01. Future Nostalgia

01. Future Nostalgia

Sinopse: “O lançamento de seu novo álbum havia sido um sucesso entre os fãs e nos charts. Depois de meses de trabalho e horas infinitas e estressantes no estúdio, a mulher finalmente poderia aproveitar as promoções. Ainda precisaria lidar com seu passado na figura do homem que dividia com ela a faixa-título, mas depois de tudo, sentia que poderia começar a lidar melhor com ele e com aquele sentimento não nomeado que pairava entre os dois.”
Gênero: Romance
Classificação: 12 anos.
Restrição: Consumo de álcool e leve insinuação de conteúdo sexual.
Beta: Alex Russo

Capítulo Único

SÁBADO — 8:15AM

fora incapaz de impedir o pequeno sorriso que ornou seus lábios rosados assim que seus sentidos foram capazes de capturar a fraca luz solar que adentrava seu quarto através das finas cortinas que sempre cumpriam muito satisfatoriamente o papel de despertá-la de forma agradável. Sentia-se plena entre o alívio e a adorável sensação de dever cumprido, por isso, enquanto alongava o corpo ainda coberto pelo edredom quentinho, permitiu que seu sorriso se tornasse amplo, mesmo que seus olhos ainda permanecessem fechados. Sua mente recém desperta começou, ainda que lentamente, a lembrá-la do dia anterior, quando seu mais novo álbum fora revelado ao público. Depois de quase dois anos, estava de volta com um álbum completo, totalmente co-produzido por ela mesma, e cheio de colaborações que marcavam seus dez anos de carreira, exatamente como deveria ser em um momento tão simbólico quanto aquele.
Havia sido um longo e desafiante período até o lançamento e não apenas por estar preparando um material inédito depois de um longo hiatus. Entre a escolha das faixas e a negociação para as colaborações, uma das produtoras com quem trabalhou lhe sugeriu alguém que sempre esteve em sua mente como participação para aquele projeto, mas que não ousara sugerir diretamente nem para si mesma.
era um passado constante, um personagem que adentrou seu cenário anos atrás, mas que se recusava a encerrar sua participação nos episódios mais importantes de sua vida. Havia se enrolado em um relacionado com ele anos atrás, quando ambos estavam no auge de suas carreiras musicais, porém, havia sido tão catastrófico quanto deliciosamente inesquecível. Suas memórias daquele tempo se dividiam entre o mais adorável êxtase de viver um amor juvenil e instigante, e a exaustão da exposição e do eterno impasse que compartilhavam. Quando pensava nele, sabia que o mais correto era manter-se o mais distante possível e tê-lo apenas como um companheiro de agência, como qualquer outro com quem apenas compartilhava cordialidades, mas ainda depois de tanto tempo, parecia impossível. A vida sempre parecia disposta a entrelaçá-los novamente e fazê-los lembrar não apenas de tudo que viveram juntos, mas principalmente daquilo que foram impedidos de viver e que permanecia como desejo adormecido em ambos.
Virar-se para o lado esquerdo da cama e encontrá-lo tranquilamente adormecido fez com que o sorriso da mulher se tornasse algo entre o incrédulo e o melancólico. Depois de tanto tempo, lá estava ele sendo novamente sua primeira visão matinal, como fora por tantas manhãs no passado. Entre o êxtase pelo momento vivido na carreira, ainda se viu às voltas com um sentimento tão comum àquele homem e que ainda não sabia nomear. Parecia um tanto contraditório para que pudesse lhe dar um nome e talvez permanecesse assim, como eles, jamais nomeado, sempre escondido e nunca de fato concretizado.

14 HORAS ATRÁS

— Três, dois, um! Aproveitem o vídeo!
Acenando para a câmera, sorriu ao fim de sua contagem regressiva para o lançamento de seu mais novo vídeo musical. Seu ventre borbulhava em expectativa e ansiedade, sentimentos tão comuns diante do momento ultra especial que era liberar um novo trabalho para seus fãs e todos que acompanham sua carreira de alguma forma. Sentia-se eufórica e mal podia esperar para ver todas as reações, não apenas sobre a faixa principal do álbum e seu clipe, mas sobre tudo. Sentira tanta saudade daquilo!
Assim que a equipe anunciou o fim da transmissão ao vivo, com mais de cinco milhões de espectadores simultâneos, se curvou para todos, dando-lhes suas palavras de agradecimento sem parar de sorrir. Distribuiu alguns abraços, recebeu elogios e congratulações e no momento em que sua manager lhe mostrava os dados iniciais nos charts, percebeu aqueles olhos sempre astutos lhe encarando de longe, por entre todas aquelas pessoas no estúdio, enquanto o homem permanecia tranquilamente escorado na parede ao fundo.
pacientemente aguardou que a mulher atendesse a todas as solicitações da equipe antes de ir em sua direção. Ela sempre parecia exponencialmente mais bela com aquela expressão satisfeita no rosto, de quem sabia que havia feito um trabalho incrível e que merecia todos os recordes quebrados em apenas uma hora de lançamento e todos os que viriam a seguir. Estava dividindo com a faixa principal do álbum, colaboraram em todos os âmbitos, desde a composição até a gravação do vídeo musical, e ainda que estivesse acostumado a ser ele mesmo o centro das atenções, de ter todos os holofotes e de ter seus próprios recordes quebrados, Byun sabia que naquele momento tudo era sobre .
— Parabéns pelo primeiro lugar — ele sorriu, chegando em frente à ela, com um sorriso mínimo nos lábios, aquele que aparecia se ampliar em seus olhos e que amava —, por todos eles.
deixou uma risada escapar e tocou o ombro dele gentilmente antes de responder.
— Parabéns pra você também, afinal, estamos juntos nessa.
abanou uma das mãos, como se dispensasse o cumprimento naquele momento.
— Você faria isso sem mim — disse, afastando uma mecha de cabelo descolorido dela do rosto, que dançava em frente à sua face enquanto ela abaixava a cabeça para responder uma mensagem no celular que não parava de piscar e vibrar —, e muito tranquilamente, aliás.
riu novamente, levantando o rosto para encarar seus olhos espertos que continham um adorável e atraente brilho de diversão.
Sua afirmação possivelmente era muito verdadeira. Ela vinha fazendo aquilo — ser um tremendo sucesso — durante toda a sua trajetória musical, mas naquele momento deveria sim receber seus créditos. Sua faixa-principal não seria a mesma sem ele, ainda que fosse um tanto difícil de admitir, já que isso implicaria em ter de lidar com o ego adoravelmente irritante dele em seguida, mas naquele dia isso não importava muito.
Quando Yuri sugeriu que usasse em seu novo álbum uma faixa que compusera para ela anos atrás, hesitou por dias. Não queria lidar com sentimentos adormecidos e com suas incompatibilidades novamente, mas ignorar aquela sugestão teria sido um erro enorme, podia agora ver. Era uma letra simbólica e uma batida criada exatamente para seu timbre vocal. Aliás, para o de ambos, que harmonizavam juntos de uma forma extremamente especial e que lhe trazia muita satisfação. era, como ela, um músico incrível, logo, daquela parceria não poderia surgir nada além de algo capaz de quebrar inúmeros recordes.
— Eu sei que faria — apesar da afirmação pretensiosa, seu tom de voz era tranquilo e amistoso, combinado ao sorriso sincero que mostrava ao homem em sua frente —, mas fizemos melhor juntos. Ainda que isso pareça impossível.
riu novamente e dessa vez pôde notar uma pitada de amargura que se replicava em seu peito de forma igual.
Era sempre assim.
— Acho que é a nossa primeira vez, inclusive. — ele coçou a nuca, como se mostrasse que estava indeciso sobre completar a sentença ou não — Fazendo algo certo, quero dizer.
Não é que ele tinha toda a razão daquela vez? pensou.
— Então é melhor a gente aproveitar. — ela riu, tentando disfarçar aquela ponta de amargura e de saudade que tanto odiava, mas que ainda teimava em se remexer em seu interior — Quer se juntar a gente no jantar de comemoração?

[…]

Dizer sim havia sido o primeiro doce erro de daquele início de noite. Havia ido ao estúdio apenas para cumprimentar , mas não pôde resistir ao convite para passar um momento amistoso com a mulher. Fora o trabalho nos últimos meses, fazia muito tempo desde que tiveram algo parecido, já que estavam sempre envoltos a climas estranhos e tentativas ridículas de desencontro, enquanto reprimiam qualquer outra coisa que tivesse restado do tempo que em namoraram.
Ambos repetiam para si mesmos que estava tudo resolvido e superado. Tinham se amado intensamente e tinham pagado o preço por fazer isso em público, sendo ambos pessoas famosas com comunidades de fãs enormes e que se estendiam a todo o mundo. Caso pesquisassem na internet, certamente ainda veriam alguns debates calorosos sobre o relacionamento e que geralmente desencadeiam brigas entre os fãs. Entre eles, porém, era passado, certo?
Errado.
Os dois sabiam que nada era passado quando sequer conseguiam desviar os olhares durante o jantar. Quando entre um gole e outro do vinho tinto chileno favorito dela, começavam a conversar com toques pequenos e risadas que surgiam de piadas bobas que somente eles entendiam. Tinham certeza que nada era passado quando seus corpos emitiam aquele alerta de desejo impossível de se ignorar, que formigava do peito, espalhando-se até ponta dos dedos, implorando por toques que pareciam esquecidos em algum canto escuro de seus interiores, em uma esquina escura da mente, mas que ressurgiam feito memória ancestral sempre que estavam perigosamente perto um do outro.
Nada havia de superado na decisão muda de terminarem a noite juntos, cantarolando um hit de Super Junior no carro enquanto dirigia até o apartamento dela e buscava seus dedos longos e delicados para se entrelaçar aos seus, como costumavam fazer ou como se o tempo não tivesse passado. Nada havia de superado nas risadinhas bêbadas que soltaram no caminho até ao quarto dela — caminho esse que fizeram aos tropeços apressados —, tão diferente do que ele costumava lembrar, agora decorado de forma mais refinada e tão… Adulta. poderia não reconhecer seus quadros caros e sua roupa de cama cara, mas ainda se lembrava do gosto de seus lábios doces e convidativos que tão bem se encaixavam aos seus, da forma provocativa que ela se apertava a ele, instintivamente içando o próprio corpo para cima, convidando-o a carregá-la. Ela ainda lembrava de como era pairar sobre ela na cama enquanto se despiam e de como seu coração parecia eufórico por tê-la satisfeita diante de seus toques precisos, sedentos por satisfazê-la.
Embolaram-se entre a vontade e a falta, ignorando os demais zunidos de alerta e deleitando-se naquele sentimento peculiar, tão deles, o qual sequer sabiam nomear, mas que sentiam e sentiam da mesma forma. Tinha gosto de saudade e os preenchia feito expectativa de futuro, mas não parecia se concretizar em nenhum dos dois, balançando-se entre um e outro feito contradição das mais belas. Era absurdamente bom, principalmente porque era o que os unia no passado, no presente e muito certamente no futuro.

SÁBADO — 8:25AM

pensou em fingir que ainda dormia quando começou a despertar lentamente, mas desistiu com um riso mudo e breve ao julgar-se patética e juvenil demais ao cogitar tal atitude. Permaneceu com os olhos grandes e gentis focados nele, assistindo-o alongar a musculatura e afastar os lençóis, agraciando-a com a visão de seu corpo bonito atlético, mas não pôde deixar de rir abertamente ao vê-lo se assustar ao perceber onde estava e com quem.
Deveria culpar o vinho ou aquela desculpa seria a dele?
— Achei que tinha sonhado — ele começou e quase fechou os olhos ao ouví-lo soar tão rouco em um timbre atraente —, mas estou realmente aqui. — soltou uma risadinha travessa antes de concluir — Devo sair de fininho antes que você me expulse?
Sua pergunta fez a mulher rir ao se aconchegar sobre o colchão, ainda o encarando.
— Pensei em te dar a chance real de sair de fininho e fingir que ainda estava dormindo, mas pensei que talvez devêssemos deixar de ser tão patéticos. Isso combina mais com você, não comigo.
riu, mas mantinha um esforço real em controlar seus olhos a não passearem sobre a figura seminua dela diante de si. Era como se seu corpo quisesse guardar o máximo daquele momento antes que ele acabasse. Por que ele sabia que iria acabar.
— E o que isso quer dizer exatamente? — ele apoiou o cotovelo no colchão para erguer o corpo e fixar os olhos no rosto bonito e sereno dela — Além do fato de que sou patético, é claro.
Quando o assunto era , aquilo não era mesmo uma mentira.
— Não podemos fingir que isso não aconteceu — enquanto falava, encarou o espaço vazio entre eles, onde na noite interior se enroscaram em prazer e lembranças —, muito mesmos que quisemos que acontecesse, mas você sabe,
Ouvir seu apelido na voz dela naquele momento não tornava as coisas exatamente mais fáceis, mesmo que ele soubesse que ela estava tentando ser amigável.
— Eu sei. — ele concluiu e o gosto amargo voltou à sua boca — Eu sei que isso acaba aqui.
sorriu, mas parecia um tanto melancólica. Novamente. E lá estavam eles, de novo, envolvidos naquele sentimento não nomeado.
— Eu sinto muito. — disse, fazendo um esforço descomunal para não erguer uma das mãos e lhe tocar as bochechas macias e deslizar os dedos por sua mandíbula, que na noite anterior marcara com seus beijos.
— Eu sei que sente — replicou seu sorriso —, você sabe que sinto igual. Só não temos sorte. Mas se quer saber — começou, sorrindo para ela —, senti muito a sua falta, ainda mais desse jeito.
Ainda que a desejasse muito e soubesse que, de alguma forma, era recíproco, sabia que os dois estavam incluídos em alguma variação do “não era pra ser”. Às vezes, quando se tem uma carreira tão grande, um mundo inteiro para lidar e uma privacidade mínima e por vezes extremamente maquiada, não há espaços para amores como o deles, muito menos a paz necessária para que tal sentimento se desenvolva de forma saudável. Por isso se viam sempre entre aquele sentimento não nomeado.
— Eu também senti — sorriu de volta —, mas finja que não ouviu isso de mim assim que passar pela minha porta da frente. — concluiu, fazendo-o rir.
E, Deus, como adorava sua risada. Era do seu tipo favorito, baixa e contagiante, e ainda mostrava seus caninos perfeitos.
— Mas de qualquer forma, precisamos lidar melhor com isso, com esse…
— Eu sei — disse novamente, enquanto a mulher ainda buscava a melhor forma de expressar seus pensamentos —, esse sentimento estranho. Nunca foi embora pra mim também.
assentiu, como se soubesse desde sempre que ele se sentia da mesma forma.
— É feito saudade — começou a tentar explicar —, mas é bem mais do que isso. Por que é como se a minha mente, sempre que se preenche da gente, também se preenchesse de ‘e ses’.
assentiu. Era exatamente daquele jeito. O mal de tudo que não é perfeitamente encerrado.
— É feito nostalgia, não é? — riu, porque era engraçado e contraditório e combinava muito com eles — Só que envolve aquilo que a gente deixou de viver também.
— É como nostalgia, só que do futuro.
riu novamente quando ela completou com perfeição.
— E isso é tão ridículo quanto verdadeiro.
A mulher deu de ombros. Não podia e não sabia explicar mais do que aquilo.
— E não termina em lugar nenhum, porque se perde no meio.
Nostalgia é um estado de saudade daquilo de se deixou de ter ou ser. Um desejo de voltar ao passado. No caso de e , misturava-se ao desejo de reviver aquilo que sequer chegou a ser vivido, que se perdeu entre seus planos mirabolantes, inocentemente destemidos e juvenis, que não chegaram a ser concretizados, porque foram encerrados antes disso. Era por isso que nunca chegava a ser, de fato, passado. A característica precoce de tudo que os envolvia em relacionamento havia os impedido de terminar de forma saudável.
Seriam capazes de fazer aquilo daquela vez?
— Feito a gente. — concluiu, cheio daquele sentimento que agora podia nomear.
sentiu uma formigamento novamente, só que parecia vir de uma ansiedade nova e cheia de coragem.
— Talvez a gente devesse terminar de novo. — riu, sua sugestão soando ridícula ao ser verbalizada tão de repente — Encerrar os ‘e ses’ de vez.
a olhou desconfiado, apertando os olhos de forma adorável.
— E isso quer dizer começar de novo pra fazer um novo final ou simplesmente reconstruir o final?
fez uma careta, reprimindo o riso. Eram enrolados demais para dois adultos.
— Podemos decidir isso se você ficar para o café da manhã — fez o convite antes que se tornasse covarde de repente —, ou não vamos seguir com essa discussão quase filosófica da forma que ela merece.
Com um sorriso, aceitou, sentindo lá no fundo a expectativa por um novo começo e esperando que aquela fosse a chance real que eles precisavam para fazer as coisas certas dessa vez e encerrar o passado de verdade. Com um fim ou com um começo. Decidiriam depois.

Nota da Autora:
Por uma total falta de manejo com o tempo, comecei e encerrei essa fanfic aos 45 do segundo tempo e com o time desfalcado, mas estou aliviada que consegui terminar.
Future Nostalgia é uma música poderosa e bastante sensual, mas por falta de inspiração adequada para a letra, levei tudo por outro caminho que pudesse se adequar aos meus personagens enrolados. Espero que não tenha ficado muito confuso e que seja válido como releitura da canção.
Se você chegou até aqui, muito obrigada pela leitura e aproveite as demais fics desse especial!
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