16. Inner Child

16. Inner Child

Sinopse:  Um momento de dor pode levar te levar a um lugar inesperado, de encontro ao seu passado. Kim Taehyung se depara com seu eu criança, o que faz o adulto despertar recordações doces sobre si mesmo. A shortfic é spin off da long fic Stigma.
Gênero:  ficção
Classificação: 14 anos
Restrição: Não interativa. BTS. Kim Taehyung personagem fixo.
Beta: Rosie Dunne

Atenção: essa short é spin off da longfic Stigma, que encontra-se no site na categoria Kpop. No entanto, não é necessária a leitura prévia da fic para a compreensão da história.

INNER CHILD

Capítulo Único

O homem em frente ao espelho do banheiro estava apavorado, encarando suas mãos cobertas pelo vermelho forte. Já não sabia qual sangue era o seu e qual sangue pertencia ao seu pai. Taehyung tremia dos pés a cabeça, tentava buscar em sua cabeça os fatos, mas não conseguia. Os poucos momentos que vinham em sua mente eram distorcidos: o soco que o pai havia lhe dado, a garrafa quebrada em sua mão e ele partindo, em cólera, para cima do homem.
Taehyung só tinha recobrado a consciência após o grito do seu irmão. Mas já era tarde. Assim que percebeu o que tinha acontecido, ele estava encostado na parede, em prantos, enquanto a garrafa quebrada ainda estava em suas mãos, já ensanguentada. Seu pai em sua frente, sem reação pelo golpe que o filho mais novo havia aplicado nele. O velho mantinha as mãos pressionando o machucado em sua barriga. O caos definia os três homens naquele cômodo. Ainda olhando para o pai ferido, Taehyung pensava atônito:
Ele era o culpado por aquilo?
Enquanto pensava no que tinha acabado de fazer o Kim encarou mais uma vez seu reflexo no espelho, o pavor em seu rosto era nítido, mas algo não estava normal na imagem. Taehyung esfregou os olhos com o dorso da mão, única parte limpa que poderia encostar-se a si mesmo. Mas, a imagem no espelho continuava a mexer. A boca aberta, em a mistura de medo e surpresa, ele abaixou a cabeça respirando fundo. Só poderia ser alucinação e logo ele voltaria ao normal. Não poderia ter outro blackout. Não naquele momento.
Sentindo-se tonto, o homem forçou a mão sobre a pia clara do banheiro, precisava encontrar apoio para seu corpo, se sentia fraco. Ele engoliu a seco e pensou que aquela reação poderia ser pelo choque que estava tendo com toda a situação. Taehyung tentou concentrar-se em sua respiração, precisava continuar na realidade para enfrentar o que tinha por vir.
Ao abrir os olhos Kim cambaleou um pouco para trás, quase caindo em um pequeno arbusto aos seus pés. Ele estava no meio da plantação de morangos de sua família. Como aquilo poderia ter acontecido? A expressão em seu rosto era de choque, ele não se lembrava como tinha ido parar ali. Taehyung sentiu uma dor aguda em sua cabeça, e isso o fez colocar a mão em sua têmpora, massageando levemente o local, foi então que notou que suas mãos não estavam sujas mais.
Precisava entender como tinha chegado até ali: não era normal que em seus lapsos se movimentasse, ou pelo menos, achava que não fosse. Antes que pudesse ir em sentido a casa de sua família, Taehyung viu a movimentação acontecendo em meio aos morangos. Hesitou sem saber o que fazer, mas preferiu esperar até saber quem estava vindo ao seu encontro.
Os olhos dele abriram cada vez mais, ao passo que as duas crianças se aproximavam. O que estava acontecendo? Correndo em sua direção ele via o pequeno Taehyung junto ao seu irmão mais velho, não sabia exatamente qual a idade que tinha naquele momento, mas era algo entre seus dez anos.
Os dois se aproximavam cada vez mais, o que fazia o coração do Taehyung adulto acelerar, não sabia qual seria sua reação ao encontrar sua versão mais nova. Muito menos como a criança se sentiria ao ver o homem em sua frente. Mas, o fato é que ele não conseguia se mover. Taehyung passou os dedos por sua pele, em uma tentativa patética de sentir a sensação ao se beliscar. E sim, ele sentia a dor. O que diabos estava acontecendo ali? Ele pensou novamente. Só podia ter perdido a sanidade de vez.
Ele ouviu os dois rindo enquanto comiam os morangos de seu pai. Era a melhor sensação de liberdade que os pequenos Kim podiam ter: comer os produtos perfeitos de vendas do pai mesmo que ele os proibissem. O adulto sorriu por se lembrar da felicidade que sentira naquele instante.
Os meninos passaram pelo homem sem que o percebessem parado em meio a plantação. Taehyung arqueou a sobrancelha, intrigado com o que estava acontecendo. Seria uma lembrança? Já estava aceitando a ideia quando viu o pequeno Tae virar-se para ele, nitidamente encarando o rosto do mais velho. Assim que fizeram contato visual o mais novo piscou em cumplicidade, seguindo de um sorriso travesso.
Taehyung olhou nervoso ao seu redor, mas Rhyu não demonstrava nenhum sinal de que estava percebendo o adulto entre eles, preferia se entreter com as frutas. O pequeno continuou a olhar para o mais velho, tinha expressão de fascínio e curiosidade. Taehyung sabia que ele entendia quem era o homem em sua frente, sempre fora inteligente, e suas feições não havia mudando muito desde então.
A criança então esticou a mão em sua direção, o convidando para segurá-la, Taehyung hesitou a princípio, mas sorriu aceitando o convite do pequeno. Eles deram as mãos, sem saber o rumo que levariam, mas começaram a correr entre o verde das plantações. Sentiam esmagar um morango ou outro, mas riam sempre que isso acontecia, porque era como se machucassem o pai com aquele comportamento.
Não era segredo para ninguém que o pai sempre preferira os morangos ao filho mais novo, e desde novo Taehyung já tinha a consciência desse fato. Se importava, porém, começara dali fingir que não, mas o Tae adulto sabia que a mágoa quanto ao pai o acompanharia para sempre.
Os Taehyungs dançaram mesmo que não houvesse música e brincaram com a terra embaixo dos pés que tinha virado tela para o desenho feito a dedo pela dupla. Desde cedo Taehyung demonstrava paixão e aptidão para a pintura, o que enfurecia mais ainda seu pai, já que para ele essa era uma tarefa afeminada demais para um homem. Completavam-se e isso era o que importava no momento: estavam felizes na companhia um do outro. O mais velho percebeu então o quanto amava o Kim criança. Os dois alternavam os momentos entre correr, dançar e pisar em algumas frutas. Não falavam nada, mas sempre estavam rindo um para o outro.
O Taehyung adulto sentia o peito arder com o cansaço da atividade, mas, ao mesmo tempo, sentia-se feliz. Aproveitava o momento, na companhia de quem realmente amava.
Então, ele se amava?
Não! Taehyung amava a inocência da criança que tinha em sua frente; a inocência que carregara consigo até a vida adulta. Mas, ele se odiava também. Odiava-se em todos os momentos de fúria e cegueiras ao longo da vida, até aquele ponto. O homem respirou fundo, queria proteger aquela criança que sorria abertamente para ele. Será que se o Kim de dez anos soubesse o que o Kim adulto tinha acabado de fazer ele ainda se sentiria seguro e confortável ao seu lado?
Ele piscou os olhos tentando afastar as lágrimas que queriam descer, olhou ao seu redor a procura do irmão, mas Rhyu estava deitado observando o céu, alheio ao que acontecia com o mais novo. Era um costume do Ryu quando visitava o campo de morangos, não era surpresa vê-lo absorto assim.
Taehyung olhou para o menino em sua frente, que o encarava enquanto comia mais um morango, tinha crescido com a sensação de que naquele dia quem o tinha deixado feliz fora o seu irmão, mas acabara de perceber que não. Sua companhia durante o passeio inteiro tinha sido ele mesmo.
Os olhinhos ainda o encaravam, excitados como se soubesse que o mais velho tinha algo importante para lhe falar. A bochecha do Taehyung de dez anos estava manchada de vermelho, mastigava os últimos pedaços da fruta que tinha enfiado inteiro pela boca. Era uma cena adorável, mas estava chegando ao seu fim.
O adulto ajoelhou-se frente ao mais novo, para que pudesse alcançar os olhos do pequeno. Ele passou levemente as mãos pelos cabelos que caiam na testa da criança, bagunçando um pouco o peteado do pequeno. O Kim mais novo fez uma careta, desaprovando o ato, nunca gostara que mexessem em seu cabelo e, por saber disso, Taehyung o havia provocado. Uma pequena pirraça antes de ir embora.
– Taehyung você sabe quem eu sou, não é? – o mais novo limitou-se a balançar a cabeça em confirmação – Que bom!
– O que você quer comigo? – o jeito direto do pequeno havia desestabilizado um pouco o adulto, mas nada naquele momento era normal, então ele aceitou as palavras do mais novo sem questionar.
– Eu queria dizer que você é bom, mesmo que te digam que não – os olhos do pequeno Tae piscaram e em seguida fixaram em seus próprios pés – Você vai passar por muitos momentos ruins enquanto cresce – o homem levantou delicadamente a cabeça do menor pelo queixo, queria que ele o olhasse – Esqueça as coisas ruins, foque nos momentos bons. Entendeu? Esqueça!
– Esqueça! – o pequeno repetiu a última frase com firmeza, como se soubesse o que aquilo significava.
– E, Taehyung – o mais velho disse chamando a atenção do mais novo completamente – A gente vai mudar!
Eles mudaram, não era mentira, e, por isso, precisava preparar o mais novo para o futuro que o aguardava. Nada de inocência e nada de bondade, o Taehyung mais velho era cheio de sombras.
As batidas fortes na porta trouxeram Taehyung de volta ao presente, ainda estava encarando seu reflexo, que agora não se movia. Estava pálido e sua respiração era bastante ofegante.
– Tae – ouviu o irmão chamar por seu nome do outro lado, a voz do mais velho era trêmula – Tae, ele está morto!
Taehyung sentiu o peito apertar ao ouvir a confirmação de seu ato impulsivo. Não conseguia chorar, mas sentia a aflição do momento. Cansado, ele encostou a cabeça na porta deixando seu corpo pesar sobre a madeira. O rapaz poderia jurar que o irmão tinha feio o mesmo. Eram melhores amigos, e um sempre sabia como o outro reagiria a certas situações.
– Hyung, chame a polícia!

Nota da autora:
Oi pessoal! Obrigada por tirarem um tempo para a leitura da minha história. Como eu disse, ela é um spin off de uma long que tenho em andamento aqui no site que chama Stigma. A menção a essa parte no campo de morangos aparece no segundo capítulo da longfic, mas de fato não é necessário ler a long para compreender a short. Mas, se você gostou dessa história, dá uma passada em Stigma e lê a minha história que tenho tanto amor em escrever.
No mais, espero que tenham gostado e deixa um comentário para eu saber a opinião de vocês.
Obrigada!
Eu estou sempre no twitter falando sobre bts e fanfics, caso você queira me seguir o @ o meu fc é @kthgalaxys