Nobody Like You

Nobody Like You

Sinopse: Ele é um cantor mundialmente famoso. Em pouco mais de três anos desde o lançamento de seu primeiro álbum, é um fenômeno nas paradas musicais e nos corações de adolescentes por todo o mundo. Ela já foi uma dessas adolescentes. E quando tem a chance de ver sua antiga paixão no Rock in Rio, não perde a oportunidade. Alguns encontros e outros desencontros acabam os aproximando e deixando sua conexão impossível de negar.
Quando uma garota se apaixona por um cantor famoso, ela não espera nenhum retorno. Quando um cantor se apaixona por uma fã, as coisas tendem a complicar. Mas para ele, não existia ninguém como ela. E para ela, ele era único a muito tempo.
Gênero: Romance
Classificação: 14 anos.
Restrição: Foi escrita com o Shawn Mendes, mas o principal é interativo.
Beta: Regina Georg

Capítulo 1

Something big, I feel it happening
Out of my control

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Nervosismo.
Não era uma sensação que havia experimentado mais do que algumas vezes, durante seus 20 verões de vida. Ela podia contar nos dedos de uma mão os momentos em que deixou o nervosismo tomar conta de si. Entre eles estavam o casamento de sua mãe com Leonardo, seu padrasto, já que havia sido péssimo carregar as alianças com mais de 100 pessoas a encarando em um vestido rosa que a fizera suar loucamente. Também ficou extremamente nervosa quando quase reprovou no terceiro ano do ensino médio, por ter faltado muitas aulas de Educação Física e quando fizera sua entrevista de emprego pelo Skype, já que ela não tinha condições de ir para o Canadá apenas para conversar com o dono da empresa de fotografia para o qual ela trabalharia a partir de outubro. A última vez que havia ficado nervosa, fora no dia da compra dos ingressos para o Rock in Rio. quase chorou de frustração, por medo de não conseguir finalizar a compra. Mas ela havia conseguido. E estava desembarcando no Rio de Janeiro, dois dias antes do show, por conta de um pressentimento maluco de , sua melhor amiga e prima, que jurava que iria encontrar o Maroon 5 dando sopa nas praias do Rio de Janeiro.
E pressentia que iria ter sua quinta experiência com o nervosismo durante aqueles poucos dias longe de casa.
– Vou pedir um Uber. – avisou, trazendo de volta para a realidade. Estavam na área de desembarque, procurando pelas placas que indicavam a saída. assentiu com a cabeça e segurou as alças de sua mochila com firmeza, seguindo a outra para fora do aeroporto Galeão. Tinha guardado os fones de ouvido e escondido o celular no bolso interior da mochila, tamanho era o medo de perder ambos os objetos. E não por estar no Rio de Janeiro, que tinha um índice de violência altíssimo que não lhe era exclusividade dentre os estados brasileiros restantes, mas sim por estar em um estado que não conhecia, para uma aventura maluca que ela havia parcelado em 5x no cartão de crédito do irmão. E por mais que quisesse fotografar cada passo daquela viagem, a garota optou por escolher os momentos certos para registrar com sua câmera. E o aeroporto não era um deles.
O local estava movimentado, como já era de se esperar e a área de desembarque estava abarrotada por jovens ansiosas e animadas, que esperavam seus artistas favoritos desembarcarem no Brasil para o Rock In Rio.
– Tem certeza de que ele não desembarcou? – questionou, desviando o olhar do celular para , que assentiu com a cabeça.
– Sim. – Assentiu com a cabeça. – Saíram fotos dele embarcando há cerca de uma hora.
– Que merda de azar. – bufou.
– Só tu tinhas esperanças de encontrar ele no aeroporto de madrugada.
– Não seja pessimista. – Reclamou.
O Uber demorou quase meia hora para aparecer, não surpreendendo nenhuma das duas. Aquela semana inteira deixava o Rio de Janeiro uma loucura quase tão grande quanto durante a Virada do Ano ou o Carnaval, que eram as épocas de maior movimentação turística na cidade. Elas ficariam hospedadas no apartamento dos pais de Henrique, o namorado de e melhor amigo de , localizado na Barra da Tijuca. O imóvel estava desocupado e elas teriam privacidade para surtar e dormir até quase falecer após o show que iriam assistir juntas. queria ver Adam Levine e o Maroon 5. havia comprado ingresso para o festival, para ver única e exclusivamente, .
Seu irmão, Maurício, havia zoado com a cara dela por meses, desde a compra do ingresso realizada com o cartão de crédito dele, já que o de não tinha saldo o suficiente. Segundo ele, ela jamais havia superado sua paixonite psicótica pelo cantor. E provavelmente desmaiaria assim que colocasse seus olhos no canadense e estava encarregada de gravar o momento para que Maurício pudesse ver a cena, quando elas voltassem para Santa Catarina. O que Maurício não sabia, era que não se sentia mais daquela forma.
Ela havia superado o amor lunático que nutrira por quase dois anos e agora sentia apenas uma grande admiração por . Ele era um ótimo cantor, suas músicas eram maravilhosas e, bom, ele era bonito para caralho. Suas ilusões de encontrar e acabar casada com ele não existiam mais. Ela havia amadurecido e encarado a realidade. Mas a vontade de ouvi-lo se apresentar ao vivo e vê-lo, mesmo que de longe, era bastante significativa em sua vida. E por isso ela estava ali.
– Eu preciso mesmo dormir. – comentou, após agradecer ao motorista do Uber e sair do carro. A viagem havia sido tranquila e demorou menos do que o tempo em que elas haviam esperado pelo carro no aeroporto. a seguiu até a portaria do prédio, ainda segurando sua mochila com firmeza. cumprimentou o porteiro e logo elas estavam dentro do elevador, rumo ao décimo andar. O prédio não era do tipo que gritava riqueza em cada milímetro de parede e sentiu-se mais confortável por conta daquilo. Não sabia lidar com lugares chiques demais, já que estava acostumada com a simplicidade.
– Vamos descansar durante a manhã? Eu preciso mesmo dormir um pouco. – falou para a prima, que assentiu com a cabeça e estalou os lábios.
– Nós vamos atrás do , não vamos? – questionou, em dúvida. Pulou para fora do elevador assim que as portas se abriram e tirou a chave do apartamento do bolso dos shorts jeans.
– Não sei. – suspirou, recebendo um olhar atravessado da amiga. – Talvez não valha a pena tentar encontrá-lo. Metade das garotas dessa cidade tem o mesmo plano que o nosso.
– Mas elas não são iguais a ti, sua stalker. – deu de ombros. Destrancou a porta do apartamento 105 e se jogou no sofá, suspirando alto de cansaço.
– Eu só dei uma pesquisada rápida. Não dá para ter certeza de que ele vai estar no Sheraton. – disse cética. Jogou a mochila na poltrona e aproveitou para dar uma olhada no apartamento. Não era grande e nem muito pequeno. Tinha apenas dois quartos, um banheiro, sala, cozinha e área de serviço. Voltou à sala e encontrou na mesma posição, rindo fraco antes de sentar ao lado da prima.
– Nossas pernas não irão cair se tentarmos. – decretou. Levantou do sofá em um pulo e puxou a prima pela mão, enquanto resmungava sobre ter acabado de se acomodar no móvel. – Vamos dormir um pouco. Depois almoçamos em algum lugar e vamos para o hotel.
– Tudo bem. – rolou os olhos, se deixando puxar para o quarto que dividiria com . Deixou a mochila na sala e apenas tirou os calçados, se jogando na cama. O quarto de Henrique tinha uma cama de casal, roupeiro, escrivaninha e dois criados mudos. Era totalmente comum e ao mesmo tempo, a cara do rapaz. não parecia nada inclinada a trocar de roupa, visto que apenas tirou os brincos e apagou a luz do quarto, se jogando na cama ao lado da prima.
– Imagina se ele se apaixona por ti? – comentou, aos sussurros.
gargalhou.
– Deixa de ser iludida guria. – Retrucou. – O que eu tenho que ele não pode encontrar em alguma modelo ou cantora?
– Personalidade. – estalou os lábios. – Peitos. Bunda. – Riu alto.
– Idiota. – pontuou, recebendo um beliscão no braço. Puxou um dos travesseiros e o abraçou, pegando no sono um instante depois.

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A gritaria no aeroporto aumentou consideravelmente assim que o cantor colocou os pés na área desembarque do aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro. já estava acostumado com os gritos. Havia se acostumado até com as lágrimas e os soluços, mesmo não gostando de presenciar. Mas os gritos das brasileiras estavam ultrapassando os limites com os quais estava acostumado.
O rapaz sorriu e acenou, enquanto aguardava sua equipe de segurança se aproximar para poderem escoltá-lo para fora do aeroporto. Os fãs gritaram mais ainda e riu. Gostava daquela euforia. Demonstrava o quanto era querido e o quanto seu trabalho era reconhecido. Não entendia os artistas que se recusavam a atender os fãs, afinal, eles deviam tudo a eles. E era muito grato a todo apoio que recebia. Jamais teria chegado ao Brasil para tocar no Rock in Rio, um dos maiores festivais de música do mundo, sem aquelas pessoas que gritavam seu nome e pediam autógrafos.
Sua equipe de segurança não ficou contente quando pediu alguns instantes para atender aos fãs, mas ele não se importou. Autografou muitos cadernos, CDs, DVDs e até mesmo uma barriga. Tirou foto com diversas pessoas e agradeceu a cada palavra de carinho que recebia. Ao sair do aeroporto e seguir para o carro, já havia compreendido que responder “obrigado, eu te amo” causava uma onda de histeria absurda nas garotas e ele deveria tomar cuidado com o uso daquela frase.
– Hoje você tem o dia livre. – Andrew, seu empresário, murmurou, atento a agenda de , aberta no notebook que ele carregava. – Sábado e domingo tem algumas entrevistas agendadas.
– Tudo bem. – assentiu com a cabeça. – Queria muito ir à praia.
– Podemos ir amanhã pela manhã. Aproveitar a chegada de outros artistas e curtir uma possível tranquilidade.
– Duvido que achemos tranquilidade em qualquer canto desse país. – riu e Andrew concordou com um aceno de cabeça.
– Vai ser realmente difícil conseguirmos isso.
Enquanto o carro corria pelas ruas do Rio de Janeiro, observava a vista pela janela. A cidade era realmente bonita, o céu azul trazia uma boa sensação e mal podia esperar para ver a praia. No Canadá ele não tinha esse tipo de paisagem, então aproveitaria ao máximo todos os momentos em que estivesse no Brasil. Quem sabe ele não sairia com um bronzeado? Era bem improvável, mas se divertia com a ideia.
O hotel em que se hospedaria era um dos melhores do Rio de Janeiro. Recebia diversos artistas e tinha uma organização e segurança impecável. Mas mesmo com a não divulgação de seu paradeiro, alguns fãs esperavam por na porta do hotel. sorriu e assim que saiu do carro, atendeu as poucas pessoas que o esperavam. Fotos, autógrafos e abraços. O cronograma era o mesmo, mesmo que mudasse a cada pessoa com quem ele tinha contato. Subiu para a suíte que ocuparia e se jogou na cama, com a esperança de que poderia dormir um pouco antes de fazer qualquer coisa.
Fora tirado de seu cochilo meia hora depois, com Andrew o buscando para tomar café da manhã. Precisava estar bem alimentado e completamente saudável para enfrentar uma multidão na noite de sábado e sabia que Andrew não largaria de seu pé tão facilmente durante a estadia no Brasil.
– Eu vou tomar uma ducha antes de descer. – Avisou ao empresário, que assentiu e se retirou do quarto.
tomou um banho gelado, devido ao calor que fazia na cidade. Estava acostumado com a Califórnia, mas o Rio de Janeiro parecia duas vezes mais quente. Vestiu uma sunga preta, bermuda e uma camiseta azul. Deixou os cabelos secarem sozinhos – ele não queria usar o secador de cabelo nem no ar frio – e calçou um tênis branco. Encontrou Andrew no restaurante e ocupou a cadeira vaga a frente do homem.
– Sua mãe ligou. – Andrew comentou. – Perguntou se você chegou bem e se está de jetlag.
– Depois do café eu ligo para ela. – falou, servindo-se de suco de laranja e encarando a variedade de comidas dispostas na mesa. Algumas ele conhecia, mas da maioria ele não fazia ideia do que eram e o mais importante: se eram deliciosas.
– A notícia da sua estadia aqui vazou rapidamente. – Andrew suspirou. – Tem uma horda de fãs na frente do hotel, gritando por você.
– Posso sair e falar com eles? – questionou, optando por um bolo de chocolate. Não tinha erro naquela escolha. – Podemos organizar uma fila ou sei lá. – Deu de ombros.
– Vou falar com a segurança. – O empresário murmurou, levantando da cadeira e seguindo para fora do restaurante. aproveitou para comer tranquilamente. Provou um pedaço de cada alimento e ficou muito animado ao perceber que a comida era realmente boa. Bem diferente, mas gostosa. Bebeu o último gole do suco e então pegou o celular no bolso da bermuda, discando o telefone da mãe em seguida.
– Oi mãe. – Murmurou, quando Karen atendeu a chamada.
, querido! Como você está?”
– Ótimo. – Sorriu fraco, mesmo que ela não pudesse vê-lo. – Acabei de tomar café e provei alguma coisa da culinária brasileira. É excelente.
“Sempre ouvi coisas maravilhosas desse país, principalmente da comida”.
– Pretendo experimentar mais e tentar descobrir os nomes. – Riu.
“E como está sendo?”
– Animado. – Murmurou. – Os fãs são realmente empenhados e intensos. Andrew disse que tem uma horda em frente ao hotel, me esperando. Vou tentar falar com todos.
“Tome cuidado, . Já ouvi histórias insanas sobre o amor dos fãs brasileiros.” Karen alertou, fazendo o filho rir. “E não se esqueça do protetor solar quando for à praia! Você não vai querer pegar insolação.”
– Andrew providenciou o protetor solar com o fator mais alto disponível no mundo. – garantiu.
Acabou conversando com a mãe por um tempo mais longo do que esperava. Quando finalizou a chamada, Andrew retornou para o restaurante, avisando que estava tudo certo para ele sair e conversar com os fãs. Muito mais animado, subiu para seu quarto e escovou os dentes, voltando ao saguão do hotel minutos depois. Seus dois seguranças particulares o seguiram de perto para fora do hotel e Andrew se manteve ao lado de , pronto para intervir caso algo desse errado. Mas o que encontrou na rua não poderia ser definido como algo fadado a catástrofe. Ele sorriu largo e cumprimentou a primeira fã da fila que se estendida por todo quarteirão.
passaria um bom tempo na rua atendendo seus fãs.

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– Tu quer deixar de ser uma lerda? – reclamou, interrompendo sua corrida para ralhar com .
As duas haviam abandonado o Uber duas quadras atrás do endereço desejado, tudo porque o trânsito estava um caos e elas perderiam mais tempo esperando no carro, do que se fossem andando. Mas com a pressa, não queria andar. Ela basicamente pulou para fora do Uber e saiu correndo como uma desvairada pelas ruas do Rio de Janeiro. Já , bem… Ela havia tentando acompanhar.
Elas tinham um plano. Ou pelo menos, parte de algo que elas consideravam um plano. Porque ficar sentada na calçada do hotel, sem nenhuma certeza de que sairia do quarto naquele dia e menos ainda que fosse passear pelo Rio de Janeiro, não poderia ser considerado um plano. Claro, aquela tática já havia funcionado para as duas garotas. Haviam conhecido a Demi Lovato com aquela mesma estratégia e esperavam que funcionasse com . esperava. estivera cética até entrar no Uber.
– Para quem não queria ir atrás do , tu ‘tá animada demais! – reclamou. revirou os olhos e pegou a prima pela mão, puxando-a com força e a obrigando a continuar a caminhada em um ritmo mais acelerado.
– Tu quem me convenceu a vir! Agora estou animada e esperançosa e se isso não der certo, a culpa vai ser toda tua! – decretou, fazendo a prima rir.
– Certo, certo. – Estalou os lábios. – Pode me culpar a vontade. Mas também vai ter que me agradecer pelo resto da tua vida, se tu conseguir o teu tão sonhado abraço! – deu de língua para , que nem se deu ao trabalho de responder.
Dobraram o quarteirão, parando de andar subitamente. Uma fila de garotas se estendia por toda a calçada do Sheraton e logo tratou de chamar a última garota da fila e questionar o motivo daquela organização.
está passando de fã em fã para dar autógrafos e tirar fotos. – A garota respondeu, com um largo sorriso.
– E ele vai falar com todos? – se intrometeu, visto que apenas arregalou os olhos e tentou falar alguma coisa, sem sucesso algum.
– O empresário dele disse que sim. – A garota assentiu. – Ele começou há poucos minutos. Vocês são fãs?
– Sim! – exclamou. – Obrigada pela informação. – Sorriu, puxando para a fila.
– Caralho, … – Ela murmurou, encarando a prima, que sorria largamente.
– Teu abraço está mais perto do que tu imaginava. – Riu. – Já pode começar a me agradecer. – disse, de forma pomposa. soltou um gritinho e abraçou , dando alguns pulinhos e murmurando agradecimentos. ria e se divertia com o entusiasmo da prima.
respirou fundo e soltou a prima, suspirando em seguida. Sacudiu a cabeça para os lados e riu de si mesma. Estava parecendo uma lunática e não deveria se portar daquela forma. Afinal, era apenas . Seu cantor favorito e um dos caras mais bonitos do mundo, em sua opinião.
– Estou parecendo uma descontrolada. – Murmurou, arrancando risadas de .
– Você vai ver descontrole quando eu vir o Adam Levine. – garantiu, fazendo a prima sorrir torto.
O tempo na fila parecia não passar. Os burburinhos e a constante passagem de garotas com quem já havia falado estavam deixando nervosa. Sentia-se suar frio e os pensamentos negativos tomarem conta de sua mente. E se cansasse e desistisse daquela loucura na metade da fila? E se as garotas estivessem sendo inconvenientes e ele precisasse se retirar? Eram tantos pensamentos, que parou de dar-se conta da passagem do tempo e logo tinham apenas duas garotas entre ela e . E uma delas era , que não perderia a chance de tirar uma foto com o canadense.
foi extremamente atencioso ao autografar e bater uma foto com a garota que havia lhes dado às informações. Abraçou-a antes de agradecer pelo apoio e se voltar para , que sorriu exultante. engoliu em seco e respirou fundo, obrigando-se a se acalmar. era uma pessoa como qualquer outra, não havia motivos para surtos.
– Ei. – sorriu para . – Tudo bem?
– Ah, eu estou ótima. – ela sorriu largo, respondendo em inglês. – E você?
– Animado. Essa energia me traz ótimas sensações! – ele riu e suspirou baixinho. Ele era ainda mais bonito e adorável do que aparentava pelos vídeos e fotos. E como era alto! Ela era quase uns 30 centímetros menor do que ele.
– Bom, eu adoro suas músicas, mas a sua fã é ela. – apontou para e voltou o olhar para a garota, sorrindo ainda mais largo. – Então só queria uma foto e te parabenizar pelo ótimo trabalho.
– Obrigado. – murmurou. posou ao lado dele e ambos sorriram para a câmera, antes de ela lhe agradecer e dar dois passos em direção a . – Oi. – Ele sorriu e já podia afirmar que vê-lo sorrir se tornara a coisa que mais gostava de ver.
– Oi . – Ela suspirou, respirando fundo antes de voltar a falar, agradecendo por lembrar-se das aulas de inglês naquele momento e torcendo para não se atrapalhar ou pronunciar algo errado. – Eu amo o seu trabalho e estou muito ansiosa para o show. E também orgulhosa, pois acompanho sua carreira desde a época do Magcon e te ver em um festival como o Rock in Rio é simplesmente fantástico.
O sorriso largo do canadense quase fez as pernas de cederem.
– Eu agradeço imensamente. – ele falou. – Isso tudo só é possível por causa de todo apoio que vocês me proporcionam, então obrigado. – sorriu novamente.
tirou uma cópia do Illuminate de dentro da bolsa, juntamente com uma caneta. autografou o álbum e então se aproximou para a foto. os fotografou, após interromper a gravação que havia prometido ao primo. então se inclinou e o envolveu pelo pescoço com os braços. O abraço não durou cinco segundos e logo sorria uma última vez, antes de agradecer e passar para a próxima garota da fila. , com as pernas bambas e as mãos tremendo levemente, guardou seu CD e encarou a prima, com um sorriso gigante nos lábios.
– Eu não desmaiei. – Ela falou, voltando a usar o português.
– Infelizmente. – riu, puxando para longe da calçada do hotel. Elas passaram por , que autografava mais uma cópia do Illuminate e sentiu seu sorriso se alargar. De braços dados com , ela seguiu pela calçada e antes de dobrar na esquina e sumir de vista, olhou para uma última vez. Ele era tão bonito que ela tinha a certeza de que jamais encontraria outro cara como ele. E não apenas pela aparência, e sim pela gentileza e simpatia que ele havia demonstrado.
Com um último suspiro e um sentimento bom de dever cumprido, seguiu com até o ponto de ônibus, enquanto a prima tentava chamar um Uber para que elas retornassem ao apartamento na Barra da Tijuca.

Capítulo 2

I don’t even know your name
All I remember is that smile on your face
 

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A quantidade de protetor solar que estava cobrindo o rosto e o corpo de era absurda. O rapaz poderia apostar que teria que raspar o produto de sua pele, pois apenas o sabonete não seria capaz de livrá-lo daquela crosta de creme que Andrew o havia recomendado a utilizar – tudo por ordens da mãe de e tanto o empresário como o cantor sabiam que não era uma boa ideia contrariar as instruções da mulher.
Mesmo sentindo-se extremamente pegajoso, vestiu uma camiseta e pegou os óculos escuros, antes de fechar a porta do quarto e descer para o hall do hotel. Já havia tomado café da manhã e tinha compromissos apenas durante a tarde, ou seja, passaria a manhã na praia, mandando fotos para sua irmã e fazendo-a morrer de inveja daquele calor e da vista que o Rio de Janeiro dispunha para o turismo. Andrew já o aguardava no estacionamento e logo partiram para a praia de Ipanema, por ser uma das praias mais conhecidas do Rio de Janeiro e também, distantes do hotel onde estava hospedado. Andrew acreditava que estaria despistando o tumulto de fãs, mas sabia que aquilo não seria possível e nem mesmo poderia dizer que gostaria que fosse. Adorava conhecer seus fãs e os brasileiros tinham uma energia e um carinho diferente, que o agradavam de forma absurda.
– Karen mandou mensagem novamente para falar do protetor solar. – Andrew murmurou e , que estava entretido em seu celular rolando o feed do Instagram, apenas levantou o olhar para o mais velho e riu.
– Ela não vai parar de mandar mensagens até eu estar a salvo e sem insolação de volta ao hotel. – Deu de ombros, sem se preocupar.
– Só poderei garantir isso durante a tarde. – Andrew suspirou.
– Eu passei mais de cinco camadas de protetor solar. – pontuou. – Isso tem que ser uma proteção no nível escudo de Hogwarts.
– O escudo falhou. – Andrew riu.
– O sol não é o Voldemort. – novamente deu de ombros.
Voltou a rolar o feed do Instagram, decidindo por procurar alguma tag a respeito de sua chegada ao Brasil. Gostava de ver as postagens dos fãs, pois se divertia com as legendas das fotos. Em #Brasil ele encontrou diversas postagens do meet&great improvisado do dia anterior. A maioria das legendas era em português e uma e outra palavra ele conseguia compreender, mas não o suficiente para pegar a essência da legenda. Havia as em inglês, bastante tradicionais e aquelas que se aventuravam em duas legendas: uma em sua língua nativa e outra em português. Em uma dessas postagens, encontrou apenas a foto de um abraço dado em uma fã. Não lembrava o rosto ou das palavras trocadas com a garota, mas sentiu-se alegre por ver apenas a foto do abraço e não a selfie, como já estava acostumado. Ele aparecia de frente para a câmera, sorrindo, enquanto a garota o abraçava e ficava de costas para a fotógrafa. Na legenda, apenas uma frase em português e um trecho de Never Be Alone. sorriu, dando like na foto e partindo para outras postagens. Encontrou vídeos e sorrisos dos mais diversos tipos e distribuiu likes em mais uma porção de fotos. Todos os 30 minutos de viagem até a praia de Ipanema foram gastos no Instagram e logo estava descendo do carro, com Andrew ao seu lado e dois seguranças os escoltando. Ocuparam um lugar na areia e logo deixou seus pertences com o empresário para enfim, cair no mar.
Em 20 minutos dentro da praia, já imaginava as manchetes dos sites sobre celebridades a respeito de sua performance como nadador: toma caldo em praia do Rio de Janeiro. Não estava acostumado com o mar – ainda mais o do Rio de Janeiro – pois Toronto não era uma cidade litorânea. E ele não poderia afirmar que sua vida de turnês e gravações de álbuns lhe dava muito tempo para procurar uma praia. Então sim, havia tomado caldo na praia de Ipanema e já podia prever os memes que viriam sobre seu desempenho. Acabou cansando da água voltando para a areia, onde encontrou um Andrew bastante animado.
– Prefiro não comentar. – murmurou.
– Eu não ia. – O homem retrucou, mas sabia que ele estava mentindo. Pegou uma das toalhas que haviam trazido e passou pelos cabelos, antes de sentar na areia e pegar seu celular novamente. Tirou uma foto de suas pernas estendidas em direção ao mar e mandou para Aaliyah, recebendo uma resposta nada educada de sua irmã mais nova. Riu consigo mesmo, retrucando com emojis debochados, tendo apenas um “exibido” como resposta.
– Dizem que água de coco é bom. – Andrew murmurou e o fitou brevemente.
– É água dentro de uma fruta. Será possível ser ruim? – indagou curioso. Nunca havia provado a bebida e essa foi a deixa para Andrew pedir para um dos seguranças ir comprar a bebida. Mas mal teve tempo de beber o primeiro gole e fazer careta, pois logo fora abordado por um grupo animadíssimo de fãs que requeriam sua atenção. E largando o coco no chão – ele não havia gostado da bebida, de toda forma – sorriu e se pôs a bater fotos e autografar CDs e braços, como o de costume.

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Era a terceira ou quarta vez que passava protetor solar no rosto. A garota estava totalmente paranoica pelo medo de pegar insolação, enquanto ria de sua cara e bebia sua água de coco. Estavam as duas em uma cafeteria perto de Ipanema, visto que não havia condições de frequentar as praias mais próximas da Barra da Tijuca sem sofrer no mínimo, alguns esmagamentos para conseguir ocupar um espaço na areia. Haviam se aventurado de ônibus pela cidade, desembarcando em Ipanema para enfim, curtirem um pouco do Rio de Janeiro. Na mesa que ocupavam tinham embalagens de sanduíches e copos de vitaminas vazios, sem falar nos pacotes de bala que havia consumido enquanto trabalhava em cima do roteiro turístico que ela e a prima fariam durante a tarde, já que a garota queria fotografar a cidade e atualizar seu Instagram profissional.
usava um maiô preto, com um design diferenciado, já que tinha um longo decote em V e a maior parte das costas nuas. Uma saída de praia e uns shorts de algodão completava o visual turista junto dos óculos de sol e o boné vermelho que a garota usava na cabeça. Já , além de carregar uma bolsa de praia enorme, tinha um chapéu preto na cabeça, fora o biquíni preto simples e o vestido com estampa floral.
– Já acabou? – indagou curiosa.
– Sim. – A outra assentiu. – Mas antes vou pedir um pedaço de torta porque me deu vontade de doce. – Avisou, já levantando da cadeira que ocupava.
– Tu comeu três pacotes de bala! – arregalou os olhos.
– Bala não é doce. – retrucou, fazendo a prima rir. Andou até o balcão e pediu pela torta de chocolate que estava namorando desde que entrara na cafeteria. Agradeceu com um largo sorriso ao atendente – que em sua opinião era realmente bonito e simpático – e voltou à mesa, encontrando com seu celular em mãos e os olhos arregalados.
– O que foi? – questionou confusa. levantou o olhar para ela e estendeu o aparelho de telefone em sua direção. o pegou em mãos com o cenho franzido e encarou a tela do telefone. O Instagram estava aberto na página de suas notificações e contabilizavam os likes em sua última foto postada. – Uau, muitos likes. – Ela deu de ombros, sem entender a atitude da prima.
– Olha a notificação do último like que tu recebeu. – orientou e passou o dedo pelo touch, subindo a tela do aplicativo.
curtiu sua publicação. 1 min.
– ‘Tá brincando. – murmurou, em um fiapo de voz. Encarou a prima com o semblante assustado e então se jogou na cadeira novamente, esquecendo totalmente a torta de chocolate em cima da mesa. Desceu a barra de rolagem para atualizar a página e a notificação continuava lá. Entrou no perfil apenas para descargo de consciência, visto que ela não tinha dúvidas de que aquele era o perfil oficial do cantor e lá estava, a conta verificada e a última foto postada por ele, a qual ela nem havia visto ainda.
– Guria que sorte é essa? – indagou estupefata. Havia abandonado sua água de coco no instante em que o celular da prima apitara.
– Eu não sei. – A outra deu de ombros. – Tu sabe que eu nunca tive sorte para nada. Nem aquela rifa que só eu e Maurício compramos eu ganhei. O segundo lugar não ganhava nem uma bala.
– É a mágica do Rio de Janeiro. – concluiu, rindo. – Tu vai ser meu pé de coelho na empreitada de conseguir uma foto com o Adam Levine.
– Seja o que for, eu estou gostando. – riu. – Parece Natal. – Sorriu largo.
Puxou o prato com a torta para perto de si e devorou a fatia em poucos instantes, arrastando para o caixa para que elas enfim fossem a praia. Aquele like havia lhe deixado extremamente animada e doida para cair no mar.
As duas atravessaram a rua e se misturaram à multidão que se alojava no calçadão de Ipanema. reclamava da bolsa enorme que estava carregando e revirava os olhos para ela, comentando que havia avisado para não levarem tanta coisa naquele dia.
– Mas eu preciso de tudo isso! – se defendeu.
– Da caixa de som via bluetooth também? – arqueou as sobrancelhas para a prima, em desafio. bufou.
– Tu é chata. – disse por fim, fazendo a outra rir. – E poderia levar a bolsa um pouco!
– Tu mesma disse que eu acabaria me matando e destruindo a bolsa! – reclamou. Haviam finalmente encontrado uma parte da praia que parecia menos cheia e se virou para a prima por alguns instantes, para lançar lhe um olhar atravessado. Mas ela errou o timing e acabou esbarrando em alguém, que vinha a passos largos em direção à saída da praia. bateu a testa no peito do rapaz, xingando em português e ouvindo um “desculpe” em inglês como retorno. Arregalou os olhos, a mão na metade do caminho para acariciar sua testa. Ela conhecia aquela voz. A reconheceria em qualquer lugar, pois passara anos ouvindo-a entoar melodias românticas com as quais ela se iludia.
– Porra. – murmurou as suas costas, enquanto levantava o olhar e encontrava com uma expressão culpada no rosto. Ela piscou lentamente, sem realmente acreditar que o rapaz estava ali, na sua frente, usando apenas uma bermuda de banho. Aquele abdômen não era daquele mundo.
– Porra. – Ela também murmurou, sacudindo a cabeça para os lados e tentando voltar à realidade. Não podia passar vergonha na frente do canadense, precisava se controlar.
Eu conheço você? indagou, com o cenho franzido, parecendo tentar puxar em sua memória de onde conhecia a garota.
Mais ou menos. – Ela respondeu em inglês, sorrindo fraco. – Nos conhecemos ontem, na fila de meet&great que você organizou em frente ao hotel em que está hospedado. E você curtiu uma foto nossa hoje. Uma em que eu te abraçava. – Deu de ombros, agindo como se aquilo não fosse nada demais e ela estivesse acostumada a ganhar like de famosos internacionais. Não era o caso, mas ela não queria parecer uma doida.
Ah, a garota do abraço! sorriu largo, exibindo seus dentes alinhados e perfeitinhos e quase desfaleceu. – A selfie não ficou boa?
Ficou linda, na verdade. comentou, torcendo os dedos, em puro nervosismo. – Mas a foto do abraço tem maior significado. – explicou.
Você quer outra foto agora? indagou simpático. – Sabe, aproveitar a chance. – riu. respirou fundo, o encarando diretamente nos olhos, antes de sacudir a cabeça para os lados, em negação. Se ela abraçasse sem camisa, não tinha certeza de que sairia viva. provavelmente teria que chamar uma ambulância.
Oh, se estivesse de camisa, sim. – ela comentou, deixando sua boca exteriorizar seus pensamentos secretos sem querer. Corou imediatamente, enquanto franzia o cenho para ela novamente. – Quero dizer, – pigarreou, tentando consertar a situação. – Você é muito bonito e está sem camisa e… Ah, esqueça. Vou fingir um desmaio para sair dessa situação. – murmurou, fazendo tanto como rirem. E o encarou embasbacada, pelo som maravilhoso que a risada de era. Tinha alguma coisa naquele rapaz que fosse ruim? Ela acreditava que não e ele provava a cada segundo que ela tinha razão.
Você pode me abraçar. alegou. o encarou com descrença.
Eu provavelmente nunca mais te soltaria. – ela riu. – E já tomei muito do seu tempo. – lembrou, dando um passo para trás. – Te vejo no show. sorriu, segurando a mão de e a puxando para longe. Acenou para uma última vez, vendo-o sorrir, bagunçar os cabelos e seguir para fora da praia junto de seus seguranças.
– Maurício vai pagar uma grana por esse vídeo. – balançou o celular entre os dedos, ganhando um olhar nada amistoso da prima, que logo suspirou baixo e cobriu o rosto com as mãos.
– Nossa, eu agi como uma idiota.
– É. – a outra concordou. – Mas foi engraçado e ele riu.
sorriu. Havia feito rir. Sua sorte poderia ter acabado ali, naquele momento, que para ela estaria tudo bem. Aqueles dois dias haviam sido praticamente um sonho.

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se jogara na cama, suspirando alto. Havia passado a tarde no melhor estilo turista. Visitou os pontos turísticos mais famosos do Rio de Janeiro, provou comidas típicas da cidade e conheceu mais uma porção de fãs. E mesmo com tantas atividades realizadas e mais uma porção para fazer nos próximos dias, tinha apenas uma missão em mente naquele momento: encontrar a conta da garota do abraço, a qual ele havia curtido uma foto naquela manhã e enviar uma direct, agradecendo por ela tê-lo tratado como uma pessoa como qualquer outra.
Ele havia passado a tarde ouvindo gritinhos histéricos e sendo abraçado aleatoriamente. E claro, ele amava os fãs, mesmo os histéricos. Eram eles que possibilitavam sua estadia em lugares como o Rio de Janeiro e era grato demais por todo o apoio, amor e carinho que recebia. Mas às vezes, ele só queria conversar com alguém e ser tratado como uma pessoa normal. Ser apenas , como era para sua família e seus amigos mais próximos. E a garota do abraço, mesmo sendo uma fã de longa data, havia respeitado seu espaço individual e sido extremamente simpática. Meio desastrada e até mesmo engraçada, mas simpática. E , educado como era, sentia-se na obrigação de agradecê-la. Mas o ponto era que: ele não sabia o nome dela. Lembrava-se apenas de seu rosto e seu sorriso. E há muito tempo havia perdido as esperanças de encontrar qualquer notificação em seu Instagram. Eram tantas pessoas curtindo, comentando e o marcando em fotos que toda notificação do aplicativo era silenciada e perdida em instantes.
Acabou decidindo por entrar na mesma hashtag que o havia levado a foto da garota. Sentiu-se estúpido e stalker fazendo aquilo, mas sabia que não conseguiria descansar sem falar com ela. Então rolou o touch do celular. Por longos minutos. Viu fotos e mais fotos. Curtiu algumas, apenas para distrair a cabeça. Quando estava prestes a desistir, encontrou. Lá estava ele, abraçando-a. Gostaria de ver a expressão no rosto dela, mas deduzia que ela estava sorrindo. Clicou no user da garota e logo a conta dela estava aberta na tela de seu celular. Sorria na foto de perfil. Descobriu que o nome dela era e ao tentar pronunciá-lo, obteve alguma dificuldade. A descrição do perfil estava em português, bem como a maioria das legendas das fotos dela. E notou que ela postava bastante. Fotos de si mesma, de lugares, de pratos de comida, junto de outras pessoas, de livros… Parecia uma garota feliz. E suas fotos eram incríveis, praticamente profissionais na opinião de Shawn, mesmo que ele não entendesse nada de fotografia. Sorriu, clicando no link da direct e digitando um parágrafo rapidamente. Ela o havia mencionado em stories algumas vezes e outras mensagens aleatórias se perdiam no histórico daquela direct que nunca havia aberto.

 

today 8:55 PM
Hey! Então, deve ser estranho receber uma mensagem minha, não é?
Mas eu só queria agradecer por você não ter surtado e me tratado como
, o astro pop. Foi legal conversar com você, mesmo que por poucos instantes. Boa noite, espero te ver no show amanhã

 

achou a mensagem estúpida. Encarou a tela do celular por alguns instantes, antes de dar de ombros de enviar. Dane-se, ele pensou. Queria apenas agradecer e nada além disso. A garota provavelmente nem acreditaria que ele havia lhe enviado a mensagem, então não fazia diferença. Pegou o telefone do hotel e discou para a recepção, solicitando o jantar em seu quarto, agradecendo antes de desligar a chamada. Levantou da cama e seguiu para o chuveiro, tomando uma ducha e vestindo uma regata e bermuda para dormir. O serviço de quarto entregou seu jantar no tempo exato que havia sido passado para e ele jantou tranquilamente, assistindo a um filme qualquer na Netflix. Escovou os dentes após o jantar e voltou a deitar, pegando novamente o celular em mãos e deparando-se com diversas notificações do Instagram, como já era costumeiro. Postou um stories da tela da TV, antes de entrar na direct e ver a conversa que havia iniciado com subir para o topo no mesmo instante. Ela havia respondido e sentiu-se burro. Era óbvio que ela iria responder. Era uma fã. Abriu a conversa e só pode rir ao ler a resposta dela, sacudindo a cabeça para os lados, sem acreditar. Já havia conversado com fãs por direct no Twitter e no Instagram. Era sempre muito divertido, mas também, muito estranho. Existia uma parede que os separava, já que a maioria dos fãs não falava de outra coisa que não fosse ele ou seu trabalho. E ali estava uma garota, mandando mensagens aleatórias, enquanto seu cantor favorito – era um pensamento pretencioso demais, mas esperava ser o cantor favorito de – lhe mandava mensagens. Era algo realmente inesperado.

Eu acho que comi um pé de coelho
Essa sorte não me pertence
Você é mesmo o ?
Não estou acreditando nisso

Sim, sou eu
Acredite

Difícil
Mas me diga,
Por que me mandou mensagem?
Só para agradecer?

Sim, eu não conseguiria dormir sem fazer isso
Você foi a única fã que dispensou uma foto comigo sem camisa
Não é algo que eu encontro todo dia

 

riu, porque era realmente algo que não lhe acontecia todos os dias. Para ser bem sincero, nunca havia lhe acontecido algo daquele tipo, depois de ficar famoso.

Imagino que sim
Nenhuma fã é idiota como eu
Preciso admitir que estou gritando nesse momento
Caramba, você é tipo meu ídolo
E está falando comigo!!!!!
Mas vou fingir que sou normal e não estragar tudo

Está tudo bem
Fico feliz por ter me tratado normalmente
Mesmo que estivesse surtando por dentro

Eu estava
Minha prima quase ligou para uma ambulância
Estive perto da morte

não conseguiu conter a risada. Ali estava uma garota sem papas na língua e aquelas eram seu tipo favorito de pessoa no mundo. gostava de conversas aleatórias e comentários surpreendentes, que lhe faziam rir até doer a barriga. parecia aquele tipo exato de pessoa. Poderiam ser bons amigos, caso não fosse famoso.

 

Espere pelo show
Vai valer a pena

Eu não tenho dúvidas disso
Inclusive, você deveria descansar
Tem um show amanhã
(Estou tentando ser normal)

Gostei disso, obrigado
Boa fila amanhã
Boa noite!

Ainda sem acreditar que isso aconteceu
Boa noite
Obrigada por isso!

Bloqueando o celular e o colocando para carregar, finalmente desligou a TV e apagou a luz. O ar condicionado estava ligado e ele se cobriu com um edredom, bocejando alto antes de fechar os olhos e deixar o sono tomar conta de si. O dia seguinte seria repleto de emoções e ele precisaria estar descansado.

Capítulo 3

Follow the wind where it blows
Let’s make mistakes and don’t look back, it’s now or never

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– Só um jogo! – replicou pelo que parecia ser a décima vez. revirou os olhos, puxando a prima pela mão e a obrigando a abandonar a vitrine da casa lotérica que ela encarava a cinco minutos.
– Não vamos ganhar na loteria, , acorda! – bufou. – Isso é só para pessoas sortudas e nós não somos.
falou contigo. – lembrou. – Sem falar de todos os outros eventos desses últimos dias. Tu ‘tá, decididamente, com a bunda virada para a lua e precisamos aproveitar isso! – exclamou. – Não seria ótimo se tu pudesse comprar um apartamento em Toronto ao invés de alugar? – indagou e mesmo que quisesse muito ter mais dinheiro do que realmente tinha destinado para sua mudança, ela sabia que ganhar na loteria era um sonho impossível e que estava viajando na batatinha.
– Meu amor, nós temos algumas horas de fila para encarar. – lembrou. – Eu quero tentar ficar na grade, então para de loucura e vamos logo! – ralhou, finalmente conseguindo a desistência da prima.
Era meio-dia passado e ambas estavam extremamente ansiosas, já que o dia do show havia finalmente chegado. Os portões abririam apenas as 14 horas, mas elas tinham esperanças de conseguir um bom lugar para assistir aos shows, mesmo não tendo madrugado na fila. Sabiam que encontrariam muitas fãs do já na fila, mas tinha esperanças de ao menos ficar próxima da passarela do palco mundo. Pegaram um táxi e deram como destino o Parque Olímpico, mesmo que para o taxista fosse óbvio o lugar para onde elas iriam. Todo mundo estava indo para o Rock in Rio naquela semana. Cada uma delas levava apenas uma bolsa pequena, que não iria atrapalhá-las durante os shows, mas que era grande o suficiente para guardar pacotinhos de amendoim e de bala. usava um cropped preto e shorts jeans, junto de um Adidas branco. Os óculos e o boné da mesma marca do tênis completavam seu visual e ela carregava um kimono em tons de azul e roxo. Já , usava uns shorts jeans, um body estampado, All Star preto e um boné rosa pastel, confortável o suficiente para não passar calor e não ter seu cérebro torrado pelo sol durante a espera para o show. A viagem levou algum tempo, visto que o trânsito estava um caos e as garotas apenas imaginavam que aquilo era consequência do festival, mesmo que o Rio de Janeiro fosse uma cidade caótica normalmente. Deixaram uma gorjeta para o taxista e se dirigiram a fila, encontrando uma porção significativa de pessoas à sua frente. Sentaram-se no chão e aproveitaram para repassar o protetor solar.
– Precisamos montar uma estratégia. – murmurou. Seu celular estava ligado no Spotify e ela dividia o fone de ouvido com . Tocava Little Mix e elas batucavam nas pernas junto do ritmo de Power.
– Para que? – arqueou as sobrancelhas para a prima.
– Para encontrar o Maroon 5, oras. – revirou os olhos. – Tu teve tua chance e eu quero a minha.
é muito mais acessível. – lembrou. – Sem camarote, vai ser quase impossível encontrar o Maroon 5.
– Bom, tu tens um contato para pedir entradas para o camarote. – A outra sorriu.
– Eu não vou mandar mensagem para ele e pedir isso, ‘tá maluca? – bufou. – Inclusive, não vou mandar mensagem para ele nunca mais.
– Por que não? – arregalou os olhos.
– Não quero parecer atirada. – Suspirou. – Ele sentiu-se bem em falar comigo porque eu o tratei “normalmente”, – fez aspas com os dedos – mas eu ainda sou uma fã e não quero estragar essa boa visão que ele teve de mim com algum surto psicótico.
– Tu é louca. – retrucou. – Mas de alguma forma isso faz sentido. – Deu de ombros. – Afinal a vida não é uma fanfic, não é?
– Exatamente. – riu fraco. – O que poderia acontecer? Ele se apaixonar por mim por trocarmos algumas mensagens? – debochou. – Só por que eu não surtei ao conhecê-lo?
– Bom, poderia acontecer sabe. – encarou a prima com determinação. – Quero dizer, alguma coisa em ti chamou a atenção dele. E se ele te conhecesse de verdade, poderia rolar.
– Você lê fanfics demais. – acusou. – Na vida real, ele nunca mais vai se lembrar de mim e eu continuarei sendo a fã que guardou os prints de meia dúzia de mensagens trocadas com o ídolo que é extremamente educado e não dá ataques de estrelismo. – Riu novamente.
– Deixa de ser pessimista guria. – xingou. – Agora tira uma foto minha bem legal para eu postar no Instagram.
– Se eu cobrasse todos os freela que fiz para ti, já tinha um apartamento em Toronto com o meu nome.
– Eu sou tua prima! Não se cobra da família. – replicou, fingindo ultraje.
– Segundo Fred e Jorge Wesley, para a família a gente cobra o dobro. – sorriu com sua referência a Harry Potter e a prima revirou os olhos.
– Aí guria, me respeita! – reclamou, rindo junto de .
– Deveríamos ter vindo mais cedo. – Suspirou, dando uma olhada na fila de garotas a sua frente.
– E aí não teríamos pique para assistir ao show ou então, tentar invadir o camarote.
– Não iremos invadir o camarote! – arregalou os olhos para a outra.
– Tu quem pensa. – suspirou, não dando atenção para a prima.

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havia acordado tarde naquele sábado, pois já passavam das 13h quando ele finalmente levantou da cama. Desceu para almoçar e logo Andrew o estava apressando para que fosse se arrumar pois iriam para o Parque Olímpico em menos de duas horas. Sem entender o motivo de precisar chegar tão cedo, apenas voltou para seu quarto, tomou um banho e procurou algo para vestir. Não fazia ideia do que usar que o deixasse confortável e com menos calor do que sentia e logo estava jogado na cama, matando tempo no celular, como se fosse resolver seu impasse magicamente.
Trocou algumas mensagens com sua mãe e Brian, curtiu fotos no Instagram e postou algumas trivialidades no twitter. Apenas voltou sua atenção para seu pequeno problema de vestuário quando recebeu uma mensagem de Andrew avisando que o estava esperando no térreo. Com uma pressa visível, vestiu-se, optando por uma calça jeans preta, camisa em tons de azul com uma estampa que ele não sabia definir e sapatos pretos. Ajeitou o cabelo com o creme para pentear e definiu as ondas com as mãos, como já estava acostumado a fazer. No final, olhou-se no espelho e se deu por satisfeito com o resultado.
Encontrou Andrew no térreo e recebeu uma cara de poucos amigos, pois havia se atrasado. Seguiram para o carro e logo Andrew estava murmurando as recomendações do festival, tais como não andar desacompanhado, evitar sair do camarote e outras dezenas de coisas com as quais ele já estava acostumado.
– Então, como funciona esse camarote? Fãs podem comprar? – indagou curioso.
– Não exatamente. – Andrew respondeu. – O camarote é exclusivo para celebridades e convidados de marcas patrocinadoras do evento. Se você encontrar fãs por lá, não serão os fãs comuns que estão indo ao festival para te assistir.
– Ah, entendi. – assentiu. – Não gosto da ideia. Deveriam vender para o público geral e darem a chance de os fãs conhecerem os ídolos.
– Você já tirou foto com metade do Rio de Janeiro. – Andrew arqueou as sobrancelhas em direção a , que deu de ombros e riu.
– Falta a outra metade.
Andrew revirou os olhos, rindo. – Provavelmente você vai encontrar alguns dos YouTubers que vão te entrevistar amanhã.
– Certo. – murmurou. – Ah, alguma chance de conseguir ingressos para a noite de amanhã? Gostaria de ver a Alicia Keys.
– Camarote sim.
– Não quero camarote. – retrucou e recebeu um olhar atravessado do empresário.
– Já falamos disso . – Suspirou o homem.
– Não. Você falou, eu fingi escutar. – lembrou, sorrindo com diversão. – Você sabe que não tem graça assistir a shows do camarote. – Argumentou.
– Vou ver o que posso fazer por você. – Andrew disse por fim e comemorou, logo voltando sua atenção para o celular.
A chegada ao Parque Olímpico fora bem tranquila. foi o primeiro artista que tocaria no palco mundo a chegar e foi bastante tietado por todas as celebridades e subcelebridades que já estavam circulando pelo camarote. Tirou fotos e mais fotos, gravou vídeos e mandou beijos para os seguidores de, pelo menos, umas dez pessoas. Quando finalmente teve um segundo de paz sozinho, resolveu fazer alguns stories em seu próprio Instagram, apenas para comentar sobre sua expectativa para o show. Após os vídeos, entrou em mais algumas hashtags e curtiu foto dos fãs que estavam presentes apenas para vê-lo tocar pela primeira vez no Brasil. Seus pensamentos acabaram voltando para a garota com quem havia conversado na noite anterior e em um gesto de pura curiosidade, procurou pelo Instagram dela e assistiu aos stories. Alguns na fila, outros já dentro do Parque Olímpico em diversos locais diferentes e os últimos da garota que a acompanhava jogada na grama. A hashtag #Waitingfor estava presente nas últimas duas fotos de e sorriu para si mesmo, contente por todo o carinho que estava recebendo dos fãs brasileiros. fechou o Instagram e guardou o celular no bolso, levantando do sofá e seguindo para perto de Andrew, que conversava com os rapazes da banda.
– Já vomitou ? – Mike brincou.
– Não, estava esperando a sua companhia. – retrucou, fazendo todos rirem.
– Vai querer assistir ao show da banda brasileira? – Andrew questionou e negou com um aceno de cabeça.
– Vou ficar no camarim, ouvindo a setlist e tentando não esquecer a letra das músicas.
– Vai dar tudo certo cara. – Dave sorriu. – Vamos arrasar!
– Vocês sim, eu provavelmente vou desmaiar. – deu de ombros.
E por todo o tempo em que a banda Skank tocou no palco mundo, ficou no camarim com seu aplicativo de meditação. Manteve a respiração ritmada e os pensamentos longe do número de pessoas para quem ele iria cantar naquela noite. Quando Andrew bateu na porta do camarim e o chamou, soltou a respiração longamente. Deu uma última arrumada em seus cabelos e então seguiu o empresário para o backstage, onde a banda já o aguardava. Estava tão nervoso que não prestou atenção nas palavras de incentivo de Andrew ou nos gritos animados de seus amigos. Também não prestara atenção durante a introdução enquanto a banda aquecia o público ou no apagão de luz antes de ele finalmente subir no palco. E quando as luzes acenderam e os primeiros acordes de There’s Nothing Holdin Me Back foram abafados pelos gritos do público, sorriu largamente e se entregou para aquele show e aquele sentimento como nunca antes.

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ainda não estava em suas plenas capacidades mentais. O show de havia abalado gravemente suas estruturas e nem todas as músicas animadas da Fergie ou do Maroon 5, ou então os gritos e puxões de a fizeram voltar a si. estava completa e irremediavelmente apaixonada por e qualquer pessoa que a encarasse por poucos segundos após os últimos acordes de Treat You Better e a saída do canadense do palco teria plena certeza daquele sentimento.
A garota havia experimentado uma sensação única naquela noite e jamais iria esquecer, mesmo dos pequenos detalhes. A energia do público, as músicas maravilhosas, a dedicação da banda e obviamente, e seu sorriso largo que faziam a perfeita junção com seus brilhantes olhos cor de mel. O rapaz estava simplesmente irreal de tão perfeito na opinião de e ela não saberia listar os melhores momentos da apresentação. Amava todas as músicas com todo seu coração e o carinho e a gratidão que sentiu durante o show ficaram muito aparentes na postura do cantor. Ele estava realizado por ter tocado para um público gigante e estava realizada por ter tido a chance de vê-lo naquele palco e experimentado daquele sentimento de pura alegria.
Se tivesse que listar, provavelmente colocaria Never Be Alone como seu momento favorito do show. Não era um dos hits mais conhecidos do canadense e a música tinha um apreço especial apenas para os fãs, mas todas as lanternas ligadas, o público cantando junto e sem conseguir conter o sorriso eram o suficiente para eleger aquele momento como seu top 1. Mas Lights On, Mercy, Stitches e Life of the Party também estavam disputando bravamente por um lugar no top 5. O show havia sido lindo e por mais que a garota já tivesse visto pessoalmente e falado com ele mais de uma vez, não saberia explicar o motivo pelo qual seu coração batera tão rapidamente logo que o canadense subira no palco. Era como se não existisse mais nada no mundo além de e sua voz maravilhosa cantando as músicas favoritas de . E ela cantou junto dele aos berros, enquanto dançava e aproveitava o show como nunca fizera em nenhum outro. Foi como um abraço quentinho da pessoa que mais se ama no mundo. Uma xícara de chocolate quente em dia frio. havia sido como um dia de verão em seu inverno e ela jamais teria palavras o suficiente para agradecê-lo por ter proporcionado aquele sentimento a ela.
– Acorda ! – chamou, pelo que parecia ser a terceira vez e puxou um punhado dos fios de cabelo de .
– Ai! – reclamou, se afastando da prima o máximo que a multidão a sua volta permitiu.
– Vamos logo! – exclamou, de forma enérgica. Puxou para longe do palco – já que elas haviam pegado um ótimo lugar ao lado direito do palco, perto da passarela – e não deixou brecha para que a garota questionasse ou reclamasse por estar sendo privada de ver os fogos de artifício que finalizariam aquele dia de festival.
– O que tu ‘tá fazendo? – indagou, quando se viu perto demais da área do camarote. virou o rosto em direção a prima e abriu o sorriso que conhecia bem demais como “encrenca pesada”.
– Ah não! – exclamou, arregalando os olhos e puxando sua mão para trás, de forma a desfazer o entrelaçar de seus dedos com os de . Havia poucas pessoas naquela área, então teria espaço para se esconder e evitar passar vergonha com sua prima maluca e sem noção que planejava invadir o camarote atrás do Maroon 5.
– Eu preciso de ti ! – exclamou, sem deixar o aperto de mãos se desfazerem e voltando a andar em direção ao camarote, arrastando consigo.
nós seremos presas! – argumentou, já desesperada.
– Não fale bobagens. – Bufou. – No máximo vão nos expulsar daqui aos chutes.
– Eu não quero ser expulsa!
– Então me ajude! – decretou, não deixando outra alternativa para , que suspirou e assentiu com a cabeça.
– Apenas se o plano for bom. – disse por fim.
– Ele é maravilhoso e simples. – sorriu largamente.
– Disso eu duvido. – murmurou. Haviam finalmente chegado as escadas que levavam ao camarote. Algumas pessoas estavam sentadas por ali, descansando após um dia no festival e havia seguranças em todo canto. engoliu em seco quando marchou diretamente para as portas de entrada do camarote, como se pertencesse àquele lugar e não a pista comum que havia parcelado em 3 vezes.
– Com licença, precisamos falar com uma pessoa que está aí dentro. – Sorriu de forma gentil para o segurança, que apenas lhe lançou um olhar desdenhoso e riu pelo nariz.
– E eu preciso ganhar na loteria. – O homem debochou e puxou a mão de , tentando fazer a prima recuar e desistir daquela loucura. não cedeu e quase perdeu o equilíbrio e caiu no chão.
– Tu não ‘tá entendendo moço. – replicou. – Minha prima é muito amiga do e ela precisa falar com ele, ok?
! – grunhiu, olhando para os lados de forma desesperada, tentando ver se alguma pessoa havia ouvido as asneiras de sua prima.
– Sim, sim. – O segurança concordou. – E eu sou primo da Lady Gaga. Ela ficou devastada por não poder vir ao festival, acredita? – riu alto e quis enfiar a cabeça no núcleo da terra assim que viu a expressão descontente da prima. Sabia que não sairia nada de bom dali e em uma falha tentativa de evitar a explosão, fez menção de puxar a mão de com força, que no mesmo instante desentrelaçou seus dedos dos da prima, deixando-a sem qualquer resquício de equilíbrio graças a força que ela colocara no movimento. deu alguns passos para trás, tentando se firmar no chão e quando finalmente conseguiu se virar e ficar em pé com firmeza, trombou com alguém que acabava de sair do camarote vip. Soltou um palavrão e ouviu uma risada conhecida, levantando os olhos e encontrando novamente com aquele sorriso maravilhoso e seus dentes perfeitinhos.
Garota do abraço, você já tem uma marca registrada. – ele riu, deixando-a ainda mais corada do que se lembrava de ter estado durante toda sua vida. E porra, ela só conseguia pensar que ele se lembrava dela. se lembrava da existência dela, , a garota dos prints guardados.
Me desculpe! – ela exclamou, a voz subindo algumas oitavas graças ao nervosismo. – Acabei perdendo o equilíbrio. – explicou.
E isso acontece com frequência? indagou, sorrindo.
É possível que a resposta seja sim. murmurou, fazendo-o gargalhar e ela sorrir bobamente ao observá-lo.
Gostou do show? – questionou e o brilho da curiosidade em seu olhar deixou momentaneamente sem palavras.
Eu amei. – confessou, sorrindo de canto. – O melhor show que já assisti, sem nenhuma dúvida. Você foi excelente e a banda estava incrível.
Mike vai chorar quando eu comentar isso com ele. falou, rindo. E novamente se perdeu em pensamentos ao apreciar aquele sorriso tão perto de si. Ela amava o sorriso de . Era tão sincero e alegre, já que ele também sorria com os olhos. E aquele cachinho caído em sua testa apenas o deixava ainda mais adorável e cada vez mais encantada. Ela perdeu a pergunta dele enquanto analisava e babava por aquele sorriso lindo, se obrigando a assentir quando franziu o cenho em sua direção, confuso pela falta de resposta dela.
Ah, claro! exclamou.
Então até amanhã. sorriu novamente, acenando para a garota e se afastando, seguindo com seus amigos para qualquer que fosse o lugar para onde estava indo. , ainda abalada pela presença de , franziu o cenho e então caiu em si:
– Como assim “até amanhã”?

Capítulo 4

All these precious moments
That we carved in stone
Are only memories after all

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estava terminando de vestir a camiseta quando batidas na porta de seu quarto desviaram sua atenção. Franziu o cenho em confusão, mas seguiu para a porta e girou a maçaneta. Andrew o encarou com o semblante nada feliz e riu alto, já prevendo o motivo do mau humor do empresário.
– Você ainda vai me colocar em maus lençóis com a Karen. – Andrew reclamou e fechou a porta após o homem entrar no cômodo. foi até sua mala e procurou por um par de tênis que o agradasse, enquanto Andrew se mantinha em pé no meio do quarto.
– Minha mãe não está aqui. – Retrucou. – E os rapazes também vão ir. As pessoas por lá vão estar interessadas nos shows e não em mim. – Defendeu novamente os argumentos que utilizou para convencer Andrew a conseguir os ingressos para a pista comum do Rock in Rio, já que para ele, assistir Alicia Keys do camarote não teria emoção alguma. E ele nem queria mencionar Justin Timberlake.
– Eu sei, eu sei. – Bufou o mais velho, enquanto revirava os olhos. – Deixei os ingressos com Mike. – Avisou e quando voltou a encarar o cantor, soube que ouviria mais uma vez o sermão interminável de Andrew sobre a importância de ele se manter seguro. sentou-se na poltrona e encarou o homem com tédio. Andrew revirou os olhos e abanou as mãos em direção a , desistindo do monólogo. Afinal, o garoto já sabia de cor todas as instruções que ele repetiria. – Nem vou falar nada. – Murmurou por fim e riu.
– O Brasil realmente faz milagres. Deveríamos vir todo mês. – brincou e se abaixou para calçar o par de tênis.
– Você adoraria. – O outro sorriu. – De qualquer forma, a van estará a postos para trazer vocês de volta. Ainda não acredito que vocês vão aguentar a noite toda em pé quando passaram o dia andando pela cidade.
– Não vamos passar a noite em pé. – lembrou. – Temos direito ao camarote e pretendemos aproveitar. – Riu e Andrew estreitou o olhar para o rapaz.
– Olha lá garoto. – Reclamou. – De ontem para hoje já tivemos que aguentar o peso do inferno porque você seguiu aquela atriz no Instagram.
revirou os olhos: – As pessoas especulam demais.
– E especulam certo. – Andrew revirou os olhos. – Ou você acha que eu sou tonto?
riu.
– Não aconteceu nada. – Tentou argumentar, mas o empresário não lhe deu ouvidos.
– Sei, sei. – Suspirou. – De qualquer forma, não esqueça das recomendações. Pedi para que o pessoal não tirasse o olho de você, mas eu te conheço bem o suficiente para saber que você dá um jeito quando quer.
– Que péssima visão você tem de mim Andrew! – riu novamente. Levantou-se e procurou pelo relógio que usaria naquela noite na mesa de cabeceira, só então vestindo o moletom, mesmo com o calor infernal que fazia no Brasil e que o faria demonizar aquela ideia assim que estivesse longe do ar condicionado do quarto.
– Eu tenho a visão verdadeira garoto. – Andrew também riu. – Bom festival e tome cuidado. – disse por fim, saindo do quarto instantes depois.
sorriu largo e pegou o celular no bolso do jeans para mandar uma mensagem para Brian e contar as novidades. Afinal, sair “sozinho” para o festival era tudo o que ele queria e precisava no momento. E ainda teria a chance de encontrar com a garota do abraço, já que o nome dela ainda era impronunciável para ele. O Brasil tinha pessoas com nomes estranhos e isso não lhe era novidade.
Brian não havia entendido os motivos de em insistir em falar com , sendo que ela era apenas mais uma fã e tinha centenas de milhares de outras fãs. Mas sentia que ela tinha algo especial, mesmo que não soubesse explicar o porquê. E por ter esse bom pressentimento, havia decidido que gostaria de conhecê-la melhor e por isso a havia chamado para assistir ao festival com ele naquela noite. Quem sabe não virassem ótimos amigos? precisava de pessoas que o viam como mais do que um cantor famoso. As vezes ele só queria conhecer novas pessoas, criar novos laços de amizades e ser apenas ele. Apenas . E por mais que a garota do abraço fosse sua fã, ele não a via apenas com aquele rótulo. Seus fãs eram pessoas antes de serem fãs. E ele os tratava tais como eram e por isso não existiam motivos para não poder ser amigo de uma fã. Mesmo que essa fã em questão fosse brasileira e os fãs brasileiros tivessem uma reputação gigantesca.
jogou-se na cama com um suspiro e então pegou seu celular para checar suas redes sociais. Algumas fotos e vídeos dele visitando o Cristo Redentor já estavam circulando pelo Twitter e Instagram e resolveu postar algumas coisas no Twitter, apenas para distrair a atenção dos fãs e da mídia. Gostaria de passar despercebido na multidão naquela noite e apenas curtir os shows que tanto queria ver. Estaria indo embora do Brasil no dia seguinte, após dar algumas entrevistas e gravar apresentações em programas de TV e então seguiria para o México, onde faria mais um show antes de voltar para os Estados Unidos e para a turnê. Estava ansioso para acabar os shows naquele mês e então ter alguns dias de folga. Sentia saudades de sua família e de seus amigos e por mais que amasse estar em turnê, seu corpo e sua mente estavam pedindo por descanso. E estava aprendendo a sempre ouvir as necessidades de sua mente antes de qualquer outra coisa.
O celular de vibrou com uma nova mensagem de Brian e o canadense logo desistiu de rolar o feed do Instagram para responder ao melhor amigo. Revirou os olhos quando a última mensagem de Brian chegou e quase gravou um áudio apenas para xingar o rapaz. Às vezes Brian não tinha noção das coisas.

E Andrew sabe que você quis essas entradas apenas para ver a brasileira bonitinha?

Você poderia não falar besteira?
Eu quero assistir ao show do público comum porque o camarote é chato
E como diabos você sabe que ela é bonita?

Existe uma ferramenta mágica chamada “pesquisa do Instagram”

Stalker

Prefiro curioso
De toda a forma, aproveite o show
Eu acho que Alicia Keys vai detonar

Claro que ela vai
Falo com você mais tarde

Beije a garota!

Cala a boca!

riu uma última vez antes de finalmente guardar o celular no bolso e levantar da cama. Ajeitou o cabelo no espelho – não que ele realmente fizesse muita coisa – antes de sair do quarto e seguir para o quarto de Mike. Precisava apressar os amigos, que sempre demoravam uma eternidade para se vestirem. estava sempre adiantado e odiava esperar. Antes mesmo que ele pudesse bater na porta, Mike a abriu e sorriu largamente.
– Hoje eu não atrasei. – Ele exclamou, contente.
– O Brasil realmente faz milagres. – debochou, recebendo um revirar de olhos como resposta.
– E os outros? – Mike indagou, seguindo junto de para o elevador.
– Não sei, mas espero que já estejam prontos. – murmurou. – Vamos apenas comer alguma coisa antes de ir.
– E a sua amiga? – o mais velho indagou, sorrindo malicioso e revirou os olhos. Mike era o único que sabia sobre a garota brasileira – já que havia repassado os elogios feitos por ela – e estava tirando uma com a cara do cantor desde então. Segundo Mike, havia se apaixonado à primeira vista e o destino estava tentando provar para ele que era sua alma gêmea graças aos encontros inesperados que eles tiveram naqueles últimos dias. Claro que achava a ideia de Mike insana, como era de se esperar. Ele não acreditava em amor à primeira vista. Não mais, pelo menos.
– Não somos amigos ainda. – Retrucou. – E ela havia dito que iria ao show. – Deu de ombros. – Vou mandar mensagem quando chegarmos lá.
– Você não está mesmo interessado nela? – Mike indagou, curioso e incrédulo. Não via motivos para querer contato com uma fã brasileira se não fosse por aquele motivo.
– Não. – negou com um aceno de cabeça. – Ela é engraçada e me tratou normalmente, mesmo sendo uma fã. – Deu de ombros. – E eu estou precisando conhecer novas pessoas e fugir desse mundo um pouco. Problemas mundanos, sabe? – os dois entraram no elevador enquanto digitava uma mensagem no grupo que tinha com o resto da banda e avisava que ele e Mike já estavam descendo.
– Tudo bem. – Mike concordou com um aceno de cabeça. – Eu consigo entender um pouco.
– Brian criou milhares de teorias idiotas. – comentou e Mike gargalhou. Era típico de Brian inventar mil histórias sem noção.
– Obviamente. – falou. – Mas não se esqueça de que ela é uma fã, .
– Eu sei. – assentiu. – Já estou acostumado com isso. – Suspirou, deixando os ombros caírem. Às vezes a pressão do mundo da fama o sufocava. Ele só queria alguém para lhe trazer um pingo de normalidade, nem que fosse por cinco minutos.

🎸🇨🇦📷

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havia acabado de fechar a porta de trás do carro quando o celular de vibrou na mão da garota. Ela ocupava o banco do passageiro, enquanto seu irmão Maurício, dirigia o carro que as levaria do aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis para Brusque, a cidade onde moravam. , que estava ocupada com a tentativa de conectar seu celular com o aparelho de som do carro, pulou no banco e após ler a notificação, arregalou os olhos e soltou um gritinho. Maurício a xingou por conta do susto e se inclinou para frente, tentando entender os motivos da euforia da prima.
– O que foi? – indagou, afobada.
estalou os lábios antes de descer a barra de notificações do celular e apontar para o nome da pessoa que havia acabado de lhe mandar uma mensagem na direct do Instagram.
, eu não estou entendendo nada! – murmurou assim que também gritou e ouviu um palavrão nada amigável de seu primo.
ESTÁ APAIXONADINHO POR TI! – a garota berrou, sem se importar em quase deixar os dois irmãos surdos.
– O que ‘tá acontecendo? – Maurício indagou, confuso. E antes que pudesse responder, se pôs a falar, traçando uma narrativa exageradamente romântica sobre os dias que elas passaram no Rio de Janeiro e todos os encontros de com . E enquanto a garota falava, encarava a mensagem de , completamente confusa sobre o motivo que o levara a não apenas chamá-la novamente pelas redes sociais – quando ela não era ninguém na fila do pão -, mas também pelo conteúdo da mensagem em si. Ela tinha certeza de que havia mandado para a pessoa errada e estava com metade da frase digitada quando uma nova mensagem chegou, fazendo companhia para a anterior, provando que não havia se enganado quanto ao destinatário, mas que não a havia convencido totalmente. Afinal, quais as chances de lhe enviar mensagens por livre e espontânea vontade?
Tudo bem, aquilo já havia acontecido. Mas ele havia tido motivos – gentis e adoráveis, na opinião de – plausíveis, enquanto naquele momento ele não tinha nenhum. estava perplexa com os acontecimentos dos últimos dias e mal podia acreditar em sua sorte. Ela não tinha tanta sorte em sua vida assim desde… sempre.
20:05
Já cheguei!
Cadê você?

encarou a tela do celular com o lábio inferior preso entre os dentes, esperando pela mensagem de retratação de . Os minutos se passaram e as palavras dele cessaram, dando a garota a certeza de que as mensagens eram sim para ela e que ela teria que respondê-lo sem fazer a mínima ideia do assunto sobre o qual ele falava. Ela respirou fundo e pôs-se a digitar uma resposta apropriada, enquanto tagarelava sem parar.

Eu???
Estou indo para casa

não levou mais do que 2 minutos para responder à mensagem e arregalou ainda mais os olhos com o conteúdo, buscando o braço de para poder cutucar a prima e grunhir alguma coisa como “eu sou uma idiota!”.
20:15
Casa? Por quê?
Aconteceu alguma coisa?
Você disse que viria ao festival hoje
Esperava te encontrar por aqui
Falamos disso ontem

– Eu não tenho como responder isso sem parecer uma retardada. – Decretou por fim, lembrando-se do motivo pelo qual não prestara atenção à conversa com na noite anterior. se pôs a concordar com um aceno de cabeça.
– Como tu não o ouviu te chamando para ir ao RiR? Com ele? – exclamou, de forma exaltada.
– Eu desviei a atenção! – choramingou. – Caralho, ele queria me encontrar lá! Em que universo paralelo isso poderia acontecer de verdade? – indagou para a prima, ainda de olhos arregalados e a respiração ofegante. Seu coração batia rapidamente e ela mal podia acreditar no que estava acontecendo. queria encontrá-la no Rock in Rio e ela havia perdido a chance por estar babando no sorriso dele. E tudo bem, era totalmente compreensível que ela tivesse tido sua atenção desviada e monopolizada, já que o sorriso de era uma das coisas mais lindas que já havia visto na vida. E ela preferia nem mencionar a bendita risada para não ter suas pernas fracas novamente. Mas ela havia perdido uma chance única e jamais poderia aceitar aquilo. Estava pensando em se jogar para fora do carro e esperar a morte quando Maurício, completamente perdido no assunto, chamou a atenção das duas garotas.
– Eu ainda não entendi o que está acontecendo. – Maurício murmurou, só então lembrando-as de que ele também estava no carro. chiou em direção ao primo, em uma clara objeção a interrupção dele. nem se deu ao trabalho de desviar o olhar da tela do celular, suspirando algumas vezes antes de finalmente decidir-se sobre sua resposta.
– Vou falar a verdade. – Declarou e sacudiu a cabeça para os lados em negação.
– Assim tu vai estragar tudo de uma vez por todas! – ela grunhiu. – Ele vai pensar que tu é outra fã maluca e obcecada!
– E eu sou! – retrucou. – Bom, sou um pouco. – Suspirou novamente. – , eu quero morrer. – Choramingou, recebendo um revirar de olhos da prima, que arrancou o celular das mãos de – que teve seus protestos ignorados – e passou a digitar algumas mensagens. Pouco menos de 5 minutos mais tarde, ela devolveu o celular para com um sorriso largo nos lábios.
– Tá tudo resolvido. – estalou os lábios, voltando a escorar as costas no banco enquanto procurava pela conversa com , já que havia fechado o aplicativo do Instagram de propósito. Às vezes gostaria de matar a prima, mas lembrava que sentiria falta da garota e desistia da tentativa de homicídio.
Encontrando a conversa com – a qual ele já havia respondido -, rolou a tela até achar a primeira das várias mensagens que mandara para o canadense, arregalando os olhos e soltando um muxoxo descontente ao ler as palavras da prima.

Hey
Aqui é a , prima da
Essa maluca não prestou atenção no que você disse ontem
Ela é meio tapada, não a julgue
Ela iria adorar ter te encontrado no RiR hoje, mas já estamos em nosso estado natal
Ela está indo para Toronto no final do mês
Vocês poderiam se encontrar por lá!
O show foi ótimo, de toda a forma
Parabéns!

respirou fundo e afastou o celular para poder encarar com incredulidade. Não acreditava que a prima tivera tamanha cara de pau para mandar aquelas mensagens para , como se eles fossem grandes amigos que tivessem se desencontrado por um acaso do destino. Porque eles não eram e estava surtando! Primeiramente porque , seu cantor favorito, de alguma forma parecia interessado em manter uma pseudo amizade com ela. Aquilo era tão fanfic que passara os últimos dias constantemente se beliscando para acreditar que não estava sonhando. E em segundo lugar, ela estava surtando por ter perdido a maior chance de sua vida como fangirl! Ela não esperava que se apaixonasse por ela ou algo do tipo, mas gostaria de conhecê-lo melhor, para ter certeza de que ele realmente era a pessoa que ela acreditava que fosse. Pelo pouco que podia supor pelo que via na mídia, era uma pessoa maravilhosa. E adorava pessoas maravilhosas em sua vida e não veria problemas em ser “amiga” do rapaz. Mas ela também não agiria como se eles tivessem chances de serem melhores amigos, como havia feito. Havia um abismo que os separava e esse abismo não era apenas geográfico. Era cultural e principalmente, social. Eles eram de mundos diferentes. não poderia esquecer daquilo só porque havia trocado algumas mensagens com e o havia visto pessoalmente e conversado com ele algumas vezes. Ele ainda era um cantor mundialmente famoso e ela era apenas outra fã. Ela não era ninguém no mundo dele e não poderia deixar as expectativas de a iludirem. Precisava colocar seus pés no chão e a cabeça no lugar.

Oi !
Fico feliz que tenha gostado do show
É uma pena que vocês não tenham vindo para o festival hoje
Alicia Keys vai arrasar!
Eu estarei em Toronto no mês que vem
Espero poder encontrar com a sua prima por lá!
Eu só queria checar se ela estaria aqui hoje
Preciso ir, foi um prazer conhecê-las!
Tchau

deixou os ombros caírem após ler a última mensagem de . Não tinha como responder aquilo, então simplesmente fechou o Instagram e bloqueou o celular. tentou argumentar, mas a cortou prontamente, enquanto ambas eram encaradas por um Maurício extremamente curioso.
– É melhor assim. – disse, com resignação em seu tom de voz.
– Você está cometendo um erro. – condenou. – Vocês podem se encontrar em Toronto. – A esperança no tom de voz da garota arrancou outro suspiro alto de .
– Esquece . – Ela pediu, findando o assunto. Por ora.

Capítulo 5

Sometimes it all gets a little too much
But you gotta realize that soon the fog will clear up

.
A agenda de após o Rock in Rio manteve-se cheia, como o de costume. Sua ida para o México acabou não saindo como gostaria graças a uma catástrofe natural, mas ele pretendia voltar para o país logo e Andrew estava encarregado de encaixar o México na agenda da Illuminate Tour. voltou para os Estados Unidos e fez alguns shows antes de fechar o mês de setembro. Então teria dois meses de férias, onde ele pretendia passar a maior parte dos dias em Toronto com sua família e amigos e a menor parte dos dias indo para Los Angeles gravar as novas canções que ele ia compondo durante suas férias. Já tinha duas músicas escritas e pretendia gravá-las o mais rápido possível para não perder o ritmo de trabalho, já que sua cabeça estava uma loucura graças a sua ansiedade.
O Rock in Rio havia mudado muitas das perspectivas sobre sua carreira. Algumas dessas perspectivas haviam se consolidado na cabeça de com o passar do tempo e outras haviam se fortalecido por conta de sua apresentação no festival. havia sido surpreendido pelo tamanho da recepção positiva que tivera no Brasil. Apesar de o RiR ser um festival frequentado por um público mundial, sabia que a maior parte das pessoas que iam ao festival eram brasileiras. E ter tido tamanha euforia do público durante seu show havia sido surpreendente, já que ele era um artista com pouco tempo de carreira e direção musical focada aos jovens. Enquanto se apresentava, não teve uma noção real da recepção da plateia. Ele ouvia gritos e incentivos, bem como as pessoas cantando as músicas junto com ele, mas só fora realmente perceber que todo o público havia ficado animado e participado de seu show quando assistira aos vídeos da apresentação posteriormente. Logo em There’s Nothing Holdin’ Me Back, a música de abertura do show, sua voz ficara abafada pela voz de milhares de pessoas cantando junto com ele. E isso havia lhe trazido tanta alegria e satisfação, como trouxera medo e apreensão. nunca fora um cara seguro no que se referia a sua carreira. Sabia que havia tido muita sorte e que seu trabalho duro mantinha os fãs de olho nele, o apoiando e amando. Tinha completo conhecimento de que no mundo artístico, as pessoas apareciam e sumiam dos holofotes em um piscar de olhos. Um dia poderiam estar no primeiro lugar do top 10 da Billboard e no outro, ninguém nem saber mais de sua existência. E tinha medo daquilo. Amava seu trabalho. Havia nascido para aquilo e apenas pensar na possibilidade de perder tudo já lhe trazia ânsia de vômito. Sua ansiedade atacava e passava por um inferno particular.
Andrew havia o obrigado a aceitar dois meses de férias. não queria tanto tempo afastado do trabalho, mas sabia que precisava cuidar de sua saúde mental e nada como passar um tempo com as pessoas que ele amava poderia ser tão eficiente. Mas passava os dias tendo ataques nervosos e crises de sono. Sentia um medo absurdo de ser esquecido. Não queria perder o amor e apoio dos fãs. Eles significavam tudo em sua vida. Precisava se manter fazendo um ótimo trabalho, e ideias absurdas passavam por sua cabeça para manter-se em alta. Eram pensamentos idiotas, mas não conseguia contê-los.
E por este motivo, estava em uma cafeteria em Nova Iorque, sentado à mesa com Niall Horan e Camila Cabello, rindo de alguma piada do irlandês enquanto esperavam por seus pedidos. Haviam tido sorte de poderem se encontrar naquele dia, sem conflitos de agenda e estava grato por poder, finalmente, dar uma folga para sua cabeça. Já que ir para Toronto antes de entrar de férias era uma alternativa impossível, nada melhor do que passar um tempo com seus amigos e espairecer. Colocar sua cabeça em ordem era sua prioridade número um. E o bônus de ter amigos famosos que não iriam julgá-lo por estar pirando era algo realmente agradável para . Caía como uma luva para a situação.
– Mas então, como você está? – Niall indagou para o amigo, após mastigar o pedaço de muffin que havia colocado na boca assim que seus pedidos foram entregues. – Depois do Rock In Rio.
– Ainda mais ansioso do que nunca. – confessou, soltando um suspiro alto. Camila lhe lançou um olhar preocupado e ele forçou um sorriso fraco. – Mas foi algo inacreditável. Se alguém me dissesse que eu estaria tocando para um público daqueles na época em que gravava covers para o Vine, eu jamais acreditaria.
– Eu me lembro da primeira vez que cantei em um estádio. – Niall murmurou. – Foi surreal.
– Bom, eu ainda não toquei em um estádio, então ficarei recolhida na minha insignificância. – Camila choramingou, e rindo, a abraçou pelos ombros e beijou-a na cabeça.
– Logo você estará cantando Havana no Madison Square Garden e vai ser um pulo mudar para estádios. – O canadense a encorajou, que sorriu um agradecimento. Sair do Fifth Harmony não havia sido uma decisão fácil para Camila, mas sabia que a garota estava em paz com suas escolhas. A girlband estava fadada a separação, já que suas integrantes não tinham construído laços de amizade sólidos.
– Mas como foi no Brasil? De forma geral? Nenhuma fã tentou cortar um pedaço do seu cabelo? – Niall indagou rindo. negou, abrindo um sorriso largo.
– Foi incrível. Os fãs foram ótimos, não teve nenhum momento esquisito, sabe? Eles respeitaram meu espaço, sem deixar de demonstrar os quão animados com a minha visita ao país eles estavam. – Deu de ombros. – É com certeza meu país favorito.
– Você comeu coxinha? – Camila indagou, com uma pronúncia perfeita da palavra brasileira. – É o melhor salgado do mundo! – exclamou, dando uma mordida na torta que havia pedido e fazendo uma careta. – Nem se compara, sinceramente.
– Provei, mas não sei pronunciar o nome sem enrolar a língua. – riu. – E também comi aquele doce de nome estranho.
– Brigadeiro? – Niall indagou, e assentiu com a cabeça. – Eu só aprendi a falar a palavra porque a Demi era viciada nesse doce e falava dele o tempo todo.
– Isso! – O canadense concordou. – Algumas fãs me deram presentes e acabei provando alguma coisa da culinária fora do Rio de Janeiro. Mas odiei água de coco. – Murmurou. – Nunca havia bebido e lá no Rio de Janeiro parece ser a bebida oficial do estado.
– Eu também não gosto. – Niall fez uma careta de desgosto.
– Vocês não sabem o que é realmente bom. – Camila concluiu. Virou-se para e o encarou com animação. – Quando você sai de férias? – indagou.
– No final do mês. – suspirou alto e logo a cubana percebeu que algo não estava certo com o amigo.
– O que foi ? – Ela questionou, com preocupação.
– Eu não queria tirar férias, mas Andrew está me obrigando. – O rapaz murmurou. – Esse festival mexeu com a minha cabeça. Meu maior medo é entrar de férias e acabar sendo esquecido, sabe?
– Você não vai ser esquecido em dois meses. – Niall pontuou e Camila concordou com um aceno de cabeça.
– Eu sei. Realmente sei disso. – Deixou os ombros caírem. – Mas eu tenho medo. Minha ansiedade fica nos ares e eu só consigo pensar em maneiras de permanecer na mídia.
– Você precisa mesmo de férias. Ficar longe de tudo isso e colocar a cabeça no lugar. – Camila sorriu para o amigo. – Eu entendo seu medo. Foi algo que me tirou o sono quando decidi sair da banda. – Ela disse. – Nós vivemos para isso e existem chances de perdermos tudo. Mas você faz um trabalho incrível, . Seus fãs não vão te abandonar por conta de dois meses de férias.
– Falando como o cara cuja banda entrou em hiatus indefinido, esse medo sempre vai existir. – Niall deu de ombros. – O remédio é não desistir. Continue trabalhando duro, continue sendo grato aos seus fãs. E priorize sua saúde mental. Fique com os amigos, família…
– Já estou fazendo isso. – disse e recebeu um sorriso de Camila.
– Então não tem porque ter medo. – O encorajou.

– E There’s Nothing Holdin’ Me Back ainda não saiu da cabeça das pessoas, então você tem alguns meses para escrever um novo hit e continuar invicto no topo. – Niall murmurou, fazendo gargalhar. Um tempo com os amigos era mesmo algo que ele precisava. E estava feliz de ter conseguido aliviar a pressão em sua cabeça.

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não tinha noção de como levaria tanta bagagem para Toronto sem precisar deixar seu rim e seu fígado como pagamento. A garota suspirou e finalmente fechou a quinta e última mala, sentando-se na cama que logo deixaria de ser sua e então olhando ao seu redor, não vendo nenhum vestígio de algo que fosse lhe fazer falta enquanto estivesse fora. Apesar dos protestos de sua mãe, fizera questão de não deixar nada importante no Brasil. Simplesmente porque ela não pretendia voltar para o país tão cedo. Claro que sua mãe não sabia daquilo. Na cabeça de Estela, cumpriria o contrato de seis meses e então voltaria para as terras tupiniquins e exerceria sua profissão no país.
Porém tinha outros planos. E esses incluíam uma residência fixa no Canadá, mesmo que ela amasse o Brasil com todo seu coração. Suas saudades de casa iriam equivaler a sua animação por estar realizando seu sonho de morar em outro país. Um país totalmente diferente daquele no qual ela fora criada, mas que lhe apresentou melhores oportunidades e sonhos mais altos. Fugindo do clichê, não estava indo embora porque se sentia uma gringa em terras brasileiras. Ela realmente gostava do Brasil. Da comida, da cultura, das pessoas… Só não poderia dizer que sentiria falta da língua portuguesa porque estaria mentindo. Era muito difícil distinguir os porquês e não ter essa preocupação lhe seria uma dor de cabeça a menos. Também não sentiria falta da politicagem. E esse era um dos maiores motivos pelos quais ela decidira ir embora e tentar sua vida fora do Brasil. Não havia futuro para ela no país, tendo a profissão que tinha. As oportunidades eram escassas e aquelas que existiam, mais lhe pareciam piadas do que oportunidades de emprego. E por mais egoísta que parecesse, queria ficar longe de toda aquela sujeira. Queria viver seus sonhos e não apenas sobreviver. E por esse motivo havia aceitado um emprego temporário em Toronto, no Canadá. Mas teria aceitado um emprego em qualquer outro país. Teria ido para o Uruguai se a proposta fosse melhor. estaria indo para qualquer lugar onde ela pudesse viver daquilo que amava: fotografar.
Havia conseguido uma proposta de emprego incrível, graças à indicação de uma ex-professora sua da universidade. Trabalharia em uma empresa de marketing e seria responsável pelas fotografias de grande parte das propagandas por seis meses. O salário era o suficiente para ela pagar o aluguel, as contas, encher os armários de comida e fazer algum passeio nos finais de semana. E ainda poderia aumentar sua renda fazendo freelancer em seus horários livres. Era um bom emprego. Muito melhor do que qualquer outro para o qual havia sido entrevistada no Brasil. E não seria maluca de perder uma chance como aquela.
– E aí, tudo pronto? – indagou, entrando no quarto como se fosse seu e jogando-se na cama. não reclamou, já que estava acostumada com a falta de respeito à privacidade alheia da prima.
– Acredito que sim. – deu de ombros. – Estou prevendo que vou pegar um absurdo por conta da bagagem extra.
– Não tenha dúvidas disso. – concordou. – Henrique está nos esperando lá na sala. – Avisou, lembrando
da promessa que havia feito para aquela noite. A garota soltou um muxoxo e logo se colocou de pé, com uma expressão nada amigável no rosto. – Ah não, tu não vai furar com a gente! – exclamou.
– Mas eu ‘tô cansada ! – contestou. – Eu vou viajar amanhã de madrugada, tu deverias me dar apoio e me deixar dormir.
– Eu te dou todo o apoio do mundo, mas não vou te deixar ir embora sem se despedir dos nossos amigos! – bateu o pé e puxou a prima pelo braço, obrigando-a a se levantar da cama. – Agora vai tomar um banho, eu vou escolher uma roupa para ti. – Empurrou-a para o banheiro e não teve muitas alternativas. Apenas deixou os ombros caírem e se arrastou para fora do quarto, trancando-se no banheiro em seguida. Amava seus amigos, mas era da opinião de que eles precisavam aprender a ficar em casa às vezes ao invés de sair para alguma balada ou barzinho.
Voltou para o quarto quase meia hora mais tarde, de banho tomado e cabelos lavados. Vestiu a roupa escolhida por e então secou os cabelos, antes de prendê-los em um rabo de cavalo devido ao calor absurdo que fazia naquele dia. E em todos os últimos dias, já que apesar de ser primavera, o verão parecia estar mandando uma amostra grátis de como seriam os dias em sua estação. E apenas agradecia, pois estaria no Canadá quando o verão realmente chegasse.
– Vou te dar vinte minutos para fazer a maquiagem ou então eu venho te buscar pelos cabelos. – ameaçou.
– Mal vejo a hora de me livrar de ti. – retrucou, fazendo a outra revirar os olhos e lhe estirar a língua.
– Tu vai sentir falta de mim. As melhores lembranças da tua vida foram ideias minhas. Eu ‘tô só imaginando o tédio que vai ser a tua vida lá no Canadá.
– Eu ‘tô indo embora justamente para viver um pouco. – retrucou, aplicando um pouco de base no rosto em seguida.
– Ah, me engana que eu gosto. – riu, sentando-se na cama e encarando a prima pelo espelho da penteadeira. – Esse teu papo de que vai aproveitar a vida por lá é só fingimento. Eu bem sei que tu vai ir do trabalho para casa e da casa para o trabalho. E ainda é capaz de arrumar um curso ou algo do tipo.
– Tu ‘tá me chamando de entediante? – estreitou o olhar para a prima, abandonando o pincel de maquiagem que havia pegado há poucos segundos para passar um pouco de blush nas bochechas.
– Sim. – sorriu sem mostrar os dentes. – Tu pensas demais nas coisas, chega a ser chata! – Reclamou.
chiou para a prima. – Me diz uma situação que eu fiz isso! – apesar de saber que a prima falava a verdade, jamais admitiria aquilo. Não em voz alta.
– Eu tenho um exemplo bem recente. – lembrou. – .
– Ah, vai começar. – A outra suspirou. Havia passado os restantes dos dias após o Rock in Rio ouvindo falar e falar mais um pouco sobre como ela havia sido burra e perdido a chance de sair com . Na cabeça de , o destino havia tentado unir e
para provar que eles eram um casal perfeito. E havia estragado tudo. Mas tinha uma cabeça fantasiosa demais, na opinião da prima. Ela só havia tido sorte. Muita sorte, deveria admitir. Mas ainda assim, apenas aquilo.
– Vou começar sim! – bateu as mãos nas pernas. – Tu precisa viver !
– Eu vivo. – Retrucou, com uma careta.
– Então vamos fazer uma aposta. – sorriu de forma travessa e franziu os lábios. Sabia que coisa boa não viria daquilo e já estava se arrependendo por ter teimado com . Ceder e afirmar que a prima estava certa era sempre mais benéfico para ela.
– Não quero saber de apostas. – Descartou rapidamente.
– Quer saber sim! – a outra insistiu. – Se tu ganhar a aposta, eu nunca mais te incomodo para nada! Nada mesmo! – disse, com convicção. a encarou com os olhos em fendas, descrente e desconfiada.
– E se eu perder? – Questionou.
– Vai me aturar enchendo o saco. – deu de ombros e então sorriu sem mostrar os dentes. – Para o resto da tua vida.
– Justo. – deu de ombros. – O que nós vamos apostar?
alargou seu sorriso consideravelmente e já estava arrependida daquela decisão. Como sempre se sentia. Até perceber que tinha razão e então realmente criar boas lembranças das loucuras da prima. E se dependesse da aposta de , teria a maior lembrança de sua vida. E talvez uma ordem judicial de restrição.

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Aaliyah jogou-se no sofá ao lado de , com um balde de pipocas e dois copos de refrigerante grandes. Entregou a bebida para e então deu play no filme, mesmo que já o tivesse assistido milhares de vezes e não faria nenhuma diferença perder alguns minutos enquanto ela pegava a pipoca. Mas assistir Harry Potter era um ritual sagrado na casa dos e a garota jamais cometeria tal desacato. suspirou alto e então deu um gole de sua bebida, largando o copo na mesa de centro e se recostando no sofá, em uma falha tentativa de prestar atenção no filme.
A verdade era que estava entediado. Estava em casa já fazia uma semana e havia passado todo o tempo com seus pais e com sua irmã. Havia saído uma ou duas vezes para tomar um café com os amigos, mas nada realmente demorado ou significativo. Estava sentindo falta de fazer algo animado e esperava que suas férias não se resumissem em dormir e assistir filmes com Aaliyah. Não que ele não gostasse de passar um tempo com a caçula, muito pelo contrário, adorava estar com ela. Mas também sentia necessidade de alguma coisa nova em sua vida. Ou talvez aquele vazio interior fosse apenas fome. Com isso em mente e um riso nos lábios, pegou um punhado de pipoca e colocou na boca no mesmo instante em que Dudley descia as escadas correndo e pulava na área que dava diretamente para o quarto de Harry no armário sob a escada.
– Eu não sei como vocês não cansam desse filme. – Karen murmurou, assim que desceu as escadas e encarou os filhos com um sorriso largo. Manuel vinha logo atrás da esposa, tão arrumado quanto ela, já que eles teriam um jantar romântico naquela sexta-feira. E ficaria de babá de Aaliyah, mesmo que a garota já fosse grande o suficiente e não precisasse de alguém para manter um olho nela. Mas não tinha planos para aquela noite, então tudo havia se encaixado perfeitamente.
– É um clássico! – Aaliyah defendeu e sorriu orgulhoso para a irmã. Realmente havia ensinado ela a gostar das melhores coisas do mundo.
– Isso aí! – concordou o cantor. Karen revirou os olhos.
– Deixei comida na geladeira, mesmo sabendo que vocês vão pedir pizza. – Murmurou.
– Ainda bem que você sabe. – riu. – Mas talvez a gente saia para tomar sorvete. – comentou e Manuel fez uma careta.
– Nesse frio?
– Não existe estação melhor para tomar sorvete. – Aaliyah pontuou.
– Existe o verão. – Karen riu, sem conseguir entender o raciocínio alternativo dos filhos. – Para evitar ficar doente da garganta.
– Tudo teoria da conspiração. – A garota disse, voltando sua atenção para o filme. Karen revirou os olhos e então vestiu o casaco, antes de pegar a bolsa e se aproximar da porta. Manuel a seguiu de perto e antes que eles pudessem sair, o homem se virou para .
– Você vai para a sua casa hoje, filho? – Manuel indagou.
– Acho que não. – respondeu. – Não quero ficar sozinho naquele apartamento gigante. – Deu de ombros.
– Tudo bem. – Karen sorriu. – Eu já arrumei seu quarto e troquei os lençóis.
– Obrigado mãe. – agradeceu. – Aproveitem o jantar.
– Não façam nada que o não faria! – Aaliyah orientou, antes que os pais fechassem a porta.
é muito responsável, então não faremos nada. – Manuel riu.
– Ah certo. – Aaliyah revirou os olhos e a cutucou na cintura, indicando que ela deveria ficar quieta. Os pais atiraram beijos e murmuraram recomendações antes de sumirem porta afora. lançou um olhar nada amigável para a irmã, que apenas deu de ombros e riu.
– Se você me entregar, eu te entrego também. – O cantor ameaçou.
– Bom, eu não fui para o Brasil e sai beijando atrizes porque estava bêbada. – Aaliyah implicou.
– Mas está de namorico com o filho do vizinho. – estreitou o olhar para a irmã. – Inclusive, vou ter uma conversinha com Vincent.
– Ah , para com isso! – Aaliyah reclamou, largando o balde de pipoca e se virando para o irmão com a expressão mais desgostosa do mundo. – Eu já te disse que não está acontecendo nada entre Vincent e eu!
– Aham. – estalou os lábios, totalmente descrente das palavras da irmã.
– Vá cuidar da sua vida. – A garota reclamou. – Você está precisando de uma namorada, está enchendo muito o saco. – Bufou.
– Eu também enchia o seu saco quando namorava. – Ele contestou. O filme rolava na TV e nenhum deles parecia lembrar daquilo, tão entretidos naquela briguinha infantil como estavam.
– Mentira! – Aaliyah riu. – Você ficava o tempo todo grudado na Lauren. E quando começou a viajar e voltava para casa, mal ficava por aqui. Até quando você estava com aquela Hayley foi a mesma coisa. Você é grudento irmão, admita.
– Sou um bom namorado. – contestou, nada contente com o rumo da conversa. Discutir sua vida amorosa com sua irmã caçula não era exatamente seu plano para aquela noite.
– Nunca disse o contrário. – A garota deu de ombros. – Mas você está muito irritante desde que Hayley terminou o lance de vocês.
– Nós dois decidimos terminar.
Aaliyah gargalhou. – Você mente demais para si mesmo.
– Deixa de ser pentelha. Você não entende nada de relacionamentos. – bufou. Desviou o olhar da irmã e então o focou na TV. Harry estava embarcando no expresso de Hogwarts e estava prestes a conhecer Ron, iniciando uma das maiores amizades do cinema.
– Não entendo mesmo, mas sei identificar quando alguém está sendo chato e entediante porque está sozinho. – Ela retrucou. – Você poderia estar com uma garota agora, mas está aqui comigo vendo Harry Potter. E você tem 20 anos! Deveria sair, beijar várias garotas, curtir a vida. – Aaliyah suspirou. – Já notei que você anda pressionado. Está menos animado e menos bobão. Eu sei que um namoro não resolve todos os problemas, mas acho que você deveria tentar se abrir, . Está bastante sozinho e ter alguém do seu lado pode ser uma boa. – Ela sorriu
fraco. – Um porto seguro no meio do olho do furacão.
encarou a irmã com o queixo caído. – Quando você ficou tão inteligente?
– Quando você ficou burro. – Ela retrucou, dando de língua para . – Chame Brian para uma festa amanhã. Vá viver! Quem sabe você não encontra alguém?
– Em uma festa? – debochou das ideias malucas da irmã.
– As pessoas se encontram de formas diferentes e estranhas. – Aaliyah deu de ombros. – Pode acontecer com você.
riu, mas optou por seguir os conselhos da irmã. Já fazia bastante tempo desde que havia se aberto para novas experiências românticas que realmente pudessem dar certo. Ele e Hayley estavam fadados ao desastre e ambos sabiam. Tanto que não havia durado um mês, mesmo que todos pensassem que eles ainda estavam juntos. Eles eram amigos e apenas aquilo. E sentia falta de ter alguém, não poderia negar. Mas quem? Sendo famoso como era, era difícil encontrar pessoas que não o tratassem diferente. Ele não queria ser , o cantor, na vida da pessoa com quem se relacionasse. Queria ser apenas .
Mas duvidava que pudesse encontrar alguém no mundo que pudesse ignorar sua fama para estar junto dele. E não queria namorar alguém famosa. Havia suprido sua cota com Hayley e estava bem com aquilo, obrigado. Queria aconchego, queria calmaria. Mas não sabia onde encontrar. Suspirou alto e sentiu os braços de Aaliyah o envolvendo. Sorriu para a irmã e deitou a cabeça no ombro dela. Pensaria naquilo no dia seguinte. Por ora, se ateria a apreciar a obra que era Harry Potter e curtiria um tempo com sua irmã.
As coisas não estavam maravilhosas, mas estavam boas para naquele momento.

Capítulo 6

I’m looking through my phone again, feeling anxious
Afraid to be alone again, I hate this
I’m trying to find a way to chill, can’t breathe, oh

.
suspirou alto, antes de parar de andar e então se virar para trás. Tinha apenas a mochila pendendo no ombro esquerdo e uma mala pequena em mãos, já que havia despachado a bagagem horas antes. Encarou as pessoas que a seguiam e então sentiu os olhos encherem d’água. Sentiria tanta falta de todos eles que mal podia assemelhar que estava mesmo feliz por ir embora. também tinha os olhos marejados quando o olhar das duas se encontrou e precisou respirar fundo para não cair no choro no meio do aeroporto, mesmo que ela quisesse muito chorar novamente.
– Então é isso. – Ela sorriu fraco. – Vejo vocês em seis meses. – completou, enquanto negava com um aceno de cabeça, sabendo que não veria em seis meses, já que a garota não voltaria para o Brasil. Apenas , Henrique e Maurício haviam ido levar no aeroporto, já que os outros amigos de tinham que trabalhar e já haviam se despedido dela na noite anterior. Já os pais da catarinense, eram ainda mais sentimentais do que ela e provavelmente fariam desistir da viagem com tanto choro e palavras de carinho. havia se despedido dos pais ainda em casa e chorado baixinho durante as duas horas que seguiram a saída do grupo de Brusque em direção a Florianópolis, capital de Santa Catarina, onde se localizava o aeroporto onde embarcaria para sua conexão em São Paulo, antes de finalmente partir para Toronto.
– Se tu não me ligares todos os dias, vou pegar o dinheiro da mensalidade da faculdade e ir para Toronto te dar uns tapas! – grunhiu, arrancando um riso de , antes de ambas se esmagarem em um abraço.
– Esteja disponível para ver a minha cara pelo FaceTime. – retrucou.
se afastou da prima e então segurou o rosto da garota com as duas mãos, ambas as palmas estendidas nas bochechas de .
– Aproveita tudo o que tu puderes! Não deixa de sair, de conhecer novas pessoas e embarcar em novas aventuras e atividades porque essa tua cabeça tem a mania de organizar uma enciclopédia antes de tomar qualquer decisão!

– Eu estou falando sério, . – A outra falou, com convicção. – Tu estás tendo uma oportunidade incrível e precisa aproveitar! Foi para isso que tu trabalhaste e se esforçou tanto para conseguir.
Ambas as garotas se encararam por alguns instantes, até deixar os ombros caírem e assentir com a cabeça. Afinal de contas, ela sabia que estava certa. Ela precisava aproveitar aquela chance e realmente viver. Não iria secundarizar seu trabalho ou então gastar todo seu dinheiro com festas e bobagens, mas não podia ser a mesma de Brusque, que trabalhava desde os 14 anos e guardava cada centavo para a tão sonhada viagem para Toronto. Ela finalmente estava indo para a cidade canadense e precisava fazer valer todo seu esforço. Havia negligenciado muita coisa durante sua vida para poder estar naquele aeroporto e não poderia jogar tudo fora.
– A cada momento incrível que eu viver, vou bater uma foto e pendurar a polaroide na parede. Quando vocês forem me visitar, terão muita coisa para ver e muitas histórias para ouvir. – Ela sorriu e abraçou mais uma vez, antes de se aproximar de Henrique e repetir o ato com o garoto.
– Se cuida. – Ele murmurou. – Mande notícias sempre!
– Mandarei. – suspirou. – Vou sentir tua falta, seu insuportável.
– Se tu arrumares um novo melhor amigo, eu vou pessoalmente até Toronto para chutar a tua bunda. – Henrique chiou e riu.
– Certo. – Ela estalou os lábios. Abraçou Maurício por último e quando se afastou do irmão, já tinha lágrimas nos olhos.
– Vou sentir tua falta. – O mais velho murmurou. – Quem vai me infernizar quando chegar em casa porque quer ver Netflix e eu estou usando a última tela disponível?
riu, secando as lágrimas na manga do moletom.
– Se você pegar os meus livros e não guardar corretamente eu vou te matar quando eu voltar.
– Tu não vai voltar. – Maurício pontuou e sorriu triste. – Eu já estou me acostumando com a ideia de ver a minha irmã apenas pelo Skype na maior parte do tempo.
– Cuida deles. – fungou, referindo-se aos seus pais.
– Cuida de ti. – O outro respondeu.
Pelos alto falantes do aeroporto, a última chamada para o voo de fora anunciada e a garota abraçou Maurício e os amigos uma última vez, antes de ajustar a mochila nos ombros e suspirar.
– Espero que me visitem. – Ela disse. – Terei um sofá para cada um de vocês. – Sorriu, atirando um último beijo e dando as costas para uma chorosa, Henrique abraçando a namorada e Maurício com um sorriso triste.
Teve seu passaporte carimbado e sua passagem conferida e rasgada antes de atravessar os portões de embarque e se acomodar no avião. Havia pedido por um assento na janela e após guardar a pequena mala no compartimento indicado, afivelou o cinto de segurança e então largou a mochila aos seus pés. Encarou as costas da poltrona a frente da sua e então soltou um suspiro alto, antes de abrir um sorriso fraco e passar a mão no rosto, em um sinal claro de nervosismo. Não tinha medo de aviões, mas não podia dizer que se sentia completamente confortável com a ideia de voar. Mas para além daquele incomodo, finalmente havia se dado conta de que estava abandonando tudo o que ela conhecia e partindo para uma viagem que mudaria toda a sua vida. E por mais que aquele pensamento pudesse lhe assustar um pouco, ela sentia-se preparada. E como nunca antes, ansiosa para deixar seus velhos hábitos para trás. Esperava que Toronto lhe trouxesse apenas coisas boas e surpreendentes. Contava com aquilo.

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John Mayer tocava no volume máximo nos fones de ouvido de , enquanto o rapaz esperava que o sinal fechasse para que ele pudesse atravessar a rua e continuar sua corrida matinal. Usava um conjunto de moletom Adidas e uma bandana que deixava seus cachos longe de sua testa suada. O celular estava preso na braçadeira e ele mantinha o ritmo da corrida, movimentando as pernas como se estivesse correndo, mas sem sair do lugar. Quando o sinal abriu, atravessou a rua e então seguiu pela calçada, em direção a Starbucks mais próxima de sua casa, onde finalmente encerraria seus exercícios naquele dia. Ainda tinha cerca de 2km para correr e mesmo que estivesse tocando Who You Love, ele não diminuiria o ritmo da corrida. Estar de férias não lhe dava a oportunidade de simplesmente não fazer nada por dois meses. Ele precisava continuar em sua rotina de exercícios para voltar em forma para a turnê em janeiro.
Não eram 8 horas da manhã ainda e a cidade já estava movimentada. Em Toronto a bagunça começava cedo, pessoas corriam de um ponto de ônibus para outro, a calçada que levava em direção ao metrô estava abarrotada e a Starbucks deveria estar lotada, como já era de se esperar. Café forte sem açúcar era a coisa mais necessária para se começar a segunda-feira e sobreviver durante o resto da semana. Com a mudança de John Mayer para The Chainsmokers, aumentou o ritmo da corrida apenas para ter sua atenção roubada pelo toque de seu celular avisando que estava recebendo uma nova chamada. Por estar de fones, apenas apertou o botão do microfone sem nem checar no visor do celular quem estaria lhe ligando àquela hora da manhã. Talvez fosse sua mãe o convidando para o café ou até mesmo Brian reclamando por estar de ressaca e precisar ir trabalhar naquele dia.
– Alô. – Murmurou, com a voz um pouco falhada graças a falta de ar que a corrida lhe proporcionava.
! – a voz de Hayley Baldwin o saudou e parou de correr no mesmo instante. Não falava com Hayley faziam dois meses e aquela ligação era realmente inesperada. Dá última vez que haviam tido contato, haviam brigado e deixara claro que não seria a segunda opção de Baldwin. E por Hayley ter sua preferência muito bem estabelecida, eles haviam terminado o que quer que fosse aquele relacionamento que tinham. Pelo que soubera, Hayley e Bieber haviam voltado e planejavam um casamento. Receber uma ligação da modelo àquela altura do campeonato era realmente algo estranho.
– Hayley? – indagou, apenas para descargo de consciência. Reconheceria a voz dela em qualquer lugar.
– Sim, sou eu. – Ela suspirou. – Você apagou o meu número?
– Sim. – Mentiu. – Desculpe, mas não esperava contato com você. Não mais. – Acrescentou, soando mais amargo do que realmente gostaria. Desistiu de sua corrida e rumou para a Starbucks em um caminhar tranquilo e um pouco dolorido. Havia forçado demais seus músculos naquela manhã.
– Eu entendo. – Ela suspirou novamente. – Como você está?
– Ótimo. – respondeu. – De férias, em Toronto.
– Volta para Los Angeles? – Hayley questionou e franziu o cenho. O que importava se ele voltaria para Los Angeles? Ela não estava com Bieber agora?
– Não tão cedo. – respondeu. – Por que a pergunta?
– Gostaria de te ver.
– Não acho que seja uma boa ideia. – estalou os lábios. – Você tem um namorado e nosso passado é complicado.
– Eu tinha um namorado. – Hayley destacou e fez uma careta instantânea.
– Você só pode estar brincando. – O canadense riu, sem achar realmente graça na fala da modelo. – Eu já havia lhe dito que não seria a segunda opção, Hayley. Deixei isso muito claro em nossa última conversa.
– Mas agora é diferente . – Hayley murmurou. – Justin e eu não temos mais como reatar. Ele ainda ama Selena e não é justo que eu esteja tentando ocupar um lugar que pertence a ela.
– E é justo comigo? – indagou, irritado. – Ser tapa buracos do Bieber?
– Não é assim, você sabe. – Ela tentou ponderar.
– Você só me procura quando não tem mais ninguém. Quando não tem ele. – acusou. Havia aumentado o ritmo de sua caminhada sem nem mesmo perceber, dando-se conta de que faltava apenas um quarteirão para chegar a Starbucks quando esbarrou em alguém no meio da calçada. Era uma garota, consideravelmente mais baixa do que ele, de cabelos longos e escuros, que usava mais roupas do que acharia normal para o clima que fazia naquele dia. Ele sabia que em Toronto fazia muito frio, mas ainda não estava frio o suficiente para que o uso de sobretudos fosse necessário.
– Desculpe! – a garota grunhiu, denunciando seu sotaque forte e indicando que ela não era dali. teve apenas um relance do rosto dela e franziu o cenho, confuso quanto à identidade da garota que nem se dera ao trabalho de olhar para ele antes de seguir seu caminho, correndo pela calçada em direção a estação do metrô, segurando uma câmera profissional e uma mochila que parecia pesada.
? Aconteceu alguma coisa? – a voz de Hayley o puxou para a realidade novamente e sacudiu a cabeça para os lados, ainda com o cenho franzido.
– Eu conheço essa garota. – Ele murmurou para si mesmo. Cruzou os braços em frente ao corpo e observou a tal garota descer as escadas que levariam ao metrô e sumir de vista.
– Que garota? ? – Hayley chamou novamente e então o cantor revirou os olhos, sem nenhuma paciência para Baldwin.
– Eu sinceramente não tenho mais nada para falar com você. – alegou, recebendo o silêncio de Hayley do outro lado da linha. – Deixei minha posição muito clara em nossa última conversa. Você não é a porra de uma rainha, Hayley. Não deveria agir como se fosse. – disse, finalizando a chamada e então retirando o celular da braçadeira, ainda curioso a respeito da identidade da garota em quem havia esbarrado. Precisava lembrar-se de onde a conhecia e não precisou de muito mais do que cinco minutos para descobrir. Rumou em direção a Starbucks com o celular em mãos e o aplicativo do Instagram aberto.
Ele conhecia aquela garota e sabia muito bem de onde: Brasil. Ele tinha uma vaga lembrança da última conversa que tivera com a garota do abraço. Se ela estava mesmo em Toronto, o Instagram dela a denunciaria sem sombra de dúvidas.

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Atrasada. Essa era a palavra para descrever a situação de quando ela finalmente colocou os pés na empresa. Também poderia usar a frase fuga desesperada, já que desde que saíra da estação de metrô, estava correndo como uma louca, fugindo da garota que a estava seguindo desde que havia saído de seu novo apartamento naquela manhã. Era seu primeiro dia e ela já iria passar a pior impressão do mundo para seu novo chefe: a impressão verdadeira, já que era uma vergonha quando se tratava de horários. E que ela era completamente neurótica, principalmente porque estava em um país desconhecido, com pessoas desconhecidas, que falavam uma língua na qual pensara ser fluente, mas que precisara rever seus conceitos quando não soubera explicar o que era farinha de rosca no mercado mais próximo de sua casa. Sua desculpa por estar de jetlag até poderia colar nos primeiros dois dias, mas se ela continuasse se atrasando – o que era um costume e um fardo para ela – poderia arranjar problemas e ser demitida antes mesmo de conseguir provar que era uma boa fotógrafa.
A garota suspirou, ajeitando a mochila nos ombros e segurando a câmera com firmeza. Respirou fundo e se encaminhou para a recepção, cumprimentando a recepcionista e se apresentando como a nova fotógrafa contratada. Foi encaminhada para outra sala, onde recebeu um crachá e teve seu nome cadastrado no sistema da empresa. Ao voltar para a recepção, encontrou com a tal garota que a estava seguindo. estreitou o olhar para ela, pronta para criar um caos, quando se lembrou de que não estava mais no Brasil, onde ela resolvia as coisas com discussões na maior parte do tempo. Respirou fundo novamente e analisou a garota, pronta para colher informações que pudessem lhe ajudar caso fosse necessário contatar a polícia. Era loira e alta, com um corpo nada padrão e bastante comum. Usava roupas escuras e também carregava um copo de café. franziu o cenho, desconfiada. Afinal de contas, a garota a havia seguido por todas as ruas desde o prédio onde estava morando, até o trem. Havia pegado o mesmo vagão e descido na mesma estação. E agora estava ali, encarando-a com um sorriso muito mais animado do que o normal para um horário tão cedo em uma segunda-feira. Aquilo não era normal, nem mesmo para , que convivia com pessoas muito estranhas no Brasil.
– Eu te conheço! – a garota exclamou ainda sorridente.
– Você me seguiu! – acusou, dando um passo para trás em uma tentativa falha de fuga, já que encontrou a porta da sala onde estava anteriormente.
– Perdão? – a loira riu, franzindo o cenho e encarando como se ela fosse louca.
– Você me seguiu! – a brasileira acusou novamente. – Por todas as ruas desde meu prédio até o metrô. Dobrou nas mesmas esquinas e entrou no mesmo vagão que eu. Desceu na mesma estação e agora está aqui! Seguiu-me!
– Você é louca? – a outra indagou, em um misto de incredulidade e divertimento. – Eu moro naquele prédio e trabalho aqui! Faço o mesmo caminho todos os dias a dois anos. – explicou e abriu a boca para falar umas três vezes, antes de enfiar o rosto contra as mãos e gemer em descontentamento.
– Como eu sou burra. – Murmurou em português, desacreditada de sua capacidade em supor coisas absurdas. Levantou o rosto e encarou a loira, que ainda ria com divertimento. – Me desculpe, eu estou completamente paranoica.
– Você não é daqui, é? – a outra indagou, se aproximando de com cuidado.
– Sou do Brasil. – ela respondeu. – É minha primeira viagem internacional e primeira experiência morando sozinha.
– Não te culpo por estar paranoica. – A loira sorriu em compreensão. – Benson. Sua vizinha e colega de trabalho. – Se apresentou. – Mas todos me chamam de .
. – também sorriu, estendendo a mão para a loira e recebendo um abraço como cumprimento. Franziu o cenho em confusão, não esperando algo tão caloroso vindo de uma canadense que mal conhecia.
– Eu nunca vou conseguir pronunciar seu nome. – Avisou, rindo com vontade.
– Me chama de . – A brasileira também riu.
? – repetiu, com a língua um pouco enrolada.
– Com um pouco de treinamento você vai conseguir pronunciar com perfeição. – brincou.
– Não posso te chamar de Madie? – indagou, com as sobrancelhas arqueadas. fez uma careta. – Péssima ideia. então. – Novamente murmurou com a língua enrolada e quis rir, mas achou que não seria educado, principalmente depois de acusar de está-la perseguindo.
– Então, o que você veio fazer tão longe de casa? – indagou, puxando para o elevador. Tinham que estar na sala de reuniões em 5 minutos e não poderiam se atrasar, segundo a recepcionista cujo nome não prestara atenção.
– Trabalhar. – deu de ombros. – Fotógrafos não são muito reconhecidos no Brasil. Uma professora me indicou para essa vaga, pois ela é amiga do Fernand. – Mencionou o dono da empresa. – Ele gostou do meu portfólio e minha entrevista foi aceitável. Assinei contrato para seis meses iniciais. – explicou.
– Você deve ser muito boa. – murmurou. – Estávamos precisando mesmo de alguém novo na equipe. – Sorriu largo. – E tenho certeza de que vamos ser ótimas amigas, principalmente porque somos vizinhas. – Riu.
– Você parece com a minha prima. – observou, encarando de cima abaixo. Ela realmente lembrava , não apenas pelo visual, mas principalmente por conta da personalidade. parecia ser quase tão doida quanto era. havia dado sorte. Teria duas malucas em sua vida.
– Isso é algo bom? – indagou, com as sobrancelhas arqueadas.
– Ela é minha melhor amiga. – respondeu, deixando de a loira tirar suas próprias conclusões.
– Vamos ser ótimas amigas. – concluiu sorridente, fazendo rir alto.

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suspirou e revirou os olhos pela décima vez, enquanto Brian não parava de reclamar em seus ouvidos sobre a festa que ele havia perdido no final de semana anterior. Estavam em uma cafeteria no centro de Toronto, matando tempo até terem que buscar Aaliyah no curso de espanhol que a garota frequentava. Por causa daquele curso, vivia chamando-a de “chica” apenas para provocar a irmã, deixando bem claro que era o irmão mais velho irritante do qual a garota reclamava para as amigas, que não acreditavam que pudesse ser qualquer coisa além de adorável.
– Eu disse que vou à próxima. – resmungou, muito descontente com a situação. Bebeu um gole de seu café e deu uma garfada na torta de frango que havia pedido. Já havia ouvido muito de Aaliyah sobre ter se escondido em casa e não seguido os conselhos da irmã em procurar novos horizontes, mas não podia dizer que estava arrependido. Afinal de contas, havia rascunhado a letra para uma nova música que significava muito para . Era extremamente pessoal e intimista, soando como um desabafo para . In My Blood seria o primeiro single de seu próximo disco, no qual ele já estava pensando, mesmo que não houvesse terminado com a turnê do Illuminate. Dar um tempo com a carreira não era uma opção para a gravadora e menos ainda para . Ele vivia para aquilo. Seu momento de maior felicidade era no palco, ouvindo o coro dos fãs entoando suas músicas. Não via motivos para dar uma pausa entre a turnê atual e o lançamento de um novo álbum como alguns artistas faziam. trabalhava porque amava e não porque estava sendo obrigado.
– Eu sei, ouvi da primeira vez que você disse isso. – Brian retrucou, deixando seu café de lado. – Assim como ouvi a mesma coisa nas últimas quatro festas que você faltou.
– Não tenho culpa de que a inspiração para escrever sempre vem nos finais de semana. – deu de ombros e Brian bufou.
– Você está mesmo precisando viver um pouco e esquecer que é um cantor famoso. – Brian pontuou e suspirou alto, já cansado daquela conversa.
A verdade era que as pessoas não entendiam o motivo de se preocupar tanto com o trabalho. Não as pessoas comuns, pelo menos, e isso trazia um péssimo sentimento para , porque ele sentia que suas inseguranças eram bobas e infundadas. Apesar da conversa com Niall e Camila, ainda se sentia incomodado com a repercussão de seus atos, que priorizavam sua vida pessoal – ou a falta dela – do que seu trabalho como músico. Andrew tentava tranquilizá-lo, afirmando que aquilo acontecia com todo artista jovem, mas sentia-se como um animal em um zoológico, onde todos esperavam que o bicho tivesse alguma ação mais humana e ignoravam sua essência selvagem. Odiava aquilo, sentia-se preso em um looping eterno onde nada do que ele fazia era bom o suficiente. Por isso trabalhava tanto. Para provar que era bom e que merecia o reconhecimento e amor de seus fãs. E não ter seus amigos o apoiando era algo realmente complicado. Eles cobravam de coisas que não estavam mais ao seu alcance – como comparecer em festas de conhecidos – ou que não interessavam mais ao cantor. Coisas que poderiam ser relegadas a um segundo momento de sua vida, que jamais teriam a importância que seu trabalho tinha.
– É algo meio difícil de esquecer. – disse por fim, soando mais amargo do que realmente gostaria. Brian o encarou com as sobrancelhas arqueadas, confuso devido a inesperada reação do melhor amigo.
– O que foi? – Brian indagou, parecendo preocupado e no mesmo instante se arrependeu pelas palavras rudes. Afinal, Craigen era seu melhor amigo. Amigo para quem não estava contando todos os detalhes de sua vida e seus problemas, que apenas queria ver bem, feliz e aproveitando a vida.
– Muita merda. – respondeu. – As pessoas perdem mais tempo inventando coisas sobre meu envolvimento com a Hayley do que falando sobre a turnê e o álbum novo que eu já anunciei estar em preparação.
– Eu acho que você se preocupa demais com as coisas que pessoas desnecessárias na sua vida falam de você. – Brian murmurou. – Talvez você devesse focar nas pessoas que se importam com você, como os seus fãs.
– É muito mais fácil falar do que fazer. – deu de ombros.
– Eu sei. – Brian concordou. – Nunca disse que era bom com conselhos.
– Não é mesmo. – O cantor riu. – Só me sinto pressionado, por todos os lados. Os fãs querem coisas, a mídia quer coisas, minha família quer coisas… Eu só queria um lugar tranquilo, onde eu pudesse me esconder por algumas horas e deixar essa loucura do lado de fora.
– Aaliyah me mandou mensagem esses dias. – Brian comunicou. – Ela me pediu para arrumar uma namorada para você. Acredito que o propósito dela com esse pedido seja te proporcionar esse refúgio.
– Não dê ouvidos para Aaliyah. – revirou os olhos. – Ela acha que eu lidava melhor com a loucura desse mundo quando estava com Lauren. Mas esse mundo não era tão grande naquela época. – Suspirou, finalizando o café para então dar a última garfada em sua torta.
– Ela não deixa de ter alguma razão. – Brian comentou. – Mas você também tem. – Riu. – Que merda.
– Eu sei. – também riu. Seu celular apitou e uma nova mensagem de Aaliyah surgiu em suas notificações. – A pirralha está nos esperando.
Brian revirou os olhos. – Por que mesmo nos oferecemos para levá-la ao shopping após o curso?
– Porque somos idiotas e facilmente convencidos. – deu de ombros. Levantou-se e seguiu com Brian até o caixa, onde fora recebido pelo sorriso gigante da atendente, que lhes estendeu a conta e pediu por uma foto no instante em que os rapazes deixaram o dinheiro na mão dela. sorriu para a câmera e então se virou. A cena que se seguiu poderia ser descrita como digna de um filme de Hollywood. Assim que se colocou para fora da cafeteria, segurando a porta para que Brian pudesse sair, esbarrou de frente com uma pessoa que tentava entrar no estabelecimento. Murmurou um pedido de desculpas e passou os olhos rapidamente pela pessoa na qual esbarrara, apenas para franzir o cenho e voltar a encará-la com intensidade. Conhecia aquele rosto, sem nenhuma sombra de dúvidas. Recebeu um olhar arregalado e um queixo caído quando a garota do abraço o encarou. Ela murmurou alguma coisa em português, que não entendeu, mas que o fez rir, pois soou como um palavrão muito feio em seus ouvidos. Brian, que assistia a cena com um olhar perdido, apenas puxou para longe da porta e automaticamente os seguiu, ignorando completamente o que ela havia ido fazer na cafeteria, tirando os fones de ouvido e guardando o celular no bolso do moletom que ela usava.
– Oi! – ela murmurou, animada. – Você nem deve lembrar-se de mim. – Ela revirou os olhos para si, parecendo estar em um debate interno que fez rir novamente.
– Eu me lembro de você. – Ele pontuou, fazendo-a arregalar os olhos ainda mais.
– Você lembra-se de mim? – questionou incrédula.
– Sim. – assentiu. – A garota do abraço.
– Puta merda. – grunhiu, sorrindo largamente. – se lembra de mim. – Murmurou para si mesma. – Eu nunca posso esquecer esse momento.
– Há quanto tempo está em Toronto? – indagou. – Eu tenho quase certeza de que te vi no início da semana. – Completou e quase engasgou.
– Como assim?
– Por acaso você esbarrou em alguém na segunda-feira de manhã? – questionou e assentiu com a cabeça. – Era eu.
– Como eu não te vi? – ela exclamou, com a voz esganiçada. – Você tem tipo, quase 2 metros de altura. É impossível não te reconhecer.
– Você parecia desesperada para chegar ao metrô. – deu de ombros.
– Eu estava fugindo de uma possível perseguição. – murmurou e franziu o cenho. – Mas a perseguidora virou minha amiga. – Ela deu de ombros e duvidou que já tivesse tido uma conversa mais esquisita do que aquela.
– Perdão? – ele riu.
– Ah, esqueça. – estalou os lábios. – Estou falando pelos cotovelos novamente. – Riu fraco.
– Muito normal. – brincou. Brian o cutucou no braço e só então lembrou que o melhor amigo estava ali. – Ah, esse é o Brian. – Apresentou.
– Eu sei quem ele é. – riu, lançando um sorriso simpático para Craigen e então voltando seu olhar para . Ela não conseguia ficar muito tempo com os olhos longe dele. Mal podia acreditar que o havia encontrado durante seu intervalo para o café da tarde. – Fã, esqueceu?
– Ah, é verdade. – riu. – Bom, eu preciso ir. Minha irmã está me esperando. – Suspirou. – Talvez a gente se esbarre por aí novamente.
– Espero que sim. – sorriu largamente. – Aproveite suas férias.
– Aproveite a viagem. – disse. – Aliás, você ainda não me disse o seu nome. Seu Instagram não facilita a pronúncia dele. – riu.
. – A garota respondeu. – Mas pode me chamar de . É mais fácil.
? – ele pronunciou com alguma dificuldade.
– Quase isso. – Ela riu.
– Certo. – riu também. – Nos vemos por aí.
– Sim. – Ela o encarou uma última vez, antes de se mover em direção a porta da cafeteria. – Ah, estou ansiosa para saber mais da música nova que você escreveu. – Acrescentou, lançando um olhar encorajador para . Ele assentiu com a cabeça, seguindo novamente para perto da garota, enquanto Brian o encarava com o cenho franzido.
– Talvez eu te mande um pedaço da letra. – deu de ombros.
– Para isso você precisaria do meu número. – lembrou, com as sobrancelhas arqueadas.
estalou os lábios. – É verdade.
E então puxou o celular do bolso, destravando com a digital e entregando o aparelho para . Ela deixou o queixo cair levemente, desacreditada da situação que estava vivendo.
– E como eu salvo meu contato? – ela questionou, já com o celular em mãos.
– Coloca apenas o número. Eu nomeio o contato. – orientou.
– Vai me deixar curiosa? – ela indagou, com um pequeno sorriso, digitando os números e então devolvendo o celular para .
– Quem sabe um dia você descobre? – ele murmurou. – Bom café. – Desejou.
– Tchau . – suspirou, antes de entrar na cafeteria. parou ao lado de Brian, que o encarava com uma mistura de surpresa e incredulidade.
– Que droga foi essa? – o outro questionou imediatamente.
– Uma garota que conheci no Brasil. – deu de ombros. Desbloqueou o celular e encarou o número de , rindo ao visualizar o nome que ela havia colocado no contato.
do Brasil/abraço/esbarrões.
Ele deixaria aquele nome no contato dela por ora. Ainda não via necessidade de mudar.

Capítulo 7

She don’t waste time on conversations, no
She just goes right for the face, yeah
She’s so particular

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Um suspiro alto saiu dos lábios de quando o apito do elevador lembrou a garota de que aquele era o andar no qual ela morava. Agradecia todos os dias pela sorte que tivera em conseguir um apartamento tão bom e com um valor dentro do seu orçamento em um prédio com elevador no centro de Toronto. Enquanto procurava por uma casa, ainda no Brasil, encontrava apenas apartamentos minúsculos em prédios que tinham apenas escadas, então fora uma sorte imensa ter encontrado Vanessa e seu aluguel relâmpago. A proprietária da atual casa de também era brasileira e havia se mudado para Nova Iorque a trabalho, colocando seu apartamento para alugar por um preço muito abaixo do esperado. Vanessa havia dado preferência para alugar para após conversarem brevemente sobre o motivo da ida da catarinense para Toronto. E graças a empatia de Vanessa, já chamava o pequeno apartamento de lar há quase uma semana.
A garota fechou a porta às suas costas e caminhou pelo pequeno corredor, deixando sua mochila e câmera no sofá, antes de se jogar no móvel e suspirar alto, grata por finalmente estar em casa depois de um dia completamente maluco no trabalho. Havia tido sua primeira sessão individual de fotografias naquele dia, visto que estava apenas acompanhando os fotógrafos mais experientes no começo da semana, para se habituar à empresa e a rotina dos fotógrafos. Afinal, trabalhar para a maior empresa de fotografia do Canadá não era uma tarefa fácil, uma vez que os profissionais tinham que fotografar desde caixinhas de suco para outdoors até photoshoots de linhas de roupas. abriu os olhos e analisou o apartamento, fazendo uma lista mental de suas atividades domésticas para aquela sexta-feira à noite. O local não era grande, então ela não teria muito trabalho e poderia descansar muito mais cedo do que esperava. A porta de entrada dava para um pequeno corredor, onde havia um espelho pendurado na parede bem ao lado da porta que dava para o banheiro. Saindo do corredor, o apartamento se estendia em uma área quadrada, dividida em dois retângulos. No primeiro retângulo estava a sala – composta por sofá, uma estante onde colocou seus livros e porta-retratos, um rack para a TV e alguns pufes – e a pequena cozinha, que tinha armários planejados e uma mesa com 3 cadeiras. A divisão para segundo retângulo, onde se encontrava o quarto, se dava por uma mureta de madeira e por se tratar de uma área mais alta, recebia um degrau para que fosse acessado. O quarto de tinha apenas uma cama de casal, um armário pequeno e uma mesa de escritório onde a garota deixava seu notebook. A porta para a sacada ficava no centro do cômodo, a qual ainda não tivera tempo de decorar do jeito que gostaria, como já havia feito com o restante da casa.
Duas batidas na porta desviaram a atenção de das roupas jogadas na cama e a garota revirou os olhos para quem quer que fosse a pessoa que perturbava sua paz após um dia tão cansativo. abriu um sorriso gigante quando abriu a porta e nem pediu licença para invadir o apartamento da vizinha. Para o azar de , havia encontrado a versão canadense de mais cedo do que esperava e ela havia se instalado em sua vida sem intenções de ir embora.
– Você me conhece há uma semana e age como se me conhecesse a vida inteira. – reclamou, após fechar a porta e voltar para o sofá, enquanto procurava por alguma coisa na geladeira.
– Eu não tenho culpa de ter me afeiçoado a você. – deu de ombros. – Você teve sorte.
– Sorte não é a palavra que eu usaria. – argumentou, recebendo um olhar atravessado de . A verdade é que havia ficado grata por ter encontrado a garota logo em seu primeiro dia no Canadá, mesmo que houvesse sido de uma maneira muito estranha e inusitada. Apesar de toda a confusão sobre a perseguição, a aproximação das duas fora natural e logo no segundo dia de em Toronto, elas já pareciam amigas de anos. já conhecia e Henrique graças às chamadas de vídeo que fazia diariamente e a canadense havia criado uma crush absurda em Maurício, irmão de , mesmo tendo-o visto por 5 segundos em um storie que o rapaz mandara para no meio da semana.
– Vá se ferrar. – A loira xingou.
– Veio apenas roubar meu iogurte ou tens algo importante para falar? – indagou, descontente pelo roubo de sua comida. revirou os olhos, se jogando no sofá ao lado de . O comportamento caloroso de era uma exceção naquele país e sentia a diferença doer em seu coração. Fazia apenas uma semana e ela já estava morta de saudades de casa.
– Eu tenho um convite para fazer. – sorriu largamente e não gostou nada do rumo daquela conversa.
– Não.
– Mas você nem ouviu! – a outra reclamou.
– A resposta ainda é não. – Deu de ombros, indiferente.
– Tudo bem, eu ligo para e ela te convence. – estalou os lábios, puxando o celular do bolso do jeans. deu um tapa na mão da loira, derrubando o celular no sofá.
– Maldita hora que aquela idiota te deu o número dela. – Revirou os olhos. – O que você quer?
– Meu amigo Brian me mandou dois ingressos para um bar. – explicou, recebendo um olhar atravessado da brasileira. – É um bar, não uma festa. – Pontuou. – Ficamos um pouco e então voltamos para casa. – Argumentou, sorrindo sem mostrar os dentes. – Eu também estou cansada. Aqueles cachorros no parque me deixaram louca. – Murmurou, fazendo referência às fotos que haviam feito juntas durante a tarde. Um pet shop havia contratado os serviços da empresa em que trabalhavam, pois queriam adiantar os preparativos dos calendários para 2018 e as garotas haviam ficado responsáveis pelas fotos com os cães. Havia sido uma péssima escolha, já que tiveram o dobro de trabalho do que teriam com as fotos dos produtos enlatados que também foram oferecidos a elas.
– Tudo bem. – cedeu, a contragosto. – E nós vamos voltar cedo mesmo. – Impôs.
Mas quando colocou os pés dentro do bendito bar, ela soube que aquilo era sim uma festa. Com bebida liberada. E que ela não voltaria cedo para casa de maneira nenhuma.

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O cantor se jogou na cama e estava quase alcançando o celular na mesa de cabeceira quando Brian adentrou o quarto e pegou o celular de , guardando no bolso de seu jeans e encarando o amigo com os olhos em fendas.
– Nem pense nisso. – Ele grunhiu, fazendo revirar os olhos e soltar um suspiro.
– Eu ia entrar no Twitter. – Se defendeu.
– Mentira. – Brian retrucou. – Você ia ver se ela mandou alguma mensagem, eu te conheço.
– Não posso mais checar minhas mensagens? – arqueou as sobrancelhas, em desafio.
– Não as dela. – O outro pontuou. – Eu nem sei o porquê de você ainda não ter bloqueado o número dela.
– Por que eu não sou esse tipo de cara. – suspirou, sentando-se na cama e pousando os cotovelos nos joelhos, antes de enfiar o rosto contra as mãos. – De qualquer forma, nós ainda somos amigos. Não faria sentido bloquear o número dela nessa circunstância. – Sacudiu os ombros.
– Você deixa essa garota entrar na sua mente. – Brian condenou. Ele não gostava de Hayley Baldwin e não fazia esforço algum para fingir o contrário, mesmo que tentasse convencê-lo de que a garota era uma boa pessoa. Confusa, mas ainda sim, uma boa pessoa. Brian não dava a mínima para aquilo e só queria que se livrasse de Baldwin de uma vez por todas. Havia acompanhado toda a perturbação que aquele relacionamento havia causado em e não queria que o cantor se afundasse novamente.
– Ela é…
– Uma boa pessoa, eu sei. – O outro rolou os olhos, impaciente. – E te manipula como ninguém.
– Não é manipulação. – contestou, mesmo que soubesse que as palavras que proferia eram vazias. Hayley o manipulava sim, mas estava resistindo a tentação de simplesmente ceder. Ele havia deixado claro que não seria a muleta de Baldwin novamente e estava na hora de ela lidar com as consequências de suas decisões. Havia escolhido Bieber e perdera . Não o teria de volta apenas porque Justin e ela haviam terminado novamente. merecia muito mais do que metade de um relacionamento.
– Certo. – Brian estalou os lábios, descontente. – Só não se afogue novamente na ilusão desse relacionamento. Hayley não quer nada com você. – alertou, soltando um suspiro alto antes de tirar o celular do bolso e entregá-lo a . – E vamos logo, pois estamos atrasados.
– Atrasados? – arqueou as sobrancelhas, em confusão. Guardou o celular no bolso da calça e passou a mãos pelos cabelos, os ajeitando antes de seguir para fora do quarto junto de Brian. – Por quê? Só vamos nós. – lembrou.
– Eu convidei uma amiga. – Brian deu de ombros.
– Ah não. – reclamou. – Eu não vou sair de casa para ter você nos meus ouvidos tentando me convencer a ficar com seja lá quem você tenha convidado. – O cantor trancou o apartamento e seguiu para o elevador. Brian já tinha o celular em mãos para chamar um Uber, já que ambos os amigos queriam beber naquela noite e dirigir alcoolizado não era o plano de nenhum deles.
é uma amiga. – Brian revirou os olhos. – Não a chamei por causa de você. E você já a conhece. – Entraram no elevador e apertou o botão do térreo.
– Conheço? – franziu o cenho.
– Sim. – O outro bufou. – Ela foi naquele karaokê conosco.
– A que cantou Barbie Girl? Sua paixonite? – riu, lembrando-se da pessoa em questão. Brian tinha um pequeno crush em , que nada queria com o rapaz. – Você ainda não superou?
– Olha quem fala sobre superar. – Craigen debochou. – “Será que Hayley mandou mensagem? Será que eu respondo?” – afinou a voz, apenas para provocar o amigo.
– Idiota. – xingou.
O Uber já os esperava quando finalmente chegaram ao térreo. A viagem não durou muito, visto que não havia trânsito e o tal bar não era realmente distante do prédio de . Apresentaram seus convites e logo estava no bar, cada um pedindo uma cerveja antes de decidirem dar uma volta pela festa. Tocavam músicas eletrônicas e algumas músicas pop e Brian fez questão se arrastar por toda a festa, enquanto fingia não estar procurando por palpitava que o nome da loira poderia ser , mas não tinha certeza -, enquanto fingia que não tinha celular, mesmo o sentindo vibrar em seu bolso a cada 10 minutos. Muitas cervejas e reclamações sobre a música mais tarde, ambos decidiram aproveitar os benefícios da área vip, que se localizava no segundo andar do bar. Apresentaram suas pulseiras e estavam no meio do caminho quando um gritinho estridente chamou pelo nome de Brian e eles levantaram os rostos em direção ao som, encontrando uma sorridente e animada, sacudindo uma garrafa de cerveja em mãos.
– Você veio! – Brian murmurou, subindo mais dois degraus e puxando a garota para um abraço.
– Claro que eu vim. – Ela revirou os olhos. – Até parece que não me conhece.
– Vou disse quem não viria sozinha é que não tinha certeza de que arrumaria uma companhia. – Brian se defendeu, assim que se soltou do abraço. quis rir, mas sabia que Brian iria ficar puto com ele, então preferiu ficar quieto. Bebeu mais um gole de sua cerveja, antes de cumprimentar com um abraço rápido.
– Eu consegui convencer minha amiga. – deu de ombros. – Mas a perdi na multidão e preciso encontrá-la. – Suspirou. – Ela não é daqui e não posso abandoná-la.
– Quer ajuda? – Brian logo ofereceu e sorriu largo, antes de assentir.
– Seria incrível! – exclamou. – Ela é um pouco baixa, cabelos escuros e longos e está usando uma roupa meio incomum para uma festa como essa. E vocês certamente vão encontrá-la reclamando da música.
franziu o cenho. – O que seria uma roupa incomum?
– Ela deve ser a única garota de shorts aqui. – deu de ombros. – Mas segundo ela, no Brasil não se vai a festas de vestido ou saia porque não é confortável para dançar.
– Brasil? – franziu ainda mais o cenho. Seria muita coincidência, não seria? Encontrar naquela festa e a brasileira ser amiga de , a paixão secreta de Brian. Não, riu, descartando a possibilidade. Não poderia ser ela.
– Sim, ela é brasileira. Chegou há uma semana. – explicou.
– Vamos procurá-la então. – Brian decidiu, lançando um olhar questionador para , que deu de ombros e se virou, fazendo o caminho contrário ao que pretendia. Deram muitas voltas em busca da amiga de , até decidirem por se separarem. garantiu que eles encontrariam sua amiga sem precisar ver uma foto dela e esperava que a premissa fosse verdadeira. Sentia um pequeno nervosismo tomando conta de si, apenas pela expectativa de encontrar a garota do abraço novamente. Era engraçado como o mundo era realmente pequeno e as pessoas simplesmente reapareciam em sua vida de forma inesperada. Talvez realmente existisse aquela coisa de destino, no final das contas.

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não estava animada quando pediu a quarta dose de tequila da noite. Recebeu um olhar preocupado do barman, que movia o olhar do rosto nada sóbrio da brasileira para a garrafa de cerveja em suas mãos. O homem lhe entregou a tequila e virou o shot em apenas um gole, dispensando o limão e o sal, bebendo mais de sua cerveja assim que sentiu a tequila lhe queimar a garganta. Estava entediada, havia perdido de vista e a música que tocava era péssima. Os canadenses não conheciam funk? Tudo que queria era dançar e ela não conseguia porque não se dançava música eletrônica. Acreditava que o funk deveria ser globalizado, assim ela não precisaria passar a festa toda bebendo e poderia dançar. Mesmo que ela não soubesse realmente dançar. Rebolava muito mal e não sabia fazer o famoso quadradinho, mas ela não dava à mínima. Ninguém a impediria de rebolar a bunda, como diria a famigerada Anitta.
– Ah, aí está você! – ouviu uma voz as duas costas, virando-se em direção ao som e encontrando com uma expressão nada amigável. mordeu o lábio inferior, bebendo maia da cerveja e então sorrindo para a amiga, antes de jogar-se nela para um abraço. É, talvez ela já estivesse um pouco embriagada.
– Aqui estou eu! – exclamou, após romper o abraço. – Onde você estava? Abandonou-me!
– Você quem sumiu! – reclamou. – E eu estava te procurando, sua ingrata.
– Não sumi não! – sacudiu a cabeça para os lados. – Eu te avisei que iria pegar uma cerveja.
estreitou os olhos para a amiga. – Que seja. – Bufou. Inclinou-se para cima e passou a procurar por alguém na multidão. franziu o cenho, confusa. Elas haviam ido sozinhas, estaria procurando a quem? – Agora perdi os rapazes. – Rolou os olhos.
– Que rapazes? – questionou. Finalizou sua cerveja e pediu mais uma para o barman, que de olhos arregalados, atendeu ao pedido da brasileira. – Só toca música ruim nessa festa. – Reclamou.
– Aqueles rapazes. – apontou para as escadas, sorrindo largo antes de acenar com animação. tinha a garrafa nos lábios quando se virou em direção ao ponto que apontava. Arregalou os olhos e quase engasgou com a bebida. – O que foi? – a loira indagou, surpresa com a reação de .
– Você é amiga do ? – indagou, a voz esganiçada.
– De Brian. – explicou. – Não conheço tão bem. Por quê?
, eu sou fã dele. – explicou, pausadamente. – Ou você não viu que eu tenho todos os álbuns dele na minha estante? Ou as fotos no meu Instagram? Eu fui ao Rock in Rio apenas para ver ele.
– Você está brincando comigo. – riu, incrédula.
– Não!
, – falou, o sotaque atrapalhando a pronúncia do nome da brasileira. – Se você desmaiar ou tiver um surto, eu juro que acabo com a sua vida! – ameaçou. – Ele está vindo para cá, não me faça passar vergonha!
– Me respeita ! – grunhiu, dando um tapa na amiga. – Eu já conheço ele. Nos encontramos algumas vezes. – Tentou tranquilizar a outra.
– Como você não me disse isso? – exclamou, com uma careta descontente no rosto.
– Você não me disse que conhecia o Brian! – acusou de volta.
– Brian não é famoso. – se defendeu.
– Você quem pensa. – riu. Mais um gole em sua cerveja e então faltavam poucos passos para estar a sua frente. O álcool estava prejudicando os pensamentos de , já que a única coisa na qual ela conseguia pensar era no quão bonito ficava de preto. – O universo quer mesmo que se torne real. – ela murmurou e gargalhou alto. Instantes depois e Brian estavam de frente para as garotas. O mais baixo com uma expressão surpresa e com um sorriso largo.
– Você! – ele exclamou para , que sorriu sem mostrar os dentes.
– Eu! – ela riu.
– O mundo é realmente pequeno. – comentou.
– Ou talvez seja o destino. – deu de ombros e arqueou as sobrancelhas para ela.
– Não acredito em destino. – Ele explicou.
– É uma pena. – Ela sorriu. e Brian trocaram um olhar cheio de significados, antes de se afastarem e seguirem em direção a pista de dança.
– Então, – se apoiou no balcão e pediu uma cerveja para o barman. – Curtindo a festa?
– Não. – fez uma careta. – Está uma droga. Esse país não tem funk. – Reclamou.
– Eu conheço funk. – murmurou. – As batidas são realmente animadas.
– Para dançar! – a brasileira exclamou. – Não tem como se dançar música eletrônica.
riu, concordando com um aceno de cabeça. – Terá que procurar uma festa brasileira. – Recomendou.
– Existe isso aqui? – indagou, animada.
– Não sei. – confessou. – Mas existem restaurantes brasileiros. Devem existir festas. – Deu de ombros.
– Sua lógica não faz sentido. – riu. Sentia seu corpo ficando mole e o riso cada vez mais frouxo. Estava realmente ficando bêbada e sabia que precisava parar de beber. Mas estava quente dentro do bar e apenas uma cerveja gelada poderia salvá-la. Não era sua culpa e sentia a consciência limpa para pedir mais uma long neck ao barman.
– Eu sei. Desculpe-me. – fez uma careta, mostrando um bico em seus lábios. o encarou com a sobrancelha arqueada, deixando o olhar cair para a boca dele por segundos o suficiente para notar. Ele sorriu, constrangido, as bochechas assumindo um tom ainda mais rosado do que o usual.
– Está desculpado. – riu. Virou-se para o balcão e pediu por duas doses de tequila e então encarou . – Vai ficar só na cerveja?

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havia corrido para o banheiro cinco minutos atrás e já estava preocupado. Sentia seu corpo dando sinais de embriaguez, mas nada comparado ao estado em que – ele ainda tinha alguma dificuldade em pronunciar o nome dela, mesmo tendo passado as últimas duas horas conversando e bebendo na companhia da garota – se encontrava. Ela estava muito mais risonha e espontânea do que o normal para qualquer pessoa. Seu equilíbrio estava bastante prejudicado e suas cantadas cada vez mais engraçadas. Fazia tempo que não passava tempo com uma pessoa como . Alguém que o conhecia por causa da fama e não o tratava de forma diferente. As pessoas costumavam mantê-lo sob uma redoma: o intocável , cantor mundialmente famoso que não fazia nada de comum em sua vida extremamente agitada e impecável. Conversavam com ele de forma mais polida, tratavam-no como se ele fosse diferente de todos os outros. Chegava a ser irritante e esse era um dos motivos pelos quais evitava sair às vezes.
As pessoas o paravam para tirar fotos – como haviam feito naquela noite -, elogiavam seu trabalho e então iam embora. Mesmo os amigos de Brian, aos quais não conhecia, não conseguiam tratá-lo de forma comum, mesmo com Brian de intermediário. Havia sempre um divisor, como uma parede de vidro, que com simplesmente não existiu naquela noite e nas poucas vezes que haviam se encontrado. Ela fez piadas sobre o Canadá não ter boas músicas para dançar, bebeu junto de , fosse qual fosse a bebida, fez comentários espontâneos sobre qualquer coisa e às vezes lhe lançava algumas cantadas, como quando comentou que ele permanecia cheiroso mesmo depois de horas no meio de pessoas suadas ou então como ela adorava o sorriso dele. E mesmo sendo uma pessoa completamente normal com ele, não deixou de surtar quando There’s Nothing Holdin’ Me Back tocou na festa ou então de mencionar que estava seguindo todos os produtores musicais com quem trabalharia para o próximo álbum em busca de alguma dica sobre as músicas novas. Era algo novo para . Aquele tipo de vivência não fazia parte de sua vida: alguém que admirava e acompanhava seu trabalho e conseguia tratá-lo como um novo amigo ao mesmo tempo. As únicas pessoas que não mantinham dentro da redoma intocável eram seus amigos de infância, sua família e sua equipe. Fora eles, todos o tratavam com privilégios. E ele não gostava daquilo. Gostava do tratamento que reservara para ele. Completamente espontâneo.
A garota saiu do banheiro com uma expressão visivelmente doente. Fazia uma careta e tinha algumas gotas de água escorrendo por sua nuca, enquanto seus cabelos estavam presos em um coque desordenado e ela carregava o casaco que antes estava amarrado em sua cintura.
– Está melhor? Eu poderia ter ido te ajudar. – murmurou.
– E deixar você me ver colocando os órgãos para fora? – ela riu fraco. – Nem pensar. – Sacudiu a cabeça para os lados, aumentando a careta em seu rosto.
– Vamos procurar a . – falou, segurando o braço de com cuidado e a guiando por entre as pessoas na festa. O bar ainda estava lotado e a música alta estava deixando ainda mais desconfortável do que já estava se sentindo por causa da embriaguez. Ela vacilou algumas vezes, tropeçando nos próprios pés pelo menos duas vezes em um intervalo de tempo de cinco minutos. riu e a puxou para mais perto, passando o braço em torno da cintura de e dando ao apoio que ela precisava para se manter em pé.
– Preciso confessar uma coisa. – murmurou, em um tom de voz mais baixo. precisou se aproximar dela e quase colar a orelha na boca dela para conseguir entender o que ela dizia.
– O que?
– Em todas as vezes que me imaginei abraçada com você, em nenhuma delas eu estaria bêbada a ponto de passar mal. – fez uma careta e riu com gosto.
– Eu tenho certeza de que esse cenário não estava nos seus planos. – Sorriu com simpatia para ela. – Mas eu já fui o cara bêbado, então não vejo problemas em ser o sóbrio que ajuda uma bêbada.
– Você nunca vai encontrar uma fã mais maluca do que eu. – riu. – Fala sério, eu tinha a chance de te pedir em casamento e aí o que eu faço? Bebo até meu fígado dizer chega e fujo para vomitar no banheiro.
– Casamento? – gargalhou, encarando com o divertimento estampado nos olhos.
– Não me rejeite agora, eu estou bêbada e sensível. – Ela torceu os lábios, fazendo rir ainda mais.
– Eu não te rejeitaria. – Ele garantiu.
– Não iluda uma mulher embriagada, . Eu tenho certeza de que isso é crime em algum país. – exclamou, encarando com os olhos em fendas e o cantor apenas riu mais.
Procuraram por por quase meia hora e quando finalmente se deram por vencidos, reclamou de sono e pediu para que a colocasse em um táxi, já que ela gostaria de ir embora de uma vez. deveria estar com Brian e não queria ser a pessoa a atrapalhar a amiga. , como o bom cavalheiro que era, entrou no táxi junto de e quando ia perguntar o endereço para a garota, notou que ela estava dormindo com a cabeça escorada na janela do carro. Acabou dando seu próprio endereço para o taxista e torceu para que tudo desse certo. Afinal de contas, apesar de ter encontrado com algumas vezes, eles ainda eram desconhecidos. E levá-la para seu apartamento poderia ser um erro gigante. Mas jamais a deixaria sozinha na rua e por isso puxou-a para mais perto de si e deixou que ela dormisse em seu ombro. E quando o táxi parou em frente à sua casa, ele a carregou nos braços até seu apartamento. Não era realmente um desconforto para ele, que estava acostumado a levantar peso na academia. Colocou a garota no quarto de hóspedes e então mandou uma mensagem para Brian, pedindo que ele avisasse de que estava bem. Acabou se jogando no sofá e soltando um suspiro alto, antes de virar o rosto em direção a janela e encarar a vista espetacular que seu apartamento proporcionava de Toronto, com um sorriso largo no rosto. A noite havia valido a pena e ele estava agradecido por Brian tê-lo arrastado para fora de casa. Fazia tempo queria não se sentia normal e não se divertia de forma tão natural. Estava feliz e com a cabeça em paz e aquilo era tudo o que ele andava precisando.

Capítulo 8

It gets lonely when there’s no one to talk to
But it’s good to know that somebody cares

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A cama na qual dormia parecia muito mais aconchegante do que a sua realmente era. Claro, ainda não havia se acostumado com o novo colchão, mas naquela manhã em específico, em ela sentia uma diferença enorme entre a cama na qual dormia há alguns dias, para a cama na qual dormira naquela noite. Respirou fundo e então abriu os olhos, sentindo a claridade atingi-la e fechando a pálpebras novamente em instantes. Resmungou um palavrão, odiando o fato de ainda não ter colocado cortinas na janela da varanda. Coçou os olhos e prendeu o cabelo em um coque, antes de finalmente tomar coragem para encarar os raios de sol. Apenas para arregalar os olhos e levantar da cama em um pulo.
Não estava em sua casa. Sequer estava na casa de e aquilo era extremamente preocupante, já que não fazia ideia de onde diabos ela estava. Olhou para si mesma e soltou um suspiro de alívio, percebendo que ainda usava as roupas da noite passada e nada parecia fora do lugar. Apesar de ter bebido horrores, não sentia nenhuma dor de cabeça. Apenas uma sede insana tomava conta de sua garganta. Passou as mãos pelo rosto e tentou puxar em sua mente as lembranças da noite anterior, suspirando em desgosto quando se dera conta do que realmente havia acontecido.
Mas será que ela não cansava de passar vergonha?
Buscou seu celular no bolso dos shorts e não o encontrou, tendo um pequeno ataque do coração antes de notar o objeto repousando na mesa de cabeceira. Desbloqueou o celular apenas com a impressão digital e logo abriu o aplicativo do WhatsApp. Algumas mensagens de apenas confirmavam o que ela mais temia: sabia onde ela estava, mesmo não acreditando que aquilo havia acontecido de fato. Grunhiu novamente, antes de bater na própria testa com a mão direita e então digitar uma mensagem para .

Eu não sei o que aconteceu 09:47 pm
Estou bem, mas morta de vergonha 09:47 pm
Eu acredito que ele more na cobertura, então não tenho como fugir pela janela 09:47 pm
eu quero me MATAR 09:47 pm


Essa é a sua chance de pegar um fio de cabelo e fazer vudu 09:47 pm
APROVEITA AMIGA 09:48 pm
Estou feliz que esteja bem 09:48 pm
Fiquei preocupada 09:48 pm
Mas caso você não desse sinal de vida eu ia denunciar ele na internet 09:48 pm

soltou um risinho ao encarar as respostas da amiga, deixando para respondê-la mais tarde e então abrindo a conversa com . A última mensagem da prima era um “aproveite a festa” e se martirizou por ter realmente aproveitado. Mas na opinião dela, havia aproveitado até demais.

Tu não vais acreditar no que aconteceu 09:50 pm
, eu vou pegar um voo para casa imediatamente 09:50 pm
Eu só tô em Toronto pra passar vergonha 09:50 pm


A tua sorte é que eu tô acordada 09:50 pm
Ou então eu iria até Toronto te matar por ter me acordado 09:50 pm
O que tu fez agora?? 09:51 pm
Eu não consigo te defender assim amiga 09:51 pm

Eu bebi demais 09:51 pm
Vomitei até a minha alma 09:51 pm
Desmaiei no táxi 09:51 pm


E onde está a vergonha nisso? 09:52 pm
tem cara de quem faz coisa pior 09:52 pm

mordeu o lábio inferior, jogando-se na cama novamente – já estava ali mesmo, não custava nada aproveitar o conforto – e então encarou a tela do celular por alguns minutos, antes de finalmente responder .

Não foi a quem cuidou de mim 09:53 pm


Espera 09:53 pm
O que? 09:53 pm

estava com um grupo de amigos 09:54 pm
E eu passei a noite conversando com outra pessoa 09:54 pm
Ou seja, essa pessoa quem cuidou de mim 09:54 pm


E quem é? É bonito? 09:54 pm
Passa o Instagram 09:55 pm

riu, digitando rapidamente a URL do Instagram de e enviando para . Recebeu vários emojis de cara feia e xingamentos da prima como resposta e quando estava prestes a enviar uma nova mensagem, uma chamada de voz de apareceu no visor de seu celular. atendeu e logo a estava xingando de todos os palavrões que conhecia.
– Tu é uma idiota, tá me achando com cara de palhaça?
! – chiou. – Estou falando sério.
– Ah me poupa . – A outra bufou.
– É sério. – suspirou, finalmente acalmando a fúria de , tamanho o desespero presente em sua voz.
– Mas como…
Um barulho do lado de fora do quarto surpreendeu , que deu um pulo na cama e quase deixou o celular cair.
– Eu te explico depois! – e com isso, finalizou a chamada. Guardou o celular no bolso e então levantou da cama, calçando seus tênis e se aproximando da porta com passos calmos. Colocou a orelha quase colada na madeira e aguardou em silêncio, esperando ouvir alguma coisa do lado de fora do quarto. Duas batidas na porta a fizeram soltar um xingamento e então uma risada conhecida e adorada por ela se fez presente. engoliu em seco e prendeu a respiração, antes de segurar na maçaneta e girar o objeto, abrindo a porta e encarando com as bochechas coradas.
– Bom dia. – Ele saudou. – Dormiu bem?
Puta merda, ela pensou, descendo rapidamente o olhar para analisar de cima abaixo e sentindo suas bochechas ainda mais quentes. Ele carregava uma camiseta preta e usava uma calça de moletom. As ondas em seu cabelo estava uma bagunça e aquele sorriso frouxo quase fez com que falecesse. Ela sentiu um arrepio na nuca, que em nada tinha relação com o frio que fazia naquele dia. era gostoso. já sabia daquilo, pois as fotos dele sem camisa deixavam aquela realidade clara como cristal. Mas pessoalmente a coisa se elevara para um novo nível. não sabia se estava com mais vergonha por ter vomitado e feito o cantor de babá na noite anterior, ou se pelos pensamentos pervertidos que estava tendo naquele momento. Fosse o que fosse, deixava suas bochechas em chamas e ela agradecia por não ser branca ao ponto de sua pele ficar escarlate.
– Se você fosse o maníaco da machadinha eu ficaria mais tranquila. – Ela admitiu, enquanto ele vestia a camiseta e ela só faltava babar em cima dele. – Pensei em pular da janela, mas seria uma morte muito trágica.
riu com gosto. – Todo mundo já passou mal por causa de bebida. – Ele deu de ombros, fazendo pouco caso do acontecido. – Ouvi sua voz e pensei que pudesse estar passando mal novamente. Não queria te assustar.
– Eu estou bem, apenas morta de vergonha. – confessou. – Passar mal e fazer seu ídolo te carregar bêbada é demais até para mim. – Fez uma careta. – Eu queria evaporar, mas infelizmente não consigo, então só vou embora mesmo.
– Eu recomendo um banho quente antes disso. – sorriu com calma. – Eu te empresto algumas roupas. Está frio e você pode ficar doente.
– Não quero incomodar. – trocou o peso da perna e mordeu o lábio inferior. Estava em uma batalha interna para não ficar encarando os braços de , mesmo que olhá-lo nos olhos não fosse realmente seguro também. Aqueles olhos cor de mel tiravam sua sanidade. – Mais do que já incomodei.
– Mas você não incomodou. – arqueou as sobrancelhas para ela. – Então pode tomar um banho e me acompanhar no café da manhã antes de ir embora.
– Você quer mesmo a companhia de alguém que passou a noite toda falando bobagem, – ela corou novamente, apenas pela lembrança das cantadas horríveis que havia jogado para ele – bebeu como uma idiota e te obrigou a trazê-la bêbada e desmaiada para a sua casa?
– Foi a noite mais divertida que tive em meses. – comentou, dando de ombros. – Não me importo em ser pedido em casamento novamente. – Sorriu.
enfiou o rosto contra as mãos, grunhindo em desagrado. – Eu só passo vergonha nessa vida.
– Não esqueça que eu não recusei. – O canadense lembrou, fazendo levantar o rosto e encará-lo com o cenho franzido. O que estava acontecendo ali?
– Dizem que pedidos de casamento não negados para uma bêbada te obrigam a aceitar o pedido no futuro. – Ela murmurou, rindo pelo nariz para descontrair o momento. encarou-a com intensidade, antes de abrir um pequeno sorriso e dizer com diversão:
– Aceito seus termos. – respondeu. – E aí, prefere muffins ou panquecas?
– Muffins. – respondeu prontamente. alargou seu sorriso. Ele sorria para um caramba e ela simplesmente adorava aquilo nele. Mas tinha algo que ela não adorasse nele?
– Vou pegar uma muda de roupa para você. – Avisou, sumindo pelo corredor no instante seguinte. encarou o lugar onde ele esteve um segundo antes, com o queixo caído e o cenho franzido. Passou novamente as mãos pelo rosto e por precaução, beliscou o próprio braço. É, ela não estava sonhando. Mas também não fazia ideia do que estava acontecendo. Voltou para dentro do quarto e analisou o cômodo. Era simples, em tons claros e tinha uma janela enorme que dava para uma visão incrível de Toronto. Nem se comparava a visão da sua própria varanda. suspirou, deixando o celular novamente em cima da mesa de cabeceira e retirando os tênis dos pés. voltou um instante depois, carregando um conjunto de moletom, uma regata e uma cueca boxer.
– Aaliyah não deixa roupas aqui, então vou te emprestar peças minhas. – Ele se desculpou.
– Tudo bem. – murmurou baixinho. – Obrigada. – Ela sorriu.
– Pode usar o banheiro à vontade. – Ele apontou para a porta às suas costas. – Enquanto você se organiza, eu preparo o café. – murmurou, deixando as roupas com e então se retirando do quarto. A garota sentou-se na cama, apenas para se jogar de costas e encarar o teto. Nunca, em circunstância alguma, imaginou que poderia estar naquela situação algum dia. Nem em seus sonhos mais loucos e eles incluíam um casamento nos parques de Harry Potter em Orlando com o cantor proprietário do apartamento no qual ela estava. Para , estar na casa de após passar mal em um bar por causa da bebida era algo impossível. Mas ela estava ali, sem saber como agir. E só esperava não passar mais nenhuma vergonha perto dele.

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estava rindo. Não, ele estava gargalhando. Seus olhos estavam pequenos, as bochechas arqueadas e bem acentuadas e uma gargalhada alta e espontânea preenchia o ambiente. Havia abandonado o muffin que estava comendo de volta ao prato, tamanho era o descontrole que aquela risada provocara nele. , sentada ao lado de no sofá, usando as roupas que ele havia lhe emprestado – e que eram bem maiores do que ela, com as bochechas coradas e um riso nervoso saindo de seus lábios. demorou alguns segundos para voltar ao normal, tinha as maçãs do rosto doloridas e lágrimas acumuladas no canto dos olhos. O rapaz respirou fundo e então voltou a encarar , a diversão estampada em seu olhar, secando as lágrimas com as pontas dos dedos.
Eles estavam tomando café da manhã enquanto assistiam a um episódio qualquer de Friends. havia feito muffins e café, também oferecendo frutas e iogurte para . Conversaram sobre música e comentou que era fotógrafa, o que fez afirmar que ela deveria conhecer Josiah, seu fotógrafo de turnê, e a garota quase surtar pois adorava o trabalho de Josiah e se inspirava bastante no estilo dele. Com isso, serviu de modelo para então bancar o juiz e analisar se eles realmente tinham um instinto parecido para fotografar. Após isso, a conversa fluiu naturalmente até chegar aos acontecimentos desde a chegada de ao Canadá e quase morrer de vergonha.
– Então você e viraram amigas após você acusá-la de perseguição? – questionou, a vontade de rir transparecendo no tom de voz agudo que ele soltara.
– Basicamente. – concordou, dando a deixa para voltar a rir. Ele ria bastante quando estava com ela e aquilo era bom. Significava que ela era divertida. Ou então, muito palhaça. se divertia horrores com as cenas que descrevia para ele e sentia-se leve de uma forma que não se lembrava de ter se sentido em um longo tempo. Rir era realmente libertador.
– Isso é incrível. – Ele exclamou. – Pensei que esse tipo de situação apenas acontecesse em filmes e livros.
– Acredite, eu tenho uma lista de vergonhas que passei na vida que pessoas normais não acreditariam serem possíveis de acontecer. – Ela deu de ombros e a encarou com curiosidade. – A maioria é culpa de .
– Sua prima parece ser bem divertida. – comentou, sorrindo fraco. Voltou a pegar o muffin e mordiscou rapidamente, antes de voltar a olhar para .
– Ela é. – assentiu. – Completamente louca. – Riram. – Era com ela que eu estava falando de manhã. Ela não acreditou que eu estava na sua casa.
– Não? – franziu o cenho, uma ideia tomando conta de sua cabeça. Colocou o restante do muffin na boca e mastigou rapidamente, pulando para o assento central do sofá e passando o braço em torno dos ombros de . – Pega o teu celular. – Ele pediu e apenas puxou o objeto do bolso do moletom, sem realmente pensar em suas ações. A garota parecia em choque e quis rir. – Vamos mandar uma foto para ela. – Decidiu e o encarou como se fosse louco.
– Está louco? – ela proferiu o que seus olhos deixavam claro. – vai morrer.
– Não vai. – O cantor garantiu. – Ela apenas vai ter um surto. – Deu de ombros e sorriu torto.
– Você é terrível. – riu, já abrindo a câmera do celular e erguendo o braço esquerdo para pegar o melhor foco deles. se aproximou ainda mais da garota, colando as extremidades de seus corpos e então sorriu para a câmera, vendo o reflexo de um sorriso nervoso por parte de . A garota bateu algumas fotos naquela posição e quando fez menção de baixar a câmera, negou com um aceno de cabeça e aproximou os lábios da bochecha de , estalando um beijo e mantendo a boca colada a pele da garota. arregalou os olhos rapidamente, mas logo sorriu largamente e bateu mais algumas fotos. Satisfeito, voltou para o lugar que ocupava anteriormente no sofá e focou seu olhar na brasileira. Ela estava corada, mas tinha um sorriso frouxo nos lábios e aquilo foi o suficiente para ele perceber que gostaria de passar mais tempo com ela e ver aquele sorriso mais vezes. Talvez devesse chamá-la para um café no meio da semana ou algo daquele tipo.
– Mandou? – indagou, após alguns segundos onde digitava alguma coisa no celular.
– Preparei o terreno. Mas vou mandar apenas quando eu chegar em casa. – Anunciou e levantou o olhar para o canadense. – Os surtos da podem te assustar. – Ela riu e a seguiu.
– Tudo bem. – Ele assentiu. – Então, você já visitou os pontos turísticos de Toronto? – questionou como quem não queria nada. negou.
– Ainda não tive tempo. – Comeu mais um muffin antes de continuar a falar. – prometeu ser a minha guia, mas já deu 27 desculpas para fazermos outra coisa após sairmos da empresa. – Revirou os olhos.
– Posso ser seu guia. – se ofereceu e observou o olhar de se iluminar, para então ela morder o lábio e deixar os ombros caírem em desânimo.
– Isso não seria bom para você. – respondeu. – A mídia, os fãs e etc.
– Eu não ligo. – retrucou, mesmo que aquilo não fosse verdade.
– Liga sim. – acusou. – Fã, lembra? – riu. – Eu te conheço, mesmo que virtualmente, há seis anos. – Ela estreitou o olhar para o cantor. – E sei que você liga para o que pensam e falam de você. E tudo o que eu não quero é te dar dor de cabeça. – falou e achou adorável a forma como ela sorriu triste e deu de ombros.
– Podemos ir à noite. – Sugeriu. – Eu sempre saio para passear a noite. E você é fã, pode dizer se eu tenho sucesso nas minhas empreitadas ou não. – Encarou-a com diversão. bebeu um gole do café, parecendo pensativa, para então estalar os lábios e murmurar:
– Tem sucesso sim. – Admitiu. – Só saem fotos suas se está em algum restaurante, bar ou tira foto com algum fã.
– Então estamos combinados. – decidiu.
– Eu não concordei com isso! – reclamou e revirou os olhos.
– Sábado está bom para você? – ignorou os protestos da brasileira. – Podemos ir até Hamilton ver as cachoeiras e então voltar a noite para eu te apresentar Toronto. – Sorriu largo.
o encarou por alguns instantes, antes de finalmente deixar os ombros caírem e assentir com a cabeça. – Tudo bem.
– Me passa o teu endereço por mensagem. – pediu, pegando seu próprio celular e digitando um “oi” para .
– Mas eu não tenho seu… – ela não terminou de falar, visualizando a mensagem do rapaz no mesmo instante. Riu fraco e então acenou novamente com a cabeça. – Roupas confortáveis? – questionou.
– Sim, por favor. – estalou os lábios.
– Certo, estamos combinados então. – Ela levantou do sofá em seguida e se virou para . – Preciso ir embora, está me esperando para o almoço. Ela não sabe cozinhar, então interprete isso como a necessidade de ela fofocar. – Fez uma careta e riu.
– Tudo bem. – Concordou. – Você quer que eu te leve?
– Não precisa, eu peço um Uber. Já te atrapalhei demais. – sorriu em agradecimento. – Só vou pegar as minhas coisas no quarto. – Avisou e assentiu novamente. A garota se retirou da sala e recostou-se no sofá, suspirando baixo, sem desviar o olhar do corredor onde ela sumira. Tinha uma sensação gostosa no peito, um quentinho que não se lembrava de ter sentido fora do palco. Era como um abraço reconfortante e sentia-se extremamente bem naquele momento.
O som da campainha o despertou de seus devaneios e correu para abrir a porta, encontrando Aaliyah e sua animação costumeira. Franziu o cenho para a irmã, que logo fez uma careta e empurrou para lhe dar espaço para entrar na casa.
– Eu sabia que você ia esquecer. – Ela reclamou.
– O que eu esqueci? – fechou a porta e seguiu a irmã até a sala.
– As compras para o Thanksgiving. – Aaliyah exclamou, jogando-se no sofá e fazendo questão de fulminar o irmão com o olhar.
– Mas é amanhã. – O cantor franziu o cenho.
– Ficamos responsáveis pelas sobremesas. – lembrou a caçula. – Mamãe vai nos matar de não fizermos um bom trabalho.
– Mamãe vai matar você. – frisou, divertido. – A responsabilidade é sua e você me incluiu nisso porque é trapaceira.
– Essa é a recompensa por você ser famoso e atrapalhar minha vida mundana. – Aaliyah não se abalou. – Inclusive…
Aaliyah fora interrompida pelo retorno de , que carregava suas roupas e tinha uma expressão descontente explícita em seu rosto.
, você tem alguma sacola, de preferência uma ecobag, para me emprestar? Não quero levar as minhas roupas assim. – ela murmurou enquanto sacudia as peças, sem dar-se conta da presença de Aaliyah. Quando finalmente desviou o olhar de suas roupas e os focou em , encontrou a garota sentada no mesmo lugar que antes ocupava. prendeu a respiração e arregalou os olhos, parecendo novamente entrar em choque, fazendo rir com vontade. Aaliyah, de queixo caído, encarou o irmão com a curiosidade praticamente saltando de seus olhos.
– Aaliyah, essa é a . – apresentou, ainda sem se atrever a pronunciar o nome da garota. O apelido era muitíssimo mais seguro para ele. – , essa é a…
– Sua irmã. – afirmou, sem sombra de dúvidas. Ela largou as roupas na poltrona e se aproximou de Aaliyah, que ainda encarava exigindo uma resposta.
– Aaliyah, a é uma… Amiga. – concluiu, após alguns segundos de reflexão sobre o status de em sua vida.
– Amiga, aham. – A mais nova murmurou descrente. Levantou-se e então encarou , abrindo um largo sorriso para a brasileira, que tinha a mão estendida para ela em uma tentativa de cumprimentá-la. – Muito prazer! – exclamou. – Fico feliz que o esteja seguindo em frente. Você parece uma boa garota. – Avaliou, após analisar de cima abaixo. – É bonita. E não está pelada. – Riu. – Gostei de você. – Decidiu, puxando uma de olhos ainda mais arregalados para um abraço. tossiu em puro desconforto.
– Ela é só uma amiga mesmo. – falou e após a caçula soltar , lançou um olhar debochado para o irmão.
– Tudo bem. – disse, mesmo que não acreditasse nas palavras que ouvira.
… – chamou, em um fiapo de voz e o cantor a encarou. – A sacola? – indagou.
– Ah sim, certo. – Ele assentiu e sumiu para a cozinha. Ouviu alguns resmungos de Aaliyah e logo estava de volta, com uma ecobag preta em mãos. Entregou para , que rapidamente guardou suas coisas e catou o celular em cima da mesa de centro.
– Eu vou indo. – Sorriu sem mostrar os dentes e se virou para Aaliyah. – Foi um prazer imenso te conhecer!
– Digo o mesmo! – a outra sorriu largo. – Vou conversar com meus pais e marcar um almoço lá em casa para você os conhecer.
– Aaliyah! – reclamou e a garota o olhou, a diversão estampada em seus olhos. – e eu não estamos namorando!
– Não estamos mesmo. – confirmou. – apenas me ajudou.
– Certo. – A outra não deu importância.
lançou um olhar feio para a irmã e então guiou até a porta. Já no corredor, ela ajeitou os cabelos e mordeu o lábio inferior, parecendo desconfortável. puxou-a para um abraço, tendo que se curvar para poder envolver seus braços na cintura da garota.
– Obrigada. – murmurou. – Por ontem. Vou pedir para alguém entregar suas roupas aqui durante a semana. – Pontuou.
– Não se preocupe com isso. – sorriu, desfazendo o abraço. – Nos vemos no sábado. – Não era uma pergunta.
– Sábado. – concordou e deu as costas para o cantor, sumindo no elevador em seguida. Com um sorriso pequeno, voltou para dentro de seu apartamento e trancou a fechadura. Aaliyah estava escorada na parede de frente a porta e lançou um olhar malicioso para o irmão.
– Sábado hein? – ela riu. revirou os olhos para ela.
– Me dá um tempo, Aaliyah. – Bufou, seguindo para seu quarto enquanto a irmã gargalhava.

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Thanksgiving não era um feriado brasileiro, então acordou naquela segunda-feira muito mais tarde do que deveria caso tivesse que ir trabalhar. Não que ela estivesse reclamando, já que estava no DNA do brasileiro ser grato por feriados que não tinham a menor importância para a maioria da população. Limpou sua casa enquanto ouvia sua playlist de funk favorita e cozinhou algo rápido para o almoço. Sabia que todos os canadenses estavam tendo refeições incríveis naquele dia, mas para ela, seu macarrão com brócolis era mais do que o suficiente, já que ela havia decidido diminuir o consumo de carne assim que se mudara para o Canadá. Sua maior sorte havia sido ter encontrado um mercado que vendia produtos brasileiros perto de onde trabalhava, e em uma tentativa desesperada de fugir da comida canadense a todo custo, havia enchido seu armário com os temperos que amava e todos os produtos que não encontrava nos mercados tradicionais canadenses. Estava morando no Canadá, mas um tantinho do Brasil a acompanhava o tempo inteiro. Um tantinho bem pequeno, já que realmente passou trabalho na busca de mercados brasileiros e restaurantes que pudessem lhe trazer aquela comida com gosto de casa.
Após o almoço se jogou no sofá para assistir Netflix, enquanto trocava algumas mensagens com e Henrique no grupo intitulado “três espiãs demais” que tinham no WhatsApp. ainda não havia superado as fotos de com e a todo o momento perguntava sobre o cantor, como se estivesse casada com ele e monitorasse todos os passos que ele dava. Henrique, sempre muito sensato, tentava controlar a namorada, mas nada nem ninguém poderiam impedir de falar o que tivesse vontade. Nem mesmo Henrique a removendo do grupo diversas vezes durante a conversa.


Tu poderias mandar mensagem para ele 12:26 pm

E por que eu faria isso? 12:26 pm


É feriado. Ele está em casa 12:26 pm
E vocês tem um encontro 12:26 pm

Não é um encontro 12:27 pm

Henrique
É um encontro sim 12:27 pm

Vai me ajudar ou apenas infernizar junto com a ? 12:28 pm

Henrique
Desculpe, me forçou 12:28 pm

bufou, não gostando nada do rumo que aquela conversa estava tomando. Afinal, onde estava a curiosidade dos amigos sobre a estadia dela no Canadá? Por que era o único tópico de suas conversas? Tudo bem, ela entendia o surto. Não eram todos os dias em que ela tinha um cantor mundialmente famoso cuidando-a após uma bebedeira. Mas também não precisava de uma comoção geral como aquela. já havia aturado surtando e obrigando-a a mandar mensagens para na noite anterior. Mensagens essas que havia respondido prontamente e tinha servido para embasar uma conversa animada sobre tudo e qualquer coisa. Mas ainda assim, sentia-se desconfortável naquela situação. Não queria ser anulada, nem mesmo pela presença de .


Tu está perdendo uma chance única 12:30 pm
Não seja idiota 12:30 pm

Chance? Que chance? 12:30 pm
Tu tá ficando maluca 12:31 pm
Não existe chance nenhuma 12:31 pm
Nós não vamos nos casar e etc 12:31 pm
Só porque nos encontramos por acaso 12:31 pm

estava digitando um xingamento quando uma nova notificação chegou a seu celular. Ela passou os olhos de relance, objetivando terminar de xingar , antes de baixar a barra de notificações do celular e encarar a conversa que fora retomada naquele instante. havia mandado mais mensagens e sentia seu coração disparado. Aquela era a sensação de morrer? Por que ela sentia estar perto da morte naquele momento. Precisava mudar o nome do contato dele para algo bem explícito, do tipo Não surtar se chegar notificação para reaver um pouco da dignidade que ela nem sabia se ainda tinha. Cada nova mensagem era um surto histérico e precisava se controlar.

❤️
Ocupada? 12:33 pm

Não mesmo 12:33 pm
Não existe esse feriado no meu calendário anual 12:33 pm

❤️
Canadá tem os melhores feriados 12:34 pm

Temos mais feriados 😘 12:34 pm

❤️
Quantidade não significa qualidade 12:34 pm

Tá e dai 12:34 pm

❤️
Odeio quando você escreve em português 12:35 pm

gargalhou alto e antes que pudesse responder à mensagem de , uma chamada de voz do cantor surgiu na tela de seu telefone. parou de rir no mesmo instante e engoliu em seco, antes de pigarrear, respirar fundo e atender a chamada. Não poderia parecer tão descontrolada. Havia visto no dia anterior. Não existiam motivos para ela estar nervosa daquela maneira. Ou existiam? Talvez ela jamais fosse superar a fase de fã. , caso permanecesse em sua vida, teria que se acostumar com aquilo.
– Hey. – atendeu, ouvindo sua própria voz estrangulada demais. Revirou os olhos para si mesma, mas não tentou pigarrear novamente. Seria vergonhoso demais.
– “Hey! Desculpe pela ligação repentina.” – falou e a garota só faltou suspirar. Ele falava bonitinho até por chamada telefônica.
– Tudo bem. – logo disse. Ela poderia ouvi-lo falar por horas sem se cansar jamais. – Eu estou de bobeira mesmo.
– “Queria te perguntar uma coisa.”
– Pois pergunte. – riu. Virou-se no sofá, encarando o teto e cruzando as pernas para o alto.
– “Podemos adiantar nosso passeio para hoje? É feriado. Eu vou precisar viajar no final da semana e só volto no sábado à tarde.” – murmurou.
– Você não precisa fazer isso. – o tranquilizou. – Eu posso visitar Toronto sozinha.
– “Quero ir com você.” – retrucou. – “Te apresentar a cidade com os olhos certos: os canadenses.”
A garota gargalhou.
– Você não deveria passar o feriado com a família? – indagou, mordendo o lábio inferior levemente.
– “Já almoçamos juntos.” – o cantor respondeu. – “Posso passar na sua casa em duas horas.”
– Se estiver tudo bem para você. – concordou. – Eu não acredito que estou confirmando um passeio com você. Será que eu morri e fui para o paraíso?
ouviu gargalhar do outro lado da linha e sorriu automaticamente. Merda, a risada dele era incrível.
– “Estar comigo seria o seu paraíso?”
– Fã. – relembrou. – Até o inferno iria parecer o paraíso se você estivesse lá. Mas não existem chances de você ir para o inferno. – Ela divagou, não se dando conta de que estava falando muito. Outra vez.
– “Por que não?”
– Você nem é um homem, é um anjo. – Retrucou e gargalhou ainda mais.
– “Me sinto lisonjeado pelo comentário.”
– Apenas falo as verdades. – riu fraco.
– “Te vejo em duas horas.” – estalou um beijo para .
– Até daqui a pouco. – A garota concordou, desligando a chamada e então largando o celular em cima de sua barriga. Passou as mãos pelo rosto e suspirou.
Ela iria sair com , seu cantor favorito de todo o mundo. Talvez tomar um suco de maracujá fosse necessário para ajudá-la a não morrer do coração a cada vez que ele sorrisse ou falasse com ela. Era realmente uma droga ser uma fã alucinada.

Capítulo 9

Baby oh, I need to know
If this is mutual
Before I go
And get way too involved

.
– Ed Sheeran não é a minha playlist dos sonhos para viajar de carro. – murmurou e riu baixinho. Já havia pegado a The Gardiner e permaneceria na via expressa por um tempo considerável, até precisar entrar na rodovia QEW, que os levaria até Hamilton, uma das províncias de Ontário e destino do passeio que havia planejado para aquela tarde de feriado.
– Ed Sheeran é bom em qualquer momento. – Contrapôs e revirou os olhos. Era óbvio que ele iria defender seu gosto musical, principalmente se tratando de Ed Sheeran, que além de ser um artista que admirava demais, era um amigo.
usava jeans e moletom – e para sorte de , que havia pego apenas uma jaqueta jeans para se aquecer, ele havia levado uma blusa de lã extra, pensando exatamente no conforto da fotógrafa. , no banco do passageiro, havia prendido os cabelos em um coque, e de tempos em tempos, lançava algumas olhadelas incrédulas para o cantor. E nem podia culpá-la. Se ele estivesse em um carro com John Mayer no volante, também estaria surtando. Ser fã era realmente algo impressionante, mas adorava as oscilações de : em um momento ela parecia esquecer quem ele era e o que significava em sua vida e no instante seguinte ela entrava em um pequeno surto e tinha ataques típicos das fãs do cantor. Era engraçado e surpreendente para passar algum tempo com alguém como .
– Claro, estamos muito na vibe de aventureiros ouvindo Dive. – A garota ironizou.
– Ed vai ficar magoado quando eu comentar que algumas pessoas não gostam de ouvir Dive durante uma pequena viagem. – murmurou e o encarou com os olhos arregalados.
– Como é?
– Nós vamos para o estúdio durante a semana. – O canadense deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais.
– Por acaso você quer me matar? – indagou, a voz esganiçada.
franziu o cenho para ela. – Por que?
– Você vai para o estúdio com o Ed Sheeran. Álbum novo. – Pontuou. – Eu sou cardíaca, me respeita. – Grunhiu e soltou uma gargalhada.
– Tenho quase certeza de que você não é cardíaca. – Ele falou.
– Isso é um meme. – Ela avisou, rindo. – É adorável a forma como você não entende o que eu falo.
lançou um olhar insatisfeito para a brasileira. – Sabe que isso é maldade, não sabe?
– Sei. – Ela assentiu, estalando os lábios em seguida. – Mas também é maldade você falar sobre gravar músicas novas para uma fã maluca. – lembrou.
– Tem razão. – concordou. – Mas você não é tão maluca assim. – ele ponderou, dando de ombros em seguida.
– Eu tenho uma pasta dedicada a você no Pinterest. – murmurou e soltou uma risada alta.
– Sério?
– Sério. – Ela suspirou. – E as pessoas só me seguem naquele perfil por causa dessa pasta. É praticamente uma ofensa ao meu trabalho. – Reclamou, fazendo rir ainda mais. Ele lançou um rápido olhar para ela e achou adorável o bico que ela havia formado nos lábios. era realmente a definição de pessoa fofa.
– Você fotografa desde que idade? – ele questionou, genuinamente interessado.
– Desde criança. – sorriu. – A primeira máquina fotográfica que meu pai comprou foi um presente forçado para mim. – Riu. – Mas profissionalmente, desde os 14. Fazem 6 anos já. – Deu de ombros.
– Espera… Você tem 20 anos? – a encarou rapidamente, o queixo caído e um olhar assustado.
– Sim. – Ela acenou com a cabeça. – Faço 21 em 9 dias, aliás.
– E nós vamos comemorar como? – questionou, mesmo que ainda abalado pela notícia de que era 2 anos mais velha do que ele. A brasileira era tão pequena, que ele poderia jurar de pés juntos que ela tinha a mesma idade que ele ou um ou dois anos a menos.
– Nós vamos? – arqueou as sobrancelhas para .
– Claro! – o canadense concordou, animado. – Aniversários são importantes. – lembrou.
– Eu normalmente comemoro em casa, com meus amigos e minha família. – Suspirou. – Esse ano não terei eles, mas não pretendo fazer nada grande.
– Uma festa pequena então. – concordou. – O que está achando do Canadá? – indagou, novamente demonstrando um interesse genuíno. Aquela garota era realmente uma caixinha de surpresas e a cada comentário, ficava um pouco mais fascinado por ela. Era incomum para ele ter conversas tão normais, mas gostava. Gostava demais.
– Estou gostando. – Ela afirmou. – É bem diferente do Brasil, mas não tenho reclamações. Só uma pontinha de saudades de casa. – O sorriso dela era triste. – Principalmente da comida.
– Você volta para o Brasil quando?
– Em cinco meses e três semanas. – respondeu. – Ainda tenho alguns feriados para passar aqui. E vou perder o carnaval. – Fez uma careta em desgosto.
– Mas vai estar aqui no Halloween. – ponderou. – Nós gostamos muito do Halloween.
– No carnaval nós podemos usar glitter. – retrucou.
– E no Halloween também.
– Mas aqui não toca funk. – Ela deu a cartada final e apenas riu.
– Um dia me mostre funk, por favor. – Ele pediu. – Eu ouvi poucas músicas quando estive no Rio.
– Isso quer dizer que vamos conviver mais? – indagou, a voz saindo uma oitava mais aguda. – Afinal, por que eu?
– Como assim? – franziu o cenho, em confusão.
– Tem tantas outras pessoas com quem você poderia sair hoje. É feriado. – Ela suspirou. – E a gente mal se conhece. Quero dizer, – ela riu. – Você mal me conhece. Eu sei listar até as suas alergias. – Eles riram juntos.
– Estamos saindo exatamente por isso: para nos conhecer. – respondeu, de forma simples. – Você lembra da primeira vez que conversamos? Pelo Instagram?
– Claro. – afirmou, estalando os lábios e parecendo reconhecer onde queria chegar com aquela conversa. Ela o encarou brevemente, com um olhar que podia ser identificado como pesaroso. – É tão ruim assim?
– O que? – ele estava concentrado no trânsito e havia perdido o meado da conversa.
– As pessoas te tratarem de forma diferente. – Ela explicou. – Esse tratamento especial deveria ser a melhor coisa da fama, não?
– Mais ou menos. – suspirou. – É incrível, mas um pouco frustrante. Parece que estão sempre fingindo, sabe? – murmurou. – As pessoas aceitam tudo o que eu digo, fazem tudo que eu quero… fora a minha família e os amigos mais próximos, eu tenho zero contato com a vida real e isso pode acabar com a essência de alguém. As pessoas não são felizes o tempo todo. Ninguém aceita você o tempo todo e comigo é assim. – deu de ombros. – E você não finge. Não está sendo legal para me agradar. Só está sendo você. E isso é bom para mim, porque me traz um pouco da realidade do mundo.
– Não preciso fingir ser legal. Eu sou legal. – falou, tentando descontrair o clima, mas sentia o olhar pesaroso dela sobre si.
– Contra fatos, não há argumentos. – estalou os lábios e gargalhou.
– Isso também é um meme. – comentou.
– O que não é um meme no Brasil? – o cantor indagou, fingindo irritação.
– Tudo é meme no Brasil. – disse por fim. – Posso trocar de playlist? Perfect me deixa triste, apesar de ser uma música linda. – Ela fez um bico com os lábios, que visualizou de canto de olho. E achou adorável.
– A vontade. – Ele entregou o próprio celular para ela, que estava no porta luvas. deixou o queixo cair quando destravou o bloqueio com a digital e deixou-a com livre acesso ao aparelho.
O canadense teve certeza que ela soltou alguns palavrões em português e isso o fez rir. Adorava a forma como era espontânea. Não media suas reações, suas palavras ou suas vontades. Falava o que queria para ele, independente do que fosse pensar sobre ela. Era daquilo que precisava em sua vida tumultuada. Alguém para lhe lembrar que os pequenos detalhes faziam toda a diferença e que existia um mundo fora dos tabloides.
– Eu jamais largaria meu celular na sua mão. – constatou.
– Por que não? – franziu o cenho para ela.
– Você acha que eu tenho pastas apenas no Pinterest? – esganiçou a voz novamente e riu. – Você não tem ideia do quanto eu gasto com memória extra no iCloud por sua causa. – Sacudiu a cabeça para os lados, fingindo estar decepcionada consigo mesma.
– Bom, não entre na minha galeria então. – orientou. – Só tenho fotos inéditas. – Olhou-a rapidamente, apenas para ter certeza de que tinha os olhos arregalados em sua direção.
– Misericórdia. – Foi o que ela disse, arrancando mais uma gargalhada de , antes de Havana preencher o vazio que a pausa de Perfect tinha deixado.

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foi o primeiro a chegar ao final da trilha e nem poderia fingir surpresa. Ele tinha quase 2 metros de pernas e era completamente aceitável que ela, com seus 1.65 de altura, não conseguisse acompanhar o ritmo do canadense, ainda mais em uma subida tão íngreme. também deveria colocar na balança o fato de ser um assíduo frequentador de academias enquanto o único levantamento que ela fazia era o de garfo. E às vezes colheres, já que adorava doces. Cada um carregava uma mochila, já que havia levado lanches e água, enquanto havia separado sua câmera semiprofissional e a polaroide, juntamente de um tripé simples. Era o aparato que qualquer fotógrafo prevenido carregava.
suspirou, completamente sem fôlego, encarando a pequena subida que precisaria vencer e procurando dentro de sua alma pela motivação necessária. Motivação essa que veio por meio da mão de estendida para ela, em uma muda oferta de ajuda. Ela sorriu em agradecimento e com o puxão, venceu o restante do caminho até o topo da trilha. Lá de cima eles teriam a visão perfeita de toda a cachoeira e mal podia esperar para fotografar cada pedacinho da paisagem.
– Eu prometo que vale a pena cada gota de suor. – murmurou, assim que a garota parou ao seu lado e respirou fundo novamente. Ela o encarou, mesmo que precisasse erguer o rosto consideravelmente para encarar os olhos do cantor.
– Não tenho dúvidas. – Afirmou, recebendo um largo sorriso em retorno.
Quando finalmente parou na beira do vale e focou seu olhar na Webster Fall, os quase 30 minutos de caminhada pareciam não ter existido. E a visão lhe tirou o fôlego, de uma forma tão profunda que mais parecia o sonho que tinha de ver em uma propaganda da Calvin Klein. Não iria acontecer, então ela se contentaria com a paisagem de Hamilton. O lugar era realmente incrível. Para além do rio, todo o terreno era repleto de árvores e plantas e uma ponte de pedra conectava as extremidades do rio. A cachoeira em si era a parte mais bonita, já que tinha uma cortina d’água de 22 metros de altura.
– Nossa. – Foi o que conseguiu dizer, ouvindo apenas a risadinha de como resposta. De canto de olho conseguiu vê-lo sentar-se no chão e então sorrir para ela e bater com a mão no espaço ao seu lado. Ela iria sujar as calças, mas tinha sido muito tonta em usar jeans de lavagem clara naquele dia, então não poderia ligar menos para a sujeira. sentou ao lado de , deixando a mochila aos seus pés, e ele logo lhe ofereceu o ombro para que ela apoiasse a cabeça, surpreendendo-a completamente. Suspirando baixo, ela se deixou ser mimada por alguns instantes. era um príncipe, ela já sabia, mas estava mais encantada com ele a cada instante que passava.
– Eu gosto de vir aqui para pensar. – O canadense murmurou. – A maioria das pessoas tem preguiça de subir e prefere visitar outras cachoeiras.
– E no que você pensa? – indagou, curiosa. – Porque eu fico extremamente desprovida de qualquer problema assim que olho para tudo isso. – Arregalou os olhos brevemente, mesmo que não pudesse ver seu rosto. Ambos encaravam a queda d’água, encantados demais com a beleza daquela paisagem.
– Músicas, procuro soluções para problemas pessoais… – deu de ombros. – Coisas desse tipo.
– Meu quarto sempre foi o meu refúgio. – comentou. – Eu passei um ano juntando dinheiro para poder colocar proteção acústica nele. – Riu com a lembrança. Sentiu os olhos de em seu rosto e sentiu as bochechas quentes. Ela jamais iria se acostumar com ele. Às vezes a ideia de ter morrido e ido para o paraíso cruzada seus pensamentos. Aquele tipo de coisa não acontecia com garotas normais como ela. Acontecia em fanfics, mas não na vida real. Ainda era difícil para acreditar que aquilo estava acontecendo de verdade e que ela estava passando um tempo com . E por livre e espontânea vontade do mesmo. Era algo realmente surreal. – Eu tinha um mini estúdio de fotografia também. – Murmurou. – Estou pensando em modificar o banheiro para criar um novamente, mesmo que eu possa usar o estúdio da empresa.
– Aquelas salas escuras onde as pessoas revelam as fotos? – indagou, surpreso. – Pensei que só existissem em filmes.
– Existem fora dos filmes, mas poucos fotógrafos preferem revelar suas fotos. Dá muito trabalho. – explicou. – Estou montando um álbum com polaroides, para guardar cada segundo inesquecível dessa viagem e queria poder revelar as fotos do modo tradicional. Me parece fazer mais sentido.
– Você pretende voltar a morar no Brasil?
– Não sei. – suspirou. – Estou tentando evitar o sofrimento por antecipação.
– Desculpe. – logo falou e sorriu para ele. – Você tentando evitar a ansiedade e eu atiçando-a. – ele tinha uma expressão culpada no rosto.
– Está tudo bem.
– Então você trouxe duas câmeras? – o rapaz questionou e assentiu. – Bom, vamos fotografar então. – Bateu as mãos e fez menção de levantar. resmungou em descontentamento, segurando pela ponta do moletom e o obrigando a permanecer sentado. riu e usou o braço esquerdo para envolver a cintura de em um meio abraço.
– Daqui a pouco. – Ela pediu, o olhar voltando a fixar-se no horizonte. – Essa visão é bonita demais para eu não aproveitar.
– Você não queria guardar os momentos inesquecíveis em fotografias? – indagou.
– Estou guardando no coração nesse momento. – Deu de ombros. – Às vezes a foto não é o suficiente. – explicou. – Estando nessa profissão eu aprendi que uma foto não é apenas uma foto. É a representação de um momento. Um segundo de nossa vida eternizado em uma impressão ou um arquivo digital. Mas mesmo assim, não vale a pena ver o mundo por trás das lentes da câmera. As pessoas ficam presas naquele frenesi de ter fotos e mais fotos…, mas elas realmente as viveram? Afinal, do que vai adiantar ter tirado fotos incríveis e não me lembrar dos tons exatos do céu durante essa tarde? – indagou, divagando da forma como sempre fazia ao falar de sua profissão. Ela sempre se empolgava e acabava entediando as pessoas que a escutavam. Esperando pelo tédio de , que nada havia comentado, ergueu o rosto para encará-lo. Os olhares fixos um no outro por um breve instante fizeram com que um arrepio tomasse conta da nuca de . Ela observou cada pequeno detalhe do rosto do cantor, como se fosse a primeira vez que o estivesse encarando. E talvez realmente fosse. sabia que aquele ao seu lado não era o cantor , mas sim o canadense que amava Harry Potter e tinha alergia a cães. E ela adorava ambos, de uma forma completamente distinta. Era realmente difícil acreditar que ela estava ali naquele momento, observando tão de perto, pode analisar os tons de verde nos olhos castanhos dele. Seu coração perdia uma batida e ela sentia-se fraca. Ele realmente mexia com ela, de uma forma completamente nova.
– É a melhor forma de guardar uma boa lembrança. – Concordou, desviando rapidamente o olhar para os lábios de . Ela prendeu a respiração e quando precisou soltar o ar, o momento já havia se dissipado e havia voltado a encarar a cachoeira.
Meia hora mais tarde e estava gargalhando das tentativas falhas de em conseguir tirar uma boa foto dela. havia tirado uma porção de fotos de – muitas delas ele nem havia percebido -, transformando para a tentativa de tirar uma foto dela em uma missão pessoal de extrema urgência. Missão essa que tivera umas 30 falhas e quando o canadense finalmente desistiu, montou o tripé e então posicionou a câmera no ângulo que lhe beneficiaria. precisaria apenas apertar o botão e a mágica aconteceria.
– Como você fez isso em cinco minutos? – indagou, parecendo indignado. Ele estava parado ao lado dela, com os braços cruzados e uma expressão frustrada no rosto. o encarou com as sobrancelhas arqueadas.
– Como você escreveu Running Low sozinho? – rebateu e soltou uma exclamação de entendimento. – Se você for perfeito até como fotógrafo, eu vou ter a completa certeza de que você não é real. – resmungou, inconformada.
– Eu também não sei desenhar. – entortou os lábios. Parou ao lado de , que havia voltado a ajustar a configuração da câmera e a observou trabalhar.
– Coitadinho do leonino que não é bom em tudo. – resmungou, em um tom debochado. Ouviu rir alto.
– Camila também faz esses comentários sobre signos. – Ele falou e voltou o olhar arregalado para ele no mesmo instante. – Eu não entendo nada disso.
– Camila Cabello? – quase engasgou e assentiu. – Camila também é a louca dos signos?
– Que? – fez uma careta confusa.
– O surto. – murmurou por fim, tomando fôlego por alguns instantes antes de voltar sua atenção para a câmera.
– Eu entendo pouquíssimo do que você fala. – O rapaz confessou. Se inclinou em direção a , tentando entender as funções nas quais ela mexia na câmera.
– Pode ser que essa seja a minha intenção. – deu de ombros.
– Seria uma maldade sem tamanho. – acusou.
– Maldade é o que você faz comigo. – comentou em português e fez uma careta para ela. – Desculpe.
– Vai traduzir? – ele arqueou as sobrancelhas. o encarou rapidamente, negando com um aceno de cabeça. Ela não tinha aquela coragem.
– Hoje não. – Decidiu. Terminou de ajustar as funções da câmera e então orientou para que ele pudesse bater uma boa foto dela. Após algumas tentativas e muitos conselhos, finalmente conseguiu uma foto razoável. já estava tremendo de frio e aceitou de bom grado a blusa de lã que lhe ofereceu.
– Vamos descer? – ela indagou. – Queria tirar algumas fotos lá de baixo.
– Sim. Logo vai escurecer. – assentiu. – É melhor já estarmos lá embaixo quando isso acontecer.
guardou a polaroide e o tripé na mochila, ficando apenas com a câmera semiprofissional em mãos. E conforme eles desciam, capturava inúmeras fotos da paisagem e de , que ia murmurando a melodia de alguma canção que ela não conhecia. Não se demoraram na cachoeira, apenas o suficiente para algumas fotos e seguiram para o carro, aproveitando dos últimos raios solares e conversando sobre trivialidades. guardou a câmera na mochila e deixou suas coisas no banco traseiro. Ocupou o banco do passageiro, enquanto procurava por alguma coisa no porta malas do carro. Tirou uma barra de chocolate de lá e o estendeu para , que abriu um sorriso largo para ele.
– Vamos ficar por aqui mais um pouquinho. – Ele pediu. Estava com as costas escoradas na porta, virado em direção a , que ainda tinha a porta aberta e os pés para fora do carro. – Separei dois pontos turísticos para te mostrar hoje.
– Só dois? E o restante? – ela franziu o cenho, colocando um pedaço de chocolate na boca e oferecendo a barra para , que aceitou prontamente.
– Nós visitamos outro dia. – Ele explicou. O coração de Maria perdeu mais uma batida e ela ficou encarando-o com um sorriso bobo por vários instantes.
– Talvez eu tenha morrido. – disse por fim, em um suspiro. fez uma careta.
– Por que?
– A chance de eu conhecer um ídolo, conversar com ele sem ter um ataque histérico, me mudar para o país natal dele e encontrá-lo por acidente duas vezes é mínima. – Pontuou. – Agora some a isso estar marcando mais passeios com ele? Sem chances. Eu tenho certeza que morri e estou no paraíso. – Decidiu, estalando os lábios uma vez. riu.
– Eu gosto da sua companhia. – Ele declarou. – Pode parecer inesperado, mas é verdade. – Deu de ombros. – Acha que pode conciliar uma amizade com um cara famoso e sua vida mundana? – arqueou as sobrancelhas para ela, com um sorriso de canto nos lábios.
– Eu li fanfics o suficiente para conseguir namorar um famoso. Ser amiga de um deve ser muito mais fácil. – Concluiu.
– E com que famoso você namorou nas fanfics? – questionou.
– Com você. – A garota deu de ombros, fingindo indiferença, quando na verdade seu interior estava uma pilha de nervos. E se ele pensasse que ela era uma doida obcecada? E se finalmente caísse na real e tentasse se afastar? e sua sinceridade punham tudo a perder a cada meia hora. Mas era daquilo que havia confessado gostar. Talvez nem tudo estivesse perdido.
a encarou por um instante, o sorriso torto ainda estampado nos lábios bem desenhados. – Namorar comigo na vida real é muito mais divertido, acredite. – Piscou para ela.
– Isso foi um convite? – ela questionou, na maior cara de pau. Se estava na chuva, era bom se molhar não?
– Você me pediu em casamento. – Deu de ombros. – O namoro sempre vem antes.
Caralho, foi tudo o que pensou antes de direcionar a conversa para a comida canadense e ela iniciar esforços para não sair berrando em meio a um surto histérico.

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O canadense colocou o boné na cabeça e ajeitou os pequenos cachos que seu cabelo ondulado formava nas pontas. Subiu o zíper do moletom e então se virou para , com um sorriso que não mostrava seus dentes perfeitos e um olhar divertido que aquecia o coração da garota e deixava suas pernas fracas. E sabia que a deixava daquela forma, pois era completamente transparente em seus sentimentos. E ele precisava admitir que adorava praticamente ler os pensamentos dela. Até mesmo os pervertidos.
– O que acha? – ele indagou, ansioso. deu de ombros e mordeu um sorriso.
– Que você ainda é o . De boné. – Acrescentou e o cantor fechou a cara para ela. Afinal, havia tentado ao máximo não parecer com ele mesmo, para que pudessem passear pelo Distillery District na mais plena paz e sossego.
– Não passo por algum outro canadense muito parecido comigo? – questionou e franziu o cenho para ele.
– Apenas se clones estiverem sendo levados em consideração. – Decidiu e estirou a língua para ela, que riu alto antes de abrir a porta do carro e se colocar para fora do veículo. a seguiu, acionando o alarme e então parando ao lado da garota, que já tinha sua câmera em mãos e sorria largamente para a visão do Distillery District. sabia que Toronto era uma cidade incrível e o sorriso de apenas enchia seu peito de orgulho canadense. Não que ele precisasse de muitos motivos para nutrir tal orgulho, já que era um canadense completamente apaixonado por cada pedaço do seu país.
– Mais bonita que a sua cidade? – ele provocou e virou o rosto em direção a ele, com o olhar semicerrado.
– De jeito nenhum. – Sibilou e riu, abraçando-a pelos ombros e guiando-a em direção ao agrupamento de pessoas que haviam tido a mesma ideia que eles: visitar a Old Town Toronto. Antes de seguirem para aquela área de Toronto, haviam passado na casa de para deixar o tripé e a câmera Polaroide e para que a garota pudesse trocar de roupa. Havia sujado as calças de terra e precisava pegar mais alguns casacos aproveitou para devolver as roupas de e não mencionou a falta da camiseta que ele havia emprestado para ela.
O Distillery District era um bairro histórico da cidade, com um agrupamento de galpões reformulados para trazer turistas para aquela área antes desocupada. Os galpões hoje tinham uma variedade de estabelecimentos, desde bares, restaurantes e lojas de souvenires. Era uma das partes favoritas de na cidade, talvez perdesse apenas para o Rogers Centre e o High Park. Enquanto andavam pela principal rua do bairro, parava a todo instante para bater alguma foto. serviu de modelo várias vezes, tendo a promessa de de receber as fotos quando a garota as tratasse e revelasse, da forma tradicional que mencionara preferir.
– Já vi essa rua no Pinterest. – murmurou, quando saíram da rua principal e adentraram uma pequena rua coberta, conhecida por suas lanternas decoradas que pendiam no teto e davam ao lugar uma visão de tirar o fôlego.
– Você também tem uma pasta para Toronto no Pinterest? – indagou, em um tom provocativo, recebendo um revirar de olhos por parte da brasileira.
– Eu e a minha boca grande precisamos aprender com a dor. – A garota resmungou, sacudindo a cabeça para os lados, em sinal de desgosto. gargalhou. Se escorou na parede do canto esquerdo e ergueu uma das pernas, apoiando o pé no tijolo e cruzando os braços em frente ao corpo. Encarou , que ainda estava com a câmera em mãos e capturava uma foto atrás da outra. Ela era admirável, ele tinha que admitir. A forma como se posicionava e procurava pelo ângulo perfeito, segundo sua concepção, era digna de aplausos. realmente amava seu trabalho e aquilo era algo que admirava demais. Podia sentir a paixão emanar dela, assim como sentia a sua própria emanar quando estava no palco. Em determinado momento, prendeu os cabelos em um coque e focou seu olhar nos traços do rosto dela.
Era ela bonita. Bonita demais e talvez aquela súbita vontade que havia tido de beijá-la durante a tarde, estivesse voltando, conforme ia conhecendo-a um pouco melhor. Talvez ele estivesse começando a ficar atraído por ela. E aquilo não era um problema para ele. era uma garota incrível. Era corajosa, simpática e sincera. Ela tinha todas as qualidades que prezava em uma pessoa. Estar atraído por ela apenas se tornava um problema se aquela atração não fosse recíproca. Claro, compreendia que existiam níveis de atração e interesse. Algumas pessoas sentiam-se atraídas por outras pessoas instantaneamente, enquanto outras precisavam construir uma relação antes de sentir algum interesse romântico. já havia vivido ambas as experiências, e para ele, ser uma fã não era realmente um empecilho. Mas ela precisava querer. E ali morava o problema.
Era óbvio que o achava bonito. Aquilo ficava transparente no olhar dela. Mas precisava saber se ela sentia-se atraída pelo cantor , aquele cuja carreira ela acompanhava a anos, ou pelo rapaz com quem havia esbarrado em ocasiões completamente surpreendentes e com quem havia passado uma tarde extremamente agradável. Aquela sempre seria a maior insegurança de : alguém ter sentimentos por ele e não pela imagem que a mídia criara para ele. Suspirou alto, chamando a atenção de e então recebendo um sorriso culpado por parte da garota.
– Me desculpe. – Ela murmurou. – Você preparou um roteiro e eu estou sendo a fotógrafa chata. – Entortou os lábios.
– Está tudo bem. – garantiu. – É divertido te observar. – Confessou.
franziu o cenho. – Por que?
– Você parece muito apaixonada por isso. – explicou. – Emana, de alguma forma.
– Eu tive a mesma experiência durante o Rock in Rio. – comentou. – Foi o melhor show da minha vida. Consegui sentir cada palavra sua lá dentro do coração. – Apontou para o próprio peito. se aproximou da garota, com um largo sorriso no rosto.
– É a coisa que eu mais amo na vida. – Ele comentou. – Fico imensamente feliz em saber que consigo transmitir um bom sentimento para as pessoas.
, você é criatura mais incrível desse mundo. – exclamou. Deixou a câmera de lado, a alça segura em seu ombro. – Só esse sorriso aí já transforma o dia de muita gente.
corou, passando as mãos pelos cabelos para tentar disfarçar a vergonha. – Obrigado. – Murmurou, em um fiapo de voz. – Então, quer ajuda com as fotos?
– Você quer mesmo aprender, não quer? – riu. – Maldito orgulho leonino. – Estalou os lábios.
– É só minha forma de agradecer pelas fotos incríveis que você tirou de mim. – Deu de ombros.
– Certo, vamos lá. – cedeu. Puxou pela mão e o guiou por alguns passos. Parou no centro da rua e então se abaixou, lançando um olhar que interpretou como um incentivo para ele fazer a mesma coisa. Ela pegou a câmera e a posicionou no ângulo que melhor enquadrava todo o cenário. – Nesse cenário, o foco são as luzes e não a pessoa em si. – Murmurou. – Eu vou estar ali no centro, – apontou para frente com a mão direita. – E você precisa focar todo o ambiente.
– Certo. – assentiu. passou a câmera para ele e levantou, colocando-se as costas do cantor e analisando o ângulo que ele estava enquadrando. Não estava bom e nem precisou que a garota lhe dissesse para perceber.
– Assim não. – Ela riu fraco. sentiu a presença de se aproximar e logo os braços da garota estavam envoltos de seu corpo. Ela segurou as mãos de e ajudou-o a posicionar a câmera, encontrando o melhor ângulo para a foto. A respiração de bateu contra a bochecha esquerda de , causando-lhe uma súbita vontade de virar o rosto e encontrar os lábios de com os seus. respirou fundo e espantou aqueles pensamentos, focando sua atenção nas explicações da garota sobre o foco da câmera.
– …E desta forma você consegue uma foto com qualidade profissional. – Finalizou e apenas assentiu com a cabeça. seguiu para a posição que havia indicado anteriormente e então fez algumas poses, deixando que selecionasse a melhor foto do trabalho que havia feito. Para finalizar aquela sessão e dar continuidade ao passeio, puxou para um abraço e bateu uma selfie deles com a câmera frontal de seu celular. Ambos tinham sorrisos imensos e indícios de um carinho mútuo brilhando em seus olhos.

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O carrinho de cachorro quente estava lotado. andava de cabeça baixa, com o boné quase cobrindo todo seu rosto, em uma tentativa de evitar que qualquer pessoa lhe reconhecesse. , ao lado do canadense, encarava a dimensão da Yonge-Dundas Square com um sorriso imenso no rosto. Havia visto aquela praça vezes demais pelo Pinterest e Google Earth para evitar uma animação tão aparente. Mesmo durante a noite, a praça que ligava duas importantes ruas de Toronto estava abarrotada de pessoas. A maioria delas ansiosas demais para chegarem aos seus destinos, enquanto outras pareciam tão encantadas com a beleza da Times Square canadense quanto .
– E para vocês? – o vendedor de cachorro-quente indagou, assim que e tiveram sua senha gritada.
– Dois cachorros-quentes completos. – pediu, recebendo um aceno de cabeça como confirmação. – E dois sucos de laranja, por favor. – Sorriu. Precisaram aguardar pouco mais de cinco minutos para receberem seus lanches – já que jantar no Distillery District era uma tarefa impossível de se cumprir junto com a esperança de em não ser reconhecido naquela noite.
Com seus lanches em mãos, guiou em direção a Dundas Street, fazendo a garota lamentar pela decisão de ter deixado a câmera no carro. Ela precisou utilizar a câmera de seu celular e sabia que não ficaria satisfeita com a qualidade das fotos quando voltasse para casa, mas naquele momento, tudo o que ela queria era aproveitar da presença de e de sua risada contagiante enquanto lhe contava sobre todas as peças que havia pregado em sua irmã, Aaliyah.
– Se meu irmão fosse como você, eu o odiaria. – decidiu, fazendo rir ainda mais.
– Eu não nego que incomodar Aaliyah era um de meus passatempos favoritos. – Ele murmurou.
– Maurício sempre foi muito protetor. – comentou. – Tanto que meu primeiro namorado passou por uma entrevista de uma hora com ele. – Revirou os olhos com a lembrança. – Meu namoro não durou três meses porque Maurício não nos deixava em paz. Com o tempo ele foi ficando mais tranquilo, mas era realmente irritante tê-lo no meu pé o tempo todo.
– Eu nem quero pensar no dia que Aaliyah arrumar um namorado. – fez uma careta. – Meu coração dói apenas com a possibilidade.
– Mas um dia ela vai. – falou e fez uma careta ainda mais feia para ela. A garota riu e aproveitou a proximidade com uma lixeira para despejar o copo de plástico e os guardanapos que envolviam o cachorro-quente. havia terminado seu lanche antes dela e também despejou seu lixo na lixeira. Seguiram caminho pela Dundas Square, enquanto alternava sua atenção entre e a rua em si.
– Não vai não. – bufou. quis apertar as bochechas dele, tamanha a fofura que o garoto emburrado acumulara.
– Você namorou, não namorou? – indagou, revirando os olhos para a negação que recebeu como resposta. – Você não tem vergonha de mentir na minha cara?
lançou um olhar divertido para . – É a minha vingança por todas as palavras que você falou em português e não traduziu.
– E nós fãs acreditamos que você é um anjo. – estalou os lábios. – Que decepção. – Reclamou, fazendo o garoto rir e abraçá-la pelos ombros.
– Aaliyah ainda é muito nova. – explicou. – Ainda é cedo para ela encarar as decepções amorosas.
– Nem todo amor é decepcionante. – argumentou.
– Eu sei. – suspirou. – Mas minha última experiência não foi boa. Ainda estou superando.
A brasileira fez uma careta. – Hayley? – assentiu, o olhar atento no rosto de . – Nunca gostei dela.
– Minha irmã também não. – Riu. – Mas ela gostou de você. Nosso casamento foi aprovado. – brincou, enquanto precisou respirar fundo algumas vezes. Se continuasse brincando daquela forma, ela não tinha certeza de que sobreviveria. Tinha o coração fraco demais em tudo o que se relacionava àquele homem.
– Inclusive, ela pareceu muito animada em te arrumar uma namorada. – lembrou, em uma tentativa de amenizar seu surto interno. Ninguém poderia culpá-la. Casamento e eram duas coisas que lhe tiravam a razão. – Talvez se você incutir a ela a tarefa de te arrumar alguém, não sobre tempo de arrumar alguém para ela. – falou, piscando o olho direito para o canadense.
– Já desistiu de casar comigo? – indagou, fingindo decepção.
, a resposta é sim para qualquer pedido seu. – retrucou. – Não brinque com o meu coração, ele é fraco. – Repetiu.
– Eu nunca sei se você está brincando comigo ou flertando. – admitiu. – De qualquer forma, eu tenho um pedido. – Encarou-a com diversão.
– Pois diga. – ignorou a conversa sobre o flerte de forma nada discreta.
– Eu comi um doce no Brasil. – começou. Olhava para a rua e parecia divagar em suas lembranças. o encarou de perfil, encantada demais com a beleza daquele garoto. Se obrigou a desviar o olhar, para evitar parecer uma doida e também, as dores no pescoço. Ela sentia-se um chaveiro de bolso perto dele. – Parecia chocolate, mas era diferente. E tinha um nome complicado. Mais complicado que o seu nome, . – Sinalizou e decidiu que aquelas eram as palavras que ela mais gostava de ouvir da boca de . Mesmo que ela amasse todas as palavras de Never be Alone, nada iria se comparar a forma enrolada com a qual ele pronunciava o nome dela. Era adorável e talvez aquilo tenha deixado ainda mais apaixonada.
– Brigadeiro. – explicou e os olhos de brilharam em entusiasmo quando ele voltou a encará-la. Ela sorriu instantaneamente.
– Isso! – exclamou. – Às vezes me pego com vontade de comer isso, mas nunca encontrei fora do Brasil. Me arrependo de ter comido poucos e não ter aproveitado a chance. – O bico em seus lábios causou um tumulto nas borboletas no estômago de .
– Eu faço para você. – sorriu ainda mais quando os lábios de encontraram sua bochecha e ele apertou o abraço em seus ombros.
– Temos mais um encontro marcado então! – declarou, fazendo-a respirar fundo algumas vezes, buscando forças para não desmaiar.

Eles ainda passearam pela Yonge Street, antes de darem o passeio por finalizado, com sentimentos idênticos de satisfação e calmaria em seus corações. não desceu do carro quando estacionou em frente ao prédio que estava morando, mas a garota não tinha motivos para se chatear com aquilo. Preferia que a mídia não soubesse que eles estavam criando laços de amizade, então quando se inclinou em direção a para abraçá-lo, fez uma careta ao perceber o flash de uma câmera reluzir contra o espelho do carro.
– Tem alguém tentando tirar fotos do carro. – Ela murmurou após se afastar e fez uma careta. Virou o rosto em direção aos arbustos do prédio em frente ao de e também enxergou o flash da câmera.
– Eu vou descer, desviar a atenção e você tenta entrar sem ser vista, tudo bem? – indagou, parecendo extremamente chateado com a situação.
– Hey. – o chamou e ergueu o olhar até ela. – O dia foi incrível. Muito obrigada.
– Pena que acabou assim. – apontou para o paparazzo. – Devem ter nos seguido desde a Yonge Street. – Suspirou.
– Você é famoso. – deu de ombros. – Inclusive por contribuição minha que comprei os álbuns e divulgo sua música nas redes sociais. – brincou. – Está tudo bem. – Se aproximou novamente e o beijou no rosto. – Nos falamos durante a semana. – Concluiu, quando colocou a mão na maçaneta e abriu a porta do carro.
– Você me deve brigadeiro. – Enrolou a língua ao pronunciar o nome do doce.
– E irei pagar. Escolha o dia. – Ela sorriu.
– Eu te mando mensagem. – decidiu, se colocando para fora do carro e seguindo em direção ao paparazzo. De dentro do carro, esperou o fotógrafo guardar a câmera e então saiu de fininho, entrando em seu prédio e correndo para o elevador, gritando um boa noite para o porteiro antes que as portas de metal se fechassem. Sorriu para o reflexo distorcido de si mesma nas portas do elevador e suspirou.
Aquele dia havia mesmo acontecido. E ela mal podia esperar pelos próximos encontros com .

Capítulo 10

I’m not try’na start a fire, with this flame
But I’m worried that your heart might feel the same

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bebeu mais um gole de seu café, antes de voltar a se concentrar no piano e nos acordes que estava passando com Ed. Sim, o Sheeran. Quando encontrou o amigo no estúdio logo pensou na reação que teria se estivesse ali, junto com ele. Bom, não exatamente junto com ele, mas na mesma sala em que ele estava. E se ela estivesse ali, sabia que todo seu nervosismo estaria recluso em uma parte pequena de sua mente. Ele não teria tempo para pensar em Hayley e sua oferta de um jantar. conseguiria monopolizar toda sua atenção e ele nem lembraria da existência de Baldwin. bufou, errando novamente a mesma nota e recebendo um olhar curioso e desconfiado de Ed.
– O que aconteceu? – o ruivo questionou. Ed, como qualquer outro inglês, não tinha o costume de comentar relações pessoais com os amigos. Ele preferia manter suas coisas para si, da mesma forma que evitava se intrometer na vida de seus amigos. Mas era canadense e Ed sabia que, às vezes, tudo o que o garoto precisava era desabafar. E já havia ficado claro que eles não iriam avançar muito mais naqueles acordes até focar completamente sua atenção no trabalho. Mesmo que a música já estivesse pronta, havia pedido uma opinião profissional de Sheeran. Afinal, In My Blood seria seu primeiro single e ele ainda tinha inseguranças quanto a se expor daquela forma para a mídia.
– Estou com os pensamentos longe. – Suspirou.
– Longe de que forma? Longe como o Canadá ou longe como Calabasas? – sorriu para o amigo.
– Como em um plano intermediário. – murmurou. Levantou e se afastou do piano, se jogando em um dos pufes e voltando a beber seu café. Precisava se manter acordado caso quisesse mostrar aquela música para Ed ainda naquele dia. O ruivo puxou uma cadeira e sentou em frente ao canadense, seu olhar analítico sobre . O mais novo desviou o olhar para seu celular, fazendo Ed rir.
– Você está fugindo cara. – Ed murmurou. – Deveria dar um fim nesse ciclo e se permitir novas experiências.
– Eu já dei um fim. – Suspirou. Deixou o celular com a tela acesa em cima de suas pernas e passou a mão direita pelos cabelos, em um claro sinal de nervosismo. – Mas ela não entende. Parece que só vai entender quando eu aparecer com outra pessoa.
– E tem outra pessoa?
– Não dessa forma. – comentou, referindo-se a . – Não ainda, pelo menos.
– Isso é novidade. – Ed riu, abandonando a cadeira e sentando-se no pufe ao lado de . – Até mês passado você não queria se relacionar de jeito nenhum. Quem é?
sorriu largamente. – Não existe nada entre nós, estamos apenas nos conhecendo. – Deu de ombros. – Mas ela é muito divertida. Não finge perto de mim, sabe? Ela fala as coisas que tem vontade e acho que às vezes, ela esquece quem eu sou, mesmo sendo minha fã. – Estalou os lábios, franzindo o cenho em seguida. – Nós saímos no feriado e foi completamente diferente de qualquer encontro que eu já tive. Talvez porque não deveria ter sido um encontro, sei lá. – Encarou Ed, que sorria de forma misteriosa para ele. – Eu meio que não estou forçando nada, mas também não me fechei para a possibilidade.
– E ela? Deu algum indício de estar interessada? – Ed indagou.
– Ela é minha fã. – riu. – Acaba flertando algumas vezes, mas não sei se é sério. – Suspirou.
– E se for sério?
– Então talvez, tenhamos alguma música de amor para escrever no futuro. – confessou. – Você sabe que eu não tenho medo de me relacionar. Estou, quase sempre, aberto para novas experiências. Mas eu não quero outra Hayley. Estou cansado de me dar por inteiro e receber apenas metades.
– Vá com calma. – Ed orientou. – Conheça a garota. Deixe-a te conhecer de verdade. Não se precipite. Apenas o tempo vai dizer se você terá um relacionamento como o que teve com Hayley, mas isso não pode te impedir de tentar. Pode ser bom. E tudo é aprendizado.
– E música. – comentou e ambos riram.
– Falando em música, que tal uma pausa? – Ed sugeriu, já se levantando e seguindo em direção a máquina de café.
– Por favor. – finalizou seu café e então pegou o celular novamente, visualizando uma nova notificação no WhatsApp. Era uma foto de . usava moletom e tinha os cabelos presos em um rabo-de-cavalo muito mal feito e segurava uma tigela transparente que continha algo muito parecido com um creme de chocolate. franziu o cenho, em pura confusão, digitando uma resposta rápida para a garota. Havia mudado o nome no contato dela para apenas , já que ainda não havia encontrado o emoji perfeito para fazer companhia ao apelido da brasileira.

O que é isso? 02:36 pm


Brigadeiro 02:36 pm

Eu não acredito que você mandou foto para me fazer passar vontade 02:36 pm


É uma troca 02:37 pm
Para que você mande uma foto com o Ed 02:37 pm

O nome disso é chantagem 02:37 pm


Eu sei 😘 02:37 pm

Você é má 02:37 pm

terminou de enviar a mensagem e riu da imagem que retornou. Era Joey de Friends em um claro sinal de “fazer o que”. encarou a tela de seu aparelho por alguns instantes, antes de desviar o olhar e encontrar Ed o encarando com um riso divertido.
– Ela é um pouco diferente. – Se explicou.
– Como o que?
– Do tipo que me envia fotos de comida para me fazer passar vontade. – Deu de ombros e Sheeran gargalhou.
– Já gostei dessa garota.
– Ela estará de aniversário na semana que vem. – Suspirou. – Não sei o que dar de presente para ela, porque apesar de termos uma conexão e sincronia incrível, eu a conheço pouquíssimo.
– Pergunte. Sempre funciona. – Ed retrucou e revirou os olhos para ele.
– Gostaria de fazer alguma surpresa. – Murmurou.
– E do que ela gosta? – Ed indagou. Voltou para perto de com seu café em mãos e sentou-se novamente ao lado do canadense.
– Ela é fotógrafa. Gosta de cozinhar, ver séries, ouvir música e surtar pelos artistas dos quais gosta. Ela também gosta de Harry Potter e isso é ótimo.
– Gostar de Harry Potter é um divisor de caráter. – Ed ponderou e concordou com um aceno de cabeça. – Dê algo nesse estilo para ela.
– Ela tem tudo. – riu, lembrando-se de sua rápida passagem pelo apartamento da garota. Havia esperando-a na sala enquanto trocava de roupa e observara toda a estante da brasileira. Ela tinha diversos livros, HQs, colecionáveis, DVDs de séries, filmes e CDs. Era realmente uma garota eclética e apaixonada e admirava aquilo.
– Bom, tenho certeza de que você vai pensar em alguma coisa. – Ed concluiu. Desviou o olhar para o celular de e franziu o cenho ao não entender o nome do contato que havia acabado de enviar uma mensagem para o mais novo. – Qual é o nome dela?
. – murmurou, ainda sem realmente conseguir realizar a pronúncia correta. – Mas é um nome complicado e eu a chamo de .
– Ela não é canadense. – Ed concluiu e acenou com a cabeça em concordância.
– Não. Brasil. – comentou e o outro arregalou os olhos em sua direção.
– Você vai ir longe para conhecer os sogros. – brincou e revirou os olhos.
– Vamos voltar para a música, que tal? – sugeriu, fazendo o outro rir ainda mais ao notar as bochechas coradas de .

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, corre garota. – reclamou, já com a mão na maçaneta da porta do restaurante, enquanto estava a quase 100 metros de distância. A brasileira bufou e apertou o passo, levando pouco menos de 2 minutos para parar ao lado da amiga.
– Você esquece que eu sou pequena. – reclamou e loira revirou os olhos para ela.
– Nem é tão pequena assim.
– Falou a pessoa com dois metros de pernas. – revirou os olhos, seguindo para dentro do restaurante.
– Acho que você está me confundindo com seu amigo . – riu, em uma clara tentativa de provocar .
Era o primeiro almoço que teriam juntas e já estavam no último dia útil da semana. Ambas estavam trabalhando muito todos os dias e mal sobrava tempo para conversarem fora do percurso casa-trabalho, trabalho-casa. Ocuparam uma mesa ao fundo do restaurante e deixou seu pedido nas mãos de , já que a única coisa que conhecia e confiava na culinária canadense eram o Maple Syrup e o Poutine.
– E por falar nele, falou com Brian? – indagou, como quem não queria nada. A verdade era que não falava com desde a terça-feira e aquilo a estava deixando ansiosa. Havia pedido para sondar Brian a respeito de , mesmo sabendo que aquela era uma atitude covarde e infantil. Mas não conseguia ter qualquer controle sobre suas ações quando o assunto era e ninguém poderia julgá-la por aquilo.
– Se você quer saber do , deveria tomar vergonha na cara e mandar uma mensagem para ele. – acusou e fechou a cara para ela.
Era óbvio que sabia que podia mandar uma mensagem para . Ele havia deixado aquilo muito claro. Mas a garota também não queria incomodá-lo enquanto trabalhava, então havia cessado sua comunicação com ele na terça-feira, quando havia mandado fotos dela com uma tigela de brigadeiro em mãos, já que havia prometido fazer o doce para o canadense.
– Eu não quero incomodar. – suspirou.
– Você só vai saber se estará incomodando quando ele responder. – revirou os olhos. – Faça um favor a si mesma e envie uma mensagem.
– Mais tarde. – informou e a encarou com desdém. Ela sabia que a brasileira estava mentindo.
– Ainda bem que eu agi por você e convidei alguém para almoçar conosco. – A loira sorriu largamente, enquanto arregalava os olhos e franzia o cenho em sua direção.
– Quem?
– Brian.
– Vai se ferrar. – Xingou.
– Ele deve estar chegando. – murmurou. – Avisou que estava procurando uma vaga no estacionamento.
– Eu não acredito nisso. – respirou fundo e encarou a mesa extremamente limpa.
– Eu pago seu lanche, pare de reclamar. – virou os olhos novamente.
– Eles vão me achar maluca. – Decidiu. – A morte é muito bem-vinda nesse momento.
– O nome é interesse. – A outra riu. – Não seja dramática. – Estirou a língua para . – Mas mudando de assunto, enquanto Brian não chega para podermos fofocar sobre seu namorico, me diga que se inscreveu para o curso de extensão no Japão. – pediu, juntando as mãos de em cima da mesa e montando uma expressão que beirava o desespero em seu rosto.
– Você acha que eu sou maluca? – revirou os olhos, soltando suas mãos das de . – Obviamente eu me inscrevi.
No início daquela semana todos os fotógrafos da empresa onde elas trabalhavam haviam sido avisados de que uma nova semana de workshops havia sido anunciada. Os focos eram diversos, desde fotografias de casamento a fotografias de publicidade. A empresa custeava todos as oficinas e deixava apenas a responsabilidade por alimentação, passagem e acomodação na responsabilidade dos interessados. Naquele ano as oficinas seriam no Japão e as inscrições tinham o prazo de uma semana para serem realizadas. estava completamente animada pela possibilidade de ir para o Japão gastando tão pouco e fora uma das primeiras a se inscrever para a viagem.
– Ótimo! – a canadense bateu palmas, completamente animada. – Não queria viajar sozinha novamente.
– Você foi para onde no ano passado? – indagou, curiosa. Apoiou o cotovelo na mesa e a bochecha na mão, encarando a amiga com expectativa.
– Itália. – sorriu largamente. – Foi um pouco mais caro, mas valeu a pena. – Deu de ombros. – Só tive que parcelar em 6 vezes no cartão. – Riu e a acompanhou.
– Eu tenho algum dinheiro guardado. – Murmurou. – Mas a sorte é que o salário cai na conta antes da viagem.
– Sim! – concordou. Uma notificação em seu celular chamou sua atenção e ela abriu um sorriso de orelha a orelha, antes de levantar e seguir para fora do restaurante. revirou os olhos, pressentindo que coisas boas não viriam daquela saída da amiga. Resolveu se adiantar e pegou o próprio celular, abrindo o WhatsApp e enviando uma mensagem para . Ele logo respondeu e ela abriu um largo sorriso, iniciando uma conversa com ele que a impediu de perceber a volta de , acompanhada de Brian.
– Vejo que seguiu meu conselho. – murmurou, apenas para provocar. Brian sentou ao lado da garota e acenou para , que sorriu em cumprimento.
– Mandou mensagem para ele? Porque eu comentei que estava vindo almoçar com vocês e ele me encheu de perguntas sobre você. – Brian riu.
– Ele o que? – arregalou os olhos, largando o celular na mesa e deixando a conversa com de lado por apenas uns minutos. Brian lançou um olhar para e ambos sorriram cúmplices, antes de o rapaz dar de ombros e estalar os lábios.
– Perguntou de você. – Brian murmurou. – Comentou que vocês não se falavam desde terça-feira e que ele não queria incomodar, mas que gostaria de saber como você está.
– Eu ouvi a mesma coisa aqui. – comentou, rindo.
– Estamos conversando agora. – se defendeu. – Estou tentando conseguir informações sobre a música nova.
– Desista. – O garoto riu. – é um túmulo quando se trata de trabalho. Nem para mim ele mostra as músicas.
– Mas você ele não quer beijar. – lembrou e gargalhou alto.
– Você está louca. – Riu. – Ele não quer me beijar.
– Quer sim. – Brian concordou, mas não acreditou nele. Foram interrompidos pela chegada dos lanches e logo voltou para sua conversa com , enquanto os outros dois conversavam sobre alguma festa para o final de semana. Eram claras as intenções de Brian com , que parecia nem perceber que havia colocado o garoto na friendzone.

❤️
Eu já almocei, estou voltando para o estúdio 12:45 pm

Você poderia me enviar um pedacinho da música 12:45 pm

❤️
Se você fizer brigadeiro para mim 12:45 pm

Eu vou fazer 12:45 pm
Manda a música 12:46 pm

❤️
Mais tarde 12:46 pm
Prometo x 12:46 pm
Hey 12:46 pm
Que tal você jantar lá em casa no domingo? 12:46 pm

Se você comprar pizza eu vou 12:46 pm

❤️
Feito 12:46 pm

bloqueou o aparelho e o largou na mesa, focando sua atenção no lanche a sua frente. a encarou com um sorriso esperto enquanto Brian a olhava com curiosidade. Eles esperaram que percebesse que estavam encarando-a para então resolverem falar alguma coisa.
– E então? – a canadense indagou.
– Então o que?
– Quando vocês vão se ver?
– Domingo. – sorriu de forma acanhada.
– Olha esse sorrisinho. – debochou. – E ainda tenta dizer que não está caidinha pelo .
– Tenho certeza que ele também está sorrindo assim. – Brian murmurou. – E acabou de me mandar uma mensagem. – comentou, pegando o celular em cima da mesa para ler a mensagem do amigo. o encarou, ansiosa, enquanto ria. – “Cancele os planos de domingo. Vou jantar com a .” – leu e encarou a brasileira, que tinha as bochechas coradas.
– Não me olhem assim.
– O casal é real. – disse por fim, recebendo aceno de cabeça em concordância de Brian e um revirar de olhos de . Eles a estavam iludindo e aquilo não era nada bom para sua saúde emocional.

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A pizza havia chegado cerca de 10 minutos antes de a campainha tocar novamente e – que estava na cozinha organizando os pratos e copos para o jantar, largou tudo em cima da mesa e correu para a sala. Organizou o cabelo na frente do espelho e então girou a fechadura, encontrando segurando uma ecobag que ele conhecia muito bem, já que era dele.
– Oi! – ela exclamou, animada e para aquilo soou como se fosse a primeira vez que estivessem se encontrando. Era incrível como era espontânea com ele, como se ainda não tivesse se acostumado com sua presença. adorava aquilo.
– Oi! – ele devolveu o cumprimento. entrou na casa e após fechar a porta, a puxou para um abraço e deixou um beijo no topo da cabeça dela. – Como está?
– Bem. – sorriu, parecendo meio aérea. Estendeu a ecobag para e o rapaz franziu o cenho para ela. – Trouxe leite condensado e achocolatado. – Anunciou. – Eu realmente não sei como vocês vivem aqui no Canadá se não comem as melhores comidas do mundo. – revirou os olhos.
– Nossa comida é boa! – defendeu. Guiou até a cozinha e ajudou-a a organizar as coisas para a preparação do brigadeiro. Segundo ela, comer na tigela era muito mais gostoso do que enrolar e colocar confeitos como havia experimentado o doce quando estivera no Brasil.
– Mas a comida brasileira é melhor. – Afirmou e revirou os olhos para ela. Encostou-se na bancada da pia e cruzou os braços em frente ao corpo, observando as ações de . Ela tinha o tal leite condensado e o achocolatado abertos e uma panela pequena. Misturou ambos ingredientes e então ligou o fogão, colocando o doce para cozinhar com uma quantidade pequena de manteiga. Ela procurou pela cozinha e o encontrou encarando-a, desviando o olhar rapidamente enquanto o canadense a observava ruborizar.
– E então, como foi no estúdio? – ela indagou, ainda sem encará-lo e riu baixinho.
– Você me diz. – Ele retrucou. – Eu te mandei um pedaço de In My Blood. – Deu de ombros. largou a colher na panela e se voltou para , com um sorriso maior do que o próprio rosto e uma animação evidente em seu olhar.
, aquela música é incrível! – exclamou e só faltou pular de felicidade. – Mas me deu um aperto no coração e uma vontade de te abraçar! – apertou os olhos. – Você vai matar o fandom inteiro quando a lançar!
– Você pode me abraçar, já disse. – alargou seu sorriso. – E fico extremamente feliz de saber que gostou da música. É bem pessoal e espero que as pessoas entendam ela.
– É impossível não entender. – murmurou, ignorando deliberadamente a parte sobre o abraço e quis rir. – Tenho certeza que muita gente vai se identificar com a letra e você vai ajudá-las a se manterem firmes.
– Obrigado. – sorriu com sinceridade. – Minha maior insegurança era a recepção dos fãs. Apesar de Understand ser bastante pessoal, não tem o apelo que In My Blood adquiriu durante a criação. Você gostar da música me deixa confortável em lançá-la. – Deu de ombros e observou corar um pouco mais.
– Estou me sentindo a própria criadora do Grammy. – brincou.
– Bom, então me dê um Grammy por favor. – pediu e assentiu com a cabeça, concordando veementemente.
– Espere e verá esse Grammy chegando. Ou pelo menos, a indicação. – exclamou, franzindo o cenho em seguida. – Eu não confio muito nos critérios de avaliação do Grammy. – Murmurou e riu.
– Posso afirmar que a sua avaliação tem maior significado no momento. – Ele comentou e a brasileira corou novamente.
– Está me deixando sem graça. – Ela deu de língua para ele, voltando a prestar a atenção no brigadeiro e soltando um resmungo inconformado. se aproximou, curioso. Parou atrás de e se inclinou em direção a panela. – Você vai definitivamente, provar o brigadeiro original. – Ela explicou. – Sempre queima. – Riu, dando de ombros e a acompanhou. – Mas prometo que os queimados são a melhor parte. – garantiu e acenou com a cabeça.
– Tudo bem. Vou terminar de organizar a mesa para podermos comer. – Ele disse, se afastando e seguindo para a mesa. Colocou os pratos e os copos, optando por uma Coca-Cola e abrindo a caixa da pizza por fim. – Eu pedi pizza de quatro queijos, pois não sabia que tipo de carne você come. – Se explicou e estalou os lábios as suas costas.
– Estou diminuindo o consumo de carne, então você acertou em cheio. – Riu baixinho.
sentou-se em uma das banquetas e então esperou por . Não levou cinco minutos para a garota desligar o fogo e despejar o conteúdo da panela em uma tigela de vidro, deixando o objeto em cima da pia. Ela encarou com uma expressão culpada e o cantor arqueou as sobrancelhas para ela.
– Você gostava daquela panela? – indagou. se inclinou para enxergar a panela às costas da garota e então deu de ombros, indiferente. Era uma panela qualquer.
– Não tem muita importância. – comentou. – Por que?
– Talvez ela tenha queimado um pouquinho. – apertou os olhos, antes de ocupar a banqueta ao lado da de . – Mas eu prometo te dar uma panela nova. – Garantiu. acenou com a mão, pedindo para deixar aquilo para lá.
– É só uma panela. – Ele disse, estendendo a mão para pegar uma fatia de pizza. segurou o pulso dele e sentiu um pequeno arrepio na nuca. Oh, aquilo era novidade. Ele a encarou com um misto de surpresa e confusão e logo afastou seus dedos da pele do rapaz, sorrindo de forma culpada antes de murmurar:
– Eu queria tirar uma foto da pizza. – explicou.
– Tudo bem. – sorriu para ela, afastando a pequena confusão de sua cabeça e se obrigando a aproveitar o momento. Analisaria aquilo mais tarde, quando estivesse sozinho. tirou a foto e postou nos stories, sob protestos de para que o marcasse. Ela negou, afirmando que não queria a mídia em cima da amizade deles e novamente sentiu uma pontada na nuca. Mas naquele momento, fora de puro desconforto e talvez um tantinho de decepção.
Eles jantaram enquanto conversavam sobre tudo e nada, se conhecendo um pouco mais a cada palavra trocada e se encantando um pelo outro um pouco mais a cada sorriso que abriam. Eles ainda não sabiam, mas aquela amizade não duraria muito tempo. Havia algo bem maior do que uma simples amizade por ali.

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– O que você quer assistir? – indagou, sem soltar a tigela com o brigadeiro. Ele estava ajoelhado no chão, enquanto procurava pelo controle da TV para que pudessem assistir alguma coisa na Netflix. Haviam comido toda a pizza e havia dado apenas duas colheradas no brigadeiro, já que havia monopolizado a tigela com o doce, completamente viciado em achar os queimadinhos que mencionou anteriormente. A garota estava no sofá, sem os calçados nos pés e com as pernas cruzadas na famosa posição indiozinho, mesmo que ela odiasse aquela denominação. Era completamente preconceituosa, mas não conhecia outra denominação para as pernas cruzadas daquela forma.
– O que tem de novo na Netflix? – indagou, vendo dar de ombros em seguida. Ele finalmente encontrou o controle da TV e sentou ao lado de , entregando a tigela para ela e deixando-a comer mais um pouco do brigadeiro. Tinha gosto de casa e o coração de apertou de saudades.
– Eu não sei. – respondeu. – Faz muito tempo que não abro o catálogo da Netflix para procurar as novidades.
– Bom, então vamos tentar a sorte. – sorriu, puxando o controle das mãos de e devolvendo o brigadeiro para ele.
– Uma troca justa. – O cantor murmurou, fazendo-a rir.
perdeu quase 20 minutos vasculhando o catálogo do streaming, para acabar desistindo e devolvendo o controle para . Ela tinha uma expressão emburrada e um bico nos lábios, o que apenas incentivou a apertar as bochechas dela e rir baixo quando a careta da brasileira apenas aumentou.
– Você se diverte me deixando sem graça? – ela indagou, afiada. deu de ombros, colocando novamente Friends para que eles assistissem.
– Um pouco. – Confessou. – Mas é que você fica extremamente fofa desse jeito.
– Novamente me deixou sem graça. – reclamou. – É maldade, você sabe. – Estalou os lábios, roubando a tigela de , que lançou um olhar nada amigável para a garota. – Se continuar assim, eu vou ser obrigada a retribuir a gentileza e também te deixar sem graça. – Deu de ombros, como se estivesse falando sobre o clima e não no meio de uma pequena ameaça. arqueou as sobrancelhas para ela, um meio sorriso brincando em seus lábios. perdeu cinco segundos observando aquele sorriso e suspirando mentalmente: era, de longe, o cara mais bonito que ela já havia conhecido.
– Bom, você pode tentar. – Ele disse, com confiança.
– Você não tem toda essa confiança que aparenta, . – retrucou.
– E com base em que você pode afirmar isso? – indagou, parecendo se divertir horrores. colocou mais uma colherada de brigadeiro na boca, antes de dar de ombros e sorrir sem mostrar os dentes.
– Eu só preciso cutucar a ferida certa. – Ela sorriu. – Tipo, quem é a garota de Lights On?
E com isso, conseguiu o que queria: completamente envergonhado. O rapaz passou a mão esquerda pelos cabelos e virou o rosto para frente, tentando evitar que visse suas bochechas coradas. Ela pensou que poderia morrer com toda a fofura que ele demonstrava naquele momento, mas fingiu não se abalar e abriu um sorriso maldoso.
– Eu não vou falar sobre isso. – decidiu e gargalhou.
– Viu como é bom? – ela indagou, vitoriosa.
– Você fica sem graça mais facilmente. – retrucou. – E usou um golpe baixo para revidar.
– Eu sou uma garota. – deu de ombros. – O patriarcado nos ensina a revidar como pudermos. – brincou.
– Muito baixo, . – suspirou e a garota só faltou morrer. Seu nome ficava a coisa mais linda quando ele o pronunciava. – Mas falando sobre música, tenho uma dúvida. – voltou a encará-la, as bochechas no tom de rosa habitual que lhe era costumeiro.
– Fale. – incentivou. novamente pegou a tigela com brigadeiro e estirou a língua para quando percebeu que ela havia comido mais da metade do doce.
– Qual música minha é a sua favorita? – ele questionou, interessado.
sorriu largo. – Understand. – respondeu rapidamente. – Por causa da letra.
– E a que menos gosta? – o cantor questionou, ainda mais interessado. levou alguns segundos para responder, já que nunca havia parado para pensar naquilo. Estava tão acostumada a amar todas as canções de que nunca reparou se tinha alguma da qual gostava menos.
– Não é que eu não goste, – começou, se recostando no sofá e encarando com o lábio inferior presos por entre os dentes. – Mas eu acho Roses muito complicada.
– Por que? – indagou, finalmente largando a tigela – já vazia – de brigadeiro na mesa de centro. Se virou para e cruzou a perna esquerda no sofá.
– É uma música extremamente triste. – murmurou. – Não que Act Like You Love Me Não seja triste também, mas Roses é diferente. Talvez não tenha sido a intenção, mas me soa como traição. – Suspirou. – Se ela namorava, por que flertava com você? – exclamou, indignada.
. – riu baixinho e a garota o encarou com o cenho franzido. – Essa música não tem um embasamento real. – comentou. – Não meu, pelo menos. – Deu de ombros. corou fortemente, antes de suspirar e bater com a mão na própria testa.
– Claro que não. Eu sou idiota, me desculpe. – Revirou os olhos.
– Está tudo bem. – riu. – Não é a minha favorita do álbum também, mas eu gosto de como ela soa acústica. Tem uma melodia incrível. – Sorriu fraco.
– Não posso negar ou confirmar. – A brasileira comentou. – Eu só ouvi a versão dos álbuns.
a encarou.
– Que tal um pocket show?
arregalou os olhos e encarou com uma expressão perplexa. Ele estava mesmo ofertando uma versão acústica de Roses para ela?
– Está falando sério? – questionou, incrédula. assentiu. – Você sabe o caminho para o pronto socorro? Porque talvez eu vá precisar. – Murmurou, fazendo-o rir alto.
levantou e seguiu para fora da sala, voltando instantes depois com seu violão. Pausou a Netflix e então sentou na mesa de centro, bem em frente a , que ainda de olhos arregalados, se acomodou no sofá e manteve o olhar grudado em enquanto ele se preparava. O cantor posicionou o violão e dedilhou algumas notas antes de voltar a encarar .
– Vou te fazer mudar de ideia. – Ele prometeu e ela riu baixo.
– Então não restará uma única música sua que eu não ame com todo meu coração. – Deu de ombros, alargando o sorriso de com sua fala.
Os primeiros acordes de Roses soaram pela sala e desviou seu olhar do de , focando sua atenção no violão e então começando a cantar. Ela aproveitou a chance para tirar uma única foto, querendo guardar aquele momento não apenas em sua memória, mas também em seu álbum de fotos. Um misto de emoções tomou conta de quando proferiu a primeira palavra da música. A saudade do Rock in Rio e do show incrível que havia feito, a paz que só a música dele poderia lhe trazer e a adoração que , completamente entregue a música, causava em . Ela o amava um pouco mais a cada dia e sentia-se explodir de felicidade naquele momento.

It’s not that I’m afraid I’m not enough for her
It’s not that I can’t find the words to say
But when she’s with him, she seems happier
And I don’t want to take that away

 

How many times can I see your face?
How many times will you walk away?
I just have to let you know

encarou rapidamente e um brilho diferente tomava conta do olhar do canadense. Um brilho que fez prender sua respiração e seu coração acelerar consideravelmente, a ponto de fazê-la colocar a mão no peito para tentar se acalmar. Aquele olhar era demais para qualquer pessoa, tinha certeza disso. Não via um defeito naquele rosto e menos ainda naquela personalidade. Por que falando sério, em que mundo um cantor mundialmente famoso estaria cantando para uma fã em sua própria casa? Estarem construindo uma amizade já era algo completamente inusitado, visto que nunca havia escondido ser fã de . De alguma forma, aquele rapaz confiava nela. E por todas as divindades, ela estava cada dia mais encantada pela pessoa que estava descobrindo por trás do que já imaginava de . A expectativa dela sempre fora alta. Mas ele estava ultrapassando todos os limites ao se mostrar uma pessoa comum e completamente adorável. Se já era louca por ele, sem conhecê-lo de verdade, agora que estava convivendo com , sentia-se prestes a pular do precipício, caindo diretamente no abismo que seria se apaixonar de verdade por .

I’m not try’na start a fire, with this flame
But I’m worried that your heart might feel the same
And I have to be honest with you baby
Tell me If I’m wrong, and this is crazy
But I got you this rose
And I need to know
Will you let it die or let it grow?
Die or let it go?

🎸🇨🇦📷

.
Enquanto cantava, um pequeno sentimento de estar vivendo aquelas palavras tomou conta de . E então ele parou para prestar atenção e situar a letra de Roses no que estava vivendo no momento, se surpreendendo com a veracidade das palavras. Ele ainda não tinha certeza quanto a estar no caminho para se apaixonar por . Paixão era algo complexo e às vezes acontecia sem que se pudesse perceber, mas não podia negar que nutria um interesse pela brasileira. Aquele não havia sido o motivo primordial para que ele tivesse se aproximado dela e também não seria o motivo pelo qual ele continuava a buscar a companhia da garota, mas ele gostava de estar com ela. E pensar em um futuro onde eles pudessem se envolver romanticamente não era um medo para . Era até uma esperança, se ele fosse completamente sincero sobre seus sentimentos. Estava cansado de ser apenas o cantor famoso e queria alguém que o tratasse como uma pessoa comum. E fazia aquilo.
Talvez estivesse na hora de parar com os flertes subentendidos e realmente se arriscar naquilo. Afinal, a beleza da humanidade estava nas relações criadas entre as pessoas. E , apesar de sentir-se receoso quanto a tentar um relacionamento novamente, não sentia medo. Não quando olhava para e percebia o quão fáceis poderiam ser as coisas entre os dois. O quão fácil poderia ser estar apaixonado por ela. Era fácil se encantar com ela. Ainda mais fácil estar atraído por ela. só precisava saber se a vontade que sentia era recíproca.
Mas como poderia descobrir aquilo sem assustá-la?

You can tell me to stop, if you already know
Though I’m not sure my heart can take it
But the look on your face says, don’t let me go

I’m not tryna start a fire, with this flame (with this flame)
But I’m worried that your heart might feel the same
And I have to be honest with you baby
Tell me If I’m wrong, and this is crazy
But I got you this rose
And I need to know
Will you let it die or let it grow?

Quando finalizou a música, não encarou . Levantou, guardou o violão e então voltou para a sala, sentando no mesmo lugar onde estava antes e fixando seu olhar na garota. Ela tinha uma expressão séria no rosto, mas seus olhos transmitiam confusão. Ela respirou fundo, antes de abrir um sorriso nervoso.
– Parabéns, você conseguiu. – Murmurou. – Eu nunca mais vou pular Roses quando estiver ouvindo o Illuminate. – Confessou, arrancando um pequeno sorriso de .
– Cumpri a minha missão na Terra. – brincou e respirou fundo, parecendo tentar voltar para a realidade, enquanto encarava um ponto além de .
– Vai ser difícil superar esse momento. – Ela admitiu, voltando a fixar seu olhar nele. – Cara, você não pode ser real.
riu. – Já me disseram isso. – comentou, sem parecer prepotente, já que era a mais pura verdade.
– Posso perguntar uma coisa? – indagou, receosa.
– Claro. – acenou com a mão para ela.
– Porque você mandou In My Blood para mim? – perguntou, fazendo franzir o cenho. – Brian comentou que você nunca mostrou um trabalho incompleto para ele. E ele é seu melhor amigo. – explicou. – Mas você mandou para mim. E eu não queria comentar isso para não parecer ingrata, mas estou com essa dúvida. – Ela mordeu o lábio inferior e acompanhou rapidamente o movimento da boca dela. A vontade de beijá-la estava ali novamente, mas ele sabia que ainda não era a hora.
– Porque eu confio em você. – Deu de ombros. – Eu já criei conexões inesperadas. – murmurou. Apoiou os cotovelos nos joelhos, sem desviar o olhar de . Ela ainda tinha as pernas cruzadas e segurava seus dedos de forma nervosa. Talvez a presença de , tão perto dela, a deixasse desestabilizada. – Camila é um exemplo. – Sorriu largo ao lembrar-se da amiga. – Mas com você é diferente. Eu confio em você. Me sinto bem e tranquilo para ser eu mesmo o tempo todo, sem precisar me precaver em não cometer um deslize que a imprensa vá usar contra mim. É quase como se eu esquecesse que sou famoso, entende? – estalou os lábios. – Sei lá, é complexo.
– Eu entendo. – concordou. – Para mim, às vezes, ainda é estranho. Eu paro e me dou conta de que estou falando com você, meu ídolo sabe? O cara que cantava as músicas de amor pelas quais eu suspirava e com quem eu jamais teria qualquer contato. – Riu, lembrando-se de como sua realidade havia se modificado nos últimos tempos. – Mas ao mesmo tempo, você não deixa de ser apenas mais um cara normal, cuja companhia eu adoro desfrutar. – Sorriu para . – Fico feliz que me veja além do status de fã.
– E eu por me ver além do status de ídolo. – a acompanhou no sorriso. – Vamos voltar para Friends? – indagou, voltando a sentar no sofá e pegando o controle da TV novamente.
– Por favor. – assentiu. – Mas uma última coisa.
virou o rosto para ela. – Sim?
– Meu aniversário. – A brasileira murmurou. – Eu não vou fazer nada além de pedir uma pizza, mas você pode aparecer lá, se quiser. – Mordeu o lábio novamente, parecendo tímida. – Leve Brian. estará lá.
– Uma sugestão para presente? – levantou as sobrancelhas.
– Não precisa de presente. – Ela logo negou.
– Um aniversário sem presente? – o cantor fez uma careta. – Isso é um absurdo! – exclamou, fazendo-a rir.
– Se é assim, tenho certeza que você vai encontrar algo. – Deu de ombros, negando-se a ajudar .
– Você foi visitar Toronto sem mim. Me deve, pelo menos, uma dica. – Ele pontuou e fez uma careta.
– Eu não fui visitar! – contestou e riu.
– Ainda não sei se acredito em você. – Murmurou, recebendo um estirar de língua por parte da brasileira.
– Eu gosto de Harry Potter. – disse por fim. fez uma careta.
– Eu sei. – Resmungou. – Isso não é realmente uma novidade que possa me ajudar.
– Bom, – estalou os lábios, sorrindo com diversão antes de encarar a TV. – Você nunca estipulou que a dica tinha que ser útil.
gargalhou com a ousadia da garota. – Você testa meus limites, . – O nome dela saiu com um mínimo de esforço, mas já havia percebido que ela gostava quando ele falava seu nome. Seu nariz franzia em agrado e ela abria um pequeno sorriso.
– Assim como você testa os meus. – Deu de ombros e nenhum dos dois quis comentar sobre o duplo sentido daquela frase. Se atentaram ao episódio de Friends e passaram mais alguns ótimos momentos juntos, antes de finalmente dar a noite por encerrada e chamar um Uber. E quando se despediu dela com um beijo no rosto, teve a completa certeza de que queria arriscar. Ele queria conquistá-la e ver no que aquilo daria.
Tinha um bom pressentimento.

 

Capítulo 11

And it won’t slow down
No matter what you do
So you just gotta hold on
But I’m worried that your heart might feel the same

.
mastigava o bolo de chocolate sem vontade nenhuma. Não queria fazer desfeita para seus colegas de trabalho – que haviam planejado uma pequena festa para ela -, mas aquele era o pior bolo de chocolate que ela havia comido em toda sua vida. E ela já havia comido os bolos de vezes o suficiente para saber diferenciar um bolo mediano de um bolo ruim. Mas havia ganhado aquele presente e teria que abrir um sorriso amarelo para todo e qualquer colega que a felicitava pelo seu aniversário. Ela iria folgar no dia seguinte, então a pequena comemoração profissional estava acontecendo no dia anterior ao seu aniversário.
– Você não parece feliz. – Connor, um dos fotógrafos principais da empresa – e um rapaz extremamente gentil e simpático, para não mencionar o fato de ele ser lindo de morrer – comentou, sentando em frente a na mesa e lançando um olhar questionador para a brasileira. O sorriso torto completava sua expressão e poderia babar em cima dele caso não conhecesse de perto certo sorriso ainda mais bonito que o de Connor.
– Estou felicíssima. – Retrucou, fazendo o outro rir por vê-la tão em defensiva.
– Esse bolo é péssimo, não é? – o rapaz questionou e assentiu veementemente. Se ele estava dizendo, ela não seria louca em negar. – Eu recebi um no mês passado. Foi terrível. Fingi enjoo na segunda garfada. – Riu.
– Quem é o responsável por fazer essas encomendas? – ela indagou, abandonando de vez o garfo e afastando o prato de si. Inventaria que estava com má digestão, caso alguém perguntasse.
. – Connor murmurou, revirando os olhos em seguida. – Ela tem uma quedinha pelo dono da confeitaria na esquina, então já viu o resultado. – Deu de ombros, apontando para a fatia de bolo inacabada.
– Eu vou dar um soco nessa garota. – replicou, fazendo o canadense rir.
– Então, planos para amanhã? – ele indagou, se inclinando em direção a ela e arqueando as sobrancelhas em questionamento.
– Sim. – assentiu com um aceno. – Vou dormir até tarde e assistir séries na Netflix. – Sorriu largamente.
– Não vai comemorar?
– Vou. – estalou os lábios. – e uns, hm… – ela fez uma careta, sem saber como definir a presença de e seu melhor amigo, Brian Craigen, em seu aniversário. – Amigos vão passar lá em casa à noite.
– Certo. – Connor estalou os lábios, se recostando na cadeira em seguida. – Então não vou te chamar para jantar amanhã.
– Você ia me chamar para jantar? – indagou, surpresa. Connor assentiu e quando o rapaz estava prestes a responder, o celular da garota apitou e o nome de piscou na tela do aparelho. pegou o objeto rapidamente, não dando tempo para Connor ler o nome na tela – ou pior, ver a foto de – e pediu um minuto para ler as mensagens e responder ao cantor.

❤️
Por favooooor 01:04 pm

Me diga o que você quer 01:04 pm

riu sozinha, não percebendo o olhar curioso de Connor sobre ela. Para qualquer espectador desinformado, estaria conversando com um possível namorado. Mas nem percebia que os sorrisos que dava tinham um quê a mais ou então que o brilho em seu olhar entregava parte do imenso carinho que ela sentia pela pessoa com quem estava conversando. Desde domingo, e andavam trocando mensagens com frequência. Enviavam áudios um para o outro durante a madrugada e fotos engraçadas durante as refeições e tempos de ócio.
Estavam construindo uma intimidade natural e gradual e aquilo era realmente engraçado porque, às vezes, parava a troca de mensagens para se permitir um momento de surto interno. Afinal, ela estava se comunicando com e nunca em sua vida, pensou que aquilo pudesse acontecer fora de uma fanfic. Mas ali estava um desesperado por não saber que presente comprar para ela. Era realmente algo inusitado e um tanto difícil de acreditar. E ninguém poderia julgá-la por ter alguns surtos ocasionalmente.

 

Não, você vai ter que se virar sozinho 01:05 pm

❤️
Mas eu não sei como 01:05 pm
Alguma coisa de Harry Potter? 01:05 pm
Você gosta de O Senhor dos Anéis? 01:05 pm
QUALQUER COISA 01:06 pm

Se controle, 01:06 pm
É apenas um presente 01:06 pm

❤️
Sim 01:06 pm
Mas é um presente para você 01:06 pm
É difícil encontrar algo que você possa gostar 01:06 pm

Não é 01:07 pm
Pense sobre mim 01:07 pm

❤️
Eu estou tentando 01:07 pm

bloqueou o aparelho e o colocou novamente sobre a mesa. Ajeitou os cabelos com a mão e só lembrou que Connor ainda estava sentado à mesma com ela quando o garoto pigarreou. abriu um sorriso culpado e focou sua atenção no colega, que lançou um olhar curioso para ela.
– Namorado? – ele indagou e apreciou a sinceridade dele. Era costumeiro de homens enrolarem e insinuaram situações apenas para descobrir sobre o status de relacionamento de uma mulher.
– Não. – suspirou.
– Mas você queria que fosse. – Ele adivinhou e a brasileira deu de ombros.
– Nem sempre temos aquilo que queremos.
– Tens razão. – Connor concordou. – Eu, por exemplo, queria que você não estivesse interessada por ninguém. Seria mais fácil te conquistar. – Ele brincou. – Mas se já existe alguém, podemos ser amigos. – Sugeriu e , com as bochechas quentes, abriu um pequeno sorriso e acenou em concordância.
– Por mim tudo bem. – ela estendeu a mão para o rapaz, mas antes que pudessem selar o acordo de amizade, apareceu ao lado de e a arrastou para mais uma roda de colegas de trabalho que queriam parabenizá-la por seu aniversário. Tudo o que pôde fazer foi sorrir em forma de desculpas para Connor e seguir a amiga, deixando o garoto sozinho na mesa com uma expressão cabisbaixa. Ali estava um rapaz com quem ela poderia se relacionar tranquilamente. Mas ela insistia nos relacionamentos complicados e por isso todo seu interesse amoroso estava voltado para , um cantor mundialmente famoso.
realmente não se ajudava.

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Aaliyah não estava nada contente por ter sido arrastada para fora de casa naquela noite de terça-feira.
Por alguma razão que não prestara atenção, a garota não tinha aula no curso naquele dia e o cantor aproveitou para levá-la em uma missão de extrema importância e urgência: encontrar um presente para . Aaliyah ainda não sabia os motivos pelos quais o irmão mais velho a estava levando ao shopping, já que estava postergando a zoação que enfrentaria. Afinal, a caçula já havia falado para os pais deles que estava de “namorico” com uma garota muito bonita e aquilo deixara em maus lençóis. Seus pais, e principalmente sua mãe, prezavam pela honestidade e transparência em sua relação familiar e não abrir o jogo sobre sua nova namorada era algo que os desagradava. Karen era bastante protetora e com a fama que tinha, ela tinha ainda mais motivos para se preocupar com as companhias do filho.
– É sério, às vezes eu tenho vontade de te matar. – Aaliyah reclamou, assim que eles passaram pelas portas do shopping.
– Mas você me ama demais para isso. – retrucou, sorrindo para a irmã. Aaliyah torceu os lábios.
– Na verdade a mamãe iria sofrer, por isso eu não te mato. – Ela deu de ombros.
– Ridícula. – estirou a língua para a mais nova, que riu.
– Afinal de contas, por que eu estou aqui? – lançou um olhar nada amigável para , que passou as mãos pelos cabelos antes de suspirar e finalmente falar:
– Preciso comprar um presente para . – As bochechas coradas em nada diminuíram o sorriso malicioso que Aaliyah abriu.
– Então a sua namorada está de aniversário e você não sabe o que comprar para ela? – provocou. – Que feio , você já foi melhor. – Estalou os lábios e revirou os olhos para ela.
– Ela não é minha namorada, pare com isso. – Retrucou. – E não tenho ideia do que comprar para ela. Vocês têm gostos parecidos, precisa me ajudar Aaliy! – os olhos pidões entraram em ação e por mais que Aaliyah estivesse acostumada com a manipulação emocional do irmão, acabava cedendo sempre que via aquele olhar. Infelizmente, para ela, era fofinho demais e ela não conseguia ser maldosa com ele, mesmo que ele merecesse às vezes.
– Tudo bem. – A garota cedeu, recebendo um abraço do cantor. – Do que ela gosta? – indagou, já desviando sua atenção de para as lojas pelas quais passavam.
– Harry Potter. – logo respondeu. – Heróis, bandas com nomes estranhos… – deu de ombros. – Mas ela é aquele tipo de nerd colecionadora, sabe? Então é difícil comprar algo que ela ainda não tenha.
– Difícil. – Aaliyah concordou. – Ela te deu alguma dica?
– Disse para pensar nela. – revirou os olhos e a caçula riu.
– Pense em algo que ela realmente vá gostar. – Aaliyah murmurou. – Algo que vá deixá-la sem palavras.
suspirou novamente, desviando o olhar da irmã e o focando em nenhum canto específico do shopping. Seus olhos passaram rapidamente por uma agência de viagens onde um anúncio da Disneylândia estava exibido. franziu o cenho, curioso quanto àquela possibilidade, quando finalmente um estalo lhe acometeu e ele abriu um sorriso gigante. Abraçou Aaliyah enquanto a agradecia – mesmo que ela não tivesse feito realmente alguma coisa – e após soltar a garota, puxou o celular do bolso e abriu a conversa com .
As últimas mensagens haviam sido dele e ele não poupou esforços para incitar a curiosidade de . Logo havia enviado suas mensagens e ao visualizar o “digitando de “, abriu um sorriso ainda mais largo e aproveitou de sua pequena vingança. Afinal, a garota o havia torturado e merecia ficar curiosa a respeito do presente que iria ganhar.

 

EU TENHO UMA IDEIA 06:30 pm
SIMMM 06:30 pm
FINALMENTE 06:30 pm
Obrigado Deus, você é o cara!!!! 06:30 pm
VOCÊ VAI AMAR ISSO 06:30 pm
Prepare as malas 06:30 pm


O que? 06:31 pm
Espere 06:31 pm
QUE PORRA É ESSA06:31 pm

Essa é a minha vingança 06:31 pm
HAHAHAHAHAH 06:31 pm
Eu não vou te contar 06:31 pm


Você é ridículo, sabe disso, não sabe? 06:32 pm
Idiota 06:32 pm

Não vai me convencer a falar 06:33 pm
Nos vemos amanhã, aniversariante 😊 06:32 pm

não esperou por uma resposta de . Simplesmente bloqueou o celular e guardou o aparelho no bolso, antes de arrastar Aaliyah para a agência de viagens e comprar duas passagens para a Califórnia e dois pares de ingressos, já que iriam aproveitar o sábado e o domingo na atração. Optou por não escolher as datas, já que precisaria checar sua própria agenda e também a disponibilidade de , mas estava convicto de que aquele era o melhor presente que a garota iria receber. mal podia esperar para vê-la surtando. Seria o ponto alto da noite seguinte, sem nenhuma dúvida.

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mal teve tempo de prender o cabelo após o banho quando a campainha soou e ela precisou correr até a porta. Estava frio naquela noite e se permitiu usar um moletom rosa claro em seu aniversário, já que sua intenção era ficar quentinha e confortável. Abriu a porta e deu de cara com e sua cachorrinha, Teddy, abrindo um largo sorriso para o animal e ignorando completamente a animação de . Por conta disso, recebeu um tapa no braço, finalmente afastando seus dedos da cabeça de Teddy e se deixando abraçar por , que a parabenizava pelo aniversário e lhe desejava milhares de coisas boas.
– Obrigada! – agradeceu, dando um passo para o lado e abrindo espaço para entrar no apartamento.
A brasileira já estava com a mão na fechadura quando o barulho do elevador chamou sua atenção e ela abriu um largo sorriso ao encarar atravessando o corredor em direção a ela. Soltou a maçaneta e logo estava nos braços do cantor, que em um abraço de urso, tirou-a do chão e a sacudiu levemente. riu quando a colocou no chão novamente e a beijou na testa, os olhos brilhando em uma alegria que irradiava de cada poro da garota. não estava diferente e aquilo estava visível em sua postura: ele estava nervoso, mas feliz por estar ali.
– Feliz aniversário! – desejou, ainda monopolizando toda atenção de . Brian precisou empurrar o amigo para poder entrar no apartamento e abraçar , lhe desejando parabéns e recebendo um olhar nada simpático de .
– Obrigada! – sorriu, primeiro para Brian e então para . E o sorriso dela mudava completamente quando era direcionado ao cantor e tudo o que Craigen pôde fazer foi rir, dar de ombros e se afastar. Afinal, ele via o mesmo sorriso bobo no rosto de e não queria ser a pessoa a atrapalhar o momento deles.
fechou a porta às suas costas e seguiu para a sala junto de . estava na poltrona e Brian no canto esquerdo do sofá, deixando o meio para e o canto direito para . O cantor estendeu o braço atrás dos ombros de , que deitou a cabeça para trás, completamente alheia aos olhares de e Brian. Ela e tinham uma conexão natural inexplicável.
– Você já pediu a pizza? – indagou, soltando Teddy e deixando a cachorrinha livre pela casa.
, é alérgico! – chiou.
– Alérgico a pizza? – a loira questionou, confusa. Olhou de para algumas vezes, antes que o canadense começasse a rir e a encarasse como se fosse louca.
– A cachorros. – explicou e soltou um grunhido que indicava compreensão.
– Está tudo bem. – garantiu. – Eu tomo um antialérgico mais tarde.
o encarou por alguns instantes, apenas para atestar a veracidade da promessa de . Ele sorriu para ela e a brasileira logo caiu nas graças dele novamente, como sempre acontecia quando ele sorria.
– E a pizza? – Brian retomou o assunto.
– Deve estar chegando. – respondeu. – Eu fiz o pedido antes de tomar banho. – comentou.
– Bem que eu senti um cheiro diferente. – riu da careta que a garota lhe direcionou.
– Você é ridículo, . – Lhe estirou a língua. – Eu nem deveria estar falando com você, já que fui ignorada por um dia inteiro! – arregalou os olhos, exagerando no drama.
– Você realmente a ignorou? – Brian indagou, encarando o amigo com a expressão incrédula. assentiu com a cabeça.
– Ela iria me fazer falar. – Deu de ombros.
– Eu sou muito persuasiva. – se gabou e revirou os olhos para ela.
– Você quer dizer chantagista né. – A loira chiou.
– É meu aniversário, você deve falar apenas coisas legais sobre mim! – reclamou.
– Tadinha. – apertou as bochechas da garota.
– Eu vou falar os fatos quer você queira ou não. – sorriu largo.
– Chata. – estirou a língua para a amiga no mesmo instante em que o interfone soou.
– Graças a Deus! – Brian exclamou, levantando num pulo e seguindo para a porta.
– Eu paguei com o cartão de crédito! – avisou, mas o garoto pareceu não ouvir. revirou os olhos e seguiu atrás do amigo para avisar que a pizza já estava paga. apertou o abraço nos ombros da brasileira e ela sorriu para ele, fechando os olhos enquanto um pequeno sorriso brincava no canto dos seus lábios.
– Aproveitou o dia? – indagou.
– Eu dormi bastante. – Ela riu. – E assisti séries. Foi um dia proveitoso. – Decidiu por fim, se colocando de pé e seguindo para a cozinha para pôr a mesa. a seguiu e logo estava fuçando nos armários em busca de pratos e copos.
– Lazy day. – concluiu e assentiu com a cabeça.
– Ainda não liguei para casa. – Ela murmurou e virou o rosto para encará-la. – Eu vou começar a chorar e não quero isso. – Riu fraco. Abriu a geladeira e pegou a jarra de caipirinha que havia preparado, colocando em cima da mesa junto com os talheres.
– Mas vai ser choro de tristeza ou de alegria? – o cantor indagou, voltando a procurar os utensílios que precisariam para jantar. Encontrou os copos em uma das portas do armário aéreo e os estendeu para , que colocou os objetos na mesa.
– De saudades. – Ela confessou.
– Ninguém vai te julgar por isso. – Ele disse por fim e sorriu para ele no momento em que abriu a última porta do armário aéreo e soltou um palavrão. Os pratos estavam ali, junto de pelo menos, 30 caixinhas de leite condensado. franziu o cenho e encarou . – Por que parece que você está preparada para o apocalipse zumbi?
gargalhou, dando de ombros em seguida. – Estava em promoção.
– E você precisava comprar tudo isso?
– Leite condensado vende em qualquer mercadinho na minha cidade. – Ela explicou. – Eu preciso atravessar Toronto para conseguir comprar aqui.
– Tudo bem, você é maluca. – decidiu e fez uma careta para ele.
– E você ainda sim, gosta de mim. – Ela provocou. a encarou diretamente nos olhos enquanto lhe entregava os pratos.
– Gosto mesmo. – Sorriu para ela. – Por isso comprei o melhor presente do mundo para você. – Alargou o sorriso.
– Se você não vai me contar qual é, não me provoca! – chiou, nada contente. Terminou de colocar os pratos na mesa e então sentiu o abraço de novamente em seus ombros, enquanto caminhavam de volta para a sala.
– É a minha vingança por você falar em português e me deixar perdido. – deu de ombros. e Brian voltaram para o apartamento no instante seguinte e logo estavam os quatro sentados à mesa, aproveitando a pizza e rindo de qualquer besteira graças ao efeito a caipirinha, enquanto Teddy ficava à espreita para aspirar qualquer farelo que caísse no chão. O bolo foi colocado na mesa logo em seguida – com um muito decepcionado com o recheio de creme de manteiga escolhido por – e durante os parabéns, se pegou com uma mistura de sentimentos dentro dela. Estava muito feliz por ter aquelas três pessoas em sua vida. Mesmo com pouco tempo de convivência, tinha certeza que as relações construídas entre eles iriam perdurar por muitos anos. Mas também estava triste, pois sentia como se estivesse esquecendo-se de sua vida no Brasil. Sentia que estava em casa em Toronto, mas sua casa era em Brusque. E ninguém poderia ter duas casas.
– Faça um pedido! – instruiu, antes que soprasse as velas. E vislumbrando o sorriso dos amigos uma última vez, fechou os olhos e desejou, com todo seu coração, que aprendesse a conciliar as saudades de casa com sua nova vida. E quando abriu os olhos e encontrou o olhar de sobre ela, não teve dúvidas de que aquela nova vida valia a pena. Havia encontrado pessoas incríveis com quem partilhar o seu dia. Pessoas que apenas somavam e não diminuíam.
– O que você pediu? – Brian indagou curioso.
– Se ela falar, não se realiza. – deu um peteleco na cabeça do amigo. riu.
sorriu largo e puxou os três para um abraço. – Obrigada por estarem aqui hoje. Seria péssimo comemorar sozinha.
– Nos convide para o seu aniversário no ano que vem, caso você esteja no Brasil. – Brian murmurou.
– Ela não estará. – disse, com convicção. – Vai estar aqui conosco. Precisamos dela. – A loira sorriu.
– Precisamos mesmo. – concordou e o encarou com os olhos marejados.
– Estou pronta para ligar para casa. – Ela disse para ele. Desfez o abraço.
– Ofereço meu ombro para você chorar. – falou, fazendo-a rir. Ele era a droga de um príncipe e nada poderia convencer do contrário.

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abriu a porta da varanda e encontrou observando o céu. Ela virou o rosto em direção a ele quando ouviu o barulho de passos e sorriu, dando o consentimento para que se aproximasse. Ele parou ao lado da garota, passando a observar o céu junto com ela.
– Como você está? – indagou, preocupado. Ele entendia muito bem o que era sentir saudades da família e por esse motivo não queria deixar sozinha naquele momento, após ela ter ligado para sua família em seu aniversário. Era sempre bom ter alguém para conversar quando se estava para baixo.
– Feliz. – sorriu. – Mas com saudades. – Riu fraco. a encarou, apoiando os cotovelos no parapeito da sacada. – O que é bem idiota, já que foi escolha minha estar aqui.
– Não é idiota. – retrucou. – É normal sentir saudades. Eu estranharia se você não sentisse. – brincou.
– É estranho. – suspirou, virando o rosto em direção a . – Tudo mudou tão rápido. Em um momento eu estava em casa, no meu quarto, fazendo uma entrevista por Skype sem nenhuma esperança de que a vida pudesse mudar. Eu continuaria trabalhando de forma independente, ajudando meus pais com as contas da casa e juntando dinheiro para uma viagem que eu não sabia quando iria fazer. – Mordeu o interior da bochecha. – E então, de uma hora para outra, estava empacotando as minhas coisas. E agora eu estou aqui. E tudo mudou tão rápido, mas de uma forma tão natural. Tão fácil para que eu me adaptasse. E tenho medo de me perder, entende?
– Todos nós nos perdemos às vezes. – cantarolou e lançou um olhar chocado para ele.
– Você está usando Understand para me consolar? – ela indagou, desacreditada. riu, dando de ombros em seguida. – Eu não acredito nisso, !
– Eu esqueci que você conhece todas as minhas letras de cor. – ele brincou, empurrando com os ombros. Ela aproveitou a proximidade para deitar a cabeça no ombro dele e a observou fechar os olhos e respirar fundo. E naquele momento, a achou ainda mais linda do que antes. Mesmo com todas as dúvidas a cercando e o medo a espreitando.
– Preciso confessar que seria a trilha sonora perfeita para esse momento. – admitiu. – Sabe o que mais me preocupa? – questionou, levantando o rosto para encarar .
– O que?
– Eu não sinto saudades de lá como se sentisse saudades de casa. – Murmurou. – E isso me chateia, porque aquela é a minha casa.
– Se você sente que pertence a outro lugar, essa é a sua casa. – falou. – Eu sinto isso, às vezes. Que o palco é a minha casa. E então me sinto culpado, por conta da minha família e dos meus amigos. Mas a música era a minha casa quando ser cantor era apenas um sonho distante.
– E como você lida com isso? – a brasileira indagou, realmente curiosa.
– Existem diferentes tipos de casa. E tudo o que importa é você se sentir bem. Sentir que seu coração está naquele lugar, com aquelas coisas e pessoas. – deu de ombros.
– O Brasil sempre vai ser minha primeira casa. – comentou. – E eu sinto saudades de lá, como sentia saudades de ir à praia quando estava em dias letivos. Minha família só ia à praia nas férias e apesar de amar a minha cidade, às vezes eu sentia falta da praia. – Ela explicou e assentiu, mostrando que havia compreendido o sentimento. – Eu posso criar novas casas, em outros lugares. E ainda assim, vou sentir falta da praia às vezes. E está tudo bem. Isso não muda o sentimento que eu tenho pela minha primeira casa.
– Changing isn’t a bad thing, it never was. But at the end of the day, you know. You’re the same person and where your heart is, that doesn’t change. – cantarolou novamente e sorriu largo, suspirando e voltando a fechar os olhos.
– Você tem razão. – Ela assentiu. – Onde está meu coração, é isso que importa.
– E onde ele está agora?
– Aqui, nessa varanda. Com e Brian brigando pelo resto do bolo na cozinha. Teddy dormindo no sofá onde ela possivelmente mijou. – Eles riram. voltou a encarar . – E a minha cabeça deitada no ombro do cara mais incrível que eu jamais pensei que poderia conhecer, enquanto falamos sobre a vida.
– Ah não, o aniversário é seu. – sacudiu a cabeça para os lados e estalou os lábios. – Se tem alguém que vai passar vergonha hoje, é você.
gargalhou.
– Eu não preciso de ajuda para passar vergonha, você sabe.
– Realmente, não posso discordar disso. – Ele também riu.
– Você não estranha? – indagou, os olhos brilhando em curiosidade para .
– O que?
– As mudanças da vida. – Deu de ombros.
– Não mais. – suspirou. – Tudo acontece porque tem que acontecer. No tempo certo e na ocasião necessária.
– Você me disse que não acreditava em destino. – A garota lembrou, arqueando as sobrancelhas em julgamento.
– Você me pegou. – O canadense riu e o acompanhou.
– Então talvez você acredite um pouco.
– Talvez. – Deu de ombros. – Tudo acontece porque tem que acontecer. – Repetiu.
– E todos que entram na nossa vida, deveriam entrar, de uma forma ou de outra.
– Quem será que teve a ideia de nos juntar? – indagou, com o cenho franzido. – Somos completamente diferentes. De mundos diferentes.
– A receita para o desastre, você quer dizer. – riu. – Um cantor canadense que logo estará lotando estádios mundo afora e uma fotógrafa brasileira com um parafuso a menos na cabeça.
gargalhou. – Perfeitamente errados. – Murmurou. – Mas de alguma forma, está dando certo. – Ele riu.
– É o destino. – disse. – Era para ser, de alguma forma.
– É nisso que você pensa quando está quase surtando? – o cantor indagou. – Que tudo está acontecendo por um motivo maior?
– Sim. – Assentiu. – Mas eu surto de qualquer forma. – Eles riram. – Mas é fácil me acostumar com a sua presença. – Afirmou. – Sabe quando eu disse que tudo estava mudando de forma natural? – assentiu. – Você está incluso nessas mudanças. Eu não consigo mais olhar para você e ver o meu ídolo, sabe? – suspirou. – Você é uma pessoa comum para mim agora. Uma pessoa alcançável.
– Alcançável não é a palavra que eu usaria. – fez uma careta. – Você é baixinha, não consegue me alcançar. – Provocou e o beliscou na cintura.
– Idiota. – Xingou e gargalhou.
– Estou feliz por ter te encontrado. – O cantor confessou. – Eu estava precisando disso, de alguma forma. As coisas estavam ficando um pouco demais para mim.
– Eu sei. Ouvi In My Blood com muito cuidado. – estalou os lábios.
– Obrigado por me apresentar à normalidade. – O canadense sorriu para e fincou seus olhos nos dela.
– Ao seu dispor. – Ela sorriu e desviou o olhar para os lábios dela rapidamente. E então aconteceu.
Às vezes na vida, tudo o que se precisa para compreender nossos sentimentos por alguém, é um único momento. Um momento onde olhamos para a pessoa e vemos nela, tudo aquilo que estávamos procurando entender. E entendeu. Entendeu que estava se apaixonando. Porque ele gostava de estar com , como jamais havia gostado de estar com nenhuma outra pessoa. Gostava de conversar com ela e gostava de ficar ao lado dela, sem nada para dizer. Gostava de como ela encarava a vida, de como havia sido corajosa e de como sua personalidade não se inibia perto dele. Gostava de como era normal, dentro de sua anormalidade. Gostava principalmente, do formigamento em seu estômago que olhar para os olhos dela, lhe proporcionava. Gostava da forma como ela o tratava e da forma como ele se sentia perto dela. Porque era fácil. Fácil gostar de , fácil querer passar um tempo com ela. Fácil se apaixonar por ela.
– Eu… – suspirou, sem realmente saber o que dizer. prendeu a respiração, dando um passo para trás quando se inclinou para ela, na clara intenção de beijá-la. – Você não quer? – ele questionou confuso. Talvez tivesse entendido tudo errado.
– Não é isso. – A garota suspirou.
– Então o que é? – indagou, sua voz saindo quase como um sopro. o encarou e quanto estava prestes a falar, um grito soou as suas costas e logo a sacada foi invadida por Brian e . Eles pareciam bêbados e carregavam um shot em cada mão.
– Hora dos presentes! – exclamou, fazendo rir da voz propositalmente mais fina da garota. Ele e trocaram um último olhar cheio de significados, decidindo adiar aquela conversa por ora.
– Eu não comprei nada demais. – Brian logo disse, em tom de desculpas.
– Ele é péssimo com presentes. – acusou.
– Hey!
– É verdade. – confirmou, recebendo um olhar atravessado do melhor amigo. Brian estendeu uma sacola para a contragosto e a garota virou o shot se tequila antes de desembrulhar o presente. Era o blu-ray de Spider-Man: Homecoming e soltou um gritinho animado. Internamente, recebeu os cumprimentos pelo presente, afinal ele havia orientado Brian a comprar aquele DVD.
– Eu amei! – ela exclamou. – É o último que falta para a minha coleção da Marvel. – Abraçou Brian.
– Meu presente foi uma merda. – reclamou, fazendo uma careta para o canadense. – Por que o dela foi bom?
– Porque eu sou mais legal que você. – estalou os lábios, recebendo o dedo do meio da amiga como resposta. riu.
– Tome seu vale presente. – entregou um envelope para . – Não é da Zara, já que você não compra de lojas que tem peças fabricadas com mão de obra escrava. Foi difícil encontrar essa loja, então se você não gostar, eu vou te matar. – Ameaçou e logo foi engolida pelo abraço de urso de .
– Você é a melhor, ! – a brasileira gritou.
– Eu sei. – suspirou, jogando os cabelos para trás e fazendo pose quando a soltou. Ela então se virou para , que havia largado o copo com o shot de tequila no parapeito da sacada e sorria de forma misteriosa para . A garota o havia infernizado com mil mensagens sobre o tal presentear e a havia ignorado durante 24 horas. A expectativa de vê-la surtando havia lhe dado forças para ignorar a garota.
– Antes de tudo, eu não quero que você reclame do valor. – alertou, puxando um envelope do bolso do casaco e o estendendo para . – É um presente dado de coração e não importa quanto custou.
. – murmurou, com os olhos semicerrados. Pegou o envelope e o abriu, puxando quatro pedaços de papel e franzindo o cenho. Eram duas passagens para Los Angeles e aquilo já deixava insana. Ela estaria reclamando, caso os dois últimos papéis não fossem dois pares de ingressos para o Wizarding Would of Harry Potter em Los Angeles.
observou abrir a boca e fechá-la diversas vezes. Ela encarava os papéis com os olhos marejados e um início de sorriso nos lábios, enquanto suas mãos tremiam e ela balbuciava palavras incompreensíveis.
– Isso é sério? – murmurou por fim, levantando o olhar para e o encontrando com um sorriso divertido.
– Sim. – Ele assentiu. – Eu te disse que esse era o melhor presente. – Se gabou e então riu do grito que soltou. E foi acompanhado pelos amigos, enquanto a brasileira parecia soltar uma dúzia de palavrões em português, dando pulinhos e sacudindo os braços freneticamente. E antes que pudesse perceber, ela havia pulado em seus braços e murmurava um “obrigado” atrás do outro. a envolveu pela cintura e apertou os braços em torno dela, sentindo um quentinho no coração que ele poderia definir como uma brisa de verão em um dia de inverno. E deu-se conta que poderia passar horas naquele abraço e não ligaria. Inclusive, agradeceria pela oportunidade e pediria mais alguns minutos.
– Puta merda. – murmurou, se afastando de o suficiente para grudar seus lábios na bochecha dele. – Obrigada! – exclamou.
– De nada. – sorriu, deixando que rompesse o abraço e a observando surtar enquanto mostrava o ingresso sem data definida para . sentiu Brian se aproximar e parar ao seu lado. Não olhou para o amigo, mas sentiu os olhos dele em si e soltou um suspiro.
– Você gosta dela. – Brian exclamou.
– Não tem como não gostar dela. – Retrucou.
– Isso pode dar muito errado. – alertou.
– Mas pode dar muito certo. – sorriu e o encarou. – Eu quero que dê certo.
Brian sorriu. – Então faça dar certo. – Bateu no ombro de , antes de voltar para dentro da casa e deixar o cantor sozinho. lançou mais um olhar para , que o encarou sorrindo largamente e fez com que o coração de desse um pulo.
Ele estava mesmo se apaixonando. E queria cada vez mais daquele sentimento.

 

Capítulo 12

I want you close to me
I want you close, I want you closer
But when you’re here with me
It’s hard to tell just what you’re after

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respirou fundo antes de abrir a porta do prédio e seguir para a calçada onde o Uber estava esperando por ela e para irem trabalhar. Sentiu os braços da amiga em torno de seus ombros e sorriu, fazendo uma careta quando seu celular apitou mais uma vez.
– Desliga a internet. – orientou, com um olhar pesaroso. Abriu a porta do carro e após confirmar a identidade do motorista, entrou no veículo sendo seguida por . O Uber as cumprimentou e logo a viagem havia sido iniciada.
– Eu preciso de internet para falar com a minha família. – suspirou.
– Desinstala o Instagram então. Ou já te acharam no Twitter também?
– Meu Twitter é fechado. – murmurou, pegando o celular no bolso e fazendo a careta para as dezenas de notificações do Instagram.
– Fecha o Instagram também. – disse e torceu os lábios. – Merda, você não pode. – Suspirou. – Maldita profissão.
– Está tudo bem. – deu de ombros. – Logo se esquecem de mim.
– Amiga, você está no feed dele com uma declaração de fazer inveja para qualquer pessoa. Elas não vão te esquecer. – A loira sorriu de forma triste.
– Eu não quero fazer inveja em ninguém. – A brasileira reclamou. – E nem estou dando motivos para ser xingada daquela forma. – Franziu o cenho. – Eu sei como funciona um fandom. Surtamos e perdemos a noção do que pode ou não ser ofensivo. – Respirou fundo. – Eu mesma surtei quando Jelena se assumiu. – Riu fraco e a acompanhou.
– Nossa, eu odiava a Selena. – lembrou. – Ainda bem que a gente cresce e amadure, né?
– Sim. – suspirou. – Só é complicado estar do outro lado. Principalmente quando eu não sou nada famosa e não estou acostumada com ódio gratuito.
– Você deveria falar com . – falou.
– Ele não pode fazer nada. E são as fãs dele. Eu entendo a revolta. Uns 6 anos atrás eu estava no lugar delas. – se recostou no banco e fechou os olhos.
– E só por isso elas podem te xingar sem necessidade? – chiou, nada contente. – Você não está se exibindo e nem sendo esnobe. Muito menos tratando ele mal. – reclamou. – Eu postaria alguma coisa.
– Vou postar uma foto nossa. – comentou. – Nós quatro. Tentar amenizar as coisas.
– Isso não é tarefa sua. – A canadense reclamou.
– Não é tarefa de ninguém. – deu de ombros e então abriu o editor de fotos. Escolheu sua foto favorita da noite anterior – onde não estava apenas com – e após editá-la, postou em seu feed no Instagram. Estavam ela, , Brian e segurando Teddy. Ele quase havia morrido por causa da alergia, mas ninguém havia conseguido afastar a cachorrinha dele na noite anterior. cortou a foto onde aparecia ela e de mãos dadas – mesmo em pontas opostas – e postou com uma legenda “festa de aniversário para quatro pessoas e um cachorro”. Após isso, bloqueou o aparelho e o jogou no fundo de sua bolsa, soltando um suspiro alto e deitando a cabeça para trás.
– Você não me contou porque não beijou o . – lembrou. riu, deixando claro o quão nervosa estava com o assunto.
– Eu não quero falar sobre isso. – Ela retrucou, desviando o olhar para a janela. revirou os olhos, puxando o celular do bolso e iniciando uma ligação com , sem que se desse conta do que ela estava fazendo, até ouvir a voz da prima pelo viva voz.
– O que a fez agora? – a brasileira indagou, sem nem dar bom dia. riu e a encarou em choque.
– Por que você ligou para a ? – indagou um misto entre irritação e surpresa.
– Ótimo, eu amo viva voz. – riu.
– Porque você está fingindo que nada aconteceu. – acusou.
– E nada aconteceu! – o tom de voz da fotógrafa subiu duas oitavas.
– O que aconteceu? – questionou animada.
– Sua prima e quase se beijaram. – A canadense fofocou, recebendo um olhar nada contente de .
– Quase? Por que quase? ! – chiou em repreensão.
– Eu recuei. – admitiu. Sentiu o olhar pesaroso do motorista do Uber sobre si e fez uma careta. – Cuidado com as suas amizades moço, elas podem se virar contra você. – comentou, fazendo o motorista rir.
, foca aqui! – reclamou e então acrescentou para o motorista: – Estamos fazendo o melhor para ela.
– Por que você recuou? – questionou. suspirou, cobrindo o rosto com as mãos e recebendo um cutucão de .
– Porque eu não esperava. – Ela retrucou. – Nunca pensei que ele pudesse se sentir dessa forma por mim. Achei que era apenas amizade.
– E você não quer nada além de amizade? – a canadense questionou, com o cenho franzido.
– Claro que não! – exclamou. – Ela está completamente apaixonadinha por ele.
– Não é bem assim. – suspirou novamente, tirando a mão do rosto e fitando com seriedade. – Existem milhares de fatores pelos quais não vale a pena arriscar.
– Sim e todos eles envolvem a fama dele. – completou. – Mas você mesma disse que não tem mais essa visão dele.
– E não tenho. – concordou. – Mas isso ainda não nos torna o casal ideal. Eu estou assustada, por mim e por ele. – Mordeu o lábio inferior. – Nas fanfics as coisas não eram assim.
riu.
– Sua vida é muito mais interessante do que uma fanfic. – Ela murmurou. – Acho que, se ele não se importa por você não ser famosa, você não deveria se importar também. Principalmente porque vocês se gostam. – deu de ombros.
– Eu não sei… – respirou fundo e antes de concluir a fala, seu celular começou a tocar. Ela quase perdeu a ligação já que precisou procurar o celular no fundo da bolsa, mas o sorriso largo em seus lábios denunciou para a identidade de quem ligava para antes mesmo de ela murmurar: – Oi .
não prestou atenção na rápida despedida de e , já que mordia a ponta do dedo e tentava não suspirar enquanto lhe desejava um bom dia pelo celular.
– Você está bem? – ele perguntou. – Eu vi os comentários no Instagram.
– Eu sabia que isso iria acontecer. – suspirou. – Está tudo bem.
– Não está. – retrucou. – Vou dar um jeito nisso.
, não precisa…
– É claro que precisa. – Afirmou. – Te ligo no almoço, pode ser? Vou sair para correr agora.
– Tudo bem. – Ela sorriu. – Obrigada. Boa corrida.
– Disponha. – falou e ela quase pôde vê-lo sorrir. Finalizou a ligação e evitou olhar para .
– Eu não vou falar nada. – riu e corou.
Não podia mesmo negar o quanto gostava de e o quanto estava arrependida por não o ter beijado. Ela faria qualquer coisa para ter uma segunda oportunidade.

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.
O caderno de rascunhos estava aberto na mesa de centro. O violão estava sendo dedilhado com cuidado, enquanto tentava encontrar um bom começo de melodia para a nova letra que havia escrito. Ainda teria muito trabalho pela frente e sabia que não terminaria aquela música de uma hora para outra, mas pretendia deixar o máximo de material pronto para quando finalmente fosse para o estúdio compor e gravar as músicas para o próximo álbum. Estava gostando da melodia que estava criando e então anotou no caderno de partituras, deixando o trabalho de lado por um instante para tomar mais um gole de seu café e respirar fundo.
estava temporariamente offline e havia aproveitado o tempo longe das redes sociais para compor. Não entrava no Instagram desde a manhã do dia anterior – o havia feito apenas para postar no stories e pedir para que as pessoas parassem de mandar mensagens de ódio para – e no Twitter havia apenas postado alguns tweets pedindo respeito. Ambos os pronunciamentos de haviam sido sem o conhecimento prévio de Andrew e agora o cantor estava de “castigo”, já que havia causado um tumulto ainda maior e Andrew precisara interromper suas férias para lidar com a bagunça. Apesar de não estar contente por ter atrapalhado as férias do empresário, não se arrependia da decisão de se pronunciar. Não havia motivos para ser atacada de forma tão agressiva apenas por ele ter postado uma foto com ela. Entendia a superproteção de seu fandom – principalmente após os problemas com havia tido com Hailey e que de alguma forma, havia vazado para a mídia – mas não concordava com aquele tipo de atitude. Afinal, ele era um homem adulto que sabia tomar suas decisões e lidar com as consequências delas. Se ele se sentia confortável e confiava em , esperava que seus fãs confiassem em seu julgamento e o apoiassem. sempre soubera que causaria surtos histéricos em parte do fandom quando ele assumisse um relacionamento. Mas havia se assustado com a repercussão que apenas uma foto havia causado e principalmente, temia por . Aquele não era o mundo dela e não queria assustá-la e afugentá-la. Queria cada dia mais perto.
Voltou a dedilhar o violão, mesmo quando ouviu o barulho da porta da frente. Apenas seus pais tinham sua chave e não se surpreendeu ao ver Karen com um sorriso largo e uma sacola cheia de compras em mãos. riu, largando o violão no sofá para poder abraçar a mãe e beijá-la no rosto. A mulher apertou o cantor em seu abraço e quando se afastou, estendeu a sacola para ele, fazendo revirar os olhos.
– Eu já fiz compras mãe. – Ele murmurou, seguindo para a cozinha com Karen em seu encalço. – Qual foi a fofoca da Aaliyah dessa vez?
– Não chame sua irmã de fofoqueira. – Karen ralhou.
abriu a sacola em cima da mesa e analisou o conteúdo, enquanto Karen sentava-se em uma banqueta e analisava o filho com um olhar analítico.
– Então você decidiu trazer uma bandeja de iogurte, morangos e chocolate no meio da tarde sem motivo nenhum? – indagou, com diversão.
– Exatamente. – Karen exclamou, arrancando uma risada alta do filho.
– Mãe. – Ele suspirou, movendo-se pela cozinha e servindo um copo de suco para a mulher. Parou atrás dela e a abraçou, apoiando o queixo no ombro dela. Karen suspirou, segurando os braços de e acariciando as mãos do filho.
– Eu fiquei curiosa. E preocupada. – Admitiu. – E Aaliyah não falou nada, antes que você a acuse.
– Preocupada por quê?
– Eu vi a foto no seu Instagram. E vi os comentários. E vi alguns sites de fofoca. – Karen murmurou. – Você disse que não está namorando e eu acredito em você. Mas existe algo, não existe?
desfez o abraço e sentou-se na banqueta ao lado de Karen, apoiando o cotovelo na bancada e o queixo na palma da mão. Abriu um sorriso involuntário ao pensar em e suspirou ao notar o olhar de sua mãe. – Tem uma garota. – Ele murmurou. – No começo era apenas amizade mesmo. Conhecemo-nos muito pouco e a pouco tempo. – Deu de ombros. – Eu não pensei que isso pudesse evoluir.
– Mas evoluiu. – Karen finalizou. assentiu com a cabeça.
– Eu não estou apaixonado. – disse. – Mas estou me apaixonando e não estou com medo, como pensei que estaria. Ela faz eu me sentir normal, sabe? Eu esqueço que sou famoso quando estou com ela. Sou apenas um cara comum passando um tempo com uma garota comum.
– Isso é bom. – Ela suspirou. – Você sabe que me preocupo com você, . Preocupo-me ainda mais por ser famoso e não saber se as pessoas estão se aproximando de você por ser o garoto incrível que eu sei que é, ou por ser um cantor famoso.
– Ela me conhece porque eu sou famoso. É uma fã. – admitiu. – Mas nunca me tratou de forma diferente, nem mesmo na primeira vez que nos encontramos.
– Isso é bom. – Karen sorriu. – Você precisa de um pouco de normalidade na sua vida.
– Eu gosto dela. Gosto de como me sinto quando estou com ela. É fácil, sabe? – riu. – As pessoas tem essa mitificação de que o amor nos faz sofrer, mas eu não acredito nisso. A facilidade é ainda mais apaixonante que a dificuldade. – Deu de ombros novamente. Karen o puxou para um abraço, beijando no rosto antes de se afastar e se colocar de pé.
– Então acho que você tem que facilitar ainda mais as coisas. – disse e franziu o cenho para ela, confuso. – Por que passar a sexta-feira sozinho, se pode passar com ela?
– Nós ainda não falamos sobre. – O cantor suspirou. – Eu acho que ela está fugindo.
– E por que acha isso? – Karen franziu o cenho.
– Porque eu mandei um “hey, está a fim de tomar um café hoje?” e recebi um “desculpe, estou cheia de trabalho”. – fez uma careta.
– Ela poderia estar cheia de trabalho mesmo. – A mulher deu de ombros, confusa quanto à interpretação de .
postou um storie com ela no shopping meia hora mais tarde.
Karen gargalhou da careta que tinha em seu rosto. – Meu amor, você não pode culpá-la por não querer ser vista em público com você. Aqueles comentários eram mesmo muito pesados.
assentiu, com uma expressão pensativa que deixava seus olhos ainda menores.
– Bom, então eu vou ter que deixá-la sem alternativas para fugir. – disse por fim e Karen sorriu para ele.
– Estou indo. Boa sorte. – Beijou o cantor no rosto antes de sair da cozinha. ouviu o barulho da porta e suspirou, antes de guardar as compras na geladeira e voltar para a sala, analisando a letra que havia escrito. Era uma boa maneira de puxar papo com , então tirou foto de um pequeno trecho e mandou para a garota. Acomodou-se no sofá e esperou a resposta por longos 2 minutos, enquanto relia os versos que havia escrito e se certificava de ter enviado a melhor parte.

 

I need to know
If this is mutual
Before I go
And get way too involved
I want you bad
Can you reciprocate?
No, I don’t want to have to leave
But half of you is not enough for me
sorriu quando o status de mudou de online para digitando e alargou o sorriso quando leu a resposta dela. Era realmente perfeita para que ele puxasse a conversa para o rumo que queria sem parecer um maluco.


Minha nossa 18:46 pm
Você escreveu isso hoje? 18:46 pm
ESTÁ INCRÍVEL!!!! 18:46 pm
Eu poderia casar com você nesse momento só por ler esse trecho 18:46 pm

Sim, escrevi 18:47 pm
E não flerte comigo 18:47 pm
Se você vai fugir novamente 18:47 pm


Eu não estou fugindo 18:48 pm
E não estou flertando 18:48 pm
Estou apenas sendo honesta 18:48 pm

Você está flertando 18:48 pm
E eu nunca sei se é brincadeira ou não 18:48 pm


E isso importa? 18:49 pm

Sim 18:49 pm
Porque se você está falando sério, eu vou ser honesto e falar o que eu quero 18:49 pm


E o que você quer? 18:50 pm
Seja honesto 18:50 pm

Você 18:50 pm

 

encarou o status de por longos segundos. Ele mudava de digitando para online a todo instante, como se ela estivesse apagando as mensagens que escrevia. suspirou e fechou os olhos, esperando não ter sido direto demais. Ele não queria mesmo assustá-la, mas também não iria fingir que não a queria. Porque ele a queria. E ter tentado beijá-la na quarta-feira apenas deixava aquilo ainda mais claro. Seu orgulho não havia ficado ferido porque o havia recusado. Ele entendia a surpresa dela, mas precisava saber em que pé eles estavam. Ou ela queria ou não queria. Era simples.


Não diga isso 18:51 pm
É mais complicado do que você imagina 18:51 pm

Sim, eu sei 18:51 pm
Mas você pediu pela minha honestidade 18:51 pm
E sendo honesto, eu quero você 18:51 pm
Resta saber o que você quer 18:51 pm


O que você acha? 18:52 pm

Eu não sei 18:52 pm
Me diga 18:52 pm


Eu acho que precisamos conversar sobre isso pessoalmente 18:52 pm

Quando? Se você foge? 18:52 pm


Eu não faço isso 18:52 pm

Sim, você faz. Como fez no seu aniversário 18:53 pm


Eu sou insegura 18:53 pm
Isso não é comum 18:53 pm

Vamos falar sobre isso pessoalmente 18:53 pm
Estou indo para a sua casa 18:53 pm

E antes mesmo de ler o “tudo bem” que respondeu, ele já estava de pé, correndo para seu banheiro. Tomou um banho rápido, vestiu uma roupa confortável e quente e pegou as chaves do carro, seguindo para fora de casa com a chave de casa, o celular e a carteira no bolso do moletom.

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acreditava estar experimentando uma nova crise de ansiedade naquele momento. As mensagens trocadas com ainda estavam abertas na tela de seu celular, mesmo que a última mensagem enviada datasse de vinte minutos atrás. O ar que ela inalava não parecia o suficiente para seu coração disparado, fazendo-a respirar mais rápido e com mais força, para tentar ritmar suas batidas cardíacas. Aquilo era o mais perto de um ataque do coração que ela já havia chego à vida e não estava gostando a sensação. ainda estava jogada na cama, encarando a tela do celular sem realmente vê-lo, quando a campainha tocou e ela pulou devido ao susto. Tinha certeza de que era e ela estava deplorável naquele moletom.
Respirou fundo uma última vez e então se colocou de pé, tirando as roupas que vestia e as jogando para um canto do armário, antes de procurar um vestido qualquer e colocar um casaco por cima. Calçou sapatilhas e estava com a bolsa nas mãos quando a campainha soou novamente. correu para a porta e a abriu, dando de cara com , que parecia ainda mais bonito do que ela estava acostumada a ver. a encarou com o cenho franzido, estranhando o fato de ela estar arrumada quando eles deveriam permanecer na casa da garota naquela noite.
– Vamos comprar pizza. – exclamou, sua voz soando muito mais esganiçada do que gostaria.
– Podemos pedir uma pizza pelo telefone. – a lembrou, escondendo um sorriso. Era óbvio que estava fugindo daquela conversa e ele achava aquilo um pouco fofo, principalmente porque a expressão no rosto dela ficava uma graça com as bochechas avermelhadas.
– Mas não tem graça. – A brasileira declarou, segurando na mão de e fechando a porta às suas costas antes de guiá-lo para o elevador novamente.
– Você tem certeza de que ficar sozinha em um elevador comigo nesse momento é o ideal? – questionou, o tom divertido explícito em sua voz. corou ainda mais e desviou o olhar de assim que o elevador abriu as portas, se enfiando no cubículo com os braços cruzados em frente ao corpo. parou ao lado da garota, o riso provocativo estampado em seus lábios.
– Não começa. – chiou e riu.
– Eu vim aqui justamente para começar.
fixou o olhar em , enquanto mordia o lábio inferior e apertava os cotovelos com as pontas dos dedos. Respirou fundo, decidindo não rebater o comentário do cantor. Ela não tinha saúde emocional para aquilo e seu coração parecia capaz de alçar voo e abandonar seu peito a qualquer instante. precisou beliscar sua pele uma única vez para ter certeza de que não estava sonhando e que realmente estava ali, flertando e jogando indiretas para ela.
– Tem uma pizzaria ótima há duas quadras daqui. – A garota comentou quando o elevador chegou ao térreo. Cumprimentou o porteiro e então saiu para rua, tremendo quando sentiu a rajada de vento frio bater em suas pernas descobertas.
– Você ainda quer ir comprar pizza? – questionou, parando ao lado da garota na calçada. o encarou e assentiu com a cabeça. – Então vamos. – disse por fim, abraçando-a pelos ombros e puxando o corpo da garota para mais perto do seu, a fim de protegê-la do frio. – Como foi o seu dia? – indagou, curioso.
– Normal. – deu de ombros. – Não tive muito trabalho e me arrastou para o shopping. – Suspirou.
– E você disse que estava ocupada. – O cantor murmurou, fazendo corar fortemente.
– Me desculpe. – Ela sussurrou. – Eu só não havia digerido toda a situação. E sair para um café no meio da tarde apenas aumentaria o descontentamento dos seus fãs.
– É, eu sei. – suspirou. – Mas nós precisamos falar sobre isso, . – A olhou nos olhos e novamente recuou, desviando o olhar e soltando o ar pela boca.
– E como foi o seu dia? – perguntou, em uma clara tentativa de mudar de assunto. Tinha o braço esquerdo envolvendo a cintura de e a mão escondida no bolso do moletom dele.
– Tranquilo. – deu de ombros, rindo fraco. – Andrew me proibiu de usar internet. – o encarou com a culpa escancarada em seu olhar.
– Eu não queria te causar problemas. – Suspirou.
– Não causou. – garantiu, sorrindo para ela. – Eu fiz porque era o certo, . Não existem motivos para você ser atacada daquela forma.
– Não mesmo. – assentiu em concordância.
– Não ainda. – completou.
– Estamos falando abertamente sobre isso? – a brasileira questionou, aflita. Já havia se imaginado diversas vezes beijando . Havia lido fanfics onde namorara com ele – inclusive havia lido fanfics restritas e aquilo dizia muita coisa – mas sentia-se estranha naquele momento. Estavam mesmo falando sobre seu quase beijo. O beijo do qual ela havia fugido e se arrependido. Afinal, aquele era . Ela queria beijá-lo desde a primeira vez que o havia visto em um vídeo no falecido Vine. Era estranho porque ela jamais imaginara que aquilo pudesse mesmo acontecer. Conhecer e criar uma amizade com ele já era muita coisa, agora ter ele interessado nela? Romanticamente? Era inviável. Difícil de acreditar, para não dizer impossível. Ninguém poderia julgá-la por estar insegura e levemente assustada. Aquele tipo de coisa não acontecia com garotas comuns como .
– Foi para isso que eu vim. – constatou e a brasileira assentiu.
– Você queria me beijar. – pontuou e foi a vez de assentir.
– Ainda quero. – Completou, piscando para ela e deixando-a levemente sem ar. – Mas você não quis.
– Eu me assustei. – replicou. – Sabe, não é todo dia que um ídolo, que virou um amigo, mas não deixa de ser um ídolo, tenta me beijar. – Ela murmurou. – Só acontece uma vez por mês, não me julgue por ter me assustado. – brincou, tentando descontrair o clima. riu.
– Pode ser surpreendente, mas eu não estou acostumado a beijar fãs. Ou amigas. – Ele a encarou.
– Não é surpreendente. – declarou. – Na verdade é bem previsível. Você não faz o tipo que pega geral.
– Eu sou um rapaz de família. – entrou na brincadeira. – Para casar.
– Comigo, é claro. – sorriu e a encarou novamente, mordendo o lábio inferior antes de soltar um riso pelo nariz.
– Não flerte comigo se for para fugir, . – pediu e ela desviou o olhar. Suas pernas já estavam fracas e encarar os olhos de não ajudaria em nada naquele momento. – Eu posso não te dar alternativas dessa vez.
– Eu gostei da letra da música. – mudou de assunto novamente, fazendo rir um pouco mais.
– Escrevi para você. – declarou e a garota tropeçou em seus próprios pés, tamanha a surpresa. Encarou com os olhos arregalados e engoliu em seco uma vez.
– Está falando sério? – sua voz saiu fina demais.
– Sim. – O cantor confirmou. – Posso cantar a primeira estrofe se você quiser. – Murmurou, recebendo uma negativa de .
– Eu estou bem assim, viva. – Ela suspirou, fazendo-o gargalhar. – Vamos comprar essa pizza logo e voltar para casa. Estou congelando. – Torceu o nariz em descontentamento. a puxou para retomar o abraço e suspirou. Adorava aquele abraço mais do que tudo no mundo.

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bebeu um gole de seu refrigerante antes de voltar a encarar a caixa de pizza e encontrar apenas uma fatia. Estendeu a mão para pegar e recebeu um tapa, passando a encarar com os olhos em fendas e os lábios franzidos. Estavam ambos no sofá da sala, enquanto um episódio do The Voice passava na TV e a caixa de pizza encontrava-se na mesa de centro junto de uma caixinha de suco natural, já que não bebia refrigerante.
– Minha casa, minhas regras. – A mulher chiou. – A última fatia de pizza é minha.
– Não. – estalou os lábios. – Nem pensar. – Decidiu, agindo muito mais rápido do que a garota poderia prever e pegando a última fatia da pizza, se colocando de pé e estendendo o braço para cima, de forma a deixar o alcance inacessível para . A garota soltou um palavrão em português, fazendo-o rir. logo foi atrás da comida e de alguma forma que não conseguia entender, tentava escalar o corpo dele para pegar a fatia de pizza. A cada pulo que dava, ria um pouco mais. Ela era muito pequena perto dele e sabia que ela jamais iria conseguir pegar aquela pizza se ele não facilitasse o alcance.
– Deixa de ser idiota ! – xingou, após dar um último pulo e não obter sucesso. Ela deu um passo para trás, colocou as mãos na cintura e analisou o cenário à sua volta. Subiu no sofá rapidamente e se inclinou na direção de , ficando quase da altura do cantor e tentando pegar a pizza a todo custo. , que antes estava de lado, se virou para ela e abraçou-a pela cintura com o braço que não segurava a pizza. Soltou mais um riso quando observou ficar rígida e com as bochechas coradas e então estendeu a pizza para ela, abrindo um sorriso divertido.
– Uma pizza por um beijinho? – ele murmurou, deixando com as bochechas ainda mais vermelhas, enquanto ela engolia em seco e descia o olhar para os lábios do cantor rapidamente.
– Perdão? – afinou a voz, parecendo estar em desespero.
– Beijinho. – repetiu. – Aquele doce que você faz. – sorriu.
– Ah, certo. – A menina soltou o ar pela boca, claramente desapontada e quis rir ainda mais. Era óbvio que havia feito aquilo justamente para deixá-la confusa. Ele sabia que queria beijá-lo e que na próxima tentativa, ela não iria fugir. Mas ele também não iria facilitar as coisas para ela. Não naquele momento. Mesmo querendo, mais do que tudo, colar seus lábios nos dela e finalmente descobrir o gosto daquele beijo. Ali, parado com o braço em torno da cintura de e seus rostos tão próximos, ele conseguia achá-la ainda mais fascinante e bonita, enquanto contava as pintinhas que ela tinha no rosto e tentava decifrar o exato tom de castanho dos olhos dela.
– Vai fazer? – ele questionou, libertando a cintura dela de seu abraço e então estendendo a pizza para a garota.
– Claro. – suspirou, descendo do sofá e quase correndo para a cozinha.
? – chamou, risonho. Ela se virou para ele com o cenho franzido. – A sua pizza. – Balançou a fatia.
sacudiu a cabeça para os lados. – Perdi a fome.
– Então não é justo você me dar beijinho. – retrucou. Devolveu a pizza para a caixa e se aproximou da brasileira, com o intuito de lavar as mãos na pia.
– Não me importo. – A garota deu de ombros. lavou as mãos e secou com papel toalha, escorando-se na bancada, o olhar fixo em , que procurava pelos itens necessários para fazer o tal beijinho.
– Mas eu me importo. – Contestou. – Precisa haver uma troca.
– Você é canadense demais. – estalou os lábios. – No Brasil, em qualquer chance de ganhar algo de graça, tem sete mil pessoas na fila. – A garota riu, contagiando com sua risada.
– Vocês não lidam bem com justiça né? – brincou.
– Não mesmo. Olhe nosso governo. – estalou os lábios. Colocou todos os ingredientes na panela e começou a misturar ritmadamente.
– Isso é péssimo. – suspirou.
– Uhum. – Concordou. – Ah, eu tenho uma dúvida. – Ela levantou o olhar para o cantor, após alguns minutos em silêncio. Desligou o fogo e colocou a panela com beijinho na geladeira, antes de voltar para a sala e se jogar no sofá. a seguiu, sentando ao lado dela e passando o braço pelos ombros de , como já estava acostumado.
– Fale. – Incentivou.
– Nós vamos para Los Angeles. – murmurou. – Eu quero pagar as despesas do hotel, tudo bem? – ela o olhou brevemente. – Você já pagou pelos ingressos e pelas passagens. Acho justo pagar a hospedagem.
a encarou por alguns segundos, antes de começar a rir. lançou um olhar esquisito para , que misturava confusão e indignação. Afinal, ela estava debatendo um assunto sério e estava rindo como um maluco.
– Eu não entendi o motivo da risada. – Ela disse por fim, demonstrando descontentamento.
– Desculpe. – respirou fundo. – Mas você é meio lerda às vezes. – Argumentou. arqueou as sobrancelhas para ele.
– E eu estou sendo atacada por quê?
– Eu tenho uma casa em Los Angeles. – lembrou. – Ficaremos lá. – Ele deu de ombros.
… – suspirou.
– Não se preocupe. – Ele sorriu. – Você já recusou meu beijo, não vai acontecer nada demais enquanto estivermos lá. – brincou.
– Pare de jogar isso na minha cara. – chiou. – Você sabe muito bem que eu quero.
– Agora eu sei. – concordou, não dizendo mais nada após isso. mordeu o lábio inferior, sem desviar o olhar do rosto de . Ele conseguia ver nos olhos dela o quanto ela estava arrependida por não o ter beijado. Ambos haviam admitido que se sentiam atraídos um pelo outro e tudo o que existia ali era uma vontade a ser sanada. Mas aquela não era a hora. Não como havia sido na noite do aniversário de .
– Eu não vou te beijar, . – Ele replicou, sorrindo torto para a careta da garota.
– Eu sabia que havia perdido a minha chance. – Ela suspirou, deixando os ombros caírem.
– Não perdeu. – sacudiu a cabeça em negação. – Nenhum pouco, na verdade. – Riu fraco.
– E você não vai me beijar por quê? – questionou.
– Não é o momento. – murmurou.
– Você vai esperar uma noite chuvosa ou algo do tipo? – ela riu e a acompanhou.
– Tipo isso. – Ele disse.
– Tudo bem. – suspirou. – Assim você me dá mais tempo para digerir a situação e não surtar. – brincou.
maneou a cabeça em concordância, já que ela havia acertado em cheio o ponto principal pelo qual ele não a beijaria naquela noite. estava insegura e ele não podia julgá-la por aquilo. No lugar dela, também estaria inseguro. Eles eram diferentes demais e tudo no mundo conspirava para que não dessem certo. não queria assustá-la. Queria que se acostumasse com a ideia de estar com ele de forma natural. Não queria beijá-la e vê-la fugir por estar assustada. Iria inserir em seu mundo aos poucos. Estava convicto de que aquela era a melhor forma de abrir um espaço permanente em seu mundo para . iria construir a segurança que sentia com ela, para que ela também se sentisse segura com ele. E por esse motivo, grudou seus lábios na bochecha dela e puxou-a para um abraço mais apertado.
– Eu não quero que você fuja novamente quando eu tentar te beijar. – O cantor suspirou.
– Eu não vou fugir. – disse. – Pode confiar em mim.
E ele confiava. Cegamente. E aquele era apenas mais um indício de que estava se apaixonando e gostando de se apaixonar por .

Capítulo 13

You got me acting like I’ve never done this before
I promise I’ll be ready when I walk through the door
And I don’t know why

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estava jogada em seu sofá assistindo a sua comédia romântica favorita – Simplesmente Acontece -, comendo pizza e bebendo vinho. Já estava com mais da metade da garrafa vazia quando a vibração do celular tomou sua atenção e a garota precisou pausar o filme para atender a chamada de vídeo no grupo alternativo da família, onde apenas ela, Maurício e eram integrantes. Era um costume se falarem todos os domingos à noite, tanto para contarem as novidades quanto para apenas bater papo e diminuírem um pouco da saudade. Abriu um largo sorriso quando o rosto de Maurício apareceu em uma das telas e na outra, com uma máscara coreana e bobs nos cabelos.
– Oi! – exclamou, sorrindo ainda mais largo por estar falando em português. Estava se habituando ao inglês, mas às vezes ainda precisava relembrar a necessidade de usar a língua para se comunicar diariamente. Era comum soltar alguma palavra em português, principalmente palavrão. Xingar em inglês não tinha a mesma emoção para ela.
“Não posso abrir muito a boca.” murmurou, arrancando risadinhas bêbadas de .
– Como vocês estão? – a menina indagou, se acomodando melhor no sofá.
“Bem.” – Maurício respondeu. – “Mas tu estás bêbada.” – acusou. A garota deu de ombros.
– Bebi um pouco de vinho para passar o frio. – murmurou.
“E ainda quer ver neve.” debochou. – “Tu vais sentir falta do nosso calor.”
– Estou sentindo falta de vocês apenas. – garantiu. – Do calor jamais!
“Não é o que parece.” – Maurício falou pela primeira vez e o encarou com o cenho franzido em confusão.
– Oi? – não havia entendido o tom áspero do irmão e o álcool em nada tinha relação com aquilo.
“Existe internet aqui, .” – o rapaz revirou os olhos, deixando a irmã ainda mais confusa.
– Eu não sei do que tu estás falando cabeção. – Retrucou.
“Deixa eu te ajudar a entender.” – o mais velho pediu e viu sua prima revirar os olhos discretamente. Os homens da família tinham uma perna inteira no drama, enquanto as mulheres não tinham muita paciência para enrolação. Menos quando se tratava de relacionamentos. Principalmente quando estava envolvida.
– Desenrola. – também revirou os olhos e aquilo lhe deixou um pouco tonta, o que apenas a motivou a beber um pouco mais de vinho.
Maurício pigarreou e montou uma expressão pomposa antes de puxar o computador para perto e começar a ler algo que parecia uma notícia.
“Será que nosso querido abandonou o barco dos solteiros?” – Maurício afinou um pouco a voz para ler o título e então retornou a seu drama costumeiro para continuar a leitura, enquanto engolia em seco e respirava com dificuldade.
“Muito se especula sobre a vida amorosa do cantor mais badalado do momento. Com suas músicas de amor, arrasta multidões de fãs enlouquecidas para seus shows. Em um desses shows, mais especificamente no show ocorrido aqui no Rio de Janeiro, encontrou uma fã em especial. Nós não sabemos quando e , uma fotógrafa de 21 anos, iniciaram uma relação para além do ambiente de fã e ídolo. Mas essa relação existe e não apenas pelas dezenas de comentários trocados no Instagram ou fotos em que aparecem juntos – com direito a uma declaração de aniversário do cantor que fez os fãs mais histéricos chorarem – mas também pela especulação dos paparazzi em cima desse possível casal, principalmente após postar uma foto em seu Instagram Storie pedindo para que as pessoas parassem de mandar mensagens de ódio para . A internet está cheia de possíveis fotos de passeando e saindo do apartamento um do outro. Pode ser apenas amizade? Claro que sim. Mas pode não ser também. Torcemos pela felicidade de e esperamos que , como ela prefere ser chamada, esteja bem. Que venham mais músicas de amor para nós!”
não sabia exatamente o que falar. Maurício a encarava com um sorriso cínico e fingia não estar na conversa. Mas tudo no que conseguia pensar era no quão bem escrito àquela matéria estava e que não deveria ter saído em alguma revista de fofocas vagabunda. Não. A coisa estava muito maior do que ela pensara.
– Onde essa matéria saiu?
“Na Rolling Stone.” respondeu e grunhiu, cobrindo os olhos com a mão que não segurava o celular e suspirando em seguida.
“Eu não estou namorando.” – ela logo falou, querendo evitar as perguntas irritantes de Maurício.
“Tudo bem.” – ele assentiu. – “Mas ainda não entendo como vocês se aproximaram. Ele não é super famoso?”
– Ele é. – suspirou. – Foi por acidente, mas nos esbarramos em uma cafeteria aqui em Toronto. Eu não estava perseguindo-o ou coisa parecida. – Se defendeu.
“E então viraram amigos?” – Maurício ainda não estava convencido e suspirou novamente. Seu irmão era mesmo um pé no saco.
é amiga do melhor amigo dele. Acabamos indo para a mesma festa sem querer, e desde então, temos saído.
“Hm.” – foi tudo o que Maurício disse por alguns instantes.
“Já comprou roupas?” questionou e enquanto estava raciocinando sobre a mudança de assunto, Maurício novamente pigarreou.
“E vocês têm saído? Em encontros?”
– Não é nada demais. – enrolou um pouco a língua para falar. – Ele me levou em alguns pontos turísticos, jantamos juntos, ele veio no meu aniversário… Coisas de amigos.
“Amigos que se beijam.” – Maurício chiou e foi a vez de ralhar com o primo.
“Vai dormir Maurício!” – ela ordenou. – “Ser um irmão babaca não vai ajudar em nada!” – xingou e reprimiu o riso. Sentia saudades até daquelas brigas. era muito mais uma irmã mais velha do que uma prima, mesmo tendo a mesma idade de . Maurício morria de medo da garota e deixava toda sua implicância para infernizar . , por sua vez, defendia a fotógrafa e iniciava as brigas entre os três. Era daquela forma desde a infância e mesmo com a vida adulta, as coisas não haviam mudado entre eles.
– Não, não desta forma. Mas porque eu não quis. – A garota confessou.
“Mentira.” – o rapaz retrucou, sem acreditar nas palavras da irmã.
“Boa noite Maurício!” resmungou, sem deixar brechas para que o garoto retrucasse. Maurício apenas deu de língua para e se retirou da chamada de vídeo. Ele era esperto e não tentaria a sorte contra . – “Vocês não estão mesmo juntos?” indagou, preocupada.
– Não. – sacudiu a cabeça e fez uma careta. – Estamos indo com calma. Nós conversamos, esclarecemos nossas posições. Nós dois queremos. Mas é muito complicado. Precisamos ir com calma.
“Tu sabes qual a minha opinião.” riu. – “Sou completamente team e acho que tu estás sendo uma boca aberta por não ter beijado esse garoto ainda.”
… – suspirou. – Eu gosto dele, de verdade. E ele é uma pessoa incrível. – Sorriu. – Mas é complexo. Somos tão diferentes.
“Não são não.” – a outra bateu o pé. E tinha razão. e tinham muito em comum.
– De mundos diferentes. – Esclareceu.
“Certo.” assentiu com a cabeça. – “Mas isso não é razão para tu desistires sem nem ao menos tentar. Teus braços não vão cair, .”
– Eu sei. – Assentiu. – Mas ainda não estou convencida.
“Tudo bem. Se acostume com a ideia. Mas não desista tão facilmente.” – orientou e sorriu para a prima. Eram raros os momentos em que elas conversavam de forma tão madura. Normalmente ficava em negação enquanto brigava. – “Eu também vou dormir.” bocejou em seguida. – “Boa noite , se cuide!”
– Boa noite. Te amo doida. – Sorriu.
“Te amo mais.” estalou um beijo para a prima.
E finalizando a chamada de vídeo, estava pronta para dar seguimento a seu filme. Assistiu mais algumas cenas consideráveis enquanto terminava com a garrafa de vinho e quando seus olhos já estavam pesados, desligou a TV e cambaleou para sua cama. Estava quase pegando no sono quando seu celular vibrou novamente. Franziu o cenho em confusão, sem imaginar quem poderia ser àquela hora da noite. Seu coração parou por alguns instantes e sentiu uma comichão estranho na boca do estômago – e não era o álcool – quando o nome de apareceu nas notificações do celular. Ele havia lhe enviado uma foto de dois ingressos para um jogo no Rogers Centre com um emoji sorridente como legenda. Não era uma boa ideia conversar com estando bêbada, mas não era fã de seguir seu bom senso. Rapidamente começou a digitar uma resposta, tendo que apagar seu progresso porque outra mensagem de chegara.


Posso confirmar a segunda parte do nosso tour por Toronto? 11:32 pm

Eu não entendo nada de jogos 11:32 pm


Tudo bem 11:32 pm
Eu te ensino 11:32 pm

Eu não tenho certeza de que você é um bom professor 11:32 pm

A garota riu de sua própria provocação, sabendo que ferir o ego leonino de não era a melhor das ideias. Ele ficava completamente ofendido quando não conseguia fazer alguma coisa ou então, quando tinha suas capacidades questionadas.


Eu sou bom em muitas coisas 11:33 pm
Você deveria experimentar cada uma delas 11:33 pm
Para ter certeza de que pode confiar nos meus talentos 11:34 pm

engoliu em seco, sem saber exatamente o que responder. Sua mente havia voado para pensamentos nada puros e ela estava suando devido ao calor que subiu por seu corpo. Podia ser o vinho, mas ela sabia que eram as palavras de . Levou alguns minutos para conseguir digitar uma resposta e sabia que estava brincando com fogo quando enviou, mas não conseguira se conter. estava jogando pesado e estava na hora de ela reagir. E ela só tinha aquela coragem, pois estava bêbada o suficiente para não sentir vergonha.

 

Aceito sua oferta 11:36 pm
Mas acho que você só deve ter talento com a boca 11:36 pm
Porque você é cantor 11:36 pm

❤️
Vai ter que experimentar 11:36 pm
Estou disponível para provar 11:36 pm
Os meus talentos com a boca 11:36 pm
Porque eu sou cantor, sabe 11:36 pm

Essa conversa tem muito duplo sentido 11:36 pm


Eu sei 11:37 pm
Mas foi você quem começou 11:37 pm

Estou bêbada 11:37 pm
Não teria coragem de fazer esse tipo de insinuação se estivesse sóbria 🤗 11:37 pm


Dizem que bêbados dizem a verdade 11:37 pm

Eu deveria negar 11:37 pm
Mas eu sou burra 11:38 pm
Então sim, estou sendo honesta 11:38 pm


Então você quer experimentar meus talentos? 11:38 pm

Eu faço esse sacrifício 11:39 pm


Você vai me destruir garota 11:39 pm
Te pego na quinta-feira às 17h 11:39 pm
Boa noite 11:39 pm

Boa noite 😍 11:39 pm

suspirou uma última vez antes de bloquear o celular e o jogar para longe. Suspirou, sentindo todo sono se esvair. Sua cabeça estava longe, pensativa demais. Ocupada demais em imaginar como seria realmente provar os talentos de com a boca. Naquele momento seu único arrependimento era não ter beijado . Nunca havia se arrependido tanto em toda sua vida.

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sorriu para mais uma foto e então procurou com o olhar, objetivando pedir desculpas para a garota. Surpreendeu-se ao encontrá-la animadíssima tirando fotos dele e dos fãs que aguardavam na pequena fila improvisada para falar com ele em frente ao Rogers Centre. Sorriu para a garota, que acenou com a mão antes de bater mais uma foto dele e então voltou a prestar atenção nos fãs. Ainda tinham cerca de 10 pessoas para atender e aquilo o deixava extremamente feliz. era muito grato por todo o apoio que recebia e se pudesse, agradeceria individualmente cada fã que tinha no mundo.
Muitas eram as perguntas sobre o álbum novo e apenas ria e prometia novidades logo. Ouviu de uma fã que a palavra “logo” era dita por muitos artistas que nunca mais haviam lançado nada e gargalhou, afirmando que logo teriam novidades sobre um novo single. Terminou de atender as pessoas na fila e então se aproximou de , sorrindo para a câmera que ela apontava para ele.
– Eu não sei como isso é possível. – A garota murmurou. – Mas você fica bonito até enquanto fala com os fãs.
– E depois você vem dizer que não está flertando comigo. – Retrucou, fazendo a garota revirar os olhos. Sorriu largo quando ela não contestou sua frase e a puxou para o abraço costumeiro, envolvendo os ombros dela para que pudessem entrar no Rogers Centre e assistir à partida de baseball. Eles iriam assistir ao Toronto Blue Jays naquela tarde e esperava ensinar o básico do baseball para . Mal sabia ele que o único esporte que a garota entendia era o levantamento de garfo e que sempre fora uma negação para entender quaisquer regras de esportes. Nem futebol, o coração do Brasil, fazia muito sentido para ela.
Esperaram na fila como qualquer pessoa e quando finalmente entraram no estádio, levaram um tempo ainda maior para achar seus lugares porque parava a todo instante para tirar fotos do estádio. ria da garota se esticando para alcançar certos ângulos enquanto ela xingava e estirava a língua para ele.
– Que tal você parar de rir e me ajudar? – ela chiou, descontente.
– Não. – estalou os lábios. Escorou-se na grade e sorriu para . – Está muito divertido aqui.
– Você é ridículo. – A brasileira bufou. Bateu mais algumas fotos antes de arrastar para os lugares que ele havia comprado. – Me diga, qual a graça do baseball? – ela indagou, estalando os lábios. , sentado ao lado dela, encarou-a com o cenho franzido e uma expressão quase ofendida no rosto.
– É esporte. – Ele disse, como se fosse óbvio. ergueu os pés e abraçou os joelhos, dando de ombros em seguida.
– E?
– Qualquer esporte tem graça. – retrucou. – Que tipo de brasileira você é? – fez uma careta e riu.
– Nem todo brasileiro ama futebol. – Ela revirou os olhos. – Eu não entendo nada. me odeia por isso.
– Não posso tirar as razões dela. – acenou com a cabeça em concordância e a garota deu um tapa no ombro dele. – Cuidado. – alertou. – Você vai ser acusada de agressão no Twitter e minhas fãs vão iniciar uma caçada para te matar. – Reprimiu o riso.
– Se elas soubessem que você é irritante assim, me ajudariam a te bater. – Estirou a língua para o rapaz. – Mas elas certamente já estão preparando as armas para me matar. Afinal, estou em um jogo com . – Arregalou os olhos, dramatizando a situação. riu e a puxou para perto, mesmo que o braço que dividia suas poltronas estivesse entre eles.
– Eu te protejo. – murmurou e o encarou com um meio sorriso.
– Assim fica difícil te odiar, sabe? – ela riu. Deitou a cabeça no ombro dele e soltou um suspiro. – Eu precisei fazer meia hora de meditação antes de você ir me buscar. E cheguei à conclusão de que vou ter que pagar pelo aplicativo, porque a função gratuita dele não é boa. – Riu e a acompanhou.
– Eu conversei com Andrew, antes de comprar os ingressos. – comentou. – Por isso estamos aqui em uma quinta-feira. É mais calmo e não tem câmera do beijo.
se empertigou na cadeira e se virou para , os olhos brilhando e uma animação concreta. – Essa é a parte mais legal dos jogos! Eu perco horas no YouTube vendo esses compilados.
– Não tem graça. – O cantor contestou. – É meio constrangedor.
– Claro que tem! – bufou. – As pessoas têm as melhores reações. – Riu sozinha. a encarou e mesmo que a achasse louca, riu junto com ela, chegando à conclusão de que era realmente maluca.
– Você é estranha. – Murmurou e ela deu de ombros.
– Eu sei. – Voltou a se recostar na cadeira. – Então me diga, o que há de tão legal no baseball?
E então explicou toda a dinâmica do jogo. Passou as regras, repassou as mesmas regras – já que não havia entendido nada, e quando a partida começou, pode notar que ao menos, ela entendia o objetivo geral do esporte e ficou ainda mais animado. Passaram todo o tempo antes do intervalo gritando contra o time rival do Toronto Blue Jays e urrando em alegria quando o Blue Jays marcava um ponto. Permaneceram sentados em seus lugares durante o intervalo e aproveitou o momento para bater algumas fotos de . Ele tinha uma expressão sonhadora enquanto observava a multidão gritar para os jogadores que se retiravam do campo, já que sua mente voava longe para o dia em que ele lotaria um estádio como o Rogers Centre. A turnê do Illuminate não havia suportado nenhum estádio – o Rock In Rio não contava como show solo – e esperava que as coisas mudassem para seu novo álbum. Pelo menos ali, em Toronto, que era sua casa e onde ele deveria ter mais fãs.
– Essa foto ficou incrível. – murmurou. nem havia percebido que ela estava na fileira de baixo até sentir um flash estourar em seu rosto. Fez uma careta e ela sorriu culpada. – Sem flash ficou melhor.
– Pare de tirar fotos minhas. – Ele reclamou, se esticando para frente e tomando a câmera das mãos da brasileira. Analisou foto por foto e assobiou, alargando o sorriso de . – Você é realmente incrível nisso. – Elogiou.
– Josiah é incrível. – argumentou. – Eu sou apenas boa.
– Não. – estalou os lábios. deu a volta na grade e voltou a parar ao lado de . – Você é incrivelmente talentosa. E não aceito que você retruque.
– Tudo o que importa é a sua opinião? – ela riu e soube que aquilo se tratava de algum meme. sempre fazia uma expressão divertida e culpada quando ele mencionava algum meme sem saber.
– Exatamente. – Concordou. Levantou a câmera até a altura de seus olhos e apontou para a brasileira. – Agora fique aí. Vou tirar uma foto sua.
– Estamos ganhando? – questionou e assentiu, confuso. Ela ergueu os braços para cima e sorriu largamente. – Sua foto vai ficar uma droga mesmo, então vou tentar ficar o mais bonita possível. – Ela estalou os lábios.
– Você é terrível. – suspirou. Tentou enquadrar o melhor ângulo e bateu apenas uma foto, pois achou adorável a expressão animada da brasileira. Logo puxou a câmera das mãos de para analisar o trabalho dele e bufou quando encontrou apenas uma fotografia. voltou a se sentar e reprimiu um sorriso ao notar a expressão insatisfeita no rosto da garota.
– Eu não sei como você pode ser tão ruim batendo fotos. – estalou os lábios. Ela estava em pé, com os cotovelos apoiados na grade. – Sério, você convive com o Josiah. – Ela exclamou. – É um insulto que você seja tão ruim. – suspirou e fez uma careta para ela, mesmo que ela não fosse ver. Levantou e parou as costas de , se inclinando para frente e segurando as mãos dela para trazer a câmera mais para perto. Torceu o nariz, não vendo todos os defeitos que apontava.
– A foto está linda. – Ele chiou e ela negou com um aceno de cabeça.
– Está uma droga . Olha a minha cara! – grunhiu e apertou os olhos para enxergar melhor. Ela estava sorrindo largamente e tinha uma expressão fofa no rosto.
– Para mim, está perfeita. – Deu de ombros. levantou o rosto em direção a ele, recuando quando percebeu o rosto de tão próximo do seu, acabando por colar seu corpo ao dele. arqueou as sobrancelhas para ela, rindo fraco quando o rubor tomou conta de suas bochechas. – Você não precisa ficar com vergonha, . – falou, fazendo-a sorrir involuntariamente quando ele pronunciou seu nome.
– Eu não estou com vergonha. – A brasileira retrucou e arqueou as sobrancelhas para ela.
– Não? – indagou e ela assentiu com a cabeça para confirmar sua posição. – Então se eu te beijar agora, estará tudo bem?
– Vá em frente. – o desafiou e a encarou com o semblante em dúvida. – Estou falando sério, . – Ela tornou a falar, em uma clara tentativa de provocá-lo.
– Achei que você fosse direta apenas quando está bêbada. – Ele lembrou e deu de ombros.
– Não faz mais sentido mentir para você, não é? – riu. – Eu já disse o que eu quero. – Deu de ombros.
– Estamos em um impasse então. – suspirou. Voltou a se sentar e o encarou com o cenho franzido. Virou-se para ele e escorou as costas na grade, colocando a alça da câmera em seu ombro direito.
– Por quê?
– Porque eu quero. – Murmurou. – Mas não posso. Não agora e não em público.
– Você tem razão. – concordou, Sentou ao lado de e ele a puxou para perto novamente. – Seria burrice. É melhor deixarmos as pessoas pensarem que somos só amigos.
– É? – o cantor fez uma careta. deu de ombros.
– É o caminho mais fácil para não prejudicar sua carreira. E não me colocar na linha de fogo.
– Você sabe que eu não me importo com isso, não sabe? – questionou, preocupado. – Com você não ser famosa.
– Eu sei. – Ela assentiu. – Mas meu medo não é por mim, . É por você. – Suspirou.
– Por quê?
– Eu faço parte desse fandom. – o lembrou. – E eu tenho certeza de que tudo vai virar um pandemônio caso você apareça romanticamente com alguém. E eu sei que não tem nada nesse mundo, que seja mais importante para você do que os seus fãs. Eu nunca vou ser a pessoa que fica no meio de vocês. – Ela deu de ombros, com um sorriso triste nos lábios. Voltou a deitar a cabeça no ombro do cantor e ele a abraçou pela cintura, soltando um suspiro alto. – Nem mesmo quando conhecer você era apenas um sonho. Sempre pensei nisso, acredita?
– Nisso o que? – indagou, confuso.
– Em como seria difícil quando você arrumasse uma namorada. Meu coração ia se partir se alguma fã deixasse de te seguir por causa disso. Você merece o sucesso que tem e uma relação não deveria colocar isso em risco. – suspirou.
– Você é incrível. – disse por fim e levantou o olhar para ele. – Incrível demais. – Tornou a falar e ela corou. – E eu gosto muito de você.
– Eu também gosto de você. – Sussurrou. – Mas vamos com calma. – Ela sugeriu e assentiu com a cabeça.
– Vamos com calma.
E com isso, eles encerraram a conversa. O intervalo do jogo acabou um instante depois e mesmo que estivesse animado para assistir o restante da partida, algo o estava incomodando profundamente. E ele sabia muito bem o que era. Fazia muito tempo desde a última vez que sua fama o havia atrapalhado de alguma forma. Talvez desde que seu relacionamento com Lauren havia terminado, havia se acostumado com a falta de privacidade. Era algo comum em sua vida. Ter sempre alguém pedindo uma foto ou ser seguido por paparazzi. Mas ali, naquele instante, ele não estava contente. Entendia perfeitamente os motivos pelos quais achava mais sensato eles fingirem que não existia nada além de amizade entre eles. Ele não deixaria de ser admirado e amado pelos seus fãs, mas as coisas mudariam para grande parte do fandom. Ele era um cara solteiro que cantava músicas de amor e aquilo era apaixonante. E ser o cara apaixonante que tinha uma namorada ou qualquer tipo de relacionamento, não seria a melhor das ideias. Publicitariamente falando, seria como jogar merda no ventilador.
O jogo terminou com exatas 10 entradas, dando a vitória para o Blue Jays. se obrigou a esquecer daquele incômodo mental e seguiu com para fora do Rogers Centre após o tumulto da multidão diminuir. Mesmo o jogo tendo acontecido em uma quinta-feira, a torcida do Blue Jays era fiel e o estádio estivera lotado. Já do lado de fora, seguiram para o estacionamento lado a lado, enquanto batia mais algumas fotos – agora da CN Tower iluminada pelas luzes – e respondia a algumas mensagens em seu celular.
– No que você estava pensando? – questionou para e ele levantou o olhar para ela, que estendia a câmera em sua direção. Uma foto dele estava no visor e sorriu. – Essa foto ficou incrível. Você parecia estar com a cabeça nas nuvens mais fofinhas desse mundo. – Ela riu.
– Em como seria ter o Rogers Centre lotado por minha causa. – confessou. – Já conversei sobre isso com Andrew. Na Illuminate World Tour Não foi possível. Não havia público o suficiente. Mas agora ele acha ser possível. – Deu de ombros, olhando para o chão. – Eu ainda tenho minhas dúvidas.
. – o chamou e levantou o olhar para ela. Tinha um sorriso pequeno nos lábios quando se aproximou e o puxou para um abraço. – Você vai lotar estádios ao redor do mundo. Eu tenho certeza disso.
– Você está me iludindo. – Ele riu.
– Estou te preparando. – Ela retrucou. Deu um passo para trás e segurou a mão do rapaz. – Espero ainda ser próxima de você quando esse dia chegar. Então vou poder rir da sua cara e falar que eu avisei.
– Você não vai ser apenas próxima de mim, . – retrucou. – Vai ser minha namorada. – Lançou um olhar intenso para a garota, que respirou fundo e pareceu contar mentalmente até três para se acalmar.
– Meu coração é fraco, você lembra-se disso? – murmurou, fazendo-o rir. a puxou para outro abraço e a beijou no rosto.
– Vem, vamos jantar. – Foi tudo o que ele disse, antes de segurar a mão dela e a arrastar para o carro.
E mesmo com uma quantidade notável de pessoas em volta, nenhum deles fez questão de soltar suas mãos. A sensação de seus dedos entrelaçados lhes dava aquela comichão gostoso na boca do estômago e nada poderia tirar aquilo de nenhum deles.

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– Não é mais fácil irmos comprar algo e voltamos para comer no carro? – questionou, após dez minutos dentro do carro e nenhuma possibilidade de sair do estacionamento do Rogers Centre. O trânsito estava uma loucura e já havia soltado quatro suspiros impacientes.
– Talvez. – assentiu.
– Nesse ritmo, só vamos sair daqui amanhã. – A garota estalou os lábios. – Podemos comer um cachorro-quente ou qualquer coisa na rua.
– Super saudável. – revirou os olhos.
– Nós comemos pizza semana passada. – lembrou, dando de ombros. Desafivelou o cinto de segurança e abriu a porta do carro, pulando para fora do veículo e arqueando as sobrancelhas na direção de . O canadense riu, saindo do carro em seguida. Acionou o alarme após as duas portas estarem fechadas e seguiu com para fora do estacionamento.
– Tem alguns food trucks perto da CN Tower. – comentou e lançou um olhar torto para ele.
– Onde você ainda não me levou. – Arqueou as sobrancelhas em acusação para o cantor.
– Está no planejamento, não se preocupe. – Garantiu. enlaçou seu braço no de e o garoto sorriu para ela.
– Ah, sua irmã está me seguindo no Instagram. – comentou. – Esqueci-me de te falar.
– Por quê? – franziu o cenho e deu de ombros. Ele puxou seu celular do bolso e observou ele abrir a conversa com Aaliyah no WhatsApp. – Por que você seguiu a no Instagram? – gravou o áudio e enviou, fazendo a brasileira rir do tom esganiçado da voz dele.
– Talvez ela queira ficar a par da vida da futura mãe dos sobrinhos dela. – brincou e a encarou com o cenho franzido e um sorriso divertido.
– Nem casamos ainda e você está pensando em filhos?
– É claro. – A brasileira assentiu com a cabeça. Viraram em uma rua movimentada e colocou o capuz do moletom na cabeça. – Esse rostinho lindo merece ser repassado para uma criança.
– Concordo. – estalou os lábios. – Tomara que nossos filhos tenham seu rosto.
– Eu estava falando de você, . – estalou os lábios. – Não de mim.
– Bom, – deu de ombros. – Você falou de rostinho lindo e eu pensei em você. – Sorriu para ela.
– Cantadas baratas não me convencem. – argumentou. riu e a beijou na testa.
– Eu tenho certeza de que você está mentindo. – falou e o beliscou na cintura. Voltou a olhar para a rua e sorriu largo ao focar sua atenção em um carrinho de food truck que vendia hambúrgueres. Arrastou em direção ao local e após fazerem seus pedidos, aguardaram um pouco distantes do tumulto. O atendente chamaria pelo nome de quando os lanches ficassem prontos.
estava com o celular em mãos, digitando furiosamente e se obrigava a esconder seu riso. Ela tinha certeza de que ele e Aaliyah estavam discutindo e não queria colocar mais lenha na fogueira.
– Você acredita que essa pirralha não quer falar comigo? – indagou, lançando um olhar revoltado para . Ela soltou um risinho, o que apenas o deixou ainda mais irritado.
– Você deve ter feito alguma coisa para ela. – garantiu. – Eu fazia a mesma coisa com meu irmão. – Deu de ombros.
franziu o cenho e estalou os lábios, soltando um suspiro e sacudindo a cabeça para os lados. – Minha mãe.
– O que? – franziu o cenho em confusão.
– Eu chamei Aaliyah de fofoqueira. E minha mãe contou para ela. – Bufou. – Vocês mulheres e essa união. – Chiou e gargalhou.
– Tadinho do homem oprimido. – Debochou. – Você não deveria tê-la chamado de fofoqueira.
deu de ombros. – Ela é fofoqueira.
– Vou contar para ela. – ameaçou e lançou um olhar descontente para a brasileira. – Ainda mais que agora ela me segue no Instagram.
– Vocês duas são… – não conseguiu terminar sua frase, já que uma mão no ombro de chamou a atenção de ambos. A garota ergueu o rosto e encontrou Connor parado as suas costas, com um sorriso torto nos lábios e uma sacola em mãos.
– Eu sabia que conhecia essa voz. – O rapaz sorriu para , se inclinando e a beijando no rosto.
– Connor! – exclamou, também sorrindo. De costas para , não percebeu a expressão descontente do cantor. – O que faz aqui?
– Eu moro há duas quadras. – O canadense explicou. – E esse é o melhor hambúrguer da cidade. – Apontou para o food truck.
– Vou experimentar hoje. – falou. – Moro longe, então nunca comi aqui.
– E não tem crush em nenhum atendente. – Connor lembrou e ambos riram.
– Eu jamais viria aqui se não fosse o . – Garantiu. Se virou para e apontou para o rapaz ao seu lado. – Aliás, esse é o Connor, meu colega de trabalho. – Apresentou. acenou com a mão e Connor franziu o cenho.
? – arqueou as sobrancelhas para . – Agora tudo faz sentido. – Ele riu, lançando um olhar triste para .
– Nos conhecemos no Brasil. – explicou e o rapaz apenas acenou com a cabeça.
– Certo. – Estalou os lábios. – Preciso ir. Nos vemos amanhã. – falou e beijou no rosto, acenando para antes de se afastar. voltou a se virar e encontrou a careta de em sua direção.
– O que foi? – indagou, com o cenho franzido.
– Ele gosta de você. – concluiu e a garota riu, dando de ombros em seguida.
– Sim. – Ela acenou em concordância. – Mas eu não gosto dele. Não dessa forma. – Garantiu. – Não estaria de braços dado com você se eu gostasse dele. – concluiu e assentiu com a cabeça, fazendo uma careta em seguida.
– Eu me sinto um idiota inseguro. – Ele murmurou. – Você me faz agir como se eu nunca tivesse feito isso antes.
o abraçou pela cintura, escondendo o rosto contra o peito de e suspirando.
– Você não é o único sentindo muitas coisas aqui. – Ela disse. – Acredite, eu estou surtando.
– Nunca foi assim. – sussurrou. – Eu quero te beijar com a mesma intensidade com a qual quero conversar com você sobre qualquer coisa. – Confessou.
levantou o olhar para o cantor, apertando seu abraço na cintura dele. Abriu a boca para responder que ele deveria beijá-la logo, tendo jogado todo seu bom senso e a conversa de irem com calma em público para o lixo, quando seu nome fora chamado pelo atendente do food truck. Desfez o abraço em e buscou seus pedidos, segurando na mão dele enquanto faziam o caminho de volta para o Rogers Centre. Permaneceram de mãos dadas e sorriu quando sentiu os dedos de apertarem os seus conforme dobravam a esquina e se afastavam do movimento de pessoas.
– Eu sei que estamos adiando esse beijo por motivos plausíveis. – A garota murmurou, mantendo seu olhar baixo. – Principalmente por motivos meus.
– Eu não quero te afugentar. – garantiu. – Por isso concordo que devemos ir com calma.
– Eu concordo. – suspirou. Parou de andar e olhou a sua volta, constatando que poucas pessoas seguiam pelo mesmo caminho que eles. Tinham privacidade naquele momento e ela precisava colocar aquilo para fora. – Mas eu preciso que você saiba que eu estou me apaixonando, . Posso pedir para irmos com calma, mas estou caindo na velocidade da luz nesse sentimento.
sorriu largo, dando um passo em direção a . Parou em frente à garota e segurou seu rosto com a palma das mãos, acariciando as bochechas dela, que fechou os olhos e se permitiu aproveitar daquele carinho.
– Eu também estou me apaixonando. – Ele sussurrou, selando seus lábios e se afastando instantes depois, deixando os lábios de com um formigamento e um gostinho de quero mais. Sorriu quando ela voltou a abrir os olhos, voltando a entrelaçar seus dedos enquanto ela também sorria.
Ambos estavam se apaixonando perdidamente um pelo outro, como nunca haviam feito na vida por nenhuma outra pessoa. E por mais que suas bagagens emocionais pedissem por calma e cautela, nenhum deles sentia-se com medo de embarcar naquele sentimento.

Capítulo 14

I can’t deny I want your body
But I’m a gentleman
So I’ll be the one who takes it slowly
Cause girl you’re so beautiful

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O cantor estava jogado em seu sofá, assistindo Harry Potter e a Câmara Secreta e comendo pipoca. Havia passado a manhã daquele sábado trabalhando em Mutual e se frustrara porque não conseguira finalizar a música. Teria que esperar sua viagem para Los Angeles para se reunir com a equipe de produção do próximo álbum para que pudesse acabar a música de uma vez por todas, principalmente porque já estava trabalhando em outra canção – ainda sem nome – e queria ambas no álbum. Acabou cochilando no meio do filme e só acordou por causa do barulho de seu celular. Pensou que fosse o despertador e estava pronto para bloquear o aparelho e silenciar o som quando a pequena fenda em seus olhos leu o nome de Camila na tela do aparelho. Franziu o cenho, confuso quando a intenção da amiga em ligar para ele no meio de uma tarde de sexta-feira sem nenhum aviso prévio. Atendeu a ligação no meio de um bocejo e ouviu a risada de Cabello do outro lado da linha.
Cantores de férias só querem dormir durante todo o sábado, não é mesmo? – a cubana brincou e soltou um risinho. Pausou o filme e colocou o balde de pipoca na mesa de centro, virando o corpo de barriga para cima e bocejando mais uma vez enquanto passava a mão que não segurava o celular pelos cabelos.
– Cantores de férias merecem descanso. – Murmurou. – Como está, sua maluca?
Olha o respeito, . – Camila chiou. – Eu estou bem, mas tenho certeza que de que você está bem melhor. – a garota riu e franziu o cenho. Levou apenas dois segundos para dar-se conta das segundas intenções de Camila ao ligar para ele e estalou os lábios.
– Você não sabe ser sutil. – O cantor acusou e quase pôde ver a amiga dando de ombros.
Eu não quero ser sutil. – retrucou. – Agora me conte tudo sobre você e . – ordenou, fazendo-o rir.
– Você consegue falar o nome dela melhor do que eu. – Suspirou.
Claro que sim. – Camila riu. – Português e espanhol são línguas muito parecidas.
– O que você quer saber?
Já é namoro? – indagou de forma direta. adorava a sinceridade e espontaneidade de Camila, mas às vezes a garota o colocava em maus lençóis. – Ou você ainda está sendo um bundão indeciso? – provocou, já que ela quem teve que lidar com em negação sobre estar interessado em ou não há algumas semanas.
– Nem um e nem outro. – Retrucou. – Tenha um pouco de fé em mim. – Chiou.
Eu tento, mas você não colabora. – Cabello retrucou. – Me conta, !
– Não tem muito o que contar. – resmungou. – Nós abrimos o jogo a respeito do que queremos e estamos levando com calma. – Estalou os lábios. – Você sabe como o nosso mundo é louco. Eu não quero assustá-la, apesar de ter vontade de mandar tudo para o inferno e tentar ter um relacionamento normal.
Eu entendo. – Camila suspirou. – Quero conhecê-la. – disse por fim.
– Não temos nada concreto ainda. Nem nos beijamos. – riu. – Não vou te apresentar a ela.
Vai sim. – a cubana retrucou rapidamente. – E muito mais rápido do que você espera. – riu.
– Te apresentar a ela só vai atiçar a mídia ainda mais. – lembrou.
, você sabe que o problema não é a mídia, não sabe? – Camila indagou, parecendo receosa.
– Claro que é. – retrucou, com a careta no rosto.
A única coisa que eles podem fazer é seguir vocês e especular sobre o que andam fazendo juntos.
– Isso é uma merda. – chiou.
Sim, é mesmo. – Cabello concordou. – Mas o maior problema é a fã base.
– O que você quer dizer com isso?
Você sabe que eu fui muito xingada quando começamos a aparecer juntos, não sabe? Tem muita fã com sentimento de posse. Elas te amam tanto, que não suportam a ideia de te ver namorando. – Camila explicou com cuidado, enquanto tinha uma careta no rosto. – E acabam descontando em alguém. Já descontaram em mim, mesmo que sempre tenhamos tido apenas amizade. Ainda tem gente que me xinga. – a garota riu fraco. – Agora imagina como vai ser para a .
ficou em silêncio, apenas absorvendo as palavras da melhor amiga.
– Ela comentou sobre isso, mas eu não tinha levado para esse lado. – O cantor disse por fim.
Ela é sua fã. Sabe como funciona e sabe como vai ser terrível ser a namorada de . A história de vocês é praticamente uma fanfic e muita fã não vai gostar de ver a vivendo tudo isso. – Camila suspirou. – Você precisa cuidar dela, isso é sua responsabilidade.
– E como eu faço isso? Não tenho como impedir as pessoas de comentarem. – reclamou, bastante desapontado. – E também não quero nos privar de viver essa relação para que ela fique em paz. Isso soa extremamente egoísta. – Fez uma careta.
Ir com cuidado já é ótimo. – a cubana comentou. – Mas você vai precisar deixá-la segura o suficiente para que esse tipo de coisa não a faça desistir.
– Estou entendendo. – assentiu com a cabeça.
É bastante complicado. – Camila suspirou. – Eu consigo me colocar no lugar dela, sabe? – estalou os lábios. – Já estive do lado de lá e agora estou aqui, então consigo ver tudo com maior clareza.
– E qual é o seu conselho? – indagou, realmente curioso.
Se você realmente gosta dela, vai ter que estar disposto a colocá-la na frente da sua fã base às vezes. – a cantora falou rapidamente. – Não vão pegar leve com ela.
– Às vezes eu queria ser um cara normal. – suspirou.
Se você fosse um cara normal, não teria conhecido ela. – Camila lembrou.
– Tens razão. – riu sozinho. – Obrigado, Cams.
De nada. Sempre à disposição. – a garota exclamou.
Conversaram sobre mais algumas trivialidades antes de finalizar a ligação, não sem antes desejar boa sorte para o show que a amiga faria naquela noite. E após terminar a conversa com Camila, acessou o Instagram e procurou pela conta de , abrindo a última foto da garota e lendo alguns comentários. Nada contente com o que lia, mandou uma mensagem para , chamando-a para um café no dia seguinte e recebendo uma recusa seguida de um convite inusitado. o estava convidando para a sua casa no dia seguinte, já que ela serviria de modelo para e não poderia desmarcar com a amiga. poderia assisti-las trabalhar, e mesmo que não pudessem conversar, sorriu enquanto confirmava sua presença. Deu play no filme, voltando a assistir Harry Potter em seu dia da preguiça, pegando no sono poucos minutos depois.

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– Eu não vou vestir isso! – reclamou assim que jogou as peças em cima de sua cama para que pudessem realizar o ensaio de divulgação dos pacotes de Halloween que estavam vendendo. No meio da semana, comentou com sobre os freelances que fazia em Brusque e a loira adorou a ideia, sugerindo que ofertassem ensaios individuais de Halloween para juntar dinheiro para a viagem ao Japão. Acostumada com aquele tipo de trabalho, logo montou um plano de trabalho para as duas, que estava sendo colocado em prática naquele sábado. ficaria encarregada da maquiagem e figurino e da fotografia e edição, já que ela tinha um olhar mais atento a fotos com pessoas do que .
– Vai sim. – A loira retrucou. – Precisa sair da sua zona de conforto.
– Sair da zona de conforto eu até saio, mas vestida. – chiou e riu.
– É um body e uma meia calça. – Franziu o cenho. – Não é lingerie sexy da Victoria Secrets.
– Usar uma saia não vai causar a Terceira Guerra Mundial. – A brasileira insistiu, enquanto a outra revirava os olhos.
– Anda logo, . – Impôs, sem deixar brechas para que retrucasse.
A fotógrafa bufou e seguiu para o banheiro com as roupas em mãos. Não levou 10 minutos para se vestir e quando voltou para o quarto, encontrou guardando suas maquiagens, já que estava pronta para as fotos. A brasileira suspirou, já arrependida por ter aceitado ser modelo naquele dia. Mas ela não tivera muitas alternativas, visto que era péssima com maquiagem e figurino e de forma nenhuma seria inteligente colocar apenas para modelar e ter um trabalho meia boca.
Ambas as garotas haviam analisado a situação com muito cuidado antes de finalmente decidirem expor a proposta dos photoshoots em suas redes sociais. O pacote completo não era caro e faria uma enorme diferença para a viagem ao Japão. Mas estava temerosa. Suas redes sociais estavam uma loucura, a todo instante recebia um novo seguidor e novos comentários em suas fotos. Comentários nada gentis, mas ela estava ignorando tudo. havia brincado sobre vender pacotes para as fãs de e alguma tentar matar , mas para a garota aquela era uma possibilidade muito real. Boa parte do fandom não estava feliz com os rumores sobre um relacionamento entre o cantor e ela e os comentários nas redes sociais apenas deixavam à brasileira ainda mais apreensiva. Não queria parecer estar se aproveitando da visibilidade que sua aproximação com havia proporcionado, então a única maneira de provar que não estava apenas sugando a fama dele era expondo seu trabalho. E por aquele motivo, estava usando um body preto por cima de uma meia calça arrastão e sentindo-se completamente nua. A maquiagem forte em seu rosto apenas reforçava uma imagem sexy que não encontrava em si constantemente. E quando a campainha tocou, arregalou os olhos e soltou um palavrão em português.
– Porra, eu esqueci do ! – ela murmurou, entrando em um pequeno momento de desespero.
– Oi? – franziu o cenho.
– Ele queria sair hoje, mas como tínhamos marcado as fotos, eu o convidei para vir aqui assistir. – explicou, fechando os olhos em seguida e escondendo o rosto na palma das mãos.
– Isso vai ser interessante. – riu de forma maliciosa.
– Vou colocar uma saia. – decidiu, marchando para sua arara de roupas. a puxou pelo braço e a empurrou para a sala no instante seguinte.
– Você vai abrir essa porta e deixar babar nesse corpo maravilhoso e se arrepender por ainda não ter te beijado, enquanto eu fico no banheiro fingindo que não estou aqui. – A canadense ordenou, realmente se enfiando no banheiro após abrir a porta, as bochechas coradas e a respiração presa. Levantou a cabeça para encarar e o encontrou com os olhos levemente arregalados e a boca aberta, como se ele estivesse pronto para falar alguma coisa e tivesse sido interrompido subitamente.
– Oi ! – murmurou, a voz um pouco mais aguda que o normal.
– Porra. – Foi a resposta do cantor, o que apenas deixou as bochechas da brasileira ainda mais coradas.
– Entra. – Ela disse.
não teve tempo de se mover para o lado e abrir espaço para entrar na casa, visto que ele venceu o espaço com dois passos, obrigando a recuar e encontrar a parede às suas costas. fechou a porta com o pé e parou bem em frente à , seus corpos quase colados. prendeu a respiração enquanto não desviava o olhar do dela, parecendo hipnotizado ou algo daquele tipo.
– Por favor, – ele murmurou num tom de voz baixo. – Diz que você está sozinha em casa e esse barulho no banheiro é minha imaginação. – Suspirou ao final da frase e quase riu em puro desespero. Ter tão perto daquela maneira abalava completamente suas estruturas. A única coisa que passava em sua cabeça eram lembranças sobre a textura daqueles lábios contra os seus, hipóteses sobre o gosto do beijo dele e a expectativa de ter as mãos de apertando sua cintura. era muito mais baixa e teria que se inclinar ou então ela o deixaria pegá-la no colo para que pudessem se beijar confortavelmente.
está aqui. – A brasileira pontuou e a expressão decepcionada de fez tudo valer a pena. Até sua irritação com aquela roupa havia passado, tamanha era a influência de em seu sistema nervoso. O coração de era realmente fraco, mas apenas porque era a criatura mais perfeita que existia no mundo, na concepção dela.
– Merda. – Suspirou, fechando os olhos e prendendo o lábio inferior por entre os dentes. As mãos estavam espalmadas na parede, uma de cada lado da cabeça de . se inclinou para ela, já de olhos abertos, beijando seu rosto demoradamente antes de murmurar: – Você está incrível.
– Obrigada. – sorriu, o coração tão acelerado que poderia alçar voo a qualquer instante. – Foi ideia da . – Admitiu. – Não estava confortável assim.
– Você é incrível usando moletom também. – pontuou. – Mas está acabando comigo nesse momento. – Sorriu para ela. – Esse batom é muito convidativo. vai me matar se eu estragar o trabalho dela.
– Provavelmente. – concordou. – Sabe o que eu acho?
– O que? – os olhos do cantor brilhavam para a garota.
– Que quando finalmente nos beijarmos, não vamos ficar só nisso. – Suspirou.
– E isso é ruim? – questionou, confuso.
– Só se você for ruim de cama. – provocou e riu, puxando-a para um abraço inesperado.
– Nem você acredita nisso. – Ele disse e a garota não pôde contestar. Realmente não acreditava que ele pudesse ser ruim de cama.
– Seria um desperdício incalculável. – deu de ombros, partindo o abraço e puxando para a sala, batendo na porta do banheiro e ouvindo um resmungo nada simpático de lá de dentro. – Não seja fofoqueira . – A brasileira chiou, enquanto ria.
abriu a porta do banheiro, colocando apenas a cabeça para fora e encarando e , que agora ocupavam o sofá.
– Você não pode me culpar por querer ser voyeur. Vocês são a encarnação do motivo pelo qual eu sou bissexual. – Alegou, deixando corado e presa em uma crise de risos.
– Você é terrível. – Acusou.
– E vocês tem muito autocontrole. – retrucou e nenhum deles pôde contestar. Afinal, ela tinha razão. Eles tinham mesmo muito autocontrole.

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adorava Halloween. Era um de seus feriados favoritos, mesmo que o Canadá não tivesse muitos feriados e ele gostasse de todos. Naquele ano decidira não usar nenhuma fantasia e soltou um assobio em puro alívio quando passou pelas portas do clube onde e iriam fotografar naquela noite e encontrou muitas pessoas sem fantasia. Brian havia enchido o saco para que o cantor usasse ao menos uma máscara, mas não estava no clima para se fantasiar naquela noite. Não estava no clima nem para sair de casa, mas queria ver . E não poderia deixar de prestigiar a garota e em seu primeiro contrato como fotógrafas independentes.
Os photoshoots de Halloween que elas haviam anunciado foram um sucesso e elas estavam cheias de trabalho, tendo vendido cerca de vinte ensaios e conseguido um contrato para fotografar duas festas temáticas naquela semana. e haviam conversado muito pouco nos dias que seguiram à noite na casa da garota, visto que ela havia trabalhado loucamente em todos os horários livres que tivera, já que além de fotografar, ela tinha que editar as fotos antes de enviar aos compradores. Haviam se falado na noite anterior apenas para confirmar sua presença na festa naquela noite e então voltara a trabalhar, enquanto gastava seu tempo de ócio com seu caderno de partituras, tentando rascunhar alguma melodia para a letra de Nervous que havia começado no domingo. Ainda estava tudo uma bagunça, visto que ele havia escrito frases desconexas, mas aos poucos ele ia se organizando e ajeitando as coisas.
seguiu para o bar junto de Brian, pedindo duas cervejas e voltando a circular pela festa, encontrando outros amigos pelo caminho e jogando conversa fora, completamente distraído. Aos poucos ia se animando para a festa e quando o flash de uma câmera estourou em sua direção, abriu um sorriso largo apenas para fechá-lo instantes depois ao encontrar o encarando.
– Não precisa de toda essa alegria ao me ver, . – A loira brincou, estirando a língua para o cantor.
– Desculpe. – torceu o nariz. – Pensei que fosse…
– A , eu sei. – assentiu em concordância. – Ela está no segundo andar. – Informou e levantou a cabeça, vasculhando o camarote com o olhar.
– Logo eu subo. – Murmurou e riu.
– Eu não sei como vocês conseguem fingir que não estão loucos um pelo outro. – A loira estalou os lábios. bebeu mais de sua cerveja, desviando o olhar de e fazendo-a rir alto.
– Não estamos fingindo. – Retrucou.
– Certo. – Ela debochou. Levantou a câmera em direção a e bateu mais uma foto, analisando seu trabalho e dando-se por satisfeita ao abrir um sorriso. – vai ter uma foto exclusiva.
– Ela tem várias. – riu. – Eu nem a vejo tirar as fotos.
– Isso porque você fica olhando para ela com uma cara de idiota e não percebe as coisas ao seu redor. – alfinetou.
– Ótimo. – estalou os lábios. – Agora você e Camila podem se unir e me chamar de trouxa juntas. – Sorriu sem mostrar os dentes. gargalhou.
– Eu e a Camila poderíamos casar, isso sim é algo interessante. – sorriu. – Tchau , boa sorte na sua procura. – Alargou o sorriso antes de sumir na multidão.
riu sozinho, dando meia volta e seguindo para o bar novamente. Pediu outra cerveja antes de subir para o segundo andar. Encontrou Brian e os outros amigos antes de sequer ter a chance de procurar por e acabou sendo arrastado para a mesa, ocupando um dos pufes e dando mais um gole em sua cerveja, enquanto ouvia a conversa sobre o último jogo do Toronto Maple Leafs e soltava alguns comentários ocasionais. Estavam no meio de uma conversa animada sobre hóquei quando mãos cobriram os olhos de e o rapaz ouviu um assobio que identificou como sendo de Brian, já que o amigo soltou um palavrão em seguida. Abriu um sorriso, largando a garrafa de cerveja na mesa e segurando os pulsos da pessoa que cobria seus olhos.
– Eu vou receber alguma dica? – indagou, mesmo que já soubesse quem era a pessoa às suas costas. soltou uma risada.
– É uma garota muito legal.
– Posso arriscar a da lista. – Alfinetou e mais uma risada soou às suas costas.
– Sem dúvidas. – concordou.
Afastou as mãos do rosto de e o beijou na bochecha esquerda, sentando ao lado do rapaz, que aproveitou a movimentação para observá-la dos pés à cabeça, enquanto ela cumprimentava as outras pessoas na mesa. estava linda e não pôde conter o sorriso bobo que surgiu em seus lábios.
– Oi! – ele murmurou. – Você está linda. – Elogiou e a garota corou levemente.
– Obrigada. – agradeceu. – Não tem a mesma emoção do Carnaval, – alfinetou e revirou os olhos para ela. – Mas Halloween não é tão ruim, para ser honesta.
– Halloween é ótimo. – retrucou. – Deixe de ser chata. – Estirou a língua para ela.
– Nosso trabalho aqui termina às duas da manhã, mas conseguiu ingressos para outra festa. Quer ir?
– Com você? – indagou e a garota assentiu. – Vou até o inferno. – Concluiu, deixando-a ainda mais corada.
– O álcool já está fazendo efeito. – murmurou. sacudiu a cabeça em negação.
– Você sabe que não. – Ele retrucou e preferiu não responder. Deitou a cabeça no ombro dele e deixou abraçá-la pelos ombros, como já estavam acostumados.
– Você não deveria estar trabalhando? – o cantor questionou.
– Eu tenho 15 minutos de intervalo. Sinta-se privilegiado, pois os estou gastando com você. – montou uma expressão pomposa no rosto.
– Eu sou realmente um cara muito sortudo. – riu e o acompanhou.
– Estou exausta. – Murmurou. – Mas louca para poder aproveitar a próxima festa.
– Você não faz sentido. – concluiu e a garota deu de ombros. – Gosto de você assim. – beijou-a na cabeça, enquanto se aconchegava mais nos braços dele. Gostava muito de tê-la perto daquele jeito. Seu coração acelerava, mas toda sua mente ficava em paz. era mais eficaz para acalmá-lo que alguns dos remédios para ansiedade que tomava.
E mesmo que ambos tivessem percebido alguns flashes de câmeras em sua direção, nenhum deles se afastou pelos próximos dez minutos ou passou a fingir que não se conhecia. estava tendo um bom momento com a garota de quem gostava e tinha zero preocupações com o resto do mundo naquele momento.

Capítulo 15

We walked in the rain
A couple blocks to your apartment
You told me to come inside
Caught me staring in your eyes

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A fachada do pub não era realmente convidativa e não poderia julgar ou por fazerem uma careta e trocarem um olhar preocupado a respeito da procedência daquele local. Haviam chamado um Uber quando o horário de trabalho das duas acabou, já que estavam todos animados para o tal pub que mencionou ter bebidas incríveis. Brian era o mais animado devido a quantidade considerável de álcool que ele já envia ingerido, sacudindo o corpo de acordo com a batida da música que tocava dentro da festa, a qual ainda não havia identificado completamente, mas que soava familiar em seus ouvidos.
– Não façam essa careta. – os repreendeu e ambos trocaram mais um olhar receoso, antes de suspirar audivelmente.
– Isso não parece um pub. – disse por fim, recebendo um revirar de olhos da amiga.
– Porque é um bar. – retrucou. – Um bar que também é pub.
– Então tem strip-tease aqui? – Brian questionou, agora recebendo olhares nada gentis dos três restantes. O ruivo fez uma careta desgostosa. – Bom, eu só perguntei. – Deu de ombros.
– Idiota. – xingou. – Não é esse tipo de lugar. – falou, dando passos confiantes até a entrada do local, sendo seguida por todos. – Eu esperava que você já tivesse reconhecido a música, . – Lançou um olhar debochado para a brasileira, que franziu o cenho e se concentrou na batida da música. A careta em seu rosto apenas aumentou de tamanho quando identificou a música que tocava: Show das Poderosas, da cantora Anitta.
– Isso é um pub que toca música brasileira? – questionou, em dúvida. assentiu com a cabeça e sorriu, pulando em cima da amiga e a abraçando com força.
– Eu te amo! – falou em português, causando risos na loira e um sorriso frouxo em . Ele adorava ouvi-la falar em português, mesmo que não entendesse nada.
– Espero que isso não seja um xingamento. – murmurou, fazendo a amiga rir e negar com a cabeça.
– Disse que amo você. – explicou.
– Eu sei. – A loira piscou os olhos, puxando pela mão e seguindo para a portaria. – Eles têm uma política incrível de não perturbação. – explicou. – Ou seja, ninguém vai saber que você esteve aqui, – olhou para . – Acompanhado do seu affair. – Abriu um sorriso malicioso para , que imediatamente fez uma careta em desagrado e recebeu um aperto em suas bochechas dado por . entregou as entradas para o segurança e em poucos instantes estavam os quatro dentro do pub, que tocava uma música ensurdecedora e tinha a pista de dança abarrotada de pessoas dançando e se divertindo.
– Kevinho! – gritou assim que uma nova música iniciou, arrancando risos dos canadenses, devido a tanta animação que ela demonstrava. – Olha o que ela faz no baile funk com as amigas… – cantarolou sozinha, deixando-os completamente confusos quanto as palavras que dizia.
O pub era bastante normal, na opinião da garota. Paredes escuras, piso de concreto e luzes coloridas. A mesa do DJ era decorada com tinta neon e o bar se localizava na lateral do pub. Não havia mesas, como na maioria das casas noturnas no Brasil e adorou aquilo. Sentia falta de reclamar por não ter onde sentar, já que no Canadá a maior parte dos pubs contava com mesas e cadeiras em alguma parte do estabelecimento. seguiu com Brian para o bar, após ouvirem repetir a palavra “caipirinha” mais de dez vezes, enquanto as amigas iam para a pista de dança. não era uma dançarina incrível, mas era muito melhor que a maioria das canadenses presentes no pub e logo estava ensinando a dançar os diversos tipos de funk que tocavam.
– Aqui a caporinha. – Brian estendeu o copo para assim que ele e as encontraram na pista de dança, arrancando uma gargalhada de .
– Caipirinha. – Ela corrigiu e o ruivo revirou os olhos.
– Foi o que eu disse. – Ele retrucou.
– Nem você acredita nisso. – debochou, destinando um sorriso para antes de beber um gole da bebida que ele havia lhe entregado e soltar uma exclamação de puro deleite.
– Eu senti falta disso! – murmurou. franziu o cenho para ela.
– Você não preparou isso no seu aniversário? – questionou, se inclinando para baixo e murmurando no ouvido da garota.
– A minha é uma merda. – disse, fazendo-o rir. – Mas a melhor caipirinha do mundo é minha mãe quem faz. Sério, – olhou para com intensidade. – Não existe nada melhor do que a caipirinha dela.
– Só existe uma maneira de eu concordar com isso. – disse, um sorriso torto em seus lábios. o encarou.
– Como?
– Irmos para o Brasil e você me apresentar sua família. – Deu de ombros. – Desta forma eu conheceria a sua mãe e ela poderia fazer caipirinha. – Sorriu. mordeu o lábio inferior, devolvendo o sorriso ao cantor em seguida.
– Quer conhecer sua futura sogra? – riu, deixando claro que estava brincando.
– Sim, por favor. – E a forma séria como concordou com a afirmação da garota, fez o coração dela pular e quase parar. tinha certeza de que iria matá-la algum dia.
Muitas caipirinhas depois e danças desengonçadas onde tentava ensinar aos canadenses o mínimo dos movimentos de dança que ela conhecia e recebia um desastre como resultado, a garota desistiu e resolveu apenas dançar, já que o álcool inibia sua timidez e a deixava completamente desinibida e enérgica. A festa estava realmente boa e todos eles estavam se divertindo muito, aproveitando a política de não perturbação e esquecendo de que era mundialmente famoso e perseguido por adolescentes e jovens mulheres em todo canto que pisava. Quando Harry Porra começou a tocar, olhou para e o viu franzir o cenho ao ouvir a palavra “Hogwarts” e fazer uma careta ainda mais expressiva ao perceber a música tema de Harry Potter ao fundo da batida que tocava na festa.
– O que é isso? – indagou para , procurando nos outros dois canadenses a mesma dúvida e os encontrando no meio de uma dança completamente desordenada. gargalhou, se inclinando para cima enquanto segurava no ombro esquerdo do cantor para se apoiar.
– O melhor do Brasil. – ela respondeu. – Esse funk faz paródia de Harry Potter e é simplesmente incrível.
– Wow. – riu. – E o que diz a letra? – a curiosidade dele era genuína e não conseguiria negar nada para ele naquele momento. E o álcool em seu sistema deixava-a corajosa o suficiente para traduzir Harry Porra para .
– Eu não tenho como traduzir literalmente, pois no Brasil existem tantas denominações para “bunda” e “sexo” quanto existem fãs malucas. – Riu e a acompanhou. – E vocês nativos de língua inglesa não tem essa pluralidade.
deu de ombros. – Aceito a tradução geral. – disse por fim e estalou os lábios, jogando o resto de seu bom senso no lixo ao decidir traduzir a música para o canadense.
– Drag your butt on the wand. – murmurou, tentando seguir as palavras que Mc Maha cantava. – Go sit on the broom. Hey, little witch with big ass, an ass that flies. – Gargalhou dos olhos arregalados de . – Drag your butt on the wand, go sit on the broom. Hey, little witch with big ass, call me Harry fuck. – E com a última frase, caiu na risada a ponto de precisar que a segurasse para que ela não caísse no chão. Levou alguns segundos para se recompor, fazendo uma careta ao levantar a cabeça rapidamente e sentir os efeitos do álcool com maior precisão.
– Eu estou traumatizado, talvez. – disse por fim, a expressão de choque em seu rosto sendo algo impagável para . Ele a abraçava pela cintura para que a garota pudesse se manter em pé com pouco esforço, já que sua sobriedade estava em risco.
– Esse cara é um gênio. – A brasileira murmurou. – Pegou todas as referências de Harry Potter e colocou conotação sexual. É praticamente poesia! – exclamou, na voz lenta e enrolada que apenas uma pessoa bêbada possuía.
– Eu tenho certeza de que não é poesia. – retrucou, rindo da careta que abriu para ele. Ele precisava se inclinar para que ela falasse perto de seu ouvido e se fazer audível para ela, já que a música continuava altíssima.
– Poesia sexual, . – Estalou os lábios, semicerrando os olhos para o cantor. – Não muito diferente da letra de Lights On. – O sorriso debochado estava de volta nos lábios dela enquanto corava.
– Você tem fixação por Lights On, não é? – indagou, realmente curioso.
– É você cantando sobre sexo. – retrucou. – É óbvio que eu tenho fixação.
– Por quê? – a encarou com diversão. deu de ombros.
– Deixa espaço para a imaginação. – Murmurou. – Porque apesar de ser uma música sexual, é extremamente fofa.
– E daí?
– E daí que talvez você seja um cara fofo. – arqueou as sobrancelhas para . – Sabe, naquela hora. – riu, bebendo mais um gole de sua caipirinha sem ter nenhuma noção do que estava provocando em com toda aquela conversa sobre sexo. Afinal, a atração entre eles não era segredo e aquele tipo de conversa não era o ideal para se ter no meio de uma festa, onde o cantor não podia responder as dúvidas de com ações. Era só olhar no rosto de para perceber o quanto ele queria dar aquelas respostas para a fotógrafa naquele momento.
– Eu não sou um cara fofo. – foi a resposta de , minutos mais tarde. Recebeu um olhar confuso de , que não pôde questionar sobre aquela afirmação já que e Brian retornaram do bar com mais alguns copos de bebida, distraindo-os da conversa anterior.

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Stay do Zedd com Alessia Cara tocava, e apesar de algumas reclamações de pela mudança do setlist – o DJ sempre escolhia um horário aleatório da madrugada para tocar os maiores hits mundiais do ano, segundo – todos estavam dançando e se divertindo a valer. interpretava a música, sentando em um dos bancos do bar, enquanto Brian gravava alguns stories e , já menos prejudicada pela bebida, tentava dançar de uma forma bem desordenada. ria dos amigos, também afetado pelo álcool, mas em um grau mais baixo que o restante do grupo.
– Vem dançar, ! – chamou quando viu o garoto se virar para pedir mais uma bebida, mesmo com uma ainda em mãos, detendo-o. fez uma careta e negou com a cabeça no mesmo instante, arrancando risadas de Brian e uma careta descontente da fotógrafa.
– Eu não sei dançar. – argumentou.
– Eu sei que você não sabe. – retrucou, revirando os olhos antes de segurar a mão de e o puxar para a pista de dança. E por mais que seu bom senso lhe dissesse para permanecer com Brian e , se deixara levar por . Ele não negaria nada que ela lhe pedisse com aquele sorriso nos lábios. E o álcool o deixava fraco, tornando-o ainda mais facilmente influenciável pela garota.
– Se você sabe disso, por que está insistindo?
– Porque não é necessário saber dançar para tentar dançar. – deu de ombros. Virou-se para quando encontrou um lugar na pista que fosse de seu agrado e então começou a se balançar no ritmo da música, sem se preocupar por não estar sendo uma exímia dançarina. bebeu o resto de sua cerveja, sem desviar o olhar da garota e sorriu de forma culpada quando seus olhares se encontraram e ela fez uma careta. – Vamos , por favor! – pediu, um bico se formando em seus lábios. Ele jogou o copo no lixo mais próximo e voltou para perto de .
– Você sabe que é fofa, não sabe? – indagou, se inclinando na direção dela para facilitar a comunicação. – E que isso torna difícil negar qualquer coisa para você. – estalou os lábios, enquanto ria. E ele sabia que ela não estava corada e reclamando por ele deixá-la sem graça, pois o álcool estava agindo em seu organismo. Adorava a desinibida, mas amava a corada e tímida.
– Meu coração é…
– Fraco, eu sei. – riu. Deu um passo em direção a e sorriu largo quando ela fechou os olhos ao sentir o toque dele em sua cintura. – Mas eu fico fraco quando você faz essas caretas. – murmurou, deixando um beijo na testa da brasileira.
– Às vezes eu acho que estou sonhando. – suspirou. Abriu os olhos e soltou uma risada nasalada. – Não faz sentido, eu devo estar em coma profundo ou algo assim.
– Por quê? – franziu o cenho em confusão. Não afastou sua mão da cintura da garota e ela não parecia inclinada a reclamar.
– Você na minha vida. – deu de ombros. – Não faz sentido que esteja a fim de mim, sabe? Eu sou tão normal. – suspirou. – Praticamente sem graça. E desastrada.
– É por isso que você é insegura? – indagou, sem desviar o olhar do de .
– Em partes. – ela assentiu. – É difícil resistir, para ser sincera. Você é tipo meu sonho de consumo. – riu. – Bonito, cheiroso, educado, simpático, carinhoso… É fácil demais me apaixonar por você, te conhecendo pessoalmente. – deu de ombros. Acabou fechando os olhos e abraçando o cantor pela cintura, descansando a cabeça no peito dele. – Eu te amava como meu ídolo, . Mas agora estou me apaixonando por você, o Peter Raul , o cara de verdade e não o da tela do meu celular.
? – chamou, mas a garota parecia não o ouvir. Estava no meio de seu desabafo bêbado e a única coisa que o canadense poderia fazer era abraça-la com força e ouvi-la com atenção. E foi o que ele fez.
– Mas aí você gostar de mim? – ela riu de forma debochada. – É difícil acreditar. Eu sou uma boa amiga. Tento ser uma boa pessoa. E as pessoas gostam de mim por isso. Mas você gosta além disso e é assustador. – murmurou. – Porque é você e você é incrível. Tenho medo de perder a chance de ser apenas sua amiga ao deixar isso rolar e você descobrir, no futuro, que eu sou completamente normal. E deixar de gostar de mim. E então eu perderia sua amizade. – o suspiro que a garota soltou deixou o coração de pequeno e apertado. – E eu gosto muito de ter você na minha vida. Não quero te perder. – disse por fim e quando segurou em seu queixo e levantou seu rosto para que pudessem se encarar, percebeu os olhos marejados de e soltou um resmungo sofrido.
– Você não vai me perder, . – garantiu, mas ela não pareceu acreditar. – Eu gosto de como me sinto quando estou com você. Não abriria mão disso e estou falando sério.
assentiu com a cabeça. – Eu acredito em você.
– E vai acreditar que estou me apaixonando. – garantiu. – Eu vou te provar isso.
– Não fiquem tristes! – berrou às costas de , assustando-os e fazendo xingar em português. – Por que essas carinhas tristes? – enrolou a língua para falar e riu. estava muito mais bêbada que e perdia completamente a noção de privacidade. Não que ela tivesse muita noção disso em seu estado sóbrio, de qualquer forma.
– Não estamos tristes. – respondeu e logo Brian se postou ao lado da loira, com uma expressão nada feliz no rosto. desfez o abraço e a abraçou pelos ombros.
– Você acabou com o clima. – ele a xingou. – Eles finalmente iam se beijar.
– Não íamos. – negou e recebeu um revirar de olhos e um bufo em desagrado.
– Ah não, pode beijar. – Brian ordenou, fazendo-os rir. – Eu não aguento mais o resmungando que vocês ainda não se beijaram e que ele quer muito que isso aconteça.
parou de rir e suas bochechas coraram, enquanto gargalhava e arqueava as sobrancelhas para o cantor.
– Ele resmunga muito? – indagou, o sorriso provocativo exposto em seus lábios. apertou as bochechas da garota e deu um tapa em Brian, antes que o rapaz pudesse entregá-lo, mesmo que o ato não tivesse tido o resultado esperado.
– Muito! – Brian exclamou. – Só falta chorar. Beija ele logo, ! – a forma enérgica como o rapaz gesticulava apenas fez rir e corar ainda mais.
– Você precisa juntar as cabeças deles. – orientou, bebericando um copo com cerveja. – Aí vai funcionar.
– Vocês não tem uma festa para curtir? – indagou, claramente envergonhado.
– Nós temos. – retrucou, apontando para o quatro. – Saiam do mundinho e venham se divertir conosco. – atirou um beijo para os amigos e os puxou novamente para perto do bar, sem deixar brechas para que eles retrucassem.
Mais copos de cerveja foram pedidos e algumas caipirinhas, enquanto todo tipo de música tocava na festa, divertindo a todos e fazendo até mesmo tentar dançar um pouco. The Cure da Lady Gaga havia finalizado a poucos instantes quando os acordes de There’s Nothing Holding Me Back soaram pelo pub acompanhado do grito de , que causou risos em e Brian e um sorriso largo de .

I wanna follow where she goes
I think about her and she knows it
I wanna let her take control
‘Cause every time that she gets close, yeah
A garota o puxou para perto para que pudessem dançar e logo estava pulando e rodopiando enquanto segurava as mãos do cantor. E enquanto ria da animação dela, pôde perceber duas coisas: o quanto adorava a naturalidade de e o quanto aquilo o fazia se apaixonar um pouco mais por ela, já que a garota estava tendo um momento fangirl alucinada enquanto ouvia uma música de seu ídolo – mesmo que estivesse em contato direto com o mesmo naquele instante -, o que apenas mostrava que ela não se inibia perto dele ou mantinha máscaras em sua personalidade; e o quanto aquela música representava sua situação, mesmo que ele não tivesse escrito para a brasileira.

Oh, I’ve been shaking
I love it when you go crazy
You take all my inhibitions
Baby, there’s nothing holdin’ me back
Não havia nada o impedindo. Nem mesmo a mídia ou os fãs que poderiam se aborrecer por estar em um relacionamento – mesmo que ele ainda não estivesse em um. Sua família, seus amigos ou sua equipe não eram um empecilho. Seu coração menos ainda. Estava de portas abertas e chamava por , que pulava e gritava a letra da música como se aquela fosse a primeira vez que a canção estivesse tocando em público. havia surtado daquela mesma maneira e ter mostrando o quando gostava dele, com aquele simples gesto, encheu seu coração de amor e carinho. Ele queria prendê-la em seu abraço, encher seu rosto de beijos e sentir o cheiro característico que só ela tinha e não encontrava em nenhum outro lugar. Sorriu quando abriu os olhos, completamente alienada em seu mundo de fangirl, antes de pular em seu pescoço e abraça-lo com intensidade.
– Logo mais serão multidões em estádios berrando essa letra. – ela murmurou, fazendo-o sorrir ainda mais largo e se deixar envolver pela animação de . Balançou seu corpo no ritmo da música e isso a fez sorrir largamente. – there’s nothing holding me back…

‘Cause if we lost our minds and we took it way too far
I know we’d be alright, know we would be alright
– If you are by my side and we stumbled in the dark, – cantou para a garota, puxando-a para perto de seu corpo e grudando sua testa na dela. Fechou os olhos, respirando fundo e apertando os braços em torno da cintura de , antes de voltar a cantar. – I know we’d be alright, we would be alright…
E então sentiu os lábios dela contra os seus, ato esse que transformou seu coração em uma bomba relógio, prestes a explodir. Novamente a maciez da boca de causou borboletas em seu estômago e soltou um suspiro de prazer quando os lábios dela se abriram e a língua contornou sua boca de forma carinhosa. Deixou um dos braços em torno da cintura da brasileira enquanto a outra mão subia para a nuca dela, segurando seus cabelos em um bolo enquanto o abraçava pelo pescoço. Suas línguas se encontraram, sedentas e curiosas, e o beijo que deveria ser curto, se estendeu por mais algumas canções, os prendendo em uma bolha de satisfação onde nada no mundo poderia se comparar as sensações que sentiam. Ambos beijavam com o corpo inteiro e o coração exposto, tornando aquele carinho ainda mais íntimo e intenso. Quando o ar lhes faltava, mordidas carinhosas eram distribuídas no lábio inferior e no queixo um do outro, para então retornarem ao beijo, ainda mais sedentos do que antes. Até que suas bocas inchadas e vermelhas estivessem quase doloridas e a finalização daquele carinho fosse necessária. A respiração falha manteve de olhos fechados, a testa voltando a se colar na de pela simples falta de vontade de se afastar, já que seu corpo pedia por ela mais e mais. Um selinho foi depositado em seus lábios e abriu os olhos, encontrando em um reflexo de como estava se sentindo: estupidamente feliz e insanamente satisfeito.
– Puta merda. – o cantor murmurou, seu coração na boca. sorriu para ele.
– Estou me sentindo da mesma forma. – disse por fim, voltando a colar seus lábios nos de em um selinho simples.

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O riso alto ecoou pelas ruas quando cruzou a esquina, correndo. a seguia, também rindo e tentando proteger o cabelo da chuva torrencial que caía durante a madrugada. Havia sido uma péssima ideia colocar o destino do Uber uma quadra antes do apartamento de , mas eles não tinham outra opção. ainda era mundialmente famoso, mesmo que estivesse se sentindo como qualquer outro cara em Toronto naquela noite. Tudo por causa da brasileira maluca que havia lhe dado os melhores beijos de sua vida a menos de uma hora. A ideia para despistar o endereço de soara brilhante até a chuva começar a cair, quando eles haviam dado menos de 10 passos para fora da entrada do apartamento onde o Uber os havia deixado.
– Aí está a sua chuva. – murmurou, o riso ainda em seus lábios quando sentiu os braços de a puxando em sua direção e a envolvendo pela cintura. Faltavam poucos passos para estarem seguros da chuva embaixo do saguão do prédio onde morava, mas não dava à mínima. Queria beijá-la naquele instante e isso ficava claro em seu olhar. tinha certeza de que acabaria com dores nas costas por sempre precisar se inclinar para baixo e já previa a necessidade de usar seus dotes limitados como massagista no garoto. Não seria nenhum sacrifício vê-lo sem camiseta e ter os músculos das costas dele a disposição de suas mãos.
– Você me beijou antes. – lembrou, sorrindo largo após deixar um selinho nos lábios da brasileira. – Estragou nossa comédia romântica.
– Me perdoa. – fez um bico com os lábios. – Mas te beijar durante uma música sua é muito mais “nós” do que beijar na chuva. Você está odiando ter o cabelo estragado que eu sei. – pontuou e deu de ombros, não negando a afirmação da brasileira.
– Poderia ter o cabelo estragado por você também. – sorriu sugestivo e gargalhou, se afastando e o puxando para continuarem o caminho até o prédio.
– Você passou muito tempo com a . – a garota acusou. riu.
– Talvez. Ou talvez eu só esteja sendo completamente sincero. – murmurou.
abriu o portão e então parou na soleira da porta do prédio, passando a mão pelos cabelos e tentando secar o rosto com a manga do vestido, já que estavam seguros da chuva embaixo do toldo. parou a frente dela, no degrau debaixo, puxando-a para frente em um abraço apertado e colando seus lábios com vontade.
– Tem certeza de que foi uma boa ideia deixar e Brian irem para a casa dele juntos? – o rapaz questionou, parecendo realmente preocupado.
– Eles não estavam tão bêbados para não saberem tomar decisões. – garantiu. Havia conversado com a amiga antes de ir embora e checado se realmente queria aquilo e se não era o álcool falando por ela. Apenas concordou em deixar os dois curtirem a noite juntos quando teve certeza que estava sóbria e ciente de sua decisão. Se ela se arrependesse no dia seguinte, não poderia culpar o álcool.
– Bêbado ou não, Brian jamais recusaria uma proposta de . – murmurou, fazendo a garota rir.
– Ele é um cara esperto. – disse por fim, subindo as mãos para o pescoço de e encontrando o cabelo úmido dele. Brincou com os fios, enquanto o cantor fechava os olhos e soltava um suspiro satisfeito.
– Você vai entrar, não vai? – questionou, um sentimento gostoso de “casa” tomando seu peito conforme recebia os carinhos de .
– Não existem possibilidades de eu negar esse pedido. – o canadense disse por fim.
– Piedade meu pai. – murmurou em português e fez uma careta, enquanto a garota ria. – Desculpe. – fez um bico.
– Você tem certeza de que quer que eu suba? – questionou. Segurou o rosto de e acariciou as bochechas dela. – Você precisa trabalhar amanhã.
– Só a partir do meio dia. – a brasileira explicou. – A empresa liberou a manhã para o pessoal curar a ressaca.
– Trabalho dos sonhos, uh? – o sorriso estava nos lábios de quando sentiu a boca de contra a sua.
– Não tenho do que reclamar. – disse.
– Então eu subo. – o cantor respondeu. – Aproveitar enquanto você está aqui e não no Japão. – riu fraco. – Eu não vou conseguir te tirar da minha cabeça mesmo. – suspirou.
– Pode tirar minhas roupas. – sorriu atrevida e gargalhou.
– O que aconteceu com a tímida? – questionou, divertido. A garota o beijou no rosto, dando de ombros em seguida.
– Você enfiou a língua na boca dela. Não existe mais timidez com essa linha ultrapassada. – retrucou, soltando os cabelos de para poder entrelaçar seus dedos nos dele. Tirou a chave do bolso e destrancou a porta da frente, seguindo com para o elevador após trancar a porta outra vez.
se escorou na parede de metal, abrindo os braços para e o abraçando pela cintura quando ele se aproximou. deixou o queixo repousar no topo da cabeça da fotógrafa, as mãos na cintura dela acariciando sua pele por cima do tecido da roupa.
– Eu não sou fofo. – ele tornou a repetir e franziu o cenho devido à confusão mental em que entrara.
– Perdão? – questionou, levantando a cabeça e encarando o cantor com curiosidade. Seu queixo estava apoiado no peito de , que aproveitou a oportunidade para lhe roubar um selinho.
– Você deu um palpite. – a lembrou. – Usando Lights On como base. – arqueou as sobrancelhas para ela e riu, assentindo com a cabeça com a lembrança do comentário.
– Sim, lembrei agora. – estalou os lábios. – Eu disse que você poderia ser um cara fofo, já que havia escrito uma música fofa para falar de sexo.
– Isso. – concordou e sem desviar o olhar do dela, murmurou: – E eu estou lhe dizendo que não sou um cara fofo.
arqueou as sobrancelhas para ele, mordendo o lábio inferior em seguida, antes de se inclinar para cima e juntar seus lábios em um beijo sem língua.
– Seria um desperdício horroroso se você fosse apenas fofo. – ela disse por fim e puxou para fora do elevador, em direção ao seu apartamento. Mal teve tempo de fechar a porta às suas costas e ele já a havia pegado no colo e grudado seus lábios em um beijo intenso.
Eles teriam um longo resto de madrugada e talvez um pedaço da manhã muito agitados.

Capítulo 16

You’re all I think about when I’m awake
Part of every night and every day
And everything’s a mess when you’re away

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O sol que invadia o quarto pela fresta da cortina foi quem despertou . Ele estranhou a cama e o perfume dos lençóis quando se encontrou acordado o suficiente para raciocinar, só então percebendo que uma respiração calma batia contra seu pescoço enquanto um braço o envolvia pela cintura. bocejou preguiçosamente, sentindo-se completamente confortável e satisfeito quando as memórias da madrugada invadiram sua mente e ele deu-se conta de onde estava e o mais importante, com quem estava. Levou alguns segundos para abrir os olhos e quando o fez, não pôde conter o sorriso largo que se abriu em seus lábios. dormia ao seu lado, a cabeça em seu ombro enquanto o abraçava pela cintura de forma inconsciente. Os cabelos dela estavam uma bagunça e sua feição era tranquila, enquanto o lençol cobria seu corpo e escondida sua nudez. Aquela mesma que havia beijado e acariciado com tanta devoção e necessidade, na qual estava viciado. tinha certeza de que poderia encarar aquele rosto todos os dias e continuar achando-a a mulher mais linda do mundo, porque para ele, realmente era a mulher mais linda do mundo. Simplesmente porque ele estava completamente e perdidamente apaixonado por ela.
Passeou os dedos da mão esquerda pelo braço de que descansava em sua barriga e ela suspirou, se aconchegando em seus braços e facilitando os movimentos para que a abraçasse, passando um dos braços por baixo do corpo da garota e a puxando de encontro ao seu próprio. estava praticamente fazendo de colchão e o garoto não poderia se importar menos. Passou a contornar a curvatura do pescoço da garota, lhe causando arrepios e ouvindo um resmungo insatisfeito que indicava que estava acordando. Sorriu um pouco mais e desceu as carícias para as costas e cintura da mulher, que suspirou e apertou o ombro de com a mão que antes descansava na barriga dele.
– Para. – resmungou, a voz saindo um pouco mais grave que o normal. – Eu estou exausta e a culpa é sua. Deixe-me dormir.
– Eu adoraria. – respondeu. – Mas são 10 horas e você precisa trabalhar. E almoçar antes disso.
– Posso levantar às 11h e tomar um iogurte antes de sair. – retrucou, se inclinando para o lado e caindo novamente no colchão. Virou-se de costas para , ainda sem abrir os olhos, e puxou um dos travesseiros para abraçar e aconchegar o rosto no objeto. riu, se virando para ela e a abraçando pelas costas, deixando alguns beijos no ombro da garota.
– O almoço é uma refeição importante para você. – ele comentou. – Nós canadenses estamos acostumados a comer sanduíches no almoço, mas você é brasileira. Precisa de comida.
– E como você sabe dos meus costumes? – questionou, parecendo muito mais acordada do que seu corpo jogado na cama demonstrava.
– Fiz minha lição de casa. – disse com simplicidade, finalmente conseguindo com que parasse de se fingir de morta e se virasse para ele. sorriu largo quando ela estreitou o olhar e roubou um selinho da garota, que apenas aumentou sua careta desconfiada.
– Você não pesquisou sobre o Brasil por minha causa. – ela murmurou.
– Por que você acha que não? – franziu o cenho.
– Ninguém faz isso, . – disse o óbvio.
– Eu não sou todo mundo. – o cantor deu de ombros. – E você não é como nenhuma outra garota que eu já tenha conhecido. Fiquei curioso e queria te conhecer um pouco mais. – ele disse e após longos segundos sendo encarado por , recebeu os braços dela em torno de seu corpo e a cabeça voltando a repousar em seu peito.
– A cada segundo eu me apaixono mais. – a fotógrafa disse. – Se você quebrar o meu coração, a vai arrancar as tuas tripas. – ameaçou, fazendo o cantor gargalhar e beijar-lhe o topo da cabeça.
– Pode ter certeza de que isso não será necessário. – garantiu e a apertou mais em seus braços. – Então, almoço?
levantou o olhar para ele e sorriu de canto, assentindo com a cabeça em concordância. – Almoço.
– E o que você normalmente almoça? – o rapaz questionou, interessado.
– Eu tenho porções congeladas de comida. – a garota explicou. – Faço grandes porções no domingo e congelo para o resto da semana. O cardápio de hoje é arroz, feijão e carne com legumes. – falou, fazendo o rapaz lembrar-se de sua própria mãe. Karen vivia dizendo para levar comida congelada para casa e parar de viver de tele entrega quando ele não ia almoçar em casa com ela.
– Sabe o que eu acho? – questionou, mudando completamente de assunto, já que o rosto de sua mãe atravessou seus pensamentos.
– Se você não falar, eu não saberei. – disse o óbvio e riu, concordando com um aceno de cabeça.
– Você precisa conhecer a minha mãe. – disse por fim e arregalou os olhos, se esquivando para longe de no instante seguinte e o deixando com um sentimento irritante de vazio.
, é muito cedo para isso. – a fotógrafa pontuou. – A gente nem sabe se isso aqui vai dar certo e… – começou a tagarelar, deixando o medo dominar seus pensamentos mais uma vez. sacudiu a cabeça para os lados e puxou a garota para seus braços, juntando seus lábios e iniciando um beijo lento e intenso, cheio de significado e repleto de carinho. Não estava nem aí se ambos não haviam se escovado ou tido o mínimo de higiene pessoal diária. Só queria perto de si e o medo longe dela.
– Isso só não vai dar certo se não tentarmos. – ele murmurou quando findou o beijo, sem desviar o olhar da garota. – Cadê a cheia de coragem da madrugada?
– O álcool levou embora a minha coragem. – a garota suspirou, se deixando ser abraçada por , em uma clara tentativa de buscar proteção nos braços dele. – Eu sou insegura, me desculpa.
– Você não precisa se desculpar. – sorriu e apertou o abraço em torno dela. – Só precisa tentar junto comigo, tudo bem?
– Tudo bem. – suspirou e abriu um meio sorriso. – Mas vamos deixar o convite para o futuro, pode ser?
– Você vai para o Japão em cinco dias. E eu volto para a turnê em 23 dias. Vamos precisar organizar nossas agendas. – lembrou e a fotógrafa riu.
– Nossas agendas. – ela repetiu. – Gosto disso.
– Eu também. – o cantor disse por fim e estava prestes a tomar a garota em seus lábios novamente quando a campainha soou e o grito de , seguido de batidas na porta, ecoaram pelo apartamento. suspirou e revirou os olhos, se colocando de pé e caçando suas roupas com o olhar. aproveitou o momento para de recostar nos travesseiro e apreciar , respirando fundo uma dezena de vezes para não matar naquele mesmo instante, já que sua única vontade era alongar os minutos com naquela cama e repetir mais algumas vezes os eventos da madrugada.
– Onde você colocou a minha calcinha? – a garota questionou, se virando para , que deu de ombros.
– Eu não estava prestando atenção nisso. – ele disse por fim, fazendo-a revirar os olhos e se virar para esconder as bochechas coradas. Acabou achando a peça de roupa e a vestiu junto com a camiseta de , jogando a cueca e a calça dele em seu colo para que ele também se vestisse.
! – gritou mais uma vez e essa foi a deixa para também se vestir. Acabou achando uma camiseta de quando levantou da cama, já usando suas roupas, e foi atrás da garota, impedindo-a de abrir a porta. Segurou a barra da camiseta e a puxou para cima, beijando-a mais uma vez com intensidade enquanto vestia a outra camiseta na garota, separando seus lábios apenas para passar a peça de roupa pela cabeça de . Ela riu do ato do cantor, se virando para a porta e a abrindo no mesmo instante em que vestia sua própria camiseta.
fez a careta quando viu no corredor. A garota usava as roupas da noite anterior, sua maquiagem estava um caos e os cabelos presos em um rabo de cavalo completamente desorganizado. arqueou as sobrancelhas para os amigos, estalando os lábios e soltando um palavrão em seguida.
– Minha missão na Terra é empatar as fodas de vocês. – disse por fim. – , eu sei que isso é pedir demais, mas eu realmente preciso da agora. – a garota suspirou e assentiu com a cabeça. Voltou para dentro do apartamento em busca do resto de seus pertences e após estar devidamente vestido, se aproximou de – que estava no sofá com – e se inclinou para ela, deixando um beijo sem língua em seus lábios e sorrindo para ela quando se afastou.
– Janta comigo amanhã? – ele indagou e a garota assentiu, também sorrindo para ele. Ouviram um resmungo de e desviaram o olhar para a loira.
é tão lindinho. – ela suspirou e ergueu o dedo do meio para a amiga.
– Tchau . – murmurou, beijando mais uma vez e seguindo para fora do apartamento. Estava no saindo do prédio quando terminou de digitar uma mensagem para Brian, após ler as mensagens que havia recebido do amigo. Guardou o celular no bolso e sorriu, esquecendo-se completamente da bagunça que estava seu melhor amigo após ser abandonado por durante a manhã, sem que ela ao menos se despedisse.
estava tão feliz que não conseguia concentrar seus pensamentos em qualquer coisa que não fosse .

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A brasileira estava com o copo de suco a meio caminho da boca quando as palavras de a fizeram encarar a loira com os olhos arregalados e a respiração trancada, devido ao espanto que a notícia havia lhe causado.
– Tudo bem. – disse por fim. – Então vocês transaram e foi bom. – ela murmurou, recebendo um aceno de cabeça da amiga.
havia instruído a tomar um banho e vestir uma roupa decente assim que as deixou naquela manhã, enquanto ela mesma se organizava, para que ambas pudessem almoçar em algum lugar antes de irem para o trabalho. Acabaram em um restaurante a duas quadras de distância da empresa, e optaram por pratos de sopa e pães caseiros que não lhes tomariam mais do que uma hora de almoço e não lhes atrasaria para as sessões que deveriam fotografar naquele dia. Ambas usavam roupas confortáveis e só esperavam que aquele dia acabasse logo. A ressaca da noite anterior estava atacando sem piedade, mas não podia afirmar que sua cabeça estava ok. Ela sentia uma dorzinha chata, mas os acontecimentos da madrugada faziam qualquer dor ser completamente ignorada tamanha era a felicidade da brasileira. Afinal, estava apaixonado por ela e ela estava nas nuvens por conta daquilo.
– Exatamente. – concordou. – Eu nunca havia olhado para Brian daquela forma. – suspirou, dando mais algumas colheradas de sopa e então voltando a encarar . – Mas então ele se declarou e eu o beijei. Não sei o porquê, apenas tive vontade. E foi realmente bom.
– Certo. – estalou os lábios.
– Mas quando eu acordei hoje, só conseguia pensar em como havia feito uma merda gigantesca. Eu estava bêbada sim, mas sabia o que estava fazendo. Eu fiz porque eu quis. E foi bom. Eu não entendo porque estou tão arrependida. – fechou os olhos, abandonando a colher dentro da tigela e usando as pontas dos dedos para acariciar as extremidades de sua testa.
– Ai . – suspirou, estendendo o braço até a amiga e acariciando seu ombro. – Às vezes as coisas simplesmente não encaixam.
– Mas encaixou. E muito bem, por sinal. – a loira retrucou e fez uma careta.
– Eu realmente não quero saber detalhes do desempenho do Brian, por favor. – estirou a língua para a amiga.
riu. – As coisas simplesmente não são para ser. Mas eu fico com pena, sabe?
– Por quê? – franziu o cenho.
– Ele realmente gosta de mim. – suspirou, o semblante triste. – Gosta de verdade e eu não fazia ideia. , eu sempre tirei o Brian para um melhor amigo. Eu contava tudo para ele. Literalmente, tudo. – fez uma careta e a brasileira a acompanhou. – Imagina o quanto deve ter sido ruim para ele me ouvir falar sobre as pessoas por quem eu me apaixonei? – suspirou novamente. – E agora isso. Eu não consegui ao menos esperar ele acordar para a gente conversar. Apenas fugi.
– Isso é realmente uma bosta. – concordou. – Mas você precisa conversar com ele sobre isso. E ele precisa superar. Ninguém é obrigado a retribuir os sentimentos de ninguém. E você não deve se culpar pelo sofrimento que talvez ele tenha passado. Foi escolha dele não te contar antes.
– Mas estava na cara! – retrucou.
sorriu para ela. – Não estava, caso contrário você teria percebido. – deu de ombros.
– Eu não sei o que faria sem você. – a loira disse por fim, levantando e abraçando pelos ombros. – A gente se conhece a tão pouco tempo e mais parece uma vida.
– As maluquices do destino. – riu, enquanto voltava a se sentar.
– Eu me meto em cada furada. – reclamou para si mesma.
– E eu passo vergonha. – sacudiu as mãos. – Uma dupla imbatível.
– Só falta a para fechar o grupo das loucas. – a loira riu e a acompanhou.
– Nem fala da . Preciso ligar para ela com urgência. – revirou os olhos. – Ou ela vai encher o saco para sempre porque vai ser a última a saber.
– VAMOS FALAR DISSO! – praticamente gritou e fez uma careta, olhando a sua volta e abrindo um sorriso de desculpas para o casal que almoçava perto delas e faziam caretas em sua direção. Lançou um olhar feio para a amiga, que atribuiu zero importância para o ocorrido enquanto o sorriso malicioso se abria em seus lábios.
– Estávamos falando de você e Brian.
– Não existe eu e Brian. – cortou. – Já discutimos isso e agora eu só preciso conversar com ele abertamente sobre o assunto. Quando isso acontecer, voltamos a falar disso. Por ora, quero saber de você e . – alargou o sorriso e sentiu suas bochechas ruborizarem.
– Eu não vou te dar detalhes. – decidiu e revirou os olhos. finalizou sua sopa e bebeu um pouco de suco, antes de voltar a encarar a amiga.
– Sem graça.
– Mas foi incrível. – sorriu largo. – O tipo de coisa que a gente só vê em filmes, sabe? Que parece tão irreal e improvável de acontecer conosco. – suspirou de forma encantada. – Foi realmente maravilhoso.
– Ok, você gozou várias vezes. – a loira concluiu, recebendo um beliscão no braço como resposta.
!
– Nós não temos 15 anos, . – revirou os olhos.
– Sim, mas… É difícil falar sobre isso. Eu não quero estragar e sinto que se tirar de dentro de mim, tudo vai ruir. – mordeu o lábio inferior. franziu o cenho para a amiga.
– Por quê?
– Ele tem uma vida pública. E eu não sou mais uma buscando fama através dele. Então sinto que devo guardar isso para mim, dentro do meu coração, apenas para nós. Apenas para quando estivermos juntos. – suspirou novamente. encarou a amiga com o pesar em seu olhar.
– Eu consigo te entender. Mas não concordo. te conhece. Ele sabe que você gosta dele de verdade e que não está atrás de fama.
– Ele sabe. – concordou. – Mas o restante do mundo não.
– E você não deveria se preocupar com o restante do mundo. – aconselhou.
– O restante do mundo é o mundo dele, . – sorriu triste. – Eu não vou ser a pessoa que o faz escolher entre isso, principalmente, porque eu perderia. E eu não quero perdê-lo.
levantou novamente, empurrando para o lado e sentando ao lado dela. Abraçou a amiga pelos ombros, deixando-a descansar a cabeça em seu ombro, lhe dando apoio e conforto, fosse o que precisasse naquele momento.
– Talvez você devesse deixa-lo escolher ao invés de supor que ele já tem uma escolha.
– Mas ele já tem e eu não vou me iludir com o contrário. – disse resignada e Não insistiu. Ela sabia que a brasileira estava dando passos pequenos naquela relação e superando seus medos e que mais cedo ou mais tarde, ela veria o que via quando a estava olhando. Era óbvio que estava apaixonado e não dava importância para a mídia. Ele não parecia o tipo de cara que iria se esconder do mundo, principalmente por estar tão apaixonado. suspirou, beijando na testa. Ela esperava que ultrapassasse seus limites e se deixasse viver aquele relacionamento.
E enquanto era abraçada, ela só conseguia pensar no quanto maravilhosa havia sido sua noite e que ela queria que aquilo perdurasse. Precisava manter seu relacionamento em segredo, para que as coisas não fossem arruinadas. Ela realmente não queria perder .

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Merda. Era a única coisa que passava pela cabeça de enquanto ele tentava terminar de cozinhar a carne para misturar no molho de tomate e colocar por cima do macarrão. Porque ele era realmente ruim na cozinha e não sabia que poderia fazer ambas as coisas na mesma panela. Não até ele ligar para sua mãe e tirar as dúvidas, sentindo-se o maior idiota do mundo por não conseguir ao menos fazer um macarrão para o jantar. Fez uma careta para o conteúdo dentro da panela, não colocando nenhuma esperança de que a comida ficaria boa. Olhou para o relógio no pulso e suspirou de alívio. Ainda era cedo e poderia pedir uma pizza.
O barulho da campainha o distraiu e abaixou o fogo, correndo até a porta e sorrindo largo quando sorriu para ele. Segurou a mão da garota e a puxou para dentro do apartamento, grudando seus lábios em um beijo com gosto de saudades após fechar a porta às suas costas. Segurou o rosto dela com ambas as mãos, acariciando suas bochechas e suspirando ao finalizar o beijo. Manteve os olhos fechados por alguns instantes, absorvendo os sentimentos bons que pipocavam em seu interior, enquanto fazia carinhos em seu pescoço. Abriu os olhos e a encontrou o observando, alargando seu sorriso ao ver a mesma felicidade que sentia espelhada nos olhos dela.
– Oi.
– Você está cheirando a molho de tomate. – comentou.
– Estou tentando cozinhar. – o cantor fez uma careta e riu.
– Está tentando me impressionar, ?
– Vou conseguir? – arqueou as sobrancelhas.
– Se a comida ficar boa. – estalou os lábios e fez uma careta.
– Batalha perdida. – murmurou, fazendo-a rir. A garota entrelaçou seus dedos nos dele e o puxou para a cozinha, amarrando os cabelos em um coque e lavando as mãos em seguida. Postou-se na frente do fogão, enquanto a observava provar um pedacinho da massa já cozida. O rapaz fez uma careta ainda maior, esperando ver vomitar a comida, quando na realidade ela fez uma careta de surpresa e encarou com os olhos arregalados.
– Você cozinhou a massa sozinho?
– Está passando mal? – ele questionou, se aproximando dela rapidamente. riu, negando com a cabeça.
– Não. – crispou os lábios. – Está bom, na verdade.
a encarou com descrença.
– Não está.
– Está sim. Na verdade, melhor que a massa da . – garantiu. – Só vamos precisar salvar o molho. Você poderia ter feito na mesma panela, sabia? – ela riu, após dar uma olhada a sua volta e encontrar a panela na qual tinha cozinhado o molho de tomate. O cantor fez uma careta e assentiu.
– É, eu fiquei sabendo. – suspirou, passando a destra pelos cabelos em seguida. o puxou para perto e se postou às suas costas, a abraçando pela cintura e repousando o queixo no topo da cabeça da garota.
– Me sinto uma criancinha assim. – ela reclamou, mas não desfez o abraço, o que fez sorrir. Ele a observou terminar de cozinhar e temperar a carne e então misturar com o molho de tomate. recitava o passo a passo, dando dicas e mais dicas para que o cantor melhorasse seus dotes culinários e prestava atenção em cada palavra. Queria realmente melhorar e conseguir fazer uma refeição decente para , que adorava comer. E ele queria agrada-la de todas as formas possíveis.
– E dessa forma temos um prato de macarrão com molho de carne decente. – ela finalizou, despejando queijo em cima do molho e desfazendo o abraço que mantinha em sua cintura para colocar o refratário no forno. – E se colocar queijo em cima, pode gratinar. Parece um prato finíssimo, mas é só macarrão, molho e queijo. – sorriu, se virando para , que abriu os braços para a garota no instante seguinte. se aconchegou em seus braços e suspirou em pura satisfação quando ela lhe beijou o queixo e voltou a recostar a cabeça em seu peito.
– Passei o restante do dia de ontem e hoje o dia inteiro querendo esse abraço. – ele confessou. – Estou viciado, .
– Como você vai ficar sem mim durante uma semana? – questionou, em tom de brincadeira.
– Vou voar até o Japão para te ver. Vamos nos perder por lá. – o rapaz sorriu e apertou os braços em sua cintura, aspirando o cheiro dele.
– Molho de tomate. – ela repetiu. – Mas principalmente você.
– Nós podemos tomar um banho. – sussurrou, se inclinando para baixo, enquanto segurava o queixo de com a destra e o erguia para que seus lábios se encontrassem. – Juntos.
– É uma ideia boa. – concordou, deixando seus lábios se tocarem enquanto murmurava as palavras. – Mas alguém precisa cuidar o forno. – fez a careta e torceu os lábios.
– Mas eu estou com fome. – ele disse, a encarando com intensidade.
– Por isso eu preciso cuidar o forno. – a garota repetiu o óbvio e ele negou com um aceno de cabeça.
– Não é esse tipo de fome. – disse por fim, vendo-a corar e morder o lábio inferior. a beijou com intensidade, tirando o fôlego e a sanidade da brasileira conforme suas línguas se acariciavam e as mãos dele tomavam posse da cintura da garota. Firmes e ansiosas por toques mais íntimos.
– Se eu colocar o timer, nunca vamos jantar. – suspirou. – A gente toma banho depois, pode ser? – questionou, as pernas fracas devido ao beijo que havia trocado com . O cantor assentiu, tomando os lábios dela novamente para si. Concordaria com qualquer coisa que aquela boca lhe dissesse. Ele já não tinha mais nenhum controle sobre o que estava sentindo por aquela garota.

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suspirou, passando as mãos pela barriga enquanto batia um pé no outro ritmadamente e encarava o teto branco do quarto de . A garota ficara meio acanhada quando segurou seus dedos e disse que iria lhe apresentar o resto da casa, principalmente porque eles acabaram no quarto dele, que era do tamanho de sua casa inteira. Apesar se morar em um loft imenso, não era o tipo de artista excêntrico e sua mobília não gritava os vários zeros que ele tinha em sua conta corrente. Na verdade, tudo parecia bem simples e aconchegante, fazendo com que se sentisse confortável por ver tanto do que ela conhecia em sua casa. Era a combinação perfeita e se não fosse o escritório com prateleiras cheias de prêmios, jamais poderia afirmar que , o astro do pop, morava naquele lugar.
O barulho do chuveiro distraiu a garota e ela virou o rosto em direção ao banheiro, que tinha a porta entreaberta, deixando apenas a sombra do rapaz visível. suspirou novamente, fechando os olhos enquanto as lembranças da madrugada anterior pipocavam em sua memória. Ela jamais poderia dizer que não conhecia a perfeição, pois era a completa personificação da palavra. Tudo nele era simplesmente impecável, desde as bochechas naturalmente rosadas até os ossos do quadril. Os cachinhos, os olhos cor de mel, as costas largas… Ele era realmente um pecado e queimaria no inferno com gosto se pudesse tê-lo por todos os dias de sua vida.
– Você não quer mesmo se juntar a mim? – gritou do chuveiro, fazendo a garota rir e se virar na cama, mantendo-se deitada de lado na direção do banheiro, observando a sombra do cantor.
– A gente vai gastar muita água. O planeta está em colapso, precisa que tenhamos consumo responsável. – ela estalou os lábios, ouvindo a risada gostosa dele em retorno.
– Você é maravilhosa. – murmurou. – Mas é má.
– E você é lerdo. Anda logo , eu quero carinho. – reclamou, ouvindo mais risadas e se virando novamente de barriga para cima. Estava cantarolando a música tema do filme Frozen quando o toque do celular de soou pelo quarto. torceu o nariz, contendo a curiosidade de ler o nome na agenda do cantor, decidida a ignorar. Não era da sua conta, afinal de contas. O telefone tocou por incontáveis segundos e parou, voltando a tocar no instante seguinte. fez uma careta. – , seu telefone.
– Vê quem é, por favor. – o rapaz pediu e a garota suspirou em insatisfação. Estava contendo sua curiosidade e ele simplesmente lhe atiçava daquela maneira. Não era justo.
estendeu a mão até o criado mudo e pegou o celular, que parou de tocar na mesma hora apenas para receber novas mensagens no WhatsApp. Cathe e um emoji de bruxa era o nome que aparecia nas ligações perdidas e também no aplicativo de mensagens. estreitou o olhar para tentar ver melhor a foto de perfil da pessoa e soltou um palavrão em português quando identificou Catherine Heize na foto do WhatsApp. Não era surpresa para , que e a cantora alemã eram grandes amigos, mas ela não esperava um contato tão direto com nenhum amigo famoso do cantor, mesmo que o contato direto fosse uma mensagem no celular do próprio .
– O contato está salvo como Cathe e um emoji de bruxa. – informou. – Ela mandou uma mensagem no WhatsApp também, dizendo que é urgente. Caso de vida ou morte. – franziu o cenho, preocupada com a seriedade da mensagem.
– Ela sempre faz isso. – retrucou e quase o viu revirando os olhos. – Se ela ligar novamente, atenda e peça para ela ligar mais tarde.
– Não vou atender seu celular. – a fotógrafa contestou, tomando um susto quando o telefone de voltou a tocar e sem querer, seu dedo deslizou pela tela e ela atendeu a chamada, tirando um print da tela ao mesmo tempo. Os cabelos loiros de Catherine ocuparam quase toda a tela do celular e soltou um palavrão, desacreditada na beleza daquela mulher que a encarava com um sorriso iluminado.
! – Catherine Heize exclamou, como se já conhecesse a duas décadas e elas fossem grandes amigas íntimas que não se falavam a muito tempo. A brasileira apenas a encarou, com o queixo caído e os olhos arregalados.
? – chamou, a voz abafada dentro do banheiro. – O que foi?
– Eu atendi a ligação sem querer, mas já vou desligar. – a brasileira exclamou rapidamente e estava prestes a desligar a chamada de vídeo quando Catherine soltou um “não” bem alto.
– Eu quero falar com você! – Catherine sorriu.
– Comigo? Por quê?
– Porque eu estou curiosa a seu respeito e não fala muita coisa, esse idiota. – revirou os olhos.
– Ah. – corou.
– Você é tão linda! Ao menos isso esse bundão soube dizer e não estava errado. – Catherine elogiou e quase riu. A loira tinha a língua afiada e não estava nem aí para as convenções sociais.
– Desligou? – questionou e virou o rosto em direção ao banheiro, mordendo o lábio inferior. Sabia que não deveria manter aquela conversa com a amiga de pelo celular dele, mas a loira não parecia disposta a aceitar que desligasse.
– Ela não vai desligar. – Catherine gritou e soltou um palavrão.
– Desliga , antes que seja tarde demais e a Catherine te envie um convite para o grupo “vamos irritar o “. – o rapaz exclamou e as duas mulheres riram.
– Eu adoraria estar nesse grupo. – retrucou e xingou. A garota ouviu o registro ser fechado e voltou a olhar para o celular, encontrando Catherine a analisando.
– Você está tão apaixonada! – a cantora exclamou. – E ele por você! Eu já estava shippando vocês antes mesmo de perceber que estava apaixonado.
– Eu realmente não sei o que falar. – murmurou, suas bochechas coradas. Catherine riu.
– Não precisa dizer nada. Aliás, você precisa dizer quando iremos nos conhecer pessoalmente. Apesar de você ter um gosto horrível para homens.
é incrível. – pontuou e Cathe revirou os olhos.
– Essas covinhas malditas dele realmente nos deixem enfeitiçadas, mas acredite, ele é um demônio. – contestou. riu. – Você precisa me passar seu número, é sério. – Cathe exclamou.
– Mas por quê?
– Porque vamos ser ótimas amigas e ótimas amigas conversam pelo WhatsApp. – estalou os lábios.
– Tudo bem. – cedeu, passando seu número para Catherine, mesmo sabendo que ela e a loira jamais seriam grandes amigas. – Mas você pode me achar no Instagram também.
– Acredita que não me deixou te seguir no Instagram? – fez uma careta. – Me ameaçou de morte!
– Ele não faria isso.
– Não fez. – Catherine admitiu. – Mas foi quase isso, eu juro.
– Você é dramática demais. – reclamou, saindo do banheiro e andando até a cama, sentando ao lado de , recostando-se na cabeceira da cama e puxando para seu colo. A garota apoiou a cabeça na coxa do cantor, que passou a acariciar seus cabelos em um cafuné gostoso. Ela ainda segurava o celular e quando tentou entregar o objeto para , o cantor recusou e estirou o dedo do meio para Catherine. – Cathe, essa é a . , essa é a Cathe, a amiga mais insuportável que qualquer pessoa poderia ter.
– Você me ama , aceite. – Catherine retrucou.
– Não. – sacudiu a cabeça em negação.
– Você é um ridículo, mas vocês ficam lindos juntos. – a loira sorriu largo. – Me adotem, por favor!
– Nunca. – grunhiu e lhe lançou um olhar feio.
– Não a trate assim. – ralhou, mesmo sabendo que não tinha nenhuma moral para chamar a atenção do canadense. Mas seu feminismo era realmente algo destacado em sua personalidade e deveria saber daquilo.
– Eu amo essa garota, é sério! – Catherine riu. – A melhor namorada que você já teve, sem dúvidas. – voltou a dizer, ao mesmo tempo em que corava e puxava o celular de suas mãos, xingando Catherine e desligando a chamada. o encarou rapidamente, o pedido de desculpas em seu olhar.
– Eu não deveria mesmo ter atendido. – ela suspirou. – Me desculpe. Não queria me meter na sua vida.
riu, sacudindo a cabeça para os lados e sorrindo para ela.
– Eu quero você se metendo na minha vida, . – murmurou, enrolando a língua ao pronunciar o nome dela e causando uma falha cardíaca momentânea na brasileira. Ela realmente amava quando ele dizia seu nome. – Quero que conheça meus amigos, minha família…, Mas a Catherine é irritante. – torceu o nariz.
– Eu gostei dela. – sorriu. Passou o braço direito por baixo da coxa de e a abraçou, suspirando satisfeita quando ele voltou a acariciar seus cabelos.
– Ela já é sua fã antes mesmo de saber seu nome.
– Então falou de mim para uma cantora mundialmente famosa? – disse em um tom de divertida superioridade.
– Para duas, na verdade. – respondeu. – Camila está louca para te conhecer.
se colocou sentada na cama, os olhos arregalados e o queixo caído, novamente surpresa. – Camila Cabello?
– Ela é minha melhor amiga. – deu de ombros, o sorriso iluminando seu rosto. – Acha que eu não contaria para ela sobre a garota por quem me apaixonei?
– Você vai me matar. – decidiu e a puxou para mais perto, colando seus lábios.
– Não pretendo fazer isso, pois preciso de você aqui comigo. – murmurou, colando suas bocas e causando arrepios em todo corpo de .
iria acabar derrubando todas as paredes de proteção que havia erguido, simplesmente porque estava tão apaixonado que não deixava em dúvida sobre a veracidade de seus sentimentos. E ela era seu completo reflexo, já que se apaixonava um pouco mais a cada segundo.

Capítulo 17

You make me feel
Like I got it all, yeah
And you make me feel
Like I’m just a kid in love

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Estou esperando por você no carro 11:53 am

Essa foi a mensagem que o cantor enviou para quando estacionou o carro em frente ao prédio onde a garota trabalhava, colocando o boné e mantendo a cabeça baixa para evitar ser reconhecido dentro do veículo. Havia convencido ela a almoçar com ele naquela sexta-feira, usando argumentos de que conhecia um restaurante reservado onde eles não seriam incomodados pelos paparazzi, já que ao mencionar um almoço, recebera uma desculpa qualquer de , na qual o cantor não havia acreditado nem por um instante e permanecera insistindo até que a garota finalmente confessasse os motivos pelos quais não queria sair com ele. E era tudo o que o cantor já esperava. já havia percebido que preferia manter as coisas em segredo e ele a entendia completamente. Seu mundo era realmente gigante e maluco, sendo o oposto do mundo de , do qual ela parecia gostar muito. Mas odiava se esconder e esperava que a garota começasse a se abrir para a possibilidade de eles terem um relacionamento público ou então as coisas poderiam se complicar. Ele entendia os motivos para ela ter receio e admirava a forma como tentava protegê-lo, mas esperava que ela fosse abandonando a necessidade de se esconder aos poucos. não saberia lidar com um relacionamento às escondidas. Todo seu problema com Hailey o havia ensinado a jamais esconder o que sentia.
E sim, ele sabia que era precipitado estar pensando em um relacionamento. Afinal de contas, ele e haviam ultrapassado os limites da amizade há apenas três dias, mesmo que verbalmente esse limite não existisse desde o aniversário dela. Eles tinham muito que conversar e decidir, mas estava certo de seus sentimentos pela brasileira. E não conseguia conter suas expectativas e esperanças. Ele queria muito dar certo com , já que estava apaixonado por ela como não se lembrava de já ter estado algum dia em sua vida.
Bateu os dedos no volante no ritmo de Havana e pegou o celular para gravar um stories cantando a música com animação, marcando Camila na publicação e postando em seu Instagram. Bloqueou o celular e voltou a olhar pela janela, sorrindo largo quando apareceu na porta do prédio e fazendo uma careta imediata quando reconheceu a pessoa que a estava acompanhando. Torceu o nariz e tentou puxar de sua mente o nome daquele rapaz, não tendo nenhum sucesso e soltando um suspiro resignado. não acreditava que estava tendo ciúmes de um colega de trabalho de , por quem ela já havia admitido não sentir nada. não tinha dúvida dos sentimentos de por ele. Conseguia sentir a veracidade das palavras dela em cada poro de seu corpo. Mas então, por que vê-la abraçar um amigo lhe deixava tão desconfortável? E enquanto caminhava até o carro, com um sorriso gigante ao colocar os olhos em pelo para-brisa, o cantor entendeu o porquê estava sentindo-se daquela maneira. Ele queria ser a pessoa que abraçava em público. Queria vê-la sorrir para ele aonde quer que fosse o lugar, e não a ter afastada e se escondendo das pessoas quando ele estivesse por perto, como havia acontecido no jogo do Blue Jays. Queria poder beijá-la em qualquer lugar e levá-la para conhecer a cidade sem se preocupar por estarem sendo fotografados ou seguidos. Queria que tivesse a mesma leveza e naturalidade que tinha ao estar com ele em um ambiente privado, em um ambiente público. E quando a garota sentou no banco do carona e sorriu para ele, soube que não deveria beijá-la. Ali fora, eles eram apenas amigos. E estava odiando aquilo.
– Oi! – ela sorriu, estendendo a mão até a perna do rapaz e acariciando o local com a ponta dos dedos. – Está tudo bem? – franziu o cenho quando não lhe respondeu nada. O cantor forçou um sorriso, mesmo sabendo que não iria convencê-la e virou o rosto para frente, girando a chave na ignição e dando partida no carro. – ?
– Eu só preciso de um minuto. – o cantor murmurou, respirando fundo e focando toda sua atenção no caminho que faria até o restaurante. Eles teriam quinze minutos de viagem e sabia que não conseguiria manter o silêncio dentro do carro por tanto tempo. Não com o encarando com aflição e estalando os dedos por conta do nervosismo. Suspirou novamente, lançando um rápido olhar para ela antes de começar a falar: – Algum dia você vai estar pronta para entrar no meu mundo? – questionou, escolhendo as palavras com cuidado.
– Do que você está falando? – ela torceu o nariz em confusão.
– Eu sei que você não quer ser vista comigo em público porque acha que as pessoas vão me atacar por isso. – pontuou, usando “pessoas” ao invés de “fãs” de propósito. Ele ainda não acreditava que seus fãs poderiam abandoná-lo por vê-lo em um relacionamento. – Mas eu não quero ser a pessoa escondida no carro enquanto você pode abraçar seus amigos em público porque eles não são famosos.
– Isso é ciúme do Connor? – franziu o cenho. – Eu já disse que não sinto nada por ele. Nós somos apenas amigos.
– Eu sei disso. – concordou, olhando novamente para ela e deixando claro em seu olhar que havia falado a verdade. Ele realmente sabia que gostava dele e não de Connor, mas não conseguia conter o incômodo que estava sentindo. Não quando tinha tantas inseguranças dentro de si. – Mas eu ainda fico incomodado, porque apesar de entender os seus motivos, eu não sei se algum dia nós vamos parar de nos esconder ou de fingir que somos apenas amigos. Porque é isso que estamos fazendo ao ir a um restaurante do outro lado da cidade. É isso que estamos fazendo quando eu não posso te marcar em um stories. É isso que estamos fazendo quando você responde comentários dizendo que nós somos apenas amigos. E nós não somos apenas amigos. – respirou fundo. – O que eu sinto por você não é segredo desde o seu aniversário. Eu estou me apaixonando um pouco mais a cada dia. E eu não quero me esconder disso, . – disse por fim, lançando um novo olhar intenso para a garota, que desviou o olhar no mesmo instante.
– É complicado, , você sabe disso. – murmurou, em um fiapo de voz. – Eu sei o que vai acontecer se nós simplesmente anunciarmos que estamos juntos. E não vai ser bom. – suspirou. – Eu sei o quanto os seus fãs são importantes para você e eu jamais quero que você se prejudique de alguma maneira.
. – chamou, respirando fundo em seguida. – Meus fãs me acompanham porque gostam da minha música. Não porque eu não tenho uma namorada.
sacudiu a cabeça para os lados e abriu um sorriso triste para o cantor. – Eu amo a forma como você enxerga o mundo. É tão bonito desse lado e eu queria poder enxergar pelos seus olhos. Mas eu já estive do lado de lá, . Eu ainda estou do lado de lá de muitas maneiras. Eu já vi isso acontecer com outros artistas, mas nenhum deles tem o apego aos fãs que você tem. E eu sei que isso vai te machucar. E eu não quero te ver magoado.
– Então nós vamos nos esconder para sempre? – indagou, sem conseguir conter seu nervosismo. estacionou o carro em uma rua qualquer e se virou para , com uma expressão nada contente em seu rosto. – Apenas seremos “nós” quando estivermos na sua casa ou na minha? Você vai precisar sair com outras pessoas para fingir que não estamos juntos?
sacudiu a cabeça para os lados em negação. – Eu não disse isso.
– Eu sei que parece cedo para termos esse tipo de conversa. – estalou os lábios, sem desviar o olhar de . – Mas eu não estava brincando quando disse que te quero na minha vida. Eu te quero, por inteira.
– E você me tem por inteira. – sussurrou, se aproximando do rapaz e segurando o rosto de com as mãos, acariciando as bochechas dele com os polegares. fechou os olhos e soltou um suspiro, voltando a encará-la em seguida. – Nós só precisamos ir com calma. Mostrar-nos aos poucos, tudo bem? Deixar as pessoas se acostumarem com a ideia.
– Continuar nos escondendo não vai fazê-las se acostumarem com a ideia. – retrucou e assentiu em concordância.
– Tem razão. – suspirou. Soltou o cinto de segurança e se inclinou novamente para o cantor, o envolvendo em um abraço. a puxou para seu colo e logo seus lábios estavam colados na testa da garota.
– Eu não quero te forçar a nada, . Quero que tenha seu tempo para se acostumar com o meu mundo. – murmurou. – Mas eu também tenho minhas inseguranças. E não quero viver me escondendo novamente.
– E você não vai. – garantiu. – Só precisa ter um pouco mais de calma, ok? – questionou, levantando o olhar para o cantor. – Você me passa a segurança necessária para que eu me sinta segura para entrar no seu mundo. Eu só quero garantir que essa minha entrada não vá te prejudicar. Você entende isso? – questionou, quase em um sussurro. assentiu e o beijou no queixo, se aconchegando mais em seus braços e respirando seu perfume.
– Eu tenho uma coisa para você. – ele murmurou após alguns instantes, mudando de assunto. A briga havia sido superada por ora. – Eu tenho certeza de que você vai gritar, então estou pedindo com antecedência para que você não grite nos meus ouvidos. – sorriu para a garota, que rompeu o abraço no mesmo instante e encarou com a expectativa fluindo do olhar.
– O que é? – questionou e riu, a beijando rapidamente nos lábios.
– Um presente. – suspirou. Estendeu a mão até o porta luvas e o abriu, puxando um embrulho colorido e entregando para . – Eu estou muito satisfeito, pois consegui manter isso em segredo. – sorriu largo, orgulhoso de si mesmo. rasgou o pacote e observou cada pequeno detalhe na expressão dela ao colocar os olhos na capa do CD. Ela balbuciou alguma coisa sem sentido, movendo seu olhar de para o CD e vice versa, até soltar um grunhido de animação e abraçar o cantor com força.
! – exclamou, a voz estridente deixando claro o quanto ela estava animada. – , meu Deus! – riu, praticamente em desespero e a acompanhou na risada. – Quando isso vai ser lançado? – balançou a cópia do MTV Unplugged de um lado para o outro, sem conseguir conter sua animação.
– Hoje à noite. – estalou os lábios. – Essa é a segunda cópia. A primeira eu mandei para a minha mãe. – explicou e sentiu o abraço de em seu pescoço novamente, enquanto a garota o enchia de beijos nos lábios e nas bochechas, rindo esporadicamente e sem motivo aparente.
– Eu quero muito gritar. – ela confessou, ainda risonha e fez uma careta exagerada. – Mas não vou, eu juro! – o beijou no rosto. – Vou passar a tarde ouvindo esse álbum e me sentindo extremamente especial. – sorriu largo e selou seus lábios nos dela, contagiado pela alegria da brasileira.
– Eu espero que você goste. – o cantor murmurou por fim.
– Não existe nenhuma dúvida de que isso vai acontecer. – garantiu, voltando a abraçar e deixando beijos estalados na curva do pescoço dele. Riu alto quando seu estômago fez um barulho e a acompanhou. Afinal, era hora do almoço e precisava comer.
– Se você não partir o abraço, nunca sairemos daqui. – ele avisou. – Eu sou incapaz de te afastar. – beijou a ponta do nariz de , que soltou um grunhido incompreensível.
– Meu coração está extremamente fraco. Vá com calma.
– Eu sei. – o cantor voltou a rir, beijando-a uma última vez antes de voltar para o banco do carona e ele ligar o carro novamente. – Quanto tempo você ainda tem de almoço? – questionou, lançando um rápido olhar para a garota.
– Trinta minutos. – informou e torceu os lábios.
– Não vai dar tempo de uma rapidinha para selar a paz de uma vez por todas. – pontuou e riu alto.
– Não mesmo. Preciso almoçar, lembra? Costumes brasileiros. – debochou e fez uma careta para ela.
– Maldito almoço. – chiou, fazendo-a rir um pouco mais. E enquanto ela ria, admirava o som que saía de seus lábios, um pouco mais apaixonado a cada segundo.

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– Fala sério, vocês vão ficar de beijinhos aí e me deixar segurando vela por mais tempo? Eu já fui castiçal durante toda à tarde! – reclamou, parando no meio do caminho e lançando um olhar nada satisfeito para os amigos. revirou os olhos, bufando e voltando a entrelaçar seus dedos nos de , passando a alça da câmera para o ombro contrário e se aproximando da amiga com uma careta no rosto.
– Bom, vamos lembrar que ninguém te convidou para vir. – chiou e riu da expressão ofendida da loira.
– Bom, eu não estou nem aí. – retrucou.
Aquele era o sábado que antecederia a viagem de ambas as amigas para Tóquio, e graças a , elas haviam passado toda à tarde no High Park fotografando para seus respectivos portfólios, enquanto desfrutava de mais um ponto turístico de Toronto que ela ainda não conhecia, mesmo que eles não tivessem andado por todo o parque naquele dia. Afinal, o High Park era imenso e eles jamais conseguiriam visitar todos os pontos importantes em apenas um dia, principalmente porque o trem do parque não estava mais em funcionamento. sabia que a melhor chance de conhecer o parque por completo seria no verão e havia adiado aquele passeio para abril, já que ela ainda estaria no Canadá. Naquele sábado, eles não se afastaram do centro do parque, o que não deixou de proporcionar ótimas fotos tanto para como para , mesmo que ela tenha surgido como intrusa no passeio, já que estava fugindo de Brian como o diabo supostamente fugia da cruz. havia passado na casa de no final da manhã com a ideia de cancelar o sábado da preguiça e levá-la para mais um passeio antes que a garota fosse para Tóquio. prontamente aceitou e quanto estava saindo de casa, encontrou no corredor e a loira se convidou para o passeio. Não que e não gostassem da companhia da fotógrafa, mas ela havia passado a tarde toda implicando com eles e atrapalhado seus momentos fofinhos. estava prestes a atirar a amiga dentro do Grenadier Pond e deixá-la para morrer congelada.
Apenas não tomava aquela atitude drástica, pois seria presa por assassinato e teria de ficar longe de e sem contato com sua família. E aquilo ela não poderia suportar.
– Eu vou ligar para o Brian. – ameaçou e estirou o dedo do meio para ele, voltando a seguir pela trilha enquanto reclamava dos péssimos amigos que ela tinha. riu e abraçou pelos ombros, voltando a caminhar com a garota na direção do estacionamento do High Park. – Agora falando sério… – murmurou, focando os olhos em . – Brian está uma bagunça. Eu tentei dar alguns conselhos, mas não acho que tenha adiantado.
– Eu já falei para conversar com ele, mas ela está se fazendo de louca. – a brasileira revirou os olhos. – De qualquer forma, eles são adultos. Vão se resolver mais cedo ou mais tarde. – deu de ombros.
– Mas eu fico preocupado. – suspirou, voltando a encarar o caminho que trilhavam.
– Eu também fico. De verdade. – sacudiu a cabeça, apertando mais o braço esquerdo em torno do corpo de . – Mas não podemos fazer nada além de tentar aconselhar eles.
– Parecemos pais. – o cantor riu e o acompanhou.
– Fazemos tudo ao contrário, já percebeu? – ela brincou, levantando a cabeça e encarando com um sorriso divertido. – Primeiro o pedido de casamento, então uma amizade. E aí nós transamos e agora praticamente adotamos e Brian.
– Será que iremos morar juntos antes de realmente começarmos a namorar? – entrou na brincadeira.
– Não brinca com essas coisas. – chiou. – Só de pensar em morar com você eu quase tenho um ataque do coração.
– Na sua casa ou na minha? – insistiu na brincadeira e lançou um olhar semicerrado para ele, o que apenas o fez rir.
– Sua casa é maior. – a brasileira disse o óbvio. – E mais bem localizada.
– Mas eu gosto da sua casa. – deu de ombros. – Principalmente da cama. – ele comentou, como quem não queria nada. o cutucou na cintura, fazendo-o rir e soltar uma exclamação fingida de dor. – Assim não vai dar para moramos juntos. – o canadense estalou os lábios. – Vai ter que me compensar com muito brigadeiro. E beijinho. – fez um bico na direção da garota, que revirou os olhos e deu de língua para o cantor.
– Você é irritante, sabia? – ela chiou, rompendo o abraço e tentando se afastar de , que riu e a puxou para seus braços, abraçando-a por trás e deixando o queixo repousar no topo da cabeça da garota, beijando-lhe os cabelos.
– Eu sei. Minha mãe sempre diz isso. – deu de ombros.
– É por isso que Aaliyah te ignora. – retrucou, recebendo um cutucão na cintura em resposta.
– Ela me ignora porque é uma insuportável. – fez careta.
– Eu tenho certeza que ela é ótima. – defendeu a caçula.
– Eu ainda não contei para ela. – murmurou. – Sobre nós.
– Ela vai rir da sua cara. – comentou, soltando uma risada. – Ela já achava que estávamos namorando antes mesmo de sermos amigos. – lembrou.
– Toda foto que eu postei no stories e você apareceu ela respondia com “amigos” e um emoji debochado. Sério, ela é muito irritante. – o cantor bufou e conteve o riso. Ele tinha um bico irritado nos lábios, coisa que o deixava extremamente fofo.
– Ela deve ter aprendido com o irmão. – retrucou, apenas para provocar. – Tudo que eu aprendi de ruim foi meu irmão quem ensinou. Inclusive a roubar balas e fingir que não fui eu. – estalou os lábios.
– Quando formos a Pickering, vou fazer questão de que seja em um dia em que Aaliyah não esteja. Vocês estão unidas contra mim e só se viram uma vez. – o canadense bufou, fazendo rir um pouco mais.
– Deixe de ser dramático. – virou o rosto para cima e beijou o queixo do rapaz. – Mesmo que você fique extremamente fofo desse jeito.
– Vamos logo casal! – gritou mais à frente e apenas estendeu o dedo do meio para a amiga. desfez o abraço em sua cintura para poder abraçá-la pelos ombros daquela forma que gostava e era tão eles como nenhuma outra.
– Eu tenho pena de você. – ele murmurou por fim e franziu o cenho em confusão.
– Por quê? – questionou, antes de lançar um olhar feio para quando finalmente se aproximaram da garota.
– Porque você vai ter que aguentar a por uma semana, 24 horas por dia. Eu não desejo isso a ninguém. – retrucou, em um tom de voz alto, intencionalmente deixando ouvir sua frase. – Talvez eu só deseje isso para Brian. – arqueou as sobrancelhas, em uma clara provocação.
– Mas para isso acontecer ela precisaria deixar de ser uma covarde, você não acha? – questionou, também entrando na provocação. os encarava com uma expressão de tédio e os braços cruzados, mas seus olhos denunciavam sua irritação.
– Acho. – concordou. – Mas não acredito que ela tenha coragem para isso. – lançou um olhar divertido para , que bufou e jogou os braços para o alto pedindo paciência para Deus e fazendo os amigos rirem.
– Vamos embora de uma vez. – a loira chiou. – E me deixe na casa de Brian, . Vou resolver isso de uma vez para ter minha paz de volta. – bufou ao final da frase e bateu palmas em animação, se inclinando para e selando seus lábios aos dele.
– Nós somos ótimos pais. – a brasileira comentou e assentiu em concordância. – Até chantagem emocional nós fizemos. – riu.
– Vamos falar sobre a nossa casa então. – disse por fim e assistiu suspirar em deleite. Beijou-a mais uma vez, sendo interrompido por uma nada satisfeita.
– Vocês não queriam que eu falasse com Brian? Agora estão ai se amarrando! – reclamou.
– Me deixe jogar essa garota no Grenadier Pond, por favor. – suspirou, a testa colada na de , os olhos fechados e a respiração pesada. A garota só pôde gargalhar, já que havia tido aquele mesmo pensamento naquele dia. Aquela era a sintonia que tinham: como se fossem duas partes de um todo.

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A melodia de Ruin foi a primeira coisa que ouviu quando ele parou em frente à porta de naquela noite de sábado, seguido da voz da garota cantando junto com a sua própria voz. O cantor riu, passando as mãos pelos cabelos enquanto sua mente criava cenários de em sua sala com o controle da TV em mãos, objeto que ela provavelmente usava de microfone. Ela não estava cozinhando naquela noite, já que era quem carregava a sacola com o jantar – ele havia deixado na casa de Brian após o parque, em seu apartamento e havia ido para casa tomar um banho, passando em um restaurante italiano no caminho da casa de -, então provavelmente estava ouvindo o MTV Unplugged pela quarta vez enquanto performava as canções.
tocou a campainha e o som da música foi baixado consideravelmente, instantes antes da porta ser aberta e surgir completamente descabelada e com o controle remoto em mãos. conteve o riso, recebendo um sorriso da garota e um selar de lábios assim que se colocou para dentro do apartamento.
– Trouxe lasanha. – avisou, estendendo a sacola para e seguindo para a cozinha com a garota.
– Eu amo lasanha. – murmurou e sorriu satisfeito. Ele poderia não ser um cozinheiro muito bom, mas ao menos sabia comprar comida pronta como ninguém.
– Por acaso você estava performando as músicas? – questionou quando a garota terminou de guardar a sacola no forno, para manter a comida aquecida, e se virou para ele. estava escorado no balcão da cozinha e tinha as sobrancelhas arqueadas.
– Talvez. – estalou os lábios, dando passos lentos na direção do cantor. – Eu estava chorando com Ruin, na verdade. – riu. – Essa música me deixa tão triste. Na verdade, você só tem música triste. Mesmo as letras fofinhas são tristes. – acusou e riu.
– Não é proposital. – sacudiu os ombros.
– Não sei se acredito em você. – a brasileira estreitou o olhar para . Parou na frente do rapaz e o abraçou pela cintura, encostando o queixo no peito dele. a envolveu pela cintura e beijou a ponta de seu nariz. – Você tem essa cara de anjo, mas eu não estou mais convencida da sua santidade.
– Vou precisar te convencer então. – decidiu. Seus dedos brincaram com a barra da camiseta de e adentraram a peça, dedilhando gentilmente a cintura da garota, que suspirou audivelmente e apertou mais os braços na cintura do cantor.
– Desse jeito vai apenas reforçar a ideia de que você é um demônio. – sorriu sem mostrar os dentes. – Catherine tinha razão.
– Sem essa de “Catherine tinha razão”. – fez uma careta e riu. – Se algum dia ela descobre que você disse isso, minha vida irá virar um inferno. Camila está me enchendo o saco porque a Cathe disse para ela que te conheceu. – o canadense revirou os olhos. – Agora ela também quer te conhecer de alguma forma.
– Estou completamente à disposição para conhecer Camila Cabello. – garantiu e riu.
– Eu sei que sim. – ele sacudiu a cabeça em concordância. – Mas não temos realmente tempo para isso agora. – fez uma careta. Inclusive, preciso te mostrar minha agenda. – pontuou, segurando com força pela cintura e carregando a garota – que ria descontrolada – para o sofá.
– Eu poderia ter andado. – ela lembrou.
– Eu sei. – concordou, não estendendo o assunto. Sentou no sofá e logo estava em seu colo, à cabeça deitada em seu ombro. puxou o celular do bolso do jeans e abriu a agenda, mudando a visualização para semanal e segurando o objeto na frente da fotógrafa. – Você volta do Japão dia 12, certo? – questionou, clicando no dia citado e abrindo um evento que ele teria que cumprir. – Eu vou estar em Londres para o EMA.
– Vou assistir pela TV e comemorar quando você ganhar. – garantiu e sorriu bobo para ela, beijando-a rapidamente.
– Eu viajo para o restante da turnê dia 23. Nós teremos apenas 10 dias, e nesse meio tempo, eu preciso ir para Los Angeles para o AMA. Eu não vou conseguir tempo durante a tour para irmos à Califórnia e só volto para casa no final de novembro, então estava pensando em aproveitar esse final de semana do AMA para usarmos o seu presente de aniversário. O que acha? – questionou, atento as expressões no rosto da garota.
– Você tem certeza? – questionou, parecendo preocupada. – Eu não quero te atrapalhar ou atrapalhar a sua agenda. Podemos adiar para janeiro, se tiver como. – murmurou.
– Não vai me atrapalhar. Na verdade, vai facilitar. – garantiu. – Posso confirmar com Andrew? Viajamos na sexta e voltamos na segunda de madrugada. – explicou. assentiu com a cabeça.
– Por mim está ótimo. – garantiu. – Vou viajar mais durante esse mês do que viajei durante toda a minha vida. – a garota riu e a acompanhou. Digitou algumas mensagens para Andrew e logo seu celular estava esquecido na mesa de centro, enquanto se colocava de pé, se inclinando para e selando seus lábios nos dele demoradamente. – Vamos jantar? – questionou.
– É claro. – estalou os lábios. Pela casa o Unplugged ainda tocava e quando se colocou de pé, os acordes de Never be Alone soaram pela casa. Ele sorriu, pois aquela era uma de suas músicas favoritas, deixando seu olhar cair para e encontrando-a de olhos fechados e um sorriso largo no rosto.
– Eu sempre vou lembrar-me do Rock in Rio quando ouvir essa música, independentemente da versão. – comentou, abrindo os olhos e encontrando a encarando. – Foi um dos momentos mais incríveis da noite. Eu lembro com exatidão do quanto te senti perto de mim, mesmo que você estivesse distante emocionalmente. – suspirou. – Eu amo essa música com todo coração.
puxou a garota para perto de si, juntando seus corpos e a abraçando pela cintura. recostou a cabeça contra o peito do rapaz, se deixando embalar pelo abraço/dança que iniciara. Moviam-se de um lado para o outro no ritmo da música, enquanto o cantor murmurava a música e enchia o coração da garota de amor e aconchego.
– And take a piece of my heart and make it all your own. – murmurou junto de si mesmo e levantou o olhar para encarar com intensidade.
– Dois meses atrás isso era apenas uma fanfic na minha cabeça. – suspirou. – E uma fanfic bem ruim. Seja quem for o responsável por unir nossos mundos, eu sou extremamente grata. – sorriu quando uniu seus lábios.
– Eu vou sentir sua falta nessa semana. – falou. – Mas isso nem se compara ao quanto vou sentir sua falta quando voltar para a tour.
– Estou tentando não pensar nisso. – riu fraco. – Ter você nesse último mês me deixou mimada. Não quero ficar longe.
– E eu não quero estar longe. – garantiu. – Estou me apaixonando por tudo em você, . Se isso for um sonho, eu realmente não quero acordar. – sorriu para ela, selando seus lábios mais uma vez.
– Eu não sei como parar ou ir devagar com isso. – a brasileira murmurou junto da voz de em Never be Alone, escondendo seu rosto contra o peito dele, enquanto apertava o abraço em sua cintura.
Ele não queria mesmo deixá-la sozinha. Nunca.

Capítulo 18

And any girl like you
deserves a gentleman

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Eram 4 horas da manhã quando levantou da cama e se esgueirou para fora do abraço de . Lançou um olhar para o garoto adormecido antes de ocupar o banheiro e tomar uma ducha rápida, vestindo roupas quentes e deixando os cabelos presos em um coque. Preparou chocolate quente e cortou algumas fatias de bolo, deixando todo o restante da cozinha organizado e então voltando ao quarto para acordar . Tinha que estar na sala de embarque em duas horas e por mais que ela não quisesse acordar o rapaz, precisava fazê-lo, já que as levaria – incluída – para o aeroporto.
– Hey. – sussurrou, subindo de joelhos na cama e acariciando a bochecha esquerda do cantor, que agora dormia de bruços e abraçava o travesseiro que havia abandonado durante a noite. A garota se inclinou para ele e deixou um beijo em seu ombro, ouvindo um resmungo e soltando um riso baixo quando abriu os olhos e suspirou em desagrado.
– Não. – foi o que ele disse, fazendo rir novamente. se virou na cama e a puxou para seus braços, escondendo o rosto contra o pescoço da garota e respirando fortemente.
– Sim, vamos. – disse, o abraçando em seguida enquanto brincava com os fios de cabelo do canadense. – Eu não me importo de deixar a chave com você, para que durma mais um pouco. – murmurou. – Chamo um Uber.
– Tem certeza de que precisa ir? – ele questionou, torcendo os lábios. Encarou e sorriu quando ela beijou a ponta de seu nariz. – Agora?
– Sim. – outro suspiro. – Queria poder ir ao Japão e ter você ao mesmo tempo, mas é impossível. Então estou me apegando a ideia de te ver novamente em sete dias. Só sete dias.
– Nove. – aumentou a careta. – Eu só volto de Londres na terça-feira.
– Não estou preparada para nove dias. Sete é ok, mas nove? Sem condições. – dramatizou e riu, beijando-a sem a língua e fazendo-a suspirar contra seus lábios.
– O estranho é que, poucos dias atrás, estávamos em um impasse de amizade. – lembrou. – E agora eu estou sofrendo por antecedência porque vou ficar alguns dias sem isso. – outro beijo cálido. Focou seu olhar no rosto de e sorriu. – Você realmente mexe comigo, de uma forma que eu nunca senti antes.
– Se você continuar falando coisas bonitas, vou perder o voo. E talvez o próximo. E todos os restantes. – soprou.
– Mas você precisa ir. – disse por fim. – É o seu trabalho e eu entendo.
apertou os braços em torno do cantor, deixando um beijo longo no pescoço dele.
– Sabia que eu te nomeava como garota do abraço, nos meus pensamentos? – questionou, quase em um sussurro. se afastou para olhá-lo nos olhos, as sobrancelhas arqueadas e um sorriso nos lábios.
– Você me chamou assim algumas vezes. Mas eu nunca prestei atenção nisso, de fato. – a garota confessou. – Por quê?
– Primeiro porque você postou aquela foto. A maioria dos fãs prefere postar selfie, então aquilo chamou minha atenção e ficou na minha cabeça. Como eu não sabia o seu nome, te nomeava assim. E quando soube seu nome, não sabia pronunciar. Então era mais fácil me referir a você por esse apelido. – explicou e riu.
– Eu amo quando você fala o meu nome. – confessou. – Você quase erra no começo e enrola no final completamente. – beijou a bochecha do rapaz.
– Eu sei que gosta. – assentiu. – Eu queria te dar outro apelido. – disse por fim.
– Eu gosto de garota do abraço. – deu de ombros. – Agora ele deve fazer mais sentido. Você vive me abraçando.
– Porque gosto do seu cheiro. – retrucou, voltando a enfiar o rosto contra o pescoço dela. – E da maciez da sua pele contra a minha. E dos seus cabelos revirados contra o meu peito. E como você aperta os braços em torno de mim, fazendo parecer que não vai me soltar nunca mais.
– É a minha intenção, para ser honesta. – pontuou. – Gosto demais de estar com você, . Tu é o meu trevo. – murmurou em português e franziu o cenho em confusão.
– Oi? – torceu os lábios. – Você vai voltar a falar em português, sabendo que eu não entendo nada além de eu te amo e obrigado?
– Desculpe. – riu. – Isso é de uma música brasileira, de uma dupla incrível chamada Anavitória. Assim, tudo junto mesmo. – murmurou. – É uma das minhas favoritas.
Anavitória? – e ali estava enrolando a língua novamente. o beijou nos lábios, completamente derretida para aquele sotaque dele.
– Quase isso. – riu novamente. – Elas tem vozes incríveis e músicas extremamente lindas. Trevo é uma das músicas delas.
– Canta para mim? – pediu, um bico nos lábios para o qual não poderia dizer não.
– Mas você não vai entender nada. – franziu o cenho para ele.
– Eu preciso aprender português. – o cantor suspirou, revirando os olhos para si mesmo.
– Posso tentar traduzir. – sugeriu e ele torceu os lábios.
– Quero ouvir em português, mesmo que não vá entender.
– Tudo bem, você quem sabe. – ela sorriu para ele, apertando mais os braços em torno de , suspirando antes de começar a cantar. – Tu, é trevo de quatro folhas, é manhã de domingo atoa, conversa rara e boa, pedaço de sonho que faz meu querer acordar pra vida, ai aia. – tomou fôlego. – Tu, que tem esse abraço casa, se decidir bater asa, me leva contigo pra passear. Eu juro afeto e paz não vão te faltar, ai aia.
– Minha segunda música favorita. – decidiu, fazendo a garota corar. – Adoro quando você fala em português, quando não é para me provocar. – comentou. – É fofo.
– Eu não te provoco. – a fotógrafa retrucou, mesmo sabendo que estava mentindo. arqueou as sobrancelhas para ela, que soltou um riso por fim. – Só um pouquinho. E você gosta.
– Não sei não. – respirou contra a pele dela novamente. – Preciso me arrumar, não é?
– Sim. – suspirou. – Ou vamos perder o voo.
– Me leva junto. – ele pediu, fazendo um bico com os lábios. – Na sua mala.
. – riu. – Nem se eu te matasse e te cortasse em pedacinhos você caberia na minha mala. – falou. – Como a Catherine fala mesmo?
– A pior ideia do mundo foi você dar seu número para ela. – decidiu, rompendo o abraço e pulando para fora da cama. observou o torso nu do rapaz e as marcas de unha nas costas dele, abrindo um sorriso satisfeito para si mesma. Ele era branco demais e ficava marcado mesmo quando ela não o arranhava com força. – Sério, sem condições. – bufou e a garota riu mais.
– Quilômetro em pé. – estalou os lábios, em verdadeira provocação. lançou um olhar intenso para ela, antes de pegar a garota no colo e rumar para o banheiro, em passos firmes e decididos. ria, segurando no pescoço dele com força pelo simples medo de cair, mesmo que jamais fosse deixar aquilo acontecer de forma proposital.
, qual é? – murmurou entre os risos.
– Vamos tomar um banho. Juntos. – ele decidiu. – E você vai pagar pelo comentário.
– Eu vou perder o voo! – grunhiu quando ele a colocou sentada no balcão do banheiro e fechou a porta com o pé direito, se colocando no meio das pernas dela e segurando a barra da camiseta da garota.
– Ainda temos uma hora e meia. – ele lembrou, puxando a blusa para fora do corpo dela e grudando seus lábios em um beijo intenso. se rendeu no mesmo instante, mesmo que aquilo quase tivesse feito com que se atrasassem e surtasse dentro do carro enquanto dirigia para o aeroporto, uma hora mais tarde. O cantor não saiu do veículo e beijou com avidez, murmurando um “aproveite, vou sentir sua falta”, antes de a garota sorrir para ele e prometer que se falariam todos os dias. Deu as costas para , arrastando sua mala consigo. Parou na porta do aeroporto e se virou, acenando para e atirando um beijo para ele. interrompeu o momento deles e puxou para o check-in, nada animada para ter 13 horas de voo até Tóquio e enfrentar o cansaço que a mudança de fuso horário lhes causaria.
O coração da brasileira estava ansioso e já cheio de saudades de . Logo ela estaria no Japão, a milhas de distância do cantor.

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O domingo passou rapidamente para . Ele chegou à casa pela manhã e voltou a dormir, acordando lá pelo meio dia e decidindo que viajaria até Pickering para ver os pais. Queria ocupar seu tempo livre, desta forma sentiria menos falta da brasileira que agora atravessava o mundo em direção ao Japão. Pegou a estrada no meio da tarde e em pouco mais de 50 minutos já estava em sua cidade de berço, da qual sentia falta nos dias mais tumultuados em Toronto. Em Pickering ele era apenas , filho de Karen e Manuel e irmão de Aaliyah, e não um cantor mundialmente famoso. Ali era seu refúgio, onde ele podia andar nas ruas sem se preocupar com os paparazzi. Hora ou outra acabava encontrando algum fã, mas nada passível de comparação com o que acontecia em Toronto ou nas cidades em para as quais viajava durante a turnê.
Deixou o carro na garagem e adentrou a casa pela porta da cozinha, que estava sempre abeta quando seus pais estavam em casa. Atravessou o cômodo em passos largos, pegando um muffin no meio do caminho. Pelo visto, sua mãe havia adivinhado que ele iria para casa naquela noite e feito uma cesta de muffins de chocolate. Na sala encontrou Aaliyah deitada no sofá, grudada no telefone enquanto Friends passava na TV. Pegou uma das almofadas na poltrona e atirou na irmã, que soltou um grito assustado antes de focar os olhos no irmão e os estreitar em pura irritação.
– MÃE! – a garota gritou, sem dar tempo para se preparar, causando uma careta no cantor. – OCHEGOU E JÁ ESTÁ ME TIRANDO DO SÉRIO! – dedurou e atirou mais uma almofada na irmã. – E EU VOU PRECISAR MATAR ELE!
– Deixa de ser dedo duro. – chiou, estirando a língua para a garota.
– E você deixe de ser insuportável. – Aaliyah retrucou, sentando-se no sofá em seguida, dando espaço para sentar ao seu lado. O rapaz se jogou no móvel, fazendo o possível e o impossível para irritar a irmã mais nova, que apenas lhe lançou um olhar fulminante, antes de estalar os lábios e abrir um sorriso maldoso. – Onde está a sua namorada?
fechou a cara.
– Eu já disse que ela não é minha namorada. – retrucou. – Ainda.
– Você é um bundão. – Aaliyah chiou.
– Não xingue seu irmão. – a voz de Karen soou pela escada e levantou no mesmo instante, seguindo até a mãe e lhe dando um abraço de quebrar os ossos. A mulher riu, apertando o filho ainda mais e beijando-lhe as bochechas.
– Senti sua falta. – murmurou, beijando o topo da cabeça da genitora.
– E não veio me ver porque não quis. – Karen retrucou. – Estamos a uma hora de distância, não são quatro dias.
– Ele estava com a namorada, mãe. – Aaliyah provocou e virou-se para ela com uma expressão nada contente. – Que foi? – ela indagou, com as sobrancelhas arqueadas. – Eu vi no seu Instagram.
– Eu vou te bloquear. – ele decidiu, já puxando o celular do bolso e tendo o objeto retirado de suas mãos por Karen.
– Não vai não! – Karen falou, guardando o celular do filho no bolso do casaco. – E você pare de provocar, Aaliyah! – ordenou e a garota fez um bico com os lábios, voltando a se jogar no sofá e para a tela de seu celular. estirou a língua para ela e Karen lhe lançou um olhar insatisfeito.
– Onde está o pai? – indagou, mudando de assunto.
– Foi ao mercado. – Karen explicou, seguindo com o filho para a cozinha. Instantes depois Aaliyah ocupou um assento na bancada e a beijou no topo da cabeça, estabelecendo a paz entre eles novamente. Eles eram daquele jeito mesmo: irritavam um ao outro e pediam desculpas silenciosas, apenas para voltarem a se irritar novamente. – E eu não quero provocar um tumulto, – Karen começou e fez uma careta, prevendo que não gostaria do assunto. – Mas eu estava esperando que sua próxima visita não fosse sozinho, sabe. – estalou os lábios. Sentou na frente de , que ainda permanecia de pé, atrás de Aaliyah, abraçando a irmã pelos ombros.
– Ou seja, que você traria a . – Aaliyah finalizou e Karen lançou um olhar torto para a filha. – O quê? Era isso o que você queria!
– Ela não está em Toronto. – suspirou. – Viajou para o Japão. Vai ficar uma semana por lá.
– Hm. – Karen estalou os lábios.
– Eu já sabia. – Aaliyah comentou, para ninguém em especial. Levantou o celular para visualizar sua tela e viu o perfil de aberto e um “seguindo”. Torceu os lábios.
– Eu não sei porque você a seguiu.
– Ela tem fotos incríveis. – a mais nova deu de ombros.
– Me deixa ver! – Karen exclamou e Aaliyah entregou o celular para a mãe, enquanto aumentava a careta em seu rosto. – Ai ela é linda! – sorriu para o filho. – Mas não tem nenhuma foto de vocês juntos, fora a no Brasil. – pontuou, visivelmente descontente.
– É. – foi o que disse.
– Por quê? – Karen insistiu e o garoto suspirou.
– Ela não quer nos deixar públicos. Não oficialmente, já que as pessoas só sabem especular sobre isso. – revirou os olhos.
– Por quê? – foi a vez de Aaliyah questionar. – Tipo, grandes coisas o que a mídia fala.
acha que alguns fãs não vão gostar da notícia. E ela tem medo que os comentários me magoem. – suspirou, deixando os ombros caírem. Aaliyah deitou a cabeça no peito do irmão, apertando as mãos entre as suas.
– Ela tem um pouco de razão, você sabe. – a garota murmurou. – Mas vocês não podem se esconder para sempre.
– E não vamos. – falou. – Mas faz pouco tempo.
, fazem semanas. – a garota revirou os olhos. – Que mania vocês homens tem de relativizar o tempo. – alfinetou e riu.
– Nós nos beijamos pela primeira vez no Halloween. – ele explicou e a irmã arregalou os olhos.
– No Halloween? – Karen questionou, também surpresa. – Pensei que você tivesse aberto o jogo naquele dia em que te visitei. – ela franziu o cenho.
– Eu abri o jogo. Falei que a queria. – o cantor assentiu. – Mas ela não estava pronta.
– Eu realmente preciso conhecê-la. – Karen decidiu. Aaliyah riu.
– Ela é muito fofa. – comentou. – Mas parecia petrificada em me ver.
– Ela age assim comigo às vezes. – murmurou, fazendo ambas as mulheres rirem.
– Ela ainda não se acostumou? – a genitora questionou, interessada. negou com um aceno de cabeça.
– Não exatamente. – riu, lembrando-se dos momentos em que parecia conter um surto histérico. – Às vezes ela fica me olhando e solta um palavrão, como se não acreditasse que eu estou ali. – Karen riu alto.
– Ela te deixa feliz, ? De verdade? – a mulher questionou, uma sombra de preocupação tomando seus olhos.
– Eu consigo ser eu mesmo com ela. – o rapaz respondeu. – Como sou com vocês, sabe? Só eu, o . E isso me faz muito bem. – deu de ombros, suspirando. – Eu acho que teria surtado se não tivesse a presença dela durante as férias. Me deu o choque de realidade que eu precisava.
– Tão bobinho apaixonado! – Aaliyah provocou e a beliscou na cintura, não negando a afirmação da irmã e causando um sorriso largo em Karen.
– Eu fico imensamente feliz em te ver assim, filho. – Karen disse. – Você estava precisando disso. Voltar a acreditar que pode se apaixonar. Aquela garota te deixou bem quebrado, mas consigo ver você novamente agora. O meu . – abriu outro sorriso e deu a volta na mesa para abraçar a mãe, beijando-lhe nas bochechas em seguida.
– Gosto de como me sinto. – murmurou. – E ela se sente da mesma forma. Só precisamos acertar algumas de nossas pontas soltas.
– Assim como qualquer casal. – a mulher deu de ombros.
– Ainda não somos um casal. – retrucou. Aaliyah revirou os olhos.
– Não é o que seus stories dizem. – provocou.
– Cuide da sua vida, pirralha. – o cantor chiou.
– Vou cuidar. E arrumar um namorado. – ela insistiu na provocação e estreitou o olhar para a garota. Manuel adentrou a cozinha no mesmo instante, também com uma careta no rosto, idêntica à de .
– Que história é essa de namorado? – o homem questionou, causando risos na esposa. Ele largou as sacolas no balcão e se aproximou de , abraçando o filho com força. – Senti sua falta!
– Aaliyah precisa ficar de castigo. – comentou, emburrado. – Não tem essa de namorado.
– Por que você pode namorar e eu não? – a garota reclamou.
está namorando? – Manuel questionou, os olhos arregalados e um início de sorriso. Puxou o filho para outro abraço, o parabenizando. – Quando vamos conhecê-la? – o homem questionou e suspirou.
– Ela não é minha namorada, pai. Ainda não. – explicou. Manuel fez uma careta.
– E o que você está esperando para pedi-la em namoro?
– Eu disse que ele era um bundão. – Aaliyah murmurou baixinho, mas a ouviu e deu um peteleco na testa dela.
– Pentelha. – chiou.
– Bundão. – ela repetiu.
– Parem os dois. – Karen e Manuel reclamaram em uníssono e os irmãos deram de língua um para o outro. E em meio a mais provocações e reclamações, a noite dos se passou com muita comida e carinho familiar. Afinal, eles se amavam acima de tudo e adoravam passar um tempo juntos.

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estava exausta. O fuso horário havia acabado com ela e sentia as horas de sono não dormidas pesando em suas costas. Havia acordado cedo naquela segunda-feira (ou ainda era domingo? Ela nem sabia que dia era, graças ao maldito fuso horário) e corrido para o primeiro dia de workshop. Para seu conforto, tanto quanto Connor estavam completamente acabados, assim como ela própria. Passaram toda a manhã e início da tarde no workshop, bebendo toda e qualquer informação que lhes era dada. Após serem liberados, lá pelas três horas da tarde, foram almoçar em um restaurante de comida italiana (já que nenhum deles sentia-se seguro para provar a comida japonesa logo no primeiro dia) e desataram a seguir o pequeno roteiro que havia planejado durante o voo.
Se não fosse o Google Trips, talvez eles estivessem ido apenas a Tóquio Skytree e seguido para o hotel.
Não que aquela fosse uma ideia ruim, longe daquilo. Os amigos estavam exaustos e quando deram o passeio turístico por encerrado – haviam visitado também o Museu Nacional de Tóquio, o Santuário Nezu, o Museu Metropolitano de Arte de Tóquio e o templo Sensoji -, e de volta ao hotel, tudo no que pensavam eram em suas camas quentinhas e talvez um sanduíche que pediriam pelo delivery. Mas quando colocou os pés no saguão, as costas doloridas e a câmera lotada de fotografias, encontrou o restante dos colegas de trabalho completamente animados para irem ao restaurante mais próximo para comer sushi. Sua careta foi imediata e nem insistiu para que a amiga a acompanhasse, colando em Connor e obrigando a rapaz a ir com ela, deixando seguir seu caminho para o quarto sozinha. Recostou-se no elevador e aguardou os sete andares necessários para chegar ao número 706.
Suspirou alto, jogando a bolsa em cima da cama de solteiro e tirando os sapatos, os deixando perto da mala e seguindo para o banheiro enquanto se livrava do restante das roupas. Não estava exatamente frio em Tóquio, mas tinha a imunidade baixa e não arriscaria pegar uma gripe fora de casa. Mesmo que também não quisesse pegar uma gripe no Canadá. Estava acostumada com o Brasil e suas vacinas para gripe que a deixavam extremamente doente por uma semana para então deixá-la imune por meses. Tomou um banho rápido e logo já estava em seu pijama fofinho, discando para a recepção e pedindo um delivery de pizza, ligando o notebook após finalizar a ligação e passando todas as fotos que havia tirado naquele dia para a máquina. Tratou as fotos como gostava de fazer e as arquivou no Google Drive, escolhendo a dedo as que postaria no Instagram e as que enviaria para o grupo da família. Logo sua mãe estava respondendo as imagens com muitos emojis, enquanto Maurício reclamava por estar no Brasil e o mandava calar a boca. gargalhou, fechando a conversa com a família após responder algumas mensagens, para então abrir a conversa com . Não havia trocado mensagens durante o dia, por conta do fuso horário, então a última mensagem era de e sorriu largamente ao ler as primeiras palavras do rapaz.

❤️
Estou indo dormir 11:32 am
Espero falar com você amanhã 11:32 am
Mesmo sem saber que dia é ai 11:32 am
Senti sua falta hoje 11:32 am
Meus pais querem te conhecer, aliás 11:32 am

O coração de deu um pulo e a garota se engasgou com a própria saliva. Como assim os pais de queria conhecê-la? já havia falado sobre ela? Para os pais? Karen e Manuel? Um sentimento de puro desespero tomou conta da garota, que respondeu as mensagens de rapidamente, quase errando a ortografia gravemente, tamanha era sua afobação.

 

Seus pais? Por quê? 8:45 pm
, o que você falou? 8:45 pm
Puta merda 8:45 pm
Eu não estou pronta para isso 8:45 pm
Aqui é noite, mas me ligue quando acordar 8:45 pm
Senti sua falta também 8:45 pm

suspirou, bloqueando o celular e jogando o aparelho na cama. Levantou e seguiu para a TV, ligando o aparelho e usando o controle para encontrar algo que lhe agradasse. Os canais japoneses eram mais malucos, então buscou novamente o celular e conectou na TV, abrindo a Netflix em seguida e optando por assistir Harry Potter mais uma vez. Abriu novamente o WhatsApp e o nome de pulou em suas notificações. sorriu, abrindo a conversa e franzindo o cenho ao abrir a conversa.


Tu não vais acreditar no que aconteceu 8:47 pm

Se tu não contar, não vou mesmo 8:47 pm


Idiota 8:47 pm
Sabe a tua vizinha? Que também é fã do ? 8:47 pm

Em Toronto? 8:47 pm


Puta merda, tu é burra né 8:47 pm
Em Brusque né 8:47 am

Eu não moro mais em Brusque 8:48 pm
Tu que é burra 8:48 pm


🙄🙄🙄 8:48 pm
Eu vou te ignorar porque preciso contar isso logo 8:48 pm

Para de enrolar 8:48 pm


Tu sabia que tem contas no Instagram fuçando tua vida na internet? 8:49 pm
Ela veio me perguntar se tu estavas mesmo namorando o 8:49 pm
Porque todo mundo está dizendo que sim 8:49 pm
E então me mostrou algumas contas 8:49 pm
ELES TEM SUAS FOTOS DE 2010 8:49 pm
EMO 8:49 pm

Puta merda 8:50 pm
Sério, eu não entendo a necessidade de ficarem falando sobre isso 8:50 pm
Coisa chata 8:50 pm
e eu nem estamos namorando 8:50 pm


Mas estão quase 8:50 pm
Se ele está enfiando a língua e outras coisas dentro de ti: É namoro 8:50 pm

Ai guria, para de bobagem 8:50 pm
🙄🙄🙄 8:50 pm
O que tu respondeu para ela? 8:50 pm


Que não sabia 8:51 pm
E que tu era uma vaca ingrata que tinha me esquecido depois de ir embora 8:51 pm
Apenas a verdade 8:51 pm

revirou os olhos, soltando uma risada em seguida. Sabia que não estava mentindo e já estava imaginando a história de espalhando pela história. Os rumores e especulações que iriam levantar sobre ela e sua vida, as suposições sobre sua personalidade e seu caráter. não queria mesmo lidar com aquilo. Não estava preparada para tal. Sabia que aquele era um extra da vida de , mas se pudesse escolher, iria morar na Finlândia com ele, longe de tudo e de todos, onde pudessem ser eles mesmos e sem a mídia e os fãs em cima. Queria fugir com ele para bem longe e protegê-lo de toda e qualquer decepção. Suspirou alto, voltando a encarar a tela do celular e se sobressaltando com o barulho da campainha misturado com o toque de seu telefone. O sorriso de iluminou a tela na foto do contato e correu para receber a pizza, voltando para a cama antes da ligação se encerrar. Sorriu involuntariamente, deslizando o dedo para o lado a aceitando a ligação do canadense. Ele iria pagar um absurdo de conta telefônica, ela tinha certeza.
-“Bom dia dengo.” – murmurou, fazendo arquear as sobrancelhas e seus olhos se arregalarem ao perceber que intencionalmente a havia chamado de “dengo”. Afinal, aquilo só poderia ser um sonho, não é?
– Dengo? – questionou, sem conter o tom de surpresa em sua voz. – Quando você aprendeu essa palavra?
– “Quando eu fui ouvir Anavitória pra compreender o porquê você gosta tanto.” – estalou os lábios e o imaginou extremamente corado. Ela sorriu bobamente. – “E elas são realmente boas, mesmo que eu só tenha ouvido três músicas.”
– Quais você ouviu? – a garota questionou, sem conseguir conter a animação e o choque em sua voz. Era sério que havia perdido minutos de sua vida – não que ouvir Anavitória fosse algum desperdício de tempo, muito pelo contrário – para ouvir músicas das quais ela gostava? Músicas que ele nem entendia o significado sem procurar pela tradução no Google?
Aquele rapaz realmente existia ou era apenas fruto de sua imaginação?
“Trevo, e preciso dizer que prefiro você cantando para mim.” – murmurou e se derreteu completamente. Quaisquer que fosse o pedido que lhe fizesse naquela noite, a resposta seria sim. – “Dengo e Cor de Marte. Elas realmente sabem trabalhar com as palavras e eu estou completamente apaixonado pelas melodias. São tão calmantes e gostosas de ouvir.”
, é sério: eu vou ter um derrame. – a brasileira suspirou. – Eu não acredito que você foi ouvir Anavitória só porque eu falei delas.
– “É algo que você gosta.” – disse e o visualizou dando de ombros. Ele fazia aquilo parecer tão fácil. Ela nunca havia se envolvido com alguém que se interessava genuinamente pela sua vida e pelas coisas que ela gostava, sem que ela orientasse a pessoa a procurar pelas informações. Com seu último namorado era sempre algo “ei, já ouviu aquela música que eu te mandei?” ou “e se fôssemos naquele lugar que eu comentei outro dia?”. Era sempre necessário relembrar seus gostos e suas vontades para que a outra pessoa se interessasse em perguntar sobre ela. Mas com não. Ele fazia aquilo por vontade própria, quando nem esperava. Claro, ela gostaria que ele conhecesse seus gostos e sua vida antes do Canadá, mas não esperava que tomasse atitude para pesquisar aquilo sozinho, quando ela havia dado tão poucas informações. era realmente cara incomum e aquilo apenas fazia se apaixonar mais por ele. – “E como eu já te disse, gosto de te compreender.”
– Se existe alguma forma de eu me apaixonar mais por você, me avise. Não estou dando conta no momento. – ela suspirou e riu.
– “Então dengo, como foi o seu dia?” – questionou e sorriu, se dispondo a comentar sobre todos os detalhes daquele dia exaustivo e incrível. E a ouviu com interesse e o peito apertado de saudades da garota. Conversaram por quase uma hora, quando enfim os bocejos da garota se tornaram recorrentes e ordenou que ela fosse dormir. E cantarolou Never be Alone até que os resmungos de não pudessem mais ser ouvidos, finalizando a ligação e iniciando mais um dia com sua corrida diária. Afinal, precisava gastar energia para evitar sentir saudades o tempo todo.

Capítulo 19

I’d drive through the night
Just to be near you baby
Heart open and testify

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O cantor havia acabado de enviar um e-mail para sua equipe com todas as letras que havia escrito durante aquele mês de férias quando uma ligação de Andrew surgiu em seu celular. Torceu os lábios, sem saber o que esperar daquela conversa e deslizou o dedo pela tela do aparelho, deixando no notebook em cima do sofá e andando em direção à cozinha com o celular em mãos.
– O que aconteceu? – questionou, sem dar tempo de o empresário lhe desejar uma boa tarde. Andrew riu do outro lado da linha.
– “Você acha que eu ligo apenas para dar notícias ruins?” – o homem questionou e soltou um risinho.
– Na maioria das vezes. – deu de ombros, mesmo que o outro não pudesse vê-lo. Abriu a geladeira e pegou os ingredientes necessários para fazer um sanduíche, já que a fome havia lhe atingido por ainda não ter almoçado. E já eram quase três horas da tarde.
Havia perdido completamente a noção do tempo, entretido como estava em ajustar os últimos detalhes das músicas.
– “A culpa não é minha na maioria das vezes.” – Andrew lembrou. – “Você quem faz o circo pegar fogo.”
– Estou completamente quieto nos últimos tempos.
– “Fora o storie que você postou hoje e atiçou ainda mais a mídia sobre seu suposto relacionamento, está mesmo em silêncio ultimamente mesmo.” – o empresário debochou e revirou os olhos. Colocou o celular na bancada e ativou o viva-voz para que pudesse preparar seu sanduíche.
– E você ligou apenas para me dar uma bronca sobre isso? – questionou.
– “Não.” – Andrew respondeu. – “Na verdade preciso acertar os detalhes da viagem para Londres.”
– Certo. – estalou os lábios. Passou manteiga nos dois lados do pão e colocou duas fatias de queijo e de presunto, fechando o sanduíche e juntando as coisas para devolver a geladeira.
– “Você vai na sexta-feira?” – questionou. estalou os lábios.
– Bom…
– “Só de ouvir essa entonação eu já sinto um calafrio.” – Andrew murmurou, fazendo o cantor rir.
– Estou traçando novos planos. – comentou. – Posso ir no sábado?
– “Pode ir quando quiser.” – Andrew o lembrou. – “Desde que esteja lá no domingo à noite e fique até segunda-feira. Catherine me enviou os ingressos junto de uma ameaça de morte caso você não vá ao show dela.” – comentou.
– Eu recebi a ameaça. – concordou, já que realmente havia recebido uma mensagem nada amigável da cantora alemã.
– “Vou comprar sua passagem para sábado então.” – Andrew disse por fim e fez uma careta. O empresário estava quase destruindo seus planos.
– Deixa que eu compre. – se apressou em dizer e quase imaginou Andrew de olhos fechados massageando as têmporas.
– “Garoto, o que você está aprontando?” – questionou
.
– Nada. Eu juro. – mentiu e sabia que Andrew não havia se convencido. E não podia julgá-lo por aquilo. Ele também não acreditaria, caso os papéis estivessem trocados.
– “Vou pedir para o Jake ir para Toronto.” – Andrew disse e parou o caminho do sanduíche até a boca no mesmo instante.
– Não precisa Andrew. – falou. – É sério, deixa o Jake nas férias dele.
– “.” – e ali estava o tom de alerta.
– Eu vou tomar cuidado. – prometeu.
– “Você disse que não estava aprontando nada. Agora diz que vai tomar cuidado.” – um suspiro. – “Eu sou novo demais para ter enxaqueca.”
riu.
– No domingo estarei em Londres a sua espera. – o canadense disse por fim, mordendo seu sanduíche. Estava escorado no balcão, encarando um ponto acima da geladeira, enquanto prestava atenção nas palavras do empresário.
– “Certo.” – Andrew cedeu. – “Los Angeles na sexta-feira à noite? Isso?”
– Uhum. – resmungou.
– “E volta na segunda-feira de madrugada?”
– Uhum. – repetiu.
– “E você quer o assento extra de acompanhante? Já falou com ela?” – Andrew questionou. Ele ainda tinha dificuldade em pronunciar o nome de .
– Sim e não.
– “Então você não sabe se ela vai.” – outro suspiro. – “Vocês estão mesmo juntos? Porque isso é estranho garoto.”
– Oficialmente não estamos. – respondeu, com a boca cheia de sanduíche. Sua mãe o repreenderia pelos maus modos, caso o visse naquele momento. – Mas estamos.
– “A juventude me deixa confuso.” – o empresário comentou, fazendo rir.
– Logo terei notícias oficiais para você. Mas quero o assento de acompanhante para o AMA. No último caso, eu levo o Brian. – estalou os lábios, fazendo uma careta. Finalizou o sanduíche e voltou para a sala com o celular em mãos. Ligou a TV e começou a zapear pelo catálogo da Netflix.
– “Certo. Mudando de assunto agora, vi o e-mail que enviou.” – Andrew comentou animado. – “Quatro músicas? Você está inspirado hein garoto!”
– É. – riu. – Tive muitos motivos para estar inspirado nos últimos dias. Talvez Nervous precise de ajustes e Mutual eu tenho certeza que Teddy pode melhorar. – suspirou. – Mas quero essas letras no álbum.
– “Sua musa inspiradora sabe que você escreveu três músicas para ela?” – indagou e negou com a cabeça. Desistiu da Netflix, já que não havia achado nada, passando a encarar o violão que havia deixado em cima da poltrona.
– Duas, na verdade. A canção sem nome eu escrevi por causa de Brian. – explicou. – Ele quem foi abandonado pela manhã.
– “Pobre Brian.” – Andrew falou. – “De qualquer forma, vamos trabalhar em cima das músicas apenas quando a tour acabar.”
– Certo. – assentiu em concordância.
– “Vou te deixar voltar para as suas coisas.” – o empresário murmurou. – “Te ligo amanhã.”
– Tudo bem. – concordou. – Até mais. Um abraço.
– “Se cuida garoto.” – e com isso finalizou a chamada. Soltou um suspiro, sendo tomado pelo tédio. Acabou entrando no Instagram apenas para rever seu próprio storie e sorriu para a foto, o peito apertado de saudades daquele emaranhado que eram ele e juntos. Eram uma bagunça boa demais e os comentários que estavam sendo feitos por conta daquela foto em nada combinavam com o a vibe da foto. e eram puro amor, ele sabia daquilo. Por que as pessoas insistiam em comentar coisas maldosas sobre a garota?
suspirou, digitando uma mensagem para a garota, mesmo que ela fosse ler horas mais tarde. Releu as mensagens trocadas com ela pela manhã – em Toronto, já que em Tóquio já era noite – e sorriu. Estava louco para ver novamente e esperava que ela sentisse a mesma ansiedade que ele.

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acordou antes do despertador do celular. Não que isso indicasse que ela havia se acostumado com o fuso horário, muito pelo contrário: seu relógio biológico estava uma bagunça e ela nem sabia que horas deveriam ser em Toronto. Eram treze horas de fuso e ela era péssima em matemática, então desistiu de tentar adivinhar o horário e se colocou para fora da cama. Fez sua higiene, tomou um banho e escolheu uma roupa quentinha e confortável para passar o dia. Ainda não era inverno, mas as manhãs e as noites tendiam a ser bastante frias na cidade.
Após ajeitar as coisas na mochila, se jogou na cama e pegou novamente o celular, com o intuito de mandar mensagens para e Connor para saber se eles já estavam prontos para o café da manhã. Logo mais deveriam estar no trem, já que naquele dia as aulas do workshop seriam dentro do Tóquio Photographic Art Museum e após isso, eles partiriam para o Teien Art Museum, visitariam o Todoroki e iriam jantar com vista para a Rainbow Bridge. Acabou se distraindo de seu objetivo ao encontrar uma nova mensagem de , enviada horas atrás. Sorriu imediatamente e abriu a conversa, torcendo os lábios ao ler as palavras do cantor e soltando um suspiro alto, notando que a barra de notificações do Instagram estava realmente mais agitada que o normal. E não de uma forma boa. Enfiou o rosto contra uma almofada e reprimiu um grito, sentindo-se completamente frustrada e irritada com o mundo. O dia mal havia começado no Japão e já estava puta da cara. Por que as pessoas simplesmente não a deixavam em paz?

❤️
Hey 3:38 am
Eu postei um storie 3:38 am
Então não se assuste com as mensagens 3:38 am
Desculpe 😥 3:38 am

Eu vou ignorar 7:28 am
Está tudo bem, sério 7:28 am
Isso iria acontecer de qualquer forma 7:28 am
Você não tem culpa 7:28 am

Soltou mais um suspiro antes de entrar no Instagram, ignorando todas as notificações de novos seguidores e comentários – ela realmente não era masoquista e não lia nada dos comentários que as pessoas faziam em suas fotos, fora os de , seus amigos, familiares e de algumas pessoas simpáticas. Procurou pelo Instagram do cantor e abriu a foto, sorrindo automaticamente ao lembrar-se do momento exato em que ele havia registrado aquele momento. Fora depois da ligação com Catherine e no meio de um filme qualquer que passava na Netflix. Estavam tão abraçados que mal sabia dizer qual parte daquele emaranhado era ela e qual era e comentara que eles eram uma bagunça. Então o cantor puxou o celular e tirou uma foto deles, dizendo que gostaria de registrar todos os momentos daquela bagunça, pois adorava aquilo. sentiu uma fisgada de saudades no peito e voltou para a conversa com , mandando mais algumas mensagens para o cantor.

 

Droga , você quer me matar? 7:31 am
Estou sentindo muito a sua falta 7:31 am
Queria que estivesse aqui 7:31 am

Para sua surpresa, logo o status de mudou para online e o em seguida para digitando e alargou seu sorriso. Não sabia que horas eram em Toronto, mas provavelmente estivera esperando por ela para poder ir dormir, como fez nos últimos dias, já que só conseguiam tempo para falar um com o outro pela manhã e noite, sendo turno inverso para ambos.

❤️
Se você falar isso novamente, eu vou para ai 7:32 am
Estou falando sério 7:32 am
Eu pego um avião e chego aí o mais rápido possível 7:32 am

A garota riu, desacreditada. Seria muita loucura, ela sabia. Mas também sabia que poderia estar falando sério. Para ele era fácil atravessar o mundo de um dia para o outro. Ele estava acostumado com aquilo, de qualquer forma. E por mais que quisesse muito ali, sabia que ele não deveria. Também tinha compromissos e não deveria jogar tudo para o alto por causa dela e da saudade absurda que ambos sentiam. Iriam se ver em alguns dias e estava tudo bem.

 

, eu estou a milhas de distância 7:33 am
Você pegaria um voo de horas só para me ver? 7:33 am
Você precisa estar em Londres no final de semana, se lembra? 7:33 am

❤️
Eu viajo com antecedência 7:33 am
Japão está no meio do caminho 😉 7:34 am

Não, não está 7:34 am
É do outro lado do mundo 7:34 am

❤️
Foi o que eu disse 7:34 am
Meio do caminho 7:34 am

quis rir e foi isso o que ela fez. Gargalhou profundamente, completamente desacreditada das palavras de . Ele estava mesmo falando sério e inventando desculpas para viajar ao Japão. Só para ver ela. Puta merda, a garota pensava. Eu vou ser extremamente burra se não casar com esse homem no futuro. Estava digitando uma resposta para o canadense quando o digitando de mudou para gravando um áudio. Esperou pacientemente e mordeu o lábio inferior pela ansiedade de ouvir a voz de . Ela amava o sotaque e o timbre da voz dele. Poderia ouvir por horas intermináveis e pediria por mais.

“Estou sentindo sua falta e quero te ver dengo.” Ele suspirou ao final da frase e sorriu largo ao ouvi-lo dizer seu apelido. “Não consigo te tirar da cabeça, então se você disser sim, eu vou.”
Respirou fundo e colocou o dedo no botão para gravar um áudio, desistindo de responder já que uma nova mensagem dele havia chegado. Clicou em ouvir e sentiu suas pernas ficarem extremamente fracas. Se estivesse em pé, provavelmente teria caído.
“Não vamos ter muitos dias juntos quando eu voltar para a turnê e quero aproveitar cada instante. Então se eu posso ir para aí, por que não iria?”
– Você tem razão. – a garota murmurou, o dedo segurando o botão de áudio no WhatsApp. – Estou sentindo sua falta também. Se você quiser vir, venha. Eu estarei te esperando. – soltou o dedo e observou a mensagem ser carregada e enviada. Os dois pontinhos de visualizado logo se tornaram azuis e a resposta de chegou junto de duas batidas na porta.
– Vamos , estamos atrasados! – exclamou e a brasileira pulou para fora da cama no mesmo instante. Colocou a mochila nos ombros e andou até a porta, sorrindo largo e enviando um coração para após ler a resposta dele.

❤️
Estou indo 7:40 am

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– O que supostamente deveríamos estar fazendo? – Brian questionou, a careta de desgosto explícita em seu rosto. Não estava nada contente por ter sido arrastado para fora de casa, mas não estava dando à mínima. Estava na hora de Brian sair do poço de autopiedade na qual se afundara após deixar claro que eles não teriam um relacionamento e tomar um choque de realidade.
– O mundo não para só porque você tomou um pé na bunda. – falou, segurando nos ombros de Brian e o obrigando a aumentar o passo para que pudessem chegar logo na Starbucks para o café da tarde.
– Você fala isso porque não tomou um pé na bunda. – Brian retrucou, ainda mais descontente. riu.
– Já tomei pé na bunda antes e não morri por isso. – relembrou.
– Mas passou meses enchendo o saco. Então me deixe encher o saco também. – chiou e negou com um aceno de cabeça.
– Vamos comer alguma coisa e depois podemos ir ao Revue Cinema. – decidiu, ignorando completamente os resmungos do melhor amigo.
– Eu vou ligar para a e pedir para ela voltar para Toronto de uma vez. – exclamou exasperado, puxando o celular do bolso no instante seguinte. – Sério, eu preciso que você ocupe seu tempo com ela e me deixe em paz.
está dormindo nesse momento. – murmurou. – Não é para mandar mensagens para ela. – semicerrou os olhos para o melhor amigo e Brian gargalhou.
– Não é de mim que você tem que ter ciúme. – o outro sorriu debochado para , que lançou um olhar nada amigável para Brian. Estirou o dedo do meio para ele em seguida, fazendo Craigen rir alto.
– Eu não preciso ter ciúme. – retrucou e Brian assentiu em concordância.
– Não precisa mesmo. – falou. – Mas você tem e isso é engraçado.
– Não é engraçado. Você que é idiota. – revirou os olhos.
– É engraçado sim. Principalmente porque você nunca teve ciúme antes. Não desse jeito. – apontou o dedo para a postura desconfortável de .
– Bom, ela está do outro lado do mundo, não está? – entortou ainda mais os lábios. – E ele está junto. E gosta dela, porque sinceramente, ele seria um idiota se não gostasse. – suspirou. – E ela pode postar fotos com ele e marcar ele sem precisar ler merda no Instagram. Isso me frustra. – passou a mão pelos cabelos e Brian lançou um olhar compreensivo ao cantor.
– Cara, logo isso vai passar. As pessoas logo vão esquecer e vocês poderão ter paz. – consolou.
– Eu não tenho esse otimismo. Ainda enchem o saco por causa da Hailey. – revirou os olhos. – De qualquer forma, essa especulação só vai acabar quando a gente assumir. E aí outro inferno vai começar. – deu de ombros. – Eu estou preparado, mas sei que ela não está.
– Mas logo ela estará. – Brian comentou. – Ela gosta muito de você, . É só questão de se acostumar, como eu fiz. Como sua família fez. – sorriu para o amigo. – Leva tempo, mas acontece. – riu. – Por exemplo, agora eu roubo suas fãs porque sou muito mais legal e ativo no Instagram. – deu de ombros, abrindo uma expressão convencida no rosto.
– Você não conseguiria roubar minhas fãs nem se postasse foto pelado. – retrucou, também rindo.
– Eu nem vou argumentar sobre isso, porque é a mais pura verdade. Difícil competir com esse corpão. – Brian acariciou o braço de e piscou os olhos para ele lentamente, como se estivesse flertando. gargalhou.
– Tem falado com a ? – ele questionou, mudando de assunto.
– Trocamos algumas mensagens. Eu claramente estou na merda e ela não. Mas não posso julgá-la. Ninguém em sã consciência sofre por homem. – deu de ombros.
– Não fica assim cara. Ela quem está perdendo. – garantiu, sacudindo os ombros do amigo com animação. Brian lançou um olhar incrédulo para ele.
– Quem está perdendo sou eu. Pare de tentar me animar desse jeito. – reclamou e revirou os olhos para ele. Acabaram optando por um restaurante de comida italiana, ocupando uma mesa ao fundo do estabelecimento e fazendo seus pedidos para a garçonete, que de forma tímida pediu uma foto com e saiu sorridente após ter sua selfie com o cantor.
– Você já falou para ela que vai amanhã? – Brian questionou, bebendo um gole se sua água enquanto a comida não chegava.
– Eu disse que ia. Não disse quando. – respondeu. Tinha o celular em mãos e vagava pelo Twitter, curtindo algumas menções aleatoriamente. – Aliás, o convite ainda está de pé. – ergueu o olhar para o melhor amigo. Brian sacudiu a cabeça em negação.
– Não, obrigado. Dessa vez eu passo. – Brian torceu os lábios. – Não quero ser o empata foda de vocês. estará lindíssima me ignorando.
– Eu estou começando a ficar com pena se você. – murmurou, tentando conter o riso.
– Que grande amigo você é. – o loiro revirou os olhos.
– Estou seguindo seu exemplo. Lembra-se das várias vezes que você debochou de mim? – arqueou as sobrancelhas para o outro. – Tudo que vai, volta Craigen.
– Você é um idiota. – Brian disse por fim, desistindo da discussão. Ele sabia que estava certo, no final das contas.

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A exaustão tomava conta do corpo de quando ela finalmente atravessou a Shibuya Crossing, já com a câmera guardada na bolsa e a tentativa de tirar uma foto no meio da multidão jogada no lixo. Talvez ela tentasse outro dia, afinal ainda tinha três dias no Japão e muita coisa poderia acontecer. seguia às suas costas junto de Connor, ambos tão exatos quantos . Haviam visitado naquele dia os jardins do Shinjuku Gyoen, a estação de Omotesandō e agora seguiriam para o Shinjuku Omoide Yokocho, em busca de alimentos e bebidas. não estava exatamente animada para aquele passeio, já que comer comidas exóticas não era sua meta de viagem, mas não conseguiria enrolar os amigos mais uma vez e passar a noite no quarto comendo pizza e conversando com , como havia feito nos dias anteriores.
E ao pensar no cantor, sentia-se inquieta. Ele havia dito que iria até o Japão, mas não havia dito quando chegaria ou se chegaria. Eles haviam conversado pela manhã, mas nem uma menção a viagem de fora feita por parte do canadense e não iria cobrar. Afinal, ela havia deixado claro que ele deveria ir se quisesse. Talvez ele tivesse pesado os prós e os contras e se dado conta de que seria uma viagem cansativa demais para quem deveria estar em uma premiação musical no domingo.
– Vocês querem pedir um Uber? – indagou, quando chegaram ao outro lado do cruzamento. – Ou vamos novamente nos aventurar no metrô?
– É longe para ir andando. – Connor constatou, o Google Maps aberto no celular. – De carro são 15 minutos.
– Eu não sei vocês, mas estou exausta. Vamos de Uber, por favor. – murmurou, massageando os próprios ombros. – Passamos no meu cartão. Depois a gente se vira.
– A gente andou de metrô a semana toda. – concordou. – Pegar um Uber não vai nos deixar mais pobres. – estalou os lábios.
– Sempre é possível ficar mais pobre. – Connor comentou, fazendo as duas garotas rirem.
– Nesse caso eu aceito a pobreza. – falou.
– Ela disse isso porque vai casar com um milionário. – alfinetou e Connor fez uma careta no mesmo instante que beliscava a loira. – O que? é milionário mesmo!
– E eu não tenho nenhum interesse nisso. – retrucou, de cara feia. revirou os olhos.
– Eu sei, estou brincando. – se desculpou, mesmo que não se arrependesse completamente. estirou a língua para a amiga. Confirmou a corrida do Uber e não esperaram mais do que dez minutos para estarem confortáveis no carro e seguros do frio que estava fazendo naquele dia. O rádio do carro estava ligado e uma música da Dua Lipa tocava. imediatamente começou a batucar a batida nas pernas, enquanto cantava a música, praticamente obrigando Connor a iniciar uma conversa. A loira cantava muito mal.
– Animadas para comer comidas estranhas? – Connor questionou, uma falsa animação em seu tom de voz. supunha que ele estava morrendo de medo de passar mal e no poderia julgá-lo. Afinal, ele teve a infeliz ideia de concordar com o desafio de em provar o máximo de pratos estranhos possíveis, enquanto garantiu que procuraria pela comida mais normal e gravaria quando eles passassem mal para postar no Instagram. Não que ela realmente fosse postar, mas iria gravar sem dúvidas.
– Sim! – exclamou, realmente animada. trocou um olhar receoso com Connor, prestes a fazer um comentário quando Treat You Better começou a tocar no rádio e a brasileira abriu um sorriso gigantesco. – Ah não. – foi o murmúrio de antes de pegar seu celular e iniciar a gravação de um vídeo, cantando a primeira estrofe da música com todo seu coração e fazendo caras e bocas. A garota virou a tela para , sue também se contagiou pela animação da amiga e continuou cantando, enquanto Connor as observava com uma expressão confusa no rosto.
I know I can treat you better, than he can and any girl like you deserves a gentleman. – ambas tomaram fôlego rapidamente, para então voltar a cantar e acompanhar a voz de com exatidão. – Tell me why are we wasting time, on all your wasted cryin’, when you should be with me instead. I know I can treat you better, – elas se encararam, antes de terminar o refrão com uma sincronia invejável. – Better than he can.
– Vocês ensaiam esse tipo de coisa? – Connor questionou, quando a música acabou e finalizou a gravação do vídeo, ao qual ela imediatamente enviou para , sorrindo brevemente para a foto de perfil do cantor antes de voltar a encarar Connor.
– Não. – foi quem respondeu. – Bom, talvez. – mordeu o lábio inferior, dando de ombros.
vai adorar. – comentou, sorrindo para a amiga, que concordou com um aceno de cabeça.
– Eu não tenho tanta certeza. – Connor murmurou e ambas as garotas i encararam com o cenho franzido.
– Por que ele não nos gostaria? – a brasileira questionou confusa.
canta mal pra caramba. – o garoto torceu os lábios e a loira deu um soco nele. A risada do motorista soou pelo carro e os três amigos encararam o senhor de idade com os olhos arregalados.
– O senhor fala inglês? – questionou, as bochechas corando pela primeira vez desde que conhecia .
– Sim. – o homem respondeu, instantaneamente deixando as garotas completam sem jeito.
– Tudo bem, já posso riscar o Japão da lista de lugares onde eu não passei vergonha. – disse por fim, enquanto concordava com ela e Connor ria alto, sendo acompanhado pela risada mais contida do motorista.
Enquanto lamentava a vergonha que havia passado, não se deu conta que os dois pontinhos que demarcavam uma mensagem lida haviam ficado azuis na conversa de . Não era o usual, já que ele deveria estar em um fuso horário completamente diferente do dela. Não deveria?

Capítulo 20

I got an idea
And I know that it sounds crazy
I just wanna see ya
Oh, I gotta ask
Do you got plans tonight?

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Girassóis. não tinha certeza de que gostava daquele tipo de flor. Deveria gostar, não? Todo mundo gostava de girassóis. Eram flores bonitas, remetiam a alegria… O cantor torceu os lábios em incerteza, quase dando dois passos em retorno ao elevador na intenção de voltar para a floricultura onde havia comprado as flores, ainda no aeroporto. Talvez ele devesse ter comprado rosas. Mas era esquisita e provavelmente não gostava de flores tão manjadas. Ele nem mesmo sabia se a garota já estava no hotel e havia comprado flores. Elas tinham prazo de validade, tipo de algumas horas? Porque não queria entregar flores mortas. Encarou os girassóis em sua mão e soltou um suspiro ao se aproximar do guichê do hotel em que estava hospedada. Deu as informações necessárias para que o recepcionista liberasse sua passagem – o havia colocado em sua lista de convidados – e seguiu para o elevador, ainda completamente em dúvida quanto as flores. Estava quase mandando uma mensagem para sua mãe para questionar sobre os girassóis quando lembrou da diferença do fuso horário e soltou mais um suspiro, mais nervoso a cada minuto.
Ele havia avisado que iria para o Japão, então deveria estar esperando por ele. Não deveria? Bom, ele realmente não tinha uma resposta para aquilo. Eles não haviam tocado no assunto novamente e a garota estava aproveitando a viagem de qualquer forma. Talvez ele tivesse cometido um erro. Mas agora já estava ali e não daria meia volta para o Canadá. Seu peito estava apertado de saudades e ele só precisava de um abraço para voltar a se sentir em paz.
Quando o elevador parou no andar de – mais uma informação de arrastou sua mala até o número 706 e bateu na porta com a mão livre, rapidamente escondendo o rosto com os girassóis e deixando a mala as suas costas. Talvez se visse as flores não brigasse com ele por não ter avisado que chegaria naquele dia. contava com aquilo, mas suas mãos estavam suando e seu coração parecia prestes a alçar voo para fora de seu peito. A ansiedade estava tomando conta dele e apenas quando a voz de soou de dentro do quarto que o cantor soltou a respiração e deixou um sorriso frouxo se abrir em seus lábios.
– Já vou! – ela gritou de dentro do quarto, e pôde identificar sons de passos apressados. – Ela está vomitando novamente? – questionou e franziu o cenho em confusão. Com quem pensava que estava falando? Não teve muito tempo para pensar naquilo, pois logo a porta foi aberta e a garota soltou um resmungo surpreso ao dar de cara com o buquê de girassóis.
– Eu não sei se ela ainda está vomitando, mas podemos checar isso juntos depois que eu deixar a mala dentro do quarto. – o rapaz sugeriu, afastando o buquê de seu rosto e encarando com um largo sorriso.
! – a garota gritou, pulando nos braços dele no mesmo instante. deixou o buquê cair e segurou em seus braços, tirando a garota do chão e enfiando o rosto contra o pescoço dela, respirando seu perfume – do qual ele havia sentido saudades e deixando um beijinho casto na curva do pescoço da fotógrafa.
– Oi dengo. – ele murmurou baixinho, recebendo um abraço ainda mais apertado de em retorno. Ela enlaçou a cintura do cantor com as pernas, afastando-se para encarar o canadense. segurou o rosto de com as mãos e selou seus lábios em um beijo lento e cheio de carinho. moveu as mãos da cintura de para as coxas e logo ela já estava contra a parede do corredor, enquanto ambos tomavam fôlego entre o girar de suas línguas, incapazes de se afastarem, tamanha a falta que haviam feito um para o outro.
Foi quem rompeu o beijo, os lábios vermelhos e inchados, aos quais ele colou rapidamente contra a testa de , respirando fundo e fechando os olhos ao voltar para o abraço em que estavam anteriormente. aproveitou a proximidade para brincar com os cabelos da nuca de , formando cachinhos com as pontas dos dedos e sorrindo boba, mesmo que o cantor não pudesse vê-la.
– Senti sua falta. – ele murmurou por fim, afastando o rosto do pescoço da garota e encarando-a nos olhos.
– Senti saudades. – falou em português, causando uma pequena confusão mental no canadense, que logo franziu o cenho para ela. desceu do colo de , recolhendo o buquê de girassóis do chão e segurando a mão de , entrelaçando seus dedos e o puxando para dentro do quarto. a seguiu, arrastando a mala consigo e fechando a porta quando já estava dentro do cômodo. Sentou ao lado de na cama, sem conseguir desviar o olhar do rosto dela. Apenas alguns dias sem vê-la e ela parecia ainda mais bonita. ergueu o rosto para após colocar os girassóis na mesa de cabeceira, sorrindo fraco. – Saudade. é uma palavra da língua portuguesa que é praticamente impossível de traduzir para o inglês, no sentido literal dela. – explicou. – Sentir saudade é diferente de sentir falta. Quando a gente sente falta, é por lembrar de algo que nos remeta ao objeto de falta. Tipo olhar um comercial do Burger King e sentir falta de comer um lanche, entende? – questionou e assentiu com a cabeça, atento às palavras da garota. Adorava quando ela o apresentava a sua cultura, porque fazia-o se sentir mais perto dela. – Mas saudades. é diferente. É algo que não passa nunca, mesmo quando nossa cabeça está em outro lugar. Fica sempre aquela pontinha doendo dentro do coração. – sorriu para o cantor. – É por isso que eu senti saudades. de você. Não senti apenas sua falta.
– Eu também senti saudade. de você. – disse por fim, enrolando completamente a língua ao tentar pronunciar a palavra e recebendo um sorriso largo de ao terminar a frase. Puxou-a para seus braços e novamente grudou seus lábios, iniciando mais um beijo.
Eles passaram incontáveis minutos trocando carícias, até o estômago de fazer um barulho e soltar uma risada, deixando um último beijo no rosto do cantor e levantando da cama, em busca do telefone. Iria ligar para a recepção e pedir algo para comer, enquanto o canadense tomava um banho rápido. voltou ao quarto usando apenas uma calça de moletom e logo estava puxando para a cama, os aconchegando um abraço apertado.
– Quem estava passando mal? – ele indagou, só então se lembrando das frases de enquanto ele esperava no corredor.
. – falou. – Fomos a um passeio culinário e ela passou mal com o segundo prato. Tivemos que voltar para o hotel antes do previsto. – explicou.
– Mas ela está bem? – indagou, preocupado.
– Sim. – ela assentiu. – Mandou uma mensagem enquanto você estava no banho. E disse que você não precisava agradecer e que só deveríamos sair desse quarto amanhã. – riu.
– Essa foi a melhor ideia que já teve na vida. – comentou, voltando a puxar a garota para seus lábios. Eles teriam uma longa noite para matar as saudades.

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Cheiro de casa.
Foi o primeiro pensamento de ao acordar naquela sexta-feira e dar-se conta de com quem estava dormindo abraçada. Era dele que vinha o cheiro de casa. Finalmente estava se acostumando com o fuso horário de Tóquio, mesmo que tivesse apenas mais três dias na cidade. Muito diferente do rapaz que dormia ao seu lado, com as costas nuas e os cabelos revirados, e parecia praticamente desmaiado de cansaço. sorriu, deixando um beijo na bochecha esquerda de e então pulando para fora da cama. Ocupou o banheiro por quase meia hora e quando saiu do cômodo já estava vestida e faminta. Havia acordado mais cedo naquele dia e poderia escolher entre tomar um café decente no hotel ou então procurar alguma cafeteria. Seu olhar recaiu sobre e soltou um suspiro, dividida entre acordá-lo para que pudessem combinar o passeio de mais tarde, ou então deixá-lo dormir um pouco mais e ligar para ele no almoço. Acabou não precisando tomar uma decisão, já que o despertador de começou a tocar e o cantor resmungou algo incompreensível, abrindo os olhos lentamente e soltando um bocejo alto.
– Bom dia. – ele murmurou, ao se colocar sentado na cama e sorrir para . Ela tirou um segundo para apreciar a visão de usando apenas uma calça de moletom e a cara inchada de sono e então se aproximou dele, que abriu os braços para ela e a puxou para seu colo. o beijou lentamente, aproveitando cada segundo daquela boca macia contra a sua.
– Bom dia. – ela suspirou ao findar o beijo, segurando as bochechas de com a palma das mãos. Sorriu para ele. – Quer dormir um pouco mais? Você tá com uma carinha de cansado. – entortou os lábios para , acariciando a bochecha dele com a ponto dos dedos.
– Não. – ele sacudiu a cabeça em negação. – É só o fuso horário. – explicou. – Eu dormi a viagem toda ontem.
– Certo. – selou seus lábios. – Eu vou descer para tomar café. Quer que eu te espere ou traga algo para você, antes de ir para o workshop?
– Tem tempo de me esperar? – ele questionou e assentiu, se jogando para o lado e dando espaço para se levantar e seguir para o banheiro com uma muda de roupas. E novamente ela tirou alguns segundos para analisar o cantor e acabou mordendo os próprios lábios quando seus olhos encontraram alguns arranhões nas costas de . A noite anterior estava bem viva em seus pensamentos naquele momento, distraindo a ponto de a garota não notar de imediato que seu celular estava vibrando em seu bolso, indicando uma nova ligação.
– Aí droga. – murmurou, quando finalmente puxou o celular do bolso, atendendo a chamada de vídeo de sua mãe e abrindo um sorriso para a genitora. – Oi mãe! – exclamou animada.
“Oi amor!” – Susana sorriu para a filha. – “Como tu estás? Aí é dia?” – franziu o cenho em confusão e riu.
Fuso horário. – a garota lembrou e Susana estalou os lábios em compreensão. – Eu estou bem e tu? – questionou, procurando seu fone dentro da bolsa e conectando ao celular. Se ajeitou na cama, sentando de costas para a porta do banheiro.
“Ótima.” – sorriu. – “Acabei de ver tuas fotos no Instagram e estou apaixonada por Tóquio! Não sabia que era tão bonito por ai!” – exclamou.
É maravilhoso, mãe! concordou. – Tudo funciona perfeitamente. É um contraste gritante com o Brasil. – suspirou. – Aliás, estou com saudades. – sorriu triste. – Bateu uma vontade de comer teu feijão ontem. Aqui só tem comida estranha. – riu.
“Eu imagino!” – Susana riu. – “Mas então amor, eu acabei vendo teus stories também.” – arqueou as sobrancelhas e sentiu toda sua espinha gelar. Merda, ela pensou. Era óbvio que sua mãe veria a foto que havia postado de e ligaria para saber o que estava acontecendo. Afinal, havia dito que eles não estavam namorando. Mas estava em Tóquio apenas para vê-la e obviamente sua mãe não cairia naquela lorota de “apenas amigos”, mesmo que quisesse adiar aquela explicação por mais alguns dias. Ou semanas.
Ah é? – indagou, sem conseguir fingir tranquilidade. Susana riu.
“Ele foi aí para te ver, não foi?” – a mais velha questionou diretamente e suspirou, assentindo com a cabeça.
Sim.
“E vocês não estão namorando?” – continuou a perguntar.
Não. – a fotógrafa mordeu os lábios.
“Por que não?”
Porque eu pedi para irmos com calma. Sabe, é um relacionamento incerto. – tentou explicar e sua mãe logo revirou os olhos, bufando para a filha.
“Incerto? , ele atravessou o mundo para te ver. Acho que as únicas incertezas são as suas, minha filha.”
É complicado mãe. – suspirou. – Mas eu tô me abrindo aos poucos. – garantiu. – Gosto dele de verdade. – sorriu bobamente e Susana repetiu o gesto da filha, porém de forma feliz e animada.
“E quando eu vou conhecê-lo?” – indagou e fez uma careta imediata, fazendo sua mãe rir.
Cedo demais, dona Susana. – murmurou, e como se o universo estivesse conspirando contra ela, a porta do banheiro se abriu e saiu de lá, completamente alheio ao que acontecia no quarto. Usava uma toalha para secar os cabelos e já estava vestido, usando jeans escuros, uma blusa de lã e jaqueta jeans. Nos pés um tênis confortável, já que suas adoradas botas não eram a melhor escolha para um dia de caminhada.
Dengo , você tem creme de pentear? – indagou, a atenção fixa em sua mala. – Eu acho que deixei o meu em casa. – suspirou, só então se virando na direção de e arregalando os olhos quando seu olhar recaiu sobre a figura sorridente de Susana na tela do celular de .
estava estática, sem saber o que fazer naquele instante. Desligar a ligação não era uma alternativa. poderia se magoar, achando que o estava escondendo de sua família, e tudo o que ela não queria era passar aquela impressão para ele. E sua mãe a mataria. Então a única alternativa plausível era apresentá-los rapidamente e cortar a ligação usando o café da manhã como desculpa. É, era uma boa – e única – alternativa.
– Eu tenho. – respondeu, voltando a falar em inglês. – Depois eu te empresto. Agora senta aqui e vem dar oi para a minha mãe. – falou, tentando soar descontraída, mesmo que estivesse surtando internamente. a encarou e abriu um largo sorriso, antes de sentar ao lado dela e pegar um doa fones que ela lhe oferecia. E aquilo fez tudo valer a pena para . Por aquele sorriso, ela tentaria evitar deixar que o medo tomasse conta de seu raciocínio. Por aquele sorriso, ela assumiria aquele relacionamento para o mundo. E iria começar pelo seu mundo: Susana .
Oi! exclamou em português, para a surpresa de Susana e completa admiração de . A cada instante ele a fazia se apaixonar mais.
“Oi!” – Susana cumprimentou de volta. lançou um olhar perdido para , que acabou rindo da fofura que ele apresentou naquele instante e voltou a encarar sua mãe.
Mãe, esse é o . Ele não entende muito de português, apenas algumas palavras tipo brigadeiro. – explicou. lançou um olhar confuso para , o que fez Susana rir. – E ele não sabe que você fala inglês, então podemos conversar um pouquinho e deixá-lo completamente perdido? – pediu, um bico se formando em seus lábios. A expressão de ficava mais confusa a cada segundo.
– “Eu não vou fazer isso.” – Susana retrucou em inglês e voltou a encará-la com os olhos arregalados.
– Sua mãe fala inglês? – o cantor questionou surpreso. – E você estava falando em português com ela na minha frente por quê?
– Porque eu quis. – retrucou, dando de língua para quando ele a cutucou na cintura. – Você é uma estraga prazeres. – chiou para Susana, que riu novamente.
– “Eu sou professora de inglês.” – explicou para . – “E é um prazer te conhecer, . Eu sou Susana, mãe da . Ela fala muito de você. A muitos anos, inclusive.” – implicou com a filha, que revirou os olhos imediatamente enquanto ria.
– É um prazer te conhecer Susana! – o garoto sorriu. – Você poderia me dizer, por favor, o que falavam em português? não vai me contar. – fez uma careta.
– Não, ! – exclamou, empurrando para o lado e o afastando da câmera do celular. – Você não vai fazer essas carinhas fofas e conquistar a minha mãe! Com essa carinha você a convence a buscar o álbum de fotos da minha infância, e eu não estou preparada para isso! – finalizou e gargalhou, enquanto tentava desviar do braço de e voltar para a tela do celular.
– Eu não fiz nada! – exclamou em sua defesa.
– As suas covinhas fizeram! – retrucou, fazendo-o rir ainda mais. Susana sorria para a cena, completamente encantada com a sintonia que eles tinham juntos.
– Deixa de ser chata, . – chiou e a fotógrafa deu de língua para ele. Voltou a encarar sua mãe e corou imediatamente, já que conhecia muito bem aquele olhar de Susana.
– “Vocês são fofos.” – a mais velha comentou e sorriu, agradecendo pelo elogio.
– E precisamos tomar café. – murmurou, após uma rápida olhadela para o relógio na cabeceira da cama. – Ou eu vou me atrasar. – suspirou.
– “Marcaremos um novo dia para conversarmos, .” – Susana garantiu. – “Cuide da minha princesa enquanto estou longe.” – sorriu para o cantor. olhou para , também sorrindo.
– Ela sabe se cuidar. – falou. – Mas eu vou ficar por perto enquanto ela me quiser perto. – falou, o olhar fixo no de . A garota se inclinou para ele e selou seus lábios, incapaz de conter aquela vontade. Ela o queria por perto, sem prazo para ir embora. E quando voltou a olhar para o celular, encontrou sua mãe sorrindo em aprovação. havia passado no teste de Susana .
– Tchau mãe. – despediu-se. – Mais tarde nos falamos. – atirou um beijo para a mais velha, que acenou em retorno e desligou a chamada de vídeo seguida. olhou para , que sorria largamente e logo a puxou para seus braços e para seus lábios.
– Não foi tão ruim. – ele comentou e a garota riu. – Agora faltam os meus pais. E o seu. – olhou nos olhos dela, procurando por algum resquício de medo. sorriu.
– Agora só faltam eles.

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– De nada! – exclamou assim que parou ao lado de , sorrindo largamente e sem mostrar os dentes. a seguia, junto de Connor e por algum milagre, aquilo não incomodou . Talvez o sorriso gigante da brasileira e o fato de que os olhos dela não se desviavam dele tivessem aliviado o ciúme de .
O rapaz estava esperando pelas garotas em frente ao Santa Monica Crepes, na Takeshita Dori. Havia passado a manhã inteira no quarto de , compondo uma nova música e só saíra de lá para almoçar e então para pegar um táxi até o bairro Harajuku, onde acompanharia as amigas em mais um dia de passeio por Tóquio. Ele já conhecia a cidade, mas não se importava em ver novamente aqueles pontos turísticos. Tóquio era realmente incrível e nunca se cansaria dela. Naquela tarde, iriam passear pela Takeshita e então seguiriam para o Yoyogi Park e o Menji Sanctuary.
– Perdão? – murmurou, lançando um olhar confuso para a garota. revirou os olhos, mas logo a atenção de fora roubada por , que o abraçou apertado e deixou um beijo em sua bochecha. Ele realmente preferia um beijo nos lábios, mas estavam em público e ainda indo “com calma” naquele relacionamento.
– Oi! – exclamou animada.
– Oi dengo. sorriu. – Como foi o seu dia?
– Ótimo. Último dia de workshop e eu sou completamente uma profissional mais preparada. – comentou. – E você, o que fez durante toda manhã?
– Ah, nada muito importante. – desconversou.
– Então poderia ter me mandado uma mensagem de agradecimento. – chiou às costas de . – Aliás, esse é o Connor. – apresentou o amigo e só então desviou o olhar de e o pousou no rapaz.
– Já nos conhecemos. – Connor disse para . – nos apresentou algum tempo atrás. – voltou-se para e acenou, que assentiu em resposta.
– Sim. – concordou. – Por que eu deveria te mandar alguma mensagem? – questionou .
, na próxima vez que seu namorado quiser ajuda para te fazer alguma surpresa, eu não vou ajudar, mas continuo te amando, ok? – a loira falou, estirando a língua para . – Você é um mal-agradecido.
– Do que vocês estão falando? – questionou confusa. Sua atenção estivera presa na loja de crepes, mas agora encarava e com o cenho franzido.
– Um é mal-agradecido e a outra nem presta atenção no que eu digo. – reclamou, fazendo revirar os olhos e Connor rir.
– Vamos comer alguma coisa, por favor. – pediu. – Aguentar a mal-humorada de estômago vazio não dá. – concluiu. riu e a abraçou pelos ombros.
– Vocês não me merecem! – chiou.
– Ainda bem. – Connor murmurou. – Seríamos pessoas horríveis se te merecêssemos. – debochou. gargalhou. O braço de estava em seus ombros e ela ergueu a mão direita de modo a entrelaçar seus dedos. O cantor lançou um sorriso para ela, beijando a ponta de seu nariz em seguida.
– Aí, eu vou vomitar. – resmungou, fazendo cara de nojo para o casal.
– Achei que você fosse a nossa shipper número um. – implicou.
– Eu era. Até vocês me maltratarem. – fez uma careta e revirou os olhos.
– Ela está irritante hoje. – comentou com . – Só porque nós gravamos o vexame de ontem. – trocou um olhar risonho com Connor.
– Não postamos no Instagram. Eu não sei porque ela está reclamando. – o fotógrafo murmurou, arrancando um bufar de , que saiu pisando firme em direção ao Kawaii Monster Cafe. Connor a seguiu imediatamente, não querendo segurar vela para o casal, que riu e acompanhou o restante do grupo com passos tranquilos.
– Não está cansado? – questionou. – Na segunda-feira eu estava completamente destruída por conta do fuso horário.
– Não. – negou com um aceno de cabeça. – Estou acostumado com viagens repentinas. – sorriu para a garota. A rua estava movimentada e ele usava um boné, mesmo que não achasse aquilo algo realmente eficaz. tinha quase dois metros de altura e se destacava em qualquer multidão, já que os japoneses não eram realmente altos.
– Quando você vai para Londres? Amanhã? – questionou, se aconchegando mais no abraço de graças a possibilidade de ficar longe dele novamente.
– Domingo. – murmurou. franziu o cenho.
– O EMA não é domingo? Não vai dar tempo ! – exclamou, subitamente preocupada.
– Calma, dengo. – o cantor riu. – Tem o fuso horário, esqueceu? – novamente beijou o nariz da garota. – Meu voo sai as 8 da manhã aqui. São 12 horas de voo. Soma tudo isso e diminui 8 horas de fuso. Vou chegar ao meio dia lá.
A careta de confusão de apenas deixava claro o quanto de humanas ela era, o que fez rir um pouco mais.
– Relaxa. – ele falou. – Vai dar tudo certo.
– Você não vai se apresentar lá? E os ensaios? – voltou a questionar, sem tentar esconder a ansiedade que tomava conta de si. A possibilidade de estar colocando uma apresentação em risco para estar ali com ela deixava completamente neurótica. interrompeu a caminhada e parou de frente para a garota, segurando em seus ombros e com o olhar fixo no dela.
– Eu ensaiei durante a semana. É apenas uma música, sem medley, sem nada muito grandioso fora um show de luzes pelo qual não sou responsável. – explicou calmamente. – Eu vou chegar e passar à apresentação com a banda uma última vez e então vou para o hotel descansar um pouco antes da premiação. Já está tudo combinado. – garantiu.
– Fico preocupada. – mordeu o lábio, acabando com a distância entre eles e abraçando .
– Eu sei. – ele sorriu, beijando o topo da cabeça dela. – Mas está tudo acertado. Os planos só mudariam se você topasse ir comigo. – falou com diversão. prendeu a respiração e encarou com os olhos arregalados. – Eu tenho um ingresso extra. – arqueou as sobrancelhas para ela.
– Não brinque comigo. – ela reclamou, novamente entrelaçando seus dedos nos de e o puxando em direção ao Kawaii Monster Cafe, sem saber que estava falando sério naquele momento.
realmente queria que ela fosse ao EMA com ele.

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Buchinho cheio era a definição para naquele momento. E ela gostaria muito que entendesse aquela definição ao invés de achar as palavras engraçadas e ficar rindo como um idiota. Não que ele realmente fosse um idiota, mas estava levemente irritada porque ele ficava apertando seu nariz e murmurando “buquinho cheo” em seu ouvido, apenas para implicar com ela. E por mais adorável que ele fosse ao tentar falar português, ela jamais aceitaria que a zoasse, principalmente porque ele era o cara que tropeçava na própria sombra. Que moral ele tinha para rir dela?
Buquinho cheo. – ele murmurou novamente no ouvido de e a garota cutucou a cintura dele, não se importando em cravar a unha na pele dele. soltou um grunhido surpreso. – Ai !
– Então para. – ela lançou um olhar pouco amigável para o cantor. Estavam em frente ao restaurante francês onde haviam jantado naquela noite, esperando que algum Uber aceitasse a corrida que havia solicitado ou então que algum táxi aparecesse. abraçava a garota pelos ombros, que logo usou o peito dele para recostar a cabeça, soltando um suspiro em seguida.
– Não fica brava comigo. – murmurou, quase em um sussurro. arqueou as sobrancelhas e virou o olhar para cima, de forma a focar sua visão em . Ele tinha um bico nos lábios, um cachinho caindo na testa e aquilo matava a garota. era realmente lindo pra caralho e não sabia lidar com aquilo.
– Não estou brava. – ela estalou os lábios e sorriu. – Aí, suma com essas covinhas. É sério, o meu coração é fraco e você não tem piedade dele. – chiou em desgosto, apenas fazendo o canadense rir mais. Risada essa que chamou a atenção de um grupo de pessoas – garotas em sua maioria – que passava pela mesma calçada na qual e estavam. E quando alguns murmúrios envolvendo o nome de se fizeram presentes, se afastou do cantor, desfazendo o abraço no qual se encontravam e recebendo uma careta de .
– O que foi? – ele questionou, completamente alheio à sua volta. Não havia percebido o grupo às suas costas, mas sim. E ela estava entrando em pânico.
? – uma voz feminina chamou e o cantor se virou, encontrando um quarteto de garotas à sua espera. Ao constatarem que era mesmo , em carne e osso, soltaram exclamações e gritinhos animados, logo rodeando o cantor e pedindo selfies e autógrafos. observava tudo, os braços cruzados na frente do corpo, completamente desconfortável. Esperava que ninguém a notasse ali e que aquelas pessoas fossem embora antes do Uber chegar. Não queria ver a bagunça que seria se um boato de que realmente fora até Tóquio apenas para vê-la se espalhasse pela internet.
– O que você está fazendo em Tóquio? Não deveria estar em Londres? – ouviu uma das garotas perguntar e aquela pergunta gelou toda sua alma. Aquelas garotas provavelmente eram fãs de e aquilo tornava a situação ainda mais problemática. tentou se afastar um pouco mais, mas esbarrou com outra garota, que tentava se juntar ao grupo. Murmurou um pedindo de desculpas e estava prestes a correr de volta ao restaurante quando a garota segurou seu braço, o cenho franzido e uma expressão pensativa no rosto.
– Eu te conheço. – a garota disse.
– Dificilmente. – riu nervosamente.
– Você é a namorada do , não é? – a outra questionou. – Eu te sigo no Instagram.
– Eu não sou namorada do . – logo negou. – Nós somos apenas amigos. – disse.
– Certo. – a garota estalou os lábios, se afastando de no instante seguinte e se juntando ao grupo de amigas. E quando o olhar de cruzou com o de , ela soube que ele havia escutado suas palavras. E seu coração se partiu quando ele escondeu o olhar magoado ao abrir um sorriso falso para ela.
A viagem no Uber levou 20 minutos e durante todo esse tempo, nem nem falaram nada. Apenas a música na rádio preenchia o silêncio e quando entraram no hotel e se encaminharam para o elevador, já estava nervosa a ponto de começar a chorar. Infelizmente ela era muito emotiva e chorava sempre que ficava muito nervosa, já que eram raras as vezes em que ficava nervosa. Pelo menos, até começar a conviver com , já que o nervosismo era sua companhia diária quando estavam juntos. achava que jamais se acostumaria com a companhia do cantor.
entrou no quarto de cabeça baixa, retirando o casaco grosso e o deixando na poltrona. Seguiu diretamente para o banheiro e se trancou lá por alguns minutos, enquanto suspirava a cada dois segundos e torcia os dedos nervosamente. Acabou trocando as roupas e vestindo um pijama quentinho e deu-se por vencida ao ocupar seu lugar na cama. Seu olhar estava fixo no teto quando saiu do banheiro e ainda sem olhar ou falar com a garota, se deitou na cama e cobriu-se com o edredom. observou as costas de por longos segundos, mordendo o lábio inferior e suspirando quando percebeu que realmente não iria falar com ela. Se aproximou dele e o abraçou por trás, descansando a cabeça na curva do pescoço do cantor.
. – ela chamou em um sussurro.
– Estou cansado. – foi a resposta dele. – Acho que é o fuso.
Ele estava mentindo e sabia. E por sua culpa, ela também sabia.
– Me desculpe. – murmurou. – Eu entrei em pânico.
– Amanhã a gente conversa, . – suspirou. Ele aconchegou a cabeça no travesseiro, deixando claro que aquela posição abraçada não era sua preferência naquela noite. voltou para o seu lado na cama, buscando um travesseiro para abraçar. Não que ela fosse conseguir dormir, mas deveria tentar. O dia seguinte seria complicado e ela precisava estar descansada.

 

Capítulo 21

I pretend that I’m not ready
Why do we put each other through hell?
Why can’t we just get over ourselves?
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Ele havia esperado pegar no sono para cessar o fingimento de que estava dormindo. Estava com dor de cabeça e sabia que não era por causa do fuso horário. Seu corpo sentia falta do calor dela e por isso não conseguira dormir. suspirou, sentando na cama e virando o rosto em direção a . Ela dormia abraçada a um travesseiro, na mesma posição em que dormia abraçada a ele. E aquilo partiu o coração de , que só queria puxar a garota para seus braços e aproveitar da paz que sentia quando estava com ela. Mas não o faria, porque estava chateado. Havia sido racional e evitado uma briga entre eles. Caso não tivesse cortado as desculpas de , eles teriam discutido e dito coisas que iriam magoar aos dois. E de forma nenhuma queria que aquilo acontecesse.
Passou mais alguns instantes observando a garota, suspirando mais uma vez e se levantando da cama. Não conseguiria voltar a dormir de qualquer forma, já que estava cheio de pensamentos na cabeça. Vestiu uma roupa qualquer, saindo do quarto em seguida. Pegou o elevador e desceu até a recepção, sem nenhum rumo certo em mente. Esperava que alguém pudesse lhe informar se havia alguma sala de lazer disponível para os hóspedes e seu ânimo melhorou um pouco quando o recepcionista lhe informou que haviam duas salas de lazer: uma de jogos, no térreo; e outra de música, no terraço. Alguns hóspedes alugavam a sala para festas particulares, mas na maior parte do tempo, o espaço ficava aberto ao público. se dirigiu até o último andar do hotel, encontrando um pequeno palco com karaokê – típico de Tóquio, um piano e também um violão. Talvez acabasse usando o instrumento para sua terapia pessoal: escrever. Ocupou um dos sofás, soltando um suspiro alto. Recostou a cabeça na guarda do sofá e fechou os olhos, tentando organizar seus pensamentos.
Ele estava chateado. Magoado, até. afirmar, para outras pessoas, que eles eram apenas amigos – quando eles claramente não eram – havia sido um tapa na cara. Afinal, havia viajado até o Japão apenas para vê-la. Para estar com ela. Porque havia sentido saudades. Porque logo voltaria para a turnê e gostaria de aproveitar o pouco tempo de férias com a garota. Eles não eram apenas amigos. Agiam como namorados – ok, sabia que não havia pedido em namoro, mas ele também sabia que a garota não estava esperando por aquela atitude dele, para abrir seu relacionamento ao mundo. era feminista o suficiente para não se apegar àquele tipo de convenção social. Se ela quisesse dizer ao mundo que eles estavam namorando, não haveria nenhum problema. não estava fingindo que não a queria e que aquilo que tinham não significava nada.
E aquele pensamento acabava com ele. Porque realmente estava tentando fazer aquilo dar certo. Mas ele não poderia fazer tudo sozinho. precisava tentar também, mas ela parecia mais interessada em fugir e esconder o relacionamento deles. Não era vergonha. Era medo. Talvez da represália da mídia? Da agitação dos fãs? Ela já havia dito aquilo e entendia. Entendia que seu mundo não era fácil e ele lhe daria o tempo necessário, desde que ela estivesse disposta a tentar. E naquela noite, havia lhe provado exatamente o contrário. Que ela preferia abraçar o medo ao invés de dar a mão para e atravessar aquele furacão. E por Deus, aquilo doía como o inferno.
Aquela garota era uma maldição. A sua maldição, porque ele a queria demais e sentia seu peito doer apenas por cogitar a possibilidade de nunca ter coragem para assumir o que eles tinham. O que sentiam um pelo outro. não queria viver às escondidas. Não era de seu feitio se esconder do mundo. E se nunca estivesse pronta para assumir aquilo, poderia continuar fingindo que eles não tinham nada? Que não estava pronto? Ele sabia que não. E também sabia que não existia ninguém como . Ninguém se comparava. E ele não queria ninguém além dela.
Respirou fundo, puxando o celular do bolso da calça de moletom e colocando seus pensamentos no bloco de notas do celular. Acabou escrevendo frases e mais frases, que possivelmente se tornariam uma música no futuro. era realmente sua musa inspiradora. Ele não conseguia escrever mais nada que não fosse sobre ela. E naquele momento, precisava de um conselho. Pensando nisso, fechou o bloco de notas e abriu a agenda do celular, ligando para seu pai sem nem pensar suas vezes. Ninguém dava conselhos como Manuel e esperava que o pai pudesse lhe ajudar naquele momento, antes que ele surtasse de vez.
Manuel não demorou a atender e logo seu cumprimento animado foi substituído por uma fala preocupada. soltou um risinho, precisando apenas cumprimentar Manny para o genitor saber que algo estava errado e fazer lhe contar tudo. Desde o comecinho. E quando o cantor terminou, Manny levou alguns instantes para processar toda a informação e abrir um sorriso tranquilo para o filho.
– Eu acho que você não está olhando as coisas pela ótica dela, meu filho. – Manny murmurou e antes que pudesse retrucar, ele continuou. – Veja bem, – suspirou. – Ela nunca lhe disse que não estava pronta para assumir esse relacionamento na mídia. Ela nunca lhe disse que tinha medo do que as pessoas poderiam dizer sobre ela. Ou disse? – questionou e apenas negou com a cabeça. – Vocês estão convivendo a pouco mais de um mês. As coisas mudaram rapidamente. O seu mundo é completamente diferente, . E pelo que você me disse, ela não está tentando manter as coisas em sigilo porque tem medo do que a mídia vai falar dela. Ela está com medo da reação dos seus fãs, por você e não por ela. E você sabe disso. Só está em negação. – sorriu compreensivo.
– Meus fãs não são monstros. – contestou.
– Eu sei. – Manny concordou. – Mas muitos não sabem diferenciar a sua vida profissional, que eles admiram, da sua vida pessoal. Aaliyah comentou que o Twitter está uma loucura porque saíram fotos suas aí em Tóquio e eles já fizeram conexão com a . – suspirou. – Você não vê isso, porque não procura. E eu espero que continue sem procurar. Não é algo agradável de se ler.
ficou quieto por alguns instantes, pensativo demais, a ansiedade à espreita para lhe atacar. Não gostava de pensar naquilo. Sabia que a fama tinha seu lado obscuro, mas nunca o havia vivido. Ok, ele havia lido muita coisa idiota quando os rumores sobre Hailey e ele vazaram, mas nunca havia sido um relacionamento. E com Lauren havia sido no início de sua carreira. Era completamente diferente e ele sabia daquilo. era uma fã. Ela sabia como as coisas funcionavam. deveria acreditar nas palavras da garota ao invés de deixar o medo e a insegurança tomarem conta de si.
– Você precisa colocar a cabeça em ordem. – Manuel murmurou. – Você se vê com ela em dez anos? Fazendo as mesmas coisas que vocês fazem hoje?
– Sim. – respondeu, sem nem pestanejar. – A gente tem uma sintonia incrível. – ele sorriu. – Nossos olhares sempre se cruzam, como se estivéssemos sempre procurando um ao outro. Você me disse uma vez que a coisa mais importante dentro de um relacionamento era os dois serem os únicos a rirem de uma piada idiota. E eu sinto isso com ela.
– Eu acho que ela é a certa. – Manuel disse por fim. – Mesmo sem nem a ter conhecido. Eu consigo ver o quanto ela te faz bem. Acho que vocês devem conversar. Acertar esses pontos sem nó. – murmurou. – Mas só se você achar que ela vale a pena. Que vale a pena esperar ela estar cem por cento segura para assumir isso.
– Ela vale. – disse imediatamente. – Eu posso esperar por ela.
– Então você não precisa de mais nenhum conselho, precisa? – Manny soltou uma risada contida. E ele estava certo. não precisava de mais nenhum conselho, apenas daquele violão e algumas horas sozinho naquela sala. Ele conhecia o coração de como a palma de sua mão, e mesmo com as inseguranças – sua ansiedade era mesmo uma merda, estaria ali quando estivesse pronta.

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O barulho de um trovão acordou no meio da noite. A garota se assustou, soltando um bocejo alto antes que os acontecimentos da noite anterior viessem à tona e ela se virasse na cama, procurando por . Sentiu seu coração apertar quando encontrou o espaço vazio, se colocando em pé no mesmo instante. Vestiu um moletom e calçou os chinelos após constatar que as malas do cantor ainda estavam no quarto, soltando um suspiro aliviado. Aquilo queria dizer que ele não havia ido embora, não? Ainda havia alguma esperança para eles.
Tão rápido quanto o sorriso havia surgido, ele sumiu de seu rosto quando se deu conta de que não precisava daquela bagagem para ir embora. Afinal, ele poderia pedir para alguém buscar suas coisas ou simplesmente comprar coisas novas. Ele não iria sentir falta daquela bagagem. Não como sentiria caso perdesse as suas. Talvez realmente tivesse ido embora. Talvez tivesse arruinado tudo. Porque era idiota e burra. Sentou na cama, apoiando aos cotovelos nos joelhos e escondendo o rosto por entre as mãos. Soltou um grunhido estrangulado, já que não poderia gritar. Nem havia amanhecido ainda e silêncio era tudo o que havia em todo hotel. suspirou, sentindo seus olhos marejarem. Ela queria muito chorar, mas principalmente, queria bater em si mesma. Havia sido culpa sua e de suas paranoias. Em nenhum momento havia demonstrado preocupação com a possível reação negativa de seus fãs. Eles haviam conversado sobre aquilo e era a única preocupada. E se ele não estava ligando, por que ela deveria? Havia feito merda e magoado , sendo que estava tomando decisões justamente para evitar aquilo.
Ai , tu merece mesmo que a te dê um socão. – lamentou em português, a voz já embargada pela vontade de chorar. Acabou não percebendo quando abriu a porta do quarto, tão focada em xingar a si mesma como estava. a encarou com o cenho franzido e quando ouviu a garota fungar, fechou a porta e se aproximou de , se ajoelhando no chão e segurando nos braços dela com cuidado. levantou os olhos – cheios de lágrimas – para e soltou um resmungo aliviado, puxando-o para si e o envolvendo pelo pescoço em um abraço apertado.
, o que foi? – o cantor questionou preocupado.
Você tá aqui. – ela resmungou, sem dar-se conta de que falava em português. a apertou em seus braços, mesmo sem entender os motivos para estar daquela forma.
– Estou. – confirmou. – Onde mais eu estaria?
– Pensei que havia ido embora. – a fotógrafa murmurou, quase em um sussurro. Se afastou de apenas o suficiente para olhar o rosto dele. – Que eu havia estragado tudo e te perdido. Eu não quero te perder. Nunca. – grunhiu, voltando a puxar o cantor para um abraço. sorriu involuntariamente.
– Você não me perdeu. – garantiu, suspirando ao final da frase. – A gente só precisa acertas os nossos pontos. – disse por fim, se colocando em pé, entrelaçando seus dedos nos de . – Vem comigo. – pediu. A garota levantou o olhar até ele, completamente confusa. Eles ainda não haviam feito as pazes e resolvido o motivo da briga. Por que estava agindo daquela maneira, como se nada tivesse acontecido? Como se ela não o tivesse magoado?
, a gente precisa conversar. – a brasileira sussurrou, temendo uma nova briga, mas sabendo que era necessário. assentiu em concordância.
– E iremos. – falou. – Mas antes eu preciso te mostrar uma coisa. – e com isso, puxou com um pouco mais de força, obrigando a garota a levantar. Guiou para fora do quarto, após ela calçar os chinelos, em direção ao elevador, deixando-a completamente aflita. Mas a garota preferiu não falar nada, então apenas se manteve quieta durante todos os andares até a cobertura do hotel. Seguiu para a sala de música, enquanto o barulho da chuva aumentava gradualmente, conforme eles se aproximavam do telhado.
– O que estamos fazendo aqui? – a garota questionou, após dar uma olhada na sala. Existir uma sala de música em um hotel não era algo comum, mas sabia que os japoneses eram um pouco esquisitos, então fazia sentido de alguma forma. a guiou até um dos pufes, o mais próximo da janela de vidro onde a chuva batia, seguindo até o pequeno palco de karaokê e pegando o violão. Sentou de frente para , que já sentia seu coração bater tão rápido que provavelmente sairia do peito a qualquer instante.
– Eu não dormi essa noite, mesmo que a noite ainda não tenha acabado. – começou a falar, encarando um ponto além de , enquanto ela mantinha seu olhar fixo no rosto do cantor. – Tinha muita coisa na minha cabeça e eu precisava colocar para fora. Mas não são esses pensamentos que você vai ouvir. – murmurou, olhando para e sorrindo fraco. – Eu estava magoado. – confessou. – Senti que todo meu esforço de vir até aqui não havia valido de nada, entende? Que você havia optado por nos esconder por causa do medo da repercussão, mesmo você tendo explicado seus motivos para querer ir com calma. Você sabe, eu tenho alguma bagagem emocional. – suspirou. – Eu tenho minhas inseguranças e a ansiedade está sempre à espreita, atenta ao melhor momento para me atacar.
– Me desculpe. – sussurrou. – Eu não queria te magoar. Eu só… Entrei em desespero.
– Eu sei. – garantiu. – E sei que fez isso pensando em mim. Não me dei conta disso sozinho, é claro. Todos os créditos para Manuel . – riu baixinho. – Conversar com meu pai ajudou muito. Eu finalmente consegui entender algumas coisas e consegui organizar minha cabeça e meu coração. Eu te entendo . – falou, o olhar fixo na garota. respirou fundo, torcendo os dedos de forma nervosa. – Eu conheço o mundo do lado de cá e ele não é tão ruim. Na maior parte do tempo, é incrível. – falou. – Mas aí do seu lado, eu não sei como é. E você se preocupar com isso apenas faz eu gostar ainda mais de você. – confessou. – Porque demonstra o quão bonito é o seu coração. E eu quero ele para mim. Então eu vou esperar. – sorriu para ela. – Quando você achar que é seguro para nós, quando você estiver pronta, eu estarei esperando.
. – suspirou, completamente sem palavras.
– Eu te escrevi uma música. – comentou. – Mais uma, no caso. – riu. – Você é realmente a minha musa inspiradora, . – abriu um sorriso lindo para , puxando o violão para seu colo, começando a dedilhar algumas notas no instrumento. suspirou, abraçando a si mesma e tentando conter a vontade de puxar e o abraçar até ficar com os braços adormecidos. Ele iria cantar uma música – que havia sido escrita para ela – e jamais poderia perder qualquer instante do que estava por vir.

Dê play na música.

Maybe I had too many drinks, but that’s just what I needed
I hope that you don’t think that what I’m saying sounds conceited
When I look across the room, you’re staring right back at me
Like somebody told a joke and we’re the only ones laughin’
Don’t know why I try ‘cause there ain’t nobody like you
Familiar disappointment every single time I do
Every single night my arms are not around you
My mind’s still wrapped around you

cantava com tanto cuidado, como se cada palavra saísse como uma confissão. era completamente apaixonada pela voz dele, então cada sílaba proferida pelo canadense fazia seu coração encher de amor até quase parar e pedir por desfibriladores. Ela o observava com atenção, querendo guardar cada pequeno detalhe na mente. A forma como ele fechava os olhos para cantar, como o cachinho caía em sua testa, o timbre de sua voz junto do barulho da chuva… Ele era incrivelmente perfeito e aquilo lhe tirava o ar completamente.

 

Baby, tell me when you’re ready
I’m waitin’
Baby, any time you’re ready
I’m waitin’
Even ten years from now
If you haven’t found somebody
I promise, I’ll be around
Tell me when you’re ready
I’m waitin’
estava completamente sem ar. Cada palavra daquele refrão apenas a fazia se apaixonar ainda mais por . Ali estava ele, abrindo seu coração e colocando suas inseguranças de lado para afirmar que esperaria por ela. Porque ele realmente gostava dela, queria ficar com ela e esperaria o tempo necessário para que aquilo acontecesse. Porque para ele, não existia ninguém como ela.

 

What if my dad is right when he says that you’re the one
No, I can’t even argue, I won’t even fight him on it
Call you when it’s late and I know that you’re in bed
‘Cause I’m three hours back, seems like you’re always six ahead
sorriu largamente para a menção de Manuel. Ela já sabia que sempre buscava conselhos com o pai, para os dilemas de sua vida. E ela se tornara importante o suficiente para ser o motivo de procurar a sabedoria de Manny . E melhor ainda, Manuel era a favor daquele relacionamento. Sem nem mesmo conhecê-la! queria gritar, mas acima de tudo queria puxar para um abraço apertado e lhe dizer que tudo ficaria bem, desde que ficassem juntos.
repetiu a ponte e o refrão, enquanto continha a súbita vontade de chorar como uma garotinha apaixonada por seu ídolo. E não porquê ela via o cantor naquele momento, e sim porque era . Seu , cantando para ela. Dizendo que pensava nela em todas as noites em que não estavam juntos. E ouvir aquele tipo de coisa do cara por quem ela estava apaixonada era simplesmente demais para . Seu fraco coração palpitava a cada sílaba que saía da boca de . A mesma boca que ela queria beijar até ficar sem ar, enquanto se perdia no mar de sensações que era estar com . Porque ele era o único que a fizera sentir daquela maneira.

 

And if I have to, I’ll wait forever
Say the word and I’ll change my plans
Yeah, you know that we fit together
I know your heart like the back of my hand
respirou fundo. cantou aqueles versos olhando diretamente em seus olhos, deixando claro que estava sendo honesto. Ele realmente esperaria por ela. Mas não havia mais o que esperar. finalmente se dera conta de que ela não deveria tentar proteger do restante do mundo, e sim, apenas proteger o que eles tinham. Eles faziam bem um para o outro. Se gostavam de verdade e estavam construindo uma relação com base na sinceridade e na reciprocidade. Talvez as pessoas realmente falassem coisas ruins, mas tentaria a todo custo não se deixar abalar. O que lhe importava era e ele estava ali, lhe dizendo que poderia esperar por ela para sempre. Mas não queria que ele a esperasse, já que ela não queria mais levar as coisas com calma. Apenas queria que aquilo que tinham fosse para sempre, porque estava completamente apaixonada por e tudo o que ele representava. Ela queria que eles se tornassem “eles”. Oficialmente, de uma vez por todas.

Baby, tell me when you’re ready
I’m waitin’
Baby, any time you’re ready
I’m waitin’, oh
Even ten years from now
If you haven’t found somebody
I promise, I’ll be around
Tell me when you’re ready
I’m waitin’, I’m waitin’
Quando terminou a música, respirou fundo, largando o violão ao seu lado e então levantando o olhar para . A garota resmungou algo incompreensível, se colocando de joelhos e se movendo na direção de , sanando a vontade de abraçá-lo, escondendo o rosto contra o pescoço dele e sentindo todo seu corpo se inebriar pelo cheiro do cantor.
– Eu vou te esperar. – ele disse, como em uma promessa.
– Namora comigo. – pediu, em um sussurro contra a pele dele. Deixou um beijo no pescoço do garoto, se afastando para então olhá-lo nos olhos. – Namora comigo, . – repetiu. – De verdade, para o mundo todo ver.
a encarou, soltando um suspiro em seguida.
– Você não precisa fazer isso porque eu te escrevi essa música. – ele murmurou, fazendo a garota negar com um aceno de cabeça no mesmo instante.
– Estou fazendo isso porque estou apaixonada por você. Porque quero que a gente seja “nós”. Porque sozinha eu posso andar feliz, mas contigo eu posso ser mais. – suspirou, sem desviar o olhar do de nenhum segundo. – Então estou te pedindo em namoro. Eu sou completamente louca por você, . E se você negar, possivelmente eu vou passar vinte anos de coração partido e nunca vou te superar. Então não negue. – disse por fim, tomando fôlego e fazendo rir.
– Eu aceitei casar com você. – ele lembrou, causando uma risada nervosa em . – Por que não aceitaria namorar? – questionou, puxando a garota para perto e grudando seus lábios, iniciando um beijo cheio de carinho. soltou um grunhido descontente quando o ar lhe faltou os pulmões, voltando a esconder o rosto contra o pescoço de . Ela estava sentada no colo dele, as pernas envolvendo a cintura do cantor, que a abraçava pela cintura.
– Você estragou a nossa fanfic. – murmurou. franziu o cenho em confusão.
– Por quê? – indagou e a garota afastou o rosto para poder encará-lo.
– Não me pediu em namoro durante um show. Estou completamente decepcionada com você, . – ela estalou os lábios. O canadense soltou uma risada alta, puxando-a novamente para aquele abraço que lhe trazia paz como nenhuma outra coisa no mundo.
– Eu teria feito isso se você não tivesse se adiantado. – retrucou, cutucando a cintura da garota.
– Mentiroso. – ela chiou, deixando uma mordida no ombro dele.
– Podemos voltar para o quarto? – ele questionou, puxando o queixo dela para grudar seus lábios em um selinho rápido. – Estou com sono, dengo.
assentiu em concordância. – Vamos. – falou. – Preciso mesmo voltar para o quarto e postar uma foto com o meu namorado. – sorriu largo, arrancando um sorriso ainda maior de .
– Esse cara tem sorte. – ele comentou.
– Nós dois temos. – concluiu, o beijando mais uma vez e entrelaçando seus dedos nos de para que pudessem voltar ao quarto. E quando ele a abraçou pelos ombros e beijou o topo de sua cabeça, ela se sentiu novamente em casa. Ele era seu lar.

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soltou um suspiro contra o pescoço de e o rapaz sentiu todos os pelos de sua nuca arrepiarem. Ela cheirava a sabonete e shampoo de morangos e estava completamente imerso nas sensações de ter aquela garota em seus braços, em sua boca e em seu coração. Suspirou junto dela, voltando a subir os lábios pelo pescoço de , deixando beijos estalados contra a pele dela, até juntar seus lábios em mais um beijo intenso. Suas línguas brincavam uma com a outra, ora se acariciando, ora se chupando… Era um beijo gostoso demais, um beijo que lhes tirava todo e qualquer raciocínio lógico.
Eles haviam passado o dia inteiro juntos. Dormiram durante toda a manhã, tão enroscados um no outro, sem saber onde um começava e o outro terminava. Almoçaram em um restaurante no centro da cidade, sem se importar se alguém tiraria uma foto deles. Durante a tarde foram até o Monte Takao e depois até o Inokashira Park, onde andaram de pedalinhos e aproveitaram a tarde de sol – mesmo que tivesse chovido durante a madrugada – para curtir a presença do outro. iria embora na manhã seguinte e ficaria três dias na Inglaterra, enquanto pegaria um voo para Toronto ao meio dia de domingo. Tinham jantado com e Connor durante a noite, ido novamente a Takeshita Dori para comer mais doces e então voltado para ao hotel, já que o cansaço havia tomado conta de seus corpos e eles só precisavam de um pouco de carinho e algum momento a sós.
– A gente podia ficar aqui para sempre. – suspirou quando separaram suas bocas, as mãos nos cabelos de , brincando com os cachinhos que ela tanto amava. a puxou para cima de seu corpo, aumentando o contato de suas peles e beijando a ponta do nariz da garota, que apoiava o queixo no peito dele.
– Em Tóquio? – ele questionou, confuso. A proximidade de o deixava um pouco aéreo.
– Não exatamente. – sorriu. – Na cama, juntos. – suspirou. – Mas viver em Tóquio não seria uma ideia tão ruim.
– Eu consigo pensar em uma ou outra coisa que nos manteria ocupados na cama para sempre. – murmurou, deixando o duplo sentido explícito em sua frase quando puxou o corpo de para cima e puxou o lábio inferior dela com os dentes.
– Uma ou outra? – ela questionou, de olhos fechados, aproveitando as carícias que o canadense deixava em sua cintura. – Porque eu tenho várias ideias. – estalou os lábios. – E nenhuma delas inclui essa calça de moletom que você está usando. – sorriu para ele.
– Eu te adoro tanto. – ele grunhiu, praticamente em um gemido, novamente juntando os lábios de aos seus. Já estava com as mãos na barra da camiseta – que ela havia pego em sua mala – quando o telefone de começou a tocar, fazendo ambos suspirarem em frustração.
– Não vou atender. – decidiu, pegando o celular na mesa de cabeceira e desligando a chamada ao constatar que era quem estava ligando. Mas não teve tempo de voltar a beijar , já que o telefone voltou a tocar.
– Atende. – ele resmungou. – não vai te deixar em paz enquanto não falar com você. – constatou o óbvio e gemeu em frustração, se jogando para o lado e caindo no colchão. Pegou novamente o celular e achou adorável o bico nos lábios da garota, que não estava nada satisfeita com a interrupção de seus planos. A puxou para seus braços, apoiando o queixo no ombro dela, enquanto aceitava a chamada de vídeo da prima.
“Finalmente a princesa atendeu!” reclamou, e pôde observar que ela não olhava para eles, caso contrário o teria visto e não estaria falando em português. Ou estaria, já que era prima de , que adorava provocá-lo ao falar em sua língua nativa. – “Achei que ia precisar acionar a polícia federal ou algo do tipo. Tem alguma inteligência japonesa? A Yakuza?”
– A Yakuza é uma organização criminosa, . – riu. – E o está perdido porque não está entendendo nada do que você está falando. – murmurou em inglês, chamando a atenção de para eles. A garota arregalou os olhos, fazendo rir e acenar para ela. Apertou o abraço na cintura de em seguida.
– “O que está acontecendo?” – questionou, completamente confusa. – “Pensei que você tivesse feito merda, como sempre. Foi o que mandou nas mensagens.” – acusou, estreitando o olhar para .
– Eu fiz merda. – concordou, se virando para . – Eu mandei mensagem para ela antes de dormir. – explicou.
– Eu sei. Ouvi você digitar. – estalou um beijo na bochecha da garota.
– Ainda não te perdoei por ter fingido dormir. Vai me pagar, . – estreitou o olhar para o cantor, que apenas riu.
– Faço o que você quiser. – ele garantiu e estava prestes a retrucar quando gritou.
– “QUE DROGA ESTÁ ACONTECENDO?”
– Se você me acompanhasse no Instagram saberia. – retrucou, apenas para provocar a prima. riu novamente.
“Ah, vai te ferrar .” xingou em português e suspirou. Ele realmente precisava aprender aquela língua. – “Você tem a obrigação de me contar as coisas antes, não acredito que estou sendo excluída.” – lastimou, voltando a falar em inglês.
– A gente resolveu as coisas. – disse por fim. – E agora estamos juntos.
– “Eu sei, estou vendo.” – a garota revirou os olhos.
– Aí . – suspirou, deitando a cabeça no ombro de e suspirando em desgosto.
– É de família ser um pouco lerda? – questionou, recebendo um olhar nada amigável de e um beliscão no braço dado por . – Aí dengo. – choramingou, com um drama exagerado.
“Dengo?” questionou, o cenho franzido. Sua expressão mudou radicalmente e ela soltou algo que interpretou como um palavrão. – “, eu não acredito que você começou a namorar e não me contou.” – murmurou, o tom de voz sendo praticamente uma ameaça.
– Em minha defesa, era nosso último dia aqui em Tóquio e estávamos aproveitando. Mal peguei o celular hoje. – logo falou, mas aquilo não pareceu melhorar o ânimo de .
– “Eu vou te matar.” – ela prometeu. – “Te dar dois socos e depois uma rasteira e então eu te mato.” – ameaçou, fazendo rir.
– Não vou deixar você matar a minha namorada. – ele comentou, recebendo um beijo de na bochecha.
– “Eu sou prima dela. Tenho direitos.” – exclamou, sem se abalar. Estreitou o olhar para eles, soltando um suspiro em seguida e abrindo um sorriso largo. – “AI VOCÊS SÃO MUITO MEU CASAL!” – gritou, arrancando uma risada e enquanto franzia o cenho em confusão.
– Nossa, vocês são loucas. – ele constatou por fim.
– “Foi você quem pediu?” – questionou o cantor, que negou com um aceno de cabeça.
– Foi ela. – indicou com a cabeça.
– “Merda, .” – a garota reclamou. – “Perdi a aposta para o Henrique.”
– Vocês apostaram sobre isso? – questionou, a voz soando mais aguda que o normal.
– “Apostamos sobre muitas coisas. Prefiro não estender o assunto.” – retrucou e xingou.
– Você é uma ridícula. E está atrapalhando a gente. – chiou.
– “Ai tá bom, vão transar.” – revirou os olhos. – “Me liga amanhã.” – pediu.
– Não sei. – retrucou, atirando um beijo para a prima. – Manda um abraço para a melhor pessoa do mundo inteiro. – falou e sorriu convencida.
– “Abraço recebido.” – a garota estalou os lábios.
– Estava falando do seu namorado e meu melhor amigo. – cortou, fazendo rir e estirar o dedo do meio para ela.
– “Ridícula.” – a outra xingou, desligando a chamada de vídeo em seguida. devolveu o celular para a mesa de cabeceira e se virou para , recebendo um beijinho na ponta do nariz.
– Vocês são loucas. – ele comentou, fazendo-a rir.
– Você ainda não viu nada. – murmurou. – Onde estávamos? – questionou, arqueando as sobrancelhas para o cantor enquanto desenhava círculos na pele do ombro dele.
– Hm… – suspirou, puxando-a para seus lábios. – Algo entre muitos planos que não incluíam meu moletom.
– Não incluem mesmo. – concordou, iniciando mais um beijo dos muitos que ainda trocariam naquela noite.

Capítulo 22

Yeah, you know that we fit together
I know your heart like the back of my hand
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O salão para o café da manhã estava vazio. bocejou, completamente sonolenta, enquanto a abraçava pelos ombros e a guiava na direção da mesa que ocupariam para a refeição, ambos carregando suas malas. Partiriam de Tóquio naquela manhã de domingo. para Londres e para Toronto. parecia dormir em cima de seu prato de cereais e Connor estava sentado ao lado dela, entretido em seu celular.

– Como você pode estar assim? – questionou, ao se jogar ao lado do amigo. sentou ao lado dela e logo estava deitada contra o peito dele, os dedos entrelaçados nos de .

– Perdão? – Connor franziu o cenho.

– Vivo. – a garota chiou, fazendo rir. – São 5 horas da manhã. Você não pode estar disposto. É praticamente um crime.

– Café. – Connor deu de ombros, voltando a atenção para o celular.

– Eu só queria que meu voo fosse no horário do seu. – se virou para , colocando as pernas em cima das coxas do cantor e voltando a deitar a cabeça no peito dele. a beijou na testa, rindo fraco.

– Ele pode ser. – lembrou. – Se for para Londres comigo. – arqueou as sobrancelhas para ela.

– Você sabe que eu não posso. – fez um bico com os lábios. – Preciso trabalhar amanhã.

– Eu sei, entendo. – murmurou. – Mas não fico feliz. – disse por fim e riu, o beijando no queixo.

– Nos veremos na quarta-feira. – a brasileira falou. – Nem vamos sentir saudades. – sorriu.

– Ah, eu vou sim. – estalou os lábios. – Catherine vai passar todas as horas falando de você, então vai ser impossível não lembrar que estamos longe.

– Aí vocês são insuportáveis de tão fofos. – a voz de saiu abafada e quando o casal se virou para ela, não contiveram a risada. Tinham alguns cereais grudados no rosto da loira e Connor não perdeu a oportunidade, estourando o flash no rosto da amiga no instante seguinte. – Se você postar isso, Brashier, eu vou acabar com a sua vida. – ameaçou. O garoto não lhe deu ouvidos e logo a foto estava no Instagram Storie dele.

se virou novamente para , enquanto os amigos discutiam às suas costas. a encarava, um pequeno sorriso no rosto e os olhos atentos.

– Você não está cansado? – questionou. – Deveria dormir . Você ainda vai se apresentar no EMAs. – ela acariciou o rosto dele, deixando outro beijo no queixo do namorado.

– Meu voo sai apenas uma hora depois do seu. – ele lembrou. – Não são 20 horas de diferença.

– Só não quero que chegue exausto. – murmurou. – Precisa estar descansado para levar para casa todos os prêmios para os quais você foi indicado. – sorriu para ele e gargalhou.

– Você nem sabe se eu vou ganhar alguma coisa. – ele retrucou.

– É claro que vai, . Respeita seu fandom. – estalou os lábios, revirando os olhos em seguida. riu mais um pouco.

– Estou torcendo para Catherine e para Camila. Niall também. – deu de ombros.

– Então eu torço por você e você por eles. Aí todos recebem torcida. – decidiu. apertou-a em seus braços.

– Queria que fosse comigo para Catherine não encher o saco. – murmurou e a garota riu.

– Ela é um amor. Não fale assim dela. – chiou.

– Ela é um amor com você. Comigo é a própria filha de Lúcifer. – torceu os lábios.

– Vamos fazer assim, – murmurou. – Eu te busco no aeroporto de Uber na quarta-feira. Vamos para a minha casa e eu cozinho. Aí você pode reclamar de como Catherine foi terrível com você, enquanto assistimos qualquer coisa na TV. – sorriu para .

– Pretendo passar as próximas duas semanas completamente grudado em você, então sua oferta está mais do que aceita. – selou seus lábios aos dela, finalmente voltando sua atenção para o café da manhã. Escolheu um sanduíche natural e um copo de suco, enquanto optou por sabores diversos de bolo e café preto, mesmo que ela não gostasse da bebida.

– Tem gente me mandando mensagem enlouquecidamente para marcar um ensaio fotográfico. – murmurou. – Só porque eu postei aquela foto de vocês. – ergueu o olhar para e .

– A foto ficou realmente maravilhosa. – sorriu para a amiga.

– Eu te contrataria para um photoshoot, mas você é irritante. – disse para a garota, dando uma mordida no sanduíche em seguida.

– Me trate com respeito, . – estreitou o olhar para o cantor. – Eu fui a fada madrinha de vocês, não esqueça.

– Não foi não. – e retrucaram em uníssono. se virou para Connor, arrancando o celular da mão dele e estalando os dedos em frente ao rosto do garoto.

– O que foi? – Connor reclamou. – Me deixa em paz.

– Seja nosso juiz. – a loira ordenou, sem dar alternativas para Connor retrucar. Ela não devolveria o celular dele até receber o que pedira. – Eu quem convidei para ir à festa em que ela e se reencontram. Eu sou a fada madrinha deles. – concluiu, sorrindo satisfeita para si mesma.

Connor se virou para , esperando o relato da garota. observava a dinâmica daquela amizade com curiosidade e diversão. Eles eram realmente estranhos e aquilo não o surpreendia. era estranha e ter amigos estranhos era a matemática básica.

– Eu encontrei com em uma cafeteria antes disso. E dei meu número para ele. – retrucou.

– Você iria ligar para ela, ? – Connor questionou e os outros dois olhares se voltaram para o cantor. estava quase gargalhando, enquanto o encarava com curiosidade.

– Bom, eu não sei. – deu de ombros. – Não tive tempo para pensar nisso, porque nos reencontramos poucos dias depois.

– É claro que ele não ligaria. – exclamou. – Ele nem deveria lembrar-se dela. Se não fosse a festa, isso – apontou para os dois com o dedo indicador. – jamais teria acontecido. – disse por fim.

– Ele poderia ligar. Cale a boca, . – estirou a língua para a amiga.

– Bom, vou dar meu veredicto. – Connor bateu a mão na mesa, impedindo que as duas amigas começassem a discutir. – Nenhuma das duas tem razão. O destino que fez tudo como estava planejado antes mesmo de vocês nascerem. Comam a comida ou vamos perder o voo. – encerrou o assunto, puxando seu celular das mãos de e voltando a fazer o que quer que estivesse fazendo antes de o interromper. A loira revirou os olhos para Connor, enquanto se virava para .

– Você não acredita em destino. – murmurou e o cantor estalou os lábios.

– Se você for o meu, eu passo a acreditar. – retrucou, puxando-a para seus lábios e os selando rapidamente. descansou a cabeça no peito de novamente, o apertando em um abraço.

O fraco coração dela jamais se acostumaria com . E ninguém poderia julgá-la por aquilo.

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Estava um pouco atrasado. Talvez muito atrasado, mas estava ignorando o relógio em seu pulso. Havia dormido por mais tempo do que deveria, atrasando a passagem de som e então se atrasado para tomar banho e trocar de roupa para a premiação. Havia trocado algumas mensagens com durante a tarde, já que ela estava eufórica e assistindo tudo pela internet, mas desde que havia chegado da passagem de som, Andrew havia pegado seu celular e estava responsável por qualquer post no Instagram e no Twitter, ou seja, nada de para .

Quando desceu do carro e pisou no tapete vermelho, a gritaria foi absurda. Ele abriu um sorriso enorme e se dirigiu para a aglomeração de fãs imediatamente. Tirou fotos, distribuiu autógrafos e gravou vídeos incontáveis vezes. Até Andrew acabar com sua alegria e o puxar na direção da imprensa. Ele tinha que dar algumas entrevistas, comentar sobre a turnê e os planos para o novo álbum. As mesmas obrigações de sempre, das quais ele não gostava muito. Preferia passar um tempo com os fãs, já que a maioria das entrevistas era invasiva e principalmente naquele dia, já sabia que sua vida pessoal seria a maior pauta.

Foi entrevistado pelo TMZ e pelo E! News e nas duas vezes, teve que cortar o assunto que se estendia sobre e seu recente namoro, de forma simpática e definitiva. Acabou desistindo de dar entrevistas quando o quinto jornalista lhe perguntou se seu namoro era falso e só retornou para a área de imprensa quando Charlotte Lewitz, do canal 4Music do Reino Unido, gritou por ele, acenando com animação e nenhuma discrição. adorava a mulher. Todas as vezes que estivera em Londres, havia sido entrevistado por ela, e em nenhuma das vezes havia passado qualquer saia justa. Nutria muita admiração e certo carinho pela mulher. E por esse motivo ele rumou em direção a ela, abraçando-a com força, recebendo dois beijos no rosto e um sorriso iluminado da ex modelo.

– Você iria passar reto por mim, ? Que desfeita! – Charlotte exclamou, uma expressão fingida de decepção. riu, a abraçando pelos ombros. Ela se virou para a câmera, abrindo um largo sorriso e anunciando para a transmissão ao vivo.

– Não tinha te visto. – ele se desculpou. – Fiquei um pouco tonto. Tem gente demais falando sobre muita coisa. – riu, tentando descontrair o momento.

– Eles estão em cima de você, não estão? – a mulher suspirou. – Quem mandou ser o novo ex solteiro mais cobiçado do mundo? – Charlie brincou, causando mais risos em , que deu de ombros.

– Eu sabia que seria terrível. Mas eles estão criando cada história. – revirou os olhos. – A mais inventiva foi que estou usando para promover um álbum em português. – fez uma careta. – Eu nem sei falar português direito. – Charlie riu.

– Eu gosto daquela em que você a está usando para esconder que é gay. – Lewitz murmurou.

– Essa também é realmente boa. – concordou.

– Expectativas para hoje? – Charlotte questionou. – Você foi um dos mais indicados da noite e todos sabemos que seus fãs são incrivelmente dedicados a votações.

– Nenhuma expectativa. Eu amo meus fãs e o que realmente importa para mim, é que eles amem meu trabalho. – sorriu. – Estou torcendo muito para Catherine e Camila.

– E a sua apresentação? Pode nos contar alguma coisa?

– Total segredo! – exclamou. – Só quem estava na passagem de som sabe o que vai acontecer.

– Isso é crueldade. – Charlie suspirou e riu. Logo Andrew chamou , que se despediu de Charlotte com um abraço e mandou um beijo para os fãs que os estavam assistindo pelo 4Music. Já dentro da The SSE Arena, acabou encontrando com Catherine Heinze e seu namorado jogador de futebol, Holger Badstuber. Passou alguns minutos conversando com o casal, entre implicâncias e piadinhas a respeito da roupa de , antes de encontrar Camila e esmagar a cubana em um abraço apertado.

– Cadê a sua namorada? – Cabello questionou, após se afastar de e procurar por alguém ao redor deles. riu, sacudindo a cabeça para os lados.

não veio. – respondeu. Camila torceu os lábios.

– Por quê? Você não convidou?

– Claro que convidei. – revirou os olhos. – Tentei convencê-la, mas não adiantou. Estávamos em Tóquio.

– Eu sei. Vi na internet, já que o meu melhor amigo – lançou um olhar semicerrado para o canadense. – não me conta nada. – torceu os lábios, cruzando os braços em frente ao corpo.

– Você aprendeu a ser dramática com a Catherine? – o cantor suspirou e Camila riu. – De qualquer forma, precisa trabalhar amanhã. Seria inviável uma viagem para Londres hoje.

– Eu amo essa garota! – a cubana decidiu. – Ela tem um emprego que não incluí ser sua namorada em tempo integral. – comentou, fazendo rir.

– Ela tem uma vida inteira que não incluí isso. – murmurou.

– E como foi? O pedido? Ela chorou? Você deu flores para ela? Cantou? – lançou uma quantidade absurda de perguntas e , um pouco tonto, segurou a amiga pelos ombros e soprou no rosto dela, para que parasse de falar.

– Camila, respira. – riu e a garota revirou os olhos para ele.

– Me conta, desalmado! – chiou. a soltou, colocando as mãos dentro dos bolsos e deu de ombros.

– Eu cantei. Mas foi ela quem me pediu em namoro. – explicou.

– Ela é a sua melhor namorada. – a garota decidiu.

– Catherine disse a mesma coisa. – riu.

– E se vocês não se casarem, eu vou desacreditar completamente do amor. – finalizou, puxando para um abraço. – Estou muito feliz por você, . – Camila murmurou. – Você merece toda felicidade desse mundo e eu torço muito por você.

– Obrigado por ser a melhor amiga do mundo. – agradeceu, devolvendo o abraço da garota.

– Espero conhecer logo. Ou vou precisar te matar. – ela disse por fim, fazendo rir novamente. Camila era louca e ele a amava como uma irmã.

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Ela ainda estava surtando. Como assim havia participado de uma chamada de vídeo com Camila Cabello, Catherine Heinze e Niall Horan? Ok, também estava na chamada de vídeo. E estava tão lindo que tinha vontade de chorar ou então ajoelhar e agradecer aos céus por namorar aquele garoto, mas ainda assim, a presença dos outros três cantores a havia deixado completamente surtada. Havia ligado para , enquanto corria para o apartamento de , para contar p acontecido para as duas. O resultado foi uma gritaria enlouquecida e a vizinha do apartamento da frente reclamando da bagunça.

Naquele instante estava de volta em seu apartamento, usando pijamas e comendo pipoca enquanto comentava o resultado do EMAs no Twitter, mesmo que a premiação já tivesse acabado há horas. Havia postado alguns tweets completamente surtados graças ao saldo da noite de : ele havia vencido quatro das cinco categorias nas quais concorria e aquilo fizera surtar demais. E praticamente morrer de orgulho. Mal podia esperar para ligar para o cantor e lhe parabenizar. Antes de ser namorada de , era Army e sempre seria. Nada no mundo a faria perder aquele sentimento que apenas um fã sabia como era.

Estava repostando algumas fotos de com Camila quando uma nova resposta ao seu tweet chegou nas notificações do aplicativo. colocou mais um punhado de pipoca na boca, clicando na barra de mentions e torcendo os lábios ao ler o tweet no qual havia sido mencionada.

“A namorada do dando uma de fã dedicada. Ah, que piada”.

A fotógrafa respirou fundo. Ignorou o tweet e voltou para a timeline do Twitter, continuando a tecer alguns comentários, desta vez sobre Catherine e seu desempenho impecável durante a apresentação. Enquanto lia alguns tweets – tinha um perfil menos profissional no Twitter, então seguia seus amigos, família e alguns fã-clubes de artistas e coisas que gostava – mais e mais menções eram notificados pelo aplicativo. E não conseguiu encontrar nada de bom quando sua curiosidade venceu sua razão e foi bisbilhotar os comentários.

“Agora a bonitinha resolveu aparecer e bancar a fã?”

poderia ter arrumado coisa melhor.”

“Você não faz mais do que a sua obrigação em exaltar o , já que ele namora com você.”

“Eu preferia a Hailey.”

respirou fundo novamente, enquanto seu coração pesava. Ali realmente estava algo que ela não precisava e não deveria ler. E esperava do fundo de seu coração, que nunca lesse os tweets que achou e que estavam sendo escritos para ele. Coisas como “droga, agora que você namora, o seu rosto bonito não vai ser o suficiente para me fazer comprar um ingresso para o seu show”. sabia que aquele tipo de coisa poderia minar a confiança de e liberar uma crise de ansiedade no cantor. E ela não queria vê-lo duvidando de seu talento ou se achando menos merecedor do sucesso que tinha porque um bando de pessoas idiotas não tinham empatia e respeito pelos sentimentos dos outros. Precisou respirar fundo algumas vezes antes de atender a chamada de vídeo de , abandonando completamente a pipoca e abrindo um sorriso largo quando as bochechas naturalmente coradas de tomaram a tela de seu celular.

– “Oi dengo“. – ele sorriu, fazendo suspirar.

– Parabéns, ! – exclamou, também sorrindo. – Eu disse que você iria precisar estar descansado para carregar seus prêmios, não disse? – se gabou e o canadense riu.

– “Disse”. – ele assentiu. – “Eu estou muito feliz. Fui o mais premiado da noite. Meus fãs são realmente incríveis”. – os olhos de brilhavam e suspirou, mantendo o sentimento de inquietude para si. Não estragaria a alegria de , de jeito nenhum.

– Porque você é incrível e todo mundo sabe disso. – ela murmurou. – Estou orgulhosa de você. – disse por fim, alargando o sorriso do canadense. – Como está aí?

– “Já estou no hotel”. – comentou. – “Fiquei algum tempo na after party, mas estou exausto”. – montou uma expressão culpada e revirou os olhos. Afinal, ela havia dito a ele para descansar e não havia lhe dado ouvidos.

– E como foi a after?

– Me diga você. – o rapaz riu e finalmente se lembrou do motivo inicial de seu surto.

, você está tentando me matar? – questionou, a voz duas oitavas mais agudas. – Como você coloca Camila Cabello, Catherine Heinze e Niall Horan em uma ligação para mim, sem nenhum aviso? Eu tenho coração fraco! – chiou, se jogando de costas no sofá e arrancando gargalhadas de .

– “Eles insistiram para que eu ligasse.” – se desculpou. – “Catherine e sua boca grande, como sempre”. – revirou os olhos. – “Juntou-se com a Camila e até ameaça de celular furtado eu recebi. Tudo isso para falarem com você”.

– Suas amigas me amam. – jogou os cabelos para trás, de forma pomposa. gargalhou.

– “Amam mesmo”. – ele concordou. – “Camila quer te conhecer de qualquer forma. Passou a noite me importunando. Então se você for ao AMAs comigo, vai estar me fazendo um favor tão grande”. – ele bateu os longos cílios para , uma expressão completamente adorável posta em seu rosto perfeito.

– Golpe baixo. – chiou e ele riu novamente.

– “Vamos dengo. Vai ser legal. E Camila e Niall estarão lá”.

– Isso não é um sim. – a brasileira suspirou.

– “Mas também não é um não”. – o largo sorriso no rosto dele deixava claro que sabia que havia vencido. E como poderia não vencer? não sabia dizer não para e suas covinhas.

– Manipulador. – estirou a língua para o cantor.

– “Amanhã vou ao show da Cathe”. – comentou. – “Vou passar parte do dia com ela e matar uma fã do coração”. – riu.

– A fã não sendo eu, tudo bem. – a fotógrafa deu de ombros. – Ou então você vai ficar solteiro. – decretou.

– “Nem brinca com isso”. – torceu os lábios, em desagrado.

– Quem você vai matar do coração? – a garota questionou, curiosa.

– “A melhor amiga da Catherine. Ela é muito minha fã e Cathe preparou uma surpresa para ela. Mandou passagens e uma mensagem enigmática. Ela provavelmente já está voando para cá”. – riu. arqueou as sobrancelhas para ele.

– E ela é bonita? – o ciúme estava em sua voz e ela não fez nenhuma questão de esconder. sorriu para ela, deixando as covinhas à mostra enquanto o cachinho caía em sua testa. não poderia mesmo julgar qualquer pessoa que fosse apaixonada por ele. Ele era simplesmente maravilhoso.

– “Eu não sei. Talvez”. – deu de ombros. – “Mas não faz diferença. Prefiro meu dengo“. – sorriu e se derreteu.

– Um dia meu coração vai parar, estou te avisando. – suspirou. bocejou e riu. – Vai dormir, babe.

– “Não estou com sono”. – ele retrucou, mas seus olhos pesados mostravam o contrário.

– Não seja teimoso. – revirou os olhos. – Amanhã a gente conversa.

– “Queria dormir com você e o cheiro de morango dos seus cabelos”. – o cantor torceu os lábios. sorriu novamente.

– Quarta-feira. Faltam só dois dias. – lembrou. O canadense bocejou novamente, finalmente se dando por vencido ao receber um olhar nada simpático da namorada.

– “Tudo bem, estou indo”. – torceu os lábios. – “Boa noite dengo. Sonha comigo”. – riu.

– Sem nenhuma dúvida. – assentiu em concordância. Encarou mais alguns instantes, antes de atirar um beijo para ele e sussurrar um “boa noite”. Desligou a chamada em seguida, bloqueando o celular e levantando do sofá. Deixou o pote de pipoca em cima do balcão e então se dirigiu para o banheiro. Lavou as mãos e escovou os dentes, se jogando na cama abraçada a camiseta que havia deixado em sua casa antes da viagem para Tóquio. Dois dias e eles estariam juntos novamente. Só dois dias.

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Havia passado toda a segunda-feira com Catherine. Haviam almoçado juntos, passado o som juntos – já que Heinze havia convidado para uma participação surpresa no show daquela noite – e cantariam juntos. No dia seguinte iria encontrar com Ed Sheeran no estúdio e viajaria para casa na quarta-feira à noite. Mal podia esperar para estar em Toronto e principalmente, com . Estava cheio de saudade dela, mesmo que fizesse apenas um dia desde que havia estado juntos.

Estava em seu quarto, trocando algumas mensagens com Andrew, sentado na cama e escorado na parede. Catherine estava com ele, deitada na cama, as pernas estendidas para cima e escoradas na parede. Ela estava entretida em seu próprio celular, murmurando palavras em alemão que nem fazia questão de tentar entender. Abriu um largo sorriso quando o offline de mudou para online e logo virou um digitando. Eram cinco horas de fuso, então a garota provavelmente havia acabado de sair para o intervalo de almoço.

– Esse sorrisinho besta é a coisa mais adorável, sabia? – Catherine murmurou, em pura implicância. revirou os olhos para ela.

– Está falando do meu ou do seu? – retrucou e Heinze lhe estirou o dedo educado.

– Vá a merda.

– Você também, garotinha apaixonada. – estirou a língua para a alemã.

– Quem diria não é? Nós dois, com esses sorrisos idiotas na cara. Ano passado as coisas estavam bem diferentes. – Catherine comentou, largando o celular no colchão e lançando um olhar engraçado para .

– Nós dois éramos os cantores encalhados para quem a mídia arrumava romances insanos. – lembrou, rindo. Catherine o acompanhou.

– E Niall e Camila ficavam zoando conosco. Parece que o jogo virou. – ela sorriu triunfante.

– Você está feliz, Cathe? Com Holger? Quero dizer, ele gosta de você. Muito. Dá para ver na cara dele. – riu. Catherine assentiu em concordância.

– Estou. Apesar de todo o inferno que a mídia causa, eu estou feliz. E você, ? – questionou. – Eu pensei que você e deixariam as inseguranças tomarem conta e não andariam para frente.

– Eu estava com medo disso. – confessou. – De esse mundo ser demais para ela, sabe? Que o medo nos impedisse de tentar.

– Eu entendo. – Heinze sussurrou.

– Não faz muito tempo. Na verdade, é recente demais. Não só o namoro, mas essa coisa toda entre a gente. – estalou os lábios. – Mas eu gosto mesmo dela. Faz-me tão bem. Eu sinto falta dela o tempo todo. – riu e Catherine o acompanhou. – Ela me trouxe uma tranquilidade, uma paz… Fazia tempo que eu não me sentia assim. – disse por fim.

– Estou feliz por você. Eu adoro . – Catherine falou e soltou um “dã”. Era óbvio que a alemã adorava . Falava dela o tempo todo. – E você merece toda a felicidade do mundo. Quero ser madrinha quando esse casamento sair daqui a alguns anos. – sorriu largo e riu.

– Quem sabe? – deu de ombros. – De qualquer forma, quero que dê uma olhada nas músicas que escrevi para ela. – murmurou. – Estou até surpreso por você não ter comentado sobre isso. – arqueou as sobrancelhas para Catherine. A loira pulou na cama, se colocando sentada ao lado de e tomando o celular das mãos dele. Deparou-se com uma conversa entre ele e , sorrindo largo ao ver o nome do contato da garota: dengo ❤️.

– O que é dengo? – questionou curiosa, errando a pronúncia da palavra levemente.

– A pessoa mais linda que eu tive a sorte de conhecer. – murmurou, traduzindo a frase de Anavitória para Catherine. – É o nome de uma música de uma dupla brasileira. A letra é incrível, elas são cantoras com vozes lindas e as ama. Aparentemente, dengo é um apelido carinhoso, usado em algumas regiões no Brasil. Tipo babe. – explicou.

quase morre quando você a chama assim, não é? – Catherine questionou.

– Basicamente. – o canadense assentiu, fazendo-a rir.

– Responda sua namorada e me mostre as músicas, . – devolveu o celular para ele. pegou o aparelho em mãos, mirando a câmera frontal para eles e tirando uma foto após ambos fazerem caretas. Enviou para após responder as mensagens dela, prevendo que a garota lhe enviaria um áudio xingando e comentando sobre seu coração ser fraco. Como previsto, surtou. E passou os 40 minutos restantes de seu intervalo conversando com e Catherine pelo FaceTime e quando a garota precisou voltar ao trabalho, Catherine obrigou a pegar seu caderno de rascunhos e o violão. Após mostrar as músicas para a amiga, recebeu apenas gritos histéricos em resposta, enquanto Heinze tentava conter a animação que parecia sentir.

– O seu próximo álbum precisa se chamar . – ela concluiu, fazendo rir e assentir em concordância. Ele tinha certeza que seria a musa inspiradora de todas as canções que ele iria escrever dali para frente.

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Estava atrasada. Havia acabado presa no trabalho, por conta de um cliente irritante que dava pitacos na maneira como deveria fazer seu próprio trabalho, o que A havia deixado completamente irritada. Naquele momento, corria para fora do Uber em direção ao aeroporto, temendo que tivesse ido embora sem ela, enquanto orava para que o motorista do Uber não fosse embora sem finalizar a corrida. Chegou ao local de desembarque e não tardou a encontrar o namorado. Apesar de estar usando boné e a touca do moletom, ainda era de longe, e sempre o reconheceria, fosse o lugar que fosse.

Correu na direção do garoto, se jogando em seus braços assim que estava perto o suficiente para reconhecê-la. Com as pernas em torno da cintura do cantor, o abraçou, murmurando um pedido de desculpas enquanto ria do desespero dela.

– Calma, . – ele falou. Colocou a garota de volta no chão, segurando o rosto dela e a beijando nos lábios com suavidade. Nem de perto era o beijo que queriam trocar, mas estavam em público. Carícias íntimas em público não eram algo que achava legal ou aceitável. menos ainda. – Senti tanto a sua falta, dengo. – sorriu para ela, entrelaçando seus dedos e segurando a alça da mala com a mão livre. sorriu também.

– Senti a sua mais ainda. – ela pontuou. – Me atrasei por causa de um cliente chato. – bufou. – Connor me salvou e assumiu o restante do ensaio. Teria me atrasado ainda mais se não fosse ele. – comentou.

– Ele é um cara legal. – o cantor murmurou. – E não gosta mais de você. – sorriu largo, fazendo gargalhar. Já fora do aeroporto, guiou até o Uber. A mala foi colocada no porta-malas e logo os dois estavam confortáveis e seguros com os cintos no banco de trás do carro.

– Ele não gostava de mim. Não de verdade. – retomou o assunto e lhe lançou um olhar torto.

– É difícil acreditar que você é apaixonante? – questionou.

– Sim. – a brasileira estalou os lábios e revirou os olhos para ela. – O que você quer jantar hoje? – mudou de assunto, sem querer estender a discussão sobre suas inseguranças.

Outro olhar de , mas naquele momento, um olhar completamente pervertido, que fez gargalhar.

– Você é ridículo. – estirou a língua para , deitando no peito dele, enquanto a abraçava pela cintura.

– Eu sou sincero. – retrucou. – Podemos pedir comida. Poupar esforços desnecessários. – o sorriso pervertido havia voltado.

– Pode ser. – ela cedeu. Os planos de eram completamente agradáveis para ela. Estava com saudades dele e daquela sincronia que tinham quando estavam juntos, sendo completamente um do outro.

– Ah, eu tenho um convite para você. – estalou os lábios. se ergueu, fitando o namorado com curiosidade.

– O que é?

– É praticamente uma intimação, na verdade. – suspirou, deixando-a nervosa.

– O que é? – repetiu, incisiva.

– Jantar. Com os meus pais. Amanhã. – foi a resposta de , enquanto uma careta tomava conta de seu rosto.

– Oh. – exclamou, seu olhar se perdendo na janela do carro por alguns instantes. Seu coração batia acelerado, suas mãos tremiam e ela sentia-a completamente nervosa. Não estava preparada para conhecer os pais de . Eles certamente iriam perceber que ela não era boa o suficiente para o filho deles e aí tchau, tchau namoro. voltou a fitar , o lábio preso entre os dentes. – E se eles me odiarem? – despejou seu único medo. sacudiu a cabeça para os lados, puxando-a para um abraço e beijando-lhe o topo da cabeça.

– Ainda sim, eu continuarei completamente apaixonado por você. – sussurrou e soltou um suspiro, completamente derretida pelo rapaz. Ele realmente sabia o que dizer para acalmar seu coração.

– Certo. Jantar amanhã. Com os seus pais. – confirmou e apertou o abraço. Aquilo o fazia feliz e por consequência, fazia feliz. Como nunca antes.

Capítulo 23

One more kiss is all it takes
I’ll leave you with the memory
And the aftertaste

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A risada alta de ecoou pelo carro, enquanto cruzava os braços na frente do corpo e torcia os lábios em uma careta. Ela estava arrumando desculpas desde o momento em que havia ido buscá-la no trabalho – para que evitassem o trânsito do final da tarde e chegassem cedo a Pickering. havia usado desculpas terríveis, tais como “eu não estou bonita o suficiente” ou então “mas eu nem tomei banho!” para que desistisse da ideia de jantar na casa dos pais naquela noite. E o que para qualquer pessoa soaria como um descaso absurdo com o relacionamento deles, para era adorável ver tão relutante em conhecer sua família. Porque ele sabia que o cerne daquela relutância era pelo simples medo de namorar alguém que seus pais odiavam. Não que ele achasse possível alguém odiar , mas a garota não tinha a mesma visão que ele tinha, de si mesma.

, eu estou falando sério. – replicou, torcendo os lábios ainda mais quando soltou mais uma risada alta.

– Eu sei que está. – ele respirou fundo. – Mas acho seu argumento inválido e estou ignorando.

! – ela exclamou, lançando um olhar feio para o canadense. – Eu realmente preciso voltar para o trabalho e checar a pasta do dia de hoje. Imagina se eu perdi todas as fotos? – o fingimento estava em seu tom de voz e não acreditou nela nem por um instante.

– Você é responsável e trabalha com muito amor. Jamais daria esse mole. – estalou os lábios. – E já estamos a 40 minutos de Toronto.

– Eu pedi para você voltar a 30 minutos. – ela deu de língua para ele.

– Para tomar banho. Depois por causa da roupa. Então porque estava com vontade de ir ao banheiro. Depois…

– Tá, eu entendi. – suspirou, se recostando no banco. a observou respirar fundo, fechar os olhos e torcer os dedos. – Eu estou surtando. – confessou.

– Você jura? – ele debochou, recebendo um beliscão na coxa. Soltou uma exclamação de dor fingida, mas não se virou para ele.

– Eu só tive um namorado na vida. – comentou. – E a mãe dele me odiava. Ele era um babaca, mas um dos motivos pelos quais a gente só brigava era justamente por isso. Família é importante. – outro suspiro. – Para você, ainda mais.

Dengo, vai dar tudo certo. – o cantor garantiu. – Eles vão te amar.

– A sua esperança não se transforma magicamente em realidade, . – retrucou. – No lugar deles, eu não gostaria de mim.

– Por quê? – franziu o cenho para ela.

– Eu te enrolei por dias. E então viajei para Tóquio. E fui completamente ridícula com você. – exclamou, fazendo rir.

– Minha mãe acha que você tinha toda a razão em me enrolar. – ele retrucou e bufou novamente. – E foi meu pai quem deu os conselhos que inspiraram When You’re Ready. – lembrou.

– Você está me iludindo. – acusou. riu novamente.

– Babe, – chamou, aproveitando um sinal fechado. Já haviam entrado em Pickering e como a boa cidade pequena, tinha muitos semáforos. o encarou, o medo transbordando por suas irises. – Eu ainda vou te adorar, independentemente de como a noite termine hoje. Ainda vamos para Los Angeles amanhã e você vai me acompanhar ao AMAs no domingo. Ainda vamos namorar, mesmo quando eu voltar para a turnê. – sorriu para ela. – Porque você é incrível e eu estou apaixonado por você.

– Eu te odeio. – retrucou, fazendo-o rir ainda mais. – Sério, seria mais fácil se você fosse um babaca. Eu não me apaixonaria tanto. – suspirou. – Talvez um pouco, porque você é lindo e é maravilhoso na cama.

gargalhou, voltando a prestar atenção no trânsito. Adorava quando era completamente sem filtro e honesta em suas palavras. Aquele fora um dos motivos pelos quais havia se apaixonado por ela e era um dos motivos para permanecer apaixonado e se apaixonando um pouco mais a cada segundo que passavam juntos. Estava pronto para soltar uma piadinha sexual quando seu telefone, colocado no suporte do ar condicionado, indicou uma ligação de Aaliyah. resmungou e riu novamente, antes de atender a ligação, sem desviar a atenção do trânsito.

– Oi pirralha. – saudou, recebendo um beliscão na coxa. – Aí , não me belisca. – resmungou.

– “Belisca sim!” – Aaliyah replicou. não respondeu e arqueou as sobrancelhas para ela, em uma clara tentativa de incentiva-la a falar com a caçula.

– Eu já disse para ele não implicar com você. – a brasileira disse por fim, recebendo um sorriso largo de , que também a fez sorrir, mas comedida.

– “ é um idiota.” – Aaliyah comentou e eles puderam ouvir Karen, ao fundo da ligação, mandá-la pedir desculpas a no instante seguinte. – “Desculpa.” – a garota bufou descontente.

– Tenha mais educação, Aaliyah. Mamãe não te ensinou a ser assim. – ele debochou e olhou torto para ele.

– “Mãe, o está implicando comigo!” – a mais nova reclamou e riu, enquanto torcia os lábios e murmurava “fofoqueira”.

– Já estamos chegando. Para que você ligou? – o mais velho questionou, mudando de assunto.

– “Mamãe quer saber se come poutine.” – Aaliyah disse por fim. – “Você comentou que ala estava comendo menos carne, então mamãe está surtada porque só se lembrou disso agora.” – outra palavra de repreensão de Karen e Aaliyah suspirou. sorriu largo para o namorado.

– Você falou disso? – questionou e assentiu.

– Elas queriam saber sobre você. – explicou.

– “Inclusive, eu te acho incrível.” – a voz de Aaliyah se fez presente novamente. – “Estava louca para ir para Toronto, mas não deixou.” – a insatisfação estava presente no tom de voz da garota.

– Era cedo demais. – o cantor retrucou e contra aquilo não poderia argumentar.

– Estou comendo carne ainda, Aaliyah. – a garota respondeu. – Parar não é tão fácil. – riu.

– “Certo.” – a mais nova estalou os lábios. – “Estarei esperando por você ansiosamente.” – garantiu.

– Obrigado pelo carinho. – debochou.

– “Você nem era necessário. Só foi convidado porque não sabe o caminho.” – Aaliyah retrucou, arrancando risadas de . A garota desligou a ligação antes que a xingasse ou então, Karen a obrigasse a se desculpar novamente.

– Está vendo? – revirou os olhos. – Ela é insuportável.

– Eu a acho adorável. – a fotógrafa deu de ombros. O sorriso em seu rosto deixava claro que estava mais tranquila com o jantar e aquilo também fez sorrir.

– Você vão criar a irmandade das irmãs mas novas pentelhas? – ele indagou, em pura provocação.

– Só se você se juntar ao meu irmão para criar a fraternidade dos irmãos babacas. – retrucou e a cutucou na cintura, sem desviar o olhar do trânsito. Já estavam chegando a sua casa e o plano do cantor era distrair o suficiente para que ela não voltasse a surtar. – Para ! – ela reclamou, se encolhendo no banco para que os dedos de não encontrassem sua cintura. Não funcionou e bufou. – Você tem dedos longos demais! – reclamou e riu.

– Você não reclama disso quando eu estou com eles dentro de você. – retrucou e deu de língua para ele.

– Prioridades, meu amor. – deu de ombros, sem se abalar. – Você é muito bom nisso, jamais vai me ouvir reclamar.

– Ótimo. – finalizou o assunto, estacionando o carro minutos depois, na garagem de sua casa.

A casa era como qualquer outra em Pickering. Dois andares, em tons de marrom, sem cercas – coisa que já havia comentado achar absurdo, mas que era normal na América do Norte -, um jardim bonito e um caminho de pedras até a porta da casa. O cantor saiu do veículo e abriu a porta para , que levou alguns segundos para se colocar para fora do carro e parar ao lado do namorado. Eles se encararam e pôde ver no olhar dela o medo espreitando novamente. Puxou-a para seus braços, se inclinando e unindo suas bocas em um beijo rápido.

– Lembre-se que estou apaixonado por você. Que você é incrível e adorável. – murmurou, os lábios quase colados aos de . – E que não existe uma pessoa na sua vida que não te adore. Eles não têm nenhum motivo para não gostar de você.

– Eu sei. Mas é muita pressão. – exclamou, se afastando de e o encarando. – São seus pais. Seus pais! – agitou os braços e o cantor riu.

– Será que eu também vou ter um ataque quando conhecer os seus? – questionou, entrelaçando seus dedos nos de e guiando a garota para a casa.

– Talvez. – ela deu de ombros. – Para isso acontecer, primeiro você precisa ir ao Brasil. O que vai ser difícil. – arqueou as sobrancelhas para ele. Pararam no portal e estava tirando a chave do bolso quando se virou para a fotógrafa.

– Nós vamos, não vamos? – questionou. franziu o cenho para ele.

– Vamos para onde?

– Brasil. Na virada do ano. – explicou. – Passamos o natal aqui e o ano novo lá.

– Não conversamos sobre isso. – murmurou. – Quero dizer, eu comentei que iria para lá, mas pensei que você gostaria de ficar por aqui.

– Quero ficar com você. Se você for, eu vou junto. Se quiser que eu vá, é claro. – concluiu.

– Eu quero. E nós vamos. – garantiu, apertando ainda mais seus dedos nos de , que sorriu e a beijou no topo da cabeça. Destrancou a porta e então puxou consigo, para que ela finalmente conhecesse o último e mais importante aspecto de sua vida: o familiar.

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Grito, berro, surto, morte.

Essa era a definição de quando entraram na casa de . Sem desentrelaçar seus dedos, o cantor a puxou para além do corredor do hall de entrada. analisava cada detalhe, desde as cores claras na parede até os vasos de planta ao lado da porta. A escada se dava para a esquerda e a sala, para a direita. Era uma casa normal, como ela já havia visto em diversos filmes norte americano. Os móveis combinavam entre si e a maior diferença eram os quadros com fotos. e Aaliyah estavam para todos os lados. Fotos da infância, da formatura de , do primeiro show… Karen e Manuel apareciam bastante também, mas o destaque eram os filhos. E estava apaixonada pelas fotos que jamais havia visto do namorado.

– Você era tão fofo! – exclamou, se aproximando da lareira e de um porta-retratos onde uma foto de quando bebê estava exposta. – Olha as bochechas! – riu sozinha, sentindo às suas costas. Ele a abraçou pela cintura, beijando-a no topo de sua cabeça em seguida. – A cara de tonto sempre foi a mesma. – implicou e a cutucou na cintura novamente.

– Minha mãe tem dois álbuns inteiros de fotos minhas. – comentou. – Tenho certeza que vocês podem se divertir nisso mais tarde.

– Não sei se o meu coração vai aguentar. – murmurou, fazendo-o rir. – Onde estão os seus pais? – questionou por fim, se dando conta de que não ouvia vozes na área onde supunha ser a cozinha.

– Provavelmente nos fundos. – respondeu. – E Aaliyah no quarto dela. – abriu um sorriso maldoso e nem teve tempo de questionar, pois logo estava sendo arrastada para o segundo andar, sem ter tempo para analisar os quadros nas paredes, que continham mais fotos. parou em frente à terceira porta da casa, batendo algumas vezes antes de ouvir um resmungo de Aaliyah.

– O que foi, mãe? – a garota questionou. A maçaneta girou e a porta foi aberta, no mesmo instante que invadia o quarto e pegava a garota no colo, se jogando na cama, por cima da irmã. O grito de Aaliyah reverberou pela casa, enquanto , de olhos arregalados e a mão cobrindo a boca pelo susto, tentava entender o que havia acontecido. – Droga , sai de cima de mim, seu monstro! – a mais nova xingou, estapeando as costas do irmão e tentando sair de baixo do corpo dele.

– Quando admitir que sentiu minha falta e queria me ver hoje. – retrucou, deixando todo seu peso sob Aaliyah, fazendo-a reclamar.

– Você está pesado! Sai ! – reclamou. resolveu intervir, segurando no braço de e o puxando com força, resultando em um tombo direto no chão. O cantor lhe lançou um olhar nada amigável, enquanto Aaliyah gargalhava alto.

– Desculpa! – ela riu, se agachando para ver se o namorado estava bem, beijando-o na testa.

– Vai ter volta. – prometeu, se colocando de pé no mesmo instante em que Aaliyah esmagava em um abraço. A brasileira riu sozinha, devolvendo o abraço na cunhada e lançando um olhar surpreso para , que sorriu e deu de ombros.

– Você é ainda mais linda do que eu me lembrava! – Aaliyah exclamou. – finalmente tem uma namorada decente!

– Certo, certo. – estalou os lábios, afastando Aaliyah de e abraçando a brasileira de forma protetora. – Chega de para você.

– Chega nada! – a caçula chiou, puxando para longe de e guiando a garota para fora do quarto, sem se importar se estavam sendo seguidas pelo cantor. atravessou a sala de mãos dadas com Aaliyah, seguindo para os fundos da casa e finalmente colocando seus olhos em Karen e Manuel, o que quase fez seu coração parar.

O quintal dos era adorável. não poderia descrever de outra forma. Havia uma piscina, um jardim e uma área de lazer com sofás, mesa e cadeiras. Logo que atravessaram a porta de vidro que dava para o quintal, Karen e Manuel focaram seu olhar em Aaliyah, para depois suas atenções se voltarem para . A garota procurou a mão de às suas costas e sentiu seus dedos se entrelaçarem aos dele imediatamente, sentindo conforto e uma dose de calmaria em seu coração nervoso.

– A chegou! – Aaliyah anunciou, erguendo o braço de para fazer sua presença ser notada. A brasileira soltou um riso quase histérico e a abraçou pelos ombros.

– Respira, dengo. – ele murmurou para que somente ela ouvisse.

– Eu não sei mais como faz isso. – a fotógrafa retrucou, fazendo gargalhar alto. Aaliyah os encarou com o cenho franzido em confusão.

– Ela está tendo um ataque. – o cantor explicou e Aaliyah também riu.

– Parem de rir! – chiou. – Jesus, eu vou morrer. – respirou fundo. a beijou na testa, em seguida guiando-a para onde Karen e Manuel estavam, com Aaliyah às suas costas.

– Mãe, pai, – murmurou, se postando em frente ao sofá, com ao seu lado. – Essa é , minha namorada. – falou e enquanto a apresentação durou, não respirou. Seu olhar estava fixo em Karen, principalmente, já que sabia que Manuel simpatizava com ela a ponto de dar conselhos amorosos para .

– Ela fala? – Karen questionou para , que sorriu largo e assentiu. A mulher levantou do sofá e puxou para um abraço. – Você pode respirar querida. – riu.

– Eu estou pertinho da morte. – comentou, fazendo a mulher rir ainda mais.

– É um prazer gigantesco te conhecer finalmente! – sorriu largo e suspirou. tinha o mesmo tipo de sorriso da mãe. – falou tanto sobre você.

– Coisas boas, apenas. – o cantor completou rapidamente e riu. Karen a largou e logo Manuel estava a sua frente. Sorriu para ela, também a puxando para um abraço.

– Agora eu terei com quem praticar meu português! – exclamou animado, fazendo a brasileira rir com vontade. – Eu não estou acostumado, então não ria de mim. – Manny murmurou em português.

vai ficar louco com isso. respondeu. – Ele odeia quando não entende o que eu falo.

– O que vocês estão falando? – o cantor questionou rapidamente, fazendo os dois rirem.

– Que você é um idiota. – Aaliyah murmurou. Ela sabia um pouco mais de português que e vivia provocando o irmão sobre aquilo.

– Aaliyah! – Karen lhe chamou a atenção e a garota torceu os lábios. ainda encarava e o pai com curiosidade, o cenho franzido e os olhos pequenos.

Eu disse. murmurou e Manny riu.

– Vem , quero te mostrar a casa. – Aaliyah exclamou, novamente puxando a garota pela mão, que apenas sorriu e acenou para os outros três, antes de sumir para dentro da casa.

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Estava com ciúme. Era visível e sua carranca não escondia aquilo, de forma que sua mãe riu e o abraçou de lado, conforme andavam em direção a cozinha, para dar os últimos retoques no jantar. Manny os seguia de perto.

, desfaça dessa careta. – Manuel murmurou. – Aaliyah não vai roubar ela de você.

O cantor torceu os lábios, em pura birra. – Fui trocado pelas duas!

Karen riu.

– Amor, Aaliyah estava muito ansiosa para rever , mas ela não te ama menos por isso. – tranquilizou o filho, deixando um beijo no rosto do rapaz.

– E não gosta menos de você porque Aaliyah está monopolizando a atenção dela. – Manuel concluiu e suspirou. Estava sendo o leonino egocêntrico que Catherine o acusava de ser e aquilo lhe irritava. Odiava dar razão para Catherine, mesmo que em seus pensamentos.

– Estou sendo um babaca. – concluiu, fazendo os dois rirem. sentou-se na bancada, enquanto Karen e Manuel distribuíam as últimas tarefas que precisavam ser feitas antes do jantar. Ele nem oferecia mais ajuda, visto que Karen nunca aceitava. era um desastre na cozinha e ela tinha completa noção daquilo.

– Como estão Camila e Catherine? – sua mãe indagou, não escondendo a animação que sentia ao falar das duas cantoras. Karen as amava.

– Camila está ótima. E Catherine mais irritante. – deu de ombros. Manny riu e Karen lançou um olhar atravessado para o filho.

– Você adora implicar com ela. – estalou os lábios. sorriu.

– Faz parte. – deu de ombros. – Catherine é como Aaliyah para mim, uma irmã mais nova. Mesmo sendo mais velha que eu. – riu. – Elas tem a mesma idade mental.

– Exagerado. – Karen retrucou, rindo junto com o filho. – E como estão os preparos para a turnê? – mudou de assunto. Ela e Manuel estavam entretidos no fogão.

– Andrew está cuidando de tudo. Vou viajar na quinta-feira que vem. – comentou. – Aliás, para qual show vocês irão?

– Singapura. – Manuel respondeu. – É o único no sábado, não? – se virou para o filho. estalou os lábios.

– Acho que sim. Preciso checar. – suspirou.

vai conosco? – Karen questionou, curiosa. riu.

– Ainda não falamos sobre isso. – confessou. – Mas não acho que ela perderia a chance de ir.

– Tenho certeza que não. – Manny concordou. Pegou a travessa com poutine e colocou em cima da mesa, ao mesmo tempo em que Karen depositava os refratários com saladas. franziu o cenho para ela.

– Para que tanta salada? – indagou.

– Você disse que está comendo menos carne. Então ela tem outras opções. – a genitora deu de ombros e riu. – Inclusive, vá chamar Aaliyah e ela. Vamos jantar! – empurrou para fora da cozinha no instante seguinte.

O cantor revirou os olhos e se dirigiu para o andar de cima, novamente parando em frente a terceira porta do corredor e girando a maçaneta sem pedir permissão. estava sentada na cama com Aaliyah e as duas pareciam ter interrompido o assunto subitamente. estreitou o olhar para elas no mesmo instante.

– Sobre o que vocês estavam falando? – questionou, cruzando os braços em frente ao corpo. Aaliyah estava corada, enquanto tentava morder o riso.

– Nada! – a caçula retrucou.

– Não estou convencido. – o cantor estalou os lábios. revirou os olhos, se colocando de pé e andando na direção do namorado. Deixou um beijo no rosto dele, arrancando um sorriso rápido de .

– Pare de ser chato. Não estávamos falando sobre nada demais. – pontuou.

– O jantar está pronto? – Aaliyah questionou e recebeu um aceno de cabeça como resposta do irmão, que ainda estava desconfiado. A garota se levantou, saindo do quarto sem nem olhar para . Assim que sumiu de vista, ele se virou para .

– Sobre o que conversavam? – tornou a questionar.

– Deixa de ser curioso. Era um papo de mulheres. – fez uma careta.

– Ela está namorando, não está?

gargalhou, envolvendo pela cintura e o abraçando com força. Inclinou-se e o beijou no queixo repetidas vezes, até desfazer a careta que mantinha no rosto.

– Você é paranoico. – riu. – Aaliyah não está namorando. E mesmo se estivesse, não é da sua conta. Se seus pais aprovam, está tudo bem.

– Tenho certeza de que seu irmão não concorda com isso. – retrucou, devolvendo o abraço na garota.

– Quer conversar com ele sobre isso? – a fotógrafa questionou, as sobrancelhas arqueadas para o namorado. – Ele está louco para te conhecer. – abriu um sorriso maldoso e estirou a língua para ela.

– Ele vai me adorar. Assim como Aaliyah te adorou. – sorriu.

– Essa sua cara bonita conquista todo mundo mesmo. – a garota suspirou e recebeu um selinho longo. acariciou o rosto dela com os polegares e fechou os olhos para aproveitar o carinho.

– Eles gostaram de você. – comentou e abriu os olhos para encará-lo.

– Mesmo? – murmurou, mordendo o lábio inferior.

– Uhum. – assentiu.

– Isso me deixa tão aliviada. – a garota sorriu. – Eu estava surtando.

– Eu sei. Deu para notar. – riu e o beliscou na cintura.

– Idiota. – chiou.

– Vamos jantar. – se afastou, entrelaçando seus dedos nos dela. – Mamãe fez 5 tipos de salada para você. – comentou.

– Minha sogra é maravilhosa mesmo! – a brasileira exclamou e riu. Não tinha como negar aquela afirmação. Sua mãe era mesmo incrível.

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Aaliyah estava abraçada em , enquanto a garota ria e tentava tirar mais fotos de com os pais. O rapaz tinha uma careta nos lábios e lançava um olhar nada amigável para a irmã.

– Deixa ela tirar uma foto com a gente, Aaliyah. – ele bufou.

– Só se eu puder aparecer. – a caçula retrucou.

– Ninguém te convidou para a foto. – devolveu e Karen revirou os olhos, enquanto Manuel ria e batia fotos e mais fotos. A primeira havia ficado tão linda e a garota esperava conseguir mais uma fotografia onde não aparecesse emburrado.

– Vocês dois estão impossíveis hoje. – Manuel disse por fim, bagunçando os cabelos de e rompendo o abraço em Karen.

– Eles normalmente não são assim, . – Karen murmurou, lançando um olhar feio para os filhos.

está ficando mais insuportável a cada dia. – Aaliyah comentou com , ainda sem romper o abraço de lado que havia iniciado instantes antes.

Eles haviam jantado em um clima familiar acolhedor. Todo o medo que estava sentindo foi se dissipando automaticamente e para sua surpresa, sentia-se confortável e com um sentimento de casa tomando conta de seu coração a cada minuto que passava na casa dos . Karen e Manuel eram simplesmente incríveis. Eram simpáticos e engraçados, como sempre os havia imaginado. Aaliyah era completamente adorável, apesar de toda implicância que ela e tinham um com o outro. Lembrava de sua relação com Maurício e ela sentia a saudade apertar seu peito. Mas bastava sorrir para ela ou entrelaçar seus dedos que a paz voltava a reinar em seu coração instantaneamente.

– E você mais irritante. – o cantor retrucou, dando um peteleco no nariz da irmã, que devolveu com um beliscão.

Nós os educamos melhor que isso, acredite. – Manny comentou em português e riu.

– Não comecem, por favor. – suspirou, passando as mãos pelos cabelos.

– Meu irmão e eu temos as mesmas implicâncias. – comentou. – Ele é dois anos mais velho que eu e um completo pé no saco. – riu. Aaliyah apertou o abraço em .

– O é igual! Como você o aguenta? – questionou, dramatizando a situação. O cantor revirou os olhos para a irmã.

– Porque ela está apaixonada por ele. – Karen concluiu. – Aí ele não parece tão irritante. – deu de ombros e lançou um olhar ofendido para a mãe.

– Você não deveria me amar? – arregalou os olhos pelo drama. Aaliyah gargalhou.

– Supostamente. – Karen retrucou e riu alto. Seguiram para a sala e para os álbuns de foto que Karen havia prometido mostrar para durante o jantar. A garota estava ansiosa para ver mais fotos de bebê, já que ele era a coisa mais fofa do mundo, em sua opinião.

sentou-se no sofá, ao lado de Aaliyah. Manuel ocupou uma das poltronas e Karen ocupou o assento ao lado de , enquanto sentou no chão e deitou a cabeça nas pernas da namorada, que logo iniciou um cafuné nos cabelos macios dele. Sentiu o olhar de Manuel sofre si e o encontrou sorrindo para a cena. Suas bochechas coraram no mesmo instante e ela focou a atenção em Karen, que lhe estendeu dois álbuns de fotos de tamanho médio.

– O primeiro é apenas do . E o segundo tem um pouco de Aaliyah. – a mulher explicou.

– Você vai notar que no primeiro álbum eu era mais feliz porque essa chata ainda não havia nascido. – implicou a caçula lhe chutou na perna.

– Você me ama, não finja o contrário. – chiou. a ignorou, voltando a fechar os olhos e aproveitar o cafuné.

olhou os dois álbuns inteiros, comentando as fotos com Karen e Aaliyah, enquanto lançava comentários esporádicos. E conforme ia descobrindo aspectos sobre a infância do cantor, sentia seu coração encher de amor. Por e para ele. Conseguia ver o mesmo garotinho sorridente de bochechas coradas no rapaz que mantinha a cabeça deitada em suas pernas. O mesmo carinho implicante entre ele e Aaliyah estava presente nas fotos e na convivência daquela noite. O mesmo amor genuíno que ele sentia pelos pais aparecia em seu olhar infantil e naquele a quem ela podia chamar de namorado. se apaixonava mais por a cada segundo e era muito grata ao destino por tê-lo colocado em sua vida.

Eles finalizaram a noite algumas horas mais tarde, após mais fotos – de Aaliyah e fotos que tinha de sua infância guardadas em uma pasta do Google Drive – e muita conversa. Ela respondeu a todas as perguntas de Karen e Manuel, contando sobre sua vida no Brasil, sua família e amigos e a experiência de estar morando no Canadá. Ela e falaram sobre o Japão e acertaram os detalhes sobre o show de Singapura – ao qual ela fora intimada por e seus pais a comparecer. Despediram-se com abraços e promessas de novos jantares quando voltasse da turnê, mesmo que Aaliyah tivesse prometido visitar em Toronto o mais rápido possível. E quando a brasileira entrou no carro e acenou em despedida para a família de , soltou um grunhido animado que fez o cantor rir e transbordar de amor por ela.

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estava enroscada em seu corpo. A perna dela estava em torno de sua cintura, os cabelos jogados no travesseiro e os braços em torno de seu pescoço, enquanto o rosto dela repousava em seu peito. E aquele sentimento bom que explodia dentro do peito de era todo e completamente de .

Estavam assistindo a um filme da Netflix, o cobertor pesado os cobrindo e a luz do quarto apagada. Os celulares estavam esquecidos no criado mudo, já que nenhum deles sentia falta dos aparelhos quando estavam na companhia um do outro.

– Que horas vamos sair amanhã? – questionou baixinho e deixou um beijo em sua testa.

– Nosso voo é às 11 horas. – ele respondeu.

– Ótimo. Eu ainda não terminei a mala. – a garota riu. apertou o abraço.

– Eu sei. – comentou. – Você vai comigo no domingo, não vai?

– Uhum. – suspirou. – Mas vou ficar com Andrew por lá. Nada de tapete vermelho para mim, pode ser?

– O que você quiser, dengo. – sorriu. – Aliás, vamos almoçar com Camila no domingo.

ficou em silêncio por alguns instantes e precisou cutuca-la na cintura para que ela tivesse alguma reação. Soltou um grunhido, que o fez rir.

– Você larga essas informações do nada. É sério, não estou preparada para isso. – chiou, fazendo-o rir ainda mais.

– Camila é completamente louca, assim como e . Você vai se acostumar com ele rapidinho. – garantiu. – Mas talvez Niall almoce conosco também.

– Eu não fui surtada pela One Direction. – comentou. – Mas não garanto que não vá surtar por causa dele.

– Seu negócio era Jonas Brothers, eu sei. – estalou os lábios.

– Coloque Joe Jonas na minha frente e eu infarto. – ela concluiu e o cantor riu.

Alguns minutos de um silêncio confortável se passaram, enquanto algumas carícias eram trocadas entre eles. Foi quem quebrou o silêncio, quando um pensamento desagradável passou por sua mente.

? – ela chamou, novamente em um sussurro.

– Hm? – estalou os lábios, desviando o olhar da TV para a namorada.

– Hailey vai estar lá? – ela questionou. O cantor franziu o cenho.

– Não sei. – respondeu. – Por quê?

– Ah, ela é sua ex. – deu de ombros. – Não que eu me sinta ameaçada ou qualquer coisa desse tipo. – explicou. – Sou totalmente contra rivalidade feminina por causa de homem. – pontuou e a beijou na testa novamente. – Mas vai ser estranho, não vai? Seria estranho se fosse o meu ex lá.

– Hailey não é uma pessoa ruim. – murmurou. – Ela só é confusa e não pensa que as atitudes dela afetam a vida das outras pessoas. – falou. – Ainda somos amigos e eu desejo o melhor para ela. Ela estava no EMAs e apenas acenou quando me viu. NÃO acho que ela vá vir falar comigo no domingo, de qualquer forma.

– Você queria que tivesse dado certo? Entre vocês? – a garota questionou, em pura curiosidade.

– Alguns meses atrás, sim. – foi sincero. – Mas antes mesmo de você aparecer, eu já sentia que merecia mais. Não que eu me ache superior, mas o tipo de relacionamento que tínhamos não era bom. Ela cedia apenas metades, quando eu queria algo por inteiro. Não éramos para ser.

– Eu não posso reclamar dos planos do destino. – disse por fim, apertando o abraço no pescoço do namorado. – A gente tinha que passar por outros relacionamentos antes de se encontrar.

– E agora que eu te encontrei, não quero te perder. Nunca. – sussurrou, puxando a garota para seus lábios. Ele a beijou com cuidado e devoção, exigindo tudo dela e dando tudo de si em retorno. E se perdeu em . No gosto do beijo dele, a maciez da pele e a textura de seus cabelos entre seus dedos. Cada girar de língua fazia seu coração disparar e seu estômago revirar de expectativa. Transbordava paixão por aquele rapaz e sentia uma paz interior que jamais saberia explicar.

– Você não vai me perder. – garantiu, um sussurro contra os lábios do namorado. – Eu sou sua.

Os olhos de brilhavam quando ele desligou a TV com o controle remoto e mudou suas posições, ficando por cima de e grudando suas testas, enquanto acariciava o rosto dela. o abraçou pelo pescoço, deixando um beijo na ponta do nariz de .

– Gosto de como isso soa. – disse por fim, novamente unindo seus lábios e transbordando aquele amor que sentiam. Porque já era amor. Eles apenas não haviam se dado conta daquilo.

Capítulo 24

Stay here and lay here
Right in my arms
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O dia havia passado mais rápido do que poderia imaginar. Sempre que estava ansiosa por alguma coisa, as horas pareciam se arrastar e duplicar, mas aquela sexta-feira fora diferente. Talvez por ter trabalhado com e Connor – o que tornava seus dias muito mais divertidos – ou então o destino havia lhe dado um passe livre. Fosse o que fosse, quando chegou em casa, encontrou o resto de sua mala organizada e jogado em sua cama, com o celular em mãos. Sorriu automaticamente e se jogou ao lado do namorado, o beijando no rosto e sendo puxada para um abraço apertado, recebendo alguns beijos no pescoço em seguida. Havia deixado a chave de casa na mesa da cozinha pela manhã, já que não quisera acordar quando saiu para trabalhar. Ele estava de férias e deveria aproveitar os últimos dias antes da turnê para descansar bastante, na opinião de , mesmo que ele sempre tentasse convencê-la a aceitar uma carona para o trabalho.

– Oi dengo. – sussurrou, olhando nos olhos da garota e então selando seus lábios. Ela sorriu quando se separaram. – Como foi seu dia?

– Ótimo. – falou, deitando no peito dele e aproveitando do carinho que lhe oferecia. – , Connor e eu trabalhamos com fotos para uma padaria. E comemos tudo o que foi levado para mostruário. – a animação em sua voz contagiou .

– Seria esse o melhor trabalho do mundo? – ele questionou, divertido.

– Nan. – estalou os lábios. – O melhor trabalho do mundo é o do Josiah. Ele recebe para tirar fotos do , o homem mais lindo desse mundo. – sorriu para o cantor, que soltou uma risadinha. – Quer trabalho mais incrível que esse?

– Eu o conheço. Posso levar seu currículo, sabe. – deu de ombros e riu.

– Você bem que queria né. – suspirou.

– Você na turnê comigo? Obviamente. – o canadense assentiu. – Duas das minhas três coisas favoritas. – sorriu.

– Pare, assim eu fico emotiva. – chiou, fazendo-o rir.

Dengo, você é emotiva. – arqueou as sobrancelhas para a garota, que nem tentou retrucar, apenas deu de ombros e voltou a enfiar o rosto contra o peito do cantor. a apertou em seus braços.

– Mas e o seu dia, como foi?

– Entediante. – estalou os lábios. – Compus um pouco e fui com Brian para a academia treinar.

– Estou notando seus braços mais fortes mesmo. – brincou, fazendo o canadense rir alto.

– É para aguentar seu peso quando você desmaiar amanhã. – retrucou e deu de língua para ele.

– A playlist da viagem já está pronta. – a brasileira comentou. – E eu tenho um adaptador para dois fones. – sorriu largo para ele.

– Só tem Jonas Brothers, não é?

– Não. Tem uma música sua também. – estalou os lábios, rindo em seguida quando a cutucou na cintura.

Passaram mais algum tempo na cama, jogando conversa fora e trocando carinhos, até espantarem a preguiça para longe e iniciarem a organização para a ida ao aeroporto. Comeram sanduíches e tomou banho, vestindo algo confortável. Partiram para o apartamento de e enquanto o garoto organizava suas coisas, permaneceu jogada no sofá, conversando com e Maurício por mensagens. O irmão estava rabugento, já que segundo ele, não havia pedido a mão de para ele e para o pai deles. e o xingaram e mandaram a merda, removendo Maurício da conversa mais de uma vez, em forma de protesto. Chamaram um Uber para levá-los ao aeroporto e após fazer o check-in e despacharem as malas, procuraram por um lugar na sala de embarque. tirou uma foto com e mandou no grupo, apenas deixando Maurício mais rabugento, enquanto surtava e pedia uma live do Wizarding World of Harry Potter.

– O que foi? – questionou. estava com a cabeça deitada em seu ombro e uma expressão insatisfeita no rosto. Tinham cerca de meia hora antes de poderem embarcar no avião e deram sorte pela sala de embarque estar quase vazia, desta forma, não seriam perturbados.

– Meu irmão é um idiota. – xingou e o canadense riu.

– Certo. E por que ele é um idiota? – questionou, com diversão. Tinha certeza que Aaliyah falava a mesma coisa sobre ele.

– Porque ele nasceu idiota. – retrucou, revirando os olhos. a beijou na cabeça e suspirou, abandonando o celular e se aconchegando no abraço que lhe envolveu. – Ele está com ciúme de você. – revirou os olhos. – Não é idiota?

estalou os lábios. – Eu também tenho ciúme de Aaliyah. – lembrou.

– Porque você também é idiota. – falou. – Irmãs mais novas sabem fazer juízo de valor. Ele sabe que eu jamais namoraria um babaca. Não de novo. – suspirou.

– A preocupação dele é compreensível, dengo. – o cantor ponderou. – Ele não me conhece pessoalmente e você está em outro país, sozinha. Se fosse eu no lugar dele, me preocuparia seis vezes mais.

– Pobre Aaliyah. – revirou os olhos.

– Eu sabia! – o garoto exclamou subitamente e se afastou dele, com os olhos arregalados e o cenho franzido.

– Do que você está falando? – questionou. – Sabia do que?

– Aaliyah está namorando! – murmurou, torcendo os lábios em desagrado. – Você acabou de confirmar!

, você é muito paranoico. – riu. – Eu não disse que ela havia começado a namorar, apenas disse “pobre Aaliyah”, porque você vai encher o saco da garota quando, e se, ela começar a namorar. – estalou os lábios.

encarou a namorada por alguns segundo, tentando detectar algum sinal de mentira. A brasileira voltou a revirar os olhos.

– Paranoico. – chiou. lhe estirou a língua.

– Aaliyah é muito nova para isso. – se defendeu.

– Não vamos ter essa conversa de novo. – decidiu. – Eu já disse que, se seus pais aprovarem, você não tem nada a ver com isso. – murmurou. – E eu acho que você tinha muitas namoradinhas na idade dela. – semicerrou os olhos para ele. fez uma careta. – As covinhas deveriam causar brigas entre as suas pretendentes na escola.

– De forma nenhuma. – sacudiu a cabeça em negação. – Eu era magrelo e esquisito. E usava aparelho. – torceu os lábios.

– Tenho certeza de que essas garotas, hoje, se arrependem muito por terem te rejeitado. – abriu um sorriso. – Sorte a minha. – riu e a a beijou na testa.

– Sorte a nossa. – corrigiu e se aconchegou mais ainda nos braços do namorado, o coração quentinho e cheio de amor por aquele garoto.

Sorte a deles.


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Estava tocando Jonas Brothers. Pela oitava vez e já estava ficando cansado, mesmo que adorasse a batida animada de L.A Baby. estava no banco de trás, cantando e fotografando a paisagem de Los Angeles enquanto usava seus fones de ouvido, enquanto ocupava o banco do carona e Jake, seu segurança, dirigia o carro. Em Toronto, ele podia andar livremente sem Jake durante suas férias, desde que tomasse algum cuidado. Fora do Canadá, era praticamente impossível andar sozinho, mesmo que conseguisse dar suas escapadas às vezes – o que deixava Andrew completamente alucinado.

– Hollywood is the time, the stars are shining… For you and me tonight, in this city, where dreams are made of. – cantarolou a garota e quando revirou os olhos, Jake soltou uma risada.

– Ela está cantando essa música desde que saímos de Toronto. – se justificou, soltando um suspiro em seguida.

– Ela está no espírito de Los Angeles. – Jake defendeu a fotógrafa, mesmo que mal a conhecesse. o havia abraçado e agradecido por manter seguro, algo completamente inesperado para Jake e também para , fazendo o primeiro criar um carinho imediato pela garota e o cantor se apaixonar um pouquinho mais. Mesmo que ele achasse aquilo impossível, já que não via possibilidades de gostar mais de do que já gostava.

– Até demais. – torceu os lábios. – Andrew avisou que vamos precisar de você amanhã? – questionou, o celular em mãos, enquanto respondia as mensagens da mãe.

– Sim. – Jake assentiu, sem desviar a atenção do trânsito. – Harry Potter de novo, uh? – sorriu para o mais novo, que deu de ombros.

ama. – comentou. – Foi o único presente de aniversário decente no qual pude pensar.

– Poderia ter dado algo relacionado à fotografia. – o homem disse. fez uma careta, já que não havia pensado naquilo.

– Harry Potter causou mais emoção. – deu de ombros, fazendo o outro rir.

– E você quase nem gosta. – implicou e riu.

– Não sei do que você está falando. – murmurou.

se empertigou no banco traseiro, retirando os fones e então se inclinando para frente, o máximo que o cinto de segurança permitia. Tocou no ombro do namorado, chamando a atenção de , que virou o rosto para trás e sorriu para .

– Eu terminei nosso roteiro de visitação. – avisou, fazendo-o arquear as sobrancelhas.

– É? – soltou uma risada pelo nariz.

– Precisamos ir a Venice hoje, caso contrário, meu roteiro estará arruinado. – fez uma careta.

– Podemos jantar por lá. – falou e a garota sorriu, o beijando no rosto e voltando a se recostar no banco, os fones já nas orelhas e murmurando o final de L.A Baby. sentiu o olhar de Jake sobre si e passou a mão pelos cabelos, as bochechas corando levemente.

– Os rapazes vão te zoar tanto. – o segurança murmurou, rindo. Referia-se a banda e já sabia o que o esperava: piadas e mais piadas sobre ele estar complementarmente apaixonado por . E não havia como negar e ele nem mesmo queria. Não se envergonhava por estar completamente apaixonado e só queria viver aquele sentimento intensamente.

– Eu sei. – assentiu. – Mas ela é adorável e vai conquistar todos eles. – garantiu.

– É realmente uma garota interessante. – Jake concordou. – Acho que ninguém nunca me agradeceu por fazer o meu trabalho. – eles riram.

– Ela é realmente diferente. – concordou, encarando pelo espelho retrovisor. Seus olhos se encontraram e ela sorriu largo para o cantor. – Trevo.

– Só tome cuidado, ok? – Jake murmurou, em um tom de voz mais baixo. arqueou as sobrancelhas para o segurança, desviando o olhar para o mais velho.

– Por quê? – questionou.

– Andei conversando com Andrew. Ele está preocupado com a repercussão do relacionamento de vocês. – comentou. estalou os lábios. – Não está nada bem, para ser bem sincero. – suspirou. – Ele até contratou outro segurança para esse final de semana.

– As pessoas vão esquecer disso logo. – murmurou, confiante. realmente acreditava que as coisas iriam se acalmar conforme os dias fossem passando. Afinal, seus fãs não poderiam passar o resto da vida reclamando por ele não estar mais solteiro, poderiam? era apaixonante e estava confiante de que logo, todas as pessoas importantes em sua vida – inclusive seus fãs – iriam conhecer melhor a garota e adorá-la tanto quanto ele adorava.

– Eu espero mesmo que esteja certo. – Jake disse por fim, enquanto voltava a observar pelo retrovisor e sorriu fraco quando o olhar dela encontrou o seu novamente, a calmaria tomando conta de seu coração no mesmo instante.

Esperava de todo coração, não precisar ter que escolher entre e seus fãs. realmente não acreditava que aquilo seria necessário, mas já havia pensado na possibilidade. E para sua surpresa, o futuro que mais temia, naquelas circunstâncias, era sem . Ela estava se tornando seu lar e não queria tê-la distante. Queria passar todos os segundos, de todos os dias, observando aquele sorriso e sentindo seu coração quase explodir de tanto carinho. provocava coisas inesperadas dentro dele, afinal de contas.


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Burguês. Era tudo o que passava na cabeça de enquanto adentrava a casa de em Los Angeles. Tudo bem, ele era um cantor mundialmente famoso e ela nem queria saber quantos zeros ele tinha na conta bancária, mas imaginava que a casa dele nos Estados Unidos fosse parecida com seu apartamento em Toronto: boa localização, mas normal. Mas a coisa se elevara para outro nível e estava acanhada. Nunca tinha entrado em um lugar tão grande. Era óbvio que teria uma mansão em West Hollywood. Ela deveria estar preparada para aquilo e tentava a todo custo, não manter seus olhos arregalados e o queixo caído enquanto o Jake estacionava o carro em frente à casa.

O jardim da frente era enorme e tinha certeza de que não poderia atravessá-lo correndo sem cuspir seu coração pela boca, sedentária como era. O terreno era murado e a casa tinha três andares, pintada em tons claros e com tantas janelas que a garota se perdeu na contagem. Desceu do carro e logo sentiu os dedos de entrelaçando os seus, recebendo um sorriso animado do cantor e então soltando o ar pela boca, seguindo para dentro da residência junto do namorado. Ela nem sabia descrever aquele tipo de porta que não fosse com a expressão “porta de rico”, mas sua surpresa apenas cresceu quando finalmente entrou na mansão. Era basicamente, como qualquer casa de rico. O hall de entrada tinha plantas bem cuidadas e quadros, um portal que levaria para o restante da casa e uma escadaria que os guiaria para os andares superiores. iria se perder ali dentro, sem nenhuma dúvida.

– Você está quieta. – comentou, apertando a mão da garota, tentando lhe passar conforto. Sem sucesso, já que eram em momentos como aquele, que se dava conta do abismo entre a sua realidade e a de . Ele não se importava com aquilo, mas para ela era assustador.

– Só estou tentando me acostumar com o ambiente. – confessou. – O lugar mais chique em que eu entrei na vida, foi em um hospital particular em Florianópolis. – riu. – Quando meu pai precisou se operar.

– Meu apartamento não é chique? – questionou, em tom de falsa ofensa, claramente tentando descontrair o clima. – Que tipo de cantor famoso eu sou, se tenho um apartamento comum?

– Seu apartamento é mais normal. – deu de ombros. – Isso aqui é insano. – apontou para a estrutura da casa com um aceno de cabeça. – Vou precisar da planta da casa para não me perder. – suspirou, ouvindo a risada de Jake às suas costas, enquanto a abraçava pelos ombros e beijava o topo de sua cabeça.

– Eu te empresto meu mapa. – o segurança murmurou, seguindo para dentro da casa e desaparecendo no portal.

– Vem, vou te mostrar o quarto. – a puxou.

– As malas! – a fotógrafa exclamou, se virando para trás em busca de seus pertences.

– Jake leva depois, dengo. – o cantor murmurou. torceu os lábios imediatamente.

– Temos mãos e seus braços estão fortes. Podemos levar as malas. – decidiu, procurando sua própria bagagem às suas costas. sorriu bobo para a garota, a puxando para seus braços e envolvendo-a pela cintura.

– Você é incrível, sabia? – murmurou. – Eu adoro cada detalhe da sua personalidade, adoro a forma como não se perde em meio a tantas novidades. – suspirou, sem desviar o olhar do rosto da brasileira. – Eu realmente gosto de te mimar, mas me encanta saber que isso é irrelevante para você. Só me traz a certeza de que, dessa vez, meu coração acertou. – finalizou e a garota sentiu suas pernas enfraquecerem. Selou seus lábios aos de e trocaram um beijo intenso e apaixonado, cheio de carinho e cumplicidade.

– Meu coração é tão fraco perto de você. – sussurrou, quando separou seus lábios dos de . Abriu os olhos e o encarou. – Qualquer dia desses, ele para.

– Vou cuidar dele para que isso não aconteça. – prometeu, a beijando mais uma vez e então se afastando para pegar sua própria mala. seguiu em direção a escada, ouvindo a risada do cantor e arqueando as sobrancelhas para ele.

– O que foi? – questionou.

– Você quer subir todos os lances de escada? – ele ainda estava rindo.

– Eu ainda não aprendi a aparatar. – retrucou. envolveu seus dedos em um aperto e seguiram para o mesmo portal que Jake havia atravessado. passou seus olhos pela sala de estar rapidamente, não encontrando nada de anormal nos móveis chiques. Não se deu conta quando parou em frente a um elevador, arregalando os olhos quando as portas se abriram e o cantor a puxou para dentro do cubículo de metal.

– Eu subo de escadas, mas tenho certeza de que você não aguenta. – murmurou.

– Você é um burguês safado. – concluiu, arrancando mais risadas do cantor. Parou ao lado dele no elevador e o viu apertar o botão do quarto andar. Franziu o cenho. – Quarto andar?

– Meu quarto. Escondido no telhado e longe de qualquer barulho. – sorriu.

– Muito burguês safado! – a brasileira exclamou, arrancando risadas do cantor. – E eu ainda contribuí com isso. – revirou os olhos para si mesma.

– Eu queria comprar um apartamento, como o de Toronto. – contou. – Mas não é muito seguro e Andrew descartou a ideia. E aqui tem espaço para toda a equipe, então acaba que a casa não é só minha. Todos tem um quarto, inclusive meus pais e Brian. – comentou. – Eu só fico por aqui quando estamos gravando ou quando temos algum evento, então não venho para cá sozinho.

– Quantos quartos têm aqui? – indagou, uma mistura entre curiosa e apavorada. riu novamente.

– Os rapazes dividem. – comentou. – Têm uns sete, eu acho.

– Se eu fosse rica, compraria um castelo. – a garota disse por fim. – E uma ilha. Não posso julgar sua casa com sete quartos. – deu de ombros. a puxou para perto, beijando-a no rosto.

– O que você ia fazer com uma ilha? – questionou.

– Nadar pelada. – estalou os lábios. – Esse tipo de coisa.

– Eu posso comprar uma ilha. – sorriu malicioso. riu, o cutucando na cintura em seguida.

– Idiota. – chiou, selando seus lábios em seguida. era realmente idiota quando queria, mas ela o adorava demais.


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Talvez ele devesse ter avisado dos planos daquela noite. Talvez ele devesse ter preparado o terreno, lançado as informações com calma e dado tempo para ela processar tudo com calma. Mas não o havia feito e agora a garota estava de olhos arregalados, queixo caído e a respiração pesada, enquanto encarava um ponto dentro do restaurante onde eles deveriam jantar naquela noite, em Venice Beach. Havia passeado pela praia, com Jake mantendo uma distância segura, coisa que deixou um pouco desconfortável, já que ela sentia-se mal por ver o homem andando sozinho, enquanto lhe garantia que o segurança preferia daquela forma ao invés de se manter perto e incluído na conversa. De longe ele poderia observar tudo ao redor sem distrações. Após o passeio, voltaram para o carro e então manteve entretida com os planos para o dia seguinte ao invés de informar que iriam jantar com quase toda equipe naquela noite.

só soube dos planos do cantor quando o carro foi estacionado na garagem e seus olhos encontraram Andrew dentro do restaurante, junto do restante da banda. E no mesmo instante, ela travou. Jake os havia deixado a sós e naquele momento, estava no banco traseiro, ao lado da namorada, segurando sua mão direita e acariciando seu ombro com a mão livre.

Dengo, está tudo bem. – murmurou, pela oitava vez. finalmente virou o rosto e o encarou, a ansiedade em seu olhar. Ela havia surtado bem mais antes de conhecer seus pais, mas não esperava outra reação dela. era realmente uma criatura única.

– Claro que não está. – retrucou. – Você poderia ter me avisado. Eu teria me arrumado melhor, ! – choramingou e ele a puxou para seus braços.

– Você está linda. – garantiu. – Porque você é linda. E eles vão te adorar, prometo. – torceu os lábios e a beijou no topo da cabeça. – Meus pais te adoraram, lembra? – murmurou e recebeu um aceno de cabeça como resposta. – E você vai ter a eles para te ajudar a me zoar. – riu, sendo acompanhado pela garota.

– Espero que eles exponham todos seus pobres. – suspirou. O cantor estreitou o olhar para ela.

– Vou ligar para e perguntar dos seus. – chiou e fez uma careta.

– Nan, deixa assim. – estalou os lábios. acariciou o rosto da namorada e a beijou rapidamente, antes de finalmente saírem do carro e seguirem para dentro do restaurante. Era um lugar pequeno e aconchegante, onde já estava acostumado a frequentar com a banda nos dias que passavam em Los Angeles. apertava seus dedos em nervosismo e ele sorriu sozinho, puxando-a para o seu lado e abraçando pelos ombros do jeito que estavam acostumados. Queria lhe passar confiança e quando parou em frente à mesa, os sete homens pararam a conversa que mantinham no mesmo instante, soltou um pigarro e olhou para a namorada com um sorriso reconfortante.

– Caras, essa é a . – apresentou e sorriu mais largo antes de completar: – , você sabe quem eles são.

E observou a garota tomar fôlego, ao respirar fundo, e desviar o olhar de seu rosto para encarar as pessoas na mesa. Ela abriu um sorriso tímido e acenou com a mão livre, já que a outra se mantinha unida a do cantor. Eddy e Zubin acenaram de volta, enquanto Jake ria, Dave e Josiah sorriram e Andrew encarava a garota com o olhar analítico de sempre. Mike tomou a frente, estendendo a mão para , que devolveu o cumprimento de forma nervosa, cumprimentando aos outros com o mesmo aperto de mãos em seguida.

– Você sabia que eu tinha certeza de que havia se apaixonado à primeira vista por você e que os destinos de vocês estavam entrelaçados porque vocês são almas gêmeas? – indagou rapidamente. franziu o cenho.

– O quê?

– Ah, ela é lerda igual ao . – Zubin murmurou, fazendo Eddy rir.

– Será que eles tropeçam juntos? – Dave questionou, em tom de zombaria. revirou os olhos.

– Casal que tropeça junto, permanece junto. – Josiah concluiu, fazendo os outros rirem. se virou para .

– Esqueci-me de comentar que eles são idiotas. – pontuou e finalmente pareceu mais confortável.

– Eu não tropeço. – falou. – tropeça porque tem dois metros de pernas. – deu de ombros, causando risos gerais. Menos em Andrew, que mantinha apenas um sorriso contido.

Sentaram-se a mesa, ao lado de Andrew e ao seu lado, entre ele e Josiah. Ela imediatamente se virou para o fotógrafo, o que fez rir. Ele já havia avisado aos amigos que era muito fã do trabalho de Josiah e que ela provavelmente iria tietar ele um pouco.

– Eu queria muito, muito mesmo, saber como você consegue captar os melhores momentos dos shows. – murmurou ansiosa. – Sério, suas fotos são incríveis!

– Ah não, não comecem com a conversa de fotógrafos. – Eddy revirou os olhos. – Vamos falar sobre como diabos o arrumou uma namorada tão bonita. – sugeriu, recebendo acenos gerais em concordância.

– Podemos conversar amanhã. – Josiah garantiu e assentiu em concordância.

disse que vocês estão ansiosos para fofocar sobre os podres dele. – a brasileira sorriu e Eddy bateu palmas em animação.

, temos tanta coisa para conversar. – Dave garantiu, fazendo a garota rir e torcer os lábios, ciente de que o jantar seria longo e que seus amigos iriam zoar com a sua cara o máximo que pudessem.

Mas a cada sorriso enorme no rosto de , o riso divertido ou as caretas desacreditadas que ela fazia algo algum comentário a surpreendia, fazia não dar a mínima para a queimação de filme que estava sofrendo. Queria que o conhecesse de verdade e seus amigos iriam garantir aquilo, já que realmente contaram todas as gafes que ele cometia entre uma viagem e outra. O único que se manteve contido fora Andrew e apesar de o empresário ser naturalmente um cara sério, sentiu que algo não estava certo. E conversaria com o homem o mais breve possível.

Mas não naquela noite. Naquela noite ele só queria a risada de e os olhos brilhantes dela, enquanto suas mãos estavam entrelaçadas e seus amigos se divertiam.


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Estava exausta, mas o sorriso não deixava seus lábios nem por um único segundo. De banho tomado e usando uma camiseta de , estava sentada na varanda do quarto do cantor, junto do mesmo, bebendo vinho e comendo pizza, já que ela não gostava de sushi. A vista que tinha era dos fundos da mansão, cujo quintal tinha uma piscina enorme, um lounge com sofás e pufes e também uma churrasqueira. Era um local perfeito para uma festa na piscina adolescente e lembrava de todas as fanfics colegiais que ela havia lido na vida.

O dia havia sido incrível. Haviam acordado cedo no sábado, seguindo para uma Starbucks para realizar a primeira refeição do dia e então se dirigiram para o Universal Studios Hollywood. não cabia em si de tanta animação e felicidade, contagiando completamente, fazendo-o sentir como se estivesse visitando o parque pela primeira vez. Passaram por todas as atrações – Harry Potter e a Viagem Proibida, Voo do Hipogrifo, Show de Varinhas de Ollivaras, Coral de Rãs e o Espírito Tribruxo Rally -, visitaram todas as lojas do parque – o Três Vassouras, Corujal, Equipamento de Bruxaria de Wiseacre, Roupas de Bruxo Gladrags, Dervish e Banges, Empório do Filch de Bens Confiscados, Dedos de Mel e a Zonko’s – bem como atrações – a plataforma 9 3/4, o Expresso de Hogwarts, Hogsmeade, Beco Diagonal e o Castelo de Hogwarts. Mágico, do início ao fim. E estava tão agradecida por ter tido a oportunidade de visitar o universo de sua saga favorita ao lado de , o cara que a fazia se apaixonar um pouco mais a cada segundo.

Suspirou quando sentiu os dedos do namorado massageando seus ombros, se virando para ele e abrindo um sorriso largo, recebendo um beijo na ponta do nariz que apenas a fez sorrir mais.

– Você está com uma carinha de cansada. – comentou, puxando-a para o meio de suas pernas e abraçando pela cintura, descansando o queixo no topo da cabeça da garota. Ela apertou as mãos dele entre as suas.

– Estou exausta. – confessou. – Não estou acostumada a andar tanto.

– O sedentarismo grita em cada poro do seu corpo. – riu, recebendo um aceno de cabeça em concordância.

– Não tenho nem como negar uma coisa dessas. – deu de ombros.

– Quer me acompanhar amanhã? – ele questionou. – Podemos fazer exercícios e visitar o letreiro de Hollywood ao mesmo tempo. – se animou com a possibilidade e fez uma careta. riu.

– Se eu morrer na metade do caminho, será sua responsabilidade carregar o meu corpo. – decidiu e o cantor assentiu em concordância, mesmo que estivesse achando graça do drama dela. – Então o plano é fazermos exercícios – torceu os lábios -, visitarmos a Calçada da Fama, almoçarmos com Camila e Niall e então a passagem de som pela tarde?

– Teremos um tempo para descansar entre o almoço e a passagem de som. – murmurou. – Minha apresentação não é nada inovadora. – deu de ombros.

– Eu vou te ignorar, pois não sou obrigada a aceitar esse tipo de desaforo. – estreitou o olhar para o cantor.

– Sua sinceridade é uma das coisas que eu mais gosto em você. – ele a beijou na bochecha.

– Vou sentir tanto a sua falta quando voltar para a turnê. – confessou. – Às vezes eu esqueço que você é um cantor famoso e não apenas o meu .

a beijou no pescoço, causando arrepios na nuca de , que se desvencilhou do abraço apenas para sentar de frente para , envolvendo a cintura dele com as pernas e o pescoço dele com os braços, selando seus lábios e se afastando para poder encará-lo. Ele era tão precioso. Sentia seu peito encher de amor toda vez que tinha aquele sorriso apenas para si e os olhos de fixos nos seus. Era tão sortuda por ter reciprocidade naquele sentimento e já não via mais um futuro onde não fizesse parte de sua vida. Mesmo se um dia o relacionamento deles acabasse, não o queria longe. Precisaria de um tempo para remendar seu coração, mas jamais trataria do assunto como se eles nunca houvessem existido.

– Pode me prometer uma coisa? – questionou, com um tom de voz sério.

– Qualquer coisa, dengo. – murmurou.

– Se um dia nós terminarmos, – respirou fundo. – Prometa que não vai sair da minha vida para sempre. Que não vamos agir como dois idiotas. Que não vamos ser as pessoas que tratam o ex como uma praga.

– Não vejo um futuro onde não estejamos juntos, . – o cantor garantiu.

– Eu também não. – sorriu fraco. – Mas nada na vida está livre de mudanças. – deu de ombros. – Só quero garantir que vamos levar apenas os melhores momentos do que estamos vivendo.

assentiu, segurando o rosto de por entre as mãos e sorrindo para ela.

– Nem se quebrasse meu coração em mil pedaços eu conseguiria agir como se você nunca tivesse passado pela minha vida, . – falou, causando um turbilhão de sentimentos na fotógrafa. – E também não poderia apagar todas as coisas boas que estamos vivendo, porque isso está me fazendo feliz como nada nunca fez.

– Obrigada. – ela sussurrou. – Por me deixar fazer parte da sua vida. – selou seus lábios.

– Eu quem agradeço por você tornar minha vida mais colorida. – sorriu para ela. – O verão nos meus dias de inverno.

– Isso vai virar música? – questionou, sem conseguir conter o sorriso apaixonado em seus lábios.

– Talvez já tenha virado e você não sabe. – deu de ombros. – Um homem completamente apaixonado não tem controle sobre suas inspirações musicais. – e quando a puxou novamente para seus lábios, o fraco coração de quase perdeu o compasso.

E então ela se deu conta de que o amava. Completamente e de todo coração.

Capítulo 25

Don’t be afraid to be who you are
Just dream out and shout and follow the stars
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As costas nuas de foi a primeira visão de quando acordou na manhã de domingo. Abriu um sorriso preguiçoso, deixando um beijo no ombro da garota antes de levantar da cama e seguir para sua higiene matinal no banheiro. Vestiu suas roupas de academia e desceu para o primeiro andar, com o objetivo de preparar um café da manhã reforçado antes de acordar para que fossem correr. Já previa o desastre que aquela atividade seria, mas tinha certeza de que iria se divertir. Adentrou a cozinha distraído com seu celular, já que estava revendo as fotos que havia postado no Instagram – havia ajudado ela a escolher na noite anterior – e deixando alguns comentários. Não percebeu que a cozinha já estava sendo ocupada por Andrew e apenas notou a presença do empresário quando o mais velho pigarreou e atirou uma uva em sua direção. franziu o cenho, levantando o olhar e revirando os olhos quando encontrou Andrew sentado no balcão.

– Bom dia distraído. – o homem debochou.

– Bom dia fantasma. – retrucou e ambos riram. – Acordado tão cedo?

– Preciso resolver umas coisas antes de começar a preparação para o AMAs. – suspirou.

– Certo. – estalou os lábios, guardando o celular no bolso do moletom e então seguindo para a geladeira, escolhendo os ingredientes necessários para preparar o café da manhã.

– Onde está ? – Andrew questionou, como quem não queria nada. deixou os insumos em cima do balcão da pia, lançando um rápido olhar para o mais velho, para então voltar à atenção para a refeição que pretendia preparar.

– Dormindo. – respondeu. – Vamos sair para correr.

– Já avisou Jake?

– Não acho necessário. – estalou os lábios. Passava a manteiga no pão com cuidado, para então colocar o queijo e deixar o sanduíche na torradeira.

– Chame Jake. – Andrew findou o assunto, sem deixar brecha para contestar. O cantor abandonou as torradas – já prontas – em um refratário e então se aproximou do empresário, sentando ao lado do homem no balcão, com uma expressão nada contente no rosto. Odiava quando Andrew agia daquela forma, como se o mundo fosse acabar.

– O que está acontecendo? – questionou, de forma direta. O outro suspirou, também abandonando o café que bebia e encarando com seriedade. – Sua cara estava péssima ontem no jantar. Sorte que não percebeu. – torceu os lábios. – E se percebeu, foi distraída pelos rapazes.

– Você deveria ter me avisado que iria oficializar um namoro. – foi o primeiro ponto de Andrew. – Foi muito irresponsável da sua parte simplesmente abrir ao público, sem mais nem menos. Eu já tinha te falado isso em Londres no início da semana, mas não tivemos oportunidade de conversar a respeito. – lembrou.

– Não foi sem mais nem menos. – retrucou, descontente. – Você sabia que estávamos saindo, e que, mais cedo ou mais tarde, iríamos assumir alguma coisa.

Andrew negou com um aceno de cabeça. – Não pensei que isso iria para frente, para ser sincero. – deu de ombros. – Achei que ela iria desistir. De qualquer forma, as coisas não vão bem.

– O que quer dizer com isso?

– A mídia está fazendo um circo em cima de tudo isso. – o empresário fez uma careta. – Vocês estão em todos os lugares.

– E isso é ruim? Não é publicidade? – arqueou as sobrancelhas.

– Publicidade negativa, porque não estão apenas trazendo notícias sobre vocês serem fofos e andaram combinando. – Andrew explicou. – Seus fãs não estão contentes e a mídia aprendeu a ouvir o apelo deles, devido a toda repercussão que o namoro do Bieber com a Gomez teve anos atrás. A maioria esmagadora não gosta da e deixa isso claro nas redes sociais. – suspirou. passou a mão pelos cabelos em pura frustração. – Ela te disse alguma coisa? Sobre os xingamentos e as mensagens de ódio? – questionou.

– Não. – o cantor respirou fundo. – Não tinha ideia do que estava acontecendo.

– Por isso eu digo que foi irresponsável você assumir daquela maneira. – o outro pontuou. – Poderíamos ter evitado parte desta bagunça, mesmo que eu ache que não mudaria muita coisa.

– E o que podemos fazer? – questionou, preocupado. Não queria no meio daquele fogo cruzado, principalmente por conhecer as inseguranças e os receios dela.

– Nada. Já está tudo feito. – Andrew suspirou. – Só podemos esperar que as pessoas se esqueçam disso logo e que isso não afete a sua carreira.

– Essa é a menor das minhas preocupações. – o canadense confessou e recebeu um olhar insatisfeito do mais velho. Andrew levantou e seguiu para a pia, lavando a louça que havia usado.

– Não deveria ser. – voltou ao assunto. – Você não deve secundarizar o trabalho por conta de um relacionamento, . Amores vêm e vão. Sua carreira não.

– Eu realmente não vou discutir isso. – decidiu, voltando para a tarefa que realizava anteriormente. – Você está fazendo a mesma coisa que fez quando eu namorava Lauren.

– São situações diferentes, em proporções diferentes. Você tinha um objetivo e Lauren estava te distraindo. Você sabe disso. – suspirou. – Vocês não teriam dado certo, de qualquer forma.

– Não teríamos mesmo. – o canadense concordou. – Mas você também agia como se ela fosse o problema, e não a mídia e os fãs. não é um problema e não tem nada de errado em eu preferir dar prioridade a ela. – exclamou de forma enérgica. Serviu dois copos de suco de laranja e estava colocando junto do refratário com as torradas na bandeja.

, pare de agir como um adolescente. – Andrew reclamou. – Você tem responsabilidades, sabe disso.

– Eu não dou à mínima. – retrucou. – E teoricamente, eu ainda sou um adolescente, então posso agir como eu quiser. – concluiu e quando Andrew iria retrucar, Dave e Mike adentraram a cozinha, com expressões de sono idênticas no rosto. Trocaram um olhar quando sentiram a animosidade do ambiente e soltou um suspiro, pegando a bandeja e se dirigindo para fora do cômodo. – Bom dia. Vamos correr hoje? – indagou para os amigos. Dave acenou com a cabeça em confirmação e Mike fez uma careta.

– Prefiro a piscina. – foi a resposta do homem, causando risos em . Acenou em despedida e subiu novamente para o quarto, forçando-se a esquecer da conversa com Andrew. Não iria se estressar com aquilo, principalmente quando tinha uma manhã agitada e repleta de para se ocupar e apreciar.

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a estava abraçando pelos ombros, daquele jeito que adorava e a fazia sentir-se completamente confortável e protegida, mesmo que recebesse alguns olhares curiosos e ouvisse os murmúrios de comentários que ela não sabia se eram sobre ela. E tentava não se importar, já que em poucos minutos estaria dividindo a mesa com Camila Cabello, também conhecida como a melhor amiga de seu namorado. Estava nervosa, era óbvio. E não por Camila ser famosa – por aquilo também, mas não era o cerne do seu nervosismo – e sim porque a cantora e tinham uma relação muito íntima e sentia uma necessidade de ser aprovada por Cabello. Afinal, ela sempre pedia a opinião de sobre um novo relacionamento. E com não deveria ser diferente e por aquele motivo, estava nervosa.

Suspirou baixinho quando sentiu os dedos do cantor acariciarem a pele exposta de seu braço e desviou o olhar do cardápio do restaurante para o namorado, sorrindo quando o encontrou a encarando.

– Ainda com dor nas pernas? – questionou preocupado.

– Não muito. – torceu os lábios. Haviam corrido uma longa distância pela manhã – motivada pela subida até o letreiro de Hollywood, enquanto e Dave apenas faziam seus exercícios costumeiros – e ficara completamente exausta, já que, sendo completamente honesta, era sedentária do dedo mindinho do pé até o último fio de cabelo e precisou carregá-la nas costas por uma parte do caminho de volta. Tomaram banho e decidiram realizar os passeios turísticos de ainda pela manhã, visitando Hollywood Boulevard e a Calçada da Fama, assim como a praia – onde havia salvado do afogamento algumas muitas vezes – e os canais de Venice, antes de seguirem para o restaurante onde almoçariam com Camila. – Eu preciso realmente entrar para a academia. – suspirou, fazendo o cantor rir baixinho e beijar a ponta de seu nariz. Seus cabelos estavam presos em um coque completamente bagunçado, graças ao banho recente de mar que haviam tomado. usava suas roupas normais e não entendia como diabos ele não sentia calor dentro daquelas calças coladas e usando botas.

– Precisa mesmo. Convide . Vocês podem se divertir enquanto treinam. – sugeriu e fez uma careta.

vai me bater. – concluiu. – Nossa diversão é comer. – deu de ombros.

– Aí está algo que eu também gosto de fazer. – uma voz soou às suas costas e imediatamente se virou, encontrando Camila Cabello exibindo um largo sorriso para ela. Prendeu a respiração no mesmo instante e ouviu a risada de , que se levantou e abraçou a amiga rapidamente.

– Pensei que não viria mais. – ele murmurou.

– E perder a chance de conhecer ? – Cabello torceu os lábios. – Claro que não. – sorriu, voltando os olhos para novamente. A brasileira se colocou em pé, sorrindo de forma nervosa e sendo envolvida em um abraço apertado no mesmo instante. – Eu estava tão ansiosa para te conhecer! – Camila exclamou animada.

– E eu estava nervosa. – confessou. O abraço foi rompido e eles voltaram a se sentar, Camila ocupando a cadeira de frente para o casal.

disse que você fica nervosa. Com frequência. – a cantora murmurou. levantou o olhar para o namorado, dando de ombros em seguida.

– Desde que o conheci, esse é meu estado de espírito. – riu. – Antes disso, eu havia ficado nervosa de verdade em apenas cinco situações. – contou.

– O coração dela é fraco. – comentou, arrancando risos da namorada. Camila os encarava completamente encantada, tamanha a sintonia que eles emanavam.

– Também por sua culpa. – acusou e lhe estirou a língua.

– Deus do céu, vocês são tão fofos! – a cubana exclamou, sem conseguir conter sua animação. corou no mesmo instante e sorriu.

– É claro que sim, sou metade dessa relação. – ele se gabou. revirou os olhos e Camila estalou os lábios.

– Leonino insuportável. – a cantora alfinetou.

disse que você também é a doida dos signos. – comentou, tentando manter uma conversa normal ao invés de sair gritando e surtando, como gostaria de fazer.

– Eu amo! – Camila exclamou. – Você já fez a simetria astral de vocês? – questionou.

– Podemos falar sobre algo que eu entendo? – revirou os olhos, entediado. Camila lhe lançou um olhar insatisfeito.

– Vim aqui para conversar com e não com você. – chiou. se virou para a namorada imediatamente.

– Está vendo? Você conquista todos eles! – ele apontou. – E eu sou jogado para escanteio. – torceu os lábios. riu e o beijou no rosto.

– Para mim você é titular. – deu de ombros, recebendo um sorriso largo como resposta.

– TÃO FOFOS! – Camila exclamou quase aos gritos, batendo palmas em pura animação. – Mas me conta , como está sendo tudo? Os fãs estão te enchendo o saco?

– Ah. – os ombros da brasileira caíram e se empertigou na cadeira, prestando total atenção no assunto. – Bastante. Mas eu já esperava. – suspirou.

– Ignore. – a cubana aconselhou. – Eu sei que é chato e às vezes a vontade de mandar todo mundo para o inferno é grande, mas uma hora diminui. – sorriu de forma reconfortante. – O que importa é que vocês se gostam e são meu couple goals deste dia em diante. – ela acenou com a cabeça em confirmação. riu fraco e sentiu novamente o abraço em seus ombros, deitando a cabeça contra o peito do namorado.

– Eu acho que ela te aprovou hein. – o canadense murmurou. Ele havia interpretado seu nervosismo sem nem mesmo perguntar a respeito e aquilo enchia de amor por ele.

– Se eu aprovei? – Camila arregalou os olhos. – Já estou em contato com um juiz de paz e um salão de festas para organizar o casamento de vocês. Serei madrinha, é claro. – acenou e riu alto. – E já estou imaginando os filhos! Serão tão fofos! – a cubana bateu palmas novamente.

– Ainda bem que você já havia aceitado o pedido de casamento. – falou para , que sorriu em retorno.

– Eu não seria louco de negar o seu pedido e estragar os planos da Camila. – disse por fim.

– Estrague meus planos e eu te mato. – a cubana ameaçou. – E me caso com a , depois do seu velório.

– Eu aceito. – disse prontamente e recebeu um cutucão na cintura, rindo e abraçando no instante seguinte.

Seu coração estava tão leve e tão cheio dele. E fraco, como sempre.

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– Certo, uma última vez para podermos liberar o para namorar. – Eddy murmurou, causando risos no restante da banda, enquanto lhe estirava o dedo do meio e suas bochechas coravam consideravelmente.

– Deixe de ser idiota. – retrucou o cantor, revirando os olhos. Estavam repassando a apresentação do AMAs no horário que a produção havia destinado ao cantor, mesmo que já tivessem ensaiado a música nos dias que ficaram em Londres. Depois do almoço com Camila, deixou em casa e seguiu direto para o Microsoft Theater, já que teria apenas uma hora para repassar a apresentação que faria naquela noite.

– Ele está tããããão apaixonadinho. – Mike também entrou na brincadeira, causando mais um revirar de olhos em , que se virou para frente procurando por Andrew. Encontrou o empresário contendo a risada e por mais que eles ainda não tivessem esclarecido o desentendimento daquela manhã, Gertler logo acenou para que a banda focasse no ensaio.

– Deixem o garoto em paz. – chiou o empresário. – Ele não está apaixonadinho, está super apaixonado. – também zoou e suspirou, fechando os olhos e batendo com a cabeça no microfone, causando ainda mais risos.

– Vocês são irritantes demais. – concluiu.

– Certo, certo. – Dave soltou uma risada. – Convenhamos que é muito legal. – murmurou. – Ao menos ela merece que o esteja de quatro por ela.

– Diferente da Hailey. – Zubin fez uma careta. Nenhum deles simpatizava com Baldwin e não poderia culpá-los.

– Vamos focar na apresentação? – questionou o canadense, parecendo impaciente, quando na verdade apenas estava envergonhado.

– Vamos garoto, vamos. – Andrew estalou os lábios e finalizaram o ensaio alguns minutos mais tarde. Subiram na van e enquanto Jake dirigia de volta para casa e a banda fazia bagunça, trocava mensagens com , mesmo que fosse encontrá-la em menos de 30 minutos.

Dengo ❤️
Está com fome? 4:50 pm
Vou deixar alguns sanduíches prontos para vocês 4:50 pm

vai fazer sanduíches para nós. – comentou, alto o suficiente para ser ouvido no meio da bagunça dos amigos.

– Melhor namorada do . – Zubin decidiu.

para presidente! – Mike entoou, causando risos em , que logo voltou à atenção para o celular.

 

Deus, você é perfeita 4:51 pm
Estou faminto e os rapazes também 4:51 pm

Dengo ❤️
Vou fazer muitos sanduíches então 4:51 pm

E como foi a tarde? 4:51 pm
Josiah reclamou da sua humildade em afirmar ser uma fotógrafa ruim quando na verdade é incrível? 4:51 pm

Dengo ❤️
Ele elogiou minhas fotos 4:52 pm
Acredita nisso? 4:52 pm
Se você estivesse aqui, iria me ver chorar hahaha 4:52 pm

Ainda bem que eu não estava 4:52 pm
Ia partir meu coração 💔 4:52 pm

Dengo ❤️
Bobão 4:52 pm
Estou te esperando 😍 4:52 pm

Chego logo 😍 4:52 pm

Guardou o celular no bolso, passando a prestar atenção na conversa/briga de Eddy e Dave para decidir se Friends era melhor que How I Met Your Mother – eles tinham aquela mesma briga há tempos – e decidiu que venceria os argumentos de Eddy rapidamente. Friends era sim melhor e todos sabiam daquilo.

Jake estacionou a van em frente à casa e foi o penúltimo a descer, enquanto os outros corriam para dentro e consequentemente, para a sanduíches de . Estava com a mão na maçaneta quando ouviu o chamado de Andrew às suas costas, virando-se na direção do empresário no instante seguinte.

– Me desculpe. – o homem murmurou, sem enrolação. – Eu fui insensível, sei disso.

– Estava sendo meu empresário. – sorriu fraco. – Também peço desculpas. – suspirou. – Mas eu realmente gosto dela, Andrew. Faz-me bem estar com ela. Parece clichê, mas é meu calmante natural. Não estou tomando os remédios para ansiedade faz duas semanas e estou bem, de verdade.

Andrew assentiu em concordância, dando-se por vencido. Por ora.

– Eu só quero que você não secundarize a sua carreira, tudo bem? – questionou, se aproximando de e o abraçando pelos ombros. – Você está vivendo o seu sonho e precisará abrir mão de algumas coisas. Você sabe disso.

– Eu sei. – assentiu. – Mas também sei que a poeira vai baixar e vamos nos tranquilizar.

– Por ora, esse assunto está esquecido. Eu realmente espero que você tenha razão, . – Gertler murmurou, entrando na casa no instante seguinte. o seguiu até a cozinha, encontrando a banda ocupando a bancada, no centro, alcançando sanduíches e servindo suco para cada um deles. Sorriu imediatamente, se escorando no portal e cruzando os braços em frente ao corpo, se permitindo um momento para apreciar aquela cena que enchia seu coração de certeza sobre insistir naquele relacionamento.

valia a pena.

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– Meus dedinhos estão enrugados. – a brasileira reclamou, enquanto sacudia seus pés ritmadamente, fazendo rir e segurar sua mão direita, entrelaçando seus dedos. Estava no banco de trás do carro, entre e Andrew – com quem ela havia trocado pouquíssimas palavras, mas que não fazia mais cara feia para ela, enquanto Jake e o segurança extra, cujo nome era Paul, ocupavam os bancos da frente. Jake dirigia e o destino do grupo e da van que os seguia – com o restante da banda – era o Microsoft Theater, para o American Music Awards.

– E você está nervosa. – o cantor declarou. assentiu em concordância.

– Claro que sim. – torceu os lábios. – Afinal, eu só via esse tipo de evento pela TV. Nunca, nem nos meus maiores sonhos, pensei na possibilidade de estar em uma premiação.

– Mas você nem vai para o red carpet. – lembrou. revirou os olhos para ele.

– E daí? Não estou preocupada com isso. , – apertou a mão do cantor. – A cada 30 cm de distância vai ter uma celebridade. E eu sou só uma fotógrafa catarinense, ou seja, ninguém na fila do pão. – suspirou. franziu o cenho.

– Que fila? – questionou, conseguindo arrancar uma risada da garota. Mas ainda sim, uma risada nervosa.

– Eu amo que você não entende meus memes. – deu de ombros e fez uma careta quando percebeu que a garota não iria explicar. Infelizmente para ele, não fazia questão de acabar com sua confusão mental. – De qualquer forma, eu preciso me controlar. E se eu encontrar com a Rihanna? Ou Selena Gomez? Eu vou ter um derrame. – suspirou. O canadense a abraçou pelos ombros, beijando a ponta de seu nariz e sorrindo para a namorada. O carro parou na entrada do tapete vermelho e prendeu a respiração, sem saber o que esperar. entrelaçou seus dedos, tentando lhe passar confiança e segurança.

– Apenas respire fundo e tente não gritar. – sorriu para a namorada. suspirou. – Te encontro lá dentro. – prometeu, selando seus lábios e saindo do carro em seguida, com Andrew e Paul o seguindo. voltou sua atenção para Jake – responsável por sua segurança -, que acenou e abriu um pequeno sorriso para ela.

– Vai dar tudo certo. – ele garantiu, guiando o carro para o estacionamento.

Com os passes de acesso ao evento, contornaram todo o tapete vermelho, evitando ao máximo serem vistos pela multidão de fãs histéricos que gritavam por seus artistas favoritos. De longe, viu dar entrevistas e mais entrevistas, sempre seguido por Andrew. Estava acompanhando as notícias do evento pelo Twitter e torceu os lábios quando encontrou diversos comentários, nada gentis, a respeito de sua presença como acompanhante de . Respirou fundo e guardou o celular na bolsa, decidindo que não iria dar atenção para aquele tipo de coisa. Estava em uma premiação musical ao lado de seu namorado e ele merecia sua total atenção e apoio, já que sabia que, se fosse ao contrário, estaria dispondo 100% de seu suporte para ela. Encontraram-se já dentro do Microsoft Theater, meia hora mais tarde, entrelaçando novamente seus dedos e guiando para os assentos destinados a eles. Diversas celebridades passavam por eles e a cada cumprimento que recebia, um olhar curioso era destinado a , enquanto o coração batia freneticamente em seu peito. Afinal de contas, estar entre pessoas que ela via apenas por fotos e vídeos não era algo comum em sua vida extremamente mundana. Acabou quase tendo um surto histérico quando Selena Gomez passou por eles e buscou no abraço do namorado a segurança para não correr atrás da cantora como uma louca. sorriu para ela, beijando sua testa rapidamente.

– Você fica extremamente fofa tentando não surtar. – ele comentou, fazendo a garota corar e soltar um suspiro pesado.

– Eu preciso me acostumar. – torceu os lábios. – Mas eu ainda não me acostumei com você, que dirá com o seu mundo. – riu sem graça. franziu o cenho.

– Aconteceu alguma coisa? – questionou, preocupado. o encarou, mordendo o lábio inferior.

– As pessoas estão falando coisas na internet e eu acabei lendo porque sou idiota. – disse por fim. apertou o abraço.

– Conversei com Andrew sobre isso. – murmurou. – Você deveria ter dito que as coisas estavam ruins, dengo. Eu quase não entro nas redes sociais durante as férias e acabei não vendo nada. Desculpe. – suspirou.

– Não é culpa sua. As pessoas vão falar de qualquer forma. Eu só preciso me acostumar. – tentou um sorriso tranquilizador. iria comentar alguma coisa, mas fora impedido por um quase grito e um abraço repentino dado por Niall Horan. arregalou os olhos no mesmo instante, sem saber o que fazer, já que de alguma forma, estava presa no mesmo abraço, pois não a havia soltado.

– Estava te procurando! – Niall exclamou, só então percebendo que não abraçava somente o canadense. Arqueou as sobrancelhas, para então sorrir largamente. – !

– Será que existe algum amigo seu que não saiba quem eu sou? – a brasileira questionou para , tentando soar descontraída. Não havia surtado com Camila e não surtaria com Niall.

– Com certeza não. – foi Niall quem respondeu, rompendo o abraço. – só sabe falar de você. Até seu nome eu sei pronunciar sem errar porque era “” isso, “” aquilo. – falou, recebendo um olhar nada satisfeito de , enquanto ria.

– Cara, não me entrega desse jeito. – chiou e Niall revirou os olhos.

– Como se fosse alguma novidade o fato de você estar apaixonado por ela.

– Olha lá a Hailee, vou chamá-la aqui para apresentar a . – o canadense murmurou, em pura implicância. Niall estreitou o olhar para ele.

– Idiota. – xingou. arqueou as sobrancelhas em curiosidade.

– O pessoal no Twitter já sabe que vocês estão juntos tem tempos. Fique tranquilo. – tentou tranquilizar o outro.

– Isso não me tranquiliza. – Niall suspirou. – De quão forma, é um prazer te conhecer! – sorriu para a garota. – Vou tirar uma foto com você e mandar para a Catherine, só para deixá-la com inveja.

– Eu tiro a foto. – logo se ofereceu, já que não perderia uma chance de importunar Heinze.

– Vocês são péssimos amigos, pobrezinha da Catherine. – acusou.

é parte da defensoria da Heinze. – murmurou para Niall, revirando os olhos em seguida. Entrelaçou novamente seus dedos nos de e eles seguiram, junto de Horan, para os lugares que eram destinados a eles.

– E Niall também deveria ser. Você é o único que implica com ela.

– Sou sensato. – retrucou, sentando-se em seu lugar em seguida. ao seu lado esquerdo e Niall ao direito.

– Você conseguiu acabar aquela música com Ed? – Niall questionou, trazendo o foco de – que observava o palco a frente – de volta a conversa. e música nova eram palavras que mereciam total atenção.

– Não. – negou. – Arrumamos uma parte, mas preferi finalizar ela sozinho.

– Que música é? – a brasileira questionou. moveu o olhar para ela e sorriu largo.

– Nenhuma. – foi a resposta dele. torceu os lábios de forma insatisfeita.

– Me conta! – pediu.

– Não. – negou. – Quem sabe assim você aprende a traduzir as frases em português que você usa. – arqueou as sobrancelhas para ela. deu de língua.

Senta lá Cláudia. – ela retrucou em português, apenas para implicar. Niall gargalhou enquanto estreitou o olhar para a namorada.

realmente gostava de implicar com ele e era apaixonado por aquilo.

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O sorriso não cabia em seu rosto, principalmente quando seu olhar encontrava e ele via os cantos dos olhos dela cheios de lágrimas e aquele sorriso que iluminava todos os instantes de seus dias com ela. Carregava o prêmio de Artista Masculino Contemporâneo na mão esquerda, enquanto a direita estava unida a da namorada. Havia acabado de sair do tapete de imprensa para ser fotografado com o prêmio e já havia dado as últimas entrevistas, estando livre para fazer o que fosse de seu interesse. Poderia ir para casa ou então para a after party do AMAs. Mas não estava interessado em nenhuma das coisas, de forma que puxou para mais perto, captando o olhar da namorada para si.

– O que foi? – ela questionou, a voz saindo rouca, já que havia cantado There’s Nothing Holdin’ Me Back aos gritos – a havia visto do palco e seu coração transbordara de amor.

– Quer comer Burger King? – ele questionou e a garota franziu o cenho em confusão.

– Você não quer ir à after party?

– Não. – negou com um aceno de cabeça. – Quero ficar com você, quietinho, recebendo carinho. – sorriu e o acompanhou.

– Seu convite está mais do que aceito. – garantiu. Entraram no carro um instante mais tarde e logo pediu para Jake passar em um drive thru para que fizessem os pedidos. Chegaram a casa quase meia hora mais tarde e se despedindo de todos, e subiram para o quarto, onde trocaram de roupas e voltaram para o primeiro andar, rumando para a área da piscina. Acomodaram-se em uma das cadeiras de praia, com um cobertor jogado por cima de seus corpos, e comeram os lanches, completamente satisfeitos com a comida.

– Isso faz tão mal. – murmurou, cobrindo a boca com a mão para falar. – Mas é tão bom. – suspirou, fazendo o cantor rir. – Eu vou realmente parar de comer carne no início do ano e esse hambúrguer vegetariano vai ser o único que vou poder comer. Ao menos ele é gostoso. – comentou, trazendo o olhar de para seu rosto. Ele a beijou na bochecha.

– Vamos parar juntos. – decidiu. arqueou as sobrancelhas para ele.

– Você vai parar também? Por quê?

– Porque você me inspirou. Gosto de comer carne, mas sei que posso viver sem isso. – deu de ombros. – É uma coisa boa. Salvar o planeta do colapso e os bichinhos da morte. – sorriu sem mostrar os dentes.

o encarou boquiaberta, os olhos brilhando. Deixou o sanduíche na cadeira ao lado, unindo seus lábios aos de em um beijo lento e apaixonado. logo abandonou seu lanche e puxou para mais perto, deitando na cadeira com a garota em cima de seu corpo. A abraçou pela cintura, não deixando que nenhuma parte de seu corpo não estivesse em contato com o dela. O ar lhes faltava constantemente, mas nenhum deles queria romper aquela carícia, de forma que buscavam fôlego entre selinhos para retornar ao beijo instantes depois. tinha uma perna de cada lado do corpo do cantor, enquanto ele a prendia pela cintura e acariciava sua pele por debaixo da camiseta que ela usava.

– Estou completamente apaixonada por você. – ela suspirou, rompendo o beijo muitos minutos mais tarde. – E vou sentir tanta saudade que nem sei colocar em palavras.

– A música que escrevi com Ed… É sobre nós. – contou, trazendo o olhar de para seu rosto. – Eu ainda não finalizei, mas ela é sobre tudo o que eu sinto quando estamos juntos. Eu me apaixono um pouco mais a cada instante e esse sentimento é bom para mim, de uma forma como nenhuma outra coisa é.

deixou um beijo no queixo de , deitando a cabeça no peito dele e sentindo o abraço apertado de como sua própria definição de lar.

– Eu sei que as pessoas estão sendo terríveis com você. – ele continuou a falar. – E eu queria poder te proteger disso, porque não é justo que alguém que irradia amor como você, seja alvo de ataques só porque estamos em um relacionamento. Só peço que você lembre que você é a única que faz meu coração bater no ritmo de uma escola de samba, – sorriu ao usar algo que remetia à cultura brasileira como referência e suspirou, completamente encantada. – ao mesmo tempo em que me traz paz e conforto a ponto de eu não precisar dos remédios para ansiedade.

– Meu coração carnaval, faz de ti minha marchinha favorita. Te convida pra sambar na sintonia, do meu peito quando tu se aproxima… – recitou, traduzindo a música para o inglês. – Anavitória. – disse por fim.

– Meu coração é todo seu, dengo. – declarou, puxando a garota para outro beijo e para se afogar no amor que ele já sentia por ela.

Capítulo 26

There’s nothing holding me back
I feel so free when you’re with me, baby

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Exausta. Era essa a palavra para descrever enquanto procurava por sua bagagem, a abraçando pelos ombros e sua cabeça descansada no peito do cantor. Eram 7h da manhã e ela tinha de estar no trabalho às 8h, então apenas teria tempo de comer alguma coisa e correr para a empresa, não tendo tempo para o descanso que seu corpo pedia naquele momento.

– Vou precisar comprar um energético. – suspirou, sentindo os braços de a apertando com mais força, enquanto ele deixava um beijo no topo de sua cabeça. – Ou dois.

– Eu também. – ele comentou. – Vou direto para Pickering depois de te largar na empresa.

– Estou morrendo de inveja. – comentou, saindo dos braços de apenas pelos instantes necessários para pegar sua mala, enquanto o canadense fazia o mesmo com sua bagagem e ambos seguiam para fora do aeroporto. Brian estava esperando por eles – com o carro de – no estacionamento, já que ambos iriam para Pickering juntos.

– Por quê? – questionou, retomando o assunto. Entrelaçou seus dedos nos da brasileira e trocaram um sorriso reconfortante.

– Você vai comer a comida incrível da Karen… – suspirou. – E eu vou comer qualquer coisa, já que pretendo dormir durante a maior parte do meu intervalo. – fez uma careta e riu.

– Já te ofereci um emprego. Dou férias três vezes ao ano. – implicou e revirou os olhos para ele.

– Vou pensar no seu caso. – a garota disse por fim e interrompeu a caminhada, parando quase na saída do aeroporto e arregalando os olhos para a namorada de forma exagerada.

– Essa foi a primeira vez que você não negou! Na próxima vai aceitar, eu tenho certeza. – sorriu largo, fazendo-a gargalhar e estalar os lábios.

– Não fique tão confiante. – deu de ombros e torceu os lábios. Seguiram caminho até o estacionamento e só encontraram Brian porque o canadense começou a buzinar como um louco, causando revirar de olhos em e risadas em , que abraçou o amigo, enquanto o cantor reclamava da bagunça.

você não está dando amor e carinho para ele? – Brian questionou impaciente. – Que mal humor. – deu de língua para , em pura implicância.

– Estamos exaustos e ele fica mal-humorado por isso. – comentou. Ocupou o banco traseiro do carro e o do passageiro, deixando para Brian a tarefa de dirigir. Ele estava cansado e não confiava em si mesmo no volante naquele momento.

– E como foi o final de semana em Lua de Mel? – o outro indagou. revirou os olhos.

– Vou te demitir. – avisou e Brian gargalhou. – Você já não faz nada mesmo. – chiou.

– Eu busco água para você, seu ingrato. – Craigen retrucou, manobrando o carro em direção a saída do aeroporto.

– Seu trabalho é esse? Buscar água para o ? – questionou, de queixo caído. riu.

– Não! – Brian se defendeu. – Eu faço outras coisas também. – mas não explicou quais coisas, o que apenas fez rir mais e franzir o cenho.

– Vocês são tão esquisitos. – concluiu, voltando a se recostar no banco e puxando o celular do bolso do casaco para checar suas redes sociais, coisa que andava fazendo muito pouco nos últimos tempos, já que queria evitar o desgaste emocional em ler ofensas e mais ofensas. Usava mais o Instagram e somente para postar fotos, sem ater-se aos comentários que recebia a todo momento. Procurou com o olhar e o encontrou a observando, abrindo um sorriso para ele e recebendo o mesmo em retorno. Sentia que ele estava de olho em suas atitudes, procurando por traços que indicassem algum incomodo ou algo do tipo e ficava feliz por tê-lo se preocupando com seu bem-estar, mas também se sentia preocupada. Sabia que os ânimos do fandom. Não eram sua responsabilidade, mas não queria fuçando naquilo para não o ver chateado ou magoado. As pessoas realmente andavam falando muita merda e queria preservar o namorado daquela situação. Mesmo que para isso, precisasse guardar para si suas inseguranças e mágoas.

– Falou a garota que tem um estoque de leite condensado em casa. – Brian retrucou.

– Vou lembrar disso quando você pedir brigadeiro, Craigen. – a brasileira sorriu sem mostrar os dentes.

– Sua namorada é terrível. – falou para .

– Na verdade, ela é incrível. – sorriu e se inclinou para frente, beijando na bochecha demoradamente enquanto ele ria.

– Ugh, vocês são tão melosos. – Craigen torceu os lábios.

– E você é invejoso.

– Falou com nesses últimos dias? – questionou, antes que eles entrassem em alguma discussão. Brian torceu os lábios.

– Não exatamente. – suspirou. – Ainda não estamos confortáveis. – deu de ombros.

– Crianças. – foi o comentário de e , em uníssono, o que causou riso neles e um Brian os xingando por serem goals demais.

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– Cadê a ? – foi a primeira coisa que Aaliyah indagou quando chegou à sala e encontrou no sofá junto dos pais. Manuel riu, enquanto Karen cobria a boca com a mão e fazia uma careta imediata.

– Eu sinto o seu amor por mim no fundo do meu coração. Bem no fundo mesmo, onde quase nem posso ver. – revirou os olhos, arrancando risadas de Aaliyah, que correu até o irmão e o abraçou com força, sentando-se entre ele e Karen no instante seguinte.

– Pensei que ela viria com você. – desculpou-se. – Você está menos branco do que o normal. – sorriu.

– O amor colore a vida das pessoas. – Manny zombou.

– Tomei bastante sol. – retrucou. – Precisei salvar do afogamento várias vezes. – riu.

– Pobrezinha. – Karen lamentou.

– E por que ela não veio? – a mais nova questionou.

– Ela precisa trabalhar. – lembrou. – Mas mandou um beijo para vocês.

– Ela é um amor. – Karen comentou e concordou com um aceno de cabeça.

– Realmente uma graça. – Manuel completou. – Estou muito animado com as suas aulas de português, filho. – sorriu largo. – Já conversou com a sua sogra? Ela tem muito mais experiencia com a licenciatura do que eu. – suspirou.

– Estamos conversando, mas quando estou com fica difícil manter o segredo. – deu de ombros.

– E ele está sempre com . – Aaliyah implicou.

– Por quem você estava procurando mesmo, Aaliyah? – arqueou as sobrancelhas para a irmã, que lhe estirou a língua no mesmo instante.

– De qualquer forma, vai ser bom para você aprender ao menos um pouquinho da língua dela. Mostra que se importa. – Karen comentou, puxando para um abraço e o beijando nas bochechas. – Meu filho está tão apaixonado! – comemorou.

– Para mãe. – o cantor reclamou, mas não interrompeu seu próprio sorriso.

– E como foi o AMAs? não surtou? – Aaliyah questionou.

– Surtou um pouco, mas foi tudo bem tranquilo. – contou. – Conseguimos passear por Los Angeles no domingo antes da premiação. estava praticamente procurando uma casa para alugar em Venice.

– Eu não tiro a razão dela. Venice é incrível. – Manuel concordou.

– Já sabe onde comprar uma casa para vocês morarem no futuro. – Aaliyah sorriu. – E com um quarto extra para mim.

– Nem vou te passar o endereço da nossa casa. – deu de língua para a irmã, que o cutucou na cintura em retorno.

– Chato. – xingou.

– Vem, vamos preparar o almoço. – Karen decidiu, puxando a filha para a cozinha. se colocou de pé, seguindo ambas e causando surpresa na família.

– O que? – ele questionou. – Eu quero aprender.

– Desde quando? – Manuel, que seguia os três, questionou.

– Desde que eu tentei cozinhar para e não ficou exatamente bom. – o cantor torceu os lábios. – Ela quem salvou a comida. – suspirou.

– Essa garota é realmente um milagre. – Aaliyah murmurou. – E eu a amo. – decidiu, causando risos nos pais.

Passaram o restante da manhã na cozinha, Karen dando todo tipo de lição culinária para os filhos – Aaliyah era muito melhor do que jamais poderia ser e aquilo fazia a caçula provocar o irmão com todo tipo de implicância possível, o que causava brigas e implicâncias recorrentes. Manuel vez ou outra, opinava a respeito do que sabia sobre a culinária brasileira – o que não era muito, de qualquer forma, mas agradecia a ajuda do pai. Com o almoço pronto, enviou uma foto da mesa para , que só foi responder as mensagens do namorado uma hora mais tarde, quando saiu para o intervalo de almoço. A família já havia almoçado e estava novamente na sala quando o cantor ligou para pelo FaceTime, tendo o aparelho roubado de suas mãos por Aaliyah quando a brasileira atendeu a ligação. O plano de fundo da garota era um refeitório e logo ouviu a voz de e de Connor ao fundo.

– Oi ! – a garota cumprimentou, sorrindo largo e recendo o gesto em retorno.

– “Oi Aaliyah!” – saudou a brasileira. – “Como você está?”

– Estou bem. Queria que tivesse vindo. sozinho é muito chato. – torceu os lábios e a cutucou na cintura, recuperando seu celular no instante seguinte. alargou seu sorriso ao ver o namorado e também sorriu. Karen e Manuel trocaram um olhar satisfeito, já que adoravam ver o filho apaixonado daquela forma. Ainda mais por uma garota como .

– Oi dengo. – ele sorriu. – Acredita que eu cozinhei hoje?

– Mentira , ele apenas ajudou a mamãe. – Aaliyah expos.

– Deus do céu, vocês estão impossíveis hoje. – Manuel suspirou. virou o celular na direção do pai, para que pudesse acenar para ele, repetindo o gesto com Karen.

– “Você ajudou? E deu tudo certo?” – a brasileira questionou, montando uma expressão exageradamente surpresa. deu de língua para ela.

– Ele tentou. – Karen precisou defender o filho. – A salada é mérito dele. – riu em zombaria e Aaliyah caiu na gargalhada.

– Minha própria família contra mim. – o cantor revirou os olhos.

– Suas fotos da viagem ficaram incríveis, . – Karen elogiou, mudando de assunto. A garota sorriu em agradecimento. – deveria te contratar para fotografar a turnê.

– Eu já ofertei. – se defendeu.

– “Eu gosto do meu trabalho.” – comentou. – “E também não acho que despertar a fúria do fandom seja uma boa ideia.” – riu e torceu os lábios no mesmo instante.

– Tente não dar importância. – Manuel aconselhou. – As pessoas vão se acostumar. – garantiu.

, eu vou para Toronto na semana que vem! Podemos sair juntas! – Aaliyah sugeriu, novamente pegando o celular do irmão.

– Sem mim? – indagou surpreso. Aaliyah o encarou de forma cética.

– Principalmente. – retrucou, causando risos nos pais enquanto todos ouviam a gargalhada de . revirou os olhos, mas um quentinho tomava conta de seu coração. Ficava extremamente feliz em saber que sua família aprovava e adorava . Nada poderia ser um empecilho para eles, naquelas circunstâncias.

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A careta no rosto da garota era impossível de se ignorar. realmente não gostava de sushi e apesar da aversão natural, a satisfação de em comer a comida a deixava feliz, já que ela adorava vê-lo sorrir e ainda mais, fazê-lo feliz. Suspirou, voltando a pegar seu celular e então tirando uma foto do cantor, postando nos Stories e se atendo a conversa que estava tendo com . Estavam combinando a respeito da vinda da brasileira para Toronto, enquanto a garota reclamava de Henrique e da suposta falta de vontade dele em viajar com ela.

Mas guria 12:24 pm
Ele só disse que não se sente confortável ficando lá em casa 12:24 pm


E ele quer ficar aonde? 12:24 pm
Na casa do presidente? 12:24 pm
Henrique está me tirando a paciência 12:24 pm

Eu não sei como ele te aguenta 12:24 pm


Eu que não sei como aguento aquele guri 12:25 pm

riu, chamando a atenção de . Ele arqueou as sobrancelhas e terminou de mastigar, antes de perguntar sobre o que ela ria.

está surtando com Henrique. – deu de ombros. – Porque ele prefere ir para um hotel a ficar lá em casa.

– E quando eles veem?

– Ainda não sei. Ela está negociando as férias. – suspirou.

– Toronto é linda no verão, mas para eles vale mais a pena vir no inverno. – aconselhou e assentiu em concordância.

– Eu falei isso. – estalou os lábios. Voltou a guardar o celular e apoiou os cotovelos na mesa, usando as mãos como base para descansar o queixo. Piscou lentamente para , que esticou a mão direita na direção da namorada e apertou o nariz dela, causando risos em ambos.

– Sabe do que mais vou sentir saudade, nesses dias em turnê? – ele questionou, usando a palavra em português e causando um estrago no coração de . Aquele homem a deixava fraca como nada no mundo.

– De tudo? – arriscou, em forma de piada. riu, estalando os lábios e entrelaçando seus dedos nos de .

– Sim, mas principalmente do jeito que você me olha. – sorriu. – Traz um quentinho para o meu coração e eu só quero que você continue me olhando dessa forma, para o resto da vida. Transborda carinho, orgulho… Não sei explicar, mas eu gosto. Poderia passar anos deitado ao seu lado, com você me lançando esse mesmo olhar. – disse por fim e suspirou, apertando os dedos de por entre os seus.

– Eu nem quero listar as coisas das quais vou sentir falta. – falou. – Vai ser, literalmente, tudo.

– Vou te ligar sempre que puder. E contar os dias para o show de Singapura. – falou.

– Sua irmã está animadíssima. – garantiu.

– Por favor, não deixe a deflorar a inocência da Aaliyah. – o cantor pediu, causando risos na namorada. – Sério , eu vou ficar preocupado.

– Sua mãe vai estar junto com ela, . Não precisa surtar. – revirou os olhos.

– Continuo sem confiar na . – ele sacudiu a cabeça para os lados. Terminou de comer o sushi e então abriu um sorriso largo para . – Obrigado por me levar para comer. O encontro foi incrível. – eles riram.

– Nem adianta vir com esse papinho, . – estalou os lábios. – Você me prometeu um hamburguer.

– Tudo para fazer a minha garota feliz. – foi a resposta do cantor. pagou a conta – sob protestos de , enquanto ela argumentava a respeito de tê-lo chamado para comer, então ela quem pagaria a conta – e eles caminharam alguns metros até uma hamburgueria, onde pediu um lanche sem carne e eles se sentaram em uma das mesas para esperar a comida. com o braço nos ombros de , seus dedos entrelaçados e conversando aos sussurros, em um chamego – outra palavra que havia ensinado para o canadense e ele estava adorando pronunciar – comportado, já que nenhum deles achava legal a exposição de sua intimidade como casal. , para evitar as fofocas e comentários da mídia, e , porque era canadense e canadenses eram naturalmente mais contidos que os brasileiros.

– Ah, eu estava quase me esquecendo. – murmurou subitamente, arrancando um risinho de , que tinha o rosto escondido contra o pescoço dela. Deixou um beijo na nuca da garota e voltou a encará-la, dando total atenção a ela.

– O que?

sugeriu que fossemos a um boliche hoje à noite, como sua despedida para a turnê. – contou. – Eu achei a ideia ótima.

– Vou avisar Brian. – concordou imediatamente. Parou por um instante, olhou nos olhos de e sorriu largo. – Tive uma ideia também.

– Uau, um milagre. – a garota debochou, recebendo um beliscão carinhoso na cintura, o que a fez rir. – Fale.

– Você ainda não conhece Matt e Ian. – alargou o sorriso e engoliu em seco. – Posso chamá-los para esse boliche.

– São os últimos que eu preciso conhecer, ao menos. – a brasileira suspirou.

– Mas você ainda não conhece o Ed. – franziu o cenho, fingindo confusão, quando na verdade apenas queria implicar com a garota. semicerrou os olhos para ele.

– Meu coração é…

– Fraco. – o cantor completou, deixando um selinho nos lábios dela em seguida. – Mas eu vou cuidar dele com carinho. – garantiu e apenas pode suspirar e deitar a cabeça contra o peito do namorado, sendo recebida no abraço dele com todo o amor que tinha para lhe ofertar.

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estava rindo alto, deixando completamente bobo e encantado pelo riso da garota. Cada pequeno detalhe dela lhe trazia conforto e uma quentura no coração, bem como uma pontada de saudade, mesmo que ele ainda não tivesse viajado para a turnê. Sorriu, puxando-a para perto e lhe beijando o topo da cabeça, recebendo um sorriso e um olhar afetuoso em retorno. Aquele olhar que o fazia se apaixonar mais a cada dia. Ocupavam uma das mesas do The Ballroom – um bar que tinha boliche e muita música, junto de Brian, e Connor. Cestos de batata frita lhes faziam companhia assim como muitas cervejas. Matt e Ian ainda não haviam chegado e estava tentando entreter , para que a garota não ficasse nervosa como de costume, mesmo que ele adorasse e achasse um amor todos os surtos dela.

– Você é horrível. – declarou, recebendo uma careta insatisfeita de Craigen, que havia acabado de cair na pista de boliche.

– E você é muito boa. – ele ironizou, recebendo um arquear de sobrancelhas da loira como resposta, enquanto ela se levantava e seguia para a pista, desafiada pelo deboche de Brian.

– Eles estão impossíveis. – comentou com , que assentiu em concordância no mesmo instante.

– O nome é tensão sexual. – Connor se meteu na conversa, fazendo rir mais um pouco.

– Mas ela disse que não queria mais nada. – o cantor comentou, de cenho franzido. deu de ombros.

não sabe nem quem ela é. – foi a resposta de Connor e os três voltaram a observar o caso mal resolvido de e Brian, que agora discutiam sobre as técnicas de boliche que a loira afirmava conhecer.

– Craigen, você está viajando. – a garota bufou, voltando à mesa e lançando olhares assassinos para o trio, que logo desviou o olhar para lugares completamente distintos e fingiu interesse em qualquer coisa que não fosse a pequena discussão. Brian sentou-se ao lado de , de braços cruzados e uma expressão insatisfeita no rosto.

– Estamos completamente confortáveis aqui, fiquem tranquilos. – ironizou, se voltando para e se aconchegando nos braços do namorado.

– Se quiserem, alugo um quarto de motel para vocês. – Connor ofereceu, recebendo um tapa de e um olhar feio de Brian. gargalhou.

– Vocês dois vão para Singapura com a ? – questionou, mudando de assunto.

– Ainda não sei. – respondeu. – Meus pais estão cobrando uma visita e eu não sei quando as desculpas sobre o trabalho vão continuar funcionando. – torceu os lábios.

– Se eu tiver dinheiro. – Connor deu de ombros. – Viajar é sempre bom para colocar mais material no portfólio.

– As fotos da Califórnia que a postou ficaram incríveis. – Brian comentou e a garota sorriu em agradecimento para ele. – E você nem contou sobre os surtos dela ao conhecer Camila, Niall e Josiah. – fez uma careta para .

– Ela surtou muito mais pela Selena Gomez passando ao nosso lado, acredite. – riu.

– E ninguém pode julgá-la por isso. – defendeu a amiga. – Pela Selena eu me tornava 100% lésbica.

– Você disse que era 50/50 porque Chris Evans existe. – lembrou e deu de ombros.

– Bom, ninguém realmente negaria o Chris Evans em sã consciência. – foi a resposta dela e para aquilo ninguém tinha comentários. A chegada de Matt e Ian foi um alívio para Brian e , que segundo , eram héteros demais para opinar sobre o assunto. Connor afirmou que Chris Evans o faria mudar de time e preferia Tom Holland – o que fez a castigar com cócegas pelo “ciúme”. novamente procurou a mão de para lhe trazer conforto, recebendo um sorriso do cantor enquanto ele se colocava de pé para cumprimentar os amigos.

– Pensei que haviam se perdido! – Brian debochou, abraçando Matt, enquanto cumprimentava Ian.

– Somos garotos de cidade pequena. – Matt retrucou. – Qualquer coisa que nos acontecer por aqui, é responsabilidade de vocês.

– Eu não tenho filhos, ainda mais desse tamanho. Está comendo bem, Ian. – retrucou e os quatro garotos riram. e trocaram um revirar de olhos, Connor estava entretido demais em seu celular para notar qualquer coisa.

– Estamos assustando a sua namorada. – Ian riu, lançando um olhar culpado para . A garota deu de ombros e ainda com os dedos entrelaçados aos de , se aproximou dos dois rapazes e os cumprimentou com um aperto de mãos. – Prazer, Ian.

– Matt. – o outro fez o sinal da paz com a mão direita.

– Eu sei. – riu. – E sempre que eu falo isso, soa esquisito. – torceu os lábios.

– Como se você fosse uma psicopata. – Brian concordou.

– Idiota. – Shaw chiou.

– De qualquer forma, sou a . , mas é complicado. – riu novamente.

– Ah, nós já sabemos pronunciar seu nome. – Matt garantiu. – fala tanto de você. – dedurou.

– Eu fiquei sabendo disso. – a brasileira sorriu para o namorado. – Mas espero que ele só fale das coisas boas. – arqueou as sobrancelhas para o cantor.

– Exaltar minha namorada é minha função na Terra. – foi a resposta de , recebendo um beijo no rosto em seguida, enquanto seus amigos o zoavam por estar muito apaixonado. Ocuparam a mesa e mais cervejas e um pouco mais de batata frita foram pedidos, em meio a muita conversa e muitas risadas. A cada conto a respeito da infância daqueles garotos de Pickering, sorria para e ele sentia seu coração transbordar amor por aquela garota que não o julgava e o adorava de todas as formas possíveis.

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Estava vencendo todos no boliche. Invicta em suas disputas, não fazia ideia de como tantos strikes estavam acontecendo a cada vez que ela jogava a bola de boliche na pista. Ela costumava ser muito ruim em todos os tipos de jogos – menos no The Sims, já que criava casas maravilhosas – e a cada vez que derrubava todos os pinos, ouvia as lamentações do restante do grupo, enquanto comemorava como se estivesse ganhando um Nobel.

– Chega, estou me sentindo derrotada. – disse por fim, abandonando a pista e sendo seguida por Connor e Ian.

– Tenho certeza de que você fez algum pacto com Satanás. – Brian acusou, causando risos na garota. Ele voltou para a mesa junto de Matt, enquanto e permaneceram perto da pista de boliche, o cantor a abraçando pelas costas, movendo-se no ritmo da música que tocava. Era Perfect do Ed Sheeran e ambos adoravam aquela música.

– O que achou dos garotos? – o canadense questionou, curioso.

– Eles são ótimos. – sorriu. – Você tem sorte por tê-los em sua vida e eles não te odiarem por não terem paz no Instagram porque algumas fãs os marcam em fotos suas onde eles nem aparecem. – riu e a acompanhou.

– Você já fez isso? – ele questionou, franzindo o cenho para a garota.

– Não. – negou com a cabeça. – Eu só te mandava mensagens na direct. Jurava que um dia você ia ler. – riu.

– Eu li. – a lembrou. – Inclusive a receita de bolo. – riu e corou levemente.

– Eu precisava salvar em algum lugar. – se defendeu. Virou-se para e enlaçou o pescoço dele com os braços, se inclinando para cima e o beijando no queixo. O cantor abriu um largo sorriso para ela. – Me leva com você. – pediu, mas não falava sério e sabia.

– Eu levo. – ele assentiu. – Mas sei que você não quer realmente ir.

suspirou. – Você sabe que eu não quero dar mais motivos para as pessoas falarem sobre mim. Sobre nós. – mordeu o lábio inferior. – Eu sei que a poeira vai baixar, mas não custa nada não provocar.

– Eu sei dengo. – sorriu e a beijou na ponta do nariz. – Eu não teria muito tempo para você, mas dormiríamos juntos todas as noites. E isso seria o suficiente para a saudade não me sufocar.

– Vou colocar uma camisa com o meu cheiro na sua mala. – garantiu.

– Vou te ligar todos os dias de manhã. – murmurou. – Aqui vai ser noite, então vou cantar para você dormir.

– Vou te enviar fotos de coisas nada importantes. Assim você vai saber tudo que aconteceu nos dias em que não pudermos conversar direito. – sorriu. – Tóquio foi apenas um teste.

Outro beijo na ponta do nariz de e então XO do John Mayer começou a tocar. abriu um sorriso tão largo que a garota não conteve a risada, logo sendo guiada para se balançar no ritmo da música. Não estavam em uma pista de dança, mas nenhum deles ligava para aquilo. John Mayer era para o que Anavitória era para .

Your love is bright as ever, even in the shadows
Baby, kiss me, before they turn the lights out
Your heart is glowing and I’m crashing into you
Baby, kiss me, kiss me
Before they turn the lights out, before they turn the lights out
Baby, love me lights out

recostou a face no peito de , respirando fundo e fechando os olhos, enquanto ele a abraçava pela cintura com força e repousava o queixo no topo de sua cabeça. Queria guardar aquele momento para todo o sempre, ter aquela lembrança para fazê-la sorrir quando não estivesse por perto. Um momento onde eles não precisavam de palavras ou juras de sentimentos. Apenas um ao outro e aquele abraço. Sentia cada palavra daquela canção em seu coração, já que seu sentimento por era daquela mesma maneira que John cantava. Ele fazia seus dias mais felizes, lhe trazia tranquilidade e segurança. O carinho e a paixão que sentia por ele, cresciam todos os dias, um pouquinho mais. Fosse pelos momentos que partilhavam ou pelos pequenos detalhes de lhe comprar hambúrguer ou então lhe apresentar seus amigos de infância. era uma das melhores partes de sua vida e queria mantê-lo por perto para sempre.

We don’t have forever, baby daylight’s wasting
You better kiss me, before our time is run out
Nobody sees what we see, they’re just hopelessly gazing
Oh, baby, take me, take me
Before they turn the lights out, before time is run out
Oh, baby, love me lights out
O abraço em sua cintura ficou mais forte e ergueu o rosto para cima, encontrando o olhar de e sorrindo largo. Ele a beijou na testa, para então beijar cada uma de suas bochechas, a ponta de seu nariz e então seus lábios, em um selinho tão íntimo quanto um beijo de verdade. Estar nos braços dele, recebendo aquele olhar cheio de carinho e cumplicidade, fazia o coração de transbordar. Eles podiam não se conhecer pessoalmente a muito tempo, mas o impacto que haviam causado um na vida do outro, seria permanente. Nada nunca seria como eles. Aquela sintonia, aquela conexão… Era diferente. Se almas gêmeas existiam, eles facilmente poderiam ser uma. O grande amor da vida um do outro, mesmo que nenhum deles não tivesse se dado conta daquilo ainda.

I love you like XO
You love me like XO
You kill me, girl, XO
You love me like XO
– All that I see, give you everything. – cantarolou. – Baby, love me lights out, you can turn my lights out.

– John Mayer que me perdoe, mas eu prefiro mil vezes a sua voz. – a garota murmurou, arrancando um riso frouxo do namorado.

– Meus momentos favoritos com você são esses. – suspirou. – Os espontâneos. Não precisamos forçar situações românticas para que nossos sentimentos fiquem aparentes. Eu gosto de você da mesma forma que você gosta de mim, seja jogando boliche ou observando o céu de Los Angeles.

– Vou sentir saudade. – suspirou.

– Eu ainda mais. – sorriu, a beijando mais uma vez.

In the darkest night hour, I’ll search through the crowd
Your face is all that I see, I’ll give you everything
Baby, love me lights out, you can turn my lights out
E presos em sua própria bolha de felicidade, nenhum deles percebeu que uma grande parte das pessoas no bar os observavam. Logo estariam nos tabloides, sem dúvidas, mas uma única certeza pairava por todos que presenciaram aquela cena: eles eram perfeitos um para o outro e estavam completamente apaixonados. Era realmente uma pena que nem a mídia ou o fandom de , ligasse para aquilo. Mas por ora, eles estavam bem.

Capítulo 27

And I can’t stay
Just let me hold you for a little longer now

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O cheiro de muffins tomava conta de todo apartamento e foi a primeira coisa que notou quando acordou na manhã daquela quarta-feira. Suspirou, dando-se conta de que viajaria em poucas horas e sentindo um aperto no coração, em um misto de felicidade e tristeza que ele não sabia explicar direito. Estava animado para a turnê. Era sua parte favorita da vida de cantor, estar em contato com os fãs e absorvendo aquela energia insana que apenas um show proporcionava. Mas havia uma parte de si que não queria ir. Principalmente a parte que ouvia o barulho de na cozinha, provavelmente assando muffins enquanto cantarolava alguma música da Anavitória, que ele não entendia, mas pretendia entender em um futuro muito próximo. A turnê facilitaria as aulas de português que gostaria de ter em segredo, para surpreender , mas se ele pudesse escolher entre ir e ficar em Toronto com ela, adiaria a turnê em mais alguns meses e passaria todos os dias restantes até o novo ano, grudado à brasileira.
Saiu da cama e se dirigiu para o banheiro, tomou uma ducha rápida e vestiu roupas confortáveis. Jake o buscaria em casa, e após levarem para o trabalho, seguiriam para o aeroporto em um voo para Auckland. Secou os cabelos com secador e então se moveu para a cozinha, se escorando no portal e cruzando os braços em frente ao corpo, enquanto observava . Ela cantarolava Trevo – aquela ele já conhecia de cor -, uma forma de muffins estava em cima do balcão e a garota decorava os bolinhos com muita atenção. sorriu, a saudade o corroendo um pouquinho mais.
– Desse jeito não me sobra nenhuma vontade para viajar. – Ele murmurou, assustando a garota e sorrindo em um pedido de desculpas. – Bom dia dengo. – Se aproximou e selou seus lábios levemente, puxando a garota para seus braços e suspirando quando ela o envolveu pela cintura e descansou o rosto contra seu peito.
– O restante da turnê vai ser incrível. – garantiu. – Você vai receber muito amor dos seus fãs e ficar completamente sem voz tentando cantar mais alto do que a multidão. – Sorriu contra o peito dele e a beijou no topo da cabeça. – Josiah vai registrar cada detalhe dos shows e você vai voltar para casa cheio de memórias, carinho e satisfação.
– Vou voltar para casa com o coração cheio de amor e de saudade. – Murmurou, se inclinando para baixo e puxando o rosto de para olhar em seus olhos. – E minha casa é você, então me espere de braços abertos. – Sorriu para ela e logo seus lábios estavam grudados novamente, em um beijo apaixonado e intenso. Quando o ar lhes faltou, beijou no rosto e se afastou, voltando para a forma de muffins. Ele parou as suas costas, mantendo o queixo repousado no topo da cabeça dela, observando a garota terminar de rechear e decorar os bolinhos de chocolate que ele amava. O silêncio confortável lhes fazia companhia enquanto partilhavam o sentimento bom de estarem juntos.
– Vou finalizar aqui e ir me arrumar. – falou. – Já juntei as coisas que deixei em alguma parte do seu apartamento, sem querer, – Riu e a acompanhou. – E vou levar para casa.
– Você pode deixar aqui. – contestou. – Volto em alguns dias e então voltaremos para nossa maratona de Harry Potter. – Sorriu.
– Maratona da Marvel. – A brasileira corrigiu. – Eu simplesmente não posso namorar uma pessoa que não entende a importância de Tony Stark dentro do MCU. – Estalou os lábios, causando risos em . Ele realmente não era um entusiasta de HQs e sempre que fazia algum comentário, revirava os olhos, já que ele não havia entendido nada sobre o propósito do filme.
– Eu sei que não posso ser do time do Capitão. – estalou os lábios.
– Você pode. – retrucou. – Ninguém está te impedindo de ser burro. – Provocou, causando ainda mais risos em , que a cutucou na cintura e fez algumas cócegas na garota, que logo abandonou o saco de confeitar – que ela havia encontrado no armário de por acaso – e correu em direção ao quarto, passando pela sala e sendo alcançada por na escada. Ele a puxou pela cintura e logo os dois estavam no chão do corredor, rindo como dois idiotas. Mas eram dois idiotas felizes e apaixonados.
puxou a garota para seu abraço, sem se importar por estar no chão e provavelmente ter machucado as costas durante o tombo. se aconchegou em seu peito e suspirou quando ele apertou os braços em torno de seu corpo. Se encararam por alguns instantes, iniciando outro beijo que já continha o gosto da saudade.
– Me liga todas as manhãs e canta Never be Alone para eu dormir. – Ela pediu, em um fiapo de voz, sem desviar o olhar do dele.
– Take a piece of my heart and make it all your own, so when we are apart, you’ll never be alone. – cantarolou, sorrindo de forma carinhosa quando respirou fundo, fechou os olhos e sorriu. Ele soube que ela estava repassando aquela cena em sua mente para lembrar de cada mínimo detalhe e aquilo encheu seu coração de carinho por aquela garota. – Apenas se lembre que deitamos sob as mesmas estrelas. Elas estarão olhando você por mim e quando menos esperar, estarei de volta. – Garantiu e assentiu em concordância. Mais um beijo foi trocado e então se levantaram. seguiu para a cozinha e para os muffins e para o banheiro.
Jake os buscou quase uma hora mais tarde, e quando parou o carro em frente ao prédio onde trabalhava, deu privacidade para o casal no banco de trás do carro. Eles não falaram nada ou fizeram promessas. Apenas sorriram, se beijaram e abraçaram mais uma vez e então saiu do carro, acenando para antes de entrar no prédio. Ele a veria em alguns dias e a saudade que já sentia, iria sumir assim que ela estivesse novamente em seus braços. Sorriu sozinho, sendo observado por Jake e corando em seguida.
– Aproveite rapaz. – O segurança aconselhou. – Não é sempre que temos a sorte de encontrar um amor como esse.
assentiu em concordância. Jake estava certo e o cantor faria de tudo para manter sempre por perto, já que, mesmo sem admitir aquilo para si mesmo, ela era o amor de sua vida.

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TMZ: e namorada são flagrados aos beijos em restaurante a céu aberto em Toronto
Após muitas especulações, o namoro entre (19) e a fotógrafa brasileira (21) foi confirmado por postagens de ambos no Instagram há cerca de duas semanas, durante uma viagem do casal para Tóquio. Desde então, o casal não se desgruda nem por um segundo. foi sozinho para o EMAs, mas o casal logo viajou novamente, dessa vez para Los Angeles, onde – como ela gosta de ser chamada – acompanhou o cantor ao American Music Awards. saiu do evento com o prêmio de Melhor Artista Masculino Contemporâneo e postou uma declaração extremamente fofa para o namorado em suas redes sociais.
Apesar do amor claramente estar no ar para os pombinhos, os fãs não estão sendo muito gentis com a nova namorada de e muitas comparações são feitas entre a fotógrafa e a ex do cantor, Hailey Baldwin, modelo e atual de Justin Bieber. Na tarde de terça-feira, e foram flagrados em clima romântico em um restaurante no centro de Toronto. Primeiro visitaram um sushi bar e mais tarde, uma hamburgueria – casal que acompanha um ao outro em seus gostos específicos por comida, podem ser mais fofos? -, local onde as fotos foram tiradas. Muitos sussurros ao pé do ouvido, abraços e beijos foram trocados, desagradando completamente a fanbase do cantor. A maior parte dos comentários dos fãs são a respeito da exposição. Segundo alguns fã clubes no Twitter, expõe demais o relacionamento dela com nas redes sociais e acaba contagiado. Outros comentários são a respeito da falta de decoro da brasileira, que impõe a situações íntimas em público – alguns beijos aqui e ali, fotografados por paparazzi.
Nem e nem se pronunciaram a respeito do furor das redes sociais em ostentar seus nomes nos trending topics por horas a fio. Procuramos contato com a assessoria do cantor e não conseguimos retorno, o que apenas nos faz constatar que nenhum deles está interessado em alimentar essa fogueira. Desejamos felicidades ao casal e muito sucesso para na última fase da Illuminate World Tour.

soltou um suspiro alto e bateu a cabeça contra a mesa do restaurante assim que terminou de ler a matéria do TMZ, devolvendo o celular de para a garota, que lançou um olhar pesaroso para a brasileira. Fazia apenas um dia desde que havia viajado e o coração de estava uma bagunça. Sentia saudades e sem para lhe distrair, sobrava muito tempo livre para acompanhar os ataques que recebia em todas as suas redes sociais. Havia fechado seu perfil no Twitter e tentado bloquear o máximo de pessoas possível, enquanto deixava as notificações do Instagram desativadas e seu Facebook havia sido esquecido no rolê sem lhe deixar qualquer peso na consciência.
– Tudo bem, eu sou praticamente o anticristo desse fandom. – Suspirou, arrancando um riso nervoso de .
– Eu realmente não entendo. – A loira murmurou. Se empertigou na cadeira, apoiando os cotovelos na mesa e abrindo sua expressão “filosófica”, como costumava chamar seus devaneios sobre a vida e as coisas em geral. – Tipo, você é uma delas. Não é bom ele namorar uma fã? Que apoia o trabalho dele etc.?
– Nas fanfics sim. – deu de ombros. – O problema está em eu ser a namorada dele. Para as gringas, – Riu ao ver a careta no rosto de , já que ela era uma gringa. – É um absurdo que ele namore uma brasileira. Você sabe que somos demonizados no exterior. Os únicos que gostam dos brasileiros são os artistas. – Suspirou. – E para as brasileiras, qualquer motivo é válido para me odiar. Sempre existe algo de ruim.
– Isso é tão idiota. – A canadense retrucou. – O que importa é o seu sentimento por ele e nada mais.
– Não para os fãs. – murmurou. – Importa se eu sou bonita o suficiente, simpática a ponto de não ser falsa, famosa o suficiente para não sugar a fama dele… – Deixou em aberto. – O que menos importa é o que eu sinto.
– Bando de retardados. – Foi a conclusão de , que fez a garota rir. – E a mídia não dá um tempo também.
– Eles atraem público fazendo esse tipo de coisa. – A brasileira deu de ombros. Bebeu um gole de seu suco e voltou a encarar a amiga. – Quem não quer ler uma matéria que compara a namorada desconhecida do com a ex namorada dele, que aliás, – Riu forçadamente. – É modelo? É marketing. O capitalismo lucra com rivalidade feminina e lucra ainda mais com a venda de um anticristo para um grupo de pessoas em específico.
– E você está bem com tudo isso? – questionou e recebeu um dar de ombros em resposta.
– Não. – A brasileira admitiu. – Odeio ler qualquer comentário ofensivo, odeio os pré-julgamentos, odeio as crucificações… Eu não estou fazendo nada de errado, sabe? – Riu de forma nervosa. – Eu conheci um cara, me apaixonei, nos envolvemos e estamos namorando. Ele é famoso e eu já sabia disso, mas não existe necessidade de todo esse ataque. – Suspirou. – Não estou usando a fama dele para meu próprio benefício, tanto que nem leio as propostas de contrato de trabalho desde que assumimos o namoro. Não estou explorando o dinheiro dele ou sendo uma vaca sem noção que esfrega o namoro na cara dos fãs, apenas por maldade. Só estou namorando e algumas vezes, posto coisas com meu namorado. Saio com meu namorado. – Deu de ombros. – A mídia está tornando isso um espetáculo de circo e aumentando a bagunça no fandom.
– Podemos mandar matar todo mundo. – sugeriu, fazendo rir.
Ela não queria matar ninguém. Só queria acabar seu expediente, chegar em casa, tomar um banho, comer alguma coisa e então ter a voz de cantando Never be Alone para ela dormir.
– Antes de montar qualquer plano de homicídio, vamos comer e… – Mas a garota foi interrompida pela garçonete do restaurante, parada ao lado de com um pedaço de papel estendido para a canadense. franziu o cenho e aceitou o bilhete, o olhar fixo na garota cujo nome bordado em seu uniforme era Olivia.
– Caso goste de garotas, você pode me ligar. – A garçonete abriu um sorriso largo para , se retirando em seguida. A loira e trocaram um olhar surpreso, rindo em seguida, enquanto corava e analisava o pedaço de papel entre seus dedos, desviando o olhar para a garçonete vez ou outra e recebendo um sorriso largo em retorno.
Brian que partisse para outra. O barco de havia tomado outro rumo e estava contente por ter a chance de apoiar a amiga naquilo, enquanto evitava seu próprio drama particular em ser a namorada brasileira cretina do .

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Havia acabado de sair do palco da Spark Arena em Auckland, na Nova Zelândia. Seu coração batia freneticamente, estava suado dos pés à cabeça e o sorriso que ostentava nos lábios bem poderia deixar suas bochechas doloridas, de tão largo que era. Passou correndo pelo backstage, encontrando a banda e pulando em cima de Dave, completamente enérgico e animado, cumprimentando os outros três em seguida e então correndo para seu camarim. O show de estreia da última fase da Illuminate World Tour havia sido fantástico, com a arena lotada e 12 mil fãs cantando junto com ele em todas as músicas. Lhe trazia um sentimento de satisfação como nada no mundo e apenas reforçava algo que já sabia, mas às vezes sua ansiedade sabotava: ele era bom no que fazia, porque fazia com amor.
– Ótimo retorno! – Andrew elogiou assim que se jogou no sofá, sem tirar o sorriso do rosto. Fechou os olhos e suspirou, estava completamente exausto.
– Eu havia sentido falta. – Murmurou. – Estamos do outro lado do mundo e eles continuam a gritar e cantar todas as músicas.
– Você merece, garoto. – O empresário sorriu. – Agora corre para o banho, vamos embora em 20 minutos. – E se retirou do camarim, deixando sozinho. O cantor suspirou, buscando seu celular – que Andrew havia deixado na mesa de centro – e acessando o WhatsApp. Apenas duas conversas tinham mensagens recentes: o grupo de sua família e a conversa com . Abriu um sorriso ainda mais largo quando viu que ela estava online e em poucos segundos estava ligando para a namorada pelo FaceTime. Alargou seu sorriso quando o rosto inchado de sono de apareceu na tela de seu celular e antes que ela pudesse lhe dizer oi, bocejou a ponto de gotículas de lágrimas surgirem no canto de seus olhos. gargalhou e seu peito doeu de saudades.
– “Droga.” – xingou. – “Acabei de acordar.” – Eles riram.
– Dormiu bem, dengo? – questionou, esquecendo completamente que tinha apenas 17 minutos para se organizar e retornar ao hotel e se jogando no sofá para conversar com .
– “Uhum.” – Ela assentiu. – “Mas dormiria melhor com você.” – Assegurou. – “Eu tentei acordar mais cedo, para acompanhar as lives do show, mas acabei pegando no sono. Me conta como foi!” – Exclamou, subitamente enérgica e com um largo sorriso nos lábios. sorriu tão largo quanto a namorada.
– Foi incrível. – Contou. – A arena estava lotada e em alguns momentos eu nem ouvia a minha própria voz. – Riu.
– “Tenho certeza de que os fãs ouviram.” – estalou os lábios. – “Palavra de fã que foi ao Rock in Rio.” – Riu, cruzando o dedo médio e o indicador e os beijando, indicando que falava a verdade. O peito de se encheu de carinho por ela. Adorava tanto os trejeitos da brasileira que nem sabia colocar em palavras. Talvez devesse tentar escrever mais uma música para ela. É, era uma boa ideia.
– Perguntaram de você no Q&A. – Lembrou-se de comentar e não conseguiu esconder a careta. Aquilo deixou preocupado e fez uma nota mental de conferir com Andrew como estavam as coisas na mídia. A turnê deveria abafar o interesse em seu relacionamento e não provocar ainda mais bagunça.
– “Ah é?” – murmurou, tentando soar tranquila, mas seu olhar nervoso entregava seu estado de espírito. suspirou, se arrependendo por ter tocado no assunto.
– Uma fã queria saber se você iria fotografar a turnê. – Explicou.
– “E o que você disse?”
– Que você preferia o seu trabalho e que não via motivos para misturar as coisas. – Falou e observou soltar o ar em puro alívio. – Ela comentou que suas fotos eram ótimas e que seria legal se Josiah tivesse alguma ajuda. – sorriu.
– “E como foi a recepção a esse comentário?” – questionou, fingindo despreocupação. torceu os lábios.
– Foi a última pergunta. Sai instantes depois, então não sei realmente. – Deu de ombros.
– “Certo.” – a brasileira assentiu.
– Como está tudo? – ele questionou, com preocupação. A fotógrafa torceu os lábios.
– “Não vamos falar disso.” – Pediu. – “Quero saber se você já saiu para conhecer Auckland. Você precisa visitar aquela lista de lugares que eu te enviei.” – Abriu um sorriso largo e por mais que quisesse discutir sobre o passeio que faria no dia seguinte e acompanhar a empolgação de , algo em seu coração lhe dizia para não ignorar os sinais que havia captado durante aquela conversa.
Dengo, a gente precisa conversar sobre. – Suspirou. – Se as coisas estão ruins, eu preciso saber. – Murmurou.
– “Amor, eu não quero mesmo falar sobre isso agora e menos ainda pelo telefone.” – retrucou e antes que pudesse continuar, tanto ela como arquearam as sobrancelhas em surpresa pelo novo apelido que a garota havia utilizado. Dengo, trevo, babe… Estavam acostumados com aquilo. Mas amor? Era novo. E havia adorado escutar aquilo. Ele sorriu largo, mas logo semicerrou os olhos para a namorada, que parecia tensa com a possível recepção ao novo apelido.
Como se fosse capaz de não gostar de qualquer coisa que a boca dela proferisse para ele.
– Você me chamou de amor. – Ele pontuou e suspirou, assentindo com a cabeça. Não iria negar ou afirmar ter sido um equívoco e aquilo o fez adorá-la ainda mais. E duvidava que fosse humanamente possível.
– “Chamei.” – Ela afirmou. – “E meu coração possivelmente vai sair pela boca.” – Riu de forma nervosa.
– Pode me chamar de amor sempre que quiser. – garantiu, sorrindo largo para ela. – Meu coração vai ficar fraco como o seu, se me chamar assim mais vezes. – Brincou.
– “Não esqueça que temos uma troca justa.” – o lembrou. – “Você cuida do meu coração e eu do seu. Ele pode ficar fraquinho, mas eu vou cuidar dele com muita atenção.” – Prometeu.
– Assim eu fico com vontade de pegar um avião para Toronto imediatamente. – suspirou.
Antes que pudesse responder, uma batida na porta do camarim chamou a atenção de ambos e torceu os lábios. Estava atrasado e o grito de Andrew nem foi necessário para que ele se desse conta daquilo. Abriu um sorriso triste e lhe atirou um beijo, desejando boa noite e afirmando que ligaria a noite/manhã. O peito de doeu de saudades quando ele finalizou a ligação e correu para o banheiro. Aquela garota mexia com ele como nada na vida.

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– Shopping? – Connor questionou, assim que ele e atravessaram as portas do restaurante onde estava jantando com Olivia. Haviam obrigado a loira a comparecer ao encontro, escolhendo não apenas a roupa de , como também acompanhando a amiga até o local marcado e observando de longe para que ela não fugisse enquanto Olivia não chegava. Pela primeira vez desde que ambos conheciam , ela estava nervosa a ponto de não saber como agir. E apesar de aquilo ser gratificante – principalmente para Connor, que era sempre importunado pela loira – eles entendiam que deveriam apoiar Re ao invés de zoar com a cara dela por estar surtando por conta de um encontro.
Zoariam com a cara dela apenas no dia seguinte, quando ela estivesse tranquila.
– Não. – negou, fazendo uma careta. – Gente demais.
– Antissocial. – Connor chiou, em pura provocação. – Desse jeito eu vou ficar encalhado, porque não saio para conhecer pessoas diferentes. – Bufou.
– Brashier, não venha com essa falácia para cima de mim. – A brasileira revirou os olhos. – Você com certeza tem uma porção de garotas atrás de você.
– A sua fonte são as vozes da sua cabeça? – Ele retrucou, recebendo um tapa no ombro, o que fez o garoto rir. Passavam por algumas pessoas, mas nenhuma delas parecia realmente notar a presença deles, mas para sua segurança, usava um cachecol que cobria metade do seu rosto. Ela realmente não queria sua cara estampada no TMZ novamente.
– Você é bonito, jovem, tem um emprego… No Brasil isso é praticamente sinônimo de perfeição, sabia? – A garota riu.
– Então preciso me mudar para lá. – Connor deu de ombros. – Por aqui as coisas estão difíceis. – Riu junto da amiga. – Eu tenho que competir com caras tipo . Fica bem difícil, sabe?
A fotógrafa revirou os olhos e Connor gargalhou. Ele adorava implicar com ela a respeito de ter levado um fora. E apesar de saber que o garoto estava brincando, sentia-se envergonhada. Nunca havia sido o tipo de garota que dava foras e tinha muitos interesses amorosos na sua cola. Havia tido um único namorado e antes de , havia transado com apenas três pessoas. Não se sentia confortável na posição de flertar com todo mundo e sair com várias pessoas, então nunca precisou dar um fora em ninguém. E ela também tinha certeza que a maioria dos caras não agia como Connor ao levar um toco, então aquela era uma situação bem singular.
– Você é um idiota. – decidiu, fazendo o rapaz rir ainda mais. – Que tal cinema?
– É domingo à noite. – Connor resmungou. – Eu estou solteiro e seu namorado está longe. Se isso não é um motivo para ingerir álcool, eu já não sei mais o que no mundo poderia ser.
– Canceriano dos pés ao último fio de cabelo. – A brasileira retrucou. – Certo, vamos procurar um bar. – Se deu por vencida, enfiando o rosto contra o cachecol quando um vento frio bateu em seu rosto.
Seguiram por mais dois quarteirões, passando por restaurantes de todos os tipos e nenhum bar. No Brasil havia um bar a cada duas casas e quando estava pronta para criticar o Canadá – e sentindo o coração ficar pequenininho já que não estava com ela para retrucar e defender sua pátria -, Connor soltou uma exclamação animada e segurou os ombros de , girando a garota para que ela visualizasse o lugar que ele havia encontrado. A brasileira torceu os lábios no mesmo instante, sacudindo a cabeça para os lados e lançando um olhar feio para Brashier.
– Connor, isso é um clube de strip-tease. – A garota reclamou, não acreditando que o amigo queria que ela o acompanhasse naquele passeio. – Eu sei que você está solteiro, mas caramba, tenha um pouco de respeito pelas mulheres! – Semicerrou o olhar para o garoto, que abriu uma expressão confusa imediatamente. – Não somos pedaços de carne para exposição e prazer de vocês, homens. Esse tipo de profissão, embora não seja ilegal, é apenas mais uma forma machista e patriarcal de dominância sobre nosso corpo e vida, e…
, se acalma! – Connor a interrompeu, em um misto de surpresa com diversão. – Isso não é um peep show pornográfico. – Explicou. – Eles possuem exibições de fotos com temáticas específicas. Eu não sei qual o tema desse mês, mas tenho certeza de que não são mulheres nuas. – Garantiu. – A fachada é assim apenas como referência.
– Se entrarmos lá e tiver strip-tease, se considere um homem morto. – ameaçou, arrancando mais risadas do rapaz.
Seguiram para dentro do bar – após algumas fotos na fachada do estabelecimento – e constatando que Brashier falava a verdade, ocuparam uma mesa e pediram duas cervejas – a bebida era barata, então Connor estava perdoado. Algumas cervejas depois e um cesto de batatas fritas vazio, percebeu uma certa troca de olhares entre Connor e uma garota há duas mesas de distância e não querendo ser a amiga empata foda, avisou que estava indo para casa e chamaria um Uber. Connor se ofereceu para ir junto, mas negou e incentivou o garoto a tomar uma atitude. Se despediu dele com um abraço e em poucos instantes estava na rua, o celular em mãos, acompanhando o trajeto do Uber até sua localização exata. A rua estava mais movimentada que o normal e a brasileira voltou a vestir o cachecol e cobrir parte do seu rosto com a peça, abaixando a cabeça e mordendo o lábio em puro nervosismo. O Uber estava há um minuto de distância, o que fez a garota suspirar em alívio e guardar o celular no bolso da calça.
Pela visão periférica, notou um sinal de luz em sua direção e logo reconheceu o flash de uma câmera. Não sabia de onde e nem como aquele homem havia a encontrado, mas o paparazzi estava ali, escondido entre dois carros, batendo fotos suas e aquilo desagradou consideravelmente. Resolveu ignorar, avistando o Uber há alguns metros de distância. O carro parou perto do paparazzi, o que obrigava a passar pelo homem caso quisesse ir embora. E ela queria, então respirou fundo e se dirigiu até o carro, sem ao menos virar o rosto em direção ao fotógrafo. Não lhe daria aquela importância. Estava com a mão na maçaneta da porta quando o homem gritou sem nome e ela se virou, sem conseguir conter a curiosidade.
– Quem era o garoto com você? sabe? – O paparazzi questionou e a brasileira torceu os lábios imediatamente, dando novamente as costas para ele e entrando no carro de uma vez por todas. Não teria problemas com por ter saído para beber com Connor. Apesar de ter um pouco de ciúme, o cantor entendia que eles eram amigos e havia se acostumado com o fotógrafo. O grande problema era a bagunça que a mídia criaria em cima daquilo.
E o fandom de . O maior problema morava ali e já sentia a cabeça latejar pelo estresse.

Capítulo 28

When you miss me close your eyes
I may be far but never gone

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Sua cabeça estava doendo, mesmo que já tivesse tomado um analgésico para aliviar a dor. Andrew ainda estava no telefone, falando sem parar, o que apenas aumentava o desconforto de com a situação. Ele achava um completo exagero aquela atitude do empresário, mas entendia que as prioridades de Andrew eram diferentes das suas e que o mais velho sabia o que estava fazendo. Já , queria apenas mandar todo mundo para o inferno e enfim ligar para , para que pudessem conversar direito a respeito daquela bagunça ao invés de apenas mandar mensagens esporádicas, como Andrew havia lhe ordenado a fazer.
A mídia estava tornando a distância presente em seu relacionamento um espetáculo de circo. Tinham paparazzi seguindo em Toronto e as redes sociais só sabiam alimentar uma fofoca que sabia que não era verdade. e Connor não estavam saindo e ela não havia traído , mas todos estavam acusando a brasileira daquilo e inventando mais e mais fofocas a todo instante. E só soubera por intermédio de Andrew, que tivera um colapso nervoso e em meio a outra briga com a respeito de , chamou a garota de inconsequente e leviana. Algo que deixou completamente enfurecido a ponto de não comparecer ao ensaio do dia anterior para o show de Brisbane. Andrew não entendia que