Nobody Will Ever Be Like You

Nobody Will Ever Be Like You

Sinopse: O relacionamento entre eles não havia durado o “para sempre” que eles haviam imaginado. Apesar de todo o amor e carinho que sentiam um pelo outro, o mundo do cantor havia sido cruel demais com ela, a ponto de ambos compreenderem que as coisas só iriam melhorar caso o relacionamento tivesse fim. E tentando manter sua promessa de que faria tudo para mantê-la protegida, ele acaba envolvido em situações que apenas o afastam mais de sua amada fotógrafa brasileira. Seu dengo. E mesmo com tantos desentendimentos, para ele ninguém nunca seria como Ela. E para ela, ele era seu único trevo de quatro folhas e sempre o seria.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Shawn Mendes é fixo.
Beta: Regina George.

Capítulo 1

I’m having trouble sleeping on my own
Feeling like a house but not a home

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Estava completamente exausta. Suas costas estavam doloridas e a cabeça estava pesada demais para quem havia dormido por horas seguidas. Ao menos não sofreria com o fuso horário e aquilo lhe animava um pouquinho mais. Havia saído de Toronto às 11h da noite do dia 29, almoçado no aeroporto de São Paulo para então aguardar mais 1h15min de viagem até Florianópolis. Sua maior alegria era que sua família havia decidido passar as férias na Praia da Joaquina ao invés da Guarda do Embaú, então tinha apenas mais 25 min de carro até o aconchego do colo de sua mãe.
Maurício foi a primeira pessoa que a fotógrafa viu quando saiu pelo portão de desembarque e seu coração doeu de saudades do irmão. Quase largou a mala no meio do caminho e saiu correndo até o rapaz, mas o sentimento de deja vu tomou sua mente e ela sentiu um aperto ainda mais doloroso no peito. Engoliu em seco quando o pensamento de que não deveria estar desembarcando em Floripa sozinha lhe acometeu. A pulseira pesou em seu pulso e simplesmente precisou afastar o pensamento para evitar cair no choro. e Henrique estavam com Maurício e sorriu ainda mais largo quando a prima gritou alto e correu em sua direção, praticamente a derrubando no chão em uma tentativa de abraço completamente fracassada.
– Puta que pariu, como eu senti a tua falta! – murmurou, abraçando com força enquanto a fotógrafa ria e chorava ao mesmo tempo. Nenhuma delas se importava em estar no chão do aeroporto com centenas de pessoas olhando-as atravessado.
– Eu senti tanto a tua falta! – chiou. – Acho que nunca deveria ter ido embora. – Suspirou ao final da frase.
– Deveria sim. Ou então eu teria ganhado uma blusa mixuruca de presente de Natal. – chiou, revirando os olhos enquanto a outra ria. Levantou-se e puxou a prima pelo braço, para que ela também se colocasse de pé. não teve dois segundos para se orientar e já estava sendo abraçada pela cintura por Maurício, que levantou a garota do chão enquanto ela ria e o abraçava pelo pescoço.
– Que saudade! – Ele murmurou, beijando-a no topo da cabeça e então segurando o rosto da caçula para observar seu rosto. – Que olheiras são essas, ent.write(MariaEduarda)?
– Eu voei por 10 horas durante a madrugada. – revirou os olhos.
– Pensei que fosse de tanto chorar. – O mais velho murmurou. o estapeou no ombro no instante seguinte.
– Isso Maurício, vamos lembrar a do motivo do coração quebrado dela logo de cara. – Reclamou e o rapaz se encolheu. – Idiota. – Xingou.
– Vocês podem brigar depois que eu abraçar a minha melhor amiga? – Henrique murmurou, empurrando Maurício para longe e então puxando para um abraço.
– Senti tanta saudade! – A garota fungou.
– Sentiu tanta saudade que me trocou por um canadense de cabelo espevitado. – Henrique reclamou e gargalhou quando percebeu que ele se referia a Connor. Não poderia defender o amigo, que realmente tinha os cabelos espevitados.
– Tenho Connor lá e você aqui. Meu coração é grande, cabe todo mundo. – Garantiu.
Maurício pegou a mala da irmã, a abraçando pelos ombros enquanto a abraçou pela cintura e entrelaçou a mão livre na do namorado. Seguiram para fora do aeroporto, enquanto reclamava do calor infernal que fazia em Santa Catarina e fazia inveja ao contar das ruas cobertas de neve que havia abandonado em Toronto. Ocupou o banco de trás junto de , logo deitando a cabeça no ombro da prima com a desculpa de que precisava cochilar rapidamente. A viagem até a Praia da Joaquina não demorou e logo Maurício estava estacionando o carro na garagem da casa alugada e não pensou duas vezes antes de abandonar seus pertences no carro e correr para dentro da casa a procura de sua mãe. E quando encontrou Susana na cozinha rodeada pelo resto da família, não se importou que todos a vissem chorar enquanto corria para seus braços, que também sucumbia em lágrimas conforme apertava a caçula em seus braços.
– Senti tanta saudade. Tanta! – chorou, sentindo os beijos da mãe em seus cabelos.
– E eu a sua, meu amor. – A mais velha suspirou. Afastou da mesma forma que Maurício fizera e observou o rosto da filha com cuidado, abrindo um sorriso triste em seguida. – Te amo. E garanto que as coisas vão melhorar em breve.
A fotógrafa chorou um pouco mais e não apenas de saudade, mas porque havia entendido o significado oculto das palavras de Susana. E ela não acreditava que a genitora pudesse estar certa.
– Também te amo. – Sorriu fraco, abraçando a mãe outra vez para então secar as lágrimas com a mão e se virar para o resto da família. Abraçou o padrasto – Leonardo, seus tios Paulina e Alberto, pais de e também os pais de Henrique, Janaína e Roberto. Murmurou que iria tomar um banho e Susana avisou que ela iria dividir o quarto com Maurício, e Henrique. Os três já estavam no quarto quando Susana indicou a porta certa para a filha, lhe beijando no rosto outra vez e voltando para a cozinha.
– Vem cá. – indicou a cama de casal para a prima. – Chora as pitangas de uma vez.
– Vocês já querem acabar comigo? – Resmungou, o lábio inferior tremendo pelo choro que tentava conter.
– Tu não quis conversar sobre isso pelo telefone. – Henrique falou. – E se guardar esse sentimento ruim, não vai aproveitar o feriado.
– Maldito curso de psicologia. – A fotógrafa chiou e o garoto riu. Ocupou a cama e logo tinha a cabeça deitada no colo do irmão, que lhe afagava os cabelos com carinho. Levantou o pulso e sacudiu a pulseira, tendo o braço puxado por que queria observar o objeto com atenção. – Ele foi lá em casa me entregar. Tava com o mesmo sentimento que eu sobre o presente dele. Não queria guardar, porque sabia que não me pertencia. E foi horrível dizer adeus de novo. – Murmurou, já com os olhos cheios de lágrimas. – Minha vida não vai acabar porque meu namoro terminou, mas agora me sinto péssima. Como se meu coração tivesse sido pisoteado.
– Vai ficar tudo bem. – garantiu, mas também não acreditava. Então apenas assentiu e se deixou chorar um pouco mais. Maurício a puxou para um abraço apertado enquanto Henrique e seguravam sua mão para lhe dar apoio. Eram família e estariam ali um para o outro sempre.

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Shawn.
Nova Iorque estava tão fria quanto Toronto. O cantor soltou um suspiro alto quando seu celular despertou pela terceira vez, indicando que ele deveria levantar logo, já que tinha compromisso com os amigos para aquela manhã. Estar com eles não era nenhum sacrifício, mas tudo o que Shawn queria era estar na praia e aquele pensamento lhe causava uma pontada de dor tão forte que ele se obrigava a fingir que seus planos para o Ano Novo eram os melhores do mundo.
Passar frio. Ser esmagado por uma multidão na Times Square. Com Brian reclamando em seus ouvidos sobre o frio e a multidão na Times Square, mesmo que o melhor amigo tivesse feito questão e pilhado a viagem para a NYC para a virada do ano.
Shawn soltou outro suspiro, grato demais pelo fato de Catherine não ler mentes. Se ela soubesse o quão atrativa para ele era a ideia de ficar recluso no hotel durante a virada do ano, o mataria sem nem pensar duas vezes. E aquele pensamento o fazia sentir-se o pior amigo do mundo e por isso Shawn seguiu para o banheiro e tomou uma ducha demorada. Vestiu uma dezena de roupas muito quentes e logo estava batendo na porta do quarto de Brian, que o atendeu com uma expressão nada satisfeita e ainda de pijamas.
– O almoço foi ideia sua. Me deixe fora disso. – Murmurou, fechando a porta na cara de Shawn em seguida.
– Cuzão. – Foi seu xingamento e Craigen o mandou à merda.
Mendes revirou os olhos e seguiu para o elevador, cobrindo a testa com a touca quando chegou ao saguão do hotel. Não encontraria nenhuma fã por ali, por se tratar de um hotel exclusivo para celebridades e pessoas extremamente ricas, mas não estava interessado em dar brecha para qualquer catástrofe. Principalmente porque Jake não o acompanharia no feriado, mesmo com a insistência de Andrew para que o segurança estivesse com Shawn.
Havia marcado o almoço com os amigos no restaurante do hotel e levou cerca de trinta segundos para encontrar a mesa onde Camila e Niall estavam sentados. Catherine não poderia almoçar com eles por conta de sua agenda. Anna havia ido buscá-lo no aeroporto, já que Shawn estava sem carro e a produtora estava louca para conversar com ele. E quando Shawn soube que a mulher havia conversado com , não conseguiu conter a curiosidade e perguntar da ex namorada. Apenas para sentir-se ainda pior e o peito apertar de saudade. Se aproximou da mesa e beijou Camila no topo da cabeça, recebendo um largo sorriso da cubana que logo se colocou de pé para abraçá-lo com força. Logo Niall também estava no abraço enquanto os três riam daquela bagunça.
– Já estava preocupada achando que tinha desistido. – A cantora chiou e Shawn revirou os olhos.
– Estava exausto. Cheguei de madrugada. – Informou. Sentou-se ao lado de Niall e de frente para a melhor amiga.
– Ninguém mandou decidir vir de última hora.
– Catherine iria comer seu fígado se você não viesse. – Niall murmurou.
– Não iria nada. – Shawn estalou os lábios. – Eu usaria meu coração despedaçado como desculpa e ela sentiria pena. – Tentou sorrir, mas só conseguiu fazer uma careta. Camila torceu o nariz.
– Essas piadas depreciativas estão acabando comigo. Pare com isso, Shawn. – Reclamou. – É como reviver o término de Troy e Gabriela.
– Desculpe. – O canadense suspirou.
– Eu não acredito que você usou High School Musical como referência.
– Me processe, Horan. – A cantora lhe estirou a língua e Shawn riu enquanto Niall revirava os olhos.
– De qualquer forma, Camila tem razão. É como cantar Love You Goodbye quarenta vezes. – O irlandês torceu os lábios.
– Eu entendi. – Shawn ergueu as mãos em desistência. – E vou parar. – Mas ele sabia que era mentira.
– Tivemos um momento como esse antes de você encontrar a em Toronto. – Camila comentou. – E também falamos sobre seus sentimentos. – Observou.
– Vocês são praticamente meus psicólogos. – Mendes brincou.
– É muito difícil lidar com você, eu quero demissão. – Niall exclamou e o canadense riu fraco.
O canadense se recostou no banco e então puxou o celular do bolso, se distraindo enquanto Niall e Camila conversavam sobre a setlist de Catherine. Shawn acabou no Instagram e a primeira foto que encontrou em seu feed era de . Ela sorria ao lado de Susana e Mendes sentiu um aperto no coração. Acabou jogando todo seu senso de autopreservação no lixo e entrou no perfil da garota, coisa que não fazia desde antes do Natal, já que a última vez que havia usado a rede social fora para postar os vídeos de encerramento da turnê. não havia postado muito, Shawn observou. Algumas fotos dela no dia de Natal – e mesmo lembrando daquele rosto com exatidão, jamais iria se acostumar com o quão bonita era, e talvez o mundo não concordasse com ele, mas Shawn não dava a mínima -, uma foto dela segurando a passagem e o passaporte usando a pulseira que ele havia lhe presenteado – e seu coração quase saltou pela boca por conta daquilo – e então suas fotos no Brasil. Fotos com Susana, de sozinha, da praia… E aquele sorriso lindo que ela dava quando algo realmente estava lhe fazendo feliz.
E aquilo lhe doía. Porque Shawn queria estar com ela, mais do que tudo no mundo. Queria conhecer sua família, queria passar dias tomando sol com o ensopando de protetor solar, amaria ser o fotógrafo particular dela e ter o privilégio de ver aquele sorriso de perto. Queria que ela o puxasse para um abraço e ficasse na ponta dos pés para lhe beijar no queixo quando Shawn tirasse uma foto boa e queria vê-la bufando e o chamando de desatento quando lhe desse alguma dica e Mendes ficasse a encarando como um bobo e não prestasse atenção em suas palavras. Queria tanto aquilo que não havia espaço dentro de seu corpo para querer qualquer outra coisa e quando largou o celular em cima da mesa, após fechar o aplicativo sem curtir qualquer uma das fotos, sentiu o olhar pesaroso de Camila e sentiu-se ainda pior.
– Nunca pensei que sofreria por amor dessa forma. – Murmurou. – Escrevi músicas tristes em momentos em que me sentia péssimo, mas as letras sempre pareceram exageradas e dramáticas demais. Eu não sentia aquilo tudo. Não de verdade. – Torceu os lábios. – Talvez o destino esteja revidando. Falei tanto sobre corações partidos sem realmente experimentar a sensação, que ele resolveu que estava na hora de devolver na mesma moeda. – Abriu um sorriso melancólico e Niall o abraçou pelos ombros, para lhe passar algum conforto.
– Vocês são perfeitos um para o outro. Eu tenho certeza de que é só uma fase e vocês vão conseguir passar por isso e voltar ainda mais fortes. – Camila sorriu e Shawn forçou um sorriso para a amiga. Perfeitamente errados, era tudo o que passava em seus pensamentos.

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O Brasil não estava de brincadeira em promover calor e sentia-se incapaz de abandonar a praia, mesmo que fosse para voltar para a casa e para o ar-condicionado que havia trabalhado horrores durante a noite, já que eram quatro pessoas em um quarto pequeno e quente. se havia se questionado por alguns instantes onde dormiria caso Shawn a tivesse acompanhado na viagem. O canadense não caberia no sofá, então a dúvida ainda estava em aberto, já que perguntar para sua mãe estava fora de cogitação. Tudo o que não precisava era levar o nome do ex para a conversa da qual havia fugido desde que havia chegado, no dia anterior.
Suspirou, buscando novamente a garrafa de água e bebendo um longo gole, tendo sua garrafa roubada no instante seguinte. Lançou um olhar insatisfeito para Maurício e deixou um beliscão no braço do irmão, que lhe estirou o dedo do meio e sentou-se ao seu lado na esteira de praia.
– Papai vem amanhã? – questionou, deixando o celular de lado assim que respondeu as mensagens de a respeito da festa de Ano Novo na qual iria com Olivia e Connor.
– Sim. – Maurício assentiu com a cabeça. – Ele queria vir antes, mas tu sabes como a chata é. – O rapaz torceu os lábios ao mencionar a madrasta e  revirou os olhos. O irmão não simpatizava com Carla, esposa de seu pai, de forma nenhuma e de uma maneira quase infantil.
tinha um bom relacionamento com o pai, mesmo que o visse e falasse com ele pouquíssimas vezes. Considerava Leonardo seu segundo pai, já que o padrasto diversas vezes havia preenchido o lugar que deveria ser de Carlos. Seus pais haviam se separado antes mesmo da garota nascer e sempre conheceu a vida de se hospedar na casa do pai uma vez por mês e receber visitas dele a cada 15 dias. Diferente de Maurício, que havia experimentado a vida com os dois pais juntos e sentia falta de Carlos por perto. E por isso não fazia questão de simpatizar com a nova esposa do genitor, mesmo que Carla fosse uma pessoa realmente simpática.
– Ela queria passar o Ano Novo com o marido, só isso. – Estalou os lábios.
– Somos os filhos dele, .
– E ela não tem nada com isso. Quem decide se vai nos visitar ou não é ele. Se ele não veio antes, foi porque não quis. – Chiou e o rapaz aumentou a expressão insatisfeita. revirou os olhos novamente. Voltou a pegar o celular quando o ouviu vibrar e torceu os lábios quando percebeu que ainda tinha as notificações do Twitter de Shawn ativadas. Mesmo durante a fase da amizade e posteriormente o namoro, era seu costume ter as notificações dele ligadas, já que o canadense postava uma vez na vida e outra na morte. Mas naquele momento não sentia-se inclinada em manter aquele costume e quando entrou no perfil do cantor e desativou a função, sentiu um incômodo na garganta e precisou pigarrear para se livrar da sensação.
– Você realmente gosta dele, não é? – Maurício indagou e encarou o irmão com uma expressão cabisbaixa. Suspirou baixinho antes de assentir em concordância e abraçar os joelhos em forma de proteção. Sentia-se completamente exposta quando falava daquilo, como se os gritos e o lamento de seu coração pudesse ser ouvido por qualquer pessoa à sua volta.
– Eu amo ele, Maurício. – Mordeu o lábio inferior. – E dói muito saber que ele não está aqui por causa de outras pessoas. Porque ele queria estar, da mesma forma que eu queria que ele estivesse.
– Eu fiquei preocupado contigo. Muito preocupado. Desde o começo. – Confessou. – Por isso fiz tanto drama quando soube que vocês estavam se envolvendo.
soltou uma risadinha ao lembrar da ligação tripla com o irmão e em uma noite em que estava levemente bêbada por causa do vinho. Havia flertado com Shawn depois daquilo e marcado de assistir a um jogo de baseball. O primeiro selar de lábios entre eles havia sido naquela noite e não conseguiu conter o sorriso que tomou forma em seus lábios.
– Eu lembro. – A fotógrafa falou. – Foi quando saiu aquela matéria na Rolling Stone.
– Meu maior medo era que tu se machucasse. Que ele não levasse a sério e tu acabasse sendo mais uma. – Maurício pontuou e torceu os lábios.
– Shawn não é assim. – Logo murmurou. – Eu o assustei uma vez, com a possibilidade de você não gostar dele. – Riu sozinha. – Mas tenho certeza de que vocês poderiam ser ótimos amigos. Iriam se unir contra mim e tu terias para quem mostrar minhas fotos emo. E iriam se deliciar em me zoar. – Estalou os lábios e o irmão riu.
– Simpatizei um pouco mais com ele. – Maurício sorriu fraco e deitou a cabeça no ombro do irmão.
– Ele teria adorado essa praia. – Suspirou. – Mas eu iria encher o saco para que ele passasse protetor solar a cada vinte minutos. Ele é branco demais. – Riu. – E ele iria adorar a comida da mamãe. E a caipirinha. – não percebeu que algumas lágrimas estavam se acumulando em seus olhos e Maurício a abraçou pela cintura. – Ele não iria caber no sofá. De forma nenhuma. Catherine o chama de quilômetro em pé e ele realmente odeia o apelido, mesmo que aceite quando eu o chamo assim. – Riu e sentiu a lágrima quente escorrer por sua bochecha. – Quando eu o chamava. – Corrigiu. – Aí. – Suspirou, escondendo o rosto contra o peito do irmão, que afagou seus cabelos, sentindo o estômago retorcer ao ver a irmã sofrer daquela forma. – Tá doendo, sabe? Mesmo quando não estou pensando nisso. Mesmo quando estou rindo ou falando de qualquer outra coisa. – Respirou fundo. – Continua doendo para caralho. – Fungou. – Eu ensinei para ele o significado de saudade, para que pudéssemos colocar em palavras o quanto sentíamos falta um do outro. E agora a saudade tá disputando espaço dentro de mim com a agonia e as duas estão acabando comigo.
– Odeio te ver assim. – O mais velho disse por fim, após alguns instantes em silêncio enquanto se recompunha. – Acho que vou me unir a e para queimar o prédio do TMZ. – Estalou os lábios e riu baixinho, secando as lágrimas com as costas da mão.
– Ter comigo pelo próximo mês vai ser reconfortante. Vai me manter ocupada, já que ela não cala a boca um segundo. Vou acabar matando ela e a . – Chiou e o irmão riu.
parece ótima. – Abriu um sorriso esperto e gargalhou.
– Ela é. E a namorada dela também. – Informou e Maurício torceu os lábios.
– Putz. – Murchou no mesmo instante e a garota voltou a rir alto. – Que inveja.
– Tonto. – Implicou e Maurício fez menção de que iria beliscá-la na cintura. levantou em um pulo e desembestou a correr em direção ao mar, para fugir do irmão, enquanto o rapaz revirava os olhos para o fiasco da irmã e passava as mãos pelos cabelos. Realmente odiava saber que estava machucada e que não poderia fazer nada para ajudá-la. E nem poderia culpar Mendes, já que o rapaz também estava sofrendo com o término tanto quanto a irmã.

Capítulo 2

I’m dying, my love
You punched a hole right through my heart

!!!!!!!!!AVISO DE GATILHO PARA PESSOAS COM ANSIEDADE!!!!!!!!!

Shawn.
Maratona de Friends. Com todos os episódios de Ano Novo. Aquele era o programa de Shawn Mendes, o astro do pop, para a última tarde de 2017. Brian estava ocupado fazendo alguma coisa que ele não havia informado para Shawn – o que em sua opinião era babaquice, mas não tinha como julgar o amigo depois de escrever uma música sobre a vida amorosa fracassada dele e colocá-la como canção de seu próximo álbum -, então o cantor simplesmente havia se escondido em seu quarto e tentado dormir novamente. Falhou e acabou optando por assistir Friends, mesmo que a lembrança do dia em que assistira a série pela última vez ainda estivesse fresca em sua memória. queria rever o pedido de casamento de Chandler e Monica e eles haviam conversado brevemente sobre seu futuro juntos, enquanto se aninhavam nos braços um do outro, afundados demais naquele amor que partilhavam. E aquilo lhe causava um sofrimento imensurável.
Suspirou alto, decepcionado com sua incapacidade de manter a atenção na TV. Ou em qualquer outra coisa, para ser bem honesto. Não confiava mais em seus próprios pensamentos, que pareciam determinados em sabotá-lo ao trazer a todo momento para a sua cabeça, em um lembrete interminável da falta que ela lhe fazia e o deixavam completamente desatento e desinteressado sobre o restante do mundo. E antes que outra paranoia ou uma crise de ansiedade pudessem acometê-lo, seu celular vibrou na mesa de cabeceira e Shawn suspirou aliviado pela distração. A conversa com Catherine estava no topo e logo Shawn estava lendo as mensagens da amiga, enquanto franzia o cenho ao digitar uma resposta para ela.

Cath
Abra a porta 02:15 pm
Temos pizza e chocolates 02:15 pm

“Temos”? 02:15 pm
Quem “temos”? 02:15 pm

Anna
Abra a porta logo, nuts 02:15 pm

A notificação de uma mensagem de Anna fez o cantor soltar um riso anasalado e pular para fora da cama em seguida. Destrancou a porta e logo as duas mulheres estavam sorrindo para ele. Catherine carregava uma sacola com chocolates e Anna segurava a pizza.
– Espero que tenha cerveja nesse frigobar. – Foi a primeira coisa que Heinze murmurou, antes de entrar no quarto e puxar o canadense para um abraço apertado.
– Está muito frio para cerveja. – Shawn contestou e a alemã revirou os olhos para ele. Anna entrou no cômodo e também abraçou o cantor com força, mesmo que tivessem se visto há algumas horas.
– Nunca está muito frio para cerveja. – Retrucou a mulher. Mendes fechou a porta e voltou para a cama, abrindo espaço para que as amigas se juntassem a ele. – Maratona de Friends! – Anna bateu palmas após largar a caixa da pizza e cima dos cobertores. Tirou os sapatos e se enfiou debaixo do cobertor, assim como Catherine, cada uma de um lado de Shawn. Ele soltou uma risadinha quando percebeu que elas haviam feito aquilo intencionalmente.
– Isso é tipo uma intervenção? – Ele questionou. Catherine revirou os olhos outra vez.
– Não. – Falou e ele soube que ela estava mentindo. – Mas estamos todos abandonados nessa virada de ano e passar um tempo juntos não irá nos matar. – Deu de língua para o canadense.
– Abandonadas? Vocês também voltaram para o barco das solteiras de coração quebrado e eu não estou sabendo? – Arqueou as sobrancelhas, fingindo uma surpresa exagerada.
– Eu falei sobre as piadinhas. – Anna murmurou para Catherine. – Ele está em um estado de autopiedade lamentável.
– Vocês estão fofocando sobre mim? – Shawn torceu os lábios como uma criança.
é uma santa para ter aguentado essa birra sem nunca tê-lo ameaçado de morte. – Heinze bufou e Shawn se encolheu automaticamente ao ouvir o nome da ex namorada. Catherine o abraçou pelos ombros em seguida.
– Nossos namorados não estão aqui, então estamos abandonadas sim. – Anna chiou, mudando de assunto, já que sabia o quão frágil Shawn estava naquele momento.
– Ao menos vocês têm namorados… – Mendes estalou os lábios.
– Shawn… – A brasileira suspirou, indicando que iria tocar no assunto sobre o qual Shawn não gostaria de conversar. Sobre o qual ele simplesmente não conseguia falar. Não com elas e nem com qualquer outra pessoa que estivesse naquela cidade. Ou naquele lado da América. Havia apenas uma pessoa com quem Shawn poderia ser honesto sobre como estava se sentindo, mas ela estava no Brasil e eles não conversavam mais. Porque não namoravam e ainda se amavam. E aquela era a receita para a desgraça e distância forçada.
– Eu realmente não quero falar sobre isso. – O cantor murmurou. – Podemos apenas assistir Friends e comer essa tonelada de comida que vocês trouxeram? – Pediu e seu semblante abatido convenceu as duas mulheres a não insistirem e deixarem que o rapaz tivesse seu próprio tempo para digerir e superar toda a merda que estava passando.
– Podemos. – Catherine assentiu. – Mas também podemos comer e ajustar os detalhes para nossa pequena comemoração de Ano Novo após o meu show. – Sorriu sem mostrar os dentes.
– Por favor! – Anna se animou. Shawn concordou com um aceno de cabeça, mas não se sentia no clima para qualquer festa. Mesmo que fosse minúscula e apenas com a presença de seus melhores amigos.
– Tudo bem. – Suspirou.
– Mas antes disso, eu preciso falar. – Catherine murmurou, para nenhuma surpresa do cantor. Heinze não tinha papas na língua e dificilmente guardava qualquer coisa para ela. E Shawn adorava a amiga daquela forma, mesmo que às vezes quisesse matá-la por ser irritante demais.
– Lá vem. – Revirou os olhos e Catherine lhe deu um soquinho no ombro em repreensão.
– Você sabe que estamos aqui, para o que precisar, não sabe? – Indagou, não dando tempo para que Mendes pudesse comentar qualquer coisa. – Nós adoramos a e criamos uma amizade incrível com ela, mas você é importante demais para nós e acredito que fale pela Anna quando digo que nossa amizade é prioridade, Shawn.
– Concordo com tudo que Catherine falar, sempre. – Schulte levantou as mãos para cima para confirmar sua fala.
– Mesmo que eu goste mais da do que de você, na maior parte do tempo. – Catherine acrescentou, apenas para provocar o canadense. Mendes lhe estirou a língua, mas sentia-se grato pelas amigas que tinha.
– Obrigado. – Disse com sinceridade. – Está tudo uma merda, mas eu sei que posso contar com vocês e isso significa muito. – Sorriu fraco.
– Amamos você, nuts. – Anna sorriu e abraçou Shawn ao mesmo tempo que Catherine e logo o cantor estava rindo e pedindo para que elas lhe dessem espaço para respirar. Pegou uma barra de chocolate na sacola e abriu, sentindo-se um pouco mais em paz naquele instante. Era sortudo por ter os amigos que tinha, sabia daquilo.
– Agora vamos falar sobre a nossa pequena festa! – Catherine bateu palmas.
– Precisamos de bebida. E um camarote. – Anna estalou os lábios.
– O segundo eu consigo. – Heinze afirmou.
– Vou falar com Marcus sobre o primeiro. – Foi o que a brasileira disse, arrancando uma risada de Mendes.
– Se tem alguém nessa cidade que consegue muita bebida em pouco tempo, essa pessoa é o Marcus. – Comentou.
– Não tão rápido. – Anna torceu os lábios, mas um sorriso feliz se abriu em seguida. – Agora ele é um homem comprometido, praticamente um pai de família. – Riu.
– Mais um homem bonito jogando no time dos comprometidos. – Catherine lamentou, sacudindo a cabeça para os lados.
– Holger vai adorar ouvir isso. – Shawn murmurou para ela, que lhe lançou um olhar nada amigável.
– Quieto, Mendes. – Chiou. – Não seja fofoqueiro.
– Me manterei quieto, prometo. – Shawn cruzou os indicadores e os beijou, selando a promessa. – Já basta ter arruinado meu relacionamento, não quero me envolver o seu. – Riu, mesmo que não achasse nenhuma graça. Catherine o puxou para um abraço e Shawn voltou a prestar atenção na TV enquanto a cantora e Anna discutiam os planos para a pequena festa.
Estava feliz por estar ali, mas seu coração gritava em plenos pulmões que faltava alguém. E Shawn tinha certeza que se juntaria as outras duas para implicar com ele. E ele queria mais do que tudo no mundo que ela estivesse ali.

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– Vamos pular as sete ondinhas! – gritou, afetada pelo álcool em níveis astronômicos, já que não havia se dado conta que ainda faltavam duas horas para a virada do ano. Henrique puxou a namorada para o seu colo, segurando-a com força para que ela não escapasse e corresse em direção ao mar como gostaria de fazer.
– Amor, ainda faltam duas horas. – O rapaz murmurou, recebendo uma careta de enquanto Maurício revirava os olhos. Ao menos ele era um bêbado tranquilo e não incomodava ninguém. Diferente da prima, no caso.
– É por isso que não se deve beber, amiguinhos. – murmurou, levantando seu copo para o alto, como se estivesse bebendo água e não estivesse com a língua enrolada e a cabeça levemente pesada por conta da cachaça. Sua mãe odiava caipirinha com vodka e usava a boa e velha cachaça vagabunda.
Estavam reunidos no quintal da casa, enquanto os adultos – mesmo que eles também fossem adultos, mas ainda se considerassem jovens – ocupavam a área da churrasqueira e a cozinha. havia oferecido ajuda, mas sua mãe havia enxotado a garota para longe para que ela tivesse descanso. Agora ocupava uma espreguiçadeira, Maurício estava sentado aos seus pés e Henrique e estavam em um puff.
– Tu fala como se não estivesse na quinta caipirinha. – O irmão revirou os olhos e estirou a língua para ele.
– Cuide da sua vida, fofoqueiro. – Chiou e ele a cutucou na panturrilha.
– Modos, . – Provocou. A fotógrafa o empurrou para o chão com o pé no instante seguinte, fazendo cair na gargalhada. Ignorou o irmão dali em diante, pegando o celular para checar se havia lhe mandado alguma mensagem. Encontrou uma foto da loira junto de Olivia e Connor abraçados e sorriu largo, sentindo saudades dos amigos, assim como sentia da família quando estava no Canadá com eles. Abriu o Instagram em seguida, apenas para matar o tempo e se arrependeu no mesmo instante daquela decisão. Shawn havia acabado de postar um agradecimento pelo ano incrível que ele havia tido e o vídeo era justamente da performance dele no Rock In Rio com There’s Nothing Holdin’ Me Back e aquilo causou a um turbilhão de emoções.
Sentiu-se saudosa e orgulhosa. Lembrava com exatidão de como era estar naquela plateia, cantando em plenos pulmões enquanto admirava o cantor por quem era fascinada há alguns anos. Lembrava do coração batendo desenfreado, da garganta ardendo e dos pés doendo por causa dos pulos. Lembrava do sorriso dele no telão e a forma como parecia encantado com a reação do público a sua entrada no palco. Era uma de suas lembranças favoritas de toda a vida e não se arrependia nada das escolhas que havia feito para chegar naquele momento. Assim como não se arrependia nenhum pouco dos passos que havia dado até a fatídica noite de seu primeiro beijo com o cantor, depois de trilharem juntos um caminho que passou pela amizade até chegar no interesse romântico recíproco.
Ao som daquela mesma música, haviam finalmente ultrapassado a linha da amizade e embarcado naquela paixão. Enquanto dançava e cantava como se estivesse em um show dele pela primeira vez e o garoto não estivesse à sua frente a observando e admirando. E lembrar daquele momento em questão trouxe lágrimas para os seus olhos e um aperto doloroso no coração. A lembrança dos lábios dele nos seus fazia tudo parecer certo, como se nada no mundo pudesse atingi-la, como se fosse invencível e sabia que não era. Se fosse, Shawn estaria com ela naquele momento, abraçando-a pelos ombros enquanto ela se aninhava em seu colo. Lembrava do toque dele em sua cintura e a forma como segurava seu rosto, com tanto carinho e cuidado, beijando-a como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. O cheiro dele ao seu redor, inebriando seu sistema e a deixando ainda mais submersa nas ondas de seu ser. Submersa naquela paixão que não sabia explicar, mas que transbordava de cada célula de seu corpo. Aquela paixão que havia virado amor e que agora machucava seu coração.
Não pensou direito enquanto digitava um comentário no vídeo, deixando as lágrimas caírem, sem se importar com o olhar preocupado do irmão ou os chamados de e Henrique. Ela precisava fazer aquilo, mesmo que fosse se arrepender no dia seguinte, quando o efeito do álcool tivesse amenizado. Naquele momento ela precisava colocar para fora como estava se sentindo e sabendo que era incapaz de ligar para o cantor e causar uma dor desnecessária em ambos, respirou fundo e postou o comentário, encarando a tela do celular enquanto dezenas de notificações de respostas surgiam. E ela esperou pela única resposta que lhe importava, ignorando completamente as mensagens de apoio ou de ódio. Não fazia sentido se importar com aquilo, não naquele momento.
Você merece toda a felicidade e sucesso desse mundo inteiro. Você é o melhor ser humano que eu tive o privilégio de conhecer e eu espero que o mundo te dê tudo de melhor que existe nele. Você brilha, trevo. E eu amo muito você, não importa o que aconteça ❤️
shawnmendes @ Não importa o que aconteça, você sempre será o verão nos meus dias de inverno. Eu amo você, obrigado por tudo ❤️
soltou um resmungo incompreensível, largando o celular na cadeira e levantando em um pulo, seguindo para o banheiro e se trancando lá dentro. Enfiou o rosto contra uma toalha e se deixou chorar o quanto quisesse, pelo tempo que achou necessário. Doía demais e ela não conseguia imaginar um único momento em que aquela dor pudesse passar. Como poderia deixar de amar Shawn? Ele não havia feito nada de errado para que aquela sequer fosse uma alternativa. Seu coração simplesmente não via motivos para deixar aquele amor morrer e nem poderia culpá-lo. Shawn era merecedor daquele sentimento, de cada pedacinho dele. Não seria capaz de arrancar aquele amor de seu peito, mesmo se quisesse fazê-lo.
E ela não queria. Porque amá-lo era muito fácil e lhe fazia tão bem. Estar com ele era seu paraíso particular. A única dor que sentia era a da distância. O rompimento a machucava e não o seu amor por Shawn.
Uma batida na porta arrancou a fotógrafa de seus pensamentos e estava prestes a pedir para que a pessoa lhe desse um segundo quando reconheceu a voz de do outro lado. Destrancou a fechadura e logo a prima a estava puxando para o chão, para que deitasse em suas pernas e pudesse chorar novamente, enquanto lhe afagava os cabelos com carinho.
– Eu me sinto uma adolescente burra que não sabe viver sem o namoradinho e não supera o fim do relacionamento. – Suspirou, a voz saindo estrangulada pelo choro.
– Tá tudo bem. – murmurou, a voz ainda enrolada por causa do álcool. – Não é como se ele não merecesse a sua fossa. – Deu de ombros. – Tu não perdeu um boy lixo, então tá tudo bem ficar mal por causa disso. Seria estranho se não ficasse. – Soltou uma risada.
– Isso que é o pior, entende? – chorou um pouco mais. – Eu preciso superar, mas como vou superar algo que me fazia tão bem? , eu realmente estava feliz. Claro, tudo ficou uma merda quando ele foi para a turnê, mas quando estávamos juntos… Eu não sei explicar, era simplesmente… – Engoliu o choro, sem saber como continuar. Não existia uma palavra para definir como se sentia.
– Como eu e Henrique. – Foi a resposta de e assentiu em concordância imediatamente. A prima sabia exatamente como ela se sentia, já que vivia o mesmo estado de felicidade que experimentara. Mas para sorte de , Henrique não era famoso e não tinham milhares de garotas a xingando por namorar com ele. E aquilo causava um pontinha de inveja em , mesmo que ela tentasse não sentir aquilo.
– É, tipo isso. – Suspirou.
– Tu sabe que eu acredito em almas gêmeas e que estamos predestinados a alguém e que, de alguma forma, o destino sempre dá um jeito de unir essas pessoas. – murmurou, ainda enrolada por causa do álcool. – E talvez isso seja papo de bêbada, – Riu sozinha. – Mas tu e ele são almas gêmeas. E o destino vai dar um jeito nessa bagunça, zinha. – Secou as lágrimas da fotógrafa, arrancando um sorriso da garota.
– Te amo. – murmurou. – E tô muito feliz que tu vai comigo para Toronto. Talvez tu consiga me fazer esquecer do meu coração partido. – Torceu os lábios. beijou a prima no rosto, apertando-a em seu abraço em seguida.
– Vou é tocar fogo no TMZ e chutar essas fãs do Shawn que preferem ver ele sofrendo do que namorando com a minha prima perfeita. – Chiou, causando um riso fraco em . – Te amo também, tu sabes. – Sorriu e se aconchegou nos braços de . – Mas ainda quero ir pular as ondinhas. – Acrescentou, recebendo mais uma risada em retorno.
– Nós iremos, eu prometo. – Suspirou. – Daqui a pouco Maurício vai bater na porta porque precisa mijar. – Torceu os lábios e riu.
– Sabe qual a minha maior decepção? – A garota indagou e franziu o cenho para ela em questionamento.
– O quê?
– Não tive chance de obrigar o Shawn a me levar para conhecer o Maroon 5. – Estalou os lábios e a fotógrafa encarou a prima por alguns segundos, completamente desacreditada no que havia escutado. – Eu planejei isso desde que vocês assumiram!
– Eu tenho certeza que ele faria isso por ti, mesmo que não estejamos mais juntos. – sorriu fraco. Shawn realmente faria aquilo por sem pensar duas vezes.
– Se por acaso eu esbarrar com ele, eu peço. – Garantiu. Encarou com um sorriso. – Me passa o endereço dele. Vai ser impossível não esbarrar nele sabendo onde ele mora.
gargalhou alto, puxando a prima para um abraço apertado. Mesmo com a saudade doendo, era a única que conseguia lhe arrancar um sorriso verdadeiro. Ela era a melhor pessoa do mundo e tinha como provar.

🎸🍀📷

Shawn.
O quarto do hotel parecia grande demais para Shawn. Vazio demais. Gelado demais. E mesmo que o cobertor pesado o cobrisse até as orelhas, ele ainda sentia o frio tomando conta de todo seu corpo, como se o ar condicionado simplesmente não tivesse acabado de ser ligado e enviasse ondas de ar quente em sua direção.
Havia passado algumas horas na companhia dos amigos na Times Square. Bebeu um pouco, conversou um pouco menos e conseguiu sentir-se plenamente feliz por alguns instantes, mesmo que a pontada de saudade ainda o acompanhasse por onde fosse. Assistiu ao show impecável de Catherine, extremamente orgulhoso da amiga, mas quando a meia-noite se aproximou e Heinze tomou o microfone para um pequeno discurso, a angústia esmagadora o colocou novamente contra a parede. Catherine comentou sobre a tradição alemã do beijo na virada, que simbolizava tudo aquilo que a pessoa desejava fazer pelo resto do ano. E Shawn sentiu-se miserável quando se deu conta de que a pessoa com quem gostaria de passar os próximos 365 dias e também os anos que seguiriam, já não fazia parte de sua vida como ele gostaria. Que ele havia realmente a perdido por conta de algo que nem era culpa de algum deles, mesmo que se sentisse um pouco responsável por toda a bagunça causada pela mídia e por seus fãs.
Enquanto Catherine cantava sua última música, após a meia-noite, Shawn se isolou em um canto, enquanto seus amigos comemoravam a chegada de 2018. Era difícil para ele fingir que estava tudo bem, principalmente quando estava junto de muitas pessoas que se importavam com ele. Não queria ser o amigo deprimido do qual todos tinham pena, mas também não conseguia agir como se tudo estivesse voltando ao normal, quando claramente não estava. Ele não sentia-se feliz naquele momento e não queria estragar a noite de ninguém, então simplesmente esperou o show terminar, se despediu de todos e voltou para o hotel. Se escondeu embaixo dos cobertores após um longo banho quente, o choro entalado na garganta, encarando o papel de parede de seu celular.
Estava junto de , a abraçando pelo pescoço e beijando-a na bochecha direita, enquanto ela sorria largo e segurava os braços dele para impedi-lo de soltá-la. Os olhos quase sumiam por conta do largo sorriso que aumentava suas bochechas de forma contrastante e os cabelos estavam revirados. Shawn sorria entre o beijo, os olhos brilhando em pura alegria por simplesmente estar ao lado da fotógrafa. Aquela foto fora tirada no Japão, logo após assumirem o namoro e ambos estavam tão felizes que a alegria parecia quase palpável apenas ao olhar a fotografia. E Mendes sentia tanta saudade, que a dor por não ter por perto se transformava em medo de nunca conseguir superar a falta que ela lhe fazia e a ansiedade lhe atacava sem nenhuma piedade.
Respirou fundo, sentindo todo o corpo pesado. Apertou os braços em torno do travesseiro e abandonou o celular na mesa de cabeceira, tentando controlar a respiração que subitamente havia acelerado, assim como as batidas de seu coração. Sua cabeça não parava de relembrar momentos com e Shawn sentia-se cada vez pior. Precisava tirar aquela angústia do seu coração, mas como o faria se não conseguia conversar sobre aquilo? Com ninguém? Quem poderia entendê-lo, sem julgá-lo pelo sofrimento que sentia desde o momento do término?
Quem poderia fazer aquilo, além de ?
Shawn sabia que ligar para a fotógrafa seria uma péssima ideia. Os míseros comentários trocados no Instagram foram o suficiente para deixá-lo completamente desestabilizado. O buraco em seu peito ainda nem havia começado a cicatrizar e ele sabia que sentia-se da mesma forma. Ambos estavam sofrendo com o término e nenhum tipo de contato lhes faria bem, não naquele momento e nem em qualquer momento futuro. Não enquanto desejassem reatar o relacionamento mais do que tudo no mundo. Shawn sabia que um dia a falta de iria ser normal e doeria em momentos específicos. Mas ainda era cedo para aquilo e a dor não estava lhe dando qualquer folga.
Porque era difícil falar sobre um coração partido, quando de fato se estava vivendo aquela dor. Mendes já havia visto aquilo em filmes, lido em livros, escutado em músicas, escrito sobre aquilo… Mas era diferente realmente sentir, era uma dor simplesmente inexplicável. Poderia usar milhares de comparações e analogias, mas no final, a dor em seu coração jamais poderia ser descrita com exatidão. Porque o amor em si era algo inexplicável. Ele mesmo havia escrito uma música de amor para , cheia de analogias, porque escrever de fato o que era aquele amor havia sido impossível. Simplesmente existia. Era bom, lhe fazia feliz. E a dor por não tê-la mais era tão aguda quanto.
Sentia-se completamente desamparado e perdido. Antes de chegar em sua vida, Shawn estava satisfeito com a forma como as coisas andavam. Ele tinha uma família e amigos incríveis. Tinha fãs que o apoiavam em tudo o que fazia e lhe proviam todo o amor que lhe era necessário. Mas então chegou e ele experimentou outro tipo de felicidade. E havia se acostumado com os dias de verão e ter os dias nublados em sua vida novamente não seria o suficiente. Ainda mais quando lembrava que havia sido uma parcela de seus fãs que haviam tornado inviável a permanência de em sua vida. Os dias nublados sem se tornaram frios e chuvosos porque nem com seus fãs Shawn poderia contar naquele momento. Havia perdido tudo o que o mantinha em pé em pouco tempo e aquilo o deixava arrasado.
A respiração novamente começou a falhar e seu coração marcou batimentos ainda mais rápidos. Novamente abraçou o travesseiro, encarando o teto do quarto e esperando que o início de crise passasse rápido. Sua cabeça estava uma confusão de sentimentos doloridos e pensamentos pessimistas, então era impossível não se deixar abater pela ansiedade. Precisou levantar da cama, dando algumas voltas pelo quarto na tentativa de focar sua atenção em outra coisa que não a dor lancinante em seu coração. Precisava colocar aquilo para fora. Precisava conversar com alguém. Precisava de . Precisava muito.
Acabou na escrivaninha do quarto, sem saber realmente como havia decidido escrever aquela carta. De alguma maneira, para sua mente agitada, escrever para a brasileira poderia lhe ajudar. Poderia fingir que estava falando com ela e então talvez conseguisse tirar um pouco do peso que esmagava seu peito. Encontrou um de seus cadernos de rascunhos e quando pousou a caneta na folha e pensou em como começar a escrever aquela carta, as palavras simplesmente surgiram e Shawn rabiscou várias linhas, sentindo a respiração voltar ao normal conforme as frases passavam a fazer sentido fora de sua cabeça. E quando terminou, ainda não poderia dizer que sentia-se bem. Mas o início de crise havia dispersado e a exaustão tomava conta de seus pensamentos. Guardou o caderno e voltou para a cama, jogando-de no móvel e se cobrindo novamente com os cobertores. Não levou dez minutos para cair no sono, mesmo que o espaço ao seu lado ainda gritasse pela falta de .
As coisas não estavam bem. Mas Shawn deveria se acostumar com aquilo, mais cedo ou mais tarde.

Oi dengo,
Não sei como começar a fazer isso, mas acho que essa é a única maneira de conseguir colocar para fora os sentimentos que estão me sufocando. Não consigo escrever músicas sobre isso, não consigo conversar com ninguém sobre o que está se passando na minha cabeça… Conseguiria conversar com você, porque você é a única que conhece meu coração como a palma da mão… Mas você não está mais aqui e eu me sinto péssimo.
Estou no quarto do hotel, enquanto todo mundo aproveita a festa da Catherine. Eu deveria estar lá, mas não estou no clima para isso. Não quero ficar no meio de pessoas, quando a única pessoa com quem eu queria estar é você. O show da Cathe foi incrível, você teria adorado cada momento. E então as duas teriam se juntado para me irritar, mas nem isso iria acabar com a felicidade que eu estaria sentindo caso você estivesse aqui.
Queria muito que estivesse aqui, . Queria mesmo.
Porque assim essa dor sumiria. Eu conseguiria dormir, eu conseguiria respirar direito. Está difícil ultimamente. Principalmente porque quando eu não tinha você, eu tinha meus fãs. Me sentia seguro sabendo que eles estariam em qualquer lugar por mim, me desejando o melhor. Mas nem todos, não é? Porque se fossem todos, eu não estaria aqui. Estaria ai com você e nenhum de nós estaria com o coração pesado agora. E toda essa situação me deixa mal.
Eu não tô conseguindo me acostumar com todas essas mudanças. Eu perdi tanto, em tão pouco tempo. E se estivesse aqui, saberia o que dizer para acalmar meu coração. Porque o seu abraço é o meu lar e só você consegue me trazer paz o suficiente para não precisar daquele remédio. Eu voltei a tomar, inclusive. Tô tentando cuidar de mim, de um jeito meio torto, mas tô tentando. Porque se um dia você voltar para mim, eu quero estar bem para conseguir te proteger do mundo. Como eu deveria ter feito antes e como não fiz, perdi você.
Estou sentindo tanta saudade. Não sei se vou conseguir me acostumar com a ideia de não ter mais você, daqui para frente. Acho que vou continuar escrevendo para você, para fingir que nada mudou e conseguir dormir. Relembrar a sua voz me chamando de trevo e o carinho que você fazia nos meus cabelos. Do seu beijo com gosto de amor e do seu abraço com cheiro de casa. Sinto sua falta todos os dias e já estou chorando só por escrever isso, então vou parar por aqui. Amo você, dengo. Muito.
Com amor, Shawn.

Capítulo 3

And now that I’m without your kisses
I’ll be needing stitches

.

estava desconfortável. Sentia diversos pares de olhos em cima de si e toda vez que percebia algum sussurro em sua direção, baixava ainda mais a cabeça, esperando que o boné cobrisse seu rosto e a escondesse. Estava no Shopping Via Lagoa, esperando por seu pai, junto de Maurício. Ocupavam uma mesa na praça de alimentação e mesmo sendo o primeiro dia do ano e teoricamente feriado, o shopping mantinha seus serviços disponíveis e realmente esperava que aqueles trabalhadores recebessem 100% de horas extras, eu então se sentiria péssima por estar usufruindo do trabalho deles. E para seu azar, o shopping estava cheio. E já havia visto mais de um grupo de garotas apontando para ela e cochichando enquanto a encaravam.

– Tenho certeza que estão me olhando. – suspirou, recebendo um abraço do irmão em seguida. – E até descobrirem que tu é meu irmão, vão falar que eu terminei com Shawn e o deixei de coração partido para voltar para meu namorado brasileiro. – Torceu os lábios.

– E como eles sabem que Shawn está de coração partido? – Maurício questionou confuso. se manteve em silêncio por alguns instantes, recebendo um olhar nada satisfeito do irmão. – Eu já não te disse para parar de procurar pelos comentários negativos?

– Não procurei. – Se defendeu. – Apenas esbarrei em alguma coisa enquanto estava no Instagram.

– Esbarrou e não fez questão de ignorar. – O mais velho chiou. – Vou te proibir de usar o celular, estou falando sério.

– Eu vou embora hoje à noite. E já tenho 21 anos, você não pode mais me proibir de nada. – Torceu os lábios para o irmão, que lhe beliscou na cintura.

– Mal educada.

– Aprendi contigo. – Estirou a língua para o garoto, que voltou a lhe cutucar e recebeu um tapa no braço. A briga dos irmãos foi interrompida por um pigarro alto e em questão de segundos estava sendo engolida pelo abraço de Carlos , que apertava a filha com cuidado para não machucá-la, mesmo que sentisse uma saudade gigante. Desde que ela havia ido embora, havia conversado com a garota poucas vezes, já que o genitor trabalhava em turnos invertidos e seus horários livres não fechavam com os da filha.

– Que saudade pai! – A garota murmurou, com os olhos cheios de lágrimas. Carlos segurou seu rosto com as palmas das mãos e os olhos dela se encheram ainda mais de lágrimas quando lembrou da pessoa que costumava fazer aquela mesma coisa para olhar em seus olhos. E por mais que estivesse com saudades do pai, não encontrar os olhos cor de mel de Shawn e o cachinho caído na testa do garoto foi decepcionante.

– Senti sua falta também princesa! – Carlos sorriu, acariciando as bochechas da filha antes de deixar um beijo estalado na face dela. – Como tu estás?

– Estou bem. – Abriu um sorriso convincente. Carlos torceu os lábios, sabendo que não estava sendo sincera, mas não insistindo no assunto. Abraçou Maurício em seguida e sentou-se à mesa com os filhos. não era nada parecida com o pai, já que havia puxado Susana em todos os sentidos, tanto de aparência como de personalidade. Sua única semelhança era o amor pela fotografia, que Carlos levava como um hobby e que havia levado mais a sério e se esforçado para ser uma profissional qualificada. Já Maurício era a cara do pai, sem tirar nem pôr, mesmo que também tivesse puxado Susana na personalidade.

– Como tu estás? – Maurício indagou ao pai, voltando a se recostar na cadeira.

– Estou ótimo, principalmente por ter conseguido vir ver vocês antes de voltar para casa.

– Eu não vou para casa. – franziu o cenho com a frase do pai. – Vou para Toronto com a .

– Eu sei, querida. – O genitor sorriu. – E mantenho minha frase: tu vai voltar para casa. – Murmurou, causando conforto no coração agoniado da filha, que sorriu para ele e estendeu a mão para que pudessem entrelaçar seus dedos.

– É. – Suspirou. – Casa.

– E espero que esteja cuidando de ti mesma, . – O tom de voz do homem se tornou mais sério. – Não se coloque em perigo, mas também acredito que você deve lutar pela sua felicidade, independente do que as pessoas falam.

– Estou fazendo o melhor que posso. – A garota garantiu, sabendo que estava sendo sincera com o pai. Talvez não tivesse tomado as melhores decisões, mas sentia-se em paz com as escolhas que havia feito, mesmo que seu coração doesse por conta daquilo.

– Acredito em ti. – Carlos sorriu, se voltando para Maurício em seguida. – E tu guri, quando vai apresentar a namorada? – O mais velho questionou e estava pronta para soltar uma gargalhada alta quando observou o irmão corar e passar a mão pelos cabelos, demonstrando estar sem jeito. Franziu o cenho e se voltou para o garoto.

– Tu estás namorando? – Ela questionou apavorada.

– Mais ou menos. – O garoto confessou.

– E por que tu não me contou? – estava descrente e um pouco magoada e Maurício suspirou, arrependido por ter escondido aquilo da irmã. Mas havia feito visando o bem dela e não esperava precisar tocar naquele assunto.

– Eu não queria que tu se sentisse mal, . – Foi sua resposta e a garota se encolheu imediatamente. – Porque tu acabou de sair de um relacionamento e tudo o que não precisa, é de pessoas apaixonadas te lembrando o quanto é bom estar junto da pessoa de quem a gente gosta. – Maurício murmurou, enquanto a fotógrafa se encolhia um pouco mais e seus olhos lacrimejavam. – Então preferi ficar quieto, porque é muito recente e nós ainda não oficializamos nada.

– Mas tu tinhas falado da e…

– Foi só um comentário idiota para despistar. – Deu de ombros. – Eu não pretendia te contar nem tão cedo. – Suspirou outra vez. assentiu, voltando a encarar o pai, que tinha uma expressão culpada no rosto.

– Eu não queria… – Carlos começou, mas a garota estalou os lábios, cortando a fala do genitor.

– Tá tudo bem, pai. – Falou. – Maurício fez pelo meu bem e eu agradeço pela preocupação. – Sorriu sem mostrar os dentes. – Mas eu preciso me acostumar com pessoas em relacionamentos felizes à minha volta, enquanto remendo meu coração. Não me poupem da realidade, por favor. – Suplicou, movendo o olhar do pai para o irmão. – Eu me coloquei dentro de uma redoma quando estava com Shawn e quando precisei encarar o mundo lá fora, as coisas ficaram terríveis demais e eu não soube lidar. – Sussurrou. – Então não façam isso comigo, achando que estão me protegendo. Porque dói mais quando vocês estão longe e eu fico sozinha, que foi o que aconteceu quando Shawn viajou.

– Desculpa. – Maurício sussurrou, realmente desolado com a fala da irmã. – Eu só pensei que estaria fazendo o melhor para ti.

– Eu sei. – A garota sorriu para ele. – Mas eu preciso aprender a lidar com as coisas. – Deu de ombros. – E agora estou ansiosa para conhecer minha cunhada. – Abriu um sorriso verdadeiro, mesmo que ele fosse pequeno e menos caloroso do que os sorrisos de costumavam ser.

– O nome dela é Pietra. – O garoto abriu um sorriso apaixonado que destroçou o coração de . Mas a garota se forçou a manter o sorriso no rosto e fingir que estava tudo bem. Ela precisava ser forte, no final das contas.

– É um nome bonito. – Carlos elogiou.

– Bonito demais para ti. – implicou e Maurício a beliscou na cintura novamente.

– Parem de implicância. – Carlos revirou os olhos, mesmo que sentisse falta das brigas infantis dos filhos. Gostaria de passar mais tempo com eles, mas ambos tinham suas vidas e o homem precisava se contentar com os poucos momentos que passava com os dois. Ainda mais com morando no outro extremo da América.

🎸🍀📷
Shawn.

Uma batida na porta de seu quarto despertou Shawn da inércia de encarar o violão em seus braços, já que não conseguia dedilhar notas o suficiente para finalizar uma das canções que havia escrito para ao longo daqueles meses que haviam passado juntos. Antes de conhecer , ele já tinha quatro canções escritas, que precisavam apenas de alguns ajustes – e isso era um trabalho que deveria ser feito em conjunto com Anna – e excluindo a música que havia escrito sobre Brian e , Mendes tinha composto sete músicas para . Havia escrito sobre ela, mesmo que as letras ainda pudessem ser alteradas antes da gravação final – o que provavelmente aconteceria, já que Shawn não queria toda sua vida exposta em um álbum, sem que algumas coisas ficassem ocultas apenas para ele. Manteria os manuscritos originais guardados e junto com o restante dos compositores e produtores envolvidos na elaboração daquele álbum, faria as mudanças finais necessárias. Ainda não tinha finalizado a lista de faixas, já que ainda pretendia compor mais alguma canção, mas estava satisfeito com as doze canções que entrariam para o álbum que ele ainda não tinha ideia de como iria chamar.

– Pode entrar. – Murmurou, abandonando o instrumento em cima da cama ao mesmo tempo em que se virava em direção a porta, sorrindo quando Camila adentrou o quarto. A garota usava tanta roupa que causou um riso fraco no canadense.

– Você parece bem maior do que realmente é. – Murmurou. Se levantou e abraçou a melhor amiga com carinho, enquanto Camila revirava os olhos.

– Só porque você tem dois metros de altura, gosta de implicar com as pessoas de altura normal. – Frisou a última palavra, conseguindo arrancar um riso do cantor. – Como você está? – Indagou com preocupação e Shawn torceu os lábios. Sentou-se na cama e Camila sentou ao seu lado,

– Ótimo. – Mentiu e a garota novamente revirou os olhos. – Não consegue ver a alegria que irradia de cada célula do meu corpo?

– Eu avisei Niall que daria um soco na sua cara se ficasse com essas piadinhas horríveis. – Ela chiou. – E ele garantiu que paga a fiança se você me denunciar.

Shawn riu fraco, abraçando a cubana pelos ombros.

– Não será necessário. – Garantiu. – O que você veio fazer aqui? – Questionou após alguns segundos e Camila sorriu para ele.

– Evitar que afunde em um poço de autopiedade e sofrimento. – Estalou os lábios.

– Você, Catherine e Anna estão passando muito tempo juntas. – Shawn revirou os olhos, mesmo que se sentisse extremamente grato pelas amigas que tinha. Talvez as coisas estivessem ainda piores, caso precisasse lidar com tudo aquilo sozinho.

– E estamos sendo maravilhosas por ainda não termos dado um soco em você por agir como se não precisasse de ninguém ou como se tudo estivesse bem. – Camila torceu os lábios. – Nós sabemos que está mal e nos importamos com você. Queremos ver você bem, Shawn. Na medida do possível. – Acrescentou, sabendo que ‘bem’ não seria uma definição adequada para o momento. Não enquanto o término do namoro com fosse tão recente e ainda levasse o canadense as lágrimas quando sentia o peito apertar de saudade.

– Não estou agindo como se não precisasse, Cams. – O cantor suspirou. – Eu só… Não consigo falar disso. Nem com vocês, nem com Brian, nem com Aaliyah. Eu só conseguiria conversar com ela. – Deu de ombros, o sorriso triste preso nos lábios. Camila suspirou e sentiu seus olhos se encherem de lágrimas por ver o melhor amigo sofrendo daquela forma. – E não posso.

A cubana o encarou por longos instantes, tentando entender o que se passava no coração de Shawn e então percebendo que não deveria ser a pessoa a lhe dizer que tudo ficaria bem, que ele deveria sofrer e então as coisas melhorariam no futuro. Shawn não conseguia falar sobre o assunto e iria digerir as coisas em seu próprio tempo.

– Vamos. – O puxou pelo braço e Shawn franziu o cenho para a cantora.

– Quê?

– Vamos sair. – Decidiu. – Você está se sentindo péssimo e ficar nesse quarto não vai ajudar. Eu sei que sair e esquecer essa merda toda por alguns instantes não vai curar o seu coração partido, mas se entreter um pouco vai fazer bem a você. Vamos falar de trabalho, vamos falar de nossas carreiras. – Camila estava enérgica e Shawn quase riu. – Eu vou ficar em Nova Iorque pelos próximos dois meses e tenho certeza de que podemos nos divertir um pouco. – Garantiu e o cantor assentiu em concordância. Afinal, as coisas não poderiam piorar para ele.

– Tudo bem. – Disse por fim. – Me dê dois minutos para trocar de roupa. – Pediu e Camila saiu do quarto em seguida, dando tempo para Shawn vestir algo mais quente e enfrentar o frio de Nova Iorque sem a chance de sofrer hipotermia. Acabou vestindo-se mais rápido do que esperava e enquanto procurava pelo celular no quarto, sua atenção acabou desviada para a escrivaninha e o caderno onde havia escrito seus pensamentos mais profundos naquela madrugada. Suspirou, indeciso a respeito de jogar aquilo fora ou simplesmente guardar para fazer daquele caderno, seu diário pessoal de desabafo.

E chegou a conclusão de que talvez aquela fosse uma boa ideia. Não conseguiria falar sobre o que sentia com ninguém e manter aquilo para si poderia ser prejudicial para sua saúde mental. E pensando naquilo, Shawn sentou-se e abriu o caderno, escrevendo a data e o horário no topo da nova página e encarando as folhas por mais alguns instantes, antes de escrever mais alguns parágrafos, sentindo-se levemente aliviado. Seu coração pesava menos e a saudade em seu coração parecia ter dado um tempo em lembrá-lo da ausência de .

Oi dengo,

Sou de novo. Talvez seja uma boa ideia manter esse caderno

para desabafar. Para fingir que estou falando com você, mesmo

sabendo que não estou e que não vamos nos falar nem tão cedo.

Camila me convenceu a sair do quarto hoje, mesmo com o frio

absurdo que está fazendo na cidade. Tem neve e eu sei que você

teria adorado a possibilidade de sairmos para patinar – mesmo

que eu saiba que você não sabe patinar. Mas eu iria te ensinar,

porque posso ser ruim com passos de dança, mas você sabe que

sou ótimo patinando, – e isso não faz nenhum sentido.

Ainda não consigo falar sobre você, com ninguém. Nem comigo

mesmo, já que não consegui escrever uma palavra sequer no

rabisco de música que eu estava compondo. Tenho o título,

mas não consigo escrever a canção. Acho que me acostumei

com a ideia de só escrever músicas de amor e não quero voltar

a escrever músicas sobre coração partido. Porque é difícil

colocar em palavras o quanto eu estou sofrendo por não ter

você aqui comigo. É difícil falar de uma dor que se apodera do

meu coração, que me impede de dormir e não me deixa respirar

direito. Eu sei que é a ansiedade dando as caras, mas quando

eu tinha você, ela não vencia mais as batalhas. Agora estou

desarmado, perdido e cansado. Só queria meu porto seguro – o

seu abraço – para descansar meu barco. Mas você está longe

e precisa permanecer longe para ficar bem. E eu entendo.

Odeio, mas entendo.

Amo você, sempre.

Com amor, Shawn.

– Shawn! – Camila gritou, batendo na porta de forma enérgica. O cantor suspirou, fechando o caderno e o guardando debaixo do travesseiro. Encontrou o celular no meio da bagunça de cobertores na cama e o guardou no bolso, seguindo para fora do quarto após enfiar a carteira no bolso da jaqueta. Camila tinha os olhos semicerrados para ele quando Mendes trancou a porta do quarto, como se soubesse o que ele estava fazendo e Shawn sentiu-se envergonhado.

– Estava procurando meu celular. – Disse e sabia que aquela era uma meia verdade. Camila o fitou por mais alguns instantes, desistindo de brigar e dando de ombros em seguida.

– Certo. – Estalou os lábios. – Chamei Brian. – Avisou. – Vamos tomar sorvete. – Abriu um sorriso largo e Shawn sorriu fraco. Aquela era uma mania que havia passado para Camila, na época em que gravavam I Know What You Did Last Summer.

– É a melhor época para tomar sorvete. – Concordou e seguiu com a amiga para o térreo, encontrando Brian os esperando. Passaria algumas boas horas acompanhado dos melhores amigos e conseguiria esquecer, por alguns momentos, que preferia estar em outro lugar e não em Nova Iorque.

🎸🍀📷
.

Não aguentava mais ouvir Maroon 5. E sentia-se arrependida por ter obrigado Shawn a ouvir Jonas Brothers durante toda a viagem para Los Angeles que haviam feito em novembro. insistia em escolher a música, já que deixava a playlist correr no aleatório quando deveria escolher uma canção, e Maroon 5 acabou por ser a única coisa que ouviram durante a pequena viagem de São Paulo até Miami, onde fariam a última parada antes de desembarcarem em Toronto.

Se despedir da família não havia sido fácil. Não quando sentia-se completamente desamparada e Susana havia decidido levar a filha no aeroporto. Haviam chorado tanto, que soluçou durante toda a pequena viagem de Floripa até São Paulo. Seu coração já doía de saudades, porque sabia que demoraria muito tempo para conseguir voltar para casa. Caso estendesse seu contrato para um ano, só voltaria ao Brasil em outubro e seria um tempo longo demais longe daqueles que faziam tão bem ao seu coração machucado. Mesmo com indo passar o mês de janeiro com ela, já sentia-se ainda mais sozinha. Principalmente porque não teria a presença constante de Shawn em sua vida, como havia se acostumado a ter nos últimos meses. Ainda duvidava de que conseguiria não sentir falta dele algum dia. Seria sempre uma ferida aberta em seu coração e sua alma.

– I’m hurting, baby, I’m broken down, I need your loving, loving, I need it now. – cantarolou, sacudindo os pés no ritmo da música. estava agradecida por estarem sozinhas na sala de espera, já que a prima não parecia interessada em conter sua cantoria e com certeza a faria passar vergonha. – When I’m without you, I’m something weak. – Cantou animada e beliscou a garota na cintura, para chamar sua atenção. a encarou com o cenho franzido.

– Se eu começar a chorar, a culpa vai ser toda tua. – Reclamou e levou dois segundos para dar-se conta da letra da música.

– Ai me perdoa! – Segurou pelos braços, demonstrando arrependimento. – Sugar tem uma batida feliz e eu esqueço que a letra é sobre coração partido. – Torceu os lábios.

– Eu estava falando da sua voz horrível. – pontuou. – Mas obrigada por me lembrar do motivo pelo qual eu deveria estar chorando. – Revirou os olhos. lhe estirou a língua.

– Estou animada, é minha primeira viagem internacional. – A garota bateu palmas animada. – E vou ver neve!

disse que não está nevando ainda. – suspirou. – Mas já está frio o suficiente para conseguirmos patinar no gelo. – Sorriu largamente.

– Estou ansiosa para conhecer . – admitiu. – E Connor. Ele parece ser um amor.

– Ele é. – A fotógrafa concordou. – Temos a missão de encontrar uma namorada para ele. – Informou, causando risos na prima.

– Que tal tu mesma? – Sorriu debochada e revirou os olhos para ela. – Tu tinha me dito que ele tinha interesse. – Deu de ombros.

– Tinha, no passado. – Chiou. – Somos bons amigos e nunca vamos passar disso. Connor merece alguém que realmente goste dele. – Suspirou.

– Eu sei, estou brincando. – revirou os olhos. – Esse coraçãozinho é do Shawn e ninguém nunca vai conseguir tomá-lo dele. – Abraçou a prima pelos ombros, tentando lhe confortar.

– Ao menos tenho um amigo encalhado e vou ter com quem sair quando tu voltar para casa. – Riu de sua própria desgraça e revirou os olhos.

– Espero que nosso roteiro de turismo já esteja pronto. – A prima murmurou. arqueou as sobrancelhas para ela.

– Tu fez um?

– Não. – Sacudiu a cabeça para os lados.

– Então não temos um roteiro. – Estalou os lábios. – Eu já conheço parte de Toronto. – Lembrou. – Não vou fazer um roteiro para ti.

– Ingrata. – chiou, arrancando risos da fotógrafa. – Me ajuda a fazer um então! – Reclamou e suspirou, puxando o celular do bolso para abrir o Google e pesquisar pelos pontos turísticos mais famosos de Toronto para apresentá-los a prima. Com o navegador aberto, deixou sua atenção cair nas sugestões de artigos que o aplicativo sugeria, batendo os olhos em uma foto de Shawn ao lado de Camila passeando por Nova Iorque. O título da matéria foi o que mais chamou a atenção e franziu o cenho, mesmo que soubesse que nada que vinha do TMZ e afins deveria ser levado a sério.

TMZ: Shawn Mendes e Camila Cabello são flagrados em clima romântico em Nova Iorque.

– Que porra é essa? – questionou, a cabeça sobre o ombro de , enquanto também encarava o título da matéria com uma careta. a encarou, dando de ombros, sem saber se deveria ler a matéria ou simplesmente fingir que não tinha visto nada e seguir com sua meta de evitar o sofrimento.

– Eu não sei. E nem sei se quero saber. – Murmurou, suspirando ao final da frase.

– Mas eu quero saber. – A outra retrucou, tomando o celular da prima em suas mãos e então clicando na matéria. se inclinou para ela, sem conseguir conter a curiosidade e com a unha do dedão na boca, pronta para ser roída graças ao nervosismo que sentia.

Nas fotos, Shawn e Camila andavam lado a lado, conversando e rindo de qualquer que fosse o assunto que discutiam. Ambos estavam agasalhados até as orelhas e não via nenhum clima de romance entre eles, mesmo que um abraço tivesse sido trocado entre os dois cantores e flagrado pelo paparazzi que havia vendido as fotos ao TMZ. Mas aquele era um abraço comum, sabia diferenciar. Porque não era o mesmo abraço que Shawn lhe dava e do qual ela sentia tanta falta. Pareciam apenas dois amigos passando um tempo juntos, nada demais. Ou então estava tão focada em acreditar naquilo, que se recusava a encontrar as pistas do suposto romance que o TMZ descrevia no pequeno texto sobre os cantores.

– Que idiotice. – chiou, revirando os olhos. – “Shawn e Camila passaram algum tempo em uma cafeteria em Manhattan, conversando e rindo o tempo todo. Quando o paparazzi os seguiu e questionou a respeito de , ex namorada do cantor, Camila fez uma careta e Shawn pediu por privacidade, adentrando seu carro em seguida. Talvez o cantor tenha superado o término com uma nova paixão e precisamos admitir que Shawmila sempre foi nosso casal favorito!” – Terminou de ler e fez uma careta. Encarou com descrença no olhar, mas a fotógrafa apenas sentiu um aperto no coração quando o medo de que Shawn pudesse entrar em outro relacionamento lhe acometeu. Afinal, ele não passaria o resto de sua vida sofrendo por ela. não desejava aquilo para ele, muito pelo contrário queria que Shawn fosse extremamente feliz.

Mas a ideia de vê-lo feliz com outra pessoa, que não ela, era dolorosa demais e quase a levava às lágrimas.

– Tu não tá acreditando nessa merda, não é ? – questionou exaltada. – Pelo amor de Deus.

– Não. – garantiu. – Eles não estão namorando e mesmo se estivessem, isso não seria da minha conta. – Seu lábio inferior tremeu e suspirou, baixando a guarda e novamente abraçando a prima. – Eu só… Não estou pronta para vê-lo com outra pessoa, caso isso venha a acontecer.

– Se isso acontecer, assim tão em cima do término de vocês, eu juro que mato esse guri. – Avisou.

– Seria injusto eu obrigar ele a se manter fiel a um relacionamento que já não existe mais, . – murmurou.

– Mas vai voltar a existir. – A outra bateu o pé. – Assim que chegarmos em Toronto e e eu atearmos fogo no TMZ e matarmos as fãs escrotas do amor da sua vida. – Sorriu de forma maníaca e caiu na risada. Não sabia o que seria dela sem e estava ainda mais grata por ter a companhia da garota pelo resto do mês.

Capítulo 4

And maybe I will never feel
You gave me something so real

Shawn.
Não entendia porque gostava tanto de correr ouvindo músicas tristes. Para ele, era quase como terapia. Conseguia ouvir as batidas de seu coração e sentir cada músculo do corpo, já que nenhuma batida eletrônica tocava em seus fones de ouvido. Aquele era o terceiro fone em seis meses porque havia perdido os outros. Ou guardado em algum lugar que ele não lembrava, mas já estava acostumado a ter que comprar outro a cada dois meses.
Shawn sabia que Andrew o mataria caso descobrisse que ele estava andando desacompanhado em Nova Iorque. Mas não queria interromper o tempo de Jake com a família apenas porque ele queria correr no segundo dia do ano. Poderia ter usado a academia do hotel, mas sentia-se preso e precisava de ar puro. Mesmo que o ar não fosse tão puro quanto ele estava acostumado em Pickering. Até mesmo Toronto era menos poluída e aquilo só afirmava um amor pelo Canadá que Shawn já sentia em toda sua alma. Estava sentindo falta de casa e o pensamento de que deveria passar todo o mês em Nova Iorque lhe incomodava. Preferia Los Angeles, mil e uma vezes.
Atravessou a rua do hotel e ocupou a calçada, iniciando a corrida em seguida. Havia se alongado no quarto e tudo o que precisava era correr até sentir suas pernas doerem. Cinco quilômetros seriam o suficiente para aquele dia, enquanto a playlist com as músicas mais tristes tocava. A corrida impedia seu coração de sentir saudade pois sua mente estava focada em outra coisa. Mas Mendes não conseguia deixar de pensar em Maria Eduarda a cada canção que tocava. Ela estava em tudo o que ele pensava, tudo o que desejava. Não conseguia fazer qualquer coisa sem que uma lembrança dela tomasse seus pensamentos. Naquele momento lembrava da vez que haviam se esbarrado em Toronto, mesmo que eles nem tivessem conversado. Shawn sabia que ela estava fugindo de Becca, achando que a loira a estava perseguindo, e um sorriso bobo tomou seus lábios. Madu era tão única, tão… ela. E ele sentia tanta saudade da singularidade dela e tinha certeza que nunca encontraria ninguém como ela.
Seu sorriso frouxo se transformou em uma careta ao mesmo tempo em que XO, na versão do John Mayer, começava a tocar nos fones de ouvido. Shawn respirou fundo, focando sua atenção na corrida e tentando afastar as lembranças de sua mente. Não queria lembrar da noite no boliche. Não queria lembrar que aquela havia sido sua última noite juntos antes de tudo desandar. Eles haviam dançado em um lugar que não era próprio para aquilo e feito promessas silenciosas de que tudo voltaria ao normal quando a turnê acabasse. E Shawn havia contado tanto com aquilo, havia esperado e desejado tanto. Estar vivendo uma realidade que ele nunca havia planejado ou cogitado era terrível, principalmente quando lembrava do quão feliz estava antes de viajar.
Deveria ter ficado. Deveria ter implorado para Maria Eduarda o acompanhar. Deveria ter feito mais do que realmente fez, mesmo que no fundo de sua mente, ele soubesse que a culpa não era sua. Outras pessoas haviam magoado a garota a ponto de deixar a permanência dela em sua vida impossível. Mas saber daquilo não amenizava a culpa que ele sentia. Sua mente continuava a lhe sabotar todos os dias e Shawn estava cansado. Precisava de um tempo, de uma folga. Precisava de sua casa. E em todo o momento que a música tocou, ele sentiu a saudade esmagar seu coração. Precisou se controlar para não pegar o celular e ligar para ela. Implorar para que tentassem mais uma vez. Prometer que faria de tudo para mantê-la segura. Mas seria egoísmo seu. Sabia que Madu estava sofrendo tanto quanto ele e que voltar para aquele relacionamento acalmaria seus corações, mas que a garota voltaria a se machucar.
E ele não queria vê-la machucada.
E por isso aumentou a corrida e esperou que a saudade diminuísse. Porque mais cedo ou mais tarde, ele precisaria se acostumar com a falta de Maria Eduarda. O riso dela seria apenas uma lembrança e o gosto do beijo dela não seria tão intenso em seus pensamentos. Shawn iria se acostumar com a falta do português dela e também do abraço apertado que ela lhe dava. Iria se acostumar com a falta do olhar admirado que ela lhe lançava. Iria se acostumar com a falta do amor dela, mesmo que ela ainda o amasse. Precisava se acostumar. Um dia, mas não naquele. Ainda era muito recente e ele se deixaria curtir a fossa. Precisava daquilo.
Seus músculos pediram para que parasse, mas ainda sim, correu por mais alguns metros até a Starbucks mais próxima. Tinha o dia de folga, já que ninguém da sua equipe havia voltado do feriado de final de ano e aproveitaria para tentar escrever alguma coisa, mesmo que ainda sentisse que não estava pronto para transformar sua dor em formato de música. Escrever sempre havia sido como uma terapia para ele e compor era o melhor dos remédios para aliviar a pressão em seu coração. Mas quando pensava em descrever como se sentia, algo o impedia. Sua mente simplesmente travava e nada saía. E aquilo era preocupante, porque tinha um álbum para finalizar. O lançamento já estava agendado com a gravadora e Shawn não queria precisar adiar. Ainda mais que tinha uma pequena turnê de divulgação sendo negociada e se estragasse os planos de Andrew, o empresário o mataria. E já havia causado problemas demais para o homem, mesmo que Gertler tivesse merecido a dor de cabeça que Shawn havia lhe dado.
A Starbucks estava cheia, como Mendes já esperava. O cantor tirou os fones e os guardou no bolso do moletom, seguindo para a fila do caixa de cabeça baixa. Tinha certeza de que alguém o reconheceria, mas esperava conseguir seu café antes de ser abordado por alguém porque não estava disposto a lidar com fotos e autógrafos. Não teve sorte, porque mal havia dado dois passos e sentiu um toque em seu braço, virando-se e encontrando um pequeno grupo de garotas sorrindo para ele. Abriu um sorriso pequeno, pedindo um minuto para poder fazer seu pedido antes de conversar com as fãs. Minutos depois, com o café em mãos, se aproximou do quarteto e logo foi recebido por alguns gritinhos e exclamações animadas.
– Ei. – O canadense sorriu. – Como estão?
– Ótimas e você? – Uma delas respondeu.
– Desculpe por estarmos atrapalhando seu café. – Outra fez uma careta. Shawn deu de ombros.
– Sem problemas. – Falou.
– Você poderia autografar minha agenda? Não pensei que iríamos encontrar você por aqui, então não trouxe nenhum álbum.
– Claro. – Shawn deixou o copo com o café em cima da mesa mais próxima e escreveu quatro autógrafos, um para cada fã e logo as fotos foram pedidas. Sorriu sem mostrar os dentes em todas as selfies, enquanto as garotas falavam animadas sobre suas expectativas para o próximo álbum de Shawn.
– Você vai lançar algum single antes do álbum?
– Sim. – Assentiu, voltando a pegar o copo de café. – Dois. – Sorriu novamente.
– Estou tão ansiosa! – Uma delas exclamou.
– Tenho certeza que as músicas vão ser incríveis! Mal posso esperar pela turnê!
– Alguma música com a Camila? – O tom de voz da garota continha duplo sentido e aquilo fez Shawn franzir o cenho em confusão, sem entender como Camila havia ido parar naquela conversa. – Saíram fotos de vocês juntos. – Murmurou em explicação.
– Camila e eu não estamos trabalhando em nenhuma música juntos no momento. – Shawn comentou e os olhares trocados entre as garotas apenas o deixaram ainda mais confuso.
– I Know What You Did Last Summer merece uma parte dois!
– Eu adoraria outro dueto de vocês. Ficam lindos juntos.
– Obrigado. – Mendes agradeceu, mesmo que não tivesse entendido o real significado do comentário.
– Alguma parceira com outro artista? – Uma delas questionou e Shawn abriu um pequeno sorriso.
– Não posso dar nenhuma informação sem correr risco de vida. – Riu. – Anna acaba comigo. – Elas riram. – Preciso ir meninas. Foi ótimo conhecer vocês. – Sorriu.
– Obrigada por disponibilizar um tempo para nós, Shawn.
– Amamos você! – Uma exclamação emocionada fez o cantor sorrir verdadeiramente.
– Amo vocês também. – Disse por fim, acenando e se colocando para fora da cafeteria no instante seguinte. Seguiu pela calçada em uma caminhada tranquila, bebendo o café e sentindo o corpo aquecer no mesmo instante, mesmo que o frio de Nova Iorque penetrasse as várias camadas de roupas que estava usando.

🎸🍀📷

Maria Eduarda.
Madu saiu do elevador com Becca em seu encalço, falando em seus ouvidos sem parar por nenhum segundo, deixando a brasileira completamente tonta. Precisou respirar fundo duas vezes antes de segurar Rebecca pelo braço, chamando sua atenção.
– Alice está naquele apartamento, então você pode parar de reclamar por ainda não ter encontrado com ela pessoalmente.
– Se você a tivesse levado para o trabalho, eu não estaria reclamando. – A loira retrucou e Madu revirou os olhos.
– Deus do céu, você está insuportável. – Chiou. Becca sorriu largo e abraçou a brasileira com força, lhe beijando as bochechas.
– Também senti sua falta. – Exclamou, soltando Madu em seguida e puxando a garota para seu próprio apartamento. Maria Eduarda puxou a chave do bolso do jeans e estava girando o objeto na fechadura quando ouviu um barulho dentro do apartamento. Franziu o cenho e trocou um olhar curioso com Becca, mantendo-se em silêncio para tentar ouvir o que se passava dentro da casa. Se Alice estivesse destruindo sua casa, iria matar a prima e jogar o corpo dela no Lago Ontário. O cheiro de comida queimada chegou em seu nariz e ela torceu os lábios, fazendo uma careta em seguida, enquanto uma melodia conhecida soava dentro do apartamento. Franziu o cenho para tentar descobrir qual era a música que tocava e quando percebeu que Alice estava ouvindo Raça Negra, cobriu a boca com a mão para não deixar uma gargalhada sair.
– Então me ajude a segurar, essa barra que é gostar de você, êh. – Alice cantava em um tom de voz alto e emocionado, causando uma vontade de rir ainda maior em Madu. – Didididiê, didididiê ê ê, didididiê.
– Que droga é essa? – Becca questionou, com o cenho franzido, já que não entendia nada do que estava sendo cantado por Alice.
– Raça Negra. – Madu respondeu por fim, abrindo a porta e seguindo pelo corredor até a sala, com Becca às suas costas. Alice estava na cozinha, ocupada com alguma coisa no fogão enquanto dançava no ritmo da música, como se ainda estivesse em Santa Catarina e todos os vizinhos soubessem que raio de música era aquela.
– Se estou na sua casa quero ir pro cinema, você não gosta. – Cantou, jogando os quadris para um lado e os cabelos para o outro, enquanto o cheiro de queimado tomava conta da casa e Alice parecia nem perceber. Ou não se importar. – Um motelzinho você fecha a portaaaaaaaa.
– Eu não acreditei quando você disse que ela era péssima na cozinha. – Becca murmurou, alto o suficiente para assustar Alice e fazer a catarinense pular e se virar para elas com os olhos arregalados.
– E canta mal. – Madu acrescentou, enquanto Alice gritava e se jogava em cima de Becca como se não visse a garota há anos, sendo que elas nunca haviam se visto pessoalmente.
– BECCA! – Alice berrou assim que seu corpo atingiu o da canadense, fazendo com que as duas caíssem no chão e gritassem pelo impacto.
– ALICE! – Becca xingou e Maria Eduarda gargalhou alto, dando a mão para que as duas conseguissem apoio para levantar e sendo puxada para o chão e caindo por cima da prima. Socou Alice no braço e então as três se encararam, começando a rir como loucas no instante seguinte. Até o cheiro de queimado ficar ainda mais forte e Maria Eduarda correr para a cozinha e tirar a panela do fogo. Alice e Becca se abraçavam enquanto a fotógrafa praguejava pela bagunça que a prima havia feito em sua cozinha.
– Estava muito ansiosa para conhecer você! – Becca murmurou após se colocar de pé, puxando Alice para outro abraço. – Preciso de alguém para me ajudar a xingar a Madu quando ela começar a ouvir One Direction e chorar.
– Ela passou todos os dias ouvindo Moments? – Alice estreitou o olhar na direção de Madu, que desviou novamente a atenção para a cozinha e fingiu que a conversa não era sobre ela.
– E Over Again. – Becca dedurou e Madu cogitou a ideia de bater na amiga com a frigideira queimada. – Ela nem é fã de One Direction e criou uma playlist só com as músicas tristes para chorar. – Revirou os olhos.
– Ela vai dormir comigo, então os dias de choro acabaram. – Alice sorriu decidida.
– Vocês querem cuidar da vida de vocês? Obrigada. – Maria Eduarda torceu os lábios de forma insatisfeita. – E que diabos você estava tentando fazer aqui, Alice? – Reclamou, lançando um olhar assassino para a prima.
– O jantar? – A catarinense indagou como se fosse óbvio.
– Em que mundo você estava para pensar que íamos querer comer o seu veneno? – Madu retrucou e Alice lhe estirou o dedo do meio.
Vai a merda. – Xingou em português e Becca fez uma careta.
– Agora eu sei como o Shawn se sentia e não gosto da sensação. – Suspirou e Madu se encolheu levemente. Alice beliscou Becca e a loira torceu os lábios. – Desculpa.
– Não vamos agir como se ele tivesse morrido, por favor. – Maria Eduarda suspirou, abandonando a frigideira da pia e apoiando os cotovelos no balcão para encarar as duas. – Ou como se tivesse partido o meu coração e fosse um babaca de primeira classe.
– Não estamos agindo dessa forma. – Alice retrucou, sabendo que estava mentindo. Madu revirou os olhos.
– Eu ainda quero chorar ouvindo Moments porque estou triste. Estou sentindo falta dele. – Desembestou a falar, recebendo olhares piedosos em sua direção, o que apenas aumentava a angústia que havia tomado conta de seu peito. – Estou com tanta saudade. Tínhamos tantos planos, queríamos fazer tantas coisas… Queríamos estar juntos, independente de qualquer coisa. E dói saber que ele está longe e possivelmente sentindo o mesmo que eu. Querendo estar aqui comigo, da mesma forma que eu queria estar lá com ele. Então me deixem sofrer. Uma hora vai passar, mas não vai ser agora. – Suspirou ao final da frase, abaixando a cabeça e encarando o mármore do balcão. Respirou fundo e fechou os olhos, tentando conter as lágrimas. Logo Alice e Becca estavam ao seu lado, abraçando-a com força e lhe apoiando.
– Vamos fazer uma noite das garotas. – Alice decidiu. – Assistir Simplesmente Acontece, comer pizza, brigadeiro e chorar ouvindo músicas tristes. – Sugeriu e Madu sorriu minimamente.
– Podemos convidar Connor. – Becca murmurou. – Ele provavelmente está se sentindo abandonado porque não convidamos ele para jantar. – Revirou os olhos.
– Noite das garotas mais Connor então. – Alice estalou os lábios.
– Quando ele ouvir as palavras Simplesmente Acontece, vai agradecer e negar o convite. – Madu riu baixinho. – Ele odeia esse filme.
– Porque ele é burro. – Rebecca chiou descontente.
– Homem. – Foi a vez de Alice revirar os olhos.
– Connor é um anjo. – Madu defendeu o amigo. – Tudo bem, vamos pedir pizza? Porque seja lá o que for isso que Alice tentou cozinhar, está abaixo do limite de inaceitável.
Alice revirou os olhos. – Queria fazer algo para agradar vocês, sua ingrata.
– Era só ligar para a pizzaria. – Becca retrucou. – Não precisava tentar nos envenenar.
– Vá a merda você também. – A catarinense reclamou.
– Então foi isso que você disse! – Becca exclamou, animada por ter entendido a frase em português que a garota havia dito instantes antes.
Todos os canadenses são esquisitos assim? – Alice questionou para Madu em português, recebendo um beliscão de Becca e soltando uma risada, já que estava provocando a loira de propósito.
Espere até a parte em que eles começam a listar os motivos pelos quais o Canadá é incrível. – Maria Eduarda respondeu, sorrindo fraco com a lembrança de Shawn defendendo seu país natal. Aquilo lhe enchia de saudade novamente. – É realmente incrível, mas implicar com eles é ótimo.
– Eu odeio vocês! – Becca reclamou, arrancando risadas das duas.

🎸🍀📷

Shawn.
Shawn estava morrendo de dor de cabeça. Já estava há algumas horas no estúdio, trabalhando em Mutual porque ele não estava satisfeito com os acordes do refrão da música. Todos os produtores haviam afirmado que a música estava impecável, mas Mendes não havia lhes dado ouvido e apostou em sua intuição. E estava completamente arrependido porque não conseguia inovar nos acordes, graças ao bloqueio criativo que lhe atingia desde o final de dezembro, quando Madu tinha terminado com ele.
Não culparia a garota, de forma nenhuma. Ela não deveria ser responsabilizada pela incapacidade de seu cérebro em focar em outras coisas que não a saudade absurda que ele sentia dela. Seu maior medo era o de não conseguir quebrar aquele bloqueio em tempo de escrever mais canções para o álbum. Queria pelo menos, mais duas músicas na setlist final e estava dando o seu máximo para conseguir escrever alguma coisa, já que havia vetado a ideia de Andrew de comprar músicas de outros compositores. Shawn não tinha nada contra aquela prática, principalmente porque já havia feito aquilo algumas vezes – mas as canções eram de compositores que trabalhavam com ele desde seu primeiro álbum. Mas com aquele álbum, Shawn desejava que todas as canções fossem compostas por ele. Ainda tinha muitas músicas cujas letras seriam trabalhadas junto de sua equipe, já que ele havia ido para Los Angeles apenas uma vez durante as férias e apenas porque Ed estava na cidade e eles queriam escrever algo juntos. Acabaram não trabalhando em cima de nenhuma música de Shawn e só voltaram a discutir o assunto durante a breve passagem do canadense por Londres durante o EMA’s.
Shawn tinha muitas músicas para finalizar antes de finalmente entrar no estúdio com Anna para as gravações finais. Tinha apenas cinco músicas completamente finalizadas e prontas para serem adicionadas no álbum, enquanto sete ainda precisavam de ajustes – mesmo que When You’re Ready, Lost In Japan e Fallin’ All In You já estivessem fora da gaveta das canções que precisavam de revisão. Eram músicas tão pessoais para Shawn que ele não sentia-se confortável em mexer nelas novamente. E apesar de ter uma equipe incrível de quatro profissionais para trabalhar nas composições junto com ele – e mais alguns outros recorrentes em canções específicas -, o chamado desesperado de Shawn naquele terceiro dia de 2018 apenas havia atendido por Scott Harris, com quem Shawn já trabalhava desde o primeiro álbum.
– E vamos colocar o que nessa parte? – Scott indagou, levantando o olhar da partitura inacabada da música e encarando o cantor com apreensão.
Shawn suspirou, passando a mão pelos cabelos e jogando o corpo para trás na poltrona. O violão estava ao seu lado, mas parecia tão distante quanto Maria Eduarda. E aquilo era uma merda e apenas o fazia lembrar do quanto havia perdido nas últimas três semanas.
– Eu realmente não sei. – Falou. – Estou tentando colocar a cabeça no lugar, mas não consigo compor nada tem algumas semanas. – Torceu os lábios quando o olhar de Scott se tornou pesaroso.
– Talvez alguns dias de descanso façam bem para você, garoto. – Sugeriu, evitando tocar no assunto sobre o qual Shawn não iria falar.
– Não tenho tempo, você sabe. Preciso finalizar esse álbum até metade do próximo mês. – Murmurou. – Andrew já lotou a minha agenda para os próximos seis meses e eu nem estou falando da turnê, que a princípio vai ficar só para o ano que vem.
– Acabamos de entrar em 2018. – Harris franziu o cenho, arrancando uma pequena risada de Shawn.
– Pois é! – Exclamou.
– Tudo bem. – O outro suspirou. – Quer mudar de música? Why tem poucos trechos para serem finalizados. – Falou, após uma rápida olhada nas partituras que Mendes havia deixado em cima do piano.
Aquela era uma péssima ideia e o canadense sabia daquilo. Havia optado por começar com Mutual porque a música lhe trazia poucas lembranças. Havia escrito apenas algumas frases para Maria Eduarda e o restante deveria ser trabalhado junto de sua equipe. A dor em seu peito não seria tão aguda porque Madu não estaria em cada linha daquela canção. Não da forma como ela estava em Why e Shawn não sentia-se preparado para encarar aquilo. Ainda mais porque havia escrito aquela letra quando acreditava que a fotógrafa estava exagerando em seu medo de assumir o relacionamento com ele. E depois de tudo o que haviam passado, ele sabia que ela sempre estivera correta. E que ele havia se apressado, errado e colocado tudo a perder em sua ânsia de não esconder do mundo a forma como se sentia. Porque sempre havia sido honesto com as pessoas que apoiavam sua carreira e lhe davam suporte para alcançar seus sonhos. Porque se esconder nunca havia lhe parecido uma boa opção. E só agora Shawn entendia o quanto deveria ter escondido seu relacionamento. O quanto deveria ter mantido Madu segura e longe das maldades do seu mundo – maldades que ele só havia se dado conta de que existiam, porque Maria Eduarda havia saído machucada de tudo aquilo.
– Pode ser. – Se obrigou a dizer, levantando da poltrona e seguindo para perto de Scott. Ocupou o lugar ao piano, sendo observado atentamente pelo compositor. Shawn passou os olhos pela partitura antes de começar a tocar o instrumento, as notas saindo perfeitas enquanto seu peito apertava pela letra que deveria cantar. Era uma música estável, mas nada tranquila devido a carga emocional que ela implicava.
E ele não conseguia cantar. Havia perdido o tempo duas vezes até finalmente parar e encarar o teclado do piano com angústia, sentindo-se incapaz e miserável. Que espécie de artista ele era se não conseguia terminar seu próprio trabalho de composição? Respirou fundo, sentindo novamente o coração acelerar e o ar faltar em seus pulmões. As crises de ansiedade estavam se tornando frequentes e aquilo estava deixando Shawn completamente abalado. Ele sentia medo. Por tudo. Medo de nunca conseguir superar a perda de Maria Eduarda, de nunca encontrar um amor que fosse tão lindo quanto o que partilhavam. Principalmente porque ele não queria outro amor. Havia sido tão feliz com Madu e tudo o que ele queria era a garota de volta em sua vida, colorindo seus dias de inverno e o contagiando com aquele riso frouxo. Sentia medo de nunca mais reaver a confiança que tinha nos fãs. Nunca havia imaginado que pessoas que lhe mandavam mensagens de apoio e de amor poderiam ser tão cruéis com alguém que ele amava. Como era possível amar alguém e desejar mal para outra pessoa? Não fazia sentido em sua cabeça, de forma nenhuma. Também sentia medo de perder os fãs que ainda lhe restavam, já que não conseguia trabalhar. Não conseguia compor, não conseguia cantar. Sequer tocar violão, que era a única coisa que ele praticamente havia nascido sabendo fazer. O que ele faria? Sentia-se péssimo a cada momento em que o pensamento de que não tinha mais nada lhe surgia nos pensamentos. E sabia que não deveria pensar daquela forma, pois tinha amigos e uma família incrível. Mas Shawn não poderia negar o sentimento de perda total que lhe acometia. E não apenas por causa de Madu, mas também por causa dos fãs.
Puxou o ar para os pulmões com força, deitando a cabeça no piano e fechando os olhos. A voz de Scott soava ao fundo e Mendes mantinha sua concentração na contagem mental que fazia, tentando normalizar a respiração para que seu coração parasse de bater desvairado. Apertou as unhas contra as palmas das mãos, sentindo o suor frio tomar conta de sua nuca. Aos poucos foi voltando ao normal e quando finalmente levantou a cabeça e procurou por Scott, encontrou o produtor sentado ao seu lado, com a mão em seu ombro e um olhar extremamente preocupado.
– O que foi isso? – Scott indagou.
– Uma crise de ansiedade. – Shawn torceu os lábios. – Estão sendo frequentes.
– Você está se tratando? Direito, como o médico recomendou?
– Sim. – Assentiu com a cabeça. – Estou tomando os remédios e fazendo todos os exercícios mentais e físicos necessários para me manter saudável.
– É por causa da Madu? – Harris indagou com cuidado e novamente Mendes se encolheu. Quando as pessoas a sua volta diziam o nome da brasileira, era como se Mendes revivesse o término. Em sua mente, ele conseguia pensar nela, pois lembrava das partes boas do relacionamento, embora a saudade ainda o corroesse por dentro. Mas quando alguém falava dela, o tom pesaroso sempre estava presente e aquilo lhe causava dor. Sentia seu coração novamente sendo pisoteado.
– É uma junção de tudo. – Disse por fim, não querendo estender o assunto.
– Você quer conversar? – Scott questionou. Mendes negou com um aceno de cabeça.
– Não. – Murmurou. – Só preciso trabalhar. Preciso voltar a escrever, voltar a cantar.
– Tudo bem. – Harris assentiu. – Vamos fazer isso então, com calma. – Indicou e Shawn assentiu. Voltou a encarar o piano e com a ajuda de Scott, ajustou os últimos detalhes de Why.

Capítulo 5

Thinking we cannot belong
To something so damn beautiful

.
– Você tem certeza de que é uma boa ideia deixar a e a sozinhas na sua casa? – Connor indagou, desviando a atenção do trânsito para lançar um olhar preocupado para . – Eu não teria essa coragem.
– Se elas quebrarem a minha casa, eu ocupo a casa da . Ao menos vou parar de pagar aluguel. – Deu de ombros, arrancando risos do canadense.
Estava ocupando o banco do carona, enquanto Brashier dirigia em direção ao supermercado mais próximo do apartamento da garota. precisava fazer as compras do mês e Connor havia oferecido uma carona – que ela jamais recusaria, já que iria economizar com o Uber. queria sair naquela noite, mas o restante do grupo optou por ficar em casa e jogar videogame, já que o frio estava cada vez mais intenso. Olivia iria encontrar e Connor no supermercado e aproveitar a carona para o apartamento da brasileira. E de alguma forma, aquilo acalentava o coração da fotógrafa. Desde que havia voltado para Toronto, estivera com os amigos o tempo todo. Na maior parte do tempo, não faziam nada de relevante, mas aquilo mantinha sua atenção e seu coração longe da saudade que sentia de Shawn e ela sofria um pouco menos.
– Já ofertei o quarto de hóspedes no meu apartamento. – Connor murmurou. – Eu sou limpinho e não ando pelado pela casa.
– É por isso que eu não aceito. – retrucou imediatamente. – Qual a vantagem de morar com você se não vou encontrar você pelado em momentos inesperados?
Connor estalou os lábios.
– Você só está flertando comigo porque está solteira, . Não me trate como um objeto, eu tenho sentimentos! – O garoto exclamou em um drama exagerado que causou uma crise de risos em .
– Idiota. – Ela xingou.
– Ás vezes eu não acredito que realmente dei em cima de você e chamei você para sair. Antes de saber sobre ele. – Brashier riu pelo nariz. – Quero dizer, eu entendo. Você é linda e tem toda essa autenticidade em tudo o que faz e chama a atenção. Mas eu vejo você como uma irmã mais nova hoje e é estranho lembrar disso. – Deu de ombros e assentiu em concordância.
– Shawn morria de ciúme de você. – Lembrou. Seu tom de voz saiu um pouco mais baixo e Connor encarou a amiga rapidamente, apenas para constatar que ela estava novamente com aquela expressão que denominava como “cachorrinho chutado para fora do caminhão de mudanças”.
– Sério? Por quê? – O canadense franziu o cenho. Diferente de , Connor não se importava em ouvir falar sobre Shawn. Ele entendia que a garota estava passando por uma fase terrível, que precisava se acostumar com a ausência de alguém que ela amava e que aquilo levaria algum tempo. E se fazia bem para falar sobre Shawn, Connor não iria impedi-la de falar. precisava focar apenas nos momentos bons que havia vivido com o cantor para que um dia, seu coração não se despedaçasse quando alguma lembrança de Mendes atravessasse seus pensamentos. Quando uma dor realmente era superada, apenas as coisas boas permaneciam e não machucavam mais.
– Eu não entendo, até hoje. – Riu fraco, dando de ombros. Remexeu-se no banco e suspirou antes de recostar a cabeça no banco. – Acho que ele tinha medo de que o mundo dele me assustasse e eu corresse para a segurança do seu anonimato.
– Eu tenho dois mil seguidores no Instagram. – Connor retrucou. – Não desvalorize minha fama. – Chiou e a garota caiu na risada novamente.
– Eu tenho mais seguidores que você. – Estirou a língua para o amigo.
– Metade desses seguidores te odeia, então não conta. – Brashier revirou os olhos, enquanto novamente manejava a cabeça em concordância.
– Preciso admitir a derrota.
– Voltando ao assunto, – Connor estalou os lábios. – Nunca houve qualquer chance de você e eu acontecer. E eu soube disso antes mesmo de você me apresentar Shawn e eu perceber que era com ele que você estava saindo.
– Como?
– Você vivia pelos corredores da empresa pendurada no celular, sorrindo como uma idiota enquanto conversava com ele. – O fotógrafo acusou, revirando os olhos em seguida. – Esse relacionamento nunca anulou a sua vida aqui em Toronto, porque você sempre foi a e não a namorada de Shawn Mendes. Mas ele acrescentou algo bom na sua vivência dos dias longe do Brasil e isso era notável. – Deu de ombros.
ficou em silêncio por alguns instantes, apenas digerindo as palavras de Connor. Se o rapaz conseguia ver como eles estavam felizes juntos, por que o restante do mundo parecia incapaz de ver aquilo? Por que era tão difícil para algumas pessoas deixarem seu relacionamento em paz? Não entendia como poderia existir tanta maldade e mesquinharia no mundo e sentia-se cada vez pior quando lembrava que ela não era forte o suficiente para lidar com toda aquela merda. Queria tanto poder ser capaz de aguentar aquilo. Queria tanto estar com Shawn. E não queria chorar novamente, então engoliu o choro e voltou a encarar Connor com um sorriso agradecido nos lábios. O breve olhar pesaroso dele não foi agradável, mas o que ela poderia fazer? Estava sofrendo por amor e as pessoas continuariam a ter pena dela enquanto a dor que sentia fosse aparente.
– O mundo é injusto pra caramba. – Foi o que disse e Brashier concordou.
– É por isso que pessoas boas vão para o céu. Elas não cometem homicídios quando tem vontade. – Torceu o nariz e soltou outra risada, dessa vez um pouco mais fraca.
Meia hora mais tarde e a garota estava riscando os últimos itens de sua lista de compras, enquanto Brashier a esperava no caixa com o carrinho cheio de compras. havia sugerido que jantassem tacos naquela noite e como não tinha nada além de leite condensado em casa, precisou abandonar a fila do caixa e procurar pelos ingredientes necessários para preparar o jantar daquela noite. Mal havia colocado o queijo na cesta de compras quando notou um flash em sua direção. Imediatamente sentiu seu coração acelerar e sua respiração falhar, virando-se para trás e procurando por alguma câmera. Encontrou um grupo de garotas a encarando, com os celulares em sua direção. Torceu os lábios e voltou sua atenção para as compras, tentando focar no que deveria fazer. Quando se virou outra vez, sentiu os pares de olhos fixos em seu rosto e o desconforto e uma pontada de desespero tomaram conta de seu coração.
– É ela? – Ouviu alguém murmurar e abaixou ainda mais a cabeça, seguindo a passos rápidos.
– Claro que sim. – Outra voz murmurou, mas não parecia distante e temeu que a estivessem seguindo pelo corredor. Mas não olhou para trás e soltou um suspiro aliviado quando parou ao lado de Connor, passando rapidamente as compras pelo scanner e colocando dentro das ecobags que havia levado, enquanto o garoto franzia o cenho em confusão.
– O que foi? – Brashier indagou, segurando pelos pulsos e obrigando a garota a parar. Ela tinha os olhos assustados e Connor imediatamente olhou a sua volta, à procura do problema. E quando percebeu o grupo de garotas com as câmeras de celular em sua direção, soltou os braços da amiga e apenas a ajudou a terminar de empacotar as compras, enquanto realizava o pagamento com o cartão de crédito. Seguiram para fora do supermercado, encontrando Olivia do lado e cumprimentos rápidos foram dados antes de estarem os três seguros do frio dentro do carro.
– Você acha que vão postar isso na internet? – questionou após afivelar o cinto, lançando um olhar temeroso para Connor. Olivia fez uma careta confusa.
– O que aconteceu? – A garota questionou curiosa.
– Algumas garotas estavam gravando a no supermercado. – Brashier suspirou. – E sim, eu acho que vão postar na internet. – Lançou um olhar triste para .
– Que inferno mesmo. – A garota reclamou, passando a mão pelo rosto, enquanto um pressentimento horrível tomava conta de seu peito. Sabia que as pessoas iriam falar sobre aquilo. Que iam mentir e inventar mil histórias. Se tinham falado milhares de idiotices sobre ela e Maurício, o que não falariam agora que era Connor o “outro cara”? Já sentia a cabeça latejar e o coração ficar pequeno só de imaginar o que chegaria aos ouvidos de Shawn. E ela nem poderia lhe esclarecer nada, porque eles não estavam se falando. E não voltariam a se falar porque aquilo lhes causava dor.

🎸🍀📷

Shawn.
Respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos antes de bater na porta do quarto de Brian. Esperou – nada pacientemente, já que torcia os dedos das mãos – por cinco minutos até o melhor amigo abrir a porta e franzir o cenho em sua direção.
– Mas já? – Craigen indagou, levando o pulso até a altura dos olhos para checar as horas. – Não está meio adiantado para o jantar? São seis da tarde.
– Eu sei. – O cantor murmurou. – Mas preciso de um favor seu.
Brian torceu os lábios imediatamente e Shawn não poderia culpá-lo. Nada em sua postura poderia deixar o amigo tranquilo a respeito do pedido que Mendes iria lhe fazer. Abriu espaço para que Shawn entrasse em seu quarto e ocupou a beirada da cama, enquanto o cantor sentava-se na poltrona perto da porta da varanda. Shawn mordeu o lábio inferior, antes de soltar um suspiro e tomar coragem para falar.
– O que você quer? – Brian indagou inquisitivo.
– Preciso que ligue para . – Shawn foi rápido e recebeu uma careta em retorno.
– Por quê?
Mendes suspirou, puxando o celular do bolso e desbloqueando a tela, entregando o aparelho para que Brian lesse a nota do TMZ. As fotos de e Connor juntos passavam como um filme em sua mente e o cantor sentia seu estômago revirar quando cogitava a ideia de que eles poderiam estar juntos. Afinal, ele não estava mais na vida de e Brashier tinha o caminho livre para conquistá-la. E talvez tivesse se apaixonado. Shawn sabia que algumas pessoas tendiam a se apaixonar por outras após um coração partido. E ele desejava um mundo de felicidades para . Desejava que ela alcançasse todos os seus sonhos e que fosse tão feliz a ponto de viver com aquele sorriso largo – que ele tanto amava – sempre no rosto. Desejava tudo aquilo para ela, mas não podia conter o desconforto ao imaginá-la sendo feliz com outra pessoa que não fosse ele. Ele era egoísta e sentia-se péssimo, porque da mesma forma que desejava felicidade para a ex namorada, queria ser o único capaz de fazê-la tão feliz.
– “ , ex namorada de Shawn Mendes, é vista em clima íntimo com amigo.” – Brian leu em voz alta e Shawn torceu os lábios em desagrado. – Eu não vou ler essa bobagem. – Decidiu, devolvendo o celular para o cantor. – E também não vou ligar para e perguntar da . Se quer saber algo, ligue você para ela.
– Brian… – Mendes suspirou, novamente passando as mãos pelos cabelos. – Eu não posso ligar para ela. – Disse em um fiapo de voz.
Craigen estreitou os olhos para o melhor amigo.
– É claro que pode. – Bufou. – Vocês não decidiram ser amigos?
– Não. – Shawn negou com um aceno de cabeça. – Não existe a mínima possibilidade de sermos amigos. Mal está dando para aguentar tudo isso estando longe e você acha que me mantendo perto, apenas como amigo, seria uma boa ideia? – Fez uma careta. – Quer saber, deixa para lá. – Suspirou. – Foi uma péssima ideia.
– Shawn, você precisa falar sobre isso. – Brian encarou o amigo com seriedade. – Você está se corroendo por dentro, cara. Estou preocupado. – Disse por fim.
– Estou bem. – Mendes foi firme e o outro revirou os olhos.
– Vou ajudar Camila a bater em você, estou falando sério.
– Certo. – Estalou os lábios, se colocando de pé e seguindo para a porta. – Nos vemos no jantar. – Acenou, não dando tempo para Brian falar qualquer coisa, já que fechou a porta e seguiu para seu quarto no instante seguinte. Se jogou na cama, passando as mãos pelos cabelos em pura frustração, antes de voltar a pegar o celular no bolso da calça e abrir o Instagram.
Não havia deixado de seguir , então a primeira foto em seu feed era da garota. O cabelo parecia estar uma bagunça e ela segurava uma caneca. Shawn sorriu ao percorrer os detalhes do rosto dela pela tela do celular, a saudade tomando conta de seu peito ao contornar o formato do nariz e dos lábios da ex namorada com o olhar. As bochechas coradas lhe trouxeram um breve acalento e o cantor se obrigou a desviar o olhar do rosto de e o focar na legenda da foto. Não era daquele dia, mas os créditos da foto eram para Connor e Mendes torceu os lábios ainda mais ao encontrar outra foto do garoto nos Stories de . Não sabia o que pensar sobre aquilo e temia o pior. Estavam separados há quase um mês e se tivesse seguido em frente, Shawn precisava ficar bem com aquilo. Mas a cada vez que tentava convencer a si mesmo daquilo, seu estômago contorcia e o ciúme se tornava ainda mais intenso.
Ele queria que fosse feliz. Com ele. Não com Connor. Nem com qualquer outra pessoa.
Ele era o trevo da garota e nenhum outro poderia tomar seu lugar. Mas o que poderia fazer? Não poderia machucá-la ao voltar para a sua vida por puro egoísmo. E talvez nem o quisesse mais. Talvez ela estivesse mais feliz sem ele. E mesmo que seu coração implorasse para que ligasse para ela e perguntasse se ela ainda o amava – e aquilo era tudo o que Shawn precisava saber para continuar firme em sua decisão de se manter afastado para protegê-la -, abriu o WhatsApp e mandou mensagem para a única pessoa que poderia distraí-lo da bagunça que estava seu coração e sua cabeça.

Ei, cabeçuda 06:20 pm
Está aí? 06:20 pm

Aali ❤️
Não 06:22 pm
O que você quer? 06:22 pm

Distrair a cabeça 06:22 pm
Então fale sobre seu namoro com Vincent 06:23 pm
E me deixe com raiva para não lembrar do porquê estou triste 06:23 pm

Aali ❤️
Eu não estou namorando 06:23 pm
Pare de insistir nisso, Shawn, que saco! 06:23 pm

Tudo bem, tudo bem 06:23 pm
Só me distraia, por favor 06:23 pm

Mal havia enviado a mensagem e uma ligação da irmã apareceu na tela de seu celular. Sorriu, deslizando o dedo pela tela e colocando o aparelho na orelha.
– Ei. – Suspirou em cumprimento.
– “Eles não estão juntos, Shawn.” – Foi o que Aaliyah disse e o cantor suspirou.
– Eu não sei, Aali. – Foi sincero. – Ele poderia fazê-la feliz, não poderia? Como eu fiz? – Soa voz saiu falhada e Shawn precisou engolir o choro. Já estava cansado de se lamuriar, mesmo que não soubesse como interromper aquilo. Continuava doendo como o inferno.
– “Poderia. Mas ela não ama ele e você sabe disso. Sabe que ama você.”
– E se ela deixou de me amar? Como eu vou aguentar isso, se ainda a amo com todo meu coração?
Mendes respirou fundo, encarando o teto e sentindo-se cada vez menor, mesmo que fisicamente aquilo fosse impossível. Era novamente a ansiedade o fazendo ter medo e questionar tudo no que acreditava, tudo aquilo que lhe dava forças para não desistir. Seu coração pesava tanto e ele sentia-se cada vez mais cansado e mais esgotado mentalmente.
– “Eu não sei o que dizer.” – A garota conseguiu murmurar. – “Dói em mim também, sabe? Porque eu ainda acredito que vocês podem voltar a ficar juntos. Eu quero ser madrinha do casamento de vocês, poxa.”
– Amo você. – Abriu um sorriso, mesmo que ela não pudesse ver. – Obrigado por tudo.
– “Amo você, idiota. Não fique chorando pelos cantos, ou vou pedir para Brian bater em você.” – Ela chiou, o fazendo rir. Pelo visto tinham muitas pessoas na fila para baterem nele. E Shawn tinha certeza que a dor seria ínfima perto daquela que sentia no coração.

🎸🍀📷

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Estava completamente exausta. Aquele final de semana havia sido uma loucura, já que não havia parado por nenhum minuto e queria visitar todos os pontos turísticos de Toronto o mais rápido possível. Os dias estavam frios e elas precisavam aproveitar os raios solares para dar passeios ao ar livre, já que nenhuma delas estava acostumada com aquele clima tão intenso. Haviam visitado alguns lugares que já conhecia, como o Museu Real de Ontário e a Casa Loma – que ela havia visitado com Aaliyah -, o mercado de St. Lawrence, o Toronto Eaton Centre e o Distillery District – que ela havia visitado com Shawn -, e mesmo que o último ponto turístico tivesse deixado a fotógrafa cabisbaixa e com o peito apertado de saudade, seguiu o roteiro turístico de com entusiasmo, já que Toronto no inverno era bem diferente da Toronto que ela havia conhecido no outono.
– Eu só preciso de um café forte e bem quente. – murmurou em português, deitando a cabeça no ombro da prima. Estavam no metrô, no caminho de volta para casa. Ainda não era noite, mas o vento frio e a neve já completavam a paisagem da cidade e deixavam as pessoas reclusas em suas casas, de forma que o transporte público estava menos lotado do que o usual.
– Teremos isso em poucos minutos. – suspirou, deitando a cabeça na da prima e fechando os olhos antes de soltar um bocejo. – Eu tô morta.
– Eu também.
– Mas tu vais poder dormir até tarde amanhã. – A fotógrafa reclamou, arrancando uma risada da prima. – Eu vou precisar ir trabalhar na campanha de ervilhas.
– Connor disse que é bem divertido.
– Connor mentiu. Ninguém quer fazer aquelas fotos. São latas de ervilha, . Não tem nenhuma emoção. – Torceu os lábios.
– Certo, certo. – estalou os lábios, puxando o celular do bolso e abrindo uma careta. – Eu não aguento mais o Henrique. – Chiou e foi a vez de rir.
– O que ele está fazendo de errado agora? – Indagou, ainda de olhos fechados.
– Ele quer conversar o tempo todo. E eu tô ocupada, não tenho tempo para responder ele a todo instante. E ele então ele fica bravo e pergunta se eu já troquei ele por algum canadense. – O tom de voz descontente da garota apenas fez rir um pouco mais. – É tão irritante. – Bufou.
– Por que ele não veio junto? Ele também está de férias. – Revirou os olhos.
– Eu já disse para ele vir, mas ele fica falando e falando, sobre invadir a tua privacidade. – torceu os lábios. – Como se pudéssemos ser mais inconvenientes quanto os fãs do Shawn revirando a sua vida.
– Esse é realmente um bom argumento. – Riu. – E pensar que minhas fotos emo agora estão na internet para todo mundo ver. – Torceu o nariz. – Achei que estaria livre depois que o Orkut acabou.
riu.
– Saudades do Orkut. – Suspirou. – De qualquer forma, vou tentar convencer o bundão do meu namorado a vir para cá. Ai ele para de me encher o saco.
– Eu durmo no sofá. – deu de ombros.
– Ou vai para a casa do Connor. – sorriu sugestiva, enquanto a outra revirava os olhos. Beliscou a prima na cintura – mesmo com as diversas camadas de roupa – e se levantou, puxando para fora do metrô quando as portas foram abertas.
– Pare de falar bobagem, guria. – Estalou os lábios.
– Mas eu não disse nada demais! – Se defendeu, mas as duas sabiam que era mentira e nem se deu ao trabalho de lançar um olhar atravessado para a prima. Enlaçou seus braços e seguiram pela calçada a passos rápidos, já que o frio cortante e a neve não tornavam o passeio naquele fim de tarde algo agradável.
– Tá bom. – Encerrou o assunto. – Ficou com alguma dúvida sobre a cidade? Porque não vou conseguir te acompanhar nos passeios durante a semana. – Lembrou.
– Entendi como funciona o metrô e acho que deveríamos ter isso em Santa Catarina. Seria tão mais fácil ir para a faculdade. – murmurou. – E de qualquer forma, eu não vou me perder, zinha. – Riu. – Sou adulta.
fez uma careta para a prima. – Grandes merda.
– O que nós vamos jantar hoje? Estou faminta.
– Não sei. – deu de ombros. – Talvez alguns sanduíches. Estou cansada demais para cozinhar.
– Miojo então. – concluiu e riu, tendo sua próxima fala interrompida pelo toque de seu celular. Puxou o aparelho do bolso e franziu o cenho em confusão quando identificou o nome de Brian na tela do aparelho. Deslizou o dedo e aceitou a chamada, colocando o celular na orelha no instante seguinte.
– Brian? – Chamou, a preocupação tomando conta de seu coração no mesmo segundo. E se algo tivesse acontecido a Shawn? E se Brian precisasse lhe dar alguma notícia ruim? Sua respiração falhou e suas mãos estavam suando quando ela puxou o fôlego para os pulmões.
– “Oi !” – Saudou animado e a garota logo sentiu uma pontada de alívio. O canadense não pareceria tão descontraído se a ligação tivesse um motivo ruim para acontecer.
– Oi. – Disse, ainda incerta. Puxou a chave da bolsa e entregou para assim que se aproximaram dos portões do prédio. – Tudo bem?
– “Tudo ótimo.” – O garoto falou. – “E você, como está?”
– Estou bem. – Falou. Mordeu o lábio inferior, já que tinha uma pergunta na ponta da língua. Uma pergunta que ela sabia que não deveria fazer, mas que seu coração ansioso implorava para que fizesse. Optou por uma opção mais segura, sabendo que Brian entenderia suas intenções, mesmo que ela não as dissesse com clareza. – E como estão as coisas ai em Nova Iorque?
– “Ah.” – Ouviu Brian suspirar e puxou o ar com força, trancando o portão do prédio e seguindo para o elevador. – “Está tudo bem, na medida do possível.”
– Hm. – Estalou os lábios, sentindo os olhos marejarem. – Tem passado bastante tempo com ele? – Questionou, sem conseguir se conter e recebendo um olhar atravessado da prima.
– “Não exatamente.” – Brian murmurou. – “Ele prefere ficar sozinho quando não estava no estúdio. Camila é a única que consegue tirá-lo do quarto.”
– Camila? – torceu os lábios sem querer. – Que bom que ela está aí para dar suporte para ele. – Fingiu um tom complacente, mesmo que seu interior estivesse se corroendo de ciúme.
-”É.” – O canadense concordou. – “De qualquer forma, liguei para fazer um convite.”
– Fale. – incentivou, seguindo para fora do elevador quando as portas se abriram.
– “Meu aniversário é no final do mês e eu vou dar uma festa.” – Contou. – “Vai ser no meu apartamento em Toronto e eu iria adorar se você fosse. Junto de e os outros.”
– Eu não sei se é uma boa ideia, Brian. – suspirou. Deixou a bolsa na mesa de centro e sentou-se no braço do sofá, cruzando os braços em frente ao peito e mordendo o lábio inferior, enquanto olhava para , para a sua frente, com aflição. – Shawn vai estar lá e não acho que estou preparada para encontrá-lo dessa forma. – Confessou.
– “Shawn não vai.” – Craigen disse. – “Ele vai ficar em Nova Iorque até metade do próximo mês porque precisa finalizar o álbum. Estou fazendo esse convite porque ele me confirmou hoje que não vai para a festa.”
– Oh. – A garota respirou aliviada. – Tudo bem. Vejo você em alguns dias, então. – Sorriu fraco.
– “Certo. Até mais, . Fique bem.” – O garoto desejou.
– Vocês também. – Se obrigou a falar, desligando a chamada em seguida. Levantou o olhar para e soltou o ar pela boca. – Temos compromisso no final do mês. – Avisou.
– Vou precisar pegar uma roupa de . – disse, antes de seguir para o banheiro.
E passou o restante da noite com a cabeça cheia de Shawn e Camila. Se eles realmente estivessem juntos, ela não poderia reclamar. Não poderia sequer sentir ciúme, já que o rompimento havia sido uma ideia dela. Uma ideia burra, pensou, já com o coração apertado. Aquela dor não dava folga nunca.

Capítulo 6

Even though you don’t mean to hurt me
You keep tearing me apart

Shawn.
Shawn cobriu o rosto com a manta e se amaldiçoou por ter dispensado a touca. Nova Iorque estava cada dia mais fria e a neve não dava uma folga para aqueles que decidiam procurar um restaurante para almoçar, como era o caso de Shawn e de Camila, que andava ao seu lado tão agasalhada quanto era humanamente possível.
– Japonesa? – Camila sugeriu, indicando um restaurante mais a frente. Shawn torceu os lábios, sacudindo a cabeça para os lados e negando a sugestão. Ele não comia comida japonesa desde antes de viajar para a turnê, quando o havia levado em um encontro rápido durante seu intervalo de almoço. E lembrar daquilo tirava completamente o apetite de Shawn.
– Não. – Suspirou. – Que tal hambúrguer?
– Preciso lembrar você que estou de férias e não vou a academia há um mês? – A cubana brigou, arrancando uma pequena risada de Mendes.
– Você deveria treinar comigo durante esse mês. – O cantor sugeriu.
– Deus me livre. – Camila fez uma careta. – Você tem o dobro do meu tamanho, Shawn. Eu não corro 500 metros sem quase cuspir os pulmões para fora.
– Certo. – Estalou os lábios, novamente lembrando de . Ela também tinha o condicionamento físico de uma tartaruga fora d’água.
– Então você quer comer o quê, fora hambúrguer?
– Não sei. Estou sem fome, eu disse para você. – Passou as mãos pelos cabelos.
– Mas você precisa comer. – Ela chiou. – Passou a manhã inteira no estúdio com a Julia e ela me disse que você apenas tomou um café de manhã. Já são quase duas da tarde. – Arqueou as sobrancelhas para ele.
– Eu sei, mas continuo sem estar com fome. – Deu de ombros. Camila bufou e segurou Mendes pelo braço, atravessando a rua e seguindo em direção a uma hamburgueria.
– Vamos comer hambúrguer então. – Revirou os olhos e Shawn riu, puxando a amiga para um abraço de lado e beijando o topo de sua cabeça.
– Você é a melhor, Cams.
– E você é um manipulador de quinta categoria. – Torceu os lábios. – E eu ainda caio no seu joguinho porque sou facilmente convencida.
– São as minhas covinhas. – O canadense se gabou.
– Não vou negar e nem confirmar nada. – Cabello retrucou, arrancando outro riso de Shawn.
Adentraram a hamburgueria e ocuparam uma mesa no fundo do estabelecimento, em uma clara tentativa de não serem reconhecidos e fotografados. Às vezes tinham sorte e ninguém reparava em sua presença, mas na maior parte do tempo precisavam tirar alguns minutos para autógrafos e fotos.
– Então, como estão as coisas no estúdio? – Camila puxou assunto após fazerem os pedidos ao garçom, que parecia tão alheio ao mundo que nem percebeu que eram dois cantores famosos os clientes que havia acabado de atender. Para a sorte de Shawn, ele precisava agradecer a Deus por aquilo.
– Tudo bem. – Deu de ombros. – Tem apenas algumas músicas para finalizar, mas Scott e Teddy estão trabalhando nisso e eu vou apenas pegar o resultado final e alterar alguma coisa, caso eu ache que deva. Só estou gravando as músicas que já estão prontas e tentando compor mais alguma coisa. – Suspirou.
– E está conseguindo compor?
– Mais ou menos. – Mentiu. – O processo está mais lento.
– Não se forçe. A música flui de você, mais cedo ou mais tarde. – A garota falou e Shawn sorriu para ela em agradecimento.
– Eu não me forço. – Murmurou. – Quem força é Andrew e seus prazos alucinados. – Riu pelo nariz.
– Empresários. – Camila riu e Shawn assentiu em concordância.
– Você vai ao Grammy? – O cantor questionou e a cubana sorriu largo ao assentir com a cabeça.
– Sim. Estou ansiosa para usar aquele vestido, porque é simplesmente estonteante. E você?
– Vou, mesmo não vendo motivos para isso. Não fui indicado. – Deu de ombros.
– É bom para que os fãs vejam você. – A garota murmurou. – O fandom sempre surta. – Riu sozinha. Mendes suspirou.
– É.
– O que foi? Você sempre fica animado quando começamos a falar dos fãs. – Comentou, com o cenho franzido em confusão.
– As coisas estão um pouco mais complicadas agora. – Ele confessou. – É esquisito pensar que muita gente me apoia, desde que eu permaneça solteiro. – Riu com amargura.
– Shawn. – Camila suspirou, estendendo a mão pela mesa e acariciando a do amigo. O olhar pesaroso dela apenas fez o cantor se sentir ainda pior e Mendes recolheu sua mão no instante seguinte, colocando ambas no bolso do casaco.
– Está tudo bem, Cams. – Abriu um sorriso pequeno e falso.
– Toda vez que você fala isso, eu tenho vontade de dar um soco na sua cara. – Retrucou e Shawn riu baixinho. – É claro que as coisas não estão bem, pare de fingir.
– E você quer que eu passe todo o tempo chorando? Porque eu gostaria, mas sei que a vivência em sociedade espera outra coisa de mim. – Deu de ombros. – E vamos mudar de assunto, por favor. – Pediu e apesar da feição insatisfeita de Camila, ela suspirou em rendição e assentiu.
– Certo. Quando Brian vai embora? Estou preocupada já que você vai ficar sozinho naquele hotel.
– No final de semana. Ele quer passar o resto do mês em casa. – Deu de ombros. – E vai passar o aniversário por lá também.
– E você vai para Toronto no aniversário dele?
– Não. – Sacudiu a cabeça para os lados. – É um dia depois do Grammy. Já falei para ele que não vou poder ir. – Suspirou.
– Isso é bom. Ao menos você não vai esbarrar com a por lá. – Camila sorriu fraco.
– Eu nem sei se isso é uma coisa boa. – Passou a mão pelos cabelos em um claro sinal de nervosismo. – Eu queria muito ver ela, mas não sei como vou reagir. E também não sei como ela vai reagir. – Soltou o ar pesadamente.
– Você ainda está com aquela ideia besta de que ela e o garoto aquele estão namorando? – Cabello lançou um olhar descrente para Shawn, que desviou o olhar para a mesa, completamente envergonhado.
– Não… – Disse, mas aquela era uma mentira tão deslavada que nem sua voz saiu forte o suficiente. Camila revirou os olhos.
– Homens são tão burros. – Colocou a o rosto sobre as mãos, suspirando alto. Shawn riu novamente.
– Eu não posso discordar. – Deu de ombros.
– Eu não acho que ela esteja com aquele garoto. Ela não iria deixar de gostar você tão rápido. – Camila repetiu o discurso de Aaliyah, mas como acontecera em sua conversa com a caçula, as palavras entravam por um ouvido e saiam pelo outro. Shawn simplesmente tinha tantas dúvidas e medos, quanto tinha saudades.
E ele tinha tanta saudade que seu peito quase explodia.

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– Estamos saindo da empresa e eu espero que você esteja a caminho. – Chiou ao telefone, ouvindo um resmungo incompreensível de do outro lado da linha.
– “Talvez eu esteja indo para o banho agora.” – A garota murmurou, em um fiapo de voz. lançou um olhar descrente para , que entortou os lábios e puxou o celular de sua mão, pronta para ralhar com .
– Eu juro que vou matar ela. – chiou para Connor, que soltou uma risada e voltou a enlaçar seu braço no dela, enquanto seguiam em direção à saída da empresa.
– Eu não quero saber, . – xingou. – Você acha que vamos ficar na rua congelando o rabo enquanto esperamos por você? A ideia de sair para beber foi sua e você já deveria estar no bar! Sabia que Toronto tem leis rigorosas sobre o consumo de álcool?
– Re vai matar a primeiro. – Connor murmurou, arrancando risos da brasileira, que fez uma careta logo que estavam próximos da porta e o vento frio já penetrava em seus ossos.
– Tomara que sim, me poupa o trabalho. – Disse por fim.
– Ok, ok. Você tem meia hora, . Se chegar um minuto atrasada, eu mato você e jogo o seu corpo no Lago Ontário. – E dizendo isso, desligou a chamada e devolveu o celular para . – Eu vou matar a sua prima. – Murmurou.
– Tudo bem. – deu de ombros. – Vamos indo e esperamos por ela lá? – Questionou, lançando um olhar nada animado para a rua coberta de neve.
– Sim. – assentiu. – Péssimo dia para não vir trabalhar de carro. – Lançou um olhar irritado para Connor.
– Ás vezes eu acho que você só fala comigo porque eu tenho um carro. – O fotógrafo estalou os lábios, parecendo ofendido.
– E você tem razão. – A loira sorriu sem mostrar os dentes e Connor a empurrou levemente, antes de o trio começar a rir.
– Vamos logo, antes que a gente desista e passe a noite na sala de reuniões. Lá tem ar condicionado. – Suspirou sonhadora.
chegou ontem e já está quase desistindo do nosso frio. – comentou com Connor, que assentiu em concordância.
– Pois eu queria ver vocês intactos no verão infernal brasileiro. – Retrucou, com um bico nos lábios. segurou as bochechas da amiga e levou um tapa na mão. – Sai! – Chiou, fazendo a outra rir. Saíram pelas portas e o vento frio obrigou a se unir ao braço esquerdo de e todos esconderem o rosto contra os cachecóis.
– Estamos esperando as férias e um convite para irmos passar calor lá. – Connor murmurou entre dentes.
– Quando vocês tirarem férias, já vai ser outono lá. – lembrou.
– Nas festas de final de ano, então. – deu de ombros.
– Ela fala como se estivessemos em julho e não na metade de janeiro. – Connor riu e revirou os olhos para o amigo.
Soltaram suspiros de alívio quando chegaram a estação do metrô e por estarem em horário de pico, mantiveram-se em pé durante toda a viagem até a estação onde deveriam descer em Midtown e encontrar . Era metade do caminho que e faziam todos os dias para casa, já que a empresa se localizava na Old Toronto e elas moravam em North York. manteve-se de braços dados com os amigos pelas duas quadras de caminhada até o bar escolhido e agradeceu aos céus pelo estabelecimento estar quase vazio. ainda não havia chegado, mas a possibilidade de tomar vinho e comer alguma coisa eram o suficiente para arrancar um sorriso da brasileira. Fizeram os pedidos sem esperar por e logo estavam com a mesa ocupada pela comida e bebida.
– Vinho era tudo o que eu precisava. – murmurou, após tomar metade da bebida em seu copo. – E Olivia, mas infelizmente minha namorada está trabalhando. – Fez uma careta.
– E lá vem a humilhação pública para os encalhados. – Connor revirou os olhos, enquanto estirava o dedo do meio para ele.
– Você é encalhado porque quer, Brashier. – Chiou. – A Marie está doidinha por você.
– Marie? Do administrativo? – arregalou os olhos pela surpresa. Se virou para Connor com um sorriso largo. – Ela é tão legal!
– Ela não disse nada para mim. – O rapaz deu de ombros. e trocaram um olhar impaciente.
– São em momentos como esse em que eu agradeço por namorar uma mulher inteligente e sensata. – alfinetou. Connor jogou uma batatinha nela, que revidou com um soco no ombro.
– E são em momentos como esse em que eu gostaria de ser lésbica. – suspirou. – Alguns homens são muito burros.
– Connor é um exemplo. – estalou os lábios.
– Me erra, Re. – Brashier revirou os olhos e riu sozinha pelo início de briga que eles certamente iriam iniciar. Pegou o celular no bolso da calça para ligar para outra vez e estalou os lábios quando lembrou da ligação de Brian e o convite para a festa de aniversário.
– Eu quase esqueci! – Exclamou, interrompendo a pequena discussão. – Brian me ligou ontem. – Informou e logo os olhos atentos de estavam sobre si.
– Por quê? O que ele queria? Você falou com o Shawn? – A loira questionou agitada e logo sentiu que algo estava errado. Estreitou o olhar para a amiga e se encolheu.
– O que aconteceu?
– Nada. – Falou rápido demais. suspirou, erguendo o celular até a altura dos olhos e entrando no Twitter em seguida. – , não faz isso… – murmurou, mas já era tarde demais. precisou apenas rolar a timeline para dar de cara com muitas fotos de Shawn com Camila durante algo que parecia um almoço. Eles riam muito e em determinado momento, estavam de mãos dadas. E ela nem precisou ler nenhuma legenda sensacionalista do TMZ para sentir seu coração em frangalhos. O bolo em sua garganta era um misto de ciúme e decepção e seus olhos se encheram de lágrimas imediatamente. Largou o celular na mesa após bloquear a tela e encarou o copo de vinho de forma estática, enquanto tentava processar as informações.
Aquilo só podia ser um pesadelo, ela tinha certeza.
– Brian nos convidou para a festa de aniversário dele. – Murmurou por fim, após alguns minutos onde tentou controlar a respiração e engolir o choro. Seu peito doía tanto que quase lhe deixava sem respirar, mas ela não se deixaria despedaçar naquele momento. Estava cansada de ser o alvo do pesar dos amigos e se Shawn havia superado, estava na hora de ela começar a recolher seus pedaços e superar também.

– A festa vai ser no apartamento dele, no dia 29. É segunda-feira, mas acho que podemos ir e voltar cedo. ainda vai estar aqui e Henrique também, provavelmente.
– Você vai mesmo fingir que está tudo bem? – indagou, o tom de voz estridente. Connor mantinha-se calado, já que respeitava o tempo e a forma como lidava com sua dor. Re por outro lado, nem tanto.
– Acho que pode ser legal. – Continuou falando e suspirou, jogando as mãos para o alto no mesmo instante em que entrava no estabelecimento e acenava animada para o trio. Se aproximou e fez uma careta ao perceber o clima estranho na mesa.
– O que foi? – Questionou.
– Shawn está saindo com Camila e está fingindo que tudo está bem. – chiou.
E apesar de saber que iria encher seus ouvidos, simplesmente pegou o copo de vinho e bebeu um gole longo, puxando o ar para os pulmões e soltando um suspiro em seguida.
Precisava ficar bem. Aquele era seu único pensamento.

🎸🍀📷

Shawn.
Estava radiante. E levando em consideração que havia passado os últimos dias com a constante vontade de chorar sendo sua maior companheira, Shawn precisava aproveitar daquele sentimento bom de felicidade que estava tomando conta de seu coração. Afinal, Anna e Harry estavam grávidos e ele estava extremamente contente pelos amigos. Sabia que Anna tinha passado por uma fase péssima com o fandom de Styles, mas talvez aquele bebê fosse tudo o que algumas pessoas precisavam para que o senso de realidade lhes atingisse e deixassem a mulher em paz. Ela e Harry estavam apaixonados e teriam uma família linda. Shawn estava muito contente por fazer parte daquilo, de alguma forma.
Suspirou, recostando o corpo contra a parede do elevador e erguendo o pulso para checar as horas. Estava atrasado para a súbita reunião com Andrew e sabia que o empresário comeria seu rim. Gertler odiava atrasos quase tanto odiava as surpresas que Shawn constantemente fazia. Ou costumava fazer, já que nos últimos tempos sua rotina era ir para o estúdio, trabalhar e então voltar para o hotel. As raras vezes em que havia saído do quarto foram realizações de Camila e Shawn só cedia as ideias da cubana porque ela ficava falando em seus ouvidos, o que era bem irritante na opinião dele.
O elevador apitou no décimo quarto andar e Shawn se colocou para fora do objeto, seguindo para a sala de reuniões e batendo na porta apenas para avisar de sua chegada, já que não esperou por Andrew e entrou na sala em seguida. Se aproximou do empresário e eles trocaram um rápido abraço, antes de Shawn se sentar na cadeira mais próxima de Andrew, que ocupava o lugar na ponta da extensa mesa.
– Está atrasado. – O homem constatou o óbvio e Mendes riu fraco.
– Eu sei, eu sei. – Revirou os olhos. – Mas estava no estúdio com Anna e ela me contou as boas novas sobre a gravidez. – Se defendeu. – E Julia estava animada para finalizar a música, então o atraso foi inevitável.
– Fiquei muito feliz por Anna. – Andrew sorriu. – Ela e Harry vão ser ainda mais felizes.
– Sem dúvidas. – Shawn concordou com um aceno de cabeça, mesmo que uma vozinha em seu interior repetisse em seus pensamentos que Andrew não havia dado aquele apoio em seu relacionamento com . Talvez devesse ter feito um bebê, pensou e precisou morder o interior da bochecha para não rir sozinho.
– Finalizou a música com Julia? – Questionou, mudando de assunto. E apesar de aquela parecer uma reunião rotineira, Shawn sentia um clima esquisito emanar de Andrew e aquilo o deixava levemente preocupado.
– Sim, finalizamos Like To Be You. – Assentiu com a cabeça. – E ela deu uma olhadinha em Nervous e está muito animada para trabalhar nos ajustes finais. – Sorriu fraco. Julia Michaels era uma compositora incrível e ele tinha muita sorte em trabalhar com ela.
– Isso é ótimo. – Andrew murmurou. – Scott disse que vocês finalizaram Mutual e Why essa semana.
– Sim. – Assentiu outra vez. – O álbum está quase pronto. Eu só quero escrever mais alguma coisa e fechar com mais faixas. – Acho 12 um número pequeno demais.
– Podemos colocar versões acústicas. A recepção é sempre muito boa. – Gertler sugeriu.
– In My Blood e Youth. – Decidiu, aceitando a ideia do empresário. – Vou ligar para Khalid e checar a disponibilidade dele.
– Ótimo. – Andrew sorriu, digitando as informações no tablet e voltando a encarar Shawn. – E você já pensou no nome do álbum? – Questionou e o canadense abriu uma careta imediata. Ele havia pensado, mas Andrew não ia gostar das ideias.
– É um álbum muito pessoal. – Começou a falar e observou Andrew se retrair no mesmo instante. Eles conheciam um ao outro muito bem para saber quando algo de ruim vinha de alguma conversa.
– Eu sei. – Assentiu com a cabeça. – Continue.
– E você sabe que muitas músicas eu escrevi sobre ela. – Suspirou alto, passando a mão pelos cabelos em seguida.
– Shawn, não podemos chamar o seu próximo álbum pelo nome da sua ex namorada. – Frisou o último adjetivo e Mendes torceu os lábios em descontentamento. Ele sabia que era sua ex, Andrew não precisava lembrá-lo com tanto empenho.
– E as iniciais? Talvez uma palavra em que possamos disfarçar ambas as letras. – Deu de ombros.
– Acho uma péssima ideia. – Andrew foi firme. – As pessoas já vão saber que grande parte do álbum foi escrito sobre ela e você acha uma boa ideia colocar o nome dela? Shawn, a não foi magicamente esquecida depois do término de vocês. – Retrucou e Shawn precisou contar mentalmente até dez para não perder a paciência com Andrew. – As pessoas ainda falam sobre ela, os paparazzi ainda a perseguem. Com menos frequência, mas as coisas ainda não estão tranquilas para ela. – Afirmou. Shawn lhe lançou um olhar nada amigável.
– E por que você não me disse isso? – Brigou. – O TMZ postou apenas fofocas com algumas fotos tiradas por fãs. Eu não sabia que ainda estavam em cima dela.
– Não falei porque isso não é sua responsabilidade, Shawn. – Gertler revirou os olhos. – Mesmo quando namoravam, isso não era sua responsabilidade.
– Certo, Andrew. – Estalou os lábios, respirando fundo para se acalmar e evitar uma briga com o empresário. – Quero que dê um jeito nisso, não dou a mínima para o que você acha que é minha responsabilidade ou não. Eu quero a segura. Contrate alguém para ficar de olho nela de longe, mande os advogados darem um jeito nessas perseguições midiáticas… Eu quero ela longe de toda essa bagunça. E isso não é um pedido. – Disse com firmeza e apesar da expressão nada contente de Andrew, o empresário apenas assentiu com a cabeça e fez mais algumas anotações no tablet.
– E você está disposto a ajudar? – Gertler questionou após alguns minutos e Shawn franziu o cenho em confusão. Do que Andrew estava falando?
– Seja mais claro, por favor. – Pediu. Andrew respirou fundo, se recostando na cadeira e lançando um olhar intenso para o cantor.
– Estive com a equipe de marketing, essa semana. – Murmurou. – Segundo eles, as notícias sobre ainda são muito fortes e precisamos de alguma distração. Como lançar algum material com tanta antecedência está fora de cogitação, eu precisei analisar algumas alternativas durante os últimos dias e tive uma ideia.
– Eu tenho certeza que não vou gostar da sua ideia. – Mendes torceu os lábios.
– Você sabe que a mídia está em cima de você, não sabe? Principalmente quando sai com Camila. Os fãs tem muitas teorias e os passeios de vocês estão dando sustento para essas ideias.
– Sai com Camila quatro vezes. Em duas, Brian estava junto. – Lembrou, nada contente com o rumo da conversa.
– Eu sei. – Andrew assentiu. – Mas a mídia fez disso um espetáculo e a atenção foi desviada do seu ex relacionamento. E isso é bom, porque os fãs não tinham uma boa imagem da . Nós precisamos desvincular a sua imagem da dela e talvez essa seja uma boa ideia. – Deu de ombros e Shawn aumentou a careta.
Que droga era aquela?
– Eu espero estar errado, então me diga que você não está sugerindo um relacionamento com a Camila. – Murmurou entredentes. – Ela é a minha melhor amiga, Andrew, pode Deus! – Passou a mão pelo rosto graças a frustração.
– Vocês não precisam necessariamente namorar. – Gertler revirou os olhos. – Apenas sair algumas vezes durante sua estádia em Nova Iorque e continuar alimentando a especulação da mídia. Não precisam confirmar nada nas redes sociais ou para paparazzis. Apenas saiam com mais frequência e ajam com intimidade.
– Você só pode estar de brincadeira. – O canadense sacudiu a cabeça para os lados. – Eu não vou fazer isso, de jeito nenhum.
– Pensei que quisesse manter a longe de tudo isso. – O empresário o lembrou e Shawn estreitou o olhar para ele.
– E você vai usar a para me convencer? Isso é extremamente baixo, Andrew. – Cuspiu as palavras.
– Estou fazendo o melhor que eu posso, com as opções que resultaram das suas decisões. – Murmurou, parecendo cansado. Suspirou e tirou o óculos, massageando as pálpebras antes de recolocar o objeto no rosto e encarar Shawn. – Ao menos fale com Camila sobre isso. Vai ser bom para ela também.
– Você está maluco. – Shawn disse, se colocando de pé e rumando para fora da sala de reuniões.
– Pense nisso, Shawn. Não é a melhor das opções, mas não temos muita escolha. Se você quer manter a longe dessa bagunça que a mídia faz com o nome dela, vai precisar se esforçar um pouco mais do que apenas parar de curtir e comentar as fotos dela. – O empresário disse e seu tom de voz era pesaroso. – Eu sei que você não está bem e isso me deixa preocupado. Sei que nossa relação está estremecida porque você acha que eu era contra o seu relacionamento, sendo que meu único medo era que vocês saíssem machucados disso tudo. E foi o que aconteceu. – Suspirou outra vez. – Eu sabia que isso ia acontecer e tentei avisar a você, mas não me ouviu. Apenas pense sobre isso, tudo bem?
– Eu não garanto isso. – Mendes murmurou, abrindo a porta e se colocando para fora no instante seguinte. Puxou o celular do bolso e abriu o Instagram. Precisava ter certeza de que Andrew não estava exagerando sobre os ataques que continuava sofrendo, para então tentar decidir o que fazer. Aquela era uma péssima ideia, mas deixar sofrendo estava fora de cogitação. E Shawn faria o que fosse necessário para mantê-la segura.

Capítulo 7

But darling don’t you know that
I’m the only one for you

.
O nevoeiro não havia dado sossego naquele dia, mas já estava se acostumando e de alguma forma, se apaixonando pela Toronto coberta que neve que ela encontrava todos os dias ao ir para o trabalho e ao voltar para casa, mesmo que o frio absurdo tornasse a ideia de passar os dias de inverno restantes embaixo dos cobertores de sua cama confortável. estava na sala, assistindo TV enquanto conversava com Henrique por chamada de vídeo, já que eles estavam combinando sobre a chegada do garoto a Toronto – depois de muita briga e ameaças, Henrique finalmente havia cedido e comprado as passagens para passar o restante do mês na cidade. Só não havia ido antes porque Anna havia estado com no final de semana, para que o primeiro ensaio de gravidez da brasileira fosse realizado por . Afinal de contas, não poderia jamais ser uma madrinha negligente que deixaria que Anna fizesse suas primeiras fotos com um fotógrafo ruim. Confiava em seu trabalho e havia sido ótimo passar um tempo com a brasileira e colocar a fofoca em dia. E mal conseguia acreditar que realmente seria madrinha do bebê. Aquela havia sido uma surpresa incrível e um presente maravilhoso.
E apesar de estar sentindo uma saudade imensa do melhor amigo, preferia sentar-se na poltrona em frente a porta da varanda e observar a neve cair e se acumular no parapeito, ao invés de participar da conversa. Nos fones de ouvido, sua playlist com as músicas que mais amava da Little Mix tocava, apenas confirmando o amor que sentia pelo quarteto inglês e aumentava o sentimento de nostalgia, já que I Love You tocava enquanto seus olhos não se afastavam da varanda e sua mente se prendia nas lembranças que tinha daquele lugar. Eram boas lembranças de seu aniversário e aquilo confortava seu coração que insistia em sentir saudade de Shawn. Quando não deveria, já que eles não estavam mais juntos. Ainda mais quando tudo indicava que Shawn havia superado o fim do relacionamento e partido para outra.
Suspirou, mordendo o lábio inferior e se recriminando mentalmente. Ela não sabia se Shawn estava mesmo envolvido com Camila. Não sabia de nada, fora as especulações da mídia e dos fãs – nas quais sabia que não deveria confiar -, mas não poderia culpar seu coração ansioso por esperar pelo pior. nunca havia entendido o que Shawn havia visto nela e se ele finalmente tivesse se dado conta de que estava perdendo tempo, não poderia culpá-lo. Afinal, ela havia terminado tudo entre eles. E teria que arcar com as consequências de suas decisões, mesmo que não quisesse. Tentava procurar em suas lembranças algum indício de que Shawn pudesse ter sentido algo por Camila enquanto estava com ela e apesar de não encontrar nada – havia visto os dois interagindo pessoalmente e eles eram apenas ótimos amigos, assim como ela e Henrique -, seu coração não lhe dava nenhuma folga. Em sua mente, Shawn estar com Camila era a coisa mais natural do mundo. Camila era mais bonita, mais talentosa, mais tudo… Ela sabia lidar com o mundo da fama e com certeza não iria amarelar na primeira situação complicada.
Como havia feito. E se arrependia amargamente.
Não se orgulhava, mas havia procurado pelo feedback daquelas especulações. E da mesma forma que encontrou muito apoiadores do suposto novo casal, muitas pessoas estavam descontentes. Os xingamentos não estavam no nível dos que eram proferidos para , mas tinham muitas pessoas falando coisas ruins para Camila. Bem como tinham pessoas bravas com Shawn e saindo em prol de . Os ânimos estavam uma loucura e apesar de achar a ideia de se pronunciar sobre o assunto uma maneira de se livrar da perseguição, não queria se intrometer. Ela era a ex e não bancaria a amargurada ao se meter no novo relacionamento de seu ex namorado.
Foi tirada de seus pensamentos pelo toque de seu celular e não conseguiu conter o sorriso que se abriu em seus lábios ao ler o nome da mãe na tela do celular. Havia estado com Susana há quinze dias, mas sentia como se não visse a genitora há anos, tamanha a falta que sentia da mãe. Deslizou o dedo pela tela do celular e atendeu a chamada, agradecendo por estar usando fones de ouvido e não precisar sair debaixo do cobertor pesado para procurá-los.
– Oi mãe. – Sorriu, mesmo que a mulher não pudesse vê-la, já que não havia ligado por chamada de vídeo.
– “Oi meu amor, como tu estás?” – Susana murmurou, em seu tom afetuoso de costume. E aquela pergunta foi o suficiente para deixar sem palavras. Ela não sabia como responder. Não poderia dizer que estava bem, porque seria uma mentira enorme. E não gostava de mentir para sua mãe. Estava longe de estar bem e a angústia em sua garganta apenas deixava aquilo claro como cristal. Mas como poderia explicar a forma como se sentia? Que estava cada vez mais arrependida de ter desistido de Shawn? Que sentia-se burra? Que o sentimento de inferioridade se apossava de seu coração e mesmo que soubesse que havia feito Shawn feliz por algum tempo, pensava que ele merecia mais do que ela. E Camila era mais. E não era justo sentir ciúme. Não era justo querer que Shawn parasse sua vida. Era egoísta e mesquinho. Mas não conseguia evitar. Entendia os motivos pelos quais ele poderia estar com Camila agora – a cantora era incrível e não era tola o suficiente para se achar melhor do que ela -, mas sentia o ciúme lhe corroer por dentro.
– Eu não sei. – Foi o que respondeu por fim, soltando um suspiro alto em seguida. – Estou me sentindo esquisita, mãe.
– “Quer conversar sobre? Ou ainda não está pronta para falar disso?” – Susana proferiu as palavras com cuidado.
– Eu não sei se consigo explicar sem parecer ainda mais idiota. – Mordeu o lábio inferior.
– “Eu não vou te julgar, nunca.”
– Eu sei. – Abriu um pequeno sorriso. – Estou me sentindo péssima, mãe. Péssima mesmo. – Suspirou. – Shawn está namorando. Bom, eu não sei se está. A mídia diz que sim, mas eu não sei. Ele não disse nada e nem ela, mas tem fotos. Muitas fotos. E eu sei que ele está certo em seguir em frente. Ela é incrível e eu não o julgo se tiver se apaixonado por ela. Ele merece ser feliz com uma ótima pessoa e eu entendo que seja ela. Porque não sou eu. Nunca serei capaz disso porque sou fraca. – Choramingou. – Mas estou com ciúme e meu coração está despedaçado. Ao mesmo tempo em que quero ligar para ele e saber se ainda me ama, saber se ainda sente algo por mim, me sinto mesquinha por querer que ele goste de mim e sofra por estarmos separados. Me sinto egoísta e por sentir isso, sei que não o mereço. Ele merece muito mais, alguém muito melhor. Alguém que eu nunca vou ser. – Suspirou outra vez, tomando fôlego para voltar a falar, mas tendo sua fala interrompida por sua mãe.
– “Eu não quero mais ouvir nenhuma palavra sobre isso.” – Susana disse com firmeza. – “, tu és uma guria incrível. E me corta o coração saber que se sente inferior a alguém. Shawn estar ou não com outra pessoa não te faz menos do que ninguém.”
– Eu sei. Estou repetindo isso para mim mesma, mas é difícil. É difícil porque é assim que eu me sinto. – Algumas lágrimas caíram e fungou baixinho. Só se deu conta de que estava ao seu lado quando a prima lhe abraçou pelos ombros, apoiando o queixo no topo de sua cabeça para não desfazer o abraço.
– “Sentir é normal, amor. Sentir ciúme de alguém que tu ama muito não te torna egoísta e mesquinha. Mas por favor, pare de pensar essas coisas. Ligue para ele, se achas que isso vai te fazer bem. Ou então, te afasta de uma vez por todas. Não se mantém a espreita, porque isso pode apenas te machucar mais.”
– Vou tentar. – E como estão as coisas por aí? – Questionou, mudando de assunto.
– “Tudo ótimo.” – Falou. – “Conheci a namorada de Maurício ontem.”
– E como ela é?
– “Bonita, inteligente. Um verdadeiro mulherão e eu não sei como ela está apaixonada pelo seu irmão, porque ele é um garoto incrível, mas é meio burro às vezes.” – Suspirou, causando risos em . – “Mas é uma boa garota.”
– Todo homem é burro. – Concluiu. – Fico feliz por ele. – Sorriu verdadeiramente. – Mas agora vou desligar porque quer brigar comigo. – Levantou o olhar até a prima, que revirou os olhos e lhe estirou a língua.
– “Mande um beijo para ela. Se cuida filha, eu te amo. Qualquer coisa me liga.”
– Eu te amo mãe, beijo. – E com isso, desligou a chamada. E passou quase meia hora enchendo seus ouvidos e querendo ligar para Shawn e xingar até a décima geração do cantor. Mas sabia que estava errada de jamais permitiria aquilo. Havia tomado suas decisões e precisava arcar com as consequências.
Mesmo que doesse.

🎸🍀📷

Shawn.
Soltou um suspiro alto, passou a mão pelo cabelo e checou o relógio em seu pulso apenas para constatar que estava atrasado. E a mensagem de Camila perguntando onde ele estava apenas reforçou seu pensamento. Vestiu o casaco e saiu do quarto, trancando a porta e seguindo para o elevador. A cubana o estava esperando no restaurante do hotel onde estava hospedado, para evitar que fossem fotografados por paparazzi na rua. Mesmo que Shawn soubesse que alguém iria tirar fotos e elas caíram na internet, ele tentaria evitar aquilo. As coisas já estavam ruins e ele não precisava ajudar a piorar.
A proposta de Andrew era uma merda e Shawn sabia daquilo. Mas também entendia que Gertler estava sem muitas opções e que precisava fazer seu trabalho, já que eles tinham um álbum para lançar em alguns meses e a cabeça de Shawn estava em outro lugar, porque seu coração estava quebrado e ele não conseguia focar no que deveria fazer. Estava colocando seu trabalho em segundo plano e aquilo deixava Andrew preocupado. Era seu empresário, era seu dever pensar na carreira de Shawn antes de tudo. Gertler estava sendo um pouco extremista e deixando a empatia de lado? Mendes tinha certeza e iria continuar brigando com Andrew enquanto ele não se desse conta daquilo. Mas também compreendia suas falhas – que Andrew estava tentando organizar – e também sabia que as coisas estavam complicadas com a mídia e os fãs. E havia passado tanto tempo dentro de sua própria dor e solidão, que não havia percebido que o mundo ainda estava girando e as coisas continuavam acontecendo. Não deveria ter deixado tudo chegar naquele ponto. E precisava começar a tomar as rédeas de sua vida novamente.
Encontrou Camila na última mesa do restaurante e para ser azar, Andrew já estava lá. Esperava que o empresário ainda não tivesse dito nada para a cantora, já que Shawn estava convicto de que aquele plano era terrível e que eles poderiam pensar em algo juntos. Não deixaria desprotegida, mas não se sujeitaria a fingir um relacionamento midiático. Aquilo era realmente ridículo. Beijou a amiga na testa quando se aproximou, sentando ao seu lado e recebendo um sorriso de volta. Já imaginava a cubana pegando a faca de cortar carne para ameaçar Andrew quando ele lhe contasse sua ideia genial e não duvidava que ela ligasse para Catherine para que as duas encomendassem uma série de torturas para Gertler ainda naquela semana. Precisou conter o riso e Camila franziu o cenho para ele.
– O que foi? – Ela indagou curiosa.
– Antes, me atualize sobre o trabalho no estúdio. – Sorriu para a amiga, que deu de ombros. Ouviu Andrew bufar e revirou os olhos para o homem.
– Eu dormi a manhã inteira, sou incapaz de falar sobre isso. – Disse e Shawn riu.
– Você nunca vai acabar esse álbum desse jeito, Cams.
– Meu empresário me deu seis meses. Estou tranquila. – Fez joinha com a mão esquerda.
– Certo. Se precisar de ajuda, estarei por aqui até a metade do próximo mês. – Sorriu.
– I Know What You Did Last Summer parte 2? – Camila riu.
– Ou algo diferente. – Deu de ombros. – Tenho certeza de que podemos pensar em algo.
– Vamos pensar nisso, no futuro. Agora me diga o que está acontecendo. – Inquiriu. – Vocês dois estão esquisitos e Andrew disse que tinha uma proposta para fazer.
Shawn respirou fundo, bebendo um gole de água antes de abrir a boca para tentar explicar e não conseguir dizer nada. Aquela era uma ideia tão ruim que ele nem sabia como contar para Camila, então deixaria a responsabilidade para Andrew. Lançou um olhar e um franzir de cenho para o homem, que se virou em direção a Camila e abriu um pequeno sorriso.
– As coisas estão complicadas. – Começou após um pigarro.
– Para . – Shawn se intrometeu. – Não aja como se isso tudo não fosse porque você não quer lidar com a atenção que a mídia ainda dá para ela. – Seu olhar não era amigável e Gertler deu de ombros.
– Já disse que isso não é nossa responsabilidade. – Retrucou.
– E eu já disse que não dou a mínima para o que você considera nossa responsabilidade ou não. – Mendes finalizou a discussão e Camila, de olhos arregalados, voltou a encarar Andrew com o cenho franzido.
– O que está acontecendo?
– A mídia não a deixa em paz. – O canadense murmurou. – Fica usando nosso término para continuar criando notícias com o nome dela. E os fãs ainda ficam em cima. – Mordeu o lábio inferior. – E isso é péssimo, porque terminamos justamente para que ela tivesse sua vida e segurança de volta.
Camila assentiu. – Fico triste pois não está acostumada com isso. Deve estar sendo terrível para ela ainda ler tantas coisas ruins. – Murmurou com tristeza.
– É. – Também assentiu. – E eu preciso protegê-la, Cams. Preciso que ela fique bem e segura, porque isso tudo é minha culpa. – Suspirou frustrado.
– Shawn. – Gertler alertou, deixando claro que não concordava com aquilo.
– Eu não diria isso. – Camila discordou imediatamente. – Você não tem culpa pelo que outras pessoas dizem e fazem.
– Mas tenho culpa por não ver que as coisas estavam ruins e deixar tudo chegar ao ponto em que chegou. – Foi firme. – Sei que errei e quero consertar as coisas.
– Não tem como conter o fandom, Shawn. Você sabe disso. Ainda mais o seu. – Soltou um riso nervoso, desviando o olhar para Andrew e procurando pela solução que Shawn mencionara que o homem tinha.
– Andrew sugeriu algo, que eu acho idiota e ridículo. – Informou. – Mas ele está insistindo.
– Fale de uma vez, desalmado. Sou curiosa e odeio ficar esperando. – Reclamou, causando um sorriso no melhor amigo. Para então ele suspirar e voltar a ficar sério.
– Ele acha que se fingirmos namorar, as atenções vão desviar da . – Revirou os olhos e observou Camila arregalar os dela, encará-lo com descrença, desviar o olhar para Gertler e então começar a rir.
– Ah, fala sério. – Riu. – Você está de brincadeira comigo. – Revirou os olhos.
– Gostaria que ele estivesse de brincadeira comigo, para eu estar de brincadeira com você. – Chiou, com um olhar frio para o empresário, que fingiu que não viu.
– Isso é impossível. – Sacudiu a cabeça para os lados. – Nós somos melhores amigos. Nem conseguiríamos nos beijar, eu tenho certeza disso.
– Eu sei, Cams. Agora me diz se ele acredita em mim? – Apontou Andrew.
– É sério Andrew, não existe a menor possibilidade de isso dar certo. – Afirmou com seriedade. – Nós apenas iríamos alimentar uma rivalidade entre e eu. – Camila murmurou. – A mídia não vai deixá-la em paz, apenas vai começar a comparar. E isso vai ser ainda pior. – Arqueou as sobrancelhas para Shawn. – E você ainda iria magoá-la e tenho certeza de que essa é a última coisa que você quer.
– Já vi que nenhum de vocês está realmente analisando a situação de forma profissional. – Andrew retrucou descontente. – Então qualquer argumento meu será inválido.
– Porque isso aqui não é uma parceria. – Camila chiou e Shawn sentiu-se mais confiante por ter sua amiga do seu lado. Afinal não estava tão maluco. – São nossas vidas pessoais.
– E o que vocês sugerem? – Arqueou as sobrancelhas para eles e Shawn suspirou, levando alguns segundos para analisar as coisas com clareza.
– Podemos continuar saindo e sendo vistos juntos, mas como amigos. Sugerir uma parceria para que a mídia volte a focar somente em mim. – Deu de ombros.
– É uma boa ideia. – Camila concordou.
– E se não der certo? – Andrew indagou, com uma expressão nada contente no rosto.
– Não vamos nos adiantar. – Camila estalou os lábios. – Deixe que a mídia fale o que quiser, mas não vamos colaborar com nenhum teatrinho. Isso é ridículo. – Chiou.
Shawn assentiu em concordância e recebeu um olhar tranquilizador de Camila. Tinha o apoio de seus amigos e aquilo era tudo o que precisava.

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Deitou a cabeça no ombro de Henrique, enquanto lhes encarava com uma expressão nada contente nos lábios, bufando de dois em dois segundos. Estava irritada porque queria sair naquela noite – a primeira do namorado na cidade – e nem Henrique e nem haviam aceitado a sugestão, já que o frio estava de “renguear cusco” como seu padrasto dizia, já que ele era gaúcho e tinha algumas expressões bizarras como aquela.
– Ai que saudades do meu melhor amigo! – exclamou, abraçando Henrique com força e ouvindo mais um bufar irritado de . O garoto riu, revirando os olhos para a birra da namorada.
– Tu querias mesmo sair e congelar o rabo na rua? – Questionou com o cenho franzido.
– Queria. – Bateu o pé. – Mas já que nenhum dos dois está animado, vamos ficar em casa e morrer de tédio. Uhul. – Levantou os braços para cima, com uma animação fingida.
e Olivia estão no apartamento ao lado e já devem estar vindo para cá. – lembrou. – E Connor está chegando com a comida.
– Esse guri é literalmente o teu Uber. – sorriu com malícia. revirou os olhos.
– Henrique, pode, por favor, mandar a sua namorada a merda? Ela está me enchendo o saco com essas piadinhas. – Reclamou e Henrique riu, beijando a fotógrafa na testa.
– Eu não disse nada! – se defendeu.
– A tua cara entrega. – Henrique revirou os olhos. – E nós dois sabemos que dessa cabeça só sai loucura e putaria.
– Ai que calúnia! – chiou ofendida, para então os três começarem a rir porque sabiam que aquela era a mais pura verdade.
A campainha soou e levantou em um pulo, correndo para a porta e encontrando quatro pessoas no corredor. Franziu o cenho em confusão e quando seu cérebro raciocinou que Brian estava ao lado de Connor, abriu um largo sorriso e puxou o garoto para um abraço apertado. Havia sentido falta dele e nem sabia que ele já estava de volta à cidade. A última vez que haviam se visto havia sido na viagem de Tóquio para Toronto e aquilo fazia um longo tempo.
– Porque não ligou avisando que já estava de volta? – Reclamou, beliscando o garoto no ombro e recebendo um beijo estalado na bochecha. empurrou a amiga para o lado para entrar na casa, puxando Olivia consigo, enquanto a garota repreendia a namorada com um olhar feio. – Já estou acostumada com a falta de respeito da Re, não perca seu tempo Liv. – Também lançou um olhar feio para , que lhe estirou a língua e seguiu para a sala sem pedir desculpas. Connor lhe beijou na testa e puxou Brian para dentro do apartamento, fechando a porta às suas costas e seguindo de volta para a sala. Após as apresentações, todos se acomodaram como puderam. Quase não havia lugar e ver seus amigos mais próximos, todos juntos em sua casa, lhe trazia uma ótima sensação. Mas também, um pontada de saudade pela falta da presença de alguém que deveria estar ali e não estava.
Soltou um suspiro e desviou o olhar dos amigos, seguindo para a cozinha em busca das sacolas que Connor havia levado. Segundos depois o garoto parou ao seu lado, percebendo que a amiga estava cabisbaixa e oferecendo um abraço para lhe dar apoio. sorriu e se deixou ser abraçada por Connor, que lhe beijou o topo da cabeça e suspirou.
– Tá doendo? – Ele questionou e assentiu com a cabeça, fungando baixinho enquanto as lágrimas lutavam para escorrer por seus rosto.
– Eu queria que ele estivesse aqui. Queria tanto. – Suspirou. – Essa pequena e estranha família que criamos inclui ele. E ele está longe e sozinho. – Precisou rir consigo mesma. – Talvez nem tão sozinho assim. – A amargura estava em seu tom de voz.
– Eu duvido que eles estejam juntos, . Duvido mesmo. – Connor comentou. – Shawn ama você e isso era nítido na forma como ele olhava para você.
– As coisas mudaram tanto, em pouco tempo. Não consigo me convencer de nada. – Torceu os lábios.
– Ela não é você. E ele sabe disso. – Connor beijou o topo de sua cabeça e então desfez o abraço, voltando a atenção para as sacolas com hambúrguer.
secou as lágrimas com a manga do moletom e então se moveu para ajudar o amigo, separando os lanches chamando pelos amigos para que cada um pegasse o sabor que havia pedido. Era a única que não estava comendo carne e seu hambúrguer vegano era o mais diferente de todos. Sentou-se no carpete, ao lado de Brian, e enquanto todos conversavam e riam, deixou-se apreciar a cena por longos momentos, entre uma mordida e outra, a saudade a corroendo um pouco mais a cada instante.
– Como você está? – Brian questionou após terminar seu lanche, lançando um olhar preocupado para a garota, que sorriu fraco e deu de ombros.
– Indo. – Suspirou. – Evitando a internet, evitando espaços públicos o máximo possível. Esperando que as pessoas esqueçam quem eu sou. – Forçou uma risada fraca. – O de sempre.
– Imagino que esteja sendo uma merda. – Brian murmurou e a garota riu de verdade, concordando com um aceno de cabeça.
– Merda é pouco, Brian. Merda é pouco. – Suspirou. Se esticou e deixou o lanche na mesa de centro, procurando pelas amigas e encontrando-as completamente entretidas em uma conversa animada, para então morder o interior da bochecha e voltar a encarar o garoto ao seu lado, completamente aflita e insegura.
– Eu sei que você quer perguntar. – Ele sorriu, ofertando o ombro para deitar a cabeça. A fotógrafa suspirou, assentindo em concordância e se rendendo.
– Só preciso saber se ele está bem. – Foi o que disse. – Saber se ele está se cuidando, se está comendo direito. – Suspirou. – Ele tende a focar no trabalho e esquecer do resto do mundo.
– Ele não estava trabalhando muito, . – Brian comentou. – Passava apenas as manhãs no estúdio e então voltava para o hotel. Fiquei a maior parte dos dias sozinho, porque ele não queria companhia. Mas nas últimas duas semanas melhorou. – Estalou os lábios. respirou fundo, torcendo os dedos das mãos em nervosismo e encarando Brian com aflição. O garoto suspirou e lhe abriu um sorriso pequeno. – Ele vai ficar bem. – Garantiu.
– E ele não vem mesmo para a sua festa? – Questionou preocupada.
– Não. – Sacudiu a cabeça para os lados. – O Grammy é um dia antes. Ele vai estar em Los Angeles.
– Tudo bem. Então eu vou. – Sorriu e Brian revirou os olhos.
– Você vai de qualquer forma. jamais deixaria que ficasse em casa. – Lembrou e torceu os lábios.
– Eu sei. – Bufou.
– O que tem eu? – A loira questionou, lançando um olhar enviesado para os dois.
– Brian disse que você vai me arrastar pelos cabelos para o aniversário dele. – deu de ombros.
– Se ela não arrastar, eu arrasto. – garantiu, sorrindo sem mostrar os dentes.
– Vai ter bebida de graça. É claro que nós vamos. – garantiu.
– O que compramos para você? – Connor questionou. – De presente. – Explicou.
– Bebida. – Brian sorriu e riu.
Caiporinha? – Implicou e o garoto lhe empurrou com o ombro.
– Não me encha o saco. – Reclamou, fazendo-a rir mais.
– Vai ter karaoke? Podia ter karaoke. – sorriu largo.
– Deus não seria tão ruim conosco, dando a oportunidade de ouvir você cantar em um microfone. – Connor estalou os lábios e o mandou à merda. sorriu, voltando a deitar a cabeça no ombro de Brian e aproveitando a companhia dos amigos. Com a saudade lhe fazendo companhia a todo momento.

Capítulo 8

But darling don’t you know that
I’m the only one for you

Shawn.
Não gostava de viagens inesperadas, mas Shawn sentia-se contente por ter trocado as ruas cobertas de neve e o frio abaixo de zero de Nova Iorque pelo clima levemente frio da Califórnia. Graças a gravação da versão acústica de Youth com Khalid, Shawn havia abandonado as ruas frias de Nova Iorque por alguns dias, junto de sua equipe e de Camila, que havia decidido viajar com eles para encontrar Taylor Swift e talvez compor alguma coisa para o novo álbum. Eles sabiam que aquela decisão apenas aumentaria os rumores e especulações sobre um possível envolvimento entre eles, mas nem Shawn e nem a cubana se importavam. Eles tinham suas consciências limpas, já que não estavam fingindo nada por marketing e sim, apenas sendo ótimos amigos passando um tempo juntos. E para Shawn, enquanto estivessem falando deles, mais longe as câmeras e comentários ficavam de e aquilo era a única coisa que realmente lhe importava.
Abriu um pequeno sorriso quando o ar de Los Angeles bateu em seu rosto e o frio cortante não lhe atingiu em cheio, lhe obrigando a torcer os lábios e fazer uma careta. Ao seu lado e arrastando uma mala gigantesca, Camila deu alguns pulinhos e bateu palmas. Ela também não era a maior fã de Nova Iorque e estar na Califórnia era um alívio imenso para ambos.
– O frio de Nova Iorque deveria ser crime. – A cubana murmurou, causando risos em Shawn.
– Toronto é pior. – Deu de ombros. – Mas apesar da similaridade das cidades, eu prefiro estar aqui a estar em Nova Iorque. – Suspirou. – A cidade me causa angústia.
– Eu entendo. – Camila assentiu. – Sinto o mesmo. – Sorriu fraco.
– A van está nos esperando. – Andrew informou, parando ao lado da cantora e lançando um sorriso simpático para ela, que apenas torceu levemente os lábios. Camila não estava nada satisfeita com Gertler e não fazia questão de esconder aquilo. – Você vai querer uma carona, Camila? – Ele questionou e ela negou no instante seguinte.
– Taylor está vindo me buscar. – Comentou, se virando para Shawn em seguida. – Vamos almoçar amanhã?
– Amanhã vou passar o dia no estúdio com Khalid. – Mendes murmurou. – Mas na terça eu estou livre.
– Não está mais. – Estalou os lábios, fazendo Shawn rir e a puxar para um abraço rápido. Beijou o topo de sua cabeça e lhe agradeceu por todo apoio, se afastando e seguindo junto de Andrew e o resto da equipe para fora da área de desembarque do aeroporto de Los Angeles. O sol estava a pino e Shawn suspirou satisfeito ao sentir os raios solares no rosto, mesmo que sua alegria tivesse cessado no instante em que entrou na van. Sentou na janela e colocou os fones de ouvido – que por algum milagre ele ainda não havia perdido -, puxando o celular do bolso para responder as mensagens da mãe e ignorar Andrew deliberadamente. Não estava fazendo voto de silêncio, mas evitava o máximo possível falar com o empresário sobre qualquer coisa que não fosse trabalho. Enquanto Gertler estivesse sendo um grandessíssimo cretino, Shawn se manteria afastado.

Cheguei bem 15:09 pm
Estou exausto da viagem e vou tirar o restante do dia para descansar 15:09 pm
Ligo para você amanhã, juro! 15:09 pm

Mãe ❤️
Que bom que a viagem foi tranquila 15:10 pm
Shawn, você sempre liga 15:10 pm
Não sei porque jura algo que vai fazer de qualquer forma 15:10 pm

Porque sou um filho incrível 15:10 pm

Mãe ❤️
Incrivelmente nada modesto 15:11 pm
Vai descansar, meu anjo 15:11 pm
Amo você 15:11 pm

Amo você o dobro 15:11 pm

O cantor sorriu, fechando o Whatsapp e então abrindo o Instagram. Curtiu as últimas fotos de Catherine e deixou uma porção de corações na foto onde Anna anunciava para o mundo que o bebê que estava esperando seria um menino – algo que Shawn já sabia, pois tinha passado muito tempo com a amiga na última semana – e quando seus olhos bateram na última atualização de Brian no Instagram, franziu o cenho e voltou para o Whatsapp no mesmo segundo, abrindo a conversa com o melhor amigo e mandando um print de tela e vários pontos de interrogação como legenda. Por que diabos Brian não havia lhe dito que iria ver ? Shawn tinha tantas perguntas que gostaria que o amigo fizesse a ela e lhe repassasse as informações. Porque era um idiota e não tinha coragem nem de chamar a garota para perguntar como ela estava.

Brian
O que foi? 15:15 pm
Eu disse que estava voltando para casa 15:15 pm

Como assim “o que foi?”? 15:15 pm
Por que não me disse que iria vê-la? 15:15 pm

Brian
Porque eu sabia que você iria surtar 15:15 pm
E eu não quero estar no meio disso, cara 15:15 pm

Shawn suspirou, passando a mão pelo rosto e voltando a encarar o celular, sem saber exatamente o que responder.

Certo 15:17 pm
Eu só queria saber como ela está 15:17 pm
Mesmo sabendo que eu preciso me manter afastado e saber sobre ela apenas machuca mais 15:17 pm

Brian
Depois de ter passado esses dias com você e ter estado com a ontem, a única certeza que eu tenho agora é que esse rompimento está fazendo ainda mais mal para vocês 15:17 pm
E sim, sei que acabei de dizer que não quero me meter 15:17 pm
Mas Shawn, eu realmente não sei como vocês veem algum benefício nisso 15:17 pm

Por que diz isso? 15:18 pm

Brian
Vocês dois estão um lixo 15:18 pm
A não parece a . Está sempre cabisbaixa e com o olhar machucado quando pensa que ninguém está vendo 15:18 pm
me contou que ela sai de casa apenas quando é necessário e evita até o refeitório da empresa, porque as pessoas não a deixam em paz 15:18 pm
E eu pensei que o objetivo do término fosse para que ela tivesse paz e segurança de novo. E ela não tem isso, cara 15:18 pm
Ela se preocupa com você. Perguntou se estava comendo direito 15:19 pm

Shawn soltou uma risada fraca e quase desesperada, abandonando o celular no colo e passando a observar a paisagem, enquanto sua cabeça parecia girar lentamente e seu coração batia com força. ainda se importava, de alguma forma. Ainda havia alguma esperança e aquilo aquecia seu coração de uma forma que não imaginava que fosse capaz de sentir novamente. Não depois do buraco frio que o término havia deixado.
Mas o que ele poderia fazer? Havia desistido e respeitado a decisão de porque acreditava que era o melhor para ela. Queria vê-la segura e feliz e entendia que ao seu lado ela poderia ser apenas um deles. Mendes sentia-se culpado pelos acontecimentos que haviam machucado a brasileira a ponto de ela terminar com ele. Havia sido irresponsável e inocente ao acreditar que tudo ficaria bem. Havia fechado os olhos para o caos que a mídia causava e fingido que a repulsa de algumas partes do seu fandom não existia, porque ele queria acreditar que tudo ficaria bem. Mas não havia ficado. Tudo havia piorado e ele havia perdido . E estava sofrendo. Porque a queria de volta. Queria se sentir em casa, queria voltar a dormir e respirar direito. Queria que as crises de ansiedade fossem embora, mas antes de tudo, queria segura. E até aquele momento, havia acreditado que só conseguiria protegê-la se mantivesse a si mesmo, o mais longe possível.
E talvez estivesse errado. Talvez todo sofrimento que estava passando e toda a dor que mantinha em seu coração tivesse sido em vão. Talvez se manter longe tivesse sido a pior decisão do mundo. Porque mesmo longe, ainda estava sofrendo e sendo perseguida. Então qual era o propósito? Estavam sofrendo atoa? Shawn não tinha uma resposta para aquilo, mas seu coração já estava aceitando aquela ideia e iniciando um protesto para que ele ligasse para ela. Colocasse para fora tudo o que ele estava guardando naquelas cartas e pedisse para que eles tentassem outra vez, porque as coisas seriam diferentes. Shawn faria tudo ser diferente.

Ainda posso confirmar presença no seu aniversário? 15:20 pm

🎸🍀📷

.
Estava jogada no sofá da sala de estar da empresa, com as pernas em cima de uma cadeira e Connor com a cabeça em seu colo. Ele se entraria com algum jogo de matar no celular, enquanto a brasileira fazia cafuné em seus cabelos. estava na sala com eles, andando de um lado para o outro, completamente atordoada porque os modelos que havia contratado para um ensaio não haviam aparecido ainda e ela precisava fazer as fotos para aumentar seu portfólio. Havia se inscrito para uma nova vaga na empresa e precisava atualizar suas amostras profissionais, caso quisesse ter alguma chance real de ganhar uma promoção. estava aflita pela amiga, mas seus pensamentos estavam longe.
Mais especificamente, em uma porção de fotos que ela havia encontrado no Twitter. E daquela vez, não havia procurado nada. As coisas simplesmente apareciam para ela, porque algumas pessoas insistiam em lhe marcar nas publicações onde Shawn e Camila apareciam juntos, como em uma provocação. Não entendia porque as pessoas eram obcecadas pela oportunidade de infernizar a sua vida e apesar de sentir um aperto ruim no coração toda vez que via uma nova foto de Shawn e Camila andando juntos por Los Angeles, já estava ficando de saco cheio de toda aquela perseguição. Ela não era a ex? Não haviam conseguido fazê-la desistir dele? E por que infernos não a deixavam em paz? Sentia raiva, mas também sentia dor. Sentia-se burra e miserável, como se o ciúme egoísta que sentia não fosse o suficiente.
As fotos não tinham nada demais. Eram apenas Shawn e Camila andando por Los Angeles de braços dados. Não haviam beijos, sorrisos apaixonados ou dedos entrelaçados. Mas Camila havia viajado para LA junto de Shawn, sem nenhuma necessidade, já que a cerimônia do Grammy iria acontecer em Nova Iorque. E aquilo queria dizer muita coisa. E nem estava mais tentando se convencer do contrário. Em sua cabeça eles já eram um casal e tudo o que ela poderia fazer era chorar pelo leite que ela mesma havia derramado.
– É sério isso? – xingou ao telefone e levantou o olhar para a amiga, enquanto Connor abandonava o jogo e segurava a mão da brasileira para que ela continuasse o carinho. Agora que ele sabia pronunciar cafuné, lhe enchia a paciência para receber o agrado a todo instante. E nem poderia reclamar, já que ela e recebiam carona de Brashier todos os dias. Era uma troca justa.
– Acho que o ensaio já era. – Connor murmurou e assentiu em concordância, seus olhos presos na figura de quase soltando fogo pelas ventas.
– Que falta de profissionalismo! – Re quase gritou. – Quando pagamos por um serviço, esperamos que esse serviço seja feito! Mas isso ao menos coloca a agência de vocês na lista dos lugares onde eu nunca mais procurarei qualquer modelo. Passar bem. – Chiou, desligando o telefone e soltando um urro irritado. – Puta que pariu. – Xingou.
– O que aconteceu? – questionou com cuidado.
– Erraram meu horário e não tem nenhum modelo para cobrir o erro. Ou seja, meu ensaio foi arruinado. – Torceu os lábios. – E não tenho como reservar o estúdio outra vez. – Suspirou. Se jogou na poltrona e cobriu o rosto com as mãos, completamente frustrada.
– Não tem ninguém que possamos chamar? – Connor indagou. – , talvez.
– Ela está passeando com Henrique. – mordeu o interior da bochecha. – Liv? – Murmurou em questionamento.
– Trabalhando. – falou.
– Que merda. – A brasileira suspirou. – Precisamos de mais amigos. – Deu de ombros, ao mesmo tempo em que afastava as mãos do rosto e focava sua atenção nos amigos. Analisou e Connor juntos por alguns instantes, para então abrir um largo sorriso e arrancar uma careta da catarinense. Connor se encolheu levemente.
– Eu tive uma ideia. – A loira riu.
– E eu estou com medo da sua ideia. – Brashier logo falou.
– Vocês podem modelar para mim. – Sugeriu a canadense. – Vocês são bonitos e ficam bem juntos. – Arqueou as sobrancelhas. – E estariam ajudando uma fotógrafa que precisa atualizar seu portfólio para poder lutar por uma promoção! Eu quero um salário melhor! – Choramingou.
– Começou a apelar. – Brashier resmungou.
– Eu não gosto de ser fotografada desse jeito, você sabe. – torceu os lábios. – Fico desconfortável.
, por favor! – juntou as mãos para implorar. – Eu não pediria isso a vocês se tivesse outra opção. – Lembrou.
– Eu não estou no clima para isso, . Queria muito conseguir ajudar você, mas tenho certeza que vou arruinar tudo com a minha cara de merda e minhas olheiras. – Falou.
– Eu resolvo isso com maquiagem. – retrucou. – Eu juro que mataria o Shawn com as minhas próprias mãos se ele estivesse na cidade, porque você fica toda cabisbaixa e tristonha, mesmo que tente fingir o contrário.
– Você não consegue fingir, de qualquer forma. – Connor completou. – Sabemos das fotos.
suspirou em desânimo.
– Não quero ser a amiga triste. – Murmurou. – Vocês devem estar de saco cheio de mim choramingando pelos cantos e desanimada desse jeito. – Seu olhar se tornou ainda mais triste.
– Você não deixa de ser incrível porque está sofrendo por amor, . E nós amamos você desse jeito. – garantiu. – Você não passa seus dias inteiros sofrendo e nós sabemos disso porque estamos com você quase o tempo todo. E ninguém julga você por ter momentos em que não consegue aguentar tudo isso. – Suspirou. – As pessoas estão sendo maldosas e Shawn enfiou a empatia e o respeito no rabo. É claro que você vai ficar mal. – Falou. Connor franziu o cenho.
– Ela está sendo tão simpática que quase me convenceu a fazer o ensaio. – Murmurou, recebendo um revirar de olhos em resposta.
– Calado, Brashier. Estou sendo sincera aqui. – Lhe estirou o dedo do meio.
– Um momento raro, meus amigos. Raro! – Gritou a última palavra, causando um riso idiota em . atirou uma almofada no amigo.
– Você é um idiota. – Bufou. – De qualquer forma, esse ensaio poderia animar você um pouco. Usar uma roupa incrível e abraçar um homem bonito é sempre bom. – Deu de ombros.
– No caso, o homem bonito sou eu. – Connor abriu um longo sorriso. – Sei que sonha com isso, zinha. – Atirou um beijo para a amiga, que revirou os olhos e bateu na testa dele com a ponta dos dedos.
– Você é realmente um idiota. – Concordou com , que sorriu exultante.
– Vocês vão me ajudar, não é? – A canadense indagou. – Sejam os amigos incríveis que eu sei que vocês são!
– Ela apela sem nenhuma vergonha na cara. – Connor revirou os olhos. – Eu topo, desde que pare de me encher o saco por causa dos jogos no celular. – Impôs sua condição e fez uma careta. Aquela seria uma tarefa difícil para ela, já que adorava atrapalhar o jogo de Brashier. Acabou acenando em concordância e se viu obrigada a também ceder ao apelo de .
– Se tivesse negado, eu poderia negar também. – Chiou. – Você é um inútil, Connor.
– Não reclame. – bufou. – Vai ser bom receber alguns elogios no Instagram ao invés dos comentários maldosos de sempre. – Arqueou as sobrancelhas para a brasileira.
suspirou. Não tinha paz em suas redes sociais e estava, cada dia mais, exausta de tudo aquilo. Tinha terminado seu namoro com Shawn em busca de paz e segurança. E não tinha nenhum dos dois, apenas um buraco no coração que Mendes preenchia com sua presença e amor. E ela sentia falta dele. Tanta falta que quase havia ligado para ele duas vezes naquela semana. Tinha apenas um problema: seu medo de ter sido substituída.

🎸🍀📷
Shawn.

Oi dengo,
Sou eu de novo. Acho que já escrevi umas cinco cartas para você e gostaria de ter coragem de enviar. Ou coragem de ligar para você e ouvir sua voz me dizendo que tudo vai ficar bem. Que você me ama e que sempre vai me amar, independente de quão afastados estejamos agora. Mas eu sei que ligar para você vai acabar comigo, então não o faço. Mesmo que queira saber o que ainda sente por mim. Se ainda sente algo, mesmo que minúsculo. Se eu ainda sou o seu trevo.
Eu não queria ter ciúme. Não deveria sentir qualquer coisa perto disso, ainda mais por causa de Connor. Ele é seu amigo, assim como Camila, Catherine e Anna são minhas amigas. E você tem uma vida inteira que não me inclui e eu me sinto um idiota por ter ciúme. Mas não consigo conter isso. É estranho não saber o que está acontecendo com você, porque desde a primeira vez que nos encontramos, sempre existiu sinceridade. Nunca deixamos de dizer algo um para o outro e eu sinto falta disso todos os dias. Ainda mais agora, que eu não sei o que está acontecendo entre você e ele. Brian me garantiu que vocês não tem nada – não fique brava com ele, eu o obriguei a falar sobre isso – e meu coração tem certeza de que você me ama.
Mas minha mente me sabota e me faz ter ciúme. Me faz pensar que talvez eu não tenha sido tão importante para você.Que tenha sido fácil me substituir. Porque eu nem tentei, não é mesmo? Não lutei por você, em nenhum momento. Nos apaixonamos ao mesmo tempo e eu não precisei me esforçar para isso. E quando as coisas ficaram ruins, eu apenas aceitei o fim e deixei você ir.
Você sempre priorizou a mim. Sempre procurou evitar me magoar, mesmo que isso causasse mágoas em si mesma. E me sinto um lixo por ter ciúme, porque eu sei que não mereço sentir isso. Nem ao menos mereço você, dengo.
A culpa foi toda minha. E se agora você está com Connor, eu espero que você seja feliz. Espero que ele a faça feliz e que ele lute por você, como eu não fiz. E me arrependo tanto por não ter feito, porque eu quero você de volta. Quero tanto, tanto, tanto. Você e apenas você. Nenhuma outra jamais vai tomar o seu lugar no meu coração, mesmo quando ele sentir-se pronto para se abrir para outra pessoa novamente. Esse ainda não é o momento, de qualquer forma. Eu jamais poderia levar ninguém aos nossos lugares. Não agora. E talvez nem nunca. Porque eu nunca vou amar ninguém como eu amo você. E ter tido você apenas reforça isso. Não tem ninguém como você, . E nunca vai ter. E isso acabou de me dar uma ideia para outra música.
Esse álbum precisa ter o seu nome, porque ele é todo seu. Assim como o meu coração.
Eu amo você, dengo. Sempre.
Com amor, Shawn.

O cantor suspirou, fechando o caderno e novamente guardado o objeto dentro da mala. Precisava compor naquele momento e havia passado tanto tempo sem conseguir fazer aquilo, que a ansiedade tomava conta de seu corpo e quase lhe fazia vomitar. Já estava enjoado desde que havia visto as fotos de e Connor no Instagram de – e havia repostado as fotos, junto das fotos solo que havia feito dela – e pensar que poderia não conseguir escrever algo decente apenas causava um estrago maior em sua cabeça. Talvez fosse melhor vomitar antes de tentar compor qualquer coisa.
Passou quase dez minutos no banheiro em vão e quando voltou ao quarto, a primeira coisa que fez foi mandar uma mensagem para sua psicóloga particular para avisar da crise de ansiedade. Depois de muito tentar, naquela semana havia finalmente conseguido conversar com a médica a respeito da bagunça que estava sua cabeça. As coisas haviam melhorado um pouco e Shawn sentia-se menos cansado mentalmente após colocar aquilo para fora. Havia falado muito sobre e conseguido colocar seus pensamentos em ordem. Estava arrependido de ter deixado tudo acumular, como se não pudesse tomar as rédeas de sua própria vida, esperando que as coisas acontecessem, sem mover um único dedo para tomar a frente do que queria. E ele queria . E finalmente havia se dado conta de que precisava lutar por aquilo, não apenas contra a mídia, mas contra parte dos fãs que não conheciam os limites de sua privacidade.
Se algumas pessoas não davam a mínima para seus sentimentos, por que deveria ligar para os sentimentos deles? Principalmente quando seu coração estava partido e clamava por ela.
Porque era ela. Apenas ela. A única pessoa capaz de quebrar as paredes de seu coração desiludido e lhe mostrar o que realmente era amar alguém. fora seu primeiro amor verdadeiro. Nenhuma paixão que tivera antes se comparava ao que sentia por ela. E ter aquele sentimento tão puro dentro do peito, tão aberto em sua mente, lhe motivou a buscar o violão, depois de tantos dias apenas encarando o instrumento, sem conseguir criar nada. Sentiu-se inspirado e motivado outra vez. Escreveria um milhão de músicas sobre ela sem qualquer esforço. Ela era sua musa inspiradora, a única em seu coração e em sua mente.
Ele tinha medos. Tinha inseguranças. Não falava com ou sabia sobre sua vida há muitos dias. Incontáveis dias de sofrimento, de coração sufocado e noites sem dormir direito. Talvez realmente estivesse com Connor. Mas como Shawn poderia simplesmente desistir? Como poderia parar de tentar? Quando tinha certeza que era o amor de sua vida? Havia sido tão fraco, tão idiota… havia pedido por espaço, esperando que as coisas melhorassem. Mas nada havia melhorado. Tudo estava pior. E Mendes não conseguia ver um único motivo para não tentar outra vez. E daquela vez, ele realmente iria tentar. Iria lutar pelo amor de .
Puxou seu caderno de anotações, finalizando mais algumas estrofes da música que ele chamaria de Because I Had You. Aquela canção era sobre seus medos. Sobre toda a insegurança que ele sentira ao ver as fotos de junto de Connor. Era sobre como ele sabia que um dia poderia conhecer alguém, mas que essa pessoa jamais seria . Jamais tomaria seu lugar no coração e no amor dele. E Shawn sabia que nunca seria tão feliz e nunca amaria ninguém com tanta força, porque ele havia tido . Havia experimentado de um amor que nem sabia explicar. Terminou de escrever a última frase e mandou a música para Teddy e Scott, pedindo a opinião dos amigos e compositores e dando liberdade para que eles ajustassem a canção caso achassem necessário, desde que mantivessem o refrão e a ponte como ele havia escrito.
Sentia-se satisfeito, mas não conseguiu se afastar do violão. Ainda tinham tantas frases rondando seus pensamentos, frases que não havia conseguido encaixar em Because I Had You. Não eram o suficiente para se tornar uma canção para o álbum, mas não deixavam de ser um grito de seu coração dolorido e apaixonado. Talvez devesse escrever aquilo. E guardar. Guardar até ter a oportunidade de mostrar para . Como faria com as cartas.
– She’ll be the one who breaks my heart, she’ll be the love I can’t let go. – Murmurou, dedilhando o violão com cuidado, sem saber realmente o ritmo que aquelas palavras em sua mente tomariam. Repetiu o canto, com mais duas melodias diferentes, antes de finalmente encontrar a mistura perfeita. Anotou em seu caderno e voltou a cantar. – She’ll be the light who breaks my dark, she’ll be the love I can’t let go… But how can I not try?
Abriu um pequeno sorriso, gostando de como aqueles poucos versos haviam soado em formato de música. Aquela era sua arte, afinal de contas. E ele sempre iria conseguir se expressar através dela, desde que não se perdesse dentro de sua própria vida. Conseguia entender porque havia passado tanto tempo sem conseguir compor. Estava perdido dentro de sua própria cabeça, vivendo uma vida cuja decisões não haviam sido tomadas por ele. Estava sendo apenas um expectador e expectadores não poderiam sentir as vivências como se fossem deles. E sem suas vivências, sem seus sentimentos, como poderia escrever e criar? Finalmente sentia-se capaz de colocar seu sofrimento no papel. Poderia escrever sobre seu coração partido, naquele momento. Poderia escrever sobre qualquer coisa que estava sentindo. Mas tudo no que pensava era em e na falta que ela lhe fazia. Na saudade que sentia dela. E escreveria sobre ela, mais uma vez. Aquele álbum seria quase como um diário pessoal e Shawn esperava, do fundo do coração, que continuasse amando todas as suas músicas, como ela havia prometido que faria.
– She’ll be the love that breaks my walls, she’ll be the one I can’t let go. – Anotou mais alguns versos, voltando a dedilhar o violão e terminando aquela pequena canção com mais algumas palavras que seu coração gritava. – She’ll the light that breaks my dark, she’ll be the one, she’ll be the one I can’t let go. How can, how can I not try?
Ele não poderia, em hipótese alguma, não tentar outra vez. Não iria desistir de enquanto ela não lhe dissesse para o fazê-lo. E ele sentia, em coração, que ela jamais lhe diria aquilo.

Capítulo 9

There’s nothin’
Nothin’ that I could do
I wish I had you

.
soltou um suspiro insatisfeito, enviando uma porção de mensagens nada simpáticas para Brian e recebendo o olhar curioso de e Henrique. Estavam no shopping, em busca de um presente para Craigen – e o garoto não queria facilitar a vida de e lhe dar uma dica de um presente que gostaria de receber e por isso ela estava irritada. Era simplesmente péssima em escolher presentes e normalmente preferia fazer algo para alguém do que comprar, mas não havia tido tempo livre na última semana e precisaria recorrer às compras para não chegar de mãos vazias ao aniversário do amigo no dia seguinte. Estava pagando com juros pelo que fizeram Shawn passar em seu aniversário e se arrependia amargamente da pequena maldade. Tudo o que ia realmente voltava.

Brian
Não adianta, não vou ajudar 11:26 am

Craigen, eu não faço ideia do que comprar para você 11:26 am
E não me responde 11:26 am

Brian
Pergunte ao Shawn 11:26 am
Ele é o meu melhor amigo e pode ajudar você 11:26 am
E tenho uma vívida memória de você se recusando a ajudar ele a comprar um presente para você 11:26 am

Idiota 11:26 am
Ele ajudou você a comprar algo para mim 11:26 am
É isso que importa 11:26 am

Brian
Então peça ajuda para ele 11:26 am
Você não vai morrer se mandar uma mensagem 11:26 am

Eu não falo com ele há um mês 11:26 am
E se fosse falar com ele agora, certamente não seria sobre você 11:26 am

Brian
Assim você me magoa 11:26 am
Compre alguma roupa. Estou precisando 11:28 am

Obrigada, você é o melhor 11:28 am

Guardou o celular, lançando um olhar satisfeito para os amigos e os puxando pela mão para que fossem até a Roots comprar o presente de Brian. Haviam passeado pelo Toronto Eaton Centre durante toda a manhã e estavam loucos para almoçar e ir para casa descansar as pernas com um grande balde de pipoca no colo e Harry Potter na TV.
– Ele disse o que quer ganhar? – questionou antes de ser arrastada para dentro da loja.
– Roupas. – deu de ombros. – Vou comprar um moletom e se ele não gostar, eu deixo a acabar com ele. – Sorriu sem mostrar os dentes.
– Bom, então vamos comprar uma calça de moletom e ele pode andar combinando. – Henrique decidiu, recebendo um aceno de concordância de .
A Roots não estava lotada, mas havia um número considerável de pessoas dentro do estabelecimento e puxou a aba do boné para baixo, em uma clara tentativa de esconder o rosto. Henrique torceu os lábios em descontentamento e lançou um olhar tristonho para a prima e melhor amiga. Lhe doía no fundo da alma, ver daquele jeito. Sempre se escondendo, sempre evitando ser notada. Sentia um pouco de raiva de Shawn por causa daquilo, mesmo que soubesse que o cantor em nada tinha culpa. Quando estavam juntos, não tinha tempo para se preocupar com o restante do mundo, já que ela vivia sua própria bolha de felicidade. Com Shawn longe, sobrava muito tempo para ela ouvir as vozes maldosas das outras pessoas e aquilo lhe fazia mal. E odiava não poder fazer nada para ajudar.
– Vou acabar comprando alguma coisa para mim. – Henrique murmurou, sem conseguir decidir qual peça havia lhe agradado mais, enquanto e reviraram os olhos. Elas eram muito mais diretas em compras do que o rapaz e logo o deixaram para trás, decididas em encontrar o presente de Brian o mais rápido possível.
– Qual tamanho ele veste? – questionou, com o cenho franzido.
– Um número a menos que o Shawn. – divagou, passando a analisar a arara de calças de moletom e sorrindo ao encontrar algo que certamente serviria em Brian. Estendeu a peça para a prima e só então percebeu o sorriso torto de . – O que foi?
– Tu sabes até o número de calças dele? Sério , por que vocês não se casaram escondido? – Riu pelo nariz e torceu os lábios.
– Não procurei saber. – Retrucou. – Mas ele deixava roupas lá em casa e eu lavava. – Deu de ombros. – Assim como ele lavava as que eu deixava na casa dele.
– Ele não lavava. – revirou os olhos. – A pessoa que cuida a casa dele quem fazia esse serviço.
– Na verdade, nunca vi ninguém lá. – Comentou, voltando a se distrair com as peças de roupa na arara. – Nem para cozinhar. E ele é horrível na cozinha. – Riu sozinha.
– É muito estranho pensar que o cara de quem tu falas assim, é o Shawn Mendes. – murmurou, recebendo um olhar inquisitivo da prima. – Parece meio irreal, mesmo que eu saiba que foi real até demais. Parece que existem dois Shawn. O da internet e o seu. – Deu de ombros.
– Eles são o mesmo, na verdade. – Suspirou com tristeza. Henrique voltou para perto com duas camisetas em mãos e revirou os olhos para o namorado, logo iniciando uma discussão sobre consumo consciente e como ele não precisava de nenhuma daquelas peças.
se afastou do casal, sua atenção completamente voltada para as araras de moletom, indecisa sobre a estampa que compraria para Brian. Tinha certeza de que ele gostaria de qualquer uma, graças ao orgulho canadense de vestir uma peça de roupa confeccionada no país, mas ainda sim queria escolher algo realmente legal. Afinal, havia ganhado o bluray de Spider-Man de presente e não poderia dar qualquer porcaria para Craigen.
– Eu não sei falar o nome dela. – Ouviu uma voz às suas costas e fechou os olhos com força, pedindo para todas as divindades para que não houvesse nenhuma fã de Shawn naquela loja. – Mas tenho certeza de que é ela.
– Ela parece mais magra. – Outra voz murmurou. – Talvez esteja querendo competir com a Camila. – Um riso debochado se fez presente. soltou um suspiro derrotado. Nenhuma divindade havia prestado atenção em suas preces, como sempre.
– Coitada. – Mais uma risada. – É desleal. Camila é perfeita. E ela é só…
– Normal. – Um estalar de lábios. – Não entendo o que Shawn viu nela. – E ali estava o desprezo que nunca entenderia. Havia matado o gato de alguém, para que todo o ódio que recebia fosse justificável? Tentou voltar sua atenção para o moletom cinza que havia adorado, mas os comentários apenas seguiam e seguiam. Palavras nada gentis sobre ela e sobre seu relacionamento com Shawn. Comparações com Camila e piadas nada engraçadas, que apenas deixavam sua autoestima ainda mais estraçalhada. E apesar de sentir o nervosismo lhe tomar por completo, o pânico havia sido sufocado pela raiva que estava sentindo. Ela nem mesmo vira Shawn no último mês ou mantivera quaisquer contato com o cantor e as fãs dele ainda a tratavam como a pior escória do mundo.
Por motivo nenhum. Seu erro não havia sido ter se apaixonado por Shawn. Não havia usado ou brincado com os sentimentos dele. Havia dado tudo de si naquela relação, havia amado-o com todo coração e tentado a todo custo, fazê-lo incrivelmente feliz. E ainda sim, mesmo com o cantor claramente feliz, as pessoas ainda falavam sobre ela. Falavam coisas ruins, sem nem mesmo conhecê-la. Apenas porque ela havia tido a reciprocidade de Shawn naquele sentimento. Coisa que muitas fãs gostariam de viver e por não terem tido a chance, odiavam . E aquilo não era sua culpa, de forma nenhuma. E estava cansada de sentir-se errada naquela história. Não havia feito mal a ninguém, fora a si mesma e a Shawn. E com ele, tinha certeza que acertaria seus pontos algum dia. Consigo mesmas, as coisas estavam andando devagar. Respirou fundo e com uma coragem que não sabia de onde vinha, se virou para as garotas que falavam sobre ela. O silêncio durou por poucos segundos até tomar fôlego e soltar o que estava preso em sua garganta há muito tempo.
– Vocês conhecem o meu rosto, mas não sabem nada sobre mim ou sobre o relacionamento que eu tive. E não deveriam agir como se soubessem ou como se fossem parte disso. – Chiou de forma ríspida. – É engraçado, porque aparentemente tudo o que Shawn diz sobre espalhar amor e ter empatia e respeito pelos outros, entra por uma orelha e sai pela outra sem causar qualquer impacto. – As garotas se encolheram e logo viu um celular em sua direção. Mas aquilo, pela primeira vez, não lhe causou medo. Era bom que aquilo caísse na internet para que as pessoas tomassem consciência de que todos os limites haviam sido ultrapassados e que ela não iria mais tolerar aquilo. – Essa é a última vez que eu vou aceitar qualquer desrespeito de gente que nem ao menos sabe pronunciar o meu nome. Shawn teria vergonha de vocês. – E deixando as garotas com os olhos arregalados, deu as costas e pegou o bendito moletom que Brian certamente iria adorar.
a abraçou com orgulho quando chegaram ao caixa e tinha seu coração muito mais leve. Havia chegado em outro limite emocional e estava decidida a não deixar que a opinião de ninguém interferisse na forma como via a si mesma.

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Shawn.
Algo de muito ruim havia acontecido. E Shawn tinha certeza daquilo porque a expressão de Andrew ao entrar no carro que os levaria a premiação do Grammy era de muitos poucos amigos. Na verdade, nenhum amigo. Ninguém teria coragem de se aproximar de Gertler com aquela expressão homicida no rosto e Shawn, apesar da preocupação, não sabia se deveria puxar assunto ou simplesmente deixar o empresário quebrar algumas coisas mentalmente. Mas antes mesmo que pudesse decidir alguma coisa, Andrew se virou para Shawn e largou o próprio celular em suas mãos. O aparelho estava ligado e uma espécie de notícia tomava conta da tela. O cantor franziu o cenho em confusão, os lábios retorcidos em descontentamento, esperando uma explicação de Gertler antes de tomar qualquer atitude. Mas a certeza de que iria se incomodar naquele dia já pairava em sua mente.
– Você pode ler. – O empresário murmurou.
– Não. – Shawn foi firme. – Se você tem algum problema, então fale sobre isso. Não vou ler qualquer porcaria do TMZ ou quaisquer outro site de fofocas que esteja aberto nesse celular. – Estendeu o aparelho na direção de Andrew, que não recebeu o objeto e lançou um olhar insatisfeito para Mendes.
– A sua ex-namorada, – Andrew frisou o adjetivo e Shawn torceu ainda mais os lábios. – Fez uma merda gigantesca e agora eu vou precisar lidar com isso. – Chiou irritado.
– E que merda gigantesca seria essa? – Shawn questionou, o coração pequenininho por estar falando de com alguém que não era sua psicóloga. Ainda doía, mesmo que agora ele tivesse um objetivo em mente.
– Ela declarou guerra aos seus fãs, garoto. Só isso. – Debochou. Shawn recebeu um olhar preocupado de Jake pelo espelho retrovisor e suspirou, levantando o celular até a linha dos olhos e lendo a maldita nota que o E! havia postado naquela manhã.
, ex-namorada do astro Shawn Mendes, briga com fãs do cantor dentro de shopping em Toronto
– Ela bateu em alguém? – Shawn questionou por fim. A nota do E! apenas mencionava um vídeo gravado dentro de uma das lojas da Roots onde falava com duas fãs de Shawn. Ele não havia assistido ao vídeo, mas duvidava que tivesse realmente xingado alguém. E mesmo se ela o tivesse feito, não poderia culpá-la e lhe dava razão. As pessoas estavam infernizando sua vida sem motivos plausíveis e ela não era obrigada a aguentar toda aquela merda. Os fãs eram de Shawn e ela não lhes devia nada, principalmente quando tinha sua privacidade e integridade posta em risco todos os dias.
– Não. – Andrew respondeu com a confusão explícita no olhar.
– Então não foi uma briga. – Decidiu, devolvendo o celular para Andrew e recebendo um olhar desacreditado em retorno.
– Isso é o que você tem para falar? – Gertler questionou exasperado. Shawn deu de ombros.
– As pessoas a estão tratando como lixo. Ela não é obrigada a ouvir desaforos quieta. – Retrucou.
– Isso causa descontentamento em seus fãs, Mendes. Seja profissional, ao menos uma vez! – Esbravejou o empresário. Shawn lhe lançou um olhar gelado.
– Talvez eu não queira fãs que não saibam respeitar as pessoas e torcem para que coisas ruins aconteçam aqueles quem eu amo. – Chiou. – E nós pagamos uma equipe de marketing para evitar que notícias inúteis como essa, atrapalhem a minha carreira. Ou os pagamos para nada? – Arqueou as sobrancelhas em questionamento.
Andrew soltou uma risada irônica. – Eu não sei onde a sua cabeça está enfiada. Mas algo realmente está errado com você.
– Na verdade, – Shawn estalou os lábios. – Algo finalmente está certo. Estou cansado de ver a minha vida ser controlada por outras pessoas. Eu posso e devo tomar as decisões sobre a minha vida pessoal. Temos apenas questões profissionais a discutir e debater. Quaisquer outra coisa, não diz respeito ao público. É a minha vida. E ela não é material de notícia. – Findou o assunto, voltando sua atenção para o próprio celular e para as mensagens que trocava com os amigos. Estava ansioso para encontrar Anna, Marcus e Niall naquela noite, juntamente de Camila. Tentaria se divertir um pouco, mesmo que sua mente não conseguisse desviar da súbita viagem que faria no dia seguinte.
Não havia conseguido um voo para o horário da manhã e chegaria em Toronto ao final da tarde. Passaria em casa para trocar de roupa e seguiria para a festa de Brian. Tinha que estar em Nova Iorque na terça-feira de manhã, antes que Andrew desse por falta dele. O empresário não sabia que Mendes iria viajar e Shawn contava com a ajuda de Anna e de Scott Harris para mentirem para Gertler que o cantor estava no estúdio. Tudo poderia dar errado e Shawn acabaria com problemas, mas ele realmente não dava a mínima. Precisava tentar de verdade, ao menos uma vez.
Apesar do clima de animosidade entre Shawn e Andrew, passaram pelo tapete vermelho do Grammy juntos. Shawn deu algumas entrevistas e toda a mídia parecia focada no lançamento de seu novo álbum. Nenhuma pergunta sobre ou até mesmo sobre Camila. Shawn e sua música eram a notícia principal. E aquilo era realmente bom. Pôde falar sobre o processo criativo e sobre como estava animado para lançar o primeiro single. Deixou escapar o nome da canção e abandonou a entrevista o mais rápido possível, sabendo que aquele seria um dos assuntos mais comentados da noite. Estava em uma mesa junto de Niall e Camila, ansioso para contar seus planos para os amigos, mas mantendo tudo para si enquanto Andrew estivesse sentado com eles.
– Eu nem acredito que Anna vai se apresentar no Grammy. – Camila murmurou. – Antes de mim! – Fingiu uma ofensa gigantesca e causou risos nos amigos. Andrew pediu licença para o trio e Shawn se empertigou na cadeira, chamando a atenção para si. Camila franziu o cenho em confusão. – O que foi? – Questionou. – Não vejo esse brilho no seu olhar há bastante tempo. – Observou.
– Vocês deveriam ter dito que eu estava sendo um bundão. – Reclamou.
– Achei que isso já estava explícito, Mendes. Não é necessário afirmar o óbvio sempre. – Niall revirou os olhos e Shawn bufou.
– Idiota. – Reclamou e o amigo riu.
– Você está falando sobre o quê, exatamente? – Cabello indagou.
. – Shawn suspirou. Bebeu um gole de água e então voltou a encarar os amigos. – Eu fui um idiota. Fiquei lamentando o tempo todo, ao invés de levantar e fazer algo a respeito. Me culpei, me odiei. Por nada. Não foi minha culpa, não foi culpa dela. E nós dois estávamos nos importando demais com outras pessoas. Pessoas que apenas nos machucaram. – Tomou fôlego.
– Vocês conversaram? – Niall arqueou as sobrancelhas em surpresa.
Negou com um aceno de cabeça. – Não. Mas eu estou decidido a tentar outra vez. Eu nem deveria ter desistido. Deveria ter dado o tempo que ela precisava, mas fui idiota em simplesmente me afastar de uma vez, sem nem ao menos lutar por ela.
– Você tinha que perceber tudo sozinho. – Camila disse por fim. – Eu já tinha conversado sobre isso com Niall e Catherine. E nós três apostamos que precisa apenas entender que é importante para você e que você a ama. Que está disposto a insistir. Que está disposto a abrir mão de coisas por ela. Ela sente medo e isso é completamente compreensível. Mas você precisa segurar a mão dela e guiá-la pelo caminho certo, Shawn.
– Lembre-se do que você queria antes de começarem a namorar. – Niall sorriu para o amigo. – Deixá-la confortável e segura com a ideia de ter algo com você, de entrar no seu mundo. Vai precisar fazer isso novamente. – Estalou os lábios.
– Começar de novo. – Shawn assentiu. – Mesmo que ela não me ame mais.
– Não seja burro. – Camila revirou os olhos, interrompendo o canadense. – É claro que ela ama você, Mendes.
– Vou conquistá-la outra vez. Vou lutar por ela, todos os dias. Porque ela vale a pena. – Assentiu para si mesmo, abrindo um pequeno sorriso. Não existia ninguém como e faria de tudo para tê-la outra vez.

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.
– Tá muito frio para usar vestido. – reclamou, enquanto revirava os olhos e jogava a cabeça para trás, afundando-se em seus travesseiros. Henrique estava no banheiro, terminando de se vestir, enquanto provava diversas roupas e não ficava satisfeita com nada. Já , estava pronta desde que havia saído do banho. O cansaço do trabalho quase a fizera mandar uma desculpa qualquer para Brian, mas a garota não iria arriscar sua integridade. a arrastaria para a festa pelos cabelos e Brian era um amigo querido demais e merecia sua presença na festa.
– É uma festinha no apartamento do Brian. – Retrucou. – Não estamos indo para a after party do Grammy. Qualquer roupa serve.
– Tu estás insuportável. – estirou a língua para a prima.
– E tu estás linda com essa roupa, então vamos de uma vez. – atirou uma almofada em . – Amanhã eu preciso trabalhar e não quero ficar até tarde na festa.
– Certo, certo. – Bufou, vestindo uma camiseta em seguida e pegando o casaco mais pesado que havia levado para o Canadá. – Frio do caralho.
– Coloca o nosso frio no chinelo. – Henrique concordou, fechando a porta do banheiro às suas costas e se jogando no sofá. pulou para fora da cama e correu até o amigo, o puxando pela mão para que se levantasse.
– Nada disso. – Reclamou. – Vamos logo. – Indicou a porta de saída com a mão e cinco minutos depois, estavam os três ocupando o elevador. Connor havia lhes oferecido uma carona, mas não queria impedir o garoto de beber e sugeriu que todos usassem Uber naquela noite. O carro os estava esperando em frente ao prédio, para que não precisassem esperar na rua. O frio era absurdo e ficar doente não era uma opção para nenhum deles.
– Será que os canadenses sabem dar festas? – questionou, após afivelar o cinto de segurança.
– Deve ser como nos filmes. – Henrique deu de ombros.
– Eu não sei. – murmurou. – Mas vai ter muita bebida.
– Para mim é bom o suficiente. – decidiu, causando risos nos outros dois.
– Sua responsabilidade. – apontou para Henrique, que revirou os olhos.
– A prima é sua! – Reclamou.
– É você quem dorme com ela. – retrucou. – Se vire. – Estalou os lábios, cruzando as pernas e voltando sua atenção para o celular que havia puxado do bolso. Enviou uma mensagem para Brian, avisando que estavam a caminho e abriu o chat em grupo que tinha com e Connor.

 

Estou no Uber 07:38 pm
Esperem por mim para começar a beber 07:38 pm


Tarde demais 07:38 pm
Connor
Vamos chegar e não vai mais ter bebida porque a secou tudo 07:38 pm

Se reclamar mais, não deixo nem água 07:38 pm
Connor
Ridícula 07:38 pm

riu sozinha, bloqueando o celular e deixando sua atenção desviar para a janela pelo resto do caminho. Estava ansiosa, por algum motivo que ela desconhecia. Era como um pressentimento de que coisas boas iriam acontecer naquela noite, mas só conseguia deduzir bobagens por causa da bebida grátis. Afinal, o que realmente poderia acontecer em uma festa de Brian? Com tão poucos convidados? E sem Shawn? Não haviam motivos para ficar nervosa. Ele não iria. Ela não precisava se preparar para vê-lo. Seu coração podia descansar e diminuir o ritmo das batidas e sua respiração poderia voltar ao normal. Tudo ficaria bem.
O trio acabou encontrando Connor em frente ao prédio de Brian e subiram para o oitavo andar juntos. Não havia barulho de música ou sequer gritos animados e os quatro franziram o cenho em confusão. Estavam esperando por muita bagunça e encontrar uma festa caída seria uma grande decepção. tocou a campainha várias vezes, enquanto sons abafados escapavam pelas frestas da porta. Precisou ligar para Brian e avisar que estavam na porta para que alguém finalmente os atendesse. tinha um copo em mãos, os cabelos revirados e um sorriso bêbado. E a bagunça dentro da casa, juntamente de uma música razoavelmente alta, os surpreendeu.
– Proteção acústica. – explicou, ao notar o susto nos rostos dos amigos. – Eu também me assustei quando cheguei. Brian tem um apartamento preparado para festas. – Riu, dando passagem para que eles entrassem.
Logo o grupo se dispersou e segurou Connor pelo braço para que ele não a abandonasse. O garoto sorriu para ela e indicou que eles deveriam procurar algo para beber e tentar encontrar Brian para lhe desejar parabéns. Acabaram no que deveria ser a cozinha, que havia sido transformada em um bar. Havia uma lista de regras da festa pregada na parede e precisou fotografar. Aquilo era a cara de Brian, de qualquer forma.
– Você quer beber o quê? – Connor questionou, já se aproximando da vodca e misturando várias bebidas no mesmo copo. tinha certeza que aquilo era uma passagem para a morte.
– Tequila. – Murmurou e causou um riso no garoto.
– Eu acho que ninguém vai trabalhar amanhã.
– O capitalismo vai sobreviver sem a gente. – estalou os lábios e eles riram juntos. Não precisou cortar o limão ou procurar pelo sal, já que todos os aparatos necessários para beber alguns shots estavam no balcão. Tomou quatro shots, um atrás do outro, e procurou por alguma cerveja na geladeira.
? – Uma voz soou às suas costas e a garota arregalou os olhos, virando-se e encontrando Matt e Ian a encarando com sorrisos pequenos. Nem havia pensando na possibilidade de os garotos irem a festa e sentia-se idiota naquele momento. Era óbvio que os amigos de Pickering de Brian iriam comparecer.
– Eu estou me sentindo idiota por não ter pensado que encontraria vocês aqui. – Revirou os olhos para si mesma e os garotos riram.
– Bebida grátis trás as pessoas de Pickering para Toronto rapidamente. – Matt riu e se aproximou para um abraço. – Como você está?
– Bem e vocês? – Sorriu, abraçando Ian em seguida. Se afastou e encarou os garotos, apontando para Connor com a mão, após respostas breves como como estavam as coisas em Pickering. – Esse é Connor, meu amigo. – Apresentou e Matt e Ian trocaram um olhar esquisito aos olhos de . – Connor, esses são Matt e Ian. Amigos de infância de Brian.
– E aí. – Connor acenou em cumprimento.
– Nós vamos tentar encontrar Brian. – Matt Murmurou após alguns minutos de papo furado. – Chegamos há trinta minutos e não vimos nem a sombra dele. – Causou risos gerais.
– Se o encontrarem, peçam para ele aparecer no sofá. – pediu e após os garotos sumirem pela casa, segurou o braço de Connor e o arrastou para o sofá. – Agora você vai me contar tudo sobre a festa de sábado.
– Vamos fofocar como em Meninas Malvadas? – O fotógrafo riu alto.
– Você gosta de Meninas Malvadas e não gosta de Simplesmente Acontece? – lhe lançou um olhar desacreditado. Jogou-se no sofá e connor sentou-se ao seu lado. A garota deitou a cabeça no ombro dele. – Você é uma vergonha, Brashier.
– Você quer saber sobre sábado ou não? – Ele questionou, semicerrando os olhos para a brasileira. soltou um gritinho animado e sacudiu o braço dele para que começasse a falar.
E enquanto conversavam, alguém trancava um apartamento, há algumas quadras de distância de onde estavam. Um apartamento que estivera vazio há quase um mês. Um apartamento que conhecia bem demais.

Capítulo 10

Though I’m not sure my heart can take it
But the look on your face says don’t let me go

Shawn.
Estava acostumado com a ansiedade. Era uma constante em sua vida desde que se entendia por gente, mesmo que não soubesse explicar porque sentia-se daquela forma, por boa parte dos anos. Shawn conhecia sua ansiedade e sabia como tratá-la. Sabia identificar uma crise e na maior parte do tempo, sabia como se acalmar. Mas naquele momento, nem o remédio mais forte do mundo poderia aquietar seu coração ansioso, que batia no peito de forma desvairada, lhe deixando quase sem ar.
Não sabia como ela iria reagir ao revê-lo, depois de tantos dias. Mas principalmente, não sabia como iria reagir ao vê-la em carne e osso e longe da sua imaginação. Porque ele ainda lembrava de todos os detalhes sobre . Os olhos brilhantes que juntamente daquele sorriso largo, eram capazes de iluminar toda uma cidade. O formato dos lábios dela e as bochechas cheias. O nariz pequeno e o cheiro de seus cabelos macios. Aquilo tudo estava vivo em sua imaginação. Mas Shawn sabia que não fazia jus nem a metade do que era pessoalmente. E ele amava cada pedacinho dela. Cada detalhezinho sobre aquela garota, explodia seu peito em amor e devoção. E por isso, não sabia como iria reagir. Deveria abraçá-la? Acenar de longe? Puxá-la para conversar de uma vez e implorar por outra chance? Mendes não fazia ideia. E não teve tempo para aprofundar os questionamentos, já que a porta do apartamento foi aberta um segundo depois que ele apertou a campainha. E apesar de estar com o coração quase saindo pela boca e praticamente surdo graças aos batimentos cardíacos que sufocavam qualquer outro som, ele abriu um sorriso largo ao encontrar os olhos arregalados de o encarando de dentro do apartamento de Brian.
Puta que pariu. – Ela exclamou em português e Shawn não precisava de um tradutor para entender o que ela havia dito. A entonação de um palavrão era universal. – Puta que pariu.
– Oi . – Conseguiu sorrir. – É um prazer rever você.
Minha nossa senhora da bicicletinha. – Murmurou, ainda em choque. E daquilo Shawn não entendeu nem uma palavra, franzindo o cenho em confusão. Um rapaz envolveu pela cintura e o cantor reconheceu Henrique imediatamente. Sabia que os dois estavam passando uma temporada com em Toronto e uma parte de si era grata por aquilo. Ao menos tivera o apoio de pessoas que a amavam, mesmo com tantas pessoas falando merda sobre ela.
– O que foi? – Indagou e levantou o olhar para o corredor, também arregalando os olhos quando Shawn acenou para ele. – Puta que pariu.
– Eu sei que vocês adoram falar em português, – Mendes começou a falar, causando ainda mais choque no casal. estava esperando que fosse apenas alucinação sua. – Mas eu gostaria de entender o que está acontecendo. – Sorriu fraco.
puxou Henrique para fora do apartamento e fechou a porta às suas costas, obrigando Shawn a se afastar. O cantor cruzou os braços em frente ao corpo, tentando manter a si mesmo sob controle.
– O que você está fazendo aqui? – Ela questionou afobada.
– É aniversário do meu melhor amigo. – Deu de ombros, sem se importar por estar mentindo. Sentia-se péssimo por aquilo, mas Brian não era o maior motivo pelo qual havia viajado para Toronto.
– A vai surtar. – Henrique murmurou para si mesmo. Shawn torceu os lábios. Talvez aquela tivesse sido a pior ideia do mundo. Aparecer de surpresa em uma festa onde estaria? Ele nem sabia em que pé eles estavam. Como poderia simplesmente aparecer do nada, sem dar tempo para que a brasileira se preparasse?
– Eu não quero causar problemas. – Suspirou e semicerrou os olhos para ele.
– E veio para quê então, Mendes? – Foi direta. E Shawn nem precisou pensar na resposta
.
– Porque eu a amo e estou cansado de sentir saudade. – Suspirou. Não sentia vergonha em abrir seus sentimentos para desconhecidos. Não mais. havia entrado em seu coração e arrombado a porta para o mundo todo ver. – E eu preciso tentar. – Disse por fim. sorriu largo.
– Era exatamente isso o que eu esperava de você. – Sorriu, pulando em cima de Shawn para abraçá-lo, causando certa estranheza no cantor, que demorou alguns instantes para retribuir o abraço. – Fico feliz em poder rever você antes de voltar para casa. – Ela murmurou quando o soltou e Shawn sorriu.
– Gostaria de ter passado algum tempo com vocês aqui. – Suspirou, passando as mãos pelos cabelos em seguida. O nervosismo voltava a atacar sem nenhuma piedade.
– Entra logo. – Henrique indicou a porta e Shawn soltou um riso estrangulado, antes de assentir e sentir sua mão tremer ao girar a maçaneta. Não identificou a música que tocava e em poucos passos estava na sala de estar – que agora era uma pista de dança -, vasculhando o local a procura de . Brian iria lhe perdoar pelo descaso, tinha certeza. Alguém pulou em Shawn, antes que pudesse terminar de vasculhar a área e o cantor soltou uma risada ao sentir o impacto de outro corpo contra o dele.
– Mendes! – Ian praticamente gritou e Shawn socaria a cara dele caso aquele fiasco estragasse a surpresa de . – Brian disse que você não vinha!
– Brian não sabe nem o nome dele hoje. – Matt riu, se desvencilhando do abraço triplo.
– Como vocês estão? – Shawn sorriu largo, feliz por poder rever os amigos. Não costumavam se falar com frequência e era sempre bom encontrá-los e colocar o papo em dia.
– Cada dia menos milionários, diferente de você. – Ian deu de ombros, causando risos no cantor.
– Idiota. – Revirou os olhos. Voltou a vasculhar a sala com o olhar, não tendo seu ato despercebido pelos amigos. Ian riu e Matt suspirou.
– Você não veio para ver o Brian, não é? – Questionou e Shawn sentiu as bochechas corarem levemente. Estava tão na cara o seu desespero para rever ?
– Mais ou menos. – Disse por fim. – Mais para menos. – Confessou.
– Ela estava na varanda, na última vez que a vi. – Ian informou. – Mas talvez não seja uma boa hora, Mendes.
– Por quê? – Shawn indagou, já levando os olhos em direção a varanda. E antes mesmo que Ian pudesse lhe responder, o cantor entendeu porque não era um bom momento.
Lá estava . Tão linda e tão sorridente quanto Shawn se lembrava. Os cabelos estavam soltos e suas bochechas estavam levemente coradas por causa do frio. Ela tinha um copo em mãos, acompanhada de Connor, que a abraçava pelos ombros e deixava um beijo no topo de sua cabeça. sorriu largo e fechou os olhos, parecendo aproveitar o momento com Brashier. E Shawn sentiu seu coração apertar a ponto de parecer que iria implodir. Seu sorriso se desfez ao mesmo tempo em que abria os olhos e encontrava Shawn a encarando do outro lado da casa. Seus olhos se arregalaram no mesmo momento e ela prendeu a respiração, sem realmente saber se era sua imaginação ou se o cantor estava mesmo ali.
Apesar da saudade esmagadora, havia decepção no olhar de cada um deles. Haviam mágoas que eles poderiam ter superado com uma conversa, mas que naquele momento, pareciam gritar dentro de suas cabeças e de seus corações, como em um aviso de que tudo estava acabado. De que eles não tinham mais nenhuma chance. E com a garganta fechada e o coração aos pedaços, Shawn tomou a garrafa de cerveja das mãos de Matt e bebeu o resto do conteúdo em poucos goles. Se iria precisar lidar com um coração partido, ao menos faria aquilo bêbado.

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.
Não lembrava mais como era respirar direito. Seu coração ainda batia com força e rapidez, mesmo que o susto por ver Shawn do outro lado da casa já tivesse passado há algumas horas. Horas de muita agonia e o peito apertado de saudade. Ela não sabia como reagir. Não sabia o que dizer, menos ainda o que fazer. Shawn estava ali. Depois de um mês e alguns poucos dias sem vê-lo pessoalmente, tendo apenas a lembrança dele como companheira. E tê-lo tão perto, mas tão inalcançável, era demais para o seu pobre e fraco coração. Suspirou, passando as mãos pelo cabelo e fechando os olhos com força. Ainda não havia saído da varanda, covarde como era. E já faziam duas horas que ela estava ali e o frio não estava lhe dando sossego. Teria que juntar coragem para entrar dentro da casa e correr o risco de trombar com Shawn. E continuava sem saber como iria reagir.
Não sabia se deveria abraçá-lo. Beijá-lo no rosto não era uma opção. Acenaria de longe e fingiria que eram apenas conhecidos? Ela teria coragem para aquilo? Não tinha certeza. Todas suas certezas haviam sumido no momento em que seus olhos haviam encontrado os dele. Naquele tom de castanho que ela amava com todo coração. E por mais clichê que aquilo fosse, não sabia explicar as explosões de borboletas em seu estômago.
– Tudo bem, você está em crise. – murmurou, recostada na porta da varanda, com um olhar que misturava o recriminador e o solidário.
– Eu não sei o que fazer. – murmurou, em um sussurro desesperado. suspirou, fechando a porta às suas costas e se aproximando do sofá que ocupava. Sentou ao lado da amiga, que logo se aconchegou em seu ombro.
– Ele também não. – Falou. – E por isso ele já bebeu mais do que eu e Brian juntos.
– Ele disse que não viria. – Chiou inconformada. – Eu não me preparei para vê-lo. Não tenho ideia do que falar ou o que fazer quando ele estiver na minha frente. Uma parte enorme de mim apenas quer puxá-lo para um abraço e beijar ele até ficar sem ar. Quero pedir perdão e implorar por outra chance.
– Mas tem a outra parte. – torceu os lábios.
– A outra parte ainda me lembra que eu não estou preparada. Que Shawn pode estar com a Camila e que “nós” acabou.
– Shawn estar com a Camila é a maior bosta que as suas paranóias inventaram. – A loira chiou. – Ela é gata e tal, mas , ela não é você. E ele se apaixonou por essa coisinha pequena de bochechas grandes e olhos brilhantes que você é. E se ele está aqui, é por algum motivo.
– O aniversário de Brian. – logo retrucou.
suspirou e revirou os olhos de forma impaciente. – , eu amo você, mas deixe de ser burra. – Reclamou.
– Eu não vou me iludir, . Não posso fazer isso comigo mesma. – Mordeu o lábio inferior.
– Não é ilusão, . – Bateu as mãos nas pernas. – Agora vem. – Levantou e puxou a brasileira consigo. – Você precisa de um pouco de tequila. E aí quem sabe pede ele em casamento outra vez. E dessa vez, espero que ele aceite.
– Tem tantos problemas envolvidos. Eu não posso simplesmente jogar tudo para o alto e fingir que a gente não tem pendências.
– Resolva as pendências com sexo. – Estalou os lábios e não deu tempo para retrucar, já que arrastou a garota para dentro da casa e diretamente para a cozinha. A garota suspirou em alívio por não encontrar Shawn durante o caminho e franziu o cenho quando Connor – agarrado a uma garota perto do balcão de bebidas – entrou em seu campo de visão. – Arrume um quarto, Brashier. – xingou, atirando um copo no amigo e recebendo um estirar de dedo médio. A garota se desvencilhou de Connor no mesmo instante, acenando em despedida e sumindo no aglomerado de pessoas na sala.
– Quem era essa? – questionou surpresa. Connor havia falado horrores sobre a garota com quem havia ficado na noite de sábado e agora estava com outra. Homens eram horríveis e ela apenas contatava o óbvio.
– Maisie. – O garoto deu de ombros. – Ela pediu um beijo e eu não neguei.
– Esse ai pega até gripe se puder. – implicou e Connor a mandou à merda, deixando as garotas sozinhas na cozinha no instante seguinte. preparou dois shots de tequila para e a garota os bebeu rapidamente, fazendo uma careta quando o amargo da bebida atingiu seus lábios.
– Espero não morrer. – Suspirou, causando um riso em , que lhe empurrou mais dois shots.
– A intenção é te fornecer coragem. – Deu de ombros. – Morte jamais.
– Pelo menos eu gosto de tequila. – Sorriu fraco, no mesmo instante em que risadas masculinas tomavam conta da pequena cozinha e prendia a respiração, abandonando o copo de shot na mesa e fechando os olhos com força quando a voz dele preencheu o ambiente.
– Eu só preciso de um pouquinho mais de tequila. – Shawn murmurou, a voz levemente enrolada por conta da quantidade de álcool que ele já havia bebido. segurou a mão da amiga, querendo lhe passar segurança. Mas o coração de batia tão rápido que ela não conseguia sentir nada fora a palpitação em seu peito.
– Mendes, você já bebeu quase duas garrafas. – Matt xingou. – Deixe um pouco para… – E sua fala morreu quando finalmente percebeu que a cozinha não estava ocupada por desconhecidos. Parou de andar e Shawn trombou em suas costas, xingando o amigo e se desvencilhando dele para ocupar o ambiente.
E quando seus olhos encontraram parada em frente ao balcão, um sorriso bobo e bêbado tomou conta de seus lábios. E por mais inesperado que aquilo fosse, ela também sorriu. E Shawn venceu a distância com dois passos e tomou a garota em um abraço apertado e cheio de saudade. Enfiou o rosto contra o pescoço da brasileira, aspirando seu cheiro e causando arrepios em seu corpo. o envolveu pelo pescoço, o rosto contra o peito de Shawn e seus dedos enrolados nos cabelos dele. Ainda eram macios e ela sorriu largamente por finalmente sentir-se em paz. Sentia-se em casa.
– Senti tanto a sua falta. – O cantor murmurou baixinho, apenas para que ela ouvisse. E sua voz enrolada apenas provava que ele estava bêbado, mas sempre acreditara no ditado de que bêbados sempre diziam a verdade. – Tanto.
Seu coração quase explodiu de tanto amor. Queria puxar Shawn para seus lábios e se perder naquele sentimento que tomava cada célula de seu corpo. Queria levá-lo para casa e se manter nos braços dele pelo resto de sua vida. Queria aquela voz mansa em seu ouvido lhe dizendo que havia sentido sua falta em todos os dias que haviam passado separados. Queria Shawn a amando com todo coração, de corpo e alma, como ele costumava fazer. E mesmo que houvessem muitas coisas não ditas e coisas a dizer entre eles, naquele momento, apenas aproveitou aquele abraço. Matou um pouquinho da saudade que a corroía por dentro.
– Eu também senti a sua falta. – Confessou. – Morri de saudade. – Suspirou e Shawn se afastou, segurando o rosto da garota e parecendo sóbrio por alguns instantes. Ele abriu a boca para falar alguma coisa, mas a chegada de Brian interrompeu qualquer linha de raciocínio que Mendes estivesse lutando para manter.
– DEEM UM ABRAÇO NO ANIVERSARIANTE! – Craigen berrou, puxando todos na cozinha para um abraço em grupo. Até Connor estava envolvido, de alguma maneira. nunca entenderia como aquela bagunça havia acontecido, mas quando conseguiu fugir do abraço de Brian e procurou Shawn com o olhar, sentiu seu coração quase sair pela boca quando ele abriu um largo sorriso para ela.
Talvez nem tudo estivesse perdido, afinal de contas.

🎸🍀📷

Shawn.
Não conseguia se arrepender das atitudes que havia tomado naquela noite. Na verdade, mal lembrava de sentir-se algo que não fosse feliz. E ele sabia que era culpa da bebida. Mas quem ligava? Estava com os amigos, em uma festa incrível e a garota que ele amava estava ali, rindo e lhe lançando olhares incrédulos e por vezes, assustados. continuava linda. E Mendes não conseguia entender como podia amar ela um pouco mais a cada segundo. Cada riso era como uma canção de ninar para seu coração ansioso. Cada sorriso aquecia toda sua alma e o fazia derreter. Cada olhar o fazia sentir-se em casa. Ele só queria puxá-la para um abraço e nunca mais deixá-la ir. E naquele momento, não conseguia se lembrar porque era uma péssima ideia e porque deveria evitar fazer aquilo.
– Só toca música ruim nessa festa. Ninguém conhece funk nesse país. – murmurou e Shawn e trocaram um olhar cheio de significados, relembrando aquela primeira festa onde haviam se reencontrado na primeira semana da garota em Toronto, onde ela havia feito quase o mesmo comentário.
– Eu conheço funk. – O cantor falou e soltou uma risada alta, sacudindo a cabeça para os lados e voltando a deitar a cabeça no ombro de , sentada ao seu lado no sofá. Estavam todos na varanda, enquanto o resto das pessoas ocupava o interior do apartamento e curtia a festa de aniversário de Brian.
– E daí? – franziu o cenho em confusão e Shawn apenas deu de ombros, seu riso bêbado escapando outra vez.
– Eu preciso dançar. – disse por fim, puxando Olivia para dentro da casa e sendo seguida pelo resto do grupo. Apenas Shawn, e Connor permaneceram na varanda e percebendo que havia sobrado, o fotógrafo se colocou de pé, se aproximando de e murmurando algo em seu ouvido, antes de lhe beijar na testa e seguir para dentro da casa. Shawn bebeu um longo gole da vodka em seu copo e o álcool apenas amoleceu ainda mais seu corpo e deixou seus sentidos ainda mais lentos.
– Eu preciso confessar uma coisa. – murmurou e Shawn encarou aquele momento com a sensação de dejavu tomando conta de sua mente.
– O quê?
– Em todas as vezes em que eu imaginei nosso encontro, em nenhuma delas nós estaríamos tão bem um com o outro. – Murmurou, mordendo o lábio inferior por conta do nervosismo. – E eu sei que você está bêbado, mas pensei que as coisas ficariam estranhas. – Deu de ombros.
– Eu também pensei. – Shawn assentiu em concordância e sua cabeça girou por conta daquilo. Fechou os olhos, puxando o ar para os pulmões com força e tentando recobrar a sobriedade. Sem obter qualquer sucesso, já que sua cabeça estava pesada por conta do álcool e ele sentia-se longe, longe de decidir seus próprios atos. – E acho que vou vomitar. – Chiou, arrancando um riso baixinho da garota. Por estar de olhos fechados, não percebeu quando levantou e parou a sua frente, segurando sua mão e largando o copo com a bebida no chão. Entrelaçou seus dedos nos de Shawn e o puxou, tentando colocá-lo em pé. – O que você está fazendo?
– Eu já fui a garota bêbada e não vejo problemas em ser a sóbria que ajuda um bêbado. – deu de ombros, sorrindo torto e ajudando Shawn a passar o braço em torno de seus ombros, lhe dando apoio para que ele tivesse firmeza nas pernas e conseguisse se locomover. Abriu a porta da varanda e logo estavam seguros no calor do interior do apartamento, com amparando Shawn e procurando os amigos com o olhar, para avisar que levaria o garoto para casa.
– Eu lembro. – Riu fácil. – Você não vai me pedir em casamento hoje? – Questionou, um bico nos lábios, enquanto seus olhos pesavam um pouco. sacudiu a cabeça para os lados, desacreditava na situação que estava vivendo.
– Só vou cuidar de você hoje, Shawn. – Garantiu. – E o bêbado é você. É a sua vez de fazer os pedidos. – Deu de ombros.
E com um timing perfeito, There’s Nothing Holdin’ Me Back começou a tocar. Shawn abriu um sorriso largo e preguiçoso, rompendo o abraço de lado e segurando as mãos de , a puxando para perto para que pudessem dançar como na noite de seu primeiro beijo. suspirou, se deixando levar pelo momento. Mas tudo estava diferente. Eles estavam diferentes. E tinham plena noção daquilo. Havia muito para ser conversado, esclarecido e superado. Mas ainda mais, havia tanto amor e tanta saudade. Deveriam aproveitar aquele momento ao máximo e pensando naquilo, abraçou Shawn pela cintura e deitou a cabeça em seu peito, passando a se movimentar lentamente e completamente fora do ritmo da música.
– Estou arrependida. – Suspirou. – E talvez só esteja falando isso porque eu sei que você está bêbado, mas estou sendo sincera agora, Shawn. Estou arrependida.
– Eu sinto muito. – O cantor murmurou, encostando o queixo no topo da cabeça da garota e a apertando em seus braços. E sentia mesmo. Sentia muito por ter sido ingênuo. Sentia muito por ter aceitado o fim do relacionamento deles sem nem argumentar. Sentia muito por ter desistido dela, quando tudo o que deveria fazer era lutar. Sentia muito por todo o mal que seus fãs haviam feito a e sentia muito por ter deixado aquilo acontecer. Sentia falta ela. Sentia amor por ela. Mas não sabia daquilo e para ela, aquelas três palavras tinham outro significado. Para ela, Shawn sentia muito por ter se apaixonado por ela. Sentia muito, porque o relacionamento deles já não tinha mais volta. E ela precisou conter o choro, porque naquele momento, Shawn precisava dela. O garoto mal conseguia se manter em pé e sua voz arrastada apenas deixava claro o quanto ele estava afetado pelo álcool.
– Está tudo bem. – suspirou. – Você merece ser feliz. – Abriu um pequeno sorriso forçado e Shawn franziu o cenho em confusão, sem entender do que ela estava falando.
– Você também. – Murmurou e sua mente completava aos gritos: comigo. Mas não estava em suas plenas capacidades mentais e apenas apertou ainda mais os braços em torno dela. Havia sentido saudade. Do cheiro dela e da maciez de sua pele contra a sua. Dos cabelos com aroma de morango e da paz que tomava conta de seu coração. Era fácil respirar perto dela. Era fácil se apaixonar ainda mais por ela, amar ela a ponto de sentir que seu peito era capaz de explodir.

‘Cause if we lost our minds and we took it way too far
But I know we’d be alright, I know we would be alright
If you were by my side and we stumbled in the dark
I know we’d be alright, I know we would be alright

– Casa comigo. – Shawn murmurou baixinho e levantou a cabeça, seus olhos procurando os dele.
– Eu estava brincando sobre ser a sua vez de fazer os pedidos. – Foi sua resposta e quando a música acabou, voltou a amparar Shawn e seguiu para fora do apartamento de Brian. Chamou um Uber e logo eles estavam acomodados no carro, Shawn com a cabeça deitada no ombro da garota, os dedos ainda entrelaçados aos dela. Estava sonolento, os olhos quase fechados e a respiração pesada. passou a acariciar a mão dele, arrancando um pequeno sorriso do cantor.
– Connor não vai ficar bravo? – Shawn indagou em um fiapo de voz.
– Ele vai sobreviver. – respondeu, um pouco confusa. Levou dois segundos para entender o motivo da pergunta do cantor e soltou uma risadinha incrédula. – Eu e ele não estamos juntos, Shawn. Somos apenas amigos.
– No fundo eu sabia. – Suspirou, se aconchegando ainda mais contra o corpo da fotógrafa. – Meu coração sabia. – Se corrigiu. – Soltando um bocejo alto e antes que pudesse responder qualquer coisa, sua mente apagou e seu corpo ficou ainda mais pesado. E pela primeira vez em dias, conseguiu dormir tranquilamente por mais de oito horas. estava com ele e tudo ficaria bem.

Capítulo 11

It’s only a moment, before you’re gone
And I, am keeping you warm
Just act like you love me, so I can go on

.

Shawn estava dormindo ao seu lado. Realmente dormindo. Respirava profunda e tranquilamente e seus cabelos estavam uma bagunça, do jeito que a garota amava e tinha vontade de brincar com os pequenos cachinhos que se formavam nas pontas dos fios. Ele estava mais magro, havia notado. As maçãs do rosto estavam mais profundas e ele parecia cansado. E não apenas por causa da festa e a quantidade absurda de álcool que havia ingerido. Era um cansaço mental e emocional que conhecia muito bem. Porque vivia a mesma coisa.
Não havia sido fácil levar o cantor para seu apartamento. Ele havia adormecido no táxi e precisou de alguns minutos para conseguir que ele despertasse o suficiente para ajudá-la a colocá-lo para fora do carro. Sonolento e cambaleando, Shawn havia se apoiado nos ombros da garota até a entrada do prédio. O porteiro havia ajudado
a levá-lo até a porta de seu apartamento e a garota precisou manter uma conversa com Shawn para que ele não voltasse a adormecer enquanto ela abria a porta e o guiava pela casa.
“Onde nós estamos?” Ele havia questionado e
nem pensou direito antes de responder “Em casa”. Como se aquela também fosse a casa dele. Mas não havia tempo para pensar em uma resposta melhor, já que o peso de Shawn era muito maior do que ela podia suportar e arrastá-lo até a sua cama havia sido uma tarefa complicada, que exigia muito esforço e concentração. E quando finalmente conseguiu colocá-lo na cama, Shawn chutou as botas para o chão e se aconchegou em seus cobertores, abrindo um sorriso largo e preguiçoso antes de murmurar com dificuldade: “Estou em casa desde que abracei você”.
Aquilo deixou acelerou seus batimentos cardíacos. Passou minutos encarando Shawn desmaiado em seu colchão, as batidas de seu coração deixando qualquer outro som baixo demais para que ela pudesse se concentrar em outra coisa. Precisou respirar fundo algumas vezes antes de ocupar o banheiro e tomar um longo banho. Vestiu um pijama quente e ocupou a cama ao lado de Shawn. Enviou uma mensagem para pedindo para que a garota abrigasse e Henrique naquela noite e explicando o que havia acontecido com Shawn e após obter uma resposta afirmativa da amiga e um “boa sorte”, bloqueou o celular e escondeu o rosto contra o

travesseiro. Também estava cansada e apesar de sua mente se recusar a aceitar a derrota, seu corpo falou mais alto e ela conseguiu pegar no sono por algumas horas.
Voltou a acordar quando o sol estava nascendo e demorou alguns instantes para se localizar. Havia muito espaço na cama, já que estava dividindo o colchão com
e Henrique nas últimas duas semanas, mas sabia que não estava sozinha. Havia um braço em torno de sua cintura e uma respiração quente batia contra seu rosto. Sabia quem estava ali com ela e novamente buscou o ar com força para os pulmões. Acordar com Shawn ao seu lado era uma de suas coisas favoritas no mundo, mas naquele momento,
sentia medo. Não sabia o que esperar quando ele acordasse. Talvez a falta de reação negativa na noite anterior fosse culpa do álcool. Talvez eles brigassem. Talvez ele guardasse muitas mágoas dela. Eram muitos “talvez” e aquilo a estava deixando sem ar. Abriu os olhos e encontrou Shawn dormindo serenamente e não conseguiu conter o sorriso largo e a lágrima solitária que caiu de seu olho esquerdo. Sentia tanta falta dele. Tanta
saudade. Sua vontade era a de puxá-lo para seus braços e nunca mais deixá-lo ir embora. Queria cuidar dele, já que Shawn parecia ter feito um trabalho mediano cuidando de si mesmo naquele mês de separação.
Aquilo a fazia pensar que talvez ele tivesse sofrido tanto quanto ela. Sabia que Shawn tivera sentimentos fortes por ela, mas a insegurança sempre havia sido uma companheira de naquele relacionamento. Era difícil para ela acreditar que tinha algo tão especial a ponto de fazer alguém como Shawn se apaixonar por ela. E nem era por uma questão de sentir-se inferior ou insuficiente para ele. Mas eram de mundos tão opostos.
tinha certeza de que o cantor estava acostumado a encontrar e viver coisas incríveis. E ela era incrível dentro de sua normalidade. Mas ali, observando todos os traços daquele rosto que ela tanto amava, era possível acreditar que ele havia sentido
saudade
dela, como havia sentido dele.

E pensar naquilo a fazia sentir-se ainda mais tola, porque deixava claro o quanto aquele término havia sido uma péssima ideia. Não podia negar que havia aprendido e evoluído durante aquele mês longe de Shawn. E sabia que se eles nunca voltassem a se ver, ela iria sobreviver. Iria viver e se apaixonar outra vez, por outra pessoa. Sofreria por amor mais algumas vezes e seguiria sua vida com a boa lembrança dos dias que havia passado com o cantor. Mas ela não queria. Havia tido um relacionamento tão bom com ele e sabia que não havia motivos de procurar aquilo com outra pessoa. Só havia um Shawn no mundo. E ele tinha seu coração inteiro só para ele. E não queria dá-lo a mais ninguém.

Suspirou, passando a mão pelo rosto e voltando a encarar Shawn. Havia se perdido em pensamentos e seu olhar havia desfocado do rapaz por longos minutos. Mas para sua surpresa, naquele momento ele a encarava de volta. Seus olhos castanhos com um leve tom de verde estavam atentos em seu rosto e ele respirava com cuidado para não alarmar a garota e lhe causar qualquer susto. Shawn parecia tão assustado quanto com a ideia de ver a garota depois de tanto tempo. Ele também não sabia o que esperar e agora que o álcool havia evaporado, não sabia como agir.
Passaram incontáveis minutos apenas se olhando. Se reconhecendo. Não faziam anos desde a última vez que haviam se visto, mas muito havia mudado. E por mais dolorosa que aquela separação tivesse sido, ambos tinham certeza de que havia sido benéfico para eles. Haviam arecido e aprendido muito. Estavam mais fortes e mais decididos sobre o que queriam. E tudo o que realmente queriam era um ao outro.
mordeu o lábio inferior, hesitante. Suspirou e ergueu a mão direita até as maçãs do rosto de Shawn. Traçou a linha da mandíbula dele com a ponta dos dedos e observou o garoto fechar os olhos e respirar fundo, enquanto seus dedos mapeavam cada pequeno detalhe do rosto dele com cuidado. Tentando memorizar novamente suas linhas. Tentando reconhecer naquele rapaz ao seu lado, o Shawn que ela amava. Ele apertou o meio abraço em sua cintura e ambos se arrepiaram imediatamente. A saudade transbordava de seus peitos como nunca antes, mas ali naquele momento, não havia espaço para um abraço mais apertado. Não havia espaço para um beijo. Sequer havia espaço para palavras. Eram apenas duas pessoas se olhando e tentando se reconhecer. Tentando encontrar um no outro, um motivo para não desistir. Tentando encontrar amor.
Mas havia muito para ser dito. Muito para ser esclarecido.
precisava saber se Shawn lembrava da noite anterior. Se ele lembrava do que haviam conversado e as coisas que ele havia dito. Precisava tirar a dúvida sobre Camila, já que era algo que a estava matando lentamente. Shawn havia se desculpado por não amá-la mais? Sentia muito por ter se apaixonado por outra pessoa, enquanto ainda era apaixonada por ele? Ele lembrava que ela havia dito que não tinha nada com Connor? Precisavam resolver aquelas pendências. De uma vez por todas. Colocar todos os pingos nos “is” e então decidirem o que fazer. Seguir amigos ou nunca mais terem qualquer contato. As duas opções eram horríveis, mas
não via nenhuma outra. Esperava, com todo coração, que ele ainda a amasse e pudesse perdoá-la por ser fraca e ter desistido dele. Precisava daquilo.

Voltou a traçar o rosto do cantor com a ponta dos dedos. Contornou o nariz e os olhos dele, recebendo um pequeno sorriso de Shawn. Ele se aproximou e a beijou na testa demoradamente, causando um falhar na respiração da garota. O cheiro dele ainda era o mesmo. Cheiro de casa. E o coração fraco de
jamais iria se acostumar com ele.

– Acho que agora eu entendo o que os Jonas Brothers estavam dizendo em When You Look Me In The Eyes. – Foi a primeira coisa que o cantor murmurou, quebrando o silêncio de muitos minutos. Se afastou e a encarou nos olhos, erguendo sua mão até o rosto dela e afagando suas bochechas com carinho. – Senti
saudade mesmo.
🎸🍀📷

Shawn.

Não conseguia entender como havia conseguido passar tanto tempo longe dela. Ali, com tão perto, tudo em sua mente e corpo gritavam era “casa”. Ela era seu lar. Desde o primeiro momento em que havia se sentido normal para ser ele mesmo. Desde o primeiro sorriso largo e o primeiro olhar admirado. Não aqueles no Brasil. Ainda não a conhecia o suficiente para ter se apaixonado. Mas desde o passeio por Hamilton. Havia se apaixonado por ela antes mesmo de se dar conta de que estava se apaixonando. Porque desde então, tudo o que ele queria era ficar com ela. Mais e mais. Sem nunca cansar ou deixá-la ir. Porque era tão singular, que até mesmo os momentos mais simples com ela, eram incríveis e marcantes.
E ela o fazia se sentir normal. Sentia-se superpoderoso. Sentia que não precisava ser somente Shawn Mendes, o cantor mundialmente famoso. Podia ser apenas Shawn. Como era com sua família e amigos, algo que parecia ser parte de uma outra realidade, na qual ele se refugiava às vezes. E com
, sentia-se livre para ser quem ele realmente era o tempo todo. Havia aberto seu coração, tão receoso e com medo da dor, para ela e agora não haviam mais defesas. Estava amando de peito aberto e aquele sentimento era tão lindo e único que não deveria ser deixado de lado. Por nada no mundo.
Shawn já havia se apaixonado antes. Não muitas vezes, mas havia experimentado o suficiente. Mas nunca havia amado. Porque paixão e amor eram coisas diferentes. Era fácil se apaixonar por alguém. Às vezes, um sorriso era o suficiente para causar aquele sentimento em alguém. Mas o amor… não havia como explicar. Era um sentimento que nascia aos poucos. Era natural, era acolhedor… era tudo o que Shawn sentia por . Havia construído aquele amor junto dela. Em todos os momentos em que haviam partilhado. Todas as

conversas, as risadas, os sorrisos e as carícias. Tudo o que havia vivido junto dela, havia sido motivo para amá-la. E Shawn amava tudo. A simplicidade com a qual ela encarava a vida. A forma como era corajosa e como demonstrava seus medos de forma tão humana. Amava ser ele mesmo com ela. Em suas outras paixões, sempre havia algo estranho. Ele sempre precisava medir duas palavras em algum momento ou então mudar algumas decisões para agradar a outra pessoa. E nessas paixões complicadas, havia tido seu coração quebrado a ponto de não querer se abrir para outro relacionamento. Mas havia chegado de mansinho em seu coração. Havia trocado a campainha e pedido para entrar. Havia solicitado alguns dias de moradia e Shawn havia gostado tanto da presença dela, que oferecera morada permanente para ela em seu coração. Ela o havia visto com outros olhos. Havia enxergado seu coração. E o havia amado por aquilo. E com ela, Shawn não tinha medo. Não havia receio. Havia apenas amor. Carinho, cumplicidade e companheirismo. Havia tudo o que precisava para ser feliz pelo resto da vida. E ele lutaria por aquilo. Lutaria por ela, por sua
. Seu dengo.

A fotógrafa tomou fôlego e antes que Shawn pudesse dizer qualquer coisa, começou a chorar, deixando seu coração apertado. Não tinha boas lembranças da última vez que ela havia chorado na sua frente, mas sabia que aquele era um choro diferente. Era um choro que deixava claro que ela também havia sentido
saudade e a mesma dor no coração que havia acompanhado Shawn pelo último mês. E aquilo lhe tirava um peso do coração. Estava disposto a tentar, mas precisava que ela também estivesse.
– Tudo fica bem quando você está do meu lado. – Murmurou em um resmungo baixo e Shawn sorriu, afastando a mão do rosto dela e a puxando para seus braços.
escondeu o rosto contra o peito do cantor e apertou seus braços em torno do corpo dele. E naquela bagunça, Shawn não saberia identificar qual coração batia com mais força. Ele só sabia que não queria deixá-la ir, queria que tudo aquilo durasse para sempre. E a abraçou como se sua vida dependesse daquilo, porque eram como uma brisa de outono em um dia quente. Como cheiro de grama recém cortada. Como uma xícara de chocolate quente em um dia de neve. Como ouvir sua música favorita enquanto dirige e poder gritar a letra em plenos pulmões. Juntos, eram tudo. Eram a pura definição de amor. E ele amava viver aquilo com ela.
– Minha garota do abraço. – Sussurrou contra os cabelos dela e tremeu levemente, apertando ainda mais seu corpo contra o de Shawn.
O abraço durou muito tempo, sem que qualquer um deles quebrasse o silêncio com qualquer uma das dezenas de incertezas e dúvidas que pairavam seus pensamentos nas últimas semanas. Teriam tempo para aquilo mais tarde, porque no

momento, tudo o que precisavam para curar suas feridas era do amor um do outro. E de segundo em segundo, seus corações machucados eram remendados e curados como se nunca tivessem se partido.
– Você lembra de ontem? – Ela questionou em um fiapo de voz, ainda com o rosto contra o peito do cantor. Shawn acariciou os cabelos dela, deixando um beijo no topo de sua cabeça.
– Lembro de tudo. – Shawn assentiu, voltando a se afastar e encarando a garota nos olhos. – E tudo o que eu disse era verdade.
– Eu sinto muito. – choramingou. – Eu fui tão… Panaca. – Xingou em português e Mendes não conseguiu conter o sorriso torto. Ele amava quando ela falava em português, mesmo que ele não entendesse nada na maior parte do tempo.
– Eu não sei o que é isso. – Confessou.

– É uma mistura de tola com burra. – Explicou. – Mas não existe um bom sinônimo em inglês.
– Soa engraçado. – Ele riu baixinho.

– Imagino que sim. – estalou os lábios.
– Então… – O cantor pigarreou e franziu o cenho em confusão. – Connor e você…
Ela riu e revirou os olhos.

– Não existe e nunca vai existir nada. – Murmurou. – Ele é um ótimo amigo e foi essencial em momentos em que eu precisei muito. É só isso. – Deu de ombros.
– Eu pensei tanta bobagem. – Shawn torceu os lábios em desgosto.

– Eu não vou culpar ou julgar você. Também pensei muita bobagem. – A garota mordeu o lábio inferior em aflição. Shawn arqueou as sobrancelhas.
– Camila? – Indagou e quando ela assentiu, voltou a puxá-la para um abraço apertado. – Me perdoa. Me perdoa, me perdoa. – Suplicou. – Foi burrice minha não negar nada, mas Andrew estava no meu pé. – Suspirou. – E eu não imaginei que você fosse acreditar, de qualquer forma.
– Também não pensei que você poderia acreditar que Connor e eu estávamos tendo algo. – Deu de ombros. – Não depois de tudo.

– A gente se meteu em uma bagunça. – Shawn mordeu o sorriso. – Eu deveria ter ligado.
– Não era uma boa ideia. – murmurou. – A gente precisava desse tempo. Mas eu queria ter ligado também.
Panaca de novo. – Torceu os lábios.

Dengo, eu…

Mas foram interrompidos no instante em que Shawn ia continuar sua frase.
não ouviu a campainha tocando, porque estava muito ocupada quase tendo um ataque quando ouviu ele chamá-la por aquele apelido de novo. E Shawn encarou a garota com o cenho franzido, sem entender porque ela o olhava daquela forma tão encantada, com a campainha soando tão alto e repetidas vezes.
? A campainha. – Murmurou e a garota fez uma careta, só então se dando conta do que estava acontecendo enquanto ela mergulhava em pensamentos de amor sobre aquele apelido.
– Eu… distrai. – Suspirou, se afastando de Shawn e levantando da cama. Shawn a observou ir, colocando a si mesmo em pé logo em seguida. Sua cabeça estava doendo por causa da ressaca e ele fez uma careta maior ainda quando ouviu a voz de Jake. Estava encrencado, tinha certeza. Calçou as botas e então se aproximou da porta, encontrando e seu segurança abraçados. Sorriu para a cena e Jake soltou um suspiro de alívio quando seus olhos bateram no cantor.
– Graças a Deus. – Jake murmurou.

– O que foi? – Franziu o cenho em confusão.

– Anna ligou. – Jake informou. – Andrew sabe que você está aqui e está furioso.

– Como ele descobriu? – Shawn indagou, passando a mão pelos cabelos de forma nervosa. Queria evitar mais uma briga com o empresário, mas estava sentindo que aquilo seria impossível.
– Brian postou no Instagram. – Jake fez uma careta e Shawn revirou os olhos, enquanto soltava uma risadinha. – Adiantei o nosso vôo para daqui duas horas. – Suspirou e Shawn imediatamente voltou seu olhar para . Eles ainda tinham muito para resolver e não teriam tempo naquele dia. A garota franziu os lábios e tomou fôlego.

– Preciso de meia hora. – Shawn pediu e Jake assentiu, abraçando
uma última vez antes de se afastar. A garota fechou a porta e encarou Shawn com o olhar perdido.
– Precisamos conversar. – Ela murmurou.

– Eu preciso de um remédio para dor de cabeça primeiro. – Falou, arrancando uma risada da garota. Ela entrelaçou seus dedos nos dele e o puxou para a cozinha. Tinham pouco tempo, mas fariam valer a pena.
🎸🍀📷
.

O observou beber toda a água, após engolir o comprimido para dor de cabeça. Shawn lavou o copo e após enxugar a água, guardou no armário, se virando para
e abrindo um sorriso agradecido. Forçou um sorriso enquanto ele se aproximava, novamente entrelaçando seus dedos aos dela e soltando um suspiro satisfeito quando estava próximo o suficiente para tomá-la em seus braços. E por mais coisas que tivessem que esclarecer,
apenas se deixou ser abraçada. Derreteu nos braços dele, finalmente sentindo-se em casa e em paz.
findou o abraço e puxou Shawn para o sofá, sentando ao lado do garoto, enquanto suas mãos permaneciam unidas. Aquele carinho era reconfortante demais para que eles o quebrassem.
– Eu não pensei que as coisas entre nós ficariam dessa forma. – Shawn murmurou. – Não pensei que iríamos acertar alguns pontos. Por isso não avisei que iria viajar e trouxe Jake comigo.
assentiu em concordância. Ela também não esperava nada de bom de seu primeiro reencontro com o cantor, não poderia julgá-lo.
– Como estão as coisas com Andrew? – Questionou com preocupação. Shawn torceu os lábios, passando a mão livre pelo cabelo. Seus fios estavam mais longos do que
se lembrava, mas ele continuava lindo como a droga de um modelo.
– Péssimas. – Confessou. – Mas de alguma forma, melhores.

– Como assim? – Franziu o cenho em confusão.

– Nós tivemos algumas brigas nos últimos dias. – Mendes murmurou. – Muitas divergências de pensamentos. Acabei me colocando dentro de uma bolha e as coisas simplesmente continuaram acontecendo e dando errado enquanto outras

pessoas tomavam decisões por mim. Andrew foi uma dessas pessoas. E eu decidi que não vou mais deixar ninguém me dizer o que eu devo ou não fazer com a minha vida pessoal. Entrar em divergência com ele foi inevitável.
– Ele só tenta fazer o que acha melhor para a sua carreira, Shawn. –
suspirou.

– Eu sei. – Mendes assentiu. – Ele é um empresário incrível e eu não seria ninguém sem ele. Mas Andrew precisa entender que a minha carreira não é o único aspecto importante da minha vida. Eu não vou abrir mão de nada por um punhado de visualizações no YouTube. Não mais. – Foi firme em suas palavras e
acenou em concordância, abrindo um pequeno sorriso torto.
– Fico feliz em saber disso. – Falou por fim e Shawn sorriu, a puxando para perto e a abraçando com força. Parecia incapaz de se manter longe e
quase explodia de amor, já que sentia-se da mesma forma. O cantor checou as horas em seu relógio e suspirou.
– Vinte minutos. – A beijou no topo da cabeça, enquanto a garota se aninhava mais em seus braços. – Você trabalha hoje? – Questionou.
– Sim. Temos reunião com a nova publicitária da empresa. – Deu de ombros. – Mas queria passar o dia com você. E o resto da semana. E do ano. – Apertou os braços em torno do tronco do cantor e Shawn sorriu contra seus cabelos.
– Que tal o resto da vida?

– Ainda não parece o suficiente. – retrucou e ele riu. A brasileira fechou os olhos em apreciação aquele som que ela tanto amava. A risada de Shawn sempre seria uma de suas coisas favoritas no mundo.
– Como vamos fazer, dengo? – Shawn questionou e a garota novamente quase desfaleceu. Aquela palavrinha tinha o poder de inundar seu peito de amor e carinho. Shawn a pronunciava com tanta naturalidade e tranquilidade que
não conseguia manter seu coração batendo normalmente. Era seu ponto fraco a forma como ele torcia e enrolava a língua para pronunciar aquela palavra.
– Eu não sei. Mas me chama de dengo de novo. Senti tanta
saudade de ouvir isso. – Suspirou, afastando o rosto do peito dele apenas para olhar em seus olhos e receber o sorriso mais largo que o cantor poderia abrir. Os dentes brancos e perfeitamente alinhados faziam a companhia perfeita para seus lábios bem desenhados e rosados.

Dengo. Dengo, dengo, dengo. – Shawn murmurou e soltou um resmungo inconformado. – Seu coração ainda é fraco? Ou ele ficou um pouquinho mais forte?
– Tinha ficado. Mas você destrói todas as minhas estruturas. – Confessou, deixando os ombros caírem. Shawn a beijou na ponta do nariz e a garota respirou fundo.
– Estou com saudade do seu gosto. – O cantor disse, arrepiando todos os pelos do corpo de
, o olhar fixo nos lábios dela. – Mas eu sei que se eu beijar você agora, não vou parar tão cedo. E só temos 15 minutos. – Mordeu o lábio inferior em frustração.
– Não faz isso comigo. – A garota pediu em um sussurro, também encarando os lábios de Shawn. Ele a apertou em seus braços, escondendo o rosto contra a curva do pescoço da fotógrafa e puxando o ar para os pulmões com força.
o abraçou pelo pescoço e deixou um beijinho rápido atrás de sua orelha.
– Estou sofrendo na mesma proporção que você. – Garantiu. Alguns minutos em silêncio onde apenas ouvia o coração de Shawn bater tão descontrolado quanto o seu, até o cantor voltar a suspirar e segurar a mão dela com carinho. – Preciso ir, dengo.
– Tudo bem. – Concordou, mas não rompeu o abraço. Mendes riu baixinho, beijando outra vez o topo de sua cabeça. soltou um suspiro insatisfeito e se afastou. Se colocou em pé no mesmo instante em que a porta da frente se abria e e Henrique adentravam o apartamento.
– Estão vestidos? – questionou e
revirou os olhos quando viu a prima cobrindo os olhos com a mão direita. Henrique vinha do mesmo jeito e a fotógrafa não esperava nada diferente. Eles eram idiotas e por isso davam tão certo juntos.
– Deveria ter perguntado isso antes de entrar. – Shawn murmurou após trocar um rápido olhar cúmplice com .
Puta que pariu, . Por que tu não avisou? – A garota xingou em português e Shawn não conseguiu conter a risada, obrigando a abrir os olhos e estirar o dedo do meio para eles. O olhar dela desceu até as mãos entrelaçadas deles e sua expressão se suavizou no mesmo instante. – Vocês são idiotas juntos, pelo visto. – Revirou os olhos.

– Claro. – riu, apontando para Henrique, que ainda estava de olhos fechados. bufou e sacudiu o namorado, que franziu o cenho em confusão antes de sorrir e acenar para Shawn.
nos pediu para avisar que vocês não podem se atrasar hoje e você tem meia hora para encontrá-la lá embaixo. –
murmurou e
torceu os lábios descontente.

– Tudo bem. – Assentiu. e Henrique seguiram para a cozinha, enquanto se arrastava para a porta com Shawn em seu encalço. Se virou para ele com uma expressão cabisbaixa e o cantor soltou o ar com força, também infeliz com a inevitável separação.
– Eu volto em alguns dias. – Ele garantiu. – E então terminamos de acertar os nossos pontos.
– Tem certeza de que podemos? – franziu o cenho, o medo tomando conta dela por alguns instantes.
– Você quer tentar de novo? – Ele questionou com cuidado.

– Mais do que qualquer coisa no mundo. – Confessou e Mendes sorriu largo. Segurou o rosto dela entre as mãos e a beijou demoradamente na bochecha direita.
– Eu também. – Assegurou e o abraçou com força por longos segundos.
– Se cuida. – Pediu baixinho.

– Logo eu volto para você cuidar de mim. – Se afastou e beijou a testa dela, enquanto
mantinha os olhos fechados e o coração quase na garganta. – Tchau e Henrique. – Acenou em direção a cozinha quando rompeu o abraço.
– Tchau. – Henrique acenou. se aproximou e abraçou Shawn rapidamente. Disse alguma coisa que apenas o cantor ouviu e ele soltou uma risadinha, assentindo com a cabeça e recebendo um sorriso largo da garota, antes de se afastar e lançar um último olhar intenso para
. Ela o puxou para outro abraço, sem conseguir conter a necessidade de estar perto dele o quanto pudesse. Shawn devolveu o carinho e olhando nos olhos da brasileira, murmurou em português:
Eu amo você.

sorriu largo, o coração aos pulos, enquanto sentia o peito transbordar de amor.
– Eu amo você. – Repetiu em inglês.

Shawn sorriu e aquele gesto chegou em seus olhos brilhantes, causando outro turbilhão no coração da garota. Beijou-a na testa uma última vez e seguiu para o elevador enquanto ela o observava. só voltou para dentro da casa quando Shawn sorriu e acenou antes das portas de metal se fecharem. Suspirou alto e fechou a porta do apartamento, encontrando uma
ansiosa ao seu lado.

– O que você disse para ele?

– Que ele me deve um meet&great com o Maroon 5. – A prima deu de ombros e
lhe lançou um olhar feio.

! – Chiou, mas a outra já havia lhe dado as costas. Com o coração na mão e uma esperança boa tomando conta de seu peito,
correu para o banheiro. Sua vida não iria parar enquanto esperava Shawn voltar, mas aquilo não aplacava sua ansiedade. Mal podia esperar para vê-lo outra vez.

Capítulo 12

Cause I’ve been living only for this moment
And I don’t wanna let it slip away

Shawn.
Havia desembarcado em Nova Iorque às 10 horas da manhã. Passou por uma Starbucks e tomou um café, para então seguir com Jake para a gravadora. Tinha horário com Anna naquela manhã, já que estavam na reta final das gravações para o álbum e Shawn queria adiantar aquele trabalho o máximo possível. Quanto antes terminasse, mais cedo poderia voltar para os braços de .
Shawn havia ido para Toronto com apenas uma mochila e não viu necessidade em passar no hotel onde estava hospedado para deixar a pequena bagagem, seguindo direto para o estúdio no décimo terceiro andar, onde Anna o aguardava, junto de Teddy e Scott Harris. Havia passado a viagem toda com uma melodia na cabeça e um projeto de letra, mas tudo ainda estava muito simples e ele tomaria um tempo sozinho para criar uma nova música. Só apresentaria o projeto para a equipe se gostasse do resultado final.
– Bom dia. – Desejou sorridente, retirando os óculos escuros assim que adentrou o estúdio. Deixou a mochila em cima do sofá perto da porta e se aproximou do trio, que até então discutia alguns novos arranjos para a faixa Youth. Mendes trocou um aperto de mão com Scott e abraçou Teddy, enquanto Anna mantinha o olhar analítico em cima do cantor.
E sua análise minuciosa não deixou passar o brilho no olhar – que faltava em Shawn desde o Natal -, ou o sorriso frouxo que ele havia ostentado no último mês e menos ainda a postura mais tranquila. Quando Shawn se inclinou para abraçar a produtora, ela pulou da cadeira, o puxando para perto da máquina de café, um pouco afastado do restante do grupo.
– Me conta logo! – Inquiriu e Shawn franziu o cenho, fingindo confusão. Anna bufou impaciente, arrancando um riso do garoto.
– Eu tô feliz Anna. – Sorriu verdadeiramente. – Tô feliz. – Deu de ombros, já que aquela era a mais pura verdade. Sentia seu coração leve como uma pluma, já que toda a angústia que ele andava carregando nos últimos tempos havia se dissipado conforme o abraço e o carinho de iam curando seu coração partido.
– Vocês voltaram? – A mulher só faltou bater palmas por conta da animação que transbordava. Shawn torceu os lábios.
– Não. Ainda não. – Suspirou. – Não tivemos muito tempo para conversar.
– Como assim? – Anna franziu o cenho em confusão. – Achei que vocês fossem conversar ontem.
– Algumas coisas saíram do controle. – Riu fraco. – Eu bebi demais. E ela cuidou de mim. – Alargou o sorriso, as bochechas corando quando Anna sorriu para ele, afetada pelo relato. – Conversamos rapidamente hoje pela manhã. Mas alguns pontos ficaram claros. – Disse por fim.
– Eu fico tão feliz! – A mulher suspirou, puxando Shawn para um abraço apertado. – Estava doendo em mim ver você tão triste.
– Sei que sim. – O cantor devolveu o carinho, beijando Anna no topo da cabeça. – Obrigado por cobrir minha ausência.
– Não adiantou muito. Brian entregou tudo. – Revirou os olhos.
– Ele provavelmente nem lembra de ter usado o celular ontem. Estávamos todos muito bêbados. – Deu de ombros. – De qualquer forma, eu iria precisar lidar com Andrew.
– E você está preparado? – A mulher questionou. – Porque ele está a encarnação do demônio. – Fez uma careta. Shawn riu.
está me esperando em casa. – Disse. – Vou terminar o trabalho e voltar para ela de uma vez. Andrew que lide com os problemas dele, porque eu realmente não dou a mínima. Só quero continuar sendo feliz. – Sorriu fraco e após um pulinho animado, Anna voltou a abraçar Shawn com força.
– Estou orgulhosa. – Murmurou e estava prestes a falar mais alguma coisa quando Andrew adentrou a sala. Parecia determinado e sua expressão não era amigável. E por mais que quisesse evitar uma briga, Shawn sentia que não iria conseguir. Notando a tensão, Anna resolver intermediar o contato entre os dois.
– Bom dia, Andrew. Estamos começando aqui. – Sorriu educada. – Vai assistir a gravação hoje?
– Vou precisar. Para garantir que ele não faça mais nenhuma idiotice. – Andrew retrucou. – Como viajar sem qualquer segurança.
– Jake estava comigo. – Shawn entortou os lábios. – Eu não sou irresponsável. Deixei todo trabalho pronto antes de ir e voltei a tempo de poder finalizar o trabalho de hoje. Não temos muito para fazer, de qualquer forma. O álbum já está quase pronto.
– Mendes, – O homem Suspirou impaciente. – Você sabe que o problema não é esse.
Shawn soltou uma risada debochada, exausto de toda aquela situação. Entendia que Andrew estava preocupado com a sua carreira, mas toda aquela cena já estava passando dos limites.
– Sim, eu sei. – Disse de forma descontente. – Eu sei que o seu problema é o meu relacionamento.
– Então você já está com ela de novo? – O empresário franziu o cenho. – E pretendia me contar em algum momento ou apenas iria aparecer com ela outra vez e deixar a bagunça nas minhas costas?
– Não existe bagunça. – Shawn declarou. – Existe uma porção de pessoas insatisfeitas com as próprias vidas, que decidiram depositar suas expectativas na minha vida pessoal. Mas eu não existo para atender às expectativas de ninguém. Estou aqui para trabalhar e viver a minha própria vida.
– São essas pessoas que pagam as suas contas, garoto.
– Elas compram a minha música. Produtos oficiais e qualquer outra coisa que venha do meu trabalho. – Shawn foi firme. Não vacilou em nenhum momento em suas palavras, mesmo que sua irritação já estivesse ultrapassando o aceitável. – Comprar o meu trabalho não dá o passe livre para opinar e colocar o dedo em minha vida pessoal.
– Você não faz ideia do que está falando. – Andrew soltou com uma risada debochada. Shawn arqueou as sobrancelhas para o empresário.
– Não. É você quem não faz ideia do que está falando. – Retrucou. – Está ultrapassando todos os limites ao esquecer que eu tenho uma vida pessoal. Que essa vida não é produto de consumo de ninguém. Está esquecendo que eu sou uma pessoa como qualquer outra. Está esquecendo que eu não preciso de buzz em cima de qualquer relacionamento para que o meu trabalho seja validado. Está esquecendo de todo o meu esforço, de todo o esforço dessa equipe – apontou para as pessoas na sala – em fazer um trabalho espetacular. Nós somos capazes de vender música apenas por ser música, sem nenhum apelo da mídia por causa de fofocas, porque somos bons nisso.
Andrew deu um passo para trás, envergonhado e culpado. – Eu não…
– Você sim. – Shawn acusou. – Vem fazendo isso há meses. E eu estive acreditando nessa bobagem. Acreditei que precisava me importar com a opinião de pessoas que não ligam para a minha felicidade. Pessoas que criaram uma imagem de mim que não existe. Tudo isso porque supostamente elas dão apoio a minha carreira. Mas eu faço música. É isso que as pessoas precisam apoiar. Não importa se eu estou solteiro ou namorando, porque eu continuo fazendo música. – Tomou fôlego. – E se alguém acha que meu relacionamento é uma ofensa para o meu trabalho, então não conhece minha música. E eu não me importo em não vender música nesse caso. – Finalizou.
Todos encaravam Shawn com os olhos arregalados e a boca levemente aberta. Anna tinha orgulho nos olhos e Andrew parecia arrependido. Mas naquela altura do campeonato, Shawn já não ligava. Dali em diante, deixaria claro para todos que sua carreira era uma coisa totalmente dissociada de sua vida pessoal, embora criasse música a partir de suas vivências pessoais. Sua inspiração era a única coisa que ligava uma a outra e aquilo não era da conta de ninguém. Apenas de Shawn.
– Vamos trabalhar. – Mendes se virou para Anna e a produtora assentiu em concordância, ainda meio abismada pela cena que havia presenciado. Logo Shawn estava na cabine de gravação e os últimos ajustes de Youth foram feitos. Restavam apenas duas canções para o cantor finalizar e então poderia voltar para casa.
Poderia voltar para seu dengo.

🎸🍀📷

.
Tinha os olhos cheios de lágrimas e quando virou o rosto em sua direção, tratou de encarar a janela do Uber e ouviu o suspiro da prima. O abraço em seus ombros chegou logo em seguida e se permitiu chorar baixinho, com a cabeça deitada no ombro de enquanto Henrique segurava sua mão com carinho. Estavam os três no banco de trás do Uber, entre o casal, seguindo para o Toronto Pearson Airport. Era madrugada e mesmo que tivesse que trabalhar no dia seguinte, a fotógrafa fez questão de levar os melhores amigos até o aeroporto. Eles nem haviam embarcado ainda e ela já estava morrendo de saudades.
– Não chora, . – Henrique suspirou.
– Tá bom. – Choramingou, fungando em seguida e arrancando um riso do amigo, que a beijou no topo da cabeça.
– Nos veremos em abril. Se tu voltares. – sorriu. – Mas se não voltar definitivamente, o que eu espero que não aconteça, vá nos visitar antes de voltar para o trabalho.
– Vamos tentar vir em algum feriado antes do final do ano. – Henrique prometeu.
– Vou tentar ir em algum feriado antes do Natal. – murmurou e o garoto sorriu largo.
– E leva teu namorado junto. – retrucou e recebeu um revirar de olhos de .
– Ele não é meu namorado. – Resmungou e então abriu um pequeno sorriso, sentindo a familiaridade daquela conversa. e ela haviam tido a mesma discussão algumas vezes, antes de e Shawn finalmente começarem a se envolver romanticamente. Era engraçado estar quase na mesma situação novamente, mesmo que mudanças drásticas houvessem acontecido ao longo dos últimos meses.
– Vamos discutir isso de novo? – torceu os lábios. – Um título não faz dele menos seu namorado, porque isso é tudo o que vocês querem que ele seja.
– Tá bom. – se deu por vencida. – Não vou discutir sobre isso.
– Porque está errada. – deu de língua para a prima.
– Porque tu és teimosa e não adianta discutir. – Retrucou.
– Mas oficialmente vocês voltaram? – Henrique indagou por fim, deixando a curiosidade vencer o silêncio sepulcral que havia se instalado no carro. Ele sempre evitava se meter nas discussões entre e , prezando sua própria segurança física. As duas tinham o gênio forte, embora fosse muito mais doce e calma que . As brigas delas nunca haviam sido sérias, mas às vezes as deixavam bons dias afastadas e aquilo era péssimo para todos.
– Não. – respondeu.
– Então não vão voltar mais? – Ele franziu o cenho.
– Também não. – Suspirou. – A gente tem coisas para resolver. Não é fácil como a faz parecer.
– Claro que é. – A prima retrucou. – Vocês que gostam de drama.
revirou os olhos e Henrique sorriu para ela, ambos decidindo não estender aquela discussão. não estava feliz por precisar voltar ao Brasil e deixar a prima em Toronto sozinha – mesmo que ela tivesse amigos incríveis por ali – e nenhum deles poderia julgar a forma como ela estava lidando com a despedida. Não estava sendo fácil para eles também, de qualquer forma. O Uber os deixou em frente ao aeroporto e logo eles haviam feito o check-in, enquanto se mantinha um pouco afastada e controlando sua respiração. Queria que os dois ficassem ali com ela para sempre, mas entendia que eles tinham uma vida no Brasil. Uma vida que agora mantinha no Canadá e que os obrigava a se acostumarem com a distância, visitas em datas especiais e muitas chamadas de vídeo pelo FaceTime. E por mais que sentisse falta, sabia que precisava se acostumar com aquilo. Afinal, havia escolhido uma vida em outro país, do outro lado do continente, e sua família não poderia fazer o mesmo.
– Então é isso. – A fotógrafa suspirou quando faltavam cerca de 20 minutos para o embarque de e Henrique, tornando inevitável a separação do trio. – Vejo vocês em abril? – Disse meio incerta e foi puxada para um abraço tão apertado que a deixou sem fôlego. encheu a prima de beijos, arrancando uma risada da garota quando Henrique se misturou naquela bagunça e também a encheu de beijos, englobando as duas em seu abraço.
– Nos vemos em abril, para a sua semana de férias. – O garoto sorriu. – Porque depois tu vais voltar para cá e para a vida que tu estás construindo aqui.
– E leve Shawn. – foi firme e estava prestes a retrucar quando a garota cobriu sua boca com a mão, lhe encarando com seriedade. arregalou um pouco os olhos, mas não fez menção de retrucar. poderia lhe dar um soco se ela tentasse. – Me escuta. – A garota pediu, em um tom de voz mais calmo. – Eu sei que tu tens milhares de coisas nessa cabeça, porque ela não para nunca. E apesar de isso ser algo bom, em boa parte do tempo, às vezes isso te prejudica porque tu pensas demais nas coisas, . – Suspirou. – Eu te amo e tu sabe que eu só quero o melhor para ti. E eu vi o estado em que tu estava durante esse término. Eu te ouvi chorar de noite mais vezes do que gostaria de admitir. Eu vi o quanto tu estava quebrada, triste e vazia. E eu sei que tu podes viver a tua vida sem ele, porque mais cedo ou mais tarde, essa dor iria passar e tu irias superar. – Respirou fundo, removendo a mão que cobria a boca da prima e segurando suas mãos com carinho. – Mas eu também vi o quanto ele te ama. O quanto ele te faz bem. Tu pode não perceber, mas só por ter estado com ele e ter tido a certeza do que ele sente por ti, te mudou completamente. Tu estás sorrindo de novo. Tá leve. Não tem o peso do mundo nas costas e um vazio no coração. E a gente vê isso na tua testa. – Sorriu fraco. – Ele também esteve péssimo. A forma como ele chegou ontem e a forma como estava de manhã… Era outra pessoa. Vocês fazem bem um ao outro. Parem de dar importância para o que outras pessoas acham e dizem e foquem no que vocês sentem e no quanto isso é bom para vocês! – Exclamou, a respiração acelerada e só conseguiu encarar a prima com os olhos arregalados, sem saber como começar a digerir aquele monte de informações – verdadeiras – e processar tudo o que havia despejado em cima dela.
– Eu normalmente não concordo com ela, – Henrique começou, recebendo um olhar atravessado da namorada. – Mas dessa vez, ela tem razão. – O garoto suspirou. – Tu é uma das melhores pessoas desse mundo inteiro, . Tem um coração tão grande e tão bom… Mas precisa te colocar em primeiro lugar. Ser feliz. Fodam-se os outros. – Deu de ombros e assentiu em concordância. Sabia que eles tinham razão, não tinha como argumentar contra aquilo. Principalmente, porque ela não queria argumentar contra. Seu coração já havia decidido: ele queria Shawn de volta. E não tinha mais forças de lutar contra ele, porque ela por inteira também queria o cantor de volta em sua vida.
– Eu amo vocês. – – A fotógrafa choramingou. – Tanto.
– A gente também te ama. Muito. – sorriu, iniciando outro abraço triplo. – Promete que vai mandar todo mundo se foder e ser feliz? – questionou, novamente séria. Semicerrou os olhos para a prima quando fingiu pensar por dois segundos.
– Vou ser feliz. – Garantiu. – Eu juro. – Cruzou os indicadores e os beijou, recebendo um revirar de olhos como resposta.
– Não me faça te obrigar a apostar outra vez. – A outra ameaçou.
– Até hoje eu não acredito que tu só puxou papo com ele na cafeteria por causa da aposta que vocês fizeram. – Henrique riu e deu de ombros.
– Ela me enche o saco de qualquer forma. É como se eu tivesse perdido. – Bufou e a beijou no rosto, rindo em seguida.
– Eu posso ser pior. – Garantiu. Abraçou uma última vez, seguida de Henrique, sumindo pelos portões de embarque e levando um pedacinho do coração de junto.
Ela sentiria tanta falta deles que nem sabia colocar em palavras.

🎸🍀📷

Shawn.

Oi dengo,
Eu realmente não sei porque estou escrevendo outra carta para você, se posso ligar e ouvir sua voz. Se posso enviar mensagens para você novamente. Mas acho que me acostumei com isso. Gosto de escrever para você. Gosto de escrever sobre você. E é por isso que estou aqui agora, jogado na cama com esse caderno no ar enquanto rabisco estas palavras. Escrevi outra música para você, mas isso não é nenhuma novidade. Eu não consigo escrever nada que não seja sobre você, desde o passeio que fizemos a Hamilton.
Mas acho que preciso explicar essa música. Porque ela não chega a ser uma música de amor. Ao menos, não é uma música que eu enxergo alguém usando para um pedido de namoro. Mas é uma música sobre nós. E ela ainda vai passar por alguns ajustes antes da versão final, porque Teddy e Scott pretendem mudar algumas entrelinhas para manter a nossa privacidade. Eu acho uma ideia incrível, porque é a nossa história. E certos detalhes devem ser apenas nossos, mesmo que eu não consiga mudar nada. Mas essa música…
Eu não sei. Acho que ela é um resumo sobre tudo o que nós vivemos. Sobre como tínhamos tudo para dar errado. Sobre como somos errados um para o outro, por causa de todas as nossas diferenças. É uma música triste, eu não vou negar. Mas ela tem frases importantes. Quando eu digo que “é tarde demais”, não quero dizer que é tarde demais para tentarmos. Quero dizer que é tarde demais para nos apegarmos na ideia de que fomos feitos para dar errado. Eu amo você, com todo o meu coração. E apesar de saber que somos errados um para o outro, de algumas maneiras, eu sei que somos perfeitamente certos. Você é perfeitamente errada para mim e é por isso que eu amo você. É por isso que o nosso relacionamento é tão incrível – mesmo que ainda não tenhamos reatado oficialmente -, porque apesar de todos os motivos pelos quais somos errados, nós damos tão certo. E eu sou muito feliz com você, dengo. E não troco essa felicidade por nada.
Com você, eu aprendi o que é amar alguém. Amar de verdade, sem egoísmo – mesmo tendo ciúme em alguns momentos -, sem medo e sem ressalvas. Amar de peito aberto, com toda alma. Aprendi que o amor não é traiçoeiro. Aprendi que a paixão vai construindo o amor junto do companheiros e do respeito. E esse amor que eu sinto me faz tão bem. Me faz tão bem amar você, porque amando você dessa forma, eu sou apenas o Shawn. O cara que emprevisa um jantar para impressionar a garota dele. O cara que ensina baseball e que viaja meio mundo para matar a saudade. Eu sou esse Shawn, porque me sinto confortável com a ideia de amar você para o resto da vida. Porque você me faz lembrar que eu sou um cara normal e não apenas uma estrela do pop. E eu sou muito grato por isso. E estou morrendo de vontade de voltar para casa e para você.
E agora me dei conta de que não adianta escrever isso aqui, se você não vai ler. Não me entenda mal, eu quero que leia essas cartas. Mas não todas. Algumas são pessoais demais e eu não quero te causar qualquer sofrimento. Mas essa em especial, acho que você precisa ler. Algum dia. Vou terminar por aqui e finalizar a música. Anna está esperando por ela e eu não posso deixar uma grávida nervosa.
Amo você, dengo. Muito. E saber que vou ver você e abraçar você em alguns dias é o que me mantém sorrindo. Estou com saudade.
Com amor, Shawn.

O cantor largou o caderno na cama e suspirou, passando a mão direita pelos cabelos – já estavam enormes e talvez aquele fosse um bom momento para aparar as pontas – antes de buscar o celular na mesa de cabeceira e iniciar uma ligação para Teddy, enquanto se encaminhava para o teclado móvel que havia usado para compor a última música que faria parte de seu novo álbum.
– “Me diga que terminou!” – Foi a primeira coisa que Teddy falou assim que atendeu a ligação. Shawn soltou uma risada baixa. – “Estou surtando desde que me enviou aquele trecho!”
– Terminei. – Suspirou. – E vai ser a última música do álbum.
– “Meu amor todo.” – Teddy chiou. – “Pegue e leve para .” – Mendes riu outra vez.
– Ela vai adorar conhecer você. E sem dúvidas, vai querer saber sobre todas as linhas que você e Scott mudaram. Então prometa que não vai mostrar nada a ela. – Fez um bico, mesmo que estivesse sozinho e em uma chamada telefônica normal.
– “Eu não posso prometer isso.” – Teddy retrucou. – “Ela é tão fofa e eu não sei se vou ter forças para negar qualquer coisa a ela.”
– E ela me acusa de subornar as pessoas com meu sorriso de covinhas. – Shawn bufou. Tomou lugar no teclado, já com o caderno de partituras aberto na faixa de Perfectly Wrong.
– “E ela não está errada.” – Teddy riu. – “Aliás, vocês já se falaram?”
– Ainda não. – Mendes suspirou. – Vou dar um tempo para me acostumar. E deixá-la se acostumar. Foi tudo tão rápido. – Riu fraco. – Mas eu estou louco para ligar.
– “Então faça um favor a si mesmo e grave o áudio dessa música. Me envie a letra e a partitura da melodia e ligue para a garota.” – Inquiriu. – “Já fez o seu trabalho, Shawn. E ele está incrível.”
– Está me dando férias? – O cantor riu.
– “Estou.” – Teddy retrucou. – “Espero receber o material em cinco minutos e não ter notícias de você até amanhã de manhã.”
– Certo. – Voltou a rir. – Obrigado.
– “Eu quem agradeço por viver esse romance por meio dessas músicas. Boa noite, Shawn.”
– Boa noite, Teddy. – O cantor desejou, finalizando a ligação e então iniciando a gravação da música. Enviou todo o material para Teddy e também para Anna e Scott, logo seguindo para o banho antes de cair na cama com o celular em mãos. Encarou o contato de por alguns segundos, clicando no discar e desligando a luz do abajur. Queria apenas e sua voz preenchendo todo o ambiente.
Eles haviam se falado por mensagens nos últimos dois dias, mas sem tocar em qualquer assunto sério. A garota havia falado sobre a despedida de e Henrique, sobre o trabalho e sobre como estava fazendo frio em Toronto. E Shawn a escutou com um sorriso largo nos lábios, se recusando a falar sobre trabalho, mesmo que tivesse passado todos os dias trancado no estúdio tentando terminar o trabalho o mais rápido possível, motivado pela necessidade de voltar para casa rápido.
Shawn prendeu a respiração quando atendeu a chamada. Ainda estavam se acostumando um com o outro novamente, mesmo que tudo fosse natural entre eles. O amor tornava tudo tão fácil naquela relação.
– Oi. – Eles murmuraram ao mesmo tempo, rindo em seguida. Shawn tinha um sorriso bobo nos lábios e soltou um suspiro antes de continuar. – Estou atrapalhando?
– “Nunca.” – respondeu e ele a imaginou com aquele sorriso largo que derretia seu coração. – “Como foi o seu dia?”
– Produtivo. – Confessou. – Escrevi a última música do álbum e vou para o estúdio amanhã.
– “Estou tentando não surtar.” – murmurou. – “Alguma chance de você me falar sobre essa música?”
– Ainda não. – Shawn riu. Já havia falado da música para ela. apenas não sabia. – E nenhum suborno pode me fazer mudar de ideia.
– “Eu nem estava pensando em fazer brigadeiro e ligar em vídeo para você me assistir comer.” – A brasileira retrucou e Mendes não conseguiu conter a gargalhada. – “Jamais faria isso.”
– Claro que não. – O sorriso podia ser notado em seu tom de voz. – Vai me contar sobre o seu dia ou vai tentar me subornar mais um pouco?
– “Minha próxima alternativa seria uma foto minha só de toalha. Mas seria maldade demais.” – A garota riu e Shawn soltou um muxoxo descontente.
Dengo… – Reclamou e ela riu ainda mais. E passaram mais algumas horas no telefone, falando sobre tudo e nada, apenas para ouvir a voz um do outro e alimentar a expectativa para o reencontro. Ambos os corações tomados de amor e saudade.

Capítulo 13

Whether it’s wrong or right
Just gotta make sense of it

.
Havia terminado a última sessão de fotos que faria naquele dia antes do programado. Tivera muito mais sorte do que e Connor, que estavam em campanhas externas. O frio de Toronto não estava dando moleza para eles e quase chorava de alegria por não precisar sair da empresa para realizar seu trabalho. Amava o frio, mas gostava ainda mais de poder sentir os dedos.
Soltou um suspiro alto quando terminou de editar a última foto, já enviando os arquivos para a equipe responsável e desligando o notebook em seguida. Seu corpo estava quentinho, mas ainda sim sentia a necessidade de tomar um café, então guardou seus pertences na bolsa e desligou a luz da sala, rumando para o elevador enquanto digitava uma mensagem para os amigos, avisando que estaria no refeitório. Não se deu conta de que o entregador da empresa vinha em sua direção e tomou um susto quando o rapaz lhe chamou pelo nome. tomou fôlego, encarando-o com curiosidade em seguida.
– Desculpe! – Ele exclamou. – Não era minha intenção assustar você.
– Tudo bem. – murmurou. Guardou o celular na bolsa e então fez menção de contornar o rapaz, que carregava uma caixa de tamanho médio.
– Eu tenho uma entrega para você. – Alertou e franziu o cenho ainda mais. Como assim uma entrega para ela? Não havia comprado nada e também nunca havia usado o endereço da empresa para receber entregas.
– Tem certeza? – Questionou.
– Sim. – O rapaz sorriu. – Você é a única da cidade, provavelmente. – Soltou uma risada e assentiu em concordância.
– Isso provavelmente é verdade. – Riu. O entregador lhe estendeu uma planilha para que a garota assinasse o recebimento e após isso, a caixa foi deixada nos braços de .
– Tenha uma boa tarde. – Desejou o rapaz, voltando para o elevador em seguida. Curiosa e confusa, voltou para a sala, acionando o interruptor e ligando a luz outra vez. Deixou sua bolsa em cima da cadeira mais próxima e apoiou a caixa na mesa, abrindo o pacote e arregalando os olhos quando um buquê de rosas em um tom de rosa claro entrou em seu campo de visão. tirou o objeto de dentro da caixa, colocando em cima da mesa e puxando uma cadeira para sentar-se próxima as flores. Queria observar os detalhes do buquê e seu sorriso ficava maior a cada pequena particularidade que encontrava durante sua análise.
As flores estavam dentro de um balde azul claro, cujo logotipo era da empresa onde o presente havia sido encomendado. As rosas eram incrivelmente lindas e se pegou sorrindo por incontáveis minutos, com o coração acelerado e acalentado, já que ela sabia quem havia lhe enviado aquilo. Mesmo sem ler o cartão localizado entre as flores. Após mais um sorriso bobo, puxou o cartão e se escorou na cadeira para fazer a leitura. Como Shawn havia escrito aquele cartão, se ele estava em Nova Iorque, era algo que não saberia responder. Mas a letra era dele e ela a reconheceria em qualquer lugar do mundo.

“Oi dengo,
Espero que goste dessas rosas, mesmo que você prefira os girassóis. Comprei uma rosa para cada dia em que senti sua falta. Foram exatos 43 dias desde o nosso término e adicionei mais 6, para representar esses dias em que estou em Nova Iorque e queria estar aí com você.
A intenção é realmente começar um incêndio com essa chama e eu sei que você vai entender essa frase.
Estou com muita saudade. O álbum já está pronto, mas algumas coisas ainda precisam da minha atenção, então ainda não posso ir para casa e para o seu abraço. Mas estarei aí em poucos dias.
Amo você. De todo coração.
Ps. Abra o Instagram. Tem algo para você lá.
Com amor, Shawn.”

O sorriso mal cabia em seu rosto. O coração de batia com força e ela achava impossível existir uma possibilidade de ela amar Shawn mais do que ela já amava. E ele merecia ainda mais amor. Merecia todo seu amor, todo seu carinho e toda a saudade que ela sentia dele. Nem em seus sonhos mais loucos – e sua mente fértil era bem empenhada em criar situações inusitadas – ela havia imaginado que um dia, teria um amor como aquele. Um amor que iria transbordar tão intensamente e que seria uma das coisas mais incríveis e preciosas de sua vida. Sabia que poucos tinham a sorte de encontrar alguém com quem partilhar a vida de forma tão saudável e intensa e era grata. Por ter esbarrado em Shawn. E pelo destino tê-los unido, mesmo com alguns percalços durante o caminho. Aquilo fazia parte da construção de seu relacionamento, de qualquer forma.
Resgatou o celular dentro da bolsa e antes de ligar para Mendes, entrou no Instagram e foi direto ao perfil de Shawn. Não havia nenhum post novo no feed, então se direcionou para os stories. E encontrou a surpresa. A primeira foto era de Shawn no estúdio com um microfone pressionado contra os lábios e segurando o violão. Sorriu imediatamente, se deixando apreciar a beleza do cantor por alguns instantes. Passou para a postagem seguinte, encontrando um vídeo com o alerta: “essa música não vai estar no álbum e talvez eu cante ela algum dia. Por enquanto, apreciem esse trecho”. E com o coração na garganta, aumentou o volume do celular apenas para encontrar a voz de Shawn cantando uma música que ela não conhecia. Possivelmente, uma música que ele havia escrito para ela.

She’ll be the love I can’t let go
But how can I not try?

E no cantinho do vídeo, havia outro alerta. A fonte usada era muito menor e ela soube imediatamente que aquele era o recado de Shawn para ela. “Essa é para você”, estava escrito. E precisou respirar fundo para não começar a gritar e dançar naquele mesmo momento. Precisou de alguns minutos para conseguir colocar seu coração e sua mente sob controle, discando o número de Shawn em seguida e colocando o aparelho de celular contra a orelha. Mordeu o interior da bochecha enquanto a chamada não era atendida e quando finalmente ouviu a voz do cantor, soltou todo o ar que estava prendendo e abriu um sorriso tão grande que deixaria suas bochechas doloridas.
– Eu amo muito você. – Foi a primeira coisa que disse, antes mesmo de receber o “oi” do rapaz. – Muito mesmo. E eu nem sei como consegui aguentar todos esses dias sem você… – Tomou fôlego. – Minha vontade é de jogar tudo para o alto e ir encontrar você em Nova Iorque, – Riu baixo. – Mas eu não quero ficar desempregada, então vou guardar toda a saudade e matar ela quando você chegar.
– “Acho que gostou da surpresa.” – Shawn riu e suspirou ao ouvir o som da risada dele. Amava tudo no canadense, todas as pequenas partes e todos os detalhes, mas a risada dele… Ela não sabia descrever as coisas que sentia quando o ouvia rir. Quando ele estava rindo para ela. – “Estou tentando conquistar a minha garota de volta.” – Foi sua justificativa.
– Gostar é pouco. – murmurou. – Meu coração ainda está acelerado. – Riu. – E você sabe que não precisa me conquistar de novo, porque eu nunca deixei de ser o seu dengo.
– “Eu amo você.” – Falou, pura e simplesmente. – “Vou mostrar a música completa quando voltar para casa.” – Shawn prometeu.
– Vai ser a minha nova música de dormir. – garantiu e ouviu a risada de Shawn outra vez.
– “Dengo, você tem um álbum inteiro para ouvir antes de dormir.”
respirou fundo, o coração mais acelerado do que antes.
– Você precisa começar a pegar leve com o meu coração, Mendes. Falo sério.
– “Eu estou com tanta saudade.” – Choramingou em um suspiro.
– Eu também… – Também suspirou. – E infelizmente eu preciso desligar. Daqui a pouco a empresa fecha e eu fico presa aqui. – Soltou uma risadinha ao final da frase.
– “Me liga quando chegar em casa?” – Shawn pediu e o imaginou com a expressão de cachorro chutado para fora do caminhão de mudanças. E aquilo era demais para ela aguentar.
– Ligo. Com certeza. – Garantiu.
– “Se cuida durante o caminho.”
– Não morra de saudades. – brincou. Levantou e colocou a alça da bolsa no ombro direito.
– “Não prometo.” – Shawn devolveu e estalou os lábios em um beijo de despedida. guardou o celular no bolso do casaco e após colocar a caixa no lixo, seguiu para o elevador outra vez, com seu balde de flores nos braços. Registrou o momento com uma foto e antes de responder e informar que iria encontrá-la no saguão do prédio, postou a foto no Instagram. Se Shawn estava disposto a enfrentar o seu mundo por ela, então ela também deveria fazê-lo. Sem se importar com a opinião de pessoas que não davam a mínima para sua felicidade.

🎸🍀📷

Shawn.
Estava completamente desconfortável, mesmo rodeado por pessoas da sua equipe de quem gostava muito. Mantinha seu olhar focado em um ponto da parede, os dedos batucando contra a madeira da mesa e o pé direito se movendo de forma ansiosa. Anna estava sentada ao seu lado, mantendo uma das mãos no ombro de Shawn, lhe dando o suporte necessário e o cantor era extremamente grato pela presença da produtora em sua vida. Não apenas porque o havia ajudado na criação de seu álbum mais honesto, mas também por ser uma grande amiga e estar ao seu lado em todos os momentos, fossem eles bons ou ruins.
Andrew estava na ponta da mesa e havia finalizado seu monólogo sobre a produção impecável do álbum. Por aquele motivo, Shawn estava desconfortável. Desde a última discussão, ele e o empresário não haviam trocado nenhuma palavra. E antes de começar a reunião, Gertler havia deixado claro que gostaria de conversar com Shawn após finalizarem com o restante do pessoal. Tudo o que não queria e não precisava, era ter outra briga com Andrew. Aquela situação estava chata e cansativa demais para Shawn.
– Precisamos lembrar que ainda temos muito trabalho pela frente, mesmo com a finalização do álbum. – Gertler murmurou. – Mas preciso dizer que todos fizeram um excelente trabalho. Tenho certeza que esse álbum vai ser um sucesso, porque essa equipe foi incrível. – Sorriu fechado.
– Me contratem para o próximo. – Anna exclamou e os risos foram gerais.
– Já pode preparar o contrato. – Shawn murmurou para Andrew e a produtora o beijou na testa rapidamente.
– Veremos isso logo. – Andrew sorriu. Sentou-se e então indicou Shawn com a mão, lhe dando espaço para falar. O cantor preferiu se manter sentado, mas pigarreou antes de tomar a atenção do grupo.
– Tenho algumas decisões para informar a todos. – Sorriu fraco. – Escolhi os singles do álbum com muito cuidado. E também, o nome desse trabalho. – Tomou fôlego. Aquela havia sido uma decisão completamente sua e Shawn estava satisfeito por poder reativar o controle de sua vida em todos os aspectos dela.
– Vamos lá. – Teddy forçou puxar um fôlego maior do que o necessário e Shawn revirou os olhos.
– In My Blood vai ser lançada no dia 22 de março. – Avisou. – Vai ser o primeiro single do álbum, mas Lost In Japan vai ser lançada um dia depois, como primeiro single promocional. O videoclipe de In My Blood só vai ser lançado em abril e o álbum sai em maio. – Murmurou, mesmo que aquela informação fosse de conhecimento geral. – Nesse meio tempo, nós vamos fazer uma turnê de divulgação pela Europa. Em março, se eu não me engano. – Lançou um olhar para Andrew em busca de confirmação e o empresário assentiu com a cabeça. – In My Blood vai ser o lead-single porque o álbum vai ser autointitulado. – Respirou fundo. Passou os olhos por cada pessoa na sala, decidindo expor o motivo de sua decisão. – Não foi fácil chegar a essa resolução. – Riu e algumas pessoas o acompanharam. – Todo mundo nessa sala ouviu o álbum. Sabe como ele é pessoal, sabe porquê e para quem eu escrevi a maioria das músicas. Esse álbum conta uma história. A história de um garoto que havia tido uma desilusão amorosa e que acabou encontrando uma garota que mudou tudo. É a história de alguém que abriu o coração e colocou não somente o amor em formato de palavras, mas também as mágoas, os medos e as aflições. Esse álbum é quase um diário sobre os últimos seis meses da minha vida e é por esse motivo que ele vai levar o meu nome. – Anna o afagou no braço e Shawn sorriu brevemente para ela. – E talvez isso soe como a desculpa de um preguiçoso que não sabia como nomear o trabalho, mas eu juro que foi uma decisão que levou horas. – Riu e foi acompanhado por todos.
– Ele estava insistindo em colocar o nome da namorada. – Andrew comentou em tom descontraído e apesar da surpresa, Shawn deu de ombros. Era verdade, de qualquer forma.
– Vê-la surtar iria fazer tudo valer a pena. – Sorriu, sem negar o adjetivo usado por Andrew. voltaria a ser sua namorada, de qualquer forma. – Mas vamos voltar ao motivo dessa reunião…
– Eu acho mais interessante ouvir sobre o seu romance. – Teddy murmurou e Anna bateu palmas em animação.
– Eu também quero saber sobre o meu casal favorito. – Se intrometeu.
– Falamos disso depois. – Shawn riu. – Enfim… Também temos uma turnê mundial no horizonte. – Sorriu largo. – Não para esse ano, mas para 2019. Pretendo visitar o máximo de continentes e países possíveis, mas tudo isso vai começar a ser organizado em março, para podermos anunciar em maio as datas da América do Norte e da Europa. As datas nos outros continentes vão ser anunciadas conforme formos fechando as cidades da turnê. Exatamente como fizemos na Illuminate World Tour. Eu tenho muitas ideias, mas voltaremos a falar sobre isso quando minhas férias acabarem. – Abriu um largo sorriso.
– Alguma dúvida? – Andrew questionou e não obtendo resposta, assentiu com a cabeça e abriu um pequeno sorriso. – Então nossa última reunião está, oficialmente, finalizada. Foi um ótimo trabalho que fizemos juntos e teremos ainda um longo caminho para percorrer até a criação do próximo álbum.
– Muito obrigado. – Shawn disse, em um tom sério. – Por terem sido não apenas parte da equipe, mas grandes amigos que me deram apoio ilimitado. Eu sou realmente grato e honrado por ter trabalhado com vocês. – Sorriu.
– Não faça uma grávida chorar! – Anna reclamou, causando risos em todos. Ela abraçou Shawn e seguiu para fora da sala junto do restante do pessoal, que ia se despedindo do cantor com abraços e palavras de agradecimento. Por fim, restaram apenas Shawn e Andrew na sala e antes que o cantor pudesse fazer qualquer comentário, o empresário se levantou e ocupou a cadeira ao lado de Shawn.
– Não estou aqui para brigar. – Alertou.
– Ótimo. – Shawn estalou os lábios. – Eu já cansei disso, Andrew. Mas minha posição é a mesma: eu não vou abrir mão da minha vida pessoal por um punhado de visualizações no YouTube.
– Você tem razão. – Andrew concordou. – Claro que tem razão. Nós adultos, temos a vaga ilusão de que sabemos o que fazer porque temos mais experiência. Mas estamos mais sujeitos a erros por conta desse ego, do que qualquer jovem na sua idade. – Riu fraco. – Então quero me desculpar. Sinceramente.
Shawn arqueou as sobrancelhas, realmente desconfiado. Andrew era um empresário e um amigo incrível, mas as coisas entre eles estavam ruins há meses. Ninguém poderia julgá-lo por manter um pé atrás.
– Está tudo bem. – Cedeu por fim. – É só não se envolver mais. – Decretou.
– Eu ultrapassei todos os limites. – Murmurou. – Pensei que estava tomando as melhores decisões e na verdade só estava sendo um trouxa sem coração. Então peço desculpas. Deveria ter ficado ao seu lado e dado apoio, desde o começo.
é uma garota incrível. Se der uma chance, você vai entender o motivo de todos da equipe adorarem ela. Vai entender porque eu gosto tanto dela. – Suspirou. – É só dar uma chance.
– Não falo apenas sobre ela. – Gertler inquiriu. – A forma como eu me coloquei na situação foi errada, mas você sabe que eu tinha razão em partes. Eu ouvi Perfectly Wrong, Shawn. Você sabe que era sobre isso que eu me referia. As diferenças eram e ainda são grandes demais.
– Andrew… – Mendes suspirou, puxando o ar com força e passando as mãos pelos cabelos em frustração.
– Não vou insistir nisso e falo sério. Eu errei feio. – Admitiu. – Mas deveria ter confiado em você e nas suas decisões. Se você estava disposto a enfrentar o mundo por esse relacionamento, eu deveria ter entendido e ajudado. Não tenho nada contra a . – Murmurou, sem errar a pronúncia do nome da garota e Shawn abriu um pequeno sorriso. – Mas eu sabia que as coisas poderiam ficar ruins e meu temor era esse. E agora sei que me envolver nisso, apenas piorou tudo. Então peço desculpas.
– Eu entendo o seu ponto. Mas quero que o meu fique claro também. – Deu de ombros. – Não quero mais deixar a minha carreira interferir na minha vida pessoal, porque são duas coisas distintas.
– E terá o meu apoio. – Andrew sorriu, segurando no ombro de Shawn e então estreitando os olhos. – Mas não faça um filho, por favor.
O cantor riu alto.
– Confesso que gosto da ideia. – Deu de ombros. – Mas não está nos meus planos. Não pelos próximos cinco anos.
– Certo. – Andrew respirou aliviado de forma exagerada. – Quando posso jantar com e me desculpar por ser um bundão? – Arqueou as sobrancelhas e o cantor riu.
– Vou conversar com ela a respeito. Quando voltar para Toronto. – Respondeu.
– Espero que ela não me odeie… – Gertler suspirou.
– Na verdade, – Shawn estalou os lábios. – Ela sempre defendeu o seu ponto de vista. Diversas vezes, me lembrou que você estava fazendo o melhor para a minha carreira. – Sorriu fraco. – Não que eu realmente tenha dado importância para isso, porque estava furioso com você. – Riu e Andrew o acompanhou.
– Eu percebi. – O empresário riu e bagunçou o cabelo de Shawn com a mão direita. – Levar esporro de você foi o ponto alto da minha existência. – Debochou.
– Felizmente eu sou muito sensato. – Shawn murmurou, convencido. Andrew revirou os olhos. – Agora, se me der licença, vou ligar para casa. – Se colocou de pé.
– Mande um abraço para os seus pais. – Andrew murmurou.
– Não essa casa. – Deu de ombros.
– Certo. – Andrew assentiu. – Mande um oi para então.
Foi a vez de Shawn assentir e se retirar da sala em seguida, já com o celular na orelha e uma chamada para casa em andamento.

🎸🍀📷

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A campainha despertou subitamente e após alguns segundos de confusão, ela soltou um bocejo alto e então se colocou de pé, jurando a si mesma que se fosse lhe enchendo o saco naquele sábado de manhã, iria matar a amiga e deixar o corpo no corredor. Havia feito diversas fotos na sexta-feira para ajudar na construção do portfólio da garota e precisava de um pouco de paz. Vestiu o roupão e prendeu os cabelos em um coque, se arrastando para a porta da frente quando a campainha soou mais uma vez.
Mal havia aberto a porta e estava dentro de um abraço tão apertado que levou dois segundos para entender o que estava acontecendo e quem a estava abraçando. E quando se deu conta de que Aaliyah estava ali, abriu um largo sorriso e devolveu o abraço, tão forte quanto o que estava recebendo. A garota estava mais alta – ou apenas parecia mais alta – e os cabelos estavam ainda mais longos. Mas o sorriso era o mesmo e tinha tanto brilho no olhar de Aaliyah que quase chorou de alegria por poder estar com ela mais uma vez.
– Eu senti tanto a sua falta! – Exclamou a mais nova, ainda sem romper o abraço. sorriu largo, beijando a menina no rosto e então se espichando em busca de Karen ou Manuel no corredor. Não encontrou nenhum deles e franziu o cenho em confusão.
– Eu também! – Disse por fim, rompendo o abraço e segurando Aaliyah pelas mãos, o sorriso largo dela lhe lembrava Shawn com tanta intensidade que seu coração perdeu uma batida. – Como você veio parar aqui? Sozinha?
– Brian. – Sorriu. – Ele me buscou em casa e me deixou aqui. Tinha algo para fazer, então não subiu. – Deu de ombros. assentiu, fechando a porta da casa e correndo até o banheiro para realizar sua higiene matinal, voltando para o corredor e então guiando Aaliyah para a cozinha.
– Shawn sabe que está aqui? – Questionou e não conseguiu esconder a preocupação, causando um pequeno riso na garota.
– Mais ou menos. – Ela assentiu. – Eu liguei para ele ontem à noite. – Ocupou uma das banquetas, enquanto se movia na cozinha em busca de um café da manhã decente. – E ele me contou que vocês estavam se acertando. Eu perguntei se poderia voltar a ver você e ele disse que sim. Mas eu não disse quando faria isso, então talvez ele não desconfie que eu estou aqui. – Riu e lhe lançou um olhar assustado, para então começar a rir junto da mais nova.
– Ele vai ter um ataque. – Decidiu e Aaliyah revirou os olhos.
– Ele sempre tem um ataque. – Estalou os lábios.
– Você já tomou café? – questionou e quando recebeu um aceno negativo, serviu dois copos de suco de laranja e colocou o pão e a geleia de morango no balcão. – Eu ainda não fiz as compras do mês, então não tenho muitas opções para oferecer. – Fez uma careta. – Mas acho que ainda tem bolo. – Sorriu, correndo até o forno e soltando uma exclamação satisfeita quando encontrou algumas fatias de bolo de chocolate na forma. Tirou do forno e levou até o balcão, oferecendo para Aaliyah, que aceitou o bolo com um sorriso enorme. – É vegano. – avisou antes que a garota mordesse a fatia.
– Estou acostumada. – Aaliyah deu de ombros. – Sua jornada para o veganismo inspirou a minha mãe e aos poucos ela está cortando carne e derivados do nosso cardápio. – Comentou e estava com o copo a caminho dos lábios quando parou, os olhos marejados, e encarou Aaliyah com completa surpresa.
– Sério? – Indagou e a outra assentiu, a boca cheia de bolo a impedindo de falar por alguns instantes.
– Uhum. – Assentiu após mastigar. – Meu pai ainda está um pouco resistente, mas mamãe está focada em aprender receitas ótimas e ele até esquece que estamos diminuindo o consumo de carne. – Riu. tomou fôlego, abrindo um sorriso tão largo e natural que Aaliyah a encarou com admiração. – Você está ainda mais bonita. – A garota decidiu e apenas a adorou ainda mais porque ela era como e : sem nenhum filtro. – Shawn é muito sortudo por você gostar dele. – Revirou os olhos.
– Sortuda sou eu. – soltou uma risada. Ocupou a banqueta ao lado da mais nova e serviu-se de bolo. – De qualquer forma, não esperava uma visita sua. – Lançou um rápido olhar para a garota.
– Sei que não. – Aaliyah suspirou. – Eu queria muito ter vindo ver você antes, mas sabia que não era uma boa ideia. Shawn estava tão triste e me manter afastada era a melhor opção para evitar que ele se machucasse mais. – Fez uma careta.
– Foram dias ruins. – disse por fim. – Eu senti muita falta dele. – Confessou. – Muita mesmo. – E abriu um pequeno sorriso. – Eu sei que ainda temos coisas para resolver, mas… Sinto meu coração tranquilo agora. Porque eu sei que quando ele voltar, vamos resolver tudo.
– Eu disse a ele. – A garota exclamou. – Disse que vocês iriam voltar! Vocês são almas gêmeas e almas gêmeas sempre retornam uma para a outra. – Justificou e riu.
– Não sei se somos almas gêmeas. – Deu de ombros, enfiando um pedaço de bolo na boca enquanto a outra garota revirava os olhos.
– Claro que são. – Insistiu e resolveu não retrucar. – Aliás, eu quero saber se você leu as instruções do meu presente de Natal. – Sorriu largo e só naquele momento a fotógrafa se lembrou do pacote que estava ao fundo de seu guarda roupa desde dezembro. Aaliyah havia sido clara em suas instruções: não deveria abrir o pacote sem a presença da garota e com tudo o que havia acontecido, havia esquecido completamente do presente de Aaliyah.
– Eu li. – Assentiu. – E não abri. Na verdade, eu até esqueci. – Sua expressão pedia desculpas e a outra riu.
– Ótimo. Ao menos isso evitou que você abrisse. – Sorriu largo. – Antes de abrirmos, vou ligar para Shawn para jogar na cara dele que eu posso abraçar você e ele não. – Suspirou satisfeita e gargalhou.
– Isso é maldade. – Comentou, mas se aproximou da mais nova, de forma a aparecer no vídeo quando Aaliyah movesse a tela do celular.
– Azar o dele. – Deu de ombros, sorrindo largo quando Shawn atendeu sua chamada. – Oi maninho! – Exclamou animada e observou o cantor franzir o cenho em confusão. Precisou conter o suspiro apaixonado cobrindo a boca com a mão.
– “Oi.” – Shawn respondeu meio incerto. – “O que aconteceu? Você não liga cedo. E menos ainda, animada desse jeito.” – Estreitou o olhar para a garota.
– Olha quem está aqui comigo. – Aaliyah sorriu largou e então entrou no vídeo, se apoiando no ombro da mais nova e sorrindo largo para Shawn.
– Oi. – Suspirou enquanto observava o semblante dele ir da surpresa para a mais pura felicidade.
– “Dengo!” – Shawn exclamou sorridente e com covinhas. Os cabelos estavam revirados e o cachinho caída em sua testa, causando um turbilhão de emoções em . Seu coração batia rápido e cheio de amor.
– Só liguei para jogar na sua cara que eu posso abraçar ela durante todo o dia de hoje. – Aaliyah atirou um beijo para o irmão, abraçando como demonstração. – Então tchau! – Rompeu o abraço e acenou em despedida, finalizando a chamada antes que Shawn pudesse protestar. sentiu pena do garoto e estava quase ligando para ele quando Aaliyah a segurou pela mão com entusiasmo. – Vamos abrir o presente!
– Certo. – Deu-se por vencida, frente a animação da mais nova. Abandonou o café da manhã e segundos mais tarde estava sentada na cama, com Aaliyah ao seu lado e o pacote de presente nas mãos. Desembrulhou com cuidado e quando seu olhar bateu nas duas pulseiras vermelhas, logo entendeu o significado daquele presente e abraçou Aaliyah com força. Conhecia a lenda da linha vermelha do destino, que conectava as pessoas que estavam destinadas a se conhecer. Era uma linha que podia dar nós e mais nós, mas nunca se quebrava. Independente das circunstâncias, as pessoas sempre se encontravam.
– Estávamos destinadas a nos conhecer. – Aaliyah garantiu, puxando uma das pulseiras e oferecendo-se para amarrar a corda no pulso de . – Agora faça um pedido. – Sorriu largo antes de dar o último nó e respirou fundo, sem saber o que realmente desejar naquele momento. Tudo o que desejava era sempre ter aquelas pessoas em sua vida. Sempre ter amor. Aquele amor que a fazia sentir-se em casa.
Puxou Aaliyah para outro abraço, sabendo que seu desejo seria realizado. Afinal, haviam pessoas que realmente eram destinadas a entrar na vida uma das outras.

Capítulo 14

When we’re alone and it’s the two of us
I can’t get enough

Shawn.
Soltou um suspiro alto e bocejou em seguida. Movimentou o pescoço em busca de alívio para o pequeno incômodo muscular que sentia e então levantou o celular até a altura dos olhos. Mais dez minutos e ele estaria em Toronto outra vez. E precisava que o avião pousasse para poder ativar a rede de dados do celular e enviar uma mensagem para a família. E para .
Não quis estender sua estadia em Nova Iorque por mais um dia, então naquele domingo, embarcou no primeiro voo para Toronto assim que o dia havia nascido. Despachou a bagagem e ocupou um assento na primeira classe, trocando mensagens com os pais antes de o piloto solicitar que os aparelhos fossem colocados em modo avião. Pelo menos era uma viagem curta e aquilo lhe era um consolo. Alguns minutos mais tarde e o avião já havia pousado no Pearson Airport e Shawn soltou um suspiro de alívio, se recostando no assento e desbloqueando o celular com pressa. Esperou quase um minuto para receber todas as notificações e abriu o WhatsApp.
A última mensagem recebida era de sua mãe no grupo da família, avisando que eles já haviam saído de Pickering para buscá-lo no aeroporto. A mensagem havia sido enviada a pouco menos de uma hora e eles provavelmente já estavam em Toronto naquele momento. Abriu um sorriso feliz, já que fazia alguns dias que não via os pais e estava sentindo falta deles. E esperava que Aaliyah estivesse junto para poder empurrar a garota para fora do carro. Não havia perdoado o disparate da irmã em lhe ligar no dia anterior apenas para esfregar em sua cara que ela passaria o dia com .

O avião pousou agora 9:06 am

Mãe ♥️
Estamos chegando 9:06 am

A pior irmã do mundo
Eles nem quiseram parar para eu tomar café, com medo de deixar você esperando 9:06 am

Eu não estou nem aí 9:06 am

A pior irmã do mundo
Idiota 9:06 am

Reclame com o presidente 9:06 am

Mãe ♥️
Parem vocês dois 9:07 am
Já estamos chegando, Shawn. Nos espere no saguão 9:07 am

O cantor bloqueou o celular e guardou o objeto no bolso, mesmo que quisesse abrir a conversa com desesperadamente. Mas teria que esperar, ia que o avião estava praticamente vazio e ele precisava desembarcar. Havia viajado apenas com a bagagem de mão, de forma que apenas seguiu o fluxo de pessoas até o saguão do aeroporto. Sentou-se em um dos bancos e novamente puxou o celular do bolso, optando por enviar um “estou no saguão” para a família e então abrindo a conversa com .

Já está acordada? 9:18 am
Posso ligar? 9:18 am

Em resposta, uma ligação de apareceu na tela de seu celular e Shawn abriu um sorriso largo. Colocou o aparelho contra a orelha e logo a voz de preencheu seus ouvidos.
– “Você sabe que não precisa pedir para ligar para mim.” – Foi a primeira coisa que a garota murmurou e o cantor soltou uma risada.
– Eu não queria acordar você. Trabalhou a semana toda e precisa descansar.
– “Nenhuma piedade do meu coração porque você insiste em ser perfeito.” – Ele a imaginou com os lábios torcidos e suspirou.
– Quero ver você. Hoje. Agora. Nesse exato segundo. – Falou baixinho e suspirou do outro lado da ligação.
– “E eu quero que você me veja. Hoje. Agora. Nesse exato segundo.” – Repetiu a frase dele. – “Mas você precisa passar um tempo com a família, Shawn. Não vê eles há muito tempo.”
– Vamos comigo. – Pediu, mesmo sabendo que aquela era uma batalha perdida. Porque tinha razão: se ela fosse junto com ele para Pickering, eles passariam o dia grudados dentro do mundinho e Shawn não aproveitaria com a família.
– “Pare de pedir isso.” – reclamou. – “Eu não sei mais quantas vezes terei forças para negar.” – Chiou e Shawn riu outra vez.
– Eu ia ficar repetindo como uma criança, mas eu sei que você está certa. – Suspirou. – Mas estou com tanta saudade. – A palavra saiu como uma choramingo.
– “Eu também estou.” – murmurou. – “Mas…”
Um par de mãos cobriram os olhos do cantor, que perdeu o fio do pensamento e não ouviu o final da frase de . Logo sentiu os braços da mãe o puxando para perto e Shawn só teve tempo de tirar as mãos de Aaliyah de seu rosto e entregar o celular para ela – que ao perceber que estava na linha, tomou posse da conversa -, enquanto o cantor se deixava ser envolvido por um abraço apertado de Karen. Manuel não demorou a se enfiar no abraço e Shawn sorriu verdadeiramente. Havia sentido falta dos pais, principalmente porque os dias em Nova Iorque haviam sido terríveis antes de resolver-se com .
– Seu cabelo está enorme! – Karen murmurou, segurando o rosto de Shawn com as mãos e o beijando na testa quando o garoto se inclinou para ela.
– Eu sei. Vou cortar. – Prometeu. – Senti sua falta. – Suspirou e novamente foi puxado para um abraço, antes de Karen finalmente soltá-lo e deixar que Manny encarasse o filho.
– O cabelo está realmente grande. – O homem riu e Shawn o acompanhou. – Como você está?
– Agora eu estou bem. – Disse com sinceridade. – E vocês, como estão?
– Sentindo muita falta do nosso primogênito. – Karen deu de ombros e o cantor sorriu. Levou o olhar até Aaliyah, que estava empolgada com o celular e revirou os olhos, se aproximando da irmã e dando um peteleco em sua testa. Reaveu o aparelho e Aaliyah lhe estirou a língua no mesmo instante.
– Você nem ao menos me deu “oi”. – Shawn reclamou.
– Foi você quem me entregou o celular! – A garota retrucou e Shawn revirou os olhos outra vez, colocando o celular contra a orelha e ouvindo o riso de , enquanto Aaliyah o abraçava rapidamente e recebia um torcer de lábios como resposta.
Dengo, preciso desligar.
– “Mande um beijo para os seus pais.” – Pediu. – “E me ligue à noite.”
– Posso ir ver você hoje? – Pediu em um tom mais baixo. riu.
– “Shawn!” – Reclamou, mesmo que estivesse se divertindo. Queria vê-lo com a mesma intensidade que Shawn queria vê-la.
– Certo. – Bufou. – Nos vemos na terça. – Chiou de forma descontente.
– “Terça.” – Disse como em uma promessa. – “Amo você.”
– Amanhã? – Sugeriu, recebendo apenas a risada dela em retorno. – Amo você. – O murmúrio em português saiu como em uma promessa e quando o cantor desligou a ligação e guardou o celular no bolso, sentiu as bochechas corarem ao perceber o olhar da mãe.
– Senti falta desse seu sorriso. – Karen se aproximou e enganchou o braço no de Shawn, enquanto Manuel se ocupava com a mala do filho e Aaliyah caminhava ao seu lado.
– Senti falta de casa. – Sorriu.
– De todas elas. – Karen completou e Shawn apenas assentiu.
– Mamãe acordou muito mais cedo do que o necessário para fazer muffins. – Aaliyah torceu os lábios.
– Está verde de inveja, Aali. – O garoto provocou e a mais nova fez menção de se aproximar para bater nele, sendo puxada para um abraço por Manuel.
– Pare com isso. – Ralhou o homem e a garota bufou quando Shawn abriu um largo sorriso para ela. Estava em casa, afinal de contas. Finalmente.

🎸🍀📷

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Estava consideravelmente atrasada. Não que tivesse o costume de estar no horário normalmente, mas naquele dia em especial, estava lutando contra o tempo, enquanto corria pela casa em busca de todos os itens necessários para um dia de trabalho e mantinha os olhos fixos no relógio da cozinha, o desespero crescendo em seu interior conforme os minutos iam passando e ela ainda não estava pronta para sair. Colocou o pote com a salada de frutas na térmica, abrindo a bolsa em seguida e organizando tudo dentro do espaço limitado do objeto. Repassou mentalmente a lista mental das coisas que não poderia esquecer e o alívio se fez presente quando chegou à conclusão de que estava pronta para sair de casa. Respirou fundo e seguiu para a porta, abrindo o objeto e dando de cara com .
– Atrasada? – A loira arqueou as sobrancelhas e assentiu, recebendo um riso em retorno.
– Passei a noite editando algumas fotos para o meu portfólio e perdi ainda mais a hora hoje. – Suspirou. Trancou o apartamento e seguiu junto da amiga para o elevador. – Espero não ter esquecido nada em casa. – Murmurou pensativa, enquanto estalava os lábios e se apoiava na parede de metal, com o celular em mãos e o olhar em .
– Ainda dá tempo de voltar. – Lembrou. A brasileira deu de ombros, já que não conseguia lembrar de nada que iria precisar e que havia deixado em casa.
– Se eu não lembro, não esqueci nada. – Retrucou e a outra riu. – Como está Liv?
– Ótima. – sorriu. – Vamos ao cinema amanhã à noite. Quer ir conosco?
negou com um aceno de cabeça.
– Shawn vem pra Toronto amanhã. – Lembrou e assentiu em compreensão. As portas do elevador se abriram e a garota saltou para fora, desejando um bom dia para o porteiro e franzindo os lábios quando o frio cortante de Toronto atingiu seu rosto. Puxou a barra da touca para baixo, tentando cobrir um pouco mais do rosto e enfiou as mãos – já enluvadas – nos bolsos do casaco. logo enganchou o braço no de e elas rumaram em direção a estação de metrô mais próxima.
– Planos para o dia de São Valentim? – indagou quando já estavam seguras dentro do metrô. franziu o cenho, completamente confusa.
– Quê?
, não me diga que você não notou. Fizemos mil ensaios com temática de São Valentim. As lojas só vendem cartões, flores e chocolates… Restaurantes com reservas lotadas, pessoas felizes… São Valentim. – Deu de ombros.
– Comemoramos o dia dos namorados em junho. – se defendeu. – Eu nem me dei conta. – Soltou uma risada frouxa, para então arregalar os olhos e segurar pelos ombros, sacudindo a amiga de forma nervosa. – , eu não comprei nada para Shawn!
– Mas vocês não estão namorando, teoricamente. – A loira retrucou e por mais que aquilo fosse verdade, sabia que a teoria não lhes valia de nada naquele caso.
– Dane-se a teoria! – Reclamou. – Como vou conseguir um presente decente? – Quase chorou e puxou a amiga para um abraço.
– Ele disse algo sobre ter comprado um presente para você?
– Ele escreveu músicas. Isso é presente o suficiente. – Chiou e a loira riu. Aquele era um argumento incontestável.
– Vamos dar um jeito. – garantiu.
– E se eu ligar e perguntar o que ele quer ganhar? – Questionou, recebendo uma careta como resposta. Sabia que era uma ideia ruim, mas o que poderia fazer? Sua mente estava tão focada na ideia de ter Shawn por perto novamente, que havia ignorado todo o resto. E agora que olhava pelo vagão do metrô, não conseguia entender como aquilo havia passado despercebido. Tudo em Toronto estava comemorando o dia de São Valentim. E ela havia sido a única pessoa a não perceber a data chegando. E por mais que no Brasil as comemorações fossem apenas em 12 de junho, sabia que aquela data era importante para Shawn, mesmo que ele não tivesse dito algo a respeito. Tinha certeza de que ele estava planejando algo incrível. E ela nem mesmo havia comprado um cartão. – Eu sou a pior não namorada do mundo. – Choramingou e lhe afagou os cabelos.
– Eu comprei chocolates. E um cartão. – Murmurou. – Acredite, eu sou muito pior.
– Pobre Liv. – Suspirou, recebendo um beliscão. Acabou rindo e então respirou fundo, decidindo que o surto não era a melhor escolha naquele momento. Precisava colocar a cabeça em ordem e decidir o que preparar para Shawn. Tinha que ser algo memorável. Não grande e chamativo, mas memorável. Algo que Shawn pudesse lembrar dela com carinho. Mas o que poderia ser? Não fazia ideia. E passou o restante do caminho mordiscando o interior das bochechas, analisando diversas opções de presentes, sem realmente conseguir encontrar algo perfeito.
Connor franziu o cenho em confusão quando as amigas o encontraram no refeitório e lhe deu um rápido abraço, compenetrada em sua tarefa de pesquisar ideia de presentes no Pinterest. lhe explicou a situação e o rapaz acabou rindo, atraindo a atenção de e recebendo um olhar nada simpático dela.
– Dê a si mesma com um laço envolta da cabeça. – Murmurou. – É o melhor presente que ele poderia receber. E dada as circunstâncias, se você usar uma camisola bonita, ele vai amar cada segundo. – Abriu um sorriso safado e lhe estirou a língua, enquanto ria e concordava.
– Eu preciso concordar. – Disse por fim.
– Não vou dar sexo como presente. – A outra retrucou. – É o cúmulo da falta de criatividade e empenho em buscar um presente legal.
– Só se o sexo for ruim. – Connor deu de ombros e recebeu outro olhar atravessado.
– Vocês não ajudam em nada. – chiou emburrada, dando as costas para os amigos e então se dirigindo para os elevadores, enquanto os dois riam as suas costas. Precisava se concentrar em trabalhar e só voltaria a pensar no presente em seu horário de almoço. Correria até o shopping e tentaria encontrar algo legal para Shawn, mesmo que soubesse que nada superaria o presente de Natal que havia criado para ele. Havia tido muito tempo para preparar o álbum e nem se pudesse fazer milagres, conseguiria algo tão incrível em dois dias. Suspirou, encostando a cabeça contra a parede de metal do elevador e buscando o celular no bolso da calça. Shawn já havia respondido sua mensagem de bom dia e decidiu que a melhor maneira de lidar com aquilo, era sendo sincera. Talvez ele ficasse triste e desapontado, mas ao menos ela estaria sendo honesta. Tomou fôlego e levou mais alguns segundos para responder o garoto, já que as portas do elevador haviam se aberto e o andar onde ela fotografaria naquele dia a esperava. Ocupou um assento no estúdio e focou toda a atenção no celular.
Trevo 🍀♥️
Eu dormi bem e você? 8:45 am
Mal posso esperar para ver você amanhã 8:45 am

Dormi muito bem 8:45 am
Também quero ver você logo 8:45 am

Trevo 🍀♥️
Quando eu começar a beijar você, não vou parar nunca mais 8:45 am
abriu um sorriso largo, sentindo o coração palpitar e as mãos suarem. Estava morrendo de saudade de Shawn e do gosto dele. Mas se parasse para pensar naquilo, perderia a coragem de ser sincera sobre o presente.

Shawn? 8:46 am

Trevo 🍀♥️
Sim? 8:46 am

Eu esqueci do dia de São Valentim 8:46 am

Mordeu o lábio inferior, completamente tensa. A resposta do cantor levou quase um minuto para chegar e já pressentia o desastre.
Trevo 🍀♥️
Eu lembrei dele por nós dois 8:47 am
Eu apenas preciso que se prepare porque vou sequestrar você pelo final de semana inteiro 8:47 am

O que você está aprontando? 8:47 am

Trevo 🍀♥️
Na verdade, acabei de decidir 8:47 am
Tinha planejado apenas um jantar 8:47 am
Mas o seu castigo será não reclamar dos novos planos 8:47 am
suspirou, sabendo que não haveria maneiras de argumentar com o cantor. Acabou sorrindo, completamente agradecida pelo homem incrível que Shawn era. Qualquer outro teria um surto por conta de seu esquecimento, mas com Shawn tudo era fácil. Ele a entendia como ninguém no mundo e decidida a surpreendê-lo, a fotografa saiu em seu horário de almoço em busca de um presente para o cantor. E por sorte, encontrou algo perfeito.

🎸🍀📷

Shawn.
Batucava os dedos contra o volante do carro de forma nervosa. Arriscava murmurar algumas frases da música que tocava, mas estava completamente fora do ritmo e não tinha nenhuma intenção de prestar atenção em qualquer coisa fora a porta da empresa onde trabalhava. Já eram seis horas da tarde e a garota deveria sair em alguns minutos. Não que Shawn estivesse desviando o olhar para o relógio em seu pulso a cada dois segundos. De forma nenhuma, ele jamais faria aquilo.
Havia passado os dois últimos dias pensando incansavelmente naquele momento. E quando pegara a estrada em direção a Toronto no meio da tarde, precisou de muito esforço para se concentrar no trânsito e evitar pensamentos sobre e seu abraço casa. Sobre o cheiro de morangos dos cabelos dela e até mesmo a textura daqueles lábios que ele não sentia contra o seus há mais de um mês. Soltou um suspiro e mordeu o lábio inferior, impedindo a si mesmo de pegar o celular no bolso e ligar para . Ela havia avisado que estava terminando de guardar suas coisas e que desceria em breve.
Mendes precisava se acalmar ou então teria um ataque do coração a qualquer instante. Acabou se distraindo o suficiente para não perceber a aproximação de e só notou que a garota estava parada ao lado do carro quando ela bateu na janela, abrindo um sorriso largo quando seu olhar encontrou o de Shawn através do vidro. O cantor também sorriu e destrancou as portas no instante seguinte. adentrou o carro e após largar a bolsa no banco traseiro, se inclinou para Shawn e o abraçou com força, tendo o gesto devolvido com ainda mais intensidade. Aspirou o perfume da brasileira, deixando um beijo na curva de seu pescoço e voltando a afundar o rosto contra a pele dela.
Que saudade. – Suspirou baixinho e sentiu se arrepiando. Não sabia se era por conta do sussurro ou pelo fato de ter murmurando aquilo em um português terrível. – Senti tanto a sua falta. Tanto. – Voltou a usar o inglês.
Eu também senti saudade. suspirou, sabendo que ele entenderia a frase. Se afastou, segurando o rosto de Shawn com as mãos e olhando em seus olhos. No olhar de , o cantor encontrou tudo aquilo do qual havia sentido falta no último mês. Encontrou tudo o que fazia seu coração bater acelerado como se estivesse em uma corrida, mas também ter a calmaria dominando toda sua alma. Encontrou aquele amor que transbordava e que fazia seus dias ainda mais coloridos. Que o lembrava que voar sozinho era bom, mas que acompanhado dela era ainda mais divertido.
sorriu, acariciando as bochechas de Shawn com a ponta dos dedos. Ele fechou os olhos, suspirando baixinho e aproveitando do carinho e do cuidado que lhe oferecia. Abriu os olhos instantes depois, as pálpebras pesadas e a respiração falha conforme seu olhar recaia nos lábios da fotógrafa. Shawn envolveu a nuca de com a destra, tomando toda a área traseira do pescoço dela em sua palma e puxando para mais perto, a ponto de seus lábios se roçarem e causarem arrepios em ambos.
– Me beija. – pediu em um sussurro que deixou o coração de Shawn na garganta. Ele mordiscou seu lábio inferior, recebendo um resmungo inconformado quando afastou os lábios ao ter a garota findando a distância mínima entre eles. Ela desceu as mãos para os ombros de Shawn, o envolvendo em um abraço e a canhota dele se apoderou da cintura de .
– Eu não sei se vou conseguir fazer isso e parar depois. – Confessou. – Senti tanta falta dessa boca que só consigo pensar em beijar você até ficar sem ar, mas fazer isso aqui no carro não é seguro. – Suspirou e assentiu, deixando os braços caírem e movendo os lábios para o rosto de Shawn, o beijando com carinho e devoção.
– Vamos para casa então. – Foi o que ela disse e o cantor sorriu de canto, afastando suas mãos de e sentindo as palmas formigarem pela vontade de tocá-la. Afivelou o cinto e então ligou o carro, enquanto se ocupava com a música que tocava no aparelho de som. Como se nunca tivessem se separado, ela pegou o celular dele em cima do painel do carro e passou por algumas músicas no Spotify, optando por deixar John Mayer tocando.
E ao perceber que nada entre eles havia mudado, fora o arecimento palpável pelo qual haviam passado, Shawn sorriu verdadeiramente e dirigiu até seu apartamento, enquanto falavam sobre tudo e nada. contou sobre o trabalho, sobre e Olivia, falou sobre Connor e seu plano de conquistar a filha do chefe, sobre e Henrique e sobre o namoro do irmão e de como estava sentindo falta da mãe. E Shawn falou sobre a família, sobre Anna e o pessoal de nova Iorque, sobre como Camila e Catherine haviam sido amigas incríveis e sobre o trabalho. Prometeu que listaria as músicas de forma diferente para ouvir o álbum – já que ele contava uma história – e mudou de assunto toda vez que a brasileira mencionou o dia de São Valentim. garantiu que havia comprado algo incrível para Shawn, mas nem aquilo o havia distraído de seus planos. E a garota desistiu após a quarta vez em que Shawn apenas riu e sacudiu a cabeça para os lados, deixando claro que não iria falar nada sobre o assunto.
– O que nós vamos jantar? – A garota questionou assim que as portas do elevador se abriram e eles seguiram para o apartamento do cantor de mãos dadas, os dedos entrelaçados da forma como nunca deveriam ter deixado de estar.
– Pizza? – Sugeriu com as sobrancelhas arqueadas. torceu os lábios.
– Nós sempre comemos pizza. – Retrucou e o cantor riu, retirando a chave do bolso e destrancando a porta do apartamento. Acionou o interruptor e fechou a porta após adentrar o local.
– Porque você gosta. – Deu de ombros.
– Porque prefiro passar meu tempo com você ao invés de cozinhar. – tinha as mãos na cintura e uma expressão divertida no rosto. Shawn sorriu, deixando a chave na mesa do hall de entrada e se aproximando da garota com passos lentos. O clima entre eles mudou imediatamente e sorriu frouxo quando sentiu seu corpo entre o de Shawn e a parede do corredor, as mãos subindo pelas laterais do corpo do cantor e se entrelaçando ao redor do pescoço dele. Mendes, por sua vez, pousou a mão esquerda na cintura de e a direita tomou posse de sua nuca outra vez, guiando a cabeça dela em direção a sua. Ambos tinham as respirações falhas, os corações batendo rapidamente e as pálpebras pesadas por conta do deleite que a proximidade entre eles lhes causava.
– Podemos cozinhar juntos. – Sugeriu. – Senti falta de aprender coisas novas com você. – Roçou seus lábios aos dela e soltou um grunhido incompreensível.
– Não quero cozinhar. – A garota suspirou e Shawn sorriu. – Só quero acabar com essa saudade que me sufocou durante todos os dias desde o nosso término.
Shawn sorriu largou e grudou ainda mais seu corpo contra o de , passando a acariciar a pele de sua nuca com a ponta do polegar. Logo a garota havia tomado impulso e tinha as pernas envolta da cintura dele, a mão que estava na cintura dela escorregando até suas pernas para lhe dar mais apoio, mesmo que a parede às suas costas fosse o suficiente. apertou ainda mais o abraço em seu pescoço e deixou um beijinho contra o canto da boca do cantor, voltando a encará-lo com um sorriso frouxo e os olhos brilhando.
– Namora comigo? – Pediu em um sussurro que saiu como uma súplica. – Namora comigo e nunca mais me deixa. – Beijou a ponta do nariz dela. – Amanhã é dia de São Valentim e eu quero passar com você, sabendo que é minha namorada. Tendo a certeza que vamos nos esforçar para isso dar certo. Sabendo que não vou mais me preocupar com noites em claro por conta da ansiedade, porque meu coração voltou para casa e agora está em paz. Amado e feliz. – Abriu um pequeno sorriso e selou seus lábios rapidamente.
– Eu nunca deixei de ser sua namorada, porque nunca quis deixar de ser. – A brasileira falou com simplicidade. – Então eu aceito, Shawn. Com você, eu topo qualquer coisa. – Declarou e soltando um suspiro aliviado, Mendes uniu seus lábios em um beijo tão desesperado quanto intenso.
Suas bocas não estavam se reconhecendo, porque elas já se conheciam completamente. Cada textura, cada movimento, cada gosto… tudo era familiar. Tudo era bom e gostoso. O molde entre seus lábios sempre seria perfeito, porque eles haviam aperfeiçoado tudo aquilo com o tempo. Porque havia desejo, mas acima de tudo, havia amor. Havia cumplicidade. Havia companheirismo, respeito e tranquilidade. Aquele beijo era tão natural quanto respirar. Cada girar de língua e cada mordida, tudo fazia parte do conjunto que eles eram. E funcionava com perfeição.
Shawn suspirou contra a boca de , puxando fôlego para os pulmões e voltando a beijá-la, sem vontade nenhuma de romper o contato. Ele havia esperado aquilo por dias. Havia sonhado com aquele beijo por mais de um mês. Seus sonhos e sua lembrança não faziam justiça à realidade. Nada se comparava a sensação de ter o corpo de contra o seu, a pele dela sob seu toque e seus lábios unidos aos dele. Nada nunca seria tão bom. Nada deixaria seu coração tão acelerado e tão em paz ao mesmo tempo. Nada nunca seria como ter ela. Ninguém nunca seria como ela.
Mordiscou seu lábio inferior uma última vez, se obrigando a partir o beijo quando sua respiração estava tão acelerada que Shawn mal podia respirar direito. E a encarou com um largo sorriso nos lábios. E quando ela levou o olhar até ele e Shawn viu o espelho do amor que sentia, uniu suas testas e ficou encarando-o por incontáveis minutos, sentindo que todas as peças estavam se encaixando outra vez. Tudo se tornava verão quando ela estava junto. Tudo era fácil.
– Pizza? – Sugeriu outra vez e mordeu o sorriso.
– Pizza. – Concordou. – Sem carne.
– Tudo para a minha namorada. – Shawn sorriu, beijando-a outra vez. Como o faria diversas vezes durante a noite e a madrugada. E a manhã do dia seguinte. E como gostaria de fazer durante todo os dias restantes de sua vida.

Capítulo 15

And I know you got the world to see
But you know you mean the world to me

.
Estava acorda há bastante tempo. Não sabia quanto, exatamente, porque se perdera contando as respirações de Shawn. Traçando as linhas do rosto, dos braços e dos ombros dele com cuidado. Apreciando a calmaria que seu coração só apresentava quando ele estava por perto. Em seus braços. Se derramando no amor que lhe oferecia de bom grado. Sabia que precisava levantar, em breve, já que mesmo sendo dia de São Valentim, ela precisava trabalhar. Um período menor do que o normal, mas ainda assim, precisaria sair da cama. Precisaria deixar Shawn.

Aquilo era a última coisa que gostaria de fazer naquele momento.

Suspirou, voltando a brincar com o cachinho na testa de seu… namorado. Era tão bom voltar a usar aquele termo. se pegava sorrindo encantada e bobamente toda vez que o pedido de Shawn, tão simples e tão sincero, surgia outra vez em seus pensamentos. Em sua primeira tentativa, apesar de todas as certezas que sentia sobre Shawn, ainda tinha muitas dúvidas. Tinha muitos medos, muitas resistências. Não sobre ele, nunca sobre ele. Mas sobre o resto. E ela sabia que tivera razão, que seus temores não eram infundados. Mas de alguma forma, ela já não os possuía mais. Ainda seria desagradável ter o mundo com os olhos voltados para si. Ainda seria detestável ter milhares de pessoas falando coisas idiotas sobre ela. Ainda teria dias complicados e tinha completa noção daquilo. Aquele mundo não era o seu mundo e não se iria se acostumar com aquilo de uma hora para outra. Mas…

As coisas estavam diferentes. Ela se sentia diferente. Mais forte, mais decidida. Mais decidida a não deixar nada e nem ninguém, ficar entre ela e Shawn. Se o afastamento não fosse da vontade de nenhum deles, não havia nenhum motivo para aquilo acontecer. Enquanto eles se amassem e quisessem estar juntos, então estariam. E não iriam importar quantas pessoas fossem em suas redes sociais lhe ofender. Não iriam importar todos os cochichos ou olhares rudes que recebesse. Não iria importar o quanto a mídia iria lhe massacrar, lhe comparar ou lhe rebaixar. Shawn a amava. Toda e completamente. E havia passado muitos dias ruins por causa da separação, assim como a própria . E ela nunca queria infligir aquele sofrimento a nenhum deles, nunca mais. Não estavam fazendo nada de errado. Não machucavam ou ofendiam a existência de ninguém. Eles se amavam e faziam bem um ao outro, faziam-se felizes. Aquela era a única que importava para .

Observou Shawn despertar de forma preguiçosa. A respiração dele mudou de intensidade antes que os olhos se abrissem. E quando se encararam, sem nenhuma cortina para mascarar qualquer sentimento, sentiu a certeza inundar seu peito. A certeza de que aquele amor era uma das coisas mais lindas em sua vida e que ela deveria aproveitar aquele sentimento.

Tinha sorte de encontrar amor. Ainda mais sorte, de ser Shawn o portador daquele sentimento.

– Bom dia. – Suspirou baixinho, sem desviar os olhos dos de Shawn. As irises cor de mel naquele dia tinham um pouquinho de verde e aquilo apenas inundou seu peito com mais amor. – Dormiu bem?

– Você sabe que sim. – Shawn respondeu, também em um tom de voz baixo. – Depois de ontem e daquele cansaço, não existia nenhuma chance de não dormir como um anjo. – Provocou, puxando para seus braços e beijando sua testa. – Bom dia, dengo. Feliz dia de São Valentim.

escondeu o rosto contra a curva do pescoço do namorado, aspirando o cheiro dele e soltando o ar apenas para lhe causar um arrepio. Sorriu quando Shawn realmente se arrepiou e voltou a encará-lo com atenção.

– Feliz dia de São Valentim, amor. – Suspirou. – Pode, por favor, ser um um namorado legal e me contar o que vamos fazer hoje? – Abriu um sorriso largo, sabendo que Shawn se rendia aquele gesto. O cantor lhe estreitou os olhos, pressentindo a jogada de .

– Você vai trabalhar. – Sorriu, como se aquela fosse a resposta que tivesse solicitado. Ela fechou a cara para ele.

– Que engraçadinho. – Debochou, rompendo o abraço e pulando para fora da cama em seguida. Mendes mordeu a risada, enquanto a garota seguia para o banheiro de cara emburrada.

Dengo… – Ele chamou manhoso, o riso divertido ficando aparente em seu tom de voz. Se virou na cama, seguindo com o olhar. Ela lhe estirou a língua antes de ocupar o banheiro e fechar a porta. E o barulho da chave foi ouvido no instante seguinte, ao passo que Shawn soltou uma risada alta.

não demorou no banheiro e voltou para o quarto já vestida. Guardou as roupas sujas na bolsa e estava se direcionando para a cozinha, mantendo sua pose emburrada, mesmo que aquilo não fosse nada maduro, quando Shawn se levantou e a puxou para seus braços. Envolveu a garota pela cintura, descansando o queixo no topo da cabeça dela após deixar um beijo em seus cabelos.

– Vamos jantar fora. Em um lugar que você ainda não conheceu, o que é praticamente um ultraje para os padrões de visitação turística da cidade. – Disse de forma brincalhona.

– Onde? – foi incisiva e Shawn sorriu, virando a garota de frente para si e dando de ombros.

– Manter a surpresa é essencial para os meus planos. – Falou e a garota suspirou, assentindo em concordância.

– Odeio ficar curiosa. – Lembrou e o cantor riu.

– Eu sei, dengo. Mas você sempre gosta dos resultados das minhas surpresas. – Arqueou as sobrancelhas para ela.

– Lhe darei o benefício da dúvida. – falou apenas por teimosia. Shawn abriu um sorriso largo para ela, beijando-a na testa outra vez antes de seguir para o banheiro. As costas nuas do cantor prenderam a atenção da garota, que se sentiu vingada quando as marcas avermelhadas de suas unhas se mostraram na pele dele.

Seguiu para a cozinha e em poucos minutos preparou o café, enquanto Mendes tomava banho. Aproveitou os minutos sozinha para buscar o presente de Shawn na bolsa, deixando em cima do balcão da cozinha para que ele encontrasse, mesmo que a insegurança a estivesse assolando. Sem nenhuma dúvida, o cantor havia preparado algo grandioso. E havia apenas… suspirou alto, voltando a tarefa de preparar o café.

Alguns minutos depois e o cheiro de sabonete invadiu o olfato de antes que ela pudesse ouvir os passos pesados de Shawn se aproximando. Tinha um comentário na ponta da língua quando sentiu os braços dele em sua cintura, a virando de frente outra vez e a pegando no colo pelas coxas. acabou sentada na bancada, com ele entre suas pernas, enquanto mantinha uma mão em sua cintura e a outra em sua nuca, puxando-a para um beijo após uma troca de olhares significativa.

Soltou um resmungo de prazer quando a língua de Shawn tomou sua boca e as mãos dele apertaram seu corpo. Daquela forma que ele sabia que ela gostava, porque a conhecia como ninguém. Conhecia seu corpo, seu coração e sua alma. E a amava daquele jeito, com todas as imperfeições e defeitos que sabia admitir que tinha. Se beijaram por longos instantes, provando a boca um do outro com cuidado e devoção. Até que a falta de ar se fez presente e cortou o beijo, Shawn encostou a testa contra a dela e beijou a ponta de seu nariz, recebendo um sorriso largo quando ele finalmente abriu os olhos para encará-la.

– O banheiro lhe trouxe lembranças? – Indagou em provocação e Shawn apertou a mão em sua cintura.

– Ainda não havia beijado a minha namorada no dia de São Valentim. Pensei que isso pudesse dar azar. – Usou uma desculpa e revirou os olhos.

– Qual é o meu presente? – Insistiu e Shawn riu fraco, afastando as mãos do corpo dela após ajudá-la a descer da bancada. – Porque o seu está aqui. – Murmurou, movendo-se até o balcão e pegando a pequena caixa aveludada em mãos. Um laço vermelho enfeitava o objeto e Shawn franziu o cenho, curioso. Tomou a caixinha em mãos e enquanto se escorava no balcão, tomada para apreensão, Mendes desembrulhou o presente.

Dentro da caixinha, havia um colar de prata e dois pingentes. O menor e mais delicado, era um coração. O segundo, era formado por dois círculos de linhas grossas. Um maior que o outro, para que se encaixassem e se completasse. No círculo menor, uma rosa dos ventos estava gravada. No círculo maior, uma frase completava a joia: não importa onde.

Não importava onde estivesse, iria amar Shawn. Em qualquer parte do mundo, ele tinha seu coração por completo nas mãos.

Shawn abriu um sorriso largo, tirando o colar da caixinha e dando um passo em direção a . Deixou o pacote sobre o balcão e estendeu o colar para a namorada, sentando-se na banqueta para que ela não precisasse se inclinar para poder colocar o colar em seu pescoço. Não desviou o olhar de durante todo o processo, e ela soube em seu coração, que ele havia amado. Simples e puramente. Abriu o fecho do colar e estendeu os braços na direção de Shawn, envolvendo o pescoço dele e fechando o colar. Encarou o rosto de Shawn e então o colar em seu pescoço, sendo puxada para os braços dele e para sua boca. Para seu amor, seu carinho e seu cuidado.

– Não importa onde. – Repetiu baixinho quando escondeu o rosto contra o pescoço do cantor e sentiu o sussurro dele contra sua pele.

– Eu amo você.

🎸🍀📷

Shawn.

Cantarolava Perfect, enquanto os dedos batucavam no volante e seu olhar se mantinha na estrada, mesmo que se desviassem para apenas para sorrir de canto quando a pegava o encarando com o semblante nada satisfeito. Shawn não havia lhe dado nenhuma pista sobre o local onde iriam jantar naquela noite, mesmo que soubesse que ela iria descobrir assim que ele estacionasse o carro. Poderiam ter ido andando, já que seu apartamento era extremamente perto, mas daria muitas pistas para ela.

– Quando se tornou tão insensível? – reclamou, arrancando uma risada um pouco mais alta do rapaz. – Estou aqui, com a minha melhor expressão de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança e você fica cantarolando a música como se nada estivesse acontecendo. – Torceu os lábios. – Estou perdendo meus encantos, que já eram limitados. – Abriu uma careta e Shawn riu alto.

Dengo, todos os seus encantos estão intocáveis. – Ele garantiu. – Mas eu realmente me esforcei para essa noite sair perfeita e sei que você vai amar quando descobrir sozinha.

– Odeio você. – lhe estirou a língua e Shawn lhe atirou um beijo.

– Amo você. – Ele disse simplesmente e o olhar brilhante que recebeu em retorno fez tudo valer a pena. Para então fechar a expressão novamente.

– É impossível ficar brava com você, que inferno Mendes. – Xingou, causando mais risos no garoto. Estacionou o carro em seguida e não esperou por Shawn para saltar para fora do carro e olhar ao redor com curiosidade e afobação. Franziu o cenho e voltou os olhos para o namorado, que havia acionado o alarme do carro e caminhava em sua direção. Entrelaçou seus dedos aos de e abriu um lindo sorriso quando observou a confusão no rosto dela.

– Por que estamos aqui? – Questionou.

– Porque vamos subir. – Apontou para cima e arregalou os olhos.

– Na torre? – Quando Shawn assentiu, ela pulou em seus braços, o beijando repetidas vezes no rosto, enquanto ele ria e a apertava em seu abraço.

E então parou, o rosto muito próximo do de Shawn, os olhos nos dele e um sorriso largo, que aquecia o coração do cantor. E ele selou seus lábios nos dela uma vez, antes de colocar a garota no chão com cuidado e voltar a unir suas mãos. Guiou a garota para a torre, abraçando-a pelos ombros quando ocuparam o elevador e observando o rosto de com atenção conforme subiam até o restaurante panorâmico 360. Teriam uma visão diferente da cidade a cada 72 minutos, já que o restaurante girava na Torre CN. E ainda poderiam visitar o Piso de Vidro, que lhes daria a melhor visão lá de cima – e muitos calafrios. Era um ponto turístico disputado e Shawn havia precisado se… esforçar um pouco para conseguir fechar uma parte do restaurante apenas para eles. E quando descobrisse aquilo, esperava que ela não batesse nele por gastar tanto dinheiro naquela noite. Mesmo que ele tivesse gasto muito mais, com os outros presentes.

Ela fotografou muito, mesmo que não estivesse carregando nenhuma de suas câmeras profissionais. E vê-la feliz daquela forma… Shawn não sabia explicar, apenas queria fazer aquilo para o resto da vida. Amar , ser feliz com ela. Nada no mundo se comparava.

– Quer subir no Piso de Vidro agora ou depois do jantar?

– Se for para morrer, prefiro que seja de barriga cheia. – Comentou, causando risos em Shawn. O maître os levou para a área reservada pelo canadense, os deixando a sós enquanto observava ao redor e via todas as mesas restantes desocupadas. Lançou um olhar incrédulo para Shawn, que apenas deu de ombros e a guiou até a mesa que iriam ocupar naquela noite, de frente para a janela com a vista de toda a cidade iluminada. Puxou a cadeira para que ela se sentasse e sentou-se de frente para a namorada, segurando sua mão por cima da mesa e entrelaçando seus dedos outra vez. Ele já havia visitado o restaurante antes, mas toda a beleza e requinte do lugar sempre seriam impressionantes.

– A comida daqui é incrível. – Comentou, em um tom de voz baixo.

– Você realmente reservou todo esse espaço? – questionou.

– Apenas alguns metros. – Deu de ombros.

– Uns 100, você quer dizer. – A garota murmurou.

– Não parei para contar. – Shawn retrucou e riu quando ela lhe lançou um olhar feio.

– Eu… Estou pensando na quantia que você gastou. Mas eu sei que fez de coração, então não vou brigar. – Decidiu, recebendo um sorriso largo do cantor. – Estou muito feliz por estar aqui, com você. E nesse lugar… – Olhou ao redor, focando a atenção na visão de Toronto pelas janelas do restaurante. – É de tirar o fôlego. – Disse por fim.

– Eu sabia que ainda não havia subido aqui. – Shawn sorriu. – E pensei que seria uma boa ideia. Um espaço só para nós, com toda Toronto para observar. – Deu de ombros.

– Foi a melhor ideia, Shawn. – Sorriu largo. – Eu nunca imaginaria. – Riu e ele a acompanhou, porque sabia que aquilo era verdade.

– Então, como foi o trabalho hoje? – Questionou, o interesse genuíno por tudo o que fazia ou se envolvia.

– Não vamos falar sobre trabalho hoje, Mendes. – Revirou os olhos, brincando com os dedos de Shawn. – É São Valentim.

– E você quer falar sobre o quê?

– Sobre nós. Sobre você e a falta que me fez. Não conseguimos conversar naquele dia, quando veio para cá, e depois, as coisas simplesmente… voltaram naturalmente para o lugar. Mas… – Mordeu o lábio em aflição. – Temos coisas para resolver e superar.

– Não é uma ferida que eu gostaria de abrir novamente. – Mendes comentou. – Mas eu sei que você tem razão. Sempre tem razão. – Riu pelo nariz.

– Foi… difícil, para dizer o mínimo. – tomou fôlego. Não encarava Shawn diretamente e ele entendia porquê: também não iria conseguir olhar nos olhos dela e falar sobre o sofrimento que sentira durante o término. – Eu me arrependi no instante em que decidi terminar. E em todos os dias seguintes. Pensei que estava tomando a decisão certa, para nós dois. Pensei que iríamos superar e que eu voltaria para a minha vida normal. Mas eu não voltei. – E então olhou em seus olhos. – E não apenas porque as pessoas não me deixaram em paz ou porque a mídia ainda me perseguia… minha vida jamais voltaria a ser como era antes, porque você mudou tudo. Minha forma de ver o mundo, de encarar a felicidade e de amar. Como eu poderia voltar ao que era antes, tendo experimentado a maior felicidade do mundo? – Questionou e Shawn suspirou quando percebeu os olhos dela cheios de lágrimas. – Eu amo você, Shawn. Amo amar você. Porque me faz bem, me faz feliz. E agora, depois de tudo, eu tenho certeza de a opinião de ninguém vale mais do que me sentir em casa. Porque é assim que eu me sinto com você. – Sorriu para ele. – Em casa. Você é meu lar. E isso não é algo que encontramos todos os dias. É raro e incrível e eu quero manter isso. Pelo máximo de tempo possível. – Prometeu e o coração de Shawn perdeu uma batida, enquanto encarava aquela garota que havia virado seu mundo de cabeça para baixo e lhe mostrado o que realmente era ser feliz com alguém. Plenamente feliz. E livre.

Não era um amor que iria lhes machucar. Não havia ciúme, sentimento de posse ou brigas por coisas supérfluas. Eram duas almas compartilhando uma vida. Duas almas experimentando juntas, se amando e vivendo de felicidade e cumplicidade.

– Eu estava… dentro de uma caixa. Vendo as coisas de forma distorcida, absorvendo pedaços e não a totalidade. Fui ingênuo e burro. – Shawn murmurou. – Eu sabia que as coisas poderiam ser estressantes, mas nunca pensei que chegaríamos àquele ponto. E foi terrível. Porque eu perdi você, ao mesmo tempo em que perdia meus fãs. – Falou e quando pareceu que iria questionar, ele continuou. – Foi isso que eu senti. Que havia perdido tudo. Eu não confiava mais no meu fandom, porque não sabia quais pessoas dentro dele realmente me desejavam o melhor. Quais realmente se importavam com a minha felicidade. – Tomou fôlego. – Foi horrível me sentir tão sozinho. Eu não conseguia trabalhar, porque não conseguia escrever. Não conseguia nem gravar o que já estava escrito, porque lembrava de nós e doía. Minha vida não parecia minha, eu não tinha controle sobre ela. E recuperar esse controle, entender que sou em quem decido as coisas por mim… foi o primeiro passo para voltar a ser uma parte do que eu era. Mas a outra parte… estava aqui, com você. Porquê da mesma forma que você mudou por causa de mim, o Shawn que existia antes de você, , não volta mais. E eu não quero que ele volte, porque você me faz feliz.

– Eu amo você. – suspirou. – Sou completamente rendida e apaixonada por você, Shawn Mendes. – O encarou com determinação, fazendo-o sentir exatamente tudo o que ela falava, apenas com aquele olhar sincero.

– Sou grato por ter você na minha vida. – Confessou. – Com você eu posso ser eu mesmo, mostrar meu coração sem medo. E eu amo você ainda mais por isso. – Sorriu para ela, aquele sorriso de covinhas que enchia o coração de de amor. – E sobre todo o resto… eu errei. Errei ao ter sido ingênuo e errei ao não ter lutado por você. Por nós. E estou disposto a enfrentar o mundo para tê-la comigo, .

– Eu não vou deixar ninguém se colocar entre nós. – murmurou. – Apenas você vai poder colocar fim nisso que existe entre nós e mais ninguém.

– Não vai acontecer. – Garantiu com um sorriso torto.

– Conto com isso. – também sorriu, largo e brilhante.

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O jantar havia sido incrível. Shawn havia solicitado todas opções veganas e o vinho era uma delícia. E repetiu a sobremesa, já que haviam tentado ser românticos e dividir a mesma taça de doce – mas não havia sido o suficiente para ela e Shawn confessou amar aquela particularidade de , o que apenas encheu seu coração de mais amor. E ela continuava sem saber se aquilo era possível.

Após a refeição, agradeceram pelos serviços do restaurante e então subiram para o Piso de Vidro, já que estava ansiosa para encarar Toronto 500 metros acima do que estava acostumada. Apesar da ansiedade, estava com medo e ao perceber aquilo, Shawn a abraçou com força, mostrando que estaria ali. Para qualquer coisa. E sorriu para ele, recebendo o gesto em retorno e um beijo na testa.

Quando encarou a cidade aos seus pés, o coração quase alçou voo para longe de seu peito. Ficou receosa por um instante, já que estava em uma distância tão grande do chão, que ter medo era inevitável. Mas sabia que era seguro ou Shawn não a teria levado ali. Então tomou coragem e se aproximou das paredes – também de vidro -, observando toda Toronto de forma embasbacada. Shawn não falou nada enquanto seguia pela torre, apreciando a felicidade que emanava da garota a cada pedacinho de Toronto que entrava em seu campo de visão. Se fosse durante o dia, tinha certeza de que poderia achar seu apartamento lá de cima. Estava tão entretida com sua observação que não percebeu Shawn perto de mim e só se deu conta quando ele a estava abraçando pelas costas, beijando seu pescoço enquanto a envolvia pela cintura.

– Gostou? – Questionou apenas para se certificar de que havia acertado no presente.

– Eu amei. – respondeu em um sussurro, se aconchegando no abraço do cantor e aproveitando do sentimento de lar que tomava conta de si toda vez que eles estavam juntos. – Eu não poderia pedir um presente mais incrível do que esse. – Se virou para ele, com um sorriso largo nos lábios.

Mendes franziu o cenho por um instante e então riu fraco.

– Esse não é o presente. – Comentou. – É um deles, mas não o presente. Foi apenas um jantar de comemoração. – Deu de ombros de forma simples. estreitou o olhar para o cantor, observando-o rir novamente. Amava aquele som, mas naquele momento estava preocupada com a proporção do presente que Shawn havia planejado.

– O que você aprontou, Mendes?

– Nada demais. – Garantiu. – Apenas coisas boas para a minha garota.

– Deve ter um zero a menos na sua conta bancária. – Reclamou e o canadense riu com gosto.

– Você não faz ideia de quantos zeros tem lá. – Brincou e ela lhe estirou a língua.

– Nem quero saber. Só sei contar até quatro zeros. – Chiou e Shawn riu ainda mais.

– Boba. – Murmurou, beijando-a no pescoço outra vez e arrancando um arrepio dela. – Você vai amar. – Decidiu. se virou para ele e Shawn piscou para ela. – Os três.

– Shawn! – Reclamou. – Eu comprei apenas um colar e você planejou quatro coisas?

Estava chocada, apaixonada e temerosa. Sua mente não conseguia imaginar o que Shawn havia planejado e aquilo a deixava nervosa, mesmo que soubesse que não precisava se preocupar. Ele fazia tudo porque queria e de todo coração. Não havia nada de errado naquilo. Mas não podia negar que era esquisito, ter um namorado milionário. Era completamente fora de sua realidade, mesmo que aquela verdade só batesse em sua porta em alguns momentos. Na maior parte do tempo, Shawn era apenas Shawn.

– Não é apenas um colar. – Mendes estreitou o olhar para a namorada e o olhar dela se desviou para a corrente no pescoço dele. Não conteve o sorriso porque sabia que Shawn não iria mais tirar a jóia do corpo. – Eu amei. E sei que escolheu de coração, mesmo com a pressa. – Sorriu torto.

– E você escolheu de coração? – Questionou, as bochechas coradas. Shawn a beijou com cuidado e carinho.

– Com todo ele. – Garantiu, beijando a ponta do nariz de em seguida. – Acredite, eu vou aproveitar dois dos três presentes restantes. – Murmurou com um sorriso divertido.

– É lingerie. – exclamou, arrancando risadas de Shawn.

– Não, mas seria uma boa ideia. – Piscou outra vez.

– Me conta Shawnie! – Fez manha, o bico nos lábios e os olhos pidões. Mendes não aguentou dois segundos e então suspirou, completamente rendido. Apertou o abraço em sua cintura e colou sua testa na dela, deixando um beijinho entre seus olhos.

– Comprei passagens para Londres. Embarcamos na sexta-feira ao final da tarde e voltamos no domingo à noite. – Sorriu no final e quase engasgou. O encarou com os olhos arregalados e o coração batendo forte no peito por alguns segundos, antes de soltar um gritinho e então pular no colo do namorado, unindo suas bocas em um beijo rápido e entusiasmado.

– Shawn! – Exclamou incrédula. – Meu Deus, eu não acredito. – Tomou fôlego e ele riu. Segurou-a com força e então escondeu o rosto na curva de seu pescoço, quando ela desceu de seu colo e o envolveu pela cintura com os braços.

– Eu sabia que ia gostar. – Murmurou baixinho.

– Meu Deus, você não tem noção de como está meu coração agora. – Riu em desespero. Shawn levantou a cabeça e a encarou.

– Estou sentindo você, dengo. – Garantiu e outro beijo foi trocado.

– E os outros?

– Um é para mim. E você faz se quiser. – Deu de ombros. franziu o cenho em confusão. – Marquei hora com a minha tatuadora, amanhã. Vou tatuar um elefante no lado direito do dedo médio, na mão esquerda. – Confessou.

– E o que significa? – questionou aos sussurros.

– Minha mãe também vai fazer. – Shawn murmurou. – Para Buda o elefante era um simbolismo materno de sabedoria e fertilidade. Encaro isso como uma ligação com ela. – Deu de ombros e o beijou no pescoço.

– Acho incrível. – Confessou.

– Tenho um anel com um elefante para você. E um urso gigantesco. – Sorriu largo.

– Tem como você ser menos incrível e maravilhoso? – Pediu e o cantor sorriu, negando com um aceno de cabeça.

– Pretendo fazê-la se apaixonar por mim todos os dias.

– Para isso acontecer, eu teria que deixar de estar apaixonada por você em algum momento. – Lembrou. – Não acho que vá acontecer.

– Amo você. – Mendes findou o assunto e a beijou mais uma vez.

Passaram mais algum tempo na torre, apreciando a vista enquanto batia fotos. Voltaram para o apartamento do cantor antes da meia noite. tinha o coração quentinho e cheio de amor, mas sua mente não abandonava o assunto da tatuagem. Estava na cama, já de pijama enquanto Shawn secava os cabelos após o banho e vestia uma calça de moletom. manteve seu olhar em cima dele, analisando tudo sobre Shawn, de forma minuciosa. Amando capa parte. Desejando fazer parte da vida dele para o resto de seus dias. E pensando em alguma forma de retratar aquele sentimento que explodia em seu coração. Quando Shawn deitou na cama e a puxou para seus braços, ela finalmente decidiu o que iria fazer.

– Vou tatuar uma rosa. – Murmurou e Shawn assentiu em concordância.

– Posso perguntar por quê?

– Para me lembrar, todos os dias, que preciso cuidar desse amor entre nós para que ele cresça e não morra. – Falou e recebeu um sorriso lindo em resposta.

– A capa do álbum terá uma rosa. Ou várias. – Estalou os lábios. – Ele não vai levar o seu nome, mas vai ser seu. Todo e completamente, . – Suspirou.

o apertou em seu abraço.

– Promete ficar comigo para sempre? – Um sussurro contra a pele de Shawn o arrepiou completamente. Grunhiu em afirmação, movimentando-se no colchão e subindo para cima da garota. Uniu suas mãos e entrelaçou seus dedos nos dela, os olhos não se desviaram das irises de quanto uniu seus lábios e ambos suspiraram em satisfação.

– Promete querer que eu fique para sempre? – Devolveu a pergunta e nenhum deles precisou de palavras para confirmar as promessas. Outro beijo, lento e com gosto de amor.

– Feliz dia de São Valentim, trevo. – sorriu.

– Feliz dia de São Valentim, dengo. – Shawn também sorriu, voltando a beijar a garota e libertando suas mãos para que ela pudesse envolvê-lo em um abraço. E se amaram por toda a madrugada, selando as promessas com o entrelaçar de seus corpos.

Capítulo 16

Take my hand, we’ll be fine
Promise I won’t let you dow

Shawn.
Mantinha o olhar fixo em Karen, analisando as reações da mãe conforme Livia desenhava o elefantinho em seu dedo. Havia deixado a mãe ir primeiro, por insistência dela, mas mantinha-se perto como o filho protetor que era, mesmo sabendo que ela não iria sentir dor. Karen revirou os olhos para Shawn, usando a outra mão para dispensar a preocupação dele e então trocando um olhar impaciente com a tatuadora, que apenas soltou uma risadinha.

– Nem seu pai está surtando desta forma. – Karen murmurou, apontando para Manuel, que ocupava uma poltrona no canto do estúdio e mantinha a atenção no celular. Provavelmente entretido com jogos de enigmas, aos quais ele adorava. – Se acalme. – Torceu os lábios para o filho. Shawn fez uma careta.

– Estou preocupado com o seu bem-estar. – Retrucou.

– Sem necessidade. – Karen voltou a falar e Shawn desistiu, se afastando da cadeira que a mãe ocupava e sentando-se na poltrona ao lado de Manny. Puxou o celular do bolso e então desbloqueou o aparelho, seguindo para o aplicativo do WhatsApp e sorrindo quando leu a última mensagem de , avisando que já estava no Uber. Já faziam 20 minutos e a garota provavelmente estava chegando. Shawn estava digitando uma mensagem para pedir sua localização quando uma chamada de apareceu na tela do celular, fazendo-o sorrir ainda mais largo e levantar em um pulo, seguindo para a porta e então para o lobby do estúdio de tatuagem de Livia Tsang, sua tatuadora e a única pessoa em quem confiava para tatuar sua mãe. Guardou o celular no bolso e seguiu para fora do estúdio, no mesmo momento em que um carro parava na calçada e pulava para fora do veículo. Logo ela estava em seus braços, segura do frio e com a boca dele sobre a sua, em um beijo simples e rápido, mas cheio de carinho. Shawn acariciou a bochecha da brasileira, beijando-a na testa e unindo seus dedos aos dela.

– Como foi no trabalho? – Questionou.

– O de sempre. – Deu de ombros. – Tentei afastar a ideia de me tatuar hoje. – Confessou e o cantor riu. Aquela seria a primeira tatuagem da garota e Shawn nutria ainda mais encanto por ela graças ao significado do desenho que ela havia escolhido.

– Não dói. – Garantiu. – Só arde um pouquinho.

– Eu sei. – respirou fundo. – Também estou nervosa porque seus pais estão aí.

– Eu sei. – Shawn sorriu, usando a mão livre para voltar a acariciar o rosto da namorada. fechou os olhos, inclinando o rosto para o lado e soltando um suspiro satisfeito por causa da carícia. – Eles sentiram a sua falta.

– O jeito como você mente para mim é diferente. – brincou e Shawn riu, beijando-a outra vez na testa e então puxando a garota para dentro do estúdio. Manuel se colocou em pé assim que o casal passou pelas portas, abrindo um largo sorriso e se aproximando para um abraço. , por um instante, não soube o que fazer e apenas encarou o homem com os olhos arregalados, até Shawn apertar a mão dela e lhe transmitir calma. Respirou fundo e então abraçou Manny.

! – O homem exclamou com um sorriso largo. – Está mais bonita a cada dia. – Elogiou e o peito de Shawn inundou de amor quando as bochechas dela ficaram rosadas.

– Obrigada, sr. Mendes. – Soou formal demais e arrancou uma risada de toda família Mendes.

– Não acredito que está com vergonha de nós. – Karen resmungou, lançando um olhar incrédulo para a nora. – Não é porque vocês passaram quase dois meses afastados que deixamos de gostar de você. – Lembrou e abriu um sorriso pequeno para Karen.

– Ainda não me acostumei. – Confessou e Shawn a puxou para seu abraço, enquanto Manuel ria.

– Preciso da minha parceira para treinar o português. – Murmurou, errando algumas palavras. Shawn lançou um olhar nada satisfeito para o pai e sorriu exultante.

– Você só precisa praticar um pouco mais. – A garota garantiu e o cantor direcionou o olhar torto para ela, que lhe atirou um beijo antes de recostar o rosto contra o peito dele. Se aproximaram de Karen e elas trocaram um abraço rápido, enquanto Livia pausava a tatuagem – que já estava quase no fim – para se apresentar para a famosa , de quem Shawn não parava de falar nunca, segundo suas próprias palavras.

– Oi. – A tatuadora sorriu. – Livia. – Estendeu a mão. – Tatuo esse garoto quando ele resolve que não tem mais nada para fazer além de riscar a pele. – Eles riram e apertou a mão da mulher com energia.

– E faz um trabalho incrível. – Elogiou. – , mas é muito mais fácil.

– Eu já sei pronunciar. – Livia informou, lançando um olhar para Shawn, cujas bochechas já estavam rosadas. – Ele não para de falar de você. – Garantiu e a brasileira sorriu largo.

– Ele tem esse costume. – Disse por fim e Mendes a beijou no topo da cabeça. Livia voltou a se sentar, para terminar a tatuagem de Karen e ocupou a poltrona ao lado de Manuel, iniciando uma conversa em português com o homem, enquanto Shawn a observava e esperava sua vez para a tatuagem.

– Vai fazer só o elefantinho? – Livia questionou, a voz abafada por causa da máscara.

– Sim. – Shawn suspirou. – Não tenho mais nenhuma ideia. – Deu de ombros. Sentou na cadeira ao lado da mãe e segurou sua mão. Karen sorriu para ele.

– Isso é realmente um milagre. – Livia riu. – Dá última vez em que veio aqui, tinha muitas ideias e Andrew não estava interessado em aceitar todas elas.

– Andrew gosta muito de estragar a minha felicidade. – Shawn torceu os lábios. – Mas eu me arrependeria daquelas tatuagens, então foi uma decisão sábia. – Riu.

– Sua namorada já se tatuou alguma vez? – Questionou a profissional.

– Não.

– É uma honra que confie em mim para isso também. – Livia sorriu por fim, terminando a tatuagem de Karen após alguns minutos. Fez suas recomendações de segurança e então enrolou o desenho com papel filme, levando alguns instantes para ajeitar o local de trabalho antes de chamar Shawn. E enquanto o cantor era tatuado, e seus pais conversavam animadamente sobre comidas veganas, sobre o trabalho de e sobre Aaliyah – e Shawn não entendia o que poderia haver de interessante a respeito da irmã, que era uma pentelha, em sua opinião.

Sua tatuagem não demorou quase nada e quando estava se acostumando com as fisgadas na pele, havia acabado. Abraçou Karen quando Livia o liberou, beijando a mãe no topo da cabeça e então segurando a mão dela para comparar as tatuagens.

– Gostou? – Ele questionou com carinho.

– Claro que sim. – Karen sorriu para ele. Livia chamou e a garota tomou fôlego, recebendo palavras de encorajamento de Karen e Manuel. Seguiu com Shawn para a cadeira reclinável e ele sentou ao seu lado. iria tatuar a rosa no pulso do braço esquerdo. O desenho não era grande, mas torceu os lábios de qualquer forma, franzindo o cenho quando sentia as fisgadas em sua pele. Shawn não soltou sua mão, brincando com a pulseira em seu pulso – aquela que ele havia lhe dado de presente de Natal – e conversou com ela durante o tempo todo, querendo distraí-la. Quando Livia terminou, ela abriu um largo sorriso.

– Ficou incrível. – Elogiou e Livia sorriu em agradecimento. – Muito obrigada.

– Quando quiser a segunda, estarei aqui. – Piscou para a brasileira. encarou Shawn e seus olhos brilhavam.

– Minha garota corajosa. – A beijou na testa.

– But I got you this rose, and I need to know… – Sussurrou, apenas para que Shawn escutasse. O cantor abriu um sorriso tão largo que causou um suspiro na garota.

– Vou deixar crescer. – Garantiu e a beijou nos lábios rapidamente, o peito explodindo de amor e carinho.

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Haviam desembarcado em Londres no início da manhã. havia dormido durante toda a viagem, já que estava cansada da semana de trabalho. Shawn a segurou com carinho durante parte do trajeto, até acabar dormindo e perder a consciência. Quando acordaram, o avião já estava sobrevoando a Inglaterra e a animação de não deixava qualquer indício de que ela havia dormido naquela noite. Seus olhos brilhantes e o sorriso largo enquanto se inclinava para a janela causaram um turbilhão de emoções no peito do cantor e quando ela o beijou, ele quis imediatamente estar a sós com ela e sentiu aquilo na forma como Shawn a segurava pelo pescoço e a forma como movia seus lábios sobre os dela. Era amor, puro e completamente.

– Vamos tomar café aqui no hotel ou prefere comer em algum outro lugar? – O cantor questionou. Estava jogado na cama do quarto onde passariam os próximos três dias, enquanto se trocava – Londres estava fria, mas não tão fria quanto Toronto e aquilo era um milagre – para que pudessem sair e seguir o roteiro turístico que ela havia preparado no dia anterior.

– Você quem sabe. – A garota deu de ombros. Passou outro blusão pela cabeça e então se aproximou da cama, deitando ao lado de Shawn e se aninhando em seus braços, que prontamente a acolheram de forma carinhosa. – Você quem conhece a cidade.

– Você quem planejou nosso roteiro. – Retrucou e deu de língua para ele. – E você nem me explicou direito. Só começou a falar e falar e falar… – Suspirou fingindo cansaço e mordeu o dedo que Shawn mantinha acariciando sua bochecha, arrancando uma risada incrédula do cantor. – Você não era abusada assim. – Arqueou as sobrancelhas para ele.

– E você não era engraçadinho desse jeito. – Retrucou e por fim os dois caíram na risada. – De qualquer forma, planejei nossa visita em duas partes. – Murmurou.

– Antes do almoço e depois do almoço. – Shawn constatou e quando a garota não negou, ele riu com gosto. – Eu amo tanto você. – Suspirou, se virando para ela e a abraçando com ainda mais força, escondendo o rosto na curva do pescoço da brasileira e deixando um beijo em sua pele. passou a brincar com seus cabelos, sem conseguir conter o sorriso gigante em seus lábios.

– Refeições são importantes. – Disse por fim e Shawn concordou com um resmungo. – A comida daqui é realmente esquisita? – Questionou com preocupação e Shawn riu.

– Não exatamente. – Comentou. – A fama é bem maior do que a realidade. Eles comem coisas esquisitas como em qualquer lugar do mundo. Fora a China. – Shawn torceu os lábios.

– A China nem entra nessa questão. – concordou.

– Mas como você não está comendo carne, as opções não ficam tão grandes. Os pratos típicos ingleses vão carne. Linguiça, salsicha, peixe… eles gostam bastante.

– Eu me recuso a comer feijão no café da manhã. – foi firme e Shawn estalou seus lábios nos dela antes de romper o abraço e se colocar de pé, segurando as mãos da namorada em uma tentativa de fazê-la sair da cama. – Falo sério. – Ela disse, aceitando o toque do namorado e parando em pé ao seu lado. Colocou alguns objetos importantes na mochila e então entrelaçou suas mãos,

– Tudo bem. – Sorriu. – Podemos encontrar algo menos esquisito do que feijão no café da manhã. – Garantiu. Guardou o celular no bolso e seguiram para a porta. Shawn trancou o quarto e guardou o cartão de acesso na mochila de e ela logo sentiu o braço dele em seus ombros, lhe dando a brecha para deitar a cabeça contra o corpo do canadense. – E para onde vamos, afinal?

– Vamos visitar a Torre e a Ponte de Londres primeiro. Tracei nossas visitas em sentido anti-horário para a nascente do Tâmisa. – Explicou e recebeu o olhar confuso de Shawn. riu baixinho e eles entraram no elevador.

– Eu não entendi nada, . – O cantor replicou.

– O Tâmisa nasce em na região de Cotswolds, a Oeste de Londres. E segue o curso até desaguar no Mar do Norte, a Este. Vamos seguir o sentido oposto do rio. – O encarou e observou a careta de Shawn se desfazer e então ele sorrir largamente, beijando-a no rosto em seguida.

– Meu Deus, você é incrível. – Exclamou e gargalhou.

– Eu amo a Inglaterra desde que era criança. Por causa de Harry Potter. – Sorriu. – Todos meus trabalhos de Geografia eram sobre a Inglaterra, então eu sei muita coisa. A maioria é inútil. – Revirou os olhos.

– Conhecimento nunca é inútil. – Mendes retrucou e o amou um pouco mais por aquilo. – Por que não escolheu a Inglaterra ao invés do Canadá? – Questionou com interesse. – Eu sempre soube do seu amor pelo país, mas a pergunta só me surgiu agora. – A encarou. As portas do elevador se abriram e então Shawn desfez o abraço, unindo seus dedos aos de e rumando para a saída do hotel.

– O custo de vida é muito mais alto. – disse. – E eu só fui para Toronto porque tinha uma oferta de emprego. Sem isso, teria continuado no Brasil.

– Só a possibilidade já me deixa nervoso. – O cantor admitiu e apertou seus dedos contra os dele. – Olha o que você fez comigo, dengo. Não consigo mais imaginar uma vida sem você. – A encarou com muito carinho.

– Nunca me verá reclamando disso. – Se esticou e o beijou rapidamente. puxou o celular do bolso e então acessou seu roteiro turístico. O hotel onde estavam hospedados era perto da Torre de Londres e eles poderiam ir caminhando. Iriam parar no caminho para comer alguma coisa antes de realmente iniciarem o roteiro turístico.

– Então, Torre e Ponte de Londres… – Deixou no ar para que a garota continuasse sua explicação.

– Palácio de Buckingham. – estalou os lábios. – Então almoçamos e seguimos para a Westminster Bridge. Tem um observatório que eu quero visitar. Então iremos ao Palácio de Westminster, o Big Ben é do lado, então faz parte do caminho. E por fim, a London Eye.

– Eu não visitei nem metade disso quando vim a Londres. – Shawn riu.

– Do que adianta viajar o mundo se você não o aproveita? – questionou, sua atenção focada nas construções pelas quais passavam. Londres era exatamente do jeito que ela sempre havia imaginado – e visitado pelo Google Earth e cada pedacinho daquela cidade tinha todo seu amor e carinho. Interrompeu a fala de Shawn quando a primeira cabine telefônica vermelha entrou em seu campo de visão quando dobraram a rua. Ouviu a risada de Shawn, mas já estava com o celular na mão e iniciava uma chamada de vídeo para . Não havia parado para pensar que estava horas a frente e quando a prima apareceu na tela do celular – com o rosto inchado e os olhos pequenos de sono -, se deu conta de que no Brasil ainda era madrugada. – Me perdoa, mas tu disseste que eu precisava te mostrar! – Murmurou rapidamente, logo virando a tela do celular para a cabine de telefone e ouvindo o grito de .

– Ai meu Deus! – A prima berrou. – A cabine do Harry Potter!

– Teoricamente é de Londres. – retrucou e levantou a mão livre em rendição quando o olhar feio de lhe encontrou. Shawn finalmente alcançou e ela lhe lançou um olhar culpado, que o garoto logo dispensou com um aceno. Amava vê-la feliz daquela forma.

– Iremos juntas na próxima vez! declarou. – Oi Shawn! – Sorriu para o cantor.

– Oi . Como está?

– Com sono. – Confessou e sentiu-se culpada. – Então vou voltar a dormir enquanto vocês aproveitam Londres por mim. – Bocejou ao final da frase.

– Bons sonhos. – Shawn desejou e atirou um beijo para a prima, que fingiu pegar na mão e o guardar no coração. encerrou a chamada com uma risada e então Shawn a puxou para um abraço, que ela logo rompeu. Afinal, tinham muita coisa para visitar e todo segundo era precioso.

🎸🍀📷

Shawn.
Haviam decidido não jantar fora naquela noite. A chuva havia começado quando eles ainda estavam na rua – mais precisamente, dando a volta na London Eye – e nenhum deles parecia inclinado para a ideia de sair novamente. Estavam molhados dos pés à cabeça quando voltaram para o quarto e Shawn murmurou que poderia ir primeiro, recebendo uma recusa clara quando a garota deixou a mochila em cima da cama e o puxou para o banheiro com ela. Ela não queria que ele arriscasse ficar doente, murmurou, mas aquela desculpa não colava com Shawn, de forma que o banho deles demorou muito mais do que o previsto.

Vestiu um conjunto de moletom quando se sentou a cama, secando os cabelos com a toalha enquanto punha o celular para carregar. Observou a garota responder algumas mensagens e então pendurou a toalha no banheiro, voltando ao quarto e encontrando a namorada jogada na cama com um sorriso largo no rosto. Se aproximou dela, deitando do lado contrário para que pudesse observá-la completamente. sorriu e virou o celular em sua direção, mostrando uma foto de Anna e a barriga enorme onde Robert estava crescendo.

– Ela está perguntando se iremos a festa de aniversário dela. – murmurou. – Eu já tinha comprado as minhas passagens. – Lançou um olhar para Shawn. – Então não sei se conseguiremos ir no mesmo voo. – Mordeu o lábio inferior por causa da frustração.

– Eu dou um jeito. – Shawn garantiu e a garota revirou os olhos.

– Burguês safado. – Xingou, arrancando uma risada dele. – Vamos jantar o quê? – Mudou de assunto. – Por favor, não diga pizza. – Torceu os lábios.

– Não faço ideia. – Mendes riu. – Não aguento mais pizza. – Concordou.

– Podemos pedir para a recepção. – sugeriu. – Mas não estou com tanta fome agora. – Deu de ombros. Havia provado Bubble and Squeak – uma massa feita de batata e vegetais, cortada em rodelas e fritas – e tomado chá antes de subirem na London Eye e aquilo não fazia nem duas horas, então era normal que ainda não estivessem com fome.

– Você comeu seis daquelas rodelas. – Shawn murmurou e lhe estirou a língua.

– Não é educado contar quanto de comida a sua namorada come. – Retrucou e o cantor riu.

– Desde quando? – Franziu o cenho para ela.

– Desde agora. – Decidiu, voltando a atenção para o celular. Manteve o sorriso no rosto, enquanto observava , o coração cheio de amor por todos os trejeitos da garota. A forma como torcia o nariz quando não gostava de algo que lia, ou como um sorriso surgia no canto de seus lábios quando a leitura a agradava. Também arregalava os olhos de vez em quando e mesmo entretida com o aparelho, sorriu largo quando a mão de Shawn tomou conta de sua coxa e passou a acariciar sua pele por cima da roupa. O barulho da chuva conta a janela preenchia o ambiente e Shawn sentia o cansaço do dia ir lhe preenchendo aos poucos. – Você vai acabar dormindo. – murmurou, estalando os lábios, com o olhar atento sobre o rosto de Shawn.

– Sua presença me acalma. Por isso é fácil dormir. – Sussurrou. – Não dormi bem em todos os dias em que estive em Nova Iorque. – Confessou e o olhar pesaroso da garota caiu sobre si. guardou o celular e então se moveu na cama, de forma a ficar na mesma posição que Shawn.

– Desculpe. – Sussurrou.

– A culpa não é sua, dengo. Sabe disso. – Soprou contra o rosto dela, tomando sua bochecha em uma carícia preguiçosa.

– Não diminui a minha culpa. – Suspirou. – O que você quer fazer agora? – Questionou. – Passou o dia me seguindo e fazendo o que eu queria. – Falou. – Me diga o que quer fazer e nós faremos, mesmo que seja louco. Ou idiota. – Franziu a testa e Shawn riu. A puxou para seu abraço e estava pronto para dizer que gostaria apenas de ficar ali com ela, quando uma ideia louca passou por sua mente. Louca e idiota, do jeito que havia definido.

– Vamos tomar banho de piscina. – Decidiu e a garota o encarou de forma surpresa. – Louca e idiota. – Repetiu e por fim ela riu, assentindo em concordância e pulando para fora da cama. Correu para o banheiro em busca de dois roupões em seguida ela e Shawn estavam no elevador.

A área da piscina estava vazia – tanto pela chuva como frio que fazia, mesmo que as águas fossem aquecidas durante o inverno – e logo Shawn estava puxando a camiseta para fora do corpo, enquanto ria e tirava as próprias roupas. Ele a observou dobrar as peças e colocar em cima de uma das espreguiçadeiras, antes de puxar o fôlego para os pulmões e correr para a piscina, pulando dentro da água no meio de uma respiração do cantor. Shawn riu sozinho, jogando as roupas na mesma cadeira onde havia deixado as dela e correndo para a piscina em seguida, caindo na água após prender a respiração. Mergulhou, voltando para a superfície em seguida. não sabia nadar, ele tinha plena consciência daquilo e quando procurou a garota a sua volta, encontrou-a com a mão na borda da piscina para se manter segura. Passou a mão pelos cabelos, para afastar a água do rosto e então sorriu para ela. Os cabelos de estavam grudados em suas costas e os olhos dela, sempre tão brilhantes, o encaravam com atenção. Ela não sairia dali até que Shawn fosse buscá-la e o coração dele derreteu completamente ao constatar aquilo.

– Vem, dengo. – Chamou, estendendo a mão para ela enquanto se movia para perto. – Vou manter você segura e longe de qualquer afogamento. – Garantiu e a garota lhe estirou a língua, unindo seus dedos aos de Shawn o deixando guiá-la pelas águas. – Posso ensinar você a nadar. – Sugeriu e ela torceu os lábios.

– Prefiro ficar agarrada em você. – Retrucou e Mendes gargalhou. o segurou no braço e o usou de apoio para dar a volta no corpo de Shawn e se prender às suas costas, enlaçando a cintura do cantor com as pernas e o abraçando pelo pescoço. – Vejo muitos benefícios. – O beijou na nuca e Shawn riu outra vez.

– Eu não vou reclamar, de qualquer forma. – Disse por fim, segurando as mãos dela e então começando a dar passar em direção a área descoberta da piscina. Sentiu a chuva em sua pele, virando o rosto para e seus olhos brilharam quando percebeu que ela estava de olhos fechados, aproveitando a chuva e respirando com tranquilidade. Se agarrou mais contra o corpo dele e Mendes beijou a ponta de seu nariz, fazendo com que ela abrisse os olhos e sorrisse para ele.

– Sempre gostei da chuva. – Comentou. – Sempre me trouxe tranquilidade. E acredito que devamos parar e apreciar os dias chuvosos ao invés de apenas reclamar do transtorno que isso nos causa. É terrível andar de guarda chuva e o trânsito fica infernal em quase todos os lugares do mundo, – Estava tagarelando e o cantor amava quando ela fazia aquilo. – Mas o que seria de nós sem chuva? Precisamos disso. – Suspirou. – Mesmo que às vezes muita chuva acabe prejudicando muitas pessoas. Mas quando é assim, inofensiva… deveríamos aproveitar. – Deu de ombros por fim.

Shawn a encarou por longos minutos, transbordando amor por aquela garota agarrada às suas costas para evitar se afogar. A segurou com cuidado e moveu para sua frente, abraçando-a pela cintura e então encostando sua testa contra a dela. Mantinha o olhar fixo em e ela o observava com curiosidade. E amor, porque o amor sempre estava ali.

– I can’t stop the rain from falling, can’t stop my heart from calling you… it’s calling you. – Cantarolou e o sorriso nos lábios de se tornou tão grande que os olhos dela quase sumiram.

– Está mesmo cantando Jonas Brothers para mim? – Questionou em um fiapo de voz.

– But I’ll be there forever, you will see that it’s better, all our hopes and our dreams will come true. – Continuou cantando e se agarrou ainda mais contra seu corpo, enquanto o cantor se movia na água como se eles estivessem dançando. – I will not disappoint you, I will be right there for you, ‘til the end, the end of time… please be mine.

– Eu amo você. – Sussurrou por fim, unindo seus lábios enquanto seus corações batiam no mesmo ritmo. Sincronizados no mesmo compasso e interligados por aquele amor que crescia um pouco mais todos os dias.

I can’t see one thing wrong
Between the both of us

.
O clima chuvoso não foi um impedimento para a animação de para os passeios daquele domingo. Acordou Shawn cedo – muito mais cedo do que ele esperava, mas não reclamou ou sequer fez cara feia e o amou um pouco mais por conta daquilo -, e após tomarem banho e fazerem sua higiene diária, decidiram tomar café no hotel antes de iniciarem os passeios do dia. Shawn sugeriu que eles utilizassem o metrô, mas o mundo já sabia que eles estavam em Londres – e aquilo não era um problema para nenhuma deles, já que não estavam se escondendo – e não achava seguro atravessar parte da cidade utilizando o transporte público, mesmo que fossem utilizá-lo em alguns momentos para se locomover entre os pontos turísticos. Acabaram optando por utilizar Uber naquele dia e após terminarem de comer e Shawn confirmar que um carro os estava esperando, o casal deixou o hotel e se acomodou no carro que seguia em direção a Estação King’s Cross. Como bons fãs de Harry Potter, eles jamais deixariam de fazer aquela visita.

– E para onde vamos agora? – Shawn questionou, assim que terminou de tirar todas as fotos que queria da estação. Ele tinha o braço em torno dos ombros de , que mantinha a mão esquerda erguida para que seus dedos permanecessem entrelaçados.

– Hogwarts. – A garota brincou, abrindo um largo sorriso, fazendo o garoto soltar uma risada e checar as horas no relógio de pulso.

– São 9h da manhã. Nosso trem sai às 11h. – Entrou na brincadeira e se esticou para alcançar o queixo de Shawn com os lábios.

– Vamos visitar o museu de cera Madame Tussauds, então. – Deu de ombros, como se aquilo não estivesse em seu planejamento. – E depois, o Museu Britânico.

– Eu sempre quis ir e nunca consegui. – O cantor torceu os lábios em descontentamento.

– Talvez você deva agradecer a sua linda e inteligente namorada que monta roteiros turísticos como ninguém. – piscou para o cantor e Mendes apertou seus dedos contra os dela. O guiou para a linha de trem que deveriam pegar para descer perto do museu, já que seria muito mais fácil do que chamar um Uber ou tentar um táxi. Shawn abriu a mochila de e tirou o boné preto de dentro, colocando na cabeça para evitar ser reconhecido tão imediatamente. Mesmo que não fizesse qualquer diferente. Ele continuava sendo um astro do pop, mas usando um boné.

– Quero contratar você. – Mendes murmurou. – Durante a turnê.

– Você já tem o Josiah. – Ela o lembrou. – Não precisa de mais um fotógrafo.

– Acredito que esteja errada – Shawn estalou os lábios. – Ainda estamos decidindo muitas coisas, mas a turnê vai ser gigantesca. Andrew acredita que faremos um modelo apenas para estádios. – Contou.

– Sem casas de show menores? – arregalou os olhos.

– A demanda está muito grande. – O cantor abriu um sorriso orgulhoso. – Ninguém na equipe acha que uma casa de show pequena suportaria, a menos que fizéssemos três shows por cidade.

– Iria levar muito tempo para finalizar a turnê.

– Exatamente. – Assentiu. – Será muito mais fácil montar uma agenda para um ano inteiro, mas para arenas e estádios.

– E mais seguro para a sua saúde. – o encarou com preocupação. – Eu sei que você tem a melhor equipe médica, mas ainda sim, uma turnê mundial em apenas um ano é muita coisa, trevo. Vai exigir muito de você.

– Vou me cuidar, eu prometo. – Sorriu e a beijou na testa. Entraram no trem poucos minutos depois e apesar de sentirem os olhares em cima deles, Shawn não foi parado em nenhum momento. – Mas falo sério sobre contratar você. – Retomou o assunto e acabou sorrindo. – Não quero passar um ano longe de você, dengo. – Ele a abraçou com ainda mais força, sem tirar a mão do puxador que os mantinha seguros dentro do metrô. estava agarrada a cintura de Shawn para se manter em pé, a cabeça deitada contra o peito dele.

– Você tem férias entre um continente e outro, não tenta me enrolar garoto. – Estreitou o olhar para ele e Shawn riu.

A visita ao Madame Tussauds levou metade da manhã deles, já que os dois ficaram extremamente animados com o passeio. Tiraram muitas fotos, com diversos personagens e celebridades. A família real britânica, os personagens da Marvel favoritos de – o Homem-Aranha estava exposto de cabeça para baixo, pendurado no teto, e Shawn registrou o momento onde tentava alcançar o super-herói e falhava miseravelmente por ser baixa demais -, atores e personagens famosos de filmes, ícones da cultura mundial e muitos artistas do mundo da música. tirou uma foto ao lado de Ed Sheeran e Shawn enviou para o amigo, brincando com a legenda ao afirmar que ele finalmente havia conhecido sua inspiração para Fallin’ All In You.

– Estou esperando o dia em que esse museu vai ter uma estátua de cera sua. – estalou os lábios, enquanto esperavam pelo Uber que os levaria ao Museu Britânico. Estavam escorados contra um carro, abraçados e com o olhar fixo no trajeto que o carro fazia no mapa do aplicativo.

– Por que você quer uma estátua se você tem o Shawn verdadeiro disponível? – O cantor franziu o cenho para a namorada, que abriu um sorriso arteiro.

– Porque a estátua não fala e não faz gracinhas. – Deu de língua para ele, que gargalhou alto. – E não fica me atentando com uma oferta de emprego.

– Eu apenas ofereci. – Shawn deu de ombros, sem qualquer resquício de culpa. – Agora resta saber se você vai aceitar ou se vai deixar o seu namorado sofrendo com a distância.

– Catherine também me ofereceu emprego, sabia? – encarou Shawn com diversão quando ele torceu os lábios.

– Ela quer me roubar você por todo 2018. – Reclamou.

– E você me quer por 2019. Acho que é o destino. – Deu de ombros e Shawn negou com um aceno de cabeça.

– Quero você por todos os anos, dengo. Não apenas por 2019.

– Vou roubar o emprego do Brian e virar sua entregadora de água. – Brincou e Shawn gargalhou.

– Brian cuida das câmeras que levam imagem para os telões. – Explicou.

– E por que ele nunca falou? – A garota questionou surpresa.

– Ele sabe que vai ser zoado porque o trabalho dele é ficar olhando para a minha cara. – Deu de ombros.

– Milhares de garotas ao redor do mundo gostariam desse trabalho. – murmurou, virando o rosto para Shawn e recebendo um sorriso largo em resposta. Voltou a atenção para o celular do garoto, arregalando os olhos quando uma notificação surgiu na tela.

– Ed. – Shawn riu. – Enviei a sua foto com o Ed de cera no museu. – O cantor explicou. Abriu a mensagem do amigo e após ler o conteúdo, virou os olhos para com um sorriso frouxo. – Ed Sheeran quer conhecer você.

soltou um gritinho, se afastando do carro enquanto andava de um lado para o outro de forma nervosa.

– Ai meu Deus do céu! – Murmurou para si mesma, enquanto Shawn ria de sua reação. – Ed Sheeran! – Conteve o gritinho animado e encarou o cantor com os olhos brilhando. – Eu estarei realizando o sonho de toda mulher que ama músicos que cantam sobre amor e corações partidos. – Disse por fim e Shawn puxou para seus braços, a beijando na testa e a encarando com expectativa.

– Isso é uma confirmação para o jantar?

– Em que mundo você acredita que eu recusaria jantar com Ed Sheeran? – Ela revirou os olhos e recebeu outro beijo na testa.

– Você é esquisita. – Mendes retrucou. – E acho que nosso carro chegou. – Moveu o olhar do celular para a placa do carro que havia estacionado poucos metros à frente.

– Salvo pela visita ao Museu Britânico. – estreitou o olhar para o canadense, enquanto ele murmurava que ela era linda e eles seguiam para o carro de mãos dadas.

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Shawn.
estava notavelmente nervosa. Não que Shawn não conseguisse identificar quando ela estava nervosa e tentava fingir que não – ela era péssima em esconder qualquer reação, principalmente dele, que a conhecia como a palma da mão -, mas observar a garota andar de um lado para o outro do quarto, sem decidir o que vestir e resmungando sozinha, era um pouco agoniante.

Dengo, ele realmente não vai ligar se você estiver usando jeans e camiseta. – Murmurou, não apenas para tranquilizar a garota, mas também porque aquela era a verdade. Ed se vestia de forma simples em grande parte do tempo e o próprio Shawn estava completamente normal com uma jaqueta, camiseta e calça escura. Havia optado por um tênis naquela noite, fato observado por , que fotografou o momento para guardar aquela “recordação milagrosa”, mesmo que ele tivesse passado o dia inteiro de tênis. Tinham visitado o Hyde Park, os Jardins de Kensington, o Museu de História Natural e por fim, o Observatório Real de Greenwich, já que segundo , era um crime eles estarem em um dos sete países atravessados pelo meridiano de Greenwich e não tirarem um tempo para observar aquilo.

– Não é porque ninguém se importa, que eu preciso ir vestida de qualquer jeito. – retrucou. Usava um blusão de lã azul escuro e calça jeans. Nos pés, uma bota com um salto baixinho. Suspirou, o cenho franzido em indecisão. Shawn se levantou da cama, seguindo até a namorada e abraçando pelas costas. Completou o reflexo dela no espelho, pousando o queixo em seu ombro e sorrindo para a imagem deles juntos. era muito menor que ele, mas Shawn amava a forma como pareciam encaixar perfeitamente juntos. Mesmo que talvez fosse sua mente apaixonada lhe dando aquela sensação.

– Você está linda. – Elogiou. – De verdade. – A encarou pelo reflexo no espelho, deixando sua sinceridade transparecer em seu olhar. abriu um pequeno sorriso para o namorado, assentindo com a cabeça em seguida.

– Estou confortável com essa roupa. – Murmurou.

– Isso é importante. – Outro sorriso e ele desfez o abraço, enquanto vestia o casaco preto. Guardou os itens importantes na mochila e então estendeu a mão para Shawn, para que eles pudessem sair. Pediram um táxi até o restaurante onde haviam marcado o jantar com Ed e a viagem não demorou vinte minutos, fato que poderia ser culpa do frio e da chuva que caíra no final da tarde.

pulou para fora do carro assim que o táxi estacionou, arrancando uma risadinha de Shawn. Pagou pela corrida e então seguiu até a namorada, entrelaçando seus dedos e recebendo um sorriso ansioso em retorno. Ajeitou os fios de cabelo dela que estavam fora do lugar e então elevou suas mãos, beijando os dedos da garota e recebendo um beijo no rosto após se inclinar para ele.

– Pronta para conhecer mais um amigo muito querido?

– Pronta para conhecer um dos maiores cantores da atualidade. – Corrigiu e Mendes riu baixinho. Seguiram para dentro do restaurante e após dar seu nome na recepção, foram guiados para a mesa que Ed havia reservado. Havia feito questão de escolher um restaurante vegano para que pudesse comer livremente e Ed achava a escolha peculiar, mas havia ficado animado para provar um estilo culinário diferente.

Colocou os olhos no amigo muito antes de , que só faltava dar pulinhos ao seu lado e lhe arrancava risadinhas. ansiosa era uma das coisas mais fofas e mais adoráveis do mundo, em sua opinião. Ed acenou para Shawn assim que o viu e o cantor observou prender a respiração conforme eles se aproximavam da mesa ocupada por Sheeran. Ed se levantou e puxou Shawn para um abraço apertado assim que o canadense estava a seu alcance, enquanto se mantinha de olhos arregalados e o coração acelerado.

– Como você está, garoto? Não nos falamos há tanto tempo! – Torceu os lábios e Mendes riu fraco.

– Foram meses ocupados e complicados. – Se desculpou.

– Ouvi falar. – Ed murmurou, focando então a atenção na brasileira. Shawn deu um passo para trás e segurou pelos ombros, sorrindo para o amigo enquanto a namorada parecia nem respirar.

– Ed, essa é a famosa . Já ouviu falar dela. – Acabou rindo. Havia sido a primeira pessoa com quem Shawn conversou a respeito da chegada inesperada de em sua vida.

– A musa inspiradora de Fallin’ All In You. – Ed sorriu largo, estendendo a mão em direção a em forma de cumprimento. A garota abriu um sorriso pequeno e devolveu o gesto. Shawn ainda a sentia tensa, mas sabia que era apenas o tempo de se acostumar com Ed, nem que fosse apenas um pouco. – É um prazer finalmente conhecer você, . – Enrolou um pouco na pronúncia, mas sorriu largo de qualquer forma. E Shawn a acompanhou. Ocuparam os lugares em frente a Ed e após fazerem seus pedidos – com auxiliando os dois sobre os alimentos que ela já conhecia -, eles finalmente tiveram privacidade para conversar.

– Eu realmente estou surtando. – A brasileira comentou e os dois cantores riram. – Devo ser a pessoa melhor acompanhada no dia de hoje.

– Em algum lugar do mundo, ouvi o choro da Camila. – Ed brincou.

– Não posso encontrar muitos artistas de uma vez. – comentou. – Eu quase morri no AMA’s.

– Ela é louca pela Selena. – Shawn indicou a namorada com a mão.

– Quem somos nós para julgar? – Ed deu de ombros. – Claramente a opinião de uma pessoa sensata. – Eles riram.

– Trabalhando em algo novo? – Shawn questionou.

– Apenas de férias entre um continente e outro da turnê. – Comentou. – Pretendo lançar algo novo apenas no ano que vem.

– Tenho chances nas premiações. – Shawn fingiu um suspiro aliviado e Ed revirou os olhos, se voltando para .

– Como você aguenta esse drama?

– Eu realmente não sei. – A garota implicou e Shawn deu de língua para ela.

– E o álbum? – Sheeran questionou com interesse. – Ela já ouviu? – Sorriu.

– Ainda não. – Mendes negou com um aceno de cabeça.

– Nem Fallin’ All In You? – Arqueou as sobrancelhas.

– Apenas uns pedaços. – Shawn deu de ombros. – Anna me mata se eu mostrar tudo antes do tempo.

– Ela e Harry continuam separados? – Ed tinha um olhar cabisbaixo e Shawn assentiu, soltando um suspiro em seguida.

– Sim. Vamos ao aniversário dela, na próxima semana. Não sei se Harry vai.

– Acredito que sim. Ele seria um bundão de não fosse. – xingou.

– Preciso concordar. – Ed riu. – Shawn disse que você é fotógrafa. – Murmurou e a garota sorriu largo.

– Sim.

– E ele já tentou contratar você?

– Todos os dias. – A brasileira cantarolou e Mendes riu com gosto, a abraçando pelo pescoço.

– Ela disse que prefere viajar com a Catherine. – Fingiu uma expressão ofendida.

– Cat é muito mais bonita, eu não posso tirar a razão da . – Sheeran retrucou.

– Eu não disse isso! – semicerrou o olhar para o namorado. – Disse que poderia trabalhar com ela esse ano e com você no próximo.

– Sua turnê vai ser apenas no ano que vem? – Ed parecia confuso. – Por quê?

– Vamos montar uma turnê apenas para estádios e arenas. – O cantor explicou. – Temos muito o que organizar e planejar. Será uma estrutura muito grande. – Deu de ombros. – E Andrew montou uma mini turnê de divulgação do álbum que vai levar quase o ano inteiro.

– Isso é grande, garoto. – Ed sorriu. – Fico feliz que esteja alcançando voos tão altos. Você merece. – Falou e Shawn sorriu em agradecimento. – E acredito que mereça uma fotógrafa exclusiva. – Piscou para , que acabou rindo.

– Viu, dengo? Todo mundo acha que você deveria aceitar o emprego. – Mendes encarou a namorada com diversão.

o ignorou de propósito, ganhando um beijo na bochecha e logo Shawn e Ed estavam entretidos falando sobre suas experiências no Brasil e ouvindo os comentários de sobre as formas mais acessíveis para shows no país. Como boa fã brasileira, iria defender até a morte a necessidade de os artistas levarem suas turnês para o Sul e para o Nordeste. E após uma noite muito agradável com Ed, voltaram ao hotel já que o dia seguinte seria o seu último na Inglaterra e Shawn tinha mais uma surpresa para . E tinha certeza de que ela iria surtar completamente.

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Aquilo só podia ser brincadeira. Shawn não poderia estar falando sério e o olhar incrédulo e desesperado que destinou a ele só deixava claro que ela não estava esperando por aquilo, de forma nenhuma.

Pela manhã, havia acordado cedo outra vez. Mas naquele dia, Shawn era o mais animado e instruiu a vestir roupas confortáveis e tênis porque eles iriam andar muito. estranhou, porque não havia planejado nada para aquele dia já que iriam embarcar para Toronto durante a noite. Tomaram café no hotel e logo estavam dentro do Uber e Shawn negar qualquer informação a respeito do que iriam fazer naquele dia apenas deixou completamente nervosa. Até o carro para em frente ao Palace Theatre e Mendes a puxar em direção a um pequeno grupo muito animado de turistas que usavam roupas e acessórios que remetesse a Harry Potter. O que fez arregalar os olhos ao se dar conta do que eles iriam fazer naquele dia. E o sorriso largo de Shawn apenas mostrava o quanto ele também queria fazer aquele passeio, principalmente junto dela.

Afinal, eram dois potterheads que iriam conhecer os locais de filmagem na Londres de Harry Potter com um guia especializado.

– Shawn, pelo amor de Deus, você ainda vai me matar! – A garota chiou, sua voz saindo completamente descontrolada. Abraçou o cantor pela cintura e enfiou o rosto contra o peito dele, enquanto murmurava agradecimentos um atrás do outro. Shawn a envolveu nos braços, beijando o topo de sua cabeça em seguida.

– Eu sempre quis fazer esse tour e nunca tive tempo. – Comentou. – Bom, temos tempo agora. – Sorriu quando ela se afastou para olhar em seu rosto. Se esticou e o beijou nos lábios, puxando-o em direção ao guia que já começava a reunir o grupo.

Mendes entregou seus ingressos e após explicações breves – sobre os lugares que iriam visitar e sobre o tempo que aquele passeio levaria, de duas a três horas -, iniciaram a caminhada. e Shawn iam a frente, tendo os olhos das pessoas sobre eles, mas em todas as vezes em que Shawn fora parado, não ficou nenhum clima estranho. tirava fotos do namorado com os fãs e todos pareciam muito educados com ela, o que era realmente ótimo, mas eles sabiam que não seria daquela forma em todo lugar.

ia comentando com Shawn a respeito dos lugares que iam visitando e eles tiraram muitas fotos, porque segundo a garota, Shawn estava melhorando muito suas habilidades como fotógrafo e precisava praticar. Mesmo que aquilo o fizesse roubar a câmera da garota constantemente. No total, o passeio passava por dezessete pontos importantes utilizados para as filmagens de Harry Potter, tais como o Beco Diagonal, o Banco de Gringotes, a Travessa do Tranco, a plataforma 9 ¾ na Estação de King’s Cross, a loja oficial de Harry Potter que vendia os produtos oficiais da Warner Bros., a Millennium Bridge que aparecia no sexto filme da saga na cena icônica onde os Comensais da Morte derrubaram a ponte e diversos outros locais que e Shawn não deixaram de comentar sobre as cenas gravadas por lá. Para eles, era como um sonho virando realidade ao estarem vendo aquele universo que tanto amavam tão de perto. E quando o passeio foi finalizado e , cansada e faminta, puxou Shawn para um abraço, ele apenas sorriu e disse que eles precisavam almoçar logo para pegarem a estrada, porque o passeio mágico deles ainda não havia terminado. Mas para a sorte de , Mendes não fez suspense a respeito de onde iriam porque sabia que ela teria um surto e lhe entregou os ingressos para a visita aos estúdios da Warner onde o filme também havia sido gravado. E teriam uma hora de viagem de carro até Leavesden, para pegar a tour das 3h da tarde e voltar a tempo de comer alguma coisa, tomar banho e ir para o aeroporto.

Ao do dia, ambos estavam com os pés doloridos e sorrisos enormes no rosto. O passeio pelos estúdios havia sido incrível e eles haviam praticamente vivido Harry Potter em todas as suas cenas. E haviam combinado que voltariam a fazer aquele roteiro turístico no futuro, mesmo que tivessem aproveitado cada pedacinho das visitas como se aquela fosse sua única chance na vida. Estavam em um restaurante no aeroporto, escorados contra a parede de vidro e com pratos de salada a sua frente. havia deitado a cabeça no ombro do namorado desde que haviam chegado ao local e Shawn a abraçava pela cintura enquanto ela lhe dava comida na boca, apenas para mimá-lo por ter sido um namorado tão incrível, nas palavras dela. E cansado como estava, não reclamou por poder se encostar no sofá e mastigar com preguiça a cada garfada que levava em sua direção.

– Eu nunca vou esquecer esse dia. – A garota murmurou baixinho, para que apenas o cantor visse. O restaurante estava cheio e eles já haviam percebido câmeras em sua direção e não queriam que suas conversas acompanhassem suas fotos nos tabloides do dia seguinte.

– Nem eu. – Shawn sorriu, após engolir a comida que estava mastigando. – Foi realmente incrível. Como rever toda a saga de uma vez só.

– Muito melhor. – também sorriu. – Agora quando eu rever os filmes, vou lembrar que estive em cada um daqueles locais e vou chorar de tanta emoção.

– Eu amo ver você feliz assim. – O cantor suspirou, a beijando na testa em seguida. Outra garfada e ele tinha mais brócolis na boca.

– Você precisa parar de me mimar. – estalou os lábios. – Eu vou ficar nojenta desse jeito. – Montou uma expressão fechada e causou risos no canadense.

– Você é fofa demais para parecer metida. – Retrucou.

– Eu realmente espero que você nunca termine comigo. Porque os meus padrões de homem e de relacionamento foram completamente arruinados por você. – Lançou um olhar feio para o garoto. – Você não tem um defeito mesmo, que inferno.

– E eu deveria ter um defeito? – Shawn arqueou as sobrancelhas para ela.

– Sim, para parecer mais real e deixar a briga com todos os outros homens do mundo mais justa. – Suspirou. – Já é uma luta gostar de homem e então você existe e deixa todos os outros para trás porque é perfeito.

– Não precisa se preocupar com isso. – Shawn murmurou. – Vamos estar casados em cinco anos e o “até que a morte os separe” vai ser a nossa maior certeza. – Garantiu. – Já disse que não vejo a minha vida sem você, dengo. – Sorriu para ela, acariciando seu rosto com carinho. – O que a gente tem é tão bom… me faz tão feliz. Eu jamais poderia ser esse Shawn, – Apontou para si mesmo. – O Shawn de verdade, em outro relacionamento. Fora a minha família e os meus amigos, você é a única pessoa que me deixa confortável para ser eu mesmo. – Estar com você é como estar em casa e eu amo você ainda mais por isso. Por me dar liberdade e segurança para ser só eu. Porque você me ama assim.

– Amo. – concordou, os olhos brilhando pela emoção. – Amo com todo meu coração.

– E por causa disso, eu vou continuar mimando você. – A beijou na ponta do nariz. – Porque não faço isso apenas para agradar você. Faço porque quero, porque gosto. Porque dividimos sonhos e expectativas agora. Eu quero viver e ver o mundo ao seu lado, porque você vê tudo de uma forma diferente e essa forma é linda. – Um selinho breve em seus lábios e então se aconchegou em seu abraço.

– Obrigada por me mostrar o seu coração. – Suspirou.

– Obrigado por não fugir de mim. – Um beijo em seus cabelos enquanto o amor compartilhado tomava conta de cada pedacinho deles.

Capítulo 18

Take my hand and show me forever
So never will I ever let you go

Shawn.
– Eu realmente preciso comprar um tênis novo. – Aaliyah murmurou, fazendo Shawn revirar os olhos quando ela segurou sua mão e o arrastou para mais uma loja.
– Não poderia ter comprado em alguma das outras cinco lojas que já visitamos? – Questionou, lançando um olhar feio para a irmã. O estabelecimento não estava cheio, mas as poucas pessoas presentes lhe lançaram olhares assustados e começaram a cochichar. Shawn já estava acostumado com aquilo e realmente não se importava em ouvir seu nome enquanto seguia Aaliyah pela loja.
– Poderia. – Assentiu. – Mas não quis. – Sorriu para ele de maneira inocente.
– Por que eu preciso ser a sua babá mesmo?
– Porque nossos pais precisam passar um tempo juntos, sozinhos. – Repetiu o argumento com o qual havia convencido Shawn a buscá-la em Pickering na manhã daquela quarta-feira, motivo pelo qual ele estava no shopping com a caçula o obrigando a entrar em diversas lojas onde ela não comprava nada. Tinha muitas coisas para resolver com Andrew e Aaliyah estava tomando seu tempo com uma busca inútil por um tênis que ela só iria encontrar na internet, mas que era teimosa e insistente demais para aceitar a opinião de Shawn como verdadeira.
– Se eles mandarem você para um internato, poderão ficar sozinhos com toda a tranquilidade do mundo. – Replicou, sentindo o olhar de Aaliyah lhe fuzilar mas não desviando a atenção do celular. Estava tentando convencer a ir almoçar com eles no shopping, porque já estava com saudades – mesmo que eles tivessem se visto no dia anterior pela manhã – e Aaliyah também queria vê-la. estava usando o frio como desculpa, já que Shawn sabia que ela queria fofocar com a respeito do namoro de Connor, porque aquele havia sido o único assunto das duas garotas durante todo o dia anterior – e Shawn sabia daquilo porque lhe repassava a conversa por mensagens, mesmo que ele não tivesse perguntado nada.
– Você é um idiota. – A garota bufou e Shawn lhe atirou um beijo. Acabou optando por sentar-se em dos sofás localizados na área central da loja enquanto Aaliyah procurava pelo tênis. Desafrouxou o nó do cachecol e voltou a atenção para o celular outra vez.
Dengo
Está me chamando de fofoqueira? 11:15 am

Sim 11:15 am
Você e 11:15 am

Dengo
Isso é uma calunia! 11:15 am
mandou você a merda 11:15 am
E retirou o convite para o jantar na sexta-feira 11:15 am

Ela não pode retirar um convite que já foi feito 11:16 am
E o jantar vai ser na minha casa 11:16 am
Como eu seria excluído disso? 11:16 am

Dengo
Não tenho nada a ver com isso 11:16 am

Shawn sorriu, imaginando a namorada estalando os lábios e arregalando os olhos de forma dramática.
Dengo
Vou chamar um Uber 11:16 am
Mas você vai me trazer de volta depois! 11:16 am

Faço qualquer coisa por você 11:16 am

Dengo
Chego logo 11:16 am

Vou obrigar Aaliyah a desistir desse tênis idiota 11:17 am
Encontro você na praça de alimentação 11:17 am

Dengo
Tudo bem 11:17 am

O cantor bloqueou o celular e guardou o objeto no bolso. Se colocou em pé e então varreu a loja com o olhar, em busca da irmã. Não precisou ir atrás de Aaliyah, já que ela vinha pulando animada em sua direção, o bendito par de tênis que tanto queria sendo sacudido de forma animada e frenética.
– Na sua cara, Mendes! – Estirou a língua para ele em provocação. Shawn arqueou as sobrancelhas para ela.
– Não vou emprestar o cartão. – Ameaçou. Aaliyah o encarou de forma incrédula.
– Eu não trouxe o cartão da mamãe! – Chiou. O cantor sorriu divertido.
– Então tenha modos. – Implicou, se divertindo quando a caçula mordeu um palavrão e sorriu com falsidade para ele. A garota só voltou a falar quando eles estavam saindo da loja e Shawn já tinha pago pelos tênis dela.
– Vou contar para a . – Avisou e recebeu um olhar insatisfeito do mais velho, fazendo-a sorrir vitoriosa.
– Fofoqueira. – Chiou enquanto a garota ria e o seguia para a praça de alimentação. Enviou a localização para e esperaram por poucos minutos até a garota surgir em seu campo de visão. Usava uma touca que parecia fofa e um casaco pesado, o que arrancou um sorriso de Shawn. Ela se aproximou da mesa que os irmãos ocupavam com um sorriso largo e antes que Shawn pudesse se levantar e abraçar a namorada, Aaliyah já estava em pé e as duas se abraçavam com força e animação. Fez uma careta imediata, apoiando o queixo na mão cujo cotovelo estava encostado na mesa.
– Senti sua falta! – Shawn ouviu Aaliyah resmungar. – Tenho tanto para contar para você!
– Que tanto você tem para contar? – Shawn se intrometeu e elas romperam o abraço. Aaliyah fingiu que não ouviu o irmão, voltando a se sentar enquanto se aproximava do namorado e o beijava nos lábios rapidamente. Ocupou a cadeira entre os irmãos e Shawn a puxou para perto, passando o braço pelos ombros da namorada e recebendo um sorriso dela.
– Estou surpresa por ainda estarem vivos. – murmurou divertida.
– Se eu matasse Shawn, não teria como voltar para casa. – Aaliyah retrucou. O cantor revirou os olhos e riu.
– Quero saber o que você tem para contar para . – Ele insistiu e recebeu uma cotovelada leve na cintura e um olhar feio de .
– Seu nome não é . – Aaliyah replicou e antes que eles pudessem voltar a se provocar, a brasileira se virou para Shawn e sorriu para ele.
– Você não quer ir fazer os pedidos? – Questionou. – Só tenho uma hora de intervalor para o almoço. – Lembrou e o namorado assentiu, a beijando na testa e seguindo para o restaurante vegano mais próximo. Havia escolhido aquela mesa de forma estratégica para não precisar atravessar toda a praça de alimentação.
Enquanto fazia os pedidos, observou e Aaliyah rirem e conversarem como velhas amigas e aquilo encheu seu coração de alegria. Apesar de implicar com a caçula, era um alivio para Shawn que ela e fossem tão próximas uma da outra. Voltou para a mesa com a comanda de seu pedido e sentou-se novamente, sorrindo quando se inclinou para trás em busca do abraço dele para se aninhar. Ela entrelaçou seus dedos na mão dele que pendia em seu ombro sem desviar o olhar de Aaliyah, que contava vantagem sobre ter achado o tênis quando Shawn havia lhe dito que ela não encontraria. E ele recebeu um beliscão quando a caçula fofocou sobre sua ameaça.
– Você é igualzinho ao Maurício. – semicerrou o olhar para Shawn, que estirou a língua para a irmã.
– Fofoqueira. – Reclamou e a garota deu de ombros, voltando a conversar animadamente com sobre a viagem para Londres. Um pigarro às suas costas chamou a atenção do trio e Shawn se virou, encontrando uma dupla de garotas com sorrisos ansiosos e olhares animados. Sorriu de forma tranquila e apertou os dedos de por entre os seus quando sentiu a garota se retesar em seu abraço.
– Desculpe pelo incomodo, – Uma das meninas murmurou, parecendo envergonhada. – Mas amamos o seu trabalho e estamos muito ansiosas para o lançamento do novo álbum.
– Muito obrigado pelo apoio. – Shawn agradeceu, mesmo que se sentisse estranho. Desde que havia voltado do Japão, havia encontrado muitos fãs e sempre se sentia estranho quando pensava que as mesmas pessoas que lhe diziam palavras carinhosas, poderiam ser as pessoas que escreviam coisas horríveis para na internet. Era um pensamento horrível para se ter, mas Shawn não conseguia conter aquilo, mesmo que aquilo o fizesse se sentir mal.
– Você se importaria em tirar uma foto com a gente? – A outra questionou e Shawn acenou em negação. Rompeu o abraço com e sorriu para as selfies, uma de cada vez. As garotas agradeceram mais uma vez, antes de se virarem para Aaliyah e para , que estavam quietas e pareciam tão desconfortáveis quanto Shawn se sentia por dentro.
– Você faz fotos incríveis, . – A primeira menina elogiou e ergueu o olhar surpreso para ela. – Não de atenção para os comentários ruins. – Sorriu de forma amigável.
– E vocês são lindas! – A outra disse por fim e após mais um agradecimento para Shawn, se afastaram.
– Inesperado. – Aaliyah comentou e quando Shawn voltou a abraçar , percebeu que ela ainda estava com o corpo retesado, mas relaxou imediatamente ao sentir o toque dele. Ele sabia que as coisas as ainda estavam complicadas, mas tinha esperanças de que parte do fandom tivesse tomado consciência. Mesmo que ter ou não o apoio deles em seu relacionamento não fizesse nenhuma diferença. Ele não deixaria de amar ou deixaria de estar com ela por causa dos comentários de outras pessoas.

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– Eu não sei se tem pizza o suficiente. – Shawn murmurou, as mãos posadas na cintura, como um bule de chá, enquanto encarava as seis caixas de pizza com o cenho franzido.
Trevo, são apenas oito pessoas. Se Brian realmente trouxer alguém com ele, o que ainda me parece estranho, mas espero que ele tenha uma vida amorosa. – Acabou rindo e Shawn a acompanhou. estava sentada na bancada da cozinha, usando um conjunto de moletom de Shawn e seus pés balançavam de forma ritmada. O cantor estava parado entre o balcão e a porta e acabou se aproximando dela, se colocando entre suas pernas e repousando as mãos na cintura da brasileira. A beijou nos lábios com carinho e sorriu para ele.
– Tem certeza de que não vai faltar comida?
– Absoluta. – Assentiu e antes que pudesse falar mais alguma coisa, a campainha tocou e Shawn se afastou, seguindo para a porta da frente enquanto se mantinha no balcão. Ele retornou para a cozinha seguido de , Olivia, Connor e Celine – e apesar de sentir a garota um pouco receosa, achava ela e Connor muito fofos juntos.
– Aí está a minha modelo! – abriu um sorriso largo para a brasileira, que revirou os olhos e pegou o olhar confuso de Shawn sobre ela. Algumas cervejas foram deixadas na geladeira e logo o grupo estava na sala, com a maior parte deles ocupando o sofá maior e Shawn e na poltrona, com ela sentada no colo do namorado.
– Que história é essa de modelo? – Shawn questionou, voltando ao assunto e abriu um sorriso exultante. Connor e Celine afundaram no sofá, pressentindo outra briga entre as duas garotas, como vinham brigando desde o dia anterior.
– Esqueça. – disse para o namorado, mas já estava empertigada e tomou a palavra.
– Eu convidei a para modelar outra vez para mim. – Explicou. – Mas ela não quer, porque é um ensaio com vestido de noiva. – Revirou os olhos e sentiu o olhar de Shawn sobre ela.
– Você sabe que não é só por isso. – A brasileira retrucou de mal humor.
– E talvez, – estalou os lábios. – Eu tenha sugerido que você participasse do ensaio junto com ela. – Sorriu para Shawn. – Só talvez.
– Ela mente e nem sente. – Connor comentou e recebeu um olhar feio da loira. Celine riu e se aconchegou no abraço que Brashier lhe ofereceu. Eles ainda estavam na fase de não saber o que fazer um lado do outro e achava aquilo extremamente fofo, mesmo que quisesse matar naquele momento. Shawn apertou sua cintura e ela o encarou.
– Por que não quer fazer? – Questionou e suspirou.
– Você sabe porquê. – Deu de ombros e para sua sorte, a campainha soou e salvou o clima mórbido que tomou conta da sala.
– Brian e a namorada! – bateu palmas e Shawn riu.
– Ainda não é namorada. – Explicou.
– Ninguém apresenta uma não namorada para os amigos. – Connor retrucou e Celine arqueou as sobrancelhas para ele.
– É mesmo? – Questionou e soltou um gritinho animado por conta da possível confusão. Olivia a repreendeu com um beliscão e causou risadas em .
– Pare de causar discórdia! – Chiou e lhe estirou a língua, recostando-se contra o sofá e o abraço da namorada, enquanto Shawn seguia para a porta.
O silêncio tomou conta do quinteto, que ouviu cada palavra de Brian e da apresentação de Heather como uma “amiga”. e trocaram um olhar engraçado e o trio surgiu na sala e todos os olhares se desviaram para a garota que acompanhava Brian de mãos dadas e trocou um olhar divertido com Shawn. Amiga uma ova, pensou. Se colocou em pé e estendeu a mão para Heather, sabendo que sua animação típica do Brasil poderia assustar a garota. Heather era negra, mais baixa do que Brian – pouco mais alta que – e tinha cabelos crespos e volumosos. Olhos castanhos brilhantes e um sorriso tímido nos lábios.
– Heather, esses são meus amigos. – Brian murmurou. – E todos eles fugiram do hospício, então não se assuste com a esquisitice deles. – Sorriu para ela. – Essa é a , namorada do Shawn.
Heather apertou a mão de e logo havia cumprimentado todos os outros, sentando com Brian no sofá que havia sobrado. voltou para a poltrona e dessa vez Shawn sentou-se no chão, deitando a cabeça em suas pernas e pedindo cafuné com apenas um olhar. Sorriu quando enfiou a mão em seus cabelos ondulados e voltou a encarar o grupo.
– Então, como vocês se conheceram? – Olivia questionou para Heather e Brian, animada com mais uma história de amor. Ela e estavam de mãos dadas e Connor e Celine continuavam abraçados.
– Ela é minha nova vizinha. – Brian murmurou. – E eu me ofereci para ajudar a carregar as caixas da mudança.
– Que gentil. – Celine comentou.
– Esperto. – Shawn deduziu e Connor acenou em concordância.
– Vocês são uns ogros. – Celine chiou e ficou quieta, porque concordava com eles.
– Desde então temos saído. – Heather falou. – Ele conheceu meus amigos no feriado e hoje estamos aqui. – Abriu um sorriso pequeno.
– E esse bundão ainda não pediu para namorar com você? – questionou e Brian lhe estirou o dedo do meio.
– Nunca espere pelos canadenses. – Foi o conselho de . – Eles são um pouco lerdos. – Desviou o olhar para Shawn o encontrou com o olhar semicerrado para ela.
– É verdade. – Celine concordou avidamente e Connor lhe lançou um olhar ofendido.
– Perdão? – Estalou os lábios.
– Preciso de cerveja para apreciar a briga. – murmurou, correndo para a cozinha e voltando com dois fardos. Deixou em cima da mesa de centro e todos buscaram uma garrafa para si.
– A pizza já está aí. – Shawn murmurou e então houve uma confusão para todos seguirem até a cozinha e servirem algumas fatias, voltando para a sala em seguida. colocou uma música de fundo apenas para climatizar o ambiente, porque as conversar começavam e continuavam a todo instante, junto de risadas e repreensões de Liv para que se comportasse.
Shawn terminou de comer e então voltou a deitar a cabeça nas pernas de , fixando o olhar nela e corou quando percebeu que ele a estava encarando.
– O que foi? – Questionou baixinho, para que apenas ele escutasse.
– Acho que deveria fazer o ensaio com a . – Foi o que disse.
– Acho uma ideia horrível. – A garota foi firme. – Principalmente pela parte em que ela quer você nas fotos comigo.
– Nós ficamos lindos juntos. – Shawn contestou e aquilo era verdade, não tinha como negar. Mas ainda assim, sentia insegurança.
– Não sei, Shawn. – Mordeu o lábio inferior e ele sorriu para ela.
– Vai ser como um teste para o futuro. – Piscou para ela e riu, sacudindo a cabeça para os lados e suspirando em seguida.
– Vou pensar, prometo. – Se inclinou e o beijou com cuidado. – Mas não sei porque você gostaria de fazer isso. – O encarou com curiosidade.
– Talvez possamos fazer mais algum ensaio no futuro. Juntos. – Deu de ombros e estava pronta para pressionar por uma resposta mais direta quando a chamou e eles voltaram a participar da conversa em grupo. E passaram horas entre pizza, cerveja, risos e gritos, mesmo que Shawn e tivessem que voar para LA no dia seguinte para o aniversário de Anna.

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Shawn.
Puxou o corpo adormecido de para perto e a garota se aconchegou em seu peito, voltando a respirar com calma e arrancando um sorriso de Shawn quando o envolveu pela cintura com o braço, procurando mais contato. Era final de tarde de domingo e eles estavam na casa da brasileira, após um jantar preparado pelos dois – sopa de legumes e pão caseiro – e haviam deitado para assistir a um filme, mas havia caído no sono nos primeiros 30 minutos e Shawn não poderia julgá-la por estar cansada.
Haviam feito um bate e volta até Los Angeles para comparecerem a festa de aniversário de Anna – organizada em segredo por Layla e Marcus – e mesmo que tivessem dormido na viagem de volta, o cansaço havia lhes tomado por completo após um banho quente e roupas fofinhas para dormirem.
Shawn tinha algumas coisas para resolver e precisava ligar para Andrew com urgência para acertarem os últimos detalhes para a pequena turnê de divulgação do álbum, que começaria em duas semanas. Passaria por cinco cidades da Europa em dez dias e então voltaria para Los Angeles, para o lançamento do primeiro single do álbum. Preferia passar aquela data no Canadá, mas Shawn sabia que comemorar aquela nova etapa de sua carreira era importante e como seus pais iriam acompanhá-lo aos Estados Unidos, faltava apenas uma pessoa para que seu coração ficasse em paz com aquela decisão. E estava dormindo em seus braços, com a respiração tranquila e os cabelos completamente revirados.
Pausou o filme quando o toque de seu celular se fez presente e respirou fundo antes de atender a chamada de Andrew. Não queria acordar , mas ela já tinha os olhos abertos quando o cantor colocou o celular contra a orelha e lhe lançou um olhar de desculpas. Ela sorriu, dando de ombros e o abraçando com mais força, mas agora com o olhar na TV.
– Oi Andrew. – Moveu a mão livre para os cabelos de e iniciou um carinho tranquilo, o que arrancou um suspiro da brasileira e o fez sorrir torto.
– “Atrapalho?” – Foi a primeira coisa que o empresário murmurou e Shawn entendeu que aquela era uma conversa séria.
– Não. – Respondeu. – Pode falar.
– “Precisamos repassar a sua agenda dos próximos dois meses e acertar uns últimos detalhes sobre o álbum.”
– Tudo bem. – Estalou os lábios.
– “Vamos viajar para a Suécia no dia 9 de março. Seguimos para a Alemanha, Espanha, Itália e por fim, Inglaterra. Dois dias em casa cidade, para entrevistas em rádios e programas de TV.” – Explicou e Shawn murmurou em concordância. – “Voltamos para Los Angeles para o lançamento de In My Blood e Lost In Japan e você vai participar do The Late Late Show com o James Corden. Preciso de você em Los Angeles até o dia 25, para que possamos decidir os últimos detalhes sobre a turnê. Depois disso, tem mais alguns dias de férias. Só precisa voltar a me ver no evento da Time em Nova Iorque no dia 24 de abril. Então temos o Met Gala, o anuncio da turnê, o Billboard Music Awards… Qualquer viagem ou plano que tenha, tente colocar nos seus dias de folga, por favor.” – Pediu e o cantor soltou uma risadinha.
– Tudo bem, Andrew. – Murmurou. – Mas não esqueça de me enviar a agenda dos próximos meses e também as datas da turnê, para que eu possa dar uma olhada.
– “Já encaminhei os dois para o seu e-mail.” – Garantiu.
– Certo, obrigado.
– “E a capa do álbum, Shawn? Já pensou em algo?” – Questionou e parecia preocupado. – “Precisamos que a equipe comece a trabalhar nisso e nas capas para os singles.”
– Ainda não. Mas vou dar prioridade para isso, prometo. Retorno até o meio da semana com algo.
– “Vou ficar no aguardo.” – Andrew falou e parecia fazer anotações, porque Shawn ouvia o som do teclado de um notebook. – “ vai acompanhar você? No evento da Time e no Met Gala?”
– Ainda não conversamos sobre isso. – Mendes manteve o olhar em e ela levantou a cabeça até ele, com o cenho franzido em confusão e ele sorriu de forma reconfortante para ela. – Retorno com isso até o meio da semana também.
– “Ok.” – Andrew disse por fim. – “Dê uma olhada nas datas da turnê e me passe as alterações ou adições necessárias. E foque na capa do álbum, por favor.” – Soltou um riso desesperado e Shawn acabou rindo.
– Certo.
Desligou a ligação pouco segundos depois e deixou o celular em cima da mesa de cabeceira outra vez, movendo-se na cama para sair da posição meio sentada e deitando ao lado de e a puxando para seu abraço. Um beijo na ponta do nariz da garota e recebeu um sorriso frouxo e sonolento dela.
– Não acredito que dormir na metade do filme. – Chiou e o cantor riu.
– Você dormiu com meia hora de filme. – Replicou e ela riu.
– Nossa, pior do que eu havia imaginado. – Disse por fim.
Dengo… – Estalou os lábios e o encarou com curiosidade.
– Eu estou aqui. – Sorriu para ele.
– Tenho alguns… compromissos, – Disse com cuidado, não querendo assustar a garota. – Profissionais. Nos próximos meses. – Suspirou.
– Você é cantor, se espera que tenha esses compromissos.
– Tenho um evento da Time.
– Aquela festa que celebra as 100 pessoas mais influentes do ano? – questionou e Shawn assentiu. – Uau. – Assoviou e Mendes riu baixinho. – O que mais?
– O Met Gala e o Billboard Music Awards.
– Você quer que eu vá? – Arqueou as sobrancelhas para o namorado e Shawn suspirou baixinho.
– Eu quero que faça o que sentir vontade de fazer e que se sinta confortável. – Respondeu. Moveu a mão para o rosto de e acariciou sua bochecha com cuidado. – Eu ficaria extremamente feliz se você me acompanhasse, mas se preferir não ir, não vou ficar magoado ou chateado.
Shawn observou assentir e então desviar o olhar para a parede, parecendo pensativa. E ele não voltou a falar até que os olhos dela estivessem nos seus outra vez e um sorriso frouxo tomasse conta de seus lábios.
– Eu vou. – Disse por fim e Mendes a puxou para um beijo rápido.
– Obrigado. – Agradeceu. – Mas caso desista, não precisa se obrigar a ir, por minha causa. – A encarou com cuidado e assentiu.
– Eu sei.
– Minha oferta de emprego ainda está de pé. – Falou com um sorriso esperto nos lábios. revirou os olhos.
– Meu contrato expira em março. Eu ainda tenho um mês e cinco dias para decidir qualquer coisa.
– Eles ainda não ofereceram uma vaga fixa? – Mendes arregalou os olhos.
– Ainda não. De qualquer forma, quero ir para o Brasil em abril para ver a minha família.
Shawn se virou para pegar o celular e acessou o e-mail que Andrew havia lhe enviado. Levou dois minutos para analisar sua agenda profissional e então sorriu para , a puxando para perto e dividindo a visão da tela com a namorada.
– Quero ir com você para o Brasil. – Murmurou e assentiu em concordância, um sorriso largo em seus lábios. – Podemos ir no final do mês. 31 é sábado, mas 30 é feriado. Estarei de folga, então podemos ficar quantos dias quiser.
– Se eu ficar mais do que uma semana, não volto mais. – suspirou.
– Uma semana então. Ou fique. – Mendes deu de ombros. – Fazer mais viagens ao Brasil não vai ser um sacrifício. – Sorriu e o abraçou com mais força.
– Minha casa é aqui. – Foi o que disse e no mesmo instante Shawn largou o telefone e puxou a garota para seu beijo. Para seu abraço e seu amor, se afogando dela e sentindo o peito doer de felicidade por aquilo.

Capítulo 19

Together we can just let go
Pretend like there’s no one else here that we know

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– Vamos comer alguma coisa ou vocês já querem fugir para casa? – questionou, lançando um olhar provocativo para e Shawn. A brasileira revirou os olhos e estirou a língua para a amiga e Olivia cutucou a namorada em repreensão. Ela fazia muito aquilo e achava muito engraçado.
Haviam passado a tarde juntos. De alguma forma, havia conseguido convencer Fernand Blanchard a lhes dar a tarde de folga naquele início de semana para ela pudesse utilizar a Casa Loma para fazer o ensaio com e Shawn. Trabalharam durante toda a manhã e após o almoço, encontraram com Shawn e Olivia na Casa Loma. Entre maquiagem, cabelo, troca de vestidos e muitos cliques, eles passaram uma tarde entretida e divertida. Olivia era uma assistente de fotografia incrível e e Shawn nem tiveram esforços, apenas ficaram parados, agindo normalmente e lhes gritava que ficavam lindos juntos e as lentes os amavam. Claro que já sabia que Shawn era um excelente modelo e precisava admitir que ela até que dava para o gasto.
Foram cinco vestidos e dezenas de fotos e apesar de ter se sentido desconfortável no começo – afinal, estava usando vestido de noiva e Shawn estava de terno e aquilo fazia coisas loucas com seu coração -, depois se acostumou e realmente se divertiu modelando. Ainda preferia estar do outro lado, mas chegou à conclusão que na próxima vez que quisesse usá-la como modelo, não iria reclamar. A canadense queria explorar todos os nichos de trabalho de um fotógrafo e estava inventando diversos ensaios para aumentar seu portfólio e garantir que era boa em qualquer tipo de foto. a entendia, já que tentava explorar ao máximo o seu olhar profissional ao invés de se acomodar em um estilo e ficar naquilo para sempre. E com certeza iria usar como sua modelo para os mesmos fins e ela nem poderia reclamar. Aquele era realmente um benefício.
Ainda era dia quando deixaram a Casa Loma. ocupou o banco do motorista, já que naquela semana Shawn tinha como meta fazê-la se acostumar com o trânsito de Toronto. Desde que havia se mudado, ela só andava de carona ou de Uber – fora o transporte público – e o cantor queria deixar o carro com ela quando viajasse para a Europa para que ela pudesse visitar seus pais e Aaliyah em Pickering ou então fosse ou mercado ou qualquer outra coisa. brigou e afirmou que ele não precisava, mas Mendes havia feito a carinha de cachorrinho caído do caminhão de mudanças e ela havia cedido. Afinal, ele sempre conseguia o que queria dela quando fazia aquela cara. Não havia como resistir nem se tentasse com muita vontade.
– Precisamos passar no mercado. – estalou os lábios, sem desviar o olhar do trânsito nem por um segundo. Estava nervosa, já que fazia muito tempo que não dirigia. – Shawn vai viajar na próxima semana e vai ficar lá em casa durante esses dias, então preciso comprar mais comida.
– Por que ele não fica em casa? – Olivia questionou confusa. – Se ele tem comida?
– Porque eu não tenho. – O cantor explicou e ela assentiu em entendimento.
– Certo, isso faz sentido. – Riu.
– Vocês estão quase morando juntos. – opinou e quis parar o carro e estrangular a amiga.
– Não exatamente. – Retrucou em um tom de voz que deixava claro que aquele não era um assunto que deveria se manter. ignorou e Shawn abriu um sorriso travesso.
– Não fale essas palavras juntas. Ela quase tem um derrame. – Implicou e revirou os olhos para ele.
Eles não haviam, de fato, conversado sobre aquilo. Shawn havia tocado no assunto e havia mudado completamente o rumo da conversa e fugido o mais rápido possível. Não que ela tivesse qualquer duvida ou medo sobre o relacionamento deles e não quisesse dar um passo mais a frente, que bem poderia ser um erro. Muito pelo contrário. Ela conseguia enxergar muito bem um futuro dividindo um apartamento com Shawn. Um futuro bem próximo, porque como havia observado, eles praticamente já faziam aquilo, de forma informal. Mas eles nem havia feito um ano de relacionamento. Se conheciam a menos de seis meses e mesmo que parecesse que o faziam durante toda a vida, sentia que ainda era cedo. Eles tinham muita coisa pela frente ainda e aquele passo era importante e precisava ser dado com cuidado, para que nenhum deles pudesse se arrepender ou se machucar. Não queria arruinar seu relacionamento colocando a carroça na frente dos bois.
– Não é como se ela não tivesse um espaço no seu closet. – continuou a falar. – E no banheiro.
– E no resto da casa. – Shawn realmente estava empolgado com a conversa. – O lado esquerdo da cama já é dela e as plantas só recebem água com frequência porque rega elas.
– Olivia, quer me salvar dessa? – pediu com um bico nos lábios. – Com o Shawn eu consigo lidar, mas com a fazendo coro fica impossível. – Choramingou e os três riram.
– Nos deixe na próxima esquina. – Olivia disse por fim. – Quero comer alguma coisa e aqui fica mais perto para irmos para a minha casa.
– Posso deixar vocês em casa. – disse. – Eu estava brincando, não quero expulsar vocês. – Foi sincera.
– Não nos expulsou. – Olivia garantiu. – Só quer que cale a boca.
– Ela sempre quer isso. – revirou os olhos.
– E nunca consigo. – retrucou e causou risos.
– Mas é sério, estou com fome. E vocês demoram anos no mercado porque a checa o rotulo de todas as coisas. – Revirou os olhos, mesmo que soubesse que agora ela fazia a mesma coisa e só estava implicando. – Vamos descer na próxima. – Sorriu.
– Certo. – assentiu. Parou o carro no acostamento alguns metros a frente e com despedidas calorosas e abraços rápidos e tortos, e Olivia pularam para fora do carro e correram para a pizzaria mais próxima. as observou entrar e então arrancou com o carro, voltando a seguir caminho até o mercado. – Você é um idiota. – Chiou para Shawn, emburrada. Ele riu com gosto.
– Desculpa, dengo. – Pediu. – Foi a minha vingança por você ter fugido do assunto.
– Eu fugi porque não sei negar as coisas para você! – Reclamou, respirando fundo em seguida. Encarou Shawn pelo canto dos olhos e observou mordendo o interior da boca para conter a risada. – Odeio você. – Declarou e Mendes finalmente deixou a risada sair. bufou e ficou em silêncio durante o restante do caminho até o mercado.
Saíram do carro e a garota guardou a chave do carro no bolso do casaco e quando fez menção de seguir para o supermercado sem Shawn, ele a segurou pela cintura e a puxou para seu abraço. Escondeu o rosto contra a curva de seu pescoço e respirou fundo, deixando um beijinho em sua pele descoberta pela gola da blusa e a brasileira suspirou e se arrepiou.
– Me desculpa. – Ele pediu baixinho. – Sei que está certe e ainda é muito cedo para isso. – Se afastou e a encarou com intensidade. – Sei mesmo. – Ela viu a sinceridade no olhar de Shawn. – Principalmente porque temos muita coisa para resolver. Seu emprego, sua permanência aqui… Eu terei os dois próximos anos um pouco turbulentos, então sei que não é a melhor decisão. Não quero que decidamos morar juntos e então precisar viajar para longe e ter apenas poucos dias em casa com você.
– Quando a turnê acabar. – decidiu e Shawn assentiu com a cabeça em concordância.
– Quando a turnê acabar. Então juntamos nossas escovas de dentes, de forma permanente. – Sorriu largo e a beijou na testa, entrelaçando seus dedos aos de e então seguindo com ela para o supermercado. Tinham mesmo que comprar comida para os próximos dias.

 

🎸🍀📷

Shawn.
Ele tinha prometido para Andrew que lhe daria um retorno sobre a capa do álbum até o meio da semana. E já era quarta-feira e ele não tinha a mínima ideia do que poderia sugerir e aquilo o deixava frustrado e com o gosto amargo da derrota na boca. Odiava aquela sensação. Passou a mão pelos cabelos, completamente frustrado, antes de se deitar no sofá e começar a observar o teto do apartamento de . John Mayer soava por todo apartamento e o barulho do chuveiro fazia companhia a melodia de Do You Know Me. Havia cogitado a ideia de acompanhar a garota no banho, mas sabia que eles iriam levar muito tempo e ele precisava de um resultado para seu problema profissional.
Desde o começo do projeto para o novo álbum, Shawn deixara claro que queria participar de tudo. Não apenas de todas as composições – porque todas as músicas do álbum realmente tinham um dedo dele, por menor que fosse -, mas de todas as decisões. Datas de turnê, cidades em que se apresentaria, a capa do álbum, dos singles… Tudo. Queria fazer parte daquilo, porque era seu trabalho. Queria participar mais ao invés de ser apenas a voz por trás das músicas. Mesmo que sempre compusesse, em seus outros álbuns, havia ficado de fora e deixado o trabalho e as decisões para pessoas que entendiam. Mas ele já estava no mundo da musica a tempo o suficiente para ter opiniões e planos e os queria colocar em prática. E por isso era extremamente frustrante ter criado um álbum inteiro – com ajuda de profissionais incríveis – e não conseguir decidir a maldita capa para representar seu trabalho. Havia visitado sua psicóloga naquele dia e conversado sobre aquilo e o conselho dela havia sido claro, mas até então, pouco útil: listar coisas que o lembravam de seu álbum e trabalhar em algo a partir daquilo.
Shawn respirou fundo e fechou os olhos, resolvendo que iria tentar mais uma vez. Acalmou sua respiração e as batidas do coração, focando toda a atenção em uma única questão: quando pensava em seu álbum, o que vinha a sua mente?
A resposta era uma só. .
Mas ele não havia podido colocar o nome dela no álbum. Colocar o rosto dela também não seria uma opção viável, tinha certeza. Mesmo uma representação, sabia que aquilo poderia prejudicar a garota e Shawn não queria vê-la magoada ou machucada. Então precisava de mais ideias, urgentemente. Andrew iria comer seu rim se aquele dia chegasse ao fim e não tivesse um e-mail de Shawn.
A porta do banheiro de abriu e Shawn sentiu o cheiro do sabonete favorito de tomar conta da sala. Abriu um sorriso quando sentiu a presença da garota perto e abriu os olhos, apenas para encontrar com o cenho franzido o encarando com confusão.
– O que foi? – Ela questionou.
– Só estou pensando. – Deu de ombros. Se sentou, com as costas apoiadas no braço do sofá e puxou para seu colo. Ela sentou em suas coxas e o abraçou pelo pescoço, recebendo um beijo lento na curva do pescoço. – Cheirosa, como sempre. – Observou e se deliciou com o corpo da namorada arrepiado.
– Vou começar a preparar o jantar. – Murmurou. – Quer aprender a fazer torta de legumes?
– Adoraria. – Shawn sorriu e seguiu para a cozinha. Ela lhe deu as primeiras instruções e logo os dois se moviam pela cozinha, completando as tarefas um do outro naquela sincronia que só eles conheciam. Quando a torta já estava no forno e terminava de colocar os ingredientes na batedeira para preparar o mousse, Shawn se sentou na bancada e encarou a namorada.
Dengo, – Chamou. – O que vem na sua cabeça quando você pensa no meu álbum novo? – Questionou. Talvez uma opinião de fora pudesse lhe ajudar a clarear a mente e ter alguma ideia boa que não um novo ensaio e a escolha aleatória de uma foto sua com um violão.
– Não sei. – murmurou, ainda concentrada na sobremesa. – Eu ainda não ouvi, então não sou capaz de opinar. – Provocou e Shawn lhe estirou a língua.
– Eu já disse que você vai ouvir. Logo. – Prometeu.
– Então, logo, – Frisou a palavra. – Eu terei alguma sugestão. – Voltou a provocar e o cantor bufou.
ligou a batedeira e deixou no modo automático, se aproximando de Shawn em seguida com um sorriso travesse. O beijou no queixo e o abraçou pela cintura, se acomodando entre as pernas dele.
– Preciso decidir isso hoje. Prometi para Andrew. – Suspirou.
– Assim, tão rápido? – A garota franziu o cenho. – O álbum não sai apenas em maio?
– Sim. Mas saem dois singles no mês que vem e as artes dos singles precisam ter alguma relação com a capa do álbum. – Torceu os lábios.
– Entendi. – estalou os lábios. Puxou o celular do bolso e entregou para Shawn. – Eu sigo muitos artistas e fotógrafos. Pode ser que algo ajude você. – Sorriu e após um beijo rápido, voltou para a batedeira.
Mendes desbloqueou o celular – porque eles sabiam a senha um do outro, mesmo que não invadissem a privacidade um do outro – e acessou o Instagram. Rolou o feed de por longos minutos, printando algumas fotos ou trabalhos dos artistas que ela seguia. Havia muito material incrível e ele estava ficando cada vez mais confuso, mesmo que nada tivesse realmente o feito pensar: é isso! Suspirou desanimado e decidiu encher a galeria de com fotos suas, como sempre fazia quando tinha o celular dela em mãos. Acessou um dos vários aplicativos que ela tinha e passou a procurar algum filtro que o agradasse. Tirou algumas fotos, sempre mudando o filtro e se divertindo sozinho. Acabou encontrando um filtro que chamou sua atenção e seu cenho se franziu quando a possibilidade lhe tomou a mente. Afinal, fazia sentido, não fazia? voltou para seu lado e estendeu o braço que continha a tatuagem de rosa para tentar ver o que Shawn encarava em seu celular e ao colocar os olhos no desenho na pele da namorada, o cantor sentiu que aquilo realmente fazia sentido.
O filtro não tinha muita qualidade, mas sabia que sua equipe daria um jeito. Era uma montagem que separava partes de seu rosto e deixava flores, de vários modelos, saindo pelos espaços. Se conseguisse um trabalho com uma qualidade melhor e usasse rosas e algumas flores mais simples, talvez ficasse bom. Talvez ficasse incrível e único. E poderia usar a estética da rosa para todo o marketing do álbum. Estrutura de turnê, os produtos oficiais para merchandising… É, era realmente uma boa ideia. Abriu um sorriso largo e puxou para um abraço apertado.
– Deus, você é incrível! – Exclamou e a fotografa riu, completamente perdida e confusa.
– Tudo bem, eu sei. Mas por que, exatamente, eu sou incrível nesse momento?
– Acabei de ter uma ideia para a capa do álbum. Inspirada em você. – Sorriu e o encarou com os olhos brilhando. Shawn lhe entregou o celular com a foto que havia feito pelo aplicativo. – Vou mandar para Andrew e pedir para ele entrar em contato com o desenvolvedor, para descobrir quem criou esse filtro. Se foi inspirado em algum trabalho, preciso saber quem é o criador. E vou usar a sua rosa. – Apontou para a tatuagem da namorada. – Em todo o conceito do álbum e da turnê.
deixou o celular de lado e puxou Shawn para sua boca. Envolveu o pescoço dele com os braços e logo Shawn havia descido da banqueta, pegando a garota pelas pernas e a colocando sentada no balcão. O ar lhe faltou e ele moveu os lábios para o pescoço da brasileira, que suspirou e segurou o rosto dele com as mãos, olhando em seus olhos antes de murmurar:
– Eu amo você. – E com isso, Shawn voltou a beijá-la, fazendo-a sentir o amor que sentia por ela e transbordar junto dela.

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saiu do elevador com passos calculados, torcendo os dedos das mãos e contando mentalmente, tentando manter a calma e respirar de forma correta, mesmo com seu coração palpitando descontroladamente dentro do peito. Fernand Blanchard a havia convocado para uma reunião e sabia exatamente o motivo: sua permanência na empresa.
E mesmo que adorasse aquele lugar, seus colegas e o trabalho que fazia, ela ainda tinha dúvidas a respeito de continuar na empresa, caso Fernand lhe oferecesse uma vaga permanente. Não pretendia voltar a morar no Brasil, mas também não sabia se queria permanecer na empresa ou explorar outras oportunidades. Mesmo que sempre negasse ou brincasse sobre a proposta de emprego de Shawn – ou de Catherine -, precisava admitir que se sentia tentada. Seriam experiencias incríveis e únicas e a fotógrafa poderia explorar novos horizontes na profissão que amava. Adorava nunca saber o que esperar de seu trabalho, já que poderia estar fotografando uma campanha de enlatados em um dia e fazendo fotos de animais resgatados para uma campanha de adoção, mas as vezes pensava como seria conhecer o mundo como fotógrafa de turnê.
Tinha certeza de que seria algo cansativo e maravilhoso.
E por isso tinha tantas dúvidas.
Sabia que Shawn queria contratá-la porque ama seu trabalho e não apenas porque ela era sua namorada e ele sentiria sua falta quando viajasse, mesmo sabendo que aquele seria exatamente o que as pessoas diriam. Catherine também era apaixonada por sua visão de mundo atrás de uma câmera e mandava mensagens diariamente lembrando de sua oferta para viajar com ela. Caso optasse por aceitar, poderia viajar tanto com Cath como com Shawn, já que eles estariam em turnê um ano depois do outro. Teria alguns meses em casa após a turnê de Catherine e antes de viajar com Shawn e poderia passar um tempo no Brasil com a família. Haviam tantas opções e sua cabeça estava uma loucura quando parou em frente a porta da sala de Fernand Blanchard e ergueu a mão para bater na madeira e alertar o chefe de sua presença. Respirou fundo e adentrou a sala quando Fernand pediu que ela entrasse, sorrindo de forma nervosa antes de ocupar a cadeira em frente ao homem.
– Tudo bem, ? – Ele questionou e parecia preocupado. A garota assentiu com a cabeça.
– Claro. – Disse, sem querer mencionar o nervosismo.
– Vou ser rápido, eu prometo. – Fernand sorriu. – Mas acho que você já sabe porque está aqui.
– Meu contrato termina no final do mês. – murmurou.
– Exatamente. – Concordou. – Você é uma funcionária exemplar e uma fotógrafa incrível, . Você vê o mundo de forma diferente e expressa isso nas suas fotografias e seria uma sorte imensa termos você por mais algum tempo, se isso for do seu interesse.
A brasileira respirou fundo, mordendo o lábio inferior e voltando a torcer os dedos das mãos. Aquela era uma boa notícia, não era? Tinha emprego garantido porque era uma boa fotógrafa e fazia um ótimo trabalho. Mas ainda não se sentia pronta para tomar uma decisão e esperava que Fernand lhe desse, pelo menos, mais uma semana para pensar. Não sabia lidar com pressão e se tivesse que decidir naquele momento, provavelmente tomaria uma decisão precipitada da qual iria se arrepender no futuro.
– Eu fico muito feliz em saber disso. – Falou. – Mas eu recebi algumas propostas e preciso ser sincera e dizer que estou tentada. Eu amo essa empresa e sou extremamente grata pela oportunidade que você me deu, Fernand. Uma oportunidade que eu não tive no Brasil e que mudou a minha vida para sempre. Não quero que pense que eu sou egoísta e que estou cuspindo no prato em que eu comi. – O encarou com seriedade.
– Eu jamais pensaria isso, . – O mais velho garantiu. – Eu sei que você gosta daqui, mas também sei que você expandiu os seus horizontes e tem muita coisa para explorar nesse caminho. Por isso eu repito que seria sorte nossa ter você por mais tempo. Talvez, se tivéssemos conversado sobre isso antes, você já soubesse o que fazer. Mas eu também tinha coisas para analisar antes de tomar essa decisão. Eu precisava ter certeza de que você não iria deixar a sua vida lá fora interferir no seu trabalho. – Seu tom de voz parecia pedir desculpas, mas não o culpava.
No lugar de Fernand, teria feito a mesma coisa. Ter uma funcionária namorando um cantor mundialmente famoso poderia ser um problema e tinha total noção daquilo.
– Eu entendo. – Assentiu.
– Minha proposta está na mesa. – Fernand sorriu. – Você sabe que ela inclui um salário mais alto, mais benefícios e estabilidade. Seu contrato termina no final do mês, mas a minha proposta e as portas dessa empresa sempre vão estar abertas para você, . Quando e se decidir voltar, terá um lugar na minha equipe. – Garantiu e não conseguiu conter as lágrimas. Fernand se levantou e puxou a garota para um abraço reconfortante.
– Obrigada por tudo, Fernand. Eu sou extremamente grata mesmo. – Falou com a voz embargada. – E vou te dar uma resposta o mais breve possível. Preciso apenas colocar minha cabeça em ordem e realinhar meus sonhos e minhas metas.
– O tempo que precisar. – Fernand murmurou e quando deixou sua sala, encontrou e Connor a esperando no corredor. Correu para os amigos e os três se enfiaram em um abraço triplo apertado.
– O que você vai fazer? – questionou por fim.
– Eu ainda não sei. – Maria
Eduarda foi sincera. – Preciso me organizar e então decidir.
– Seja qual for a decisão, estamos do seu lado. – Connor sorriu e sorriu agradecida. Aquele trabalho realmente havia mudado sua vida e ela o amava de todo coração por conta daquilo. Mas também se sentia pronta para tentar outra coisa. Ainda não sabia o que fazer, mas tinha certeza de que iria descobrir em breve.

Capítulo 20

And I wanna be there for you
For the rest of your days

Shawn.
tremeu dos pés à cabeça, mas isso não fez com que Shawn afastasse as mãos do corpo dela e muito menos quebrou o sorriso satisfeito que ele alargava um pouquinho mais a cada gemido ou suspiro que a brasileira ecoava.
– Mais forte, Shawn. – Ela pediu e o cantor soltou uma risada baixa, voltando a massagear com precisão a escápula da garota e lhe causando outro arrepio. Estavam no apartamento de Shawn, jogada na cama de barriga para baixo, usando apenas uma calcinha
– Isso soa extremamente pornográfico. – Comentou.
– Porque a sua mente pervertida fica pensando em sexo quando eu estou morrendo de dor nas costas. – A garota retrucou prontamente e o cantor tornou a rir.
– Minha mente não é pervertida. – Se defendeu. – E é você quem está me dando material, gemendo desse jeito e pedindo mais força.
– Faço isso todas as noites. – Deu de ombros e ele riu.
Mendes voltou a focar a atenção na massagem, enquanto resmungava o quão tensa estava e o quão maravilhosas eram as habilidades de Shawn com as mãos. Ele não era um massagista profissional, mas se estava deixando sua namorada feliz e com o corpo mais relaxado e menos tensionado, então estava fazendo um bom trabalho. E de qualquer forma, se queria que não surtasse e recusasse sua proposta, precisava deixá-la mais tranquila e relaxada possível.
– Então, como foi a reunião? – Questionou, em uma tentativa de distrair a namorada. Mas precisava admitir que queria muito saber sobre os planos de para sua carreira no futuro. Shawn queria que ela viajasse com ele, queria ter a namorada por perto durante a turnê. Mesmo que soubesse que isso iria causar um burburinho chato na mídia e o descontentamento de alguns fãs, ele não retirava sua proposta ou afastava as esperanças de que iria lhe dizer “sim”. Ele queria receber aquele “sim”.
– Fernand me ofereceu uma vaga permanente. – suspirou quando Shawn cessou a massagem. Não estava surpreso, de qualquer forma. fazia um trabalho impecável e a empresa perderia muito caso não oferecesse uma renovação de contrato para ela. Uma partezinha egoísta e mesquinha de seu coração queria que ela não recebesse aquela oferta e para que ele tivesse mais chances de convencê-la a aceitar a sua vaga de emprego. era uma fotógrafa incrível e Mendes teria muita sorte em tê-la em sua equipe. E não morrer de saudade da namorada era um bônus extra e muito relevante. – Disse que eu tenho todo o tempo do mundo para pensar e analisar minhas oportunidades. E ressaltou que me ter na equipe seria uma sorte para eles.
– Ter você é realmente uma sorte imensa. – Shawn concordou, voltando a massagear as costas da garota com cuidado. Já havia desfeito todos os nós tensionados em seus músculos, mas gostava de tocar a pele macia de . E ela gostava de ser tocada, então um acabava completando o outro.
– Eu ainda não sei o que fazer. – Confessou. – Amo o meu trabalho, você sabe. Mas explorar outras coisas seria… interessante.
– Minha oferta está em pé e você também tem todo o tempo do mundo para negar ou aceitar; – Mendes falou. riu fraco.
– Está tentando superar a oferta de Fernand? – Virou o rosto para ele e seus olhos brilhavam em diversão.
– Já que Catherine me venceu no salário, preciso vencer na compreensão. E nos benefícios. Já falei que oferecemos muitos benefícios? – Arqueou as sobrancelhas para sugestivamente. A garota riu e quando Shawn afastou as mãos de seu corpo, sentou-se na cama e o puxou para si. Não se importou em vestir uma camiseta e logo o canadense também estava com o peito nu, aninhando a namorada em seus braços enquanto beijava seu pescoço preguiçosamente.
– Pode listar esses benefícios?
– Horários flexíveis, plano de saúde, viagens, hospedagem, alimentação… – A cada palavra Shawn deixava um beijo no pescoço de e a garota puxava os fios de seu cabelo enrolado, suspirando satisfeita. – E você vai ser a única pessoa com acesso livre ao meu quarto.
– Então eu teria um quarto só para mim? – O encarou com curiosidade.
– Se você preferir assim. – Shawn assentiu e selou seus lábios. – Não quero que viaje comigo apenas por sermos namorados, . Você é uma fotógrafa incrível e eu vejo em você a mesma coisa que vejo em Josiah e por isso fiz de tudo para tê-lo trabalhando comigo.
– E o que é?
– Amor pela profissão. Eu vi isso em nosso primeiro encontro e foi uma das coisas que mais me encantou em você. – Contou. – Eu também sou apaixonado pelo que eu faço e sei que, quando fazemos algo por amor, nos dedicamos mil vezes mais. E você é um talento nato. Conseguiria captar momentos da turnê que talvez nenhuma outra pessoa conseguiria e eu quero isso. Quero o seu olhar de fã registrando esses momentos para que eu possa ver depois e sentir exatamente tudo de novo.
Quando o abraçou pelo pescoço e afundou o rosto contra seu peito, Shawn sentiu o peito transbordar de amor – como sempre acontecia quando eles estavam juntos. Ele sentia em cada célula, em cada pequena parte de seu corpo. Não era assustador saber que seu coração pertencia toda e completamente a . Amar a brasileira era a coisa mais fácil do mundo, tão natural quanto respirar. Mendes amava ser apaixonado por ela. Amava compartilhas sua vida com ela.
– Amo você. – Ela suspirou.
– Eu também amo você. – Acariciou os cabelos dela e afrouxou o abraço, voltando a recostar a cabeça no colchão e abrindo um sorriso malicioso antes de puxar Shawn para cima de seu corpo.
– Antes de qualquer coisa… – Mendes respirou com dificuldade. Eles não eram um casal puramente carnal. Viviam muito mais dentro de uma bolha de sentimentos do que procurando momentos para fazer sexo, mas aquilo não queria dizer que eles não gostavam de sexo. Gostavam e muito, principalmente porque quando estavam unidos de forma tão íntima, seus corações estavam expostos e cheios daquele amor. Mas as vezes a tensão era tanta que eles precisavam extravasar. Como naquele exato momento. Shawn estava a um passo de explodir e precisou se afastar de para manter a linha de raciocínio.
– O que foi? – A garota franziu o cenho.
– Andrew entrou em contato com o desenvolvedor do aplicativo para saber do filtro. A arte é originalmente criada por um artista brasileiro chamado Marcelo Monreal. – Murmurou e arregalou os olhos. – Ele faz essas colagens com flores para o projeto Faces [Un] Bond e aceitou criar uma arte especial para a capa do álbum.
– Isso é incrível, Shawn! – bateu palmas animada. O cantor assentiu com um sorriso e encarou a namorada diretamente nos olhos.
– Quero que seja a fotógrafa desse photoshoot. Monreal precisa de fotos minhas e Andrew e eu concordamos que precisam ser fotos inéditas. Quero que me fotografe e quero que seu nome esteja na capa do álbum, assinando o ensaio. Quero que fotografe todas as fotos que estarão no encarte do CD.
– E Josiah? Ele tem muito mais experiencia. – contestou.
– Quero você, . – Mendes foi firme e a garota respirou fundo, assentindo uma vez e voltando a puxar o namorado para seus braços e para sua boca.
– Eu aceito. – Disse por fim. – Mas ainda não sei sobre o resto. – Lhe lançou um olhar culpado e Shawn deu de ombros, acariciando o rosto da brasileira com carinho. A beijou na testa e então nos lábios.
– Você tem todo o tempo do mundo, dengo. – Garantiu. – Faça o que o seu coração mandar. – Outra caricia na bochecha e suspirou.
– Agora ele está me mandando tirar as suas calças. – Sorriu divertida e Shawn gargalhou.
– Faça tudo o que o seu coração mandar. – Foi sua resposta antes de voltar a unir suas bocas de forma apaixonada.

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Mastigou o pedaço de batata com calma antes de se virar para e suspirar, sem saber realmente como responder à pergunta da amiga. Connor lhe lançou um olhar compreensivo e voltou a atenção para Celine. Eles estavam combinando uma viagem no final de semana para que a garota conhecesse a família Brashier – que atualmente morava em North Bay – enquanto enchia os ouvidos de em uma tentativa de descobrir sua decisão sobre permanecer na empresa ou não.
O que não entendia era que não teria problemas em falar sobre aquilo. Se soubesse o que fazer.
– Eu já disse, – Bufou impaciente. – Ainda não tomei uma decisão.
– Mas deve se sentir mais atraída para uma delas. – A loira retrucou.
, dá um tempo. – Connor finalmente tomou partido. – Você está deixando a ainda mais surtada.
– Eu não…
– Está mesmo! – A brasileira chiou. – Já está difícil o suficiente sem você me enchendo o saco. – Lançou um olhar feio para a amiga, que torceu os lábios.
– Isso, me culpe por estar preocupada. – reclamou.
– Não culpo você. – suspirou. – Mas eu não preciso de mais pressão do que já estou colocando em mim mesma.
– Shawn não está facilitando? – Connor questionou e a garota negou com um aceno de cabeça.
– Ele não força nada. – Falou. – Fomos para Pickering no final de semana e ele não tocou no assunto nenhuma vez. Nós patinamos no gelo, fizemos bolo e passamos um tempo gigante com a Aaliyah e ele não disse um “A” a respeito disso. Ele vai para a Europa no final de semana e nós vamos para o Brasil no final do mês e eu sei que preciso me decidir antes disso. Mas é tão difícil. – Suspirou, passando a mão pelos cabelos em sinal de frustração. – Eu amo esse trabalho, mas também sei que eu iria amar viajar o mundo e fotografar uma turnê. Ou duas, porque Catherine nunca me perdoaria se eu aceitasse a proposta de Shawn e a dela não.
– Eu acho que você deveria ir com eles. – Celine murmurou. – Meu pai disse que você tem uma vaga aqui, independente de quando decidir que a quer. Você pode ir e experimentar e então voltar caso decida por isso. – Deu de ombros.
– É um plano sólido e você é a mulher mais inteligente do mundo. – Connor sorriu para a namorada e fingiu vomitar.
– Não faça essa cara, – Celine reclamou. – Você age da mesma forma com Olivia.
– Não estou nem aí. – A loira retrucou.
– Eu vou sentir falta de vocês se eu for. – choramingou. a abraçou pelos ombros.
– E vai sentir falta do Shawn e do Brian se não for. – Deu de ombros. – Assim como sente falta da sua família estando aqui com a gente. Não dá para ter tudo no mundo, zinha. – Beijou a amiga na bochecha e ela sorriu.
– Minha mãe vai me matar quando eu contar que não vou voltar para o Brasil. Juro, ela vai pegar um avião até aqui só para me matar.
– Eu acho que ela já sabe que você não vai voltar. – Connor murmurou.
– Isso não vai impedir ela de querer me matar. – retrucou e o canadense riu.
– E então? – encarou a amiga.
– Ainda não sei. – Foi sincera. – Vou pesar os prós e os contras. Eu sei que as pessoas vão dizer que Shawn me contratou apenas porque sou a namorada dele e preciso levar isso em consideração. Preciso ter certeza de que isso não vai me despertar um gatilho e me fazer surtar.
– Só uma pessoa muito burra acharia que Shawn contrataria você por ser namorada dele, . – Celine falou. – Você é uma fotógrafa incrível e todo mundo pode ver isso.
– Obrigada. – sorriu agradecida.
– Vamos mudar de assunto e falar sobre como você precisa me levar junto amanhã. – estalou os lábios.
– O que tem amanhã? – Connor franziu o cenho.
vai fotografar o Shawn para a capa do álbum e eu quero ir.
– Eu também quero! – Brashier se prontificou.
– Se todo mundo vai, eu também quero ir. – Celine falou e riu.
– Olivia também. – completou.
– Jantar e photoshoot. – Connor ergueu os polegares para cima.
E enquanto os amigos discutiam o cardápio da noite seguinte, memorizava cada momento com eles e os guardava em seu coração. Sentia que já havia tomado uma decisão, mas ainda assim, precisava de mais tempo para pensar e não se arrepender no futuro. Havia muito em jogo e ela precisava agir com cautela. Não podia simplesmente se jogar de cabeça sem analisar as consequências de seus atos. E também, precisava falar com Catherine.
Mas antes de tudo aquilo, tinha um photoshoot para realizar com Shawn. Para a capa de seu novo álbum. Que ele havia escrito para ela. E a fã dentro de estava correndo e gritando em sua mente como uma desvairada e ninguém poderia julgá-la.

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Shawn.
tinha aquele olhar profissional que não deixava espaço para Shawn fazer qualquer coisa que não atendesse suas ordens para as poses que deveria fazer enquanto ela o fotografava. Ela estava nervosa no começo, mas foram necessários cinco minutos com a câmera na mão para que ela dominasse a sala e tivesse Mendes em suas mãos, moldando as cenas que queria capturar com ordens e resmungos.
Era adorável, Shawn tinha que admitir. E Andrew estava completamente impressionado com o profissionalismo de .
O empresário havia viajado para Toronto apenas para acompanhar o ensaio fotográfico para a capa do álbum e após trocar algumas palavras com – e entre essas palavras um pedido de desculpas foi feito -, sentou-se ao fundo da sala junto dos amigos do casal e passou a acompanhar em silencio conforme pedia para Shawn sorrir, olhar para cima, retocar a maquiagem ou trocar de roupa.
Mendes não era um modelo experiente, mas já havia feito ensaios o suficiente para saber posar para a câmera. Mas era diferente estar ali com . Ele sentia-se muito mais livre para agir normalmente ao invés de encarar o papel de pop star e cada reclamação de apenas reforçava aquele ponto. Mas o que ele poderia fazer, se estar no mesmo ambiente que ela o fazia sentir-se em casa automaticamente?
– Para cima, Shawn. – falou, dando um passo em sua direção para captar outro ângulo.
– Eu já olhei para cima vezes demais. – O cantor contestou.
– Eu sou a fotógrafa e eu decido quando você olhou para cima vezes o suficiente. – Ela retrucou, arrancando uma risadinha do grupo. Andrew abafou a risada com uma tosse e Shawn lançou um olhar feio para o empresário e os amigos. – Sem olhar feio! – Chamou a atenção outra vez e Mendes suspirou.
– Uma pausa, por favor. – Pediu. Já estavam naquilo havia uma hora e seu pescoço estava tensionado.
– Dez minutos. – cedeu, pendurando a alça da câmera no ombro e seguindo para a mesa.
Shawn levantou do banco que ocupava no centro da sala e se aproximou dos amigos, torcendo os lábios em descontentamento quando Brian sorriu com diversão. ainda estava na mesa, do outro lado da sala, passando as fotos para o notebook para analisar o trabalho que já havia feito.
– Nenhuma palavra. – Chiou.
– A é a minha heroína. – Foi a resposta de Craigen e o cantor revirou os olhos.
– Ela colocou você na palma da mão e fez o que bem entendeu. – Andrew concordou.
– Heroína! – Brian exclamou animado, fazendo e Celine rirem.
– Não costumo discutir com ela. – Shawn se defendeu. – Na verdade, nós nunca discutimos. – Abaixou o tom de voz em seguida. – E vocês viram o olhar assassino? Se eu abaixasse a cabeça outra vez ela ia me decapitar. – Murmurou e Connor gargalhou.
– Estou ouvindo, Mendes. – chiou alto.
– Amo você, dengo. – O cantor devolveu e ouviu a risada dela. Pegou uma garrafinha de água no frigobar e sentou ao lado de Andrew. – A equipe já terminou as capas para os singles? – Questionou, bebendo alguns goles em seguida.
– Ainda não. Até o final da semana vou receber alguns modelos e poderemos escolher. – Murmurou.
– Certo. – Shawn assentiu. – Chegou a olhar os arquivos que eu enviei sobre a turnê?
– Claro. Adicionei as mudanças que você pediu e o pessoal já está trabalhando no cenário. Vamos poder discutir as datas para a América Latina na próxima semana, quando eu receber o retorno de todas as produtoras que contatei sobre a turnê.
– Europa e Ásia já estão fechadas? – Brian questionou.
– América do Norte e Oceania também. – Andrew murmurou. – África ainda é complicado e eu não sei se vamos conseguir fechar alguma data.
– Isso é péssimo. – murmurou ao se aproximar. Se escorou nos ombros de Shawn e o beijou na bochecha. Ele sorriu para ela e entrelaçou seus dedos. – E o Brasil? – Questionou preocupada.
– Também complicado. – Andrew torceu os lábios. – O real está muito desvalorizado e vai ser difícil levar a turnê para fora do sudeste. – Confessou.
– Como sulista sou obrigada a reclamar disso pelos meus conterrâneos e pelo pessoal do norte e do nordeste. É um inferno viajar para São Paulo ou para o Rio morando em outras regiões.
– Vamos fazer o possível para melhorar esse quadro. – Andrew prometeu. – Posso dar uma olhada nas fotos? – Indicou o computador na mesa e assentiu. Gertler se afastou em seguida e Shawn suspirou baixinho.
– Vamos mesmo tentar melhorar essas datas. – Prometeu.
– Sei que vai fazer o melhor que puder. – sorriu para o namorado e Shawn se inclinou para beijá-la nos lábios.
– Você estava muito mandona. – Reclamou baixinho, fazendo-a rir.
– E vou ficar pior porque ainda não estou satisfeita com as fotos. Você é lindo de morrer, mas eu preciso de mais material.
– Você é cruel. – Shawn reclamou com um bico nos lábios.
– E seus dez minutos acabaram. – A garota chiou, empurrando o namorado de volta para o banco e voltando a ordenar que ele erguesse a cabeça e fitasse o teto. E Shawn acatou, porque sabia o que estava fazendo e ele confiava nela. Cegamente.

 

Capítulo 21

 

Every night I’m with you I fall more in love

Now I’m laying by your side

Everything feels right since you came along

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Quando entrou em casa, franziu o cenho por conta do ótimo cheiro que tomou conta de seu olfato. Não era cheiro de comida de micro-ondas ou de comida encomendada e os barulhos na cozinha apenas deixavam claro que alguém estava cozinhando. Alguém não, Shawn. Porque ele era o único que tinha acesso ao seu apartamento e principalmente porque ninguém cozinharia em sua casa caso estivesse tentando roubá-la.
Seguiu com passos lentos até a sala e deixou a bolsa no sofá, se virando para a cozinha e encontrando Shawn entretido com algumas panelas no fogão. Ele usava o avental que havia comprado para ele, já que sempre que tentava cozinhar, acabava respingando algo no corpo. Mendes ainda não era um cozinheiro exemplar, mas ele estava tentando e melhorando todos os dias com a ajuda e os conselhos de . E seu histórico de vídeos assistidos no YouTube eram um lembrete de que ele estava realmente empenhado em ser um cozinheiro melhor.
Shawn se virou e sorriu para , que acabou com a distância e se aproximou do namorado e da comida que ele preparava. Tinham duas panelas no fogão e identificou o arroz na menor e na maior, strogonoff de cogumelos. Abriu um sorriso largo e se inclinou para selar seus lábios aos de Shawn.
– Eu provei. – O cantor logo murmurou. – Ficou bom de sal, mas ainda estou em dúvida sobre os temperos. Você tem muitos e eu nunca sei o que usar. – Um bico de descontentamento estava em seus lábios.
– Pode usar qualquer coisa. – indicou. – Mas se tiver dúvidas, cheire primeiro e veja se gosta. Ou eu posso colocar rótulos nos temperos para você saber o que é melhor ser usado em determinado prato. – Sugeriu e Mendes abriu um sorriso tão largo que o coração da brasileira perdeu um compasso. Ela nunca iria se acostumar com o quanto ele era lindo ou o quanto o amava.
– Deus, você é perfeita. – Ele a puxou para um beijo rápido.
o auxiliou por alguns momentos antes de seguir para o banheiro. Tomou banho, vestiu um conjunto de moletom – de Shawn, mas eram tão confortáveis e quentinhos que ela simplesmente amava usá-los! – e quando voltou para a cozinha, o jantar já estava pronto. Shawn havia servido dois pratos e colocado muita batata palha em ambos e apesar de poderem usar o balcão, preferiram ocupar o sofá e terminar de rever um episódio da primeira temporada de Stranger Things.
– Hm, – Shawn resmungou, com a boca cheia de comida e o encarou com diversão. Eles tinham intimidade o suficiente para não fingirem modos o tempo todo e ela amava aquilo. – Andrew me enviou as capas dos primeiros singles.
A garota pulou no sofá, quase derrubando toda a comida no chão e causando um riso no cantor. Largou o prato na mesa de centro apenas por precaução e puxou o celular do bolso do Shawn no mesmo instante, desbloqueando com a senha e abrindo a galeria de fotos. Seu coração nunca deixaria de ser Mendes Army e esperava que Shawn continuasse amando aquele pedacinho dela que sempre surtaria por qualquer coisa a respeito do trabalho dele. E dele como um todo, não havia motivos para negar quão apaixonada ela era por Shawn Mendes.
Seu coração bateu rápido no peito quando abriu a primeira imagem e a capa de In My Blood entrou em seu campo de visão. Era simples, em um tom terroso e um conjunto de flores no canto esquerdo. Sua rosa estava ali e o nome do single estava no centro. engoliu em seco e deslizou o dedo na tela do celular, ansiosa para ver a capa seguinte. Shawn não havia lhe contado quais músicas seriam singles – ela nem mesmo havia escutado qualquer canção fora In My Blood e When You’re Ready – então ler Lost In Japan no centro da capa seguinte fez seu coração bater ainda mais descontrolado no peito. Aquela tinha um tom rosado e as flores mudavam, mas a rosa ainda estava ali e os olhos de se encheram de lágrimas. Ergueu o olhar para Shawn, que já havia abandonado o prato na mesa de centro – e engoliu o choro quando ele franziu o cenho em confusão.
– Você não gostou? – Ele questionou preocupado. riu, sacudindo a cabeça em negação.
– Estão incríveis. – Murmurou. – Mas Lost In Japan? – Sorriu tímida. – Você já disse que escreveu muito sobre mim, mas ter certeza disso é… esquisito. Um esquisito bom. – Acrescentou e o cantor riu. Puxou para seus braços e eles se aconchegaram no sofá.
– Você quer ouvir? – Questionou.
– Que pergunta idiota. – revirou os olhos. – É claro que eu quero.
– A versão do álbum ou a minha versão, aqui e agora? – Arqueou as sobrancelhas para ela. mordeu o lábio inferior.
– A sua. – Decidiu. – Vou ouvir a versão do álbum como toda Mendes Army quando a música for lançada e dar muito stream para você, como sempre fiz.
Shawn beijou a namorada no topo da cabeça, novamente sentando no sofá e puxando para seu colo.
– Vamos terminar o jantar, escovar os dentes e então eu canto para você dormir. – Sugeriu e ela fez uma careta.
– Não quero dormir. – Reclamou. – Você vai viajar amanhã e eu quero aproveitar todos os segundos com você.
– Você trabalha amanhã, dengo. Precisa descansar.
– Odeio trabalhar. – chiou e Mendes gargalhou do bico que ela exibia nos lábios.
– Não odeia nada. – Retrucou.
Eles terminaram de jantar e escovaram os dentes, bem como Shawn havia sugerido. Lavaram a louça e com apenas a luz do abajur acesa, se jogou na cama e Shawn os cobriu com os cobertores pesados. se aconchegou nos braços de Shawn, a cabeça contra a curva do pescoço dele enquanto Mendes acariciava seus cabelos. Desligou a luz e começou a murmurar Lost In Japan, mesmo que não tivesse a melodia para lhe acompanhar. O mais importante daquela música era a letra e ele esperava que se reconhecesse por entre as palavras que ele havia escrito para ela.
ouviu toda a música, prestando atenção em cada palavra e cada pausa com todo o carinho do mundo. Se afogou na voz de Shawn como nunca antes, bebendo cada gota do amor que ele lhe oferecia em formato de canção, lembrando dos exatos momentos que eles viveram no Japão e não conseguindo conter o sorriso e as lágrimas. Quando Shawn terminou, ela puxou o fôlego para os pulmões com força e então beijou a pele exposta na curva de seu pescoço.
– Eu ainda não consigo te tirar da cabeça. – Sussurrou e quando Shawn enfiou as mãos dentro de seu moletom, soube que eles iriam se perder um no outro naquela noite. Mesmo que não estivessem no Japão.

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Shawn.
A press tour era tão incrível quanto cansativa. Shawn estava no segundo país da lista e no quarto dia de viagem, se preparando para embarcar para a Espanha durante a madrugada. Teria algumas horas de sono antes de comparecer em entrevistas e encontros de fãs e qualquer outro compromisso que Andrew tivesse marcado para ele.
A passagem por Stocolmo e por Berlim foi incrível. Shawn conversou com muitos fãs e falou tanto sobre o álbum em entrevistas que Andrew precisou lhe chamar a atenção para não dar informações demais. Mas o que podia fazer, se estava completamente ansioso com o lançamento daquele trabalho? Queria que o mundo ouvisse as palavras de seu coração e apreciasse o trabalho incrível que havia feito com sua equipe. E também, queria muito que escutasse as músicas que ele havia escrito sobre ela.
Não estavam tendo muito tempo para conversar. Todo o tempo livre de Shawn era usado para tirar o sono do atraso e o fuso horário acabava atrapalhando ainda mais as trocas de mensagens e as ligações antes de dormir. Shawn estava acostumado em ter a presença de o tempo todo e passar alguns dias sem ela era esquisito. Ele não sabia como iria sobreviver quando saísse em turnê, porque até então, ela não havia aceitado sua oferta de trabalho. Seriam 9 meses de viagem e ele não saberia lidar com a distância.
E se ela optasse por não aceitar, Shawn entenderia. Ele sabia que ainda era vítima de comentários maldosos e perseguição midiática. As pessoas não haviam simplesmente os deixado em paz, não haviam esquecido de suas existências. A mídia ainda fazia um circo em cima de seu relacionamento e a internet continuava a ser um lugar tóxico. O que havia mudado era a relevância que dava para aquilo. Shawn sabia que ela ainda não estava confortável, mas havia mesmo deixado de lado a opinião de pessoas que queriam apenas o seu mal e focava na opinião de quem a amava e se importava com ela. Mas Shawn não deixava de temer que, em algum momento, as coisas voltassem a ficar ruins a ponto de machucar a garota outra vez. Mas daquela vez, ele não deixaria tudo sair do controle. Ele não deixaria ninguém machucar e não ligava em perder alguns fãs no caminho. As pessoas precisavam respeitar e seu relacionamento. Em Toronto, eles saiam pouco de casa, principalmente por causa do frio, mas o mundo não havia deixado de ser maldoso sobre eles. Eles apenas não davam atenção, porque depois de tudo o que haviam passado, não poderiam deixar que o mundo os machucasse outra vez. O amor deles era muito mais forte do que aquilo.
– Vamos encontrar o pessoal em Los Angeles na semana que vem. – Andrew informou, sem desviar a atenção do notebook. Shawn assentiu com a cabeça, voltando os olhos para a tela do celular e para as mensagens de que ele estava respondendo.
A viagem de Berlim até Madri era rápida e por serem um grupo pequeno – apenas Andrew, Josiah e Jake estavam viajando na press tour -, não havia necessidade de usar o jatinho e a primeira classe seria fechada para eles para evitar confusão. Naquele momento estavam no aeroporto, em uma das salas de espera particulares. Jake tirava um cochilo na poltrona e Josiah estava no meio de uma ligação para casa. Shawn estava no chão, com duas almofadas fofas embaixo da bunda e as pernas estendidas para evitar os formigamentos.
– A vai?
– Não. – Shawn fez uma careta. – Ela precisa trabalhar, então só vamos nos ver quando eu voltar para Toronto.
– Vocês vão para o Brasil em seguida?
– No final do mês. – Assentiu com a cabeça.
– E você está surtando? – O empresário riu.
– Razoavelmente. – Confessou. – Meu português ainda é horrível e eu não sei como vou conversar com o pai dela. disse que ele não fala inglês, então vai ser complicado. – Suspirou.
– Você vai ser sair bem. – Josiah murmurou, sentando ao lado de Andrew em seguida. – Sabe ao menos falar “oi” em português?
– Sei falar muitas coisas em português. Mas não o suficiente para conseguir formular frases completas e coerentes.
– Mas já é alguma coisa. – Josiah o consolou e Shawn assentiu em concordância. Entraram em uma conversa sobre as fotos de , mas uma ligação da garota desviou a atenção de Shawn e ele abriu um sorriso largo.
– Oi dengo. – Saudou, ajeitando as almofadas para poder se deitar. Esticou as pernas e as apoiou na parede e sorriu quando constatou que tinha pouco mais do que àquela altura. – Acho que você tem realmente o mesmo comprimento que as minhas pernas. – Comentou após explicar como estava posicionado.
– “Você é um idiota.” – Shawn gargalhou. – “Eu bato no seu ombro.”
– Eu sei amor, estou brincando. Como você está?
– “Bem e você? Já está em Madri?”
– Ainda não. Estou no aeroporto. – Contou. – Jantamos agora há pouco.
– “Mande um beijo para o pessoal.”
– E para mim não? – Fingiu decepção e riu.
– “Não.” – Foi firme. – “Você fica me zoando por ser pequena.”
– Amo você assim mesmo, dengo. Cabe tão bem nos meus braços. – Falou, sabendo que aquilo iria derreter o coração de .
– “Inferno, Shawn.” – Ela xingou. – “Meu coração é fraco, você sabe.”
– Sei. – Concordou. – Já avisou a sua mãe da nossa viagem?
– “Já. E ela está mudando a minha cama de solteiro para uma de casal porque “de jeito nenhum o meu genro vai dormir no quarto de hóspedes”, nas palavras exatas dela.” – A brasileira falou e Mendes a imaginou revirando os olhos. Gargalhou com gosto.
– Eu amo a minha sogra. – Shawn comentou.
– “Puxa saco.” – estalou os lábios. – “Estou com saudade. E parei para pensar que não vou aguentar ficar longe de você quando estiver em turnê. Mas também vou sentir falta de casa.”
– Ainda sem saber o que fazer? – Questionou com cuidado. Não queria pressionar .
– “Ainda.” – Ela disse. – “E preciso desligar porque estou morrendo de sono.”
– Vou cantar para você dormir. – Murmurou, em seguida começando a cantar Never Be Alone. dormiu na terceira música e quando Shawn desligou a chamada, seu coração estava quentinho e cheio de amor. Aquela garota era tudo para ele.

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Jonas Brothers soava da caixa de som. No fogão, a panela com brigadeiro era cuidada por Olivia e no quarto, e estavam em uma chamada de vídeo com enquanto separavam as roupas que a brasileira levaria para o Brasil. Estava calor – não tão calor como seria em janeiro, mas ainda assim, quente o suficiente para levar apenas uma calça jeans. E tinha certeza de que Shawn iria levar 20 calças pretas e 50 camisetas pretas. E botas. Não poderia jamais esquecer as botas.
– Mas será que não vai esfriar? Tipo, ainda faltam duas semanas para vocês viajarem. – falou.
– “A previsão do tempo é de calor até metade de abril.” – reclamou. – “Sério, tá um inferno nesse país.”
– Aqui está um frio do caralho. – murmurou. Ergueu dois vestidos e então encarou as garotas, em busca de auxílio.
– O florido. – falou e assentiu em concordância.
– “Shawn está na Inglaterra?”
– Sim. – estalou os lábios. – Ele estava em Roma nos dois últimos dias e viajou para a Inglaterra hoje. Tem uma entrevista na BBC Radio amanhã. – Sorriu orgulhosa.
– Esse álbum vai ser gigantesco. – comentou.
– “Está preparada para ouvir merda?” – foi direta no ponto e fez uma careta. – “Você disse que ele escreveu muito sobre você. As pessoas vão falar e colocar defeitos.”
– Eu sei. – Sentou-se na cama e encarou a tela do notebook. estava com os fios de cabelo mais escuros e tinha olheiras que sabia ser por causa da faculdade. Ela estava no último semestre e as coisas sempre enlouqueciam no TCC. – Eu ainda não ouvi o álbum, Shawn quer fazer surpresa. – Riu. – Mas eu sei que tem muita música sobre mim e sei que as pessoas vão encher o saco.
– E a mídia. – completou.
– Não coloque mais coisas ruins na lista. – Olivia chiou ao adentrar o quarto, se jogando na cama ao lado da namorada e sorriu agradecida para ela.
– Mas é verdade. – Deu de ombros. – Eu sei que vai ser horrível porque as coisas ainda estão ruins e pesadas. Eu não sou cega, ainda vejo o monte de merda que falam sobre mim. Mas o tempo que eu passei longe de Shawn foi muito ruim. E quando nos acertamos e ele me contou como se sentiu, foi pior ainda. Me fez rever as minhas prioridades. Me fez perceber que eu estava nos machucando por causa de pessoas que não mudavam nada na minha vida. Eu não me acostumei com os comentários ruins ou sequer me sinto confortável, eu só… não dou atenção. É chato e terrível, mas essas pessoas não sabem nada sobre o que Shawn e eu temos. Eu o amo e quero estar com ele. Ele é feliz comigo e isso basta.
– “Estou orgulhosa.” – fingiu secar as lágrimas e ergueu o dedo do meio para a prima.
– Eu também. – foi sincera e recebeu um sorriso.
– Quero ser madrinha desse casamento. – Olivia comentou, causando risos.
– Em cinco anos. – Foi a resposta de , para o choque do trio. Acabou rindo dos olhos arregalados das amigas. – Shawn e eu… Conversamos bastante sobre o futuro.
– “Eu vou chutar a bunda do Henrique, porque nós estamos juntos desde os 16 anos e sempre que eu falo em casamento, ele surta.”
– Homem. – estalou os lábios.
– E o Shawn é o que? – arregalou os olhos para a amiga.
– Não sei, mas não é desse planeta. – A loira retrucou e elas riram.
– “Me conta mais sobre os planos! Quero ter material pra jogar na cara do Henrique para depois chutar a bunda dele.” – Abriu um sorriso diabólico.
– Não temos nada concreto. – A fotógrafa deu de ombros. – Apenas falamos em casamento. Daqui cinco anos. E quando ele voltar da turnê, vamos começar a discutir sobre dividir o mesmo apartamento.
– Vocês já fazem isso. – Olivia acusou.
– Não definitivamente. Apenas… cinco vezes na semana. – Riu.
– Se a gente começa a se ver tanto assim, vamos terminar em um mês. – murmurou para a namorada.
– Sim, você é muito chata. – Olivia retrucou e gargalhou com gosto.
– E depois diz que me ama. – A loira revirou os olhos quando Olivia a beijou no rosto.
– “Já contou para a tia Susana que você não vai voltar para cá?” – questionou.
– Eu dei indiretas. – Confessou. – Mas acho que ela já sabe, porque eu nunca comentei sobre voltar. Antes mesmo do Shawn. Eu em apaixonei por Toronto e tenho amigos e uma casa e um emprego, – Suspirou. – Eu tenho vocês aí no Brasil, mas a minha vida é aqui.
– “Eu sempre soube que você não ia voltar.” – sorriu. – “Mauricio e Henrique também. A tia Susana vai superar.”
– Claro que vai. Depois de me matar. – riu e a acompanhou. – Tá, vamos voltar para a mala. – Bateu palmas, pescando alguns biquínis na bagunça de roupas e os estendendo para as amigas darem uma olhada.
– Todos são fio dental? – sorriu largo. – Shawn vai adorar.
– É claro que ele vai. – Olivia concordou.
– “Se ele chorar de felicidade eu gravo para vocês.” – prometeu.
– Vocês são terríveis. – revirou os olhos, mas acabou rindo junto das amigas. Afinal, não havia como negar que Shawn realmente iria adorar os biquínis.

Capítulo 22

And every line, every word that I write
You are the muse in the back of my mind, oh

Shawn.
Entrevistas em rádio sempre eram um pouco esquisitas quando Shawn parava para pensar que as pessoas iriam apenas ouvi-lo e deveriam interpretar suas frases com base em seu tom de voz. Ele não tinha certeza se era muito bom em expressar brincadeiras ou até mesmo sarcasmo – sempre dizia que ele era fofo o tempo todo e sua mãe endossava o argumento -, não que ele pensasse em ser sarcástico ou maldoso de qualquer forma, mas aquele era sempre um pensamento que tomava sua mente quando tinha alguma entrevista daquela para dar.
Aquele era o último dia de press tour e Shawn estava ansioso para voltar para casa, mesmo que ainda precisasse passar alguns dias em Los Angeles antes disso. In My Blood seria lançada em três dias e ele só iria para Toronto na semana seguinte. Iria gravar uma apresentação no Late Late Show com o James Corden no sábado e só poderia embarcar para Toronto no domingo. Depois de Madri fora para Roma e então finalmente Londres. E ao contrário da ultima visita recente que havia feito a cidade, passara o dia anterior inteiro dando entrevistas no hotel sem sair para aproveitar a cidade. Aquilo o fazia pensar que gostaria de dias mais espaçados entre um show e outro da turnê para que ele realmente conhecesse os lugares que iria visitar.
Como sempre dizia, do que adiantava carimbar o passaporte e não conhecer nada além das paredes dos hotéis?
Passou as mãos pelos cabelos e suspirou antes de assentir para o entrevistador começar a entrevista. Brandon introduziu o programa, falou um pouco sobre Shawn e lhe agradeceu pela presença.
– O prazer é todo meu em estar aqui, Brandon. É sempre incrível conversar com vocês da BBC Radio.
– Nossa última entrevista foi no meio do ano, não foi? Durante a sua passagem por Londres durante a turnê.
– Foi sim. Já fazem alguns meses e muita coisas aconteceu desde então. – Riu fraco.
– Temos muito o que conversar e felizmente temos tempo! – Brandon sorriu. – Vamos começar pelos posts secretos que você anda fazendo no Instagram…
Shawn riu.
– Na verdade, eles já não são mais tão secretos. Postei duas datas antes de entrar para essa entrevista.
– E você nem me deixa ter essa exclusiva? – Fingiu ofensa. – Isso é vacilo, Shawn! – Eles riram.
– Vou dar uma exclusiva e afirmar que são datas de lançamento para os primeiros singles. – Comunicou. – Já estamos preparando o público e acreditamos que dois singles vão aumentar as expectativas das pessoas sobre esse álbum.
– Alguma pista sobre o nome dessas músicas?
– Minha boca é um tumulo a partir de agora. – Shawn riu.
– Certo, certo. – Brandon estalou os lábios. – Vamos falar sobre o álbum. Acabaram de me informar pelo ponto que as fotos para a capa foram feitas pela sua namorada. É verdade?
– Sim. – Assentiu. – ficou um pouco temerosa e me perguntou, várias vezes, se eu tinha certeza de que queria ela fotografando esse ensaio. Eu nunca tive dúvidas, porque ela faz um trabalho incrível e todo mundo que presta atenção nas fotos dela, consegue ver isso. Ela pode não ter anos de experiência, mas ela tem talento e muita dedicação. E fez um trabalho incrível no ensaio.
– Não foi estranho? Viver essa relação profissional quando vocês têm um relacionamento amoroso?
– De forma nenhuma. Tudo com a é muito fácil. E Josiah, meu fotógrafo de turnê, tem muito mais trabalho comigo do que a teve. Ela é pequena, mas o olhar dela é assassino. – Eles riram.
– Já que estamos falando da , – Brandon pronunciou com dificuldade e Shawn riu. – Ela serviu de inspiração para as músicas?
– Eu sei que falar sobre isso só vai gerar mais tumulto em cima de nós dois, – Shawn torceu os lábios. – Mas não falar sobre isso também é ruim. Então sim, foi minha maior musa inspiradora. Mais da metade das músicas eu escrevi sobre nós. Às vezes alguns parágrafos, outras vezes a canção inteira. Meus fãs sabem que eu escrevo sobre o que eu vivo, na maior parte do tempo, e com ela não seria diferente.
– Vocês dois estiveram separados por um tempo. – Brandon murmurou.
– Sim. Um tempo que pareceu mais longo do que realmente foi e não fez nenhum bem para nenhum de nós. – Shawn foi firme. – Nós arecemos e melhoramos como pessoas e como casal, mas eu gostaria que não tivéssemos precisado disso. Gostaria que nada de ruim tivesse acontecido, mas não podemos apagar o passado. E é por isso que eu falo sobre isso agora.
– Como você se sente sabendo que muita gente escreve coisas ruins para ela, só porque vocês namoram?
– Decepcionado. – Mendes falou. – A gentileza e a empatia são um dos maiores bem da humanidade e ver tanta gente sendo cruel, a troco de nada, é decepcionante. E apesar de isso pesar e machucar, não define quem nós somos. Define quem escreve essas coisas.
– Eu sou fã de vocês, preciso confessar. – Brandon riu e Shawn agradeceu. – Tem alguma informação que você possa falar sobre a turnê?
– Não! – Shawn riu. – Não ainda. Mas vai ser grande, isso eu garanto.
– Mendes você não me dá uma brecha! – Brandon reclamou. – Agora vamos fazer um jogo, tudo bem?
– Vamos lá!
– Vou ler um pedaço de alguma letra sua e você precisa me dizer de qual música é.
– Qual é Brandon, não me deixa mal cara! – Eles riram.
Por mais 10 minutos, Shawn participou do jogo e comentou um pouco mais sobre o lançamento dos singles. Deixaram o prédio da BBC Radio em direção a mais uma entrevista e Shawn entrou em suas redes sociais apenas para ver como estavam os ânimos dos fãs e da mídia. Ainda tinha muita gente atacando e ele torceu os lábios em desagrado. Mas sentia-se satisfeito com suas declarações e se as pessoas não conseguiam respeitar e aceitar seu relacionamento, ele não podia fazer nada. Abriu a conversa com e sorriu ao ler as palavras da namorada.
Dengo
Estamos na Times Square! 01:24 pm

Por que você não me disse que a foto do ensaio ia para a Times Square? 01:24 pm

Dengo, uma das fotos vai ser capa do álbum 02:15 pm
Vai circular o mundo todo 02:15 pm
Você fez um trabalho incrível e eu te amo 02:15 pm

Dengo
Eu te amo mais ainda 02:15 pm

E meu coração fraco vai parar 02:15 pm
O cantor riu com gosto, trocando mensagens com a namorada em todos os intervalos que tivera entre um compromisso e outro. Mal via a hora de voltar para casa e estar com ela.

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Suspirou ansiosa, tamborilando os dedos contra o notebook e recebendo um olhar atravessado de . Era a quarta vez que ela fazia aquele barulho irritante, mas quem poderia culpa-la por estar nervosa? Shawn iria lançar o primeiro single do álbum em alguns minutos e ela estava surtando.
Tudo bem, ele era seu namorado. Mas muito antes de ser a namorada dele, era fã do canadense. E nada no mundo poderia diminuir o entusiasmo que ela sentia ou o orgulho que transbordava de seu peito.
e Olivia estavam com ela, para garantir que não teria um surto psicótico e morreria do coração. Havia conversado com Shawn – que estava em Los Angeles há três dias – pela tarde e eles haviam combinado de conversar quando a música saísse. Ela queria ser uma das primeiras pessoas a lhe parabenizar e mesmo que a música não fosse inédita para ela há muito tempo, sabia que a sensação de ouvir In My Blood pela primeira vez no Spotify seria devastadora.
– Vamos pedir comida? – Olivia indagou.
– Vocês decidem. – não deu atenção, já que estava compenetrada em surtar no Twitter. Era uma de suas redes sociais favoritas e mesmo que recebesse muitas mensagens terríveis por lá – o fluxo havia aumentado depois da entrevista de Shawn para a BBC Radio e as fotos do ensaio para a capa do álbum que havia postado -, ela não deixava de surtar por seus ídolos. Com Shawn não seria diferente e quando recebeu a notificação de que ele havia postado no Instagram avisando que a música estava disponível, gritou e correu para o Spotify, ao mesmo tempo em que virada o celular em sua direção e começava a gravar a reação de – a pedido de Shawn.
Seu coração batia acelerado a na metade da música, ela já estava chorando. Não era tristeza por saber que Shawn sentia-se tão sufocado por causa da ansiedade, já que ele estava melhorando todos os dias e já não tinha dias tão ruins quanto outrora. Mas sentia orgulho da coragem dele em se expor daquela forma. Sentia as palavras dele em seu coração, como sempre havia acontecido e por isso ela o amava tanto como artista. Quando a música terminou, seu rosto estava molhado pelas lágrimas e seu coração batia com força no peito. Buscou o celular no mesmo instante em que uma chamada de Shawn apareceu no visor e ela suspirou antes de atender.
– Eu estou chorando tanto, Shawn. – Foi a primeira coisa que disse. – E eu estou morrendo de orgulho de você. Você é um artista incrível e vai continuar conquistando o mundo porque você merece e se esforça muito para ter o sucesso que tem. Eu te amo demais, tanto que nem cabe no peito.
– “Eu queria muito estar aí para vivermos esse momento juntos, dengo.” – Shawn suspirou. – “Amanha, principalmente. Quando Lost In Japan sair.”
– Eu ligo para você pelo Skype e você vai me ver chorar e gritar. – Eles riram baixinho e ficaram em silencio por alguns minutos.
– “Meu coração está acelerado.” – Confessou. – “Não sei como as pessoas vão reagir a essa música. Eu nunca escrevi sobre a minha ansiedade, não dessa forma tão direta.”
se recostou no sofá, deixando o notebook no assento do sofá ao seu lado e fechando os olhos quando deitou a cabeça no encosto do móvel.
– Estou falando como fã e não como namorada, tudo bem? – Indagou e só continuou a falar depois que ele concordou com um resmungo. – Essa música é incrível. Ninguém esperava que você fosse tão honesto sobre isso, não no primeiro single. Mas você sempre foi honesto com o que escrevia e infelizmente, a ansiedade faz parte da sua vida. E muitas pessoas sofrem com isso e elas vão encontrar força nessa canção. Vão encontrar força e inspiração em você. Você não está sendo um mau exemplo. Não estava incentivando o uso de drogas ou menosprezando mulheres em uma canção. Você está falando sobre um problema sério, com responsabilidade. Está passando o recado de que pedir ajuda não é uma vergonha e que as pessoas tem que se cuidarem. Eu tenho orgulho de você, não apenas pelo trabalho incrível, mas pela honestidade que você colocou nessa canção. Tenho orgulho porque você não vai deixar isso te sufocar e vai pedir ajuda se precisar. Isso não é uma fraqueza, trevo.
– “Eu te amo.” – Shawn respondeu com a voz embargada. – “Te amo mais a cada segundo. Muito obrigado, dengo. Eu não sei se ia conseguir dormir hoje porque tudo isso estava na minha cabeça me enlouquecendo.”
– Posso cantar para você, com a minha voz de taquara rachada. – brincou e só sorriu quando ouviu a risada dele.
– “Quando eu for dormir, já vai ser madrugada aí em Toronto.”
– Odeio fuso horário. – Chiou.
– “Vou sair para comemorar com a equipe. Eu ligo para você amanhã de manhã.”
– Tudo bem. Eu amo você e estou morrendo de orgulho. Agora vou surtar no Twitter e chorar mais um pouco enquanto deixo a música no replay. – Eles riram e após murmurar que a amava, Shawn desligou a chamada e sorriu.
atirou uma almofada em seu rosto e após uma pequena discussão sobre o jantar, voltou ao Twitter para surtar devidamente. E mesmo tendo lido muita merda, já que as pessoas pareciam bem interessadas em lhe xingar por ser fã de Shawn, ela terminou o dia sendo uma fã e uma namorada muito feliz. Sorte a dela que o responsável pelas duas felicidades era a mesma pessoa.

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Shawn.
Soltou um suspiro aliviado quando apertou o cachecol em torno do pescoço por causa do frio. Estava escorado no carro, em frente ao prédio onde trabalhava, esperando pela garota ao final do expediente dela. Havia cumprido todos os compromissos profissionais em Los Angeles e desta forma, havia embarcado para Toronto na manhã daquela segunda-feira. Tinha que arrumar as malas para a viagem ao Brasil e ele sabia que teria problemas em não levar cinco pares de botas, mas só faria esse trabalho no dia seguinte. Naquele dia, queria e o surto dela sobre o lançamento dos singles.
In My Blood e Lost In Japan haviam alcançado a primeira e segunda posição das músicas mais tocadas em diversos países e Shawn não poderia estar mais satisfeito com o trabalho que haviam feito naquele álbum. A recepção da mídia havia sido positiva e os comentários sobre Lost In Japan ser sobre ficaram sufocados na enxurrada de elogios que a canção estava recebendo. Era divertida, tinha uma melodia contagiante e a letra era ótima. Shawn já tinha diversas ideias para o videoclipe e mesmo sabendo que jamais aceitaria protagonizar o vídeo com ele, não iria desistir de ao menos tentar convencê-la uma ou duas vezes.
Se sentia feliz e satisfeito com o rumo que sua carreira estava tomando e esperava que os próximos lançamento fossem tão ou mais bem-sucedidos do que aqueles dois primeiros. No mundo todo, as pessoas só falavam sobre ele sobre sua música. E aquilo era tudo o que Shawn esperava como artista, já que viver nos holofotes por causa de sua vida pessoal nunca havia sido algo que ele gostara. Apesar de estar ansioso para o lançamento do álbum, ele sabia que não adiantava surtar por causa daquilo, já que tinham dois meses inteiros para esperar pelo lançamento.
Abriu um sorriso largo quando viu correr até ele com um sorriso tão grande quanto o seu. O peito de Shawn transbordou de amor e ele uniu seus lábios com entusiasmo e saudade.
– Senti tanto a sua falta! – Ela suspirou dentro do abraço dele.
– Eu também, você sabe. – Shawn sorriu e abraçou a namorada pelos ombros. – Pensei que poderíamos tomar um café antes de ir para casa.
– Você descobre os meus desejos mais íntimos e é por isso que eu te amo. – se inclinou para beijar Shawn na bochecha e eles seguiram caminho pelas ruas movimentadas de Toronto. A maioria das pessoas estava saindo do trabalho e indo se esconder do frio em suas casas.
– Ou então os nossos desejos são parecidos. – Piscou para ela.
– É possível. – concordou.
– Como foi no trabalho?
– Intenso. – Suspirou. – O pessoal está muito emotivo porque eu vou embora.
– E você, como está?
– Ansiosa para ver a minha família. Eu sei que faz pouco tempo que eu os vi, mas ainda assim, sinto falta.
– Totalmente compreensível.
– Mas eu também estou triste porque eu adoro meus colegas. Não sei como vai ser daqui para frente. Me acostumei muito com eles e vou sentir falta.
Shawn franziu o cenho em confusão.
– Mas você ainda não tinha decidido, . – Murmurou. Ela o encarou surpresa.
– Catherine não ligou para você?
– Não. – Shawn arqueou as sobrancelhas.
– Eu achei que ela fosse fazer isso. Sabe, incomodar você porque eu vou viajar com ela o durante o resto do ano. – Piscou lentamente e então Shawn se deu conta.
– Você aceitou? – Quase engasgou.
– Eu espero que você ainda me queira fotografando a turnê. – Mordeu o lábio inferior. – Porque volto para casa assim que a turnê da Cath terminar e vou estar desempregada outra vez.
Shawn gargalhou, puxando para seus braços e tirando a garota do chão, em um abraço tão apertado que quase tirou o ar dela. Ela riu junto com ele, deixando um sorriso largo nos lábios quando Shawn a colocou no chão e segurou seu rosto com as duas mãos. Os olhos dele brilhavam em pura alegria e animação e ele não conseguia colocar em palavras o quanto estava aliviado com aquela notícia.
– Essa sem duvidas foi a melhor notícia que eu poderia receber.
– Estou surpresa pela Catherine não ter ligado para jogar na minha cara que eu vou passar os próximos meses longe. – riu.
– Talvez eu faça um mochilão pela América do Norte. – Shawn deu de ombros. – Sabe, visitar algumas cidades. Algumas cidades onde talvez você esteja.
– Ela vai matar você.
– Mas matar alguém é contra a lei. – Sorriu e gargalhou. Ele a beijou nos lábios levemente e suspirou aliviado.
– Eu decidi isso mais pela experiência. Ia morrer de saudade de você, se eu não fosse, mas íamos sobreviver. – Explicou. – Eu pesei os prós e os contras e acabei me dando conta de que a vivência vai ser incrível e que eu não iria encontrar nada parecido com isso em nenhum outro lugar. Então aceitei. Liguei para Catherine ontem e ela passou meia hora surtando. – Eles riram.
– Obrigado. – Acariciou o rosto dela com o polegar.
– Isso quer dizer que a sua proposta ainda está de pé? – Arqueou as sobrancelhas.
Dengo, ela estaria de pé mesmo se você terminasse comigo. Você é uma fotógrafa incrível e eu sempre disse isso para você. Eu quero você na turnê comigo porque sei que você vai fazer um trabalho maravilhoso. Mas não morrer de saudade é um bônus muito bom, preciso admitir.
– Amo você. – suspirou.
– Eu também amo você. – Mais um beijo rápido e eles voltaram a andar em direção a cafeteria mais próxima. Os corações batiam com força no peito, ambos felizes demais para conseguir colocar em palavras. Mas estava em seus olhos e escrito em suas testas. Como o amor entre eles.

Capítulo 23

And every single night my arms are not around you
My mind’s still wrapped around you

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Gargalhou alto quando Shawn resmungou mais uma vez. Ele estava inconformado porque se recusava a ajudá-lo a terminar a mala, sendo que eles deveriam embarcar para o Brasil em algumas horas e ele nem havia decidido quantas camisetas levar. estava irredutível porque ele tivera dias para fazer a mala e havia deixado para última hora, então ela apenas estava aproveitando e se divertindo com os resmungos dele, comendo chocolate e jogada na cama completamente confortável. Shawn estava no chão, de joelhos, jogando roupas na mala de qualquer jeito e atirando as peças que ele não iria levar para dentro do closet.
– Você costumava ser uma namorada melhor. – Ele chiou em clara provocação e apenas riu.
– Não vai me convencer jogando sujo, Mendes. Já conheço os seus truques. – O encarou com diversão e Shawn lhe estirou a língua.
– Você podia guardar as roupas no closet. Vai ficar uma bagunça horrível ali dentro, dengo. – Choramingou e riu outra vez. Ele era tão dramático, mas ela o amava tanto. Suspirou e enfiou mais um tijolinho de chocolate na boca antes de levantar e se aproximar no namorado para beijá-lo no rosto.
– Tudo bem. – Cedeu. – Mas só porque eu sou uma namorada muito legal e incrível e você vai me amar para sempre.
– Sem dúvidas. – Shawn a beijou nos lábios com um sorriso largo e voltou a atenção para a bendita mala.
se enfiou no closet e acabou se entretendo ao guardar as roupas de Shawn. Ele era bem organizado e ela já sabia o lugar de algumas coisas, já que estava acostumada a pegar as camisetas dele e não devolver nunca mais.
– Aaliyah estava reclamando porque não vamos levá-la. – Shawn comentou.
– Eu sei. – riu, guardando mais algumas camisetas e revirando os olhos para a quantidade de jeans preto que Shawn tinha. As peças desbotavam rápido e ele acabava comprando novas ao invés de tingir. Quando voltassem do Brasil, o obrigaria a fazer uma limpeza no closet e doar as peças que já não usava mais. – Ela me ligou ontem para falar sobre isso e eu lembrei que ela tem aula.
– Tenho certeza que o seu irmão não é sem noção como a Aaliyah.
gargalhou.
– Você está tão errado, Shawn. Ele com certeza vai ser ótimo contigo só para me provocar, porque ele é um idiota.
– Duvido muito. – Shawn teimou e revirou os olhos.
Havia terminado com as camisetas e as calças e haviam apenas alguns bonés no chão e ela olhou em envolta, tentando descobrir onde Shawn guardava os chapéus. Bufou quando encontrou uma prateleira bem alta. Era obvio que ele iria guardar os bonés em uma prateleira que só ele, com seus quase dois metros de altura, poderia alcançar. e seus 30 centímetros a menos precisaram escalar algumas prateleiras mais baixas para conseguir jogar os bonés na parte superior da prateleira. Na sua cabeça, o plano era perfeito e de forma nenhuma ela contava com a ideia de acabar derrubando outras coisas que estavam na prateleira. Alguns bonés e um chapéu esquisito caíram sobre ela, bem como um caderno que ela nunca havia visto na vida.
Franziu o cenho em confusão e se ajoelhou no chão. Empilhou os bonés e deixou as peças de lado junto com o chapéu. O caderno não era grande e parecia ser de partituras e estava quase levantando e indo perguntar a Shawn porque ele havia guardado aquele caderno em uma prateleira onde ela nunca mexeria quando um rabisco na contracapa chamou sua atenção. Shawn havia rabiscado uma data e o coração de acelerou quando se deu conta de que, fosse o que ele tivesse escrito naquele caderno, era de janeiro. Quando estavam separados.
– Dengo? – O cantor chamou e quando pensou em guardar o caderno, Shawn já estava na porta do closet, com os olhos no caderno que ela segurava.
– Caiu quando eu tentei jogar os bonés na prateleira. – Explicou e Shawn assentiu. Ele passou a mão pelos cabelos e se sentou ao lado de , puxando-a para que sentasse entre suas pernas. tinha o olhar focado no rosto de Shawn e podia sentir a tensão em cada pedacinho dele.
– Esse foi o meu diário. – Murmurou. – Eu não conseguia falar com ninguém sobre o que tinha acontecido, mas não deixava de pensar sobre isso. Me sentia sozinho, sabe? Porque eu tinha perdido muita coisa. Não só você, mas toda a confiança que eu tinha nos meus fãs. Eram eles que tornavam as coisas menos ruins quando eu me sentia mal e muitos deles foram os culpados por te afastar de mim. Eu tinha muita coisa na cabeça, não conseguia dormir direito… Eu não conseguia escrever sobre isso.
– Shawn… Você não precisa…
– Eu sei. – Sorriu e a beijou na testa. – Mas já passou. A gente pode falar sobre isso.
– Tem certeza?
– Sim.
– Tudo bem. – assentiu. – Então você escreveu aqui?
– Escrevi para você, como se estivéssemos conversando. Porque eu sabia que você era a única que me entendia e era a única pessoa com quem eu iria me sentir confortável para me expor assim. Você já tinha visto do meu coração e eu nunca consegui esconder nada de você, . Era um alivio momentâneo e eu só consegui realmente melhorar quando percebi que precisava tomar as rédeas da minha vida. Tudo tinha acontecido porque eu fui relapso e deixei outras pessoas decidirem por mim. Andrew decidia quando eu ia me posicionar, meus fãs decidiam com quem eu namorava, você decidia se manter longe e apesar de entender os seus motivos, aquilo nunca foi uma decisão minha. Eu nunca teria coragem para te manter longe e me sentia desolado por estar sofrendo com as decisões de outras pessoas.
– Desculpa. – choramingou e Shawn sorriu, a beijando nos lábios com carinho.
– Não era culpa sua. Você tomou uma decisão por si mesma, porque era o melhor para você. Eu só fui deixando as coisas acontecerem, nunca tomando partido ou decidindo algo sozinho.
– Eu posso ler? – indagou, erguendo o caderno para Shawn.
– Só faria mal a nós dois. Você ia ficar triste e eu ficaria triste porque te deixar triste. – Shawn acariciou o rosto da namorada. – Não são palavras fáceis, meu amor. Tudo que está aí é doloroso e corrosivo e a gente não precisa reviver isso.
– Você tem razão. – assentiu. – Foi só curiosidade.
– Eu sei. – Ele riu. – Talvez um dia a gente leia isso, mas no momento, eu tenho uma mala para terminar e temos que estar no aeroporto em três horas.
– Tudo sua culpa, por ter deixado tudo para última hora. – Estirou a língua para o cantor.
– Seja mais agradecida, pois passei os últimos dias consolando você por causa da despedida que os seus colegas tramaram para você na empresa. – Shawn bufou e riu, deixando o caderno no chão e se acomodando no colo de Shawn para lhe beijar.
– Eu sei, amo você por isso. – Sorriu e Shawn acariciou sua cintura, um sorriso largo nos lábios.
– Talvez a gente possa ignorar a mala por um tempinho. – Seus olhos brilhavam com malícia. – Nunca inauguramos o closet e eu não vou conseguir nem te tocar direito, sabendo que a sua mãe vai estar no quarto do lado nos próximos sete dias.
gargalhou e estava pronta para soltar um comentário brincalhão quando Shawn tomou seus lábios e eles acabaram enrolados no chão do closet. Ela só esperava que eles não perdessem o voo, mas não conseguia se concentrar naquilo quando Shawn a beijava daquele jeito.

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Shawn.
Mesmo sendo inicio de madrugada, o aeroporto estava cheio quando eles desembarcaram e o cantor enfiou o boné na cabeça. riu, indicando que não fazia diferença nenhuma, mas Shawn sentia-se mais seguro usando a peça, principalmente quando seu cabelo estava enorme e chamava muito a atenção.
O aeroporto Hercílio Luz era muito menor do que o Pearson e não foi difícil achar a área de desembarque. Eles haviam despachado duas malas e de cabeça baixa e com em seu abraço, Shawn esperou pacientemente até que sua bagagem fosse retirada do avião. Seguiram para o desembarque de mãos dadas e Shawn já estava suando por causa do calor. Assim que pisaram no saguão do aeroporto, um grito animado chamou a atenção de todo mundo e Shawn acabou rindo quando também gritou e o abandonou para correr até a prima. Elas se chocaram com força e Shawn tinha certeza que haviam deslocado alguma parte do corpo. De alguma forma, conseguiu arrastar toda a bagagem para perto das duas garotas e logo o estava puxando para um abraço apertado.
– Oi . – Shawn sorriu.
– Você não está morrendo de calor? – Ela indagou quando se afastou, lançando um olhar assustado para o moletom que ele usava.
– Estou assando. – O cantor resmungou e a garota riu. Cumprimentou Henrique com animação e procurou , sorrindo largo quando encontrou a namorada abraçada no irmão, chorando e resmungando palavras em português que ele não entendia.
– Só vocês dois para me fazerem sair de casa de madrugada. – reprovou.
– Ela nem dormiu, de tão ansiosa que estava. – Henrique entregou e recebeu um soco da namorada, enquanto Shawn ria. – Como foi o voo?
– Cansativo. Quisemos evitar qualquer espera de conexão, então compramos passagem para Nova Iorque e de Nova Iorque compramos para São Paulo. Esperamos só duas horas, ao invés das oito que teríamos esperado na conexão.
– Gente rica é outra coisa. – resmungou e Shawn riu outra vez.
se aproximou com Maurício, os dois com os olhos vermelhos pelo choro, e o cantor lançou um olhar animado para o cunhado.
– Shawn, esse é o idiota do meu irmão. Maurício, esse é o idiota do meu namorado. – Apresentou, arrancando uma gargalhada de enquanto os dois se cumprimentavam.
– Tenho certeza de que vamos ser bons amigos. – Maurício murmurou e revirou os olhos.
– Claro que sim. – Bufou. Ela e voltaram se abraçar enquanto o grupo seguia para fora do aeroporto e foi um pouco trabalhoso colocar todas as malas no carro. foi entre e Shawn, com a cabeça deitada no peito do namorado enquanto conversava com a prima sobre as novidades. Não que elas tivessem muito o que falar, já que conversavam pelo telefone todos os dias, mas Shawn não iria se meter. Estava ocupado admirando a paisagem e fazia comentários esporádicos com Henrique e Maurício, que tinham a bondade de conversar em inglês com ele.
– Então a sua mãe deu aulas para todos vocês? – Shawn indagou para Maurício.
– Sim. – Ele assentiu. – Ela nos fazia conversar em inglês em casa para melhorar a conversação.
– Acho que ela pressentia que ia arrumar um genro que não fala português. – Henrique riu.
– Eu até falo alguma coisa. – Shawn comentou. – Tive algumas aulas com ela, durante a turnê, mas não sou muito bom.
– Português é difícil. Nós tivemos uma vida para aprender inglês e você está sendo forçado ao português por alguns meses. Vai demorar um pouco mais para estar fluente. – Maurício murmurou.
– É realmente uma língua difícil. Principalmente porque a solta palavras aleatórias e não explica. – Shawn falou e recebeu um cutucão na cintura. Sorriu para a namorada com as sobrancelhas arqueadas. – Achei que estivesse conversando com a .
– E estou. Mas não vou deixar você me difamar para a minha própria família. – Estirou a língua para o namorado e Shawn riu, brincando com uma mecha de cabelo dela em seguida.
– Você e Aaliyah adoram falar mal de mim. Posso ter a minha vingança agora.
– De jeito nenhum! – chiou e ele riu.
Conversaram durante todo o caminho de Florianópolis até Brusque e Shawn admirava a paisagem encantado. O Canadá era bem diferente e ele precisava aproveitar quando tinha a chance de conhecer lugares tão incríveis. Tivera razão quando brincou que ele e Maurício iriam se dar bem e junto com Henrique, eles falaram sobre esportes – algo que os três gostavam -, Shawn aprendeu mais sobre futebol – não o que ele estava acostumado no Canadá – e ensinou o básico sobre hóquei para os brasileiros.
Quando chegaram a Brusque, o Sol já havia nascido completamente e saiu correndo do carro – depois de empurrar para fora – e entrou na casa como um furacão. Shawn estava observando a vizinhando da namorada, realmente impressionado com a diferença entre a cidade de e Pickering. As casas não seguiam o mesmo modelo, de forma que haviam residências completamente diferentes uma do lado da outra. Todas tinham portões e cercas, algumas tinham mais de um andar e os jardins eram uma confusão de flores e plantas completamente diferentes.
Um grito soou dentro da casa e Shawn acabou rindo enquanto retirava as malas do carro.
– Ela abandonou você completamente. – Maurício riu.
– Ela estava sentindo muita falta de vocês. – Explicou. – Eu vejo meus pais toda a semana e quando estou em turnê, vejo eles uma vez por mês, pelo menos. Foram três meses desde a última vez em que ela esteve aqui, então acho todas as reações dela completamente compreensíveis.
– Droga. – Maurício resmungou. – Você é mesmo um cara legal. – Eles riram e o cunhado guiou Shawn para dentro da casa.
Deixaram as malas na sala e Shawn abriu um sorriso imenso quando encontrou e Susana abraçadas no meio da sala. estava chorando e Susana consolava a filha, chorando junto com ela. Shawn não entendia nada do que elas murmuravam, mas sorriu largo quando Susana o chamou para o abraço. Acabou enfiado entre as duas, recebendo um beijo na bochecha dado por e então se virando para a sogra.
– Você é tão alto quando eu esperava. – Susana murmurou rindo. – Fico feliz que esteja aqui, querido. Deveríamos ter nos encontrado nas festividades de ano novo, mas tenho certeza que tudo aconteceu do jeito que deveria.
– É um prazer imenso finalmente conhecer você, Susana. – Shawn sorriu e a mulher o acompanhou, segurando o rosto dele com firmeza e o analisando com o cuidado que apenas uma mãe faria.
– O seu cabelo está enorme! – Chiou e gargalhou.
– Minha mãe também corta cabelo. – Avisou.
– Vamos dar um jeito nisso mais tarde. – Susana decidiu e o cantor riu. – Agora subam para descansar, tenho certeza que estão exaustos. E todo mundo quer dormir um pouquinho mais.
– Eu amo você, tia! – murmurou e sumiu nas escadas junto de Henrique e Maurício.
entrelaçou os dedos nos de Shawn e ele sorriu para ela.
– Bem-vindo a minha primeira casa. – Murmurou e ele a beijou no topo da cabeça.
Seguiram para o segundo andar com as malas e após Susana avisar que voltaria em algumas horas para chama-los para o café da manhã, se jogou na cama de casal e indicou o lugar vazio ao seu lado. Ele deitou e puxou a namorada para seus braços, enquanto analisava o quarto – vazio de qualquer pertence importante – e decidia que era a cara de .
– Quero ver o seu estúdio depois. – Murmurou.
– Vou te ensinar a revelar fotos do jeito mais legal. – prometeu e beijou Shawn nos lábios com cuidado. – Estou feliz que esteja aqui.
– Estou muito feliz por estar aqui com você, dengo. – Ela se aninhou em seu abraço e Shawn fechou os olhos. Estava exausto, mas seu peito transbordava amor e felicidade.

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.
Havia mostrado todo o bairro para Shawn ao final do dia. Eles haviam dormido um pouco e após um café da manhã reforçado, arrastou Shawn para passeios e mais passeios. Mostrou a escola onde havia estudado, as praças onde se encontrava com os amigos, os estúdios de fotografia onde havia trabalhado e os restaurantes dos quais ela gostava. Contou mais sobre as loucuras que inventava e sobre as várias vezes em que pensou que seria presa por causa dos planos da prima. Mostrou a Shawn a lanchonete onde havia tido seu primeiro encontro e a mureta que a havia escondido quando deu o primeiro beijo.
Voltaram para casa ao anoitecer, já que o jantar em família no sábado a noite era uma tradição que só estava perdoada por perder porque estava morando no Canadá. Haviam conhecido a namorada de Maurício, Pietra, que ainda parecia encarar Shawn com surpresa, mas que havia despertado em o melhor sentimento de amizade que poderia ter por uma cunhada. A garota era simpática e realmente bonita demais para seu irmão. Shawn havia confessado se sentir culpado por obrigar a família de a conversar em inglês para que ele entendesse e ela contou que muitos dos jantares de sua adolescência era exatamente como aquele, já que Susana gostava de praticar conversação.
– Ela está fazendo curso de francês. – Maurício comentou. – Eu fui intimado a ter aulas todas as quartas-feiras. – Torceu os lábios e riu.
– Poxa mãe, eu sempre quis aprender francês! – reclamou.
– Vamos marcar as nossas aulas, . Não se preocupe. – Sorriu para a filha e então desviou o olhar para Shawn. – E nós ainda temos aulas pendentes.
– Com certeza. – Shawn concordou.
– Ainda fico chocada com o fato de você ter procurado aulas de português em segredo. – comentou.
– Você sabe como a sua prima adora falar em português e me deixar sem entender nada. – Deu de ombros. – Precisei me virar.
– Você é terrível. – Maurício riu e fez um high five com a irmã. – Mas ainda somos amigos, cara. – Ergueu o polegar para Shawn e o cantor riu.
tentou me assustar uma vez dizendo que você ia me odiar.
A fotógrafa revirou os olhos.
– Maurício não presta nem para isso.
– É o comitê dos irmãos mais velhos cuzões. – declarou. – Leonardo, não entre para o grupo deles. Sua irmã mais nova é ótima e não merece esse desgosto.
– Vou me manter neutro. – Ele declarou.
– Antes de tirar a mesa para as sobremesas, temos um assunto importante para discutir. – Susana falou e todos desviaram a atenção para ela. procurou a mão de Shawn embaixo da mesa e entrelaçou seus dedos aos dele, buscando segurança e conforto. Ele se inclinou e a beijou no topo da cabeça, recebendo um sorriso fraco dela.
– Vamos lá. – Ela disse por fim.
– Eu sei que você não vai voltar, . – Susana comentou e tinha um sorriso triste nos lábios. – E não apenas por causa do Shawn, porque eu já sabia disso no momento em que você disse que ia embora.
– Todos nós sabíamos e por isso foi tão difícil te dizer tchau. – Leonardo comentou e sorriu para o padrasto.
– E você não está tipo, querendo me matar? – A garota questionou e Susana riu.
– Te matar por estar vivendo algo que te faz feliz? Querida, de forma nenhuma. Eu sempre soube que meus filhos, um dia, voariam para longe. E fico muito feliz por vocês me ligarem todos os dias e por conseguir ver Maurício duas vezes na semana.
– Você se mudou e não me disse? – se virou para o irmão, dando um tapa certeiro na testa dele. Shawn abafou a risada, mas caiu na gargalhada.
– Eu te disse que ela ia te bater por não contar. – Comentou e Maurício estirou o dedo para a prima.
– Não é importante. – Retrucou. – É um apartamento pequeno, há duas quadras de distância e eu janto aqui duas vezes na semana, então é como estar de férias.
– Fora a parte do aluguel. – Pietra riu.
– Você é o pior irmão do mundo. – decidiu.
– E porque você não contou que abandonou o emprego? – O rapaz retrucou, recebendo outro tapa da irmã e abrindo um sorriso contente quando Susana exclamou surpresa.
– Você abandonou o trabalho? Por quê?
suspirou e Shawn apertou os dedos contra os dela mais uma vez.
– Eu vou trabalhar com a Catherine pelo resto do ano. Ela está em turnê e me ofereceu uma vaga. O salário é muito bom.
– E depois? – Leonardo indagou com preocupação.
– Ah, depois… – Ela mordeu o lábio inferior. – Eu meio que vou viajar com o Shawn.
– O quê? – Susana arregalou os olhos.
– Eu vou estar em turnê durante todo o próximo ano e eu quero muito a na minha equipe. Não porque a gente namora, mas ela é uma fotógrafa incrível. A turnê vai ser imensa e eu preciso de mais gente. – O cantor explicou.
– Isso é… – Susana não encontrou as palavras.
– Incrível! – gritou. – Você vai viajar o mundo todo! – Se virou para com animação.
– Pois é. – Ela riu. – Demorei um tempo para me decidir, por causa do nosso relacionamento e tal… Mas é uma oportunidade ótima e vou poder juntar um bom dinheiro e talvez até abrir minha própria empresa em alguns anos. E posso trabalhar com mais artistas, caso eu faça um bom trabalho.
– Não existem dúvidas de que você vai fazer. – Leonardo sorriu.
– Meus filhos ainda vão me matar. – Susana decidiu. – Preciso de sobremesa.
Leonardo riu e junto de Shawn e Maurício, levaram a louça suja para a sozinha. sorriu quando encontrou o olhar da mãe em seu rosto.
– Tem certeza, ?
– Toda a certeza do mundo, mãe. – Garantiu.
– Ansiosa para os convites de casamento. – estalou os lábios e arrancou risadas de todas. , com o coração quentinho, concordava com a prima e estava ansiosa para mandar tais convites em alguns anos.

Capítulo 24

I know that you’re the feeling I’m missing
You know that I hate to admit it
But everything means nothing if I can’t have you

Shawn.
Já tinha conhecido pais de garotas antes. Já tinha namorado, então era obvio que já tinha experiencia com aquilo. Mas naquele dia em especial, Shawn sentia como se fosse o cara mais despreparado do mundo todo. Porque tudo com era diferente, desde o primeiro momento em que tinham se conhecido.
não falava muito sobre o pai, porque eles não tinham uma convivência e uma proximidade tão intensa. O mundo dela era Susana e apesar de ter estado nervoso antes de conhecer a mulher, havia sido muito mais fácil e tranquilo porque eles já haviam conversado antes. Susana gostava dele, então não tinha porque ter medo. Mas o pai de ? Shawn não fazia ideia do que esperar, principalmente porque Carlos não falava inglês e o português dele se resumia em meia dúzia de frases enroladas.
Tamborilou os dedos contra a mesa de madeira, suspirando quando sentiu a mão de em seu ombro, em um carinho terno e atencioso.
– Tá tudo bem? – Ela indagou com cuidado e ele virou o rosto para encará-la.
– Estou nervoso. – Confessou e ela acabou rindo.
Estavam em um restaurante em Brusque – o favorito do pai de – e Shawn já tinha tirado fotos e autografado alguns guardanapos quando eles finalmente conseguiram ser guiados até a mesa onde a reserva estava feita. havia explicado que em Brusque as coisas seriam mais tranquilas para eles, mas quando fossem a Florianópolis – porque haviam decidido passar o sábado na praia – eles teriam que tomar um cuidado extra porque as pessoas iram reconhecer Shawn e as coisas poderiam sair do controle, principalmente porque eles não haviam viajado com Jake.
– Não tem motivos. – Falou. – Meu pai não é nenhum monstro e tal.
– Eu não falo português e ele não fala inglês. Esse é um problema enorme, . – Suspirou.
– Meu pai também não é muito de conversar. – Deu de ombros.
– Você fala muito pouco dele. – Comentou e ela lhe lançou um olhar cabisbaixo.
– Nós nunca tivemos muito contato. Ele e minha mãe já estavam separados quando eu nasci e durante a minha vida, eu o via de quinze em quinze dias ou as vezes apenas uma vez no mês. Ele nunca foi de ligar e marcar visitas espontâneas. Ele se preocupa, mas do jeito dele.
– É estranho pensar nisso, porque eu sempre tive o meu pai por perto.
– Minha mãe sempre cumpriu o papel duplo e eu sempre tive o Leonardo por perto. Eles estão juntos desde que eu tinha três anos, então ele é da família. – Deu de ombros. – Mas sério, meu pai é gente boa.
– Tudo bem, só preciso me acalmar. – Shawn suspirou.
– Dois segundos, porque ele chegou. – murmurou e riu do desespero imediato do namorado. Beijou a bochecha dele com carinho e se levantou para abraçar o homem que se aproximava da mesa deles. Shawn passou as mãos suadas no jeans e também levantou, plantando um sorriso nervoso nos lábios enquanto conversava com Carlos em português.
Pai, esse é o Shawn. – Ela apresentou quando eles se separaram e Carlos encarou o cantor sem expressão. – Shawn, esse é o meu pai.
Shawn estendeu a mão para cumprimentar Carlos, recebendo um aperto forte em retorno e um acenar de cabeça. Engoliu em seco.
– É um prazer conhece-lo. – Murmurou em um português enrolado e Carlos arqueou as sobrancelhas.
Achei que ele não falasse português. – O homem murmurou.
Ele não fala. respondeu. – Sabe só o básico.
Shawn não estava entendendo nada, de forma que só faltou suspirar aliviado quando eles voltaram a se sentar e o garçom veio anotar os pedidos. leu o cardápio para Shawn, mas ele deixou que ela escolhesse o prato dele. Carlos realmente falava pouco e Mendes percebeu que ele nem havia lido o cardápio antes de fazer o pedido, constatando que aquele era mesmo o restaurante favorito dele.
e ele conversavam brevemente e uma ou outra palavra Shawn conseguia entender. Trabalho, o nome da esposa de Carlos, a vida de no Canadá… Não estava completamente perdido, mas também não poderia dizer que era confortável não ser incluído na conversa. Em determinado momento, torceu os lábios para algum comentário de Carlos e sacudiu a cabeça em negação. Shawn franziu o cenho, entrelaçando seus dedos e tentando descobrir sobre o que eles estavam falando.
– O que foi?
– Meu pai está sendo bobo. – Ela revirou os olhos. – Ele pediu para que eu te perguntasse quais as suas intenções comigo.
Shawn sorriu e se virou para Carlos. Aquela frase ele tinha ensaiado, mesmo que não tivesse certeza se a pronuncia estaria correta.
– As melhores. – Falou. – Eu amo a e quero me casar com ela. Em cinco anos. – Franziu o cenho, sem realmente saber se estava fazendo sentido.
sorriu, apertando os dedos contra os dele e assentindo com a cabeça para indicar que ele tinha feito sentido e sido coerente. Carlos também assentiu e após analisar Shawn por alguns segundos, voltou o olhar para a filha e fez mais perguntas que Shawn não compreendia.
Apensar da clara dificuldade de compreensão, o almoço foi agradável e a comida era ótima. Quando se despediram, Carlos apertou a mão de Shawn e o cantor recebeu um meio sorriso, lhe dando a certeza de que havia acertado alguma coisa. Podia não saber falar português, mas ele realmente amava e faria de tudo para que ela fosse a pessoa mais feliz do mundo.
– Eu realmente preciso aprender a falar português. – Shawn declarou quando afivelou o cinto de segurança e riu, se inclinando para ele e beijando seus lábios com suavidade.
– Prometo que vou te ensinar, ao invés de só te provocar porque você não entende.
O cantor arqueou as sobrancelhas em descrença e ela riu com gosto.
– Eu sei que não vai.
– Porque você adora que eu te provoque. – Deu de ombros.
– Só um pouquinho. – Shawn estalou os lábios e outro beijo foi trocado antes de ligar o carro e guiar o veículo de volta para a casa da mãe.

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.
A semana com sua família no Brasil havia passado em um piscar de olhos. Havia apresentado Shawn para toda sua família – que não era exatamente grande, mas quando reunidos fazia parecer que tinha um estádio de futebol inteiro dentro da sala de casa – e sido uma tradutora muito fiel em todos os comentários que sua tia fizera sobre a beleza do namorado apenas para vê-lo de bochechas coradas e sem graça.
Tinha passado o máximo de tempo possível grudada na mãe. Elas tinham cozinhado juntas, organizado a casa, ajeitado o jardim – mesmo que fosse horrível com jardinagem – e até mesmo pintado as cercas. E Shawn a acompanhara em todos os momentos, menos aqueles em que havia saído com Mauricio e Henrique para jogar futebol. Ele havia voltado para casa com as costas doloridas de tantos tombos e debochou dele até não poder mais.
Não estavam na alta temporada, então havia sido bem fácil alugar uma casa na praia por apenas um final de semana. O passeio que duraria apenas um dia, tinha se estendido para todo o final de semana e Shawn e não voltariam para Brusque e seguiriam de Florianópolis no domingo a noite para São Paulo, onde embarcariam para Miami e de lá de volta a Toronto.
Leonardo estava dirigindo, Susana estava no banco do passageiro e e Shawn estavam no banco de trás, o cantor adormecido em seu colo enquanto ela lhe fazia cafune. Tinha um sorriso pequeno nos lábios enquanto observava Shawn em meio a escuridão. As pintinhas no rosto dele, as bochechas coradas, os cabelos que estavam enrolando cada vez mais nas pontas por causa do comprimento – já que Shawn havia arrumando mil e uma desculpas para fugir da tesoura de Susana -… sentia seu coração encher e transbordar de tanto amor. Mal conseguia acreditar que ele estava ali com ela, conhecendo sua família e fazendo parte do seu mundo mais particular.
Nunca havia imaginado aquele momento e viver aquilo só lhe dava mais certeza de que era Shawn o dono de seu coração e que ela jamais iria amar alguém da forma como o amava. Era tão completamente dele que nunca seria de mais ninguém.
– Ele te olha de um jeito. – Susana comentou e ergueu o olhar, encontrando a mãe a encarando pelo espelho retrovisor interno.
– Como se não existisse um Sol do lado de fora e tu fosse o dele. – Leonardo comentou e soltou uma risadinha enquanto corava.
– Exatamente. – Susana riu.
– Eu acho que olho pra ele desse jeito também. – Deu de ombros. – As vezes fico preocupada em sermos tão apegados, sabe? Mas a gente gostar de estar junto, não apenas nós dois, mas com amigos e família. Gostamos de partilhar a vida e temos algo tão natural… A gente não se sufoca, não se cobra, não tem tempo ruim.
– Apego nem sempre é ruim. – Susana comentou. – Se é algo que te faz bem, então não tem problema. O apego só é ruim quando existe pra suprir a falta de alguma coisa. O que não é o caso de vocês.
– De forma nenhuma. – concordou.
– Eu fico muito feliz por te ver feliz desse jeito, . Quando tu foi embora no Ano Novo, eu fiquei tão preocupada. ter ido contigo não foi o suficiente para me tranquilizar. E quando ela voltou e falou que vocês tinha se acertado, eu ainda tinha minhas dúvidas. Não sabia se vocês iam conseguir superar e tinha medo que estar juntos só fizesse mais mal para vocês. – Susana suspirou. – Gosto dele. Ele te ama e cuida de ti de um jeito que toda mãe sonha para uma filha.
– É o meu trevo de quatro folhas. – disse e Susana riu.
– Vocês são um do outro.
– Espero que sim. – A garota suspirou e Shawn se remexeu, bocejando antes de abrir os olhos e franzir o cenho.
– Já chegamos? – Indagou.
– Estamos chegando. – Leonardo informou. O cantor se sentou, passando as mãos pelo rosto e bocejando mais uma vez, recebendo um cutucão na cintura dado por .
– Bocejos são contagiantes, pode parar. – Ela reclamou e Shawn riu.
– Dormi muito tempo?
– A viagem toda.
– Ela riu.
– Desculpe. – Suspirou. – Mas seu cafuné estava bom demais.
– Seu cabelo tá enorme, então dá pra brincar muito com ele.
– Falando em cabelo,
– Susana estalou os lábios e se virou para o genro. – Amanhã você não escapa da tesoura.
Shawn torceu os lábios.
– Tem certeza, sogra? Porque eu acho que ia ficar bem bonito de cabelo comprido. – Abriu um sorriso largo de covinhas e riu.
– Não, por favor! foi rápida e Shawn arqueou as sobrancelhas para ela.
– Eu ia ficar feio?
– Não sei! Nunca imaginei isso e não sei se quero imaginar!
– Exclamou e Leonardo riu. – Seus pais também acham que deveria cortar. Você mesmo disse que queria cortar!
– Estou analisando as opções.
– Shawn deu de ombros. – Vou fazer uma enquete no Twitter. – Sorriu torto e revirou os olhos.
– Você sabe que todo mundo vai dizer que você é lindo de qualquer jeito. Mas nem por isso deveria deixar o cabelo grande. deu de língua e Shawn gargalhou.
– Isso era tudo o que o meu ego precisava, obrigado. – A beijou na bochecha e se virou para Susana. – Tesoura amanhã!
revirou os olhos, mas se deixou ser abraçada por Shawn e deitou a cabeça no peito dele enquanto ouvia a conversa da mãe com o namorado sobre tipos de cortes de cabelo e enfiava o rosto contra a pele dele, se inebriando pelo perfume e agradecendo aos céus por estar vivendo aquele momento. Era mais do que ela havia sonhado e desejado.

🎸🍀📷

Shawn.
Não podia negar que era bom não ter mais os fios de cabelo coçando sua nuca. Sua sogra não havia feito um corte diferente, apenas havia encurtado o comprimento como Shawn estava acostumado e olhar no espelho não lhe causava qualquer estranhamento. Sorriu para quando ela enfiou a mão nos cabelos dele, em um carinho gostoso e Shawn suspirou em agrado quando a brisa do mar refrescou sua pele.
O dia estava quente e a água do mar estava morna, de forma que eles haviam passado a manhã inteira dentro da água e só haviam saído para almoçar. E depois de meia hora de cochilo, o grupo estava de novo na beira do mar. Susana havia preparado caipirinha e havia colocado alguns sanduíches no cooler, já que segundo ela, aquela era a maneira que a família curtia o verão na praia. Mauricio e Pietra estavam na água, Henrique e jogavam frescobol e Shawn estava debaixo do guarda-sol, já que havia lhe proibido de tomar o sol diretamente na pele antes das 3h da tarde. Bebeu um gole da caipirinha e abriu um sorriso largo.
– Susana, isso aqui é incrível. – Ergueu o copo e a mulher riu.
– Obrigada!
disse que a sua era a melhor do mundo e eu estava ansioso para tomar desde outubro. – Torceu os lábios e riu, se virando na esteira de praia para tomar sol nas costas e naquela posição, não conseguia fazer cafuné no cantor, que torceu os lábios ainda mais e causou risos nela.
cozinha melhor, mas eu faço as melhores bebidas. – Susana sorriu e Leonardo revirou os olhos.
– Não dê espaço para que ela fique egocêntrica. – Ele pediu e Shawn acabou rindo.
– Ele entende de ego, Leo. – estalou os lábios e Shawn a encarou, cutucando sua cintura e recebendo um tapa na coxa. Aproximou a esteira da de , deitando ao lado dela, mas permanecendo na sombra e abriu um sorriso largo quando deitou a cabeça em seu braço e entrelaçou seus dedos aos dele.
– Lembra quando nos encontramos na praia, lá no Rio? – Ele questionou em um sussurro e afastou o boné para encará-lo.
– É claro. Foi uma das maiores vergonhas da minha vida. – Suspirou e Shawn riu.
– Eu achei adorável.
– Você riu bastante e eu pensei que, mesmo tendo sido uma idiota, pelo menos eu tinha feito você rir. – Deu de ombros e Shawn a beijou na ponta do nariz.
– Você sempre me faz rir. – Sorriu. – E até hoje você nunca me contou porque me deu um perdido no Rock In Rio.
– Eu não te dei um perdido! – se defendeu. – Eu nunca te daria um perdido Shawn, fala sério. – Revirou os olhos e ele riu.
– Então por que você não me disse que não iria no dia seguinte?
– Porque… – Ela mordeu o lábio inferior em nervosismo. Se apoiou nos cotovelos e encarou Shawn com uma expressão que beirava o desespero. – Isso é tão vergonhoso, sério. Nunca queria tocar nesse assunto porque deve ser a maior vergonha da minha vida.
– Me conta! – Shawn pediu com um bico nos lábios e olhos pidões e suspirou. Ele sabia que estava jogando sujo, mas ela também jogava e eles sempre acabavam quites. – Por favor, dengo!
– Tá bom! – Bufou irritada. – Eu… Não prestei atenção. Você começou a sorrir e a rir e tudo o que passava na minha cabeça era que você tinha a risada mais linda e gostosa do mundo, que parecia a merda de um coral de anjos e me… distrai. Não ouvi uma palavra do seu pedido e concordei porque eu tinha que dizer algo. E contar a verdade não era uma opção. – Torceu os lábios e o cantor gargalhou, puxando para perto e unindo seus lábios em um selinho.
– Era exatamente isso que eu esperava. – Ele confessou.
– Agora me conta o que passava na sua cabeça. – arqueou as sobrancelhas.
– Eu tinha achado você legal e pensei que poderia ser legal se pudéssemos conversar mais e talvez virássemos amigos. – Deu de ombros. – Mas eu só fui realmente olhar para você quando você dormiu lá em casa. Na festa eu estava meio bêbado, então não contava. Mas naquele dia eu consegui te ver de verdade e acho que comecei a me apaixonar quando fomos a Hamilton. Sempre foi tão fácil conversar com você e daquele dia em diante, eu queria estar mais com você a todo instante.
– Não sei quando me apaixonei. Eu já era apaixonada antes, então só somei uma paixão a outra, mas não sei exatamente quando foi. – Murmurou baixinho. – Talvez quando você cantou Roses.
– Aquele foi um momento importante para mim também. – Shawn concordou e o beijou na bochecha.
– Podemos entrar na água? – Ele pediu com um bico nos lábios.
– O sol tá muito forte, Shawn. – Bufou.
– Eu passo mais protetor! – Exclamou e a garota revirou os olhos, sentando na esteira e estendendo a mão para que ele lhe alcançasse o protetor solar. Shawn abriu um sorriso largo e logo estava sentado entre as pernas de , que espalhou uma camada grossa de creme na pele dele antes de ser erguida e carregada para o mar como um saco de batatas.
– Seu idiota! – Ela gritou antes de ser jogada dentro d’água e Shawn gargalhou, puxando-a para a superfície e colando seus lábios aos dela, enquanto as pessoas a sua volta lançavam olhares esquisitos e murmuravam entre si.
– Amo você. – Ele suspirou de olhos fechados e o abraçou com força.
– Também amo você. – Falou e empurrou Shawn com força, fazendo os dois caírem na água enquanto gargalhavam.

Capítulo 25

Look in my eyes, they will tell you the truth
The girl in my story has always been you

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O coração de estava batendo em um misto de felicidade plena com tristeza profunda. Felicidade porque tivera uma semana inteira com sua família e nada no mundo se comparava aquilo e tristeza profunda porque seus dias haviam acabado e ela voltaria para o Canadá no dia seguinte.
Estava na cozinha com Susana, terminando de preparar um jantar em família quando chegou e abraçou à prima pelas costas. Haviam voltado da praia há pouco tempo e estava, sem dúvidas, mais bronzeada do que quando havia chegado. Até mesmo havia conseguido pegar uma corzinha: tinha deixado de ser muito pálido para ser apenas pálido.
– Não quero que tu vá. – Ela murmurou e sorriu, deitando a cabeça no ombro da prima e recebendo um beijo na bochecha.
– Eu também não quero ir, mas ao mesmo tempo…
– Quer muito. –
suspirou. – Por que tu tinha que mudar pra outro país? São Paulo não tava bom?
– Tu sabe que não.
– Ela riu e a soltou, ocupando uma das banquetas e suspirando outra vez.
– Nós vamos te visitar logo. – Susana murmurou e sorriu largo. – Conversei com Leo e acho que seria uma boa passarmos as festividades de final de ano lá com você.
– Eu ia amar!
abraçou a mãe, voltando para o strogonoff de cogumelos no fogão. – Meu apartamento é pequeno, mas a gente dá um jeito.
Sei que sim. – Susana a beijou na testa.
Em seguida a cozinha foi invadida pelos garotos, todos de banho tomado, e enquanto Henrique e Maurício preparavam as bebidas, se postou ao lado de para ajudá-la – ou aprender um pouco mais – com a comida.
disse que você não sabia cozinhar. – Susana franziu o cenho.
– Estou aprendendo com ela. – sorriu e beijou a namorada na bochecha, enquanto ela lhe passava a colher e lhe dava instruções.
– Ele é um príncipe mesmo. – Susana cochichou para em português e a garota riu, concordando com um aceno de cabeça.
Não é? – Ela riu baixinho e franziu o cenho em sua direção. atirou um beijo para ele, que sorriu e voltou a atenção para as panelas. – Às vezes eu nem acredito que ele é de verdade.
Susana riu.
– Completamente compreensível.
Meia hora passada e a mesa estava posta, a bagunça de conversas e pratos sendo servidos sendo o único som que preenchia a casa. Apesar de apenas e não comerem mais carne, todas as refeições naquela semana tinham sido veganas e para eles, era realmente incrível ter o apoio de suas famílias no estilo de vida que estavam seguindo.
– A comida está incrível, . – Leo elogiou e a garota sorriu.
– Minha mãe e ajudaram. Um pouquinho. – Estalou os lábios e os outros reviraram os olhos.
– E depois ela fala do meu ego. – fingiu cansaço.
– Não sou boa em muitas coisas, preciso me orgulhar! – retrucou.
, você é incrível em tudo o que faz. Não me estressa. – lhe estirou a língua, servindo mais salada no prato e deixando a garota com um sorriso bobo e um olhar cheio de carinho para ele. Apesar de ele fazer aquilo com frequência, ela ainda não tinha se acostumado com a forma como a via e às vezes era difícil se enxergar daquele jeito. Mas ela estava tentando e ele era o maior responsável por aquilo.
– Ele está tão apaixonado que está vivendo em uma realidade alternativa. – Maurício murmurou e antes que pudesse xingar o irmão, Pietra o beliscou e ela bateram as mãos em união.
– Está vendo? – cutucou Henrique de forma nada amigável. – É esse tipo de coisa que você tem que me dizer!
– Pra quê? – Henrique bufou. – Toda vez que eu tento ser romântico você debocha de mim!
gargalhou da briga dos amigos, já que até daquilo ela sentia falta. As brigas de e Connor tinham cessado depois que os dois começaram a namorar, mas e Henrique ainda eram os mesmos e ela adorava aquilo. Eles se amavam, mas estavam sempre de implicância um com o outro. Era uma forma diferente de demonstrar, mas ela achava divertido. a abraçou pelos ombros quando terminou de comer, observando tudo com os olhos brilhantes e um sorriso torto nos lábios. deitou a cabeça no ombro dele e passou a observar a família.
A cumplicidade entre sua mãe e Leonardo – ele certamente tinha sido a melhor coisa que havia acontecido na vida daquela família depois que Carlos havia se afastado. Maurício, que finalmente tinha encontrado uma garota legal e que gostava dele – apesar de não entender o motivo, já que seu irmão era um bundão. e Henrique, que apesar das brigas, se amavam muito e certamente se casariam antes dela – e ela estava ansiosa para escolher seu vestido de madrinha. Eram uma família completamente feliz e ter com ela só aumentava a felicidade e o amor que ela já sentia. Seus dois lares juntos era mais do que o coração fraco de poderia aguentar, mas felizmente cuidava dele com muito carinho.
Recebeu um beijo na testa e ergueu o rosto para encarar o namorado. Sorriu e ele a beijou na ponta do nariz.
– Minha família é muito louca para você? – Ela indagou divertida.
– De jeito nenhum. Eles são tão parecidos com você, que eu me sinto em casa, mesmo os conhecendo tão pouco.
– Lembra quando falamos sobre isso? – Indagou e assentiu. – Meu coração ainda está no mesmo lugar, porque eu estou rodeada de pessoas que amo e se importam comigo e minha cabeça está escorada no cara mais legal que eu tive a sorte de conhecer e que, por algum milagre do destino, é meu namorado e me ama pra caramba.
– Amo você pra caramba mesmo. – concordou, a beijando na testa e suspirou, se aconchegando contra ele e voltando a observar a família. Estava realmente em casa.

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Fechou a mala após guardar a última camiseta que estava perdida pelo quarto e passou a mão pelos cabelos, olhando em volta apenas para se certificar de que não tinha esquecido nada. Não que ele fosse realmente se dar conta de perder uma entre suas mil camisetas pretas, mas o havia ameaçado sobre consume sustentável e agora aquilo não saia da cabeça dele.
Ela saiu do banheiro com a cabeça baixa, carregando alguns itens que estiveram esparramados pela pia e suspirou baixinho quando os guardou na mala. se aproximou, a puxando para seus braços e sentando na cama, colocando-a em seu colo enquanto ela o abraçava pelo pescoço.
Dengo?
– Hm? – Ela o encarou e a beijou com suavidade.
– Você quer ficar? Com a sua família?
– Por que você tá perguntando isso?
– Porque você está triste e me corta o coração ver você desse jeito. – Suspirou e acariciou o rosto dela. fechou os olhos para aproveitar a caricia e mordeu o lábio inferior pelo nervosismo. – A gente dá um jeito de se ver, se você quiser ficar. Vou entender e apoiar a sua decisão, porque eu sei como é sentir falta de casa e da família. A gente intercala. Eu venho pra cá, você vai pra lá. Não vamos no ver com frequência, mas a gente dá um jeito.
– Eu vou viajar com a Catherine. Não ficaria aqui de qualquer forma.
– Você sabe sobre o que eu estou falando. – a encarou e suspirou, assentindo com a cabeça.
– Eu sei, só… não me vejo ficando aqui. Dói ter que ir embora e eu vou sentir saudade deles o tempo todo, mas a minha vida não é mais aqui. Eu não tenho um emprego e nem casa. Teria que recomeçar tudo de novo e quando eu fui embora, eu escolhi recomeçar lá e eu me apaixonei pela vida que eu levo lá. As coisas vão mudar agora com as turnês? Sim, é claro. Mas… eu não escolheria de outra forma.
– Você tem certeza disso? Porque a gente dá um jeito. Eu não vou deixar de amar você se decidir ficar aqui. São só 8 mil quilômetros e sinceramente, já passamos por coisas piores do que a distância. Vou morrer de saudade? Sim, é claro que sim. Mas a gente dá um jeito. – Murmurou e o tomou em seus lábios em um beijo intenso e ao mesmo tempo suave. Tinha gosto de amor, pura e simplesmente.
– Amo você. – Sussurrou. – Amo você, amo você, amo você. – cada palavra era cortada por um beijo e suspirou em agrado, deitando na cama e puxando a namorada junto, para que ela deitasse por cima dele. Se aconchegou no abraço que ele lhe ofereceu e a envolveu com cuidado, acariciando o braço dela com suavidade.
– Amo você tanto quanto você me ama. – O cantor sorriu. – E por isso sei que a gente daria um jeito, então se você quer ficar, fica.
– Não quero. – foi firme. – Minha família já sabe disso e eles me apoiam. Vão sentir a minha falta, da mesma forma que eu sinto a falta deles, mas… estou fazendo as minhas escolhas e meu coração está tranquilo com elas.
– Então posso avisar a para não comprar uma passagem e vir te buscar pelos cabelos? – brincou e riu. – É sério dengo, ela me mandou tantas mensagens que eu precisei bloquear ela.
estava chorando hoje de manhã. – Sorriu. – Elas vão ter que aprender a me dividir. Sou incrível, mas elas vão sobreviver. – Fingiu cansaço e riu.
– E como eu vou sobreviver se não consigo ficar longe de você?
– Não sei. Você vai ter que se virar. – Deu de ombros e a cutucou na cintura. riu e o abraçou com força. – Também não sei como vou aguentar ficar longe de você. Estou tão acostumada a ter você por perto. Durante o nosso término eu me obrigava a aceitar que era o melhor para nós, mas sentia saudade o tempo todo. Não sei como vai ser agora.
– Vamos dar um jeito. – garantiu. – Como sempre demos.
– Sempre. – Ela concordou.
Passaram mais um tempo abraçados, até finalmente se levantar e terminar de ajeitar a mala. Precisou ir até o quarto de para resgatar uma blusa que a prima havia pego sem que ela percebesse e quando voltou, os olhos estavam inchados por causa do choro e passou mais alguns minutos consolando a namorada. Desceram as malas para o térreo e levou muito tempo para se despedir da família, murmurando coisas em português que não entenderia nem com um milagre. Ele também estava triste por partir e quando se despediu de todos, prometeu que eles voltariam o mais breve possível e que tentariam trazer a família dele para que todos se conhecessem. Tremia só de imaginar o encontro de e Aaliyah.
Apesar dos protestos de Susana, eles chamaram um Uber para levá-los até o aeroporto, já que eles seguiriam para Brusque em um caminho contrário. Colocou as malas no veículo e se despediu mais uma vez da família, enquanto chorava e murmurava que os amava. Entraram no carro e ela acenou em despedida até perde-los de vista, se recostando contra e chorando baixinho durante a curta viagem. O cantor manteve seus dedos entrelaçados durante todo o percurso, murmurando palavras de afeto e conforto para a namorada.
– Obrigada por ter vindo. – Ela suspirou. – Obrigada por fazer parte da minha de forma tão fácil e natural. Não sei o que fiz para merecer você, mas sou muito grata.
– O que você fez? – sorriu torto. – Você me viu como uma pessoa normal e me amou assim mesmo. Eu que sou grato, dengo. Grato demais. – A beijou na testa e ela sorriu.
No aeroporto, não demoraram a embarcar e teriam longas horas de viagem até estarem, mais uma vez, em casa.

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Eles mal tinham chegado em Toronto e havia obrigado a tomar um banho quente e vestir algo mais confortável, alegando que eles iriam sair de carro. Ela estava exausta e tinha certeza de que ele também estava, mas nada conseguia tirar uma ideia da cabeça de depois que ele decidia algo. Então fez o que ele pediu, vestindo roupas quentes e preparando um lanche para eles comerem antes de saírem. Ele se recusou a contar onde iam e cansada como estava, não tentou convencê-lo a falar. Acabou pegando no sono no carro e cochilou por toda a viagem, sendo acordada por com um beijo na testa.
– Desculpa. – Ela murmurou. – Você deveria ter me acordado.
– Na verdade, você me fez um favor. Eu queria que fosse surpresa, mas vendar você seria muito perturbador, então obrigado. – Sorriu largo e a beijou nos lábios.
passou a mão pelo rosto, tentando espantar o sono e quando olhou pela janela, abriu um largo sorriso quando reconheceu o lugar onde estavam.
– Você me trouxe para Hamilton? – Se virou para com um olhar encantado e ele sorriu.
– Tivemos o nosso primeiro encontro aqui. Sei que já tínhamos passado um tempo juntos antes disso, mas oficialmente, foi quando viemos até aqui que eu senti que as coisas estavam mudando e eu poderia me apaixonar por você. Acho justo virmos aqui mais uma vez, agora que as coisas estão nos seus lugares e nós vamos andar para uma vida juntos.
Ela se jogou nos braços dele, não se importando com o volante cutucando suas costelas. Apenas beijou com tudo o que tinha nela e quando eles se separaram, não demorou a correr para fora do carro. Com os dedos entrelaçados nos dele, eles refizeram a trilha feita meses atrás e quando chegaram no topo da cachoeira, sentaram no mesmo lugar onde haviam sentado da primeira vez, na mesma posição: ela com a cabeça no ombro dele, mas agora mantinha seus dedos entrelaçados e o braço esquerdo em torno dos ombros dela.
A visão ainda era de tirar o fôlego, mas tanta coisa tinha mudado que se sentia um pouco aérea. Tinha sido uma surpresa fazer aquele passeio com meses atrás. entrar na sua vida tinha sido uma surpresa gigantesca, mas tudo o que eles tinham vivido desde então era simplesmente… indescritível. Eles tinham se apaixonado. Aprendido a se amar com todo o coração. Amado as qualidades e os defeitos. Tinham vivido momentos incríveis juntos e também uma separação que ainda enchia os olhos de de lágrimas quando ela se lembrava. E apesar de tudo, ela não se arrependia de nada.
Tudo o que tinha vivido com , havia apenas acontecido para lhe dar a certeza de que ele era o amor de sua vida. Tinham errado, se magoado, tropeçado algumas vezes durante aquele caminho, mas tudo aquilo os havia fortalecido. Ela o amava muito mais hoje do que pensava ter amado ele no dia anterior e sabia que o amaria muito mais no dia seguinte. Porque eles construíam aquele amor e aquele relacionamento dia a pós dia, tijolo após tijolo. Tinham tido tanto cuidado em erguer aquele muro, que nada mais poderia derrubá-lo sem que eles quisessem aquilo. E nenhum deles sequer cogitava a ideia de não querer estar com o outro.
– A primeira vez que eu te vi, muitos anos atrás, eu pensei que você era o garoto mais lindo que eu já tinha visto. E você era tão diferente dos outros meninos, tão apaixonante que eu simplesmente… te amei. – Sorriu fraco. Sentia o olhar de em seu rosto, mas não desviava o olhar da cachoeira. – Você esteve comigo em todos os dias desde aquele primeiro vídeo que eu assisti. Por anos, a sua música foi a que eu mais escutei e quando você anunciou que ia pro Rock In Rio, eu não pensei duas vezes antes de comprar o ingresso. Eu não sabia como, mas eu ia te ver ao vivo. Nunca pensei que você ia me enxergar na multidão e se apaixonar por mim à primeira vista. Eu só queria… te ver. Te ouvir. E te agradecer por ter estado comigo durante os últimos anos, porque às vezes, a sua música era a única coisa que fazia eu me sentir menos sozinha. Quando a gente se encontrou na frente do hotel, eu nunca pensei que voltaria a te ver outra vez e estava em paz. Eu tinha te abraçado e agradecido por tudo e iria seguir a minha vida tranquilamente. Mas então a gente se esbarrou uma vez. Duas vezes, três vezes e começamos a sair e eu me dei conta de que não poderia mais não estar com você. Desde o primeiro momento, eu já sabia que você não era o que eu via na TV. Era muito mais e eu venho me apaixonando por quem você é e como me faz sentir desde então. Todo dia, eu me apaixono um pouco mais. Todo dia, eu te amo mais
ergueu o rosto e olhou para . Ele tinha o sorriso mais lindo que ela já havia visto na vida e quando olhou nos olhos dele, sentiu todo seu coração virar uma poça de amor e chacoalhar dentro dela.
– Você me fez perceber que eu sou muito mais do que uma figura pública. Eu sou uma pessoa e aprendi tanta coisa sobre mim desde então. Descobri tanta coisa sobre o mundo, porque aprendi a ver o mundo pelos seus olhos e eles sempre tiveram um jeito único de encarar as coisas. Você não me deu apenas amor e felicidade como eu nunca tinha experimentado, mas me deu paz e principalmente, segurança para que eu entregasse o meu coração, do jeito que ele realmente é. E eu te amo muito por você ser você e fazer eu me sentir eu mesmo. Obrigado por ser o meu lar, a brisa no meu dia de verão, o chocolate quente em um dia frio e o meu abraço favorito no mundo.
Em seis meses, tinha experimentado inúmeras sensações de nervosismo. Já não podia mais contar nos dedos de uma mão e talvez precisasse de dedos emprestados para tentar fazer uma lista. Não que ela fosse se dar ao trabalho, porque naqueles seis meses, ela tinha deixado de ser tão racional para se tornar uma das pessoas mais emocionais e mais apaixonadas que qualquer um poderia conhecer. Tudo por causa do canadense que ela fora assistir no Rock In Rio e que agora, ela chamava de namorado. era e sempre seria, o amor de sua vida.

Epílogo

And where your heart is
That doesn’t change

havia passado muito tempo pensando em como fazer aquilo. Muito, muito tempo mesmo. Ele e tinham vivido muitas coisas desde que voltaram do Brasil: foram juntos ao evento da Time 100, o videoclipe de In My Blood tinha sido lançado, as datas da : The Tour tinham sido divulgadas na Europa e na América do Norte, feito apresentações em programas de TV, o tinha acompanhado no Met Gala e no Billboard Music Awards. Tudo aquilo em dois meses e finalmente o álbum seria lançado para o mundo.
Álbum em questão que ela ainda não tinha escutado e que havia planejado com cuidado a forma como mostraria todas as canções que tinha escrito sobre eles e principalmente, sobre ela.
Pensou em levá-la para o Brasil e alugar o Parque Olímpico, onde havia acontecido o Rock In Rio, para cantar para ela. Mas aquilo era grandioso demais e preferia gestos menores. E por esse motivo, ele quebrou a cabeça por semanas, sem saber o que fazer. E quando finalmente teve uma ideia, soube que era exatamente o que precisava e que ela iria amar. Tinham de estar na festa de comemoração do lançamento no dia seguinte, mas naquela noite, estava na varanda de um lugar que ambos adoravam e que significava muito para eles.
tinha saído com para comprar uma roupa para a festa e nesse meio tempo, se esgueirou para o apartamento e preparou a varanda com velas – porque o mataria se ele despedaçasse flores -, agradecendo aos céus por estarem na primavera ou estaria congelando.
Não sabia há quanto tempo estava esperando, mas soltou um suspiro aliviado quando ouviu o barulho da porta e entrou no apartamento. Os cabelos dela estavam mais longos do que o usual, mas ela continuava sendo tão linda como sempre fora. Deixou a bolsa no sofá e franziu o cenho ao perceber a iluminação na varanda, abrindo um sorriso largo quando encontrou . Se aproximou e eles se beijaram cheios de saudades – já que ela já estava viajando com Catherine e eles tinham se visto pouco nos últimos dois meses.
– O que você tá fazendo aqui? Achei que íamos jantar na sua casa.
– Nós vamos. Mas antes eu queria… cantar para você. – Falou. abriu um sorriso largo e sentou na poltrona de frente para , enquanto ele se virava para pegar o violão. – Tinha que ser aqui, porque foi aqui que eu me dei conta de que gostava muito de você e queria tentar mais do que uma amizade… e logo em seguida eu escrevi a primeira música. – Riu. – Então eu fiz um compilado. Com todas as músicas e trechos que escrevi sobre você. E quero que escute antes de ouvir o álbum, porque algumas coisas foram alteradas de contexto para não deixar tão explicito que eu estava falando sobre você.
– E lá se vai o meu coração fraco. – suspirou e riu, lançando um último olhar intenso para ela antes de começar a dedilhar o violão.
– I heard you asked about me through a friend, and my adrenaline kicked in, ‘cause I’ve been asking ‘bout you too, and now we’re out here in this room. I get a little bit nervous around you, get a little bit stressed out, when I think about you, get a little excited, baby, when I think about you, yeah…
se lembrava daquele dia. O dia em que ela havia almoçado com e Brian e ele havia dito que tinha procurado por ela. Ela incrível saber como ele estava se sentindo e que os sentimentos que ela tinha não diferiam nada dos dele. Também ficava nervosa pra caramba quando ele estava perto e aquilo não tinha mudado muito.
“Baby oh, I need to know, if this is mutual, before I go, and get way too involved, I want you bad, baby, can you reciprocate? no, I don’t want to have to leave, but half of you’s not enough for me”.
Lembrava daquela música. havia mandado para ela, logo depois do seu aniversário e acabou sorrindo largo porque foi a partir daquele momento que eles deixaram claro que queriam um ao outro e realmente embarcariam naquela loucura.
“And every line, every word that I write, you are the muse in the back of my mind, oh… Don’t wanna ask about it ‘cause you might brush it off, I’m afraid you think that it means nothing at all, I don’t know why I won’t admit that you’re all I want… I pretend that I’m not ready, why do we put each other through hell?, why can’t we just get over ourselves?”.
Acabou rindo ao se lembrar de como eles andaram devagar naquele início de relacionamento. Todos os medos que ela tinha e a forma como fora paciente com ela. Eles tinham vivido coisa pra caramba e ela mal podia acreditar que ele havia escrito sobre tudo aquilo. Se juntassem com todas as fotografias dela, sem dúvidas teriam um livro.
“We walked in the rain, a couple blocks to your apartment, you told me to come inside, caught me staring in your eyes, and I’m not usually like this, but I like what you’re doing to me, ah, what you’re doing to me”.
Seria impossível esquecer a primeira vez deles. Tinham se beijado e transado na mesma noite e tinha sido tão incrível, tão maravilhoso como nunca fora com nenhuma outra pessoa. Apenas para provar que eles tinham nascido para ser um do outro.
“Do you got plans tonight?, I’m a couple hundred miles from Japan, and I, I was thinking I could fly to your hotel tonight, I was hoping I could get lost in your paradise, the only thing I’m thinking ‘bout is you and I, and I can’t get you off my mind, can’t get you off my mind, I can’t seem to get you off my mind, yeah”.
Tóquio tinha sido incrível para eles, ao mesmo tempo em que tinha sido horrível na segunda vez. Mas só queria lembrar dos dias incríveis ao lado de e apagar da sua memória o término tão doloroso. Ele tinha viajado o mundo para estar alguns dias com ela e se aquilo não era amor, nada mais no mundo poderia ser.
“And if I have to, I’ll wait forever, say the word and I’ll change my plans, yeah, you know that we fit together, I know your heart like the back of my hand… so baby, tell me when you’re ready, I’m waitin’, baby, any time you’re ready, I’m waitin’. Even ten years from now, if you haven’t found somebody I promise, I’ll be around, tell me when you’re ready, I’m waitin’”.
Nunca iria esquecer daquela noite chuvosa e de como teve medo de perder e de como pedir para que ele fosse seu namorado tinha sido fácil. Porque eles já eram um do outro de forma que aquele era apenas um rótulo e não mudava nada naquela relação. Mas para tinha sido uma prova de que ela o queria e jamais negaria nada para ele.
“But since you came along, I’m thinking baby, you, yeah, are bringing out a different kind of me, there’s no safety net that’s underneath, I’m free, fallin’ all in you… Every time I see you, baby, I get lost, if I’m dreaming, baby, please don’t wake me up, every night I’m with you I fall more in love, now I’m laying by your side, everything feels right since you came along”.
Já estava chorando e ninguém poderia culpá-la. tinha escrito Fallin’ All In You e aquela música era tão linda, falava sobre um amor tão puro que ela não conseguia se conter. Tinha um sorriso largo nos lábios, mas estava chorando a ponto de fungar e deveria estar horrível, mesmo que para ele, ainda fosse a coisa mais linda do mundo.
“Tell me what’s inside of your head, no matter what you say, I won’t love you less, and I’d be lying if I said that I do, I don’t know what it’s like to be you. I get worried, I might lose you a little”.
E então vinham os dias ruins. sabia que falaria sobre eles – pouco, porque ele tivera um bloqueio pesado para compor durante o término -, mas ela sabia que teriam músicas que fariam seu coração doer. Fazia parte da história deles, afinal de contas, mesmo que ainda doesse como o inferno.
“But I think it’s time I finally found somebody new, and tell myself that she’s the one that get me through, and she might help me forget, but loving her is something I just couldn’t do, because I had you”.
Ela tinha que concordar com ele. Jamais conseguiria amar outra pessoa como o amava, mesmo que tentasse com todo seu coração. Eles teriam seguido a vida um sem o outro, mas ela era grata por não terem optado por aquilo. Eles eram tão mais felizes e completos juntos.
“Oh, and why can’t I quit, when you break my heart open? I need you more than I know. Oh, and I can’t resist, when you’re up against my skin, I never wanted let you go. You’re perfectly wrong for me and that’s why it’s so hard for me, Yeah, you’re perfectly wrong for me”.
Aquelas palavras doíam, mesmo que fossem verdadeiras. Eram perfeitamente errados um para o outro, mas aquilo não era algo ruim. Eram o que faziam eles serem menves.
Quando ele terminou e colocou o violão de lado, pulou para seus braços e eles se abraçaram e beijaram por tanto tempo que não faziam ideia de que horas eram quando se separaram. Poderiam ter passado apenas alguns minutos como também dias e nenhum deles dava a mínima.
– Eu te amo tanto. Tanto. – Ela suspirou entre beijos e a apertou em um abraço.
– Eu tenho mais uma música para você. Essa não vai estar nesse álbum, mas… queria que ouvisse.
– Tudo o que você quiser. – falou, ocupando o lugar ao lado dele e sorrindo quando voltou a dedilhar o violão.
– I’m in Toronto and I got this view, but I might as well be in a hotel room, yeah. It doesn’t matter ‘cause I’m so consumed, spending all my nights reading texts from you… Oh, I’m good at keepin’ my distance, I know that you’re the feelin’ I’m missing, you know that I hate to admit it, but everything means nothin’ if I can’t have you…
Ela estava sorrindo como uma boba, o coração palpitando tão forte que talvez fosse morrer. Será que tinha a mínima noção do que fazia com ela? De como ela o amava desesperadamente?
“I’m so sorry that my timing’s off, but I can’t move on if we’re still gonna talk, is it wrong for me to not want half? I want all of you, all the strings attached… I’m trying to move on, forget you, but I hold on, everything means nothing if I can’t have you, no…”
Para ela, era o mesmo. Nada realmente era importante se ela não o tivesse. Porque estar no topo do mundo e não ter o amor dele seria como nada.
“I can’t write one song that’s not about you, can’t drink without thinkin’ about you, is it too late to tell you that everything means nothing if I can’t have you?”
– Você é o amor da minha vida. – sussurrou, tirando o violão das mãos de para puxá-lo para o quarto. – Eu me orgulho de você com tanta intensidade e te amo mais ainda e acho que poderia morrer nesse momento. – Ela o abraçou e a beijou com cuidado.
– Você tudo o que o passa na minha cabeça durante o dia e tudo com o que eu consigo sonhar durante a noite. O sentimento do qual eu sinto falta é você e todo o seu amor. Tudo é sobre você, porque não existe ninguém como você no mundo inteiro, . – Sussurrou, se perdendo entre os beijos desesperados que eles trocavam e que enchiam seu coração com o amor que só fora capaz de despertar dentro dele.
– Ninguém nunca vai ser como você, .

Fim.

***

Nota da autora: Eu amo essa história com tudo o que há em mim e eu espero que o final tenha sido melhor do que vocês esperavam ou ao menos que tenha sido satisfatório. Não deixem de comentar e me mandar muito amor <3

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