02. Don’t Let It Break Your Heart

02. Don’t Let It Break Your Heart

Sinopse: Louis Tomlinson e Harry Styles começaram a namorar no ensino médio e mesmo com a mudança de Styles para Nova Iorque para fazer faculdade de Música, o relacionamento continuou em pé. Mesmo com todo suporte do namorado, Styles se sentia incapaz de conseguir realizar suas vontades e sozinho. No entanto, Louis não sabia de nada disso. Na viagem de volta para a pequena cidade de Doncaster, Harry precisava ter a coragem para contar tudo e tirar um peso das costas. 
Gênero: Romance/Drama
Classificação: 16 anos
Restrição: Possui insinuação de sexo. Essa fanfic foi inicialmente escrita com os cantores Louis Tomlinson e Harry Styles, por isso as características físicas batem com as duas figuras públicas, no entanto podem ser lidas com qualquer pessoa. 

O aeroporto de Nova Iorque estava cheio a uma semana da véspera de Natal. A decoração exorbitante do lugar, com suas enormes bolas cintilantes penduradas no teto e vários metros de pisca-pisca para todos os lados, parecia um caos misturada à movimentação de pessoas de um lado para outro. Executivos passavam apressados, crianças pareciam se divertir apontando para cada Papai Noel que viam. Todo o falatório se misturava às propagandas e aos anúncios das companhias aéreas. Um lugar que normalmente é agitado, na data perto do feriado parecia ainda mais. A cidade ficava lotada no fim de ano e poderia ser um caos para quem só quer um descanso.
, puxando uma mala grande e sua case de violão nas costas, parecia alheio a tudo isso com seus fones de ouvido. Estava exausto. O fim de semestre foi cansativo e ele mal podia esperar para deitar na cama e não precisar acordar 4h da manhã com o despertador irritante. Não via a hora de embarcar, chegar na Inglaterra e passar as festas de fim de ano na sua zona de conforto. Afinal há quanto tempo que ele não via sua família, amigos e namorado? Ele estava morrendo de saudades dos abraços de seus pais, de sua irmã lhe perturbando por novidades sobre a Big Apple, mas não poderia deixar de lembrar das mãos leves de passeando por seus cachos enquanto assistiam um filme qualquer.
A escolha de estudar em música na NYU foi incrível. Estava tendo aulas com professores incríveis, se dedicando ao máximo e fazendo diversos projetos acadêmicos para garantir um currículo excelente e quem sabe ganhar bolsa para mestrado. Ele não se arrependia da mudança de país, mas, como em qualquer coisa na vida, às vezes ele só precisava parar um pouco e respirar. Ele trabalhava como garçom em um restaurante num bairro metido à hipster para ajudar a pagar as contas e quando tinha tempo ia para praças e parques da cidade cantar e quem sabe conseguir uns trocados. Ou alguém o filmar e mostrar ao mundo sua paixão por suas canções favoritas. Batia o desânimo, mas sua família e namorado sempre estavam ali para apoiá-lo. Queria abraçá-los e agradecer por todo incentivo, ainda mais ele que se aproximava do fim do curso.
Depois de fazer check-in, procurou um lugar para sentar, mas acabou desistindo e sentando no chão apoiado em uma pilastra. Ele procurou uma nova playlist para ouvir, no entanto tudo o deixava impaciente. Será que simplesmente não poderiam chamar o voo dele? Ele bufou levemente tentando pensar em algo para se concentrar. Abriu o bloco de notas e lembrou de umas palavras aleatórias que havia escrito. Ele acreditava que seria um ótimo momento para tentar escrever uma nova música. Quem sabe não o ajudaria a aliviar a tensão que o impregnava no momento.
Não achou, claro. A música era um desabafo sobre seus momentos mais sombrios e difíceis, quando a ansiedade o dominava e o fazia de fantoche e ele não reconhecia a si próprio. Era doloroso. Desconfortável. E no mínimo preocupante.
Suas próprias palavras o atingiam em cheio. O estouraram em pedacinhos, cada um preocupado com uma direção diferente, tentando tomar decisões.
Suas mãos voltaram a soar e poderia jurar que se ele tocasse mais uma vez na ferida choraria no meio do aeroporto. Só desistiu daquilo e bloqueou a tela.


, não demore para chegar. Tô com saudade de dormir de conchinha. Não quero ver seus nudes só por vídeo. Xoxo

A mensagem que saltou do celular o fez rir. era seu melhor amigo, confidente e, não menos importante, namorado desde o ensino médio quando sua família se mudou de Holmes Chapel para Doncaster por causa de uma oportunidade de emprego. estava no último ano do fundamental e no último do ensino médio quando conversaram pela primeira vez e não demorou muito para que ambos se apaixonassem. passou para a faculdade de psicologia e ao contrário do que muitos esperavam, eles não terminaram e pareciam ainda mais inseparáveis. Quando estava terminando o curso, passou para faculdade. E mais uma vez eles apareciam mais apaixonados.
e confiavam um no outro mais do que qualquer coisa no mundo.
olhou as horas e ainda faltava quase uma hora para o embarque. Ele só esperava que não nevasse demais naquela tarde.

🎄
O aeroporto de Manchester não era tão caótico quanto o da cidade norte-americana. Tinha algumas pessoas com pressa, mas no geral a tranquilidade era o melhor adjetivo para o momento. A decoração era um pouco mais discreta, com uma grande árvore de natal no centro do lugar e pisca-piscas espalhados pelo teto do local, mas ainda assim bonita. Anne e Gemma, mãe e irmã de respectivamente, estavam mais perto do portão de desembarque. Mantinham o olhar fixo nas pessoas que saíam por aquelas portas, principalmente Anne, que não via o filho há mais de um ano. por sua vez olhava para o telão confirmando que o voo de já estava em solo inglês. Ele não sabia se estava tremendo por causa do frio ou se era por causa do nervoso em rever o namorado depois de meses.
Achar na multidão não era difícil. Um homem magro, alto e com o cabelo ondulado/cacheado comprido que o deixava com cara de príncipe. E lá estava ele de casaco mais grosso e com os cabelos soltos. Seus olhos o pareciam procurar um ponto fixo, e quando achou o que procurava sorriu.
Quando apareceu, o mundo de iluminou tão quanto a Times Square. acelerou os passos tentando não ser estabanado e não empurrar ninguém e logo largou sua bagagem quase no meio caminho para abraçar sua mãe e irmã ao mesmo tempo.
— Como seu cabelo cresceu! – Anne comentou segurando o rosto do filho, acariciando de leve – Você está tão lindo!
— Lindo, mãe? Você tem certeza? – Gemma debochou rindo.
— Vocês crescem e continuam duas crianças. – Disse a mãe ignorando os comentários implicantes da filha enquanto pegava a mala de – Como foi a viagem? Muita turbulência?
— Foi tranquilo. Eu vim lendo e depois peguei no sono, então quase não percebi nada.
, você dorme em qualquer lugar. É capaz de acontecer um fato inédito na sua frente e você nem perceber! – Gemma exclamou enquanto segurava a case de violão.
, por sua vez, riu pelo nariz e pela primeira vez naquele momento olhou nos olhos de . Como parecia ainda mais bonito pessoalmente. Com um moletom maior do que ele, cabelo raspado nas laterais que valorizavam sua franja e uma barba, não parava de pensar o quão sortudo ele era. Além de compreensivo, seu namorado era um baita de um gostoso.
Com os olhares fixos um no outro, o verde se encontrou no azul.
se aproximou e abraçou com vontade, que não se aguentou, ficando na ponta dos pés e selando seus lábios.
— Quanto tempo, babe sussurrou com seu sotaque carregado do interior ainda com as bocas grudadas. – Nova Iorque te faz um bem hein.
— Parece que Manchester também faz efeito em você. Você fica lindo de barba. – respondeu enquanto beijava o maxilar do namorado – Você já vai de vez para Donny?
— Claro que vou. Terminei a papelada do mestrado para ter mais tempo com você. – o beijou mais uma vez.
— Desculpa atrapalhar a bolha de vocês, mas o aeroporto tá ficando cheio e temos um longo caminho até Doncaster. – Gemma balançou a chave do carro chamando a atenção do casal.
e deram as mãos e pareciam o casal mais feliz no mundo, ainda mais que suas tatuagens de âncora e corda se complementam.
mal podia ver a hora de passar o feriado na cama com .

🎄
A casa de estava recém pintada para os feriados, mas por dentro parecia exatamente igual a última vez que esteve ali. O cheiro familiar de jasmim espalhado pelos ambientes confirmava 100% que ele estava no lugar onde cresceu e criou laços. O sentimento de lar preenchia seu coração e de certa forma acalmava suas incertezas. As luzes de Natal em tom amarelado aconchegam o ambiente e a grande árvore ao lado da lareira com enfeites que a família tinha a anos floresciam memórias muito queridas da infância do rapaz.
O quarto de era em um tom neutro, variando entre bege e marrom escuro. Alguns posters de banda na parede, livros numa prateleira simples e uma cama de casal ao lado da janela. reparou que sua mãe havia colocado uma cômoda, mas no momento sua atenção estava voltada para , que passava a chave na porta.
sentiu abraçar sua cintura e beijar carinhosamente sua nuca. Ele soltou um sorriso frouxo e virou-se para o namorado. prendeu-o contra a porta e segurou pelas bochechas, beijando-o em seguida. O beijo tinha gosto de urgência. Eles mesmos não entendiam como sobreviviam só com vídeo-chamadas e sexting. segurou pela lateral do pescoço e subiu as mãos para o cabelo dele. As mãos do estudante de música passearam pelo corpo do mais velho tirando o moletom e camiseta de uma vez só revelando as tatuagens, que algumas eram complementarem às suas. começou a empurrar em direção à cama, mas não parando de beijá-lo.
— Senti sua falta, darling. – A boca de estava encostada no ouvido do namorado depois que sentou na ponta do colchão.
— Eu também. – sussurrou de volta se acomodando no colo de e puxando a camiseta dele para cima.
voltou a beija-lo e suas mãos passeavam pelo corpo do mais velho e acariciavam ao mesmo tempo que desciam até chegar no cós da calça jeans. As mãos apressadas tiraram o cinto e segundo depois já abriram o botão da peça de roupa. Ele sabendo que ficava sensível, o pressionou contra si deixando suas intimidades roçarem uma na outra. O mais velho gemeu baixo e repetiu o movimento. colocou suas mãos no bumbum de por dentro da cueca e abaixou as peças de roupa. Começou a beijar os ombros do namorado e acariciando a bunda desnuda dele o incentivando a rebolar. Num olhar rápido, reparou algo preto no bumbum de e pareceu confuso.
, o que é isso na sua bunda? – Ele sussurrou dando leve chupōes no pescoço do namorado.
, que estava tão imerso quanto na atmosfera sexual do lugar, tentou segurar a risada.
— É só uma tatuagem nova, ignora isso.
— Esqueceu de avisar? – O mais novo, com dedos longos, pressionava a pele de , o fazendo gemer novamente.
— Eu ia contar, só não precisa agora.
— Você tatuou o que?
, esquece por enquanto – segurou o rosto de e depositou diversos selinhos.
— Mas eu preciso ver a sua bunda pessoalmente.
— É um pinguim, – O psicólogo respondeu rápido e seco tentando cortar logo o assunto.
olhou para como se tentasse achar algum traço de mentira no rosto dele. parecia impaciente e seus dedos não paravam quietos no zíper da calça de . o empurrou de seu colo para ficar em pé e o virou, confirmando a figura de um pinguim fazendo joinha. Ele não se aguentou e começou a rir, jogando a cabeça para frente.
— Não é possível! – O estudante de música ria mais cada vez que olhava para o desenho. enlouqueceu?!
— Perdi uma aposta na faculdade e deu nisso. – tentava se manter sério vendo seu namorado que não conseguia se controlar – Para de rir, babe. É só mais uma tatuagem boba.
— Dessa vez foi numa área engraçada né? – o puxou pela cintura e o prendeu entre as pernas – Agora eu não consego fazer nada com você porque não paro de pensar em “sorrie e acene, pessoal”.
liberou a risada e passou as mãos pelos cachos de . Que saudade ele estava do magrelo desengonçado e com piadas péssimas. terminou de tirar a calça, subiu a cueca e deitou na cama. repetiu os passos e se aconchegou no peitoral de .
— Você podia ter contado antes – quebrou o silêncio depois de alguns poucos minutos – Eu acharia menos engraçado agora.
— Foi recente, babe, e como estava perto de você chegar, guardei para quando estivesse aqui.
— Faz sentido, mas ainda assim eu não consigo parar de pensar no desenho.
— Se você me beijar mais uma vez faço você esquece-lo rapidinho.
— Sossega, . No banho eu cuido de você.
sorriu meigo para ele antes de depositar diversos beijos no topo da cabeça.
— Como foi seu ano? – O mais velho afagava o cabelo de .
— Um pouco caótico. Trabalhei quase todo final de semana, mas tô participando de vários projetos. Espero que algum deles me dê uma carta de recomendação.
— Você é um excelente aluno. Com certeza vão gostar dos seus trabalhos.
— E você, ? O mestrado tá sendo do jeito que você queria? – estava se esforçando para tirar o assunto de cima dele.
— É bem mais cansativo já que fico o dia inteiro no consultório, mas vale a pena. É muito bom ter a sensação de ajudar alguém.
estava bastante orgulhoso do namorado. se esforçou muito para conseguir a bolsa de estudos e a mudança para Manchester o fez muito bem. Faltava menos de um ano para apresentar seu trabalho pronto e ele estava ansioso para ver sua carreira dando um passo à frente.
— Fala mais de Nova Iorque, babe. Você conseguiu aquele estágio que você comentou? Ou conseguiu ir naquele museu?
— Não consegui… Eu vou tentar outros no próximo ano. – tentou disfarçar o desânimo – Eu tô tentando ganhar créditos extras, mas não quero falar disso.
, o que aconteceu? – sentou, apoiando na cabeceira da cama, mantendo a cabeça do namorado apoiado nele. Foi a primeira vez que não queria falar da faculdade. Foi estranho, afinal, por mensagens ele sempre demonstrava amor pelo curso.
— Nada, . Eu só fiquei chateado pela vaga.
— Eu te conheço, anjo. Você não é assim.
ficou quieto. Seus pensamentos ficaram a mil e nada do que ele pensava era o melhor a se falar no momento. Sentia seu coração acelerar e ainda tentava controlar a respiração para não começar a chorar. Seu maior gatilho no momento era sua faculdade e isso era um assunto que ele nem chegou perto de conversar com .
? – sussurrou calmo. Afagou a bochecha dele para acalma-lo.
— A faculdade está me esgotando. Só precisava vir pra casa, passar o máximo de tempo longe do celular e focar em você e na minha família. É só isso.
— Por que você não me contou isso antes?
— Porque eu te conheço o suficiente pra saber que você pegaria o primeiro voo que tivesse e iria pra lá.
, eu sou seu namorado a quantos anos? Nesses seis anos eu te vi de diversas maneiras e eu sei dos teus detalhes. Reconheço seus humores e manias. Eu tô aqui pra te apoiar. E se te apoiar significa ficar uma semana ou, sei lá, um mês em Nova Iorque te ajudando, eu vou – se mantinha forte. Era um assunto delicado. Seu lado namorado estava um pouco puto. Será que não confiava o suficiente nele? Mas seu lado psicólogo sabia que era tudo um modo de defesa. era dramático às vezes e quando ficava chateado, conversar com ele era a mesma coisa que conversar com uma parede.
, acabei de chegar de viagem. Eu tô cansado, com vontade de dormir por horas. Eu não quero falar sobre isso – Ele foi seco – Podemos simplesmente assistir Diário de uma Paixão e fingir que nada disso aconteceu?
saiu da posição em que estava e se levantou procurando o controle da televisão e assim poder colocar em um streaming. por sua vez suspirou enquanto passava a mão na franja. Era um momento complicado e não queria arruinar nada. O máximo que poderia fazer era esperar o namorado se sentir confortável.
Depois que o mais novo deu play, ele voltou para a cama, mas não se aninhou em como sempre fazia. Apenas afofou o travesseiro e deixou a tela ser seu foco total. O orgulho não o deixaria falar nada ali.
olhou de canto de olho e depois olhou para o filme. Belo jeito de recepcionar o namorado.

🎄
acordou em um sobressalto. Não lembrava em qual parte do filme ele dormiu sentado. A televisão já estava desligada e com uma brecha da cortina era possível ver a rua deserta. Ainda zonzo pelo susto, ele tateou o colchão e ficou confuso ao não sentir ao seu lado. Abriu os olhos com um pouco de dificuldade e direcionou o olhar para a porta aberta do banheiro, mas o cômodo estava apagado. Saiu da cama procurando sua camiseta e calça e os vestiu de qualquer jeito. Talvez estivesse na sala tomando chá sentado. Mas não. Apenas o vazio e o silêncio da noite em uma cidade pequena.
Ele respirou fundo e passou as mãos no rosto devagar. Foi até a cozinha onde também encontrou sem vestígios de . começou a andar pela casa tentando fazer o menos barulho possível pensando para onde ele poderia ter ido. Olhando para o cabideiro perto da porta e não vendo o sobretudo do namorado no lugar, ele lembrou de um dos primeiros lugares que ele mostrou a quando o menino se mudou para a cidade e seu coração se aqueceu. Com certeza era lá que o encontraria.

🎄
A velha torre do relógio era resquício de uma antiga fábrica. O lugar lembrava ruínas e parecia algo histórico, quando na verdade era apenas o que restou do lugar que produzia materiais em alumínio. A torre em si também não estava conservada, mas sua estrutura parecia aguentar a ação do tempo. Alguns números do relógio já não estavam lá e o que restava estava sem tinta, extremamente sujo e com aparência de cenário de um filme de terror. E ainda assim era o lugar que os jovens da cidade adoram passar o tempo. Não tinha adultos para brigar por causa das bebidas, muitos beijaram pela primeira vez naquele lugar.
viu a porta encostada e a abriu com cuidado. Enquanto subia as escadas, suas memórias pipocavam. A primeira vez que esteve ali com seu grupo de amigos havia feito uma vaquinha para fazer a festinha. estava se sentindo deslocado, mas fez o possível para que ele se sentisse bem ali. Essa segurança o possibilitou de virarem amigos próximos, que meses depois os transformou em ficantes quando se beijaram nesse mesmo local.
Quando estava quase chegando no topo, ouviu leves dedilhadas no violão. falava algumas palavras e em seguida tentava encaixa-las no ritmo. Ele parecia frustrado. o ouvia falar sozinho e se martirizar por não conseguir fazer o que desejava.
Sentado apoiando-se em uma parede imunda estava com um conjunto de moletom parecido com o do namorado, o sobretudo e um all star no pé. O violão descansava em suas coxas e na sua frente seu celular, um caderninho e uma caneta. estava tão concentrado conversando com si mesmo que não percebeu que estava ali.
— Perdeu o sono? – Sua voz soava tranquila na tentativa de não assustar , que ainda assim deu um leve pulo.
— Eu sou previsível demais, não é?
— Um pouco, admito.
riu sem graça e ajeitou o coque feito de qualquer jeito no topo da cabeça. Era um lugar especial para ambos. sentou ao lado do namorado e de canto de olhou tentou ler o que estava nas anotações. O mais novo tinha a cara um pouco inchada e exausta.
— O que aconteceu? – continuou com o mesmo tom baixo.
virou-se para ele e parecia tomar coragem para falar. Ele estalou os dedos e mordeu os lábios. Sentia-se nervoso e levou pelo menos dez minutos para conseguir enfim falar.
— Eu tô me sentindo horrível, . Você sabe que falta pouco para terminar a faculdade e até agora eu não consegui nada. Nem mesmo uma indicação. Eu preciso de um trabalho na área pra ontem – O estudante de música desabafou. Se permitiu se abrir, mesmo agora com vergonha de olhar para o namorado – Mas parece que nenhum dos meus esforços valem a pena – o ouvia atentamente e viu algo que escondia muito bem: insegurança.
— Você vem guardando isso a quanto tempo?
— Quase um ano e meio – A voz do mais novo falhou – Eu raramente consigo dormir bem, ou não surtar.
puxou para um abraço, que correspondeu na mesma hora. deixou as lágrimas escaparem e não ligava se estava molhando o casaco de . Era difícil guardar tudo aquilo por tanto tempo por vergonha. Ele sentiu que tinha tirado um peso das costas e que podia respirar um pouco melhor.
— Obrigada por confiar em mim. Se sentir vulnerável é importante e eu tô orgulhoso de você. Depois se você quiser posso te encaminhar pra um psicólogo. Conversar com alguém que está ali pra te ajudar vai te ajudar a se sentir mais confortável e confiante – apenas balançou a cabeça concordando – Mas lembre-se: não deixe que suas inseguranças te abalem. Às vezes a sua perspectiva não é a realidade, é só você projetando seu medo. Eu tô aqui pra te ajudar e pra te deixar feliz. Não deixe que essas coisas quebrem seu coração e tirem toda a empolgação que você tem, .
O estudante de música abriu o sorriso de orelha a orelha e saiu do abraço para beija-lo. sentia seu coração se aquecer e estar ali com o o fazia se sentir invencível.
— Muito obrigada por isso, babe. Eu prometo que vou fazer terapia. Não aguento mais sentir nervoso só em pensar na faculdade.
— Tempos melhores e mais tranquilos virão – disse o beijando novamente – Eu tô aqui pra te ajudar.
— Eu sei – agora sorria aliviado.
— Você ainda não mostrou o que está no caderninho – estava curioso.
— Tô escrevendo uma música.
leu rapidamente as palavras e as frases pareciam confusas demais. O que fazia sentindo já que estava perdido em si mesmo.
— Por que você não transforma essa música em um incentivo para você mesmo? Eu sei que você deixou uma parte de você em Nova Iorque, mas deixe uma parte de você em tudo o que faz.
Ele pegou o caderno e anotou algumas palavras no topo da folha: Don’t Let it Break Your Heart. O título da canção estava ali e enfim tudo parecia se encaixar.

🎄
A madrugada foi a bolha de e . Começaram a escrever a música juntos enquanto registrava o momento em vídeos contra a vontade de . Ainda assim estavam tão confortáveis ali que se entendiam até mesmo no momento que só dedilhava o violão em busca do tom perfeito. Até mesmo cantou um pouco, algo que ele não fazia desde o ensino médio. O tom de voz de harmonizava bem o de e na gravação que o mais novo havia feito parecia que eles haviam planejado tudo.
Era quase seis da manhã quando foram embora. Haviam dançado juntos, escrito a música e conversado como se fossem dois adolescentes que não estão nem aí para o futuro. A sintonia dos dois exalava e não poderiam estar mais felizes. No caminho de casa, enquanto dirigia, a mão de estava parada na coxa e às vezes deixava um leve carinho.
?
— Oi.
— Eu posso editar os vídeos e colocar no Tik Tok?
— Melhor não – tirou o olhar da rua por alguns instantes, virando-se para ele.
— Ninguém olha minha conta. Acho que não vai ter problema.
deu de ombros e cantarolou um trecho da música recém-escrita por eles. sorriu mais uma vez. Ele estava se sentindo em casa.

🎄
Estava nevando no dia da véspera de Natal assim como em um filme clichê da data comemorativa. O jardim da casa de estava tomado pelos flocos e mesmo cedo, as crianças já aproveitavam para brincar. acordou com a euforia das irmãs do namorado e ainda meio sonolento olhou para porta para ver se estava realmente trancada. A data era especial. Além do feriado, era o aniversário de . E por isso ele passou a noite ali para que a manhã de fosse especial.
Ambos estavam nus, com os lençóis bagunçados e as pernas entrelaçadas. dormia como um anjo e parecia que não iria acordar tão cedo. O mais novo passou a mão na franja dele antes de sair da posição confortável e colocar uma roupa. Pegou na mochila algumas decorações que estavam escondidas em sua bolsa, como uma bandeirola escrita “Happy Birthday” e algumas fotos dos dois juntos, e aproveitou a parede vazia para enfeitar e deixar o lugar mais especial. No pequeno móvel ao lado do quarto deixou o envelope com o presente e uma carta. Não trouxe café para o quarto pois sabia que Jay deixaria a mesa pronta esperando pelo filho mais velho e poderem comemorar juntos.
— Bom dia, aniversariante – sussurrava com cuidado enquanto sentava na beirada da cama – O dia está lindo.
grunhiu alguma coisa que não entendeu e se cobriu um pouco mais com o lençol.
— Vamos, , acorde. É seu dia.
— Que eu quase divido com uma figura religiosa – Ele alfinetou e cobriu a cabeça com o travesseiro – Você me deu canseira ontem, babe.
, foi só um blowjob adiantado de presente – segurava a risada.
, me deixa dormir só mais um pouco.
— Nope.
riu abafado e se sentou na cama, logo reparando na parede a sua frente com tudo o que havia preparado. O riso frouxo virou um sorriso de orelha a orelha.
— Isso é incrível!
— Espera até ver seu presente! – apontou para o envelope. pegou na mesma hora e rasgou onde tinha cola.
— Isso são ingressos pra ver o Catfish and the Bottleman?!? – parecia genuinamente surpreso.
— Eu sei que eles são sua banda favorita, por isso quando eu vi que eles anunciaram show em Shielfield eu não poderia deixar a oportunidade passar.
— Você é incrível! – o puxou para um beijo na mesma hora.
Depois de alguns minutos de amorzinho, enquanto lia a carta, ligou o celular para ver se tinha alguma mensagem de Jay. Ao invés disso, viu diversas notificações do Tik Tok. quase chorando com as palavras de e ele mesmo chocado que o vídeo tinha quase 100 mil visualizações.
, aconteceu alguma coisa? – perguntou tirando o foco da carta.
— O vídeo viralizou!
— O quê?!
— Sério, . Olha os comentários! Eles amaram a sua voz!
puxou o telefone da mão do namorado e realmente. O vídeo estava cheio de comentários positivos sobre o quão fofos eles eram e como as vozes eram bonitas.
— Parece que meu aniversário faz milagre também, ein?! – brincou puxando pela cintura – Você é talentoso, simpático e com um futuro brilhante. Só faltava as pessoas te verem.
— Mas o dia é seu, anjo.
— As pessoas estão falando da minha voz também, garoto! Fora que você fez tudo isso aqui pra mim!
Enquanto estavam em sua bolha, ouviram Jay gritar seus nomes pedindo para irem tomar café. Colocaram uma roupa qualquer e quando desceram encontraram tudo arrumado. estava encantado com a animação de , que não parava de agradecer pelos presentes e pelo bolo.
era seu milagre de Natal e não poderia estar mais feliz.