In Dark

Sinopse: Quando a Unidade de Análise Comportamental do FBI é acionada para ter a responsabilidade de prender um dos maiores assassinos serial killer que escapara da prisão, uma teia de segredos é revelada.
Derek Morgan não esperava que sua ex namorada tivesse sido a agente responsável pelo antigo caso, o que acaba ocasionando na presença dela como peça chave para pegar o criminoso. O que nenhum deles estavam esperando, era que Skye White era mais do que uma ajuda adicional para prender Louis McLanner.
Ela era o desejo de vingança do assassino.
Em meio a segredos, sentimentos antigos e um jogo psicológico nada bem vindo, Derek precisa deixar antigas questões pessoais para trás, enquanto se junta com a sua equipe na tarefa de proteger a mulher que ele ama.
Gênero: Drama, Ação
Classificação: +16
Restrição: Derek Morgan é o principal, portanto é fixo. O restante da equipe da série também é. Somente a principal é interativa. Pode conter características que não são suas.
Beta: Natasha Romanoff


Por favor, não desmorone
Não posso enfrentar o seu coração partido
Estou tentando ser corajosa
Pare de me pedir para ficar
Não posso te amar no escuro
Love In The Dark – Adele

Prólogo

Os celulares tocavam sem parar.
Morgan estava irritado e isso era muito bem expressado no seu rosto quando passou pela porta da sala de reunião, onde estava todo o resto da equipe. Reid tentou cumprimentá-lo, mas desistiu quando percebeu que talvez ele não respondesse — e se o fizesse, seria uma resposta muito mau humorada. Não era nem três da manhã e eles estavam ali reunidos, como se o mundo não pudesse dar uma noite de descanso aos agentes. Geralmente, essa era a vida no FBI. Se você fosse chamado até no seu dia de folga, você comparecia.
— JJ — foi Aaron Hotchner quem se pronunciou, dando a cartada para que Jennifer Jareau iniciasse e explicasse o motivo de todos eles estarem reunidos ali.
A loira apertou um botão no controle que tinha nas mãos, fazendo com que a tela atrás de si se iluminasse e uma série de fotos aparecesse. Garcia contorceu o rosto em uma careta, incomodada com as fotos e desviou os olhos para os papéis na sua frente, decidida a não olhar muito o estrago das mulheres mortas nas fotos. Prentiss segurou um suspiro.
— Há três horas, a polícia de Missouri nos enviou essas fotos — JJ iniciou. — Três mulheres foram mortas, encontradas em locais diferentes, mas com os mesmo ferimentos.
Os rostos das três mulheres em destaque nas fotos da tela eram irreconhecíveis devido às diversas cicatrizes causadas por queimaduras. Todas elas usavam perucas idênticas e tinham a pele do braço marcada por uma letra, cada uma diferente.
— Apesar da queimadura, a causa da morte foi facadas — JJ continuou. — Garcia pesquisou e descobriu que houve outro caso em que o assassino usava o mesmo MO, com exceção da causa da morte. O nome dele é Louis McLanner e ele fugiu da prisão há dois dias.
— É um tempo muito curto para fazer três vítimas — Rossi observou. — Qual foi a causa da morte das outras mulheres?
— Asfixia — Garcia respondeu.
— Ele ficou muito tempo sem matar. Agora que fugiu, sente a necessidade de recuperar o tempo perdido com as mulheres — Hotch completou.
— Não faz sentido que ele tenha feito isso com as mulheres e jogado cada uma delas em um lugar diferente. Elas seriam encontradas do mesmo modo — Reid pareceu intrigado com aquela questão. Seu semblante era sério e ele estava determinadamente concentrado. — Ele também mudou a causa da morte. Asfixia para facadas é pessoal. O que significa a letra marcada nelas?
— Não havia possibilidade de alguém reconhecer as vítimas pelo rosto. — JJ suspirou. — A letra significa a inicial do nome de cada uma delas.
— Bom, isso não me parece uma gentileza do assassino — Prentiss ironizou.
Eles questionaram mais algumas coisas, completando o raciocínio um do outro e Morgan estava até mais desperto. O trabalho era cruel e pesado, ver toda aquela violência contra as mulheres ou qualquer outro tipo de vítima nos seus casos era algo que às vezes o impedia de ter uma boa noite de sono. Mas ele também se sentia satisfeito em saber que, embora o trabalho exigisse muito do emocional de alguém, ele fosse capaz de deter alguns criminosos do mundo.
— Se esse cara já estava no radar do FBI, significa que quem o pegou pode nos ajudar nesse caso — Morgan opinou. — Garcia, quem era o agente responsável?
Garcia hesitou, ajeitando o óculos em seu rosto e segurou todos os papéis em suas mãos, procurando um em específico. Não era do feitio dela ser atrapalhada dessa maneira, mas a informação que ela tinha podia perturbar Derek e ela preferia que ele lesse o nome no papel com os próprios olhos. Porém segurou um xingamento quando não encontrou o maldito papel e olhou para todos ali, que a encaravam em espera da resposta, então ela virou o rosto para Morgan.
— Quanto a isso, docinho, eu…
— Fui eu. — Uma mulher de cabelos ondulados, vestida de terno preto básico e salto alto entrou na sala. Sua feição era de irritação e ela apertou o celular na mão quando seus olhos encontraram as fotos na tela logo atrás de JJ. — Eu tive um trabalho para prender esse desgraçado, para ele fugir com tanta facilidade e matar três mulheres. Eu devia tê-lo matado.
Morgan esqueceu de respirar por um momento ao encarar a mulher. Ele reconhecia a irritação no seu rosto, reconhecia seu gesto de estar apertando o celular como se fosse quebrá-lo, reconhecia suas palavras de raiva.
— Desculpe — foi Aaron quem se pronunciou. — Quem é você?
— Ah. — A mulher deu um sorriso sem graça e se aproximou de Hotch quando ele se levantou e estendeu a mão para o agente. Aaron aceitou a mão estendida dela. — Sou . Fui a agente responsável por esse caso. Também sou a ex namorada de Derek Morgan.

Parte um

Longo dia, longa noite

Houve um silêncio seguido da apresentação de . Ela estava tensa e seus lábios tremeram um pouco quando finalmente se virou para encarar Derek Morgan e notar que ele estava surpreso por vê-la ali — e ela não soube dizer se tinha sido uma surpresa boa. Fazia alguns meses que não o via ou mantinha contato. O relacionamento de ambos não teve um término traumático ou ruim, mas tinha sido doído o bastante para que eles se evitassem sempre que pudessem. não sabia quanto à posição de Derek, mas ela o evitava simplesmente porque nunca deixou seu sentimento por ele. Parecia algo difícil de deixar para trás, considerando tudo o que eles viveram juntos.
— Eu tentei te dizer — Penelope tinha dito a Morgan, quebrando o silêncio instalado e, em segundos depois, o homem saiu pela porta que entrara.
E lá estava .
Respirando fundo e batucando com os dedos na mesa, enquanto esperava pacientemente todos eles discutirem a presença dela ali, do outro lado da sala. Ela não podia culpá-los, afinal. Não era a sua equipe ali, não era a sua zona, nem seus amigos. Era de Morgan. Era os amigos de Morgan, a equipe, a casa.
Ela, no mínimo, era uma intrusa.
— Sinto muito fazer você esperar.
levantou o rosto na direção da voz e exibiu um sorriso pequeno ao notar Reid entrar. Naquele momento, ele estava segurando uma caneca de café e os fios de seu cabelo estavam bagunçados. Ele se aproximou, sentando na cadeira vazia mais próxima.
— Nada que eu não esteja acostumada — respondeu, tranquilizando o rapaz.
A agente não o conhecia, mas lembrava perfeitamente de Morgan falando de todos os seus amigos e colegas de trabalho. Embora fosse mais próxima de Penelope, quase sentia que fosse íntima deles só pelo que Morgan confessava. Mas ela não era íntima deles. Ela só era a mulher que tinha quebrado o coração do galã da UAC.
— Eu só vim buscar um café — Reid comentou, mostrando a caneca. — Mas não preciso voltar para lá. Você é especialista em crimes sexuais?
cruzou as pernas, assentindo para a pergunta do rapaz. Ela desviou os olhos por um momento, só para encarar os papéis espalhados pela mesa. Cada folha daquela era uma informação sobre o serial killer. A mulher podia sentir o peito arder em raiva ao ser lembrada de que o homem tinha escapado da prisão. Ela tinha se dedicado inteiramente em pegá-lo e agora… agora todos os seus esforços foram reduzidos a pó.
— Eu li todos os arquivos do seu caso — Spencer Reid continuou, vendo que ela estava calada, analisando os papéis de longe. Ele quase pôde imaginar o que ela estava pensando. — A primeira vítima teve sinais de abuso sexual, mas as outras não.
levantou os olhos para examinar Reid. Ele parecia verdadeiramente interessado em querer discutir sobre o caso e quase inocente à pouca luz da sala, enquanto bebia o seu café calmamente.
— Não vai me perguntar sobre o Morgan? — a mulher questionou. — Como eu quebrei seu coração ou algo do tipo?
— Você quebrou o coração do Morgan? — Reid pareceu surpreso.
riu.
— Nem todas as garotas são despedaçadas pelo Derek Morgan, gênio — ela respondeu, pela primeira vez na noite, com um humor na voz. — Eu também sei quebrar corações.
— Bem — Reid deu de ombros, um pouco sem graça —, eu não sou especialista em corações quebrados ou relacionamentos, você sabe…
— Não, não sei — o cortou, mas não foi grosseiramente. Ele sorriu para ela, como se pedisse desculpas, mas a mulher balançou a cabeça e suspirou, alcançando uma folha. — Sexo, na maioria das vezes, é poder. Dominação.
— O que você concluiu?
— Ele não sentia prazer pelo ato sexual em si, mas pelo poder de controlá-la — ela explicou, fazendo desenhos abstratos na folha com os dedos. — Só que, no caso dele, ele precisava que as mulheres consentissem. Quando elas não o fizeram, ele teve que arranjar uma forma de controlá-las que o satisfizesse.
— Decidindo como e quando elas morreriam — Reid concluiu e assentiu.
Relembrar alguns casos era sempre difícil. Mas odiava esse em específico. Ela não suportava tamanha maldade de um ser humano com qualquer outra pessoa inocente. Mas aquelas mulheres… Elas não tiveram chance alguma. Foram arrancadas de suas zonas de conforto e viveram o inferno antes de serem mortas violentamente. Quando conseguiu capturar o suspeito, ela não se lembrava de ter ficado mais aliviada do que em qualquer outro caso.
Agora se sentia incapaz e culpada pelas três novas mulheres mortas.
Se ela não o podia matar com as próprias mãos e vingar aquelas mulheres, ela torcia que ao menos pudesse fazer parte daquela investigação com a equipe de Aaron Hotch e capturar o desgraçado de uma vez. Dessa vez, ela ia garantir que ele nunca mais tivesse a oportunidade de olhar a luz do sol.
— Agente .
Aaron entrou pela porta, sua expressão séria, sendo seguido por Rossi logo atrás de si. Os outros não compareceram e percebeu que estava ansiosa para ver Morgan outra vez. Mas ele não apareceu.
Reid e se levantaram e a mulher ajeitou a saia, caminhando até uma distância segura do agente Hotch. Ela não se sentia intimidada por ele, mas o respeitava e o admirava.
— Vamos precisar da sua ajuda nesse caso — ele se pronunciou. — Mas você entende que só estamos solicitando a sua presença no caso por consultoria?
A mulher quase deu um sorriso de desdém, porém se controlou.
— Se está me perguntando se eu sei que não faço parte da equipe, pode ficar tranquilo, senhor — ela respondeu. — Não tenho a menor intenção de trabalhar com a UAC.
Rossi sorriu e Aaron assentiu. Reid continuou observando calado, com uma mão segurando a caneca e a outra no bolso de sua calça. Não que desprezasse o trabalho deles ou algo do tipo. Na verdade, se ela não amasse tanto a sua unidade em Los Angeles, podia considerar seriamente em trabalhar com eles na UAC. Mas todo mundo tinha um espaço e um lugar e o de não era ali.
— Vamos partir em uma hora. Esteja pronta.

04:00am, destino desconhecido.

resmungou ao sentir algo lhe cutucar nos braços. Era um toque leve e calmo e ela precisou ser tocada outra vez para abrir os olhos preguiçosamente. Seu corpo reclamava por um bom descanso. A mulher mal estava dormindo, então qualquer oportunidade que ela conseguisse de tirar um cochilo que fosse, estava aproveitando. Mas parecia que alguém não estava disposto a deixar ela fazer isso. A agente remexeu seu corpo sobre a poltrona desconfortável, viu Morgan parado à sua frente e seu coração quase deu um pulo.
Céus, ele continuava tão lindo.
— Por que você foi embora? — Foi a primeira coisa que saiu da boca do homem e revirou os olhos.
— Meu Deus, Morgan — ela resmungou, irritada. — Não deve ser nem cinco da manhã e você quer discutir relação?
— Não esperava mesmo que eu te recebesse com a maior alegria do mundo, — ele murmurou e cruzou os braços contra o peito. — Foi por isso que a Garcia hesitou em me dizer.
— Eu pedi que ela não contasse — lembrou. — Queria fazer uma surpresa.
— Bem, estou surpreso.
Ela não soube dizer se ele estava falando sério ou se estava sendo irônico. De qualquer forma, não se importou. respirou fundo e ajeitou o corpo sobre a poltrona do avião, erguendo só um pouco a cabeça para ter certeza de que ninguém mais estava ouvindo-os. Quando observou todo mundo dormindo e que só eles estavam acordados — com exceção dos pilotos —, mordeu o lábio. Ela pareceu notar que, naquele momento, estava mais próxima de Morgan do que jamais esteve em meses.
— Nós já tivemos essa conversa, Derek — foi a vez de ela murmurar.
Ele não tinha notado — ou não queria —, que ela estava realmente muito cansada. Os olhos da mulher tinham vestígios de olheiras e ela parecia pálida, mesmo na pouca luz do avião. Derek cogitou deixá-la em paz, levantar daquela poltrona, ir para outra e esquecer que ela estava ali, a pouca distância dele, mas ele não conseguiu levantar. Ele não queria admitir que não queria deixá-la em paz.
— Eu só queria entender, .
Foi involuntário que ele usasse o apelido dela na conversa, mas era tarde demais para que ele voltasse atrás agora. Ela lambeu os lábios, encarando a íris escura do homem que tanto amava e teve que reprimir a vontade de tocar seu rosto.
— Eu precisava ir embora — ela sussurrou, como se alguém pudesse escutá-la. — Não dava mais para mim.
Por quê?
Havia um pouco de dor na voz dele e ela sentiu o próprio coração apertar. Tirou o cobertor do corpo e prendeu a respiração ao ver o que estava prestes a fazer. Ele não hesitou e nem se mexeu quando ela sentou ao lado dele, na minúscula poltrona, quebrando o espaço que havia entre eles. tocou o rosto do ex namorado. Fora um toque leve, carinhoso, algo que Derek sentiu falta. Nenhum sorria. As respirações de ambos estavam misturadas, podia jurar que a qualquer momento seu coração pularia para fora e ela odiou a sensação de borboletas voando em seu estômago, fazendo-a se sentir como uma adolescente apaixonada. Não dava para dizer quem teve a atitude primeiro, mas estava nos braços de Morgan e sua boca estava grudada na dele. O beijo era movido pela saudade e a mulher se sentiu satisfeita em notar que jamais tinha esquecido o gosto dele. Ele ainda a beijava como sempre tinha beijado. Derek sentia o desejo lhe apertar o coração; ele grudou as mãos no rosto dela, descendo uma diretamente para a sua nuca, onde a pousou ali, agarrando os fios do cabelo da mulher levemente na parte de trás do pescoço. Nenhum deles parecia querer respirar. tomou a atitude de sentar no colo do homem, o que não foi de grande ajuda. Derek precisou de muito esforço para não fazer barulho quando ela arranhou a sua pele por debaixo da sua camisa e a mão dela era gelada contra a pele quente dele. O beijo se intensificou por alguns segundos, apenas para depois eles se separarem ofegantes, tentando recuperar a respiração. não abriu os olhos, mas Morgan a encarava com admiração e saudade.
… — ele sussurrou, como se estivesse com as palavras engasgadas na garganta.
Por quê?
Ela alisou a pele dele novamente, mas não foi um ato de provocação. Ela só queria tocá-lo, sentir sua pele quente contra seus dedos gelados e lembrar da sensação de como era tê-lo debaixo de si, sorrindo, suando e gemendo seu nome como se fosse a coisa mais prazerosa do mundo.
abriu os olhos e balançou a cabeça, saindo do colo dele direto para onde estava. Ela ainda tentava respirar e não conseguiu encarar os olhos do agente.
— Derek, eu… — ela tentou procurar as palavras certas para dizer, mas tudo parecia lhe fugir da mente. — Sinto muito. Eu só precisava ir embora. Eu só…
Mas ela não teve a chance de completar. Morgan levantou da poltrona em seguida e sumiu pelo avião. sentiu seu peito arder e doer. Deitou a cabeça de volta, soltando um suspiro longo, ignorando qualquer lágrima que veio a seguir.
Quantas vezes mais ela partiria o coração de Derek Morgan?

Missouri — EUA, 14:34PM

A cafeína não parecia suficiente para manter desperta. Depois que Morgan a acordara no avião, ela não conseguiu pregar os olhos mais. O que resultou em deixar sua mente vulnerável e ela pensava no toque dele, nos lábios dele contra os seus, no insaciável desejo que insistia em crescer dentro dela. Ela pensava em como tinha ido embora, deixando-o no escuro, e como desejou que ele estivesse lá quando aconteceu aquilo tudo.
Pensava em como ele merecia saber por que ela não tinha voltado mais e como ela sofreu sozinha em consequência de sua escolha. Despejar tudo em Derek agora parecia injusto.
— Oi, doçura.
Garcia sentou na cadeira vazia de frente para a agente e sorriu. Um sorriso carinhoso e saudoso, porque ela sempre gostou de Penelope, de como ela era a única que sabia quase tudo sobre Morgan e como ela tinha os apoiado. quase sentiu uma pontada de culpa quando lembrou que ignorara todas as ligações de Garcia, quando ela decidiu deixar o ex namorado e voltar para Los Angeles.
— Ei, Pen — murmurou, como se estivesse com a voz sonolenta. Ela bebeu mais uma vez um gole do café, mas fez uma careta quando notou que ele estava frio e jogou o copo no lixo. — Obrigada por não contar ao Morgan.
— Eu deveria, você sabe. — Garcia suspirou, mordendo a ponta da caneta. — Ele não gostou dessa surpresa.
riu.
— Ele se acostuma. — Deu de ombros, mas duvidava que ela fosse se acostumar. Nunca desejou tanto resolver um caso rápido e ir embora. — Onde estão os outros?
Quase como se estivesse esperando a oportunidade, Prentiss surgiu logo depois, entrando na sala. Aquela era uma sala de reunião exclusiva que o delegado local de Missouri disponibilizou especialmente para que os agentes do FBI se acomodassem sem que os policiais em si atrapalhassem. A delegacia, no entanto, parecia uma casa minúscula, onde era impossível que coubesse tantas pessoas — mas cabia.
— Prentiss chamou. — Precisamos de você.
A agente assentiu e se levantou, sendo acompanhada por Garcia e as duas amigas seguiram Prentiss, atravessando a sala comum da delegacia até o outro lado, onde continha a sala do delegado. sabia que eles tinham se dividido quando chegaram; Reid e Morgan ficaram com a tarefa de irem ao local de desova, Rossi e Prentiss ao legista, JJ ficara responsável por falar com as famílias, enquanto Hotch se responsabilizara a analisar as novas evidências do caso, procurando por algo que talvez todos eles deixaram passar. Garcia tinha a tarefa de pesquisar sobre a vida das vítimas que foram encontradas, tentando descobrir algo em comum entre elas que ajudassem a entender como elas tinham sido pegas. Não era comum que Garcia viajasse com a equipe, mas às vezes havia exceções e aquele caso parecia uma delas. , por outro lado, optou por ficar na sala de reunião, seguindo a ordem de Hotch de verificar os arquivos antigos. Ela não o questionara. Desconfiava que talvez ele estivesse sendo um pouco rígido demais com ela, apesar que ela não o podia culpar. Se ele quisesse defender Morgan, que o fizesse. Mas ela jamais iria admitir que isso atrapalhasse seu desenvolvimento profissional no caso. Ela não estava ali para ser plateia.
Agora que ela estava ali na sala, vendo todos eles presentes — com exceção de JJ, que ainda continuava com as famílias das vítimas —, ela respirou fundo, tentando afastar a tensão que havia acabado de se instalar em seu corpo e, de repente, já não sentia mais sono.
— Você sabia como ele escolhia as vítimas antigas? — foi Rossi quem se pronunciou.
Ela reparou que os arquivos estavam espalhados sobre a mesa e havia coisas novas que ela ainda não teve a oportunidade de olhar.
— Sabemos que ele tinha um padrão: universitárias, aproximadamente 22 anos, a cor do cabelo ou raça não importava. Ele as caracterizava com uma peruca loira — ela respondeu, olhando para Rossi especificamente, sem querer desviar o olhar para o outro homem. Ele não parecia disposto a encarar ela tão cedo ainda. — Descobrimos que a peruca representava a ex namorada que o deixou. Ela era universitária e morreu em uma tentativa de assalto, mas, antes disso, ela o deixou por um cara mais velho.
— Ele as torturava, descontando toda a sua raiva. Mas seus sentimentos são exagerados, uma vez que ele descarta o abuso sexual e queima seus rostos e asfixia todas elas — Reid completou. — Ele é desorganizado e o ato de cortar a pele da vítima, deixando a marca da letra inicial do nome dela pode indicar que ele sentia remorso.
soltou uma risada seca. Os olhos se viraram para ela e, pela primeira vez naquele dia, ela estava com raiva.
— Eu não acho que esse cara sente alguma coisa — ironizou.
Reid ficou em silêncio.
— Certo. — Hotch se aproximou da mesa, pegando uma pasta em questão e estendeu para , que a pegou. — Houve mudanças nas novas vítimas. Quero que você veja.
A agente abriu a pasta. Seu estômago vazio não ajudou quando ela bateu os olhos naquelas fotos. O rosto queimado das mulheres lhe angustiava de um modo que ela não saberia explicar e ela fez o possível para que não parecesse abalada. Ela também notou que, ao invés das novas vítimas — todas as três encontradas —, terem a peruca loira, estavam com uma preta, cujos fios eram ondulados e caíam no ombro.
E o choque permaneceu no seu rosto.
— Qual a causa da morte dessas? — perguntou, sentindo a voz quase falhar e não desviou os olhos das fotos.
— Facadas — Prentiss respondeu.
Todos eles pareciam irritantemente quietos, como se esperassem que ela falasse algo, que revelasse algo que nenhum deles sabiam — mas sabia que, seja lá o que eles descobriram, era o que ela estava descobrindo agora.
E céus, não podia ser. Era um pesadelo.
A resposta de Prentiss ainda estava ecoando na mente da mulher. Morgan era o único que a observava não como agente, mas como alguém que a amava e estava preocupado. O silêncio de não era algo comum e ela estar tremendo os lábios também não era algo comum. Ela geralmente era bastante profissional em qualquer caso, olhando qualquer foto, porque aquele trabalho exigia que você olhasse coisas cruéis daquele tipo. Mas aquele não era qualquer caso. Não para ela, Morgan percebeu.
— ele chamou e não continha carga emocional na sua voz, embora seu coração estivesse acelerado como se ele houvesse acabado de correr uma maratona. A mulher não levantou os olhos. — , a peruca delas é idêntica ao seu cabelo.
Garcia pareceu alarmada e todos — até o próprio delegado — permaneceram em silêncio quando finalmente levantou os olhos e seu primeiro contato foi Morgan.
O homem tinha a expressão sofrida, como se pedisse que ela falasse alguma coisa. A mulher jogou a pasta de volta sobre a mesa e respirou fundo, forçando seus lábios a pararem de tremer e manteve sua expressão serena e firme.
Mas sua mente estava o caos.
— Eu não sei o que vocês…
— Ele está se vingando — Reid quem a cortou, completando. — Ele fugiu da prisão e está com um desejo insaciável de vingança contra aquela que atrapalhou a sua “obra” em continuar matando aquelas mulheres.
— Ele está matando essas mulheres para se vingar de você — Rossi disse.
Prentiss se aproximou da mulher, passando uma mão levemente no seu ombro, como se pedisse permissão para tocá-la. Mas não disse nada.
Não, ela queria dizer.
— Ele está matando essas mulheres por minha causa? — ela questionou.
Morgan quase atravessou a sala para que pudesse abraçá-la, mas permaneceu onde estava.
— Sim — Hotch respondeu. — Ele mudou um pouco o MO. Agora ele busca mulheres que tenham autoridade na profissão, como você.
— E então, ele as caracteriza para que elas pareçam você — Prentiss completou, com a voz baixa, já que estava do lado dela.
sabia que podia esperar tudo de Louis McLanner. Ela mesmo teve o inevitável desprazer de conhecer aquele ser desprezível — ele quase acabara com sua vida quando a esfaqueou no dia em que ela o pegou. Mas aquilo… aquilo era desumano. Sua vingança não tinha sentido.
— Também há outro fator — Reid disse, e Morgan lançou um olhar traidor para o garoto. Reid não entendeu se tinha feito algo de errado, mas, mesmo assim, continuou.
— O quê? — a agente questionou, quase perdendo a paciência.
— Todas elas estavam grávidas.
O quê?
sentiu seu corpo amolecer. Ela sentiu Prentiss a agarrando pelas costas, sentiu algo duro contra suas pernas e se deu conta de que estava sentada em uma cadeira.
Grávidas.
O filho da puta não tinha poupado nem aquele detalhe. Se aqueles analistas de perfis estavam ligando tudo o que Louis estava fazendo a ela, não demoraria muito para que Morgan percebesse que ela lhe escondia muito mais. Ela tentou respirar fundo, ouviu um burburinho se iniciar na sala e agradeceu fracamente quando Garcia apareceu lhe estendendo um copo de água na mão, o qual ela aceitou.
Estava sendo tudo demais para ela. Ela esperava que o caso fosse difícil, que fosse longo e complicado, que talvez não conseguissem capturar Louis — porque da primeira vez ele quase escapara —, mas não esperava se deparar com vingança. O que aquele desgraçado esperava? Que ela o encontrasse e oferecesse um acordo de paz por cada mulher que ele tinha matado?
A porta fora aberta e JJ entrou por ela, com uma expressão nada boa. Ela tinha um bilhete em mãos e o levou até Hotch.
— O que aconteceu? — foi Garcia quem perguntou, intimidada com todo aquele ar de mistério e tensão.
Ela nunca estava acostumada com aquelas coisas. Nunca estaria. Seu mundo cor de rosa era muito melhor e ela não tinha do que reclamar.
— Alguém vazou a informação para a mídia que o FBI está aqui para resolver o caso — JJ explicou e olhou para , que ainda parecia um pouco abalada. — Acabamos de receber este bilhete direcionado a agente .
— Se é para mim, por que você entrega a ele? — irritação ecoou pelos lábios de , que estava começando a perder a paciência com a coisa toda. O fato de estar noites sem dormir direito não contribuía para que recebesse todas aquelas notícias com bom humor.
Hotch respirou fundo e tomou a iniciativa de entregar o bilhete para a mulher.
Os dedos da agente se apertaram contra o papel fino ao ler aquelas palavras e, no minuto seguinte, ela saiu da sala batendo a porta.

“Estou feliz em tê-la de volta, agente .
Estaria disposta a comprovar a teoria de que um raio cai duas vezes no mesmo lugar?
McLanner.”

Nota da autora: Eu tô muito feliz de finalmente tirar essa história da caixinha e convidá-la para o mundo! Criminal Minds é minha série do coração e eu fico até triste de não ter tantas fanfics para ler com essa equipe maravilhosa. Derek Morgan é meu crush, mas meu amor mesmo é o Reid. Inclusive, tô planejando coisas com ele também, hein… Muito obrigada a você que leu até aqui. Por favor, não esqueçam de dizer o que estão achando. Críticas construtivas, elogios, observações… qualquer coisa, eu super aceito. Um beijão e até a próxima!

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Mais fanfics:

Operação Bebê — Original, Em Andamento.