exile

exile

Sinopse: Vivendo uma perda, ao qual regar o amor e as lembranças, cada pessoa tem seu tempo para deixar aquela pessoa partir
Gênero: Drama.
Classificação: +14
Restrição: emoções a parte sobre o que pode ocorrer.
Beta: Donna Sheridan

Capítulo Único

 

“Uma mulher que perdeu o marido é chamada de viúva. Um homem que perdeu sua esposa é chamado de viúvo. E uma criança que perdeu seus pais é chamada de órfã. Mas não há palavra para um pai que perdeu seu filho”.

— Hey, Bye, mama.

Amor,
Adeus.

Thomas.

Ela queria dizer adeus ao amor.
Ele queria arrancar cada memória de sua pele, enquanto o simples pensamento de não ouvir a risada dela na manhã, enquanto ele odiava o tempo, odiava o amor, e odiava a morte, enquanto o corpo infantil estava ali, sem qualquer vida a sua frente.
Enquanto, suas pernas fraquejaram, ao mesmo tempo em que o grito de desespero escapou de seus lábios, em sua mente, sua ria escandalosamente, enquanto na risada dela estava o amor que ele depositava nela.
O tempo não havia chegado a ela, e a morte arrastou para longe de si.
Ele havia perdido seu bem mais precioso.

ria.
Uma risada contagiante, na cadeira com seus poucos mais de dois anos de idade, os olhos castanhos fixos nos dele, encarava sua pequena filha pular no pula-pula, enquanto as flores desabrochavam com o som da risada dela, das primeiras palavras.
Ela era seu eterno verão, enquanto deixou seu corpo cair no chão, enquanto as lágrimas vinham por sua face.
Ele queria ver .
— SE EXISTE UMA DIVINDADE, POR QUE LEVOU ELA?! ERA SÓ UMA CRIANÇA! POR QUÊ? POR QUE A MINHA ? POR QUÊ? ME LEVAVA NO LUGAR, ELA NÃO TINHA CULPA! ELA NÃO FEZ NADA PARA VOCÊS.
Respira fundo, enquanto a dor que ele sentia estava o consumindo.
— Eu rezei para Deus, à morte ou qualquer superior que estivesse escutando… Por que ela? Por que ela? Por que… Por que… Por que… Eu daria uma vida por ela, por favor, devolva a minha .

Você era minha cidade, agora estou no exílio, vendo você partir
encarou a menininha correndo para seus braços, e desaparecendo em seguida, a risada escandalosa sumia lentamente de sua mente, enquanto a mão tocou sua face.
— Ei. Moço, você está bem?
E sucumbiu à escuridão.

O cheiro era doce, enquanto o amargo descia por sua língua, sentiu as mãos sobre sua cabeça, enquanto segurou a mão da pessoa que o encarou com surpresa, ao mesmo tempo em que percebeu o rosto pálido da pessoa com um franzir dos lábios.
A menina de cabelos –, correção, mulher lhe encarou com as grandes orbes escuras com atenção, percebeu a mesma suspira enquanto entrega o copo para ele.
— Quem é você?
Ai – ela disse em tom ameno, e suspirou – Pode me chama de , você está se sentindo melhor?
— Onde estou?
— Eu acho que é seu apartamento.
— Como eu cheguei aqui?
A mulher suspirou, enquanto apenas limpou a cozinha.
— Você desmaiou no corredor. Achei que estivesse morto? Mas só desmaiou, então, eu o trouxe para cá.
franziu o cenho. Como aquela estranha o ajudou? Enquanto a mesma suspirou.
— Já que acordou. Você deve estar melhor, certo? Tome seu remédio.
Ela botou o medicamento, Thomas sentiu sua cabeça doer, enquanto a mesma encarou com as orbes escuras fixas, ao mesmo tempo em que ela parou em seu caminho.
Não devia dizer, porém, ela sabia que deveria dizer também.
— Não esqueça o amor.
— O quê?
— Ele está em tudo, o amor é essencial – ela murmurou, porém parou – Você estava delirando, então eu acho que eu deveria dizer isso. Enfim, cuide-se.
A mulher apenas saiu, enquanto apenas riu. O amor era um destruidor que levava todas as suas esperanças às cinzas.
Por que ele não poderia esquecer tal sentimento?

X

— Não esqueça o amor.
— O quê?
— Ele está em tudo, o amor é essencial – murmurou, porém parou, enquanto analisou o homem sucumbindo em dor pela perda, talvez ele não entendesse que ela era essencial para a Vida, assim como Tempo e a Morte – Você estava delirando, então eu acho que eu deveria dizer isso. Enfim, cuide-se.
Amor era essencial.
Uma parte importante da vida do ser humano, e o sentimento mais bonito e incompreendido, aquele que arrebatava os corações, ao qual sabia bem disso, pois era o próprio sentimento.
Ela tinha muitos nomes, porém, sempre havia gostado de –, soava diferente dito em sua boca quando dizia tal nome.
Ela estava na risada das crianças, assim como no choro dos corações partidos, enquanto lentamente era o sentimento mais bonito e odiado ao mesmo tempo, enquanto pensava que o ódio era uma parte de si também.
Ela era amor puro, do mais sincero até o mais fraco, ela era o sol que aquecia naquele inverno, ela era lua que enamorava as estrelas, ela era o eclipse que conquistava os corações das pessoas.
Ela era a risada de .
E também a dor da perda dela –, respirou fundo, enquanto ouvia os choros de em silêncio, lado a lado, com sua dor, enquanto tentava compreender aquela dor.
A dor da perda de um amor como aquele era devastador.
Ela era a própria dor dele. E ele queria lhe renegar, não podia ser negada em nenhum momento, pois estava naquele sentimento infeliz que habitava no coração dele, o amor que ele sentia por o machucava.
Ela era a própria existência –, essencial para todos, e estava em todas as coisas, e jamais deixaria de existir, afinal, todos amam e não escolhem que amam.
amava todas as crianças que Vida criava, enquanto Tempo se divertia com ela, enquanto a Morte as abraçava com seus braços calorosos recebendo os presentes de seu amante.
Ela estava em cada ato durante a vida finita dos seres humanos, e ela estava com em todos os seus momentos, dos mais tristes aos felizes.
A risada de era o próprio amor.
Como ele poderia lhe renegar? Como poderia lhe abandonar? Como poderia dizer que odiava o amor, se o ódio era seu irmão mais próximo, e aquele que dividia a ira e a dor dos homens? Se era seu irmão nascido dos corações partidos por causa do amor?
Era ridículo se importar com ele, mas o amava, como amava todos, enquanto deixou a vida humana seguir seu fluxo, enquanto pensava que todas as criaturas estavam ligadas por aquele fluxo.
De amor, tempo e morte.

Quando nasceu estava lá, lado a lado com Vida, enquanto a menina era sua criação favorita, enquanto tocou a face da menina gordinha que dormia no berçário.
Vida havia dito que seria seu presente à Morte que deveria preencher a criança com o mais singelo dos amores, todavia, não havia necessidade de fazer qualquer coisa, e amavam e a preenchiam de amor, cada célula da criança que floresceria com todo aquele amor.

Porém, ela deveria partir.
A garotinha de cabelos castanhos deveria partir, chorava novamente, enquanto encarava a garotinha partir de sua vida.
A menina cheia de vida estava morta.
Enquanto se agarrava à morte, que a recebia cheia de afeto, deixava pessoas para trás, porém, a menininha fez um único pedido.
Por favor, ajude a mamãe e o papai”, a menina pediu ao Tempo, à Morte, e ao Amor, apenas tentou não pensar em sua promessa com a menina que partia para uma nova jornada.
Enquanto encarou a Morte, o homem vestido de preto apenas sorriu, enquanto sussurrou para ela.
— Amor machuca, . Mas, ele cura também.
Ela entendia que ela machucava os homens, que ela causava os corações partidos junto à Paixão, porém era essencial que ela existisse.
Afinal, o que eles fariam sem o amor? não poderia lhe negar, afinal o amor puro como um cristal era o dele para sua filha, porém, a memória dela não poderia se apagada, por que ele desejava apagar ? Se ela era puro amor?
Amar machuca.
Mas também cura, sabia que uma ferida demorava de pessoa para pessoa, enquanto a mulher de cabelos castanhos se deitou ao lado de , enquanto o Tempo e estavam lado a lado esperando pacientemente, afinal, ambos eram responsáveis por aquilo.
— Eu tenho algo a te dizer.
apenas encarou a mulher, a mesma sorriu de forma cúmplice, enquanto apenas pegou a mão dele colocando sobre sua barriga, ao mesmo tempo em que ele franziu o cenho em incompreensão.
sempre desejou um irmãozinho. Eu acho que alguém a ouviu, e vieram dois.
A expressão de se tornou sombria, enquanto apenas tocou sua face, os dedos brincando com sua bochecha molhada.
— Ela teria amado eles.
Sim.

X

A menina e o menino dormiam.
Os cachos castanhos caindo lentamente por sua face, enquanto o garoto agarrava o dinossauro.
Não esqueça o amor –, a frase daquela estranha soava em sua mente, ele não podia esquecer , e não podia esquecer o amor que sentia por ela.
Amar era sua dádiva, a menina que era seu eterno verão deveria partir, apenas tocou na bochecha rosada de sua filha, enquanto sussurrou.
— A irmã de vocês trouxe vocês para mim, sabiam? Ela desejou tanto um irmão e uma irmã que vocês vieram.
Enquanto segurou os dedos da menina. estava assustado, afinal, ele poderia amar aqueles dois sem qualquer freio? Poderia colocar todo o seu amor por eles? Poderia? E a resposta que ele concluía era que sim.
Ele deveria amar cada um deles.

estava ouvindo o choro dos corações apaixonados ao mesmo tempo em que percebeu o reino da Morte repleta de almas se transformando em borboletas, a mesma reconheceu encarando o mundo dos vivos, enquanto a criança de oito anos parecia em dúvida.
—Tia. Papai renegou você?
—Ele aceitou o amor. Eu sou essencial para a Vida e a Morte.
A mulher tocou na cabeça dela, a mesma sorriu para criança que se transformou em uma borboleta, encarou as crianças da Morte descendo novamente ao mundo humano.
Enquanto a canção humana que as meninas mortais estavam cantando soou em sua mente.

Então, vá logo, não há quantidade
De lágrimas que eu possa chorar por você
Entre o Tempo, a Vida e a Morte, o amor era essencial a todos, ao qual, ele sabia quando deveria ser deixado de lado, quando deveria ser teimoso, e quando deveria partir.
Afinal, o amor era parte das pessoas.

Fim.