08. Too Close For Comfort

08. Too Close For Comfort

  • Por: Tai Aguiar
  • Categoria: Especiais | McFLY
  • Palavras: 2091
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Sinopse: Dougie não entende porque isso está acontecendo com ele, logo quando achou que o amor havia batido na sua porta, entrando para ficar. O que ele fez de errado? Por que ela está o deixando?

Capítulo Único

estava se sentindo patético.
Passou a mão nos cabelos e resmungou abrindo a garrafinha de água com gás, sua nova companheira nos momentos difíceis, ou em praticamente todos os momentos. Estava com o carro estacionado na esquina da rua, onde acabara de deixar , quase contra a sua vontade. Suspirou, encostando a cabeça no volante. Não era capaz de acreditar que estava voltando para a estaca zero.

Balançou a cabeça, levantando o corpo e olhando pelo retrovisor interno. A luz do quarto da mulher estava apagada, mas o abajur que ele sabia ter formato de nuvem iluminava a cortina em tons de azul. Ele sorriu, se sentindo mais idiota ainda.

conheceu em uma famosa balada de Londres. Para ele, ela havia caído do céu naquela noite. já não era o mesmo moleque de antes, afinal, no auge dos seus 30 anos sexo casual já não o atraía tanto assim, e isso só se confirmou ainda mais depois de conhecer a morena.

Flashback on

— Uma água sem gás, por favor. — ele ouviu a moça bonita escorada no bar pedir e virou a cabeça para acompanhar. Ela tinha uma taça de espumante em uma das mãos, e sorriu.
— Água e espumante? Bela mistura. — ele quase gritou, por causa do som, em uma tentativa de puxar assunto, e ela levantou uma sobrancelha, sorrindo marota.
— Não são para mim — recebeu a água agradecendo ao barman — Eu não troco meu espumante por nenhuma água nesse mundo.
— Não sabe o que está perdendo, beber água na balada é a nova tendência da temporada. — ele respondeu, sem saber exatamente de onde havia tirado essa ideia de tendências.
— Ah é? — ela arqueou a sobrancelha, dando um gole generoso na taça, e ele riu, jogando os cabelos para o lado. Era assim que tentava conquistar as garotas, desde os 15. — Será que minha melhor amiga completamente embriagada andou estudando as tendências?
— O quê?
— A dona da água — ela riu, balançando a garrafinha — Foi um prazer te conhecer, mas eu preciso ir.
— Ainda te vejo hoje?
— A noite é uma criança. — ela respondeu com um piscar de olho, dando as costas para o homem.

Flashback off

Naquele dia, ele tivera a certeza de que ela era a garota certa. E agora já não tinha certeza de mais nada, apenas de que a queria de volta, e nem havia entendido o porquê da partida repentina. Respirou fundo antes de ligar o carro novamente, fazendo a volta na rua, para pegar o caminho de casa. tentava lembrar onde foi que ele havia errado.

Eles se reencontraram na mesma noite, trocaram telefone e logo no dia seguinte ele a esperava em uma das milhares de Starbucks espalhadas pela cidade. Os encontros se tornaram constantes. Eles passaram a almoçar juntos quase todos os dias, e quando tinha uma folga no trabalho, ela acabava indo dormir na casa dele. Essa rotina já caminhava para o sexto mês, e , por incrível que pareça se sentia mais completo.

Ele entrou em casa deixando os sapatos ao lado da porta, como de costume, olhando ao redor. A casa parecia vazia sem ela, e ele se pegou pensando em , mais uma vez.

Flashback on

— Isso é cafona demais, até pra mim, ! — ela disse sorrindo marota, enquanto ele escrevia com um palitinho o nome dos dois na areia.
Os dois haviam conseguido uma folguinha durante a semana e resolveram ir passar o dia na praia. Já estavam há quatro meses juntos.
— Aposto que sempre foi o seu sonho de adolescente. — ele disse finalizando a arte com um coração e voltando a deitar na areia.
— Assim você me ofende! — virou de bruços, apoiando o corpo nos antebraços e olhando diretamente para , que mantinha um sorriso bobo no rosto, ela sorriu tímida — Por que diabos você está me olhando assim?
— Assim como, senhorita ?
— Assim, com cara de apaixonado. — disse de forma engraçada e fez uma careta — Se bem que você acabou de escrever nossos nomes na areia, então você deve realmente ter se apaixonado por mim.
— Acho que podemos concordar. — ele disse olhando diretamente para os lábios da garota, que estavam curvados em um sorriso bobo — Mas eu acho que não sou o único aqui.
— Acho que podemos concordar. — respondeu sorrindo, antes dos dois iniciarem mais uma das sequências de beijos intermináveis.

Flashback off

Quando abriu os olhos novamente já era a manhã de sábado. Suspirou puxando o travesseiro que pertencia a para mais perto, ainda conseguindo sentir o perfume da garota que estava ali algumas horas atrás. Passou a mão nos cabelos numa tentativa de desestressar e seguiu para fazer a sua rotina matinal, ainda tentando lembrar o que fez a menina querer ir embora no meio da noite.

Flashback on

— Sabe… — começa saindo do banheiro, com uma toalha enrolada na cintura e atraindo a atenção da menina, sentada em sua cama — Acho que você podia se mudar.
— O que? — ela ri, levantando o olhar do livro que lia — Sei que morar na casa dos meus pais é complicado, mas não tenho condições de bancar nem que seja um mísero apartamento.
— Não quero que você banque lugar nenhum — ele bagunça o cabelo, sentando ao lado dela e continua de forma direta — Você podia morar comigo.

Flashback off

Sem saber exatamente o que estava fazendo, já estava com o carro estacionado na porta de , onde a deixara na madrugada. Foi durante o banho que ele encontrou seu erro, e relembrou na cabeça com detalhes. Ele havia convidado a mulher para uma grande mudança, e não notara que a reação dela não havia sido positiva.

Logo depois do convite, ela se afastou. Aos risos falou que precisava estudar e que ele estava ficando louco. Para ele, as risadas e a acusação surgiram como uma forma positiva de dizer “vou pensar no seu caso, , mas não era verdade, e ele só se deu conta quando três dias depois de insistir mais algumas vezes no assunto, ela havia ido embora.

? — a mulher balança as mãos na frente do rosto do rapaz, fazendo ele despertar do transe, piscando rapidamente — O que você faz aqui?
— Eu toquei a campainha? — ele pergunta assustado, sem lembrar exatamente do momento em que saiu do carro e como chegou até a varanda.
— Sim, você tocou a campainha. — suspira, encostada na porta e repete a pergunta que fez anteriormente — O que você faz aqui?
— Eu… — ele coça a nuca, confuso. Não havia planejado nada para dizer.
— Você quer entrar? — ela pergunta de forma educada, e ele concorda, balançando a cabeça e a seguindo para dentro de casa.

senta no sofá e espera que faça o mesmo, até perceber que ela já está sentada na poltrona que costuma ser ocupada pelo seu pai. Ele suspira, e começa a falar, visivelmente nervoso.
— Eu acho melhor você não morar comigo…— ele tosse e ela franze o cenho — Quero dizer, não quero terminar com você, então vim retirar o convite que fiz, para podermos voltar ao que éramos antes de eu fazer essa pergunta estúpida. — desata a falar, típico de quando está nervoso — Bom, não acho isso de verdade, mas posso abrir mão até você se sentir melhor com a ideia, acho que fui muito precipitado, não é?
.. eu não vou voltar. — ela diz desviando o olhar.
— O quê? Eu achei que… — ele pergunta confuso, se sentindo um adolescente com metade da sua idade real.
— Sei que não deixei as coisas claras ontem à noite e não era minha intenção acordar você… — ele a interrompe.
— Como assim, não era a sua intenção me acordar? Você pretendia me deixar dormindo e ir embora? — o homem passa a mão nos cabelos.
— Não… quer dizer, sim. — ela morde o lábio inferior — Parece meio horrível quando você diz mas eu não sabia como te explicar.
— Tecnicamente eu ainda não recebi uma explicação. — ele fala, com o olhar completamente perdido.
— Só fomos rápido demais, você entende? — diz tentando manter o rosto tranquilo.
— Eu sei, . Justamente por isso vim sugerir que… — ela levanta, indo sentar ao lado dele no sofá e o interrompendo.
— Eu sinto muito, . — suspira baixinho, fechando os olhos.
— O que eu fiz de errado? Ok. Sei que te chamei pra morar comigo, mas a gente já viveu um tanto de coisas que casais vivem diariamente, eu não achei que o convite pudesse te ofender. — nervoso, ele começa a batucar com os dedos, na coxa.
— A culpa não é sua. — ela puxa a mão dele pro colo, e começa a fazer carinho em movimentos circulares, tentando acalmá-lo, podia ver o brilho fraco dos olhos de , enquanto ambos seguravam as lágrimas — Eu só não estava sendo sincera com você.
— Então você pode ser sincera comigo agora. — o olhar de confusão e desespero tomam conta da feição do rapaz.
— Eu não posso, . — ela diz de forma calma.
, eu simplesmente não entendo.. — ele puxa a mão de volta, passando nos olhos, e ela se levanta.
— Eu já falei, eu sinto muito. Mas eu preciso de espaço, eu preciso de tempo, e eu não estou em condições de dividir isso com você no momento. — ela levanta do sofá, virando de costas pra ele, e fecha os olhos.
— E algum dia você estará? — o som sai abafado, quase como um sussurro.
— Eu não posso te responder isso agora, e não posso fazer você esperar por mim. — retorna o olhar para .
— É por que eu sou velho?
— O quê? Não, . — diz, e morde as bochechas internamente — A nossa diferença de idade nem é tão grande assim — ela conclui. O seu maior desejo é que essa conversa acabe logo.
— Você não vai me contar, não é? — pergunta, visivelmente frustrado.
— Acho melhor você ir. — a mulher caminha até a porta, ainda tentando conter as lágrimas. Odiava ver nesse estado. Ele concorda, ainda que contrariado, passando a mão no rosto mais uma vez e levantando.
— Você pode me ligar, se mudar de ideia. — ele sugere, mesmo sabendo que isso não vai acontecer tão cedo.
— Sinto muito. — ela diz, abrindo a porta.
— Eu também sinto. — ele responde mais para si do que qualquer outra coisa e caminha para a varanda, sentindo os olhares de em suas costas. Ele olha mais uma vez para trás e a única coisa que consegue ver é a mulher fechando a porta com cuidado.

Sem saber o que pensar ou como reagir, entra no carro, passa a marcha e acelera, tirando aos poucos o pé da embreagem.

Acabara de deixar a pessoa a quem ele se agarrou com esperança. E não podia fazer nada para mudar isso, apenas seguir seu caminho, sem respostas e com lágrimas nos olhos.

 

Fim.