Slow Hands

Sinopse: Ela maquiadora profissional, pensou que seria apenas uma viagem para um simples workshop onde reuniria os melhores maquiadores e profissionais da beleza de todo Brasil. Sequer imaginaria que tudo mudaria ao conseguir entrar de penetra em baile de máscaras que aconteceria em seu hotel. Um dos convidados especiais era um cantor famoso, mas ela não fazia ideia, apenas descobria a real identidade dele, quando sua máscara estivesse no chão do quarto.
Gênero: Romance
Classificação: 14 anos
Restrição: Sem restrições
Beta: Brooke Davis



Slow Hands

— Nossa, contei os dias para esse evento… — sorri e olhei para minha amiga, que estava estatelada ao sol e meramente respondeu com um “UHUM”.

. — pronunciei seu nome com ênfase para tentar chamar sua atenção, mas sem sucesso. estava quase dormindo. — Já que você não me dá atenção, vou dar um mergulho na piscina. — Eu estava cozinhando naquele sol, não sei como ela conseguia aguentar.

Depois de praticamente um ano a fio, trabalhando firme em nosso salão, e eu conseguimos uns dias de folga para virmos a esse encontro anual de maquiadores e profissionais da beleza aqui em São Paulo.

Essa não era exatamente uma folga, afinal, estamos aqui para uma especialização, mas essa tarde sim temos um tempo livre e merecemos, já que estamos nesse hotel maravilhoso, cinco estrelas, decidimos aproveitar. E nada melhor que curtir a piscina do hotel em plena segunda-feira.

Depois de um breve mergulho, escorei meus braços na borda da piscina e notei que não estava mais na espreguiçadeira, onde ela havia se metido? Estreitei os olhos, por causa do reflexo do sol e logo a avistei, sentada em uma mesinha, sob um guarda sol, mas não se encontrava sozinha. Estava em uma conversa bem animada, com um cara muito atraente, moreno, com a pele levemente bronzeada e cabelo raspado. Usava apenas uma bermuda verde e era inevitável notar seu abdômen definido.

Saí da piscina e voltei para minha espreguiçadeira. Não demorou e logo retornou toda radiante e sentou ao meu lado. Virei meu rosto para o lado e baixei meus óculos escuros na ponta do nariz.

— Finalmente resolveu esquecer o infeliz do ? — comemorei.

, quem? — ela riu.

— Mas o papo foi rápido. — sentei-me, para poder conversar melhor com .

— Rápido e produtivo. — Ela mexeu no celular e jogou ele de lado. — Inclusive, fomos convidadas para uma festinha privada que vai acontecer aqui no hotel.

— Como assim, dona ? — arqueei uma de minhas sobrancelhas. — Privada, como? — tirei meus óculos escuros e arregalei os olhos.

— Não é o que você está pensando… — empurrou meu ombro. — Ele é promoter e me contou que em um dos salões do hotel terá uma festa privada, onde terá algumas celebridades. E será tipo um baile de máscaras e ele disse que consegue deixar a gente entrar. — contou animadíssima.

— Mas você esqueceu que teremos a festa de abertura com o pessoal do evento. A Karina que organizou, vai ficar furiosa se a gente não ir. Você sabe muito bem como ela é… É bem capaz de fazer nossa caveira para todo mundo e prejudicar o nome do nosso salão. — A cara que me olhou, assim que terminei de falar, era como se eu tivesse jogado um balde de gelo sobre ela.

— Ai, aquela Karina. Que inferno essa mulher, sempre a nossa pedrinha no sapato. Parece que ela tirou jornalismo só para se vingar da gente, desde a época da escola ela é assim. Tudo tem que ser como ela quer. — bufou. — Não acredito que não vou poder ver o gatinho do Lucca hoje à noite. — fez um beiço.

— Temos a semana toda por aqui, claro que amanhã o dia vai ser corrido…, mas ele vai embora quando?

— Ele trabalha no hotel, mas o turno dele é a noite.

— Então, . Pra que tanto drama… — balancei a cabeça. — Ainda vai poder vê-lo mais vezes. É bom te ver seguindo em frente e não ouvir mais falar de .

— Nem me fale mais esse nome. — Torceu o nariz. — Acho que essa viagem tem que servir para nós duas seguirmos em frente, não é mesmo? — me encarou firme, afinal, eu estava focada só no trabalho e havia prometido não me envolver com mais ninguém, desde a última desilusão. — Tiago é outro nome que deve ser esquecido nessa nossa viagem.

— É, você tem razão. — suspirei. — Penso, penso, repenso e… Acabo escolhendo errado.

— Pensa tanto, que já faz um ano que não sai com mais ninguém. Eu conhecia o há tantos anos e olha no que deu, demorei até para dar o primeiro beijo nele. Acho que devemos pensar menos e aproveitar o momento. — enrolou a toalha no braço e levantou-se. — Mas primeiro precisamos relaxar mais. Vamos… Agora está na hora do nosso horário do “spa”. Vamos aproveitar cada minuto dessa folga, afinal amanhã o dia todo vai ser de palestras e cursos.

(…)

— Sejam bem vindas. — A recepcionista nos conduziu até uma pequena mesa, onde estavam nossos nomes.

Assim que sentamos, pedimos nossos drinks, Tequila Sunrise para nós duas. Em seguida serviram na mesa uma seleção de queijos nacionais maturados com mel trufado.

, acho que avistei um super gato, bem atrás de você. — Minha amiga tomou um longo gole de sua bebida enquanto encarava alguém pelas minhas costas. — Seja discreta e dá uma olhadinha, vê se é seu número, amiga.

Dei uma leve mexida em meu drink e tentei ser o mais discreta possível ao virar meu rosto para trás. Timidamente dei uma leve secada. Ele parecia ter saído de uma revista, estiloso, cabelo castanho, levemente ondulado, jogado todos para trás, olhos castanhos, barba rala e extremamente alinhada. E pra completar o cara tinha o sorriso mais lindo que eu já tinha visto na vida, hipnotizante. Ele então, acenou de leve e eu não hesitei, acenei de volta e sorri, jogando um charme. De repente cruzou pela nossa mesa outro homem e foi em direção a ele todo sorridente e ao se encontrarem, se abraçaram e deram um selinho. Senti meu rosto queimar de vergonha, devia ter ficado mais vermelha que o molho que estava para degustação na nossa mesa. Não sabia onde me esconder.

— Ai, quero me afundar nesse drink, agora mesmo. — chamei o garçom para pedir outra dose. E minha amiga só ria. — Garanto que você sabia. — Joguei o guarda-chuvinha do meu copo, contra ela, para ver se parava.

— Juro… que… não… — ela continuou a rir, mal conseguia falar. — Eu… , acho que… — recuperou o fôlego, então continuou. — Deveríamos ir para a festa do andar de cima. Olha ao nosso redor. — Ela virou a cabeça. — Estamos cercadas de mulheres… gays… — olhou para o casal capa de revista à nossa frente. — Ou casados. — Olhou para o outro lado. — E mais… Estamos lindas e maravilhosas para desperdiçar tudo aqui? Isso de festa não tem nada… Exceto esses drinks maravilhosos. — balançou o copo. — Eu só preciso mandar uma mensagem e partimos para o andar de cima, o que você me diz?

Olhei mais uma vez ao meu redor e realmente, mais um pouco iria tirar com cochilo em cima da mesa. Com o olhar procurei a Karina e finalmente a avistei, conversando de forma bem vibrante com algumas mulheres da “Labelle Coiffeur”, diria até que Karina estava levemente alterada, talvez aquele drink que ela tanto sacudia na mão já devia ter causado algum efeito.

— Talvez a Karina nem note a nossa ausência. — comentei ainda encarando aquela cena. — Afinal, já marcamos nossa presença. — Voltei minha atenção à minha amiga.

— Isso aí… Nem vamos pensar mais… Esqueceu no nosso plano de pensarmos menos e agirmos mais? — pegou o celular e digitou algo. Em seguida empinou o resto de sua bebida em um gole só e se pôs de pé em um só pulo. — Vamos?

— Você tem razão, não são nem nove horas e isso aqui tá tão morto. Vamos. — Fiz o mesmo com o meu drink e me coloquei em pé também.

(…)

Chegamos ao andar e Lucca já nos aguardava, ao lado do elevador.

— Lucca, essa é a . esse é o Lucca. — nos apresentou.

— Prazer. — nos cumprimentamos.

— Que bom que vocês decidiram vir. — Lucca falou enquanto caminhávamos até a porta. — Só que temos que entrar pela porta de trás, não pela principal, tudo bem?

— Olha bem se me importo, se a festa é boa, entro até pela janela se preciso for. — respondeu entusiasmada, provavelmente aqueles dois drinks já haviam tomado conta, porque normalmente ela era mais acanhada.

— Vocês irão precisar disso. — Ele nos alcançou duas máscaras. A minha preta rendada, com detalhes em dourado e uma pluma preta e da , preta com detalhes em fios dourados e alguns “strass” ao redor dos olhos. — Eu vou estar por aqui ao redor, trabalhando. — Nos falamos depois? — piscou para ela. concordou com a cabeça. — Divirtam-se. — Lucca sorriu de canto e depositou um beijo no rosto da minha amiga.

Ao entrarmos no salão, ele parecia maior que o do andar de baixo e tinha um bar no canto. Era um baile de máscaras e a decoração era toda em preto e dourado, haviam alguns sambistas de máscaras.

Logo na chegada havia caipirinha e uma cesta de pães. Canapés estavam sendo servidos na mesa, junto com champagne à vontade.

A música estava ótima, isso sim era uma festa de verdade. Começamos a dançar como se fôssemos as únicas no local, sem nos importarmos com nada, já até havia esquecido o micão que havia passado antes.

Não demorou para que fosse fazer companhia ao Lucca e eu continuei dançando. Chegou o momento em que meus sapatos de salto exigiram eu procurar um lugar para me sentar. Assim que avistei um banco vago próximo ao bar, praticamente corri até ele.

— Que alívio sentar um pouco. — Girei os pés para amenizar o cansaço. Aproveitei para dar uma conferida no celular e para minha infelicidade lá estava uma mensagem do Tiago. Que raios ele queria, depois de quase um ano que me fez de trouxa e mais de meses sem dar notícias, resolveu ressuscitar logo hoje? Parece que fareja quando eu estou bem. Nem visualizei, larguei aquela porcaria de celular em cima do balcão. Ele não estragaria minha noite.

Meus olhos passavam pessoa por pessoa, tentando identificar as tais celebridades que o Lucca falou que estariam na festa. Até que minha atenção foi atraída para um homem, que parou junto ao bar, alguns centímetros de distância. Ele usava máscara dourada com duas listras pretas, realçando mais ainda um belo par de olhos azuis, que olhavam fixamente para mim. Houve uma breve troca de olhares e então vi seu sorriso direcionado a mim, mas dessa vez cheguei a dar uma rápida e discreta olhada para trás, quis me certificar que não era para outra pessoa dessa vez. Não me permitiria passar pela mesma situação em uma só noite.

— O rapaz ali com a máscara dourada, mandou para você. — O garçom me alcançou uma caipirinha. Agora sim, pude ter certeza que o flerte era pra mim. Ele sorriu e eu correspondi o sorriso e mexi a boca dizendo obrigada. Tomei um gole e constatei estar tomando a melhor caipirinha que já experimentei na minha vida. Esse mascarado além de ter adivinhado minha bebida preferida, ainda por cima foi a melhor, ganhou pontos bônus por isso. Ri sozinha pelos meus pensamentos.

Não demorou para que ele se aproximasse, tomei mais um super gole, encorajador, afinal fazia quase um ano que sequer flertava com ninguém.

— “Can I… puedo?” — ele balançou a cabeça. — Sentar? — ele perguntou com uma linguagem nova pelo visto, era um misto de espanhol e um português enrolado e podia jurar que teve um leve inglês de início. Apenas balancei a cabeça afirmativamente. Deduzi que ele deve ter perguntado se podia sentar ao meu lado.

— Por que todo gringo acha que brasileiro fala espanhol? — minha dúvida acabou sendo pronunciada mais algo do que deveria. E envergonhada terminei o último gole da caipirinha. O mix dos drinks de antes e mais essa caipirinha me fizeram perder um pouco da noção do meu tom de voz, pelo visto.

— “What?” — O cara mascarado, entreolhou para mim e o garçom sem entender o que eu havia dito. Para minha sorte. E pelo visto ele fala inglês, agora me facilita um pouco, pois no espanhol sou péssima.

Primeiramente me desculpei e resolvi me apresentar.

— Meu nome é e o seu? — perguntei em inglês. Ele logo abriu um sorriso e estendeu a mão.

— Eu me chamo… — ele fez uma breve pausa e olhou para o garçom e logo voltou a atenção a mim. — Me chamo… .

Nos cumprimentamos e foi tão estranho, mas assim que houve o contato da sua mão com a minha senti um leve formigamento percorrer meu braço, uma sensação gostosa na verdade. Isso nunca havia me acontecido antes.

Logo ele sentou-se ao meu lado e ergueu o braço para o garçom trazer outra caipirinha para mim e outra para ele.

— Nossa, essa foi a melhor caipirinha que já tomei! — comentei com um amplo sorriso nos lábios, admito que eu estava um pouco nervosa, não sabia se ainda sabia paquerar e ainda mais em outra língua.

Ele me lançou um olhar nesse momento, daqueles de causar arrepios. Como se palavras fossem totalmente desnecessárias e mesmo falando línguas diferentes, não seria um empecilho para nos entendermos.

— E esse seu sorriso é o mais lindo que já vi. — sorriu de canto e pousou sua mão sobre a minha que estava na bancada do bar.

Foi inevitável aquelas palavras me balançarem. Eu o havia conhecido a poucos minutos, mas algo nele me instigava, eu queria saber tudo sobre ele. E o seu toque, nossa, me fazia querer libertar uma que estava adormecida há tempos.

— Então, . Você é de onde? De onde é esse sotaque tão sexy? — Joguei meu cabelo para o lado, deixando meu ombro à mostra e dei aquela imbatível cruzada de pernas. Pude até sentir seu olhar recair, analisando o meu corpo com anseio. Fingi não perceber e dei mais um gole em minha bebida.

— Da… Ir… — ele se perdeu nas palavras. — Inglaterra.

— Qual cidade? E o que você faz lá e como veio parar aqui em São Paulo? — Fiquei ainda mais curiosa. Ele devia ser amigo da celebridade que estava dando a festa. Se o Lucca tivesse revelado o nome ou quem organizou essa dita festa. Eu deveria ter me informado melhor.

— Eu… E você? — Logo desconversou. — Trabalha na Mosh Studios?

Fiquei pensando por alguns segundos. Será que agora seria pega que entrei de penetra nessa festa? Antes que pudesse falar algo, o toque insistente de várias mensagens recebidas em meu celular interrompeu a conversa. Desvirei o aparelho, para ver quem era. “Tiago” era o nome que piscava na tela.

— Parece que não sou o único buscando sua atenção nessa noite. — se referiu às insistentes mensagens.

— Mas você é o único que vai ter a minha atenção essa noite. — mordisquei o canto do meu lábio e desliguei o aparelho, jogando-o sem importância pra dentro da minha bolsa. Uma música que eu adoro começou a tocar e notei que poucas pessoas ainda estavam presentes na festa, inclusive nem sinal mais da minha amiga. — Eu gosto muito dessa música… — meu pé começou a balançar involuntariamente.

— Vem… Dança comigo? — pôs-se em pé e estendeu uma mão. Atendi seu pedido, levantei-me e tomei sua mão e ao ficarmos bem perto, ele colocou a mão em meu queixo, aproximando meu rosto junto ao dele. Suspirou fundo e nossos lábios estavam tão próximos que podia sentir seu hálito quente contra os meus lábios. Senti-me tentada a beijá-lo, apenas rocei de leve meus lábios nos dele e decidi delicadamente guiar suas mãos até meus quadris, enquanto no balanço da música eu me virava de costas para ele.

Enquanto erámos embalados pelo ritmo da música ele passou seu queixo suavemente pelo meu pescoço, sentindo sua respiração exalar na minha nuca, deixando minha pele inteira arrepiada.

Lentamente me virei de frente para ele mais uma vez, envolvi meus braços ao redor do seu pescoço e o puxei próximo ao meu rosto.

— Nós devemos levar essa dança em outro lugar. — sorri fingindo inocência.

Mesmo atrás da máscara pude notar seu rosto ligeiramente ruborizado.

— Meu quarto é bem amplo para dançar. — sugeriu, com um meio sorriso malicioso estampado em seus lábios.

(…)

retirou o cartão do bolso e destrancou a porta do seu quarto e me convidei para entrar.

— Uau! Isso não é um quarto e sim um apartamento. — comentei deslumbrada. Aquele quarto era imenso, tinha inclusive uma sala. — Que vista é essa? — Ele estava no melhor quarto do hotel, essa janela enorme. — Não sabia que São Paulo podia ser tão bonita assim a noite. Estou encantada, que lindo.

— Encantado estou eu, por você. — Senti ele se aproximar e acariciar meus cabelos. Gentilmente me abraçou por trás e juntou-se a mim para apreciar aquela vista. Senti-me tão bem e segura com ele que segurei ainda mais forte em seus braços.

— Essa máscara está me deixando suada… — Me soltei dele por um instante e comecei a desamarrar o nó que ainda prendia minha máscara. — Acho que agora já podemos tirá-las. — Senti um alívio ao removê-la, sentia meu rosto úmido. Já livre da minha máscara, era a vez dele. Queria ver por completo o dono daqueles olhos azuis que não paravam de me encarar.

— Que foi? — passei minhas mãos pelo rosto e cabelo. — Estou toda amassada, né? — Eu devia estar até com a maquiagem toda borrada, que vergonha.

— Não… Está ainda mais… — ele parou de falar e ficou pensando alguns segundos. — “Bónita.”

Foi tão bonitinho o modo dele falar, que cheguei ficar envergonhada.

— Obrigada. — ri acanhada. — Agora é a sua vez. — Levei minhas mãos em direção à máscara dele.

— Espera… — ele segurou minhas duas mãos, junto às dele. — Que tal primeiro, continuarmos a nossa dança? — beijou meus dedos.

— Que misterioso você, hein? — fiquei extremamente frustrada, por que ele não queria tirar aquela dita máscara ainda? Mas se é pra apimentar mais a noite, não vou me chatear. — Eu topo… Um pouquinho de mistério não faz mal nenhum.

— Vem… — Guiou-me até onde havia as caixas de som. Conectou seu celular, digitou a música e deu play.

[PLAY] * Keep you with me – Hot Chelle Rae

— Onde nós paramos? — Ele se surpreendeu assim que me aproximei e o envolvi com meus braços ao redor do seu pescoço, dando continuidade à nossa dança. Logo ele me segurou firme pela cintura, guiando nossos corpos no ritmo da música.

Eu queria aproveitar cada segundo, ir devagar. Lentamente minhas mãos deslizaram por suas costas. Sua camisa estava suada, mas o perfume que estava impregnado em sua roupa exalava ainda mais com sua pele quente. A dança já estava perdendo o ritmo quando senti seus dedos brincando com os cordões da parte de trás do meu vestido. Seus toques lentos e suaves estavam me deixando maluca. Quando ele roçou seu queixo, com a barba rala, na curva do meu pescoço e inalou o meu perfume, meus joelhos estremeceram e minha pele mais uma vez arrepiou-se toda.

Segurando em meu queixo ele aproximou novamente meu rosto do dele e passou a língua devagar pelos meus lábios, eu os entreabri, estava sedenta por um beijo seu. Sentia-me perdida pelos seus olhos azuis e seus lábios. Ambos me tocaram de uma maneira única. Meu corpo estremeceu com o modo doce com que ele me beijou os lábios. Meu corpo ansiava por mais, eu já sei que não dá para parar agora. Levei minhas mãos até sua nuca e agarrei seus lábios com pressa. O beijo que trocávamos só aumentou o fogo que se acendeu em mim quando ele me olhou no bar. Suas mãos desceram até meu quadril, apertando com força.

— Eu te quero… — rompeu o beijo para recuperar o fôlego. — Te quero e muito. — ele sussurrou em meu ouvido e me puxou para o seu colo, fazendo minhas pernas ficarem envolvidas em sua cintura. Passei minha língua pelo lóbulo de sua orelha, enquanto ele me carregava até sua cama. Sua respiração estava alta e descompassada, provavelmente pelas sensações que sentia com a minha língua quente sobre sua pele.

O cômodo estava iluminado pela luz da lua, encobrindo mais ainda o rosto que continuava com a máscara.

— Quer que eu continue? — Ele falou assim que me deitou na cama.

— Eu só quero aproveitar esse momento. — respondi com a voz mais rouca e manhosa.

— Nós podemos fazer isso a noite toda… — com nossos corpos colados e quentes, voltei minhas mãos para sua nuca e o puxei para mim mais uma vez. Entrelacei meus dedos pelos seus cabelos e aproveitei para desfazer o laço que ainda prendia a máscara ao seu rosto. Em meios às mordidas pelo seu pescoço, soltei o laço e arremessei aquele acessório no chão.

Suas mãos eram suaves e acariciavam minhas costas, meus braços e ombros. Sentia nossos corpos cada vez mais quentes, encostados um no outro. Ele beijou meu pescoço, mordiscando até meu ombro e com os dentes desceu a alça do meu vestido. Seu toque, suas mãos, fazem meu corpo formigar de desejo.

A luz da lua refletiu em seu rosto, agora revelando sua face. Nesse momento cheguei estreitar os olhos, mas acredito que o álcool estava me fazendo ver coisas.

— Nossa, você é tão parecido com aquele da banda… A One Direction. Não liga, não… Eu devo ter exagerado na bebida.

Ele apenas riu e voltou a me beijar com a mesma intensidade de antes e logo desceu pelo meu pescoço até o colo. A língua quente dele, fez incendiar-me em segundos, senti arrepios em todas as partes do meu corpo. Minha cabeça começou a girar enquanto eu tentava acompanhar o seu ritmo.

O suor escorria por nossas roupas. O puxei pela camisa, para desabotoá-la lentamente. Assim que havia aberto sua camisa por completo, seu abdômen ficou à mostra. Ele fechou os olhos, sentindo apenas a ponta dos meus dedos deslizarem pelo seu peitoral. Meu desejo por ele só aumentava e ele deu continuidade a todos os toques sensuais de antes, descendo lentamente meu vestido pelo meu corpo.

O toque da sua língua era intenso, não dava mais para conter o ímpeto, eu estava imersa às reações do meu corpo. Era bom. Era incrível, minhas pernas tremem, já não consigo controlar.

Suas mãos quentes e suaves explorando meu corpo, sua respiração ofegante, os gemidos, o calor, senti-lo por inteiro, fez meu corpo estremecer e delirar de prazer. Por fim, o beijei, comecei por seu peitoral suado, pescoço cheiroso e por último seus lábios entreabertos, por onde sua respiração acelerada escapava esporadicamente.

Estávamos ofegantes e palavras eram desnecessárias naquele momento, me puxou junto dele e me beijou na testa e ficamos deitados, abraçados até que pegamos no sono.

(…)

Um sutil raio de sol bateu em meu olho e fez com que eu despertasse. Abri lentamente os olhos e as lembranças da noite anterior me fizeram sorrir feito boba. Virei-me calmamente de lado, não queria acordar .

— O quê? — falei quase em um sussurro ao me dar de cara com ? Não era possível. Eu havia sido uma “groupie” de uma noite só? Tapei meu rosto como um reflexo. pelado aqui do meu lado? Esse lençol mal cobre suas partes. Ontem quando ele tirou a máscara, eu sabia… O que foi que você fez, ? Ele vai achar que você sai transando com qualquer um. E daí, se achar? Meus pensamentos estavam entrando em parafuso.

Silenciosamente levantei-me para pegar minha calcinha e meu vestido que estavam jogados no chão. Era melhor sair sem ele perceber, não queria ter que ser dispensada depois da noite incrível que tivemos, melhor manter só na memória a parte boa.

— Que foi? — Ele perguntou, coçando os olhos em meio a um bocejo.

— Eu preciso ir… Minha amiga deve estar preocupada… — Respondi enquanto vestia minhas roupas. — Afinal saí com um tal de… , não é mesmo? — indaguei com sarcasmo e arqueei minha sobrancelha. — Que vergonha… Estou me sentindo idiota. — balancei a cabeça e peguei minha bolsa que estava na poltrona.

— Não vai, por favor… — pediu enquanto enrolava o lençol na cintura. — Eu te explico… — quase tropeçou em meio ao tecido. — Não vai embora…

— Vocês artistas devem estar acostumados… Mas não sou uma das suas “groupies”, não se preocupe, não vou espalhar que passei a noite com você. — Calcei meus sapatos de qualquer jeito e cheguei até a porta.

— Não é isso… Fica, quero explicar o que aconteceu.

— Deixa, não precisa explicar nada… — respirei profundamente. — E eu tenho que ir, tenho compromissos e devo estar super atrasada. — Abri a porta e saí o mais rápido que pude de lá. Não quis nem sequer esperar o elevador, até porque havia um segurança bem ao lado. Fui pelas escadas e ouvi chamar meu nome pelo corredor.

(…)

Cheguei um pouco atrasada na primeira palestra, mas logo avistei sentada na terceira fileira e meu lugar estava vago. Ainda bem que essa eram com lugares marcados. Pedi licença e consegui chegar até ela. Sentei-me o mais rápido que pude, para não atrapalhar e me olhou apavorada.

— Onde você passou a noite, ? — me repreendeu cochichando.

— Deveria ter passado no nosso quarto… — respondi baixinho. — Depois eu te conto. — Franziu a testa e concordou com a cabeça e logo voltou sua atenção à palestra e continuou tomando nota.

Juro que tudo que eu via na minha frente era o palestrante mexer os lábios, porque a minha mente estava longe. O que estava acontecendo comigo? Como pude permitir ele entrar na minha vida, nunca mais ouço os conselhos da . Como alguém em uma noite podia mexer tanto assim comigo. Não era um simples alguém, mas sim, . As coisas que falei, a maneira como agi, ao lembrar da noite passada, não parecia eu. Tudo que fizemos… Só sei que preciso esquecer, logo ele vai embora e nunca mais o verei e… Eu preciso deixar de ser tão ridícula, preciso parar de pensar tanto naqueles olhos azuis fixos nos meus. Ai, porque tinha que ter sido tão bom?

. — acenou na minha frente. — A palestra terminou, precisamos ir para o auditório 2, o curso de técnicas e tendências vai começar.

— O quê… — despertei. — Sim… Vamos.

— Nossa, a noite deve ter sido maravilhosa, porque nunca te vi assim antes. Nem o Tiago nunca tirou sua concentração dessa maneira. — minha amiga riu. – Pelo menos a noite de alguém valeu a pena. — sorriu de canto.

— É… — dei um sorriso tímido. — Mas… Como assim? E o Lucca?

— Ahhh amiga… O Lucca… Bem… Digamos que não era tudo que ele aparentava, sabe? — deu uma piscadela e apontou para as salsichas dos mini cachorros-quentes que estavam servindo na sala do “coffee break”. Foi inevitável não gargalhar. — Não ria, amiga. É sério. — ela curvou os lábios para baixo fazendo um beiço de triste. — E você? Quem foi o mascarado?

— Você viu ele? — perguntei espantada.

— Como assim? Eu te perdi de vista desde que te larguei lá na pista.

— E como você sabe do mascarado?

. — estralou os dedos na frente dos meus olhos. — Todos nós estávamos de máscara, esqueceu. — Meu Deus, mulher, em que planeta você está?

Deram o sinal que iam dar início ao curso e nos chamaram para entrar.

— Depois quero saber de todos os detalhes. — deu um tapa na minha bunda e entrou no auditório.

(…)

Já era noite quando voltamos ao hotel. Eu estava exausta e joguei-me de qualquer jeito naquela cama fofa.

— Essa noite vou sonhar com paletas, pincéis, cores laranjas e vários tons de marrom. — suspirei fundo.

— Eu também. — abriu sua mala. — Não pense que esqueci, que você me deve uma explicação de onde passou a noite passada, hein. — pegou suas roupas íntimas. — Vou só tomar um banho e depois que saber tudinho.

Apenas balancei a cabeça afirmativamente, estava com preguiça até de responder.

— Só não demora! Não monopoliza esse banheiro que eu também quero tomar meu banho. — gritei para que ela me ouvisse de lá.

Ainda estatelada na cama ouvi alguém bater na porta do quarto. Será que havia pedido serviço de quarto? Espreguicei-me e caminhei de pés descalços até a porta. Fiquei sem fôlego ao ver diante de mim, mais uma vez.

— Oi. — ele falou em português. — Eu pedi para o pessoal da recepção, qual era o seu quarto. Fiz mal?

Eu balancei a cabeça negativamente, as palavras não saíam pela minha boca.

— Vim te devolver isso. — ele me alcançou a correntinha que eu estava usando ontem.

— Obrigada. — peguei o acessório em minhas mãos e o enrolei por entre os dedos.

— Também queria me desculpar, não queria te mentido pra você. É que… — ele passou a mão pela nuca. — Quando vi que você não havia me reconhecido, eu… Desculpe, não devia ter mentido meu nome.

— Achou que eu ia te pedir uma selfie? Que você pensou que eu ia fazer? — dei de ombros.

— Nada… É que a tanto tempo vivo nesse mundo que muita gente finge ser o que não é, ou fica bajulando só pela fama e naquele momento com você eu pude ser quem eu quero ser. — ele soltou o ar pesadamente. — Pude ser eu mesmo. Sem me preocupar em ser julgado por eu ser o . Não sei se consegui me explicar direito. — ele estreitou as sobrancelhas.

— É… Consegui entender sim. Não se preocupe, não me deve nenhuma explicação. O que aconteceu foi muito bom e pronto. Eu já entendi, você precisava de uma noite no “anonimato”… — fiz o sinal de aspas com as mãos. — E eu estava lá, uma noitada e pronto. — sorri fraco. — E como disse hoje pela manhã, não vou falar pra ninguém, não tirei fotos nem nada. — tentei fingir que não estava me importando com nada. — Pode ficar tranquilo. Era só isso? — me escorei na porta quase a fechando.

— Não… Não foi isso… Pode parecer até meio brega, mas… — ele deu um passo à frente, evitando que a porta se fechasse. — Eu não consegui parar de pensar o dia todo em você, parecia que tudo que eu via tinha seu jeito e tudo me lembrava seu toque. — Ele me lançou um olhar que fez eu me perder naqueles olhos azuis. Respirei fundo, pois todos os sentimentos da noite anterior vieram à tona. Perdi as pernas e fiquei extremamente sem reação, jamais imaginaria ele me falando essas coisas.

— Eu… — Palavra alguma saía pela minha boca. “Fala: Eu também” “, beija ele”. Meu cérebro entrou em pane.

— Amanhã fico no hotel até às 16 horas, estou voltando para Londres e… Eu queria muito poder conversar mais com você antes de ir, sem máscaras. — Ele riu. — Você sabe o andar do meu quarto. — sorriu. — O segurança já está avisado, você pode vir a hora que quiser. Adoraria que você viesse tomar café da manhã comigo, se você quiser é claro. — ele acariciou o canto do meu queixo. Seu toque deixou um rastro quente em meu rosto. Que efeito era esse que ele causava em mim?

— Eu… Eu tenho o… — Minha memória havia sido atingida naquele momento, não lembrava das palavras em inglês mais. Até que finalmente lembrei. — Eu gostaria muito, mas tenho o curso, as palestras amanhã de manhã.

— Mas pode vir depois, vou te esperar… — Se despediu e entrou no elevador. E eu fiquei que nem boba parada ali na porta, tentando assimilar tudo que havia acabado de acontecer.

— Quem está aí, ? — gritou da porta do banheiro.

— Era o serviço de quarto, veio enganado. — respondi assim que fechei a porta.

(…)

O relógio marcava 15:10 horas e mais uma palestra havia terminado e logo a próxima iria iniciar. E meu cérebro e coração tinham decisões diferentes cada. Meu cérebro dizia: “Não vai até o hotel, ele vai embora mesmo, nunca mais você o verá… De que adianta? Assim evita sofrimento maior.”. Já meu coração dizia: “Vai lá sua boba, mata essa sua vontade de beijá-lo mais uma vez. Larga tudo aqui e corre até aquele hotel e diz o quanto aquela noite foi maravilhosa pra você também.”

Aquele “clique, clique” da caneta que eu não conseguia parar de apertar parecia um “timer”, a cada clique um segundo a menos para poder tomar minha decisão.

— Para de clicar essa caneta, . Eu vou pro meu curso de penteados de noivas, nos encontramos no final, depois?

— Sim… — respondi e logo voltei a clicar a caneta mais uma vez e bufou.

Assim que entrou na sala, olhei para o relógio e marcavam exatamente 15:45 horas. Calculei na cabeça e pelo tempo no trânsito até o hotel, que não ficava tão longe daqui, eu iria mais rápido a pé. Minha decisão estava tomada. Tenho menos de quinze minutos para chegar lá.

Cruzei aquele auditório e saí do centro de eventos numa velocidade que eu desconhecia que minhas pernas podiam alcançar.

Corri duas quadras, quase sem fôlego, olhei para meu relógio no pulso, marcavam exatamente 15:55 horas. Minhas pernas pareciam que iam cair do corpo, mas corri a última quadra. Parei recepção do hotel, praticamente sem fôlego, apoiei minhas mãos sobre meus joelhos, tentando respirar direito. Com as pernas trêmulas andei até o elevador, olhei mais uma vez para o relógio, eram agora 16:09. Cada andar que subia parecia que demorava o dobro do tempo. Quando a porta se abriu no andar, com uma das pernas dormentes, não consegui andar tão rápido quanto eu queria, mas finalmente cheguei à porta do seu quarto.

Bati duas vezes, ninguém atendeu. Insisti e bati mais duas vezes e mais uma vez sem resposta. Antes de eu tentar mais uma vez ouvi passos atrás de mim se aproximando.

— Você veio… — parou ao meu lado.

— Eu… — respirei fundo. — Eu precisava dizer que também passei o dia pensando em você e aquela noite foi… — sorri com certa malícia.

— Foi mesmo. — ele riu. — Meu voo de hoje foi transferido para amanhã.

Foi inevitável eu abrir um amplo sorriso e abraçá-lo forte. Ele envolveu seus braços em minha cintura e eu suspirei aliviada na curva do seu pescoço, como era bom sentir seu corpo colado ao meu mais uma vez.

— O segurança está ali nos olhando. — Sem me soltar, falou baixinho próximo ao meu ouvido. E eu ri ao olhar de canto e perceber aquele brutamontes nos observando. — Quero ficar a sós com você. — sussurrou rente ao meu pescoço, me deixando todinha arrepiada.

E mais uma vez entrei naquele quarto, para sentir aquelas mãos suaves e habilidosas entrarem em ação novamente. Sentir seu corpo, seu calor, seus beijos me enlouquecerem e delirar de prazer nem que fosse pela última vez. Ou seria a segunda vez de muitas?

“No, no chance
That I’m leaving here without you on me
I, I know
Yeah, I already know that there ain’t no stopping
Your plans and those
Slow hands”