Drunk

Sinopse: Acidentes são sempre imprevisíveis e indesejados, mas mesmo assim fazem parte de nossa vida, mas o que dizer quando um deles nos trás o melhor e pior ao mesmo tempo?
Ele sempre com seu jeitão solitário, não deixava ninguém se aproximar e muito menos permitia se apaixonar, a companhia de seu violão e suas músicas era o que bastavam. Até que em uma manhã qualquer de verão, Grace surgiu “acidentalmente” em sua vida.
Gênero: Drama/ Romance
Classificação: 14-16 anos
Restrição: Os nomes Michael, John, Jennie, estão sendo usados.
Beta: Regina George
Shortfic

Capítulo Único

, é você! – John ergueu o braço e me chamou, era minha vez de tocar. De uma vez só, empinei o último gole e larguei meu copo de whisky vazio no bar. Peguei meu violão e caminhei até o palco, então me posicionei no mesmo banco de todas as quintas e sextas à noite. Royal Oak é o lugar do meu ganha pão e também o lugar onde espero a volta dela, fico na esperança em vê-la escorada naquele bar, pelo menos mais uma vez.
Ajustei o microfone e pousei o violão em meu colo, dando início à uma música nova, a qual compus na noite retrasada. Enquanto dedilhava as cordas de meu violão e cantava outras canções de artistas famosos, comecei a observar detalhadamente um a um naquele pub, procurando aquele rosto conhecido, mas nenhum sinal dela. Em meio a minha busca, um olhar cruzou o meu. Uma ruiva de olhos azuis, sentada em uma mesa próxima ao bar. Com mais atenção comecei a observá-la, ela parecia ter uns dezenove ou vinte anos. Estava usando um vestido de alça, azul marinho, curto, revelando suas belas e longas pernas. Mesmo acompanhada de um grupo de amigos sua atenção estava toda voltada a mim. Nessa troca de olhares ela sorriu um pouco acanhada para mim. “Devo esquecer a ou pelo menos tentar e resgatar o antigo “, pensei enquanto as palavras decoradas de uma canção saiam pela minha boca.
Pelos seus olhares e jogadas de cabelo, percebi que poderia me dar bem essa noite.
Assim que finalizei meu repertório, ainda com meu violão em mãos, desci do pequeno tablado, melhor dizendo, do palco e me aproximei do bar para pegar o case do meu violão que estava guardado ali atrás. Enquanto fechava o zíper do case, a ruiva se aproximou.
– Olá. – Ela iniciou uma conversa. – Além de tocar muito bem, você tem uma voz maravilhosa. – Elogiou e abriu um amplo sorriso. – Já me tornei uma fã.
– Muito obrigado. – Sorri, guardei meu violão no canto do bar e então voltei minha atenção a ela. – E será que eu poderia saber o nome dessa minha fã? – Sorri de canto, imaginando aquele vestido jogado pelo chão do meu quarto.
– Meu nome é Jennie.
– Lindo nome… Muito prazer. – Estendi a mão, para cumprimentá-la. Sentei-me no banco do bar e olhei para o barman. Ele já sabia o meu pedido de todo fim de noite e logo trouxe meu Manhattan. – Então, Jennie eu te pago um drink. Afinal é muito bom interagir com uma nova “fã”. – Ri e empinei um gole de minha bebida. – O que você vai querer?
– Eu quero Pina Colada. – Sentou-se no banco ao meu lado e cruzou aquele par de pernas tentador.
– E seus amigos? – Olhei ao redor. – Já foram embora? – Estranhei ao notar que o grupo que estava com ela não estava mais no bar. – Deixaram você aqui? – Mexi o copo, balançando o gelo.
– É… – Ela deu com os ombros. – Eu vou voltar de táxi. É que eu falei que ficaria mais um pouco, achei que era cedo para ir embora e… – Sutilmente jogou o cabelo para o lado. – Eles resolveram ir. – Tomou um grande gole de sua bebida.
– E aceita minha companhia? – Eu e minhas perguntas óbvias.
– Claro… – ela gargalhou sem motivo.
Conversamos pouco e tudo era motivo para ela dar risada. Não sei por que a minha cabeça insistia em compará-la a . Jennie cruzou os braços, acentuando seu decote, algo que reparei apenas porque o assunto não estava me prendendo a atenção. Então me obriguei a perguntar, já que outros assuntos não estavam fluindo.
– O bar está quase fechando. Você vai precisar de uma carona?
– É… É… Acho que vou. – Ela riu de um jeito bobo, demonstrando certo nervosismo.
Nossa, como ela me lembrava as garotas que eu costumava sair antes de conhecer a , parecia estar tendo um déjà vu. Balancei a cabeça na tentativa de parar de pensar nela, não tinha nem por quê, tomei mais dois goles e então terminei com meu drink. Percebi que o melhor era ir direto ao ponto.
– Se você quiser posso te levar para casa. – Sugeri e levantei-me, parando diante dela. – Aceita?
– Eu? Aceito sim. – Ela riu alto e bebeu mais um gole.
– Pode terminar seu drink, eu só preciso pegar meu cheque com o John e em seguida vamos.
– Está bem. – Ela sorriu, mas não era o sorriso o qual eu sentia falta. Não sei se tinha sido uma boa ideia a minha.
(…)
– Aí… … – Jen estava ofegante. – Isso, foi… – sua respiração estava totalmente descompassada. – Incrível. – Puxou o lençol, tapando seus seios descobertos.
– Não… você é que foi. – Aquelas palavras saíram quase que no automático, sem veracidade nenhuma. O sexo foi equivalente ao assunto no bar, sem sintonia alguma. Virei-me para ela, sorri e depositei um beijo leve em seus lábios. Levantei-me da cama e vesti a minha boxer que estava jogada no chão, em seguida peguei minha calça e tateei o bolso traseiro. De lá tirei o maço de cigarros que sempre carregava comigo.
– Você se importa? – Perguntei a ela.
– Não… – ela era só sorrisos, mas eu nada sentia. O que havia de errado comigo? Eu me sentia um escroto por pensar assim, mas tudo que eu queria era ela fosse embora.
Acendi meu cigarro e caminhei até a grande janela do meu quarto. Abri uma fresta e aquele vento londrino da madrugada, indicando os últimos dias de verão, logo me fez lembrar que eu deveria ter vestido uma camisa. Enquanto a fumaça escapava por entre meus lábios, observava a lua e o silêncio que prevalecia na rua. E minha mente vagou, me fazendo relembrar os últimos meses.
Suspirei mentalmente e a cada tragada, flashes de tudo que vivemos nesse quarto insistia em invadir meus pensamentos, essas lembranças que faziam meu coração disparar, uma sensação de felicidade que não cabia dentro do peito, mas que para ela… Não havia sido nada. Patético, não?
Acabei deixando-a entrar em minha vida, entrou de um modo totalmente inusitado e sem que ao menos pudesse perceber e de repente já era tarde demais. Eu que sempre tentei esconder meus sentimentos e jamais me apegar a ninguém. Infelizmente esse caminho não tinha mais volta, ela chegou assim como se foi. Feito um acidente, causando os devidos estragos.
Ah, … eu não quero mais pensar nela, era como se ela tivesse arrancado um pedaço dentro de mim. Tento imaginá-la longe da minha vida, desistir de tudo, estou cansado. Mas não consigo, por quê? Queria que tudo não passasse de uma ressaca, daquelas bem filha da mãe, mas que se eu tomasse uma aspirina tudo voltaria ao normal.
(…)
Flashback On – Início do verão 2017
Apesar da frustrante noite, o dia havia amanhecido ensolarado, então aproveitei para acordar mais cedo. Peguei a primeira camiseta que estava pendurada no braço da poltrona, cheirei para ver se ainda dava para usar e então a vesti. Resolvi deixar a moto na garagem e ir a pé até o café que ficava no final da outra rua. Já com meu pedido em mãos, fui voltando tranquilamente pela calçada, tomando meu mocaccino. Meus pensamentos estavam dispersos, eu precisava achar um novo bico, as contas não podiam mais esperar e ao tentar atravessar a rua, o barulho de uma buzina me trouxe de volta. Um Hyundai prata freou bruscamente, praticamente em cima de mim. Vi meus 24 anos passarem diante dos meus olhos.
Filho de uma puta! – Gritei com o motorista e senti o quanto meu mocaccino estava quente logo que o derramei todo em minha camiseta. O reflexo do sol não me permitia ver direito quem estava atrás do volante. Estreitei os olhos para continuar xingando o motorista, mas logo notei que era uma mulher que estava dirigindo. – Está cega, é? – Continuei esbravejando mesmo assim. Ela abriu o vidro e começou a se desculpar.
– Desculpa, eu estou com muita pressa… sinto muito. – Ela parecia nervosa. – Se quiser eu deixo o dinheiro e você compra outro café. – Ela abaixou-se, pegando sua carteira. – Eu só não posso me atrasar mais. Pegue, por favor. – Me estendeu algumas libras para fora da janela. Quem essa mulher pensava que eu era?
– Não… – balancei a cabeça. – Quase me matou, sua louca. – Me aproximei da janela e apesar de ela quase ter me atropelado, não podia negar que era muito bonita.
– Louca? Olha o respeito. – Ela franziu a testa. – Eu já pedi desculpas. Escute, não tenho tempo de ficar discutindo. Você que deveria andar mais atento na rua. – Ela girou a chave na ignição e arrancou com o carro, me deixando plantado no meio da rua, banhado de mocaccino e com muita raiva. Quem essa doida pensa que é? Tratar as pessoas dessa maneira? Realmente, meu dia não havia começado muito bem.
(…)
Cheguei em casa e joguei minhas chaves em cima da mesa. Eu estava com muita raiva ainda, deveria ter aceitado o dinheiro daquela maluca, assim não sairia tanto no prejuízo. Arranquei minha camisa e atirei dentro da máquina de lavar e caminhei até o banheiro. Assim que desliguei o chuveiro meu celular tocou. Mal enrolei a toalha na cintura e corri para atender. Era meu amigo, Nathan, querendo saber se eu aceitava um trampo novo, na noite de hoje em outro pub. Claro que não pude recusar, afinal, ele havia conseguido para que eu tocasse no Royal Oak, uma oportunidade imperdível.
Acho que meu dia estava começando a melhorar. Fui até a geladeira e peguei uma cerveja para comemorar.
(…)
Com o pub completamente cheio, admito que estava um pouco nervoso. Peguei meu violão e tentei me imaginar no Kings e Queens, onde costumava tocar antes. Respirei profundamente, me apresentei e logo dei início a primeira canção. Conforme eu ia tocando o repertório, consegui notar que estava agradando o público e isso foi me tranquilizando, então aproveitei para tocar uma das músicas de minha autoria e a reação foi melhor do que eu esperava. Terminei de tocar e então fui direto pedir informação ao barman, para saber onde estava o gerente ou alguém responsável, afinal eu precisava receber. Ele me avisou que logo a gerente do pub chegaria e me ofereceu uma cerveja, enquanto aguardava.
Entre um gole e outro, observava o local, as pessoas já estavam indo embora. Eu já estava ficando um pouco impaciente pela demora, olhei para o relógio e em seguida novamente para a entrada do pub.
– Não pode ser… – Balancei a cabeça negativamente. – Só pode ser brincadeira. – Proferi em voz alta, meus pensamentos.
– O quê? – O barman franziu a testa.
– Aquela ali… – indiquei com a cabeça. – Que mundo pequeno, aquela é uma doida que quase me atropelou hoje de manhã. – Contei meio em tom de deboche e larguei meu copo de cerveja na bancada do bar.
– Quem? A ? – O barman indagou.
– Como? – Arregalei os olhos, voltando minha atenção ao barman. – Você a conhece?
– Claro, ela é a sócia proprietária desse pub, meu caro amigo. – Respondeu com tom sarcástico e recolheu meu copo vazio da bancada.
– Não… não… – balancei a cabeça. Eu ainda não estava acreditando, não queria ter que ver essa mulher nunca mais na minha vida. Não é possível.
– Hey, Michael! – Ela debruçou-se sobre a bancada do bar. Naquela posição e com aquele vestido preto, que contornava seu corpo, foi inevitável me perder por alguns segundos, caramba! – Você sabe de quem é aquela moto branca que estava atrapalhando a minha vaga?
Moto branca, atrapalhando? Eu ouvi bem? Logo voltei a mim. – Estava? – Dei um pulo do banco.
– É… – Ela olhou para o lado notando minha presença. – Eu meio que dei uma “esbarradinha” nela. – Encolheu os ombros. – É sua?
– Claro que é minha, sua… – cerrei os dentes, para não a ofender e então não pensei duas vezes e corri para fora do pub. Primeiro de manhã e agora também? Meu sangue ferveu mais uma vez no dia de hoje, no instante em que vi minha preciosa moto caída perto da calçada. Rapidamente a levantei e engoli seco ao ver os arranhões pela lateral.
– Desculpa? – Ouvi novamente aquela voz familiar por trás de mim.
– Desculpa? – Minha respiração ficou descompassada. – O que mais você quer? – Gritei impaciente. Respirei profundamente e me virei de frente para ela. – Olha o que você fez. – Apontei para a moto, eu realmente havia atingido meu limite. – Primeiro quase me atropelou de manhã, agora a minha moto. – Gesticulei aos berros em plena calçada. A rua estava praticamente deserta àquela hora. – Qual é o seu problema?
– Ai meu Deus, é você! – Ela arregalou os olhos. – O cara distraído de hoje de manhã. – Completou.
– Eu? Distraído? – Essa mulher estava me tirando mais ainda do sério. Minha paciência estava por um fio.
– E-eu vou… – Levemente deu uma gaguejada. – E se eu te pagar o conserto. E… – Passou as mãos pelos cabelos.
– Chega… – a cortei e soltei o ar pesadamente, na tentativa de me acalmar. – E se? Sim, você vai pagar o conserto. É o mínimo que você pode fazer depois de ter me ferrado duas vezes em um só dia. – Desabafei de uma só vez.
– Calma, está bem? – Ela me encarou com uma expressão chocada pela minha reação. – Olha, eu não fiz de propósito… – deu um passo para trás. – Só preciso ir buscar minha carteira, ok?
– E não esquece também o meu pagamento… – A lembrei antes que ela entrasse de volta no pub.
– Pagamento? – Virou o rosto para trás e franziu a testa, como se não tivesse nem ideia do que eu estava falando.
– É. O dinheiro que o músico que acabou de tocar no pub costuma receber no final? – Ironizei.
– Você é sempre assim tão idiota com as mulheres? – Respondeu ofendida. – Vem comigo até o escritório, então, Sr. Músico. – Ela só podia estar tentando me irritar mais uma vez, apenas bufei.
Permaneci calado e apenas a acompanhei de volta para dentro do pub. Como alguém conseguia ser tão insuportável, mal a conhecia e já havia conseguido me tirar completamente do sério. Sem trocar mais nenhuma palavra a segui até o escritório no andar de cima.
– Olha… – ela pegou uma caneta. – Eu realmente sinto muito por tudo que aconteceu, mas infelizmente hoje não estou com cabeça para nada. – Falou com a voz calma. – Melhor eu preencher este cheque, logo. – Ela se abaixou próxima à escrivaninha para pegar sua bolsa e de lá tirou o talão de cheques. – Perdão? Qual seu nome mesmo, Michael me falou… É, ?
– É … – falei pausadamente por entre os dente. – . – Soletrei meu sobrenome.
– Desculpa mesmo, . Hoje não está sendo um dia muito bom para mim. Eu admito que estava com a cabeça longe, aconteceram tantas coisas… – ela respirou fundo. – Bom, isso não vem ao caso. Só queria mesmo que soubesse que sinto muito. – Ela arrancou a folha de cheque e me entregou.
– Está bem, só não quero mais que os nossos caminhos se cruzem. – Guardei o cheque no bolso.
– E eu digo o mesmo. – Ela bufou e revirou os olhos. Bati a porta do escritório e desci as escadas o mais rápido que pude, tudo que eu queria era ir para casa e nunca mais voltar nesse pub.
Subi na moto, coloquei o capacete e arranquei a moto para o quanto antes eu ficar bem longe daquela maluca, melhor.
(…)
Já em casa, retirei aquele cheque do bolso de trás da minha calça e juro que fiquei surpreso com aquele valor. De certa maneira eu não estava tão fodido como achava que estava. Lá não só continha meu pagamento, mas o triplo do valor combinado e no cantinho atrás do cheque havia algo escrito:
“PS: Desculpa mais uma vez, espero que cubra todos os gastos e o café também.”
Realmente o valor cobriria o conserto, afinal foi apenas um raspão, o café e mais outros gastos além. Acho que é como dizem, há males que vem paro bem, acabei saindo no lucro no final.
Guardei aquele cheque de volta no bolso das calça, amanhã mesmo iria descontar. Chutei meus coturnos no canto da sala e de repente me dei conta de algo ou melhor dizendo, dei falta da algo extremamente importante. Merda, meu violão! Que cabeça de vento, como consegui esquecer justamente do meu violão. Claro, na hora em que saí correndo por causa da minha moto, sequer peguei o case. Como sou um estúpido, agora ia precisar voltar lá e dar de cara com aquela louca da tal da , novamente.
Olhei para o relógio, se eu corresse quem sabe ainda conseguiria pegar o pub aberto. Desci as escadas do prédio feito um louco, subi na moto e acelerei o máximo que pude.
Parei a moto bem em frente ao pub e as grades já estavam abaixadas, mas pude notar uma porta ao lado entreaberta, o barman poderia ainda estar ali.
Bati na porta que acabou se abrindo por completo, cruzei a porta e a deixei encostada assim como a encontrei e não havia mais ninguém lá. Dei mais uns passos adiante para ir até o bar, onde provavelmente eu deveria ter deixado meu violão.
Ao me aproximar, as luzes da bancada do bar estavam todas acesas e a louca, digo, a tal da , estava sentada de costas, em um banco de frente para o bar. Fui me aproximando a passos lentos e pude ver que ela encarava um copo quase vazio à sua frente, enquanto seu dedo circulava a borda do mesmo.
– Hey… – chamei sua atenção com a voz meio baixa, tirando-a do estado de transe em que se encontrava. Antes dela virar seu rosto, a notei enxugar os olhos com a ponta dos dedos. Toda aquela raiva que eu estava sentindo há uma hora, dissipou-se. Ela parecia tão fragilizada que naquele momento pude jurar que uma vontade de a confortar me atingiu em cheio, estava totalmente o oposto daquela desequilibrada que tentou me atropelar. Fiquei até sem palavras encarando aqueles olhos verdes, que pareciam mais azulados por estarem levemente marejados.
– Olá, senhor “Não quero que nossos caminhos se cruzem nunca mais”. – Ela provocou, sua voz estava um pouco embargada, mas aquele sentimento durou alguns segundos e ela tornou-se insuportável novamente.
– Só voltei para buscar meu violão. – Respondi com descaso.
– Sim… – ela soltou um suspiro. – Espere aí que vou buscar. – Levantou-se do banco e caminhou em direção à escada atrás do bar.
Alguns instantes depois ela voltou carregando a case do meu violão.
– Aqui está… – ela me entregou o instrumento.
– Obrigado. – Pendurei a alça em meu ombro e antes de eu me virar para ir embora, tocou em meu braço.
– Hey, , antes de ir e nunca mais cruzar o meu caminho… que tal me acompanhar em um drink? Por conta da casa. – Ela sorriu. Por um instante cheguei a ficar um pouco desconfiado, seria veneno? Será que ela estava tentando mais uma vez tirar uma com a minha cara? – Escolhe o que você quiser… – ela deu a volta na bancada do bar. – Logo isso não será mais meu… – abriu os braços, girando o corpo indicando todo o pub. – Vamos! – Ela insistiu. – Assim quem sabe consigo me redimir pelo dia desastroso de hoje, que tal?
Pensei por alguns instantes e mais uma vez constatei o quanto ela era louca e ainda por cima tinha bebido. E eu mais idiota ainda em querer aceitar. Mas, bebida de graça na companhia de uma bela mulher, jamais deve ser recusada.
– Está bem… – dei de ombros. – Acho que assim posso esquecer que você tentou me matar e destruir minha moto. – Satirizei e ela riu. Larguei mais uma vez meu violão ao meu lado e me sentei junto ao bar.
– E então o que vai ser? – Empurrou o cardápio de bebidas na minha frente.
– Whisky… – respondi sem analisar muito o menu.
“Keep Walking”, … – ela riu. – Ótima escolha. Com gelo ou sem?
– Sem. – comecei a observar enquanto servia meu copo. Eu ainda nem sequer havia tomado um gole e eu a estava achando extremamente atraente? A doida que tentou me atropelar? Acho que eu precisava beber mesmo, esses pensamentos precisavam sair da minha cabeça.
– Agora é a minha vez! – em um pulo virou-se de frente para a parede onde estavam dispostas todas as garrafas nas prateleiras. – Aqui está a minha amiga tequila… – pegou a garrafa e olhou o rótulo. – Gran Patrón Platinium. – Leu pausadamente. – É, essa vai doer no bolso de alguém. – Ela gargalhou, abriu a garrafa e despejou a dose no copinho que ela pegou do bar. E empinou a dose de uma só vez.
– E o sal? E o limão? – Perguntei.
– Não tenho tempo para isso… – serviu mais uma dose e empinou novamente. Ela se abanou e riu. – Nossa, isso é forte para caralho.
Fui obrigado a rir com ela. Enquanto eu bebia o meu whisky, continuava observando suas caretas a cada dose que ela tomava e foi quando me peguei analisando sua boca e cada traço de seu rosto. Chega, , não esqueça do que ela fez com a sua moto. Empinei mais um gole, me recuperando de meus devaneios.
Ela sequer havia bebido toda garrafa, virou-se para pegar mais uma garrafa de tequila.
– Acho que você devia me acompanhar… – ela me disse. – Que tal agora, Jose Cuervo? Temos muitas para degustar. – Abriu a garrafa e pegou um copinho extra debaixo do balcão e colocou na minha frente. Tomei o último gole que restava em meu copo e o afastei para o lado. Era como se eu não conseguisse negar nada a ela, uma total desconhecida, mas era estranho a maneira como eu me senti naquele momento, tão à vontade com ela.
– Qual é o motivo de tanta comemoração? – Comecei a indagar, para entender o porquê de tanta “generosidade” com alguém que ela mal conhecia.
– Comemoração? Não… – ela balançou o dedo negativamente. – Isso se chama apagar os problemas e os desastres da vida. – Encheu meu copinho, fazendo-o transbordar no balcão. – Ops… – ela riu e era nítido que o efeito da bebida já havia a atingido. Afinal, quando cheguei ela já estava bebendo.
– Desastres? – Continuei. Comecei a ficar mais curioso em saber sobre ela.
– Você simplesmente acorda e descobre através de uma mensagem que seu marido está tendo um caso. – Ela contou e riu exageradamente. – Com sua vizinha! – Ergueu o copinho para o alto e empinou mais uma dose.
– Marido? – A interrompi.
– Opa! – Ela gargalhou. – Ex marido! – Encheu mais uma dose, transbordando pelo balcão. – E para completar ele não me quer mais como sócia para não atrapalhar o novo relacionamento fofíssimo dele. – Ela fez uma careta e empinou mais uma dose de tequila. – Inclusive quer me pagar o dobro da minha parte, só para eu não ter que ficar mais por perto. Que tal o meu dia? Magnífico, não é mesmo, ? – Encheu novamente nossos copos, transbordando mais ainda sobre o balcão. Ela continuou desabafando e eu a escutando e então começamos a conversar sobre diversos assuntos. Acho que bebida tomou conta e sequer notei as horas passarem, eu, , me peguei rindo de uma piada de uma mulher desconhecida? Não estava me reconhecendo e pior que não estava com vontade de ir embora. Escutamos um barulho da porta bater com o vento.
– Eu esqueci de fechar a porta! – Comentou alto e quando se levantou acabou se desequilibrando um pouco e se segurou na borda do banco. – … Não deveria ter me deixado beber tanto. – Ela riu mais uma vez. Era uma risada gostosa, contagiante que acabei rindo de novo junto com ela.
– Se bem que metade da tequila está espalhada pelo balcão. – Apontei para toda bebida que escorria pelo balcão. Eu estava um pouco tonto, mas não havia bebido tanto quanto ela. – Acho que agora é minha deixa para ir embora. – Tive a sensação de que se eu ficasse mais um segundo tão perto dela, a agarraria ali mesmo.
– Deve ser muito tarde… – sua voz saiu arrastada. – Sabe… nem sei porque acabei falando tudo isso para você. Mas até que você me fez rir, no fim quem acabou no lucro fui eu. – Ela sorriu e foi a passos curtos caminhando quase que em ziguezague em direção à porta. Pendurei meu violão em minhas costas e a acompanhei para impedir que ela caísse.
– Só espero que não tente mais me atropelar por aí. – Brinquei. Queria vê-la sorrir de novo. Meu Deus, o que está acontecendo comigo?
– Quanto a isso não tem que se preocupar… – ela respirou fundo e lançou um sorriso fraco, contrário do que eu esperava. – Então é isso, , espero ter me redimido por tudo que causei hoje. – Ela se escorou na porta e segurou na maçaneta para a abrir, mas não conseguiu.
De repente, não sei se foi a bebida ou o que, mas eu estava um pouco relutante para ir embora, um sentimento estranho tomou conta de mim, o que estava acontecendo? Eu não queria deixá-la ali.
– Você vai ficar bem? Como vai voltar para casa? – Por que eu estava perguntando isso e por que eu estava me preocupando tanto com ela? Agora o louco era eu.
– Meu carro está ali… – ela apontou.
– Não… – respondi. – Se sem ter bebido quase me matou hoje. Nem pensar que vai dirigir.
– Tudo bem… Eu vou a pé então. Eu moro duas quadras daqui. E está uma noite tão agradável. – Ela riu e passou a mão pelos cabelos.
Com certeza eu estava em melhores condições que ela e não poderia deixá-la ir sozinha para casa. Ajudei fechar o pub.
– Tchau! – Ela acenou se despedindo do pub. – Ah não. – Ela colocou a mão na testa. – Eu estou na minha antiga casa. Eu esqueci, sou uma tonta mesmo.
– Eu te levo. – Sugeri. – Vem, sobe na moto.
– Nunca andei de moto. – Ela olhou receosa.
– Vamos… – ofereci meu capacete a ela. – Não precisa ter medo, apenas vai ter que se segurar bem firme em mim.
– Depois de tudo que eu fiz hoje, você não vai tentar se livrar de mim no meio do caminho, né? – Arqueou uma sobrancelha.
– Não sei, vai ter que confiar em mim. – Eu sorri de lado.
Ela subiu na moto e logo pude sentir seus braços firmemente envoltos em minha cintura. Todo esse contato me fez eu me sentir diferente, poderia inclusive dizer que estava um pouco nervoso.
(…)
Enfim chegamos à sua casa. Desci primeiro da moto para ajudá-la a descer.
– Obrigada, . – Ela me entregou o capacete.
– Viu? Não te larguei no meio do caminho. – Brinquei e me escorei na moto. Ela deu risada e bateu em meu ombro. Com este movimento ela acabou se desequilibrando, então a segurei rapidamente, evitando com que ela caísse. Nossos corpos estavam extremamente próximos e minhas mãos começaram a suar frio. Ela me olhou bem nos olhos e em um movimento impetuoso ela selou nossos lábios em um beijo ardente, não conseguia explicar o que estava sentindo naquele momento, sentir seus lábios quentes e tão macios junto aos meus, tudo parecia como uma tempestade de emoções. Sua mão agarrou minha nuca e foi quando me senti entregue ao poder que aquela mulher exercia sobre mim. Entrei em conflito com meus sentimentos e pensamentos, pois a química que rolava entre nós era algo que não havia sentido com mulher alguma. Rompemos o beijo e nos entreolhamos, ambos um pouco confusos.
Ela abriu o portão e sem dizer uma palavra, em um movimento sutil ela me puxou de leve me convidando para entrar. A vontade de sentir seus lábios nos meus novamente e a vontade de tocar sua pele, não me permitiu negar, eu estava totalmente embriagado por ela. Será que estou louco por querer tanto ela? Em meio aos beijos ela foi nos direcionando até o seu quarto e minhas pernas tremiam feito um idiota, o gosto de seus lábios eram entorpecentes, me senti desesperado querer tocar todo seu corpo, um desejo incontrolável de tê-la em meus braços prevaleceu. E ela foi se entregando a mim, àquela batalha alucinada de prazer, o modo que ela gemia, o sibilar de tesão por entre os dentes, eu estava indo à loucura. E então nos deixamos levar por esse desejo mútuo feroz e cheio de luxúria.
(…)
Meu corpo reagiu a proximidade de seu rosto deitado sobre meu peito, que me fez dar um grande suspiro. Eu ainda podia sentir a vibração de nossos corpos. Em seu quarto, havia uma grande janela atrás da cama que fazia a lua refletir em seu rosto, ela estava ainda mais bonita seus traços eram delicados. Era uma atração irresistível o que eu sentia por ela, não sabia exatamente explicar o que estava sentindo nesse instante, era tudo novo para mim, era tão intenso, mas podia dizer que naquele momento me senti completo.
– Acho que nossos caminhos se cruzaram mais do que deviam, não é mesmo? – Ela ergueu o rosto, pousando seu queixo em meu peitoral.
– Talvez devessem se cruzar mais vezes? – E tudo que consegui foi abrir um sorriso torto. Sim, eu queria encontrá-la mais vezes, não queria ser apenas um caso de uma noite só.
– Talvez. – Ela sorriu fraco e depositou um beijo rápido em meus lábios e deitou novamente em meu peito.
(…)
Nossos encontros casuais, começaram a se tornar frequentes nas semanas seguintes. Nos encontrávamos todos finais de noite em seu apartamento. Com o passar dos dias eu estava me tornando incapaz de imaginar uma noite sem ela e quando estamos juntos eu perco o controle, me sinto flutuando. Ela me virou do avesso, de todas as formas, pela primeira vez me sinto completo.
(…)
Era sexta à noite, estava saindo do banho, escutei alguém tocar a campainha. Com apenas a toalha enrolada em minha cintura, caminhei tranquilamente até a porta para atender.
. – Fiquei surpreso ao vê-la ali, era a primeira vez que vinha até o meu apartamento. Lutei para reprimir a vontade de pegá-la em meus braços, beijá-la ali na porta mesmo, mas ela por sua vez mantinha um autocontrole impecável. Podia até dizer que a notei distante e até um pouco tensa. – Entra… vou servir um drink para nós. – A convidei para entrar e esperei ansiosamente pelo que ela tinha a me dizer.
… Eu… – a ouvia enquanto servia a bebida em nossos copos.
Antes que ela pudesse dizer qualquer coisa interrompi no mesmo instante e larguei os copos ali na bancada e me aproximei dela. Seus olhos queriam me dizer algo, mas era algo que provavelmente eu não queria ouvir.
– Só me responde uma coisa, eu só quero saber se você sente isso também! – E antes dela responder qualquer coisa, não pensei duas vezes, a segurei firme pela cintura e a puxei para um beijo intenso, cheio de necessidade. Nossos lábios se movimentavam desesperadamente, cheio de desejo e saudade. Ela não me parou e sem romper o beijo começou a explorar meu corpo, com o toque suave de seus dedos roçando em minha pele levemente úmida. A senti deslizar suas mãos até a borda da toalha. Essa mulher me enlouquecia.
– Por favor… – ofegante, ela separou nossos lábios. –
– Não, não diga nada, . – Sussurrei e a segurei firme em meus braços e comecei a distribuir pequenos beijos pelo seu pescoço, senti sua pele arrepiar e não demorou para que ela demonstrasse estar entregue às minhas carícias. Prendi a respiração ao sentir o prazer percorrendo meu corpo quando suas duas mãos agarraram de leve minhas costas nuas. Apenas minha toalha separava nossos corpos. A cada toque dela era um estímulo insuportável e meu corpo implorava por mais. Seus lábios percorriam pelo meu peito nu e eu não conseguia mais conter tudo que eu estava sentindo naquele momento. Toda paixão, desejo e dor, sim a dor de ter impedido que certas palavras fossem ditas antes. Quando a tomei em meus braços, ela envolveu suas pernas em minha cintura, já estávamos tomados pelo desejo e prazer daquele momento, não havia como voltar atrás. Eu me sentia tonto e flutuando cada vez que estou com ela. Eu não pensava em mais nada, apenas em desfrutar aquele momento com a mulher que havia se tornado dona do meu coração. Eu obedecia a todos os seus movimentos e comandos. E mais uma vez ela se entregou a mim por completo. Com meu corpo em total êxtase e o suor escorrendo pela minha testa desabei ao seu lado no tapete da sala. Enterrei meu rosto em seu pescoço e a abracei com força. Fiquei admirando-a, deleitei-me ao vê-la assim tão vulnerável e aos poucos adormecendo em meus braços.
(…)
Os raios de sol começaram a entrar pela janela, meus olhos custaram a abrir. Ao me virar na cama, senti o vazio que lá estava. Meu coração acelerou. Será que havia ido embora? Em um pulo levantei-me da cama e vesti minha boxer que estava no chão.
A procurei pelo apartamento e o silêncio revelou que ela não estava mais lá. Assim que cruzei a sala, percebi um pequeno pedaço de papel em cima da mesa de centro:

, não existem palavras para expressar o quanto a noite passada foi maravilhosa, mas essa foi a nossa despedida. Entendo se você me odiar. Você é um cara incrível e tenho certeza que será muito feliz. Um dia quem sabe você entenderá os meus motivos. Eu precisava ir embora, para a longe, mas independente o quão longe de você eu estiver, pode ter certeza que eu não te esquecerei e lembrarei com detalhes de todos esse tempo que passamos juntos.
Com amor, .

Não consegui me controlar e amassei aquele papel como se pudesse amassar a dor que eu estava sentindo. Eu só podia descrever que eu estava passando pelo verdadeiro inferno naquele instante. Peguei meu celular e tentei ligar para ela, mas foi em vão, todas ligações caiam na caixa de mensagem.
Senti-me totalmente sem rumo, então não pensei duas vezes. Vesti a primeira camiseta e calça que encontrei. Calcei meus tênis e desci para pegar minha moto. Na maior velocidade que consegui, percorri Londres até chegar ao endereço de . Sei o quanto eu era patético que mesmo depois daquele bilhete eu correr atrás dela, mas pouco me importava, ela me deixava louco e eu precisava dela. O portão estava destrancado, então corri e toquei a campainha incontáveis vezes, mas não obtive nenhum retorno. Olhei para o relógio e marcava meio dia, talvez lá no pub, o tal do Michael teria alguma informação dela.
Toda dignidade que eu tinha já havia escorrido pelo ralo, subi mais uma vez na moto e nem sei como cheguei tão rápido ao destino. Estacionei de qualquer jeito e corri o mais rápido que pude e tive sorte em encontrar Michael, o barman, abrindo o pub.
– Michael… – me curvei e coloquei as mãos nos joelhos, recuperando meu fôlego. – A … ela… ela já chegou?
– Quem? – Ele me olhou, como se estranhasse a minha pergunta.
– A !
– Ela não foi embora? – Ele respondeu com outra pergunta.
– Já? – Era nítido meu desespero nas minhas perguntas. – Ela disse para onde?
– Ela veio ontem à tarde para assinar a venda da parte dela. O Sr. Johnson havia dado um prazo de até 20 dias para ela se decidir sobre a venda e ontem era o prazo final. – Michael contou.
– Mas para onde ela foi? – Eu já estava ficando impaciente.
– Eu não sei. Ela só veio se despedir… E entregou a chave do apartamento também, que era do Sr. Johnson. Ela era uma grande amiga minha, mas ela não me falou nada e não quis perguntar já que ela saiu daqui chorando.
Era como um balde de água fria caindo sobre minha cabeça, foi como me senti naquele instante.
– Está bem, Michael. Não vou mais tomar seu tempo. Obrigado. – Dei as costas, feito um derrotado.
Nunca pensei em me encontrar nessa situação, lágrimas escorreram pela minha face, sem que eu as pudesse controlar. Fui caminhando até chegar novamente na minha moto. Cheguei em casa, sem acreditar em tudo que havia acontecido. A dor não cabia mais em meu peito, peguei minha garrafa de vodca e preparei um drink. Passei o dia prostrado no sofá, a noite chegou e abri mais uma garrafa. Tarde da noite e eu com os olhos vermelhos e tudo que desejo é ter uma amnésia e esquecer essas semanas intensas do verão. Choro feito uma criança em meu apartamento. Como tudo isso dói, é insuportável. eu preciso de você.
Flashback Off
(…)
Toda essa dor, voltou a apertar meu peito. E logo fui resgatado das minhas lembranças com a voz estridente de Jennie.
– Hey, … não vai voltar para a cama? – Ela espalmou o colchão.
Dei a última tragada e joguei o toco de cigarro pela janela e me virei para ela.
– Jennie, eu vou te levar para casa agora, está bem? – Fechei a janela.
– Mas eu queria ficar… – ela fez uma cara de emburrada. – Só mais um pouquinho. – Imitou voz de bebê.
– Sabe, foi tudo ótimo, mas eu te avisei antes de você concordar em vir até a minha casa. Lembra? – Puxei minha camiseta que estava pendurada no braço da poltrona e a vesti.
– Eu sei… – soltou o ar pesadamente. – É que eu pensei…
– Olha, Jennie. – Sentei ao seu lado na cama. – Eu não te prometi café da manhã ou passeios no parque amanhã, não é mesmo? – Ela balançou a cabeça negativamente. – Você parece ser uma garota legal, mas… desculpe, mas eu não sou esse tipo de cara. – Baixei o olhar e então levantei da cama.
– Tudo bem. – Ela respondeu demonstrando sua insatisfação. Peguei seu sutiã, que estava nos pés da cama e alcancei a ela. – Continuei a alcançar o restante de suas peças de roupa que estavam espalhadas pelo chão.
Eu não me sentia nem um pouco feliz em tratá-la assim, eu sei que estava agindo feito um estúpido e não me orgulhava nem um pouco disso, mas era inevitável, afinal não pretendia acordar com essa Jennie enchendo meus ouvidos. Sim, sou oficialmente um merda e definitivamente não sei lidar com isso, com esse vazio que apenas aumentava a cada mulher diferente com quem eu dormia, mas vou deixar esse assunto para uma sessão futura com algum psicólogo. Tudo que eu necessito agora é um copo de whisky e fingir que você está aqui comigo e que isso poderia ser “para sempre”…

Drunk, drunk, drunk, drunk
Drunk, drunk, drunk, drunk
(You put your drinks up)
Drunk, drunk, drunk, drunk
Drunk, drunk, drunk, drunk
Drunk all summer
Drunk all summer

Fim.