cardigan

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Sinopse: Você acreditava que era a favorita, mas só era mais uma inebriada pelas palavras dele.
Gênero: Drama e Romance
Classificação: +16
Restrição: palavras de baixo calão, romance lésbico, bebidas alcoólicas.
Beta: Bridget Jones.

Capítulos:

 

Capítulo 1
sempre foi uma pessoa que não gostava da sua própria aparência, que quando se olhava no espelho perguntava será que alguém irá gostar de mim desse jeito?

A menina via suas amigas já no terceiro ou quarto relacionamento enquanto era uma mulher que nunca havia sido beijada.

Mas tudo mudou quando o conheceu. Ele estava lindo, dançando Levi’s todo desengonçado com alguns amigos. Suas amigas haviam a deixado sozinha porque estavam a procura de uma conquista da noite. Para aquilo já era normal porque sempre diziam que ela atrapalhava o desenrolo.

A mulher se encontrava no bar, não era de beber, mas aquele ingresso foi bem caro para que ficasse mofando até alguma amiga se lembrar de que ela existia.

Depois de muito tempo desabafando com o barman sobre sua vida, uma voz masculina se fez presente pedindo uma bebida. Para sua surpresa, era ele.

Seu nome era , mas não morava na cidade, apenas estava visitando para comemorar o aniversário de seu primo.

Os dois passaram a noite toda conversando porque fluía naturalmente e só foi interrompida quando um dos amigos dele o chamou porque estava na hora de ir embora.

— Qual é seu número? — perguntou à mulher, que se encontrava surpresa. — Sabe, para manter contato.
— Ah claro. — disse o número enquanto o rapaz anotava.
— E o nome?
.

E logo em seguida foi embora, deixando-a com a dúvida se iriam se ver novamente.

XXX
Um mês depois…
Muita coisa mudou e, nossa, não dava para descrever o que a pequena sentia, mas uma coisa era de fato. Lembra-se da insegurança que ela tinha sobre seu corpo? Então, não existe mais. havia mostrado tudo que suas pequenas coisas tinham de pontos positivos e, para a surpresa da morena, ela tinha mais positivos do que negativos.

Falando nele, os dois se encontravam todo final de semana porque ele ia para Bristol visitar a menina. Ainda nesse assunto, ela não era mais a amiga santinha de quem todas as amigas se envergonhavam. Durante esses 30 dias, uma nova foi revelada.

— Oi, meu amor, estou aqui na porta.
— Ok. Estou indo abri-la.

Era uma sexta feira, tinha chego mais cedo que o normal e não estava reclamando daquilo. Era bom estar mais tempo com seu namo… Espera. O que eles eram? Não houve pedido, mas as meninas falavam que eles faziam tudo que namorados faziam.

— Estava com saudades.

Ele disse abraçando a menina assim que apareceu na porta.

— Eu também estava.

Ele acariciava seu cabelo solto, penetrando seus dedos mais fundo dentro dele até que tocaram em seu pescoço e, por fim, beijou-a.

***
— Se arrume.

A menina se inclinou junto ao lençol que estava enrolado em seu corpo, fazendo cara de confusa.

— Vamos jantar fora hoje.

Era a primeira vez que iriam sair. Desde que começaram a se relacionar pediam comida pelo aplicativo ou cozinhavam juntos.

A mulher não o contrariou, levantou-se e foi tomar banho para começar a se arrumar.

— Você está linda — disse olhando-a da cabeça aos pés. — Esse cardigã vai combinar mais com essa roupa.

O local que ele havia escolhido era lindo, aconchegante e luxuoso. Um lugar que nunca pensou frequentar e que a fez pensar que não havia contado parte alguma de sua vida.

— Gostou?
— Sim, o lugar é lindo — disse bebendo um pouco d’água. — Sempre me perguntei quando conseguiria vir a esse lugar.

— Que bom que acertei então.

pediu para que trouxesse a sobremesa enquanto conversavam sobre como foi a semana. Ele contava as aventuras que tinha na fazenda de seu avô e a morena o fez prometer que um dia iria levá-la para conhecer.

O garçom botou sobre a mesa um prato onde estava escrito “quer namorar comigo?”. Não havia como dizer não, aquilo tinha sido mais do que perfeito.

E assim que chegaram na casa da mulher eles se amaram a noite toda.

XXX
Um ano…
Estava tudo dando certo e o namoro de e era de invejar a todos que estavam em sua volta. O rapaz já havia conhecido a família da moça e todos o receberam com os braços aberto enquanto a mulher só havia conhecido seus amigos mais próximos.

“Me desculpe, hoje não poderei ir.”

Aquilo não era normal. Na única vez que havia acontecido a avó de um amigo falecera, deixando-o arrasado.

Essa mensagem tinha deixado com o coração apertado porque depois não houve mais nenhuma. Apenas a de uma amiga chamando-a para uma festa. Não tinha porquê de ela não aceitar já que estaria sozinha numa sexta-feira à noite e fazia semanas que não saía com suas amigas.

***
A casa noturna estava dividida em dois lados, um que se apresentava em cores claras e outro com tons escuros. Havia uma parede preta divido-os, mas todos podiam entrar a hora que quiserem.

— Vocês me trouxeram em uma despedida de solteiro?
— Sim. — Uma das meninas respondeu, enquanto outra a puxava. — Você irá gostar, .

Assim que entraram elas foram paradas por uma recepcionista que perguntou o status de relacionamento de cada uma. Apenas era comprometida, então recebeu uma pulseira da cor vermelha enquanto as outras pegaram verde, simbolizando que o caminho estava livre para todos que ficassem interessados.

— Vocês pelo menos conhecem a noiva?
— Sim. Ela estudou com meu ex-namorado da faculdade. — Ally disse dando ombros. — E fizemos amizade. — Suspirou. — Vamos cumprimentá-la?

Ela perguntou com um sorriso animado e apenas deu de ombros enquanto seguia a amiga pelo local.

Enquanto andava em busca da noiva, percebia alguns rostos familiares, mas não conseguia se lembrar de onde os tinha visto.

! Você está linda.
— Obrigada Ally. — Sorriu a noiva que estava com um véu. — Fico feliz por ter conseguido vir.

Mas tinha uma coisa que chamou a atenção das duas mulheres: ambas usavam o mesmo cordão. O que não conseguiam entender era que a pessoa que as deu havia encomendado, ou seja, só existia um.

— Que lindo cordão. — sorriu nervosa pela pergunta. — Onde você comprou?
— Meu namorado que me deu — respondeu simples.

Ally percebeu que o clima começou a ficar estranho e resolveu pegar uma bebida, arrastando junto com ela.

— Ally, por que você me trouxe aqui? — perguntou mais uma vez.
— Vamos para a área dos meninos? — desconversou a amiga.
— Ok — suspirou. — Vamos.

sorriu para as amigas ao mesmo tempo em que pensava no colar de . Será que era possível que e o noivo dela pudessem ter gostos tão parecidos?

A garota balançou a cabeça enquanto os gritos animados soavam. Havia vários rapazes ali e um deles se destacou enquanto bebia da garrafa.

Usava um fraque onde estava escrito: “ vai casar” em uma das placas.

levou a mão à boca ao perceber o homem rindo enquanto recebia abraços dos amigos que ainda chegavam para festa, porém, os olhos dele se encontraram com os dela.

tinha lágrimas nos olhos.

? ?

— Você pretende se casar? — perguntou a morena cobrindo seu corpo com o lençol.
— Sim. — O homem sorriu. — Com você.

Logo a beijou e começaram a se amar pela segunda vez no dia.

XXX
Havia se passado uma semana desde a descoberta. estava arrasada.

ligava, mandava mensagem, ia até sua casa, mas a mulher não respondia e nem atendida. Estava magoada com ele e, acima de tudo, com si mesma.

— O que você está fazendo, babe? — a morena chegava por trás, abraçando o homem que bloqueava o celular rapidamente.
— Mandando mensagem para meu primo avisando que cheguei.

Tudo fazia sentindo em sua cabeça: o motivo de não conhecer sua família, mas apenas alguns amigos que a olhavam estranho.

! Não sabia que você tinha aceitado essa loucura. — O primo de disse assim que viu o casal se aproximando do barzinho.
— Que loucura? — perguntou confusa.
— A de namorar com esse rapaz — desconversou rápido.

Depois de muito pensar, chegou a uma única conclusão: ninguém mais merecia ser enganada.

Ally, me passa o número da .

Você tem certeza?

Tenho. Ela não merece isso também.

Está bem.
Contato

A morena digitava, apagava, digitava novamente, mas não vinha a coragem para enviar de uma vez o que queria.

— Como se começa uma conversa com a atual do seu atual. Google pesquisar. — Bufou com sua infantilidade. — Vamos lá, . Você consegue.

, é a amiga da Ally.
Tudo bem?

Oii, você está melhor? A Ally disse que tinha passado mal durante a festa.

Estou sim.
Então, está pela cidade?

Sim! Vim ver meu vestido.

Podemos nos encontrar em um restaurante?

Claro!
Meia hora e estou lá.

Depois de ver a confirmação da mulher, levantou-se da cama e começou a se arrumar.

Vestiu inúmeras combinações e nada ficava agradável a ela. Fosse pelo destino ou coincidência a única roupa que a agradou foi a de quando fora pedida em namoro. Ignorando a lembrança, abriu a porta de casa e deu de cara com a última pessoa que gostaria de ver naquele momento.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou com tom de desgosto.
— Você precisa me ouvir. — O homem foi se aproximando dela. — Por favor.
— 3 minutos. — Olhou no relógio. — Tem 3 minutos.
, eu… Eu sinto muito. — Ele murmurou atropelado. — Não queria, . Eu gosto de nós.
— Não existe um de nós, . Você está prestes a se CASAR!

A mulher gritou prendendo o choro porque não ia dar a chance para o rapaz vê-la daquele jeito.

— Seu tempo acabou — suspirou, passando por ele. — Eu preciso ir.
— Para onde você vai? — segurou o seu braço.
— Não te vem ao caso.
— Vem sim. Você é minha namorada.
. — Respirou fundo. — Não sei se você percebeu, mas o que tínhamos acabou quando descobri a sua mentira.

! — gritou, fazendo a menina o olhar. — Você sempre foi a minha preferida.

***
respirou fundo depois de contar a história toda para a mulher que estava na sua frente. Não dava para saber qual era a reação de , pois ela estava parada a alguns minutos sem demonstrar algo no rosto.

— Eu… Não sei nem o que falar.
— Me desculpa por isso, . — suspirou a mulher. — Eu não queria…
— Você não tem culpa de nada, . — Sorriu amigável. — Só estou…
— Surpresa?
— Não diria surpresa porque não é a primeira vez que ele faz isso.

franziu o cenho ao perceber o rosto amargurado de . A mulher sorriu.

— Ele disse que você era a preferida dele?
— Disse. Por quê?
— É porque ele diz isso para todas.

sentiu um soco no estômago após escutar a frase e apenas deu um sorriso fraco, abaixando a cabeça.

— E o que você vai fazer com isso?
— Irei me casar com ele — disse firme.

Aquilo já era de ser esperar pela mulher, ela já tinha voltado várias vezes com ele depois de descobrir inúmeras traições.

— Está bem. — sorriu, deixando um dinheiro em cima da mesa para pagar o que havia pedido. — Fique bem, .
— Você também .

***
Uma semana depois…
e convidam você para prestigiar o momento deles dizerem “sim, eu aceito”

riu da própria desgraça. Ela iria mesmo se casar com uma pessoa que a traia.

— Então, você vai?
— Óbvio que não, né Ally? — Revirou os olhos. — Sem cabimento.
— Mas eu acho que você deveria ir. — Sorriu a amiga, deixando uma caixa em cima da cama. — Talvez você se surpreenda.

O casamento já estava acontecendo pelo que Ally havia dito por mensagem. estava literalmente uma princesa nos stories que havia encontrado na localização da igreja.

A fala de Ally ficava martelando a cabeça da mulher. O que ela queira dizer com “Talvez você se surpreenda”?

— Ela quem te chamou, . — disse a mulher para si mesma. — Vai ter comida de graça e você não pode perder a cara que fará quando te ver.

Quando chegou a cerimônia já estava quase no fim, mas estava na parte mais importante. A hora do sim.

, é de livre e espontânea vontade que você aceita como sua companheira em matrimônio? — perguntou o padre.
— Sim!
, é de livre e espontânea vontade que você aceita como seu companheiro de matrimônio?
— Não — disse firme, olhando nos olhos do noivo. — Eu não aceito.
… — o moreno a chamou, assustado. — O que você está fazendo?
— Acha que eu sou trouxa, ? Você acha que eu iria me humilhar desse jeito?
— Não estou entendendo. — Riu nervoso.
… — Respirou fundo, olhando para os convidados e vendo a pessoa que mais queria ali. — Você sempre disse que éramos a sua preferida, mas você não é mais o meu preferido.

Ela saiu, deixando o rapaz plantado em cima do altar com cara de quem não estava entendendo nada, até que viu a direção para onde sua ex-noiva estava indo.

Ela emoldurou o rosto da mulher que estava em sua frente com as duas mãos, fazendo a mais nova sorrir como um convite silencioso para que unisse suas bocas com um beijo calmo. O primeiro de muitos que as duas dariam.

 

Epílogo
6 anos depois…
Às vezes, na vida, precisamos passar por decepções e havia entendido o motivo de ter passado pela mão de . Se ela não tivesse o conhecido, não estaria com uma família formada.

Depois que aconteceu o primeiro beijo no dia do casamento, e se aproximaram de uma maneira que ninguém conseguiu acompanhar. Quando viram, as duas já estavam casando em Las Vegas na capelinha do Elvis Presley.

Dois anos depois do casamento as mulheres resolveram que era hora de aumentar a família, por isso estavam a caminho de um orfanato que foi recomendando pela família de .

— Eles irão gostar da gente, meu amor. — Sorriu a mais velha. — Você vai ver.

Desde que começaram com a ideia de adotar uma criança, o casal já sabia das dificuldades que passariam por ser um casal homossexual, mas não desistiram daquilo.

Assim que entram na casa, as mulheres encontraram várias funcionárias indo de um lado para o outro. Parecia que havia acontecido alguma coisa antes delas chegarem.

— Bom dia. Eu sou a Eleanor — Sorriu assim que avistou o casal. — No que eu posso ajudar?
— Bom dia. — sorriu de volta. — Eu e minha mulher viemos conhecer as crianças.
— Isso é maravilhoso! — exclamou. — É qual a faixa etária que estão à procura?
— Não temos uma especifica. — Foi a vez de responder. — Viemos para ver aquela conexão da qual todos falam, sabe?
— Sei. — Riu da empolgação da mulher. — Irei apresentá-las o nosso orfanato e logo iremos levá-las para conhecer nossos pequenos.

O local era enorme, mas do que as meninas pensavam. Já haviam conhecido a parte das meninas e o berçário, mas não sentiram aquela conexão que queriam.

— Bom, essa é a parte dos garotos. — Abriu a porta de correr. — Cuidado, às vezes esse lado assusta.

Falou fazendo as mulheres rirem.

. — chamou a esposa, percebendo que a outra estava olhando para um lugar fixo. — Quem é aquele?
— É o . — a funcionária disse sorrindo. — Ele chegou faz duas semanas. Por isso está meio isolado.

— Oi pequeno. — disse ao se abaixar na frente do menino. — Tudo bem?
— Tudo. — respondeu em sussurro.
— Você quer uma família? — perguntou, fazendo-o olhá-la assustado.
— Eu já tenho minha família.
— Sério?
— Sim. — Sorriu. — Minha irmã .
— E onde ela está, pequeno?
— Vocês a viram. Era o bebezinho que não queria sair do colo da . — disse a funcionária.

Nem precisou falar mais nada, o olhar das duas mulheres as entregou.

A partir daquele dia seriam: , , e .

 

Nota da Autora: Queria dedicar essa história a Laís que ficou sempre do meu lado no processo dela, porque se não fosse a ela eu acho que teria desistindo. ❤️