The Last Song I’ll Write For You

The Last Song I’ll Write For You

Sinopse: Nova Iorque é o cenário ideal para encontros, desencontros e canções. E na história dessa doce produtora musical cheia de sonhos e projetos, descobriremos que o amor é o único sentimento – praticamente – impossível de se passar para o papel.

Classificação: 14 anos.

Restrição: Harry Styles é fixo.

*As músicas usadas nessa fanfic não seguem uma linha do tempo correta, relevem <3*

Prólogo


O sol quente do verão brasileiro tocava minha pele antes que eu entrasse no aeroporto. Ali começava minha nova vida.
Aproximando meu corpo, o sensor abriu a grande porta. Com o pé direito entrei no grande salão, repleto de pessoas apressadas, famílias chorosas e alguns preguiçosos dormindo com os pés sobre as bagagens. Ao meu lado; apenas minha mala e um violão, este que fora um presente de minha mãe durante minha adolescência.
Minha família, como sempre muito ocupada, até mesmo para despedidas.
Depois de três anos trabalhando como Produtora Musical na Universal Music Brasil, e com grandes nomes da música nacional, finalmente meu maior sonho tinha se realizado; ir para o maior mercado de música do mundo: Estados Unidos da América.
Minhas pernas sempre falhavam quando me dava conta de que isso estava acontecendo.
Lembro-me claramente do dia em que tudo aconteceu.

Mexia em alguns botões da grande mesa de som, enquanto Sandy proferia a letra de sua nova canção na cabine em frente.
Solicitei uma pausa, alguma coisa não estava sonoramente bem. Ainda não tinha certeza, mas queria explorar o máximo que pudesse da capacidade vocal daquela mulher.
– Sandy, vamos tentar subir um tom nesse refrão? – disse com os lábios próximos ao microfone para que ela pudesse me ouvir de onde estava. – Talvez uma transição da voz de peito para a de cabeça daria uma explosão maior para essa estrofe, a deixaria mais marcante.
Ela concordou com um sorriso no rosto, talvez estivesse pensando o mesmo que eu.
– Então vamos da ponte. – Desliguei meu microfone e soltei a base da música novamente. Assim que o refrão começou, ela fez o combinado e eu senti que era realmente aquilo que faltava para a música ficar incrível.
Foram algumas horas de gravação até o almoço. Todos foram liberados, e eu continuei no estúdio, como sempre.
Me distraia tanto editando os vocais da música que não percebi quando Carlos Machado, meu chefe, entrou.
– Nossa, isso está ficando muito bom, . – Ele sorriu. – Parabéns!
– É um trabalho em equipe e você sabe disso, Machado. – Sorri com a mesma simpatia que a dele.
– Bom, tenho uma notícia para te dar. – Puxou a cadeira que estava ao meu lado. – Posso me sentar? – Apenas maneei a cabeça confirmando e ele concluiu o ato. – , você sabe que é uma de nossas melhores profissionais. Com apenas 24 anos já conseguiu muito mais que muitos carrancudos por aí. – Ri com a maneira quase fraternal com a qual falou. – Mas, eu sabia que essa hora chegaria. – Ele deu uma pequena pausa, para dramatizar. Típico de Carlos Machado. – Republic Records entrou em contato e eles te querem com eles, para produzir o novo álbum do Shawn Mendes.
Meu sorriso rapidamente se desfez para uma feição de surpresa. Aquilo só poderia ser uma pegadinha, Carlos não poderia estar falando sério.
– Parabéns, . – Ele disse se levantando. – Você vai para Nova Iorque.

Capítulo 1

“I am about to make a brand new start of it right there in old New York.” – Frank Sinatra, New York


Duas semanas em Nova Iorque e nenhuma refeição decente, se minha mãe soubesse, mandaria que eu entrasse no próximo voo para o Brasil sem pensar duas vezes.
Eu andava pelas ruas próximas ao prédio no qual a Republic Records alugou-me um apartamento, a procura de um restaurante que me oferecesse mais que comida congelada ou hambúrguer.
Na esquina com dois hotéis, encontrei um restaurante com um ambiente familiar e agradável, resolvi que esse seria o meu point diário até eu decidir ir ao mercado e fazer compras.
O local tinha uma iluminação parcial e uma decoração toda em madeira, algo bem rústico para NY, diga-se de passagem. Talvez por isso eu tenha gostado. Faltava apenas saber se a comida era tão boa quanto o estabelecimento.
Pedi um Fettuccine ao molho Alfredo, e um vinho tinto para acompanhar. Hoje seria meu primeiro dia no novo emprego, e por mais que estivesse sozinha, merecia ser comemorado. E nada melhor para comemorar do que o nosso bom e velho Cabernet Sauvignon.
Aproveitei cada detalhe do sabor daquele almoço, que estava incrivelmente maravilhoso. Meu celular apitou, dizendo que já estava em minha hora de ir. Fechei a conta e prometi ao garçom que voltaria, não menti.
Parei o primeiro táxi vazio e pedi para que me levasse até o prédio da gravadora. Assim que o dei o endereço, o rapaz tocou o pé no acelerador para que chegássemos o mais rápido possível.

Olhei para cima, ainda sem acreditar que estava ali. O prédio espelhado refletia os poucos raios de sol da cinza Nova Iorque, o letreiro, demasiadamente grande, indicava que eu estava no local certo. Passei por alguns seguranças que me observaram dos pés à cabeça; passando por meu all star branco, meu momjeans de lavagem azul e minha blusa básica, também branca, até pousarem no crachá que me foi entregue assim que pousei em Nova Iorque por Marcus Boots, meu colega e, assim como eu, produtor do novo álbum de Shawn.
Assim que perceberam que eu era uma funcionária, sorriram largamente me desejando um bom dia de serviço.
Passei pela recepção, onde uma menina de cabelos ruivos me indicou a direção para qual deveria ir.
Nosso primeiro encontro seria na sala de reuniões, discutiríamos o que Shawn queria para o novo álbum, o que gostaria de passar para seu público.
Os corredores extremamente brancos e repletos de quadros com fotos de artistas que já gravaram por ali me deixavam um pouco nervosa, a ficha só cairia quando eu estivesse dentro do estúdio, com Shawn na cabine e gritasse “gravando”.
Dei dois toques baixos na porta preta, que foi aberta por Marcus.
– Ei, . – Ele me deu um abraço tímido. – Estávamos esperando por você. – Olhei para a mesa e vi que estávamos nós dois, os músicos e alguns técnicos de som. O artista ainda não tinha chegado. – Senta aí que o Mendes já está no elevador.
Me sentei ao lado de Matt, técnico de som que no meu primeiro dia na cidade, também foi ao meu encontro no aeroporto, junto com Boots.
Trocávamos poucas palavras até que Shawn Mendes entrou na sala ao lado de seu empresário e sua assessora.
Sorriu para todos na mesa, sendo o mais simpático possível, e logo sentou-se.
– Bom, primeiro iremos começar com as apresentações, já que temos um rosto novo na mesa. – Marcus, que era quem guiava a reunião, disse em meio a sorrisos. – Gente, esta é , nova produtora da Republic. Importada diretamente do Brasil para acrescentar seu talento em nossas produções. Ela estará conosco no caminho até a finalização deste álbum. – Ele apontou para mim, que apenas acenei com um sorriso tímido nos lábios. – , esses são: Mario Garcia, empresário do artista, , assessora do artista e Shawn Mendes, o artista. – Boots deu uma risadinha. Como se eu não soubesse quem é Shawn Mendes, né?
Sorrimos e prosseguimos a reunião, que fora bem produtiva. Começaríamos as gravações daqui dois meses, assim que Shawn tivesse finalizado todas as composições para o disco.
O empresário fora embora com o artista, e sua assessora ficou para que resolvesse umas questões de direitos de imagem e divulgação com nosso responsável pelo Marketing do álbum.
A garota tinha belos cabelos pretos que caiam em seu ombro, e olhos tão escuros quanto os fios lisos, e sua pele alva contrastava com eles de maneira quase gritante. Seu sorriso era sincero e muito bonito. Ela transmitia uma segurança surreal.
Depois que trocou ideias com o rapaz do Marketing, caminhou até mim.
– Finalmente alguma mulher nessa equipe. – Ela riu. – Não aguentava ter que vir e estar cheia de marmanjos ao meu redor. – Ela estendeu sua mão para um cumprimento, o qual eu logo retribuí. – , prazer.
– Muito prazer conhece-la, . – disse, rindo do seu último comentário sobre os rapazes.
– Está afim de tomar um café? – Ela sugeriu e eu sorri, concordando com a ideia. – Então vamos a cafeteria logo aqui em frente, hoje estou liberada pelo resto do dia.
Eu e a minha mais nova colega atravessávamos a rua enquanto conversávamos sobre vários assuntos, esses que iam surgindo de maneira natural, como se nos conhecêssemos a séculos.
Entramos no local e nos sentamos próximas a janela, enquanto tomávamos nossos lattes.
– Mas me diga , como que você iniciou sua carreira na produção musical? – A morena perguntou, realmente interessada.
– Bom, meu pai era músico amador, e sempre me incentivou para seguir uma carreira musical. Já que eu toco alguns instrumentos, decidi prestar o vestibular para uma das melhores escolas de música do meu país. Fiz a minha faculdade voltada diretamente para o mercado de produção. Pois sempre foi algo que gostei e me daria um bom retorno. – Tomei um gole do café. – Com 21 anos entrei para a Universal Music Brasil, que foi uma divisora de águas na minha vida. Tive a oportunidade de crescer e conhecer bem o ramo. Hoje, com 24, estou aqui realizando um dos meus maiores sonhos. – Eu sorri, sinceramente, e ela fez o mesmo. – E pode me chamar de .
Ela maneou a cabeça e sorriu.
– Mas e você, , como chegou onde chegou? – Perguntei, querendo saber um pouco mais sobre a garota.
– Bom, fiz Jornalismo na NYU, e nunca fora meu objetivo entrar para área de assessoria, principalmente dessa galera problema, que são os artistas. – Ela soltou um riso anasalado. – Mas, assim que terminei a faculdade, estava difícil de arrumar um trabalho na área que queria seguir na época, e um antigo professor me indicou para esse grupo de assessores, no qual estou até hoje. – Deu uma pausa para recuperar o folego perdido. – E bom, hoje me sinto mais feliz que tudo nessa loucura.
– E quem mais você apoia, tirando o Shawn? – Perguntei curiosa.
– Bom, da Republic Records só o Liam Payne. – Ela disse e eu concordei, afirmando saber quem é. – De outras gravadoras eu estou com Fergie, Miley Cyrus e Harry Styles, além dos atores que fazem parte, também.
Parei por alguns segundos, impressionada com a quantidade de pessoas famosas que rodeavam .
– E você é próxima de todos? – A curiosidade falava mais alto que eu, pude jurar que meus olhos brilhavam.
– Veja por si mesma, amiga. – Ela sorriu. – Amanhã, as nove, neste endereço, vai acontecer minha festa de aniversário. – Me entregou um papel com o nome da rua e o número do local, era num hotel. – Espero te ver lá. – Ela sorriu largamente e eu concordei. – Preciso ir, para organizar o resto das coisas. Te vejo amanhã?
– Sim! – Disse, sorrindo. Eu estava feliz, não por ir a uma festa com famosos, mas sim porque estava fazendo uma amizade.
pagou o café, me deu um beijo na bochecha e saiu em direção à rua, pedindo um taxi. Logo que ela entrou no carro amarelo, vi o mesmo sumir no trânsito de Nova Iorque.
Talvez eu fosse gostar de estar aqui.

Capítulo 2

“Tonight there’s a party on the rooftop top of the world.” – Hot Chelle Rae, Tonight Tonight.


Faltavam apenas três horas para o aniversário de , e eu nem tinha saído da cama ainda. A maratona de Brooklyn99 me pegou de uma maneira, que quando vi já eram 6p.m de sábado.
Decidi que deixaria Peralta e seus companheiros para uma próxima, pois ainda precisaria decidir qual roupa usaria para a ocasião.
Mais cedo, quando me ligou, disse que eu não precisaria me arrumar muito, pois iriam poucas pessoas e seria mais uma reunião no terraço do hotel. Mas, eu não iria de qualquer jeito, afinal era um hotel chiquérrimo, onde eu estaria cercada de pessoas importantes do ramo musical e cinematográfico.
Tirei todas as roupas do meu armário e da mala, afinal, procrastinei demais para organizar todos meus pertences durante a semana, outro motivo que faria mamãe surtar. Até que encontrei um vestido preto, de costas nuas e saia evasê, seria esse. Peguei uma sandália de tiras finas da mesma cor. Coloquei a roupa na cama e o sapato no chão, logo ao lado.
Tomei um banho calmo, afinal não estava com pressa. Assim que saí do chuveiro, decidi que o ideal seria já secar meu cabelo.
O secador lançava uma massa de ar quente para os fios, que se enrolavam em grandes ondulações, devido a escova que usava para manuseá-los. Assim que terminei o cabelo, parti para a maquiagem, e como toda minha roupa seria toda preta, decidi por fazer um olho mais simples, com uma sombra nude, e apostar no batom vermelho, ele seria a cor viva do meu look.
Com a maquiagem finalizada, coloquei a roupa e assessórios, todos em prata, peguei uma bolsa, estilo wallet, num vermelho um pouco mais escuro que meu batom. Coloquei ali meu celular, e uns itens de maquiagem necessários para retoque.
Chequei o relógio digital que ficava ao lado da cama, e sua tela marcava 8p.m, bem na hora.
Pelos meus cálculos, chegaria no horário certo, ou alguns minutos atrasada, mas nada gritante. Afinal, o hotel era praticamente do outro lado de Nova Iorque, eu levaria algumas horas até chegar.
Tranquei a casa e desci para chamar um táxi. O primeiro vazio aceitou fazer a corrida.
Eu observava a cidade pela janela, realmente ela nunca dorme. As luzes tomavam conta dos meus olhos, algumas eu diria que até me cegaram por milésimos de segundos.
Sem perceber o motorista já estava finalizando a corrida e eu estava em frente ao luxuoso hotel.
Paguei o homem, e desci.
– Boa noite, senhorita. – A recepcionista super simpática sorria. – Tem reserva?
– Boa noite, Michele. – disse ao ver o nome em seu crachá. – Não, estou aqui para o aniversário de .
– Claro. Seu nome por favor. – Ela perguntou enquanto pegava um papel, que deveria ser a lista.
. – disse, mantendo o sorriso em rosto.
Ela checou rapidamente, e assim que encontrou meu nome, riscou o mesmo e disse que o concierge me levaria até o local.
Segui o homem em uniformes vermelhos até o elevador, lá ele apertou o andar do terraço.
– Assim que ele parar, a senhora vire à direita e encontrará o local. – Ele sorriu, me indicando. Impossível todos naquele lugar serem extremamente simpáticos daquela forma! – Boa festa.
Ele soltou a porta do elevador, que logo se fechou, deixando-me num completo silêncio por longos onze andares.
Depois dos minutos, que mais pareciam horas, dentro do elevador, a porta se abriu. Segui o caminho indicado pelo rapaz e dei de cara com as portas do terraço abertas, uma música agitada tocava, mas não tão alto. A decoração era toda em balões prata, algumas pessoas estavam em pé próximo à piscina, outras ao bar, e algumas sentadas em bancos que eram espalhados pelo local. Alguns rostos conhecidos foram vistos, mas ninguém que realmente me chamasse tanta atenção.
Procurei no meio da pequena multidão, e a encontrei ao lado de Shawn e um rapaz negro e extremamente alto. Caminhei lentamente até eles, e quando a morena me viu, abriu um perfeito “O” com os lábios, e eu não pude controlar a risada quando os rapazes começaram a olhar em minha direção para entender o motivo do susto da menina.
– Quem diria que você, por trás daquelas roupas escondia esse corpão todo. – A garota disse, me dando um abraço.
– Parabéns, lindona. – Eu disse em meio a risadas.
– Obrigada. – Ela sorriu. – Esse é Brandon, um amigo da Assessoria. O Shawn você já conhece, nem um pouco importante. – Ela primeiro mostrou o rapaz de pele negra e logo depois apontou para seu cliente, e pelo que parecia, amigo, balançando as mãos como se ele fosse descartável.
– Obrigado pela parte que me toca. – O garoto riu, e logo veio me cumprimentar com um beijo estalado na bochecha, que me paralisou por um momento, já que não estava acostumada com homens bonitos e cheirosos tão perto assim. – Quer beber algo? – ele ofereceu.
– Claro, qualquer drink está de bom tamanho. – Eu disse e o rapaz foi até o bar para providenciar.
– Olá Brandon. – Apertei a mão do homem, que era tão lindo quanto Shawn. – Um prazer.
falava umas coisas que não tinham muito a ver, e a gente apenas ria, a garota conseguia ter um senso de humor incrível, mesmo que um pouco peculiar.
Depois de algumas boas risadas, Mendes voltou com uma Piña Colada para mim.
– Pensei que iria gostar desse. – Ele sorriu. – Acho bem latino.
Ele fez uma pose engraçada, com uma mão na cintura, imitando alguma dança latina que eu, como uma, não consegui identificar. Apenas ri, sendo seguida dos outros que estavam na roda.
– Meninos, vou roubar por alguns segundos. – pegou minha mão. – Quero apresentá-la a algumas pessoas.
Eles levantaram os copos, sorrindo e falando em conjunto para que fossemos.

Minha amiga – eu poderia me referir assim? -, me guiava pela festa, e eu observava cada mínimo detalhe, inclusive da roupa de , que estava divina. A assessora usava um vestido lápis, de cor vermelha e com os saltos bege. Sua maquiagem era simples, e seus lábios tinham apenas um gloss. Ela estava linda.
Ela segurava meu antebraço, e na outra mão dispunha de uma bebida, que não consegui identificar qual era.
Passamos ao lado da piscina, onde eu jurei ter visto Sebastian Stan e Tom Holland, mas decidi não perguntar, assim eu não iria parecer a maluca super fã da Marvel e essas coisas todas. Até que diminuiu o passo e eu percebi que tínhamos chegado onde ela queria. Um rapaz alto, de cabelos castanhos estava conversando ao telefone quando chegamos. Suas costas eram largas e sua pele bem clara, ainda não tinha o reconhecido, mas sua roupa despojada indicava que ele era algum cantor de hip-hop ou R&B. Seu perfume podia ser sentido de longe, era muito caro, com certeza era.
Assim que ele virou de frente para e eu, ele abriu um sorriso, e logo os braços. Foi quando eu o reconheci. Liam Payne estava ali na minha frente.
Ele e se abraçavam como velhos amigos. Quando soltaram o abraço, ele me olhou com curiosidade.
– Liam, essa é , nova produtora da Republic. – Ela sorriu e ele estendeu a mão, eu fiz o mesmo. – Ah, mas como estamos entre amigos, pode chamá-la de .
Ri com a atitude da garota. Ok, estávamos entre amigos, então?
– Um grande prazer te conhecer, . – A maneira que o sotaque britânico do rapaz soava ao pronunciar meu apelido me fez sentir um frio na espinha. tinha que parar de me apresentar homens bonitos. – Finalmente acertaram escolhendo uma pessoa jovem para equipe de produção, hm? – disse.
– Claro. Foi uma surpresa, mas uma daquelas ótimas, que a gente nem pensa, só aceita. – Eu ri fraco e ele concordou com a cabeça.
– Você não é daqui, né? – O rapaz perguntou.
– Brasil. – sorri. – Sei que já esteve lá, quando estava na banda. Minha irmã mais nova foi ao show.
Ele sorriu verdadeiramente.
– País incrível, e parece que as pessoas são tão incríveis quanto ele. – Ele sorriu galanteador. E , já um pouco alterada pelo álcool, soltou uma gargalhada que nos fez acompanha-la de tão contagiante que foi.
Depois de alguns copos de Piña Colada e um bom papo com Liam, percebi que precisava ir ao banheiro. Sussurrei o anuncio no ouvido de minha amiga.
– Mas volte pra cá, . Styles está chegando, quero que você o conheça também.
Concordei e fui até o banheiro.
Depois de esvaziar todo o liquido do meu corpo – exagerada, mas só as vezes -, retoquei a maquiagem e fui em direção ao local onde estávamos com Liam. Mas, dessa vez, tinha outra pessoa por lá.
Seus cabelos castanhos, que pelos pôsteres de minha irmã eu jurava serem mais longos, estavam agora em um pequeno topete. Sua calça preta era tão apertada, que por um momento me questionei como ele conseguiu entrar nelas. Sua camisa branca estava por baixo de um sobretudo da mesma cor de sua calça, nos pés, uma bota, também preta.
Eles estavam distraídos em uma conversa, que não perceberam quando me aproximei, ficando perto de .
– Voltei. – Olhei para a morena, que soltou um gritinho animado.
Pude perceber olhares curiosos por parte do outro britânico que chegara recentemente. Ele me analisava dos pés à cabeça, parando por um pouco mais longo em minhas pernas.
– Harry. – disse e rapidamente pude perceber o garoto saindo do transe. – Essa é a . Nova produtora da Republic.
Dei meu melhor sorriso, o garoto fez o mesmo e eu senti minhas pernas falharem. Aquele sorriso me deixou desconcertada por alguns segundos, e se não estivesse me segurando, eu, com toda certeza, teria demonstrado o nervosismo.
– Pode me chamar de . – disse, assim que nossas mãos se encontraram.
– Prazer. – Ele sorriu mais ainda. – Harry, como ela mesma já disse. – Ele indicou com a cabeça, já que estávamos com as mãos unidas. Talvez, por mais tempo que o usual. – Então você é a brasileira que o Liam comentou?
– Eu acho que sim. – Ri, por saber que eu estava sendo tópico de conversas entre eles, durante minha ida ao banheiro. – Espero que tenha falado bem. – Olhei para Payne com um olhar desconfiado.
– Te conheço pouco, mas já te considero. – Ele disse, brincalhão. – Só palavras boas, . – Só consegui ri de seu comentário. – O que acham de mais drinks para nós? – a pergunta foi retórica, já que ele já levantava e pegava os copos vazios. – Vem, , vamos pegar mais bebidas.
Os dois foram em direção ao bar, me deixando ali sozinha com um completo desconhecido.
Tudo bem, o cara era famoso, eu sabia seu nome, e conhecia algumas de suas músicas. Mas, mesmo assim, não o conhecia.
– Então. – Harry percebeu que eu estava muito quieta e tentou engatar um assunto. – Você está a quanto tempo nos Estados Unidos?
– Duas semanas, e já está sendo uma loucura. – Ri baixo, me apoiando de costas ao parapeito, assim como ele.
– Imagino. Você está produzindo o Shawn, é isso? – Sua voz rouca soava como melodia para meus ouvidos, mesmo que estivesse um tanto distante dos mesmos.
– Sim. Mas apenas esse álbum, e ainda nem começamos, só daqui dois meses. – disse, enquanto olhava para um ponto qualquer no meio da festa. – Pelo visto, ficarei produzindo álbuns esporádicos. Nada fixo com algum artista. – Ele se inclinou um pouco mais, incentivando que eu continuasse a falar. – O que eu acho uma puta oportunidade, já que eu posso ter vivencia em produzir diferentes estilos musicais.
Ele sorriu largamente.
– E você faz mais relacionado a música, além de produzi-las? – Ele realmente parecia interessado em minha vida. Ok, Harry Styles estava querendo saber de mim!!
– Bom. – Pigarreei. – Eu toco alguns instrumentos e componho as vezes. – Pude ver seus olhos brilhares e seu sorriso crescer ainda mais. – Mas nada que vá a público, prefiro trabalhar das coxias. – Sorri.
– Espero um dia poder ouvir alguma dessas composições. – Ele disse, finalizando nossa conversa, já que e Liam vinham em nossa direção.
A cidade brilhava, e eu conseguia ver tudo dali.
A festa estava só começando, e minha vida em Nova Iorque também.

 

Capítulo 3

“New York City, please go easy on me tonight.” – The Chainsmokers, New York City


Acordei com uma chuva que praticamente pedia para entrar em casa. Não via uma dessas desde o dia que fiquei uns meses em São Paulo. Era torrencial e acompanhada de uma nuvem escura. Hoje seria o dia de ficar em casa.
Já tinha passado um mês da minha chegada, e duas semanas da festa de . Nós estávamos cada vez mais próximas, o que me deixava confortável com o fato de não estar completamente sozinha em NYC.
Depois do banho, coloquei outro pijama. O aquecedor mantinha o apartamento em uma temperatura agradável.
Meu celular vibrava em algum lugar do imóvel, mas eu não sabia onde. Durante uma procura mental, lembrei de ter o colocado sobre a cama antes de ir ao banheiro. Tateei a cama e encontrei o perdido e, nele, duas chamadas perdidas de .

Finalmente me retornou. – A assessora dizia do outro lado da linha.
– Bom dia para você também, amiga. – Ri.
Péssimo dia, . Estou presa no táxi por conta dessa chuva. Mas, por ironia do destino estou a uma quadra daí. Se importa de me abrigar até a chuva passar? – Ela praticamente suplicou.
– Claro, já vou te liberar para a portaria. – Eu disse e pude ouvir gritinhos de comemoração. – Estou te esperando.

Dei uma pequena organizada nas roupas de cama e guardei algumas partituras e papeis com rascunhos que estavam jogados sobre a cama. Não poderia receber com a casa bagunçada.
Depois de quinze minutos, já batia loucamente em minha porta.
– Bom dia… – Parei para observar a garota encharcada pela chuva. – Meu Deus! Vá direto pro banheiro tomar um banho quente. Vou te levar uma toalha e preparar um chocolate quente para nós. – Eu dizia enquanto empurrava a menina para o banheiro.
No meu quarto, abri o guarda-roupas e peguei uma toalha e uma muda de roupas mais quentes para minha amiga. Abri a porta do banheiro e as deixei em cima da bancada, rapidamente. Corri para cozinha e me empenhei em fazer o melhor chocolate quente possível, tentei até lembrar a receita de minha avó. Não ficou idêntico, mas ficou igualmente delicioso.
Botei duas canecas e a jarra térmica com o líquido sobre a mesa de centro da sala, liguei a tv na Netflix e esperei que saísse do banho.
Os cabelos negros da garota estavam enrolados na toalha e seu corpo já estava seco e quente embaixo da grande quantidade de moletom que a emprestei.
– Obrigada por salvar minha vida de uma provável pneumonia. – Ela riu.
– Você veio sem guarda-chuvas do táxi até aqui? – Ela assentiu e eu dei um tapa fraco em sua cabeça. – Você tem problemas?
– Preferi fazer isso a pagar um absurdo de taxi. – Ela deu de ombros enquanto colocava o chocolate quente na caneca. – O taxímetro roda até parado, . Um absurdo. Isso é roubo! – Disse indignada.
– Ok, vamos assistir um filme. – Eu ri e ela concordou com minha ideia.
Ficamos presas da maldição da Netflix durante um tempo, milhares de filmes e não conseguimos escolher nenhum. Até que, por unanimidade, o escolhido foi Vida de Inseto.
Assistíamos o clássico da Pixar concentradas, pelo menos eu. Porque na metade do filme, começou a trocar mensagens com alguém. Soube quando vi o brilho do celular se destacar no escuro da sala.
– Posso saber quem é o namoradinho? – Brinquei, dando pause no filme e indo acender a luz da sala.
– Twitter. – Ela mostrou a timeline da rede social em questão. – Nenhum namoradinho, mamãe. – Me deu língua.
Eu ri de sua atitude infantil, mas entrei em sua brincadeira.
– Mamãe pode saber com quem você está interagindo? – Fingi seriedade.
– Miley. – Ela disse, me mostrando os gifs que estavam trocando por DM.

Alguns segundos depois, senti meu celular vibrar, embaixo da minha coxa. Uma notificação de , no Twitter.

@: A @ me pegou usando o twitter durante nosso filme e brigou comigo. E agora?

Ri para minha amiga.

@: A internet realmente está consumindo a sociedade. Não se pode ver filmes sem que se tenha os minutos para bisbilhotar o telefone. Né, @?

A garota gargalhou ao ver minha reply em seu tweet e indicou com a mão de que iria responder, mas antes que ela fizesse, recebemos notificações. Alguém tinha respondido nossa conversa.

@shawnmendes: @ @ qual era o filme?

@: @shawnmendes Vida de Inseto.

@shawnmendes: Não acredito que a @ trocou Vida de Inseto pelo Twitter!

@: @shawnmendes EU SEI!

A morena ao meu lado se fingiu afetada com a troca de mensagens entre mim e Shawn.
– Desde quando Shawn te segue? – Ela perguntou.
– Desde quando vou começar a produzir o álbum dele. – Eu disse e ela riu.
– Esqueci desse detalhe. – Gargalhou. – Não roube minhas amizades. – Fez sua pior cara de má, mas não deu certo, pois a mesma se desfez em uma risada alta.
Acabou que continuamos a trocar tweets e esquecemos do filme.

Depois que a chuva parou, eu e já estávamos nos arrumando para sair na noite de Nova Iorque. Mas não, não iríamos à balada. Simplesmente iríamos ao Central Park e redondezas. Ideia louca que a teve depois que, subitamente, o céu se abriu, revelando o fim de tarde.
Uma calça skinny com um coturno, uma blusa branca e um sobretudo verde militar foram suficientes para me vestir. pegou um vestido em tom nude e uma meia calça fina preta, colocou um All Star e uma jaqueta jeans de lavagem preta era o que cobriam seus braços.
– Só você para me tirar de casa com esse tempo. – Falei enquanto colocava uma touca preta.
– Vem, larga de ser chata. Vamos passear! – Ela me puxou para a porta, e quando passava pelos cômodos, desligava as luzes dos mesmos.
No elevador, eu já me arrependia de ter aceitado a ideia louca da de ir ao Central Park. Mas, o que eu não faço por meus amigos?
chamou um carro em um desses aplicativos, que nos custaria mais barato que um taxi comum.
A morena não parava de falar com o motorista durante o percurso, eu apenas ria das caras que o homem fazia ao ouvir contanto suas melhores histórias nas noites de Nova Iorque.
– Chegamos. – Ele disse assim que paramos em frente ao parque.
– Obrigada, querido. Boa noite. – Minha amiga disse e eu apenas sorri para o rapaz, descendo do carro.

Caminhávamos pelo parque e, literalmente, não havia mais nenhum sinal da chuva de mais cedo. Tinham famílias passeando e cachorros brincando. O céu ainda escurecia, mesmo sendo 7p.m. Encontramos um banco vazio e nos acomodamos nele para observar as pessoas e conversar um pouco mais.
– Me conta, . – disse, em tom calmo. – Quem você deixou no Brasil?
Meu estomago revirou ao ouvir essa pergunta, eu não gostava muito de falar da minha família e o quão complicada ela era.
– Mãe, pai e dois irmãos. – Ela me encarou com um olhar sugestivo. – Não, nenhum namorado. – Eu ri.
– Quando eu comecei a trabalhar nesse meio, meu maior medo era me envolver com alguém famoso. – Minha amiga olhava para o nada. – Sabe? Além da amizade. – Apenas concordei, dando liberdade para ela continuar sua fala. – Mas é difícil, . Convivo com eles, um dia eu iria me apaixonar por alguém, não?
O que estava querendo dizer com isso? Ela estava apaixonada? Era algum de seus assessorados, isso era certeza.
Alguma coisa dentro de mim pedia incessantemente para que não fosse Harry. Não sei o porquê, afinal, só falei com ele no aniversário de e nunca mais. Mas, mesmo assim, alguma coisa gritava por isso. Ela não podia estar apaixonada por Styles.
– Você está se envolvendo com alguém, amiga? – Perguntei, olhando empaticamente para seus olhos negros. E ela apenas concordou. – Quem?
– Liam. – Ela disse e foi como um peso saindo de meus ombros. – Eu e ele ficamos na minha festa, e estamos nos encontrando desde então. Para fazer coisas além do trabalho. – Me olhou com uma cara impagável de culpa.
– Ei, amiga. – Toquei seu ombro. – Você está se culpando por apaixonar-se por um Deus Grego igual ao Payne? Ah, garota, você já foi melhor. – Eu ri, torcendo para que ela me acompanhasse, e assim ela fez, com um riso fraco. – , a gente não escolhe por quem se apaixonar, só acontece. Então viva sua vida, continuem ficando, e se der certo, lembre-se que eu ficaria linda num vestido de madrinha. – Disse e senti batendo em meu braço, enquanto dava risadas.
– Eu não te mereço, claramente. – Ela me abraçou de lado.
Senti meu celular vibrando e ao ver a notificação do Instagram, meu estomago revirou.
[@] : @harrystyles acabou de seguir-te

 

Capítulo 4

“I want you here with me, like how I pictured it. So I don’t have to keep imagining.” – One Direction, Something Great


Depois de ir com pressa para sua casa, pois, de acordo com ela, Shawn estaria trocando de empresário e voltando para Andrew, ficamos eu, meu violão e minhas ideias.
Alguns acordes fluíam e uma melodia nova já tomava conta do quarto. Milhares de músicas criadas para serem escutadas pelas paredes. Lembro que meu irmão dizia para eu oferecê-las para algum artista que eu achasse que pudesse cantá-las. Mas nunca tive coragem de vender uma canção. Todas tão pessoais, tão minhas. Apenas eu conseguia entender o sentimento que cada uma delas precisava.
Momentos como esse, eram os quais me deixavam confortável com a ideia de que todos nascemos com um talento.
A ideia que rondava meu pensamento no momento era a de que eu precisaria de um teclado. E de muita coragem para o que eu faria no exato momento que decidi pegar o celular e abrir na conversa dele no Instagram.

: Ei. Ainda está afim de bater um papo sobre música?

Não sei de onde eu tirei a ideia de que fazer isso seria legal ou interessante. Agora, meu coração palpitava esperando por uma resposta.

Harry: Hey. Achei que nunca ia chamar! Haha.
Fico em NY até a próxima semana. O que acha de amanhã?

Um arrepio passou por minhas costas. Eu definitivamente não estava acostumada a ter homens muito bonitos falando comigo.

: Claro. Onde?

Harry: Por que não nos conhecemos melhor? Jante comigo no Hilton, as 8p.m.

: Estarei lá.

Ok. Isso era um encontro? Eu deveria deixar ciente disso?
Não! E, não!
Não era um encontro, iria apenas fazer amizade. E não precisava saber, era apenas trabalho. Talvez ele pudesse me convencer de que é digno de cantar alguma de minhas canções. Espera! Por que eu estava pensando em dar minhas músicas para Harry?
Balancei minha cabeça, tirando aqueles pensamentos incertos dali e tratei de me arrumar para dormir, já passavam de meia noite e amanhã eu teria compromisso.

Dormi até 3p.m, pulei o almoço e quase o lanche. Decidi por comer um bolo que tinha na cozinha, um desses prontos que vendem na padaria. O sabor do chocolate não era o dos melhores, mas saciou o que eu sentia no momento.
A tarde toda foi apenas TV, alguns telefonemas da Gravadora e Shawn me enviando mensagens de 5 em 5 minutos pedindo ajuda com algumas canções que precisavam ser finalizadas para o álbum. Ele insistia, mas eu não o ajudava, pois alegava não saber compor, apenas produzir. Sinto que ele me sugaria demais durante a produção do disco, se soubesse que faço músicas.
Acabei dormindo mais e acordando as 6p.m. Eu já estava atrasada demasiadamente uma vez que o Hilton era longe do meu apartamento.
Peguei um vestido tubinho de cor rosè. Seu corte acentuava meu busto e minhas curvas, seu comprimento não era tão curto, ficava logo acima do joelho. Uma sandália de tiras bege era o que estava em meus pés e, sobre meus ombros, um sobretudo preto.
Minha barriga roncava, pedindo por alimento.
Uma maquiagem leve cobria meu rosto, nada muito marcante, tons pastéis e um gloss nos lábios.
Quando eram 7p.m, eu já estava pedindo o taxi. O medo de me atrasar era grande.
O rapaz é britânico e eles são totalmente pontuais, não queria fazer feio.

Dentro do taxi, minhas mãos suavam. Mas por quê? Eu não estava nervosa. Estava?
O taxista me olhava de forma engraçada, como se eu estivesse exalando a excitação de estar indo encontrar Harry.
Subitamente fui surpreendida pela faixada do Hilton a minha direita, quando o taxi parou.
Sorri para o homem no banco da frente, que maneou a cabeça e me desejou um “Boa sorte, criança”.
Desci do carro com uma confiança que nem eu mesma sabia que existia. Caminhei em passos lentos até a grande entrada de vidro de um dos hotéis mais luxuosos do mundo. Ok, fazer anotação mental de nunca mais repetir essa frase para eu não me sentir pobre toda vez que ficar em pousadas simples.
Fui atendida, cordialmente, por um concierge, que me levou até o restaurante, indicando a mesa que o “Sr. Styles” – nas palavras dele -, havia reservado.
Chequei o relógio, cinco minutos de antecedência. Pelo menos do atraso Harry não reclamaria.
Ri fraco com meus próprios pensamentos até que o vi se aproximar. Ele usava uma blusa social preta, com os dois botões superiores abertos e calcas da mesma cor.
Levantei-me assim que ele chegou mais perto para poder cumprimentá-lo. Estendi a mão, mas logo fui pega de surpresa ao ser envolvida pelos braços de Harry.
– Boa noite, . – Ele sorriu, puxou a cadeira para que eu sentasse e logo se sentou.
, por favor. – Eu sorri, tentando esconder todo o nervosismo que me consumia naquele momento.
– Então, . Conversamos pouco no aniversário de , mas pelo que me lembro, você me disse ser bem envolvida com música, né? – Ele disse, enquanto pegava um cardápio da mão do garçom. – Um Cabernet Suvignon, por favor. Em breve escolheremos o prato.
– É. – Assenti. – Sempre gostei de música. Sempre me cativou e eu sempre escrevi. – Ele abriu um sorriso. – Mas, não vendo minhas composições e nem quero que elas sejam lançadas ao mundo. – A expressão de confusão no cenho de Harry me fez rir. – Veja bem, Harry. É algo muito pessoal para mim, muito mesmo. Eu não as mostro para qualquer pessoa, nem as ouviu ainda. – Eu disse, com sinceridade. – Tenho motivos para não querer que isso aconteça.
– Mas… – Ele completou, como se soubesse o que viria a seguir.
– Isso. – Ri, envergonhada. – Mas, talvez, eu poderia mostrar agora, ou num futuro próximo. – Tomei um gole do vinho, que há pouco tinha sido posto a mesa pelo garçom que nos servira antes. – Apenas estreitemos a amizade e eu penso em te deixar ver minhas músicas.
– Fico lisonjeado. Já quero você como minha melhor amiga pra ontem! – ele sorriu, mostrando a maior quantidade de dentes possíveis, e meu estomago revirou. Malditos dentes brancos e perfeitamente alinhados, principalmente combinados de uma azul intenso nos olhos. Como eu, uma mera mortal, conseguiria sair ilesa de apenas uma amizade com Harry Styles?

Capítulo 5

“It’s a new day, it’s a new life for me.” – Feeling Good, Michael Bublé


Acordei com o despertador gritando em meu ouvido e a única coisa que consegui pensar, foi em uma das frases clássicas de Scar: “A vida não é justa, não é mesmo?”. Hoje, depois de dois meses nessa cidade, começaria a produção do novo álbum de Shawn. O que significa: ficar o dia inteiro no estúdio.
Meu banho foi demorado, acho que devo ter cochilado embaixo d’água algumas vezes. O que me fez lembrar da adolescência, quando ainda estudava e tinha que ir de ônibus para o colégio, dormia em pé na maioria das viagens. Eu diria que esse é meu talento secreto: poder dormir em posição vertical.
Depois que saí do banheiro, coloquei uma calça jeans skinny, uma blusa preta soltinha, all star preto e um casaco para caso fizesse frio.
Meu celular apitava, provavelmente mensagens de me apressando. Fui até a escrivaninha e vi que eram de Harry. Desde que jantamos no Hilton, no mês passado, criamos uma boa amizade. Ele estava passando um tempo na Inglaterra com a família, e depois voltaria para os Estados Unidos, mais precisamente Los Angeles. E de acordo com nossos cálculos, só nos veríamos pessoalmente, de novo, no lançamento do álbum de Shawn. Ou, provavelmente, Harry faria algum show por NY. Mas, mesmo distantes, nos falávamos todos os dias, sem exceção.

“Bom dia pra você, pentelha! Boa sorte no seu primeiro dia produzindo aí em NY. Xx”
“Ah, quase me esqueci. Mande um abraço para .”
“E para Shawn.”
“E para você um beijo. Estarei nos EUA logo! Nos vemos daqui algumas semanas(?). Xx”

De início, ficou enciumada, pois achou que a trocaria por Harry, o que não é verdade. Nossa amizade tem se fortalecido tanto, que permiti que a morena escutasse uma de minhas canções na última semana. Ela simplesmente surtou, disse que o mundo precisava ouvir aquilo. Mas entendeu quando eu disse que não gostaria que acontecesse. Desde então, confio nela para mostrar as composições.
Em contrapartida, temos Shawn e Marcus. Vou, praticamente, ser obrigada a conviver com os dois por alguns meses até a pós-produção do álbum. Mas, eu não estava reclamando. Pois Shawn era um anjo, fazia chamadas de vídeo comigo quase todos os dias para perguntar se suas músicas estavam boas o suficiente, sempre muito preocupado com como ficaria seu álbum. Marcus, por sua vez, já estava se unindo a mim e , e juntos éramos o que chamava de “Trio Fantástico”, eu achava esse nome devidamente brega, mas ela insistia.
Ou seja, no resumo da ópera, até o momento não tive nenhum problema em NY.

Desci pelo elevador e, assim que as portas se abriram, pude ver me esperando no saguão. Não sei de onde ela tinha tirado todo aquele frio para estar usando cachecol, mas relevei.
– Bom dia, flor do dia. Animada? – Ela sorriu, e quando fui abrir a boca para responder, ela falou novamente, me impedindo. – Não responda agora! – Ela literalmente colocou a mão na minha cara. – Shawn está no carro, e bom, ele é famoso. Se descobrirem que está aqui, será impossível chegar na Republic. Então, me fale da sua animação no carro. Vamos!
Ri com a autoridade da minha amiga. Por certas vezes, esquecia que ela trabalhava com a imagem dos artistas, sendo quase uma babá para eles.
A segui até a 4×4 preta e logo entrei no carro.
Meu estomago suplicava por uma comida e um copo de café. O maior da cafeteria, por favor!
– Bom dia, Shawn. – Disse assim que me sentei e o garoto só olhou para minha cara. – Dormiu comigo?
– Não sei se seria meu sonho ou seu sonho. – Ele riu. – Bom dia, Sunshine.
– Corta essa, Mendes. Tu é novo demais para mim. – Levantei a mão, fazendo cena e arrancando uma risada do garoto e da assessora. – Pede pro motorista ir logo, quero passar em algum lugar para comprar um café.
– Isso não é problema. – levantou duas sacolas do Starbucks em uma das mãos e, na outra, um suporte para copos com três cappuccinos.
– Eu escolhi te amar, . – Peguei um dos copos e um donut na sacola, me deliciando com o sabor do chocolate.
O motorista arrancou em direção a gravadora.
Normalmente, eu não sentia nervosismo para produzir. Tudo era tão normal; eu acordava, tomava café, ia para Universal Music, encontrava meu chefe, algum artista no qual estava produzindo e pronto, fazia meu trabalho. Mas, pela primeira vez, senti o meu estomago embrulhar por estar a caminho do trabalho. Talvez, pela responsabilidade do projeto, ou pela grandiosidade do cantor e da própria gravadora.
Deus que tome conta de minha humilde alma neste dia, porque eu estou prestes a surtar.
Eu estava indo produzir nada menos que o álbum de Shawn Mendes, e o próprio estava do meu lado, comendo donut e fazendo piadas ruins.
Tomei um gole do café, tão rápido que senti minha língua queimar levemente. Mas, pelo menos, houve o choque de realidade que eu queria.
Fechei meus olhos por um instante e pensei em tudo que passei para chegar ali, e percebi que motivo para nervosismo não há. Eu sou boa no que faço, e vou arrasar nesse disco.

Era a terceira faixa que gravávamos no dia. A única pausa que tivemos fora para o almoço. Resumindo: estávamos há quase cinco horas sem comer, apenas tomando café.
Mendes cantava com maestria em cima da base já gravada da música; essa que foi responsabilidade de Marcus. Ele produzia os instrumentos, eu a voz, e pronto, todos felizes.
Boots estava sentado ao meu lado, enquanto ouvíamos o cantor fazer aquilo que sabia, encaixando a letra no tempo exato, sem nenhum deslize ou erro. Era fácil trabalhar com Shawn, que mesmo sendo tão novo na indústria, parecia saber o que fazia. Um grande exemplo de quem nasceu para isso.
A música acabou, e o garoto tirou o fone, olhando em direção a nós três: eu, Marcus e .
– E aí? Como ficou? – Ele sorria, animado e curioso.
– Ficou incrível, Shawn. – Disse, enquanto apertava o botão para ele ouvir minha voz. – Vamos gravas as sobreposições e encerraremos por hoje.
Soltei o botão, o rapaz maneou a cabeça, colocando o fone com o retorno novamente.
A música soava, e mesmo sem as pequenas edições, estava perfeita.
Sobreposições gravadas, liberamos o estúdio e finalmente fomos fazer o que eu mais esperava desde o início da tarde: comer.
Decidimos, os quatro, irmos jantar num restaurante próximo, um pouco mais reservado, porque estaríamos com Shawn, e obviamente, ele chama atenção por ser mundialmente famoso. O que eu ainda achava estranho, mesmo depois de tanto tempo trabalhando e tendo amizade com pessoas do ramo.
Chegamos ao restaurante, e logo fomos bem recebidos e atendidos. A comida era divina, tudo bem temperado e gostoso – ou era apenas minha fome, mesmo. -, tive que parabenizar o chef.
– Então, . – Marcus me chamou e meu olhar foi em sua direção. – Amanhã é seu dia de folga, pois gravarei os instrumentos das próximas quatro músicas. – Eu sorri sinceramente, agradecendo por ter um trabalho tão flexível. – E amanhã é sexta. – “amém”, pensei. – E segunda é feriado. – Como eu não sabia disso? – O que pretende fazer?
– Olha, fui pega de surpresa. Não sabia que segunda-feira era feriado. – Disse, sinceramente. – Ah, devo ficar em casa, mesmo. Sem muita programação.
– Pelo amor, . Vá para algum lugar. – disse. – Se eu não fosse passar o fim de semana em Londres, eu te chamaria para sair comigo.
Olhei com olhos estreitos para minha amiga. Estaria ela indo para Inglaterra encontrar com Liam? Provavelmente eu descobriria isso mais tarde.
– Não olhem pra mim. Eu trabalho no fim de semana. SNL e Ellen para ir. – Shawn levantou as mãos em rendição. – Além de que ficarei um mês em Toronto antes de terminarmos a turnê e o álbum. Agora que estou com Andrew cuidando de tudo de novo, as coisas vão acontecer mais rápido.
– Ah, ok. Talvez eu faça algo. Vou pensar. – Eu disse.
– Isso, vá se divertir ao invés de ficar em casa no feriado. – Marcus riu.
– Mas me diz, qual era daquele Marco? – Perguntei para Shawn, mudando o assunto.
– Ele me empresariava apenas na gravadora. Ficava responsável por meus álbuns e tudo mais. Mas depois que ele tentou me passar a perna, pedi para a Republic deixar Andrew responsável por essa parte também. – Ele falava movimentando as mãos. – Agora Andrew e que cuidam da minha vida.
– Se não fosse por mim, Shawn nem comeria sozinho. – disse, e nos fez cair em uma gargalhada conjunta.
A vida em Nova Iorque estava sendo incrível, até então.

Capitulo 6

“Every now and then I’m drawn to places, where I hear your voice or see your face, and every little thought will lead me right back to you…” – You Let Me Walk Alone, Michael Schulte


O melhor passatempo de alguém que não tem absolutamente nada para fazer é navegar na internet, e era exatamente isso que eu fazia quando vi uma foto de meu irmão mais velho no Instagram. Ele deveria ter por volta de dez anos de idade, a imagem era em cores puxadas para o sépia, demonstrando o quão antiga era a fotografia. Seu sorriso era gigante e seus olhos estavam fechados por conta disso, seus pequenos braços estavam ao redor do pescoço do nosso pai. Passei para o lado, e outra imagem foi revelada. Nessa, ele estava um pouco mais velho e acompanhado de Rodrigo, nosso padrasto, e Carla, filha dele que considerávamos nossa irmã mais nova – sim, essa mesmo que era a fã de 1D, e que estava incluída nos dois irmãos que deixei no Brasil, já que o meu outro irmão está na Alemanha a anos. -. Observei a data da publicação e era de alguns meses atrás. Na época eu já estava em NY, mas no Brasil era comemorado o dia dos pais.

@mathias--schulte: “Um feliz dia dos pais para você, Pai. Que não está mais entre nós, mas nos ensinou lições valiosas. Viverá sempre em meu coração.
E um feliz dia dos pais para você, Rodrigo. Meu pai por escolha, um presente que foi dado a nossa família no momento exato. Amo vocês.”

Meu coração se aqueceu.
Fazia quinze anos desde a morte de meu pai, e a cena era clara em minha memória: eu chegando da escola, e recebendo a notícia.

**

Flashback, 2004

Marta chutava pedrinhas ao meu lado no caminho pra casa, eu sempre imaginei que esse fosse algum ritual da minha amiga, pois ela fazia a mesma coisa todos os dias. Conversávamos sobre coisas que garotas de dez anos conversariam; as novas músicas do Backstreet Boys, ou sobre o que brincaríamos quando chegássemos. Como fazia sol, talvez fossemos brincar na rua ou ir ao parque.
Ao chegar em casa, vi um carro diferente parado ao lado da calçada. A curiosidade de criança falou mais alto que eu, então me despedi de Marta apenas com beijos no ar e saí correndo, dizendo que a encontraria mais tarde.
Abri a porta de casa e logo vi que o carro era de Mathias, pois ele estava sentado na sala de estar ao lado de nossa mãe e Michael, nosso irmão do meio. Estranhei a presença do mais velho, pois ele raramente nos visitava, devido a faculdade.
– Mathi, o que faz aqui? – Corri e o abracei forte.
– Minha pequenina. – Ele intensificou o abraço. – Eu te amo tanto.
– Eu também te amo, Mathi. Mas o que aconteceu? – Ajeitei meu uniforme, que depois do contato havia amassado um pouco.
Olhei para mamãe, e seus olhos cor de mel estavam mais escuros, rodeados de um vermelho intenso e lagrimas. Michael, ao seu lado, a abraçava. Ela afagava os cabelos loiros do meu irmão, que havia puxado todas as características alemãs de papai; cabelos claros e olhos azuis. E foi quando eu, mesmo com dez anos, percebi o que estava acontecendo. Papai estava doente e ele estava no hospital, o visitávamos sempre que podíamos. Mas, não sabia se aquela era uma reunião para uma visita.
– Mamãe? – Me aproximei dela. – O que aconteceu com o papai, ele está bem?
Ela me puxou para um abraço, meus cabelos castanhos, assim como os dela, também receberam um carinho. O apoio que ela nos dava naquele momento só podia significar uma coisa.
– Ele perdeu a luta, . – Mathias se agachou a minha frente. – O câncer o venceu.

**

As lágrimas rolavam por meu rosto. Robert era um homem incrível e a sua história de amor com nossa mãe era incrível. Ela nos contava que o conheceu em um navio, no qual ele era cantor, e, então, se apaixonaram à primeira vista. Depois de alguns meses juntos, mamãe engravidou de Mathias, que é dez anos mais velho que eu e seis anos mais velho que Michael.
O primeiro filho foi o único que seguira uma carreira distinta à do pai. Mathi era advogado, Michael cantor e eu, produtora.
Depois da morte de Robert, Michael decidiu morar na Alemanha com nossos avós, e lá começou a ter aulas de canto e violão. Ele, e agora , eram as únicas pessoas para as quais eu mostrava minhas composições.
Meu pai era o meu maior incentivador na música, principalmente na escrita delas. Por isso, escrever se tornou algo muito pessoal, toda vez que pego em meu violão, eu lembro que ele dizia que o necessário para uma boa arte, era o sentimento ser escrito por inteiro numa folha em branco. E eu nunca senti que alguma de minhas canções tenha se encaixado nesse requisito.
Lembro-me de uma, que eu havia escrito ao lado de Michael, quando viajei para Alemanha há alguns anos. Essa foi a única que o deixei gravar, mas com a condição de que meu nome não estivesse nela. Até porque não fazia questão, por mais que eu trabalhasse produzindo canções, nunca achei que a verdadeira arte devesse ser vendida. E por esse motivo, produzi alguns álbuns de graça para amigos iniciantes, e até para artistas que já tinham anos de carreira.
Mike nunca tinha lançado a música, até aquela data.
Entrei em seu Instagram e vi uma publicação do mesmo dia da foto de Mathias, em seu IGTV.

(Coloque essa música para tocar) https://open.spotify.com/track/07qlsG6DYRLBbovwca9Vbr?si=gEYv8pH9Quqd9MMW4pvyhQ

Fotos da nossa infância estavam penduradas em um varal que rodeava o local onde Michael estava, ao centro, com seu violão.
Ele cantava a música, aquela que havíamos escrito para nosso pai.

I’m a dreamer, a make believer
(Eu sou um sonhador, sou alguém que acredita)
I was told that you were, too
(Me disseram que você era, também)
I love the silence and the clear horizon
(Eu amo o silêncio e o horizonte claro)
And I got that all from you
(E eu puxei tudo isso de você)

Vídeos de momentos nossos com papai passavam na tela.

Every now and then I’m drawn to places
(De vez em quando sou atraido a lugares)
Where I hear your voice or see your face
(Onde ouço sua voz ou vejo seu rosto)
And every little thought will lead me right back to you
(E cada pensamento me levará de volta para você)

Um vídeo de Michael, Mathias e eu correndo atrás de nosso pai num dia de chuva passou pela tela, me fazendo lembrar daquele dia, quando caí e fiz minha primeira cicatriz. Robert me levou ao hospital para dar pontos no machucado, um pouco acima do joelho. Ri, saudosa, ao ver que ela ainda existia, mesmo que um pouco fraca.

I was born from one love of two hearts
(Eu nasci de um amor de dois corações)
We were three kids and a loving mum
(Éramos três filhos e uma mãe amorosa)
You made this place a home
(Você transformou esse lugar em um lar)
A shelter from the storm
(Um abrigo para tempestades)
You said I had one life and a true heart
(Você disse que eu só tinha uma vida e um bom coração)
I tried my best and I came so far
(Eu dei o meu melhor e cheguei tão longe)
But you will never know
(Mas você nunca saberá)
‘Cause you let me walk this road alone
(Porque você me deixou viver essa vida sozinho)

Agora era a vez de um dos momentos mais marcantes para mim, a tela reacendeu e uma imagem de nós cinco cantando parabéns ao redor de uma mesa cujo tema era da Cinderela. Meu aniversário de dez anos, o último que ele passou comigo. Eu estava em seus ombros e me mexia alegremente conforme as palmas.

My childhood hero will always be you
(Meu herói de infância sempre será você)
And no one else comes close
(E ninguém chega perto)
I thought you’d lead me when life’s misleading
(Pensei que me guiaria nas desilusões da vida)
That’s when I miss you most
(Nesses momentos que eu mais sinto sua falta)

Nossas fotos passavam em uma espécie de apresentação em slide, em todas, papai estava com um sorriso gigante, característico dele. Seus olhos azuis eram penetrantes, e seu carisma mais ainda.

Every now and then I’m drawn to places
(De vez em quando sou atraido a lugares)
Where I hear your voice or see your face
(Onde ouço sua voz ou vejo seu rosto)
And every little thought will lead me right back to you
(E cada pensamento me levará de volta para você)

I was born from one love of two hearts
(Eu nasci de um amor de dois corações)
We were three kids and a loving mum
(Éramos três filhos e uma mãe amorosa)
You made this place a home
(Você transformou esse lugar em um lar)
A shelter from the storm
(Um abrigo para tempestades)
You said I had one life and a true heart
(Você disse que eu só tinha uma vida e um bom coração)
I tried my best and I came so far
(Eu dei o meu melhor e cheguei tão longe)
But you will never know
(Mas você nunca saberá)
‘Cause you let me walk this road alone
(Porque você me deixou viver essa vida sozinho)

Sinto falta dele todos os dias, e isso não é algo que digo da boca pra fora. Ele sempre fora meu herói e melhor amigo, e mesmo que tenha partido quando eu ainda era uma criança, me ensinou muitas coisas, e se eu sou o que sou hoje é graças a ele.
Rodrigo também me ajudou a crescer, fez parte de minha adolescência e juventude, sempre me apoiou, foi o mais próximo de um pai que eu pude ter nessas fases. E até hoje ele faz minha mãe feliz, mas eu sei, que nada, nem ninguém, nunca substituirá Robert Schulte das nossas vidas.
Quando escrevi essa música com Mike, ele tinha acabado de ganhar um reality musical da TV Alemã. Eu e mamãe fomos o encontrar na cidade onde ele morava e, nessa visita, tive a oportunidade de colocar toda a dor de perder meu pai naquela canção. E por mais que meu nome não esteja nela, eu tenho orgulho por ter o ajudado na composição e eu sei que papai também está orgulhoso de nós. E, ao contrário do que a música diz, nunca estivemos sozinhos, porque ele sempre esteve aqui, mesmo que dentro de nossos corações.
O vídeo foi finalizado com uma foto de todos nós juntos, no hospital. Mike estava sentado ao lado de Robert na cama, eu em seu colo, mamãe e Mathias ao seu lado, ela o beijava o rosto e Mathi sorria. A frase que sucedia a fotografia era um simples: “Feliz dia dos pais”, em alemão, português e inglês.
Lagrimas se espalhavam por todo meu rosto, e a última coisa que eu havia escutado de meu pai, antes dele partir, soou em meu ouvido: “Não tenha medo, . Não tenha medo de se expressar, de cantar, de compor, de errar. Artistas são corajosos, e sem os sentimentos intensos não teríamos canções maravilhosas, pinturas estonteantes ou filmes incríveis. Mas o principal, não deixe de amar. Acredite no que digo, um dia você descobrirá que o amor é o sentimento mais bonito de ser cantado.”

Sequei minhas lágrimas e abri um sorriso, pois sabia que ele estava ali comigo.
Vesti minha melhor roupa e decidi que faria o que Shawn, Marcus e me indicaram: eu sairia para conhecer um lugar novo nesses dias de folga. Eu precisava viver se quisesse criar momentos inesquecíveis.
E foi quando, um pouco antes de sair de casa, meu celular vibrou.

Harry: “Hey, . Cheguei nos EUA. Fiquei sabendo que você passará o fim de semana do feriado sozinha. Então, estou te mandando duas passagens de ida e volta para L.A por e-mail. Não aceito um ‘não’ como resposta. Te vejo logo 😉. ”

Foi, então que fiz uma anotação mental naquele momento: me desafiar a preparar uma mala pequena para apenas três dias.

Capitulo 7

“I know a girl who’s never tried to settle down, she wears her loneliness like a crown, but when she smiles all the kings will bow down…” – Kids Again, Artist vs. Poet

Harry
O voo havia sido extremamente cansativo, o que fez uma dor de cabeça horrível vir me atazanar.
Assim que pousei no LAX, recebi uma mensagem de minha assessora, , praticamente implorando por ajuda. Ela disse que viajaria para Inglaterra no fim de semana e pediu para que eu fizesse companhia a , que estaria só durante esses dias.
Se fosse com qualquer outra pessoa, eu negaria. Mas, ficar o fim de semana inteiro com não seria um esforço, já que a garota se tornou uma grande amiga em tão pouco tempo.
Aproveitei que já estava no aeroporto e comprei as passagens para que ela viesse à Los Angeles.
Quando arrumava minhas malas no bagageiro do carro, meu celular vibrou, indicando uma nova mensagem.

:
Ah, Harry. A gosta muito de The Maine, e comentou que eles estão fazendo uma mini turnê pela WestCoast. Por que não a acompanha em algum show nesse fim de semana?

Eu não sabia o que poderia fazer com esse final de semana, a única coisa que eu queria era a ter por perto. Mas eu não podia negar de que sabia exatamente o que falar e quando falar.
Aproveitei o caminho até minha casa para pesquisar sobre a turnê da banda indie e vi que haveriam dois shows em Los Angeles no fim de semana, depois de muito pensar nas possibilidades, comprei dois ingressos para o que aconteceria ao sábado.
A quantidade de casacos que eu usava já estavam me fazendo suar. A diferença climática entre a Inglaterra e Los Angeles é imensurável e eu ainda não tinha me acostumado, mesmo depois de tantas viagens.
Pedi para o motorista ligar a rádio, na intenção de ouvir uma boa música para passar o tempo e o trânsito. Porém, a programação mudou para encaixarem uma entrevista. Quem falava era um homem, sua voz era um pouco grossa e tinha um sotaque leve, quase canadense. E foi apenas quando a locutora falou seu nome, que eu me dei conta de que o sotaque não era quase canadense, e sim totalmente canadense; Shawn Mendes era o nome do artista.
Fiz um sinal para o homem ao volante aumentar o volume.
“Estamos sabendo que a produção do novo álbum já está acontecendo. Como você está se sentindo?” – A voz esganiçada da mulher incomodou levemente meus ouvidos.
“Bom, produzir enquanto se está em turnê é meio difícil. Voltei de uma parte da turnê há pouco tempo e já gravamos algumas músicas. Por esse mês, eu ficarei em Toronto, curtindo minha família. Mas minha equipe continuará em Nova Iorque trabalhando nas faixas já gravadas. Logo depois finalizarei a turnê com mais alguns shows e, finalmente, conseguirei concluir o álbum.” – A amizade de Shawn era algo muito motivador. Ele, mesmo com sua pouca idade, era decidido e muito focado.
“Mas em questão de escrita, todas as músicas já foram finalizadas?” – A voz da mulher emanava uma grande animação.
“Sim! Mas não estou confiante com todas, por isso vou usar esse tempo para escrever mais algumas e mandar para os produtores.” – Ele riu e a menina o acompanhou.
“Falando em produção, Marcus e Matt estão responsáveis por esse disco também?”
“Não. Dessa vez temos um nome novo na produção do álbum. Ela se chama Schulte, e veio direto do Brasil para nos apoiar nas gravações.” – Ele disse e eu sorri, espontaneamente, ao ouvir o nome da garota.
“Ela que estava com você, Marcus e , sua assessora, durante um jantar ontem?” – Olhei para o relógio e vi que ainda eram dez da manhã. A velocidade com a qual a imprensa trabalha me assusta.
“Isso mesmo. Gravem esse nome, ela ainda vai brilhar muito por aqui.” -– Ele disse, a entrevistadora o agradeceu e anunciou que o último single de Mendes tocaria. A melodia começou a tomar conta do interior da Range Rover e meu pensamento foi longe, ao mesmo tempo em que meu olhar se perdia em alguns pontos da estrada.
Então me lembrei do sorriso de , um dos mais belos que já vi, e ninguém podia dizer o contrário disso, pois era unanimidade. A garota cativava quem estivesse por perto apenas com aquele sorriso.
Eu não sabia ao certo o que queria com , porque ela tem sido uma ótima amiga; sempre presente mesmo estando distante. Mas, – merda- ela é linda e atraente, o que me deixou morrendo de vontade de beijá-la desde o primeiro segundo que a vi. Entretanto, não é como as outras garotas que conheci; em nenhum momento ela tentou se atirar para mim ou flertar. Pelo contrário, sempre que nos falávamos, agia com timidez.
Quando nos encontramos no Hilton, eu tive certeza de que algo bem doloroso toma conta de seu coração, e mesmo sem saber o que é, pude sentir apresso. A vontade que eu tive de abraçá-la no momento que falou sobre os motivos para a discrição em relação as músicas, não podia ser medida em palavras.
Podia não ter certeza sobre querer ou não beijar , mas tinha certeza de que eu faria de tudo para melhorar sua dor.

O carro parou em frente à casa, que eu sempre achei luxuosa demais para abrigar apenas uma pessoa. Jacob me ajudou a levar as malas para dentro. Passamos pela grande piscina, que naquela hora estava sendo higienizada, e paramos em frente a porta de vidro. O motorista a puxou e eu coloquei as bagagens na sala. Ao checar a hora, percebi que faltavam apenas trinta minutos para o voo de pousar, o que me permitiria apenas tomar um banho para depois ir buscá-la. Olhei para as três malas pretas paradas próximas ao sofá e decidi que as organizaria depois.
Corri para o banho, já separando uma calça jeans skinny, uma blusa branca e uma bota preta, coloquei uma boina da mesma cor em cima da cama, como uma opção para uso.
Não tive a opção de demorar muito no chuveiro, então tomei uma ducha rápida e fui me trocar. Por fim, decidi colocar o acessório na cabeça, já que meu cabelo estava em estado de calamidade.
Falei com Jacob que eu mesmo a buscaria e ele me entregou a chave do carro. Antes de sair, peguei uma folha em branco e uma caneta preta.
A distância até o aeroporto era curta, e dessa vez o trânsito fluía. Logo que cheguei na área de embarque, estacionei o carro no local mais próximo e peguei o papel, escrevendo ‘Srta. ’ nele e o dobrei. Coloquei meu celular no bolso, óculos escuros nos olhos e desci para aguardar a saída de .
No caminho até o local onde a encontraria, fui parado por algumas fãs, que tiravam fotos e pediam autógrafos. Algumas até me questionavam o porquê da minha volta ao aeroporto no mesmo dia da minha chegada a L.A, e eu sabia que depois que publicassem as fotos, alguns paparazzi apareceriam por lá.
Dito e feito, enquanto eu esperava os passageiros do voo de desembarcarem, algumas pessoas com câmeras fotográficas, disfarçadamente capturavam meus movimentos.
Assim que a tela avisou que o voo havia chegado, percebi uma movimentação se formar nas esteiras. Logo de longe eu a vi, calças pretas com uma listra branca nas laterais, blusa branca e tênis da mesma cor. Em seu braço tinha uma jaqueta pendurada, essa que ela deve ter usado para cortar o frio que fazia no avião. Um rabo de cavalo baixo prendia seus cabelos, dando ênfase para seu rosto perfeitamente delineado.
Ela ainda não tinha me visto, pois se concentrava em esperar sua mala passar pela esteira. Logo que a mala marrom da Louis Vuitton apareceu, ela segurou e suspendeu o puxador.
Desdobrei o papel e o segurei na altura da minha barriga. Quando viu o seu nome gravado na folha, um sorriso surgiu em seu rosto.
Veio caminhando em minha direção e parou em minha frente, soltou a mala e abriu os braços.
Aquele toque ainda era algo novo, não havíamos feito aquilo muitas vezes, mas era diferente do primeiro, como se houvesse algo sendo correspondido.
– Eu adorei o negócio de me esperar com plaquinha na saída do aeroporto. – Ela disse, saindo do abraço.
– Eu sei que só tenho ideias incríveis. Obrigado. – Me curvei, fazendo uma reverência e recebi um tapa fraco em meu ombro.
– Larga de ser bobo, Harry. – Ela falava em meio a gargalhadas. – Vamos logo, tem paparazzis aqui e eu não quero sair em outro site de fofocas.
Caminhamos até o carro, ela logo atrás de mim e eu com sua mala em mãos.
Já a caminho de casa, digitava freneticamente em seu celular durante o caminho, quase não trocando palavras comigo.
– Está tudo bem por aí? – Perguntei, tentando colocar um ar de humor, para não soar invasivo.
– Ah, claro. São coisas do trabalho. – Ela disse, dando de ombros. – Parece que Marcus descobriu que Marco estava tentando vender os direitos autorais das músicas de Shawn e por isso ele solicitou Andrew de volta. – Falou rápido. – Agora estamos comentando sobre isso no grupo. – Mostrou o celular.
– Nossa, que situação horrível. – Eu matinha meus olhos na estrada. – Mas que bom que Mendes conseguiu ter os direitos e Andrew de volta. – Ela riu e eu a acompanhei. Ela bloqueou o celular e virou seu rosto para mim.
– Já pensou no que iremos fazer nesse fim de semana? – Seu tom de voz era animado.
– Tenho algumas ideias. – Manobrava o carro, para colocá-lo na garagem da casa, já que havíamos chegado. – E tenho uma surpresa.
– Quero ver conseguir me surpreender, Styles. – Ela deu um sorriso de lado. – Quase ninguém consegue esse feito.
– Veremos. – Eu disse e abri a porta do carro, descendo do mesmo. Peguei a mala de que estava no banco traseiro e a encontrei ao lado do carro. Guiei a garota até a casa, enquanto a apresentava as dependências.
Subimos com sua mala e as minhas, mostrei a ela o quarto onde dormiria, e disse que poderia se acomodar e descansar por alguns minutos, já que em breve sairíamos para almoçar.
A garota me agradeceu, depositando um beijo em meu rosto. Um contato mais intimista que o abraço, mas sem nenhuma intenção, apenas a gratidão.

Capítulo 8

“Take a famous girl out where there’s no paparazzi.” – Versace (Remix), Migos


O quarto que Harry tinha separado para mim era grande e confortável. A cama era no meio do cômodo, com sua cabeceira encostada em uma das paredes, na outra extremidade uma televisão com tantas polegadas que me fez desconfiar se eu estava num quarto ou num cinema.
O banheiro era igualmente grande e o chuveiro tinha a água mais quente que minha pele já experimentou, eu não queria sair do banho por nada. Mas, sabia que logo iria almoçar com Harry e precisava estar pronta. Então, saí do box e me enrolei na toalha, a roupa que eu usaria já estava separada, mas eu decidi me jogar na cama e olhar um pouco do Twitter daquela forma que eu estava.
Eu rolava o feed, e algumas fotos minhas e de Harry no aeroporto alguns minutos mais cedo já estavam aparecendo. Milhares de pessoas especulando um possível relacionamento e outras uma nova produção de Styles. As pessoas, de certa forma, já sabiam quem eu era, e caso não soubessem, não era difícil descobrir. Eu trabalho nesse meio a anos e existem muitas coisas sobre mim na internet, se quisessem mais informações, bastava apenas jogar meu nome no Google que todo meu histórico de trabalhos apareceria por lá. Não me importava de estar em fotos com Harry, pois eu sabia que esses rumores eram falsos e que entre nós existia apenas uma amizade.
Uma notificação apareceu na tela, era do grupo que havia criado.

Grupo: New Kids On The Block :´D

<3 :
Shawn Peter Raul Mendes, você pode me explicar esse negócio de você estar sendo visto com uma menina pra cima e para baixo?

Mark 😊 :
Eu também vi, mas preferi nem comentar!

Eu:
Acabei de chegar em L.A, não estou sabendo de nada.

<3 :
Vamos, Shawn… Explique-se.

Shawn, O Carneiro:
É verdade, galera. Conheci essa garota e ela é Brasileira também, .

Eu:
Então já tem minha aprovação. Manda o insta, já quero fazer amizade.

Shawn, o carneiro:
Ela se chama Maria Eduarda e é a menina mais especial que já conheci. Vocês a conhecerão em breve.

Eu:
Espero que sim! Gente, preciso ir. Harry e eu vamos sair pra caçar alimento. Abraços.
E boa sorte, Shawn!

Fui ao Instagram e segui Madu, como vi que gostava de ser chamada, bloqueei o celular e o guardei. Harry, nesse meio tempo, havia batido na porta e perguntado se eu já estava pronta. Obviamente menti e disse que estava, mas era só questão de colocar o vestido de alcinhas na cor goiaba que estava na cama, pegar a carteira e colocar na bolsa, vesti uma choker branca rendada, e calcei um tênis branco. Não passei maquiagem, apenas um brilho labial.
Desci as escadas correndo, para encontrar Styles com o famoso “pretinho básico”, os cabelos levemente bagunçados e um Ray Ban.
– Nunca erra na escolha da cor. – Eu disse apontando para sua roupa, e pude perceber que ele me encarava, seu olhar percorria cada curva do meu corpo, delineando perfeitamente minha silhueta. Naquele instante, um arrepio passou por minha espinha. Eu gostei da forma com a qual ele me olhava, as segundas intenções totalmente implícitas – pelo menos era o que ele achava. -, fizeram eu me sentir ainda mais bonita.
– Preciso te elogiar? Porque você está. – Ele desceu o olhar, parando-o sobre minhas coxas. – UAU.
– Para com isso. – Disse, rindo. – Não é como se nunca tivesse me visto de vestido. – Ele levantou uma das sobrancelhas e abriu um sorriso malicioso. Eu não podia ler mentes, mas sabia que ele queria dizer um: ‘’adoraria te ver sem.”
Pigarreei para que ele pudesse entender que o clima estava ficando diferente entre nós.
– Vamos? – Ele disse, piscando os olhos algumas vezes.
– Vamos! – Sorri e o acompanhei até o carro.

Era engraçado andar com Harry e vê-lo ser parado a cada cinco minutos para uma foto. Uma dessas abordagens durou um pouco mais de tempo, pois um grupo de umas sete meninas se aglomerou ao seu redor. Para não atrapalhar o momento fã e ídolo, eu o avisei que iria numa barraquinha um pouco mais a frente para comprar um sorvete, ele apenas concordou usando a cabeça, já que a boca estava ocupada, sorrindo para as selfies que as meninas batiam.
Fui até onde havia uma fila de três pessoas e aguardei minha vez. Quando fui atendida, pedi uma bola de baunilha e outra de morango, com muito granulado por cima, do jeito que eu sempre gostei, desde a infância.
Alguns paparazzis miravam as câmeras para mim, e eu não entendia o porquê, já que Harry estava bem distante, do outro lado da rua.
Quando o sorveteiro terminou de montar minha casquinha, o movimento ao redor do britânico já tinha acabado. Voltei para o seu lado.
, você fica linda até comendo esse sorvete. – Ele sacou o celular do bolso e tirou uma foto minha no momento exato que eu mordia um pedaço da calda endurecida de chocolate branco.
– Ah eu não acredito que você fez isso, Styles. – Eu fingi raiva e ele apenas gargalhou.
– Você consegue sair feia em alguma foto? – Ele encarava o celular, enquanto analisava a fotografia. Parei ao seu lado e coloquei meus olhos sobre a tela. Realmente tinha ficado bonita.
– Não é culpa minha se eu nasci maravilhosa desse jeito. – Joguei meu cabelo para trás e saí andando como uma supermodelo, ouvindo apenas a risada rouca do britânico.
– Sua humildade é comovente, . – Seus passos longos fizeram com que ele me alcançasse.
Eu dei língua para o garoto e depois de andarmos por mais algumas quadras, decidimos que o melhor seria voltar e encontrar outra coisa para fazer.
Assim que chegamos à residência de Styles, tomei um banho e desci para assistir um filme na TV da sala.
Enquanto eu comia um biscoito que roubei do armário da cozinha, ria com a mesma cena de “As Branquelas” todas as vezes, que para mim era um filme que nunca perderia a graça. Vidrada na televisão, não percebi Harry se sentar ao meu lado, até ouvir um pigarro vindo dele.
– Oi, Hazz. – Dei um sorriso largo e estendi o pacote de biscoito em sua direção. – Aceita?
– Não, obrigado. – Ele balançou a cabeça em negação e eu movi os ombros, levando meu olhar de volta para o filme. – Na verdade, vim te perguntar se você topa ir a um show comigo amanhã à noite. – Peguei o controle em cima do braço do sofá e desliguei a TV para dar uma atenção maior a meu amigo.
– Você sabe que eu amo música. Então a resposta é sim. – Eu estava animada, mesmo trabalhando com artistas, fazia muito tempo que não ia a um show. – Quem é o cantor, ou banda? – Pude ver um sorriso tomar conta do rosto de Harry, que me lançou um olhar sugestivo. – Para de fazer suspense, me fala. – Me aproximei do garoto e segurei em seus braços, os balançando, como uma criança pirracenta faria.
– Ah, não sei se você conhece. – Ele rodou os olhos . – É uma banda chamada The Maine.
Meu coração gelou e eu pude ter certeza que o sorriso que eu dei naquele momento fora o maior de todos durante minha singela existência. Harry colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha, sorriu sem mostrar os dentes e sussurrou: “surpresa”.
– Como você? – Eu gaguejava, ainda atônita. – , não foi? – Ele assentiu e eu ri. – Aquela garota ainda me paga. Mas, obrigada. – O encarei e pela primeira vez estávamos tão próximos que eu conseguia perceber com detalhes, todas as cores que compunham seu olhar. Nossa respiração é pesada, e eu pude ver que Harry encarou meus lábios por alguns segundos. Um nervosismo fez meu estomago ser tomado por borboletas, mas o choque de realidade bateu quando ouvi a voz de Styles em nosso primeiro jantar, ecoar pela minha cabeça, dizendo que queria ser meu melhor amigo.
Meio sem jeito, me desvencilhei daquela armadilha chamada: olhar de Harry Styles.
– Bom, acho que vou subir e descansar mais um pouco. Cheguei hoje e ainda estou um pouco atordoada do voo. – Sorri, já me levantando do sofá. – Nos vemos no jantar.
Subi as escadas correndo, como se estivesse fugindo de um assassino em série de um desses filmes ruins de terror. Me joguei na cama e encarei um teto por um tempo.
Eu estava me encantando por Harry Styles, e eu faria de tudo para que isso não acontecesse.

Capítulo 9

“And friends don’t treat me like you do” – Friends, Ed Sheeran.

O jantar da noite anterior não foi esquisito como eu imaginei que seria depois do acontecimento no sofá. Eu e Harry compramos pizza e ficamos jogando vídeo games pelo resto da madrugada, isso provavelmente explicava o fato de eu ter acordado no sofá ao invés da cama, e a dor em meu pescoço. Levantei, alongando meus braços rapidamente, e percebi que Styles dormia no outro sofá feito um anjo. Tentei dar passos leves e curtos para não o acordar e fui em direção ao banheiro, para tomar um banho. Mas, ao passar pela grande porta de vidro, pude ver a piscina sendo extremamente convidativa no calor de Los Angeles. Então, decidi que seria uma boa ideia abusar daquelas águas enquanto estivesse por ali e me apressei para colocar o biquíni branco que estava em minha mala.
Ao descer os degraus e ver que Harry ainda dormia, peguei um pouco da salada de frutas que havia na geladeira e fui para a parte externa da casa.
O sol estava forte o suficiente para esquentar a água, mas não o suficiente para me deixar com uma marquinha como no Brasil.
Depois de dar um mergulho para me acostumar com a temperatura amena da água, me deitei em uma das espreguiçadeiras que haviam ao redor da borda e peguei meu celular que tocava em cima da mesa onde ficava o guarda-sol.
– Alô? – Disse ao ver que o número estava sem o ID do chamador.
Funerária um, dois, três, chegou a sua vez. – O rapaz do outro lado da linha deu uma risada, essa que já era conhecida por mim.
– Sério que você me ligou para tentar me passar um trote, Mendes? – Caminhava em direção a cadeira onde me deitaria.
Eu nunca faria isso com você, . – Shawn dizia com o tom de voz mais cínico que eu já tinha escutado.
– Diz logo o que você quer, nuts. Estou no meio de um banho de sol. – Coloquei os óculos e me virei em direção aos raios.
Te mandei por e-mail uma letra nova, e em anexo um áudio da melodia, pra você ver se consegue trabalhar em cima dela. – Seu tom de voz brincalhão passou a ser sério quando a pauta em questão virou trabalho. – É uma música muito importante pra mim. Por favor, seja bondosa.
– Pode deixar, Shawn. – Disse, também mudando meu tom. – Vai ser o álbum mais bonito que já produzi, tenho certeza. – Sorri, mesmo que ele não pudesse ver. – Me diz, como andam as coisas com a Madu?
Ainda não nos beijamos. – Ele disse.
– Porque você é lento. – Ri alto, sendo seguida por ele.
Parece que ela tem um pouco de medo de estragar nossa amizade ou sei lá. – Podia sentir a decepção em sua voz.
– Passos de neném, nuts. – Eu, de certa forma, o entendia. – Logo verei vocês dois por aí em meio a muitos beijos.
Só você mesmo, nuts. Obrigado. – Ele disse. – Ouve a música.
– Pode deixar. Aproveita as férias.
Você também.
Logo após Mendes encerrar a ligação, coloquei meu celular em cima da cadeira que estava ao lado da minha e pude ouvir a porta de vidro abrir.
Levantei meu corpo para olhar em direção ao local de onde vinha o barulho e vi Harry com os cabelos bagunçados, cara de sono e – pausa dramática -, sem camisa.
Agradeci aos céus por estar de óculos escuros e poder ficar um pouco mais de tempo analisando suas tatuagens e seu abdome definido. Ele caminhava em direção a piscina e pulou na água. Aquela cena, com certeza, tinha entrado na lista das coisas mais sexy que alguém poderia presenciar. Nadou submerso até a extremidade onde minha cadeira estava, levantando o tronco graciosamente e passando a mão nos cabelos molhados.
Meu corpo todo arrepiava e eu garanto que não era por conta do vento.
– Aproveitando o sol de Los Angeles, ? – Colocou uma das mãos sobre os olhos, se protegendo dos raios.
– Eu não sou boba, Harry. – Sorri para o garoto, que analisava meu corpo seminu de forma irresistível. Passou a língua sobre os lábios e retribuiu o sorriso.
– Não vai entrar? – Referiu-se a piscina.
– Acho que posso fazer esse esforço. – Ao sair da cadeira percebi que Styles acompanhava cada movimento meu. Desci a escada da piscina e fui nadando calmamente até ele. – Vai ficar aí me olhando com essa cara de bobo ou vai nadar? – Dei um sorriso de lado e joguei um pouco de água em sua direção.
Ele se aproximou e eu senti sua mão direita tocar minhas costas. Fechei os olhos, me permitindo aproveitar aquele toque que me parecia tão certo e ao mesmo tempo tão errado. Com sua mão livre, fazia carinho em minha bochecha. Eu tinha prometido a mim mesma que não cairia na tentação, mas ele chegava cada vez mais perto, faltando poucos centímetros para concluir o ato, somos interrompidos por Jacob, que eu nem sabia que estava na casa.
– Desculpe atrapalhar, senhor Styles. – O homem de estatura mediana e cabelos brancos dizia e eu me afastava de Harry. – Mas, a senhorita Jenner está no portão.
Meus olhos arregalaram e meu queixo, por pouco, não encontrou o chão. Harry e Kendall já haviam sido flagrados algumas vezes juntos, mas nada recentemente, tanto que os rumores esfriaram e ninguém falava mais disso. Então, ouvir o nome da garota foi uma surpresa para mim, principalmente depois de sair de um momento como aquele com Harry.
Nadei até a borda da piscina e me apoiei nela para sair da água. Minha cabeça era cercada por confusão naquele momento. Eu não me sentia com ciúmes, porque não tenho nada além de amizade com o garoto, e eu sabia que se algo acontecesse dentro daquela piscina, eu poderia provar que eu não sou qualquer uma que facilmente cairia da laia de Styles. Por isso, decidi que não me estressaria com a situação e continuaria o tratando como o bom amigo que tem sido para mim.
– Pede para ela esperar um pouco, Jacob. Vou trocar de roupa, pegar minhas malas e ir para um hotel mais próximo. – Eu disse, com um sorriso no rosto. – Assim, ela e Harry podem ficar mais à vontade.
. – O rapaz, ainda dentro da piscina me olhava com um semblante repleto de culpa.
– Fique tranquilo, Hazz. – Encarei seus olhos verdes por alguns segundos. – Somos amigos, não? – Ele maneou a cabeça em concordância. – Então, é isso que amigos fazem. – Sorri. – Nos vemos mais tarde no show. – Peguei meus pertences em cima da cadeira. – Jacob, você espera eu pegar minha mala e me leva até o Hilton que fica a algumas quadras daqui? – O motorista assentiu.
Entrei na casa, sem proferir mais alguma palavra a Harry. Fui até o quarto e joguei minhas roupas na mala de qualquer forma, coloquei uma regata e um short, apenas para não sair de biquínis na rua e desci, indo de encontro à Jacob na garagem. Pedi para que ele saísse pelos fundos, assim Kendall não saberia que estive ali e eles não teriam motivos para brigar.

Harry

já tinha ido embora há algumas horas e Kendall estava na sala assistindo algum programa sobre famosos que já estavam mortos, enquanto eu tomava banho e minha vontade era de ficar dentro daquele banheiro para o resto da vida.
Eu quase tinha a beijado, faltava tão pouco.
Deixei a água quente cair sobre meus cabelos, fazendo meu corpo relaxar e minha mente descansar.
A Jenner disse que ficaria até o feriado por ali, então mandei uma mensagem para dizendo o que eu não queria dizer: não a acompanharia no show.

Depois de receber a mensagem de Harry, bloqueei o celular e o joguei de volta na cama. Eu iria ao show de qualquer forma, acompanhada dele ou não, era uma das minhas únicas chances de conseguir assistir a uma apresentação do The Maine. Logo, Shawn voltaria e eu não teria tempo para fazer outras coisas além de trabalhar.
Tirei a toalha do meu corpo e vesti a roupa que tinha separado para o show: camisa branca com gola vermelha, uma calça jeans e um tênis, também branco. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo baixo e fiz uma maquiagem com olhos simples e a boca bem chamativa, coberta em um vermelho forte.
Peguei minha bolsa, guardei o necessário e chamei um táxi para me levar até o local onde aconteceria o show.

Já no local do evento, uma fila se formava. Quando desci do carro, pude ver que haviam alguns paparazzi por perto. Eu entendia o fato de que era produtora de Shawn e estava com Harry ontem pelas ruas de L.A, mas isso não me faz ser famosa ou alguém que a vida fosse interessante o suficiente para ser seguida por fotógrafos.
Os seguranças da casa de show viram o que acontecia e o tamanho do meu desconforto com aquilo. Juntaram a+b e chegaram à conclusão de que eu deveria ser alguma personalidade famosa, coisa que eu definitivamente não era, e me escoltaram até a parte interna do lugar, fazendo eu furar uma grande fila, me deixando mal por ter feito.
Agradeci a gentileza e me desculpei pela confusão, mas o que eu esperava era que eu fosse dar de cara com a banda na área dos camarins, pra onde me levaram.
– Oi. – O vocalista, John, disse simpático. – Você é a famosa que estava fazendo confusão lá fora?
Minhas bochechas coraram, rapidamente fui tomada por uma vergonha.
– Não sou famosa. – Minha voz saiu baixa.
– Os paparazzi não tiram fotos de desconhecidos por aí. – Pat, o baterista disse em um tom totalmente óbvio.
– Você não é a menina que está produzindo o álbum do Shawn Mendes? – Kennedy, um dos guitarristas apontou para mim com sua paleta, carregando em seu rosto um semblante curioso. Os rapazes o olharam da mesma forma. – Que foi? Eu curto as músicas dele!
Todos riram e eu assenti.
– Então sinta-se em casa… – Garrett, o baixista se pronunciou.
. Mas podem chamar de . – Sorri largamente.
– Então, . – Jared, o outro guitarrista, me abraçou de lado, colocando a mão sobre meu ombro, como se fossemos velhos amigos. – Aproveite o show e nos espere para uma cerveja.
Eu sorri com a espontaneidade dos rapazes, que me acolheram como uma deles em apenas poucos minutos. Me senti privilegiada por poder assistir ao show bem de perto, mas queria que Harry estivesse ali comigo.
Depois do acontecimento da piscina, eu tive certeza de que estava encantada pelo garoto. Tudo nele era apaixonante: seu olhar, seu sorriso, seu corpo, seu toque em minha pele, sua respiração próxima a minha. Simplesmente tudo me remetia àquela fatídica cena.
Então, ao som de Black Butterflies and Déjà Vu, eu decidi que a partir daquele dia, meu coração é quem falaria.
Eu iria conquistar Harry Styles!

Capítulo 10

“Another alien on Brodway.” – Bright Lights, Matchbox Twenty


TMZ: Harry Styles é flagrado em clima de romance com Kendall Jenner um dia após ser visto com Schulte.
O final de semana tem sido agitado para o ex-One Direction, Harry Styles, 23. Após uma tarde de passeio por Los Angeles ao lado da produtora musical Schulte, 25, o cantor foi visto aos beijos com sua antiga affair Kendall Jenner, 21, confirmando os rumores que vinham acontecendo desde maio desse ano.
Mas, e ?
A brasileira, filha de Margareth e Robert Schulte, passou a noite de sábado acompanhada da banda americana The Maine, com os quais postou fotos em suas redes sociais.
Então, queremos saber: Schulte e Harry Styles estariam trabalhando num novo álbum do rapaz?
Lembrando que a garota atualmente trabalha ao lado de Shawn Mendes, na produção de seu próximo disco.
Estamos esperando por mais confirmações.

Minha cabeça latejava, e meu corpo pesava sobre a cama. Meus olhos ainda assimilavam as letras da notícia que > acabara de enviar por mensagem. A foto de Harry e Kendall se beijando em frente a um lago estampava o site de fofocas, mas minha atenção era toda e completamente voltada a meu nome brilhando e conectado a vários links sobre meus trabalhos.
As notificações não paravam de chegar e até meu irmão mandou mensagem perguntando se eu estaria trabalhando com Harry. O meu número de seguidores aumentou esdruxulamente em menos de horas. Ao menos, a imagem que tinham de mim era estritamente profissional, conectando minha visita a Styles apenas como uma possível parceria e nada mais. Não queria ser conhecida mundialmente como: “a garota que foi chifrada por Harry Styles em apenas um dia.”.
Rolava na cama enquanto pensava se ficaria por ali ou sairia para tomar um ar fresco e me recompor da ressaca causada pela grande quantidade de tequila tomada na noite anterior – nota mental de nunca mais dizer a John O’Callaghan que o acompanharia nas bebidas. Olhei para o teto por alguns segundos e decidi que o melhor a fazer seria seguir a segunda opção.
Depois de tomar um banho gelado para despertar cada músculo do meu corpo, coloquei uma roupa simples e um óculos escuro para esconder as olheiras.
Desci o elevador do hotel com a intenção de comprar um café o mais rápido possível.
Passei pela recepção, acenando para os funcionários e sendo gentilmente retribuída com sorrisos simpáticos.
Desci a rua em passos lentos, a caminho da cafeteria mais próxima.

O ambiente onde estava era agradável e acolhedor. Estava sentada em uma poltrona que parecia me abraçar a cada movimento meu.
Percebi que algumas jovens sentadas na outra extremidade do estabelecimento me encaravam com curiosidade, cochichavam coisas entre si e sorriam em minha direção. O que eu não sabia era se elas riam para mim ou de mim.
Decidi não me importar muito com aquilo. Meu objetivo nunca fora ter uma vida pública, mas como já dizia meu padrasto: o que é um peito pra quem está todo cagado?
Meu interior suplicava por meu violão e um caderno, há alguns dias eu não escrevia, eu precisava daquilo.
Depois de um café da manhã digno de princesa, e sem muito mais o que fazer, decidi ir até o aeroporto para trocar minha passagem e voltar para Nova Iorque o quanto antes.

Organizava minhas malas e separava meu cartão para acertar as contas com o hotel, mas meu celular não parava de tocar.
Depois de algumas horas suplicando ao rapaz no guichê da companhia aérea, consegui mudar meu voo para as 3p.m de domingo. E no momento que consegui, era por volta de 1h30p.m. Nunca corri tanto quanto naquele intervalo de horas. Uma digna cena de filme: correndo às pressas pelo aeroporto, mas sem as malas, porque era atrás delas que eu estava indo.
Com meu celular ainda tocando, peguei a minha única mala e uma bolsa que havia levado. Eu retornaria a ligação depois, o objetivo era chegar ao aeroporto o quanto antes.
Um dos rapazes responsáveis pela movimentação de bagagens no hotel me ajudou a levar meus pertences até um dos táxis que ficavam na frente do grande prédio, enquanto eu fazia o checkout, conforme procedimento padrão.
Depois de fechar toda a conta, agradeci a menina de olhos azuis que estava na recepção e me desloquei para o carro com a maior velocidade que conseguiria atingir.
Assim que entrei no automóvel de cor amarela, alcancei meu celular no fundo da bolsa e o desbloqueei, na tela principal havia um aviso de três chamadas perdidas de Harry.
Respirei fundo para continuar. Minhas mãos suavam como no primeiro dia que nos vimos e meu coração palpitava forte. Eu realmente estava caindo nas graças do cantor e isso não era bom para mim, afinal ele acabara de “assumir” um relacionamento com Kendall.
Meu celular estava apoiado na orelha esquerda, enquanto acontecia a discagem da chamada. Logo ao segundo sinal, Harry atendeu.
. – Sua voz rouca percorreu por meu corpo como um choque, fazendo automaticamente todos os meus pelos arrepiarem.
– Diga, Hazz. – Tentei soar o mais indiferente possível. Ontem meu objetivo era conquistá-lo, hoje é apenas manter a amizade. Não faria nada para acabar com um relacionamento alheio para que a beneficiada fosse apenas eu.
Aconteceu alguma coisa para não me atender? Digo, foi por conta das notícias? – Seu tom de voz era preocupado e tenso, ele falava rápido e às vezes embolava algumas palavras.
– Ei, calma. – Eu ri fraco. – Claro que não, Harry. – Suspirei. – Eu estou voltando para Nova Iorque, adiantei minha passagem e estava ajeitando algumas coisas. Me desculpe por não atender na hora.
Já está voltando? – Ele questionou, um pouco abatido.
– Sim, vou tentar encontrar Mark por lá. – Falei a primeira coisa que veio a cabeça, mas não me pareceu uma má ideia. – Mas, te agradeço muito pela hospedagem e o ingresso para o show.
Vi que se divertiu bastante. Fico feliz. – Eu sabia que ele sorria, podia visualizar perfeitamente.
– Fico feliz por você também, Styles. – Fechei os olhos e respirei fundo. – Espero que aproveite seu relacionamento. – O desejei, sinceramente.
Está tudo bem entre nós, não é? – Abaixou o tom de voz, o que me fez questionar se Kendall estava por perto.
– Claro que sim, Hazz. Vamos fingir que nada disso aconteceu e seguiremos com nossa boa amizade. – Sorri e o motorista do taxi avisou que estávamos nos aproximando do aeroporto. – Preciso ir. Nos vemos em breve.

Desliguei a ligação com um peso enorme no peito. Aquele garoto seria a morte para mim, mas eu deveria ser forte o suficiente para superar antes mesmo de começar a sentir algo mais profundo. Um tempo longe seria o ideal.

Capítulo 11

“Maybe we just ain’t meant to be something. Maybe we are?” – No Promises, Cheat Codes (feat. Demi Lovato)


Os dedos de Mark tocavam as cordas do violão na parte interna do estúdio, e em pleno feriado, terminávamos de gravar mais um instrumental do álbum de Shawn. Dessa vez era o da música que ele havia enviado por e-mail no outro dia. Estava tudo tão lindo. A paixão de Mendes podia ser perfeitamente notada, ele estava de quatro pela fotógrafa brasileira e isso era claro em cada palavra escrita e em cada nota composta por ele.
Quando cheguei a Nova Iorque, meu único objetivo era descansar o máximo possível, e assim eu fiz.
E ao acordar na segunda do feriado, recebi uma ligação de Mark perguntando se não gostaria de acompanhá-lo num dia de estúdio, já que ambos não tínhamos absolutamente nada para fazer. Então foi o que fizemos. Depois de duas horas dentro da Republic, conseguimos finalizar a faixa que, para mim, era a mais bonita até então.
– Fala comigo, . – Mark saiu da sala do microfone, e colocou o violão na case que estava no chão. – Você está muito pensativa. – Sentou-se no grande sofá azul, esticando as pernas. – Tem a ver com o fim de semana?
– Que nada, Boots. – Virei meus olhos até o garoto, reparando pela primeira vez na covinha que existia em sua bochecha esquerda. – Estava pensando em como estamos fazendo um puta de um trabalho, e estou me sentindo honrada por isso.
– Trabalho há alguns anos aqui e é sempre o mesmo sentimento. – Olhou para cada parte do estúdio, finalizando sua observação com o olhar sobre mim. – Sei que você talvez não queira me falar que está chateada pelo fato de Harry estar com alguém, e principalmente pelo fato disso ter acontecido enquanto você estava lá. – Eu ia falar, mas Mark não tinha terminado seu discurso. – Eu posso não ser a , mas também estou aqui para ser seu apoio. – Ele suspirou. – , está na sua cara que algo a mais aconteceu e você está se remoendo por isso.
Joguei minha cabeça para trás, soltando um grunhido.
– Sabe, Mark. – Eu olhava para o teto, com o pescoço apoiado na cadeira. – Esses dias eu vi uma publicação de quatro meses atrás do meu irmão no Instagram. Era uma foto dele com nosso pai, Robert. – Senti minha voz falhar ao falar seu nome. – Ele faleceu devido a um câncer de pulmão quando eu tinha apenas dez anos. Ele era minha maior inspiração para isso tudo aqui. – Joguei meus braços para cima, mostrando as dependências do local. – E ele me dizia que eu não devia ter medo de sentir. – Levantei minha cabeça e o encarei. – Mas, eu estou com medo. – Meus olhos começaram a marejar. – Eu e Harry quase nos beijamos em Los Angeles, e a proximidade que tive com ele foi diferente de tudo que já tive com outra pessoa. Eu sei que me apeguei rápido demais, e sei que agora tenho que me desfazer desses sentimentos. Só que eu não quero, Mark. – Uma lagrima escorreu por minha bochecha. – Durante toda minha vida vivi em função da música, produzindo e criando. Eu queria que desse certo com alguém pelo menos uma vez.
Meu amigo me encarou com compaixão e se levantou, caminhando em minha direção. Pude sentir os braços de Marcus ao meu redor, me acolhendo e me protegendo de todo o perigo que tentasse se aproximar de mim. Senti como se Mathias ou Michael que estivessem me abraçando.
Dizem que quando estamos longe da família, nossos amigos são nossos irmãos. E era isso que Marcus Boots era para mim, um irmão.

Mais uma vez, durante aquele dia, Harry era motivo dos meus pensamentos, e das palavras escritas em meu caderno.
Talvez seria mais fácil sem a arte tão presente em minha vida. Ser artista é ser intenso, e isso não é – de certa forma – bom.
Eu estava na minha cama, e meu violão era meu único companheiro.
Já tinha tentado de tudo para fugir: conversado com >, meus irmãos, minha mãe, Rodrigo. Mas nada me fazia fugir de Harry Styles.
Larguei o violão no colchão e fui a cozinha para pegar um café, então ouvi o soar da campainha.
Pelo olho mágico, vi os cabelos castanhos de Marcus.
– Oi. – Abri a porta, dando de cara com o rapaz em uma blusa de futebol americano e sorriso aberto.
– Se arruma e coloca essa camisa. – Me jogou um pedaço de pano nas cores branca, azul e vermelha. – Iremos a um jogo. Não aceito um ‘não’ como resposta.
Minha mente sofreu um pequeno de até perceber que o jogo do qual Mark falava aconteceria naquele dia.
– Entra, vou tomar um banho rápido. – Abri um pouco mais a porta, deixando o garoto entrar e corri para o banheiro.
Cantarolava algumas melodias de canções desconhecidas pelo mundo, mas conhecidas por mim, e deixava a água deslizar pelo meu corpo tirando toda energia negativa que fora acumulada durante os dias.
Ao sair do banho, me enrolei na toalha e fui até o quarto. Assim que cheguei, encontrei Mark sentado em minha cama, analisando meu caderno e com o violão em mãos. Paralisei por alguns segundos.
– São suas? – O rapaz perguntou, havia um brilho em seu olhar.
Pigarreei, tentando achar um resquício de voz.
– São lindas, . – Ele continuou. – Por que nunca as mostrou pra ninguém? – Ele folheava as páginas.
Seus olhos encontraram os meus, que ainda transmitiam o choque do momento no qual o vi ali.
– Seu pai? – Ele levantou uma das páginas, na qual continha uma música chamada The Love You Left Behind.
Assenti e pude sentir lágrimas se formando no canto de meu olho. Ah, não seria possível que eu choraria na frente de Marcus mais uma vez.
So many years have come and gone (tantos anos se passaram)
But every picture without you still feels so wrong (mas cada foto sem você parece tão errada)
I’ve been thinking lately(ultimamente eu tenho pensado)
What would you say if you saw me? (o que você diria se me visse?)
Would you be proud of what I’ve become?
(você estaria orgulhoso do que me tornei?) – Marcus leu uma estrofe da canção e engoliu seco.
Eu havia me esquecido que estava apenas de toalha no quarto junto com o garoto. Mas isso parecia pouco importar para Mark, pois eu pude ver que seus olhos também continham lágrimas.
, eu sei que talvez eu seja mais um de muitos que lhe disseram isso. – Ele fechou o caderno e o colocou em cima da cama, levantando-se para logo me deixar à vontade. – Mas, você não deveria esconder essas canções do mundo. – Parou em minha frente. – Entendo suas dores e seus motivos. Porém, você é uma artista. – Ele deu uma pausa. – Assim como seu pai.
Saiu do quarto e me deixou pensativa durante alguns minutos. Não, eu não mostraria minhas músicas a ninguém. Não era o certo!
Coloquei a blusa que Mark me deu e uma calça jeans, logo o encontrei na sala.

– Me explica uma coisa, Boots. – Segurava um cachorro quente e um copo de refrigerante, enquanto seguia o garoto até os nossos assentos, que eram bem mais próximos ao campo que o esperado. – Por que estamos com camisas do New England Patriots se estamos em Nova Iorque e o Jets está jogando?
– Não é só você que tem segredos, . – Ele se virou para mim, enquanto nos sentávamos. – Sou de Massachusetts. – Piscou um dos olhos em minha direção e soltou uma risada alta, que fora acompanhada por mim. – Vai Patriots!
Então decidi que iria esquecer um pouco dos problemas e sentimentos para me entreter ao lado de Marcus.

O jogo rolava, e graças a Deus, meu amor por esportes me fazia entender bem o que acontecia. Eu gritava e xingava tanto quanto Mark, que era um fiel torcedor do time da Divisão Leste. E não podia deixar de perceber os homens maravilhosos – diga-se de passagem -, que estavam em campo.
Ao fim do 2º quarto, iniciaram-se os doze minutos de intervalo, onde poderíamos ir ao banheiro ou comer mais alguma coisa, mas ambos decidimos por ficar no mesmo local onde estávamos. Os jogadores que vinham beber água e conversar com o técnico estavam muito perto, Mark quis permanecer ali para dar uma de tiete.
Um dos atletas do time para o qual estávamos torcendo encarou nossos assentos por alguns segundos, mas não dei muita atenção, pois estava rolando o feed do Instagram.
– Acho que Dy Amendola gostou do que viu, hum? – O meu amigo cutucou minha costela com o cotovelo. – Tem como você me dar uma atenção aqui, Schulte?
– Nossa, seu grosso. – Disse e olhei para frente, quando o fiz, o jogador de camisa 80 sorriu em nossa direção, automaticamente fiz o mesmo. – Uau, é um gato mesmo. – Cochichei para Mark, mesmo que eu soubesse da impossibilidade de ser ouvida por Amendola.
– Então por que não joga seu charme? – Perguntou.
Nah. – Disse e continuei a mexer no celular, vendo as fotos de meus seguidores. Passei por uma foto de Madu no boliche, curti e continuei a rolagem.
Logo abaixo daquela foto, apareceu uma de Harry e Kendall. Os dois estavam sentados em uma espécie de poltrona, ela tinha as pernas em cima de sua coxa, e a foto me parecia ser um pouco antiga, já que o cabelo do garoto estava longo. Merda, ele fica lindo de qualquer forma.
Meu coração palpitou mais forte ao ver a legenda:

“uma foto antiga, para um amor antigo. Amo você, Kenny”

É, talvez essa fosse a hora de seguir em frente.

Capítulo 12

“This is the start of something new…” – Start Of Something New, High School Musical


entrava no carro de Marcus com o telefone grudado na orelha, resolvia coisas do trabalho, coisas relacionadas à Harry, e diretamente com ele.
– Eu fico por algumas semanas fora, Styles. – Ela dizia com o tom de voz um pouco acima do normal. – Algumas semanas. – Repetiu. – E você faz a merda de me assumir um relacionamento com a Jenner? Perdeu o amor à vida? – Ela parou de falar, sinal de que o garoto do outro lado estava se expressando, mas pela cara de , não era nada muito agradável. – Tudo bem, vocês se amam. Que lindo! – O sarcasmo em sua voz era claro. – Mas você é mundialmente famoso e tem alguém que se preocupa com a repercussão das coisas que você faz. E adivinhe, esse alguém sou eu. – Bufou. – Então da próxima vez me avise quando for pedir alguém em namoro. – Pigarreou. – E não faça isso no mesmo fim de semana que está hospedando uma amiga em sua casa. – Meu coração gelou. – Dê graças aos céus de que é super profissional e até a mídia reconhece isso. – Troquei olhares significativos com Marcus. – Beijos, Harry. Boas férias! – Ela finalizou a ligação e começou a colocar as mãos no rosto. – Desculpem por isso. Eu ainda envelheço cedo.
– Envelhece nada. Você é a rainha do Skin Care. – Mark girou a chave na ignição, dando partida no carro. – Vamos à casa de quem?
– Pode ser na minha. Tenho que arrumar minhas coisas e temos muito o que conversar. – batia palmas. Ela havia ficado uma semana além do feriado na Inglaterra.
– Ninguém precisa saber que você transou com o Liam. Já é obvio que aconteceria. – Olhei para minha amiga, fingindo nojo.
– Você é suja, . – Ela me deu língua.
A casa de era linda, e o caminho até ela mais ainda. Muito arborizado e fresco, a janela era sempre tomada por um grande verde, e as janelas abertas faziam o ar fresco nos tocar deliciosamente.
Assim que Mark parou o carro, ajudamos a tirar as coisas do bagageiro. Eu jurava que ela tinha levado menos coisa que isso, mas pareço ter me enganado.
Depois que as três malas da garota já estavam dentro de casa, ela foi tomar um banho enquanto eu e Boots pedíamos pizza.
Estávamos sentados no grande sofá preto, olhando a grande quantidade de pizzarias que poderiam fazer a entrega naquele endereço.
– E aí, jogou seu charme pro Danny? – Marcus, que estava na outra ponta do sofá, cutucou meu joelho com o dedão de seu pé.
– Depois do jogo nós fomos embora, Mark. Como eu faria isso? – Revirei os olhos. – Olha, essa me parece uma boa pizzaria.
– Não mude de assunto. – Me olhou com a cara fechada. – Você não quer superar o Styles? – Suspirei, ele estava certo. – Aqui. – Pegou meu celular em cima da mesa e colocou em minha mão. – Siga-o no Instagram e mande uma DM dizendo que o jogo ontem foi ótimo.
– Como tem tanta certeza de que ele vai me responder? – Perguntei, me ajeitando na poltrona e pegando o telefone residencial para pedir a pizza.
– Duh. Você é gostosa! – Ele disse com o tom de voz mais óbvio do mundo.
, que descia a escada vestida em roupas confortáveis, quase pijamas, pegou a conversa pela metade.
– O que aconteceu? – Ela se sentou no meio de nós dois.
vai jogar charme pro Danny Amendola. – Marcus sorriu malicioso.
– O jogador do Pats? – abriu os olhos em surpresa. – Meu Deus, ele é um gostoso. Daria tudo pra lamber aquela barriga.
– Desnecessário saber. – Disse, rindo da fala de .
– Vai logo, manda a mensagem e deixa de ser idiota. – Mark pegou o telefone residencial de minhas mãos. – Você faz isso e eu peço a pizza.
Fiquei por alguns segundos com o perfil de Danny aberto em minha tela. Não sabia se realmente deveria fazer aquilo, seria me enganar. Eu estava sentindo de fato algo por Harry.
Mas, de certa forma eles estavam corretos. Harry está em outra.
Apertei o botão de seguir, sem insegurança ou medo e logo apareceu a opção de enviar mensagem. Assim eu fiz!

@the..schulte: Ei, ótimo jogo ontem.

Bloqueei o celular para não ficar muito ansiosa por uma resposta, como de fato acontecia.
O deixei em cima da mesa e fui ajudar com a sobremesa, já que ela tinha decidido que queria brigadeiro. De acordo com ela, Shawn a disse que Madu fez o doce brasileiro para ele, e o garoto recomendou para Deus e o mundo.
Então, eu como brasileira, fui a escolhida da noite para fazer o doce.
Peguei as caixas de leite condensado em cima da pia e despejei seu conteúdo em uma panela com manteiga já derretida, e logo coloquei o chocolate também derretido – eu preferia fazer dessa forma do que com chocolate em pó.
Assim que terminei de fazer o doce, a campainha tocou, dando a chegada da pizza.
Deixei o doce esfriar e me juntei aos meus amigos para comer o que pedimos.
colocou a caixa sobre a mesa central. Tirei meu celular dali, e aproveitei para checar o Instagram, já que depois de ganhar muitos seguidores eu tive de desativar as notificações.
Olhei para o topo da tela e vi que haviam duas mensagens não lidas.
Abri a aba. Uma era de Shawn, respondendo a meu storie com e Mark, com uma foto dele e a legenda: “vocês me abandonam”. Dramático, como sempre.
E a outra era de Dy.

@dannyamendola: Ei. Muito obrigado, garota da arquibancada! 😉
@dannyamendola: Meio difícil de esquecer seu rosto. O que faz de bom hoje?

Engoli a pizza com esforço, e meus amigos perceberam.
– Ele respondeu, né? – perguntou e eu só virei o celular em sua direção.
– Chama ele pra vir comer pizza com a gente! – Mark disse, na maior inocência, e eu o segui.

@the..schulte: Fico lisonjeada pelo elogio. Estou em NY, na casa de uma amiga e comendo pizza. Se quiser nos acompanhar.

@dannyamendola: Só mandar o endereço!

Encarei meus amigos com um semblante assustado que fez Mark quase engasgar com a fatia que comia.
Passei o endereço, não esperançosa de que ele realmente viesse.
Mas, no final do prato de brigadeiro a campainha tocou novamente, mas dessa vez não tínhamos pedido outra pizza. incentivou que eu fosse abrir a porta, e assim eu fiz. E naquela hora eu fui no céu e voltei, porque eu juro que quando abri a porta, vi um anjo.
Deus era injusto fazendo pessoas tão lindas daquele jeito.
Sua blusa escuta marcava perfeitamente seus braços atléticos, sua barba por fazer e seu cabelo bagunçado me fizeram ter vontade de arrancar a roupa ali mesmo e me agarrar àquele homem.
Aquilo não daria certo. Mas, seria um errado maravilhoso.

Capítulo 13

“I don’t like the way he’s looking at you, I’m starting to think you want him too. Am I crazy?” – Jealous, Nick Jonas

Harry
Acordei com Kendall deitada ao meu lado, seus cabelos negros tomavam conta do travesseiro e ela dormia feito um anjo. Depositei um beijo em sua testa antes de me levantar.
De certa forma não fora tão errado me arriscar a ter algo com ela. Talvez com não desse certo, somos muito diferentes em alguns aspectos, além de que não existia a certeza de que ela ficaria nos Estados Unidos após a produção do álbum de Shawn e por isso decidi que o melhor a fazer seria firmar algo com Jenner e, finalmente, sossegar. Mas, o que eu não queria era que se afastasse, mas ela fez. De acordo com seus argumentos, ela estava sem muito tempo para conversar, pois na última semana Shawn foi para Austrália começar a reta final de sua turnê e, simultaneamente, ela recebia várias músicas para trabalhar.
Mas eu sabia que não era isso que a fazia não responder minhas mensagens ou não atender minhas ligações.
Por mais forte que a garota fosse, eu tinha certeza de que seus sentimentos estavam tão embaralhados quanto os meus.
Kendall é maravilhosa e eu a amo. Mas, em contrapartida, me traz sensações que eu nunca experimentei antes, e isso tudo sem ao menos termos nos beijado.

Decidi que sairia para comprar umas coisas para meu café da manhã e de Kendall.
Coloquei uma blusa e continuei com a calça de moletom que usei para dormir. Calcei um tênis e passei a mão no cabelo o ajeitando bem rapidamente, estava indo à padaria, não ao shopping.
Vesti um óculos de sol e fui pegar o carro.

O bom de andar por Los Angeles é que, por ser um lugar repleto de celebridades, nunca somos novidade para ninguém, então muitas pessoas passavam por mim sem ao menos se importar. Salvo exceções de alguns fãs que pediam fotos.

Parei em uma cafeteria pouco movimentada e pedi o necessário para levar. Enquanto eu esperava a preparação dos pedidos, prestava atenção na televisão, que estava transmitindo o canal da TMZ.
Fotos de vários artistas enfeitavam a tela, até que uma específica me interessou.
Schulte, a mais nova produtora de Shawn Mendes e amiga de Harry Styles, foi vista de mãos dadas com o premiado jogador no Patriots, Danny Amendola. – O apresentador falou, e eu gelei por alguns segundos. A foto deles brilhava na tela. – Depois de uma viagem rápida a Los Angeles, onde a vimos passeando com Styles, foi a um jogo do New England Patriots com o amigo e produtor, Marcus Boots. Fontes confiáveis nos informaram que desde a partida e Danny estavam trocando mensagens. – Outra foto deles apareceu, dessa vez estavam ela e o atleta na casa de , sorrindo e segurando tacos de sinuca. – E por mais improvável que esse casal seja, tudo que desejamos é felicidade para eles.
Fiquei encarando um ponto fixo da parede por alguns minutos, tentando digerir toda aquela informação. Eu achava que seria menos doloroso ver com alguém, afinal estou amando Kendall. Não fazia sentido eu estar incomodado com as fotos que vi.
– Senhor Styles, seus pedidos. – A menina de cabelos vermelhos me entregou uma sacola de papel e um porta copos. Olhei em sua direção e esbocei um sorriso, que provavelmente não foi muito sincero.
– Obrigado. – Com tudo em mãos, caminhava de volta para o carro com um único pensamento: e Dy. Seria mais difícil do que imaginei.

**

Jenner se arrumava para sua viagem ao México junto de alguma das marcas que a patrocinavam e eu estava na sala, com violão em mãos e dúvidas na mente.
Eu sabia que já era a hora de começar a produzir algo novo, mas eu queria algo diferente de tudo que já fiz até agora, na One Direction e na carreira solo. Mas, nada diferente disso aparecia, apenas canções de amor, e eu sabia que não eram sobre Kendall, e esse fato era o que mais me incomodava em tudo.
A morena desceu as escadas e me deu um sorriso, por um momento senti meu corpo arrepiar, me lembrando de que sim, eu sinto algo por ela.
– Volto daqui duas semanas. Passaremos o natal juntos? – Ela perguntou, se aproximando com suas malas.
– Creio que sim, não tenho planos previstos. – Sorri, deixando meu violão de lado e levantando para selar nossos lábios em um beijo calmo e demorado. – Vou sentir sua falta.
– Eu também. – A ajudei a levar as malas até o carro, e Jacob a transportou até o aeroporto.

**


A voz de Kelly Clarkson soava pelo meu apartamento ao som de Since U Been Gone, e eu dançava alegremente enquanto preparava o clássico Estrogonofe para o almoço.
Despejava os temperos na panela enquanto meus quadris se movimentavam no ritmo da música, até que senti mãos grandes e quentes sobre eles. Um sorriso se formou em meus lábios ao sentir a respiração de Danny próxima a minha nuca.
Fazia uma semana desde o dia da pizza na casa de , onde ele apareceu depois de um convite nada discreto feito por mim. Estávamos nos conhecendo e estávamos muito bem, sua companhia me fazia feliz, e isso é o mais importante.
– Com você rebolando desse jeito eu não vou conseguir esperar o almoço sair e vou querer pular direto para sobremesa. – Com apenas um movimento me colocou de frente para ele e me beijou. O beijo era coberto por desejo, mãos passeavam pelos corpos, mordiscadas eram dadas no pescoço e nos lóbulos das orelhas. Se não fosse pelo cheiro forte de alho dourando que se espalhou pela cozinha, provavelmente estaríamos transando no balcão. E eu não me recusaria, o sexo com Amendola é maravilhoso.
– Espera um pouquinho, vamos comer antes. – Dei um sorriso sapeca em sua direção.
– Você vai acabar comigo, . – Eu ri e ele saiu da cozinha, logo se sentando no sofá.
Continuei a cozinhar, dessa vez já tocava outra música de um artista desconhecido por mim, mas que eu faria questão de conhecer, pois a voz era maravilhosa.
Ao fundo, Dy falava ao telefone com alguém. Provavelmente algum conhecido meu, já que era o residencial que ele usava.
Pude ver que ele estava vindo em minha direção.
– Para você. – Ele apontou o telefone para mim e eu fiz um sinal para que ele apoiasse o aparelho entre meu ombro e minha orelha, já que minhas mãos estavam ocupadas temperando a salada.
– Alô? – Minha voz tinha um claro tom de dúvida.
Schulte? – Uma mulher perguntou ao outro lado da linha.
– Sim. – Disse, ainda desconfiada.
Boa tarde, . Eu sou Micaela, secretária do Sr. Dani Reiss, atual C&O da Canada Goose. – Sua voz era simpática.
– Ah, claro. A marca de roupas de frio? – Perguntei, dando as colheres para Dy me ajudar no trabalho. Sequei as mãos num pano de prato e segurei o telefone. – Pode falar.
Vamos fazer um evento de apresentação da próxima linha, gostaríamos de saber se seria da sua vontade comparecer.
Mas por que eu? Nem sou famosa. – Eu disse, soltando uma risada.
– Mas está no meio deles e bom, Sr. Reiss verificou suas redes socias e viu que você luta bastante pelas causas naturais, assim como nós da marca. Por isso ele a convidou, toda nossa renda será revertida para o projeto que luta contra a extinção dos Ursos Polares. – Ela dizia e seu sotaque era bem notável.
Onde será? – Perguntei.
– Próxima quarta, aqui em Toronto. – Falou. – Se a senhorita aceitar, enviaremos a passagem hoje mesmo.
Então avise-o que estarei aí. – Disse, sentindo um grande orgulho de participar de um evento que o motivo era muito mais do que divulgação da marca.
A ligação foi desligada e Dy me encarava com um semblante questionador.
– Semana que vem estarei no Canadá. – Dei pulinhos de alegria e o atleta sorriu, me envolvendo em um abraço.
– Tá ficando famosa, babe? – Ele olhou em meus olhos e eu ri.
– O que acha que transar com uma famosa, em? – Eu passei os braços ao redor de seu corpo, encontrando os botões do fogão, os virando para esquerda, apagando todas as bocas que estavam acesas. Ele lançou um olhar cheio de segundas, terceiras e quartas intenções. Me envolveu num beijo profundo e eu enrosquei minhas pernas em sua cintura. O almoço sairia tarde naquele dia.

Capítulo 14

Esse capítulo acontece de maneira simultânea ao Capitulo 29 de Nobody Like You da Grazie S.

O aeroporto de Nova Iorque estava relativamente vazio, afinal era apenas mais um dia útil na semana dos americanos. Eu estava sentada na sala de embarque, tomando um suco de maracujá sem açúcar, pois queria todos os efeitos da bebida em mim apenas para dormir durante todo o trajeto.

A voz de uma mulher ecoava pelas caixinhas de som que ficavam escondidas sabe-se lá onde, e avisava sobre os próximos voos.

Pela primeira vez na vida eu faria um “bate-volta” em outro país, normalmente eu viajava para outros estados do Brasil e voltava no mesmo dia, mas cá estou eu indo para Toronto às cinco da manhã, para um evento na hora do almoço e com voo de volta marcado para a madrugada do próximo dia.

Nunca imaginei que seria convidada para um tapete vermelho, principalmente de uma das marcas mais famosas do Canadá. Me peguei rindo sozinha da situação; sempre vivi no meio dos artistas e isso não acontecia, foi só ser vista com Harry e Danny que simplesmente uma aura da fama surgiu ao redor de minha pessoa.

Aprovei o tempo ocioso para resolver algumas coisas do álbum com Shawn.

 

Eu:

Mande o refrão de Lost In Japan, quero checar uma coisa.

Preciso rever alguns arranjos de Particular Taste, mas logo pego LIJ.

Aliás, quero saber da nova composição. Tem dedo da Madu nela?

Shawn, O Carneiro:

Tem a Madu inteira.

Acredito que nunca escrevi uma música tão íntima como essa. Troquei muitas ideias com Ed, ele adorou.

Te envio LIJ pela tarde.

O respondi com apenas alguns emojis de dedos levantados e corações.

Falando em Madu, eu havia mandado uma mensagem para a garota no dia anterior a intimando para um jantar comigo, eu precisava conhecer a pessoa que está fazendo Shawn feliz. E, principalmente, precisava conversar com alguém em português, senão eu teria um colapso.

Ouvi a voz chamar os passageiros do voo 567, que era o voo no qual eu iria para meu destino.

Definitivamente o Canadá era quinhentas vezes mais frio que Nova Iorque, como eles aguentavam sair de casa em pleno mês de Dezembro era algo que eu me questionava desde que pisei em solo Canadense.

O hotel onde aconteceria o meeting – e onde estaria hospedada – era chique o suficiente para me fazer ficar boquiaberta por alguns minutos antes de entrar. Como a marca estaria pagando aquilo para mim? Eu era merecedora de alguma daquelas coisas?

Subi o elevador, depois de realizar o check-in e fui guiada até meu quarto por um gentil senhor que estava no corredor.

Assim que abri a porta, dei de cara com uma pequena sala de visitas, um corredor branco e iluminado, e logo ao fim dele, uma cama que caberia umas cinco pessoas facilmente.

Fui em direção a ela, já que o objetivo era descansar o máximo possível até a hora do evento.

Uma pequena carta estava em cima do colchão, ao lado de umas barrinhas de chocolate e umas toalhas. Peguei a folha para ler seu conteúdo.

“Senhorita Schulte,

A Canada Goose e o The Ritz-Carlton Toronto te desejam as boas-vindas.

Para sua maior comodidade, disponibilizamos uma equipe de cabelereiros e maquiadores que irá encontrar a senhorita duas horas antes do evento.

Nosso desfile contará com um almoço e coquetel, que acontecerá exatamente às 2p.m.

O lobby será preparado para receber vocês, nossos convidados, com um tapete vermelho. Receberemos fotógrafos e imprensa, por isso enviaremos uma dupla de seguranças para acompanhá-la.

Aproveite a estadia e agradecemos pela parceria,

Canada Goose

The Ritz-Carlton”

Encarei o papel por alguns segundos, imprensa, fotógrafos, seguranças eram as palavras que se destacavam para mim. Dei uma risada incrédula, eu devia estar sonhando e não sabia.

Depois de algumas horinhas de descanso, a tal equipe de beleza apareceu no meu quarto para começarem os preparativos. Nunca imaginei que seria tão bem tratada como estava sendo por eles.

Logo depois do cabelereiro finalizar meu cabelo em ondas, sem muita coisa glamorosa, a maquiadora fez uma maquiagem simples o suficiente, afinal era um evento na parte da tarde, eu não queria – e nem precisava – chamar tanta atenção. Vesti um terninho preto e branco, confeccionado de paetês, um sutiã estilo biquíni de cor preta e uma sandália de tiras na mesma palheta.

Me olhei no espelho e soltei um “puta merda”, eu estava linda. Sortudo era o Danny que me podia me ver todos os dias e ainda me dar uns beijos.

Meus pensamentos foram interrompidos por duas batidas na porta. Caminhei até ela e a abri, vendo que dois senhores de estatura alta e cabelos curtos sorriam simpáticos para mim.

– Senhorita, sou Andrew e este é Joaquim. – O homem de pele negra apontou para o caucasiano ao seu lado. – Estamos aqui para acompanha-la até o desfile.

– Obrigada. – Sorri, tentando parecer mais confortável e acostumada com aquela situação.

Fiz um sinal para que eles aguardassem por mais alguns segundos e corri até a cama para pegar meu celular. Assim que voltei até eles, tranquei a porta do quarto e os segui até o elevador.

– A senhorita passará pelo tapete vermelho, vai tirar algumas fotos e fica a seu critério responder ou não perguntas dos jornalistas. – Andrew, que parecia ter mais tempo de estrada, disse e eu concordei.

– Não sei por que me fariam perguntas. Mas… – Eu ri e fui acompanhada por eles.

Assim que a porta do elevador abriu, pude ver uma movimentação maior que a usual em hotéis. Pessoas bem vestidas e alguns rostos conhecidos.

Fui guiada até o tapete vermelho pela dupla que estava ao meu lado, logo que pisei no grande carpete que fora colocado no chão, flashes começaram a disparar em minha direção. Eu não tinha reação a não ser olhar para as câmeras e fazer algumas poses clássicas. Aquilo era tão impalpável para mim a alguns meses, nunca pensaria que estaria sozinha em um tapete vermelho que não fosse do lançamento de algum álbum que produzi.

Sorri e acenei para os fotógrafos e dei alguns passos para frente, com a intenção de sair dali e ir curtir o evento, mas ouvi meu nome ser chamado no meio da multidão de jornalistas.

Me aproximei um pouco e pude ver uma mulher ruiva sorrindo em minha direção.

, por favor, uma palavrinha. – Ela dizia.

Maneei a cabeça e me acheguei.

– Claro, pode perguntar. – Eu sorri.

– Aqui é Mercedes, MTV. Direto da Canada Goose e estamos aqui com Schulte. – Ela se virou para a câmera que estava apontada para nós, ainda era estranho ter pessoas me chamando apenas pelo último sobrenome, já que eu normalmente usava o nome completo. – Produtora musical e nova contratada da Republic Records. – Voltou a olhar para mim. – , nos diga como está sendo a experiência de trabalhar com Shawn Mendes?

– Está sendo incrível. Eu nunca imaginei que trabalhar com um artista de proporções mundiais seria tão fácil como está sendo. – Eu disse, mantendo o sorriso no rosto. – Shawn é um grande cantor e compositor, e tem se dedicado imensamente a esse projeto. Me orgulho de estar fazendo parte disso. – Ela apenas balançava a cabeça e mantinha o sorriso no rosto.

– E como é a relação de vocês durante a produção? – Continuou.

– Dentro de estúdio buscamos ser os mais compenetrados, afinal queremos entregar o melhor para os fãs dele. – Eu sabia que meus olhos brilhavam, falar do meu trabalho era algo que me deixava em êxtase, eu amava o que fazia. – Mas, fora dele, Mendes e eu nos tornamos grandes amigos. Nos falamos quase todos os dias e ele me liga quando tem problemas pessoais, assim como qualquer pessoa normal. – Eu ri e ela também.

– Ele te ligou para falar de Maria Eduarda, sua namorada? – Percebi sua dificuldade para pronunciar o nome da fotógrafa.

– Com certeza. Eu estava em Los Angeles e ele estava me ligando para falar sobre “a garota pela qual se apaixonou.” – Fiz aspas com os dedos e ri. – Fico feliz que eles finalmente tenham se dado uma chance. Madu é uma mulher incrível e faz meu amigo feliz.

– Você falou de L.A. – Ela disse e eu fechei os olhos, pois já sabia o que viria depois disso. – Você e Harry Styles estão trabalhando em algo juntos?

– Eu e Harry somos bons amigos. Nos conhecemos na festa de aniversário de , assessora de Shawn, e desde então mantemos contato. – Sorri sem mostrar os dentes. – E não estamos trabalhando em nada juntos. Foi apenas um pequeno fim de semana em amigos mesmo. – Percebi que estava me entregando pelo tom de voz fraco, então decidi descontrair. – Mas, se ele quiser a gente pode produzir alguma coisa sim. – Sorri. – Seria incrível.

A mulher sorriu.

– Última pergunta. – Eu concordei. – Achávamos que Danny a acompanharia hoje. Vocês estão juntos?

– Bom, eu e Danny estamos nos conhecendo. – Eu sorri, era a plena verdade. – Não temos receio das fotos que estão circulando na internet de uns meses pra cá, pois estamos curtindo nosso momento. Mas, não estamos namorando, se é isso que pergunta. – Eu pausei para dar uma pequena tosse. – E ele não está comigo porque a temporada está terminando e o time está focado no SuperBowl. Ou seja, ele ficou treinando. – Sorri fraco e a mulher agradeceu, saí de cena e finalmente, estava livre para andar pelo evento, comer e assistir ao desfile.

Eu estava no táxi, indo em direção ao restaurante que Madu disse para nos encontrarmos.

Durante todo percurso eu respondia mensagens de Mark, e Liam, que me zoavam, perguntando se por conta da minha fama eu deixaria de falar com eles e algumas de Shawn sobre o álbum. Com a reta final de shows ele estava se mostrando cada vez mais dedicado a isso.

– Chegamos. – O motorista anunciou e eu levantei minha cabeça.

– Obrigada. – Tirei uma quantidade de dinheiro da bolsa e o entreguei. – Pode ficar com o troco, viu? Boa noite. – Saí do carro e o homem sorriu.

Enquanto eu andava até a entrada do estabelecimento, pude perceber alguns flashes em minha direção. Não era possível que até aqui aquilo iria acontecer.

Fui recebida por um dos garçons e pedi a mesa mais distante de qualquer janela, não queria meu jantar sendo exposto em revistas de fofoca. Ele me levou até uma que ficava no canto do restaurante, era perfeita.

Alguns minutos depois, a quantidade de paparazzi aumentou e eu pude ver o motivo: Madu tinha acabado de chegar.

Ela caminhou com calma em minha direção e, ao me ver, expressou alívio.

– Eu estou tão feliz por ter a chance de ter uma conversa em português. – Foi a primeira coisa que a garota falou quando parou ao meu lado. Não pude me conter e a puxei para um abraço, sentia falta desses contatos calorosos do Brasil, e eu sabia que ela não se importaria com meu ato.

Sentamos à mesa e ficamos conversando como se nos conhecêssemos desde a infância. Maria Eduarda era uma garota maravilhosa, seus olhos eram grandes e expressivos, seu cabelo caia sobre seus ombros formando ondas longas e suaves. Com certeza Shawn se apaixonaria por ela, eu estava me perguntando “quem não se apaixonaria por ela?”.

Depois que ela me deixou sair com facilidade que ama Mendes, no meio de uma frase. Pediu para que eu guardasse esse segredo.

– Então sejamos justas e eu vou te contar um segredo meu também. – Suspirei. – Eu estou com Dy, como você deve saber. – A catarinense assentiu, tomando um gole do vinho que o garçom tinha colocado em nossas taças. – Mas, desde que conheci Harry, eu o acho encantador. Mesmo com todas as complicações. – Nós rimos. – E eu sinto que há uma incógnita gigante dentro de mim nesse momento. E eu nem sei porque estou assim, afinal não nos falamos direito faz tempo, ele tem Kendall e eu estou nesse pseudo-relacionamento com Amendola, que francamente, nós dois sabemos que não tem futuro.

– Sabe, . – Ela se ajeitou na cadeira. – Me responda com sinceridade. – Maneei a cabeça em concordância. – Você acha que isso de Kendall e Harry vai durar por muito tempo?

– Não sei, Madu. – Levantei os ombros. – Eles me parecem bem apaixonados. – Meus olhos reviraram e eu soltei um sorriso seguido de suspiro. – Estou me sentindo num romance adolescente, que droga.

– Vocês deveriam conversar. – A morena disse. – Acho que seria o melhor pra tirar essa dúvida de dentro de ti.

Depois do assunto relacionamento, desencadeamos outras conversas e nos conhecemos melhor.

Certamente ela viria a ser uma de minhas grandes amigas durante minha jornada aqui no exterior, e eu pensaria em seu conselho, talvez eu falasse com Harry.

Capítulo 15

‘’Everyone knows I’m in over my head” – Over My Head, The Fray

Me preparava para mais um dia em estúdio com Mark, esse seria o último antes da semana do Natal. e Boots estavam em meu apartamento se arrumando para sairmos, enquanto eu conversava com Danny por mensagem e passava um pouco de maquiagem no rosto.

Eu e Amendola estávamos indo bem, obrigada. Mas, nossa interação diminuiu desde que voltei do Canadá, pois ele tem se preparado para o final dessa temporada e eu tenho estado cada vez mais imersa nas produções.

Durante o voo de volta para Nova Iorque, conheci um rapaz chamado David Cook. Ele era cantor e eu logo o reconheci quando ele disse ter participado de uma das edições do American Idol. Me apresentou alguns trabalhos e perguntou se não poderíamos trabalhar juntos, eu – obviamente – aceitei, e então marcamos para depois das festas de fim de ano.

Mas, tirando toda a agenda lotada, fazíamos de tudo para continuar nos falando, eu queria fazer dar certo, e pelo visto, ele também.

Enquanto ainda conversava com ele, recebi uma notificação inesperada.

Harry:

Ei, ainda está afim de bater um papo sobre música?

Ri fraco ao ver que ele repetiu a mesma frase que eu usei para nossa primeira interação após o aniversário de .

Mesmo depois de quase dois meses do nosso final de semana juntos, eu ainda nutria algum sentimento desconhecido por ele.

Harry:

Estou em NY para uma campanha da Gucci e escrevi uma música para o meu álbum solo, gostaria que ouvisse.

:

Me encontra na Republic depois da sua campanha, estarei dando uns toques finais em algumas músicas de Shawn.

Harry:

Combinado, te aviso quando estiver tudo acabado por aqui.

Eu não conseguia dizer “não” quando se tratava dele e mesmo sem falar com Styles desde o fatídico dia, eu não conseguia recusar um pedido seu. Colocaria, então, o conselho de Madu em ação – se eu tivesse coragem.

apareceu na porta do banheiro, anunciando que já estavam de saída. Os acompanhei.

**

– Eu acho que nessa música poderíamos colocar um pouco mais de peso, quem sabe aumentar o grave, deixando o baixo mais contrastado? – Eu movimentava os botões da mesa de som, mostrando algumas ideias para Mark e , mas ela estava se importando mais com as mensagens trocadas com Liam do que com nosso trabalho.

– Eu acho que fica bom, mas eu pensei em acrescentarmos umas cordas. – Ele disse, passando a mão em seu cabelo.

Fechei meus olhos para ouvir atentamente o instrumental que tocava e percebi que Marcus estava certo.

– É exatamente isso que falta. – Disse, sorrindo. – Encontre musicistas e os traga amanhã para gravar. Por favor, prometi à gravadora que estaria tudo agilizado antes do natal.

– Pode deixar. Vou sair para resolver isso por agora, então. – Ele se levantou da cadeira preta na qual estava e cutucou o ombro de . – Você vem?

– Ah, desculpa gente. – Ela olhou cumplice. – Acho que estou gamadinha pelo Payne. – Eu e Boots rimos.

– Nenhuma novidade, . Aliás, mande-o um beijo e diga que estou com saudades. – Eu disse.

– Ele estará desembarcando aqui amanhã, deveríamos jantar todos juntos lá em casa. – Ela sugeriu e Marcus e eu concordamos. – Ótimo, combinado. – Sorriu. – E vamos sim, Mark. Preciso resolver umas pendencias da Fergie ainda. – Ela pegou sua bolsa em cima do braço do sofá. – Vai ficar? – Assenti, prometi que encontraria Harry, mas não comentei com os dois.

– Sim, tenho algumas coisas a resolver ainda. – Sorri fraco.

– Nos vemos amanhã, então. Leve Dy. – Ela me deu um beijo na bochecha. – Te amo.

– Também amo você. E vou falar com ele. – Mark olhava para cena com uma feição de falsidade. – Amo você também, Boots. – Eu ri e ele sussurrou um “melhorou”.

Depois que meus amigos saíram eu continuei ouvindo as músicas já preparadas de Shawn. Eu amava o lugar onde estava, todo aquele ambiente fazia com que eu me sentisse alguém com uma importância para o mundo.

Alguns minutos depois, ouvi uma batida na porta. Eu esperava ser mais forte ao olhar para ela e dar de cara com as esmeraldas brilhantes de Harry me encarando, mas falhei, fiz uma cara de otária impagável.

– Oi, . – Ele sorriu mostrando a maior quantidade de dentes que conseguia, e eu falhei mais uma vez. Ele deveria ser proibido de sorrir. – Posso entrar?

Assenti, maneando a cabeça e me virei para mesa de som novamente. Por que eu estava agindo daquela forma?

– O que fez de bom nesses meses, além de começar a sair com um jogador da NFL? – Ele disse rindo, para descontrair e mostrar que além dos nossos momentos em L.A, éramos amigos.

Eu dei uma risada o acompanhando.

– Nada demais. – O encarei, tentando recuperar forças. – Já você… Me parece que compôs algo novo? – Tentei ser mais direta, chegando no assunto principal do nosso encontro no estúdio.

– Ah, claro. Posso pegar algum desses? – Apontou para os violões que estavam assimetricamente dispostos na parede. Apenas concordei e ele pegou um Tagima e sentou-se no sofá onde estava mais cedo. – Espero que goste.

I’m selfish, I know

(Eu sou egoísta, eu sei)
But I don’t ever want to see you with him
(Mas eu nunca quero ver você com ele)

I’m selfish, I know

(Eu sou egoísta, eu sei)
I told you, but I know you never listen

(Eu te disse, mas você nunca escuta)

I hope you can see, the shape that I’m in

(Eu espero que você veja a forma como fico)
While he’s touching your skin

(Quando ele toca sua pele)
He’s right where I should, where I should be

(Ele está onde eu deveria estar)
But you’re making me bleed

(Mas você está me fazendo sangrar)

Woman, Woman

(Mulher, mulher)

Tempted, you know

(Tentado, você sabe)

Apologies are never gonna fix this

(Desculpas nunca vão consertar isso)

I’m empty, I know

(Estou vazio, eu sei)

And promises are broken like a stitch is

(E promessas são desfeitas como pontos)

I hope you can see, the shape that I’m in

(Eu espero que você veja a forma como fico)
While he’s touching your skin

(Quando ele toca sua pele)
He’s right where I should, where I should be

(Ele está onde eu deveria estar)
But you’re making me bleed

(Mas você está me fazendo sangrar)

Woman, Woman

(Mulher, mulher)

 

Seu olhar parou sobre o meu após cantar a última estrofe, não era sobre mim, era? Não poderia ser.

– Harry… – Eu disse, tentando não perder as palavras. – Eu… – Gaguejei. – É linda, parabéns. –

Ele se aproximou de mim e sentou-se na cadeira onde Marcus estava antes dele chegar, ficando mais próximo.

– Eu só quero saber por que estou me sentindo assim, . – Ele sussurrou. – Mesmo estando com Kendall, eu só conseguia pensar em você. – Passou a mão em minha bochecha e eu o olhei com curiosidade – Eu terminei com ela. – Respirou fundo.

– Mas… – Eu tentei dizer e o garoto se aproximou mais um pouco, nos mantendo a poucos centímetros de distância.

– Mas? – Seu hálito fresco tocou minha pele, me deixando alucinada.

– Tem o Dy. – Eu disse, com raiva da minha índole. Eu não namorava o garoto, não daria nada errado se eu beijasse Harry.

– Então fazemos assim. – Ele se manteve no lugar. – Eu já te disse o que eu quero. Só falta você. – Encostou os lábios em minha bochecha e se levantou. – Preciso ir para o hotel, Liam disse que estará na casa de amanhã e me convidou. Espero poder te ver. – Apenas maneei a cabeça, com a respiração pesada. – Tchau, .

Eu pensei que resistiria, mas eu não estava imune a Harry Styles.

Capítulo 16

“The world comes to life and everything’s bright, from beginning to end when you have a friend…” – Gift Of A Friend, Demi Lovato

Harry

A casa de estava lotada de decorações de natal, incluindo presentes embaixo da grande árvore que tomava conta da sala.

Eu estava ao lado de Liam, bebíamos cerveja e conversávamos sobre a vida. As garotas estavam na cozinha, terminando de assar uma torta e Mark estava no mercado providenciando mais bebidas para nossa noite.

Eu não podia reclamar, pois estava cercado dos meus melhores amigos. Eu estava feliz, só faltava apenas mais uma coisa para essa felicidade estar completa: . No dia anterior eu cantei uma canção sobre ela para ela e, naquele dia, eu soube que ela sentia o mesmo que eu.

Mas tínhamos um impedimento, um forte e alto impedimento chamado Danny Amendola, e ele estava a caminho da casa de .

Mate, está tudo bem? – Liam estava encostado no sofá, com uma das pernas em cima da outra. – Está com uma cara meio ruim.

– Estou bem. – Sem perceber, meu olhar foi até a cozinha. estava rindo de algo que tinha dito e passava as costas das mãos nos olhos, secando lágrimas de alegria que faziam questão de aparecer.

– Agora eu entendi. – Ouvi a voz de Liam me tirando do transe. – Você está de quatro pela .

– Culpado. – Levantei uma das mãos e encostei as costas no sofá. – Eu estou me odiando. Porque eu percebi que estava sentindo algo por ela desde o nosso jantar, daí ela foi para Los Angeles e eu fiquei ainda mais encantado, quase nos beijamos na piscina e Kendall apareceu na hora. pareceu não se importar e foi embora, ficando num hotel. Dei uma chance para a Jenner, e não posso reclamar, a garota me fazia bem. – Dei de ombros. – Mas, eu comecei a perceber que o meu sentimento por sobressaía ao que sentia por Kendall, e eu não queria mais me enganar. – Suspirei. – Só que ela encontrou Danny e eu fiquei de sobra.

– Hazz, eu não sei o que conversou com você. Mas, me disse que ela e Danny não tem nada sério, eles estão apenas ficando. Talvez você possa jogar uns verdes e ver se ela colhe maduro. – Eu ri da maneira como o rapaz falou. – E eu adoraria ver vocês juntos.

Eu sorri e bebi um pouco de minha cerveja.

Eu também, Liam. Eu também.

era uma completa idiota, se não fosse Jornalista poderia facilmente ser comediante. Em todo momento durante a preparação da torta de frango, ela soltava uma pérola.

Mark passou por nós, avisando que iria comprar mais bebida e já estava voltando.

Uma mensagem fez meu celular vibrar.

Dy:

Estou chegando.

Encarei o celular, com uma feição que provavelmente não era muito amigável, porque logo se intrometeu.

– É alguém que a gente não gosta? – Ela se pôs ao meu lado e olhou para a tela do celular. – Dy? Por que essa cara de quem chupou limão, então?

– Ah não sei. – Suspirei e logo me dei por vencida. – Ontem Harry me mostrou uma música.

– E? – Ela abriu um pouco mais os olhos.

– E ele compôs pra mim. – Minha amiga sorriu e bateu uma pequena palma, me deixando confusa.

– Eu sempre soube. Vocês vão se pegar. – Ela disse e eu neguei, apontando para o telefone. – Danny não é impedimento. – Ela deu de ombros. – Mas termine isso do jeito certo. Não magoe o rapaz, porque você não gostaria de ser magoada.

Eu assenti.

Mark havia chegado com as bebidas e Danny estava logo atrás, por ironia do destino os dois estacionaram juntos em frente à casa de .

Boots foi até a cozinha para guardar as garrafas e Amendola caminhou em minha direção, passando por Harry e Liam os cumprimentando com um aceno de cabeça, e me deu um selinho. Sorri para o garoto, tentando ser o mais sincera possível. Porque a pessoa que eu queria beijar estava no outro sofá, ao lado do seu ex companheiro de banda e me encarava com seus lindos olhos verdes.

O meu – até então – ficante, sentou-se ao meu lado e colocou uma das mãos sobre minha coxa.

Marcus voltou da cozinha e se sentou ao lado de , oferecendo uma cerveja a ela, que aceitou e se levantou para começar seu discurso, já que ela adorava isso de falar para muitas pessoas.

– Espero que todos tenham lido minhas mensagens e comprado presentes, mesmo que baratos. – Ela juntou as mãos e deu um sorriso. – Eu sei que muitos aqui passarão o natal com suas famílias, por isso dei a ideia de fazermos um amigo oculto, tirando os nomes na hora. – Ela parecia muito animada quando pegou uma caixinha transparente que tinha alguns papéis dentro. – Aqui dentro tem o nome de todo mundo que está presente. Cada um tira um papel, se seu nome estiver no papel, você avisa e troca. E teremos que dar dicas para os outros acertarem que tiramos.

Amigo oculto era uma brincadeira muito comum em datas comemorativas no Brasil, por isso me senti em casa quando minha amiga sugeriu que fizéssemos.

passou por nós com a caixinha e eu tirei um papel, abri devagar e com letras grafais estava escrito “Liam”. Acho que o garoto gostaria do meu presente.

– Ninguém se tirou? – Ela perguntou e todos negaram. – Ok, então. , por que não começa? – Ela disse e eu concordei.

– Bom. – Pigarreei. – Meu amigo oculto é uma pessoa que chegou do nada na minha vida. – Eu disse e todos riram, afinal isso se aplicava a todos ali. – Eu o conheci no meu primeiro mês aqui, através de . – Mark, Harry e Liam se olharam. – E bom, ele costuma me dar vácuo no WhatsApp.

Liam rapidamente se levantou e veio me dar um abraço, pois sabia que ele era meu amigo secreto. Entreguei a caixinha com o presente que eu havia comprado, um óculos de sol, que ficaria bem em qualquer um daquela roda.

– Minha vez. – Ele disse animado. – Eu não conheço muito bem essa pessoa, mas sou fã do seu trabalho e espero poder ganhar ingressos pra assistir o SuperBowl. – Ele sorriu e entregou o presente para Dy, que deu um abraço e agradeceu.

– Vamos lá. – Pegou a embalagem ao lado do sofá. – Meu amigo secreto é a pessoa que eu mais tenho contato na roda, depois de . E se não fosse por ele, eu não a conheceria.

– Vem pro papai. – Marcus levantou e abraçou Amendola, que gargalhava. – Vamos lá, quero ver vocês adivinharem. Vai ser difícil. – Ele riu. – Meu amigo oculto é mestre na arte de fazer drama e desaparecer. – Liam levantou a mão. – Não, não é o mestre dos magos, meu caro Payne. – O britânico fez uma cara de derrotado e logo depois riu. – Tem um estilo duvidável e eu aposto cem dólares de que ele é um filho perdido do Mick Jagger.

– É o Harry. – gritou.

Styles se levantou, em meio a gargalhadas, e pegou seu embrulho com Marcus.

– Obrigado, cara. – Ele riu. – Meu amigo oculto é uma pessoa única. – Ele tinha um sorriso lindo no rosto. – Tem a mania horrível de sempre nos deixar sem palavras em momentos inoportunos. Também tem uma mania de ficar mordendo o lábio inferior como se estivesse tentando seduzir todo mundo, mas na verdade é só uma maneira que encontra para se concentrar melhor nas atividades. – Ele sorriu, e eu sabia quem era, mas queria mais algumas dicas. – E claro, é a pessoa mais insuportável dessa sala, porque é a única que inventa de comemorar o natal antes da data original.

Vai tomar no cu, Styles! levantou e deu um tapa no braço do garoto. – Mas obrigada pelas palavras. E chato é você! – O britânico se sentou novamente. – Acho que todos já sabem quem eu tirei, mas eu quero falar umas coisinhas. – Ela se manteve de pé. – , você chegou aqui e encantou todo mundo com seu jeitinho brasileiro, cheia de beijos, abraços e palavras estranhas. – Eu ri, me ajeitando na cadeira. – Conquistou cada um aqui da sua maneira. Por isso, além do presente do amigo oculto, nós nos juntamos e fizemos um presente melhor para você.

Ela me entregou um envelope, que eu rapidamente abri, e vi ser uma carta.

“Meine Liebe,

Eu estou imensamente orgulhosa de seus atos e feitos. Soube que está com muitos amigos e pessoas especiais a sua volta.

Uma garota simpática chamada entrou em contato comigo e me disse que você iria passar o natal sozinha. Mas, eu não permitirei. Venha para Alemanha, estaremos todos te esperando para nosso natal em família.

Com amor,

Anelise, ou para você: Vovó.”

Meus olhos se encheram de lágrimas e eu pude ver o sorriso se formar em meu rosto.

– Todos estarão lá, . – Liam disse. – Compramos passagem para todos do Brasil irem passar o natal com vocês.

– Eu não acredito que vocês fizeram isso. – Eu ainda chorava. – Venham aqui. – Abri os braços e todos na sala vieram para um abraço em grupo. – Obrigada. – Saí do abraço e verifiquei o envelope novamente. – Mas, tem duas passagens aqui.

– Se você quiser levar alguém. – Marcus deu de ombros. Olhei para Danny que disse não poder ir por conta do SuperBowl e dei um sorriso fraco.

– Eu vou. – Aquela voz rouca, e inconfundível soou pela sala. – Eu passo o natal com você, . – Meus olhos encontraram com os dele e eu senti meu corpo falhar por um instante. Como eu conseguiria sobreviver vinte dias ao lado de Harry Styles sem me deixar levar por seus encantos? Isso eu teria que descobrir.

Capítulo 17

“Measure your life in love…” – Seasons Of Love, Rent


A noite estava maravilhosa. Depois do amigo secreto, servimos o jantar, ou como preferiu chamar: ceia.
Estávamos todos postos à mesa, conversando alegremente, trocando ideias sobre músicas, séries, esportes e até sobre moda nós falamos. Era fácil estar entre pessoas que gostamos, tudo parecia fluir muito bem.
Após todos terminarem de comer, Liam e se empenharam em ir lavar a louça, e Marcus ajudava Harry a arrumar a sala e tirar os pratos da mesa.
– Ei, . – Danny se aproximou do sofá onde eu estava sentada, ainda analisando a carta de minha avó. – Será que posso dar uma palavrinha com você? – Olhei em seus olhos e sorri, fazendo um sinal para que ele se sentasse ao meu lado. – Será que pode ser lá fora? – Seu olhar pidão me fez cair em amores e aceitar o acompanhar.
Durante o caminho eu não sabia o que ele queria, mas muitas ideias rondavam em minha mente, e a principal era a de que ele poderia se declarar e me pedir em namoro. E eu, com meu bom coração, não saberia recusar a proposta, por mais que não fosse com ele que eu queria namorar.
Ele abriu a porta da varanda e deu espaço para que eu passasse, sentei na namoradeira de madeira que tinha ali e logo ele se colocou ao meu lado.
Seus olhos me encararam por um momento e sua mão pediu para encontrar a minha.
, você sabe que eu nutro um carinho especial por você. – Ele dizia, enquanto nossas mãos estavam unidas e nossos olhos se encarando. – Mas, eu não posso mentir mais, muito menos você.
– O que quer dizer com isso, Dan? – Eu olhei para baixo, evitando o contato.
– Você vai viajar daqui dois dias, e vai com o Harry. – Ele disse. – Eu não quero ser um impedimento para que vocês fiquem juntos, . – Voltei a olhar para ele, com um semblante repleto de culpa. – Não ache que nunca mais nos veremos, porque você se tornou muito especial. – Sorriu. – E não me olhe achando que é culpada por isso. A gente não escolhe quem ama, e você está começando a desenvolver sentimentos por ele. – Eu maneei em negação com um sorriso fraco no rosto.
– É tão óbvio assim? – Perguntei.
– Quando vocês se olham, é como se toda sala fosse pegar fogo. – Ele riu e eu o acompanhei. – A gente já sabia que haviam grandes probabilidades de isso não dar certo como um relacionamento. – Ele apontou para nós dois. – Mas, estou aqui para ser seu amigo. Então, converse com ele durante essa viagem e resolvam o que será de vocês. Ele é um garoto legal e eu espero que vocês sejam muito felizes.
Pude sentir seus braços ao redor de mim, me puxando para um ato cheio de carinho e confiança.
– Obrigada, Danny. – Ele assentiu e sorriu.
– Preciso ir, fiquei de encontrar meu irmão ainda hoje. – Ele se levantou. – Foi bom passar esses dois meses com você.
Ele saiu pela porta e pude ouvi-lo se despedir dos outros convidados, enquanto eu fiquei ali parada e com cara de tacho. Eu não sabia se ficava triste ou sorria aliviada, mas a segunda opção me pareceu mais pertinente.
Quando chegou na varanda, eu tinha um sorriso bobo em lábios.
– O que foi aquilo? – Ela perguntou, apontando para a porta. – E por que está com essa cara?
– Ele terminou comigo, . – Eu sorri e levantei a abraçando.
– Nunca vi alguém tão feliz com um término. – Ela gargalhou.
– Finalmente poderei resolver isso que há entre mim e Harry. – Não continha o sorriso e minha amiga concordou.
– Então essa será uma boa viagem! – Rimos.

06 de Dezembro
Dia da viagem

Acordei mais animada que nunca, “Red Light” do Tiësto tocava aos berros no meu apartamento e eu pouco me importava para a multa que eu levaria depois. Daqui duas horas eu estaria embarcando para Alemanha e nada, nem ninguém, tiraria minha alegria.
Mensagens não paravam de chegar no grupo da família, mamãe, Rodrigo, Carla, Mathias e minha cunhada já estavam a caminho, tinham parado na Itália, por conta da conexão que o voo deles fez, mas logo estariam em Frankfurt.
Fiquei metade da manhã treinando meu alemão, que estava levemente enferrujado, mas aquilo daria certo.
Harry e eu não tínhamos tocado no assunto “nós” até o momento, pois nossa única prioridade estava sendo arrumar as coisas da viagem, e eu preferi assim. Não queria conversar sobre isso agora, e deixar rolar parecia ser a melhor maneira.
Carla, minha meia-irmã, já sabia de minha amizade com Harry e tinha surtado por conta disso. Então, para fazer uma surpresa para ela, pedi para que Styles não desse indícios de que estaria em uma viagem comigo.
Uma notificação mostrou uma foto de todos nós na noite de “natal” na casa de , essa tinha sido postada pro Liam. Logo em seguida, Danny postou uma foto nossa do mesmo dia com a legenda: “Hoje minha amiga – isso mesmo, sem namoro, desfaçam os bicos. – está indo para Alemanha. Volta pra assistir o SuperBowl ou eu arranco seu pescoço. Boa viagem, .”. Sorri e respondi com corações e sorrisos. Amendola foi inteligente de postar uma foto com o esclarecimento de que não estávamos mais juntos, já que eu – provavelmente – seria vista com Harry em Frankfurt.
E falando no britânico, ele disse que me encontraria já no avião, para as suspeitas não aumentarem e minha irmã não descobrir a surpresa.
Então, tomei um banho rapidamente e vesti uma roupa confortável, seriam horas de viagem e eu não queria me sentir mal nelas. Minhas malas já estavam separadas na sala.
Peguei meu celular e tirei uma foto da única que ainda estava aberta, mostrando um pouco das roupas dobradas nela e postei no Instagram: “Indo para Frankfurt depois de seis anos. Devo agradecer aos meus amigos maravilhosos por esse presente.”
Sorri verdadeiramente, eu estava tão feliz que aquele sentimento não cabia em mim.
Terminei de fechar as malas e guardar os sapatos, e chamei um taxi.
Enquanto o motorista do aplicativo aceitava a corrida, eu desligava as luzes, fechava as janelas e tirava todas as tomadas dos conectores de energia.
Assim que ele aceitou, eu já estava em meu caminho para o térreo.

Quando cheguei no aeroporto, o local estava agitado como de costume. Então, eu fui direto para a sala de embarque, onde eu esperaria o momento para entrar no avião.
Eu tomava um café e lia um livro muito interessante sobre a história do Egito. Ouvi a clássica voz do aeroporto chamar pelos passageiros do meu voo. Guardei o livro na bolsa e peguei meu passaporte e passagem, já que as malas maiores eu havia despachado durante o check-in.
A aeromoça me recebeu com um enorme sorriso no rosto e me acompanhou até o meu assento, que eu só descobri naquele momento ser na primeira classe.
Assim que me sentei, a pequena persiana que dividia os assentos foi aberta. Um Harry Styles sorridente me encarava com um brilho nos olhos e uma barra de chocolate em mãos.
– Como você entrou antes de todos? – Perguntei, rindo da feição do rapaz.
– Esqueceu que eu meio que sou famoso, né? – Ele deu uma risada e eu bati com a mão na testa. – Vi que finalmente você e o Danny terminaram, agora eu acho que você poderá descobrir o que é um bom time e torcer para o Packers. – Piscou.
– Eu não acredito que vou ter que ficar quinze dias te ouvindo ser chato desse jeito. – Ameacei fechar a divisória.
– Vai ser demais, assuma. – Ele estendeu o chocolate para mim, me oferecendo. Aceitei pegando um pequeno pedaço.
– Agora, se me permite, irei dormir até chegarmos em Frankfurt. – Me virei e ele começou a rir.
– Boa noite, .

Acordei com Harry fazendo carinho em meu braço e avisando que já havíamos pousado. Eu, definitivamente, tinha dormido durante toda a viagem. Agora para me acostumar com o fuso demoraria.
Seu sorriso era largo e brilhante, e seus olhos pareciam penetrar minha alma.
– Chegamos. – Ele disse. – Seu irmão está tentando te ligar, foi solicitado que fossemos os últimos a sair. E já são oito da noite aqui, acho que você ter dormido durante oito horas de voo não foi a melhor coisa, acho que vai te afetar um pouco durante os primeiros dias.
Esfreguei os olhos com as costas das mãos e abri um sorriso fraco, ele estava se importando com coisas tão pequenas.
– Não tem problema, Harry. Estou de férias. – Ele sorriu.
– Com licença, Senhor Styles e Senhorita Schulte. – Olhamos juntos para a aeromoça que veio até nosso assento. – Já foi permitido o desembarque de vocês. Por favor me acompanhem. – Ela disse e nós nos levantamos, pegando nossas bagagens de mão. – Um carro foi separado para leva-los até seu destino, apenas dizerem o endereço. Suas malas já estão com o motorista. – Ela sorriu e apontou para a escada que nos levaria para fora do avião. – Bem vindos à Alemanha.

Dentro do carro, eu rolava o feed de minhas redes sociais, até que começaram a me marcar em diversas notícias relacionadas ao meu jantar com Madu, e em todas elas as pessoas usavam palavras e expressões horríveis para se referir à catarinense.
Fui até o Instagram da menina e vi que o mesmo se repetia nos comentários de suas fotos, principalmente as quais estava acompanhada de seu namorado.
Minha paciência se esgotou e eu liguei para Shawn sem pensar duas vezes. No terceiro toque ele atendeu.
– Você não vai falar nada até que eu termine. – Ele sussurrou um ‘ok’ amedrontado. – Eu estou falando como sua amiga, e não sua produtora. – Suspirei, tentando colocar minha mente em ordem depois de todo o caos que vi na internet e Harry me olhava curioso, sentado ao meu lado. – Eu não sei até que parte da história é conhecida por você, mas eu sei que tem pessoas sendo rudes com Madu em todas suas redes sociais, e isso já está passando dos limites, Shawn.
, eu não sei o que fazer. – Ele parecia suplicar por ajuda.
– A resposta está na sua frente, só você não quer ver. – Soltei uma risada nasalada. – Faça alguma coisa, Shawn. Você tem noção de que estão especulando que nosso jantar foi um marketing para o seu álbum? – Disse com incredulidade na voz.
Mas você sabe que Andrew… – Ele disse e parecia chorar pela quantidade de pausas dadas em uma pequena frase.
Foda-se Andrew, foda-se a gravadora. Você tem o mundo aos seus pés e milhares de gravadoras querendo um contrato com você. – Aumentei o tom de voz. – Mas você só tem uma Maria Eduarda.
Eu não sei se posso. – Ele fungava e eu tive certeza de que estava chorando.
– Você não pode, mas eu posso. – Suspirei e Harry me abraçou de lado, fazendo meu corpo arrepiar rapidamente. – Isso não vai ficar barato, Shawn. E se eu souber que você não fez nada, eu pego o primeiro voo de Frankfurt pra onde você estiver e faço questão de te bater. – Dei o ultimato. – Você está a um ponto de perder o amor da sua vida e isso só vai acontecer se você não fizer nada.
Desliguei a ligação com um peso enorme no coração. Não gostaria de saber como Madu estava se sentindo, pois eu sabia que ela estava machucada e doía ver uma amiga assim. Preferi não ligar ou entrar em contato com ela, tudo que ela precisava era de um tempo.
Mas eu tinha de fazer alguma coisa.
Entrei em meu bloco de notas e escrevi uma declaração, fiz uma captura de tela e postei em meu Twitter.

“O mundo está cercado de gente ruim, que não está contente com a felicidade dos outros. Há alguns meses conheci Shawn, ainda solteiro e ele sempre foi essa pessoa maravilhosa que vocês conhecem das entrevistas e shows. Em nenhum momento se mostrou diferente para vocês. Sua postura e maneira encantam qualquer um, assim como encantara Madu.
Quando ele a conheceu, fez questão de me contar que estava apaixonado. – Vocês não fazem ideia do quanto ele sofreu enquanto eles não se beijaram. – E depois disso, quando começaram a namorar, fez questão de dizer o quão feliz estava com aquilo.
O ponto é: Shawn sempre foi transparente e sincero com todos vocês. Ele é o mesmo dentro e fora dos holofotes. E pelo que conheço, ele nunca inventaria um namoro por publicidade.
Tive o prazer de conhecer a Madu há algumas semanas e tive a certeza do porquê Shawn se apaixonou. Ela é a menina mais doce que já conheci. Ela é forte, talentosa e tem um carisma único.
Vocês escrevem todas essas atrocidades sem a conhecer. Ela é apenas um ser humano e sente dores.
Amar o Mendes não é desculpa para o que estão fazendo. Porque se o amam, devem compactuar com sua felicidade.
Se vocês pudessem ter a chance de ver como eles são, não falariam tanto.
Ele a faz bem, ela o faz bem, mas vocês os fazem mal.
Espero que um dia vocês possam conhecer um amor puro como o deles.
Sorte nossa seria se encontrássemos nossa Madu.
#pleasesupportmenves #spreadthelove. “

Capítulo 18

“In the backseat when you asked me ‘Is the sadness everlasting?’ I pulled you closer, looked at you and said: ‘Love, I think it is’…” – Taxi, The Maine


O caminho até a casa de minha avó era longo, já que se localizava numa parte mais afastada da cidade. Durante o trajeto eu tentava ensinar à Harry algumas palavras em alemão, mas apenas por curiosidade vinda de sua parte, já que toda minha família falava inglês muito bem.
Michael havia me ligado algumas vezes e eu o retornei avisando que já estava chegando, e que tinha um amigo como companhia, pedindo para separar mais um quarto. Mike disse que faria o possível, já que a casa estava cheia.
Quando chegamos no pequeno vilarejo, pude perceber que os olhos de Styles brilhavam.
– Gostou? – Perguntei e, sem perceber, coloquei minha mão sobre a sua.
– Gostei. – Ele olhou para nossas mãos unidas e deu um sorriso. – Me lembra Holmes Chapel.
– Então espero que se sinta em casa. – Meu sorriso quase falhou, já que o nervosismo do nosso toque era maior.
– Com certeza estou em casa. – Se aproximou de meu rosto e estalou um beijo demorado em minha bochecha. – Você sabe o que dizem sobre estar em casa. – Piscou.
O carro parou e o motorista gentilmente desceu e abriu as portas para que desembarcássemos.
A casa continuava a mesma. As mesmas paredes brancas, os mesmos telhados coloniais e o mesmo pasto verde e imenso, que não era totalmente visível pela noite, ainda mais ela sendo combinada com a pouca luz da parte externa.
Abri um sorriso ao lembrar dos momentos vividos ali. Eu amava aquele lugar.
Caminhei até a porta de entrada ao lado de Harry e toquei a campainha. O grande pedaço de madeira se abriu e deu visão para Michael; seus cabelos estavam ainda mais ruivos e seus olhos ainda mais azuis, ele estava cada dia mais parecido com papai. Ele abriu um sorriso ao me ver e olhou Harry com curiosidade, mas puxou nós dois para um abraço.
– Bem vindos. – Ele nos soltou. – Muito bom ter você conosco, Harry. – Ele disse e o rapaz sorriu, um pouco confuso. – Carla vai surtar.
– Eu acho que aguento. – Styles riu e Mike nos convidou para entrar.
– Então aproveitem que ela está no banho e já guardem as coisas no quarto de . – Eu olhei para Mike como quem perguntava onde Harry ficaria. – Apenas deixem as malas lá e já resolveremos onde você ficará, Styles. – Ele disse. – Vou chamar o pessoal e avisar que vocês chegaram.

Harry
pediu para que eu a acompanhasse em silencio até o segundo andar. No caminho não pude deixar de notar as muitas fotografias de com sua família, irmãos, avó, pai e mãe. Eles eram todos lindos, , sua mãe e irmã eram as únicas com traços não alemães, tendo cabelos castanhos e olhos igualmente escuros.
Subimos a escada em silêncio e abriu a uma porta que dava em direção a um corredor com outras duas portas. No fim do corredor, havia uma espécie de lounge, onde tinha um piano de calda bem no centro, além de outros instrumentos de corda em alguns cantos da sala.
– Esse é o de Michael. – Ela apontou para porta da direita. – E esse é o meu. – Abriu a da esquerda e eu esperava entrar num ambiente rosa e cheio de coisas fofas, mas não. O quarto era num cimento queimado, tinha toques meticulosos e uma Fender Stratocaster preta pendurada na parede. – Qualquer coisa se não tiver outro quarto pra você, aquele sofá vira uma cama. – Apontou para o móvel de cor escura que ficava perto da grande porta de vidro, onde conseguia ver perfeitamente a varanda do quarto.
– Obrigado. – Sorri e me aproximei um pouco mais de .
– Eu que agradeço, Harry. – Ela disse e abaixou a cabeça. Estava triste?
– O que houve? – Coloquei a mão em seu queixo e levantei seu olhar para mim. Pude notar que havia uma lágrima escorrendo por sua bochecha. – Não está feliz?
– Faz muito tempo que não venho aqui. – Ela disse e eu maneei a cabeça em concordância, num claro sinal para que ela continuasse o discurso. – Acho que nessa altura do campeonato você merece saber. – Secou a lágrima. – Meu pai faleceu quando eu tinha apenas dez anos, e bom, no último natal com toda família reunida ele estava. – Minha mão, que estava em seu queixo, agora brincava com algumas mechas de seu cabelo. – É um pouco difícil estar aqui e não ser acordada por ele, ou ter ele para cantar para mim antes de dormir. – Ela fungou. – Mas, eu sou muito grata a vocês por terem comprado essas passagens e permitirem que minha família esteja reunida. Faremos isso em memória dele, e creio que todos estão muito felizes com esse acontecimento. – Vi um sorriso fraco se formar em seu rosto.
Desde que a conheci sabia que alguma coisa a machucava, e isso me deixava com mais vontade de decifra-la. Mas, agora eu sabia que o que fazia o coração dela doer era a saudade. Ela estava ali na minha frente, tão vulnerável, de uma maneira que nunca tinha visto. Normalmente ela era forte e decidida, mas aquela era a mostrando seus segredos e abrindo seu coração para mim. E eu estava completamente fascinado por ela.
A envolvi num abraço, esse não tinha segundas intenções, ou qualquer outra conotação que não fosse carinho e fortalecimento.
– Vamos descer. Sua família está nos esperando. – Eu disse em tom de voz baixo e ela assentiu.
Desvencilhei o abraço e fui abrir a porta, Michael que estava prestes a bater na mesma deu um sorriso.
– Carla já saiu do banho e todos estão esperando na sala para o jantar. – Ele disse e eu concordei, o Schulte levou seu olhar para dentro do quarto e viu que secava suas lágrimas. – Ela está nostálgica, não? – Perguntou para mim.
– Um pouco. – Eu disse, em tom de voz baixo.
A garota viu que o irmão estava na porta e sorriu, sendo correspondida por ele. Tirou o casaco que vestia e jogou na cadeira que ficava em frente a uma mesa de computador, logo caminhando em nossa direção, indicando que podíamos ir.

Descíamos as escadas e eu conversava com Mike – como ele mesmo pediu para ser chamado – sobre nossas bandas favoritas e descobrimos ter um gosto musical bem parecido.
usava o telefone para avisar a , Mark e Liam que havia chegado e que tudo estava bem.
– Vou na frente para preparar Carla e o seu coração. – Ele riu e eu concordei.
Ficamos eu e na ponta da escada, a menina olhou para mim e deu um sorriso.
– Animado para conhecer minha família? – Ela disse.
– Com frio na barriga, digamos. – Eu a respondi e ela riu.
Michael apareceu com a cabeça no corredor e nos chamou.
Assim que passamos pela porta, pude ver cinco pessoas sentadas à mesa. Eram quatro mulheres e dois homens. Assim que a mulher, que julguei ser mãe de pela aparência similar, nos viu abriu um sorriso gigante, muito parecido com o da filha.
A menina mais nova, essa eu tinha certeza que era Carla, virou e correu em direção à irmã, sem perceber minha presença ali, até o momento que saiu do abraço da garota.
– Carlinha, esse é meu amigo. – Ela apontou para mim e a adolescente deixou o queixo cair, ficando sem reação.
– Harry Styles. – Ela sussurrou e eu sorri, abrindo os braços para um abraço. – Você trouxe Harry Styles para o natal? – Ela me abraçou e pude sentir suas mãos tremendo, quando encontraram minhas costas. – Meu Deus, eu te amo. – Ela soltou o abraço e disse olhando em meus olhos. ria da situação.
– Acostume-se, você verá essa criatura por quinze dias. – disse, ainda rindo. – Vamos, Hazz. Quero te apresentar para o resto do pessoal.
Ela segurou minha mão e me levou até a mesa.
– Pessoal, esse é o Harry. – Ela disse e eu acenei sorrindo para todos. – Harry, esses são Mathias, meu irmão mais velho. – O rapaz tinha cabelos ruivos e olhos claros assim como Michael, mas seus fios estavam num corte que me lembrava bastante o de Liam no final de 2015. Ele se levantou e veio me cumprimentar com um aperto de mão e um sorriso. – Essa é Fernanda, esposa dele. – A mulher era linda, os cabelos loiros e longos combinados dos olhos azuis, faziam com que ao lado de Mathias, formassem o casal perfeito. – Rodrigo, meu padrasto e pai de Carla. – O homem era o clássico cinquentão, alto e com cabelos um pouco grisalhos, tinha um porte atlético e um sorriso característico. Carla era muito parecida com ele, de fato. – Margareth, minha mãe. – Eu sabia que a moça do sorriso era mãe de . Devo admitir que a genética da família era incrível, e se seguir o caminho da mãe, envelheceria muito bem. – E, por último, minha avó por parte de pai, Anelise. – A senhora tinha cabelos num loiro bem claro e olhos azuis como a mais profunda piscina, em uma das fotos que vi mais cedo, no corredor, ela era a mulher que segurava um neném no colo, que presumi ser . Era interessante saber que mesmo após a morte do pai, a família continuava unida e, principalmente, deram espaço para que Rodrigo fizesse parte dela também. – Bom, essa é minha família. – Ela abriu os braços e eu sorri. Estava feliz por estar tendo essa intimidade com ela, e eu percebi que ela também estava.
– Sente-se, querido. – Margareth disse e apontou para cadeira vazia ao lado de Anelise.
Me acheguei e sentei ao lado da matriarca, que me surpreendeu com um abraço.
– Seja bem-vindo a nossa família, meu bem. – Ela disse, com um sotaque carregado. – Se minha pequena fênix te trouxe aqui é porque ela realmente gosta de sua pessoa e não se importa de mostrar um pedaço de seu mundo para você. Então, isso te faz ser família.
– Eu também gosto da pessoa dela. – Eu sorri e a senhora retribuiu.
– Jantar na mesa. – Michael falou cantarolando, enquanto vinha até a mesa com uma lasanha em mãos.
O ambiente era calmo e feliz, eu estava realmente me sentindo bem.

Capítulo 19

“I want to write you a song, one that’s beautiful as you are sweet…” – I Want to Write You a Song, One Direction


Jantar com minha família foi algo que fez meu coração aquecer de todas as formas possíveis, aquilo já estava sendo incrível e ainda era nosso primeiro dia na Alemanha.
Nosso.
Estar com Harry ali, de certa forma, me deixava mais forte. Sua companhia me deixava mais calma e seus abraços eram como abrigos para dias escuros. E eu não me importava de ainda não ter o beijado, ou qualquer outra coisa, eu gostava de o ter por perto. Ele, com certeza, foi a pessoa certa para me acompanhar até aqui.
Depois da comida, Harry se ofereceu para ajudar minha mãe na louça, enquanto eu subia para um banho.
Eu deixava a água cair pelo meu corpo enquanto lembrava das últimas vezes que estive naquela casa.
Desliguei o registo e me enrolei na toalha. Coloquei o conjunto de moletom que eu havia separado para dormir e saí do quarto, indo para sala de música que papai e Mike criaram no fim do nosso corredor.
Abri a capa que cobria as teclas do piano e permiti que meus dedos brincassem um pouco por ali, criando melodias.
Peguei um pedaço de papel que estava em cima de uma mesa e uma caneta que estava jogada pelo mesmo lugar. Ideias começaram a surgir e uma letra nova apareceu: “Eu sempre vou te manter comigo, você sempre estará em minha mente. Mas há um brilho nas sombras, e eu nunca saberei ao menos que eu tente.” Foi o que eu rascunhei naquela folha, e eu passaria aquilo para meu caderno, pois eu tinha amado. Enquanto a melodia surgia, ouvi alguém bater a porta. Meu coração gelou por medo de ser Harry e por medo dele ter me visto no meio de uma composição, mas era apenas minha avó.
– Sabia que a última pessoa que tocou este piano foi Robert? – Ela se sentou ao meu lado. – Michael não tem coragem de abri-lo, por isso comprou um teclado e colocou em seu quarto. – Ela disse e meus dedos passavam levemente pelas teclas, as tocando sem emitir som. – Linda melodia que estava tocando. – Senti minhas bochechas corarem. – Você é muito talentosa, meu amor, e eu sei qual seu medo. Mas mostre para todos porque você é minha pequena fênix, renasça das cinzas de sua dor. Use-a para compor coisas tão lindas quanto essa melodia.
Fechei o piano e abracei minha avó. Eu estava a tanto tempo longe que não sabia mais como era tê-la por perto, me dando conselhos que só ela sabia. Ela era a pessoa que mais me trazia lembranças de meu pai, mas estar com ela não era triste, pelo contrário, me fazia lembrar que por conta dela todos estávamos ali unidos.
Um pigarro surgiu na entrada da sala e ao virar meu olhar para porta, encontrei os olhos de Harry me encarando.
, parece que não tem quarto sobrando. Se importa se eu dormir naquele sofá-cama? – Ele perguntou, enquanto coçava a nuca, parecendo envergonhado. – Se for um problema, vejo se Michael deixa eu ficar com ele. – Eu ri, porque ele com vergonha era a coisa mais fofa que eu já tinha visto.
– Ei, não se preocupe. – Eu disse e minha avó analisava cada palavra e gesto nosso. – Faça o que te deixar mais confortável. Não me importo que fique comigo, vai ser ótimo ter um amigo para assistir filmes comigo durante as madrugadas. – Um sorriso se formou em seus lábios, aquele sorriso que me deixava sem chão.
– Tudo bem. – Ele disse. – Mas eu escolho o filme de hoje. – Seu tom mudou rapidamente para um brincalhão.
– Fique à vontade para isso. – Falei e ele sorriu. Avisou que iria tomar um banho e já ficaria no quarto. Deu boa noite para mim e minha avó, e se dirigiu até o outro cômodo.
Anelise virou seus olhos azuis para mim e levantou as sobrancelhas.
– Ele é um bom garoto, . – Falou em alemão, com medo que ele ouvisse o que conversávamos. – E gosta de você. – Sem perceber, deixei um sorriso bobo aparecer. – E me parece que você corresponde esse sentimento. – Dei de ombros, mas não conseguia disfarçar. – Leve Harry para conhecer o resto da casa amanhã. Por que não passeiam pelo centro da vila, ou vão até a cidade? – Continuou a me olhar. – Passe mais tempo com o garoto. Não se impeça de viver um romance por medo do futuro. – Ela disse.
– Mas… – Eu disse, porém fui interrompida.
– Sem contraposição. – disse. – Se eu tivesse deixado o medo me impedir, eu não teria casado com seu avô. – Se levantou do pequeno puff no qual estávamos e depositou um beijo em minha testa. – Pense nisso. Guten Nacht.
Saiu da sala e me deixou sozinha. Respirei fundo, prendi meu cabelo em um coque e fui até o quarto.
Quando entrei, vi Styles sentado no sofá embaixo de uma coberta e com o controle da televisão em mãos, zapeando pela Netflix.
– O que acha de comédias românticas? – Ele perguntou, semicerrando os olhos.
– Adoro. – Me joguei na cama e o garoto riu.
– Então assistiremos Simplesmente Amor. – Eu sorri verdadeiramente, era um de meus filmes favoritos.
– Vou te contar um segredo. – Eu me ajeitei no edredom. – Qualquer filme que tenha Colin Firth, Alan Rickman, Liam Neeson e Hugh Grant sempre se tornará meu filme favorito.
Ele deu uma risada e se levantou, indo em direção ao interruptor para desligar a luz.
– Ei. – Eu chamei sua atenção para mim. – Deita aqui pra assistir o filme. Quando ele acabar você vai pro sofá.
– Tem certeza? – Ele perguntou e eu acenei em concordância.
– Vem logo, antes que eu desista do filme e vá dormir. – Bati no colchão e ele riu.
A luz se apagou e o único brilho do quarto era o da tela da tevê, senti a cama abaixar e logo depois se acomodar, indicio de que Harry tinha se deitado. Olhei para o lado e vi que ele estava na ponta, distante de mim.
– Pode chegar mais perto, Hazz. – Disse, um pouco manhosa.
– Não quero forçar você a nada, . – Ele falou com o tom de voz baixo.
– Não está me forçando. Eu que estou pedindo para você vir pra cá. – Ele não respondeu, mas eu vi seu sorriso sendo iluminado pela televisão e senti ele se aproximar.
O filme rolava e nós estávamos bastante concentrados em todos os acontecimentos, ríamos em cenas que já tinham sido assistidas milhares de vezes e nos emocionávamos com outras. Num dado momento, percebi que comecei a me aninhar próximo ao peito de Harry, que me fazia cafuné usando sua mão esquerda. O carinho estava tão bom, que mesmo sem querer, caí no sono ali mesmo, em seus braços.

Capítulo 20

“I’ve been feeling everything from hate to love, from love to lust, from lust to truth. I guess that’s how I know you…” – Kiss Me, Ed Sheeran

Harry
No dia anterior, acabou adormecendo em meus braços e, por respeito, eu preferi sair da cama e voltar para o sofá e dormir, já que terminar o filme sem ela não teria graça.
Tive um sono ótimo, que me permitiu acordar cedo e de bom humor. Quando levantei, ainda dormia. Me permiti observá-la por um tempo, sua respiração era tranquila e ela tinha um leve sorriso nos lábios. Juro que eu poderia dar todos os meus euros, libras e dólares em troca de saber com o que estava sonhando.
Peguei uma troca de roupa na mala e decidi tomar banho no banheiro do corredor, para não a acordar. Abri a porta com toda calma do mundo e assim, também a fechei.
O corredor estava vazio e a casa silenciosa, provavelmente todos ainda dormiam. Bati na porta do banheiro, apenas por precaução e depois que continuei escutando o silencio, finalmente entrei.
Tomei um banho digno de ser classificado como relaxante e eu precisava daquilo. Mesmo tendo ficado na estrada por muito tempo quando ainda estava na banda, o fuso horário era algo que me incomodava.
Eu secava meu cabelo enquanto saía do banheiro e dei de cara com Michael.
– Bom dia, mate. – Ele disse, com um sorriso no rosto. Não é possível que todos naquela família exalem simpatia todo o tempo. – Eu e Mathias estamos indo até a cidade para comprar umas besteiras para comer durante o jogo do Packers hoje, topa?
Uma animação tomou conta do meu rosto.
– Primeiramente, tinha me esquecido completamente que hoje tinha jogo. – Talvez a viagem, a troca de fuso e todo resto tenham me feito esquecer deste pequeno detalhe. – Segundo, vocês torcem para o Packers? – Ele sorriu e concordou. – Meu Deus, quero ser amigo de vocês para sempre.
– Então, me dá essa toalha aqui que eu estendo e vai pentear o cabelo. Nos encontramos em dois minutos na sala. – Ele disse e pegou a toalha da minha mão, descendo as escadas novamente.


Acordei meio atordoada e sem saber o que tinha acontecido, mas pelo que parece eu dormi do nada e não terminei de assistir ao filme. Algo em mim pedia para que Styles não tivesse finalizado a película sem mim.
Assim que lembrei do garoto, olhei para o lado e vi que ele não estava mais no sofá, sinal de que já deveria ter acordado.
Esfreguei os olhos e levantei os braços, me espreguiçando e tentando criar coragem para sair da cama em plena quinta-feira. Decidi que ficaria por ali um pouco mais, aproveitando do calor da minha cama.
Depois que se passaram alguns minutos, eu percebi que precisava interromper minha procrastinação e levantar para viver a vida. Por mais que a vida durante as férias fosse só isso; comer, dormir e repetir.
Tomei um banho rápido e coloquei um conjunto de frio, já que o tempo chuvoso de Frankfurt era sempre o mesmo. Ouvia um barulho alto vindo do andar de baixo e corri para ver do que se tratava. Minha avó, minha mãe e Carla estavam dançando alegremente ao som de Kiss do Prince. Me contive para não gargalhar ao ver Margareth com uma escova de cabelo próxima a boca, a fazendo de microfone. Carla fazia uma coreografia improvisada, onde ela jogava os cabelos e mexia os quadris sem parar, quase uma Joelma do Calypso. Levei minha mão a boca, segurando a risada. Anelise me viu parada e veio em minha direção, dublando a canção.
Aquela mulher era tão ativa para quem tinha seus setenta e poucos. Segurou minha mão e me puxou para o meio delas.
– Vai realmente ficar parada, ? – Minha mãe perguntou. – Pelo que eu sei você ama essa música.
Ela estava certa, qualquer música do Prince poderia ser classificada facilmente como uma de minhas favoritas. Aquele cara servia de inspiração para nove entre dez musicistas – essa pesquisa não foi realmente feita, mas eu tomo parte de que ela é bem real.
Me deixei levar pela melodia, a guitarra bem marcada e seu estilo funkymusic eram coisas que me animavam facilmente. A música estava em sua penúltima estrofe e última ponte.
Women, not girls, rule my world, I said they rule my world – Apontei para as mulheres a minha frente e comecei a dublar.
Act your age, mama (not your shoe size), not your shoe size – Carlinha subiu no sofá e fez seu próprio punho de microfone. – Maybe we could do the twirl, you don’t have to watch Dynasty – Ela continuou, pulando do sofá e indo dançar ao lado de minha avó.
To have an attitude, uh, you just leave it all up to me – Anelise estalava os dedos e se mexia enquanto estava ao lado de sua neta postiça.
My love will be your food, yeah – Minha mãe jogou os braços para cima e balançou sua cabeça, enquanto gritou a última frase antes do refrão. – Vamos lá.
You don’t have to be rich to be my girl – Cantamos em coro e nos mexíamos para lá e para cá, sem muita preocupação. – You don’t have to be cool to rule my world – Carla levantou a mão e a desceu devagar em frente ao seu rosto, enquanto mexia os dedos, e eu ri. – Ain’t no particular sign I’m more compatible with – Mamãe me abraçou de lado e me balançou pelos ombros, logo depois bagunçando meu cabelo. – I just want your extra time and your – Cantei alto e nós começamos a fazer barulhos de beijo. – Kiss. ¬– a música acabou e nos jogamos no sofá, enquanto riamos alto da nossa maravilhosa performance.
Fazia tempo que eu não me divertia daquela forma em família, e tudo indicava que esse natal seria um dos melhores, já que estávamos todos juntos, mesmo que sem papai, tudo estava se encaixando. E eu sabia que ele estava vendo isso de algum lugar com um sorriso no rosto.

Harry
Estacionamos o carro na garagem da casa e podíamos ouvir músicas tocando em um volume alto vindo do interior do local. Mathias riu, como se já soubesse o que estava acontecendo.
Descemos do automóvel e pegamos as sacolas no bagageiro, cada um segurou duas e nos deslocamos para dentro de casa.
Quando chegamos perto da sala, pude ver que , sua mãe, avó e irmã dançavam animadamente ao som de Prince. Eu não pude conter um sorriso de surgir ao ver aquela cena.
– Elas têm mania de fazer um dance-off quando estão juntas. – Mike sussurrou ao meu lado, para elas não perceberem que tínhamos chegado. – Desde que é pequenina elas fazem isso.
– Estou muito feliz de ver que elas estão bem. É a primeira vez que todos nos reunimos aqui sem papai, achei que fosse ficar bem triste. – Mathias colocou algumas sacolas em cima da mesa. – Mas você está deixando nossa menina bem feliz, Hazz. – Ele sorriu para mim. – Preciso subir e ver se Fernanda já acordou, ela passou um pouco mal ontem à noite.
Eu e Michael concordamos e o mais velho foi em direção a escada.
Eu observava se movimentando conforme a música tocava. Eu não estava achando sexy ou atrativo, porque ela não estava fazendo aquilo com o objetivo de que fosse. Ela estava se divertindo e isso estava me deixando feliz de uma maneira que eu ainda não tinha experimentado antes.
Normalmente eu não me abria muito com as pessoas, mas me traz a vontade de fazer isso. Eu quero que ela saiba sobre mim, sobre minha vida, minha família, meu passado e meus planos para o futuro, e eu queria que ela pudesse fazer parte desses.
A música acabou e elas se jogaram no sofá, com uma expressão de animação no rosto.
Michael assobiou ao meu lado e bateu palmas. Elas nos olharam assustadas, mas depois caíram na risada.
– Rodrigo disse que vocês foram comprar coisas para assistir os Packers sem ele. É isso mesmo? – Margareth se aproximou rindo e levantando as mãos para oferecer ajuda com as compras.
Auf keinen fall!* – Mike exclamou, se fazendo de desentendido e eu fiz uma cara engraçada, pois vi a sua mãe rir.
– Venha, querido. Deixe esse louco para trás. – Ela se virou para mim e me puxou pela mão.
Passamos pela sala e pude ver que me seguiu com olhos, e logo abriu um sorriso em minha direção.
Eu estava na cozinha com sua mãe, guardando os petiscos que havíamos comprado.
apareceu na porta da cozinha e ficou encostada ali, me observando fatiar o cheddar e colocar numa pequena vasilha.
– Vai ficar me encarando? – Perguntei, com um pequeno sorriso nos lábios.
– Vai me prender? – Ela levantou uma das sobrancelhas e eu ri. – Foi o que eu pensei. – Veio até mim e depositou um beijo em meu rosto. – Bom dia.
Fiquei sem reação e isso foi percebido por Margareth, que pigarreou e me fez voltar à realidade.
– Bom dia. – Sorri envergonhado.
– Então parece que nossa programação hoje é o jogo do Packers? – Ela perguntou, se apoiando na bancada e pegando um pedaço de queijo.
– Com certeza. – Disse, tentando ao máximo me concentrar no corte do queijo e não nela, já que sua mãe estava no mesmo ambiente que nós, tirando as bebidas do congelador e passando para geladeira. – Até comprei uma camisa deles, e um daqueles chapéus de queijo, todos pra você. Hoje vai torcer com a gente. – Eu sorri animado.
– Fechado, então. – Ela disse e pegou mais um queijo. – Estou indo lá pra cima, vou descansar mais um pouco. – Sorriu fraco. – Fuso, sabe como é. – suspirou e eu concordei com ela. – Na hora do jogo me chama. – Deu outro beijo em minha bochecha e abraçou sua mãe, logo saindo de cena.
Eu ainda estava meio estático e envergonhado com o que acabara de acontecer, mas Margareth não me pareceu se importar muito com aquilo.
– Ela gosta de você, Harry. – Sua mãe disse, se aproximando, e eu parei o que fazia para dar atenção a ela. – Ela pode não demonstrar bem, mas ela gosta de você. – Ela riu nasalmente. – E você gosta dela, isso está obvio pra todo mundo. E vocês estão aqui não tem nem dois dias direito. – Eu ri fraco, nós éramos tão previsíveis assim? – pode ser complicada, querido. Mas, no tempo certo ela vai te mostrar o que sente, só esperar.

*De jeito nenhum.