I Used To Be In 1D

I Used To Be In 1D

Sinopse: Terminar um relacionamento duradouro não era nada fácil, mas curá-lo em Malibu não era uma má ideia.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: A história foi originalmente escrita com o Liam, mas pode ser lida com os outros integrantes. Os personagens secundários são fixos.
Beta: Sofia Alonzo.

Capítulos:


I USED TO BE IN 1D

PRÓLOGO
Cansado de procurar, resolvi sair da casa para tomar um ar, sentando-me na sarjeta da calçada e respirando fundo ao olhar para o céu. Mesmo alcoolizado, a sensação de estar com o coração partido não me abandonava de jeito nenhum e me renderia uma bela ressaca na manhã seguinte.
Fudeu. – ouvi um rapaz gritar passando por mim. – A polícia, a polícia.
Podia ouvir a sirene da polícia aproximando-se rapidamente, e o som que vinha de dentro da casa começar ir abaixando-se aos poucos.
O maior escândalo da minha carreira estava por vir, o que deixaria até mesmo as especulações sobre o motivo do meu divórcio para trás.
Tentei levantar-me inutilmente da sarjeta ao perceber a movimentação dos demais ao saírem correndo para seus carros.
Meu estado alcoólico apenas fez com que eu caísse novamente sentado, bufando ao sentir fortes pontadas em minha cabeça e uma enorme vontade de vomitar.
Senti alguém me puxando pelos ombros para me manter em pé, recebi alguns tapinhas pelo rosto na intenção que eu abrisse os olhos, mas mantê-los fechados era muito mais forte do que eu. Mas quando abri vendo a sirene azul e vermelha refletirem no rosto da pessoa que me ajudava, eu já tinha jogado a tolha.
Era só aguardar pelas notícias que surgiriam na manhã seguinte.


CAPÍTULO ÚNICO


Quando estava no meu segundo ano de faculdade de medicina, o meu relacionamento na época passava por uma crise, todos diziam que era a crise do primeiro ano e que logo iria passar, porque o amor forte, vence qualquer obstáculo.
Mas eu tinha um professor, que ao perceber o meu péssimo rendimento em sua aula, naquele dia em que estava mal por conta de uma bobeira que Chad havia feito, me disse as sábias palavras que guardei em minha mente por todos esses anos.
“Mantenha o foco na sua carreira. Porque ela não vai acordar um dia dizendo que não te ama mais.”
E foi exatamente o que Chad fez. Após cinco anos de namoro e um de noivado, acordei em uma manhã para preparar o nosso rotineiro café, antes de seguirmos cada um para sua rotina, quando ele apareceu na cozinha acompanhado por mais duas malas, uma em cada lado do seu corpo.
Disse que precisava partir, pois não estava sendo um bom companheiro e que fazia um tempo que tinha começado a me trair com algumas enfermeiras no hospital em que fazia plantão alguns dias da semana.
Despediu-se com um discurso de que eu merecia muito mais amor do que ele poderia me dar, beijou a minha testa deixando a nossa aliança de noivado ao lado da sua xicara de café.
Respirei fundo deixando pela metade exatamente tudo que estava fazendo naquele momento, cancelei minha agenda do dia, voltando para cama.
A mesma cama que poucos minutos atrás achei que havia tido a melhor noite de sexo da minha vida, com o meu noivo e que a nossa vida era perfeita…
Uma perfeita ilusão.

***

Após um longo período deitada na cama, observando a noite começar a chegar pela janela do quarto, tomei coragem de pegar o meu celular. Havia algumas notificações do Instagram, provavelmente alguma amiga me marcando em um post engraçado, algumas mensagens irrelevantes no Whatsapp, quando entrei no Facebook a primeira publicação era de Chad.
“Chad Westin atualizou o seu status de relacionamento para: Solteiro.”
Engoli a seco ao ir no meu perfil vendo que seu nome não fazia mais parte do meu status de relacionamento, atualizei-o ocultando aquela informação para os demais curiosos de plantão.
Reaja.
Uma voz dizia na minha cabeça, fazendo-me sair da cama. Não tinha mais idade para sofrer pelo término de um relacionamento, enquanto na minha vida profissional, as pessoas precisavam de mim para sobreviver.
Tomei um banho relaxante de banheira, mal me lembrava a última vez que tinha relaxado por tanto tempo sem o meu celular tocar, coloquei um baby doll preto rendado. Quem disse que eu estava morta?
Segui descalça, desembaraçando meus cabelos com a escova até o escritório que dividia com o meu ex noivo, olhei para a sua adega pegando o whisky mais caro de sua coleção, o levando comigo para o andar de baixo.
Para a minha surpresa, toda a bagunça que tinha feito pela manhã na cozinha não estava mais lá, graças ao anjo iluminado que era Patrice, a nossa, ops, a minha empregada.
Preparei-me um drink e acabei encontrando ainda sob o balcão, a aliança de Chad. Possivelmente, Patrice não a guardou, já que era normal ele “esquecer” de usá-la com frequência. Agora sei o motivo da sua falta de memória.
Fiz uma pipoca rápida de micro-ondas para abater um pouco da minha fome enquanto esperava pela pizza que tinha pedido via IFood.
Peguei a garrafa a levando para sala junto comigo, sentando-me confortavelmente no sofá, pegando o controle para ouvir uma música e curtir minha playlist do fundo do poço que não ouvia há tanto tempo.
Written in these walls are the stories, that I can’t explain – podia parecer piada, mas a primeira música da minha playlist, era do One Direction.
A voz de Harry Styles arrepiava-me ao virar com rapidez mais uma dose de whisky, que desceu queimando para dentro do meu corpo.
Quem nunca chorou ouvindo as músicas dessa boyband na adolescência?
He told me in the moring, he don’t feel the same about us in her bones, it seems to me that ween I die, these words will be written on my stone.
Cantei junto à … Qual era mesmo o seu sobrenome? .
Cantei o verso de , o modificando para a minha atual situação, acertei em cheio na escolha da música.
Era rir pra não chorar.
Quando a campainha tocou atrapalhando o perfeito momento que começaria a chorar, acompanhando aquele belo coro de vozes em uma apresentação ao vivo, estranhei ao olhar o pedido no IFood e ainda estar sendo preparado.
Quem poderia ser?
Deixei meu balde de pipoca de lado, andando em passos rápidos até a porta e quando a abri, fui surpreendida logo por um abraço apertado de ninguém mais, ninguém menos que Mabel Stone, minha melhor amiga desde que nós conhecemos por gente.
, por que não me ligou? Eu vim mais rápido que pude assim que soube da notícia – murmurou ainda em meus braços.
Agora o meu término havia se tornado noticia pelas ruas de Londres? Balancei a cabeça, ela apertou-me mais ainda em seus braços. Senti-me mal, por não abraçá-la de volta, então foi exatamente o que eu fiz.
— Como está se sentindo, ? – perguntou ao me soltar fechando a porta atrás de si.
Dei de ombros voltando para o sofá junto aos meus fiéis companheiros e Mabel riu ao ver o que estava passando na televisão.
— Vejo que está em boa companhia – constatou ao sentar-se no sofá e pegando um pouco da minha pipoca.
— Sempre foi o melhor remédio, não é mesmo? – foi o que disse à Mabel, lhe entregando o controle para que escolhesse a próxima música.
Nem preciso mencionar que Mabel assim como eu, era doente pela boyband, certo? Certo.
— Se quer chorar, então tem que ser essa música aqui. – disse ao iniciar um vídeo.
More Than This. – constatei ao ouvir os primeiros acordes da música e olhei para Mabel que encarava-me com um sorriso preocupado. — I’m broken, do you hear me? – comecei a cantar.
I’m blided – levou as mãos cobrindo os olhos. — ‘Cause you are everthing I see… – Mabel me acompanhou.
Ao longo dos anos, foi ficando muito difícil para mim, expressar os meus sentimentos tão abertamente com as pessoas. Fui fechando-me com medo de acabar me machucando com coisas que não deveria, me limitando a confiar apenas em meus pais, minha melhor amiga e Chad.
Agora, eu tinha apenas Mabel e meus pais.
Ou melhor, somente Mabel, já que desde que me mudei da casa deles, a nossa convivência não era algo que acontecia com muita frequência.
Quando a pizza chegou, busquei uma garrafa de vinho no andar de cima, para continuarmos a nosso momento nostalgia.
— Tudo teria sido muito mais fácil se eu tivesse casada com o , uma hora dessas – suspirei ao lembrar-me do momento mais marcante como fã.
Era o nosso primeiro show e consequentemente o nosso primeiro Meet and Greet.
Eu deveria ter uns dezessete anos na época, tinha acabado o colégio e estava prestes a entrar na faculdade, mas se eu não realizasse aquele meu sonho não poderia dar o passo seguinte para a “vida adulta”.
Ficamos por último na fila, pedindo a todo segundo para que o segurança nos deixasse entrar só nós duas, mentimos que éramos irmãs e depois de tanta insistência, ele acabou cedendo, lembro-me perfeitamente da ordem em que eles se encontravam parados em frente ao banner com o nome da banda.
Harry era o primeiro, com as pernas cruzadas e os braços para trás do corpo, ele era o favorito de Mabel, o abracei forte e ele retribuiu, murmurando em meu ouvido que era um abraço bom. Segui para Louis que ajeitava a sua franja e foi pego desprevenido pelo meu abraço, Niall já me esperava de braços abertos e conseguiu-me tirar os pés do chão ao inclinar seu corpo muito para trás, me fazendo rir arregalando os olhos.
Zayn encheu minhas bochechas de beijos, surpreendendo-me por tanto afeto, já que ele era conhecido por ser o mais quieto da banda. E por último, mas não menos importante, cheguei os braços de , o meu preferido. Eu tremia em seus braços e ele percebeu, ficando um pouco assustando, me pedindo para ficar calma, passava sua mão por meus cabelos e arriscou colocar uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
Quando o segurança nos mandou fazer a pose, eles rapidamente já sabiam exatamente qual a pose que queriam fazer, foi Niall que perguntou para nós qual deles eu e Mabel queríamos que nos pegassem no colo.
Eu disse o nome do automaticamente, e ele pegou-me no colo com toda delicadeza do mundo. Harry fez o mesmo, porém um pouco atrapalhado com medo de derrubar Mabel, os outros três abaixaram-se intercalando-se a nós, o segurança gritou para que a gente sorrisse e a nossa foto era invejada por todos no Twitter naquela época.
Bons tempos.

***

Como uma boa amiga, Mabel acabou passando a noite toda comigo e adormecemos no sofá após assistir a um filme de comédia romântica.
Era sábado, então podíamos dormir até tarde, mas infelizmente o meu celular não queria colaborar com esse feito, tocando sem parar.
Sentei no sofá, sentindo todo o meu corpo doer pela má posição que tinha dormido e peguei o aparelho que não parava de vibrar em cima da mesa.
Era uma chamada de vídeo que meus pais me chamavam para fazer parte, estranhei o fato de estarem ligando de cada um dos seus celulares, mas atendi mesmo assim e indo falar na cozinha para não acordar Mabel.
Bom dia, minha querida filha – meu pai foi o primeiro a dizer, mais alto que o normal.
Bom dia, meu amor – foi a vez da minha mãe dizer sorrindo para a câmera.
— Bom dia – respondi-os ao bocejar levando a mão a boca.
Como você está? – meu pai perguntou enquanto eu dava um jeito de apoiar o celular encostado na fruteira no centro da mesa e pegar uma maçã para comer.
— Eu estou bem, vocês como estão? – pergunto ao morder um pedaço da fruta.
Filha, não minta! – minha mãe acusou-me de mentir. – Chad nos ligou ontem.
— Hum… Achei que vocês tinham ficado sabendo pelo Facebook – tentei demonstrar o mínimo de curiosidade ao saber o que ele falou na tal ligação.
Eu acabei vendo alguns comentários naquele status de relacionamento, mas isso não vem ao caso agora – minha mãe comentou negando com a cabeça. – Afinal, nós sempre odiamos aqueles amigos solteiros que ele tem…
— Mãe – a repreendi.
Parei, parei. – disse ao levantar as duas mãos. — Como você está, bebê?
— Eu vou sobreviver. – dramatizei espreguiçando-me na cadeira.
Não seja tão dramática, ele não merece suas lágrimas, filha – foi a vez do meu pai vir com o seu discurso motivador, ele usou o mesmo discurso de quando levei um fora de um garoto popular na adolescência.
— Acredite, não derramei nenhuma lágrima por ele – o certifiquei, observando a minha mãe limpar algo em seu dente usando a câmera. – Posso saber onde vocês dois estão? Não posso acreditar que cada um está em um cômodo da casa.
Chad não te deu o nosso recado com as flores e o chocolate no começo do mês? – meu pai perguntou arqueando a sobrancelha.
— Eu ganhei flores e chocolate, mas ele me disse que eram presentes de noiva… ‘Tá, ‘tá. – disse já entendendo tudo. – Ele não me deu nenhum recado.
Filha, eu e o seu pai nos inscrevemos para trabalhos voluntários no começo do ano, eu estou aqui na Amazônia no Brasil, veja – ela levantou-se abrindo a sacada do quarto onde estava me mostrando uma paisagem toda verde de fundo.
E eu estou na África do Sul – eu não tinha reparado que meu pai estava dentro de um tenda, até ele levantar-se da cama mostrando tudo à sua volta.
Você deveria se inscrever também, já que não tem nada mais que te prenda à Londres. Passar um ano em trabalho voluntário vai fazer um bem danado à você. – minha mãe disse sem medir muito as palavras e foi repreendida pelo meu pai. — Desculpe, querida, não era a intenção te magoar.
— Não. Relaxa, eu estou bem… Mas pelo visto, não vai rolar almoço em família hoje – sorri sem graça ao descobrir que meus pais estavam cada um em um lado do oceano e o desgraçado do Chad não tinha me contado.
Não – meu pai riu – Sem contar que vendemos a nossa casa.
— Venderam? – perguntei surpresa.
Sim. E compramos outra em um lugar que você vai amar. – minha mãe contou empolgada, voltando para dentro do quarto. —Pode até estreá-la para nós.
— Meu Deus. Me falem logo onde é…
No três, nós falamos juntos e torce pra não ter interferência na ligação – meu pai disse e começou a contar regressivamente. – Malibu – ambos disseram uníssono.
— O quê? Vocês compraram uma casa em Malibu? – arregalei os olhos, eu não podia acreditar no que estava ouvindo, eu poderia estrear uma casa em Malibu.
Isso mesmo que você ouviu, meu amor, agora nós temos uma casa em Malibu, que está de portas abertas para recebê-la para curtir o seu fundo do poço pós fim de noivado. – mais uma vez o meu pai acabou a repreendendo por tocar no assunto.
Continuamos a conversar, por mais alguns minutos, eu respondia no automático enquanto pensava os preparativos da minha viagem para os Estados Unidos, curtir minha casa só para mim em Malibu.
Quando desligamos, segui até a sala pulando no espaço vago para acordar Mabel lhe atacando várias almofadas.
— Que caralho, , era pra você acordar chorando, não animada como se tivesse acabado de ganhar na lotéria.
— Mas foi quase isso – digo ainda pulando. – Mabel, faça suas malas, nós vamos viajar.
— Viajar para onde? ‘Tá maluca, ? – perguntou ao sentar-se no sofá.
— Vamos para Malibuuuuuuu! – digo antes de pular com tudo em seu colo.

***

UMA SEMANA DEPOIS

Infelizmente, Mabel não conseguiu alinhar sua agenda para poder me acompanhar de férias aos Estados Unidos, o que me abalou um pouco por não ter ninguém para passar o tempo e passear, mas quando estava prestes a desistir, Mabel me encorajou dizendo que aumentaria sua carga horária de consultas para poder tirar uma folga para me visitar.
E aqui estou eu, pegando um uber e seguindo para o endereço que meus pais tinham me mandando por mensagem no whatsapp. O motorista, extremamente gentil, ao perceber que era inglesa, tratou logo de me apresentar algum dos locais que passávamos em frente, caso eu tivesse vontade de voltar para passear durante as minhas férias.
Ao chegar em frente à casa indicada, não foi somente o motorista que ficou boquiaberto me parabenizando pela conquista, eu também estava de queixo caído para o tamanho da casa que meus pais haviam comprado para morar quando voltassem de suas viagens.
Apertei o interfone, meu pai disse que tinha alguém esperando por mim.
— Bom dia, Srta. ? – a voz no interfone proferiu o meu nome fazendo-me sorrir para câmera de segurança acima do mesmo, confirmando com a cabeça. – Só um minuto.
Sorri em resposta, ajeitando minha bolsa ao ombro. Ainda olhando para o enorme portão, bastante ansiosa para o seu interior, que abriu-se relevando uma mulher na casa dos quarenta anos, de cabelos louros e com vestido floral, seguida por um garoto que deveria ter no mínimo uns quinze anos, e tinha as bochechas coradas.
, muito prazer, sou Mayala Castilho. – a mulher apresentou-se vindo me dar um abraço de boas-vindas. — Esse é meu filho, Jaylen.
— Pode me chamar apenas por , já está bom demais. – digo dispensando tanta formalidade. — Olá, Jaylen – o abraço. – Bonito nome. – o elogio recebendo um sorriso como resposta.
Os americanos eram calorosos.
— Jaylen, leve as malas da para o quarto no qual arrumamos, enquanto vamos conversando para ela conhecer tudo por aqui.
Jaylen concordou com a cabeça, pedindo, em baixo tom, licença para pegar as minhas malas, concordei lhe entregando até mesmo minha bolsa de mão, apenas pegando o celular e o colocando no bolso da calça.
Precisava trocar de roupa imediatamente, calça jeans e blusa de mangas compridas de tricô não era nada um look para usar nos Estados Unidos.
— Seus pais me contrataram no mesmo instante que fecharam o contrato dessa casa. Sua mãe disse que foi amor à “primeira vista” por tudo, incluindo à mim. – Mayala começou a explicar enquanto andávamos até o início das escadas, em madeira branca com um lindo canteiro de flores em volta.
— Imagino que ela tenha percebido que você é uma pessoa muito atenciosa e dedicada com o trabalho – disse sabendo exatamente o que encantava a minha mãe.
— Foi exatamente o que ela disse – Mayala concluiu e indicou para que eu subisse as escadas primeiro, subi sendo acompanhada por ela. — Atenciosa e dedicada.
— Nossa – exclamei ao olhar pela porta de vidro o tamanho da sala de estar da casa, tomei a liberdade para abrir e entrar sentindo o ar climatizado no cômodo. — É maravilhoso. – várias janelas por toda a extensão, que permitiam ver o mar à nossa frente e também era bem arejado.
— Seu pai disse para deixar o ar condicionado ligado, caso você não se acostume tão bem assim com o calor, para evitar que você passe mal… – Mayala comentou.
— Continua sendo o pai super protetor de sempre – murmurei sorrindo com o comentário.
Continuamos com a tour por toda casa. A cozinha era no mesmo cômodo que a sala de jantar com uma mesa enorme de vidro. Ainda no térreo, ambos teriam um escritório para cada um, evitando assim as diversas brigas que tinham para organizar suas reuniões por vídeo chamada. O ultimo cômodo do corredor, Mayala me contou que era uma suíte que dividia com seu filho.
O andar de cima, era tão espaçoso, mas ainda cheio de caixas pelo corredor para desempacotar, eu com certeza a ajudaria para passar o tempo e ir decorando aos poucos a casa. Ela me mostrou o quarto dos meus pais que além de ser uma suíte, tinha dois ambientes.
Seguimos para o meu quarto, onde Jaylen terminava de recolher alguns plásticos, os colocando dentro de uma caixa de papelão para levar para baixo, eles deveriam ter passado um bom tempo para montar o meu quarto que estava em perfeito estado.
— Ainda tem algumas caixas com o seu nome no corredor, sua mãe disse que não tinha coragem de jogar tudo fora ou mandar para o depósito antes que você as visse. — Jaylen disse ainda um pouco tímido.
— Depois vou dar uma olhada nelas, muito obrigado – o agradeci pelas malas.
Jaylen sorriu para Mayala antes de sair do quarto em seguida.
— Bom, agora que já conheceu toda a casa, vou te deixar a sós para poder descansar um pouco. – Mayala disse – Se precisar de alguma coisa é só me chamar vou estar na cozinha.
— Acho que vou tomar um banho para relaxar um pouco… Depois preciso ir comprar biquínis, se não for muito incômodo, poderia me acompanhar? – pergunto mexendo as mãos um pouco sem jeito.
— Será um prazer, .
. Só . – peço novamente para que ela se acostume.
— Será um prazer, – riu ao dizer antes de me deixar a sós no quarto.

***

O que achou da nossa nova casa? – conversava com o meu pai por ligação de voz enquanto olhava-me no espelho, provando o biquíni de cor amarela com detalhes branco, era maravilhoso e caiu super bem no meu corpo.
— É perfeita pai, meus parabéns, acertaram em cheio – elogio sua casa imaginando um sorriso enorme em seus lábios orgulhoso de ter conseguido tudo com o seu trabalho.
Obrigado filha. Eu e sua mãe queremos ter uma conversa muito séria com você depois, mas temos que arranjar um bom horário…
— Bom, aqui agora são – conferi o horário no celular – Três da tarde, enquanto aí já é meia-noite… Meu Deus, já era para o senhor estar dormindo – digo surpresa.
Pra sua mãe são apenas três horas de diferença pra você. – riu comentando a loucura com os horários. – Seis da tarde, acho que podemos conversar amanhã esse horário.
— Por mim, tudo bem.
Vou avisar à sua mãe, vou desligar, querida, preciso descansar, até amanhã.
— Até amanhã, papai.
Antes de descer, tirei uma foto de biquíni em frente ao espelho e mandando-a para Mabel em seguida, a deixando ansiosa para suas mini férias.
O quintal da casa já era a areia da praia e para a minha sorte, estava bem deserta, apenas com alguns rapazes surfando bem longe ao ponto de precisar forçar minha visão para enxergá-los. Algumas famílias permaneciam em suas varandas, fazendo churrasco dispersos entre si, então aproveitei para deitar-me para tomar sol.

***


Após a minha separação, achei que deveria mudar um pouco os ares, Londres estava sufocante demais para mim. O destino perfeito foi a casa do meu amigo e compositor, Kaleb Mclver, ele com certeza iria me ajudar a distrair dos meus problemas com o seu alto astral e suas inúmeras festas.
Para a minha surpresa, ele havia deixado o apartamento em Los Angeles se mudando para uma casa em Malibu, aproveitei que estava próximo à minha casa para buscar um dos meus carros, para não ficar perambulando toda a cidade usando apenas Uber, não era algo muito convencional para alguém tão famoso como eu era. Ao olhar para minha garagem, ponderei entre dos meus dois melhores carros, escolhendo a Ferrari F12 vermelha.
Percorri as ruas chegando à Malibu em menos de uma hora.
Kaleb mostrou-me toda a sua enorme mansão e o quarto de hóspedes no qual eu passaria meus dias.
Estava observando o mar sentado em uma das espreguiçadeiras ao lado da piscina, quando observei a vizinha de Kaleb, andar despreocupada e amarrando seus cabelos para deitar-se em uma canga para tomar sol.
Ela tinha um corpo esplêndido, repleto de boas curvas e uma bunda de dar inveja em muitas outras mulheres.
— Hey bro! – Kaleb gritou-me da cozinha desviando meu olhar da mulher para ele. – Vai uma heineken aí? – perguntou mostrando a cerveja em sua mão, concordei com a cabeça voltando a prestar atenção na mulher, que despretensiosamente após olhar para os lados, soltou o nó do seu biquíni ainda deitada de bruços. — Seu safado está observando um top less de camarote e nem me chama – Kaleb bateu em meu ombro entregando-me a cerveja gelada.
— Quem é ela? – perguntei desviando o olhar.
— Não faço ideia – deu de ombros – Me mudei faz umas duas semana, mas o consultor imobiliário me garantiu que os vizinhos não vão ser problemas já que vivem viajando à trabalho.
— Interessante – comentei dando um gole em minha cerveja.
— Se está afim, deveria chegar junto – incentivou-me.
— O quê? Eu? – ri negando com a cabeça. – Quer que eu apareça na porta dela com uma torta de morango dando as boas-vindas?
— De banana. – corrigiu levando para o duplo sentido. — Qual é? Você é , qualquer mulher sonha em ser abordada por você na praia.
Torci a boca ficando em silêncio, a observando novamente.
— Quer saber? – Kaleb entregou-me seus óculos escuros tirando o moletom branco ficando somente de bermuda, entregou-me também um boné.
Levantou da espreguiçadeira ao meu lado, abaixando-se na piscina afundando a cabeça na água molhando, seus cabelos louros os balançando em seguida.
— Vem comigo, bro! Vamos seguir o código de boa vizinhança e dar boas-vindas à minha nova vizinha gata. – Kaleb disse pulando direto na areia.
Vesti o moletom, me escondendo atrás dos óculos escuros e boné, usando a escada na lateral da sacada para descer até a areia.
Deixei Kaleb todo animado andar na frente para esconder da mulher que cantarolava alguma música de cabeça baixa distraidamente.
— Olá, boa tarde – Kaleb disse um pouco mais alto na intenção de atrair a atenção da mulher que levantou a cabeça de imediato.
— Ó, meu Deus! – foi a única coisa que ela respondeu ao nos olhar e isso fez com que eu desse um passo para trás, achando que ela já havia me reconhecido em segundos, mas o seu choque era por estar quase sem biquíni.
— Jesus Cristo! – Kaleb disse ao perceber que ela tentava dar um nó na parte detrás do seu biquíni – Posso te ajudar?
Ela o olhou sem entender.
— S-o-s-omos vizinhos – gaguejou apontando para a sua casa atrás de mim. – E-eu vim dar as boas-vindas…
— Por favor – ela pediu segurando as duas pontas do biquíni, não conseguia decifrar se ela estava vermelha de vergonha ou era do sol.
— P-pronto! – Kaleb afastou-se e a mulher se levantou ficando de frente nos encarando. – S-sou Kaleb Mclver, me mudei há pouco tempo para a casa ao lado. – estendeu a mão em sua direção. — M-muito prazer.
— Prazer, sou , cheguei hoje de manhã da Inglaterra. – seu sotaque era carregado. Kaleb me lançou um olhar como quem dizia “é da sua terra babaca”, apertando a mão da mulher em nossa frente.
— Esse é meu irmão… – Kaleb pensou por alguns segundos. – Layne Mclver.
— É um prazer, Layne – percebi que ela segurou para não rir, estendendo-me a mão.
Meu Deus, aquele era o momento mais constrangedor de toda a minha existência.
— Prazer é todo meu – respondi apertando sua mão e ela encarou nossas mãos por alguns segundos.
— Gostei das tatuagens – comentou fazendo-me arregalar os olhos, ainda bem que estava de óculos escuros se não provavelmente ela teria visto.
Kaleb também parecer perder o foco por alguns segundos.
— Muito obrigado – soltei sua mão levanto a para o bolso canguru do moletom.
— Bom, agora que já nos apresentamos – Kaleb disse entrando na minha frente – Amanhã estou pensando em dar uma festa para comemorar a casa nova, e vai vir só alguns amigos íntimos meus e você será a minha convidada de honra.
— Vou ser a convidada de honra para não correr o risco de chamar a polícia? – perguntou arrumando os cabelos já que o vento insistia em balançá-los.
— Sim… – disse de imediato. – Quero dizer, NÃO. É que seria legal sermos amigos pela…
— Boa convivência – completou percebendo que Kaleb já não tinha mais jeito de tão enrolado que estava. – Concordo, bom quando ouvir a música alta vejo se dou um pulo na sua casa.
— Prometo que não vai se arrepender, vai ter uma gente legal e quem sabe algum famoso? – jogou no ar fazendo juntar as sobrancelhas sem entender. – Bom, eu e o meu irmão, Layne, vamos indo, foi um prazer te conhecer, voce é muito linda. – a elogiou antes de começar a andar para trás trombando em mim. – Layne! Vamos, nossas cervejas vão ficar quentes.
— É. Cervejas quentes são horríveis – foi a única coisa que acabei dizendo antes de me virar voltando para casa de Kaleb.

***


Kaleb Mclver é um compositor muito famoso por já ter nomeado vários hits de sucesso, ele realmente se mudou faz duas semanas porque tem um post no Instagram em frente à casa nova. Seus últimos stories foi gravando uma Ferrari vermelha que chegava em sua casa e uma foto brindando uma cerveja com alguém provavelmente o Layne Mclver, ou melhor, . – Mabel dizia ofegante do outro lado da tela.
Liguei para Mabel via FaceTime após o jantar, ela já estava se arrumando para sua corrida matinal em Londres, aproveitava para stalkear o meu vizinho após alguns polichinelos.
Por outro lado, eu estava bem entretida em abrir uma das caixas com o meu nome do corredor, e para a minha surpresa, era a caixa pela qual eu mais estava procurando.
— Mabel – tirei de dentro da caixa faixas de um dos shows do One Direction.
, você tem que transar com o . – ela disse parando de se exercitar. – É uma chance em um milhão, ele está dormindo na casa ao lado, tem noção disso? – surtou voltando à tona a Mabel de dezessete anos.
Teenage Dreams – digo lembrando-me da música da Katy Perry fazendo Mabel dar um gritinho animado,
— Céus, eu preciso muito ir para os Estados Unidos, eu não ligo de transar com o amigo dele – deu de ombros.
— Mabel – ri negando com a cabeça – Modos.
— Amiga, você não percebe que é o destino nos dando uma segunda chance de ser feliz? – dramatizou minha amiga.
Mabel prometeu que tentaria apenas uma vez ser feliz no amor e, caso o seu plano viesse por água abaixo, seria difícil outro homem conquistar o seu coração de pedra. Pois bem, seu único relacionamento durou dois anos e alguns quebrados, em inúteis tentativas de reconciliação e desde então minha amiga curtia sua solteirice.
— Você vai a festa amanhã? – perguntou animada.
— Talvez – ponderei a resposta. —Tenho uma reunião com os meus pais às seis ou sete da noite, ainda não sei muito bem, depois disso estou livre para qualquer compromisso…
— Como transar com um integrante do One Direction. – Mabel interrompeu-me ao dizer com um sorriso de orelha a orelha, percebi que ela já estava fora do seu apartamento andando pelas ruas.
— Você não existe, Stone. – disse rindo ao deitar-me na cama. – Vá correr em paz, vou dormir, tenha um ótimo dia no trabalho, beijos.
— Tenha uma bela noite de sono, bons sonhos, te desejo um sonho erótico com o , beijos.

***

Eu queria poder dizer que realmente segui o conselho de Mabel tendo um sonho erótico com o meu ídolo da minha adolescência, mas ao invés disso eu havia sonhado com Chad.
No sonho, Chad e eu estávamos no altar prestes a dizer os nossos “sim” quando uma criança entra correndo na cerimônia e o agarra pelas pernas gritando “papai”, em seguida, aparece a mãe que começava fazer o barraco do ano no meu casamento, dizendo que eu roubei o marido dela…
Um pesadelo terrível.
Mas meu peito não doía e muito menos a vontade de chorar me atingia.
Acho que eu já não amava Chad há muito tempo, e o seu ponto final foi essencial para nós dois.
Após um belo banho, desci para tomar café e Mayala tinha o preparado na mesa da varanda com a vista de frente para o mar.
Eu poderia ficar mal acostumada com todos aqueles mimos.
Pensei em ligar para os meus pais, mas naquele momento ambos deveriam estar trabalhando, Mabel deveria estar prestes a dormir, o que estava me deixando sem opções de com quem conversar.
A movimentação na casa do vizinho chamou minha atenção ao perceber que ele estava vestindo um traje apropriado para poder surfar e insistia para que seu “irmão” fosse junto.
Naquele momento uma brilhante ideia surgiu em minha cabeça. Terminei o meu suco correndo de volta para o quarto, trocando a minha roupa por o meu outro biquíni novo, agora de cor azul marinho, desci as escadas correndo tanto que Mayala até me olhou estranhamente.
Olhei discretamente para a casa do vizinho enquanto prendia meus cabelos em um rabo de cavalo e ele assobiou chamando a minha atenção e batendo palmas, ri da sua reação balançando a cabeça antes de correr pela areia torcendo para que não caísse de boca em direção ao mar.


— Mexa-se vamos logo, Layne – Kaleb não podia perder a chance de zombar com o meu nome enquanto puxava-me pelo braço. – Troca de roupa e vamos logo pra água, estamos perdendo ondas incríveis.
— Se eu for, ela vai saber quem eu sou – digo percebendo o óbvio, como eu iria me esconder atrás de uma roupa de borracha?
— Qual é o problema em ela te reconhecer? – perguntou arqueando a sobrancelha.
— Eu também não sei – dei de ombros. – E se ela for uma fã? – ponderei a ideia.
— Jesus Cristo. Como se você nunca tivesse ficado com uma fã! Vem cá, ela vai fazer o quê? Vender um podcast detalhando a transa de vocês?
— Engraçadinho – revirei os olhos.
— Cai na real, . Por que se você não pegar, quem vai pegar sou eu – Kaleb apontou com a cabeça em direção à casa da vizinha e começou a bater palmas, como estava de óculos escuro virei-me rapidamente, a observando prender os cabelos antes de descer na areia correndo em direção ao mar.
— Não acho que seja uma boa ideia – mordi o lábio ao tirar a camisa e a bermuda vestindo o traje de surf.
— O que não é uma boa ideia é você continuar com esse seu discurso de “ai, ela vai saber quem eu sou” e não pegar logo essa mulher de jeito. – Kaleb disse antes de pular da varanda direto na areia ao lado da sua prancha que estava em presa no chão. — Vamos logo, Layne.
Vesti-me rapidamente e me juntei à ele na areia, pegando a outra prancha e seguindo para o mar. Como estava fazendo o que Kaleb queria, ele tagarelava em minha orelha enquanto andávamos pela areia, mas o meu foco estava preso na vizinha que não me parecia lidar muito bem com as ondas do mar. Bem no fundo, uma onda lhe acertou a fazendo demorar para emergir na superfície, saí correndo sem ao menos saber se ela precisava de ajuda ou não.
Larguei a prancha no chão e só pude ouvir Kaleb me perguntar o que estava acontecendo, eu apenas o chamei pela mão entrando no mar às presas, sem me importar com a temperatura da água e seguindo para o fundo, onde pude ver emergindo antes de afundar-se novamente sendo atingida por uma nova onda.
Quando achei que ainda faltava muito para chegar onde estava, a correnteza a tinha trazido mais para o raso devido às fortes ondas, acabei a pegando pela cintura e a colocando para cima como se fosse uma criança, era tão leve que me fez ter certeza do porquê apanhou das ondas.
Ela tossiu segurando em meus ombros com força tentando compassar novamente a sua respiração, estávamos em uma parte que as ondas já chegavam “mansas”, vamos dizer assim.
— A coloque sentada aqui – Kaleb falou ao se aproximar de nós, sentando em sua prancha, a levantei colocando sentada ao seu lado enquanto ela ainda tossia me ajudando a segurá-la. – Melhor a tirarmos da água.
Kaleb me ajudou a levá-la de volta para a areia, ela ainda tossia muito.
Aproximei-me abaixando ao seu lado, percebi que o seu joelho havia um corte que saía sangue, junto com outros ralados na extensão da sua perna.
— Isso deve estar doendo muito – Kaleb constatou fazendo careta sentando-se ao lado da vizinha.
parou de tossir aos poucos, respirando fundo e soltando o ar algumas vezes enquanto olhava para mim um tanto quanto curiosa.
— Você está bem? – Kaleb perguntou atraindo a sua atenção.
—Um pouco tonta – levou a mão a cabeça. – Achei que fosse morrer –tossiu.
— Sorte que o chegou a tempo então – Kaleb disse – Eu estava tão distraído que não tinha prestado atenção que você sumiu entre as ondas.
disse desviando o olhar de Kaleb para mim. – Engraçado, o conheci ontem como Layne Mcliver. – voltou a tossir novamente.
— Você já sabia que era ele? – Kaleb perguntou e ele apenas assentiu com a cabeça. – Eu disse para você que era uma ideia estúpida.
— A culpa foi sua – arregalei os olhos sem acreditar que ele havia dito aquilo para queimar meu filme.
— O reconheci pelas tatuagens – esclareceu tentando se levantar porem sem sucesso voltando a tossir. – Meu Deus, eu vou morrer.
— Acho melhor chamarmos um médico – disse olhando para ela.
— Já tem um médico aqui.
— Quem? – eu e Kaleb dissemos em uníssono, ela apenas apontou para ela mesmo. – V-você é medica?
— Sou. E o que aconteceu não foi nada demais, apenas engoli muita água. Preciso descansar um pouco e provavelmente fazer uns curativos nessa minha perna… Sabe como que é, britânicos não são muito chegados com o mar, minha cor de fantasminha camarada deve tê-lo assustado.
Ela disse nos fazendo rir.
— Posso te ajudar com os curativos – prontifiquei-me em ajudá-la.
olhou para mim como se não entendesse o porquê eu a ajudaria, mas mesmo assim aceitou estendendo a mão para que eu ajudasse-a levantar, ela pisou no chão sentindo muito o joelho machucado e eu a apoiei em mim para que ela não caísse, passando o seu braço por cima do meu ombro e tomando a liberdade para segurá-la pela cintura novamente.


De todas as formas que eu poderia descobrir que minhas teorias sobre tentar esconder sua verdadeira identidade de mim fosse verdade, afogar-me não estava em uma dessas formas.
Além de tentar manter-me viva após as ondas que me atingiam como se eu fosse um alienígena em suas águas, as cenas seguintes sendo amparadas por , não entravam nem em meus melhores sonhos que tive na adolescência.
Agora ele me carregava até a minha casa, meu joelho estava todo arrebentado e o meu pulmão cheio de água salgada, nem ao menos quando eu posso me dar bem, eu insisto em me dar mal.
me ajudou a subir na varanda puxando uma cadeira para que eu me sentasse quando Mayala veio correndo acompanhada do seu filho.
— Ó, meu Deus! O que aconteceu? – perguntou incrédula olhando o meu estado.
— Acho que o mar não foi muito com a minha cara – brinquei para descontrair o clima preocupante. — Não se preocupe, Mayala, vou ficar bem.
— Eu vou buscar o kit de primeiros socorros. – ela disse antes de sair, mas Jaylen permaneceu olhando para .
— Você é do One Direction, não é? – perguntou fazendo rir e concordar, o mesmo tirou o celular do bolso da bermuda. – Podemos tirar uma foto, por favor?
— Mas é claro que podemos tirar uma foto — concordou e eles tiraram uma foto juntos rapidamente.
— Minha melhor amiga é muito sua fã. Ela com certeza vai pirar – Jaylen comentou antes de se afastar enviando a foto. – Muito obrigado.
Ele foi extremamente gentil com Jaylen, da mesma maneira que tinha sido comigo nos dois meet and great em que nos vimos, ele era simplesmente perfeito. Enquanto viajava em meus próprios pensamentos, ele puxou uma cadeira sentando-se em minha frente, pegou delicadamente em meu pé o colocando no meio de suas pernas, observando o estado em que os cortes da minha perna estavam.
Mayala logo voltou com o kit de primeiros socorros, o colocando em cima da mesa.
— Mayala, certo? – perguntou para a mulher que concordou. – Mayala, você poderia nos trazer por favor um pouco de água corrente? Precisamos tirar o sal para limparmos esses cortes.
— Você deveria ir surfar – disse apontando para Kaleb que estava de volta ao mar.
— Por que? – perguntou juntando as sobrancelhas.
— Por que você não precisa gastar o seu tempo cuidando de mim enquanto poderia estar surfando com o seu amigo.
— Não vou conseguir aproveitar uma onda, sabendo que deixei uma pessoa machucada de lado para poder ir me divertir – disse olhando em meus olhos.
— Eu sou médica, posso me virar sozinha – constatei tossindo mais uma vez.
— Não no momento. Creio que está de férias. – levantou a hipótese.
Mayala voltou rapidamente com um recipiente com água, o entregando à , que agradeceu imensamente por ter o seu favor atendido e disse à ela que não precisaria mais se preocupar.
— Comecei as férias com o pé esquerdo – disse o observando abrir o kit de emergência, pegando um pacotinho de algodão molhando na água e passando no primeiro corte no meu tornozelo, ele segurava com delicadeza e passava o algodão de uma maneira tão suave que não sentia nenhum incômodo ou ardência.
Repetiu o ato nos outros três cortes, um na minha coxa, outro na parte da frente da panturrilha, outro no joelho. Dentro do kit de primeiros socorros, encontrou um antisséptico em spray e olhou-me como se pedisse permissão para poder usar, apenas concordei com a cabeça, mordendo os lábios e contraindo minha perna sem tirá-la do lugar com a ardência que causava.
— Calma, calma – disse abanando com a mão onde tinha passado o spray. – Passou, passou, se você se comportar ganha um doce.
— Acho que se você não fosse cantor, imagino que seria médico – disse imaginando que ele seria um médico extraordinário.
— Talvez – ponderou – Talvez fosse médico ou até mesmo bombeiro – deu de ombros. — Eu gosto da ideia de salvar vidas.
— Acredito que salve bastante vidas com o seu trabalho. – sorriu com o meu elogio e aquilo me derreteu por dentro. — Muito obrigado pelos curativos.
levantou-se abrindo a roupa de borracha de surf e amarrando as mangas compridas na própria cintura, para não ficar balançando. Inclinou-se para cima de mim para me ajudar a levantar.
— Quer que eu te leve lá para cima? – perguntou bem próximo ao meu rosto, pude sentir a sua respiração batendo em meu rosto, tínhamos uma diferença considerável de tamanhos.
Inclinei minha cabeça o olhando, ele tinha os olhos fixos nos meus, mas apenas discordei com a cabeça o deixando com um semblante confuso.
— Você já fez muito por mim hoje, , agradeço de coração. – o agradeci um pouco perdida em seus olhos, eles brilhavam em minha direção como nos sonhos.
— Posso pelo menos pedir para que Mayala te acompanhe? – perguntou ainda preocupado comigo, concordei com a cabeça.
— Ela deve estar na cozinha – expliquei com a mão o caminho que ele deveria fazer para chegar até o cômodo.
Ele pediu licença ao se afastar, encostei-me na varanda de madeira alongando minha própria perna, que ainda ardia um pouco devido aos pequenos cortes.
voltou acompanhado de Mayala poucos minutos depois, pediu à ela para cuidar de mim e se precisasse de qualquer ajuda poderia chamá-lo na casa ao lado. Despediu-se de mim com um abraço rápido e um beijo no rosto, antes de descer na areia indo em direção à casa vizinha.
— Que sorte a sua encontrar um homem tão gentil e bonito – Mayala comentou me ajudando a entrar em casa – Meu filho disse que ele fez parte de uma banda muito famosa no seu país.
— Sim. Ele é do meu país e a banda dele conquistou o mundo todo… – começamos a subir as escadas devagar.
— E a banda acabou porquê? – perguntou curiosa.
— Na verdade eles anunciaram apenas como uma “pausa” de dezoito meses, só que depois de dezoito meses todos os integrantes já tinham dado início às suas carreiras solo.
Entrei no quarto pegando a caixa no chão e a colocando em cima da cama, tirei de dentro da caixa algumas fotos da banda reunida mostrando para Mayala, junto com a minha coleção de CDs e tudo mais, ela sentou-se na beirada da cama observando tudo atentamente.
— Você chegou a conhecer a banda toda – Mayala disse com a foto do meu segundo meet and great em mãos.
Na segunda foto do meet and great continuando com a maré de sorte da primeira vez, a produção nos deixou ficar por último na fila e entrarmos novamente só nos duas, todos os integrantes trataram eu e Mabel perfeitamente bem.
Nossa pose da segunda foto, eu estava com os dedos entrelaçados em um dos integrantes que estava ajoelhado em minha frente, dois beijavam o meu rosto e os outros dois faziam o mesmo com Mabel.
Era um sonho e mais uma vez nossa foto causou inveja no Twitter.
— Bom, vou deixá-la descansando, se precisar de alguma coisa pode me chamar. – Mayala disse ao levantar-se da cama guardando alguns pertences de volta a caixa.

***

Agora que finalmente conseguimos um tempo juntos para essa chamada de vídeo, queremos te contar nossa novidade. – meu pai disse depois de uma longa conversa de como estava sendo os dias de ambos em seus devidos países. — Já faz um bom tempo que eu e a sua mãe estamos pensando nesse passo importante da nossa carreira, como você pode ter percebido, vamos residir nos Estados Unidos então fechamos o nosso consultório em Londres. Estudamos muito antes de tomar uma decisão tão importante como essa, e já alugamos o local que está em reformas e gostaríamos de saber se você tem interesse em juntar-se conosco.
Planejamos toda essa casa linda e espaçosa para podermos convivermos todos juntos, pelo menos no começo, que seja. Quando você se familiarizar com a cidade, podemos ver um apartamento para você morar.
Nós temos perfeita noção de que é uma mudança muito difícil a ser tomada, mas essa era a proposta que queríamos fazer à você, filha. Caso queira ver o nosso novo consultório, a Mayala sabe o endereço e pode te levar para conhecer quando estiver à vontade.
O que você acha, filha? – indagou minha mãe.
Naquele momento, absorvendo todas as informações sobre mudanças que meus pais estavam fazendo, me perguntei onde estava quando essas decisões tinham sido tomadas. Afastei-me tanto dos meus pais quando saí de casa, indo morar com Chad, que perdi a chance de saber cada detalhe do sonho que eles estavam vivendo em primeira mão.
Eu era uma péssima filha, mas ainda assim eles me incluíam em seus planos.
Realmente seria uma grande mudança para mim, deixar Londres para morar e trabalhar em um outro país, mas também era uma bela oportunidade de recomeço para conhecer uma nova cultura, aperfeiçoar o meu trabalho e conhecer pessoas novas.
Era uma leque enorme de opções que meus pais estavam dando em minhas mãos.
Eu tinha que aproveitar.
— Eu acho uma ideia extraordinária – digo um pouco nervosa ajeitando minha postura na cadeira, estávamos conversando via Skype pelo notebook. — Admito que me chateia um pouco não ter participado dessas decisões antes, mas sei que a culpa é toda minha, por ter simplesmente me excluído da família quando saí de casa, mas a proposta de vir para os Estados Unidos é encantadora, eu estou amando esse lugar e olha que é apenas o meu segundo dia. Vou pedir para que Mayala me acompanhe para conhecer o consultório…
Então isso é um “sim” e você faz parte do nosso time? – meu pai perguntou ansioso demais sem ao menos me deixar terminar de falar.
— Isso é um “talvez”, pois quero pensar muito bem sobre a proposta antes de tomar uma decisão precipitada.
Agrh! Ela puxou você – ele disse para minha mãe. –
Tudo bem, querida, sem pressão.
Aproveite seus dias de folga, esqueça o trabalho. Quando voltar para Londres, nós conversamos melhor sobre isso, certo? – minha mãe disse serena ignorando a implicância do meu pai.
— Certo. – suspirei.
O meu celular tocou e era uma mensagem de Mabel, perguntando se já tinha dado sinal de vida perguntando se eu estava bem, após ter contado sobre o incidente que aconteceu de manhã à ela.
A respondi com um simples não e uma carinha triste, conversei com os meus pais por mais um tempo antes de finalmente desligarmos.
Aproveitei para ir à cozinha, Mayala havia preparado uma bela lasanha para comermos no jantar e podia ter certeza que tinha um dedo do meu pai naquilo, para me mimar na véspera do meu aniversário.
— O jantar estava divino, Mayala. – elogiei a sua comida ao levantar da mesa e seguindo para a cozinha ajudando a retirar a mesa.
— Me chame apenas por Maya, – a mulher disse assim que cheguei na cozinha, colocando o meu prato dentro da pia, sorri com a sua resposta, estávamos começando a dispensar formalidades.
— Fazia um bom tempo que não comia uma comida de verdade, que não venha enlatado ou congelado – confesso morrendo de vergonha por não saber cozinhar. – Ou que venha de algum restaurante no IFood.
— Posso ensiná-la a cozinhar nesse meio tempo que estiver aqui – Maya prontificou-se. — Podemos fazer bolos, tortas e o que mais você tiver em mente.
— Vou adorar aprender a cozinhar. Afinal já está na hora, estou quase na casa dos trinta – dramatizei lembrando-me que acordaria mais velha no dia seguinte.
, vinte e seis anos não é trinta – Jaylen disse entrando na cozinha para colocar seu prato dentro da pia. —Você ainda é jovem e muito bonita.
— Obrigado – sorrio passando a mão sobre seus cabelos. — Quando estiver livre, quero que me leve conhecer o píer de Santa Monica.
— Você que manda, aniversariante.

***


— Eu não posso acreditar que você resolver atender a sua ex esposa antes da nossa festa e ficar com essa cara de zumbi pedindo misericórdia para cima de mim.
— Você esquece que eu tenho um filho, não é mesmo? – lhe lanço um olhar bravo secando meus cabelos com a toalha, tinha acabo de sair do banho que resolvi tomar para me distrair após a ligação que mexeu totalmente com os meus sentimentos.
— Não. Não esqueci e sei bem que ela o usou como um trunfo para desestabilizá-lo. Eu postei sobre os preparativos da festa ela viu nos stories.
Kaleb era um ótimo amigo, mas quando se tratava de relacionamentos, ele era um péssimo com conselhos.
— Bro, eu preciso ficar sozinho um pouco… Pode ser? – peço à ele respirando fundo. – Preciso colocar os pensamentos no lugar.
— Se te serve de motivação para ficar bem rápido e sair dessa, logo a nossa vizinha deve estar chegando para festa. – Kaleb disse na intenção de me animar.
— Ela machucou a perna mais cedo. Duvido muito que queira vir. – nego com a cabeça discordando da sua teoria ao vestir uma cueca preta, livrando-me da toalha que jogo em cima da cama.
— Eu aposto todas as minhas fichas ao dizer que ela vem por você essa noite. – disse convicto em suas palavras que, por um segundo, também me fizeram acreditar nelas. — Sem toalhas molhadas em cima da cama, . – Kaleb repreendeu-me antes de sair do quarto.
Peguei meu celular encarando o número de , eu tinha pego seu número com Mayala, então ela provavelmente não sabia que eu o tinha, passava por minha mente mandar mensagem perguntando se ela iria vir, mas eu não me sentia pronto para me envolver com outra pessoa no momento.
Vesti uma camiseta branca e uma calça jeans de lavagem clara, sequei meus cabelos com o secador, os moldando em um topete mesmo sabendo que depois ele se desmancharia tomando conta da situação.
Já podia ouvir a música alta vinda do andar de baixo, observei os convidados de Kaleb chegando ao espiar pela janela do quarto, mas não desceria tão logo. Encarando o frigobar do quarto de hóspedes como um belo esquenta para iniciar a noite.
Servi-me de um belo drink aproveitando a música que tocava no andar de baixo, arriscando alguns passinhos de dança e rindo sozinho, lembrando-me de que quando fazia algo engraçado, quem ria era ela.
Logo afastei tais pensamentos virando todo drink que tinha preparado, em seguida sentindo passear pelo meu corpo adentro.

***

Kaleb deveria saber o quão perigoso era ele deixar um frigobar completo para seus hóspedes. Após tomar duas garrafas de whisky, era vez de misturar vodca com energético. Já podia sentir-me consideravelmente bêbado, em minha cabeça tudo girava e eu estava rindo para o meu próprio reflexo pela televisão desligada em minha frente.
Já deveria ter passado mais de uma hora que estava no quarto bebendo, a festa deveria estar consideravelmente cheia e foi isso que me motivou a sair, vestindo uma jaqueta preta com detalhes brancos nas costas, tranquei a porta do quarto e indo rumo ao andar de baixo.
No topo da escada tinha uma fita zebrada com uma placa escrito que era proibida a entrada no andar de cima, ri de tamanha inocência de Kaleb nesse ponto. Era óbvio que as pessoas passariam para o andar de cima assim que precisassem usar um dos quartos de hóspedes para um momento de loucura.
Andei entre as pessoas as cumprimentando em um modo quase automático, as luzes que Kaleb tinha instalado para imitar fielmente uma balada não estavam me ajudando muito na minha embriaguez e se estivesse por ali, por azar eu não a reconheceria. Achei Kaleb sentado no balcão da cozinha, tirando foto ao lado de uma pilha enorme de cervejas e rindo alto com seus amigos, ele estava completamente bêbado e possivelmente me ajudaria a encontrá-la.
Aproveitei que estava na cozinha e fui passando pela porta de vidro que me levaria aos fundos da casa, andei pelo deck da piscina, onde tinham apenas alguns casais se beijando e uma roda de homens fumando maconha em um canto.
Olhei para casa de e intrigou-me ver tudo em uma completa escuridão, ela provavelmente deveria ter um programa melhor para sua noite do que vir a uma simples festa do seu vizinho.
Quando pensei em voltar para o quarto, fui surpreendido por Kaleb que me abraçou tão forte, que quase me jogando para a areia aos nossos pés.
— Bro, eu falei que ela tinha vindo, ela está ai. – Kaleb gritou em meu ouvido.
— Quê? A está aqui? – perguntei sem acreditar sentindo o meu coração se acelerar, não sei se era por causa da bebida ou por excitação em vê-la.
— Sim, sim. Eu a vi na sala procurando por você. Eu a cumprimentei e caralho, … Ela está muito gata. – Kaleb continuou gritando atraindo a atenção dos demais. – Vai lá, , vai lá e ganhe essa mulher para a sua noite estar completa.
Entrei de volta a procurando por toda a extensão da sala, procurei na cozinha, na sala de jantar, no jardim da frente da casa e até mesmo na entrada da garagem, onde Kaleb tinha montado uma cama elástica e alguns convidados pulavam bêbados.
Nada de .
Cansado de procurar, resolvi sair da casa para tomar um ar, sentando-me na sarjeta da calçada respirando fundo ao olhar para o céu, mesmo alcoolizado a sensação de estar com o coração partido não me abandonaria de jeito nenhum e me renderia uma bela ressaca na manhã seguinte.
— Fodeu. – ouvi um rapaz gritar passando por mim. – A polícia, a polícia.
Podia ouvir a sirene da polícia aproximando-se rapidamente e o som que vinha de dentro da casa começar ir abaixando-se aos poucos.
O maior escândalo da minha carreira estava por vir, que deixaria até mesmo as especulações sobre o motivo do meu divórcio para trás.
Tentei levantar-me inutilmente da sarjeta ao perceber a movimentação dos demais ao saírem correndo para seus carros.
Meu estado alcoólico apenas fez com que eu caísse novamente sentado, bufando ao sentir fortes pontadas em minha cabeça e uma enorme vontade de vomitar.
Senti alguém me puxando pelos ombros para me manter em pé, recebi alguns tapinhas pelo rosto na intenção que eu abrisse os olhos, mas mantê-los fechados era muito mais forte do que eu. Mas quando abri vendo a sirene azul e vermelha refletirem no rosto da pessoa que me ajudava, já tinha jogado a toalha.
Era só aguardar pelas notícias que surgiriam na manhã seguinte.

***

Abri meus olhos lentamente ao perceber a claridade que o quarto se encontrava, necessitava encontrar o controle que abaixava as persianas urgentemente ou então meus olhos iriam queimar com tanta claridade. Pisquei algumas vezes olhando para uma parede branca, estranho, as paredes do quarto de hóspedes de Kaleb eram acinzentadas. Olhei para o travesseiro, fronha branca e o edredom também da mesma cor, desci os olhos para o meu corpo, apenas de cueca boxer.
OK, podemos trabalhar com isso. Respirei fundo virando-me devagar para o outro lado da cama, com medo de poder acordar alguém que dormisse ao meu lado, mas ao ter o meu corpo todo virado para o outro lado, percebi que estava sozinho naquela cama.
Sentei-me bocejando enquanto passava a mão pelo rosto ainda me acostumando pela claridade, o quarto era bem espaçoso, tinha uma mala aberta do lado do guarda-roupas embutido todo desfeita, algumas caixas ao lado da porta, levantei-me da cama procurando pelas minhas roupas pelo chão e até mesmo debaixo da cama sem sucesso algum.
Droga!
Como a porta do quarto estava apenas encostada e podia ouvir-se barulho do lado de fora, andei até a mesa de escritório de frente para janela, na intenção de bisbilhotar até achar algo que me faça saber onde eu estava. Abri a tela do MacBook, mas para o meu azar tinha senha e a foto de usuário era um casal de costas olhando para a Torre Eiffel.
Aquilo não era um bom sinal, seja lá com quem eu tinha me envolvido na noite passada, a mulher era comprometida.
O que diabos uma mulher comprometida foi fazer na festa do Kaleb?
Fechei a tela do MacBook, olhando para as caixas empilhadas ao lado da porta apenas escrito “Filha”, vi que uma já estava aberta e aproveitando para ver o que tinha dentro, surpreendi-me com o conteúdo que eram todos os CDs do One Direciton, algumas edições de revistas conhecidas do Reino Unido em diversas fases da nossa carreira, pulseiras, faixas de shows, ao chegar no fundo da caixa, haviam duas fotos.
Reconheci sendo do nosso meet and great, passei os olhos por nossos nós da banda tentando inutilmente lembrar-me daquele dia, eram muitos shows e muitas pessoas, passei os olhos pelas duas fãs até perceber que eu sabia quem era aquela garota.
Era .

***


Não tinha sido a melhor noite de sono. Após longas horas cuidando de , acabar dormindo no sofá por pura exaustão em subir para a cama, cama na qual estava sendo ocupada por , que desmaiou após o banho gelado que tinha feito ele tomar.
Acordei ao ouvir uma movimentação na cozinha e arregalei os olhos ao pensar que poderia ser , levantei-me correndo e me arrependendo no mesmo instante, já que um borrão tomou conta da minha visão e tive que ficar parada após quase cair, esperando a minha pressão normalizar.
Andei em passos silenciosos até a cozinha e fui pega de surpresa por Mayala e Jaylen.
— Surpresa! – mãe e filho gritaram uníssono. – Feliz aniversário, .
— Ó, meu Deus – levei a mão cobrindo a boca após perceber o lindo bolo de chocolate que tinha ao centro da mesa envolta de um lindo café da manhã. —Vocês fizeram tudo isso para mim? – perguntei já sabendo a resposta andando até Mayala lhe dando um abraço agradecendo imensamente pelo carinho, repeti o mesmo ato com Jaylen antes de me sentar à mesa sendo acompanhada pelos dois.
— Não quer que a gente espere enquanto você vai chamar o ? – Jaylen perguntou sendo nada discreto.
— Jaylen! – Mayala o repreendeu.
— Desculpa, mas é que eu fui procurá-la e o encontrei na sua cama, fui pego de surpresa, só depois fui ver que você dormiu no sofá, aliás porque não dormiu com …
— Eu acho melhor você encher essa boca de comida, mocinho – Mayala o interrompeu fazendo-me rir da curiosidade do garoto.
— Ele estava bêbado, o achei caído na frente da casa do nosso vizinho, o trouxe para cá pois achei legal retribuir o favor, já que ele cuidou de mim mais cedo – lembrei do incidente de manhã na praia, tentando manter as aparências, mas por dentro eu estava surtando em saber que tinha apenas de cueca na minha cama.
A chegada dos meus vinte e seis anos já estava na lista de melhores aniversários.
Durante o café, os dois americanos em minha frente me perguntavam como era a vida na Inglaterra, queriam saber sobre os nossos costumes e o que eu já vi que é diferente do meu país.
Quando terminamos de comer, Mayala avisou-me que iria ao mercado fazer compras para o almoço e disse que minha primeira aula de culinária seria quando ela voltasse.
Encarreguei-me da louça do café, pegando o meu celular e o ligando no aleatório do Deezer que, para a minha sorte de aniversariante, caiu em uma música muito conhecida e antiga pelos primeiro acordes da guitarra de What Makes You Beautiful. Comecei a rir sozinha antes negar com a cabeça que aquilo só poderia ser o universo conspirando em harmonia com o dia do meu aniversário.
You’re insecure, don’t know what for… – cantarolei a parte do enquanto ensaboava alguns pratos despreocupadamente.
Quando a música chegou no segundo refrão, percebi que a voz de ainda estava se sobrepondo, olhei para o balcão onde estava o celular levando um susto ao perceber debruçado no mesmo, cantando a música que continuava a tocar, levei a mão ao coração molhando a minha camisa com sabão, larguei rapidamente o prato dentro da pia puxando o pano de prato para poder me secar.
— Bom dia, disse parando de cantar encarando-me fixamente.
Sorri sem graça pegando o meu celular em sua frente parando a música.
— Bom dia, – disse vermelha de vergonha. — Como se sente?
—Sinto como se a minha cabeça fosse explodir a qualquer momento, mas eu vou sobreviver – disse estampando um sorriso nos lábios, era muito difícil para mim manter meus olhos do pescoço para cima, tentando não prestar atenção no fato que ele estava apenas de boxer na minha cozinha.
— Vou te fazer um chá, vai ajudar na sua dor de cabeça – mudo meu foco rapidamente evitando de passar mais vergonha do que já tinha passado com a música.
— N-não precisa se incomodar…
— Eu insisto – o interrompi dizendo – Você cuidou de mim ontem, consegue se lembrar disso? – não perco a chance de alfinetá-lo sobre a sua bebedeira de ontem.
— Disso eu lembro – sorriu sem graça.
— Fique à vontade, sente-se! – digo apontando para a mesa que ainda tinha todo o café que eu estava prestes a começar a guardar após a louça, enquanto procuro pela chaleira.
— Eu estou à vontade, mas eu gostaria de estar devidamente vestido – comentou passando a mão por seus cabelos.
— Ah… – lembrei-me desse pequeno detalhe. — Suas roupas estão na lavanderia, é a porta ao lado. Eu achei melhor lavá-las depois de tudo que aconteceu.
sumiu por alguns instantes, voltando à cozinha vestindo sua camiseta branca, o que me deu alguns segundos para poder reparar em seu abdômen antes que ele pudesse cobri-lo.
— Me sinto bem melhor agora – comentou seguindo para mesa. —Wow, é aniversario de quem hoje? Do seu namorado? – que pergunta era aquela.
— Terminei meu noivado faz duas semanas – contei arqueando a sobrancelha, era uma pergunta no mínimo estranha. — Hoje é o meu aniversário.
— D-desculpe a pergunta é que eu acabei mexendo no seu MacBook para descobrir…
— Mexeu nas minhas coisas? – perguntei surpresa sentindo o meu coração quase sair pela boca e ele concordou com um breve aceno com a cabeça, como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo.
— E-eu só queria saber onde é que eu estava…Achei que começar pelo Mac seria uma boa opção.
As caixas. A única caixa de mudança que eu havia aberto era justamente a caixa que tinha tudo sobre a sua banda.
— Não me diga que você mexeu nas caixas que estavam ao lado da porta, – o encarei com medo da sua resposta e mais uma vez ele balançou a cabeça em concordância e naquele momento eu queria correr para o mar e me afogar em uma onda, respirei fundo voltando a encarar a chaleira em minha frente tentando trabalhar com a ideia que o meu ídolo adolescente tinha acabado de ver toda a minha enorme coleção de coisas com o seu rosto estampado.
— Tinha algum problema eu saber que você era minha fã? – perguntou ao começar a se servir de pão.
— Tinha algum problema eu saber que você era você? – rebati sua pergunta rapidamente demonstrando extremo nervosismo.
— Está bem – suspirou olhando para mim observando cada mínimo movimento meu, enquanto virava a água quente dentro do copo terminando de fazer o seu chá. – Aparentemente nós dois começamos de maneira errada.
— E como vamos concertar isso? – perguntei lhe entregando o chá sentando-se ao seu lado na mesa, ele murmurou um “obrigado” ao bebericar.
— Hum… – ele disse pensativo passando a mão pelo rosto antes de estender em minha direção. – Oi, eu sou o , provavelmente você deve me conhecer, eu fazia parte do One Direction – sorriu encarando-me.
— Oi, . Sou , é claro que eu lhe conheço, era louca pela sua banda quando tinha dezessete anos. – apertei a sua mão e acabamos rindo de todo aquele teatro.
— Ficou menos estranho para você? – perguntou e eu concordei com a cabeça. — Aliás, feliz aniversário, . – o cantor me parabenizou.
— Obrigado, . – sorri timidamente, mas por dentro eu estava soltando fogos de artifício.
— Então… Pelo visto, eu dei um muito trabalho ontem – ele começou a contar, fazendo o meu estômago embrulhar-se ao lembrar do tanto que ele acabou vomitando.
— Não está na minha lista das noites preferidas – comento negando com a cabeça.
— Poxa, achei que eu fosse seu preferido pelas fotos – fez bico zombando-me sobre os pertences dentro da caixa.
Porra, – soltei escondendo o meu rosto entre as mãos.
— Me desculpa, me desculpa – pediu segurando a risada – Não podia perder a chance.
— Engraçadinho.
— Mas, eu era o preferido? – perguntou curiosamente tomando o seu chá.
— Era . Você era o meu preferido – disse revirando os olhos ainda morta de vergonha.
— Bom saber. – sorriu com a resposta.
— Para inflar o seu ego? – puxei o bolo para perto de mim, toda aquela conversa já estava me dando fome novamente.
— Talvez – deu de ombros. – Mentira, foi apenas curiosidade.
Seguimos a nossa conversa tranquilamente, contei à ele tudo que aconteceu na noite passada, sua reação ao descobrir que eu dormi no sofá para não atrapalhá-lo não era a que eu esperava, disse que ninguém havia o visto pois antes mesmo que a imprensa toda chegasse, eu já tinha conseguido trazê-lo para dentro de casa, ele agradeceu imensamente o carinho que eu tinha por ele e aquilo me frustrou um pouco.
Agora eu era apenas uma fã com um “enorme carinho”?
— Agradeço a sua hospitalidade, mas acho melhor eu voltar para a casa do Kaleb, acabei saindo até mesmo sem celular ele deve estar louco atrás de mim. – disse ao levantar-se me dando um beijo no rosto. – Feliz aniversário. – disse novamente passando a mão entre os cabelos. —P-posso sair por aqui? – pediu apontando para a varanda e eu apenas concordei com a cabeça, vendo-o partir.

***


, você é o maior otário de todos os tempos – Kaleb disse após revoltado após eu ter te contado tudo que aconteceu na casa da vizinha. —Eu esperava mais de você.
— Posso ao menos saber o motivo pelo qual estou sendo xingado? – perguntei sem entender seu ponto de vista.
— ‘Tá escancarado ao lado do letreiro de Hollywood que você ‘tá afim dela e ela eu nem preciso comentar nada, não é mesmo “preferido”? – fez aspas antes de me atacar a almofada que estava ao seu lado no sofá. — Cara, é aniversário dela. Ela está sozinha em outro país, não conhece nada, nem ninguém, o que você está esperando pra chamar ela pra sair?
— Mas aonde eu posso… – parei de falar ao pensar exatamente em um lugar perfeito para levá-la conhecer.
— O que foi? – Kaleb perguntou me olhando. — , você pode levá-la à qualquer lugar dos Estados Unidos, ela não conhece nada por aqui.
— Eu já sei o lugar perfeito aonde vou levá-la – digo ao me levantar andando em direção as escadas indo para o quarto.

***

Após olhar-me no espelho e estar devidamente vestido para o meu possível encontro, Kaleb me olhava sem entender nada, mas eu não contaria nenhum detalhe até que tudo desse certo. Falei para que ele não me esperasse caso fosse fazer algo. Desci as escadas saindo pela costumeira varanda, indo novamente pela praia em direção à casa de .
Para minha sorte, ela estava acompanhada de Mayala e seu filho e eles pareciam ter acabado de almoçar, pois novamente parecia começar a lavar a louça. Bati na porta chamando a atenção de Jaylen, que abriu para que eu entrasse.
— Sou eu de novo – digo bem humorado olhando para as três pessoas em minha frente. – Posso roubar a hoje pelo resto da tarde? – pergunto olhando para Mayala, que faz a mesma curiosa me olhar com os braços cruzados.
— Por que você iria querer me roubar? – perguntou semicerrando os olhos.
— Hoje é seu aniversário. E sei de um lugar que você vai adorar conhecer. – a instiguei soltando um sorriso sapeca nos lábios.
olha para Mayala como se pensasse na resposta.
— Eu aceito que ela seja roubada –Mayala dá uma leve empurrada na mulher em minha direção e a pego em meus braços a deixando totalmente sem jeito.
— Parece que você é minha hoje – murmuro olhando fixamente em seus olhos.

***

Antes de partimos em direção ao destino que escolhi, subiu para poder se arrumar, fiquei esperando na sala jogando uma partida de Fifa com Jaylen, que perguntava-me animado como era ser famoso.
desceu extremamente linda usando um vestido azul claro de alças e com os cabelos soltos, era o que realmente a primeira música de sucesso da minha banda dizia, ela não precisava de maquiagem porque era linda.
Uma rápida passada pela garagem de Kaleb para pegar a minha Ferrari, seguimos pela estrada de Malibu até chegarmos em uma das praias mais populares.
— Ó, Meu Deus – disse assim que estacionei. – Aqui é aonde eu estou pensando que é?
A olhei pensativo por um momento antes de tirar o cinto.
— A praia onde gravamos What Makes You Beautiful? – fiz uma pergunta retórica. — Sim. – respondi saindo do carro dando a volta para abrir pra ela, pesquei uma mochila no banco detrás antes de trancar o carro.
— Não posso acreditar – disse surpresa. – , e-eu não esperava por isso.
— Até me vesti à caráter – apontei para minha própria roupa, com uma calça branca, porque óbviamente eu não tinha calça bege e uma camisa também da mesma cor. – Vou ficar devendo o cabelo e os outros quatro integrantes da banda, sabe como é, cada um está em um lugar do mundo.
riu, tomei liberdade de entrelaçar nossos dedos ao descermos na areia perto da casa de madeira branca onde havíamos gravado o nosso primeiro clipe.
Era nostálgico estar naquele lugar.

***


Não estava tendo um tempo hábil para raciocinar o que estava acontecendo no dia do meu aniversário, era como um sonho. Estava no carro de andando pela estrada de Malibu, conversando coisas normais do dia-a-dia quando ele simplesmente para o carro em uma praia, mas não é uma simples praia.
Era a praia de What Makes You Beautiful.
Estava sentada na areia ao lado de vivendo o meu sonho adolescente.
— Espero que esteja gostando da sua surpresa – comentou ao pegar sua mochila tirando de dentro dela uma câmera polaroid. — Posso? – ele perguntou ao apontá-la para mim, apenas assenti com a cabeça sorrindo para a foto que ele tirou em seguida, ele a balançou esperando que revelasse antes de sentar-se ao meu lado, esperando aos poucos a foto aparecer no pequeno papel em suas mãos.
Na foto eu estava apenas de biquíni, pois tinha me livrado do vestido após um banho de mar e sorria com os olhos fechados.
— Gostei – disse ao ver o resultado da foto.
— Posso guardá-la para mim? –perguntou mordendo o lábio inferior.
— Se você parar de me provocar, posso pensar no seu caso – suspiro pesado não conseguindo deixar passar aquela mordidinha sexy no lábio dele.
— Eu pararia de provocar se você me desse um beijo – deu de ombros aproximando-se mais perto de mim, olhando em meus olhos.
— Como eu posso te dar algo que você nunca me pediu?
A minha resposta foi o suficiente para passar a sua mão pela minha nuca puxando-me para mais perto de si, selando nossos lábios lentamente em um beijo calmo e tranquilo, exatamente do modo que aquele momento pedia.
O encaixe era tão perfeito que me negava acreditar que nunca tive a chance de beijar esse homem antes em toda minha vida, passei minhas duas mãos pelo seu rosto subindo para seus cabelos, entrelaçando meus dedos dando um leve puxão, o cantor sorriu entre o beijo puxando meu lábio inferior de maneira provocativa, fazendo nossos corpos aproximarem-se mais ainda, ele foi deitando-se na areia e quando vi já estava por cima do seu corpo.
— Agora que já pedi o beijo – murmurou contra meus lábios. – Posso guardar a foto?
— Deixo você ficar com ela, com uma condição – digo afastando meus cabelos do rosto para poder olhá-lo melhor já que os meus fios caíam por nossos rostos.
— Qual é a condição? – perguntou com a expressão confusa revezando seu olhar entre o meus olhos e boca.
— Quero que você me entregue ela em Londres. – murmurei de volta contra seus lábios antes de iniciar mais um beijo entre nós.

NOTA DA AUTORA: Quem acha que esse casal merece uma continuação? Eu estou muuuuuuuuito apaixonada por eles!