02. Don’t Start Now

Sinopse: Ela tinha superado, dado a volta por cima e finalmente estava completamente feliz. Estava tão feliz que nem ele conseguiria acabar com sua animação, além do mais, ele era apenas o cara que tentou lhe machucar com a palavra adeus.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Beta: Regina George

Capítulo Único

Encarei o copo de bebida em minha mão, olhando para o líquido transparente com toda a atenção, cogitando seriamente se eu estava bêbada ou não. Dei de ombros, se eu ficasse pior Petra poderia me levar para casa.
Aliás, se eu estava ali, para início de conversa, era exatamente por causa dela.
Pensar em um passado não tão distante, onde há alguns meses atrás eu sequer pisaria naquele lugar apenas por não ser algo que realmente agradasse a Miguel, me dava calafrios.
– Eu senti tanta falta de sair com você. – Petra falou abraçando–me pelo pescoço ao magicamente aparecer ao meu lado.
– Nós nunca deixamos de sair, Pet. – rebati com um sorriso nos lábios, sabendo que ela odiava aquele apelido.
– Você entendeu o que eu quis dizer. – ponderei, concordando com um aceno de cabeça.
– Sim, é apenas o fato de que eu curto te perturbar. – cutuquei sua cintura com meu cotovelo, recebendo uma careta em forma de resposta.
Finalizei o restante da vodca que estava em meu copo, não contendo a careta ao sentir o ardor do álcool
– É, ok, ainda sóbria. – resmunguei, ouvindo a risada de Petra em seguida.
Aproximei–me de uma mesa qualquer próxima a nós duas e depositei meu copo ali, já que era completamente desnecessário ficar segurando um copo vazio. Enlacei meus dedos aos de Petra, tendo certeza de não nós afastaríamos e comecei a caminhar, fazendo com o que ela me seguisse.
– Para onde estamos indo? – gritou próxima ao meu ombro.
– Para a pista de dança.
Continuei caminhando e mantendo meu aperto firme em Petra, disposta com que não nos separássemos. Avistei a pista de dança a nossa frente e parei de caminhar a frente de Petra, voltando a caminhar ao seu lado.
– PORRA! – virei rapidamente na direção da loira ao ouvir sua exclamação, encontrando um sorriso no seu rosto. – EU AMO ESSA MÚSICA.
Sorri com a espontaneidade de Petra, soltando nossas mãos e virando em sua direção para que eu pudesse lhe encarar melhor.
– E o que estamos esperando? – questionei, sendo arrastada para o meio da pista com Petra.
Eu não estava bêbada, porém eu não precisava estar longe da sobriedade para aproveitar aquele momento. Eu estava na boate mais badalada de Melbourne, com a minha melhor amiga e, pela primeira vez em um longo tempo, sem ter alguém que sequer se importava comigo me regulando.
Não possuía uma sensação mais libertadora que aquela, a sensação era simplesmente boa para um caralho.
Não contive o sorriso que teimava em aparecer em meus lábios. Eu estava feliz, verdadeiramente e completamente feliz, então qual seria o problema em mostrar isso?
Aumentei o sorriso que eu ostentava ao ver os olhos castanhos que brilhavam enquanto o homem me encarava de forma analítica, prestando atenção em todos os passos que eu fazia ao dançar.
Me empenhei ainda mais para dançar.
Eu estava solteira, queria me divertir e já tinha um bom tempo que eu não beijava ninguém, aquela era a perfeita definição de uni o útil ao agradável. Pisquei na direção do homem desconhecido, indicando o espaço vazio ao meu lado levemente com a cabeça e observei quando o sorriso malicioso apareceu nos lábios carnudos e rosados.
Continuei movendo meu corpo no ritmo da música, porém não contive a ansiedade presente por todo meu corpo para ter aquele corpo masculino tão próximo do meu.
– Boa noite. – a voz grossa soou próxima a minha nuca, fazendo com o que todos os meus pelos se eriçassem. – Tudo bem?
– Melhor agora. – virei em sua direção, constando que ele era ainda mais bonito ao ser admirado de perto.
Ouvi sua risada e me amaldiçoei mentalmente, não acreditando ter respondido daquela forma. Mas a quem eu queria enganar, eu não sabia mais flertar e isto estava óbvio.
Eu tinha desaprendido a como lidar com a presença masculina por perto.
– Sou . – falou ao se aproximar um pouco mais e pousou a mão na minha cintura.
O toque de seus dedos em minha pele foi tão sutil, que se não fosse pelo fato do corte do vestido deixar aquela parte exposta, eu sequer sentiria o mísero contato que trocávamos.
– Prazer, sou . – sorri de lado. – Vamos dançar?
Não esperei por uma resposta propriamente dita por , apenas retomei os movimentos que meu corpo fazia ao seguir o ritmo da música que tocava. Colei ainda mais meu corpo contra o de , sentindo o aperto em minha cintura aumentar.
Aquela noite estava se tornando cada vez mais interessante.
– Sabe, é a primeira vez que eu vejo você aqui. – retornou a falar.
– É a primeira vez que eu venho. – confessei, virando–me na direção de e jogando meus braços por cima de seus ombros, retornando a dançar, agora encarando–o.
– Espero que venha mais vezes. – murmurou aproximando–se ainda mais.
Sorri abertamente.
– Tudo depende da minha experiência hoje. – respondi no mesmo tom de voz, disposta a quebrar o resto da distância que tinha entre nós dois.
Observei quando fechou os olhos e estava pronta para fazer o mesmo e finalmente descobrir que gosto aquela boca possuía, porém o puxão em meu braço me afastando de me fez arregalar os olhos enquanto eu tentava assimilar o que estava acontecendo.
– Você só pode estar de brincadeira com a porra da minha cara. – falei desgostosa ao soltar–me de Michael.
– Brincadeira? Eu não estou vendo nada aqui que me divirta, . – respondeu ríspido, parando a minha frente.
Revirei os olhos, cruzando os braços a frente do meu corpo e retribuindo o olhar que meu ex me direcionava.
– Eu sequer estou te conhecendo vestida assim. – analisou da cabeça aos pés, falando em tom de desprezo. – Você mudou.
– O que eu posso dizer? O coração partido me mudou. – ri irônica, vendo sua pose afrouxar–se.
, me perdoe. – tentou aproximar–se, porém impedi que sua mão tocasse minha bochecha. – Eu sinto muito, como você está?
Arqueei minhas sobrancelhas ao ouvir aquilo, só poderia ser uma grande piada de mau gosto. Eu não era obrigada a passar por aquilo.
– Não comece a se importar comigo agora, Michael. – rebati com desprezo. – Ou você se esqueceu que eu vivia em seu prol? E qual foi a consideração que você teve por mim? Isso mesmo, Michael, nenhuma.
– Eu sou…
– Você é o cara que terminou comigo e sequer foi homem o suficiente para dizer isso com palavras. – respondi mostrando todo meu desprezo. – Não foi você quem tentou me machucar com a palavra “adeus”?
Vi seus olhos brilharem e o sorriso irônico apareceu em seus lábios;
– Você está fazendo isso para me afetar, ? – questionou descrente.

– Michael, só vai embora. – apontei para a saída do local, mantendo meu olhar firme no par de olhos raivosos a minha frente. – Você sabe muito bem como fazer isso.
Virei–me novamente, ficando de frente para e enlacei meus braços em seus ombros, sorrindo maliciosamente ao ver seu olhar preso em meus lábios.
– Me desculpa por isso. – falei ao ter seus olhos fixos no meu. – Podemos fingir que isso não aconteceu?
Observei quando seu sorriso aumentou.
– Onde nós paramos mesmo? – questionou, retribuindo meu sorriso.
– Bem aqui. – murmurei diminuindo nossa distância e selando nossos lábios.
Talvez eu não tenha desaprendido tanto assim.

FIM