09. No Worries

09. No Worries

  • Por: Júlia D.
  • Categoria: Especiais | McFLY
  • Palavras: 2587
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Sinopse: 15 anos se passaram e nada mudou,eles continuam errando nos acampamentos deles. Mas será que esse ultimo vai ter um significado maior? “Porque você me libertou e me mostrou quão boa minha vida podia ser.”

Capítulo Único

Hoje eu acordei com um grande propósito para o meu dia: pedir Dougie Poynter em casamento.
Nos conhecemos a quase 15 anos e, se eu me apaixonei por aquele moleque de cabelo roxo e piercing no lábio, eu sou capaz de passar o resto da minha vida com ele. E assim estamos levando, passamos por tantos altos e baixos que não sabemos até hoje o que nos manteve unidos mas temos a certeza que passaríamos por tudo novamente, porque se tudo isso nos tornou o casal que somos hoje é que os perrengues valeram a pena.
Já são quase 09:00 da manhã de um sábado lindo e raro de sol na grande Londres e estou esperando a quase 1 hora meu excelentíssimo namorado/futuro noivo procurar a porcaria da barraca que ele diz que guardou, mas que provavelmente ele perdeu. Tivemos a ideia de ir fazer uma trilha no interior e já engataríamos um acampamento, claro, tudo parte do plano.
Eu e Dougie já havíamos conversado sobre casamento no decorrer desses últimos anos e nunca entramos em um consenso. Ou era a data que não fechava, o local que não agradava, Dougie entrando nas mil bandas dele e ficando sem tempo, eu trabalhando que nem uma louca na emissora (do qual sou diretora inclusive) ou era o Tom que resolvia ter mais um filho e que não poderia ir. N motivos para adiar os planos. Mas agora era o momento. Eu sabia disso.
– Amor, adivinha o que eu achei!!- Dougie veio correndo com um saco preto com umas alças que estava todo empoeirado, e eu reconhecia como sendo a nossa barraca.
– Meu Deus Dougie, finalmente! Mas vai limpar isso, não vou dormir nesse saco de rinite – falei rindo (de nervoso) e apontei a lavanderia para ele.
– A boneca não vai ajudar em nada não?- berrou de dentro do cômodo.
– Eu já separei a comida, nossas roupas, cobertas, já liguei a rota no GPS e estou só esperando você, meu anjo.
Depois de meia hora, estávamos finalmente na estrada. O dia estava perfeito, o clima agradável e eu estava começando a ficar tensa. E ele reparou.
, ta tudo bem? Assim, você já foi mais animada em fazer trilha…- ele falou olhando de canto para mim, sem perder a atenção no volante.
Não disse nada e dei apenas um largo sorriso para ele, colocando minha mão em cima da sua coxa e fazendo um leve carinho.

We ran past strawberry fields and smelt the summer time
When it gets dark I’ll hold your body close to mine

– Dougie, lembra daquela vez que fomos acampar, pela primeira vez e todas as nossas comidas estragaram do calor? Os morangos estavam horríveis! Só pode ter sido praga do dono do campo. – soltava uma risada lembrando do nosso primeiro acampamento e do pequeno e atrapalhado roubo de morangos.
– Nossa, o cara olhando para nós e xingando com todos os palavrões possíveis, que vergonha! – Dougie deu ênfase, me olhando incrédulo e logo em seguida soltando uma gargalhada por conta da cara que eu fiz.
– Vergonha por que queridinho? A ideia foi sua! – e apontei o dedo em sua direção, rindo.
E seguimos o caminho lembrando daquele desastre de acampamento.
Já era perto do meio dia e chegamos ao nosso destino: Bella Vista Camping, situado em City Rd, na cidade de High Wycombe. Em menos de duas horas saímos da metrópole londrina e estávamos em um lugar onde nossa visão era tomada por árvores e muitas árvores.
Estacionamos o carro perto do local aonde iriamos montar o acampamento e descarregamos as bagagens. O lugar era aberto, com um bom espaço de gramado e árvores ao seu redor. Eu só estava torcendo para que nada desse errado.
Nisso, Dougie resolveu pegar a minha mochila que estava no banco de trás e sem querer deixou cair no chão. Meu coração gelou, meu corpo não movia um milímetro sequer e eu só pensava naquela caixinha preta dentro da mochila…
– Foi mal amor, tinha algo que quebrava dentro? – ele disse, já abrindo o zíper da mochila. No impulso, peguei a mochila, antes que ele achasse o que, definitivamente, não era para ele achar. – Tudo bem Doug, não tem nada que quebra não, fica tranquilo- dei meu melhor sorriso e um beijo nele, levando a mochila para longe dele. Eu sou péssima para disfarçar.
Depois de mais ou menos uma hora e meia, deixamos nossa barraca montada e as lenhas já na forma para a fogueira. Iriamos iniciar a nossa pequena trilha, só para explorar um pouco daquele lugar incrível. Passamos nossas semanas trancados em uma sala de escritório, olhando somente para prédios e esquecemos das belezas que esse mundo tem. Nada melhor que sentir aquele vento frio das árvores, o ar puro, como se fosse um carinho de Deus em ti.
Durante a trilha, conversamos sobre nossa semana, Dougie queria saber mais sobre os novos projetos da ESPN, de como era difícil aceitarem ideias vindo de uma mulher, e ainda mais sobre esportes. Ele sempre foi muito orgulhoso das minhas conquistas e de como aos poucos fui tomando meu lugar na área, da forma que entrei como uma simples estagiária até virar diretora.

 

And then we’ll find some wood and hell we’ll build a fire
And then we’ll find some rope and make a string guitar
Voltamos para nosso pequeno acampamento e o dia já estava escurecendo. E a hora de revelar minha pequena surpresa se aproximava. Dougie foi até o carro, pegou o isqueiro, alguns galhos secos e deu início a sua tentativa de acender a fogueira.
– PORRA! – Dougie comemorava em volta das pequenas chamas que surgiam na lenha e dentro de minutos já podia ser considerada uma fogueira de respeito. Acho que dentro todos os nossos acampamentos, foi a primeira vez que não precisamos recorrer a lanternas.
– Meu herói, vem cá, merece um beijo. – eu disse, estendo os braços até ele e abraçando pela cintura e lhe dando um leve selinho. – Eu te amo. – falei olhando para aqueles olhos que, meu Deus, que olhos! Que nosso filho tenha esse mesmo olhar um dia.
– Tudo isso por causa da fogueira? Nossa, deixa eu ali acender mais umas 10 então – Dougie falou e já me puxou para um abraço mais apertado, fazendo com que minha cabeça encostasse em seu ombro e eu sentisse todo seu cheiro. – Eu também te amo meu amor, e obrigada por ter essas ideias malucas de acampamentos. – Dougie trouxe meu rosto próximo ao seu e meu deu um beijo calmo e apaixonado.
Ele buscou o violão no carro, e se aconchegou na nossa barraca, que estava aberta, para aproveitarmos melhor a fogueira.
– Me fala uma música – ele me encarou, já com o violão no colo e pronto para iniciar as primeiras notas da minha escolha.
Olhei para ele e um sorriso bobo apareceu no meu rosto, porque eu já tinha a minha escolhida e com certeza seria…
– No Worries – claro que seria a música que ele e seus amigos tolos escreveram sobre o início do nosso namoro, do roubo de morangos e da época que eles achavam que eu era atriz porque fingi um choro espetacularmente ótimo.
– Ok, lá vai…- E as primeiras notas da música começaram a soar no ambiente e cantávamos animados, eu sem ritmo nenhum, ele com sua voz doce, segurando o riso.

Captivated by the way you look tonight the light is dancing in your eyes
Your sweet eyes
Times like these we’ll never forget
Staying out to watch the sunset
I’m glad I shared this with you
You set me free
Showed me how good my life could be
How did this happen to me?

– Dougie, eu preciso te falar uma coisa… – interrompi e no mesmo segundo Dougie parou de tocar e me olhou preocupado.
– Aconteceu alguma coisa?- Dougie deixou o violão de lado e se aproximou de onde estava sentada, tirando um travesseiro do lugar. Nisso, eu puxei a mochila mais perto e deixei ela ali, só esperando o momento.
– Aconteceu e eu preciso que você me escute com toda a atenção, ok? – ele concordou apenas com a cabeça de uma maneira tão fofa que não resisti e precisei lhe dar um beijo, só para assegurar que estava tudo bem. – Amor, eu sei que você talvez não goste de acampar, e não precisa fazer essa cara, eu sei que não – falei rindo e fazendo carinho em seu rosto – mas eu amo a forma que você topa as minhas loucuras pelo simples fato de estar comigo. Já são tantos anos que parece que foi ontem que fui no show de vocês e aquele seu cabelo roxo horroroso me encantou. – Ah, tu gostava – Dougie se defendeu, mexendo no próprio cabelo.
– Ah nossa, eu adorava, nem comemorei quando você pintou, enfim Dougie, foca – e pedi para ele olhar para mim. – A questão é que, desde lá eu fui tendo a cada dia, a cada mês, cada ano que passava , a certeza que você era o amor da minha vida, da nossa maneira meio errada de amar, das brigas, das vontades de socar esse teu rostinho lindo… – e nisso me veio as lembranças de um dos dias mais tristes da minha vida. – Eu fui percebendo que nunca iria conseguir viver sem você. Só de pensar que… – nisso algumas lágrimas se formaram e respirei fundo – eu quase te perdi, e corria o risco de não ter você mais comigo. – As lágrimas já não pediam mais licença e escorriam pelo meu rosto. Não era para ser assim, mas o dia do quase suicídio do Dougie ainda me persegue.
, meu amor, calma! Eu estou aqui não estou, e prometo não ir a lugar algum nesse mundo sem você. – Dougie me abraçava tão forte que eu sentia seu coração acelerado. Se era difícil para mim ter aquelas lembranças, imagino para ele.
Enxuguei as lágrimas e coloquei um sorriso no rosto. Chegou a hora, eu não conseguia mais achar as palavras certas e queria acabar com aquela ansiedade de uma vez.
– Dougie, casa comigo? – minhas mãos estavam em volta do seu rosto, meus olhos vidrados no seu olhar, sentia o calor da fogueira perto de nós mas eu sabia que meu corpo ardia de tão nervosa que eu estava e que o som que ecoava pela floresta ao nosso lado era do meu coração batendo forte. Dougie me encarou como se não tivesse entendido, e não sabia se abria um sorriso ou se mantia a cara de surpresa. – Amor, você está me pedindo… – e nisso um sorriso largo surgiu e Dougie soltou uma gargalhada.
Eu larguei as minhas mãos de seu rosto e olhei incrédulo. Como ele podia estar rindo diante dessa situação toda. Ele estava rindo de mim?
, não me mata, calma! Co-como que você descobriu? – Dougie me olhava rindo e ai que eu não entendi mais nada.
– Descobri o que Dougie? – Nisso ele puxou o casaco que ele estava e tirou de lá uma caixinha azul.Eu fechei os olhos e não estava acreditando no que estava acontecendo. Não podia ser.
– Já que a senhorita fez questão de se adiantar, agora é a minha vez de perguntar: quer casar comigo? – Dougie me olhava todo bobo e abriu aquela caixinha, surgindo um anel maravilhosamente lindo, que brilhava igual a lua que pairava sobre nossas cabeças no céu.
Eu ainda estava sem acreditar que ele havia pensado na mesma coisa. Poxa, eu havia pensado em tudo, o trabalho que foi em descobrir o numero do dedo dele, em esconder a caixinha durante duas semanas na gaveta das minhas maquiagens, para o querido surgir com uma aliança linda e me desnortear toda.
– Dougie Poynter, você não existe! Até estragando minha surpresa você é incrível. Eu tenho duas alianças dentro dessa mochila, mas só de raiva você vai ver elas no dia do nosso casamento – falei, me jogando em seus braços e sendo retribuída com um abraço apertado daquele que por uma fração de segundos quase não vira meu noivo.
– Isso é um sim? – Dougie puxou meu rosto para frente do seu e eu assenti, abrindo um sorriso de orelha a orelha, que seria capaz de rasgar minhas bochechas, tamanha era a minha felicidade. – Sim, sim e sim. Eu já havia aceitado bem antes de você pedir amor – e soltei uma risada. Dougie me acompanhou no riso e tirou o anel da caixinha e colocou no meu dedo anelar esquerdo. Fitei aquele pontinho brilhante e imaginei a minha singela aliancinha dourada unida a aquele anel dentro de alguns meses.
– Agora nada vai atrapalhar nossos planos, sem adiar mais nada. Eu estou louco para iniciar uma vida inteira junto a ti. – Dougie me abraçava e depositava beijos pelo meu rosto inteiro e só conseguia sorrir e chorar. – Já vou avisar o Tom para ter filho só daqui um ano porque aquele merda que chamo de amigo e sua adorável esposa vão ser padrinhos. – soltei uma gargalhada imaginando o quão feliz Tom ficaria com esse aviso do amigo.

 

And then I’ll swing you girl until you fall asleep
And when you wake up you’ll be lying next to me

Eu estava imensamente feliz. A cara do Dougie traduzia a mesma coisa. Estávamos realizados, finalmente podendo por em prática aquilo que meio mundo esperava da gente.
– Nunca mais você vai sair dos meus braços, todos os dias, todas as noites, é junto a mim que eu quero que você esteja. – Dougie me aconchegou em seu colo e fez do seu abraço um casulo, como ele sempre faz. – Preparada para se tornar a Sra. Poynter mais gata desse mundo? – Dougie cochichou no meu ouvido, porque o infeliz sabia que aquilo ia me deixar inteiramente arrepiada.
– Preparada. – e dei um beijo nele, que iniciou calmo e tranquilo mas que aos poucos ganhou velocidade e tomou meu corpo inteiro de sensações que só ele conseguia despertar.
Nossa noite foi transbordada de muito amor e carinho, deixando para pensar no amanhã só quando ele chegasse, porque naquele momento, dentro daquela barraca, éramos nós dois nos tornando um só. Sem preocupações.

 

Fim.