11. My Time

11. My Time

Sinopse: Jungkook não gostava de preocupar seus hyungs com seus problemas e estando em um dia ruim, onde sente a pressão e a angústia tomar conta de si, ele foge para um café em busca de um pouco de paz. Menos de meia hora é o que tem disponível para conversar com uma desconhecida e fugir de sua realidade, em uma tentativa de colocar a si mesmo sob controle mais uma vez.
Gênero: Drama.
Classificação: Livre.
Restrição: A fanfic não é interativa.
Beta: Regina George.

Capítulo Único

Don’t know what to do with, am I livin’ this right?
Não sei o que fazer, estou vivendo isso da forma certa?
왜 나만 다른 시공간 속인 걸까
Por que eu estou sozinho em um tempo e espaço diferentes?
O dia tinha amanhecido em código vermelho e por isso eu nem fiz questão de colocar o celular no bolso quando sai do quarto do hotel para encontrar os meus amigos no corredor para irmos tomar café da manhã. Não perguntei o que estava acontecendo e nenhum deles tentou me forçar a participar do assunto, mas ainda assim eu conseguia ouvir os comentários enquanto comia. Eles não faziam por mal, eu sabia, mas aquela era a nossa vida e nós precisávamos saber o que nossos fãs estavam falando para que evitássemos que uma coisa pequena acabasse se transformando em uma polemica infundada.
Quase nunca dava certo, mas ninguém podia nos acusar de não tentar evitar.
– Estão revivendo aquela história de Tokyo. – Namjoon murmurou insatisfeito e eu ouvi Yoongi resmungar.
– Que saco isso, levantam esse assunto uma vez por mês.
– Às vezes eu acho que não deveríamos ter ido. – Jimin resmungou e eu suspirei baixinho, me perguntando porque diabos as pessoas insistiam em transformar uma viagem entre amigos em uma lua de mel romântica e em um motivo de guerra porque tínhamos ido apenas Jimin e eu.
– Claro que deveriam! – Seokjin bufou. – A gente não pode parar de viver porque as pessoas interpretam tudo que a gente faz com segundas intenções e da forma que eles querem ver.
– Seok tem razão. – Taehyung falou. – É uma merda, eu bem sei disso, porque toda vez que esse assunto retorna eu tô metido no meio. Às vezes eu tenho vontade de entrar naquele Twitter e comentar cada uma dessas situações que parte do fandom tá sempre discutindo e acabar de vez com isso, mas eu sei que não ia funcionar porque tem muitas pessoas ali que ignoram o que a gente fala e usam o que lhes cabe pra alimentar a própria ilusão.
– E o Bang ia surtar. – Hoseok comentou com uma risada.
– O que ele vai fazer? Se ele me der menos linhas do que eu já recebo, não canto mais nada.
– E temos outro problema sobre isso também… – Namjoon suspirou e eu levantei o olhar do meu prato para observar meus hyungs. Todos pareciam cansados e aquilo tornava tudo ainda pior. Eu me importava com as coisas que diziam sobre mim e realmente queria que as pessoas focassem apenas na música que fazíamos, mas eu me sentia ainda pior quando via que toda aquela bagunça também atingia o resto do grupo. Eles eram a minha segunda família e eu não queria que se sentissem tão frustrados e impotentes, não quando deveríamos viver em êxtase e completa felicidade porque tínhamos alcançado muito mais do que havíamos sonhado anos atrás.
– A distribuição de linhas da próxima música está muito ruim. – Jimin concordou. – Jin hyung e Tae quase não tem linhas e o Bang jogou praticamente toda a música pra cima do Jungkook.
– Ele é o vocalista principal. – Hoseok lembrou e Jimin bufou.
– E daí? A música vai ter uma coreografia bem exigente, isso sobrecarregada demais o Jungkook. Eu realmente não entendo porque o Bang insiste nisso e porque nós aceitamos esse tipo de coisa.
– Porque temos aquele planejamento. – Yoongi lembrou. – Vamos comprar parte da empresa e dividir entre nós e então esse tipo de decisão não vai depender só deles. Não mais.
– Enquanto isso pagamos de bons samaritanos. – Tae sorriu. – Nossa vingança vai ser linda.
– Eu concordo com o Jimin-ah… – Seokjin falou. – Isso sobrecarrega demais o Jungkook e mesmo que ele não fale, a gente sabe que é demais.
Todos os olhares da mesa se voltaram para mim e eu engoli em seco, fingindo que não era comigo e enfiando mais um punhado de comida na boca. Jimin, que estava ao meu lado na mesa, me cutucou na cintura e eu apenas lhe estirei a língua, não querendo participar da conversa ou mesmo discutir aquele assunto. Não naquele dia, as coisas já estavam bem ruins com tanta sexualização e suposições que faziam sobre mim só porque eu tinha viajado com um dos meus melhores amigos. Eu queria conhecer Tokyo como um turista e o Jimin também, mais ninguém do grupo quis ir então nós fomos. Não havia um motivo sequer para aquilo ser visto com outros olhos, mas eu sabia que aquilo não era completamente culpa dos fãs. A empresa lucrava bastante com fanservice e às vezes nós éramos obrigados a colaborar com aquilo e apesar de nunca termos agido romanticamente um com o outro, as pessoas viam tudo o que fazíamos com malícia. Aquela nunca tinha sido uma viagem de Jungkook e Jimin, e sim uma viagem dos jikook namorados/casados como as pessoas gostavam de falar.
– Anda Jungkook-ah, abre a boca! – Jimin reclamou e eu respirei fundo antes de fazer a coisa mais sensata que eu podia pensar naquele instante: peguei o prato de comida e sai correndo, enquanto meus hyungs se dividiam entre reclamar e rir e eu analisava onde poderia me esconder até a hora do ensaio, afinal, tínhamos um show naquela noite.


Me esconder no hotel acabou sendo mais difícil do que eu imaginei e eu decidi sair um pouco. Não foi fácil fugir dos seguranças e eu mandei uma mensagem para Jimin avisando que precisava de um tempo e com a minha localização em tempo real ativada. Também acrescentei que se eu não mandasse sinal de vida de dez em dez minutos, ele deveria avisar Namjoon e a segurança para irem atrás de mim. Claro que ele surtou, brigou e tentou me convencer a desistir daquela ideia maluca, mas eu já estavam duas quadras longe do hotel e ninguém realmente tinha prestado atenção em mim, já que estávamos hospedados em uma área da cidade bem distante do local do show.
Sentia uma angústia incômoda na garganta e sabia que precisava falar sobre o assunto, mas não conseguiria falar com meus hyungs. Eles já tinham problemas e preocupações demais e sendo o mais novo, eu estava acostumado a ser mimado e tê-los tentando facilitar as coisas para mim, mesmo que pesasse o dobro para eles. E eu não queria ser um péssimo saeng e por isso evitava colocar os meus problemas e medos para fora com meus hyungs. Claro que eles não concordavam com aquilo e viviam tentando me fazer falar, mas aquela era a minha decisão e eu não voltaria atrás.
E por isso às vezes tudo se tornava sufocante demais para mim e eu precisava de um instante para respirar e colocar as coisas em perspectiva. Eu era bom lidando com meus próprios sentimentos e na maior parte do tempo, resolvia minhas pendências após algum tempo de introspecção, mas eu odiava quando toda aquela sobrecarga não era somente sobre mim e também atingia meus hyungs.
Acabei em um café e me sentei em uma mesa afastada, não errando a pronúncia do inglês quando fiz meu pedido e mantendo o óculos escuro, o chapéu que cobria quase todo meu rosto e a máscara cirúrgica. Me ocupei com o café – mais um, eu realmente estava acostumado a comer bastante – e com os biscoitos doces, enquanto rabiscava desenhos sem sentido no meu caderninho de bolso. De tempos em tempos, eu mandava uma mensagem para Jimin e só me dei conta de que estava realmente trabalhando em um desenho mais detalhado quando um assovio soou ao meu lado e eu virei o rosto para entender o que estava acontecendo. Tinha uma mulher parada, encarando a folha que eu rabiscava, com um sorriso animado nos lábios. Era bonita e alta, os cabelos loiros estavam presos e quando seus olhos claros se voltaram para mim, ela franziu o cenho e eu quase rezei internamente para que não fosse uma fã.
E talvez o universo tenha tido pena de mim, porque ela apenas piscou e apontou para o desenho antes de falar:
– Já pensou em trabalhar com isso? Você é bom. – Declarou e eu quase suspirei aliviado.
Ok, ela achava que eu era desempregado, então não me conhecia, não iria pedir uma foto e me fazer fugir daquele café para enfrentar, mais cedo do que eu gostaria, o surto dos meus hyungs sobre meu desaparecimento.
– Para ser bem sincero, é apenas um hobby. – Murmurei e ela assentiu.
– Eu trabalho com designe gráfico e estou realmente surpresa com o seu talento. É tipo, uau. – Riu e eu acabei sorrindo um pouco.
– Obrigado. – Agradeci. – Meu trabalho é bem diferente do seu e… às vezes um pouco estressante. Acho que eu gostaria de trabalhar em uma sala, em silêncio e sozinho, de vez em quando. – Dei de ombros e ela me encarou por um instante antes de apontar para a cadeira, pedindo licença para que pudesse se sentar.
E eu não sei porque assenti com a cabeça, já que aquele não era o protocolo de segurança e eu estava sozinho ali. Se tudo desse errado, eu tinha certeza que Jimin ia me bater.
– Trabalhar sozinho é bom, mas tem seu lado ruim. Meus pensamentos ficam altos demais e nem sempre eles são bons.
– Mesmo que eu trabalhe no meio de muito barulho, meus pensamentos também se tornam altos demais às vezes. – Dei de ombros e ela assentiu.
– Parece que está se escondendo. – Murmurou.
– E estou, dos meus problemas e dos meus amigos. – Admiti e ela riu.
– Então quer fugir um pouco da sua realidade? Podemos falar sobre isso, – Apontou para o meu desenho. – Ou sobre ofertar de emprego em Londres, caso esteja pensando em mudar de trabalho.
– Minha fluência ainda não é tão boa. – Brinquei.
– Para mim parece ótima e de qualquer forma, também sou estrangeira. Morei em Lisboa durante vinte anos e mudei para cá há dois.
– E o que te fez vir para cá?
– O salário da vaga que me ofereceram. – Foi sincera e eu ri. – Gosto de ter uma bolsa nova da Chanel todo mês.
– Meu… amigo ama Chanel – Era um pouco difícil não falar hyung, mas eu sabia que tinha que evitar porque ela não entenderia e aquilo iria entregar parte da minha identidade. – E o outro ama Gucci.
– Pessoas de bom gosto, vamos admitir. – Sorriu largo e eu acabei rindo baixo.
Quase meia hora tinha se passado quando meu celular mostrou uma chamada de Jimin e eu suspirei contrariado, já que estava em uma conversa muito animada sobre filmes e séries da Marvel e realmente não queria voltar para a minha realidade. Mas como Jimin me lembrou, eu tinha ensaio dali uma hora e precisava voltar para a minha vida. E com um sorriso triste eu me despedi de minha “amiga”, de quem nem sabia o nome, mas que seria motivo de minha gratidão eterna por aqueles minutos onde eu pude ser apenas o Jeongguk, e não o Jung Kook do BTS.
Paguei a conta e sai da cafeteria, não me surpreendendo quando um dos meus seguranças parou ao meu lado e me guiou para o carro do outro lado da rua. Era obvio que Jimin não me deixaria sozinho, tendo a minha localização e eu nem mesmo poderia reclamar daquilo. Estava acostumado com aquilo e amava a minha vida, mesmo que às vezes quisesse fugir, afinal nem tudo eram flores, nem mesmo para uma estrela do kpop.
One time for the presente, two time for the past
Uma vez no presente, duas vezes no passado
Happy that we met each other, now til’ the very end
Fico feliz por termos nos conhecido, agora será para sempre