I Knew You Were Trouble

I Knew You Were Trouble

Sinopse: Grace é uma cantora country que nasceu no Texas, Owensboro, recentemente se mudou para New York, onde tem como objetivo se tornar mais conhecida e alavancar sua carreira musical, porém um compositor bem conhecido na cidade se interessa por ela ao ver um potencial escondido, fazendo com que sua vida tome um rumo diferente.

Gênero: Originais.
Classificação: +16.
Restrição: Nenhuma.

 

 

I Knew You Were Trouble

 

L. Del Caro
Dois meses que eu havia me mudado de Owensboro para New York e ainda não tinha me acostumado de como aquela cidade era tão agitada e grande. Em Owensboro todo mundo se conhecia e eu conseguia ir até os lugares a pé, em New York, não, era somente metrô e uber, metrô e uber, metrô e uber, que agonia!

Claro que New York tem o seu lado positivo, caso contrário não teria juntado dois anos das minhas economias como atendente de lanchonete para me mudar.
Após o palco aonde iria me apresentar, deixei o violão no pedestal e fui até o bar, onde o dono estava ajeitando os copos.

— Matthew, poderia me dar um copo de água, por favor? – perguntei apoiando os antebraços no balcão e sentando-me em um dos banquinhos de madeira.

O local ainda estava fechado, aquele bar enchia nos fins de semana, todos vinham em busca da maravilhosa carne que Matthew e seu sócio ofereciam para os fregueses no andar de cima, na parte de baixo era somente bar. Matthew era um amigo antigo do meu pai, então ele havia me cedido o local para tocar, ele sabia que eu estava indo atrás da minha carreira musical. Era a segunda vez que tocava no Hill Country.

— Claro! — ele pegou um copo grande e serviu com água gelada, colocando o mesmo na minha frente. — E como está sua adaptação aqui? — ele perguntou levantando uma das sobrancelhas.

— As coisas são mais agitadas… e a cidade é enorme, eu gosto de que aqui temos mais opções para compras, mercados e outras coisas. — respondi dando um gole de água grande.

— Acho que você vai se dar bem . Da última vez que tocou aqui, recebi bons elogios. — ele sorriu voltando a organizar os copos. — Quem sabe você não seja a próxima Taylor Swift? — ele soltou uma leve risada.

— Acho que vou ter que trabalhar bastante até chegar lá. — comentei, terminando de tomar a água.

— As portas daqui sempre estarão abertas pra você. — ele sorriu, pegando o copo que havia deixado em cima do balcão.

— Obrigada Matthew, não sei nem como retribuir.

— Sabe sim, continua colocando esse povo pra cima que eu fico feliz. — ele riu.

— Pode deixar! — abri um largo sorriso e o senhor pediu licença para ir no andar de cima ver como estavam as coisas. Eu fiquei ali sentadinha enquanto o bar não abria, na verdade eu só me apresentaria uma hora depois de aberto, mas como não tinha nada pra fazer em casa, preferia vir para cá e ajudar Matthew com algumas outras coisas.

! — Enrico me deu um empurrão, fazendo-me voltar com a atenção para o grupo.

— Oque foi, porra? — perguntei, franzindo o cenho.

— Nós somos os próximos a entrar. — Brandon respondeu, pagando as entradas.

— Tudo isso por um pedaço de carne. — revirei os olhos e olhei para a fila do lado, geralmente a fila para o andar de cima sempre era maior, mas dessa vez o tamanho estava quase igualável. — Quem está cantando hoje? — perguntei, escutando o barulho de dentro enquanto caminhava para dentro do estabelecimento. Eu já havia tocado ali, mas Matthew era do Texas, logo, ele sempre preferia música country.

— A próxima música é dedicada a todas as mulheres presentes hoje, tenho certeza que a maioria de vocês conhece essa música. — a garota ruiva em cima do palco conversava com a plateia enquanto ajeitava o fio do violão preto pendurado no seu corpo. Alguns segundos depois ela tocou a primeira nota, revelando ser uma das músicas da Shania Twain, Man! I Feel Like A Woman. Ela tinha um potencial vocal incrível, mas as músicas que escolhia não ajudava muito ela a mostrar isso.

— Quem é ela? — eu perguntei, observando a menina de cabelos lisos cantar no palco. Ela usava um vestido florido e botas, mas não aquelas que iam até os joelhos, uma mais baixa.

— Não sei, é a segunda vez que ela canta aqui, se não me engano. Aquele dia que você saiu com Angeline, ela estava cantando aqui. — Enrico comentou, subindo as escadas para o segundo andar.

— Antes eu tivesse vindo pra cá.— comentei, indo atrás deles. — Teria sido mais compensador.

— Você não presta. — Brandon deu um tapa atrás da minha cabeça e eu subi as escadas, mesmo tendo a intenção de descer.

— Eu me chamo e foi um prazer cantar aqui no Country Hill! Espero que vocês tenham se divertido, obrigada! — eu agradeci para todos presentes que bateram palmas e coloquei o violão no pedestal, descendo do palco rumo ao balcão.

— Obrigado . Por conta da casa. — ele colocou na minha frente uma das porções de carne que eram servidas ali e um caneca cheia de coca-cola.

— Você é um amor, Matt! — sorri agradecendo o senhor que foi atender outra pessoa.

— Eu nunca recebi um agradecimento desses. — pude escutar o homem que Matt atendia reclamar.

— É porque você sempre saía com alguma mulher antes. — ele revirou os olhos colocando um copo de whisky na bancada. O homem que estava sendo atendido tinha um charme diferente, ele não parecia se encaixar exatamente ali, ele tinha uma pegada badboy, meio rock’n roll. Seus cabelos eram pretos com alguns fios caídos sobre o rosto com os lados raspados, os olhos castanho-escuro e usava uma jaqueta de couro, por cima de uma blusa branca e calça jeans.

— Tudo bem, tudo bem… — ele revirou os olhos tomando um gole do whisky. — Acho que ela mereceu mais do que eu. — ele comentou virando o rosto na minha direção. Eu olhei para Matt e em seguida para o homem, que ainda me encarava.

— Obrigada. — agradeci após um gole do refrigerante e ele sorriu ladeado.

— Negativo. — Matthew bateu sobre o balcão, retirando sua atenção de mim. — é como se fosse a minha filha, não venha com seus joguinhos, , eu te conheço. — o homem que agora tinha um nome, , levantou as mãos para cima em redenção.

— Não estava fazendo nada. — ele olhou para o dono do bar com uma expressão cansada.

— Estamos indo. — um outro cara apareceu dando dois tapinhas no ombro dele.

— Esse fica por conta da casa. — apontou para o copo de whisky da sua frente e sorriu levantando da mesa, indo atrás de mais dois homens. Eu segui o mesmo com o olhar, mas fui pega de surpresa quando ele se virou na porta para me olhar.

Duas semanas depois eu consegui outro trabalho, dessa vez não era em um bar com estilo do Texas, era um lugar diferente, mais romântico, então tive que mudar o meu repertório para músicas um pouco mais calmas e sem ser no estilo country. Foi uma experiência boa, não tinha tocado em muitos lugares como aquele, já que em Owensboro era sempre cavalo, chapéu e botas, além de bares com todo mundo gritando e rindo alto.

Depois de algumas horas sai do estabelecimento rumo ao apartamento que eu morava, era a 3 quadras dali, conseguia ir a pé. Meu celular tocou no meio do caminho, quando olhei na tela suspirei ao ver o nome de Olivia. Já sabia do que se tratava.

“Você estava trabalhando hoje? Rudy’s, agora. Oque acha?” — eu podia sentir a animação dela no outro lado da linha.

— Você já sabe a minha resposta. — murmurei desviando de um casal que vinha na minha direção.

“Por favor , você saiu só uma vez com a gente desde que se mudou. Por favooooor!” — ela começou a fazer um voz de choro e eu revirei os olhos.

— Tudo bem, pelo menos é perto da minha casa, posso ir embora se quiser. — soltei uma risada baixa.

“Então já pode vir que estamos aqui! Beijos!” — ela desligou o telefone e levantei as sobrancelhas incrédula com a esperteza dela. Não acredito que caí.

Eu e Olivia éramos amigas de infância, até que no colegial ela se mudou com o pai para cá e a mãe ficou na minha cidade natal, então nas férias de verão sempre nos encontrávamos. Ele era muito mais animada do que eu e tínhamos a personalidade completamente diferente, ela era muito mais extrovertida do que eu.
Depois de alguns minutos andando, finalmente avistei a Rudy’s. Esse bar tinha uma vibe tão Texas.

! — minha amiga acenou para mim em uma das mesas. Estava ela e mais duas pessoas na mesa, amigas que eu não conhecia pra falar a verdade.

— Oi… — respondi colocando o violão ao meu lado no chão, enquanto me sentava na cadeira.

— Como foi a apresentação hoje? — ela me perguntou. — Ah, essa daqui é a Rebecca. — Olivia apontou para a menina com um piercing na sobrancelha ao seu lado. — E essa é a Jenny. — a menina loira que estava ao meu lado abriu um pequeno sorriso.

— É um prazer te conhecer!

— Então, foi tranquilo, o público era mais…

— Ai meu Deus, o cantor gostoso vai começar a cantar. — Rebecca me cortou encarando o palco atrás de mim. Are you serious? Eu revirei os olhos e olhei para trás ao ver todas na mesa vidradas no cantor. Ai merda… meus olhos encontraram pendurando a guitarra no pescoço, ele era o vocalista de uma banda?! Apesar de eu estar no fundo do bar, minha mesa estava bem na sua reta e foi inevitável ele não me ver, ele deu um sorriso ladeado e eu me virei rapidamente.

— Se eu pegasse um cara daquele, ninguém me tirava de cima. — Rebecca murmurou enquanto observava .

— Esse mês eu conheci uma cantora que me fez relembrar da época que vim do Texas. — começou a falar no microfone. —O repertório dela é completamente country, e para abrir o repertório de hoje eu trouxe uma música que eu gostaria muito de mostrar a ela, que o country pode ir muito mais além.

Assim que ele tocou os primeiros acordes eu reconheci a música, Alibi, do Bradley Cooper. Aquela música não era completamente country, tinha apenas alguns arranjos parecidos, o que ele queria dizer com aquilo?

No meio da música eu tomei coragem e olhei para trás, ver ele tocando era algo surreal, o lugar parecia ser… dele. Somente dele. Era como se ele soubesse as dimensões do local por milímetros, era como se ele, a banda e o local tivessem a harmonia perfeita. Eu fiquei vidrada, meu corpo estava paralisado. Quando a música acabou, todos bateram palmas e vibraram, inclusive as meninas da minha mesa. levou a mão direita até o chapéu preto estilo Fedora e inclinou a cabeça levemente para frente, mas sem tirar os olhos de mim. Aquele cumprimento na verdade tinha sido uma provocação para mim. A minha música não significava nada para ele depois daquela declaração. E como assim ele é do Texas?! Inferno de homem. Eu ainda encarava o menino quando ele começou a próxima música, minha atenção foi retirada dele quando a amiga de Olivia me chamou.

— Também ficou interessada? — ela deu um sorriso provocador.

— Não. Ele não faz o meu tipo. — “Mentirosa!”. Minha mente praticamente gritou para mim. Ok. era muito gostoso. Ele não era muito forte, mas tinha uns músculos consideráveis, fora que seu cabelo dava todo um charme. Por um momento me peguei pensando qual seria o gosto do seu beijo, menta?

— Pode confessar, , todas nós temos uma queda por ele. — Olivia riu. — Ele sempre toca aqui.

— Sempre? — levantei uma das sobrancelhas, sem fingir interesse.

— Sim. — Jenny concordou. — O dono é amigo dele, daí sempre que ele tem um tempo livre, ele vem tocar aqui. é um dos cantores de barzinho mais conhecido por aqui, agora ele não toca tanto porque está fechando contrato com uma gravadora.

— Como você sabe disso? — levantei uma das sobrancelhas surpresa com a quantidade de informações que a menina sabia.

— O dono daqui é meu primo. — ela riu discretamente.

— Conhecemos a Jenny aqui mesmo. — Olivia comentou, enquanto tomava um gole da sua cerveja. A música de era boa, tanto que eu nem reparei que meu pé balançava no ritmo da música. O repertório dele era bem diversificado, tinha uma pegada pop/rock, além de outros gêneros.

Já tinha meia-hora que eu estava querendo ir embora, porém Olivia não deixava, ela queria que eu ficasse mais, segundo ela eu era uma pessoa antissocial e que precisava conhecer novas pessoas, tanto que Jenny me fez uma bateria de perguntas sobre a minha vida para me conhecer melhor.

— Eu não sabia que você estava aqui. — uma voz familiar veio das minhas costas, pelo olhar de Rebecca eu já sabia quem era.

— Não pareceu isso. — eu me virei para encará-lo.

— Relaxa, aquela dedicatória não foi pra você. — ele sorriu dando uma piscadinha para mim. — Mas gostou da apresentação? — ele perguntou puxando uma das cadeiras para se sentar junto de nós. – Boa noite meninas. — ele sorriu para as outras na mesa.

— Porque não disse que conhece ele? — Rebecca murmurou me encarando feio.

— Porque não conheço. – cruzei os braços revirando os olhos.

— Para dois desconhecidos, noite passada foi bem interessante. — o sorriso de era algo extremamente provocador, seus dentes eram perfeitos, e ele sabia exatamente como me provocar. Era como se cada parte do meu corpo reagisse a cada movimento seu e aquilo era um problema para mim, eu mal o conhecia e aquelas sensações eram novas, uma sensação de perigo, de fogo, mas eu queria me queimar.

— Isso é uma completa mentira. Nós vimos há duas semanas.

— Você dois transaram? — Olivia praticamente gritou na mesa com os olhos arregalados para mim.

— NÃO! — eu retruquei olhando feio para .

— Eu estou brincando, até parece que eu transaria com a Footloose. — ele revirou os olhos rindo, o que fez Rebecca também rir. Eu não tinha ido com a cara dela.

— Como é? — levantei uma das sobrancelhas para ele, eu me senti ofendida. — Primeiramente que Footloose é uma péssima piada e além disso, você com certeza não deve saber dançar country.

— Você me escutou falar que eu vim do Texas? — ele olhou para mim com desdém.

— Vir do Texas não significa que você sabe country, muito menos dançar. Existem interesses diferentes nas pessoas e claramente esse não é o seu interesse, quando zombou do meu repertório na frente de todo mundo. Preciso ir. — me levantei da cadeira pegando o violão e fui em direção da saída, como não tinha consumido nada, não precisava pagar nada. Ao passar pela porta, alguém segurou o meu braço.

— Ei! — ao olhar para trás vi .

— O que foi? Está me perseguindo agora? — falei entre os dentes puxando o meu braço para que ele me soltasse.

— Olha, desculpa. — ele passou a mão na nuca. — Por incrível que pareça que eu sou de Nashville. Estou aqui há mais ou menos quatro anos, eu não quis zombar o seu repertório, porque no início eu tocava esse tipo de música. New York tem muito para explorar, principalmente no ramo musical, não sei se você já sentiu que esse era o caminho certo. — ele se aproximou de mim. — Mas se você quiser, eu posso te mostrar caminhos alternativos, eu garanto que você vai crescer muito, e além disso, se você não se identificar, é só voltar para o country. O Texas não nos dá muita opção musical, principalmente no interior. — eu escutava ele com atenção, porque eu não retrucava? No fundo eu sentia que ele estava certo, eu praticamente nasci com o country no sangue.

— Eu sinto que não posso confiar em você. — eu finalmente consegui falar. — Mas também sinto que você pode estar certo. — Alerta de perigo , decisão errada, decisão errada.

— Vamos fazer o seguinte. Esse fim de semana posso te levar em um show? — ele perguntou enfiando as mãos dentro dos bolsos da calça preta.

— De quem? — perguntei franzindo cenho.

— Não posso falar, você vai pesquisar e já vai ter um opinião pré-formada. — ele riu ainda me encarando.

— Tudo bem. — concordei afirmando com a cabeça.

— A gente se encontra aqui às oito horas da noite. Você com certeza não vai me falar onde mora. — ele retirou o chapéu da cabeça e colocou sobre a minha. — Combina mais com você. — ele deu as costas e voltou para dentro do estabelecimento, passando a mão pelos fios pretos para ajeitar o cabelo. Minha nossa, onde eu estava com a cabeça? Ficava me perguntando isso repetidas vezes até chegar em casa e finalmente me jogar na cama para raciocinar tudo oque tinha acontecido naquela noite.

Às oito horas da noite eu estava em frente ao Ruby’s esperando por . Eu tinha escolhido um vestido midi preto, e um tênis branco, meu cabelo estava solto e eu segurava o chapéu de na mão, iria devolver, não sei aonde ele tirou que aquilo combinava comigo.

Observei um carro antigo parar na minha frente, eu reconhecia a marca porque era o sonho do meu pai ter um carro daquele, um Dodge Charger, o do era mais novo, o meu pai queria um bem antigo.

— Está esperando oque? Entra ai. — ele esticou o corpo sobre o banco e abriu a porta do passageiro para mim. Eu entrei no carro e olhei para ele.

— Estou começando a achar que isso é uma péssima ideia. — murmurei entregando o chapéu para ele.

— Por que? — ele me olhou acelerando o carro, colocando o chapéu novamente no meu colo.

— Porque eu não te conheço. — ri levemente. — Estou no carro de um estranho.

— Prazer, meu nome é . Tenho vinte e cinco anos. O que mais quer saber? — ele me olhou pelo canto do olho enquanto dirigia.

— Quando começou a se interessar pela música? — perguntei olhando para o chapéu no meu colo.

— Nove anos de idade. Meu pai era músico também, gostava de tocar country, então eu cresci com a influência dele. Quanto eu fiz dezesseis anos ele morreu atropelado. Estava bêbado. – ele não parecia ter um pingo de tristeza.

— E a sua mãe? — sentia que estava me intrometendo demais.

— Minha mãe continua em Nashville. Ela gosta da fazenda a onde eu cresci. — ele deu de ombros.

— E qual é a sua história? — ele me perguntou parando no sinal, pegou o chapéu do meu colo e colocou na minha cabeça. — Já falei que combina com você. — eu me sentia diferente com aquele chapéu, como se fosse outra pessoa.

— Eu tenho vinte e dois anos. Me chamo Stone, mas é sempre . Minha família é do interior, ela toda, na verdade. Eu comecei a me interessar pela música perto dos seis anos, minha mãe falava que eu gostava de tocar no piano que era do meu avô, ele era músico antes de ter um infarto, nunca o conheci. A partir daí o interesse só foi aumentando, eu trabalhei e me mudei pra tentar alguma coisa aqui. Não me vejo fazendo outra coisa se não for cantar. — respondi olhando-me no retrovisor.

— Aqui é um bom lugar pra começar a fazer o seu nome. — ele respondeu estacionando o carro na frente de um enorme galpão. — Chegamos. — saiu do carro e abriu a porta do carro. Assim que eu olhei para as pessoas que entravam no galpão, franzi o cenho, ok, não tinha nada haver com country, absoluta certeza.

… pra onde você me trouxe? — perguntei parada ao lado do carro.

— Relaxa. Vem. — ele segurou a minha mão e me puxou para uma fila que andava até depressa. Já conseguiu escutar uma pessoa falando do lado de dentro. Ele entregou nossos ingressos e seguimos para dentro do galpão. — O lugar tinha pouco iluminação, havia mais luzes. Em certo momento, fechou os meus olhos para que eu não olhasse a banda que estava no palco. Pelo pouco tempo que consegui observar o local, já estava bem cheio e tínhamos chegado um pouco atrasados.

I ponder of something great
 

My lungs will fill and then deflate
— Você tem um repertório muito bom de country, mas precisa se soltar mais. Se conectar com a sua música. — ele falava próximo do meu ouvido devido ao alto barulho no local. — Não precisa ficar sempre rígida no palco, fazer movimentos perfeitos.

They fill with fire, exhale desire
 

I know it’s dire my time today
— Você pensa demais e sente de menos. — ele permaneceu falando perto do meu ouvido. — Deixa a batida ecoar dentro de você, entra em harmonia com a música. Dessa forma você vai conseguir passar isso pro seu público. Uma música pode ser que nem droga, ela vicia, deixa você anestesiado, depende do arranjo que você faz. — ele retirou as mãos dos meus olhos. — Essa música é Car Radio, eles são Twenty One Pilots. — ele apontou para o palco lá na frente, onde haviam dois homens, um na bateria e outro cantando. O local estava cheio. — Eles conseguem passar exatamente isso pro público deles. — se colocou na minha frente e sorriu assim que a música alcançou o seu ápice e a multidão começou a pular em sintonia, eu olhei para os lados um pouco surpresa e estava exatamente como os outros, eles pareciam apenas um. Eu sinceramente não soube como reagir, eu fiquei paralisada, no country a gente havia ritmo, mas aquelas pessoas pareciam estar em êxtase.

Sometimes you gotta bleed to know. That you’re alive and have a soul. se aproximou novamente de mim e colocou as mãos na minha cintura, fazendo-me me mexer de um lado para o outro. — The songs on the radio are okay. But my taste in music is your face. — ele sorriu e passou o indicador pelo meu rosto, em seguida a mão direita sobre os meus olhos, para que eu pudesse fechá-los. — She’s the tear in my heart. I’m alive. She’s the tear in my heart. I’m on fire. — Senti segurar as minhas mãos e erguer elas até o alto da minha cabeça, em seguida ele desceu um pouco os meus braços e começou a sacudir meu corpo enquanto eu ria diante da situação. Eu não percebi o momento que ele me soltou, eu apenas continuei dançando de acordo com o ritmo da música. Era como se eu sabia qual acorde viria em seguida, o meu corpo correspondia a isso e a energia que a plateia passava era contagiante.

Só sei dizer que sumiu depois de um tempo, eu aproveitei o show praticamente sozinha, somente nas duas últimas músicas do show que ele voltou a me encontrar.

— Como foi a experiência? — ele perguntou enquanto andávamos para fora do galpão.

— Você me deixou sozinha quase o show inteiro. — murmurei enquanto saíamos do galpão.

— Eu te mostrei o caminho, você só tinha que seguir. — ele deu de ombros.

— Você é um péssimo professor, poderia ter acontecido alguma coisa comigo. — respondi cruzando os braços como se estivesse defendendo o meu corpo.

— Não iria acontecer, eu estava de olho em você . — ele sorriu me acompanhando até o carro. O seu tom de voz não me mostrava muita verdade, era exatamente disso que eu tinha medo. Confiança. — Vamos, tem mais um lugar que quero te levar.

— Aonde? — perguntei, abrindo a porta do carro.

— Você faz perguntas demais. — ele revirou os olhos, acelerando o carro.

— E você se faz muito de misterioso. — bufei encarando a pista na minha frente. Abaixei o vidro da janela e segurei no teto do carro impulsionando o meu corpo para fora levemente. Apoiei os pés no banco de couro do carro e sentei na janela, apoiando os braços sobre o teto, o carro não estava muito rápido, então eu meio que estava em segurança.

Fechei os olhos e respirei fundo, sentindo apenas o vento frio bater contra o meu corpo, principalmente no rosto, fazendo meus fios ruivos esvoaçarem no ar, provavelmente eles embolariam, mas não tinha problema. Depois de alguns minutos, voltei a me sentar no banco e olhei para o rosto de , esperando que ele fosse me chamar atenção pelos pés no banco, mas ele não havia falado nada.
estacionou diante de um estabelecimento que parecia um bar, mas ao olhar a placa reparei que se trata de um karaokê.

— Seu lugar surpresa. — saltou do carro e em seguida, eu. — Não tem lugar mais divertido pra cantar do que um karaokê. — ele sorriu andando na direção do estabelecimento. — O combinado é o seguinte: eu escolho uma música pra você cantar e você faz o mesmo comigo. Fechado? — ele olhou para trás e eu permaneci imóvel, pensando se era uma boa ideia. Acabei concordando.

— Tudo bem, já estou me arrependendo, mas vou escolher uma música bem legal pra você. — falei sorrindo e coloquei o chapéu preto na cabeça, que havia tirado para sentar na porta do carro. Entrei no estabelecimento junto dele, mas fiquei em uma distância razoável para que ele pagasse pela nossa vez. Assim que terminou, fez sinal para que eu me aproximasse e ele foi em busca de uma mesa. Informei qual música cantaria, agradeci e fui até a mesa em que ele estava sentado.

— Devo me preocupar? — ele perguntou virando o olhar na minha direção, já que observava uma menina cantar alguma música da Lady Gaga.

— Não. É uma música bem atual, gosto dela. — respondi, cruzando as pernas e colocando o celular sobre a mesa. — Estou com sede… — resmunguei olhando para os lados. — Vou pegar uma água, você quer alguma coisa?

— Não, valeu.

Levantei da mesa e fui até o balcão onde conseguiria pegar alguma bebida. Pedi para o atendente uma garrafa de água e voltei para a mesa com a bebida e um copo de vidro.

— A próxima música é 11 Minutes, e , por favor, subam no palco. — quase me engasguei ao escutar o meu nome e o de , pior ainda foi saber que eu cantaria aquela música. Eu já tinha escutado antes, mas não era a mesma coisa que cantar na frente de toda essa gente.

— Vamos. — levantou da cadeira e seguiu para o palco, fui atrás dele rapidamente.

— Oque você fez? — levantei uma das sobrancelhas irritada, eu iria passar vergonha.

— Se você cantasse comigo talvez se sentiria mais à vontade, foi o que eu pensei. — ele deu de ombros e eu suspirei, colocando as mãos sobre os olhos. Parecia um pesadelo. — , relaxa. É só uma música, lembra do que eu te ensinei no show. Sinta a vibração, se deixa levar que vai dar tudo certo. Você tem potencial para cantar músicas mais difíceis, não é porque é rock que você não consiga. — subiu no palco e escolheu um dos microfones, fui logo atrás dele e respirei fundo ficando ao lado do mesmo.

A melodia da música começou e segurei o microfone com força, para não verem que eu estava tremendo. me olhava pelo canto do olho. Quando comecei a cantar senti um frio percorrer por todo o meu corpo, fechei os olhos e tentei me concentrar na música. Melodia, lembra da melodia.
Quando entrou na sua parte, eu olhei para o lado rapidamente. Puta merda, ele cantava bem pra caralho, ele nem parecia se concentrar, o menino retirou o microfone no pedestal e virou diretamente para mim.

I’m so fuckin’ sorry, I’m so fuckin’ sorry
 

I’ve been playing somebody and it’s helping nobody
segurou o meu rosto a mão esquerda e encarou os meus olhos, enquanto acariciava lentamente a minha bochecha com o polegar. Eu sentia que estava começando a seguir um caminho perigoso, seu toque fazia meu corpo corresponder de uma forma estranha, que eu queria não gostar.

I’m 11 minutes away
 

And I have missed you all day
Eu não poderia ficar abaixo dele, queria ficar á altura, eu tinha cantado aquela música sozinha uma vez. Confesso que Halsey era uma das mulheres que estava na minha playlist privada. Dei um passo na sua direção e ele recuou, fazendo-me sorrir de canto.

Eu nem tinha percebido como a música passou tão rápido, quando me dei conta estava finalizando a música olhando para a plateia, que tinha os olhos fixos em nós. Eu estava ofegante, mas não de nervoso. Eu tinha gostado, o country não me trazia aquela sensação, de mais, o country me trazia conforto, mas eu tinha gostado de arriscar. Quando eu e agradecemos, olhei para o mesmo pelo canto do olho, era inegável que ele tinha nascido para ser uma estrela do rock.

ainda tinha a sua música pra apresentar, mas eu o puxei para fora do estabelecimento e respirei ar puro, o que tinha acabado de acontecer?!

— Eu não falei que você tinha potencial pra cantar? — ele sorriu e eu me virei para ele, passando as mãos pela nuca.

— Nunca tinha me sentido daquele jeito, é uma sensação diferente, mas gostosa. — respondi ainda ofegante.

— Vocês fazem um belo casal! — a recepcionista falou ao sair do karaokê para fumar.

— Nós não… — ia negar quando passou a mão pelo meu ombro e me puxou para perto com um sorriso no rosto.

— Muito obrigado!

— O que você está… — levantei a cabeça para olhá-lo e o menino me encarou.

— Para de resmungar um pouco. — ele segurou o meu rosto com uma das mãos, a outra desceu para a minha cintura onde meu corpo foi puxado para perto do seu. se inclinou levemente e encostou seus lábios nos meus levemente, eu arregalei os olhos e fiquei paralisada. Hmm… menta. Passei meus braços ao redor do seu pescoço e fechei os olhos, correspondendo o beijo, o que eu poderia perder?

Bom, eu poderia perder muita coisa, principalmente minha sanidade mental. Depois do beijo me levou para casa, ele foi um verdadeiro cavalheiro e eu não podia reclamar de nada, afinal as experiências que ele estava me proporcionando eram incríveis. Eu me sentia mais viva, menos na minha zona de conforto. Lembro que naquele dia eu fui dormir naquele delicioso gosto de menta e na hora que dividimos o palco, parecia que éramos um só, nossas vozes se encaixavam perfeitamente. Passamos a sair bem mais e ele sempre me acompanhava nos meus trabalhos em bares e às vezes até me convidava a tocar com ele nas suas apresentações.

Em dois meses ele me pediu em namoro quando estava prestes a viajar para Londres, seu produtor tinha conseguido que ele abrisse um show. Nossa aliança tinha sido um pedaço de corda de violão.

— Antes de finalizar noite, gostaria de chamar a aqui no palco! — tinha acabado uma apresentação em um barzinho, eu estava sentada em uma das mesas com minhas amigas. Ele fez sinal para que eu fosse até ele e me levantei da cadeira, subindo no palco ao seu lado. — Gostaria muito de agradecer essa mulher que está ao meu lado, ela vem me acompanhando em algumas apresentações, me ajuda nas composições e está sempre me apoiando. – ele falava no microfone enquanto mexia no bolso da calça. — E é por isso que eu gostaria de te pedir em namoro, .

se ajoelhou no chão e abriu uma caixinha com duas alianças feitas de corda de aço. Todo o estabelecimento bateu palma e gritaram animados. Eu levantei as sobrancelhas surpresa e levei as duas mãos na boca, para abafar o grito que eu dei.

— Óbvio que eu aceito! — respondi, me ajoelhando junto dele no palco e o abracei forte, dando um beijo no seu pescoço. — Minha nossa, foi você que fez? — perguntei, esticando a mão para que ele colocasse a aliança no meu dedo, em seguida fiz o mesmo com ele.

— Eu tive ajuda. — ele sorriu olhando para as minhas amigas na mesa próximo do palco.

Tinha sido realmente lindo, aquelas alianças tinham um significado muito forte, pois tinha sido pela música que nós tínhamos nos conhecido, porém começou a mostrar ser outra pessoa no decorrer dos meses.

— Eu te falei que sou péssima em sinuca. — ri alto ao ver que a bola branca nem chegou encostar na bola número cinco, eu tinha ficado com os números ímpares.

— Nada que um bom treino não ajude. — ele sorriu para mim e acertou a última bola que faltava para ele. A número dois.

— Ah, qual é! É a segunda derrota. — resmunguei colocando o taco de lado.

— Calma, temos mais uma ainda.

— Na verdade, não. — um homem alto e forte se aproximou da mesa com mais três amigos.

— Sim, eu já estou usando essa mesa. respondeu ajeitando o chapéu preto na cabeça.

— Você tem outra ficha? — o homem perguntou, dando um passo na sua direção. — Não, então cai fora. — ele agarrou meu namorado pela gola da camisa e empurrou-o para o lado, para que pudesse pegar o taco e jogar.

— Só vou pegar minha jaqueta. — apontou para o outro lado da mesa onde sua jaqueta estava, o menino passou entre eles e pegou a bola branca, girando o corpo rapidamente para acertar o olho do homem que tinha o provocado.

! — eu gritei assustada com o que ele tinha acabado de fazer, eu estava me ajeitando para liberar a mesa. Eu fiquei ainda mais desesperada quando vi meu namorado ser acertado em cheio no olho. — POR FAVOR, PAREM! — corri para interferir, mas um dos amigos do cara abraçou o meu tronco e me levantou do chão para que eu não pudesse fazer mais nada, a não ser gritar. — Parem com isso, PAREM! — eu me sacudia tanto que meu corpo estava começando a se cansar. estava levando uma surra, ele simplesmente estava caído no chão enquanto os dois batiam nele. Quando finalmente deixaram-no em paz, o homem me soltou e eu corri até o meu namorado para o socorrer. — …? — ele resmungou e eu suspirei alto, passando seu braço ao redor do meu pescoço para que pudesse levantá-lo. Ele largou-se de mim e bateu contra a parede, tentando ir sozinho para o carro. — O que você tem? Deixa eu te ajudar, calma. — tentei novamente o segurar para que não caísse no chão, mas ele me empurrou para que deixasse ele sozinho. No fim das contas ele entrou no carro e eu dirigi até em casa, onde estranhamente ele parecia ignorar a minha existência.

A minha e a carreira musical dele começou a decolar, viajava mais para ser apresentar e abrir show’s, no entanto eu estava ficando em New York, pois estava fechando com uma gravadora. Um mês depois eu lancei o meu primeiro single.

— Pronta, ? — meu produtor perguntou apertando o botão para se comunicar comigo. Fiz sinal de jóia com a mão e coloquei os headphones. não estava comigo, ele tinha viajado por uma semana.

Found you when your heart was broke
 

I filled your cup until it overflowed
 

Took it so far to keep you close
 

I was afraid to leave you on your own
A música refletia um pouco do relacionamento que eu tinha com , que estava próximo de completar um ano. Na medida que cantava todos os momentos que eu estava vivendo passava diante dos meus olhos.

Tell me how’s it feel sittin’ up there
 

Feeling so high, but too far away to hold me
 

You know I’m the one who put you up there
 

Name in the sky, does it ever get lonely?
Não era uma sensação muito boa, mas a música era um meio de tirar aquilo para fora, um meio de gritar o que eu pensava e o que eu sentia. Tanto que eu estava me segurando para não chorar. Todas as vezes que brigamos, todas as vezes que eu estive ao seu lado, os surtos que ele tinha que acabavam com copos quebrados, todos os gritos e até mesmo o dia que ele me jogou contra a parede. As vezes que eu fiz ele ir atrás dos produtores e ajudei a compor as canções.

Thinking you could live without me
 

Thinking you could live without me
 

Baby, I’m the one who put you up there
 

I don’t know why
Eu vivia um relacionamento abusivo, mas cada vez que eu tentava ir embora, fazia-me voltar por eu me sentir culpada e responsável por ele, um homem de mais de vinte anos. Quando a música finalmente terminou eu respirei fundo e olhei para o meu produtor, ele esticou os braços e jogou as costas para trás satisfeito com o resultado, pude perceber pelo sorriso no rosto dele. O country ainda fazia parte do meu repertório, mas eu tentava misturar com outros gêneros musicais, então estava ficando um álbum bem eclético.

Naquela mesma semana tinha preparado uma surpresa, parecia meio estressado com a produção do segundo álbum dele, por isso resolvi comprar dois ingressos para o show do Labrinth, que também aconteceria em um galpão como da vez que saímos juntos da primeira vez. pareceu bem animado com a ideia.

— Como você está bonita. — estava terminando de me arrumar quando ele apoiou as mãos na minha cintura por trás e me encarou no espelho. Meu estilo tinha mudado bastante desde então. Eu usava um vestido preto estilo camisão, botas de couro e meu cabelo estava solto, no rosto tinha jogado um pouco de glitter.

— Obrigada, você também está lindo. — eu sorri virando-se para ele, nunca tinha mudado seu estilo. Camisa branca com as mangas rasgadas, calça jeans preta com uma corrente pendurada, botas de couro e o seu chapéu preto. — Vamos? — perguntei lhe dando um selinho, seguindo em direção da porta.

A iluminação do local estava simplesmente perfeita, tanto que até luz negra tinha. Eu e ficamos um pouco mais atrás, não queríamos nos misturar com o tumulto que estava lá na frente. O show começou com Mount Everest, logo no começo eu pude sentir as mãos de pelo meu corpo, principalmente na cintura enquanto eu dançava, até ele simplesmente sumir. Ao olhar para os lados não o avistei, como tinha muita gente eu preferi ficar ali e esperar que ele me encontrasse novamente, afinal ele poderia voltar e eu não estar ali. Passou All For Us e assim que uma das minhas músicas preferidas começou, avistei meu namorado. Seu corpo inteiro estava com marcas de mãos, era perceptível devido a luz negra, inclusive o pescoço. De longe pude vê-lo sorrir, era um sorriso malvado e travesso. Eu simplesmente dei as costas e fui embora, o glitter coçava o meu rosto devido o suor e todas aquelas lágrimas escorrendo, como eu pude ser tão idiota?

— INFERNO! — gritei ao chutar uma lixeira que estava na entrada. Eu estava com raiva, raiva de mim mesma, e envergonhada, era perceptível todas as coisas que ele fazia comigo.

tinha sido um problema na minha vida, na verdade, ele tinha me levado até o inferno, mas também me deu a oportunidade de ir até o céu. Talvez sem ele eu não tivesse chegado ao topo da billboard com I Knew You Were Trouble, e talvez sem ele eu não estaria diante de toda essa plateia aguardando pelo meu discurso, caso ganhasse a categoria de Canção do Ano, a qual I Knew You Were Trouble tinha sido indicado.

— Eu nem sei muito bem como começar esse discurso. — falei rindo brevemente. — Treinei tantas vezes diante do espelho e em todas elas só consegui pensar em uma pessoa, durante um ano ela me fez ir até o mais alto das emoções, mas também até no mais fundo dos poços, mas sem ela eu não teria conseguido fazer um álbum tão diversificado e com músicas incríveis, inclusive ela está presente aqui hoje. Queria agradecer também a minha família, que desde sempre me apoiou no início da carreira com o country e a essa pessoa que falei anteriormente, . Muito obrigada, é uma pena que você não tenha recebido um prêmio como eu, afinal você dizia que eu era capaz, mas pelas costas não era bem isso.

Só Deus sabe como gostaria de falar isso no meu discurso, mas como a minha plena consciência e senso de ética, meu discurso foi outro.

— Gostaria de agradecer a todas as pessoas me deram a oportunidade para chegar até aqui hoje. Esse prêmio realmente significa muito para mim, nunca imaginei que conseguiria chegar aonde estou tão rápido, em menos de dois anos do meu primeiro álbum lançado. Não poderia esquecer dos meus fãs também, que sem eles minha música não alcançaria a proporção que está hoje! Muito obrigada!

A plateia aplaudiu e eu olhei brevemente para , levantando a aba do chapéu preto que tampava uma parte do meu rosto, tinha me inspirado no clipe da Beyoncé e é claro, era um meio de provocação para , afinal o chapéu era sua marca registrada. Desci do palco levantando o vestido preto com um pano brilhoso, para que não caísse e voltei para a minha cadeira completamente feliz e realizada, ver a cara de foi impagável, ele ficou me encarando como se eu tivesse pegado o seu doce. Um dia ainda mandaria uma carta para a sua casa agradecendo por todo o suporte musical e pelo não suporte emocional que ela havia me dando.