Carolina

Carolina

Sinopse: Ele achava que conhecê-la havia sido golpe do destino, afinal, a garota era perfeita para ele e a conexão fora a mais incrível que já sentiram, mas, ainda assim, conseguiu estragar tudo perdendo o número da garota e, desolado, ele imaginava se perdera assim o potencial amor de sua vida também.
Classificação: Livre
Restrição: Ligeiramente inspirada na música Carolina, do Harry Styles.
Beta: Alex Russo

batia a caneta no caderno de maneira impaciente enquanto encarava a folha, apenas parcialmente coberta de rabiscos que ele esperava ser capaz de transformar numa letra de música.
Devia estar ficando louco.
Com aquele pensamento nada motivador, jogou cansado a cabeça para trás. Só vira a garota uma vez, fizera a estupidez de perder o número dela e agora, o que, estava escrevendo uma música sobre ela?! Definitivamente, devia estar ficando louco.
ergueu novamente a cabeça ao ouvir o ranger da porta de um dos quartos e viu sair dali de pijama. Ele nem sabia que ela passara a noite ali, mas aquilo não era surpresa. A garota dormia mais lá, com , o namorado que dividia apartamento com , do que na própria casa.
– Ei, . – ele cumprimentou quando a garota se aproximou, encolhendo-se perto dele para roubar o pote de Pingles dele. Aquilo era outra coisa com a qual estava acostumado e para a qual não ligava muito. Depois de quase cinco anos com , ela e haviam desenvolvido um relacionamento praticamente de irmãos, sendo ela, obviamente, a irmã mais nova birrenta. – Tudo bem, pode pegar. – ele murmurou, irônico e a garota olhou feio para ele, que riu, sem levá-la a sério. Não que aquela fosse a intenção de . Não era. – Não tem casa mais não? – Ele perguntou, mudando de assunto e fez que não, fazendo o garoto rir.
Conhecia aquele truque. Ela o usava muito, especialmente quando estava sonolenta.
Veja, , na maior parte do tempo, sabia como vencer uma discussão com os argumentos certos, porém ultimamente vinha descobrindo uma forma mais saudável de o fazer: fugindo delas. E ela era boa naquilo. Com , ela só precisava tirar a roupa, já com e qualquer outra pessoa bastava concordar com o que quer que dissessem, errado ou não. Se não fosse muito orgulhosa, sempre dava certo.
– O que está fazendo? – a garota perguntou, se inclinando novamente para espiar o caderno de , que o afastou de seu alcance.
– Nada que seja da sua conta. – Respondeu, fazendo a garota rolar os olhos, mas antes que ela pudesse responder ou tentar, outra vez, alcançar o caderno do garoto, viu seu namorado sair sonolento do quarto, sorrindo com a visão.
Caramba, como era louca por .
O garoto era um colírio para os olhos de qualquer uma, mas , céus, só de vê-lo ela já se sentia bem, como se seu corpo houvesse acabado de receber a injeção mais intensa possível da substancia sem a qual ela jamais poderia viver sem. E qualquer um podia dizer aquilo só de ver a forma como ela olhava para ele.
O próprio podia e, aliás, toda vez que via como olhava para ou para ela, não podia evitar se perguntar quando teria a chance de sentir aquilo. O garoto era um romântico incorrigível, não dava para negar, porém depois de tantas decepções, tantas garotas erradas em seu caminho, ele não podia evitar se sentir cansado, frustrado. Tudo que ele queria era sentir aquilo, era olhar para alguém do jeito que via os amigos se olharem, mas céus, aquilo parecia tão distante na maior parte do tempo.
Talvez aquele fosse o motivo de estar tão fixado em , a garota que só vira uma vez há quase uma semana, ele não sabia, mas não se importava também. Quando lembrava do sorriso dela não conseguia evitar a queimação no estômago e o sorriso que começava a surgir nos próprios lábios também. Ele queria vê-la de novo, dar uma chance ao que sabia que podia sentir por ela, e todas as vezes que tivera seu coração partido, tudo que já viera a dar errado em sua vida, perdia a importância.
Ele se sentia disposto a tentar de novo.
– Bom dia. – murmurou em meio a um bocejo, se jogando entre os dois no sofá e abraçando , que se aninhou em seus braços.
não quer me deixar ler o diário secreto dele. – ela reclamou, como uma criança, finalizando com um bico no mínimo engraçado nos lábios. rolou os olhos.
– Não é um diário. – retrucou – E, mesmo se fosse, existe um motivo para ser secreto, ok?
– Ele fala sobre os sonhos eróticos que tem comigo. – falou perto do ouvido de , como se a intenção fosse não deixar ouvir, mesmo que seu tom de voz denunciasse o contrário.
Novamente, rolou os olhos. Ele fazia muito aquilo na presença dos dois.
– O que quer que te ajude a dormir à noite, . – retrucou, fazendo pouco caso do amigo, que olhou feio para ele por isso.
– O que é isso, afinal? Lista de compras? – perguntou, roubando o caderno das mãos de antes que ele pudesse responder e o garoto resmungou em resposta, se pondo de pé para pegá-lo de volta, mas se esquivou, o ignorando completamente enquanto lia os trechos que havia escrito ali, de algo que ele esperava transformar numa música um dia. – Ei, é uma música! – exclamou, surpreso, estreitando os olhos desconfiado no instante seguinte, voltando a encarar um amigo. – Para quem é essa música?
– Ninguém. – respondeu imediatamente, o leve rubor em suas bochechas denunciando a mentira. era, afinal de contas, o pior mentiroso do mundo.
– É para a garota da Magnólia, não é? – perguntou, entendendo rapidamente o que estava acontecendo e piscou, levando um instante para lembrar quem era a garota.
– Aquela que você perdeu o número de telefone há quase um mês?
– Quase uma semana. – corrigiu, incomodado e rolou os olhos.
– Você está escrevendo uma música para uma garota que nem sabe se vai ver de novo algum dia? Que só viu uma vez? – insistiu e desviou o olhar, preferindo não responder, o que, obviamente, era resposta o suficiente. balançou desacreditado a cabeça. – ! Porra, isso é ridículo!
– Não é para ela. – retrucou inutilmente e rolou os olhos.
– É sobre ela. – murmurou, puxando o caderno das mãos de para ler a música, o fazendo em voz alta para provar seu ponto: –“Eu a vi uma vez e escrevi uma música sobre ela” – olhou para como se perguntasse se precisava continuar e o garoto ignorou, então ela sorriu. – , fala sério. – resmungou – “Ela é uma boa garota, ela é realmente uma boa garota” – leu novamente o que estava no caderno – “Tem um livro para toda situação…” – foi interrompida quando tomou o caderno de sua mão.
– Nunca devia ter contado para vocês desse encontro.
– Não depois de ter perdido o número dela, realmente não. – concordou, escondendo sonolento a cabeça no ombro de mesmo que ninguém o houvesse obrigado a acordar. Não era como se ele estar sonolento fosse alguma novidade. – Por que ela é tão especial, afinal? Uma música, cara? – ele ergueu novamente o olhar para , genuinamente curioso.
suspirou, voltando a se sentar também.
– Eu posso até contar a vocês, mas… – ele parou, olhando sério para os dois. – Sem piadinhas, ok?
– Como se o soubesse o significado disso. – retrucou, rolando os olhos e olhou feio para ela.
– Eu sei sim. – resmungou, como se tivesse muito ofendido – Vai, , conta. – virou para o garoto, que suspirou pesadamente, jogando a cabeça para trás antes de começar.

No início da semana

Magnólia era o café favorito de e o fato de ser na esquina de sua casa só contribuía para que gostasse tanto do lugar. Naquela tarde, em especial, ele estava prestes a gostar mais do que nunca de lá.
Ia sentir raiva primeiro, mas depois ia gostar.
Tudo começou quando ele estava deixando o campus da faculdade e recebeu uma mensagem de : Meia na porta. Todo o proposito daquelas mensagens de texto era tornar prática a regra da meia na porta de casa para que não fosse necessário a outra pessoa realmente ir em casa para ver a meia na porta, mas achava no mínimo incomodo a frequência com que fazia aquilo. Parecia até que não tinha uma casa também.
De qualquer forma, depois que recebeu a mensagem de e revirou os olhos para o celular, o garoto o guardou no bolso e decidiu ir matar tempo em seu café predileto, ficando especialmente empolgado para isso quando viu uma torta belíssima de morango na vitrine do balcão, se aproximando para pedir a última fatia.
Ele não viu a garota ao seu lado de imediato, mas ela o viu.
Notou, na verdade, o celular quase caindo de seu bolso e o cutucou para avisar, por algum motivo arrancando um sorriso de quando seus olhares se encontraram e ele agradeceu. Ela acabou sorrindo com a visão também, surpresa com o quão bonito ele era.
não conseguia ver seu rosto com o máximo de clareza, já que ela usava um chapéu que fazia sombra nele todo, porém não precisava de muito além do que já via para constatar a beleza hipnotizante dela, lhe encarando por mais tempo do que devia ser o necessário.
– Por nada. – disse, corando levemente e acabou sorrindo com a visão. Céus, ela era linda. – Eu… Hm… Gostei da sua camisa. – ela falou, tentando, sem saber o porquê, manter a conversa. E ela nem era de conversar, apenas porque não tinha muita paciência ou disposição para isso, mas céus, era algo naquele garoto. Em seus olhos tão completamente incríveis.
precisou olhar para baixo para lembrar qual era a camisa que usava, sorrindo para a estampa dos Ramones na camisa preta quando o fez.
– Obrigado, você gosta deles? – ergueu o olhar para a garota, com um sorriso que mostrava as covinhas, uma de cada lado de seu rosto evidenciando ainda mais a beleza dele. Ela sorriu, sentindo o coração aquecer sem saber o porquê.
– Eu e qualquer um que tenha ouvidos. – riu e ele riu também, mas em seguida chegou sua vez de pedir e assim que ele apontou a torta murchou, tão obviamente que precisou desviar o olhar para ela novamente, culpado.
– Topo dividir se você topar. – falou, sem pensar demais e a garota piscou, surpresa, corando simplesmente por pensar a respeito, por ele ter percebido como o fato de ter ficado sem a torta que tanta queria lhe afetara. precisou segurar o riso. – É bem grande, de qualquer forma. – deu de ombros, tentando convencê-la que não era nada demais. Para ele, não era mesmo, especialmente quando sabia que terminaria levando o resto da torta para casa, para seus amigos. Ela parecia merecer mais que eles.
– Não, obrigada. – a garota murmurou sem jeito e arqueou as sobrancelhas, como se perguntasse se ela tinha certeza. Ela não tinha e mordeu o lábio, fazendo com que desviasse o olhar para lá. Céus, ela era linda e, quando fazia aquilo, ele não podia parar de imaginar o gosto de seu beijo. – Tudo bem, mas eu pago o refrigerante então. – ela falou e riu, assentindo.
A garota deu as costas para comprar o refrigerante e ele foi se sentar numa mesa para esperar por ela, lhe observando de longe. Todas as poucas pessoas que falaram com ela no curto percurso do balcão até a mesa onde ele estava, sem exceção, acabaram sorrindo. Ele ficou feliz de não ser o único sem qualquer tipo de defesa a sua mágica, seja ela qual fosse, mas ficou preocupado também, sem que pudesse evitar. Que tipo de chances será que tinha com uma garota como aquela? Que encantava todos o tempo todo?
se deu conta no instante seguinte das coisas que estava pensando enquanto sequer sabia o nome dela, se perguntando qual era o problema com ele e balançando a cabeça, tentando afastar os pensamentos.
– E então, sua mãe nunca disse que você não deve aceitar doces de estranhos? – perguntou, em tom de brincadeira, quando a garota voltou a se sentar de frente para ele na mesa. A garota riu.
– Confio em você porque escolheu a torta certa. – deu de ombros, como se aquilo fizesse sentindo. Não fazia e os dois riram, sabendo muito bem daquilo. – Como é o seu nome afinal, estranho? – ela perguntou, entrelaçando os dedos nos dele por um breve instante para roubar seu garfo.
se remexeu na cadeira, puxando a mão de volta enquanto tentava ignorar o formigamento que o toque extremamente superficial causou em sua pele, observando enquanto ela tirava uma garfada minúscula da torta.
. – falou – Você?
. – ela sorriu, erguendo o olhar para ele antes de erguer o garfo e leva-lo até a boca. sorriu para a resposta e observou em silencio enquanto ela comia, bebendo do refrigerante que a garota comprara para dividirem. – Você é daqui? De Los Angeles? – ela perguntou de repente, curiosa. piscou, parecendo confuso e a garota sorriu, sem graça. – Você tem sotaque. – explicou e o garoto sorriu, assentindo ao entender o que ela dizia.
– Sou de Chesire, na Inglaterra. – murmurou – E você?
– Carolina. – respondeu, suspirando de maneira saudosa em seguida. pôde dizer como ela se sentia sem que ela precisasse falar, afinal se havia alguém que sabia como era ter saudades de casa, esse alguém era ele. Se mudara para Los Angeles para tentar a vida seguindo seu sonho com a música, espalhara algumas demos por aí e de vez em quando até cantava em barzinhos por aí, não havia explodido num sucesso gigantesco, mas não dava para reclamar. Gostava do ritmo que as coisas iam.
Pensar em sua vida de volta na Inglaterra, no entanto, fazia seu coração se apertar inevitavelmente. Sua irmã e sua mãe eram, sempre seriam, as melhores amigas de , as pessoas em quem ele mais confiava no mundo e ele sentia falta das duas. Sentia falta de quando sua mãe era a primeira pessoa que via quando acordava, de implicar com a irmã sem nenhum motivo em especial. Ficava animadíssimo em pensar em tudo que ainda tinha para viver, para alcançar, mas a saudade sempre estaria lá. De um jeito ou de outro.
– É um lugar bonito. – comentou por fim e sorriu, assentindo para suas palavras.
Havia algo no olhar que trocaram, um entendimento único, e nenhum dos dois precisou falar nada para saber que entediam. Sabiam exatamente o que o outro estava sentindo naquele momento, em cada segundo daquele momento e adorou notar como era fácil. Aquela garota em sua frente, sobre a qual ele sabia tão pouco, tornava tudo tão fácil, tão leve e ele nunca ia adivinhar o que ela fazia, mas gostava. Desejava que ela nunca parasse também, seja lá o que fosse.
– Você me lembra de casa, . – murmurou de repente. – Existe um conforto em olhar para você. Eu gosto.
– Eu também. – ele respondeu, piscando em seguida e fazendo uma pequena careta para o modo como suas palavras soaram. – Digo, também gosto de olhar para você. Não para mim. Isso seria narcisismo. – retrucou, sorrindo quando a garota riu de suas palavras. Ele tinha a impressão que estava sorrindo demais, mas não ligava também. Aquilo era outra coisa sobre ela. Ele não parecia ligar para muita coisa perto dela e gostava daquilo também, gostava de verdade.
– Sabe, se eu fosse pelo menos um pouco parecida com você não ligaria de ser narcisista. É compreensível. – a garota comentou, fazendo rir de verdade, quase gargalhar.
– Obrigado, eu acho. – retrucou, com humor e ela riu, colocando mais torta na boca e dando de ombros ao em vez de responder, levemente corada.
não respondeu, roubando um morango de cima da torta invés disso e observou em silencio ele levar a fruta a boca, prestando mais atenção no movimento de seus lábios do que devia ser aceitável, mas não dava para evitar. Os lábios rosados do garoto eram bonitos demais, hipnotizantes demais.
– O que você veio fazer na Califórnia, ? – a garota perguntou depois de um tempo em silencio e suspirou.
– Vim cantar. – confessou, fazendo uma careta para o quão bobo aquilo soava dito daquela forma. – Sempre foi meu sonho, sabe, cantar. Não os palcos, ou o dinheiro, mas… Cantar. É disso que eu gosto. – explicou e a garota sorriu, com ar de entendimento e teve a impressão que estavam trocando aquele olhar outra vez. O olhar que deixava claro que entendiam muito melhor do que eram capazes de explicar com palavras o que o outro estava dizendo.
– Sabe, quando eu deixei a Carolina, minha vó me disse que eu devia nadar antes que me afogasse. Eu achei que ela estava ficando louca, mas faz sentido agora. A cada pôr do sol que eu vejo em Los Angeles. – ela murmurou de repente, sem que esperasse ou compreendesse de imediato, lhe encarando em silencio. – A Califórnia é o melhor lugar do mundo para pessoas como nós, . Eu nunca me vi como alguém daqui, da Costa Oeste, mas gosto daqui agora. Gosto de como o lugar só acolhe as pessoas certas, que nasceram para ele.
– Para os sonhos que ele oferece. – murmurou, em concordância e sorriu, satisfeita que ele entendesse. Para qualquer outra pessoa, provavelmente soaria como louca, mas não para ele. Os dois se entediam.
Antes que ela pudesse falar alguma coisa, no entanto, seu celular começou a tocar, despertando o casal da conversa e ela virou para procurá-lo na bolsa, xingando baixo ao olhar no identificador, antes de atendê-lo. observou enquanto ela pedia desculpas e inventava uma história para quem quer que fosse do outro lado da linha e a viu se levantar, sentindo o peito afundar.
– Já tem que ir? – ele perguntou, não conseguindo não soar decepcionado quando ela guardou o celular dentro da bolsa de maneira apressada.
A garota o encarou, culpada.
– Marquei de estudar com uma amiga. – ela explicou, parecendo tão decepcionada quanto ele. – Tinha me esquecido completamente, na verdade e ela vai me matar, então eu preciso ir…
– Te levo até lá. – ele murmurou, se pondo de pé também e piscou, surpresa, ao ouvir.
– Sério?
– Bom, não. – ele riu, desajeitado – Não tenho um carro, mas podemos ir andando. Juntos. – sugeriu e a garota sorriu, assentindo com a cabeça, gostando de verdade da ideia.
– Eu vou adorar. – sussurrou e ele assentiu, sorrindo mais antes de deixar o dinheiro para pagar a conta embaixo do porta-guardanapos, acompanhando a garota em direção a saída do café.
Aquela foi a primeira vez e, graças a estupidez de , última vez que a vira.
Os dois ainda seguiram conversando, trocando histórias e rindo, por vários quarteirões até chegar ao endereço da amiga dela, onde roubou da mesa do porteiro um pedaço de papel e anotou seu número para , que fez a estupidez de perdê-lo no dia seguinte. Como se odiava por isso.

Dias atuais

– E essa é, basicamente, a história de como conheci e perdi a garota que podia ser o amor da minha vida. – ele murmurou, soltando um suspiro cansado ao finalizar e virar para encarar seus amigos. estava preguiçosamente encostada no peito de , que a abraçava e a visão arrancou uma careta de . – Vocês podiam pelo menos respeitar a minha dor aqui. – resmungou, vendo e rolarem os olhos ao mesmo tempo em resposta. Feitos um para o outro.
– Você devia ir dar uma volta. – murmurou em seguida, arrancando um olhar confuso do amigo. – Dê uma chance ao destino, . Se ela for o amor da sua vida, você vai encontrá-la de novo. Só vai, você sabe, dar uma volta, tomar um ar. – sugeriu e teve dificuldade para dizer se ela aquilo era sério inicialmente, estreitando os olhos de maneira desconfiada para , que bufou. – Só vai, . Se não encontrar ela de novo, pelo menos você supera. – resmungou, agora impaciente e quase sorriu. Aquilo sim soava como ela.
– Ir para onde, ? – retrucou, deixando claro que aquela ideia era, no mínimo, louca. rolou os olhos.
– Para o café onde a conheceu, talvez? – sugeriu e rolou os olhos, prestes a retrucar que já pensara nisso, que já estava, inclusive, cansado daquele lugar, tendo em vista que estava passando lá praticamente diariamente nos últimos dias, mas antes que o fizesse, interveio:
– Vai de uma vez. Dá a essa loucura uma última chance e, se não rolar, supera. Não tem como ser mais simples. – falou e bufou, sem falar nada por um instante e, resmungando de maneira impaciente, o casal o empurrou para se levantar.
– Vai logo, . – resmungou e ele rolou os olhos, achando aquilo no mínimo estupido, mas pegou mesmo assim seu casaco e as chaves de casa.
– Já vou, já vou. – falou, rolando os olhos.
E ele saiu.

passou, pelo menos, uma hora sentado no Magnólia, saindo de lá frustrado já perto da hora do almoço, olhando em volta na rua sem saber o que fazer por um instante. Ele não queria ir para casa e dar aquela loucura por esquecida, mas, se não fosse para casa, para onde iria?
Ele se sentia mais estupido a cada instante, se agarrando a uma esperança sem nexo, mas, contra toda a razão em sua cabeça, o garoto não voltou para casa. Decidiu andar por aí, afinal Los Angeles era bonita demais aos domingos, com o sol penetrando por entre os coqueiros nas ruas, os carros passeando devagar.
O garoto só aproveitou a sensação, andando com a luz do sol indo em direção ao seu rosto, olhando preguiçosamente em volta, sem o intuito real de parar em algum lugar especifico, até ver uma livraria, com um de seus livros favoritos na vitrine. O livro não era lançamento e lugar nenhum o colocava na vitrine sem mais nem menos, visto que pouquíssimas pessoas o procuravam. Aquilo chamou a atenção de e, sem que ele tivesse nenhuma explicação especifica para o que estava fazendo, entrou no estabelecimento.
Não estava com a carteira e tudo que tinha no bolso era algumas moedas, por isso não olhou demais, seguindo até o caixa para comprar um chiclete e não sair de lá de mãos abanado, se sentindo ainda mais estupido do que antes como com certeza aconteceria.
Quando ele parou no caixa, no entanto, o mundo pareceu parar de girar por um segundo, mais especificamente quando a atendente ergueu o olhar para ele. .
A garota piscou, surpresa, e tudo voltou a se mover, o coração de inclusive, pulando no peito quando seus lábios se retorceram num sorriso, fazendo com que o garoto espelhasse seu ato sem nem pensar a respeito.
– Fiquei esperando por você. – ela murmurou, naquele tom que exalava a mais doce das levezas, o mesmo tom no qual falara com ele pela primeira vez no inicio da semana. Harry sorriu mais. Não sabia se havia alguma lógica para aquele golpe do destino, mas não se importava.
E não precisava.
Ele a encontrara.

FIM


Nota da Autora:
Hey! Escrevi essa história há mais de três anos (UAU!), para um dos primeiros especiais que participei na vida. Não sei exatamente porque, mas sempre gostei muito dela.
O que vocês acharam dela? Me contem!
XX.