03. Point Of View

03. Point Of View

  • Por: Katarina Spagnoli
  • Categoria: Especiais | McFLY
  • Palavras: 1534
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Sinopse: Estar num relacionamento com um rockstar não é nada fácil, ainda mais quando você é vista como o pivô da separação anterior dele e começa a perceber que ele está fadado a reviver os mesmos erros.

Capítulo Único

Já era a terceira vez naquela semana que se encontrava deitada no sofá esperando pelo namorado, que ligou avisando que a reunião de trabalho seria até mais tarde.
“Não me espere acordada” foi a última coisa que ele falou antes de desligar o celular.
conhecia Dougie melhor do que ninguém. O carma era uma vadia má, ela sabia que o que estava acontecendo era por conta do que fez ano passado, mas quem poderia culpá-la por ter se apaixonado por Dougie Poynter?
Baixista do McFly, uma das bandas mais amadas do Reino Unido e um dos homens mais desejados do momento, graças ao retorno “triunfal” da banda que estava há anos sem dar um sinal de vida, fizeram alguns shows pelo país antes de anunciarem a turnê mundial que começaria dentro de um mês.
estava longe de ser tão amada pelos fãs de Dougie quanto Ellie era, principalmente por ser considerada o pivô da separação do loiro com a cantora, não gostava desse título mas não podia negar a parcela de culpa que tinha nessa separação.
Ela lembrava alguns detalhes engraçados da noite em que se conheceram, foi em um pub discreto de Londres, estava levemente bêbada cantando Toxic da Britney Spears no pequeno palco montado para a noite do karaokê, algumas pessoas já estavam vaiando sua performance, estava quase desistindo e talvez fosse alucinação da sua cabeça por conta da bebida mas ela podia jurar que o homem bonito que a olhava com uma expressão estranha parecia com Dougie Poynter, o amor da sua adolescência, não lembrou sobre o que chegaram a conversar, só da língua dele em contato com a dela, de uma noite com um sexo maravilhoso e de acordar vendo o próprio Dougie ali com ela.
Dougie gostava de Ellie, sabia disso e nunca pediria para ele romper seu namoro por causa de um caso de uma noite, porém, para a surpresa dela, algum paparazzi se escondeu perto do pub pois fotos dela com Dougie haviam sido divulgadas com a legenda “Dougie Poynter curte noitada com morena misteriosa”, tão clichê, e aquela semana foi cheia de acontecimentos: o término de “Dellie”, o nome de e após essa declaração, passaram a sair com mais frequência, alimentando os rumores de um relacionamento, que dias depois foi confirmado por ele num programa de televisão.
Mas nem tudo foi perfeito, junto com o namoro com Dougie, ela teve que lidar com uma legião de fãs que estavam divididas entre amar ou odiar , muitas a odeiam por “destruir o relacionamento perfeito” que ele tinha com Ellie, porém nunca chegou a responder os haters, seguindo o conselho de Fletch, empresário do McFly.
2h37 da madrugada.
Cansada de esperar por ele, a garota pegou o notebook e abriu o Twitter, onde já havia algumas mentions dos haters com mensagens como “vadias como você, ele encontra em qualquer esquina” e uma foto dele saindo de um clube fechado acompanhado de uma loira. sentiu os olhos arderem e logo se encherem de lágrimas, fechou o notebook com força, se encolheu no sofá e chorou até conseguir pegar no sono.
Remexeu-se incomodada ao sentir um toque brusco como uma cutucada em sua barriga, abriu os olhos encontrando os azuis dele, tão próximos dos seus, ela sabia que se perderia facilmente ali se continuasse olhando para eles. Dougie estava ajoelhado na sua frente, ela se sentiu na obrigação de levantar e caminhar até o outro canto da sala, não cederia novamente.
— Onde você estava? — ela sabia que aquela era a pergunta mais idiota do mundo, porém a fez.
— Na reunião. — ele respondeu cansado, indo em direção à morena.
— Não. — ela se afastou dele novamente, deixando-o confuso. — Por que é tão difícil me dizer a verdade?
Dougie suspirou. — Eu não quero te fazer sofrer.
— Mas eu já estou sofrendo! — ela gritou, assustando-o. — Todo mundo me odeia, mas eu nunca desisti de você, a pessoa que eu pensei que me amava e agora eu percebo o quão idiota eu fui.
Soltou tudo que estava preso na garganta, não aguentava mais guardar aquilo para si, doía demais perceber que ele não mudava a cada promessa, as palavras ditas que, para ela, não tinham mais o sentimentalismo de antes, tudo era triste demais... havia esquecido como era amar e ser amada de volta, mas naquela noite tudo mudaria.
Ele se aproximou dela, mantendo poucos centímetros de distância, segurou o rosto da garota com as mãos fazendo-a olhar em seus olhos.
— Eu amo você.
E ela quis chorar.
— Nem você acredita nisso. — ela sorriu triste, sentindo as lágrimas se acumularem em seus olhos. — Eu preciso ir embora.
— Fica. — ele pediu rapidamente.
— Ficar seria permitir que você continue me tratando assim e eu não posso. Antes de te amar, eu preciso me amar.
Dougie queria ter uma resposta boa para aquilo e inverter aquela situação, mas ele sabia que ela estava certa, ele não a merecia e aquilo era doloroso demais.
— Vou considerar o seu silêncio como uma confirmação. — ela falou baixo olhando para o chão.
— Um dia você vai conseguir me perdoar? — ele perguntou baixo.
quis morrer ali. Sentia-se tão mal, mal por ela, mal por ele, mal pelo relacionamento não ter dado certo, mal por ver Dougie ali se sentindo mal pelas merdas que fez...
— Espero que sim, não quero que a tristeza que eu estou sentindo seja maior do que o meu amor por você. — ela respondeu sincera.
— Eu não quero que você vá, mas não posso te obrigar a ficar.
Ela apenas assentiu, sem olhar nos olhos dele e foi para o quarto, onde sabia que não seria seguida. Fechou a porta e foi em direção ao closet onde pegou uma mochila e colocou suas principais coisas, queria tudo pronto para quando partisse pela manhã, mas antes de dormir providenciou um pedaço de papel e caneta.
Quando o despertador tocou, sorriu com esse pensamento antes de tirar o pequeno pedaço de papel do bolso da mochila e colocou em cima da mesa, deu um último beijo sobre a testa no homem e saiu sem ser percebida.

Os olhos estavam sendo incomodados com a claridade exagerada da sala, Dougie queria levantar e poder fechar as cortinas, mas ao tentar fazer isso, sentiu todos os músculos doerem, não evitou um murmúrio sôfrego, levantou com cuidado e andou devagar até a janela fechando as cortinas com um certo grau de violência.
Precisava conversar com , não lembrava de muita coisa mas sabia que tinha a magoado mais uma vez. O quarto estava impecável, nenhuma dobra do lençol estava fora do lugar, parecia que ela nem dormira lá.
Será que ela tinha ido comprar pão? Ele pensou consigo mesmo, estava confuso, ela sempre o acordara com um enorme sorriso e panquecas queimadas.
Não pôde evitar lembrar-se das panquecas horrorosas que ela fazia.
Sentou novamente no sofá, tendo sua atenção atraída para o pedaço de papel ali:

Eu não sei porque diabos me apaixonei por você
Eu nunca desejaria para alguém se sentir do jeito que eu me sinto

 

Fim.