03. Mikrokosmos

03. Mikrokosmos

Sinopse: Um amor tão bonito que só pode ser um pouco divino também.
Gênero: Romance
Classificação: Livre.
Restrição:
Beta: Alex Russo

revirou o corpo na cama e logo o vazio incomum no espaço ao seu lado fez com que abrisse um dos olhos, confuso. Não era daquele jeito que as coisas costumavam acontecer quando ele se revirava na cama.
costumava resmungar quando ele praticamente a empurrava enquanto dormia, ainda que, na verdade, estivesse lhe procurando, em meio a algum sonho ruim que tornava sua mente acelerada e lhe fazia buscar pelo corpo quente e cheiro calmante dela para lhe acalmar. Para garantir que, na verdade, a realidade era segura. tinha pesadelos com mais frequência do que podia ser confortável quando sua vida profissional estava agitada demais e ele tinha apenas um terço do tempo que estava acostumado para descansar. Toda sua vida parecia sair dos eixos quando a agenda de seu grupo apertava, e embora ele fosse grato, porque aquilo significava que estavam indo bem, que estavam chegando aos lugares onde sempre sonharam, também podia ser exaustivo. E não ter na cama com ele para lhe guiar a um sono tranquilo nunca era bom.
O garoto resmungou, coçando os olhos para tentar enxergar algo no quarto escuro e terminou fazendo uma careta porque o breu não lhe deixava ver coisa alguma. empurrou as cobertas e se pôs de pé. Saiu do quarto, tateando a parede do corredor para acender a luz e estranhando quão silenciosa estava a casa. Nem mesmo o zunido baixinho do celular de ele ouvia, o que só lhe fez estranhar ainda mais toda a situação.
Já passava das três da manhã afinal, o que estaria fazendo acordada, se não estava distraída vendo algum vídeo no aparelho?!
Terminou por encontrá-la depois de dar duas voltas completas no apartamento, o estado sonolento já dando lugar a uma preocupação liquida quando notou a porta da varanda aberta, e as luzes de lá ligadas. Acabou sorrindo, sem acreditar que não pensara naquilo de imediato, e puxou sua manta quentinha jogada no sofá, envolvendo-a no corpo enquanto seguia em direção as portas de vidro que davam para a varanda, o cômodo favorito de em toda a casa.
Eles haviam decorado aquele lugar juntos, mas honestamente, tudo que fizera foi acatar cada uma das ideias da namorada. Ele a ajudara com as trepadeiras que enfeitavam a sacada, as samambaias e flores bem cuidadas ao redor, assim como o sofá de dois lugares que ele carregara para o lugar onde ela escolhera, onde estava sentada naquele momento, encolhida em sua própria manta.
— Garota?! – questionou, a incredulidade expressa em cada silaba fazendo sorrir um pouquinho, apenas minimamente culpada e, é claro, infinitamente divertida, ao olhar de canto para ele. estava acostumado aquele sorriso, era um de seus favoritos dos tantos que ela lhe dava, e ele já tinha catalogados em sua memória. Era o sorriso que ela nunca falhava em deixar escapar quando o namorado lhe flagrava fazendo algo que, teoricamente, era loucura. Como estar sentada ali, naquela varanda gelada, ás três e tanta da manhã.
O que era irônico porque aqueles eram os momentos em que lhe achava mais fascinante.
— O céu ‘tá bonito, vem cá… – ela chamou enfim, batendo no espaço ao seu lado. revirou os olhos. Ele devia dar as costas e ir dormir, tinha o dia cheio amanhã e pelo resto da semana, mas não sabia dizer não a ela. E, bem, na maior parte das vezes nem queria. Não quando ela sorria daquele jeito, tão convidativo.
lhe tinha com muito pouco, era ridículo.
— O que você ‘tá fazendo aqui, afinal? ‘Tá frio… – ele resmungou, mas já se aproximava, dando um jeito de se acomodar perto dela, de modo que recostasse as costas em seu peito e seus corpos se encaixassem e encontrassem conforto no calor um do outro.
— O céu… – apontou de maneira preguiçosa enquanto jogava a cabeça um pouco para trás, de modo a acomodar um lado do rosto contra o peito do namorado. Aquele espaço, bem ali, em seu peito, e de frente para o céu, a imensidão favorita dela, era o lugar favorito de em todo mundo. Gostava tanto de como o coração dele parecia bater tão calmo, diretamente contra o rosto dela.
, você precisa dormir – murmurou, com uma pontinha de humor sereno na voz, que lhe entregava por completo: Podia muito bem ficar ali com ela até o sol nascer.
– a garota reclamou, fazendo um biquinho ao erguer o olhar para o namorado. Ele sorriu ao beliscar seus lábios com os dele, sem conseguir resistir. revirou os olhos quando ele se afastou. – Não ‘tá vendo o quadro mais lindo de todos bem acima das nossas cabeças? Eu não quero dormir, só quero continuar vendo… – soou muito como uma criança contrariada, e mordeu uma risada, concordando com a cabeça enquanto finalmente, só então, demandava alguma atenção ao céu que hipnotizava tanto sua namorada, a ponto de fazê-la se esquecer de qualquer sensação terrena e simples, como, bem, o sono.
O garoto acabou por não conseguir conter um sorriso.
O céu parecia coberto por um imenso, cintilante véu. As estrelas, por si só, eram um espetáculo, alinhadas como se fizessem uma festa e os pontinhos brilhantes em cada uma delas dançassem incansáveis. O fato de ser ali, bem de frente para os dois, era como um presente embalado e pensado, cuidadosamente, para .
Fazia sentido, afinal, que ela estivesse tão hipnotizada pelo que via. sempre teve um relacionamento muito profundo com o céu, a noite ou durante o dia, repleto de nuvens ou completamente limpo, azul como no verão. Ela conseguia apreciar a beleza da imensidão tão misteriosa, mística, acima de suas cabeças, não importava como ela se apresentasse. achava muito bonito, quão apaixonada ela podia ser pelas coisas que poucos olhavam com atenção. Gostava de como, ainda que ela não parecesse notar, tornava tudo poesia e paz. Ela via as coisas de seu próprio jeito, em sua própria luz, e embora desse muito valor a todos por quem passara, que lhe ajudaram a moldar sua própria personalidade, ainda era tão única.
— Você sabe que não é assim de verdade, não é? – ele comentou, por pura implicância e lhe encarou, esperando pelo resto, mas com certa agressividade demarcada no olhar. Estava pronta para lhe dar um chute bem dado se ofendesse de alguma forma suas estrelas. mordeu um sorriso. – A gente as vê desse jeito porque nosso cérebro precisa alinhar o que registra de um jeito minimamente lógico de acordo com nosso conhecimento de mundo. As estrelas, na verdade, são composições químicas, gases explodindo a mais de mil anos-luz de distância…
foi obrigado a se interromper, mordendo com força a boca para conter uma risada diante dos olhos estreitos, e irritadiços, da namorada quando ela se afastou, ficando de frente para ele. Ele se esforçou para lhe encarar com a simplicidade que normalmente demandava ao assunto, com qualquer um, menos com ela, mas queria tanto parar de se esforçar para não sorrir diante dos olhos tão vivos dela. Aquela constelação bem ali, nos olhos que ele mais amava em todo mundo, era sua favorita, acima de qualquer uma que o céu pudesse bordar, a qualquer momento.
— Eu não acredito nisso nem por um segundo – retrucou enfim, tão confiante nas próprias palavras quanto de costume. Era só mais uma das coisas que tanto amava nela. Quando ela via as coisas de um jeito, via daquele jeito e pronto, e ainda que aquilo pudesse ser também a causa de atritos entre os dois nos dias ruins, na maior parte do tempo era apenas mais um dos motivos para ele ser tão boiola por ela. – Não quando meu coração me diz o contrário. Não quando eu vejo mágica quando olho pro céu, quando olho pras estrelas não sinto que são gases, sinto que são… – ela suspirou, abraçando os joelhos. – Mais. Eu sinto que são mais.
— Para mim – começou, inclinando-se em sua direção de modo a tocar gentilmente a testa dela com a sua enquanto contornava seus lábios com o polegar – você é mágica. Você é mais e por isso vê as coisas nessa outra luz, tão sua.
Teimosa, revirou os olhos outra vez.
— Você acha que me tapeia – resmungou, desgostos. Dessa vez não conteve uma risada, segurando seu rosto nas mãos e lhe roubando um beijo, que mesmo breve, carregava a mais pura devoção. Ele era louco por ela.
— Eu te amo.
moveu uma mão entre os dois, fazendo pouco caso de suas palavras.
— Eu sei disso, mas uma coisa não tem nada a ver com a outra… – resmungou, puxando o rosto dele e o virando, de modo a obrigá-lo a encarar o céu novamente em seguida. – Você não pode olhar pra isso e simplesmente me dizer que acredita que são gases, que não há nenhum pouco de magia no modo como cada um desses pontos brilhantes parecem segurar, dentro de si, outros milhões de pontos menores, que brilham e dançam entre si, tornando-as essa visão estonteante bem a nossa frente, . Não pode me dizer que não acredita que cada um desses pontos brilhantes carrega dentro de si seu próprio universo, um milhão de coisas que nem imaginamos existir, mas que só de olhar, nos fazem sentir tão mais perto do que é divino…
a interrompeu, rindo fraco. A garota bufou, soltando seu rosto e cruzando os braços.
— O que é agora? – ela perguntou inconformada. Ele apenas riu outra vez, lhe encarando com tanto amor que, céus, estava ficando difícil para ela continuar lhe achando um idiota por não entender o que ela dizia.
Exceto que, bem, ele entendia.
— Não estou zombando do jeito que você vê as estrelas, o céu, a lua ou o sol. Não estou dizendo que não entendo, só digo que… – ele parou, olhando em seus olhos como se pedisse, por favor, que acreditasse no que ia falar. suspirou e descruzou os braços, fazendo o esforço que ele pedia de se desarmar para ele. – Todas essas coisas que você sente olhando para essas coisas que Deus criou, vendo nelas a divindade dEle, eu, na verdade, sinto olhando pra você. Pra mim, nós somos a criação mais bonita dEle, nós temos a imagem dEle e, mais ainda, você é. Você é um universo inteiro de bondade, amor e força. E eu gosto de pensar que sou parte disso, que faço minha parte para que você continue sendo tudo isso. Como você faz comigo, sendo exatamente quem você é, por isso… – ele parou, sorrindo fraco quando viu os olhos dela brilharem e seus lábios formarem um bico que ela provavelmente não notava que fazia, mas que indicava que ela estava prestes a chorar. provavelmente sentia mais orgulho do que era certo quando a emocionava aquele ponto. – O céu pode sim carregar alguma magia, beleza e o que mais você disser, mas, se não, tudo bem também. Você traz isso pra mim.
balançou a cabeça, sem ousar falar coisa alguma enquanto desviava o olhar novamente para o céu, abraçando as pernas outra vez também. lhe observou em silêncio, os olhos dela refletindo a luz das estrelas, que ela encarava diretamente, como se conversassem de maneira tão silenciosa quanto profunda naquele momento e, honestamente, não ousou duvidar daquilo, sorrindo pequenininho enquanto assistia. era dona de uma beleza muito pouco explicável, uma força da natureza mesmo daquele jeito, entregue a sua vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, deliciosamente dona do céu inteiro, e de todas as estrelas expostas nele também.
… – ele chamou, naquela manha que não revelava facilmente, mas surgia até com certa frequência com ela. Queria que ela falasse algo.
sorriu, um instante antes de encará-lo.
— Quando eu te conheci, logo no nosso primeiro encontro, eu fiquei tão nervosa – ela riu, lembrando. – Eu sabia que você ia mudar a minha vida, mas honestamente… Nunca imaginei nem mesmo que fosse capaz de sentir algo assim por alguém real, fora das minhas fantasias, fora da minha ideia de divino… E você ter dito tudo isso agora… – ela riu, a voz ligeiramente embargada arrancando um sorriso e um aperto no peito de . Ele tocou de leve sua perna com os dedos, cutucando-a numa tentativa quase infantil de fazê-la sorrir, e garantir que estava tudo bem. Que, se dependesse dele, estaria tudo sempre bem. – Eu só precisava agradecer. A Ele – ela acrescentou enfim, num sussurro emocionado que fez o sorriso pequenininho dele aumentar um pouco, e o garoto logo a puxou para seus braços, acomodando-a novamente em seu abraço.
A garota fechou os olhos e inspirou o perfume amadeirado que gostava tanto, se permitindo aproveitar aquilo, o encaixe que encontrava nele, que trazia o divino a ela como nada nunca fizera, não de maneira tão real, pelo menos.
E , que há algum tempo pensava em como precisavam dormir e nos dias cheios que teriam na manhã seguinte, naquele momento não via problema algum em passar o resto da noite ali, admirando o céu junto com ela. Tinham muito pelo que agradecer, afinal e, fazê-lo daquele jeito parecia… Parecia certo.
Era certo.

FIM

 

Nota da Autora:
Oie! Sei que essa música é a queridinha do fandom e peço desculpas se decepcionei, mas fiz o que senti e foi o meu melhor ):
Me digam o que acharam, por favorzinho?
Essa história foi um presente para a minha Jozinha, meu pedacinho do céu, e seu amor Sese HAHAA Te amo, Jozinha!
Xx.

Nota para minha Jozinha:
Ai olha… Sinceramente, nem sei o que falar aqui HAHAHA
Acho que a história deixou claro o suficiente o ser de luz que você é pra mim. Nunca vou deixar de agradecer por te ter na minha vida. E ‘tô imensamente feliz de comemorar mais um aniversário teu contigo.
Te amo muito, baby.