14. You’ve Gotta A Friend

14. You’ve Gotta A Friend

Sinopse: Parafraseando Toy Story: amigo estou aqui.

Capítulo Único

Aquele era o sétimo dia de Dougie na clínica de reabilitação. Faziam sete dias que ele não punha uma gota de álcool na boca. Sete dias em que ele não usava nenhum tipo de droga. Sete dias em que ele estava vivendo um verdadeiro inferno. Não que a vida que estava levando antes de ser internado fosse uma maravilha. Muito longe daquilo. Poynter não aguentava mais viver em seu próprio corpo. Sua mente não parecia mais pertencer a ele e ficar sóbrio era a única saída que ele havia encontrado. E mesmo que a necessidade de abandonar seus velhos hábitos fosse para seu próprio bem, Dougie estava exausto. Fisicamente e mentalmente. Os remédios prescritos para enfrentar a desintoxicação não eram o suficiente para que ele ficasse bem. Ele sentia falta de seus vícios. E já havia feito as malas para ir embora duas vezes.
Na primeira tentativa, Harry o socorrera. O moreno conseguira visitá-lo e eles haviam conversado por um tempo. Dougie, apesar de tudo, não estava fazendo aquilo por ele. Estava fazendo por sua família, seus amigos e os fãs. As pessoas que se importavam com ele e sentiriam sua falta caso ele morresse, já que ele não se importava com a própria vida. Ele procurava forças para enfrentar a abstinência naquelas pessoas que eram importantes para ele, já que em si mesmo, ele ainda não encontrava o suficiente.
Já havia tomado o café da manhã e estava esperando pela visita dos amigos no jardim da clínica. Haviam bancos de pedra e flores em toda extensão do terreno, mas nem isso deixava o local menos triste. As pessoas que andavam por lá tinham sempre uma aura negra envolta delas. E Dougie, por mais que soubesse que fazia parte daquele grupo, sentia-se mal por conta daquilo. Ele não queria ser um viciado. Mas era e por este motivo, estava recluso há uma semana, após sua falha tentativa de suicídio. Ele já não tinha mais certeza de que queria morrer, mesmo que não visse valor em sua própria vida. Sim, ainda era um pensamento que passava pela sua cabeça, principalmente quando ele pensava em todas as pessoas que havia decepcionado. Havia perdido tanto naqueles anos de vício. Tantos momentos com sua família, seus amigos… momentos da sua carreira que não voltariam mais. Havia perdido tudo para o vazio interior que ele sentia dentro de si, se afundado no vício e perdido a si mesmo. A única esperança que tinha era de que ele poderia melhorar. Pelo menos, as pessoas que se importavam com ele, esperavam que ele melhorasse. Elas contavam com aquilo.
– Poynter? – foi chamado por uma das enfermeiras responsáveis pela sua estadia na clínica. Dougie virou-se para ela e murmurou algo como um “sim?”. – Seus visitantes estão dando entrada. Vai recebê-los aqui ou em seu quarto?
– Sim, por favor. – o loiro respondeu. A mulher assentiu e se retirou, deixando Dougie sozinho com seus pensamentos novamente.
Ele estava ansioso. Suas mãos suavam frio e o bolo em sua garganta estava crescendo a cada segundo. Já havia visto Harry naquela semana, mas Tom e Danny? O primeiro Dougie tinha visto em sua última noite em casa. Tom tinha ido visitá-lo com o intuito de não deixá-lo beber na noite antes de sua internação. Mas Poynter já estava alcoolizado e drogado muito antes de Fletcher chegar em sua casa e o loiro não tinha muitas lembranças de como Tom havia reagido. Já Danny, Dougie não via pessoalmente desde que anunciou sua internação. A única coisa que os três tinham em comum, era a decepção estampada em seus rostos. Nenhum deles esperava algo tão grave. Nem mesmo Harry, que tinha conhecimento sobre o problema de Dougie com a bebida. Suspirou, passando as mãos pelos cabelos no mesmo instante que avistou os amigos adentrando o jardim do centro de reabilitação. Eles usavam roupas normais e aquilo quase fez Dougie sorrir, mas não o fez devido ao semblante sério do trio. Harry procurou por Dougie com o olhar e após encontrá-lo, acenou para os outros dois o seguirem. Levaram menos de um minuto para ocuparem os lugares à mesa, enquanto Poynter encarava o chão, sem nenhuma coragem de olhar nos olhos dos melhores amigos. Não queria ver a decepção ali. Não queria encontrar todos os motivos pelos quais se sentia um pedaço de bosta e o motivavam a querer acabar com a própria vida. Estava cansado de ser um fardo para os outros, principalmente para seus amigos. Estava cansado de tudo.
– Não adianta ficar com essa cara de coitado. – Harry murmurou, chamando a atenção de Dougie, que ergueu o olhar até o melhor amigo.
– Sutil. Sutil. – Tom suspirou, lançando um olhar feio para Judd.
– Não foi isso que combinamos. – Danny também reclamou. – E dessa vez não fui eu quem estragou tudo. – um meio sorriso orgulhoso se abriu no rosto de Jones.
– E isso importa? – Harry indagou cara o amigo.
– Claro. – Danny exclamou. – Quando eu estrago, você enche o saco.
– Porque você é idiota e sempre estraga tudo. – Judd chiou. Danny estirou o dedo educado para ele.
– Vocês são uns idiotas. – foi a conclusão de Tom.- Começou o senhor eu-sou-superior-em-tudo. – Jones revirou os olhos.

– Ao menos não sou idiota como você. – Tom retrucou.

Dougie encarava os amigos com os olhos arregalados e um sentimento gostoso de “casa” tomando conta de seu peito. E com aquilo havia finalmente entendido a importância de sua vida. Era por causa das pessoas que ele tinha por perto que sua existência deixava de ser insignificante. Porque cara uma daquelas pessoas o amava, apoiava e esperava vê-lo bem. Porque ele era importante para ela. Não era apenas um planeta rodando a galáxia a esmo. Ele era um planeta que se chocava com outros, criando relações e laços tão complexos quanto a criação do universo. E por dar-se conta daquilo, começou a chorar, mesmo que não sentisse as lágrimas caindo de seus olhos. Quando menos esperava, estava soluçando, sentindo um alívio no peito que jamais poderia colocar em palavras. Ele tinha motivos para continuar lutando, para fazer sua vida valer a pena. E três daqueles motivos estavam o encarando com semblantes preocupados naquele meso instante.

– Dougie? O que foi? – Tom questionou, com cuidado. Se inclinou para frente, tocando no ombro do amigo em uma tentativa de lhe passar algum conforto.

– Obrigado por estarem aqui e não terem desistido de mim, mesmo que eu seja um pedaço de bosta. – resmungou, limpando as lágrimas com as mangas da blusa que usava.

– Você é um pedaço de bosta, mas nós também somos. – Danny comentou.

– E que tipo de pedaços de bosta nós seríamos se não cuidassemos do nosso caçula bostinha? – Harry brincou e Dougie riu.

– Dude, você é como um irmão para nós. – Tom comentou, novamente sério. – As coisas podem estar ruins agora, mas sempre estaremos aqui, para o que precisar.

– Exatamente. – Danny concordou. – Nossa amizade não existe apenas para os momentos bons ou os momentos idiotas. – sorriu.

– Tipo naquela vez que o Tom nos casou. – Harry lembrou.

– Você tem a gente. E vai superar isso. – Tom garantiu. E pela primeira vez em muito tempo, Dougie sentiu-se bem.

– Obrigado. – agradeceu, mesmo que não precisasse. Ele tinha os melhores amigos e deveria ser grato àquilo todos os dias. Nem todo mundo tinha aquela sorte.

 

Fim.