12. Louder Than Bombs

12. Louder Than Bombs

Sinopse: Acima das bombas podia ouvir sete vozes lhe guiando para longe da escuridão em direção a luz. Eles brilhavam muito mais do que uma estrela e abafavam todo o caos dentro de sua cabeça, tornando seus dias ruins muito mais fáceis de lidar.
Gênero: Drama.
Classificação: Livre.
Restrição: A fanfic não é interativa.
Beta: Regina George

Capítulo Único

Louder than bombs I sing
 

Mais alto que as bombas, eu canto
 

너와 내게 약속해 yeah
 

Eu prometo pra mim e pra você
 

어떤 파도가 덮쳐도
 

Não importa quais ondas nos atinjam

Às vezes as coisas simplesmente se tornam… demais.
Minha mãe costuma falar que todos os dias ruins existem para que nós tenhamos consciência para valorizar os dias bons, porque se não conhecemos a tristeza, como iremos reconhecer a alegria e apreciar os momentos em que passamos preenchidos por esse sentimento? Eu acredito nisso fielmente e sempre tento valorizar e aproveitar os dias bons ao máximo para ter no que me segurar quando as coisas se tornam quase insuportáveis.
Mas nem sempre eu consigo.
E hoje era um desses dias, mesmo que eu tenha acordado e pensado o contrário.
Era o primeiro dia de Sol depois de quase duas semanas com chuva e vento e só de não precisar colocar mil peças de roupa eu sai de casa com um pouco mais de ânimo do que costumo ter pela manhã. Não gosto de acordar cedo, nunca gostei e não acho que vá gostar, então meu mau humor matinal é tão certeiro quanto a suposição de que o jornal do meio dia só vai noticiar tragédia. Eu não sai com atraso de casa e peguei um lugar vazio na janela do ônibus. Ninguém sentou ao meu lado e ainda tinha pão de queijo na lancheria onde compro meu café da manhã todos os dias. O dia estava perfeito, maravilhoso e tinha tudo para não me causar qualquer dor de cabeça.
Mas então tudo começou a dar errado e a cada segundo eu sentia um peso em cima dos meus ombros e o grito entalado na garganta. Só na primeira hora de trabalho aguentei três clientes gritando e reclamando e quando sai para meu intervalo tudo o que eu queria era sumir. Meus problemas não eram os mais graves do mundo, eu tinha plena noção disso. Mas eles eram mais pesados do que eu conseguia aguentar carregar e vivendo em meu próprio universo, eu só conseguia analisar as coisas pelo meu ponto de vista.
E eu estava há um passo de pular do precipício e desistir.
Porque a pior parte dos dias ruins é que um evento isolado engatilha uma porção de outros pensamentos que apenas nos puxam mais para o fundo do poço. O problema no trabalho acaba revivendo os problemas familiares, amorosos e psicológicos e as coisas simplesmente saem de controle. Minha cabeça vira uma zona de guerra e eu não consigo me apegar as coisas boas que eu sei que tenho na minha vida e só me deixo afogar no caos. E foi no meio dessa agonia que eu passei o dia inteiro e a cada pequena coisa que dava errado, eu me sentia ainda pior e contava os segundos para finalmente ir para casa. Também peguei lugar na janela do ônibus, mas eu já não me sentia bem como pela manhã.
O vazio já tinha tomado conta de mim e quando eu finalmente cheguei em casa, apenas joguei a mochila no chão e me encolhi na cama, cobrindo todo meu corpo com minha manta favorita e deixando que toda aquela angustia fosse liberada pelo meu choro estrangulado. Minha família nunca entendia o motivo de eu me ter aquelas crises e eu tinha aprendido a fingir que não me sentia mal enquanto eles fingiam que não me viam quebrar por dentro.
Minha cabeça estava doendo e meus olhos inchados sempre eram um incomodo e mesmo que a exaustão física e emocional estivesse sendo convertida em sono, não hesitei em buscar o celular no bolso do jeans quando o aparelho vibrou indicando a chegada de notificação. Eu tinha todas as notificações desativadas no celular e apenas duas contas, em dois aplicativos diferentes, estavam ativas. Duas contas no Twitter e as notificações que eu recebia do Weverse. Todas eram do BTS e eu não consegui evitar o sorriso que se alargou nos meus lábios quando uma foto do grupo apareceu na tela do celular. A Big Hit estava comemorando algumas indicações de premiações e aquilo me fez lembrar que eu ainda não tinha assistido ao episódio do Run BTS daquela semana e só aquele pensamento acendeu uma centelha de alegria dentro de mim.
Quando as coisas se tornam demais e o caos me engole, e mesmo que eles não saibam o meu nome, eles me puxam de volta à superfície e eu consigo respirar.
Algumas pessoas poderiam ver essa relação de longe e me julgar. Supor que eu dependo deles para viver e que estou completamente fora de mim por dedicar parte da minha vida para pessoas que não me conhecem e por quem garotas de quatorze anos são obcecadas. Bom, não vejo qualquer problema em ter gostos em comum com garotas de quatorze anos porque essa cultura que despreza o gosto de mulheres e exalta tudo que tem relação a homens é uma merda. Mas a minha relação com o BTS não era de dependência. Minha vida não era eles e não girava em torno deles. Eu tinha tantas coisas boas ao meu redor, vivia tantas coisas incríveis e que mereciam ser lembradas e eles eram mais uma dessas coisas boas.
Eles brilhavam mais forte do que qualquer estrela e sempre me inspiravam a ser o melhor de mim e para mim.
Eu sentia como se os conhecesse durante toda a vida e cada conquista deles também era minha. Para mim não era um sacrifício divulgar, votar ou fazer stream. Eu era ARMY, tinha orgulho e dedicava um pedacinho da minha vida aqueles garotos que sempre pareciam estar ali para mim, mesmo que não estivessem fisicamente. Eu os sentia no meu coração a cada letra, cada melodia e cada agradecimento que eles destinavam ao ARMY por apoiarem os sonhos deles. Não conseguia explicar aquele sentimento, mas eu sabia que era amor. Na verdade, parecia mais do que amor e eu gostava de me afogar naquilo porque o caos não conseguia tomar espaço dentro da minha cabeça quando eles estavam ali.
De alguma maneira, eles me salvavam e eu desejava que eles conquistassem o mundo e tentava ajudar como podia.
Eu amava e admirava a autenticidade que eles emanavam. Eles davam mais importância para os prêmios bobos do Run BTS do que para visualizações no Youtube e qualquer uma daquelas coisas. É claro que era importante para eles terem o trabalho reconhecido e admirado, mas os números não eram importantes. O que importava era a forma como a música chegava para as pessoas, como aquilo nos impactava e de certa forma, tornava o mundo um lugar melhor. Eles compreendiam a influência que tinham e tentavam sempre ser bons exemplos. Eles amam o ARMY com tanta intensidade e isso transborda nas palavras e nas ações quando estão falando sobre os fãs. É uma relação pautada no respeito e na reciprocidade. Nós somos o suporte deles, para que alcem voos mais altos e mais importantes e causem um bom impacto em mais vidas, da mesma forma que eles nos apoiam e nos salvam, cada um à sua maneira.
Era amor, gratidão e orgulho que transbordava do meu peito e aquilo me fazia bem de uma forma que eu não sabia explicar e que nem precisava. Eles estavam ali por mim, assim como eu estava ali para eles.
Respirei fundo, sentindo as coisas menos perturbadoras dentro de mim e decidindo que precisava colocar aquilo para fora, escrevi um pequeno texto e postei no Weverse e mesmo que eles não fossem ver nunca, eu me sentia melhor em ter colocado aquela gratidão e amor para fora de mim.
Haviam sete pessoas na Coreia que se importavam comigo mais do que minha própria família e eu só queria deixar claro que havia uma pessoa do outro lado do mundo que se importava com eles da mesma maneira.

우린 끝없이 널 향해 노래할 거라고
 

Nós vamos continuar cantando na sua direção
 

Louder than bombs I sing
 

Mais alto que as bombas, eu canto


Nota da autora: Essa música sempre me faz me sentir menos sozinha e me dá um tantinho de esperanças em um dia ruim e eu espero que essa história/desabafo chegue nos corações de vocês com muito amor e cuidado.
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