Bad Blood

Bad Blood

Sinopse: Suas famílias são inimigos naturais, aos quais que não poderiam ter se quer contato. Após de anos de relacionamentos a escondida, chega ao fim.
Como lidar com toda essa carga de uma relação como a deles?
Gênero: romance e drama
Classificação: +16.
Restrição: contém palavras de baixo calão, insinuações sexuais.
Beta: Bridget Jones

 

Capítulo Único.
 

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Band-aids não curam buracos de bala
“Eu irei me casar com Lily”. Os olhos negros como o breu encarava os verdes, enquanto encarava incrédula àquelas palavras.
Casar com Lily? Mas e eles? O mesmo deu as costas ao passo em que estava catatônica no ato, a chuva pingava sobre suas roupas, enquanto ela pouco se importou com isso.
Eu irei casar com Lily. As palavras ditas pareciam navalhas em seu corpo enquanto a mesma sentia a bile subir. Como assim? Por que ele iria casar com Lily se era com que ele dormia todas as noites? Que fodia contra a parede do quarto? Que deitava sobre o corpo dela? Que amava de todas as formas pecaminosas existentes? Por que ele iria dizer isso?
Ah, será que… Ele jamais a amou?
A primeira vez que o vira fora aos 10 anos de idade e naquele momento ela havia o odiado ao ponto de serem inimigos declarados.
Mas de inimigos se tornaram amantes, e de amantes a namorados secretos, mas todo mundo percebia a tensão entre eles.
Havia aquela conexão entre eles.
sempre estava em seus pensamentos mais impuros, com suas mãos sobre seu corpo, seus dedos acariciando sua pele, seus lábios trafegando sua pele pálida, levando toda a sanidade restante para a lua.
sempre pensava nele.
A última vez que o vira fora quando o mesmo lhe deu as costas numa noite de inverno, anunciando o casamento com a herdeira dos Brown.
Fazia exatos dez dias desde então. Dez malditos dias que não havia qualquer notícia dele lhe dizendo que aquilo era uma piada.
Que ele estava brincando com , mas não era.
Naquela mesma noite , que acreditava que tinha tudo… perdeu.
Ela havia perdido pela primeira vez na vida. Encarou a chuva caindo, enquanto o chá foi posto ao seu lado. Cada sentimento que tinha por a tornava menos racional a cada momento que passava, ao mesmo tempo em que pensava nas palavras ditas e reditas por eles.
Estava catatônica, os dedos fechando em punhos enquanto mordia o lábio inferior com força.
Inferno! Quem diabos era para fazer isso com ela?
. ?
A mulher ignorou prontamente a pessoa enquanto encarava a chuva, então mãos seguraram seu rosto, os olhos acinzentados fixos aos seus enquanto a mesma sentia as malditas lágrimas que evitava deslizarem por sua face.
Estava doendo.
Estava doendo para caralho! soluçou enquanto se jogou nos braços dele com o mesmo segurando seu corpo que tremia devido ao frio, a chuva que pegara e ao emocional instável.
Quem era para fazê-la chorar feito um bebê? Enquanto as mãos acariciavam suas costas pensou em se afastar dele, porém as mãos a prenderam no braço.
— Está tudo bem.
— Não está, . Não está.
— Vai ficar tudo bem.
Dentre todos os términos em sua vida, sempre lhe deixava cicatrizes, e aquela sempre esteve ali.
tinha que conviver com isso.

X
O convite chegara a sua mansão mais por mera formalidade.
Afinal, a família Brown era próxima dos e logo também estariam próximos dos . encarou o nome enfeitado de Lily e naquele convite, e sentiu o ódio inflamando em suas veias ao pensar no dito casal.
As flores brilhavam enquanto a foto se mexia. Como ela odiava aquele tipo de coisa. As vozes de seus parentes soavam parabenizando o enlace de ambos.
— Um casal feito nos céus.
A voz de sua terceira tia a irritou, então a mais jovem apenas se levantou ignorando os olhares dos mais velhos, apesar de seu avô William saber do que se tratava tudo aquilo.
Afinal, havia implorado para que ele lhe desse sua benção, permitindo que ela deixasse o ninho dos para se tornar uma . Havia dito que daria tudo que o mais velho desejasse.
Se quisesse uma criança para a dinastia ela daria desde que concedesse seu desejo de ser esposa dele.
sentiu o ar fugindo de seus pulmões. Aqueles quase 12 anos de relacionamento não valiam em nada para , que a deixou. As mãos estavam em sua costa enquanto o mais velho beijou sua testa e limpou as lágrimas traiçoeiras que desciam por sua face.
— A última vez que vi você chorar… Foi no aniversário de sua mãe quando tinha 10 anos.
— Minhas lágrimas não valem para ele?
Ela questionou, enquanto seu avô beijou sua testa, a trazendo para seus braços. novamente se sentia frágil demais, como um bebê recém-nascido.
— Se quiser, podemos matá-lo.
— Vovô!
— Tenho certeza que seus irmãos iriam trazer justiça a você.
Apenas beijou a testa da neta, enquanto limpou as lágrimas que desciam por sua face.
— Eu queimarei a mansão deles por você. Ninguém deve fazer minha princesa chorar.
William apenas segurou o rosto dela, percebendo que seus olhos favoritos estavam repletos de lágrimas.
— Vamos queimar a mansão deles.
Ela deu uma risada seca enquanto balançou a cabeça, ao passo em que o beijo de seu avô repousou em sua testa.
Eles eram inimigos naturais.

X

2010.

O relacionamento entre eles eram ruim.
Desde que estavam em Pendragon, o momento que se cruzaram, desde que… Suas famílias se odiavam profundamente e ninguém ousava contar tal história.
Mas lá estavam os dois, curiosos um sobre o outro e sobre os corpos. culpava os hormônios enquanto o beijo que roubou queimava seus lábios.
Ela queria mais.
Desejava mais quando esqueceu que estavam na escola, na biblioteca apinhada de alunos, enquanto seus lábios tocaram os deles novamente.
A sensação era queimante e viciante de tal modo que as mãos dele se fecharam ao redor de sua cintura.
“Eram adolescentes cheios de hormônios”, pensou , mas sabia que a curiosidade levava a outros lugares enquanto tomou seus lábios primeiro.
Aquele seria o vício mais pecaminoso em sua vida.
— Gostou do meu beijo, ?

sempre negou que tinha bons beijos, mas o então aluno dos Falcões possuía beijos que a levavam a caminhos em que o pecado era aceito.
A mulher suspirou enquanto permanecia jogada em sua cama, os pensamentos sobre o casamento variavam em sua mente, ao passo em que soltava o ar dos pulmões.
Talvez queimar a mansão deles não fosse ruim, mas sorriu ao sentir as mãos sobre suas costas enquanto a mais velha lhe dava um sorriso gentil.
— O que se passa nessa cabecinha, hm?
— Vovó.
— Se sua mãe estivesse aqui daria os conselhos, mas como não está e seu pai prefere que você vire uma Santa a se casar… – murmurou Thereza com pesar enquanto passou as mãos sobre os cabelos dela. – Soube que não quer ir ao baile, meu amor. O que houve? É sua tradição favorita no ano.
— Vai ser chato.
— Chato? Se a Srta. Delacroix ouvisse isso, ela surtaria.
— Mas a Cassie tem seus problemas.
Lembrou, enquanto apenas afundou sobre a colcha da cama.
está aqui.
suspirou enquanto encarou a avó.
— Dê uma chance a ele.
— Chance?
— Você me entendeu.
— Vovó, somos amigos de adolescência e colegas de trabalho.
Thereza apenas tocou na face de sua neta.
— Você é igualzinha ao William e não vê suas emoções, minha pequena.
Franziu o cenho ao passo em que Thereza deixou o quarto.
O que ela queria dizer com aquilo?

manteve um sorriso aberto e sincero enquanto olhava desconfiada para as sacolas em suas mãos.
— O que é isso?
— Bebida, algumas fotos do , álcool e isqueiro.
começou a gargalhar enquanto encarava , que sorriu para ela. O rapaz então indicou a pequena sacola, que jogou em sua direção.
— Vamos.

X
— Você provavelmente tem cópias disso, não é?
— Talvez. Não se preocupe.
Os dois estavam sentados no quintal enquanto a bacia queimava lentamente cada papel que era jogado por eles.
— Podíamos ter usado magia?
— E qual seria a graça?
Retrucou o amigo enquanto ela observava os papéis queimando e rindo, o álcool já estava fazendo efeito e colocou os braços ao redor dela.
— Podíamos ter feito magia.
— Nem começa. Como se sente?
— Obrigada.
— Disponha, milady.
Ele sorriu, beijando a testa dela.
— Você sente falta dele?
Hm, nosso relacionamento era ruim.
Admitiu enquanto ria. sentiu as lágrimas descendo por sua face, o que era ruim. Nenhum dos dois cedeu aos caprichos do outro, ninguém queria desistir de suas próprias ambições.
queria tudo e também, ambos não queriam perder nada.
E acabaram perdendo um ao outro.

2015.

apenas o encarou.
Uma expressão aborrecida pintava sua face. estava de mãos dadas com Olívia, a mesma mulher que vivia de gracejos com e boa parte dos rapazes solteiros. tentou conter a cara de mau humor que insistia em habitar sua face ao mesmo tempo em que a taça foi tomada de sua mão pela pessoa que sempre estava ao seu lado.
sorriu enquanto a puxou para uma dança.
— Melhor?
— Não.
— Você deveria estar feliz.
— Eu posso ser feliz?
— Você merece ser feliz, .
Beijou sua testa enquanto a mesma apenas se deixou levar pela melodia calma da música.

— Você e ele? É o meu primo!
— Não aconteceu nada. Diferente de você e da Srta. Olivia Urich.
Devolveu ácida enquanto riu.
— Eu fui obrigado, mas e você? Foi obrigada a dançar com ele? A deixá-lo te beijar?
— Ele beijou minha testa e isso se chama afeto. ALGUÉM pelo menos se importa com os meus sentimentos.
— Claro que se importa! Afinal, ele é apaixonado por você!
apenas chutou a parede enquanto o encarou séria, decidindo partir.
— Não vá.
— Isso está se arrastando, . Eu nem posso ficar com você em público por causa…
— Eu sei. Sinto muito.
Ele sussurrou, a puxando para seus braços.
— Eu irei resolver.

Ele não resolveu.
Aquilo se arrastou por mais três anos até aquele fatídico acontecimento. riu enquanto bebeu mais um whisky de salamandra, jogando mais uma foto de , mas a chama queimou levemente seus dedos.
E ela soltou um grunhido.
— Você está bem?
— Só meu coração que está partido.
Ela riu enquanto pegou a pomada da bolsa para curar corações partidos.
— Deve tomar cuidado.
— Hm, isso não é…
— Flor de algodão. Também serve para tratamento de beleza. Você precisa.
colocou no nariz dela enquanto a mesma riu e pegou um pouco do creme, colocando na testa dele.
— Você é mais velho.
— Ora, eu não…
tentava passar a pomada enquanto se mexia na grama.
— Você precisa mais do que eu.
— Não era eu quem estava chorando.
riu enquanto estava por cima dele, seus dedos sobre sua face, porém ela percebeu que a situação em si era estranha para ambos.
— Desculpe.
Sussurrou enquanto tentou se afastar, mas passou a ficar por cima dela, os olhos acinzentados.
— Eu não peço desculpas.
O beijo foi rápido e singelo enquanto a mesma encarava o homem beijar seu nariz e rir de sua expressão de frustração.
— Você quer que eu te beije?
Antes teria dito não imediatamente, porém ela sempre foi mais de ações do que palavras, então apenas o puxou para seus lábios.
Eles se chocaram e ela sentiu o cheiro de café que escapava dele. Em seguida a mesma sentiu as mãos ao redor de seu pescoço e um arrepio descendo por sua espinha, os lábios dele mordiam os dela com cautela e, ao mesmo tempo, cuidado enquanto a mesma se colocou acima dele, beijando lentamente seu rosto enquanto os lábios foram preenchidos e todas as aquelas emoções pareciam entrar em conflito.
Então o barulho soou, fazendo-a se afastar dele com o rosto vermelho enquanto segurava sua cintura.
— Eu…
— Não se arrependa. Hm, eu acho melhor eu ir.
A mulher o viu se levantar ao mesmo tempo em que ela segurava suas vestes.
— Fica.
. Eu não vou…
— Fica.
Ela pediu e se aproximou dela, encarou os olhos verdes fixos em si ao mesmo tempo em que sorria.
— Você bebeu, não deve ir assim. Fica.
Hm, tem outro motivo?
Ele sorriu quando torceu os lábios e beijou o canto da boca dele, fazendo-o se virar para ela com surpresa.
— Vai ficar?
— Com prazer.

X

2019.

Novamente ela estava sendo deixada de lado.
Apenas pegou a bolsa em cima da mesinha e deixou o bilhete sobre a cômoda. Não havia mais nenhum motivo para esperar por ele e sentiu toda aquela frustração de nunca ser prioridade para .
Sempre era deixada para depois. Encarou o relógio marcando duas da manhã e riu de sua própria ruína.
Ela não tinha mais nenhum orgulho.
Então aparatou no apartamento de batendo duas vezes na porta enquanto o homem, que usava apenas calça de moletom, arqueou as sobrancelhas para ela.
.
— Posso passar a noite aqui?
Perguntou insegura enquanto as malditas lágrimas desciam por sua face. Desde quando a fazia esperar tanto?
Ela o odiava ao ponto de ignorar todos os sinais de que eles deveriam dar certo, mas não davam.
se deitou irritada sobre o sofá e apenas se jogou ao seu lado. Aninhou-se ao homem, que havia vestido uma camisa, e sentiu uma colcha ser jogada sobre ambos.
— Eu estou aqui.
Ele era cheiro de lar.

suspirou, os beijos se tornaram mais frequentes, assim como os toques e palavras ditas por eles enquanto os meses que se passaram tornavam-se felicidade.
Ela sempre pensou em felicidade com .
Ele estava em seus pensamentos.
sorriu para ela enquanto a mesma encarava o vestido preto com os lábios pintados de vermelho sangue e os cabelos devidamente arrumados em um coque com poucos fios soltos.
— Eu não quero ir.
— Você quer sim. Deixe de chilique, sim? Você está maravilhosa.
beijou seu rosto, sorrindo, e a mesma revirou os olhos com isso, respirando fundo.
— Se eu quiser fugir…
— Eu fugirei com você.
Sussurrou no ouvido dela e a mesma se virou para ele com uma expressão aflita.
— Promete?
— Prometo.

As pessoas comentavam em cochichos baixos e palavras ácidas. se encolheu diante daqueles tipos de comentários.
“Ela ficou 10 anos com ele”, “viviam as escondidas, a família dele não a aceitou” até que sentiu o beijo sobre seus lábios.
!
— Hmm, eu queria sua atenção para mim.
Todos os observavam desde sua entrada até segurar sua cintura e beijar sua face.
— Eu gosto de você sorrindo. Vamos dançar?
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o casal já estava ali. Lily tinha os olhos cor de âmbar, cabelos castanhos caindo por suas costas e fuzilava o então primo.
— Lily quer dançar com você. Permite, Srta. ?
O tom usado era jocoso e cheio de um quê de imprudência, então sorriu e apertou os dedos ao redor dela, sussurrou em seu ouvido.
— Se não quiser, não vou.
— Seria falta de decoro, .
Sussurrou de volta, os lábios tremendo enquanto ele beijou sua mão.
— Eu voltou.
Os dois saíram, mas manteve as mãos longe da cintura dela.
— Eu não esperava que viesse.
— Por que eu não viria?
— Ainda com raiva?
— E você não estaria?
riu enquanto manteve as mãos no bolso. Os dois eram orgulhosos demais e ele suspirou.
— Se eu pedir desculpas… Voltaria para mim?
franziu o cenho. Desculpas? Ela se virou para ele, que a encarava sério, e apenas balançou a cabeça.
— Você irá me amaldiçoar?
— Eu deveria certo, mas… Por ele eu não o faço.
— O que ele tem haver com isso?
virou-se para ele e então sorriu. foi pego com a guarda baixa, pois enquanto levava Lily pelo salão, sem tirar os olhos de , que sorria ao observar de um jeito que jamais havia sorrido para ele.
— Porque ele ainda ama você. É a família dele, .
— Eu queria voltar no tempo.
— Coisas terríveis acontecem quando você tenta mudar o tempo – murmurou virando-se para ele com os olhos fixos nos dele – Você a ama?
— Lily, eu não….
— Você a ama, certo?
apenas respirou fundo.
— Eu amo as duas, mas Lily me traz paz e você me deixa louco.
— Oh, então você a ama. E o suficiente. Seja feliz, .
apenas percebeu a mulher se afastar enquanto segurava a aliança em suas mãos, apertando e sussurrando baixo.
— Mas era você com quem eu queria me casar.

X
trazia paz.
Era o suficiente e encarou a própria fortuna. Os dez anos com traziam tristezas, paixão e imprudência.
tinha afeto por ele, mas não era amor.
Aquele sentimento não era nada comparado ao que causava nela desde o início. Encarou o carro e seguiu para sua casa, permanecendo deitada sobre o ombro dele.
Era simples, fácil e sem complicações aquela relação.
era fácil de amar. conteve a emoção enquanto sentiu as mãos sobre as suas.
— Você está bem?
— Claro. Por que não estaria?
Ela sorriu para ele, roubando o beijo de seus lábios.
Sua relação com era perigosa, viciante e doentia, mas sua relação com era fácil, também viciante, porém saudável de um jeito que ela amava. Era calma, mas tempestuosa, além de haver sentimentos que nenhum dos dois conhecia, mas a cumplicidade estava ali.
Havia segurança nos braços de .
Ela amava , mas ainda tinha buracos de balas em seu corpo e precisava de tempo antes de dizer a ele sobre o que sentia.
E esperava que ele sentisse o mesmo.

Fim.
Nota da autora: A pp é minha xodó, apesar de ela ter sido traumatizada, fiz Bad Blood numa experiência pessoal e eu espero que vocês se identifiquem com ela tanto quanto eu.
Com amor,
Lysse <3