King Of My Heart

King Of My Heart

Sinopse: Ela não queria arrumar um namorado, não queria se apaixonar, estava completamente bem sozinha e não se importava de sua situação, mas, após visitar a famosa Madame Manfri e a mulher prever um novo amor em sua vida, talvez ela precisasse atravessar o mundo para encontrá-lo.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Beta: Rosie Dunne.

King Of My Heart

 

 

Prólogo

Enquanto olhava pela janela do avião, voltando para a casa, sabia que sentiria falta da Coreia e, se há um mês atrás dissessem a ela que estaria deixando o solo coreano dessa forma, ela teria rido até a barriga doer. Mas é incrível como as coisas poderiam mudar em apenas trinta dias.
Desbloqueou o celular, indo para a galeria e sorrindo para a última foto que tirara: Ela e , encaravam a câmera com os olhos brilhando, típico de duas crianças que haviam aprontado, e sorrisos tão cúmplices quanto os dedos entrelaçados ao final da imagem. Suspirou, estava apaixonada e, para ela, aquela era a mais duvidosa das mudanças.

 

 

Parte I: Madame Manfri

adentrou a loja onde, ao fundo, Madame Manfri atendia seus clientes. A mulher tinha fama por toda a indústria, independente do ramo que você faz parte, em algum momento já vai ter ouvido falar de Madame Manfri e como ela previu que dois dos maiores atores de Hollywood acabariam ficando juntos, ou como ela acertou a gravidez daquela apresentadora de TV. Madame Manfri e suas cartas sabiam de tudo, não havia engano quando se tratava da mulher e, como boa amante do ocultismo e formas excepcionais de prever o futuro, não perdeu tempo em marcar uma sessão.
Passou pelos tecidos roxos, pendurados junto com a cortina de contas, que separavam a loja de antiguidades do “escritório” da taróloga. Observou com atenção os detalhes, desde a bola de cristal em uma das prateleiras, que também abrigava os diversos livros de capa dura, até os quadros na parede que ilustravam a quiromancia e algumas cartas de tarô, deixando seus olhos caírem sobre a mesa, no centro da sala, e sentir o coração acelerar ao ver o baralho em cima da mandala, que lhe fazia proteção.
Antes que pudesse observar mais atentamente o local, viu a mulher, de aproximadamente cinquenta anos, sair de uma sala paralela e a encarar com um sorriso contido.

, a mais nova modelo em ascensão. — Indicou a cadeira para a mais nova, sentando-se no lado aposto a mesa, próxima ao baralho. — O que posso fazer por você hoje?

Sorriu de volta para ela, sentando-se e mordendo os lábios nervosamente, antes de responder.

— Ouvi dizer que a senhora nunca erra.

— Ouviu certo. — Manfri sorriu, pegando as cartas e começando a as embaralhar. — O que você veio procurar aqui hoje?

suspirou.

— Um conselho? — Disse, incerta. — Quero ouvir o que a senhora tem pra me dizer.

— Ah, querida. — A mulher riu. — Não sou eu quem vai te dizer algo, e sim essas belezinhas aqui, eu só faço a comunicação. — Colocou as cartas na mesa, abrindo-as enquanto falava. — Muito bem, agora preciso que você feche os olhos e se concentre, as cartas vão te escolher.

E, seguindo as instruções da taróloga, fechou os olhos e respirou fundo, se concentrando e pedindo, a quem quer que a pudesse ouvir, que as cartas, ou Madame Manfri, não importava, lhe dessem algo bom, algo que a ajudasse. Abriu os olhos, encarando a mulher que, sem tirar os olhos de si, puxou três cartas da fileira, deixando o restante de lado e, em uma pergunta silenciosa, questionando se poderia revelar as escolhidas. assentiu, prendendo a respiração diante o nervosismo, encarando as cartas, que para si nada diziam, em expectativa.

Rei de Copas. — Manfri dizia, virando-as uma a uma. — O Louco. Ás de Copas. — Encarou a modelo, antes de seguir para o significado de cada. — Essa aqui, — Disse, indicando o Rei de Copas com o indicador. — representa você. O Rei de Copas é alguém que foi muito magoado no passado, alguém que não quer se abrir novamente, que protege seu coração da melhor forma que pode, afastando todos. Mas sabe, , o Rei de Copas é uma pessoa solitária, alguém que acha que está bem da maneira que está, mas não é assim que as coisas funcionam para ele. — Seguiu para a próxima carta. — O Louco fala de inocência e recomeços, de um espírito livre, cansado da situação em que está. Algo muito grande está para mudar na vida de nosso Rei de Copas. — Abriu um sorriso ao alcançar a última carta. — Ás de Copas, a carta da intuição e de novos sentimentos. — Riu, leve. — Talvez o coração do Rei de Copas não esteja assim tão inalcançável, não é mesmo? — Puxou mais uma carta de seu baralho, depositando-a a frente das outras, perto de sua cliente. — O Sol, felicidade, sucesso, celebração e positividade. — Encarou a mulher, com um sorriso quase maternal. — Seu novo amor vai te fazer bem, , não se feche para ele. Siga sua intuição e deixe esse rapaz entrar em sua vida. Você vai precisar ir longe demais para encontrá-lo, mas sua carreira vai te ajudar. Quem sabe um trabalho do outro lado do mundo não seja exatamente o que você precisa?

Sem dizer nada além de um simples ‘obrigada’, se levantou e deixou o local, não podendo ver o momento em que Madame Manfri balançou a cabeça em negação, havia conhecido Reis de Copas o suficiente durante sua vida, e sabia exatamente como aquilo iria terminar, por mais que a modelo não acreditasse.

 

 

🔮🔮🔮

 

 

nunca fora uma pessoa cética, pelo contrário, sempre acreditara no que seu horóscopo semanal dizia, perguntava o signo das pessoas quando as conhecia e até mesmo já fizera algumas simpatias durante seus vinte e quatro anos de vida, mas poderia jurar que a tal taróloga das estrelas, de onde acabara de sair, só poderia ser uma farsa. Que outra desculpa poderia existir para uma tiragem tão irreal? Tão impossível de acontecer? Com toda a certeza a mulher só poderia estar brincando com a sua cara. Buscou pelo telefone, em sua bolsa, discando rapidamente o número da melhor amiga.

. — Disse, assim que a amiga a atendeu. — O que você tinha na cabeça quando me indicou essa mulher?

Ouviu o riso do outro lado da linha.

Como foi com a Madame Manfri?

Revirou os olhos, só poderia ser piada.

— Como foi? — Riu, irônica. — Ela veio com um papo de Rei de Copas pra cima de mim, e de como eu vou conhecer o meu novo amor. Você está ouvindo isso, ? — Ouviu a amiga concordar. — Ela é louca, qual a possibilidade de eu arranjar um namorado? Ainda mais do outro lado do mundo?

Você sabe que ela nunca erra, . — Declarou, o tom de voz entregando o sorriso no em seu rosto, sabia que a amiga não iria gostar do que poderia descobrir, não quando sabia que Manfri nunca se enganava.

— Para tudo existe uma primeira vez, essa mulher é uma farsante. — Dizia, fazendo sinal para um táxi que se aproximava.

Foi exatamente o que eu te disse quando ela leu sobre o meu futuro com o . — Retrucou. — E o que você me disse? “Manfri é muito famosa, você precisa acreditar nas cartas”.

— Tudo ladainha. — Se negava a acreditar, mesmo se lembrando da situação exata. — Eu tô indo pra agência agora, te ligo mais tarde.

Se despediu da amiga e desligou o telefone, teria um longo dia na agência, havia recebido alguns novos contratos e seu empresário dissera que a mulher iria adorar as oportunidades. Suspirou, balançando a cabeça para espantar as lembranças de sua sessão com a taróloga, não havia a menor possibilidade daquilo se tornar real. Certo?

 

 

Parte II: Primeiros dias.

Seis meses mais tarde, estava desembarcando na Coreia, onde passaria um mês para participar da campanha internacional de uma marca local, que estava se expandindo e alcançando o mercado mundial. Normalmente não fazia trabalhos tão longe de casa, não gostando de se afastar tanto assim, mas algo a havia atraído assim que vira o nome Seoul brilhando no contrato que havia lhe sido entregue, os dedos coçando para assinar antes mesmo de ler as condições propostas. Cruzou as mãos no colo, ouvindo Mark lhe apresentar o contrato e a marca, da qual ela nunca havia ouvido falar, e, embora o empresário não visse como um dos melhores trabalhos que ela já havia recebido, poderia ser bom para o seu portfólio fazer trabalhos no continente asiático, alcançando uma gama maior de empresas ao expandir sua área de trabalho. Não foi preciso de muito convencimento para que topasse a proposta, algo a atraía diretamente para o local e, embora não fosse admitir nunca, a previsão de Manfri lhe rondara a cabeça nos dias seguintes, enquanto se preparava para começar o novo contrato.
Seguiu para o pequeno apartamento no qual ficaria durante seu tempo na Coreia, tomando um banho rápido e saindo para conhecer a cidade. Falava pouquíssimo de coreano, seu vocabulário se resumindo em palavras chaves que aprendera para não passar vergonha, não que ajudasse muito. Saiu pelas ruas de Seoul com o celular, com o gps e o tradutor, em mãos, buscando por um local para comer — e se arrependendo de não ter experimentado comida coreana antes para saber se gostava ou não, já que a aparência não lhe deixava inclinada naquele momento, nem mesmo com a fome que sentia.
Suspirou, voltando os olhos para o celular enquanto andava, procurando por um fast food próximo. Completamente distraída, nem mesmo percebendo outra pessoa vindo em sua direção até colidir com ela.

— Ah meu deus, me desculpa! — Disse, não se lembrando das palavras em coreano, não erguendo os olhos para o outro.

— Tudo bem, não foi nada. — Arregalou os olhos ao ouvir o inglês perfeito do homem. Finalmente olhando para ele e piscando, céus, ele era lindo.

— Você fala inglês. — Constatou, vendo-o abrir um sorriso.

— E você claramente não fala coreano. — Esticou a mão para ele. — Prazer, .

. — Disse, apertando a mão do moreno. — Por favor, me fala onde tem um Mc Donald’s.

Ele riu.

— Não gosta de comida coreana?

— Nunca experimentei e, sem querer ofender, não parece muito boa. — Abriu um sorriso amarelo.

— Vem, eu ‘tô indo pra lá também.

pensou em todas às vezes em que sua mãe lhe dissera para não confiar em estranhos, e no fato de que não teria para quem pedir ajuda caso algo acontecesse, estava completamente abandonada em um país desconhecido. Mas havia algo sobre , sobre o olhar sincero que ele demonstrava, que a fez acreditar que estaria segura e então, seguindo sua intuição, seguiu o homem, que passou todo o caminho lhe falando os benefícios da comida coreana e, por mais que ela não fosse admitir, lhe fez querer dar uma chance. Mas não hoje.

— Você não fala coreano, não come comida coreana e claramente não conhece a cidade. — constatou. Estavam sentados um de frente para o outro, comendo seus lanches. — Como veio parar aqui?

— A trabalho. — Ela suspirou, o que o fez rir. — O Mark já veio aqui várias vezes, era pra ele ser o meu guia, mas ele só chega na semana que vem.

Ele ergueu uma sobrancelha.

— Mark é seu namorado? — A mulher arregalou os olhos, negando rapidamente.

— Meu agente. — Respondeu, dando uma mordida em seu lanche. — O Mark ‘tá mais pra um pai do que um namorado, um pai bem chato. — Riu, vendo o outro fazer o mesmo.

— Me passa meu número. — Pediu, tirando o celular do bolso. — Enquanto ele não chegar, pode me ligar, se precisar.

Ela sorriu, aliviada. Não estava mais sozinha.

 

 

🔮🔮🔮

 

 

esperava que ele estivesse falando sério quando disse que a mulher poderia ligar, já que era exatamente o que fazia no momento. Observava ao redor, enquanto ouvia os toques do telefone, torcendo para que o homem a atendesse. Havia encerrado o primeiro dia do photoshoot e achou que conseguiria voltar para o hotel sozinha. O maior erro que cometera desde que chegara no país. Não fazia a menor ideia de onde estava e já estava começando a escurecer.

? — A mulher fechou os olhos, agradecendo por ele a atender. — Aconteceu alguma coisa?

, — Murmurou. — eu tô perdida, de novo.

O homem riu, do outro lado da linha.

Me fala onde você tá.

Ela bufou.

— Eu não sei. — Revirou os olhos. — Tá tudo em coreano, .

Essa é a ideia. — Riu novamente, o que só a fez fechar ainda mais a cara. — Me manda uma foto de onde você tá, algum letreiro ou placa de rua.

— Tudo bem.

Desligaram, e ela fez conforme lhe foi pedido, recebendo como mensagem um ”chego em 10 minutos”. Levou menos do que isso para que o rapaz aparecesse ao seu lado, de bicicleta e com um sorriso de quem pede desculpas.

— Eu não tenho carro, espero que você não se importe. — Indicou o quadro da bicicleta, para que ela se sentasse e, embora não fizesse algo do tipo desde a infância, não é como se a mulher tivesse outra opção no momento. — Onde fica o seu hotel?

E, sorrindo amarelo, lhe explicou que não somente não sabia o nome do hotel, como também esquecera o cartão de entrada dentro do quarto. revirou os olhos, com um sorriso brincalhão no rosto. Como ainda não havia se metido em uma enrascada?

 

 

Parte III: Encontro.

Desde o dia em que se perdera, e mantinham contato constante. O rapaz dizia que se sentia na obrigação de verificar como ela estava, já que ela era o que ele chamou de “ímã para confusões”, o apelido fazendo a mulher revirar os olhos e morder um sorriso. Mas, apesar de trocarem mensagens durante todo o dia, o que fez Mark questionar sobre o que tanto fazia no telefone, ainda não haviam se visto novamente. Não até ela ouvir de uma das fotógrafas sobre uma exposição nova na cidade, um artista local e que, a mulher sabia, era o favorito de .
Aproveitando que teria um dia de folga, chamou o rapaz para acompanhá-la, o informando que tinha o cargo de impedir que se perdesse após a exposição. Recebendo uma resposta animada do novo amigo, combinaram o dia e o horário, ele se comprometendo a buscá-la no hotel já que, obviamente, ela não saberia chegar ao museu sozinha.
sentiu o coração errar uma batida ao ver o homem, com o sorriso mais lindo que já vira em toda a sua vida, esperando-a na porta do hotel. Disse a si mesma que aquilo não era nada e que não precisaria se preocupar. Não por hora, ao menos.
O museu era perto de onde estava hospedada e, por isso, seguiram a pé até o local. Durante o trajeto, conversaram sobre o artista homenageado, movendo os braços e falando alto, extremamente animado com a programação da tarde. E, por mais que o artista, adepto do abstracionismo, não fosse de seu interesse, precisava admitir que aquecia seu coração ver o amigo tão animado e procurando significados tão profundos nas obras. Ficou tão imersa na aura criado por , que nem mesmo percebera o momento em que deram as mãos, permanecendo assim por toda a tarde.

 

 

Parte IV: Desencontro

Bateu a porta, escorando-se nela e deixando o corpo cair ao chão. O que estava fazendo? Onde estava com a cabeça? Por que raios sentia o coração acelerar ao pensar em ? Não, não, não. Aquilo não poderia estar acontecendo, não com ela, não naquele momento. Iria embora em duas semanas, deixaria a Coreia e nunca mais voltaria. Voltaria para Los Angeles e seus riquinhos que dirigiam carros chiques e esbanjavam riquezas no primeiro encontro. Voltaria a ser Cambpell, a modelo em ascensão com um coração de gelo. Não poderia se apaixonar, não por , não por alguém que teria que deixar para trás. Nunca dariam certo, nunca deixaria sua vida na Coreia para acompanhá-la em Los Angeles, e com toda a certeza do mundo não se mudaria para a Coreia com sua comida estranha e língua desconhecida. Não dariam certo, era isso. Aquilo não funcionaria, não tinham futuro. Por deus, porquê estava pensando em um futuro? Limpou as lágrimas em seu rosto, se levantando e seguindo para o banheiro, onde lavou o rosto e se observou no espelho. não poderia se apaixonar, e não iria.
Durante os dias seguintes, recebera diversas mensagens e ligações de , as quais ignorou. Mordia os lábios e sentia o coração se quebrar mais um pouquinho a cada mensagem deixada na caixa postal, não era justo com ele, sabia disso, mas não poderia se colocar nessa situação. Não novamente. Não correria o risco de ter o coração quebrado outra vez, mesmo que, inconscientemente, estivesse fazendo isso a si mesma.
Eventualmente, as mensagens e ligações pararam e, por mais que o silêncio houvesse se tornado ainda mais perturbador, sabia que era melhor assim. Era o melhor que podia fazer por si mesma e por . E, com isso em mente, largou seu coração para trás, focando em terminar logo o contrato e poder voltar para sua rotina em Los Angeles.

 

 

Parte V: O Rei de Copas encontra o Sol.

arregalou os olhos ao ver parado em frente ao prédio onde estavam sendo feitas as sessões de fotos. O homem tinha os braços cruzados e a encarava, escorado no pequeno muro que fazia contorno ao jardim. Suspirou, sabia que agora não tinha mais como fugir, limpou a garganta nervosamente, mordendo os lábios e se aproximando do outro, até estar próxima o suficiente mas ainda assim uma distância segura para si.

— O que aconteceu? — Ele perguntou, calmo, após suspirar e descruzar os braços.

… eu… — começou, sem saber ao certo o que dizer, fechando os olhos e levando as mãos ao rosto. — Eu não posso fazer isso, eu não sou assim.

— Fazer o quê? — Questionou, franzindo as sobrancelhas e se aproximando. — , eu não ‘tô te pedindo nada.

Ela riu, sem humor algum, movendo a cabeça em negação.

— Eu sei que não, mas eu ‘tô começando a querer demais de mim mesma. — Suspirou. — ‘Tô começando a querer algo que eu não posso ter, eu vou embora em oito dias.

O homem baixou a cabeça, encarando os pés por algum tempo. Sabia do que ela estava falando, afinal, estava passando pela mesma situação. Mesmo dizendo a si mesmo que não daria certo, que estava apenas criando um novo problema para si mesmo, não pode impedir a proposta de passar pelos seus lábios, dando voz ao que sentia.

— Me deixa passar esses oito dias com você, — Encarou-a, vendo o medo estampado das íris castanhas da mulher. O medo de se machucar, de se envolver demais, o medo de se apaixonar ainda mais. — A gente vai se arrepender muito mais se deixar isso passar.

— Oito dias, . — Se aproximou ainda mais, pegando as mãos da mulher entre as suas. — Tudo que eu te peço são oito dias.

E, encarando-o assim, tão de perto e com o coração tão aperto para si, sabia que não poderia negar isso a ele, a eles. Lidaria com as consequências quando a hora chegasse mas, durante os oito dias seguintes, ela seria feliz e faria tudo o que o seu coração sentisse vontade, começando por realizar aquilo que tinha em mente há quase um mês: descobrir como seria beijar .

 

 

Epílogo

chegou em casa, observando o apartamento silencioso e deixando um suspiro escapar. Já sentia falta da bagunça e do falatório que sempre acompanhava quando estavam juntos. Levou as malas até o quarto, seguindo para o banheiro afim de tirar o cansaço da viagem do corpo. Passou tempo demais debaixo do chuveiro e sabia que, se o estivesse ali, lhe falaria sobre como a água do mundo estava acabando, o que a faria revirar os olhos, ignorando o discurso ecológico do homem. Havia deixado a Coreia com a promessa de tentarem fazer dar certo, mas a diferença de fuso horário impedira até mesmo que ligasse para ele ao chegar em casa, sabendo já ser tarde demais em Seoul e que ele trabalharia no dia seguinte.

 

 

🔮🔮🔮

 

 

Dois meses se passaram e o contato entre eles apenas diminuía, mantendo-se apenas em assuntos básicos e superficiais, nenhum dos dois possuindo tempo para levar as conversas para algo além disso. já amaldiçoava a maldita Madame Manfri e sua boca grande, afirmando que a culpa de estar sofrendo por amor era toda da mulher e sua previsão. Mas, apesar de tudo, não se arrependia de ter aceitado o contrato que a levou até o outro lado do mundo, como poderia se arrepender se a escolha havia trazido para a sua vida?
Suspirou, esperando que o sinal fechasse, para que pudesse atravessar, olhando rapidamente para o lado e sentindo o coração parar ao ver uma figura familiar parada, olhando ao redor como se não soubesse onde estava. Abriu um sorriso, de aproximando com passos rápidos, não poderia ser ele, poderia?

? — Chamou, vendo-o procurar pela voz e abrir um sorriso gigante ao ver a mulher a sua frente. — O que você tá fazendo aqui?

O homem riu, a abraçando apertado.

— Eu queria te fazer uma surpresa, — Sorriu amarelo, mostrando o gps aberto em seu celular. — mas não sei andar por Los Angeles.

— Dessa vez, eu sou sua guia turística. — Piscou, pegando na mão do homem e levando-o consigo.

Havia ido longe demais para conhecer o amor e, agora, era o amor que vinha até ela.