Innocent

Innocent

Sinopse: Eles se conheceram quando crianças, na fase onde tudo era mais fácil, até que a vida aconteceu. Quando adulta, ela já não se conhecia mais e ele não sabia lidar com a intensidade da mulher que jurara amar. O quanto as emoções podem nos fazer sair do controle? Nem eles saberiam.
Gênero: drama
Classificação: 18 anos
Restrição: BTS. Min Yoongi é fixo. Contém gatilhos sobre doenças mentais. Aborda suicídio, ansiedade e transtorno de humor bipolar
Beta: Rosie Dunne

INNOCENT
 

CAPÍTULO ÚNICO
 

Guess you really did it this time
(Acho que dessa vez você conseguiu)
Left yourself in your war path
(Deixou-se no seu caminho de guerra)
Lost your balance on a tightrope
(Perdeu o seu equilíbrio na corda bamba)

Min Yoongi corria o máximo que conseguia, nunca fora o atleta exemplar, odiava fazer exercícios físicos, mas não tinha outra opção a não ser correr naquela noite. Os cabelos escuros balançavam ao ritmo de suas passadas, apesar de fazer frio em Seoul, ele já estava suado e o peito ardia com o cansaço, mas ele não pararia até chegar ao seu destino final. Não podia parar.
Pensou em outra vez enquanto apertava o celular em sua mão, agora Yoongi sentia o peito apertar lembrando-se das mensagens que ela havia enviado a ele há pouco. Ele mantinha o aparelho em mãos para que não perdesse a chance de ouvir caso ela ligasse. Ele esperava que ela ligasse ou mandasse outra mensagem. Precisava daquilo, já que não atendia suas ligações mais. Ela tinha que ligar.
Min Yoongi continuou a desviar rápido dos pedestres que entravam em sua frente, apesar dos olhares assustados ele não parava de correr, dava passadas mais largadas que podia. Precisava chegar rápido ao apartamento dela, antes que fosse tarde. Estava correndo há, no mínimo, dez minutos, tinha saído apressado do estúdio sem dar tempo de pensar melhor sobre a carona que os membros lhe ofereceram.
A rua movimentada da cidade não ajudava em nada e Yoongi xingou mentalmente por ter tantas pessoas atrapalhando seu caminho. O homem avançou mais alguns passos até parar para olhar seu celular: nada. Observou ao seu redor, como a cidade se movimentava calma sem saber o que estava acontecendo em sua vida naquele momento. Ninguém sabia o desespero do homem que olhava em volta. Min Yoongi tomou impulso para voltar a correr em direção ao seu destino. Faltava pouco agora.

Flashback on

Wasn’t it easier in your lunchbox days?
(Não era mais fácil nos seus dias de lancheira?)
Always a bigger bed to crawl into
(Sempre uma cama maior onde deitar)
Wasn’t it beautiful when you believed in everything?
Não era bonito quando você acreditava em tudo?)
And everybody believed in you?
(E todo mundo acreditava em você?)

Era uma quinta-feira de frio quando a viu entre as caixas de papelão, a vizinha nova parecia ter a mesma idade que ele e não estava tão animada com a casa nova. A menina permanecia sentada no degrau da varanda, enquanto os homens levavam as caixas para dentro. O bico que formava em seus lábios evidenciava a frustração da pequena, mudar de casa não deveria estar em seus planos, ela não tinha percebido a presença do garoto, que, mesmo estando do outro lado da rua, não conseguia tirar os olhos dela.
Yoongi nunca fora de fazer amigos facilmente, era um menino introvertido, mas teve o ímpeto de se aproximar da garota que ainda mantinha seus olhos baixos, a expressão de tristeza dela cortava o coração do rapaz, ele não sabia como, mas queria ajuda-la. Yoongi ajeitou a bola de basquete embaixo do braço esquerdo, e caminhou determinado para o encontro com a menina. Ela então olhou pela primeira vez para o garoto que se aproximava, a curiosidade com quem chegava tomou o lugar da tristeza. Ele sentou ao lado dela assim que a alcançou, deixando a bola pesada aos seus pés, ficando mais confortável naquele momento.
– Oi – ele disse tímido, nunca soubera começar uma conversa com desconhecidos – Me chamo Min Yoongi, sou seu vizinho – ele apontou com a cabeça para a casa em frente a dela, a menina acompanhou se obrigando a olhar para a construção que ele apontava.
– ela sorriu com o canto dos lábios, tentando ser o mais simpática possível com o vizinho – Eu sou sua nova vizinha – ela deu de ombros.
– Você vai ajudar a colocar essas caixas para dentro ou não?
Um homem subiu os degraus com uma grande caixa de papelão em seus braços, Yoongi encolheu o corpo para dar mais espaço para que o homem pudesse passar, no movimento, seu braço tocou o braço da menina, dando um leve choque durante o contato dos dois. Yoongi não teve tempo de reclamar ou falar algo sobre, mas olhou com surpresa para a garota, que ainda mantinha a expressão de tédio no rosto.
– Não pretendo – Yoongi riu com a sinceridade da garota.
– Vamos tomar um sorvete, então? – ele apertou os lábios timidamente após o convite – Tem uma sorveteria perto daqui – arqueou a sobrancelha para o rapaz – Eu pago!
Ele sorriu pela primeira vez, e percebeu que achava o sorriso do vizinho muito bonito: os dentes pequenos, a gengiva a mostra era harmonia perfeita com o rosto redondo de Yoongi. Ele era lindo, ela tinha notado naquele instante. olhou ao seu redor, viu o pai ajudar a descarregar o caminhão e não tinha vontade de ajudá-lo, muito menos de ajudar a sua mãe a desfazer as malas. Não queria estar em Daegu, estava sendo birrenta, mas não se importava.
Ela foi a primeira a levantar, caminhando para a direção da rua, olhou para trás confirmando que Yoongi a estava seguindo. Os dois andaram lado a lado até a sorveteria, onde passaram o tempo até anoitecer. Descobriram, naquele local, o quanto tinham afinidade e o quanto era fácil a conversa entre eles. Ali entre sorvetes de chocolate e creme, perceberam que seriam amigos para sempre. E assim foi.

Um ano depois
Min Yoongi percebeu que estava apaixonado por um ano depois de conhecê-la, era o sentimento mais confuso que já tinha compartilhado com alguém. Desconfiava que ela nutria algo por ele também, mas não tinha coragem de perguntar ou demonstrar o que sentia pela amiga. Os dois se completavam.
transbordava emoção, não se importava em demonstrar seus sentimentos frente as coisas que vivia, por vezes era intensa e por outras reclusa. Um mar de comoções oscilantes, mas elas sempre estavam ali: expostas e visíveis para quem se aproximasse. Ele por sua vez, se escondia o máximo que podia: evitava ao máximo mostrar o que sentia por medo, por insegurança.
Juntos, viviam em seu próprio mundo, e isso bastava!
Doze meses haviam se passado e a garota já não estava chateada por ter deixado os amigos para trás, em sua antiga cidade. Daegu tinha dado a ela Min Yoongi e isso garantia a felicidade dela todos os dias desde que tinha mudado para aquele lugar.
Os dois estavam deitados no carpete do quarto de Yoongi, em uma tarde de calor: era o ritual deles, passar o tempo ouvindo as músicas clássicas que o rapaz tanto amava, não que gostasse do estilo musical, preferia o pop, mas agradava da companhia do amigo todas as tardes. Os corpos estavam virados em posições contrárias, mas as cabeças se alinhavam, ele curtia a música que saia do aparelho próximo aos dois; curtia olhar Yoongi ao seu lado.
Enquanto as notas de piano ressoavam pelo cômodo aproximou seu rosto ao de Yoongi, no mesmo instante ele se virou fazendo os olhos deles se encontrarem. Eram brilhantes, como se coubesse uma grande galáxia dentro daquelas esferas escuras. Foi assim que soube que estava apaixonada pelo seu melhor amigo, e quando ele sorriu com seus pequenos dentes para ela, a garota colou seus lábios ao dele selando com delicadeza o primeiro beijo do casal.

Três anos depois.
As crises, assim foram nominadas finalmente as oscilações de humor da garota. Com o passar dos anos a labilidade de tinha se tornado mais intensa, causando prejuízo em seu cotidiano. Fora o namorado o primeiro a incentivar que buscasse ajuda profissional para entender melhor o que acontecia quanto ao seu temperamento. Os ciclos, assim foram denominadas as crises dela, variavam com precisão; o diagnóstico tinha vindo com facilidade: transtorno de humor bipolar.
Denominar o problema não era a solução, pelo contrário, carregar o peso de um transtorno em sua vida assustava , ela não sabia lidar com a situação, mesmo tendo o apoio de quem estava ao seu redor, mesmo fazendo acompanhamento com os profissionais ideias. , já não tinha certeza de quem era, mas sabia que viveria em função de esperar sua próxima crise e isso era cansativo.
A bipolaridade de era com ênfase em fases depressivas, o psiquiatra tinha suspirado aliviado ao contar que isso poderia trazer menor risco a vida da garota, já que o ciclo maníaco¹, geralmente, acarretava em atitudes de impulso mais arriscadas para ela. Desse dia em diante, deixou de ser uma pessoa para se tornar uma possibilidade, era assim que ela se percebia toda vez que ouvia sobre sua condição. Além disso, percebeu Yoongi se afastar cada dia mais dela, como se tivesse medo de conviver com alguém como ela, que poderia explodir a qualquer momento.
E de fato Yoongi tinha receio, toda a situação era nova para ele, assim como para , as oscilações de humor, mesmo que em ciclos determinados eram cansativas para ele também. O rapaz tinha tentado conciliar a sua vida, a sua carreira com o cuidado para com a namorada. Ela sempre pedia para que ele não a enxergasse como uma pessoa frágil e ele queria poder conseguir vê-la assim, mas já não conseguia mais. Ele se sentia na obrigação de protegê-la e sentia que estava perdendo o namorado em meio ao caos.
A gota d’água enfim veio, em uma Segunda, em meio a primavera. Yoongi já não morava em Daegu mais, tinha se afastado da cidade natal para dar ênfase em sua profissão. Ele precisava respirar e, por isso, tinha sido fácil aceitar o convite da empresa para ser trainee. Nunca tinha pensado em ser um possível idol, mas essa ideia o agradava cada vez mais agora que tinha descoberto o rap como sua válvula de escape. Ainda amava como antes, porém não negava que estava aliviado de viver seu relacionamento a distância naquele momento. Sentia-se culpado, mas se estivesse ao lado da namorada não conseguiria focar em sua carreira, e essa era a prioridade de Yoongi no momento.
A mulher, era esperta, sabia que o namorado fugia cada dia mais de estar com ela. Pensara algumas vezes sobre se valia a pena manter a relação com ele, e cada dia tinha certeza que o certo era que estivessem separados. Da mesma forma que sabia que atrapalhava Yoongi a se concentrar em seu trabalho, entendia que sua prioridade não era o namoro. tinha que aprender a lidar com ela mesma antes de despender sua energia em uma relação amorosa.
Ambos não se reconheciam mais. Sabiam que se amavam, mas também sabiam que isso já não era o bastante para manter o namoro. Precisavam se desprender para enfim, mas era difícil, já que ainda se viam apaixonados uns pelo outro essa era a pior decisão que teriam que tomar. Resolveram da pior forma possível: por mensagem. No momento, pesaram que terminasse daquela forma seria o jeito menos dolorido, mas era um ledo engano e isso só fez com que os dois sofressem mais.

Dois anos depois
e Yoongi não se falavam mais. Não havia raiva, nem mágoa, só a distância entre eles. Sentiam falta um do outro, mas ainda não sabiam lidar com as circunstâncias. Yoongi sentia-se constrangido por ter sido fraco, e não ter mantido sua promessa em manter-se ao lado da pessoa que amava. , ainda em Daegu, sentia-se cada vez mais sozinha, queria voltar aos tempos em que podia ter a companhia de Yoongi nas tardes, sentia falta até das sinfonias que compartilhava com o garoto enquanto estavam imersos em seus mundos.
Ele, agora em Seoul, tinha os próprios demônios para lidar. A ansiedade do homem era cada vez mais nítida, descontava sua angústia nas letras que escrevia. Todo dia, ele escrevia algo para se sentir mais calmo. Diversas músicas foram feitas para , mas isso ninguém nunca soubera. Sentia muita falta da amiga, mas ele já não era mais o garoto corajoso que puxava o assunto com a menina que o interessava.
, também passava por sua fase baixa. A depressão tinha atingindo a mulher de uma forma que nunca havia acontecido antes. Nos poucos segundos de motivação que ela conseguiu sentir em um dia frio, a garota virara o vidro de medicação que a mãe escondia em seu quarto. Poderia ter sido fatal, não fosse por seu pai chegar a tempo de leva-la ao hospital.
Min Yoongi soube do ocorrido na mesma tarde, no hospital todos podiam ver o jovem com o rosto confuso, perguntando sobre sua amiga. A aflição era nítida em sua face, assim como o alívio ao vê-la viva deitada em seu leito. tinha o rosto pálido, o que evidenciava suas olheiras. A aparência doente dela assustava um pouco Yoongi, mas não disse isso em voz alta. Ele aproximou-se de , e sem se importar com os outros visitantes no quarto, colou suas testas ficando o mais próximo que conseguia dela.
– Por quê? – ele disse baixou de forma que só ela poderia escutar.
– Eu não aguento mais Yoongi – os pais de saíram do quarto permitindo que a filha ficasse a sós com o amigo – É horrível e cansativo. Eu me sinto bem, como se pudesse fazer tudo a qualquer momento – ele passou a mão por sua bochecha – Mas, depois tudo muda: eu me sinto um lixo, uma fracassada – começou a chorar, e Yoongi permitiu que ela chorasse ao seu lado – Eu não quero ser um fracasso…
A mulher chorou copiosamente sendo apoiada por Min Yoongi, naquele momento ele recusou-se a dizer sobre a sua dor, estava ali para ampara , a pessoa que ele ainda amava. E só ela importava naquele instante.

Três anos depois.

Did some things you can’t speak of
(Fez algumas coisas que não se pode falar)
But at night you live it all again
(Mas essa noite você vai largar tudo de novo)
You wouldn’t be shattered on the floor now
(Você não estaria destruído no chão agora)

A amizade entre os dois tinha voltado a ser como antes, Yoongi fazia questão de estar perto de sempre que sua agenda permitia. Tinha a sensação de que não deveria desperdiçar o tempo em que os dois podiam compartilhar untos. A frequência com que ele sorria agora tinha aumentado e sua ansiedade sempre se mostrava mais controlada ao lado da mulher que ele se sentia confortável.
também tinha se descoberto artista, trabalhava como fotógrafa e a necessidade de expor suas fotografias a fez mudar para a capital, e por consequência, ficando mais próxima de Yoongi. Fotografar era o jeito com que ela lidava com seu transtorno; era a maneira que tinha de falar para os outros como se sentia e isso a deixava mais aliviada a respeito de tudo. Era seu desabafo. Ainda controlava seu humor com acompanhamento e medicações, ela sabia que essa era a condição para viver melhor os seus dias, porém na fotografia ela realmente conseguia descarregar seus sentimentos.
Os trabalhos de alternavam entre as exposições em preto e branco e as exposições coloridas, a dor e a alegria respectivamente. Era dessa forma eu ela contornava melhor as crises, e Yoongi era o único que entendia a mensagem por trás da obra.
Ele sentia que podia entender melhor a mulher e era grato por isso, não queria se afastar de outra vez. Ele também não sentia mais medo ou insegurança quanto a lidar com o humor da amiga, na verdade, tinha sido imaturo quando mais jovem. Gostava do fato de serem amigos de novo, mesmo que agora, por causa de sua carreira, tivesse que ser mais cauteloso ao encontrar com . Na verdade, ele nunca tinha deixado de amá-la. De fato, o mais velho sempre se culpara por ter deixado o relacionamento entre os acabar, e estava disposto a fazer de sua mulher novamente. Mas dessa vez, ele faria dar certo.
E foi assim, que depois de três anos separados, Yoongi apareceu na porta do apartamento de carregando um buquê de rosas vermelhas, ele achava aquilo exagerado, mas tinha decidido que viveria um romance clichê, do jeito que ela gostava. Seria o melhor namorado, caso ela o aceitasse de volta.
assustou-se ao ver o homem em sua porta com o buquê gigante em mãos, chorou quando soube que as flores eram suas; ela amava rosas vermelhas e ele odiava. Aquele gesto significava muito. também chorou quando, já dentro do apartamento, com as taças de vinho em mãos, ele declarou seu amor por ela. E Yoongi não escondeu sua felicidade quando a mulher declarou-se de volta para ele.
Fizeram amor naquela noite, selando a união entre ambos novamente. dormiu abraçada ao corpo nu do homem ao seu lado, sentia-se como na adolescência. Ajeitou seu corpo mais próximo ao peito de Yoongi, podia sentir sua pele lisa reagir ao toque de seus dedos. Ela gostava disso. Ele sorriu ao depositar um beijo no topo da cabeça da mulher, o cheiro do shampoo de morango era o preferido dele em todo o mundo. Ela sentiu os dedos de Yoongi passear por seu corpo a fazendo arrepiar, olhou para cima, em direção ao homem que a provocava sabendo que se entregaria novamente a ele. Nesse momento a mulher pediu que nada mais separasse os dois, e ela faria por merecer Yoongi ao seu lado.
Yoongi roçou levemente a ponta dos seus dedos ao longo da coluna de , sabia que ela estava em pensamentos distantes agora, queria que se mantivesse no presente, no momento dos dois. Tinha prometido a si mesmo cuidar da namorada e assim o faria. Sem falhas de agora em diante. A provocação tinha dado certo e Yoongi sorriu com o canto dos lábios sabendo que tomaria uma vez mais em seus braços naquela noite.

Ao longo de três anos

It’s alright just wait and see,
(Está tudo bem, espere e verá)
your string of lights are still bright to me
(suas luzes ainda brilham para mim)
oh who you are is not where you’ve been
(quem você é não é onde você está)
you’re still an innocent
(você ainda é um inocente)

O relacionamento estava longe de ser perfeito: o homem não poderia assumir seu romance publicamente, e isso fazia com que os dois não se encontrassem com frequência. ainda tinha recaídas quanto as suas crises, a depressão era mais acentuada do que de costume. Por diversas vezes quando Yoongi fora ao encontro de a encontrara jogada ao chão de algum cômodo do apartamento, chorando. Cada vez que ele presenciava aquela cena, um pouco dele se perdia, tinha medo de como as coisas estavam acontecendo.
se sentia mais cansada, não via um futuro promissor e não conseguia lidar com suas fases tão bem quanto antes. Ela tinha deixado de ir ao psicólogo e ao psiquiatra, não contara a Yoongi sobre ter parado de tomar a medicação e não tinha intenção de contar. Se sentia refém daquele tipo de droga, e não queria viver o resto da vida com aquele tipo de “muleta”. Por isso, por conta própria tinha decidido que tomaria as rédeas de sua vida, mesmo que isso não estivesse indo tão bem no momento.
Yoongi percebia a namorada cada vez mais introspectiva e desmotivada. não tinha vontade de fotografar mais, e isso era um sintoma nítido de sua fase depressiva. O homem dava o suporte que conseguia a mulher, mesmo de longe, enquanto estava viajando a trabalho. Se culpava por ser egoísta a ponto de continuar priorizando o seu trabalho, o romance clichê que ele havia prometido a ela não tinha durado tanto tempo, mas sabia que era assim que os dois caminhavam lado a lado: sendo diferente dos casais comuns.
Mas, sempre que estava por perto Yoongi ficava atento ao comportamento de , confiava na namorada, mas não o suficiente para baixar a guarda quanto a vigia sobre ela. Ele tinha criado uma tensão invisível sobre eles, até o dia que acordou com seu melhor sorriso no rosto, olhou para o namorado iluminada. Ela sorria.
Min Yoongi pensou, que naquela manhã a fase boa tinha voltado. Agradeceu por ter, finalmente a namorada de volta e não mais o vestígio de uma mulher que só existia e se
arrastava pela casa, há semanas eles já não conversavam como antes. O sorriso de era lindo, como sempre fora, e isso fez com que ele lembrasse da menina que conhecera aos 13 anos. Naquele instante entendeu que estava de volta e respirou mais aliviado.
Por mais que fosse difícil ele sabia que a amava e que era com ela que queria passar o resto da sua vida. Enquanto dançava sua música preferida pelo quarto Yoongi soube que aquela noite seria perfeita para pedi-la em casamento. Manteriam o noivado em segredo, mas isso não era um problema, já que a vida deles sempre fora só deles e de mais ninguém.
Assim que abraçou a amada Yoongi saiu do apartamento na intenção de comprar o anel de noivado, depois do treino com os membros do grupo surpreenderia com o pedido. Pensaria em algo romântico para fazer naquela noite, algo clichê porque era o que ela gostava. Ele sorriu mais uma vez ao olhar para a mulher a sua frente, em sua despedida sentiu os braços dela apertar seu corpo mais forte que o de costume, ele achou estranho mais aproveitou o momento.
sairia para tirar fotos, estava motivada naquele dia. Tinha acordado disposta, faria tudo o que tinha vontade. Respirou fundo sentindo o ar ao seu redor, estava com medo do que planejara para aquela noite, mas não podia mudar seus planos já que se sentia corajosa naquele dia. Ela andou pelas ruas de Seoul procurando razões para fotografar e lembranças para guardar. Seria sua última exposição, queria que fosse algo especial. Fotografou com o celular, já que não tinha intenção de imprimir nenhuma foto, enviaria todas ao seu destinatário.
Essa era a exposição especial de Yoongi e mais ninguém.
fotografou uma casa com degraus em sua varanda, um caminhão de mudanças que encontrara pela rua, também fotografou a sorveteria que costumava frequentar, a quadra de basquete e até mesmo o hospital da cidade. Era a forma de ela recordar o caminho que ela e Yoongi trilharam até aquele momento. Seus cliques encerraram no momento que ela fotografou a porta de entrada do seu apartamento, era ali que tinham recomeçado e era ali que ela se despediria. Sabia que o machucaria, mas esperava que ele pudesse a perdoar em algum momento.
Algumas ruas longe dali Min Yoongi exibia o anel que comprara há pouco para a namorada. Mostrava o diamante discreto aos amigos de grupo, todos estavam felizes por ele, e animados com o passo que ele estava prestes a dar. Sorria sem acreditar como, naquela noite, sua vida mudaria. Foi no instante em que se imaginara casado com que ouviu seu celular notificar algumas mensagens.
Todas as mensagens eram de e em todas, uma imagem nova aparecia. Claramente eram fotos que remetiam a história dos dois, ele foi transportado para cada instante que aqueles cliques significavam para o casal. Achou fofo no começou, mas sua mente o carregou para o momento em que tinha dito a ele que no dia de sua morte faria uma exposição exclusiva para o namorado. Ela queria que ele fosse o único a ter suas últimas fotos. Yoongi tinha achado a fala estranha, nunca quis levar as palavras a sério.
Mas, naquele momento ele entendeu o que estava fazendo.
Ao sentir o aperto em seu coração ele soube que precisava chegar o mais rápido possível até ela. Ouviu os amigos o chamar e oferecer carona, mesmo que não soubessem o que estava acontecendo, mas ele sabia que se fosse correndo poderia ter uma chance maior de chegar a tempo.

Flashback off

Lost your balance on the tight rope
(perdeu seu equilíbrio na corda bamba)
It’s never too late to get it back
(nunca é tarde demais para recuperá-lo)

Yoongi tinha chegado ao apartamento, tinha a chave da casa, por isso não precisou tocar a campainha para entrar. O ar já lhe faltava e não era por ter corrido em todo o trajeto até ali, mas sim por prever o que tinha acontecido com . Ele andou pelo corredor que dava acesso ao quarto do casal e mesmo que gritasse o nome dela, não tinha respostas.
Viu seu sapato encostar na poça d’água que saía do banheiro do corredor, sentiu o coração parar no momento que percebeu que a água tinha cor de sangue. Min Yoongi abriu a porta com rapidez, mas se deteve no instante que viu a banheira cheia de água e dentro dela o corpo imerso da mulher que amava. Correu para próximo de , buscou o corpo da mulher de encontro ao seu, mas já era tarde. Ela não respirava mais. Nos pulsos os cortes que ainda sangravam discretamente.
Yoongi sentiu a dor chegar, e com ela o grito sair em sua boca. Ele colocou o rosto de em seu peito fingindo que a mulher ainda dormia e acordaria a qualquer momento. O homem chorava como criança. Por que demorara tanto a chegar? Por que tinha deixado sozinha?
Ele acariciava os cabelos da mulher desacordada enquanto gritava seu nome. A tentativa era de fazer com que ela acordasse, mas Yoongi sabia que isso não seria possível.
Não percebeu o momento em que o vizinho de apartamento tentava acudir o homem que ainda chorava ao lado do corpo da mulher que amava. Sem forças ele se deixou levar para longe do banheiro, tinha escutado que a polícia e os paramédicos já estavam a caminho, mas só tinha consciência da dor que sentia. Ainda era difícil de respirar e as lágrimas embaçavam sua visão.
Sem chão, era assim que ele se sentia naquele momento. O homem, percebia o movimento das pessoas no apartamento, mas não as via. Eram vultos que passavam ao seu redor confundindo ainda mais sua mente atordoada. Sentiu o estômago doer, como se alguém o tivesse atingindo com um soco, a dor o fez cair sentado ao chão, Min Yoongi não tinha forças mais para reagir.
Sentado em algum canto da sala, preso em seu próprio sofrimento, ele não sabia como reagir aquilo, estava confuso demais para pensar em como se comportar. A cada vez que tentava achar uma resposta para tudo entendia que isso nunca seria possível. Só poderia dizer o porquê de ter tirado a sua própria vida, mas ela não estava mais ali. Ele buscou em seu bolso a caixinha pequena, apertando o objeto com firmeza. Perguntou-se se teria gostado do anel que tinha escolhido para ela.
Yoongi lembrou o dia em que havia conhecido a menina, e sentiu o aperto no peito aumentar. Achava que jamais seria capaz de esquecer o rosto da garota aborrecida sentada no degrau da casa nova. Sempre fora a imagem preferida dele, e permaneceria assim. A criança das emoções explosivas tinha acompanhado até a fase adulta, era assim que ele enxergava sua história: a mulher tinha crescido sendo refém dos seus sentimentos, até o dia em que não deu conta de lidar com a sua própria intensidade.
Ele permitiu se entregar a dor sem se importar com quem estava olhando, com a cabeça entre os joelhos Min Yoongi chorou alto, a ponto de soluçar, como uma criança.

Nota da autora:
A minha forma de interpretar a música talvez seja diferente para alguns, mas é esse sentimento que Innocent evoca em mim toda vez que escuto. Muito obrigada aos que tiraram um tempo para ler minha história e espero que tenham gostado.
P.S. Bipolaridade, ansiedade e depressão são doenças mentais e devem ser tratadas como tais, a partir de acompanhamento com profissionais. Se você sofre com alguns dos sintomas, procure ajuda.
Vocês podem me encontrar no twitter, com minha conta pessoal @dinhagabius ou pelo fc @kthgalaxys.
Obrigada de novo!!