Gorgeous

Gorgeous

Sinopse: Ela tentou fugir o quanto pôde do melhor amigo do seu irmão, mas não imaginava que Mats Hummels fosse ser tão maravilhoso.
Gênero: Romance
Classificação: 16
Restrição: Insinuação a sexo e bebidas.
Beta: Brooke Davis

GORGEOUS

odiava de todo o coração a atenção que os jogadores de futebol atraíam para si, apenas por fazerem coisas cotidianas como celebrar mais um ano de vida. Odiava ter que posar para as fotos dos paparazzis, que aguardavam ansiosos por algum clique que conseguissem vender por muitos euros e evitava, a tudo custo, estar no centro das atenções. Era definitivamente a irmã mais retraída da família Reus, apesar de suas irmãs também sentirem-se extremamente incomodadas, elas já agiam de forma mais natural do que a mais nova.

O glamour que a fama do irmão proporcionava à família nunca a tinha encantado. Como escritora, preferia passar os seus dias no seu studio, que comprou com a venda de seu primeiro romance de sucesso, coincidentemente a história de um jogador de futebol que todos falavam que era Marco. Ela não ligava, pois havia se inspirado na personalidade dele para escrever o seu personagem principal.

O que ela não admitia, nem para si mesma, era que um dos melhores amigos do seu personagem também tinha características de outro jogador de futebol, companheiro de time do seu irmão.

Ela odiava essa comparação porque jamais usaria ele como inspiração para nada em sua vida. não entendia o que se passava com os dois, mas definitivamente ela não o suportava e esperava não ter que cruzar com ele naquela festa.

Mas como tudo na vida não é como se deseja, assim que se livrara dos flashs insistentes, ao entrar na casa do irmão e se encaminhar para o quintal, onde estava rolando a festa, deu de cara justamente com quem ela menos queria.

— Ah não… — deu as costas e pegou a primeira bebida que o garçom, que passou ao seu lado, carregava.

— O que foi? — Melanie perguntou, enquanto via a irmã virar de uma vez o copo.

— É o Hummels ali — Yvonne respondeu e deu uma risadinha — Esse crush que nunca acaba.

apenas rolou os olhos, entediada. Não sabia o porquê de a irmã insistir na ideia de que ela tinha uma queda por Mats Hummels. Nunca tinha sequer demonstrado algum interesse no jogador, só ali ela podia nomear alguns que achava mais interessantes.

— Eu não suporto Mats Hummels. — respondeu em alto e bom som, chamando atenção de algumas pessoas ao redor, inclusive do citado na conversa.

Ele que estava entretido na conversa que estava tendo com os amigos, virou-se na direção dela, assim que escutou a sua voz melodiosa.

— Também amo você, meine liebe*. — Rebateu, arrancando uma risada de Götze que estava ao lado dele.

Ignorando completamente as palavras proferidas por ele, andou em direção ao trio, esbarrando propositalmente nele.

— Não precisa arranjar uma desculpa pra se encostar em mim, se você pedir com carinho eu deixo. — Finalizou a frase soltando um dos sorrisos que ela mais odiava: o de convencido. Odiava porque ele ficava maravilhoso com ele.

— Ah, cala a boca, Hummels. Nem nos seus melhores sonhos. — Virou-se para o irmão que estava ao lado do infeliz — FELIZ ANIVERSÁRIO, MARCINHO! — passou os braços pela cintura e o abraçou fortemente — Muitos anos de vida e principalmente saúde para esses ossinhos frágeis. Eu amo você!

Danke*, estamos em processo de recuperação. — Riu nasalado, sabendo que o que a irmã havia desejado era o seu maior desejo também — Amo você também.

As constantes lesões de Reus eram a sua maior preocupação, não gostava de ver tanto talento sendo interrompido e desperdiçado por conta delas.

Yvonne e Melanie também abraçaram o irmão e cumprimentaram os outros dois jogadores da roda.

— Onde está a minha linda cunhada Scarlett? — a mais nova perguntou para Reus.

— Deve estar ajeitando alguma coisa, você sabe como ela é, quer tudo perfeito — apenas assentiu.

Olhou para todos, entrosados demais, concluiu. Ela se sentiu um pouco excluída. Gostava muito de Mario e adorava a presença dele, dos amigos próximos de Marco, ele era o que ela mais gostava. Entretanto, o fato de estar ao lado de Mats fazia com que ela se retraísse. Não queria puxar assunto com o zagueiro e muito menos ficar mais ali. Então, ela decidiu que iria aproveitar a festa da melhor maneira possível, havia trabalhado incansavelmente no seu novo livro, decidiu que merecia um descanso e encher a cara naquela noite.

— Mario foi bom ver você, Mats… Er… Tchau. Vou aproveitar a festona. — Piscou e saiu deixando a família e “amigos” para trás.

Caminhou entre um emaranhado de pessoas, cumprimentou alguns jogadores e amigos mais próximos da família pelo caminho e passou um tempo conversando e tentando acalmar Scarlett que arrumava a mesa dos frios.

Nesse meio tempo, ia entornando qualquer bebida que aparecia, tentando cumprir com o objetivo da noite.

Estranhamente, ela não tirava a imagem de Mats Hummels da cabeça, por isso, a sua vontade de beber triplicou. Ele estava extremamente bonito e bem vestido naquela noite. Trajando uma camisa branca por baixo do blazer azul, com a calça na mesma cor e um sorriso irritante naquele rostinho bonito. Precisava esquecer isso urgente.

Dançou bastante com várias pessoas, reencontrou as irmãs e se perdeu delas novamente. Estava dando graças a Deus que não havia encontrado mais com o jogador de olhos castanhos que a estava deixando completamente irritada e bêbada pelos motivos errados.

Ela se encaminhou até o bar montado perto da área da piscina, dando risadinhas e um pouco desengonçada, não reparando que uma pessoa a seguia atentamente de perto. Foi apenas o momento dela se encostar no bar e pedir uma tequila ao barman que Mats apareceu do lado dela, fazendo com que a mais nova rolasse os olhos. Ele não proferiu nenhuma palavra enquanto via ela fazer o ritual da bebida.

Sal, shot e limão.

— Mais um, por favor. — Virou-se para Mats e fez uma careta estranha — O que você quer? — Falou meio arrastada — Tá aí parado olhando pra minha cara, me achando bonita.

— Você não acha que bebeu demais? — Ele perguntou com um sorrisinho de lado, achando graça que ela havia acertado exatamente o que ele estava achando dela naquele momento.

“Você não acha que bebeu demais?” — Repetiu numa estranha imitação quase perfeita do jogador, isso fez com que ele fechasse a cara, não gostando do deboche — Você é o que? O meu pai? — Rolou os olhos e tomou mais uma dose de tequila.

— Tô achando que você tá tentando esquecer alguma coisa. — Ele se aproximou mais sem querer, devido a um esbarrão que recebera.

ficou calada por alguns minutos, assustada com a proximidade do jogador. Na condição que estava, não sabia o que fazer. Ela não queria estar ali, mas a vontade de puxar o jogador pela nuca e beijá-lo ficava mais forte a cada shot que tomava.

O efeito totalmente inverso do que ela queria.

O magnetismo de Hummels e o seu perfume a estavam deixando tonta.

— Vem — pegou ela pelo braço, delicadamente, e se distanciaram um pouco do pessoal.

Adentraram na enorme sala de jogos que Marco tinha em sua casa. Um canto que a sua família costumava passar bastante tempo juntos. Era o seu lugar favorito da casa do irmão.

— Ei, o que você pensa que tá fazendo? — resmungou enquanto Mats indicava para ela se sentar no sofá.

despencou no sofá, apoiou os dois braços no joelho, fazendo uma cara questionadora para o jogador.

— Isso tudo é por conta daquele seu namorado? — Ela franziu o cenho por um segundo, tentando entender do que ele falava e caiu na gargalhada logo depois que a ficha caiu de quem ele falava — Cadê ele? — insistiu, não entendendo a reação da mulher.

— Tá em alguma balada, fazendo sei lá o que. — Respondeu inclinando o rosto e analisando as reações do homem parado em pé a sua frente, a risada morrendo aos poucos.

— E você acha isso engraçado? — Ele coçou a cabeça, meio nervoso — Deixar você aqui sozinha, bebendo desse jeito. Vocês brigaram, foi isso?

— Primeiro, ele não era meu dono, então não tinha pra quê ele ficar preocupado comigo, sozinha, bebendo desse jeito. Estou na casa do meu irmão, me poupe de comentários machistas. — Rebateu, não acreditando no que tinha acabado de ouvir.

Ele se ajoelhou na frente dela e colocou a mecha do cabelo que caía em sua face para atrás da orelha.

— Me desculpe. Realmente fiz um comentário estúpido. — Ele sorriu na direção dela — Mas você disse “era”?

Por um instante ela achou a atitude do jogador muito fofa. Nunca imaginaria que Mats Hummels se desculparia por ter feito um comentário machista. Ainda mais tão perto assim. Também entendeu que por trás do comentário, havia um pouco de preocupação e isso também a surpreendeu. Não imaginaria nunca na vida Mats preocupado com ela.

— Sim. A gente terminou tem alguns meses. — Disse, parecendo sóbria por alguns instantes — Não deu certo, sabe. Ele é beeeeem mais velho do que eu, até beeeeem mais velho que você. Éramos muito diferentes. Ele queria sempre estar onde Marco estava e você sabe eu não gosto da atenção.

O fato é que com o tempo, ela percebeu que seu ex-namorado estava cada vez mais distante, mas quando estavam na companhia de Marco, queria mostrar-se amoroso e mais interessado do que era. Começou a querer ganhar fama com o nome do cunhado, atraindo a atenção para os dois. Então, ela reparou que o amor havia se tornado interesse e se separou dele.

Mats aproveitou para sentar-se ao lado da mulher e assentir, entendendo a situação.

Ela conseguiu sentir o cheiro de uísque que exalava dele, só reparando nesse momento que ele segurava um copo vazio.

— Você sabe que pode beber do bar do Marco, né? Ele não vai se importar. — Ele assentiu e se dirigiu para o mini bar que tinha na sala. Ela, por sua vez, acompanhou todos os passos dele, reparando na bundinha que nunca tinha reparado antes. Segurou a língua para não soltar um “gostoso” sem querer — Aproveita e bota uma dose para mim.

— Você tá determinada a se acabar hoje, né? Seu irmão vai me matar se souber que tô te dando bebida com você já nesse estado. — Encheu mais um copo e caminhou de volta, sentando-se no mesmo lugar — Esse é o último sob a minha supervisão.

— Ei, eu não tô bêbada, estou plena e consciente de todos os meus atos. — Falou meio embolada e riu alto, fazendo com que Mats soltasse uma gargalhada gostosa de ouvir.

— Seeeeeeei. — Cutucou-a na costela e fez com que, involuntariamente, se encolhesse com o toque inesperado.

— Por que você está sendo tão legal comigo? — Ela deixou a pergunta escapar de seus lábios.

— Deve ser porque eu sempre fui legal e você nunca percebeu. — Deu de ombros, convencido. — Até fico um pouco ressentido com isso…, mas eu sempre desconfiei que você era apaixonada por mim, sabe, por todo esse ódio reprimido.

Mats falou tranquilamente, apenas brincando com a situação, entretanto ela teve uma reação diferente. Rapidamente colocou o copo na bancada ao lado e se levantou subitamente irritada e nervosa.

— Vocês jogadores de futebol se acham mesmo a última bolacha do pacote, não é? — Disse enquanto apontava o dedo para ele.

— Desse jeito que você tá reagindo, eu vou achar que tem um pouco de verdade no que falei. — Ele colocou o copo ao lado do dela, levantou e se aproximou vagarosamente.

— Nunca, mas nunca, nunquinha mesmo. — Resmungou ela de olhos fechados — Você só pode estar louco.

— Eu tô louco? — Sussurrou no ouvido dela, fazendo com que cada pelo de seu corpo se arrepiasse — Tem certeza? — Ela abriu os olhos e encontrou com os dele a encarando, próximo demais — Então, me fala o que causa todo esse ódio dentro desse coraçãozinho. Porque olhando daqui e pelas reações do seu corpo me parece que você não me odeia tanto assim.

não tinha mais forças pra retrucar o que era inevitável. Naquele momento, ela estava atraída, perdida no som da voz dele, no cheiro que ele exalava e no olhar penetrante que estava sendo direcionado a ela. Por que ele tinha que ser tão maravilhoso?

Os olhos castanhos brilhavam na direção dela e a boca rosada estava tão atraente. Mats não era igual aos homens com que ela já havia se envolvido, todos com o biótipo alemão, loiros de olhos claros, sempre o mesmo padrão. Ele era diferente e chamava atenção por conta disso. Olhando-o assim de perto, ela se sentia mais incomodada ainda com tanta beleza, não conseguia se desvencilhar daquele transe.

— Perdeu a voz? Se você não falar nada, eu vou te beijar. Aqui e agora. E vou te dar todos os motivos pra você me odiar ainda mais, porque você não vai conseguir esquecer. — Ela suspirou profundamente porque sabia que aquela frase podia conter verdades.

— Quem disse que isso vai acontecer comigo e não com você? — Ela conseguiu falar arrastada, tendo dificuldades para respirar e ansiando pelos segundos seguintes.

— Quem disse que eu vou querer esquecer? — Mats ainda conseguiu dizer antes de encobrir os lábios de com os seus.

Era tudo que ele desejava a algum tempo.

Era tudo que ela nem sabia que esperava.

O toque gentil, delicado, como se ainda pedisse permissão para aprofundar o beijo a fez derreter completamente entre os braços do jogador. Ela tomou a iniciativa de intensificar o ato, mordiscando levemente o lábio inferior de Mats, que soltou um suspiro pesado com a recíproca do beijo.

Passou as mãos pelo cabelo dela, contornando com a língua a sua boca, que ao se encontrar com a dela, trouxe explosões para ambos os corpos. Ela sentia sensações que nunca havia sentido antes, o beijo parecia se encaixar completamente em uma intensidade que admitia que realmente teria dificuldades para esquecer depois.

O beijo passou de intenso para tranquilo, se findando aos poucos. O jogador se afastou, deixando beijinhos por todo o rosto dela que ainda estava em torpor.

— Mats… — Foram interrompidos por uma belíssima mulher que entrou no recinto, fazendo com que se afastasse do jogador — Hm… Desculpa interromper vocês, mas Piszczek me falou que você tava aqui, preciso de uma ajudinha.

— Agora? — Mats suplicou com o olhar e a loira deu de ombros, pedindo mil desculpas com o olhar.

— É o Bürki, ele tá passando muito mal, desculpa atrapalhar, mas não viria se não fosse sério. — A voz delatava que ela realmente estava incomodada de ter interrompido o momento dos dois.

— Você não tá atrapalhando nada — disse meio desnorteada — O Hummels vai lá e eu vou… Eu vou… — Tentou achar alguma desculpa em sua mente, mas não veio nada.

— Vai ficar aqui porque eu vou voltar. — Mats disse enquanto caminhava até a porta — É sério!

— Até parece. — Ela não acreditava que ele voltaria, aquilo que tinha acabado de acontecer só poderia ser um surto.

Mas assim que o jogador saiu da sala, não pôde deixar de pensar no que tinha acontecido. Ainda não acreditava que tinha beijado Mats Hummels e que tinha gostado. E que ela ainda tava ali, esperando. Que dia era aquele que tudo parecia de cabeça para baixo?

Depois de alguns minutos refletindo, ela resolveu não esperar, sabia que o jogador dificilmente voltaria e não se iludiria com apenas um beijo.

A embriaguez parecia ter aliviado, apesar de ainda cambalear em cima dos saltos que matavam os seus pés. Havia perdido os parabéns do irmão e não havia saído em nenhuma foto. Ótimo. Sentou-se ao lado de Yvonne, Götze, Ann-Kathrin, sua esposa, e Scarlett.

Passou um tempo sem ingerir nada, mas volta e meia seus olhos passavam por todas as pessoas, procurando uma em específico.

Agoniada e fingindo prestar atenção na conversa, avistou Mats de longe, falando no ouvido da mesma mulher que adentrou o recinto que eles estavam horas atrás, bem íntimos até.

Acabou bufando alto, chamando a atenção de todos que estavam ao seu redor.

— Tá tudo bem, ? — Yvonne perguntou preocupada com a irmã — Você tá agoniada desde a hora que sentou esse bundão aí.

— Tá tudo bem, deve ser o efeito da bebida, acho que passei um pouco dos limites. — Aproveitou a situação e a desculpa para se levantar e despedir, não aguentaria ficar ali depois do que viu — Pessoal, tô com dor de cabeça, vou aproveitar pra dormir no quarto de hóspedes de vocês, tudo bem, Scar?

A cunhada assentiu e ela saiu do recinto rapidamente. Estava nervosa e com… ciúmes? Se perguntava o que tinha acontecido com o mundo, já que horas atrás não queria nem ver a cara de Mats Hummels e agora desejava que ele estive com ela e não com aquela mulher tão bonita, que ela nem conhecia e por isso, nem podia falar algo da moça.

Gostaria de dizer que era o efeito da bebida, mas o efeito do beijo do jogador havia a deixado sóbria, chocada, encantada e desejando por mais.

Subiu a escada retirando os saltos dos pés, abriu a porta do quarto rapidamente e antes que pudesse se jogar na cama, ouviu uma voz soar atrás de si.

— Por que a senhorita não me esperou? — Perguntou com os braços cruzados, como ela pôde visualizar assim que se virou para olhá-lo.

— Porque eu sabia que você não iria voltar. — Ela disse sincera, dando de ombros.

— Eu disse e prometi. Eu pago todas as minhas promessas. — Fechou a porta delicadamente e começou a caminhar na direção dela — Eu voltei pra encontrar você.

— Pensei que o papo lá embaixo estivesse mais interessante. — Deixou escapulir pelos seus lábios tudo o que sua mente pensava naqueles últimos minutos.

— Papo? — Ele vincou a testa, sem entender que conversa era aquela.

— Sim, com aquela loira bonita que foi buscar você na hora… Er… Você sabe. — Completou nervosa. Não acreditava que estava se prestando a esse papelão.

— Você, por algum acaso, tá com ciúmes? — Ele sorriu, gostando da ideia — Nossa, não pensei que o efeito do meu beijo fosse agir tão rápido assim, meine liebe.

— Ah, cala a boca. — Ela bufou irritada. A ideia de ter ciúmes de Mats Hummels a deixava louca e mal-educada.

— Vou calar sim, mas antes vou te dizer, aquela é a nossa fisioterapeuta, ela é muito amiga de todo mundo, inclusive do seu irmão. Não sei o que você viu, mas a gente tava planejando uma forma dela conseguir levar o Bürki pra casa, sem que fosse vista saindo com ele. Porque você sabe que os jornais alemães adoram um affair inventado com jogadores de futebol. — Ele explicou toda a situação e ela apenas deu de ombros.

— Nem queria saber mesmo. — Cruzou os braços e olhou para o outro lado. Não queria encarar ele agora.

— Aham, tá certo. Eu vou fingir que acredito nisso. — Mats estava achando fofa a forma como ela estava reagindo àqueles sentimentos novos.

Ele aproveitou a distração dela e se aproximou de , fazendo com que ela descruzasse os braços e pegando em sua mão delicadamente, aproximando de seus lábios. A luz da lua adentrava pela janela, sendo a única fonte de luz do local, e assim de perto, iluminado, Mats estava mais irresistível ainda.

— Maldito! — Deixou escapar sem querer e puxou a mão para si rapidamente.

— O que foi agora? — O jogador se sentou na cama, enquanto via a irmã do seu amigo andar de um lado para o outro no quarto.

— O que você tá fazendo com a minha cabeça? Será que foi o excesso de bebida? Porque estou te achando terrivelmente maravilhoso… Tá, isso você sempre foi. Meu Deus, você foi jogar no Bayern de Munique e abandonou a gente. Qual o seu problema? — Ela parou na frente dele — Eu não sei o que tá acontecendo. Você deveria saber que existem consequências se você continuar pegando na minha mão assim do nada e beijando-a desse jeito.

— Respira… Calma… Eu sei que sou maravilhoso e já estou de volta ao Dortmund. — Ele sorriu de lado, presunçoso — Fiquei interessado nas consequências, acho que vou pagar pra ver. — Disse, pegando a mão dela de volta e depositando outro beijo singelo.

— Eu. Odeio. Você! — falou pausadamente — O que você fez comigo?

Após a pequena crise existencial, ela encaixou as duas pernas, uma em cada lado de Mats, agarrando o rosto do homem e beijando-o, dessa vez com voracidade, desejo.

As mãos já não sabiam se ficavam puxando o cabelo sedoso do jogador ou se passeavam pelo peito dele. O clima esquentou tanto que quando deu por si, já estava deitada na cama com Mats por cima dela, beijando todo o seu corpo.

Roupas já não se encontravam presentes e o calor que os dois emanavam, as mãos que não tinham um destino certo, se conhecendo ainda incertas, os gemidos baixos soltados por ambos, fizeram da noite um deleite para os dois amantes.

Ela sabia o que estava fazendo, talvez o arrependimento viesse no outro dia, mas naquela noite, não se importava de estar dormindo com um dos caras que ela pensava que não gostava.

Deitada sob o peito forte dele, sabia que a implicância tinha sido uma maneira de não se aproximar tanto e acabar caindo nos encantos de Mats Hummels. Tinha dado tudo errado.

***
 

O sol tímido de Dortmund bateu na cara dela no dia seguinte, fazendo com que despertasse aos poucos. Lembrou-se de tudo que tinha acontecido na noite anterior e soltou um sorriso involuntário, logo arregalando os olhos e verificando se Mats ainda estava por ali. Encontrou o local vazio.

Sentiu primeiramente uma raiva. Como ele não ficou nem para esperar que ela acordasse? Depois sentiu alívio, não teria que encarar toda a situação logo pela manhã.

O celular que estava jogado pelo chão começou a tocar insistentemente. se esgueirou até conseguir alcançá-lo.

— Alô! — Forçou para que a voz saísse.

, cadê você? — Melanie perguntou — Olha, a gente tá indo pra casa do Marco, certo? Você vai? A gente precisa conversar! Você já viu as fofocas hoje? Como você ficou com Mats Hummels e não me disse nada? Que tipo de irmã você é? — Despejou tudo de uma vez só.

— É O QUE? — gritou — Como… — gaguejou, nervosa — Como você sabe disso?

— Tá em todos os portais da Alemanha querida. As manchetes dizem: “Na festa de aniversário de Marco Reus, quem ganhou o presente foi Mats Hummels” e uma foto de vocês se pegando na sala de jogos do Marco.

— Ah. — Fechou os olhos e deu um tapa na testa — Isso só pode ser um pesadelo.

— Me conta como tudo isso aconteceu.

— Agora não, Mel. Preciso saber como enfrentar a cara do Marco, se ele já tiver visto essas reportagens…

— Você ainda tá aí?

— Sim.

— Fica aí que vai rolar um churrasco de salsicha.

— Vou tomar um banho, me despedir e ir direto para o meu lar. Mats deve vir também e não quero nem ver ele, ainda mais agora. — Ela suspirou — Preciso desligar, Mel. Depois a gente se fala.

— Tchau, sis.

encerrou a ligação e foi diretamente procurar as notícias, estava basicamente em todos os sites de fofoca. Ela preferia morrer no momento, mas criou coragem para tomar um banho e descer logo em seguida.

Assim que estava na escada, descendo para o andar debaixo da casa de Marco, ela ouviu a voz dele e travou completamente.

— A gente tá te vendo, . — Marco gritou para que todos ouvissem, fazendo com que as bochechas dela esquentassem muito — A noite me parece que foi boa, né? — Ele continuou com um tom insinuante, assim que ela começou a descer os últimos degraus da escada.

— Cala a boca pelo amor de Deus! — encarou os três que estavam ali e alguns funcionários que circulavam de um lado para o outro, desmontando a decoração da noite anterior — Vou embora. — Começou a andar na direção da porta da casa de Marco.

— Não vai nem se despedir do Mats, dar um beijinho e tal? — Marco insistiu na brincadeirinha que a estava deixando constrangida.

— Não. — Respondeu rápida, evitando olhar para Mats que a encarava sem saber o que estava acontecendo e o porquê dela estar agindo daquela forma.

Scarlett que estava próxima a ela, não deixou que desse mais um passo sequer.

— Você vai ficar para o churrasco. — Se aproximou e sussurrou no ouvido dela. — Ainda tem um monte de fotógrafo na porta, aparentemente quem vendeu a foto deixou todos os detalhes também, sabem que vocês dois não foram embora da festa.

— Não acredito. — Bufou alto e sentou emburrada bem longe de Mats.

A conversa fluía entre os outros três presentes na sala, apenas estava inquieta em seu lugar e não falava nada. Mats por sua vez, deu o espaço que ela precisava, não direcionou a fala a ela nenhuma vez.

Quando os convidados foram chegando, ela viu como uma oportunidade de ir embora, saindo pela porta dos fundos, foi isso que ela tentou fazer, até ser interrompida pelo jogador na cozinha.

— Você vai embora e não vai falar comigo? — Ele falou bem atrás dela, antes que ela chegasse até a porta de saída.

— A gente não tem o que conversar, foi ótimo de verdade, mas não tem pra que ter tudo isso, foi só uma noite, não é mesmo? —Ela se virou para ele.

— Você pode dizer isso por você. Eu poderia ter ido embora, mas eu não quis, esperei por você porque pra mim não foi só uma noite. — Ele disse sincero.

— Mats, deixa de loucura… Você viu o que aconteceu? Nossas fotos estão por todos os cantos. Você deveria levar como um elogio eu não estar falando com você. — Ele franziu a testa, não entendendo onde a mulher a sua frente queria chegar — Um elogio porque a noite foi muito boa, sério. É a minha forma de sinalar pra você isso.

— Me ignorando? Desculpa, isso não faz sentido nenhum pra mim. — Ele se aproximou mais dela — Porque quando eu gosto do que rolou, quero mais é falar com a pessoa e dizer isto que estou dizendo agora pra você.

— Te ignorando porque não vou dar falsas esperanças. Eu estava muito feliz, você me deixou muito feliz e satisfeita, mas isso… — Apontou para ele e depois para ela mesma — Não tem como dar certo e eu fico triste de repente, até questionando a minha sanidade mental, porque ir do céu ao inferno assim não é normal.

— Eu não entendo, juro. — Fez uma carinha triste, magoado.

— Não gosto de atenção, Mats. Sair com você vai ser como estar sempre no centro dos holofotes, sendo a sua mais nova conquista. Eu sempre fugi disso. — Foi sincera.

Mats apenas balançou a cabeça em negação.

— Jamais faria isso, primeiro porque não sou esse tipo de homem que a sua cabeça construiu, segundo porque eu sempre me senti atraído por você, sempre quis ter uma chance para me aproximar. Li seus livros, admiro seu trabalho, te admiro como mulher, apesar das patadas que levei. Eu ia desistir, mas aquele seu personagem, sou eu. Eu sei disso, eu sinto isso. E eu quero ter uma chance de ser o protagonista da sua história. — Quando deu por si, o jogador já estava a sua frente, bem próximo.

— Mats, eu me odeio e te odeio por tudo isso, sério. Eu não posso te ter sem abdicar de coisas que eu não tolero, tipo invasão de privacidade. No momento eu quero você, mas não posso. — Ela fechou os olhos, sentindo a proximidade do homem e a sua atração por ele ser quase irresistível, o poder magnético dele forte demais para que ela pudesse lutar contra — Acho que… Acho que…

Ele não esperou que ela concluísse a frase e a beijou, sendo correspondido no mesmo instante. Mats esperou por aquilo por muito tempo e não deixaria aquela chance escapar por entre os seus dedos. O beijo rápido e intenso logo se findou.

— Escuta bem… — segurou o rosto dela — você tem que viver a sua vida sem medos, o que importa o que os outros estão falando? Não é mais importante o que nós estamos sentindo aqui e agora? Não joga fora algo que pode ser lindo pra gente e eu sei que vai. — No final, soltou aquele sorriso matador, sabendo que já estava conseguindo reverter o pensamento dela.

— Eu não posso com isso… Ugh… Você é tão absolutamente maravilhoso, queria poder ter te conhecido melhor há mais tempo. — Desabafou ela, rendida aos charmes do jogador e realmente arrependida por tanto tempo perdido.

— Deve ser por isso que você me odeia, por eu ser maravilhoso demais. — Disse presunçoso.

— Aí, como você sabe estragar um momento. — Ela falou — Eu tô indo embora.

Ele reparou que ela estava voltando para a sala de Marco.

— Você não vem? — virou-se para ele, estendendo a mão que logo foi agarrada por ele.

Os dois atravessaram a sala sob os olhares curiosos de algumas pessoas que estavam ali. Assim que ambos pisaram do lado de fora da casa, vários flashs atingiram os seus rostos.

— Eu só posso estar ficando louca mesmo. — Negou com um sorrisinho no rosto.

Apertou a mão de Mats e atravessaram o caminho até o carro dela sendo perseguidos pelos paparazzis, de lá foram para o seu studio, onde a partir daquele momento ela começava a escrever o seu novo livro: o da sua vida. Ah, Mats é o personagem principal e seu par romântico, óbvio.

*Meine liebe – Meu amor.

*Danke – Obrigado.

Nota da autora: Se você chegou até aqui, muito obrigada! Espero que tenha gostado da história que escrevi com muito carinho, apesar de estar super ocupada com a pré-campanha política. Muito obrigada e até breve!