8 Years

8 Years

  • Por: Liv Kaiser
  • Categoria: Especiais | Verão
  • Palavras: 4169
  • Visualizações: 177

Sinopse: Um mês e meio foi o tempo que eles tiveram juntos e isso foi o suficiente para que uma promessa surgisse: dali a oito anos voltariam a aquele lugar se quisessem ficar juntos. Os anos se passaram e a tão esperada noite chegou. A única questão que sobrou foi: ele estaria lá naquela noite? Muita coisa muda em oito anos e aquela era a noite de saber se aqueles anos haviam o feito mudar de ideia.
Gênero: Romance
Classificação: 12 anos
Fandom: McFLY
Restrição: Essa fic é um capítulo único do Especial de Verão do Focus. Existem poucas características fixas em em ambos os principais, por isso os dois são interativos, mas a fic é escrita originalmente com o Dougie do McFLY, caso queiram saber.
Beta: Regina George
Shortfic

Capítulo Único

Dezembro, 2019.
Abriu a porta do quarto e acendeu as luzes. Ali estava ela novamente. Alguns anos a separavam da última vez que estivera naquele mesmo quarto, mas apesar do tempo estar ali trazia todas as lembranças de volta para . Cada uma delas.
Jogou a mochila na cama vazia e se jogou na outra sentindo seu corpo pedir por descanso. O voo até ali não havia sido muito longo, mas ela estava moída por que não havia dormido no avião e nem no carro que a levou em uma viagem de quarenta minutos até ali. Definitivamente ela precisava de descanso e quando tirou os sapatos e se aconchegou a um travesseiro, seu corpo sequer hesitou em desligar.

Flashback on.
Ela mordia uma maçã enquanto lia o último parágrafo de seu livro. A tarde na praia havia lhe rendido a leitura de todas as páginas dele sob a sombra de um coqueiro bem grande e quando se cansou, resolveu voltar a sua pousada, porém não conseguia parar de ler e seguindo pelo corredor que daria em seu quarto ela prosseguiu com a leitura.
Parou em frente a porta e nem olhou o número que estava ali, apenas encaixou a chave na fechadura e adentrou o quarto lendo “ e então, ela se foi.” desacreditada que havia acabado ali.
– Mas o que…? – ouviu uma voz grave e levantou os olhos. Deu de cara com um rapaz. Tinha olhos expressivos, os cabelos iam até a curva do pescoço e estavam bagunçados, como o de alguém que tomou banho e os deixou secar de qualquer jeito.
– O que você está fazendo no meu quarto? – a garota questionou dando passos para trás.
– Moça, eu é que te pergunto, esse é o meu quarto. – ele riu um pouco e ela olhou em volta. Realmente aquele não era o seu quarto. A cama ficava do lado oposto à sua e nenhuma mala ali era dela.
– Me desculpe, é que minha chave abriu a porta e eu… – ela apontou a porta de modo confuso e o rapaz riu.
– Tudo bem, essas coisas podem acontecer às vezes. – ele justificou e parecia despreocupado.
– Eu sinto muito. Eu vou indo. – ela continuou a dar passos para trás até chegar a porta.
– Eu sou o . – ele informou e ela já havia aberto a porta, mas ainda assim se virou sorrindo fraco.
. Me desculpe de novo. – acenou e deixou o quarto. era tão insegura naquela época que sequer notou o olhar de interesse de sobre ela naquele momento. Apenas saiu dali e seguiu para o seu quarto, que era ao lado do dele.
Flashback off

acordou horas mais tarde com seu corpo tomado pelo suor. Estava quente e ela não havia ligado o ar condicionado ou aberto a porta que dava acesso a varanda do quarto, então o quarto se tornou seu forno particular. Ela abriu a porta e pegando roupas e sua toalha na bolsa ela seguiu para o banheiro.
De baixo da água fria ela começou a repensar sua decisão de estar ali. Ela nem sabia se ele aparecia mesmo, e se ele não aparecesse ela passaria a noite de ano novo sozinha naquele ano. Por que haviam combinado aquilo para a noite de ano novo afinal? Por que não para o começo de dezembro que havia sido quando se conheceram? E como uma velha amiga que lhe lembra os fatos, a voz de ecoou em sua mente.
Recomeço. É isso que a noite de ano novo significa. Um ciclo que se fecha e outro que se abre. E se em 2019 aparecermos na noite de ano novo, é porque decidimos começar um novo ciclo juntos.
Ela estava ali. Há oito anos pensava naquela noite sempre que dezembro chegava. Porém naquele ano em específico, ela precisou colocar seus pensamentos no lugar e decidir se apareceria. Havia se relacionado com pessoas durante aquele tempo – apesar de não saber se havia feito o mesmo já que haviam combinado de não ficarem olhando as redes um do outro para que aquilo não influenciasse na decisão final que tomariam – mas sempre que as coisas começavam a ficar mais sérias, ela pensava no rapaz e pulava fora.
Fato era que ela e haviam passado um mês e meio juntos quando ele precisou voltar para seu país, obrigações e sonhos e ela também. E poderia parecer loucura, mas em um mês e meio com , sentiu e viveu coisas que jamais vivenciou em seus relacionamentos mais longos durante a vida.
Estar de volta ali lhe trazia certo conforto, porém lhe causava medo também, por que afinal não sabia se apareceria. Em oito anos ele podia ter arranjado alguém, se casado, tido filhos, talvez estivesse naquele momento flertando com alguém em algum bar caro e prestes a levá-la para sua casa.
Aquele não era o cara que ela havia conhecido, ele não faria aquilo na época que se conheceram, mas ela sabia que as pessoas mudavam e aquilo poderia ter mudado também, por mais que esperasse que não.

Flashback on.
– Ei invasora de quartos. – a voz não tão desconhecida assim soou próxima a e ela levantou os olhos do seu caderno de anotações para encontrar os olhos do rapaz que havia conhecido no dia anterior.
– Eu já pedi desculpas. – ela se defendeu o fazendo rir. Era horário de almoço e ela havia optado por comer o seu na área externa da pousada apesar do tempo estar fechado e dando indícios de que choveria em breve.
– Eu sei, estou apenas brincando. Posso me sentar? – ele indicou a cadeira a frente dela e a garota assentiu ao mesmo tempo em que fechava o caderno – E então, o que achou? – ele questionou e ela franziu o cenho em confusão – Eu digo do livro que você estava lendo ontem. – ele a lembrou e ela assentiu.
– Você já leu? – ela questionou e ele assentiu.
– Duas vezes. – informou ainda aguardando uma resposta.
– É incrível na verdade. Um romance bem construído e real, mas aquele final… – ela deixou a frase solta e ele riu.
– Eu sei o que quer dizer, mas é como você disse: é real, e na realidade nem todo amor, ou paixão é para ficar. Às vezes apenas vem, fica um tempo, cumpre seu propósito e se vai. – ele deu de ombros e ela sorriu assentindo.
– É acho que você está certo. Talvez eu só tenha que me desapegar dos romances de viveram felizes para sempre. – sorriu e fez uma nota mental. Sorrisos combinavam com ele.
– Talvez sim, talvez não. Nunca dá para saber, afinal.
Flashback off

Ela saiu pela porta do quarto disposta a comer, mas cinco ou sete passos depois de sua porta ela parou na porta ao lado. Era o quarto dele. Será que podia bater? Será que ele estava ali? Não parecia ter movimento lá dentro quando ela parou um pouco para escutar, então ela seguiu para a recepção. Parada no balcão ela questionou se havia alguém no quarto 28 ansiosa para ouvir que sim, porém a recepcionista informou que estava vazio.
apenas agradeceu e se retirou tomando o rumo do restaurante. Sentou na área externa e após fazer seu pedido ela encarou o celular a sua frente. E se o procurasse no Instagram? Os Stories claramente entregariam onde ele estava. Estava levando a mão ao aparelho quando respirou fundo e se lembrou que haviam prometido que não fariam aquilo.
Recolheu as mãos se martirizando por ter aceitado aquele plano. Que tipo de idiota era para aceitar uma tortura daquelas? Deveria ter dito que não. Ou então deveria ter dito a ele que deviam ficar juntos, afinal para que esperar oito anos?
Ela sabia a resposta. Haviam refletido juntos sobre aquilo. Houve um consenso sobre a imaturidade deles para manter um relacionamento a distância na época. , com sua insegurança morreria de ciúmes toda vez que visse em algum tipo de programa e aquilo acarretaria uma briga. viveria com a constante dúvida se não teria outra pessoa com ela, por que apesar de esbanjar confiança por aí, era tão inseguro quanto ela e tinha bons olhos capazes de observar muito bem a linda garota que era. E aquilo, obviamente os faria viver em constante medo e brigas também.
Eram jovens na época e pouco haviam trabalhado seus emocionais para que aguentassem tanto tempo longe quanto ficariam. Oito anos lhes pareceu suficiente para que crescessem e amadurecessem. E foi. agora, era uma mulher confiante sobre si. Fazia o que queria, quando queria e como queria. Sem medo de julgamentos ou dos olhares que receberia. Não dava satisfações de seus atos e sequer se deixava ser tratada mal, ou ser diminuída por ninguém. Havia finalmente aceitado que era um mulherão e que merecia ser tratada de forma condizente.
Havia se feito sem , e aquele era o objetivo daqueles oito anos. Que se construíssem como adultos melhores sozinhos, para que quando decidissem ficar juntos – ou não – eles fossem pessoas que estavam bem sozinhas, mas haviam decidido seguir juntos. E não duas pessoas que estavam mal consigo mesmas e estavam juntos para tapar buracos emocionais.
A paixão dos dois foi linda no período em que aconteceu, não entenda mal. Eram definitivamente um bom casal, que se cuidava, se aceitava, se apoiava e tudo o mais, mas porque estavam juntos. Convivendo próximos. E gastaram sua pouca maturidade para aceitarem juntos que, naquele momento não havia condições de darem certo. E aquela foi provavelmente a coisa mais madura que haviam feito em toda a vida até aquele ponto.

Flashback on.
– Então você realmente está do lado do Capitão? – questionou enquanto a brisa batia em seu rosto e fazia os cabelos de se moverem para todos os lados. Era noite e caminhavam pela praia de mãos dadas a alguns minutos. O toque de suas mãos juntas daquele modo era confortável e quase familiar para ele. Poderia facilmente segurar a mão dela a todo momento.
– Claro que sim. Tony Stark é um amor, mas nada, jamais, vai substituir o Capitão no meu coração. – ela afirmou e parou de modo dramático jogando os joelhos na areia e olhando para cima.
– Perdoe ela. Ela não sabe o que fala. – gargalhou alto e aquilo já bastou para . Sua risada era escandalosa e ele simplesmente adorava ouvi-la.
– Para de ser exagerado. Você escolheu o lado do Stark e eu não estou fazendo esse drama todo. – ela informou enquanto se levantava.
– Você precisa mudar de lado. – ele informou parando em frente a garota e ela arqueou uma sobrancelha.
– Eu não vou! – afirmou e ele estreitou os olhos.
– Então eu vou ser obrigado a tomar medidas drásticas. – ele informou e antes que ela pudesse perguntar o que seriam as medidas drásticas ele se abaixou e a pegou pelas pernas a levantando colocando sob as costas como um saco de batatas e começou a correr.
! – ela gritou enquanto ria e ele ria junto.
– Diga que vai torcer pelo Stark. – ele gritou.
– Jamais! – ela retrucou.
– Então sofra as consequências. – e dito isso os pés de chegaram a água do mar. arregalou os olhos quando viu o que o rapaz estava fazendo, mas não teve tempo de contestar já que ele a desceu e jogou os corpos dos dois na água fria.
Não estavam na parte funda, então recuperar o fôlego foi fácil e assim que ela se localizou viu a sua frente, rindo enquanto batia o queixo.
– Eu ainda torço pelo America. – ela murmurou e ele jogou a cabeça frustrado.
– Droga! – gritou fazendo rir.
– Você é um idiota, . – ela se aproximou do rapaz e diferente do que ele pensou que ela faria, ela não o beijou, mas o empurrou para dentro da água rindo assim que ele emergiu novamente.
Flashback off.

Ela caminhou pelo terreno da pousada durante toda a tarde. O lugar não havia mudado muito. Algumas pequenas reformas, uma pintura nova, novos funcionários e era aquilo. Havia procurado por um rapaz, Diego, que trabalhava ali, porém recebeu a notícia de que ele havia se casado e se mudado de cidade com a esposa e o filho e apesar de já ter pensado sobre aquilo, se impressionou com como a vida podia mudar muito naquele tempo.
Voltou ao quarto e enrolou por lá por mais algumas horas. Dividida entre algumas trocas de mensagens com amigas e um seriado na Netflix. Quando o horário de se arrumar chegou, logo após seu banho, ela discou o número de Helena, sua melhor amiga que lhe atendeu no terceiro toque da chamada de vídeo.
E aí? Já se encontraram? Ele está mais gatinho ou piorou muito? Ele virou um babaca? Meu deus me diz que ele não virou um babaca. – soltou tudo de uma vez e arrancou um riso fraco de .
– Eu ainda não o encontrei, Helena. Marcamos de nos encontrarmos na mesma praia onde passamos aquele ano novo juntos. Então tenho mais uma hora e meia até lá. – informou já pegando a roupa da mala.
E por que não vai até aquela porcaria de quarto e bate na porta para ver se ele está lá? – questionou bufando.
– Por que eu já fui a recepção perguntar se havia alguém naquele quarto mais cedo e me disseram que não, e se eu esperei oito anos, uma hora e meia não vai ser nada. – respondeu e viu Helena revirar os olhos.
Eu espero que ele valha a espera. – Helena murmurou e suspirou.
– Ele vale, Hele. Ou pelo menos eu espero que ainda valha.

Flashback on.
Estavam parados um frente ao outro na entrada da pousada. A mochila de jogada ao chão, as malas de em pé ao lado dele enquanto ambos se olhavam. Fazia pelo menos dez minutos que se encaravam e lhes faltava coragem para se abraçarem. Aquele abraço significaria que tinham que ir. Significaria que teriam de esperar oito longos anos para, talvez, se verem de novo. As incertezas e possibilidades assustavam aos dois. Se veriam de novo? Estariam lá na noite de ano novo dali a oito anos? Será que a vida mudaria muito durante esse tempo?
Haviam muitas perguntas e pouquíssimas respostas. Gostariam de ter mais do que apenas um talvez, porém não tinham e ficar parados ali não lhes traria respostas. E foi com esse pensamento que deu um passo em direção a e o abraçou apertado, sendo envolvida por ele. Segurava as lágrimas com toda sua força, não queria chorar afinal.
– Continue conquistando o mundo . – ela sussurrou e em seguida lhe beijou o rosto se afastando logo em seguida. Pegou a mochila do chão e virou as costas de modo apressado.
– Ei invasora de quartos. – ouviu a voz de a chamar e riu secando uma lágrima teimosa que caiu se virando para encara-lo.
Ele correu e quando chegou perto, segurou o rosto de entre suas mãos e selou seus lábios em um dos beijos mais intensos que haviam dado naquele um mês e meio. Quando o ar se fez necessário eles se afastaram. tocou a bochecha da garota com o polegar deixando um carinho ali.
– Te vejo em oito anos, . – ele sussurrou e ela assentiu pegando a mochila e dessa vez indo. Dessa vez sem olhar para trás.
Flashback off.

usava um vestido branco longo e fluido enquanto caminhava pela tal praia. Oito anos haviam se passado, mas a comemoração era muito semelhante a última. Havia um bar em um canto onde drinks e cervejas eram servidas. Pessoas circulavam por ali de um lado para o outro, conversavam animadas e apenas falavam da meia noite que se aproximava.
foi ao bar e pediu por uma cerveja e assim que a mesma foi entregue a ela, a mulher se encaminhou para onde ela e haviam ficado naquele ano novo. Próximos ao início das pedras no canto direito da praia.
Um frio cresceu na barriga dela. Havia pensado naquele momento por tanto tempo e agora estava ali finalmente. Esperando por . Fechando seus olhos ela conseguia ver os olhos dele naquela noite medindo cada centímetro de seu rosto. Se lembrava de como ele havia se aproximado devagar e depositado o primeiro beijo do ano de 2012 em seus lábios. Se lembrava da sensação de suas mãos afundando nos cabelos dele. Se lembrava do toque de em suas bochechas. Se lembrava do seu cheiro fresco. O cheiro de seu shampoo de hortelã.
A cada novo minuto que passava olhava em volta em busca de alguém que lhe parecesse conhecido, porém não viu. O coração ia ficando cada vez menor no peito conforme os minutos para a chegada do novo ano também diminuíam.
Quando a primeira chama colorida irrompeu no céu ela respirou fundo segurando o ar em seus pulmões. Mais alguns fogos estouraram no céu e quando o ar deixou seus pulmões finalmente ela constatou: ele não havia vindo. Apenas havia esperado por aquele momento e como imaginou, passaria aquela virada de ano sozinha. No fim estava certo:
Na realidade nem todo amor, ou paixão é para ficar. Às vezes apenas vem, fica um tempo, cumpre seu propósito e se vai.
Ela estava triste, mas sobreviveria. Se havia algo que havia aprendido nos últimos anos era que a pessoa mais importante na vida dela era ela mesma e por mais que doesse não ter alguém ao seu lado a dor passaria. Não ter ali, saber que ele não havia ido a seu encontro doeria por um tempo – talvez mais, talvez menos do que ela imaginava -, mas passaria e ela sobreviveria. Encontraria alguém algum dia, por que afinal queria ter alguém algum dia, mas não naquele momento, por que aquele momento havia sido reservado para e nada mudaria aquilo.
Não o culpava ou se sentia traída, não, definitivamente não se sentia. Não sabia o que havia acontecido com a vida dele naqueles anos, mas esperava do fundo de seu coração que ele estivesse feliz. Ele merecia, afinal havia lhe proporcionado uma imensa felicidade nos dias em que estiveram juntos.
Naquele momento enquanto os fogos terminavam de queimar ela agradeceu e pediu para que pudesse ter realizado tudo que tanto almejava e com o coração aliviado era o momento de ir.
Porém ao se virar para ir em direção a pousada, parado poucos passos atrás de um par de olhos intensos a encaravam e ela travou no lugar desacreditada do que via.
Ele estava mais velho, umas poucas rugas surgindo no canto dos olhos, mas com certeza era ele. Os cabelos dele estavam do mesmo tamanho, ou talvez uns dois dedos maior do que da última vez que se viram. A barba agora tinha mais pelos e lhe dava um ar mais adulto, apesar de não ser tão cheia. Ele usava uma camisa preta de botões com uma flor grande nela e nada era mais a cara de que aquilo. Continuava usando brincos e haviam mais tatuagens em sua pele. Havia mudado, porém de certo modo ainda era o que conhecera anos atrás.
E ela também havia mudado, além dos cabelos que haviam ficado menores, mais curtos que os dele talvez, havia ganho feições de mulher. Já não parecia mais uma garota. O corpo também parecia mais bem esculpido e as poucas espinhas que tinha haviam ido embora. Mas aqueles olhos ainda eram os olhos de sua , sabia.
Estavam ali afinal. Ambos estavam ali. Depois de anos ambos haviam decidido o que queriam então. Queriam um ao outro. Queriam mais do que apenas um mês e meio juntos e agora estavam preparados para ter quanto tempo quisessem. Estavam preparados para levarem um relacionamento que não machucaria nenhum deles. Estavam prontos para viver o amor que mereciam. Um amor leve.
Era amor. Souberam que era quando ouviram seus corações gritarem o nome um do outro, assim que colocaram seus olhos um sobre o outro naquela noite. Era amor quando perceberam que estavam ali mesmo apesar das tantas possibilidades de deixarem aquilo para lá e seguirem a vida. Era amor e por ser amor aquele sentimento havia sobrevivido neles por tanto tempo. Se amavam e agora que sabiam aquilo com tanta certeza cuidariam daquele amor.
– Ei invasora de quartos. – foram as primeiras palavras de e sorriu.
– Oi . – a voz era baixa, mas ele escutou e sentiu um arrepio tomar conta de si. Havia anos que não a ouvia dizer seu nome e não sabia o quanto havia sentido falta daquilo, até ouvir de novo.
– Eu te disse que te veria de novo em oito anos. – eles ainda estavam estáticos em seus lugares.
– Disse e eu acabei de perceber que você é muito bom em manter promessas, apesar de continuar péssimo com horários. – ambos riram e depois se encararam respirando fundo – Estou feliz que veio, . – ela sussurrou e ele sorriu.
– Eu sempre vou vir para você, .
E ele iria. Eles iriam. Sempre iriam de encontro um ao outro. Por que se pertenciam, não apenas por um mês e meio de verão, mas por uma vida inteira. E mal podiam esperar por essa vida que partilhariam.