Breakaway

Sinopse: Merida disse uma vez que o nosso destino vive dentro de nós e que nos cabe ser corajosos o suficiente para vê-lo. Claro que essa tarefa se torna muito menos ardilosa quando você é uma princesa de desenho animado, afinal, não importa quantos obstáculos apareçam em seu caminho, o seu final feliz é garantido. Para uma garota cujo o próprio obstáculo é si mesma, no entanto, tomar o seu destino em suas próprias mãos é muito mais apavorante do que lutar contra dragões ou bruxas malignas; ela precisa derrotar os demônios que vivem dentro dela. Contudo, quando a oportunidade de correr atrás do sonho de viver da música cair em seu colo, será ela capaz de tornar-se sua própria heroína?
Gênero: Romance
Classificação: +14
Restrição: Louis Tomlinson é o personagem principal e é fixo.
Beta: Sharpay Evans

Capítulos:

Prólogo

Já era fim de tarde quando adentrou seu pequeno quarto na casa da avó. Havia sido um dia agitado, haviam feito muitas vendas no caminhão e seus pés doíam pelo período em que esteve de pé atendendo aos pedidos de clientes. Se as coisas continuassem tão bem, talvez pudessem juntar dinheiro o suficiente para abrir uma pequena sorveteria no próximo ano.
Preguiçosamente, a garota jogou seus sapatos no canto do cômodo e atirou seu uniforme em cima da cama enquanto buscava por uma toalha para cobrir seu corpo. Com um longo bocejo, largou-se na cama de solteiro e alcançou seu celular a fim de checar suas redes sociais. Sorriu ao ver um tweet recente de Louis Tomlinson com uma foto de seu último show em Londres e pensou consigo mesma o quanto gostaria de ter feito parte daquele momento. Com uma pontada de nostalgia em seu peito, a mirou o pôster em sua parede onde cinco garotos abraçados sorriam e, por um momento, desejou que pudesse voltar a ser aquela adolescente sonhadora que se divertia tanto preenchendo seus dias com a banda britânica. Muito havia se transformado desde então, mas observando toda a composição alegre e colorida de seu quarto, achou que a One Direction pertencia àquele pequeno mundo pessoal.
, você já tomou banho? — Gigi, sua avó, a apressou da garagem onde guardava o caminhão.
— Em um minuto, vovó! — Ao gritar sua resposta, o aparelho em suas mãos vibrou indicando um novo email em sua caixa de entrada. Apressada com a cobrança da mais velha a alguns metros de distância, clicou na notificação enquanto fazia seu caminho ao banheiro.

Sua inscrição para o The X-Factor: 16ª temporada foi aceita!
CARO (A) Blake , SEJA BEM VINDO (A) AO THE X-FACTOR UK!
Você está oficialmente convocado (a) para a primeira etapa das audições do The X-Factor UK, que acontecerá entre os dias 14 e 20 de Março. Por favor, acesse o nosso site com as informações do seu login e confirme o local e data.
Atenciosamente,
X-Factor.
— O que… — Chocada com a informação que acabara de ler, tentava entender o fato de ter sido aceita em um programa ao qual não se inscrevera.
A londrina estava ciente que as inscrições para o reality abriram há alguns meses e lembrou-se claramente do dilema interno que travou consigo mesma sobre se inscrever ou não e estava certa de que havia decidido por não o fazer, já que não se sentia pronta para enfrentar sua primeira plateia. Então, como aquela correspondência, com o seu nome escrito, poderia estar em sua caixa de entrada? Ela não havia nem mesmo feito o vídeo exigido para a inscrição pelas regras do site. Aquilo só podia ser um engano, não é mesmo?
, por que você ainda está aqui fora? — A aproximação de Gigi foi ouvida pela mais jovem. – Por que está com essa cara, querida?
— Eu acho que fui selecionada para a primeira parte das audições do The X-Factor? O que não faz sentido algum porque eu nem mesmo me inscrevi e eles sabem o meu nome completo e… — Iniciou sem saber bem como explicar a situação.
— Oh meu Deus, isso é fantástico meu amor! — Gigi a envolveu em seus braços comemorando o sucesso de sua neta.
— Não, vovó, a senhora não está entendendo! — Riu levemente sendo apertada nos braços da mais velha — Isso é um engano, eu não me inscrevi. Provavelmente foi um erro do sistema deles, sei lá.
, querida, não é um engano. — Afastou-se minimamente da jovem enquanto ainda segurava seus ombros — Eu a inscrevi. Quando você comentou sobre as inscrições no site eu sabia que você desistiria sem nem ao menos tentar, então eu precisei fazer isso e olha só, eles gostaram de você!
— A senhora fez o quê? Vovó, como pôde fazer isso pelas minhas costas? — indignou-se.
— Não fique brava comigo, meu bem. Eu tinha alguns vídeos no meu celular, daqueles que você posta na internet, e sabia que se eles a vissem ficariam encantados com o seu talento. — Gigi abriu um sorriso caloroso sentindo seu peito encher-se de orgulho pela neta.
As bochechas de se tornaram escarlates a medida em que ela realizava o fato de que seus vídeos foram vistos pela produção do reality show. Por um lado, se sentia traída pela atitude de sua avó, por outro estava apavorada com a nova possibilidade que lhe caía no colo. Só de pensar em se apresentar para milhares de pessoas um arrepio percorria por sua espinha.
— Vovó, eu não posso fazer isso. Eu não estou pronta. — Sua voz foi como um sussurro.
, se continuar duvidando de si mesma você nunca vai conseguir ir atrás de seus sonhos. — Seu tom era sério e lhe doía ter que dizer palavras tão duras. — Querida, você tem 22 anos de idade, já não é mais uma criança. Por mais que eu ame ter você comigo todos os dias no trabalho, eu não posso sentar e ver você jogar a sua vida fora contentando-se apenas com vender sorvete todos os dias comigo. Eu nunca me perdoaria, não quando você é tão talentosa.
não sabia bem o que dizer. Era verdade tudo o que Gigi lhe dissera, mas era verdade também que ela não achava que tinha talento o suficiente para aquilo. De qualquer forma, ela não iria realmente se apresentar no The X-Factor, certo? Afinal de contas, eram várias etapas com diferentes produtores do programa até que ela realmente pisasse no palco da arena. Se aquilo significava tanto para Gigi, ela poderia simplesmente ir à primeira etapa e quando não fosse aprovada nem mesmo na parte mais simples do processo, teria uma justificativa real para não sair de sua zona de conforto. E, bem, devia aquilo a si mesma já que seu sonho sempre foi viver da música.
— Tudo bem, eu vou tentar. — Disse, por fim, com uma determinação que não sabia ter.

Capítulo 1

“— A vida não é para ser vista.
Se ficar olhando, vai apenas ficar assistindo sua vida passar.”
— Laverne, O Corcunda de Notre Dame
DOIS MESES DEPOIS
Tudo girava e podia jurar que toda a Wembley Arena podia ouvir o martelar frenético de seu coração, em seus ouvidos ela sentia um forte pulsar. A agitação do ambiente não lhe era familiar, mas o frenesi da grande multidão a alguns metros de certa forma a confortava. Aquele era o momento. Tudo poderia mudar dali alguns instantes, seu sonho estava tão perto que esticando suas mãos talvez pudesse o sentir em seus dedos.
Sem que pudesse realmente sentir que seu corpo se movia, subiu os poucos degraus que a separavam do palco e inalou profundamente todo o ar que seus pulmões podiam comportar, não lhe pareceu suficiente, no entanto. Caminhou incerta até o “x” que cravava no chão onde deveria se posicionar e ergueu seus olhos para a bancada que lhe assistia atentamente. Estremeceu ao receber a atenção do homem que acompanhou por tantos anos pela tela do celular, ele era ainda mais bonito pessoalmente e isso não a ajudava em nada naquele momento.
— Olá! — Cher Lloyd iniciou a interação abrindo um sorriso caloroso para a mais nova. Naquele momento, quis ser confiante como a mulher que era tão exuberante aos seus olhos.
— Oi… — Retornou à saudação um tanto mais acanhada. Cher lançou-lhe um olhar encorajador e decidiu tomar as rédeas da introdução que se desenrolava.
— Como é o seu nome? — Seu tom era leve e descontraído.
. — Sua voz baixa foi inaudível ao auditório já que a havia involuntariamente afastado o microfone de seus lábios.
— Como é, querida? — Simon Cowell, que até então observada a cena desajeitada, retorceu suas feições em uma típica expressão cômica antes de dirigir-se à candidata. Percebendo o deslize, perturbou-se com a costumeira vergonha que a consumia.
— Meu nome é . — Esforçou-se projetando a sua voz e combinando-a com o aparelho em suas mãos, aumentando o volume um pouco mais do que gostaria.
— É um lindo nome — Cher notou pelo canto dos olhos que a jovem apertava o microfone em suas mãos. — De onde você vem, ? O que faz da vida?
Um pouco mais confiante, se esforçou para parecer menos consigo mesma e mais como uma estrela da tv ao exibir um sorriso que ensaiou algumas vezes no espelho de sua casa. Estava desconfortável, mas precisava pelo menos convencer os jurados de que tinha o mínimo para ser moldada em uma cantora de sucesso, infelizmente os quatro profissionais podiam muito bem perceber o quão insegura a inglesa estava. Aquilo tudo era muito mais fácil quando tinha que encarar uma pessoa aleatória da equipe em uma salinha qualquer, cantar para todas aquelas pessoas e provar para todos uma coisa que nem mesmo ela tinha tanta certeza a deixa substancialmente mais apreensiva.
— Eu vim daqui mesmo, nascida e criada em Londres… — Forçou seus olhos a permanecerem firmes no rosto da jurada — Passo a maior parte do meu tempo trabalhando com a minha avó. Nós atravessamos todo o sul de Londres vendendo sorvete no nosso caminhão.
O estádio se desfez em um coro de exclamações encantadas pelo fato compartilhado pela potencial cantora. se sentiu bem por ter dito a coisa certa e Robbie Williams sorriu tendo um bom pressentimento em relação a garota.
— Sério? Ela está aqui hoje com você? — Lloyd questionou entusiasmada e assentiu. — Qual o nome dela?
— O nome dela é Gigi. — Sorriu e a imagem de uma senhora roendo as unhas apareceu nos telões da arena.
Louis Tomlinson estava se divertindo com a curta entrevista e o pedaço de informação sobre a lhe aqueceu levemente o coração. Estava no mínimo intrigado para saber mais sobre ela. Estranhamente, sua aparição era destoante das demais naquele dia, contudo, o jovem produtor não sabia bem dizer o que a distinguia tanto. Talvez fosse o tom alegre do amarelo pastel que coloria o seu vestido ou quem sabe a forma como ela não disfarçava a sua inexperiência. Ela não parecia pertencer àquele tipo de cenário cheio de câmeras e trapaças, no entanto, ali estava ela e ninguém parecia querer desviar os olhos.
—Aww, ela é tão fofa! — Derreteu-se a cantora britânica assim como os demais expectadores. A imagem da doce avó torcendo por sua neta comoveu até mesmo Simon que sempre tentava não se mostrar influenciado.
— Muito bem, faça a sua vó orgulhosa, senhorita . — Robbie piscou dando a deixa para que iniciasse sua apresentação.
Todo o barulho cessou e as primeiras notas musicais ondularam pelos alto-falantes. Logo foi possível notar que se tratava de uma canção conhecida. Um pouco distante do palco, a câmera focalizou em uma dupla na plateia e o microfone fixado em seus assentos captou suas reações.
— Isso é… isso é uma música da Disney? — Questionou a loira observando a candidata como se ela sustentasse três cabeças em seu pescoço. Nem todos que testemunhavam a cena apresentavam reações semelhantes, todavia, a câmera buscava por aquelas que produziam os momentos dramáticos tão característicos do reality.
— Definitivamente. A garota vai cantar música de desenho animado. — Replicou a outra sem que seus olhos saíssem do palco.
O número certamente não era usual para aquele tipo de reality show e estava cada vez mais consciente daquilo à medida que notava as expressões intrigadas e até debochadas de alguns integrantes da plateia. Sua insegurança, que já não era pequena, poderia sufocá-la a qualquer momento. Onde ela estava com a cabeça quando achou que seria uma boa ideia se apresentar para milhares de pessoas? Recordou-se que não conseguia apresentar nem mesmo um simples trabalho para seus colegas de sala na época da escola.
Seus pensamentos destrutivos passeavam freneticamente por sua mente e chegado o momento de entoar as primeiras notas da canção, não pôde fazer com que sua voz a obedecesse. O espetáculo era um pouco trágico, suas mãos tremiam e até mesmo suas bochechas oscilavam levemente quando a londrina mexia seus lábios. Tudo acontecia em câmera lenta e naquele momento, nunca desejou tanto ter acesso àquele soro da invisibilidade de um dos episódios de “Três Espiãs Demais”. Em seu pequeno mundo pessoal tudo parecia ruir, mais uma vez sua timidez havia conseguido o melhor de si.
Com um movimento discreto, Louis ergueu sua mão para que o instrumental cessasse. Algo lhe dizia que ela não estava ali para ser só mais um número cômico nas audições e desejava poder a assegurar de alguma forma. Os olhos assustados da britânica voltaram-se para ele e o rapaz comprimiu seus lábios pensando em uma forma de não a constranger ainda mais.
— Ei, está tudo bem. Todos nós temos momentos assim às vezes. — Organizando suas anotações, prosseguiu gentilmente — Respire fundo e tente mais uma vez.
Sentindo-se grata pela interrupção, respirou fundo e fechou os olhos por alguns breves instantes. Em sua cabeça, milhões de motivos se compilavam para que ela desistisse daquele fiasco. Sabia de todas as suas inseguranças, sabia que jamais seria a mesma depois daquele episódio astronomicamente vergonhoso, mas sabia também que não podia simplesmente ir embora. Podia ser muitas coisas e corajosa definitivamente não era uma delas, entretanto, como passaria o resto de sua vida sabendo que desistiu quando estava tão perto? Havia perdido tanto em sua trajetória… Seus pais tentaram dissuadi-la daquele sonho por toda a sua adolescência e quando a finalmente decidiu que aquele era o maior desejo de seu coração, foi expulsa de casa por não seguir o planejamento de carreira que lhe era idealizado. Em mais do que um aspecto, jamais estaria ali se não fosse por Gigi. E então, o tremor e o medo ainda se faziam constantes, mas ao abrir seus olhos, sabia o que devia fazer.
Tomlinson assistiu atentamente toda a mudança corporal na postura de . Quando a deixou seus olhos nos dele, ele não precisou de confirmação, sabia que ela estava pronta. Tão sutil quanto antes, sinalizou para que a música recomeçasse, todavia, daquela vez, ele é quem fora atingido por uma ponta de nervosismo. A forma como a mulher sustentava um olhar tão decidido o fez acreditar que estava prestes a testemunhar algo verdadeiramente especial.
concentrou-se no calor que crescia em seu peito e colocou tudo o que sentia naquelas palavras, era sua história, afinal.

Look at me
(Olhe para mim)
I will never pass for the perfect bride
(Eu jamais serei a noiva perfeita)
Or the perfect daughter
(Ou a filha perfeita)
Can it be I’m not meant to play this part?
(Será que não fui feita para interpretar esse papel?)
Now I see that If I were truly to be myself
(Agora eu vejo que se eu fosse quem realmente sou)
I would break my family’s heart
(Eu quebraria o coração de minha família)

Simon surpreendeu-se com a comoção que a voz da garota provocara. De onde veio aquela força e aquela paixão? Não saberia explicar como aquela menina amedrontada transformou-se tão rapidamente naquela mulher, contudo, entusiasmou-se com o horizonte de possibilidades que se abria bem em frente aos seus olhos e ele cheirava a incontáveis notas verdes.

Who is that girl I see staring straight back at me?
(Quem é essa garota que eu vejo olhando diretamente para mim?)
Why is my reflection someone I don’t know?
(Por que meu reflexo é alguém que eu não conheço?)

sentia cada fibra de seu corpo vibrar com a emoção que depositava em sua mensagem. Olhava para algo além do que qualquer um naquele estádio pudesse ver ou entender, estava tão absorta no que cantava que não precisou se esforçar para que as palavras soassem sinceras.

Somehow I cannot hide
(De alguma forma, não consigo esconder)
Who I am though I tried
(Quem eu sou, embora tenha tentado)
When will my reflection show
(Quando o meu reflexo mostrará)
Who I am inside?
(Quem eu sou por dentro?)

Robbie estava maravilhado com o talento que via. Estava genuinamente tocado pela breve evolução que testemunhou e podia apostar que todos os presentes naquele ambiente sentiam algo parecido.

When will my reflection show
(Quando o meu reflexo mostrará)
Who I am inside
(Quem eu sou por dentro?)

finalizou o refrão com a voz embargada e se assustou ao ser ovacionada por todos na arena. Os quatro jurados estavam de pé e aplaudiam a londrina em completo êxtase. buscou por uma aprovação em específico e sentiu um leve pinicar em suas bochechas ao encará-lo. Louis tinha aquela expressão em sua face que não sabia bem identificar, seu sorriso discretamente ambíguo a confundia, estava interessado no que ouviu ou mentalmente zombava da figura falsamente confiante a sua frente? A garota se sentia exposta, agora não por estar se submetendo ao julgamento de completos estranhos, mas por sentir-se completamente nua aos olhos do rapaz. Os outros três jurados a deixavam nervosa, mas Louis a deixava desconcertada em um nível completamente diferente e isso não passava tão desapercebidamente pelo cantor.
― Garota, eu não acredito que você nos enganou dessa forma! ― Robbie arregalou suas orbes claras ― Eu estou completamente deslumbrado pelo que vi, os lugares onde você pode levar a sua voz são incríveis e estou certo de que você tem muito a somar para essa competição.
Toda a arena vibrava em concordância às palavras do homem e nutria uma certeza absoluta de que aquele dia ficaria para sempre em sua memória.
, eu amei o que você acabou de fazer aqui. A forma como você trabalhou um clássico e o refez como seu, é disso que falamos quando nos referimos a um fator x. Nunca mais conseguirei ver Mulan da mesma forma graças a você ― Cher riu bem humorada ― Muito bem, querida!
― Muito obrigada! ― Sorriu sem saber se deveria dizer algo mais.
― Vejo que todos os meus colegas estão ansiosos para terem você em seus times. ― Alfinetou Louis recebendo algumas risadas. ― , você foi absolutamente fantástica e eu espero que saiba disso. Tenho certeza que, depois de hoje, a sua vida nunca mais será a mesma, estou muito orgulhoso.
Louis abriu um sorriso sincero e constatou que estava legitimamente feliz pela realização da garota. Estava certo de que se lembraria daquela audição por um bom tempo e com essa reflexão notou o quão grato estava por aquele trabalho no fim das contas. , por outro lado, mal podia conter o largo sorriso que sustentava em seus lábios por ser reconhecida por pessoas que tanto admirava.
, serei honesto com você. Há muito no que precisamos trabalhar para que você esteja pronta para essa indústria. ― Cowell apoiou um de seus cotovelos na mesa enquanto pensava nas palavras certas. ― Mas essa é a beleza de se fazer esse programa, lapidar diamantes brutos. Você será uma excelente artista e mal posso esperar para ver o que você vai nos mostrar. Seja bem vinda ao X-Factor.
Com a confirmação de que poderia avançar para o próximo estágio da competição, respirou aliviada e mais uma onda de aplausos explodiu pelo local. dava os primeiros passos para se tornar quem sempre sonhou e todo o mundo estava prestes a acompanhar o seu primeiro voo.

Capítulo 2

“Se não aprender a correr com a matilha, vai acabar virando o jantar de alguém.”
— Bagheera, Mogli – O menino Lobo

Louis sorriu e acenou para as várias pessoas que se espremiam nas grades do tapete vermelho, grato pela recepção calorosa. Era seu segundo ano como um jurado do reality e já havia se acostumado com o esquema das filmagens, sabia que muitos estavam ali apenas para interpretar um papel, mas ainda sim, gostava de retribuir o carinho, sendo ele encenado ou não.
O homem estava com os ânimos completamente renovados naquele dia, afinal, finalmente as audições chegaram ao fim. Era a hora para uma nova fase no projeto e isso significava que as coisas ficariam ainda mais interessantes. Simon, Cher, Robbie e Louis se reuniriam para decidir qual grupo entre os aprovados nas audições prosseguiria para o próximo desafio e qual voltaria para casa. Para aumentar a lista de eventos do dia, seria naquela reunião que descobririam também qual celebridade ficaria responsável por qual grupo. Louis já apostava em alguns nomes naquela edição e torcia para que o destino fosse gentil o suficiente para que ele acabasse sendo o mentor de algumas delas.
— Isso vai ser divertido! — Sorriu travessamente ao observar as dezenas de fotos espalhadas sobre a mesa da sala de conferências.
— Você acha divertido mandar metade desse pessoal embora? — Cher fez uma careta.
— Claro que não, mas é agora que os jogos começam de verdade, minha querida. — Sentou-se despreocupadamente. — Hoje nós descobrimos quem fica com qual grupo e, consequentemente, ficaremos sabendo qual será o grupo vencedor, já que é bem óbvio que eu vou ganhar esse ano de novo.
Revirando os olhos, Cher riu enquanto lançava uma caneta na direção do amigo. Cantar vitória antes do tempo era algo muito típico de Tomlinson.
— Calma lá, garotão. Aquilo foi puramente sorte de iniciante. Não se esqueça que você e a sua bandinha ficaram em terceiro lugar na nossa edição. — Provocou satisfeita com o olhar ofendido do moreno.
— Cher Elizabeth Lloyd! Eu estou oficialmente magoado. — Colocou a mão sobre o peito de forma dramática. — E você ainda ficou atrás da gente, sua perdedora!
— Crianças, não briguem por favor. — Robbie, que acabara de entrar no local, deixou um beijo na bochecha da mais nova e sentou-se ao lado de Louis. — Vocês já são grandinhos o suficiente para saberem que eu sou o mais bem-sucedido desse lugar.
— Ah não, lá vem ele. — Lloyd esfregou a testa em uma falsa expressão de impaciência.
— Robbie, ninguém liga pra você mais, cara. — Louis apertou o ombro do companheiro de trabalho.
— Como é? Eu sou o maior astro dos últimos tempos garoto, mais respeito. — Se livrou do toque do outro recebendo uma risada.
— Muito bem gente, vamos começar isso logo porque ainda temos que gravar a seleção das cadeiras hoje. — O momento foi interrompido dessa vez por Simon que trazia consigo uma bandeja com cafés.
— É por isso que eu te amo, chefinho. — Cher comemorou agarrando logo um dos copos.
— Puxa-saco… — Resmungou Louis.
Ignorando a provocação de Louis, Simon se sentou no último lugar vago ao redor da mesa aguardando que todos estivessem prontos para a equipe de filmagens. Estava feliz por poder trabalhar com seus afiliados e, por mais que nunca fosse admitir aquilo em voz alta, sentia falta daquele ambiente desordenado que se instalava quando suas crianças estavam presentes. É claro que sem o restante dos integrantes da antiga banda, a situação não ficava de fato caótica. Era certo, entretanto, que Louis sempre se esforçava para corromper quem quer que fosse em suas misturas explosivas, Cher incluso. Os anos passaram, o senso de humor do moreno, nem tanto.
Ao notar que todos estavam em posição, o executivo escapou de seus devaneios nostálgicos e voltou a falar como se aquela fosse só mais uma conversa banal entre os colegas.
— Acho que devíamos rever alguns trechos dessas audições pra tomarmos uma decisão mais prudente. — Sugeriu como se aquilo não fizesse parte do roteiro.
— Sim, é uma boa ideia. — Robert concordou.
Seguindo o planejamento, a tela instalada no centro da parede passou a exibir um compilado de vídeos das audições. Louis analisava cada um atentamente, compartilhando suas impressões vez ou outra.
— Eu não faço ideia de como essa garota recebeu as quatro aprovações. — Robbie disse se referindo ao que era exibido naquele instante.
— É incrível como é uma experiência completamente diferente ao vivo, né? — Surpreendeu-se Cher ao rever o vídeo de um candidato que havia gostado muito, mas que na gravação não parecia tão legal.
— Acham que é o suficiente para começarmos? — Simon pausou o vídeo depois que algumas dezenas de rostos foram reintroduzidos.
— Eu acho que sim.
Sem conter o seu entusiasmo, Louis agarrou uma das fotos sobre a mesa, pronto para começar a discussão.
— Ele. Não acho que ele tem futuro por aqui, pessoalmente, eu não saberia o que fazer com ele. O que acham? — Indicou o homem de vinte e poucos anos que sorria na foto.
— Hm, eu acho que concordo com você. Ele ficou o tempo todo tentando imitar o Freddie Mercury e eu não achei que isso funcionou. — Concordou Cher e Simon deu uma risada ao lembrar-se do espetáculo.
— Essa aqui, se ela fosse do meu time acho que poderia transformá-la em um ícone. — Williams jogou a foto de no centro da mesa.
Louis tomou a foto em seus dedos e analisou a imagem. realmente havia sido uma experiência diferente das demais audições e, se estava mesmo sendo sincero, precisava admitir que a ideia de ter um ato diferente no reality lhe deixava um tanto mais animado pelo que poderia estar por vir.
— Mas vocês não a acharam retraída demais? Ela literalmente travou no palco! Mesmo que sua voz seja incrível, não temos certeza de que ela vai conseguir entregar uma performance… — Simon ponderou.
— Embora eu tenha me encantado por essa audição, tenho que concordar com o Simon. O tipo de timidez que ela demonstrou ter não é um traço fácil de se trabalhar. Nós não vamos conseguir mudá-la do dia pra noite. — Cher suspirou constatando que estava presa em um dilema.
— Bom, pra mim não tem nem o que pensar. — Louis coçou o queixo mirando seus colegas. — Ela foi incrível e acho que merece passar para a próxima fase. Não é comum ver esse tipo de talento por aí e outra, não acham que uma pessoa como ela poderia atrair uma torcida gigante? Ela tem a idade perfeita, não é jovem demais e nem experiente demais, é bonita e tem uma voz fenomenal. Tudo isso é um pacote comercial excelente!
— Eu estou com o Lou nessa, gente. — Robbie advogou junto ao amigo. — Aliás, ela pode inspirar muita gente por aí. Imaginem quantas pessoas não se arriscam nessa indústria por vergonha ou medo do que os outros vão pensar? está mostrando que mesmo com essas dificuldades, ir atrás dos seus sonhos é mais importante. Eu consigo ver muitas meninas se espelhando nessa coisa da insegurança, da timidez.
Ao ouvir a fala do amigo, Louis pensou o quanto aquilo era verdade e sorriu. Em sua maior parte, as pessoas que se inscrevem para o X-Factor estão em busca de seus sonhos, mas não estão dispostas a mostrarem tanta vulnerabilidade como demonstrou logo no primeiro momento. E isso aconteceu não porque era a sua intenção, mas porque foi um episódio genuinamente espontâneo. Não foi um ato ou um artifício para ganhar o público, foi real.
— Estão dizendo que ela pode ser a coitadinha que dá a volta por cima nessa edição? — Simon foi direto, tentando imaginar o que poderia fazer caso fosse de seu time.
— Eu não colocaria dessa forma… — Louis foi rápido em corrigir. — Mas sei que nas mãos certas, ela pode sim ser grande.
Intrigado pela insistência do mais novo, os olhos de Cowell quase brilharam quando a ideia perfeita passou por sua mente. Talvez pudesse realmente ser um hit no fim das contas.
— O que vai ser então? — Questionou Cher.
— Vocês me convenceram, coloquem ela no grupo das garotas. — Cedeu, por fim.
Satisfeitos com a decisão, seguiram o debate para os demais concorrentes até que todos estivessem encaixados em suas categorias. Ficou decidido então que os participantes seriam organizados em garotos, garotas, grupos e candidatos maiores de 30.
— Finalmente. Vamos dar uma pausa e em 20 minutos retornamos pro sorteio das categorias. — Instruiu enquanto se espreguiçava.
Simon assistiu os cantores deixando o cômodo e assim que teve certeza de que estavam longe, pôs-se de pé encaminhando se para o camarim dos produtores do programa. Com curtas batidas na porta, adentrou o cômodo encontrando exatamente quem precisava naquele momento.
— Diane, tenho um pedido. — Anunciou autoritariamente. — Louis Tomlinson deve ser o mentor do grupo das garotas esse ano, faça acontecer.
E com essas palavras, o homem saiu de cena.

.♡.

Dizer que estava nervosa era minimizar demais o turbilhão de sensações que se bagunçavam dentro dela naquele instante. Algumas semanas se passaram desde que a havia sido aprovada na primeira prova e ali estava ela, tão aflita como antes, dessa vez esperando por uma possível segunda confirmação.
O galpão estava abarrotado de pessoas tão temerosas quanto a cantora e ela encontrava algum conforto naquele fato. Metade de todos os aprovados iria para casa dali alguns instantes e a outra metade disputaria o desafio das seis cadeiras.
— Louco pensar que estamos competindo com toda essa gente, né? — Comentou recostando-se na parede ao lado da garota causando-lhe um breve sobressalto.
— Tenho mais dificuldade com o fato de ter que encarar uma plateia. — Riu levemente, desconcertada com a interação inesperada.
— Seu nome é , certo? Eu sou Matthew. — Sorriu mirando a nos olhos. — Eu vi o que você fez nas audições, você foi muito bem!
observou o homem alto de olhos claros, tentando buscar em sua mente resquícios de seu rosto, mas falhou. Matthew era atraente de um jeito muito óbvio e a cantora teve certeza de que se recordaria caso houvesse o visto antes.
— Obrigada! — Suas bochechas se enrubesceram pelo elogio. — Me desculpe, mas acho que não me lembro de você no dia em que estive aqui.
— Eu fui uma das últimas pessoas a subir no palco, você provavelmente já tinha ido embora há um tempo. — Explicou. — Mas acho que a partir de hoje vamos nos ver sempre, pelo menos eu gostaria que isso acontecesse.
— Bem, eu adoraria ter um amigo nessa doideira de reality. — Desconversou, incerta se estava lendo coisas demais na postura do outro ou se ele realmente estava flertando.
Matthew, por outro lado, buscava freneticamente uma abertura por parte da moça e pelos próximos 20 minutos continuou tocando em assuntos aleatórios para ganhar sua confiança.
— Tá, mas, estamos de acordo que o live action de Rei Leão foi muito melhor do que o original, certo? — Falou como se fosse a maior obviedade dos últimos tempos.
— Ai meu Deus, você tá louco? — Arregalou os olhos. — Eu amo a Beyonce, mas dizer que o live action é melhor que a versão original é um insulto!
— Nem vem, ! Você só está falando isso porque cresceu assistindo ao primeiro filme e por isso criou expectativas irreais pro live action. — Gargalhou recebendo um fraco empurrão da menor, que também ria.
Era inegável que o rapaz era um tanto carismático e que aplicava todo o seu charme nas palavras que direcionava à jovem. não sabia dizer se era aquele cheiro agradável que vinha de Matthew ou se era a forma como ele nunca desviava seus olhos de sua face, que provavelmente estava tão vermelha quanto um tomate, que a estava deixando tão sorrateiramente à vontade. O fato é que lenta, mas precisamente, Matt estava derrubando as inibições de .
— Matthew, eu cheguei à conclusão de que esse relacionamento entre nós não vai rolar. — Apontou com o indicador para ele e em seguida para si mesma. — Não gosto de gente do seu tipo.
— Uau, essa doeu. — Colocou a mão sobre o peito fingindo estar magoado.
— Você supera, querido. — deu dois tapinhas no ombro de Matt.
Por breves segundos, ficaram em silêncio ainda um pouco risonhos e o loiro achou que aquele momento era perfeito para saber mais.
— Qual jurado você quer que assuma o seu grupo? — Perguntou casualmente enquanto brincava com uma linha que se soltava na barra de sua camiseta.
— Eu nem sei se eu vou entrar em algum grupo. — Respondeu ainda brincalhona, mas imprimindo seu verdadeiro medo na frase.
— Não seja boba, é claro que vai. — Revirou os olhos. — Em um mundo ideal em que você pudesse escolher o seu mentor, quem seria?
— Ah, sei lá. — Pensou um pouco. — Eu adoraria que fosse o Louis, mas eu com certeza não conseguiria nem encarar ele nos olhos sem morrer de vergonha, então provavelmente, a Cher.
— Não me diga que você tem uma quedinha pelo Tomlinson! — Provocou com um brilho malicioso em seu olhar.
— Claro que não! — Mentiu, rápido demais, para se livrar da acusação. — É só que… Eu sou uma directioner, ok? É difícil manter a compostura diante de um dos meus ídolos.
— Sabe , de repente eu não tenho mais tanta certeza sobre você. — Disse sério, balançando a cabeça em falsa reprovação.
— Matthew! — Riu, dando-lhe um tapinha no braço. Estava feliz por ter conquistado a primeira amizade naquele lugar.
— É sério! — Acompanhou a garota nas risadas. — Mas não se preocupe, tenho certeza de que você se sairá bem com qualquer um deles.
— Eu espero que você tenha razão. — Disse sincera ao mais novo conhecido.

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— Pessoal, nós vamos chamar alguns nomes e eu preciso que essas pessoas sigam para a sala ao lado. — Orientou Pablo, um dos diretores.
suspirou enquanto tentava se preparar para o que quer que estivesse vindo. Se por um lado não ser aprovada significava que tudo aquilo havia sido por nada; por outro, passar para o round seguinte significava que logo teria outra batalha a frente. Todos os dois cenários lhe pareciam aterrorizantes.
— James Maze, Theresa Kitton, Patricia Hill, Jess Tyson, Matthew Gall, Polly Watson… — O homem seguia chamando os nomes sem realmente olhar para nenhuma das pessoas.
— Te vejo no outro lado. — Matthew suspirou se despedindo e dirigindo-se para a outra área.
— Muito bem, é só você agora. — Sussurrou para si mesma.
— E Pat Neil. — Finalizou, por fim, amedrontando os remanescentes do galpão.
já se preparava para o pior, contudo, precisava admitir para si mesma que sua pequena vitória pessoal deveria lhe orgulhar o suficiente para não desistir da música. Respirou fundo e desejou como nunca que, independente daquele resultado, tivesse a determinação necessária para correr atrás de outras oportunidades.
— Prestem atenção aqui! — Tentou acalmar os ânimos que se agitaram com a saída do primeiro grupo. — Vocês estão classificados para a próxima fase.
Com o anúncio de Pablo, a euforia foi total no lugar. Nem mesmo ele pôde evitar sorrir diante da exultação generalizada. dava pulinhos de alegria e acabou envolvida no abraço de uma estranha qualquer que também comemorava o seu próprio sucesso.
— Parabéns pessoal, estamos muito felizes por ter vocês com a gente. — Ajeitou seu headset notando no quão estava cansado. — Tenho mais algumas instruções pra vocês. A partir de agora, o desafio das seis cadeiras começa. Sei que todos devem estar familiarizados com o conceito, afinal todos foram informados via email, mas irei repassar com vocês antes de darmos início oficialmente às filmagens de hoje.
, agora bem mais calma, assentou-se pronta para ouvir o que o diretor tinha a dizer. Não queria cometer nenhum erro e em seu íntimo tentava alimentar a confiança de que conquistaria uma vaga em algum dos times.
— Um a um vocês serão chamados ao palco para se apresentarem, lá seis cadeiras estarão organizadas para cada jurado. Se o jurado gostar da sua apresentação, ele lhe dará uma das seis cadeiras. Notem que são apenas seis vagas por jurado e que cada um deles está designado a um grupo de 10 atrações. — Coçou a testa, era muita informação para saber de cabeça. — Logo, se você ganhar uma cadeira e o seu jurado gostar mais de outra apresentação, ele pode substituir a sua vaga por quem ele gostar mais.
E ali estava uma das coisas que a mais evitava: confronto. Como se comportaria se tivesse de disputar com alguém por um lugar? Ela realmente merecia estar ali? Merecia ocupar o lugar de outra pessoa? Os questionamentos que se multiplicavam em sua mente enfraqueceram levemente a sua não tão grande confiança.
— Os jurados já sabem por qual time serão responsáveis e vocês descobrirão quando eles começarem a chamar os nomes. Vamos separar os times em lugares diferentes e estaremos o tempo inteiro filmando suas reações, estejam cientes disso. — Avisou. — Vamos começar em cinco minutos, quem precisar ir ao banheiro ou retocar a maquiagem faça isso agora, pois quando vocês estiverem na zona das câmeras, não poderão sair.
não pode evitar um pensamento que lhe ocorreu ao ouvir aquilo. Ela sempre estaria na zona das câmeras dali em diante, precisava escanear suas redes mais tarde para ter certeza de que não tinha nada embaraçoso por lá. Precisava se certificar também de que estava com a sua melhor aparência naquele momento, conseguindo ou não a tal cadeira, aquele episódio iria ao ar.
Sacou o celular do bolso da calça branca que trajava e clicou no ícone da câmera a fim de checar sua imagem uma última vez. Naquele dia havia se empenhado bastante em ficar bonita, seu cabelo estava preso em um coque despojado para que suas clavículas ficassem expostas com a sua escolha de roupa. O body preto de mangas longas não lhe tapava os ombros e delineava perfeitamente o seu torso. Estava satisfeita com a produção e decidiu, então, rumar diretamente para o local onde era aguardada.

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— Boa tarde, Wembley! — Dermot saudou a plateia recebendo gritos histéricos em resposta. — Hoje é o dia de um dos meus eventos favoritos nesse programa: o desafio das seis cadeiras!
O homem lidava com a audiência impecavelmente e em uma das áreas de bastidores da arena, e outras 9 garotas o acompanhavam por uma transmissão na tela do local. Seria daquela forma que todos os outros competidores assistiriam não só à todas as apresentações, como também saberiam quando estavam sendo convocados ao palco.
O clima no território das garotas não estava tão amistoso, talvez fosse a estranheza do início da competição ou talvez fosse a competição em si. A atmosfera ali era incômoda para , odiava estar em uma posição de embate, especialmente se isso significava se opor à outras forças femininas. Queria achar uma brecha e talvez fazer uma graça qualquer para aliviar a tensão, todavia não se sentia segura para tal.
— E temos uma novidade dessa vez. — Sorriu quando uma luz iluminou um botão vermelho um pouco à frente da mesa dos jurados. — Quando esse botão for pressionado por um jurado durante uma das apresentações de seu time, a pessoa que se apresentou ganha uma vaga fixa e não terá que disputar a sua cadeira com mais ninguém. Sabem o que isso significa?
Novamente, uma onda de gritos histéricos foi devolvida ao apresentador. Deus, como ele amava o seu trabalho!
— Exatamente, pessoal! Isso significa que a pessoa que receber esse botão já tem uma vaga garantida nas audições que acontecerão nas casas dos jurados.
— Esse botão já é meu. — Uma das participantes do grupo de declarou confiante, recebendo uma meia dúzia de olhadelas feias.
— Senhoras e senhores, por favor recebam os jurados! — Anunciou o apresentador.
conteve um suspiro quando avistou Louis vestido em uma jaqueta jeans com as mangas dobradas e os antebraços tatuados a mostra. Algumas de suas colegas de equipe, no entanto, não economizaram tanto em suas reações.
— E vamos ao primeiro jurado de hoje: Simon! Simon, quem você gostaria de chamar ao palco? — Questionou O’Leary.
Houve um momento de silêncio para construir suspense sobre qual seria o time comandado por Simon. Tudo o que sabia naquele instante é que não gostaria de ser escolhida por ele, Cowell lhe passava uma sensação ruim e ela não sabia bem justificar o motivo.
— Dermot, eu gostaria de ver a banda Agains’t Your Law primeiro. — Informou, deixando claro que estaria à frente da categoria grupos.
Rapidamente a banda ocupava uma porção do palco e não tardou muito para que conseguissem uma cadeira. O jurado sênior do reality logo preencheu todos os seus assentos e por fim, trocou alguns participantes de lugar, apertando o botão para a sua última atração, uma boyband.
A britânica não pode evitar uma emoção agridoce em seu peito. Ah, como o tempo era líquido e como ela gostaria de alugar um barquinho e remar o seu caminho de volta nos anos. Aquela realidade, a qual agora ela pertencia, iluminou todos os seus sonhos adolescentes e assistir àquela réplica lhe causava saudades.
— A seguir, nós temos Louis Tomlinson! Louis, quem abrirá as apresentações do seu time? — Dermot continuava com o mesmo entusiasmo.
— Dermot, tenho que dizer que estou ansioso para ver isso. — Comentou com um sorrisinho que faziam seus olhos faiscarem. — , você pode subir ao palco, por favor?
Todas as garotas se viraram, impacientes para saberem sua reação. A se levantou, evitando olhar para a câmera diretamente, e fez seu caminho até ao palco, dando o seu melhor para reprimir aquele nervosismo. Louis seguiu seus movimentos atentamente e não quis repreender a convicção que lhe acertara naquele instante: o jeito meio tímido e incerto da mulher se portar parecia adorável aos seus olhos.
, é bom te ver novamente! Não precisaremos interromper sua apresentação dessa vez, certo? — Brincou tentando captar o estado de espírito da londrina.
— Eu espero que não. — Riu timidamente, sentindo-se um pouco mais confiante.
— Muito bem, esse é o seu momento então. — Reclinou-se em seu banco, pronto para assisti-la.
, embora muito nervosa, determinou-se a deixar sua experiência ruim no passado e preparou-se para entregar uma nova versão de si no palco. Louis, por sua vez, perdeu algum tempo reparando em como a mulher ficava bonita com seus cabelos presos e quando seus olhos curiosos se colocaram a examinar o resto de seu corpo, o cantor limitou-se a tomar um gole de sua água para retirar aquela visão de sua mente.
Ainda um pouco retraída, começou a cantar sua própria versão acústica de Scared to Be Lonely. A escolha de repertório havia sido muito bem planejada, dessa vez a cantora queria ganhar seu público e nada melhor do que uma música popular para tal. Alheias ou não a essa artimanha, as pessoas pareciam gostar do pequeno espetáculo e para a felicidade da jovem, muitos a acompanhavam na letra.
— Eu te avisei. — Tomlinson cutucou Simon sem que sua atenção se desviasse de .
Simon sorriu de lado e balançou sua cabeça concordando silenciosamente. Sabia que Louis poderia estar certo, contudo, não podia depender apenas daquela possibilidade para que a edição fosse um sucesso.

Is the only reason you’re holding me tonight
(A única razão para você estar me abraçando esta noite)
cause we’re scared to be lonely?
(É por estarmos com medo de ficarmos sozinhos?)

Terminou a canção feliz com o resultado e com a recepção calorosa da plateia. poderia muito bem se acostumar àquela sensação e essa nova perspectiva lhe rendeu uma motivação renovada.
— Uau! — Murmurou Cher contente não apenas com o cover, mas com a agitação dos expectadores que gritavam para que Louis cedesse logo um assento. No que dizia respeito ao cantor, ele sustentava um sorriso satisfeito em seus lábios, pronto para obedecer.
— Ah, ! Eu sabia que não estávamos errados sobre você, garota. — Williams tomou a fala. — Sinceramente, Louis seria doido de não lhe dar uma cadeira.
sorriu, grata pelas palavras do homem. Nunca se acostumaria a receber elogios de pessoas que tanto admirava e era nítido para todos eles o quanto ela apreciava o reconhecimento.
— Eu pretendo não somente fazer isso… — Pôs-se de pé, pensando consigo que nem ele acreditava no que estava prestes a fazer.
— Ah por favor, você tá brincando comigo, né? — Nos bastidores, Violet, também candidata ao time Louis, externou o que muitos pensavam, recebendo certo apoio das demais.
O moreno aproximou-se do botão compartilhando um olhar cúmplice com a garota a alguns metros de distância. imaginou que aquele alvoroço em seu estômago deviam ser as tais borboletas de que tanto ouvira falar em suas fanfics favoritas. Quando o homem lançou sua mão sobre a superfície vermelha, a britânica prendeu sua respiração, sendo iluminada por uma dúzia de holofotes. Louis Tomlinson acabara de entregar a maior vantagem do dia para sua primeira competidora, não se atentando ao fato de que ainda precisava julgar mais nove.
— Estou certo de que você ainda vai nos surpreender muito com o seu talento. O lugar é seu, . — Disse, recebendo grande apoio do público.
Surpresa e um tanto aliviada, a se direcionou à primeira cadeira, distribuindo agradecimentos para todos que os quisessem. Louis devia realmente ter muita confiança na mulher e, apesar disso impulsionar o seu ego, a responsabilidade de ser uma favorita lhe amedrontava grandemente.

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Ainda eufórica pela vitória recente, desceu saltitante os degraus que a traziam de volta para a área interna da arena. De onde estava, reconheceu a figura loira de Matthew conversando com um funcionário não identificado da equipe. Sentiu-se um pouco mal pela eliminação do homem e resolveu abordá-lo para saber sobre sua situação. Matt, por sua vez, não notou a aproximação da mais nova e ergueu parcialmente sua camiseta para que Logan, um dos encarregados do ajuste de áudio do programa, removesse o emaranhado de fios que fixava um microfone à suas roupas.
— Oi, Matt! — Cumprimentou, sorrindo cautelosamente, dessa vez assustando o rapaz.
parou o que estava fazendo tentando entender a cena. Por que Gall estava grampeado com um microfone se nem mesmo os candidatos que subiram ao palco tiveram de ser equipados daquela maneira?
— Ah, oi! — Abaixou rapidamente a peça, interrompendo Logan que o olhava sem entender. — Achei que vocês ainda estariam lá em cima.
— Por que você tem um microfone? — Franziu o cenho.
— Bem, acho que agora não tem porquê esconder mais… — Deu de ombros, voltando a erguer o tecido para um agora mal humorado Logan. — Eu não sou um participante, sou um funcionário do programa.
— Mas eu não entendo, me disse que havia participado das audições. — Cruzou os braços desconfiada.
— Pois é, era mentira. — Despejou a informação de maneira indiferente e a garota, instintivamente, deu um passo para trás. — Eu precisava de um motivo para conversar com você e conseguir bons recortes pra edição. Aliás, você facilitou bastante o meu trabalho, obrigado.
— Como assim bons recortes? — Arregalou os olhos. — Você estava me enganando o tempo todo?
— Não leve para o lado pessoal, certo? — Juntou as mãos da mulher nas suas. — Isso tudo faz parte do programa, é um reality no fim das contas.
Chocada com a nova descoberta, puxou suas mãos bruscamente, evitando o contato do ator. Mal podia acreditar que a produção realmente faria algo como aquilo com os participantes, não parecia certo.
— Tudo bem, como quiser. — Referiu-se ao movimento abrupto. — De qualquer forma, aqui vai um conselho: essa será a sua vida daqui pra frente, especialmente se você cair nas graças do público. Isso é um reality, as pessoas querem ver drama, querem intriga. De um jeito ou de outro, você é um recurso pra aumentar a nossa audiência, ninguém está preocupado com os seus sentimentos. São os caras da edição que escolhem os mocinhos e os vilões, se eu fosse você, ficaria atenta a isso.
Dizendo isso, Gall tomou o seu caminho deixando suas duras palavras no ar. ainda processava a sinceridade, sem saber o que fazer com aquilo. Não sabia como lidar com o fato de que a sua história poderia não estar mais em suas mãos e a falta de controle sobre a situação lhe causou um súbito medo do que estava por vir. Talvez o papel da estrela não lhe caísse tão bem já que ela não conseguia imaginar um mundo onde ela sempre teria de desconfiar daqueles que se aproximassem. Expulsou esse pensamento, no entanto, e resolveu deixar aquele problema para a do futuro.

NOTA DA AUTORA
Oi gente! Vocês nem imaginam quantos pepinos essa pp do futuro tem pra resolver hahaha
Enquanto eles ainda estão para serem desenrolados, queria avisar que eu criei uma playlist das músicas mencionadas em cada capítulo e criei também uma pasta com os looks da pp (ambas são atualizadas com o decorrer da história).
Um beijo e até o próximo capítulo! ♡