Um Ser Só

Sinopse: Tem gente que você convive uma vida inteira mas parece que nem conheceu direito, existem pessoas que simplesmente por serem do jeitinho que são, conseguem mudar tudo em você. Eu conheci alguém assim, ela mudou muita coisa na minha vida e agora chegou a hora de eu fazer algumas mudanças também!
Essa é uma história cheia de fases, cheia de risos e até de brigas mas acima de tudo é a nossa história, que nós construímos com muito amor e que eu vou te contar uns pedacinhos…. Vamos nessa?!
Gênero: Romance
Classificação: 12 anos
Restrição: Sem Restrições
Beta: Thomasin

 

UM SER SÓ

Que bom se você fosse como a lua
Que onde quer que esteja possa enxergar
Ou quem sabe, fosse como o sol
Que me aquece o peito aonde quer que eu vá

Depois de todo esse tempo, tem uma coisa que nunca mudou.
e eu namoramos há quatro anos, entre idas e voltas, brigas sérias e desentendimentos bobos, conseguimos permanecer firmes e fortes. Juntos. E o que nunca mudou foi a saudade de quando ela está longe.
, será que você consegue uma folga de três dias? Tô morrendo de saudade de você! – Finalmente a ligação deu certo. Eram oito horas da noite e eu estava no hotel, esperando para ir para o festival em Goiás e ela em São Paulo, trabalhando em mais um de seus projetos, ela era design de interiores totalmente apaixonada pelo que fazia, não podia ver uma sala que já tinha mil ideias de decoração.
– Amor, não faz assim, por mim eu estaria aí, mas meu trabalho tá complicado agora, eu realmente daria tudo pra ver você nesse exato momento! – Fechei meus olhos e foi inevitável não deixar um suspiro de frustração escapar. Sentei no chão da sacada do hotel e olhei para cima, ouvindo a respiração de do outro lado da linha desejando que pudéssemos nos encontrar de alguma forma, que pudesse ver seu rosto assim como eu via a lua naquele momento.
– O Thor está com saudade também! Ele está aqui deitado junto comigo na cama, ouvindo a sua voz no telefone! – riu quando o barulho da coleira de Thor ficou mais forte – Sai Thor, é só a voz dele!
– Cuida bem da nossa garota Thor, não deixa nenhum marmanjo se aproximar! – Sabia que ela deixou no viva voz e nosso cachorro podia me ouvir. Thor era um labrador preto, que adotou no nosso primeiro ano de namoro e que era extremamente apegado a mim, o que a deixava brava era ele correndo ao meu encontro quando nós chegávamos juntos em casa. Thor latiu e eu ouvi ela jogando a bolinha dele.
– Vocês são terríveis! – riu ao telefone – Quanto tempo você vai ficar aí?!
– Amanhã eu vou pra Minas e depois dois dias no Rio! Alguma chance de eu te ver?! – Tentei mais uma vez e ela riu de novo.
– Vou pensar no seu caso! – Fechei os olhos e sem nem perceber estava sorrindo. Já fazia quase um mês que a gente não se via direito.
– Aí sim, ! Gostei disso!
– Agora você tem que ir trabalhar e eu também! – Olhei no relógio e ela tinha razão, já deveria estar me arrumando para o show e ela sempre me expulsava para eu tentar não me atrasar, nem sempre dava certo.
– Se cuida, . Bom show e… Eu te amo! – A última parte ela dizia sempre como um sussurro, como nosso segredo e eu adorava isso nela.
– Eu também te amo, ! Obrigada, meu anjo – Ri ouvindo ela me mandar beijos pelo telefone, logo que desliguei recebi uma mensagem dela:
“Pra você matar um pouquinho da saudade! Nós te amamos!”
Uma foto dela sentada na nossa cama com Thor entre suas pernas, lambendo seu rosto enquanto ela ria. A foto era linda e me fez rir só de imaginar a bagunça que estava lá em casa. Era sempre assim e eu adorava isso.

Era sábado de manhã e faziam poucas horas que eu havia chegado ao Rio de Janeiro, estava exausto e despenquei na cama do hotel. Quando senti uma mão nas minhas costas, unhas deslizando por ali me fizeram acordar assustado e pronto para brigar.
– Bom dia! – A voz dela acompanhada de seu sorriso eram tudo que eu poderia querer agora – Surpresa! – Ela riu quando eu a puxei para a cama de um jeito desajeitado e urgente.
– Você quase me mata do coração, mulher, mas eu adorei a surpresa! – Disse sorrindo perto de seu rosto e a beijando de leve nos lábios.
– Essa era a intenção, queria chocar – deu uma piscadinha marota, se sentando entre minhas pernas e colocando os braços sobre os meus ombros.
– Eu queria te ver! – Ela sussurrou com a boca colada na minha, passeou com suas mãos por todo meu rosto e, por fim, me beijou como se deve. Nosso beijo cheio de saudade e urgência, era algo que eu realmente senti falta, do toque dela, do cheiro, do seu gosto. Tudo nela me fazia muita falta quando eu ficava longe.
A abracei pela cintura e a trouxe para mais perto, quando minhas mãos entraram dentro de sua blusa eu a senti arrepiar e sorrir, e era a minha vez de explorar. De matar as saudades daquele corpo, daquela garota. Da minha garota.

estava na sacada do hotel distraída e eu a surpreendi beijando seu ombro e a abraçando por trás. Estávamos prestes a sair para jantar quando eu a encontrei lá, admirando o céu.
– A Lua hoje está demais, não acha?! – Ela se virou para mim e eu olhei para o céu para verificar e realmente a lua estava parecendo maior e mais brilhante do que nunca.
– Às vezes eu queria que você fosse como a lua – franziu a testa e me olhou confusa, não pude evitar que um sorriso surgisse em poder apenas contemplar aquela carinha toda fofa e confusa dela.
– Explique-se, ! – Ela pediu colocando os braços ao redor do meu pescoço e massageando de leve minha nuca. Era engraçado quando me chamava assim, ela sempre pedia algo e usava esse golpe baixo.
– Eu poderia te ver em todo lugar, ou quem sabe o sol, que me esquenta e melhora tudo. Você poderia ser os dois! – Pisquei para ela que sorriu tímida depois da minha breve explicação. Ficando na ponta dos pés ela me beijou de leve nos lábios, segurando meu rosto e sorrindo de lado.
– Assim não vale né, ! O que eu digo depois disso? – Sussurrando em meu ouvido, ela me abraçou forte depositando alguns beijos em meu pescoço e me deixando com mais vontade de mandar o jantar para o espaço e ficar no hotel com ela.
– Eu adoro você! Mais do que você consegue imaginar – Ela sorriu ao pé do meu ouvido, me causando arrepios e a melhor sensação que era poder abraçá-la como eu fazia agora e erguê-la do chão.
Estar agarrado a ela era como estar em casa, mesmo que fosse em vários hotéis diferentes, era nela que eu encontrava a minha paz.

Teu beijo poderia ser o infinito
E ainda mais bonito e nunca se acabar
A tua beleza como a das estrelas
Só que permanece quando a noite vai

Às vezes a gente brigava, mas só as vezes. E quase sempre a reconciliação era inesquecível. A mais divertida de todas foi quando nós brigamos depois de uma premiação.

FLASHBACK/ON

, minha linda, eu preciso chegar HOJE ainda! – Já era a quinta vez que eu batia à porta do quarto em que ela estava se arrumando, a tarde inteira eu não a vi e agora eu já estava quase atrasado, em cima da hora de sair.
, não seja chato, só estou colocando meu sapato – Ela disse próxima a porta. Três minutos depois eu enfim pude vê-la e fiquei absolutamente sem palavras com o que vi.
estava deslumbrante, com um desses vestidos elegantes de festa que iam até o pé, desenhava todas as suas curvas e a deixava mais linda do que qualquer estrela de TV que já vi, mais fascinante do que em qualquer ocasião em que já saímos juntos.
– Meu Deus! Você está linda! – Me aproximei dela que sorria tímida e fiz com que ela desse uma voltinha.
– Rapaz do céu, minha mulher vai ser a mais gata de toda a festa! – Ela ficou levemente vermelha, mas riu com meu comentário, me beijando logo depois.
– Obrigada amor, você está lindo assim – ajeitou minha gravata uma última vez e eu pisquei para ela, oferecendo meu braço para acompanhá-la até o hall do hotel.
Era uma premiação importante, cheia de estrelas da música e da televisão e eu concorria como cantor do ano. A festa ocorria normalmente, perto da hora de anunciarem a minha categoria eu estava em uma mesa e pediram que eu fosse para outro local. No intervalo de um lugar para outro esbarrei com Bianca Amaral, uma famosa atriz com quem eu já tive algumas “conversas” no passado, mas que agora somos realmente só amigos e nos vemos muito de vez em quando. Como estava conversando com ela, anunciaram que eu venci na categoria e logo jogaram uma luz sobre mim, tanto Bianca quanto eu ficamos sem graça, porque, com certeza, inventariam mil coisas sobre aquele momento.
Tentei ser o mais breve possível recebendo o prêmio e fui direto até a mesa onde estava e ela me recebeu com seu olhar de poucos amigos e virou toda sua taça de champagne, já chamando o garçom com a mão.
, olha você sabe que aquilo ali não foi nada né?! – Estava a observando quando senti uma mão em meu ombro, olhei para cima e vi Bianca acompanhada de um cara que eu nunca tinha visto antes.
– Oi, ! Oi, ! – Bianca sorriu para nós – Esse é o meu namorado, Beto – Ela fez questão de nos apresentar, sorriu sem graça para eles e dispensou o garçom quando ele se aproximou. Beto era modelo e pelo que deu pra entender Bianca também não queria ficar encrencada com ele e veio até ali para esclarecer que não era nada demais. continuava inquieta ao meu lado, pediu licença no meio da conversa para ir até o banheiro e quando percebi Bianca tinha ido atrás dela.
Depois de uns 15 minutos, as duas voltaram sorridentes, parecendo velhas amigas com Bianca tecendo vários elogios à , mas para mim, apenas de olhar em seu rosto, ela ainda parecia desconfortável. Depois de uma meia hora pediu para ir embora e só quando chegamos no hotel, eu entendi tudo.
– Você me paga, ! Eu queria te pegar de um jeito hoje! Argh! – Podia parecer algo bom, mas não era, andava de um lado para o outro, irritada, tirando várias coisas do cabelo sem a menor delicadeza. Esperei que ela começasse a falar mais alguma coisa, mas ela apenas me olhava pelo espelho, com a sobrancelha arqueada e um olhar quase maligno.
– Você me deixou perdida naquele lugar, quando fui procurar você, com quem eu te encontro?! No holofote da festa! Tinha que ser com ela né…. – Estava chocado com a tagarelice dela, nunca havia demonstrado nada como aquilo até hoje, tentei argumentar mas ela levantou a mão, irritadíssima – Pra ajudar, sabe o que aconteceu?! – O olhar assassino dela caiu sobre mim novamente apenas balancei a cabeça negando.
– Meu vestido me traiu e rasgou quase na frente dela, e a maravilhosa Bianca Amaral ainda me ajudou! Arghhhh, te odeio, !
Pisquei sem entender nada e jogou seu sapato em mim, por sorte consegui desviar a tempo.
– Se ela fosse uma monstra seria perfeito, mas não, por sua causa sou a madrasta da Branca de Neve que odeia a menina linda. Não consigo fazer isso, eu não sou assim!
olhou pra mim novamente e eu não aguentei, comecei a rir sem parar, ela já estava toda descabelada, e torta por estar com apenas um sapato e mesmo tentando parecer a tal bruxa, estava simplesmente adorável em seu ataque de ciúmes.
– Agora eu entendi tudo, você tá morrendo de ciúmes de mim, que linda! – Levantei da cama indo até ela que tentava fugir de mim pelo quarto.
– Eu tô é com raiva de você por me abandonar lá, isso sim.
se desequilibrou e tropeçou na barra do vestido, seria um tombo e tanto, mas eu a puxei pela cintura, grudando seu corpo ao meu e me joguei com ela na cama.
, seu idiota, quer quebrar tudo! – Ela estava embaixo de mim, me levantei minimamente apenas para não deixar todo meu peso sobre ela e segurei seus braços acima da cabeça.
– Vamos lá, confessa, ! Você está morrendo de ciúmes de mim! – Estava sentado sobre as pernas dela, que se debatia tentando escapar das minhas mãos sem sucesso, ela estreitou os olhos pra mim e tentou permanecer séria.
– Nunca, só tô com raiva, muita raiva – disse virando o rosto para o outro lado, fugindo da verdade. Tive que apelar e sem ela perceber comecei meu ataque de cócegas, ouvindo suas gargalhadas e gritinhos encherem o quarto.
– Para, para, para – Ela se debatia mais ainda, rindo sem parar – , eu vou morrer assim – Ela tentava me bater mas estava sem forças para isso, segurei novamente suas mãos sob sua cabeça e a vi suspirando de alívio, não pude deixar de sorrir maliciosamente, mal sabia ela que era só o começo.
– Confessa! Não vou parar até você confessar – me olhou chocada, com lágrimas de tanto rir escorrendo pelos cantos dos olhos ela tentava parecer furiosa, mas eu sabia que não estava.
– Nunca, ! – Ela sorriu torto me provocando e eu recomecei as cócegas com mais força, ouvindo ela dar gritinhos de socorro seguidos de altas gargalhadas até quase lhe faltar o ar.
– Tá bom, tá bom, eu confesso, caramba! – já estava vermelha e começava a suar, puxou o ar e tentava falar ao mesmo tempo em que ria e eu parei, levantando minhas mãos para deixá-la livre.
– HOJE eu tive ciúmes de você, mas foi só um pouquinho e agora sai de cima de mim, seu irritante! – tentou levantar, mas eu a segurei, dando meu sorriso mais sacana e deixando ela brava, meu rosto estava a centímetros do seu, sua respiração desregulada batia contra a minha.
– Eu sa-bi-a!! Você me ama mulher, sempre soube! – Roubei um beijo dela que tentava negar, mas não demorou muito a se entregar.
– Você é um metido, isso sim! – fechou os olhos com força se esforçando para não rir e tentou me empurrar, cai para o lado e ela levantou da cama, com o cabelo já todo bagunçado e o vestido quase rasgado estava mais linda e deslumbrante agora, com as bochechas coradas de tanto rir e os olhos mais brilhantes do que antes, do que em qualquer festa.
– Volta aqui, ainda não terminamos – Estava a observando ir até o banheiro calçando apenas um sapato e não conseguia parar de rir, ela se virou apenas pra jogar o outro sapato em mim. Corri atrás dela e nós caímos no chão do banheiro morrendo de rir.
– Agora meu vestido já era – Ela fez uma careta ao ouvir o tecido rasgando, a puxei pela cintura, abraçando ela por trás e nos levando de volta para o quarto.
– Mas você fica bem mais bonita sem ele! Mais bonita que qualquer estrela da TV – riu se virando de frente para mim e pulando em meu colo.
– Ah, , você é um safado mesmo – Ela riu quando eu beijei seu pescoço e puxou de leve os cabelos da minha nuca, me deixando mais ansioso ainda para arrancar de vez aquele vestido dela.
– Você que me deixa assim!
A joguei na cama e senti seu olhar sobre mim, eu adorava quando ela me olhava desse jeito, só existia nós dois naquele momento e era bom demais.

FLASHBACK/OFF

E deixa a mesma tristeza
Em saber que não és minha
Que não te posso alcançar

Mas nem sempre foi assim, quando eu comecei a ficar com ela, depois de umas duas semanas, chegou e me disse:
“Vou viajar por um mês e meio, e realmente acho que nós não precisamos nos prender a nada agora. Quando eu voltar, nós tentamos ou nem tentamos mais, pode ser?!”
Ela praticamente me dispensou e saiu, fiquei indignado e tentei esquecer daquela doida.
Mas foi ela chegar na Austrália, lá do outro lado do mundo que eu já queria que ela estivesse por perto de novo e foi assim até ela voltar.
Sabia que não podia exigir nada, afinal não tínhamos nenhum compromisso de verdade, ela era livre para fazer o que quisesse e estava mais inalcançável do que nunca, mas eu não conseguia desistir. Ela já tinha me conquistado de um jeito que era impossível esquecê-la e eu fui atrás dela, uma semana após sua chegada ao Brasil.
?! O que você tá fazendo aqui? – Ela me olhava surpresa quando cheguei no escritório onde ela trabalhava.
– Vim falar com você, oras – Estava com um boné e óculos escuros e todos ali me olhavam esquisito, afinal era um escritório de alto padrão e eu estava parecendo um fugitivo. Ela conseguiu sair sem o chefe dela ver e me empurrou direto para a saída de emergência, naquelas escadas onde ninguém poderia nos ver, tirei o boné e os óculos e ela sorriu me vendo tentar dar um jeito no meu cabelo.
– Tá engraçado né, espertinha! – Ela riu mais forte mas parou ao sentir meu olhar sobre ela – , eu quero falar sobre a gente! Preciso saber se nós podemos tentar de verdade, se você quer tentar?! – Olhei no fundo dos olhos dela, era uma pergunta que eu queria fazer desde quando ela foi viajar, desde quando eu pensei que pudesse ter algo a mais com ela, mesmo sem ela saber.
– Pensei que você tinha esquecido – parecia surpresa com a minha “proposta” – , não sei se isso vai dar certo, a gente ficou por pouco tempo, nem nos conhecemos direito – Ela tentava fugir do assunto, não parava de mexer nos cabelos e desviar o olhar.
– Mas é pra isso mesmo! Eu só preciso saber que você não vai fugir de mim de novo, só assim a gente vê se dá certo ou não, mulher! – Me aproximei dela que bateu o corpo contra a porta de emergência e me olhou indecisa, eu podia sentir que ela queria dizer que sim mas estava com medo.
– Eu quero você, disso eu não tenho dúvida, mas e você?! Quer também? – Era a minha última tentativa, coloquei minhas mãos no bolso e a olhei de perto, tentando decifrar aquele olhar misterioso dela, até ela sorrir tímida e me puxar pela camisa, ela queria tanto quanto eu.
– Tô ferrada! – riu antes que eu juntasse mais nossos corpos e a beijasse com a vontade e a saudade que havia guardado durante esse tempinho que ficamos longe.
– Eu preciso voltar – ajeitava a blusa que ficou um pouco amassada e eu recoloquei meu boné e os óculos, rindo da nossa situação e principalmente do susto dela ao olhar o relógio – Meu Deus, meu chefe vai me matar! – Ela respirou fundo abrindo a porta de emergência, eu saí mas me puxou de volta para as escadas.
– Desce até o próximo andar e pega o elevador, meu chefe tá na porta – Os olhos arregalados dela e sua pressa me fizeram voltar e lhe roubar um beijo antes de descer as escadas e ouvi-la rir.
– Passo aqui no final do expediente – Estava no meio do lance de escadas e me chamou.
– Hoje?! – Ela perguntou incrédula.
– Claro, você me roubou quase dois meses, temos que compensar né!
E depois daquele dia vieram muitas outras broncas do chefe dela, muitos outros beijos e eu nunca me arrependi de ter ido atrás dela. De ter feito o que eu achava certo. Era a ! Tinha que ser!

E vem a chuva, molha o meu rosto
Provo do mel, me lembro do seu gosto
Olho da janela, vejo o jardim
Vou à praia, a tarde cai, que maravilha
O vento traz o teu perfume de baunilha
É como se o mar quebrasse só para mim

Agora, depois de tanto tempo eu ainda conseguia enganá-la (de um jeito bom), o que era uma missão quase impossível quando se tratava dela.
– Não esquece, vou te esperar no aeroporto, combinado?! – Pedi, talvez pela quarta vez no dia, para que não esquecesse do horário do nosso voo e ela apenas riu confirmando com a cabeça.
– Você não vai mesmo me dizer pra onde a gente vai? – Ela tentou arrancar a verdade de mim uma última vez antes de eu sair correndo do seu apartamento, sabia que ela estava louca pra saber pra onde iríamos mas isso era segredo, e nada era mais divertido do que deixá-la curiosa.
Para evitar estragar a surpresa, só avisei sobre a viagem ontem à noite, mandando uma mensagem de texto porque se ligasse ela conseguiria arrancar pistas e eu não podia correr esse risco.
“Pra onde vamos”
“É surpresa”
“Não, , isso não vale, eu PRECISO saber”
“Não precisa não, só esteja no aeroporto às seis da tarde”
“Não, espera! E roupa, é frio? É calor? , eu vou enlouquecer aqui”

Eu podia vê-la indecisa, mordendo o lábio inferior e encarando o guarda-roupa, pensando no que levar, em quantas malas levar e comecei a rir sabendo que corria o risco de nem dormir pensando sobre o assunto.
“Não precisa levar muita coisa, é mais calor que frio e não digo mais nada!”
“Muito obrigada!! Agora minha insônia vai melhorar!! Vou fazer minha mala!”
“Não vai se atrasar, senão eles vão brigar com a gente de novo amor!”
“Vou chegar antes de você, meu amor! Até amanhã!”

Cheguei ao aeroporto perto das cinco da tarde e fui direto para o portão 6, estava com uma touca de lã, óculos escuros e um casaco de moletom tentando ao máximo não chamar a atenção de ninguém, quando peguei o celular para ligar para , vi uma mulher sentada perto dali lendo um livro, com o cabelo preso e um óculos escuro acima da cabeça, muito parecida com ela, resolvi arriscar e me aproximei.
Quando estava a poucos metros a vi mexendo em sua medalhinha e tive certeza de que era a minha namorada. Ela sempre fazia isso, sempre pegava na medalha de N. Sra. Aparecida que eu lhe dei apenas para ter certeza de que estava ali.
Me sentei ao seu lado e não disse nada.
– Sabe, vocês são horríveis com disfarces! – continuou a olhar para o livro, mas começou a sorrir quando se virou para mim, colocou os óculos e veio me dar um beijo.
– Como você sabia que era eu?! – Perguntei ainda intrigado, queria dar um susto nela, mas ela nem me deixou tentar.
– O seu segurança tá logo ali, a uns cinco passos só com um boné, o seu assistente já passou por mim agora pouco e você…. eu conheço todas as suas toucas né, ! – Ela riu ajeitando mais minha touca, escondendo meu cabelo.
– Que sem graça você! Não dá nem pra brincar – com uma piscadinha e dando de ombros, se achava a própria investigadora do FBI.
– Posso saber pra onde a gente vai agora?! – Levantei junto dela e apenas neguei seu pedido, passando meu braço por seu ombro trazendo-a para mais perto. Fomos até a área de embarque e não conseguia mais disfarçar sua curiosidade.
, é sério, eu vou ter uma síncope aqui! Me diz onde a gente vai – Fingi que não a estava ouvindo enquanto prendia meu cinto de segurança. Somente meu segurança e meu assistente viajavam com a gente e todos sabiam que não era pra dizer uma palavra sobre o nosso destino.
– Well, por favor! Uma pista! – Ela tentou meu segurança e ele apenas balançou a cabeça negando, olhou para o meu assistente e ele riu.
– Nós já vamos decolar, você deveria prender logo esse cinto – Tentei me manter sério enquanto nos olhava indignada.
– Praticamente um sequestro isso aqui, onde já se viu…. Não sei nem pra onde eu tô indo – Enquanto tagarelava afivelou seu cinto e o piloto fez seus últimos ajustes, já estávamos prontos para partir.

Eu gargalhava por dentro em apenas observar tentando adivinhar para onde estávamos indo, quando viu que não teria resultado resolveu cochilar e em pouco mais de uma hora chegamos ao nosso destino, obviamente a primeira coisa que fez foi procurar pelo nome do aeroporto.
– Floripa! – Ela sorriu assim que viu o nome estampado em um letreiro – Gostei! Só não entendi porque eu não podia saber.
– Fazia parte da surpresa ué! Agora fica quietinha que eu não vou falar mais nada – Tentei manter minha postura antes que ela começasse a perguntar mais e mais coisas.
– Tá bom, seu chato, não pergunto mais nada – tapou a boca com a mão e eu não resisti, puxei ela para mim e selei nossos lábios, beijando-a com vontade. Mal sabia ela tudo que eu planejava pra essa viagem, tudo podia mudar.

Chegamos na pousada que ficava mais isolada da cidade, um lugar lindo e que, com certeza, nos daria toda privacidade que eu precisava, mas principalmente era especial porque fazia parte da nossa história.
– UAU!!! Você encontrou esse lugar de novo! – Assim que desceu do carro e olhou ao redor sorriu ao reconhecer o lugar. De mãos dadas nós entramos naquela pousada que tinha uma das senhoras mais simpáticas e adoráveis que já conhecemos.
– Olá, meus queridos! Fiquei tão feliz com a sua ligação – Dona Thereza saiu de trás do balcão e veio nos abraçar, e ela ficaram conversando por uns dez minutos enquanto eu acertava os detalhes de nossa estádia ali.
– Meu garoto, arrumei tudo do jeitinho que você me pediu – Aquela senhora pequena, me abraçou de lado e caminhou comigo para longe de – Você será muito feliz se fizer a coisa certa, nunca se esqueça disso! – Aconselhou com a fala mansa acenando com a cabeça para onde estava, sorridente e totalmente à vontade. Esse definitivamente era um dos nossos lugares favoritos.
– Vão para o quarto, está com uma vista maravilhosa hoje – Ela piscou para nós e eu gargalhei com a maneira sutil daquela senhora.
Na suíte do segundo andar, a vista era realmente linda, da sacada espaçosa era possível ver o mar quebrando lá fora, ao lado era como uma reserva florestal com árvores grandes e vistosas, e um jardim que era simplesmente o que mais adorava. Apaixonada por flores, ela e a dona da pousada ficaram um bom tempo falando sobre suas rosas favoritas e o quanto quase virou florista, mas desistiu por morar em São Paulo e não ser paciente o suficiente.
– Cinco dias de pura paz! Adorei essa surpresa – me abraçou de lado, encarando o lindo pôr do sol e o mar que muito em breve iriamos aproveitar.
– Sabia que você ia gostar, estava com saudade daqui – Trouxe ela para a minha frente e a envolvi por trás com meus braços, fechou os olhos encostando mais seu corpo ao meu, totalmente relaxada ela sorriu quando beijei seu ombro.
– Lembra da primeira vez que viemos aqui?! – Ela sorriu me olhando de lado e eu apenas concordei com a cabeça, foi um dia horrível – Aquele dia parecia o nosso fim – Aquele sussurro dela era uma lembrança triste, foi uma das nossas maiores brigas.

FLASHBACK ON

estava prestes a ir embora pra sempre da minha vida quando eu parei o carro no meio do caminho e desviei nossa rota, entrando na estradinha que dava direto nessa pousada, só parei o carro quando chegamos ao local e mesmo chovendo desceu do carro apenas para não ficar perto de mim, apenas para dizer que não queria mais saber.
– Me esquece, sai daqui! – Era praticamente certeza que ficaríamos doentes, mas eu não podia deixar tudo acabar assim, aos berros, sem nem uma conversa direito.
– Não, volta pro carro, você vai ficar doente desse jeito! – A chuva não parava, ensopando a nós dois, mas ela se recusava a voltar para o carro.
viajou para me fazer uma surpresa aqui em Jurerê – SC mas logo depois do show, saí com uns empresários da região e por pura coincidência minha ex-namorada também estava lá, não pude fazer nada em relação as fotos que publicaram, não fazia a mínima ideia do que publicaram, só tive certeza que estava com problemas quando encontrei indo embora, mais brava do que nunca. Consegui fazer ela entrar no carro, a levaria pessoalmente ao aeroporto se assim ela quisesse. Mas conforme nossa discussão piorava dentro do carro, eu percebi que precisava fazer alguma coisa senão perderia ela definitivamente. Foi quando parei em frente a pousada que parecia estar fechada, saiu do carro nervosa e chorando.
– Vamos embora, tá fechado aqui, vamos voltar para o hotel – Tentei pegá-la pela mão, mas ela se esquivou bruscamente.
– Eu espero abrir, vou ficar aqui, vai embora , me deixa em paz – batia à porta da pousada quase desesperada e eu não aguentava mais aquela situação.
– Não! Ou você volta comigo ou eu fico aqui com você esperando, eu não vou te deixar sozinha aqui!
– Por quê?! Você não se importa, você não precisa fingir, eu me viro, vai embora – se virou para me encarar, ela nunca chorava, mas ali na minha frente com a voz embargada eu a vi desmoronar.
– Pelo amor de Deus, vamos parar com isso, vamos voltar pra lá, não faz assim, – Peguei em suas mãos e senti ela tremendo de frio.
– Me dê uma razão pra eu fazer isso , eu não serei um brinquedo, não aguento isso – me olhou no fundo dos olhos e eu via o quanto ela estava triste.
– Eu te amo, caramba! – Disse alto vendo os olhos dela se arregalarem e ela dar um passo para trás, até aquele dia eu nunca havia dito de maneira tão clara que eu a amava.
– Essa é a razão, você me ama também! Não sei o que você leu, nem o que te contaram, mas você precisa acreditar em mim, você precisa falar comigo pô!
A porta atrás de se abriu nos assustando, uma senhora acendeu a luz e sorriu para nós.
– Desculpem a demora, podem entrar!
Ela nos disse que só havia um quarto de casal vago, uma suíte e nos indicou o caminho.
Assim que pisou no quarto começou chorar e eu a abracei forte, sentindo seu corpo estremecer e a minha vontade de protegê-la falar mais forte. Aquela foi uma noite e tanto, nossa conversa foi séria e finalmente consegui fazer com que entendesse que o que eu sentia era de verdade. E nosso relacionamento era pra valer.

FLASHBACK OFF

No segundo dia das nossas miniférias levantei tarde e vi que já tinha saído, desci e fui direto para o mar dar um mergulho, estava sentindo falta de poder relaxar a beira da praia, com toda a correria que vivo, momentos assim são de extrema importância.
Estava deitado na areia, quase dormindo quando senti que alguém se aproximava, reconheci seu perfume e sabia que era ela quem chegava.
– Tá dormindo aí?! – deitou sua cabeça sobre minha barriga e passeava com suas unhas por meu braço, me provocando e sorrindo porque sabia disso.
– Estava te esperando, pensei que tinha fugido de vez – Ergui a cabeça para olhá-la melhor, riu se sentando para observar melhor o mar a nossa frente e eu fiz o mesmo.
– Bem que eu queria, mas aqui é lindo demais, vou ficar mais um pouquinho – Mordi seu ombro e apenas ameacei lhe fazer cócegas, deitou sua cabeça em meu ombro e sorriu fechando os olhos. Ela era doce e delicada na maioria das vezes, mas sabia ser turbulenta e brigar muito bem quando queria e precisava. Minha menina. Minha mulher.
A mistura da brisa do mar com o cheiro vindo dela era como um calmante, o meu calmante favorito. Parecia que o mar estava quebrando só pra mim, enchendo meu mundo de paz.
– Vamos entrar, na realidade eu vim só pra te chamar pra almoçar – Ela riu se levantando e tentando me puxar pelas mãos, mas eu não queria levantar, estava muito bom por ali mesmo.
– Vem, , daqui a pouco vai chover e não quero correr – Assim que ela terminou de falar comecei a sentir algumas gotas de chuva sobre minha cabeça e meu rosto, apenas ouvi ela me abandonando naquele princípio de garoa, tentando correr na areia sem muito sucesso.
– Volta aqui, mulher. A gente já tá se molhando mesmo – Puxei sua mão e ela bateu contra meu peito, e eu lhe roubei um beijo, era uma delícia beijá-la na chuva, era uma maravilha ter ela em meus braços, por mim aquele beijo poderia ser infinito que eu não ligaria.
– Agora a gente pode ir – Lhe dei um último selinho antes de subirmos as escadas que davam acesso ao nosso quarto.

“Tenho outra surpresa! Me espere para o jantar”
Deixei o bilhete sobre seu travesseiro enquanto ela tomava banho e sai com o meu assistente para o centro da cidade, precisava comprar algumas coisas e conversar com a Bruna, minha irmã, longe dos ouvidos curiosos de .
– Ai meu Deus, já falou com ela?! – Esse foi o jeito que ela atendeu o telefone.
– Oi, Bruna. Tô bem também! – Ri apenas para irritá-la de leve – Não, tô nervoso demais! – Admiti para minha irmã e ela suspirou do outro lado da linha.
– Vai dar tudo certo, depois de tudo que já aconteceu e de tudo que você já me falou, isso já é certo! Só confiar! – Bruna me passava confiança e eu concordava com ela, mesmo que ela não pudesse me ver.
– Boa sorte, me dá um sinal de quando eu posso encher a de mensagens, o.k.?! O.K.!!! – Ela perguntou e a própria respondeu rindo – A mãe já tá perguntando se pode ligar, corre com esse negócio!
– Valeu Bru, eu aviso vocês suas curiosas, agora tenho que ir! Beijo.

Quando voltei a pousada já era quase oito da noite e o tempo estava ótimo, sem nenhuma nuvem no céu, era tudo que eu precisava.
– Sua menina está super inquieta, meu filho – Dona Thereza me abordou assim que pisei na recepção – Mas eu consegui distrair ela e arrumei o quarto, tá tudo lindo! – Ela piscou para mim sorrindo e eu devolvi o sorriso, lhe dando um abraço como agradecimento.
Quando cheguei ao quarto não estava lá, aproveitei para tomar um banho rápido para procurá-la depois, mas nem foi necessário, assim que saí pronto do banheiro a encontrei sentada na cama, tentando não roer as unhas de ansiedade.
– Isso que você faz é maldade, quase fui correndo atrás de você pra saber dessa surpresa – Sorriu quando me aproximei para lhe beijar.
– Espero que esteja preparada – Disse apenas para atiçá-la e funcionou, colocou a mão no coração e fechou os olhos com força.
– Depois dessa, não tô preparada – Em seus olhos dava pra ver a curiosidade e o quanto ela tentava imaginar o que poderia ser, as mil possibilidades naquela mente.
– Fecha os olhos – Peguei-a pela mão e pedi ao pé de seu ouvido, pude ver ela se arrepiando e mesmo a contragosto me obedecer.
Como não chovia, pedi a dona da pousada que arrumasse a mesa do jantar na sacada do nosso quarto que era enorme e seria o local perfeito. Para não ver, depois que tudo foi organizado a porta que dava acesso a sacada foi trancada e a chave entregue a mim agora pouco na recepção.
Guiei os poucos passos de até a sacada que estava realmente incrível, cheia de luzes que pareciam pisca-pisca e uma mesa repleta das nossas comidas favoritas e o detalhe que eu fiz questão de que estivesse presente, uma rosa branca, a rosa favorita dela.
– UAU!!!! Eu tô sem palavras, isso está lindo demais – Com os olhos brilhantes se virou para me beijar e sorriu abertamente, me abraçando – Você pediu tudo isso?! – Ela olhava impressionada para tudo ao nosso redor e eu afirmei com um aceno de cabeça. Seu olhar parou na flor e ela foi até a mesa para pegá-la.
– Você lembrou! – Sorrindo ela cheirou a flor e me olhou em seguida – Obrigada, meu amor! – Com seu sorriso mais bonito me abraçou forte quando me aproximei para puxar a cadeira para ela se sentar. Depois de alguns minutos não estava mais aguentando de ansiedade e comecei a falar o que vinha guardando há um bom tempo.
– Até agora, eu não acredito que você não me perguntou porque escolhi esse lugar! – parou de comer e sorrindo brincalhona disse como uma fala decorada teatralmente, quase mecânica.
– Oh , porque você escolheu esse lugar?! – Pegou seu suco e tomou um gole despreocupadamente, enquanto eu respirava fundo sem ela nem perceber.
– Porque esse lugar marcou na nossa história, foi como se nosso namoro começasse de verdade a partir daqui, você me deu uma chance pra recomeçar e eu sou muito feliz por isso – Ela sorriu e estendeu sua mão para mim, fiquei brincando com a ponta de seus dedos enquanto falava.
– Daquele dia a minha melhor lembrança é você acordando toda descabelada vestindo a minha camisa e perguntando onde a gente estava, sua felicidade em ficar tão pertinho do mar, te ver feliz me deixa mais feliz ainda, sabia?!
olhou para a praia, tão próxima, tão acessível a nós que quase nunca íamos a praia e sorriu concordando, ela estava pronta para começar a falar, mas eu pedi que ela esperasse.
, eu adoro te ver dançar de meias pela casa, adoro ter o Thor sempre me perturbando quando eu quero te beijar e ele quer brincar, você me deixou pegar sua casa como um lar emprestado, como meu esconderijo favorito e nesses quatro anos que estamos juntos você só me mostrou o quanto tudo que construímos é verdadeiro, que um sempre vai poder confiar no outro, que eu terei sempre você ali por mim, e eu te amo todos os dias mais e mais por isso – Os olhos brilhantes e já cheios de lágrimas de me encaravam, sua mão junto a minha estava suando e acho que ela já tinha certeza do que viria a seguir, era tudo que eu podia fazer. A única coisa que eu queria fazer.
– Aqui nesse lugar tão nosso, eu preciso te pedir pra me deixar fazer mais parte da sua vida, acordar todos os dias com você, te fazer esquecer seus pesadelos, me unir a você de todas as maneiras possíveis, construir com você um lar de verdade, cheio de coisas pra você decorar e deixar do seu jeito, porque eu adoro o seu jeito – Ela já chorava e eu precisei respirar fundo mais uma vez, minhas mãos estavam trêmulas quando eu puxei a caixinha de veludo de dentro do bolso da calça e me ajoelhei a sua frente.
– Aceita dividir sua vida e sua cama comigo, todos os dias, até eu ficar um velhinho bem chato e você uma velhinha resmungona?! Quer casar comigo, ?! – ria enquanto seu rosto já era lavado pelas lágrimas que ela tentou evitar, me deu seu sorriso mais lindo quando se ajoelhou para me beijar e dizer sim, como na maioria das vezes ela dizia que me amava, sussurrando ao meu ouvido e me beijando.
Coloquei o anel de noivado em seu dedo e beijei sua mão, rindo da cara que ela fazia observando o anel.
– Não reclama, ! – Pedi quando vi que ela falaria provavelmente sobre o valor do anel e ela se calou rindo em seguida.
– Você é incrível e até agora não acredito que eu não desconfiei de nada! – riu me abraçando, ela sempre achava algum jeito de descobrir as coisas e conseguir organizar tudo sem ela perceber foi realmente difícil – Olha isso! – Ela pegou minha mão que estava em sua cintura e direcionou ao seu peito, onde eu podia sentir seu coração batendo acelerado.
– Só você consegue fazer isso, você me acalma e me tira do eixo em segundos, me faz rir e chorar na mesma hora e não há nada que eu queira mais do que construir uma família com você, ver um monte de zinho fazendo bagunça e eu mandando você arrumar, nossos amigos enchendo a casa de alegria e saber que eu terei você até o fim, até eu ser a velhinha resmungona e você um velhinho bem lerdo e chatinho! – Ela sorria enquanto falava tudo com sua voz doce e divertida, me fazendo rir só de imaginar nossas crianças fazendo a maior baderna e ela ficando brava – Eu amo você! – me olhou no fundo dos olhos, me dando a certeza de que era a mais pura verdade.
– Juntos até o fim! – Sussurrei em seu ouvido e ela sorriu contra o meu pescoço, me causando arrepios.
– Pra sempre! – Ela respondeu da mesma forma.
Juntei nossas bocas, seu toque era tudo que eu queria sentir, suas mãos brincando com meu cabelo enquanto eu a puxava para mim e mordiscava de leve seu lábio, passei a mão por suas costas e desci sentindo ela sorrir em meio ao beijo. Quanto mais meus dedos se perdiam em seu cabelo mais ela adorava a sensação, se entregando totalmente a mim.
era intensa e sabia me provocar, me deixar louco apenas com seu sorriso e seu olhar atrevido, sua boca era mais do que convidativa, era como provar do mel e nunca mais querer parar porque era viciante. Era um vício ter esta mulher.

A noite foi incrível, acordei com rindo ao telefone, falando com a Bruna e minha mãe ao mesmo tempo, contando sobre o pedido e sobre a viagem toda.
Quando voltássemos a São Paulo, Bruna já estava com tudo armado para uma festa surpresa, que só não sabia de nada, mas que seria muito especial. Uma grande comemoração ao nosso novo passo com todo mundo reunido e muita festa.
E a partir de agora, mais do que nunca, sempre que amanhecesse nós seríamos um só. Em corpo e alma, corações com a mesma vontade, na mesma sintonia. Era só uma questão de tempo que não mais me preocupava, pois ela já disse SIM e isso era tudo que importava.

FIM

N/A: Oi, gentee!!! Sei que é pequenininha mas eu amei demais escrever essa história,
Espero que gostem, de verdade e se puderem, comentem 😉 Ficaria extremamente feliz de saber o que vocês acharam!! Qualquer coisa, tô sempre por aqui: @just_aliine
Beijoos, até mais!!