To be hurt, to feel lost

Sinopse: A vida de Louis nunca estivera tão bagunçada, ele se sentia perdido e a vida não parava de golpeá-lo de todos os lados. Começava a duvidar que as coisas fossem melhorar, ainda que supostamente tivesse o apoio do mundo todo consigo. Nada parecia o suficiente aquela altura, mesmo que tudo que ele mais queria era que fosse.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Louis Tomlinson é o pp e é fixo. A fic se passa pouco depois da saída de Zayn da 1D.
Beta: Alex Russo.

O ar conhecido de Londres fez Louis se sentir saudoso assim que chegou a cidade, porém o aperto que ele vinha sentindo toda vez que voltava para casa só lhe atingiu quando viu sua mãe nos fundos da casa onde morava, assistindo os gêmeos brincarem.
Ela estava menor, mais magra. Era impossível não notar, a doença vinha tirando pedacinhos dela, um pouco mais a cada dia. Louis sentia o medo lhe tomar toda vez que os olhos encontravam a mulher, se perguntando, inevitavelmente, quantos pedaços faltavam para ele perdê-la de vez.
– Ei, olha quem chegou! – ela abriu um sorriso ao notá-lo ali, seguindo em sua direção com os braços abertos para um abraço. Louis sorriu e lhe abraçou, tentando ignorar o gosto ruim na boca ou a forma como precisou se inclinar para abraçá-la, mesmo que ele não fosse conhecido pelo seu tamanho. – Como foi o vôo, meu amor?
– Foi ótimo, mãe. Tudo correu perfeitamente bem. – o garoto respondeu, se esforçando para sorrir e conversar, se segurando para não perguntar do tratamento de uma vez. Johannah estava demonstrando uma força admirável, lutando de maneira agressiva contra a leucemia, porém, por pior que fosse aquela verdade, não havia jeito de a mulher conseguir ser mais agressiva que a doença.
– E como está a Dani? – Johannah perguntou em seguida, abraçando o filho de lado ao desviarem juntos o olhar para os gêmeos brincando no jardim.
Louis respirou fundo, fazendo que não sem encarar a mãe quando a sentiu olhar em sua direção pelo canto do olho. Fazia pouco mais de uma semana que ele terminara com Danielle e ainda nem sabia direito se fizera a coisa certa, se deixara passar o amor da sua vida ou qualquer coisa do tipo, mas simplesmente não estava com cabeça para aquilo agora. Para ser o namorado de alguém, fazer planos com alguém, enfim, todo o conjunto.
A doença de sua mãe vinha consumindo sua cabeça e era por isso também que não contara nada sobre o fim do namoro para sua mãe, pois sabia que ela ia tomar a culpa daquilo para si e já havia coisa demais a consumindo para que ele deixasse que ela se preocupasse com aquilo também.
Ele ia encontrar outra pessoa, depois.
– Louis? – Johannah chamou novamente quando ele não respondeu e o garoto suspirou, finalmente encontrando seu olhar. – Louis, não. – ela reclamou quando o olhar do filho confirmou suas piores suspeitas. Louis estava sabotando a própria felicidade. Outra vez. – Meu amor, não devia ter feito isso.
– Foi melhor assim, mãe. Tem muita coisa acontecendo, eu tenho estado com a cabeça cheia, e, sabe… Vão aparecer outras garotas depois. Não era a hora.
– É claro que era a hora, Louis. – Johannah retrucou, claramente chateada. – Você vive fazendo isso. Quando começa a gostar demais de alguém, termina… Quem faz isso? Louis, não é saudável. Ninguém vive sozinho, você… Só… – a mulher balançou a cabeça, transtornada. Louis não disse nada, observando enquanto ela continuava a murmurar coisas aleatórias, muito mais para si mesma do que para ele. – Quem faz isso? – ela sussurrou, abalada e ele suspirou.
– Alguém que já foi deixado vezes demais.
Ao ouvir aquilo, Johannah parou imediatamente, virando para encarar o filho, sentindo muitas coisas ao mesmo tempo. Estava triste, frustrada, chateada, tudo junto. Estava cansada de estar doente, de precisar deixar seus filhos cuidarem dela, de tê-los olhando para ela com tanta pena o tempo todo, de não poder mais cuidar deles como antes.
E, mais do que tudo, Johannah estava cansada da sensação de impotência que lhe invadia toda vez que constatava, de novo e de novo, que não tinha muito mais tempo. Que estava morrendo e não ia poder, nunca mais, cuidar de seus filhos e garantir que houvesse ao menos um lugar no mundo onde nada poderia atingi-los. Aquele lugar sempre fora ali, na casa dela, mas agora…
– Um dia, eu prometo que… – ela parou, respirando fundo quando a voz falhou. – Um dia eu prometo que alguém vai mudar isso, Louis. E vai valer por todas as pessoas que já lhe deixaram, mas você não pode, de jeito nenhum, deixar essas pessoas e todas as feridas que elas deixaram em você te derrubar, ouviu bem? Precisa me prometer que não vai deixar. – ela segurava nos ombros de Louis, tentando garantir que ele não sairia de sua frente, que não desviaria o olhar ou mudaria de assunto.
Louis suspirou.
– Eu vou ficar bem, mãe. – garantiu, sorrindo como se tentasse provar aquilo. – Eu sempre fico, não é?
Johannah balançou a cabeça num não, com os olhos vermelhos tornando todo o esforço que fazia para não chorar em vão.
– Você precisa deixar isso para trás, Louis. O medo que te toma quando as coisas mudam, quando alguém se torna importante demais… – ela parou, sorrindo e fazendo um leve carinho no ombro do filho, que ainda segurava. – Faça as pazes com o seu amigo, ligue para a Eleanor. Acerte as coisas, Louis, a vida é curta demais.
Louis sentiu um gosto amargo dominar sua boca ao ouvir aquelas palavras, sentindo-se mal demais em ouvir sua mãe falando sobre como a vida era curta. Céus, ela era jovem demais, aquilo não devia estar acontecendo. De repente, Louis sentia um aperto horrível travar o ar em sua garganta, fungando para conter o choro, o choro que vinha contendo há dias, meses.
– Não quero que se preocupe com isso, mãe. Não quero que se preocupe com nada além de você mesma, está bem? Por que eu… Eu não estou pronto para viver num mundo onde você não esteja. – Louis passou a mão pelo rosto assim que sentiu uma lágrima escapar, se afastando de sua mãe como se isso fosse impedi-la de notar o que acontecia, mas doente ou não, Johannah ainda era sua mãe. Ela conhecia Louis quase como se ele fosse uma extensão dela, porque, de certa forma, ele era.
– Louis. – ela chamou, fazendo um esforço penoso para soar firme, como se não estivesse desabando em todo tipo de sentimento naquele exato momento. Ele não a encarou e a mulher fungou com força, tocando seu braço. – Louis. – chamou novamente e ele olhou por sob o ombro em sua direção, com os olhos vergonhosamente vermelhos.
Johannah apertou os lábios com a visão, balançando a cabeça e o puxando para si, encaixando o filho em seu abraço. Aquele ainda era o melhor abraço do mundo para Louis, que passou os braços ao seu redor, deixando que as lágrimas corressem livremente ao esconder o rosto em seu ombro, sentindo as mãos de sua mãe em seu cabelo, fazendo carinho.
– Eu sei que eu vou um dia, Louis, sei que vai ser antes do que nós gostaríamos e sei que está perto, eu sei. – ela murmurou enquanto o abraçava e Louis sentiu o coração apertar ao ouvir sua voz soar embargada, o fazendo imaginar que seus olhos estavam vermelhos também, e, céus, nada no mundo doía como ver sua mãe chorar. Ele a apertou com mais força e a mulher suspirou, pousando a cabeça no topo da sua. – Eu ainda sou sua mãe. Eu ainda estou aqui e ainda sou sua mãe. Eu ainda posso te proteger, ainda posso. – ela fez carinho em suas costas enquanto falava, afastando Louis em seguida, lentamente, como se tivesse medo de assustá-lo com o movimento brusco. Como se ele fosse uma criança outra vez. – Tudo vai ficar bem, Louis. – ela garantiu, olhando em seus olhos enquanto, com o polegar, limpava suas lágrimas.
E, naquele momento, só naquele momento, Louis se permitiu acreditar.

+++

Perto do anoitecer, Louis havia atendido uma ligação de Harry, da Jamaica, e os dois conversaram um pouco sobre as músicas que o mais novo estava compondo, depois Louis foi tomar um banho. Quando saiu e desceu para checar em sua mãe e comer alguma coisa, Louis acabou dando de cara com a última pessoa que esperava ver ali.
? – perguntou, arregalando os olhos ao reconhecer a garota de costas, conversando com sua mãe na cozinha. Ela virou, piscando antes de abrir um sorriso para Louis.
– Louis! – a garota exclamou, indo abraçá-lo. Ele passou os braços ao seu redor de imediato, descendo os dedos por seus cabelos enquanto ria, surpreso. Ela riu também. – Louis, caramba!
– Ei, não aja como se estivesse surpresa, é a minha casa – ele retrucou, se afastando para encará-la. – O que está fazendo aqui, ?
fora a melhor amiga de Louis na época do colégio, os dois ainda se falavam e se viam vez ou outra, embora não fosse tão frequente quanto gostariam. dava um jeito de estar presente quando era importante. Ela estivera no casamento de Johannah, fora visitar os gêmeos quando eles nasceram, dava um jeito de estar presente em quase todas as festas de aniversário de Lottie… Enfim, quando era importante.
– Ela vai passar o fim de semana. – Johannah murmurou, abraçando de lado e sorrindo para Louis. – Tem estado aqui com frequência. Diz que alguém precisa cuidar de mim, mas não me engana. Ela está aqui pela torta. É sempre a torta. – acrescentou, fazendo tanto quanto Louis rirem.
abraçou Johannah e beijou sua bochecha.
– Sua torta é mesmo incrível.
– Eu sei, querida. – Johannah riu, se afastando em seguida. – Vou deixar vocês dois colocarem a conversa em dia.
Louis observou a mãe sair da cozinha e virou em seguida para encarar , sorrindo maravilhado para ela, que riu por isso.
– Sou só eu, Louis. – ela baixou o olhar, fazendo com que ele sorrisse. Louis nunca se esquecera dela, nunca esquecera sua época de colégio juntos. Eles eram melhores amigos, mesmo que ela fosse provavelmente a garota mais popular e ele só o palhaço da turma. Ela era a garota que todos queriam por perto e o efeito não foi diferente com Louis, ele se apaixonou, e, embora nunca tivessem tido nada, achava que parte daquele sentimento nunca iria embora.
Ela fora seu primeiro amor.
– Senti sua falta. – ele disse por fim e ela sorriu, erguendo o olhar novamente para lhe encarar. Louis sentiu o coração aquecer quando seus olhares se encontraram, sentiu muitas coisas ao mesmo tempo. Nostalgia, tristeza, esperança, tudo misturado de um jeito que nem devia fazer sentido.
– Eu também. – ela respondeu, lhe encarando do mesmo jeito que sempre o fazia perder o fôlego anos atrás. Ele estava velho demais para aquele tipo de reação agora, não era mais um adolescente apaixonado, mas não pôde evitar, ainda assim, que um sorriso se formasse em seus lábios antes de puxá-la para um novo abraço.
passou os braços ao seu redor de imediato, ficando na ponta dos pés para retribuir o abraço e esconder a cabeça em seu pescoço, inspirando ali ao mesmo tempo que ele lhe apertava com mais força em seu encalço, só então parecendo se dar conta do quanto precisava daquilo. Abraçar alguém em quem podia confiar para falar todas às coisas horríveis que vinha pensando e sentindo, alguém que nunca iria lhe julgar e, ao em vez disso, iria apenas dividir com ele o fardo.
Céus, ele estava precisando demais dividir aquele fardo.
– Eu vou tomar um banho – ela murmurou, se afastando devagar, tocando sua nuca para mantê-lo olhando em seus olhos. Era quase como se ela soubesse o que ele estava pensando. – e, depois, a gente vai conversar, tá bom? Você parece estar precisando.
Ele assentiu e ela abriu um pequeno sorriso, beijando sua bochecha antes de se afastar, seguindo na direção do banheiro.

Quando encontrou Louis novamente, ele estava na varanda do segundo andar. Havia uma enorme sala de estar no andar de cima, com um tapete de borracha para os gêmeos, almofadas, brinquedos, e portas de vidro que davam para a varanda do lado de fora, com uma vista reconfortante de Londres.
Louis estava lá, olhando o movimento.
– Ei – se aproximou, parando ao seu lado, com os braços apoiados na bancada da varanda. – Como tem estado?
Louis suspirou, pensando a respeito. Normalmente quando lhe perguntavam aquilo, ele dizia que estava bem, estava acostumado a fazer aquilo, mas não precisava ser assim com e, por isso, ele se permitiu pensar, se permitiu soltar o ar de maneira pesada, como se aquilo fosse fazê-lo se sentir mais leve, como se de fato expulsasse algo tóxico de dentro de si.
– Você já se sentiu como se estivesse desmoronando? – perguntou, olhando em seus olhos. Ele nunca tivera problemas em contar as coisas para antes e estava satisfeito de notar que aquilo não mudara. Precisava dela, existia algo no modo como os dois funcionavam juntos que não existia com mais ninguém. Só ela o deixava à vontade para de fato falar sobre tudo que lhe acontecia, parar um pouco de proteger os outros de seus sentimentos e só senti-los. – Minha cabeça está uma bagunça, . Eu me sinto deixado no escuro e ás vezes o escuro é tão assustador que chega a ser sufocante. Eu mal consigo respirar. – ele disse, respirando fundo em seguida, como se tentasse provar a si mesmo que podia sim respirar, tentando não deixar que as próprias palavras, a verdade sobre o que vinha sentindo, o derrubassem de maneira tão intensa. – Eu fico sentindo como se estivesse prestes a entrar em colapso porque simplesmente não sei o que fazer. Tem tanta coisa acontecendo na minha vida e eu não sei que porra eu devo fazer. – sua voz adquiriu um tom mais firme, levemente raivoso. não disse nada, permitindo que ele desabafasse. – Centenas de pessoas me seguem, de todo jeito possível, e… E eu nunca me senti tão sozinho antes. Não sei se tem a ver com a banda, com a quebra da rotina que eu tinha com os garotos, se tem a ver com o fato de não falar mais com um dos meus melhores amigos ou se é simplesmente saber que vou perder a minha mãe e, quando isso acontecer, eu nunca mais vou me sentir completo outra vez. Vai ser sempre como se estivesse faltando algo.
– É tudo junto. – murmurou, sorrindo triste quando Louis lhe encarou, pousando uma das mãos na sua, brincando com seus dedos. – Não tem que ser fácil, Louis. É coisa demais acontecendo com você e não tem que ser fácil. Está tudo em não saber lidar com o peso. Eu também não saberia. – ela acrescentou, o tom tranquilizante de sua voz fazendo Louis sentir como se houvesse estado preso a pesadas correntes de ferro antes daquele momento, como se ela o libertasse.
– Isso é bom porque me sinto um merda. – ele murmurou, se afastando da bancada para se deixar desabar de uma vez, sentando no chão. suspirou, sentando-se ao seu lado e puxando delicadamente sua cabeça, fazendo com que ele a deitasse em seu ombro. – Como a gente vive num mundo sem a mãe da gente? Vai… Vai parar de doer um dia? Porque já está doendo, . Dói toda vez que eu penso nela.
sentiu um aperto no peito ao ouvir suas palavras, absorvendo sua dor como se fosse sua própria. Ela conhecia Louis há muito tempo, o conhecia muito bem e sabia quem ele era, sabia de cada uma de suas qualidades e do quão incrível era seu coração, e, por isso, ela sabia que ele não merecia aquilo. Nada do que estava acontecendo com ele, do que estava sentindo.
E, por mais injusto e doloroso que fosse, ela sabia também exatamente qual era a dor que ele ia enfrentar quando Johannah lhe deixasse. Sabia o que ele ia sentir e tinha medo do que aquilo faria com ele, tinha medo de verdade.
– Vai doer sempre que você pensar nela. Vai doer todos os dias, mas… – ela parou, fungando. Se odiou por estar prestes a chorar quando devia estar consolando o garoto, fazendo seu melhor para se conter. – Em algum momento, depois de muito tempo, você vai se acostumar com a dor. Vai ser mais fácil pensar nela, lembrar dela e não sentir vontade de chorar, só… Só ficar agradecido pelo tempo que você teve. – ao terminar, ela fungou outra vez, com os olhos num vermelho intenso, revelando quão por um fio ela estava e Louis suspirou com a cena, abraçando a amiga de lado, puxando-a para si.
escondeu o rosto em seu peito, mas não ousou chorar. Ao em vez disso, respirou fundo, tentando se recompor.
– Vem, deita aqui. – pediu, batendo nas próprias pernas ao sentar direito, sorrindo para o amigo, que suspirou e fez o que ela pediu, deitando a cabeça em suas pernas, fechando os olhos quando ela começou a acariciar seus cabelos, passando suavemente os dedos pelos fios. – Você vai ficar bem, Louis. Vai ficar bem. – garantiu, aos sussurros e ele desejou mais do que tudo acreditar naquilo, respirando fundo enquanto os olhos voltavam a arder, pensando em sua mãe, pensando em Zayn e em como fora tão errado não se despedir dele quando ele foi embora, em como vinha se sentindo sozinho e tudo parecia fora do lugar nos últimos dias.
– Céus, . – ele reclamou, virando para olhar para ela. – Isso vai passar algum dia? Juro, tudo que eu quero é que passe.
– Meu pai morreu na noite passada, Louis. – ela disse, de súbito, fazendo com que o garoto arregalasse os olhos, se sentando e endireitando o corpo de imediato.
– O que?
– Ele morreu. – a garota fungou com força – Estou sozinha agora. E… Tudo que eu quero é que passe também. Não tenho ideia do que fazer da minha vida, mas eu nem ligo pra isso se a dor passar. Só preciso que a dor passe.
– Ah, . – Louis suspirou, abraçando a garota, que escondeu o rosto em seu pescoço em resposta, permitindo que ele lhe consolasse daquela vez, porque sabia que, se havia alguém no mundo que lhe entendia, esse alguém era Louis.
Ela havia decidido não falar, até pedira para Johannah guardar segredo quando contou a ela, quando lhe pediu para passar o fim de semana em sua casa para se reestabelecer, decidir o que fazer. Louis já estava passando por coisa demais, não precisava partilhar de sua dor também, mas… Ele fora a única pessoa capaz de lhe fazer sentir remotamente bem quando sua mãe morreu, anos antes, e falar daquilo de novo, mexer naquela ferida enquanto uma nova acabara de ser aberta lhe deixava extremamente assustada e confusa.
Precisava de seu amigo, talvez tanto quanto ele precisava dela.
– Não é nada demais, certo? – ela se afastou para encará-lo, como se esperasse que ele confirmasse sua sentença, mas Louis ficou mudo. Ela estava com os olhos vermelhos demais, claramente triste, se esforçando demais para ser forte e tentar ver as coisas de um ângulo em que… O que? Não fosse nada demais? Céus, seu pai estava morto, como aquilo não era nada demais? Depois de tudo que ela dissera? – Eu só… Só preciso descobrir o que fazer. Os meus próximos passos, onde morar, como vou, sabe, viver… Sem ninguém. – ela mordeu o lábio inferior quando ele tremeu e Louis fez que não rapidamente, lhe puxando de volta para si.
– Você não está sem ninguém, . Nunca repita isso, ok? – murmurou enquanto lhe abraçava. – Você não está sem ninguém. – murmurou mais baixo em seguida, pousando a cabeça no topo da sua sem quebrar o abraço, os lábios formando uma linha rígida enquanto sentia um nó se formar em sua garganta, apertando de modo a tornar difícil respirar. – Eu sei que você tem essa necessidade de ser forte o tempo todo, de parecer bem, mas tudo bem se você não for agora. Ninguém vai saber, vou guardar o seu segredo.
– Eu estou com medo. – ela confessou, se afastando para encará-lo. – Estou com medo de imaginar como vai ser minha vida agora. Não sei se quero seguir em frente sem ele, Louis. – disse, com os olhos sempre tão descontraídos, tão genuínos, tristes e assustados naquele momento.
– Eu sei, meu amor. – ele murmurou, permitindo que ela encostasse a cabeça em seu ombro, inclinando a sua na direção da dela também. – Eu também estou.
E daquela forma os dois ficaram. Compartilhando sua tristeza, aceitando o conforto de, pelo menos, não estarem sozinhos, ainda que não fosse muito àquela altura. Não era como se qualquer coisa fosse.

+++

Na noite seguinte, era sábado e arrastara Louis para um bar. Ele não entedia o interesse dela em ir a um bar com música ao vivo com tudo que estava acontecendo, mas lidava com a própria tristeza de um jeito diferente dele e o garoto achou que devia ficar por perto, enquanto ela lidava com a própria tristeza. O fato de poder beber era um bônus.
Ele já sentia os músculos relaxados e o cérebro adormecido, era inteiro apenas sensações agora e sensações boas. Não havia nada lhe fazendo sentir como se estivesse caminhando em direção a um massacre, pois não estava realmente pensando e aquilo acabou sendo exatamente o que ele precisava.
A banda que tocava era surpreendentemente boa, eles tocavam alguns covers e, naquele momento, quando puxou Louis para dançar, depois de muita insistência, a música era You only live once, do The Strokes.
, não – ele reclamou, rindo em seguida com a maneira que ela balançou os cabelos, o ignorando completamente enquanto deixava os fios baterem propositalmente em seu rosto e peito.

Some people think theyre always right [Algumas pessoas acham que estão sempre certas]
Others are quiet and uptight Outras são quietas e nervosas
Others they seem so very Nice Nice nice (oh no) [Outras parecem tão gentis, gentis, gentis]
Inside they might feel sad and Wrong (oh no) [Por dentro, devem se sentir tão tristes e erradas]</strong

Louis sorriu triste enquanto a via dançar, sentindo-se bêbado demais para não deixar aquela música bagunçar com sua cabeça. Como se aquela garota sozinha já não fizesse aquilo, dançando bêbada em sua frente, pousando os braços em seus ombros enquanto cantava junto com o vocalista da banda.
O fato é que era gentil, era uma das melhores pessoas que ele conhecia, se não a melhor e era impossível ouvir aquela música e não lembrar dela chorando em seus braços na noite anterior. Havia uma tempestade dentro dela e ele sequer desconfiava. Pelo menos não até as palavras saírem de sua boca. Foi aí que ele entendeu porque ela era tão boa em demonstrar entender toda a bagunça dentro de Louis. Ela também tinha um pouco daquilo dentro de si.
E fazia mesmo muito tempo desde a última vez que se sentira bem de verdade, que nada em sua vida parecera fora do lugar e ela sentia falta daquilo. De se sentir estupidamente feliz mesmo sem motivo, porque tinha uma vida boa. Sentia falta de ter uma vida boa, mas quando estava com Louis… Parecia que quando estava com Louis era quando chegava mais perto daquilo, de se sentir bem de novo.
– Você acredita nisso? Que a gente só vive uma vez? – ela perguntou, de repente, a ele, que deu de ombros.
– Na maior parte do tempo, não. Mas gosto de pensar que sim ás vezes, acaba sendo um bom empurrão para fazer as coisas que eu quero, mas tenho medo, sabe? – explicou e ela sorriu, um sorriso que parecia conter o mundo inteiro dentro, compactuava com os olhos escuros da garota e guardava segredos de todas as noites de tempestade no mar.
– É reconfortante acreditar que não existe fim e que estamos indo para algum lugar depois daqui, não é? – ela comentou, triste e Louis sentiu um aperto no peito por ouvi-la falando de morte, pensando em todas as vezes que pensara que era a personificação de todas as coisas vivas do mundo, de toda a alegria e avidez nelas.
– Está pensando no seu pai?
– E em Johannah. – ela confessou, abaixando o olhar e suspirando de maneira pesada. – Meu pai costumava ter uma quedinha por ela, sabia? – a garota ergueu novamente o olhar, com lágrimas nos olhos e, de repente, todo o resto do bar desapareceu para Louis, a música, as pessoas ao seu redor, tudo. Ele só conseguia ver com os olhos marejados bem na sua frente. – É tão esquisito pensar nisso. Ela nunca sequer desconfiou e eu lembro que, na época do colégio, pensava um pouco nisso, em como seria incrível se nossos pais ficassem juntos e fossemos morar todos juntos. Sempre fomos só eu e ele, sabe? Desde que a minha mãe morreu e… Eu ficava bem sozinha ás vezes. Mas me sentia diferente quando você estava por perto. Mais até do que Johannah e os seus irmãos, era você. Você me fazia sentir como se eu tivesse o mundo inteiro na palma da mão só por estar lá, ao meu lado.
– Isso não tem nada a ver com família, . – Louis riu de maneira um tanto melancólica, sem acreditar no que estava ouvindo e menos ainda que ela nem se dava conta do que estava falando. – Não tem nada a ver com família porque eu senti isso desde a primeira vez em que você disse oi e sempre foi porque eu estava apaixonado por você.
– Você… Estava? – piscou, surpresa – Eu não tinha ideia, Louis.
– Eu sei disso também. – ele riu, se inclinando para perto dela e colocando gentilmente seu cabelo para trás da orelha. – Eu era muito discreto.
Ela riu ao ouvir aquilo, balançando a cabeça e parecendo totalmente surpresa.
– Isso quer dizer que eu estou apaixonada por você? Que eu sempre estive?
Louis riu, tocando sua nuca enquanto deixava que a testa encostasse-se à dela.
– É você quem tem que saber, . – comentou, com certa delicadeza, e ela acabou sorrindo ao ouvir, mesmo sentindo a intensidade do momento quase lhe esmagar.
– Bom, eu não faço ideia.
– Vamos descobrir então. – ele murmurou, numa calmaria invejável diante do tom quase rude dela, um instante antes de fazer o que passara anos de sua vida sonhando em fazer e moldar seus lábios.

Oh dont dont dont get up [Oh, não levante, não levante, não levante]
I cant see the sunshine [Eu não posso ver a luz do sol]
I’ll be waiting for you, baby [Eu vou estar esperando por você, amor]
Cause I’m through [Porque eu estou acabado]
Sit me down [Me faça sentar]
Shut me up [Me cale]
I’ll calm down [Eu vou me acalmar]
And I’ll get along with you [E me entender com você]

+++

Na manhã seguinte, Louis acordou com os lábios de tocando sua bochecha, de maneira delicada e cuidadosa, fazendo com que ele sorrisse antes mesmo de abrir os olhos, virando em seguida de frente para a garota, deitada com a coberta ao redor do corpo, bem em sua frente.
A visão atingiu Louis em cheio, o fazendo pensar em todas ás vezes que desejara aquilo quando os dois ainda eram adolescentes no colegial, em como sempre estivera apaixonado por ela e, naquele momento, só naquele momento, o mundo não estava mais desabando ao seu redor. Ele tinha a garota dos seus sonhos ao seu lado.
– Bom dia. – ela disse, sorrindo de maneira travessa, muito provavelmente achando, ambos, engraçado e constrangedor a maneira como ele estava olhando para ela naquele momento. Louis sorriu com o pensamento, concluindo que ainda a conhecia bem e, ao em vez de responder, inclinou o rosto na direção da garota, segurando em sua nuca para moldar seus lábios.
De imediato, segurou em sua nuca também, deixando que os dedos enroscassem nos cabelinhos de sua nuca enquanto abria a boca para que ele aprofundasse o beijo, sentindo milhões de choques elétricos em seu estomago quando sentiu a língua dele invadir sua boca, ao mesmo tempo que uma das mãos do garoto descia até sua cintura, puxando-a para mais perto.
– Não acredito que estamos finalmente fazendo isso. – ele murmurou, perto de seu rosto, ao parar de beijá-la e a garota sorriu, o puxando de volta para si e lhe beijando novamente ao em vez de responder, fazendo com que Louis sorrisse contra sua boca antes de beijá-la de volta.
– E eu não acredito que você parou mesmo de falar com o Zayn. – respondeu ao romper o beijo e Louis bufou, vendo morder o lábio de maneira culpada.
– Devia ter imaginado que você ia falar disso, uma hora ou outra. – retrucou, rindo sem muito humor antes de suspirar, cansado. – É uma situação complicada, . Não tem muito sentido falar disso agora, não vai mudar nada e…
– Bom, eu quero ouvir. – ela o interrompeu, repousando a cabeça na palma da mão, apoiada no cotovelo. – Não estamos fazendo nada, estamos? – arqueou as sobrancelhas, testando o garoto, que bufou e jogou a cabeça para trás em resposta.
– Eu fui um idiota, tá legal? – disse de uma vez – Ele estava passando por uma situação de merda, fez o que conseguiu para sair dela e eu fui egoísta, não consegui entender simplesmente por causa de todas as vezes que fui deixado antes. De toda a merda do meu passado. – desabafou, de repente sentindo o peso de toda a história mal resolvida com Zayn sob seus ombros, lhe fazendo fechar os olhos e suspirar de maneira pesada. Se sentia tão, tão frustrado quando pensava em todas as coisas que não podia controlar. Em todos os amigos que deixava a vida tomar dele, na vida tomando sua mãe dele. A sensação não podia ser pior, como se ele estivesse de joelhos, sem forças, implorando.
– Você devia ligar para ele. – murmurou de repente, fazendo com que Louis lhe encarasse pelo canto do olho, arqueando as sobrancelhas.
– Ouviu tudo que eu disse?
– Louis, Zayn é seu amigo. Você está passando por muita coisa, precisa de todos os amigos verdadeiros que estiverem dispostos a estar com você e eu aposto que ele está. Se você deixar, eu sei que ele vai estar ao seu lado. Zayn não saiu da banda por ter problemas com você, fez isso por ele mesmo, porque precisava e, no fundo, eu sei que você sabe disso.
Louis suspirou, odiando o fato de ela estar certa.
– Eu sei, mas, , eu nunca fui bom em despedidas e…
– Mas Zayn não está te deixando, Louis. Pode parecer, mas não é uma despedida. Não entre vocês. – a garota o interrompeu, fazendo com que ele suspirasse, ciente que ela estava certa quanto aquilo também, embora saber daquilo não tornasse nada mais fácil. – Você devia ligar para ele. – a garota acrescentou em seguida, cuidadosa e Louis assentiu, sem abrir os olhos.
– Sei disso. – resmungou, frustrado, fazendo uma careta ao abrir os olhos e dar de cara com lhe estendendo o celular. – Agora? – perguntou, virando para encará-la como se achasse a ideia péssima. E achava mesmo.
Não que aquilo intimidasse , para o azar dele.
– Você já adiou por tempo demais. – ela murmurou simplesmente e ele suspirou outra vez, pegando o celular em sua mão.
Louis discou o número de Zayn e esperou, respirando fundo com um tique fazendo uma de suas pernas tremer, claramente nervoso. sorriu e segurou sua mão, pousando o rosto em seu peito, como se aquilo pudesse impedir que ele subisse e descesse de maneira irregular como fazia. Ajudou, mas não foi o suficiente quando Zayn finalmente atendeu o telefone.
– Alô?
– Zayn?
– Louis? – o outro perguntou, surpreso.
Depois de cinco anos, não era surpresa reconhecer a voz de Louis sem qualquer dificuldade, mas, ainda assim, se dar conta daquilo, que ele não ia poder fugir e simplesmente fingir ser outra pessoa, ou… Ou sei lá, era péssimo.
– Ei, cara. Quanto tempo. – murmurou, fazendo arquear as sobrancelhas, como se perguntasse se ele estava falando sério. Louis deu de ombros, deixando claro que não sabia de jeito nenhum o que estava fazendo. rolou os olhos e ele suspirou, abrindo a boca para pedir desculpas de uma vez, mas a garota o beliscou antes que ele o fizesse, arrancando um xingamento alto do outro.
– Louis?! – Zayn perguntou do outro lado, claramente confuso.
– Um segundo. – ele murmurou, com a voz aguda por conta da dor. rolou os olhos outra vez e Louis afastou o celular, encarando a garota em seguida. – Que porra é essa?!
– Não pede desculpas pelo telefone!
– E pra que você queria que eu ligasse?!
– Puta merda, Louis, eu tenho que te ensinar tudo? Chama pra beber alguma coisa e conversa com ele pessoalmente, seja homem!
– Eu sou homem! – ele reclamou, ofendido e ela riu.
– Não parece. – provocou, fazendo o garoto balançar a cabeça, lhe encarando desacreditado. Ela era incrível, provavelmente a coisa mais linda que ele já tinha visto, céus… – Vai falar com o Zayn. – ela riu, corando levemente com a maneira que ele lhe encarava, puxando o cobertor para se levantar da cama, seguindo até o banheiro.
Louis suspirou, jogando a cabeça para trás na cama e pegando o celular outra vez.
– Ainda está aí?
– Confuso, para se dizer o mínimo. – Zayn murmurou do outro lado e ele riu, se sentindo leve de um jeito que nem achava mais que era capaz de sentir.
– Desculpe por isso. É a . – explicou, contendo o impulso de suspirar de maneira, no mínimo, patética, com a simples menção do nome.
– A ? Do seu colégio? – Zayn perguntou, surpreso – Estão juntos?
– É, hm… Eu não sei bem, na verdade. – confessou, fazendo o outro rir. Louis riu também, se dando conta que sentia mais falta de Zayn do que imaginara. Ele era um bom amigo e, por mais que os outros também fossem, lhe entedia de um jeito que eles não faziam. Havia algumas coisas que… Eram só os dois. Eles eram muito parecidos, afinal, não era difícil desejar manter uma amizade como aquela e Louis se odiou pelo modo como deixara as coisas da última vez. – Ei, você está em Londres? Quer sair hoje á noite? Ir a algum bar ou sei lá.
– Claro. – Zayn respondeu rapidamente – Tem um ótimo perto daquele hotel que ficamos durante o festival no Wembley.
– Parece ótimo. – Louis concordou rapidamente – Lá pelas 21h?
– Fechado. – Zayn murmurou e os dois desligaram em seguida.
Louis pôs o celular no canto e virou de lado na cama, encarando a porta aberta do banheiro onde entrara. Dava para ouvir o som do chuveiro e ele sorriu, a imaginando nua debaixo da água quente, não precisando de mais do que isso para tomar coragem para levantar da cama, seguindo até o banheiro também.
Um banho parecia um ótimo jeito de começar o dia, afinal.

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Zayn havia feito algumas tatuagens novas, estava usando a barba maior que o normal e mudara o cabelo, mas ainda era o mesmo Zayn. Louis não precisou de muito para notar aquilo, ou para notar que ele parecia mais feliz, mais saudável.
Eles falaram sobre a carreira de Zayn, sobre as novas músicas que Louis estava escrevendo, sobre a mãe dele e tudo pareceu bem, como se nada nunca houvesse acontecido e a amizade estivesse intacta, mas quando Zayn desviou o olhar e Louis teve um lampejo de uma de suas novas tatuagens tudo o que aconteceu naqueles meses passou por sua cabeça como uma avalanche, derrubando tudo pelo caminho. A maneira como ele deixou o camarim quando Zayn estava se despedindo de todos, as farpas trocadas publicamente, a bagunça que a vida de Louis se tornou naquele período, com a pausa da banda, com toda a bagunça e todo o clima pesado e estranho que tomara o final da última tour, a descoberta da doença de sua mãe…
– Zayn, eu te devo desculpas. – ele disse de uma vez, não conseguindo simplesmente ignorar tudo aquilo. Precisava tirar aquelas lembranças de dentro dele, ou, pelo menos, fazê-las pesarem menos. – Eu devia ter me despedido, quando você foi embora, eu devia…
– Isso não importa mais. – Zayn o interrompeu, balançando a cabeça. – É passado e eu cometi meus erros também, falei coisas que não devia e acho que não respeitei tanto quanto deveria a história da nossa banda. A One Direction é e sempre vai ser parte de quem eu sou, nunca foi minha intenção desmerecer isso…
– Eu sei disso também. – Louis o interrompeu, sorrindo de leve quanto Zayn voltou a lhe encarar, sem falar nada. – Você é uma boa pessoa, Zayn. Passou tempo demais fazendo a coisa certa, tem o direito de errar um pouco sem perder as pessoas que ama por isso. E não me perdeu, sempre vou ser seu amigo, espero que saiba disso. Apesar de toda a bagunça que eu fiz.
– Vamos colocar isso no passado, então? – Zayn sugeriu, erguendo seu copo e Louis assentiu, batendo de leve o copo no dele antes de ambos levarem os copos a boca. Zayn observou Louis tomar seu uísque e suspirou, pensando em todas ás vezes que saíram á noite durante as turnês da banda, em todas as boates e todas ás coisas que fizeram juntos. Conseguia se lembrar de cada uma daquelas noites, apesar do quão improvável aquilo soava. De repente, Zayn se lembrava de tudo, todas ás noites, todas as loucuras que fizeram e se sentiu saudoso demais, com um forte aperto no peito. – Senti sua falta, Louis. Senti de verdade.
Louis assentiu, virando para lhe encarar.
– Eu senti a sua também.
Os dois se encararam por um momento e então Zayn balançou a cabeça, se voltando para o barman e fazendo sinal para que enchesse seu copo outra vez, antes de se voltar para Louis outra vez.
– E então, você e a ? É algo sério? – perguntou, tentando mudar de assunto e desfazer a tensão instalada ao redor deles. Zayn conhecera uma vez, junto com os outros garotos. Sabia pouca coisa da garota, que ela conhecia Louis desde o colégio e que eles eram amigos, muito amigos, mas não muito além daquilo. Nunca imaginara que houvesse a possibilidade de haver qualquer envolvimento romântico entre os dois, especialmente quando Louis passara tantos anos com Eleanor e tudo o mais.
chegara até mesmo a conhecer Eleanor, se ele não se enganava.
Louis mordeu o lábio, dando devagar de ombros. Pensou em e na maneira que ela lhe fazia sentir bem, tão bem que sua vida nem parecia mais estar a bagunça tão sufocante que estava. Tão bem que ele podia respirar sem fazer esforço, sem sentir dor.
– Provavelmente não, mas… É bom. – ele confessou e Zayn assentiu, parecendo entender. Louis não duvidou que ele entendesse, afinal nunca foi difícil para ele. Entendê-lo. – Só não quero apostar alto, sabe? Nunca tive muita sorte pra esse tipo de coisa.
– É, você é bem azarado. – Zayn concordou e Louis riu da provocação, fazendo com que ele risse também. – Liga para ela, Louis. Chama para vir aqui, só… Fica com ela. Se quer ficar com ela, fica com ela.
– É sua filosofia agora? Se quer fazer algo, faça? – Louis perguntou, fugindo do assunto, o que fez Zayn rir, claramente ciente do que ele fazia.
– É, é sim. E estou bem desse jeito, então sugiro que você experimente. – falou, deslizando o celular sob o balcão na direção do outro, que rolou os olhos.
– Irônico que essa manhã ela era quem estava tentando me convencer a ligar para você. – ele comentou, finalmente desbloqueando o celular para ligar para .
Zayn riu, mas optou por não responder, observando em silencio enquanto ele batia o pé, com o celular no ouvido.
? – murmurou quando ela finalmente atendeu, fazendo Zayn rir. Ele estava mesmo muito caído por aquela garota.
– Oi. – a garota murmurou do outro lado – Já encontrou com ele?
– Estou aqui, na verdade. – Louis explicou, coçando a nuca, sem jeito, o que era tão novo para ele quanto para qualquer outro. Zayn riu outra vez, levando um empurrão do outro por isso. Não que houvesse surtido qualquer efeito, mas Louis optou por simplesmente ignorá-lo ao notar isso. – Quer vir aqui? Estamos bebendo e as fritas são ótimas, sei que gosta de fritas…
– É, eu gosto, mas vocês dois merecem um pouco de privacidade, não? – ela riu, fazendo Louis sorrir de leve com o som, muito mais num impulso reflexivo de seu rosto do que qualquer coisa.
– Não, não se preocupe com isso. Pode vir se quiser. – murmurou, fazendo uma careta em seguida para o modo como aquilo soara. – Vou gostar se vier. – acrescentou, fazendo a garota sorrir do outro lado.
– Tudo bem. – respondeu
– Tudo bem. – ele respondeu também antes de, finalmente, desligarem.

Quando finalmente chegou, foi uma surpresa não só para Louis, mas para Zayn também. Ela não estava sozinha, mas sim com Eleanor Calder, a ex-namorada de Louis. O suposto amor de sua vida, segundo a maior parte da fanbase da banda. Ou, pelo menos, a maior parte que não acreditava que Louis tinha um romance secreto com Harry.
– Oi, pessoal. – murmurou ao se aproximar, apertando sem jeito a mão de Zayn e evitando a todo custo o olhar de Louis antes de apontar Eleanor. – Vejam quem eu encontrei no caminho.
– E aí, garotos. – Eleanor murmurou, procurando o olhar de Louis, que não notou, já que procurava o de , tentando entender o que estava acontecendo ali. – Sei que sou um pouco intrusa, mas faz tempo que não vejo vocês. Ia adorar ficar, se não for atrapalhar ninguém.
– Claro. – Zayn assentiu quando Louis não falou nada, cutucando o amigo. – Senta aí.
Louis pigarreou, abrindo a boca para falar algo, mesmo sem saber o que exatamente, porém foi mais rápida.
– Eu vou ter que ir embora, gente. Sinto muito…
– Acompanho você até a saída. – Louis a interrompeu, ansioso apenas para ficar sozinho com ela e tentar entender o que estava acontecendo. Ela o encarou por um instante e então assentiu, acenando para Zayn e Eleanor antes de dar as costas e se afastar, seguindo para a saída do bar com Louis em seu encalço. – , o que está acontecendo? Por que a trouxe aqui? – ele perguntou assim que passaram pela porta e a garota abraçou o próprio corpo, com frio, o que não era nenhuma surpresa. Londres era gelada e ela sequer estava usando um casaco quente de verdade.
– Louis, eu amo você. Sempre te amei, sabe disso, não é? – ela virou de frente para ele, com os olhos marejados e Louis engoliu em seco, sem conseguir não se sentir assustado com o rumo que aquela conversa estava tomando. – Me desculpa.

– Eu preciso ir. – ela murmurou, fazendo com que ele sentisse como se o chão aos seus pés sumisse de uma só vez, piscando e fazendo que não enquanto absorvia suas palavras e se permitia tentar entender o que estava acontecendo.
– O que? Por quê?
– A noite passada foi maravilhosa, Louis. Essa manhã também, mas eu… Não posso fazer isso agora. – ela deu um passo em sua direção, pousando uma mão em seu rosto. – Meu pai acabou de morrer e eu estou sozinha, nunca na vida me senti tão perdida antes e preciso lidar com isso, Louis. Preciso descobrir o que quero fazer agora, quem quero ser.
– Podemos fazer isso juntos, . Eu não estou muito melhor, você sabe…
– Você já é alguém. – ela o interrompeu, fechando os olhos por um instante, com a testa colada a dele, e o garoto viu as lágrimas escapando por seu rosto, trilhando um caminho lento e no mínimo doloroso de assistir por suas bochechas. – Você é Louis Tomlinson, você é…
– Não diz isso. Você disse que me amava, . Não pode só ir embora. – ele a interrompeu e ela abriu os olhos, lhe encarando com um pedido mudo de desculpas.
– Eu realmente espero te ver de novo um dia, mas nunca faria você esperar por mim. Eleanor é maravilhosa e vocês dois… Deu certo uma vez, Louis. O fim não precisa ser aquele. – ela murmurou, como se ele não houvesse dito nada, respirando fundo inúmeras vezes para conter o choro.
Louis balançou a cabeça, segurando seu braço quando ela tentou se afastar.
– Não, você não pode só ir embora, . Não pode fazer isso também.
Também, aquilo atingiu como um tapa na cara e ela fungou, odiando mais do que tudo saber que não podia simplesmente ficar. Que nunca se perdoaria se fizesse aquilo, se não desse um jeito em si mesma e em todos os seus problemas antes de simplesmente se deixar envolver com Louis.
– Eu amo você. – ela repetiu, falando a única coisa que achou que era capaz de dizer. – Por favor, não esquece.
– Não, não, . Eu preciso que você fique, preciso de você. – ele insistiu e ela fez que não, chegando mais perto dele e moldando seus lábios. Louis a segurou perto de si de imediato, retribuindo o beijo como se aquilo pudesse, de alguma forma, impedir que ela fosse embora. suspirou contra sua boca, se afastando em seguida, chorando baixinho.
– Eu também preciso de mim, Louis. – ela olhou em seus olhos – Eu preciso ser alguém pra mim antes de ser alguém pra você ou para qualquer outra pessoa e sei que, se eu ficar, eu vou terminar deprimida, amarga e ressentida porque eu nunca lidei com a morte do meu pai. Porque eu e ele, nós tínhamos uma lista, sabe? Depois que a minha mãe morreu… – a garota parou, fungando e Louis quase pediu para que ela parasse, mas não conseguiu fazer nada além de continuar segurando o corpo dela junto ao seu, tentando mantê-la perto de si. Mesmo que cada nova lágrima que ela deixasse cair fizesse seu coração doer. Mesmo assim. – Nós riscávamos uma coisa da lista todo ano. Uma coisa a menos para fazer antes de morrer e hoje… Hoje eu encontrei a lista nas coisas dele e pareceu tão sem sentindo, tão vazia. Eu amava aquilo, mas agora só parece ter perdido o significado. Parecia que eram coisas que eu estava fazendo por ele, mesmo que não achasse nada disso antes dele morrer e agora eu me sinto perdida. Porque não sei mais o que fazer, não tenho mais uma lista que gostaria de cumprir, não… Não tenho mais nada.
– Você tem a mim. – ele respondeu de imediato, embora já cedesse o aperto em sua cintura. Ele a entendia. Se odiava por entender, se odiava por saber que ia acabar deixando que ela fosse, no fim das contas, mas a entendia. Entendia que ela precisava fazer a cabeça parar de pesar tanto e só respirar, entendia que ela queria o mesmo que ele, mas, diferente do que ele imaginou, não podiam conseguir aquilo juntos. Dois quebrados não faziam um inteiro. – Eu amo você também, .
Ela sorriu, triste, e ele lhe beijou outra vez, devagar, passando as pontas dos dedos por seu rosto com delicadeza enquanto ela segurava em seu rosto, permitindo que ele aprofundasse o beijo lentamente, mesmo que para se afastar apenas alguns segundos depois.
– A gente se vê? – ela perguntou, incerta e ele se esforçou para sorrir, assentindo, ainda que pudesse sentir o coração quebrando inteiro, em milhões e milhões de pedaços.
– Espero que sim. – ele murmurou e ela assentiu, respirando fundo antes de se afastar, seguindo até o táxi que esperava por ela do outro lado da rua.
Louis colocou as mãos no bolso e a observou atravessar a rua, murmurando algo para o motorista antes de abrir a porta, encarando Louis de longe outra vez por um instante antes de, finalmente, entrar.
Por ora, aquela fora a última vez que se viram.

FIM

Nota da Autora:
Ai, gente. Eu nem sei o que falar… Sempre sofro muito com essa história, mas gosto demais também, sabe? Eu li novamente enquanto ajeitava pra mandar pro site e fiz isso ouvindo o álbum do Louis, nossa doeu o tanto que encaixou, cara. Enfim. Louis é muito importante e é isso!
Eu não pretendia, mas depois de reler me deu muita vontade de escrever algo novo pra eles, uma sequência, quem sabe? Me digam se eu devo HAHA
Dedico a repostagem dessa história a Camila, minha chefinha amada e namorada oficial do Louis HAHA Eu real só mandei pro site por causa dela.
É isso, manas, beijo!
Xx.