Dear John

Dear John

Sinopse: Quando o convite de reencontro de 10 anos de sua turma, você deve relembrar todas as fases e traumas que sofreu, porém, aquilo lhe tornou mais forte.
Gênero: drama, romance
Classificação: +16
Restrição: palavras de baixo calão, menções a depressão.
Beta: Bridget Jones

 

Capítulo Único.
A primeira vez que teve certeza que amava alguém foi quando conheceu John Harvey.
A certeza veio assim como as críticas do que havia feito por ele, desde deixar seus amigos de lado, seus passos contados, e até mesmo mudar o que pensava por causa dele.
Para agradar aquele homem.
A de 18 anos era inocente demais e incapaz de perceber que aquilo que fazia não era amor. Agora, a de pouco mais de 30 anos pensava que tudo aquilo teve um motivo.
Ela não seria quem era se não fosse pelo que John havia feito, o que havia sentido, pensado e agido. Se a de 18 anos pudesse ter um conselho ele seria para ter largado John o mais rápido possível.
— Mamãe.
A garota de 5 anos encarava o bolo ao mesmo tempo em que os olhos de pararam no rosto coberto de seu filho mais jovem, que estava se sujando. Ela franziu o cenho ao perceber seu marido e filho cobertos de chocolate.
— Você é péssimo nisso.
— Ele herdou seu mau gênio.
revirou os olhos enquanto jogou as cartas sobre a mesinha e pegou a criança no colo. O menino a beijou com sua boca lambuzada de doces e o marido encarou o convite.
— Você vai?
O convite estava sobre a mesinha.

Turma de 2009.
Reencontro.

— Eu acho que não.
encarava o convite, pensando: porque diabos estava fazendo aquilo? Apertou a xícara de café em suas mãos, sentindo as de ao redor de si enquanto a lembrança do passado vinha em sua mente.

X
TW: depressão.
2012.
A mulher encarava a carta molhada, sentindo seu peito rasgar lentamente. Porque amar era tão doloroso ao ponto dela estar naquela relação? Ao ponto de esquecer quem deveria ser para aquela pessoa?
As palavras estavam cada dia mais em sua mente ao mesmo tempo em que ela imaginava o quão fria a água seria, se teria tanta sorte ao ponto de não sentir nada além da dor que sentia em seu peito, de seu coração partido.
Retirou os sapatos. As pessoas não sabiam o que era sua dor.

Querido John,
Lembra-se da primeira vez em que me abordou? Você se lembra de como as coisas eram antes? De como era doce de uma maneira que seduzia que estivesse ao seu redor?
Eu me lembro de tudo, de cada silaba dita por você para mim.
E me lembro de como me devastou.
Nesse momento, eu penso: como fui descuidada em me apaixonar por você, afinal, você não me vê mais do que um objeto.
Alguém que passou por suas mãos e a pessoa que você enganou com suas palavras doces, em vão, me deixando caída por você.
E eu sabia que você era problema desde o momento em que tive a primeira sensação de ser usada.
Afinal, por que ficaria com alguém como eu? Por que me amaria? Por que gostaria de alguém como eu?
Merda. Merda. Merda.
Onde estava seu coração quando magoou o meu? Onde estava seu coração quando deixou as palavras ferirem a mim?

Adeus, John.
Com amor e pesar,
.

A água parecia fria.
O céu noturno estava coberto de estrelas e encarava a água gélida, porém, deixou os sapatos de lado para retirar o casaco, sentindo o frio chicotear seu rosto.
Antes que pudesse fazer qualquer coisa, uma mão a puxou do parapeito. O estranho a puxava para longe da ponte.
— Você está bem?
Era primeira vez que ela ouviu isso, a frase dita em tamanha preocupação ao mesmo tempo em que as lágrimas desciam por sua face.
Quando foi que tudo ficou tão difícil?
Mesmo em transe ela percebeu quando o homem desconhecido colocou o suco e o sanduíche à sua frente enquanto ambos estavam na velha lanchonete perto da casa de . Ela se lembrava de ir ali ocasionalmente com John.
John.
O homem empurrava o sanduíche e o suco à sua frente.
— Olha, dona, é melhor a senhora comer.
— E por que se importa?
— Por que já estiver no lugar em que está.
E, pela primeira, o encarou. Os cabelos caíam por sua face, os olhos castanhos fixos ao mesmo tempo em que havia um sentimento familiar naqueles orbes. Ele deu um gole em sua bebida e franziu o cenho.
— É mesmo? Você foi largado depois de 3 anos com casamento marcado e tudo? Ele te diz que não está pronto para casamento após foder todos os seus sentimentos? E você não consegue viver sem ele?
— De algum modo, sim. Ela sofreu um acidente de carro enquanto transava com o meu melhor amigo. Você consegue viver sem um traste, vai por mim. A vida é bem melhor.
Ele deu uma risada por conta da expressão dela e encarou-o com o cenho franzido ao mesmo tempo em que ele percebia o choque causado pela história.
— Você está brincando?
— Dona, ela literalmente estava sendo fodida pelo meu melhor amigo enquanto eu estava no exército. – Ele sorriu, mostrando os dentes brancos enquanto suspirou lentamente pelo nariz. – E quando eu recebi a notícia, ambos estavam mortos. Sabe de uma coisa? Eu já estive onde você está. É fodido, mas… Não vale a pena.
— Não vale?
A mulher sorriu enquanto pensava.
— Não vale. Ele deve estar transando com alguém agora e você aí, querendo destruir sua vida por causa dele. Então não vale a pena.
— Ele…?
— Ele?
— John não é assim.
O homem parou de comer e franziu o cenho, rindo enquanto a mulher não percebia o que havia de errado.
— O nome do seu namorado é John?
— Sim.
— Puta merda. Então vou ter que mudar meu nome.
— O quê?
— Eu também me chamo John. – Ele deu uma risada genuinamente infeliz enquanto a encarava. – Desculpe, é que estou pensando no quão desgraçado ele pode ser para difamar o nome John.
— E você está irritado?
— Claro que estou. Nenhum homem deveria fazer uma mulher chorar. Então me chame pelo segundo nome. Prazer, eu sou .
— E você? Já fez alguém chorar?
O homem sorriu e apenas suspirou.
— Devo ter partido o coração de alguém na minha juventude, mas não ao ponto de… Você entende. Melhor comer, dona.
— Me chamo .
— Ok, , coma.
— Por que um estanho me ajudaria?
— Eu não sou tão estranho assim. Afinal, acabei de dizer que minha mulher morreu no carro transando com o meu melhor amigo. Acho que temos intimidade o suficiente para isso, sabe?
Ele riu e franziu o cenho.
Aquele homem era totalmente diferente de John.

X
2015.
Querido John,
Houve momentos em que achei que fosse o fim do mundo pelo fato de você ter marcado a minha pele com ferro em brasa.
Mas nem toda a dor é para sempre.
Os dias se tornaram meses e você me despertou a raiva, mas por causa do destino eu conheci meu verdadeiro John
.

parou de ler a carta escondida em um armário, sentindo aquelas mãos em suas costas. O homem a encarava, rindo das palavras ditas.
— Ele merecia palavras piores.
— Obrigada, querido. Terminou?
— Claro! Tudo montado. Meu Deus, você ainda guarda isso?
— Devo queimar.
— Ou manda para o John.
apenas deu de ombros. encarava sua barriga de pouco mais de seis meses enquanto limpavam o velho quarto do apartamento. A mesma pensava no porquê de ainda guardar aquela lembrança, ao mesmo tempo em que sentia as mãos em suas costas.
— Faça o que acha melhor.

X
Presente.
Os grupos ainda eram os mesmos.
encarou as pessoas rindo enquanto passava pela mesa com as bebidas. O colégio não havia mudado muito, exceto por alguma pintura que o então diretor deve ter feito.
sentia nostalgia, pensando no quanto havia mudado desde aqueles tempos. Até mesmo a mera lembrança de que havia namorado John por aqueles corredores.
?
A voz feminina a chamou e ela olhou para Chloe Sullivan, sua então vizinha. A mesma sorriu para a então ex-colega de classe que estava acompanhada de Hannah, que segurava um copo e avaliava a mulher.
— Você está ótima. Olha só! Venha cá, Ethan!
foi cercada e apenas sorriu tentando fingir que havia reconhecido tais pessoas, mas ninguém nunca lhe dera a devida atenção nos tempos de colégio, apenas Chloe que era sua vizinha e seus filhos que eram melhores amigos.
O fato de ser conhecida como namorada de John Harvey a irritava e Hannah perguntou.
— Você se casou?
— Sim, há uns seis anos. – Sorriu com saudade de seus filhos naquele momento – E você?
— Casei com Ian e me separei no ano passado. Ele me traiu com a secretária. – Comentou com o cenho franzido. Enquanto ria, se lembrou que a loira não tinha papas na língua. – Você parece ótima depois do…
— É. Eu superei.
— Ele veio e está de conversa com a Melanie ali. Vai falar com ele?
Chloe Sullivan deu um beliscão na amiga. Nos tempos de colégio ela e não eram próximas, mas agora poderiam dizer que eram ótimas amigas.
— Eu tinha me esquecido de como a Hannah é. Eu era assim?
— Pior.
— Ainda bem que George não soube desse meu lado, caso contrário ele não iria casar comigo. Aliás, não veio?
— Segundo ele: “divirta-se com a Chloe”.
Eu adoro seu marido. Ele é super divertido. Queria que o George estivesse aqui, mas o Eddie e ele vão ter uma noite de garotos.
— Ciúmes?
— Com certeza. – Murmurou enquanto ria e bebeu o ponche. – Alguém fez um péssimo batismo nessa água que nem é álcool. Não acredito que eu saía com alguém como ela…
— Ela não é toda ruim.
riu e notou a figura ali, apenas acenando para a mesma. John Harvey sorriu e se aproximou com as mãos nos bolsos enquanto Chloe cochichava.
— Ele era mais bonito quando era mais novo. O e até mesmo o George dão de dez nele.
— Chloe.
Censurou-a enquanto John Harvey lhe sorria. Ele era o total oposto de e ela manteve as mãos na bolsa.
— Faz um tempo, .
— É, faz um bom tempo. 10 anos?
— Quase isso. – Ele sorriu, encarando e avaliando a mulher. – Vamos comer depois. Querem vir?
— Eu sinto muito, mas meus garotos vêm me buscar. Já está tão tarde assim? Você vem, ?
— Sim. vem me buscar.
— Namorado?
— Marido. – corrigiu Chloe, arqueando as sobrancelhas. – O que eles estão fazendo aqui?
As duas crianças vieram na frente enquanto os dois homens seguravam os bebês, chamando a atenção de todos.
— George! Eddie já devia estar dormindo.
Ignorando John Harvey, a menina pulou na mãe, indo para o colo.
— O que a mocinha está fazendo aqui?
— Eu, papai e Richie queremos pizza. Viemos buscar a mamãe para podermos comer. Vamos, mamãe?
— Essa ideia foi sua? – A voz de soava falsamente brava, ao mesmo tempo em que percebia a figura sorrir – Eu devia estar brigando com você igual a Chloe com George.
— Desculpe, coração, mas quando a Alicia pede uma coisa eu não consigo negar. E olá, sou . Ei, Chloe, não bata no George.
Chloe encarou enquanto o mesmo enlaçava a cintura da esposa.
— John. John Harvey.
John encarou o homem e o mesmo sorriu. sentiu a saudade de sua família abafar ao mesmo tempo em que encarou John.
— Foi bom revê-lo, John.

aprendeu que certas paixões eram necessárias para se aprender a lidar com o mundo.
Aquele John lhe ensinou que o amor tinha muitas faces.

Fim¹.
 

Nota da Autora: Dear John sofreu comigo e eu com ele. Esse plot veio quando assisti Alguém Especial (aliás, na Netflix, assista e Como Superar Um Fora).
Então, eu espero que tenham gostado tanto quanto eu dessa história.

Com amor,
Lysse.