06. Lies

06. Lies

  • Por: Mari Affonso
  • Categoria: Especiais | McFLY
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Sinopse: Ele está lutando para se manter afastado , mas não pode negar seu desejo. Ele só quer estar mais uma vez com ela, para enfim se libertar. Será que tudo é isso real ou apenas é mais uma mentira.

Capítulo Único

“Alguma vez você já confundiu um sonho com a realidade? Ou roubou algo quando você tinha o dinheiro? Você já se sentiu triste? Ou que o trem estava em movimento quando ele estava parado?“ (Garota Interrompida)

Prólogo

Ele se olhou no espelho mais uma vez para conferir se estava tudo ok. Ele não se reconhecia mais e também não se sentia animado para aquela festa. Eram todas iguais, todas regadas de bebidas, drogas e mulheres.

Ele não tinha outra opção para o dia. Seus amigos estavam em relacionamentos sérios e ele só tentava se manter sóbrio. Ficar em casa era deprimente demais, só aumentava a sensação de solidão. Ele queria ser amando, se sentir confiante e somente ela poderia lhe dar isso.

caminhou em direção à saída de sua casa, pegou as chaves do carro e sua carteira que estava em cima do aparador de vidro, próximo à porta. E, ao sair de casa ele sabia que ia ser uma ótima e longa noite.

Parte 01

Better run for cover

You’re a hurricane full of lies.

And the way you’re heading

No one’s getting out alive.

O som da festa estava alto, se questionou como nenhum vizinho ainda não tinha chamado a polícia, tudo bem que ainda nem era meia-noite. O ambiente estava cheio, alguns rapazes sentados no sofá tomando cerveja e no canto da sala tinha um casal praticamente fazendo sexo, também tinha as mulheres quase nuas dançando como se o mundo fosse acabar. O cheiro de cigarro se misturava com o cheiro da maconha, ele respirou fundo mais uma vez, tentando entender tudo o que estava acontecendo ao seu redor, tentando acreditar que não pode ser tão ruim assim à festa.

Depois de alguns copos de cerveja e vodca, ele a encontrou na multidão. O mundo se iluminou, afinal ela estava lá e isso era algo magnífico. Martin observou a movimentação de , sabendo a sua intensão de se aproximais de novo. Era só mais uma vez, a despedida, mas não era bem assim, por que ele sempre se rendia e voltava para ela de novo.

respirou fundo, mais uma tentativa de manter a calma, o formigamento em seu corpo, a sensação de possuí-la e se sentir completo gritava na sua mente.

Ele tentou fugir e ir para a área externa da festa. Com dificuldade acendeu o cigarro e esperou a nicotina fazer efeito. Eu sou forte, não vou cair mais uma vez em seus braços. O mantra era grande, ele precisava se manter afastado, poderia ligar ou falar com alguém, se distrair e não se deixar levar. Pegou o celular do bolso da calça e foi diretamente para os seus contatos, olhou um a um. A cada nome na lista que ele visualizava a sensação de angústia aumentava, ele não ia conseguir fugir.

Olhou ao seu redor, procurando uma nova distração para sua cabeça e conseguiu reconhecer uma jornalista entre os convidados. Era só o que lhe faltava, sair mais uma notícia sobre ele na Tv. Cada dia uma história nova e algumas totalmente sem sentidos, isso estava ocorrendo com frequência, principalmente após seu rompimento com Frankie. A jornalista acenou em sua direção, ela tinha lhe reconhecido, agora era só esperar a notícia no jornal amanhã.

Cigarro, ar fresco, telefone, talvez mais uma dose de bebida. Talvez algo mais forte. Whiskey, Pisco ou Absolut, alguma coisa deve funcionar. caminhou em direção a cozinha e observou um grupo de rapazes que fazia uma competição de quem bebia mais cerveja, sacudiu a cabeça em negação. Tão desnecessário e ao mesmo tempo tão despreocupados com a vida, queria ele estar assim.

— Ei, ! Estava te procurando, onde você estava? — A voz nasalada de Martin exalou pelo ambiente caótico.

— Estava aqui o tempo todo, só você não viu. — Com um sorriso amarelo mostrou seu copo de Whiskey.

— Achei que você estava fugindo — rindo de forma debochada— Sabe por conta da Snow?

— Eu fugindo? — respirou fundo e soltou com a maior convicção que podia – Não tenho porque fugir e não tenho nenhum problema com a Snow.

— Então, sem problemas em relação a Snow. — sorrindo.

Ele sabia que ia fraquejar, e sabia que não seria capaz. Não iria dar pra trás agora

— Lógico que não, sem problemas com ela! – Alterando o tom de voz, talvez assim fosse mais convincente.

—Então, vamos lá pra sala! — segurando no braço de e lhe empurrando sentido o outro cômodo- Já disse que você precisa relaxar e curti a festa cara! — sorriu sem graça e apenas concordou enquanto era guiado.

Algumas garotas rebolavam a sua frente, mas ele só tinha olhos para Snow que estava do outro lado da sala. Tão branquinha, tão atraente e tão doce. Sacudia a cabeça em negação, mas as pessoas a sua volta acreditavam que ele estava em seu próprio bate cabeça. Estavam tão chapados, ninguém iria ligar para um cara que travava uma batalha interna.

— Ei, você não toca naquela banda famosa? — a voz da garota despertou do seu transe. — Você pode assinar meu sutiã — disse enquanto tentava segurar seu copo de bebida e sentar no colo do garoto.

— E se eu não for quem você tá pensando? — disse tentando afastar ela do seu colo.

— Claro que é — tentando beijar seu rosto — eu sempre sei quando o cara é famoso —se aproximando ainda mais de . Que suspirava cansado,era sempre as mesmas garotas interessadas na sua fama e no seu dinheiro.

— Desculpa, mas dessa vez não vai rolar! — empurrando do seu calo e tentando se afastar o mais rápido possível.

foi até o banheiro, dessa vez ele precisava lavar seu rosto. Ele queria ela, Meus Deus como queria. Será que já estava viciado em seu sabor? Sua boca secou ao seu lembrar da adrenalina e euforia de quando esteve ao seu lado.

Enquanto molhava o rosto, alguém batia insistentemente na porta. Ao abrir a porta já bravo como quem lhe incomodava.

—Tão difícil te achar garotão! — A garota loira sorriu para ele enquanto barrava sua passagem- ela sorriu para ele e tudo se iluminou quando ele percebeu quem lhe acompanhava.

— Que tal uma festinha entre nós três? — Deslizando seu dedo pelo peitoral de . O mesmo conseguia perceber o misto de desespero e euforia que se instalava em sua mente.

— Vamos, lá garotão! — Dessa vez ela puxou a camisa de e aproximou seus lábios vermelho sangue do seu ouvido para em seguida mordiscar, o que causou uma descarga de adrenalina em .

— Ele não tinha como negar, era uma proposta irrecusável. Ele, Margaret e sua Snow. Deus, sabe como ele tentou, mas era só mais uma vez. sorriu maliciosamente, então puxou Margaret para um beijo cheio de tesão.

Parte 02

“ Lies! Living in a fantasy

Lies! Don’t even know reality

(…)

Lies! The devil has his eye on you,girl.

(…)

Lies!Lies!Lies!

vestiu sua camisa e caminhou para fora do quarto. A música continuava alta, as cores brilhavam, o mundo brilhava e ele se sentia muito foda. Ele era não tinha como negar, ele tinha fama, grana e tocava em uma banda reconhecida internacionalmente. Poderia ter quem quiser nessa vida.

Ao descer as escadas de volta à festa concluiu que precisava de mais uma dose de vodca e seu cigarro.

—Maaaaartin — já disse o quanto adoro suas festas — A voz saiu mais alto do que ele imaginou, mas ninguém se importava, estão todos tão embriagados. Mas, ele estava entorpecido, mais um efeito causado de ter estado com Snow. Falando em Snow , onde ela estava . Precisava buscar ela no quarto, ela precisava estar com ele pelo menos até o resto da noite.

Martin riu de e então lhe ofereceu mais uma dose brindando amizades deles. — Já disse que você precisa deixar de ser careta e aceitar que você precisa dela, você é muito chato longe dela.

—Eu sei — disse rindo — eu gosto delas, mas os caras não suportam ela. E, Deus imagina o que minha mãe vai pensar.

—Cristo , não fale da sua mãe. Ela só vai ver o quanto o filho tá feliz. Pensa nisso moleque, logo você sai em turnê e vai ficar solitário, aposto que não teria problema ela te acompanhar.

—Ok, ok, ok vamos falar disso amanhã! Hoje quero curtir!

caminhou entre as pessoas, carregando mais uma long neck de cerveja. Ele dançou com algumas garotas seminuas, até se jogar no banco da cozinha. Os caras estavam jogando beer pong e as garrafas de vodcas estavam espalhadas pela bancada, queria saber jogar algum esporte ou ter outra habilidade impressionante, mas infelizmente seu único dom era tocar baixo.

A jornalista que tinha visto mais cedo, estava discutindo com um dos caras que estava jogando. Acho que eles eram namorados, e o cara era um babaca aparentemente. Mas, no fim todos os caras são assim. O amor não leva nada, só gera sofrimento. Enquanto observava a jornalista, tentava se lembrar do nome dela. A garota que tentou ficar com ele mais cedo apareceu no seu campo de visão. precisava dizer que ela estava certa, ele era a porra de um rock star. Ele tinha dinheiro, fama e todas as mulheres que ele quisesse, e também poderia ter a Snow.

— Ei, Garota! —chamando sua atenção — Eu preciso de falar uma coisa!

— Fala Rockstar— se aproximando e colando seu corpo no de .

— Você estava certa — abrindo o seu melhor sorriso, aquele sorriso que é capaz de derreter qualquer uma – Eu realmente faço parte de uma banda e sou famoso. Se você estiver afim de uma aventura para contar para suas amigas — sussurrou em seu ouvido e lhe dando um pequeno beijo em sua nuca.

— Eu sempre estou certa meu amor. —sua mão deslizava pelo peitoral de —S ó é uma pena você estar atrasado para concluir isso! Porém, eu vou adorar dizer que você é péssimo de cama, afinal você me recusou—lhe roubando um selinho em seguida e deixando frustrado e xingando a situação.

— Parabéns ou devo dizer Rockstar! — a voz de desdém da jornalista pegou de surpresa. — Surpreso? É isso que acontece quando se é um babaca!

— Oi? Quem é você colega pra falar alguma coisa. Volta para o seu namoradinho ou você quer o rockstar aqui? — passando a mão sobre seu próprio corpo.

— Me erra Poynter! Você não é a última bolacha do pacote! — Se afastando em direção à porta que dava para-o quintal. Porém, antes de afastar por completou, virou- se em direção ao — Ei, antes que eu me esqueça a realidade te mandou saudações!

pegou uma nova garrafa de cerveja e caminhou para sala, não importa quem é a Groupie ou a aspirante a jornalista. Ele conhecia seu potencial e não seria elas a acabarem com a sua noite. Afinal ele poderia ficar com quem quisesse, e, principalmente ele possuía Snow.

Parte 03

So Don’t forget your seatbelt

Don’t you think of picking up the phone

Better say your prayers

Cause you’re never gonna make it home.

(…)

Who gets the last laugh now?

As pessoas não paravam de falar, sua cabeça estava zumbindo e ele podia jurar que sua visão estava distorcida. Respirou fundou e tentou se levantar do sofá, mas garota não parava de beijar seu pescoço. Sexo, ela queria sexo e só queria mais uma dose da Snow. Cristo, ele estava perdido.

empurrou a garota de forma bruta, a mesma reclamou e soltou alguns palavrões, mas ele não deu ouvidos. Tropeçando em alguns copos e cambaleando, ele conseguiu chegar ao banheiro.

Encostou a porta com dificuldade, abriu a torneira e lavou o rosto. Olhou o seu reflexo e ele estava acabado. Não tinha mais a inocência do adolescente de 16 anos que entrou para uma banda, hoje ele era só um cara quebrado. Abriu algumas gavetas do armário, revirou escovas de cabelo, cremes e camisinhas, mas não tinha a porra de mais uma dose. Em súbito estalo se lembrou que devia ter guardado de mais um pino em seu bolso, desesperadamente tateou seu bolso, tirando chaves, celular, carteira e algumas notas de supermercado, mas não tinha mais nenhuma dose.

Sentiu o suor frio e a sensação de ânsia, lhe atingir. Será que ele estava morrendo? será que isso era uma overdose?

sentiu a bile na garganta e em ato rápido virou-se em direção a privada. Colocando todo álcool para fora.

— Que Droga — tentou se segurar na pia, mas estava fraco.

As mãos trêmulas tentaram desbloquear o celular, a foto de início era um soco na cara, sua mãe e sua irmã no último Natal. Ele era uma decepção, estava falhando como seu pai que saiu de casa e abandonou todos. estava se sentindo um rockstar, um rockstar quebrado e viciado. De forma trêmula tentou pedir ajuda ou talvez pedir mais uma dose.

10, 15, 20 minutos, não sabia quanto tempo ficou jogado no chão do banheiro, implorando por mais uma dose de Snow.

Com dificuldade se levantou e saiu do banheiro, a claridade da festa e o barulho estava lhe incomodando. Trombou com algumas pessoas, enquanto tentava ir para fora.

Talvez tenha escutado Martin e algumas garotas chamarem seu nome, mas ele precisava chegar no carro. Talvez lá tivesse mais um pino, um pino que ele escondeu para esses momentos de fissura.

— Que porra, eu não acho meu carro — gritou com algumas pessoas que estavam no jardim da festa.

— Ei cara, melhor você não dirigir nessas condições — um rapaz moreno disse se aproximando de

— Eu te perguntei alguma coisa?

— Você tá muito mal, vamos lá pra dentro, eu te ajudo! Você quer mais alguma coisa? — uma menina tentou argumentar.

— Eu só quero mais uma carreira, eu preciso da Snow . Você tem a porra de um pino? — desesperado e passando as mãos pelo cabelo, sentia que estava surtando.

— Ei, não temos drogas aqui! — a menina tentou se aproximar, mas se afastou com o grito de .

— Então vão se foder! Não preciso da ajuda de vocês. — Ele se afastou do casal e conseguiu caminhar para o carro, o som do alarme pareceu tão alto.

Porta luvas, porta treco, embaixo do banco, NADA.

— Que inferno! — em uma crise anterior o amigo tinha revisado o carro, além de propor a reabilitação. Mas, se negou. Ele tinha controle sobre seu uso e sua vida. Ou acreditou que tinha.

Olhou no relógio e o ponteiro apontava ser 4:26 da manhã. O seu fornecedor deve estar aberto ou então ele pagaria mais um pouco que o normal.

ligou o carro e engatou a primeira, saindo em disparada. Ele sentia as mãos tremendo, o suor escorrendo pela nuca, a boca seca e a necessidade das drogas em seu corpo.

Ele respirou fundo e segurando a respiração, em uma tentativa de segurar a ânsia que tinha retornado. Escutou o toque do seu celular, jogado no chão do carro ele mostrava uma ligação de . Talvez ele tenha ligado sem querer, não importava agora. Ele precisava chegar no fornecedor.

Seu pé pisou no acelerador para chegar mais rápido ao seu destino. Porém, a luz do farol alto invadiu seus olhos, junto com o impacto no carro. E a última coisa que pensou antes da escuridão foi em quanto queria Snow mais uma vez.

Epílogo

No more excuses

No more running

Only God can save you now

Fontes próxima ao músico alegam que o mesmo estava dirigindo sobre efeitos de álcool e outras drogas. O que ocasionou o seu acidente com o caminhão, o motorista do caminhão informou que o carro vinha desgovernado pela pista e em alta velocidade. Os médicos afirmaram em boletim que seu quadro é estável, porém o mesmo deve permanecer em observação por mais alguns dias, devido a contusão que sofreu na cabeça.

Será que irá para reabilitação após este incidente? Seus companheiros de banda ainda não se pronunciaram, porém existe uma entrevista coletiva agendada para hoje à tarde.

Eu sou direto do Hospital de St. Mary aqui em Londres.

desligou a tv após o pronunciamento da repórter, ela estava ontem na festa. sabia que ele estava chapado. sabia que estava ferrado, enfim ele deveria admitir . Era viciado em cocaína e precisava de ajuda, seu vício quase o matou, além disso tudo que viveu com Snow, a euforia e felicidade após o uso, não passava de mentiras.

 

 

Fim.