02. Black and White

02. Black and White

Sinopse:Black and White, conta a história de um amor que marcou profundamente a vida de Niall Horan. Ambos se conheceram em Milão, durante a semana de moda das coleções de primavera/verão, os dois acabaram se aproximando quando Antonella se mudou para Los Angeles, local onde Niall e Harry moravam na época, as coisas se desenvolveram tranquilamente, até todos foram pegos de surpresa com uma notícia que mudou a vida de Niall completamente.
Gênero:
Romance, Restrita.
Classificação: 18 anos.
Restrição: Os meninos são fixos. Niall é o personagem principal. A personagem principal é interativa.
Beta: Thalia Grace.

Capitulo Único

Amore? bateu na porta do estúdio e abriu a mesma lentamente, colocando apenas a cabeça para dentro do cômodo. — Desculpa atrapalhar.

— Você nunca atrapalha. — coloquei o violão no pedestal e me levantei para ir até ela.

— Já estou saindo, ok? — ela vestia um dos seus vestidos largos floridos que eu adorava, combinava tanto com ela, ultimamente não saía do seu corpo.

— Mas o ensaio não são três horas da tarde?

— Preciso passar no mercado antes, até eu chegar lá já deu a hora. — ela deu de ombros.

— Tudo bem. — segurei a sua cabeça e beijei a sua testa. — Vai com cuidado. Te amo.

— Também te amo. — ela ficou na ponta dos pés e me deu um selinho rápido, em seguida deu as costas e seguiu pelo corredor.

Eu fechei a porta e voltei a me sentar no sofá. Estava escrevendo as músicas do novo álbum. Tinha travado em uma letra e não sabia muito bem o que escrever, olhei para a porta novamente e em seguida para o caderno, rasguei a folha e coloquei o caderno sobre o colo. Como não tinha pensado em escrever isso antes?

• 4 anos atrás •

O almoço estava marcado para onze e meia da manhã, Harry e Liam estavam atrasados, enquanto eu e Louis esperávamos eles na recepção do hotel. Tirei o olhar do celular e olhei para o menino na minha frente que tinha os braços apoiados nos braços da poltrona e cabeça jogada para trás, seus olhos escuros me impediam de saber se estava acordado ou cochilando. Meus olhos encontraram a tela do celular novamente, eu rolava o feed do twitter com o polegar. A noite passada tinha resultado em milhões de directioners levantado a tag #1DMilan, nós tínhamos sido convidados a fazer um show juntos para um desfile da Versace, já que acontecia a semana de moda. Várias fotos, gifs e vídeos estavam sendo compartilhados em tempo real, até me divertia com as gracinhas que as fãs postavam.
— Acorda Louis. — Liam levantou a palma pra dar um tapa na testa de Louis, porém o menino segurou o pulso de Liam, que abaixou os óculos para olhá-lo.

— Você ainda não aprendeu com o mestre aqui.

— Vocês estavam fazendo o que com essa demora toda? — perguntei bloqueando a tela do celular e enfiei no bolso.

— Eu estava tendo o meu momento de rei. — Harry fingiu colocar uma coroa na cabeça e em seguida enfiou as mãos no bolso da calça marrom.

— De novo? Ontem você ficou meia-hora no banheiro Harry! — Louis olhou para ele incrédulo.

— O que eu posso fazer se meu intestino é regulado? — ele deu de ombros se mostrando inocente.

— Vamos logo, eu estou com fome. — levantei da poltrona colocando a mão da barriga.

— Antes de irmos vamos encontrar com Maya. — Liam respondeu seguindo conosco para a saída.

— Então oficializaram? — Louis chegou perto do menino, passando o braço ao redor do seu pescoço. — Por isso você não voltou com a gente pro hotel. — ele abriu um sorriso malicioso.

— Ainda não… — Liam coçou a testa por um momento. — Você não larga mesmo do meu pé, depois reclama sobre Lilo. — ele falou de modo bem enfático a última palavra.

— O que foi fazer no quarto de Liam, Louis? — inclinei o tronco para frente, olhando para ele com uma das sobrancelhas levantadas.

— Vai se foder, Niall. — Louis fez uma careta e todos rimos juntos, alguns minutos depois Liam encontrou com a sua suposta namorada, ela nos esperava na frente da catedral. Nosso hotel ficava em torno de uns dois minutos andando.

Maya conversava com uma menina que estava de costas para mim, diferente de Maya, ela usava um vestido que ia até as canelas, florido com rosas brancas pequenas com o fundo azul claro e extremamente leve, quando o vento batia no seu corpo, a peça de roupa e seus cabelos davam um ar de leveza para menina, como a amiga, ela usava saltos, mas mais delicados, brancos com algumas tiras envolta do pé. Assim que nos viu, Maya acenou e veio na nossa direção, eu nem prestei atenção nela e em Liam, meus olhos ficaram vidrados na menina, ela se virou para nós assim que Maya foi de encontro com Liam, seus olhos eram verdes e ela tinha uma beleza tão natural.

— Pessoal, essa é a . . É uma amiga, chamei ela pra almoçar conosco. — ela sorriu e voltei o olhar novamente para, agora, .

— É um prazer conhecê-la. — Harry, como sempre educado, foi o primeiro a cumprimentá-la, apertando sua mão.

— O prazer é meu. — ela abriu um sorriso discreto, mas encantador, apertando a mão de Harry. Tinha algo de diferente no seu tom de voz.

— Você é italiana? — deduzi pelo seu nome. — Tem um sotaque diferente.

Antes que ela pudesse responder, fomos surpreendidos por paparazzis, droga, por um momento tínhamos esquecido disso. Não poderíamos demorar muito tempo em lugares abertos.

— Galera, corre. — Louis falou, correndo de volta para o caminho que tínhamos vindo, não eram poucos paparazzis, na verdade eram muitos, provavelmente o nome do hotel que estávamos hospedados tinha vazado e como era muito próximo da catedral, eles tinham nos encontrado. Se fosse um ou dois tínhamos dado um jeito mais tranquilo de despistá-los, mas com a nossa apresentação na noite passada, a mídia já estava cogitando uma possível volta da banda.

Eu peguei a mão da garota que olhou para os lados meio perdida e a puxei junto da gente, para que também corresse, ela sabia muito bem usar saltos, porque ela seguia o nosso ritmo na corrida. Harry tinha parado um dos carros no meio da pista para nos dar abertura para passar. Passamos pela calçada desviando de algumas pessoas e ao chegar na frente do hotel, passamos pela porta giratória e entramos na recepção, respirando aliviados e os seguranças foram para o lado de fora do hotel, eles já tinham sido avisados sobre a situação. Eu olhei para a menina que ria de tudo aquilo, eu ainda segurava sua mão. A mesma me soltou e olhou para mim, como ela conseguiu o emprego de modelo? De saltos ela ficava do meu tamanho, e sem? Claro, sua beleza era algo surpreendente, mas achava que a altura também contava.

— Já passou por isso antes? — perguntei olhando para menina que recuperava o fôlego.

— Não. É a primeira vez. — seu inglês era muito bom, mas dava pra perceber o sotaque o italiano. — E si, sono italiano. — um sorriso se formou no meu rosto, era delicioso escutá-la.
— Como vamos sair pra almoçar agora? — Harry perguntou, passando a mão pelos fios castanhos do cabelo, olhando para a porta de entrada.

— Vocês podem utilizar a porta dos fundos, já pedi para que o manobrista levasse o carro de vocês para lá. — um funcionário interveio na situação, provavelmente era o recepcionista, parecia que o reconhecia dali.

— Poderia nos ajudar, por favor? Às vezes eles exageram. — Harry suspirou alto, se referindo aos paparazzis.

O funcionário do hotel concordou de bom grado e fez sinal para que o acompanhasse, os seis foram atrás do homem que passou por uma porta de serviço. Dei uma breve olhada para trás e parecia estar entretida com a conversa que estava tendo com Maya e Liam. Ela parecia um pouco sem graça, podia reparar pelas suas mãos que passavam no vestido repetidas vezes. Só tinha um problema: estávamos em seis e o carro cabia somente cinco. Quando saímos pela porta dos fundos da cozinha do hotel, o carro alugado de Louis já estava ali nos aguardando.

— Merda, como vamos agora? — Louis olhou para nós meio perdido.

— Maya vai no meu colo. — Liam falou passando o braço no ombro de Maya, que concordou.

— Ok, eu vou na frente então. — Harry abriu a porta do carro e sentou no banco do passageiro, enquanto Louis entrava no lado do motorista. Maya e Liam entraram em um lado do carro, em seguida e eu.

— Qual a probabilidade disso dar problema? — ela comentou com um sorriso divertido no rosto.

— A probabilidade é grande, darling. — Harry comentou, batendo sobre o porta luvas do carro. — Vamos Louis! Ou você esqueceu como se dirige um carro?

Louis ignorou o comentário do menino e girou a chave do carro na ignição, pisando fundo no acelerador, o corpo de todo mundo foi impulsionado para frente, inclusive o meu, porém como estava com as mãos apoiadas no banco, meu corpo não sofreu tanto, diferente de Styles que praguejou algum xingamento depois de sua testa quase bater no porta-luvas.

— Você ficou louco?! — ele gritou.

— É pra você calar a boca, na próxima vez você vai bater essa sua testa grande de verdade. — Louis revirou os olhos, voltando a dirigir com decência, Harry mostrou o dedo do meio para ele e colocou o cinto.
— Desse jeito vocês vão assustar a garota. — eu me referia a menina ao meu lado, que balançou a cabeça negativamente.

— Está tudo bem, eu dirijo tão mal quando o Louis. — ela comentou rindo, com toda certeza ela estava zoando o nosso motorista.

— Olha só, viu, até ela está tirando sarro de mim, seu bando de idiotas. — ele bufou, curvando uma esquina. — Gostei de você. — ele retirou uma mão do volante e fechou a mão, colocando-a para trás, bateu seu punho no dele e ficaram quites.

Depois de alguns minutos, finalmente conseguimos estacionar em algum lugar, observando várias vezes se iríamos conseguir sair do carro sem que um flash nos atingisse, as vezes gostaríamos de ter um pouco de privacidade, não era atoa que Harry só postava o instagram sobre seus shows. O restaurante ficava um pouco longe do hotel, então acredito que não iríamos ser incomodados ali.

Entramos no restaurante que eu tinha feito a reserva, pedi desculpas pelo imprevisto das duas novas convidadas, porém a mulher não se incomodou e nos levou para uma mesa de seis cadeiras em um local mais reservado do restaurante, dessa maneira eu conseguiríamos ficar mais confortáveis. O garçom entrou o cardápio para cada um de nós e se retirou, deixando seu serviço à disposição.

— Então, , você trabalha com a Maya? — Louis perguntou, se ajeitando na cadeira de madeira, a mesa era em formato redondo, eu estava ao lado de , depois Liam, Maya, Louis e Harry.

— Tecnicamente não, nos conhecemos de alguns trabalhos. — ela olhou para Maya, que concordou com a cabeça. — Eu geralmente desfilo para a Dolce & Gabbana, nos conhecemos em um desses trabalhos e podem me chamar de , meu nome é um pouco grande. — ela sorriu gentilmente.

— Você é um pouco pequena para ser modelo, né? Sem ofensa. — riu, colocando a mão na frente da boca, para não chamar atenção.

— Realmente, eu tenho 1,68 de altura. Minha mãe me ajudou a virar modelo, ela é diretora de arte da empresa a qual trabalho, minha altura não é das melhores, mas dizem que meu rosto compensa. — ela deu de ombros, fechando o cardápio e colocando-o ao lado do prato.

— E você mora em Milão? Ou só está de passagem? — eu perguntei sem tirar os olhos do cardápio.

— Eu morava aqui, mas minha família é de Piemonte, vou me mudar para Los Angeles depois que a semana de moda passar.

— Eu e Harry moramos lá, se quiser um tour… — eu comentei e ela olhou para o lado, concordando.

— Se a quantidade de paparazzis que seguiram a gente hoje seguirem vocês individualmente, não vamos conseguir nem chegar do outro lado da cidade.

— Eu posso dar um jeito nisso. — pisquei um olho para ela e a mesma sorriu, concordando colocando uma mecha do cabelo atrás da orelha.

— Seria ótimo!

— Já escolheram o que vão comer? — Liam perguntou com os braços cruzados, com as costas encostadas na cadeira.

— Eu não sei o que metade dessas coisas significam. — fiz uma careta frustrado. — O que é vongole?

— São mariscos. — inclinou o corpo para o meu lado, dando uma espiada no menu. — Spaghetti alle vongole. É uma delícia, é mais comum de encontrar na Campânia.

— Campânia? — Louis levantou uma das sobrancelhas confuso.

— Sim, é uma região da Itália, lá em mais comum de encontrar esse prato por ser do litoral.

é praticamente uma guia turística. — Maya sorriu, levantando a mão discretamente para o garçom. Quando o mesmo se aproximou, todos entregaram o cardápio, deixando apenas um sobre a mesa.

— Eu vou querer um desse aqui. — Louis pediu, apontando para algum tópico do menu.

— Um Spaghetti Von… Vong… — eu estreitei os olhos tentando pronunciar a palavra.

— Dois Spaghetti alle vongole. — pronunciou o nome do prato e deu uma piscadinha para mim, o que me fez sorrir.

— Isso! — concordei balançando a cabeça.

— Um Tartare. — Harry pediu, pegando o celular em seguida.

Maya e Liam pediram um prato que eu não fazia a menor ideia pela pronúncia dela. Enquanto esperávamos os pratos, conversamos sobre algumas situações que passamos durante a carreira com os paparazzis, agora era mais difícil de acontecer, mas ainda era um pouco incômodo. respondeu mais algumas perguntas sobre o país que nasceu devido a curiosidade de Louis, entre outros assuntos. Quando meu prato chegou, eu olhei estranho para .

— Você não disse mariscos? Porque tem conchas no meu prato? — perguntei, levantando uma das sobrancelhas já com os talheres em mãos.

— Niall, não acho uma boa id… — escutei falar ao meu lado enquanto tentava retirar o marisco da concha com o garfo e faca, porém, o garfo escorregou da concha e a mesma saiu voando para a mesa ao lado, caindo no chão ao lado do pé de algum outro freguês. Todos acompanharam a concha voando, parecia em câmera lenta, todos seguraram o riso, inclusive , que colocou as mãos sobre a boca, segurando-se para não rir alto.

— Você é um idiota. — Louis revirou os olhos com um breve sorriso no rosto, enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.

— Isso não é escargot! — deu um leve tapa atrás da minha cabeça e olhei feio para ela.

— Ai! — resmunguei, passando a mão na região que a mão dela tinha batido.

— Eu gostei dela. — Louis comentou, fingindo tirar um chapéu da cabeça.

— Vou te ensinar como se come. — ela pegou um marisco com a mão e olhou para mim pelo canto do olho, para ver se estava prestando atenção. — O marisco é cozido e durante esse processo ele abre, então você tem que chupar. — ela comeu o marisco de dentro da concha e descartou a mesma em um recipiente extra que o garçom deixou. — Nisso, é só intercalar entre o marisco e o macarrão, que tem praticamente o mesmo gosto devido o processo da receita.

— Até eu fiquei com vontade de comer agora. — Liam falou, olhando para mim, que ainda tinha um ponto de interrogação no rosto.

— É realmente uma delícia. — Maya comentou, enrolando seu macarrão no garfo. — Não pedi novamente porque comemos essa semana, esse prato é o segundo favorito de , por ela, comia todo dia.
concordou levando um pouco da comida até a boca. Eu coloquei o marisco na boca e ao sentir o gosto da comida, estranhei, não era um gosto muito comum, mas depois de algumas garfadas acabei gostando do prato, tinha um gosto… peculiar.

— Gostou? — ela perguntou, virando-se para mim.

— Eu prefiro bangers and mash, mas… é gostoso. — concordei, levando mais uma garfada de macarrão para a boca.

— Bangers and mash é o melhor prato que você vai comer na vida. — Harry concordou.

— Um dia temos que fazê-la comer, é tão suculento. — Louis parecia sonhar com o prato.

— Eles estão exagerando, é gostoso, mas não é isso tudo. É linguiça com purê de batata. — Liam deu de ombros.

— Vocês estão dizendo que linguiça e purê de batata, ou melhor bangers and mash… — ela pronunciou tentando imitar nosso sotaque. — é melhor que esse prato? — levantou as sobrancelhas, apontando para a comida na sua frente.

— Sim! — eu, Louis e Harry respondemos em coro.

— É um absurdo, vocês estão loucos. — ela riu, balançando a cabeça negativamente.

— Isso porque você ainda não experimentou.

— Um dia eu vou comer e dizer com toda a certeza que o meu vongole é muito melhor. — ela falou convencida.

Pedimos algumas sobremesas conversando sobre os pratos típicos da nossa cidade natal, pagamos a conta e nos levantamos da mesa, rumo a saída.

— Nos vemos semana que vem? — Maya perguntou, puxando Liam para o canto para conversarem melhor enquanto eu e os meninos simplesmente esperávamos os dois junto de .

— Pede o numero dela. — Harry me cutucou com o cotovelo no momento que estava no celular.

— Você ficou louco? — eu olhei para ele que simplesmente me empurrou na direção da garota, fingindo que nada tinha acontecido. levantou a cabeça e me encarou.

— Desculpe, eu me desequilibrei. — foi a pior desculpa que pude dar para justificar o empurrão de Harry.

—Tudo bem. -— ela concordou. — Acho que nos despedimos aqui, né? Foi um prazer conhecer você e os meninos. Vocês são bem divertidos!

— Se você quiser, eu posso te mostrar alguns lugares de Los Angeles, estava falando sério mesmo… — falei, passando a mão pela nuca meio sem graça com a situação.

— Você quer anotar meu número? — ela perguntou, tombando a cabeça para o lado sem parar de me encarar com aqueles olhos verdes, eram tão claros…

—Claro! — concordei, pegando o celular do bolso. Ela citou os números do seu telefone e eu anotei, salvando seu nome em seguida.

— Pode me passar o seu também? Vai que eu preciso de alguma coisa, se não se importar… — ela deu de ombros balançando o corpo de um lado para o outro.

— Eu não negaria isso. — abri um breve sorriso e ela me deu o celular para que digitasse o número, coloquei meu nome como “Niall Vongole” e devolvi o celular para ela. A mesma abriu um largo sorriso e Liam voltou para perto de nós.

— Vamos, ? — Maya se aproximou de nós dois e ela concordou, ajeitando a bolsa pendurada no ombro.

— Tchau meninos, obrigada por me receberem bem! — ela acenou para os meus amigos logo atrás de mim, com um sorriso.

—Tchau, , foi uma prazer conhecê-la! — Harry acenou de volta

— Espero que da próxima vez você dirija. — Louis riu também, devolvendo o aceno.

— Até mais, Niall Vongole. — ela virou-se para mim e deu um passo na minha direção, tombou um pouco a cabeça para o lado, deixando um beijo na minha bochecha. Em seguida se virou e foi atrás de Maya, que já estava saindo do restaurante.

— Que diabos foi aquilo, Niall? Se não fosse por mim, você nem ia pegar o numero dela. — Harry revirou os olhos.

— E você quase me faz trombar na garota. — eu revirei os olhos, enfiando o celular no bolso.

— Deixem ele, pessoal. — Liam revirou os olhos, passando o braço por cima do meu ombro, rumo a saída. — Vamos embora, Niall Vongole. — ele falou em tom de deboche e todos os meus amigos riram pela zoação. Idiotas. Pelo menos eu tinha conseguido o número dela.

— O que você tanto olha nesse celular, Niall? — Harry perguntou, sentado no outro lado da bancada da cozinha, ele tinha passado para deixar o jogo de videogame que tinha emprestado.

— Nada. — respondi, dando um gole na cerveja.

— Como tá a ? — ele perguntou, levantando uma das sobrancelhas, apoiando o pé esquerdo no joelho da outra perna. Eu bufei e coloquei as mãos na beirada do balcão. — Você não mandou mensagem pra ela?! Já fazem duas semanas!

—Harry praticamente gritou.

— Eu não sei oque mandar! Eu não sou que nem você que manda mensagem no outro dia. — revirei os olhos.

— O que é completamente normal! — ele levantou da mesa de jantar, vindo até a bancada. — Deixa de ser idiota e manda a mensagem logo. — ele pegou o meu celular e esticou o braço na minha direção. —Melhor, já sei o que você vai fazer. — Harry colocou o meu celular em cima da mesa e retirou o dele do bolso.

— Harry, não começa cara.

— Cala a boca. — ele murmurou com o celular dele no ouvido. — Me dá um papel e uma caneta logo. — o menino bateu a mão no balcão, impaciente. Bufei e puxei uma das gavetas da cozinha, onde deixava só algumas coisas que não eram bem utensílios de cozinha. Coloquei o bloco de papel e uma caneta na frente do Harry, que conversava com alguém no telefone. Segundo depois ele anotou um endereço no papel e desligou o telefone.

— Oque é isso? — levantei uma das sobrancelhas confuso.

— É onde a está morando. Você não tem uma desculpa agora, é praticamente aqui do lado. — ele levantou da cadeira deixando a garrafa de cerveja em cima do balcão. — Mais tarde me fala como foi, tenho umas coisas pra fazer agora.

— Beleza. — respondi olhando o endereço em cima do balcão, segundos depois a porta da frente bateu. Merda. Eu não ia na casa dela assim do nada.
Joguei o papel com o endereço no lixo e peguei o celular em cima do balcão indo até a sala. Não iria me intrometer assim, indo diretamente no endereço dela. Sentei na poltrona e apoiei os braços nos joelhos, abri a caixa de mensagens e digitei o nome de . O que eu mandava? Depois de alguns segundos encarando o celular, bufei e encostei as costas na poltrona, nunca tinha acontecido isso antes. Escutei Alba miar e virei o rosto para a gata que estava deitada no tapete branco, balançando o rabo.

— Preciso pensar em alguma coisa, Alba. — mordi o lábio inferior voltando a olhar para o celular. Ok. Vai ser fácil.

“Ainda tenho tempo pra te levar pra conhecer LA?”

Enviei a mensagem e coloquei o celular sobre a coxa, levando as mãos na cabeça. Será que ela iria me responder?

“Achei que fosse esperar mais duas semanas pra mandar essa mensagem.”

O celular vibrou minutos depois e senti como se tivesse levado um soco no estômago.

“Desculpe. Não sabia oque te mandar.”

“Um “Oi, .” seria ótimo! Mas tudo bem, se o passeio for bom eu posso te perdoar.”

“Nesse caso eu já estou perdoado 😂😂 Posso passar aí duas da tarde?”

“Ok! Estarei pronta! Vou te mandar o endereço😘”

13:55. Eu estava com o carro estacionado na frente do endereço que ela tinha me mandado. A casa era protegida por grades de cor preta, a casa parecia ter dois andares e era em tons de preto com cinza, bem moderna com vidros na frente. Alguns segundos depois o portão menor abriu e saiu da porta principal vindo na direção do carro. Ela vestia um macacão de cor preta que prendia na sua cintura, definindo mais a sua silhueta, o macacão não ia até os pés, parecia que ela tinha dobrado as barras mais para cima, também calçava tênis branco. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo e usava óculos de grau delicados.

Me desencostei do carro e ela sorriu ao passar pelo portão.

— Calça preta combina com você. — ela me cumprimentou com dois beijos na bochecha, me pegando um pouco de surpresa, não estava acostumado com esse tipo de cumprimento.

— Obrigado. — dei um sorriso discreto olhando para as minhas roupas. Eu estava com uma blusa branca, calça preta com um rasgo em cada joelho e tênis branco. Além de boné preto e óculos de sol. Abri a porta do passageiro para ela e assim que a mesma se sentou fechei a porta e dei a volta no veículo, entrando no lado do motorista.

— E pra onde você vai me levar? — ela perguntou virando o rosto na minha direção.

— Em vários lugares, na verdade o que eu puder, por isso hoje estou equipado. — apontei para o meu rosto.

— Ah, agora faz todo sentido o boné e o óculos. Realmente não tem como te reconhecer muito. — ela inclinou o cabeça para o lado para me olhar melhor e fez um aceno positivo. — Fica difícil mesmo.

— Como foi a mudança? — perguntei sem tirar o olhar da estrada. De Bervelly Hills até Los Angeles ficava em torno de trinta minutos.

— Foi normal. A casa não é minha, já vem mobiliada, então só precisei trazer algumas caixas com as coisas que tinha. Ainda tenho muita coisa pra desencaixotar, mas aos poucos eu faço isso. — ela deu de ombros.

— O que você não tem de altura, tem de preguiça. — balancei a cabeça negativamente.

— HEY! — ela me empurrou levemente, o que me fez rir. — Eu não sou preguiçosa.

— Sei… — olhei para ela pelo canto do olho e ela cruzou os braços ainda me encarando. — Vou fingir que acreditei. Você tem algum animal de estimação?
— Sim! Um lulu da pomerania. O nome dele é Nico. E você?

— Uma gata, achei ela na rua em Londres, isso deve ter uns seis anos. O nome dela é Alba.

— Também gosto de gatos, mas acho cães mais carinhosos. — ela deu de ombros.

— Você parece ser carinhosa mesmo. — olhei para a menina rapidamente e ela sorriu, pude perceber que ela ficou um pouco sem graça. — E qual a sua cor favorita?

O restante do percurso foi assim, perguntas e respostas, dessa maneira eu poderia conhecer ela melhor, tanto ela me conhecer melhor também. Descobri que sua cor favorita é rosa-claro, ela come praticamente de tudo, até pedra se bobear. Ela gosta de lugares quentes, mas frios também, tenta manter um equilíbrio. Já pulou de paraquedas. Sua família inteira mora na Itália e parece que é uma família bem grande. Ela não gosta muito de exatas, tem o lado artístico mais apurado, principalmente para desenhos e pinturas. E eu percebi que o sorriso dela é realmente bonito, é algo que você consegue admirar por horas.

— Chegamos! — parei o carro em uma vaga no estacionamento e retirei o cinto junto dela. A menina saltou do carro e olhou ao redor.

— Mas onde estamos? — ela perguntou confusa.

— Vem logo. — peguei a mesma pelo pulso e a arrastei comigo até a entrada do local. — Primeira parada, Aquarium of the Pacific! — falei, apontando para a entrada que tinha um chafariz com dois golfinhos com plantas ao redor, além de vários coqueiros.

— Estou conseguindo ler daqui, Niall. — ela olhou para mim pelo canto do olho.

— Queria fazer uma apresentação impactante.

— Foi realmente bem impactante. — ela riu da minha cara e seguimos juntos para dentro do aquário. Passamos pela porta principal e enfiei as mãos nos bolsos da calça, deixando-a olhar com calma os peixes.

— Esse daqui é fácil de imitar. — ela arregalou os olhos e fez bico com a boca, ficando ao lado do peixe que estava do outro lado do vidro. Eu não consegui me conter e dei uma leve risada.

— Você não vai acreditar em como ficou igual. É a sua cara.

— Qual peixe você acha que seria? — ela perguntou sem tirar os olhos do aquário.

— Acho que um Zanclus.

— Eu acho que não tem nenhum peixe que combina comigo. Acho que seria uma arraia.

— Por que? — perguntei me colocando ao seu lado para observar as água-vivas.

— Elas parecem serem tão calmas e bonitas. — eu virei o rosto para o lado e abri um sorriso discreto, enquanto a observava.

— Sim, elas parecem serem calmas e bonitas.

— Pra onde vai me levar agora?

— Você vai ficar perguntando todos lugares que eu vou te levar mesmo? — perguntei enquanto saia do aquário junto dela, indo na direção do estacionamento.

— E qual o problema? Vai que você resolve me sequestrar.

— Não vou contar, já falei que são surpresas. E pra que eu iria querer te sequestrar? — perguntei, cruzando os braços.

— Sei lá. Você pode ser um maníaco e ninguém saber. — ela riu.

— Engraçadinha. — fiz careta para ela, que riu novamente e começou a dar pulinhos ao meu redor.

— Se eu fosse chata, hoje não estaríamos aqui.

— Talvez. — mostrei a ponta da língua rapidamente para ela que devolveu o mesmo gesto, ficando de frente para mim e andando de costas.

— Que lugar bonito… — sussurrou assim que passamos pela entrada da Biblioteca Huntington. — ela parecia paralisada, apenas os seus olhos mexiam.

— Viu, eu disse que você ia gostar. — falei me inclinando para frente, próximo do seu ouvido. — Vem, tem mais flores para ver.
— Eu gosto da arquitetura oriental. Você não sente uma paz quando vê? — ela virou o rosto na minha direção.

— Mais ou menos. — passei a mão pela nuca, tentando entender o sentimento que ela havia tido. — Eu acho bonito, mas não sei se sinto isso. — ri em tom baixo e ela me olhou feio. — O que?

— Nada, fica quieto. — a menina colocou a mão sobre a minha boca e em seguida voltou a andar pelo jardim. O dia estava bonito, o céu estava claro e quase não haviam nuvens no céu.

— Deve dar trabalho cuidar disso tudo.

— Também acho, são muitas flores. — respondi, apoiando os antebraços na ponta vermelha em que estávamos. — Qual flor você mais gosta?

— A maioria pra ser sincera. — ela riu baixinho. — Não tenho uma flor específica. Cada uma me remete uma sensação. A rosa me lembra amor. O girassol me lembra alegria, liberdade. A tulipa me lembra carinho, algo do tipo. Então cada uma tem uma sensação.

O parque era um pouco grande, então iria bater certinho com a hora que estava planejando levá-la para o terceiro e último lugar. Conversamos sobre a nossa infância, ela disse que parte da família dela era do interior da Itália, então lembrar da infância remetia as vinhas, que são as plantações de uva. Quando era pequena sempre gostou de comer doces, então comia escondida nessas plantações para os avós não verem. Quando finalmente terminamos de conhecer o parque, voltamos para o local a onde tinha estacionado o carro.

— Não vai me perguntar aonde vamos agora? — perguntei, colocando o cinto.

— Não. — ela balançou a cabeça negativamente.

— Bom, então devo avisar que é a última parada por hoje.

— Então pelo visto vamos ter outros passeios? — ela estreitou os olhos.

— Se você quiser, sim. — dei de ombros acelerando o carro.

— Até o final do passeio eu te dou uma resposta. — ela sorriu discretamente, mudando o som do carro da minha playlist para o rádio. Estava na metade da música I Really Like You, da Carly Rae Jepsen. — Eu adoro essa música. — ela fechou o punho, fingindo ser um microfone, e começou a cantar.

”I really, really, really, really, really, really like you
And I want you, do you want me, do you want me, too?

— Eu não vou cantar. — balancei a cabeça quando ela colocou o microfone imaginário na minha frente. Ela tombou a cabeça para o lado olhando-me decepcionada e eu acabei cedendo.

I really, really, really, really, really, really like you

Ela voltou com a mão para perto dela e continuou a canção, dessa vez nós dois cantávamos. Pra ser sincero estava sendo bem divertido. Passamos o trajeto todo assim, cantando as músicas que passavam na rádio, inclusive uma do One Direction que tínhamos lançado no começo do ano, antes da banda entrar em hiato.

Quando finalmente cheguei na praia de Santa Mônica, estacionei o carro em uma rua mais calma e saltei do carro com .

— Vamos andar um pouquinho até chegar ao píer. — avisei colocando as mãos no bolso da calça e ajeitando o boné.

— Tudo bem! — ela concordou andando ao meu lado. — Não está com medo de ser reconhecido?

— Um pouco, mas só pelo fato de possivelmente estragar o seu passeio.

— A gente pode tentar ir em outro lugar.

— Nem pensar. Quero que veja o pôr do sol, é um dos melhores lugares para observar. — balancei a cabeça negativamente, ir em outro lugar não era uma opção. — Mas você também está começando a ficar conhecida, não sente um frio na barriga?

— Até que não. — ela riu fraco. — As pessoas não lembram tanto de modelos, geralmente as mais conhecidas são casadas com famosos ou então desfilaram para a Victoria Secret’s, ou fizeram uma propaganda de uma marca muito famosa. Eu acabei de sair de Milão, é muito difícil me reconhecerem. Fora que meu rosto me faz parecer ser muito mais nova do que sou.

— Você tem 21 anos, né? — perguntei, olhando para a menina que concordou com a cabeça. Realmente, quem a observava rapidamente parecia que tinha uns 16 anos, o rosto pelo menos, sua pele era macia e sem espinhas e ela me parecia tão… serena.

De repente ela diminuiu o passo e fixou seu olhar mais a frente, quando virei o rosto para olhar, um sorriso discreto se formou no meu rosto, o sol já estava se pondo e o pier de Santa Mônica estava mais a frente, a roda-gigante já estava acessa, e o céu inteiro parecia ter sido pintado em tons amarelo, laranja e azul.

— Só tinha visto esse píer por fotos. Pessoalmente é tão mais… impactante.

— Você precisa concordar que eu sou um bom guia. — falei colocando meu rosto na sua frente, tapando a vista. Ela me encarou por alguns segundos e suspirou sorrindo.

— Tudo bem, eu concordo com você, mas só dessa vez. — ela deu uma piscadinha e pegou a minha mão, correndo em direção da areia. O pier estava cheio, como sempre, mas ela decidiu ir para a praia. Quando chegou na metade do caminho, ela soltou a minha mão e retirou os sapatos, correndo na direção da margem.

—Deve estar gelada. — avisei a menina que nem olhou para trás, também retirei os sapatos e sentei na areia, colocando a jaqueta jeans em cima do tênis branco. Quando a água tocou os seus pés ela fez uma careta, fazendo-me soltar uma risada. Porém, continuou molhando os pés, enquanto observava o pôr do sol. Apoiei os braços nos joelhos, já que minhas pernas estavam dobradas.

— Você vai ficar ai? — ela olhou para trás, fazendo sinal para que fosse até ela. Eu me levantei e caminhei calmamente até a menina, quando a água tocou os meus pés, senti um arrepio passar pelo meu corpo. — Que careta é essa, Niall?

—A mesma que você fez minutos atrás. — ri passando as mãos pelos braços.

— Não foi tão feia como a sua.

— Você que pensa. — respondi, dando um peteleco na sua orelha.

— Hey! — ela me olhou brava e deu alguns passos para trás, a mesma deu um pulo de volta para o lugar espirrando água para todos os lados, principalmente em mim. Inclinei o tronco para baixo e joguei água na menina com a mão, fazendo-a gritar enquanto ria.

— Você acha que vai sair impune, não é? — falei, jogando mais água na sua direção.

— Vamos ver quem vai ficar mais molhado. — ela começou a revidar, jogando água na minha direção com o pé. Eu estava ficando bem mais molhado que ela, por isso acabei correndo de volta para a areia. Ela voltou correndo na minha direção rindo, sacudindo o macacão preto, para retirar o excesso de água.

— Você está perdendo o pôr do sol! – falei apontando para o céu. Ela se virou para encarar o céu novamente e permaneceu em silêncio, apenas observando, meu olhar intercalava entre o céu e ela que estava na minha frente, os dois, levemente molhados. Ela suspirava as vezes, mas na maioria tinha um sorriso discreto no rosto.

— Obrigada. — ela falou depois de alguns minutos em silêncio.

— Pelo o quê? — perguntei ainda olhando pelo céu.

— Pelo passeio. — ela virou-se para me encarar e eu abaixei o olhar na sua direção. — E sim, vamos ter outros passeios como esse.

— Não vou esperar duas semanas pra te chamar dessa vez. — ri ajeitando o boné preto.

— Eu acho isso muito importante. — ela sorriu, pegando o seu tênis da areia, o sol já tinha sumido praticamente. Peguei as minhas coisas sobre a areia e coloquei a jaqueta sobre os ombros da garota, enquanto andávamos de volta para o carro.

— Obrigada novamente, Niall. — ela respondeu antes de sair do carro.

— Não precisa me agradecer. — balancei a cabeça negativamente, com um dos braços apoiados no volante. — E leva a jaqueta, outro dia você me devolve, está fazendo um pouco de frio,

— Tudo bem! Até outro dia. — sorriu e se inclinou rapidamente na minha direção, dando um beijo na bochecha. Em seguida deu as costas e saiu do carro, indo até o portão da sua casa. Quando a menina entrou na residência acelerei o carro e segui para a minha casa. Eu tinha um sorriso bobo no rosto, e sentia meu corpo se arrepiar por conta da roupa molhada.

Você não foi na casa dela naquele dia? — Harry praticamente gritou no outro lado do telefone.

— Como eu iria ir na casa dela assim do nada? Preferi mandar mensagem. — dei de ombros enquanto escolhia uma roupa para ir jantar.

Então tem duas semanas que vocês estão saindo?

— Praticamente, alguns dias não dá porque eu tenho compromisso ou ela, hoje vamos sair pra jantar.

Uma vez na vida você tinha que fazer alguma coisa certa. — Harry riu do outro lado do telefone.

— E você que não mandou mensagem pra Amanda, ainda quer falar de mim. — revirei os olhos pegando o cinto da gaveta.

São situações diferentes. — ele bufou.

— Você é um idiota. Pede desculpas logo pra ela. Preciso ir. — desliguei o telefone e joguei o celular em cima da cama para trocar de roupa, tinha saído do banho alguns minutos atrás.

Tinha marcado de encontrar as oito horas da noite, dei uma olhada no espelho novamente e ajeitei o cabelo, estava um pouco nervoso, era a nossa primeira noite juntos, sempre saímos na parte da manhã ou da tarde. Tinha escolhido uma camisa preta normal, porém dobrei as mangas e uma calça quadriculada cinza e sapatos pretos.

Sai de casa faltando cinco minutos para as oito, quando cheguei na frente da cassa dela, me esperava na sua porta principal. Ela vestia um vestido de renda branco e saltos do mesmo tom, seu cabelo estava solto e parecia mais ondulado, quando ela entrou no carro, reparei que não usava muita maquiagem, o que realmente chamava atenção era o batom vermelho.

— Você está linda. — falei olhando para a menina dos pés a cabeça.

— Obrigada. — ela sorriu mostrando seus dentes perfeitos. — Você também está bem elegante.

— Bom, eu preciso sair a sua altura né. — falei, ajeitando a camisa que estava por dentro da calça. Ela riu.

— Aonde vamos jantar? — ela perguntou, colocando o cinto.

— No The Bazaar. — respondi colocando a chave na ignição.

— Como você conseguiu reserva?

— Digamos que eu liguei pra lá na quinta e arrisquei que você pudesse sair hoje.

— Até que você é esperto.

— Não vamos entrar nesse assunto novamente. — eu balancei a cabeça negativamente e ela riu.

Assim que chegamos no local, dei o braço para ela que agradeceu entrelaçando seu braço ao meu e entramos no estabelecimento, nossa mesa era um pouco mais reservada do que as outras, para que pudéssemos ter privacidade. A atendente deu um cardápio para cada e se retirou.

— Você já veio aqui antes? — perguntei olhando para ela por cima do cardápio.

— Não, é a primeira vez, mas já escutei que é um lugar muito bom. — a menina mordeu o lábio e estreitou os olhos enquanto lia o menu.

— Como foi a sessão de fotos ontem? — perguntei fechando o cardápio e colocando ao lado do meu prato.

— Quase fui atropelada por um carro, mas tá tudo bem. — ela riu baixo. — Fotografamos no meio da rua. Você conseguiu se encontrar com os produtores?

— Consegui, mas ainda não sei oque vamos fazer. — suspirei alto, apoiando as costas na cadeira.

— Vai dar certo, você vai ver, só não se estressa com isso que vai ser pior, não vai conseguir pensar. — ela fechou o cardápio e colocou sobre a mesa.

— Não quero atrapalhar o nosso jantar com isso também. — o garçom voltou para próximo da nossa mesa para realizar os pedidos e em seguida saiu.

— Quando vai ser a sua próxima viagem mesmo?

— Semana que vem, vamos para o Hawaii. — ela bateu algumas palminhas. — Estou animada pra conhecer as praias de lá.

— Quero um cordão daqueles de flo… — antes que pudesse terminar a frase, uma menina se aproximou da mesa com cautela. Ela parecia ter uns quinze anos.

— Licença, desculpa incomodar, de verdade, mas você é o Niall, não é? Niall Horan. — seus olhos pareciam brilhar, olhei para que também encarava a menina.

— É ele mesmo! — ela concordou com um sorriso de canto.
— Ai meu Deus! — a menina levou as mãos até o rosto, animada. — Você pode me dar um autógrafo, por favor? — ela pediu, estendendo um guardanapo e um caneta que eu não fazia ideia de onde ela tinha conseguido.

— Claro. — abri um breve sorriso. — Qual o seu nome?

— Anna!

Com o guardanapo na mesa e a caneta na mão, escrevi um breve recado para a menina e a devolvi, ela agradeceu e se despediu, voltando para a sua mesa.

— É impressão minha, ou essa foi a primeira vez que você foi abordado comigo? — perguntou pensativa.

— Foi a primeira vez, sim. — concordei.

— Ela estava morrendo de vergonha, tadinha. — a loira na minha frente riu.

Nossos pratos chegaram minutos depois. tinha escolhido peixe e eu um nhoque. Em seguida comemos a sobremesa e após terminar o vinho, saímos do restaurante rumo a casa dela. Tínhamos ficado cerca de quatro horas no restaurante conversando sobre assuntos diversos, era sempre bom jogar conversa fora com , apesar de às vezes também tocarmos em assuntos sérios.

Quando estacionei na frente da sua casa, também saltei do carro para acompanhá-la até o portão.

— Niall, não precisa me acompanhar, é sério.

— Claro que precisa, olha que horas são! Vai que alguém aparece. — insisti, ficando ao seu lado do portão enquanto ela procurava as chaves.

— Você é um teimoso mesmo. — ela riu enfiando a mão dentro da bolsinha azul que tinha levado. Ela suspirou alto e olhou para o céu procurando a paciência que ela tinha perdido naquele momento.

? — seu nome saiu em meio um sussurro, seus olhos verdes encontraram os meus e ela levantou as sobrancelhas esperando que eu continuasse a falar. Levei a minha mão até o seu pescoço e aproximei meu rosto do dela, tocando meus lábios levemente sobre os seus. Ela tinha cheiro de lavanda, era o cheiro que eu queria sentir todos os dias. passou seus braços ao redor do meu pescoço e com a mão livre puxei seu corpo para mais perto do meu, seus lábios tinham dado abertura para a minha língua entrar na sua boca e explorar cada cantinho com calma, sua boca estava com gosto de morango devido a bala que tinha pegado no porta-luvas do meu carro. Depois de alguns minutos ela afastou seu rosto do meu e sorriu.

— Mais duas semanas para me beijar? Virou regra? — ela riu discretamente.

— Não exatamente. — respondi, dando um sorriso ladeado.

— Você quer entrar? Não queria que fosse embora, a noite está tão boa… — ela fez uma expressão triste.

— Tem certeza que quer que eu entre? — perguntei encarando seus olhos e ela balançou a cabeça, finalmente retirando as chaves de dentro da bolsa. Eu fechei o carro pelo alarme e ela pegou a minha mão, me puxando na direção da porta principal da sua casa.

Assim que ela empurrou a porta, olhei ao redor, a casa era linda, com móveis em tom de cinza, branco e preto.

— A casa não parece muito comigo, mas foi a única que achei pra alugar por aqui, futuramente pretendo me mudar de novo. — ela riu. colocando as chaves sobre uma mesinha perto da porta.

— Por que? Não acha que combina com você? — perguntei, retirando os sapatos.

— Porque eu sou mais clássica, não moderna igual essa casa. — ela deu de ombros, mexendo os dedos depois de ter tirado a sandália.

— Bom, eu não entendo muito disso, mas já que está falando…

— Mas é claro que você não entende. — ela veio na minha direção, envolvendo seus braços no meu pescoço enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro me encarando. — Niall Horan entender sobre casas? Ai seria o fim da picada.

— E por que eu não entenderia de casas? — perguntei, segurando sua cintura com as mãos.

— Porque você entender de casas é a mesma coisa que você sair da música para trabalhar em um circo.

— Engraçadinha. — fiz uma careta pra ela, que riu e ficou na ponta dos pés para me dar um beijo. Ela segurou a minha camisa e puxou meu tronco para baixo, enquanto me beijava. Naquela noite, parecia que eu tinha uma coisa extremamente valiosa nas mãos, era uma sensação que eu não sabia muito bem como explicar, eu só conseguia sentir.

• Seis meses depois •

— Você comprou tudo isso? — arregalei os olhos ao ver a quantidade de compras no porta-malas do carro. — É só um churrasco, amor.

— Mesmo se for só um churrasco as pessoas tem que sair daqui entupidas de comida, não quero ninguém reclamando de fome comigo. — ela resmungou, abraçando duas sacolas de papel rumo à cozinha. Segundos depois segui com a mesma quantidade de sacolas atrás dela.

— E vocês vão ficar sentados aí? — perguntei para os meninos que jogavam videogame na sala.

— Já falei com Liam, mas parece que ele está vidrado. — Maya respondeu revirando os olhos, ela também estava ajudando a pegar as compras, já que tinha saído com .

— Ah, merda. — Louis resmungou ao ver que tinha perdido para Liam. Em seguida ele se levantou eu foi até a garagem para pegar o restante da compra.

Tínhamos marcado um churrasco com alguns amigos nossos há um mês atrás pra encaixar na agenda de todo mundo. adorava socializar com as pessoas e ela sentia falta de ficar com todo mundo reunido, então ela mesma organizou todo o churrasco no final da tarde. A sorte era que estava um dia bem ensolarado.

Depois do almoço deixamos algumas coisas preparadas como os bifes que iriam para a grelha, Maya fez salada de batata, enquanto Louis fazia alguns espetinhos de carne e de verduras para alguns vegetarianos, separamos tudo em vasilhas e deixamos na geladeira, tinha comida para alimentar cinquenta pessoas, era um pouco exagerada às vezes.

— Finalmente está usando as blusas que eu te dei. — minha namorada saiu do banheiro do meu quarto enrolada na toalha e com o cabelo preso em um coque.

— Você sabe que tenho muita roupa. — respondi e ela veio na direção da cama, onde a sua roupa estava separada

— E sempre usa as mesmas. — ela suspirou, deixando a toalha cair. Eu fiquei encarando seu corpo em silêncio, ela tinha o corpo tão escultural, sua pele era macia, eu adorava tocá-la com a delicadeza que ela merecia. — O que está olhando? — ela deu um sorriso malicioso.
— Nada. — balancei a cabeça negativamente levantando até o as gavetas que ficavam ao lado da cama.

— Me ajuda a fechar? — minha namorada perguntou vindo na minha direção, em seguida ela ficou de costas para que eu fechasse seu vestido azul-claro. Quando ela deu um passo para se afastar, segurei sua cintura impedindo-a.

— Espera. — pedi para que permanecesse parada e passei meus braços ao redor do seu corpo, apoiando a cabeça sobre o seu ombro. Estava segurando uma caixinha de veludo vermelha. Abri a mesma e um colar de ouro com um pingente de cristal revelou-se. — Quando te pedi em namoro queria deixar eternizado de alguma maneira, mas não sabia como.

— Niall… — ela permaneceu imóvel, encarando o colar incrédula.

, você é todas as cores para mim, você é serenidade como a cor azul, tem a liberdade como o verde, me traz calor, alegria e é otimista como o amarelo, é apaixonante e cheia de energia como o vermelho, tem o mistério do roxo, as vezes é romântica como o rosa, tem o maior sucesso do mundo como o laranja, é séria como o marrom, em determinados assuntos permanece neutra como o cinza, me trás a paz como o branco e por fim, te respeito como o preto. Você é deslumbrante como todos essas cores. — eu tirei o colar da caixinha e pendurei do seu pescoço, em seguida virei seu corpo para que ficasse de frente para mim e passei o polegar direito pela sua bochecha, ela tinha um sorriso enorme no rosto e parecia estar emocionada. — Prometo que vou te amar pelo resto da minha vida, .

— Te amarei pelo resto da minha vida, Niall Horan. — ela ficou na ponta dos pés e me beijou, mas não foi um beijo qualquer, foi um beijo repleto de paixão e calor, era como se os nossos corpos quisessem ficar ali, grudados pelo resto da eternidade, como se fossem um só.

— Quem diria que vocês iam namorar. — Louis comentou, sentado na mesa de madeira que tinha na área de lazer. estava com as suas amigas e de Maya na cozinha terminando de fazer os últimos preparos enquanto nós cuidávamos da churrasqueira.

— Estava na cara que isso ia acontecer, você não lembra como eles se olharam quando se despediram em Milão? — Harry respondeu sem tirar os olhos da tela do celular.

— E por acaso você já se resolveu com a Amanda? — perguntei, virando o espetinho de legumes.

— Estamos em um momento complicado. — Harry respondeu passando a mão pela nuca.

— Novidade. — Liam revirou os olhos, dando um gole na cerveja.

—Mas quando foi que você pediu ela em namoro mesmo, Niall? — Louis perguntou levantando uma das sobrancelhas.

— Cinco meses atrás, Louis. Sua memória tá fudida mesmo.

— Niall Horan finalmente fez uma coisa certa na vida dele. — Louis comemorou batendo a mão sobre a mesa.

— Eu falei com ele. — Harry respondeu, colocando o celular em cima da mesa.

— Não teria como ter outra pessoa além dela, jamais terá outra. — respondi, fechando uma parte da churrasqueira para abafar. Os meninos viraram o rosto na minha direção e enquanto encarava voltar da cozinha com os potes de comida na mão.

— Esse churrasco vai sair ou não? Estamos morrendo de fome! — Maya falou, sentando ao lado de Liam enquanto deixava a maionese e os pães em cima da mesa. Logo após ela veio até mim e me deu um beijo na bochecha, encarando-me diretamente nos olhos.

— Adoro quando você fica com cheiro de defumado. — fui obrigado a rir.

• 1 ano e meio depois •

— Não aguento mais! — ela prolongou o “mais” muito além do que eu esperava. deitou sobre uma das caixas da mudança e choramingou. — Estou cansada.

— Só falta mais uma. — eu deixei a caixa escrito “cozinha” no seu lugar de destino e sai da casa indo até o caminhão da mudança, onde peguei a última caixa que iria para a sala. — Queria saber como você comprou tanto coisa em um ano e meio. Não é possível.

Ela tinha se mudado para uma casa que tinha mais o seu estilo, tinha apenas um andar, um jardim na frente, parecia uma casa de boneca, atrás uma área de lazer com piscina e um gramado enorme, era tudo bem branquinho e com muitas plantas do jeito que ela gostava. Misturava entre o moderno e o clássico, como os espelhos espalhados pela casa.

— Acabamos? — ela perguntou, se jogando no chão com os braços abertos.
— Sim, amor. — os dois homens que tinham nos ajudado com a mudança estavam trazendo o sofá, eles ficaram responsáveis pelos móveis que tinha inventado de comprar uma semana antes da mudança, já que essa casa não vinha mobiliada, somente com o fogão.

— A próxima mudança espero que seja daqui uns 500 anos. — ela se sentou no chão quando os homens se despediram e foram embora com o caminhão, eu sentei no sofá marrom e ela veio até mim, apoiando a cabeça no meu ombro. Os dois permaneceram em silêncio e olharam um pro outro depois de alguns segundos.

— Acho que a gente precisa de um banho. — eu ri alto junto dela, que balançou a cabeça concordando.

— A caixa do banheiro já está lá? — ela perguntou, levantando do sofá.

— Sim! Eu coloquei.

— Ok, vou pegar uma toalha pra você então. — ela foi até o quarto e eu para a suíte, a casa estava cheia de caixas, a única coisa arrumada eram os móveis.

Abri a caixa de papelão e retirei um sabonete fechado de dentro, joguei fora a embalagem e fui tomar banho. entrou no banheiro e fechou a porta, colocando duas toalhas penduradas no gancho.

— A azul é sua, a amarela é minha. — minha namorada comentou e eu concordei com a cabeça. Quando olhei novamente pra ela, sua roupa deslizava pelo seu corpo até ela deixar as peças no chão. Ela abriu a porta do box e entrou no banho junto comigo.

— O que foi? — ela olhou para mim empurrando-me para o lado, para que a água caísse sobre ela.

— Nada. — eu dei um sorriso malicioso. — Está feliz com a sua nova casa? — perguntei, me aproximando dela, passando as minhas mãos pelos seus braços.

— É muito mais aconchegante que a outra. — ela respondeu olhando para mim. — Obrigada por me ajudar, deve estar tão cansado quanto eu.

— Ainda tenho um pouco de energia. – mordi o lábio inferior e ela riu, puxando-me para perto dela. Segurei a sua cintura com uma mão e outra apoiei na parede do banheiro, encostando os meus lábios nos lábios molhados dela.

me deu uma leve mordida no lábio inferior, enquanto suas unhas deslizavam pelas minhas costas, minhas mãos desceram para as suas coxas, segurei-as firmemente e com o seu impulso, peguei a garota no colo. Suas pernas entrelaçaram a minha cintura e nossas bocas se separaram, a água quente caia sobre a pele macia de , comecei a distribuir beijos e leve mordidas pelo seu pescoço fazendo-a arrepiar. Ela gemia o meu nome na beira do meu ouvido, enquanto suas unhas apertavam os meus ombros. Eu enfiei o meu membro duro na sua vagina, fazendo-a arfar no meu ouvido. Comecei a fazer movimentos de vai e vem lentamente, encostei seu corpo na parede do banheiro e levei uma das minhas mãos até seus fios loiros, puxando com força. sorriu maliciosamente, eu sabia que ela gostava. Na medida que meu membro entrava e saía dela, ela gemia me encarando às vezes.

— Acho que o banho pode esperar um pouco. — ela murmurou, puxando-me para mais perto dela, sussurrando próximo do meu ouvido. — Quero que você me faça gozar.

— Você pediu nachos? — ela perguntou aparecendo na sala a onde o tapete estava estendido, a televisão estava no chão pois o suporte ainda não tinha sido instalado na parede. Seu cabelo estava molhado, ela tinha acabado de finalizar o banho. Ela deitou ao meu lado, onde estava o colchão de casal que eu tinha forrado, além de nachos e cerveja.

— Você me disse hoje no almoço que estava com vontade de comer.

— E você acertou em cheio. — ela respondeu, pegando um nacho e levando até a boca. — Quando fiz minha mãe experimentar ela disse que isso não era comida de verdade. — uma risada saiu da sua boca.

— Mas é claro, vocês adoram um macarrão! — afirmei abrindo a segunda cerveja para ela.

— Ah, vai dizer que seus pais acham hambúrguer comida decente? — ela olhou para mim com uma expressão de deboche.

— Ahn… não, mas…

— Viu, seus pais são como os meus. — ela sorriu, procurando alguma coisa na televisão enquanto tomava um gole da bebida.

— Acho que seus pais são mais rigorosos que os meus. — falei pensando na possibilidade. — Na verdade não, os seus avós são mais rigorosos.
— Isso eu concordo, meus avós são os típicos italianos. — ela falou carregando no sotaque. — Mas o que mais fico admirada é que eles nunca tiveram uma briga, eles se entendem tão bem, teve um dia que eu estava nas vinícolas, e eles…

Enquanto ela falava eu a encarava, mas eu não estava prestando bem atenção no que estava dizendo, na verdade estava imaginando nós dois próximos dos sessenta e cinco anos, a idade dos seus avós, dois velhinhos com filhos e netos, já tínhamos conversado sobre isso, ela queria ter pelo menos três filhos e iríamos morar em um lugar tranquilo, totalmente diferente de Los Angeles, mas que pudéssemos ficar perto da família. Nós com sessenta anos com a mesma paixão e com o mesmo olhar apaixonado, se você me perguntasse “quando eu soube pela primeira vez?”, eu iria dizer que sempre soube, que sempre senti que era você, desde o dia que te vi com o vestido branco florido, aquela lembrança ficaria pra sempre na minha cabeça, e o seu primeiro sorriso. Sempre fora você.

— Niall? — ela olhou para mim e eu levantei as sobrancelhas.

— Hm?

— O que foi?

— Nada. — abri um sorriso largo. — Você sente falta de lá? — eu perguntei, encarando-a.

— Um pouco, quem não sente falta da terra natal? Tenho certeza que você sente falta da Irlanda.

— As vezes sim, mas acho que eu tenho mais liberdade de vida aqui. Sei lá. — dei de ombros comendo um nacho.

— O que eu mais sinto falta é de andar pelas vinhas, era maravilhoso sentir o cheiro das uvas e o sol batendo na pele, o frescor do vento… — ela fechou os olhos, respirando fundo.

— Esse ano ainda iremos voltar lá, amor. — eu abracei minha namorada que concordou afirmamente com a cabeça. Sempre fora você.

• 3 anos depois •

Itália. Piemonte. Um final de tarde de sábado. Várias cadeiras de madeira estão espalhadas em forma de U com espaço no meio onde minha futura esposa passará e acima várias luzes para iluminar o local quando anoitecesse, no corredor estavam distribuídas arranjos de flores rosa-claro, se não estava enganado eram Lisianthus, de tanto que havia escutado falar nessas flores, elas faziam uma harmonia entre o rosa-claro e o branco. Atrás de mim estava o altar, decorado com as mesmas flores e uma cortina branca amarrada no fundo para enfeitar. Depois das cadeiras que estavam de frente para mim, quatro tendas enormes e transparentes protegiam as mesas e cadeiras aonde aconteceria a festa, tinha preparado tudo com tanto carinho. As tendas estavam enfeitadas com flores e luzes redondas. As mesas estavam forradas com um pano branco e as cadeiras eram as mesmas da cerimônia. Em cima de cada mesa havia um arranjo com as mesmas flores e em cima de tábuas de uma árvore caída, além de velas de lavanda. Tinha muitos outros itens de decoração, mas eu não conseguiria explicar todos eles, mas sentia que era o casamento que ela sonhou, eu deixei que ela preparasse tudo, pois só o que me importava era estar ao seu lado o resto da minha vida. Tínhamos escolhido casar na vinícola dos seus avós devido a privacidade que teríamos, e com certeza nossos amigos viriam até aqui para celebrar junto de nós.

Quando a prima de começou a cantar Thinking out Loud, o filho de Liam entrou segurando uma plaquinha que dizia “calma meninas, ainda estou solteiro”, eu soltei uma leve risada junto dos outros convidados e em seguida a prima de , que jogava pétalas pelo gramado, ela usava branco. A música do Ed Sheeran me lembrava muito a conversa que tínhamos tidos alguns meses atrás, “eu quero ter um casamento simples, nada de muita ostentação não, só quero todos saiam felizes e bem alimentados.”, e aquele casamento refletia exatamente aquilo, se ali tinha 150 pessoas ainda era muito, metade dessas pessoas eram a família dela praticamente. Eu estava com um terno cinza, como os padrinhos que entravam nesse momento, a única diferença era a cor da minha gravata e um ramo de alguma flor branca no bolso.

Na medida que a fila dos padrinhos diminuía, ficava mais nervoso, minhas mãos suavam.

Foi então que eu a vi, depois do último padrinho, ela estava de braço dado com o seu pai, seu vestido era branco com as mangas caídas dos ombros, era uma vestido sem brilho e não era grande como aqueles vestido que me lembravam um bolo, ele era delicado e se acentuava delicadamente na sua cintura, tinha apenas algumas rendas na barra do vestido que na medida que subiam para a cintura desapareciam em meio aos panos. Seus cabelos estavam soltos e ondulados, com uma coroa de flores brancas bem delicadas. O seu buquê era uma mistura das flores que nasciam na plantação dos seus avós que ficavam próximos dali, era bem colorido e harmonioso.

Quando deu o primeiro passo, todos se levantaram e ela sorriu para mim, eu estava hipnotizado, ela conseguia ser linda de todas as formas, como noiva eu não tinha palavras pra explicar.

Só me dei conta que estava chorando quando senti a lágrima descer para a bochecha, a onde retirei com as costas da mão. Seu pai entregou sua mão para mim depois de dar-lhe um beijo na bochecha e agradeci.

— Você está lindo. — ela sussurrou rapidamente para mim.

— Você rouba toda a cena. — eu sorri encarando seus olhos verdes.

Em seguida o ministro deu início a cerimônia, a onde todos ficaram em silêncio, e eu não conseguimos tirar os olhos de um do outro, eu iria ter pra sempre a cena dela vestida de noiva. Até que o momento dos votos chegou. Eu retirei um papel branco de dentro do bolso que estava dobrado em umas seis vezes, respirei fundo e comecei a falar.

— Foi difícil escrever esses votos, porque eu tento te dizer todos os dias em como você complementa a minha vida de um jeito inexplicável, como a sua bagunça da penteadeira se mistura com a minha bagunça, como você sabe o momento certo de aparecer no estúdio de casa pra me fazer relaxar. Em como a gente se diverte vendo “100 humanos” da Netflix, ou então com o você fica linda chorando em alguma animação, como em “meu amigo dinossauro”. Não sei se todos sabem, mas a tem quase uma floricultura em casa, todos os dias depois do café ela vai para o quintal molhar as plantas e conversar com elas, sim, a conversa com elas. — acabei soltando uma risada baixa e ela sorriu. — Quando eu te pedi em casamento, é porque eu quero você ao meu lado pra sempre. Eu não posso te dar o mundo, , eu gostaria, não posso prometer tardes ensolarada e lindas todos os dias, e também não sei se vamos ter a tão sonhada casa no campo com cercas brancas quando envelhecemos, mas eu te prometo que sempre terá o meu amor, não importa oque aconteça, ele é completamente seu, eu sou completamente seu. Eu te amo da mesma intensidade que você me ama, e acho que até mais, porque eu sempre soube que era você, desde o dia que eu te vi em pé na frente da catedral de Milão com aquele vestido branco florido. Então, eu te aceito como a minha futura esposa. — eu sorri colocando a aliança com uma pedra no seu dedo anelar e enxuguei a lágrima que escorria pelo seu rosto com o polegar. Seus votos também tinha me emocionado, principalmente quadro ela havia tocado no assunto do quebra-cabeça de 600 peças. Ela mal esperou o ministro terminar de falar e apoiou as mãos sobre o meu peito, levantando o rosto para que eu pudesse beijá-la.

• ATUALMENTE •

Desde que saiu, já tinham se passado por volta de duas horas e eu não tinha escrito uma única palavra no caderno, tinha me perdido nas lembranças de nós dois. Meu celular tocou fazendo-me despertar dos pensamentos, era Harry.
Cara, tô tocando sua campainha tem uns quinze minutos. Aonde você tá?

— Em casa, estou no estúdio. — respondi, levantando-me do chão.

Abre aqui, por favor. — ele não parecia ter acordado de bom humor.

Quando desliguei meu celular tinha algumas mensagens, mas ignorei, deixando o mesmo em cima do sofá do estúdio. Abri a porta e desci para a entrada da minha casa, liberei o portão para Harry e abri a porta principal, para que ele pudesse entrar. Ele veio calmamente com as mãos nos bolsos, sua expressão parecia séria.

— Comeu alguma coisa e não gostou? — a expressão de Harry não mudou nada.

— A gente precisa conversar, Niall. — Harry passou a mão pela nuca, entrando na minha casa.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei levantando uma das sobrancelhas.

—— Sim. Vem cá, que eu te explico. — ele fez sinal para que eu pudesse segui-lo até a sala de estar, na verdade Harry parecia meio desorientado. Ele se sentou no sofá e em do outro lado, em uma das poltronas azul que tinha comprado. — Bom…

— Fala logo, Harry. — revirei os olhos, impaciente, cruzando os braços.

— Mais ou menos vinte minutos atrás… — ele passou as mãos pela calça jeans que usava, tentando encontrar as palavras.

— Vinte minutos atrás… — fiz sinal para que continuasse.

— Niall. — ele levantou a cabeça e me encarou respirando fundo. -— sofreu um acidente. Parece que ela perdeu…

— Quem? — eu pisquei repetidas vezes, tentando assimilar a informação. — Não tem como. Não é a minha esposa. — balancei a cabeça negativamente.
— Niall. Eu sei que é difícil receber essa informação, mas é a .
Processar aquele informação estava sendo difícil, a ficha caía aos poucos. Eu encarei o tapete da sala por vários segundos, a imagem dela saindo de casa estava repassando várias vezes na minha cabeça.

— Qual hospital ela está? — eu levantei de repente, olhando para os lados em busca da chave do carro. Harry levantou junto de mim e colocou-se na minha frente.

— Niall. — eu não estava dando ouvidos, queria ver a minha esposa. — NIALL! — Harry falou mais alto.

— O QUE FOI, PORRA? — eu gritei de volta, encarando o meu amigo nos olhos. Ele balançou a cabeça negativamente.

— Ela não… ela morreu na hora, Niall. — Harry segurou os meus braços e eu continuei encarando-o, perplexo. Como era possível o mundo de alguém desabar de uma hora pra outra? Horas atrás ela estava ali, junto de mim e agora, ela estava… morta. Eu não teria mais a minha esposa na minha vida.

Foi difícil convencer Harry a me levar no lugar do acidente, mas era como se eu quisesse ver que aquilo realmente tinha acontecido. Eu estava desorientado, completamente sem chão, era como se eu tivesse perdido uma parte da minha alma, todas as coisas boas pareciam não ter importância, eu só queria ter ela de volta, queria poder pegar nela, abraçar, dizer que a amava.
Eu não iria ter mais aquilo, eu tinha perdido o amor da minha vida. A pessoa com quem eu dividia o banho, com quem eu compartilhava a vida, a pessoa que eu planejava ter filhos, eu não iria mais sentir o cheiro de lavanda quando fosse dormir, as lágrimas não tinham aparecido até eu ver o Honda Accord dela totalmente acabado. Ela tinha batido com o carro em um caminhão que transportava cobre. Ainda não estava comprovado, mas ela tinha perdido o controle do carro por algum motivo e capotou antes de bater no caminhão do outro lado da rua. Na pista tinha pedaços do carro, sangue e algum tipo de material na cor rosa, não sabia bem oque era, mas tinha visto em algumas partes do carro também. Eu voltei para o carro depois de Harry me convencer que tínhamos que ir embora. Eu não conseguia sentir mais nada, estava tudo uma confusão, era tristeza, com raiva, solidão, tudo uma grande confusão.

As horas foram se passando e eu não conseguia acreditar ainda, o luto não é fácil de ser sentido, não tem como dizer como é, só quem já sentiu sabe a dor que fica no peito, organizar o funeral de parecia impossível pra mim, ela havia me dito um dia caso morresse, ela gostaria de ser cremada e suas cinzas jogadas no final da tarde da praia de Santa Mônica, pois tinha sido o pôr do sol mais bonito que ela tinha visto, a minha sorte era que os meninos e minha mãe estavam me ajudando. A família de estava hospedada na minha casa, e eles sabiam também do seu desejo, ela tinha comentado um dia com a mãe.
— Niall? — Maya bateu na porta do estúdio onde eu estava sentado havia horas. Minha mãe estava junto dela. — Precisamos conversar com você.

— Tudo bem. — concordei, afirmando com a cabeça. Somente Maya entrou, minha mãe fechou a porta ficando do lado de fora.

— Hoje já foi um dia cheio, não é? — ela sentou ao meu lado no chão, ajeitando a blusa preta que usava. — Você não precisa de mais notícias ruins, mas você, como esposo da , precisa saber das coisas. — eu concordei com a cabeça, olhando para a aliança no meu dedo.

— A autópsia dela saiu, não é? — eu levantei a cabeça para olhá-la, que concordou.

— Ela teve diversas hemorragias internas, não iria aguentar chegar nem no hospital se tivesse sobrevivido e também constou outra coisa. — Maya olhou para as suas mãos e suspirou. — Algumas semanas atrás entrou em contato comigo para contar uma novidade. — ela estava com voz de choro, mas eu continuava encarando-a. — Nos escombros do carro tinham alguns materiais em rosa, não é? — eu concordei, já imaginando o que era. — Eram balões e cartolina. Ela estava grávida de uma menina, Niall. Tinham três meses. — Maya chorava desesperadamente, mas continuava a falar. — Ela tinha me ligado porque não conseguia mais guardar segredo e também queria fazer uma surpresa pra você, eu não sabia muito bem o que falar, mas tentei ajudar da forma que eu pude. Ela estava tão feliz e acontece uma tragédia dessa. — Maya enfiou o rosto entre as mãos e eu suspirei alto. Eu iria ser pai. Era por isso que ela só estava usando vestidos largos, e quando eu a abraçava para dormir não sentia muita diferença porque era magrinha e ela sempre puxava meu braço para cima, sua barriga quase não aparecia. Tudo fazia mais sentido.

— Obrigado, Maya. Deve estar sendo doloroso para você também, eram muito próximas. — eu falei, voltando a olhar para a aliança. Ficamos assim por um tempo, em silêncio, até que Liam abriu a porta procurando pela sua noiva.
Os dias pareciam passar lentamente, minha mãe preferiu ficar comigo por mais alguns dias, mas depois que ela foi embora a casa pareceu imensa. Eu lembrava dela sempre, em todos os cômodos, em todas horas e minutos, os momentos que se passavam na minha cabeça não pareciam ser mais coloridos, estavam em preto e branco, era doloroso ter o sorriso dela na cabeça, a vez que fomos fazer um ensaio juntos, quando viajamos para Las Vegas, as caretas que ela fazia, suas imitações. E saber que eu iria ser pai, que aquela casa iria ficar repleta de brinquedos, com uma menina correndo de um lado para o outro só doía mais.

Foi em uma terça-feira que eu decidi jogar as cinzas dela na praia de Santa Mônica, dois meses depois do acidente. Eu tinha achado alguns vídeos salvos no computador, eram vídeos de quando fomos para a Disney de Orlando, ela estava morrendo de medo de ir em uma montanha-russa, e usava orelhinhas da Minnie com aquele laço vermelho enorme.
“Tira uma foto minha!” — ela abriu os braços pulando na frente do castelo. E eu somente ria. “Você não está tirando foto, não é?” — ela colocou as mãos na cintura irritada.

“Não, estou tirando foto sim.” — eu falei atrás da câmera. “Fica de costas pra mim, e faz um coração em cima da cabeça, já vi várias fotos assim no twitter.”

“Tudo bem…” — ela virou de costas para mim e eu retirei um anel do bolso, esticando o braço na frente da câmera.

“Pronto, tirei!”

“Deixa eu ver como ficou.” — no momento que ela virou na minha direção, ela encarou o anel estranhando.

“Oque é isso?”

. Você quer namorar comigo?” — eu perguntei ainda filmando-a. Ela levantou as sobrancelhas surpresa, e levou as mãos na boca, dando pulinhos.

“Claro que eu quero!” — ela correu até mim com os braços abertos e eu abracei, sem desligar a câmera. — “Mas você tem que lembrar que eu sou um espírito livre, ok? Você sabe que eu adoro uma aventura.” — ela riu e depois de alguns segundos o vídeo acabou.

Ela era realmente um espírito livre, tinha uma energia surpreendente, ela adorava fazer coisas novas, sua vida tinha sido uma aventura e eu tinha sorte de ter participado da sua vida, poderia ter sido qualquer um, mas ela tinha me escolhido, o destino escolheu nós dois por algum motivo, ela tinha cumprido o seu dever aqui, agora eu precisava viver por ela, ela tinha me mostrado o caminho, eu só precisava seguir. Por incrível que pareça eu não estava chorando, eu estava sorrindo, esse era o efeito .

Depois de ir até a praia de Santa Mônica no final da tarde e ter feito uma cerimônia para ela, a onde me despedi com um girassol e as suas cinzas, e fiquei na areia até esperar o sol desaparecer no horizonte. Eu voltei para a casa, especificamente para o estúdio, eu tinha tido um insight, sabia qual seria uma das minhas do álbum “Heartbreak Weather”, eu simplesmente sentei no chão, na frente da mesa de centro e comecei a escrever a música que mais tarde teria o nome de “Black and White”. tinha me mostrado muito da vida, eu precisava superar a morte dela, claro que seria um processo doloroso e lento, mas era necessário. Ela não iria gostar de me ver nesse estado por ela, tinha sido o amor da minha vida, sempre fora ela, sempre seria ela. Eu a amaria para sempre.