22. Bubble Wrap

22. Bubble Wrap

  • Por: P. Sawyer
  • Categoria: Especiais | McFLY
  • Palavras: 4073
  • Visualizações: 235

Sinopse: I’m a broken man who’s finally realized. You’re standing in moonlight, but you’re black on the inside. Who do you think you are to cry? This is goodbye.

Capítulo Único

I wish I could bubble wrap my heart
In case I fall and break apart

Terminei de jogar a última mala cheia de coisas no chão e me joguei ali mesmo, por cima de toda minha bagunça. Finalmente havia acabado.

-Me diz que tem cerveja nessa casa, pelo amor de Deus! – Rae perguntou entrando pela porta logo atrás de mim e me olhando com careta ao passar por meu corpo deitado no chão que completamente sucumbia ao cansaço.

-Tem um engradado fechado dentro da geladeira -Respondi me levantando, precisava de um banho e precisava relaxar meu corpo.

-Você não vai ligar ou falar pra ninguém? Nem com ela?

-Nop – Fiz um barulho com a boca e joguei meu telefone desligado por cima do sofá velho e abarrotado com as coisas da minha mudança. – Quem precisa saber que eu tô vivo, já sabe que eu to vivo – Dei de ombros e comecei a mexer no meio das minhas coisas, tentando lembrar onde eu havia colocado minhas toalhas. Precisava desesperadamente de um banho.

-Você realmente acha que ela nunca vai te descobrir aqui?

-Eu estou tentando não pensar nisso agora, Rachel. Meu terapeuta me diz que eu devo viver o aqui e o agora, porque o amanhã eu não faço a mínima ideia se pode chegar, então tô praticando isso, ok? – Falei ignorante e minha irmã arregalou os olhos levando sua bebida a boca e erguendo a outra mão em defensiva

-Desculpa, não tá mais aqui quem falou – Bufei alto, achando finalmente a toalha e seguindo para o banheiro, levantando o braço para cheirar minha axila Eu necessitava de um banho.

A água quente ajudava a relaxar meu corpo mas minha mente continuava a vagar por todos os acontecimentos das ultimas 72 horas. Eu me sentia tonto e perdido. Frustrado, talvez fosse a melhor palavra. Nada fazia sentido e no meio de toda confusão havia uma dor, como se tivesse pego meu coração e deixado cair, quebrando um pedaço dele.

72 Horas antes…
 

Eu revirava as gavetas do guarda roupa atrás da porra de um cartão que eu havia escondido. Eu e minha péssima mania de enfurnar as coisas.

, no que você está mexendo? – chegou ao quarto sobressaltada e de olhos arregalados. Estranhei seu comportamento, mas dei de ombros. Precisava achar onde havia colocado a porra do cartão.

-Nada. Pode continuar lá vendo sua série – Ignorei sua mão em meu braço que me impediu de abrir sua parte do guarda roupa e estranhei o movimento. às vezes ainda me parecia uma garota, muitas ganâncias e pouca responsabilidade, eu vivia lhe dizendo que ela precisava ter o pé no chão e ela vivia me dizendo que eu deveria sonhar mais alto. Algo nela sempre me fazia sorrir, como se seu jeito livre e descontraído de dizer as coisas sempre me trouxesse a sensação de liberdade que eu sempre quis ter mas tivesse medo. Acho que havia sido isso que havia feito com que eu me apaixonasse por ela. – O que foi ? – Perguntei desconfiado quando ela começou a me empurrar.

-Nada, só não gosto que mexam nas minhas coisas. O que você está procurando? – Ela começou a me ajudar, mexendo ela mesma em sua coisas e eu achei estranho o ato. Em dois anos juntos ela nunca havia se incomodado quando eu mexia em sua coisas.

-Desde quando você se incomoda com o que eu mexo? – Voltei ao meu trabalho de procurar a merda do cartão e comecei a abrir suas gavetas.

, não… – Ela parou de falar quando eu abri sua gaveta e tirei dali um papel branco. – Para de mexer nas minhas coisas – Ela falou irritada e tentou pegar o papel da minha mão, mas eu fui mais rápido, erguendo-o.

-O que é isso?

-Nada que te interessa – Ela pulou, tentando pegar o papel da minha mão e eu estranhei seu comportamento nervoso.

– Eu a empurrei de leve e olhei pro papel que eu constatei ser um cheque em um valor alto e datado do final de semana anterior,o mesmo em que ela havia me dito que ia passar o final de semana com os pais. – O que é isso? -Ela passou a respirar rápido, os olhos arregalados e a face branca, ser cor nenhuma. – Em falta de resposta, li a assinatura do cheque – Que diabos é Club99? – Perguntei começando a ficar nervoso vendo-a abrir e fechar a boca mas sem emitir nenhum som – Anda ! Que porra é essa? Você não disse que estava nos seus pais no final de semana?

 

-Tô pensando em pedir uma pizza, o que acha? – Rae perguntou quando eu já havia saído do banho e estava jogado em cima do sofá, sem camisa e zapeando os canais. Ela parecia preocupada e eu entendia, eu havia aparecido em sua casa de madrugada, totalmente descontrolado e bêbado, com raiva do mundo e gritando a todos os ventos que minha namorada era uma puta. Ela não havia entendido nada e demorou a entender quando eu de manhã e de ressaca, contei que descobri que mentia pra mim, ela não era atriz, ela era uma acompanhante de luxo, como ela havia me explicado.

-Não estou com fome. Agora que já tomei banho, vou só descansar. Pode ir, vou ficar bem -Tentei tranquilizar minha irmã mais velha que me olhava com um olhar fraternal. Desde que nossos pais haviam morrido, ela se sentia na responsabilidade de zelar por mim, como se a função materna lhe tivesse sido delegada, no momento em que o caixão de minha mãe baixou ao chão.

-Tem certeza que não quer que eu passe a noite aqui com você?

-Rachel, você tem um marido e um filho de cinco anos que precisa de você. Não precisa ficar de babá do seu irmão que já é um marmanjo velho de 22 anos, ok? Pode ir cuidar da sua família. Eu tô bem.

-Você também é minha família, – Ela falou afetada. – Não entendo porque não quis ficar lá em casa. Tinha espaço pra você, um quarto pra você. Tommy te adora. Pra que mudar pra esse muquifo?Poderia ter se programado melhor.

-Eu gosto do meu espaço, Rae. Gosto da minha privacidade e elaboro as coisas melhor quando eu estou sozinho – Dei de ombros e ela se levantou pegando sua bolsa. Ela havia me ajudado a fazer a mudança sozinha e provavelmente estava exausta. Era bom saber que podia contar com minha irmã sempre.

-Bom, você é quem sabe. Te amo, . Você sabe disso – Ela bagunçou meu cabelo, da mesma forma que fazia quando eu tinha cinco anos de idade.

-Eu também te amo, Rae – Me levantei e lhe dei um abraço apertado, o que a pegou de surpresa. – Obrigada por hoje. – Ela acenou com a cabeça antes de se dirigir até a porta e se despedir de mim mandando beijos pelo ar.

 

But I know you’re hurt
People that you love and those who care for you

, o que você está fazendo? – segurava meus braços enquanto eu pegava minhas coisas e tacava em cima da cama. – Fala alguma coisa! – Ela disse depois de algumas tentativas de arrancar alguma palavra de mim e puxou meu braço, se colocando na frente do guarda-roupa e eu virei de costas, procurando por ali alguma mala onde eu pudesse colocar minhas coisas. – , me responde! – Ela gritou e eu a olhei incrédulo.

 

– O que você quer que eu diga?

-Alguma coisa! Você vai simplesmente pegar suas coisas e ir embora?

-O que você quer que eu faça? – Eu a olhei incrédulo. – Você acabou de me contar que tá me traindo por aí em troca de dinheiro, ! Você transa com outros caras em troca de dinheiro! – Eu gritei. Aquilo me parecia surreal. Não dava pra acreditar que ela fazia aquilo. Não ela, a mulher com quem eu tinha compartilhado os últimos 24 meses da minha vida e com quem pensava em casar.

-É um trabalho como outro qualquer – Ela entrou em sua defesa. Por isso que eu nunca te disse, eu sabia que você ia reagir dessa forma. Você não entende – Ela pressionou a própria têmpora.

– Você quer que eu entenda que enquanto eu achava que você estava na casa dos seus pais, você estava por ai transando com sabe-se lá quantos. E não é só sobre com quem você transa, é sobre confiança, . Eu confiava em você, você chegava em casa e dormia comigo depois de ter transado com outro. – Eu a olhei com nojo e seu rosto assumiu um tom vermelho.

, você encara como traição. Eu não! Traição seria se eu me envolvesse emocionalmente com qualquer um deles, coisa que nunca aconteceu. Eu sou paga,vou ali, faço meu serviço e pronto. Aqueles caras tem condições de me oferecer coisas que você nunca nem sonharia em me dar e eu aproveito a oportunidade, mas não é com eles que eu quero ficar, é com você. É pra você que eu volto no final de tudo porque é com você que eu quero estar. – Eu estava em choque com suas palavras e abalado pela forma como ela havia sido fria.

Minha família nunca havia gostado de . Rae achava ela interesseira e eu sempre disse que não me importava com aquilo, afinal, eu não tinha muito que ela pudesse tirar de mim, caso nosso relacionamento fosse na base do interesse. Mas ouvir da sua boca que eu não tinha muito a lhe oferecer havia doido.

, o que você faz com o seu corpo, seja encarando como trabalho ou não, não me interessa mais. O que me interessa é que eu estava envolvido nisso e que eu tinha no mínimo o direito de saber. Mas não importa mais. Pra mim acabou, chega. Você pode ficar com todas as coisas que os caras lá tem pra te oferecer. Faca bom proveito delas. – disse antes de sair da casa sem me importar em levar nada, apenas batendo com força a porta atrás de mim. Eu precisava de muito álcool pra digerir aquilo.

I’m a little dazed and confused
Life’s a bitch and so are you
Eu não estava prestando a atenção em absolutamente nada que estava passando na tv.E eu estava tentando convencer meu cérebro que havia morrido, assim seria mais fácil viver e seguir a vida sem martirizar o peso daquela traição. Não era só pelo trabalho, era pela confiança, era pela cumplicidade, era pelo companheirismo e também era porque ela estava transando com outros caras em troca de dinheiro. Na minha cabeça tinham tantas perguntas. Quando havia começado? Por que havia começado? Por que continuar? Meu coração doía porque eu realmente estava apaixonado. Eu realmente gostava dela como nunca tinha gostado de nenhuma mulher antes na minha vida. E agora cá estava eu, no auge dos meus 22 anos, chorando com uma garrafa de cerveja nas mãos enquanto um documentário sobre o ciclo sexual das baleias jubarte passava no animal planet.

Ser estudante de Psicologia, te dá algumas noções sobre determinados processos que a mente passa diante de uma perda. Naquele momento, eu estava passando por aquilo que chamamos de luto, e eu estava curtindo meu estágio de negação, que era o primeiro dos cinco estágios. Eu ainda estava com dificuldade de entender o que tinha acontecido, mesmo depois de ter pego todas as minhas coisas no apartamento e me mudado pro primeiro quarto e sala que havia encontrado. Eu ainda não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo comigo.

A campainha tocou e eu xinguei Rae por ser tão protetora. Eu já tinha dito que estava bem. Enxuguei meu rosto e segui pra porta, chutando algumas coisas que haviam pelo meio do caminho.

-Eu já disse que estou bem! – Abri a porta já reclamando e quase cai pra trás ao ver parada ali na minha frente. Seus óculos caídos na ponta de seu nariz, os cabelos presos em um rabo de cavalo e a bolsa a tira colo. Quem a olhasse nunca diria que ela transava por dinheiro.

-Eu segui a Rae depois que ela saiu do apartamento – Ela respondeu antes mesmo que eu perguntasse e sem que eu sequer cogitasse a hipótese de convida-la, ela já estava entrando pelo apartamento, tropeçando em algumas sacolas espalhadas e olhando com cara de nojo pra tudo que havia ali. – Não tinha lugar melhor pra você ficar não? Seu nojo de mim era tão grande que você não foi nem capaz de pegar suas próprias coisas no seu apartamento.

– O que você tá fazendo aqui? – Me limitei a perguntar, sem nem fechar a porta. Eu só queria que ela saísse.

– Precisamos conversar. – Ela jogou a sua bolsa em cima do sofá. Dois anos atrás havia sido esse jeito dela, de fazer as coisas como bem queria, sem se importar com a opinião de ninguém que havia feito eu me apaixonar com ela. Quem diria que esse também seria o motivo do nosso fim?

– Não temos nada pra conversar. Poderia por favor ir embora? – Apontei a saída, mas ela me ignorou, indo pra cozinha e abrindo a geladeira, como se aquela ali fosse a sua casa.

– Eu realmente achei que você se comportaria assim, quando soubesse. Você não fugiu em nada das minhas expectativas. – Ela abriu uma garrafa de cerveja e bebeu um gole.

– Jura? – Fingi surpresa. – Que bom! Isso mostra o quanto eu sempre fui sincero no nosso relacionamento, já não posso dizer o mesmo de você né? – Bati a porta com força. Naquele momento eu havia entendido que havia mudado do estágio de negação para a Raiva.

, você acha que as coisas são fáceis pra todo mundo que nem são pra você? – Ela riu irônica e atravassou o espaço que separava a cozinha da sala. – Não são! Desculpa de desapontar. Eu precisava de dinheiro, a oportunidade surgiu e eu agarrei. Eu não queria te magoar. – Ela se aproximou, passando as mãos pelo meu rosto de forma terna.

– A quando tempo você estava escondendo isso de mim? – Perguntei fechando os olhos e me odiando por não colocar ela pra fora. Odiando por meu peito estar doendo tanto por saber que ela tinha que ir embora. Me odiando porque eu era totalmente apaixonado por aquela garota e só queria que aquela história fosse mentira. Eu estava puto, mas pra muito além de puto eu estava magoado. Muito magoado.

– Por que isso importa? – ela se aproximou e eu me afastei. Não queria contato, não estava forte o suficiente pra resistir a isso. Eu só queria que tudo fosse mentira e acordássemos dentro do nosso quarto, enrolados na coberta e rindo de alguma coisa .

– Porque você mentiu pra mim, . – A segurei pelos ombros e a afastei. – Você traiu a mim e a minha confiança. Como você quer que eu encare tudo que aconteceu numa boa? Você quer que eu fique feliz sabendo que sei lá, – levei as mãos a cabeça e comecei a andar pela pequena sala – Você chegou com um aparelho de jantar novo pra nossa casa, semana passada. E você só comprou ele porque outro cara te comeu. Eu não aceito isso!

– É só sexo, ! Não tem emoção. Eu já te disse eu sou uma atriz e ali eu tô atuando.

– E eu não aceito isso. Desculpa. – Me virei de costas e respirei fundo. Senti as mãos de em minhas costas, contornando meu corpo e pousando em meu peito.

– Com você é diferente, – Ela beijou minhas costas e arranhou meu peitoral. – Com você eu não preciso fingir. – Ela contornou meu corpo, parando a minha frente – Com você é novo – Ela começou a beijar meu pescoço – Com você é gostoso – Ela começou a subir seus beijos e uma de suas mãos desceu pra dentro da minha Boxer. -Só com você é real, . Com mais ninguém. – ela completou a frase antes de me beijar e eu não resisti, em menos de dois segundos eu já estava totalmente entregue à ela.

Did I mean nothing at all?
Was I just another ghost that’s been in your bed?
 

Eu queria ter evitado, resistido, parado. Queria ter sido forte e mandado ela embora, afastado ela de mim, mas não. Eu não havia sido e agora eu estava ali,deitado num colchão velho, numa cama de solteiro, com ela dormindo ao meu lado enquanto seu telefone tocava incansavelmente no chão perto da porta. Ela se remexeu ao meu lado e se espreguiçou, abrindo os olhos em seguida e me olhando sorrindo.

-Onde você estava quando eu te liguei falando que minha mãe morreu? – engoliu em seco. – Isso aconteceu a quase dois anos atrás, nos havíamos acabado de começar a namorar e lembro que meu pensamento foi: , é tudo muito recente você não pode cobra-la de aparecer em um funeral. – Ela se sentou, prendendo os cabelos. – A quanto tempo você trabalha com isso? Só seja sincera, . Por favor.

-Quatro anos. – Ela deu de ombros e pegou sua blusa no chão.

-Eu não vou ficar com você se você continuar com isso, não importa o quanto eu te ame.

, eu não tenho a mínima intenção de largar. – Pela primeira vez em muito tempo eu vi uma honestidade genuína em seus olhos – Você não tem condições de me dar a vida que eu tenho lá. E eu não estou disposta a abrir mão. A gente mora num apartamento pequeno e eu tenho sempre que fingir que tô apertada de grana quando na realidade eu não tô. Você não tem grana pra me levar nos restaurantes, hotéis ou qualquer uma das viagens que eu já fiz com esses caras e tudo bem. Eu entendo, eu gosto de você eu realmente gosto de você,mas não tô disposta a abrir mão de tudo aquilo. Não agora, não ainda. – Ela colocou a mão no meu peito – Por favor, não me peça isso. É um trabalho como outro qualquer e eu tenho a oportunidade de lucrar de duas formas com ele. Financeiramente e culturalmente.- Ela sorriu e eu me mantive imóvel. Sentindo que definitivamente eu havia evoluído na fase do meu luto.

Não havia como eu negar mais, não vendo o sorriso ensaiado e o olhar que havia me lançado antes de se debruçar sobre meu corpo e me dar um selinho. Ela me olhava como o cara babaca que estaria ali a disposição sempre que ela quisesse.Eu havia dito que a amava e ela disse que gostava de mim, mas não largaria sua vida fácil.

Observei enquanto ela se levantava e pegava suas roupas pelo chão, seguindo para o banheiro como se fosse seu. Minha cabeça estava uma bagunça e a raiva tomava conta de mim. Raiva por todos os momentos em que ela havia me dito que estava trabalhando e ao chegar em casa dormiu comigo, depois de ter dormido com outra pessoa. Raiva pela mentira, raiva pela traição, raiva pelo interesse dela nas coisas, ela fazia porque gostava. E como meu terapeuta sempre havia me dito, na vida temos a opção de escolha, e temos que nos responsabilizar por nossas próprias escolhas. E ali agora eu tinha que escolher se eu aceitava ou não viver com aquilo.

-Você tem algo de comer aqui? – Ela saiu do banheiro já vestida e eu segui pelo quarto pegando minha carteira que estava em cima do criado mudo.

-Não – Respondi mais frio do que pensei que soaria – Mas você pode comprar alguma coisa na sua saída – Abri minha carteira tirando todas as notas que haviam ali dentro e me virando pra ela – Acho que isso paga sua noite. Não deve ser o que você está acostumada a cobrar, mas acho que cobre pelo menos o táxi – Depositei o dinheiro em sua mão vendo seus olhos se arregalaram.

… – Ela parecia sem palavras.

-Você é uma vadia mentirosa e manipuladora. Você disse que eu agi exatamente como você pensou, você sabia como seria. Você escolheu nunca me contar. Eu fui só o trouxa com quem você poderia brincar de casinha enquanto outro te come e te paga por isso né? Você achou que eu aceitaria de boa? O corpo é seu, você faz com ele o que você quiser, você da a ele o valor que você quiser. E eu não tenho nada a ver com isso. Eu não tenho poder de escolha nisso, mas eu posso escolher o que fazer com a minha vida. E nesse exato momento eu tô dizendo que eu não quero você nela. – Caminhei pro cômodo ao lado abrindo a porta que dava pro corredor. – Vai embora, – falei com a voz firme. – Eu não te quero aqui. – Seus olhos estavam marejados e eu não entendi o sentimento que se apossou de mim. Era raiva, nojo, mágoa.

– Eu não tenho nada mais pra te oferecer. – Ela ponderou por alguns segundos, olhando o dinheiro em suas mãos ainda surpresa com a minha reação. Caminhei até o sofá, pegando sua bolsa jogada ali e seguindo em sua direção em seguida, pegando em seus braços e guiando-a até a porta. – Adeus, . – Foi o que eu disse antes de fechar a porta diante de seus olhos arregalados, sentindo meu coração se afundar no peito, mas ainda assim com a enorme sensação de que eu tinha feito o certo. Tinha feito aquilo que eu sabia que seria o melhor pra mim.

 

This is goodbye

 

Fim.