10. Cross Your Mind

10. Cross Your Mind

Sinopse: A aventura de se relacionar com uma celebridade do mundo da música possuía um alto preço a ser pago e ele aceitara de bom grado cada pequena oportunidade de tê-la por perto, já que perdê-la não era uma opção para seu coração apaixonado.
Gênero: Romance.
Classificação: 12 anos.
Restrições: Leve insinuação de conteúdo sexual.
Beta: Thalia Grace.

“Losing you is not an option”
(Perder você não é uma opção)
Os olhos de permaneciam atentos a cada detalhe da mulher em sua frente. Deslizava o cursor por cada pequena curva de seu rosto atrás de imperfeições que ele sabia serem nulas. Na enorme tela de seu computador, com o auxílio da iluminação correta, do mais acurado jogo de luz e sombra, aliados ao excelente trabalho de maquiagem e figurino, a sempre impecável parecia divinal. Era seu trabalho cuidar para que qualquer irregularidade em sua imagem, por mínima e imperceptível que fosse, pudesse ser extinta pela edição digital sem o menor problema, mas o rapaz temia que seu total deslumbramento pela mulher estivesse interferindo em sua função.
Havia fotografado pela primeira vez para a edição da 1st Look do último outono. O que deveria ser apenas mais uma longa e cansativa tarde em um estúdio pequeno demais para uma quantidade enorme de pessoas e equipamentos, tornou-se o primeiro dia de sua imersão em sentimentos tão confusos quanto perigosos e que encontravam na bela seu princípio e fim. Uma pausa para o chá, dois sorrisos — um deveras confiante e outro um tanto envergonhado — e uma curta, porém, divertida conversa, esticou aquela tarde para um caloroso jantar entre a equipe e a artista e modelo, o que culminou, ao fim da noite, com o número de gravado na lista de contatos de . Ele jamais imaginou que ela iria mandar uma mensagem, muito menos que lhe ligaria. Não estava em seus planos gostar demais de como ela usava emojis ou de como sua risada soava nos áudios de quatro segundos que lhe enviava sempre que dizia algo engraçado. não achou que arrumaria sua casa para recebê-la como visita, nem que se visse querendo que ela voltasse todos os dias.
Em poucos meses se viu submerso nos afluentes da vida de em que podia navegar. Como uma grande e influente artista, solista desde que seu grupo havia se desfeito, não era de se esperar que fosse simples estar em um relacionamento com ela. sequer se sentia confiante para dizer que tinham de fato um relacionamento. Tudo que envolvia soava complicado e se mostrava materialmente difícil, logo, ambos não tinham sequer tangenciado uma conversa franca sobre o que estavam fazendo e onde aquilo iria dar. O rapaz sabia que a mulher não podia simplesmente, de um dia para o outro, postar uma selfie ao lado dele, apresentando-o a seus milhares de fãs como seu namorado. Havia inúmeras nuances para considerar entre a opinião de sua agência e a reação de seus fãs e ainda que a imaginação de tal cenário fizesse algo no estômago de afundar em uma excitação incomum, no fundo, ele sentia que aquilo jamais iria acontecer.
Por que então permanecia esperando por ela dia após dia e noite após noite?
Durante algum tempo, tentou se convencer de que suas intenções estavam alinhadas. Não havia nada de errado em querer um lance casual, em se relacionar de forma confortável como dois adultos que sabiam o que queriam, sem promessas ou amarras. Não durou muito, no entanto. A cada mínima demonstração de afeto mais profundo — ou que assim parecia para ele —, o rapaz se via imaginando se chegaria o dia em que lhe diria que estava apaixonada e lhe perguntaria se ele estava disposto a tentar dar um passo adiante. estaria pronto para responder positivamente a qualquer momento, mas a pergunta nunca vinha. Passou, então, a aceitar sua realidade. Decidiu que estar apaixonado por alguém que, ainda que estivesse tão perto, parecia inalcançável não deveria ser um problema. Ele estaria disposto a aceitar o que quer que ela estivesse disposta a lhe dar. Se isso significasse uma noite de amor intenso e manhãs vazias e saudosas, ele aceitaria de bom grado, pois ainda significava tê-la em algum momento. Só não conseguia mais se imaginar longe dela, de seus sorrisos e da forma como se sentia quando estavam envolvidos em uma bolha que os isolava do mundo do lado de fora. Só queria amá-la como desejava seu coração e tentaria fazê-lo sempre que ela lhe desse oportunidade.
Quando seu celular vibrou uma mensagem típica de , soube que aquela noite em que planejava se afundar em trabalho e terminar de editar o último ensaio que fizera justamente com ela, se transformaria em mais uma de suas oportunidades.

Está em casa? Ocupado? Com alguém?
Ou tem espaço pra mim?

Recebida às 11:45 p.m.
Estou esperando você.
Enviada às 11:46 p.m.

chegou algum tempo depois, sorridente e com as mãos ocupadas com sacolinhas de papel do restaurante italiano favorito dos dois. Disse saber que ele estaria trabalhando e nem sequer havia lembrado de comer, o que era uma verdade absoluta, e receber tamanho carinho e atenção dela empurrava mais afundo naquele abismo de amor em que se encontrava. sequer parecia saber o que fazia com ele e isso o deixava ainda mais atordoado. Sentia-se patético às vezes, imaginando se não estava todo aquele tempo querendo o que a mulher jamais disse que lhe daria e recebendo, portanto, todos os sinais de uma forma totalmente equivocada.
— Oh, você estava trabalhando no meu ensaio! — exclamou, sorrindo ao ver as fotos que fizera para a edição de verão da 1st Look — Posso espiar? — perguntou, usando sua melhor expressão fofa para garantir a permissão do rapaz que ainda estava diante da bancada da cozinha americana, retirando a louça ao terminar a refeição.
— É claro que pode! — respondeu, rindo ao vê-la comemorar minimamente e se sentar onde ele estava antes, checando as fotos com o olhar três vezes mais crítico que o dele.
logo cruzou a sala até o espaço que usava para trabalhar em casa e parou atrás dela, que analisava as fotos uma a uma, fechando os olhos de uma forma bonitinha, como se estivesse se esforçando para encontrar qualquer defeito. Era adorável até mesmo quando estava sendo exigente.
— O que está achando? — perguntou, sentando-se no sofá ao lado dela.
— Você é um excelente fotógrafo — disse simplesmente, sorrindo para ele com os lábios fechados, mas ainda assim fazendo seus olhos ficarem pequenininhos com o ato —, tanto que as que tiramos ao ar livre estão incríveis mesmo sem a edição.
— A modelo ajuda bastante. — deu de ombros, mas sorriu, contente com todo elogio que vinha dela.
— Sabe o que acho? — perguntou retoricamente, levantando-se e indo em direção a ele — Seus chefes devem ter começado a notar que você tem uma certa intimidade com os meus melhores ângulos. — concluiu, com a expressão no rosto entre o divertimento e a esperteza, enquanto tomava seu lugar no colo dele, envolvendo seu pescoço com os braços, aconchegando-se a ele — Já é a terceira vez que chamam você para me fotografar!
— E você tem alguma objeção, senhorita? — perguntou de pronto, entrando no tom da brincadeira dela, que sorriu imediatamente.
— Nenhuma! — respondeu, apertando seu abraço a ele — Se eu tivesse — começou a sentença com a voz um tanto mais baixa ao se aproximar do rosto dele para deixar pequenos beijos aqui e ali enquanto falava — jamais teria dado meu telefone pra você naquela noite.
não havia pensado muito profundamente quando o fizera. Enquanto posava para naquela tarde, não pôde deixar de reparar, entre um clique e outro, o quanto ele era atraente, mas não havia sido apenas por esse tipo de atração que seu interesse havia se desenvolvido. Havia algo nele que se equilibrava entre o ingênuo e o perspicaz que lhe instigava e seu humor impecável era um bônus generoso demais para se ignorar. conhecia muitas pessoas, todos os dias, e por causa de seu trabalho precisava lidar com as mais diversas personalidades e nem sempre podia ser ela mesma, dá gargalhada solta à mania inconveniente do toque a todo o momento, mas naquela tarde, no meio do intervalo para o chá, se viu à vontade diante do fotógrafo jovem e bonito, que não parecia se esforçar para agradá-la, mas ainda assim o fazia de forma muito peculiar. No final da noite, se viu querendo mais daquilo, especialmente do sorriso atraente e anguloso dele e de como era divertido ouvi-lo contar sobre as outras celebridades que conhecera durante o trabalho. tinha a maravilhosa habilidade de mantê-la entretida e deslumbrada com o cotidiano e há tempos não se sentia daquela forma. Quando deu seu telefone a ele, pensou apenas que adoraria escapar de seus dias agitados e glamourosos para enveredar pela sua rotina comum e adorável. O que veio depois foi mais um bônus que ela era fraca demais para negar.
— Que sorte a minha, então. — retrucou, respondendo aos carinhos dela com as mãos espalmadas em suas costas, deslizando um carinho que a fazia amolecer sobre ele.
— Que sorte a minha, . — sorriu pequeno, buscando os olhos dele com os seus — Sempre que mando mensagem a você querendo te ver, me pergunto quando vou receber uma resposta negativa.
O rapaz franziu as sobrancelhas em uma expressão confusa e logo em seguida quis rir, ainda que não houvesse humor algum ali. não sabia mesmo como ele se sentia. Se soubesse, jamais diria tamanho absurdo, pois não se via negando a ela sua companhia nem em um milhão de anos.
— Fico pensando quando você vai cansar da celebridade que vem invadir a sua paz e roubar um pouco da sua normalidade.
sentiu seu coração pesar no peito. Machucava que os interpretasse daquela forma, como duas pessoas de mundos distintos que se visitassem apenas pela possibilidade de mudar o ambiente. Não era assim que ele se sentia e abdicaria de seu próprio mundo se isso significasse tê-la consigo. Para o inferno sua normalidade e sua rotina, sua paz e sua vida tranquila. Queria apenas poder estar com ela e se isso significasse o mais completo caos, ele estaria disposto a aceitar.
, eu-
— Tudo bem se eu passar a noite aqui? — o interrompeu sem perceber, voltando a beijar meu maxilar bem marcado — Eu sei que você planejava trabalhar — a mulher buscou seus olhos novamente e viu ali uma carência que não lhe era estranha, mas que só parecia vir à tona diante dele —, mas não existe qualquer outro lugar que eu queira estar agora.
Seu beijo veio cheio de necessidade, explícita na forma como ela se apertou a ele, segurando em seu rosto como se agarrasse ao seu único lugar seguro e por vezes era assim que se sentia: como se e seu abraço fossem o único lugar a salvo para si. Nenhum outro abraço era como o dele, especialmente porque ali ela podia ser quem queria ser.
Era assim que perdia a batalha que sequer tentava vencer. Sempre que demonstrava precisar dele, de seus carinhos, de seu amor, ele sabia que não havia forma de recusar a se doar para ela.
Enquanto a levava nos braços em direção ao quarto, ouvindo-a dizer o quanto o queria, sentia seu peito se encher da expectativa de que seu amor fosse recíproco e que após se amarem com a mesma intensidade de sempre, com a mesma devoção a que estavam acostumados, ela ficaria.
No momento em que a deixou sobre a cama, pronto para pairar sobre ela, fez seu pedido mudo para que permanecesse em seus braços quando o sol atingisse sua janela e que quebrassem de uma vez a barreira entre seus mundos para que ele pudesse amá-la como sonhava.
Se não fosse daquela vez, então ele estaria pronto para tentar de novo e de novo e em todas as oportunidades que ela lhe desse, pois se havia alguma certeza em seu coração era a de que amava e que não havia possibilidade de desistir dela.
Perdê-la não era uma opção.

Nota da Autora: Essa música é uma das minhas favoritas do Heartbreak Weather e aceitei o desafio de participar com ela para que o especial saísse completinho. Foi escrita em apenas uma noite, então me desculpem caso o desenvolvimento tenha sido um tanto precário, mas tentei ao máximo me ater à música e ao que ela passa pra mim. Deu um pouquinho certo?
Espero que tenham apreciado a leitura e me deixem saber nos comentários. Aproveitem as outras fanfics do especial.
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