Needy

Needy

Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: É inspirada na musica needy da Ariana Grande.
Sinopse: Me desculpe se vivo entre altos e baixos, me desculpe por pensar que não sou o suficiente, e me desculpe por pedir desculpas demais.(…) Mas o que você pode ter certeza é que preciso do seu toque.
Beta: Lara-Jean Covey.

Fazia pelo menos três semanas que não conversava com , e sentia falta dele.
Explicando melhor a minha situação: eu fui a opening act de sua última turnê e acabamos nos envolvendo durante toda ela, e, embora já soubesse que não passaria de umas ficadas aqui e alí, algo dentro de mim tinha a expectativa de que fosse para frente. Eu e minha mania de me apaixonar por alguém que jamais se apaixonaria por mim.
A primeira semana foi a de adaptação. Havia passado meses ao seu lado rodando o mundo e recebendo muita atenção de sua parte. Ele até mesmo me convidou para fazer dueto de uma de suas músicas. Mas assim que a turnê chegou ao seu fim, e cada um foi pro seu lado, não obtive mais nenhum sinal sequer do homem que me apaixonei. Foi estranho ter que “caminhar com meus próprios pés” ao final de tudo. Não que eu já não tivesse que fazer isso antes dele aparecer em meu caminho, mas não sei, algo era diferente quando eu estava junto dele. Ok, talvez eu esteja soando um pouco carente demais, é que realmente sinto falta dele.
No início da segunda semana eu não consegui me segurar, e mandei uma mensagem para ele. Não obtive resposta. Isso doeu, e estaria mentindo se dissesse que doeu pouco, quando na verdade parecia que um buraco dentro de mim havia sido aberto. Não tivemos nada sério, por que meu coração não podia simplesmente o deixar pra lá? Seria tudo tão mais fácil…
No dia seguinte a mensagem, acordei e como hábito de olhar o celular assim que abro os olhos, pude ver uma mensagem sua. Não, não estava respondendo o que eu havia mandado, dizendo que “sentia falta…..da correria da turnê”, e sim dizendo que estava muito feliz em saber que eu estaria performando no VMAs, pois assim ele teria a certeza de que foi capaz de ajudar a alavancar carreira de alguém, no caso a minha. Apenas respondi um “obrigada, espero te ver lá x”, torcendo para que ele mandasse algo para flertar comigo. Porém nada aconteceu. E foi nessa semana, que eu peguei uma folha de papel e escrevi tudo. Coloquei tudo pra fora, e acabei fazendo isso em forma de música. Era essa a canção que eu cantaria no VMAs e nada no mundo tiraria essa ideia de minha cabeça. Passei o resto da segunda semana dentro do estúdio para construir a melodia adequada e que se encaixasse com a letra. Enquanto meus estilistas trabalhavam feito loucos para trocar tudo que já havia sido planejado para a outra música que, até então, eu cantaria.
A terceira semana foi a mais torturante. Eu tinha segurança da música, de forma que deslizava minha voz por todos as notas com maestria, mas não tinha certeza se deveria expor tudo o que estava sentindo assim. Para muitos seria só mais uma música nova, ou uma nova melodia tocando nas rádios… E para ele? Será que entenderia tudo o que eu havia pontuado naquela letra? Será que ele me acharia completamente surtada por ter me envolvido demais em um “caso”? Ao me fazer essas perguntas a insegurança tomou conta de mim. Não, eu não devia cantar essa música nova, seria vergonhoso demais. Odiava o fato de estar presa em uma montanha russa de emoções. Uma hora estava bem, e nada poderia me deixar para baixo, e na outra eu não tinha vontade de sair de casa, ou de pelo menos levantar da cama.
Outro pensamento também tomou conta de mim: e se eu não fosse o suficiente para ele, e essa fosse a razão de não termos dado certo? Sempre tive a certeza de que eu não era grande coisa, e ele precisaria de alguém melhor que eu para se envolver. Afinal, o que eu poderia oferecê-lo além de meu amor? Será que só isso bastava? Tantas perguntas sem resposta me fizeram atingir o fundo do poço e chorar como uma criança.
Com a chegada do grande dia do evento, mais tensão se instalou em mim. E eu estava pilhada, pronta para explodir a qualquer momento. Acordei cedo para me preparar para o red carpet. Maquiador, hair stylist, estilistas, todos dentro do meu quarto de hotel, e ainda assim eu me sentia sozinha. Primeiro colocaram extensões no meu cabelo e enrolaram, deixando-o ondulado. Depois foi a vez da minha maquiagem. Deveria ser algo bom para a entrada no tapete vermelho e para apresentação que faria. Em seguida comecei a por meu vestido, que dizer, a vestirem ele em mim. Juntaram todos os produtos e colocaram numa mala junto da roupa que usaria para me apresentar. Eu não seria a pessoa que faria a abertura do evento, e sim a segunda a cantar, porém isso me deixava mais nervosa ainda, já que ele poderia se atrasar para a primeira música, mas na segunda ele com certeza já teria chegado.
O desfile no tapete para tirar fotos e fazer algumas rápidas entrevistas foi horrível. Estava estampado na minha cara que eu estava nervosa, e ainda assim tentava sorrir para os fotógrafos e para as pessoas que me perguntavam qual música eu iria cantar na premiação. Nós celebridades somos muito bem treinadas para conseguir disfarçar o que sentimos e nos mostrar sempre felizes e animados. Nesse dia eu falhei como nunca havia falhado antes… Se fosse um teste, eu teria tirado zero.
Sentei-me à mesa reservada para mim e, como fui uma das primeiras a chegar, fiquei sozinha fazendo alguns stories para o Instagram enquanto ninguém chegava.
– Não acredito! – ouvi sua voz rouca. – Então estamos na mesma mesa, . – estava perfeito como sempre. Usando mais um terno Burgundy feito exclusivamente para ele.
– Que coincidência, não?! – tentei brincar. – Se tivéssemos combinado, não aconteceria. – ele se sentou ao meu lado.
– E então, o que você vai cantar hoje a noite? – pareceu interessado.
– Vou cantar uma música que compus na última semana. – ele ergueu as sobrancelhas em surpresa. – Eu deveria estar descansando, eu sei, mas não pude evitar. – dei ombros.
– Sei que todos dizem que no início da carreira você deve trabalhar até mesmo enquanto dorme, mas não se deixe sobrecarregar, ok?! – pegou minha mão e ali eu soube que eu não só estava apaixonada por ele, mas como pude ter a certeza absoluta de que o amava. Uma vontade de chorar veio, senti meu coração pequenininho, e mesmo tentando fingir que estava tranquila, ele percebeu que algo estava errado. – Me promete que você vai me ouvir, e vai com calma. Eu já estive no seu lugar, sei o que está passando. – errado, não sabe.
– Tudo bem, eu prometo. – dei um sorriso fraco e ele me puxou para um abraço rápido. Se ele realmente soubesse o que se passava comigo, será que estaria sendo tão atencioso assim?
A premiação começou e consegui me distrair um pouco. Claro que teria sido muito mais fácil se não estivesse ao meu lado. Assistir Taylor Swift fazer a abertura e celebração dos dez anos do Video Music Awards foi lindo, com toda aquela produção, cores, bailarinos, sem contar é claro com a qualidade impecável de seus vocais ao cantar Lover.
Assim que Swift deixou o palco e começaram a entregar alguns prêmios, me dirigi ao camarim para começar a me preparar. Era completamente incomum artistas novos como eu terem um tempo no palco central, mas eu havia conseguido essa façanha. Fechei a porta atrás de mim ao dar de cara com Ashton e Breanna, meus dois estilistas prontos para me ajudar a trocar de roupa. O look consistia em um body branco, repleto de strasses prateados e furta-cores, e por cima desse body, uma saia extremamente longa de tule bege com alguns pontos de brilho. Nos pés um salto nude. Meu cabelo foi preso em um rabo de cavalo alto e minha maquiagem retocada. Anunciaram que eu logo entraria no palco e comecei a preparar os in-ear, que são responsáveis pelo retorno do que está sendo tocado/cantado.
Me auxiliaram até que eu pudesse chegar no local do palco que foi preparado com um pedestal para a performance. O chão estava coberto por fumaça. Era isso, não tinha mais volta. Ouvi os primeiros acordes serem tocados e as luzes começaram a piscar, até que eu começasse a cantar o primeiro verso, onde um holofote estaria em mim, fixo.

Lately, I’ve been on a roller coaster
Tryna get a hold of my emotions
But all that I know is I need you close
Eu estava sendo completamente honesta sobre o que estava sentindo e o que eu havia passado nessas três semanas sem ele em minha vida. Porém, não podia fazer uma declaração tão direta, sendo assim, evitaria ao máximo olhar para ele em nossa mesa.

And I’ma scream and shout for what I love
Passionate, but I don’t give no fucks
I admit that I’m a lil’ messed up
But I can hide it when I’m all dressed up
Ao cantar essa estrofe, passei a mão em meu corpo, mostrando a roupa para simbolizar a metáfora escrita na música, de que em público, ou em sua frente, eu sabia disfarçar muito bem o que estava sentindo e da bagunça que eu era. Mesmo assim, adoraria ser uma bagunça ao lado dele.
O refrão começou e com isso eu tomei um pouco mais de coragem. Tirei o microfone do pedestal e caminhei até o mais próximo das celebridades que estavam ali assistindo a minha performance sentimental até demais. Agachei antes de começar a cantar a estrofe seguinte e a cantei praticamente de joelhos.

Sorry if I’m up and down a lot
Sorry that I think I’m not enough
And sorry if I say sorry way too much
You can go ahead and call me selfish
But after all this damage, I can’t help it
But what you can trust is I need your touch
Tornei a ficar de pé e voltei até o pedestal, onde coloquei o microfone de volta, mas ainda o segurando. A sensação que eu tinha era a de que estava nas nuvens, nada mais me passava pela cabeça além de bolar um plano para me comportar normalmente quando voltasse a mesa onde ele estava.
Senti meus olhos lacrimejarem e uma lágrima escorrer assim que cantei “How you even think it got this far?” olhando em sua direção por impulso. Droga, eu estava indo tão bem em evitar o contato visual com ele até agora! Se, com isso, ele não soubesse que essa maldita música era sobre ele, eu não sabia mais o que fazer. De maneira alguma eu tinha coragem para chegar em sua frente e dizer que eu o amava.

And I can be needy
Way too damn needy
I can be needy
Tell me how good it feels to be needed
Acabei a música ouvindo os últimos acordes da orquestra que estava no palco comigo. Agradeci a todos, e me retirei do palco. Estava feito. Enquanto minha equipe toda me parabenizava pela performance, eu só tinha vontade de vestir um moletom e deitar em minha cama, contudo, como não era possível, vesti novamente a roupa que cheguei e me dirigi até a mesa em que estava sentada antes, bem ao lado do homem que havia inspirado a canção que acabara de cantar.
Ao sentar de forma robótica, sem ao menos olhar para o lado, deixei minha mão em cima de minha coxa. Fui acordada desse transe ao sentir a mão grande de envolver a minha, e entrelaçar nossos dedos. Ainda em choque, olhei para seu rosto e pude vê-lo mexer os lábios dizendo “Eu também preciso de você por perto”.

Nota da autora:  Twitter: @amanda_ritis | Instagram: @amandar_autora

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