17. The Guy Who Turned Her Down

17. The Guy Who Turned Her Down

  • Por: Candy Jones
  • Categoria: Especiais | McFLY
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Sinopse: Num dia você está super empolgada com uma festa que vai rolar na casa de uma girl popular da escola e você foi convidada. No outro, está deixando seu melhor amigo para trás por causa de uma decepção amorosa – a qual seu bf sempre tentou te alertar. Um ano e meio se passou e você recebe outro convite: Seu melhor amigo quer te levar ao baile da sua antiga escola. O seu receio é ele interpretar o seu sim como algo a mais, já que você sabe que ele te vê bem mais do que só a melhor amiga do colegial. O que vai acontecer se você aceitar acompanhá-lo?

Capítulo Único

“I’m glad I’m not the guy who turned her down”

– Tom Fletcher

 

 

Parte I
Flashback

Uma vez, quando eu era criança, vi um filme na TV onde o cara era apaixonado pela garota mais popular do colegio, que consequentemente, namorava o garoto mais popular do colegio. Esse pobre rapaz apaixonado tinha uma melhor amiga, ela estava sempre ali para ele, era sua parceira e confidente. Mas o que ele não sabia era que essa melhor amiga, secretamente, nutria uma enorme paixão por ele. Dentre muitas coisas que ela se via obrigada a passar por amor, eu me perguntava por que ela se deixava apaixonar mais e mais a cada dia que passava. Eu pensava comigo, todas as vezes que assistia ao filme, que não poderia existir, no mundo inteiro, pessoa tão boba como ela.

Alguns anos passaram, eu comecei a entender o que acontecia e ainda não me era bem visto que uma pessoa pudesse se prestar a um papel tão ridiculo como esse, de amar alguém às escondidas. Deixar o coração apanhar a cada vez que o outro sorri para alguém que não é você, dedicar carinhos e ternura à outro coração que não o seu. Colorir o mundo de alguém e não o seu.

Entretanto, depois que a conheci, tudo começou a fazer sentido.

entrou na minha vida no auge dos meus quinze anos. Os pais dessa menina abençoada mudaram-se para a casa ao lado, nos tornando vizinhos.

Eu sei, nada poderia ser mais clichê que isso, não é? Errado!

Ela teve que se matricular na mesma escola que eu estudava. Vocês devem pensar: Nossa, que coincidência. Porra nenhuma! Meus pais insistiram para os pais dela a matricularem lá, pois ela poderia ir comigo e não seria tão esquisito ser a garota nova no meio do semestre. Depois de tudo isso ter sido orquestrado, nós realmente nos tornamos melhores amigos e nos conhecíamos como ninguém.

O único problema de tudo isso era meu coração insistir em bater mais forte todas as vezes que ela aparecia na minha frente. Todas vezes que meus ouvidos transformavam sua voz em doces canções apaixonadas ou que o sorriso dela se tornava mais brilhante que o sol.

Lembram do idiota apaixonado do filme da minha infância? Olha eu aqui, pessoal.

Imaginem a merda toda que é estar apaixonado por alguém que você vê todo dia, que te confidencia os segredos mais sujos e que compartilha com você os crushs do momento e não ter coragem para virar e dizer: Ei, porra. Eu te amo, olha eu aqui. Uma merda colossal, eu diria.

Posso dizer que seria incrível se eu me declarasse para ela. Mas seria muito, muito ruim se ela dissesse que não sente o mesmo. E entre o não e o talvez, o que fere menos é a incerteza.

Se eu conseguir aguentar por mais um ano e meio, logo ela vai para a faculdade de Nova York e eu vou ficar aqui na Califórnia, tentando a todo custo esquecer a garota que transforma meus sonhos em pesadelos toda vez que se envolve com alguém.

O da vez é Gregory Turner, mas todo mundo na escola o chama de Greg, até mesmo os professores durante a chamada de classe. O babaca é um nerd qualquer da vida, mas também tem um corpo que a denomina como gostoso. Eu, por outro lado, não sou nerd, mas sou o astro do time de futebol.

Agora você me diz: Caralho, , você é um bosta de marca maior. E eu te digo: Sou mesmo!

Eu poderia namorar a garota que eu quisesse na escola inteira, até mesmo a Bethany, a popular líder de torcida. Mas sabe quando o coração quer por que quer o que não pode ter? Bom, esse é o meu estúpido coração. Há dias que eu penso em dar uma chance à ela porque , diferente do que se vê nos filmes, ela não faz o tipo patricinha fútil. Bethany é uma menina super alto-astral, boa amiga, inteligente e bondosa com todos. Ela sempre deixou muito claro que é afim de mim, mas não é apaixonada. Tanto que ela já ficou com alguns amigos meus, porque ela pode até ser boazinha, mas não se faz de rogada. Se ela quer, ela faz e não tá nem ai para o que os outros vão falar dela. Bethany seria o meu número exato, se não tivesse chego antes.

De alguma forma bizarra, sempre faz alguma coisa que me deixa ainda mais apaixonado por ela. As vezes, ela nem precisa de muito. Só um olhar, um cafuné durante o filme da semana ou até o chá que ela prepara quando eu fico doente, faz meu coração abrir mais espaço para ela e me cérebro perceber que nada, nem niguém vai despejá-la de lá.

Estava terminando meu banho e ouvi a campainha tocar. Pensei em correr para atender, até lembrar que mamãe estava em casa.

– Oi, querida. – Ouvi minha mãe responder para alguém no andar debaixo. – Ele está sim, pode subir… , você tem visita. – Gritou antes de fechar a porta.

Apressei-me no banho e me vesti ainda molhado. Vesti apenas a cueca e o short pois com o calor insuportável de Los Angeles, em poucos segundos eu estaria suado de novo. Sai do banheiro ao mesmo tempo em que a porta do meu quarto fora aberta. Vi entrar e sorrir para mim. Fechou a porta e passou o trinco, andando na minha direção em seguida.

– Hey, aconteceu alguma coisa? – Perguntei enquanto andava até a varanda para estender a toalha molhada.

– Não, só vim visitar um amigo. – Jogou-se sobre a cama e bufou. – Queria ir na festa que a Bethany vai dar hoje.

– E por que não vai? – Joguei-me ao seu lado na cama.

– Por que o meu melhor amigo é um cuzão e não quer ir. – bufou, empurrando-me com os ombros. – Qual é, . Estamos no segundo ano já. Mais um a gente se forma e não fomos a nenhuma festa por que você só quer saber de estudar.

– Ah, , pelo amor de Deus. – Levantei irritado. – Você só quer ir nessa festa porque o idiota do Greg Turner vai estar lá. E nós dois sabemos bem o que você quer com ele.

– Sabemos sim. É o mesmo que a Bethany Williams quer com você. – Sorriu mordendo os lábios. “Ah, se ela soubesse” pensei comigo – Vamos, vai… Por favor? – Sabem quando alguém que você gosta muito tenta te chantagear? Pois bem, faz beicinho quando quer muito algo de mim porque sabe que eu não resisto.

– Tá, mas eu só vou ficar por uma hora. – Disse, cruzando os braços.

– AH! – gritou e pulou no meu colo, derrubando a nós dois no chão. – Obrigada, obrigada, obrigada. – Encheu meu rosto de beijos e levantou esbaforida. – Vou para casa tomar banho e espero você passar lá as seis. NÃO SE ATRASE, . – Frisou, enfiando o dedo na minha cara. – Ou eu venho aqui e te dou uma surra de gato morto até ele miar. – Me olhou séria e eu gargalhei.

– Você sabe que acabou de parecer com a minha mãe, né? – Tirei sarro dela e a língua malcriada de apareceu na brincadeira.

– Você entendeu o recado? – Balancei a cabeça afirmando. – Então tá tudo certo. Tchau. – Jogou dois beijos no ar e saiu porta a fora, me deixando atordoado de ter que ir a essa festa e vê-la beijar um cara que não a merece.

Já deu para entender aqui que eu sou apaixonado por ela? Vou encarar essa sua cara de eu amo um clichê como um sim.

Quando saiu, olhei no relógio constatando que ainda faltavam umas três horas para a tal festa. Decidi não me preocupar, já que eu levava em média, uns quinze minutos para me arrumar – se fosse algo especial, o tempo dobrava – e peguei meu antigo caderno de partituras no meu esconderijo secreto – uma tábua solta debaixo da minha cama. Eu sempre tinha que escondê-lo lá, pois uma vez o viu enquanto mexia nas minhas gavetas e caçoou de mim por mais de uma semana, dizendo que eu estava meloso demais.

Entendam, eu não ligo para zoações, eu juro. Só não queria que ela soubesse que naquele caderno, todas as músicas compostas eram para ela ou sobre ela. E se ela se esforçasse só um pouquinho poderia perceber isso.

Decidi matar o tempo – e descarregar a frustação de não ter para mim – escrevendo mais uma música para ela.

– Eu deveria era me matar, isso sim. – Disse, mirando meu reflexo no espelho ao lado da minha poltrona velha. – Seu saco de bosta.

Sentei-me a poltrona e comecei a dedilhar o violão. Respirei fundo e esperei que as frases – que sempre sonhei dizer para ela, mas que só fizera me sufocar por todos esses anos – me trouxessem um pouco de inspiração.

***

Às cinco e quarenta e sete, eu já estava pronto. Em frente ao espelho, tentava inutilmente deixar aquela porra de cabelo parecido com o do Greg, mas nem os meus fios me ajudavam. Depois do que me pareceram horas, ouvi a campainha tocar. estava cinco minutos atrasada, mas eu entendia o por que disso tudo. Eu mesmo, à alguns minutos estava me desdobrando para fazer algo que chamasse sua atenção e quase me atraso também. O cuidado dela, no entanto, era para outro cara. Abri a porta, mas ela nem entrou. Apenas me olhou de cima abaixo e sorriu, aprovando meu visual e virou as costas mexendo na bolsinha transpassada que carregava.

usava uma calça jeans escura bem colada ao corpo, uma blusa creme curta de mangas, que ela chama de cropped, uma jaqueta marrom e saltos vermelhos. Dizer que ela estava linda é pouco para o que eu via a minha frente. Tudo bem que eu sou um bobo apaixonado e sempre vou achar que ela está linda – embora ela sempre esteja -, mas ela realmente estava linda. Deslumbrante, estonteante… Definitivamente, eu sou um idiota.

Parei na soleira da porta observando-a sair, quase saltitante, da minha casa e suspirei. Seria uma péssima noite para o meu estômago e também para o meu coração, porque se eu teria que vê-la beijar outro cara – o que destruiria completamente o meu coração -, seria à base de muito álcool. olhou para trás e quando me viu ali parado, fez a melhor/pior cara de brava que conseguia.

– Anda, . – Disse, já abrindo a porta do Uber que acabara de chegar. – Já estamos atrasados.

Eu ri. estava brigando comigo pelo próprio atraso e ainda me apressando. Se eu cuspi no vinho de Jesus Cristo, ainda foi pouco pelo tamanho da cruz que eu estou carregando.

Eu já disse que sou um saco de bosta hoje?

Do início da rua já dava para ouvir o som. As fileiras de carros iam de uma rua a outra, me deixando bem desconfortável e preocupado. Se toda essa gente cismar em dirigir depois da quantidade de álcool que estão ingerindo nessa festa, a cidade vai se tornar um caos.

O Uber parou em frente à casa de Bethany, o gramado da frente já estava imundo. Copos, latinhas, canudos e serpentinas estavam jogados de qualquer jeito. Avistem algumas bitucas de cigarros e mais a frente, um grupo fumando maconha. O som da festa ficava mais alto a cada passo que dávamos e olhando para as janelas, os vidros pareciam estar prestes a explodir. Passamos pela porta principal escancarada e logo eu o vi. Estava no meio de uma rodinha de garotas, todas inventando qualquer desculpa – ou desculpa nenhuma – para tocar nele. Ao meu lado, vi emburrar a cara e me puxar para a direção contrária do grupo, exatamente onde ficava o bar. Continuei examinando o local enquanto pedia bebidas a um cara trajando apenas cueca e Bethany sorriu para mim. Ela estava próxima ao grupo de Greg, mas não propriamente com eles. Dispensou educadamente o rapaz que jogava charme para ela e caminhou na minha direção.

percebeu o que ia acontecer e apenas me entregou uma bebida, deixando-me sozinho e à espera de Bethany.

– Oi, . – Sorriu, me cumprimentando com dois beijos na bochecha. – Finalmente decidiu participar de alguma festa minha.

– É, forças sobrenaturais me trouxeram até aqui. – Bethany gargalhou e uma de suas mãos tocou meu ombro.

– Uh, pensei que eu só precisava abrir o caminho da até o Greg, mas acho que vou ter que agradecer à um fantasma. – Sorriu e eu gargalhei. Era bom conversar com Bethany. Eu já tinha dito o quanto ela é divertida, mas quando está bêbada, quase merece um prêmio.

Continuamos conversando por um tempo, mas logo ela percebeu que meu olhar vagava pela sala cheia e parava sempre em e Greg, que cochichavam ao pé do ouvido um do outro. Virei-me na direção do bar e percebi que já não era mais o cara de cueca e sim uma menina, apenas de lingerie, servindo bebidas no próprio corpo para os caras. Eu nunca participei de uma festa dessas, mesmo sendo o capitão do time de futebol, então para mim era bem esquisito tudo isso.

– Olha… – Bethany se aproximou outra vez. – Eu sei que tu gosta dela e não vou mais insistir em ficar contigo. – Levantou as mãos, em desistência. – Mas, por favor… Você poderia ao menos curtir a festa? Você já está aqui e nós dois sabemos que você não vai lá interromper aquilo. – Apontou para o casal e a bile tomou conta da minha boca. Greg partira para cima de , beijando-a como um animal e tocando-lhe os seios indiscretamente.

Fiquei em choque por alguns segundos e decidi que não mais presenciaria aquela cena. Olhei para frente e lá estava Bethany, com o sorriso complacente de quem sabe o que eu estou sentindo. Respirei fundo e decidi, eu poderia dar uma chance à ela. Sorri e fui me aproximando devagar, Bethany espelhou meu sorriso e seus braços rodearam meu pescoço.

Encostei nossos lábios e a língua dela pediu passagem. O beijo era bom, o carinho que fazia na minha nuca era de arrepiar, mas nada parecia certo. Minhas mãos suavam frio na cintura dela, minha cabeça piscava sinais de alerta e meu coração batia no ritmo errado. Eu não deveria estar fazendo isso, Bethany era uma menina incrível e brincar com os sentimentos de alguém nunca termina bem. Finalizei o beijo, mas permaneci de olhos fechados, suspirando por ter cometido outro erro.

– Ei. Não se sinta culpado. – Bethany acariciou meu queixo. – Agora que eu já conheço a sensação, entendo por que você evitava que acontecesse. – Rapidamente abri os olhos, a confusão estampada na minha íris. – Nosso beijo não encaixa, mas a culpa não é sua. Você deveria contar para ela. – Tornou a selar nossos lábios e se afastou. – Se não contar, ela pode encontrar outra pessoa e você nunca vai saber o que poderiam ter se tornado.

Bethany me entregou sua bebida, deu uma piscadela e se afastou. Bebi todo o líquido do copo, respirei fundo e comecei a caminhar em direção ao casal 20. Faltavam menos de dois passos, os vi levantar aos beijos e caminhar escada acima para um dos quartos.
Minha vida é uma merda colossal. Precisei de toda a minha coragem para me declarar, mas não deu tempo. Fiz o caminho de volta ao bar e ali passei o resto da noite. A última lembrança que tenho é de Bethany me colocando dentro do Uber e passando meu endereço.

***
 

Precisei de toda a minha coragem para me declarar, mas não deu tempo. Fiz o caminho de volta ao bar e ali passei o resto da noite. A última lembrança que tenho é de Bethany me colocando dentro do Uber e passando meu endereço.

Acordei com a cabeça explodindo, o estômago embrulhando e a boca mais seca que o Saara. Tomei um banho e desci para tomar café, fazendo uma nota mental de que eu nunca mais deveria beber. Fiz um café bem forte e tomei sem açúcar mesmo, enquanto flashs da noite passada rodopiavam sob meus olhos. Lembro-me de beijar Bethany, ela me encorajando a falar com , os dois indo para algum quarto no segundo andar, do meu corpo voltar automaticamente para o bar e tomando tantos drinks diferentes e perdendo a conta no que me pareceu ser o sexto.

Saí pela casa em busca do celular e o encontrei desligado no aparador. Pesquei o carregador no criado-mudo do meu quarto e o pluguei na tomada. Desci para pegar mais café e esperar o celular pegar uma carga, dei de cara com minha mãe chegando do mercado acompanhada do meu pai. Recebi uma olhada espantada dela e uma bem brava dele, mas ignorei e tornei a subir para o quarto. O celular já estava ligado quando entrei e as notificações não paravam de chegar. Ignorei todas elas e abri o WhatsApp, procurando minha conversa com . Ela não estava online e não dava para ver quando foi a última vez que ela visualizou o aplicativo, então só deixei algumas mensagens.

Hey, tá de ressaca também ou foi só eu que perdi a linha ontem?

2h32 pm

Queria conversar com você sobre ontem.

2h32 pm

Pode vir aqui?

2h33 pm

Ou prefere que eu vá?

2h33 pm

 

Esperei alguns minutos com a conversa aberta, mas nada de ficar online. Tomei outro banho e atravessei a rua. Estava quase na porta quando ela se abriu e a mãe da apareceu. Me encarou por alguns segundos e sorriu, esperando que eu fosse à seu encontro.

– Boa tarde, sra. . Eu posso falar com a , ela não me responde no WhatsApp. – O sorriso de Angélica se desfez.

– Hm, . Ela não está em casa. – Disse apressando-se em fechar a porta.

– Olha, eu acho que fiz alguma burrada ontem e eu preciso muito falar com ela, tia Angélica.

– Querido, ela realmente não está. – Suspirou. – foi morar com a tia dela. E talvez ela nem te responda mesmo, mas não se preocupe, você não fez nada.

Eu ouvia a dona Angélica falar, mas as palavras dela formavam ecos na minha cabeça.

foi embora. mudou de cidade. foi viver outra vida… Longe de mim.

Parte II
 

Um ano depois…

 

Naquele mesmo dia, me ligou e contou o que tinha acontecido. Ela e Greg dormiram juntos e logo depois, ele disse que a única coisa que o interessava nela era o sexo. E isso ele já havia conseguido, então não queria mais estar com ela. Ouvir aquilo doeu muito nela, pois ela gostava muito de Greg e não esperava que ele fosse tão canalha. Diante à vergonha que sentia por ter sido usada, chutada e ainda ter uma fofoca sobre ela espalhada pela escola, ela resolveu que seria melhor estar longe.

Durante esse ano inteiro que ela morou em outra cidade, nos falamos e as vezes eu a visitava. Saíamos como os melhores amigos que éramos, mas não parecia ser suficiente. A saudade de estarmos juntos nos intervalos, nas festas de família, nas noites de sexta para o cineminha, tudo isso pesava quando eu precisava voltar para casa. Mesmo assim, ainda trocávamos mensagens e ligações sempre que a saudade apertava.

Hoje, no fim do terceiro e último ano do colegial, nossa amizade permanece estremecida pela distância e pela saudade. Hoje é o baile de formatura, eu a convidei e ela decidiu aceitar ser o meu par – como em todos os outros bailes que houveram até o ano passado. Estar esse ano inteiro longe me fez perceber o quanto eu a amo e não apenas como um amigo. Decidi que não passaria de hoje, vou me declarar para ela e que Deus me ajude.

Combinamos de sair às sete da noite, já que o baile começaria às oito e, como ela se arrumaria na casa dos pais – que é logo ali ao lado -, eu não precisaria ter que buscá-la. Fui buscar o terno sob medida que comprei e comecei a me arrumar. Às seis e meia eu já estava sentado no sofá dos pais dela a esperando. Quinze minutos depois, ela desceu as escadas e eu esqueci como respirar. usava um vestido na cor salmão, a saia tinha uma fenda frontal e drapeado e a parte de cima era toda de missangas e cristais. Cabelos soltos com cachos e maquiagem leve completavam a produção dela. sorriu e veio me abraçar, o perfume doce invadindo meu nariz e me deixando tonto.

 

Assim que consegui recuperar meus movimentos, andei até ela, parada no último degrau, seus olhos transbordando expectativas, ela estava em dúvida sobre como aparentava, mas eu diria à ela. Entreguei as flores e com a mão livre busquei a sua, trazendo-a até meus lábios e depositando um beijo em sua pele, desejando que fossem seus lábios. me sorriu de maneira encantadora, eu praticamente desmontei diante disso.

– Você está… – Palavra certa, palavra certa, palavra certa… – Impressionante.

– Obrigada, . – Corada, abaixou sua cabeça e soltou uma risada sem graça, sorri junto, atordoado por seu perfume.- Acho bom irmos, já deve ter começado. – resmungou, parecendo desconfortável com a situação.

– Sim, senhora. – Sorri e vi sra. se acercar e pegar as flores no braço de .

– Divirtam-se. – Disse ela, sorridente, após depositar um beijo na testa de e afastar-se.

, por favor, traga antes das duas. – Pediu Dave, pai de … Pediu, não exigiu, mas pediu, ele confiava em mim. E isso significava muito se tratando dele.

– Não se preocupe, ela estará em casa.

aceitou meu braço e eu a conduzi para fora de casa, até o carro. Ela estava gelada e parecia trêmula. É obvio que estava nervosa, teria que rever o idiota do Greg e isso a fazia pensar várias vezes antes de dar um novo passo.

No caminho até o colégio, contei a ela sobre meu dia e como tudo tem sido sem ela por perto. Pareceu funcionar, ou pelo menos até chegarmos ao estacionamento e termos que procurar por uma vaga. Nossa mudez agora era mútua, assim como a ansiedade. Tudo tinha que sair do jeito que eu planejei, embora eu sempre fizesse tudo errado, eu precisava me esforçar dessa vez.

Desci do carro e me adiantei para abrir a porta de , ajudando-a a saltar do assento. Suas duas mãos presas firmemente em meu antebraço, escorando-se em mim. Eu sabia que não era dificuldade pelos saltos, era só vergonha. Ela queria esconder-se atrás de mim, mas eu não permitiria que ela se ofuscasse essa noite, de maneira alguma. Eu não queria tirar proveito dela e exibi-la por ai como um troféu. Queria que ela entendesse que a culpa do que aconteceu era inteiramente dele por não saber respeita-la como ela merece.

Atravessamos o corredor, não havia muita gente por ali, apenas alguns casais que também estavam chegando naquele momento. Enquanto caminhávamos pelo campus, vazio, podiamos ver a porta da quadra, luzes de todas as cores escapavam de lá, em uma fusão bonita, junto à música pop que podia ser escutada desde o estacionamento.

Estávamos prontos, mas precisei respirar fundo uma vez mais. Senti rodear meu antebraço com mais força e por isso detive meus passos, virando-me lentamente para ela, também parou e seus olhos assustados buscaram os meus, recordei-me do dia em que sua mãe me disse que tinha fugido.

– Ei, você não precisa ter vergonha de nada. – Toquei-lhe as bochechas e ela sorriu. – Ele foi o idiota e você merece alguém melhor do que ele.

me olhou e eu sorri em sua direção, sentindo os pelos do meu braço se erguerem em um espasmo incontrolável. Olhei para frente, aquelas pessoas, todas aquelas pessoas, uma esbarrando nas outras, eu podia ler seus lábios “olha quem chegou”, “olha pra ela, nem parece a mesma”, “que coragem a dela de aparecer aqui de novo” e eu também podia ler suas mentes… Raiva, inveja, surpresa, falsa indiferença, interesse… Não havia um pensamento ali que não estivesse voltado para nós, não havia um único par de olhos naquele baile que não estivesse focado em nossa direção. Não havia uma única pessoa naquela noite que não estivesse, mesmo secretamente, admirando .

Como em todo baile da escola, assim que chegamos ao fim da escada, a assistente do fotógrafo oficial dos eventos da escola nos indicou um arco enfeitado com flores vermelhas e rosas. Fizemos uma daquelas poses de filme clichê e, após as fotografias, saímos para buscar um lugar menos tumultuado.

Deixei na mesa e fui procurar a mesa de bebidas, mas não me demorei, eu não queria deixá-la sozinha, algo poderia acontecer, leiam isso como: Greg poderia acontecer.

não quis beber e eu não ofereci duas vezes. Antes de pegar uma taça de ponche, experimentei. Era costumeiro que alguém “batizasse” o coquetel com qualquer coisa alcoolica, porque ponche sem alcool não tem a menor graça.

Levei um copo de refri para e um de ponche – que, cheio de álcool, é sangria – e um pratinho com salgadinhos. Bebemos e comemos em silêncio, apenas observando as pessoas no salão. A cada segundo meu olhar pegava Greg olhando para a nossa mesa e cochichando com Jessica, uma das meninas da equipe de torcida. percebeu minhas olhadas e iniciou papo nada a ver sobre Star Wars e Harry Potter, nossas sagas preferidas. O papo ficou tão intenso que só quando o nome de Greg e o de Bethany foi chamado no palco, é que percebemos o anúncio do rei e rainha do baile. Greg quase recebeu um olho roxo quando passou pela nossa mesa e jogou um beijo para , provocando-a. Quando percebi que ela tinha prendido a respiração, decidi que era hora de irmos embora. Ainda faltava mais uma coisa antes de finalmente levá-la para casa e para sua vida longe de mim.

Puxei-a pela mão e seguimos para o telhado da escola que usávamos para matar aula. Sentamos nas banquetas e ela me olhou. Era agora. Tinha que ser.

– Preciso te falar uma coisa. – Falamos juntos e ela gargalhou. – Fala você primeiro. – Disse e sorriu.

Respirei fundo e tente imaginar a como seria a melhor forma de falar tudo o que sinto para ela.

– Eu adoraria saber as palavras certas para não te assustar e te fazer sair correndo para bem longe de mim, mas infelizmente, a dádiva das palavras na nossa amizade, caiu todinha para você. – Rimos. – Eu sei que talvez você diga que eu deveria ter dito isso antes ou talvez você diga que eu não deveria ter dito isso nunca. E antigamente, eu preferia não ter certeza à ouvir a temível resposta e sofrer ainda mais. Só que, quase um ano e meio longe de você me fez perceber que se eu passar a vida na incerteza, nunca vou ser completamente feliz. – Olhei para , esperando alguma reação que me fizesse desistir dessa loucura e sair correndo dali, mas a expressão de impassividade no seu rosto me impulsionou a continuar. – Eu te amo. Não no sentido amigável, embora sejamos bons amigos. E não no sentido de um afeto impertinente, como por um cachorrinho, embora eu tenha certeza de que você me considere assim. Eu te amo. Muito simplesmente, muito verdadeiramente. Você é a personificação de tudo que eu sempre procurei em um ser humano. Eu sei que você me considera apenas um amigo, e ultrapassar este limite seria a última coisa que você pensaria em fazer. Mas eu tinha que dizer. Eu não aguento mais. Eu não consigo sentar ao seu lado sem querer te abraçar. Eu não consigo olhar nos seus olhos sem sentir aquele desejo de que você só ouve falar nos livros ruins. Eu não consigo falar sem querer expressar o meu amor por tudo que você é. E eu sei que isso provavelmente vai destruir a nossa amizade. Mas eu tinha que dizer. Porque eu nunca tinha me sentido assim antes. E eu gosto de quem eu sou por causa disso. Trazer isso à tona significa que a gente não vai mais se ver, e isso me machuca. Mas eu não poderia deixar passar mais um dia sem dizer isso, independentemente do resultado – que, pelo olhar no seu rosto, vai ser o inevitável fim. Tudo bem, vou aceitar. Mas eu sei que uma parte de você está hesitando. E se tem um momento de hesitação, isso significa que você sente algo também. Tudo que eu peço, por favor, é que você não descarte isso, e tente aceitar, apenas por dez segundos. , não existe nenhuma outra alma nesse planeta inteiro que faça de mim metade da pessoa que sou quando estou com você. Eu arriscaria essa amizade pela chance de chegar a outro nível. Porque existe algo entre mim e você, não dá para negar. Mesmo se a gente nunca mais conversar depois de hoje à noite, por favor saiba que eu mudei para sempre por causa de quem você é e do que você significou para mim.

Finalmente decidi encará-la e me assustei quando mirei seus olhos. estava com os olhos marejados e aquele sorriso super fofo de quando está apaixonada por alguém. Tocou meu rosto com a ponta dos dedos, entrelaçando nossos dedos em seguida.

– Eu achava que eu era boa com palavras, mas você parece ter se preparado muito bem para esse momento e me deixou na desvantagem. Escolher a pessoa com quem você quer dividir sua vida, é uma das decisões mais importantes que, qualquer um pode fazer, sempre! Porque quando dá errado… Deixa sua vida cinza, e as vezes, as vezes você nem nota, até acordar numa manhã, e perceber que anos se passaram. Nós dois sabemos o que é isso, . Sua amizade trouxe um colorido novo a minha vida, e esteve presente nos momentos mais difíceis, e eu sou a pessoa mais sortuda do mundo por essa dádiva. Espero ter sabido dar valor, mas talvez não tenha dado, porque as vezes você não vê que a melhor coisa que já aconteceu a você está ali! Debaixo do seu nariz. Mas tudo bem também. É, tudo bem! Porque eu percebi que, não importa onde esteja, ou o que esteja fazendo, ou com quem esteja. Eu vou sempre, com toda força, verdadeiramente, completamente, amar você!

Fim do Flashback.

– PAI! O que aconteceu depois? – Katie perguntou abraçada aos gêmeos.

– Ah. O que aconteceu depois? – Disse com um sorriso, lembrando-me daquele momento pós-declaração. – Querida, o que foi que aconteceu depois? – Perguntei à , sentada no meio de nossos filhos e netos.

– O diretor da escola pegou seu pai me beijando e nós dois tivemos que correr dele pelo telhado. – gargalhou com as crianças. – Nunca corremos tanto quanto naquele dia… Se bem que houve uma vez…

iniciou uma outra antiga história do nosso tempo de escola e eu só conseguia admirá-la. Minha … Minha doce e louca . Sinto-me feliz e extremamente sortudo de não ter sido o cara que a dispensou.

FIM