11. Defenceless

Sinopse:  Eles estavam juntos há alguns meses e ele ainda não sabia dizer ao certo o que sentia, ainda não conseguia se abrir para os novos sentimentos e as novas sensações que tomavam conta de si. Ela, por outro lado, tinha certeza do que sentia e precisava ter certeza se era ou não correspondida. Ele teve um tempo para pensar, avaliar e decidir, e então a chamou para conversar.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Sem restrição.
Beta: Sharpay Evans

respirou fundo quando chegou à sala e parou no portal que dividia aquele cômodo e o corredor do quarto e banheiro, ficou ali por alguns poucos minutos. Observou que estava sentada no sofá de três lugares, concentrada no que estava fazendo no notebook que estava em seu colo.
A cabeça de doía, latejava, mas nada se comparava com a vergonha que sentia. Lembrava-se de bem pouco do que fizera na noite anterior; só que havia saído para beber com alguns amigos que não via há algum tempo, que aceitou beber cerveja e outra bebida um pouco forte o que, com toda certeza do mundo, não foi uma decisão muito sábia. Uma vez que acordou na manhã seguinte perto de quem ele tanto queria esquecer: .
– Estou indo – anunciou depois de alguns minutos em pé, cansado de procurar coragem para se fazer presente e sair logo dali.
– Deixei esse comprimido pra dor de cabeça aí em cima da mesa pra você, pode tomar se quiser. Ele é bom. – Ela o olhou por alguns segundos, deixando um pouco de lado a revisão que fazia numa estória que seria um dos próximos livros a ser lançado pela editora em que trabalhava. observou desde os cabelos molhados até os pés descalços, constatando que ele havia tomado banho quando acordou, no corpo estavam algumas das tantas peças que tinham sido transportadas gradualmente para o guarda-roupa de . – Ah, coloquei sua roupa na lavanderia do prédio. Mando pra você quando estiverem lavadas.
– Obrigado – agradeceu repuxando os lábios pra cima num sorriso pequeno que observou antes de voltar à atenção para o notebook.
colocou o comprimido na boca e o engoliu com o auxilio da água que estava num copo ao lado. Sentiu o liquido ser muito bem recebido pelo seu organismo que precisaria de algo sem álcool por alguns dias. A cabeça latejou um pouco mais com os menores movimentos feitos por si, prometeu a si mesmo de que não iria ingerir álcool nem tão cedo em sua vida.
Ele não era do tipo que enchia a cara, ficava bêbado, com frequência. Pelo contrário, sempre foi do tipo que bebe raramente e nunca mais do que dois copos de cerveja. Entretanto, na noite passada ele decidiu desafiar toda sua experiência com álcool. Bebeu muito mais do que dois copos.
Encontrou-se com amigos que não via desde a faculdade de Direito e que agora trabalhavam em outros escritórios senão o seu. Estava feliz por reencontrar pessoas que fizeram parte de uma época importante da sua vida, a faculdade. O reencontro lhe pareceu uma oportunidade perfeita para parar de pensar. bebeu tanto a ponto de esquecer as tantas coisas que rondavam sua mente a todo minuto, o aperto no peito que era causado pelo medo que o tornava inseguro – e ele odiava se sentir assim – e, principalmente, bebeu até que parasse de pensar em . No entanto, a vida parecida odiá-lo com a mesma proporção em que amava tirar uma com a sua cara, uma vez que foi o endereço de que deu para o motorista do táxi que deveria levá-lo para casa.
O eu bêbado de achava que a casa de também era a dele, aparentemente.
– Hm… – pigarreou chamando a atenção de que o olhou de volta. – Me desculpa.
– Pelo o que?
não sentia raiva de , não mais.
Ela estava no estágio em que a tristeza por ver que o que eles tinham não teria tanto futuro assim, ao contrário do que ela imaginava. Afinal, é muito difícil ter futuro com alguém que ao mesmo tempo em que parece corresponder a todos seus sentimentos também age como se não sentisse o mesmo que você.
e se conheceram no Drake’s; ela tinha ido com algumas amigas e ele para comemorar o aniversário de um seus colegas de trabalho. quem chegou primeiro em , a abordou no bar do local e foi surpreendido quando ela falou da aposta que ele e seus amigos haviam feito minutos antes dele ir até ela. A aposta era que não conseguiria o número do celular de , e ele não apenas conseguiu o numero como saiu de lá acompanhado dela. E, bem, o que deveria ser apenas uma saída juntos do Drake’s se transformou em beijos no banco do carro de e em outros encontros.
Inicialmente os encontros aconteciam sem datas ou locais marcados, mensagens eram enviadas e as respostas consistiam em “topo” ou “estou livre”. Até que passaram a deixar os bancos traseiros de carros, quartos de hotéis e conheceram a casa um do outro. A proximidade surgiu tão logo e não foi surpresa para quando ela, sozinha em seu apartamento, se perguntou se não deveria deixar e parar com todos aqueles encontros. Ela se conhecia, sabia que seria questão de tempo até que começasse a sentir mais do que deveria – o que era difícil não acontecer, afinal, a cada encontro o encanto que sentia por aumentava. O tempo passou e , que decidiu tentar e se prometeu que iria parar quando percebesse que estava indo longe demais, começou a perceber que assim como ela, o advogado também não conseguia acabar com o que tinham.
A cada dia, a cada encontro, tinha mais e mais certeza de que gostava de si assim como ela gostava dele que o que eles tinham e sentiam ia além de tesão ou qualquer coisa sexual. O problema é que ainda não sabia lidar com sentimentos mais aflorados, relacionamentos sérios e todas essas coisas, por isso fechava-se dentro de si. E ao invés de conversar com sobre tudo o que sentia, se abrir e contar o que o incomodava e bloqueava, preferia agir como se não houvesse tanto entre eles. Como se tudo que estivessem vivendo há seis meses continuasse sendo encontros casuais e nada além disso. Como se não tivessem ultrapassado essa fase. O que incomodava em vários níveis, pois ela precisava de certezas para continuar o que eles tinham. Não podia e nem iria continuar nadando naquele mar se estava sozinha.
– Deixa pra lá. – Suspirou com a ausência de respostas, deixou de olhá-lo e voltou à atenção para o documento aberto na tela do notebook. Tentou.
– Eu não sei o que te dizer.
– Você só precisa me dizer o que você quer – pediu, fitando que assim como ela também estava odiando toda aquela tensão e clima pesado entre eles. Era a primeira vez que ficavam daquele jeito, se tratando tão friamente, e estavam odiando a experiência. – Porque eu não posso ficar tentando adivinhar – completou.
desejava que quisesse ficar consigo, resolver o que quer que ele tivesse para resolver para que pudessem ficar juntos de vez, mas sabia que para isso precisava que o rapaz decidisse o que queria. Ela não podia decidir por ele, dizer o que ele estava sentindo, apenas tinha esse direito. Talvez ele continuasse querendo apenas sexo e tudo bem, não poderia culpá-lo por isso. Afinal, nunca a prometeu mais do que isso – mesmo que ela soubesse que ele sentia mais do que isso. Os olhares e toques diferentes e as tantas conversas e trocas que tiveram ao longo dos meses diziam isso, estava no mesmo nível de interesse que ela.
– Você. – A resposta veio firme, mas não causou confortou algum em que continuou encarando-o esperando por alguma explicação melhor. Ela já sabia que ele a queria, mas precisava de mais.
– Não parece.
– Eu sei – confessou, soltando o ar de uma vez, suspirando. – Sei também que não deveria ter aparecido aqui ontem e ter te dado trabalho, mas acabei dando seu endereço para o motorista e-
– Tudo bem – o interrompeu, aquele não era o tipo de explicação que queria. Ela já havia cuidado outras pessoas bêbadas antes, o que não tornava o acontecimento uma novidade para si. Mas precisava ser sincera: odiou vê-lo daquele jeito, pois ela sabia que não era do tipo que bebia tanto e também sabia que quem bebe demais só tem um único propósito: Esquecer algo. No caso de , talvez fosse para esquecê-la.
– Não, eu sei que não está tudo bem. Não precisa fingir – resmungou frustrado. Só não sabia se a frustração que sentia era mais consigo mesmo ou com que não gritava e o xingava. Ele a entenderia caso fizesse uma dessas duas coisas ou as duas.
– O que você quer que eu diga? – perguntou confusa e passou a mãos pelos cabelos, gesto que aprendera que ela fazia principalmente quando estava irritada, frustrada, quando algo estava fora do seu controle. – Sinceramente, eu não sei que te dizer – repetiu a fala dele. – Porque eu não consigo entender o que você quer . Me querer não é o suficiente e você já sabe disso. Então, você quer que eu diga o que?
estava certa, ela não tinha o que dizer e sabia disso. A situação deles dependia dele que estava bagunçado por dentro com tanto sentimentos novos. A culpa era dele que não sabia o que falar, fazer ou decidir.
– Eu sinto muito – desculpou-se mais uma vez, olhando-a do jeito que julgava cruel demais. Ela queria se levantar e abraçá-lo, dizer que tudo ficaria bem, mas não podia. precisava encarar o que quer que existisse dentro de si, precisava decidir e ela precisava se mostrar resistente a ele.
– Sentir muito não é o bastante – suspirou, cansada e sentindo o coração apertar com todo aquele cenário que parecia perfeito pra uma despedida. Despedida essa que ainda não estava pronta, apesar de achar que estava mais perto do queria. – Pelo menos, não desse jeito – consertou enquanto encarava a figura do advogado. – Você diz que me quer, mas toda vez que eu tento algo a mais, você foge. Você se fecha pra mim, . Fica distante e age como se tudo o que tivéssemos ainda fosse apenas sexo quando eu sei que já passamos dessa fase. E você também sabe disso – apontou para ele que continuou olhando-a, escutando e desejando poder abraçá-la apertado como das tantas outras vezes. – Seus toques estão diferentes, seus olhares e nossas conversas também. Mudamos desde que nos conhecemos no Drake’s, e está tudo bem. Eu assumo que não te conheço inteira e perfeitamente, mas eu sei que conheço o suficiente para saber que há algo errado. Que você está se forçando a ficar num estágio em que não estamos mais. Olha – respirou fundo, tirando o notebook de seu colo e colocando-o no sofá ao seu lado, virando-se para ficar de frente para . queria se levantar e ir até ele, mas sabia que não conseguiria estar tão perto e não poder abraçá-lo. Preferiu ficar no estofado –, eu não sei se você já teve algum relacionamento no passado que te fez mal, te deixou algum trauma ou se no fundo você acha que eu não te mereço, que a garota da aposta do bar não merece ser apresentada co-
– Não, não é nada disso!
– Como algo a mais que isso, mas – continuou mesmo que a tivesse interrompido, decidida a concluir sua linha de raciocínio. – independente do que seja, eu preciso saber. Eu gosto muito de você, . Muito. Mas eu não posso ficar nessa agonia de não saber se eu estou entendendo tudo errado ou não. Se você ainda quiser só sexo, eu preciso saber. Se você quiser algo além, eu também preciso saber. Eu preciso saber qual passo você quer dar e se vamos dá-lo juntos ou não. Eu preciso de certezas e nesse momento eu não estou tendo nenhuma. Eu não sou mais criança e você também não, somos adultos e precisamos tomar decisões. Então, se decida e me deixe saber, okay? Independente, se sua decisão for positiva para mim ou não, eu preciso saber. E eu acho que você também precisa.

But I’ve never been so defenceless…

sorria para a história que ouvia ser contada por . Ela estava na cozinha pegando um copo de refrigerante para si, mas ainda assim conseguia ouvir a voz alta do rapaz exagerando uma história que ela conhecia por ter vivido com ele que sempre exagerava quando a contava para alguém. Por estar tão concentrada na voz do amigo, repreendendo-o exagero típico dele, não percebeu quando deixou de ficar sozinha na cozinha e acabou se assustando com a voz de que soou perto demais.
– Você está bem?
– Meu Deus, garota! Que susto! – reclamou virando-se de frente para a amiga, entornando um pouco do refrigerante no chão e quase em si mesma. – Estou e você? O que foi? – perguntou depois de tentar passar pela amiga e ter a passagem barrada. – ? – tentou passar mais uma vez e foi bloqueada novamente pelo corpo da médica. – O que você quer? – franziu o cenho, estranhando a atitude da outra.
– A verdade – deu de ombros, sorrindo largo daquele jeito de quem não fazia a mínima questão em esconder que sabia de algo e que estava certo o tempo todo. revirou os olhos, não tendo a mínima ideia do que a amiga queria. – O que aconteceu? Vocês terminaram?
– Quem? – perguntou verdadeiramente confusa.
– Você e , é claro. – Revirou os olhos de maneira teatral, pegando o copo de e bebendo um pouco do refrigerante alheio e fazendo careta em seguida. Preferia bebidas com álcool, como a cerveja que foi buscar na geladeira. – Você está bem? Precisa conversar? – perguntou olhando para que negou com a cabeça. – Não pra qual pergunta? Você não está bem ou não quer conversar?
– Eu não quero conversar. Não agora, pelo menos. Mas obrigada pela oferta.
era a única do ciclo de amigos de e que sabia do que acontecia entre os dois. Ainda que não fosse grande coisa, e preferiram manter o que tinham em segredo dos amigos que descobriram ter em comum – o melhor amigo dele era , o namorado de , e só descobriram isso quando foram apresentados no aniversário do garoto. No entanto, foi impossível para esconder de toda sua história com . As duas eram amigas há tempo demais para que conseguissem guardar segredos, era humanamente impossível. Um olhar era o suficiente para que soubessem mais da outra do que a própria, e foi assim que desconfiou de e : por um olhar. E logo teve suas suspeitas confirmadas.
– Espera! Vocês terminaram mesmo?! – Quase derrubou a garrafinha verde que acabara de abrir. – Quando? Por quê? Ah não! Vocês eram tão bonitinhos juntos! Eu shippava tanto! Principalmente quando vocês se olhavam como se-
– Fala mais alto que sua voz ainda não sobressaiu a do ! – a interrompeu, repreendendo-a e quebrando as perguntas intermináveis da amiga que parecia realmente injuriada com o suposto término.
– Desculpa – pediu apesar de nunca ter entendido muito bem o porquê de e querer guardar o que tinha dos amigos, enquanto todos já desconfiavam que rolava algo entre eles. Fala sério, era ridículo o jeito que agiam quando estavam juntos. – Porque terminaram? Foi do nada?
– Eu acho que a gente deu um tempo? – respondeu incerta, ainda não tinha certeza do que acontecera com sua história com ; se tinha ou não chegado ao fim.
Três semanas haviam se passado desde que se falaram pela ultima vez, quando pediu que tomasse alguma decisão, e ainda não tinham se encontrado pessoalmente ou conversado por celular. Aquele era o tempo que o rapaz precisava para pensar e ela o respeitava. preferia que reaparecesse apenas quando tivesse uma resposta, mesmo que sentisse saudades dele todos os dias.
– Enfim, ele precisa decidir o que quer da vida – completou, sorrindo pequeno para a amiga que franziu um pouco mais o cenho.
– Eu pensei que ele quisesse você.
quis resmungar chorosa com a fala de . havia dito a mesma coisa da última vez que se viram, que ele a queria. E lembrar-se dele falando aquela frase só piorou a saudade que sentia de tê-lo por perto.
– É compli-
! Vem cá! – gritou interrompendo que viu o amigo aparecer na cozinha poucos segundos depois que a chamou. – não quer acreditar em mim! Você precisa contar também!
– Contar o que? – perguntou confusa com a mudança repentina de assunto.
– Do dia em que eu estava te levando pra casa de moto e batemos em outra moto que era menor que a minha e… – A abraçou pelo pescoço quando se aproximou, lembrando-a do acidente que sofreram no final do ano passado.
– Você deu mesmo uma cambalhota por cima da moto? – perguntou assim que os dois chegaram à sala, arrancando uma risada desacreditada de que riu e olhou acusativa para . – Eu falei que ele estava inventando!

Depois de algumas bebidas era normal que o grupo de amigos estivesse falando mais alto, rindo com facilidade, relembrando histórias engraçadas enquanto riam de piadas novas que surgiam em comentários feitos naquele momento e uma playlist qualquer tocava na televisão da sala. , sendo uma das duas pessoas sóbrias na casa, não conseguia ficar irritada com tantos bêbados ao seu redor. Pelo contrário, achava adorável a felicidade embriagada dos amigos, as risadas altas de que vez ou outra tinha beijos roubados de que, quando com uma dose de álcool no sangue, não conseguia segurar a vontade interminável de beijar a namorada, e em como e sempre arrancavam caretas e sons de nojo de que reclamava do que ele chamava carinhosamente de “grude, ew” – mesmo que fossem muito mais discretos na troca de carinho do que o outro casal.
estava sentada no canto do sofá de três lugares com ao seu lado enquanto Donyoung estava no chão entre as pernas da namorada. e dividiam o sofá menor, deitado de qualquer jeito meio torto no chão e , que havia chegado enquanto desmentia a maior parte da história contada por no começo da reunião, também estava sentado no chão. Ele era a segunda e última pessoa sóbria da roda, a consciência ainda estava pesada pela última vez que ingeriu álcool.
– Ops – meio que se desculpou quando seu celular começou a tocar em cima da mesa de centro, a tela brilhando mostrando o nome de sua colega de trabalho, Abigail.
– Sério? – perguntou para que afirmou, revirou os olhos. – Essa mulher quer alguma coisa com você, não é possível.
– Sim, ela quer terminar de revisar o livro que precisamos enviar na segunda-feira – respondeu se levantando de onde estava, bagunçando o cabelo de no caminho até as escadas que dava para o segundo andar da casa. – Não precisa ficar com ciúmes. Já volto.
precisava de um ambiente sem tanto barulho para atender a ligação de Abigail, por isso foi para o segundo andar da casa de e procurou pelo último quarto do corredor – o cômodo que ficava mais distante das escadas –, entrou e fechou a porta atrás de si. Viu a hora na tela do celular e mesmo que fosse quase uma hora da manhã da madrugada de sexta-feira para sábado, não podia se dar o luxo de não retornar a ligação. Ela e Abigail estavam responsáveis pela revisão do livro mais importante para a editora no momento, o terceiro e último livro da trilogia de uma das histórias mais vendidas da editora e do ano. Era algo grandioso.
Não era a primeira vez que revisava uma estória com Abigail, estavam juntas desde o primeiro livro da trilogia, por isso não reclamava quando recebia ligações da mulher que estava na editora há dois anos a mais que si. Gostava de ajudar e se sentir útil, além de saber que estava trabalhando em dupla e era normal que precisasse conversar com Abigail quando alguma duvida surgisse.
A ligação durou quase uma hora entre duvidas e resmungos de Abigail e ajudas de que, já acostumada com a colega de trabalho, riu em alguns momentos e combinou de se encontrarem no domingo para que pudessem ler o livro inteiro antes de enviarem o arquivo final. Comemorariam com pizzas de calabresa e chocolate além de champanhe que Abigail disse que compraria com toda felicidade do mundo. Elas mereciam, afinal. não era de beber, mas fazia algumas exceções em ocasiões que mereciam uma dose ou outra de álcool, aquela seria uma dessas.
– Desculpa! – pediu quando foi abrir a porta do quarto, o último cômodo que faltava verificar se estava dentro, e acabou por esbarrar nela que estava saindo de lá.
– Tudo bem – o tranquilizou, sorrindo.
Apesar de estarem juntos na casa de há tantas horas, terem trocado algumas palavras durante as tantas conversas que tiveram com os amigos e rirem das mesmas piadas, e ainda não haviam se olhado diretamente como estavam fazendo naquele momento. Ele a evitava desde que chegou à casa do melhor amigo e ela o evitava de volta, não era seguro se olharem tão diretamente. Nunca foi. O que não quer dizer que, às vezes, um não olhasse para o outro de maneira disfarçada e sentisse o coração apertar por tê-lo tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Ou que sorrisos discretos não repuxassem os lábios quando ouviam a voz e a risada alheia.
– A gente pode conversar? – questionou quando segurou o punho de que pediu licença para voltar pra sala e os amigos. a encarava sentindo o coração acelerar e a palma da mão aquecer apenas por estar em contato com a pele dela.
– Você tem certeza? – perguntou, não querendo que ele se sentisse pressionado de alguma forma, não era porque estavam no mesmo lugar que precisava conversar urgentemente com . Ela adoraria saber de uma vez o que ele havia decidido, é claro, mas preferia que ele tomasse o tempo necessário e não se precipitasse.
– Tenho – afirmou, respirando fundo e passando o polegar devagar pela pele dela, num carinho discreto que não notou fazer porque já era costumeiro para si. sempre tocava e fazia alguma espécie de carinho em quando estavam juntos, principalmente quando estavam a sós. Ela era única pessoa capaz de ver e ter aquele lado dele. – Eu iria te procurar de qualquer maneira ainda esse final de semana, amanhã talvez, mas como estamos aqui e… – suspirou, sentindo-se pequeno e um grande idiota diante do olhar de . Como foi capaz de duvidar ou sentir medo de tudo que aquela mulher o fazia sentir? Como não ter certeza do que queria quando tudo o que mais queria estava diante de si esse tempo todo? – Eu quero você.

– Eu sei, não é o suficiente para construir um relacionamento duradouro. Mas é o que eu quero, . Você – a interrompeu antes que ouvisse dela o que ouviu na ultima conversa que tiveram. – Você estava certa em quase tudo o que me falou naquele dia, e eu preciso explicar o que eu senti todo esse tempo. Eu fiquei assustado, sinceramente. Eu já tive relacionamentos antes de você, de nós, mas nunca foram tão… Assim. – O olhar fixo ao dela não vacilou quando passos para frente aproximaram os dois corpos. podia sentir o perfume de por estar mais perto, e ele sentira tantas saudades daquele cheiro. – Eu estava assustado porque era, é, tudo muito novo pra mim e eu não estava sabendo lidar com meus sentimentos. Eu me fechava porque quando você chegava perto demais, me via demais, eu me sentia indefeso. Exposto. Não é culpa sua, entende isso, por favor. A culpa é toda minha. Eu quem deveria entender melhor o que eu queria antes mesmo de me relacionar com você, de aceitar continuar com tudo. Eu fui um idiota. – A mão de ainda segurava o pulso de bem ao lado de seus corpos que estavam ainda mais próximos, a destra dele foi até o rosto dela e o tocou com as pontas dos dedos. Ele sorriu diante do olhar brilhoso dela. – Eu fui um idiota ao achar que iria me envolver com alguém como você e não acabar me apaixonando, como se existisse qualquer outra alternativa.
– Você não-
– Eu quero você, . Eu quero você porque descobri que é com você que eu me torno indefeso e, desde que seja você a responsável por me tornar assim e a única a me ver desse jeito, está tudo bem pra mim. E eu não quero que você pense que eu tenho vergonha de você ou alguma coisa assim, isso nem é possível! Eu sinto vergonha de mim mesmo por ter te deixado angustiada e pensando tudo aquilo. Me desculpa – deixou um beijo na testa alheia, sentindo com os lábios a pele quente, fechando os olhos por alguns segundos. também fechou os olhos, querendo prolongar a sensação gostosa que lhe tomava por dentro. O quentinho no coração ao ter de volta para si, tão perto. – Eu quero ser o seu namorado, te assumir para todo mundo, se você me aceitar e me desculpar.
– Eu posso pensar no seu caso – brincou com o tom de voz que entregava o sorriso que existia em seus lábios. riu com os lábios ainda próximos a pele dela antes de afastar seus rostos o suficiente para olhá-la mais uma vez. – Prometo pensar com carinho.
– Enquanto isso eu faço o que? – perguntou, tocando com cuidado a lateral do rosto de , repousando a mão no pescoço alheio deixando o polegar em contato com a bochecha. – Espero? – Tocou as pontas dos narizes antes que fossem os lábios os próximos a se encontrarem rapidamente.
– Espera – afirmou sorrindo. levou a mão dela até suas costas fazendo com que o abraçasse, enfim, pela cintura e seus corpos ficassem colados. – Eu também me apaixonei por você – confessou desistindo da brincadeira. Era complicado se fazer difícil quando estava tão perto tomando conta de todos os seus sentidos com seus toques, o seu cheiro e sua voz. – Eu te desculpo. – Roubou um beijo rápido dos lábios de que sorriu. – Eu te quero mesmo sabendo que isso é não o suficiente, pois eu sei que temos e sentimos tudo que completa o querer. – Outro selinho roubado. já estava pronto para beijá-la de vez e por isso avançou em direção a ela, mas franziu o cenho quando se afastou. Ela riu. – E eu aceito ser sua namorada – aceitou o pedido feito anteriormente, ainda sorrindo e assistindo o sorriso envergonhado que ele a mostrou. – Você pode me beijar agora.
– Obrigado – agradeceu.
Agradecia não apenas a autorização para o beijo, ou o fato de ter aceitado ser sua namorada ou por tê-lo desculpado, agradecia a tudo o que ela o fazia sentir. Por deixá-lo indefeso quando estava perto dela, e por ser ela quem o deixava daquele jeito. Nenhuma outra pessoa.
Afinal, esse foi o pensamento que tomou a mente de todos aqueles dias em que ficaram longe quando ele foi obrigado a decidir o que queria de sua vida: quem o tornava indefeso. Ela era a responsável por derrubar todas as barreiras que existiam em volta de seu coração. E desde que fosse ela e continuasse sendo, estava tudo bem.
Ser indefeso por não era tão ruim assim.
Era maravilhoso, na verdade.

FIM.


N/A: Essa fanfic tem um espaço especial no meu coração já que é a primeira que escrevi com #ele ( precioso). Obrigada por ter lido e me deixe saber o que achou! Qualquer coisa, eu estou no twitter como @loeykwon.
Beijos e até a próxima!