Enchanted

Enchanted

Sinopse: Paixões vêm e saem de nossa vida rapidamente, mas em alguns casos conhecemos aquela pessoa que faz o mundo virar de ponta cabeça. Tudo muda e os sentimentos a cada dia se intensificam cada vez mais, fazendo com que queiramos conversar e estar com ela todos os dias, todas as horas, todos os lugares. O maior prazer que podemos ter é falarmos o encanto que foi em conhecê-la.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Nenhuma
Beta: Rosie Dunne

Enchanted

Poderia estar em diversos lugares que não fosse este salão cheio de pessoas com meia idade, que não me agradavam. No The Blue Pub, Itaú Cultural, Pinacoteca, Parque Ibirapuera, no meio da bagunça do Brás ou do bairro Bom Retiro, Japan House, Catavento, na confeitaria Carlos’ Bakery, largo da Batata, Vila Madalena, em resumo, qualquer lugar menos aqui. O único motivo por eu ter vindo até Monte Azul era o aniversário de 87 anos do meu avô, Julius. A única pessoa de bom senso e de quem eu gostava em quase minha família inteira.
Quando minha avó faleceu em 2015, a família ficou primeiramente devastada, porém, no mesmo dia do enterro da vovó Luíza, ouvi meus tios comentando que por conta do falecimento da vó, o vô Julius logo iria “bater as pernas” e já começaram a planejar quem iria ficar com quanto da herança. Aquilo me encheu de raiva e sai do local. Todos por quem eu passava olhavam para o vô Julius, que estava ao lado do caixão, ainda aberto com o corpo da vó Luíza, mas seus olhares não eram de tristeza, mas sim de interesse. Certeza de que quase todos pensavam a mesma coisa, inclusive meus próprios pais.
No mesmo dia, enquanto estava sentada na varanda de casa com meu avô, ele me fez prometer que mesmo estando longe, já que morava e ainda moro na capital paulista, iria visitar ele, nem que fosse apenas em seu aniversário. Sempre comentava que assim que me formasse e arranjasse um emprego fixo em São Paulo, iria me distanciar da família inteira, mas quem me segurava à cidade onde nasci era meu avô.
No momento, estava sentada em uma mesa central em meio ao salão de festas que sempre ocorria as festa familiares. A maioria das pessoas estavam do outro lado do salão onde meu avô estava sentado, juntamente com alguns dos parentes mais interesseiros. Apesar de preferir ficar sozinha nestas situações, sempre ficava de olho em Julius. Meu avô sempre estava sorridente e era o senhor mais carinhoso do mundo inteiro, e só de olhar para sua figura, trazia um conforto para mim. Nos últimos meses ele havia começado a fazer fisioterapia, já que havia fraturado a o osso da bacia e como consequência a movimentação das pernas havia sido prejudicada, e como era idoso, o aconselhável, após o tempo de recuperação, foi ele fazer fisioterapia. Não sabia muito bem como ele estava, porém tinha a certeza de que ele estava bem melhor agora.
Dou uma olhada pelo salão cheio de balões azuis e brancos, procurando algo que me entretece que não fosse o joguinho do celular, já que a bateria estava quase acabando. Na entrada, um moço desconhecido olhava ao redor procurando por algo ou alguém, e quando aparentemente encontra o que estava, abre um sorriso, que particularmente achei lindo, e começa a caminhar. Nunca o havia visto em todas as festas de aniversário de meu avô, por isso estranhei quando ele chega à mesa onde o idoso estava e o cumprimenta com entusiasmo e o abraçando. Uma de minhas tias, Catarina, chega ao seu lado e dá um beijo em sua bochecha, conversando com o moço desconhecido. Ela vai apresentando o mesmo a todos da família que estavam por perto. Parecia que estava mostrando um prêmio que havia ganhado.
Quando aparentemente ela termina de apresentar o desconhecido para àqueles que estavam próximos, vejo meu avô a chamar e apontar para mim. Estranho a cena, visto que meu vô sabia que eu não gostava de ser incomodada. Tia Catarina me olha por uns segundos com uma cara de desgosto, já que me achava a ovelha negra da família que decidiu viver uma vida de malandra, quando decidi me mudar para São Paulo. Ela desvia o olhar do meu, olhando carinhosamente para o homem ao seu lado e ambos começam a caminhar em minha direção. Olhando para o desconhecido, sinto um comichão se formar em minha barriga. Nervosismo? Ansiedade? Constrangimento? Não sabia ao certo do porquê, mas era algo estranho.
, querida. – Tia Catarina me cumprimenta. – Não tinha te visto aí.
– Oi, tia. Como a senhora está? – Ignoro a falsidade em sua voz e a cumprimento gentilmente, já que havia prometido à vovó que iria tratar todos com cordialidade.
– Ótima, seu primo Roberto foi para os Estados Unidos da América na semana passada. Conseguiu uma bolsa de estudos para a faculdade de Direito de Harvard. Uma excelente escolha de um curso para se estudar. Algo digno. – Consigo sentir a alfinetada que deveria ser para mim, mas a encaro mostrando que não havia sido abalada por suas palavras, mantendo um sorriso simples em meu rosto. – Há… Então, este aqui é , o melhor fisioterapeuta da cidade que está ajudando o Julius. – Olho para o tal , que de perto conseguia enxergar os olhos azuis brilhando em minha direção, com um sussurro de fundo como se quisesse saber se já haviamos nos conhecido anteriormente. – , está é , neta do Julius, ela faz… – Ela para por alguns segundos fingindo tentar lembrar qual era a minha profissão, para no final falar: – arte.
– Olá, fisioterapeuta. – Não me dou o trabalho de me levantar da cadeira que estava e apenas ergo a mão para cumprimentar o novo conhecido.
– Muitíssimo encantado em te conhecer… Arteira. – Ele usa a palavra que ouvia muito de meus primos mais jovens quando falava para eles anos atrás que estudava Artes, porém consigo perceber que apenas usou a palavra por causa do meu “fisioterapeuta” em referência a sua profissão. Eu dou risada.
– Esticando muito a perna de meu avô? – Percebo que ele havia segurado minha mão por um tempo maior que o normal e engato uma conversa rasa.
– São minutos mais do que agradáveis quanto aquele senhor entra no consultório. – Ele solta uma risada que faz com que minha espinha se arrepie por inteira. Só pode ter sido pela corrente de vento fria já que a porta do salão de festas estava aberta.
Tia Catarina, provavelmente já achando estranha nossa interação, levou-o para o outro lado do salão novamente, me deixando sozinha novamente. Fico-o observando de longe, achando sua figura ainda um pouco estranha já que nossa interação não passou de poucos 5 minutos, porém, via a figura de meu avô feliz por sua presença e isso já bastava por mim.
Fico por mais alguns minutos jogando Candy Crush até que minha bateria acaba. Solto um suspiro longo, por não saber para qual lugar ir e por sentir a solidão bater na porta e eu estar preparada para deixá-la entrar. Abaixo a cabeça e a apoio em cima de meus braços que estavam por cima da mesa, disposta a tirar um cochilo ali mesmo, sabendo que iria demorar para ir embora.
– Noite agitada, hein? – Escuto uma voz masculina perto de mim e, quando viro meu rosto, vejo o fisioterapeuta se aproximando. Dou um mini sorriso mostrando o meu grande interesse em participar daquele evento. – Posso me sentar? – Ele aponta para a cadeira ao meu lado.
– Claro. Não tem ninguém aí mesmo.
– Minha mãe sempre me disse para tentar ser o máximo educado possível com as pessoas. – Ele comenta dando uma risada enquanto se sentava, e eu ajeito minha postura.
– A minha também, por isso que fugi daqui para não começar a enlouquecer. – Rimos e por alguns segundos paira um silêncio constrangedor.
– Você trabalha com o quê? Pois fazer arte pode ser qualquer coisa. – Ele apoia um cotovelo sobre a mesa e apoia a cabeça na mão, e me olhando com os olhos azuis curiosos.
– Curadoria de arte. Trabalho em um museu. – Respondo sentindo meu coração se aquecer só de lembrar do trabalho que tanto amava, mas que no momento tinha me dado férias, por conta de todo o estresse que havia sido nas últimas semanas devido à obras e complicações no museu.
– Olha só. Rodeada de pinturas, esculturas e coisas antigas. – Ele comenta impressionado. – Não entendo nada dessas coisas. – Ele dá uma risada e acompanho por ter achado fofo.
– O melhor que se pode fazer é parar em frente a uma obra e apreciar…
– Para no final um jovem falar “top”. – Ele completa e dou uma gargalhada por lembrar de uma excursão escolar que havia visitado o museu e um adolescente ter comentado a mesma coisa, após ficar um tempo em frente a uma obra maravilhosa do pintor judeu Lasar Segall.
– É uma agulha no coração a cada comentário assim. Pelo menos elogiou.
– Acho que o pior é quando tem àquelas esculturas de pessoas nuas e todos ficam prestando atenção nas genitálias. Mas confesso que eu sou uma dessas pessoas. – Ele fala baixinho no final como se fosse um segredo e acabo por rir alto demais, que quando olho ao redor, vejo meus familiares me olhando como se eu fosse um diabrete que surgiu do nada. Porém, percebo os olhos de meu avô fixos em mim e ele dá uma piscadela, fazendo com que eu estranhe.
Depois disso, eu e engatamos em uma conversa com o pouco de sabedoria de arte que ele possuía. Estava acostumada aos exemplos de comentários que ele falava, já que ninguém era obrigado a saber qual o estilo de pintura era predominante na França no ano de 1736. Apesar de saber muito sobre, e praticamente ter decorado as épocas dos estilos de arte e que em meados de 1736 a arte que invadia a França era o rococó, um dos estilos que eu era mais que apaixonado, por todo o requinte e detalhes que ele trazia. Tanto que era sobre ele que eu estudava em minha pós-graduação.
– O que acha de sairmos daqui e ir à lanchonete que tem perto da pracinha? – Ele comenta após um tempo de conversa. Olho para ele, mesmo querendo sair muito do lugar, mas havia o conhecido nem por 24 horas. – Aqui não tem comida boa de verdade e eu estou com muita fome, coisa que não irá embora com o que está sendo servido aqui. – Ele faz uma careta engraçada e concordo com sua ideia, falando que iria avisar meus pais, mesmo sendo grandinha, pois havia comentado que iria ficar até o final da festa para voltarmos para a casa deles juntos.
– Mãe, eu estou muito cansada e acho que vou indo, okay? – Falo assim que me aproximo de onde ela se encontrava, que era na mesa onde estava junto meu pai, avô, tia Catarina e seu quinto marido. – O fisioterapeuta do vovô vai me dar uma carona. – Comento quando percebo que se aproximava para se despedir de quem iria ficar por ali.
Mesmo estando mentindo, se eu falasse que estava indo para uma lanchonete, ela iria ficar mais braba do que a ideia de eu ficar em uma mesa separada do que a dela. Ela simplesmente responde um ‘tudo bem’, já que confiava mais no homem com que eu iria sair e que eu mal conhecia do que em mim.
– Tchau, vovô. Fique bem. – Vou até meu avô, para lhe dar um beijo em sua bochecha rosada. – Vou indo embora, mas na semana vou até tua casa para ficar um tempo com o senhor.
– Até mais, minha querida, . – Ele me chama pelo apelido que somente ele usava desde que eu era uma criança, que basicamente era meu nome ao contrário. Me abraçando forte, escuto-o falando perto de meu ouvido. – Aproveita o tempo com o doutor . – Quando soltamos o abraço, com minhas bochechas avermelhadas, o vejo me olhando mostrando que sabia de alguma forma que eu não iria para casa agora.
Saio de lá junto com e ele vai me direcionando para a lanchonete que havia comentado. Chegamos no local, que era o Lanchão do Max que ficava aberta 24 horas, mas não tínhamos que nos preocupar já que não era nem 22 horas.
– O que você vai querer? – Escuto perguntando enquanto ainda dava uma olhada no cardápio de lanches, me decidindo entre dois lanches.
– Ainda não sei ao certo… Estou entre um x-salada ou um x-egg. Mas sei que vou querer um suco de morango. – Respondo ainda olhando para o cardápio, pensando se minha vontade de comer salada era maior do que a de comer um ovo frito.
– Pede um x-salada com ovo então. – Ele responde prontamente e olho para ele.
– Bem pensado. Vai isso então. – Deixo o cardápio de lado e dou uma olhada no ambiente.
A lanchonete em tons vermelhos e amarelos, era bem simples e não tão grande. Havia diversos salgados prontos no balcão que chegavam a dar água na boca. A máquina de suco ligada, mexia o suco que devia ser de limão pelo tom esverdeado que o líquido tinha. Era um ambiente gostoso de estar, independente da hora.
– Então… . – Ele me chama pelo apelido que meu avô tinha falado e sinto minhas bochechas corando. – Me conta aí o que você gosta de ver? – pergunta após passar nossos pedidos para um moço que havia vindo até a mesa que estávamos.
– De série? Filme? Novela?
– Qualquer coisa que passe na TV.
– Hm… Comecei a assistir a uma série que mostra um pouco da família real britânica, que se chama The Crown. É bem interessante, pois algumas coisas são verídicas e deixa a série melhor ainda.
– Deve ser mesmo. As vezes vejo algumas notícias e tem cada coisa louca naquela família. – Ele ri um pouco. – Eu com meus 27 anos ainda assisto desenho e são poucas as séries que vejo. Gosto mais de filmes mesmo.
– Que desenhos você vê? – Rio um pouco, pois a figura dele sentado em frente ao sofá vendo desenho animado era algo engraçado.
– Avatar, Gravity Falls… Nem continuo, pois você vai fugir. Um filme que sou louco, e devo ter visto um monte de vezes é O Senhor dos Anéis. Melhor filme de todos os tempos. – Ele se empolga e fala com certeza a última frase.
– Nunca vi. – Comento e me olha assustado.
– Não creio nisso. Não importa se os três filmes juntos dão 1 década, você precisa assistir. Todo o caminho de Frodo até o fim para conseguir destruir o anel, enfrentando todas as tentações e os personagens que aparecem em meio à sua jornada. A amizade dele com o Sam. Tudo. TU-DO. Sério, , você tem que assistir. – Sua animação me faz dar uma risada e abrir um sorriso, pois o jeito que ele falava, tão empolgado, sobre a história de Frodo Baggins era surpreendente e me fazia de verdade querer ver os filmes.
– Okay, okay, eu vou assistir. – Falo após tanta animação de sua parte. – Um dia.
– Vou acreditar em você… – Damos risada e no minuto seguinte aparece o mesmo moço que havia anotado nossos pedidos, com nossos lanches e bebidas. – Opa, o rango chegou. – Quando pisco ele já estava dando a primeira mordida no hamburguer enorme que ele havia pedido.
– Que delícia que parece. Você vem aqui sempre? – Pergunto e dou uma mordida no meu lanche. Parecia uma alimentação dos deuses de tão gostoso que estava.
– Não, só quando vou em festas e a comida servida não é das melhores. – Ele fala em referência à comida da festa de aniversário de meu avô e dá uma mordida. – Estavam servindo canapés? Macarons? Comida chique não alimenta o meu estômago. – Mais uma mordida.
– Pelo o que eu sei, foi uma de minhas tias que decidiu fazer o cardápio chique da festa. Ela se acha a rainha internacional e quer se mostrar que sabe fazer uma festa da “classe dela”. – Comento e rolo os olhos lembrando de como ela era uma falsa cobra que queria chamar a atenção de meu avô, mesmo ele tendo pedido para ser uma festa bem simples, no fundo da casa que ele morava.
– Você não gosta mesmo da tua família. – Ele afirma. – Percebi pelo jeito que falou com a Senhora Catarina.
– Aquela é a pior. Se acha mais do que todos, e ainda mais agora que meu primo foi fazer universidade nos Estados Unidos, mas tenho certeza de que ela deve ser uma puta que tem caso com o prefeito, mesmo sendo amiga da primeira-dama. – Falo de uma vez com ódio na voz, enquanto dava um gole no seu suco de laranja e vejo ele quase se engasgar com o líquido e acabar por dar uma gargalhada.
– MEU DEUS! – Ele deixa seu lanche de lado e fico apenas o olhando. – A Catarina sempre me pareceu ser uma senhora gentil. Pelo menos comigo ela é.
– Não conhece ela direito então. – Falo e dou mais uma mordida em meu lanche.
Ficamos os dividindo os próximos minutos entre comer, beber, falar sobre filmes, séries, o dia-a-dia, eu reclamando um pouco de minha família e ele reclamando de alguns colegas de trabalho do hospital em que ele trabalhava. era um cara engraçado, inteligente e muito legal, tanto que nem percebíamos o tempo passar, já que sua companhia era extremamente agradável, me fazendo sentir como eu mesma, coisa que era rara, fora os momentos em que estava com minhas amigas.
O lanche acaba, mas a conversa não. Resolvemos sentar-nos na escadinha da entrada da lanchonete, já que o dono era amigo de . Com meu celular sem bateria, não fazia ideia qual horário era.
– Deixa eu ver aqui… – Ele tira o celular do bolso frontal da calça, coisa que achava injusto já que as calças jeans femininas não tinham espeço no bolso frontal nem para uma moeda de 1 centavo. – São 23h15.
– Ai, meu Deus. Eu tenho que ir, . Me perdoe. – Me levanto no susto pelo horário e começo a olhar ao redor procurando um taxi para me levar até à casa de meus pais.
– Sem problemas, . Já foi um prazer ter passado esse tempo contigo. – Ele dá um sorriso sincero e fico um pouco triste por ter que ir embora.
– Você sabe onde tem taxi aqui por perto? A casa dos meus pais é do outro lado da cidade praticamente e meu celular está morto para eu pedir um carro de aplicativo. – Pergunto para ele.
– Uhum, eu te acompanho até lá.
Seguimos até o ponto de taxi, onde havia 3 carros parados e quando me aproximo do primeiro, viro para ele para me despedir.
– É… Obrigada por me tirar da festa. – Falo colocando minhas mãos no bolso da jaqueta que usava.
– Você estava com uma cara de que iria se suicidar a qualquer momento, então apenas fiz a boa ação de cada dia. – Ele ri um pouco. Sua risada, mesmo fraca, era contagiante e trazia uma sensação boa, fazendo com que o ar em volta ficasse tão leve.
– Estava mesmo, se não chegasse na hora certa, nem te digo onde estaria agora.
– Na mesma cadeira tenho certeza.
– Sábio. – Rimos juntos enquanto eu abro a porta traseira do carro, após confirmar com o motorista que ele podia me levar. – Muito obrigada, . Espero te ver mais por aí.
– Até, . – Ele dá um tchauzinho com a mão, eu entro no carro já colocando o cinto de segurança e assim que o motorista arranca, olho para trás vendo ainda parado na calçada com um sorriso de lado.

 

 

Alguns dias tinham se passado e dividia minhas horas entre estudar para a matéria de Panorama da Arte e Cultura no Mundo Contemporâneo da minha pós-graduação de “Internacionalização, Arte e Cultura” e ficar recordando das poucas horas que havia dividido com o fisioterapeuta de meu avô, .
Minha vinda para Monte Azul para o aniversário de vovô veio em boa hora até. No local em que trabalhava, o Museu de Arte de São Paulo, o tão conhecido MASP e seu vão enorme, havia tido uma obra nos últimos meses que só aparecia problema atrás de problema e mesmo eu sendo a curadora de arte assistente, ainda tinha muita coisa para resolver. A parte administrativa do museu nunca parava. Eram exposições que chegavam, que saiam, obras para catalogar, escrever um pouco sobre elas para deixar junto a mostra para o público, ajudar os superiores no desenvolvimento dos projetos, auxiliar o núcleo de pesquisa e no meio disso tudo tinha a parte técnica juntamente. Fora que a pós-graduação não ajudava também, mesmo sendo apenas 2 vezes por semana.
A melhor parte é que consegui antecipar meu mês de férias e juntei com minha viagem à minha cidade natal, pensando que ficaria em meu antigo quarto todos os dias basicamente, saindo apenas para ir ver meu avô. Porém, tudo mudou quando conheci o gentil , com seu jeito leve de ser e de se estar junto em sua companhia.
Segundos após de eu ter entrado no táxi que me levou até o destino que tinha indicado, comecei a sentir as bochechas esquentarem por toda a adrenalina que não tinha aparecido durante todo o momento que havia se passado. Eu realmente estava corada só de pensar no homem que havia sido mais do que legal e fofo comigo. Ficava pensando se estava sendo uma boba por estar sentindo aquele comichão estranho na barriga, apesar de que não era todo dia que isso acontecia.

Será que consegui passar uma impressão boa?
Será que poderíamos continuar nos falando?
Será que consegui mostrar que estava bem ao seu lado?
Será que ele conseguiu perceber o quão encantada eu estava?

De sábado até hoje, quarta-feira, 6 de março, me perguntava também o porquê de não ter pegado o número de , ou vice e versa. Era o meu celular sem bateria? Era ele não ter perguntado? Seria pelo fato de estarmos tão entretidos um ao outro que o aparelho telefônico se tornou irrelevante? Sabia que ele trabalhava com meu vô e poderia muito bem ir até lá procurá-lo, mas me impedia de fazer isso pois iria parecer desesperada, e isso era tudo o que eu não queria aparentar. O coração até apertava um pouco por conta da insegurança de tentar ir atrás dele.
O dia se passa lentamente, onde cada página que lia do livro recomendado pela professora parecia ter mais de 5 mil palavras. Como poderia aproveitar as férias no trabalho, sendo que a pós-graduação estava me consumindo? Havia deixado o celular de lado para não me distrair e durante grande parte do dia havia conseguido isto com êxito. Tiro meu óculos por um momento para esfregar os olhos já cansados, tentando espantar o sono de alguma maneira e quando olho para o horário no canto inferior direito da tela do notebook, percebo que já se passavam das 21 horas. Não havia nem jantado ainda, visto que a dona da casa não havia me chamado.
Levanto-me da cadeira da escrivaninha de madeira clara, onde fiquei quase o dia inteiro sentada para me esticar um pouco e ir até o pavimento térreo procurar algo para me alimentar. Me dando a folga que precisava, depois de me dedicar horas ao estudo, pego meu celular e desço as escadas, indo até a cozinha que ficava mais aos fundos da casa, que tinha vista para um quintal grande.
Antes de ficar por minutos ininterruptos mexendo no celular, verificando cada rede social que possuía, pego um prato e encho com a comida feita por minha mãe, que ela havia deixado nas panelas em cima do cooktop. Encho um copo com suco de laranja que estava na geladeira enquanto espero a comida esquentar no micro-ondas e assim que ele apita, vou até a mesa e numa mão tenho um garfo e na outra o celular. Se minha mãe me visse agora, iria começar a tagarelar sobre como não deveria usar o aparelho eletrônico à mesa, justamente enquanto comia, já que fazia mal à saúde e não me alimentaria direito. Felizmente não morava mais com ela para dar pitacos sobre minha vida.
Enquanto rolava o feed do Instagram, onde a maioria das contas que seguia era sobre história da arte, artistas contemporâneos, museus do mundo inteiro, recebo uma notificação de um número desconhecido. Clico na notificação do WhatsApp para entrar na conversa e vejo que o contato estava digitando.

 

“Oi,

“Desculpa estar mandando mensagem do nada hahah Atendi o seu Julius hoje e acabei pegando seu contato com ele. Um pouco indiscreto, mas acabei esquecendo de pegar no sábado”

“É o aliás”

Meus olhos se arregalam e deixo o garfo cair sobre o prato. O coração começa a bater rapidamente e fico pensando na cena dele e meu avô conversando e pedindo meu número de telefone ao idoso. A vergonha começa a aparecer, pensando no que meu avô iria falar comigo quando eu fosse até sua casa.
Respiro fundo tentando assimilar tudo o que estava acontecendo no exato momento. Não poderia demorar muito já que ele deveria estar vendo que eu estava online e havia visualizado sua mensagem.
Respira fundo, . É apenas um homem comum.
Inala.
Exala.
Conto até 5 mentalmente e começo a digitar uma resposta.

 

 

A semana seguinte se inicia já cheia de emoções. Desde quarta passada quando mandou mensagem no fim do dia, não paramos de conversar. Sempre comentando sobre a vida um ao outro, o que gostávamos, o que estávamos fazendo e sobre diversos assuntos aleatórios. Foram 6 dias intensos até, já que era bom conversar com ele.
! Venha aqui fora. – Escuto meu avô me chamar enquanto estava retirando a lasanha de frango que havia preparado para nós dois para o almoço.
Era segunda-feira e pretendia passar o dia com meu avô, já que na última seana não foi possível por conta das atividades da pós-graduação. O dia estava lindo, com o céu azul sem nuvens e o sol brilhando e esquentando a pele.
– Já vou, vô! – Grito da cozinha para que ele pudesse me escutar do deck de madeira que havia na parte exterior da casa. – Acabei de tirar a lasanha do forno, vou fazer um suco para nós e já vou aí. – Complemento.
Apesar de querer muito passar esse tempo com meu querido avô, estava receosa do que ele poderia querer conversar comigo a qualquer momento, já que seu fisioterapeuta havia pedido meu número de telefone para ele. Já era estranho quando alguém pedia seu número à um familiar, porém o fisioterapeuta de seu avô pedir seu número para o mesmo era mais estranho ainda. Minha vida já era cheia de surpresas, artes, criatividade, o início de um tipo de relacionamento, mesmo que seja amizade, não seria diferente.
Primeiro levo a jarra da limonada suíça à mesinha que havia no deck onde meu avô estava, depois levo a lasanha e um arroz para acompanha. Escuto minha barriga roncando já que não havia me alimentado mais cedo e o cheiro que a comida posta a mesa exalava era gratificante. Aprendi a cozinhar na marra já que morava em São Paulo desde o primeiro ano da faculdade e morar numa república tinha seus malefícios também. Depois de formada e com um emprego até que com um salário bom, consegui alugar um apartamento pequeno e nos fins de semana tentava me dedicar a ter uma alimentação saudável fresca em casa.
– Está tudo uma delícia, . – Meu avô elogia depois de umas garfadas. – Você deveria vir aqui mais vezes para fazer meu almoço. Não aguento mais a comida da Catarina. – Ele faz uma careta ao aparentemente lembrar da comida que minha tia fazia para ele.
– Já te disse, vovô, que no período do seu aniversário eu sempre estarei aqui.
– Não é o suficiente. – Ele encosta os talheres no prato. – Estou velho e posso morrer a qualquer hora. – Ele fala seriamente olhando diretamente para os meus olhos.
– Credo, vô! Não fala essas coisas! – O olho indignada. – Sabe que não gosto quando você fala de morrer.
– Mas é a verdade, minha querida . Eu sinto falta da minha pequena netinha. Sem minha querida Luíza por aqui, fico muito solitário, mesmo com toda a família por perto. Sinto que eles vêm aqui forçados e se pudessem já teriam me colocado em um asilo desde quando sua avó veio a falecer. – Escuto-o falando tristemente, já que a morte de minha avó foi um baque para ele.
– Ai, vovô. Me desculpa, o senhor sabe como é corrido para mim lá na capital. Tenho meu trabalho, meus estudos… Eu tenho uma vida lá. Uma nova vida. – Meu coração se aperta ao ver ele daquele jeito. Gostaria muito de puder levar ele para morar comigo em São Paulo, mas era complicado, ainda mais agora com as dificuldades de locomoção e todo o apoio que ele precisava sempre que precisasse.
– Eu fico mais do que feliz por isso, . Você foi para longe, voou longe… – Ele dá uma suspirada ao me olhar, mostrando o quão orgulhoso estava por mim. – Quem diria que aquela lagartinha que você era quando criança, iria virar essa borboleta linda que é atualmente. – Damos risada já que ‘lagartinha’ era uma palavra que ele as vezes usava para me chamar muito tempo atrás. A sensação de nostalgia começa a dominar meu corpo.
Continuamos nosso almoço conversando sobre os anos passados quando eu ainda morava na cidade de Monte Azul. Eram tantas lembranças que eu tinha daquele lugar, que tentava tirar toda minha família e tentar apreciar os momentos em que estava com meus antigos colegas, que não via há muito tempo, os momentos com meu avô e minha avó quando a mesma era viva. Era gostoso voltar até aqui, apesar de que não mais minha casa.
– Nem me fale da Magda. – Meu avô comenta após termos uma crise de riso quando estávamos comentando sobre o pessoal da família. – Desde pequena ela foi sistemática. Na festa ela apareceu no meio da tarde e mudou tudo de lugar, brigando com o pessoal da decoração, mesmo não sendo a responsável. Não sei como consegui conviver com teus tios.
– O charuto clássico do senhor certeza que foi um grande companheiro. – Falo lembrando de que em todo domingo, ele costumava acender um charuto no deck observando a paisagem.
– Saudades de um… Já que estamos falando da festa… – Ele inicia a fala e sinto meu coração começar a acelerar. Seria agora que iriamos tocar no assunto: Fisioterapeuta . – Você e o Doutor ficaram amigos, não? Vi que ficaram um tempo conversando na mesa em que você estava e depois saíram juntos.
– Não foi nada de mais, senhor Julius, pode tirar esse sorrisinho na cara do senhor. A gente foi numa lanchonete que tem na pracinha e foi só.
– Percebo. – Ele coça o queixo aparentando estar pensando em alguma coisa. – E por que ele pediu seu contato de telefone para mim na quarta-feira passada no meio de uma seção de estica-perna? – Ele me olha questionando-me.
– Sei lá, vô. Queria manter contato, viu o quão brilhante eu sou e quer aulas sobre história da arte, ou saber as próximas exposições no MASP? – Tento desconversar um pouco falando sobre coisas aleatórias que nunca foram citadas nas conversas entre mim e o fisioterapeuta dele.
– Você não me engana, . Seus olhinhos estão reluzindo. – Ele dá uma risadinha no final, se encostando na cadeira em seguida já que havíamos terminado o almoço fazia alguns minutos.
– Pode parar, Julius. Exagerou. Fica aí sentado que eu vou lavar essa louça e depois vamos dar uma volta na quadra. – Rebato, me levantando e pegando as louças sujas sobre a mesa e me dirigindo até a cozinha.
Enquanto lavava a louça ficava pensando sobre minha recém conversa com meu avô. Eu não sabia o que estava acontecendo direito, mas não poderia deixar de citar nos meus últimos dias. De dia focava em estudar, mas a noite milhares de perguntas invadiam meus pensamentos, justamente enquanto conversava com , pois era neste horário que ambos estávamos livres. A cada dia, hora, minuto, eu descobria um pouco mais sobre ele e seu jeito de ser, que eram os mesmos que ele mostrou no dia do aniversário de meu avô e que a cada mensagem enviada me encantavam mais ainda.

 

 

Apaixonada era uma palavra muito forte para se dizer ao querer significar um sentimento por alguém que acabou de conhecer. Gostar. Eu gostava de conversar com ele.
Duas semanas haviam se passado desde o dia que meu avô me perguntou sobre , pessoa que eu ainda continuava a conversar diariamente. Não que conversássemos 24 horas, já que ambos tínhamos nossos afazeres e ele estava trabalhando normalmente nos dias úteis. Mas era a partir do pôr do sol que as coisas se intensificavam. Em alguns dias, eu chegava a ficar até às horas da madrugada acordada, fantasiando histórias onde os protagonistas eram eu e ele, . A bosta de minha mente criativa, imaginação fértil, sempre foi algo que me incomodava às vezes, principalmente quando envolvia pessoas plausíveis de eu gostar. Sonhava com cenas, viagens, sonhos que nunca iriam se realizar. Mesmo sendo uma mulher adulta, ainda tinha esses momentos adolescentes que me acompanhavam desde a minha adolescência.
Não era algo comum isso. Será que em meus relacionamentos anteriores, mesmo estes sendo poucos, eu senti a mesma coisa no início de como estou me sentindo em relação ao fisioterapeuta? Eu me perguntava se em épocas passadas eu sentia tamanha sensação intensa como a que sentia toda vez que chegava uma notificação do homem que atualmente gostava. Parecia que tínhamos nos encontrado em um daqueles aplicativos de relacionamentos e estávamos enrolando para marcar um encontro e conhecer de verdade a pessoa, mas tudo começou ao contrário, onde o início começou com o encontro e depois que fomos para a conversa para que com o tempo conhecêssemos um ao outro.
Não poderia amar ele. No momento acho que nem sei mais o que é amor. Será que eu realmente amei meus ex-namorados?
“Eu tenho a certeza de que amo minha mãe hahaha”
“Ela me criou sozinho e batalhou um monte para enfim conseguir a tão sonhada aposentadoria”

Olho para a tela do celular sentindo um sorriso bobo crescer em minha face pelo jeito que falava de sua mãe. Em pleno horário das 2 da manhã, começamos a conversar um pouco sobre o que gostávamos, um pouco sobre nossa família e os assuntos se misturaram até ele começar a falar de sua progenitora. O que ele sentia por ela era realmente algo muito maior que admiração.
“E você, ? Quem você ama?”
Leio a mensagem e fico alguns segundos pensando. Deveria ser uma pergunta fácil de responder. Geralmente falamos que amamos nossa mãe, nosso pai, os avós, alguém que realmente foi ou é importante na vida. Poderia facilmente responder que amava meu avô, que era a principal razão de eu me deslocar da capital São Paulo e viajar até a cidade de interior, apenas para vê-lo, porém, travei.
Você.
A resposta automaticamente aparece em minha mente e assustada jogo o celular para o meio da cama, evitando assim de eu responder a mensagem. Não poderia, do nada, responder que amava ele. Não amava ele. Algo muito intenso para pouco tempo. Não havíamos saído novamente. Não havia nada entre nós. Não havia nada.
Levanto da cama e começo a andar de um lado para o outro, ignorando se estava fazendo algum barulho mesmo sendo após a meia noite. Estava nervosa e com medo. O futuro demonstrava ser mais incerto ainda agora e a minha ansiedade que há tempos não aparecia, dava seus indícios. Seria pedir muito para que ele aparecesse na porta da casa de meus pais, eu abrisse a porta e ele falasse tudo o que realmente sentia e o quão bom foi me conhecer?

 

 

A manhã seguinte se inicia como se nada na madrugada anterior tivesse acontecido. Pelo menos era o que os outros poderiam imaginar, já que dentro de mim as coisas apenas ficavam mais intensas. havia perguntado quando que poderíamos nos encontrar novamente, tentando encaixar esse “segundo” encontro em um fim de semana que não tivéssemos planejamento e que eu ainda estivesse na cidade. Estava dividida entre a felicidade de poder sair com ele novamente e conseguirmos termos as conversas frente a frente e entre o nervosismo de ver ele novamente depois de tanto tempo apenas olhando suas palavras numa tela de celular e ocasionalmente escutando sua voz via áudio do WhatsApp.
Havia um medo crescendo juntamente. Medo da incerteza. Medo do futuro. E com isso eu ficava triste. Tinha medo dos meus sentimentos por . Tantos traumas que já havia passado em meus relacionamentos anteriores, que sempre que um pudesse estar começando, eu ficava pensando se esta pessoa iria sumir, ir embora e nunca mais voltar, justamente quando eu estava começando a desenvolver algo mais intenso e mais forte por ela. E era bem isso que estava acontecendo com . Algo forte estava se desenvolvendo e não queria perder isto, estando apenas me iludindo.
Horas se passam e vamos trocando algumas mensagens soltas, tentando combinar um dia, lugar e hora para nos encontrarmos novamente. Queríamos aquilo de verdade.
Depois de tudo decidido, voltamos a focar nos afazeres da vida. Estava ao máximo tentando deixar a ansiedade, que teimava a aparecer, de lado, mas algo no fundo da alma tentava me inquietar.
Não muito tempo depois escuto meu celular tocar e quando vejo na tela do celular, percebo que era minha chefe e imediatamente atendo. Estava a poucos dias de voltar ao trabalho, mas mesmo em férias, não conseguia deixar de responder mensagens e ligações dos companheiros de trabalho no museu.
Oi, . Como estão as coisas por aí? – A voz robotizada da mulher ecoa.
– Está tudo ótimo. Tem alguma coisa acontecendo por aí? Não me diga que fizeram outra restauração de forma errada.
Não, isso não. – Ela dá risada. – Estou supervisionando tudo de pertinho por aqui. Mas liguei para falar sobre outra coisa com você.
– Pode falar.
Então, querida. Não sei se você lembra, mas um tempo atrás estávamos em um acordo de comprar o prédio daqui do lado para deixarmos toda a parte administrativa do MASP lá, para liberarmos alguns setores e conseguirmos aproveitar mais para outras exposições, abrir alguns espaços para o público que cresce cada dia mais…
– Lembro sim. O que isso tem a ver com a ligação?
Então, , logo que você entrou de férias, saiu toda a liberação e começamos as mudanças para o prédio anexo. Com a obra aqui finalizada e aqui do lado também já finalizaram, estamos mudando as coisas e queremos deixar toda a base lá o mais rápido possível, já que logo vão começar a mexer em mais coisas no museu. Como você tem também a parte administrativa, queria saber se tem como você voltar antes, para até mexer nas tuas coisas, arrumar lá. Você sabe da política de ninguém mexer nas coisas dos outros, né? O Pereira fica louco. – Enquanto ela ia falando, uma escuridão começa a preencher minha mente, já que tudo o que havia planejado até antes havia ido por água abaixo.
Sabia das minhas prioridades, sei que estava de férias, mas quando se havia algo no museu que eu precisasse estar por lá, eu iria. Eu amava o que fazia, amava onde trabalhava. Eu precisava voltar.
– Eu volto mais cedo sim! Pode deixar. Amanhã eu já compro a passagem para o quanto antes.
Ai, por isso te adoro, ! Não se preocupe que os dias das tuas férias que vão ficar, o RH dá um jeito. Já tão sabendo disso. Beijinhos, querida – Ela se despede.
Assim que a ligação é encerrada, olho fixamente para a parede à frente.

“Oi linda”

“Más notícias”
“Conte logo”

“Acabei de receber uma ligação do museu e precisam de mim lá o quanto antes.”

“Não vai dar para sairmos no sábado :/”

“Sério? ☹”
“Que pena… Estava animado para um hamburguer com você novamente hahaha”

“Pois é. Eu também”

“Não se preocupe . Trabalho é trabalho e não iriam ligar se não fosse importante”

“Espero que o que teve até agora seja só a primeira página de muitas.”

Olhando sua última mensagem sinto um mini aperto no coração já que esperava o mesmo que o que ele sentia. Seria maravilhoso ter saído com ele novamente antes de voltar à capital, mas até conseguia sentir que o que tivemos até agora não seria onde a história termina.

 

 

6 meses depois
Lembro como se fosse ontem do primeiro contato. As risadas, as brincadeiras, os suspiros, o caminhar.
Minha volta para São Paulo fez com que tudo mudasse. Estava voltando para a minha rotina de sempre com uma bagagem de mão extra repleta de sentimentos.
Não quero dizer que paramos de conversar, mas o lugar e momento mudou. Coisas foram aparecendo, trabalho, provas, estudos, a própria vida que não colaborava e todo esse acúmulo de imprevistos e atividades fez com que as respostas rápidas demorassem horas para virem. Não tinha aquele desespero em conversar, apesar de que eu sentia em todos os dias falta daquela notificação que virou a minha preferida, já que sempre me fazia sorrir. Criamos brincadeiras entre nós dois, que quando acaba por ver alguma imagem que assemelhava ao o que conversávamos, salvava a foto e mandava para ele, mesmo tendo uma mensagem de dias atrás não respondida.
Deveria ser considerada como os jovens chamam de trouxa? Iludida? Burra? Boba? Eu mesma me achava isso em algumas vezes, querendo de vez esquecer e deixar ele para trás. Mas quando estava perto disso, recebia uma mensagem dele.
Não sabia direito o que estava acontecendo com ele, do mesmo jeito que acaba não falando tanto da minha. Apesar de tudo, em algumas horas o seu nome ecoava em meus pensamentos, perguntando-me como ele estava, o que estava fazendo e onde estava. A insegurança era alta para mandar perguntas simples para ele, temendo que ele não respondesse, como fazia com outras.
Poderia dar um basta e simplesmente ignorar tudo. Simples, fácil e prático. Mas em alguns raros momentos, a conversa se intensificava e acabávamos confessando algumas coisas um ao outro.
“Queria muito ter um tempo para ir até aí”
“Você parecia muito tímida no dia hahah até estava pensando que foi uma péssima ideia ter te chamado, mas por mensagem é bem extrovertida”
“Não tem mais desculpas para não se soltar”
veio para me tirar da zona de conforto que habitava em mim desde que me entendia por gente. Com ele eu queria mais, me soltava de verdade, mesmo sendo por mensagem. Não tinha aquele filtro, de não mandar as bobagens que costumava mandar para outras pessoas próximas ou de não ficar mandando textos longos descrevendo como a escola de artes e design Bauhaus, fundada por Walter Gropius em 1919, na Alemanha, foi pioneira em diversos assuntos, sendo uma escola de conceito aberto, onde diversas mulheres conseguiram ter seu espaço por lá, sendo o número de matrículas femininas maior que as masculinas, mesmo que nunca tiveram o mesmo conhecimento como os homens. Mesmo com toda esta participação, os cursos ainda tinham sua divisão, onde as disciplinas de arquitetura, pintura e escultura eram destinadas ao “sexo forte”, deixando as mulheres majoritariamente em costura, como exemplo.
Deveria ter aproveitado o momento em que estava em Monte Azul e ter ido ao seu encontro? Deveria ter tomado tal atitude e ignorar meus medos e ir atrás de algum início de uma provável história?
Alô?
– Vô? É a . – Falo após a ligação ser atendida.
! Finalmente uma ligação sua, depois de tanto tempo. – Ele exclama já que fazia muito tempo desde minha última ligação, assim que tinha chegado em meu apartamento na capital. – Estava pensando em você nesses dias, mas estavam mexendo em algo do telefone aqui e não consegui te ligar.
– Desculpa ter demorado, ficou tudo tão confuso depois que cheguei em casa que esqueci de tudo por fora…
Até de seu velho avô. – Ele resmunga.
– Desculpa de novo, vovô. – Falo manhosa, sentindo a tristeza que ele devia estar sentindo. Deveria ser mais presente, ligar e visitar meu querido avô, mas a distância e os compromissos que ocupavam minha mente eram imensos que eu acabava esquecendo ou postergando todo o resto. – Consegui ter um tempinho nessa minha vida de adulta para ligar com o senhor e verificar como estão as coisas por aí.
Estão na mesma, minha querida. Parece que a vida aqui no interior não muda muito. – Ele comenta com a voz cansada. – O dono da mercearia, Seu Miquéias, foi preso pois estava vendendo carne roubada, teve um incêndio na casa da Úrsula, ela, graças ao Senhor estava na casa do Pereirinha, lembra do Pereirinha? Então, o marido da Guilhermina. Ouvi dizer que ela atacou o chinelo quando descobriu do caso da Úrsula com o Pereirinha. – Seguro uma risada ao ouvir ele contando dos últimos acontecimentos, já que havia comentado que a vida no interior era parada. – Nada demais.
– Percebi. – Acabo por dar uma risadinha. – Mas e com o senhor? A saúde está boa? Como está a fisioterapia? Tão tratando o senhor do jeito que merece? – Faço um monte de perguntas, perguntando sobre a fisioterapia apenas para saber um pouco do fisioterapeuta que o atendia, este sendo .
Eu estou bem. A saúde está tudo certo, de acordo com a última consulta com o Doutor Antônio. A fisioterapia agora não está tão boa. Tão me tratando como o rei que sou. – Ele responde cada questão dando uma risada no final. Estranho ele ter falado que a fisioterapia não estava boa.
– O que houve na fisioterapia? Aconteceu alguma coisa?
O doutor saiu de lá e agora está uma mulher agora responsável por me atender. Ela até que é boa, mas o já me atendia fazia muito tempo e criamos um vínculo, sabe? Gostava dele até… – Ele desabafa e mil e uma perguntas se passava por minha mente querendo mais detalhes. Não lembrava qual foi a última vez que havia conversado com e certeza de que ele não havia comentado nada do que acontecia em seu trabalho, se havia algum problema ou se ele planejava alguma outra coisa para realizar no futuro próximo.
– Ele comentou alguma coisa com o senhor se iria sair, do porquê? Não é estranho isso? – Questiono querendo tirar o máximo de informações possíveis de meu avô.
Se a memória não falha, pois faz um tempinho já que ele saiu, ele havia comentado sobre se mudar para outra cidade, abrir um estúdio ou consultório próprio, tentar algo novo, mudar de vida. Essas coisas de jovens que nem você. Quer se aventurar em outros lugares. Se eu tivesse a idade de vocês e tamanha disposição, já teria feito a mala e ido até… qual é aquela cidade que você sempre fala? – Ele para por um momento tentando se recordar.
– Roma? Ou Paris?
Isso! Roma… Não é essa que tem a cidade do Papa no meio? – Ele pergunta.
– Isso, o Vaticano. – Dou uma risada por seu interesse em viajar até lá. – Vou ter que desligar agora, vô. Meu intervalo aqui já vai acabar e tenho que subir até meu andar. Prometo que volto a ligar para o senhor o antes possível. – Falo, fazendo uma anotação mental de colocar em algum dia próxima para ligar para o senhor que mesmo longe de mim, habitava meu coração.
Vou esperar, querida .
Nos despedimos e desligo a chamada.
Respiro fundo e suspiro alto. Estava atonizada pela notícia de que não estava mais atendendo meu avô, havia mudado para outra cidade e agora estávamos perdidos no meio do tempo. Precisava falar com ele de alguma forma que não fosse uma troca de mensagens, já que nos perdíamos e ninguém focava em nada.
Qual foi a razão de ele ter se mudado? Será que havia se apaixonada por outra pessoa? Será que estava com alguém de verdade? Será que tinha alguém esperando por ele?
Tantos questionamentos, em razão de alguém que não poderia dizer que tinha algum tipo de relacionamento concreto, mas que lá no fundo, as respostas para todas estas perguntas, em meus sonhos, poderiam ser eu mesma.
Sua iludida.

 

 

Andava pelo 1° subsolo observando as obras da exposição que havia organizado intitulada de Histórias Feministas: Artistas depois de 2000. Estava em exposição desde agosto e era o momento que mais me agradava durante o meu tempo no trabalho. Vir até aqui e observar todas estas obras de mulheres maravilhosas, que durante este ano tiveram grande envolvimento e o destaque em exposições diversas no museu. Nos dois andares do subsolo, eram mais de 150 obras de 30 artistas que tiveram seu crescimento no século atual e que trabalham com base no feminismo. Para mim era um orgulho trabalhar neste meio e uma honra maior ainda organizar uma exposição deste tipo.
Havia algumas pessoas olhando as obras, elogiando e comentando sobre as mesmas e sobre seu tema. A maioria dos presentes eram mulheres e eu pensava no quão gratificante deveria observar obras de mulheres, pinturas, esculturas, sua representatividade de gênero. Eu acabava por fazer um trajeto para além de verificar se as legendas e observações de cada obra se encontrava correta e não havia nenhum problema.
Meu celular toca avisando que era 12h55 e meu horário de almoço estava prestes a começar. Resolvo aproveitar a minha hora livre para dar ir até o nível zero, na Avenida Paulista, para dar uma respirada e dar uma olhada no museu com as persianas abertas, já que hoje, era o 72° do Museu de Arte de São Paulo. Por conta das obras que ficavam na pinacoteca, deixavam as persianas que cobriam as janelas de vidro das fachadas frontal e posterior totalmente fechada, e apenas no dia 02 de outubro que abriam elas. Eu, pessoalmente, adoraria que em todos os dias ficasse tudo aberto, conservando a ideia original da arquiteta Lina Bo Bardi, mas a insolação que entrasse constantemente no recinto poderia ser prejudicial às obras que ficavam por lá diretamente.
Passo por algumas pessoas que estavam observando o vão enorme, se perguntando de quem foi a ideia de fazer aquilo e como a estrutura suportava toda aquele prédio. Turistas. Vou até a área aberta visualizando o céu azulado cheio de nuvens, ao fundo vejo a Rua São Carlos do Pinhal e a Avenida 9 de Julho movimentas por conta do horário de início da tarde. A cidade de São Paulo me surpreendia a cada dia com seu trânsito, buzinas, ruídos de britadeiras, motores, mas para mim era o som de que eu havia chegado onde queria: a cidade grande, uma das capitais mais importantes do mundo, e era um passo a frente para chegar no topo.
Minhas mãos giravam meu celular involuntariamente como se houvesse uma inquietação dentro de mim que para ser solucionada necessitava do aparelho. Forço-as a parar e seguro-o firmemente, olhando para o aparelho telefônico fixamente pensando no que fazer. Em segundos me vejo desbloqueando a tele, indo na pasta de contatos e indo procurar os contatos que se iniciavam com a letra H.
Com um impulso do fundo da alma, o polegar direito clica no ícone verde em forma de um telefone e vejo a tela mudando para identificar que estava ligando para o homem que eu não falava ou via há muito tempo. Torcia para que ele atendesse rapidamente e que não achasse estranho receber uma ligação minha de repente. Queria saber dele, queria conversar com ele, queria um pouquinho de seu tempo, caso ele não estivesse ocupado.
A cada toque era um nível de arrependimento que crescia dentro de mim.
“Por favor, não se apaixone por outra pessoa”.
O som que emitia constantemente fazia meu coração se acelerar cada vez mais.
“Por favor, não tenha ninguém esperando por você”.
Escuto o aviso de que haviam atendido a ligação, porém ninguém fala.
– Oi? ? – Falo tentando me comunicar com a pessoa do outro lado da linha.
Oi, ! Que surpresa receber uma ligação tua. – Ele exclama animado.
– Desculpa ligar. – Dou uma risada constrangida, sabendo que quem me visse no momento perceberia minhas bochechas rosadas devido ao constrangimento que sentia. – Você está ocupado?
Não, longe disso. – Escuto sua risada rouca ao fundo e uma sensação boa preenche meu corpo. – Pode falar, eu só estou andando na rua, então se escutar alguma buzina, culpe a cidade.
– Entendo isso. – Rimos juntos. – Queria ver uma coisa com você, mas acabei por esquecer de mandar uma mensagem e resolvi ligar mesmo. Não sei de onde foi que essa coragem louca surgiu, mas aqui está eu.
Eu adorei você ter ligado, desculpa por sempre esquecer de responder tuas mensagens, mas minha cabeça não é das melhores e, sinceramente, prefiro mil vezes conversar frente à frente com as pessoas. – Ele comenta e consigo perceber a entonação de sua voz mudando ao final da frase.
– Começo a acreditar em você agora. – Dou uma pausa antes de continuar a falar. – Eu conversei com meu avô uns dias atrás e ele comentou que você parou de atender no hospital de Monte Azul, que tinha se mudado… Queria saber mais das novidades. – Acabo dando uma risada fraca para tentar descontrair. Não queria parecer enxerida na vida do homem, mas queria saber dele de certa forma, já que não queria perdê-lo.
Seu Julius! Como ele está? Saudades daquele senhor. – Respondo sua pergunta, falando que meu avô estava bem, com saudades de também. – Eu estava pensando em me mudar fazia um tempo, acho que desde ano passado, daí este ano meio que surgiu uma luz no meio do caminho que me acordou e me fez ir atrás mesmo do que eu queria. – Era perceptível que sua respiração estava acelerada, já que ele havia comentado que estava andando na rua.
– Ai que legal, . Fico muito feliz por você. Para onde você se mudou? – Pergunto animada.
São Paulo. – Ele fala e por alguns segundo ficamos em silêncio.
Parecia que meu cérebro tinha tiltado. Ele estava aqui em São Paulo? É uma cidade gigantesca, onde para ir de Parque Munhoz até o bairro Bela Vista, onde me encontrava agora, demorava mais de 1 hora. Poderia ser coincidência ou destino ele acabar vir parando na mesma cidade que eu? Apesar de que a capital paulista era um lugar cheio de oportunidades para todos que persistissem em seus sonhos. Meu coração palpitando não ajudava muito no processamento de informações.
? Está aí? – Escuto sua voz ao fundo e desperto do transe que havia entrado.
– Estou sim. Desculpa. – Solto um riso fraco. – Está aqui em São Paulo, então?
Sim, estou adorando a cidade, mesmo com todo o trânsito e a barulheira de pessoas em todos os lugares.
– Com o tempo vai se acostumando. – Dou uma respirada. – Está fazendo o quê na rua agora? – Pergunto tentando puxar um assunto para prolongar nosso bate-papo.
Estou indo até um museu… – Ele começa a falar e meu coração a palpitar mais rapidamente. – Falaram que no dia do aniversário deste museu da para ver o interior de fora e vice e versa e que é algo lindo. – Ele fala e giro meu corpo, voltando-me em direção à Avenida Paulista, observando um aglomerado de pessoas embaixo da estrutura.
– Vo-você está vi-vindo até o MA-MASP? – Gaguejo enquanto falo, mesmo tentando-me aparentar ser forte e não mostrar uma vulnerabilidade à ele.
Provavelmente eu demore uns minutos para chegar até ele… – Ele comenta e para não ter um tipo de ataque, me viro novamente olhando para o mirante e observando a cidade se estender ao fundo. – Não espere por mim, estou apenas turistando a cidade.
– Pode deixar. – Falo baixinho, com uma mini tristeza crescendo ao peito. – Eu tenho que ir almoçar mesmo. – Um silêncio se instala no meio da ligação.
– O que acha de sairmos daqui e ir ao restaurante que tem perto daquele parque ali na frente? – Sua voz não saiu robotizada como estava ecoando segundos atrás. Estranho e giro meu corpo encontrando a figura de um homem alto, ombros largos, queixo marcado, cabelo louro-escuro e olhos indecifráveis. A sensação de borboletas voando desesperadas em meu estomago começa a surgir e não para nem por um milésimo de segundo. – Olá, arteira. – Ele fala e um baque da noite em que nos conhecemos vem em minha mente e damos risada.
– Olá, fisioterapeuta. Como veio tão rápido até aqui? – Pergunto tentando disfarçar ao máximo meu nervosismo, que dentro de mim estava realizando um caos em tudo.
– Consegui pegar uma Nimbus 2019 emprestada de um bruxo no meio da rua. – Ele começa referenciando Harry Potter, que era uma saga que ambos amávamos. – Disse para ele que tinha que encontrar uma bruxinha meio-sangue, já que ela às vezes fala que é trouxa. – Ele dá uma risada gostosa de se ouvir, já que provavelmente deve acompanhar meus surtos adolescentes via status do WhatsApp.
– Você é louco. – Dou uma gargalhada e depois vejo seu olhar recair sobre o meu. – Não acredito que você está aqui… – Sussurro olhando para ele.
– Pois é. Uma luz surgiu em março para mim e desde então, não consigo tirar da minha mente e tive que ir atrás dela, mesmo que tenha demorado um tempo. – Ele comenta e coça a nuca como se estivesse envergonhado. Com ele me encarando profundamente, minhas bochechas novamente começam a esquentar, provando que eu estava corando outra vez.
… – Começo a falar mesmo tendo saído apenas um fiapo de voz.
… – Ele pronuncia meu nome e as batidas do coração dão uma vacilada em meio à palpitação presente.
– Eu passei todo esse tempo, que pareceu ser uma eternidade, me perguntando se você sabia… – Paro por um momento tentando recuperar o folego que ia perdendo ao encará-lo a cada segundo. – O quão encantada eu estava em conhecê-lo naquele dia e o quão chato foi eu ter que ir embora cedo demais.
– Ei, eu que fiquei encantado em conhecê-la. Acho que tudo o que eu sei é isso. Você foi a melhor parte da noite. E com aquele lanchão de acompanhamento, estava tudo maravilhoso. – Ele acrescente e rimos. – Sério, … Eu vim até aqui por você. Você me mostrou, em todo este tempo, o quão longe podemos ir, o quão gratificante é dar algum primeiro passo, o quão bom faz ter alguém que goste ao lado. – Ele sorri ao final. – Quer ir almoçar comigo? – Ele estende sua mão em minha direção.
Eu segurar sua mão iria ser muito mais do que alguém me direcionando à um lugar. Era um passo à frente, acompanhado de alguém, que estava de uma maneira, sempre por perto, mesmo estando longe. Seria agora, de verdade, a primeira página de uma história nova. De uma nova fase, um novo livro, uma nova temporada, um novo filme.
Inalo o ar, tentando acalmar as batidas frequentes do coração, e seguro sua mão.

Nota da Autora: Escrever esta songfic foi como uma realização para mim. Essa música é uma das minhas favoritas e possui um significado imenso para mim, por todos os sentimentos e paixão que ela transmite. Foi a história mais real que escrevi em todos estes anos. Coloquei meu coração em cada personagem, inserindo características minhas na principal, como seu amor à artes e sua insegurança, e, devo confessar, que o querido fisioterapeuta é totalmente inspirado no meu crush (olha a iludida aqui).
Espero que tenham gostado desse meu pedacinho de escrita. Deixo o fisioterapeuta para vocês, já que o meu (não fisioterapeuta) tem um ‘que’ a mais.
Outras histórias minhas:
De Repente: VOCÊ (Longfic/Finalizada)
De Repente: EU (Continuação de DR:V) (Longfic/Finalizada)
Donos da Noite (Shortfic)