois de dormirem juntos? Harry pensaria que ela estava perseguindo-o? Ficaria pensando que a garota se arrependeu de ter ido embora e queria repetir a dose? não sabia o que esperar.
– O show foi incrível. Obrigada por ter me trazido. – Elena disse com os olhos vermelhos, provavelmente de chorar, quando ambas chegaram perto de assim que a área havia esvaziado o bastante para que pudessem andar.
– Sabe de uma coisa? – perguntou ao passo que as irmãs apenas arquearam uma sobrancelha, esperando a resposta. – Ainda não acabou. – Mostrou os crachás.
Izabel foi a primeira a entender e deu um grito ao tomá-los das mãos de .
– Eu. NÃO. Acredito! – Falou pausadamente encarando os cartões como se fossem objetos preciosos. – Como você conseguiu isso? – Devolveu um para e entregou outro a Elena, colocando o próprio imediatamente no pescoço.
– Eu tenho meus contatos. – Piscou divertida. – Acho que já podemos ir lá para dentro, se vocês quiserem, é claro.
– Você está brincando? – Elena respondeu.
– É claro que queremos! – Izabel completou.
– Eu ‘tô com cara de choro? – Elena perguntou e as outras duas riram. – Me ajuda! – Pediu passando as mãos nos olhos numa tentativa de limpar lágrimas que já não mais existiam.
– Você tem treze anos, Els. Harry Styles vai entender que você chorou. – Izabel consolou. A mesma também havia chorado, porém não tanto quanto a irmã mais nova.
Caminharam pelo corredor que viu Gemma passando mais cedo, não precisaram falar nada além de mostrar os adornos nos pescoços. Como não sabia por onde ir, teve que pedir informações para o segurança e no meio do caminho até o camarim, decidiu que deveria alertar as irmãs de alguma forma.
– Talvez as coisas pareçam um pouco estranhas lá. Então eu preciso pedir que vocês ajam naturalmente, okay? – Pediu, sem saber muito bem como abordar o assunto. – Naturalmente na medida do possível do surto que eu sei que vocês terão quando o verem. – Completou com uma risadinha. Elena apenas concordou com a cabeça, ansiosa.
– O que você quer dizer? – Izabel, que já era mais velha, captou alguma coisa que não sabia bem o que.
– Quem me deu os acessos foi a Gemma. Eu meio que a conheço. – Revelou hesitante.
– A irmã do Harry? – Izabel gritou, incrédula. – Como você não me contou isso?
– Olha, eu prometo que explico depois. Só por favor, por favor, só não façam nenhum comentário ou pergunta sobre como eu os conheço. Não toquem nesse assunto.
– Os conhece? – Izabel gritou de novo.
– Por favor, para de gritar. Eu explico depois. – pediu desesperada.
Izabel resmungou o resto do caminho, não acreditava que a irmã havia conhecido Harry Styles e não tinha lhe contado.
A porta do cômodo estava aberta quando chegaram. Gemma estava sozinha sentada em um dos sofás.
! Você veio! – Gemma falou alto ao se levantar animada.
foi a primeira a entrar. As irmãs estavam em choque na porta.
– Por que ela a chamou de ? – Elena perguntou em um sussurro para a irmã mais velha.
– Eu não faço ideia. – Izabel respondeu tão confusa quanto. – Mas não diz nada. Vamos entrar.
– Gemma, essas são minhas irmãs, Elena e Izabel.
– Oi, meninas! me contou que são super fãs do meu irmão.
– Siiiim! – Foi Elena quem respondeu. As duas meninas ainda estavam confusas pelo nome a qual a irmã mais velha estava sendo chamada.
– Sentem-se aqui, Harry foi tomar banho, vai voltar a qualquer minuto. – Gemma indicou o sofá em que estava antes sentada, voltando a se sentar no mesmo lugar e dando espaço para que as três se sentassem também.
Iniciaram uma conversa sobre o show e outras coisa banais, Gemma era tão educada e gentil quanto Harry e não parava de fazer perguntas para as duas irmãs. Definitivamente gostava dela.
Como Gemma havia dito, Harry chegou não muito tempo depois. sentiu o coração dar um solavanco ao escutar sua voz e risada vindas do corredor. Ele entrou pela porta um segundo depois seguido por um dos caras da banda, o que tinha tocado guitarra, tinha quase certeza.
– Olá! – Cumprimentou genérico ao passar os olhos por cada um dos rostos da sala, depois caminhou em direção a , dando-lhe um abraço. – Olá! – Repetiu sorrindo. – Tudo bem, ?
– Tu-tudo. – Gaguejou. – E você, Harry? – Se sentia patética e estupefata.
– Eu estou okay! – Sorriu de novo antes de se virar para as irmãs. – Olá! E quem são vocês? – Perguntou simpático.
As irmãs se apresentaram ainda meio em choque. Por um momento quis rir da cena, estava inegavelmente engraçado ver as irmãs praticamente mudas, isso não acontecia com frequência.
– Eu sou o Harry. – Ele se apresentou e abraçou ambas. – Tudo bem? – As meninas concordaram com a cabeça ao murmurarem “e você?” – Eu também. – Sorriu ao se afastar. – São elas? – Harry perguntou direcionado a .
– Sim, minhas irmãs. – confirmou.
– Você-você sabia sobre nós? – Izabel perguntou inconscientemente e levou um olhar de repreensão de , que chamou a atenção da irmã imediatamente.
– Izabel! – Escondeu metade do rosto com uma mão.
– Desculpa. – Sussurrou para a irmã.
– Sim, eu sabia que tinha duas irmãs. – Harry respondeu gentil, ignorando o que havia acabado de acontecer. – Vocês gostaram do show?
Harry fez mais algumas perguntas, as quais Elena e Izabel respondiam prontamente, com grandes sorrisos que não saiam de seus rostos. sabia que as irmãs estavam tendo o momento da vida delas ali, com aquela simples conversa.
O guitarrista, que descobriu se chamar Mitch, era o típico cara caladão que fazia alguns comentários esporádicos, mas as irmãs dela já sabiam disso, ainda assim se sentaram ao lado dele e Gemma, perguntando todo o tipo de coisas, deixando Harry e em uma conversa a sós.
Nenhum dos dois sabia o que dizer. Então ficaram encarando-se por alguns minutos em um silêncio desconfortável.
– Não é que você veio mesmo? – Harry falou subitamente, deixando a garota confusa.
– O quê?
– Você se lembra que perguntou as datas do meu show? Disse que talvez viria em algum, já que nunca tinha me visto tocar.
– Ah é! É verdade! – sorriu sem graça. – Eu gostei muito. Você é muito bom.
– Obrigado!
estava extremamente confusa. Ela não esperava aquela reação de Harry, pensou que fosse ser questionada sobre aquela noite, mas o rapaz apenas agiu como se ela fosse uma velha conhecida. A garota agora se perguntava se tinha reagido exageradamente diante da possibilidade de o ver de novo. Porque ali, na sua frente, ele agia como se nada, nunca, tivesse acontecido.
– Como estão as coisas? Ainda trabalhando no pub? – Harry puxou assunto.
– Estão tudo bem. Eu ‘tô de férias há alguns dias.
– E quando terminam suas férias? – Mesmo quando era evasiva nas perguntas, Harry sempre parecia arrumar um jeito de perguntar especificamente o que ela não queria responder.
– Eu volto para Londres em uma semana. – Tentou disfarçar um suspiro.
– Sério? Eu também. Na verdade, eu faço o primeiro show lá daqui dez dias.
– E quantos shows são?
– Duas noites seguidas em Londres e então eu vou para a Alemanha. – Harry respondeu animado.
– Isso é tão legal. E você está ansioso?
– Sim! Eu estou muito. Quero dizer, eu já toquei muitas vezes na Alemanha, mas é sempre bom voltar. Os fãs são ótimos.
– Que bom, Harry. Fico feliz por você. – sorriu sincera.
– Sabe… Você poderia ir me ver no show em Londres.
abriu e fechou a boca algumas vezes pensando no que responder.
– Eu não sei se é uma boa ideia.
– Não? Tudo bem. – Harry não insistiu.
– Sabe o que é, Harry? É que você parece ser um cara legal e tudo mais, mas… – Deixou a frase morrer.
– Mas o quê? Eu só te convidei para ir ao show. Você pode negar se quiser, não tem problema. – Ele respondeu sorrindo gentilmente.
– Eu gostaria de ir, sim. Mas eu realmente não vou poder.
– Tudo bem. Sem problemas. – Respondeu compreensível. – Mas já que você não pode ir ao show, você se importa se eu for ao pub um dia desses te ver?
Ele era bom, tinha que admitir. Decidiu parar de resistir.
– Claro, eu adoraria.

##

Harry realmente foi até o pub para ver a garota, mas não nos dias em que deveria estar em Londres para shows, somente um mês depois ele apareceu pela primeira vez. O cantor não tinha se esquecido da dica que o chef de cozinha havia dado meses atrás e chegou logo quando o estabelecimento abriu. Não a encontrou de cara, assim como da outra vez, então se sentou na mesma mesa afastada no canto e esperou que o gerente, ou o chef fossem o atender para perguntar sobre ela. Talvez estivesse de folga de novo.
No minuto seguinte, ele viu uma porta aos fundos, que imaginava ser a cozinha, se abrir, mas quem saiu de lá não foi um chef, foi , Harry ficou feliz em vê-la. Mas também confuso.
Ela caminhou em sua direção com um sorriso no rosto, a roupa que usava nada se assemelhava ao uniforme de atendente que ele havia visto quando ela entrou em sua casa toda encharcada de chuva, meses atrás. Agora vestia uma camisa branca de botões, uma calça social preta e um salto alto que fazia barulho no chão de madeira. Parou ao seu lado.
– Bom dia, senhor! Em que posso ajudar? – Brincou.
– Você foi promovida! – Harry entendeu imediatamente. Ou pelo menos achou ter entendido.
apenas soltou um riso.
– Eu também estou ótima, Sr. Styles. Obrigada por perguntar. – Debochou divertida.
– Desculpe! É que eu esperava te ver naquela saia bonitinha ali. – Apontou com a cabeça para uma das garçonetes que saia pela porta carregando um prato. – E não precisa me chamar assim. Você pode se sentar aqui? – Apontou para a cadeira a sua frente.
– Posso. – Respondeu sentando-se. – Achei que você tivesse perdido o endereço daqui. – Brincou de novo.
Ela estava radiante, Harry notou. Muito mais sorridente do que da última vez que se viram.
– Tenho uns dias de folga essa semana, durante as épocas de shows é difícil fazer qualquer coisa além de ensaiar, dormir e tocar, de fato. – Ele riu também.
– E durante os dias de folga?
– Eu durmo também. E visito pubs em que tem garotas bonitas como gerentes.
– Bom, você reduz consideravelmente sua utilidade em dias de folgas. – Harry gargalhou.
Um homem se aproximou da mesa, Harry reconheceu-o. Era o chef de cozinha que havia o atendido na primeira vez em que esteve lá.
– Bom dia! – Cumprimentou ambos educadamente. – Srta. Spaniard, me desculpe interrompê-los, mas precisamos que venha na cozinha por um momento.
Harry notou imediatamente o nome pelo qual foi tratada, arregalou os olhos, embora não tenha tido nenhuma outra reação mais perceptível.
– Eu já vou, Gerald. Me dê só mais um minuto, por favor. E eu já te falei que não precisa dessa formalidade toda. Pode continuar a me chamar como sempre chamou. Ou pelo meu nome.
– Tudo bem, Srta. . Obrigado. Com licença.
– Spaniard? Como os donos? – Harry soltou imediatamente quando ficaram sozinhos. – ?
É isso, era só o que faltava para a vida de , ou melhor, , todos com os quais trabalhou nos últimos meses haviam descoberto sua verdadeira identidade quando ela voltou de férias e teve que assumir os negócios pelo pai.
Seu pai queria que ela entrasse direto como dona assim que terminou a faculdade, mas a sua condição para que assumisse os negócios, foi de que ela entrasse primeiro como uma funcionária normal, apenas uma atendente, para que conhecesse o ambiente e as pessoas com quem trabalharia. Adotou o pseudônimo de Jones e ninguém nunca teve acesso aos seus documentos de contratação. Até voltar de férias, quando teve que contar para todo mundo que o dono que havia deixado o gerente cuidando de tudo há algum tempo, havia mandado a filha para assumir seu lugar, e que essa filha era ela. O gerente ainda estava lá, é claro, só não tinha mais a função de tomar as decisões mais importantes.
– Prazer, eu sou Spaniard. Dona desse estabelecimento. – Foi o melhor meio que encontrou de começar a se explicar.
– Eu estou muito confuso agora.
Como a garota explicaria que era a descendente direta de uma geração antiga de espanhóis? Ela nem mesmo sabia qual era sua geração. Ela era a décima geração? Vigésima? Como fazer as contas de quase 500 anos de linhagem familiar?
– É uma longa história, Harry. Ninguém aqui sabia quem eu era. Eu não poderia te contar e arriscar tudo. Você mora bem aqui do lado. E eu sei que você veio me procurar uma vez. Seria um caos se você tivesse chegado procurando pela dona.
– Foi por isso que você foi embora? – Harry sempre com as perguntas que ela não queria responder.
– Não. Essa é uma outra longa história.
Como a garota explicaria que foi embora por pura e simplesmente… medo? Não tinha uma explicação lógica para ter fugido, para ter evitado Harry, por ter ficado com medo de reencontrá-lo. Era só que sempre saíamos de relacionamentos com bagagens e a de era uma muito pesada.
– Tudo bem. É meu dia de folga, eu tenho tempo. – Colocou os cotovelos na mesa e escorou o rosto nas mãos.
– Mas eu estou trabalhando, espertinho. – Brincou.
– Tenho certeza que a dona não vai se importar. – Brincou também, rindo.
– Não posso mesmo, Harry. Inclusive preciso ir ver o que Gerald me pediu, antes que ele volte aqui para me chamar de novo.
Harry tinha certeza que o chef não faria isso.
– Tudo bem. Que horas seu turno termina? – Perguntou. – Que tal se você sair para jantar comigo e me contar toda a sua história? – Ela sorriu assentindo.
– Dessa vez a história exata, sem evasões.

FIM

Nota da autora: Oláaaa! Se você tá aqui lendo isso é porque passou por toda essa tortura que foi escrita. Hahaha brincadeiras à parte, (ou não), essa foi a primeira shortfic que eu escrevi e a primeira fic com qualquer cena restrita, então eu realmente gostaria de saber o que você achou! Então não esquece de deixar o seu feedback, é muito importante para que eu melhore nas próximas.
Obrigada por ler até aqui.
Eu tenho outras fics que você pode acessar aqui:
Mistérios do Destino
Just Another Hotel Room

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Um beijo da Cam Vessato e stream Fine Line, Walls, Heartbreak Weather, LP1 e Icarus Falls. xx 🙂