betty

Sinopse: Após cinco meses e algumas tentativas falhas, James está pronto para dar o seu último tiro no escuro. Será Betty capaz de perdoa-lo?
Gênero: Romance
Classificação: 14 anos – palavras de baixo calão.
Restrição: CONTINUAÇÃO DE WHITE HORSE – É necessário a leitura da primeira parte chamada White Horse para que o entendimento do enredo seja melhor.
Beta: Olivia W.Z

 

Cinco meses depois.

Algumas coisas na cidade estavam mudadas. Algumas casas reformadas e outras sendo construídas, mais algumas lojas abertas, mais crianças correndo pelas ruas, mais adolescentes jogando futebol.
Mas o riso e a imagem de ainda assombravam cada canto daquela cidade, em um aviso explicito de que ela era real, e que ainda estava por ali em algum lugar.
Ao contrário do que todos pensavam, depois do incidente que correu por toda a pequena cidade, e foram para a mesma faculdade. O garoto tentou falar com ela a trancos e barrancos, mas antes da terceira tentativa, a garota fez questão de mudar de sala e ignora-lo categoricamente.
Ele não queria pressupor nada, mas tinha uma quase certeza de que era por causa dele.
Era como se nunca houvessem se conhecido.
Dois estranhos.
Dois fantasmas.

Exceto pelas lembranças involuntárias que ambos eram tragados quando o olhar se encontrava no refeitório ou em um dos corredores, perto dos armários, que por coincidência ou não, eram um em frente ao outro. também tentara trocar esse fator, mas não teve sucesso, de forma que quase diariamente, o verde encontrava o azul.
Azul aquele que não tinha resquícios de um ar apaixonado, mesmo que o verde esmeralda se mostrasse despedaçado em arrependimento.
Havia cinco meses em que seguia tentando arduamente. Fins de semana os traziam sempre de volta para onde tudo começou, os levando para casa, para o aconchego da família no interior.
sabia que o aniversário de seria naquele sábado, e que haveria uma festa, mesmo não sendo um dos convidados.
Passar pela frente da casa de também era uma tortura. O remetia a memórias dos dois rolando na grama, brincando de agua enquanto fingiam molhar as plantas do jardim. Remetia também a momentos de amassos na picape, na garagem enquanto os pais da garota estavam entretidos em fazer o jantar…
Daria tudo para voltar no tempo.
Mas por que ele fez isso então? – você me pergunta.
Um jovem que estava amando incondicionalmente. Para ele, aquilo o assustou de uma maneira irrefreável, de forma que queria saber se realmente amava a garota de cabelos loiros e olhos da cor do mar, ou se só estava acostumado a tê-la por perto.
A resposta eventualmente veio, no décimo terceiro dia de acampamento, após dormir algumas noites ao lado de Inês, uma garota que sempre se mostrou louca por ele. Ela estava lá, de prontidão, querendo esclarecer as duvidas do rapaz e ajudar a sua mente nublada.
Logo após o feito, o peso veio. Veio e ficou, permanentemente. Ele podia ouvir a voz de todas as noites, perguntando-lhe o porquê de tudo aquilo, de toda aquela sujeira, de toda aquela traição.
Poderia ter sido mais cuidadoso para que os amigos que estavam no acampamento não soubessem; sim, poderia. Mas quando se viu a nove dias longe de , e se sentia tão dependente, que não importava o tema da conversa, a cabeça dele estava presa nela, na mulher dos seus sonhos, isso o apavorou, fazendo-o aceitar o que tinha ali, em uma tentativa fula de provar que não a amava tanto assim e que era só mais um amor de escola. No final, ele soube que estava errado, mas não havia muito o que fazer a não ser aceitar a penitência.
O skate do jovem parou no salão onde seria a festa. Era em frente a casa da garota, de forma que ele apenas sentou no jardim e ficou encarando a grama com o pequeno embrulho em mãos.
Sim, havia comprado um presente. Pode soar cara de pau, mas era o mesmo presente de cinco meses atrás, o que daria como presente de três anos.
Abriu a caixinha, encarando o anel solitário. Iria pedi-la em noivado, no exato dia do aniversario de namoro. Sabia que eram jovens, recém descobrindo a vida, e por isso as duvidas vieram a tona; todos dizem que namoros de escola não devem durar e que normalmente acabam junto com o ensino médio.
A multidão adentrava o espaço e parecia alheia ao corpo esguio sentado na grama.
Perguntavas rondavam a cabeça do rapaz, de forma involuntária;
E se ele entrasse? Se aparecesse na festa dela? Ela iria recebe-lo? Diria para ele ir se foder, como fez incontáveis vezes durante os cinco tortuosos meses? Ou sentaria com ele no jardim, como fizera tantas outras vezes durante os três anos juntos? Acreditaria se ele dissesse que foi apenas um caso de verão?
Perguntas. Inúmeras perguntas mas sem nenhuma resposta evidente. O único remédio era arriscar.
E foi com esse encorajamento repentido que tomou um impulso para levantar, adentrando o salão de festas, decorado fielmente ao estilo .
Ouvia a música favorita da garota soar, e a roda de multidão que se formava ao redor da pista de dança quase o fez querer desistir.
Mas ainda era só quase.
A próxima coisa que seus olhos verdes brilhantes e esperançosos viram, foi com quem a sua garota estava dançando.
Bem, ela não parecia tão sua quando estava nos braços de outro cara. Um cara da faculdade, a quem ela entregava risos e sorrisos. Estava feliz.
Foi o tiro de misericórdia. Sabia que teria uma chance de arruinar a festa da garota, então recuou seus passos, voltando para o jardim. Esperaria a festa acabar se fosse preciso. Esperaria a noite toda, mesmo o medo de ser rejeitado estando presente até a fundação de seus ossos.
Seria a ultima vez que a procuraria, não poderia ficar perseguindo-a durante toda a vida, então aquele seria, definitivamente a ultima vez em que tentaria. Não por ele; por ele, continuaria tentando até que ela estivesse cansada o suficiente para não conseguir pronunciar o “vai se foder” e dissesse que estava tudo bem só por piedade. Mas desistiria por ela. Porque sabia que aquele jogo de gato-e-rato não ajudaria em nada na reconstrução do amor e da confiança por ele.
A noite toda demorou mais do que ele pensara. Havia formado vários discursos e varias maneiras de iniciar o que queria dizer enquanto as pessoas da festa se dissipavam. No fim, a garota saiu, deslumbrantemente em seus saltos e em seu vestido que, mesmo sendo delicado, a fenda na perna esquerda e o cumprimento do mesmo faziam questão de brincar com os olhos.
Por falar em olhos, não demorou para que ambos se localizassem.
logo se pôs de pé, largando os tufos de grama que estava remexendo durante a espera.
Todos os olhos ali pareciam surpresos, inclusive o de , que hesitou, mas se aproximou, fazendo um sinal para que os amigos esperassem.
Verde no azul.
Ali ele teve mais esperanças ainda. O olhar dela não era rígido como era nos últimos meses. Aquela ainda era a sua , e aquele olhar entregava tudo.
Deus, como ele estava com saudades! Como ele a amava!
O quanto havia imaginado aquele reencontro não estava nem descrito. Havia imaginado tantas vezes em ir embora e deixar aquela ideia maluca de lado, enquanto finais paralelos se criavam em sua cabeça; ela passando de carro por ele, dizendo que sentiu saudades durante todo o verão e encerrar a noite dormindo ao lado dela.
Mas a ideia maluca estava irresistível naquele momento.
Sorriu discreto, sem mostrar os dentes e estendendo o presente para a garota, que aceitou calada, admirando a joia solitária que estava ali.
, olha, eu sei que você deve estar entediada com as minhas tentativas de falar com você mas eu… Eu quero me redimir. — pediu, olhando-a. Sabia que a plateia de amigos estava bem atrás dela, mas não ligava. Se era preciso que ele se humilhasse, ele o faria. — Eu me fiz várias perguntas mas todas as repostas é só você quem pode me dar. Sim, eu apareci na sua festa. Você quer que eu vá embora? Quer que eu fique? Você vai me amar? Vai me beijar na frente dos seus amigos idiotas? Se você fizer, vai ser como eu imaginei nas trezentas horas em que fiquei aqui te esperando? Isso vai ser o suficiente para consertar o que se quebrou?
Despejou, vendo a garota retirar o olhar do anel e olha-lo. Não conseguia decifrar aquele olhar. Não sabia se ela realmente iria se atirar contra o pescoço dele e beija-lo apaixonadamente, como sempre fizera, ou se daria um tapa em sua cara. Era totalmente indecifrável.
— Olha, eu realmente me prometi que não insistiria mais nisso caso a sua resposta seja não ou um sonoro tapa na minha cara. — disse, dando um riso fraco e abaixando o olhar. — Eu sou apenas um adolescente que fez merda e que está tentando remendar como pode. Eu tenho apenas dezessete anos, eu não sei de nada. A única coisa que eu sei é que eu sinto sua falta.
Continuou, evitando olhar a garota, que poderia já ter decidido entre ama-lo ou mata-lo.
— Você sabe que eu sinto a sua falta. Então vou perguntar uma vez e eu espero muito que a sua resposta seja sim, porque eu te amo pra caralho. Era o meu presente de três anos… — explicou, voltando a encarar o olhar impenetrável enquanto se ajoelhava. — … Minha querida , você quer se casar comigo?
Naquele momento, até o vento pareceu se calar. Parecia que nenhum ser vivo respirava ou se atrevia a fazer movimentos bruscos.
Naquele momento, era só e .
O azul no verde.
Cabia somente a ela decidir se queria esquecer tudo, ou se queria realmente deixar o príncipe de cavalo branco para trás e seguir para o seu happily forever after sozinha.

… you know I miss you.

FIM… Ou não.

Nota da autora: OK! OK! Primeiro de tudo, não me matem pelo final… É um final alternativo. Eu nunca fui traída, não sei qual o sentimento então não poderia trazer isso assim para vocês. Não quero que quem já passou por essa situação se sinta mal por perdoar ou por não ter perdoado. Cada história é uma e essa foi a da Betty, que esta em aberto para vocês verem que tudo tem dois caminhos, mas que no final vai ser sempre um final feliz, estando você acompanhada ou não.
É isso, espero que tenham gostado e não me odeiem, ok?
Ps.: Não, eu não sou Haylor shipper, mas eu não consegui imaginar a Betty e o James como outras pessoas que não fossem o Harry Styles e a Taylor, ok? Me perdoem por isso também haha
All the love, L.
Xx.