02. Do Ya

  • Por: M. Bueno
  • Categoria: Especiais | McFLY
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Sinopse: “Eu estou fazendo uma lista das coisas que sinto falta quando estamos longe” – esse foi o começo da carta que ela leu e releu milhões de vezes. Seria possível um relacionamento voltar a ser o mesmo depois de uma traição?

Capítulo Único

“Oi, . Comecei a escrever essa carta já tem uma semana. Você saiu de Londres pra Nova York dia três de janeiro. Eu sei que você quer ficar longe de mim. E acredite, eu sei que fiz merda. Eu te liguei, você não atendeu. Mandei mensagens e não tive retorno. Escrever isso é meu penúltimo recurso – e se eu não tiver nenhum sinal como resposta, eu vou ter que te caçar nessa cidade enorme. Primeiramente, me desculpe. Eu sei que fui um merda e não mereço seu perdão. Mas, aqui estou eu tentando te conquistar novamente e acabei fazendo uma lista de coisas que sinto falta quando estamos longe… como a maneira como você beija, o sabor dos seus lábios, seu perfume, sua mão encaixando na minha enquanto andamos na cidade. Também sinto falta da sua voz, das rugas nos seus olhos quando você sorri… e até das coisas que você nunca gostou em si mesma – sua barriga ou suas coxas. As covinhas nas suas costas, no final da sua espinha, onde eu ficava fazendo carinho. Mas eu amo, infinitamente, tudo em você. Eu estou dizendo de coração.
A gente namora desde a faculdade e eu realmente estou sentindo sua falta. E então, e te pergunto: Você ainda me ama? Você precisa de um pouco mais de tempo? Você me quer pra te abraçar quando você chorar? Não quero ouvir você dizer talvez. Eu quero uma resposta concreta. Um sim, um não. Que seja. Eu preciso saber. Me responda de alguma maneira, por favor. Você tem meu número.
Estou esperando. .
Xx.”

– Babaca – praguejou ao terminar de ler a carta. Junto da carta, ele madou uma foto que eles tiraram no último aniversário dela. Ela estava rindo de alguma piada idiota e ele ria olhando pra ela, achando graça em tudo. pegou seu celular e escreveu uma mensagem para dizendo que havia lido a carta. Só isso. Não disse mais nada porque não tinha cabeça pra pensar.
A verdade é que ela ainda estava machucada. Ela descobriu que a estava traindo com sua “melhor amiga” um dia antes de precisar viajar a trabalho porque tinha assinado um contrato na empresa de marketing que trabalha para ficar seis meses em Nova York trabalhando em uma filial, além de ter sido promovida a chefe do departamento quando voltasse para a Inglaterra. Sua vida mudaria muito.

Infelizmente, a gente não manda no coração. amava , mesmo depois de tudo – e foi por isso que ela pediu um tempo longe e não jogou tudo pro alto de uma vez. Seus amigos haviam dito pra ela terminar, mas ela não conseguiu. Ela nunca tinha entrado em relacionamento duráveis ou que serviriam para mais alguma coisa além de sexo, mas com foi diferente. Eles se conheceram em 2015, com 25 anos e com 27 – quando ele estava no último ano da faculdade de música, e ela no penúltimo de publicidade. Eles haviam planejado um casamento pra março de 2020. Eles eram a personificação de relationship goals . As coisas andavam bem, se não fosse aquela maldita festa de despedida.
Na festa, o músico tinha sumido, e ela resolveu ir atrás. Abriu a porta de um dos quartos e viu Brianna – a sua melhor amiga desde o esino médio – e ele, dando uns pegas. Dos grandes. Assim que viu a cena, gritou de raiva e quis chorar. Saiu correndo dali, e a sorte foi que esbarrou em um amigo do casal – Ian – que foi responsável por pegar as malas do apartamento que ela e o namorado dividiam, emprestou sua sala pra ela ficar até ir embora e a levou ao aeroporto.
Quando a moça pisou em solo americano, respirou fundo e quis que tudo aquilo passasse logo. Foi fácil ignorar as ligações. Foi complicado não responder as mensagens. Mas a carta que ele mandou, essa sim, mexeu e muito com a publicitária.

Depois de ter enviado e mensagem, ela resolveu ir fazer um chá de camomila para acalmar os nervos que estavam a flor da pele. Ela seria capaz de esganar alguém, de tanta raiva que sentia naquele momento. Se estava sendo difícil para , para ela estava pior.

Quatro meses se passaram. não parou de ligar, só diminuiu a frequência. Ian havia mantido contato frequente – os dois se falavam toda semana. Brianna se desculpou e deixou claro que perdoaria, mas não gostaria de voltar a ter a mesma amizade com ela.
estava saindo do trabalho quando uma menina de uns treze anos lhe parou na calçada perguntando seu nome. Ela achou estranho, mas falou mesmo assim. A menina disse pra ela sair na sacada do apartamento quando chegasse em casa. Uma sensação estranha ficou instalada na publicitária – ela tinha visto muito filme de terror e suspense, e imaginava que não seria uma coisa boa.
Mas o que aconteceu foi pior. Quando ela chegou na sacada e olhou para baixo, estava com a banda inteira ali. Ele havia pegado um dos microfones e estava se declarando. Falando o nome completo dela. Com um microfone e caixas de som que daria para ouvir em qualquer lugar do bairro.
não sabia onde enfiar a cara. Nunca, em sua vida, achou que passaria uma vergonha tão grande. Era a cena mais brega que ela já viu.
Ela assistiu tudo aquilo, e então uma música começou a tocar – e ela reconheceu algumas frases que estavam na carta ridícula que ele tinha mandado meses antes. Tudo aquilo foi uma grande palhaçada para , mas a menina de dezesseis anos que morava dentro dela e amava fanfics tinha adorado, achado a coisa mais linda, com todas as letras.
Ao final do “show”, perguntou se poderia subir até o apartamento.
Quando ele tocou a campainha e ela abriu a porta, quis chorar. Nunca em sua vida tinha visto tão magro, com olheiras tão profundas. Tudo bem que isso tudo era culpa dele – mas doía nela o ver de tal maneira.
– Oi .
– O que você está fazendo aqui?
– Eu preciso que você me perdoe. Por favor, me perdoe.
– E por qual motivo eu deveria fazer isso? – ela retrucou.
– Porque eu te amo. Aquilo da festa foi um erro. Eu te prometo que não vai acontecer novamente. Eu amo você e jamais faria algo pra te machucar.
– Mas você fez.
– Eu sei, eu fiz. Mas me perdoe.
– Sabe, eu posso sim te perdoar. Mas eu jamais posso garantir que voltaremos a ser o que éramos. Eu perdi minha confiança em você.
– Me deixa te reconquistar, por favor . Eu prometo que vai ser diferente.
– Tá. Volte para Londres. Em alguns dias eu estou lá e então a gente conversa.
– Promete?
– Prometo.
– Ok. Estarei te esperando.
– Ok.

Quando voltou para a Inglaterra ela tinha na cabeça que ia dar uma segunda chance para . Eles tentaram. Mesmo. O relacionamento demorou meses pra voltar a ser algo sólido. O casamento foi desmarcado, e sabe-se lá quando eles cogitarão alguma data.

A confiança é como um espelho, você pode consertar se estiver quebrado, mas não deixará de ver a rachadura no reflexo.

 

Fim.