I Did Something Bad

I Did Something Bad

Sinopse: Dizem que quando o mal é cometido, as cicatrizes permanecem na alma. Somos marcados tão profundamente que os fantasmas sempre voltam para nos atormentar, às vezes tomando a forma de um espírito vingativo ou simplesmente permanecendo como um lembrete até o fim de nossos dias. Ou talvez isso nem importe. No final das contas, todos vamos para o inferno.
Gênero: Terror.
Classificação: 18 anos (Cenas pesadas de violência, tortura e sexo explícito).
Restrição: Alguns nomes são fixos.
Beta: Natasha Romanoff.

Capítulos:

Prólogo

— Tem certeza de que vamos fazer isso mesmo? — a garota disse, tentando soar despreocupada, quando na verdade escondia o arrepio que aquela ideia lhe causava. Ela conhecia a lenda que rondava o local em que se encontravam, fingia não acreditar, mas no fundo ela preferia não arriscar.
— Deixe de ser medrosa, respondeu, enquanto o restante do grupo ria da amiga.
— É, , deixe de ser medrosa. Eu protejo você — disse, piscando para a garota. — Vem aqui comigo — chamou, e a menina não conseguiu evitar retribuir o sorriso lindo que ele lhe lançava. Nem ousou recusar a oferta dele e se sentou ao seu lado, sentindo os braços dele envolverem sua cintura e um beijo um tanto provocante em seu pescoço.
— Olha a putaria, vocês dois! Ninguém merece — gritou.
— É, o que mais tem nessa casa são quartos! Escolham um e sejam felizes! Ainda falta uma hora pro Halloween começar oficialmente — disse , debochada.
— Ah, calem a boca, vocês dois! — retrucou, dando um ‘tapa’ no ar.
, e apenas riam da cena, enquanto continuava a zoar os dois. Eles passaram mais alguns minutos somente rindo e fazendo piada uns com os outros, até que as brincadeiras cessaram e o tédio começou a dominá-los.
bufou.
— E agora? Ainda temos 50 minutos pra ficar aqui olhando para a cara uns dos outros. Que tal inventar algo pra fazer? — ele disse, fazendo soltar um sorrisinho malicioso, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, foi interrompido por .
— Tenho uma ideia — ela sorriu misteriosa. Os outros apenas fizeram sinal para que ela continuasse. — Vocês conhecem a lenda da garota Morgan? — revirou os olhos, sem acreditar que a amiga realmente ia tocar naquele assunto.
— Não! — os outros cinco responderam.
— Então se preparem, meus queridos.
— Espera, . Não acho que seja uma boa ideia. Não aqui — disse, rapidamente.
— Por que, amiga? Tá com medo que a Morgan venha te pegar? — zombou.
— Não… É só que…
— Então senta aí e escuta, porque não há jeito melhor de começar o Halloween do que ouvindo uma história de terror!
— Começa logo, . Daqui a pouco dá o horário e eu fiquei curioso pra saber essa história — disse, ansioso.
— Diz a lenda que…

Capítulo Único

Eram dez e meia da noite na pequena cidade de Carbondale. Conhecida como cidade universitária, já se esperava que o agito já estivesse alto nas ruas, visto que era uma sexta-feira.
No mês de outubro, era tradição da cidade que as festas de Halloween começassem quinze dias antes do dia das bruxas. O chamado Halloween não-oficial ou pré-Halloween, onde as pessoas já saíam fantasiadas para ter uma prévia do que a real festa seria. Já podiam ser ouvidas gargalhadas e gritos pelas ruas.
Melanie Morgan se encarava no espelho, analisando se a roupa de anjo caído havia sido uma boa escolha. Abriu um sorriso malicioso ao concluir que sim, ela estava perfeita e seria motivo de muitos olhares de desejo por parte dos homens e inveja por parte das mulheres. Resolveu retocar mais uma vez o batom preto enquanto esperava sua melhor amiga, Alexis, que vinha buscá-la. Bufou impaciente ao perceber que a garota estava atrasada mais uma vez.
Melanie era considerada uma das garotas mais bonitas da universidade, isso lhe rendeu o título de rainha no baile de outono. Muitas garotas a invejavam e detestavam de certa forma, porque Melanie era bonita e amável, característica que poucas tinham. Era impossível conversar com ela e não admirar seu jeito doce e gentil, além de divertido e contagiante. A garota tinha o garoto que quisesse aos seus pés. Lógico que muitas gostariam de ser como ela e estar em seu lugar.
Uma buzina despertou a garota de seus pensamentos e ela olhou pela janela do quarto, constatando que, finalmente, Alexis havia chegado. Pegou a bolsinha que separou e saiu apressada.
Esse ano o comitê de formatura do curso de Melanie havia tido a brilhante ideia de se relembrar a infância e fazer a famosa brincadeira do ‘trick-or-treat’ no pré-Halloween. Como rainha, era basicamente sua obrigação estar presente e chegar com antecedência.
— Até que enfim, Alexis! Agora vamos logo, porque eu deveria ser a primeira a chegar! — Melanie disse, tentando não soar chateada como estava.
— Desculpa, amiga. Tive que passar num lugar pra resolver uma coisa, primeiro. Desculpa.
— Tudo bem. Vamos logo.
Quando chegaram à rua combinada, algumas pessoas já se encontravam lá, inclusive alguns amigos do grupo de Melanie e Alexis. Todos elogiaram o quanto ela estava bonita, o que deixou Alexis chateada, de certa forma, a garota estava fantasiada de chapeuzinho vermelho e ninguém comentou sua aparência. Soltou um suspiro.
— Vamos começar? Temos até a meia noite pra conseguir o máximo de bebidas que pudermos — sorriu maliciosa. No caso deles, em vez de pedirem doces, eles pediam dinheiro para comprar bebidas alcoólicas e se embebedar em comemoração ao Halloween.
— Vamos — Melanie concordou.
Elas se reuniram com Kyle, um dos amigos delas, e juntos foram para a primeira casa.
— Gostosuras ou travessuras? — perguntaram, quando uma jovem abriu a porta da primeira casa.
— Hmm, acho que vou de travessura, com um Coringa desses — ela sorriu maliciosa, olhando para Kyle. Alexis fechou a cara. Ela gostava do garoto há séculos, mas nunca teve coragem de admitir. Kyle se sentia da mesma forma em relação à garota, tanto que fazia tudo o que ela queria. Ele percebeu a reação da garota e sorriu.
— Desculpa, amor, mas o Coringa aqui não está disponível pra esse tipo de travessura — ele respondeu, fazendo com que Alexis abrisse um sorriso discreto.
— Ah, que pena! Sendo assim então… — a garota tirou uma nota de cinco dólares da carteira e entregou ao garoto.
— Que piranha assanhada! — Alexis exclamou, quando já se dirigiam para a próxima casa.
— Com ciúmes, Lexi? Eu só quero uma garota, mas acho que ela não me dá bola — Kyle retrucou, fazendo bico.
— É mesmo, então guarde pra você, porque não me interessa — ela respondeu, se afastando dele e pisando firme. Ele lhe impediu, segurando seu braço.
— Sua idiota, eu to falando de você! — ele disse, e não esperou resposta. Puxou a garota e a beijou ali, no meio da rua mesmo.
— Gente, não quero ser chata, mas dá pra deixar as declarações de amor pra depois? Temos mais casas pra brincar! — Melanie disse, dessa vez sem esconder a irritação. Alexis bufou.
— É, querida, nós temos e você vai adorar — ela respondeu baixinho. Kyle sorriu cúmplice para ela e eles continuaram a bater nas casas.
Depois de um certo tempo, e vários dólares arrecadados, Melanie já estava louca para ir à festa.
— Então, acho que já podemos ir comprar nossas bebidas! — ela disse para os amigos, sorrindo maliciosa. Alexis e Kyle se entreolharam.
— Ainda não, Mel. Temos uma última casa para visitar — disse Kyle, sugestivo. Melanie entendeu na hora a que casa ele se referia.
— Não, nós não vamos bater naquela casa sinistra da Senhora Lindbergh.
— Tá com medo, Morgan? Vamos lá, não tem nada demais! — Alexis debochou.
— Não tem nada demais? Alexis, aquela casa já foi uma casa de repouso para loucos! Me recuso a entrar lá. Além do mais, a Senhora Lindbergh não vai nos pagar bebidas! Duvido que ela sequer abra a porta!
— E quem disse que ela está em casa? — Kyle sorriu malicioso. — A velha foi visitar o filho em Chicago. Temos a casa inteira pra fazer bagunça!
— Agora você está falando em invasão! Ficaram insanos? — Melanie estava indignada.
— Cale a boca, Morgan. Deixe de ser puritana e vamos de uma vez. Eu quero beber logo! — Alexis retrucou e puxou Kyle pela mão, andando rapidamente e deixando a garota para trás. Melanie olhou para os lados, bufou e seguiu os amigos.
Lógico que Melanie havia reparado no tratamento diferente da amiga, mas não questionava. Ela sabia que Alexis estava se sentindo diminuída por conta do baile de outono, mas o que ela poderia fazer? Foi escolhida a rainha, não era como se pudesse recusar e doar o título para a melhor amiga.
Eles não demoraram a chegar em frente a casa. Era uma mansão bonita e bem cuidada, com um estilo vitoriano. Possuía diversos quartos, por ter sido uma casa de repouso há alguns anos, e o acesso ao interior dela era dificultado pelas diversas trancas. Quando se lembrou desse detalhe, Melanie sorriu internamente, pois sabia que os amigos desistiriam da ideia maluca assim que vissem que não havia como entrar na casa. Foi quase impossível esconder a expressão de desapontamento quando eles chegaram diante da casa e Kyle tirou um molho de chaves do bolso.
— Como conseguiu isso? — questionou, espantada.
— Minha mãe ficou responsável pela casa — ele respondeu, simplesmente.
Após destrancar os portões e a porta, eles adentraram a casa e observaram maravilhados o enorme hall.
— Me pergunto como uma senhora consegue viver num lugar enorme como esses, sozinha! — Melanie disse, olhando a enorme escada.
— Deve ser porque ela é uma velha maluca, vem! Vamos lá olhar os quartos! — Alexis disse, e chamou a amiga em direção às escadas.
Os três subiram e quando entraram em um dos quartos, Melanie foi surpreendida por alguém que tampava sua boca com um pano molhado e algo com um cheiro fortíssimo. Ela se sentiu tonta instantaneamente. Ouviu a risada maldosa de Alexis e antes de cair na inconsciência, foi surpreendida por outra voz conhecida, mas que a fez querer gritar por socorro.
— Gostosuras ou travessuras, Melanie?

👻
Melanie acordou se sentindo tonta. Atordoada, tentou se mover, mas percebeu que seus braços estavam atados na cabeceira da cama. Se perguntou como não sentiu o jeito que estavam esticados, assim como suas pernas, também atadas. Sua visão foi entrando em foco e então ela sentiu lágrimas tomarem seus olhos ao constatar que não estava enganada quanto à voz que sussurrou em seu ouvido. Realmente era Kevin que estava ali.
Kevin era um ex-namorado que a perseguiu por meses após o término de namoro e só havia se contentado quando tentou agarrar a garota a força e foi preso em flagrante.
Ao lado de Kevin, havia mais três garotos que ela reconheceu de imediato: Michael, John e Elliot. Ao lado deles, Kyle e Alexia lhe encaravam ansiosos. Alexia sorriu maldosamente quando percebeu a garota acordada.
— Oi, Melzinha! Como dormiu? Acredito que bem, não? — riu sarcástica.
— Mas… Mas… — Melanie tentou balbuciar, com a voz falha.
— Já dá pra adivinhar o que ela vai dizer, não é? Mas por quê? — Kevin disse debochado.
— Como se ela não soubesse o porquê — Alexis completou impaciente. Melanie arregalou os olhos, em uma expressão confusa.
— Olha, gente, ela realmente não sabe! Que bonitinha a carinha de surpresa dela! — Elliot se pronunciou, pela primeira vez.
— Você é irritante, Melanie! Se acha boazinha demais, quando no fundo é uma víborazinha metida e arrogante, que só pensa em si mesma, sem se preocupar com as pessoas ao seu redor. Mas quer saber? O mundo não gira em volta da porra do seu umbigo, Morgan. E é por isso que hoje você vai ganhar uma lição. Meus três amiguinhos aqui vão te ensinar — Alexis disse com toda a fúria que reuniu dentro de si. Em seguida, puxou Kyle pelo braço e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Kevin lhe lançou um olhar malicioso e ela sentiu o pânico lhe invadir quando percebeu a mesma expressão no rosto dos outros três garotos. Ele se aproximou dela e sua mão deslizou vagarosamente sobre o colo da garota.
— Não sabe o quanto senti falta dessa sua pele macia, desse seu corpo quente. Ah, Melanie, ser bonita e cobiçada tem seu preço, sabia? — ele disse, e ouviu os outros rapazes gargalharem.
A garota soltou um grunhido, tentando se soltar desesperadamente, quando os outros três garotos avançaram para cima dela.
As mãos deslizavam pelo seu corpo, lhe acariciando em lugares que ela jamais esqueceria. O grito da garota ecoou por toda a casa enquanto ela chorava.
Elliot tapou a boca da garota, respirando roucamente em seu ouvido.
— Se gritar, vai ser pior, lindinha.
Alexis, do outro lado, ouvia e se divertia com tudo. Kyle questionou a si mesmo se estaria fazendo a coisa certa, mas ele sabia que pela sua garota desafiaria todos os princípios éticos que um dia ele já teve.
Quando os garotos saíram do quarto, suados e com sorrisos satisfeitos nos rostos, a garota abriu outro que não cabia em sua face. Vitoriosa, ela se sentia mais feliz do que nunca.
— Agora vamos beber com o dinheiro da puritana, ou melhor, nem tão puritana assim.
Melanie, que agora havia sido desamarrada, mantinha seu corpo encolhido naquela cama imunda. Os lençóis brancos manchados pelo sangue da garota, que também estava em suas roupas. Eles não haviam sido nem um pouco gentis. A tomaram com violência, sem se importar com os grunhidos de dor da garota. Era como se tivessem a rasgado inteira por dentro. Ela duvidava que algum dia conseguiria se livrar da dor física e mental que sentia.
Ouviu risadas se distanciando e com dificuldade ela se levantou da cama, puxando as roupas e ajeitando rapidamente no corpo.
Seus passos eram dados com dificuldade, mas ela estava determinada a olha uma última vez para Alexis e jurar que aquilo não terminaria assim. Ela iria até a polícia e eles pagariam por tudo o que haviam feito.
Do alto da escada, Melanie viu Alexis abrir a porta da saída. O olhar dela atraiu o olhar da “amiga”, que abriu um sorriso sarcástico quando esta ergueu a chave para o alto, indicando para a garota que ela iria trancá-la naquela casa e não havia nada que ela pudesse fazer para impedir.
Mesmo assim, Melanie tentou. Seus passos contra a enorme escada foram rápidos, porém rápidos demais. A garota tropeçou no sétimo dos trinta degraus e seu corpo foi lançado com violência por estes. Sua cabeça foi batendo por cada um deles, o mundo girava diante de si e a dor aumentava lancinante. Finalmente, Melanie bateu no chão, virada com o corpo de frente para Alexis e os outros garotos, que olhavam assustados para a cena.
— Meu Deus! — Alexis exclamou, chocada. Sua ideia era pregar uma peça, não matar a garota.
Melanie, ainda viva, engasgou enquanto uma poça de sangue se formava por volta de sua cabeça.
— Rápido, Alexis, precisamos dar o fora daqui — Kyle disse nervoso.
— E deixar ela aqui desse jeito? — a garota retrucou.
— Vai fazer o quê? Chamar a ambulância e explicar que você chamou quatro garotos pra estuprar sua melhor amiga, que por uma infeliz obra do destino resolveu se jogar da escada pra te culpar de assassinato? Anda, garota. Não seja idiota! — Elliot disse, e puxou Alexis.
A garota olhou uma última vez para Melanie, que num último fio de voz lhe disse:
— Eu vou me vingar, Alexis.
Quando a cabeça de Melanie por fim desabou inerte, foi como se a realidade cuspisse na cara de Alexis. Por mais que Elliot tentasse puxá-la em direção à saída, seus olhos haviam permanecido fixos no sangue de Melanie, a agonia tomando conta quando ela percebeu o que de fato havia feito.
Ela havia matado sua melhor amiga.
A garota que lhe acolhera quando ninguém parecia se importar com sua existência, a pessoa que sempre lhe aconselhava e estava ao lado dela, mesmo que fosse irritantemente bonita e atraísse todos os olhares para ela. O que Alexis havia feito?
— Não posso sair daqui, Elliot — a garota disse, com a voz rouca.
— Ficou maluca? A porra da garota acabou de morrer, Alexis! Quer ferrar a gente? — agora era Michael que se pronunciava, completamente indignado com a hesitação da menina.
— Ei, cara, vai com calma aí no jeito que fala com minha garota — Kyle alertou, lançando um olhar feio para os amigos.
— Não sei o que deu nela, Kyle, mas a gente não pode ficar aqui parado, olhando pra um cadáver — John retribuiu seu olhar com agonia.
— Vocês já pararam para pensar que não podemos deixar o corpo dela aqui assim? Vão descobrir a gente. Não importa se sairmos ou ficarmos aqui. A polícia vai fazer aqueles testes malucos e nós vamos nos ferrar de qualquer jeito — Kevin passava a mão pelos cabelos, andando de um lado para o outro ao pensar naquilo. Eles estavam ferrados. Por que tinham aceitado mesmo aquela proposta maluca de Alexis?
— Temos que nos livrar do corpo — a voz rouca de Alexis ecoou, interrompendo a fala de Michael antes mesmo que ele conseguisse se pronunciar.
— Como é? — Kevin lhe questionou, olhando surpreso para a garota.
— Não é óbvio? Nós nos livramos do corpo dela e está tudo resolvido. Ela mora sozinha aqui, a menina prodígio só tem um pai que não está nem aí pra ela e a tia que a criou é velha demais pra sair por aí procurando. Quando encontrarem o corpo, se é que vão encontrar, nós estaremos bem longe disso tudo. Vamos escapar ilesos — a garota falava enquanto seus pensamentos vinham à tona, deixando os outros um tanto espantados com aquilo. Alexis era a definição de que não se poderia confiar nem mesmo em seus melhores amigos.
A oportunidade de saírem daquela situação sem se ferrarem falou mais alto. E indo contra os pouquíssimos princípios que aqueles cinco rapazes ainda possuíam, a ideia de Alexis foi seguida à risca e o corpo de Melanie foi jogado no esquecimento.
Ou pelo menos era isso que eles pensavam.

👻
Quinze dias depois, Alexis sentia seu corpo ser pressionado contra os portões de uma casa, seus lábios estavam grudados aos de Kyle com intensidade e as mãos dele exploravam toda a extensão de seu corpo, lhe apertando e espalhando uma onda de arrepios que faziam a garota gemer baixinho, enroscando suas pernas na cintura do rapaz e desejando se fundir a ele. Ela sentia o calor aumentar a cada segundo e sua boceta estava tão molhada que ela sentia sua excitação escorrer por suas pernas. O volume de sua fantasia incomodava um pouco, dificultando os movimentos entre os dois. Que ideia estúpida havia sido aquela de ir fantasiada de Alice mesmo?
Kyle descia os beijos pelo pescoço da garota, explorando suas coxas por debaixo do tecido, lhe arranhando com suas unhas curtas e sentido seu pau cada vez mais enrijecido. Ele precisava comer Alexis naquele mesmo momento, ou seu pau seria capaz de rasgar o tecido de suas calças. A garota estava tão gostosa naquela fantasia que desde o momento em que seus olhos bateram nela ele teve vontade de jogá-la na cama dele.
Mais um gemido baixo ecoou dos lábios da garota, e Kyle se permitiu um pouco mais de ousadia, subindo os dedos pela coxa de Alexis e percorrendo a parte interna até alcançar sua virilha, onde ele dedilhou, esperando objeções da parte dela. Em resposta, Alexis praticamente impulsionou seu quadril na direção do rapaz e ele entendeu o sinal positivo, não hesitando mais em enfiar a mão por dentro da calcinha da jovem e massagear seu clitoris entumecido, soltando o ar com dificuldade quando ela soltou um gemido mais alto, agarrando os cabelos dele com força e rebolando contra sua mão.
Ele não demorou a aproveitar o quanto Alexis estava encharcada e passou a meter dois dedos na garota, mordendo os lábios ao ver a expressão de prazer nas feições dela e depositando alguns beijos em seus lábios apenas para provocá-la ainda mais.
Alexis se via cada vez mais enlouquecida, seu interior gritava em excitação, sentindo que a qualquer momento ela se derramaria em prazer sobre os dedos dele. E foi quando ela abriu um pouco seus olhos, com o rosto encostado na curva do pescoço de Kyle, que ela viu.
Parada, há poucos metros dos dois, com as marcas de amarras em seus pulsos e o mesmo vestido preto, completo pelas asas negras e o sangue escorrendo por suas pernas.
Era Melanie Morgan.
Michael caminhava com bastante esforço pelas ruas da cidade, pegando um atalho que o levaria para o Stix, um pub local que estava bombando naquela noite, já que a festa de Halloween era uma das mais esperadas no ano. Resmungava incomodado, arrumando os chifres de diabo que havia improvisado para sua fantasia, que acharia extremamente tosca, se não estivesse bastante alterado pela quantidade de álcool que ingeriu. Ele havia passado boa parte de sua tarde na casa de uns amigos, enchendo a cara até não poder mais é só decidira ir para a festa porque sabia que não poderia perder, por mais que não fosse se lembrar de nada no dia seguinte.
O álcool lhe guiava, ele tinha certeza disso.
Seus pés se arrastavam e ele teve que parar algumas vezes para voltar a focar o caminho, ou acabaria se jogando no meio da estrada.
O atalho era de terra, entre algumas árvores e a maioria das pessoas escolhia o caminho mais longo, pois não queriam correr o risco de um assalto ou algo do tipo. Carbondale era considerada uma cidade relativamente violenta, por mais que a maioria das ocorrências não fosse divulgada pelos veículos de comunicação.
Michael parou mais uma vez, colocando as mãos em seus joelhos e respirando o ar frio da noite, piscando seus olhos em direção à fina camada de gelo que se formava sobre a terra, então algumas gotas rubras chamaram sua atenção. Ele as seguiu com o olhar e então pôde ouvir nitidamente o som de mais uma delas tocando o chão, franzindo o cenho e achando que estava maluco, porque ele estava sozinho durante todo aquele tempo.
Foi quando ele decidiu erguer seus olhos e a figura angelical de Melanie lhe sorriu, carregada de maldade.
— Não pode ser você — o rapaz conseguiu balbuciar, completamente incrédulo e sentindo seus músculos trabalhando rapidamente enquanto a fuga era planejada.
— Sou eu. E se eu fosse você, começava a correr agora, lindinho. Porque eu sei que você não gosta de delicadeza — a voz da garota era a mesma, porém soava diferente. Era difícil de explicar, mas era como se a Melanie de antes, cheia de vida e amável com todo mundo, tivesse ido embora. E de fato ela havia partido. Aquela era uma garota dominada pelo ódio e de seus olhos emanava algo bem claro: vingança.
Ele jamais saberia como processou as palavras dela tão rapidamente, mas nos segundos seguintes, corria desesperado, refazendo o caminho que havia percorrido antes e deixando o pânico se esvair em gritos desesperados por socorro.
Mas ninguém veio salvar Michael, assim como ninguém havia vindo salvar Melanie.
A garota ao menos precisou se esforçar, porque Michael corria olhando para trás, verificando se a garota o seguia enquanto ela apenas caminhava em sua direção.
Então o corpo de Michael se chocou contra o arame farpado de uma cerca que separava um terreno, e como esta era relativamente alta, ele sentiu a dor lancinante em seu pescoço, quando este foi perfurado pelo arame, assim como seu peito, seu abdome e seus braços, que estavam abertos.
O rapaz começou a se debater, percebendo que quanto mais fazia isso, mais enroscado ficava, e Melanie estava cada vez mais próxima dele, sorrindo daquela mesma maneira doce que havia feito quando ele lhe viu pela primeira vez.
Ela alisou os ombros de Michael quando por fim o alcançou e o rapaz paralisou de pavor, sabendo que já não havia mais escapatória para si.
— De uma forma ou de outra você ia se ferrar, pequeno Michael. Devia ter fugido da loucura de Alexis. — então ela empurrou o corpo de Michael sobre a cerca, o segurando com uma força sobre-humana e arrastando-o, de forma que o arame grudado em sua pele se arrastasse e abrisse cortes profundos. O rapaz se engasgou, sentindo o gosto de seu sangue atingir seu paladar e cuspindo-o inutilmente, enquanto a dor aumentava cada vez mais, queimando todas as células de seu corpo. Se antes, quando possuía o efeito do álcool em seu sistema, ele não conseguia sentir as coisas ao seu redor, agora ele sentia menos ainda, ele só sabia o que era dor.
Então suas pálpebras foram pesando, seu corpo foi desistindo de lutar e por fim ele acabou se rendendo ao martírio, fechando os olhos e deixando que sua vida se esvaísse.
Melanie puxou o corpo do rapaz sem delicadeza alguma e o lançou de qualquer jeito no chão. Ao contrário do que haviam feito com ela, ela queria que os corpos fossem encontrados, só assim talvez ela conseguisse justiça.
Deu uma risadinha infantil e seguiu na direção do pub, onde sua próxima vítima lhe aguardava.
John.

👻
— Vira! Vira! Vira! Vira! — o grupo gritava, acabando por incentivar outras pessoas ao redor a entrarem no coro, enquanto John tinha sua boca aberta e uma garrafa de Red Label nas mãos. Como ele havia conseguido aquilo? Ter um amigo segurança tinha suas vantagens, mas eles precisavam ser rápidos, já que os policiais sempre circulavam dentro dos pubs da cidade, caso tivesse alguma ocorrência.
— Vira! Vira! Vira! — o coro continuava lhe incentivando, mas John apenas ria e fingia que ia beber, parando na metade do caminho e rindo novamente, já bastante embriagado.
— Vira logo, seu merdinha! — ouviu uma voz um tanto conhecida gritar, uma voz que lhe causou um certo arrepio, mas logo imaginou que fosse coisa de sua cabeça, ou até mesmo o efeito do álcool, então deu de ombros e por fim bebeu de uma vez, sorvendo generosos goles do Red Label e sentido o líquido passar como água por sua garganta. Ele já havia consumido uma grande quantidade de álcool naquela noite, um pouco mais não lhe faria mal, certo?
Totalmente certo.
Ainda mais quando, ao entregar a garrafa para um de seus colegas, ele sentiu uma mão delicada segurar na sua e puxá-lo para o meio da pista de dança.
Só conseguia ver as costas da garota, porque esta se concentrava olhando para frente, tentando se esquivar no meio da multidão, mas ele não hesitou em seguir a figura feminina. Ele não era idiota de perder aquela oportunidade.
A cada passo dado, ele sentia uma certa ansiedade para identificar a garota misteriosa, completamente hipnotizado pelas curvas avantajadas da moça, que ele não deixou de notar enquanto caminhavam. Então, com muito esforço, eles encontraram um lugar legal para dançarem. Um local que, John observou com um sorriso malicioso, era relativamente afastado da multidão.
Soltou uma risada bêbada e então tocou nas costas da garota, cobertas por belíssimas asas negras.
— Então, agora vou poder olhar para a dama que me resgatou de um bando de animais? — ele perguntou, em um tom que julgava bastante galanteador, mas que no fim das contas havia soado extremamente engrolado.
A moça soltou uma risadinha infantil, que com um calafrio ele reconheceu, mas novamente achou que era coisa de sua cabeça.
Porém, quando a dona das asas negras finalmente virou em sua direção, ele teve absoluta certeza de que haviam colocado algum tipo de droga naquele maldito Red Label.
— Você? — se permitiu balbuciar, em choque.
— Sabe, John. Já que você gosta de joguinhos, eu tenho um para te propor. — o sorriso doce da garota estava estampado em seus lábios.
— Q-que tipo de jogo? — o rapaz gaguejou, tentando conter a tremedeira que se iniciava em suas mãos.
— Você parece ótimo com jogos de bebidas. Foi impressionante como virou aquele Red Label. Isso me fez pensar… Em uma brincadeira com bebidas. Você topa? — ela perguntou, com um brilho estranho nos olhos.
John engoliu em seco, sabendo que diante de quem estava àquela brincadeira não acabaria bem.
— Vai amarelar agora, John? Pensei que fosse homem o suficiente para isso. Você não pode ficar aí parado apenas olhando para a minha garrafa — e nisso ela mostrou uma garrafa, que só naquele momento ele percebeu que ela carregava, contendo um líquido incolor, o que fez o rapaz franzir o cenho, não tendo a mínima ideia do que havia ali dentro.
— Não, eu… Eu já bebi demais por hoje, ahn… — e ele travou na hora de dizer o nome dela, porque não podia ser possível. Ela não podia simplesmente estar ali, diante dele em uma festa, com aquela aparência transformada e macabra que combinava perfeitamente com a noite de Halloween.
— Diga meu nome, John. Nós dois sabemos que este você jamais esquecerá. — ela se aproximou mais do rapaz e este deu alguns passos para trás, sentindo suas costas se chocarem contra uma pilastra.
Mais uma vez, John tentou murmurar o nome dela, mas simplesmente não conseguia. Um bolo se formava em sua garganta e lhe arrancava toda a voz, enquanto um enjoo terrível fazia seu estômago se revirar.
Então ele sentiu as unhas da garota agarrarem suas bochechas, pressionando com violência e cortando a pele, juntando os lábios dele em um bico e o olhando com o ódio efervescente.
— Diga meu nome, seu merdinha. — a voz já não era aquela doce e meiga de antes, agora era carregada por toda a raiva que aquela garota sentia, a vingança transbordava de suas pregas vocais.
— M… Melanie — John conseguiu murmurar, sentindo a ardência queimar sua bochecha. E por iludidos segundos ele achou que seria só aquilo. A garota o soltaria e voltaria para a cova de onde havia saído, mas quando piscou a dor não havia passado e Melanie não havia sumido, muito pelo contrário, sua presença estava ainda mais vívida.
— Abre a boca agora, gostoso. Não é assim que você gosta? — ela ordenou, sem alterar suas feições furiosas. John voltou a temer, sentindo seu corpo se sacudir, querendo se debater, mas não conseguindo porque a garota lhe prendia com uma força que ele jamais achou ser possível.
Ele moveu sua cabeça de um lado para o outro, num sinal desesperado de que não iria abrir a boca e, mais uma vez, a risada infantil de Melanie ecoou em seus ouvidos, agora espalhando calafrios por toda sua espinha.
— Eu vou foder sua boca você querendo ou não, seu merdinha. — então as unhas voltaram a apertar as bochechas dele e John urrou em agonia, sentindo que sua pele era rasgada e entrando em desespero porque ninguém parecia notar que ele estava ali, sendo mutilado por uma garota morta. Como aquilo era possível? Só podia estar em uma pira muito louca.
Mas esta pira se tornou ainda mais real quando Melanie ergueu a garrafa com o líquido transparente e levou em direção à boca de John.
— Agora vira, seu merdinha! Vira! Vira! Vira! — ela iniciou o mesmo coro que antes ele havia ouvido com tanta animação. E o mais bizarro era que parecia que a multidão havia acompanhado sua deixa.
Ele não teve tempo de se esquivar ou ao menos respirar. Melanie virou a garrafa em sua boca e quando o líquido tocou em seus lábios, estes queimaram tão intensamente que tudo o que ele sentiu a partir daquele momento só poderia ser resumido em uma palavra: agonia.
A queimação não parava, era como se sua garganta estivesse se desintegrando e quando, num resquício de consciência, John entendeu do que se tratava, já era tarde demais. O ácido já havia corroído seu trato digestivo e o corpo do rapaz desabou no chão do estabelecimento.
Melanie passou a língua pelos lábios, satisfeita, e seguiu na direção onde havia avistado Elliot.

👻
Era a quinta bala que Elliot repassava depois de conseguir uma boa quantia em dinheiro. Os efeitos da droga lhe deixavam cada vez mais enérgico e ele sabia que dali a poucos minutos o dinheiro já não lhe importaria mais, ele iria curtir o resto da festa como merecia devidamente.
Enfiou mais duas balas na boca, decidido que naquela noite ele iria tocar o foda-se, não trabalharia e nem estudaria no dia seguinte, então poderia muito bem lidar com as consequências.
Mais dois casais procuraram por ele antes que seu tempo se esgotasse e ele então começou a pular no meio das pessoas, balançando os dólares para cima e gritando algumas palavras desconexas antes de guardá-los no bolso da jeans, não dando à mínima se iria ser assaltado pelo movimento ousado.
O mundo acelerava ao seu redor, a música fazia seu coração acompanhar o ritmo das batidas e em um determinado momento ele sentiu como se ele mesmo fosse a música. A capa de Drácula lhe fazia tropeçar algumas vezes, então ele deu um jeito de se livrar desta, jogando na direção de uma anjinha gostosa que ele havia avistado por ali. Depois ele daria um jeito de recuperá-la.
O suor escorria de seu corpo e o aglomero começou a lhe deixar sufocado. Ele precisava de agito, mas de repente se viu desesperado por oxigênio, então não hesitou em caminhar até a saída do estabelecimento, decidido a acender um cigarro e fumar um pouco para ficar ainda mais doido quando voltasse para o Stix.
Logo ele estava encostado numa parede do lado de fora do local, tragando longamente enquanto batucava os dedos na própria perna, se controlando para não dançar ali mesmo ou acabaria sendo preso, por mais que não avistasse policiais por ali.
— Psiu! — ouviu uma voz feminina lhe chamar, então franziu o cenho ao não encontrar nada e deu de ombros, voltando a tragar o cigarro.
Passaram-se o que pareceram milésimos de segundos, quando Elliot ouviu novamente o mesmo som.
— Psiu! — então se desencostou da parede e caminhou meio confuso, ouvindo nitidamente o barulho de saltos apressados e uma risadinha travessa. Abriu um sorriso malicioso e não hesitou em seguir na mesma direção.
— Sei que está aí, gatinha. Não foge do Elliot, não! — ele soltou num tom de voz malicioso, ouvindo mais uma risadinha em resposta, enquanto caminhava pelas dependências do pub ao lado, que estava fechado porque só abria no verão.
Então ele viu nitidamente a ponta de sua capa de Drácula na curva que dava para a entrada dos fundos do estabelecimento, alargando ainda mais o sorriso e caminhando sorrateiro, determinado a dar um susto na anjinha zombeteira.
Mas Elliot não teve tempo de surpreender ninguém, porque assim que se aproximou do local, sentiu seu corpo ser puxado e imprensado contra a parede, se chocando com uma certa brutalidade e o deixando sem ar por alguns segundos. As mãos da garota imediatamente prenderam seus pulsos ao redor do corpo e ele começou a piscar os olhos, que havia espremido por puro reflexo, então sentiu os lábios da garota roçarem nos seus, o que lhe fez desistir de olhá-la, afetado pela provocação.
— Calma, gatinha. — ele murmurou, mesmo desejando que ela não tivesse calma nenhuma. Ele já sabia o quanto a garota era gostosa porque tinha lhe visto durante a festa e estava louco para ter as pernas grossas dela enroscadas em sua cintura.
A garota apenas riu, acariciando o peito do rapaz e deslizado suas unhas compridas, aproximando sua boca ainda mais dos lábios do rapaz e soprando contra eles:
— Elliot…
O tom havia soado extremamente sensual e deixaria qualquer homem enlouquecido, mas Elliot teve uma reação completamente diferente. Seu corpo se retesou e ele imediatamente quis se livrar da garota, abrindo seus olhos e os arregalando em choque e pavor.
— Melanie! — engoliu em seco e mais uma vez tentou se desvencilhar dos braços da garota, se desesperando por pela primeira vez encontrar alguém mais forte do que ele.
— Se gritar, vai ser pior, lindinho — ela disse, num tom debochado e infantil, sorrindo largamente para o rapaz e voltando a aproximar sua boca da dele, grudando os lábios e adentrando sua língua na boca do rapaz, que por um instante hesitou em completo pavor, mas no segundo seguinte não conseguiu mais resistir, retribuindo o beijo da garota e soltando uma risadinha maliciosa, por mais insana que aquela situação lhe parecesse. Que homem em sã consciência deixaria de pegar Melanie Morgan?
Mas ela estava morta.
Ele e os amigos haviam causado a morte dela.
Aquilo era loucura.
E quando Elliot deixou sua consciência falar mais alto e ia se desvencilhar da garota, já era tarde demais.
Ela havia envolvido a língua dele com os dentes e com toda a força que possuía, a puxou para fora da boca do rapaz, arrancando e ouvindo um urro desesperado de dor, seguido por soluços desesperados que passaram a escapar da garganta de Elliot. Ele olhava horrorizado para a garota, que ainda prendia sua língua entre os dentes e então a cuspiu em seus pés, olhando com pouco caso e voltado a encarar o rapaz nos olhos. Um sorriso ensanguentado fora lançado em sua direção e ela estendeu sua mão, o chamando com o dedo com uma expressão angelical em seu rosto. Elliot aproveitou o espaço que fora cedido pela garota e pôs-se a correr, determinado a buscar ajuda, por mais insana que sua história pudesse parecer.
Segundos depois, como se ele não tivesse corrido nada, Melanie estava parada diante dele, ainda sorrindo da mesma forma e usando suas unhas poderosas para enfiar as garras no peito do rapaz, atravessando a carne e segurando em seu coração, que ela apertou e então puxou para fora, desligando o rapaz como se este fosse uma simples máquina.
Foi quando, parado a poucos metros diante dela, ela avistou sua antepenúltima vítima, lhe encarando com expressão incrédula e completamente chocada.

👻
Ele havia sido atraído pelos gritos de seu melhor amigo.
— Kevin, meu amor. Veio brincar com sua Melanie também? — a garota tombou a cabeça em sua direção e ele piscou os olhos demoradamente, como se assim pudesse apagar aquela visão aterrorizante de sua ex-namorada.
— Eu matei você, Melanie. Você não está aqui — Kevin soltou, em um tom firme. Diferente dos outros, por mais que estivesse cagando de pavor, ele não demonstraria.
Mas se tinha uma coisa a qual Melanie estava determinada a fazer naquele Halloween, era fazer Kevin chorar como um bebê enquanto mijava em suas próprias calças, ou pelo menos chegar muito perto disso.
Ele precisava pagar por tudo o que havia feito com ela.
— Bem observado, meu bem. Você me matou. Na verdade, fez bem mais do que isso, não é? — Melanie já estava diante do rapaz, passando as mãos nos ombros dele de forma provocante, o que fez o rapaz erguer uma sobrancelha, sem conseguir desviar seu olhar da garota, que embora coberta de sangue e com as feições transtornadas, jamais deixaria de atraí-lo absurdamente.
— Virei você do avesso — Kevin não hesitou em responder, porque não sentia um pingo sequer de remorso. Se pudesse, faria tudo exatamente do mesmo jeito, como o verdadeiro filho da puta que era. Só alguém muito ingênuo como Melanie para ter acreditado que ele era algum tipo de santo.
— Mas você está errado em uma coisa, namoradinho. Eu estou aqui sim — ela soprou, na orelha do rapaz, deixando um beijo leve e lambendo o lóbulo. — E agora sou eu que vou virar você do avesso — ela soltou uma risadinha travessa, arrancando um olhar malicioso de Kevin, que não hesitou em puxar a garota pela cintura e prensá-la contra si, demonstrando que só aquela visão dela era o suficiente para deixá-lo excitado.
Melanie soltou um gemido baixo de excitação, então deslizou suas mãos pelo peitoral do rapaz, descendo por seu abdômen e alcançando sua ereção por cima das calças, iniciando um carinho gostoso com seus dedos por cima do tecido, fazendo com que Kevin fechasse os olhos e grunhisse baixinho, segurando os cabelos de Melanie pela nuca e acariciando de leve. A garota não demorou a puxar o cinto e se livrar deste, abrindo a braguilha da calça e fazendo a peça cair aos pés de Kevin, que imediatamente focou seus olhos famintos na garota, agora ajoelhada diante dele e puxando sua boxer para baixo, expondo o pau do rapaz, rígido e dotado de grossas veias, irrigando o sangue a todo vapor para aquela região. Ela passou a língua pelos lábios, ainda ensanguentados, e deu um beijo leve na cabecinha, não demorando a envolver todo o pau de Kevin com sua boca e iniciar os movimentos de sucção, que fizeram ele apertar sua mão na nuca da garota e forçar a cabeça dela para frente, de forma que seu pau fosse ainda mais fundo. Ela o empurrou um pouco por uma das coxas para que pudesse segurar em seu pau com uma das mãos, enquanto o arranhava de leve e passava a ponta dos dentes pela extensão do membro de Kevin. Ele estava cada vez mais envolvido pelas carícias da boca dela, sentindo seu corpo estremecer em espasmos e a ponto de gozar a qualquer momento.
Mal sabia ele que aquele momento jamais chegaria.
Quando Melanie sentiu o membro do rapaz pulsando em sua boca, pronto para despejar seu líquido, os dentes dela se fecharam sem dó nenhuma ao seu redor, cravando a carne e a rasgando. Kevin soltou um grunhido tão alto que parecia um animal uivando na calada da noite, mas Melanie não parou por aí. Puxou o membro do rapaz com violência, até arrancá-lo por completo e vendo Kevin cair de joelhos quase automaticamente, desfalecendo de tanta dor e agonia que sentia.
Ela levantou com um olhar transbordando ódio e triunfo, segurando o membro do rapaz com uma das mãos enquanto com a outra apertou a garganta de Kevin, forçando-o a abrir a boca, por mais que este tentasse protestar. Então ela atravessou o membro do rapaz por sua boca até entalar sua garganta, vendo ele agonizar implorando por oxigênio e forçando até que Kevin já não lutasse mais, porque enfim havia se rendido.
Ela largou o corpo dele de qualquer jeito e ajeitou as asas negras em suas costas, lançando um último sorrisinho na direção do rapaz antes de ir em busca de suas últimas vítimas.
Estava ali uma bela forma de morrer.

👻
Os olhos de Alexis estavam vidrados em Melanie, sem conseguir acreditar que era mesmo sua melhor amiga morta que estava parada diante de si. Aquilo só podia ser uma brincadeira de péssimo gosto.
— Muito engraçado, Ky — ela murmurou, tentando voltar sua atenção para as carícias do namorado, mas este franziu o cenho e a encarou confuso.
— Do que está falando, Alexis? — a garota revirou os olhos e apontou por sobre o ombro do rapaz para que ele visse do que ela falava.
— Pagar alguém para se vestir de Melanie. Achou realmente que eu iria cair nessa? — fez pouco caso da garota, que apenas tombou a cabeça em sua direção, observando a cena com curiosidade. Kyle imediatamente olhou para onde Alexis indicava, então sua expressão congelou de completo pavor e ele voltou a encarar a namorada, tentando alertá-la de todas as formas possíveis.
— Eu não paguei ninguém, Alex… — no segundo seguinte, a cabeça de Kyle era puxada com violência quando Melanie agarrou em seus cabelos, quase arrancando seu coro cabeludo e segurando-o como se fosse um boneco. Alexis soltou um grito desesperado ao ver que aquilo, de fato, não era uma brincadeira de mau gosto, aquilo era real até demais.
— Eu devia fazer você assistir sua namorada morrer, assim como você assistiu ela e todos os seus amiguinhos fazerem o que bem entendessem comigo. Mas o problema é que eu não dou a mínima para você, Kyle. Por ser um pau mandado filho da puta, você merece uma morte completamente sem graça.
E antes que Alexis pudesse fazer qualquer coisa, Melanie estalou o pescoço do rapaz, quebrando-o com tanta facilidade que Alexis se sentiu o mais insignificante dos seres.
Então ela tentou correr, sem estranhar que os portões daquela mesma mansão onde tinha matado sua melhor amiga estavam abertos, assim como as portas. Parecia que a casa estava preparada para recebê-la.
Alexis podia ouvir os saltos de Melanie batendo no chão calmamente enquanto ela ainda corria em desespero. Parecia que não importava o quanto corresse, Melanie estava sempre a ponto de alcançá-la.
Não soube como, mas de repente Alexis se viu subindo as escadas com pressa e quanto mais degraus ela subia, mais degraus pareciam existir.
Quando ela estava no que achava ser quase o topo da escada, sentiu o puxão forte em seu tornozelo, seguido pela dor lancinante quando seu queixo bateu no chão, o osso estalando e lhe dando certeza de que havia quebrado. Urrou de desespero e não se surpreendeu ao ver Melanie agarrada em um de seus pés.
Tentou chutá-la e se livrar dela de todas as formas, mas então Melanie voltou a puxá-la, fazendo com que a cabeça de Alexis batesse a cada degrau que descia. A garota tentou se agarrar em algo que pudesse lhe salvar e com isso ela também sentiu a dor aguda em seus dedos, demonstrando que havia quebrado alguns. Os socos em sua cabeça eram tão fortes que ela já não sabia mais se estava consciente ou não, tudo ao seu redor se resumia à dor.
— Está pensando que vai ser fácil assim, Alexiszinha? — a voz meiga de Melanie debochou, enquanto atirava a garota no final da escada da casa. — Você teve o melhor de mim, Alexis. Eu fui sua melhor amiga. Eu curei suas feridas, fiz as pessoas notarem você e até mesmo te juntei com aquele seu namoradinho nojento e como você me retribui? Com sua inveja barata e seu veneno! — Melanie caminhou tranquilamente, até parar com seus pés bem próximos ao rosto de Alexis, que não conseguia se mexer, já que parecia que seus movimentos da cintura para baixo estavam paralisados. Era tão agonizante que ela sentia lágrimas em seus olhos. — Hoje, Alexis, sou eu que tenho uma lição para mostrar pra você… Dizem que as víboras morrem por seu próprio veneno e olha só que notícia linda? Você me envenenou com sua inveja e hoje eu faço questão de entalar tudo isso em sua garganta.
Alexis viu exatamente o momento em que o salto agulha de Melanie se posicionou diante de seu pescoço, então sua garganta foi perfurada, enquanto a garota ouvia a risada infantil de sua melhor amiga ecoar, enfim satisfeita por sua vingança agora completa.
Ela lutou bravamente pelo oxigênio, sentindo seu corpo sacudir enquanto o sangue que jorrava de sua garganta lhe fazia engasgar. Ela só queria que aquela dor parasse, só queria poder respirar novamente, mas sabia que estava perdida.
Seus batimentos foram ficando cada vez mais fracos e a última coisa que Alexis viu antes de sua vida se esvair foram os olhos triunfantes e o sorriso ensanguentado de Melanie Morgan.
— Você sabe que eu nunca quebro promessas. Vamos todos para o inferno, no final das contas. Te espero lá, Lexi!
As gargalhadas de Melanie foram também a última coisa que Alexis ouviu.

Epílogo

— Então Melanie deu as costas ao corpo agora sem vida de Alexis, podendo seguir em frente depois de finalmente ter conseguido completar sua vingança — terminou de contar, quase rindo da expressão vidrada de seus amigos, que não haviam piscado por um minuto sequer enquanto contava a história.
— Caralho, você devia escrever um livro. Vou ser o primeiro a comprar — murmurou, chocado e o olhou meio confuso.
— Mas isso não é uma lenda local? Por que ela escreveria isso? — questionou um tanto confuso.
— Ah, calem a boca vocês dois. Eu só não entendi o motivo da estar se cagando inteira pra não contar essa história — indagou, olhando inquisidor para a garota, que revirou os olhos e bufou, se aconchegando no peito de , que murmurou para ela não ligar para aqueles babacas.
se caga de medo porque dizem que Melanie nunca conseguiu seguir em frente, porque nunca encontraram o corpo dela. Desde então ela vaga por essa casa e a cada Halloween seu espírito se torna mais sedento por justiça. — contou, quase gargalhando da cara dos amigos.
— Aí você traz a gente justamente pra cá. Me ensine a ser como você quando eu crescer — voltou a exclamar, ainda impressionado com a história.
— Esse negócio de história sangrenta me deu uma sede do caralho, vamos beber logo. Faltam três minutos para a meia noite! — fez pouco caso e jogou uma latinha de cerveja para cada um.
Todos estavam sentados em roda e abriram suas latas para brindar quando chegasse a hora, uma tradição deles, por mais que parecesse que estavam comemorando o ano novo.
As badaladas da meia noite começaram a soar e eles soltaram exclamações animadas, brindando enquanto riam.
— Happy Halloween!
e se beijaram rapidamente, se esquivou de e os outros ficaram olhando meio embasbacados, quando de repente as luzes da sala da mansão piscaram e se apagaram de súbito.
, isso não tem graça nenhuma — a voz de murmurou chorosa, alguns segundos depois.
E quando as luzes voltaram a se acender, a alma sedenta de Melanie Morgan estava parada logo atrás de , fazendo os gritos desesperados ecoarem por toda a mansão, do mesmo jeito que costumavam ecoar em todo Halloween.

FIM

Nota da autora: Gostaria de agradecer a você que deu uma chance a essa short. Eu gosto bastante dela e espero que você também goste hahaha.
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E, antes que eu me despeça: tome cuidado para a Melanie não puxar o seu pé. 🤭
Beijinhos e até a próxima.
Ste.

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