01. Heartbreak Weather

01. Heartbreak Weather

Sinopse: Hannah teve seu coração partido e decide mudar-se de cidade para começar uma nova vida, longe da badalada Los Angeles. Apesar de seu casamento ter fracassado, ela arruma um trabalho na área de organizar casamentos. O que o futuro reserva para Hannah, depois que por um erro de digitação as coisas tomam um novo rumo, sua vida continuará como um clima de coração partido?
Genero: Romance.
Classificação: 14 anos.
beta: Thalia Grace.

10 de abril de 2020…

E como era de rotina nos últimos dias, levantou-se ao meio dia, ainda espreguiçando-se abriu lentamente a porta, para ver quem havia tocado a campainha. Ele não lembrava de estar aguardando alguém. Para sua surpresa, era seu melhor amigo. Ficou espantado, pois fazia uns dez meses que não se viam.

Após ter decidido seguir carreira solo, aos poucos ele foi se distanciado de todos e inclusive de Jamie, que era quase como um irmão para ele.

— Hey! — balançou os cabelos que ainda estavam bagunçados. O amigo então esboçou um sorriso.

—Tudo bem, ? Tem um minuto?

—Claro! — sentiu-se aliviado e feliz que apesar do afastamento e das crises de estrelismo por parte dele mesmo, seu amigo não demonstrava rancor. — Entre… — permitiu a passagem o guiando até a sala.

— Faz um bom tempo… Como você está? — Jamie perguntou enquanto acomodava-se no sofá.

— Estou bem. Você já deve saber, está em todas as revistas, sites e redes sociais. — respondeu um pouco sem jeito e sentou-se na sua poltrona de frente para Jamie.

— Eu li a respeito. — eles se referiam ao fato da gravadora ter rompido contrato com depois de ele ter faltado a alguns shows e também pelas suas atitudes inconsequentes envolvendo bebidas, festas e mulheres, até envolvimento em uma briga em um clube badalado da cidade.

— Logo acho outra. Não vou ficar longe dos palcos por muito tempo. Ainda vão implorar para que eu volte. — riu fraco.

— Você não muda mesmo, . — Jamie balançou a cabeça o repreendendo. — Sempre orgulhoso.

— Mas e aí, veio até aqui só para esfregar meus defeitos na minha cara? — irritado, levantou-se bruscamente, não conseguia controlar seu gênio.

— Calma aí… Não foi por isso. — o amigo riu, apesar de tudo sentia falta do seu amigo teimoso e temperamental. — Eu vim para fazer um convite a você. Senta aí. — ordenou Jamie. — É importante. — respirou fundo e sentou-se novamente, embora um pouco contrariado pela ordem do amigo. — Você sabe que apesar de termos nos distanciado, sempre continuei o considerando como um irmão pra mim. Então queria contar que irei me casar mês que vem e quero você como um de meus padrinhos. — a cara emburrada de logo foi substituída por um largo sorriso. Ele imediatamente saltou da cadeira e abraçou seu amigo, o puxando do sofá. Os dois ficaram em pé.

— Parabéns! Mas quem é a doida que aceitou? — debochou do amigo.

— Lembra da minha vizinha? A Lauren? — Jamie sorriu de canto.

— Não acredito que você e a Lauren… Vocês se odiavam!

— É… — Jamie deu de ombros. — O amor tem caminhos estranhos. — ele riu. — E então? Você aceita?

— Claro que sim. — deu um tapinha nas costas do amigo. — Nossa, Jamie. Sinto muito por ter deixado vocês de lado, sei que fui muito egoísta. Perdi muita coisa importante nesse tempo. — desabafou. — Fico muito feliz que pelo menos a sua amizade eu ainda tenho.

— Jamie colocou a mão sobre o ombro do amigo. —, o fato de não termos nos falado nos últimos dez meses foram por conta de compromissos e sua vida corrida. Cada um seguiu um rumo, sabíamos que a banda não estava indo pra frente e o Freddie também já queria sair. Cara, você sabe que não foi com o pessoal da banda que você pisou na bola, não é mesmo?

Um silêncio se fez presente nesse instante.

— Eu sei… — baixou a cabeça por alguns segundos. Ele sabia, mas não queria lembrar, pois só o fato de lembrar dela ainda doía dentro dele, seu coração parecia se partir.

— Falei isso, porque… — Jamie tomou coragem para contar. — Você sabe que todos nós sempre fomos amigos, anos de amizade. E mesmo quando tudo aconteceu e até mesmo depois que você se distanciou, continuou nossa amiga, então…

— Eu fui um idiota com ela. — um nó formou-se na garganta de , mas jamais admitiria deixar uma lágrima sequer cair em frente ao seu amigo. — Quer beber alguma coisa? — virou-se de costas e caminhou até a cozinha.

— Não… Na verdade eu vim só para fazer o convite. — Jamie direcionou—se até a porta da cozinha. — E avisar que a será nossa madrinha.

O gole de suco que estava bebendo direto da caixa engasgou—o, fazendo espirrar suco pelo chão.

— Como? — seu coração parecia que ia saltar pela boca. Saber que encontraria após quase dois anos da separação quase o fez enfartar.
— A já aceitou. — Jamie coçou a cabeça e voltou a encarar seu amigo que ainda estava atônito à sua frente. — E você ainda vai querer ser meu padrinho?

pensou por alguns minutos, aquele nome trazia de volta muitos sentimentos, ele imaginou como ele reagiria ao vê-la depois de tanto tempo. Pensou, que poderia ter a chance de falar com ela novamente, quem sabe essa seria a chance de reparar seu erro.

— Sim. — falou baixo. — Digo, claro que sim. — repetiu firme.

— Que bom. — Jamie sorriu. — Aqui está o convite. — esticou o braço alcançando aquele envelope branco com letras douradas. — Agora preciso ir, sabe como é… Preciso ir buscar a Lauren para resolvermos mais detalhes do casamento.

segurou o convite e foram caminhando até a porta.

— Estou feliz que você tenha aceitado. Espero que possamos nos ver mais como nos velhos tempos. — Jamie estava animado.

— Eu é que tenho que agradecer. Eu não fui um bom amigo nesse tempo. Meu orgulho já me fez perder muita coisa, mas fico tranquilo em saber que nossa amizade não foi uma delas.

… Tome juízo. Espero que tudo tenha feito você ver que essa sua impulsividade não te leva a lugar algum.

— Agora eu vejo isso.

— Eu sei que sim. Vamos nos falando. Até mais, ! — Jamie se despediu e pegou o elevador.

fechou a porta e começou a analisar aquele pedaço de papel grande com letras cursivas douradas e foi inevitável recordar-se do dia do seu casamento com . Lembrou-se da sensação de quando ela entrou na igreja, seu sorriso era radiante, ela estava tão linda com aquele vestido branco. Logo, lembrou que naquele mesmo dia ele já começou a pisar na bola com a mulher da sua vida. Quando deram início ao baile, só faltou se esconder embaixo da mesa para não dançar a valsa com . Ele pôde perceber no olhar dela, o constrangimento e mesmo assim ele não quis dançar, não fez sequer um esforço. Seu egoísmo prevalecia naquela hora. Foi a primeira vez que ele a decepcionou.

— Como pude ser tão estúpido? — falou consigo mesmo. — Ela sempre tão delicada e paciente comigo, como pude ser tão idiota? — leu o convite e olhou a data do casamento, aconteceria no dia 25 de novembro de 2020. Marcou a data, estava decidido a tentar reconquistar a mulher da sua vida, aquela que ele deixou escapar, que não deu o devido valor, mas essa seria a data de um recomeço.

E a lembrança da noite em que ela o deixou voltou a assombrá-lo.

Flashback dois anos atrás

E tudo se repete, assim como nos últimos 6 meses, o mesmo vazio e silêncio se instaura naquele apartamento, mais uma noite espera seu marido chegar. Sentada no sofá, encarando, com seus olhos cheios de lágrimas, um porta-retrato, mas não era um qualquer e sim da foto do casamento dos dois, no dia dez de abril de 2015. E então foi lembrando de alguns detalhes, daquele que deveria ter sido um dos dias mais importantes de sua vida. Alguns detalhes lhe vêm à mente, na hora onde deveria ter tido a primeira dança dos noivos, só faltou se esconder por baixo da toalha de mesa para não dançar com ela. A deixou plantada no meio do salão, sendo resgatada pelo pai do noivo, que a tirou para dançar e evitar um constrangimento maior. Sim, no dia do seu casamento ele já mostrava sinais de seu egoísmo e imaturidade, mas ela ignorou certos sinais. Ela tinha 21 e ele 23, ambos eram novos, mas idade não significa maturidade.

Hanna se perguntava, como ela não havia notado certas atitudes antes de casar? Culpava-se por não ter percebido, que o homem que ela amava no fundo amava apenas ele mesmo.

As lágrimas rolaram em sua face e pingaram contra o vidro do porta-retratos, ela enxugou as lágrimas assim que escutou o barulho de chave vindo da porta. Levantou-se calmamente e pousou o porta-retrato no sofá.

entrou nitidamente alcoolizado e viu a esposa aproximar-se dele a pequenos passos. respirou fundo ao sentir todo aquele odor de cigarro e bebida. Naquele momento nada mais importava, ela só pensava o quanto estava exausta de toda essa situação e o quanto estava magoada.

— Eu… Eu… — preferiu não continuar o que ia dizer, vê-la assim tão fragilizada doía demais e ele mesmo não entendia o porquê a fazia sofrer tanto. Ele sabia que a amava, mas estava confuso em relação à sua carreira, se sentia inseguro, e ir para as noitadas com seus amigos parecia a coisa certa a fazer. — Vou para o banho. — Depositou um beijo rápido na bochecha dela e fingiu como não se importasse, cruzou o apartamento até o banheiro. Ele não queria discutir com ela como todas as outras vezes.

Só que esta noite estava cansada do descaso de seu marido, bateu aquela vontade de chorar incontrolavelmente, mas ter que permanecer firme diante da situação lhe causava uma dor que sufocava no peito, e ver ele chegando naquele estado, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo, era o que mais doía, sentia-se invisível dentro daquele luxuoso apartamento. Resolveu dar um basta, não era mulher para ser colocada em segundo plano, ela sabia o seu real valor, já havia deixado essa situação se prolongar por tempo suficiente, não tinha mais forças para segurar esse casamento sozinha.

Pegou sua mala e enquanto estava no banho apenas deixou uma carta, a qual já havia escrito antes dele chegar, afinal estava decidida. Posicionou a carta em cima da cama e apenas de uma última olhada pelo quarto, puxou sua mala e mesmo com uma dor imensa em seu peito, saiu do apartamento sem olhar mais para trás.

saiu do banho e estranhou sua esposa não estar na cama. O silêncio pelo apartamento reinava, até que percebeu um pedaço de papel pousado sobre seu travesseiro. Ele que sempre demonstrou frieza, no instante em que abriu aquele papel, desabou, a cada palavra lida, lágrimas rolavam sem parar. Todos seus erros expostos em uma única carta, palavras as quais haviam sido ditas, mas nunca de fato de escutadas por ele, mas que agora sim da pior forma ele as entendeu, aquele “Adeus” no final, foi o que o fez sentar no chão e chorar feito uma criança, mas mesmo estando com seu coração despedaçado seu orgulho ainda era maior, amassou a carta e jogou em um canto e decidiu não ir atrás de .

Flashback off

Hanna havia voltado de sua caminhada pela praia, era seu sábado de folga. Pendurou suas chaves ao lado da porta, tirou seus chinelos e jogou-se confortavelmente no sofá, assim que ligou a televisão ouviu a campainha tocar. Abaixou o volume e foi atender a porta.

— Lauren! — exclamou surpresa pela visita da amiga, que apesar de se falarem seguido por telefone, não se viam pessoalmente há alguns meses.

, quanto tempo! — Ela abraçou forte.

— Não me avisou que estava vindo à San Diego. Entra. — a convidou.

— Obrigada. Eu queria te fazer uma surpresa mesmo. — Lauren foi entrando.

— Sente-se, por favor. — afastou as almofadas que estavam bagunçadas em cima do sofá. — Veio tirar uns dias de descanso da movimentada Los Angeles?

— Na verdade vim por um motivo mais especial. — Lauren era só sorrisos. — Vim te trazer o convite do meu casamento.

— Não acredito! — deu um pulo da poltrona onde estava sentada. — Nossa, você e Jamie realmente formam um casal lindo. E por que ele não veio? — Perguntou enquanto abria o envelope.

— Sabe né, eu acho que te contei da escola de música que ele abriu? Para crianças com necessidades especiais?
— Ah claro, eu lembro que você me contou mês passado.

— Então, ele anda tão empenhado na escola e hoje parece que iam fazer uma entrevista com ele lá. Só por isso ele não conseguiu vir, mas mandou um abraço e está com saudades suas. Mas tenho mais um convite… Aceita ser minha madrinha de casamento?

— Se aceito? Mas é claro que sim! — abraçou sua amiga, estava radiante com a notícia. De repente teve uma pergunta que ela pensou ser importante fazer. — Lauren, o foi convidado? — Um certo desânimo tomou conta momentaneamente, estava receosa da resposta.

— Eu não sei o que o Jamie decidiu, conversamos a respeito, mas ele se incomodou em falar dele e procurei não tocar mais no assunto. Deixei para ele decidir, isso mudaria sua resposta?

— Eu não sei o que dizer Lauren, não sei quando vou estar preparada para encarar novamente. Eu sei que já faz quase dois anos, mas… — Uma dorzinha ainda apontava em seu peito ao lembrar dele e até em pronunciar o seu nome.

, eles estão sem se falar direito desde que ele seguiu carreira solo, provavelmente ele não vai, sabe que ele anda com outro grupo de amigos agora.

— Mas se ele for você me avisa? Não quero ser pega de surpresa, está bem?

— Pode deixar.

— E só você mesmo para casar no outono. — Balançou a cabeça e riu. — Vamos dar uma volta. — Convidou a amiga.

As amigas aproveitaram o dia ensolarado em San Diego para passearem e conversarem mais um pouco e matar a saudade.

15 de maio de 2020

— Vamos, Erica, senão vamos nos atrasar. — apressou a colega de trabalho, que não encontrava a bolsa onde guardava as lentes da sua câmera. — A noiva vai ficar furiosa.

Após a separação mudou-se para San Diego, saiu da movimentada Los Angeles e não demorou para que conseguisse um novo emprego, no Cerimonial Sarah Woods, ela trabalhava na parte de planejamento e decoração.

— Calma, , deve estar aqui nesse armário, às vezes acho que a Sarah esconde as coisas aqui dentro da empresa, só pode. — Erica reclamou, enquanto abria e fechava diversos armários. — Achei! — A fotógrafa gritou. Vestiu a mochila nas costas, fechou os armários e correu até a porta. — Pronto, podemos ir. — Trancaram a porta e entraram no carro.

foi dirigindo aquela van lotada de flores, precisavam ir para Laguna Beach, onde aconteceria o casamento que iriam trabalhar.

— Não posso me atrasar, justo hoje que a Sarah me deixou encarregada de tudo. — Pisou no acelerador.

— Calma, . — Erica agarrou o arranjo que estava em seus pés. — Ainda temos tempo…

— Eu preciso chegar antes, Sarah me avisou que tem uma fotógrafa nova que vai começar hoje, preciso passar as instruções para ela.

— Com a quantidade de convidados foi ótimo a Sarah se preocupar em chamar reforços, eu não ia dar conta sozinha. Finalmente ela resolveu me ouvir. — Pegou o celular do bolso. — A noiva deixou os quartos do hotel reservados, deixa eu ver aqui. — Passou o dedo pela tela do celular. — Eu e a Sandra e você e a fotógrafa nova.

— Espero que essa fotógrafa não seja enjoada, lembra da última que a Sarah tentou contratar?

Erica e fizeram a mesma careta ao lembrarem dela, depois disso riram da situação. Erica trabalha com a Sarah há três anos, ajudou a fundar a empresa e é fotógrafa e Sandra é a chefe das recepcionistas.

Depois de uma hora e quinze minutos de viagem, Erica e chegaram à Laguna Beach. Tudo já estava montado, faltavam apenas alguns arranjos e os últimos detalhes. passou todas as informações necessárias para a Sandra.

— E a fotógrafa nova, onde está? — olhou ao redor. — Como o nome dela?

— Não vi, mas pelo protocolo que tenho aqui, ela deve estar fotografando a noiva se arrumando. Ela se chama… — Olhou para seu iPad. — .

— Ok, então. Vou falar com o pessoal do som. Qualquer coisa, me chama no rádio.

saiu apressada em direção à cabine de som, para poder dar início ao protocolo do casamento. Depois de tanta correria, cuidando de cada detalhe para que tudo saísse perfeito, estava exausta, mas satisfeita com mais um trabalho concluído com sucesso. Seguiu reto para o quarto que os noivos haviam reservado para ela. Entrou calmamente, tirou os sapatos e os segurou nas mãos, tentando fazer o máximo de silêncio, pois não sabia se a sua colega já estava dormindo. Olhou e não havia nenhum cartão, então ela ainda não havia finalizado as fotos da festa. Colocou o cartão, acendeu as luzes e foi até o banheiro, fechou a porta, ela precisava de um banho urgente, antes de deitar-se. Aquele banho de banheira foi revigorante, vestiu o roupão e abriu a porta para pegar sua roupa na mala. Assim que saiu do banheiro tomou um susto ao se deparar com um rapaz, tirando a camisa, em seu quarto.

— Quem é você? — deu um pulo, assustada e agarrou o roupão, o fechando até o pescoço. O rapaz virou-se também, assustado, e vestiu a camisa de volta rapidamente. — Acho que você errou de quarto. — Ela continuou.

— Mas… — Ele estava completamente confuso, afinal o cartão dele havia liberado a porta. Estava sem entender nada. — Calma, mas… Esse não é o quarto 605?

— Sim… — Ela balançou a cabeça.

— Esse foi o quarto que me passaram da reserva.

— Acho de devem ter se enganado, quem é você? — perguntou nervosa.

— Eu sou , eu te vi pela festa do casamento, você é da equipe da Sarah, não? A , certo? — Ele havia lembrado do seu rosto pela festa, correndo para lá e para cá, sem parar um segundo.

— Sou… — estreitou as sobrancelhas e segurava firme ainda seu roupão, quase a sufocando pelo pescoço. — E você é?

— Eu sou o , o novo fotógrafo que a Sarah contratou. — Ele estendeu a mão, mas foi deixado no vácuo.

imediatamente arregalou os olhos. Como na ficha dizia que era uma fotógrafa? O que estava acontecendo?

— Mas… Não… — Ela balançou a cabeça. — A Sarah me disse que era uma fotógrafa, a .

— Como assim? — gargalhou. — Eu conversei pessoalmente com a Sarah e hoje pela manhã me passou o endereço e tudo mais.

— Que confusão, porque a reserva tinha sido feita para mim e a nova fotógrafa.
começou a lembrar que Sarah nunca havia mencionado o nome e muito menos que era uma fotógrafa, talvez ela realmente tivesse se confundido e tivesse havido um erro de digitação no nome e os noivos acabaram fazendo a reserva por conta do nome digitado errado, mas como Erica também não sabia? Estava tudo muito confuso. percebeu que estava desconfortável com sua presença e dava sinais que desconfiava do que ele havia dito.

— Aqui — Ele alcançou seu celular com as mensagens falando com a Sarah. leu e constatou que realmente ele era o novo fotógrafo. — E pode ver meu nome. — Ele abriu a carteira e mostrou seus documentos. , ele era quem realmente dizia ser. — Eu posso ver se tem outro quarto disponível, não tem problema. Eu pensei que ia ficar no quarto com o Lenin, o cara da filmagem. — foi indo em direção à mochila que estava em cima da cama. Pendurou sua máquina de volta no pescoço. não poderia fazer isso com ele, afinal não tinha culpa da confusão que foi feita.

— Imagina, já são duas e meia da manhã. Temos duas camas de solteiro, a não ser que você queria outro quarto, por mim você pode ficar.

ficou aliviado e contente ao mesmo tempo, afinal ele também estava exausto, suas costas estavam doloridas do peso de sua máquina.

— Eu vou tomar um banho rápido, se importa? Você pode dormir, prometo não fazer barulho.

— Claro… — Algo nele havia captado a atenção de , era estranho, mas não se sentia desconfortável por ter que dividir o quarto com ele.

entrou no banheiro e deixou a luz mais baixa que tinha acima da cabeceira das camas, acesa.

Ela estava tão cansada que não conseguia dormir, ainda estava agitada por conta de tudo que fez, estava orgulhosa por ter dado tudo certo desde a cerimônia e a festa, os noivos estavam radiantes. Foi inevitável a lembrança do seu próprio casamento, vagar em sua mente, lembrou-se como tudo foi tão diferente, hoje os noivos transbordavam felicidade. Quando o noivo dançou, o momento em que ele se declarou para a noiva antes do início da valsa, fez com que se emocionasse, raramente ela se emocionava em casamentos, afinal já estava acostumada, com tantos que havia trabalhado.

saiu do banheiro, ainda secando seu cabelo com a toalha e notou sentada, encostada na cabeceira da cama, já coberta, mas com o olhar distante.

— Achei que você já tinha pegado no sono. — resgatou de seus pensamentos.

— Ah… Por incrível que pareça estou sem sono. — Ela olhou para ele, que agora estava com o cabelo bagunçado, molhado e com uma camiseta preta e… Ela deu uma risada gostosa e logo desceu os olhos para a bermuda com estampa de flamingos de . Ele olhou para baixo.

— É, aqueles presentes que as tias dão, mas jamais imaginei que ia ter que usá-lo na frente de uma mulher. — Ele riu, ficando com as bochechas vermelhas. — E como era isso ou o ficar com o terno. — Deu de ombros e riu.

— Eu também costumo ficar agitado depois dos eventos, o corpo cansa, mas a mente ainda está a mil, também estou sem sono. — Ele pendurou a toalha na cadeira e sentou-se na sua cama. — Aceita conversar até o sono bater?

balançou a cabeça afirmativamente. Começaram conversando sobre o casamento, os noivos, os fatos engraçados que aconteceram na festa, conversaram sobre eventos anteriores que já fizeram, dividiram suas experiências, riram e o papo fluía de uma maneira como nenhum havia se sentido antes.

— E então corremos direto para o hospital… — havia terminado de contar sobre uma sessão de fotos de uma gestante, que acabou tendo que levar ela direto para o hospital para ter o bebê. — ? — Olhou para o lado e viu que ela havia adormecido. Embora fosse a primeira vez que tinha visto , tinha a sensação de que já a conhecia há tempos, sorriu ao vê-la dormindo, desligou a luz e virou-se para o lado e dormiu também.

O celular despertou e acordou desnorteada, ainda estava caindo de sono, mas precisava levantar-se logo, tomar o café para pegarem a estrada em seguida. Se espreguiçou e ao olhar para o lado notou que já não estava mais na cama, ouviu um barulho e logo ele saiu do banheiro.

Por alguns instantes ela fingiu que ainda estava dormindo e ficou espiando, apenas observando enquanto ele abria a mochila e guardava suas coisas, ele estava agora com as calças pretas do terno e uma camiseta branca e começou a reparar nele mais do que deveria, ele estava de lado abaixado organizando suas lentes e a máquina e se pegou analisando os traços de seu rosto, maxilar, boca. Até que seu celular tocou novamente e ela se assustou, abrindo rapidamente os olhos e quase derrubando o aparelho no chão.

— Bom dia. — abriu um amplo sorriso e fechou o zíper da mochila.

— Bom dia, . — Ela respondeu, ainda com voz de sono.

— Estou indo tomar café, quer que eu te espere?

— Não… Pode ir que eu não demoro. — Empurrou as cobertas e ficou em pé.

— Está bem, te espero lá. — Ele sorriu de canto e seus olharem cruzaram de uma maneira que fez ficar sem jeito, mas ao mesmo tempo a fez se sentir muito bem.

(…)

06 de junho de 2020

Depois daquele casamento, Sarah deixou responsável por mais alguns eventos grandes nos finais de semanas seguintes e agora ela estava encarregada de uma festa de bodas de Porcelana, aqui na cidade, no hotel Pendry San Diego.

Chegou ao hotel, verificou o protocolo e viu quem era o fotógrafo responsável e foi inevitável um sorriso brotar em seu rosto assim que leu , dessa vez o nome estava escrito corretamente.

— Rindo sozinha? — Sandra a cutucou. — Ultimamente ando te vendo tão alegre. Sandra adorava saber sobre a vida pessoal de cada colega de trabalho, na verdade ela sempre sabia de tudo e de todos nos mínimos detalhes, ninguém escapava do olhar minucioso dela e por ser sempre tão expansiva e carismática as pessoas tinham facilidade em se abrir para ela.

— Não foi nada, só ri que dessa vez não erraram ao digitar o nome do fotógrafo.

— É mesmo! — Sandra também riu. — Aquele casamento em Laguna Beach, fiquei horas procurando a tal da “” “Nily”… Não lembro… — Gargalhou. — Até que vi que era “O” fotógrafo, e que fotógrafo, hein? — Ergueu uma sobrancelha e deu um risinho para . — Ah se eu não fosse casada. E bem casada. — Ela reforçou “o bem”, porque Sandra e seu marido pareciam aqueles casais de propaganda de margarina. Aquele tipo de casal inspiração para os outros.

— Não achei nada demais. — não podia ter sido mais mentirosa naquele momento, afinal desde o dia que dividiram o quarto de hotel, se pegou pensando nele e no que conversaram aquela noite diversas vezes durante esses últimos tempos.

— Sei. — Sandra demonstrou não ter acreditado nas palavras de . — E aqueles risinhos e troca de olhares na segunda—feira quando ele veio receber lá na empresa, hein?

— Para de imaginar coisas, Sandra.

— Olha aí a “Imaginação” chegando. — virou-se rapidamente sem hesitar, fazendo Sandra gargalhar da reação da colega. — Vou ali passar as orientações para as recepcionistas, nos falamos mais tarde.

— Está bem. — concordou, mas seu olhar estava atento ao fotógrafo que estava vindo em sua direção. Balançou a cabeça dispersando alguns pensamentos, ela não estava pronta para sequer pensar em se envolver com alguém agora.

! — a cumprimentou. — E então, qual o protocolo hoje?

— Oi . Aqui está. — repassou tudo para . — Enquanto isso você pode ir fazendo as fotos da decoração.

— Sim, senhora. — Ele sorriu brincalhão e saiu rumo ao salão de eventos do hotel.

o acompanhou com o olhar, sentiu algo diferente ao vê-lo, ainda não sabia explicar o que estava sentindo naquele momento, apenas uma vontade incontrolável de sorrir.

O evento correu tudo dentro da normalidade, exceto alguns probleminhas de som no início, mas logo foi solucionado e nada que pudesse ter atrapalhado.

O protocolo todo já havia sido concluído e a festa estava rolando. O Sr. Claude Steban chamou e a equipe para se juntarem à festa.

A banda era ótima, tocava de tudo um pouco, dançaram ao ritmo de “Moves like Jagger” até “Thriller” do Michael Jackson, até que veio uma mais lenta e o sr. Claude tirou para uma dança, enquanto e a Sra. Janes Steban convidou , que largou sua câmera em uma mesa próxima à pista e a acompanhou.

Janes era uma senhora encantadora, mas ora ou outra acabava dando uma pisada nos pés de , que tentava ao máximo guiar a dança para que isso não acontecesse mais, mas ele estava se divertindo muito.

— Meus pés já estão doendo. — Comentou Janes, vou me sentar um pouco, encerrando a sua dança com , que também decidiu sentar-se, para recuperar os seus pés. Então começou a observar a pista de dança e um o foco de luz, deu destaque à e Claude, alguns raios de luzes coloridas, realçavam a cor dos olhos de , os efeitos de fumaça, faziam como se ela estivesse flutuando naquela pista. Ela ria enquanto dançava com o sr. Claude e naquele momento, pensou que ela parecia possuir o sorriso mais doce que ele já tinha visto. Não hesitou em pegar sua câmera para fotografá-la e foi quando ele só conseguia pensar em como ela era linda.

A banda começou a tocar a música Versace on the floor do Bruno Mars.

— Eu vou ir dançar essa com a minha esposa, obrigada pela dança, querida. — Claude se despediu e foi procurar Janes. ficou plantada no meio da pista, achou que logo alguém a tiraria para dançar, afinal essa era uma das músicas preferidas dela, olhou ao redor, todos com seus respectivos pares, até que sentiu alguém a cutucar no ombro.

? — Ela corou ao se ver perdida em seu olhar.

— Aceita? — estendeu a mão para dançar com . Naquele momento, ela sentiu seu coração apertar e bater mais rápido, nem ela se reconhecia reagindo daquela maneira.

deu-lhe a mão e deixou que ele a puxasse e se deixou abraçar por , logo recostando a cabeça em seu peito. Sentiu o coração acelerar quando sentiu seus braços delicadamente em volta de sua cintura.

— Eu não sei dançar muito bem… — Reconheceu .

— Eu também não sou nenhum dançarino profissional. — Ele disse. — Mas sei ir ao ritmo da música.

Ela entrelaçou os dedos ao redor de sua nuca e ele chegou até a fechar os olhos. E assim dançavam lentamente, muito próximos ao som de Bruno, ele não conseguia se afastar dela. Sentiu o cheiro do perfume dela, o cheiro de seu cabelo. A música lenta os envolvia e a energia que circulava entre eles era algo que pegou os dois de surpresa e naquele momento ele foi lembrado que não se sentia assim há muito tempo.

não sabia explicar o que estava sentindo exatamente, mas parecia estar fortemente atraída por .

A música estava chegando ao fim e nenhum dos dois queria que acabasse. Quando a música terminou, permaneceram parados um diante do outro e uma música mais agitada começou a tocar. pegou pela mão e a conduziu para fora da pista, mais próximo às mesas.

— Olha a Janes deixou esses doces separados para nós. — mostrou animado a caixa em cima da mesa, sequer notou que ainda não havia soltado a mão de . — Qual você gosta mais?

— Pode ser esse de chocolate com uma aliança desenhada em cima. — Ela soltou a mão de para pegar o doce. — E você vai escolher qual?

— Vou experimentar esse com esse “X” desenhado.

— Um “x”? — olhou novamente e estranhou não viu nenhum doce com um “x” desenhado.

— Esse. — Ele pegou na mão.

, isso são duas taças cruzadas. — Ela gargalhou.

— Sério? — Encarou aquele doce em vários ângulos e não conseguia conter o riso ao ver as caras que fazia.

Eles se sentaram um pouco e continuaram a rir de outras coisas e mais assunto foi surgindo e eles nem se deram conta quando o salão começou a esvaziar. De repente ouviram que a banda estava se despedindo e aí notaram o quanto o tempo passou.

— Meu Deus, , quase todos convidados já foram embora.

A companhia dele era tão agradável, que estava sem coragem de ir embora daquele salão e o sentimento de era o mesmo, foi quando ele olhou para e sentiu uma vontade imensa de tocar em seu rosto e até beijá-la, até uma imagem passou pela sua cabeça naquele instante.

— O que foi? — estranhou ter ficado calado e sério.

, posso te pedir uma coisa?

— Pode.

hesitou por alguns instantes, seria só ele que havia sentido tudo aquilo em apenas uma dança? Ele estava imaginando coisas? Essa sintonia toda entre os dois era só ele que havia sentido? Não queria fazer a besteira de estragar com tudo, afinal eles trabalhavam juntos, é sua colega de trabalho.

— Você… — Ele limpou a garganta. — Pode me dar uma carona? — Ele desistiu de falar o que queria.

— Claro que sim. — sorriu docemente para ele. Ela até ficou contente em poder prolongar esse tempo ao lado de .

(…)

— Tem certeza de que você entrou na rua certa, ? — estava um pouco aflito, pois até ele não sabia que rua era aquela que havia entrado. Se ele não tivesse se distraído, todo bobo olhando para ela enquanto dirigia.

— Eu coloquei aqui no GPS. — Ela mexeu mais uma vez no celular. — Onde nós estamos, se pelo menos eu conseguisse voltar. — começou a ficar nervosa, ao ver tudo escuro à sua frente, apenas os faróis do carro iluminando o caminho. — Que rua deserta é essa? Que droga de sinal, não acha o caminho de volta. — praguejou.

não queria apavorar , mas até ele estava começando a ficar com medo, pegou seu celular quem sabe ele conseguiria ver a localização, mas o sinal realmente estava péssimo.

— Calma… Nós vamos conseguir achar. — tentando se manter o mais calmo possível para não deixar mais nervosa do que já estava, mas nem sequer uma placa ele conseguia ver do lado de fora. Que lugar era aquele que eles tinham ido parar? — Vai mais adiante parece que estou vendo algo mais ali à frente, quem sabe conseguimos um sinal melhor.

— Char… — Ela travou. — . — pronunciou baixo seu nome, mas ainda estava encarando o celular na luta do sinal reagir e ele conseguir se localizar. — Estou com medo… — Sua voz saiu trêmula e olhou para frente, assim que começou a desacelerar o carro.

— Parece um homem ali na frente, parado na beira da estrada. — A essa altura o coração de disparou, quando aquele homem muito esquisito começou a caminhar em direção ao carro, ele parecia ter uma arma na mão, de repente ele acelerou o passo. — ACELERA! — Foi só o que pensou em gritar naquela hora. estava com as pernas bambas, mas pisou no acelerador e não pensou em mais nada foi em linha reta e desviou daquele homem sinistro e dobrou a primeira rua que ela viu e seguiu reto, até que encontrou uma pequena rua à direita com postes de luz e então o sinal voltou e finalmente deu uma nova localização e uma rota certa para seguirem.

Não demorou para que encontrassem a rua certa e logo chegaram na casa de . desligou o motor do carro e então respirou fundo e de repente ela desabou no choro.

— Calma … — soltou o cinto e a puxou para abraçá-la, na tentativa de acalmá-la, mas também poder se acalmar, pois o susto havia sido grande. tremia muito. — , quer entrar um pouco? Tomar uma água? — Ela fungou e suspirou tentando cessar aquela crise de choro.

— Está bem… — Respondeu ainda com a voz falha. Soluçou mais uma vez. Ela não tinha controle do tanto que ainda estava trêmula.

Na cozinha ela se sentou e buscou um copo de água gelada e entregou em sua mão. Ela tomou alguns goles e respirou mais profundamente.

— Obrigada, . Desculpa ter errado tanto assim o caminho da sua casa.

— Não é sua culpa, até eu me distraí e não notei para que lado você tinha dobrado. — Ele riu fraco, tentando descontrair o clima, pós susto.

— Quase coloquei nossa vida em risco. — não parava de se culpar.

— Para com isso, . — Ele a repreendeu. — Já passou, estamos bem é isso que importa. Lição para a próxima vez, não ficarmos conversando enquanto um dá carona pro outro, combinado?

concordou com a cabeça e tomou mais um gole da água.

— Você quer ficar? Já está muito tarde e depois desse susto não confio em deixar você ir dirigindo sozinha.

— Não, já estou bem melhor.

— Tem certeza? Eu durmo no sofá e você fica lá no meu quarto. Não seria a primeira vez que dormimos juntos. — brincou. pegou as chaves do carro e suas mãos ainda estavam tremendo, talvez não seria tão má ideia só passar a noite, ela ainda estava muito assustada.

— Está bem… Acho que vai ser melhor mesmo. — Ela sorriu.

Ele organizou o quarto, que estava um pouco bagunçado, para que ela pudesse ficar por ali. Escondeu algumas de suas bugigangas nas gavetas, ele tinha alguns “action figures” que jogou tudo para dentro de uma gaveta, não queria que ela achasse que ele fosse um “crianção”.

— Pronto… — Já troquei os lençóis. Pode ficar bem à vontade. — Deixei separado aqui uma camiseta se você quiser usar, porque essa roupa aí de trabalho não é nada confortável para dormir.

— Muito obrigada por tudo, . — Ela não conseguia ter palavras para o quanto estava sendo prestativo com ela, estava cada vez mais encantada com ele, além de ele ser tão bonito, ele era querido, gentil, engraçado, no momento faltavam adjetivos para que pudesse descrever tudo que estava achando dele.

— Imagina, , o que precisar só gritar. Boa noite. — Ele fechou a porta.

despiu-se e vestiu a camiseta que ele havia emprestado, uma camiseta cinza com o logo de Torrance High School, ela havia me contado, era a escola onde ele estudou. Antes de deitar ela ficou curiosa em dar uma olhadinha pelo quarto dele, reparou um porta-retrato que ele havia abaixado, ergueu para ver o que era. Havia uma foto dele um pouco mais novinho e ao lado dele havia um recorte e só havia sobrado um braço, de quem será que era aquele braço? Fez se questionar. Por que alguém guarda uma foto com apenas um braço sobrando? Voltou a deixar o porta-retrato abaixado e foi se deitar.

(…)

acordou bem disposta, sentindo o cheirinho de ovos mexidos. Foi até o banheiro lavar o rosto, fazer seu passeio matinal e depois foi reto até a cozinha.

— Bom dia! — sorriu, mas ficou sem palavras quando a viu somente com a sua camiseta, parecia que havia perdido a fala, seus sentidos voltaram apenas quando começou a sentir um cheiro de queimado.

— Os ovos! — Ele gritou e voltou sua atenção ao fogão. Ela se sentia tão à vontade perto de que havia esquecido que estava usando apenas a sua camiseta, só notou por conta do olhar que ele lançou a ela.

— Desculpa, eu já vou colocar minha roupa… — estava dando as costas para ir até o quarto.

— Não! — falou em um só fôlego. — Digo, não precisa se não quiser, é que senão os ovos vão esfriar. — Ele sorriu. — Vem. — Serviu o prato na bancada acompanhado de um suco de laranja.

— Está bem… — Ela sentou-se no banco e logo deu a primeira garfada. — Aqui o tratamento é sempre assim com as garotas que você costuma trazer? — perguntou na intenção de descobrir mais sobre os relacionamentos dele.

— Não… Só com as que me fazem passar por uma situação que eu quase morri de susto. — Ele gargalhou.

— Então se é esse o segredo, vou errar o caminho mais vezes. — Tomou um gole de suco.

— Não! Por favor. — Juntou as mãos em súplica. — Melhor eu recolher o prato. — Puxou o prato da frente de .

— Hey.

— Pode comer, mas por favor, atualize esse seu aplicativo do celular. — Ele riu e devolveu o prato à .

— Pode deixar, já atualizei, nunca mais quero passar por isso. — Continuou a comer e sentou-se ao seu lado e começou a comer. — Olha, não é porque estou aqui na sua frente, mas tenho que dizer que esses são os melhores ovos mexidos que já comi.

— Claro, são os meus ovos. — Ele olhou constrangido, pelo modo que havia saído a frase e então os dois caíram na gargalhada.

! — Empurrou ele de lado com o ombro, quase se desequilibrando e ele a segurou firme para não cair do banco.

O riso parou e os dois ficaram por uma fração de segundos se olhando, estavam tão próximos que ela podia sentir o calor de sua respiração. sentiu seu coração acelerar, a maneira como ele a desejava já estava saindo fora do controle, ele já não podia negar seus sentimentos, mas não podia ir adiante e sem saber como agir começou a piscar várias vezes, rompendo o clima.

— O que você está fazendo? — perguntou, estranhando a atitude dele.

— Estou tentando te seduzir. — Ele falou tão sério, que não conseguiu controlar sua risada mais uma vez e ele riu junto. — Deu certo?

— Ah para de ser bobo, . — não conseguia parar de sorrir sempre que estava com ele. Mas tinha seu passado também e ele tinha tanto medo quanto ela de se machucar mais uma vez.

(…)

Duas semanas se passaram e durante alguns dias, e se viram em mais alguns eventos pequenos e andavam trocando mensagens direto, já não conseguiam mais ficar afastados muito tempo.

— Do que você tá rindo aí, ? — Erica perguntou. havia recebido algumas mensagens engraçadas de .

— Nada, umas montagens que o me enviou.

— Hummm… — Erica e Sandra se entreolharam e riram. — Ultimamente é isso, aquilo.

— Somos ótimos amigos, apenas. — insistia em mentir para ela mesma, os sentimentos dela por ele eram muito mais que uma simples amizade, mas nenhum ainda tinha tomado a coragem de tomar o primeiro passo.

— Amigos. — Sandra e Erica se cutucaram provocando . — A gente nota bem isso nos eventos, dona , porque você não o chama pra sair, ver ele fora dos eventos, ir a um encontro de verdade.

Sandra e Erica já haviam notado os olhares entre eles, a maneira como eles ficavam quando estavam juntos e estavam na torcida para juntar o casal, Sandra já sabia de toda história de , o que havia acontecido com seu ex marido e também sabia do passado de e achava que os dois combinavam muito, mas ela não queria forçar nada, apenas queria que ambos se dessem conta disso sozinhos.

— Nada de encontros. Acho que ainda não estou pronta pra essas coisas.

— Pfffff… — Erica rolou os olhos.

— O que foi? — perguntou.

— Você está mais do que pronta, chega de enrolação e chama logo ele pra sair. — Erica continuou. — Aproveita que está falando com ele. A gente tá cansada de sofrer aqui. — Ela riu. — Queremos ver esse encontro acontecer.

é tão novinho, mas um lerdo, só porque a ex noiva o trocou pelo seu melhor amigo, fica aí todo medroso. — Sandra revelou e tapou a boca se dando conta do que tinha contado.

— Como? — indagou, logo em seguida seu celular apitou mais uma vez, ela leu a mensagem e arregalou os olhos.

— O que foi? — Sandra e Erica perguntaram de uma só vez.

— Olha a boca de vocês… — Virou o celular para as colegas.

— Ele está te convidando para sair jantar? Um ENCONTRO? — As duas gritaram em tom de felicidade. — Responde logo isso!

— Espera… Eu preciso pensar.

— Pensar o que? Responde que sim, sabemos que você quer.
encarou aquela pergunta por mais alguns segundos e foi digitando na maior calma possível e enviou.

— Então? — Elas estavam ansiosas.

— Eu disse que… — Ela fez uma pausa para deixá-las mais curiosas. — Não.

— O QUÊ? — Gritaram.

— Estou brincando, eu disse que sim.

— Erica, me segura que eu quase dei na cara dessa menina. Vai lá atrás na dispensa e pega aquele vinho que ganhamos da Sarah, hoje é sexta e sem eventos por hoje, vamos até comemorar agora!

(…)

havia caprichado, fez uma reserva para eles no restaurante Mistral, a vista desse lugar é incrível, voltada para o mar.

Mas o que o fez perder o fôlego foi o vestido vermelho que ela estava usando, era como se a visse pela primeira vez.

A noite não podia ser diferente como das vezes que estavam juntos, muita conversa, risada, descontração, uma energia boa, mas hoje queria saber mais desse tal passado que cada vez que tocavam no assunto ele desviava. Afinal ele já sabia do dela, mas não queria estragar o momento.

O jantar estava delicioso e para dar continuidade resolveram ir dar uma volta na praia, a casa de ficava ali pertinho.

Sentaram-se na areia e ficaram por um tempo apenas apreciando o barulho e as ondas do mar.

— Tudo isso é muito bom. — respirou fundo e abraçou de lado, passou a mão pelos cabelos dela, enquanto seu olhar percorria por seu rosto.

virou-se frente para . Ele segurou delicadamente o rosto dela com suas mãos e aproximou seu rosto cada vez mais, já sentindo sua respiração quente e arritmada. Ambos ansiavam por esse momento há tempos, até que puxou-a contra seus lábios, beijando-a de forma calorosa e apaixonada. Sentiu os pêlos da nuca arrepiarem ao que ela bagunçava seu cabelo com uma de suas mãos. Sentiu seu corpo formigar, aquele desejo estava contido durante um bom tempo.

sentia borboletas na barriga, o coração bater acelerou mais e mais e um frio percorreu a espinha, sentia perder os sentidos do corpo, tudo junto, mas em uma sensação extremamente boa. Ela jamais pensou que poderia se sentir assim, sentia-se feliz de uma maneira como jamais havia se sentido antes.

(…)

22 de novembro 2020

… — sua colega de trabalho bateu na porta. — O passou por aqui logo cedo e deixou essas flores pra você.

— O sempre me surpreendendo. — Ela sorriu assim que pegou aquele grande buquê de rosas.

— Qual é a ocasião? — Sandra sendo a mais curiosa do departamento perguntou.

— Me desejando boa viagem. — não conseguia conter seu sorriso.

— Esse garoto é fofo. Esses presentinhos me fazem lembrar o Jerry. — Sandra sorriu, lembrando como seu marido era igual quando se conheceram. riu, imaginando que ela teria muita sorte em ter um relacionamento como o de Sandra. Ela é casada há 15 anos e seu marido ainda mantinha esse costume de mandar presentinhos inesperados no trabalho.

tinha um jeito brincalhão e divertido, sempre conseguia fazer rir, nem ela sabia explicar o que o que mais ela gostava nele, seus olhos azuis? Seu sorriso cativante? Seu alto astral? A maneira como ele a fazia sentir-se especial? Era um todo. Ele conseguiu em poucos meses com que ela superasse a dor do passado.

— Sandra! — exclamou, espalmando sua testa. — Agora que lembrei… Mandei ajustar meu vestido para o casamento da Lauren e ainda não fui buscar. Que cabeça a minha. — Ela olhou para o relógio. — Hoje à noite é meu voo e não terminei as malas.

— Mas, … Pode ir, eu termino esse projeto, o evento é só final da semana que vem e faltam só uns detalhezinhos. Eu falo com a Sarah.

— Muito obrigada, Sandra. — pegou a bolsa, seu buquê de flores e correu até o estacionamento. Enquanto dirigia Lauren ligou, apenas pressionou o viva-voz.

— Alô, ?

— Oi, Lauren. Aconteceu alguma coisa?

— Sim, aconteceu.

— Não me diga que não vai ter mais casamento, estou a caminho de buscar meu vestido que precisei ajustar.

— Não, mas quase… Digo… É que o Jamie me escondeu algo.
— Ele te traiu? — gritou e virou a curva bruscamente.

— Não! Ele… — Lauren pigarreou. — Bem, ele convidou o como um dos padrinhos.

deu uma freada súbita, respirou fundo e manobrou para estacionar, antes que ocasionasse um acidente. Não tinha condições de continuar aquela conversa dirigindo.

— O quê? Repete, Lauren. — Suas mãos suavam frio no volante.

— É isso que você ouviu. Lembra quando te entreguei o convite.

— Sim…

— Jamie ficou de pensar se convidaria , mas durante esses meses, ele simplesmente esqueceu que além de ter convidado o chamou para ser padrinho. Estou te ligando pra dizer que ficaria muito triste se você não fosse mais minha madrinha, mas entenderia se isso acontecesse.

ficou sem palavras por alguns instantes, não via o ex marido há quase dois anos, pois até os papéis do divórcio foram por intermédio de advogados e enviados por correio, devido à agenda lotada do “super star”.

— Alô? ? Está aí?

— Ah, sim… Desculpa. Estou.

— E então? Posso ainda contar com a minha madrinha? Faltam só 3 dias… E meu futuro marido anda querendo juntar casais, ele não tem limites.

— Lauren… eu… Eu vou continuar sendo sua madrinha, mas… Eu não tinha te contado ainda que estou saindo com alguém.

— Oh… que ótimo. Se você quiser pode trazer ele, será muito bem-vindo. O que não te valorizou, nunca foi atrás de você e… E o Jamie tem que parar de se meter na vida dos outros.

— Tem certeza de que posso convidá-lo?

— Tenho, assim o Jamie para com essas ideias loucas dele.

— Vou pensar…

— Só acho que se você está feliz é o que importa, porque olha tudo que o aprontou e eu não acho que tenha mudado muito. Você viu nos jornais as últimas dele?

— Infelizmente dessas notícias não tenho como fugir, mas procuro evitar ao máximo ler tudo que diz respeito a ele.

— Então vou ter minha madrinha amanhã aqui?

— Vai sim, pode ficar tranquila.

— Então sim, o casamento continua! — Lauren riu aliviada. — Até amanhã!

— Até, Lauren.

Ainda com o carro desligado, lembrou que precisaria revelar algumas coisas sobre o seu passado para , detalhes que ela estava ainda relutante em contar. Tudo que sabia era que já havia sido casada, mas não sabia que era com o famoso , afinal na época em que se separaram era quando recém ele estava em ascensão na sua carreira solo, então ela não havia ficado tão conhecida.

Como ela tinha saído mais cedo do trabalho para buscar seu vestido, conseguiu organizar tudo a tempo. Ainda tinha mais horas disponíveis para chamar para conversar, não gostaria de esconder isso dele. ligou para ele e avisou que estava em casa, então pediu se ele podia ir até o seu apartamento, não conseguiria viajar tranquila sem falar com ele antes.

(…)

foi tomar um banho antes de terminar de organizar sua mala. Durante o banho foi inevitável pensar em como seria reencontrar , como ela reagiria, ainda existia algum sentimento guardado, mágoa? Amor? Ódio? Fechou os olhos com força enquanto enxaguava o cabelo e foi quando uma lembrança invadiu sua mente. Relembrou o dia que a pediu em casamento, foi tudo muito estranho, ele comprou um anel lindíssimo, parecia feliz, mas depois do pedido foram para uma casa noturna comemorar, mas o final da noite não foi dos mais alegres. Recém noivos, precisou trazer quase que arrastado para casa de tanto que havia bebido. Ela ainda se culpava como não havia percebido os sinais.

Com a mala pronta, ela ficou na sala aguardando chegar. A campainha tocou e logo abriu.

— Aconteceu alguma coisa? — Em um tom preocupado, foi a primeira coisa que perguntou assim que ela abriu a porta.

Ela estava inquieta, mas só até o momento que viu diante dela. Ele sempre trazia paz.

— Não… — balançou a cabeça negativamente. — A Sandra ficou no meu lugar para que eu pudesse resolver os assuntos do vestido para o casamento. Por isso já estou em casa. Entra.

— Você me assustou. Sua voz estava estranha no telefone. — Ele sorriu e depositou um beijo em sua testa. — Que bom que você me chamou, assim consegui adiantar umas coisas e vou conseguir te acompanhar no aeroporto hoje a noite. — Ele a abraçou pela cintura e depositou mais um selinho em seu pescoço e eles foram caminhando até a sala.

Sentados na sala, estava um pouco ansioso pelo que tinha para lhe falar.

— É que ainda temos algumas horas… — beijou . — Vem cá… — Tudo que queria era aproveitar o momento, a ligação de Lauren havia deixado ela desorientada e sentia que precisava dar um passo a mais no relacionamento com .

afastou-se do sofá e puxou-o pela mão em direção ao seu quarto, mas ele a puxou de volta para o sofá a beijando com muita intensidade. Os dois continuaram se beijando e se acariciando como se tivessem todo o tempo do mundo para eles. Oras beijava seu pescoço, mas logo voltavam ao beijo intenso, ardente e cheio de paixão. Agora, os dois se beijavam como se fosse a última vez que se veriam, pareciam que teriam que aproveitar cada segundo juntos, decorar cada parte um do outro para nunca esquecerem.

corria a mãos pelas costas largas de , puxando-o contra si, beijando-o e tocando seus lábios com a língua, ele sentia cada centímetro de seu corpo pulsar, mas queria senti-la muito mais.

Ali estava realmente o que queria, a mulher que ele estava apaixonado, ele simplesmente a beijou com toda paixão e com toda vontade, enquanto lentamente retirava seu sutiã. Ela queria apenas, viver o momento, sussurrou declarações. Sim, foi mágico, ela era uma visão, ele observava a maneira como seu corpo se movia sobre ele. E assim que ambos corpos se juntaram e se entregaram ao prazer. Depois ficaram abraçados no sofá, sentindo apenas o bater de seus próprios corações. Ele ficou observando os traços do rosto de , sem dizer uma palavra.

— O que foi? — Ela perguntou.

— Você é tão linda. — Deu-lhe mais um beijo e sorriu.

— Bobinho. — Beijou a ponta do seu nariz e riu. Ele a abraçou com força.

— Melhor eu me levantar, senão vou perder o voo. — Depositou vários beijos pelo peitoral de e ainda com o corpo mole, conseguiu sair do sofá.

Juntou suas roupas no chão e seguiu nua até o banheiro. a seguiu com o olhar, apenas contemplando quão perfeita ela era. Suspirou e levantou-se, mesmo contra a sua vontade e vestiu suas roupas ali mesmo, lembrou de como sua vida estava antes de , sentia-se um sonâmbulo perambulando pela cidade, indo a bares, querendo esquecer tudo que ele passou, sentindo-se tão sozinho e como seus dias pareciam nublados e agora tudo está tão claro e tão certo, ele queria dizer isso tudo à ela e sentia que esse era o momento.

voltou já vestida e sentou-se ao lado de .

— Hoje a Lauren me ligou. — Começou a falar. — E me deu uma notícia não muito agradável. Que meu ex marido vai estar presente na cerimônia.

permaneceu em silêncio e foi inevitável ele sentir uma pontinha de ciúmes ao ouvir essa informação.

— E ele… Será um dos padrinhos. — continuou. — E eu queria que você soubesse, para que depois não ficasse sabendo por algum site de fofoca ou algo assim.

— Espera… Site de fofoca? — se mostrou confuso. Ficou imaginando o porquê ele saberia por esse meio? E saberia o quê? O que estava tentando dizer para ele. — Agora não entendi nada.

— É que eu não te contei antes, mas meu ex marido é o cantor,

— O ? — congelou e aquela insegurança bateu ainda mais forte naquele momento. O ex marido da sua namorada, era um cantor famoso que as mulheres ficam enlouquecidas. Ele engoliu seco e com o coração apertado resolveu perguntar, afinal acabara de ter um “deja vu”. — Mas , me responde uma coisa. Você parece inquieta, eu deveria me preocupar? — ainda sentado ao lado de , se aproximou e gentilmente pegou em sua mão e depositou um beijo de leve em sua mão. sentiu seu corpo quente ao toque de , ele a confortava e ela sentia-se segura ao seu lado.
— Claro que não tem com o que se preocupar. — imediatamente respondeu, embora não tivesse tão certa de sua resposta, pois só teria certeza no instante em que encontrasse com . — , a cada dia que passa tenho mais certeza o quanto você é um cara incrível e que me faz gostar a cada dia mais de você.

sentiu-se inseguro, medos do passado bombardearam sua cabeça naquele instante. E o medo de perdê-la atingiu em cheio, mas ele não queria demonstrar isso, pois a cada dia que passava ele estava mais apaixonado por aquela mulher, sabia que nunca havia se sentido assim antes e tinha certeza do quanto ela era especial. Ele sabia tinha consciência que ela não era a Annie, mas ela ser ex mulher de um dos cantores mais cobiçados, não ajudava a se sentir tranquilo.

— Eu falei de você para a Lauren e se você quiser por ir no casamento, inclusive a Erica vai fotografar você pode ir de carona com ela, eu só vou hoje porque a Lauren insistiu que eu fosse antes, cumprir compromissos de madrinha.

— Melhor não, eu tenho um ensaio para fazer nesse dia.
ficou chateada com a resposta de , normalmente ele não era tão sério assim, notou que o que ela havia contado tinha atingido ele de alguma maneira.

(…)

O grande dia havia chegado, e desde que chegou em Los Angeles, não havia mandado sequer uma mensagem para ela. Seu coração estava apertado, antes de pegar o voo ele se despediu de maneira tão fria.

Ela agora estava no altar e ainda não havia visto , falaram que só chegaria uma hora antes da cerimônia, pois ele recém havia fechado com uma nova gravadora e estava trabalhando. até sentia-se aliviada em não ter que encará-lo por muito tempo.

chegou apressado, praticamente atrasado. Todos os padrinhos e madrinhas já estavam posicionados no altar. Ainda ajeitando o paletó, ainda não tinha visto , mas assim que olhou para frente, a viu mais linda de como lembrava da última vez que a tinha visto. Usava um vestido rosa claro, assim como as outras duas madrinhas, mas ela se destacava. Ele ficou quase como em um estado de hipnose olhando para ela, seu coração parecia que sairia pela garganta, sentiu até suas mãos suarem. Por outro lado, o observou, com o paletó ainda desarrumado, era como se ele não tivesse mudado nada desde a última vez que ela o viu. Sentiu-se estranha, era como se um milhão de anos haviam se passado desde a noite que ela saiu do apartamento, todo sentimento, todo amor que ela sentia, já não era mais o mesmo. Ele era apenas o , um conhecido e toda aquela inquietação de horas atrás foi tomada uma sensação de tranquilidade. apenas retribuiu o olhar insistente de , com um pequeno aceno com a cabeça.

Após o brinde, foi dado início ao baile. ainda não havia tomado coragem de se aproximar de , através do copo de champanhe, ele a observava do outro lado do salão. Após mais alguns goles ele finalmente tomou coragem, a passos largos ele atravessou o salão e parou bem em frente a .

— H-… — ele chegou a gaguejar de tão nervoso que estava. — Preciso falar com você.

— Olha, , não temos mais nada para conversar. Durante alguns anos, você nunca me escutou, agora já é tarde. — Com tranquilidade explicava, já não sentia mais rancor, de certa maneira quando olhou para ele, sentiu até pena. — Cada um segue seu caminho e continuamos assim. — Ela sorriu.

— Mas, … Eu preciso dizer, eu era tolo demais para perceber… Meu orgulho, meu ego, minhas necessidades e meu jeito egoísta me fizeram te perder. Tudo isso fez uma mulher boa e forte como você ir embora da minha vida. E eu sei que jamais conseguirei limpar a bagunça em que me meti. E tudo isso me mata, cada vez que fecho os olhos e lembro como poderia ter te tratado diferente, ter te levado nas festas, ter lhe dado flores, ter escutado você.

chegou a ficar sem palavras por alguns instantes, todas as palavras que ela queria ter ouvido há meses atrás, a atitude que ela esperou desde o momento em que ela bateu a porta daquele apartamento, só que infelizmente tudo isso veio tarde, agora elas não tinham o mesmo valor e nem significado.

— Desculpa, . Agora é tarde.

— Mas, ! — Ele a segurou pela mão.

— Não, … Eu te perdoo por tudo, mas chega. — Ela puxou sua mão, afastando-se dele.

Antes que continuasse, foi surpreendida por que sem dizer sequer uma palavra a segurou pela mão e a afastou calmamente de e a guiou até a pista de dança. ficou encarando aquela cena, a mulher da sua vida, aquela que ele um dia possuiu estava sendo levada por outro homem.

! — seu coração parecia que batia na garganta, não se conteve em demonstrar a felicidade ao ver o namorado e o abraçou forte. — Como? — Ela estava confusa de quando e como o namorado estava ali.

— Lembra que era para Erica fotografar o casamento?

— Eu tinha esquecido completamente.

— Ela passou mal e eu vim no lugar dela, não te mandei mensagem porque queria te fazer uma surpresa.

— E que surpresa, hein?

— Eu precisava te falar uma coisa … — fez um carinho na bochecha dela e a olhou firme nos olhos. sentiu seu rosto ficar quente ao sentir o toque suave dos dedos de . — Eu fui tão idiota antes de você pegar o voo, mas depois fiquei pensando… Por tanto tempo vi minha vida, que eu chamava de “clima de coração partido”, sempre achando que não ia melhorar, até que o dia que aceitei o emprego com a Sarah.

sentia-se tão feliz, ouvindo a cada palavra. então continuou.

— Eu juro que até imaginei você aqui voltando com seu ex, e só de pensar aquilo me sufocou. E agora é tarde, eu já não consigo tirar você da minha cabeça. E não importa o que está escrito na sua história, é tudo passado, tudo que importa agora é que você esteja comigo e tudo fica diferente quando você está comigo. Até as minhas fotos ficam melhores. — Ele riu e tirou o celular do bolso. — Não te contei antes, pois recebi a notícia hoje, mas ganhei um prêmio por uma foto minha. Olha.

não acreditou no que estava vendo, era sua foto, no dia das bodas de Janes e Claude, aquela foto estava lindíssima, ela parecia estar dançando nas nuvens, seu sorriso era tão genuíno, aquela foto transparecia tanta felicidade, era como se ela se enxergasse aos olhos de , chegou ficar sem palavras.

— Meu coração esteve tão vazio por tanto tempo e era você que estava faltando em mim. — Concluiu . Ela simplesmente envolveu seus braços ao redor do pescoço dele e o beijou com muita vontade e saudade, em seguida se deixou ser conduzida pela pista de dança ao som da banda que estava tocando, mais uma vez ao som de Bruno Mars, mas dessa vez “When I was Your Man”. E naquele instante dançaram como se só os dois existissem por ali.

ainda inconformado, assistindo a mulher da sua vida nos braços de outro. Ele não conseguia se perdoar, mas apesar de doer ele sabia que estava errado e se culpava por não ter ido atrás quando ela saiu daquele apartamento. se deu conta que agora era tarde para tentar se desculpar pelos seus erros.

— Desculpa, cara… Eu não sabia. — O noivo parou ao lado de e deu um tapinha em seu ombro.

— Eu sei que tenho culpa. — O coração de doía mais do que ele podia suportar, havia perdido a mulher da sua vida. — Lembro como ela amava dançar. Espero que ele faça tudo que eu deveria ter feito quando eu era o homem dela.

Jamie não sabia o que dizer ao amigo, porque sabia que tinha razão, ele não aproveitou quando teve a chance.

— É, Jamie — suspirou fundo, afinal não se permitiria chorar ali, mas cantarolou para si as palavras da música… — “Agora minha garota está dançando, mas está dançando com outro homem…”.

N/A: Nossa, foi mais difícil do que eu pensava. Sou muito apaixonada por essa música e tentei passar tudo que ela me remete, adorei escrever essa fic e espero que vocês também tenham gostado. Então é isso, não deixem de comentar. Bjusss