03. Adore You

03. Adore You

Sinopse: Ela era a coisa mais adorável na qual ele havia colocado os olhos em toda sua vida e em um momento impulsivo, ele a chama para sair, com a certeza de que levaria um fora. O que aconteceria se ela o surpreendesse e aceitasse?
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Nenhuma.
Beta: Regina George

Capítulo Único

era a coisa mais adorável na qual ele havia colocado os olhos em toda sua vida.
tinha o cotovelo escorado na mesa, o queixo repousando na palma da mão aberta. Diferente de todos os seus colegas, ele não fazia anotações. E muito diferente de todos os seus colegas, ele não mantinha o olhar na professora. Não. estava ocupado encarando , uma de suas colegas na cadeira de História da América Latina. Estrategicamente, ele ocupava a última classe do lado oposto ao que sentava, para poder observá-la e admirá-la a distância. Tinha se apaixonado pela garota desde o primeiro dia de aula, mas sendo um atleta e ela uma “nerd”, os mundos deles eram diferentes demais para que eles tivessem qualquer contato. E pelo que sabia, nunca tinha saído com ninguém da faculdade e sequer conversava com os colegas que não faziam parte de seu círculo de amizade.
Sabia que ia contra todos os estereótipos ao ser um atleta que não era cheio de si e acreditava que todas as garotas se matavam por ele, mas ele não tinha muito o que fazer sobre sua personalidade. gostava de ser reservado, mesmo que aquilo o tornasse completamente invisível para . O que era quase cômico, já que na maioria das histórias entre atletas e nerds, a invisibilidade era sempre dos nerds. Mas ali estava ele, sendo apenas mais um que passava pela vida dela, enquanto ela era como uma estrela.
era uma presença vivaz dentro da sala de aula. Ela era a melhor aluna, lia todos os livros da cadeira, tinha tanta segurança ao fazer suas perguntas e constantemente estava participando das aulas com explicações e informações extras. Para alguns aquilo era irritante, já que ela era uma sabe-tudo, mas adorava vê-la erguer o braço e discorrer sobre os temas como se fosse a própria professora. Ela era inteligente pra caramba e aquilo era uma das coisas que mais achava sexy no mundo.
Eles estavam no meio de um seminário. Toda a turma tinha lido o mesmo texto e estavam discutindo os pontos importantes, um de casa vez. já tinha apresentado seu texto – de forma bem simples – e mais alguns colegas estavam discutindo antes da professora passar a palavra para .
– O autor aponta que a colonização da América foi uma consequência da expansão marítima e comercial europeia. Ou seja, os Estados Nacionais absolutistas, apoiados pela burguesia, não se lançaram ao mar em busca de novas terras. Buscavam novos mercados. Viviam uma transição do feudalismo para um sistema capitalista e vocês sabem que não existe capitalismo sem mercado. – Sua voz saiu alta e clara.
sorriu, seus olhos presos na forma como alguns fios do cabelo de se soltavam do prendedor e a deixavam com uma aparência mais desleixada. Mas de forma nenhuma ela deixava de ser bonita para ele. Seus olhos derramavam adoração por cada pedacinho de . O sorriso dela causava uma aflição em seu estômago e sentia que estava no paraíso quando a ouvia rir.
– Aqui começa o início da relação entre metrópole e colônia. E eu queria listar três pontos importantes: Um, essas colônias ibéricas eram economicamente deformadas porque elas existiam para alimentar o mercado externo. Dois, por não terem um mercado interno solidificado, eram dependentes do mercado mundial. Três, toda organização comercial era favorável a metrópole, ou seja, exportação barata, importação cara. Esse sistema era baseado em exclusivismo comercial, já que as colônias só podiam comercializar com a metrópole.
– E esse exclusivismo comercial tinha intenções mercantilistas, para enriquecer o estado. – Alguém completou e assentiu em concordância.
– Muito bom! – A professora sorriu e passou a palavra para mais um aluno, perguntando sobre as características que definiam o mercantilismo e desligou o cérebro mais uma vez.
Ao final da aula, ele guardou o material sem qualquer pressa e não percebeu quando ele fora o único a permanecer na sala. Fora , é claro. Ela já tinha puxado um livro da mochila e tinha recolocado os óculos de grau. Em nenhum momento ela pareceu perceber que ele dividia o ambiente com ela e suspirou, passando a mão pelos cabelos e seguindo para os corredores da universidade.

***

suspirou e passou as mãos pelos cabelos, voltando a torcer os lábios quando seus amigos soltaram mais uma piadinha sobre ele ser um bunda mole e não tomar coragem de chamar para sair. Na cabeça deles, não tinha qualquer chance de levar um fora e estava fazendo drama atoa, afinal “seria uma honra imensa para uma nerd sair com um atleta como ele”. Mas sabia que as coisas não eram simples daquele jeito. Seus amigos viviam em uma realidade onde o status de atleta ainda era importante como tivera sido nos anos escolares e não se davam conta de que eram jovens adultos e que as pessoas tinham outras prioridades.
Por exemplo, ele sabia que preferia fazer qualquer coisa antes de sair com um cara só porque ele era popular. Ou seja, ele não tinha chances.
Mas já estava cansado de ouvir as piadas dos amigos e por isso ele se levantou do banco que ocupava no refeitório e correu atrás de , que havia acabado de desocupar sua mesa e seguia para lado de fora do prédio. Não pensou no que iria dizer quando a encontrasse, nem mesmo sabia se conseguiria dizer alguma coisa. Mas correu e quando chamou pelo nome dela e se virou, ele se deu conta da merda que tinha feito por impulso.
ia reparar na existência dele pela primeira vez e acabaria sendo um idiota balbuciador e sem sentido.
– Sim? – Ela indagou com o cenho franzido e e achou adorável. Aquele vinco no meio de sua testa era algo que ele achava extremamente fofo, mas precisou se policiar para não babar e a encarar como um psicopata.
– Oi. – Respirou fundo e passou a mão pelos cabelos em nervosismo. – Você não me conhece, mas… temos História da América Latina juntos.
– Certo. – Ela assentiu. Tinha as mãos enfiadas no bolso do jeans e uma das pernas estava torta para que ela pudesse se apoiar. – Você precisa da matéria da última aula? Posso escanear e te mandar por e-mail. – Sorriu simpática e suspirou.
Como ele poderia não ser apaixonado por quando ela era incrível daquele jeito?
– Não, eu tenho a matéria. – Falou. – É que… eu queria te perguntar uma coisa.
– Ok.
– Sei que parece estranho e surpreendente, mas eu… meio que sou a fim de você há algum tempo. – Riu sem graça. – E acabei de ter um impulso maluco que me fez vir até aqui e sei lá, te chamar pra sair.
– Você quer sair comigo? – arregalou os olhos e moveu o olhar por dos pés à cabeça. – Você?
– É. – Mordeu o lábio inferior.
– Isso é tipo uma pegadinha de garotos bonitos? – Cruzou os braços em frente ao corpo. – Eu sei que sou bonita e etc., mas não sou o seu tipo de garota. – Declarou.
– Na verdade, você é muito o meu tipo. – sorriu. – Eu te acho incrível pra caramba.
– Tudo bem. – riu. – Ainda acho que somos incompatíveis, mas eu aceito sair contigo porque você é bonito e infelizmente eu tenho um fraco por garotos bonitos.
abriu um sorriso largo e puxou o celular do bolso, desbloqueando o aparelho e entregando para digitar seu número.
– Eu te mando uma mensagem para acertarmos os detalhes. – Prometeu e ela assentiu, dando as coisas para e seguindo seu caminho pelo campus. O garoto se permitiu uma risada incrédula e um pulo animado em comemoração.
Tinha um encontro com e precisava que tudo saísse perfeito.

***

O universo tinha resolvido ajudar e o dia havia amanhecido ensolarado e a previsão do tempo prometia um dia quente e sem nuvens. e não tinham trocado muitas mensagens, mas tinham decidido que visitar o Paraíso do Arco-Íris era uma boa ideia para um primeiro encontro. O parque de diversões visitava a cidade apenas uma vez no ano e tinha sempre muitas atrações diferentes, o que tornava a visita ao parque obrigatória em todos os verões.
estava usando jeans, camiseta e tênis. Tinha ajeitado os cabelos, passado um pouco de perfume e chupado uma bala de hortelã antes de sair de casa. Também tinha lavado o carro e arrancado um botão-de-ouro do jardim de sua mãe. frequentemente usava vestidos floridos e ele esperava que ela realmente gostasse de flores.
Mandou uma mensagem para avisá-la que estava em frente a sua casa e um segundo depois fechava a porta e caminhava em direção ao carro. Usando um short jeans e uma camiseta e se a peça não tivesse uma estampa divertida, ela e seriam um par de vasos naquele dia, já que até o tênis que usavam era do mesmo tom de chumbo. Sorriu quando ela entrou no carro, elogiando sua aparência e recebendo um agradecimento murmurado.
– Eu… peguei essa flor pra você. – Estendeu o botão-de-ouro para ela e sorriu largo, pegando a flor entre os dedos e colocando nos cabelos.
– Ficou bom?
– Incrível. – suspirou e ela o encarou, fazendo-o se perder completamente nos olhos de . Droga, por que ele tinha que gostar tanto dela?
Ligou o carro e manobrou o veículo para seguir em direção a avenida que os levaria ao centro da cidade. Entregou o celular para que escolhesse uma música e eles foram o curto caminho inteiro cantarolando The Maine, que haviam descoberto ser a banda favorita de ambos. Ao chegarem ao parque, abriu a porta para e ajudou a garota a descer do carro. Seguiram lado a lado para a bilheteria e após comprarem muitos ingressos e dividirem a conta – ele nem tinha insistido para pagar, já que fora firme em propor a divisão-, acompanharam a multidão para o meio do parque e optaram por ir nos brinquedos com a menor fila. confessou não gostar da montanha russa e eles decidiram evitar os brinquedos que não fossem do agrado de algum deles.
Enquanto pulavam de atração para atração, eles conversavam como se fossem melhores amigos há anos. Tinham mais gostos em comum do que esperavam, tanto por músicas quanto para livros, séries e filmes. Tinham a mesma vontade de viajar pelo mundo e o gosto duvidável por enfiar a batata frita no milkshake.
– Então… por que História? – indagou quando pararam na barraca de algodão-doce e ele pediu dois para o vendedor.
– Eu gosto de História. Quero trabalhar com pesquisa e não achei que fosse gostar de alguma outra coisa. – Deu de ombros. – E você?
– Quero lecionar. Tive os melhores professores de História do mundo na escola e quero inspirar os meus alunos como eles me inspiraram.
– É com educação que vamos mudar o mundo. – concordou. – Principalmente quando temos um asno na presidência.
– Nem me lembre disso que eu tenho vontade de chorar. – suspirou. – Não sei como é possível aquele cara ser o resultado de todas as coisas ruins do mundo.
– Né? – riu. – Às vezes eu acho que ele só pode estar de brincadeira, mas ele é burro e mau caráter daquele jeito mesmo.
– Você resumiu bem a minha opinião. – sorriu. Tiveram sorte ao encontrar um banco desocupado e sentaram lado a lado, com a perna esquerda embaixo do corpo virada na direção de , que tinha o cotovelo escorado no encosto do banco. Enfiou um punhado de algodão-doce na boca antes de voltar a falar. – Então, você nunca tinha reparado em mim antes?
– Não. – Murmurou em tom de desculpas. – Eu meio que não presto atenção em muitas coisas, principalmente em caras bonitos.
– Por quê?
– É mais fácil para não acabar apaixonada e sonhando com um cara que eu nem conheço e com quem nunca vou ter uma chance. – Deu de ombros. – Mas você me notou. Como? – O encarou com curiosidade e sentiu as bochechas quentes.
– Você é esperta e inteligente pra caramba. No primeiro dia de aula, eu lembro que você conversava com a professora sobre os temas que iriamos estudar ao longe do semestre como se já conhecesse o assunto e eu me perguntei se deveria ter estudado antes de iniciar as aulas. – Riu e ela o acompanhou. – Foi fácil te notar e mais fácil te observar, porque não sou o aluno mais inteligente ou mais dedicado da turma e sempre passo despercebido naquela aula. América Latina realmente não é a minha área, mas eu me esforço.
– Entendi. – Ela estalou os lábios pintados de vermelho morango. – É esquisito saber disso. – Confessou.
– Tenho certeza que sim, – riu. – Mas eu realmente adoro você. Não sou um psicopata nem nada, mas eu me divertia te observando de longe. Você não saia dos meus pensamentos nem quando eu tentava não pensar em você e eu tinha certeza de que você ia me dar um fora. – Riu.
– Sério?
– Aham. – Acenou em concordância. – Não acho que sou o seu tipo.
– Não é mesmo. Como eu disse, garotos bonitos normalmente não me chamam para sair. Ainda mais garotos bonitos como você, que normalmente se acham superiores e gostam que as garotas se matem e se arrastem por vocês. – fez uma careta.
– Talvez no ensino médio eu tivesse sido assim, mas agora… estamos na faculdade. – Murmurou. – Temos que crescer e deixar de ser idiotas em algum momento.
– Alguns nunca deixam. – riu e admirou a risada dela com um sorriso frouxo nos lábios. Era como um coral de anjos em sua mente, adorava a forma como ela fechava os olhos e suas bochechas arqueavam. Ela era adorável em cada pedacinho de sua existência. era uma maravilha sob o céu de verão e tinha certeza que terminaria o dia mais apaixonado por ela do que quando tinha acordado.
Terminaram de comer o algodão-doce e arrastou para o carrinho bate-bate, a roda-gigante e por fim, o karaokê. Eles cantaram juntos uma música animada da Katy Perry e deixaram o palco sob aplausos e risadas de sua performance desajeitada. Estavam abandonando a área musical quando a próxima música do karaokê começou a tocar e soltou um gritinho animado.
– Eu adoro essa música! – Ela exclamou, segurando a mão de e o puxando para que começassem a dançar.

Walk in your rainbow paradise (paradise)
Strawberry lipstick state of mind (state of mind)
I get so lost inside your eyes
Would you believe it?

 

You don’t have to say you love me
You don’t have to say nothing
You don’t have to say you’re mine

se movia de forma desordenada, balançando o corpo para os lados, sem soltar as mãos de . Sorria e cantava a música de forma animada e mesmo que não conhecesse a canção, acabou inspirado pela alegria de e se movia no ritmo, de forma tão desordenada quanto a dela.

Honey
I’d walk through fire for you
Just let me adore you
Oh, honey
I’d walk through fire for you
Just let me adore you
Like it’s the only thing I’ll ever do
Like it’s the only thing I’ll ever do

Abriu um sorriso ao se identificar tanto com aquela letra. Sem dúvidas, por aquela garota ele andaria pelo fogo. Queria ver aquele sorriso pelo resto de seus dias e queria continuar se encantando e adorando . Esperava que ela tivesse gostado dele o suficiente para aceitar outro encontro e que, no futuro, eles acabassem apaixonados e felizes. Se seus amigos lessem seus pensamentos, fariam piadinhas idiotas sobre ele soar como uma garotinha apaixonada, mas para , não havia problema algum em ser uma garotinha apaixonada. Não quando a sensação era tão boa e ele se sentia tão feliz.

Your wonder under summer skies (summer skies)
Brown skin and lemon over ice
Would you believe it?

 

You don’t have to say you love me
I just wanna tell you something
Lately you’ve been on my mind

Puxou para seus braços e ela o envolveu pelo pescoço, sem nunca deixar de se moverem no ritmo da música. pousou as mãos na cintura dela e apreciou as expressões que ela fazia ao cantar com tanta emoção. Era realmente uma boa música e tinha certeza de que se tornaria uma de suas favoritas apenas pela lembrança que ela envolveria.

Honey
I’d walk through fire for you
Just let me adore you
Oh, honey
I’d walk through fire for you
Just let me adore you
Like it’s the only thing I’ll ever do
Like it’s the only thing I’ll ever do

Tomado por outro impulso, segurou o rosto de com a palma das mãos e aproximou seus lábios. Manteve os olhos abertos, para garantir que não estaria forçando a nada, mas quando ela fechou os olhos e se colocou na ponta dos pés, ele sorriu e a beijou. E aquele beijo transformou seu estômago em um viveiro para borboletas nervosas, deixou suas mãos tremendo e seu coração batendo tão rápido que ele bem poderia estar sofrendo um ataque cardíaco.

Oh, honey
Just let me adore you
Like it’s the only thing I’ll ever do

Quando se separaram, respirou fundo e encostou sua testa contra a de . Abriu os olhos lentamente e a encontrou sorrindo e o encarando.
– Eu achei que viria para esse encontro e você seria um babaca presunçoso… mas agora estou aqui, adorando cada minuto desse passeio e esperando que possamos sair mais uma vez.
– Sem dúvidas nós podemos sair mais uma vez. Duas ou três. Até mais, se você quiser.
– Eu quero. – sorriu e a beijou outra vez, se perdendo nas sensações que apenas causava nele.