Fifteen

Fifteen

Sinopse: De adolescente comum a uma estrela do cenário musical. Ela havia alcançado a fama que muitos almejam e, assim como esperado pelos fãs, finalmente estava lançando a sua primeira autobiografia. Como parte da promoção do livro, participaria de uma entrevista onde falaria a respeito de suas experiências enquanto jovem, aconselhando os fãs que estavam nessa fase. Porque quando você tem quinze anos e alguém diz que te ama, você acredita. E quando você tem quinze anos sente como se já soubesse tudo que precisa saber.
Gênero: Drama.
Classificação: 10 anos.
Restrição: Necessário ter lido a história The Lucky One  antes porque se trata de um spin-off.
Beta: Alex Russo

 

Capítulo Único

Um livro pode ser considerado por muitos como uma fonte de diversão, um escape da realidade, solução para os problemas ou até mesmo um amigo. Porém, se você analisar com muito cuidado verá que um livro também pode ser o seu diário. E essa definitivamente era a opção que mais se encaixava para mim.
É praticamente um costume entre os famosos escrever autobiografias logo que passam a ter qualquer mísero reconhecimento, porque logo depois lançam outra, com novos fatos. Digamos que esse mercado é similar a uma thread do Twitter que vai sendo alimentada com mais informações conforme o passar do tempo. Isso tudo é praticamente um rito de passagem desse mundo e, quer você queira ou não, se quiser ser ainda mais conhecido será obrigado a ter seu próprio livro.
E por que eu estou dizendo isso tudo? É bem simples, na verdade.
Sou uma desses artistas em ascensão e pode parecer um pouco egocêntrico, mas não sou eu que estou dizendo e sim os jornais, rádios, revistas, até mesmo meus pais. É claro que com o meu trabalho sendo reconhecido praticamente da noite para o dia, eu não estava preparada para a quantidade de eventos que seriam agendados. Para que não acabasse enlouquecendo, não me restou outra opção que não fosse contratar um empresário e, mesmo ele, também me coagiu a aceitar esse projeto.
Cercada por todos os lados, acabei aceitando a proposta de uma editora para a publicação e, passados seis meses, ele já estava sendo divulgado por todos os lugares.
Justamente por esse motivo estou aqui. Era a noite do lançamento oficial e eu participaria de uma entrevista com o objetivo de falar a respeito dele e, dessa forma, fazer sua promoção.
Chegara ao local faziam cerca de quarenta minutos, mas estava realizando uma espécie de meet & greet com os fãs, cuja relação eu valorizava mais do que qualquer coisa. Não era nenhuma surpresa, então a entrevistadora não me olhou com cara feia quando cheguei atrasada no local combinado do encontro.
– Me desculpa pelo atraso – sorri meio sem graça, cumprimentando-a.
– Sem problemas. Sei que estava com seus fãs. Eles são muito importantes para você, né?
– Claro. Afinal, é por causa deles que cheguei onde estou agora – sorri me sentando próxima a ela, em um banquinho que havia sido posto para mim.
– E é exatamente por causa deles que esta entrevista está finalmente acontecendo – a mulher sorria em minha direção, com as pernas cruzadas e uma série de fichas na mão. Com certeza estava cheia de perguntas para mim, mas já estava preparada para o que viesse. – Bem, podemos começar? – seu olhar me transmitia ondas de ansiedade que eu não queria sentir.
– Claro. Quando estiver pronta – sorri.
Quase que instantaneamente ela virou o rosto na direção da câmera e fez um sinal para que o camera man começasse a contagem. O homem por trás do aparato fez um sinal com os dedos indicando uma contagem silenciosa que se iniciou no cinco. Quando estava no três dei uma rápida ajeitada no visual, tentando colocar o cabelo e roupa em ordem para aparecer apresentável no vídeo.
– Olá, pessoal. Hoje estamos aqui com nossa convidada super especial que está promovendo sua autobiografia: uma salva de palmas para ! – sorriu, me indicando com suas mãos.
– Obrigada por me receberem – sorri de lado, olhando na direção da câmera e logo em seguida voltando a atenção para Susan. – É um sonho ser entrevistada por você.
– Ora, não seja boba! – ela pareceu ficar um pouco sem graça, se abanando com seus cartões de programa. – A verdade é que você era apenas uma garota de Ohio e veja só onde está agora. Tornou-se um fenômeno!
– Sabe o que dizem: nunca deixe de sonhar. – Sorri de lado, me lembrando dos conselhos que havia recebido do meu empresário, horas antes.
“Seja simpática e inspire outras pessoas com sua história”.
Não que eu precisasse desses avisos porque jamais seria capaz de mentir, principalmente em rede nacional. Além do fato de que eu vivia para inspirar novas garotas que sonhavam com o mesmo futuro que tive e meu agente fazia questão de me lembrar disso todo momento.
– Esse é um bom conselho. – ela sorriu genuinamente para mim antes de prosseguir. – Devo dizer que seu livro por completo é incrível e totalmente inspirador, mas você deve concordar comigo que um capítulo em específico é mais cheio de significado para você, não é mesmo? Acho que sabe de qual estou falando.
– Sim, eu sei de qual está falando, Susan. – Lancei um sorriso triste em sua direção. Era estranho me lembrar daquele período, mas faz parte da minha história e não poderia ficar de fora da autobiografia, além de ser necessário desabafar sobre tudo aquilo. – Fifteen é realmente um capítulo muito conturbado para mim, mas também é um dos meus favoritos. Deixou-me nostálgica enquanto o escrevia e novamente quando o li.
– E conte-nos um pouco mais sobre de 15 anos. Ela era boa aluna? O que gostava de fazer? Já era famosa na sua cidade?
– Me sinto em um interrogatório – ri de lado, em tom de brincadeira. Ou ao menos foi no que escolhi acreditar. – A verdade é que não existia quando eu tinha quinze anos. Eu era apenas uma garota normal no seu primeiro dia de aula do ensino médio, nada diferente. – sorri de lado e não pude impedir as lembranças de virem à tona.

Estava parada na frente da minha nova escola e olhava em volta, completamente admirada com aquele prédio enorme que eu frequentaria pelos próximos quatro anos da minha vida. Lembro-me de achar meio assustador o pensamento de que eu já estava no ensino médio e logo a pressão da faculdade e vestibulares iria bater à minha porta, mas prometi a mim mesma que nada disso me preocuparia, ao menos naquele ano.
O fato era que o primeiro dia de aula é sempre assustador e, por mais que tenhamos nos preparado e saibamos exatamente o que vai acontecer, o nervosismo é inevitável e naquela manhã não foi diferente.

– E no colégio? Você gostava mais de ser a garota nerd que tem seu próprio grupinho de amigos ou aquela popular que conhece todo mundo e já chega se enturmando? – ela me olhava, tirando-me de meus devaneios.
– Eu não acho que seja uma questão de gostos. Sabe o que quero dizer? Existe muito bullying e preconceito dentro das escolas, seja ele velado ou descarado, mas praticamente todo mundo prefere ignorar e continuar vivendo como se fosse um dia normal. Eu era apenas mais uma aluna e tirava boas notas, então fui tachada como nerd e como resultado fui quase que automaticamente excluída. Por sorte eu tinha meu grupo de amigos, mas havia muita gente passando por coisa pior e realmente mais pesada. Não foi como se nós escolhêssemos.
Não havia porque mentir e absolutamente nada do que eu disse era invenção da minha cabeça. As memórias continuavam dançando por minha mente como se fossem eventos recentes e não de anos atrás.

Avistei o meu grupinho de amigos ao longe e acenei com um sorriso para eles, que retribuíram e automaticamente fizeram um gesto como se me chamassem para me juntar a eles. Bem, era o primeiro dia e ainda não conhecia ninguém novo, então era bom estar perto de pessoas que conhecia, não ficando deslocada e principalmente excluída.

Voltei à realidade com a voz de Susan dizendo meu nome. Pisquei uma série de vezes imaginando se por acaso me achariam uma maluca em rede nacional. Esperava que não.
Ajeitei a postura no banco em que estava sentada e dei uma rápida alisada na roupa, tentando a todo custo sair do passado e me prender ao presente, que era o local onde deveria estar.
– Me desculpe. Pode repetir a pergunta, Susan? – sorri amável em sua direção porque a última coisa que eu ou Paul gostaríamos era que eu fosse associada à imagem de uma pessoa mal-educada.
– Parece mais distraída que o usual hoje, . Devo presumir que seja efeito de algum affair?
– Não! – dei uma risada, passando a mão levemente pelo cabelo. – São apenas as lembranças. Desculpe-me, mas todas essas recordações me deixam nostálgica.
– Não tem problema, querida. – ela sorriu de lado, se ajeitando na cadeira de modo que ficasse mais confortável. – Certo, então aproveitando que nós falamos sobre affair… Houve alguém especial durante a escola? Com quem manteve contato depois de tanto tempo?
– Ah… não – riu de lado. – Nunca esteve nos meus planos namorar durante o colégio então eu não reparava muitos nos meninos, mas eventualmente havia um ou outro bonitinho que chamava a atenção. – Eu conseguia sentir meu rosto enrubescendo, sinal claro de meu constrangimento. Havia um fundo de verdade no que dissera, mas não era completamente verídico se considerasse as impressões do primeiro dia de aula.

Ajeitei minha mochila nas costas e segui em direção a meus amigos que já me aguardavam, não deixando de observar pelo caminho o quão bonitos os rapazes daquela escola eram. Muitos pareciam mais velhos, porém eram todos da minha faixa etária.
Automaticamente me coloquei a imaginar uma cena romântica e idiota onde um daqueles garotos mais velhos me notasse passando e lançaria um sorriso, se aproximando com alguma cantada do tipo “Ei, você é nova? Nunca te vi aqui na escola antes”. Então eu sorriria toda envergonhada em sua direção, o que apenas serviria de estímulo para que ele seguisse adiante.
Alguns meses depois, quando já estava na metade do ano escolar conheci Matt, um dos jogadores do time de futebol. Metido e irritante, ignorei ele e suas investidas por muito tempo até que, por incentivo de uma amiga e por vontade própria aceitei um de seus convites para sair.
O pai dele era alguém muito influente e consequentemente muito rico em Ohio, então ele tinha um conversível que usava para conquistar muitas meninas. Torci o nariz diante do veículo, mas saímos mesmo assim e para a minha surpresa até que foi divertido. Ao final da noite estávamos animados e realmente havia uma química no ar, então não foi surpresa quando ele se inclinou e me beijou ao fim do encontro.
Já se passava das dez horas da noite quando entrei em casa. A luz acesa denunciava que minha mãe ainda estava acordada – provavelmente me esperando voltar –, mas eu estava animada e boba demais para falar com ela, então apenas subi direto para o meu quarto. Tão logo entrei no quarto fechei a porta atrás de mim com o sorriso tatuado em meu rosto, uma demonstração de quão feliz estava.
Sentia minha cabeça girando, tão perdida, extasiada e ao mesmo tempo meio zonza com todos os acontecimentos. Sem me mover um centímetro sequer de onde estava, ergui o braço em direção à minha face e passei a ponta dos dedos pelos lábios, relembrando o toque suave dos de Matt sobre eles em uma carícia, um beijo calmo e ao mesmo tempo íntimo.
Meu primeiro beijo.
Algumas semanas depois ele me pedia em namoro e a vida era boa. Mas minha mente infantil e imatura achava que nos casaríamos. Tudo que ele – que os garotos, de forma geral – queriam era uma chance para nos levar para a cama, um convite para o sexo. Infelizmente fui esperta para perceber isso, mas Abigail não.
Ah, Abigail…

– Mas mudando de assunto… – Susan riu de lado, me olhando diretamente como se fosse capaz de ler meus pensamentos. – Foi na escola que conheceu Abigail?
– Sim – sorri de lado – Eu havia ficado isolada dos meus amigos e me senti extremamente solitária, mas aí tinha a Abigail. Ela sentava do meu lado e graças a Deus foi ela quem iniciou a conversa porque eu nunca fui muito sociável. – sorri de lado.
– Jura? Acho isso muito difícil, olha a conversa que nós estamos tendo – ela abriu os braços, como se indicasse todo aquele momento.
– Desenvolvi com o tempo. Sabe como é, né? Ossos do ofício.
– Entendo. – sorriu de lado. – Você e Abigail se falam ainda hoje?
– Claro! – sorri. – Eu amo muito ela e até tinha a convidado para vir, mas ela não pôde.
– Deve ter sido muito difícil para ela engravidar tão jovem. Você estava com ela? Como foi?
– Na época, ambas pensamos que seria o fim do mundo, mas eu nunca a abandonei e fiquei do seu lado mesmo assim já que o pai não quis arcar com as consequências. É engraçado como eles dizem nos amar até conseguir dormir com a gente e depois descobrem que não era realmente amor e caem fora. Foi realmente complicado no momento, mas como eu disse jamais iria deixá-la sozinha.

Ela havia se entregado para um babaca que a enganou apenas para uma noite de sexo. O problema foi que não se protegeram e por ainda ser virgem ela foi coagida a acreditar que não haveria problema em não usar proteção. Enorme problema. Três meses depois ela estava pelos corredores passando mal a todo o momento e vomitando nos banheiros. Não foi surpresa quando ela decidiu fazer exames de gravidez e todos eles deram positivo. Nós duas caímos em prantos, chorando, e eu decidi que não a deixaria passar por aquilo sozinha.
Não me arrependia daquela decisão e amava meu afilhado. Com certeza houve uma série de problemas e dificuldades que ela – em especial – enfrentara, mas nunca descumpriu o que prometera.
E nem iria.

À nossa frente, perto do camera man, a funcionária que Paul contratara como minha assistente sinalizava indicando que não tínhamos mais tempo para a entrevista. Susan não deixou de notar e sorriu em minha direção.
– Parece que nosso tempo acabou. Agradecemos muito por ter aceitado o convite e ter vindo aqui divulgar sua autobiografia. Temos certeza que fará muito sucesso e já está mais do que convidada pra voltar aqui depois do lançamento.
– Eu que agradeço o convite. Ambos. – sorriu de lado. – Espero que meus fãs gostem do livro e descubram um pouco mais a respeito da jovem .
Eu realmente me orgulhava daquele projeto e, além do mais, era o mais autêntico deles. Foi o único que eu quis realizar verdadeiramente e me envolvi desde o início, não sendo imposto a mim por Paul como todos os outros. Também era uma forma de deixar seu legado, mostrar sua história para o mundo.
Era um projeto muito bom e ainda por cima rentável. Traria visibilidade a ela e lucros para ambos, e foi apenas por este motivo que Paul concordou com tudo, em sua participação.
Que Deus me perdoe, mas eu sou uma vendida.
Odiava-se por ser daquela maneira, pela falta de coragem em tomar as rédeas de sua vida e seu maior sonho era que algum dia pudesse finalmente se impor sobre o que lhe impunham.
Levantou-se da cadeira em que estava sentada e apertou a mão de Susan como forma de agradecimento e despedida, logo tratando de sair do estúdio. A certa distância dali um modelo Mercedes-Benz classe CLK esperava para que fosse conduzida ao seu próximo compromisso. Toda vez era a mesma coisa: mandavam-na de um lugar a outro como se fosse uma boneca e cuja opinião não importava.
Já estava farta e algum dia seria finalmente livre.

 

Nota da autora: Olá, meninas!
Espero que tenham gostado dessa minha shortfic. Eu ia fazer algo diferente para essa música, mas depois de ter pegado outra música surgiu a ideia de fazer esse spin-off e no fim das contas eu adorei e achei até melhor que a ideia inicial hahaha. Deixem-me saber o que vocês acharam com um comentário e não se esqueçam de ler as minhas outras histórias, caso não tenham visto.