05. Home

05. Home

Sinopse: Namjoon e Nari são melhores amigos desde a infância, sendo completamente apaixonados um pelo outro — embora jovens e inseguros demais para admitir —, mas nunca deixaram de ser o lar um do outro.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre
Beta: Rosie Dunne

HOME

 

🏡 Adolescência

 

미칠듯한 설레임에¹
 

nunca fora um cara muito corajoso. Sempre olhava para os dois lados da rua repetidamente antes de atravessar, evitava tocar em borboletas, comia alimentos pegajosos antes de todas as suas provas, fazia questão de abrir todas as janelas antes de ligar o ventilador, escrever o nome em vermelho e assobiar a noite? Nem pensar. Não que fosse supersticioso, claro, mas certos cuidados poderiam ser tomados, certo? E fazia questão de se atentar a todos eles. Mas havia uma situação em que o rapaz se mostrava ainda menos destemido: confessar os seus sentimentos por .
Havia algumas coincidências entre ele e a garota que, em sua mente de apenas dezesseis anos, o faziam acreditar que eles poderiam estar destinados de alguma forma. Moravam a vida toda em casas vizinhas, suas mães possuíam o mesmo nome, tinham o mesmo número da sorte e, para completar, haviam nascido no mesmo dia e mesmo ano, com apenas algumas horas de diferença.
Mas havia um contraste gritante entre eles, pelo menos na cabeça de : Ele estava apaixonado, não.
E, por esse motivo, ele se contentava em observá-la durante as aulas. A forma como ela colocava os fios teimosos atrás da orelha ou como seus olhos se fechavam quando sorria, o jeito com que mordia o lábio inferior quando ficava envergonhada ou batucava lentamente os dedos na carteira durante as provas. Evidentemente, também havia o brilho que surgia em seus olhos quando falava sobre algum assunto de seu interesse. Os olhos mais bonitos de toda a Coreia.
Franziu o cenho ao ver Donghyun, o presidente da classe, aproximar-se de , dizendo algo que a fez gargalhar. Maldito Donghyun com suas piadas boas e sorriso branco demais. O outro rapaz aproximou-se ainda mais dela, encostando-se na janela junto da garota. Perto demais. Sorrindo demais.

— Para de encarar, sua mãe não te deu educação? — Piscou repetidamente e encarou o amigo, que havia deixado um tapa em sua cabeça. — Se você não vai fazer nada, não tem o direito de ficar bravo.

Revirou os olhos.

— Eu não ‘tô bravo, . — Respondeu, olhando novamente para onde estava e bufando ao vê-la sair da sala com Donghyun.

— Não é o que parece. — O outro riu, sentando-se em seu lugar, ao lado de . Logo o alarme indicaria o fim do intervalo. — Sabe o que parece? Que você ‘tá com ciúmes.

bufou novamente, revirando os olhos. Era óbvio que estava com ciúmes, mas não iria admitir aquilo em voz alta, só tornaria o sentimento mais real. Então fez a única coisa lógica no momento: mentiu.

— Eu não ‘tô com ciúmes da , só não acho que ele seja uma boa escolha. — Deu de ombros, abrindo o caderno e rabiscando formas aleatórias no topo de uma das folhas de matemática.

, eu sinto o cheiro do seu ciúme de longe, — Yuri, uma de suas amigas, disse ao se aproximar, sentando-se atrás de . — e preciso te dizer, ele fede.

Alguns minutos mais tarde, voltou para a classe, passando pela porta no exato momento em que o sinal soara, correndo para sua própria carteira, a frente de . A jovem tinha um sorriso enorme e os olhos brilhavam, fazendo o coração dele errar a batida, apenas para se encolher com as palavras que ouvira.

— O Hyun me chamou pra sair. — Sussurrou para o amigo, cobrindo a boca com as mãos, de forma que só ele pudesse ouvi-la.

 

인사조차 못했어²
 

Outro fato com o qual se contentava, era poder andar com durante todo o caminho de volta para a casa, o que levava em torno de vinte minutos. E, durante esses vinte minutos, tinha sua atenção toda nele, e o garoto não poderia pedir por nada melhor. Não que fosse obsessivo ou algo do tipo, longe disso, mas possuíam seus próprios amigos na escola, sendo esse o único momento em que tinham completamente um para o outro, apreciava isso.
Toda a caminhada era preenchida por risadas escandalosas, a ponto de sentirem a barriga doer e terem que parar em alguns momentos para respirar. Brincavam e contavam as piores piadas que poderiam imaginar, divertindo-se como duas crianças sem preocupações. Bom, até as coisas começarem a dar errado.
Nas últimas semanas, ficava em silêncio a maior parte do caminho, não rindo nem mesmo das piadas que ouvira de um de seus hyungs — que eram tão ruins que tornava impossível não rir —, preocupando o garoto. Nos primeiros dias, embora tentasse a distrair, imaginou que algo sério poderia ter acontecido, achando apenas que ela não estivesse de bom humor, o que acontecia às vezes e era completamente normal. Mas, depois de quase um mês, ele descobriu o problema.
Passaram o caminho em quietude, com chutando pedrinhas pelo caminho e sendo observada pelo amigo. Fizeram um caminho mais longo naquele dia, a pedido da jovem, passando pelo parque que costumavam brincar quando mais novos, e o qual ainda frequentavam ocasionalmente. Pararam para tomar sorvete e observar o movimento, perdendo tempo suficiente para que começasse a se preocupar com a bronca que levaria da mãe.

, — A garota chamou, ainda sem o encarar. — eu posso ir pra sua casa, por favor?

E, ao finalmente ter os olhos dela nos seus, ele soube que não poderia negar um pedido de , nunca poderia, especialmente quando ela tinha os olhos marejados como no momento. Acenou positivamente e viu quando ela abriu um sorriso mínimo, limpando a lágrima que escorrera e se levantando, pegando sua mochila e esperando que fizesse o mesmo, para que pudessem ir embora.
parou ao passarem pela entrada de sua casa, vendo a mãe sair duas malas e colocá-las no carro, só então notando a filha ali. O pai da garota não estava em lugar algum a ser visto, provavelmente ainda estava na companhia em que trabalhava.

— Filha… — A mulher veio em direção a mais nova, o rosto contorcido em dor.

Antes que ela pudesse se aproximar completamente, pegou a mão da amiga e a puxou para sua própria casa, ao vê-la recuar a cada passo que a mais velha dera. Somente horas mais tarde, resolveu falar sobre o acontecido.

— Ela tem outro. — Confessou, baixinho, como se não quisesse que ninguém ouvisse. Estavam deitados lado a lado na estreita cama de solteiro do amigo, que a puxou para si em um abraço apertado, deixando que ela chorasse o quanto precisasse. — E ‘tá indo morar com ele. — Disse, apertando a blusa do outro nas mãos e manchando com as lágrimas, recebendo um beijo na testa enquanto ele lhe fazia um carinho leve nas costas. — Ela ‘tá deixando a gente por um cara que mal conhece.

Naquele dia, em meio a dor da amiga, percebeu como realmente estava apaixonado por era, ousando até mesmo pensar na palavrinha de quatro letras. Vê-la naquela situação só o fazia matutar a ideia de que não pensaria duas vezes antes de trocar de lugar com a garota, apenas para não precisar mais presenciar cenas como essa. Naquela noite, dormira em sua casa, nem mesmo a mãe de se opondo a ideia. No dia seguinte faltaram a escola, tinham uma situação bem mais importante a ser tratada — e o melhor remédio era uma boa sessão de filmes com muito chocolate e outros doces.
Maratonaram Harry Potter, a saga favorita de , repetindo em voz altas suas falas favoritas e tão conhecidas pelos dois, sendo aquele programa algo comum entre eles. ”Cabelos ruivos, vestes de segunda mão. Você deve ser um Weasley” e ”Assustado, Potter?” merecendo até mesmo encenação, o que os fez cair no sofá de tanto rir.
Era como estar em casa.

 

저 문을 열면 뭐든 다 될 것처럼³
 

pressionava o líquido embebido de remédio no canto da boca de , que reclamava do ardor e se afastava, fazendo a garota bufar completamente irritada. Não podia acreditar que ele havia se metido em confusão, ainda mais nessa confusão. não tinha nada na cabeça, só poderia ser isso. O cérebro nerd dele deve ter dado algum pane, por qual outro motivo ele teria se metido em uma briga? não fazia mal nem mesmo a uma formiga e, de repente, havia socado Donghyun durante o intervalo. Inacreditável. Caso não tivesse visto a cena com os próprios olhos, teria rido quando lhe contassem, afinal de contas, o em uma briga? O seu ? A piada do ano.

, isso arde. — Lamentou, afastando a mão da amiga e deixando um bico tomar os lábios, fazendo uma careta com o movimento.

— Quem sabe assim você aprende a não fazer essas coisas de novo. — Retrucou, trocando o algodão e partindo para o corte na parte superior da bochecha do amigo. — Ele acabou com você, meu deus.

— Sabe, isso com certeza o que uma pessoa gosta de ouvir depois de uma briga. — Revirou os olhos. — Você alimenta o meu ego tão bem, .

— É a verdade, se você não tivesse apanhado, eu não estaria falando isso. — Suspirou. — O que deu em você, ?

Encarou a amiga, ela tinha os olhos marejados e tomados pela preocupação, viajando pelo rosto dele e analisando os machucados que ainda faltava desinfetar.

— Você sabe bem o por quê. — Disse em um tom mais baixo, encarando-a firmemente. — Aquele idiota te traiu e ainda deixou a escola toda saber disso.

— E aí você foi lá e deslocou o pulso socando a cara dele. — Pegou um novo algodão, indo até o corte no supercílio. — Sua mãe vai te matar, . E ela vai me odiar quando descobrir o motivo. Você sabe que pode ser expulso, não sabe?

— Se eu for expulso, você também vai ser, foi você que bateu na cabeça dele com o livro de álgebra. — Riu, sendo acompanhado da amiga.

— E de que outra forma eu ia tirar ele de cima de você, ? O é medroso demais pra se meter em briga, eu era sua única esperança. — Provocou, antes de arregalar os olhos. — A gente vai ser expulso no último ano, não acredito que você sujou nosso histórico perfeito.

— E sujei o dele também. — Deu de ombros. — A gente não vai ser expulso, .

Ela suspirou, jogando os algodões sujos no lixo ao lado da mesa em que o amigo estava sentado.

— Como você tem tanta certeza? O diretor já disse que quer conversar com a gente e, ao invés de ir até lá, a gente tá escondido na enfermaria.

puxou a garota mais para perto de si, ajeitando o cabelo dela atrás da orelha.

— Você não confia em mim? — Sussurrou, acariciando a bochecha dela antes de juntar as testas, esfregando seu z levemente pelo da amiga.

— Confio. — respondeu, fechando os olhos com o carinho do amigo.

Ele abriu um sorriso fraco, deixando um beijo no canto dos lábios dela antes de se levantar e esticar a mão para que a garota pegasse.

— Então não precisa se preocupar. — Piscou, antes de puxá-la para fora da sala.

🏡 Infância

 

그래 기억해 뭐든 다 할 수 있을 것만 같던 때⁴
 

As duas crianças riam enquanto corriam até a casa da garota, haviam apostado que, aquele que chegasse primeiro, poderia escolher qual seria a brincadeira do dia. E nenhum dos dois gostaria de perder essa oportunidade. Na época, era mais alta do que e, por conta disso, havia ganho fácil, afinal tinha pernas maiores. Ao chegar, se jogou no gramado, tentando recuperar o fôlego e rindo levemente.

— Não é justo! — gritou, deitando em cima da amiga, com um bico nos lábios. — Eu tropecei e você nem parou pra me esperar!

— Deixa de ser chorão, , — Empurrou o garoto para o lado, tirando-o de cima de si e se virando para encará-lo. — você perdeu porque comeu três lanches e agora tá com a barriga pesada.

O menino arregalou os olhos e deixou a boca formar um ‘O’, claramente ofendido.

— Você também comeu três lanches! — Acusou.

— Eu comi dois e meio, não três. — Ela se defendeu.

— É a mesma coisa. — cruzou os braços, sentando-se.

— Não é não, é por isso que eu sou melhor que você em matemática. — se levantou e saiu correndo, sendo seguida pelo amigo que gritava seu nome sem parar.

sempre fora muito boa em convencer a topar qualquer uma de suas brincadeiras e convencê-lo a embarcar em qualquer uma de suas loucuras infantis. Não é a toa que, tendo ela ganhado ou perdido naquele dia, ambos sabiam que iriam acabar brincando do que a garota queria de qualquer forma. Passaram grande parte da tarde recortando e pintando figuras em caixas de papelão, na tentativa de criarem um castelo minimamente aceitável e, depois de quase quatro horas de muita concentração e sujeira, estavam cobertos de tinta e prontos para brincar. Bem, quase prontos.

— Eu só não entendo porque tenho que ser a princesa indefesa. — revirou os olhos, tinha os braços cruzados e se recusava a sair do lugar e começar a brincadeira, o que fez bufar e também cruzar os braços.

— Nos filmes é assim, você esqueceu da Branca de Neve e da Bela Adormecida? — O garoto retrucou, soltando a espada de papelão no chão.

— Que bom que a gente não tá em um filme e podemos fazer as coisas de outro jeito! — Virou as costas para o amigo, também se sentando na grama.

suspirou, dando o braço a torcer e aproximando-se da garota.

— Tudo bem, , como você quer brincar? — Quase se arrependeu de ter se deixado manipular, quase, teria se arrependido se não tivesse ganho em troca o seu sorriso favorito no mundo todo, aquele que deixava com os olhos pequenos e o rosto redondo. Mesmo naquela idade, a amiga já tinha efeito sobre si, fazendo o garoto sentir as famosas borboletas se agitarem em seu estômago.

A jovem tirou a coroa de sua cabeça e depositou em , junto com um beijo na bochecha corada do rapaz, se levantando e foi até à espada que haviam feito mais cedo, antes de se virar para o amigo em sua melhor pose.

— Hoje você é o príncipe indefeso, . — Declarou. — Se prepara que sua cavalheira da armadura brilhante já vai te salvar!

Ela corre para o outro lado do jardim, pegando um pedaço de madeira para usar de cavalo e vindo até o castelo, onde agora o amigo estava. Ao chegar aos pés da torre, se ajoelha e estica a espada para ele, que tinha os braços cruzados.
Sem que os dois percebam, a mãe da garota se aproxima e fotografa os dois, sendo aquela a lembrança favorita que teriam de suas infâncias dali em diante.

 

둥 붕 뜬 기분 빙 도는 두 눈⁵
 

segurava firme a mão de , haviam decidido ir até o novo parque de diversões que havia se instalado na cidade e, por mais que soubesse da paixão da garota por montanhas russas, naquele momento se arrependia completamente de ter entrado no brinquedo. Tinha os olhos fechados e, enquanto uma de suas mãos segurava a de , a outra apertava fortemente o ferro que deveria protegê-lo — embora não se sentisse nada protegido naquele momento. A risada animada da amiga preenchia seus ouvidos e só não era mais alto do que os gritos dos outros, atrás de si. É claro que decidira sentar na primeira fileira.

, pode abrir os olhos, já acabou. — Ouviu a garota dizer, enquanto colocava os fios do amigo de volta no lugar.

Lentamente, o jovem abriu os olhos, envergonhando-se do medo irracional que havia sentido e desviando os olhos de , que ria de seu comportamento.
Ao saírem do brinquedo, decidiram procurar por algo para comer e descansar, se apiedando do amigo e desistindo de todos os brinquedos que exigiam um pouco mais de adrenalina. Sentaram-se em uma das mesas, comendo seus odengs e conversando, as provas finais do ciclo se aproximavam e torciam para irem bem o suficiente para não precisarem se preocupar durante as férias.
Conversaram animadamente até perceber o olhar de para um dos bichos de pelúcia na barraca mais próxima de si e, mordendo o sorriso, puxou a amiga para a mesma, pedindo que ela escolhesse um dos prêmios.

— E você vai conseguir o coala pra mim? — Ela questionou, duvidosa.

— É esse que você quer? — Viu a amiga assentir. — Então fica vendo.

E bem, ficou olhando por um bom tempo. nunca fora muito bom com nenhuma atividade do tipo, desajeitado demais para conseguir acertar os balões necessários. Mas não foi uma tentativa desastrosa que fizera o garoto desistir, ou duas, três, quatro…talvez cinco ou seis, mas isso não importava. O importante é que, depois de gastar quase todo o dinheiro que havia pego com sua mãe, finalmente estourara o número suficiente de bexigas para conseguir o maldito coala azul, tendo certeza que, caso tivesse ele mesmo ido até a loja de brinquedos mais próxima e comprado o bicho de pelúcia, teria gasto quase o mesmo valor. Mas nada alimentaria mais o seu ego do que ver o sorriso orgulhoso e encantado de , completando os olhos brilhosos, ao vê-lo estender o bicho para si.

— Eu disse que conseguiria, não disse?

🏡 Juventude

 

갈림길에서 자꾸 생각나⁶
Estavam em seis, , , Yuri, , e . Era o último fim de semana antes do início da faculdade, uma clássica noite de verão sul-coreana, pegara o carro de sua mãe emprestado e o grupo havia se reunido em uma clareira, mais afastada da cidade. e , por serem os mais velhos, haviam ficado responsáveis por comprarem bebidas para todos, enquanto e Yuri fizeram a seleção de músicas, algumas novas, que haviam encontrado ou ouvido no rádio, mas também com as favoritas de todos. A pequena comemoração era, na verdade, uma despedida para , que passaria cinco anos estudando no Japão — havia passado na faculdade que sempre sonhara e, embora o assustasse passar tanto tempo assim longe de casa e ser o único no grupo de amigos a ir tão longe, entendia ser uma oportunidade que não poderia negar.
Já começava a anoitecer e todos, com exceção do , que viajaria no dia seguinte, já não estavam mais tão sóbrios. Os rapazes haviam montado uma fogueira, já que a única iluminação vinha do farol do carro, que havia sido deixado ligado. e haviam entrado em um estado completamente filosófico e estavam esparramados no chão, observando as estrelas e discutindo suas posições e significados, normalmente teria se juntado a eles mas, naquele momento, havia algo mais interessante do que o céu noturno prendendo sua atenção: .
A mulher dançava junto de Yuri, de forma totalmente desengonçada mas com um sorriso gigante no rosto, em frente ao carro, sendo iluminada pelos faróis. E, Céus, poderia jurar que brilhava.
— Você é apaixonado por ela, né? — , que o mais novo nem percebera estar ao seu lado, perguntou. Haviam frequentado a mesma escola, embora estivesse dois anos a frente, mas nunca haviam sido muito próximos, até começar a namorar Yuri e, por consequência, andar com eles. — Eu sei que é, nem tente negar. Dá pra ver no seu olhar.
— Como assim? — perguntou.
— Você olha pra do mesmo jeito que eu olho pra Yuri. — Dá um gole em sua cerveja. — Como se ela fosse a coisa mais preciosa desse mundo.
— Bom, ela é a coisa mais preciosa desse mundo. — Dá de ombros. era, junto de sua mãe, a pessoa mais importante de sua vida, então não estaria mentindo ao afirmar aquilo.
— Você ama ela, deveria se confessar. — aconselha, colocando a mão no ombro do mais novo e se levantando, seguindo até a namorada. — Ela olha pra você do mesmo jeito.
O rapaz levou os olhos para e ela o olhava rindo, com os olhos brilhando. Desviou o olhar e negou com a cabeça, iria embora no dia seguinte, ficaria mil oitocentos e vinte e cinco dias longe, não deveria estar pensando nessas coisas, não agora. Já era tarde demais.
Mas, por mais que repetisse isso para si mesmo, não conseguia não olhar para a garota e deixar um sorriso tomar seu rosto, junto da tão conhecida confusão em seu estômago quando seus olhares se cruzaram e, por esse motivo, não foi capaz de impedir o beijo desajeitado que lhe deu na volta para casa. Não pode impedir o suspiro de escapar de seus lábios e seus olhos se fecharem, mas voltou a realidade ao se afastarem e a mulher dizer com todas as letras o que sentia por ele. Então fez o que deveria ter feito há muito tempo: deixou um beijo na testa da melhor amiga, olhando-a nos olhos logo em seguida.

— Eu amo você, .

Então deu as costas e foi para sua própria casa, sabia que ela não se lembraria no dia seguinte e, ao menos, poderia guardar esse momento consigo enquanto não voltasse para a casa.

 

볼품없던 날 알아줬던 너⁷
 

descobrira não ser bom em manter amizades a distância e, por conta disso, acabou por se afastar de todos os seus amigos durante os anos de faculdade, perdendo contato quase que completamente — se comunicando apenas em datas especiais, como aniversários e festas de fim de ano, as quais nunca conseguira voltar para participar.
Durante os cinco anos de faculdade, o único de seus amigos que vira foi , que esteve em Tóquio a trabalho duas vezes, fazendo questão de ficar um dia a mais, nas duas oportunidades, para colocar o papo em dia com o amigo.
Através de , descobrira que e Yuri pretendiam se casar e já moravam juntos, enquanto havia se apaixonado por uma estrangeira e os dois viajavam o mundo juntos. E bem, quanto a , a mulher havia começado a namorar um veterano na faculdade, mas as coisas não funcionavam muito bem entre eles. afirmava que a saudade que ela sentia de , misturado com o amor reprimido, era o principal motivo, mas o homem já havia deixado de se iludir com isso há muito tempo, quando parara de receber mensagens de , a amizade dos dois se resumindo a simples ”Feliz aniversário!” ou ”Feliz natal, estamos com saudade!”.
suspirou, ajeitando a bolsa atravessada em seu peito, nervoso por finalmente estar de volta a Coreia, estar ouvindo sua língua materna ao invés do japonês, que sempre fora confuso para si. Abriu um sorriso ao ver sua mãe correndo em sua direção, andando com passos apressados até a mulher e a tomando em um abraço apertado, recheado de lágrimas.

— Você nunca mais, está me ouvindo? Nunca mais invente de estudar fora! — Decretou, deixando um tapa nas costas do filho, que já se afastava para cumprimentar o pai.

— Senti falta de vocês também. — sorria de orelha a orelha, as covinhas a mostra e coração quentinho no peito.

Os primeiros dias foram tranquilos, o homem ficaria na casa dos pais até alugar seu próprio apartamento e, por esse motivo, estava sendo completamente mimado pela mãe, que fazia suas comidas preferidas e fazia questão de não sair do lado do filho durante todo o tempo possível. havia mandado mensagem para os amigos, avisando que estava de volta, e haviam combinado de se verem no fim de semana. Apenas não havia respondido sua mensagem. E, por mais que dissesse a si mesmo que estava tudo bem, que às vezes na vida seguimos caminhos separados e todo esse tipo de baboseira pós término, ele não poderia deixar de se questionar o motivo, não poderia evitar sentir tanta saudade da amiga que seu peito doía.
Como se seus pensamentos fossem uma espécie de ímã, não levou mais do que cinco dias para que, ao voltar com a mãe do mercado, encontrasse no gramado da casa de seu pai. Agora tinha o cabelo comprido, beirando a cintura, e estava ainda mais bonita do que se lembrava. Ele teria rido de si mesmo se não estivesse tão imerso no momento, o coração acelerado e as mãos soadas lhe mostrando que não havia superado porcaria nenhuma. E, ao ver os olhos da outra marejados e a forma como ela correu para si, se jogando nos braços do homem antes de o beijar, pode ver que sim, o sentimento era e sempre fora recíproco, eles só eram jovens demais para poderem aproveitar.

🏡 Vida Adulta

 

너만 있다면 다 내 집이 될 거야⁸
 

se jogou ao lado do melhor amigo e sócio em um dos bancos de couro do jatinho alugado, fechando os olhos ao jogar a cabeça para trás e suspirar pesadamente. Se manteve na posição por alguns minutos, esfregando os olhos e tirando o celular do bolso. Foi inevitável o sorriso que se abriu em seu rosto ao ver seu bloqueio de tela, estava sentindo tanta saudade.

— Cara, eu estou exausto. — Comentou, guardando o aparelho novamente no bolso e encarando o homem ao seu lado. — Eu só quero ir pra casa.

O mais novo riu, compartilhava profundamente dos sentimentos do outro. Haviam passado dois meses no Estados Unidos para a produção do novo álbum de um dos artistas do selo que administravam juntos. Embora constantes, as viagens para o exterior normalmente não duravam mais do que uma ou duas semanas, já que outros produtores sempre acabavam por assumir o trabalho. Mas daquela vez foi diferente, estavam em um momento de produtividade alta, o que exigia que até mesmo e Yoongi acompanhassem todo o processo. Para ajudar, alguns de seus melhores produtores surgiram com emergências e precisaram deixar o trabalho por algum tempo. Foram dois meses onde ambos mal haviam tido tempo suficiente para dormir, muito menos manter constantemente o contato com a família.

— Estamos quase em casa. — Respondeu, sorrindo tranquilizante para o amigo. — Já avisou eles que chega hoje?

O negou, abrindo um sorriso ao imaginar a cara da família ao finalmente tê-lo novamente em casa.

— Quero fazer uma surpresa.

Algumas boas horas depois, estava de volta ao país de origem e descia do táxi em frente a sua casa. Não pode, e nem queria, controlar o sorriso gigantesco que se formava em seu rosto. Respirou fundo antes de virar a chave e abrir o local, sendo recepcionado primeiro por Monnie, seu cachorro, que pulava e latia como se não o visse há anos. Bom, em anos caninos, pode ter chegado perto.

— PAPAI! — Ouviu, seu sorriso crescendo ainda mais. Nem se deu ao trabalho de levantar, após se abaixar para dar atenção ao animal, seria mais fácil abraçar as crianças dessa forma.

Logo estava tomado por uma confusão de vozes, beijos e abraços que recebia dos gêmeos, Chinsun e Chinmae. Acabou sendo empurrado pelas crianças, caindo com elas por cima de si e tendo um cachorro feliz demais lambendo seu rosto, gargalhou e levantou o olhar, encontrando a esposa com um sorriso bobo no rosto e os olhos marejados. Como era bom estar em casa.
Estavam sentados no sofá, assistindo a alguma animação qualquer que havia prendido a atenção de Chinsun, mas feito Chinmae dormir. Tinha ambas as crianças em seu colo e o braço direito passado pelos ombros de , que se reencostava no esposo. A mulher não conseguia expressar a falta que o outro havia feito nesses dois meses longe, a casa ficava tão vazia sem a risada gostosa que soltava ao brincar com as crianças. Suspirou, aliviada de tê-lo novamente ali, na casa que haviam transformado em seu lar. Esfregou o rosto manhosamente no pescoço do homem, inspirando o máximo possível de seu cheiro — que era o favorito de em todo o mundo — e abrindo um sorriso preguiçoso, mas satisfeito.
Levou cerca de quarenta minutos até que Chinsun estivesse tão apagada quanto seu irmão, o casal então decidindo ser a hora de colocá-los na cama. insistia em levar ambos no colo, deixando a mulher para arrumar a bagunça que haviam feito enquanto matava mais um pouco da saudade que sentira dos filhos. Colocou cada um em sua própria cama, acendendo o abajur — Chinmae dizia que, enquanto o abajur de dinossauros estivesse aceso, o bicho papão teria medo de aparecer — e os observando dormir, com um sorriso orgulhoso no rosto.
O nascimento dos gêmeos havia sido um dos melhores dias de sua vida — junto com o casamento e a inauguração da própria gravadora —, conseguia se lembrar com detalhes de todas as dificuldades que ele e haviam enfrentado até chegar àquele momento, onde o amor que sentiam havia transbordado e dado vida à dois serzinhos extremamente preciosos. Chinsun havia nascido primeiro e o homem poderia jurar ter ouvido sinos soarem junto com o choro da garotinha, tão forte havia sido o amor que surgiu em seu peito ao se dar conta de que sim, realizara o sonho de ser pai — e ainda em dose dupla!
Virou as costas, se deparando com a esposa parada ao batente da porta o observando. esticou uma das mãos para o marido, que não demorou em pegar, e o puxou para fora do quarto dos filhos, encostando a porta no caminho. Trocaram sorrisos cúmplices, e cheios do que sentiam um pelo outro, assim que chegaram ao próprio quarto.

— Eu senti tanto a sua falta. — confessou, deitado no peito do marido, que acariciava suas costas lentamente. — Fiquei com tanta saudade, .

O homem depositou um selar demorado na testa da esposa, fechando os olhos enquanto o fazia e soltando um suspiro ao se afastar novamente.

— Eu te escrevi uma música nova. — Confessou, após alguns minutos, fazendo a mulher levantar a cabeça com os olhos arregalados.

! — Exclamou, deixando um sorriso tomar conta do seu rosto e rindo logo em seguida. — Canta pra mim?

— Tudo por você. — Respondeu, beijando outra vez a testa da esposa, que já havia deitado outra vez e fechara os olhos para apreciar a voz do homem que tanto amava. — O nome é Home, sabe, porque você é o meu lar e essas coisas. — Confessou envergonhado, cantando baixinho, somente para os ouvidos de , sua mais nova composição.

, eu também tenho uma surpresa pra você. — A mulher disse, após alguns minutos de silêncio. Planejava fazer isso somente no dia seguinte, mas não conseguia se aguentar, já havia guardado o segredo por dois meses.

— O que é? — O outro questionou, com as sobrancelhas franzidas mas um sorriso preguiçoso no rosto.

mordeu os lábios, ansiosa. Pegando a mão do marido e levando até sua barriga e vendo a confusão nos olhos do outro.

— O que acha de aumentar a família?

E ela não precisou de resposta alguma além do sorriso e dos olhos marejados que adornaram o rosto do marido ao entender ao que a mulher se referia. Era tão bom estar em casa

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Todos os trechos em coreano, apresentados no texto, são versos de Home, música título da história.
Traduções:
¹: No meio da minha agitação.
²: Não consegui nem mesmo dizer olá.
³: Como se qualquer coisa pudesse ser feita se eu abrisse aquela porta.
⁴: Eu me lembro daquele tempo, em que eu sentia que poderia fazer qualquer coisa.
⁵: Eu sinto que estou flutuando, meus olhos rodopiando.
⁶: Continuo pensando naquela encruzilhada.
⁷: Você me reconheceu quando eu não tinha nada a oferecer.
⁸: Com você, todo lugar é minha casa.