Can I Be The One?

Can I Be The One?

Sinopse: Os mundos de um famoso cantor e de uma fotografa recém formada não tinham nada para se encontrar. Ela brasileira, residente em Londres e recém formada em fotografia. Tinha uma boa carreira iniciante, uma boa melhor amiga e um namoro com o homem com quem ela jurava que iria se casar.
Harry era um cantor mundialmente famoso que estava pelo mundo em sua turnê. A carreira solo era um sucesso, sua equipe eram seus amigos e se encontrava em uma boa amizade com benefícios com uma modelo famosa. Mas um dia o destino decidiu que era a hora de os dois se encontrarem, e algo que começou como apenas uma troca de olhares em um show, toma rumos muito diferentes do que o imaginado.
“- Eu adoro essa música – foi o comentário dela enquanto eu deixava meu violão de lado
– Você não respondeu – eu tinha um sorriso de canto e a garota franziu o cenho em confusão
– Não respondi o que? – eu me aproximei dela e percebi suas mãos tremerem denunciando seu nervosismo por nossa proximidade.
– Can I be the one? ”
Gênero: Romance
Classificação: 16 anos.
Restrição: Harry Styles é fixo.
Beta: Regina George

Prólogo

Novembro, 2017 – Manchester, UK


We can meet again somewhere
Somewhere far from here


pulava de alegria à frente do palco enquanto eu, parada atrás dela, recebia um olhar torto de uma garota que havia perdido o lugar para a minha amiga.
O aniversário da garota estava chegando e eu tive que me virar para encontrar ingressos para o show do cantor favorito dela, já que não havia encontrado um presente adequado até então. Além daquilo, ela se mudaria por alguns meses para o Japão então o presente era como um presente de despedida ou um até logo e quando eu finalmente consegui ingressos para o show de Manchester a garota quase quebrou meu pescoço em um abraço.
Há uma semana eu recebia mensagens matinais de uma contagem regressiva para aquele show e no dia em questão o rádio do meu carro havia sido monopolizado por durante toda a viagem de Londres para Manchester para que o novo cd de Harry Styles fosse tocado e eu estivesse a par das músicas que eu honestamente desconhecia, exceto pelas que tocavam na rádio enquanto eu dirigia para o trabalho.
Após minutos de espera as luzes se apagaram, uma melodia calma iniciou e eu percebi silhuetas se movendo na escuridão. Algumas vozes tranquilas diziam coisas que eu não entendia e quando a melodia cresceu as luzes subitamente se acenderam, um homem surgiu no microfone que estava bem a minha frente e soltou um grito estridente que me lembrou Mick Jagger de algum modo. O público explodiu a visão do cantor e eu o vi sorrir empolgado antes de cantar os versos iniciais da primeira canção do show.
Open up your eyes shut your mouth and see that I’m still the only one who’s been in love with me – ouvi a garota que estava ao meu lado cantar junto a Harry e a toda a plateia enquanto eu tentava controlar as batidas do coração que estavam descompassadas ainda pelo susto do início da música. Por um segundo eu pensei que deveriam avisar as pessoas com problemas cardíacos, mas em seguida o pensamento de que eu talvez fosse a única despreparada ali me fez deixar a ideia inicial de lado.
Todos os fãs ao meu redor gritavam, pulavam e cantavam junto ao cantor e Harry por sua vez cantava animadamente, com um sorriso nos lábios como se aquilo fosse tudo do que ele precisasse naquele momento. Depois da monopolização do meu rádio mais cedo eu havia aprendido pelo menos os refrões de algumas músicas e cantava junto a multidão recebendo olhares orgulhosos de que cantava a plenos pulmões.
Para ser sincera eu nunca havia gostado muito do estilo das músicas que eles cantavam na one direction, mas as músicas solo de Styles havia me agradado mais que o esperado. Ainda existiam as músicas lentas e românticas, mas eram diferentes, como se houvesse um pouco do One Direction ali, mas muito mais de um cantor solo que eu não esperava que Styles fosse.

[…]

– O nome dessa música é Medicine – a voz de Harry anunciou e os fãs gritaram.
O solo de uma guitarra se iniciou na oitava música da noite. Eu não me lembrava daquela no cd e a confirmação veio quando informou que aquela não estava lá mesmo, em um tom animado, como se apesar da ausência da versão de estúdio no cd ela realmente estivesse esperando aquela música na apresentação.
Here to take my medicine, take my medicine, treat you like a gentleman – a voz de Harry começou em um tom que fez minha espinha arrepiar. Ele se movia lentamente próximo ao pedestal do microfone e eu me vi me movendo no mesmo ritmo que o garoto. Os quadris tinham movimentos sutis e a expressão de Styles me fazia sentir todo o clima da música.
I had a few, got drunk on you and now I’m wasted – por um momento eu percebi o olhar de Harry sobre mim e ele sorriu de canto enquanto eu percebi que eu sorria do mesmo modo – and when I sleep I’m gonna dream of how you… – o público gritou a palavra “tasted” e Harry sorriu novamente me encarando com um sorriso malicioso e fez um movimento com seu quadril no pedestal do microfone mordendo o lábio e eu só consegui rir fraco e tentar normalizar a respiração. Por que aquela música não estava no cd? Quando ele havia se tornado tão sexy? E por que diabos eu estava achando que ele estava olhando para mim sendo que ele poderia estar olhando para qualquer pessoa? Eu não sabia responder, só sabia que estava sentindo calor e provavelmente não seria pela multidão.
Em certo momento um solo da bateria iniciou e Harry se afastou tomando água, depois voltou ao microfone cantando novamente o verso em que o público gritou “tasted” e as luzes se apagaram com um grito do público e quando se acenderam eu tinha os olhos diretamente nele e novamente ele moveu os quadris na direção do pedestal. Ele segurava o microfone de um modo soberbo e quando a música teve fim ele “me” lançou uma piscada e as luzes se apagaram novamente me deixando com pernas bambas e uma respiração para controlar.
– Ele é tão sexy – murmurou para mim e eu sorri
– Disso eu não posso discordar – murmurei de volta e a garota se virou para me encarar com um sorriso nos lábios
, sua safada – eu gargalhei a empurrando para que voltasse sua atenção para o palco quando a música seguinte tocou.

[…]

Quando Sign of the times teve início eu soube que passaria dias escutando apenas aquele álbum de Harry Styles. Eu havia precisado de um único show para me sentir completamente envolvida pela música do cantor. A música era calma, mas ao mesmo tempo cheia de emoção e a forma como era performada e como Harry olhava seu público com um sorriso orgulhoso ao ouvir o coro de pessoas cantando junto a ele me fazia querer reviver aquele momento antes mesmo de ter acabado. Os vocais de Harry eram incríveis e iam de um extremo a outro com uma facilidade fascinante. Ele sentia cada nota de sua música e eu nunca me senti tão envolvida por algo antes.
We don’t talk enough, we should open up, before it’s all too much – ele voltou os olhos em minha direção com um sorriso singelo e eu não pude conter meu sorriso apesar de estar me sentindo idiota por achar que ele pudesse estar olhando para mim quando na verdade deveria estar olhando para a loira alta atrás de mim. Por deus que tipo de merda adolescente você tem na cabeça?
O final de repetições de We got to away tiveram toda a atenção de Styles em suas notas perfeitamente encaixadas. Por algum motivo eu me senti emocionada e os olhos se encheram de lágrimas. Quando a música terminou com um solo lento da bateria as pessoas gritaram e Styles agradeceu seu público com um largo sorriso nos lábios. Quando seu olhar pousou em minha direção eu sorri na mesma intensidade levantei minhas mãos até onde ele pudesse ver e bati palmas que foram seguidas de outras até que todo o local estivesse o aplaudindo. Ele sorriu e sussurrou um “obrigado” recebendo um sorriso meu de volta. E aquela foi a confirmação de que talvez ele realmente estivesse me encarando.
Era estranha aquela conexão de olhares em meio à multidão e eu nunca havia me sentido tão inclusa em um show quanto naquele e era como se eu conhecesse Harry. O que tornava tudo mais estranho, porém empolgante. Harry Styles havia me ganhado em um show e eu me sentia meio boba por ter seguido o show com mais alguns arrepios na espinha e respirações dificultadas, mas se pudesse escolher não me sentir daquele modo eu com certeza não escolheria. Aquela foi uma noite arrebatadora e eu não pensei que pudesse viver algo daquele tipo nos últimos tempos. Aquela leveza a muito não me visitava, a sensação de peso no coração havia me deixado, mesmo que só por hora, e o mundo do lado de fora daquela arena não existia enquanto Harry entoava suas perfeitas notas em suas perfeitas canções. Me perguntei quando me sentiria daquele modo de novo, sem fazer ideia de que seria mais cedo do que eu imaginava. Mas também não fazia ideia de que seria em uma das fases mais complicadas da minha vida.

Capítulo 1

Dezembro, 2017 – London, UK

Lately I’m getting lost on you
You got me doing things I never thought I’d do
Never spent so long on a losing battle


O frio começava a dar as caras por Londres naquele fim de tarde. O inverno estava próximo de começar e eu sequer queria imaginar como seriam os dias de ensaios que teríamos para o final de ano. Fotos na neve a céu aberto. Havia apostado com que até o fim do mês eu teria morrido congelada e como sempre, ela me chamou de dramática.
havia ido para o Japão há apenas quinze dias e eu não podia mensurar o quanto eu já sentia a falta dela naquele lugar. Nada era o mesmo sem ela. Há quinze dias eu ia de casa para o trabalho e almoçava sozinha por ela ser a única com quem eu saia. Londres sem era mais cinza do que eu poderia imaginar e não era algo figurado, era real. Desde que havia ido os dias lá fora estavam cinza e isso provavelmente era por conta do inverno, mas eu tinha licença poética para dizer que era por ter ido embora. Eu não era dramática naquele modo, eu apenas gostava de fazer drama para fazer os outros rirem. Minha vida já estava cheia de dramas bem reais para eu querer arranjar novos.
– Ei – ouvi Tim, meu colega de algumas mesas ao lado me chamar, ele estava de pé com seu casaco e bolsa nas mãos junto a um grupo de outras pessoas – Nós estamos indo pro bar da esquina, quer vir conosco? – eu sorri fraco pensando sobre o asto, mas logo a ideia de uma discussão com Tony por eu ter saído com os “caras” do trabalho tomou conta da minha cabeça.
– Hum, obrigada Tim, mas eu preciso terminar algo por aqui e depois quero ir para casa descansar, mas se divirtam – acenei e vi um sorriso triste surgir nos lábios dele
– Ei, vocês podem ir, eu já encontro vocês – ele acenou para os outros que seguiram para os elevadores e caminhou em minha direção, puxando uma cadeira e se sentando comigo – a gente pode conversar? – pediu e eu me ajeitei na cadeira assentindo – , eu te fiz algo? Quero que seja sincera, por que eu não sei – eu franzi o cenho para ele confusa
– Não, não fez nada, mas por que a pergunta? – foi a vez dele se ajeitar na cadeira
– Faz uns meses que você não sai mais com a gente, só saia com a e nas poucas vezes que saiu conosco foi embora cedo e parecendo chateada – eu engoli em seco, sabia do que ele estava falando – Eu não quero me meter na sua vida nem nada, mas quero saber se está tudo bem, por que você nem parece mais com você mesma – eu sorri fraco e me afastei um pouco
– Está sim, na verdade é só o cansaço , eu estou realmente precisando de férias – forcei uma risada fraca na qual ele me acompanhou – Mas eu estou bem, você não fez nada, juro – lhe entreguei um sorriso e ele sorriu fraco em resposta – Agora vá se divertir, tem pessoas te esperando e aposto que alguma daquelas bartenders está esperando pelo cliente favorito – a brincadeira pareceu tirá-lo do pensamento anterior e ele riu se levantando e levando a cadeira de volta ao lugar
– Tudo bem, mas se precisar de qualquer coisa pode falar comigo – ele parou à minha frente – Sei que deve sentir muita falta da e que ela é sua melhor amiga, mas pra o que você precisar eu estou aqui, de verdade, eu gosto muito de você – eu sorri e me levantei, afastando por um momento de minha mente o que Tony diria e abraçando Tim que retribuiu o ato
– Obrigada, de verdade – sussurrei – Você é ótimo – me afastei vendo Tim sorrir fraco – Agora vai e bebe por mim – ele começou a se afastar rindo
– Eu vou mesmo – ele acenou e se virou indo em direção aos elevadores e me deixando sozinha no andar.
Já havia dado o meu horário, mas nas últimas semanas eu preferia ficar um pouco mais no trabalho adiantando o serviço do dia seguinte. Porém a razão para aquilo não era por eu ser uma boa funcionaria apenas, mas por que ir para casa sempre implicava em precisar estar com Tony. Nas últimas semanas brigávamos constantemente enquanto estávamos juntos. Fosse por algo sério, como a troca de mensagens dele com algumas garotas, que ele dizia ser inocente, ou pelo copo que havia ficado na pia. Tudo era motivo para alguma briga e eu já não aguentava mais. O único momento que não brigávamos era quando estávamos transando, mas nem isso era o mesmo. Não havia mais todo o tesão que tínhamos antes. Mas nos amávamos, e era isso que eu respondia para mim mesma todos os dias quando mentalmente eu me perguntava por que não terminar com ele.
Naquela manhã havíamos brigado pela intensidade do café, que era a mesma de todos os dias. Anthony insistia que o café estava mais forte e que eu havia feito de propósito e isso desencadeou uma discussão que tomou rumos além do café. Ele acusou estar chateado comigo e eu apenas escutei. Depois houve o momento em que ele me culpou por tudo que ele havia feito e havia desencadeado nossas brigas e eu apenas explodi o chamando de sem caráter. Ficamos nessa briga por mais alguns minutos quando eu saí de casa para o trabalho e só ali, no fim do dia, eu percebi o desastre que estava. O cabelo estava meio despenteado, minhas roupas não faziam sentido entre si e minha maquiagem muito menos.
Antes de ir embora tirei tudo que tinha na cara e arrumei os cabelos para só então decidir tomar o caminho de casa. Me despedi do porteiro do prédio e resolvi que naquele dia não tinha cabeça para dirigir de volta para casa, pedindo por um carro no aplicativo. O veículo logo chegou já que estava deixando alguém no prédio vizinho e eu não demorei a estar pelas ruas de Londres. O rádio tocava uma música qualquer baixa que ao dar um pouco mais de atenção percebi que talvez a conhecesse, mas não me animei de tentar descobrir de onde. Vinte minutos depois o carro estava parando em frente ao meu prédio e eu me despedi do motorista desejando um bom restante de noite, me sentindo meio idiota por não ter trocado muitas palavras com ele no veículo. Entrei no prédio parando para uma breve conversa com meu porteiro sobre sua esposa e depois seguindo para o elevador e apertando o botão do quarto andar. Eu sentia meu corpo mole e lento, os olhos pesavam e eu sabia o quanto precisava dormir. As portas se abriram e eu segui para fora do elevador indo até a última porta do corredor. Abri a mesma e entrei sem olhar muito em volta. A casa estava silenciosa o que me denunciava que Anthony ainda não havia chego. Tirei os sapatos e joguei a bolsa no chão indo até a cozinha e tomando um copo de água. Abri os botões da camisa e quando finalizei minha água segui pelo corredor até a porta do quarto.
Sabe quando seu dia começa ruim e você pensa que nada pode piorá-lo? Pois bem, naquele dia eu descobri que o que está ruim pode se tornar horrível em um abrir de porta.
Lá estava Tony. Na cama que compartilhamos na noite anterior. Na cama onde acordei naquela manhã lhe dando um beijo na testa. Lá estava ele, mas não era eu quem estava ao lado dele. Havia uma garota deitada coberta pelos lençóis brancos que eu havia comprado na semana passada. A perna sobre o corpo despido de Anthony que dormia com as mãos nos cabelos dela.
Meu coração tomou um peso que eu não sabia que ele poderia tomar e eu senti o estômago embrulhando. Eu não queria acreditar na cena que meus olhos viam, mas não conseguia desviar os olhos e nem caminhar. Estava paralisada. E em segundos o último um ano e meio se passou em minha mente, com todas as boas lembranças que antes me davam forças para continuar naquele relacionamento se desfazendo em pedaços e se tornando um monte de nada.
Ele não me amava. A realidade daquelas palavras me acertou em cheio junto as lágrimas que escorriam quentes por meu rosto. Ele não me amava.
Antes que eu pudesse fazer algo Anthony se moveu na cama sem me notar a porta e checou as horas em seu relógio se assustando e sacudindo a garota
– Acorda, você precisa ir antes que minha namorada chegue – foi o que ele disse enquanto passava as mãos pelas costas da garota, se virando para a porta em seguida e parando estático enquanto me notava ali.
– Na verdade ela pode continuar dormindo, por que eu não vou ocupar mais essa cama – sussurrei e ele se levantou seguindo em minha direção e antes que pudesse encostar em mim minha mão encontrou seu rosto em um tapa que eu não esperava dar, mas que satisfez um pequeno pedaço do meu coração – Não ouse encostar em mim – naquele momento eu pude ouvir um ódio que eu desconhecia em minha voz. A mão de Anthony estava em seu próprio rosto surpreso com minha atitude
, amor eu posso…
– Não me chame de amor – eu tentava não gritar por que não queria alarmar os vizinhos e nada nunca foi tão difícil na minha vida – Nem ouse vir com seu papo furado de que fez isso por estar chateado e que me ama e que não vai acontecer de novo – eu comecei a fechar os botões da camisa que estavam abertos – Você nunca me amou, sempre amou o quanto eu te fazia bem, e isso realmente não vai mais acontecer por que isso aqui – apontei para ele e para mim – acabou, de uma vez por todas – o empurrei indo até o closet, pegando minha mala e a abrindo no chão. Peguei minhas coisas de qualquer jeito, as joguei na mala sem me importar de como estariam, apenas preenchi a mala com tudo que coube e a fechei.
, vamos conversar – Anthony estava parado à porta do closet e assim que me levantei ele fez menção de se aproximar
– Se você encostar em mim eu juro que vou te bater até você esquecer seu nome – a ameaça o assustou e ele apenas recuou enquanto eu caminhava para fora do closet. Eu sempre era a pessoa calma, paciente e compreensiva. Eu nunca havia alterado tom de voz, nem batido, sequer ameaçado alguém. Todas as minhas ações daquele momento assustariam qualquer um que me conhecesse – Eu estou levando minhas chaves, domingo passo para pegar o resto das minhas coisas e espero que você não esteja aqui, de verdade – eu não o olhei de novo e segui pelo corredor ouvindo seus passos atrás de mim.
, espera – eu parei minha caminhada e me virei para ele, deixando que tudo que estava na minha garganta saísse
– Nunca mais me chame de , você não tem esse direito – apontei o dedo para ele sentindo todo o meu corpo tremer – Eu não quero te ver, não quero escutar seu nome, não quero notícias suas, nunca mais. Você não me merece, não merece metade de quem eu sou, isso é muito para você. Eu não espero que coisas ruins te aconteçam, espero de verdade que você seja feliz pra caralho com outra pessoa, mas bem longe de mim. Você me quebrou em mil pedaços e eu não te quero por perto quando eu terminar de juntá-los. Eu ouvi de uma pessoa que você havia me feito fazer coisas que eu nunca faria e achei que fosse sobre amor, mas não era, era sobre todas as merdas que você fez que eu nunca perdoaria e perdoei, mas não mais Anthony, pra mim já chega. Espero realmente que você seja feliz com alguém, mas espero que antes disso você melhore, para não machucar mais ninguém do jeito que me machucou – seus olhos se encheram de lágrimas e uma pequena parte de mim se sentiu mal, mas a outra grande parte me fez caminhar, calçando os sapatos que estavam ao lado da porta, pegando a bolsa com meu celular e documentos e sair do lugar com uma batida forte da porta. Chamei pelo elevador que logo estava em meu andar e quando as portas se fecharam eu soltei a mala e gritei. Um grito alto e carregado de tudo que estava em meu peito. Dor. Dor. Dor. Era só o que eu sentia. E me odiava por estar sofrendo por ele, mas sabia que não podia evitar. Peguei meu celular na bolsa e mandei uma mensagem para .

:

, estou indo para o seu apartamento 08:26 pm

Algo aconteceu e espero que não tenha problema 08:26 pm

Juro que é só por algum tempo 08:26 pm

Por conta da diferença de fuso eu sabia que ela não responderia, então apenas deixei informado, sabendo que ela não se importaria já que ela havia deixado as chaves comigo. Sai do elevador e recebi um olhar confuso do meu porteiro.
– Vai viajar senhorita ? – ele se levantou pronto a me ajudar com minha mala
– Não Joseph, eu estou indo embora – ele me encarou ainda confuso e eu sorri fraco – Você nunca o viu subir com outras garotas? – perguntei o encarando e ele ainda parecia confuso
– O senhor Brouwer? – eu assenti, contendo choro – Não senhorita, ele sempre sobe pelo estacionamento, quase nunca o via, só quando estava com a senhorita – ele tocou meu ombro – Ele estava com alguém? – eu sorri triste e assenti – Ah senhorita , eu sinto muito – eu sabia que Joseph estava dizendo a verdade. Ele era um senhor já idoso cujo a mulher e a neta que criavam eu adorava e sempre ganhava tortas deliciosas de Mary. Eu sabia que ele me contaria se soubesse de algo – Não fique triste criança, se eles fez isso não merecia você, um dia você vai encontrar alguém que te ame como eu amo a minha Mary e ele ou ela vai fazer de tudo por você, eu prometo – eu sorri sem mostrar os dentes e sem conseguir conter algumas lágrimas fujonas
– Obrigada Jô, vou sentir falta de te encontrar todas as manhãs – os abracei brevemente e ele retribuiu o abraço
– Me passe o novo endereço depois, aposto que Mary vai querer te mandar uma torta de frango daquelas que você adora – eu consegui rir
– Eu vou adorar – peguei minha mala a porta do prédio e sorri para Jo – eu te passo o endereço quando o tiver, obrigada por tudo e mande um abraço para Mary e para Alice
– Pode deixar – acenei me afastando, pedindo por um carro no aplicativo que logo chegou e me ajudou com a mala. Seguimos para o endereço de em uma conversa sobre o último passageiro que ele havia deixado na vizinhança. Quando chegamos ao prédio de ele me ajudou novamente com a mala e eu lhe desejei boa noite indo em direção a portaria. O porteiro que já me conhecia apenas me desejou boa noite e eu segui para o elevador apertando o oitavo andar. Quando as portas se abriram eu segui para a quarta porta da direita e entrei no local fechando a porta logo atrás de mim. Segui direto para a cozinha em busca de algo que pudesse beber, mas havia dado suas garrafas de bebidas para o pessoal do escritório quando viajou.
Me sentei na bancada deitando minha cabeça na pedra de mármore e encarando a janela. Dali eu via parte da cidade que brilhava com luzes de carros e prédios. Eu percebi que havia cochilado por trinta minutos quando meu celular vibrou sobre a bancada com uma nova mensagem de um número desconhecido.

Desconhecido:
Só falta você aqui 09:34 pm

E havia uma foto de Tim com um microfone em mãos no que eu supus ser o bar da esquina. Sorri fraco já digitando que não estava em clima para ir quando todos os acontecimentos da noite me pegaram e eu apaguei digitando uma nova mensagem.

:

Me espera? Em trinta minutos estou por aí, preciso mesmo de uma bebida 09:35 pm

Tim:
Sério? Claro que eu espero 09:36 pm
Não estamos mais no bar da esquina, viemos para um outro que a Josie conhecia, vou te mandar a localização 09:36 pm

Após a resposta dele eu carreguei a mala para o quarto de hóspedes de e a abri em busca de algo para vestir. Entrei no banho em seguida e deixei que a água quente caísse em meu corpo e cabelos. Depois de um banho bem tomado e cabelos lavados, eu saí enrolada na toalha e coloquei o Homecoming da Beyoncé pra tocar enquanto me arrumava. Sequei os cabelos e os ondulei meio de qualquer jeito, depois me vesti e fiz uma maquiagem simples, apenas com um delineador, blush e gloss nos lábios. Coloquei meu cartão e documento e joguei dentro do bolso interno da jaqueta, pegando meu celular e chaves e deixando o apartamento. Enviei uma mensagem para Tim, informando que estava saindo de casa e pedi um carro que não demorou a chegar na frente do prédio.
Vinte minutos depois eu estava em frente ao bar e entrei no local. Era um bar/karaokê bem legal. Haviam em um canto uma daquelas máquinas de pegar bichinhos fofos, o karaokê estava à frente e o bar estava à direita com dois barman fazendo piruetas com garrafas enquanto uma música tocava enquanto ninguém estava no karaokê. Logo avistei alguém vindo em minha direção e dei de cara com Tim, que sorria e tinha algum tipo de bebida brilhante em mãos.
– Ei, que bom que mudou de ideia – ele comemorou me abraçando brevemente e me entregando a bebida em seguida – Isso e pra você, não sei o que tem dentro, mas o nome tinha a sua cara – eu tomei um gole da bebida que tinha morangos, rodelas de limão, gelo e vodka com alguma outra bebida que eu não identifiquei.
– Qual era o nome? – perguntei apontando a bebida
I ain’t sorry – eu ri com a coincidência de eu estar escutando aquela música em casa
– Só por que você sabe que eu adoro Beyoncé – murmurei e Tim riu
– Exatamente e mais tarde vamos cantar juntos, mas agora quero saber por que disse que precisava de uma bebida – Tim me abraçou pelo ombro me indicando uma das bancadas do bar e se sentando à minha frente
– Ah Tim, não quero te encher com isso e se souber que te contei antes de contar para ela, eu estou morta – brinquei e o vi rir
, se não contar vai passar a noite com essa cara triste e eu quero ver rindo hoje, se divertindo pra valer – ele me sacudiu um pouco pelos ombros – E eu prometo que não conto a – eu sorri fraco dando mais um gole na bebida e respirando fundo em seguida
– Bom… Quando cheguei em casa hoje, Anthony estava na cama com outra garota – soltei as palavras de uma vez e Tim abriu a boca indignado
– Mentira? – eu neguei com a cabeça – Ah meu Deus, , eu sinto muito – ele tocou meu ombro e eu toquei sua mão brevemente com um sorriso – Você quer xingar ele e a garota? Pode xingar, eu deixo – ri fraco negando com a cabeça
– Ele talvez eu xingue depois, mas a garota não, ela não tinha obrigação nenhuma comigo e apesar de saber que ele namorava, sei lá, não acho que xingar ela seja certo – dei de ombro e Tim sorriu
, eu honestamente quero ser como você quando eu crescer – eu ri finalizando minha bebida – Sabe o que vamos fazer? Você realmente vai beber mais uma dessas, vai subir até aquele palco e vai cantar essa música por que essa noite você merece tell him boy bye – eu ri fraco com a referência a música e Tim pediu por outra bebida daquelas que logo me foi entregue. Eu não sabia o que tinha naquele copo, mas sabia que a outra bebida misturada a vodka era forte por que quando terminei o segundo copo eu já sentia a cabeça girar e geralmente precisava mais que dois copos de vodka para me fazer ficar daquele modo. Quando terminei informei a Tim que eu iria até o palco e já não sentia vergonha. Pedi a música ao DJ que a colocou animado e eu peguei o microfone com Tim a minha frente junto as garotas do trabalho. Aquele ponto eu já estava pouco ligando para quem estava me vendo, apenas queria me divertir, então comecei a performar a música como Beyoncé no Coachella.

Sorry, I ain’t sorry
Sorry, I ain’t sorry
I ain’t sorry, girl, nah
Sorry, I ain’t sorry
Sorry, I ain’t sorry
I ain’t sorry

Comecei em ritmo animado e vi Tim e as garotas do trabalho dançando e cantando junto.

He trying to roll me up
I ain’t picking up
I’m headed to the club
I ain’t thinking ‘bout you
Me and my ladies sip my D’USSÉ cup
I don’t give a fuck, chucking my deuces up
Suck on my balls

Eu dançava de modo divertido e puxei Josie e Tim para o palco rindo e eles dançaram comigo enquanto eu gargalhava.

Middle fingers up, put them hands high
Wave it in his face, tell him: Boy, bye
Tell him: Boy, bye, boy, bye
Middle fingers up, I ain’t thinkin’ ‘bout you

Nós levantamos nossos dedos do meio rindo.

Now you wanna say you’re sorry
Now you wanna call me crying
Now you gotta see me wilding
Now I’m the one that’s lying
And I don’t feel bad about it
It’s exactly what you get
Stop interrupting my grinding

Tim e Josie performavam a música comigo e era provavelmente uma das coisas mais divertidas que eu havia feito nos últimos tempos.

I can’t believe I believed everything we had would last
So young and naive of me to think she was from your past
Foolish of me to dream while you cheat with loose women
It took me some time, but now I am strong
Because I realized I’ve got
Me, myself, and I
That’s all I got in the end
That’s what I found out
And it ain’t no need to cry
I took a vow that from now on, I’m gon’ be my own best friend

Terminei a música alguns versos depois rindo, Tim e Josie riam também e aplaudiram enquanto eu me curvava em uma reverência fingida. Devolvi o microfone a seu lugar e agradeci ao DJ que tocou em minha mão e em minha mente fiz uma anotação de voltar a aquele lugar. Depois de descer do palco, Tim e Josie decidiram que cantariam alguma música indie e eu apenas me direcionei ao bar decidida por tomar uma garrafa de água. Eu me sentei em um dos bancos do bar recebendo um sorriso do barman que logo me entregou a garrafa que eu pedi e foi atender uma outra garota na outra ponta do balcão. Eu ri fraco com a lembrança de toda nossa performance e balancei a cabeça em negação.
– Eu posso me sentar aqui?

Capítulo 2

Dezembro, 2017 – London, UK

You came into my life with no warning like a flash of light

Harry
Eu estava em casa atoa quando Kevin passou pelo local me arrastando com ele para um bar/karaokê escondido em Notting Hill. Eu não tive muitas opções já que Kevin conhecia minha agenda e sabia que eu estava livre naquela noite de sexta. Quando chegamos ao local eu apenas me sentei em um dos sofás que havia no canto próximo ao palco enquanto Kevin nos buscava coisas para beber.
O lugar era legal, mas como havíamos chegado cedo ainda não estava muito animado e apenas algumas pessoas dançavam ao som da música que tocava enquanto ninguém cantava no karaokê.
Eu esperava que ninguém me reconhecesse ali se eu não tomasse o palco do karaokê já que eu estava de férias e só queria ter a chance de descansar e me divertir com meus amigos naqueles dias que teria até o início da segunda parte da turnê.
Meu celular vibrou no bolso ao mesmo tempo que Kevin chegava com nossas cervejas. Tirei o aparelho do bolso vendo a notificação de mensagem de Kendall.

Kenny:
Ei, estou em Londres daqui a duas semanas, a fim de me encontrar? 09:42 pm

Só tive tempo de sorrir para a mensagem antes que Kevin soltasse algum comentário.
– Kendall de novo, cara? Sério? – o encarei e ele me olhava indignado. Kevin reprovava completamente o tipo de relação que eu havia criado com Kendall. Segundo ele eu não estava bem naquela relação e estava me entregando ao sexo sem compromisso pelo simples fato de ser o que ela queria, mas que eu na verdade era um ursinho que queria abraços e comédias românticas no Netflix. Aquilo não era uma completa mentira, nem uma total verdade. Eu adorava o sexo com Kendall, e realmente a parte de ser sexo sem compromisso havia partido dela, e eu queria sim abraços e comédias românticas, mas havia muita burocracia envolvida para ter aquilo. Ter um compromisso com alguém era algo que eu não queria no momento, já havia estado em relacionamentos suficientes para entender que pessoas – e isso inclui muito a mim – são complicadas e difíceis de lidar, e naquele momento, eu não queria mexer com aquilo, mesmo que significasse não ter abraços e comédias românticas.
– Kevin, está tudo bem. Ela quer, eu quero, não é como se alguém estivesse sendo usado nessa relação – dei de ombros pegando minha cerveja e lhe dando um gole – e somos amigos também, de algum modo meio confuso e estranho, mas somos, então está tudo bem. Eu não quero um relacionamento – eu vi os olhos de Kevin revirarem e não contive a risada. Kevin era um ótimo amigo, além de trabalhar comigo e cuidar de toda a minha vida, ele me conhecia e adorava me dar conselhos e garantir que eu estaria bem, mas às vezes ele precisava de um lembrete que eu tomava decisões sobre a minha vida.
– Tudo bem, eu vou acreditar nisso, mas só para não ser chato – murmurou e eu ri.
Depois de alguns minutos sentados percebi uma garota se aproximar e Kevin a encarar sorrindo e se levantar em seguida a abraçando.
– Josie, quanto tempo – a garota ria e Kevin também, quando se separaram engataram em uma conversa sobre como Kevin havia sumido e sobre o que aconteceu nos últimos anos que não se viram. Eu me mantive sentado até que Kevin se lembrasse que eu estava ali e trouxesse a amiga para me apresentar – Josie, esse é o Harry, Harry está é a Josie, uma antiga amiga – eu me levantei e abracei brevemente e quando me afastei reconheci o olhar em seus olhos. Era o olhar de quando alguém me reconhecia.
– Oi Harry, eu não quero te incomodar, mas antes de ir embora pode tirar uma foto comigo? – eu sorri pela educação da garota em esperar pela hora que eu estivesse indo para a foto
– Claro, me procure antes de ir e podemos tirar uma foto sim – ela sorriu largo e percebi Kevin sorrir para nós.
Nos sentamos e começamos a conversar sobre muitas coisas aleatórias. Descobri que Kevin e Josie já havia se relacionado na época da faculdade e que se mantiveram amigos após o término e depois que Kevin seguiu para Los Angeles perderam o contato. Haviam algumas trocas de olhares, porém nada que fosse além dos limites e se tornasse desconfortável. Depois de mais alguns minutos Josie informou que iria se juntar novamente ao pessoal do trabalho quando um cara a chamou de longe. Kevin apenas se despediu e vimos Josie seguir com o cara e uma outra garota para o palco do Karaokê onde a outra garota subiu pedindo uma música ao DJ.
Logo a melodia conhecida de Sorry da Beyoncé começou e a garota sorriu. Logo ela começou a cantar de modo até que afinado para a ocasião e eu precisei virar completamente o corpo para assistir. A garota parecia se divertir enquanto cantava e dançava, como se apenas ela e os amigos estivessem ali. Ela imitava de um jeito meio desastrado a coreografia da Beyoncé, estava rindo constantemente e fazendo algumas caras quando puxou Josie e o rapaz que havia a chamado ao palco e eles performaram juntos a música. Quando ela terminou os amigos aplaudiram de forma exagerada e a garota fez uma reverência devolvendo o microfone para o DJ, encarei ela começar uma caminhada em direção ao bar e olhei brevemente para Kevin.
– Eu vou ali e já volto – murmurei e o vi rir.
– Harry sendo o Harry – ele devolveu negando com a cabeça – Vai lá, eu vou jogar sinuca com os caras ali – ele se levantou e eu fiz o mesmo seguindo para a direção oposta a dele. A garota estava sentada com uma garrafa de água em sua frente, estava rindo pouco antes de eu chegar até ela e eu percebi que talvez a conhecesse de algum lugar, porque seu sorriso me era familiar.
– Eu posso me sentar aqui? – assim que as palavras saíram de minha boca, a garota se virou levemente para me encarar por alguns segundos sem muita atenção.
– Claro – não havia um olhar familiarizado em seu rosto por enquanto e ela apenas me indicou o banco ao seu lado, voltando a atenção para sua água. Eu me sentei e a analisei por um instante, tendo a certeza de que já havia a visto antes, apenas precisava buscar em minha memória onde.
– Parabéns pela performance, foi quase tão boa quanto a original – brinquei e a vi rir negando com a cabeça.
– Não brinca comigo assim não que eu acredito, hein? – naquele momento ela me encarou realmente e parou por alguns momentos me olhando com o cenho franzido – eu te conheço? – eu sorri ao saber que ela tinha a mesma dúvida que eu.
– Eu tenho essa mesma impressão – comentei estendendo a mão em seguida – meu nome é Harry, prazer – apesar de o sobrenome não ter sido pronunciado o olhar de esclarecimento surgiu, porém sem sinais de alguém que iria começar a gritar ou algo assim.
– Ah, eu te conheço, minha melhor amiga adora você e fomos ao seu show em Manchester no mês passado. Meu nome é – ela apertou a minha mão e a memória daquele show me veio à mente. É claro que era ela. A garota na plateia com quem troquei alguns olhares sugestivos. Ela se divertia com a amiga a frente dela sempre cantando apenas os refrões das músicas. Me lembro de cantar Medicine e ver algumas respirações fundas dela. Tentei encontrá-la em meio a fotos do show, porém não consegui e agora de um jeito muito estranho eu havia a encontrado em Londres.
– Eu me lembro de você – assim que fiz o comentário eu a vi segurar brevemente a respiração – a gente ficou encarando um ao outro – por alguns segundos ela me encarou e depois apenas riu, com as bochechas ficando vermelhas.
– Tá legal, eu não esperava por isso – ela declarou soltando a minha mão e tomando sua água enquanto eu tinha um sorriso nos lábios.
– Por que não? – questionei, tomando a minha cerveja.
– Porque sei lá, você faz vários shows, muitas garotas na plateia, achei que devia ser algo meio frequente e que não se lembrasse das garotas – ela deu de ombros mexendo no suor da garrafa de água.
– Não é frequente na verdade – murmurei a vendo conter um sorriso – eu olhos as pessoas, mas nunca fico trocando olhares com ninguém, mas por algum motivo fiz isso com você – ela sorriu fraco me encarando com o canto dos olhos.
– Tudo bem, eu vou fingir que acredito – ela soltou em um tom divertido – Mas diz aí, o que faz por aqui com meros mortais? – ela jogou as mãos de um modo meio desajeitado indicando o local.
– Um amigo me arrastou, estou de férias no momento – ela assentiu – e você, o que te trouxe aqui essa noite? – eu percebi um sorriso triste se formar em seus lábios.
– Um término – ela me encarou e por um momento eu não soube o que fazer. Aquilo era tudo que eu não poderia imaginar, depois de vê-la como estava cantando alguns minutos mais cedo. E quando o choque passou eu quis abraçá-la, mas não o fiz porque seria muito estranho.
– Eu sinto muito, de verdade – ela me encarou por alguns segundos e depois me entregou um pequeno sorriso.
– Obrigada, de verdade – eu sorri junto a ela.
– Tá legal, vem, vamos sair dessa fossa, porque seu namoro acabou, mas o mundo não e você merece ser feliz – me levantei a segurando pela mão e ouvindo sua risada.
– O que está fazendo? – a voz de saiu no meio de uma risada meio sem jeito.
– A gente vai cantar – o corpo de parou e eu me virei para ela – O quê? – não consegui conter a risada com sua cara de susto.
– Eu não vou cantar com você, você é um cantor profissional – ela murmurou como se fosse óbvio.
– Eu juro que vou me esforçar para ser muito ruim – ela riu fraco e eu me aproximei um pouco – vamos lá, por favor – juntei as mãos e fiz um bico a fazendo revirar os olhos.
– Você – ela apontou o dedo na frente do meu rosto – tem uma arma e sabe como usá-la – eu sorri largo e a vi prender um sorriso – tá bem, vamos. Ai como eu odeio gente com covinhas – dito isso eu ri e continuei a guiá-la para o microfone.
Ao chegarmos lá a encarei e ela apenas deu de ombros me mandando escolher a música. Pensei por pouco tempo até pedir por Back in black ao DJ que sorriu largo. Quando a introdução começou eu me virei para animado e vi a garota rir mexendo a cabeça no ritmo da bateria. Peguei um dos microfones e entreguei o outro a ela cantando as primeiras frases da música de uma forma que se igualava ao tom de Brian e logo deu de ombros e me acompanhou rindo da minha cara de surpresa com sua voz relativamente afinada a música. Foi um dos momentos mais divertidos que tive fora dos palcos com minhas músicas e fãs. Naquele momento éramos como amigos, se divertindo em uma noite de sexta e cantando uma música sem nenhuma pretensão de agradar ao público – apesar de as pessoas estarem se divertindo durante a performance e cantando junto. Nos solos de guitarra eu e fingíamos estar tocando guitarras e até chegamos a encostar as costas tocando nossos instrumentos imaginários. O que me fez gargalhar enquanto cantava parte da letra novamente, enquanto ela ainda estava em sua guitarra imaginária. A última frase, “Yes, I’m back in black”, foi praticamente gritada por nós e terminamos nos encarando por um momento, gargalhando em seguida enquanto o instrumental diminuía seu volume gradativamente e a música tinha seu fim.
Me permiti por um momento notar a risada da garota a minha frente, e aquela era uma das risadas mais verdadeiras que eu havia escutado na vida. ria como se precisasse daquilo para viver, e era algo tão contagiante que logo eu estava a acompanhando novamente. Depois que paramos nossa risada, sobraram apenas largos sorrisos em nossos rostos. pegou os microfones e os colocou de volta em seus pedestais e agradeceu ao DJ, parando brevemente em minha frente.
– Vem, eu vou te pagar uma bebida – ela segurou meu braço e me puxou para fora do palco seguindo comigo para o bar, onde nos sentamos um ao lado do outro. Ela me encarou ainda sorrindo largo – O que quer? – ela me encarava e eu só conseguia pensar em como seu sorriso era bonito e sincero, e em como aquela garota não merecia, nem deveria ter o sorriso triste que tinha mais cedo.
– Pra mim só uma cerveja – soltei sorrindo como ela e ela se virou para o barman, que a encarou com um sorriso nos lábios, claramente interessado nela. Mas eu não o culpava por aquilo. era uma garota bonita e emanava uma energia boa, mesmo que estivesse em um momento difícil.
– Duas cervejas por favor – ela fez um dois com os dedos e logo o homem lhe trouxe duas garrafas geladas. entregou uma delas para mim e agradeceu ao barman pegando a sua e se virando para me encarar. O homem apenas se afastou um pouco indo a outros afazeres, mas os olhos a encaravam discretamente.
– Obrigado – batemos nossas garrafas em um brinde e viramos o líquido ao mesmo tempo.
– Eu é que agradeço – ela soltou após engolir sua cerveja – fazia muito tempo que eu não me divertia tanto – eu sorri para ela, pousando minha garrafa sobre o balcão.
– Eu também – ela franziu brevemente o cenho.
– Você pareceu estar se divertindo naquele show que eu fui – eu sorri fraco.
– E eu estava, mas é diferente – dei de ombros – lá eu me divirto de um jeito majestoso, sendo o centro das atenções, não estou reclamando, eu adoro isso – riu fraco – Mas as vezes sinto falta disso – apontei com a cabeça para nenhum lugar em específico – me divertir como um cara normal, sem ser o centro das atenções, sem minha músicas, sem precisar ser Harry Styles o cantor, ser apenas o Harry, o cara que curte uma cerveja e conversar com os amigos, que veio de uma cidadezinha do interior – novamente dei de ombros enquanto prestava atenção em cada palavra que saia da minha boca – Não que seja diferente um do outro, não é, mas esses momentos me fazem ter o pé no chão e a cabeça no lugar – ela sorriu fraco e houve um silêncio por alguns momentos.
– Sabe, você é diferente do que eu esperava de um cantor mundialmente famoso – ela me encarava, como se analisasse algo e eu me contive a um sorriso no canto dos lábios.
– Deixe-me adivinhar: não sou metido, nem playboy, nem tão egocêntrico e mais simpático do que você imaginava? – Ela fez um bico engraçado balançando a cabeça e dando de ombros.
– Eu ia dizer que você não é tão babaca quanto achei que seria, mas isso aí serve – eu não contive a gargalhada quando suas palavras saíram por sua boca e ela me acompanhou de forma natural. E eu percebi que rir com era algo fácil, leve e constante.
– Eu fico lisonjeado, – soltei ainda em meio a risada e ela sorriu largo para mim. Percebi pelo canto do olho corpos se aproximando e quando me virei vi Kevin, Josie e o outro garoto que havia chamado Josie mais cedo. Eles nos olharam confusos e nós os olhamos do mesmo modo.
– Ei, vocês já se conheceram? – foi Kevin quem perguntou apontando para nós e eu e nos encaramos assentindo – ótimo, nós vamos pegar uma mesa, vocês vêm? – Kevin apontou com a cabeça e eu encarei , esperando pela resposta dela.
– Por mim tudo bem – ela deu de ombros pegando sua cerveja e eu fiz o mesmo, os seguindo até uma mesa em que coubéssemos todos.
Eu me sentei colado a parede com a meu lado e o cara, que descobri se chamar Tim ao lado dela, enquanto Kevin e Josie se sentavam de frente para nós. A noite seguiu regada a bebidas, conversas das mais aleatórias possíveis e muitas risadas. Risadas essas que fizeram minha barriga doer. Histórias das mais estranhas e engraçadas eram contadas e honestamente, era o tipo de pessoa que sabia contar uma, fazendo entonações e completamente animada com os fatos, levando todos a gargalhadas intensas e se permitindo rir do mesmo modo quando outros contavam histórias. Quando estava ficando tarde o suficiente para que a maioria da mesa já estivesse bem alterada e antes que o primeiro de nós pudesse dizer seu adeus, um grupo foi criado e o número de todos os presentes adicionado. Minutos depois, Tim foi o primeiro a informar que estava de saída, perguntou a se a garota estava bem e se ficaria e ela informou que sim para ambas as perguntas, se levantando e abraçando o amigo e agradecendo pelo convite para aquela noite, Tim sorriu e entregou a um beijo breve em sua bochecha e ao resto de nós ele distribuiu abraços e despedidas, indo logo após dizer adeus a todos. A seguinte foi Josie, que fez o mesmo ritual que Tim, logo depois Kevin que me perguntou se eu iria com ele, recebendo minha negação como resposta e se despedindo. Logo estávamos apenas eu e sentados à mesa. Havia uma última garrafa de cerveja que eu informei a que não beberia e ela a finalizou, apesar de já estar bem alterada. Depois de alguns minutos de conversa, informou que queria um ursinho de uma daquelas máquinas de pescar bichinhos e nós fomos até lá. Eu a deixei tentar sozinha, apenas a encarando e vendo como ficava bonita a luz da máquina puxei o celular do bolso e a chamei, tirando uma foto assim que ela me encarou a vendo tombar a cabeça como quem repreende meu ato.
– Harry, eu não gosto de tirar fotos – ela se aproximou de mim tentando pegar o aparelho e eu apenas levantei a mão e ela fez um bico, sabendo que não alcançaria, por ser consideravelmente mais baixa que eu – isso não se faz, seu gigante – ela tentou soar como uma ofensa, mas acabou por soar como uma garotinha fofa e emburrada.
– Ela ficou boa, juro que ficou – abaixei o aparelho lhe mostrando a foto e ela fez uma careta.
– É estranho estar desse lado da câmera – murmurou parecendo começar a se acostumar com sua imagem ali.
– Você geralmente está do outro lado então? – lhe estreitei os olhos e ela assentiu.
– Sim, por hobby e por profissão – ela respondeu me devolvendo o aparelho e eu sorri ao perceber que ela não havia apagado a fotografia.
– Sério? – ela assentiu – quem sabe não marcamos de sair para você me ajudar a melhorar minhas habilidades? – ela me estreitou os olhos.
– Você gosta de fotografar? – eu assenti e ela pareceu surpresa – a todo momento uma novidade – eu sorri fraco com seu comentário e ela olhou novamente a máquina, parecendo desapontada por não conseguir seu bichinho de pelúcia.
– Qual você quer? – perguntei me aproximando da máquina e ela me seguiu com um sorriso começando a se formar.
– O pinguim – ela não hesitou ao dizer que o queria. Coloquei uma moeda na máquina e logo ela fez barulho informando que havia ligado. Tomei joystick em mãos e o movimentei até o pinguim. não tinha muita expectativa em seu rosto, como se não quisesse colocar pressão sobre mim. Eu desci a garra da máquina e ela tomou o bichinho por um dos pés e os olhos de se arregalaram quando ele caiu no buraco e em seguida apareceu no compartimento reservado para os animais pegos. Eu me abaixei e o segurei em minhas mãos me virando para a garota que sorria largo para mim.
– Pra você – lhe entreguei o bichinho e ela o encarou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo para ela. Em seguida ela me encarou e pulou animada me abraçando e o contato físico inesperado me deu um pequeno susto, mas em seguida me desencadeou uma risada.
– Obrigada, obrigada, obrigada – ela agradeceu e depois se afastou voltando a olhar a pelúcia em suas mãos – eu adorei, eu tenho um pinguim – ela balançou o bicho em suas mãos e comemorou e eu me perguntei se ela estava realmente feliz ou se era apenas o efeito do álcool em seu corpo, mas me limitei a rir da cena. Ela abraçou o bicho com um dos braços e me encarou ainda sorrindo – você é bom nisso – ela apontou para a máquina e eu sorri coçando a nuca.
– Tenho certa sorte em jogos – murmurei.
– Me lembre de sempre ser sua dupla quando jogarmos algo – ela soltou me fazendo rir e me acompanhando no ato.
Mais algum tempo se passou até coçar seus olhos demonstrando certo sono. Eu estava cansado desde mais cedo, mas realmente queria ficar com ela. Ela era uma garota legal que eu inexplicavelmente queria por perto, então o cansaço apenas me pareceu algo que eu poderia deixar como segundo plano. informou que achava que estava na sua hora e eu concordei. Ela seguiu para o balcão com o papel onde as bebidas que pedimos naquela noite haviam sido anotadas pagando a conta mesmo sobre meus protestos e depois saímos do local indo para a rua. enfiou a mão no bolso do casaco pegando seu celular e pedindo por um carro em um aplicativo e eu fiz o mesmo. Ficamos parados na calçada conversando bobagens até que o carro dela chegou.
– Bom, vou indo, obrigada pela noite, pela música e pelo pinguim, eu realmente adorei – eu sorri para o modo como ela abraçava o bicho.
– Que bom que gostou – respondi apenas e ela sorriu.
– Tchau Harry – ela acenou já se afastando.
– a chamei e ela se virou para me encarar – eu posso salvar o seu número e sei lá, te mandar mensagem qualquer hora dessas? – a garota sorriu largo.
– Claro que sim, eu vou adorar – dito isso um sorriso se formou em meus lábios e ela seguiu para o carro entrando no veículo e acenando para mim quando o mesmo deu a partida e se afastou. Meu carro chegou em seguida e eu não demorei a estar lá dentro desejando uma boa noite ao motorista que fez o mesmo. Peguei meu celular no bolso e abri o grupo criado por Kevin e logo encontrei a mensagem de se identificando, como todos havíamos feito para que pudéssemos saber a quem cada número pertencia. Salvei seu número apenas com seu nome e lhe mandei uma mensagem.0

H:
Me avise quando chegar em casa, para eu saber que não foi sequestrada 03:16 am

Depois de fechar sua mensagem eu percebi que ainda não havia respondido Kendall e abri sua mensagem novamente, encarando a tela do celular por um certo tempo hesitando em enviar a resposta por um momento.0

H:
Claro que sim, mal posso esperar 03:16 am

Bloqueei o celular e deitei a cabeça no encosto do banco pensando sobre como tudo aquilo era louco. Encontrar uma garota que eu havia visto em um show, um mês depois em um bar aleatório de Londres. Realmente a vida tinha dessas coisas inesperadas que surpreendiam a gente no fim das contas, mas eu não estava reclamando, muito pelo contrário, eu havia adorado encontrar ela. Não pelo fato de ser uma garota bonita e atraente – apesar de a princípio esse ter sido o motivo -, mas por que era daquelas pessoas que de um jeito inexplicável você queria ter na vida e eu tinha a sensação de que seríamos bons amigos. E apesar de sentir certa atração por ela, eu entendia que naquele momento ela provavelmente não estaria pronta para nenhum tipo de relação e a ideia de tê-la como minha amiga já me fazia feliz, o que era estranho e novo para mim. E honestamente, eu me sentia ansioso pelo novo.

Capítulo 3

Dezembro, 2017 – London, UK

I’m feeling better now, finally feeling special now


O final de semana havia se resumido a vídeo chamada com para contar a ela o ocorrido e ouvi-la dizer por muitas vezes que mataria Anthony, maratona de Grey’s Anatomy que estava passando na TV, pedir comida em casa e ir até o apartamento onde dias atrás eu morava para buscar minhas coisas. Ele passou o dia fora e apenas apareceu quando eu estava pegando a última caixa de dentro do local, pedindo para que conversássemos e sendo apenas ignorado por mim. Eu voltei a chorar quando cheguei a casa de e me odiei por aquilo, mas eu sabia que era necessário. Eu não iria superar aquilo da noite para o dia porque Anthony havia sido alguém que eu havia amado, de um modo que não sabia explicar, mas nem todos amores devem ser sentidos para sempre, e aquele deixaria de ser. Eu havia me sentido envergonhada por aquilo e às vezes me pegava me perguntando o porquê, mas a resposta era uma só: por que ele quis.
A segunda-feira chegou mais rápido que o esperado e passou com um clima muito estranho no escritório, meu chefe parecia bravo e ele não era esse tipo de pessoa. E quando a terça-feira chegou eu sabia que algo estava para acontecer. Eu estava terminando a edição de uma foto que eu logo mandaria para a diagramação quando meu chefe parou em minha mesa, olhando brevemente meu trabalho.
– Isso está muito bom – um pequeno sorriso surgiu em seu rosto e eu estranhei, Bob era um homem de sorrisos largos e piadas – Podemos conversar na minha sala? – ele pediu mordendo o lábio e batendo os dedos em minha mesa.
– Claro, só vou terminar isso aqui e já vou, as meninas estão precisando dessa foto com urgência – ele assentiu e hesitante se virou em direção a sua sala. Eu finalizei o trabalho e o enviei a diagramação para substituição da anterior. Passei pela mesa de Tim que me encarou com olhar de interrogação por ter notado como Bob estava e eu apenas dei de ombros, entrando na sala que tinhas as persianas fechadas para que ninguém visse o que acontecia lá dentro.
– Pode fechar a porta, por favor? – ele pediu sentado apreensivo do outro lado de sua mesa. Eu fechei a porta de vidro e me direcionei a mesa me sentando de frente para ele.
– Bob, eu estou te estranhando – comentei no melhor tom que consegui e ele respirou fundo.
, você sabe que é uma das melhores fotógrafas que eu tenho aqui, não sabe? – eu franzi o cenho o encarando e me arrumando na cadeira.
– Bob, o que houve? – ele soltou o ar pesadamente.
, eu quero que saiba que tentei de todo modo convencê-los do contrário – começou – Mas infelizmente estão contratando outra fotógrafa mais conhecida para chamar atenção para a revista e temos que desligar alguém por que não é possível manter nossa equipe e mais uma – meu coração acelerou no peito – e como você é que tem menos tempo na revista foi decidido que seria você a ser desligada, por mais que eu não concorde de jeito nenhum – eu percebia nos olhos de Bob a tristeza de me dar aquela notícia e soube que a decisão não havia sido dele de todo modo – Eu sinto muito – eu forcei um fraco sorriso e estendi minha mão sobre a mesa.
– Está tudo bem, Bob – sussurrei e assim que ele tocou minha mão eu pousei a outra mão sobre a dele – eu entendo, de verdade – ele parecia me analisar.
– Ah , eu gosto tanto de trabalhar com você, menina – eu sorri sem mostrar os dentes.
– Eu também gosto de trabalhar com você, Bob – ele sorriu fraco respirando fundo – Não fique assim, está tudo bem, eu vou ficar bem – ele tombou a cabeça, os olhos pesarosos e isso só mudou quando eu lhe mostrei a língua inesperadamente o fazendo rir fraco – Vamos, não faça da minha despedida algo triste, eu ainda vou a sua festa de cinquenta – dei de ombros me lembrando de seu aniversário que seria no final de semana.
– Cinquenta é o seu nariz, garota – eu gargalhei. Bob iria fazer quarenta e dois, mas eu adorava provocá-lo dizendo que já eram cinquenta – Eu vou sentir sua falta – ele murmurou e eu sorri me levantando e ele fez o mesmo. O abracei, apesar de ser um contato estranho entre nós e ele retribuiu o ato de forma carinhosa e acolhedora – Você tem todas as minhas recomendações, sempre – sussurrou e eu sorri me afastando e o encarando.
– Obrigada, isso significa muito pra mim – ele sorriu fraco.
– Se quiser, não precisa cumprir o resto do dia, pode ir para casa. Essa semana você ainda vem para, enfim, finalizar suas coisas e assinar os papéis, mas estou te dando o dia de folga – eu fingi uma comemoração e ele riu.
– Eu vou indo então, te deixar aí para chorar, mas não chore muito, suas rugas na testa já estão aparentes o suficiente – apontei para ele já me dirigindo a porta e ele revirou os olhos rindo.
– Garota, você não presta – ele murmurou e eu abri a porta já saindo do local apenas parando com a cabeça para dentro do vão da porta.
– E você me ama – ri e o vi revirar os olhos e logo fechei a porta respirando fundo quando deixei o campo de visão dele. Me encaminhei a minha mesa pegando minha bolsa e celular, percebendo em seguida as pessoas me encararem, claramente confusas.
, o que está fazendo? – foi Tim quem perguntou. Vi Bob parado a porta do escritório triste, olhei em volta e as pessoas me encaravam curiosas, já que todos sabiam que Bob não era alguém de chamar em sua sala, muito menos naquele clima. Ele se aproximou de nós os braços cruzados e passos lentos.
, pode ir, eu quero ter essa conversa com eles – eu assenti ajeitando a bolsa no ombro e iniciando minha caminhada até Tim. Lhe dei um beijo no rosto brevemente enquanto ele parecia confuso.
– Ei, está tudo bem, não fica assim, tá? – ele assentiu com o cenho franzido e eu sorri, deixando o local e indo para os elevadores ouvindo Bob começar o discurso. Entrei no elevador e apertei o botão da garagem soltando todo o ar em meus pulmões. Eu não queria alarmar ninguém, nem nada do tipo. Eu estava triste, muito triste pelo acontecido, eu adorava meu emprego, muito, e ser demitida assim era doloroso, mas saber que não foi por algo que eu tenha feito de errado me consolava e me fazia sentir certa paz em meu coração.
Quando as portas do elevador se abriram eu segui para o meu carro jogando a bolsa no banco do passageiro ao entrar. Me dei um tempo para respirar ali sentada. O celular vibrou em uma notificação e eu olhei a tela, vendo que era do grupo, recém-criado na noite do karaokê. Era uma mensagem de Kevin. Uma foto do nascer do sol da sacada de algum prédio na Califórnia para onde ele havia viajado na noite anterior havia sido enviada a alguns minutos e ele respondia a Harry.

Kevin:
Tá difícil por aqui haha 02:13 pm

Harry:
Aaah, por que eu te mandei pra L.A e fiquei em Londres, mesmo? 02:13 pm

Kevin:
Por que é um ótimo amigo e chefe hahaha 02:22 pm

Ri fraco e decidi responder à mensagem.

:
É muito vacilo mandar uma foto assim com todo esse frio que está fazendo em Londres 02:23 pm

Ia bloquear o aparelho quando olhei novamente a mensagem de Harry. Ele estava em Londres e eu precisava sair, se fosse para casa provavelmente ficaria assistindo a séries e pensando em um monte de besteira. Abri a conversa privada com Harry e a última mensagem que tínhamos havia sido na madrugada de sábado, quando eu lhe avisei que havia chego em casa e trocando mais algumas mensagens aleatórias depois.

:
Ei, está ocupado? 02:25 pm

A resposta não demorou nem um minuto para vir.

Harry:
Não 02:25 pm
Na verdade, ia te mandar mensagem agora 02:25 pm
De onde está me observando, ? Haha 02:25 pm

:
Não olhe para trás hahaha 02:26 pm
Enfim, queria saber se ta afim de ir comer alguma coisa, sei lá 02:26 pm

Harry:
Eu levei um susto com a mulher que estava atrás de mim hahaha 02:26 pm
Achei que era você 02:26 pm
Mas enfim… 02:26 pm
Claro, onde te encontro? 02:26 pm

Sorri para o aparelho e lhe mandei o endereço do pequeno restaurante japonês informando que esperaria ele lá e ele apenas respondeu, dizendo que em trinta minutos estaria no local. Deixei o celular no banco do passageiro e liguei o carro indo para o restaurante já conhecido por mim.
O trânsito a àquela hora estava livre e em menos de dez minutos eu estava estacionando no local. Entrei pegando uma mesa e avisando a Sarah, a garçonete que sempre me atendia que estava esperando alguém. Uma mensagem de Harry informava que ele estava a caminho e eu apenas respondi com um “ok”. Abri o Instagram dando de cara com uma foto de que havia postado nos stories onde ela estava em um restaurante e eu respondi com uma foto de mim no restaurante com a legenda “Não é no Japão, mas é japonês haha”. Menos de cinco minutos depois enquanto eu rolava o feed uma chamada de vídeo apareceu em minha tela, era .
– Espera aí – sorri para ela que tinha um olhar confuso e conectei os fones para não incomodar ninguém, apesar de haver apenas mais uma pessoa no restaurante – Pronto, pode falar little .
– Garota, o que está fazendo fora do escritório a essas horas? – eu sorri fraco.
– Por favor, promete que não vai surtar nem nada assim – ela revirou os olhos levantando o dedinho mindinho e eu sorri – Eu fui demitida – ela abriu a boca em surpresa.
– O que? O Bob está maluco de te mandar embora? Você é uma das melhores dessa revista, esse foi o maior tiro no pé da história – eu ri com seu exagero.
, está tudo bem, não foi decisão dele, houve uma substituição e eu vou ficar bem – dei de ombros.
– começou.
– É sério, estou pensando pelo lado positivo, vou ter férias finalmente – ela riu do outro lado – e já comecei vindo ao japonês, quer coisa melhor? – ela balançou a cabeça em negação.
Você está realmente bem, ? – aquele era o apelido pelo qual ela me chamava sempre que achava que eu precisava que ela fosse fofa, já que era como uma pedra no quesito ser fofa.
– Não exatamente, mas prometo que vou ficar – e era sincero, eu não pretendia ficar mal por conta daquilo. Pela grande vidraça do restaurante eu vi Harry se aproximar olhando para dentro do restaurante e acenei o vendo sorrir ao confirmar que era aquele o local – Eu preciso ir, minha companhia chegou – um sorriso brotou nos lábios da minha amiga, completamente malicioso.
É o cara da foto do karaokê? Você ficou de me contar quem era ontem – ela protestou.
– Assim que der eu te ligo e conto, mas agora tenho que ir, beijo, se cuida fedelha – joguei um beijo e ela riu.
Beijo, você também pirralha – ela desligou a chamada e eu tirei meus fones. Eu ainda não havia contado a sobre Harry e quando ela viu a foto que eu havia postado no dia anterior quis explicações de quem era o rapaz, mas não tínhamos tido tempo livre para conversar sobre. Guardei o celular e os fones a tempo de me levantar quando Harry chegou à mesa. Ele sorriu e eu não podia afirmar que me acostumaria com aquele sorriso, que por Deus, era o mais lindo que eu havia visto na vida.
– Ei – seu tom foi animado e ele abriu os braços me recebendo em um abraço ao qual eu não estava acostumada, mas retribui de maneira desajeitada e rápida.
– Ei, que bom que pôde vir – lhe entreguei um largo sorriso que me foi retribuído – senta aí – indiquei a cadeira a minha frente e ele se sentou.
– Que bom que me chamou – ele colocou as mãos cruzadas sobre a mesa – mas você não deveria estar trabalhando? – ele franziu o cenho e eu ri fraco.
– Deveria, mas fui liberada hoje – ele continuou com o cenho franzido.
– Por quê? – eu dei de ombros.
– Meu chefe achou que eu merecia uma folga depois dele me demitir – Harry pareceu sem jeito e eu não pude conter o riso – Está tudo bem, antes que pergunte, não precisa ficar com um pé atrás, estou, feliz por que agora pelo menos eu posso tirar férias – soltei o fazendo sorrir fraco. Sarah se aproximou com os cardápios e encarou Harry me olhando com os olhos arregalados em seguida. Eu apenas ri fraco e fiz um sinal para que ela ficasse calma e ela o fez, nos deixando assim que escolhemos o que comer.
– Então, por que me chamou? – ele parecia curioso com aquele fato. Talvez por ter chamado ele e não um dos amigos próximos.
– Não sei bem, eu queria comer e você estava por Londres – dei de ombros – E você também parece alguém legal – dito isso ele abriu um sorriso breve nos lábios.
– Eu sou mesmo – eu não sabia dizer se ele estava brincando ou falando sério, mas não podia discordar.
– Tá certo, senhor modéstia – murmurei e ele riu negando com a cabeça. Os olhos brilhavam, o sorriso era largo e me mostrava seus dentes, ele tinha uma covinha e eu me perguntei se haviam chances de ele ser parte de uma ilusão da minha cabeça – Você é bonito demais pra ser real – soltei sem realmente tentar conter as palavras, ele provavelmente já havia escutado aquilo mais vezes que eu poderia contar, mas eu entendia o porquê. Suas bochechas coraram e um sorriso tímido brotou em seus lábios, ele me olhou brevemente e depois olhou para baixo.
– Obrigado – a voz dele saiu mais baixa que antes, entregando o quão envergonhado estava.
– Nunca achei que um cantor famoso ficasse envergonhado com esse tipo de comentário – dei de ombros e ele me encarou.
– Geralmente não fico, tenho fãs, jornalista e mais algumas pessoas que sempre me diz coisas assim e não é algo que eu não sei, ou finjo não ser, sei que sou bonito – eu fiz uma careta e ele riu – Sou honesto, não pode me culpar – replicou e eu dei de ombros – Mas não sei, agora foi meio inesperado eu acho, me pegou de surpresa – ele deu de ombros e eu sorri.
– Geralmente eu dou asas para os meus pensamentos e não me contenho em dizer as coisas – sorri fraco e Harry sorriu junto. Nossa comida chegou e nós começamos a comer, conversando brevemente sobre comida e após Harry descobrir que eu nunca havia comido comida mexicana e que eu odiava abacates ele me convocou a acompanhá-lo ao melhor restaurante de comida mexicana que ele conhecia, em suas palavras, e eu apenas aceitei.
Depois de minutos meu celular vibrou sobre a mesa onde eu o havia deixado depois de mostrar a Harry uma foto que tirei no show dele. Quando virei o aparelho para cima meu sorriso desmanchou vendo o nome de Anthony piscar na tela.
– Pode atender, sem problemas – Harry informou e eu o encarei brevemente para depois ignorar a chamada.
– Não, está tudo bem – murmurei colocando o aparelho em modo avião e finalizando meu saquê. Eu sentia os olhos de Harry sobre mim, mas não tinha coragem de olhá-lo.
– Ei, o que houve? Algum problema? – seu tom era gentil e percebi ele inclinar o corpo tentando se aproximar um pouco.
– Hum, não – menti e o encarei, vendo um sorriso triste em seus lábios.
– Se não quiser falar ok, mas tudo bem se quiser, eu gosto de ouvir e sou bom com conselhos – ele me entregou um novo sorriso, seguro e cheio de acolhimento. Um pequeno sorriso surgiu em meus lábios sem que eu pudesse contê-lo.
– Tá afim de andar? Um sorvete ou um café não sei – murmurei já pegando meu cartão visto que havíamos acabado, Harry sorriu largo concordando com a cabeça. Eu entreguei o cartão a Sarah sob protestos de Harry que informou que o próximo seria por sua conta me fazendo rir. Depois de pago nós saímos do restaurante. Harry colocou os óculos escuros e nesse momento me lembrei quem ele era.
– Então? – ele me olhou com as mãos nos bolsos.
– Anthony é meu ex – soltei a frase respirando fundo para continuar – Se lembra que te disse que um término havia me levado ao bar? – o encarei e ele assentiu – Então, eu terminei com ele naquele dia, depois de encontrá-lo na cama com outra garota – eu pude ouvir a respiração de Styles mudar – Isso foi o limite pra mim e o pior é que estou em um misto de tristeza e me sentir idiota – respirei fundo.
– Por que idiota? – ele questionou como se estivesse perto de me dar uma bronca e eu respirei fundo.
– Nós estávamos juntos a um ano e meio, eu o conhecia antes de namorarmos e eu confiava nele, mas logo no primeiro mês algo aconteceu – olhei brevemente Harry, eu tinha toda a sua atenção – Eu recebi um e-mail de um desconhecido com prints do direct do Instagram dele. Haviam varias meninas com quem ele conversava e mandava fotos… Íntimas – soltei desconfortável em dizer a palavra nudes – Eu olhei o e-mail e fiquem sem chão, decidida a terminar com ele naquele dia, mas quando cheguei lá, ele chorou arrependido e me deu uma série de desculpas para o ocorrido e eu estava tão apaixonada e cega que me convenci de que ele estava dizendo a verdade – respirei fundo – Mas voltou a acontecer algumas vezes e em todas eu me convencia de que ele mudaria por me amar. Nós brigávamos constantemente por que eu estava sempre esperando a próxima vez que aquilo aconteceria, mas de algum modo eu o amava e acreditava que ele me amava também. Mas enquanto eu evitava sair com o pessoal do escritório por que ele ficava chateado pela minha amizade com os caras, ele estava lá, mandando aquelas fotos e mensagens provocativas para outras garotas quando eu não estava por perto. Entende o que quero dizer? Eu dei muito de mim a um relacionamento que não merecia metade disso e agora me sinto idiota por ter feito isso e mais idiota ainda por estar triste pelo término – a mão de Harry tocou meu ombro em apoio e eu sorri.
– Você não é idiota por nada disso. Você deu seu melhor, se ele não soube valorizar isso o idiota é ele. E não deve se sentir idiota por sentir triste, isso só mostra como tudo foi verdadeiro pra você – ele apertou suavemente meu ombro – Você não deveria se sentir assim por ter acreditado em alguém, você não é a errada, ele é. As pessoas se acostumaram a inverter os papéis e veem as “vítimas” desse tipo de situação como culpadas por não terem saído antes, mas a realidade é muito diferente, sei como é difícil sair de uma situação onde você gosta muito do outro, mesmo que ele te faça mal – eu o encarei e ele sorriu fraco – Só se mantenha fiel a sua decisão e se apegue ao fato de que ele não mudou por que não quis e a culpa não é sua, não existe nada de errado com você, você foi incrível por acreditar tanto e ver o bom nele e apesar de tudo ainda dar a ele o seu melhor – eu sorri para Harry.
– Você tem razão – comecei – Você é ótimo com conselhos – ele riu e eu o acompanhei – Obrigada, de verdade – ele sorriu e inesperadamente me abraçou pelo ombro. O contato ainda era estranho, porém mais confortável que antes.
– Posso confessar algo? – ele perguntou após me soltar. Eu assenti o incentivando a prosseguir – Eu realmente estava flertando com você no dia do show – eu senti minhas bochechas corarem e fiz uma careta que o fiz rir – Eu me interessei, te achei uma garota bonita e eu queria ficar com você, como quis com outras garotas, mas depois de te encontrar e agora depois de me contar isso eu não acho que queira algo superficial assim com você – eu o encarei.
– Harry, nós nos conhecemos há muito pouco tempo para você me pedir em namoro – brinquei e ele gargalhou.
– Não, besta, não é isso – ele me empurrou brevemente com o ombro – Eu nunca quis ser amigo das outras garotas, não me sentia seguro para esse tipo de relação com elas porque nesse mundo em que eu vivo, nunca dá pra confiar em alguém de cara, mas com você eu me sinto – eu sorri – Como se desse pra confiar em você. Realmente quero ser seu amigo e descobrir se estou certo – quando terminou Harry me encarou como se esperasse por minha aprovação.
– Eu vou adorar – respondi com um sorriso no rosto, recebendo um dele de volta – E eu acho que me sinto meio assim você também, já que te contei isso – dei de ombros e ele sorriu parecendo orgulhoso.
– Não quebre meu coração, – ele brincou.
– Só se você não quebrar o meu – soltei de maneira exagerada imitando as comédias românticas e ele me estendeu a mão.
– Fechado – Harry ria.
– Fechado – segurei sua mão e a sacudi. Apesar de ser uma brincadeira, havia uma promessa ali, talvez a promessa de que iríamos cuidar um do outro, ou talvez fosse tudo besteira da minha cabeça, mas eu preferia que fosse a primeira opção.

Capítulo 4

Dezembro, 2017 – London, UK

I’m so happy, you came in my life

Harry
Acordei naquela manhã com o sol batendo em meu rosto e me xinguei mentalmente por não ter fechado as cortinas na noite anterior. Me mexi brevemente na cama e senti uma mão em meu abdômen que fez com que eu virasse meu rosto para vê-la. Kendall dormia em ao meu lado tranquilamente. Na noite anterior havia a buscado no aeroporto e a levado para jantar, depois acabamos na minha casa. Eu não me demorei muito em olhá-la e logo estava de pé e após me vestir, fazer minha higiene e pegar meu celular, eu estava em direção à rua de casa em busca do suco verde de Kendall. Coloquei um dos meus fones e peguei o celular selecionando uma playlist aleatória e depois indo para as mensagens. O grupo que havíamos criado no karaokê acabou por se tornar muito interativo e sempre haviam mensagens.

Josie:
Preparados para essa noite? 08:47 am
Kev, tudo certo para usarmos sua casa? 08:47 am

Ela estava falando da festa de ano novo na casa de Kevin que eles estavam combinando há dias.

:
Já comprei as bebidas e tudo para os drinks 08:53 am

Tim:
Bêbada haha 08:55 am
Mal posso esperar por essa noite 08:55 am

Kevin:
Tudo certo, já, já começo a arrumar tudo 08:59 am
tinha que ficar responsável pelas bebidas não é mesmo? 08:59 am

:
Eu vou sair desse grupo, ninguém me defende 09:00 am
Vocês são péssimos 09:00 am

Eu não contive a risada ao imaginar o bico de .

H:
, contra fatos não há argumentos. Nem dá pra defender hahaha 10:06 am

Fechei a conversa do grupo e abri a minha com . Desde o nosso almoço acabamos por trocar mensagens diariamente, a quase todo o momento. Contávamos sobre nossos dias um para o outro e estávamos sempre saindo para tomar café e jogar assunto fora. No último final de semana eu havia ido para a casa da minha mãe para o natal e depois que todos já estavam na cama eu e passamos horas no telefone e inclusive assistimos ao mesmo filme, já que ela havia passado aquele natal sozinha. Descobri que era brasileira, filha de uma brasileira e de um inglês que morava por lá. Ela se mudou para Londres quando tinha dezoito anos para começar sua faculdade que havia terminado no início do ano. Ela me ensinou algumas poucas palavras em sua língua para que eu pudesse falar em meu show por lá, mas eu honestamente era péssimo aluno. Ela prometeu tentar mais e que em maio no show eu estaria falando relativamente bem.

:
Eu to chorando de novo com a morte do Mark. De novo!!! 11:32 pm
Grey’s Anatomy sempre me destrói e eu sempre assisto de novo, que droga 11:32 pm
Odeio amar essa série 11:32 pm
Boa noite H, tenha bons sonhos 11:55 pm

Eu havia parado de respondê-la quando Kendall chegou e não havia dito que estava com alguém.

H:
Ei, desculpe sumir 10:10 am
Eu acabei indo buscar uma amiga no aeroporto daí depois fomos comer e eu acabei esquecendo de te responder 10:10 am
Mas enfim… Bom dia 10:11 am
Sofrendo menos pela morte do Mark? 10:11 am
Eu preciso ver essa série para pegar suas referências haha 10:11 am

Bloqueei o aparelho e o coloquei no bolso ao ver que já estava próximo da loja de sucos. Entrei no local e a atendente me lançou um sorriso me reconhecendo por eu sempre comprar aquelas coisas quando Kendall estava pela cidade. Fiz o pedido do suco verde já pagando por ele e por um suco de laranja e me sentei em uma cadeira pegando o celular e vendo que havia me respondido.

:
Bom dia, Harry 10:26 am
Tudo bem, sem problemas 10:26 am
Não, ainda não, sempre vou sofrer pelo meu McSteamy 10:26 am
Precisa mesmo, já está atrasado inclusive haha 10:26 am

H:
Seu McSteamy? 10:27 am
Ótimo, vou assistir isso aí, mas são muitas temporadas e provavelmente vou desistir antes da metade 10:27 am

:
Sim, meu. MEU. TIRA O OLHO STYLES hahaha 10:28 am
Aposto que vai adorar e terminar em uma semana 10:28 am

H:
Possessiva haha 10:29 am
Apostado, se eu gostar realmente te devo um sorvete 10:29 am
E falando em dever, temos que ir a aquele restaurante mexicano 10:29 am

:
Fechado 10:30 am
Ah droga, você lembrou, vou ter que encarar o abacate, droga haha 10:30 am
Mas ok, vamos marcar isso aí, eu estou livre, quando estiver tranquilo é só me chamar 10:30 am

H:
Para de graça, você vai adorar 10:31 am
Ok, esse começo de semana estou enrolado, mas a partir de quinta sou todo seu haha 10:31 am

:
Duvido muito 10:32 am
Harry, você é tão oferecido hahahaha 10:32 am
Mas ok, só veja o dia e me avise 10:32 am

H:
Não finja que não gosta haha 10:33 am
Ok, eu te aviso 10:33 am

:
Modesto haha 10:34 am
Ei, sem chances mesmo de você ir a festa essa noite? 10:34 am

H:
Sinto muito, mas já havia combinado algo 🙁 10:35 am

:
Ah, tudo bem, se tiver um tempo passe por lá, vai ser legal 10:36 am

H:
Ok, eu vou tentar 10:37 am
Preciso ir agora, mais tarde nos falamos 10:37 am
Beijo 10:37 am

Bloqueei o aparelho novamente quando a atendente me chamou para entregar meu pedido e logo estava fora da loja. Fui parado por uma fã que me pediu uma foto e depois começamos uma breve conversa sobre o show que ela havia ido. Ela elogiou o trabalho, me elogiou dizendo que eu era seu maior crush e depois se foi. Eu passei em uma padaria e comprei algumas coisas para que pudesse tomar café da manhã e voltei para casa. Quando cheguei arrumei a mesa e subi para checar se Kendall ainda dormia. O quarto estava vazio e eu bati na porta do banheiro sem receber resposta, ela estava entreaberta e eu coloquei a cabeça para dentro dando de cara com o vazio. As roupas de Kendall não estavam ali e no meio de minha procura meu celular vibrou no bolso. O peguei vendo a notificação de Kendall.

Kenny:
Ei, acordei e você não estava 10:56 am
Acho que foi comprar o café 10:56 am
Foi mal, mas precisei sair para encontrar uma amiga 10:56 am
Te vejo mais tarde 10:56 am

Revirei os olhos e bloqueei o aparelho voltando pelo mesmo caminho que havia feito até a cozinha. Ao chegar lá joguei o tal suco verde no lixo, peguei meu próprio suco, pães, uma fatia do bolo caseiro que havia comprado e segui para o sofá. Zapeei alguns canais até me lembrar da série de e a coloquei no Netflix, tirando o celular do bolso e informando a que havia começado, para em seguida bloquear o aparelho, jogá-lo sobre o sofá e entregar toda minha atenção para a TV.
[…]
Horas haviam se passado desde que eu havia começado aquela série e estava certa, eu havia adorado. Eu lhe devia um sorvete com absoluta certeza. Eu apenas havia deixado meu sofá para pegar a comida que pedi para meu almoço desde que coloquei o primeiro episódio. E não pretendia sair dali tão cedo quando ouvi a porta da frente se abrir e revelar uma Kendall sorridente para o celular, voltei minha atenção para a TV e logo ela se aproximou parando ao meu lado.
– Harry, por que ainda está assim? – a encarei e ela tinha uma sobrancelha arqueada para mim. Usava um vestido branco de seda e sandálias da mesma cor, de salto, alguns colares dourados estavam em seu pescoço. Seus lábios estavam vermelhos pelo batom e seus olhos destacados pela maquiagem.
– Por que eu estou assistindo TV – murmurei voltando minha atenção para Meredith e Cristina.
– Você se esqueceu da festa? – eu respirei fundo.
– Não, mas eu não vou – foi tudo que respondi. Segundos depois a tela da TV se apagou e eu encarei Kendall que tinha o controle em mãos – Por que você fez isso? – ela revirou os olhos.
– Nós vamos a festa da Gigi – ela colocou o controle na mesa de centro.
– Eu não estou em clima de festa – murmurei e a vi revirar os olhos novamente.
– Qual é Harry? Eu venho te ver e você quer ficar trancado em casa? – ele já parecia impaciente.
– Você sumiu o dia todo – murmurei e novamente seus olhos reviraram. Por Deus, ela estava treinando para alguma competição?
– Não seja infantil Harry, eu fui ver uma amiga – ela cruzou os braços – agora vai ficar chateado por que não fiquei te fazendo carinho e companhia? Não somos um casal – foi minha vez de revirar os olhos. Passei por ela levando toda a minha louça para a pia e ouvindo seus passos atrás de mim. Enquanto eu lavava a louça Kendall se aproximou e me abraçou pela cintura depositando um beijo em meu ombro nu – Harry por favor, é ano novo e vai ser legal – ela sussurrava naquele tom de voz que sempre usava quando queria me ganhar – Depois se estiver cansado podemos voltar junto pra cá e continuarmos nossa própria festa – ela beijou novamente meu ombro e eu senti um arrepio em meu ombro. Coloquei o último prato no escorredor de louça e me virei para encará-la, os olhos castanhos brilhando para mim.
– Tá, vou me arrumar – ela sorriu largo e depositou um beijo em meus lábios.
– Te espero aqui – ela seguiu para a sala e eu subi para o quarto me apressando em me arrumar. Tomei um banho rápido, vesti calças, camiseta e um terno todos brancos, coloquei minha corrente de cruz e meus anéis, completei tudo com um óculos cor de rosa, passei as mãos pelos cabelos os ajeitando e desci encontrando Kendall que me olhou batendo palmas.
– Eu adoro quando você se arruma assim – ela beijou meus lábios brevemente e encarou novamente minha roupa – Gucci combina com você – ela sorriu e encarou o celular novamente – Vamos, as garotas já chegaram – ela iniciou sua caminhada para fora da casa e eu peguei as chaves a acompanhando – Vai ser uma noite incrível – ela soltou assim que fechei a porta da frente e algo no meu coração me dizia que seria uma noite incrível apenas para um de nós.
[…]
Faltavam quarenta minutos para a meia noite. Já havíamos chegado no local há algumas horas e desde que chegamos eu havia ficado na companhia do bar e Kendall se lembrava de mim quando queria algo para beber.
Eu já sentia a cabeça rodar e me apoiei no balcão pegando o celular do bolso abrindo o app do Instagram. O primeiro stories era de Kevin, era um vídeo de e Josie cantando alto Dangerous Woman da Ariana e Kevin rindo. O vídeo seguinte era de preparando drinks e mostrando a língua para Kevin que depois gravou a ele mesmo com Josie e Tim aparentemente ansiosos pelas bebidas. O storie de mostrava apenas uma foto dos drinks e uma foto mal tirada com Josie. Guardei o aparelho e encarei Kendall com Gigi e outras amigas rindo e dançando, finalizei minha bebida e peguei o celular do bolso pedindo por um carro já que não estava em condições de dirigir.
Logo que cheguei ao térreo o carro já me esperava e eu apenas entrei confirmando com o motorista o local para onde iria. Em minutos eu estava na porta do prédio de Kevin e faltavam quinze minutos para a meia noite. Entrei no elevador apertando o último andar e aguardando. Uma mensagem de Kendall chegou perguntando onde eu estava e eu apenas coloquei o aparelho no modo avião. Quando a porta do elevador se abriu eu segui para a última porta do corredor e apertei a campainha várias vezes.
– Harry! – foi quem me recebeu com um largo sorriso e uma bebida na mão. Em um impulso eu a abracei e ela retribuiu brevemente me encarando em seguida – Está tudo bem? – ela franziu o cenho.
– Só um pouco bêbado – murmurei e ela assentiu.
– Vem, a contagem vai começar – ela segurou minha mão e me colocou para dentro de casa, me ajudando em seguida a me aproximar – Gente, o Harry veio – ela gritou e todos se viraram sorridentes me cumprimentando.
– Vem cara, já vamos começar – Kevin me puxou entregando uma taça de algo que parecia champagne, parou ao meu lado me abraçando pela cintura e me encarando em seguida, sussurrando um “eu te ajudo”.
A contagem começou e quando chegou ao fim vimos os fogos explodirem do lado de fora da varanda de Kevin. O novo ano havia chego. Nós brindamos e depois de beber nos abraçamos em grupo, prometendo que aquele grupo se manteria no ano que havia começado, depois houveram abraços individuais e os últimos a se abraçarem fomos eu e . Eu a envolvi pelos ombros enquanto suas mãos passavam pela minha cintura me apertando um pouco mais que o normal, a cabeça da garota estava encostada em meu peito de modo aconchegante e meu queixo encostava no alto de sua cabeça onde brevemente depositei um beijo para voltar a abraçá-la.
– chamei com meus sentidos meio distantes, ela apenas levantou a cabeça me encarando – Promete que vai ser sempre minha amiga, independentemente de qualquer coisa? – pedi me sentindo ligeiramente triste. sorriu largo e soltou uma das mãos me mostrando seu mindinho.
– Sempre, Styles – eu sorri de volta e juntei meu mindinho ao dela em uma promessa. Parecia bobo pedir aquilo a ela e qualquer pessoa acharia imaturo já que a conhecia a algumas semanas, mas para eu sabia que aquilo era tão sério quanto para mim. – Podemos sair do momento meloso agora e irmos nos divertir? – eu sabia que não se sentia confortável em abraços, nunca havia perguntado a razão e ela nunca havia dito, mas apesar disso abraçá-la era especial, por que eu percebia seu esforço para aquele pequeno gesto.
– Tá legal, estraga momentos – murmurei lhe dando um beijo no topo da cabeça e a fazendo rir. Ela me puxou para a varanda onde todos estavam sentados em volta de uma mesa com um baralho no centro, as cartas foram embaralhadas por Kevin que nos encarou.
– Duplas – ele soltou e rapidamente tomou meu braço.
– Harry é a minha – eu só consegui rir ao me lembrar do dia do karaokê e percebi Kevin rir.
– Você vai se arrepender por que eu sou melhor que ele – ameaçou e me cutucou como se me lembrasse que eu deveria ganhar – Josie e Tim são outra e eu vou sozinho – Kevin deu as ordens e começou a distribuir as cartas. Eu encarei que sorriu para mim e eu lhe toquei brevemente a ponta do nariz a fazendo rir. Olhando meus amigos eu percebi que eu não tinha lugar melhor para estar no mundo do que ali naquele momento.
[…]
Estava jogado no sofá com Kevin ao meu lado enquanto Josie, Tim e cantavam FourFiveSeconds a plenos pulmões.
– O que houve? – foi Kevin quem me perguntou e eu o encarei com o cenho franzido – Você já chegou aqui bêbado e eu percebi que estava chateado. O que houve? – as vezes eu odiava o quanto Kevin me conhecia.
– Kendall – ao ouvir o nome dela ele revirou os olhos – Essa manhã ela me deixou sozinho no café para ir ver alguma amiga e depois fomos para a festa de Gigi, onde novamente ela me deixou em um canto sozinho – massageei as têmporas com a mão livre e ouvi Kevin bufar.
– Cara, você tem que parar de se sujeitar a isso. Você é Harry Styles, qualquer garota no mundo quer você – eu o encarei – E honestamente você tem uma boa garota bem aqui na sua frente – ele olhou na direção do grupo que cantava e eu segui seu olhar vendo que ria de Tim.
? – perguntei sentindo o estômago se mexer – Somos amigos e ela acabou de sair de um relacionamento complicado – justifiquei, tomando do meu copo e sentindo a cabeça começar a girar novamente.
– Tudo bem, mas isso não é algo que a impeça de seguir em frente – ele me encarou novamente – Ainda mais com você, que está se tornando um amigo – ele piscou e eu revirei os olhos.
– Kevin, não viaja – murmurei – Ela e eu somos amigos apenas, isso já ficou claro entre nós e ela precisa de tempo para se curar do que o babaca do ex dela fez – senti a raiva em meu tom a falar de Anthony – E estamos bem como amigos – finalizei meu drink que havia feito e ouvi a risada nasalada de Kevin.
– Tudo bem, não vou insistir, mas muita coisa ainda vai acontecer aqui – ele piscou e se levantou do sofá seguindo para o grupo e me encarou quando a melodia alguma música aleatória começou.
– Vem, sai dessa fossa – ela me puxou com toda sua força e eu gargalhei por nem me mover, mas me levantei e a segui. Todos dançavam e se virou para mim dançando de forma despreocupada, rindo, claramente sem interesse em parecer sensual ou qualquer coisa do tipo. Eu me movimentei de maneira animada e ela riu de meus passos me incentivando a continuar. No meio da música, que era o ponto alto de sua batida, Josie e começaram a girar seus pescoços em uma velocidade que eu sequer sabia que era possível. Quando pararam elas riam, deu um passo em falso e eu a segurei rindo junto a elas com uma expressão de possível surpresa.
– Menina, como você faz isso? – perguntei em meio a uma risada e massageou o pescoço.
– Muitos shows de rock quando era mais nova, tenho treino – eu neguei com a cabeça enquanto ela se afastava retomando seu equilíbrio.
Depois de mais alguns minutos de danças estranhas e músicas que eu nem me lembrava da existência eu vi encarar seu relógio.
– Eu vou nessa, estou morta, alguém quer carona? – ela apontou a saída enquanto se encaminhava a Kevin e lhe dava um breve abraço.
– Eu – respondi sentindo o cansaço tomar conta do corpo.
– Mais alguém? – ela terminou suas despedidas e eu comecei as minhas abraçando a todos.
– Eu e Tim vamos dormir por aqui – Josie anunciou olhando os garotos e deu de ombros.
– Tá bem, usem camisinha – alertou recebendo um tapa leve de Josie e gargalhando – Estou brincando, calma – ela massageou o lugar do tapa e começou a caminhar para a porta onde pegou sua bolsa que estava pendurada junto a seu casaco e eu a segui – Adeus crianças, se cuidem – ela lançou um beijo recebendo acenos.
– Tchau pessoal – acenei para eles recebendo acenos de volta.
Fechei a porta e segui para o elevador em silêncio. A porta se abriu, nós entramos e apertou o botão da garagem. Rapidamente as portas se abriram na garagem onde eu segui até seu Jeep. Ao entrar no carro eu tirei meu celular do modo avião e fui bombardeado com notificações de mensagens e ligações perdidas de Kendall. Abri as mensagens e apenas respirei fundo.

Kenny:
Cadê você? 11:42 pm
Harry, já está quase na hora 11:45 pm
Você perdeu a contagem, Harry 12:12 am
Droga Harry, por que não atende? 12:18 am
Me liga 12:22 am
Já vi no storie daquele seu amigo onde você está, poderia ter avisado pelo menos 12:36 am
Vou estar na sua casa esperando quando você chegar 12:36 am

Respirei fundo novamente e senti o olhar de sobre mim.
– Ei, está tudo bem? – ela tocou brevemente meu ombro e eu a encarei.
– Se lembra da tal amiga que comentei com você mais cedo que fui buscar no aeroporto? – apenas assentiu mantendo a atenção na rua – Ela não é só uma amiga – eu vi um sorriso de canto surgir nos lábios de .
– Styles, conte a novidade – ela murmurou em meio a uma risada fraca – Disso eu sei, estava óbvio, mas o que tem ela? – ela fez um sinal com a mão para que eu prosseguisse.
– Bom… Ela é a Kendall, Kendall Jenner – ela fez uma careta discreta, mas eu a percebi – Nós meio que saímos e bom…
– Transam – ela completou percebendo meu desconforto em continuar a frase.
– Isso – respondi rindo fraco – Não temos nada sério, mas eu sempre a acompanho em coisas com amigos dela como se fosse seu namorado, só que ela sempre me deixa de lado nesses lugares, ou quando vem me ver sempre está me deixando sozinho pela manhã para encontrar outras pessoas e essa noite eu a deixei para ir à festa com vocês por que ela me deixou sozinho em um canto na festa da amiga dela – assentiu parecendo refletir sobre o assunto.
– Já falaram sobre ter algo realmente sério? – ela me encarou assim que parou em um sinal vermelho.
– Ela não quer e eu também não sei se quero, isso é muito complicado, mas a questão é que ela fica brava quando eu a deixo ou não faço o que ela quer, mas quando é comigo ela diz que não faz sentido como estou me sentindo e que não somos um casal e blá blá blá – riu fraco da minha careta e eu sorri junto – Agora ela deve estar na minha casa, esperando para criar uma discussão por que eu fui encontrar vocês e como a fiz ficar com cara de boba e essas coisas – soltei tudo rápido e respirei fundo. deu a partida no carro por que o sinal havia aberto novamente.
– Bom, se quiser pode dormir lá na casa da Lizzie, o sofá é bem confortável e quando acordar decide o que fazer – ela deu de ombros – Mas Harry, acho que deveriam resolver isso de uma vez. Não precisam assumir um relacionamento para o mundo, mas se vão agir como namorados tem que ser dos dois lados. Não é certo só você a acompanhar, ou só você ter que estar disponível pra quando ela precisar. E se isso é apenas uma amizade colorida, acho que devem entender isso. Entender que são amigos que transam e não existem obrigações de uma relação. Se você quiser fazer companhia a ela, ótimo, lucro, mas se não, tudo bem, por que não é como se precisassem. E não a deixe te fazer de capacho também. Se valorize homem, ela pode ser Kendall Jenner, ser gata pra caramba, muito gostosa e ter muitos caras atrás dela, mas você é Harry Styles, gato pra caramba, um gostoso e também tem muitas garotas afim de você – ela balançou minha perna me fazendo rir – Não deixe ela te tratar como um brinquedo que ela leva para onde quiser e larga quando estiver afim – eu sorri para ela.
– Obrigado – ela me encarou brevemente depois tirou uma das mãos do volante estendida para que eu tocasse e eu o fiz.
– Para isso servem os amigos – soltou fazendo um sinal de jóia com o polegar e forçando um largo sorriso que me fez rir.
e Kevin estavam certos, eu deveria me valorizar mais e não aceitar qualquer coisa. Apesar de Kendall ser uma mulher incrível, eu era um homem incrível e merecia ser tratado melhor, e se ela não estivesse disposta a me tratar como eu merecia, outra pessoa estaria e eu deveria seguir a vida para encontrar essa outra pessoa e deixa-la livre para encontrar alguém que quisesse ficar com ela sob suas condições também.
Encarei brevemente enquanto ela entrava na rua do apartamento de Lizzie e em um impulso beijei sua bochecha a vendo corar instantaneamente.
– Por que isso? – ela perguntou me olhando rapidamente e apertando o botão da garagem do prédio.
– Não sei, só estou feliz em ter te conhecido e sermos amigos – e era verdade, eu realmente me sentia feliz por aquilo.
– Eu também, H – ela me lançou um sorriso fraco e logo estacionou o carro, eu a encarei e senti o coração apertar ao pensar sobre quando eu voltasse a turnê e ela estivesse longe.
– Eu vou sentir sua falta quando voltar a viajar – murmurei e ela riu fraco – Vamos comigo – brinquei e ela revirou os olhos negando com a cabeça.
– Você não vai nem se lembrar de mim quando aquelas garotas estiverem gritando seu nome, alimentando seu ego gigante – ela me empurrou de leve e abriu a porta – Vamos logo, estou morrendo de sono – ela saltou do carro e eu a segui.
– Isso não é verdade – fiz um bico e ela riu – Eu realmente vou sentir falta de você e dos seus conselhos durante a turnê – ela apertou o botão do elevador se virando para mim.
– Eu vou estar a um Facetime de distância – soltou cruzando os braços e me empurrando com o ombro – Agora pare de drama – eu soltei um riso nasalado.
– Você consegue ser fofa e extremamente quebra clima, tudo ao mesmo tempo quando quer, senhorita Andrews – ela riu entrando no elevador que havia chego.
– É um dom – ela deu de ombros com as mãos agora nos bolsos e eu tirei um momento para encará-la. era realmente uma mulher bonita e tinha um sorriso encantador – Eu vou te deixar aí – ela soltou saindo da frente da porta do elevador e eu me apressei em entrar com as portas se fechando atrás de mim. Lhe mostrei a língua e ela riu negando com a cabeça. Peguei o celular e abri nas mensagens de Kendall.

H:
Não vou para casa hoje 04:24 am
Conversamos quando eu chegar mais tarde 04:24 am

Coloquei o aparelho em meu bolso e me apoiei no canto do elevador mais aliviado. Algo dentro do meu coração me dizia que apesar de gostar muito de Kendall, tudo se resolveria no final e eu ficaria bem. E eu acreditava naquilo.

Capítulo 5

Janeiro, 2018 – Londres, UK

Wanna ride with you till the wheels fall off
Until we’re running out of road
Wanna dance with you till the music stops
Until we got no place to go


Era noite quando me joguei no sofá. Havia acabado de tomar um banho depois de um dia de trabalho no casamento de uma conhecida. O trabalho não havia sido cansativo, mas dirigir de Londres a Coleford sim.
Ultimamente era isso que eu fazia. Viajava horas de carro para fotografar algum casamento ou festa e voltava para casa. Honestamente eu adorava, registrar toda aquela felicidade das pessoas em momentos de celebração, mas ainda parecia faltar algo. Algum tipo de sacudida na rotina que eu não sabia descrever. Eu havia recebido diversas propostas de revistas as quais recusei por que não sabia se queria novamente aquela rotina de horários marcados, modelos profissionais e sabendo exatamente como agir em frente as lentes, com seus rostos sérios. Eu queria algo diferente e ainda estava à procura. No fim, a demissão me trouxe a oportunidade de me conhecer como profissional e aquilo era incrível.
No momento em que pensei sobre o que faria para jantar a campainha tocou e eu arqueei a sobrancelha confusa, já que o porteiro não havia interfonado. Pelo olho mágico da porta eu vi Harry com as mãos nos bolsos aguardando.
– Ei – o cumprimentei assim que abri a porta e ele sorriu largo, me abraçando. Aquilo ainda era estranho, mas acho que estava me acostumando a Harry e seus abraços.
– Ei – ele devolveu o cumprimento do mesmo modo me fazendo rir.
– O que faz aqui tão tarde, aconteceu algo? – perguntei procurando por machucados instintivamente, mas não encontrei nenhum.
– Não – ele deu de ombros – estava passando e quis vir dar um oi – estreitei os olhos para Harry. Ele vivia do outro lado da cidade e não fazia sentido estar ali a àquela hora. Percebendo meu olhar ele mordeu o lábio e bufou em seguida jogando os braços em rendição – Tá legal, eu vim te ver e te chamar para sair – ele soltou me fazendo rir.
– E por que não falou a verdade, idiota? – perguntei lhe dando um leve empurrão no ombro.
– Por que é tarde e eu não queria parecer incômodo – ele murmurou sem jeito e eu voltei a rir.
– Harry, eu não me importo que apareça tarde – soltei – Onde está pretendendo ir? – perguntei torcendo para que ele disse o nome de qualquer restaurante de Londres.
– O que acha de um hambúrguer? – eu joguei as mãos para o alto em comemoração.
– Ótimo, estou faminta – ele gargalhou – espere que vou pegar minha jaqueta – me virei e segui pelo corredor até o quarto e busquei por uma jaqueta jeans já que já usava um conjunto de moletom quente, calcei meus tênis e peguei meu cartão, saindo do cômodo para recolher meu celular e chaves na sala – Vamos – empurrei Styles para o corredor o fazendo rir e tranquei a porta.
– Você está realmente com fome – comentou ainda rindo de minha ação.
– Você nem pode imaginar o quanto – murmurei apertando o botão do elevador.
– Muito trabalho hoje? – ele se encostou na parede me encarando. As mãos nos bolsos do pesado casaco preto. Tirei um minuto para notar suas roupas. Ele usava um moletom preto, camiseta branca, tênis pretos e um casaco também preto. Era diferente de como eu o via normalmente, cheio de roupas que pareciam caras demais. Aquilo era simples, e se eu trocasse seu sobretudo por uma jaqueta jeans eu poderia dizer que compramos nossas roupas no mesmo tipo de loja. Mas obviamente não era.
– Gosto quando se veste assim, sem marcas caras que custariam o meu rim – comentei o fazendo rir – E a resposta é: apenas um casamento, não foi cansativo, mas era bem longe e estava tão entretida em fotografar que esqueci de comer – recebi um olhar estreito de Harry.
– Entendo seu amor pelo trabalho, mas não pode deixar de comer – seu tom me reprovava completamente.
– Desculpa, pai – brinquei entrando no elevador assim que as portas se abriram e Styles revirou os olhos me seguindo.
– Eu vou ligar para ele e contar isso – ameaçou e eu gargalhei.
– Boa sorte tentando conseguir o número dele – debochei e ele me lançou um sorriso convencido.
– Você esquece que eu sou um cara com dinheiro suficiente pra pagar alguém que descubra – eu lhe estreitei os olhos.
– Você não faria – ele manteve a expressão séria, mas depois riu.
– Não mesmo, por que é invadir demais sua privacidade, mas você precisa comer sua idiota – ele me empurrou de leve e eu gargalhei.
– Tá bem, eu prometo que vou – ele estendeu o mindinho no mesmo instante.
– Promessa de dedinho? – eu ri fraco entrelaçando nossos dedos.
– Promessa de dedinho – repeti e ele sorriu satisfeito.
Minutos depois estávamos entrando em uma hamburgueria em Mayfair. Era um local afastado e estava vazio, por ser dia de semana talvez. Harry, que agora usava um gorro que tinha em seu carro, pediu um hambúrguer que pelo que entendi levava um tipo de molho secreto da casa, cebolas caramelizadas e um hambúrguer artesanal que me pareceu muito saboroso, me fazendo pedir pelo mesmo, apenas mudando nossas bebidas.
– Aconteceu algo? – perguntei assim que o garçom se foi e Harry me olhou confuso. Ele havia passado toda a viagem de carro com o pensamento longe e o olhar ainda mais distante, dirigindo quase que automaticamente até o local. Styles bufou em descontentamento por saber que não conseguiria esconder aquilo de mim.
– Sim, mas podemos falar disso depois de comer? – pediu quase suplicante e eu assenti.
– Como estão as coisas para o retorno da turnê? – puxei o assunto já que sabia que Harry vinha tendo reuniões constantemente por conta daquilo.
– Menos loucas agora – ele riu fraco e em seguida apertou as têmporas – Grande parte já está resolvido, agora estamos apenas na parte de organização, locomoção de instrumentos e essas coisas – ele deu de ombros.
– E você acompanha cada pequeno detalhe? – ele assentiu.
– Cada um deles – confirmou.
– Eu jurava que cantores famosos deixavam essas coisas para alguém – confessei e Harry riu.
– Geralmente deixam, mas eu gosto de estar presente, não ser apenas o cara que está do outro lado do telefone dando ordens e dizendo o que quero – Harry cruzou os braços e se ajeitou na cadeira – Gosto de ver as coisas acontecendo e discutir com minha equipe sobre que decisões devemos tomar – eu assenti.
– Isso é legal – confirmei – Quero dizer, todo mundo que trabalha com você pode usar o “eu conheço o Harry Styles” para se gabar – brinquei e Harry riu meio sem ânimo e eu soube que havia algo de errado.
– Podem mesmo – confirmou por fim.
Passamos o restante do jantar em assuntos rasos e sem muita animação. Quando os lanches chegaram comemos em silencio, um silencio nada confortável. Havia algo de triste nos olhos de Harry e eu passei certo tempo pensando sobre o que poderia ser. Pensei que poderia ser por Kendall, já que ele havia terminado com ela a duas semanas na manhã de ano novo depois de conversarem e verem que não funcionariam juntos. Ou talvez pelo problema que ele informou estar tendo para compor novas músicas para seu segundo álbum solo. Talvez a saudade que ele sentia da banda, como ele já havia me noticiado uma ou duas vezes. Nada parecia um motivo para aquilo. Havia algo de diferente naquela tristeza. Quando me falou de Kendall, Harry estava apenas triste, mas agora havia algo a mais que eu não sabia dizer o que era.
Quando terminamos nossos hambúrgueres, convidei Harry para caminhar, o que prontamente foi aceito por ele. Mayfair era um bairro que eu poderia chamar de chique. As casas geminadas no mais puro estilo georgiano, restaurantes gourmetizados por todo o canto, lojas de grife e alfaiatarias faziam do lugar o típico local londrino que vinha a minha cabeça antes de me mudar para a cidade. Clássico e com um quê do meu tio Derek, irmão mais velho do meu pai, que morava na cidade quando eu era mais nova, mas agora se refugiava em Leeds.
A àquela hora, todos os moradores já estavam escondidos em suas casas e eu não os culpava, o frio era cortante do lado de fora, mas Harry parecia estar gostando de estar fora de paredes naquele momento, então eu não reclamaria.
– Quer falar agora? – perguntei em um sussurro enquanto virávamos uma rua e eu tentava colocar as mãos mais ainda dentro de meus bolsos. Harry respirou fundo parecendo se preparar para o início de um discurso e eu apenas o deixei ir em seu tempo.
– Seis meses atrás eu perdi meu padrasto – começou – Ele estava doente e lutando contra a doença, mas infelizmente nós o perdemos – a voz de Styles saia triste e embargada apesar de ele não ter resquício de choro em seus olhos – Acho que com toda essa coisa da turnê eu acabei por colocar minha atenção nela. Mas hoje, eu e minha irmã fomos almoçar com a minha mãe e começamos a falar dele, ela estava tão triste e a Gemma também – ele parecia se lembrar do momento – Quando fui embora eu percebi que talvez eu tenha fugido do luto e agora está tudo me atingindo de uma única vez – nesse momento as lágrimas surgiram em seus olhos que estavam pousados em mim – Eu sinto falta dele, – meu coração apertou com a voz sussurrada de Styles e eu prontamente o abracei deixando que chorasse. Harry soluçava e algumas poucas pessoas que passaram por nós lançaram um olhar de estranheza recebendo meu olhar de reprovação e seguindo seu caminho.
– Pode chorar, está tudo bem – sussurrei afagando suas costas e sentindo-o apertar mais o abraço. Eu entendia a dor de Harry. Realmente entendia, e queria que ele tivesse com quem chorar, de um modo que eu não tive quando decidi encarar aquele sentimento. Harry se afastou devagar, secando as lágrimas nas palmas das mãos e eu sorri fraco para ele – Mais aliviado? – eu falava sussurradamente, por que outro tom não parecia caber naquele momento. Harry assentiu fraco.
– Isso dói muito – declarou fazendo uma cara de mal, como se aquilo fosse afugentar a dor, mas não iria. O puxei pela mão para nos sentarmos na escada de uma alfaiataria que se encontrava fechada naquele momento.
– Eu sei como se sente – toquei seu braço o fazendo me encarar e respirei fundo – Alguns anos atrás eu perdi a minha avó – comecei – Ela já era idosa e nos últimos anos de vida ela teve uma série de problemas de saúde, então já não era a mesma mulher que corria atrás de mim e dos meus primos com uma sandália de avó dizendo que iria nos bater por que estávamos pulando na cama como selvagens – Harry soltou um riso fraco – Eu e meu avô já sabíamos que logo ela partiria nos últimos dois meses de vida dela, mas quando aconteceu eu não acho que estava realmente preparada – mordi a parte interna da bochecha e Harry tocou minha mão sobre seu braço – Eu simplesmente coloquei minha mente em um estado de não aceitação e me ocupei com tudo que podia. Eu não ia a casa do meu avô por que tudo lá tinha ela, sempre que alguém falava dela eu saia de perto e por meses meu avô insistiu que eu abrisse a caixa que ela havia deixado para mim, sem sucesso algum – respirei fundo novamente – Quatro anos após ela morrer, quando me mudei para Londres, um dia após a aula eu estava procurando por algo que havia trazido do Brasil e me deparei com a tal caixa que eu não tive coragem de deixar para trás. Eu encarei aquela caixa por uma hora seguida dentro do closet – minha mente me levou a aquele momento como se o vivesse de novo – Depois eu me sentei e abri a caixa. Haviam fotos de quando eu era criança, o relógio da minha vó, um frasco cheio do perfume que ela usava, cartas que ela trocava com meu avô quando eles eram mais novos e havia uma foto do último aniversário dela, que foi um mês antes da morte – sorri fraco – Estávamos eu, ela, meu avô e dois dos meus primos mais próximos – encarei Harry que tinha seus olhos sobre mim – Abrir aquela caixa foi como encarar o fato de que ela havia ido e nunca mais voltaria. Eu chorei por horas no chão do closet e passei por um inferno pessoal nas semanas que se seguiram. Tudo que minha família havia sofrido, eu estava sofrendo quatro anos depois sozinha. Mas você não precisa esperar anos para abrir a sua caixa, Harry. Eu sei que isso dói como o inferno, mas é necessário passar por isso para que você se livre da dor e possa seguir. E você não está sozinho, tem a sua mãe e a Gemma que estão passando pelo mesmo nesse momento e tem a mim, que vou estar aqui caso precise de qualquer coisa – ele sorriu fraco e eu o puxei para um novo abraço. Onde ele repousou sua cabeça próxima a meu pescoço enquanto eu o envolvia completamente com os braços.
– Deixa de doer em algum momento? – ele perguntou em um sussurro.
– Honestamente? Nunca completamente. Depois de algum tempo a maior parte vai embora e dá lugar as lembranças boas, mas tem um pedacinho, bem pequeno que ainda dói. E está tudo bem, é só por que essa pessoa era especial para você – houve um momento de silêncio e então Harry se aconchegou mais em mim, segurando minha jaqueta mais forte, como se não quisesse que eu fugisse. Naquele momento, todo o desconforto que existia no fundo da minha mente ao abraçar ou ser abraçada se esvaiu, deixando que eu entregasse algum carinho a Harry, afagando os cabelos do garoto.
– Você acha que eu devo falar com minha mãe ou Gemma? – ele quebrou o silêncio.
– Apenas se quiser, mas pense em você, não pense pelos olhos de que elas já estão sofrendo, mas sim pelo olhar de que você também está e merece o mesmo cuidado que dá a elas – ele levantou a cabeça me encarando.
– Já te disseram que você é muito sábia para alguém da sua idade? – eu ri fraco tirando uma mecha de cabelo que caia nos olhos dele.
– Já, sou madura demais para a minha idade – fiz uma careta e ele riu.
– Eu concordo, mas você tem um bom equilíbrio. A festa que fez com o pinguim que ganhei para você comprova isso – ao fim de seu comentário eu gargalhei.
– Ah qual é? Eu adoro pinguins e aquele é bem lindinho e fofo – ele franziu o cenho.
– Você realmente gostou daquilo? Achei que fosse só algo do álcool – neguei com a cabeça para ele.
– Tá maluco? Eu adorei, ele já tem até um nome e dorme comigo às vezes – pensei um pouco – Tá, mais vezes do que é normal para uma pessoa adulta, mas quem liga? – dito isso Harry gargalhou afundando seu rosto em meu pescoço enquanto eu era levada com sua risada.
– Gosto disso em você – ele murmurou enquanto ainda ria um pouco e eu franzi o cenho fazendo-o entender que eu não sabia do que estava falando – Como é espontânea e como não liga se deve ou não fazer algo – lhe lancei um sorriso fraco e voltamos ao silêncio. Dessa vez ele era confortável e não havia necessidade de preenchê-lo, havíamos dito tudo e naquele abraço dizíamos mais. Eu gostava e me sentia extremamente confortável em como minha relação com Harry, apesar de recente, estava crescendo e se tornando algo bom. Havia confiança e parceria e a algum tempo eu não sabia como era sentir aquilo com alguém além de .
[…]
Eu e Styles havíamos passado algumas horas andando pelas ruas de Mayfair e descobrimos algo em comum: o prazer por andar pelos lugares de madrugada. Ficamos até às três da manhã apenas andando, conversando e parando para observar as lojas chiques onde Harry dizia que voltaria para comprar um novo terno, calça, ou seja, lá o que cantores ricos compravam para usar apesar de não precisarem.
– Eu não acredito que estou falando com Harry Styles – soltou segundos após Harry atender a chamada dela no Facetime no sofá da casa de enquanto eu estava na cozinha pegando seu copo de água.
– Pode acreditar, senhorita – Harry afirmou enquanto eu gargalhava com a cara de surpresa que fazia.
– chamou incluindo o nome do qual compartilhávamos – como você deixa isso acontecer sem um aviso prévio? Garota, eu sou cardíaca – o surto de me fez gargalhar mais ainda entregando o copo a Harry que ria junto comigo e me sentando ao lado dele.
– Em minha defesa, ele foi quem teve a ideia – apontei para Harry que lançava um sorriso travesso para deixando sua covinha aparente.
– Garoto, para com isso ou eu vou ficar de calcinha molhada – eu explodi em uma risada quando soltou aquilo. Ela me dizia aquilo constantemente quando se referia à Styles. “Olhe esses olhos, minha calcinha está molhada” “Olha esse garoto cantando, minha calcinha está muito molhada” eram alguns dos exemplos, mas não havia um dia que eu não escutasse aquilo antes de ela ir para o Japão, e quando o show de Manchester terminou foi o que mais escutei a caminho de Londres.
, você não conhece a palavra limites – soltei enquanto secava o canto dos olhos. Harry estava meio sem jeito, mas tinha um sorriso de canto nos lábios – e você nem pense em dar corda para ela, eu não estou afim de escutar a conversa suja de dois amigos – empurrei Harry que riu me puxando para um abraço pelos ombros e beijou minha cabeça.
– Tudo bem, vou respeitar o seu pedido, mas depois você tem que me passar o número dela – Harry piscou para mim indicando que estava brincando e gritou nos fazendo gargalhar.
– Vocês dois vão me matar – ela se abanou.
– Como está o Japão, exagerada? – perguntei ainda dentro do abraço de Styles que sequer tentou afrouxar.
– Muito bem, obrigada – ela deu de ombros – Estou começando a me sentir em casa finalmente – fiz um bico e franzi meu cenho em desaprovação e riu fazendo Harry me encarar.
– Pode parar com isso, sua casa é aqui – murmurei em pura manha e riu junto a Harry.
– Você parece uma criança assim – soltou em meio a risadas e Harry me apertou no abraço que me segurava pelos ombros.
– Parece mesmo – ele concordou e eu o cutuquei na cintura o fazendo rir – Aguente a verdade, baby – ele beijou minha bochecha e eu o encarei com os olhos estreitos. Harry estava perto e eu pude notar suas irises verdes se divertindo naquele momento, mais felizes que no começo daquela noite.
– Aí, vocês fazem um casal tão lindo que minha calcinha molha por vocês – soltou e eu a encarei com os olhos arregalados.
! – a reprovei encarando Harry rapidamente percebendo o garoto tinha um sorriso lateral tímido no rosto.
– O que foi? Eu deveria estar te reprimindo por não ter me contado que estão se pegando – senti minhas bochechas esquentarem no mesmo instante.
! Não somos um casal – finalizei a vendo estreitar os olhos para mim e para Harry. Ela pousou seus olhos mais tempo em Styles e riu fraco após alguns segundos.
– Tá, mas eu vou continuar sonhando com o dia que vão ser, mais do que sonhava com o dia que eu e ele seríamos – declarou me fazendo revirar os olhos – Vou até usar o seu nome nas fanfics interativas ao invés do meu – aquela declaração fez Harry rir.
– Deixe ela sonhar – ela murmurou me sacudindo um pouco com os braços ainda em meus ombros – Dizem que se você sonhar bastante as coisas se realizam – ele encarou – Eu espero que você sonhe muito , eu quero ver esse sonho realizado – Harry declarou e entrou em surto, urrando em comemoração. Eu encarei Harry que mordeu o lábio inferior ao me olhar. O empurrei de leve, o fazendo rir ainda mordendo os lábios.
– Pare de brincar com os sentimentos dela, seu cafajeste – brinquei e Harry se virou para sorrindo tímido e assentindo com a cabeça em um gesto que provavelmente entendeu, mas eu não fazia ideia do que queria dizer.
– Ok casal, eu preciso ir trabalhar agora, mas se cuidem – alertou em um tom divertido – E usem camisinha, ainda não estou preparada para uma criança me chamar de tia – dito isso ela acenou e finalizou a chamada antes que eu pudesse contestar.
– Essa garota é maluca – soltei me afundando no sofá enquanto Harry deixava meu celular sobre a mesa de centro.
– Eu a acho bem sensata – Harry deu de ombros fazendo o mesmo que eu e se afundando no sofá. O encarei por alguns minutos sem conseguir descobrir se ele estava brincando comigo e respirando fundo.
– Quer assistir alguma coisa? – perguntei me inclinando e pegando o controle da tv. Ouvi Harry rir fraco e então percebi ele se deitar no sofá.
– Vamos ver sua série de médicos – ele soltou se referindo a Grey’s e eu sorri largo já selecionando o episódio de onde havia parado. Me ajeitei na beira do sofá enquanto a voz de Meredith fazia a introdução, para em seguida ser puxada por Styles para me deitar junto a ele do lado das costas do sofá – Eu não mordo e sei que você está cansada – ele passou as mãos ao redor do meu corpo em um abraço.
– Eu não tenho medo de gente que morde – soltei e ele me encarou com uma sobrancelha arqueada.
– Ah não? – eu neguei com a cabeça e ele mordeu minha bochecha.
– Aí, seu canibal – murmurei o empurrando e o fazendo gargalhar – Eu disse que não tenho medo, não que gosto – esfreguei o rosto e me aproximei mais de seu tronco deixando que minha cabeça repousasse em seu peito. Ele me segurou mais com seus braços e ficou em silêncio por longos minutos, onde apenas nossas respirações e as falas da série eram ouvidas. O cansaço do dia anterior me visitou e meus olhos começaram a pesar. Harry ali não me ajudava a ficar acordada, já que o cheiro de sua pele misturado ao perfume suave que usava trazia uma sensação de aconchego gostosa e o sono encontrava onde morar.
– ouvi a voz de Harry ao longe e murmurei baixinho sem realmente me sentir acordada, o sono já estava me levando – Você acha realmente um absurdo a ideia de ? Quero dizer, nós como um casal? – Não me lembro de minha resposta, porque o sono me pegou em seguida, mas eu esperava que não tivesse dito em voz alta a resposta que ecoou em minha mente.

Capítulo 6

Janeiro, 2018 – Londres, UK

I might have to tell you something

Harry
Dei bom dia ao porteiro e adentrei o prédio novamente. Havia acordado mais cedo que então a deixei no sofá e resolvi buscar o café da manhã. Passei em uma cafeteria que fazia o tipo de café que gostava e acabei levando um copo grande junto a um tipo de pão diferente que havia encontrado.
Quando abri a porta da sala encontrei vindo pelo corredor dos quartos com uma camiseta branca larga, shorts jeans e descalça, algo na visão dela daquele modo me fez engolir em seco sentindo um repentino calor que a pouco não sentia. Ela sorriu largo após constatar que eu estava em sua porta e não um estranho.
– Ei, achei você. – ela tinha um certo tom de alívio em sua voz – achei que tivesse ido embora – completou cruzando os braços.
– Só fui comprar o café da manhã e você já morreu de saudade? – questionei fechando a porta e indo para a cozinha em seguida.
– Baixa a bola, Styles. – ela me repreendeu se aproximando para ver o que eu havia trazido.
– Café coado pra você de uma cafeteria brasileira. – empurrei o copo para ela na bancada da ilha e ela bateu palmas claramente feliz com aquilo – E comprei isso também, mas não sei bem do que é. – lhe entreguei o saco de papel e ela abriu sentindo o cheiro e fazendo uma cara não muito satisfeita em seguida.
– É pão de queijo. – ela me entregou o saco de volta – Você pode tentar, a maior parte das pessoas do Brasil gostam, eu não curto tanto assim. – ela deu de ombros.
– Ah, eu achei que você gostaria, parece bom. – estava meio decepcionado com a minha escolha. sorriu e se aproximou, deixando um beijo em minha bochecha.
– Obrigada por pensar em mim, de verdade. – a encarei e ela sorriu me fazendo sorrir do mesmo modo – Eu só não tenho um gosto muito comum para o meu país, mas tente, se não gostar eu faço panquecas pra você também. – ela me encorajou. Peguei um dentro do saco e o levei a boca. A textura era diferente, não conseguia explicar muito bem e tinha muito gosto de queijo. Não fazia sentido para mim não gostar daquilo já que era maravilhoso.
– Como você não gosta disso? – questionei a fazendo rir fraco. Ela serviu o café em uma xícara e me entregou.
– Essa é a pergunta que todos me fazem. – ela se voltou ao armário se esticando para pegar uma vasilha no alto e eu vi seu short subir um pouco mais. Minha imaginação me levou a outro lugar por alguns segundos até eu sacudir a cabeça, espantando aqueles pensamentos.
– Eu pego. – soltei limpando a garganta e me aproximando enquanto ela se afastava do móvel. Puxei a vasilha e entreguei a ela que me olhava sorrindo.
– Enfim, não gosto muito, acho que é a textura, mas gosto bastante de queijo. – justificou já indo pegar os ingredientes da panqueca.
– Bom, sobra mais para mim então. – dei de ombros e ela riu.
– Guloso. – murmurou já se posicionando perto da pia para fazer sua receita.
Engatamos em uma conversa sobre comidas brasileira e prometeu que faria uma lista de coisas que eu precisava comer quando fosse para o país em maio, informou até que eu teria que trazer para ela comidas da mãe. Apenas da forma como falava da comida da mãe eu sentia minha boca se encher de água. Os pratos, desconhecidos por mim e até um pouco estranhos, pareciam maravilhosos e eu sentia um pouco de inveja de por ter crescido em meio a uma diversidade tão grande.
Minha mãe era um ótima cozinheira, me ensinou tudo que eu sabia, mas estávamos sempre influenciados pela culinária europeia que era algo um pouco mais requintado do que eu gostava de admitir. Já , pelo que me contava, havia crescido cercada por diferente culinárias e pratos que juntos para mim não faziam o mínimo sentido.
– Eu sei que você não gosta de maionese, mas no Brasil temos um prato com esse nome que leva maionese, obviamente. – ela fez uma careta – Batata, cenoura, ovo e maçã basicamente. – eu fiz uma careta.
– Maçã e ovo? – ela riu da expressão que eu tinha no rosto – Como isso pode ser bom? – ela deu outro gole em seu café.
– Eu sei que é estranho, mas é incrível e a da minha mãe é a melhor, você tem que experimentar algum dia. – seu tom tinha certa saudade de casa.
– Você poderia ir comigo em maio para lá. – sugeri e ela sorriu fraco de canto.
– Talvez. – ela jogou os ombros – Se até lá eu conseguir o dinheiro das passagens, por que não? – ela fez um bico engraçado e voltou sua atenção para sua xícara.
– Ou eu poderia ser um ótimo amigo e comprar suas passagens. – sugeri em um tom animado e ela riu fraco.
– Obrigada, Harry, mas honestamente eu não aceitaria, eu me sinto melhor pagando por elas por mim mesma. – eu sorri fraco. era claramente assim. Independente e que gostava de conquistar suas próprias coisas.
Antes que eu pudesse dizer algo o celular de tocou na mesa de centro da sala e ela franziu o cenho se levantando e indo até o aparelho. Olhou a tela confusa e atendeu. Iniciou uma conversa rápida em que as respostas dela não revelavam nada sobre o assunto mencionado e depois desligou voltando a bancada.
– Eu vou precisar sair. – ela torceu os lábios como se aquilo em seus planos fosse um grande problema.
– Tudo bem, eu vou precisar encontrar Kevin também para uma reunião com o pessoal da Gucci. – respondi olhando as horas na tela do celular e vendo que ainda tinha algum tempo até o horário.
– Desculpa, eu realmente não queria sair assim. – realmente havia tristeza no tom de , mas também certa ansiedade. Talvez pelo que fosse fazer.
, ta tudo bem. – soltei rindo tentando deixá-la confortável – Se for se trocar pode ir que eu arrumo tudo por aqui. – indiquei a bancada e ela negou com a cabeça.
– Não, pode deixar que eu…
– Mulher, pare de ser teimosa um minuto por favor. – pedi rindo e me arqueou uma sobrancelha – Me deixe fazer algo por você. Vá se arrumar que eu arrumo aqui, dai saimos juntos. – soltei já me levantando e ela riu saltando da banqueta.
– Tá legal, mas espero que saiba que eu me sinto desconfortável com isso. – ela murmurou já tomando o rumo do corredor.
– Eu sei, mas vai ter que se acostumar por que vou ocupar sua casa mais tempo que o comum e não vou ficar sem fazer nada. – murmurei de volta e ouvi sua risada.
– Obrigada Harry. – ela gritou já do corredor e eu sorri de canto.
Recolhi as sobras de comida separando no lixo orgânico, fechei o pacote de pães de queijo deixando-o separado para que levasse comigo, já que claramente não comeria e guardei coisas como o açúcar e o melado em seus lugares. Lavei os pratos, talheres e xícaras os secando assim que tudo estava lavado. Quando guardei a última louça apareceu no corredor. Usava uma calça quadriculada, um tênis branco, assim como a camiseta e um cardigã de lã que parecia quente.
– Alguém tem um encontro. – soltei deixando o pano em seu lugar e vi rir.
– Não é um encontro. – ela murmurou de modo engraçado e eu gargalhei.
– Ok senhora não é um encontro, mas é um encontro. – impliquei e revirou os olhos.
– Vamos logo. – ela caminhou seguindo para a porta enquanto eu ria em seu encalço.
Seguimos para o elevador iniciando uma conversa aleatória sobre como o sofá de Liz era confortável, já que nenhum de nós havia acordado com dor nas costas e seguimos na mesma conversa até a garagem onde se despediu de mim com um beijo no rosto e seguiu para seu carro enquanto eu seguida para o meu. Dei a partida no veículo e sai atrás de , passando por ela rápido e buzinando, tendo tempo de vê-la rir.
Segui para a minha casa onde tomei um banho, me troquei e chequei as notificações pela primeira vez no dia. Mensagens do trabalho no celular do trabalho e mensagens do grupo em meu telefone pessoal. Algumas notificações em meu Instagram e uma delas era de uma foto que minha mãe havia postado de nosso dia no dia anterior. Comentei com uma série de corações e bloqueei o aparelho encarando a tv desligada.
Sem que eu notasse tive meus pensamentos levados a noite com . O abraço na escada em Mayfair e como parecia que ela estava disposta a me proteger do mundo naquele momento, seu esforço para me fazer rir, como pela primeira vez ela havia me apresentado a Liz de uma forma natural, das insinuações de que éramos um casal, como dormimos abraçados e da resposta de a minha pergunta.
Estranhamente, eu sempre voltava a ela em algum momento. Fosse por uma foto, mensagem ou por que meus pés me levavam a ela inconscientemente quando eu precisava. Eu não planejava aparecer na porta dela na noite anterior, mas minha mente em confusão me levou até lá. Eu não sabia sobre a história da avó dela, mas algo dentro de mim sabia que era lá que eu encontraria conforto para a dor que sentia. Eu não sabia explicar aquilo de um modo racional, mas desde que almoçamos juntos naquele japonês, havia se tornado a pessoa que eu sempre queria procurar quando precisa conversar ou quando queria um amigo por perto.
Nada em nossa relação fazia o mínimo sentido, racionalmente falando, mas tudo parecia certo e parecia se encaixar.
Antes que eu pudesse entrar num pensamento sobre o que estaria fazendo meu celular tocou com o nome de Kevin piscando na tela.
– Ei mate. – cumprimentei.
Estou na sua porta. – a resposta foi curta e grossa e eu soube que Kevin estava irritado.
– Ok. – desliguei o celular e o guardei no bolso seguindo para fora de casa.
Kevin batucava o volante e tinha a maior cara de poucos amigos que eu já havia o visto ter. Não houve resposta ao meu cumprimento e o caminho seguiu silencioso até o prédio onde se localizava o escritório da Gucci. Do mesmo modo se seguiu à reunião, onde Kevin apenas fazia anotações e soltava palavras vazias vez ou outra para dar sinal de vida.
Quando terminamos seguimos para o elevador e Kevin apertou freneticamente o botão da garagem até que as portas se fechassem.
– Nós vamos almoçar. – soltei e Kevin me olhou bufando.
– Não estou…
– Não foi um convite. – comecei o interrompendo assim que começou a negar – Você não está bem e vamos conversar sobre, por que se não conversarmos você vai ficar assim por dias e além de afetar nossa amizade vai afetar o trabalho, então como seu chefe estou dizendo que vamos almoçar. – soltei decidido e Kevin apenas se encostou na parede do elevador.
Passados trinta minutos – por conta do trânsito – chegamos no restaurante italiano. Pedimos nossos pratos e logo estávamos sozinhos.
– Vai, diz o que houve. – pedi a Kevin enquanto me ajeitava na cadeira. O garoto respirou fundo parecendo tentar organizar seus pensamentos.
– Josie. – foi o que ele disse a princípio e eu já vi para onde o assunto se encaminharia – Ela e Tim estão saindo. – ele apertou as têmporas parecendo querer que os pensamentos parassem de girar em sua mente – Eu a convidei para jantar e ela me disse que estava saindo com ele a algum tempo e que estava se tornando algo meio exclusivo e é óbvio que eles estão saindo, eu que fui burro para não enxergar. – Kevin parecia furioso com sua decisão de chamá-la para sair – Eu me sinto um idiota por não tê-la chamado antes, naquele dia no karaokê. – ele bufou passando as mãos pelo cabelo.
– Cara, primeiro respira fundo. – aconselhei – Eu não sei muito o que te dizer por que eu jurava que Tim estava afim de . – Kevin riu fraco – Mas Kev, não adianta se remoer por não tê-la chamado antes. Se Tim não fosse nosso amigo eu diria para você correr atrás dela já que ainda está se tornando algo exclusivo, não é de fato um namoro. – ele me arqueou uma sobrancelha – Só que ele é, então não acho que isso seja um opção. A única coisa que você pode fazer agora é seguir em frente e encontrar uma garota que te faça bem e que seja legal. – dei de ombros e Kev negou com a cabeça rindo.
– Eu acho muito engraçado como você vê o mundo de um modo tão simples para os outros e os complica para você mesmo. – ele prendeu seus cabelos entre os dedos como se tentasse prender junto os pensamentos.
– Eu não complico para mim. – retruquei e ele me lançou um olhar de deboche.
– Então por que ainda não chamou para um encontro? – Kevin sempre era daquele jeito em suas perguntas. Preciso como uma faca bem afiada.
– Já disse que somos…
– Amigos, é já sei. – ele sacudiu as mãos impaciente – Mas eu vi como você a abraçou no ano novo e como a olha sempre que estamos no mesmo lugar que ela. Você parece alguém admirando uma obra de arte, decidindo se compra o quadro e o leva para casa e não venha me dizer que não é assim, por que é sim. Eu já vi seus olhos brilhantes e sorriso bobo para ela, e esse tipo de coisa é sinal de garoto apaixonado. – eu revirei os olhos o fazendo rir.
– Eu não estou apaixonado, você está confundindo tudo. – murmurei – E deveria parar de falar sobre isso, já está ficando chato. – foi a vez de revirar os olhos.
– E se não está apaixonado, está o que? – maluco. Foi a primeira resposta que me surgiu. Mas a verdade era que eu não me sentia normal quando estava com ela. Meu coração disparava e eu sorria automaticamente toda vez que ela ria, e eu adorava quando ela ria, por deus, como eu adorava. Mas não me sentia apaixonado. Era outra coisa.
– Não sei. – respondi por fim – Mas não quero falar disso. – soltei vendo o olhar sugestivo dele e sabendo que ele estava surpreso com minha resposta.
– Tudo bem, mas se lembre de uma coisa Harry… – ele se aproximou um pouco mais com um sorriso implicante nos lábios – Se ficar tempo demais admirando esse quadro e tentando decidir se o leva para casa, outra pessoa pode surgir e o arrematar antes de você. – bufei.
– Pare de falar dela como se fosse uma coisa, ela não é, e só vai ficar com alguém se quiser. – ele me lançou um sorriso maroto.
– Tudo bem, sinto muito. – ele ergueu as mãos em rendição – Mas sabemos que você está torcendo para que ela não queira ficar com ninguém. – peguei o guardanapo e joguei nele o fazendo gargalhar.
– Cala essa boca. – me afundei na cadeira – o assunto era você então vamos voltar para ele – ele me lançou um último sorriso de canto – O que você acha do Tinder? – ao ouvir minha sugestão Kevin gargalhou alto e daquele modo nosso almoço seguiu. Bolando planos mirabolantes para que ele arranjasse um encontro para si.
[…]
Quando a noite chegou eu estava jogado no sofá encarando meu celular na conversa com . Eu pensei sobre o que Kevin disse e estava tentando decidir se aquilo era uma boa ideia quando meu celular tocou com o nome de Hélène na tela.
– Oi Hels, como vão as férias? – soltei assim que deslizei o botão verde para aceitar a chamada.
– Oi Harold. – eu ri fraco com o apelido – Estão tranquilas, na medida do possível. – Eu sabia que havia algo de errado apenas pelo tom da fotógrafa.
– O que houve? – me ajeitei no sofá.
– Eu estava esquiando e acabei quebrando o pé. – ela iniciou receosa – Até a turnê já vou ter tirado o gesso, mas segundo o médico vou passar algumas semanas precisando evitar muito esforço e movimentos. – ela suspirou.
– Poxa Hels, mas você tá bem? Precisa de algo? – perguntei realmente preocupado. Minha equipe era composta por amigos e pessoas próximas, então todos estavamos sempre cuidando uns dos outros.
– Não, eu estou bem, mas vamos precisar encontrar alguém para me auxiliar nesse período em que vou estar indo com calma. – ela respirou fundo – Eu tentei alguns amigos meus, mas estão todos ocupados em projetos paralelos, talvez eu procure pela internet alguém, mas queria falar com você antes. – no mesmo instante me surgiu na mente.
– Eu conheço alguém, posso pedir para ela te enviar um portfólio e você vê se te agrada, já que é a especialista aqui. – eu me sentia ansioso. Ter conosco na turnê seria algo incrível, se Hélène a aprovasse obviamente.
– Sério? Então pede pra ela me enviar, vou até esperar ela me mandar para começar a procurar. – a fotógrafa parecia aliviada com a notícia.
– Tudo bem, eu vou falar com ela e peço pra te encaminhar por e-mail.
– Ok, vou aguardar então. Obrigada Harry. – eu podia ver o sorriso de Hele do outro lado.
– Não tem o que me agradecer. Vê se cuida direito desse pé e descansa, qualquer coisa que precisar pode me ligar que eu dou um jeito, tá bem? – ela riu fraco do outro lado.
– Tudo bem, valeu Styles, você é o melhor chefe que eu já tive. – ri com seu comentário.
– Eu vou contar isso para o Shawn e para o Weasley. – brinquei e ela gargalhou.
– Não faça isso, preciso manter as aparências com meus outros chefes. – ela soltou em tom de brincadeira e eu ri.
– Você só me ilude, Pambrun. – ela gargalhou – Tchau, Hels. – soltei em um tom emburrado fingido.
– Tchau Harold, bom resto de férias.
– Pra você também. – murmurei desligando o telefone em seguida.
No mesmo instante tentei ligar para , que desligou a chamada me enviando uma mensagem em seguida.
:
Estou ocupada no momento, te ligo mais tarde? 08:37 p.m

Harry:
Ok 👍🏻 08:37 p.m

Foi toda a resposta que dei a aquela pergunta, sentindo um incômodo em meu peito quando pensei sobre o motivo de ela estar ignorando minha chamada a aquela hora da noite. Sabia que enlouqueceria pensando sobre ela, então dei um salto do sofá e segui para a cozinha. Lavei a louça que havia sujado mais cedo com um chá, e comecei o preparo de uma lasanha. A tempos não fazia aquilo, mas tomaria meu tempo o suficiente para que o preparo fosse tudo que me importasse.
[…]
Horas se passaram entre comida e séries de tv. Eu coloquei o celular no bolso indo para a cozinha, desistindo de olhar o aparelho a cada cinco minutos. Lavei a louça do jantar e segui para o quarto, tomando um banho vestindo apenas uma bermuda de moletom assim que terminei. Me joguei na cama e dois minutos depois minha campainha estava tocando. Me estiquei até o criado mudo acessando as cameras de segurança pelo celular e dando de cara com . Ainda usava a mesma roupa de mais cedo e abraçava o próprio corpo por conta do frio.
– Entra ai, estou te esperando na sala. – soltei apertando o botão que a permitia me ouvir do interfone e em seguida apertando o botão que destravava o portão a vendo entrar. Me levantei e segui pelo corredor descendo as escadas, parei perto da porta que logo foi aberta por ela.
tinha um largo sorriso no rosto enquanto se livrava do cardigã e da bolsa deixando ambos em seu espaço próximo a porta.
– Tenho novidades. – ela soltou animada – Está preparado? – meu coração disparou com a possibilidade de uma certa notícia que rondava minha mente, mas ainda assim assenti – Eu encontrei um apartamento pra mim. – ela jogou as mãos para o alto e eu senti meu coração ficar leve. Me permiti abraçá-la sentindo a felicidade por ela que estava atrás de seu próprio canto desde que terminou com Tony.
– Isso é ótimo, . – minha boca estava perto da curva de seu pescoço e eu a vi se arrepiar quando minha respiração bateu contra o local. Ela se afastou brevemente, o sorriso agora mais tímido no rosto – E onde fica? Você gostou? – soltei as perguntas colocando as mãos nos bolsos da bermuda.
– É incrível, tem uma varanda legal, uma cozinha que eu amei e permitem animais, o que me faz considerar adotar um gato ou um cachorro. – os olhos dela brilhavam ao citar os pequenos detalhes da casa.
– Eu conheço um lugar onde pode ir procurar um bichinho. – soltei a vendo sorrir largo.
– Vou adorar. – ela se manteve em silêncio por um minuto e em seguida bateu palmas e pulou completamente animada me fazendo rir.
– Vem, eu tenho outra notícia pra você. – a tomei pelos ombros guiando-a para mais adentro da casa – Mas antes, quer lasanha? – ofereci me lembrando da travessa que estava no forno.
– Não eu já jantei. – a frase saiu tímida de seus lábios e eu a encarei, vendo que ela mordia o lábio.
– O que foi? – me sentei no sofá e ela se sentou ao meu lado.
– Conte as novidades primeiro. – pediu estendendo a mão para mim como quem diz que eu deveria prosseguir.
– Tudo bem. – franzi o cenho brevemente tentando encontrar o que havia de errado, porém sem sucesso – Falei com Hélène hoje, ela machucou o pé nessas férias e o médico recomendou que ela não fizesse muito esforço após tirar o gesso. – ela assentiu parecendo confusa ao pensar sobre o que aquilo poderia ter a ver com ela – Isso coincide com o começo da turnê e significa que durante alguns meses ela vai estar limitada no trabalho. – assentiu – Ela precisa de ajuda e está em busca de alguém, e eu me lembrei de você dizer algo sobre emprego e algo diferente do que já fez, então disse a ela que falaria com você. – dei de ombros e um misto de confusão, receio e felicidade tomou os olhos da garota.
– Eu agradeço muito, Harry, mas não sei, quero dizer, é seu ambiente de trabalho, não quero ser uma intrusa nem nada assim. – ela mordeu a parte interna da bochecha.
– Se eu achasse que você seria uma intrusa nunca teria pensado em te levar. – toquei seu braço e ela sorriu fraco – Sabe, eu só tenho amigos na minha equipe e honestamente ter você lá vai me deixar muito feliz. E também tem todas as vantagens que vem em me ter como chefe. As viagens, hotéis legais, programas em equipe e vai poder ir ao Brasil comigo em maio. Assim não vou nem precisar trazer a comida da sua mãe para você. – ela sorriu fraco, sabia que ainda estava hesitante. Ela respirou fundo e apoiou sua cabeça no sofá me encarando – , isso não é um favor, eu preciso de alguém que me preste um serviço e você pode me prestar. Sei que você gosta de conquistar suas coisas por mérito, e vai. Quando suas fotos rodarem por aí vão ser elas que vão conquistar o mundo, não a minha imagem e é por isso que as pessoas vão fazer fila para ter um espaço na sua agenda, por que você é uma profissional incrível e cativante. – fechou os olhos sorrindo e os abrindo para me encarar.
– Eu não estava pensando sobre isso, mas obrigada de todo modo. – eu ri fraco – Eu vou mandar meu portfólio para Hélène e se ela gostar eu aceito, mas não a pressione, tudo bem? – ela me lançou um olhar ameaçador e eu sorri largo, sem realmente tentar me conter.
– Tudo bem, prometo que não vou, a decisão vai ser toda dela. – ela sorriu de volta – Não é como se eu tivesse algum poder para pressioná-la, já que as pessoas não tem um pingo de medo de mim, mas eu prometo que não vou ligar para ela a cada cinco minutos. – gargalhou e depois voltou a jogar a cabeça no encosto do sofá.
– Ótimo. – ela mantinha seu olhar em mim, os olhos distantes pareciam pensar em algo importante e eu não quis atrapalhar seu momento. Então apenas me mantive parado enquanto os olhos dela passavam por todo meu rosto. Minutos se passaram em silêncio até que respirasse fundo.
– O que foi? – sussurrei sabendo que agora era o momento de perguntar.
– Eu tive um encontro. – as palavras atingiram meu coração que acelerou e fez meu estômago revirar – E antes que fale qualquer coisa, eu não tinha nada marcado quando sai de casa essa manhã. – ela se ajeitou no sofá parecendo buscar uma posição mais confortável, mas ficando na mesma de antes – Eu fui ver o apartamento e no fim da visita o corretor me chamou para jantar. – eu me apertei as mãos incomodado por escutar aquilo.
, eu não sei se quero escutar isso…
– Só escuta, por favor. – ela pediu antes que eu pudesse dizer outra coisa e eu apenas assenti – Eu aceitei, porque enfim, entrei em choque e meio que algo dentro de mim me disse para ir. – ela tornou a respirar fundo – Mas enquanto estava lá eu só consegui pensar sobre como eu queria te contar sobre a casa e comemorar com você. – ela iniciou receosa – Quando você me ligou minhas mãos coçaram para atender e só não fiz por educação. – ela riu fraco – E eu passei o resto do jantar pensando em quando acabaria. – eu me sentia nervoso e resolvi fazer o que sempre fazia quando estava daquele jeito.
– Nossa, ele era tão ruim assim? – gargalhou no mesmo instante e eu a acompanhei. Eu adorava ouvir a risada dela. Era algo melodioso e que fazia meu coração se encher.
– Não, ele era ótimo na verdade. – ela respondeu parando de rir e secando o canto dos olhos – Mas de algum modo eu só conseguia pensar em que momento ele me contaria algo que me faria rir ou em que momento ele pararia de falar do mercado financeiro e começaria a falar de bobeiras aleatórias. – ela respirou fundo – O fato é que isso não aconteceu e não aconteceria por que se ele fizesse algo desse tipo eu ainda não estaria satisfeita, por que não teria o seu tom ou seu sorriso com a covinha, nem mesmo sua risada. – eu sentia meu corpo tremer de um modo que eu não entendia – Essa noite você me perguntou se era realmente um absurdo a ideia de nós dois como um casal, e não sei o que te respondi, mas eu não acho que seja, realmente não acho, mas eu não estou preparada para acelerar nisso aqui. – ela apontou para nós – Não estou preparada para mergulhar de cabeça na gente, ainda existem muitas coisas em mim que me machucam e limitam e não acho que eu possa acelerar esse processo, não seria certo comigo nem com você. – ela soltou todo o ar pela boca – Mas também não é justo eu fingir que não existe algo, que eu não tenho um sentimento por você que está crescendo aqui dentro, quando ele está e não acho que seja apenas amizade. – ela passou as mãos nos cabelos – Isso não deve fazer o mínimo sentido pra você. – ela riu fraco e eu sorri, forçando meus lábios a não se abrirem em um largo sorriso.
– Na verdade faz. – ela levantou os olhos para mim – por que é recíproco – ela conteve seu sorriso também parecendo duvidar se havia escutado corretamente – Meu coração acelera do seu lado, eu gosto de estar perto de você e devo confessar que te abraço mais do que normalmente abraço as pessoas. – ela riu negando com a cabeça – Eu não sei definir o que é e talvez nem precise de um rótulo, mas eu sei que gosto de ter você por perto e de te fazer rir. Gosto como você me dá um beijo sempre que faço algo por você, por menor que seja. Gosto de como você me introduz na sua vida aos poucos, naturalmente. Gosto como você nunca olha pra mim como um cantor famoso, apesar de termos nos conhecido em um dos meus shows. Gosto como você não se importa em demonstrar felicidade com coisas pequenas e que pra muita gente é boba. E gosto como com você nada precisa ser grandioso. – toquei a mão dela que repousava no assento do sofá e ela sorriu – Eu não sei definir e entendo suas razões para não querer entrar de cabeça nisso, eu também tenho algumas. – respirei fundo me lembrando de todas as vezes que minhas relações falharam miseravelmente sempre me deixando com um coração partido para juntar os pedaços – Mas sei que também não quero tratar como nada e apenas ignorar enquanto você se encontra com outros caras e eu fico apenas parado. – ela sorriu fraco e respirou parecendo aliviada – Então, o que você acha que devemos fazer? – deixei um carinho em sua mão e ela encarou enquanto meu polegar se mexia devagar ali.
– Eu não sei. – ela sussurrou – Eu não me sinto preparada para te beijar e muito menos transar ou começar um relacionamento. – ela começou receosa.
– E não precisa. – ela sorriu com minhas palavras.
– Mas eu ainda quero estar com você e continuar te conhecendo, sem tentar forçar nada, quero que aconteça naturalmente, como vem acontecendo. – ela mordeu o lábio – Eu não quero te prender a nada, eu só te contei por que quero ser honesta com você sobre o que sinto e tudo bem se você não me quiser mais por perto. – eu segurei seu queixo a fazendo me olhar.
, eu te quero por perto, seus sentimentos não são um problema. – ela sorriu fraco e assentiu – O que acha de fazermos assim: continuamos amigos, como somos, e vamos deixando tudo acontecer, sem apressar nem atrasar nada, sendo sempre honestos sobre nossos sentimentos. Caso algum de nós, ou os dois percebam que esse sentimento é apenas uma amizade e que confundimos as coisas, nós apenas seguimos amigos, mas se percebermos que não é só isso deixamos que as coisas tomem seu rumo. – ela sorriu.
– Tudo bem por mim. – a voz dela parecia calma e eu sorri.
– Tudo bem por mim também. – sussurrei. Alguns segundos de silêncio se seguiram, e parecia tomar coragem para sua pergunta seguinte.
– Mas e se um de nós se interessar por outra pessoa? – ela parecia receosa em perguntar e eu sorri de maneira divertida.
– Ora mulher, mal selamos o acordo e você já está pensando em outros? – ela revirou os olhos e riu.
– Não é por mim que estou pensando. – ela soltou a frase mordendo a parte interna da bochecha – Não vamos simplesmente fingir que não é possível acontecer – ela pediu e eu assenti.
– Se acontecer vamos contar um para o outro. – soltei e ela assentiu. Eu lhe levantei o mindinho – Sempre sinceros um com o outro, sem esconder nada, sem mentir, vamos deixar isso acontecer e tomar o rumo que tiver que tomar, sem apressar e sem atrasar, promete? – ela sorriu largo e prendeu o seu mindinho ao meu.
– Prometo. – ficamos com os dedos presos por alguns segundos, até que eu puxasse para um abraço sentindo meu coração leve no peito. Apesar de aquilo não ser uma certeza de nada, já era um começo e para mim estava de bom tamanho.

Capítulo 7

Janeiro, 2018 – Londres, UK
Tell me, what did I do wrong?
Feel like that question has been posed
I’m movin’ on

Eram nove da manhã e estávamos andando por toda Londres para encontrar um sofá igual ao de Liz, já que minha amiga não se lembrava onde havia comprado o dela. Toda a loja em que entravamos procurávamos pelo tal sofá, testávamos outros, mas nunca era como o de Liz. Depois da terceira loja começamos a cogitar roubar o que estava na sala da minha amiga e Harry declarou que se não encontrássemos era o que faríamos.
As coisas entre nós estavam quase que completamente iguais. Éramos amigos e estávamos nos conhecendo, mas havia mais carinho e passávamos mais tempo juntos do que antes. As coisas estavam indo devagar, mas era gostoso o modo como nada tinha pressa em acontecer. Não havíamos contado a ninguém sobre aquela conversa já que não queríamos pressão sobre tomarmos alguma decisão ou fazermos algo e quando nos encontramos com nossos amigos no fim de semana não foi difícil agir naturalmente, já que era como agíamos juntos e ninguém pareceu notar nada.
– Harry já é quinta loja, eu estou cansada. – murmurei fingindo me arrastar e o fazendo rir.
– Essa é última, se não acharmos a Liz que se vire para comprar um novo sofá. – ele dizia emburrado, puxando minha mão que a alguns metros atrás ele havia decidido segurar.
– Eu só concordo porque aquele é muito confortável e eu adoro dormir em sofás. – murmurei enquanto nos aproximávamos da pequena loja de móveis.
– Achei que era só comigo. – ele soltou em falsa indignação – Fui iludido, vejam só. – ele fez uma expressão de surpresa e eu gargalhei lhe empurrando o braço.
– Idiota.
Entramos na loja e começamos a busca. Haviam muitos sofás ali. Vermelhos, verdes, amarelos, roxos, de dois, três e até sete lugares. Alguns meio excêntricos e outros mais normais. Harry tomou uma enorme poltrona e se sentou nela, me lembrando muito um daqueles lordes de filmes de época.
– Não aguento mais esperar pelo meu chá. – Harry soltou com cara de impaciente e eu comecei a rir – Estão todos demitidos, todos eles, bando de bastardos. – ele levantou fingindo fúria – CORTEM LHE AS CABEÇAS! – ele gritou e eu gargalhei ao ver que alguém que vinha em nossa direção havia se assustado.
– Ta legal, rainha vermelha. – soltei fazendo referência a Alice e virando Harry para a vendedora que havia voltado a caminhar em nossa direção enquanto ele fazia cara de criança pega enquanto aprontava.
– Ah, me desculpe, eu estava só… – ele apontou de maneira confusa tentando se explicar e eu gargalhei novamente.
– Tudo bem, acredite em mim quando digo que vejo mais disso do que é considerado normal. – a mulher fez um sinal com a mão indicando que estava tudo bem e Harry sorriu fraco enquanto eu controlava a risada – Então, no que posso ajudá-los? – ela era uma mulher que deveria estar na casa dos quarenta. Tinha cabelos curtos e loiros, olhos cor de mel e um sorriso sempre presente. Os braços estavam cobertos por tatuagens e ela tinha um brinco em uma das orelhas apenas.
– Estamos procurando um sofá. É um bem específico na verdade. – Harry começou – Os assentos abrem e ele fica maior, o estofado é bem macio e é de couro preto. Você acha que teria algo parecido? – a mulher me encarou e eu assenti.
– É realmente algo bem específico. – ela se virou e encarou a loja como se soubesse onde cada coisa estava. Começou a caminhar e nós a seguimos. Ela olhava entre os móveis do local como se tivesse certeza que ele estava por ali. De repente se virou para nós como quem desiste da busca e nos encarou preparada a dar uma má notícia.
– Dia triste para a Liz. – Harry murmurou quando percebeu como a mulher nos olhava.
– Eu achei que fossemos ter algo assim, mas me enganei, sinto muito, mas podem olhar outros. – ela sugeriu e Harry me encarou.
– Tudo bem. – eu concordei e seguimos a mulher.
Olhamos muitos estofados e ela nos explicava as vantagens de cada um, até que me deparei com um sofá azul ao canto da loja. Azul definitivamente não era a cor que eu estava procurando, mas eu caminhei até ele enquanto Harry escutava a mulher. Me sentei no mesmo e era macio, grande e de tecido aveludado.
– Harry. – chamei e ele olhou sobre o ombro – Venha ver esse. – acenei com a mão e ele sorriu. Me levantei e Harry se deitou. Ele se moveu pelo tecido, parecendo sentir a maciez e checou se cabia confortavelmente deitado ali, depois se sentou olhou os encostos que reclinavam e os acentos que se abriam deixando-o um pouco maior.
– Você gostou? – ele perguntou encarando o móvel.
– Muito! É esse. – declarei me virando para a vendedora – Pode mandar colocar no caminhão. – soltei a vendo torcer o lábio.
– Esse não está a venda. – ela soltou parecendo chateada e eu murchei.
– Por que? – Harry foi quem perguntou.
– Ele veio com defeito da fábrica, estamos para mandá-lo de volta. – ela tinha um certo tom de desculpas.
– Aonde? – perguntei olhando o sofá novamente. Ela se aproximou e mostrou uma parte no encosto.
– Um dos botões daqui está faltando. – e só então percebi. Realmente havia um botão faltando. Olhei para o móvel e percebi que o botão faltando dava a impressão de um rosto com o olho piscando ao estofado e ri. Harry me encarou confuso.
– Olha, parece que ele está piscando. – indiquei e Harry olhou. Ficou confuso por alguns momentos, mas em seguida sorriu ao perceber o mesmo que eu.
– Parece mesmo. Um rosto gentil piscando. – ele piscou e eu ri. A vendedora nos olhava como se fossemos dois malucos.
– Moça, eu vou levar esse mesmo. Com o defeito e tudo, não me importo. – ela me encarou confusa.
– Você tem certeza? – ela parecia receosa – Se mudar de ideia depois não podemos trocar a peça por que você já saiu daqui ciente. – alertou e eu neguei com a cabeça.
– Tudo bem, eu quero assim mesmo. – afirmei segura.
– Tudo bem, aguarde aqui que vou pegar o termo de compromisso e o resto da papelada para a entrega. – ela seguiu para mais adentro da loja e eu cruzei os braços encarando o sofá.
– Eu adorei seu sofá novo. – Harry soltou me abraçando pelos ombros e eu subi o olhar para encará-lo.
– Eu também, ele pisca. – declarei o fazendo gargalhar.
– Você é maluquinha. – ele me sacudiu um pouco e eu dei de ombros – Mas isso é legal. – completou e eu sorri largo.
Depois de minutos a mulher voltou com os papéis e informou que a entrega ocorreria no dia seguinte às duas da tarde. Eu sai pulando da loja enquanto Harry ria da minha atitude. Quando saímos na rua ele me abraçou pelos ombros me sacudindo brevemente eu ri fraco. Caminhamos até o metrô já que havíamos decidido nos locomover daquele modo, decididos por voltar para a minha casa e depois irmos a casa de Harry pegar sua mala. Ele viajaria para Los Angeles naquela noite e voltaria dali a duas semanas, já que tinha compromissos a cumprir por lá.
– Agora que resolvemos a coisa do sofá. – ele começou assim que viramos a esquina de onde eu já via a escada que nos levaria a estação – Hels não me disse que resposta ela te deu. Mandou que eu viesse falar com você. – seu polegar acariciava meu ombro gentilmente enquanto ele me mantinha perto de seu corpo. Instintivamente meu polegar que se encontrava na cintura dele fez os mesmos movimentos no local sob o sobretudo.
– Ah, achei que ela tivesse te dito. – soltei em um tom fingido de tristeza. Hélène havia me ligado no dia anterior, eu nem achava que ela diria algo por que já haviam se passado alguns dias, mas ela ligou quando estava me preparando para dormir com a resposta depois de ver meu portfólio – Harry, não fique bravo com ela. – pedi e o encarei, ele havia murchado e agora tinha um bico – Porque graças a ela você vai ter que me aguentar contigo durante todo o resto da turnê. – soltei o vendo parecer confuso.
– Por que eu ficaria bravo? – perguntou ainda confuso.
– Você é tão lerdo, Harry. – revirei os olhos e ele riu.
– Eu sei disso, não me julgue. – pediu cutucando minha cintura e me fazendo dar um pulinho – Mas então quer dizer que você vai? Hels aprovou? – perguntou em busca de confirmação e eu assenti sorridente – Ah meu Deus, me lembre de dar um aumento a essa mulher. – ele beijou minha bochecha demoradamente me fazendo rir.
– Estou valendo um aumento para alguém? – lhe arqueei uma sobrancelha e ele sorriu de canto.
– Está sim. – afirmou e eu fiz uma cara pomposa.
– Chupa essa, Felipe Nogueira. – soltei para ninguém em específico ali.
– O que? – Harry questionou confuso me fazendo rir.
– Felipe Nogueira é um garoto que estudou comigo no ensino médio e me disse uma vez que nenhum cara ficaria feliz em me ter por perto. – dei de ombros – Bom, você está cogitando um aumento por minha causa, então isso deve ser muita felicidade. – Harry gargalhou e parou me apertando em um abraço enquanto ainda ria.
– Garota, você é doida. – ele declarou enquanto eu também ria e beijou minha cabeça – Por favor, seja assim sempre, eu adoro isso. – eu o encarei ainda rindo e passamos alguns segundos nos encarando até eu me afastar um pouco e ele sorrir de canto.
– Harry? – ouvi uma voz feminina o chamar logo atrás de mim e me virei encontrando uma garota sorrindo largo e um homem mais velho de barba ao seu lado.
– Sim? – eu conseguia ouvir o sorriso na voz de Harry e também algum constrangimento, talvez.
– Ah meu Deus, é ele mesmo. – a garota disse para o homem em um surto, mas aquela não era a língua nativa do país, era a minha língua nativa.
– O que? – Harry sussurrou para mim mesmo sem saber identificar o português, mais como algo para descontrair.
– Ela só disse “Oh my gosh, it’s really him“. – sussurrei de volta e Harry me encarou com um sorriso contido no rosto.
– É português ou você fala alguma outra língua que eu não sei? – ele perguntou enquanto a garota ainda surtava com quem eu supus ser o seu pai.
– É português e não, eu não falo nenhuma outra língua. – soltei rindo fraco da cara que ele tinha para mim junto a garota que agora estava se acalmando. Harry se aproximou enquanto o homem a tocava os braços em um carinho e sorriu para ambos. Por Deus, aquele sorriso era encantador.
– Está mais calma? – o tom de Harry era gentil e a garota assentiu – Ótimo, muito bom. – ele dizia lentamente em tom de brincadeira – É um prazer conhecer vocês, sou o Harry. – ele abraçou a garota por longos segundos e depois abraçou o homem do mesmo modo, deixando que eles o soltassem do abraço.
– Desculpa pela gritaria, é que não somos daqui, estamos fazendo uma viagem de pai e filha e te encontrar na rua era algo que eu não esperava que fosse acontecer. – a morena soltou de uma vez e eu sorri cruzando meus braços a frente do corpo, tirando algum tempo para observar a cena.
– Está tudo bem, eu entendo, de verdade. Quero dizer, vocês precisavam me ver no dia em que conheci o Mick Jagger, eu jurei que ia desmaiar. – ele soltou se abanando e eu ri fraco.
Eles começaram uma conversa sobre a carreira dele e sobre os planos seguintes do pai e da filha para sua viagem que pelo que entendi seria por toda a Europa. Harry escutava atenciosamente a cada detalhe que lhe era entregue e dava a eles dicas de lugares para conhecer, tendo suas palavras anotadas pela garota. Foram alguns minutos de conversa em que Harry dava toda sua atenção para aquelas pessoas e eu começava a entender por que seus fãs o admiravam tanto quanto eu me lembrava do show em Manchester. Harry não se importava em parar e conversar, apesar do que mais teria a ser feito no dia. Ele conversava, ouvia as pessoas e suas histórias sobre como o haviam conhecido. A garota lhe contava como ele a havia a ajudado a tomar um passo de coragem em direção a terapia, após alguns momentos em que pensamentos ruins começaram a atingir. O pai da garota tinha um sorriso grato em seus lábios e lágrimas nos olhos, assim como Harry e eu, que nada tinha a ver com a história. Harry a abraçou espontaneamente e ela sorriu.
– Bom, eu realmente preciso ir, eu viajo ainda hoje. – o inglês foi quem declarou após mais alguns minutos de conversa.
– Tudo bem, obrigada por seu tempo, foi muito importante para mim. – ela sorriu largo para Harry – Te pediria uma foto, mas meu celular está sem bateria. – ela soltou e vi Harry torcer os lábios.
. – ele me encarou e eu despertei. A garota me encarou como se acabasse de notar minha presença – Você poderia por favor tirar a foto e mandar para ela? – Harry parecia sem jeito e eu sorri.
– Claro, sem problemas. – declarei já tirando o celular do bolso e abrindo a câmera.
– Obrigada. – ela sorriu para mim enquanto Harry se aproximou. Primeiro tirei uma foto apenas dela e de Harry, depois dos três juntos, para então tirar uma foto apenas do pai dela e de Harry. Ao fim das fotos mostrei as mesmas para a garota que sorriu me passando seu usuário do Instagram por onde enviei as fotos no direct.
– Pronto. – declarei assim que as fotos foram enviadas encarando a garota e ela sorriu batendo palmas.
– Muito obrigada. – eu sorri com a felicidade da garota e ela encarou Harry – Não querendo ser muito invasiva, mas já sendo, posso perguntar quem é ela? – ela torceu o lábio tímida e eu prendi a respiração, tensa por ter uma fã dele querendo saber de mim. Encarei Harry que sorriu.
– Essa é a , uma amiga minha. – ele me apresentou e eu estiquei a mão para a garota que a apertou com o olhar estreito para mim.
– Amiga, sei bem. – ela soltou em tom de brincadeira – Sou sua fã a mais de seis anos Styles, pare de fingir demência homem. – ela soltou a última parte da frase em português e eu ri a fazendo me encarar.
– Ele não está fingindo demência. – soltei ainda em inglês e ela arregalou os olhos.
– Você fala português? – ela estava corando e eu ri.
– Sou brasileira. – declarei e ela abriu a boca.
– Eu estava brincando, ai meu Deus. – ela colocou as mãos no rosto fazendo todos nós rirmos.
– Está tudo bem. – Harry murmurou me encarando para se certificar de que estava tudo bem.
– Está sim. – declarei sorrindo para ele.
– Desculpa de verdade. – ela pediu torcendo o lábio.
– Pelo menos uma vez na vida você tinha que passar vergonha por dizer as coisas sem pensar. – o pai dela declarou nos fazendo rir – Vem vamos deixar eles irem agora. – ele acenou com a cabeça para a filha e a garota abraçou Harry novamente se despedindo. Depois ela se dirigiu a mim e me entregou um abraço caloroso que me fez sorrir.
– Cuide dele por nós. – ela sussurrou e em seguida se afastou. Tinha um sorriso cúmplice para mim, como se soubesse de algo que eu ainda não sabia e eu apenas retribui o gesto assentindo. Eles se foram e Harry me encarou, com um sorriso largo no rosto.
– Está apavorada? – ele questionou com uma sobrancelha arqueada e eu ri fraco enquanto ele segurava minha mão de maneira carinhosa.
– Quando ela perguntou quem eu era eu fiquei um pouco, mas agora estou bem. – dei de ombros. Harry riu parecendo pensar sobre algo e em seguida levou minha mão até seus lábios deixando um beijo ali.
– Obrigado por respeitar o espaço. – ele sussurrou e eu sorri de volta.
– Não tem por que me agradecer. São suas fãs e eu devo respeitar isso, elas são importantes para você e você para elas. – sorri para ele que apenas negou com a cabeça sorrindo.
– Vem, vamos pra casa. – ele me deu o braço para que eu encaixasse o meu e assim o fiz. Logo estávamos nas escadas do metrô descendo-as tranquilamente – ? – Harry parecia ter uma dúvida pelo seu tom e eu o encarei.
– Eu. – respondi para que ele soubesse que eu estava o escutando.
– Por que ela achou que eu estava fingindo demência? – ele tinha seu cenho franzido. Demorei alguns segundos para assimilar sua pergunta e quando aconteceu eu gargalhei alto tendo alguns olhares confusos sobre mim, inclusive o de Harry.
– Ai, Styles, você não existe. – soltei apertando mais minha mão em seu braço a me aproximando dele. A viagem até nossa estação acabou por se resumir a longa tentativa de lhe explicar o significado de fingir demência.
[…]
– Vai atender minhas ligações? – Harry perguntou pela milésima vez. Eu estava parada a sua frente perto da entrada para a segurança do aeroporto onde John, seu guarda costas, já o aguardava.
– Nada mudou desde a última vez que me pergunto isso cinco minutos atrás. – respondi o fazendo fechar a cara.
– Eu só quero ter certeza. – ele justificou rolando os olhos e me fazendo rir. O encarei por um momento antes de abraçá-lo sentindo algo estranho no meu coração. Um peso diferente que eu não sabia explicar. Eu segurava em seu pescoço e ele me abraçava pela cintura.
– É claro que vou atender suas ligações, seu idiota. – sussurrei sentindo o apertar mais o abraço.
– Me sinto mais seguro para ir agora. – ele sussurrou de volta e eu sorri fraco, me afastando e então sentindo-o afrouxar o abraço.
– Se cuide, beba água, se alimente bem e se divirta com seus amigos também, é importante. – um sorriso se abriu nos lábios de Harry enquanto eu arrumava a gola de seu sobretudo.
– Você também, . – encarei suas irises verdes por alguns segundos e ele fez o mesmo, mordendo o lábio um momento antes de desviar o olhar – Preciso ir. – ele me lançou um sorriso para então beijar minha bochecha demoradamente. Quando se afastou ele tomou sua mala e começou a se afastar. Olhando sobre o ombro e acenando. Comecei a caminhar de costas quando ele chegou perto da segurança que conferia o passaporte de John. – ? – ele disse mais alto, quase um grito quando fiz menção em me virar e caminhar para fora dali.
– Oi. – meu tom foi mais baixo que o de Harry, mas ele conseguia me ouvir. Metade daquele lugar conseguia.
– Me mande uma foto do sofá quando ele chegar. – eu sorri balançando a cabeça.
– Pode deixar. – assenti e ele sorriu largo, parecendo uma criança feliz com um pedido atendido – Boa viagem para vocês dois. – desejei e vi John me encarar sorrindo e acenando em agradecimento assim como Harry.
Fiquei dando pequenos passos até que eles passassem pela segurança e eu conseguisse finalmente ir embora dali. Assim que sai do local um flash de luz tomou meu campo de visão e eu fechei e abri os olhos algumas vezes para focar novamente.
– Mas que…? – comecei vendo alguns homens que apontavam suas câmeras para mim.
– Você é nova namorada do Styles? – ele perguntou e precise de um momento, e mais dez perguntas ao mesmo tempo para entender o que estava acontecendo. Droga.
Comecei uma caminhada onde tapava meus olhos em busca de onde havia deixado meu veículo. No meio da confusão era difícil raciocinar então errei algumas vezes enquanto as perguntas “e quanto a Kendall?” “por que você não foi para Los Angeles com ele?” “qual o seu nome?” me eram lançadas. Quando parei um momento para organizar a mente me lembrei do caminho até o carro e segui por lá, logo encontrando o Jeep cinza estacionado. Destranquei o carro e me coloquei do lado de dentro suspirando por um momento antes de ligar o veículo. Os homens se encontravam em frente ao carro e eu respirei fundo descendo o vidro e colocando a cabeça para fora.
– Ei, podem por favor sair da frente? Eu preciso ir embora, de verdade. – pedi me sentindo acuada e vi alguns deles rirem.
– Deixem ela passar. – um deles se afastou da frente do carro, empurrando alguns outros consigo, fazendo com que os demais fizessem o mesmo, andei devagar com o carro para não machucar ninguém.
– Obrigada. – agradeci assim que passei ao lado do fotografo e ele assentiu sorrindo fraco.
Assim que consegui acelerei o veículo deixando o aeroporto para trás e indo em direção a casa de Kevin, onde iriamos todos jantar. Segui pelas ruas ainda com dificuldade para tomar os bocados de ar quando pela tela do sistema de navegação do carro eu vi o nome de Harry indicando que ele ligava.
– Oi Harry. – o chamei assim que apertei o botão para aceitar a chamada. Um suspiro aliviado foi escutado por todo o carro.
, você está bem? – a voz de Harry estava preocupada – Eu ouvi sobre paparazzis cercando alguém no estacionamento. – parei no sinal vermelho mantendo as mãos no volante para então perceber os nós dos dedos brancos. Relaxei as mãos no volante até a coloração voltar ao normal.
– Eu estou bem, demorei um pouco mais para encontrar o carro, mas está tudo bem. – soltei de maneira calma por que todo o susto inicial realmente havia se esvaído.
– Eles fizeram algo? , eu sinto muito. – um fraco sorriso se abriu em meus lábios por conta da preocupação de Styles.
– Não me fizeram nada, só perguntas, mas nada demais. – afirmei tentando deixa-lo tranquilo – Me perguntaram da Kendall, se sou sua nova namorada, por que eu não estava indo para L.A com você, essas coisas. – dei de ombros apesar de ele não me ver.
– E você respondeu o que? – eu tinha a impressão de que ele estava mordendo o lábio em nervosismo.
– Que estamos casados, grávidos do segundo filho, vamos nos mudar para o Alabama, viver por lá no meio do mato com nossos pequenos Moglis e que eles vão chamar Kendall de tia Kenny. – soltei no tom mais sério que consegui e ouvi Harry gargalhar.
– Achei que tivéssemos concordado que iriamos devagar nisso aqui. – ele soltou em meio a risada – Mas você já está nos dando um casamento, filhos e uma casa no Alabama? – notei ele evitar falar de Kendall e ri fraco.
– Não, nada disso. – comecei – Eu não falei em casa, eu disse no meio do mato, ter uma casa é mais compromisso do que eu posso suportar. – Harry voltou a rir.
– Você é uma idiota, . – eu sorri fraco. O sinal se abriu e eu dei a partida no carro.
– Conte-me a novidade, Styles. – fingi tédio e ele voltou a rir. Houve um momento de silêncio onde tudo que eu ouvi foi alguém lhe oferecendo champanhe e ele negando. “Os lounges da primeira classe” pensei negando com a cabeça.
– Mas agora falando sério, está tudo bem mesmo? Eu posso mandar John para cuidar de você. – sorri fraco.
– Está tentando me conquistar pela fofura, Styles? – soltei e ele riu fraco do outro lado.
– Estou tentando te conquistar por muitos meios diferentes, garota. – seu tom soava como algo que ele havia pensado alto e eu apenas senti minhas bochechas esquentarem. Limpei minha garganta e molhei os lábios me sentindo nervosa.
– Não precisa mandar o John, eu vou ficar bem, estou indo para o jantar no Kevin, aposto que ninguém vai entrar lá. – ouvi o suspiro de Harry – Ei, é muito legal que esteja preocupado, sério, mas eu sei me cuidar, H. – soltei e houve um momento de silêncio.
– Eu sei. – ele soltou todo o ar – É que eu sei como isso pode ser um saco. – ele soltou de uma vez.
– Claro que sabe, você é Harry Styles. – soltei de maneira simples – Mas não fique pensando sobre isso, está tudo bem e não fique preocupado. Você está indo para a Califórnia. Por deus espante esse clima de fossa e curta por mim. – soltei animada e o ouvi rir. Ouvi a chamada de um voo para Los Angeles e Harry estalou os lábios.
– Tenho que ir. – anunciou assim que virei a esquina do prédio de Kev.
– Tudo bem, estou chegando também. – anunciei já me preparando para estacionar o carro – Se cuida, Harry. – pedi.
– Você também, . – ouvi ele se mover antes de a ligação terminar ao mesmo tempo que eu terminava de estacionar o veículo.
Desci do carro pegando a garrafa de vinho cara que Harry havia enviado por mim, já que não estaria conosco. Peguei também minha bolsa e tranquei o veiculo seguindo para a portaria onde a mulher que se encontrava ali me lançou um sorriso largo. Alice era pouco mais velha que eu e trabalhava na portaria do prédio de Kev, eatava sempre puxava algum assunto e sendo simpática.
– Boa noite, . – ela se inclinou sobre o balcão assim que passei pelas portas de vidro da entrada do prédio.
– Boa noite, Ali, como está? – perguntei parando para uma conversa rápida.
– Muito bem e você? – ela mantinha um largo sorriso para mim.
– Igualmente bem. – respondi – Sabe se o pessoal chegou? – apontei com a cabeça para o elevador.
– Josie e Tim já, Harry ainda não. – ela deu de ombros.
– Harry não vem hoje, está indo para Los Angeles. – revirei os olhos fingindo tédio e ela gargalhou.
– Gente rica. – comentou.
– Nem me fale. – balancei a cabeça rindo em seguida – Vou subindo então, bom trabalho, Ali. – acenei e ela me lançou um beijo no ar.
Segui para o elevador e apertei o botão para que ele viesse para o meu andar. Logo ele estava ali e eu entrei.
– Segura! – ouvi alguém pedir ao mesmo tempo que meu celular começava a tocar na bolsa. Me coloquei em frente a porta enquanto buscava pelo aparelho na bolsa – Obrigada. – a voz feminina agradeceu e eu sorri rapidamente para ela – Anda amor. – ela chamou para alguém que vinha do lado de fora e eu entrei no cubículo, vendo que ela já estava impedindo que a porta se fechasse. Logo achei o celular e vi o nome de Kevin piscar na tela o atendendo.
– Estou no elevador. – informei rindo por saber a razão da ligação.
– Graças a Deus. – ele sussurrou e eu voltei a rir.
– Eu carrego tudo sozinho e você ainda me apressa? – ouvi a voz conhecida e levantei meus olhos para encarar a pessoa a minha frente.
Ele tinha dois sacos de papel pardo, um em cada braço. Usava uma camisa social com os primeiros botões abertos, jeans e chinelos, como quando estávamos juntos. Ele sorria largo, mas assim que seus olhos pousaram em mim o sorriso se tornou algo como surpresa. Encarei a garota com ele e não a conhecia, não era a garota daquela noite.
. – meu nome saiu em um sussurro de sua boca, fazendo a garota me encarar confusa.
– Vocês se conhecem? – ela perguntou com um sorriso para mim.
– Eu… Eu preciso. – apontei para a porta do elevador e assim que caminhei até ela a mesma se fechou, me mantendo trancada ali. Fechei os olhos em frente ao metal e apertei minha mão em punho em volta da alça da sacola de papel onde o vinho se encontrava.
? – a voz de Kevin era entrecortada por conta do sinal ruim.
– Estou subindo, já nos falamos. – respondi e logo a ligação havia caído. Estiquei a mão e apertei o andar de Kev.
? – A voz de Anthony voltou a me chamar e eu demorei um momento pensando sobre o que fazer. Acabei me virando e o encarando com um sorriso forçado nos lábios.
– Oi. – foi tudo que disse. E ele parecia ver um fantasma. Talvez de algum modo eu fosse.
– Hum… Jenna, essa é a . – ele apresentou completamente sem jeito, mas tendo o olhar confuso da garota sobre nós não havia o que ser feito.
– Oi. – voltei a repetir lhe entregando um sorriso como o dela. Ou o mais parecido possível, já que ela parecia mais sincera que eu.
– Oi . – ela acrescentou em um tom gentil – Eu me lembro de você de algum lugar. Você mora aqui? – ela nem notava Tony me encarando um passo atrás dela, parecendo analisar cada parte que seus olhos viam.
– Não, na verdade não. – sorri para a garota tentando ignorar o par de olhos azuis sobre mim – Mas tenho um amigo no prédio então venho aqui muitas vezes. – justifiquei e ela assentiu parecendo se lembrar.
– Ah, claro, me lembro, você é a garota que eu vi recebendo o amigo do Kevin, aquele famoso. – estreitei os olhos para ela – Moro no mesmo corredor que ele. – ela se explicou e eu assenti – Pelo menos por enquanto. – ela cutucou Anthony e eu demorei um segundo para entender. Eles morariam juntos. Encarei Anthony e seus olhos de repente acharam o chão muito interessante.
– Bom, provavelmente é desse dia que você me conhece – completei olhando o marcador dos andares.
– Com certeza é desse dia, me lembro bem dele. – ela sorriu tímida – Eu era uma grande fã da banda quando era mais nova e a minha eu de quatorze anos sentiu uma ponta de inveja daquele abraço na porta. – ela brincou e eu ri sem jeito – Deve ser incrível namorar com ele. – ela soltou se virando para Anthony em seguida – Sem ofensas amor, você também é incrível. – ele sorriu amarelo me encarando vermelho. Eu conhecia aquilo, havia visto muitas vezes enquanto estávamos juntos. Era o sinal do ciúme de Anthony.
– Nós somos amigos. – respondi em seguida com medo de que se não negasse a garota espalhasse a notícia de ter conhecido a namorada de Harry Styles e aquilo causasse problemas para ele.
– Ah, é uma pena, achei vocês tão fofos. – ela soltou em um tom gentil e eu sorri para ela – Quem sabe um dia? – completou e eu sorri ao ouvir a porta se abrir e constatar que era o andar de Kevin. Sai do elevador com eles logo atrás de mim e segui para a porta de Kevin batendo nela – Prazer te conhecer, . – ouvi Jenna e me virei ao mesmo tempo que a porta se abria.
– O mesmo. – lhe entreguei um sorriso vendo o olhar de Anthony passar de mim para quem estava na porta atrás de mim. A garota sorriu e puxou Anthony começando uma conversa sobre quando me viu com Harry. Eu me virei e Kevin estava ali, com uma expressão confusa no rosto.
– O que…? – ele começou, mas eu o interrompi empurrando a sacola do vinho contra seu peito e correndo para o banheiro em seguida. Meu estômago estava revirando e eu precisava jogar aquilo para fora. Então assim que cheguei a privada de Kevin eu me abaixei e vomitei ali. Ouvi os passos vindo do corredor e apertei a descarga me apoiando na pia enquanto lavava a boca.
, que houve? – Josie foi quem perguntou tocando meu ombro e eu sorri para ela pelo reflexo do espelho.
– A viagem de carro me deixou enjoada, ou deve ser algo que comi. – o olhar de Kevin sobre mim indicava que ele não acreditava naquilo nem por um segundo.
– Quer ir ao médico? – Tim perguntou também da porta.
– Não, eu já estou melhor. – confessei – O jantar já está pronto? – perguntei para Tim e Josie que eram os responsáveis pela comida naquela noite.
– Quase. – eles responderam juntos rindo.
– Eu estou morta de fome, terminem logo. – pedi e eles riram, Tim me entregou uma careta e ambos se foram. Kevin se apoiou na porta me encarando enquanto eu molhava minha nuca.
– Não ouse mentir para mim. – ele soltou e eu respirei fundo mordendo a bochecha. Fechei a torneira e sequei minhas mãos na toalha, pegando Kevin pela mão em seguida.
– Vamos pra varanda. – chamei e nós assim o fizemos. Kevin deixou um olhar estranho para Tim e Josie e seguiu atrás de mim, fechando a porta em seguida.
Me joguei no puff gigante que Kevin tinha ali na parte externa e ele se sentou na poltrona encostada na parede.
– Vai, me conta. – incentivou e eu fiz uma careta o fazendo rir – Vamos lá, , sou seu amigo, prometo que isso não sai daqui. – ele se ajeitou na poltrona jogando os pés na grade. Respirei por um momento digerindo aquilo.
– O cara no corredor, era Anthony. – a boca de Kevin se abriu.
– Espera, Anthony seu ex babaca? – eu assenti sem surpresa – O que ele fazia aqui? – tomei outro bocado de ar para então explicar a Kevin o que havia acontecido.
A respiração era muito difícil naquele momento enquanto eu precisava explicar aquilo. Era como se eu estivesse de fora do meu próprio corpo enquanto revivia aquele momento. Eu não sabia definir o que sentia naquele, sabia que meu coração estava apertado no peito, mas o que aquilo era? Ciúmes? Não, aquilo eu tinha certeza que não. Talvez confusão por como havia ocorrido. Indignação por ele já estar com outra. Raiva por ficar me olhando como se pudesse sentir algo ou pela ousadia dele em falar comigo e me fazer passar por um momento constrangedor com a namorada dele? Eu não sabia definir, mas era diferente do que eu costumava sentir. Não havia carinho ou saudade. Era ruim. Era como me afogar. Havia desespero e medo. Não era bom.
– E ele simplesmente ficou te encarando como um tapado? – Kevin perguntou indignado.
– Sim. Quando ela falou do Harry ele ficou vermelho e com raiva, era assim que ele agia quando estava com ciúmes. – soltei e Kevin revirou os olhos.
– Esse idiota tem merda na cabeça, só pode. – assenti e respirei fundo me ajeitando no puff.
– Por que ele só não pode sumir? Quer dizer ele tinha que aparecer justo agora que eu estou juntando os meus pedaços e tentando começar de novo, para trazer todos os meus medos de volta com ele? – murmurei e Kevin saltou da poltrona para o meu lado no grande puff. Passou os braços por meus ombros me abraçando de modo acolhedor.
– Ei, está tudo bem. – ele sussurrou – Ele não pode mais te machucar e os outros caras não são iguais a ele, ta? – ele me sacudiu um pouco e eu assenti o fazendo me cutucar no ombro – Agora me conta mais sobre isso de começar de novo. Quem é o cara? – arregalei os olhos vendo que havia deixado aquilo passar.
– Não tem ninguém, foi só modo de falar. – menti e logo percebi que não havia sido convincente.
– Eu sou uma piada pra você, ? – consegui rir com sua menção a expressão que eu havia lhe ensinado no ano novo – Me conte logo ou eu vou descobrir sozinho e espalhar para todo mundo. – ele chantageou e eu respirei fundo.
– Eu e Harry assumimos sentir algo um pelo outro. – ele me soltou e eu vi sua expressão de surpresa e felicidade – Mas… – comecei antes que ele pudesse dizer algo – Não sabemos o que é e decidimos que vamos com calma, já que nenhum de nós se sente seguro pra começar algo. Queremos ter certeza de que é um sentimento mais que amizade ou se apenas confundimos tudo. Então continuamos apenas amigos, vamos nos conhecer e deixar acontecer, sem pressão. Então por favor não pressione, nem conte a ninguém. Você é o único que sabe além de nós, pelo menos do meu lado sim. – a expressão não deixava seu rosto e aquilo me fez rir.
– Prometo não contar, nem pressionar vocês. – ele levantou a mão como quem promete em tribunal – Mas eu avisei, e isso eu vou dizer. – ele deu soquinhos no ar – Eu avisei. – ele não gritou, mas eu sabia o quanto queria.
– Isso você pode falar para o Harry quando ele voltar. – soltei rindo um pouco.
– Eu vou, talvez eu até ligue hoje para dizer. – ele tinha uma expressão de quem aprontaria.
– Você não presta. – o empurrei de leve e ele riu.
– Não mesmo, docinho. – ele deu de ombros e eu neguei com a cabeça rindo.
– Ei vocês. – a voz de Josie chamou nossa atenção abafada pela porta fechada – Venham comer. – eu assenti e ela voltou para dentro. Quando encarei Kevin ele tinha uma careta de desagrado.
– O que foi? – questionei e ele pareceu notar que estava fazendo cara feia a desmanchando no mesmo instante – Nem vem me dizer que não é nada, eu vi isso ai. – apontei para seu rosto e ele bufou se afundando no puff.
– Harry não te contou? – eu franzi o cenho e neguei com a cabeça. Kevin tomou um bocado de ar e começou a me explicar, toda a história com Josie, desde quando ficaram anos atrás até quando se reencontraram e quando ele a chamou para sair, recebendo em resposta que ela estava com Tim.
– Ah Kev, eu sinto muito. – toquei seu braço e ele sorriu fraco.
– Tudo bem, eu vou superar. – ele deu de ombros – Harry até sugeriu o tinder, mas eu acho que participar de um reality seria melhor. – ele brincou me fazendo rir. Me levantei e o puxei pela mão para que se colocasse de pé.
– Eu vou te ajudar a encontrar alguém legal. – informei o fazendo rir – Já que agora vou para a turnê com vocês podemos tentar te achar alguém pelo mundo. – o cutuquei e ele riu – E se não der certo, te levo pra afogar as mágoas em pizza. – Kevin me encarou com um olhar terno e eu lhe mostrei a língua.
– Temos um acordo então. – ele soltou me abraçando pelo pescoço colocando todo seu peso em mim enquanto íamos até a porta.
– Temos um acordo. – repeti antes que as portas fossem abertas.
Sentada naquela mesa enquanto ouvia uma história de Josie sobre o ensino médio com Kev eu acabei perdida em meus pensamentos sobre como havia mudado nos últimos meses. Tudo era tão pesado. Meses atrás eu jamais estaria naquele jantar por que eu sabia que terminaria em uma briga, então o evitaria. Meses atrás eu estaria em casa com Anthony ou o esperando voltar de algum happy hour com os amigos. Meses atrás eu estaria chorando com a possibilidade de uma nova traição. Mas ali, naquela noite eu me sentia leve. Sentia que estava superando. Talvez aos poucos, um passo de cada vez, mas estava superando. E a sensação era ótima.

Capítulo 8

Fevereiro, 2018 – Leeds, UK

And it’s hard to dance with a devil on your back
So shake him off
And I am done with my graceless heart
So tonight I’m gonna cut it out and then restart
‘Cause I like to keep my issues drawn
It’s always darkest before the dawn

! – James gritou assim que a porta da frente da grande casa de tijolos se abriu.

– Jamie! – gritei na mesma animação pegando o garotinho no colo.

James era meu primo, filho do irmão mais velho do meu pai, Derek. Eles eram a família mais próxima que eu tinha no reino unido e apesar de ter crescido longe e de tê-los visto poucas vezes enquanto cresci, foi fácil criar laços. A princípio era estranho quando tio Derek me ligava convidando para um fim de semana em sua casa, mas com o tempo e com o apego que criei com James e Klaus tudo fluiu muito mais fácil.

No início daquela semana recebi uma mensagem de tio Derek informando que James havia decidido pela festa de aniversário ao invés da viagem para o parque de diversões em Blackpool. Logo em seguida um áudio chegou com o próprio Jamie dizendo que se eu não comparecesse ele ficaria “profundamente magoado” comigo.

– Como você está aniversariante? – entrei na residência fechando a porta com ele ainda em meu colo. James já não tinha tamanho para o meu colo, mas nenhum de nós se importava com isso.

– Estou bem, estava ansioso te esperando. – informou.

– E estava ansioso por mim ou por seu presente? – lhe estreitei os olhos e ele gargalhou.

– Por ambos, você sabe. – soltou de maneira suspeita.

– Tudo bem, eu sei que você está mais ansioso pelo presente. – dei de ombros e ele me abraçou.

– Você me conhece, e é por isso que eu te amo. – eu sorri fraco sentindo o coração derreter tamanho o carinho.

– Eu também te amo, Jamie. – o apertei nos braços e repentinamente senti saudade do restante da família que estava a um oceano de distância – Onde estão todos? – perguntei o colocando no chão já que minhas gostas estavam começando a reclamar.

– Aqui. – ouvi a voz de Klaus gritar da cozinha e sorri.

– Toma, mas vamos abrir lá com os seus pais, ta bem? – entreguei a sacola com o presente para o garoto que sorriu largo, assentindo e correndo para o cômodo onde todos se encontravam. Eu deixei meu casaco perto da porta e segui para lá também.

Tia Rose estava sentada em um dos bancos da bancada e tinha uma xicara de café em mãos, enquanto tio Derek tinha um saco de confeiteiro em mãos e dava os toques finais a alguns cupcakes. Klaus havia acabado de sentar James ao lado de minha tia e usava um avental indicando que deveria estar lavando a louça.

– Vejam se não é minha família favorita no hemisfério norte. – soltei arrancando uma risada de todos.

– Espere nos juntarmos com a sua família do Brasil, daí eu te farei escolher entre uma e outra. – tia Rose soltou em tom de brincadeira e eu fiz uma careta me aproximando e a abraçando.

– Você por acaso está querendo causar uma guerra? – perguntei me afastando e a encarando como se fosse um absurdo e ela riu me dando um leve tapa no braço.

– Não, mas eu sei que sua cara de desespero e a desculpa que inventaria para fugir do assunto seriam incríveis. – murmurou enquanto eu dava a volta na bancada para abraçar tio Derek.

– Disso nem mesmo eu tenho dúvidas. – respondi já me afastando do homem que no instante seguinte me estendeu uma colher com algum tipo de geleia.

– Experimente, é uma compota de morangos silvestres que eu fiz para rechear os cupcakes. – informou e em seguida eu estava com a colher na boca. Jamie e eu adorávamos morangos, então sempre que eu ia para lá tio Derek estava procurando por novas coisas que incluíssem a fruta para fazer.

– Está simplesmente incrível. – soltei após engolir o recheio – Tio, um dia quero cozinhar como você. – as bochechas do homem coraram. Apesar de ser extremamente extrovertido, tio Derek sempre ficava sem jeito quando elogiado por seus talentos na cozinha. Segundo meu pai tio Derek adorava cozinhar desde que ele se lembrava, mas meu avô vivia dizendo a ele que não deveria fazer aquilo, que era coisa de mulher e diversos outros comentários machistas. Por longos anos tio Derek deixou a cozinha, mas depois do seu primeiro encontro com tia Rose, onde ela o fez prometer que ele faria um jantar para ela, ele voltou.

Eles eram daqueles casais perfeitos. Nunca brigavam, sempre se entendiam apenas com o olhar, tinham dois filhos muito educados. Tia Rose era bancaria e tio Derek, assim como meu pai, era cirurgião. Estavam sempre viajando juntos e os cartões de natal que eu recebia eram sempre os mais divertidos.

– Você já é ótima, . – ele soltou em resposta me beijando brevemente a cabeça.

– Falta muito ainda para mim. – soltei rindo e indo em direção a Klaus, que já havia tirado seu avental e tinha os braços abertos para me receber.

– Se te conforta, o brigadeiro dele nem chega perto do seu. – meu primo elogiou apoiando sua cabeça na minha enquanto nos abraçávamos.

– Pelo menos em uma coisa eu preciso ser melhor. – brinquei fazendo-o rir – Ei, onde está seu namorado? Eu só vou conhece-lo no casamento, por acaso? – perguntei me afastando para que pudesse ver seu rosto e o garoto riu.

– Não, ele vem hoje para a festa e você vai conhece-lo – garantiu. – Mas não o assuste. – ele me lançou um olhar cuidadoso e eu revirei os olhos.

– O que? Eu? Assusta-lo? Jamais. – me virei para tia Rose – Onde a senhora guarda as facas mesmo? – ao dizer isso todos riram e Klaus me apertou ainda mais em seu abraço.

– Maluca. – brincou e eu ri.

– Já posso abrir? – James pediu apontando sua sacola ansioso.

– Pode sim. – ao dizer isso o garoto puxou a caixa que havia dentro e rapidamente rasgou o papel de presente.

– Eu não acredito. – os olhos do garoto estavam arregalados olhando o presente – , você é a melhor. – ele pulou do banco e correu até mim, empurrando Klaus e me abraçando, fazendo com que mais uma vez, meu coração derretesse no peito.

– Eu lhe dei aquele boneco do homem aranha e você não disse que eu sou o melhor. – Klaus reclamou fazendo bico e James o encarou.

– Klaus, eu adorei o boneco, mas isso aqui é simplesmente uma miniatura do Aston Martin DB5 1963 que o James Bond usa no filme Goldfinger. – o pequeno explicou e Klaus revirou os olhos.

– Vocês e esse papo nerd de carros. – murmurou e eu lhe empurrei de leve pelos ombros.

– Não seja assim. Vocês têm os heróis, nós temos os carros. – dei de ombros.

– Tudo bem, eu perdôo. – ele se aproximou me abraçando pelos ombros e o irmão pela cabeça – Mas agora você me deve um brigadeiro. – eu gargalhei o cutucando pela cintura.

– Tudo bem, chantagista. – ele sorriu largo como uma criança. James logo deu um jeito de subir para o quarto para juntar seu novo carrinho a coleção.

Aquele era o xodó dele desde que eu o conhecia. Havia visto alguma coisa sobre carrinhos em miniatura na tv e desde então havia se apaixonado. Quando o conheci a primeira coisa que ele me mostrou foi aquilo e desde então eu sempre lhe dava um novo. Tia Rose e tio Derek insistiam que não era necessário por serem relativamente caros, mas eu adorava a cara de James sempre que deparava com um novo modelo e como ele adorava passar algum tempo me explicando sobre o modelo original e sua fabricação. O garoto era extremamente inteligente, desde pequeno sempre se mostrou muito esperto para tudo aquilo que lhe causava interesse. Era um garoto de nove anos que podia te dizer quais carros a Ford lançou em 1962 sem problema algum. E adorava os filmes do Bond, coisa que ele tinha em comum com meu pai.

– Vem, deixa os dois terminarem o que estão fazendo aí e vamos pro quintal. – Klaus me chamou me puxando pela mão e eu acenei para meus tios fechando a porta logo atrás de mim e passando pela varanda fechada da casa onde uma mesa com decoração estava pronta esperando a festa. Assim que coloquei meus pés no caminho de pedras senti o frio me acertar e me encolhi, praguejando mentalmente por ter deixado o casaco dentro da casa, mas era um caminho curto até a casa da piscina, que era o “quarto” do meu primo então apenas apressei o passo.

Logo estávamos no calor do grande espaço de Klaus. Havia uma cama, sofá, puffs por todo lado, uma grande tv com um vídeo game e uma geladeira. Pôsteres de banda de rock tomavam uma das paredes, enquanto alguns dos quadros que ele havia pintado tomava a outra. Era tão talentoso que me fazia perder o ar as vezes. Cada uma das pinturas contava uma história e trazia um sentimento diferente a mim.

– Senta aí que você tem explicações para me dar. – mandou se sentando no sofá e batendo ao seu lado.

– O que eu fiz? – arqueei uma sobrancelha para ele que me estreitou os olhos.

– Como você começa a namorar o Harry Styles e não me conta? – exigiu. Eu neguei com a cabeça cogitando sobre o que dizer. Acabei decidindo por não contar nada, por que eu e Harry estávamos apenas deixando as coisas fluírem e caso não desse em nada, eu não queria precisar lidar com o fato de precisar explicar aquilo.

– Eu não namoro o Harry Styles. – soltei e ele revirou os olhos.

– É sério não namoramos mesmo, somos amigos. – ele me analisou como se fosse o próprio teste do poligrafo, deu de ombros por fim e se levantou seguindo para a geladeira.

– Bom, tudo bem, mas se começarem a namorar me conte e o traga aqui. Eu preciso ter uma conversinha com ele para que ele não seja um babaca com você como o Anthony foi. – ele me lançou um olha estreito e eu assenti. Klaus odiou Anthony desde o primeiro momento que colocou os olhos nele, apesar de Anthony nunca ter feito nada para ele. Ele dizia que sentia que Anthony não era uma boa pessoa, e no fim, estava certo – Mas espero que saiba que eu aprovo, vocês ficam fofos juntos. – arqueei uma sobrancelha para ele que agora me entregava um suco.

– Como sabe disso? – questionei enquanto ele se deitava em meu colo.

– Vi uma foto de vocês na internet. Ele estava te abraçando e você rindo, típico couple goals. – eu ri fraco e ele fez o mesmo.

– Friendship goals. – corrigi e ele deu de ombros – E como vão as coisas com o Peter? – ao ouvir o nome do namorado, Klaus mordeu o lábio claramente incomodado.

– Estão na mesma ainda. – ele se sentou e ficou de frente para mim – Ainda sou a namorada que mora em Leeds e não teve tempo livre para visitar os pais dele. – torci os lábios.

– Ele ainda não contou para o pai? – ele negou com a cabeça – Olha, eu não entendo como deve ser, mas deve ser difícil, então de a ele o tempo que precisar. – toquei sua mão e ele sorriu fraco – E eu sei que não deve ser fácil não poder ir até a casa dele e ter a liberdade que tem aqui, mas se parar pra pensar, no começo ninguém sabia e agora apenas o pai dele não sabe. Vocês deram alguns bons passos aqui, não? – ele assentiu, parecendo um pouco mais animado – Então, é como um vídeo game, as fases já passaram e agora vem o chefão, que é sempre mais difícil, mas depois dele você zera o jogo e fica se gabando. – após a minha comparação Klaus gargalhou e eu também.

– Eu não acredito que comparou isso a um jogo de vídeo game. – ele me empurrou de leve.

– Pelo menos agora você está rindo. – dei de ombros e ele me encarou. Um olhar terno e carinhoso.

– Obrigado, . Estou feliz que esteja aqui para conhece-lo. – eu sorri largo.

– Eu também. – ele me abraçou pelo ombro – E não pense que não vou ameaça-lo, por que eu vou. – soltei o fazendo rir – Prometo que vou ser misericordiosa e ameaçar só um pouquinho. – completei bebendo meu suco.

– Sabemos que você vai ser boazinha, você sempre é. – pensei por um momento.

– Droga, você está certo. – murmurei insatisfeita e ele riu.

– Eu vou sentir falta das suas visitas enquanto estiver em turnê. – confessou.

– Prometo vir aqui assim que voltar e te trazer algo dos lugares que eu visitar. – ele beijou minha cabeça.

– Traga o Harry também. – ele pediu em tom sugestivo e eu o cutuquei o fazendo rir.

– Sem gracinhas, Klaus Edward . – ele gargalhou enquanto eu me afastava de seu abraço.

– Tudo bem, parei, agora vamos jogar antes que a festa comece. – ele se levantou indo pegar os controles e eu finalizei meu suco, me jogando em um dos puffs.

[…]

No fim daquela tarde, depois do parabéns ter sido cantado e pedaços de bolos distribuídos – eu ganhei o quarto, como nos anos anteriores – eu, Klaus e Peter nos jogamos no sofá da sala com nossos refrigerantes.

Peter no fim das contas era um amor de pessoa e não havia como ameaça-lo. Ele e meu primo pareciam muito apaixonados, andando de mãos dados e abraçados por todo o lugar. Sempre rindo juntos e em constante contato ou repetição dos movimentos um do outro. Havíamos nos dado bem e assim como Klaus ele me perguntou de Harry.

Naquele momento eu lhe contava sobre minha família do Brasil, enquanto Klaus tinha um bico forçado e seu polegar deixava um carinho na mão do garoto.

– E tem o Mateus. – comentei encarando Klaus e ele bufou.

– Não, sem Mateus, não quero ouvir dele. – o garoto colocou as mãos nas orelhas me fazendo rir.

– Klaus tem ciúmes do Mateus por que ele é a versão brasileira e hetero dele. – comentei e Peter gargalhou.

– Olhem só o garoto “não tenho ciúmes”. – Peter comentou e Klaus revirou os olhos.

– Eu não sinto, não de você. – ele deu de ombros – Por que eu sei que sou o único na sua vida, mas na dela eu tenho um sósia brasileiro. – ele apontou para mim e Peter gargalhou.

– Aposto que de algum modo você é único para a também. – ele comentou e eu sorri.

– Já disse que amo seu namorado? – perguntei vendo Peter corar – E sim, você é único de algum modo. – soltei – Quero dizer, o Mateus não tem esse sotaque inglês lindo. – Klaus revirou os olhos.

– Claro meu sotaque. – ele soltou entediado e eu joguei uma almofada nele.

– Pare de graça, você sabe que é especial pra mim, assim como o Teus. – usei o apelido apenas para provocar e ele jogou a almofada em mim de volta.

– Não implica. – eu ri colocando a almofada ao meu lado.

– Preciso confessar uma coisa. – Peter soltou e eu o encarei – Eu estava morrendo de medo de te conhecer. – eu franzi o cenho automaticamente e Klaus gargalhou.

– Estava mesmo, precisava ver a cara dele quando fui atender a porta. – ele entregou levando um beliscão no braço em seguida.

– Por que? – questionei me inclinando para ele que estava no sofá ao lado.

– Klaus sempre falou em como você era importante pra ele. – Klaus torceu os lábios tímido – James te adora e só sabe perguntar sobre você, Derek e Rose tem sempre coisas boas a dizer. Eu me senti meio acuado com medo de você não me achar bom o suficiente para o seu primo. – eu sorri largo me sentindo querida.

– Eu não precisei nem de cinco minuto pra saber que você faz bem pro Klaus. – soltei e ele sorriu para mim – Ele fica com cara de bobo apaixonado e está sempre sorrindo com um brilho diferente no olhar. – entreguei e Klaus fez uma careta mostrando o quanto estava sem graça – Não existiam chances de eu não gostar de você. – estendi a mão e Peter a segurou – É bom te ter na família, Pete. – ele sorriu – Eu levo a família a sério, então do que precisarem podem contar comigo. – garanti e vi Klaus sorrir ternamente pra mim e senti meus olhos se encherem de lágrimas. Em seguida senti alguém se jogar em meu colo e encontrei James rindo.

– Estraga clima. – Klaus murmurou e Peter e eu gargalhamos.

– Mamãe pediu para eu devolver o celular da . – ele estirou a língua para o mais velho – E pediu pra avisar que estava tocando. – ele me entregou o aparelho onde meu pai havia ligado mais cedo para desejar os parabéns a James.

– Obrigada, Jamie. – agradeci lhe beijando o rosto e ele se levantou correndo para encontrar as outras crianças. Abri o app de chamadas e havia uma de Harry, junto a uma mensagem.

H:

Desculpa. Esqueci que você estava no aniversário do seu primo, te ligo amanhã 06:38p.m
Beijo e boa comemoração 06:38p.m

Encarei Klaus e Peter que agora conversavam entre si em sussurros e sorrisos.

– Vou deixar vocês a sós por alguns minutos, preciso fazer uma ligação. – comentei e recebi um olhar divertido de Klaus – Nem fala nada. Estou sendo legal com vocês. – ele gargalhou enquanto eu seguia para as escadas.

– Mande um abraço para ele. – Klaus gritou e eu sorri fraco.

Subi as escadas e entrei na primeira porta a esquerda encontrando o quarto de hospedes vazio. Acendi a luz do local e me sentei a cama pegando o número de Harry e discando no facetime. Haviam dois dias que não nos falávamos por conta dos compromissos de Harry e da diferença de horários e estranhamente eu já sentia saudades.

– Ei. – ele soltou meio surpreso assim que atendeu. Tinha os cabelos bagunçados, não usava camiseta e parecia ainda estar na cama. Em um segundo o pensamento de que ele estava com alguém me invadiu a mente e fez meu estômago afundar. Não era da minha conta, obviamente, mas a sensação era algo que eu não conseguia evitar.

– Oi. – soltei com o mínimo de animação que consegui reunir – Eu… eu estou atrapalhando? – perguntei e Harry me encarou parecendo confuso e em seguida parecendo entender o que acontecia em minha cabeça.

– Não, eu acabei de acordar. Sai com a banda ontem à noite e chegamos tarde. – ele virou sua câmera para o lado oposto da cama que se encontrava arrumado e vazio, fazendo um alívio me preencher e ao mesmo tempo eu me sentir envergonhada – Viu? – ele perguntou com um sorriso preocupado.

– Desculpa, eu…

– Está tudo bem, eu entendo. – ele me cortou e agora tinha um sorriso terno para mim – Mas não precisa se preocupar com esse tipo de coisa, eu te prometi que seria honesto e vou ser. – eu sorri fraco para Harry.

– Não é algo que eu controle agora, mas vai melhorar. – justifiquei e ele sorriu.

. – ele chamou e eu acenei com a cabeça – Eu estou com você, pra tudo. – garantiu e eu sorri.

– Obrigada, Harry. – ele assentiu sorrindo.

– Mas então… Você não estava no aniversário do seu primo? – ele perguntou curioso.

– E ainda estou, mas James está se divertindo com as crianças, meus tios conversando com os adultos pais de família e Klaus e Peter precisavam de um momento. – dei de ombros e ele me estreitou os olhos.

– Eu sou seu passatempo então? – perguntou em fingida indignação e eu ri.

– Não, idiota. – soltei fazendo uma careta para ele – Quis dizer que tinha algum tempo livre e queria falar com você. – soltei mordendo a parte interna da bochecha e Harry sorriu.

– Eu também queria falar com você. – confessou e fiz uma careta, ficando sem graça – Você fica uma graça quando fica com vergonha. – ele soltou se sentando na cama e eu lhe mostrei a língua.

– Não estou com vergonha. – retruquei e Harry gargalhou.

– Ok, vamos fingir que é verdade. – implicou. Me ajeitei na cama procurando um lugar para apoiar as costas.

– Ei, quem é @pillowpersonpp? – questionei me lembrando do perfil que Harry seguia e que havia começado a me seguir no Instagram aquela manhã.

– Quem? – ele perguntou parecendo confuso por um momento – Ah, é a Sarah, baterista da banda. – entregou.

– Por que ela começou a me seguir? – arqueei a sobrancelha e ele riu fraco.

– Ela me infernizou para que eu passasse seu usuário do Instagram. – ele revirou os olhos.

– Por que? – meu tom de voz ficou mais fino entregando minha curiosidade.

– Por que Hels comentou sobre você se juntar a nós na turnê, Sarah perguntou se a garota das fotos da internet também iria e eu entreguei que era a mesma pessoa. Daí ela ficou me enchendo sobre precisar te seguir e eu apenas passei. – ele me encarou parecendo se arrepender – Ah, me desculpa, eu devia ter perguntado, não devia? – ele bateu na testa e eu ri fraco.

– Não, está tudo bem, não precisava ter perguntado. – expliquei – É só que eu não imaginei que seria assunto na sua roda de amigos. – dei de ombros e ele sorriu.

– Bom, você já é a algum tempo. – confessou e eu franzi o cenho.

– Como é? – questionei o vendo fazer uma careta.

– Eles me perguntam de você desde o ano novo, quando Kev postou aquele storie onde estávamos todos juntos. – assenti me lembrando da tal foto.

– Ok. – soltei em meio a uma risada nervosa que fez Styles gargalhar.

– Relaxa, eles já gostam de você. – torci os lábios sem saber o que dizer ao certo – Adam e Clare resolveram que esperariam você chegar para começarem a te seguir, mas Sarah é ansiosa e já quis te seguir agora e o Mitch nem tem Instagram, mas aposto que a Sarah o obrigaria a te seguir também. – eu ri fraco sentindo que seria um bom tempo o da turnê.

– Ela…

! – ouvi a voz de James no corredor a me chamar.

– Aqui Jamie. – respondi em tom alto para que ele escutasse.

– Aonde? Não estou te vendo. Você está usando a capa de invisibilidade do Harry Potter? – gargalhei com a constatação do pequeno.

– Não, eu não a trouxe, estou no quarto de hóspedes. – informei vendo sua cabeça surgir no vão da porta um segundo depois.

– Ah, aí está você. – ele marchou até a cama subindo na mesma e se sentando entre minhas pernas. Ele encarou a imagem de Harry no celular que sorria – Quem é ele? – o garotinho perguntou em um sussurro se virando para mim.

– Esse é o Harry. – sorri para Styles – E Harry, esse é James, meu primo que está de aniversário. – comentei e Harry acenou enquanto James o encarava.

– Oi James, feliz aniversário, campeão. – vi James conter um sorriso. Ele era uma criança tímida com os desconhecidos e achava difícil que fosse trocar mais que duas palavras com Harry, mas estava enganada.

– Obrigado. – ele agradeceu – Sabia que a me deu uma miniatura do Aston Martin DB5 1963? É bem legal. – eu encarei Harry com as sobrancelhas arqueadas em surpresa por James estar contando aquilo a ele. Harry apenas me encarou se divertindo.

– Sério? – James assentiu – Ei, esse não é o carro que o James Bond usa no filme Thurnderball? – Harry questionou fazendo James sorrir largo.

– Sim, e no Goldfinger, o amanhã nunca morre, Cassino Royale e Skyfall. – ele contava nos pequenos dedos enquanto citava os nomes – Você gosta de 007? – ele questionou juntando as mãos e entrelaçando os dedos.

– Eu gosto muito, James. – Jamie bateu palmas e se virou para mim.

, você pode trazer o Harry aqui para assistirmos juntos? – eu encarei Harry que tinha um sorriso de lado contido – Por favor, . – ele apertou minhas bochechas e meu coração ficou igual a manteiga em panela quente. Harry fez um bico como se pedisse o mesmo que a criança.

– Tudo bem, eu trago o Harry aqui, mas vai demorar um pouco por que Harry é muito ocupado, Jamie. – o garoto jogou os braços para cima em comemoração e Harry fez o mesmo.

– Tudo bem, eu posso esperar um pouco. – ele deu de ombros – Ah, e falando em esperar me lembrei por que vim aqui, tem alguém te esperando na porta. – franzi o cenho para o garoto.

– Me esperando? – James assentiu. Encarei Harry que fazia caretas para meu primo que ria retribuindo – Tudo bem, vamos lá ver quem é então. – cutuquei o garoto que deu um pulinho e gargalhou.

– Está bem, está bem, já estou me levantando. – protestou segurando minha mão – Tchau Harry. – ele acenou.

– Tchau James. – Harry se despediu enquanto o pequeno pulava da cama.

– Pode me chamar de Jamie aliás. – informou se virando e correndo para fora do cômodo. Eu arregalei os olhos para Harry que gargalhou.

– O que? – questionou em meio a risada meio sem jeito.

– Que tipo de feitiço você lançou nele, seu bruxo do mal? – Harry gargalhou.

– Nenhum e eu sou um bruxo do bem, ta legal? Faria até parte da armada de Dumbledore. – ele fez uma cara de convencido.

– Adoro seu sotaque. – informei após ouvir “Dumbledore” e ele fez uma careta ficando sem graça e me fazendo rir – Bom, eu vou descer para ver quem está me chamando. – informei e vi Harry fazer um bico.

– Tudo bem. – ele murmurou meio a contra gosto – Nos falamos outra hora então. – eu sorri fraco.

– Ta bem. – comecei – Não faça essa cara, logo você está de volta. – soltei lhe lançando um sorriso lateral.

– Nunca fiquei tão ansioso para deixar Los Angeles. – eu prendi um sorriso assim como ele.

– Não comece com esse papo, você não vai me iludir. – soltei já me levantando da cama e seguindo para a porta, sabendo que se continuasse sentada eu não pararia de conversar com ele.

– Sabemos que não estou tentando. – ele murmurou convencido e eu ri.

– Ta legal. – fechei a porta atrás de mim seguindo pelo corredor – Tchau Styles, nos falamos depois. – acenei e ele sorriu.

– Tchau . – ele me lançou um beijo finalizando a chamada em seguida.

Parei um minuto sorrindo para aquilo, para em seguida guardar o celular no bolso traseiro da calça e descer as escadas. O fim das escadas me dava a visão do hall de entrada e honestamente, eu preferia ter continuado na ligação com Styles.

– Oi . – a voz de Anthony ecoou juntamente ao seu sorriso de canto e eu senti que podia vomitar a qualquer instante.

– O que faz aqui? – questionei ríspida, honestamente nada interessada em tê-lo ali, ou saber seus motivos.

– Eu preciso falar com você. – ele deu um passo à frente e ao mesmo tempo eu dei um passo para trás. A minha esquerda, Klaus vinha da cozinha com Peter e sua expressão fechou ao ver Anthony. Ele se aproximou e me tocou o ombro.

, o que ele está fazendo aqui? – ele questionou realmente preocupado.

– Eu só vim…

– Eu não falei com você. – Klaus o interrompeu rispidamente e Anthony se calou.

– Ele disse que quer conversar. – murmurei e Klaus deixou um carinho em meu ombro, silenciosamente me dizendo “estou aqui com você” – Vai embora. – mandei e Anthony respirou fundo.

– Eu não vou sair daqui sem falar com você. – murmurou e Klaus se virou para ele.

– Ótimo, por que vai ser um prazer te chutar daqui. – ele deu um passo na direção de Anthony e eu o segurei pelo braço.

– Klaus, não! – me coloquei a frente dele o empurrando pelo peito – É o aniversário de Jamie, sem confusão. – sussurrei e ele me encarou, aliviando sua expressão em seguida. Encarei Anthony por um momento enquanto ele se encostava na parede.

Eu conhecia Anthony. Ele era teimoso e apesar de não querer trocar nem uma palavra com ele eu sabia que ele realmente ficaria plantado ali até que eu fizesse o que ele queria. Eu não tinha medo dele, mas estar perto era desconfortável e me causava muitas coisas ao mesmo tempo. Nenhuma delas boa. E era estranho pensar sobre nós, por que naquele momento eu já não tinha mais boas lembranças, apenas um monte de brigas desnecessárias, impedimentos que não tinham cabimento algum, meses em que me privei da minha própria vida por causa dele e a constante espera pela próxima vez em que eu seria magoada por ele. Naquele momento, tudo era meio turvo, e eu não conseguia entender meus próprios motivos para estar com ele durante tanto tempo, mas talvez eu não precisasse entender, apenas perdoar a mim mesma por tanta negligencia comigo.

– Sai. – soltei rispidamente e ele negou com a cabeça – Eu não vou falar com você aqui dentro, então sai. – indiquei a porta e ele sorriu vitorioso.

… – Klaus me chamou e eu o encarei.

– Está tudo bem, eu vou resolver isso. – informei me aproximando e beijando sua bochecha. Ele assentiu e eu me virei vendo Tony me esperar na porta. Peguei meu casaco que estava pendurado ali e sai, fechando a porta atrás de mim. Caminhei mais alguns metros pela entrada da casa e parei no jardim a alguns metros de Anthony.

– Posso me aproximar? – ele pediu já indicando que daria um passo.

– Não. – respondi rispidamente e ele se conteve – Você disse que precisava falar, então fale, eu não vou te dar horas do meu tempo, você já tomou o suficiente. – soltei cruzando os braços e ele respirou fundo.

, me desculpa…

– Não Anthony, se veio pedir desculpa está perdendo seu tempo. Você já me pediu desculpa e voltou a cometer o mesmo erro tantas vezes que esse pedido vindo de você já não significa mais nada. – eu sentia meu coração acelerar no peito. Não era tristeza, nem raiva, nem magoa. Arrependimento. Era isso que eu sentia naquele momento – Ande, diga logo o que veio fazer aqui. – Ele respirou fundo e encarou a grama em seu pé por um momento.

– Você está namorando com o Harry Styles? – parei um momento para refletir sobre aquilo. Ele havia dirigido de Londres a Leeds para saber aquilo? Para cuidar da minha vida?

– Isso não é da sua conta. – minha voz saiu ríspida e ele pareceu surpreso por um momento.

, você não pode, ele é um desses caras que só usa os sentimentos alheios. – eu não contive a risada irônica que se formou naquele momento.

– Como é? Você está achando que é alguém para falar sobre usar sentimentos alheios? Escute bem Anthony, mas escute com muita atenção por que só vou dizer uma vez. – apontei o dedo para ele – Eu nunca mais quero ouvir você dizer o nome de Harry, ou de qualquer pessoa que tenha relação comigo, entendeu bem? Você não tem a mínima moral para acusar alguém, muito menos de algo que não sabe. Se ele é ou deixa de ser, não é problema seu e não venha querer pagar de alguém que se importa comigo, por que você não se importa. A única coisa que importa para você é a porra do seu ego que não aceita que eu siga a minha vida sem você tão rápido quanto você seguiu a sua. – ele parecia ficar bravo a cada palavra que eu dizia, mas eu não me importava – E eu não quero mais que você apareça aqui, nem na casa de ninguém que eu conheço, por que se fizer isso, se chegar perto de mim ou de algum de meus amigos ou família, eu acabo com a sua raça, juro por Deus que eu acabo. – ele respirou fundo e após segundos eu me virei em direção a casa.

– Eu não esperava isso de você, . – ele soltou alto e eu me virei para encara-lo – Nunca achei que se venderia por dinheiro e fama. Pelo visto estava enganado. – eu paralisei por um momento, mas o sorriso que se formou no rosto de Anthony fez meu sangue ferver.

– Eu não me vendi a ninguém por dinheiro e fama, eu jamais faria isso por que tenho princípios e os levo muito a sério, você é a prova viva disso, já que eu nunca te trai apesar de não você não me dar motivos para me manter leal. – ele fechou a cara novamente – Você quer saber a verdade Anthony? Eu não estou namorando Harry Styles. – um pequeno sorriso se formou em seus lábios – E nem diria que estou apenas para te causar algum mal, não sou assim, eu não o usaria para isso, mas eu estou disposta a tentar. Juntar todos os meus pedaços que você fez questão de quebrar, vencer todos os medos e inseguranças que você fez questão de criar em mim e ficar com ele. Sabe por que Anthony? – ele tinha as mãos fechadas em punhos – Não é carência, não é pelo dinheiro, nem pela fama dele, isso pouco me importa. É por que Harry não precisa me ver mal ou insegura para se sentir bem, ele não precisa me causar ciúmes para preencher seu ego, é por que Harry me escuta enquanto falo e entende o que eu não digo. É por que Harry está disposto a respeitar meu tempo e não me pressiona a nada. E por que eu sou uma mulher incrível que merece as melhores coisas desse mundo, se Harry for parte disso ótimo, se não for, eu vou em busca do que quer que seja. O mundo é grande e eu mereço cada pequeno pedaço dele. – terminei sentindo meu corpo começar a tremer, talvez pelo excesso de adrenalina. Me virei novamente em direção a casa, parando por um momento – E Anthony.. – chamei o vendo parar sua caminhada até o carro e se virar para mim – Respeita a sua namorada e trata ela como o mulherão da porra que ela é. – me virei, e dessa fez só parei quando a porta se fechou atrás de mim. Fechei os olhos me apoiando nos joelhos e controlando a respiração descompassada. Quando levantei meu corpo vi Klaus parado me encarando, ele seguiu até mim e me abraçou.

– Eu te amo. – ele sussurrou e eu envolvi meus braços em sua cintura.

– Eu te amo. – sussurrei de volta e ele afagou meus cabelos.

– Você, , é a mulher mais foda que eu conheço. – eu gargalhei e ele me acompanhou – Garota, eu no seu lugar teria acertado alguns socos na cara dele. – ele retrucou como se fosse o obvio a se fazer – E também chamar a namorada dele de mulherão da porra não é algo que qualquer pessoa faria. – respirei fundo.

– Mas deveriam, ela não tem nada a ver com nossa péssima história e ela merece ser tratada bem, merece ser feliz. – Klaus me apertou em seus braços.

– Por deus, eu tenho uma prima tão gentil que me dá vontade de explodir de amor. – eu gargalhei com sua constatação e ele me acompanhou.

– Você é maluco. – murmurei o apertando em meus braços um pouco mais e depois deixando o abraço.

– Agora é sério, eu preciso que traga o Styles aqui para que eu ameace ele caso ele seja um babaca. – eu sorri fraco.

– Eu vou ameaça-lo antes de você. – informei – E ele vai te conquistar no primeiro minuto, ele já fez isso com Jamie. – murmurei e ele arregalou os olhos.

– Jamie? Me conta essa história. – pediu me guiando pelos ombros para o sofá.

O restante da noite se passou entre risadas, histórias, alguns filmes quando todos os convidados se foram e minha família, toda deitada em um colchão no meio da sala em um aglomerado. Porém quando o sono pegou todos eles, eu ainda não me sentia preparada para dormir, então apenas me levantei e me encaminhei para o quintal. Me acomodei em uma cadeira que havia ali e encarei um ponto fixo na grama, sem nada em especial a olhar. Ali me recordei dos últimos meses. Da coragem que tive ao deixar Anthony e ao resolver seguir minha vida. De como nunca me deixei entregar a tristeza daquele termino, e como quando aconteceu eu respeitei meu próprio momento. Como apesar de machucada eu me permiti deixar que Harry se aproximasse e da coragem que juntei para ir até a casa dele lhe contar sobre meus sentimentos e para confrontar Anthony mais cedo.

– Você merece o melhor que o mundo pode te oferecer, . – sussurrei para mim mesma.

E como quem compreende aquele momento o universo fez chover. Uma chuva começou como uma única gota caindo em meu nariz e aos poucos as gotas caíram mais fortes e intensas. O primeiro impulso era sair dali, mas eu só consegui me manter parada e deixar a água me molhar. Eu nunca havia entendido esses momentos em filmes, mas vive-lo era diferente. Parecia uma maluca, mas a verdade era que deixar a água cair em mim era como me deixar lavar. A sensação era de pura e genuína liberdade. Certeza que apesar de ser um longo caminho dali pra frente, eu podia segui-lo e me reconstruir. Eu merecia me reconstruir. Independente se haveria alguém do meu lado, eu merecia me reconstruir. Por mim. Era a minha divida comigo mesma e eu faria de tudo para pagar.

E com aquele sentimento de imensa certeza me preenchendo eu estava de volta a cama, agora seca e mais leve, preparada para deixar o sono me levar. Sem medo algum do que poderia haver no escuro naquele momento, afinal, eu já havia afugentado o bicho papão.

Fevereiro, 2018 – London, UK

Feeling things I’ve never felt
It’s kinda hard for me to explain.

Harry
Estava no aeroporto de Londres e me sentia moído. Apesar de a primeira classe ser muito confortável, não se comparava a minha cama em casa. Enviei uma mensagem para Kevin me buscar e ele apenas informou que estaria ocupado em um encontro. Minha mãe e Gemma não atenderam ao telefone então liguei para pedindo a ela que me buscasse e ela prontamente informou que estaria lá em minutos. Eu estava jogado no lounge da companhia aérea sozinho, já que havia liberado John pelo resto daquela noite e ele resolveu por pedir um Uber para sua casa onde poderia pegar a filha a tempo de colocá-la na cama. Eu pensei que deveria ter feito o mesmo, mas como já estava a caminho eu apenas aguardei. Meia hora depois uma mensagem informando que me esperava na aérea de desembarque chegou e eu me levantei, seguindo pelo aeroporto até o local. Da escada rolante eu a vi. Usava uma calça jeans clara de cintura alta, com uma camiseta branca, assim como os caracteriscos all stars, com uma camisa maior que ela quadriculada preta e branca por cima. Tinha um coque mal feito no cabelo e um dos pés batia no ritmo da música que escutava em seus fones enquanto ela respondia a alguma mensagem.
Eu adorava como o estilo de era completamente variável. Ela poderia estar completamente arrumada e maquiada em um dia e no seguinte estar vestindo camisas velhas seja qual fosse a ocasião. Os cabelos nunca estavam alinhados e os tênis quase nunca deixavam seus pés. Ela não usava maquiagem todos os dias, apenas quando sentia vontade e não importava o que as pessoas diriam. Apesar do corpo estar dentro de um determinado padrão – coisa que eu acho que fosse mais por genética do que algum cuidado que a garota poderia ter, por que comia todo tipo de besteira e o único exercício que fazia era correr, às vezes – não estava nem ai para os padrões de como se vestir ou se portar como uma garota “deveria”. Honestamente, eu acho que ela vestiria as minhas roupas e não veria problema naquilo. Eu adorava toda a forma como ela emanava sua própria liberdade e como não ligava sobre como as coisas deveriam ser e sim como queríamos que elas fossem. Eu me sentia livre para ser eu mesmo com ela e aquilo era precioso para mim.
Quando terminei de descer as escadas os olhos de pousaram em mim, como se seu sentido aranha lhe tivesse avisado que eu estava chegando. Ela tentou conter um sorriso, mas apenas o deixou aparecer, largo e radiante, abrindo seus braços deixando claro que estava me recebendo. Alguns metros foram vencidos e eu me abaixei envolvendo sua cintura com meus braços a tirando do chão enquanto os dela passavam em volta do meu pescoço e seu rosto se enfiava na curva do mesmo. A sensação de tê-la respirando ali me causou arrepios que me fizeram sorrir.
– Senti sua falta. – ela sussurrou como se fosse um segredo que ela queria me passar. E eu sorri como um bobo ao vê-la assumir aquilo já que os modos de demonstrar afeto quase nunca envolviam dizer as palavras de maneira tão direta.
– Eu também senti a sua. – respondi a sentindo apertar mais seus braços ao meu redor.
– Me coloque no chão, já estou com vertigem, Everest. – ela brincou cutucando meu ombro e me fazendo rir enquanto a colocava no chão, cutucando sua cintura antes de solta-la.
– Muito engraçada. – murmurei e ela riu. Ela me analisou por um momento com os olhos estreitos e eu arqueei a sobrancelha – O que foi? – questionei tocando meu próprio rosto e ela deu de ombros.
– Nada. Vamos, Hollywood. – ela começou a caminhar respondendo novamente outra mensagem e guardando seus fones nos bolsos.
– Vai me dar todos os apelidos possíveis agora? – questionei enquanto saiamos pela porta do aeroporto.
– Uhum. – ela murmurou digitando algo no celular. geralmente não ficava em seu celular quando estava na companhia de alguém e aquilo me incomodou um pouco, fazendo uma vozinha sussurrar para mim que poderia ser algum cara. Mas não era da minha conta, então eu apenas guardaria meu pequeno ciúme para mim.
Chegamos ao carro e eu joguei minha bolsa – já que havia levado apenas uma mala de mão – no banco de trás enquanto entrava no banco do motorista bloqueando o celular e o jogando no dispenser da porta. Ela ligou o carro e logo estávamos fazendo voltas no estacionamento até a saída.
– Como foi de viagem? – ela perguntou assim que saímos do estacionamento, mantendo sua atenção na estrada.
– Tranquilo, o de sempre: dormi, assisti um filme, um pouco de turbulência, mas nada que um pouco de champanhe não pudesse ajudar a relaxar. – dei de ombro e ela me encarou brevemente, mas claramente indignada.
– Primeira classe é outra coisa, não? – murmurou me fazendo rir.
– Em algum dos shows eu te levo comigo. – pisquei para ela apesar de ela estar olhando para frente e ela fez uma careta – , aceite pelo menos uma vez algo que eu proponha fazer para você. – pedi a fazendo rir.
– Eu só não quero que pense que estou com você pelo que pode me dar. – não deixei o “estou com você” passar despercebido, mas apenas me convenci de que ela estava falando como amigos.
– Eu nunca pensaria isso de você, . – soltei a encarando e vendo-a torcer os lábios – Eu vi a festa que você fez com um pinguim de pelúcia de uma máquina velha, eu sei que se eu te der uma bala você vai ficar tão feliz quanto se eu te der um anel de brilhantes e admiro isso em você. – ela sorriu fraco, quase imperceptivelmente – E como sei que o que te importa é o carinho, é com muito carinho que vou te comprar a passagem na primeira classe. – ela gargalhou negando com a cabeça.
– Você sempre dá um jeito de dar uma volta no assunto, não? – eu dei de ombros rindo.
– Apenas aceite. – ela estreitou os olhos para mim.
– Vou pensar no assunto. – sorri fraco.
– Já é um começo. – murmurei.
Passamos o caminho até a minha casa ouvindo músicas aleatórias no carro as quais eu cantarolava algumas e recebia olhares de sempre que ela parava em algum sinal vermelho. Ao chegarmos a minha casa o portão foi aberto por um funcionário manualmente, o que me causou certa estranheza já que o mesmo era automático.
– Por que está tudo escuro aqui? – questionei conseguindo ver apenas o que o farol iluminava no jardim.
– Kev não te contou? – questionou com o olhar estreito assim que parou o carro e abriu a porta – Um idiota bateu com o carro no poste de luz um pouco mais abaixo na rua hoje à tarde e deixou parte da rua sem energia. – ela deu a volta no carro me encontrando do outro lado. Tentei puxar na memória se haviam mais casas sem energia, mas não me lembrava.
– E ele está bem? – questionei estranhando o comentário de soar rude.
– Está sim, ele ficou bem, só o carro estragou mesmo. – ela entrou antes de mim coisa que nunca fazia e eu estava logo atrás. Fechei a porta e tudo ficou um breu.
? – chamei.
– Na sala. – ela gritou e eu me encaminhei para lá.
– Meu Deus, isso aqui está muito escuro. – murmurei em busca de meu celular no bolso.
No instante seguinte uma luz se acendeu e eu ouvi várias vozes gritarem “surpresa” em uníssono. Quando meus olhos se acostumaram a luz eu encontrei meus amigos e família com chapéus de festa, algumas cornetas e confetes voando pelo alto após um estampido. Uma faixa escrito “Feliz 24 anos Harold” estava pendurada em uma das paredes. Haviam balões de hélio por todo o canto de formatos e cores diferentes. Kevin segurava um bolo com a ajuda de Gemma enquanto todos começavam a cantar a música de aniversário já conhecida. Quando terminaram eu já estava perto do bolo olhando cada um ali e em seguida soprei as velas em cima do bolo – que deveriam ser 24.
– Feliz aniversário de novo, meu bebê. – foi minha mãe quem se aproximou me abraçando e me fazendo rir, pelo uso proposital do apelido.
– Obrigado, mãe. – lhe beijei o topo da cabeça.
Abracei cada um dos convidados – sendo todos amigos e família – e por fim notei que alguém faltava. Procurei com o olhar por não a encontrando.
– Alguém viu a ? – questionei com o olhar meio perdido e vi algumas cabeças negarem.
– Aqui. – a voz da garota soou atrás de mim e assim que me virei dei de cara com , Kevin e Tim com algumas bandejas com doces que eu demorei dois segundos para reconhecer da minha última ida ao Brasil.
– Brigadeiro. – a minha pronúncia enrolada do nome do doce fez gargalhar enquanto parava em minha frente com sua bandeja e eu já tratava de roubar um doce.
– Brigadeiro. – ela corrigiu me fazendo estreitar os olhos para ela – Você disse alguns dias atrás que não comia desde sua última ida ao Brasil e que estava com saudades e como brigadeiro é doce obrigatório de festa no meu pais, eu fiz. – ela não parecia muito feliz – Por mais que você não tenha me contado sobre seu aniversário que foi a uma semana atrás. – foi a vez dela me estreitar os olhos e eu sorri largo mostrando todos os dentes que podia.
– Desculpe, eu me esqueci por conta da correria. – murmurei comendo outro doce e ela me lançou uma careta.
– Sua sorte é que tive tempo de te arranjar um presente, senão eu te mataria. – ela roubou um doce também.
– Meu Deus, , foi você quem fez isso? – Gemma foi quem chamou como se fosse amiga de há décadas, se aproximando de nós. A garota apenas assentiu por estar com a boca ocupada – Você precisa me ensinar qualquer dia. – minha irmã pediu pegando um de nossa bandeja enquanto as outras estava sendo distribuídas pela sala.
– Pode deixar Gems, é bem fácil na verdade. – soltou dando de ombros e eu encarei Gemma e .
? Gems? Desde quando são íntimas assim? – questionei e ela se encararam.
– Desde que Kevin nos juntou para organizar sua surpresa. – Gemma respondeu simplesmente e concordou.
– Exatamente, escolhemos o bolo juntas, essa era nossa função. – completou – Até tomamos alguns cafés. – lançou um olhar cúmplice para Gemma que retribuiu.
– Ah não, podem parar. – puxei afastando Gemma dela fingidamente afetado – Você não vai roubar minha amiga. – murmurei emburrado e gargalhou.
– Já era Harry, Gemma já é minha Styles favorita. – brincou e eu fiz um bico cruzando os braços em seguida.
– Eu vou contar para a minha mãe. – soltei fazendo ambas rirem e me apertarem juntas.
– Você ainda é o mais fofo de nós. – Gemma contestou e assentiu concordando.
– Menos mal. – roubei outro doce da bandeja fazendo ambas rirem.
[…]
O resto da noite seguiu com conversas, brincadeiras, algumas fotos e minha mãe marcando um almoço com na casa dela para que pudessem conversar melhor. Minha mãe estava extremamente interessada no trabalho de e a garota por sua vez prometeu mostrar o que fazia.
Quando já era tarde e todos haviam ido embora , Kevin e eu estávamos organizando a bagunça que havia ficado.
– Bom, eu acho que já vou. – Kevin soltou assim que colocamos o último copo sujo na lava louças.
– Obrigado por tudo, mate. – agradeci o abraçando e lhe dando um beijo no rosto.
– Por nada. Fico feliz de estar aqui mais um ano. – comentou assim que nos afastamos e eu sorri.
– Fico feliz que esteja. – lhe lancei um sorriso e ele bateu em meu ombro.
– Tchau, . – ele abraçou brevemente a garota que retribuiu o gesto dando um beijo na outra bochecha de Kevin.
– Tchau, Kev. Vai com cuidado e manda mensagem quando chegar. – pediu recebendo um aceno positivo de Kevin que já virava a porta da cozinha.
Quando a porta se fechou eu encarei que estava apoiada na bancada. Ela parecia cansada, porém não disposta a ir embora ainda.
– Tudo bem. – ela puxou um bocado de ar – Hora do seu presente. – ela bateu uma mão na outra e eu franzi o cenho.
– Achei que meu presente eram os brigadeiros. – comentei e ela riu parando em minha frente.
– Não, Harry. É algo mais legal, vem. – ela segurou minha mão entrelaçando nossos dedos e uma corrente elétrica percorreu meu braço. A garota me puxou em direção as escadas as subindo em minha frente – Eu pedi para a Gemma se podia deixar aqui, já que queria te entregar depois da festa. – comentou em uma tentativa de explicar que não havia entrado sem permissão e eu ri fraco.
Ela seguiu pelo corredor me levando até o meu quarto e por um momento algo obsceno me passou pela cabeça me fazendo sorrir fraco e afastar o pensamento.
Assim que entramos no cômodo, me encaminhou a cama e me sentou ali. Eu senti meu corpo arrepiar.
, você está me fazendo pensar que esse presente é uma coisa muito íntima. – comentei a vendo franzir o cenho.
– O quê? – ela questionou inocentemente. Eu a encarei e mordi o lábio por um momento e ela arregalou os olhos – Harry! – ela me acertou um tapa no braço me fazendo rir.
– Desculpe, é que você me trouxe para o quarto e me colocou na cama assim. – dei de ombros com um sorriso travesso nos lábios.
– Sem vergonha. – ela soltou rindo e se afastando para um canto.
– Obrigado. – ela riu com meu agradecimento e entrou na porta do closet.
– Não é nada do que está pensando. – ela soltou de lá de dentro.
– Você entrando no closet só reforça a ideia. – falei mais alto e rindo sozinho segundos antes dela sair do cômodo com um grande embrulho retangular.
– Espero que isso não reforce também, por que eu estou bem vestida e pretendo me manter assim. – ela caminhou em minha direção e eu franzi o cenho para ela. Havia uma fita e um cartão que foi a primeira coisa que peguei. Abri rapidamente o envelope branco encontrando um papel cor de rosa onde haviam coisas escritas em uma letra muito bem desenhada.
Bom, isso foi o melhor que consegui pensar no pouco tempo que tive, mas honestamente eu adorei.
Queria tornar a minha visão do dia que nos conhecemos algo que você pudesse guardar de maneira especial.
Espero que goste tanto quanto eu gostei de fazer parte da criação disso.
Eu te desejo tudo de melhor nesse mundo, H. Espero que tenha uma vida gloriosa e que seja tão feliz quanto faz as pessoas ao seu redor felizes.
Com carinho, . =)

Sorri ao fim do papel e encarei que mordia o lábio em expectativa e me estendeu o embrulho. Eu rasguei o papel como uma criança e riu.
A primeira imagem que surgiu em meu campo de visão foram nuvens e o que parecia um céu azul, em seguida mais alguns elementos e quando todo o papel estava no chão eu vi com clareza o quadro a minha frente.
Era eu. Eu usava a roupa do show de Manchester, um terno que lembrava muito o naipe de ouro, o microfone a frente a da minha boca e eu sorria com as mãos próximas ao corpo, olhando um pouco para baixo. Uma espécie de luz emanava de minhas costas enquanto atrás de mim nuvens brancas e um céu de um tom muito bonito de azul se encontravam quase como se fizessem parte do cenário original. Não era como o céu – espiritual, de anjos e essas coisas – era apenas o céu, o céu que vemos pela janela do avião. Era uma pintura da qual o material utilizado eu não sabia identificar e havia uma assinatura em baixo. Klaus A. Era o pintor.
– Quando Kevin me informou sobre seu aniversário eu ainda estava em Leeds. – começou a explicar – E durante a tarde enquanto olhava a parede de pinturas de Klaus, eu tive a ideia do presente. – eu a encarei por um momento e ela sorriu tímida – Eu tinha essa foto que eu havia tirado enquanto você cantava Sign of the times e perguntei se ele podia tentar reproduzir em tela o que eu senti durante essa música. Então ele apenas se sentou de frente para o quadro e começou pintando a própria foto e depois colocamos a música para tocar e ele me fez descrever tudo que senti naquele dia. – ela respirou fundo – Foi como ser tirada do chão, levada a um lugar onde nada mais importasse além da canção, um lugar tranquilo e leve, como ir acima das nuvens e ver o sol, sentir paz apesar da bagunça lá embaixo. – ela sussurrava as palavras enquanto meus olhos se enchiam de lágrimas – Como um sopro de ar fresco em um dia quente. Remember everything will be alright. – ela recitou o verso da música – E realmente ficou tudo bem, assim como te encontrei em um lugar longe de onde estava antes, fisicamente e mentalmente falando. – ela voltou a abrir os olhos e me encarar sorrindo largo – A fotografia, apesar de ser ótima em registrar momentos, não é tão boa quanto a mente e uma pintura me pareceu o modo mais correto de te passar que desde o início você foi especial pra mim, de algum modo. – eu sorri deixando que uma lágrima caísse e esfregando os olhos em seguida. Voltei a encarar o quadro e além de ser algo bonito, era algo que me transmitia tudo que havia explicado. Me fazia sentir querido e especial.
– Eu adorei. – sussurrei a encarando – Adorei mesmo, acho que nunca ganhei algo tão bonito na vida. – ela sorriu fraco segurando as mãos atrás do corpo – Eu com certeza vou pendurar na sala e guardá-lo pra sempre. Obrigado, . – me levantei apoiando o quadro na cama e me virando para abraçar . Suas mãos envolveram meu corpo e fizeram carinho em minhas costas enquanto eu a apertava. Ficamos por longos minutos abraçados até que se afastou repentinamente e me encarou.
– O que foi? – questionei confuso e ela sorriu.
– Eu vou te beijar. – ela sussurrou e eu franzi o cenho.
– Você vai o quê? – eu não deveria estar escutando direito. Com certeza não estava.
– Tapado. – ela revirou os olhos e em seguida segurou gentilmente meu rosto se colocando nas pontas dos pés. Minhas mãos automaticamente tocaram sua cintura para lhe dar algum apoio e ela sorriu ao toque.
Ela tocou a ponta de seu nariz no meu me fazendo sorrir enquanto via cada um de seus movimentos. Ela primeiro roçou seus lábios nos meus de maneira carinhosa e eu apenas deixei que fizesse ao seu tempo. Em seguida ela selou brevemente nossos lábios se afastando em seguida e me encarando nos olhos para em seguida encarar meus lábios e se aproximar de novo. Dessa vez o toque foi mais demorado, e no seguinte ali estava sua língua pedindo passagem. Eu prontamente concedi e iniciou um beijo calmo que fez algo explodir – figuradamente – em minha barriga. Nossas línguas se tocavam em sincronia, como se tivessem nascido uma para a outra. Uma das mãos de foi até minha nuca e encontrou em meus cabelos brincando com os fios ali. Uma de minhas mãos subiu por suas costas tentando fazer com que nossos corpos se aproximassem mais, porém não era possível. As mãos de desceram até meu peito segurando minha camisa por ali e eu apenas sorri. Um beijo calmo, porém, urgente. Um beijo intenso, mas que ambos sabíamos que não nos levaria para a cama e estávamos bem. A sensação de carinho e cumplicidade era presente e naquele momento, apenas nós dois importávamos. Apenas nós dois éramos dignos da atenção um do outro, pelo menos por hora. E eu não sabia explicar como um beijo me fazia sentir algo que nem todas as noites de sexo maluco me fizeram sentir. Mas eu sentia, única e especialmente com ela.
Quando o ar avisou que precisava voltar a nossos pulmões paramos o beijo calmamente entre selinhos demorados e quando finalmente paramos, escondeu seu rosto em meu peito e eu a abracei. Nós sabíamos que aquele era mais um passo. Um passo que havia dado. E eu me sentia feliz por ela. Afinal aquilo significava mais um passo contra o que a assustava. E eu também me sentia feliz por ser eu a pessoa a receber aquele beijo.
– Isso foi uma decisão inesperada ou era parte do presente? – questionei enquanto afagava os cabelos de .
– Uma decisão inesperada. – ela respondeu sem tirar o rosto do meu peito.
– Ei, olha pra mim. – ela negou com a cabeça – Por favor. – cutuquei sua cintura a fazendo dar um pulinho e rir – Hein? Por favor. – cutuquei novamente e ela voltou a rir – Eu posso fazer isso a noite toda. – cutuquei novamente e ela me encarou enquanto ria.
– Chato. – ela murmurou fazendo um bico, mas percebi que ainda não me olhava nos olhos.
– Ei, você está arrependida? – questionei colocando uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. negou com a cabeça a minha pergunta – Mesmo? Se estiver pode me falar. Se lembra? Sempre honestos. – ela sorriu fraco assentindo.
– Não me arrependi, é só que… – ela mordeu o lábio – Eu fico nervosa perto de você. – ela fez uma careta.
– Mas é um nervosismo bom, de friozinho na barriga, ou é ruim, de ficar apreensiva? – fiz uma careta que a fez rir.
– Creio que seja bom. – declarou e eu sorri fraco.
– Isso é legal, por que eu também me sinto assim com você. – contei e ela sorriu tímida – E agora? O que quer fazer? Estamos no seu passo aqui, você é quem decide. – ela envolveu os braços em minha cintura.
– Talvez continuarmos nesse passo aqui. – ela mordeu a parte interna da bochecha me encarando com dúvida.
– Parece uma boa ideia para mim. – beijei sua testa e ela sorriu brevemente.
– O que acha de terminarmos Grey’s? – ela propôs e eu sorri largo.
– Sabe que eu vou dormir antes dos cinco minutos do episódio por que estou morto, não sabe? – ela assentiu.
– Sim, essa é a minha desculpa para dormirmos juntos. – confessou me fazendo rir.
– Tudo bem, eu concordo. – beijei seu lábio brevemente e a vi reprimir um sorriso – Mas vamos tomar um banho antes. Você pode tomar primeiro e vestir alguma das minhas roupas e depois eu vou. – assentiu e eu me afastei seguindo para uma das gavetas e pegando uma bermuda de moletom e uma camiseta larga para ela. Lhe entreguei as peças de roupa junto a uma toalha e ela agradeceu seguindo para o banheiro.
Em seu tempo lá eu coloquei meu quadro em um canto encostado na parede e me sentei na cama sendo inundado por pensamentos. Eu pensava sobre ela. Estranhamente eu pensava unicamente nela.
fazia a vida simples. Um beijo que para tanta gente havia perdido o significado sendo completamente apagado pela possibilidade do sexo, para ela era algo precioso e cheio de carinho. Mais puro do que eu conseguia me lembrar que um beijo fosse. Eu via uma garota gentil, engraçada e cheia de alegria, mas eu sabia que dentro dela haviam lutas sendo travadas contra coisas que haviam sido colocadas em seu coração. E pensar em como estava frágil me causou medo. Repentino e avassalador medo. E se eu a machucasse? E se fosse tão ruim quanto Anthony? E se a quebrasse enquanto ela tentava se reconstruir?
Como quem sente meus pensamentos ela saiu do banheiro, usando minhas roupas largas e fazendo uma careta para mim enquanto se aproximava. Ela se sentou ao meu lado, as mãos apoiadas nos joelhos enquanto ela me encarava me fazendo forçar um sorriso.
– O que houve? – o seu sorriso deixou os lábios dando lugar a uma expressão de preocupação.
– Nada. – respondi simplesmente, mas claramente não havia a convencido.
– Vou precisar te lembrar da promessa? – ela levantou o dedinho. “sempre honestos”. Respirei fundo.
– Eu não quero parecer um idiota. – comecei e ela apenas manteve seu olhar em mim para que continuasse – Mas estou com medo. Medo de te machucar, . – ela assentiu – Medo de ser como o Anthony e eu sei que nem namoramos ainda, mas eu já estou com medo disso. – respirei fundo – Por deus, eu sou um bundão que está surtando depois de um beijo. – assim que a frase saiu de minha boca ela gargalhou. Uma gargalhada alta, mas sem deboche, apenas divertimento pela minha constatação.
– Harry, você não é um bundão por estar surtando depois de um beijo. – afirmou tocando minha mão – Eu não acho que você vá ser como Anthony, porque o fato de estar pensando assim depois de um beijo já mostra o quanto se importa. – ela sorriu fraco – Não estou dizendo que vai ser um caminho fácil por que não vai, mas estou dizendo que quero tentar e se quero tentar com você é por que alguma segurança você me passou. – ela deixou que um momento de silêncio se seguisse para continuar – Como combinamos, vamos devagar aqui, e se não sentirmos do mesmo modo está tudo bem, mas precisamos ser sinceros. Você não vai me magoar se me disser que não gosta de mim, ou se me disser que gosta de outra pessoa, isso jamais me magoaria, mas se não for sincero, isso sim vai me magoar. – assenti – E você tem se saído bem nessa coisa de sinceridade, então se mantenha assim e não precisa ter medo, ok? – novamente eu assenti, sentindo o coração mais leve – Ótimo, a minha parte também estou cumprindo então estamos indo bem. – ela sorriu largo e aquilo me fez sorrir do mesmo modo. Ela se aproximou e beijou rapidamente meus lábios – Agora vá tomar banho, por que eu me recuso a dormir com você fedendo. – seu comentário me fez rir e ela me acompanhou.
– Garota, você é muito folgada. – a empurrei pelo ombro lhe fazendo cair na cama enquanto ela ria.
– Isso não é verdade. – ela murmurou enquanto eu já me encaminhava para o banheiro.
– É sim – retruquei já fechando a porta atrás de mim.
Meu banho foi rápido e eu vesti apenas uma bermuda. Quando sai estava deitada exatamente onde eu havia a derrubado e agora dormia. A feição tranquila, seu corpo encolhido abraçando a ela mesma e como respirava calmamente foram pontos que me fizeram tirar alguns minutos para observa-la, sem te coragem de me mover.
Eu não estava apaixonado, mas com certeza aquele quentinho que eu sentia no coração ao tê-la ali não podia ser considerado nada. Ou será que eu estava?
– Ei. – sussurrei próximo a sua orelha fazendo carinho em sua cabeça. Ela se moveu um pouco e murmurou me fazendo rir – Deita direito pra dormir. – pedi e ela assentiu apenas, se movendo na cama completamente sonolenta e se deitando no travesseiro. Ela segurou minha mão me puxando – Espere que vou pegar uma coberta. – informei soltando minha mão e indo até o armário, pegando um edredom e voltando o jogando sobre ela para então ocupar meu lugar ao seu lado. Ela entrelaçou sua perna a minha e se deitou em meu peito, entrelaçando também seus dedos aos meus.
– Você tem um cheiro bom. – ela murmurou com a voz arrastada e manhosa e eu sorri fraco.
– Gosto do cheiro dos seus cabelos. – sussurrei já me apoiando em sua cabeça para sentir o cheiro dos fios dela. Era fresco e me lembrava de dias ensolarados. Talvez fosse hortelã.
Ela não respondeu mais nada, apenas continuou respirando calmamente. E ali, no meio de sua respiração tranquila, com o cheiro de seu cabelo, em meio ao conforto que o calor do corpo dela me trazia, eu adormeci.

Fevereiro, 2018 – London, UK

And now I’m one step closer to being
Two steps far from you


– Meu Hammer vive. – essa foi a frase que soltou assim que lhe contei sobre o beijo.
A garota era minha melhor amiga, eu não conseguiria guardar aquilo dela já que eu me encontrava como uma adolescente depois de seu primeiro beijo. A primeira reação de havia sido gritar histericamente e aquilo me fez rir loucamente.
, para de gritar. – soltei em meio a risadas – Nós só nos beijamos. – informei e ela sorriu maliciosamente.
– Primeiro vem o beijo, daí vem algumas mãos bobas e então vocês…
! – repreendi.
– Mas é verdade. – ela murmurou e eu neguei com a cabeça. A garota me encarou por alguns momentos e eu apenas sorri. Sentia tanta falta de . Das nossas tardes de série em casa, dos nossos passeios aleatórios por Londres e das tardes que tiravamos para cozinhar receitas malucas juntas – Você está diferente. – ela declarou com um sorriso nos lábios.
– Do quê está falando? – questionei com uma sobrancelha arqueada.
– Quando sai daí você não era a que eu conheci. – ela começou cautelosa – Você estava carregando um peso nas costas de não ser você. Conversamos sobre isso naquela época e entendo seus motivos para dizer que eu estava errada, mas agora , você é você de novo. – eu sorri fraco. Sabia que o que ela dizia era verdade, e me sentia culpada por ter dito a que ela estava errada, mas não conseguia ver isso antes – Eu sei que não é por conta do Harry, mas fico feliz que esteja se permitindo estar com ele e que possa ser você mesma. – eu sorri para a garota e ela fez o mesmo.
– Sinto muito por não ter te escutado. – ela negou com a cabeça.
– Esquece isso, eu entendo, não tem que se desculpar. – eu a encarei por alguns segundos até ouvir batidas na porta.
– Acho que o Kev chegou. – soltei já seguindo em direção a entrada do apartamento.
Assim que abri a porta encontrei um Kevin sorridente me esperando. Havíamos combinado de sair para que eu o ajudasse a comprar o presente de aniversário de sua mãe.
– Ei. – ele soltou já me abraçando e eu retribui – Obrigado por aceitar me acompanhar. – ele agradeceu assim que nos afastamos.
– Não tem o que agradecer. – me encarava da tela do celular – Ei Kev, essa é a . – apontei o celular – Se lembra dela? Já comentei com você. – o coloquei em frente a câmera e vi o olhar de mudar.
– Oi , você é bem famosa por aqui. – Kev brincou e eu vi … Corar? Espera, o quê?
– Não escute o que disser. Ela inventa muita coisa. – minha amiga brincou e Kevin riu.
– Bom, espero que ela não tenha inventado que você mora no Japão e que vai nos levar pra te conhecer quando a tour passar por aí. – ele soltou simples, os olhos de se arregalaram rapidamente e ela limpou a garganta.
– Não, quanto a isso ela não mentiu não, mas eu não sabia que viriam. – ela declarou e eu arqueei a sobrancelha.
– Claro que sabia, eu te disse. – contestei.
– Não que viriam todos vocês. – ela fez uma expressão que me entregou que ela se referia a Kev.
– Ah, isso não mesmo – concordei e dei de ombros -, mas agora sabe. – completei e ela riu nervosa. O que havia de errado afinal?
– Certo, vou deixar vocês em seu passeio e vou dormir. Se cuide e se divirtam. – ela acenou e percebi como havia mudado.
– Boa noite, . Foi um prazer te conhecer. – Kev sorriu e acenou.
– Boa noite, . Te amo. – acenei e ela sorriu.
– Eu também te amo, . – seu tom foi gentil e carinhoso. Geralmente era sem jeito e até meio brincalhão.
parece uma garota legal. – Kevin comentou assim que a ligação terminou e eu sorri para ele.
– Ela é sim. – foi tudo que disse e ele me sacudiu pelos ombros.
– Vamos. Quero escolher o presente logo e depois podemos almoçar juntos e talvez assistir alguma coisa. – sugeriu e eu assenti.
– Pantera Negra? – questionei me lembrando do filme recém lançado.
, aonde você esteve escondida? – ele questionou brincando e eu gargalhei pegando minha bolsa sob o sofá.
– Vocês é que não procuraram direito. – brinquei de volta enquanto seguíamos para a porta.
[…]
– Eu espero que ela goste. – soltei assim que nos sentamos com nossas bandejas de lanches em uma mesa da praça de alimentação do shopping.
– Ela vai. – afirmou Kev em tom orgulhoso – Então… – começou após alguns minutos de silêncio – Você vai não é? – meu cenho franzido lhe indicou que eu não sabia do que o garoto falava – Holmes Chapel, aniversário da minha mãe. – ele soltou ambas as frases como se aquilo devesse me clarear a mente.
– Você não havia dito nada. – soltei simples.
– Achei que Harry já teria te chamado. Falei com ele na segunda. – eu neguei com a cabeça – Provavelmente ele se esqueceu. Mas enfim, está convidada, é nesse fim de semana. – eu sorri e assenti.
– Obrigada. – e nos minutos seguintes minha cabeça iniciou uma caminhada para o local onde ela me fazia pensar que Harry não havia dito nada porque pretendia levar outra pessoa. Eu criava teorias e coisas que se encaixassem as minhas idéias enquanto meu estômago embrulhava.
. – a voz preocupada de Kevin me chamou e eu o encarei. Kevin parecia saber o que se passava em minha mente e era estranho como me conhecia – , não entre nessa. Ele apenas se esqueceu. – eu mordi o lábio, um pouco insegura.
– Mas e se ele estiver planejando levar outra pessoa? – questionei e Kevin riu fraco, como se fosse uma ideia absurda.
, isso não é uma possibilidade. Harry só falou de levar você para conhecer as garotas da Mandeville. – eu o encarei confusa por não saber do que se tratava.
– Mandeville? – questionei e ele sorriu como se tivesse boas lembranças.
– Uma padaria. – foi tudo que ele disse, mas seu tom deixava claro que havia mais a contar, mas que ele deixaria para Harry aquela missão – Enfim, não tem com o que se preocupar, ele quer te levar. – eu sorri fraco, tentando jogar para longe aquela vozinha atrás da minha cabeça que tentava me fazer pensar que aquilo não fazia sentido.
– Obrigada, Kev. – sorri para o garoto que retribuiu o ato.
– Por nada, agora coma, não quero perder o filme. – o britânico soltou em tom autoritário e eu ri dando outra mordida em meu lanche.
[…]
Estávamos na casa de Kevin. Depois do filme seguimos para o local onde Harry havia combinado de nos encontrar para jogarmos videogame e comermos besteira, que era exatamente o que fazíamos naquele momento. Deveríamos estar daquele modo há horas quando, após Kevin bocejar, Harry sugeriu que fossemos embora e eu concordei. Me despedi de Kevin com um abraço recebendo seu agradecimento pelo dia, que havia sido incrível. Harry fez o mesmo abraçando o garoto e beijando seu rosto e então seguimos para fora do apartamento. O corredor estava vazio, então Harry entrelaçou seus dedos aos meus me fazendo sorrir para ele enquanto apertava o botão do elevador.
– Eu prometo que hoje te deixo em casa e vou para a minha. – ele começou e eu sorri fraco – Estou me acostumando muito fácil a dormir com você. – ele negou com a cabeça como se estivesse decepcionado consigo mesmo.
– Se fosse só você. – murmurei e o vi sorrir largo e se inclinar beijando meu rosto.
– Bom saber que é recíproco. – ele sussurrou sorrindo largo e eu fiz o mesmo.
A porta do elevador se abriu revelando quem eu menos queria ver naquele dia. Anthony que estava apoiado na parede do elevador se desencostou e levantou o olhar para mim e para Harry. Encarou nossas mãos juntas e seu olhar de ciúme estava ali novamente. Harry já sabia quem ele era, então sua expressão não era nada satisfeita. Ele saiu do cubículo e nós entramos, sem dizer nada e me senti aliviada por ser apenas um momento, mas quando Anthony parou a porta do elevador impedindo que se fechassem eu me senti gelar.
– Achei que não estivessem juntos. – ele começou e eu apenas respirei fundo.
– Não estávamos, mas agora estamos. – murmurei com a sobrancelha arqueada para o garoto.
– Deu pra notar. – ele encarou nossas mãos – Bom, que bom, espero que estejam felizes. – ele soltou e eu sabia que havia algo para vir em seguida. Ele não havia parado para desejar felicidades – Aparentemente nossa conversa em Leeds foi séria. – ele soltou e eu quis bater nele. Harry não sabia do acontecido em Leeds e eu preferi não contar, mas era claro que Anthony usaria tudo que pudesse para nos abalar. E funcionou por que o aperto de Harry em minha mão afrouxou, fazendo com que Tony sorrisse satisfeito antes de deixar a porta se fechar. Quando isso aconteceu, Harry soltou sua mão da minha e cruzou os braços.
– Harry. – chamei baixo o encarando e ele apenas olhou para os sapatos – A gente pode conversar sobre isso? – questionei e ele me encarou. Os olhos confusos.
– Conversar o que, ? – ele questionou erguendo os ombros – Que você encontrou seu ex em Leeds e nem se preocupou em me contar sobre isso? – apesar de estar claramente chateado, Harry não alterava o tom de voz.
– Me desculpa, eu acabei não te contando e foi uma decisão ruim, mas…
, eu não quero ouvir agora. – ele me cortou no mesmo tom gentil de sempre e eu encarei – Assim como você tem as suas razões para se sentir desconfiada de certas coisas, eu também tenho as minhas. E viagens em que o ex aparece e a outra pessoa não me conta é uma delas. Então eu apenas vou te deixar em casa e vou para a minha. Preciso ficar sozinho. – ele apenas voltou seu olhar para as botas e eu me senti paralisada. O que eu faria afinal? O obrigaria a me escutar? Não, eu havia errado e agora ele merecia o tempo que me pedia.
O caminho até meu apartamento foi silencioso e quando o carro de Harry parou a frente dele eu não queria descer, mas sabia que precisava. Me inclinei no banco e beijei o rosto de Harry que não se negou a recebê-lo, mas também não esboçou nenhuma reação.
– Eu não queria te magoar, espero que saiba disso. – sussurrei e ele respirou fundo apoiando a cabeça no volante e fechando os olhos com força – Se cuide no caminho e se puder, avise se chegou bem. – pedi já saindo do carro e quando fechei a porta o vi me encarar brevemente.
Subi para meu apartamento e assim que entrei no mesmo segui para meu banho. Esse que foi rápido, mas eficaz. Vesti um moletom e me joguei na cama encarando o celular a espera da mensagem de Harry que chegou quase meia hora depois. “Cheguei” era tudo que ela dizia e eu não ousei responder nada além de um “obrigada”. Respirei fundo pensando em como havia sido capaz de estragar tudo. Pensei em ligar para , mas ela deveria estar trabalhando a aquela hora então apenas deixei o celular sob a mesa de cabeceira e me deitei. Apesar do cansaço do meu corpo minha mente não desligava pensando nas inúmeras possibilidades do que poderia vir pela frente e naquela noite eu não dormi, apenas fiquei acordada pensando e checando o celular esperando uma mensagem de Harry. Que não veio.

Fevereiro, 2018 – Wendlebury, UK

But I still be a fool,
Baby I’m a fool for you


Três dias. Esse era o tempo desde a última vez que eu havia falado com Harry. Eu mandava mensagens, ligava e até ido até a casa dele eu havia ido, mas ele não dava sinais de vida em nenhum momento. A última mensagem que eu havia recebido dele dizia “Eu preciso de um tempo pra ajustar as coisas. Nos falamos em breve.” e havia sido enviada na manhã do dia seguinte e depois silêncio.
Era manhã de sábado e Kevin havia me arrastado com ele para irmos ao aniversário da mãe. A viagem de carro já durava uma hora e para não falarmos do ocorrido – que Kevin já sabia – a música era tudo que ouvíamos.
Havíamos parado e comprado alguns donuts, água e café em Wendlebury. Eu comi dois e apesar de ser gostoso eu não sentia tanta vontade, então me mantive no café.
– Tá legal, já chega. – Kevin abaixou o som do carro e eu o encarei – Eu já coloquei todas as músicas que consigo pensar que te deixariam animada e você continua olhando por essa janela. – ele não estava bravo e isso eu sabia.
– Desculpa, eu sei que deveria estar sendo uma companhia melhor. – assumi e ele respirou fundo.
– Vai, vamos conversar sobre o que aconteceu. – mandou mexendo com as mãos – Por que não contou pra ele? – questionou em tom calmo.
– Por que eu decidi não contar. Não achei necessário. – soltei simples e Kevin me encarou brevemente.
, aconteceu algo entre você e o Anthony em Leeds? – ele não me acusava, só parecia querer ter certeza e eu entendia.
– Não. Nada aconteceu. Nós discutimos e eu o mandei ir embora. – ele voltou a me olhar com um pedido de explicações ali e eu lhe contei toda a história. Ele escutava atentamente e assentia às vezes para indicar que estava prestando atenção. Quando acabei Kevin respirou fundo e pegou o celular. Mexeu rapidamente em algumas coisas e me passou o aparelho.
– Coloque essa música para tocar no rádio do carro, por favor. – eu encarei a tela e era um áudio enviado por e-mail. Não tinha nome e eu não olhei mais nada, apenas fiz o que ele pediu.
A música começava com uma bateria lenta e um guitarra acompanhando, enquanto arranjos vocais cresciam. A voz de Harry começou a cantá-la e eu apenas recostei no banco escutando a letra. Basicamente ele falava sobre amar alguém que tinha outras pessoas e pedir por um pouco do amor dessa pessoa. Era súplica desesperada pelo amor de alguém, mesmo sabendo que ele não era o único na vida desse alguém.
Quando a música parou eu encarei Kevin que tinha a expressão de pesar, como se soubesse algo sobre aquilo que fosse muito triste.
– Se chama Just a little bit of your heart. – começou – Harry escreveu essa música aos dezenove anos e nunca realmente a lançou em sua voz. Ele a deu para a Ariana Grande e ela colocou em seu cd. – ele respirou fundo – Essa música é sobre quando Harry namorava uma pessoa por quem ele era completamente apaixonado e então ele descobriu que essa pessoa continuava mantendo contato com seu ex. Ela dizia que não era nada, mas Harry sabia que havia algo, só que fingia não saber por estar tão apaixonado. Ele aceitava as migalhas de amor, por que como ele diz na letra “A little love is better than none“, pelo menos era o que ele achava. Depois de um tempo e de uma longa conversa com um dos caras da 1D ele passou a perceber que não merecia ser só mais um e deixou a pessoa. – eu sentia meu coração apertado. Kevin parou o carro no acostamento e me encarou – Ele ficou destruído por meses, mas superou. – Kev suspirou pesado – Então , eu quero saber: você pretende fazer dele mais um ou o único? – eu senti meu estômago gelar, mas a resposta já estava na ponta da minha língua quando saltou.
– O único. – ele sorriu de forma quase imperceptível e assentiu.
– Ótimo. Então pense direito no por que não contou sobre Anthony a ele e deixe claro que não pretende fazer com ele o que essa outra pessoa fez. – eu assenti – Não faça meu amigo sofrer, . Eu gosto muito de você, mesmo, mas nesse caso eu não hesitaria em escolher o lado do Harry. – eu voltei a assentir e ele sorriu fraco bagunçando meus cabelos. Ligou o carro e o colocou na estrada de novo – Agora, faça o favor de colocar uma música e se animar, ainda temos uma hora e meia pela frente. – eu ri fraco pegando o celular e colocando uma playlist aleatória com músicas para se cantar no carro.
[…]
A festa começou no fim da tarde. Chegamos a Holmes antes do almoço e acabamos saindo para comer com os pais de Kevin e seu irmão mais novo Henry, que eram um amor e extremamente atenciosos.
A festa era mais como uma reunião. Tinha comida, bebida e os amigos de Sandra – a mãe de Kevin – conversavam e cantavam ao redor de uma fogueira no quintal. Me lembrava a cena de algum filme que eu não me lembrava o nome.
Harry chegou no local dez minutos depois do horário e assim que saiu no quintal nossos olhares se cruzaram, mas ele logo fez questão de desviar e ir cumprimentar as outras pessoas. Beijou brevemente minha cabeça, mas não disse nada além de um “oi” e logo seguiu para perto de Sandra.
Os amigos da mulher tocavam músicas em estilo country e eu podia sentir que estava em algum lugar como o Texas o que era estranhamente confortável. Quando uma música animada começou eu vi Henry vir em minha direção correndo meio sem jeito e me estender a mão.
– Você quer que eu dance com você? – questionei e ele assentiu – Henry eu não danço muito bem, já quero te avisar. – soltei segurando a mão do garoto que sorriu.
– Eu te ensino. – eu me levantei e o acompanhei até o outro lado da fogueira onde havia mais espaço.
Os passos eram divertidos e rápidos e eu tentava acompanhar o garoto. Estava menos desajeitada do que achei que seria, mas ainda assim Henry ria me fazendo acompanhá-lo. Devemos ter dançado três músicas quando a maioria dos caras pararam e apenas um tocou o violão enquanto o outro batia na madeira do banco no ritmo lento. Henry fez uma careta para mim e eu retribui o ato.
– Essa é de casal. – ele mostrou a língua e eu ri.
– Tudo bem, nós podemos…
– Ei, Henry. – a voz conhecida de Harry ecoou atrás de mim e eu me virei para encará-lo – Será que eu posso tirar sua parceira para uma dança? – ele pediu com as mãos nos bolsos da calça. Estava simples. Com uma camiseta branca, uma calça preta e botas, o cabelo bagunçado e era a própria visão do céu.
– Claro. – Henry passou por mim deixando que eu e Harry ficássemos sozinhos. Ele estendeu a mão e eu a encarei, segurando em seguida. Ele se aproximou e colocou uma das mãos em minha cintura enquanto eu tocava seu ombro. Tinha um pequeno sorriso no canto esquerdo dos lábios.
– E-eu não sei dançar direito. – alertei gaguejando um pouco e ele molhou os lábios brevemente.
– É só mexer o corpo de um lado pro outro. – a voz era um sussurro e eu apenas assenti o acompanhando. Ficamos em silêncio por alguns momentos até que os olhos de Harry focaram nos meus e ele sorriu.
– Você não é só mais um. – sussurrei e ele franziu o cenho – Eu não te contei sobre o Anthony ter ido a Leeds e foi uma péssima escolha, mas nada aconteceu. Ele queria conversar e eu acabei brigando com ele e o mandando ir embora, mas foi só isso, mais nada. – ele mordeu os lábios – Você não é só mais um. Não existem outros além de você e nem a chance de eu voltar com o meu ex. Você… – eu queria lhe dizer que ele era o único, porque era, mas eu não conseguia, as palavras emperravam – não é só mais um. – repeti e ele me encarou por alguns segundos antes de sorrir e selar nossos lábios de maneira rápida.
– Obrigado. – a voz era gentil e diferente daquela que e deu “oi” mais cedo. Meu coração se aliviou e eu sorri.
– Eu senti sua falta. – as palavras o fizeram sorrir mais como se estivesse sem jeito.
– Eu também senti sua falta, . – eu sorri e me estiquei na ponta dos pés o beijando rapidamente. Harry colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha me encarando de maneira terna – O que você fez comigo? – questionou e eu franzi o cenho.
– Como assim? – ele sorriu e meneou em negação apoiando seu queixo na minha cabeça.
– Ei casal. – a voz de Sandra chamou nossa atenção e ambos a encaramos vendo que a mulher sorria de maneira terna – Hora do bolo. – alertou acenando com a cabeça e eu assenti.
– Espero que seja aquele bolo de abacaxi da sua irmã, Sandra. – Harry me abraçava lateralmente enquanto começava a caminhar e eu tinha minhas mãos em sua cintura – Eu adoro aquele bolo. – a mulher ria.
– Sorte a sua que é meu favorito também garoto. – Sandra abriu os braços me recebendo pelo outro lado do corpo e eu a abracei também – Bem-vinda, . – ela me encarava sorrindo e eu franzi o cenho me questionando o por que da recepção sendo que ela já havia me recebido antes e ela pareceu entender que eu estava confusa – A família, querida. Bem-vinda a família. – me apertou um pouco no abraço e eu sorri.
– Obrigada. – encarei Harry e ele sorria. Me apertou um pouco e brevemente assim como Sandra, mas não disse nada, apenas me guiou para dentro da casa.

Fevereiro, 2018 – Hertfordshire, UK

And you are unforgettable
I need to get you alone

Harry
Era começo do dia e eu havia acordado cedo para uma campanha da Gucci em Saint Albans. A equipe da Gucci havia escolhido o time a dedo, mas quando foram decidir pela fotógrafa eu me surpreendi ao saber que haviam escolhido . A garota era realmente talentosa, e aparentemente seu ex chefe havia a indicado, já que conhecia alguém do setor criativo da marca. Quando me questionaram sobre o que eu achava, eu claramente aceitei a ideia com animação.
Depois de toda a confusão com Tony, nos resolvemos em Holmes Chapel e eu a levei para conhecer lugares importantes para mim. No domingo a padaria onde trabalhei estava fechada por conta de algum evento que as meninas participariam e eu acabei marcando para levar outro dia. Desde que nos resolvemos eu sentia mais próxima de mim e mais aberta com o que sentia. Ela já não retia suas palavras para demonstrar carinho e eu não entendia o que poderia ter mudado, mas sabia que era verdadeiro.
Ela estava com a equipe de gravação combinando tudo que fariam e eu estava me preparando. O frio era intenso, mas às vezes a via passar pela janela de onde eu estava, completamente radiante. Kevin me acompanhava e estava constantemente me lembrando que não deveria dar tanta bandeira, mas era difícil.
Eu também estava nervoso de um modo que eu não sabia explicar. Era a primeira vez que eu trabalharia com ela e eu sentia como se precisasse provar algo. Eu sabia que ela não me julgaria por nada, mas tudo me fazia repensar minhas escolhas naquele dia. Minhas roupas eram extravagantes demais? A maquiagem era muita? O cabelo estava bom? geralmente me via como um cara normal e gostava daquilo. O senso de normalidade. Me ver em uma campanha assim a faria se sentir assustada? Eram tantas inseguranças que eu sequer me reconhecia e quando me informaram que era hora de começar eu respirei fundo, fazendo com que Kevin me olhasse com o cenho franzido, mas eu apenas segui para fora.
Tudo seria feito na rua e eu carregaria uma galinha enquanto seguia para uma loja de Fish and Chips. que estava ao lado da cuidadora da galinha segurava o bicho como se tivesse um de estimação no apartamento. Conversava animadamente com a mulher enquanto acariciava o bicho e como se sentisse meu olhar sob ela, se virou e me encarou diretamente.
Seus olhos foram da minha cabeça ao meu pé e ela sorriu. Disse algo para a mulher que assentiu e seguiu com a galinha em minha direção. As pessoas a cumprimentavam e sorriam enquanto ela passava e aquele parecia ser o efeito dela sobre o mundo.
– Ei Gucci boy. – ela soltou em tom de brincadeira e eu sorri sentindo minhas mãos começarem a suar.
– Ei. – ela franziu o cenho imediatamente.
– O que foi? – ela questionou e eu respirei fundo.
– Estou nervoso. – murmurei e ela sorriu.
– Harry, tá tudo bem, você trabalhou com essas pessoas. – ela indicou a equipe que se movia de um lado para outro.
– Não é por causa deles que estou nervoso. – ela me encarou concentrada.
– É por causa da galinha? – ela apontou a ave e eu não contive a risada e ela me acompanhou. Tocou meu braço brevemente e sorriu. – Eu também estou. É estranho trabalhar com você assim, sendo O Harry Styles, mas vamos ficar bem, é só nos lembrarmos que somos o Harry e a , apenas. – ela soltou simples e eu me senti levemente aliviado.
– Obrigado. – agradeci e ela sorriu.
– Certo, agora toma aqui a sua galinha, acho que vamos começar. – ela me entregou a ave e eu a segurei cuidadosamente enquanto fazia um último carinho no bicho. – O nome dela é Mary, a propósito. – informou e eu assenti rindo um pouco.
se afastou e logo a produção estava me indicando o que fazer. fotografava certos momentos, mas a nossa sessão de fotos seria depois da gravação daquela parte. Era simples. Apenas caminhar com uma galinha em meus braços até a loja, pedir por uma porção de fish and chips e sair da loja. Era simples. Era fácil. E durou cerca de uma hora e meia para que o take perfeito tivesse sido gravado.
Após a equipe de gravação me liberar era a vez de ter toda a minha atenção. Quero dizer profissionalmente, por que na vida pessoal ela já tinha grande parte.
– Preparado senhor Styles? – ela questionou em um tom cortês e eu gargalhei.
– Não seja idiota, . – ela riu enquanto mexia na câmera.
– Certo, vamos lá. – ela indicou com a cabeça e posicionou a câmera em suas mãos – Quero que faça o mesmo caminho uma última vez, porém vá devagar. – pediu e eu assenti. Comecei a caminhar muito devagar, quase em câmera lenta e ela me encarou após uma foto, parecendo indignada – Harry, eu quis dizer que não precisa correr, mas não quero que esteja parado. – gargalhei de sua cara e ela revirou os olhos. Enquanto eu ria ela tirou uma foto encarando o visor com um sorriso bobo em seguida.
Começamos a sério e eu fiz o que pediu. A caminhada foi tranquila, algumas fotos foram tiradas com a galinha, Mary, em meus braços. se movia constantemente sempre parecendo que ângulo meu queria captar e eu precisava me manter sério, mas vê-la se esforçando naquilo que gostava me fazia segurar alguns sorrisos que não passavam despercebidos por sua lente.
Quando adentrei a loja algumas fotos foram tiradas perto do balcão ou enquanto eu olhava o atendente trabalhar. Dado momento parou e encarou a vidraça da loja onde um garotinho ruivo me encarava parecendo admirado. Ele tinha um gato nos braços e acariciava o bicho enquanto sorria admirado. deixou a loja e vi a equipe encará-la com o cenho franzido, mas eu apenas me limitei a ver o que ela faria. Do lado de fora ela falou com o menino que sorriu largo e assentiu empolgado. Ela lhe estendeu a mão e ele a segurou seguindo com a menina para dentro da loja, eles se aproximaram e sorria para mim.
– Harry esse é o Ronald. Ele é um grande fã. – o garotinho tinha as bochechas coradas e um sorriso tímido no rosto.
– Como vai, Ron? – lhe estendi a mão e ele a apertou.
– Bem. – respondeu simples.
– Seu nome é Ronald por causa do Ron de Harry Potter? – questionei brincando e ele sorriu.
– Sim, minha mãe gosta muito na verdade. – ele responde e eu arqueei as sobrancelhas surpreso.
– Eu já adoro a sua mãe. – comentei e encarei tentando entender o porque de o garoto estar ali.
– Ron vai participar de algumas fotos. Quero tentar algo. – ela informou e eu sorri assentindo.
– Mas é claro. – concordei – Está pronto, Ron? – questionei e o garoto assentiu – Ótimo, porque agora somos modelos dessa moça bonita aqui. – apontei que sorriu tímida – eu não sou tão bom assim, mas tenho certeza que você pode me ajudar, não? – Ron sorriu assentindo.
– Posso. Minha mãe adora tirar fotos minhas e do meu irmão. – o garoto comentou e eu fiz cara de surpreso.
– Não me diga. Então você já é um modelo profissional. – o garoto riu fraco acariciando o gato em seu colo – Como é nome do seu gato? – questionei acariciando o bicho.
– É gata na verdade. Se chama Tonks. – eu assentindo sorrindo enquanto ainda acariciava o gata.
– Eu preciso conhecer a sua mãe. – comentei e o garoto riu fraco.
– Certo meninos, vamos lá. – nos apressou e ambos assentimos.
Ela nos posicionou pela loja e fora dela, nos fez olhar para o nada, tirou fotos enquanto conversavamos de maneira séria ou enquanto comíamos. Ron era definitivamente muito melhor naquilo que eu. Sabia as expressões que tinha de fazer ou como agir, e nunca olhava para a câmera quando não era solicitado. Toda as vezes que o elogiava os olhos do garoto brilhavam.
Passamos algumas horas em meio aquilo, com trocas de roupas, animais pelo chão do lugar e esse tipo de coisa. Ron não acompanhou todo ensaio, apenas as primeiras fotos, mas depois quando disse que queria assistir ficou ao lado da produção. estava a todo momento me fazendo rir – assim como o resto das pessoas – enquanto fazia caretas, ou soltava comentários sobre a cena que captaria. As pessoas pareciam descontraídas em todo o lugar e sempre que havia algum comentário, o respondia com bom humor e animação. Era sempre educada com o pessoal da iluminação, pedindo em tom suave que eles fossem com rebatedores e luzes para cá ou para lá. Brincava com tudo e estava em uma constante conversa com o dono do estabelecimento sobre o local, me fazendo participar dessas conversas. Dava para notar o quanto ela gostava daquilo. Da profissão que tinha. E apesar de nunca ter duvidado de seu talento, eu tive em meu coração a sensação de que te-la na turnê havia sido uma ótima escolha, não apenas por tê-la por perto, mas por que pessoas apaixonadas por suas profissões sempre me inspiravam e me davam a certeza de que o melhor estaria sendo dado mutuamente nos shows.
– Certo, essa foi a última. – olhava o visor de sua câmera e todos aplaudiram a fazendo os encarar e aplaudir junto, mesmo sem saber bem o que.
– Parabéns . Foi um trabalho incrível. – Beatrice, a responsável por tudo naquele dia chegou perto da garota tocando seu ombro de maneira quase orgulhosa e sorriu.
– Obrigada. Sério. Muito obrigada por me chamarem, foi incrível. – Beatrice me encarou com um sorriso de canto.
– Bob e Harry estavam certos, você é realmente boa. Espero que saiba que está no topo da minha lista de fotógrafos substitutos e quem sabe daqui a um tempo não recebe uma proposta da equipe de marketing da Gucci, hum? – arregalou os olhos e abriu a boca.
– Vocês vão ter que esperar minha turnê passar, essa fotógrafa já está ocupada até o fim de julho. – comentei me aproximando e abraçando pelos ombros.
– Harry, se o Alessandro me pedir para trabalhar com ele, eu sinto muito, mas te abandono. – ela brincou e eu a encarei indignado.
– Traidora. – estreitei os olhos e ela riu, se virando para Beatrice depois.
– Estou brincando, ele está certo, até o fim de julho estou comprometida, mas depois eu sou toda de vocês se me quiserem. – Beatrice sorriu de canto.
– Acredite querida, nós vamos te querer. – o comentário fez se arrepiar e eu senti – Preciso ir, mas aguardo os arquivos das fotos, ok? – questionou apontando enquanto pegava seu celular.
– Pode deixar que amanhã pela manhã estaram todos nos seu e-mail. – garantiu e Beatrice sorriu satisfeita nos deixando – Harry? – ela chamou em tom baixo.
– Sim? – me coloquei à sua frente e percebi um sorriso orgulhoso se formar em seus lábios.
– A Gucci me quer. – ela soltou em um tom engraçado que me fez gargalhar – A Gucci me quer. Meu Deus eu vou ficar insuportável agora. – ela tocou o próprio rosto como se aquilo fosse algo a se preocupar.
– Desde que eu continue tendo algum espaço, você pode ser insuportável o quanto quiser. – soltei simples e ela sorriu fraco.
– Você é tão clichê. – ela sussurrou – O clichê que eu pedi pra nossa senhora das comédias românticas. – seu comentário me fez rir enquanto a menina me olhava.
– Certo, Sunshine. – parei de rir e ela sorria fraco me olhando, como se me analisasse – Então, para onde vamos? Eu estou liberado pelo resto do dia. – eu queria muito abraçá-la, mas precisava parecer uma conversa casual, já que ali, apenas Kevin sabia sobre nós.
– Eu preciso editar as foto para enviar para a Bea, se quiser ir a noite lá pra casa. – ela deu de ombros.
– Posso ir agora e ficar te fazendo companhia enquanto trabalha? – questionei meio receoso. Não queria parecer alguém meloso e que quer sempre estar por perto, mas eu era. O que podia fazer afinal?
– Claro que sim, só não vou poder te dar muita atenção. – ela torceu os lábios e eu sorri.
– Vai poder ficar com o pé em cima do sofá passando ele na minha perna, como sempre faz? – aquela era provavelmente a minha mania favorita dela. A todo momento seu pé dava um jeito se enroscar em minha perna e acariciá-la sem nem mesmo perceber.
– Vou, Harry. – ela soltou rindo e eu sorri.
– Então já é o suficiente.
[…]
Voltamos de Hertfordshire e acabamos passando a tarde no sofá. trabalhando nas fotos e eu sentado vendo algum filme ou série na TV. Eu cozinhei para ela uma massa ao molho branco que ela adorou e ficou feliz de me ter dando a comida em sua boca, segundo ela nunca havia sido tão madame na vida. Vez ou outra trocavamos alguns beijos, mas nada demais. E vez ou outra eu a olhava e sentia meu corpo esquentar. Não pela temperatura, mas por que vê-la em uma de minhas camisetas – que ficavam enormes nela – e em seus shorts jeans era com certeza meu ponto fraco.
poderia se arrumar o quanto fosse, mas quando estava daquele jeito nada no mundo a superava. Era linda de maneiras que eu não sabia explicar como se era possível e até o jeito como ela colocava uma mecha de cabelos atrás dos olhos parecia um convite a perdição. Mantive meus pensamentos longe o quanto pude e conseguiria manter o resto da noite se necessário. Eu não queria pressioná-la a nada, e não a pressionaria, mesmo que custasse minha sanidade ao lado daquela mulher.
– Terminei! – ela comemorou enquanto eu estava concentrado em Mondler em um de seus momentos fofos na tv – Finalmente enviado para Beatrice. – ela fechou o computador e o colocou sob a mesinha de centro. Esfregou os olhos como que para se acostumar a não ter os olhos grudados ali mais e então me encarou, olhando para a janela depois – Já escureceu, Harry. – ela tinha um sorriso fraco nos lábios como quem se pergunta se eu havia mesmo ficado ali todo aquele tempo.
– Eu sei, e eu fiquei aqui com você. – ela sorriu largo encostando a bochecha no ombro lhe dando uma feição fofa.
– Obrigada por ter ficado. – ela se moveu no sofá e se aproximou de mim, me beijando brevemente.
– Eu mereço um prêmio de melhor quase namorado. – brinquei e ela riu.
– Merece mesmo. – concordou.
– O que vou ganhar então? – questionei e a vi um sorriso travesso surgir em seus lábios. Ela mordeu o lábio inferior e se inclinou tocando os meus lábios com os seus.
Primeiro em um selinho, depois um beijo. Era calmo a princípio, mas quando suas mãos se enfiaram em meus cabelos todo o clima mudou. Se tornou um beijo intenso e necessitado. Talvez por que eu estivesse com a cabeça nela o dia inteiro estava imaginando coisas. Era o que eu pensava, mas quando colocou suas pernas, uma de cada lado do meu corpo, se sentando no meu colo eu soube que aquilo não era imaginação.
Coloquei minhas mãos em sua cintura por debaixo da blusa tocando sua pele e ela arfou de leve segurando meus cabelos com um pouco mais de força.
O ar logo começou a nos lembrar que precisávamos dele, mas não queríamos nos soltar e ficamos até o último segundo possível naquele beijo.
. – sussurrei seu nome enquanto seus beijos faziam seu caminho em direção ao meu pescoço. Ela apenas murmurou quando seus beijos chegaram a curva do meu pescoço – Você não sabe o quanto está difícil me conter agora. – ela se afastou e me encarou sorrindo de canto e o desejo cresceu em seu olhar. Ela tinha os grandes olhos castanhos fixos nos meus, um contato visual diferente de tudo que já tivemos antes.
– Então não se contenha. – eu respirei fundo. Eu queria tê-la, mas precisava me certificar de que ela tinha certeza daquilo. De que eu não estava pressionando nada.
– C-como assim? – a voz falhou e ela sorriu. Se aproximou da minha orelha e sua respiração quente me fez arrepiar.
– Me faça sua essa noite, Harry. – sua voz sussurrada e cheia de luxúria e desejo foi toda a confirmação de que precisei. Ela tinha certeza e não se arrependeria mais tarde. Ela queria aquilo.
Minhas mãos seguraram as coxas dela e eu me levantei com a garota no colo. Ela me encarou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso divertido nos lábios, como quem pergunta para onde o Harry tranquilo de alguns minutos havia ido. Juntei nossos lábios novamente e ela sorriu. Fiz o caminho para seu quarto quase como se precisasse daquilo para viver e quando a coloquei deitada na cama me deitando sobre ela eu soube que aquela seria a melhor noite da minha vida. Meu coração acelerado no peito podia ser escutado pelos vizinhos, mas não era só meu coração que eles escutariam naquela noite.