It’s Nice to Have a Friend

It’s Nice to Have a Friend

Sinopse: Wei Wuxian, sempre que olhava para Lan Zhan, via nele um bom amigo.
Gênero: Drama / Romance
Classificação: Livre
Restrições: Personagens fixos
Beta: Thalia Grace

 

It’s Nice To Have a Friend

 

Explicação sobre o uso dos nomes:
Dentro desta história, o mesmo personagem irá ser referido por mais de um nome, de acordo com os apresentados dentro de Mo Dao Zu Shi (The Untamed), por isso para uma melhor compreensão do texto, irei indicar quais pertencem a quem. Utiliza-se dois nomes (cortesia, para uso geral e sinal de respeito, e de nascimento, para pessoas íntimas ou da mesma faixa etária) e um título que indica a honra daquela pessoa, no caso os dois personagens são:

Wei Wuxian – cortesia
Wei Ying – nascimento
Patriarca de Yiling – título

Lan Wangji – cortesia
Lan Zhan – nascimento
Hanguang-jun – título

💮
Os dias em GusuLan pareciam ter o dobro do tempo normal do Pier Lotus, o que indicava que os dias esticados seriam mais tediosos naquele clã certinho demais, com regras demais, etiqueta demais… Entretanto, Wei Wuxian se sentia agradecido pelo tempo que não corria desde que pudesse admirar Lan Wangji. Fora assim desde que pousara seus olhos no rapaz, observando o branco imaculado das roupas, o cabelo perfeitamente alinhado, a fita na testa na posição perfeita, a pele de pêssego sem qualquer marca, os olhos quase inexpressivos, o nariz pequeno que parecia esculpido, os lábios afinados;

Não que Wei Ying fosse um corta-manga¹! Longe disso, ele apenas… gostava de apreciar o que é bonito. E tudo em Lan Wangji era especialmente bonito, até a carranca de ódio que exibia quando Wei Ying o provocava só para ter sua atenção. Os meses que se seguiram dessa rotina só serviram para acentuar alguma coisa sobre o mau-humorado Lan no peito do Wei, o problema era que saber do que se tratava esse sentimento só o fazia querer correr para longe ao mesmo tempo em que desejava abraçar com toda a força. Todos percebiam essa curiosa inclinação de Wuxian de seguir e perturbar Lan Zhan por toda a parte, tão normal quanto respirar. Nem Jiang Cheng se incomodava mais, de certa forma, apesar de estranhar o interesse de seu irmão em um rapaz tão oposto a ele. Mas Wei Wuxian nunca fora muito normal, então se interessar por Hanguang-Ju não era assim tão estranho.

Estranho mesmo foi quando Wuxian começou a ser correspondido. Não se via um sem o outro, independente da ocasião. Claro que Lan Zhan fazia parecer que não gostava do garoto Wei, mas no fundo Wuxian sabia que sua presença era apreciada, mesmo que no mais profundo da alma de Wangji — e nem mesmo o próprio percebesse isso. E cada vez que o Wei o observava caminhando à sua frente e então parando quando percebia que estavam se distanciando, pensava:

É bom ter um amigo.

Então, certo dia, Wuxian abandona Suibian² e aparece dominando forças negativas através de sua Chenqing³. Mesmo que a dúvida deixasse o Lan desconfortável, confiava em Wei Ying o suficiente para esperar que o mesmo se pronunciasse. O Wei era agradecido, haviam certas coisas em seu coração que não estava preparado para revelar, mesmo para seu amigo mais íntimo, e o respeito que nutriam pelo outro só o fazia pensar:

É bom ter um amigo.

Então o Império Wen cai e o Patriarca de Yiling surge. Seu nome, antes prometido como um prodígio em sua geração, torna-se motivo de vergonha em todos os clãs, especialmente para os Jiang que o adotaram como família, abandonando tudo o que construiu para se exilar e tentar viver com os Wen restantes longe de seus conhecidos na, Colina Sepultura. Todavia, durante todos os encontros acidentais com o Lan, Wuxian consegue ver a mesma preocupação — e até mesmo um inesperado sinal de afeto — de sempre estampados naqueles olhos queridos. Então sorri, pensando:

É bom ter um amigo.

Mesmo quando tudo saiu de controle, sua shijie⁴ estivesse morta e Cheng chorasse na maior angústia alguma vez sentida, e Wuxian via seu mundo desabar, Lan Zhan estava ali, segurando-o e impedindo que caísse para a morte certa — literalmente. Mesmo que suas mãos estivessem escorregando e visse perfeitamente o medo, pela primeira vez, estampado no rosto do garoto Lan, Wuxian sorriu agradecido. Mesmo quando seu irmão, Jiang Cheng, deu-lhe o golpe fatal, ainda olhando para Wangji, o Wei só conseguia pensar:

É bom ter um amigo.

Quando, treze anos depois, estava de volta às vidas de todos como Mo Xuanyu, Lan Zhan só precisou olhá-lo nos olhos uma vez para ter certeza de que se tratava de Wei Wuxian. A emoção transbordando das orbes do rapaz Lan ainda que sequer uma palavra lhe saltasse dos lábios, tudo lhe remetia a sua vida de treze anos antes, como se nada tivesse realmente mudado. Naquela noite, enquanto, após uma provocação idiota, repousava sua cabeça sobre o peito de Lan Zhan, um sorriso brincava em seus lábios, e pensava:

É bom ter um amigo.

Então estava novamente na mira dos clãs, o terrível Patriarca de Yiling ressuscitado e finalmente pronto para pagar por seus crimes. Porém, ninguém sequer se aproximava um passo com más intenções de Wuxian, afinal, para fazê lo deveria passar por um raivoso Lan Zhan, e quem enfrentaria o cultivador mais brilhante de sua geração, uma das pedras gêmeas de jade de Gusu? Wei Wuxian nunca se sentira tão seguro na vida, por isso o olhava entreposto a sua frente e pensava:

É bom ter um amigo.

Então quando finalmente a verdade se revela e Jin GuangYao era a mente perversa por trás das coisas ruins que rondavam seus clãs, pelas mortes e injustiças, Wei Ying finalmente pode respirar aliviado, afinal finalmente se provara inocente de seus acusações. Lan Zhan sorriu-lhe pequeno pela primeira vez em algum tempo e enquanto seu coração bobo se acelerava, pensava:

É bom ter um amigo.

Mesmo que por breves momentos acreditasse que seguiriam suas vidas separadamente, com Lan Zhan de volta a Gusu e a si mesmo viajando e descobrindo o mundo, quando tem seu nome chamado e se depara com seu amado Lan Zhan esperando-lhe com um sorriso tímido, um que jamais havia visto, seu mundo para. Não é necessário mais nada para que corresse e o abraçasse com força. Enquanto sentia o aroma leve de incenso que se misturava ao aroma natural do rapaz Lan, Wuxian pensava:

É bom ter um amigo.

Quando suas mãos se tocaram pela primeira vez, os dedos se entrelaçando e as palmas geladas se encontrando, tanto o Wei quando o Lan sentiam que seus corações saltariam do peito. Então se aproximaram lentamente até que os lábios ansiosos se tocassem e pouco depois unidos num beijo apaixonado que mostrava todos os sentimentos guardados, esperando especialmente por aquele momento. Quando soltou a mão do outro rapaz apenas para segurar o rosto de Lan Zhan entre as palmas, Wei Ying perdeu o ar por um segundo ao se dar conta de que segurava seu mundo todinho ali. Sorriu apaixonada e ternamente enquanto pensava:

É bom ter um amigo.

Nada fora fácil, mas sentia que podia enfrentar qualquer coisa desde que acompanhado de seu amor. Fora um alívio constatar que Lan Zhan realmente não gostava de Mian Mian. Quando seus corpos se sentiram pela primeira vez fora como um mundo todo se abrisse para os dois, afinal podiam dizer que se conheciam de cabo a rabo — ainda que o Lan odiasse essa expressão e a mesma fosse dita sempre por Wuxian, com um sorriso ladino nos lábios. Porém antes que acontecesse pela segunda vez, tomaram uma das decisões que mudariam definitivamente o rumo de suas vidas: Fizeram a terceira reverência⁵. Wuxian sempre se imaginara como o solteirão dos Jiang, o tio meio doido que visitava os sobrinhos para mimá-los e ensinar seus truques. Quando deu por si, havia se tornado um marido. O marido de Lan Zhan. Observava-o dormindo diversas madrugadas e acariciava seu rosto esculpido pelos deuses, mal conseguindo imaginar em que momento seus sentimentos tomaram outro rumo. Sorria, e pensava:

É bom ter um amigo.

Quando então se vira ninando seu primeiro filho enquanto Lan Zhan cuidava da próxima aventura que teriam, Wuxian suspirava, rendido por sua pequena família, e se sentindo completo finalmente em anos. Não havia sido fácil. Tinha sido acusado de coisas terríveis — a morte de sua Shijie e a do pavão dos Jin ainda era um pesadelo frequente em suas noites de sono, jamais se perdoaria. —, morrera pelas mãos de seu irmão, Jiang Cheng, vagara num limbo por treze longos anos. Retornara no corpo de Mo Xuanyu, finalmente encontrara o culpado por tudo o que vinha acontecendo desde seus quinze anos, quase morreu mais algumas vezes após isso, confessara seus sentimentos por Lan Zhan — e fora correspondido! —, todos os seus amigos mais queridos haviam retornado à sua vida, como Nie Huaisang e Wen Ning, reencontrara seu filho de consideração, Lan Sizhui (seu querido Yuan), e conheceu seu orgulhoso sobrinho Jin Ling. Casara-se, teve um filho e era verdadeiramente feliz. Tudo com o apoio e amor de Lan Zhan. Não poderia ser mais grato.

— Eu já lhe disse que o amo hoje? — aproximou-se após colocar o pequeno Wei-Lan no futon, e abraçou o marido pelo pescoço, impedindo que o mesmo continuasse a escrever.

Lan Zhan não demorou-se em largar o pincel e apoiar as costas do amado até que estivesse deitado com a cabeça em seu joelho confortavelmente.

— Aproximadamente dezoito vezes, mas nenhuma após o sol se pôr. — sorriu e se inclinou, depositando um beijo no alto da testa de Wuxian, entre os fios desarrumados.

— Eu sabia que você contava! Jiang Cheng disse que eu estava exagerando, aquele idiota… — gargalhou baixinho. Levantou a mão até tocar a “intocável” fita do clã Lan. — Lembro-me de como ficou bravo quando ameacei fazer isso pela primeira vez. Disse-me que apenas sua família e cônjuges podiam fazê-lo.

— E dias depois você estava segurando a outra ponta enquanto conversávamos com a antiga líder do clã Lan. — Wangji sorriu. — Estávamos predestinados, todos os sinais apontavam para onde estamos agora e onde estaremos daqui muitos anos.

— Amo você. — sussurrou o Wei, o sorriso se alargando conforme as bochechas do marido pintavam-se de carmesim, timidamente.

— Também o amo, Wei Ying.

E Wuxian suspirou apaixonado. Esse sentimento nunca passava, mesmo após anos, e acreditava que não haveria de passar. Quando levantou-se e cobriu os lábios de Lan Zhan com os seus em um beijo profundo, acrescentando sua língua para esquentar e deixar Wangji com vontade daquilo, Wei Ying só conseguia pensar que, antes de tudo…

É bom ter um amigo.

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Corta-manga¹: Termo utilizado no universo de c-drama para se referir aos homossexuais. Relaciona-se a uma lenda onde se conta que um imperador tinha um caso com um homem de seu palácio, e, certo dia, quando o imperador acordou, o amante estava deitado sobre a manga de sua roupa. Para não acordá-lo, o imperador cortou a própria manga. A história acabou sendo espalhada e nasceu o termo.

Suibian²: É o nome da espada espiritual de Wei Wuxian. Na cultura dos cultivadores, a espada é símbolo da honra de um homem, por isso o fato de que ele não a utiliza mais é um sinal de sua desgraça.

Chenqing³: Nome da “flauta fantasma” que Wuxian utiliza após retornar da Colina Sepultura.

Shijie⁴: Irmã mais velha, no caso referindo-se a Jiang Yanli, irmã de Jiang Cheng e irmã de consideração de Wuxian.i.

Terceira reverência⁵: Se refere ao casamento, especificamente ao ato de fazer reverências aos deuses, à terra e à família, característica da cerimônia.